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Professora: Paola Mundim

pmundim_souza@hotmail.com
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Fundações
Objetivos do programa de investigação geotécnica:

a) Determinação da extensão, profundidade e espessura das


camadas do subsolo até uma determinada profundidade.

b) Descrição do solo de cada camada, compacidade ou


consistência, cor e outras características perceptíveis;

c) Determinação da profundidade do nível do lençol freático


(nível d’água)

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c) Informações sobre a profundidade da superfície rochosa e sua
classificação, estado de alteração e variações;

d) Dados sobre propriedades mecânicas e hidráulicas dos solos


ou rochas →compressibilidade, resistência ao cisalhamento e
permeabilidade.

⇒ Na maioria dos casos →os problemas de engenharia são


resolvidos com base nas informações a) e b) →SONDAGENS
DE SIMPLES RECONHECIMENTO (NBR 6484/2001)

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Escolha do método de prospecção

Para a escolha do método de investigação mais adequado, deve


considerar alguns fatores, dentre eles destacam-se:

• Finalidade e proporções da obra;


• Características do terreno;
• Experiências e práticas locais;
• Custo:
Estimativa →0,5 a 1% do custo da obra
Informações insuficientes ou inadequadas 
superdimensionamento no projeto e orçamentos majorados.

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Investigação geotécnica em várias etapas

a) Investigações de reconhecimento →natureza das formações


geológicas (e pedológicas) locais e principais características do
subsolo - Definição de áreas mais próprias para as obras;

b) Explorações para anteprojetos e projeto básico →escolha de


soluções e dimensionamento;

c) Explorações para projeto executivo →informações


complementares sobre o comportamento geotécnico dos
materiais - Resolução de problemas específicos do projeto;

d) Explorações durante a construção →necessárias no caso de 6


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imprevistos na fase de construção.
CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS DE
INVESTIGAÇÃO GEOTÉCNICA

MÉTODOS DIRETOS → permitem a observação direta


do subsolo ou através de amostras coletadas ao longo de
uma perfuração ou a medição direta de propriedades in situ
⇒ escavações, sondagens e ensaios de campo;

MÉTODOS INDIRETOS → as propriedades geotécnicas


dos solos são estimadas indiretamente pela observação a
distância ou pela medida de outras grandezas do solo
⇒sensoriamento remoto (fotos aéreas).

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MÉTODOS DIRETOS

– Poços, trincheiras e galerias de inspeção

Escavações manuais ou por meio de escavadeiras com o


objetivo de expor e permitir a direta observação visual do
subsolo, com a possibilidade de coleta de amostras
indeformadas.

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MÉTODOS DIRETOS
• Poços → escavação vertical de seção circular ou
quadrada, com dimensões mínimas para permitir acesso de
observador, para descrição das camadas de solos e rochas e
coleta de amostras. A abertura em rochas é feita com furos
de martelete ou explosivos;

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MÉTODOS DIRETOS

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Fundações
MÉTODOS DIRETOS

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Fundações
MÉTODOS DIRETOS

– SONDAGEM

É imprescindível a execução de sondagens, no


sentido de reconhecer o subsolo e escolher a
fundação adequada, fazendo com isso, a redução do
custo das fundações.

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MÉTODOS DIRETOS
– Sondagens a trado
Trado: concha metálica dupla ou espiral que ao perfurar o
solo guarda em seu interior o material escavado.
 Processo simples, rápido e econômico para investigações
preliminares das camadas mais superficiais dos solos.

 Permite a obtenção de amostras deformadas ao longo da


profundidade (de metro em metro).

 Empregado na perfuração inicial de sondagens mecânicas.

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MÉTODOS DIRETOS

– Sondagens a trado
Trados manuais: tipos:
cavadeira, torcido, helicoidal,
concha. Limitados a presença de
pedregulhos, pedras ou matacões,
para solos abaixo do N.A e areias
muito compactas. Pode se atingir
até 15 m, dependendo da
compacidade e consistência dos
solos.

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MÉTODOS DIRETOS
– Sondagens a trado
Trados manuais

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VÍDEO

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Fundações
MÉTODOS DIRETOS
– Sondagens a trado

Trados mecanizados: permitem furos de maior diâmetro,


atingir maiores profundidades e atravessa solos mais
compactos e mais rijos. (motor a gasolina)

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Fundações
VÍDEO

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MÉTODOS DIRETOS
– Sondagens de simples reconhecimento
NBR 6484:2001 - Execução de sondagens de simples
reconhecimento de solos; método de ensaio.
Prescreve o método de execução de sondagens de simples reconhecimento de
solos, com SPT, cujas finalidades, para aplicações em Engenharia Civil, são:
a) a determinação dos tipos de solo em suas respectivas profundidades de
ocorrência;
b) a posição do nível d'água; e
c) os índices de resistência à penetração (N) a cada metro.

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MÉTODOS DIRETOS
– Ensaio SPT (Standard Penetration Test)
o O SPT tem duas etapas básicas, a perfuração e o ensaio
propriamente dito.
o Com o auxílio do trado cavadeira perfura-se até um metro
de profundidade – recolhe e acondiciona essa amostra que
é chamada de amostra zero.
o Acopla-se o amostrador padrão em uma das extremidades
de uma composição de hastes.
o Para cravação o martelo é elevado a uma altura de 75 cm e
deixado cair livremente; processo feito manualmente ou
por equipamento mecânico.

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MÉTODOS DIRETOS
– Ensaio SPT (Standard Penetration Test)
o A informação referente ao estado do solo é considerada
com base na resistência que ele oferece à penetração do
amostrador.

o Durante a amostragem, são anotados os números de


golpes (quedas) do martelo necessários para cravar cada
trecho de 15 cm do amostrador.

o Desprezam-se os dados referentes ao primeiro trecho de


15 cm e define a resistência à penetração como o número
de golpes necessários para cravar 30 cm do amostrador.
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MÉTODOS DIRETOS

– Ensaio SPT

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– Ensaio SPT
– Tripé, roldana e cabo;
– Tubos de revestimento;
– Hastes de aço roscável;
– Martelo cilíndrico ou prismático (peso = 65kg);
– Amostrador padrão bipartido;
– Conjunto motor-bomba para circulação de água na
perfuração;
– Trépano (peça de aço biselada para o avanço por lavagem)
– Trados (para perfuração inicial).

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Fundações
– Tripé com
roldana e cabo;

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Fundações
– Tubos de
revestimento

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Fundações
– Hastes de aço

– Martelo
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Fundações
– Amostrador
bipartido

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Fundações
Conjunto
motor-bomba

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Fundações
Trépano

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Fundações
– Execução da sondagem
 Quando não é mais possível o avanço à trado, que pode
ser, ou pela resistência do solo ou pela presença de água; a
sondagem passa a utilizar o avanço por percussão com
circulação d’água (lavagem) onde é utilizado o trépano
como ferramenta de escavação.

 A água é injetada no solo por orifícios laterais ao trépano.

 A pressão da água e a movimentação das hastes fazem


com que o trépano rompa a estrutura do solo.

 Crava-se obrigatoriamente o revestimento;

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Fundações
– Execução da sondagem
 São registradas as transições das camadas pela observação
do material tradado ou trazido a superfície pela água de
lavagem;
 Deve ser registrado o nível freático;
 A sondagem deve encerrar nos seguintes casos:
• quando atingir a profundidade especificada na
programação dos serviços;
• quando ocorrer a condição de impenetrabilidade;
 A cravação do amostrador é interrompida e o ensaio de
penetração suspenso quando se obtiver penetração inferior
a 5 cm após 10 golpes consecutivos ou quando o número
de golpes ultrapassar a 50 num mesmo ensaio →
impenetrável ao SPT.
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Fundações
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Fundações
VÍDEO

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Fundações
– Vantagens da sondagem SPT

– Custo relativamente baixo;


– Facilidade de execução e possibilidade de trabalho em
locais de difícil acesso;
– Permite descrever o subsolo em profundidade e a coleta de
amostras;
– Fornece um índice de resistência a penetração
correlacionável com a compacidade ou a consistência dos
solos;
– Possibilita a determinação do nível freático.

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– Número, locação e profundidade dos furos de
sondagem

NBR 8036/83 - Programação de


sondagens de simples reconhecimento
dos solos para fundações de edifícios

ANOTAÇÃO

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Fundações
– Número de furos

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Fundações
– Locação dos furos

o Deve-se evitar furos alinhados.


o Distância entre pontos de 15 a 30 metros.
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Fundações
– Profundidade dos furos

Deve considerar a profundidade provável das


fundações e do bulbo de tensões gerados pela fundação
prevista e as condições geológicas locais.

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Fundações
– Resultados SPT

Os resultados das sondagens são apresentados em um


documento chamado relatório de sondagem que contém:

• croqui do terreno com a localização dos furos;


• perfis individuais de cada furo;
• perfis longitudinais ao longo do alinhamento dos furos.

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Fundações
– Resultados SPT
São indicações indispensáveis em cada perfil individual:

• cotas em relação a um referencial;


• posições de amostragem;
• indicação do nível;
• indicação do NSPT ao longo da profundidade;
• descrição das camadas → tipo de solo, consistência ou
compacidade, cor e demais características perceptíveis
• motivo de paralisação do furo.

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Fundações
CAMPUS RIO VERDE

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– SPT x Resistência à compressão do solo
A determinação da tensão admissível dos solos é
feita através das seguintes formas:
• Pelo cálculo da capacidade de carga, através de
fórmula teóricas;
• Pela execução de provas de carga;
• Pela adoção de taxas advindas da experiência
acumulada em cada tipo de região razoavelmente
homogênea.

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Fundações
– SPT x Resistência à compressão do solo
Existem diversas (co)relações empíricas e semi-
empíricas que estabelecem ligação da tensão
admissível do solo e o NSPT.

Deve-se ter muito rigor na utilização de


tais correlações!

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Fundações
– SPT x Resistência à compressão do solo

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Fundações
– SPT x Resistência à compressão do solo

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– SPT x Resistência à compressão do solo
Alonso, Teixeira e Godoy
NSPT , méd Resultado em kN/m²; adm  NSPT  1
adm 
0,05 Aplicável para NSPT<20 Resultado em kgf/cm²;

Décourt
Areia Argila
NSPT , med
adm 
NSPT , med Resultado em kN/m²; adm 
0,03 Aplicável para NSPT<20 0,04

NSPT , med É a média aritmética dos SPT na região localizada entre a


cota de apoio da fundação e o término do bulbo de tensões.
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– SPT x Resistência à compressão do solo

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SPT-T
Além da resistência a
penetração é medido
o torque
necessários ao giro da
coluna de hastes e
amostrador cravado
→ melhor definição
de parâmetros de
resistência a partir do
ensaio.

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MÉTODOS DIRETOS
– Sondagem rotativa
• Consiste no uso de um conjunto motomecanizado
projetado para obtenção de amostras contínuas de
materiais rochosos através de ação perfurante dada for
forças de penetração e rotação.

• Empregadas quando a sondagem de simples


reconhecimento atinge estrato rochoso, matacões ou
solos impenetráveis a percussão.

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Fundações
– Sondagem rotativa
Obtenção de amostras → testemunhos de sondagem

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Fundações
– Sondagem rotativa
• Equipamento

Principais componentes →
sonda rotativa, bomba
d’água, hastes, barriletes,
coroas e tubos de
revestimento.

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Fundações
– Sondagem rotativa

Sonda rotativa → manual, mecânica ou hidráulica


– motor → diesel, a gasolina ou elétrico;

– guincho → tambor onde é


enrolado cabo de aço, dotado de
embreagem e freio. Usado no
manejo das hastes e revestimento
e na remoção dos testemunhos;

– cabeçote de perfuração → faz


girar a coluna de perfuração e
exerce pressão sobre a ferramenta
de corte.
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MÉTODOS DIRETOS
– Sondagem rotativa
Hastes
Tubos (1,5 a 6 m) ligados
por niples. Transmite movi-
mentos de rotação e penetra-
ção à ferramenta de corte.
Conduz água para
refrigeração e limpeza do
furo.

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– Sondagem rotativa

Barrilete

Tubo destinado a
receber o testemunho.

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– Sondagem rotativa

Coroa

Responsáveis pela perfuração.


É diamantada.

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– Sondagem rotativa
Revestimentos
Quando as paredes do furo são instáveis. Resistentes tubos de
aço de parede fina;

Sistema de circulação de água


Composição → conjunto motor bomba, tanque e mangueiras.
Destinado a refrigeração da coroa, expulsão dos detritos e
adicional estabilidade das paredes por pressão hidrostática.

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– Sondagem rotativa

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Fundações
– Sondagem rotativa

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MÉTODOS SEMI-DIRETOS
Não há coleta de amostras
– Ensaio de cone estático (CPT)

Ensaio de cone estático (ou CPT - “cone penetration test”, “deep


sounding” ou cone holandês ou ainda ensaio penetrométrico) →
mede-se o esforço necessário para cravação no solo (resistência a
penetração) de uma ponteira cônica solidária a um conjunto de
hastes.

– Emprego:
Investigação complementar a sondagem de simples reconhecimento
com vistas a estimativa de parâmetros para projeto.

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Fundações
– Ensaio de cone estático (CPT)

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– Ensaio de cone estático (CPT)

– Equipamento:

• Dispositivo de cravação → manual ou mecânico (hidráulico),


ancorado no terreno;

• Elemento de sondagem → tubos, hastes e cone. O cone é


caracterizado pelo ângulo do vértice e área da base (60º e 10
cm²);

• Dispositivos para medição dos esforços → manômetros,


sensores elétricos (células de carga) - cone elétrico.

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Fundações
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Fundações
 O ensaio CPT consiste na cravação estática lenta de um
cone mecânico ou elétrico que armazena em um
computador os dados a cada 20 cm.

 O cone alocado nesta bomba hidráulica é penetrado no


terreno a uma velocidade de 2 cm por segundo.

 O próprio equipamento, por ser hidráulico, crava o cone no


terreno e funciona como uma prensa.

 Após cravado ele adquire os dados de forma automática e


o próprio sistema captura os índices e faz o registro
contínuo dos mesmos ao longo da profundidade.

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Fundações
– Ensaio de cone estático (CPT)

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Fundações
– Ensaio de cone estático

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– Ensaio de piezocone (CPTU)
 Na ponteira cônica são instalados dispositivos de medição da
pressão de água no subsolo.
 Emprego muito difundido para estimativa de parâmetros de
resistência e avaliação da dissipação de poropressão em
argilas moles.

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Fundações
– Parâmetros obtidos por meio do CPT e CPTU

• Resistência ao cisalhamento não drenada de argilas;

• Ângulo de atrito;

• Módulo de deformabilidade;

• Coeficiente de adensamento.

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– Ensaio de palheta (“Vane Test”)

 Ensaio para avaliação da resistência não


drenada de solos argilosos.

 Consiste na medida do torque necessário para


girar uma cruzeta metálica cravada no solo em
uma dada profundidade.

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Fundações
– Ensaio de palheta (“Vane Test”)
– Equipamento

• Palheta → eixo de aço no qual são soldadas quatro


aletas finas e retangulares;
•Hastes → conjunto de hastes para alcançar a
profundidade de ensaio;
• Dispositivo para aplicação de um momento de
torção → manual ou mecânico;
• Torquímetro → dispositivo para medida do torque.

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– Ensaio de palheta (“Vane Test”)

– Execução do ensaio

a) Instalação da palheta na profundidade desejada


→ pré-furo ou por cravação;

b) Execução do giro a velocidade constante;

c) Medição do torque necessário a ruptura do solo.

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– Ensaio de palheta (“Vane Test”)

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Fundações
– Ensaio de palheta (“Vane Test”)

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Fundações
– Ensaio de palheta (“Vane Test”)

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Referências

BASTOS, C. Notas de Aula – PROSPECÇÃO GEOTÉCNICA DO SUBSOLO. Universidade Federal do


Rio Grande do Sul. Porto Alegre.

MARINHO, F. A. M. Notas de Aula – SONDANGENS. Escola Politécnica. Universidade de São Paulo.


São Paulo.

PENNA, A. S. D. Palestra – Técnicas atuais de ensaios de campo. Investigação geotécnica.

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