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MALVEIRA, Bruno Maia


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JOGOS EMPRESARIAIS: INOVAÇÃO NO ENSINO DE
ADMINISTRAÇÃO
Publicação das FIPMoc PINHEIRO, Cristh Ellen Ferreira; OLIVEIRA, Ramon Alves de
Minas Gerais - Brasil
Ano: 3 - n. 4 - Março de 2017
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08 IMPLEMENTAÇÃO DA FERRAMENTA FAILURE (FMEA) EM


DESIGN BY PRODUCTION DE METALURGIA
SANTOS, Joab Symon Costa; NASCIMENTO FILHO, Pedro
Cândido do
CORPO EDITORIAL 15 A UTILIZAÇÃO DE ALGORITMO GENÉTICO NA
Antônio Carlos Moreira da Costa Junior OTIMIZAÇÃO DE ROTEIROS LOGÍSTICOS PELO
Bruno Maia Malveira MÉTODO DO CAIXEIRO VIAJANTE: UM ESTUDO DE
Diogo Fabiano Ferreira CASO NA PETROBRAS BIOCOMBUSTÍVEIS DE MONTES
João Carneiro Netto CLAROS – MG.
José Osmane Lopes Junior MOURA, Bárbara Francielle da Silva; PIMENTEL, Poliana
Mariana Barreto Mees Santos; NASCIMENTO FILHO, Pedro Cândido do
Pablo Peron de Paula
21 APLICAÇÃO DO CONCEITO DE DOMÓTICA NO
Ramon Alves de Oliveira
ACIONAMENTO REMOTO DE LÂMPADAS VIA SMARTPHONE
Thaís Cristina Figueiredo Rego
E SISTEMA MICROPROCESSADO
CRUZ, Cleyton Avelino Fagundes da; LIMA, Leonardo
Nascimento; SILVA, Leomax Junio Ribeiro; LIMA, Lucas
Freire; LEITE, Ramon Risério Dourado

26 ESTRATÉGIAS PARA O CONTROLE DE INUNDAÇÕES


DIREÇÃO EXECUTIVA NO BAIRRO SÃO JOSÉ EM MONTES CLAROS – MG COM
Maria de Fátima Turano ÊNFASE NA SUSTENTABILIDADE
RIBEIRO, Joyce Amaral; SANTOS, Wilton Fonseca

36 AVALIAÇÃO DA SECAGEM DE LODO DE UMA ESTAÇÃO


DE TRATAMENTO DE ESGOTO (ETE) DE GRANDE
ASSESSORIA DE REVISÃO LINGUÍSTICA
PORTE E PERSPECTIVAS DO APROVEITAMENTO DO
Rosane Bastos
PRODUTO DESSE PROCESSO COM VISTAS À
SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
CAPA E EDITORAÇÃO RODRIGUES, Luiz Felipe Pereira; AMARAL, Maria Julieta
Ilimitada Publicidade e Marketing Almeida; GOMES, Luiz Eduardo Murta

49 ANÁLISE DA SUBSTITUIÇÃO DO AÇO LISO PELO


EDITORAÇÃO BAMBU BAMBUSA VULGARIS EM LAJES NA
Fabrício Leite CONSTRUÇÃO CIVIL
RUAS, Ludmila Botelho; ROCHA, Maria Clara Silva;
ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA SANTOS, Paulo
Faculdades Integradas Pitágoras
Av. Profa. Aída Mainartina Paraíso, 80 59 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES E APLICAÇÕES DO
Ibituruna - Montes Claros/ MG CONCRETO AUTOADENSÁVEL
CEP: 39.400-082 - Fone/Fax: 38-32147100
SOARES, Rayana Barreto; CORDEIRO, William Voumard
www.fip-moc.edu.br
71 ABORDAGEM ESTRUTURAL E GEOTÉCNICA EM UM
PROJETO DE FUNDAÇÃO: UM ESTUDO DE CASO
É permitida a reprodução de artigos desta revista desde que citada a fonte. PEREIRA, Ana Cecília Amaral; SANTANA, Carlos Emanuel
Crispim; PEREIRA FILHO, Edgar Antunes

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86 DIRETRIZES PARA SUBMISSÃO DE ARTIGOS


REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

MALVEIRA, Bruno Maia


Coordenador do curso de Engenharia Mecânica das FIPMoc

Nesta 4ª edição da Revista REAGE, revista das Engenharias, Arquitetura e


Administração, observamos que a diversidade de assuntos abordados enriquece cada vez
mais os trabalhos de cunho científico e tecnológico.
A revista apresenta, dentre outros contextos, o engrandecimento quanto ao
número e à qualidade dos trabalhos, ao longo das quatro edições, representando
produções alinhadas com as exigências dos órgãos indexadores.
Nas primeiras revistas, era grande o número de publicações voltadas para
poucas áreas do conhecimento. Nesta revista, é apresentada uma interdisciplinaridade
muito grande, abordando todas as áreas do conhecimento, voltadas à inovação,
tecnologia, engenharias, arquitetura e administração.
Os trabalhos aqui apresentados relacionam-se com os projetos de pesquisa
desenvolvidos ao longo do semestre, optando, principalmente, pela abrangência de
conexão entre os temas, enriquecendo as produções e contribuições para a academia.
O desenvolvimento e inovação na engenharia depende diretamente de
publicações e desenvolvimento do mundo acadêmico. A prática e a publicação em
matéria de engenharia vêm sendo cada vez mais comuns em revistas científicas,
enriquecendo cada vez mais, o conhecimento tecnológico dos leitores. Publicações que
refletem temas como inovação tecnológica, representam o espelho das necessidades da
sociedade e da indústria como um todo, atentando sempre para necessidades e melhorias
do cenário atual.
A engenharia, por ser a ciência que aplica conhecimentos teóricos para, por
meio de recursos, desenvolver bens e serviços, emprega todo e qualquer tipo de
problemática em uma solução, considerando os aspectos matemáticos, econômicos,
técnicos e sustentáveis.
A tecnologia empregada em nosso cotidiano muito se deve aos avanços
tecnológicos e de engenharia, apontando sempre para o alinhamento entre as técnicas de
engenharia com o avanço da informática. A cada dia, o avanço é muito além de nossa
imaginação. Quem não se lembra dos tempos em que uma montadora de veículos
fabricava apenas alguns modelos? O crescimento tecnológico foi tão grande, que hoje
não somos capazes de falar o nome de 10% dos veículos fabricados por uma montadora.
Essa realidade não é exclusivamente do setor automotivo, mas também de todo o cenário
mundial. A busca por inovações e tecnologia é algo real em todos os ramos da sociedade e
indústria. A revista REAGE 4 mostra-nos as tendências e projetos existentes.

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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

JOGOS EMPRESARIAIS: INOVAÇÃO NO


ENSINO DE ADMINISTRAÇÃO
PINHEIRO, Cristh Ellen Ferreira*; OLIVEIRA, Ramon Alves de**
*Docente das FIPMoc ** Coordenador do curso de Administração e docente das FIPMoc

Os avanços das novas tecnologias, percebidos abordados durante o curso.


em diversos setores no Brasil, como telefonia e A cada rodada, as equipes tomam decisões
comunicação, comércio e educação, acarretaram uma relacionadas a preço, investimento em propaganda, prazos de
alteração do padrão de consumo, principalmente da recebimentos e pagamentos, compras de insumos e
população jovem. Nesse sentido, alteraram-se as máquinas, contratação e demissão de pessoal, empréstimos,
perspectivas e percepções dessa parcela da população. financiamentos, entre outras.
Diante do contexto, o setor de educação, em Figura 1 – Tela Inicial do Simulador

especial a educação superior, sofreu mudanças diretamente


ligadas aos modelos pedagógicos e a uma tendência pela
aplicação contextualizada, prática e inovadora do ensino.
Face a essas tendências, o curso de
Administração requer uma atenção especial, devido à
Fonte: Adaptada de Simulare, 2017.
necessidade de atualização constante, bem como à integração
entre suas áreas de atuação. Todas essas decisões são tomadas com base em
análises das regras do jogo, como uma análise externa da
A integração das áreas de Administração é
empresa, por meio das informações publicadas em um Portal
primordial no processo de aprendizagem do acadêmico. No
de Notícias; dos relatórios contábeis e gerenciais emitidos
entanto, verifica-se uma ausência de disciplinas que abordam
pelo simulador, como exposto na Figura 2; e das políticas e
a conexão dos conteúdos estudados durante o curso.
metas da empresa simulada. O professor atua como um
Diante desse contexto, o curso de
mediador, sendo responsável por orientar, monitorar,
Administração das Faculdades Integradas Pitágoras
negociar, definir prazos e lançar desafios.
implementa educação inovadora por meio da utilização de Figura 2 – Relatório Financeiro: Demonstração de Resultado do Período
um simulador de empresas, mediante o qual o acadêmico tem
a oportunidade de vivenciar as diversas áreas abrangidas na
gestão empresarial, de forma integrada.
O simulador é um software 100% online,
utilizado como uma ferramenta didática que proporciona aos
acadêmicos a prática da gestão de um negócio.
A atuação do discente é de forma coletiva, em Fonte: Adaptada de Simulare, 2017.
equipes de 3 a 5 integrantes, com a missão de administrar A utilização do simulador de empresas
uma das empresas simuladas, as quais competem entre si proporciona aos acadêmicos a possibilidade de uma visão
durante um período chamado de “Rodada de Decisões”. A sistêmica das áreas da Administração, em uma dinâmica
administração coletiva das empresas simuladas tem como inovadora, competitiva e divertida. A proposta da disciplina
objetivo promover a troca de conhecimentos e experiências proporciona motivação e incentiva o aprendizado
entre os acadêmicos, bem como a discussão dos conteúdos contextualizado, de forma prática e inovadora.

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O entrevistado desta edição da REAGE


é o engenheiro Jaime Nogueira
Eleutério. Montesclarense, formado em
Engenharia de Minas pela Universidade
Federal de Ouro Preto é especialista em
sistemas minero-metalúrgicos e possui
mais de dez anos de experiência em
operação de minas.

REAGE - Qual a sua experiência na REAGE - Em quais áreas, além de Engenheiro de Minas recém
área de Engenharia de Minas? consultoria e mineração, há mercado formado?
para o Engenheiro de Minas? Jaime - Matemática financeira pois a
Jaime - Tenho 10 anos de experiência
Jaime - Existe um apelo muito grande, mineração é essencialmente uma
na parte de Operação de Minas. Nestes
após o acidente na empresa Samarco, atividade que busca o lucro.
10 anos, trabalhei em Minas no Brasil
por maior controle do estado nos Comunicação e oratória para se
(quadrilátero, Carajás, Manganês e
aspectos ambientais e de segurança que comunicar com o público. Aconselho,
Mina de calcário dolomítico e
envolvem a mineração. Neste aspecto se possível, experiências laborais
atualmente Nióbio), e em minas acredito no crescimento dos órgãos de intensas, como estágios.
subterrâneas na Austrália. controle como o DNPM; gerando REAGE - O mercado internacional é
REAGE - Como está o mercado de inúmeras vagas em concursos para uma opção viável para um recém-
trabalho para o Engenheiro de Engenheiro de Minas. Além disto, formado?
pequenas cidades ainda não dispõem de
Minas? Jaime - No mercado, hoje, existe
ARTs em areeiras e pedreiras que
Jaime - O mercado de trabalho da restrição para recém formados. Mas a
consigam atender às demandas locais
mineração é altamente globalizada e,
mineração está passando por um gerando oportunidades para o Eng. de
com o retorno do ciclo de crescimento,
momento de início do reaquecimento. Minas empreender.
é uma possibilidade real. Importante
Acredito que, num futuro próximo, o
REAGE - Que especializações e lembrar que falar o idioma do local em
ciclo da mineração retomará o que pretende trabalhar é um pré-
cursos você indicaria para um
crescimento e o mercado melhorará. requisito.
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REAGE - Você indicaria para um cíclico. Vejo, num futuro próximo, as Mineração.
jovem que está terminando o segundo oportunidades voltando a aparecer. A REAGE - Em que empresa você
grau a Engenharia de Minas? mineração continua sendo uma das trabalha? Essa empresa tem

Jaime - O Brasil detém algumas das principais atividades do ser humano; programa de estágio? Como
maiores e melhores jazidas dos mais não é por acaso que as eras são participar?

variados minerais do mundo. O nomeados pela capacidade do homem


Jaime - Uma empresa do grupo CMOC.
profissional de Eng. de Minas está de trabalhar os minerais.
Antiga AngloAmerican Nióbio. O
sempre em evidência, uma vez que, REAGE - O mercado de trabalho da programa de estágio está sendo
onde existe mineração, há um maior mineração é sexista? discutido com a CMOC e, em breve,
desenvolvimento da localidade, em Jaime - Infelizmente. Ainda hoje existe podemos ter novidades neste sentido.
virtude da atividade minerária. A certa discriminação em relação à REAGE - Você tem vontade de voltar
mineração apresentou queda nos atuação da mulher na mineração. Tem para o norte de Minas?
últimos anos mas acredito que num mudado bastante e acredito em maior
futuro próximo, mais uma vez estes Jaime - O bom filho à casa torna. Tenho
equilíbrio entre os sexos. Trabalhei com
profissionais serão amplamente desejo e tenho projetos para um dia
mulheres altamente competentes e
requisitados no mercado. retornar para Montes Claros. É uma
eficientes dentro da mineração.
excelente cidade, e onde está a minha
REAGE - Em sua opinião, qual a REAGE - Qual é sua função na família.
maior deficiência na formação de empresa? Descreva resumidamente
Engenheiros de Minas, do país? as atividades diárias.
Jaime - Gestão. De pessoas recursos e Jaime - Sou Coordenador de operações
financeira. Espera-se do engenheiro, de Mina e Britagem. Faço o
desde os primeiros momentos na gerenciamento das pessoas e recursos
empresa, que seja capaz de fazer dentro da unidade em que atuo. Minha
cálculos de retorno de investimento, responsabilidade principal é garantir
fluxo de caixa, metodologias de tomada que as operações ocorram de forma a
de decisão baseada em dados garantir a excelência nas metodologias
financeiros. Não vejo, hoje, as de lavra, garantindo o bem estar das
instituições tendo foco nesse aspecto pessoas e do meio ambiente, e prezando
extremamente significativo na vida pela saúde financeira do negócio.
profissional.
REAGE - Há algo que você gostaria
REAGE - Como você vê o cenário de acrescentar?
futuro da mineração no Brasil e no
Jaime - Somente que acredito no norte
mundo?
de Minas como uma das fronteiras ainda
Jaime - O mercado da mineração é não amplamente desenvolvidas na
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IMPLEMENTAÇÃO DA FERRAMENTA FAILURE (FMEA)


EM DESIGN BY PRODUCTION DE METALURGIA
SANTOS, Joab Symon Costa; NASCIMENTO FILHO, Pedro Cândido do

Docentes das FIPMoc

RESUMO
A literatura atual acerca de análise de causa e efeito sugere que a melhor forma de diminuir as falhas nos fluxos de produção é
implementar a sistematização de métodos preventivos a falhas de projeto e execução. Esta pesquisa trata da utilização do
FMEA (Failure Model and Effect Analysis) na diminuição de erros no processo de design by production (projeto de produção)
de uma indústria de metalurgia, de codinome Alfa. O problema de pesquisa trata de como a aplicação do FMEA em processos
extritamente qualitativos pode gerar resultados quantitativos para o processo. O objetivo geral é encontrar um método eficaz
de implementar o FMEA em um processo que exija análises qualitativas, tendo como objetivos específicos: estudar a
ferramenta FMEA por meio de bibliografias e avaliar os resultados na empresa Alfa. Como resultado, obteve-se uma
padronização das ações no departamento responsável pelo projeto e diminuição das ocorrências de erros na execução dos
projetos. Conclui-se que o FMEA se aplica a fatores subjetivos e tem alta eficiência em trabalhar tanto preventiva quanto
corretivamente.
PALAVRAS-CHAVE: FMEA. Projeto de produção. Diminuição de erros.

INTRODUÇÃO A pesquisa em estudo trata da utilização do FMEA na


diminuição de erros no processo de Design by Production
As organizações atuais buscam cada vez mais uma (DBP – Projeto de Produção) do setor de planejamento de
eficiência maior em seus processos produtivos. Essa engenharia de uma indústria metal-mecânica , denominada,
eficiência pode ser alcançada pela diminuição de falhas nos aqui, como Empresa Alfa.
procedimentos que compõem os processos de produção. A A problemática indaga como o FMEA pode ser
maioria das bibliografias sugere que a melhor forma de aplicado em processos dependentes de fatores subjetivos
diminuir as falhas nos fluxos de produção é utilizar métodos para ocorrerem. Esses fatores vêm do fato de as operações do
preventivos que impeçam que elas continuem ocorrendo. setor de programação serem, em vários casos, ligadas a
Com isso, surge a disseminação da ferramenta subjetividade humana, como a atenção do programador,
analítica FMEA (Failure Mode and Effect Analysis – Análise concentração e ambiente de trabalho.
do Efeito e Modo de Falha), que analisa as falhas e relaciona- O objetivo geral é encontrar a forma mais eficaz de se
as com a causa e o modo que contribuíram para sua implementar o FMEA no setor de DBP da empresa Alfa,
ocorrência. Sendo assim, essa ferramenta apresenta-se de tendo como objetivos específicos: estudar a ferramenta
forma eficaz na resolução e prevenção de falhas, pois age do FMEA por meio de bibliografias e avaliar os resultados do
ponto inicial do problema (a causa) até o efeito, o que dá a estudo de caso da empresa Alfa.
possibilidade de eliminar a ocorrência ou diminuí-la ao
máximo.

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Referencial teórico maiores riscos, a partir de uma análise qualitativa e


quantitativa. (CAVALCANTI et al., 2011)
A ferramenta Qiang (2009) afirma que o FMEA, é amplamente
utilizado nas fábricas em várias fases do ciclo de vida de
O FMEA surgiu em 1949 e destinava-se às análises de produtos e, também, há aplicações em empresas prestadoras
falhas em sistemas e equipamentos da Indústria Militar de serviços. Entretanto, o FMEA aplicado na gestão
Americana nos anos 60, com pioneirismo na NASA empresarial ainda está em uma fase exploratória,
(SEGISMUNDO e MIGUEL, 2008). especialmente na área de melhoria do sistema de qualidade.
Braglia (2000) afirma que o FMEA proporciona Yang e Bai (2009) complementam que o FMEA é um
facilidade no entendido por todos os participantes do grupo método de confiabilidade, que pode identificar os modos de
multidisciplinar; pode ser visto como o um procedimento falha e seus efeitos. Brantes (2011 apud LAFRAIA 2001)
sistemático, gera uma base de dados facilmente gerenciada afirma que a fase de fabricação pode provocar falhas quando
com auxílio de software e que sustenta a manutenção do os processos de fabricação e montagem são inadequados para
histórico do desenvolvimento do produto ou do processo, o produto processamento.
auxilia na identificação das fraquezas do desenvolvimento
de produtos e de processos, possibilitando ajustes nos Utilização prática do FMEA
procedimentos. A atenção e a priorização das ações ficam
claramente estabelecida e focada em poucos componentes ou Segundo as bibliografias utilizadas, puderam-se
processos. Além disso, a partir das informações do FMEA, perceber as particularidades do FMEA e suas características.
podem ser estabelecidos procedimentos, controles e registros As bibliografias de Slack (2009), Brantes (2011) e Roos
necessários no desenvolvimento de produtos e no processo (2008) sugerem que o FMEA deva ter quatro índices
produtivo; recomenda-se que sejam integrados ao sistema de qualitativos e quatro quantitativos, sendo determinados por
gestão da qualidade. estudos estatísticos e cálculos matemáticos. O QUADRO 01
Para Aguiar e Mello (2000), a utilização do FMEA apresenta os termos qualitativos associados ao FMEA.
visa identificar as características de processo que são críticas
para os diversos tipos de falhas, mediante questionamentos Quadro 1: Termos qualitativos do FMEA
referentes à conseqüência da falha, probabilidade de Causa Modo de falha Efeito

Qual a causa do modo de De que modo o processo pode Qual o efeito do modo de falha
ocorrência e probabilidade de detecção antes de afetar o falha? falhar em cumprir com a sua para o cliente?
função?
cliente. Slack et al. (2009) complementam afirmando que o Uma deficiência que o A maneira pela qual o Impacto ao cliente caso
resulta em um modo uma peça ou processo o modo de falha não
embora nenhuma operação produtiva seja indiferente às de falha; podem deixar de seja prevenido ou
atender as corrigido;
falhas, em alguns casos é crucial que os produtos e serviços o Causas são as origens
da variabilidade
especificações;

associada às o Normalmente associado


não falhem, a fim de evitar prejuízos que podem alcançar principais variáveis de a um defeito ou não-
entrada. conformidade.
grandes proporções em itens, situações e locais.
Para o desenvolvimento do FMEA, é necessária, Fonte: Slack (2009) e Brantes (2011), adaptação.
inicialmente, a identificação dos possíveis modos de falhas
em um processo ou produto e suas respectivas causas e Após a determinação das variáveis qualitativas,
efeitos. Para cada causa, foram postos os controles atuais procura-se priorizar, mediante um índice de um número de
existentes na empresa. E, depois, foram priorizados os prioridade de risco (RPN – Risk Priority Number), quais

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delas serão mais urgentes para nosso processo. Para tanto, é implementação do FMEA levou seis meses (jun. a nov. 2012)
necessário utilizar três índices quantitativos determinados com quatro atualizações até se chegar ao FMEA atual. O
pelos cálculos estatísticos. Esses índices são de ocorrência, modelo de FMEA escolhido foi o de processo, que consiste
severidade e controle, mostrados no QUADRO 2. nas análises das operações de todo o setor de DBP.
A pesquisa documental foi utilizada para verificar o
Quadro 2: Pontuações do FMEA histórico de falhas nos processos que envolvem o
Quadro 2: Pontuações do FMEA
Causa Modo de falha Efeito planejamento de engenharia, com foco no processo de DBP.
Ocorrência (OCC) (Defeitos) Severidade (SEV)
Qual a probabilidade da causa Quão significante é o impacto do Foram analisadas graficamente as informações do setor e
do modo de falha ocorrer? efeito para o cliente? Número
Número mais elevado para
maior ocorrência (escala 1 a
mais elevado para maior
gravidade (escala 1 a 10)
feita uma série de análises estatísticas de amostragem e
10)
Controle relação de frequência para geração de alguns dos índices do
Detecção (DET)
FMEA.
Qual a probabilidade do sistema
atual não detectar a causa do RPN = OCC x SEV x DET
RPN: Risk Priority Number
A seguir, é apresentada toda a construção do estudo de
modo de falha caso ocorra?
(Número de Prioridade de
Número 10 para total falta de
capacidade de detectar (escala
Risco) caso, com as etapas de construção do FMEA e posterior
1 a 10)
implementação no departamento de planejamento de
Fonte: Slack (2009) e Brantes (2011), adaptação. engenharia.

A saída de um FMEA é o “Número de Prioridade de FMEA no departamento de DBP


Risco” (RPN - Risk Priority Number), baseado na
informação proporcionada relativa a: O departamento de planejamento de engenharia da
* Modos de falhas potenciais; empresa Alfa trata do que será produzido relacionando com
* Efeitos; os recursos necessários, os procedimentos que deverão ser
* Capacidade atual do processo para detectar as falhas seguidos, além do maquinário para tratamento de materiais e
antes de chegarem ao cliente. fabricação de peças.
Mediante o NPR, podem-se ter os processos ou A utilização do FMEA no departamento analisa os
requisitos mais alarmantes, que devem ser priorizados para a riscos de acontecerem falhas nas operações, com foco no
fase de tomada de ações, diminuindo sua ocorrência, DBP.
aumentando sua detecção ou até eliminando a causa do modo
de falha da operação. Processo de DBP da empresa Alfa

Metodologia O setor responsável pelo DBP tem oito funcionários,


que trabalham 8,5 horas por dia. Todos são treinados em
Os procedimentos metodológicos utilizados foram a programas CAD, que são utilizados para descrever o projeto
pesquisa bibliográfica, com a leitura e coleta de informações de produção das peças a serem fabricadas.
em livros e artigos sobre gestão da produção, administração O processo de programação segue o fluxo da FIG. 1.
da produção e melhoria contínua.
A pesquisa concentrou-se no estudo de caso, com Figura 1: fluxo do processo no setor de programação

coleta de dados sobre o processo de DBP da empresa Alfa,


mediante pesquisa in loco, que foi nosso objeto de estudo. A Fonte: Elaboração própria, 2015.

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O estudo de caso irá concentrar-se nas três últimas Tabela 1: Modo de falha
Requisito Modo de falha
etapas, em que é construído o DBP das peças.
Cotas Falta de cotas/ cota errada/cota fora de
escala

Não colocar a simbologia ou simbologia


Simbologia de solda
Coleta de dados qualitativos incorreta

Não colocar a simbologia ou simbologia


Simbologia de usinagem
incorreta

Sem necessidade de D/E ou falta de


Ao analisar os processos e atividades do setor de Posição do D/E
indicação

Não colocar o S.M ou coloca-lo fora das


programação, verificou-se que existem caracteres, sub- S.M
especificações

processos e pequenas atividades que são derivadas dos Desenvolvimento


Sequenciamento incorreto,
desenvolvimento longo demais ou curto
demais
macroprocessos. Analisados e definidos os modos de falhas e
suas causas, serão utilizados todos os requisitos, enquanto CNC
Identificar o corte duplo de peça, medição
errada de peças e quantidades em excesso
que, para a análise dos efeitos, serão utilizados apenas os Rasuras Fazer a rasura sem um padrão

macroprocessos, que são os impactados pelos efeitos das Locais dos furos e furação
Descrever o local trocado
diâmetro errado.
ou erado,

falhas. Na formulação do FMEA, os efeitos dos Posição determinada


Descrever a posição trocada ou repetida
sem necessidade.
macroprocessos serão distribuídos para os sub-processos. Quantidade de peças
Inserir uma quantidade maior ou menor de
peças sem necessidade.

Definição da fabricação em máquina que


Definição da fabricação
não atenda ou atenda de forma incorreta
Modo de falha Inserir espessura maior ou menor que o
Espessura da Chapa
necessário

Representar em local errado/ tamanho


Locais de chaveta errado/ sem tolerância ou tolerância
O modo de falha é a forma como a não conformidade incorreta.

ocorre, e é dela que se terão as noções iniciais para se atuar Roscas


Rosca identificada para montagem de peça
/ representação de rôsca errada

em suas causas e efeitos. A TAB. 1 mostra os modos de falha Chanfro


Não inserção de todos os chamfros para
solda / indicação errada de chamfro
dos requisitos do FMEA. Não inserção de todos os detalhes na
Raios programação / peça detalhada maior/ peça
detalhada menor

Falta de comunicação / falta de circulação


Comunicação
Efeito de informação / informação não coerente.

Fonte: Elaboração própria, 2015


Foi analisado cada um dos principais pontos do DBP e
verificou-se que cada uma das falhas relacionadas a eles Como se verifica, a principal causa dos erros nos
geram significativos efeitos negativos para o processo, sendo processos ligados ao DBP é a falta de atenção e falta de
os efeitos os mesmos para os demais requisitos do processo. conhecimento dos operadores (desenhistas) na elaboração
Esses efeitos são apresentados na TAB. 2. dos croquis.
A função do FMEA será trabalhar nas causas de forma
Causa a impedir que elas evoluam para um modo de falha e,
consequentemente, uma ocorrência que irá gerar um efeito
Com os modos de falha coletados, partimos para a negativo para o processo.
causa das falhas, que serão os pontos de principal atuação na
parte de implementação de controles. Esses causas foram Formulação dos índices
descobertas por meio de mapeamento do processo e uso do
Ishikaua, e foram levantadas pelos testes de hipótese. As Seguindo os parâmetros dos índices de ocorrência
causas são apresentadas na TAB. 3. (OCC), severidade (SEV) e detecção (DET) (quadros 3, 4 e

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5), foi avaliado cada um dos requisitos, e definidos seus Quadro 3 – OCC
índices, junto com o NPR, como é demonstrado na TAB. 4.

Tabela 2: Efeitos
O peração relacionada a falha E feito da falha

U m sím bolo de solda representado de form a


incorreta no desenho pode g erar diversos
efeitos, uns m enos graves, com o retrabalho e
até m esm o refug os de m ontag ens, e outros
S im bologia de solda
m ais graves com o acidentes. U m a solda
errada pode fazer com q ue o ponto
determ inado de form a incorreta se torne
m enos resistente, podendo vir a rom per-se.

A falta e/ou a sim bolog ia errada poderá


S im bologia de usinagem
acarretar retrabalhos e refug os na peça.

O detalhista vir a esq uecer de acrescentar


estas iniciais D /E . N esse caso, o operador
D /E poderá dobrar, recortar e furar todas as peças
da m esm o form a, g erando alg uns refug os.

A definição da peça em lug ar errado, exig e


Quadro 4 – SEV
q ue ela seja é im ediatam ente levada para
Furação
retrabalho ou, dependendo do m aterial, ela
será refug ada.

O erro m ais com um é o desenhista colocar


um nom e na lista de m ateriais e representar
no desenho outro nom e diferente, ou até
m esm o trocá-lo com outro nom e q ue se repita
P osição
na lista de m aterial, isso irá g erar dúvidas na
m ontag em , perdendo tem po e até em casos
m ais graves, as peças serão m ontadas de
form a errada.

D efinição um a sobra m enor do q ue o


S .M necessário pode causar danos ao produto
final, tendo de ser retrabalhado.

O desenvolvim ento feito errado e a peça


form a cortada, q uando ela for passar pelos
processo q ue necessitam de seu
D esenvolvim ento
desenvolvim ento, sairá, ao final deste
processo, com as dim ensões erradas, não
atendendo ao projeto.

P rogram ação incorreta g era perda da peça


CNC
no próprio processo de m oldag em .

Fonte: Elaboração própria, 2015.

Tabela 3: Causas
w ś ij ĵ ╜ℓ ╜Ċ◘ / Ăĵ ℓ Ă

C o ta s F a lta d e a te n ç ã o / p re s s ã o / d is tra ç ã o /
Quadro 5 - DET
F a lta d e a te n ç ã o / e x c e s s o d e tra b a lh o / d e s v io d e
S im b o lo g ia d e s o ld a
fu n ç ã o

S im b o lo g ia d e u s in a g e m F a lta d e c o n h e c im e n to s o b re a s im b o lo g ia

P o s iç ã o d o D /E F a lta d e c o n h e c im e n to / n ã o v e r lo c a l d e m o n ta g e m

S .M F a lta d e a te n ç ã o / p re s s ã o

D e s e n v o lv im e n to F a lta d e a te n ç ã o / p re s s ã o

CNC C á lc u lo e rra d o , n ã o c o n firir a p ro g ra m a ç ã o

R a s u ra s F a lta d e a te n ç ã o / F a lta d e p a d ro n iz a ç ã o

L o c a is d o s fu r o s e fu r a ç ã o C o rre ç ã o e rra d a s e m o p in iã o d e d e s e n h is ta

P o s iç ã o d e te r m in a d a F a lta d e a te n ç ã o /p re s s ã o / p ro g . A n tig a

Q u a n tid a d e d e p e ç a s D e s e n h o e rra d o / fa lta d e d e ta lh e s / fa lta d e a te n ç ã o

F a lta d e a te n ç ã o / a n á lis e d o c o n ju n to / p ro g ra m a ç ã o
D e fin iç ã o d a fa b ric a ç ã o
a n tig a

E s p e s s u ra d a C h a p a F a lta d e a te n ç ã o / fa lta d e in d ic a ç ã o

L o c a is d e c h a v e ta F a lta d e c o n h e c im e n to / fa lta d e a te n ç ã o

F a lta d e c o n h e c im e n to / fa lta de a te n ç ã o /
Roscas
p ro g ra m a ç ã o a n tig a

F a lta d e a te n ç ã o n a p ro g ra m a ç ã o / fa lta d e
D e ta lh a m e n to c o n h e c im e n to d e rô s c a s / c o n fia r a p e n a s n o p ro je to
/ fa lh a d e c o m u n ic a ç ã o

F a lta d e a te n ç ã o / fa lta d e a n á lis e d o p ro je to / fa lta


C h a n fr o
d e c o n h e c im e n to /

R a io s F a lta d e a te n ç ã o / fa lta d e a n á lis e d o p ro je to

F a lta d e a te n ç ã o / p re g u iç a / fa lta d e a n á lis e d o


C o m u n ic a ç ã o
p ro je to / fa lta d e c o n h e c im e n to / fa lta d e in te re s s e

Fonte: Elaboração própria, 2015.

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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

Tabela 4: Número de Prioridade de Risco Figura 02: Matriz Esforço X Impacto para melhorias no
Requisito OCC SEV DET NPR processo de programação
Cotas 4 7 8 4x7x8 = 224

Simbologia de solda 1 4 4 1x4x4 = 16

Simbologia de usinagem 4 6 4 4x6x4 = 96

Posição do D/E 2 7 2 2x7x2 = 28

S.M 4 6 4 4x6x4 = 96

Desenvolvimento 4 6 4 4x6x4 = 96

CNC 1 8 4 1x8x4 = 32

Rasuras 1 6 10 1x6x10 = 60

Locais dos furos e furação 3 7 5 3x7x5 = 105

Posição determinada 6 5 3 6x5x3 = 90

Quantidade de peças 3 7 3 3x7x3 = 63

Definição da fabricação 2 5 9 2x5x9 = 90

Espessura da Chapa 3 7 4 3x7x4 = 84

Locais de chaveta 2 8 4 2x8x4 = 64

Roscas 3 5 4 60
Fonte: Elaboração própria, 2015.
3x5x4 =
Chanfro 7 5 5 7x5x5 = 175

Raios 3 6 6 108
3x6x6 = Com a aplicação do FMEA, o setor de programação
Comunicação 2 5 5 2x5x5 = 50
conseguiu diminuir 60% de seus índices de erros nos croquis,
Fonte: Elaboração própria, 2015 tendo como resultado final a diminuição em 30% do índice
de refugos e retrabalhos na linha de produção metal-
Análise dos resultados mecânica.
A programação pôde ser padronizada de forma a
Com a definição dos NPRs, pôde-se finalizar o FMEA garantir a melhor qualidade de produtos entre processos.
e aplicá-lo na área de DBP. Sendo assim, conseguiu-se ter a Para tanto, houve um trabalho de reestruturação do
primeira forma de padronizar as ações para prevenir os erros fluxograma de processo para melhorar as checagens dos
que aconteciam no DBP. croquis que são passados para a produção.
Para os NPRs mais altos, como foi no caso de cotas, O FMEA criou uma nova cultura no departamento,
locais de furos e furação, chanfro e raios, foram fazendo com que as operações sejam sempre checadas antes
implementados dispositivos a prova de falhas para que tais de aprovadas e, em contrapartida, agindo de forma
erros não acontecessem mais, como um processo de check preventiva para que os erros não mais aconteçam.
list dos croquis antes de serem liberados, e procedimentos
mais padronizados para documentação. Conclusão
O plano de ações previu, dentre os maiores NPRs, os
que teriam o menor esforço para implementar as melhorias e As finalidades do FMEA estudadas nas bibliografias
foram escolhidos, seguindo a matriz Esforço X Impacto foram de acordo com o resultado encontrado na empresa
(FIG. 2). Alfa, pois a capacidade de agir preventivamente em relação
Com a aplicação do FMEA, o setor de programação às falhas aumentou, com a implementação da ferramenta.
conseguiu diminuir 60% de seus índices de erros nos croquis, A diminuição no índice de refugos e retrabalhos
tendo como resultado final a diminuição em 30% do índice comprovou a efetividade do FMEA para atividades
de refugos e retrabalhos na linha de produção metal- altamente influenciadas por fatores humanos, pois se pôde

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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

forma eficiente. effects analysis (FMEA) in the context of risk


management in new product development. International
O objetivo geral foi alcançado, já que se pôde
Journal of Quality & Reliability Management; v. 25, n. 9,
encontrar uma forma eficaz de implementar o FMEA em um p. 899 – 912, 2008.
setor de serviços de DBP, onde as variáveis são bastante
SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; ROBERT, Johnston.
influenciadas por fatores subjetivos. Percebeu-se que não Administração da Produção. 3ª Ed. São Paulo: Atlas,
existe uma forma padrão de se implementar o FMEA num 2009.

processo, pois cada um irá demandar diferentes tipos de YANG, H. & BAI, Z. Risk Evaluation of Boiler Tube
variáveis que devem ser analisadas para se construir a Using FMEA. Sixth International Conference on Fuzzy
Systems and Knowledge Discovery. v. 07, p. 81-85, 2009.
ferramenta e implementá-la no processo. O que os autores
estudados sugerem é a pesquisa-padrão, que pressupôe modo
de falha/efeito/causa.
A pesquisa concluiu que o FMEA foi a ferramenta
inicial para inserir o pensamento lean manufacturing e/ou six
sigma no planejamento de engenharia, e que servirá de base
para outras investigações a fim de implementar um processo
de melhoria contínua no departamento.

REFERÊNCIAS

AGUIAR, C.; MELLO, P. FMEA de processo: uma


proposta de aplicação baseada nos conceitos da ISO 9001:
2000. XXVII Encontro Nacional de Engenharia de
Produção (ENEGEP), Rio de Janeiro-RJ, 13-16 out. 2008.

BRAGLIA, M. MAFMA: multi-attribute failure mode


analysis. International Journal of Quality & Reliability
Management; v. 17, n. 9, p. 1017 – 1033, 2000.

BRANTES, Alessandro Tavares. Aplicação do método


FMEA ao processo de fabricação de caldeiras
flamotubulares: proposta de ações. XXXI ENEGEP, Belo
Horizonte, 2011.

CAVALCANTI, Marianne Andrade et al. Aplicação do


FMEA de projetos ao gerenciamento de riscos de um
projeto no setor da construção naval. XXXI ENEGEP,
Belo Horizonte-MG, 2011.

QIANG, R. Research on sales quality system


improvement based on FMEA. 6º Congresso
Internacional de Gestão e Sistemas de serviços. 08-10 jun.
2009.

ROOS, Cristiano. Ferramenta FMEA: estudo


comparativo entre três métodos de priorização. XXVIII
ENEGEP. Rio de Janeiro-RJ, 13-16 out. 2008.

SEGISMUNDO, A.; MIGUEL, P. Failure mode and

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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

A UTILIZAÇÃO DE ALGORITMO GENÉTICO NA


OTIMIZAÇÃO DE ROTEIROS LOGÍSTICOS PELO
MÉTODO DO CAIXEIRO VIAJANTE: UM ESTUDO DE
CASO NA PETROBRAS BIOCOMBUSTÍVEIS DE
MONTES CLAROS – MG.

MOURA, Bárbara Francielle da Silva*; PIMENTEL, Poliana Santos*; NASCIMENTO FILHO, Pedro Cândido do**.
*Discentes do curso de Engenharia de Produção das FIPMoc; ** Docente das FIPMoc

RESUMO

O elemento mais expressivo do custo logístico para as organizações é o transporte, pois ele apresenta a maior parcela dos
custos logísticos, e, na maioria das organizações, exerce papel fundamental, pois, quando bem gerenciado, aumenta a
competitividade das empresas, reduz custos, melhora os níveis de serviço e aumenta a lucratividade. De modo a contribuir
para minimizar os custos de transporte das organizações, existem técnicas de otimização e roteirização, tal como o Traveling
Salesman Problem (TSP), que consiste em determinar o roteiro das diferentes cidades que serão percorridas, de forma a
reduzir a distância total, assegurando que as cidades sejam visitadas apenas uma única vez. Baseia-se em sistemas
computacionais que, através de algoritmos e uma apropriada base de dados são capazes de obter soluções satisfatórias para o
problema de roteirização. Sendo assim, esse estudo monográfico apresenta como principal objetivo desenvolver uma
proposta de roteirização para o transporte de matéria prima da Petrobras Biocombustíveis, utilizando o método do caixeiro
viajante baseada em algoritmo genético. Baseou-se em pesquisa bibliográfica, descritiva, exploratória e estudo de caso com
abordagem quali-quantitativa, cujo instrumento de coleta de dados foi entrevista com o supervisor de operações e logística e
site da empresa. Como resultado, observou-se que o algoritmo genético alcançou resultados satisfatórios na otimização,
embora não tenha, em alguns casos, oferecido soluções práticas. As rotas foram mapeadas identificando seus roteiros.

PALAVRAS-CHAVE: Roteirização de veículos. Problema do Caixeiro-Viajante. Algoritmo Genético.

INTRODUÇÃO barreiras espaciais.


O elemento mais expressivo do custo logístico para as
O presente trabalho trata da aplicação de uma técnica organizações é o transporte, equivalendo a 48% dos custos
de otimização meta-heuristica para propor tours otimizados totais, sendo que, o modal de transporte mais representativo
de diversos roteiros de transporte de matéria-prima para a na matriz de transporte brasileira é o rodoviário,
Petrobras Biocombustíveis, em Montes Claros, Minas correspondendo a 60% das cargas transportadas e a 7,5% do
Gerais. PIB (ANTT, 2012, p. 02). Apesar de apresentar a maior
A movimentação e o transporte de produtos é uma parcela dos custos logísticos, na maioria das organizações o
necessidade básica das organizações, uma vez que as transporte tem papel fundamental, pois, quando bem
matérias-primas demandadas podem estar localizadas em gerenciado, aumenta a competitividade das empresas, reduz
outras regiões e os locais de produção geralmente se custos, melhora os níveis de serviço e aumenta a
encontram afastados dos locais de consumo. Por isso, torna- lucratividade.
se relevante estabelecer meios de transporte para vencer as Uma das técnicas de otimização e roteirização mais
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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

conhecidas é o Traveling Salesman Problem (TSP), também de programação matemática [...]. Os


problemas de roteamento lidam em sua maior
conhecido como Problema do Caixeiro-Viajante, que parte com passeios ou tours sobre pontos de
consiste em determinar o roteiro das diferentes cidades que demanda ou oferta. Esses pontos podem ser
representados por cidades, postos de trabalho
serão percorridas, de forma a reduzir a distância total, ou atendimento, depósitos etc.
assegurando que as cidades sejam visitadas apenas uma
O problema do Caixeiro-Viajante (Traveling
única vez. Baseia-se em sistemas computacionais que, por
salesman problem - TSP) envolve o caminho de um
meio de algoritmos e uma apropriada base de dados, são
vendedor para atender seus clientes, passando por eles uma
capazes de obter soluções satisfatórias para o problema de
única vez (BODIN, 1975 apud CURCIO et. al, 2014, p. 03).
roteirização.
O trajeto realizado pelo caixeiro-viajante é composto
O objetivo deste trabalho consiste em desenvolver
por um ciclo que inclui todas as cidades (vértices) do mapa
uma proposta de roteirização utilizando o método do
(grafo). O PCV é utilizado para definir rotas, ou seja, a
caixeiro-viajante, baseada em algoritmo genético. Para isso,
sequência de pontos de demandas a serem percorridos,
realizou-se a descrição do problema de roteirização de
dentro de cada grupo.
veículos identificados na indústria de biocombustíveis.
O objetivo do Problema do Caixeiro-Viajante é
Posteriormente, determinou-se o modelo matemático para
encontrar uma rota que inicie em uma cidade e percorra todas
solucionar o problema identificado e aplicou-se o algoritmo
as outras em uma distância mínima possível, com menor
genético para otimizar os roteiros do caixeiro-viajante. Os
custo. Para obter uma solução ótima do problema é essencial
resultados obtidos foram analisados com a implementação
possuir vários circuitos, em que cada um deles é um ciclo.
do algoritmo genético.
A pesquisa se desenvolveu mediante um estudo de
Algoritmos Genéticos
caso na Petrobras Biocombustíveis de Montes Claros, onde
os dados foram coletados em entrevista com o supervisor de
Toda tarefa de busca e otimização possui vários
operações comerciais e logística e site da empresa. Em
componentes, entre eles: o espaço de busca, em que são
seguida, os dados foram tabulados em uma planilha do Excel
consideradas todas as possibilidades de solução de um
e convertido para Texto (separado por tabulações), para que o
determinado problema, e a função de avaliação (ou função de
arquivo pudesse ser executado pelos algoritmos no Matlab.
custo). Existem muitos métodos para otimizar esses
Posteriormente, realizou-se a análise dos resultados obtidos
problemas. No entanto, nas técnicas heurísticas de
com o Algoritmo Genético.
otimização, os algoritmos genéticos constituem uma técnica
evolucionária, pois eles podem fazer a busca em diferentes
Problema do Caixeiro-Viajante
áreas do espaço de solução, alocando um número de
membros apropriado para a busca em várias regiões.
O problema do Caixeiro-Viajante (PCV) foi o
“Os Algoritmos Genéticos (AGs) são métodos de
primeiro problema de roteirização estudado. Suas variáveis
pesquisa probabilísticos inspirados nos princípios da seleção
possuem muitas aplicações práticas, que são capazes de
natural e da genética”. (PEREIRA, 2012, p. 25)
minimizar os custos.
De acordo com Goldberg (1989) apud Pereira (2012,
Segundo Goldbarg e Luna (2005, p. 331):
p. 25):
O problema do caixeiro viajante (PCV) é um
dos mais tradicionais e conhecidos problemas [...] a investigação tinha um duplo objetivo:

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efetuar um estudo rigoroso dos mecanismos Descrição do problema


de adaptação existentes na natureza e
desenvolver modelos computacionais que
retivessem os princípios básicos O transporte de matéria-prima para a usina de
identificados nos sistemas naturais.
biodiesel é realizado por meio do modal rodoviário. Os
A evolução biológica efetua uma pesquisa
num espaço de grande dimensão e fornecedores estão localizados em diversas regiões do país e
complexidade, constituído por todas as transportam matéria-prima (óleo de soja, sebo bovino,
possíveis combinações genéticas que podem
ser geradas. Alguns dos elementos metanol) para a usina de biocombustíveis em Monte Claros.
pertencentes a este espaço de procura poderão
Para reduzir os custos com o transporte de MP, faz-se
originar organismos viáveis. O processo
evolutivo contribui para a obtenção de um necessário planejar as rotas a serem percorridas, com o
conjunto de indivíduos bem adaptados ao
meio ambiente em que se encontram. objetivo de reduzir a quilometragem e, consequentemente, o
(PEREIRA, 2012, p. 25) custo de transporte dessas matérias-primas.

A teoria genética da hereditariedade, desenvolvida por


Resultados e discussões
Darwin no início do século XX, que integrou o conceito de
gene no processo evolutivo, mostrou de que forma
Para solucionar o problema de roteirização
ocorreram as alterações na população desde os primórdios
apresentado pela indústria, identificou-se o tour percorrido
da sociedade até hoje. Os princípios básicos da evolução
pelos fornecedores. Em seguida, fez-se uma lista das cidades
biológica serviram de inspiração para introdução de
e suas respectivas distâncias, inclusive a distância entre elas.
algoritmos de pesquisas nos ambientes computacionais, que
Tabularam-se os dados em uma planilha do Excel e,
são aplicados tanto no campo da engenharia, como no da
posteriormente, o documento foi convertido em Texto
biologia.
(separado por tabulações) para que o arquivo pudesse ser
O Algoritmo Genético trabalha com um conjunto de
executado pelos algoritmos no Matlab.
possíveis soluções. Cada solução contém valores aleatórios
Utilizou-se, para solucionar o problema em questão, a
para cada uma das variáveis. O procedimento para encontrar
meta-heurística Algoritmo Genético e, para as otimizações,
o ponto ótimo parte da análise da população aleatória inicial,
foi utilizado um computador Intel Core i5, com 4Gb de RAM
que é avaliada pela função objetivo de otimização. Se com a
e 500GB de HDD.
primeira avaliação não obtiver um resultado positivo, pares
Os resultados seguem apresentados a seguir:
dos melhores indivíduos são selecionados como “pais”, que,
após, serão combinados, criando uma nova geração de
Rota 1
soluções “filhos”, substituindo a primeira população.
Os AGs são atualmente um método de resolução de
Quadro 1 – Rota 1
problemas muito utilizado, tendo demonstrado sua eficácia
Rota 1
nos mais diferentes domínios, sendo que um deles é a
Uberlândia - MG/ Montes
Claros – MG
otimização combinatória (PEREIRA, 2012, p. 45).
630 km
O Algoritmo Genético é um método eficiente para
Montes Claros – MG
busca de soluções ótimas ou aproximadamente ótimas, em Pirapora – MG
Patos de Minas – MG
uma diversidade de problemas, pois não impõe muitas das Patrocínio – MG
Uberlândia –MG
limitações encontradas nos métodos de busca tradicionais.
Fonte: própria (2016).

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Dados AG: efetividade da otimização combinatória são necessários


* Tour: grafos maiores. Desse modo, não se torna necessário o uso da
Figura 1 – Tour Rota 1 meta-heurística, uma vez que o número de combinações 5! =
120 possibilidades não é proibitivo.

Rota 2
Cidade 3
Fonte: própria (2016).
Araguari - MG/ Montes
Claros –MG
* Função de Fitness = 0.001538 626 km
* Função Objetivo = 650.200000 Montes Claros – MG
Pirapora – MG
Luizlândia do Oeste – MG
Lagoa Formosa – MG
Gráfico 1 – Fitness e Função Objetivo da Rota1
Patrocínio – MG
Araguari – MG

Fonte: própria (2016).

Dados AG:
* Tour:

Figura 2 – Tour Rota 2


Fonte: própria (2016).

Gráfico 2 – Média Fitness da Rota 1

Fonte: própria (2016).

* Função de Fitness = 0.001485


* Função Objetivo = 673.300000

Gráfico 3 – Fitness e Função Objetivo da Rota 2

Fonte: própria (2016).

Como mostra o gráfico 1, a função fitness apresentou o


melhor resultado antes da 10ª geração e se manteve
constante. No gráfico 2 percebe-se, pela média fitness, que o
algoritmo tentou otimizar até a 100ª geração, só que não foi
possível otimizar a Rota 1, pois ela é composta por apenas 5
cidades, o que não permite que seja melhorada. Para a Fonte: própria (2016).

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Gráfico 4 – Média Fitness da Rota 2 * Função de Fitness = 0.002347


* Função Objetivo = 426.000000

Gráfico 5 – Fitness e Função Objetivo da Rota 3

Fonte: própria (2016).

Da mesma forma que a Rota 1, a Rota 2 não pode ser


otimizada- pois, apresenta grafo composto por apenas 6 Fonte: própria (2016).
cidades o que não permite que seja melhorada. Sendo assim,
não se fez necessário o uso de meta-heurística, uma vez que o Gráfico 8 – Média Fitness da Rota 3
número de combinações 6! = 720 possibilidades não é
proibitivo.

Rota 3

Quadro 3 – Rota 3
Cidade 4

Patos de Minas- MG/ Montes Fonte: própria (2016).


Claros – MG

421 Km A Rota 3 é composta por apenas 4 cidades, gerando


Montes Claros – MG
grafo muito pequeno o que não permite que seja melhorada.
Pirapora – MG
Luizlândia do Oeste – MG Deste modo, não se torna necessário o uso da metaheurística,
Patos de Minas – MG uma vez que o número de combinações 4! = 24
Fonte: própria (2016). possibilidades não é proibitivo.

Dados AG: Rota 4

* Tour: Quadro 4 – Rota 4


C id a d e 5

Ita ú n a - M G / M o n te s C la ro s – M G

Figura 3 – Tour Rota 3 481 km 455 km


M o n te s C la ro s – M G M o n te s C la ro s – M G
B o c a iú v a – M G B o c a iú v a – M G
B u e n ó p o lis – M G B u e n ó p o lis – M G
C o rin to – M G C o rin to – M G
C u rve lo – M G C u rve lo – M G
P a ra o p e b a – M G P a rá d e M in a s - M G
S e te L a g o a s – M G Ita ú n a – M G
Fonte: própria (2016). B e tim – M G
Ita ú n a – M G

Fonte: própria (2016).

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Dados AG: tivesse um espaço de busca maior, possibilitando encontrar


* Tour: um tour satisfatório, reduzindo a quilometragem e,
consequentemente, o custo.
Figura 4 – Tour Rota 4
CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Algoritmo Genético desenvolvido alcançou


resultados satisfatórios na otimização, embora não tenha, em
alguns casos, oferecido soluções práticas. As rotas foram
mapeadas identificando seus roteiros.
Fonte: própria (2016).
Embora o AG tenha sido capaz de otimizar as rotas 1, 2
e 3, o resultado prático do roteiro não pode ser considerado,
* Função de Fitness = 0.001220
devido a reduzida dimensão do grafo. No caso da rota 4, o
* Função Objetivo = 819.400000
método apresentou um resultado satisfatório, visto que
houve uma variação positiva na Média Fitness, e uma
Gráfico 9 – Fitness e Função Objetivo da Rota 4
redução de 75% na Função Objetivo.
O algoritmo propôs um ponto de partida e de chegada
com o intuito de otimizar o roteiro o que, em alguns casos, foi
um fator determinante para que esses resultados não fossem
práticos, embora o algoritmo tenha apresentado melhora em
relação à otimização.
Conclui-se que os resultados encontrados são
condizentes e permitem identificar suas premissas e analisar
Fonte: própria (2016).
suas deficiências, dessa forma propondo pesquisas futuras
em otimizações de pequenos grafos, e grafos não totalmente
Gráfico 10 – Média Fitness da Rota 4
fechados, maiores fatores que impactaram o resultado do
algoritmo. Para esses trabalhos, propõe-se, dentre outras
abordagens, o uso de outros algoritmos, como o Simulated
Annealing, NGSA-1 e 2, Evolução Diferencial, GRASP, 2-
opt/3-opt, dentre outros.

REFERÊNCIAS

Fonte: própria (2016). GOLDBARG, Marco Cesar; LUNA, Henrique Pacca L.


Otimização combinatória e programação linear:
modelos e algoritmos. 2 ed. 4 reimpr. Rio de Janeiro:
Consoante os gráficos acima, nota-se que o algoritmo Elsevier, 2005.
otimizou a rota 4, dado que, na Média Fitness, houve uma
PEREIRA, Francisco J. B. Algoritmos Genéticos. In:
variação positiva e uma redução de aproximadamente 75% Cunha, António Gaspar (Coord); Takahashi, Ricardo
na Função Objetivo. A rota foi otimizada, pois apresenta um (Coord); Antunes, Carlos Henggeler (Coord). Manual de
computação evolutiva e metaheurística. Coimbra:
grafo composto por 10 cidades, o que permitiu que o AG Editora UFMG, 2012, p. 25-46.
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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

APLICAÇÃO DO CONCEITO DE DOMÓTICA NO


ACIONAMENTO REMOTO DE LÂMPADAS VIA
SMARTPHONE E SISTEMA MICROPROCESSADO
CRUZ, Cleyton Avelino Fagundes da*; LIMA, Leonardo Nascimento*; SILVA, Leomax Junio Ribeiro*; LIMA, Lucas
Freire*; LEITE, Ramon Risério Dourado**
*Discentes do curso de Engenharia Elétrica das FIPMoc ** Docente das FIPMoc

RESUMO
O presente trabalho utilizou o conceito da domótica no acionamento remoto de equipamentos, através do controle de
lâmpadas de uma residência via aplicativo Android. O Arduino foi utilizado como interface entre o aplicativo e as lâmpadas.
Todos os comandos são enviados pelo smartphone e recebidos pelo Arduino via Bluetooth. A partir dos dados recebidos o
Arduino atua, ligando ou desligando as lâmpadas. Tais conceitos podem ainda ser utilizados como medidas de acessibilidade
para pessoas com deficiência ou idosas
PALAVRAS-CHAVE: Domótica. Arduino. Aplicativo. App Inventor. Android.

INTRODUÇÃO REVISÃO DE LITERATURA

A domótica é uma palavra oriunda da união de duas Domótica


palavras distintas, “domus”, que significa “casa”, com a
palavra “robótica” que é definida em controle automatizado A domótica é um conceito voltado para a aplicação de
de algo. Assim, a domótica consiste em quaisquer sistemas técnicas de automação em residências, aumentando a
de automação voltados para a área residencial. qualidade de vida, o conforto, a necessidade e a economia.
A difusão dos aparelhos smartphone e tablet, (SILVA et al., 2016)
incentivou o desenvolvimento de projetos de automação Em sua essência, a domótica visa à operação e
controlada remotamente, seja via Bluetooth, rede wireless ou monitoramento de equipamentos elétricos conectados a rede,
via Internet. O controle de lâmpadas, equipamentos elétricos, por meio remoto, seja monitoramento interno ou externo a
portões ou sistema de segurança de uma residência é residência, simplificando os processos monitorados. .
realizado por meio um simples comando feito pelo usuário (SILVA et al., 2016)
proporcionando maior qualidade de vida, conforto e
acessibilidade. Arduino
O objetivo deste trabalho é desenvolver um sistema de
controle de lâmpadas remoto, de baixo custo, integrando a O Arduino é uma plataforma de prototipagem
tecnologia dos sistemas microprocessados e do sistema eletrônica de código aberto, o que possibilita que
operacional Android. desenvolvedores modifiquem suas características ou
construam sua própria placa. É o preferido por estudantes e

21
REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

hobbistas por possibilitar o aprendizado e experimento de onde sua tensão de saída será de 5 volts contínuos. Porém, a
técnicas de automação e robótica, de modo simplificado e maioria dos equipamentos elétricos possui a necessidade de
barato. (SILVA; SILVA; LIMA, 2014) alimentação em 127 ou 220 volts. Assim, foi utilizado um
O Arduino, em sua versão UNO, possui um total de 14 módulo relé como interface de potência para conexão do
pinos digitais e 6 pinos analógicos, além de pinos de equipamento à rede elétrica. (JOSÉ,2012)
alimentação de 3,3 e 5 Volts, e o GND. Possui uma IDE, um
ambiente de programação fácil e compatível com os MATERIAIS E MÉTODOS
principais sistemas operacionais: Linux, Windows e
Mac.MOREIRA; M.PORTELA; SILVA, 2013) A metodologia utilizada foi uma abordagem
bibliográfica e experimental do tema, em que foram
Módulo Bluetooth definidos os equipamentos e ferramentas que permitam
maior facilidade de instalação a um custo reduzido.
O módulo Bluetooth HC-05 é uma maneira simples de
O desenvolvimento do trabalho foi realizado em duas
efetuar a comunicação entre dois equipamentos em forma de
partes distintas, a construção do hardware, constituído pelo
ondas de rádio. O dispositivo opera a uma frequência de 2.4
Arduino, modulo Bluetooth e modulo relé; e o
Ghz com um alcance máximo de 10 metros. O modulo HC-
desenvolvimento do aplicativo de controle através do
05 apresenta, ainda, um regulador de tensão interno, para
smartphone.
diminuir a tensão de 5 volts da saída do arduino para 3,3 volts
Foi desenvolvido um algoritmo na IDE do Arduino
contínuos. (COTTA; DEVIDAS; EKOSKAR, 2016)
para identificar as variáveis recebidas pelo módulo
App Inventor Bluetooth. Depois de identificadas as variáveis, o programa
toma a decisão de habilitar ou desabilitar uma saída,
O App Inventor é uma ferramenta online de código acionando os relés e consequentemente as lâmpadas da
aberto, para o desenvolvimento de aplicativos para o sistema residência.
operacional Android, que é dividida em duas partes. A A segunda etapa foi o desenvolvimento do aplicativo
primeira parte consiste em uma plataforma para criação da utilizando o App Inventor. Primeiramente, foi criada a
interface do aplicativo, com os botões, legendas, caixas de interface, com a disposição dos botões e legendas
texto e demais componentes com o qual o usuário interage. A necessários para que o usuário possa interagir com o
segunda parte é onde o algoritmo do aplicativo é criado por aplicativo.
meio de blocos de códigos, que tornam a criação de O algoritmo do aplicativo foi desenvolvido por meio
aplicativos mais simplificada. (BARBOSA; BATISTA; de blocos de códigos para enviar informação ao Arduino
BARCELOS, 2015) sempre que um botão de liga ou desliga for pressionado.
O App Inventor permite ainda que o desenvolvedor Além disso, foi desenvolvida a lógica de inicialização, busca
utilize os sensores e atuadores presentes no smartphone, tais e conexão do Bluetooth do smartphone com o módulo
como Bluetooth, alto-falante, giroscópio e a câmera do Bluetooth HC-05.
dispositivo. (BARBOSA; BATISTA; BARCELOS, 2015)
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Módulo Relé

Conforme pode ser visto na figura 1, o programa


O Arduino apresenta uma saída padronizada TTL,
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desenvolvido na IDE define os pinos 2, 3, 4 e 5 do Arduino Bluetooth próximos; o usuário deve escolher o dispositivo
como saídas digitais. Cada saída possui a função de enviar HC–05 e, então, pressionar o botão “conectar” habilitando a
um sinal elétrico de nível alto ou baixo ao relé, provocando troca de informação entre os dispositivos.
sua comutação.
FIGURA 2: Diagrama de conexões elétricas do protótipo.
FIGURA 1: Programa desenvolvido na IDE do Arduino.

FIGURA 3: Blocos de código utilizados no aplicativo.

As variáveis de controle enviadas pelo smartphone


foram definidas como caracteres de a até h. Cada carácter
recebido possui uma função de alteração do estado de uma
saída.
A figura 2 mostra o diagrama elétrico das conexões
entre o Arduino, módulos relés e o módulo Bluetooth.
O programa do aplicativo desenvolvido no App
Inventor realiza a verificação de conectividade com o
módulo Bluetooth; caso o dispositivo não esteja pareado, o
aplicativo notifica o usuário com a seguinte mensagem:
“Dispositivo não pareado!”.
Quando o dispositivo é conectado, a legenda superior
do aplicativo é alterada de “nenhum”, para o nome do
dispositivo pareado.
O aplicativo foi desenvolvido com divisão entre os
cômodos da residência. Após a habilitação do Bluetooth do
dispositivo, o usuário deve abrir o aplicativo e pressionar o
botão “procurar”, será aberta uma lista de dispositivos

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Quando é pressionado o botão “ligar ou desligar”, o objetivo deste trabalho, demonstrando a possibilidade de
smartphone envia um sinal ao Arduino via Bluetooth, aplicação de conceitos de domótica com o uso do arduino e
sinalizando que o usuário pressionou o botão; então, o aplicativo de smartphone em uma residência, de modo
Arduino atua de acordo com o dado recebido. simples e econômico. O protótipo poderia ser utilizado para
proporcionar maior acessibilidade a pessoas idosas ou
FIGURA 4: Telas do aplicativo em funcionamento. deficientes, para que possam viver com qualidade de vida
melhor e menos dependente. Principalmente se fosse
melhorada sua usabilidade, por exemplo, fazendo com que o
próprio programa habilitasse a conexão Bluetooth do
smartphone, procurasse e se conectasse automaticamente
com o módulo HC-05.
Embora o trabalho se tenha se baseado no
acionamento de lâmpadas, a gama de aplicações pode ser
estendida para portões eletrônicos, controle de dispositivos
O diagrama abaixo mostra, de modo simplificado, de ar-condicionado, ou controle de quaisquer
como ocorrem as conexões entre dispositivos relacionados eletrodomésticos de ação simples.
ao protótipo.
REFERÊNCIAS
FIGURA 5: Diagrama simplificado da conexão
entre dispositivos.
BARBOSA, Eliana da Silva; BATISTA, Silvia Cristina F.;
BARCELOS, Gilmara Teixeira. App Inventor: Análise de
Potencialidades para o Desenvolvimento de Aplicativos
para Matemática. In: CONGRESSO INTEGRADO DA
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, 7., Anais... Campo
dos Goytacazes. Essentia Editora, 2015.
Disponível em: <http://www. essentiaeditora.iff.edu.br/
index.php/citi/article/view/6326/4051>. Acesso em: 08
Os primeiros testes foram realizados com o nov. 2016.
smartphone a uma distância de 1 metro do dispositivo, e o
SILVA, J. T.; SILVA, J. T.; LIMA, G. F.. Utilização do
acionamento ocorreu sem problemas. Os testes seguintes Arduino no Controle e Monitoramento de Nível de
consistiram em aumentar a distância entre o smartphone e o Líquido. In: CONGIC, 10., 2014, Pau dos Ferros. Anais...,
2014. P. 2652-2661.
módulo Bluetooth. Conforme a distância aumenta, maior é o Disponível em
delay de acionamento da lâmpada. Verificou-se, ainda, que, <http://docente.ifrn.edu.br/gustavolima/producaocientifica/
2014/congic/artigo
com a presença de barreiras como paredes e equipamentos /at_download/file>. Acesso em: 08 nov. 2016.
eletrodomésticos, o alcance do sinal diminuía.
JOSÉ, Mauro et al. Domótica via web ao alcance da classe
A escolha da localização do módulo Bluetooth em média baixa. In: CONGRESSO NORTE NORDESTE DE
uma residência deve ser feita de modo estratégico, para que PESQUISA E INOVAÇÃO, 7., 2012, Anais..., Palmas.
Disponível em:
possam ser obtidos os melhores resultados do dispositivo.
<http://propi.ifto.edu.br/ocs/index.php/connepi/vii/paper/vi
ewFile/2995/2539>. Acesso em: 08 nov. 2016.
CONCLUSÃO E TRABALHOS FUTUROS
MOREIRA, Adyson S.; M.PORTELA, Adelson; SILVA,
Rodrigo. USO DA PLATAFORMA ARDUINO NO
O desenvolvimento desse protótipo cumpriu com o
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DESENVOLVIMENTO DE SOLUÇÕES
TECNOLÓGICAS PARA PESQUISAS DE DADOS
ATMOSFÉRICOS NA AMAZÔNIA. Perspectiva
Amazônica: Revista de Publicação Acadêmica da FIT,
Santarém, v. 5, p.119-126, Jan. 2013. Semestral.
Disponível em: <http://www.fit.br/revista/doc/5_81.pdf>.
Acesso em: 09 nov. 2016.

COTTA, Anisha; DEVIDAS, Naik Trupti; EKOSKAR,


Varda Kalidas Naik. WIRELESS COMMUNICATION
USING HC-05 BLUETOOTH MODULE INTERFACED
WITH ARDUINO. International Journal Of Science,
Engineering And Technology Research, Indore, v. 5, n. 4,
p.869-872, Abril, 2016.
Disponível em: <http://ijsetr.org/wp-
content/uploads/2016/04/IJSETR-VOL-5-ISSUE-4-869-
872.pdf>. Acesso em: 09 nov. 2016.

SILVA, Renê Lopes da et al. Automação Residencial. In:


CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA E
TECNOLÓGICA DO IFSP,7., 2016, Anais..., Matão.
Disponível em:
<http://mto.ifsp.edu.br/images/CPI/Anais/IC/2191.pdf>.
Acesso em: 09 nov. 2016.

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ESTRATÉGIAS PARA O CONTROLE DE INUNDAÇÕES


NO BAIRRO SÃO JOSÉ EM MONTES CLAROS – MG
COM ÊNFASE NA SUSTENTABILIDADE
RIBEIRO, Joyce Amaral; SANTOS, Wilton Fonseca *
Discentes do curso de Engenharia Civil das DIPMoc

RESUMO

O crescimento ordenado das cidades e o cuidado com o meio ambiente enfatizam a importância do planejamento e
implantação de programas de drenagem nas cidades. Nesse contexto, o estudo feito no bairro São José, na cidade de
Montes Claros-MG, analisa a situação das estruturas de drenagem do local que sofre com as inundações em épocas
de cheia e apresenta propostas cabíveis e sustentáveis para mitigação desses impactos. Para tanto, foi realizada
revisão bibliográfica, entrevista com o coordenador da Defesa Civil do município e aplicado um questionário
estruturado aos moradores e usuários da praça Flamarion Wanderley – situada na cota mais baixa do bairro – ponto
crítico de alagamentos. As informações obtidas apontam para a falta de conscientização por parte da população
quanto ao descarte de lixo em pontos de captação das águas e ineficiência desses dispositivos. As estruturas
existentes dispunham de escassa manutenção e distribuição nos arredores da praça e ruas adjacentes, fato que
contribui para o acúmulo de águas oriundas tanto dos pontos mais altos quanto de bairros próximos. Os sistemas
sugeridos para atenuarem as inundações no bairro são os pavimentos permeáveis, o aumento das áreas verdes, a
distribuição estratégica de novas bocas de lobo em todo o bairro e uso de medidas não estruturais. Esses sistemas
devem ser implantados em paralelo aos já existentes. Conclui-se que há a necessidade de um estudo prévio do local
para a criação de um plano eficiente e maior integração entre população e poder público na resolução desse
transtorno urbano.
PALAVRAS-CHAVE: Planejamento. Drenagem urbana. Sustentabilidade.

INTRODUÇÃO de fiscalização, pela negligência por parte da população e a


falta de um plano de drenagem eficiente ou mesmo a sua
A drenagem urbana apresenta-se como um sistema inexistência.
de grande relevância social, econômica e ambiental, que De acordo com Plansab (2014), no ano de 2011 apenas
visa Ao controle de vazões e volume de águas pluviais em 10,9% dos municípios brasileiros possuíam plano municipal
pontos críticos nas cidades. Porém, com a falta de de saneamento, sendo que apenas 58,3% desses municípios
planejamento desse sistema e uma expansão urbana de ofereciam serviços de drenagem e manejo de águas pluviais
infraestrutura precária, tornou-se um dos maiores urbanas. Outro dado importante está no fato de que em 2008,
transtornos urbanos atuais. 99,6% dos municípios administravam diretamente os planos
Os impactos causados pelas enchentes nas cidades ou serviços de drenagem mediante suas prefeituras.
estão cada vez mais intensos (picos de cheias) e frequentes, É nítido o descaso da maior parte das administrações
por causa da crescente impermeabilização do solo, públicas em relação a esse problema, que,
causando a diminuição da capacidade da drenagem natural, consequentemente, vem, piorando à medida que as cidades
pelo uso irregular das áreas urbanas em virtude da ausência vão crescendo, assim como ocorre no município de Montes
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Claros-MG. Além disso, a baixa capacidade técnica e situação da drenagem do bairro São José em Montes Claros –
organizacional de muitos municípios dificulta a realização de MG, e apresenta propostas de métodos para o controle de
um planejamento eficiente e interdisciplinar (TUCCI, 2002). inundações, com ênfase na sustentabilidade, para a
Atualmente, existem inúmeras opções para o controle de elaboração de sistemas de drenagem urbana e com o objetivo
enchentes, quer seja para microdrenagens ou de apresentar melhorias na qualidade de vida da população.
macrodrenagens podendo ser estruturais (obras físicas) ou
não estruturais (normas e regulamentos). Quando
associadas, essas opções tornam-se cabíveis às MÉTODO
funcionalidades desse tipo de projeto.
Outro fator considerável é a sustentabilidade, que A presente pesquisa foi desenvolvida a partir de um
também pode ser aplicada no planejamento da drenagem levantamento de informações e dados mediante revisão
urbana. O envolvimento, nas pesquisas sobre a drenagem bibliográfica e pesquisa de campo, com abordagem quali-
urbana, Das mais diversas instituições de ensino e empresas quantitativa.
de engenharia possibilitou a criação de sistemas não O bairro selecionado na cidade de Montes Claros para
convencionais cada vez mais eficientes. a pesquisa foi o São José, por tratar-se de uma região com
Os sistemas de drenagens sustentáveis caracterizam- grandes riscos de retenção de água e um dos mais atingidos
se como aqueles que mitigam os impactos gerados aos pelas inundações no município, sendo, desse modo, ideal
processos naturais e sociais, contribuindo com a para a exploração do tema.
infraestrutura da região, oferecendo custo-benefício e As informações sobre o tema proposto foram colhidas
expansão dos sistemas (CRUZ; SOUZA, TUCCI, 2007). utilizando revisão bibliográfica efetuada com investigação
A drenagem sustentável tem grande funcionalidade em livros e páginas, manuais e revistas eletrônicas.
social e econômica, uma vez que seus meios alternativos de Para a pesquisa de campo, houve a realização de
implantação, que são pouco conhecidos e aplicados, vêm entrevista com o coordenador da Defesa Civil do município
sendo cada vez mais necessários, por propiciarem melhores de Montes Claros, e a aplicação de questionário estruturado e
condições de vida a curto e longo prazos, assim como elaborado com 11 perguntas, no dia 18 de março do presente
melhoria no aspecto urbano local, conservação de recursos ano, na região de cota mais baixa do bairro São José, nas
naturais e de segurança, atendendo as necessidades da proximidades da praça Flamarion Wanderley, local em que
população, evitando inundações urbanas e proliferação de os pontos de alagamentos são mais críticos.
doenças. O questionário foi executado por contato direto
No município de Montes Claros, as inundações aleatório com 42 pessoas que moram ou trabalham no bairro
acarretam cada vez mais prejuízos a cada ano, e pouco é feito supracitado para a observação de fatos e fenômenos reais e a
para atenuá-los, ou mesmo eliminá-los. Os bairros com identificação dos impactos causados na vida deles.
maiores riscos de retenção de água e mais atingidos pelas Trata-se de um estudo de natureza dedutiva, por ter
inundações são os bairros São José, Carmelo, JK, Canelas, como base a investigação de fatos, citações, teorias e
Vargem Grande e Village do Lago, conforme informado por definições concretas em pesquisas bibliográficas, como
Mattson Malveira, coordenador da Defesa Civil de Montes também de natureza indutiva por constituir-se em um estudo
Claros (VELOSO, 2014). de caso, descrevendo os problemas encontrados no sistema
Nesse contexto, esta pesquisa propõe analisar a de drenagem do bairro em estudo.

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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

Conforme Netto (2008), o método dedutivo é longe o mais rápido possível, aumentando a
capacidade condutora do sistema. No entanto,
desenvolvido a partir de premissas gerais para se chegar à tem se observado que esta abordagem, além
uma conclusão específica; o método indutivo possui de ser financeiramente dispendiosa, apenas
provoca a transferência do ponto de
raciocínio inverso, partindo de fatos singulares para um alagamento, exigindo futuramente mais
projetos e obras ainda mais caras e complexas
resultado de entendimento mais amplo. (CRUZ; SOUZA; TUCCI, 2007, p.02).
O procedimento da abordagem teve caráter quali-
quantitativo, visto que o tema foi explorado, falhas existentes Além da necessidade de conhecimento de novas
na estrutura de drenagem do bairro abordado foram técnicas, também deve ser relevante a dedicação dos
apontadas e, por fim, sugestões foram apresentadas para o engenheiros e da administração pública com o planejamento
emprego de novos métodos, além dos convencionais da drenagem urbana. O planejamento deve ser iniciado com
existentes. Por essa conjuntura, pode-se dizer, também, que o um estudo pormenorizado das características hidráulicas e
estudo possui características descritivas e explicativas, em geo-morfológicas do local onde o sistema será implantado.
razão do levantamento de dados para a observação dos fatos, Os principais dados necessários são os referentes ao clima, a
fenômenos e opiniões referentes ao tema. vegetação, a topografia, hidrografia e condições de
Sobre a pesquisa explicativa, Andrade (2010, p.112) impermeabilização, para que sejam preservados, da melhor
diz que “Esse é um tipo de pesquisa mais complexo, pois, forma os processos naturais da região (CANHOLI, 2014;
além de registrar, analisar e interpretar os fenômenos CRUZ; SOUZA; TUCCI, 2007).
estudados, procura identificar seus fatores determinantes, ou Outros fatores importantes são as análises dos
seja, suas causas. ” Esse autor explica, também, que, na parâmetros hidrológicos, como o período de retorno de
pesquisa descritiva, “ [...] os fatos são observados, chuvas, que considera a igualdade ou superação de um
registrados, analisados, classificados e interpretados, sem fenômeno hidrológico, e o tempo de concentração que se
que o pesquisador interfira neles”. trata do tempo de contribuição de escoamento superficial em
toda uma bacia hidrográfica (JUSTINO; PAULA; PAIVA,
2011).
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA “As cidades ocupam as margens dos córregos urbanos
e rios com habitações e até industrias, ou seja, ocupam
A engenharia civil em Montes Claros, e margens naturais do rio que na época das enchentes se espraia
conhecidamente no Brasil, ainda segue utilizando sistemas e e disputam com a ocupação humana o uso dessas áreas”
planejamentos construtivos tradicionais na drenagem (BOTELHO, 2011, p. 211).
urbana, os quais não têm atendido eficientemente o Essas interferências nas margens dos leitos de rios e
desenvolvimento urbano atual, mas dispõem de fácil e mananciais são fenômenos que possuem diferentes
conhecida aplicação. Os engenheiros e usuários dos mais intensidades e conceitos que devem ser claramente
diversos tipos de construções e equipamentos urbanos têm- interpretados para o planejamento das medidas a serem
se mostrado receosos com as novas técnicas construtivas que implantadas.
surgem a cada dia e, com isso, deixam de usufruir da A inundação representa o transbordamento das águas
eficiência, economia e segurança dessas novas técnicas. de um curso d'água, atingindo a planície de inundação ou área
de várzea (Figura 01). As enchentes ou cheias são definidas
Impera, ainda hoje, entre projetistas, a ideia
de que o melhor é conduzir a água gerada para pela elevação do nível d'água no canal de drenagem, devido

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ao aumento da vazão, atingindo a cota máxima do canal, de corrigir e/ou prevenir os danos causados pelas
porém sem extravasar. O alagamento é um acúmulo inundações. Sua real eficiência depende, de forma direta, de
momentâneo de águas em determinados locais, por fatores que abrangem aspectos legais, institucionais,
deficiência no sistema de drenagem. A enxurrada é o tecnológicos e sociológicos, uma vez que vem a se tornar um
escoamento superficial concentrado e com alta energia de problema de engenharia e gerenciamento, com componentes
transporte, que pode ou não estar associado a áreas de políticos e sociais (CANHOLI, 2014; TUCCI, 2009).
domínio dos processos fluviais. (BRASIL, 2007) Por outro lado, as medidas não estruturais objetivam
reduzir os danos mediante uma coexistência mais adequada
Figura 01. Perfil esquemático dos processos de enchente e
da população e do poder público com as inundações, além de
inundação.
uma maior compreensão e respeito as normas (CANHOLI,
2014; TUCCI, 2009).

As medidas não estruturais são aquelas em


que se procura reduzir os danos ou as
consequências das inundações, não por meio
de obras, mas pela introdução de normas,
regulamentos e programas que visem, por
exemplo, o disciplinamento do uso e
ocupação do solo, a implementação de
Fonte: Brasil, 2007. sistemas de alerta e a conscientização da
população para a manutenção dos
dispositivos de drenagem (CANHOLI, 2014,
p. 25).
Todo planejamento de drenagem ou plano diretor deve
considerar os sistemas de macrodrenagem, que são todas as
De acordo com Tucci (2009) essas ações possuem
técnicas e estruturas de engenharia responsáveis pela
maior eficiência se aplicadas de forma associada, resultando
captação pluvial e condução para os cursos de água ou fundos
em maiores benefícios sociais, econômicos e administrativos
de vale presentes na bacia hidrográfica em estudo. Também
aos municípios; ademais devem estar bem especificadas no
essencial é o sistema de microdrenagem, que promove o
Plano de Drenagem Urbana.
controle de escoamento pluvial e infiltração no contexto dos
bairros, ruas ou lotes, de forma mais delimitada, levando essa O planejamento de drenagem deve fazer parte
carga para a macrodrenagem (CEPAM, 2006; BOTELHO, do plano diretor de cada cidade e ser
entendido, coordenado e realizado em
2011). conjunto com os demais planos de
desenvolvimento e ordenamento das cidades,
Em Tucci (2009), são destacados os principais
como os de saneamento (água e esgoto), uso
elementos utilizados no dimensionamento de sistemas do solo e transportes (CANHOLI, 2014,
p.24).
pluviais em obras de microdrenagem, que são: as galerias, os
poços de visita, os trechos, as bocas de lobo, os tubos de As medidas visam a prevenção de desastres e a
ligação, os meios-fios, as sarjetas, os sarjetões, os condutos minimização dos prejuízos causados, pois é praticamente
forçados e as estações de bombeamento. impossível ter controle total das inundações. Esses prejuízos
As ações utilizadas para o controle de inundações são classificados em tangíveis e intangíveis, aqueles se
podem ser implantadas de duas formas: as medidas referindo aos danos físicos e financeiros, e estes,
estruturais e as não estruturais. As medidas estruturais são relacionados às fatalidades ou destruição de itens e
obras físicas que remodelam o sistema fluvial com o intuito patrimônios históricos (TUCCI, 2009).

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Com o intuito de atenuar ainda mais esses prejuízos, dispositivos que favoreçam a reservação de escoamentos,
estão sendo cada vez mais empregados os sistemas através de detenção ou retenção dos mesmos. ” (SILVA,
sustentáveis de drenagem, conhecidos também como 2004, p.21).
sistemas não convencionais. Essas inovações pretendem dar Comprovando a relevância do uso dessa técnica,
auxílio aos métodos já existentes e possibilitar um melhor Canholi (2014, p.35) assinala que:
planejamento das áreas que possam ser urbanizadas
As obras e os dispositivos aplicados para
futuramente, seja de forma estrutural ou não, objetivando a favorecer a reservação dos escoamentos
preservação do ambiente e a minimização de impactos. constituem o conceito mais significativo e de
amplo espectro no campo das medidas
Os sistemas convencionais já existentes nas cidades inovadoras em drenagem urbana. A
finalidade dessa solução é reduzir o pico das
podem ser interligados com os não convencionais e, assim,
enchentes, por meio do amortecimento
um sistema complementa e dá suporte ao outro, visando ao conveniente das ondas de cheia, obtida pelo
armazenamento de parte do volume escoado.
manejo de águas de chuva e a mitigação dos problemas
urbanos e ambientais. A figura 03 ilustra a comparação e os efeitos obtidos
De acordo com Silva (2004) e Tucci (2009), podem ser entre os métodos convencionais e não convencionais de
utilizados como sistemas sustentáveis de drenagem os pisos drenagem urbana, evidenciando a diferença entre os picos de
intertravados e o cimento poroso, denominados pavimentos cheia que ocorrem em cada sistema. Verifica-se, pela figura,
permeáveis (Figura 02), em bases de áreas abertas como que os sistemas de reservação e infiltração (não
praças, estacionamentos, calçadas e quadras esportivas, com convencionais) promovem a diminuição das vazões em
a finalidade de obter melhor infiltração de águas pluviais; relação ao tempo, se comparado com os sistemas canalizados
também a implantação de áreas verdes e gramíneas em (convencionais), reduzindo os impactos das inundações.
valetas abertas, auxiliando na absorção da água de forma
natural, protegendo o solo contra a erosão e diminuindo seu Figura 03. Ilustração esquemática dos conceitos de
Reservação x Canalização.
fluxo superficial; e o uso de dispositivos de controle em
telhados, que servem para conduzir a água da chuva até uma
canalização subterrânea própria.

Figura 02. Pavimento permeável com associação de


concreto poroso e gramíneas.

Fonte: http://www.aecweb. com.br/cont/m/rev/


pavimentos-permeaveis-evitam-acumulo-de-agua-no-
piso_10955_0_1.

“Dentre as mais significativas técnicas não


convencionais de drenagem, está a utilização de obras ou Fonte: Canholi, 2014.

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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

As bacias de retenção são reservatórios com volumes qual tem sua localização identificada na figura 04.
de água permanente, que, além da função de drenagem,
Figura 04. Imagem de satélite da localização da Praça
podem ser usadas para o lazer da população, o paisagismo
Flamarion Wanderley.
urbano e até mesmo para o abastecimento de água. Em
contrapartida, as bacias de detenção são espaços projetados
para receber volume de água durante e após as chuvas, ou
seja, temporariamente. (CANHOLI, 2014)
Os reservatórios para retenção ou detenção são
sistemas com restrição de espaço e saneamento, devido a
necessidade de grandes áreas para implantação e a
possibilidade de contaminação desses volumes de água por
sedimentos, lixo e esgotos gerados pela população de forma Fonte: Google Earth Pro, acessado em 21 de Abr. de 2016.
irregular. Essa contaminação pode causar a proliferação de
vetores de doenças como malária, dengue e febre amarela, se Designada de Avenida Flamarion Wanderley, a via
não houver fiscalizações constantes e manutenção rigorosa pública denominada Praça Flamarion Wanderley teve seu
do sistema. (SILVEIRA, 2002) nome instituído mediante lei número 1.601, de 28 de abril de
Outra restrição que pode ser observada é a de custo de 1986. Antes chamada de Avenida I, inicia-se no trevo
implantação desse sistema. Por ser uma obra de grande porte Engenheiro Joaquim Costa e termina na rua Germano
com necessidade de manutenção intensiva e constante, exige Gonçalves, no bairro São José em Montes Claros.
uma avaliação pormenorizada para a aprovação do É uma das praças mais movimentadas entre os bairros
orçamento nas administrações públicas. Segundo Canholi centrais de Montes Claros. A conhecida praça do São José é
(2014, p. 210) “De modo geral, o custo de um sistema de muito utilizada para a prática esportiva, passeios familiares e
drenagem urbana compreende três parcelas: investimento, com animais de estimação, além de eventos religiosos e
operação e manutenção de riscos”. sociais diversos. Porém, fica inacessível em momentos
críticos de inundações, como verificado na figura 05.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Figura 05. Situação de inundação a) da praça
Flamarion Wanderley e b) na rua Alan Kardec em frente a
Estudo de caso – Região da praça Flamarion Wanderley um supermercado próximo à praça.
no bairro São José

Após o estudo sobre o tema da drenagem urbana e


controle de inundações, foi possível analisar, com mais
clareza, a situação dos bairros impactados pelas chuvas
intensas na cidade de Montes Claros-MG, em particular, o
caso do bairro São José, que possui uma área de fundo de
vale, onde, de acordo com os moradores, existia um brejo. a) b)
Essa área apresenta inundações frequentes nesses períodos,
principalmente no entorno da praça Flamarion Wanderley, a Fonte: Elaboradas pelos autores, 2015.

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No local descrito, foi observado, por meio de pesquisa consideraram-nas péssimas.


de campo, que os sistemas de drenagem existentes Utilizando a escala Lickert em uma das questões, que,
apresentavam peças de microdrenagem como as bocas de segundo Marconi e Lakatos (2013) é um método mais
lobo, aparentemente subdmensionadas, com má distribuição simples de sistematizar escalas de pontos de vista para
pelas ruas e falta de manutenção (Figura 06). Apesar da obtenção de uma graduação quantificada de diversas
impossibilidade de visualização da estrutura subterrânea, temáticas, foram relacionadas as opiniões dos entrevistados
verifica-se que a galeria, por se encontrar em uma das cotas quanto ao grau de contribuição para a intensidade de
mais baixas do bairro – na Praça Flamarion Wanderley - ao determinados danos em relação aos seguintes fatores:
receber as cargas de águas pluviais de outras ruas, enche e
transborda em pouco tempo. - Falta de limpeza das ruas e dos dispositivos de
drenagem;
Figura 06. Exemplo de acúmulo de lixo em boca de lobo
- Sistemas de drenagem ineficientes;
da Praça Flamarion Wanderley.
- Acúmulo de lixo;
- Carência de áreas verdes para infiltração;
- Falta de consciência e educação ambiental dos
moradores.

Abaixo, está o Gráfico 01, que analisa a opinião dos


entrevistados sobre os fatores supracitados.
Fonte: Elaborada pelos autores, 2016.

Gráfico 01. Comparação do grau de contribuição de


As bocas de lobo ou quaisquer outros sistemas de danos por diversos fatores, de acordo com a opinião dos
microdrenagem, quando obstruídas, intensificam as entrevistados.
ocorrências de inundações e seus respectivos danos, pois
comprometem a captação eficiente das águas pluviais e
colaboram com a contaminação dos mananciais e seres
vivos.

Análise das informações coletadas por meio do


questionário

Baseando-se no questionário aplicado à população


que residente e frequentadora da parte mais afetada do bairro, Fonte: Elaborado pelos autores, 2016.

foi possível obter opiniões e dados concretos quanto aos


aspectos da funcionalidade do sistema de drenagem e sua Na visão dos entrevistados, o grau máximo de

utilização. Em um total de 42 entrevistados 53% tinham contribuição foi o mais considerado para todos os fatores,

idade superior a 41 anos e a mesma porcentagem já teve sendo de maior relevância os sistemas de drenagem

prejuízos materiais por causa das inundações. Quanto à ineficientes e, em sequência, a falta de consciência da

eficiência e manutenção dessas estruturas, 60% população no que concerne à educação ambiental.

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Entrevista com o Coordenador da Defesa Civil de Montes grande porte não solucionariam de imediato o problema e
Claros teriam custos extremamente elevados, como o uso da
reservação, fugindo da realidade que se encontra, no
Para complementar os estudos realizados referentes momento atual, para obras públicas. A eficiência dos
ao tema da drenagem urbana e os estudos de campo no bairro sistemas sustentáveis comprova-se pela redução dos picos de
em questão, foi feita entrevista com o coordenador da Defesa vazão e consequente diminuição do escoamento superficial.
Civil de Montes Claros, Mattson Malveira, no dia 06 de abril Um dos métodos aplicáveis seria o uso de pisos
de 2016, mediante diversas perguntas sobre o tema proposto. intertravados e cimento poroso nas áreas de circulação da
Ele relata primeiramente que no local crítico do bairro São praça e calçadas de todo o bairro, reduzindo o escoamento
José – praça Flamarion Wanderley – situava um antigo brejo, superficial da água da chuva através da infiltração. Outro
ou seja, possui um lençol freático muito raso por tratar-se de método importante seria a implantação de mais áreas verdes
uma calha natural. no local e nos bairros vizinhos, com a mesma finalidade dos
Ainda conforme o coordenador da Defesa Civil, meios anteriores. Também será viável a implantação de mais
quanto ao sistema de drenagem do local crítico, é bocas de lobo, fazendo um estudo dos pontos estratégicos de
considerado insuficiente, por receber uma grande demanda localização para a captação da água, além de frequente
de água oriunda das partes altas do bairro, as quais não manutenção e desobstrução por meio de limpeza.
contêm número adequado de estruturas de captação de águas E, por fim, o uso intensivo de medidas não estruturais,
pluviais, fazendo com que esse volume escoe diretamente por meio da prática pública na aplicação de leis, decretos e
para a praça, que não possui queda suficiente para a condução iniciativas sócio-ambientais em instituições de ensino,
até o canal. palestras e divulgação nas mídias em geral, mas também com
Para amenizar os impactos decorrentes das a fiscalização e autuação dos moradores, com o intuito de
inundações, é necessário implantar sistemas de drenagem conscientizá-los sobre os perigos e a necessidade de
paralelos aos já existentes, promover uma contínua e efetiva preservação do local e do meio ambiente.
manutenção de bueiros e bocas de lobo, melhorar a
infraestrutura nos bairros adjacentes, além de incentivar a CONCLUSÃO
conscientização da população mediante programas,
cartilhas, normas e medidas punitivas. De acordo com a pesquisa realizada, foi notada a falta
Para Mattson, um dos maiores agravantes dos de preocupação com os serviços de drenagem urbana, não só
problemas supracitados é a aprovação de loteamentos sem no município de Montes Claros, como também em muitas
infraestrutura completa por parte da Administração Pública e regiões do país. Isso ocorre porque há uma grande carência
a ocupação indevida de áreas de várzeas e de riscos, nos quais de planos de drenagem, normatizações e baixa capacidade
falta também a fiscalização. técnica e organizacional dos municípios.
Prevalece, em nosso país, a tendência da
Propostas para o controle de inundações no bairro impermeabilização do solo nas cidades, o uso irregular das
áreas urbanas e o uso de técnicas tradicionais que não
O bairro São José apresenta situações críticas que possuem mais a mesma eficiência de antigamente, devido ao
podem ser amenizadas com a implantação de sistemas crescimento acentuado e desordenado das cidades, fatores
simples e eficientes, como os sustentáveis, visto que obras de estes que acarretam frequentes e intensas inundações.

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Com a implantação de planos de drenagem por meio metodologia do trabalho científico: elaboração de
trabalhos na graduação. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
de estudos preliminares minuciosos, apoio da sociedade e a
utilização de técnicas inovadoras e sustentáveis é possível BOTELHO, Manoel Henrique Campos. Águas de chuva:
avançar para promover a qualidade de vida da população, o engenharia das águas pluviais nas cidades. 3. ed. revista e
sensivelmente ampliada. São Paulo: Editora Blucher, 2011.
crescimento mais organizado das cidades, com menores
impactos ao meio ambiente e a diminuição de riscos sociais e BRASIL. Ministério das Cidades / Instituto de Pesquisas
Tecnológicas – IPT. Mapeamento de riscos em encostas e
econômicos. Um plano de drenagem urbana é ainda mais margens de rios. Brasília: Ministério das Cidades;
eficiente quando ocorre associação apropriada de sistemas Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, 2007. 176 p.
Disponível em: http://www.cidades.gov.br/images/ stories/
estruturais com os não estruturais. ArquivosSNPU/Biblioteca/PrevencaoErradicacao/Livro_M
Para pesquisas futuras, são indicados os estudos apeamento_Enconstas_Margens.pdf> Acesso em: 13 abr.
2016.
detalhados das características hidráulicas e geo-
morfológicas do bairro analisado, com a finalidade de BRASIL. Ministério das Cidades. PLANSAB – Plano
Nacional de Saneamento Básico. Secretaria Nacional de
elaborar e executar planos de drenagem precisos e eficazes, Saneamento Ambiental, 2014. Disponível em:
atendendo a população local e dando espaço à utilização dos http://www.cidades.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/
PlanSaB/plansab_texto_editado_para_download.pdf>.
métodos sustentáveis. Acesso em: 03 mai. 2016.
A praça Flamarion Wanderley e suas adjacências, no
CANHOLI, Aluísio Pardo. Drenagem urbana e controle
bairro São José em Montes Claros – MG foi escolhida para de enchentes. 2. ed. São Paulo: Editora Oficina de Textos,
pesquisa de campo, por possuir histórico frequente de 2014.
inundações. Além das condições naturais que favorecem os CEPAM – Centro de Estudos e Pesquisas de Administração
alagamentos e a impermeabilização do solo, foi constatada a Municipal. Microdrenagem urbana. Fundação Prefeito
Faria Lima. 2. ed. São Paulo, 2006. Disponível em:
falta de manutenção e quantidade insuficiente de <http://www.cepam.org/media/143988/Microdrenagem_ur
dispositivos de drenagem para garantir a eficiência esperada. bana.pdf>. Acesso em: 04 fev. 2016.
Nesse sentido, na opinião dos moradores e frequentadores da
CRUZ, Marcus A. S.; SOUZA, Christopher F.; TUCCI,
região, há uma grande irresponsabilidade da população, que Carlos. E. M.. “Controle da drenagem urbana no Brasil:
avanços e mecanismos para sua sustentabilidade”. In:
descarta lixo nas ruas, diminuindo, ainda mais, a eficiência
XVII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, 2007.
do sistema. São Paulo - SP. Disponível em:
Portanto, para amenizar os transtornos causados pelas < http://www.rhama.net/download/artigos/artigo126.pdf>.
Acesso em: 28 jan. 2016.
inundações no local em estudo, verifica-se a necessidade da
aplicação mais abrangente de medidas não estruturais, para JUSTINO, Eliane Aparecida; PAULA Heber Martins de;
PAIVA, Ed Carlo Rosa. Análise do efeito da
que haja resultados a curto prazo, providas de intensa impermeabilização dos solos urbanos na drenagem de água
fiscalização. Ademais, com a frequente manutenção e pluvial do município de Uberlândia - MG. Espaço em
Revista, Revista do Instituto de Geografia e do Programa
reorganização estratégica dos dispositivos de drenagem de Pós-Graduação em Geografia Regional Catalão da
existentes e a execução de sistemas paralelos, em especial os Universidade Federal de Goiás, v. 13, n. 2, p. 16-38,
jul./dez. 2011. Disponível em:
sustentáveis, como o uso de pavimentos permeáveis e mais <https://www.revistas.ufg.br/index.php?journal=espaco&p
áreas verdes, os resultados serão ainda mais significativos. age=article&op=view&path%5B%5D=16884&path%5B%
5D=10333>. Acesso em: 01 fev. 2016.
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Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração,

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2013.

MONTES CLAROS. Lei Municipal nº 1.601, de 28 de


abril de 1986. Dispõe sobre designação de via pública no
bairro São José.

NETTO, Alvim Antônio de Oliveira. Metodologia da


Pesquisa Científica – Guia Prático para Apresentação
de Trabalhos Acadêmicos. 3ª ed. rev. e atual.
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VELOSO, Valdivan. Seis bairros de Montes Claros correm


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Claros – MG, 10 de novembro de 2014. Disponível em:
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minas/noticia/2014/11/seis-bairros-de-montes-claros-
correm-riscos-de-retencao-de-agua.html >. Acesso em: 29
jan. 2016.

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AVALIAÇÃO DA SECAGEM DE LODO DE UMA


ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO (ETE) DE
GRANDE PORTE E PERSPECTIVAS DO
APROVEITAMENTO DO PRODUTO DESSE PROCESSO
COM VISTAS À SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
RODRIGUES, Luiz Felipe Pereira*; AMARAL, Maria Julieta Almeida*; GOMES, Luiz Eduardo Murta**
*Discentes do curso de Engenharia Civil das FIPMoc ** Docente das FIPMoc

RESUMO

O manejo e a disposição final dos lodos biológicos que são produzidos nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) tem
constituído um desafio que as prestadoras de serviços do setor têm que enfrentar, especialmente nas grandes plantas de ETES,
desafio este que tem aumentado progressivamente devido ao crescimento das cidades. A pesquisa realizada apresenta os
aspectos mais relevantes da secagem térmica do lodo das ETEs, incluindo a disposição final do produto desse processo
visando à sustentabilidade ambiental, proporcionando um conhecimento amplo do assunto. Para isso, foi necessária uma
pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo em uma Estação de Tratamento de Esgoto de grande porte. Além de entrevista com
os funcionários que atuam no processo e na manutenção dos equipamentos, foi solicitado o preenchimento de um questionário
visando ao conhecimento mais detalhado das etapas do processo, bem como para obtenção de dados relativos principalmente
à centrifugação e secagem desses lodos. Pode-se perceber que a secagem térmica é o último processo do sistema de tratamento
do lodo; é feita a secagem e higienização do lodo, expondo-o do mesmo a uma temperatura elevada, por meio de um secador
rotativo. Foram constatadas as vantagens e desvantagens desse processo, incluindo seus fatores intervenientes, além do
secador utilizado e seus periféricos. Conclui-se que a secagem térmica é um processo viável e eficiente, além de haver diversas
maneiras sustentáveis para disposição final do lodo, entre elas, o uso na agricultura, na construção civil, na geração de energia
e em landfarming.

PALAVRAS-CHAVE: Lodo. Tratamento de esgoto. Secagem térmica. Sustentabilidade ambiental

INTRODUÇÃO A gestão, operação e manutenção das instalações de


coleta, transporte e disposição final dos esgotos domésticos e
O crescimento populacional tem resultado, entre industriais constituem esse desafio, principalmente pela
outros desafios, em uma maior geração de resíduos, tendência do volume produzido e a atenção que se deve ter
principalmente nas grandes cidades, acarretando diversos quanto à disposição final.
problemas, um dos quais é a destinação final dos lodos das Nas cidades que promovem o tratamento biológico
Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), tendo em vista dos esgotos visando à redução de sua carga orgânica e
os demasiados problemas ambientais que sua incorreta potencial poluente, ocorre a geração, dentre outros, de
disposição pode gerar. Visto isso, são cada vez mais resíduo, que são os lodos, cuja destinação final de forma
relevantes a preocupação e a atenção que a sociedade em adequada tende a gerar um custo financeiro considerável.
geral deve ter com a preservação do meio ambiente como (ANDRADE, 2000). Além dos custos, os prestadores de
forma de sustentabilidade ambiental. serviço necessitam de atenção e práticas operacionais
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adequadas com vistas a preservação do meio ambiente. Claros.


Nesse contexto, esta pesquisa tem como objetivo Espera-se, a partir deste estudo, contribuir com a
principal analisar o processo de secagem térmica dos lodos disseminação de oportunidades sobre esse importante
de uma ETE de grande porte, bem como examinar as processo, não só na perspectiva de aperfeiçoamentos dessa
perspectivas de aproveitamento desses compostos, com base ETE em pauta, mas até eventualmente enfatizar
em critérios técnicos, ambientais, sociais, econômicos e de oportunidades de avanços tecnológicos pela COPASA.
sustentabilidade.
A unidade que será estudada é o secador térmico de MÉTODOS
lodos, ou seja, um dos componentes da Estação de
Tratamento de Esgotos da cidade de Montes Claros, unidade Esta pesquisa é de natureza indutiva, pois, por meio de
com capacidade para tratar 514 litros por segundo, e que é premissas específicas, será possível se chegar a uma
operada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais premissa geral.
(COPASA) desde 2010. O tipo de abordagem será quali-quantitativo, em razão
Segundo Andreoli (1999, p.17), “teores de sólidos da de a pesquisa buscar, ao mesmo tempo, percepções e
ordem de 90 a 95% só podem ser obtidos através de secagem entendimento sobre o tema em questão, como também
térmica”. classificar e analisar as informações e dados mediante
Nesta pesquisa, além do objetivo principal contato direto com o objeto proposto no tema.
caracterizado, outros objetivos específicos, a seguir Caracteriza-se, AINDA como um estudo descritivo,
transcritos, também serão examinados, um dos quais são os que, segundo Vergara (1998, p. 45), “expõe características de
fatores que interferem no processo de secagem térmica dos determinada população ou determinado fenômeno. Pode
lodos dessa estação. também estabelecer correlações entre variáveis e definir sua
Para a obtenção dos objetivos estabelecidos, foi natureza”. No presente trabalho, essa configuração dá-se, em
realizada visita e pesquisa de campo com os funcionários da razão da utilização de técnicas de coleta de dados, como
empresa citada, a partir das quais se pôde conhecer o secador observações sistemáticas e questionários.
térmico e seus periféricos, no tocante a seu funcionamento, A pesquisa também tem objetivos explicativos, pois,
inclusive verificar qual a produção de lodos gerados nessa de acordo com Vergara (1998, p.45), “visa, portanto,
ETE de grande porte e ainda, identificar e descrever as esclarecer quais fatores contribuem, de alguma forma, para a
vantagens e eventuais desvantagens do processo de secagem ocorrência de determinado fenômeno. ”
térmica de lodos nessa planta. Mediante este trabalho,
buscou-se conhecer de que forma o produto final da secagem Figura 1: ETE de Montes Claros
térmica, que são os lodos secos, podem ser dispostos ou
utilizados visando a uma maior sustentabilidade ambiental
do empreendimento.
Este estudo é, portanto, de grande importância para os
autores, e efetivamente para o meio ambiente, pois busca,
ainda, aprofundar compreensão maior relativa a abordagens
apresentadas no curso de Engenharia Civil, na disciplina
Saneamento Ambiental, das Faculdades Pitágoras de Montes Fonte: Google Maps, 2016

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Por fim, caracteriza-se como pesquisa de campo, feita pois seu teor de materiais poluentes foi reduzido, sendo que o
na Estação de Tratamento de Esgoto de uma cidade de grande lodo, via de regra, precisa de ser tratado e sanitariamente
porte, no período do primeiro semestre de 2016. Fez-se um disposto; finalmente, à parte. (DAVID, 2002).
questionário para dois funcionários que são responsáveis Para estabilizar o lodo, são usados muitos mecanismos
pelo funcionamento, de modo a se obterem dados e fazer de atuação, compreendendo-se de processos físicos,
levantamentos de informações referentes ao tema proposto. químicos e biológicos, que reduzem e eliminam os maus
Foram utilizados, também, pesquisas bibliográficas, por odores e patógenos presentes nele. Entre esses mecanismos,
meio de livros e artigos científicos, abordando normas e está o processo de secagem térmica, que em linhas gerais, se
sistemas alternativos relacionados à secagem de lodos. Ainda obtém mediante o aumento da temperatura, resultando,
é documental, pois a Resolução 375, de 2006 do Conselho praticamente, na total evaporação da água presente no lodo
Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), é considerada afluente aos secadores. Na etapa de desidratação, o teor de
como fonte de informações. sólido do lodo deverá atingir valores entre 20% a 45% de
umidade e, ao passar pelo secador, o lodo normalmente
RESULTADOS E DISCUSSÃO ganha aparência granular e seu teor de resíduos sólidos
poderá alcançar até 95%. (ANDREOLI et al, 2001).
A secagem térmica de lodo nas ETEs
Tipos de lodo

Generalidades
Os lodos, quanto a sua formação, são classificados em 3
O esgoto sanitário é formado pelas águas residuárias
grupos: primários, secundários e mistos. Os primários são
derivadas de usos domésticos, comerciais, industriais e
lodos provenientes de decantadores primários ou de
institucionais. A água nelas presente equivale a
flotadores e que neles são removidos nos mesmos. Os
aproximadamente 99,9%, e o restante, ou seja, o 0,1%
secundários são gerados por meio de sólidos em suspensão
restante compreende as matérias orgânicas e inorgânicas, os
resultantes dos processos de tratamento e são eliminados
sólidos suspensos e dissolvidos. Assim, a fim de,
pelos decantadores secundários. Os mistos são os próprios
principalmente, remover desses efluentes esses sólidos, é
lodos secundários que são enviados até a entrada do
que decorre a necessidade de fazer o seu tratamento. (VON
decantador primário, e que são direcionados a seu destino
SPERLING, 1996 apud FONTES, 2003).
final. (LESSA, 2005).
O tratamento de esgoto visa, portanto, fazer a
separação dos resíduos sólidos mediante processos
Classificação da secagem
químicos, físicos e biológicos, e retirar fundamentalmente os
sólidos e a matéria orgânica contido no esgoto. Há duas formas de classificar os sistemas de secagem
Normalmente, esse tratamento compreende duas fases: a fase térmica, dependendo de que modo o calor é transferido para o
líquida, na qual a matéria orgânica e os minerais são lodo: os secadores de contato direto e o de contato indireto.
eliminados progressivamente; e a fase sólida, em que os No direto, o vapor quente fica diretamente em contato com o
resíduos são estabilizados, concentrados e; posteriormente, lodo, levando a poeira, gases e umidade; no indireto, ocorre o
removidos. Ao final do tratamento, tem-se o efluente líquido, aquecimento de uma placa metálica para sua transmissão do
o qual, se adequadamente tratado considerando as condições mesmo. Esses sistemas podem ou não ocorrer de forma
especificas de cada local, pode-se lançar nos corpos d'água, simultânea. (ANDREOLI et al, 2001).

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Os processos de tratamento dos lodos odores. (MIKI et al., 2006 apud ROSA; SCHROEDER,
2009).
O tratamento dos lodos de esgotos sanitários tem Foi constatada no dia da visita à ETE de grande porte,
como finalidade principal reduzir seu volume e realizar a uma vazão de tratamento dos reatores de 5,4m³/h.
estabilização da matéria orgânica nele contido. Suas etapas
mais relevantes são adensamento, estabilização, Condicionamento
condicionamento, desidratação e secagem, porém cada ETE
A etapa de condicionamento de lodo tem como
tem suas características específicas, o que significa que o
objetivo, mediante processos físicos ou químicos, fazer o
tratamento, em linhas gerais, dependerá das condições do
aprimoramento das características de separação do lodo
lodo que foi gerado e também do produto resultante do
(fases sólido-líquida), reduzindo-se, assim, a água do lodo.
tratamento. (ANDREOLI; VON SPERLING;
Seu funcionamento se dá com a desestabilização das forças
FERNANDES, 2001 apud FONTES, 2008).
químicas ou físicas que atuam nas partículas coloidais e nos
Na estação de tratamento em estudo, os lodos são
materiais suspensos. Com isso, as pequenas partículas se
submetidos à estabilização anaeróbica nos reatores UASB
ligam formando agregados maiores, que são chamados de
(Reatores anaeróbicos de fluxo ascendente), finda a qual eles
flocos, o que facilita para o processo seguinte, a desidratação.
são removidos. Em seguida, o lodo segue para desidratação
O processo envolve deposição de produtos químicos
em centrifugas, processo que requer a utilização de polímero
orgânicos, inorgânicos ou ambos. Os mais utilizados são:
catiônico. Finalmente, o lodo é encaminhado para a secagem
polímeros, sais férricos, sais ferrosos, sais de alumínio, entre
térmica, que tem, como objetivo fundamental, no caso,
outros. (MIKI, 1998 apud DAVID, 2002).
reduzir significativamente seu volume.
No condicionamento da ETE visitada, os floculantes
A seguir, descrevem-se, mais detalhadamente, as
que se utilizam são os polímeros, com o intuito de juntar as
formas como os lodos são tratados nas plantas de tratamento
partículas de sólidos presentes nessa fase.
de esgotos.

Desidratação
Estabilização

A desidratação do lodo, ou desaguamento do lodo, é


Na estabilização dos lodos, são utilizados processos
um processo físico que tem como objetivo reduzir o volume
químicos, físicos e biológicos, por exemplo, a digestão
do lodo, reduzir custos com transporte, facilitar o manuseio,
anaeróbia, utilização de cal e também a compostagem.
diminuir a energia para secagem e, em casos de disposição de
(MIKI et al., 2006 apud ROSA; SCHROEDER, 2009).
lodos em aterros sanitários, conter a produção de chorume.
Segundo David (2002), esse processo também pode
Podem ser usadas diversas técnicas na desidratação, como a
ser obtido por meio da oxidação química e redução biológica
utilização de energia externa por meio de máquinas, o que faz
dos sólidos voláteis, aplicação de produtos químicos que
com que o processo seja mais rápido. São exemplos a
possibilitam a eliminação dos microrganismos e a
filtração, a compressão, a separação centrífuga e a
desinfecção mediante calor.
compactação. (DAVID, 2002).
Seus principais objetivos são a redução da presença de
organismos patogênicos, a diminuição da potencialidade de
Secagem Térmica
apodrecimento do lodo e o bloqueio da produção de maus
A secagem térmica é a última etapa, até a geração do
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produto final. Ela consiste em um aumento de temperatura Segundo Gonçalves et al. (2001, apud ROSA;
(vaporização) em um local apertado e fechado, visando à SCHROEDER, 2009), as maiores vantagens que o processo
secagem e higienização do lodo, omitindo a emissão de de secagem térmica dos lodos trazem são: elevada redução
odores na atmosfera. (GONÇALVES et al., 2001 apud do volume do lodo, consequentemente, tem-se uma maior
ROSA; SCHROEDER, 2009). facilidade de transporte e estocagem, diminuindo seus
O lodo a ser recebido no processo é sólido, com forma custos; o produto gerado ao final é quase que completamente
definida, de pasta, que irá, então, para o início do processo, livre de patógenos; mantêm-se as propriedades agrícolas do
sendo diretamente exposto à vaporização, chamada de meio lodo, podendo também ser lançado para uso na agricultura
gasoso ou também meio de secagem, podendo ser ela o ar, o sem necessidade de equipamentos diferenciados; ao final do
vapor ou os gases de combustão, os quais precisam ser processo ele pode ser ensacado e distribuído
insaturados, pois com ele será feita a absorção da umidade comercialmente; e, finalmente, a possibilidade de
presente no lodo. (DAVID, 2002). reutilização do produto final em diversas áreas.
O consumo de combustível para operação do processo Quanto às desvantagens, de acordo com Luduvice e
é seu principal custo. Porém, há diversas formas para a Fernandes (2001, apud. ROSA; SCHROEDER, 2009),
redução desse preço. Um exemplo, são os pellets, que podem podem ser percebidas as seguintes: no processo, é possível
ser revendidos para utilização na agricultura, o que pode uma produção de efluente líquido; há também a emissão de
trazer o retorno do dinheiro gasto. (GONÇALVES et al.; gases para a atmosfera; há risco de emissão de odores ao
2001 apud ROSA; SCHROEDER, 2009). ambiente; e, finalmente, também é um processo que gera
Portanto, na ETE que foi estudada, para a desidratação ruídos.
é utilizado um decanter centrífugo, o qual possui um medidor
de vazão dos lodos postos em desague, em que é feito o Fatores intervenientes existentes no processo de secagem
controle, monitoramento e medição da vazão de lodos que do lodo da ETE em estudo
são desidratados. Após passar pelo processo de
desaguamento, o lodo apresenta um teor de sólidos que pode No processo de secagem térmica mediante contato
variar de 20 a 50%, dependendo do tipo de equipamento e direto, a energia gasta para funcionamento se aproxima de
floculante utilizado. Nessa condição, ele é chamado de torta 1000 kcal/l de água evaporada. No tambor rotativo do
de lodo. A secagem térmica utiliza secadores de contato equipamento de secagem térmica, a temperatura ideal
direto, ou seja, o calor fica diretamente em contato com o máxima é de 350º C; para temperaturas superiores a essa, o
sólido, provocando, o aumento de sua temperatura e a sistema está sujeito a falhas e a riscos de segurança.
evaporação da água. Durante a visita, foi também verificado o teor de
umidade média dos lodos em cada fase do processo de
Vantagens e desvantagens do processo de secagem manejo dos lodos: nos reatores, o teor de umidade era de
térmica de lodos na ETE 5,5%; na saída da centrífuga, 25,2%; e, na saída do secador
72% ,de sólidos. O fabricante orienta que, na saída da
O processo de secagem térmica depende diretamente centrífuga, deve-se ter um teor de 80% de umidade e 20% de
de alguns fatores para se obter maior eficiência que são: o sólidos, o que, na maioria das vezes, não acontece,
consumo de energia e os teores de umidade inicial, e final do requerendo atenção e controle nesse processo por parte dos
produto. (DAVID, 2002). operadores dessas máquinas.

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Nessa ETE, foi identificado um consumo médio de retornando para o processo preliminar da ETE, e o sólido
gás produzido nos reatores de 230 nm³/h. Para o (torta de lodo) segue para o secador térmico.
funcionamento do secador térmico, é são consumidos em
média, 225 nm³/h. Figura 2: Centrífugas
Os polímeros são aditivos utilizados no
condicionamento do lodo, com a função de facilitar a
operação de remoção de umidade e acelerar esse processo.
Uma de suas classificações mais relevantes está relacionada
com a característica de carga do composto, podendo ser
aniônicos, para cargas negativas; catiônicos, para cargas
positivas; e não-iônicos, para cargas neutras. Geralmente, no
tratamento de esgoto, os sólidos têm cargas negativas e, para Fonte: Autores, 2016
isso, o polímero ideal a ser empregado é o de carga oposta, ou
seja, o catiônico. (MIKI, 1998). A FIGURA 2 mostra os dois decanters centrífugos
Alguns problemas ou dificuldades têm sido (JUMBO 1) da ETE em pauta, que realizam o processo de
enfrentados no decorrer dos processos: durante a desidratação. Seu fornecedor é a empresa Pieralise, e sua
desidratação com a centrífuga, há dificuldades de atingir a capacidade média gira em torno de 1120 kg/h.
concentração ideal do polímero e também do lodo. No
secador, tem ocorrido, com certa frequência, o entupimento Secador rotativo de lodos
no tambor giratório e, por vezes, há falta de biogás, gerando
interrupção forçada do secador, uma vez que na ETE O grande diferencial desse secador é o sistema de
estudada, o funcionamento deste depende de reservas de granulação interna, que permite trabalhar com praticamente
biogás. No gasômetro, em períodos chuvosos ou em períodos todos os tipos de lodo, sem a necessidade de retorno de
noturnos, observa-se a redução de volumes de biogás material seco na alimentação, eliminando a recirculação do
reservados. lodo, o que evita sua aderência as paredes do secador e
Não obstante os desafios registrados, a presença e a diminui a possibilidade de entupimento do sistema.
atuação permanente dos operadores dos equipamentos,
existentes bem como de técnicos de manutenção e Figura 3: Ciclo do secador rotativo BRUTHUS
eletromecânica e de automação, lotados na ETE Montes
Claros, garantem total apoio às equipes de processo.

O equipamento de desidratação e o secador térmico


empregado

Centrífuga
Fonte: Albrecht, 2016 (Disponível em:
http://www.albrecht.com.br/site/wp-
A centrífuga faz a separação de sólido-líquido no content/uploads/2015/10/Bruthus2013curvas.pdf)
interior de seu tambor. O líquido clarificado é separado,

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A FIGURA 3 mostra o fluxograma do ciclo do secador Figura 4: Secador Rotativo


rotativo, destacando-se que, após a desidratação, a torta de
lodo é introduzida no secador do lodo juntamente com o ar
aquecido, que pode ser gerado a partir da queima do biogás
(lodo seco como geração de energia), que é produzida pelo
próprio sistema na ETE. A seguir, o lodo chega ao tambor
rotativo, que tem como objetivo granulá-lo o e aquecê-lo.
Posteriormente, o lodo estará completamente seco e
higienizado; e será transportado pneumaticamente por meio Fonte: Autores, 2016
do ar quente utilizado, para secar até um multiciclone, que
Tambor rotativo
tem função de separar a fração sólida da gasosa. O lodo seco é
descarregado na parte inferior do multiciclone, e o ar quente
O tambor rotativo, parte do secador onde o lodo é
será levado até um lavador por gases, responsável por reter o
aquecido, na verdade é formado por três tambores,
material particulado gerado no processo de secagem e
caracterizados por três passagens no interior do componente
também de evitar odores. Então, por meio de um exaustor, o
principal. Na passagem do primeiro tambor para o segundo e
gás é liberado na atmosfera, para evitar fumaça, odor e
do segundo para o terceiro, existem dois moinhos que fazem
contaminação dos operadores. O lodo seco, já higienizado, é
a granulação do lodo. Essa granulação tem por finalidade
depositado em uma caçamba; então, poderá ser utilizado
aumentar a área de superfície do lodo para que o ar quente
como biogás para funcionamento do secador ou acumulado
possa penetrar nele e remover a umidade que está dentro de
para estudo de uma disposição final apropriada para ele.
suas partículas. Dessa forma, consegue-se uma maior
No QUADRO 1, constam dados referentes ao secador:
eficiência na evaporação da água presente no lodo.

Quadro 1: Dados referentes ao secador Outros


C apacidade 1200 kg/h (80% H 2O )

D escarga de Sólidos 300 kg/h (20% H 2O )


Como outros equipamentos periféricos do sistema,
Taxa de R edução 4:1
pode-se colocar o queimador de gás, que será onde o lodo
Potência Térm ica Instalada 1.500.000 kcal/h
seco se transformará em biogás; o gasômetro, que servirá de
Fonte: COPASA de Montes Claros
reservatório para o biogás; balança de umidade, em que é
feito determinação da concentração do sólido e da umidade; e
No QUADRO 1, apresentam-se dados de capacidade
outros, como bomba de lodo, dessulfurizador, transportador
do secador térmico, que é de recebimento de 1200kg/h e a
helicoidal, painel de comando.
quantidade de lodo seco gerada ao final do processo de
Na FIGURA 5, podem-se ver todos outros principais
secagem é de aproximadamente 300kg/h. Sua taxa de
equipamentos que auxiliam e também fazem parte do
redução de volume está na proporção de 4:1. A potência
processo de secagem térmica.
térmica instalada é em torno de 1.500.000 kcal/h.
A FIGURA 4 mostra o secador rotativo, que é
Quantidade final de produção de lodo seco gerado em
responsável pela secagem térmica na ETE em estudo. Seu
uma ETE de grande porte
modelo é o BRUTHUS, cujo fornecedor é a empresa
Albrecht. O secador da ETE de grande porte que foi visitada,
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como foi dito, tem capacidade de absorver 1200 kg/h de lodo Perspectivas de utilização do produto de secagem visando
úmido ou desidratado. Seu funcionamento se dá, em média, a sustentabilidade ambiental
por 16 horas diárias; assim, tem capacidade de absorção de
19200 kg/dia, ou 19,2 m³/dia. A proporção média de entrada As tecnologias atualmente devem agregar qualidade,
de lodo úmido para lodo seco no secador é 4:1. Portanto, o eficiência e sustentabilidade ambiental, dentre outros
secador gera, de lodo seco, aproximadamente 300 kg/h, ou, benefícios. Dessa forma, as autoridades competentes e as
também, 4800 kg/dia, sendo esses valores variáveis e empresas prestadoras de serviços são desafiadas a
dependentes de cada operação realizada. pesquisarem essas novas alternativas e colocá-las em prática.
A reutilização do lodo resultante da secagem térmica
Figura 5: Secador e seus periféricos das Estações de Tratamento de Esgoto é um desses desafios
que precisam ser mais bem explorados, e devem ser
planejados e definidos junto com os prestadores de serviços,
de forma a contribuir positivamente com o meio ambiente.

Figura 7: Lodo seco

Fonte: Albrecht, 2016 (Disponível em:


http://www.albrecht.com.br/site/pt/)

Figura 6: Lodo seco

Fonte: Albrecht, 2016 (Disponível em:


http://www.albrecht.com.br/site/wp-
content/uploads/2015/10/Bruthus2013curvas.pdf)

Na FIGURA 7, pode-se ver uma pequena amostra do


lodo seco, que é o produto final do processo de secagem
térmica realizada pelo secador rotativo.
Fonte: Autores, 2016
Segundo Bettiol e Camargo (2006), esse lodo gerado
Na FIGURA 6, mostra-se o lodo seco sendo retirado nas ETEs, que possui matéria orgânica e nutrientes em
do secador. Ele é depositado em uma caçamba, e tem sido abundância, muitas vezes não tem sua destinação
conduzido para uma parte do aterro da ETE; aí é estocado, preestabelecida, o que faz com que os benefícios possíveis. O
com o intuito de ser utilizado para um determinado fim útil, custo para dispor adequadamente o lodo pode ser o motivo
que ainda não foi definido. para o descaso, visto que o mesmo pode alcançar até 50% do
orçamento total operacional de uma ETE.
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De acordo com Pedroza et al. (2010, apud GODOY, um produto com alto potencial agrícola, rico em matéria
2013), o lodo de esgoto gerado numa ETE é diretamente orgânica e nutrientes, podendo ser usado na agricultura como
proporcional ao serviço de coleta e ao tratamento de esgoto. condicionador de solo e fertilizante. Todavia, o lodo
No Brasil em 2010, estima-se que tenham sido produzidos caracteriza-se também por conter poluentes, como os metais
150 a 220 mil toneladas dessa matéria seca, considerando-se pesados e organismos patogênicos ao ser humano.
conta que somente 30% da população urbana usufruíam do (BETTIOL; CAMARGO, 2006).
benefício do tratamento de esgoto. O lodo seco pode ser usado como biofertilizante,
sobrepondo os fertilizantes industriais, resultando, também,
Nos grandes centros urbanos observa-se uma
situação mais crítica em função do rápido em vantagens econômicas. - Muito indicado como no caso do
crescimento populacional, que é agravada milho, gramíneas e outras atividades, como reflorestamento
pela migração das populações rurais em busca
por melhores condições de vida. Devido ao e recuperação de áreas degradadas. Atividade considerada
baixo poder aquisitivo dessas populações,
promissora, entretanto deve-se ater ao uso restrito, pois
elas normalmente ocupam os arredores das
grandes cidades provocando um crescimento devido ao desequilíbrio no teor de nutrientes oferecidos,
físico sem planejamento. Essa ocupação
desordenada do espaço físico urbano traz pode ocasionar problemas nutricionais para as culturas.
como consequência, além da escassez de (QUINTANA; CARMO; MELO, 2011).
áreas para a construção de novos aterros
sanitários, o aumento no custo de transporte
dos resíduos, visto que as distâncias entre o O composto orgânico resultante do
centro gerador de resíduo e o aterro tornam-se aproveitamento energético do lodo dos
maiores, o que vem se tornando um problema esgotos sanitários pode e deve ser utilizado
de difícil solução. (FONTES, 2008, p. 1) para: recuperar os húmus do solo; baratear o
reflorestamento e a agricultura; fixar
vegetação no solo. Ao recuperar os húmus e a
É de responsabilidade das Estações de Tratamento de vegetação, possibilitará maior retenção de
Esgotos a disposição final do produto de tratamento, levando água de chuva e infiltração de água no solo,
recuperando os mananciais hídricos. Ao fixar
em consideração a problemática, desde o planejamento da vegetação, contribui para melhorar o clima
(efeito da evapotranspiração) e combater o
ETE até sua operação. A ausência desse procedimento pode
efeito estufa, além de permitir a recuperação
anular parcialmente os benefícios do tratamento. Assim, é de da biodiversidade do ecossistema local e de
evitar o lançamento do lodo dos esgotos nos
extrema importância a destinação correta desses sólidos para aterros sanitários, o que aumenta os custos de
evitar problemas ambientais futuros. O mais usual é o aterro operação das estações de tratamento de
chorume e os riscos de poluição ambiental.
sanitário, porém, além de não ser o mais sustentável (MACHADO, 2011, p.15).
ambientalmente, geralmente resulta em custo elevado de
operação e manutenção. Para a utilização do lodo seco na agricultura, devem-se
Visando principalmente à sustentabilidade ambiental, obter parâmetros, possuir características e cumprir todos os
novos projetos vêm sendo desenvolvidos na área de critérios estabelecidos por normas. (BETTIOL;
utilização do lodo, resultado do processo de secagem, como a CAMARGO, 2006). No Brasil, o uso do lodo na agricultura é
utilização do lodo seco na agricultura, para produção de regulamentado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente
energia, na construção civil, landfarming, entre outros. (CONAMA), mediante a Resolução 375, de 2006, que define
critérios e procedimentos para o uso agrícola de lodos de
Na agricultura esgoto gerados em Estações de Tratamento de Esgoto
Sanitário e seus produtos derivados.
O resultado do tratamento de esgoto, o lodo seco, gera O CONAMA delimita medidas aceitáveis para a

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aplicação do lodo de esgoto em solos agrícolas e ressaltam mistura, a resistência do tijolo diminuía. (TAY, 2002 apud
que quantidades superiores não são admissíveis para o uso. FONTES, 2008)
Critérios para aplicação do lodo seco em áreas agrícolas são
definidos considerando a taxa de nitrogênio, a neutralização Landfarming
da acidez do solo, entre outros. (TRABALI; MARIYA,
2009). O processo consiste em elevada disposição superficial
do lodo ao solo, por vários anos. Com o propósito de utilizar o
Na construção civil solo como sistema de tratamento, de modo que sirva de
suporte para as atividades biológicas, possibilita a retenção
Vários resíduos vêm sendo utilizados na construção de metais pesados e expostos ao sol, causando a
civil, inclusive o lodo de esgoto, que, após sua incineração, biodegradação da matéria orgânica. (ANDREOLI et al,
pode ser inserido nas argamassas e concretos, em forma de 1999).
cimento Portland, aditivos, ou também como fíler, podendo
A taxa de aplicação de lodo ao solo varia em
até ser substituir parcialmente do cimento, dependendo de função da existência ou não da camada
suas características, tornando-se uma alternativa viável. impermeabilizante situada a 60-70cm da
superfície, da colocação de drenos e da coleta
(KHANBILVARD & AFSHARI, 1995 apud FONTES, e tratamento dos percolados. Trata-se de um
sistema aberto que, se for mal planejado traz
2003).
riscos imediatos ao meio ambiente tais como:
Há diversas vantagens na adição do lodo em contaminação das águas superficiais,
subterrâneas, de alimento e do próprio solo.
argamassas e em concretos, entre elas, a melhoria das (ANDREOLI; VON SPERLING;
propriedades do concreto tanto em estado endurecido como FERNANDES, 2001 apud FONTES, 2003,
p. 26).
em estado fresco; diminui o custo total da produção de
cimento, pois, com lodo adicionado, não necessita de Esse método é uma opção que não causa danos ao
praticamente nenhum processamento; evita e reduz prejuízos meio ambiente; sua execução é simples e de preço baixo. Não
ambientais, por dois motivos: primeiro, porque o lodo, em é seu objetivo a utilização e reciclagem dos nutrientes do
uma disposição final inadequada traz prejuízos ambientais e lodo e, sim, a decomposição da matéria orgânica.
para a saúde pública; segundo, porque, na fabricação de (ANDREOLI et al, 1999).
cimento, é liberado na atmosfera muito dióxido de carbono
(CO2) e com a adição do lodo, essa emissão é reduzida. Na geração de energia
(FONTES, 2003).
Vale citar também a utilização do lodo seco na geração
Blocos de tijolo cerâmico de energia, por meio do biogás. A utilização do lodo seco na
geração de energia funciona como uma fonte renovável e
Há estudos que avaliam a possibilidade da utilização sustentável, buscando cada vez mais substituir as fontes
do lodo seco na produção de tijolos cerâmicos, seco em impactantes por fontes limpas, na geração de energia.
mistura com a argila de 10 a 50%. No processo, a mistura é (MACHADO, 2011).
submetida a uma prensa e queimada a uma temperatura de Na ETE de grande porte em estudo, faz-se a utilização
aproximadamente 1100º C. Nos resultados, constatou-se desse processo. O lodo seco que é gerado ao final do processo
que, a medida que se elevava a porcentagem de lodo seco na da secagem térmica tem um alto poder calorífico, então ele é

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captado e queimado em uma unidade de conversão térmica, 5,5% de sólidos; na saída da centrífuga: 25,2%; e, na saída do
servindo de combustível (biogás) para funcionamento de secador: 72%. Entretanto, o fornecedor recomenda um teor
todo o processo do secador rotativo, gerando, assim, uma de umidade na saída do secador de 80%, sendo necessária
grande economia e sustentabilidade. uma maior atenção e cuidado dos operadores.
Segundo Traballi e Makiya (2009), se for feita uma A ETE de grande porte estudada possui dois decanters
comparação de um metro cúbico (1 m³) de biogás, ele se centrífugos, com o objetivo de fazer a separação de sólido-
equipararia a: líquido em seu interior. Sua capacidade média verificada é de
* 1,5 m³ de gás de cozinha; 1120 kg/h. Possui também um secador rotativo, que é o
* 0,52 a 0,6 litro de gasolina; responsável pela secagem térmica. Seu grande diferencial é o
* 0,9 litro de álcool; sistema de granulação interna, que permite trabalhar com
* 1,43 kWh de eletricidade; praticamente todos os tipos de lodo, sem a necessidade de
* 2,7 Kg de lenha (madeira queimada). retorno de material seco na alimentação, evitando
entupimentos na parede do secador. Tem uma capacidade de
CONCLUSÃO 1200 kg/h (80% H2O); a descarga de lodo é de 300 kg/h (20%
H2O), sua potência instalada é de 1.500.00 kcal/h e tem uma
Os resultados dessa pesquisa permitem concluir que a proporção de redução de volume de 4:1.
prática da secagem térmica de lodo nas ETEs, que tem como Considerando o secador com uma capacidade de 1200
objetivo a higienização e secagem do lodo, é viável e kg/h de lodo desidratado e com um funcionamento de 16
eficiente. Ela é o último processo do sistema de tratamento do horas em um dia, o secador tem capacidade de absorver
lodo, antes dela há a estabilização, o condicionamento e a 19200 kg/dia de lodo desidratado. Ao passar pelo processo de
desidratação. O processo pode ser através de contato direto secagem, teria gerado cerca de 300 kg/h, ou 4800 kg/dia de
ou indireto. lodo seco.
Verifica-se que as vantagens se sobrepõem às O produto final desse processo tem que ser reutilizado
desvantagens, elevada diminuição do volume do lodo, para algum fim; usualmente, é disposto em aterro sanitário, o
diminuição de custo com seu transporte, alta eliminação de que não é uma alternativa que visa à sustentabilidade
patógenos e, além disso, seu produto final pode ser ambiental. Porém, há outras opções que proporcionam isso.
reutilizado de diversas formas. Dentre elas, está o uso do lodo na agricultura que, devido ao
Há alguns fatores que interferem na funcionalidade e alto teor de matéria orgânica, serve como condicionador de
eficiência do processo. Para a secagem térmica por contato solo e como fertilizante, todavia, por conter também metais
direto, a energia média gasta para funcionamento aproxima- pesados, exige cautela. Há também a possibilidade de usar o
se de 1.000 kcal/l de água evaporada. Na ETE de grande porte lodo como adição em argamassas e em concretos, pois pode
que foi visitada, o consumo de gás para funcionamento do melhorar suas propriedades tanto em estado endurecido
secador gira em torno de 225 nm³/h. A temperatura ideal para como em estado fresco. Pode ser utilizado no processo de
uma boa eficiência é de 350º C, podendo haver problemas no landfarming, que consiste em elevada disposição superficial
sistema em temperaturas mais elevadas. O polímero do lodo ao solo, com o objetivo de utilizar o solo como
geralmente utilizado para tratamento de esgoto é o catiônico. sistema de tratamento, fazendo com que sirva de suporte para
Na ETE estudada, foi verificado o teor de umidade em as atividades biológicas, possibilitando a retenção de metais
cada fase do processo de tratamento do lodo - nos reatores: pesados e causando a biodegradação da matéria orgânica. Por

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fim, foi constatado também a utilização do lodo seco na FONTES, Cinthia Maria Ariani. Utilização das cinzas de
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ANÁLISE DA SUBSTITUIÇÃO DO AÇO LISO PELO


BAMBU BAMBUSA VULGARIS EM LAJES NA
CONSTRUÇÃO CIVIL
RUAS, Ludmila Botelho*; ROCHA, Maria Clara Silva*; SANTOS, Paulo**

*Discentes do curso de Engenharia Civil das FIPMoc ** Docente das FIPMoc

RESUMO

O uso do bambu como elemento estrutural vem sendo examinado há décadas, mostrando excelentes resultados em relação a
suas características físicas e mecânicas. Nesse sentido, esta pesquisa é constituída de um estudo experimental em que se
analisa-se o comportamento estrutural da laje de concreto com a substituição do aço pelo bambu da espécie Bambusa Vulgaris
como elemento resistente à flexão nas lajes, e verifica-se a eficiência do bambu em confronto com o aço. As lajes ensaiadas
tinham 55 cm de comprimento, 25 cm de largura, 8 cm de altura. O tipo de ensaio foi o de tração na flexão – Prismático, com
carregamento de forças aplicadas verticalmente. Foram ensaiadas 4 lajes de concreto, sendo 2 armadas com bambu, cujo peso
específico é de 0,85 kgf/m³ e 2 lajes armadas com barras de aço CA-60 com diâmetro de 4,2 mm e peso específico de
7,85kgf/m³. Constata-se, constata os dos ensaios que o comportamento estrutural das lajes armadas com bambu em relação à
carga portante, obteve em torno de 74,11% da resistência a flexão da laje armada com aço.

PALAVRAS-CHAVE: Bambusa Vulgaris. Laje. Construção civil. Sustentabilidade.

INTRODUÇÃO primeiros estudos científicos para o uso do bambu como


material de construção civil, desde o início do século XX. Em
No mundo inteiro, existe uma procura por soluções seguida, na Alemanha, Japão, Índia, Filipinas, dentre outros.
alternativas que diminuam a degradação ambiental, Segundo Pimentel (1997), o emprego do bambu na
mediante materiais e tecnologias limpas para o construção civil coopera para uma maior diversidade de
desenvolvimento sustentável. Devido a isso, tem-se sistemas construtivos.
aumentado a quantidade de pesquisas voltadas para o Na tentativa de buscar soluções sustentáveis, diversos
emprego dos materiais não convencionais, tais como palha, materiais vêm sendo analisados e encontrados em estruturas
bambu, entre outros. pelo mundo, como o bambu. Materiais tradicionalmente
Nesse sentido, estudos com bambu vêm sendo utilizados demandam alta energia para sua extração, além de
desenvolvidos desde 1979, no Brasil. Apesar disso, degradar o meio ambiente. Nessa perspectiva, nasce um
referências sobre a utilização do bambu como material para pensamento de uma construção civil preocupada com a
a estrutura na construção civil são escassas, principalmente ecologia e o desenvolvimento sustentável.
se comparadas com o cenário da América Latina e Oriente. O bambu tem sido considerado uma alternativa viável
Na China e nos Estados Unidos, foram realizados os para a construção civil, por sua resistência, flexibilidade e

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pelo baixo impacto gerado em seu cultivo. Ele ainda enquanto tem uma boa resistência à compressão, pouco
proporciona uma fácil colheita e transporte, o que o torna resiste à tração (considera-se a resistência à tração 1/10 da
economicamente atrativo. Outra característica é a resistência à compressão), embora a tração quase sempre
sustentabilidade, já que sua extração é bem menos esteja presente nas estruturas das construções usuais
impactante do que a do metal. (SUSSEKIND, 1985).
Nessa perspectiva, o objetivo geral deste estudo é
analisar a substituição do aço pelo bambu da espécie Bambu
Bambusa Vulgaris, em lajes, bem como realizar ensaio
experimental de flexão, comparar e descrever os resultados Estudos bibliográficos mostram que existem
das amostras de bambu-concreto e aço-concreto. aproximadamente 1100 espécies de bambu no mundo. No
entanto, em meio a tantos tipos, são consideradas adequadas
MÉTODOS para a construção civil as espécies que possuem grande
resistência mecânica e baixa susceptibilidade às pragas que
O método da pesquisa é de natureza indutiva, pois o enfraquecem o material.
estudo é fundamentado na experiência, sem levar em De acordo com Velez (2001), o bambu cresce 30%
consideração princípios preestabelecidos. A forma de mais rápido do que as espécies de árvores e, devido a esse
abordagem é qualitativa, por se tratar de elementos referentes crescimento tão potente, seu rendimento em peso por hectare
às variáveis que determinam a resistência e a ao ano é 25 vezes maior do que o da madeira.
trabalhabilidade do concreto mediante ferramenta de De acordo com Morado (1994), o bambu é um
medição. material economicamente viável, pois é encontrado com
Quanto aos objetivos metodológicos, a pesquisa é facilidade em quase todo o mundo, sendo apropriado para
explicativa, pois identifica fatores determinantes para a edificações de baixo custo, podendo ser integrado no sistema
ocorrência dos fenômenos, ciências naturais. E os moderno de produção de construções.
procedimentos técnicos utilizados foram a pesquisa Recht (1994) afirma que a utilização do bambu é
bibliográfica documental e a análise experimental. muito conhecida e remonta à pré-história, tendo
Para o ensaio experimental, primeiramente foi possibilidades tanto para construção de casas como de
definido qual seria o tipo de laje a ser adotado. Vizotto e pontes.
Sartorti (2010) afirmam que as lajes convencionais maciças O bambu tem diversos benefícios, é um material leve,
podem ser consideradas como o sistema estrutural de laje com peso específico na ordem de 8,5 kN/m3, conforme Lima
mais utilizado e propagado no meio técnico, por isso foram as Jr. et al, (2000); é econômico, pois sua produção é realizada
escolhidas para o presente estudo. por processos fotossintéticos, não precisa de
reflorestamento; é muito produtivo e de fácil
RESULTADOS E DISCUSSÃO disponibilidade; apresenta fácil transporte e armazenamento;
Fácil corte, com ferramentas simples.
Concreto Os tipos de bambu mais favoráveis no campo da
engenharia e que são encontrados no Brasil, são:
O concreto sozinho não é apropriado como elemento Dendrocalamus giganteus, Guadua angustifolia, Bambusa
resistente no que se refere ao emprego estrutural, pois vulgaris e Phyllostachis áurea (SANTOS, 2004).

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tem sua origem na Ásia, e encontra-se em regiões tropicais e fibras longitudinais, unidas fortemente por uma substância
subtropicais; é considerada a maior espécie existente devido aglutinante (GHAVAMI, 2001). Entre as características
a seu diâmetro (10-30 cm) e altura (24-40 m); pode ser físicas que são necessárias para caracterizá-lo destacam-se o
empregado como elemento estrutural, em substituição ao teor de umidade, a densidade e o peso específico, parâmetros
aço, em lajes e vigas de concreto, na fabricação de papel, que influenciam a resistência. (HIDALGO, 2003).
tubos para condução de água e na confecção de laminados,
Figura 2: A) Bambu Dendrocalamus giganteus B) Bambu
(GHAVAMI, 1996).
Guadua angustifolia C) Bambu Phyllostachys áurea D)
O bambu Guadua angustifolia (Figura 2B) tem grande Bambusa Vulgaris
resistência a pragas, pelo fato de obter menor quantidade de
amido e, por sua retidão, é muito utilizado como viga, pilar,
componentes da cobertura e painéis divisórios em
construções. Essa espécie é a mais produtiva e facilmente
propagável por métodos vegetativos, porém possui pouca
durabilidade e pequena resistência a ataques de insetos. Por
esse motivo, é empregada em construções temporárias.
Características: folhas e hastes verdes com nós brancos;
altura: de 15 a 20 metros; diâmetro: 12 a15 cm; internos: 25-
35 cm; clima: tropical; origem: Colômbia. (GHAVAMI &
MARINHO, 2002).
Fonte A: http://www.guadua..bamboo.com/
O Phyllostachys áurea que é aplicado no artesanato, species/dendrocalamus-giganteus
no mobiliário, na composição de estruturas e por possuir Fonte B: http://www.sitiodamata.com.br/erosao/bambu-
guadua-guadua-angustifolia.html
pequeno diâmetro (3-5 cm), pode ser aplicado na confecção Fonte C: http://www.smgrowers.com/products/
de esquadrias. (Figura 2C) plants/plantdisplay.asp?plant_id=1983
Fonte D: http://www.uk-bamboos.co.uk/Detail-
E, por fim, o Bambusa vulgaris 'Vittata' ou pintado de B/Phyllostachys%20aureosulcata%20'Aureocaulis'.htm
bambu, é um nativo de aglomeração de bambu tropical e
subtropical gigante da China e do Japão. É um dos bambus O teor de umidade do bambu natural varia de 13% a
ornamentais mais cultivados no mundo tropical. Tem altura 20%, dependendo do clima e da umidade local. É um
de 10 - 15 m, diâmetro 5 - 8 cm, encontra-se em regiões material higroscópio, dilatando-se com o aumento de
tropicais e subtropicais, tem origem na China e no Japão. Os umidade e contraindo-se com a perda de água. O teor de
colmos brilhantes de Bambusa vulgaris 'Vittata' são umidade adequado para ser usado no bambu é em torno de
amarelos, marcados aleatoriamente com listras verdes largos 12% a 15% (GHAVAMI, 2001).
e estreito (ou verde raramente claro com listras amarelas). A densidade do bambu depende de sua estrutura
Essa espécie de bambu cresce até uma altitude de 1.000 m e anatômica, crescendo da camada mais interna para a parte
pode sobreviver baixas temperaturas até -3 ° C (GHAVAMI, externa do colmo e, ao longo do colmo, cresce da base para o
1996). (Figura 2D) topo (HIDALGO, 2003).
De acordo com Liese (1998), cerca de 50% das fibras
Características físicas do Bambusa vulgaris
das paredes do colmo estão localizados no terço externo das

O bambu é formado essencialmente por feixes de paredes do colmo. Isso indica que a resistência de suas

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paredes aumenta gradualmente da parte interna para a parte sentido paralelo ao eixo do colmo, por isso, a resistência à
externa. O peso específico dos nós é geralmente mais alto que tração longitudinal às fibras é bastante alta. De acordo com
os internos, devido a menor quantidade de parênquima e Ghavami & Marinho (2002), esse valor está compreendido
mais fibras nas paredes. De modo geral, existe uma relação entre 40 MPa e 215 MPa, a depender da espécie. Os maiores
direta entre o peso específico e a resistência do bambu. valores são encontrados na área internodal do colmo, visto
Um fator que pode dificultar seu uso como substituto que os nós apresentam descontinuidade das fibras. Assim,
do aço como reforço do concreto armado é seu coeficiente de quando a região nodal é submetida ao carregamento, criam-
dilatação. O coeficiente de dilatação no sentido longitudinal se zonas de concentração de tensões, provocando a ruptura da
(α = 1,0x10-5ºC-1) constitui valor muito próximo ao do peça.
concreto, porém, é quatro vezes maior no sentido transversal.
Entretanto, não se verifica como empecilho para variações de Resistência à compressão
temperaturas usuais (GEYMAYER; COX, 1970).
É necessário que seja extraído o bambu anualmente, Segundo Ghavami & Marinho (2002), a resistência do
colhendo os colmos, que serão utilizados, e também bambu à compressão é 30% menor que a resistência à tração,
retirando os defeituosos e os velhos, a fim de se evitar o encontrando-se entre 20 MPa e 120 MPa nos ensaios de
congestionamento pela grande quantidade de colmos e compressão normal às fibras. Observações semelhantes
garantia do fortalecimento do bambuzal, já que a energia da podem ser feitas a respeito do posicionamento do nó na peça
touceira se direciona para os novos brotos (PEREIRA, 2001). a ser ensaiada, acarretando menores resistências à
Porém, Vasconcellos (2003) diz que não se deve compressão para corpos de prova com nó.
remover mais que 80% de bambus maduros de uma touceira, Observa-se que o bambu pode ser utilizado como
visto que são eles os responsáveis pelo fornecimento de elemento estrutural em substituição à madeira e ao concreto,
nutrientes aos mais jovens. Os bambus utilizados na chegando a fornecer melhores resultados em alguns casos.
construção civil como elementos estruturais e laminados Todavia, é importante ressaltar que, em se tratando de peças
para pisos precisam estar amadurecidos, ou seja, devem ter sujeitas à compressão, não convém realizar uma análise
suas idades variando de 3 a 5 anos, porquanto adquirem baseada apenas no limite de resistência do material, o qual é
maior resistência mecânica e estão menos vulneráveis a independente do tamanho e geometria da estrutura. Nesse
ataques de brocas e insetos. caso, é preciso considerar a esbeltez do elemento estrutural,
Para extração de varas, são usados instrumentos verificando a possibilidade de ele falhar por flambagem
manuais, como facão, machado ou serras. Para evitar a (GONÇALVES, 1994).
acumulação de água na base, o corte é feito acima do
primeiro nó, o que pode ocasionar o apodrecimento da Lajes
touceira. É importante salientar que, depois de cortar o
material, deve-se limpar o acúmulo de dejetos (folhas) no Lajes são elementos planos, em geral horizontais, com
restante da touceira, para permitir o crescimento rápido e largura e comprimento muito maiores que a espessura. A
sadio dos brotos que permaneceram. principal função das lajes é receber os carregamentos
atuantes no pavimento, resultantes do uso (móveis,
Resistência à tração equipamentos e pessoas), e transferi-los para os apoios
(PINHEIRO, et.al, 1986).
A disposição das fibras do bambu é orientada no
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Do ponto de vista estrutural, lajes são placas de pequeno e médio porte (DROPPA JÚNIOR, 1999).
concreto, ou seja, são elementos estruturais de superfície Como a principal característica desse tipo de laje é a
plana, em que a maior parte dos carregamentos que nela diminuição da quantidade de concreto na região tracionada,
atuam são perpendiculares a seu plano médio (CARVALHO; pode-se usar um material de enchimento que, além de reduzir
FIGUEIREDO, 2007). o consumo de concreto, alivia o peso próprio da estrutura. O
Cada tipo de laje tem suas potencialidades e material de enchimento deve ser o mais leve possível, mas
limitações. No entanto, é importante conhecê-las para que a com resistência suficiente para suportar as operações de
escolha recaia naquela que poderá atender melhor às execução.
exigências do usuário. A capa de concreto normalmente é confeccionada
utilizando-se concreto convencional, sem nenhum tipo de
Lajes nervuradas adição. Entretanto, com o crescimento da conscientização
ecológica e das preocupações com o meio ambiente, torna-se
Pode-se reconhecer que o conceito de lajes nervuradas atraente a inserção de resíduos inertes nesse concreto, uma
teve sua origem em 1854, quando William Boutland vez que, além de diminuir o consumo de matérias-primas,
Wilkinson patenteou, nos Estados Unidos, um sistema em possibilita o descarte de resíduos, favorecendo duplamente a
concreto armado de pequenas vigas regularmente espaçadas, questão ambiental. (TRIGO et all, 2008).
no qual os vazios entre as nervuras eram formados pela
colocação de moldes de gesso, sendo uma fina camada de Laje maciça
concreto moldada como plano de piso (DIAS, 2014).
Seu uso já está bastante difundido na Europa e nos Segundo Araújo (2008), é definida como placa com
Estados Unidos devido ao avanço na industrialização da espessura uniforme, apoiada ao longo de seu perímetro e,
construção civil, permitindo que a tecnologia disponível seja para os apoios, podem ser utilizadas vigas ou alvenarias. O
bem aproveitada. Em alguns países, a sistematização desse processo de montagem das lajes convencionais é simples
processo construtivo avançou de tal modo, que já estão (LOPES, 2012). Primeiramente, executa-se a montagem das
disponíveis blocos de enchimento reaproveitáveis, fôrmas fôrmas (madeira compensada, chapas metálicas etc.), em
especiais, e até mesmo, armações pré-fabricadas projetadas seguida posicionam-se as armaduras para garantir o
para resistir aos efeitos da punção (SCHWETZ, 2005). cobrimento mínimo dos espaçadores (VIZOTTO;
Segundo Schwetz (2005), a laje nervurada pode ser SARTORTI, 2010). Por fim, posicionam-se os eletrodutos,
considerada uma evolução natural da laje maciça. Portanto, se necessário, e concreta-se a laje (LOPES, 2012).
vem firmando gradativamente como uma solução estrutural Para Albuquerque (1999), as lajes maciças são
atraente, por possibilitar o uso de maiores vãos, facilidade estruturas mais rígidas, pois, por possuírem muitas vigas a
para posicionamento das instalações, versatilidade, estrutura acaba tendo diversos pórticos, o que auxilia no
liberdade de criação de ambientes e simplificação das contraventamento. Para Spohr (2008), é um dos métodos
formas. mais executados nas construções de concreto armado,
tornando assim, a mão de obra treinada. Porém, essas lajes
Laje pré-moldada possuem elevado peso próprio, o que resulta em maiores
reações de apoio (LOPES, 2012), facilidade de propagar
As lajes pré-moldadas treliçadas vêm sendo
ruídos entre pavimentos (CARVALHO, 2012). E, ainda,
empregadas nas edificações residenciais e comerciais de
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segundo Lopes (2012), demanda grande quantidade de Figura 1: A) Bambu amarrado com espaçamentos
calculados; B) Corte feito com facão
tempo para a execução das fôrmas e para a desfôrma.
Mas Vizotto e Sartorti (2010) afirmam que as lajes
convencionais maciças podem ser consideradas como o
sistema estrutural de laje mais utilizado e propagado no meio
técnico.

Ensaio

Foram confeccionadas no laboratório das Faculdades


Integradas Pitágoras FIPMoc 4 fôrmas nas dimensões Fonte: Direta 2016
25cmx55cm, devido as dimensões da máquina utilizada para
realizar o rompimento dos protótipos das lajes. As fôrmas A espessura dos protótipos foi definida com 8cm,
foram feitas por meio de sarrafos de madeira Pinus com conforme o item 13.2.4.1 (NBR 6118:2014), que determina
2,5cm de espessura, 10cm de largura, e cortados nos que lajes maciças de concreto armado devem respeitar esse
comprimentos de 60 e 25 centímetros. Foram parafusadas de limite mínimo para a espessura, caso seja uma laje de piso,
forma a obter a dimensão interna de 25cmx55cm. não em balanço.
A espécie de bambu escolhida para se utilizar neste A próxima etapa baseia-se em definir a quantidade de
estudo foi a Bambusa vulgaris, pela disponibilidade na barras de aço e de taliscas de bambu que deverão ser
região. As amostras de bambus foram retiradas no município utilizadas na composição das armações dos protótipos das
de Coração de Jesus, Luiz Pires de Minas – MG, a cerca de 70 lajes.
Km de Montes Claros – MG. O bambu apresentou diâmetro Primeiro, é importante definir o cobrimento
externo médio de d = 8,49 cm e espessura média de 0,9 cm, necessário para que a armação não seja exposta às
com a idade em torno de 3 anos, fato observado pela mudança intempéries. Considerando que em Montes Claros a classe de
de coloração do colmo, passando de verde intenso a agressividade ambiental é II (moderada), pois o risco de
tonalidade ocre. deterioração da estrutura é pequeno conforme o item 6.4.2
Foram utilizados os bambus acima de 30cm do solo e (NBR 6118:2014), define-se que o cobrimento nominal para
seccionados em três peças iguais correspondentes as partes: laje de concreto armado deve ser de 25mm, de acordo com o
basal, intermediária e topo. item 7.4.7.6 (NBR 6118:2014).
Os colmos foram abertos com facão, com o intuito de Com o recobrimento definido, pode-se determinar a
se obedecer à direção natural das fibras conforme mostrado quantidade de barras do Aço 4.2 CA-60 utilizadas.
na Figura 1B, e de modo a se obterem dimensões de Considerando que se tem um espaçamento útil de 20x50cm,
aproximadamente 1,0cm x 1,0cm x 50,00cm, para as taliscas. devido ao espaçamento obrigatório de 2,5cm em todos os
Para determinação do aço a ser utilizado, foi lados, e que, conforme a NBR 6118 (2014), o espaçamento
consultada a NBR 6118 (2014), que define que, em lajes, mínimo entre barras de aço é de 7cm, foi possível estabelecer
pode ser empregado o aço CA-60 com 4.2mm e com 5,0mm. que seriam 3 barras de aço na longitudinal e 6 barras na
Portanto foi adotado o aço 4.2, devido a menor área de transversal, mantendo, nas duas direções, um espaçamento
contato. entre barras igual a 10cm.

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Por não apresentar metodologia específica para entre si e das faces internas das fôrmas.
ensaios em lajes armadas com bambu, fez-se necessário, para A retirada das fôrmas deve ser feita quando o concreto
a determinação das quantidades de taliscas, estabelecer uma estiver suficientemente endurecido para resistir as ações que
proporção entre os pesos específicos do bambu e do aço. sobre ele atuarem, e não conduzindo a deformações
Sabendo que o peso específico do Aço é de 7,85 kgf/m³ e o do inaceitáveis. Por ser um concreto feito com o cimento CPV-
bambu é de 0,85 kgf/m³, verifica-se que o Aço e o bambu ARI, que apresenta alta resistência inicial, as formas
mantêm uma relação de 1 para 9 respectivamente. poderiam ter sido retiradas no dia seguinte. No dia 04, foram
A área das 3 barras longitudinais de aço 4.2cm é igual a desenformada as lajes, e colocadas na câmara úmida
0,588cm². Considerando a proporção de que o aço é 9vezes evitando a desidratação descontrolada e consequente
mais pesado que o bambu, foi multiplicada essa área de aço fissuração, o que causaria perda na resistência do concreto.
de 0,588cm² por 9, tendo sido encontrado resultado de Para a realização do rompimento, foram retiradas da
aproximadamente 6cm². câmara úmida os 4 corpos de prova. Em seguida, foram
Área aço4.2 ꞉ Ẅ Ɑ ꞉ Ẅ £m2 colocados os catetes, um dispositivo para manter o protótipo
0,588cm² Ɑ ? £≠ ² plano; mas, ao posicioná-lo, foi observado que o teste não
Como a área de cada talisca de bambu é de seria eficaz, pois o protótipo iria encostar na lateral do
aproximadamente 1cm², e mantendo a mesma proporção equipamento que recebe o catete (Figura 3, A e B), o que
entre a quantidade de barras de aço na longitudinal e na impactaria diretamente no resultado final. Para solucionar
transversal, define-se, então, que serão 6 taliscas de bambu esse problema, foi colocada uma base, como mostra a figura
na longitudinal e 12 taliscas na transversal, mantendo um 3 C, apenas para efeito de corrigir obstáculo, o que não
espaçamento entre barras de aproximadamente 4cm, em interfere no resultado do teste.
ambas as direções, como mostrado na Figura 1A.
Figura 1: Determinação de resistência a tração na flexão
A amarração das barras de aço e das taliscas de bambu
com corpo de prova prismático
foi feita com arame recozido, de modo a obedecer aos
espaçamentos definidos.
No dia 02 de maio, foi realizada a concretagem dos 4
protótipos das lajes, sendo 2 armados com aço 4.2, e 2
armados com taliscas de bambu Bambusa Vulgaris,
utilizando o seguinte traço, para que o concreto obtivesse
resistência de 20MPa:11,9 kg de brita 1:12kg de areia lavada:
5kg de cimento (CPV-ARI): 3 litros de água, que foram
adicionados à betoneira nessa mesma ordem.
Para cada um dos protótipos das lajes, foi utilizado o
Fonte: Direta - 2016
mesmo traço, e rodados na betoneira com aproximadamente
5 minutos cada um. As fôrmas foram apoiadas em uma As lajes foram submetidas ao ensaio de tração na
superfície lisa e plana, e todos foram moldados no mesmo flexão prismático. A carga aplicada ocorreu seguindo o
dia. A armadura foi colocada no interior das fôrmas, de modo mesmo padrão para todos os corpos de prova, conforme a
que, durante o lançamento do concreto se mantivessem na Figura 3 C. Na figura 3D, percebe-se a fissura na face
posição, conservando-se inalteradas as distâncias das barras inferior, causada pela carga aplicada sobre o protótipo em um

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determinado tempo. no concreto.


Foi realizado o rompimento com os corpos de prova
REFERÊNCIAS
com idade de 5 dias, e obteveram-se os seguintes resultados
apresentados na tabela 1:
ALBUQUERQUE, Augusto Teixeira de. Análise de
alternativas estruturais para edifícios em concreto
Tabela 1: Relação de resultados armado. 1999. 97 pag. Dissertação (Mestrado) - Escola de
Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo. São
Amostra Material Tensão de ruptura
Carlos.
1 Bambu 3,6 MPa
2 Bambu 2,7 MPa ARAÚJO, Anderson da Rosa. Estudo técnico
comparativo entre pavimentos executados com lajes
3 Aço 5,1 MPa
nervuradas e lajes convencionais. 2008. 150 f. Trabalho
4 Aço 3,4 MPa de Diplomação (Graduação em Engenharia Civil) –
Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo
Fonte: Direta 2016
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS. NBR 6118:2003 : projeto e execução de
Portanto, a média de aço foi de 4,25 Mpa, e a média do obras de concreto armado. Rio de Janeiro, 2004.
Bambu foi de 3,15 MPa. Sendo assim, o bambu obteve
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
74,11% da resistência do aço. TÉCNICAS. NBR 6118:2014 : projeto e execução de
obras de concreto armado. Rio de Janeiro, 2014.
CONCLUSÃO
CARVALHO, R.C.; FIGUEIREDO FILHO, J.R. (2007)
Cálculo e detalhamento de estruturas usuais de
O estudo permitiu analisar a substituição do aço pelo concreto armado: segundo a NBR6118:2003. 3.ed. São
bambu da espécie Bambusa Vulgaris em lajes, mediante Carlos, EdUFSCar.

comparação de bambu-concreto com aço-concreto, em CARVALHO, Mailson Castelão de. Análise Comparativa
ensaio experimental de flexão, o que sugere uma solução estrutural e econômica entre as lajes maciça, nervurada
treliçada e nervurada com cuba plástica em em edifício
sustentável, visto que pode ser produzido causando um de 10 pavimentos. 2012. Pág 79. Dissertação (Dissertação
menor impacto ambiental. (trabalho de conclusão de curso) – Departamento de
Tecnologia da Universidade Estadual de Feira de Santana.
A metodologia utilizada permitiu comparar o bambu Feira de Santana.
da espécie Bambusa Vulgaris de aproximadamente 1cm² e o
DA SILVA, Osvaldo Ferreira, Estudo sobre a substituição
aço 4,2 mm CA-60, para ser empregado nas lajes de concreto do aço liso pelo Bambusa vulgaris, como reforço em
armado. Conclui-se que a utilização do bambu como vigas de concreto, para o uso em construções rurais.
Maceió, 2007. 141p. Dissertação (Mestrado) -
armadura de combate a flexão em lajes de concreto é viável Universidade Federal de Alagoas. Programa de Pós-
sob o aspecto estrutural, para esta pesquisa, considerando a Graduação em Engenharia Civil.1. Bambusa Vulgaris 2.
Concreto 3. Resistência 4. Reforço, Universidade
mesma massa, uma vez que o bambu obteve 74,11% da Federalde Alagoas. Centro de Tecnologia. Programa de
resistência a flexão da laje armada com aço, em análise Pós-Graduação em Engenharia Civil.
teórico-experimental. DIAS, R. H. Sistemas estruturais para grandes vãos em
Ressalta-se que os resultados obtidos, que estão pisos e a influência na concepção arquitetônica.
Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/
fundamentados na análise teórico-experimental, foram arq000/esp 214.asp.
satisfatórios. Acesso em 15 de abril de 2016.
Por fim, fazem-se necessários, para aplicação na DROPPA JÚNIOR, A. Análise estrutural de lajes
prática, maiores estudos referentes a durabilidade do bambu formadas por elementos pré-moldados tipo vigota com

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ANÁLISE DAS PROPRIEDADES E APLICAÇÕES DO


CONCRETO AUTOADENSÁVEL

SOARES, Rayana Barreto*; CORDEIRO, William Voumard**


*Discente do curso de Engenharia Civil das FIPMoc ** Docente das FIPMoc

RESUMO

O Concreto Autoadensável (CAA), de acordo com vários pesquisadores, constitui um material inovador que gerou uma
revolução significante na tecnologia do concreto. Esta pesquisa propôs analisar as propriedades e características do CAA e as
aplicações, bem como descrever os componentes necessários para que seja atingido um concreto de alto desempenho. O
estudo utilizou uma abordagem quali-quantitativa, de caráter exploratório descritivo; ou seja, orientou-se por um caminho
teórico- experimental, e, para o alcance dos objetivos, as informações foram expostas em duas etapas: revisão bibliográfica e
documental; e pesquisa de campo, constituída de uma entrevista a um engenheiro civil da empresa pesquisada. O CAA possui
materiais finos que aumentam a resistência do concreto, produz uma boa aderência com o substrato, garante uma maior
liberdade de fôrmas e dimensões, não utiliza vibradores. Reduzi consideravelmente a mão de obra e o volume de ruídos,
permitindo, um rápido lançamento e acabamento, melhorando a produtividade e rentabilidade da obra. É um material bastante
fluido, o que garante um maior preenchimento das armaduras. Desse modo, o CAA caracterizou-se como um material versátil,
que tende a aumentar sua utilização no mercado cimentício atual e futuro, podendo tornar-se até o novo Concreto
Convencional (CC). Todavia, em alguns países, inclusive Brasil, pode ser um processo mais lento, devido à falta mão de obra
qualificada, alto custo dos materiais que compõem o CAA e a falta de informações sobre as características em relação às
propriedades do material.

PALAVRAS-CHAVE: Concreto autoadensável. Desenvolvimento tecnológico. Desempenho. Finos.

INTRODUÇÃO melhor desempenho, com maior resistência, durabilidade,


melhor aparência e ainda prazos e custos cada vez menores.
O concreto é um material construtivo amplamente Nesse sentido, o Concreto Autoadensável (CAA) foi
disseminado no mercado da construção civil; sua desenvolvido no Japão, em 1988, na Universidade de
empregabilidade é imensa, sendo considerado o material de Tóquio, com o propósito de sanar os problemas com o
construção mais utilizado no mundo. Visando a processo de concretagem em estruturas complexas.
sustentabilidade e a viabilidade econômica do produto final A tecnologia do CAA, trouxe para o mercado não
pelas exigências e a demanda do mercado atual, nas últimas apenas um novo concreto, mas uma alternativa para a
décadas, Concretos Convencionais (CC) de Cimento otimização do processo construtivo. De acordo com Boggio
Portland vêm perdendo seu espaço, advindo, daí a (2000), trata-se de um concreto que tem como fundamento a
necessidade de um avanço na área tecnológica do concreto. utilização de aditivos e adições minerais, que irão fazê-lo
O desafio tem sido obter materiais de alta qualidade e alcançar suas três principais propriedades: fluidez,
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habilidade passante e resistência à segregação. O método dedutivo é definido como parte de um


Em razão de sua fluidez, possui adensamento próprio, conceito global para o particular, pois utiliza um princípio
adquirindo a capacidade de se moldar nas fôrmas somente reconhecido como verdadeiro e chega, por intermédio da
com seu próprio peso, de tal modo, que sua área de atuação é lógica, a uma síntese particular como verdade (VIANNA,
expandida, podendo abusar de espaços complexos. Essa 2001).
capacidade garante que não seja necessária a presença de Com o objetivo de responder o problema proposto, a
forças externas como vibradores ou compactadores, pesquisa usou uma abordagem quali-quantitativa, sendo de
reduzindo consideravelmente a mão de obra e o volume de caráter exploratório descritivo; em outras palavras, o estudo
ruídos; com isso, permite um rápido lançamento e orientou-se por um caminho teórico-experimental, e, para o
acabamento, melhorando a produtividade e rentabilidade da alcance dos objetivos, as informações são apresentadas em
obra. duas etapas: revisão bibliográfica e documental; e pesquisa
Uma das principais vantagens do CAA é a redução do de campo, constituída de aplicação de uma entrevista.
impacto ambiental, por necessitar de uma alta quantidade de De acordo com Netto (2008), a pesquisa exploratória
finos em sua composição, estimulando a utilidade de objetiva a descoberta; deve envolver um levantamento
resíduos industriais, como: cinzas de casca de arroz, cinza bibliográfico para oferecer as informações do objeto e
volante, sílica ativa e também metacaulim, entre outros, na orientar a formulação de hipóteses; assim, são estabelecidos
substituição do cimento. Sendo assim, é possível garantir um critérios e métodos para a elaboração da pesquisa.
material com ótimas características para o desenvolvimento Netto (2008) também afirma que o caráter da pesquisa
tecnológico e ambientalmente amigável do concreto sendo descritivo garante estudar, observar, analisar, e
(PAUMGARTTEN, et al. 2010; LISBOA, 2004). interpretar os fatos sem que haja interferência do
Nesse contexto, o objetivo geral da presente pesquisa pesquisador. Ou seja, a pesquisa descritiva geralmente
é analisar as propriedades e características do CAA e as assume formas de levantamento de dados, permitindo,
aplicações, bem como descrever os componentes necessários estabelecer relações de dependência entre variáveis e
para que seja atingido um concreto de alto desempenho. determinar resultados.
A primeira parte será composta de uma pesquisa
MÉTODOS bibliográfica colhida mediante buscas em livros, revistas
eletrônicas, normas e artigos, contendo um embasamento
A presente pesquisa consiste em um estudo de teórico sobre o concreto autoadensável; detalha suas
natureza dedutiva e indutiva, pelo fato do estudo ter como propriedades e características, e identifica as aplicações e
base, livros, artigos, banco de dados, teorias e citações seus materiais constituintes.
existentes na literatura, e uma elaboração de uma análise A segunda parte consiste na pesquisa de campo com
prática. dados coletados por meio entrevista a um engenheiro civil da
Segundo Vianna (2001), o método indutivo consiste empresa pesquisada. A empresa é do ramo da construção
em observar fatos particulares e, a partir dessa observação, civil, que atua em Montes Claros-MG. A entrevista é consta
elaborar uma generalização dos fatos. Por meio do raciocínio de 12 perguntas e tem a finalidade de avaliar a aplicabilidade
indutivo, os dados verificados na realidade investigada do CAA no mercado de trabalho, realizando uma análise
podem-nos levar a uma realidade desconhecida, comparativa entre o concreto convencional e o concreto
provavelmente verdadeira. autoadensável, complementando o problema abordado no

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presente artigo. História

RESULTADOS E DISCUSSÃO Segundo Tutikian & Dal Molin (2008), o concreto


autoadensável foi desenvolvido no Japão, em 1988, devido
Definição do CAA ao alto custo e escassez de mão de obra qualificada, e a
ausência de equipamentos sofisticados para adensamento.
O concreto é considerado autoadensável quando Dessa maneira, para suprir a demanda do mercado, foi
apresenta elevada fluidez e deformabilidade, além de necessário criar um material que tivesse características de se
estabilidade da mistura, podendo assim garantir três moldar nas fôrmas por conta própria, e capacidade de
características básicas e essenciais: habilidade de preencher preencher seus espaços vazios sem necessidade nenhuma de
espaços nas fôrmas (fluidez), habilidade de passar por vibração ou compactação externa de qualquer natureza.
restrições (habilidade passante) e a capacidade de resistir à O CAA vem sendo bastante utilizado em vários países,
segregação (coesão). principalmente no Japão e países da Europa. É um material
relativamente novo no mercado cimentício e, no Brasil, ainda
O termo concreto auto-adensável (CAA)
identifica uma categoria de material são poucas obras que utilizam o CAA, devido à falta de
cimentício que pode ser moldado nas fôrmas informação sobre as características em relação as
e preencher cada espaço exclusivamente
através de seu peso próprio, sem necessidade propriedades do material e sua confiabilidade, bem como a
de qualquer fôrma de compactação ou
escassez da mão de obra especializada (TUTIKIAN; DAL
vibração externa. A auto adensabilidade do
concreto no estado fresco é descrita como a MOLIN, 2008).
habilidade de todo o material preencher
espaços e envolver as barras de aço e outros A revista Téchne (2008) ressalta que, no Brasil, os
obstáculos, através, exclusivamente, da ação salários da mão de obra ainda não são expressivos como em
da força da gravidade, mantendo uma
homogeneidade adequada (TUTIKIAN, outros países, podendo ser uma razão da baixa procura.
2007, p. 25).
Nesse caso, somente a redução da mão de obra não
justificaria a adoção do CAA como substituto do Concreto
Como o próprio nome diz, a fluidez é definida como
Convencional (CC) em todas as aplicações.
uma capacidade do CAA de fluir dentro da fôrma,
O custo ainda é o principal motivo para o Brasil
preenchendo todos os espaços. A habilidade passante é a
manter o CC como o mais utilizado. Segundo Ambroise et.al.
facilidade do CAA de escoar pela fôrma, ou seja, é possível
(1999), no Brasil foram realizados poucos estudos sobre o
passar entre as armaduras, sem bloqueio do fluxo ou
concreto autoadensável, e uma das razões deve-se ao custo
segregação (FURNAS, 2004a).
desSe tipo de concreto, que pode chegar ao dobro dos custos
Efnarc (2002) afirma que a resistência à segregação se
de Concretos Convencionais (CC).
caracteriza pela capacidade do CAA de permanecer coeso
Porém, de uma forma geral, analisando os custos
enquanto flui pela fôrma, passando por restrições ou não.
finais, o CAA pode ser considerado em situações específicas,
Devido ao fato de o CAA utilizar materiais finos em
economicamente viável, se considerar a economia de
sua composição, são atribuídas características de
materiais, redução de custos com lançamento e
plasticidade e alta trabalhabilidade, proporcionando um
adensamento, alta produtividade e a consequente redução de
melhor desempenho ao concreto, tanto no estado fresco
tempo. E essa redução existe, independentemente da
quanto no estado endurecido.
presença de armaduras muito densas (TUTIKIAN, 2004).

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Características e propriedades As propriedades de autoadensamento do concreto no


O CAA difere do CC em suas características no estado estado fresco mais apropriados são avaliadas mediante
fresco, em que é possível avaliar se ele apresenta as três ensaios de espalhamento do tronco de cone (slump flow), do
características essenciais já citadas no artigo. tempo de escoamento no funil-V, do desempenho ao
escoamento e passagem por restrições na caixa-L (REVISTA
Estado fresco TÉCHNE, 2008).
Na figura 1, estão representados os ensaios realizados,
O CAA, em seu estado fresco, deve apresentar uma já referidos.
massa coesa, uma distribuição uniforme dos agregados em
toda a argamassa, e não deve apresentar exsudação. Para isso, Slump Flow test
o CAA necessita de, além dos materiais convencionais
(cimento, agregados graúdos e miúdos e água), o acréscimo O espalhamento ou método do cone de Abrams, ou
de materiais como aditivos químicos, proporcionando as slump flow, estuda a deformabilidade do concreto fresco, ou
características necessárias. seja, a facilidade com que o concreto flui, sem nenhuma
Efnarc (2002) explica que, ao longo dos anos, foram restrição das fôrmas e armaduras. Esse teste de fluidez é
desenvolvidos diferentes métodos e testes para definir as utilizado em todas as aplicações, e baseia- se em um
propriedades do CAA no estado fresco, e, ainda hoje, não procedimento simples e rápido.
existe uma definição consolidada como referência de Segundo Alencar (2008), o slump flow proporciona
nenhum método. Por isso, é indicado que cada lote de mistura uma avaliação visual, podendo analisar a presença de
seja testado por mais de um método, verificando o segregação ou não. Para isso, o autor afirma que é ideal
desempenho do CAA em termos de parâmetros diferentes de “verificar se o agregado graúdo está homogeneamente
trabalhabilidade. distribuído na mistura e acompanha a movimentação de
argamassa até a extremidade do círculo formado pelo
Figura 1 – Testes para concreto: (a) extensão de fluxo, (b)
concreto autoadensável”.
funil-V, e © Caixa-L.

Tabela 1 – Limites de resultados para o Slump flow test,


segundo diversos autores.

Fonte: TUTIKIAN, 2004.

Segundo a NBR 15823-2-2010, o resultado do ensaio


FONTE: Adaptado de TUTIKIAN, 2004. do Slump Flow test (SF) é o espalhamento da massa do
concreto, e é encontrado pelo cálculo da média aritmética de
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duas medidas perpendiculares, em milímetros (mm). (t500), é realizado com o propósito de testar a fluidez e a
Na tabela 1, foram apresentados resultados de ensaios viscosidade plástica aparente do concreto.
propostos por diversos autores, que definem o espalhamento Conforme Cavalcanti (2006), o ensaio do funil-V é um
máximo e mínimo para um concreto ser definido como método simples e fácil de executar e consiste em medir o
autoadensável. tempo que uma amostra de concreto (volume de 10 litros
Os valores abaixo do limite inferior, indica uma baixa aproximadamente) necessita para fluir totalmente pela boca
fluidez do concreto, ou seja, é preciso acrescentar água ou do funil.
aditivos superplastificantes. Já nos valores acima do limite De forma clara, definimos como resultado deste
superior, o concreto indica muita fluidez, necessitando de ensaio, o tempo que o concreto leva para esvaziar
mais coesão, para evitar segregação (TUTIKIAN, 2004). completamente o funil. Apesar de ser um teste simples, o
funil deve seguir as dimensões corretas, como previsto na
Slump Flow t500 test NBR 15823-5-2010, que também estão localizadas como
consta na figura 1(b).
O slump flow t500 test é uma variação do slump flow.
Os dois testes são realizados simultaneamente. Nesse caso, o Tabela 3 – Variação do tempo de escoamento de acordo
objetivo é medir o tempo e escoamento (t500), que, de acordo com o funil-V, segundo diversos autores.
com a NBR 15823-2-2010, é obtido pelo intervalo de tempo,
em segundos (s), entre o início e o final do escoamento do
concreto, a partir do diâmetro de 200mm ao de 500mm.

Tabela 2 – Limites de resultados para o slump flow t500


test, segundo diversos autores.

Fonte: TUTIKIAN, 2004.

Tutikian & Dal Molin (2008) afirmam que o valor


médio do tempo de escoamento deve estar entre seis e doze
segundos. O teste pode ser repetido após 5 minutos para
verificar a resistência à segregação, sendo que o acréscimo de
tempo em relação ao primeiro teste realizado não deve ser
Fonte: TUTIKIAN, 2004. maior que 3 segundos. Na tabela 3, pode-se analisar uma
variação do tempo de escoamento utilizando o funil-V.
A tabela 2, mostra a variação limite que pode ocorrer
no tempo de fluxo. Segundo Alencar (2008), o concreto com
Caixa-L (L-box)
maior viscosidade levará um maior tempo para atingir o
mesmo espalhamento. Ou seja, quanto mais coeso o concreto
O ensaio da caixa-L tem a característica de testar a
estiver, maior será tempo para alcançar a medida de 500mm.
habilidade ou não de preencher fôrmas, passando por
obstáculos sem perder a capacidade de autoadensamento.
Funil-V
Conforme Cavalcanti (2006, p. 54):
O funil-V, assim como o teste slump flow e slump flow
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O ensaio da Caixa L (L-Box) é realizado ser destacadas, já que alguns autores constataram que o CAA
preenchendo-se o cômodo vertical da caixa
com a amostra de concreto de tem alcançado resistências superiores ao CC.
aproximadamente 12 litros e após a abertura
da porta da caixa são medidos os parâmetros
T20, T40 e H2/H1, que são respectivamente, Resistência mecânica
o tempo para o concreto em fluxo alcançar um
comprimento horizontal de 20 cm, 40 cm e a
relação final entre as alturas do concreto no A resistência à compressão, de acordo com a NBR-
final do trecho horizontal e a altura do
concreto remanescente do trecho vertical da 5739-1994, é realizada em laboratório por um ensaio de
caixa.
compressão uniaxial, a partir de um corpo de prova que terá
uma carga aumentada até se romper. Diversas referências
Tabela 4 – Limites de resultados e dimensões de acordo
com o caixa-L, segundo diversos autores. citam como os principais fatores da resistência mecânica a
relação água/cimento e o grau de adensamento. De maneira
geral, quanto menor a relação a/c e melhor o adensamento,
menor será a porosidade da pasta e maior a resistência do
concreto.
Devido ao fato de o CAA ter uma melhor qualidade no
lançamento, o adensamento, consequentemente, é melhor,
Fonte: TUTIKIAN, 2004. garantindo uma durabilidade maior, se comparado ao
convencional. (TUTIKIAN & DAL MOLIN, 2008).
A tabela 4 refere-se aos resultados do ensaio da caixa- Segundo dados encontrados pelos autores, a quantidade de
L. Seguindo as orientações estabelecidas na NBR 15823-4- finos presente no CAA, pode justificar esse aumento da
2010, o ensaio mede a habilidade passante, sob fluxo resistência.
confinado, através da razão entre as alturas H2 e H1,
conforme a figura 1(c). Módulo de elasticidade

Estado endurecido O CAA possui um volume maior de pasta comparado


ao CC, Devido a isso, é esperado que o valor do módulo de
O CAA, em seu estado endurecido, são submetido a deformação do CAA pode ser menor. (EFNARC, 2005).
ensaios por meio de corpos de prova cilíndricos, na intenção Dentre as características do agregado graúdo que mais
de estudar suas propriedades mecânicas de resistência à influencia o módulo de deformação longitudinal do concreto,
compressão, módulo de deformação estática e resistência à a porosidade aparenta ser a principal, pelo fato de a
tração na compressão diametral, conforme previsto nas porosidade determinar a rigidez do agregado.
Normas Brasileiras NBR-5739-1994, NBR-8522-2003 e Genericamente, quanto maior for a quantidade de agregado
NBR-7222-1994, respectivamente. graúdo com alto módulo de deformação na pasta de concreto,
As propriedades no estado endurecido têm uma maior será o módulo de deformação. Isso se dá para
importância fundamental para os projetos estruturais. concretos constituídos de agregados graúdos de pequena a
Segundo Gomes & Barros (2009), as características média densidade, e em menor proporção que os CC's, com a
do CAA são definidas em suas propriedades no estado fresco, mesma relação a/c (METHA; MONTEIRO, 1994).
porém as propriedades no estado endurecido também devem De acordo com Holschemacher & Klug (2002), o

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CAA possui menor módulo de elasticidade, se comparado a amplamente e de forma crescente. Em grande parte dos
concretos convencionais, devido a apresentar maior países industrializados, considera-se uma exceção um
quantidade de materiais finos e aditivos, como, também, de concreto que não faz uso de aditivos. O grande crescimento
pasta de cimento, que é necessária para a fluidez. Segundo a no uso de aditivos se deve às melhorias físicas e econômicas
análise de um banco de dados, conclui-se que o CAA pode que esse material proporciona ao concreto, possibilitando
chegar a apresentar módulo de elasticidade 20% inferior ao seu uso em condições nas quais se tornaria impossível se não
apresentado por concretos convencionais, que possuam a utilizasse aditivos.
mesma resistência à compressão e mesmos agregados
presentes na mistura. Aditivos minerais

Materiais constituintes/ componentes As adições minerais são materiais finamente moídos,


que são inseridos ao concreto, com o propósito de obter
O concreto convencional dispõe de quatro características específicas. São geralmente utilizados em
componentes básicos: cimento, agregados miúdos e graúdos, grandes quantidades, com a finalidade de reduzir os custos e
e água. O CAA se difere, dado que se somam a esses melhorar a trabalhabilidade do concreto no estado fresco,
materiais dois outros: os aditivos superplastificantes e podendo até melhorar sua resistência à fissuração térmica, à
modificadores de viscosidade (aditivos químicos), e os expansão álcali agregado e ao ataque por sulfatos (MEHTA
materiais finos (aditivos minerais). & MONTEIRO, 1994).
Segundo a Revista Téchne (2008), não existem Coutinho (2011) afirma que as adições mais utilizadas
restrições para os teores dos materiais componentes do CAA, nos concretos são sílica ativa, metacaulim, cinza de casca de
desde que atendam aos requisitos do concreto nos estados arroz, cinza volante, escória de alto forno (adições reativas) e
fresco e endurecido. fíler calcário. Por serem materiais muito finos, elas têm o
A seguir, são apresentadas algumas propriedades e efeito físico de diminuição do volume de vazios, conhecido
características a respeito dos materiais especiais como efeito de “fíler”. Essas adições também possuem efeito
constituintes do CAA. químico de produção de silicato de cálcio hidratado, podendo
substituir considerável parte do cimento. O efeito das adições
Aditivos químicos nas propriedades do concreto depende do seu teor e
reatividade (depende da composição química e da superfície
Os aditivos químicos mais empregados ao CAA são os específica), bem como de sua interação com o cimento e os
superplastificantes, geralmente adicionados para obtenção aditivos utilizados. Elas afetam as propriedades dos
da fluidez e viscosidade necessárias ao concreto. Os concretos tanto no estado fresco quanto no endurecido. No
superplastificantes são aditivos conhecidos como redutores estado fresco, geralmente, os concretos com adições tendem
de água de alta eficiência, por serem capazes de reduzir o teor a ser mais coesos, a ter menos tendência à segregação e à
de água em proporções maiores, se comparados aos aditivos exsudação, e algumas adições (cinza volante e escória de alto
plastificantes (CAMPOS, 2013). forno) tendem a diminuir o calor de hidratação do cimento.
Segundo Neville (1997), os aditivos não são de uso A sílica ativa tem alta reatividade nas primeiras
obrigatório - diferentemente do cimento, os agregados e a idades; permite o aumento das resistências iniciais e finais.
água - , porém são um componente importante, usados Os efeitos do metacaulim e da cinza de casca de arroz na

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resistência do concreto são similares aos da sílica ativa; essas comparação ao CC, como exemplo, a impossibilidade de
três adições são consideradas as mais reativas. A cinza acesso ao local ou dificuldade de vibração. Pode-se citar
volante pode levar à menor resistência do concreto, também, que 14% optaram pelo CAA por vantagens
sobretudo em idades baixas. A escória de alto forno reduz a econômicas que a redução do número de trabalhadores
resistência à compressão em baixas idades e tende a proporciona, ou pelo tempo de construção. Outros 10%
aumentar nas idades mais altas. O fíler calcário difere das escolheram o CAA porque o material é uma inovação.
outras adições, por ser praticamente inerte quimicamente; Relatos afirmam que o CAA foi utilizado para a
reage pouco com a água e com compostos do cimento produção de elementos pré-moldados em Denver, Colorado,
hidratado (COUTINHO, 2011). nos Estados Unidos. Foram testadas diversas peças, como
Com a necessidade do alto teor de finos para a vigas T, pilares, paredes arquitetônicas e outros
produção do CAA, o uso de adições minerais é importante, (TUTIKIAN; DAL MOLIN, 2008).
tendo em vista a contribuição para a diminuição da dosagem A figura 2 representa a ponte Akashi Kaikyo,
do cimento, a redução do calor de hidratação, a previsão localizada no Japão, e inaugurada em 1998. Possui um vão
contra presença de fissuras internas no concreto, e a melhoria livre de 1991 metros, sendo considerada a maior ponte
do comportamento da microestrutura do concreto. Preenche suspensa do mundo. Para sua construção, foram utilizados
os poros de menor escala e aumenta a viscosidade, o que 290.000 m³ de CAA. O concreto foi bombeado em tubos de
reduz a fricção entre os agregados e, consequentemente, 200 metros de comprimento. Houve uma economia de 20%
aumenta a resistência à segregação e/ou exsudação do tempo, e sua execução foi reduzida de 2,5 anos para 2 anos
(CAMPOS, 2013). (PAUMGARTTEN, et.al, 2010).

Utilizações e aplicações Figura 2 –Ponte Akashi Kaikyo.

Como já foi dito anteriormente, o CAA é um material


inovador, sendo uma revolução significativa no mercado da
construção, nas últimas décadas.
Segundo Tutikian & Dal Molin (2008), o CAA pode
ser tão versátil quanto o CC, pois pode ser utilizado tanto
moldado in loco, como na indústria de pré-moldados; pode
ser dosado no canteiro de obras ou em centrais de concreto e Fonte: (PAUMGARTTEN et.al, 2010)
ter o transporte da mesma forma, por meio de caminhão-
betoneira para as construções. Também pode ser lançado No Brasil, poucas obras foram realizadas com o CAA,
com bombas de concreto, gruas ou simplesmente espalhado. devido à falta de estudos e consequente desconhecimento das
Domone (2006) realizou um levantamento das vantagens do material. Sua utilização ocorreu a partir de
publicações que relatavam o uso do CAA de 1993 a 2003. A 1970, apresentando características diferentes, e sendo
primeira aplicação divulgada ocorreu no Japão, em 1990. Foi aplicado apenas em concretagens submersas, como na Ponte
uma concretagem in loco de colunas e paredes de um Rio Niterói e nas paredes diafragmas da Estação São Bento,
edifício. Foi observado que 67% das obras utilizaram o CAA do metrô de São Paulo. Em 2004, surgiram as primeiras
por causa das vantagens técnicas do material, em aplicações de CAA em edificações em cidades como

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Goiânia, Belo Horizonte, Florianópolis e Porto Alegre seja difícil a utilização de vibradores e em fôrmas de peças
(PAUMGARTTEN, et.al, 2010). com grande concentração de armaduras (CAMARGOS,
Segundo Paumgartten et.al. (2010), em Novo 2002).
Hamburgo, RS, a Mosmann Incorporações utilizou o CAA
na execução da estrutura de um edifício residencial a partir Vantagens
do 5º pavimento-tipo, sendo composto por duas torres
justapostas, e um total de 13 pavimentos. Foi verificado que Segundo os autores Fernandez et. al. (2005), a
todos os funcionários tiveram 162 horas livres por andar, tecnologia do CAA permite a redução de 20% do tempo de
utilizadas para agilizar outros serviços. A Revista Téchne concretagem, 66% de redução do número de trabalhadores,
(2008) afirmou que o tempo de concretagem de cada meia uma drástica melhora no acabamento final, eliminação do
laje foi reduzido de 156 horas para 75 horas, e o aumento no barulho de vibração e ganho ambiental, dado que o cimento
custo, de 1,09%, foi vantajoso, devido à produtividade utilizado no CC é substituído em 20% por finos.
gerada. Na região de Belém, foram utilizadas somente De acordo com Camargos (2002), as principais
aplicações de concretagem submersa com concreto auto- vantagens e justificativas para a utilização do CAA são:
adensável, na Ponte do Rio Guamá, representado na figura 3. redução do custo de aplicação por m³ de concreto; excelente
superfície de acabamento; maior liberdade de fôrmas e
Figura 3 – Ponte sobre o Rio Guamá, onde foi utilizado o
dimensões pelo bombeamento em grandes distâncias
CAA em suas estacas submersas.
horizontais e verticais; otimização de mão de obra; maior
rapidez na execução da obra; melhoria nas condições de
segurança na obra; eliminação do barulho na produção;
eliminação da necessidade de espalhamento e de vibração;
redução do custo final da obra, em comparação com o
sistema de concretagem convencional.

Desvantagens
Fonte: (PAUMGARTTEN et.al, 2010).

No estudo de Lisboa (2004), são analisadas como


Segundo a Revista Téchne (2008), para a aplicação do principais desvantagens do CAA a necessidade de mão de
CAA no Metrô de São Paulo foram utilizados 600 m³ nas obra especializada para sua confecção, aplicação e controle
regiões de engaste da laje com as paredes dos poços, sendo tecnológico. Sua aplicação exige mais controle que a do
uma laje de 8.000 m³ de volume. concreto convencional. Na etapa do transporte, em que se
É recomendado o uso do CAA em fundações evita-se a segregação, é preciso um maior cuidado. Além
executadas com hélice contínua, paredes, vigas, colunas, disso, devido utilizar aditivos químicos, o tempo de
paredes diafragmas, estações, reservatórios de água e aplicação do CAA é menor que o do CC.
piscinas, pisos, contrapisos, lajes, pilares, muros, painéis, Diante do exposto, acredita-se que as vantagens
obras com acabamento em concreto aparente, obras de oferecidas pela utilização do CAA são suficientes para
concreto em locais de difícil acesso, em peças pequenas, com relevar as possíveis desvantagens que podem ocorrer. Além
muitos detalhes ou com formatos não convencionais, onde disso, os aspectos negativos citados podem ser controlados, e

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até eliminados, desde que sejam observados os cuidados de utilizar vibração externa, mantendo sua coesão para evitar
especiais (KLEIN, 2008). a segregação do agregado e exsudação”. Devido a testes
realizados e por estudo em pesquisas bibliográficas foi
Custos possível afirmar que sua resistência e seu desempenho pode
ser maior que o CC, devido ao melhor lançamento,
A Revista Téchne (2008) indica que o CAA tem um adensamento, garantindo uma maior durabilidade.
custo unitário 15% mais alto em comparação com o CC. As vantagens apresentadas pelo CAA e as situações
Apesar disso, a análise do custo de produção comprovou que que consegue realizar estão fazendo com que as empresas
o CAA se torna apenas 2% mais oneroso. Isso é devido à hoje procurem cada vez mais o produto. Apesar do produto
redução de mão de obra utilizada, e pela eliminação de apresentar atualmente um valor aproximado de 20% a mais
subetapas de produção. Além disso, existe uma série de no custo, sua aplicação é geralmente 4 vezes mais rápida que
benefícios, já expostos no trabalho. a do CC, além de dispensar uso de vibradores, reduzindo o
Boggio (2000, p.17) afirma que: custo com mão de obra, e outros malefícios dentro de uma
obra.
A necessidade econômica de reduzir custos
na produção, na execução e na manutenção Finalizando, foi dito que: “ O CAA é um concreto que
das obras de concreto (diminuição do já vem sendo muito utilizado nos canteiros de obra, assim
consumo de cimento e da demanda total de
energia) levam a otimizar o processo como o concreto usinado. Os projetistas já estão planejando
produtivo de maneira global com o intuito de
construções com a utilização do CAA, além disso, a
obter um produto de características e
propriedades, uniformes, com desempenho e utilização dos aditivos tem reduzido o custo e aumentado a
durabilidade acordes com as especificações
do projeto e da obra e com custo adequado, às qualidade deste concreto, fato que cada vez mais o deixa mais
possibilidades do mercado consumidor. presente no mercado da construção civil”.

Esses fatos tornam o CAA um material muito CONCLUSÃO


vantajoso para o setor da construção, como já é apontado no
exterior, muito embora o custo da mão de obra no Brasil seja, Com o desenvolvimento da presente pesquisa, foi
comparativamente, ainda muito barato. possível verificar que o concreto autoadensável é uma
evolução tecnológica no mercado cimentício, por ter
Entrevista propriedades que permitem a grande fluidez e alta
trabalhabilidade. Esse resultado deve-se ao uso de aditivos
Após visita à empresa pesquisada, o engenheiro superplastificantes e modificadores de viscosidade, aliado
coordenador respondeu uma entrevista constante no anexo 1, com alto teor de finos.
que foi elaborada com o objetivo de complementar o assunto Sendo assim, após levantamento bibliográfico,
abordado na pesquisa. conclui-se que, devido às propriedades que proporciona o
Segundo o entrevistado, verificou-se, como já concreto autoadensável é um material versátil que ganha
abordado no artigo, que o concreto autoadensável se grande impulso para suprir a demanda do mercado,
diferencia do concreto convencional em vários critérios. O principalmente nas situações específicas para execução das
CAA é um “concreto fluido que se apresenta com um slump estruturas.
elevado e se compacta com seu peso próprio sem necessidade Considerando todas as aplicações, utilizações e

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vantagens descritas durante a pesquisa e os dados segundo os TÉCNICAS. NBR 8522: Concreto - Determinação dos
módulos estáticos de elasticidade e de deformação e da
autores referenciados, é de se esperar que a utilização do
curva tensão-deformação. Rio de Janeiro, 2003.
CAA aumente nos próximos anos, podendo haver até uma
redução no preço dos aditivos, que terá um consequente ALENCAR, R.S.A. Dosagem do Concreto Auto-
Adensável: Produção de Pré-Fabricados. Dissertação de
consumo em maior escala. mestrado, São Paulo, 2008.
Contudo, em países como o Brasil, onde falta mão de
AMBROISE, J.; ROLS, S.; PÉRA, J. Production and
obra qualificada, os materiais que compõem o CAA são mais testing of self-leveling concrete. In: High Performance
caros, e a prática ainda é pouco utilizada, pode levar mais Concrete. CD-ROM, p. 555-565, Gramado, 1999.

prazo para a inserção. Nos países que têm a mão de obra com BOGGIO, A.J. Estudo Comparativo De Métodos De
alto custo, a viabilização econômica é compensada, em razão Dosagem Para Concreto Portland. P.182 Dissertação de
mestrado. Porto Alegre: PPGEC/UFRGS, 2000.
da redução do tempo e do número de trabalhadores
envolvidos no processo. CAMARGOS, U.A. Concreto Auto-Adensável e
Autonivelante. Téchne, São Paulo, n. 59, p. 04-05,
Para pesquisas futuras, sugere-se a realização de um fevereiro 2002.
traço como função de comparativo, para analisar as
CAMPOS, C.A. Aplicação De Concreto Auto-Adensável
diferenças dos componentes utilizados no CAA e no Em Lajes Moldadas In Loco – Estudo De Caso No
convencional; e para complementação da entrevista, devem- Setor De Edificações. Monografia de especialização em
Construção Civil da UFMG. Belo Horizonte, 2013.
se abordar outros engenheiros, buscando aprimorar o
trabalho. CAVALCANTI, D.J.D.H. Contribuição ao Estudo de
Propriedades do Concreto autoadensável visando sua
aplicação em elementos estruturais. Dissertação de
REFERÊNCIAS mestrado em Engenharia Civil - Universidade Federal de
Alagoas. Maceió, 2006.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS COUTINHO, B.S. Propriedades e Comportamento
TÉCNICAS. NBR 15823-2: Determinação do Estrutural do Concreto Auto-Adensável. Dissertação de
espalhamento e do tempo de escoamento - Método do cone mestrado em Engenharia Civil - Universidade Federal do
de Abrams – Parte 2. Rio de Janeiro, 2010. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2011.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS DOMONE, P.L. Self-compacting concrete: an analysis of
TÉCNICAS. NBR 15823-4: Determinação da habilidade 11 years of cases studies. In: Cement & Concrete
passante - Método da caixa L – Parte 4. Rio de Janeiro, Composits, n- 28, p. 197-208, 2006.
2010.
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS Chemicals and Concrete Systems. Specification and
TÉCNICAS. NBR 15823-5: Determinação da viscosidade Guidelines for self-compacting concrete Fevereiro, 2002.
- Método do funil V – Parte 5. Rio de Janeiro, 2010.
EFNARC - European Federation of Specialist Construction
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS Chemicals and Concrete Systems. Specificacion and
TÉCNICAS. NBR 5739: Concreto. Ensaio de compressão Guidelines for Self-Compacting Concrete: Specification,
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS FERNANDEZ, R; LUCIANO, J.; CONSTANT1NER, D.
TÉCNICAS. NBR 7222: Argamassa e concreto. Successful implementation of SCC in a precast operation-
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diametral de corpos de prova cilíndricos. Rio de Janeiro, Symposium on Self- compacting Concrete. Chicago,
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS FURNAS. Concreto – determinação da habilidade de

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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

preenchimento do concreto autoadensável utilizando-se TÉCHNE REVISTA. Concreto auto-adensável -


o cone de Abrams (slump flow test) – método de ensaio. características e aplicação. Revista Téchne, ed. 135, ano
Manual de qualidade, p.1-6, 2004a. 16, junho de 2008.

GOMES, P. C. C.; BARROS, A. R. Métodos de dosagem TÉCHNE REVISTA. Industrialização essencial -


de concreto auto-adensável. São Paulo: PINI, 165p, 2009. aplicação de concreto autoadensável na produção de pré-
fabricados. Revista Téchne, ed. 137, ano 16, agosto de
HOLSCHEMACHER, K; KLUG, Y. A database for the 2008.
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7, p. 123-134, 2002. VIANNA, I. O. D. A. Metodologia do trabalho
cientifico: um enfoque didático da produção cientifica.
KLEIN, N. S. Influência da substituição da areia São Paulo: EPU, 2001.
natural pela areia de britagem no comportamento do
concreto auto-adensável. Dissertação (Mestrado em
Engenharia Civil) - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
LONDRINA, Londrina, 2008.

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utilizando o resíduo de serragem de mármore e granito
e estudo de propriedades mecânicas. 2004. p1-115.
Dissertação – Programa de Pós-graduação em Engenharia
Civil, Universidade Federal de Alagoas, Alagoas, 2004.

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propriedades e materiais. 1.ed. São Paulo: PINI, p.573,
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NETTO, A.A.O. Metodologia da pesquisa científica.


Guia prático para apresentação de trabalhos acadêmicos,
3ed. rev. atual. Florianópolis. Visual Books, 2008.

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PINHEIRO FILHO, A.D.P; GOMES, P.L.S; SILVA
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Materiais Encontrados Na Região De Belém. In: Anais do
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alto-adensáveis. Dissertação de mestrado. Programa de
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experimental para concretos de alto-adensáveis. Tese de
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TUTIKIAN, B. F; DAL MOLIN, D. C. Concreto auto-


adensável. 1°ed. São Paulo: PINI, 140p, 2008.

TÉCHNE REVISTA. Solução fluida. Revista Téchne, ed


132, ano 16, março de 2008.

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ABORDAGEM ESTRUTURAL E GEOTÉCNICA EM UM


PROJETO DE FUNDAÇÃO: UM ESTUDO DE CASO

PEREIRA, Ana Cecília Amaral*; SANTANA, Carlos Emanuel Crispim*; PEREIRA FILHO, Edgar Antunes**
*Discentes do curso de Engenharia Civil das FIPMoc **Docente das FIPMoc

RESUMO

A fundação é o elemento que transmite as cargas de uma edificação ao solo. Toda obra a ser construída necessita de uma
fundação. Para que seu dimensionamento seja feito são necessários estudos geotécnicos, que podem definir qual a alternativa
irá possibilitar a melhor interação da estrutura com o solo. Percebendo a importância do estudo geotécnico em obras de
fundação, o presente estudo tem como objetivo analisar a diferença entre a capacidade de carga geotécnica e estrutural das
estacas no dimensionamento de uma fundação. Através de um estudo de caso em Montes Claros (MG) e de pesquisa
bibliográfica. Os resultados encontrados foram de que o dimensionamento de uma fundação deve contemplar a análise
geotécnica da estratigrafia, tipo de solo, nível d'água e resistência a penetração; a análise da capacidade de carga estrutural das
estaca através das cargas de catálogos obtidas após a definição do tipo de estaca a ser utilizada e a capacidade de carga
geotécnica através do método Aoki e Velloso. Por fim pôde- se concluir que o dimensionamento de uma fundação deve
considerar a carga estrutural das estacas e a carga admissível do solo, devendo adotar o menor valor entre as cargas a fim de
garantir a segurança do elemento mais fraco.

PALAVRAS-CHAVE: Fundação. Estudo Geotécnico. Capacidade de carga. Método Aoki e Velloso.

INTRODUÇÃO Consoli e Schnaid (2008, p. 9), “A ocorrência de patologias


em obras civis tem sido observada e reportada com
A fundação é o elemento de transição entre a freqüência tanto na prática nacional como internacional.»
superestrutura e o solo. A elaboração do projeto deve ser Observando a importância do projeto geotécnico em obras de
baseada na carga estrutural que será submetida e na fundação, o presente estudo tem como objetivo geral analisar
capacidade de carga geotécnica. Devido à diversidade das a diferença entre a capacidade de carga geotécnica e
características físicas do solo, é relevante que seja feito um estrutural das estacas no dimensionamento de uma fundação.
estudo geotécnico para determinação de sua estratigrafia, Nessa perspectiva, o presente estudo também tem, como
classificação, resistência e posição do nível d' água (NBR objetivos específicos, descrever o dimensionamento da carga
6484, 2001, p.01). Sendo assim, haverá parâmetros para a estrutural das estacas, o dimensionamento da capacidade de
escolha do tipo de fundação e seu dimensionamento. carga geotécnica e o levantamento de parâmetros
Fazer o dimensionamento de uma fundação geotécnicos para o método Aoki e Velloso por meio da
considerando apenas a carga estrutural pode comprometer o sondagem de simples reconhecimento à percussão (Standart
comportamento de sua estrutura. De acordo com Milititsky, Penetration Test).
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MÉTODOS aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições,


mediante levantamentos bibliográficos. A pesquisa
Com a finalidade de atingir os objetivos propostos na descritiva tem como objetivo a descrição das características
pesquisa, foi realizado um estudo de caso, em obra na cidade de determinada população ou fenômeno ou, então, o
de Montes Claros - MG, situada no bairro São Luiz. estabelecimento de relações entre variáveis. As pesquisas
Segundo Araújo et al. (2008, p.01), o estudo de caso explicativa tem como objetivo identificar os fatores que
consiste numa abordagem metodológica de investigação determinam ou que contribuem para a ocorrência dos
especialmente adequada quando procuramos compreender, fenômenos.
explorar ou descrever acontecimentos e contextos
complexos, nos quais estão simultaneamente envolvidos RESULTADOS E DISCUSSÃO
diversos fatores.
Para embasamento teórico, será realizado estudo A fundação é o elemento que transmite as cargas de
bibliográfico por meio de artigos científicos e livros. uma estrutura ao solo. Para que seja elaborado um projeto de
Gerhart e Silveira (2009, p. 37, apud FONSECA, fundação, é necessário que sejam consideradas as cargas
2002, p. 32) descrevem: estruturais e a capacidade de carga do solo. As cargas
estruturais serão definidas em projeto estrutural, e a
A pesquisa bibliográfica é feita a partir do
levantamento de referências teóricas já capacidade de carga será definida em projeto geotécnico,
analisadas, e publicadas por meios escritos e mediante investigações geotécnicas.
eletrônicos, como livros, artigos científicos,
páginas de web sites. Qualquer trabalho Milititky, Consoli e Schnaid (2008, p.12), asseveram:
científico inicia-se com uma pesquisa
bibliográfica, que permite ao pesquisador
[...] a fundação é um elemento de transição
conhecer o que já se estudou sobre o assunto.
entre a estrutura e o solo, seu comportamento
esta intimamente ligado ao que acontece com
o solo quando submetido a carregamento
No entendimento de Gil (2008, p.09), a natureza através dos elementos estruturais das
dedutiva da pesquisa se caracteriza: fundações.

O método dedutivo, de acordo com a acepção Na obra em estudo, foram realizados dois projetos de
clássica, é o método que parte do geral e, a
seguir, desce ao particular. Parte de princípios fundação. O primeiro projeto foi dimensionado
reconhecidos como verdadeiros e
considerando apenas as cargas estruturais das estacas e o
indiscutíveis e possibilita chegar a
conclusões de maneira puramente formal segundo considerando as cargas estruturais, a capacidade de
[...].
carga geotécnica e as características e comportamento do
solo.
A forma de abordagem da pesquisa é qualitativa, pois,
Os mesmos autores supra explicam a importância da
segundo Gil (2008, p.176), os dados analisados não se
interação solo/estrutura:
preocupam com a representatividade numérica, centrando-
se apenas na compreensão e explicação da natureza geral de A definição das solicitações deve incluir
considerações referentes ao próprio
uma questão.
comportamento do solo (empuxos, atritos
Quanto aos objetivos, adotou-se a pesquisa descritiva, negativos e outros), e não somente às cargas
permanentes e acidentais provenientes da
exploratória e explicativa. Consoante Gil (2002, p. 41), a superestrutura, as quais existirão ao longo da
pesquisa exploratória tem como objetivo principal o construção [...].

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Para fins de estudo do comportamento do solo e (especializada em estudos geotécnicos e execuções de


definição da capacidade de carga geotécnica, foi elaborado o fundações especiais - fundações profundas).
projeto geotécnico em que se onde utilizou o método Aoki e Para realização da sondagem à percussão, a empresa X,
Velloso, por meio da sondagem de simples reconhecimento à responsável pela execução do estudo, utilizou as normas
percussão. técnicas NBR 6484 e NBR 8036.
De acordo com Milititsky, Consoli e Schnaid (2008, A NBR 6484 (2001, p. 01) prescreve o método de
p.27), "Na medida em que o solo é o meio que vai suportar as execução da sondagem à percussão e suas finalidades em
cargas, sua identificação e a caracterização de seu obras de engenharia civil. A NBR 8036 (1983, p. 01) fixa às
comportamento são essenciais [...]." condições exigíveis na programação da sondagem à
Conforme apresentado acima, a interação percussão destinada a elaboração de projetos geotécnicos
solo/estrutura é fundamental em obras de fundação. para obras de construção de edifícios. Ela define o número de
Considerar apenas as cargas estruturais em um projeto de sondagens a serem executadas, sua localização e
fundação poderá comprometer a integridade de toda a profundidade.
estrutura. Hachich et al (1998. p.119) definem: "A sondagem à
Milititsky, Consoli e Schnaid (2008, p. 28) aduzem percussão é um procedimento geotécnico de campo, capaz de
que "[...], em mais de 80% dos casos de mau desempenho de amostrar o subsolo. Quando associada ao ensaio de
fundações de obras pequenas e médias, a ausência completa penetração dinâmica (SPT), mede a resistência do solo ao
de investigações é o motivo da adoção de solução inadequada longo da profundidade perfurada."
[...]." A sondagem a percussão tem como finalidade
Por esse motivo, devem-se fazer as investigações reconhecer as características do subsolo. Por meio dela
geotécnicas em obras de fundação, para que a mesma não obtém-se a estratigrafia do solo (camadas do solo), sua
haja um mau dimensionamento. classificação, a resistência à penetração e a posição do nível
d'água (quando for encontrado). (NBR 6484, 2001, p.01).
Obra O índice de penetração dinâmica (N) é obtido por
meio da cravação do amostrador, usando um martelo de 65
O estudo de caso foi realizado em obra de construção kg, caindo em queda livre a 75 cm de altura. Seu valor é
de um edifício residencial/comercial na cidade de Montes obtido pelo número de golpes necessários a penetração dos
Claros - MG, com área de projeção de 380 m², constituído de últimos 30 cm. (NBR 6484, 2001, p. 13).
05 pavimentos, sendo 01 pavimento térreo com uma loja Ao final da investigação geotécnica SPT, a empresa
comercial, 04 pavimentos residenciais com quatro responsável forneceu os resultados por meio de relatórios
apartamentos por andar, e uma garagem subterrânea. numerados, datados e carimbados pelo responsável técnico
pelo trabalho, perante o Conselho Regional de Engenharia e
Sondagens de simples reconhecimento à percussão - SPT Agronomia (CREA).
As figuras 01 (a) e (b) representam dois dos três perfis
Em 05/12/2015, procedeu-se a campanha de de sondagem à percussão (SPT) executados e apresentados
investigação geotécnica na obra em estudo, para se obterem em relatório pela empresa responsável pelo serviço.
parâmetros geotécnicos para o dimensionamento do projeto Mediante o perfil de sondagem, é possível detectar a
de fundação. A investigação foi elaborada pela empresa X estratigrafia do subsolo e sua classificação, a posição do

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d'agua e a resistência à penetração. Primeiro projeto de fundação sem considerações


geotécnicas
FIGURA 01: (a) Sondagem à percussão - sp01 e (b)
sondagem à percussão - sp02
No dia 26/02/2016, o proprietário da obra procura a
empresa X para a execução do projeto de fundação elaborado
por seu engenheiro, representado pela figura 02.

FIGURA 02: Primeiro projeto de fundação

a) b)
Fonte: (EMPRESA X, 2015, p.01 - 02).

De acordo com a NBR 8036 (1983, p. 01), o número


de sondagens a serem executadas em uma obra está
relacionado ao tamanho da área de projeção da edificação.
Para áreas de projeção entre 200 m² a 400 m², o número
mínimo exigido é de 03 furos de sondagem. Conforme a Fonte: (ENGENHEIRO CIVIL, 2015, Folha 01/07).
norma foram executados 03 furos de sondagens à percussão.
Quanto à realização da sondagem à percussão a NBR O primeiro projeto representado pela figura 02 definiu
8036(1983, p.02) define que, "A exploração deve ser levada a a fundação como profunda, do tipo escavada a trado
profundidades que incluam todas as camadas impróprias ou mecanizado, sem a utilização de fluidos estabilizantes, onde
que sejam questionáveis como apoio de fundações, de tal seriam executadas 52 estacas com diâmetro de 60 cm e
forma que não venham a prejudicar a estabilidade e o profundidade estimada de 06 metros.
comportamento estrutural.» Durante a análise técnica realizada pela empresa X
Dos três perfis elaborados, foram utilizados apenas para elaboração da proposta comercial, o setor de engenharia
dois para o dimensionamento do segundo projeto, uma vez julga o projeto inexequível em termos técnicos.
que apresentam características mais frágeis. A figura 01 (a) O projeto não estava em conformidade com a NBR
demonstra a menor resistência à penetração; a figura (b) 8044 (1983, p.01), que fixa as condições exigíveis a serem
demonstra a maior estratigrafia. observadas e aplicadas no desenvolvimento do projeto

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geotécnico em obras de fundação, principalmente em obras de material, mão de obra e mobilização, o proprietário
de engenharia civil, onde à interação estrutura/terreno é percebeu a necessidade da abordagem geotécnica nos
relevante para seu desempenho; nem com a NBR 6122 projetos de fundação. Diante disso, solicitou a empresa X a
(2010, p.01), fixa que um projeto de fundação deve ser contratação de um projeto geotécnico de fundação no dia
dimensionado a partir das cargas estruturais e capacidades de 01/03/2016. Projeto este dimensionado conforme a NBR
cargas geotécnicas. 8044 e NBR 6122.
A empresa X não realiza serviços desaprovados pelo
FIGURA 03: Perfuratriz hidráulica para escavação de
setor de engenharia. Ciente dos problemas, o proprietário da
estacas a trado mecânico sem fluido estabilizante.
obra insiste em executar o projeto. A empresa, então, fornece
o aluguel do maquinário, com a condição de que estaria
isenta da responsabilidade técnica, já que não estava de
acordo com o projeto e sua execução.
O primeiro projeto, representado pela figura 02, foi
elaborado considerando apenas as cargas estruturais das
estacas. Não levou em consideração as características
geotécnicas do subsolo, definidas na sondagem à percussão.

Metodologia executiva do primeiro projeto

A metodologia executiva escolhida pelo primeiro


projeto foi a de estaca escavada.
Hachich et al (1998, p. 265) definem que "As estacas
escavadas são aquelas executadas 'in situ' através da
perfuração do terreno por um processo qualquer, com
Fonte: (Autores, 2016).
remoção de material, com ou sem revestimento, com ou sem
a utilização de fluido estabilizante.» Patologias em obras de fundação
A figura 03 é uma foto retirada in loco no momento
que em se deu início à perfuração das estacas. São inúmeros os tipos de patologias em obras de
Esse tipo de estaca é executado a partir de uma fundação. Elas podem estar relacionadas a diversos fatores,
escavação prévia feita no terreno por um trado helicoidal como s referidos por Milititsky, Consoli e Schnaid (2008, p.
mecânico, onde, posteriormente, é feita a concretagem in 56): o solo, a estrutura de fundação, o desconhecimento do
loco. Essa solução é restrita a perfurações acima do nível do comportamento real da fundação e as especificações
lençol freático. (HACHICH et al,1998, p. 342). construtivas.
Durante o período de aluguel do maquinário após a
mobilização dos equipamentos, compra e montagem das São inúmeros os problemas originados na
etapa de análise e projeto envolvendo o
ferragens, foi percebido, em canteiro, que a tecnologia comportamento do solo. A avaliação de
adotada era realmente inexequível. desempenho e a estimativa de parâmetros de
projeto devem ser feita por profissionais
Diante da impossibilidade de execução e dos prejuízos especializados e experientes.

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Ao se realizar o dimensionamento do primeiro projeto presença de água, resultando elementos com defeitos [...].»
de fundação, não foi considerado o comportamento do solo, De acordo com Silva (1993), em 318 obras de pequeno
tornando-o inexecutável. porte no Rio Grande do Sul, foi constatado que 34,5% dos
Milititsky, Consoli e Schnaid (2008, p.65) ainda casos patológicos são decorrentes da não investigação do
aduzem que: subsolo ou má interpretação dos resultados, 15,9% na
execução, 20,7% na análise e projeto e 28,9% após
Obtenção por correlações com ensaios de
penetração, de valores de capacidade de carga conclusão.
de fundações profundas sem observar As patologias em obras de fundação são frequentes
números limites para atrito lateral e
resistência de ponta, pela extrapolação para independentemente etapa em que elas ocorrem. Percebe-se
valores elevados ou profundidades dos
que a grande maioria decorre da não investigação geotécnica
elementos de fundação impossíveis de serem
atingidos. Os resultados são incompatíveis adequada do subsolo; esse fator acaba interferindo em todas
com os reais e provocam o mau
comportamento das fundações submetidas a as outras etapas. Assim, os cálculos de um projeto de
cargas mais elevadas, superiores àquelas que fundação adequado deve considerar a interação do solo com
podem ser transferidas ao solo.
a estrutura, caso contrário o projeto ficará mau
dimensionado, podendo comprometer o bom funcionamento
A figura 04 representa uma patologia ocorrida na obra
de toda a estrutura.
em estudo.

Projetos geotécnicos
FIGURA 04: Patologia encontrada in loco
O projeto geotécnico é um conjunto de documentos,
análise e interpretações obtidas mediante os estudos
geotécnicos, capazes de permitir o dimensionamento das
obras. Os tipos de estudos geotécnicos a serem utilizados
serão definidos de acordo com a necessidade de se buscarem
parâmetros para o dimensionamento adequado da estrutura.
(NBR 8044, 1983, p.03 - 04).
O projeto geotécnico deve ser desenvolvido por meio
de estudos nos quais serão pautados os possíveis tipos de
Fonte: (Autores, 2016). fundação, escolhendo a opção que melhor possibilita a
interação entre a estrutura, a fundação e o terreno, de modo a
Na tentativa de execução do primeiro projeto, se obter o melhor desempenho das fundações como suporte
encontrou-se uma patologia decorrente da escolha da estrutura. As investigações geotécnicas devem ser
inadequada da fundação face ao comportamento específico suficientes para fornecer todos os parâmetros necessários
do solo. Pode-se perceber claramente a presença de água na para o dimensionamento da fundação. (NBR 8044, 1983,
estaca escavada, impossibilitando a execução. p.20).
Diante disso Milititsky, Consoli e Schnaid (2008,
p.57) alertam sobre "Adoção de fundações inadequadas face Projetos de fundação
ao comportamento específico do solo: estacas escavadas sem
qualquer tipo de cuidado especial em solos estáveis ou em Um projeto de fundação é elaborado a partir das
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solicitações ou cargas de projeto e das investigações Segundo projeto de fundação com considerações
geotécnicas. Todo projeto deve constar a memória de geotécnicas
cálculo, desenhos executivos e informações técnicas
necessárias para o entendimento e execução da obra. (NBR No dia 07/03/2016, a empresa X entrega o projeto de
6122, 2010, p.04). fundação ao proprietário da obra, representado pela figura
O projeto de fundação deverá atender os seus 05, para que ele possa fazer todos os ajustes e compras dos
requisitos básicos, quais sejam: deformações aceitáveis materiais a serem utilizados na nova execução de sua
(corresponde a verificação de um estado limite de serviço), fundação.
segurança adequada ao colapso do solo e ao colapso dos
elementos estruturais (corresponde a verificação dos FIGURA 05: Segundo projeto de fundação

estados-limites últimos). Os estados limites últimos


representam os mecanismos que conduzem ao colapso da
fundação, e o estado limite de serviço representa os
mecanismos que conduzem as deformações e fissuras.
(HACHICHet al,1998, p. 212).
Há diversos esforços atuantes sobre os elementos de
fundação: atrito negativo, carregamentos laterais e empuxo
da terra. Esses esforços, quando assimétricos, influem na
estabilidade da estrutura. (NBR 6122, 2010, p.13).
O projeto de fundação deve considerar a interação
solo/estrutura; considerar apenas as cargas estruturais pode
Fonte: (EMPRESA X, 2016, Folha 01/01).
interferir na integridade da estrutura.
A NBR 6122 (2010, p.24) assevera: “A grandeza O segundo projeto, representado pela figura 05, de
fundamental para o projeto de fundações profundas por fundação utilizada na obra, foi elaborado considerando as
estacas é a carga admissível [...]." cargas estruturais das estacas, a capacidade de carga
Para a determinação da carga admissível é necessário geotécnica e as características e comportamentos do subsolo.
que sejam consideradas as características geomecânicas do A carga estrutural das estacas (carga de catálogo) foi definida
solo e suas eventuais alterações, posição do nível d'água, de acordo com o material das estacas. A capacidade de carga
alívios de tensões, atritos negativos e esforços horizontais geotécnica foi definida pelo método Aoki e Velloso, por meio
devidos a carregamentos assimétricos, geometria do do levantamento de parâmetros geotécnico (sondagem de
elemento de fundação e os recalques admissíveis. (NBR simples reconhecimento à percussão).
6122,2010, p. 25). O projeto definiu a fundação como profunda, do tipo
A determinação da carga admissível poderá ser feita cravada por meio do bate-estaca à percussão. Foi definida a
por prova de carga ou por meio de cálculos por métodos cravação de 94 estacas metálicas do tipo TR68, com
teóricos ou semiempíricos, em que as propriedades do solo profundidade estimada de 12 metros.
serão obtidas mediante as investigações geotécnicas.
Capacidades de cargas

A capacidade de carga de um elemento de fundação


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um valor correspondente a uma máxima resistência que o formas: localizada ou generalizada.


sistema pode oferecer em termos geotécnicos. (CINTRA; A capacidade de carga de ruptura é definida por
AOKI, 2010.p.12). Marangon (2009, p. 180) como a carga limite a partir da qual
a fundação provoca ruptura no terreno e se desloca
FIGURA 06: Parcelas de resistência que constituem a
sensivelmente (ruptura generalizada) ou excessivamente
capacidade de carga
(ruptura localizada), podendo provocar a ruína da estrutura.

Carga de Catálogo (Carga estrutural da estaca)

A carga de catálogo (Pe) é um tipo de verificação do


estado limite último que contempla exclusivamente o tipo da
estaca, sem considerar os aspectos geotécnicos. A carga de
catálogo é a tensão admissível do material da estaca
multiplicada pela a área da seção transversal do fuste.
(CINTRA; AOKI, 2010, p.43).

Tabela 01: Carga de Catálogo estacas de aço

Fonte: (CINTRA; AOKI, 2010.p.12).


Fonte: Adaptado de:(GRUPO A FERRO&METAL, 2012,
p.3).
A figura 06 representa a capacidade de carga (R),
sendo uma carga que irá resistir às tensões laterais ou A tabela 01 representa a carga de catálogo das estacas
resistência por atrito lateral (Rl) e a resistência de ponta (Rp). de aço, onde percebe-se a distinção dos valores de acordo
A capacidade de carga é igual a soma da resistência lateral com cada tipo de perfil. A carga varia em função da seção
com a resistência de ponta. transversal do fuste e do tipo de estaca.
Cintra e Aoki (2010, p.14) asseveram:"[...] Cada
elemento de fundação por estaca oferece uma capacidade Capacidade de carga geotécnica pelo método Aoki e
para resistir a cargas verticais até o limite da condição Velloso
representada pela ruptura iminente, a chamada capacidade de
carga ( R).» Esse método faz a correlação entre os resultados dos
De acordo com Marangon (2009, p. 179), ao se ensaios de penetração estática e dinâmica (SPT).
determinar a capacidade de carga, devem-se considerar duas (MARANGON, 2009, p. 50).
condições de comportamento da estrutura: a ruptura e a De acordo com Aoki e Velloso (1975 apud
deformação. A ruptura pode ser caracterizada de duas MARANGON, 2009, p.50) as correlações estabelecidas para

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os solos brasileiros entre o N (índice de penetração dinâmica) Os valores referentes aos coeficientes de transformação F1 e
e a resistência unitária de ponta Rp em Kgf/cm² são F2 poderão ser encontrados na tabela 02, e os coeficientes α e
calculadas a partir da seguinte fórmula: K poderão ser encontrados na tabela 03.

Rp = K * N (01) Tabela 02 - Coeficientes de transformação F1 e F2

Para a resistência unitária de ponta por atrito lateral,


adotaram-se as correlações estabelecidas por Begemann
(1965 apud MARANGON, 2009, p. 50).
Fonte: (ALONSO, 1983, p. 310).
R1 = a * Rp (02)
Os coeficientes F1 e F2, conforme indicado na tabela
Para Marangon (2009, p.51), partindo dessas 02, serão selecionados de acordo com o tipo de estaca a ser
correlações, podem-se estimar parâmetros correspondentes executada.
para uma estaca mediante a expressão:
Tabela 03 - Coeficientes α e K
Rp (03)
R' p =
F1
R1
R'1 = (04)
F2

A fórmula geral para o cálculo de capacidade geral de


carga segundo Aoki e Velloso (1975 apudKAFFER, 2011,
p.22) é:

K * Np U
R= . * Ap + * S1n (a * k * Nt * Dl ) (05)
F1 F2

Em que:
R = capacidade de carga;
K = coeficiente para cada tipo de solo;
Np = índice de resistência à penetração na cota de apoio;
n = número de camadas do solo; Fonte: (VELLOSO; LOPES, 2010, p.310).
Ap = área da seção transversal da ponta;
U = perímetro da seção transversal do fuste; Os coeficientes α e K, conforme indicados na tabela

Nt = índice de resistência a penetração na cota de resistência 03, serão selecionados de acordo com a classificação do solo.

lateral;
Carga Admissível
α = coeficiente devido ao tipo de solo;
∆l = espessura da camada do solo com resistência lateral.
A carga admissível (Pa) é a maior carga transmitida pela
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fundação que o terreno admite com adequada segurança e a utilização do método Aoki e Velloso para o cálculo da
sofrendo deformações compatíveis com a estabilidade da capacidade de carga geotécnica.
estrutura aos deslocamentos da fundação.
FIGURA 06: Dimensionamento da capacidade de carga
(MARANGON,2009.p. 50).
elaborado no segundo projeto
A determinação da carga admissível (Pa) constitui-se
de uma verificação do estado- limite último na análise da
segurança da fundação. Segundo Cintra e Aoki (2010, p. 41),
a fórmula para carga admissível é:

(06)

Em que:
Pa = Carga admissível
R = Capacidade de carga média
Fs = Fator de segurança
O valor do fator de segurança a ser utilizado é 2,
quando a capacidade de carga é calculada por método
semiempírico.
Fonte: (EMPRESA X, 2016, p.01).
Após a determinação da carga admissível (Pa) e a
carga de catálogo (Pe) deve-se adotar o menor deles, para
De acordo com a figura acima, verifica-se a utilização
garantir segurança ao elo mais fraco do sistema (elemento
dos parâmetros geotécnicos obtidos pela sondagem à
geotécnico e elemento estrutural). A carga admissível (Pa)
percussão e a utilização do método Aoki e Velloso para o
deve ser menor que ou igual a carga de catálogo (Pe).
cálculo da capacidade de carga geotécnica.
(CINTRA; AOKI,2010, p.43).
Considerar apenas a carga catálogo pode ocasionar o
Metodologia executiva do segundo projeto
mau dimensionamento da estrutura, podendo acarretar
recalques incessantes das estacas. (CINTRA; AOKI, 2010,
No dia 20/04/2016, a empresa X mobiliza seus
p.43).
equipamentos para a cravação das estacas, desta vez sendo a
Cintra e Aoki (2010, p.43) certificam:
responsável técnica pela execução do serviço.
A estaca (elemento estrutural) não é
necessariamente o elo mais forte. Podemos FIGURA 07: Execução de cravação de estaca metálica
ter estacas apoiada em material muito com bate-estaca à percussão
resistente ou estaca demasiadamente longa,
de maneira tal que a resistência geotécnica
seja superior à estrutural.

A figura 06 é o cálculo utilizado no dimensionamento


do segundo projeto de fundação utilizado na obra.
De acordo com a figura, verifica-se a utilização dos
parâmetros geotécnicos obtidos pela sondagem à percussão e Fonte: (Autores, 2016).
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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

As estacas metálicas são fornecidas prontas e são Entretanto, sugerem-se estudos futuros de
cravadas no solo por meio do equipamento denominado bate- comparativos financeiros da execução de uma fundação,
estaca, conforme a figura 07. A cravação se dá pela queda do com as investigações geotécnicas e sem as investigações.
martelo. (NBR 6122, 2010, p.41).
Conforme a NBR supracitada, a escolha do método de REFERÊNCIAS
cravação deve ser feita de acordo como o tipo de estaca
ALONSO, Urbano Rodrigues. Exercícios de Fundações.
metálica e suas dimensões, as características do subsolo, as 2ª ed. São Paulo: Blucher,2010. 197 p.
condições de vizinhança e as características do projeto.
ARAÚJO, Cidália et al. Estudo de Caso.Métodos de
No dia 25/05/2016, foi finalizada a execução da Investigação em Educação. Instituto de Educação e
fundação. Psicologia, Universidade do Minho, 2008. 04 p. Disponível
em < http://grupo4te.com.sapo.pt/estudo_caso.pdf>.
Acesso em: 07abr. 2016.
CONCLUSÃO
ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS
TECNICAS. NBR 6122: Projeto e execuções de
A fundação, sendo um elemento de interação entre a fundações. Rio de Janeiro, 2010. 74 p.
estrutura e o solo, deve transmitir as cargas da edificação à ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS
camada de solo mais resistente, a fim de evitar rupturas TECNICAS. NBR 6484: Solo - Sondagens de simples
reconhecimento com SPT - Método de ensaio. Rio de
localizadas na estrutura. Então, para elaboração de um Janeiro, 2001. 17 p.
dimensionamento adequado da fundação a ser utilizada, deve
ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS
ser feita uma correta investigação geotécnica e interpretação TECNICAS. NBR 8036: Programação de sondagens de
dos resultados, para que se consiga definir a maior carga da simples reconhecimento dos solos para fundações de
edifícios. Rio de Janeiro, 1983. 03 p.
fundação que o terreno admite, sem sofrer deformações
incompatíveis com a estabilidade da estrutura. ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS
TECNICAS. NBR 8044: Projeto geotécnico.Rio de
Logo, de acordo com o estudo de caso, projetar uma Janeiro, 1983.58 p.
fundação considerando apenas a carga estrutural afeta o
CINTRA, José Carlos A; AOKI, Nelson. Fundações por
comportamento da estrutura, causando patologias. As estacas: projeto geotécnico. 1.ed.São Paulo: Oficina de
patologias encontradas em obras de fundação são, em grande Textos, 2010. 96 p.
maioria, devido a não investigação do subsolo ou a
EMPRESA X. Dimensionamento geotécnico. 2016. Folha
investigação inadequada, gerando, assim, um mau 01.
dimensionamento do projeto de fundação.
EMPRESA X. Projeto de Fundações. 2016. Folha 01.
Por fim, pode-se concluir que o dimensionamento da
fundação deve levar em consideração a capacidade de carga EMPRESA X. Relatório de Sondagem à percussão.
Montes Claros. 2016. 03 p.
estrutural das estacas e a carga admissível do solo.
Considerar apenas a carga estrutural pode levar as estruturas ENGENHEIRO CIVIL. Projeto Estrutural. 2015. Folha
07.
a recalques; e considerar apenas a carga admissível pode
levar o elemento de fundação a patologias em sua estrutura. FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa cientifica.
Fortaleza: UEC, 2002. Apostila.In GERHARDT, Tatiana
O dimensionamento deve adotar os menores valores entre a Engel; SILVEIRA, Denise Tolfo.Métodos de Pesquisa. 1.
carga estrutural e a carga admissível; assim, garante a ed.Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.114 p.
segurança do elemento mais fraco. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de

81
REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

pesquisa.4. ed. São Paulo: Editora Atlas S.A, 2002. 176 p.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa


Social. 6. ed. São Paulo: Editora Atlas S.A, 2008. 200 p.

GRUPO A FERRO&METAL.Informativo técnico: Trilho


Estaca. 2012. 04 p. Disponível em:
<http://www.ferroemetal.com.br/wp-
content/uploads/2012/12/informativo-tecnico.pdf >.
Acesso em: 10 jun. 2016.

HACHICH, Waldemar et al. Fundações: Teoria e prática.


2. ed. São Paulo: PIni, 1998. 755 p.

KAFFER, Alexandre. Estudo comparativo entre


resultados de provas de cargas e métodos semi
empíricos de dimensionamento de estacas escavadas do
tipo rotativa a céu aberto. 2011. 126 p. Trabalho de
conclusão de curso.Curso de Engenharia
Civil,Universidade Federal de Santa Cruz do Sul.
Disponível em: < http:// www.unisc.br.br/ portal /
upload/com_arquivo/tcc-estacas-escavadas.pdf>.Acesso
em :13 maio.2016.

MARANGON, Marcio. Geotécnia de Fundações. 2009.


145 p.Apostila.Departamento de transporte e
geotécnia,Universidade Federal de Juiz de Fora.Disponível
em:<http://www.ufjf.br/nugeo/files/2009/11/GF06-
CapCargaProf-por-meio-SPT-2009.pdf>.Acesso em:
13maio. 2016.

MILITITSKY, Jarbas; CONSOLI, Nilo Cesar; SCHNAID,


Fernando. Patologia das Fundações. 1. ed. São Paulo:
Oficina de Textos, 2008. 199 p.

SILVA,Denise Antunes da. Levantamento de problemas


em fundações correntes no estado do Rio Grande do
Sul.1993. 126 p. Dissertação ( Mestrado em Engenharia
Civil) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 1993.

VELLOSO, Dirceu de Alencar; LOPES, Francisco de


Rezende. Fundações: Critérios de Projeto, Investigação
do Subsolo, Fundações Superficiais, Fundações
Profundas.1.ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. 568
p.

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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

Arquitetura como Arte


A aplicação do “design” em todos os conceitos de arte.
Com essa visão, Cleiton de Oliveira Santos mergulhou no
ramo arquitetônico. Para ele, encher os olhos do cliente
pela beleza é o diferencial do Villa Arquitetura – empresa
adquirida recentemente pelo arquiteto formado nas
FIPMoc. Hoje, ele prova que o casamento da técnica
com a arte dá certo e, tudo isso, graças à experiência
como acadêmico. Conheça um pouco mais do montes-
clarense, de 35 anos, que quer fazer diferente nesse
universo imobiliário.

REAGE - Há quanto tempo está trabalhando na REAGE - Quais são as possibilidades que o Villa
área da arquitetura? Arquitetura oferece aos clientes?

Cleiton - Há dez anos envolvido na área em alguns Cleiton - O VILLA ARQUITETURA busca a
escritórios. Mas, profissionalmente e como proprietário arquitetura como arte, através da concepção da forma
do meu próprio negócio, há oito meses. como ponto principal da identidade do objeto
arquitetônico. Explorar uma prática que possa
REAGE - Você comprou o escritório Villa
envolver o espectador/usuário na busca de experiência
Arquitetura. Conte-nos um pouco sobre o
da percepção dos sentidos na arquitetura pela
empreendimento e como foi a sua decisão em
compreensão e envolvimento da forma construída
adquirir a empresa.
como usuário.
Cleiton - O primeiro passo foi saber que o VILLA
REAGE - Durante esse tempo, qual trabalho
ARQUITETURA já tinha uma história e uma atuação
concluído deixou você mais realizado como
no mercado da arquitetura da cidade e região. A decisão
profissional?
veio a partir de uma visita ao escritório, onde
simpatizamos com o espaço e sua localização. Outro Cleiton - Um empreendimento de uma construtora no
condicionante foi buscar, logo após a minha formação, qual foram analisadas licitações, e o grande passo foi
um local para começar a mostrar meu trabalho ao como oferecer algo diferente, econômico,
mercado. planejamento do projeto nas suas etapas e entrega.

REAGE - Quais são suas especialidades no ramo da REAGE - Como você vê hoje, sua formação pelas
arquitetura? FIPMoc?

Cleiton - Trabalhamos com projetos residenciais, Cleiton - Sempre tive o desejo na área da arquitetura, a
design de interior, projetos de pânico e incêndio, qual é vinculada a artes. Dessa forma, fui em busca da
confecção de maquetes físicas para outros escritórios e concretização e realização deste sonho, que veio
construtoras, e uma galeria de artes plásticas no próprio através da FIPMoc, onde foi concretizado meu ensino
espaço. com uma equipe de professores qualificados e
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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

atuantes na arquitetura com toda infraestrutura:


biblioteca, laboratórios atualizados no ensino, etc.

REAGE - Quanto às aulas práticas, laboratórios e


demais estruturas, como você recorda, aplicando
quase tudo no contexto profissional?

Cleiton - A metodologia de ensino nas aulas práticas e


teóricas vieram me proporcionar conhecimentos na
arquitetura, que hoje são aplicados à minha vida
profissional, de forma direta, em gestão dos projetos e
sua concretização.

REAGE - Você tem algum conselho para o


acadêmico de Arquitetura que está prestes a entrar
no mercado de trabalho?

Cleiton - Que valorize sua formação, que possa investir


em um ambiente de trabalho e continue estudando,
buscando conhecimento e novidades, pois um escritório
vai proporcionar um crescimento e experiência na área.
Além disso, é preciso se dividir vida profissional e
social. Precisamos ter amor com o que fazemos.

REAGE - E ao estudante que pretende cursar


Arquitetura, o que tem a dizer?

Cleiton - Que lute por este sonho da formação


acadêmica sem olhar para as dificuldades. Pergunte
sempre a si mesmo o que o mercado vai te oferecer no
futuro. A resposta está no seu esforço e na sua disciplina.
Após essa jornada, ofereça seu conhecimento ao
mercado da arquitetura, com empreendimento e
inovação, proporcionando qualidade e segurança ao
cliente.

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REAGE - Revista de Engenharia, Arquitetura e Gestão. Montes Claros, MG, n. 4, Ano 2017 - ISSN 2359-4519

Numa aula experimental de física, o professor utilizou


como materiais duas pilhas de 1,5 V cada uma, duas
lâmpadas incandescentes idênticas, um amperímetro e
um conjunto de fios. Para efeito dos cálculos, sugeriu
que se desprezasse a resistência interna das pilhas e a
resistência dos fios. Quando apenas uma das lâmpadas
foi ligada às duas pilhas em série, calculou-se uma
potência de consumo de 0,45 W. A seguir, o professor
pediu a um aluno que montasse uma ligação qualquer e
avaliasse o comportamento do circuito a partir dos
resultados. O aluno, então, fez a ligação mostrada a
seguir:

Ao final, o aluno concluiu que a corrente no


amperímetro e em cada lâmpada eram,
respectivamente:

a) 0,30 A e 0,30 A.

b) 0,30 A e 0,15 A.

c) 0,15 A e 0,15 A.

d) 0,15 A e 0,075 A.

e) 0,075 A e 0,075 A.

Resposta: D

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DIRETRIZES PARA SUBMISSÃO DE ARTIGOS

DIRETRIZES PARA SUBMISSÃO DE ARTIGOS PARA A REAGE


– REVISTA DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E GESTÃO
1 2
ÚLTIMO SOBRENOME, Nome do Autor1 ; ÚLTIMO SOBRENOME, Nome do Autor2
1
dados do autor 1; 2dados do autor 2

RESUMO Os artigos devem ser originais, compreendendo


relatos de caso, revisões sistemáticas e narrativas, não
O propósito destas diretrizes é descrever como você sendo aceita submissão simultânea a outras
deve preparar seu artigo para a REAGE – Revista de publicações.
Engenharia, Arquitetura e Gestão. As orientações estão Os tópicos seguintes irão tratar de estrutura do artigo
divididas nos seguintes tópicos: Introdução; Ética e e layout da página, considerações sobre direitos autorais
legalidade; Estrutura do artigo e layout da página; e, finalmente, de instruções sobre como enviar a
Considerações sobre direitos autorais; e Instruções proposta.
sobre como enviar a proposta. Você deverá segui-las a
fim de que possamos considerar seu artigo para ESTRUTURA E FORMATAÇÃO DO ARTIGO
publicação. Leia este documento cuidadosamente. Caso
seu artigo não esteja de acordo com as diretrizes, ele não Esta seção, visando tornar mais fácil o processo,
poderá ser publicado. Não hesite em nos contatar apresenta orientações quanto à estrutura e formatação
(reage@fip-moc.edu.br) se as diretrizes apresentadas de seu artigo, tais como:
aqui não estiverem suficientemente claras. Esperamos Em relação à estrutura, seu artigo deverá estar
em breve receber sua proposta. organizado da seguinte maneira:

Palavras-chave: Diretrizes. Submissão. Artigo. · Título


· Autor (es)
INTRODUÇÃO · Identificação dos autores
· Resumo e Palavras-chave (português)
Agradecemos por seu interesse em publicar na · Manuscrito (Introdução, Método,
REAGE. Este documento tem como objetivo auxiliá-lo Resultados, Discussão e Conclusão)
na preparação do artigo que nos será submetido. É · Referências
importante que você siga as orientações aqui contidas
para que possamos considerar seu trabalho para Título do artigo
publicação. Use caixa-alta (letra maiúscula) apenas para a
A REAGE somente aceita submissões online. Você primeira letra do título do artigo, observando-se,
deverá inicialmente se cadastrar no sistema todavia, a peculiaridade de palavras nas quais o uso de
(http://www.fip-moc.edu.br/reage). Concluído o caixa-alta e caixa-baixa (letras maiúsculas e
cadastro, você poderá, utilizando seu login e senha, minúsculas) se fazem gramaticalmente necessários (por
submeter trabalhos, bem como acompanhar o processo exemplo, nome de pessoas, cidades etc.).
editorial em curso.
Cada artigo será lido por no mínimo, dois Nome(s) e Identificação do(s) autor(es)
pareceristas. O(s) nome(s) do(s) autor(es) será/serão O(s) nome(s) do(s) autor(es), bem como seus dados
omitido(s) quando enviado(s) aos pareceristas, (identificação), deve(m) ser cadastrado(s) durante o
assegurando o anonimato dos trabalhos em julgamento. processo de submissão do artigo no portal da revista. Se
Você será prontamente notificado, por e-mail da decisão o artigo tiver mais de um autor, o procedimento é clicar
dos pareceristas. Como mencionado anteriormente, em INCLUIR AUTOR e preencher os campos.
você também poderá acompanhar o andamento de seu O(s) nome(s) do(s) autor(es) deve(m) ser omitido(s)
artigo acessando o portal de revista. no corpo de texto. Para garantir que seu artigo seja

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revisado sob anonimato, não inclua em sua redação seu Tabela 1 - Exemplo de tabela.
nome, instituição ou qualquer outra menção que possa
identificá-lo como autor. Título da Título da Título da Título da Título da
Cada artigo deve conter, no máximo, quatro (04) coluna coluna coluna coluna coluna
autores. Texto na
01 03 05 07
tabela
Texto na
Resumo tabela
02 04 06 08
O resumo deve ser estruturado, com, no mínimo, 150 TOTAL 03 07 11 15
e, no máximo, 250 palavras. Deve conter informações
gerais sobre o artigo, mediante descrição concisa dos Legenda da tabela 1
seguintes itens: Introdução, Objetivo, Método, Fonte: Elemento obrigatório, mesmo que seja produção do próprio autor
Resultados e Conclusão. O verbo deve estar na voz ativa
e na 3ª pessoa do singular.
Quadro 1 - Exemplo de quadro.
Palavras-chave Título da Título da Título da Título da Título da
As palavras-chave, que definem o tema do estudo, coluna coluna coluna coluna coluna
deve vir após o resumo, incluindo, no mínimo, 3 e, no Texto no
texto texto texto texto
máximo, 6 termos de indexação, separados por ponto quadro
final. Texto no
texto texto texto texto
quadro
Texto no
Manuscrito texto texto texto texto
quadro
Os manuscritos devem ser divididos em Introdução, Texto no
texto texto texto texto
Método, Resultados, Discussão e Conclusão. quadro
Texto no
Resultados e discussão devem ser apresentados quadro
texto texto texto texto
separadamente. O artigo não deverá ultrapassar 25 Texto no
texto texto texto texto
páginas. Deve ser iniciado na mesma página dos quadro
resumos e das palavras-chave. Legenda do quadro 1
Subtítulos Fonte: Elemento obrigatório, mesmo que seja produção do próprio autor
O artigo não deve ter mais de três níveis de
subtítulos. Notas de rodapé
Ilustrações e Tabelas (figuras, gráficos, quadros) As notas devem ser numeradas consecutivamente ao
As ilustrações, assim como as tabelas, devem receber longo do texto1
numeração sequencial, conforme a ordem de citação.
Devem ser colocadas perto do parágrafo a que se CONSIDERAÇÕES SOBRE DIREITOS
referem e, obrigatoriamente, conter a fonte de onde AUTORAIS
foram retiradas. O título deve vir precedido da palavra
designativa (desenho, esquema, fluxograma, fotografia, Como o processo de envio é realizado de forma
gráfico, mapa, organograma, planta, quadro, retrato, eletrônica, os documentos com assinatura dos autores
figura, imagem, entre outros). Caso apresentem deverão ser digitalizados e enviados como documento
legenda, deve ser apresentada após a fonte. Eis alguns (arquivo) suplementar.
exemplos de ilustrações e tabela: Cada autor deve ler e assinar os documentos: (1)
Declaração de Responsabilidade e (2) Transferência de
Figura 1 - Exemplo de figura. Direitos Autorais.
Todas as pessoas relacionadas como autores devem
assinar a Declaração de Responsabilidade, nos termos
abaixo:

I - Declaração de Responsabilidade
Primeiro Autor:
Título do Manuscrito:
Fonte: Elemento obrigatório, mesmo que seja produção do próprio autor

1. Exemplo de como as notas de rodapé devem ser formatadas.


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“Certifico que participei suficientemente do trabalho 1. Caso não possua cadastro, preencha
para tornar pública minha responsabilidade por seu corretamente o formulário para inclusão como
conteúdo. Certifico que o manuscrito representa um autor;
trabalho original e que nem este, em parte ou na íntegra, 2. Selecione o tipo de contribuição que deseja
nem outro trabalho com conteúdo substancialmente nos enviar e preencha o formulário com as
similar, de minha autoria, foram publicados ou estão informações solicitadas. Caso alguma
sendo considerados para publicação em outra revista, informação esteja incompleta, nosso sistema
quer seja no formato impresso ou no eletrônico, exceto o não permitirá continuar o preenchimento;
descrito em anexo. Atesto que, se solicitado, cooperarei 3. A pós a conclus ão do envio das
totalmente na obtenção e fornecimento de dados nos informações, o usuário cadastrado receberá um
quais o manuscrito está baseado, para exame dos e-mail confirmando o recebimento. Caso não o
leitores”. receba, entre em contato com a Secretaria da
Revista, por meio do e-mail reage@fip-
Assinatura do(s) autor(es) e Data moc.edu.br.

II - Transferência de Direitos Autorais. Processo de seleção


Primeiro Autor: Todo o processo de seleção dos artigos é realizado
Título do Manuscrito: dentro do sistema da revista. Todos os artigos
submetidos são previamente revisados pelo editor
“Declaro que, em caso de aceitação do artigo por científico. Quando aprovados, são revistos por pares
parte da revista REAGE, concordo com que os direitos (peer review). Os pareceristas são membros do
autorais a ele referentes se tornarão propriedade Conselho Editorial.
exclusiva das FIPMoc, ficando vedada qualquer
produção, total ou parcial, em qualquer outra parte ou Agradecimento
meio de divulgação, impresso ou eletrônico, sem que a O agradecimento às contribuições ou as apoios
prévia e necessária autorização seja solicitada; e, se recebidos no desenvolvimento do artigo deve ser
obtida, comprometo-me a fazer constar o competente acrescentado ao final do texto principal, antes da seção
agradecimento às Faculdades Integradas Pitágoras e os “Referências”, sob o título “Agradecimento” (no
créditos correspondentes”. singular).

Assinatura do(s) autor(es) e Data REFERÊNCIAS


Devem ser alistadas todas, e somente, as obras que
Autores que não fornecerem a autorização de uso de foram citadas no artigo, em ordem alfabética de autor.
direitos autorais terão seus artigos devolvidos.
Trataremos, com rigor violações de direitos autorais. NORMAS
A REAGE segue as normas da Associação
INSTRUÇÕES SOBRE COMO ENVIAR O Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
ARTIGO
A revista é aberta à consideração de pesquisadores e Citações: NBR 10520/ 2002
profissionais no Brasil e no exterior, podendo os Referências: NBR 6023/ 2002
trabalhos podem ser submetidos no idioma português, - Arquivo digitado no MS Word
inglês ou espanhol. - Fonte Times New Roman em todo o texto
Possíveis conflitos de interesse devem ser - Fonte do texto 12 (exceto citações diretas longas
informados durante a submissão do manuscrito fonte 10)
- Espaçamento do texto 1,5 (exceto citações diretas
Os artigos devem ser enviados para a Revista de longas espaçamento 1,0)
Engenharia Arquitetura e Gestão – REAGE - Títulos e subtítulos em negrito
eletronicamente, pelo portal no endereço - Parágrafo 1cm (exceto citações diretas longas
http://www.fip-moc.edu.br/reage. Siga essas recuadas 4cm da margem esquerda)
instruções: - Margens 2,5cm
- Texto digitado em uma coluna

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