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ET134_Formulas.

indd 36 18/2/2009 12:08:43


índice
i
Editora Saber Ltda.
Diretores 6
Hélio Fittipaldi
Thereza M. Ciampi Fittipaldi
26
MECATRÔNICA
FÁCIL
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Conselho Editorial
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Newton C. Braga
Auxiliar de Redação
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Notícias
Produção 4
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Edimáldia Ferreira Rádio Experimental de Gilete 6
Colaboradores Faça do gilete um componente eletrônico e monte
Hamilton Bandin Jr. uma rádio para receber ondas médias
Newton C. Braga
Rafael Gonçalves de Souza
Redutor de 12 para 6 ou 9 V 10
Veja modificar seus aparelhos para serem
alimentados pela bateria do carro

PARA ANUNCIAR: (11)2095-5339 Cortador de Isopor


atendimento@mecatronicafacil.com.br 12
Circuito ideal que possibilita a regulagem
de potência para corte
Capa
Arquivo Editora Saber Acelerômetro 15
Medidor de aceleração que detecta
a variação de velocidade

ASSINATURAS Técnicas de Modulação AM/FM 17


www.mecatronicafacil.com.br
Fone: (11) 2095-5335/Fax: (11) 2098-3366 Técnicas de modulação na prática, principalmente as
Atendimento das 8:30 às 17:30 h relacionadas com transmissores de alta potência

Retificação e filtragem 21
Como as fontes funcionam e como convertê-las
Associado da:
de alternada para contínua

Escolhendo Músculos de Robôs 24


Veja qual a melhor escolha do sistema
a ser utilizado em seu projeto

Associação Nacional dos Editores de Revistas A arte de escrever Mensagens Ocultas


26
Conheça a esteganografia e a criptografia
através dete artigo

Princípios Básicos de Pneumática


Associação Nacional das Editoras de 30
Publicações Técnicas, Dirigidas e Especializadas.
Confira os compressores
utilizados na indústria

Monta-Treko
32
Oito projetos simples como fontes DC, Sirene
de dois tons, lampada néon e muito mais

Redes Neurais Artificiais - Parte 2


41
Caracteristicas e diferenças entre os
neurônios artificiais e biológicos

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n notícias

Robo
Robô criado pela Honda é
movido por pensamentos
Capacete envia sinais cerebrais através
da interface cérebro-máquina

A empresa japonesa Honda anun- exemplo, a pessoa pode mover a mão atual do desenvolvimento tecno-
ciou no dia 31 de março que está direita do robô Asimo”, disse um dos lógico do humanóide permite até
desenvolvendo um robô guiado pelo cientistas do projeto, Tatsuya Okabe, quatro movimentos com seus braços,
pensamento humano. A inovação é do Instituto de Pesquisas Honda, no pernas e boca. E, desde 2005,
feita graças a um dispositivo em for- Japão. Ele ainda completa que a pre- a Honda e o instituto internacio-
mato de capacete, que envia sinais cisão dos movimentos depende da nal Advanced Telecommunications
das atividades cerebrais à máquina. concentração da pessoa. Research (ATR) vêm realizando pes-
A tecnologia não requer qualquer A empresa informou também que quisas e desenvolvimento de tecno-
movimento físico, como pressiona- o robô Asimo está sendo ajustado logia BMI para explorar o potencial
mento de botões. “Apenas pela força para a “Interface Cérebro-Máquina” de uma nova interface que liga as
do pensamento em ‘mão direita’, por (BMI, na sigla em inglês). O estado pessoas e máquinas.

 Mecatrônica Fácil nº47

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notícias n
Robô Roony construirá
casa lunar em 2012
Pesquisa está sendo coordenada
pela Universidade Malardalen

Pesquisadores da Universidade Como se trata de um expe-


Malardalen, na Suécia, estão tra- rimento de demonstração, os
balhando no projeto de um robô cientistas ainda não estão se
que deverá ser capaz de sair de um propondo a construir algo habi-
foguete pousado na Lua, escolher um tável. Construções habitáveis na
lugar adequado nas proximidades e Lua deverão pesar muito mais,
construir uma casa. A expectativa é devido tanto à necessidade de
de lançá-lo até o ano de 2012. pressurização quanto à proteção
A primeira casa espacial levada contra a radiação e o impacto de
pelo o robô, batizado de Roony, terá meteoritos.
uma massa de cinco quilogramas, Contudo, o conceito de utilização
empacotada em um volume de seis de um robô específico para a constru-
litros. Depois de montada, a casa ção automatizada de instalações na
lunar terá um ambiente de 10m2. Lua é promissor.

Ganhadores da Febrace
concorrem ao Intel-ISEF
Competição contará com nove representantes brasileiros

Os ganhadores da Febrace - Feira Esse protótipo mede o nível de enchente, com o sensor posicionado
Brasileira de Ciências e Engenha- umidade do solo junto às plantas e no nível máximo de um rio.
ria-foram anunciados no dia 20 de liga/desliga o sistema de irrigação Outro ganhador da Febrace foi o
março durante a cerimônia de encer- de acordo com a necessidade esta- “Carbono e CO2: uma nova fonte de
ramento na Faculdade de Direito da belecida previamente para o vegetal. energia” exposto na área de Enge-
USP, em São Paulo. Dentre os 282 O aparelho desenvolvido é constitu- nharia. O trabalho foi elaborado pelos
apresentados durante o eventos ído com um circuito eletrônico e um estudantes Jorge Elias Araújo Ferraz,
apenas nove representarão o Brasil sistema de irrigação adaptado pelo César Rocha Freitas e Diallyson de
na Intel-ISEF (International Science aluno de São João del Rei - MG. No Morais Maia, de Inhumas - GO. O trio
and Engineering Fair). circuito ele utilizou componentes mostrou que é possível retirar parte
Os selecionados irão aos Estados como transistores, diodo, resistores, dos gases poluentes e seus particula-
Unidos juntamente com estudantes trimpot, relé, LDR e LED de alto brilho dos de uma fonte emissora e, através
de 50 países para competir entre os branco e no sistema de irrigação ele de reações químicas, transformá-los
dias 10 e 15 de maio. Entre os pro- improvisou uma bomba d’água, pará- em condutores de energia elétrica.
jetos escolhidos está o “Dispositivo brisa de carros, mangueira de aquário O ISEF será sediado no Reno-Sparks
eletrônico com sensor de umidade e um reservatório de água. Após ter- Convention Center (Nevada - EUA) e os
para acionamento de sistemas de minado o projeto, Vitoriano verificou vencedores ganharão US$ 4 milhões
irrigação,” feito pelo o aluno Felipe também a possibilidade de utilizá-lo em prêmios como bolsas de estudos,
Augusto Vitoriano. para acionar uma sirene em caso de cursos e produtos tecnológicos.

Mecatrônica Fácil nº47 

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m montagem

Rádio experimental
de gilete
Você acredita que uma gilete (lâmina de barbear)
possa ser usada como componente eletrônico para
detectar ondas de rádio? Se não, eis uma idéia para
um projeto de um rádio (que funciona!) capaz de
receber estações de ondas médias através de uma
gilete. O projeto é ideal como curiosidade tecnoló-
gica, podendo ser implementado em cursos dos níveis
fundamental e médio.

Newton C. Braga

Muitos corpos comuns po- às dos diodos semicondutores, e com de rádio. O resultado era a detecção
dem funcionar como detectores de isso detectar sinais de rádio. (para posterior filtragem e aplicação
sinais de altas frequências, ou seja O tradicional “bigode de gato” so- a um fone de ouvido), onde resulta-
detectores de ondas de rádio capta- bre um cristal de galena é, sem dú- vam em sons.
das por uma antena. vida, o tipo de detector experimental Como não havia amplificação
É bastante conhecida a história mais antigo e, por isso, conhecido por naquela época (os transistores e
de uma prótese dentária que, cap- aqueles que estudam a história do rá- válvulas ainda não haviam sido in-
tando sinais de uma estação próxi- dio. Os primeiros rádios que existiram, ventados), os sinais possuíam a po-
ma, levava seu portadores a “ouvir os denominados “rádios de galena” , tência que a antena podia colher, o
coisas” diretamente pelo dente (sem tinham como detectores a configura- que exigia que ela tivesse grandes
a necessidade de um rádio), tendo ção ilustrada na figura 1. dimensões. O nosso rádio emprega
sido esse “ouvinte” levado a diversos Tocando em um ponto sensível do um detector diferente.
psiquiatras antes que se descobrisse cristal, o bigode formava um contato Experimentando diversas combi-
a origem do fenômeno. semicondutor capaz de retificar as nações de corpos, conseguimos mui-
Na estória “O Denteródino” nosso tênues correntes de altas frequên- tas que deram resultados satisfatórios
personagem Prof. Ventura, com seus cias induzidas na antena pelo sinal como, por exemplo, uma palhinha de
alunos Beto e Cleto, se envolvem
numa aventura em que justamente 1
Radio de galena
todo esse fenômeno é detalhado. Ela
foi publicada numa antiga edição da
Eletrônica Total.
O rádio que propomos neste artigo
também usa um meio incomum de se
detectar sinais: uma lâmina de barbe-
ar (usada ou nova).
Se você gosta de experiências
inéditas com tecnologia eletrônica,
esta é bem interessante.

Os fundamentos
Dois metais ou corpos de naturezas
diferentes, quando em contato, podem
apresentar propriedades semelhantes

 Mecatrônica Fácil nº47

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montagem m
2 3 4
Esquema elétrico do rádio O circuito de sintonia Rede de polarização

aço, um pedaço de grafite sobre uma 5


Nossa sugestão de montagem
chapa de alumínio, etc.
Mas, a que propomos, sem dúvida,
poderá ser a base de um projeto que
faria enorme sucesso numa feira ou de-
monstração pela sua curiosidade: ele
usa um detector fora do comum e não
precisa de transistores ou válvulas.

Como funciona
A estrutura básica de nosso rádio é
mostrada na figura 2. A etapa de sin-
tonia (e antena) tem por função cap-
tar os sinais das estações e separar o
daquela que desejamos ouvir. Como
o rádio não possui amplificação, a an-
tena deve ser a mais longa possível
para captar o máximo de energia da
estação (que deve ser forte e estar
bem próxima).
Uma antena para este rádio deve
ser um fio esticado de pelo menos
uns dez metros de comprimento. O
circuito de sintonia possui um capa-
citor variável e uma bobina, observe frequência vindo do circuito de sinto- Componentes
a figura 3. nia, o sinal de baixa frequência que Como se trata de um rádio expe-
O sinal do circuito de sintonia é corresponde aos sons. Os sons, na rimental, muita coisa pode ser impro-
levado ao elemento básico do projeto verdade, correntes de baixa frequên- visada e até mesmo aproveitada de
que é o detector. cia, são levados à etapa seguinte que aparelhos eletrônicos fora de uso. So-
Esse detector, que deve funcionar é um fone de ouvido. mente alguns componentes precisam
como um diodo comum (nada impe- No circuito existe ainda uma rede ser comprados em casas especiali-
de que seja usado um diodo 1N34 ou de polarização formada por um poten- zadas. Sugerimos que a montagem
equivalente para se obter um rádio de ciômetro e um resistor, além de uma seja feita tendo por base uma placa
cristal comum), é formado por uma bateria de 6 V (quatro pilhas) confor- de madeira ou plástico, veja exemplo
lâmina de barbear e um pedacinho de me exibe a figura 4. na figura 5.
grafite retirada de um lápis preto. A finalidade desta rede é “polarizar” A bobina L1 é enrolada em um
O sensível toque da grafite sobre o detector ajudando-o” a ficar perto de bastão de ferrite de qualquer diâme-
a lâmina, em pontos que devem ser ponto de condução ideal para que a tro, por aproximadamente 1 cm, sen-
obtidos experimentalmente, faz o detecção ocorra. Isso acontece porque do formada por 80 a 100 voltas de fio
conjunto funcionar como um detector é preciso que o sinal vindo da antena, esmaltado de calibre 26 a 30 AWG ou
de sinais de altas frequências induzi- que é fraco, seja apenas adicionado à mesmo fio encapado 22. Esta bobina
dos pelas ondas de rádio. Esse detec- tensão disponível de modo a ultrapas- será fixada na base de montagem
tor consegue separar do sinal de alta sar o ponto em que o detector conduz. através de duas braçadeiras. O capa-

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m montagem
6
Detector de gilete

citor variável pode ser do tipo miniatu- 7


Diagrama completo do rádio
ra ou grande, retirado de algum rádio
antigo fora de uso. Se tiver mais de
uma seção, usaremos apenas uma
delas mantendo a outra desligada.
O fone de ouvido deve ser obri-
gatoriamente de tipo piezoelétrico ou
cristal de alta impedância, pois outros
tipos não têm sensibilidade, principal-
mente os de baixa impedância encon-
trados em walkmans e CD-players.
Uma cápsula telefônica poderá ser
experimentada.
O capacitor C1 é cerâmico, de 47 8
Montagem na ponte de terminais
pF a 120 pF, e o resistor é de 2,7 Mo-
hms ou próximo disso. O potenciôme-
tro é de 470 kohms a 1 Mohms.
A bateria será formada por quatro
pilhas pequenas, que terão uma dura-
bilidade enorme dado o baixo consumo
do aparelho. Essas pilhas devem ser
montadas em um suporte apropriado.
O mais importante é a montagem
do “detector de gilete” que é feita con-
forme ilustra a figura 6.
Esse detector é formado ligando-
se, com cuidado, um fio em um peda-
cinho de grafite que formará o anodo
do diodo (2), e conectando-se com cui-
dado o outro fio numa gilete comum,
formando o catodo do diodo (1).
A grafite deverá ser simplesmente
apoiada sobre a gilete e, eventual-
mente, sua posição trocada algumas

 Mecatrônica Fácil nº47

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montagem m
9 antena, conforme mostra a figura 9,
Instalando a antena
pode ser presa pelas extremidades
em isoladores.
Duas árvores, mastros ou outros
objetos podem servir para segurar a
antena que deve ser a maior possí-
vel. Assim, quanto mais comprida for
a antena, melhor será a intensidade
do sinal obtido.
A ligação à terra pode ser fei-
ta em qualquer objeto de metal de
grande porte que esteja em conta-
to com o chão como, por exemplo,
um encanamento de água, uma
esquadria de porta ou janela de
vezes até que seja conseguida a que alumínio etc.
resulte em maior sensibilidade. Para Feita a ligação da antena e ter-
a ligação da antena e terra são utiliza- ra ao rádio, coloque o fone junto
dos bornes comuns ou uma tomada ao ouvido e apóie a grafite na gi-
de terminais com parafusos. lete. Ajuste ao mesmo tempo, com
muito cuidado, a sintonia e P 1 até
Montagem captar alguma estação. Se nada
As soldagens dos componentes conseguir além de estalidos, pro-
devem ser feitas com um ferro de pe- cure uma nova posição da grafite
quena potência e ponta fina. sobre a gilete até obter resultados
Todas as ligações, exceto a da satisfatórios.
grafite e gilete devem ser soldadas. O volume, como em todo o rá-
Na figura 7 apresentamos o dia- dio sem componentes de amplifi-
grama completo do rádio. cação, será bem pequeno, mas a
Na figura 8 damos uma idéia da qualidade do som clara. Lembre-se
disposição real dos componentes que, no início do século passado,
com suas ligações, lembrando que os receptores de rádio tinham esse
tudo deve estar fixado na base de mesmo princípio de funcionamento
madeira. e qualidade de som. Nas aulas de
Para que a montagem fique perfei- educação tecnológica incentive a
ta, observe os seguintes pontos: pesquisa sobre os tempos primiti-
• Raspe bem as pontas dos fios vos do rádio.
da bobina L1 antes de fazer sua Sugira a pesquisa de nomes como:
soldagem. • Marconi
• Aos soldar o variável, observe • Landel de Moura
com cuidado a disposição de • Brandt f
seus terminais e use um botão
plástico para facilitar a sintonia. Lista de materiais:
• Solde rapidamente o capacitor C1
e o resistor R1 para que excesso Lista de materiais
de calor não os danifique. X1 – Detector de gilete – ver texto
• Faça a ligação do potenciômetro XTAL – Fone de cristal – ver texto
conforme o desenho, e dos fios L1 – Bobina de antena - ver texto
do suporte de pilhas observan- CV – Capacitor variável de 120 a 410 pF
do a sua polaridade. O fio ver- C1 – 100 pF – capacitor cerâmico
melho é o positivo (+) e o preto R1 – 2,7 M Ω – resistor – vermelho,
violeta, verde
o negativo (-).
P1 – 470 k Ω – potenciômetro
• Complete a montagem com a
B1 – 6 V – quatro pilhas pequenas
soldagem dos fios do detector.
Depois, é só conferir a montagem Diversos
e verificar o funcionamento do rádio. Base para montagem, pontes de terminais,
suporte para pilhas, antena longa, fios es-
Prova e uso maltados, bastão de ferrite, gilete, pedaço
Antes de tudo, providencie uma de grafite, fios comuns, solda etc.
boa antena e uma ligação à terra. A

Mecatrônica Fácil nº47 

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m montagem

Redutor de 12
para 6 ou 9 V
Muitos leitores possuem aparelhos alimentados por
pilhas ou bateria de 9 V, que gostariam de poder usar
no carro energizados pela bateria. O redutor que apre-
sentamos (com capacidade de até 1 ampère) é ideal
para este tipo de aplicação.
O mesmo circuito também serve para se obter 9 V ou 6
V a partir de baterias de 12 V em aplicações de meca-
trônica e robótica. Newton C. Braga

Walkmans, CD-players, Passando por um fusível de pro- conectores com polo negativo no
rádios, barbeadores com pilhas, gra- teção e um filtro para evitar que os centro. O leitor deve verificar antes
vadores e até mesmo pequenos tele- ruídos do sistema elétrico do carro da montagem qual é o conector em-
visores podem ser alimentados pela possam chegar até o aparelho ali- pregado no aparelho que deve ser
bateria do carro, mesmo que sejam mentado (X2, C1 e C2), a corrente da alimentado.
projetados para operarem com ten- bateria vai para um circuito integrado Uma inversão de polaridade no
sões de 6 ou 9 V de pilhas comuns. regulador de tensão. aparelho alimentado pode ser perigo-
Com o uso de um redutor, como o Para 6 V temos o circuito integra- so para sua integridade.
mostrado neste artigo, estes aparelhos do 7806. Para 9 V o circuito integrado
é mais difícil de encontrar (7809), no 1
podem ser utilizados no carro sem a Aumentando a tensão de saída do 7808
necessidade de se empregar pilhas entanto, podemos obter esta tensão
que gastam rápido e custam caro. colocando dois diodos a mais no cir-
O aparelho também pode ser facil- cuito com um 7808, conforme mostra
mente adaptado para fornecer 4,5 V a figura 1.
para dispositivos que usam três pi- Para esta finalidade existe o local
lhas (de qualquer tamanho). já programado na placa de circuito
Com um circuito integrado regula- impresso, e que será jumpeado se os
dor de tensão, o projeto é absoluta- diodos não forem usados.
mente seguro e tem proteção contra Para obter uma saída de 4,5 V,
curto-circuitos na saída. usamos o 7805 e um diodo em série
com a saída, havendo também o lo-
Características cal para este componente previsto na
placa e que deve ser jumpeado se a 2
• Tensão de entrada: 10 a 24 volts Uso de um 7805 para obter
(tip) versão for de 6 V ou 9 V, conforme perto de 4,5 V
• Corrente máxima de saída: ilustra a figura 2.
1 ampère Na saída do circuito temos a ten-
• Tensões de saída: 4,5 , 6 ou 9 V são desejada desacoplada por C3 e
aplicada a um conector de acordo
Como funciona com o aparelho que deve ser alimen-
A tensão de 12 V da bateria (13,6 V tado.
na realidade) pode ser obtida do co- Veja que existem aparelhos em
nector do acendedor de cigarros do que o conector é do tipo com polo
carro. positivo no centro, e também outros

10 Mecatrônica Fácil nº47

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montagem m
3 Os capacitores eletrolíticos têm a
Diagrama do redutor
de tensão tensão mínima de trabalho indicada
na lista de material.
Na figura 5 vemos o modo de se
usar o aparelho com um CD player
comum.

Prova e uso
Inicialmente conecte o aparelho
ao carro (pelo conector do acende-
dor de cigarros) e com um multíme-
tro confira a tensão de saída. Uma
tolerância de 10% no valor é admi-
tida, principalmente para as versões
de 4,5 e 9 V.
Verifique se a polaridade da saída
4 está correta.
Placa de circuito impresso
para o redutor Somente depois conecte o apa-
relho que será alimentado e observe
seu funcionamento.
Para os CD players que possuem
um consumo algo elevado pode ocor-
rer um distorção quando o volume é
totalmente aberto, principalmente nos
sons graves. Se isso ocorrer, aumente
o valor de C3. Valores de até 4 700 µF
são admitidos.
Se isso não resolver, reduza o
comprimento do fio que vai até X3.
Sua elevada resistência pode pro-
vocar o efeito indicado pelo acopla-
mento entre as etapas do aparelho
alimentado via fonte.
5 plo, o 7806 fornece 6 V de saída. A Quando não estiver usando o
Uso do redutor com
um CD-player tensão de entrada deve ser de 2 V a aparelho não o deixe ligado ao co-
mais que a de saída até 25 V, aproxi- nector do acendedor de cigarros. f
madamente.
Estes circuitos integrados pos-
suem proteção contra curtos e devem Lista de Materiais
ser montados em radiadores de calor Semicondutores
quando fornecem correntes acima de CI1 - 7805, 7806 ou 7808 - circuito
100 mA, pois tendem a esquenta integrado regulador de tensão, con-
forme a tensão desejada na saída
Montagem D1 - 1N4002 (*)
Na figura 3 temos o diagrama D2, D3 - 1N4002 (**)
para a versão básica de 6 V. Os com- Capacitores
C1 - 100 nF - cerâmico
ponentes indicados com (*) são para
C2 - 1 000 µF/16 V - eletrolítico
a versão de 4,5 V e os componentes
C3 - 100 µF/ 12 V - eletrolítico
indicados com (**) são para a versão
de 9 V. Diversos
Os circuitos Os componentes podem ser fa- X1 - Conector para acendedor de
Integrados 78XX cilmente montados numa pequena cigarros de automóvel
Os circuitos integrados da família 78XX placa de circuito impresso, conforme X2 - Choke - ver texto
são reguladores de tensão que contêm exibe a figura 4. X3 - Conector de eliminador de pilhas
em seu interior todos os componentes Observe que o circuito integrado conforme o aparelho alimentado
para se obter uma tensão fixa de saída precisa de um radiador de calor. F1 - 2 A - fusível
a partir de certa faixa de tensões de O choke de filtro é obtido enrolan- Placa de circuito impresso, caixa para
entrada com correntes de até 1 A. do-se umas 100 voltas de fio esmal- montagem, radiador de calor para o
O número que está no lugar do XX tado 30 ou 32 num resistor de 100 k transistor, suporte de fusível, fios,
indica a tensão de saída. Por exem- ohms x 1/2 W. solda etc.

Mecatrônica Fácil nº47 11

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m montagem

isopor
Cortador de
Newton C. Braga

Materiais plásticos moles como o isopor podem


ser cortados por uma ferramenta dotada de
um fio quente. O circuito que propomos neste
artigo possibilita uma regulagem da potência
ideal para o corte em função da temperatura
da peça, mas também pode ser adaptado para
outras finalidades tanto de uso em mecatrô-
nica como industrial.

O circuito que descrevemos Por outro lado, o circuito é bastan- Entre os dois limites mostrados na
aqui possibilita a regulagem da tem- te eficiente na regulagem permitindo figura em que temos o máximo e o
peratura de um fio quente usado no um ajuste da temperatura com uma mínimo de potência é possível fazer o
corte de peças de isopor numa ferra- boa precisão. ajuste de potências intermediárias.
menta que pode ser construída facil- Para isso, o que temos é um os-
mente conforme mostra a figura 1. Como funciona cilador com o ciclo ativo controlado
Um fio de nicromo é o elemento de O que temos é um circuito PWM, usando um circuito integrado 555.
corte que é aquecido por uma corren- onde a corrente média que circula O ciclo ativo e portanto a separa-
te contínua pulsante, cujo valor médio pelo elemento de aquecimento e por- ção entre os pulsos, é determinada
determina seu aquecimento. tanto sua temperatura, dependem da por R1, R2 e pelo ajuste de P1 além do
Com o uso de um controle PWM é separação entre os pulsos conduzidos capacitor C2.
possível ajustar numa ampla faixa de por um transistor PNP de potência. O capacitor também determina a
valores a corrente circulante pelo fio Se os pulsos estiverem bem es- frequência média do circuito, a qual
e, com isso, sua temperatura. paçados, a corrente média será  bai- pode ser alterada mudando-se a se-
A grande vantagem no uso de um xa e o aquecimento do fio de nicromo paração dos pulsos com a ajuda do
circuito eletrônico no controle é a pos- menor. potenciômetro.
sibilidade de se operar com correntes Se os pulsos estiverem próximos, Este potenciômetro é justamente o
contínuas com isolamento da rede de a corrente média será maior e a potên- controle de temperatura do cortador.
energia, o que traz um elevado grau cia desenvolvida pelo fio de nicromo O sinal obtido do oscilador cujo
de segurança para o equipamento e na forma de calor será muito maior. ciclo ativo irá determinar a potência
economiza as pilhas que, neste tipo de Pela figura 2 o leitor pode perce- aplicada à carga é aplicado ao tran-
aplicação, têm uma duração reduzida. ber o que ocorre. sistor de potência.

1 2
Ferramenta de corte do isopor Controle por pulsos

12 Mecatrônica Fácil nº47

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montagem m
3 4
Usando o circuito no controle Uso do terminal (4) de controle
de uma pequena estufa

5
Diagrama completo do controle

O circuito proposto pode trabalhar Este recurso possibilita o controle


com elementos de aquecimento que do aparelho a partir de sinais digitais
exijam correntes de até 1 ou 2 ampè- externos como, por exemplo, os co-
res, o que leva à chance de seu uso mandos feitos por circuitos de tempo
em outras aplicações tais como: ou ainda sensíveis à luz.
a) Controle de pequenas estufas
ou câmaras de aquecimento, Montagem
ou secagem de tintas. Uma su- Na figura 5 temos o diagrama
gestão de aplicação é a câma- completo do aparelho.
ra de secagem ou manutenção Na figura 6 vemos a placa de cir-
de temperatura para folhas de cuito impresso do aparelho.
papel de impressora, conforme Os componentes usados não são
ilustra a figura 3. críticos. O transistor PNP de potência
b) Controle de brilho de lâmpadas pode ser de qualquer tipo com cor-
incandescentes (dimmer) para rente compatível à carga controlada.
aplicações em laboratórios ou Este componente deve ser montado
ainda paineis de automóveis, em um radiador de calor.
robôs ou outros veículos. O transformador deve ter um se-
c) Controle de velocidade de moto- cundário de 9 + 9 V com corrente
res de corrente contínua, aplica- compatível com a esperada para o
ção que já descrevemos nesta elemento de aquecimento. Para uma
revista em detalhes. aplicação normal, um transformador
Evidentemente, outras aplicações de 1,5 a 3 ampères é o que recomen-
podem ser imaginadas pelo leitor le- damos.
vando-se em conta que o terminal 4 do O elemento de aquecimento usa-
555 pode servir de terminal de controle do na função sugerida pelo artigo co-
para o circuito, veja a figura 4. mo cortador de isopor pode ser obtido

Mecatrônica Fácil nº47 13

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m montagem
de resistores de fio, ou ainda de apa- lei de Ohm. Use um multímetro para É por este motivo que deve-se
relhos de uso doméstico fora de uso verificar a resistência de um pedaço ajustar com bastante cuidado a
que utilizem este material. de comprimento conhecido. temperatura antes de usar a fer-
Aquecedores de cabelo, ferros Podemos dizer que um pedaço ramenta, testando-a previamente
de soldar e outros equipamentos de fio de 20 a 50 ohms é ideal para com um pedaço do material que
(que podem estar queimados) são um cortador de isopor, já que uma deve ser cortado.
fontes potenciais destes fios de ni- temperatura muito alta que seria Para saber qual é a tempera-
cromo que, como necessitam ser obtida com elementos de resistên- tura a ser atingida numa aplica-
aproveitados aos pedaços, não pre- cia menor causaria a abertura não ção é interessante antes medir a
cisam estar completos. de um simples corte, mas o derreti- resistência do pedaço de fio que
O cálculo da corrente e do aque- mento com a produção de uma fen- será usado e, depois, fazer tes-
cimento pode ser feito com base na da irregular no material. tes até obter o comprimento e a
espessura ideal para cada apli-
6 cação.
Placa de circuito impresso
do cortador
Prova e uso
O teste de funcionamento po-
de ser feito utilizando-se, uma
lâmpada incandescente de 12 V
como, por exemplo, uma pequena
lâmpada de interior de carro.
Ligando-se esta lâmpada como
carga, seu brilho deve variar ao se
ajustar P1.
Comprovado o funcionamento
do circuito eletrônico com a lâm-
pada, o leitor pode pensar em fa-
zer os testes com fios de nicromo
obtendo um exemplar que leve aos
efeitos desejados como cortador
de isopor, ou para outra finalidade
que tenha o aparelho.
Veja que fios de nicromo mais
grossos possuem menor resistên-
cia por unidade de comprimento.
Já os mais finos possuem maior
resistência por unidade de com-
primento. Isso significa que, para
um mesmo comprimento, a cor-
rente no mais grosso será maior
e portanto maior a temperatura
gerada.

Outras aplicações
O circuito também pode ser
usado como controle de pequenos
motores e solenóides. No entanto,
como se trata de carga indutiva
deve ser previsto o uso de um dio-
do em paralelo com estas cargas
de modo a proteger o transistor de
potência.
No caso específico de motores
pode haver uma sensibilidade à
frequência situação em que pode
ser necessário alterar o valor do
capacitor do oscilador de modo a
se obter um controle eficiente sem
que o motor vibre nas baixas velo-
cidades. f

14 Mecatrônica Fácil nº47

MF46_isopor.indd 14 22/4/2009 10:10:12


montagem m

Acelerômetro
Este interessante medidor de aceleração pode ser usado
em projetos de robótica e mecatrônica, em testes de labo-
ratório e em experiências de física. Instalado num objeto
que se move ou em um veículo, ele detecta variações da
velocidade (aceleração). Ele utiliza um peso que se movi-
menta de modo proporcional à aceleração, dando uma
indicação remota num instrumento eletrônico.
O circuito pode ser alimentado por tensão de 6 a 12 V de
bateria, fonte ou mesmo por pilhas comuns.

1
Em um robô ou veículo radio- No entanto, para qualquer acelera- A força F depende da aceleração a
controlado, este aparelho serve para ção (positiva ou negativa), ele tende a
medir a intensidade da aceleração sair do equilíbrio e acionar o eixo do
ou frenagem ou ainda, numa curva, a potenciômetro de modo proporcional à
força que aparece em sua decorrência aceleração existente.
e que eventualmente pode alertar para Ora, estando o potenciômetro aco-
o perigo de um tombamento. plado a um circuito indicador, este se
Outra aplicação possível para o encarregará de mostrar o valor desta
aparelho é em experimentos de física, aceleração em um instrumento, de
onde podemos medir o grau de acel- forma bastante precisa se conveni- 2
eração ou frenagem de objetos em entemente calibrado. Escala do microamperímetro
movimento ou mesmo devido à ação No nosso caso, o circuito indicador
de molas e outros mecanismos. é uma ponte de Wheatstone em que
O aparelho também pode ser uti- um dos ramos é justamente o potenciô-
lizado no carro para dar indicações de metro usado como sensor e o indicador
“arrancadas” ou de frenagem. é um microamperímetro comum.
O sistema empregado no aparelho Desse modo, zerando-se o instru-
é muito simples: um peso que se movi- mento, com a ponte em equilíbrio na
menta com a aceleração, saindo da falta de aceleração (aceleração = 0),
posição normal de equilíbrio aciona colocamos o aparelho em condições
um potenciômetro, que é o transdutor. de medir acelerações. O instrumento
O consumo de corrente deste cir- usado no nosso caso é um micro-
cuito é extremamente baixo e ele pode amperímetro com zero no centro
ser facilmente instalado numa pequena da escala, mas até mesmo outros
caixa plástica. tipos podem ser utilizados desde que A disposição dos componentes
Para o carro, o instrumento indica- cuidemos para que na posição de numa ponte de terminais, que é a
dor pode ser fixado no painel. equilíbrio o ponteiro fique no centro da forma mais simples de se fazer a mon-
escala, conforme ilustra a figura 2. tagem, é mostrada na figura 4.
Como funciona Na versão final usamos um regulador Optamos pelo uso de uma ponte
A força que atua sobre um corpo, de tensão 7806 para reduzir os 12 V ou de terminais dada a simplicidade do
retirando-o de uma posição vertical mais de uma bateria de carro para os 6 V circuito, mas nada impede que os
de repouso depende da acelaração a estabilizados de alimentação do circuito. leitores mais habilidosos utilizem uma
que ele está sujeito, conforme mostra No entanto, para a alimentação por placa de circuito impresso.
a figura 1. pilhas basta retirar este regulador de O estabilizador de tensão 7806 não
Assim, prendendo-se uma certa tensão do circuito. precisa de radiador de calor e o poten-
massa ao eixo de um potenciômetro ciômetro P1 deve ser linear.
comum do tipo rotativo, ele tende a ficar Montagem Este potenciômetro deve ter adap-
numa posição de equilíbrio quando em Na figura 3 temos o diagrama tado o mecanismo de acionamento
velocidade constante (ou parado). completo do acelerômetro. com o peso.

Mecatrônica Fácil nº41 15

MF045_Acelerometro.indd 15 22/4/2009 10:10:40


m montagem
3 5
Diagrama do acelerômetro. Sistema de acionamento proposto.

4
Montagem na ponte de terminais. sobre ele, devida à aceleração que se
deseja medir.
O positivo de entrada é ligado a
qualquer ponto positivo da fiação do
carro, se esta for sua aplicação, e o
ponto de zero volt a qualquer ponto do
chassi ou do negativo da fonte.
Para uso em robôs e outros
mecanismos, a alimentação pode ser
retirada do circuito. Uma alimentação
independente pode ser feita com o uso
de quatro pilhas comuns. Neste caso,
o regulador de tensão (7806) pode ser
retirado do circuito.

Observação
O mesmo projeto também pode ser
utilizado como um detector de inclina-
ção, caso em que a escala do instru-
mento será calibrada em graus. f
Lista de materiais

O sistema de acionamento é visto na posição de repouso leve o instru- Semicondutores:


na figura 5. mento à indicação de meia escala. ClI - 7806 - circuito integrado regula-
O peso deve ser suficientemente Depois, movimentando levemente dor de tensão
grande para poder movimentar facilmente o peso, ajuste P2 de maneira que os
o eixo do potenciômetro. Se possível, o movimentos da agulha não sejam Resistores: (1/8 W, 5%)
R1 - 2,2 k ohms - vermelho, vermelho,
leitor habilidoso pode abrir o potenciô- muito bruscos.
vermelho
metro e diminuir a força que a mola pres- Se precisar, aumente o valor
R2, R3 - 10 k ohms - marrom, preto,
sora faz no elemento resistivo de modo de P2 para até 1 Mohms de forma laranja
que ele fique mais mole e, assim, seja a se obter a melhor faixa de com- P1 - 10 k ohms - piotenciômetro linear
acionado com mais facilidade pelo peso. portamento do aparelho em função P2 - 10 k ohms a 1 M ohms - trimpot
Os resistores são de 1/8 W e os capaci- das características do instrumento
tores C2 e C3 não são críticos, tendo por usado. Capacitores:
função apenas evitar movimentos muito Dependendo do fundo de escala e C1, C2, C3 - 10 μF/6V - eletrolíticos
bruscos da agulha indicadora. da resistência, podem ser necessárias
O instrumento indicador é um alterações dos valores de alguns com- Diversos:
microamperímetro de 50 μA com zero ponentes para se obter um aciona- F1 - 500 mA - fusível
no centro, mas microamperímetros de mento suave e preciso. M1 - 50-0-50 μA - microamperímetro
até 500 μA podem ser usados. P2 é um Comprovado o funcionamento e com zero no centro da escala
trimpot comum. feito o ajuste, é só fazer sua instalação
definitiva onde se deseja monitorar a Ponte de terminais, peso e sistema
mecânico sensor, caixa para monta-
Ajuste e uso aceleração.
gem, fios, solda, etc.
Para ajustar, ligue a unidade e colo- O peso deve ficar orientado para
que o eixo de P1 de modo que o peso se movimentar com a força que atue

16 Mecatrônica Fácil nº41

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eletrônica
e
Técnicas de
modulação AM/FM
A montagem de pequenos e médios transmissores para
finalidades didáticas, recreativas, ou mesmo profissio-
nais exige o conhecimento de algumas técnicas impor-
tantes. Uma delas é a relacionada com o modo como a
informação vai ser transportada por uma portadora de
alta frequência, ou seja a modulação.
Neste artigo abordaremos técnicas de modulação
empregadas na prática, principalmente aquelas rela-
cionadas com transmissores de alta potência. O assunto
é de grande interesse tanto para o profissional da área
quanto para os estudantes de engenharia.

Newton C. Braga

1
Conforme sabemos, pa- Os processos de modulações
ra transmitir informações como voz,
imagens e dados através de sinais
de rádio precisamos gerar uma por-
tadora de alta frequência, a qual será
modulada por essas informações.
Sabemos também que existem
diversas técnicas de modulação que
envolvem alterações na frequência,
amplitude, fase, ou qualquer outra ca-
racterística do sinal de alta frequência
que permita uma recuperação da in-
formação posteriormente.
Para os sistemas de alta potência
empregados em telecomunicações e
radiodifusão, os principais processos de
modulação são a modulação em ampli-
tude e a modulação em frequência.
No primeiro caso, variamos a ampli-
tude de uma portadora de acordo com
as variações da amplitude do sinal mo-
dulador, e no segundo caso variações
a frequência da portadora com a am-
plitude do sinal modulador. Mostramos
os dois processos na figura 1.
2
Na prática, quando trabalhamos Transmissor AM
com os circuitos que geram e ampli-
ficam os sinais de alta frequência, o
processo segundo o qual o sinal mo-
dulador é aplicado pode variar bas-
tante, havendo para essa finalidade
configurações que os profissionais
devem conhecer.

Mecatrônica Fácil nº47 17

MF47_AM_FM.indd 17 22/4/2009 10:11:41


e eletrônica
3 4
Modulação em Amplitude Amplificando o sinal e a frequência Amplificando o Áudio
Um transmissor de AM típico pode
conter diversos estágios amplificadores
que, a partir de um oscilador, chegam
ao sinal final que deve ser transmitido,
conforme ilustra a figura 2.
Em algumas configurações, cada
etapa simplesmente amplifica o sinal
da etapa anterior até se chegar à po-
tência final de um sinal que vai ser
aplicado à antena e dela transmitido.
No entanto, existem configura-
ções em que o sinal é gerado numa
frequencia mais baixa e cada etapa, 5 6
Obtendo 100% de modulação Modulação por emissor
além de amplificar esse sinal dobra
também sua frequência, conforme in-
dica a figura 3.
O circuito possui então etapas
dobradoras de frequência, permitin-
do o uso de cristais de frequências
mais baixas para gerar sinais de fre-
quências mais attas. A modulação
de um transmissor que tenha essa
estrutura básica pode ser feita de
diversas formas.
No caso específico de um trans-
missor de informações que correspon-
dam à voz (sons) como, por exemplo,
de radiodifusão, o que se faz é aco-
plar um amplificador de áudio no úl- 7 8
Circuito valvulado Modulação feita pelo anodo da válvula
timo estágio amplificador, observe a
figura 4.
O amplificador usado deve ter uma
potência que depende da etapa final
de RF no qual ele está acoplado de
modo a se obter 100% de modulação,
veja a figura 5.
Para uma etapa transistorizada,
a modulação realizada dessa forma
pode ter uma configuração seme-
lhante à da figura 6, em que realiza-
mos o que se denomina modulação
por emissor.
O sinal modulador é aplicado a um
transformador cuja finalidade é além Nesse tipo de circuito temos a Um circuito modulador de potência
de isolar o circuito de modulação do vantagem de que a amplificação do muito alta trabalhando com modula-
circuito de RF também casar suas transistor ou válvula é aproveitada no ção pelo anodo de uma válvula, como
impedâncias, controlando a corrente processo de modulação, e com isso exemplificado na figura 9, pode ser
de emissor do transistor amplificador não precisamos de uma potência da encontrado em alguns transmissores
e com isso a amplitude do sinal. A mesma ordem que a da etapa final de de radiodifusão, onde os transistores
modulação ocorre justamente em RF para obter 100% de modulação. ainda não conseguem gerar um sinal
vista das características não lineares A desvantagem desse tipo de cir- com a mesma intensidade.
do transistor. cuito está na elevada distorção har- Nesse circuito temos uma válvula-
Evidentemente, a mesma configu- mônica que ele introduz. triodo de alta potência alimentada com
ração tem seu equivalente nos circui- Por outro lado, quando se faz a uma tensão da ordem de 10 a 15 kV
tos valvulados, uma vez que, quando modulação pelo anodo da válvula, ob- que passa através de um transfor-
se trabalha com potências muito altas, serve a figura 8, é preciso usar uma mador modulador. A excitação des-
os transmissores ainda empregam potência muito alta para essa finalida- se transformador modulador é feita
válvulas. Na figura 7 temos um circui- de, da mesma ordem que a potência por uma etapa em push-pull também
to valvulado para essa finalidade. do transmissor. usando válvulas-triodo.

18 Mecatrônica Fácil nº47

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9 10 11
eletrônica
e
Circuito modular de O uso de válvulas-tetrodo Modulando o sinal numa
potência muito alta etapa intermediária

Um ponto importante que deve ser 12


Empregando um MOSFET
considerado nesse circuito é a neces- de porta dupla
sidade de neutralização, uma vez que
o retorno de RF para a válvula pode
fazer com que ela tenda a oscilar.
Uma forma de se evitar os proble-
mas de realimentação é com o uso de
válvulas-tetrodo ou pentodo. Na figu-
ra 10 temos um exemplo de circuito
de alta potência, do tipo encontrado
em emissoras de radiodifusão para
modulação em amplitude.
Nessas configurações, o sinal
modulador pode ser aplicado à grade
de blindagem. A desvantagem delas
está na distorção relativamente alta
que ocorre. O uso de tetrodos, além
de proporcionar maior ganho, reduz
os problemas de neutralização. Nes-
se circuito, é interessante observar os altera com o sinal modulador é a sua frequência gerada quando modulado,
percursos dos sinais de altas frequên- frequência. A modulação em frequên- esse desvio fica multiplicado nas eta-
cias e dos sinais moduladores de bai- cia pode ser direta ou indireta. pas seguintes, obtendo-se a profundi-
xas frequências. Na modulação direta atua-se di- dade de modulação desejada.
Se o transmissor tem uma potên- retamente sobre o circuito oscilador Uma desvantagem desse tipo de
cia muito alta, tornando-se problemá- que determina a frequência do trans- circuito está no fato de que ao mesmo
tico o uso de um amplificador de áudio missor. A atuação pode ser feita dire- tempo que se obtém uma modulação
com potência da mesma ordem para tamente sobre os elementos L ou C em freqüência, uma alteração da am-
a modulação, o que se faz é modu- desse circuito. plitude do sinal também é inevitável.
lar o sinal numa etapa intermediária Na figura 12 vemos um circuito Isso acontece porque, saindo da
de amplificação, conforme mostra a modulador de reatância em que se frequência de ressonância, o ganho
figura 11. emprega um MOSFET de porta dupla da etapa se altera. Para que não
Existem três configurações básicas em um oscilador. ocorrar esse problema, o sinal aplica-
destinadas à modulação em etapas Nesse circuito, de modulação di- do à etapa seguinte deve passar por
intermediárias com menor potência: reta, normalmente opera-se numa algum tipo de circuito limitador que
Chireix, Ampliphase e Doherty. Elas frequência mais baixa do que a de sa- mantenha sua amplitude constante
se baseiam na combinação de sinais ída do transmissor, sendo o seu sinal dentro da faixa de modulação.
com fases diferentes. aplicado a etapas multiplicadoras de Um outro fato importante a ser
frequência e amplificadoras. considerado está na possibilidade de
Modulação em Frequência Isso também é necessário porque, geração de bandas laterais pelo ba-
Na modulação em frequência, a para maior estabilidade o circuito de- timento da frequência de modulação
característica da portadora que se ve operar com um desvio pequeno na com o sinal da portadora. Para que

Mecatrônica Fácil nº47 19

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e 13
eletrônica
14
Obtendo a modulação direta da frequência Caracteristicas dos diodos varicaps Se aplicarmos ao diodo varicap
um sinal de baixa frequência, e ele
estiver ligado no circuito oscilante, o
resultado será uma modulação em
frequência do sinal de alta frequência
gerado pelo oscilador.
Na figura 15 temos o circuito tí-
pico de um oscilador modulado em
frequência por um varicap.
Na modulação indireta, o que se
faz é aplicar o sinal modulador em um
circuito modulador de fase, veja na
figura 16.
Podemos, então, usar um osci-
lador controlado por cristal, o que
garante excelente estabilidade de
funcionamento.
Nesse circuito, o sinal gerado
15 pelo oscilador é aplicado ao modula-
Circuito típico do oscilador modulado
em frequência por um VARICAP dor de fase juntamente com o sinal
modulante. Na saída deste circuito
temos a portadora modulada em fase
ou MPH.
Uma desvantagem desse sistema
é que o desvio de frequência obtido
é pequeno, e ainda existe distorção
e ruído.
Podemos ter um sistema muito
melhor para modular um sinal em fre-
quência se associarmos os dois pro-
cessos vistos anteriormente.
O sinal modulador é aplicado dire-
tamente ao oscilador de onde é obtida
uma amostra da frequência que já es-
tá modulada. Esse sinal é comparado
16 com o sinal do oscilador controlado a
Aplicando o sinal modulador em
um ccircuito modulador de fase cristal, gerando assim uma tensão de
erro. Essa tensão de erro é reaplicada
ao oscilador livre de modo a controlar
sua frequência.

Conclusão
Nos processos práticos de modu-
lação podemos ter diversas tecnolo-
gias, encontrando configurações que
dependem não apenas dos compo-
nentes utilizados, mas inclusive da
potência do equipamento e do de-
sempenho desejado.
isso seja evitado, o sinal aplicado ao depende da tensão inversa que lhes As tecnologias que vimos são
modulador deve passar por um filtro seja aplicada, de acordo com o gráfi- básicas, e muitos desenvolvimentos
que elimine suas componentes de fre- co da figura 14. têm sido observados nesse campo
quências mais altas. Assim, se não houver tensão apli- com circuitos que permitem a aten-
Uma forma muito utilizada de se cada a esses diodos, a junção terá ção de sinais modulados de alta
obter a modulação direta de frequên- sua largura mínima atuando como o qualidade.
cia é através de diodos de capaci- dielétrico de um capacitor, resultando Este artigo apresentou apenas
tância variável ou varicaps, conforme numa capacitância máxima. uma breve introdução teórica que
configuração ilustrada na figura 13. Com uma tensão inversa aplicada, permite ao leitor entender como os
Os diodos varicaps possuem uma a largura da junção aumenta e com circuitos moduladores podem ser ela-
característica de capacitância que isso a capacitância diminui. borados na prática. f

20 Mecatrônica Fácil nº47

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eletrônica
e

Retificação e
Filtragem
Boa parte dos projetos eletrônicos são alimen-
tados por pilhas e baterias que são fontes de
corrente contínua ou seja, dispositivos que
fornecem uma tensão constante que força a
corrente em um único sentido. No entanto,
existem casos em que precisamos ligar o apa-
relho na rede de energia que consiste numa
fonte de corrente alternada. Como converter a
corrente alternada em contínua para alimentar
os circuitos que exigem esse tipo de corrente é
o que veremos neste artigo.

Newton C. Braga

1
Os circuitos eletrônicos co- correntes que invertem constante- Corrente X Tempo num circuito
muns, em sua maioria, exigem ten- mente de sentido de circulação, ou de corrente contínua
sões contínuas para sua alimentação, seja, que circulam ora num sentido,
podendo essas serem fornecidas por ora em outro, mudando rapidamente
pilhas ou baterias. de polaridade.
Nos circuitos de corrente contínua, Nesses geradores, o polo positivo
a corrente consiste num fluxo de elé- aparece de um lado, uma fração de
trons que partem do polo negativo do segundo, e depois passa para o ou-
gerador, passam pelo circuito (carga) tro, mantendo-se nele também por
e depois retornam ao gerador pelo uma fração de segundo, e isso num
seu polo positivo. processo constante de inversão, con-
Essa corrente, se bem que possa forme exibe a figura 2. 2
Gerador e forma de onda
variar de intensidade em função do A corrente nesses circuitos cons- de corrente alternada
consumo do circuito alimentado, nunca titui-se, portanto, mais numa agi-
inverte seu sentido de circulação, por tação dos elétrons que vão e vêm,
isso é denominada corrente contínua do que propriamente num fluxo
(CC) ou corrente direta se adotarmos o constante dessas cargas. Esse tipo
termo inglês cuja abreviação é DC. de corrente é denominada corrente
A corrente contínua, conforme alternada (CA ou AC) sendo que os
mostra a figura 1, pode então ser de- geradores que a produzem, são os
finida como aquela em que o sentido alternadores.
de circulação é único. Essa corrente É importante notar que os efeitos
será pura, se além disso sua intensi- obtidos com a corrente alternada na
dade não variar com o tempo, como transmissão de energia elétrica são
ilustra o mesmo gráfico. os mesmos que os obtidos com sua
Por outro lado, existem geradores transmissão em corrente contínua,
que podem estabelecer nos circuitos veja a figura 3.

Mecatrônica Fácil nº47 21

MF47_retificacao.indd 21 22/4/2009 10:12:46


e eletrônica
3 4
Entretanto, certas vantagens fa- Os efeitos da corrente alternada são Retificador simples
zem com que a energia levada para os mesmos da corrente contínua
nossas casas seja através de uma
corrente alternada, o que quer dizer
que é preciso tomar cuidado com sua
utilização, pois os equipamentos que
somente usam correntes contínuas,
não podem ser ligados diretamente a
uma tomada.
Caso desejar usar a corrente al-
ternada disponível na rede de alimen-
tação, será necessário transformá-la
em corrente contínua. Os equipa-
mentos eletrônicos projetados para
serem ligados à tomada de energia
precisam de circuitos especiais que 5 6
Retificação positiva e negativa Transformador comum
exercem justamente essa função.
O processo de obtenção de uma
corrente continua a partir de uma cor-
rente alternada denomina-se retifica-
ção, e os diodos semicondutores são
os componentes mais empregados
nesses circuitos, dada a propriedade
que possuem de conduzir a corrente
somente num sentido.
Um circuito retificador caracte-
riza-se, portanto, por possibilitar a
obtenção de uma corrente contínua
a partir de uma fonte de corrente
alternada.
O retificador mais simples pode ser Observe que no processo de re- 7
Símbolo e aspecto eletrolítico
construído com um diodo semicondu- tificação, a tensão aplicada ao diodo
tor, conforme sugere a figura 4. sofre grandes alterações, de modo
Se aplicarmos uma tensão alter- que para obter-se uma tensão de 9 V
nada nesse diodo, apenas no mo- de uma tensão alternada de 110 V ou
mento em que a corrente for forçada 220 V, um processo simples de retifi-
no seu sentido direto de condução é cação não é suficiente.
que ela poderá circular, ficando en- Neste caso usamos um transforma-
tretanto bloqueada nos momentos dor, que é um dispositivo cujo princípio
em que o diodo ficar polarizado no de funcionamento está na indução
sentido inverso. eletromagnética. Esse componente
Depois do diodo, obtemos ape- pode abaixar ou elevar uma tensão
nas os semiciclos correspondentes à alternada, como a da rede de ener-
circulação da corrente num sentido. gia, levando-a ao valor necessário a
Dizemos que se trata de uma corren- uma aplicação. Na figura 6 vemos um
te contínua pulsante. transformador comum, encontrado em
Em uma linguagem mais apropria- tipos de equipamentos eletrônicos. A função do capacitor é funcionar
da dizemos que a corrente alternada Devemos ainda notar que a cor- como uma espécie de reservatório
consiste em um sinal sinal senoidal rente contínua após a retificação não de energia de modo a suprir o circui-
em que temos semiciclos positivos é pura, mas constituída por pulsos de to com corrente nos intervalos entre
e negativos. Conforme a posição corrente num único sentido, o que na os pulsos de corrente fornecidos pelo
no circuito, o diodo pode conduzir maioria das aplicações não serve pa- retificador. São usados normalmente
apenas os semiciclos positivos ou ra se obter o funcionamento normal. capacitores eletrolíticos de valores
somente os semiciclos negativos, Para termos uma corrente con- altos, com símbolo e aparências da-
confira a figura 5. tínua pura ou com um mínimo de dos na figura 7.
Num caso a corrente contínua terá ondulações, devemos empregar um Em diversas montagens podem
um sentido e no outro caso, sentido sistema de filtragem que normalmen- ser usadas fontes simples utilizando
oposto. Dizemos que se trata de cir- te é constiutuído por capacitores e apenas diodos retificadores ligados à
cuitos de retificação positiva ou retifi- eventualmente alguns outros compo- rede de energia, mas nos casos mais
cação negativa. nentes adicionais. elaborados temos diversos outros

22 Mecatrônica Fácil nº47

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8 9
eletrônica
e
componentes que permitem proteger, Símbolo e aspecto do Valores em uma forma
regular e isolar a fonte. transformador comum de onda senoidal
Na montagem de fontes de
alimentação, o leitor deve tomar
cuidado com o manuseio dos com-
ponentes, principalmente o transfor-
mador, diodos e capacitores, pois
são componentes polarizados.
Algumas recomendações iniciais
serão dadas a seguir para aqueles
que montarão sua primeira fonte de
alimentação.

Transformadores
Os transformadores mais co-
muns, cujos símbolo e aspecto são
apresentados na figura 8, são for-
mados por dois enrolamentos deno-
minados primário e secundário. significa que ela tem picos maiores, Essa tensão pode ser obtida mul-
Na compra de um transformador conforme ilustra a figura 9. tiplicando-se por 1,41 a tensão do se-
devem ser especificadas a tensão Assim, na rede de 110 V, por cundário do transformador.
do enrolamento primário que é a da exemplo, os picos superam os 150 V. Por exemplo, um transformador
sua rede de energia e a tensão do Um diodo que suporte apenas 120 de 6 V de secundário terá uma ten-
secundário, além da corrente má- V pode queimar-se nessa rede. O são de pico da ordem de 6 x 1,41
xima que pode-se obter do enrola- diodo usado deve ter uma tensão = 8,46 V depois do diodo, despre-
mento secundário. de pelo menos 200 V. Para a rede zando-se a queda de aproximada-
Por exemplo, um transformador de 220 V é conveniente usar diodos mente 0,6 V no diodo. Isso significa
de 110 V x 6 V x 500 mA é um trans- que tenham tensões inversas de pe- que um capacitor que seja usado na
formador feito para se ligar na rede lo menos 400 V. filtragem nesse ponto deve ter uma
de 110 V, e dele obtemos uma ten- A corrente do diodo, por outro la- tensão de trabalho de pelo menos
são de 6 V no secundário com uma do, pode ser igual ou maior do que a 10 V.
corrente máxima de 500 mA. exigida pelo circuito, dando-se uma Observe ainda que essa será a
Veja que em um projeto, sempre margem de segurança, é claro, para tensão que estará presente na saí-
podemos usar um transformador que que o diodo não trabalhe no limite. da da fonte, quando ela não estiver
tenha uma corrente maior do que a Normalmente, nas listas de ma- alimentando nenhum circuito. No
especificada, mas nunca menor. terial dos projetos que usam fontes, momento em que ela alimentar uma
Para um transformador maior, o as especificações dos diodos são carga, sua tensão cairá.
circuito alimentado drenará apenas dadas de modo que o leitor não pre- Na utilização de um capacitor
a corrente que ele precisa e nada cise se preocupar muito, a não ser eletrolítico o leitor deve ainda ob-
demais acontecerá. que vá projetar sua própria fonte de servar cuidadosamente sua polari-
Por outro lado, um transformador alimentação. dade, pois se ele for invertido pode
menor não consegue fornecer a cor- queimar-se, entranto em curto e
rente exigida podendo sofrer uma Capacitores causando danos ao diodo, transfor-
sobrecarga com excesso de aqueci- Os capacitores eletrolíticos usa- mador e até mesmo a outros com-
mento e queima. dos em filtragem, normalmente en- ponentes.
contrados nas fontes comuns, são
Diodos especificados pela sua capacitância Conclusão
Os diodos são especificados e tensão de trabalho. Fontes são fundamentais para
em função de sua máxima tensão Geralmente, no setor de filtragem o bom funcionamento dos circuitos
inversa e da corrente máxima que são exigidos capacitores de grandes eletrônicos. Neste artigo demos uma
podem conduzir no sentido direto. capacitâncias, sendo típicos os va- idéia de como elas funcionam, atra-
Na construção de fontes, o princi- lores entre 470 μF e 100 000 μF, de- vés de um processo de retificação e
pal cuidado que devemos ter é que pendendo da tensão e da corrente filtragem.
a tensão máxima seja sempre pelo da fonte. Se o leitor quiser se aprofundar
menos uns 80 % maior que a tensão A tensão de trabalho do capacitor em fontes recomendamos o livro
do circuito. eletrolítico de uma fonte normalmente “Fontes de Alimentação” de Newton
Isso ocorre porque normalmente deve ser maior que a tensão de pico C. Braga, que pode ser adquirido
a tensão do circuito (alternada) é da- da tensão pulsante obtida depois do na Nova Saber (www.novasaber.
da em valores rms (root mean squa- retificador, ou seja, a tensão de pico com.br). f
re) ou valor médio quadrático, o que do secundário do transformador.

Mecatrônica Fácil nº47 23

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r robótica

Escolhendo
músculos de robôs
No projeto de um robô, ou mesmo de um dispositivo
mecatrônico como um braço mecânico ou um sistema
efetor, o montador pode contar com diversas opções
de dispositivos. Podem ser usados solenóides, SMAs,
motores, atuadores lineares, sistemas pneumáticos
etc. Todavia, a escolha de um deles depende de diver-
sos fatores que às vezes confundem o projetista.
Como saber qual é a melhor solução para um projeto?
Newton C. Braga
É justamente disso que trataremos neste artigo.

Nossos músculos não pos- a) Sistema Hidráulico zene pressão, a qual não não pode
suem apenas “um equivalente mecâ- Vantagens: obtém-se a maior estar disponível por muito tempo.
nico”. Existem diversas opções para potência de todos os sistemas descri- Do mesmo modo que nos sistemas
o projetista que visa dotar um meca- tos em relação ao tamanho. Se alta hidráulicos, o sistema é sensível ao
nismo de movimento. pressão estiver disponível, consegue- escape (fugas), tornando-se crítica
Podem ser usados motores, se operação do dispositivo com alta sua montagem.
solenóides, sistemas hidráulicos ou velocidade de resposta.
pneumáticos, e até mesmo as Shape Desvantagens: as válvulas usa- c) SMA
Memory Alloys ou Ligas com Memória das são caras, e qualquer pequeno Vantagens: simples de utilizar.
de Forma. escape de pressão pode causar Precisa apenas de uma fonte de cor-
No entanto, não basta escolher problemas de funcionamento. A rente constante ou PWM apropriada.
um tipo e realizar o projeto para que vedação do sistema pode ser crítica, Desvantagens: velocidade de res-
ele funcione da melhor maneira. É dependendo da aplicação. Da mesma posta muito baixa. Menos de 1 cont-
preciso saber que cada tipo de equiv- forma, acionadores pequenos são ração por segundo, em média. Não
alente muscular de um robô ou outro difíceis de obter e de trabalhar com é fácil de obter em nosso mercado e
dispositivo mecatrônico possui car- eles. O sistema para disponibilizar a seu custo é relativamente elevado. O
acterísticas específicas, que podem pressão é complexo e caro em alguns rendimento também não é dos maio-
significar vantagens e também des- casos. res: a taxa de contração é pequena,
vantagens nas aplicações. podendo trazer problemas de projeto,
Para entender que tipo de solução b) Sistema Pneumático dependendo da aplicação.
deve ser adotada em um projeto pre- Vantagens: pode-se obter uma
cisamos estar atentos justamente a boa potência em relação ao tamanho, d) Músculo Pneumático
estas propriedades, que passamos a e se alta pressão for disponível, ter- Vantagens: tem as mesmas van-
analisar agora. emos uma resposta muito rápida aos tagens dos sistemas pneumáticos.
comandos. Desvantagens: as velocidades de
Prós e contras das opções Desvantagens: devido ao fato dos operação são baixas e a potência não
No que se refere aos tipos comuns gases poderem ser comprimidos, isso é das maiores. Exige-se um sistema
de soluções adotadas para se prover causa uma certa instabilidade de fun- que forneça a pressão constante-
um mecanismo de movimento, temos cionamento. Exige-se um compres- mente: um compressor ou outra fonte.
os seguintes casos: sor ou então um sistema que arma- O sistema também é crítico ao escape

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robótica r
e vazamentos, podendo tornar-se ins- g) Servomotores
tável. Sua montagem é relativamente Vantagens: são pequenos e têm um
simples, mas a obtenção do gás sob custo relativamente baixo. Em alguns
pressão pode ser problemática. casos, os controladores também são
simples e baratos. Não necessitam de
e) Motores Elétricos de Cor- recursos especiais como reduções.
rente Contínua Desvantagens: possuem uma
Vantagens: não precisam de potência muito baixa e são lentos, quando
nenhum recurso mecânico adicional comparados aos motores de passo ou
como válvulas ou canalizações. Sim- sistemas pneumáticos. No nosso país
ples de usar, pois basta ter um cir- não são obtidos com facilidade, principal-
cuito de controle apropriado. Podem mente nos locais mais afastados.
ser interfaceados diretamente com
microcontroladores. São encon- h) Atuadores Lineares
trados numa grande variedade de Vantagens: são muito fortes,
tamanhos, tensões de alimentação e podendo realizar esforços grandes.
potências. São simples de usar, pois basta ter
Desvantagens: são pesados em a alimentação elétrica apropriada.
relação a outros sistemas de pro- Podem facilmente ser acoplados a
pulsão e precisam de uma potência controles por microprocessadores ou
elevada para funcionar. Apresentam mesmo computadores.
problemas de aquecimento e neces- Desvantagens: na maioria dos casos
sitam de sistemas de redução com são grandes demais para utilização em
engrenagens e outros recursos. Os sistemas que exigem dispositivos peque-
sistemas de redução são igualmente nos como, por exemplo, robôs móveis.
pesados e em alguns casos caros. Não são simples de se obter e custam
Dependendo da potência, podem caro. Em alguns casos devem ser fabri-
também gerar calor. cados pelo próprio montador.

f) Motores de Passo Comparativo


Vantagens: são relativamente A tabela 1 faz uma comparação
pequenos, precisos e não necessi- entre os diversos sistemas, com base
tam de elementos adicionais. Podem na seguinte legenda:
ser interfaceados diretamente com os B – Baixo S – Sim
circuitos de controle como, por exem- M – Médio N – Não
plo, computadores. Seu uso é relati- A – Alto P – Pequena
vamente simples quando não se exi- MB – Muito baixo
gem movimentos complexos. Podem
ser obtidos em uma grande variedade Conclusão
de tamanhos e potências. Antes de escolher o sistema
Desvantagens: possuem uma que será usado no seu projeto, leve
potência muito baixa. Para se obter em consideração todos os fatores
maior potência precisam ser acopla- indicados acima, além de outros que
dos a caixas de redução. Requerem podem ser específicos da aplicação.
circuitos de controle que, em alguns Analise o comportamento de cada
casos, podem ser bastante complexos atuador para verificar se atende às
em função do movimento desejado. suas necessidades. f
T1
Músculo Motor Motor Servo
Hidro. Pneum. SMA Atuador
Pneum. DC Passo Motor
M -A M P M P P P M Peso
P–M P–M P M -A P P P M-A Tamanho
P-M P–M P B M P-M P M -A Custo
S S N S N N N N Válvulas
A B-M - B-M - - - - Custo da válvula
S S S S S S S S Exige controlador
A M-A B M B-M B-M B A Potência
M-A M-A MB B-M M A B M-A Velocidade

Mecatrônica Fácil nº47 25

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e escola

A arte de escrever
Mensagens Ocultas
Com o sucesso do livro e do filme “Código
Da Vinci”, os artefatos estranhos da estória,
contendo mensagens ocultas, têm chamado a
atenção de muitas pessoas. A criptografia e
a esteganografia, amplamente abordadas por
Dan Brown em sua obra, escondem muitos
mistérios que o leitor poderá entender atra-
vés deste artigo.

Newton C. Braga

Esteganografia consiste na torne ilegível. Depois, o mesmo texto é Um exemplo moderno, pode ser
arte ou ciência de se escrever mensa- modificado de alguma maneira tal que dado nos próprios arquivos que cir-
gens ocultas de tal forma que ninguém sua presença não possa ser detecta- culam pela Internet e que podem es-
saiba que elas existem. É diferente da da, obtendo-se assim um estegotexto. conder mensagens secretas de uma
criptografia, onde a mensagem tem Um exemplo interessante de este- forma extremamente interessante.
sua existência conhecida, mas não se ganografia que pode ser dado é do
sabe como decifrá-la. tempo dos gregos antigos. Naquela Esteganografia Digital
Um texto embaralhado, como o pro- época tábuas com textos secretos Informações comuns enviadas na
duzido pela famosa máquina Enigma, eram cobertas de cera de modo que a forma digital apresentam uma caracte-
é um texto criptografado. No entanto, mensagem ficava escondida. Bastava rística que facilmente permite que elas
um microponto numa mensagem que derreter ou remover a cera para que sejam utilizadas para codificar mensa-
ninguém sabe que existe é uma men- ela pudesse ser lida. gens codificadas na forma oculta.
sagem esteganografada. Um outro exemplo é dado por He- Partindo do fato de que as imagens
Um texto “escrito ao contrário” co- ródoto. Diante da invasão dos persas, digitais são formadas por conjuntos
mo Leonardo da Vinci costumava fa- precisando alertar um general sobre de bits que representam a porcenta-
zer, de modo a só poder ser lido com isso, mas de forma secreta, o rei man- gem com que cada cor está presente,
a ajuda de um espelho é um exemplo dou raspar a cabeça de um escravo, podemos usar isso de forma atraente,
de criptografia. onde escreveu a mensagem. conforme encontramos em documen-
A palavra “esteganografia” é atri- Depois que o cabelo cresceu, tação na Internet.
buida a Johannes Trithemius, grafada mandou o escravo procurar o gene- Uma imagem em bitmap, por
com o título “steganographia”, em livro ral com a ordem simples de rapar a exemplo, utiliza 24 bits para 8 bits
em que o autor tratava destas técnicas cabeça. Se caísse em mão inimigas o para representar a cor de cada pixel.
como “magia negra” . escravo não saberia dizer o conteúdo Com 8 bits temos 256 níveis de cores
O leitor não deve confundir estega- da mensagem (pois não pode ler o primárias, o que é mais do que sufi-
nografia com estenografia, que é a téc- que estava em sua cabeça) e os ini- ciente para combinar esses níveis,
nica de se escrever de forma abreviada migos certamente não pensariam em obtendo milhões de combinações pa-
rápida, muito usada pelas secretárias procurar lá a mensagem. ra as cores finais.
(não eletrônicas) que, antes do advento Evidentemente, em nossos dias, Se reduzirmos essa quantidade pe-
do gravador, tinham de anotar tudo que em que as mensagens precisam ser la metade, nossa visão provavelmente
se passava numa reunião ou mesmo enviadas rapidamente, essa técnica não notará muita diferença. Isso signi-
as cartas ditadas pelos chefes. não funcionaria. Mas, atualmente, fica que podemos usar, por exemplo,
Para se obter um texto estegano- existem variações muito interessan- os 2 últimos bits da proporção em que
gráfico é comum que em primeiro lugar tes para a tecnologia usada na este- cada cor entra em cada ponto de uma
ele seja encriptado, ou seja, passe por ganografia que podem estar sendo imagem em bitmap, para embutir uma
algum tipo de processamento que o aplicadas neste momento. mensagem ou uma imagem secreta.

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escola
e

as

1
Com dois bits de cada ponto de Imagem obtida na internet
cor, temos 6 bits, o que é mais do
que suficiente para embutir numa
imagem caracteres e números, além
de sinais gráficos.
Para que o leitor tenha uma idéia
do potencial em que isso ocorre, en-
contramos na Wikipedia um interes-
sante exemplo de esteganografia feita
com uma imagem em bitmap, usando
2 bits de cada componente de cor.
A imagem original enviada é a
mostrada na figura 1.
Removendo-se os dois últimos
bits de cada componente de cor do
arquivo bitmap dessa imagem, ob-
tém-se uma imagem praticamente
negra. No entanto, aumentando-se
2
o brilho dessa imagem em 85 ve- Imagem decodificada
zes, obtém-se a imagem vista na
figura 2.
Quanto maior for a quantidade de
bits usada na transmissão de uma
imagem, mais fácil é esconder uma
mensagem ou uma segunda imagem,
sem que isso seja percebido e com a
possibilidade de se obter maior capa-
cidade de ocultação para a mensa-
gem secreta.
Por esse motivo, as imagens di-
gitais disponíveis na Internet são um
“prato cheio” para os mal intenciona-
dos que desejam enviar mensagens
secretas de maneira praticamente
indetectável.

Mecatrônica Fácil nº47 27

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e 3
escola
4 5
Decodificando uma mensagem com Produzindo um microfilme Usando um microfilme
tinta invisível, usando-se água com microponto

Especula-se que o próprio Bin Outras Técnicas O microponto pode então ser colo-
Laden tenha usado esse recurso Existem diversas técnicas inte- cado sob o selo de uma carta comum,
para enviar ordens aos seus subor- ressantes, algumas envolvendo ele- ou mesmo substituir um pingo no “i”
dinados, de uma maneira simples, trônica, que permitem ocultar uma de um determinado texto, já conhe-
se bem que isso não tenha sido pro- mensagem em outra aparentemente cido por quem vai receber a mensa-
vado. Bastava aplicar uma técnica inocente, ou mesmo em imagens ou gem, veja a figura 5.
de extração simples da imagem dis- objetos. Vamos citar algumas. Diversos micropontos numa men-
ponível, para revelar imediatamente sagem permitem enviar longos docu-
a mensagem ou imagem estegano- Tinta invisível mentos e planos secretos.
grafada! Pode-se escrever uma carta ino-
O mais grave dessa técnica é que cente a um parente e nas entrelinhas Terrorismo e
a introdução da informação secreta uma mensagem secreta com tinta in- Contramedidas
numa imagem comum torna-a prati- visível. Somente quem sabe da exis- Especula-se que as ordens dadas
camente indetectável. Não há pratica- tência da segunda mensagem, pode por Bin Laden para o ataque de 11 de
mente nenhuma alteração visível na fazer sua revelação. setembro tenham sido feitas através
imagem enviada que possa levar um Se o leitor gosta de experimen- de imagens esteganografadas coloca-
eventual interceptador a desconfiar tar com coisas diferentes, pode es- das em sites públicos como o eBay. As
de algo, conforme vimos nas imagens crever sua mensagem secreta com mensagens estariam “perdidas” entre
dadas como exemplos. a tinta invisível, para a qual damos milhões de imagens que circulam pe-
Na própria transmissão de ima- a fórmula a seguir (que não é nada la internet e somente quem soubesse
gens digitais com compressão JPEG secreta). exatamente onde elas se localizariam
ou MPEG pode-se ter a inclusão de Dissolva meio-a-meio água e de- e como extraí-las, teria acesso.
mensagens secretas esteganografa- tergente comum, enchendo com a Os terroristas da Al-Qaeda tam-
das com facilidade. mistura uma caneta-tinteiro comum. bém estariam usando mensagens
Na transmissão de imagens na Escreva a mensagem de disfarce com via e-mail com textos ocultos, que
forma comprimida é comum a intro- uma caneta esferográfica comum e facilmente passariam despercebidos
dução de ruído em substituição a nas entrelinhas a mensagem secreta em textos comuns, como as técnicas
certa redundância (abordamos esse com a tinta invisível descrita. esteganográficas ensinam.
assunto em série de artigos da Revis- Esperando que a tinta “seque”, Contudo, muitas dessas especu-
ta Saber Eletrônica em que tratamos você verá que a mensagem secreta lações perderam sua força quando o
da TV Digital). desaparece. Para revelar basta mo- correspondente Jack Kelley, um dos
Esse ruído, no caso da TV digi- lhar a folha de papel, conforme ilustra que afirmava a existência dessas téc-
tal e de imagens comprimidas (que a figura 3. nicas foi pego num grande escândalo
podem ser enviadas para celulares), em 2004, por forjar histórias fantásti-
consiste em um conjunto de bits ale- Micropontos cas inventando fontes inexistentes. O
atórios. Porém, nada impede que Essa é uma técnica muito usada próprio New York Times andou publi-
eles sejam substituídos por uma se- pelos espiões da época anterior a Ja- cando em 2001 artigos afirmando que
quência não aleatória que leve uma mes Bond (que é de “alta tecnologia”). a Al-Qaeda usava técnicas estegano-
mensagem secreta. Os espiões na Segunda Guerra Mun- gráficas para contactar seus agentes.
Somente o receptor que saiba des- dial usaram muito esse recurso. Posteriormente, foi capturado um
se conteúdo pode aplicar o algoritmo A técnica consiste em se fotogra- manual de treinamento daquela or-
que faça a sua extração. Os demais far a mensagem ou plano secreto e, ganização e nele não havia nenhuma
não terão sequer a ideia de que essa depois, reduzir a imagem a um micro- citação a qualquer técnica estegano-
mensagem existe! Para eles aqueles ponto usando uma câmera fotográfica gráfica (ou ela também estaria este-
bits a mais, se acessados, serão in- especial adaptada a um microscópio ganografada para ninguém saber...).
terpretados como ruído. invertido, conforme exibe a figura 4. Segundo o manual, os militantes da-

28 Mecatrônica Fácil nº47

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escola
e
quela organização ainda se baseavam
em técnicas antigas de cifras e códigos
para suas mensagens.
De qualquer forma, o fato de sa-
bermos que a tecnologia existe e
que é possível esteganografar men-
sagens disfarçadas em praticamente Inversores de Frequência
qualquer coisa, nos leva a repensar Teoria e Aplicações
nossa capacidade de análise.
A análise de mensagens este-
ganografadas é denominada “este- Técnicos, tecnólogos e engenheiros que
ganoanálise”. Uma maneira simples atuam nas áreas de automação, mecatrônica
de tentar detectar uma mensagem e eletrotécnica, além de profissionais que
oculta que esteja disponível na forma desejam manter-se atualizados, podem se
de uma imagem na internet ou outro beneficiar deste livro.
arquivo é comparar o arquivo dela Com uma linguagem clara e objetiva
com o arquivo da imagem original, aborda os conceitos básicos dos inversores
detectando alterações. de freqüência, seus princípios de funciona-
É claro que, para isso, devemos ter mento, controles escalar e vetorial, carac-
acesso ao arquivo original. Partindo do terísticas de instalação, aplicações e uma
fato de que um eventual agente pode descrição detalhada dos seus parâmetros.
usar uma imagem disponível na inter- Exercícios são propostos ao final de
net para “embutir” sua mensagem, a cada capítulo para facilitar a compreensão
descoberta da imagem original pode e a fixação dos assuntos abordados. Fornece
ser de grande valia para a decodifica- um apêndice que mostra os transdutores de
ção da mensagem secreta. Existem até velocidade, fundamentais para o controle de
softwares comerciais que fazem isso! velocidade com inversores de frequência.
O que pode atrapalhar é que a apli-
cação de algoritmos de compressão
numa imagem, que em alguns casos
atuam de maneira aleatória, ou confor-
me o meio de transmissão, faz com que
mesmo imagens que não transportem
nada de especial além delas mesmas,
Controladores Lógicos Programáveis
sejam diferentes nos arquivos, confor- Sistemas Discretos
me o local em que sejam recebidas.

Conclusão Os conceitos fundamentais de CLPs,


Unida à criptografia (arte de cifrar linguagens de programação Ladder, Seqüen-
mensagens), a esteganografia consis- ciamento Gráfico de Funções (SFC), Lista de
te numa poderosa ferramenta para os Instruções (IL), Diagrama de Blocos Funcio-
agentes secretos, terroristas e espiões nais (FBD) e conversão de Grafcet em Ladder
de todos os níveis. são estudados nesta obra, de forma didática e
Não sabemos quantas das ima- objetiva, além de sensores e atuadores.
gens que “inocentemente” acessa- Indispensável a técnicos, tecnólogos e
mos na Internet, algumas das quais engenheiros que atuam nas áreas de auto-
bonitas o suficiente para baixarmos mação, mecatrônica e eletrotécnica, além
como nosso pano de fundo, trazem de profissionais que desejam manter-se
em suas “entrelinhas digitais” infor- atualizados. Apresenta exemplos resolvidos
mações capazes de abalar o mundo nos CLPs Allen-Bradley, Schneider Electric
como fórmulas secretas roubadas de e Siemens, além de implementações em um
laboratórios, receitas de armas quími- controlador que segue a norma IEC 61131-3.
cas, planos de mísseis e até mesmo Mostra a utilização do software Zelio Logic
bombas nucleares. como ferramenta de apoio e exercícios pro-
O leitor já pensou na possibilida- postos para fixação do aprendizado.
de de que o pano de fundo baixado
da Internet, que agora decora a tela
do seu monitor, possa trazer em seu
arquivo um terrível segredo capaz de
f
www.novasaber.com.br
acabar com o mundo?

Mecatrônica Fácil nº47 29

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e escola

Princípios básicos
de pneumática
Conhecer os conceitos básicos de pneumática é funda-
mental para qualquer técnico mecatrônico, tanto para
os que prentendem trabalhar com animatrônicos como
para aqueles que desejam trabalhar com robôs indus-
triais. Esta primeira parte visa mostrar alguns tipos de
compressores utilizados na indústria. Rafael Gonçalves de Souza

A força dos ventos era atribuí- Para evitar a contaminação, por jeira e fresco, pois é imprescindível o
da aos deuses no passado distante, impurezas no ar, de alimentos na grau de pureza do ar para a vida útil
e sempre fascinou filósofos e gênios hora de sua fabricação, as empresas dos componentes do sistema pneu-
de antigamente, tanto é que o próprio alimentícias empregam o ar puro para mático, que o empurra para dentro do
Leonardo DaVinci tentanva usar a re- movimentar as suas máquinas e para cilindro.
sistência do ar para poder voar, assim obter este grau de pureza os com- Existem basicamente dois tipos
como os pássaros. pressores utilizam filtros de ar, tanto de compressores que devem ser es-
A palavra pneumática vem do na entrada como na saída. colhidos com cautela para suprir a
grego pneumátikos que significa “fô- O “ar” (neste caso o oxigênio, mas necessidade de um sistema, inicial-
lego”, “alma”. A pneumática consiste podemos usar outros tipos de gases mente verificaremos as caracterís-
no emprego do ar na ciência e na e até vapores) pode ser comprimido ticas do compressor. O símbolo do
tecnologia. e expandido, desde que bem acondi- compressor utilizado nos diagramas
Uma das grandes vantagens na uti- cionado. Com ele é possível amorte- é mostrado na figura 1.
lização do ar como energia em uma in- cer pancadas fortes em movimentos
dústria é o custo em comparação com suaves como é o caso de alguns As características e os tipos
um sistema hidráulico, porém é sabido amortecedores a ar, lembrando que dos compressores
que o forte da pneumática é sua veloci- existem os amortecedores a óleo, Tipo construtivo:
dade e não a força como na tecnologia mas neste caso trata-se de hidráulica • Compressor de êmbolo com mo-
hidráulica, e por falta desta força os que é outra ciência. Este mesmo ar vimento rotativo: (deslocamento
acidentes com máquinas pneumáticas que se comprime para dar uma certa volumétrico alternativo)
são menos comuns, mas uma dica im- resistência ao impacto, serve de resis- • Compressor Dinâmico (radial,
portante é nunca colocar a saída de ar tência ao ser extremamente rarefeito, axial): (aceleração do ar)
em contato com os olhos, usando sem- sempre tendendo a voltar à posição
1
pre óculos de proteção, pois uma sim- de inércia se nada o segurar.
Simbologia do compressor
ples fagulha pode cegar o operador. Mas, como devemos fazer para
O ar comprimido também é um colocar ar de forma comprimida den-
poluidor sonoro, e por isso é impor- tro de um cilindro hermeticamente
tante também que o operador utilize fechado? Primeiramente o ar ambien-
proteção para os ouvidos ou silencia- te é capturado através de um com-
dores nas saídas de ar. pressor, este equipamento tem como
É comum nas indústrias a aplica- função aumentar a pressão de um
ção mista de pneumática (velocidade) fluido em estado gasoso (ar, vapor da
e hidráulica (força e precisão), até água etc) que deve estar em um local
mesmo por razões financeiras. fechado com boa ventilação sem su-

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2
escola
e
Dinâmicos Difusor radial
Existem duas versões de compres-
sores dinâmicos, o Radial e o Axial.
Compressor Radial: como po-
demos observar na figura 2 o ar é
empurrado pelo rotor e devido a sua
grande rotação ele é lançado através
de um difusor radial, a velocidade do
processo pressiona o ar no rotor e
também no difusor radial e de saída.
Existem compressores centrífu-
gos multiestágios que utilizam dois ou
mais rotores girando no mesmo eixo.
Os estágios têm um difusor e um ca-
nal para retorno separando os rotores
3 4
(figura 3). Compressor centrífugo Compressor Axial
Compressor Axial: é um compres-
sor de alta capacidade e rotação,
com características bem diferentes
do radial, cada estágio consiste em
duas fileiras de lâminas, uma rotati-
va e outra estacionária. As lâminas
transmitem velocidade e também
pressão ao ar, sendo que a velocida-
de é transformada em pressão nas
lâminas estacionárias (figura 4).
Curiosidade: Observando os com-
pressores, chegamos e conclusão
que um ventilador encostado na pare-
de, não pode refrigerar muito, pois o
ar é capturado de trás para frente com
suas palhetas e não empurrado com
5 6
muita gente pensa. Portanto quando Compressores com êmbolo Compressores tipos Roots
ligar seu ventilador doméstico, não o
encoste na parede, pois sua função
não será realizada com sucesso.

Compressores de
deslocamento Positivo
Compressores com êmbolo - des-
locamento linear: o princípio destes
compressores é reduzir o volume da
massa gasosa (o ar da atmosfera)
confinada em câmaras fechadas (Câ-
mara de Compressão), esta redução
é feita por um êmbolo para que ocorra
um aumento de pressão (figura 5).
Compressores tipo Roots: consis-
te de dois rotores simétricos em forma
de oito, chamados de lóbulos, que gi-
ram em direção oposta, transportan-
do o ar de um lado para o outro, sem em seus projetos. Saber onde e como Uma dica de leitura é o livro “Auto-
alteração de volume (figura 6). usar pode ser importante para o bom mação Pneumática”, disponível para
aproveitamento de um projeto, com venda no site www.novasaber.com.
Dicas para o profissional precisão, velocidade, segurança e br. Outra dica é fazer um bom curso
Ler e conhecer, conhecer e tes- confiabilidade no sistema implantado. ou escola para aqueles que preten-
tar, testar e observar, somente com Entender pneumática é uma arte, dem se especializar em pneumáti-
dedicação e raciocínio lógico o futuro dominar os seus diversos aspectos e ca. São diversas as instituições que
profissional de mecatrônica poderá propriedades vem da dedicação aos possuem um bom currículo, sendo o
utilizar todo o potencial da pneumática cálculos e da experiência. Senai uma delas. f

Mecatrônica Fácil nº 47 31

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e escola

Montatreko
Confira oito projetos simples incluindo
montagens de fontes DC e de alta tensão,
metrônomos, minieletrificador, sirene de dois
tons com lâmpada néon e muito mais

Projeto 1: A fonte de alimentação deve for- 1


Diagrama completa do
Minibooster de áudio necer uma tensão de 6 a 9 V com reforçador de som
Este é um excelente circuito re- pelo menos 500 mA. O circuito tem
forçador de som para walkmans, apenas um transistor como base e
pequenos gravadores, CD players e um único ajuste para se obter um
rádios que tenham apenas saída pa- som sem distorção.
ra fones. Podemos usar essa saída Na figura 1 temos o diagrama
para obter reprodução em um alto- completo do booster (reforçador).
falante de pelo menos 15 cm. Caso seu equipamento seja es-
Instalado em uma pequena caixa téreo e você queira reforçar os dois
acústica, o alto-falante com o boos- canais, monte duas unidades iguais
ter e eventualmente sua fonte de que serão alimentadas por uma fon-
alimentação proporcionarão um som te de alimentação única. Na figura 2
melhor para seu equipamento portá- observamos a disposição dos com-
til, que tenha alimentação de duas ponentes em uma pequena ponte de
ou quatro pilhas comuns ou apenas terminais isolados, já que se trata de
saída de fone de ouvido. circuito pouco crítico.

2
Lista de materiais: Montagem do reforçador numa
Semicondutores ponte de terminais
Q1 - TIP120 - transistor NPN Darlington
de potência

Resistores (1/8 W, 5%)


R1 - 47 k Ω - amarelo, violeta, laranja
R2 - 22 Ω - vermelho, vermelho, preto
P1 - 10 k Ω - trim pot ou potenciômetro

Capacitores
C1 - 10 μF/12 V - eletrolítico
C2 - 100 μF/12 V - eletrolítico
C3 - 1000 μF/12 V - eletrolítico

Diversos
T1 - transformador - ver texto
FTE - 4 ou 8 Ω x 15 cm ou maior - alto-
falante

Ponte de terminais, caixa acústica, radiador


de calor para o transistor, fonte de alimen-
tação, fios, solda, cabo com plugue para en-
trada de sinal.

32 Mecatrônica Fácil nº47

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3 4
escola
e
Diagrama completo do metrônomo Disposição dos componentes
numa ponte de terminais

O transistor Q2 é um Darlington de Projeto 2: Metrônomo - 1 das oscilações. Como P1 é variável


potência, o qual admite equivalentes. A finalidade deste circuito é produ- podemos ajustar neste componente
Na verdade, qualquer Darlington NPN zir estalos ritmados que servem para a frequência das oscilações.
com pelo menos 4 ampères de corrente dar o compasso ao se tocar algum ins- A carga usada no transistor Q2 de
de coletor pode ser usado. Este transis- trumento musical, ou ainda controlar o saída é um alto-falante que reproduz
tor deve ser dotado de um pequeno ra- modo como um exercício de ginástica as oscilações na forma de pulsos,
diador de calor. Os resistores são todos é feito, ou mesmo o ritmo de opera- gerando estalos audíveis de boa in-
de 1/8 W ou maiores, e os capacitores ções numa experiência no laboratório tensidade.
eletrolíticos devem ter uma tensão de de física. Como trabalho escolar este
trabalho de pelo menos 12 V. circuito pode ser usado para demons- Montagem
O transformador pode ser do tipo utili- trar o princípio de funcionamento deste Na figura 3 vemos o diagrama
zado como saída de rádios transistoriza- aparelho, que é usado no ensino de completo do metrônomo.
dos fora de uso (o enrolamento que vai música e em atividades. A disposição dos componentes
ao alto-falante passa a ser o enrolamento O metrônomo descrito é alimentado em uma ponte de terminais e placa
de entrada), ou mesmo um pequeno por pilhas, bateria ou ainda uma fonte de circuito impresso é mostrada na
transformador de fonte de alimentação de 6 a 12 volts. A tensão escolhida irá figura 4.
com primário de 110/220 V e secundário determinar a intensidade dos estalos Os resistores são de 1/8 W ou
de 5 a 12 volts com corrente entre 50 e produzidos. A única alteração no pro- maiores com qualquer tolerância, e
250 mA. O enrolamento de baixa tensão jeto original ocorrerá se desejarmos os transistores admitem equivalen-
será usado na entrada dos sinais. alimentar o circuito com 12 volts, caso tes. Os capacitores eletrolíticos de-
Para melhor qualidade de som o em que deveremos usar um TIP32 em vem ter tensões de trabalho iguais ou
alto-falante deve ser pesado, com pelo lugar do transistor BC558. O monta- maiores que as indicadas na lista de
menos 15 cm de diâmetro, instalado em dor, entretanto, deverá observar que material. O potenciômetro pode ser
uma pequena caixa acústica de acordo este componente tem uma disposição de qualquer tipo e na realidade seu
com suas dimensões. de terminais diferente do original. valor não é crítico, podendo ficar entre
Feita a montagem, ligue a unidade O ajuste da frequência ou veloci- 470 k ohms e 2,2 M ohms. O alto-
na fonte de alimentação e coloque P1 dade das batidas é feito em P1, que falante influenciará no volume obtido.
na posição média. Ligue na entrada a abrange uma enorme gama de valo- Podem ser usados pequenos alto-fa-
fonte de sinal, que pode ser um radinho res e que ainda pode ter alterações se lantes de 5 cm para uma montagem
ou walkman. O sinal será retirado da trocarmos C1. portátil, mas para maior intensidade
saída de fone (mono ou estéreo) com de som é interessante fazer uso de
plugue apropriado. Ajuste o volume até Como funciona um alto-falante maior montado numa
obter o máximo de sinal no alto-falante O circuito consiste basicamente caixa acústica.
e ao mesmo tempo sobre P1, para que em um oscilador com dois transisto- Para a versão de 12 V em que Q2
o som saia puro sem distorções. res complementares, onde o capaci- deve ser um TIP32, este componente
Uma vez feito o ajuste de P1 para a tor C1 juntamente com R2 formam o deve ser dotado de um radiador de
melhor reprodução você não precisará elo de realimentação. Este elo aplica calor que consiste numa chapinha de
mais tocar neste componente. Para re- de volta à entrada do circuito o sinal metal dobrada em “U”. Na versão de 9
gular a intensidade do som atue sobre obtido na saída de modo que ele os- V não recomendamos o uso de bateria,
o controle de volume do aparelho que cile. Estes componentes, juntamente mas sim de seis pilhas ou fonte, uma
serve de fonte de sinal. com P1 e R1 determinam a frequência vez que o consumo é algo elevado.

Mecatrônica Fácil nº47 33

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e 5
escola
6
Diagrama do pré-amplificador Montagem feita com base numa
de áudio ponte de terminais

Prova e uso portátil, para utilizá-lo em caminhadas e média impedância, fonocaptores,


Para testar o aparelho, basta co- por exemplo, o alto-falante pode ser captadores de violão e guitarra etc. O
locar as pilhas no suporte ou ligar a trocado por um fone de baixa impe- circuito é compacto podendo até ser
alimentação externa observando a dância (8 a 32 ohms) e a alimentação instalado dentro da fonte de sinais,
polaridade e ajustar P1 para que os feita por duas pilhas pequenas. devendo ser intercalado entre a fon-
estalos ocorram na frequência dese- te de sinal e o próprio amplificador.
jada. Se não alcançar a frequência Explicação A alimentação poderá ser feita com
desejada, altere o valor de C1. Se o O aluno deve pesquisar antes a tensões de 6 a 9 V obtida de pilhas
leitor quiser, poderá calibrar a escala finalidade dos metrônomos no ensino comuns ou de uma bateria. Como a
do potenciômetro com base num cro- de música e, se possível, até conseguir corrente exigida é baixa, a durabilida-
nômetro comum ou ainda um metrô- um tipo antigo de vareta (uma vareta de de pilhas será bastante grande.
nomo de verdade. A escala será feita que vibra acionada por um mecanismo O nível de sinal de saída depende
em número de estalos por segundo. de mola). Depois, deve explicar o prin- do nível do sinal de entrada e da am-
Para usar basta ajustar o aparelho cípio de funcionamento dos circuitos plificação. No caso, esta amplificação
para produzir os estalos na frequência osciladores eletrônicos e comparar é da ordem de 50 vezes, mas pode
desejada. Se optar por uma montagem com os metrônomos antigos. ser alterada com a troca do resistor
Faça uma analogia entre o compri- R1 e também o ajuste de P1. Este po-
Lista de materiais 2: mento da vareta que determina a fre- tenciômetro (ou trimpot) P1 justamen-
quência nos tipos mecânicos antigos te permite que se ajuste o ganho do
Semicondutores
Q1 - BC548 ou equivalente - transistor e o valor do capacitor C1 que determi- circuito com a fonte de sinal de modo
NPN de uso geral na a frequência no tipo eletrônico. Em a se obter uma saída sem distorção
Q2 - BC558 ou TIP32 - transistor PNP - ver um trabalho de eletrônica tenha em capaz de excitar o amplificador exter-
texto mãos diversos valores de capacitores no. Na figura 5 você pode vizualizar
para usar em lugar de C1, mostrando o diagrama completo.
Resistores (1/8 W, 5%) então como esse componente influi Na figura 6 ilustramos uma su-
R1 - 10 k Ω - marrom, preto, laranja na frequência do aparelho. gestão para a disposição dos com-
R2 - 1 k Ω - marrom, preto, vermelho ponentes numa ponte de terminais,
P1 - 1 M Ω - potenciômetro Aplicações visto que se trata de montagem ex-
Coloque algumas bolinhas de iso- tremamente simples.
Capacitores por dentro do cone do alto-falante vi- É claro que os leitores mais habi-
C1 - 10 μF/12V - eletrolítico rado para cima. As bolinhas saltarão lidosos que desejam uma montagem
C2 - 100 μF/12 V - eletrolítico mais compacta podem usar uma pla-
ritmamente a cada estalo. Use este
experimento para explicar como fun- ca de circuito impresso, lembrando
Diversos
cionam os alto-falantes. que para fontes de sinais estéreo e
FTE - 4/8 Ω - alto-falante de 5 a 10 cm
S1 - Interruptor simples
amplificadores estéreo precisaremos
B1 - 6, 9 V - bateria ou fonte - 12 V - fonte Projeto 3: de um pré-amplificador deste para
- ver texto Pré-amplificador de áudio cada canal. As ligações devem ser
Este circuito simples pode ser curtas para que não ocorra a capta-
Ponte de terminais ou placa de circuito im- usado para reforçar o sinal de fontes ção de zumbidos e, de preferência,
presso, caixa para montagem, suporte de que não sejam capazes de excitar deve ser utilizada uma caixinha de
pilhas ou fonte de alimentação, botão para seu amplificador, ou a entrada de seu metal ligada ao negativo da fonte,
o potenciômetro etc. PC, tais como microfones de baixa para servir de blindagem.

34 Mecatrônica Fácil nº47

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Lista de materiais 3:
7
escola
e
Capacitores Diagrama completo do metrônomo
C1 - 10 μF/6 V - eletrolítico
C2 - 22 μF/12 V - eletrolítico
C3 - 100 μF/12 V - eletrolítico

Resistores (1/8W, 5%)


R1 - 1 M Ω - marrom, preto, verde
R2 - 10 k Ω - marrom, preto, laranja
R3 - 22 k Ω - vermelho, vermelho, laranja
R4 - 1 k Ω - marrom, preto, vermelho
P1 - 100 k Ω - trimpot ou potenciômetro

Semicondutores
Q1 - BC549 ou equivalente - transistor
NPN de baixo ruído
8
Diversos Montagem feita com base numa
S1 - Interruptor simples ponte de terminais
B1 - 6 ou 9 V - quatro pilhas ou bateria
J1, J2 - jaques de entrada e saída ou plugues

Ponte de terminais, caixa para montagem,


fios blindados, botão de para o potenciô-
metro, conector de bateria ou suporte de
pilhas, fios, solda etc.

O transistor BC549 proporciona


maior ganho e menor ruído, mas nas
aplicações comuns podem ser usa-
dos os BC548 ou mesmo BC547 sem
problemas. Os resistores são todos
de 1/8 W ou mais, e os capacitores
eletrolíticos devem ter tensões de tra-
balho mínimas indicadas na lista de
material.
Para provar a unidade basta ligá-la
à entrada auxiliar (AUX) de qualquer
amplificador e injetar um sinal em sua
entrada, ajustando P1 para obter o
melhor nível de saída sem distorção.

Projeto 4 - Metrônomo - 2
O circuito proposto produz estali- de C1. Os pulsos retangulares produ- e o alto-falante pode ser de qualquer
dos de bom volume num alto-falante zidos pelo circuito integrado são am- tamanho com 4 ou 8 ohms. Uma es-
em um ritmo constante, que pode ser plificados pelo transistor de potência cala no potenciômetro, feita com a
ajustado desde uma batida a cada 3 Q1. Para alimentação de 9 V, este ajuda de um cronômetro comum ou
ou 4 segundos até mais de 10 batidas componente deve ser dotado de um mesmo um metrônomo “de verdade”
por segundo. A alimentação do circui- pequeno radiador de calor. como padrão, ajudará bastante no
to pode ser feita com tensões de 6 a Na figura 7 vemos o diagrama uso do aparelho.
9 V (conforme o volume desejado) e completo do oscilador de baixa fre- Para provar o metrônomo, basta
todos os componentes são comuns. quência que forma o metrônomo. colocar as pilhas no suporte e acionar
Existem inclusive alguns componen- A montagem pode ser feita numa S1. O alto-falante deve emitir pulsos
tes que podem ser aproveitados de ponte de terminais, conforme exibe a intervalados que serão ajustados em
aparelhos fora de uso como o alto-fa- figura 8. velocidade através de P1. Se desejar
lante, potenciômetro etc. Para P1 podermos usar tanto um mudar a faixa de velocidades é só tro-
trimpot como um potenciômetro, car o capacitor C1. Valores entre 220 nF
Como funciona e valores entre 1 e 4,7 Mohms são e 10 μF podem ser experimentados
Um multivibrador astável basea- permitidos. É claro que o uso de um sem problemas. Para maior potência,
do no circuito integrado 555 tem sua potenciômetro facilita a montagem o circuito deverá ser alimentado por
frequência determinada pelo ajuste em uma caixa com uma escala. Os uma tensão maior, até 12 V, mas a
de P1 e pelos resistores R1 e R2 além resistores são de 1/8 W ou maiores, partir de fonte de alimentação.

Mecatrônica Fácil nº47 35

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e escola
Lista de materiais 4:
9
Semicondutores Oscilador de dois tons com
CI1 – 555, circuito integrado lâmpada néon
Q1 – TIP31 ou equivalente – transistor
NPN de potência

Resistores (1/8 W, 5%)


R1 - 22 k Ω – vermelho, vermelho, laranja
R2 - 10 k Ω- marrom, preto, laranja
P1 - 1 M Ω a 4,7 M ohms - potenciômetro
ou trimpot

Capacitores
C1 – 2,2 μF - poliéster ou eletrolítico
C2 - 100 μF x 12 V - eletrolítico

Diversos
FTE - 4 ou 8 Ω - alto-falante de qualquer
tamanho
S1 – Interruptor simples
B1 - 6 V ou 9 V - quatro pilhas pequenas
ou bateria (ou fonte de alimentação para a
versão de maior potência)

Caixa para montagem, ponte de terminais,


suporte de pilhas, botão para o potenciô-
metro, fios, solda etc.

Competição
Elaborar competições de ginástica
ou de instrumentos musicais determi-
nadas pelo ritmo do metrônomo.
10
Ligando o circuito a um Lista de materiais 5:
Projeto 5: Sirene de dois amplificador externo D1 – 1N4004 (110 V) ou 1N4007 (220 V)
tons com lâmpada néon – diodo de silício
Na figura 9 analisamos um circuito NE1 , NE 2 – lâmpadas néon comuns
experimental baseado em osciladores C1 – 8 μF x 200 (400 V) – capacitor
de relaxação com lâmpadas néon. Tra- eletrolítico
ta-se de uma pequena sirene de dois C2 – 100 nF x 200 V – capacitor de
tons, alimentada por uma alta tensão poliéster
contínua entre 100 e 200 V. C 3 – 10 nF x 200 V – capacitor de
Nesse circuito temos um oscilador poliéster
C4 – 4,7 nF x 100 V – capacitor de
lento que modula um gerador de tons,
ou 220 V) e um de baixa (entre 4 e poliéster
ambos com lâmpadas néon, de modo
R1 – 220 k Ω x 1/8 W – resistor – ver-
que a tonalidade do som produzido 9 V, até 300 mA) para ser ligado ao
melho, vermelho, amarelo
varie imitando uma sirene. Os ajustes alto-falante. Os capacitores determi-
P1 , P2 – 1 M Ω – potenciômetros lin
das variações e do tom são feitos por nam as freqüências de modulação e ou log
dois potenciômetros comuns. O trans- do tom produzido, podendo ser alte- T1 – Transformador de saída para
dutor final é um pequeno alto-falante rados numa ampla faixa de valores, válvulas ou pequeno de alimentação
ligado ao circuito através de um trans- conforme os sons desejados. – ver texto
formador de saída. A saída do circui- Como se trata de montagem ex- FTE – Alto-falante de 4 ou 8 ohms
to, entretanto, como mostra a figura perimental simples, optamos pelo uso pequeno
10, pode ser ligada a um amplificador de uma ponte de terminais. Veja que
externo para se obter maior potência. o pequeno transformador é montado Diversos
Veja que esse circuito é ligado numa base de madeira com termi- Ponte de terminais, cabo de força,
diretamente à rede de energia, assim nais, pois trata-se de componente de botões para os potenciômetros, fios,
nenhum dos seus pontos deve ser laboratório que pode ser usado em solda etc.
tocado quando ele estiver sendo ali- outros experimentos e mini-projetos.
mentado, pois choques perigosos po- O capacitor C1 deve ter uma tensão observe a polaridade do diodo e do
dem ocorrer. O transformador usado de pelo menos 200 V se a rede for capacitor eletrolítico, pois inversões
pode ser de qualquer tipo que tenha de 110 V, e pelo menos 400 V se a podem causar a queima desses com-
um enrolamento de alta tensão (110 V rede local for de 220 V. Na montagem ponentes.

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11
escola
e
Competição Diagrama completo do eletrificador
Criar o melhor sistema de alarme
que use a sirene como indicador.

Projeto 6 - Minieletrificador
Este dispositivo gera uma alta
tensão a partir de pilhas comuns,
capaz de provocar um bom choque
em quem tocar em sua saída. Se
ligarmos esta saída a um objeto de
metal que desejamos proteger, ele
ficará eletrificado. Este circuito serve
para demonstrar o princípio de fun-
cionamento dos transformadores e
dos inversores, que podem aumen-
tar a tensão de pilhas para acender
lâmpadas fluorescentes ou mesmo
alimentar outros aparelhos. Veja,
entretanto, que o objeto eletrificado
deve estar isolado da terra e que o 12
Montagem do eletrificador numa
aparelho, se possível, deve ser ati- ponte de terminais
vado por curtos intervalos de tempo,
pois seu consumo é elevado poden-
do causar o desgaste das pilhas ra-
pidamente.
O projeto consiste basicamente de
um pequeno inversor alimentado por
quatro pilhas pequenas ou médias. O
transformador usado tem enrolamen-
to de 110 V ou 220 V, mas a tensão
obtida pode superar este valor pois a
forma de onda do sinal não é senoidal
(como a da rede de energia).

Como funciona
Um transformador pode aumentar
ou diminuir a tensão, conforme o nú-
mero de voltas de cada um de seus
enrolamentos. Assim, se o secundário
de um transformador tiver 100 vezes
mais voltas de fio que o primário, se
aplicarmos 1,5 V no primário teremos
150 volts no secundário. No entanto,
os transformadores não funcionam
com correntes contínuas como as que
são fornecidas por pilhas.
As correntes devem variar rapida-
mente para poderem induzir tensões
no outro enrolamento de um trans-
formador. Por este motivo, os trans-
formadores são usados em circuitos
de corrente alternada. Para usar um
transformador com pilhas devemos Montagem lentes como o BD137 ou BD139. O
acrescentar um circuito que modifi- Na figura 11 temos o diagrama resistor é de 1/8 watt e o capacitor C1
que a corrente da pilha, e no nosso completo do aparelho. é um do tipo eletrolítico para 12 volts
caso, este circuito é um oscilador com A disposição dos componentes ou mais. Os demais capacitores po-
um transistor. Este oscilador gera as numa ponte de terminais é sugerida dem ser cerâmicos ou de poliéster. O
variações da corrente que permitem a na figura 12. transformador tem enrolamento pri-
indução de alta tensão num transfor- O transistor precisa de um peque- mário de 110/220 V e secundário de
mador comum. no radiador de calor e admite equiva- 6+6 V com corrente de 50 a 300 mA.

Mecatrônica Fácil nº47 37

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e escola
Lista de materiais 6: 13 14
Semicondutores Diagrama do carregador Montagem do carregador em
Q1 - BD135 ou equivalente - transistor de capacitores uma ponte de terminais
NPN de média potência

Resistores (1/8 watt, 5%)


R1 - 10 k Ω - marrom, preto, laranja

Capacitores
C1 - 100 μF/12V - eletrolítico
C2 - 22 nF (223 ou 0,022) - cerâmico ou
poliéster
C3 - 100 nF (104 ou 0,1) - cerâmico ou
poliéster

Diversos
B1 - 6 V - quatro pilhas pequenas
S1 - Interruptor de pressão NA
T1 - Transformador com primário de 110/220
V e secundário de 6+6 V e corrente de 50 a
300 mA
G1, G2 - garras-jacaré Projeto 7 Como funciona
Bomba de choque Ligando-se as armaduras de um
Ponte de terminais ou placa de circuito im- Eis uma brincadeira para você capacitor a uma fonte de tensão con-
presso, caixa para montagem, suporte de fazer com seus amigos ou com os tínua, o capacitor se carrega com
pilhas, radiador de calor para o transistor, visitantes de seu estande numa feira esta tensão. A carga se mantém en-
fios, solda etc. de ciências. É claro que mesmo que quanto não houver um percurso para
as pessoas estejam atentas, elas as cargas das armaduras. Quando
Prova e uso certamente terão uma surpresa com elas são interligadas, as cargas fluem
Para testar o aparelho basta pres- os resultados do seu experimento, e se neutralizam, descarregando o
sionar C1 e segurar as garras-jacaré. principalmente as que têm medo de capacitor. Mantendo os fios terminais
Deve ocorrer um forte choque. Para choques. A brincadeira e demonstra- do capacitor separados, ele conser-
usar, ligue a garra G1 no objeto que ção consiste no seguinte: carregue va sua carga.
deseja eletrificar e a garra G2 a um um capacitor e jogue-o para a pessoa No entanto, quando jogamos o ca-
terra que pode ser outro objeto de desprevenida, tendo o cuidado de pacitor para alguém segurar (tendo o
metal em contato com o solo. Ao alertá-la com a expressão: “Segure!” cuidado de não tocar nos terminais)
apertar S1, a eletrificação ocorre. Se Quando a pessoa segurar o ca- ao tocar ao mesmo tempo nos dois
notar baixo rendimento, altere o valor pacitor, numa reação natural, no pe- terminais (que são dobrados para fa-
de R1 na faixa de 4,7 k ohms a 47 queno componente (aparentemente cilitar isso), o circuito de descarga é
k ohms, no sentido de obter o maior inofensivo) irá ocorrer uma boa des- fechado pela própria mão da pessoa
rendimento. carga elétrica com um “belo” choque por onde circula a corrente de des-
aplicado ao visitante. Certamente, carga. O resultado é um choque na
Explicação o leitor explicará tudo ao visitante, mão da pessoa. Para obter a tensão
Explique de que modo funciona mostrando-lhe o princípio de funcio- contínua que carrega o capacitor des-
um transformador. Mostre de que namento de um dos mais importante crevemos a montagem de um circuito
maneira a tensão aparece no en- componentes eletrônicos: o capacitor. retificador, pois na rede de energia te-
rolamento secundário e que este E depois, para dar um novo choque mos tensão alternada que não serve
componente precisa de variações da em um outro visitante, será preciso para esta experiência.
corrente. Apresente o fato de que os carregar o capacitor novamente. O
inversores não podem criar energia, e nosso projeto consiste basicamente Montagem
se a tensão pode ser aumentada, a numa fonte de energia de alta tensão, Na figura 13 você pode obser-
corrente diminui mantendo constante cuja finalidade é justamente carregar var o diagrama completo do carre-
a potência. o capacitor depois de cada descarga gador de capacitores.
(ou choque!). Na figura 14 temos a disposição
Outros usos O capacitor, para não dar um cho- dos componentes numa ponte de
Acoplado a um alarme ou chave que muito forte, tem valores baixos, terminais e o modo de se dobrar os
de toque, este circuito pode eletrifi- entre 100 nF e 470 nF dando-se pre- terminais do capacitor para se fazer
car o objeto a ser protegido quando ferência aos tipos de poliéster tubular, a brincadeira ou demonstração.
alguém o tocar ou entrar em algum papel ou óleo com tensões de traba- O diodo deve ser o 1N4004 ou
lugar. Ligando uma pequena lâmpada lho de pelo menos 220 V se a rede de 1N4007 se a rede for de 110 V, e o
fluorescente (até 15 watts) na saída energia for de 110 V, e pelo menos 1N4007 se a rede for de 220 V. O
deste circuito, ela deverá acender. 400 V se a rede for de 220 V. resistor R1 é de 1 kohms ou próxi-

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Lista de materiais 7:
escola
e
D1 - 1N4004 ou 1N4007 - diodo de silício
- ver texto
R1 - 1 k Ω - resistor - marrom, preto,
vermelho
C1 - 100 nF a 470 nF - 200 ou 400V
- capacitor de poliéster, óleo ou papel (ver
texto)

mo desse valor com dissipação a


partir de 1/8 W. O leitor deve ter o
máximo cuidado com a montagem
e o manuseio deste carregador,
pois ele estará ligado diretamente
na rede de energia havendo assim
o perigo de choques a qualquer to-
que acidental.

Como usar
Observamos inicialmente que o
choque provocado pelo capacitor é
rápido e, por isso, não é perigoso.
Para haver este choque, entretanto,
os dois terminais devem encostar
na pessoa que segurar o compo-
nente ao mesmo tempo, daí a ne-
cessidade de serem dobrados da
maneira indicada. Se a pessoa se-
gurar um terminal só nada aconte-
cerá, e se os terminais encostarem
um no outro quando o capacitor for
atirado ocorrerá um estalo e ele se
descarrega antes de dar choque.
Para fazer a brincadeira (ou
demonstração), carregue o capa-
citor ligando-o à saída do circuito
por alguns segundos. Quando o
visitante se aproximar distraído,
atire o capacitor carregado com um
alerta de “Segure!”. Para segurar o
componente antes de atirá-lo, não
toque nos seus terminais. A carga
dos capacitores comuns tende a
escapar em alguns minutos, caso
em que eles devem ser carregados
novamente.

Explicação
Procure nos livros o princípio de
funcionamento dos capacitores ou
“condensadores”, tomando como
exemplo a Garrafa de Leyden. Lem-
bre aos visitantes que, quando a
Garrafa de Leyden foi descoberta há
mais de 200 anos, os seus descobri-
dores justamente se divertiam dando
choques uns nos outros! (A brinca-
deira‚ portanto é bem antiga!)
Explique como um capacitor se
carrega e de que modo as cargas
ficam armazenadas. Mostre que a

Mecatrônica Fácil nº47 39

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e escola
15 16
capacidade de armazenamento de Circuito utilizado no Disposição dos componentes
um capacitor depende do material experimento para o experimento
usado como dielétrico ou isolante.
Demonstre de que modo você
carrega o capacitor e, encostando
um terminal no outro, mostre a des-
carga que ocorre nestas condições.

Sugestão
Você pode demonstrar a des-
carga do capacitor também ligando
uma lâmpada néon no capacitor
carregado. O capacitor se descar-
rega fazendo a lâmpada dar uma
forte piscada. Outro local em que
a descarga pode ser demonstrada‚
ligando os terminais do capacitor
nos terminais de um alto-falante.
A descarga é acompanhada de um
estalo produzido pelo alto-falante.
Observação: Não use capa-
citores maiores para dar choques
nos outros, pois a descarga pode
ser realmente forte e portanto pe- duas pilhas. Essa tensão se eleva, Lâmpadas acima de 20 watts,
rigosa! Nunca faça a brincadeira e no secundário obtemos centenas entretanto, podem ligar com mais
com pessoas que usem marca- de volts, o suficiente para produzir dificuldade. X1 é uma lima comum
passos ou tenham problemas de piscadas de uma lâmpada fluores- chata, na qual esfregamos a pon-
coração! cente comum. Veja que este pro- ta do fio que está soldado no polo
cesso de transformação de energia positivo da pilha.
Diversos é dinâmico, ou seja, a corrente pre- Para fazer a experiência é só
Cabo de alimentação, caixa para cisa ter variações bruscas, que são esfregar o fio na lima. A lâmpada
montagem, ponte de terminais, ca- conseguidas esfregando-se o fio deve piscar a cada esfregadela,
pacitores diversos, fios, solda etc. numa lima. De outra forma, ligando indicando a indução de alta tensão
diretamente o fio no transformador, no transformador. Cuidado para
Projeto 8: por exemplo, como não ocorrem não tocar nos fios da fluorescente,
Acenda uma lâmpada variações da corrente, nada acon- pois mesmo alimentado por pilhas,
fluorescente com uma pilha tece. o transformador gera a alta tensão
Na verdade, esta é uma expe- Na figura 15 observamos o dia- e o choque não é fraco!
riência que permite demonstrar o grama completo do circuito que usa- Não deixe o fio permanente-
princípio de funcionamento dos mos na experiência. mente encostado na lima, pois
transformadores, elevando a ten- Na figura 16 analisamos a dis- isso além de não induzir corrente
são de uma ou duas pilhas (1,5 a posição real dos componentes usa- na lâmpada fluorescente, causa o
3 V) o suficiente para ionizar o gás dos. rápido esgotamento da pilha. Vo-
no interior de uma lâmpada fluo- A pilha deve ser grande, pois cê pode usar este aparelho como
rescente (200 V ou mais). Como como precisamos de uma corrente um telégrafo ou sinalizador óptico,
o circuito só se mantém ativado algo intensa, uma pilha pequena instalando a lâmpada em local que
enquanto estivermos esfregando o se esgotaria rapidamente. Podem possa ser vista à distância. f
fio na lima X1, não é muito cômodo também ser usadas duas ou quatro
manter permanentemente uma lâm- pilhas em série, com maior “potên- Lista de materiais:
pada acesa utilizando esse experi- cia” para o circuito. O transforma-
B1 - 1,5 a 3 V - 1 ou duas pilhas grandes
mento. Assim o aparelho só serve dor pode ser de qualquer tipo que X1 - Lima chata (interruptor intermitente
para demonstrações, para produzir tenha um enrolamento de alta ten- - ver texto)
flashes de curta duração em cada são (110 V ou 220 V, ou duplo) e T1 - Transformador com primário de 110
esfregadela. secundário de tensões entre 4 e 12 ou 220-V e secundário de 6 + 6 V x 300
O circuito consta simplesmente volts com tomada central ou não, e mA - ver texto (esse transformador vai
de um transformador, uma lâmpada correntes a partir de 100 mA. trabalhar invertido, pois o primário fará as
fluorescente e uma ou duas pilhas A lâmpada fluorescente pode vezes de secundário)
comuns. No transformador aplica- ser de qualquer tipo, inclusive as X2 - Lâmpada fluorescente de 4 a 20 watts
mos uma baixa tensão no enrola- que já estejam fracas para acen- - ver texto
mento primário a partir de uma ou der na instalação elétrica normal. Fios, solda etc.

40 Mecatrônica Fácil nº47

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escola
e

Redes Pa
rte
Neurais 2

Artificiais
Na parte 1 você pôde conferir as características e funções
Hamilton Badin Junior
Tecnólogo em Mecatrônica
hamilton.badin@gmail.com

dos neurônios, agora neste artigo analisaremos um


neurônio artificial por completo.

1
O neurônio artificial é um Neurônio biológico
modelo matemático representativo de
um neurônio biológico. Através das
figuras 1 e 2 podemos verificar suas
semelhanças.
As entradas do neurônio artificial
(xi) são análogas aos terminais de re-
cepção do neurônio biológico. A função
“soma” desempenha o papel do corpo
neuronal e a de “transferência” repre-
2
senta as reações químicas ao longo Neurônio artificial
do neurônio. As saídas (yj) equivalem
aos terminais de transmissão.
Os índices i e j são indicadores das
entradas de um neurônio e dos neu-
rônios em uma rede, respectivamente.
No modelo artificial temos ainda o
conjunto de pesos (wji), que desempe-
nha papel equivalente às reações das
conexões sinápticas entre neurônios.
Nestas conexões, cada dendrito pos- 3
Função Sinal
sui uma reação diferente, estipulada
pelas diferentes liberações químicas
vindas dos neurônios pré-sinápticos,
que poderão possuir caráter inibitório
ou excitatório, ao neurônio pós-sináp-
tico. Os pesos representam, portanto,
a disposição inibitória ou excitatória
dos sinais de entrada.
As funções soma e de transferên-
cia equivalem a toda extensão interna
do neurônio, onde os sinais advindos
das entradas são agrupados e ao
atingirem um patamar de excitação

Mecatrônica Fácil nº47 41

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e 4
escola
5 6
Função Limiar Função Sigmoíde Função Tangente Hiperbóla

estimulam respostas às saídas. Nos ou uma tendência infinita a partir de delimitadores. Este trabalho con-
neurônios biológicos, este processo determinados valores de entrada, sistia em um modelo de resistores
ocorre com a liberação de maiores como a função “sinal” (Figura 3): variáveis e amplificadores represen-
ou menores quantidades de compo- As funções de ativação mais co- tando conexões sinápticas de um
nentes como o Ca++ e H+, que em muns para este propósito são mostra- neurônio biológico. Apesar de sua
determinados níveis irão provocar das nas figuras 4, 5 e 6. simplicidade, o modelo foi capaz de
uma saturação neuronal ocasionan- O primeiro neurônio artificial foi implementar as funções “E” e “OU”,
do o estímulo da saída. proposto em 1943 pelo neurofisio- gerando desta forma as primeiras
No modelo artificial, uma ca- logista Warren McCulloch, do MIT, RNAs da história.
racterística de ativação controla o e pelo matemático Walter Pitts, da Mais tarde, especificamente na
“disparo” neuronal em um domínio Universidade de Illinois - Fotos nas década de 80, as pesquisas sobre
finito de valores agrupados das en- figuras 7 e 8. redes neurais artificiais foram retoma-
tradas, ou seja, o resultado da soma O primeiro modelo possuía ca- das com afinco e novos modelos de
das entradas é aplicado à ativação racterísticas bem simples, como neurônios e agrupamentos em rede
gerando um valor de saída, e sua entradas e saídas binárias, restri- foram criados com o intuito de aproxi-
limitação é relacionada ao fato da ções de valores para os pesos e má-los ainda mais dos modelos bioló-
função possuir um valor constante uma maior flexibilidade nos valores gicos originais. f
7 8
Warren McCulloch, do MIT Walter Pitts, da Universidade
de Illinois

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