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AO JUÍZO DA 2ª VARA DE FAMÍLIA, ORFÃOS E SUCESSÕES DA

CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DO GAMA/DF

Autos do Processo n°: xxxxxxxxx

xxxxxxxxx, já qualificada nos autos em epígrafe, por intermédio de seus


advogados do Núcleo de Prática Jurídica do Centro Universitário UDF, Unidade
de Prática Forense do Gama, propor a presente
RÉPLICA
Diante dos fatos novos alegados na contestação.
I. DA TEMPESTIVIDADE
Ressalta-se que a presente réplica é devidamente tempestiva, haja vista que o
prazo para sua apresentação é de 15 (quinze) dias, contados do primeiro dia útil
seguinte ao da publicação, nos moldes dos arts. 219, 224 e 350, CPC.
Assim considerando que a intimação foi feita em , o termo final ocorre
em .

II. DOS FATOS

Os requeridos foram citados para apresentarem contestação; e em suas defesas


alegaram diversas preliminares e fatos novos.

III. DA ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO E MÁ FÉ


POR PARTE DA AUTORA

Os requeridos alegam a má fé da requerente ao pedir o reconhecimento da


União Estável somente com o objetivo de efetivar o registro do imóvel para que
este faça parte de seu patrimônio exclusivo. Não merece prosperar tal alegação,
pois, todos os documentos juntados aos autos comprovam que a requerente e o
“De Cujos” tiveram uma relação duradoura, pública e com a finalidade de
constituir família, requisitos estes exigidos pelo código civil em seu Art. 1.723.
Ainda, diante da alegação de que a requerente tinha pleno conhecimento da
primeira família com quem tinha casado o “De cujos” e da existência dos filhos
existentes. Não há provas de que a autora tinha conhecimento destes fatos, tanto
que quando o falecido desapareceu está entrou com o processo de declaração
de ausência. Ora, se está soubesse da existência destes filhos teria buscado
meios para contatá-los para saber do paradeiro do falecido. Tanto que consta
nos autos que só foi possível saber da existência dos filhos do falecido muito
tempo depois, e depois de muitas buscas feitas através de ofícios encaminhados
a vários órgãos, que somente veio constar a existência destes na certidão de
óbito do falecido (fls. 149).

No que tange a alegação de o “De cujos” ter omitido seu estado civil declarando-
se solteiro para compra do referido imóvel, entende-se que tal responsabilidade
não pode vir a cair para a requerente, pois, quem deveria ter feito tal declaração
era o falecido que preferiu omitir tal situação. Assim, ainda que estivesse casado
como consta na certidão, fica subtendido com as datas constantes nos
documentos dos autos que o período de convivência do casal foi de 9 (nove
anos) e que o “De cujos” poderia não ter se separado judicialmente ao se
envolver com a requerente, porém, pode-se entender que este se encontrava na
situação da separação de fato o que não impede a constituição da união estável
com a autora.
Em relação aos bens adquiridos durante a separação de fato, entende
majoritariamente o Supremo Tribunal de Justiça no REsp: 678790 PR
2004/0100936-0, Relator: Ministro RAUL ARAÚJO, Data de Julgamento:
10/06/2014, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 25/06/2014).
RECURSO ESPECIAL. CIVIL. FAMÍLIA. ANULAÇÃO DE ATOS
JURÍDICOS. BENS ADQUIRIDOS APÓS A SEPARAÇÃO DE FATO POR UM
DOS CÔNJUGES. [...] 1. [...] a jurisprudência desta Corte, firmada no
sentido de que a separação de fato põe fim ao regime matrimonial de
bens. Precedentes. 2. [...]. 3. Recurso especial não conhecido.

II.I DA LITIGANCIA DE MÁ FÉ
Não há que se falar em litigância de má fé por parte da requerente ter omitido a
existência de um dos filhos que teve com o falecido. Frisa-se que em momento
algum foi omitido a existência da filha Luana, pois, esta asseverou sempre no
decorrer da ação que teve três filhos com o “De Cujos”, sendo que somente
Luana está viva. Consta nos autos declaração da testemunha ouvida que
confirma o alegado em juízo pela requerente sobre Luana não ter sido registrada
no nome do falecido e que o falecido desapareceu ainda quando Luana era bem
nova (fls. 121).
Neste eixo, diante da alegação de que a requerente não teria condições de pagar
sozinha as prestações do referido imóvel, está asseverou em audiência que só
conseguiu pagar até o ano de 1989, quando passou o imóvel para Carlinhos,
para que este pagasse as prestações porque ela não teria condições de
continuar a pagá-las. E em 2001, este vendeu o citado imóvel para Hilda sem o
consentimento da autora. Salienta-se que depois da compra do referido imóvel
o falecido só contribuiu com 12 (doze) prestações e as outras até o momento em
que passou o imóvel para Carlinhos a requerente arcou sozinha.
Ante, ao que foi asseverado pelos requeridos sobre o “De cujos” e a requerente
terem mantido contato depois que este saiu em busca de emprego no Acre,
como consta na emenda inicial após o último telefonema que o falecido fez para
requerente, este desapareceu. Nesse norte, conclui-se que não ouve
controvérsia por parte da autora diante dos fatos alegados por esta sobre o
desaparecimento do “De cujos” e a falta de contribuição por parte deste.

III. DOS PEDIDOS


Ante o exposto, requer que sejam rechaçadas todas as preliminares aventadas
na contestação, com o consequente acolhimento de todos os pedidos elencados
na exordial.
Nestes termos,
Pede deferimento.