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A importância do silêncio

A oração que Jesus dirige ao Pai, segundo nos narra São João, mostra a preocupação de Cristo
com todos aqueles que irão crer em seu Nome: eles não são do mundo, mas estão no mundo. Com
isso percebe-se que o mundo, não o físico, criado por Deus com sua imensa beleza, que também nos
convida a louvar o Criador, mas o mundo criado pelo homem, a sociedade que oferece oportunidades,
situações que contrariam os verdadeiros valores humanos e evangélicos.
Um dos grandes riscos para todos que estão no mundo é a dispersão, a distração, enfim, tudo
aquilo que pode separar a pessoa humana do motivo de sua criação: louvar, com sua vida, a Trindade
Santa. O barulho do mundo é incapaz de calar a voz de Deus, mas torna a criatura surda e insensível
às inspirações divinas.
Entre todos os místicos, nos tratados sobre ascética e demais obras espirituais, com as devidas
proporções, poder-se-á dizer que há um primeiro degrau comum para todos aqueles que desejam se
converter e crescer em sabedoria e santidade: o silêncio. Abaixo há trechos dos escritos de São Pedro
Julião Eymard que podem auxiliar nessa temática:
Deus, ao criar o homem, reservou-se para si o domínio da alma; reservou-se a homenagem de
toda a sua, vida, cujo fim e glória quis ser Ele só. Aperfeiçoaria nele, por meio de novas graças, a
imagem e a semelhança divina, numa íntima cooperação. Mas o pecado veio tudo inverter e o homem
pecado; não quis mais permanecer em si mesmo com Deus. Tornou-se todo exterior, escravo dos
objetos terrenos. [...]. É no nosso íntimo que Ele deseja firmar seu reinado, forçando-nos a permanecer
com Ele em nós, a imitar a Santíssima Virgem, na Encarnação, que vivia toda atenta ao Fruto divino
que trazia em si.
Para chegar a Jesus, preciso passar pelo meu coração: para ouvir-lhe a voz, preciso prestar-lhe
os ouvidos da minha alma Para viver com Jesus, preciso permanecer com Ele no santuário que se
reservou em mim [...]. O recolhimento é, pois, necessário à minha vida em Jesus. Em que consiste esse
recolhimento?
Há o recolhimento exterior e o interior. Ora, o exterior está no amor à solidão, ao silêncio e à
modéstia do corpo.

1. Solidão
Deus não gosta da agitação, nem faz ouvir sua voz no bulício do mundo. Quer calma, paz e por
isso nos diz: "Conduzirei a alma dileta ao ermo e aí lhe falarei ao coração" [...]. "É no silêncio e no
repouso, diz a Imitação, que a alma piedosa progride. Aí descobre os mistérios ocultos da Palavra
divina, aí encontra riachos de lágrimas onde, todas as noites se lava e purifica. Então se tornará tanto
mais familiar com Deus quanto mais afastada estiver do tumulto mundano.

2. Silêncio
O silêncio é o guarda da paz do coração e da pureza da alma "Quem muito fala, diz o Espirito
Santo, não está isento de pecado." A alma esvai-se em palavras inúteis; fere-se em palavras contra a
caridade e a humildade – é coisa tão fácil esquecer-se a si mesmo no meio do mundo. Sejam sempre
tuas palavras, ó minha alma, uma homenagem à verdade, um louvor à caridade, um sacrifício de
humildade e de doçura, uma defesa da virtude e da justiça.

3. Modéstia
A modéstia exterior é o guarda necessária do recolhimento e consiste:
a. Na vigilância dos sentidos para não os deixar ir à curiosidade, a uma atividade grande demais,
às impressões demasiadamente vivas, causadas pelos objetos exteriores;
b. Na modéstia dos olhos, que não é afetada, nem tímida, mas sim uma modéstia simples onde
se vê sem fixar e se olha sem se impressionar
c. Nos movimentos do corpo, no gesto, no porte. É uma modéstia grave, sem complicação, ativa
sem agitação, descansando o corpo sem moleza, conveniente sem familiaridade, boa sem afetação. É
a linda flor da pureza da alma.