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MEDICINA INTENSIVA | 101

Choque
Choques
Hipovolêmico
Queda da
Decorrente de diminuição da volemia
oferta de O2
Trauma, sangramento digestivo, aneurisma roto de aorta,
Causas
gravidez ectópica
Vias aéreas pérvias, garantia de ventilação, expansão
Suporte
volêmica, 2 acessos calibrosos, correção da causa-base
básico
do sangramento (tentar sempre manter Hb >7)
Cardiogênico
Perfusão
tissular Consequente a disfunção cardíaca grave
inadequada
Infarto agudo do miocárdio (em mais de 90% dos casos),
Causas progressão de insuficiência cardíaca e tamponamento
cardíaco
Hipoperfusão sistêmica, extremidades frias, sonolência,
Clínica
piora da função renal, sinais de congestão pulmonar
Suporte Reversão da causa-base e uso de drogas inotrópicas e
básico de balão intra-aórtico
Distributivo
Consequente a “perda” da Resistência Vascular Sistê-
Perfusão tissu- mica (RVS), frequentemente associado a aumentos no
lar inadequada débito cardíaco (para compensar a diminuição da RVS)
e pressão ocluída da artéria pulmonar normal a baixa
Causas Choque séptico, choque neurogênico e choque anafilático
Quick SOFA (qSOFA)
- Identifica pacientes de alto risco para mortalidade intra-hospitalar com
suspeita de sepse fora da UTI:
∙ Alteração do estado mental;
∙ Pressão arterial sistólica ≤100mmHg;
∙ FR ≥22irpm.
- Se pelo menos 2 das 3 variáveis forem encontradas, esses pacientes
deverão ser avaliados de forma mais criteriosa quanto à evidência de
disfunção orgânica.
Sepse
- Definições propostas (2016)*: sepse deve ser definida como qualquer
disfunção orgânica potencialmente fatal causada pela resposta desre-
gulada do organismo a um insulto infeccioso;
- Engloba as antigas nomenclaturas sepse e sepse grave.
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Choque séptico
Definições propostas (2016)*: subgrupo de sepse, na qual se observam
anormalidades circulatórias, celulares e metabólicas importantes, que
resultam em maior risco de mortalidade em comparação com a sepse
isolada. Pacientes com choque séptico podem ser identificados clinica-
mente pela presença de lactato sérico >2mmol/L (>18mg/dL) na ausência
de hipovolemia e necessidade de uso de vasopressores com o objetivo de
manter a pressão arterial média ≥65mmHg.
Disfunção de múltiplos órgãos
Presença de função orgânica gravemente alterada em pacientes gra-
vemente enfermos, nos quais a homeostase não pode ser mantida sem
intervenção
Tratamento
Antibioticoterapia precoce e posteriormente guiada por culturas, re-
moção imediata de focos infecciosos cirúrgicos, reanimação volêmica
precoce guiada por metas, controle glicêmico, corticoides em dose baixa,
em pacientes com necessidade de vasopressores e medidas de suporte
* Singer M, Deutschman CS, Seymour C, et al. The Third International Consen-
sus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016;315(8):801-
810. doi:10.1001/jama.2016.0287.
Parâmetros hemodinâmicos dos principais tipos de choque
Choque PAD POAP DC RVS
Normal/au-
Distributivo Diminuída Diminuída Diminuída
mentado
Hipovolêmico Diminuída Diminuída Diminuído Aumentada
Cardiogênico Aumentada Aumentada Diminuído Aumentada
PAD: Pressão de Átrio Direito; POAP: Pressão Ocluída da Artéria Pulmo-
nar; DC: Débito Cardíaco; RVS: Resistência Vascular Sistêmica.

Intoxicações exógenas
Síndromes clínicas Tóxicos mais prováveis
Anfetaminas, cocaína, derivados de ergotamina,
Síndrome simpato-
hormônio tireoidiano e inibidores da monoamino-
mimética
xidase
Síndrome antico- Antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos, anti-
linérgica parkinsonianos, antiespasmódicos e fenotiazinas
Síndrome dissociati-
Fenciclidina, ecstasy, LSD
va (alucinógenos)
Carbamatos, fisostigmina, organofosforados e
Síndrome colinérgica
pilocarpina

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