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UNIVERSIDADE PAULISTA

CURSO DE GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS

GERENCIAMENTO DE PESSOAS

TEORIAS MOTIVACIONAIS: PIRÂMIDE DE MASLOW

MACAPÁ-AP
2018

1
ANDREZA DE SOUZA PAIXÃO
BRUNO LUIZ PANTOJA PACHECO
JOSIAS DAS CHAGAS SILVA
LUAN SANTANA SAMPAIO
ROBSON RIBEIRO CHAGAS
SANDREANY SERRA CALLINS DOS SANTOS
TAILISSA GUEDES MORAES

TEORIAS MOTIVACIONAIS: PIRÂMIDE DE MASLOW

Trabalho apresentado à disciplina de Gerenciamento


de Pessoas pelos acadêmicos do curso de Gestão de
Recursos Humanos, sob orientação do docente
Jonielson Góes da Silva como requisito para avaliação
parcial da matéria aplicada.

MACAPÁ-AP
2018

2
"...a melhor coisa, a sorte mais maravilhosa
que pode recair sobre qualquer ser humano é
ser pago para fazer o que apaixonadamente
adora fazer."
(Maslow)

3
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO....................................................................................... 5
2 ESÇOBO BIOGRAFICO DE ABRAHAM MASLOW............................ 6
3 A TEORIA DAS NECESSIDADES........................................................ 9
3.1 NECESSIDADES FISIOLÓGICAS........................................................ 10
3.2 NECESSIDADES DE SEGURANÇA..................................................... 10
3.3 NECESSIDADES SOCIAIS................................................................... 10
3.4 NECESSIDADES DE ESTIMA.............................................................. 11
3.5 NECESSIDADES DE AUTORREALIZAÇÃO........................................ 11
4 RELAÇÃO DA TEORIA DE MASLOW EM DIFERENTES ÁREAS
DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO..................................................... 11
4.1 MASLOW NA PSICOLOGIA.................................................................. 12
4.2 MASLOW NA ADMINISTRAÇÃO.......................................................... 13
4.3 SIGNIFICADO DA PIRAMIDE DE MASLOW........................................ 14
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 16
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................... 17

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INTRODUÇÃO

A construção do conhecimento humano e científico pode ser comparado a uma


construção arquitetônica em que suas dimensões se equivalem a do universo e sua
conclusão é simplesmente indeterminada e desconhecida. Desde o mais tenro
registro de inteligência humana na terra, cada novo pensamento ou percepção é
sempre o início de uma rede de novos conhecimentos gerados pelas demandas
científicas e humanas em que estamos inseridos.

Foi em um momento de total crise existencial e de conflitos sociais que Abraham


Maslow, assim como muitos outros expoentes da ciência moderna, teve sua epifania
no cenário social do mundo pós segunda guerra mundial e em plena ascensão da
segunda revolução industrial. Após a guerra havia só a devastação, mas, aqui não
abordaremos a matéria e sim as mentes arrasadas pela violência em escala mundial.
Agora era necessário reconstruir a vida social e econômica das nações. Era
necessário motivar as pessoas para essa reconstrução e foi através de suas
experimentações, tanto de sua vida pessoal quanto acadêmica e científica, que
Maslow observou que as pessoas avançavam em algum nível de crescimento e de
bem-estar conforme satisfaziam outras anteriores, e isso refletia diretamente na
sensação de realização e os impulsionava para uma próxima ação mais aplicada, o
que os fariam conquistar mais e maiores objetivos.

Cabe ressaltar que Maslow dentro da sua teoria também defendia alguns propósitos
no âmbito da sua vertente ideológica, e em seu terceiro propósito, defendia que as
transformações sociais mais eficientes e mudanças sociais mais significativas eram
advindas de pessoas realizadas. Essa teoria casou perfeitamente com a necessidade
de organizar e melhorar a produção nas organizações da época e muito mais nas da
sociedade atual, o que conheceremos fazendo a contextualização entre as áreas afins
da Gestão de Recursos Humanos: a psicologia e a administração.

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1. Esboço biográfico de Abraham Maslow

Observadas as particularidades do fundador de uma das mais importantes teorias


usadas como ferramenta de ação na ciência do trabalho, organizacional, na psicologia
e na administração, reconhecemos como recurso útil ao entendimento saber o quão
está ligada à construção de uma ciência (Cruz, 2016), os aspectos pessoais de um
expoente que dedicou seu entusiasmo e seus traumas para experimentar e dar
fundamentos a uma teoria que se popularizou no meio acadêmico e organizacional.
Assim, oferecemos este esboço quanto à vida de Abraham Maslow que está
intrinsicamente vinculada à sua obra e proposta de sua teoria.

Maslow nasceu em 01 de abril de 1908, no bairro


do Brooklyn, em Nova Iorque. Foi o primogênito de sete
filhos de pais imigrantes russos judeus, Samuel Maslow e
Rose Schilojsky. Maslow teve uma infância humilde, sem
muitos amigos, devido ao fato de o seu bairro possuir
poucos judeus, o que lhe possibilitou bastante tempo para
ler e estudar. Seu pai, frequentemente, desmerecia-o,
chamando-o de feio. Sofrendo com isso, Maslow passou a
evitar contato com as pessoas, chegando a esperar as
ruas e os metrôs ficarem vazios para transitar. Sua mãe
costumava privá-lo de comida, trancando a geladeira e
abrindo-a conforme o seu humor. Certa vez ela descobriu que o primogênito cuidava
de dois gatos no porão de sua casa e os matou a pauladas. Esse cotidiano de relações
familiares tensas marcou a vida de Maslow (Hall, 1968; Hoffman, 2008).

No final da adolescência, os pais de Maslow o coagiram a se tornar advogado.


Cedendo à pressão, matriculou-se, aos 17 anos, na Faculdade de Direito da
Universidade de Nova Iorque, em 1926. Ao perceber que não conseguiria concluir o
curso e agradar aos pais, ele pediu transferência, no ano seguinte, para a
Universidade de Cornell, em Ithaca, Nova Iorque, com a finalidade de fazer um curso
de Introdução à Psicologia (Hall, Lindzey & Campbell, 1957/2000). Em Cornell,
Maslow estudou com Edward Titchener, entretanto, suas experiências foram de
desânimo e desinteresse pela ciência psicológica. Frustrado, o jovem estudante

6
retornou para a cidade de Nova Iorque e matriculou-se novamente no curso de Direito,
cedendo, mais uma vez, aos interesses dos seus pais (Hall, 1968).

Maslow era apaixonado, há tempos, por sua prima de primeiro grau, Bertha Goodman,
o que gerou muitas intrigas familiares. Contra a vontade dos pais, ele, então com 20
anos, assumiu o relacionamento e se casou com ela, em 1928. O casal teve duas
filhas, Ann e Ellen (Hoffman, 2008). Casado e motivado, Maslow encontrou forças
para sair de perto dos seus pais. Em 1930, decidiu outra vez estudar Psicologia e
mudou-se para Madison, com o intento de se formar na Universidade de Wisconsin,
onde ele obteve êxito com os títulos de bacharel, em 1930, mestre, em 1931, e doutor,
em 1934. Paralelamente à Psicologia Comportamental e Experimental, Maslow nutria
um interesse pela Psicanálise de Alfred Adler. O primeiro trabalho de graduação que
o estudante de Psicologia escreveu em Wisconsin foi intitulado Psicanálise e Higiene
Mental como Filosofia Social do Status Quo. Entretanto, ele não teve coragem de
apresentá-lo (Maslow, 1971/1975).

Maslow foi aluno de doutorado de Harry Harlow, com quem fez diversas pesquisas
experimentais sobre o comportamento de primatas (Hall et al., 1957/2000; Hoffman,
2008) e publicou o seu primeiro artigo, Delayed reaction tests on primates from the
lemur to the Orangutan, divulgado no Journal of Comparative Psychology, em 1932.
Devido ao seu esmero, o recém-doutor foi convidado a permanecer como docente da
Universidade de Wisconsin, onde chegou a se matricular como estudante na
Faculdade de Medicina, tendo desistido por não ter tempo livre (Hoffman, 2008).

Em 1935, Maslow se tornou resident fellow (membro residente) da Universidade de


Columbia, onde trabalhou com Edward Thorndike e conheceu Kurt Goldstein.
Thorndike aplicara um teste de inteligência em Maslow, que obteve um coeficiente
alto (QI 195). Esse acontecimento o fez acreditar mais em suas potencialidades (Hall,
1968). Sob a direção de Thorndike, ele realizou uma pesquisa sobre a sexualidade
feminina, publicando diversos artigos sobre o tema. Maslow, também, contatou e foi
influenciado pela Antropologia de Ruth Benedict e pela Psicologia da Gestalt, de Max
Wertheimer. Foi durante essa estada que o futuro expoente humanista ratificou
algumas ideias sobre autorrealização, consideradas pouco científicas (Hoffman,
2008). Incentivado por um psicanalista amigo, Werner Wolff, Maslow publicou, em

7
1937, o seu primeiro trabalho considerado fora do contexto acadêmico à época,
intitulado: Personality and Patterns of Culture, publicado no livro de Ross
Stagner, Psychology of Personality (Maslow, 1971/1975).

Após o término de sua residência em Columbia, em 1937, Maslow regressou à Nova


Iorque ao aceitar o convite para ocupar um cargo de docente no Departamento de
Psicologia do Brooklyn College, onde lecionou durante quatorze anos. Neste ínterim,
em 1947, ele sofreu um ataque cardíaco, que o levou a tirar uma licença de um ano.
Maslow e sua família aproveitaram para passar um tempo em Pleasanton, Califórnia,
onde achava que iria descansar. No entanto, ele criou uma cooperativa de psicólogos,
assumindo nela um trabalho de liderança até retornar ao Brooklyn College nos anos
seguintes (Hall, 1968; Hall et al., 1957/2000).

Em 1951, Maslow recebeu o convite para trabalhar como presidente do Departamento


de Psicologia da Universidade de Brandeis, em Waltham, Massachusetts. Ao se
mudar, resolveu submeter-se a uma psicoterapia analítica adleriana, empreendendo
um trabalho pessoal para lidar com a mágoa que tinha dos pais. Maslow chegou a
reconciliar-se com o seu pai, porém nunca conseguiu perdoar à mãe pelos maus tratos
(Hall, 1968). Em Brandeis, ele desenvolveu estudos sobre motivação, personalidade
e autorrealização, os quais chamaram a atenção de Douglas McGregor, um professor
de Administração do Massachusetts Institute of Technology, que passou a divulgar as
ideias maslownianas no mundo dos negócios. Os dois se tornaram amigos e
passaram a empreender trabalhos conjuntos sobre gerenciamento, trabalho
autorrealizável, criatividade e liderança (Stephens, 1965/2003). Devido aos
investimentos de John Rockefeller III, um magnata filantropo, Maslow conseguiu uma
fonte de aplicabilidade sobre os seus estudos no circuito empresarial e desenvolveu,
na prática, sua teoria sobre a hierarquia das necessidades básicas. Com a
interveniência de Maslow e da Fundação Rockefeller, Kurt Goldstein chegou a
trabalhar em Brandeis, em 1957-1958, e exerceu profunda influência sobre o
psicólogo interveniente que lhe dedicou a obra Toward a Psychology of Being (1962).
Em 1966, Maslow foi eleito presidente da American Psychological Association (APA).

As sobrecargas do trabalho e da presidência da APA, somadas à saúde cardíaca


debilitada, levaram Maslow a se afastar da universidade e do meio acadêmico, em

8
1968. Contudo, em 1969, ele aceitou o convite para ser resident fellow da Fundação
Laughlin, em Menlo Park, Califórnia (Hall et al., 1957/2000), e montou um escritório
em Sand Hill Road, lugar conhecido como o berço estadunidense das ideias
empresariais criativas. Nesse local, o psicólogo humanista popularizou suas
perspectivas sobre empresas e gestão de pessoas que foram difundidas no Vale do
Silício (Stephens, 1965/2003). Em 1970, após aceitar um cargo superior de residência
da Saga Administrative Corporation, Maslow sofreu um ataque cardíaco enquanto se
exercitava caminhando em Menlo Park, vindo a óbito.

2. A teoria das necessidades.

Existem muitas outras teorias motivacionais de diversos autores com as mais diversas
abordagens, porém, a mais importante e tida como a mais pertinente principalmente
aos interesses das organizações é a teoria de Maslow, também conhecida como teoria
das Hierarquias das Necessidades ou Pirâmide de Maslow, essa última veremos com
mais detalhes no tópico 4, pag.14.

Para Maslow todos os seres humanos vivem para satisfazer necessidades e alcançar
objetivos até a conquista da tão desejada satisfação pessoal, a almejada
autorrealização. Ao longo da vida todo ser humano vive em função de uma busca
ascendente de objetivos que são na verdade uma necessidade determinante para que
tanto na vida pessoal, social e profissional e outra ainda inexplorada que transcende
até mesmo ao cosmos, o transpessoal, transumano do comportamento humano em
integração total com a si mesmo, as outras pessoas, outras espécies e a natureza.

A teoria de Maslow não é absoluta, mas o próprio autor afirma que ainda que de forma
parcial é necessário satisfazer um nível anterior para que haja satisfação no próximo.

Apesar de ter sido psicólogo formado pelas duas primeiras forças da psicologia: a
psicanálise e o behaviorismo, os experimentos e as ideias de Maslow deu origem a
terceira força da psicologia que é a humanista que defende que a mente humana não
é uma fonte auto suficiente de controle ou descontrole ou de patologias ou de traumas
ou de comportamento, mas as interações externas ao indivíduo, como sua percepção
e satisfação de estar inserido e, principalmente, realizado de estar onde deseja estar
e fazendo o que deseja fazer estão diretamente ligados ao comportamento saudável,
9
e que isso leva, ao mesmo tempo, a uma interação social com efeitos
transformadores.

Para Maslow, uma pessoa motivada desempenha naturalmente atitudes que partem
de sua individualidade, suas necessidades básicas e de sentir-se seguro delas, e
transcende para um efeito coletivo, pois, em determinado nível de sua teoria, cada ser
humano terá a necessidade social de ter relações afetivas para se firmar como
membro de um meio social, que por sua vez o fará ter necessidade de ganhar a
confiança e o reconhecimento das outras pessoas para assim ter autonomia e
influencia para realizar sempre mais. Ou seja, Maslow fala dessas necessidades
instintivas e as distingue como as “deficitárias ou primárias” que são aquelas que se
referem a uma carência que devem ser satisfeitas para evitar sentimentos
desagradáveis e as de “autorrealização ou secundárias” que se referem ao
crescimento pessoal e está relacionada ao desejo de crescer como pessoa, e não por
falta de alguma coisa como na deficitária. Dentro desses dois tipos de necessidades
estão os cinco níveis de necessidades humanas da teoria de Maslow:

2.1. Necessidades Fisiológicas: é o primeiro nível da teoria de Maslow de forma que


as próximas seguem uma hierarquia ascendente. É o nível das necessidades mais
básicas do ser humano e que já nascem com ele e que institivamente serão satisfeitas
e são a base para toda as outras em cada um de seus níveis. Exemplos dessa é a
fome, a sede, o abrigo, o sexo, respiração, o sono, saúde do organismo e outros.

2.2. Necessidades de Segurança: esse segundo nível da hierarquia diz respeito às


necessidades de cada ser humano de se sentir seguro desde a sua casa até os meios
sociais mais complexos como segurança no trabalho, onde sinta estabilidade do cargo
que ocupa para fazer projeções sobre salários e outras compensações, fazer planos
sobre a carreira; saúde, onde possa atender suas expectativas se precisar de
assistência, transporte e outros.

2.3. Necessidades Sociais: são as necessidades de se sentir parte de um grupo social,


onde possa interagir e socializar inclusive suas satisfações nos primeiros níveis e
trocar informações, experiências e firmar sua personalidade constituindo laços
afetivos com amigos, constituir família, dar carinho e receber de parceiros sexuais,
fazer parte de clubes ou associações entre outros.
10
2.4. Necessidades de Estima: no quarto nível é onde se faz a necessidade de ser
ouvido pelos grupos onde está inserido, se sentir reconhecido e ser apto a reconhecer,
se permitir em duas fases num mesmo nível estar bem consigo mesmo, ter orgulho
de si, de suas habilidades e assim obter o respeito e o reconhecimento dos outros e
até mesmo relações de poder, de liderança, ser protagonista de suas escolhas.

2.5. Necessidades de autorrealização: é o último nível e em um gráfico piramidal é o


topo da satisfação humana. É o nível em que as necessidades são de realizar-se
plenamente pela convicção de seu potencial, sua capacidade de gerar, realizar com
autocontrole suas ações, independência, ser capaz de fazer aquilo que gosta e é apto
com satisfação. Neste nível as possiblidades são inesgotáveis, pois, ao satisfazer uma
necessidade outra surge resultando em eficientes transformações no meio social em
que vive.

3. Relação da teoria de Maslow em diferentes áreas do conhecimento científico.

A teoria de Maslow apesar de ter sua origem na psicologia humanista, sendo o próprio
Maslow um dos fundadores dessa que é considerada a terceira força da psicologia
desde 1971, um ano após sua morte, foi na administração que sua teoria ganhou
maior importância, mas isso não torna a teoria de Maslow reduzida somente a vida
laboral do ser humano, pois, considerando a biografia de Maslow e de que, para
Sampaio(2009), ”o expoente humanista sempre criticou a análise do homem quando
reduzida a apenas uma de suas dimensões, como o organismo, o inconsciente, o
comportamento ou os papéis sociais”. Por isso, difundimos uma visão geral da teoria
de Maslow que para a Gestão de Recursos Humanos se faz mais completa, haja vista,
que assim como a teoria de Maslow, o RH é o limiar da Psicologia e da Administração
aplicada.

Observamos que Maslow foi pouco ortodoxo em suas ideias se comparadas as


escolas da psicologia existentes na época e foi fortemente criticada e até repelida,
mas foi através da administração em pleno desenvolvimento no berço estadunidense
das ideias empresariais criativas do Vale do Silício que se conheceu a aplicabilidade
dessa teoria.

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Ainda há fortes indícios da teoria de Maslow na Filosofia, mas, iremos contextualizar
as áreas mais expressivas.

3.1. Maslow na Psicologia.

Ainda nos atendo a teoria das necessidades de Maslow (1962/1970) o próprio


apontou, segundo entendemos, quatro propósitos pertinentes ao desenvolvimento da
Psicologia Humanista.

No primeiro propósito, Maslow (1962/1970) atentou para a necessidade de utilizar a


ciência dominante, expandindo-a aos interesses humanistas. Para ele os métodos
científicos são fundamentais para validar a Psicologia Humanista. Repudiar a ciência
é um erro, mas, criticar o cientificismo ortodoxo é uma forma de "(...) ampliar os
métodos e a jurisdição da ciência, de modo a torná-la mais capaz de assumir as
tarefas das novas psicologias pessoais e experienciais (...). Somente a ciência pode
superar as diferenças que se caracterizam no ser e no crer" (p. 18). Maslow (1971)
argumentou que os interesses humanistas, como os problemas do amor, dos valores,
da realização, da criatividade, fossem estudados por meio de critérios científicos,
ainda que não ortodoxos, para não recair no senso comum do entendimento desses
temas.

No segundo propósito, Maslow (1962/1970, 1960/1980) discutiu a aproximação da


Psicologia com as filosofias fenomenológicas e existenciais.

Nesse sentido, a Fenomenologia e o Existencialismo confirmam, refinam e enfatizam


as tendências já presentes na Psicologia Humanista. Considerando um contexto
democrático em que ficou claro que sociedade não resolve todos os problemas do
indivíduo, voltar-se para a experiência, o eu e os seus valores seria imperativo ao
desenvolvimento humano. Assim, tais filosofias suprem o que a Psicologia positivista
não alcança.

No terceiro propósito, Maslow (1962/1970) enfatizou um programa individual e social


na emergência da Psicologia Humanista, reconhecendo-a como não puramente
acadêmica, mas como um conhecimento científico voltado para possibilitar um modo
de vida que afeta a pessoa e a sociedade. Maslow (1971) acreditou que as

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transformações sociais mais eficientes eram advindas de pessoas realizadas, daí o
seu interesse por indivíduos que propiciaram mudanças sociais significativas, como
John Kennedy, Mahatma Gandhi e Madre Teresa de Calcutá.

Por fim, no quarto propósito, Maslow (1962/1970) assumiu que a Psicologia


Humanista devesse transcender para um novo sentido de humanismo, ultrapassando
o humano. Em sua concepção, a Psicologia Humanista, ou Terceira Força, seria
transitória para uma "(...) Quarta Psicologia ainda 'mais elevada', transpessoal,
transumana, centrada mais no cosmo do que nas necessidades e interesses
humanos, indo além do humanismo, da identidade, da individuação e quejandos
[semelhantes]" (p. 12). Maslow (1971) elaborou diversas significações para o termo
transcendência, mas uma especificamente conjunta com uma pressuposição
transpessoal: transcendência não se refere ao alcance de um nível superior de uma
pessoa sobre a outra, mas implica uma percepção holística da consciência, do
comportamento e da relação humana, com uma finalidade de integrar a si mesmo com
outras pessoas, espécies, natureza e com o cosmo.

3.2. Maslow na Administração.

Maslow passou a se dedicar à administração da faculdade de Psicologia da


Universidade de Brandeis, em Nova Iorque e à publicação de artigos que culminaram
com a obra "Motivation and Personality" (Maslow Theory), aclamada até hoje pelos
seguidores do autor. Na década de 60 após entrar em contato com a obra de Peter
Drucker e Douglas McGregor, Maslow se envolveu com a área de Gestão de negócios.
Passou então a correlacionar as teorias de motivação e personalidade com os estudos
de gestão.

Nesse parâmetro, ao hierarquizar as necessidades dos indivíduos, a teoria de Maslow


coloca de modo lógico e prático as motivações humanas. Seguindo essa teoria, ao
partir das necessidades básicas do ser humano, descobrimos que os indivíduos irão
tentar satisfazer, ainda que de forma parcial, as necessidades de nível mais baixo
para que possam avançar as necessidades de nível mais alto.

Na administração, no tocante a produtividade, uma pessoa que não tenha nenhum


tipo de necessidade satisfeita provavelmente será improdutiva e desmotivada. É por
13
isso que a teoria de Maslow é até hoje ou senão para o hoje tão importante para a
administração. Áreas de gestão e de recursos humanos podem utilizar positivamente
a pirâmide de Maslow para conseguir compreender e descobrir como se posicionar
de forma adequada frente aos seus colaboradores. Só assim para conseguir ajudá-
los a crescer pessoalmente e estarem satisfeitos com seus empregos.

A teoria de Maslow deixa transparente a necessidade que os colaboradores recebam


um salário adequado, que possam arcar com suas despesas e tenham como
satisfazer suas necessidades, estando motivados e felizes para trabalharem mais. Um
funcionário que tenha alcançado o topo da pirâmide será alguém mais efetivo do ponto
de vista da gestão.

4. Significado da Pirâmide de Maslow

A Pirâmide de Maslow é a representação mais objetiva da Teoria das Necessidades


de Maslow. O esquema descrito na Pirâmide de Maslow trata justamente da
hierarquização dessas necessidades ao longo da vida do ser humano.

Cabe ressaltar que existem algumas particularidades em relação aos níveis da


Pirâmide de Maslow que devem ser levadas em consideração:

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I. Uma etapa deve ser saciada (pelo menos em parte) para que o indivíduo
passe para o próximo nível da hierarquia.
II. As necessidades da autorrealização nunca são saciadas, sempre que uma
necessidade se sacia, surgem novas ânsias e objetivos.
III. As necessidades fisiológicas nascem com os seres humanos e são as mais
fáceis de serem saciadas, ao contrário das outras etapas.
IV. Quando se conquista determinados elementos de um grupo de
necessidades, o indivíduo sempre se motiva em conseguir atingir mais
objetivos.
V. As necessidades insatisfeitas, ou seja, que não conseguirem ser cumpridas,
resultam em reações negativas no comportamento do indivíduo, como
frustrações, medos, angústias, inseguranças e etc.

Maslow ainda identificou, após a construção do esquema da Pirâmide, outras duas


necessidades do indivíduo que se considera autorrealizado, que foram chamadas de
"cognitivas".

Uma delas é a necessidade de conhecer e compreender o mundo a sua volta, como


a natureza, a sociedade e o universo funcionam, por exemplo. A outra característica
chama-se "necessidade de satisfação estética", que significa a procura pela perfeição,
simetria, arte e beleza em geral. Este elemento está relacionado com a exigência do
ser humano em estar, por norma social ou do grupo em esteja inserido, ter a
necessidade de satisfazer o padrão de beleza vigente na sociedade.

Dessa forma notamos que apesar da Pirâmide de Maslow ter semelhança com a
Pirâmide da Hierarquia Social segundo Max Weber e a própria teoria motivacional de
Taylor, os fundamentos de Maslow defende uma transcendência de satisfação
pessoal que pode ser variada de pessoa para pessoa, assim, não se aplica
diretamente a riqueza como fator de autorrealização social como nas demais.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar de a Teoria das Necessidades de Maslow sofrer até hoje críticas acerca da
sua fundamentação pouco representativa e da pouca experimentação aplicada para
aferir a esta um cunho científico e, logo, um método para efeitos de utilização e prática,
com a ascensão da segunda revolução industrial e com ela a científica e a tecnológica,
essa teoria tem hoje espaço nobre entre as organizações e o meio acadêmico, pois,
em plena era da informação, em que as relações sociais e de trabalho e da
interatividade com internet e a informática, é considerada uma das mais eficazes
formas de compreender o desafio de manter a motivação de pessoas principalmente
no âmbito profissional para qual temos nos aperfeiçoado.

No entanto, fica como uma das mais pertinentes experimentações de sua teoria
aquela que o próprio autor possui em sua biografia, deixando sua marca na
administração, na filosofia, na psicologia e na gestão de recursos humanos como
legado e inspiração para muitos profissionais que ao longo da vida tem que lidar com
adversidades, mas, isso pode, em controvérsia do natural, impulsionar para a sua
autorrealização, pois, “a experiência é uma das causas do sucesso ou do fracasso.
Não sofremos o impacto de nossas experiências, chamadas traumas, mas as
adaptamos a nossos propósitos” (Alfred Adler), e assim como Maslow teorizou:
“Podemos escolher recuar em direção à segurança ou avançar em direção ao
crescimento. A opção pelo crescimento tem que ser feita repetidas vezes. E o medo
tem que ser superado a cada momento” e aperfeiçoar nosso entendimento para
perpetuar a motivação e seus efeitos transformadores.

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REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA

ALUNOS ONLINE. https://alunosonline.uol.com.br/historia/posguerra.html

FEIJOO, A. & Mattar, C. (2009). Psicologia Humanista e Psicologia Existencial. Em


C. Tourinho & R. Sampaio (Orgs.), Estudos em psicologia: uma introdução (p. 139-
160). Niterói, RJ: Proclama.

KDFRASES. https://kdfrases.com/frase/119275

MASLOW, A. (1970). Introdução à Psicologia do Ser (A. Cabral, Trad.). Rio de


Janeiro: Eldorado. (Originalmente publicado em 1962). https://www.ebah.com.br

MASLOW, A. (1975). Entrevista com o Dr. Abraham Maslow. Em W. Frick (Org.),


Psicologia Humanista: entrevistas com Maslow, Murphy e Rogers (p. 33-68, E.
Almeida, Trad.). Rio de Janeiro: Zahar. (Originalmente publicado em 1971).

MASLOW, A. (2003). Diário de negócios de Maslow (D. Sthephens, Org., N. Freire,


Trad.). Rio de Janeiro: Qualitymark. (Originalmente publicado em 1965).

MASLOW, A. (2015). Abraham Maslow publications: a current list of books and


articles. Disponível em: http://www.maslow.com/#due>

PSICONLINEWS, https://www.psiconlinews.com/2015/11/piramide-de-maslow-
hierarquia-das-necessidades-humanas.html

PEPSIC. (2017). Revista da Abordagem Gestáltica. http://pepsic.bvsalud.org/pdf

TODA MATÉRIA, https://www.todamateria.com.br/hierarquia-social/

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