Você está na página 1de 14

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PARANÁ

MARIANA BEZERRA DE MELO

FICHAMENTO REFERENTE AO LIVRO:


ECONOMIA POLÍTICA: UMA INTRODUÇÃO CRITICA
José Paulo Netto e Marcelo Braz

Apucarana
2018
MAIS VALIA, LUCRO E QUEDA DA TAXA DE JUROS
A formação de um a sociedade é de uma complexidade muito grande,
pois, não se consegue facilmente determinar o que originou o modo de
produção de uma comunidade qualquer. Sabe -se, a princípio, que o termo
modo de produção é uma abstração que serve para designar a evolução
histórica e prever os caminhos políticos aonde essa comunidade pode chegar.
Isto se pode constatar, quando se estuda a primeira sociedade em que
o homem viveu, numa retrospectiva ao homem da caverna até o homem
capitalista. O modo de produção tenta mostrar a formação de uma sociedade,
as suas relações e inter-relações frente a uma complexidade que cerca o ser
humano de todas as época.

A MOBILIDADE DO CAPITAL: A TAXA MEDIA DE LUCRO

A taxa de lucro difere da taxa de mais-valia na medida em que


estabelece uma relação entre a mais-valia e a totalidade do capital
desembolsado, expressa em percentagem. A taxa de lucro caracteriza a
eficiência da utilização do capital, ou seja, a rentabilidade da empresa. A sua
grandeza depende essencialmente da mais- valia e da composição orgânica
do capital. Com o desenvolvimento do capitalismo cresce a participação do
capital constante na composição orgânica do capital, o que provoca uma
tendência para a diminuição da taxa de lucro.
Para contrariar esta tendência, o capitalismo utiliza várias medidas:
aumento da exploração dos trabalhadores, com a diminuição dos salários reais;
agravamento da exploração dos países dependentes ou colonizados; alteração
da composição dos meios de produção, com a introdução de melhores
técnicas, novas máquinas e instalações; aumento da velocidade de rotação do
capita l; ampliação do volume da produção, etc.
A dinâmica do capitalista entendida como o movimento total do capital,
e não apenas suas expressões particulares engendra uma tendência ao
nivelamento das taxas de lucros. Daí que se tenha uma taxa média de lucro,
que não resulta apenas da exploração a que cada capitalista particular submete
os trabalhadores que subordina e que proporciona por algum tempo um lucro
similar a capitais de mesmo volume investidos em diferentes ramos da
produção.
É por isso que a migração de capitais mesmo ocorrendo, não
compromete a reprodução, comprometeria se essa taxa média não fosse
assegurada pelo próprio movimento total do capital. Mas note o leitor que, aqui
como em todas as outras situações, estamos mencionado a dinâmica
capitalista; isso significa, mais uma vez, que, sendo o movimento a própria
condição para a valorização do capital, os equilíbrios alcançados são sempre
relativos e momentâneos, a taxa média de lucro também varia e está sempre
em modificação.
Enfim, cabe salientar a diferença entre taxa de lucro e massa de lucro,
esta sinalização não é uma relação determinada, já o volume total dos lucros
obtidos pelos capitalistas na realização das suas mercadorias é determinado.
As variações na massa de lucro não correspondem, pois,
necessariamente as variações na taxa de lucro oscilam entre: esta pode
decrescer, enquanto aquela pode manter-se inalterada ou mesmo crescer
O movimento do capital não se reduz a sua rotação.
Entre as três classes que participam desse lucro esta o industrial, os
banqueiros e os comerciantes cada um com sua função e como todo capitalista
com objetivo de tirar o lucro da relação de produção. O capitalista ao calcular o
seu lucro ele engloba todos os seus capitais. Soma-se C e V tudo é
investimento.
Assim levando em consideração o investimento total ele calcula sua
taxa de lucro. O lucro é a forma metamorfoseada com que a mais valia aparece
ao capitalista, com efeito, a contabilidade de uma empresa é determinada pelo
lucro. Ressalta-se que o lucro varia entre as empresas do mesmo ramo e
empresas do ramo diferentes, e como o capitalista visa o aumento dos lucros
seus investimentos serão onde lhe forneçam mais lucro.
A diferença nos lucros de empresas do mesmo ramo esta nos seus
investimentos. E nas empresas de ramos diferente esta na migração para o
ramo que der mais lucro.

PREÇO DE PRODUÇÃO E MERCADO

Preço é a expressão monetária do valor e pode variar em relação a ele.


Os preços tendem a se aproximar do valor. É fato que, quando um produto vai
ao mercado ele tem um preço, que se conhece como um preço de produção.
Um preço é comumente conceituado como sendo a forma monetária de uma
mercadoria. Ele acontece no processo de circulação, pois, é quando o valor de
troca se concretiza, é que, tem -se o preço do produto, isto é, dentro do
mercado. Na mesma linha de pensamento, conceitua-se valor, como sendo a
quantidade de trabalho incorporada na mercadoria, pois, só existe valor quando
existe a incorporação do trabalho no produto. Como se sabe, o valor pode ser
decomposto em valor de troca e de uso. No primeiro caso, tem -se sua
ocorrência quando se concretiza o intercâmbio entre duas mercadorias e no
segundo caso, acontece quando uma mercadoria tem qualidades que servem
ao ser humano.
A partir do momento em que o movimento do capital se estabelece
numa conjuntura econômica a taxa media de lucro as mercadorias deixam de
ser vendidas pelo equivalente de seu valor e passa a ser vendido pelo
equivalente do valor capital investido mais a taxa media de lucro, o que se
denomina preço de produção.

A TENDÊNCIA À QUEDA DA TAXA DE LUCRO

A tendência à queda da taxa de juros é uma das tendências mais


importante no capitalismo. Um capitalista utiliza métodos inovador para
produzir, que reduz seus custos e consequentemente reduz o seu valor.
Com o desenvolvimento da indústria a da produtividade do trabalho,
uma proporção crescente das despesas do capitalista é dedicada às matérias
primas e às maquinas mais sofisticadas. No sentido contrário, o trabalho vivo
diminui na mesma proporção. O problema para o capitalista é que é unicamente
o trabalho vivo (o capital variável) que produz um valor adicional que constitui
o lucro capitalista. Este fenômeno é diretamente perceptível em cada
mercadoria que gera assim um lucro decrescente
O capitalista que não utilizou nenhum método renovador mantém seus
preços congelados e mais altos e é dessa relação que se aproveita o capitalista
renovador. Mas a concorrência do mercado obriga o capitalista a inovar seus
métodos de produção e assim que ele generaliza cai o preço do capitalista
inovador.
O IMPERIALISMO

O imperialismo é o novo estagio do capitalismo surgido após a segunda


guerra por novas transformações típicas do capitalismo, segundo os teóricos
da época que usavam as pesquisas marxistas para sustentar essa nova
modalidade do capitalismo.

A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO

Capital como vimos é relação social. As relações sociais são multáveis,


transformáveis, são resultantes da ação dos homens independente da sua
vontade; mas é alteráveis e alteradas pela vontade coletiva e organizada pelas
classes. Outro ponto destacado foi o caráter processual do capital, capital é
movimento dinamizado por suas contradições. O produto de transformação
surgido ainda na era feudal instaurou mecanismos e dispositivos de
desenvolvimento que lhe são peculiares. Um ponto presente no capitalismo é
a mobilidade e a transformação presente em toda a sua fase que tem como
marca a força produtiva como sua marca.
A historia do capitalismo é produto da interação, da imbricação, da
intercorrência do desenvolvimento de forças produtivas, da alteração nas
atividades estritamente econômicas, de inovações tecnológicas e
organizacionais e de processos sócio político e culturais que envolve as classes
em presença numa dada quadra histórica. A base histórica do capitalismo
começa como vimos com a acumulação primitiva e vai ate os primeiros passos
do capital para controlar a produção de mercadorias e nela comandar o trabalho
mediante o estabelecimento da manufatura, esse primeiro estagio é chamado
capitalismo comercial ou mercantil.
Nesse estagio a burguesia nascente num caráter audacioso confronta
com a nobreza latifundiária e conquista seu espaço. Nessa roupagem política
ao qual se encontra os burgueses na segunda metade do séculos XVIII o
capitalismo ingressa num novo estagio evolutivo.
Com a inovação na grande indústria esse segundo estagio é conhecido
como capitalismo concorrencial também chamado liberal ou clássico. Nessa
fase o capitalista erradicará as relações econômicas e sociais pré – capitalista
e revelará as suas principais características estruturais. Com base na grande
industria e a migração para as áreas urbanas o capitalismo criará um grande
mercado mundial.
Nesse estagio nações, países, povos e Estados fora da Europa que
resistiram as forças capitalistas são agora invadidos pelo comercio saindo
apenas do domínio da Inglaterra. Estabeleceu-se um sistema econômico
internacional mais precisamente uma economia mundial.
Característica do capitalismo concorrencial é que mesmo as pequenas
e grandes empresas podiam se desenvolver em caráter livre, mesmo com as
grandes falências.Sobre o capitalismo concorrencial surge as lutas de classe,
nas lutas fundadas nas contradições entre capital trabalho. As lutas entre
burguesia e proletariado iniciaram-se de forma grosseira, mas aos poucos se
politizou. Os confrontos operários eram violentos, mas era uma reação contra
a exploração capitalista. A resposta a essas lutas a burguesia tratou de
incorporar tecnologias com ameaça do desemprego pela redução do trabalho
vivo. A cada greve que os operários realizavam resultavam em uma nova
maquina para o capitalista.
Os operários estavam à toa, pois o Estado só atendia aos interesses
capitalista, cabia reivindicar o que eles chamam de condições internas ou seja
o enquadramento dos trabalhadores. Tratava-se de um Estado reivindicado
pela teoria liberal um estado com mínimas atribuições econômicas,
assegurando a acumulação do capital que intervinha nos interesses do capital.
Fica claro que para manter isso era um Estado restrito a poucos. Somente com
o processo de luta dos trabalhadores começou a mudar essa roupagem como,
por exemplo, o direito ao voto, a ação dos trabalhadores forçou uma
democracia na sociedade burguesa. Destaca-se que a democracia triunfou
devido ao movimento operário e não da teoria liberal ou de seus representantes
políticos.
Diante disso as lutas dos trabalhadores se elevam a um novo patamar:
De um lado as vanguardas operarias ganham consciência entre proletariado e
burguesia e encontrarão formas de articulação internacional e nacional. De
outro a burguesia converteu-se em classe conservadora: seu objetivo passou
a ser a manutenção das relações sociais, inicia o processo de decadência
ideológica com abandono dos ideais emancipadores que animaram a sua luta
contra o antigo regime.
A burguesia entendeu que não adiantava os confrontos contra os
operários e resolveu aceitar as medidas estatais para garantir o mínimo direitos
aos trabalhadores (jornada de trabalho, regularização do trabalho feminino e
infantil) e ate foi a favor de algumas reformas que atendessem a classe
trabalhadoras desde que não modificasse a essência da propriedade privada.

A TRANSIÇÃO A UM NOVO ESTAGIO

Surgem no domínio das ciências naturais estimuladas pela dinâmica


industrial e fortemente marcadas pelo positivismo novas concepções na física
química e biologia. Os impactos desse desenvolvimento foram tão grandes que
alguns historiadores caracterizam como segunda revolução industrial. Surge o
aço, o papel a energia, tintas e corantes e da nascimento a indústria de
fármacos. O petróleo generaliza como combustível, a eletricidade fez sua
entrada em cena e inaugura-se a primeira central elétrica publica. No plano da
economia surgem dois processos notáveis.
O surgimento do monopólio e a modificação do papel dos bancos. O
aparecimento em menos de trinta anos, de grupos capitalistas nacionais
controlando ramos industriais inteiros, empregando enorme contingente de
trabalhadores e influindo decisivamente na economia nacional alterou o modo
extraordinário a dinâmica econômica. Em poucas décadas esses gigantescos
monopólios extravasariam as fronteiras nacionais estendendo sua dominação
sobre diversas regiões do globo. A partir daí o grande capital conhecido como
capital monopolista constituía a vértebra do capitalismo.
O surgimento dos monopólios alterou a dinâmica dos banqueiros que
no capitalismo comercial realizava algumas intervenções como intermediários
de pagamentos. Com o desenvolvimento do capitalismo tornou-se carta de
credito, os industriais recorriam a eles com empréstimos monetários para se
manterem na concorrência. Com conhecimento das contas correntes dos
capitalistas os bancos poderiam condicionar os créditos e ate participar dos
melhores negócios empresarias, inclusive mantendo o controle desses
negócios por meio de ações.
Essa mudança de papel dos bancos de mediador de pagamento a
associado ocorreu ao mesmo tempo que o processo de centralização e
concentração se estendia ao setor bancário. O capital financeiro constituído
pela fusão de ações que o banco possui dos grandes monopólios e os
monopólios dos bancos constitui a base de financiamento do terceiro estágio
do capital.
O ESTÁGIO IMPERIALISTA

O terceiro estagio do capital inicia no século XIX em que o capital


financeiro desempenha papel decisivo. Esse estagio é conhecido como
imperialismo, alguns autores denominam capitalismo monopolista. As
pequenas e medias empresas que sobreviveram poderão continuar e ate
mesmo se multiplicar, mas agora subordinada as pressões monopolistas. Lênin
fez a interpretação do capitalismo monopolista e trouxe as seguintes
características:
A concentração do capital a um elevado grau de desenvolvimento que
formou os monopólios; A fusão do capital bancário com o capital industrial e a
criação do capital financeiro; Exportação de capitais diferente da exportação de
mercadorias; Formação de associações internacionais monopolista do
capitalista que compartilham o mundo entre si; O termo da partilha territorial do
mundo entre as potencias capitalistas mais importantes.
Destaca-se que as oligarquias financeiras detinha a riqueza de seu pais
e de outras economias que atuavam. Na medida que detêm da economia
possuía altas vantagens políticas em escala nacional e internacional.
Existe duas formas de exportação de capital: uma é através de
empréstimos a governantes ou a capitalistas e a outra é através de implantação
de industrias de outros países naquele território em ambos os casos o objeto
dos monopólios e adquirir os lucros máximos.
Após dominar a economia os mercados dos seus próprios pais os
capitalistas monopolistas se filiam em empresas similares as suas em outros
países capitalistas e assim dividem entre eles as áreas por interesses de
atuação e inicia o processo de negociação.

A INDÚSTRIA BÉLICA

Alem da partilha do território, dominação das oligarquias financeira e o


capitalismo financeira imposto no mundo, devemos considerar como parte do
capitalismo imperialista o papel da indústria bélica.
Sabe-se que o capitalismo é dotado de varias guerras e é nesse
patamar que desenvolve-se a industria bélica como um componente central do
capitalismo. Artefatos bélicos são produzidos gerando lucros altíssimos para
esses monopólios. Os gastos militares proporcionaram a essas indústrias mais
de 2.000% de lucro e esse percentual se acentual com a entrada de intelectuais
no processo de fabricação.

A CONSTITUIÇÃO DE UM SISTEMA ECONÔMICO MUNDIAL

O capitalismo concorrencial abriu o mercado para outros mundos,


lembrando que o desenvolvimento do capitalismo implica sempre uma
crescente divisão social do trabalho. Essa divisão não restringiu as unidades
de produção no curso de sua mundialização o capitalismo introduziu uma
divisão internacional do trabalho.
O desenvolvimento do capitalismo internacional resultou sempre numa
hierarquia onde países desenvolvidos estabelecem as relações de domínios e
exploração aos países dominados, então o desenvolvimento desses países se
dá de forma desigual.

A ECONOMIA DO IMPERIALISMO

A organização do capitalismo monopolista é duplo: obter lucros acima


da media (extraordinário) e escapar da taxa da queda dos lucros típicos do
capitalismo. Para isso realiza incrementos da exploração do capitalismo, mas
encontra limites políticos, os lucros extraordinários que alimenta o monopolista
advêm de:
Fixação de preços superior que por ser um monopólio mantém o
controle da mercadoria através de acordos. No capitalismo concorrencial a
empresa individual aceita o preço, no monopolista a grande empresa é quem
faz o preço;
Apropriação da mais valia de setores não monopolizados através de
imposição de preços inferiores as valor da mercadorias que compram dos
setores não monopolizados;
Vantagens que as empresas monopolistas desfrutam em relação às
pequenas e médias empresas nos setores não monopolizados.
Alem dessas vantagens podemos destacar as facilidades que os
monopólios possui em renovar suas tecnologias, o tratamento diferenciado pelo
Estado, as exportação para países desenvolvidos todos esse conjunto de
fatores explica os lucro dos monopolistas.

A FASE CLÁSSICA DO IMPERIALISMO

A historia desse estagio pode distinguir pelo menos três fases: a


clássica, os anos dourados e o capitalismo contemporâneo.
A fase clássica do capitalismo já foi mencionado (formação do
capitalismo monopolista) que foi rompida pela eclosão da segunda guerra, cabe
ressaltar que as crises se manifestou com mais violência mas nenhuma delas
se compara com os impactos da crise de 1929, essa crise obrigou os
capitalistas a ensaiar alternativas políticas econômicas que se implementaram
pelas potencias imperialistas. Os dirigentes mais lúcidos entenderam que
necessitavam de intervenções que protegesse a produção e acumulação
capitalista. Mas o contexto sócio político impunha condições que foram
implementadas.
Esse contexto estava marcado por dois fenômenos interligados: o
primeiro relacionava-se ao nível de organizações dos trabalhadores do qual
partidos políticos representantes da classes chegaram aos parlamentos e o
movimento sindical levantou a bandeira mobilizando maior parte dos
trabalhadores.
Segundo a Revolução de Outubro dirigida pelos Bolcheviques em 1917
na Rússia que criou o primeiro Estado proletário atraiu a atenção dos
vanguardas e significou um grande golpe para os capitalistas, esse Estado
trazia um conjunto de promessas aos trabalhadores, maior do que o medo da
Revolução Russa que estreitou o mercado externo era o medo de contagio pela
burguesia que tentava conter seus trabalhadores para não seguirem os
exemplos vindo do leste que tentavam instalar o socialismo no mundo, vários
partidos comunistas foram formados incentivados pela criação da Internacional
Comunista.
Nos países mais democrático onde os trabalhadores não foram
derrotados não houve alteração na forma de comando do Estado, mas nos
países onde houve derrota o Estados continuaram antidemocrático do capital
levado ao extremo dos monopólios com a supressão de todos os direitos
trabalhista e formou-se o regime político adequado aos monopólios – o
Fascismo. O modelo de regime do fascismo é o terrorismo.
O Estado mobiliza e destrói as organizações dos trabalhadores, altera
os salários de acordo com os monopólios e investe pesadamente nas indústrias
bélica, na Alemanha hitlerista avança para a dominação dos territórios,
brindava-se ao capital como força de trabalho escravo. Nos países em que o
fascismo não foi resposta aos monopólios ensaiava outro tipo de intervenção
do estado que foi interrompido pelo fascismo.
Tais ensaios consistia na ativa intervenção do Estado seja a nível de
investimento, seja no tocante as forças de trabalho desonerando o investimento
do capital de parte de suas despesas. Tais ensaios no pós-guerra já contavam
com inovações teóricas com objetivo de regular os ciclos econômicos.
O principal responsável pelas ideias foi Keynes que atribuiu ao Estado
o papel central do orçamento publico. Segundo Keynes o capitalismo não
dispõe espontânea e automaticamente da faculdade de utilizar inteiramente os
recursos econômicos, seria preciso para tal utilização plena que evitasse as
crises e suas consequências e que o Estado operasse como um regulador dos
investimentos privados através dos investimentos dos seus próprios gastos.

8.8 – OS “ANOS DOURADOS” DA ECONOMIA IMPERIALISTA

Com a intervenção do Estado as crises cíclicas foram diminuídas e no


pós-segunda guerra o capitalismo monopolista viveu uma fase única em sua
historia, durante trinta anos, os economistas chamavam de anos dourados ou
três décadas gloriosas. O paradoxo é que esse desempenho surgiu no
momento de questionamentos e critica ao capitalismo monopolista.
Podemos considerar três processos interligados que conferem as
bases desses questionamentos. De uma parte a União Soviética passou a
desfrutar de grande prestigio e poder, após derrotar o fascismo, agora não mais
isolados, mas junto de países que se libertou do nazismo e impunha a base
socialista.
De outra, os movimentos sindicais, exceto na Espanha e Portugal onde
o fascismo durou mais tempo, conquistaram enorme legitimidade e efetivaram
os limites aos monopólios. Nesse período ganhou dimensão mundial o
movimento anticolonialista que acabou com o império colonial pela luta da
libertação nacional e esses derivando uma expressão pelo movimento
socialista.
A direção militar, política e econômica ao derrotar o eixo (Alemanha,
Japão e Itália) transferiu para os Estados Unidos a liderança capitalista. Desde
então os Estados Unidos travou sua “luta contra o perigo vermelho” que teve o
objetivo de destruir o socialismo seja pela guerra fria e da corrida armamentista
seja por intervenções aberta (Vietnã), ou seja, pela repressão nas suas próprias
fronteiras. Grandes modificações registram-se nesse período. As exportações
que eram feitas para países periféricos agora são realizadas para os próprios
países monopolizados, as transferências para países periféricos passaram a
ser apenas empréstimos de Estado.
O que merece mais destaque nessa economia que surgiu na fase
clássica do imperialismo é própria organização do trabalho industrial que a
gerencia cientifica de Taylor implantou na sua industria, foi objeto de grande
desenvolvimento graças as modificações que sofreu nas mãos de Henry Ford.
Inicialmente implantada nas indústrias automobilista, essa forma de
organização conhecida como taylorismo – fordismo acabou se tornar padrão
para toda forma industrial e universalizar-se nos anos dourados do
imperialismo. Teve como característica a produção da matéria prima dentro da
própria fabrica buscando externamente de forma secundaria ao setor de
autopeças; e a implantação de tecnologias para evitar desperdícios de tempo.
O trabalho era repetitivo, uma linha rígida de reprodução articulava os
diferentes trabalhos interligados pela esteira que dava o ritmo e o tempo para
realização das tarefas. Esse processo caracterizou-se pela mescla fordista com
cronometro taylorista, alem da vigência separação entre execução e
elaboração. Essa expansão universal levou a povos de varias culturas as
intervenções norte americanas (estilo de vida) inclusive tornou o inglês a língua
universal.
Nessa expansão o papel da indústria cultural foi relevante, pois uma
das características dos anos dourados foi consolidar a dominação dos meios
de comunicação para difundir as ideias do capital. Nesse período três traços do
capitalismo vão se estender e consolidar: o credito ao consumidor; a inflação e
o crescimento do terceiro setor ou setor de serviços.
O terceiro setor onde e emprega o trabalho improdutivo se inclui
atividades financeiras e secundarias, comerciais, publicitárias, medicas,
educacionais, hotelaria, turísticas, de lazer, de vigilância privada, etc. passou a
empregar trabalhadores de vários níveis desde sem formação a profissionais
do nível superior.
O terceiro setor abriga uma camada de massa com aumento
significativo de trabalhadores e prosseguirá na ultima fase do imperialismo.

A INTERVENÇÃO ESTATAL NOS ANOS DOURADOS

Alguns traços do capitalismo monopolista nos anos dourados: O


investimento de concentra no setor de maior concorrência; As taxas de lucros
tendem a ser mais altas nesses setores; A taxa de acumulação se eleva;
Cresce a tendência de economizar trabalho vivo; Mantém-se a tendência do
subconsumo; O preço das mercadorias tendem a crescer progressivamente;
Os custos de vendas sobem; A inflação se cornifica.
Conclui-se que o estágio imperialista não apresenta nenhuma solução
efetiva para nenhuma das contradições do MPC. Ao contrario acentua a
concorrência e a anarquia da produção e conduz todas as contradições ao
máximo. Introduz novos complicadores entre elas a contradição entre os povos
coloniais e semi coloniais, de um lado, cujo a miséria e desenvolvimento
representam a principal fonte de superlucros dos monopólios e doutro as
grandes burguesias metropolitanas.
Como vimos o imperialismo requer um Estado interventor que garanta
as suas condições gerais. Baseados na teoria de Keynes o imperialismo levou
a refuncionalização do Estado, sua intervenção na economia para garantir os
superlucros dos monopólios visa garantir condições externa da produção e
acumulação, mas implica ainda numa intervenção direta e contínua desde seu
interior através de funções econômicas direita e indireta. O Estado passou a se
inserir como empresário nos setores básicos, a assumir empresas com
dificuldades a ofertar subsídios direto aos monopólios e lhe assegurar taxas de
lucro. Sua função indireta alem de compras aos monopólios, residem nos
subsídios mascarados (renuncia fiscal), investimentos em transporte,
infraestrutura gastos em investigações pesquisas, ou seja, nos planos
estratégicos que o governo sinaliza aos monopólios onde terão lucros futuro.
A intervenção estatal desonera o capital de boa parte do ônus da
preservação da força de trabalho, financiados agora pelos tributos recolhidos
da massa da população. Financiamento que assegura educação, saúde,
transporte, habitação etc.
Todas essas funções estão a serviço dos monopólios, mas com
legitimidade do Estado, pois no marco democrático para servir ao monopólio o
Estado deve incorporar outros interesses sociais, ele não pode ser um
instrumento de coerção. Os países onde o fascismo perdurou pela derrota dos
trabalhadores e mesmos aqueles onde os operários foram vitoriosos devido a
instabilidade que provocou nos burgueses, foram obrigados a incorporar
demandas populares, mesmo nos Estados Unidos.
O empenho do Estado mesmo a serviço dos monopólios para legitimar-
se é visível o seu reconhecimento dos direitos sociais que juntamente com os
direitos civis e políticos constituem a cidadania moderna.
A consequência desse reconhecimento, resultado da pressão dos
trabalhadores, foi a consolidação das políticas sociais e a ampliação de sua
abrangência na configuração de um conjunto de instituições que dariam formas
a vários modelos de Estado de Bem Estar Social, baseado no keynesianismo
conjugado na organização tayolista – fordista. Na passagem dos anos sessenta
ao setenta o capitalismo democrático entrou em crise e mecanismos de
reestruturação formados pela burguesia monopolista revertendo as conquistas
sociais do Welfare State, instalou a terceira fase do capitalismo.