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10 Vetores que acarretam falhas humanas na Segurança Condominial.

Por André de Pauli andredepauli@msn.com

É consenso entre especialistas e analistas, nos textos que avaliam ocorrências em condomínios
de todos os tipos, modalidades, dimensões e configurações, tanto para moradia quanto
trabalho, que todos os Recursos Humanos envolvidos devem ser submetidos a treinamento
para as atividades de proteção, prevenção e atendimento aos usuários. Síndicos orgânicos ou
profissionais, dentre outros gestores envolvidos nos empreendimentos condominiais, também
alegam que a capacitação é fundamental para redução de falhas que impactam na prevenção
de perdas, controles de acessos e conflitos. Então, por quais motivos, nas análises de
ocorrências a falha humana tem sido apresentada como a principal causa?

Dez Principais Vetores

1. A baixa qualificação da Mão de Obra.


A baixa remuneração restringe o recrutamento ao universo de pessoas com baixo grau
de instrução (ainda há casos de analfabetos atuando em condomínios residenciais).
Processos de seleção com modelos subjetivos quanto a aptidão, vocação e
desconsideração a itens de perfil, tais como: detalhista, capacidade de memorização,
dicção, nível de atenção/concentração, além de leitura e interpretação de textos.

2. A falta de ferramentas normativas.


A informalidade e hábito de orientações exclusivamente verbais impedem a auditoria
de processos, elevam casos de conflitos, baixa qualidade na tomada de decisão e
falhas no cumprimento de procedimentos em todos os níveis hierárquicos.
Consequentemente há impossibilidade de aplicação de auditorias, seja externa como
interna. Impera a máxima de cobrar o bom senso.

3. A falta de Planejamento Anual para Capacitação e Condicionamento.


A desvalorização dos gestores para a prática do planejamento em suas atividades e em
particular ao que se refere ao estabelecimento de previsão para uma programação
anual de reforço e aperfeiçoamento da capacitação até o nível de condicionamento,
são identificadas nas auditorias deste processo. Como consequência há o elevado
número de retrabalhos e falhas operacionais sistêmicas.

4. A baixa retenção do aprendizado.


O baixo volume e frequência de treinamentos produz a natural perda sistemática do
pouco que é transmitido como orientações. Como reflexo acaba ocorrendo elevação
da rotatividade nos quadros orgânicos e/ou na substituição de empresas prestadoras
de serviços. Destaca-se também contínua insatisfação dos usuários com os serviços
prestados.

5. A falta ou baixo número de registros para ocorrências relevantes.


Na grande maioria dos condomínios pelo país a leitura dos diários de serviços (quando
há!), escritos ou digitalizados por pessoal orgânico e/ou terceirizado, trás termos com
muita habitabilidade termos como: Sem Alteração, Sem Novidades, ou similares.
Impossibilitando que sejam produzidos indicadores de desempenho.

6. A elevada tolerância ao erro.


Vale a máxima que o ser humano tem uma incrível capacidade para se adaptar a
ambientes que lhe são hostis. Os padrões de aceitabilidade são reduzidos ao longo dos
tempos, ao ponto de validar a tese do livro: “O Bom ser inimigo do Ótimo” (o inverso
da frase mundialmente conhecida).

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7. A falta de qualificação de instrutores e multiplicadores.


Considerando que a rotatividade de pessoal, o fato de ser uma atividade contínua e
consequentemente a contratação de terceiros vir a representar custos fixos mensais,
opta-se por utilização exclusivamente de recursos internos para formação, instrução,
capacitação e condicionamento. Há casos onde apenas se pergunta ao recém-
contratado: ”Já trabalhou com isso antes”? Então já sabe o que fazer! Reproduz-se
então, perenemente, mais e sempre do mesmo.

8. A falta de uso de ferramentas métricas.


Avaliação de Desempenho de Recursos Humanos, de Avaliação dos contratos de
Prestadores de Serviços, Ocorrências, impactos e consequências destas nos Fatores
Críticos de Sucesso do empreendimento. Ainda muitos gestores aplicam
exclusivamente o método de aprendizado com as falhas, sem plano de ação, sem
inventário, sem plano de manutenção preventiva, sem saber onde se está e para onde
ir, em um prazo de tempo determinado. Sem indicadores e sem métricas voa-se às
escuras.

9. A baixa retenção de Valores Humanos.


Pequenas diferenças de remuneração ou ao menor lampejo de melhora nos
indicadores econômicos e sociais tem sido motivos para perdas de valores humanos
nos quais se fez importantes investimentos em capacitação e benefícios. Perfil e
atuação dos líderes impactam significativamente na decisão em buscar melhores
opções de ambiente de trabalho.

10. Falta e falhas na gestão.


Este vetor é consequência do acúmulo e depreciação de todos os itens anteriores.
Apesar da grande evolução dos processos de gestão com foco na melhoria contínua,
aplicados praticamente em todos os setores da economia, ainda há grande resistência
em aplica-los na gestão condominial. Até mesmo por profissionais que utilizam de
metodologias desta natureza em seus escritórios e empresas. Rotulam de práticas
exclusivamente acadêmicas e o que se espera do gestor é sua competência apenas
operacional. Os indicadores individuais de desempenho devem produzir efeito na
avaliação global do gestor.

O pano de fundo do cenário onde atuam os 10 elementos apresentados pode ser


representado pela falta de importância objetiva e consequente interesse de investimento de
tempo e verba no centro de custos Recursos Humanos.

Por muitos anos as ameaças quando concretizadas produziam baixo impacto e consequências.
Ao mesmo tempo os custos com remuneração eram muito baixos, justificando até a
contratação de excedente de pessoal, produzindo por consequência o desvio de função da
segurança para o conforto e trabalhos serviçais. A realidade mudou drasticamente nos últimos
50 anos, igual período do crescimento do número de empreendimentos condominiais.

A evolução do número de condomínios ainda é crescente e, por consequência, produz a


migração dos que se habituaram a viver em unidades particulares individuais. A mudança de
padrões e de comportamento é significativa. A expectativa ainda é, para todos os usuários,
que recebam serviços de hotelaria e atendimentos personalizados a baixo custo.

A automatização e robotização, meta desde que foi inventada a roda, passando pela revolução
industrial, chega aos condomínios – fazer mais com menos - principalmente propiciar a
redução de custos dentre estes e principalmente na conta de pessoal.

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Por André de Pauli andredepauli@msn.com

Devido haver grande diversificação de empreendimentos, de realidades culturais e sociais em


todo o país, o grau de participação de pessoal no Sistema Integrado de Segurança será ainda
expressivo nos próximos anos, o que justifica apreciarmos as oportunidades de melhorias e
aperfeiçoamento dos 10 principais vetores citados de forma condensada no presente trabalho.
Se Parar de usar desaparece.
Uma rápida abordagem de reforço em defesa do Planejamento Anual de Capacitação e
Condicionamento pode ser identificada na análise nas imagens a seguir, relacionadas a perda
do aprendizado ou curva do esquecimento e o efeito produzido devido a repetição continuada
ou revisão de conceitos e aprendizados. Tais estudos são internacionalmente aceitos e
utilizados maciçamente em literaturas técnicas focadas no aprendizado.

Fonte: aprovadoapp.com.br/blog/como-estudar-melhor-ser-aprovado-parte-4 – acesso 02/04/2018

A intensidade e frequência apresentam a esperada resposta condicionada, rápida e sem


dúvidas na tomada de decisão. Uma das ferramentas aplicadas para tal fim corresponde a
sequencia de exercícios simulados, com ou sem a participação de representantes dos usuários
na condição de atores coadjuvantes.
Curva do Aprendizado em Ondas

Fonte: aprovadoapp.com.br/blog/como-estudar-melhor-ser-aprovado-parte-4 – acesso 02/04/2018

Conclusão.
Ainda se recorda dos motivos que levaram à leitura deste artigo? Se positivo multiplique o
debate com sua equipe. Esqueceu-se? Então retorne ao início e faça revisões, questione
sempre, avalie as diversas alternativas, até que sinta-se confortável em seguir a diante.

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