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Claudio Borba – Direito Tributário

Direito Tributário - Teoria e Questões

LIVRO SEGUNDO DO CTN

TÍTULO IV
ADMINISTRAÇÃO
TRIBUTÁRIA

Fiscalização

Art. 194 - A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou
especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das
autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação.

Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica-se às pessoas naturais ou jurídicas,
contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter
pessoal.

JURISPRUDÊNCIA

STJ
“A lei pode impor obrigações acessórias às empresas, ainda que não sejam contribuintes do tributo.”

(2ª Turma, REsp nº 89.967/RJ, Rel. Min. Ari Pargendler, abril/1998)

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OBRIGAÇÃO DE PRESTAR INFORMAÇÕES AO FISCO

Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais
excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis
e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes
de exibi-los.

Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos


lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários
decorrentes das operações a que se refiram.

JURISPRUDÊNCIA

STF

SÚMULA Nº 70
“É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo.”

SÚMULA Nº 323
“É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos’

SÚMULA Nº 439
“Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o
exame aos pontos objeto da investigação”.

SÚMULA Nº 547
“Não é lícito a autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas, despache
mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais.”

“I- Inadmissibilidade de apreensão de livros contábeis e documentos fiscais realizada, em escritório


de contabilidade, por agentes fazendários e policiais federais, sem mandado judicial.
“II- Espaço privado, não-aberto ao público, sujeito à proteção constitucional da inviolabilidade
domiciliar (CF, art. 5º, XI). Subsunção ao conceito normativo de ‘casa’. Necessidade de ordem
judicial.
III- Impossibilidade de utilização, pelo Ministério Público, de prova obtida em transgressão à garantia
da inviolabilidade domiciliar. Prova ilícita. Inidoneidade jurídica.”
(STF - HC nº 82.788/RJ – RJ – Habeas Corpus – Relator: Min. Celso de Mello – Julgamento:
12/04/2005 – Órgão: Segunda Turma – Publicação: DJ 02/06/2006)

STJ

É defeso à administração impedir ou cercear a atividade profissional do contribuinte, para compeli-lo


ao pagamento de débito, uma vez que este procedimento redundaria no bloqueio de atividades
lícitas.
(Agravo Regimental no Recurso Especial nº 2005/0027.678-4 – Rel. Ministro Luiz Fux – DJ
13/03/2006, p. 213.)

LEI COMPLEMENTAR 105/01

Art. 6º. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras,
inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo
administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados
indispensáveis pela autoridade administrativa competente.

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LEI COMPLEMENTAR 105/01

Art. 6º, Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere
este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.

STF

O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita
Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. (Continua)

JURISPRUDÊNCIA

Observou-se que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de
alguma forma, alcançá-lo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido
mediante ato de órgão equidistante (Estado-juiz).
(RE 389808/PR, Rel.: Min. Marco Aurálio, Julgamento em 15/12/2010, Publicação no DJE nº 25 em
07/02/2011)

TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO

Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização
lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da
legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas.

Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um
dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à
fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo.

OBRIGAÇÃO DE PRESTAR INFORMAÇÕES AO FISCO

Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as
informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros:

I - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício;


II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;
III - as empresas de administração de bens;
IV - os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais;
IV - os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais;
V - os inventariantes;
VI - os síndicos, comissários e liquidatários;
VII - quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função,
ministério, atividade ou profissão.

Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto
a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de
cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão.

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CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

Art. 347. A parte não é obrigada a depor de fatos:


II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo.

Art. 363. A parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o documento ou a coisa:


IV – se a exibição acarretar a divulgação de fatos, a cujo respeito, por estado ou profissão, devam
guardar segredo.

CÓDIGO PENAL

Art. 154. Revelar alguém, sem justa causa, segredo de que tem ciência em razão de função,
ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem:

Pena – detenção de três meses a um ano, ou multa.

JURISPRUDÊNCIA

STJ

“O dever de prestar informações não se restringe ao sujeito passivo da obrigação tributária –


contribuinte e responsável –, mas alcança, também, a terceiros, na forma prevista em lei.”

“Nesse sentido, a regra contida no art. 197 do CTN estabelece a obrigação a terceiros de fornecer
dados que subsidiem a fiscalização tributária.”
(REsp nº 147.215/RJ – Recurso Especial nº 1997/0062.763-2 – Rel. Ministro Castro Meira – DJ
13/06/2005, p. 217.)

DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES PELO FISCO

Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da
Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação
econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus
negócios ou atividades.

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DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES

Art. 198......
§ 1º. Excetuam-se do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes:

I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça;


II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja
comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva,
com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração
administrativa.

§ 2º. O intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, será realizado


mediante processo regularmente instaurado, e a entrega será feita pessoalmente à autoridade
solicitante, mediante recibo, que formalize a transferência e assegure a preservação do sigilo.

§ 3º. Não é vedada a divulgação de informações relativas a:

I – representações fiscais para fins penais;


II – inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública;
III – parcelamento ou moratória.

JURISPRUDÊNCIA

STF

“... a comunicação de possível crime ao Ministério Público não configura afronta ao sigilo fiscal (CTN,
art. 198, § 3º, I).

(HC nº 87.654/PR – Paraná – Habeas Corpus – Rel.: Min. Ellen Gracie –Julg.: 07/03/2006 – Órgão
julgador: Segunda Turma)

DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES PELO FISCO

Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestar-
se-ão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações,
na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio.

Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou


convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e
da fiscalização de tributos.

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REQUISIÇÃO DA FORÇA PÚBLICA

Art. 200. As autoridades administrativas federais poderão requisitar o auxílio da força pública federal,
estadual ou municipal, e reciprocamente, quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de
suas funções, ou quando necessário à efetivação de medida prevista na legislação tributária, ainda
que não se configure fato definido em lei como crime ou contravenção.

CÓDIGO PENAL

Art. 316. (...)


§ 1º. Exigir tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido,
emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso que a lei não autoriza:
Pena – Reclusão, de 3 a 8 anos, e multa.

Dívida Ativa

Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente
inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para
pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular.
Parágrafo único. A fluência de juros de mora não exclui, para os efeitos deste artigo, a liquidez do
crédito.

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JURISPRUDÊNCIA

STJ

“Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a declaração do contribuinte por meio da
Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF elide a necessidade da constituição formal
do débito pelo Fisco.
“Caso não ocorra o pagamento no prazo, poderá efetivar-se imediatamente a inscrição na dívida
ativa, sendo exigível independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação
ao contribuinte.”
(STJ - AgREsp nº 443.971/PR, Rel. Min. José Delgado, DJ de 28/10/2002).

TERMO DE INSCRIÇÃO: INDICAÇÕES OBRIGATÓRIAS

Art. 202. O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente, indicará
obrigatoriamente:
I - o nome do devedor e, sendo caso, o dos co-responsáveis, bem como, sempre que possível, o
domicílio ou a residência de um e de outros;
II - a quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora acrescidos;
III - a origem e natureza do crédito, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja
fundado;
IV - a data em que foi inscrita;
V - sendo caso, o número do processo administrativo de que se originar o crédito.
Parágrafo único. A certidão conterá, além dos requisitos deste artigo, a indicação do livro e da folha
da inscrição.

NULIDADE DA INSCRIÇÃO

Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles relativo,
são causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, mas a nulidade
poderá ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante substituição da certidão nula,
devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá
versar sobre a parte modificada.

Lei 6.830/80

Art. 2° Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não-tributária na
Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de
direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos
Municípios e do Distrito Federal.

Art. 2° ...
§ 8° Até a decisão de primeira instância, a Certidão de Dívida Ativa poderá ser emendada ou
substituída, assegurada ao executado a devolução do prazo para embargos.

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JURISPRUDÊNCIA

STJ
Súmula 392

A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de
embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito
passivo da execução.

“In casu, verifica-se que CDA embasadora do executivo fiscal engloba vários exercícios num só, sem
que haja discriminação do principal e dos consectários legais de cada ano, o que impossibilita o
exercício assegurado da ampla defesa, posto dificultar a exata compreensão do quantum
exeqüendo. Dessarte, depreende-se que a CDA em comento não atende aos requisitos dispostos
no art. 202 do CTN.”
(STJ - Recurso Especial nº 2005/0152.273-0 – Rel. Ministro Luiz Fux – DJ 18/05/2006.)

STJ
“A substituição da certidão de dívida ativa é permitida até o momento em que for proferida decisão
de primeira instância, mas, tão-somente, quando se tratar de erro formal ou material, e não em casos
que impliquem alteração do próprio lançamento.”
(REsp nº 826.927/BA – Recurso Especial nº 2006/0051.444-7 – Ministro Castro Meira – DJ
08/05/2006, p. 191.)

“A indicação, na certidão de dívida ativa, do nome do responsável ou do co-responsável (Lei nº


6.830/80, art. 2º, § 5º, I; CTN, art. 202, I) confere ao indicado a condição de legitimado passivo para
a relação processual executiva (CPC, art. 568, I), ....

“... mas não confirma, a não ser por presunção relativa (CTN, art. 204), a existência da
responsabilidade tributária, matéria que, se for o caso, será decidida pelas vias cognitivas próprias,
especialmente a dos embargos à execução.

“É diferente a situação quando o nome do responsável tributário não figura na certidão de dívida
ativa. Nesses casos, embora configurada a legitimidade passiva (CPC, art. 568, V), ...

“...caberá à Fazenda exeqüente, ao promover a ação ou ao requerer o seu redirecionamento, indicar


a causa do pedido, que há de ser uma das situações previstas no direito material como
configuradoras da responsabilidade subsidiária.”
(STJ - REsp nº 835.443/PE – Recurso Especial nº 2006/0072.989-0 – Rel. Ministro Teori Albino
Zavascki – DJ 30/06/2006, p. 205.)

“É possível o reconhecimento, de ofício, de matéria inerente à nulidade de título executivo.

“No entanto, ‘(...) insignificante defeito formal que não compromete a essência do título executivo
não deve reclamar por parte do exequente um novo processo com base em um novo lançamento
tributário para apuração do tributo devido, posto conspirar contra o princípio da efetividade aplicável
ao processo executivo extrajudicial’.

“Tendo o tribunal a quo declarado, de ofício, a nulidade da CDA, somente em razão da falta de
indicação temporal da origem do tributo, culminou por afrontar o art. 202, III, do CTN, aplicando-o
com excesso de rigorismo formal.
(STJ - Recurso Especial nº 2006/0052257-4 – Rel. Ministro Francisco Falcão – DJ 01/06/2006, p.
169.)

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PRESUNÇÃO “JURIS TANTUM” DE CERTEZA E LIQUIDEZ

Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de
prova pré-constituída.

Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova
inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite.

JURISPRUDÊNCIA

“Se os valores exigidos a título de imposto e aqueles cobrados por conta de taxas estão incluídos na
certidão de dívida ativa como parcelas autônomas, a procedência dos embargos do devedor quanto
ao imposto não prejudica a certeza e liquidez da certidão de dívida ativa no que diz com as taxas.”
(STJ - REsp nº 76.351/SP, Rel. Min. Ari Pargendler, agosto/1997.)

STJ

“È ilíquida a CDA erigida em função de saldo de débito fiscal confessado pelo contribuinte, cujo
parcelamento não foi totalmente adimplido, mas no qual se insere a cobrança de contribuição
declarada inconstitucional.”
(STJ, 2ª T., unânime, REsp nº 258.565/RS, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, agosto/2002.)

“O STJ vem admitindo exceção de pré-executividade em ação executiva fiscal para argüição de
matérias de ordem pública, tais como as condições da ação e os pressupostos processuais, desde
que não haja necessidade de dilação probatória.

“A discussão acerca da responsabilidade prevista no art. 135 do CTN é inviável em sede de exceção
de pré-executividade quando constar o nome do sócio na certidão de dívida ativa (CDA), pois
demandaria produção de provas, tendo em vista a presunção de liquidez e certeza da certidão.”
(STJ - Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 2005/0021.903-
0 – Rel. Ministro João Otávio de Noronha – DJ 14/06/2006, p. 202.)

“O crédito tributário só pode ter sua exigibilidade suspensa na ocorrência de uma das hipóteses
estabelecidas no art. 151 do mesmo diploma legal.

“O ajuizamento de ação anulatória de débito fiscal, desacompanhada de depósito no montante


integral, não tem o condão de suspender o curso de execução fiscal já proposta.”
(Agravo Regimental no Recurso Especial nº 2005/0015.836-2 – Rel. Ministro Luiz Fux – DJ
18/05/2006, p. 189.)

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CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

Art. 585. São títulos executivos extrajudiciais:


(...)
VI – a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, Estado, Distrito Federal, Território e
Município, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei;
(...)
§ 1º. A propositura de qualquer ação relativa ao débito constante do título executivo não inibe o
credor de promover-lhe a execução.

Certidão Negativa

Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja
feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as
informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou
atividade e indique o período a que se refere o pedido.

Art. 205, Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido
requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição.

JURISPRUDÊNCIA

STJ
Súmula 446

“Declarado e não pago o débito tributário pelo contribuinte, é legítima a recusa de expedição de
certidão negativa ou positiva com efeito de negativa.”
(Publicação no DOU em 13/05/2010)

“Não se admite a responsabilidade objetiva, mas subjetiva do sócio, não constituindo infração à lei o
não-recolhimento de tributo, sendo necessária a prova de que agiu o mesmo dolosamente, com
fraude ou excesso de poderes, excepcionando-se a hipótese de dissolução irregular da sociedade
comercial.

“Não se tratando de responsabilidade objetiva, tem o sócio, na qualidade de pessoa física, direito a
certidão negativa de débito.”
(STJ, 2ª T., unânime, REsp nº 439.198/ES, Rel. Min. Eliana Calmon, maio/2003.)

“Não tem cabimento a recusa de expedir certidão negativa de débito tributário a uma sociedade,
somente porque um dos seus sócios é integrante de outra firma devedora do Fisco.”
(STJ, 1ª T., REsp nº 73.760/ES, Rel. Min. Demócrito Reinaldo, junho/l998.)

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CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA

Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência
de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora,
ou cuja exigibilidade esteja suspensa.

JURISPRUDÊNCIA
STJ

“Comprovada a garantia do juízo em executivo fiscal, através da penhora efetivada, não pode ser
negado o fornecimento da certidão, prevista no art. 206 do CTN.”
(Recurso Especial nº 1999/0109.918-8 – Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins – DJ 15/10/2001,
p. 255.)

“I- Em se tratando de tributo lançado por homologação, a declaração do contribuinte ‘constitui’ o


crédito tributário relativo ao montante informado e torna dispensável o lançamento, sendo legítima a
recusa na expedição de certidão negativa de débito.

“II- A ausência de inscrição do crédito tributário em dívida ativa não é causa suficiente à expedição
de certidão positiva com efeitos de negativa, tendo em vista que tal circunstância não se enquadra
nas restritas hipóteses do art. 206 do CTN.”
(STJ - REsp nº 780.167/RS – Recurso Especial nº 2005/0150.117-0 – Rel. Ministro Castro Meira –
DJ 07/11/2005, p. 249.)

LEI 6.830/80

Art. 11 - A penhora ou arresto de bens obedecerá à seguinte ordem:


I - dinheiro;
II - título da dívida pública, bem como título de crédito, que tenham cotação em bolsa;
III - pedras e metais preciosos;
IV - imóveis;
V - navios e aeronaves;
VI - veículos;
VII - móveis ou semoventes; e
VIII - direitos e ações.

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JURISPRUDÊNCIA

STJ

“I. Ao optar pela antecipação, em sede de ação cautelar, da garantia ao Juízo para fins de penhora
em futura execução fiscal, pretendendo, com isso, obter a certidão positiva de débito com efeitos de
negativa, a contribuinte não observou a ordem estabelecida no art. 11 da Lei nº 6.830/80, ou seja,
apresentou caução de um bem móvel quando deveria ter efetuado o depósito em dinheiro no valor
integral do débito.

“II. Se o próprio devedor é quem afirma que ofereceu a caução real, não para suspender a
exigibilidade do crédito tributário, mas para assegurar que, se e quando a Fazenda Nacional viesse
a ajuizar a execução fiscal, esta poderia ser garantida com o bem caucionado, então não se verifica
nenhuma das hipóteses de incidência do disposto no art. 206 do CTN.”
(STJ - Recurso Especial nº 2003/0133.224-5 – Rel. Ministro Luiz Fux– DJ 14/11/2005)

DISPENSA DE CERTIDÃO NEGATIVA

Art. 207. Independentemente de disposição legal permissiva, será dispensada a prova de quitação
de tributos, ou o seu suprimento, quando se tratar de prática de ato indispensável para evitar a
caducidade de direito, respondendo, porém, todos os participantes no ato pelo tributo porventura
devido, juros de mora e penalidades cabíveis, exceto as relativas a infrações cuja responsabilidade
seja pessoal ao infrator.

LEI 8.666/93

Art. 29. A documentação relativa à regularidade fiscal, conforme o caso, consistirá em:
(...)
III – prova de regularidade para com a Fazenda Federal, Estadual e Municipal do domicílio ou sede
do licitante, ou outra equivalente, na forma da lei;
IV – prova de regularidade relativa à Seguridade Social e ao Fundo de Garantia por Tempo de
Serviço (FGTS), demonstrando situação regular no cumprimento dos encargos sociais instituídos por
lei.

CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

Art. 1.026. Pago o imposto de transmissão a título de morte, e junta aos autos certidão ou informação
negativa de dívida para com a Fazenda Pública, o juiz julgará por sentença a partilha.
(...)
Art. 1.036, § 5º. Provada a quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas, o
juiz julgará a partilha.

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LEI 11.101/05

Art. 57. Após a juntada aos autos do plano aprovado pela assembléia-geral de credores ou decorrido
o prazo previsto no art. 55 desta Lei sem objeção de credores, o devedor apresentará certidões
negativas de débitos tributários nos termos dos arts. 151, 205, 206 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro
de 1966 – Código Tributário Nacional.

Não há referência ao art. 207 do CTN

CERTIDÃO NEGATIVA
RESPONSABILIDADE DO SERVIDOR

Art. 208. A certidão negativa expedida com dolo ou fraude, que contenha erro contra a Fazenda
Pública, responsabiliza pessoalmente o funcionário que a expedir, pelo crédito tributário e juros de
mora acrescidos.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não exclui a responsabilidade criminal e funcional que no
caso couber.

JURISPRUDÊNCIA

STJ

“Negócio executado à vista de certidão negativa de débito para com a Fazenda Estadual. Fé pública
ao documento. Ato jurídico perfeito. Impossibilidade de penhora sobre o bem vendido.”
(REsp nº 37.523/SP – Recurso Especial nº 1993/0021.742-9 – Rel. Ministro Américo Luz – DJ
19/09/1994, p. 24.677.)

Disposições Finais do CTN

Art. 209. A expressão "Fazenda Pública", quando empregada nesta Lei sem qualificação, abrange a
Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

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CONTAGEM DOS PRAZOS

Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindo-se na sua
contagem o dia de início e incluindo-se o de vencimento.
Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em
que corra o processo ou deva ser praticado o ato.

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