UNESP - Universidade Estadual Paulista - Campus Marília Programa de Pós-graduação em Educação Disciplina: Tópicos Variáveis de Leitura e Literatura

Infantil Profª Drª Ângela Balça e Prof. Dr. Dagoberto Buim Arena Aluna: Margareth Cavalcante de Castro Lobato

Este trabalho é uma síntese dos assuntos apresentados e debatidos durante o curso ³Tópicos Variáveis de Litura e Literatura Infantil´, ministrada pela Profª Draª Ângela Balça, em agosto de 2010. Além dos conceitos abordados, seguem apontamentos pessoais, com o objetivo de manter as discussões em aberto. As discussões são apresentadas com base nas anotações de sala de aula. Parte I ± Considerações Iniciais A Profª Ângela Balça é Licenciada em Letras Vernáculas e Doutora em Ciências da Educação pela Universidade de Évora, onde também atua como docente. Desenvolve pesquisas sobre Literatura Infantil. É coordenadora de um Projeto de Leitura e Formação Literária, que tem por objetivo a capacitação de Professores para atuar na rede de educação infantil, na cidade de Évora, em Portugal. Balça cita ainda outros projetos de que participa, e que considera importantes e complementares ao trabalho que desenvolve como docente e pesquisadora. Dentre eles, destaca dois: a) ³Ação de Formação para as Famílias´, cujo objetivo é formar famílias leitoras, por considerarem a família uma aliada de peso na formação da criança leitora literária. Esta proposta consiste em sugerir obras, jogos e outras informações que são enviadas às famílias com orientações sobre como trabalhar com os livrinhos em casa; b) ³Programa Ler é saúde´, em que promove o acesso a livros infantis distribuindo-os em ambientes de espera de salas de dentistas, médicos, oftalmologistas, clinicas e hospitais. Estas atividades foram citadas como relevantes para a definição do percurso intelectual que a professora adota, e que se tornou inerente ao seu trabalho docente. A este percurso, denominou: ³Da Literatura à Educação Literária´. Parte II - Da Literatura à Educação Literária. Mais do que uma simples questão de nomenclatura, Balça pretende enfatizar que há uma diferença entre ser um leitor comum, enciclopédico, e ser um leitor literário, não só por estes lidarem com objetos diferentes (diversos gêneros versus gênero literário), mas em especial porque o leitor literário mobiliza estruturas cognitivas e mentais que precisam ser trabalhadas em um processo de educação formal, através de ações específicas e metodologias apropriadas. Trata de -se preparar a criança, desde a creche, para a leitura literária. A educação literária, neste contexto, constrói-se sobre estudos da forma e do conteúdo, pois ambos são igualmente referenciadores para a construção dos sentidos de um texto. Educação literária é a capacidade de construir sentidos para um texto a partir de recursos lingüísticos textuais e da experiência literária vivenciada pelo indivíduo. Ter educação literária é ter a capacidade de experimentar um texto em suas dimensões formal, artística, lingüística, e sensorial. Significa proceder a um refinamento do texto, de modo a torná-lo único, pessoal. Esta apropriação do texto deve ser resultado de uma ação educativa intencional, realizada durante o percurso escolar do aluno. Mas há um equívoco, perpetuado nas escolas através dos programas de curso, que reduz a formação literária do aluno à obtenção de conhecimentos sobre autores e escolas, em detrimento da leitura das obras e das discussões e reflexões sobre as mesmas. Sem nos determos sobre as mazelas do sistema educacional brasileiro, propomos aqui breves considerações sobre a educação literária, em especial, sobre a formação inicial da criança leitora.

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exige também capacidade de fruição estética. A leitura de livros. em que o intertexto do leitor (da criança em formação) é ativado para permitir a construção de novos conhecimentos lingüísticos e literários. pois vimos que não se trata apenas de ³um contador´ ou de um ³leitor histórias para crianças´. Na formação da criança leitora. Exige conhecimento da língua e de seu funcionamento. A função do professor é elevar o patamar estético de seu aluno e dotá-lo de autonomia para a produção e recepção de textos literários. Exige conhecimentos sobre a estrutura do texto. compreendendo as relações que elas estabelecem entre si. o professor deve estar ciente de que lida com conceitos como hipertextos. Ativar a intertextualidade pode ser considerada um estratégia em que os textos do leitor se manifestam e são incorporados ao novo texto. cabe também fazer a mediação no sentido de que a criança perceba a existência de um texto dentro de outros textos. contribuindo para o desenvolvimento de sua competência literária´ (Balça. em creches. sendo esta ³espontânea´. Exige conhecimentos literários específicos. portanto. estudar cada uma destas partes e remontá-las em um todo significativo. para poder identificar suas partes constitutivas. Cada uma destas exigências requer habilidades que devem ser trabalhadas pelo professor. conforme veremos. Fiorin. mas não temos a bibliografia correspondente ± temos como resolver isto?) Algumas sugestões de atividades são: 2 . Infere-se destas colocações que o desenvolvimento da competência literária deve estar sob a incumbência de alguém que seja um leitor literário competente. Em uma atividade de leitura literária. de promover uma formação para que a criança aprecie a literatura. o que corresponde à primeira etapa da educação infantil. 1999). de forma integrada à leitura da obra literária. como uma ferramenta de busca referências explícitas ou implícitas. Estes conhecimentos permitirão ao professor o balizamento para seleção de obras e para definição de estratégias de ensino eficazes. como uma forma de reverência. A profª Balça apresentou três propostas para o ensino de leitura literária (Prof. ou seja. s leitura oral e linguagem oral. e aquela. diferentes daqueles que usamos para ler outros tipos de textos. pelo professor é uma das atividades mais eficientes. Ao professor cabe a tarefa de trabalhar o desenvolvimento destas habilidades com seus alunos. desde então. No caso brasileiro. o hipotexto (ou o texto original que ³é trazido´ no texto que agora é lido). 2010 . de complemento e de elaboração do nexo e sentido deste texto/imagem. A criança. estruturada ± embora nesta idade ainda não saiba definir ³estruturada´. de um especialista que promove práticas pedagógicas que visam esta formação específica. Segundo a Profª Ângela Balça. por exemplo. Dagoberto: foram citadas as referências. Tem-se como pressuposto que a capacidade de interpretar um texto literário resulta do domínio de aspectos lingüísticos e formais do texto e das experiências de leitura que o aluno acumula durante sua formação. Analisar formas e atribuir sentidos são as tensões que o leitor literário enfrenta ao desvendar o texto. 2002) e pode ser reconhecida quando um autor constrói a sua obra com referências a textos. Ao professor. desde o ingresso da criança no sistema de educação regular. Trata-se.O desenvolvimento da competência literária não é um processo automático que s dá e somente pela exposição ao livro. valorizar e ativar intertextos. de apreciação temática. (Barros. este recurso é importante por considerar que a criança de creche tem pouca vivência de mundo. para que saiba interpretar. ³A educação literária decorre da necessidade de formar a criança como leitora literária. um texto derivado de outro texto anterior. Por fim.notas de aula) A intertextualidade é ³um fenômeno constitutivo da produção do sentido e pode-se dar entre textos expressos por diferentes linguagens´ (Silva. imagens ou a sons de outras obras e autores e até por si mesmo. já começa a perceber diferença entre.

2004) aos alunos. começando em especial pelas mães. é a referência a outros ícones em um texto icônico. Leitura Como exemplo de atividades. Embora eu não tenha formação voltada para a Educação Infantil. Fazer ³perguntas de expectativas´ (Matias. de trazer para minha realidade o que me chamou a atenção durante as aulas. editor. Percebi que há pouca relevância dada aos elementos paratextuais. 2006) que segue as etapas de a) pré leitura. aqui. Reservo-me a possibilidade de tratar.1) Ensino da Leitura: Modelo Centrado na Literatura. não de inferências teóricas explicitas. creio. passou a explorar a importância da ³iconicidade´ . das Escolas Públicas de Goiás). considerações finais. foram sugeridas: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Pedir aos alunos que escrevam o texto com base na capa do livro (antecipação). 2) Ensino da Escrita: (Modelo de Flowersnhooyes. sem dúvida que este curso muito acrescentou para o meu trabalho. capa. b) leitura. autor. Leitura ± do todo ou parcial. 2) Encenações. 8) Diários de leituras ± reflexões pessoais sobre as ações. em Goiânia. inclusive crítica literária e catálogos. Ativar intertextos. b) Redação. guarda. Solicitar que os alunos escrevam outra versão. em ambientes de espera. 7) Reconto do código escrito. Os conceitos trazidos para estudo são comuns também à educação de estudantes de graus posteriores à educação infantil. abordando conceitos como interconicidade ± que. ou tudo que integra a obra sem ser o próprio texto. b) identificação.uso de imagens . bem como as análises icônicas carecem de aprofundamento. pois. por exemplo. 3) Brincadeiras. Estes estavam em elaboração de projetos de leituras para os alunos. mas de insights. Também ponderei muito sobre a possibilidade de algo semelhante à formação de famílias leitoras. ilustrador. páginas de rosto. Parte III ± Reflexões. senti-me bastante à vontade para dar seguimento às 3 . Recentemente participei. junto com professores. 1982) : a) reconhecimento. e c) pós leitura. e ³elementos paratextuais´. Pós Leitura 1) Caderno de crítica literária. ou projeções do leitor no universo dos personagens ± comentários diversos. pois muitos conceitos e práticas abordados ativaram reflexões e volitividades. os alunos criem histórias. Comecemos. Por isso. em Évora. de trabalhos junto a bibliotecários escolares (Projeto Cantinho de Leitura. e c) imaginação. à semelhança de intertextualidade. pela questão dos projetos desenvolvidos pela Professora Balça. a partir das respostas. lombada. e de práxis. 1981) : a) Planificação. 3) Ensino da Leitura do Texto Icônico: (Modelo de Durand. edição. Ativar competência oral. (Yopp & Yopp. contracapa. e c) Revisão. para que. gestantes. título do livro. coleção. São eles. cidade. Pré Leitura: após dar alguns exemplos de cada um destes modelos.nas obras literárias infantis.

quem sabe. É o elo visível entre a literatura e a almejada autonomia. A história. buscando exemplos. e em outros lugares? Ocidente e oriente compartilham ideias sobre literatura infantil? Quais as temáticas são privilegiadas em outras culturas? Os contos de fadas são universais de fato? Aliás. E como cada elemento contribui para prender a atenção do ouvinte. a cadência. fazendo questionamentos que me permitissem. reorganizada. Dialogismo. cada ação pensada. UNESP Marília ± Pós-graduação em Educação. modificada. BALÇA.questões adjacentes. as pausas. (Org. agosto de 2010 (Notas de aula) BARROS. 4 . O que era a literatura infantil em outras épocas. no Brasil? Em que esta tradição se difere de outros países? São questões que ainda estão por ser debatidas. São Paulo: Edusp. Observei como nos rendíamos a um bom texto. Muitas reflexão me assaltaram. as escolhas de interrupções. a fluência. que recursos intratextuais e paratextuais utilizam? Qual é a tradição no ensino de leitura infantil. depois de terminado o curso. Curso Tópicos Variáveis de Leitura e Literatura Infantil. FIORIN. por analogia. se o conceito de infância foi se modificando ao longo dos séculos. José Luiz. Diana Luz Pessoa de. quando surgiu a literatura infantil como a conhecemos hoje? Como a literatura infantil existente refletia a concepção de infância predominante em cada época e em cada sociedade? Sociedades ágrafas têm algum tipo de literatura infantil? Se têm. Intertextualidade: em torno de Bakhtin. Ângela.). 1999. compreender mais o universo infantil. influenciando-o em suas escolhas futuras. Polifonia. lido de forma cativante. estudada. Não posso terminar sem fazer alusão às histórias lidas pela professora no decorrer do curso.

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