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ENS-225 - Práticas em História das Ciências e da Matemática

FICHAMENTO DE TEXTO
“¿Qué es la Historia Cultural de la Ciencia?”​ (Juan Pimentel)

Aluno:​ Vitor Martins Menezes | ​RA:​ 21201831140

1. RESUMO
De maneira geral, o principal objetivo do autor com o artigo é apresentar e
explicar o que é a “História Cultural da Ciência”, bem como suas características,
algumas diferenças de outros modos de se fazer história, e o trabalho e as
preocupações de um historiador cultural da ciência.
Não é raro de se ver a ideia, mesmo no ambiente acadêmico, que ciência e
cultura ocupam lados opostos do conhecimento; onde a ciência é responsável por
uma racionalidade, objetividade e métodos, e a cultura está relacionada com o lado
subjetivo, afetivo, criativo e as artes. Nas palavras do autor, de acordo com essa
ideia, “ciência e cultura ocupam hemisférios opostos do conhecimento”. Contudo, é
importante ressaltar que a ciência é cultura, e essa perspectiva é de muita
importância para a História Cultural da Ciência.
Não apenas a história da ciência, mas toda história é uma história cultural.
Concentrando-se na questão científica, vale ressaltar que todo feito científico
(teorias e práticas) é um feito cultura e um feito social.
A História Cultural da Ciência se diferencia da “história tradicional da ciência”,
dessa forma o autor a coloca como “uma disciplina reorientada”. Na perspectiva
tradicional, a história da ciência possui um formato historiográfico com
características de uma grande narrativa, focando em alguns ‘heróis’ do pensamento,
seus textos e descobertas; de uma maneira progressiva e ascendente. Enquanto
que a História Cultural da Ciência é formada por uma visão que se utiliza de
diversas perspectivas e ideias, como: os estudos sociológicos do conhecimento
científico, a antropologia, os estudos culturais e a própria história cultural (o autor
apresenta algumas ideias centrais dessas perspectivas de estudo que compõe a
História Cultural da Ciência).
O autor apresenta dois termos que fazem parte do escopo de análise da
História Cultural da Ciência: as “práticas” e as “representações”. As práticas da
ciência (p. ex: práticas médicas ou observações astronômicas) são objetos de
estudo para entender o comportamento e as formas de se produzir conhecimento.
Um exemplo interessante dado pelo autor se refere às viagens/viajantes.
Várias áreas da ciência necessitam/necessitavam de observações feitas pelos
viajantes e observadores; porém, a história tradicional da ciência acabava os
deixando de lado, pelo fato de estar centrada nos resultados e não como se havia
chegado em tais resultados. Contudo, hoje em dia, os trabalhos que buscam
estudar essas viagens e práticas têm aumentado; levando, também, em
consideração, a circulação desses conhecimentos. Nessa perspectiva não se leva
em consideração apenas os conteúdos, mas como os mesmos foram obtidos e
estudados; estabelecendo e constatando essas relações de forte dependência.
Outro ponto a ser destacado é a proximidade da atividade científica com
qualquer outra atividade humana impregnada pelas questões poéticas e de retórica.
Entrando, nesse ponto, nas “representações”. Afinal, o discurso científico busca
convencer uma comunidade (de especialistas e leigos, em alguns casos), e está
dotada de vários aspectos comunicativos de qualquer outra linguagem, ou seja,
nesse sentido, também é poética e retórica. Devido a isso vários estudos tem sido
feito sobre as técnicas literárias de comunicação da ciência, a retórica e a estrutura
narrativa dos escritos científicos. O autor ainda cita que, palavras como
“argumentação” e “metáforas”, são comuns nesses estudos culturais da ciência.
A cultura “visual” e “material” também são outras duas grandes preocupações
para a História Cultural da Ciência. Os historiadores têm considerado as imagens
como fontes de pesquisa, suscetíveis de serem analisadas e interpretadas, como se
fossem um texto. Diferentemente da “antiga história da ciência”, que se preocupa
mais com as ideias e a palavra escrita.
Como já dito, a História Cultural da Ciência também se preocupa como se
obteve determinado conhecimento, e levando isso em consideração, é evidente a
importância de também levar em conta a “cultura material”, ou seja, com quais
procedimentos e instrumentos a ciência tem sido feita. Assim, nessa perspectiva, a
história da ciência também irá se preocupar com os propósitos, as condições com
que foram fabricados, adquiridos e postos a venda ou circulação, os instrumentos
utilizados na elaboração de determinados conhecimentos. Nas palavras do autor, a
História Cultural da Ciência acaba por fazer “aqueles objetos sem palavras falarem”.
Através da exposição dessas e de outras ideias, o autor consegue apresentar
as principais caracterísitcas da História Cultural da Ciência; uma perspectiva que
entende a “ciência como cultura” e algo inserido em uma realidade diversa e
mutável, diferentemente da perspectiva mais tradicional, que a entende como
universal e permanente.
Por fim, vale ainda ressaltar algumas outras preocupações de um historiador
cultural da ciência, que no artigo o autor faz um excelente apanhado utilizando como
exemplo possíveis estudos sobre a obra ​Óptica de Newton. O historiador cultural da
ciência irá se perguntar “como” e “de que forma” determinado experimento foi feito;
verifica qual foi a recepção e implicações que determinado conceito teve fora do
contexto em que foi produzido; entre várias outras possibilidades de perguntas,
ampliando assim seu repertório de estudo. Assim, sua preocupação não estará
tanto no “pai das coisas” ou quando foi traduzido determinada obra.
Para isso, o historiador cultural da ciência terá uma variedade de fontes para
trabalhar, como: documentos, materiais, imagens, instrumentos, espaços urbanos,
planos de laboratório, as técnicas pedagógicas utilizadas pelo cientista com seus
estudantes, as notas de aulas de seus alunos, entre outras fontes.
Para finalizar, vale dizer que através da História Cultural da Ciência é
possível “remodelar a imagem que tínhamos da atividade científica”.

2. RESENHA
O texto faz um excelente apanhado das principais características da História
Cultural da Ciência, apresentando diferenças com a “história tradicional”, bem como
as preocupações de um historiador cultural da ciência. Também achei que os
exemplos utilizados pelo autor deixa o artigo mais fácil de ser compreensível.
Gostaria de ressaltar um ponto do texto que me remeteu a outro artigo. No
início o autor aborda, de maneira rápida, a conferência de Charles P. Snow, sobre
as “duas culturas”. Isso me chamou a atenção, pois já havia estudado e visto outros
autores falarem sobre essa conferência em outro “tipo de estudo”. No caso, os
autores utilizam essa conferência para abordar questões referentes a Corrida
Espacial e a sua ‘midiatização’, relacionando, também, com o gênero musical do
“Rock”. Os autores do artigo são Emerson Ferreira Gomes e Luís Paulo de Carvalho
Piassi (acho que vale dizer que durante a graduação eu desenvolvi alguns trabalhos
de pesquisa com ambos), e o título do artigo é: “Corrida Espacial, Mídia e Rock n’
Roll: A Exploração Espacial em seu contexto Midiático e sua Representação na
Cultura Pop” (Intercom - 2014).