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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

SECRETARIA DE ENSINO A DISTANCIA - SEAD

CENTRO DE CIENCIAS HUMANAS E NATURAIS


CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO: ORATÓRIA, TRANSVERSALIDADE E DIDÁTICA
DA FALA PARA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

LUCILÉA MARTINS DE OLIVEIRA

REPENSANDO UMA EDUCAÇÃO SIGNIFICATIVA NO


DISCURSO DOCENTE

VITÓRIA
2018
LUCILÉA MARTINS DE OLIVEIRA

REPENSANDO UMA EDUCAÇÃO SIGNIFICATIVA NO


DISCURSO DOCENTE

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Universidade Federal do
Espírito Santo, como requisito para
obtenção do título de Especialista em
Oratória, Transversalidade e Didática da
Fala para a Formação de Professores.

Orientador:

VITÓRIA
2018
RESUMO

O objetivo deste estudo é o de investigar os sentidos e desafios da alfabetização e do


letramento para construir caminhos que favoreçam o processo de aprendizagem. A
relevância dessa pesquisa encontra-se no fato de necessitarmos compreender como
ocorre o processo de aquisição da leitura e da escrita, daí a importância de um breve
histórico dos métodos de alfabetização e do letramento, uma vez que a escola os
adota tendo em vista um resultado a ser alcançado, o êxito do aluno. Nesse sentido,
é preciso conhecê-los a fim de oferecer as mais variadas formas de se oportunizar a
apropriação efetiva da linguagem escrita e oral pelo aluno. É importante ressaltar que
não podemos embasar nosso trabalho de alfabetizadores apenas nos métodos de
ensino que estão disponibilizados aí para nós, é preciso conhecer as diferentes formas
com que a criança aprende, fugindo de uma visão que encara o conhecimento como
algo calcado apenas nas habilidades preceptivas e desconsidera suas capacidades
cognoscitivas, ou seja, a forma como ela elabora o conhecimento internamente e o
apreende.

Palavras-chave: Métodos. Leitura. Escrita. Ensino-aprendizagem.


ABSTRACT

The goal is to study the meanings and challenges of literacy and development in order
to build paths that favor the learning process. The date of the research is the fact that
it is necessary to understand how the process of acquiring reading and writing, hence
the importance of a historical reading of literacy and literacy methods, once the result
has been achieved, that of the student. In this sense, it is necessary to know them in
order to offer more ways to opportune the appropriation of written and oral language
by the student. It is important not to pile up on our literacy work only in the methods of
teaching that are available to us, for it is necessary to know the different ways a child
learns, avoiding a vision that regards knowledge as something limestone in the same
prescriptive and it disregards its cognitive capacities, that is, how it is elaborates
knowledge internally and apprehends it.

Keywords: Methods. Reading Writing. Teaching learning.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 5
2 CONCEITOS DA ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO ...................................... 7
2.1 HISTÓRIA DA ALFABETIZAÇÃO .................................................................. 7
2.2 OS MÉTODOS UTILIZADOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS ........... 9
2.3 CONCEPÇÕES DO LETRAMENTO ............................................................ 11
3 POSSIBILIDADES E DESAFIOS QUE PERMEIAM A ALFABETIZAÇÃO E O
LETRAMENTO ......................................................................................................... 15
3.1 DESAFIO DO ALFABETIZAR LETRANDO .................................................. 16
3.2. PRINCIPAIS DIFICULDADES DE LEITURA E ESCRITA DOS ALUNOS ... 17
4 DISCURSO DOCENTE NA EDUCAÇÃO SIGNIFICATIVA ............................... 21
4.1 FORMAÇÃO DO PROFESSOR ALFABETIZADOR .................................... 23
4.2 PRÁTICA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO SIGNIFICATIVA ....................... 24
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 28
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 29
5

1 INTRODUÇÃO

Tem-se conhecimento que as dificuldades de aprendizagem são um tema


vivenciado rotineiramente por educadores na sala de aula. Dificuldade de
aprendizagem é um assunto que desperta a atenção para a existência de crianças
que frequentam a escola. Sabe-se que por muitos anos, tais crianças têm sido
ignoradas, mal diagnosticadas e maltratadas. A dificuldade de aprendizagem é uma
das maiores apreensões dos educadores, pois na maioria das vezes não acham
solução para tais problemas.

Alfabetização e o letramento na contemporaneidade implica entendê-la na sua


complexibilidade. Para que o indivíduo seja considerado alfabetizado, devemos
sempre lembrar do ciclo de alfabetização de uma criança alfabetizada na idade certa,
é preciso que aos oito anos de idade, as crianças tenha a compreensão do
funcionamento do sistema de escrita, o domínio das correspondências grafofônicas1,
mesmo que dominem poucas convenções ortográficas irregulares e poucas
regularidades que exijam conhecimentos morfológicos mais complexos; a fluência de
leitura e o domínio de estratégias de compreensão e de produção de textos escritos.

A relevância dessa pesquisa encontra-se no ato de necessitarmos compreender como


ocorre o processo de aquisição da leitura e da escrita, daí a importância de um breve
histórico dos métodos de aprendizagem, uma vez que a escola os adota tendo em
vista um resultado a ser alcançado, o êxito do aluno. Nesse sentido, é preciso
conhecê-los a fim de oferecer as mais variadas formas de se oportunizar a apropriação
efetiva da linguagem escrita e oral pelo aluno.

O objetivo deste estudo é o de investigar os sentidos e desafios da alfabetização e o


letramento e seu processo de ensino-aprendizagem. Como objetivos específicos,
descrever conceitos e métodos de Alfabetização e Letramento; problematizar
possibilidades e desafios de alfabetizar letrando; e discorrer sobre o discurso docente
na prática de alfabetizar e letrar na Educação Significativa2.

Para que possa ser desenvolvido o estudo, será utilizado a pesquisa bibliográfica,
para fundamentar o presente trabalho. Será apresentado pesquisa qualitativa,

1 Correspondências grafofônicas são as relações entre a fala e a escrita durante o processo de


alfabetização.
2 A Educação Significativa é a educação que expressa as ideias de maneira simbólica de maneira

substantiva e não-arbitrária com aquilo que o aprendiz já sabe.


6

abordagens na literatura de autores que seguem a perspectiva construtivista como


fundamentação, assim possibilitando, enquanto pesquisadores, compreender,
analisar, refletir e avaliar o problema investigado. Sendo um assunto de necessidade
diante de nossa realidade, espera-se contribuir de forma relevante com o tema
abordado.
7

2 CONCEITOS DA ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

O conceito de alfabetização é o processo de aquisição da língua escrita, ou seja, as


habilidades básicas da leitura e escrita. Isso significa ensinar o código escrito
correspondente ao código oral, habilitando o aluno a decifrá-lo (leitura e codificação)
e utilizá-lo como compreensão (escrita, codificação). Trata-se, da aprendizagem de
um gênero linguístico, mais ou menos sistematizado na ordem arbitrária do alfabeto e
em sua representação, fonológica, na ordenação morfológica e léxica das palavras e
na articulação sintática das frases e dos textos.

Quando discutida em seu sentido específico, a alfabetização apresenta dois pontos


de vista: mecânica da língua escrita versus compreensão e expressão de significados.
Com relação ao primeiro ponto de vista, ler e escrever significam o domínio da
mecânica da língua escrita e nesta perspectiva alfabetizar-se significa adquirir a
habilidade de codificar a língua oral em língua escrita, e decodificar a língua escrita
em língua oral. A alfabetização seria um processo de representação de fonemas,
grafemas em fonemas. Assim, ler significa apenas o ato de decifrar e traduzir um
código, estabelecendo correspondência entre sinais gráficos e sons.

Nessa perspectiva, o alfabetizando deve construir para si uma teoria adequada sobre
a relação entre sons e letras. Com relação ao segundo ponto de vista, ler e escrever
significam apreensão e compreensão de significados expressos em língua escrita (ler)
ou expressão de significados por meio da língua escrita (escrever).

Nessa perspectiva, a alfabetização seria um processo de compreensão-expressão de


significados. A palavra, representação simbólica, não aponta diretamente o objeto,
mas suscita no indivíduo a ideia, a referência do que é nomeado. Um determinado
termo nada diz ao indivíduo quando um objeto que indica não é conhecido por ele ou
quando não conhece por ele o termo que designa um objeto conhecido.

2.1 HISTÓRIA DA ALFABETIZAÇÃO

O termo alfabetização, no esclarecimento de Soares (2010), etimologicamente,


denota: levar à aquisição do alfabeto, portanto, ensinar a ler e a escrever. Deste modo,
8

a especificidade da alfabetização é a aquisição do código alfabético e ortográfico, por


meio do desenvolvimento das habilidades de leitura e de escrita.

Entretanto, ainda com toda evolução, o Brasil e outros países não desenvolvidos,
ainda encaram um problema de muita importância: a qualidade da educação básica,
de maneira especial, a dos anos iniciais do ensino fundamental, são destaques dessa
baixa qualidade os índices de fracasso, reprovação e evasão escolar, que jamais
deixaram de se perpetuar nestas sociedades.

A partir de 1980 a alfabetização escolar no Brasil principiou a passar por novos


questionamentos, entretanto desta feita o foco das discussões era a emergência de
novas concepções de alfabetização, baseadas em efeitos de pesquisas na área da
psicologia cognitiva e da psicolinguística que distinguiam para a necessidade de se
abranger o funcionamento dos sistemas alfabéticos de escrita e de se saber empregá-
los em situações reais de comunicação escrita, prevenindo-se desde o início da
alfabetização o chamado analfabetismo funcional.

Quanto aos métodos e cartilhas de alfabetização, os questionamentos de que foram


alvo parecem ter sido suficientemente assimilados, resultando: na produção de
cartilhas “construtivistas” ou sócio construtivista ou construtivista-interacionistas; na
convivência destas com cartilhas tradicionais e, mais recentemente, com os livros de
alfabetização, nas indicações oficiais e nas estantes dos professores, muitos dos
quais alegam tê-las unicamente para consulta quando da elaboração de suas aulas;
e no ensino e aprendizagem do modelo de leitura e escrita veiculado pelas cartilhas,
mesmo quando os professores dizem seguir uma “linha construtivista” ou
“interacionista” e seus alunos não usarem inteiramente esse instrumento em sala de
aula.

Deste modo, vale ressaltar que a alfabetização incide no aprendizado do alfabeto e


de seu uso como código de comunicação. “De uma forma mais ampla, ela pode ser
determinada como um procedimento no qual o indivíduo reconstrói a gramática e suas
variações” (SISTO, 2001, p. 23). Contudo, esse processo não se resume unicamente
na aquisição dessas habilidades mecânicas no ato de ler, porém implica a capacidade
de interpretar, compreender, criticar, ressignificar e produzir conhecimento. A
alfabetização gera a sua socialização, logo que possibilita o estabelecimento de novos
tipos de trocas simbólicas, ingresso a bens culturais, ou seja, ela beneficia o exercício
consciente da cidadania e o desenvolvimento da sociedade como um todo.
9

Alfabetizar, deste modo, promover o indivíduo na socialização da gramática, suas


variações, codificação e decodificação, produzir conhecimento e desenvolvimento da
linguagem. O que se constitui numa fusão entre o processo de alfabetização e o de
letramento.

Tem-se conhecimento e vale frisar que o processo de alfabetização decorre


mostrando que, para poder se apropriar do nosso sistema de representação da
escrita, a criança carece de estabelecer respostas para duas questões: o que a escrita
representa e qual a estrutura do estilo de representação da escrita.

2.2 OS MÉTODOS UTILIZADOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS

É indiscutível a importância da linguagem para o desenvolvimento do homem em


todas as esferas de sua vida: social, política, religiosa, dentre outras. Segundo
Vygotsky (1999), o pleno domínio da linguagem (signos) tanto oral quanto escrita traz
mudanças na vida das pessoas, capacitando-as para organizar seu modo de agir e
pensar provocando mudanças radicais das características psicointelectuais da
criança. Esse complexo sistema de signos que é a linguagem escrita é responsável
pelo fornecimento de mecanismos de organização do pensamento da criança,
possibilitando-lhe ressignificar suas relações com o meio social e com o
conhecimento.

Aprender a escrever vai muito além do simples manuseio de um lápis, e dado a sua
complexidade, ultrapassa a mera habilidade motora. Vygotsky (1999) também critica
essa concepção e diz:

Ensina-se a criança a desenhar letras e a construir palavras com elas, mas


não se ensina a linguagem escrita. Enfatiza-se de tal forma a mecânica de ler
o que está escrito que acaba se obscurecendo a linguagem escrita como tal
(VYGOTSKY, 1999, p. 119).
A escrita para Vygotsky (1999, p. 121), é carregada de representações simbólicas da
realidade, como os gestos, desenhos, brinquedos. Para ele, um dos elementos que
originou a linguagem escrita foi precedido pelo gesto e pelas representações dos
primeiros rabiscos.

Vejamos as pesquisas de Ferreiro e Teberosky (1999) sobre a psicogênese da língua


escrita. Ambas demonstram como se constrói, os níveis da evolução da escrita, o
modo de compreender o sistema alfabético que representa a língua, o que de certa
10

forma vai permitir redefinir atividades de intervenção de caráter pedagógico para a


interiorização da escrita e da superação das dificuldades desta aprendizagem. As
autoras defendem inequivocamente a ideia de que as crianças já trazem consigo essa
capacidade desde a mais tenra idade.

Em primeiro lugar as autoras se preocuparam em definir o nível pré-silábico. Segundo


elas, nessa fase, a criança não estabelece relações entre a escrita e a pronúncia.

Diante do que foi exposto até aqui, podemos inferir que tanto Vygotsky, quanto
Ferrero e Teberosky, possuem pontos de vista complementares, uma vez que
concordam que a interiorização da língua escrita passa por uma experiência individual
e contextualizada do sujeito que aprende com o objeto a ser aprendido. E concordam
no valor que o desenho desempenha nessa tarefa de apropriação dos signos.

Por meio dela, o aluno assimila, aos poucos, as formas corretas de escrever e
organizar os termos lexicais, tornando-se competente no ato de escrever. Observa-se
a partir de então a habilidade do aluno (que não apresenta dificuldade de
aprendizagem) para inferir, interpretar e extrapolar as ideias do texto, preparando-se
para tornar-se um leitor crítico.

É importante salientar que cada criança, inserida no contexto de ensino e


aprendizagem, precisa ser respeitada em suas especificidades, pois cada uma tem o
seu próprio tempo e ritmo. Cada criança é única, e que a evolução dela pode ser
facilitada pela atuação significativa do professor, sempre atento às necessidades
observadas no desempenho de cada aluno, organizando atividades adequadas e
colocando, oportunamente, os conflitos que conduzirão ao nível seguinte da
aprendizagem.

É inegável que estimular, oferecendo múltiplos materiais a uma criança, a tendência


é melhorar a interiorização do processo de leitura e escrita na escola, principalmente
quando ela já ocorre à interação com o mundo das letras no seu contexto social e
familiar.

É neste diferencial que o processo de alfabetização nas escolas coloca grande parte
das crianças em desvantagens com relação a outras que já desenvolveram
concepções mais elaboradas sobre a escrita. Essa ideia está presente nos
Parâmetros Curriculares Nacionais, o qual afirma que:
11

Um aluno que ao ingressar no primeiro ano já tem conhecimento dos


elementos da língua escrita terá uma apropriação mais rápida da base
alfabética. Isto se explica pelo fato de ter múltiplas oportunidades de atuar
como leitor e escritor. O aluno que ingressa no primeiro ano sem saber se
quer, pegar no livro, não terá a mesma facilidade, isto se explica pelo fato de
estar interagindo pela primeira vez com os objetos que o outro já interagia
desde que nasceu (BRASIL, 1997, p. 60).
Esta constatação não deve servir para que alunos sejam classificados em “capazes”
e os “incapazes”. Em se tratando de método de alfabetização, há entre os
pesquisadores uma busca constante em esclarecer que os métodos existem não
como verdades absolutas, mas como possibilidades para se compreender a
psicogênese da leitura e da escrita, uma vez que para a criança, esse processo só
ocorre se ela atribuir significado social ao que ela vê ou lê.

2.3 CONCEPÇÕES DO LETRAMENTO

Para a UNESCO (1997) ser letrado é ter acessos a diversas situações em que, a partir
da linguagem, se encontram possibilidades de múltiplas interações nas mais diversas
situações do cotidiano.

Marcuschi (2012, p. 22) define letramento como “[...] um processo de aprendizagem


social e histórica da leitura e da escrita em contextos informais e para usos utilitários,
[...] um conjunto de práticas”. Soares (2004, p. 40) conceitua-o como “[...] o resultado
da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e escrita”.

Para Matêncio (1994, p. 19), “[...] o indivíduo letrado é aquele que apresenta um
desenvolvimento da linguagem e do pensamento após o acesso às formas
especializadas do texto escrito”. Estes conceitos de letramento destacados
evidenciam que o termo extrapola a aquisição do código escrito, entendendo-o como
um conjunto de práticas sociais de leitura e de escrita. Portanto, diante destas visões
mencionadas é preciso reconhecer que estão interligados, mesmo que suponha, em
alguns, objetos diferentes.

Diante destas concepções pode-se afirmar que letramento é muito mais que
alfabetizar, pois expressa o estado, ou condição de quem interagem com diferentes
gêneros e tipos de leitura e com diferentes funções que a leitura desempenha na
própria vida e nas mais variadas práticas sociais. Desta forma, Freire (2006, p. 8)
“Aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é antes de tudo, aprender ler o mundo,
compreender seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa
12

relação dinâmica que vincula linguagem e realidade”. Já Molica (2009) deixa claro
que:

Letramento ainda significa múltiplos saberes de natureza sócio-político-


cultural que os cidadãos podem exibir e colocar em práticas no seio das
comunidades, para fins diversos, mesmo que não sejam alfabetizados. Por
isso, há que se separar o processo de alfabetização do letramento e
considerar o termo letramento. (MOLICA, 2009, p.12).
Para Soares,

O letramento é, sem dúvida alguma, pelo menos nas modernas sociedades


industrializadas, um direito humano absoluto, independentemente das
condições econômicas e sociais em que um dado grupo humano esteja
inserido; dados sobre letramento representam, assim, o grau em que esse
direito está distribuído entre a população e foi efetivamente alcançado por ela
(SOARES, 2010, p. 21).
Numa definição bem simples, Soares (1998, p 72) define o letramento da seguinte
forma: “letramento é o que as pessoas fazem com as habilidades de leitura e de
escrita, em um contexto específico, e como essas habilidades se relacionam com as
necessidades, valores e práticas sociais”. Esta definição demonstra claramente que
as “habilidades de leitura e escrita” inserem o indivíduo em uma nova dimensão no
aspecto social em que vive. Portanto, há uma diferença entre saber ler e escrever, ser
alfabetizado e letrado. Aprender a ler e escrever torna a pessoa alfabetizada,
enquanto envolver-se nas práticas sociais da leitura e da escrita, torna essa pessoa
letrada.

Pinto (2007) enfatiza a necessidade do letramento como algo que produza no sujeito
transformação para sua melhor inserção no meio social: necessita-se aprender os
elementos básicos do saber letrado, as primeiras letras, a escrita, os rudimentos da
matemática, mas este saber, ainda que fundamental e indispensável só vale por seu
significado instrumental, por aquilo que possibilita ao educando chegar a saber. É o
saber para chegar, a saber, para o mais saber.

Por consequência, é preciso que a sociedade tenha preparado todo o elenco de


oportunidades de saber para ser adquirido pelo alfabetizando depois de terminada
sua alfabetização. Do contrário, a simples alfabetização é um jogo sem finalidade, um
luxo social que não recompensa a comunidade dos elevados custos que apresenta.

Este mesmo autor encara o letramento como algo benéfico na vida social do indivíduo,
ao afirmar:

O educando adulto é antes de tudo um membro atuante da sociedade. Não


apenas por ser um trabalhador, e sim pelo conjunto de ações que exerce
13

sobre um círculo de existência. O adulto analfabeto é um elemento


frequentemente de alta influência na comunidade. Por isso é que se faz tão
imperioso e lucrativo instruí-lo (PINTO, 2007, p. 83).
Para Soares, o letramento produz desenvolvimento relevante na vida daquele que se
apropria dele.

(...) letramento não pode ser considerado um “instrumento” neutro a ser


usado nas práticas sociais quando exigido, mas é essencialmente um
conjunto de práticas socialmente construídas que envolvem a leitura e a
escrita, geradas por processos sociais amplos, e responsáveis por reforçar
ou questionar valores, tradições e formas de distribuição de poder presentes
no contexto sociais (SOARES, 1998, p. 74).
De acordo com Carmo (2010) o processo de aquisição do código oral e escrito pode
ser visto sob vários enfoques ou dimensões, pode ter várias definições, mas o único
aspecto que não se pode perder de vista é o seu valor social, que é construído pelos
indivíduos na relação dialógica implementada nas diversas formas de linguagem, orais
e escritas, em práticas cotidianas.

A escola deixa de ser a única agência de letramento, preocupada apenas com a


aquisição do código oral e escrito sem suas implicações sociais. As outras agências
de letramento, como a família, continuam desempenhando seu papel de letrarem as
pessoas para a vida (KLEIMAN apud GONÇALVES, 2011).

De acordo com Carmo,

As representações iniciais acerca da leitura e da escrita, especificamente, e


do processo de escolarização, em sua totalidade, formam-se desde a mais
tenra idade do sujeito, através das impressões que seu grupo de origem (a
família) considera legitimas e faz questão, assim, de reproduzir para seus
filhos. O grupo familiar torna-se dessa maneira, uma das principais agências
de letramento, pois oferece as noções e habilidades básicas ao indivíduo
como suporte para o processo de escolarização que terá início com a
alfabetização. Ampliando os objetivos da escola, a noção do letramento
interliga-se a um modo de conceber a linguagem escrita e seu contexto sócio
histórico, problematizando de modo intenso seu ensino/aprendizagem
(CARMO, 2010, p. 35).
A escola desempenha um papel menor que o do lar na moldagem da personalidade
da criança, entretanto, muitas crianças frequentam escola durante mais de doze anos;
mas depende da escola e do tipo do professor que há influência no crescimento
intelectual, emocional e social (BARROS, 2007).

Segundo Vygotsky (1999, p. 87) “o único bom ensino, é aquele que se adianta ao
desenvolvimento”. Para Vygotsky, o processo de ensino-aprendizado na escola deve
ser construído tomando como ponto de partida o nível de desenvolvimento da criança
e como ponto de chegada os objetivos estabelecidos pela escola, adequados à faixa
14

etária e ao nível de conhecimentos e habilidades de cada grupo de crianças. O


professor tem o papel explícito de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos
alunos, provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente. Não se pode
esquecer que nas sociedades letradas a escola tem papel central no desenvolvimento
das pessoas.

O processo de aquisição dos elementos necessários para o desenvolvimento das


habilidades de leitura e escrita inicia-se antes mesmo da criança receber a instrução
formal. Tanto as competências cognitivas quanto as habilidades motoras devem ser
consideradas para a aprendizagem de a escrita visto serem necessárias para que a
criança, que está sendo alfabetizada, possa alcançar os saberes básicos da língua
(NICOLAU, 1997).

Kleiman apud Gonçalves (2011) estabelece duas dimensões do letramento que


consistem na alfabetização como aprendizado da técnica de escrever e ler textos,
situado nos primeiros anos escolares e no letramento, um período indeterminado em
seu começo, podendo ser considerado a partir da pequena infância e perdurando
durante toda a vida das pessoas.
15

3 POSSIBILIDADES E DESAFIOS QUE PERMEIAM A ALFABETIZAÇÃO E O


LETRAMENTO

A escola precisa encontrar seu principal objetivo que é o de dar a aprendizagem


necessária aos alunos e facilitar sua inserção no mundo dos letrados, pois todos eles
têm direito à escolarização. Chaveau (1994), afirma que é fundamental formar os
profissionais para serem pesquisadores, principalmente quando o que se almeja é a
melhoria do ensino. Sabemos que a melhoria do ensino método de alfabetização só
ocorrerá se o aluno encontrar um ambiente alfabetizador, rico em materiais
pedagógicos.

Alguns fatores têm comprometido a qualidade do ensino, principalmente a


insegurança do professor, que se vê diante de tantas teorias e não domina nenhuma
delas para tornar sua ação pedagógica significativa ao aluno. Essa afirmação é
corroborada por Libâneo, quando afirma que

Os professores despreparados para o exercício da profissão, com nível de


cultural geral e informação baixos, resulta num segmento de profissionais
sem as competências pessoais e profissionais para enfrentar as mudanças
gerais que estão ocorrendo na sociedade contemporânea (LIBÂNEO, 2005,
p. 91).
Desse modo, formar professor é uma medida desafiadora, visto que o que se estuda
na universidade está muito aquém do que é exigido para der ensinado nas escolas.
Para atender tais exigências, é necessário que o profissional seja capacitado, para
dar conta de atender as expectativas que são depositadas no ensino escolar, do qual
ele será o principal responsável.

Estar em formação implica em um investimento pessoal, um trabalho livre e


criativo sobre os percursos e sobre os projetos próprios com vistas a
construção de uma identidade, que é também uma identidade profissional
(NÓVOA, 1996, p. 25).
Sabemos que existe hoje uma questão que nos coloca enquanto pesquisadores diante
de um grande desafio: antes os alunos eram excluídos da escola pelo fato de serem
reprovados porque não sabiam ler, e hoje, esse mesmo sistema o mantém na escola
e continuam ainda não lendo. Essa questão tem motivado o mais recente programa
de alfabetização lançado pelo Governo Federal, em que ele propõe aos estados e
municípios um pacto para alfabetizar as crianças até os oito anos de idade.
16

3.1 DESAFIO DO ALFABETIZAR LETRANDO

Atualmente o trabalho de alfabetização não se resume em apenas ensinar o aluno a


decodificar, vai, além disso. Sabemos que o conceito de letramento teve sua origem
nas lacunas que se percebe no conceito de alfabetização. Por isso, as escolas
trabalham o letramento juntamente com a leitura e a escrita.

Ou seja, além de alfabetizar os alunos, desenvolvem ainda, as habilidades do


educando preparando-os para utilizarem a língua nas práticas sociais cotidianas,
como por exemplo: dar um simples recado a escrever uma carta. Por isso fez-se
necessário à reformulação no ensino, nas práticas pedagógicas e nas estratégias de
ensino, já que a alfabetização e o letramento se somam e estão intrinsecamente
ligados.

Para Soares (2010) o conceito de letramento não está limitado apenas na cultura do
papel, mas sim na nova cultura da tela com os meios eletrônicos, pois se, uma criança
sabe ler um livro, uma receita, um jornal, se sabe escrever palavras, mas não é capaz
de escrever uma carta, é alfabetizada, mas não é letrada. É bem verdade que a
educação passou por processos significativos para que a aprendizagem tivesse
relevância, eficácia se não dizer prazer.

Ainda, para a mesma autora, a alfabetização e letramento se somam. Ou melhor, para


ela a alfabetização é um componente do letramento e que não basta ler e escrever,
mas, ao mesmo tempo, pode levar também a perder-se a especificidade do processo
de ler e escrever, entendido como aquisição do sistema de decodificação de fonemas
e decodificação de grafemas, apropriação do sistema alfabético e ortográfico da
língua.

A prova disso é quando as crianças pensam, por exemplo, que coisas grandes são
escritas com letras grandes e coisas pequenas com letras pequenas – no pensamento
delas o tamanho da escrita está relacionada com o tamanho do objeto. No decorrer
dos séculos, a escola operou uma transformação da escrita. Transformou-a de objeto
social em objeto exclusivamente escolar, mas se faz necessário estabelecer que a
escrita é importante na escola porque é importante fora da escola, e não o inverso. A
escola se converteu em guardiã desse objeto social que é a língua escrita. O aluno
deve respeitar cuidadosamente a ortografia desde o início como se a roupagem
gráfica de cada palavra fosse eterna.
17

Há crianças que chegam sabendo que a escrita serve para escrever coisas
inteligentes, divertidas ou importantes. Essas são as que terminam de
alfabetizar-se na escola, mas começaram a alfabetizar-se muito antes,
através da possibilidade de entrar em contato, de interagir com a língua. No
entanto existem outras crianças que precisam das práticas escolares,
entretanto, não lhes permitem apropriar-se de nada: acabam por ser meras
produtoras de signos estranhos (FERREIRO, 2015, p. 104).
O papel do professor alfabetizador e levar a criança a adquirir conhecimento das
coisas que fazem sentido para elas. Valorizar o que elas trazem da vida e acrescentar
o que a envolve. O professor é um mediador do conhecimento, cabe a ele a introdução
e o desenvolvimento dos assuntos abordados e os encaminhamentos para que ao
final da aula o aluno tenha alcançado o objetivo inicial.

3.2. PRINCIPAIS DIFICULDADES DE LEITURA E ESCRITA DOS ALUNOS

Segundo Dockrelle (2000) a leitura consiste em um complexo conjunto de habilidades


que incluem reconhecimento de palavras impressas, determinadas dos significados
de palavras e frases e coordenação desses significados dentro do contexto geral do
tema.

Tais habilidades se tornam bastantes complexas para um grande número de crianças


em faze de alfabetização, principalmente quando não conseguem reconhecer ou
compreender o material escrito. Assim sendo, não conseguem aprender a ler.

Esse é um problema sério que afeta as nossas escolas e que precisa ser
urgentemente solucionado. Diante de um mundo letrado como o nosso, é impossível
conceber que determinadas crianças fiquem à margem, sem obter sucesso na
aprendizagem da leitura e consequentemente afastado de praticamente o que resta
do currículo escolar. E não só o currículo escolar acaba sendo afastado, como também
a aquisição de conhecimentos que vão além dele.

Toda essa problemática termina afetando negativamente a compreensão da leitura a


qual é largamente baseada no conhecimento geral do indivíduo. É evidente que são
diversas causas responsáveis pela dificuldade em aprender a ler, o que não se tem
claro ainda é se todas as crianças apresentam a mesma dificuldade ou se existem
vários tipos diferentes de dificuldades.

Devemos ensinar as estratégias da leitura para que o leitor leia com mais fluência.
Estratégias de leitura são procedimentos do caráter elevado, que envolvem a
18

presença de objetivos a serem realizados, o planejamento das ações que se


desencadeiam para atingi-los assim como sua avaliação e possível mudança.

As principais estratégias de leitura a serem ensinadas aos alunos como a


compreensão dos propósitos implícitos e explícitos da leitura sem esquecer-
se das atividades da leitura aos conhecimentos prévios relevantes para o
conteúdo em questão e sem esquecer a avaliação da consistência interna do
conteúdo expressado pelo texto e sua compatibilidade como conhecimento
prévio e com o sentido comum. Comprovação continuada sobre a
compreensão que ocorre mediante a revisão e a recapitulação periódica e a
auto interrogação, como interpretações, hipóteses e previsões e conclusões.
Vale ainda dizer que as estratégias de leitura servem para ajudar o leitor a
escolher outros caminhos quando se deparar com problemas na leitura
(SOLÉ, 1998, p. 73-74).
Os alunos que apresentam alguma dificuldade são muitas vezes considerados como
fracassados e é um erro pensar que alguns professores os considerem como
negativos em aprendizagem. São crianças com déficit de atenção, considerado um
distúrbio de aprendizagem que vale a pena referir-se. Pessoas com Déficit de Atenção
passam a impressão de que nunca conseguem completar nenhuma tarefa iniciada,
pois assim que começam uma nova empreitada facilmente se distraem e passam a
fazer outra coisa e assim sucessivamente deixando um rol de tarefas incompletas
assim que elas vão passando de uma para outra. Estas pessoas também apresentam
uma dificuldade de memorizar as coisas e se lembrar de compromissos, encontros,
onde deixou certos objetos.

Esta falta de atenção leva muitas vezes a problemas com seus colegas e professores,
devido à falta de atenção e também a problemas de relacionamento, pois a falta de
atenção causa a impressão em outras pessoas de que elas são sem importância.

A motivação é uma das dificuldades da aprendizagem, e tornam-se, segundo Sisto et


al (2001) tornam-se, com frequência, muitas vezes a discriminação correta dos
problemas, uma tarefa árdua, mesmo para os especialistas. Por isso que os
psicólogos cognitivos que se baseiam na teoria da informação apontam para as
técnicas baseadas no processamento da informação, voltadas para as estratégias de
aprendizagem.

Para que a criança consiga ter motivação, a manutenção da atenção e da


concentração, o controle da ansiedade, o planejamento apropriado do tempo e do
desempenho, bem como a organização o ambiente, como estratégias afetivas. As
informações entram e saem do nosso cérebro e podem, muitas vezes, ficarem
desordenadas quando viajam entre os sentidos e o cérebro, ocasionando na criança
19

problemas como pensar com clareza, ter dificuldade de soletrar, o aprender a calcular,
escrever legível, enfim, processar com exatidão os dados recebidos, inclusive os
relacionados à leitura (SISTO et al, 2001).

A criança com dificuldades de auto percepção e de percepção social


geralmente não percebe o que acontece com ela em relação a si mesma e
às outras pessoas, não percebe qualquer relação entre pessoas e situações
retratadas, indicando uma dificuldade para compreender até mesmo os
acontecimentos comuns diários de sua vida (GUERRA, 2002, p. 45).
Neste estudo, a autora destaca que as dificuldades de aprendizagem podem estar
ligadas às verbais e não-verbais. Nas verbais são consideradas as relacionadas às
dificuldades para adquirir os processos simbólicos da leitura, escrita e matemática.
Dentre eles destacam-se a dislexia, dislexia do desenvolvimento, disgrafia e outros.
Para que o educador possa entender esses problemas de aprendizagem necessita de
conhecimentos ligados ao diagnóstico do problema, para que possa encaminhar a
criança a um terapeuta que possa tentar resolver o problema.

Pelegrini (2001) diz que propondo atividades o professor poderá constatar as


dificuldades de aprendizagem e trabalhar com a criança visando descobrir quais as
principais causas. O uso de estratégias que visem o diálogo, a interação de grupo,
deixando que as contradições aflorem possibilita ao professor que trabalhe com as
dificuldades mais simples e os alunos possam realizar suas atividades de acordo com
elas.

Na leitura é interessante deixar que a criança descubra seu centro de interesse e


através dele propicie a construção da leitura, deixando o professor de lado a cartilha
pré-construída e o aluno possa construir a sua própria, seja através de brincadeiras,
de jogos e recortes até a possibilidade de encontrar sua própria aferição das letras e
sua construção. A criação e a descoberta são grandes propulsores do processo de
construção da leitura e da escrita.

A produção do planejamento diário é também um momento reflexivo sobre a língua


escrita. Na hora da escrita os alunos sugerem suas hipóteses e as discutem com o
grupo. Fica claro que as crianças se apropriaram do espaço pedagógico do aprender.
São livres para ir e vir, sem que isso interfira ou atrapalhe no ritmo de aprendizagem
do grupo.

O professor que se preocupa com seus alunos busca novos métodos e alternativas
para poder trabalhar com prazer e satisfação, tanto de sua parte como passando aos
20

alunos essa sua alegria em ensinar e aprender. Ferreiro (1989) coloca que a escola
deve estar aberta à comunidade e nela ser inserida, constatando muitas vezes tem se
enfatizando a necessidade de abrir a escola para a comunidade circundante. A leitura
que a criança realiza está mais fora da escola do que dentro, e a escola não vai até lá
fora ver o que acontece com seus alunos. Daí a dificuldade de integração e de
produção de textos dos alunos.

A escola deve mudar e encaixar-se mais no mundo real dos seus alunos, produzir
textos e realizar leituras do que acontece ao redor, buscar informações fora da escola,
como Teberosky apud Ferreiro (1989, p. 39) realizou em sua experiência pedagógica
obtendo resultados dessa interação.

A escola é participante ativa da aprendizagem e deve procurar introduzir o sujeito no


seu mundo sociocultural. Bossa (2002, p. 90) completa que “ela é, com efeito, a
grande preocupação da Psicopedagogia em seu compromisso de ação preventiva”.
21

4 DISCURSO DOCENTE NA EDUCAÇÃO SIGNIFICATIVA

A prática do educador é um dos fatores determinantes da aprendizagem dos alunos,


refletir e encontrar suas próprias soluções, ser alguém com autonomia intelectual, mas
ser humilde para entender que não sabe de tudo e diante das novas ideias da
concepção construtiva da aprendizagem também é um aprendiz.

Para passar de um modelo empirista para um modelo construtivista as dificuldades


são muitas em relação ao entendimento. No construtivismo o aluno integra novos
conhecimentos aos existentes, é um processo de transformação. Cabe ao professor
criar situações que permitam ao aluno vivencia os usos que se faz da leitura, o aluno
deverá ter oportunidade ouvir e fazer leitura de textos.

É importante que os alunos aprendam que a leitura também é um instrumento para o


ócio e a diversão, uma ferramenta lúdica que nos permite explorar mundos diferentes
dos nossos reais ou imaginários, que nos aproxima de outras pessoas e de suas
ideias, que nos transforma em exploradores de um universo que construímos com
nossa imaginação.

O professor tem que ser antes de tudo um leitor. Um professor que não goste de ler,
jamais trabalhará bem com a leitura. Ele precisa ler muito, e fazer com que os
pequenos leiam, precisa ler para eles e saber ouvir a leitura, ainda temida e
descompassada, que seus alunos fazem do texto estudado ou dos textos que eles
próprios produzem.

O professor precisa ter competência teórica e metodológica e saber que a escola é o


lugar natural da leitura. Assim como boas receitas existem sempre pequenos
segredos que não se consegue transferirem, na pratica pedagógica existe um saber -
fazer que só se revela na situação real e que depende das características é condições
dos alunos, da classe, do que está sendo ensinado e da pessoa que está ensinando,
ou seja, o professor.

Segundo Ferreiro (2001) e importante padronizar práticas pedagógicas, mas é


importante analisá-las. Os procedimentos adotados em uma determinada situação
costumam revelar caminhos que são produtos da criatividade dos professores e
mostram maneiras originais de desencadear a aprendizagem, compatíveis com sua
concepção de educação. Na sua prática em sala de aula os educadores se preocupam
muito com o uso do método eficaz, para fazer com que a criança se desenvolva na
22

leitura os objetivos visando na aprendizagem da leitura têm sido mostrados como uma
questão de método.

Como a ênfase está posto na análise auditiva para se separar os sons e


estabelecer as correspondências grafema-fonema instituem-se duas
questões como previstas, que a pronuncia seja correta para evitar confusões
visuais entre as grafias. Outra dos importantes princípios para o método é
ensinar um par de fonemas-grafema por vez, sem passar ao seguinte
enquanto a associação não está bem fixada. Na aprendizagem, está em
primeiro lugar a mecânica da leitura (decifrado no texto) que, posteriormente
dará lugar à leitura inteligente (compreensão do texto lido), culminando com
uma leitura expressiva, na qual se junta à entonação (FERREIRO, 2001,
p.21).
A memorização é tarefa primordial no método sintético, a aprendizagem da leitura
torna-se uma questão mecânica. O processo da leitura de aprendizagem da leitura é
visto, simplesmente, como uma associação entre respostas sonoras e estímulos
gráficos. Não desperta a construção particular da criança e é um método de maior
adesão ainda atualmente.

Por isso posso destacar o que fala Teberosky; Colomer (2002), o método analítico
trabalha o reconhecimento global das palavras ou das orações; a análise dos
componentes é uma tarefa posterior. A leitura é um ato global e audiovisual. Não
importa qual seja a dificuldade auditiva daquilo que se aprende posto que a leitura
seja uma tarefa fundamental visual, por outro lado postula – se que é necessário
começo com unidades significativas para a criança por isso tem a denominação
audiovisual.

Na prática em sala de aula o educador tem que lembrar que a criatividade é uma
aliada importante no seu trabalho e não esquecer as diferenças individuais dos seus
alunos. A escola é o lugar em que todas as crianças devem ter a mesma oportunidade,
mas estratégias de aprendizagem diferentes.

As crianças são resultado de suas experiências para compreender seu


desenvolvimento é preciso considerar o espaço que elas vivem, a maneira
como constroem significados, as práticas culturais e tudo o que elas já sabem
(BOSSA, 2002, p. 46).
O ideal é promover diversas atividades, de conteúdos diferentes ou iguais na mesma
turma, respeitando o tempo de cada criança. É importante que façam parte da rotina
diária de um aluno; trabalhar em grupo, trabalho em dupla, trabalho individual. Ensinar
a ler tem se tornado um dos papeis mais difíceis para o professor; ele se vê diante de
tantas mudanças neste aspecto, que a única saída é escolha qual o melhor meio para
23

se trabalhar a leitura, sofrendo as pressões que o sistema faz e tentando ao máximo


que sua prática surta bons efeitos.

4.1 FORMAÇÃO DO PROFESSOR ALFABETIZADOR

O processo de formação do professor constitui-se de momentos institucionalizados


que abarcam a formação inicial e a continuada. Nos últimos anos, a formação docente
vem ganhando um destaque nas discussões teóricas a respeito da qualidade da
educação.

O processo alfabetizador é longo e segue atualmente um ciclo de três anos de


aquisição. O governo com parceria das escolas municipais e estaduais oferece aos
professores de 1º ano 2º e 3ºanos cursos de alfabetização (PNAIC) gerados pelas
suas próprias secretarias de educação, sendo assim, os professores tem obrigação
de que todos os alunos dessas séries não passem para as respectivas séries sem o
domínio total da alfabetização. Este programa chama-se pacto nacional pela na
alfabetização na idade certa e o MEC disponibiliza gratuitamente os materiais para os
professores das classes de alfabetização. Todos os alunos com 8 anos deverão saber
ler e escrever, pois os alunos que não aprendem até esta idade têm grande prejuízo
em sua aprendizagem no decorrer dos anos.

Conforme Soares, a formação do professor:

Tem uma grande especificidade, e exige uma preparação do professor que o


leve a compreender todas as facetas (psicológicas, psicolinguística,
sociolinguística e linguística) e todos os condicionantes (sociais, culturais,
políticos) do processo de alfabetização, que leve a saber operacionalizar
essas diversas facetas (sem desprezar seus condicionantes) em métodos e
procedimentos de preparação para a alfabetização, em elaboração e uso
adequadas de materiais didáticos, e , sobretudo, que leve a assumir uma
postura política diante das implicações ideológicas do significado e do papel
atribuído à alfabetização (SOARES, 2010, p. 24).
É um grande desafio trabalhar com turmas de alfabetização, mas o bom professor
sempre descobre qual é a melhor maneira de ensinar aos seus alunos. O professor
que busca formação continua e está sempre atualizado consegue com certeza ter
sucesso em seu trabalho como alfabetizador. É muito importante que o professor
possa criar um ambiente onde aparecem contextos diversos que favoreçam a
alfabetização e ao letramento dos alunos, como a manipulação dos livros e histórias.
24

O professor desde os primeiros contatos com o aluno terá ideias claras a respeito do
que se espera destes alunos e a partir daí trabalharão juntos com perseverança e
calma porque, segundo Cagliari (1998, p. 110) “a aprendizagem não tem dia marcado
para acontecer”.

Para que haja uma nova concepção de alfabetização é preciso também uma nova
concepção na formação de professores. Desta forma faz-se necessário adequar à
formação do docente as necessidades dos professores, tanto de natureza teórica
quanto de natureza prática, é necessário partir daquilo que os professores pensam e
sabem para apoiá-los na construção de novos conhecimentos e na implementação de
novas práticas.

Para Ferreira,

Alfabetização não é um estado, mas um processo. Ele tem início muito cedo
e não termina nunca. Nós não somos igualmente alfabetizados para qualquer
situação de uso da língua escrita. Temos mais facilidade para ler
determinados textos e evitamos outros. O conceito também muda de acordo
com as épocas e a chegada da tecnologia (FERREIRA, 2003, p. 28).
Hoje em dia se vê muito o desinteresse por parte do professor, em vez de estimular,
pode na verdade, desestimular as curiosidades e a disposição das crianças. É
importante também que os professores tenham consciência ao escolher o método de
alfabetização. O professor deve buscar sempre capacitação na área da alfabetização.

Sendo de grande importância o papel do alfabetizador na vida escolar de um aluno,


pois é a parte mais fundamental da aprendizagem e dela servirá por toda a vida do
indivíduo. Se alfabetizar bem terá boa leitura e escrita, podemos observar os alunos
que não foram alfabetizados de maneira correta, esses têm grandes problemas com
a escrita e geralmente são péssimos leitores, por isso que o professor alfabetizador
deve ser capacitado para que faça um bom trabalho e não prejudique seus alunos e
não os tornem analfabetos funcionais.

4.2 PRÁTICA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO SIGNIFICATIVA

Atualmente, nas escolas públicas brasileiras encontramos a influência de várias


tendências e teorias sobre alfabetização que atrapalham o trabalho em sala de aula e
consequentemente o processo de aquisição da linguagem escrita. Graff afirma que:
“[...] a alfabetização é profundamente mal-entendida o que nos possibilita perceber
25

que esta construção equivocada de significados vem se arrastando ao longo dos


anos” (GRAFF, 1994, p. 27).

Para alguns professores alfabetizar consiste em aprender a usar o código alfabético


e por este motivo iniciam as atividades com os alunos utilizando textos sem sentido,
de onde retiram palavras, que posteriormente se desmembrarão em sílabas e letras,
desrespeitando as hipóteses que as crianças têm acerca da quantidade mínima de
letras que usa para escrever, como nos colocam Ferreiro e Teberosky (1999) em sua
obra “Psicogênese da Língua Escrita”. Estes professores seguem modelos
ultrapassados baseados no método tradicional, ou sintético no qual se inicia o
aprendizado da escrita e da leitura letra por letra, sílaba por sílaba e palavra por
palavra, até chegar ao texto. Na perspectiva deste modelo, a aprendizagem torna-se
mecânica, valorizando o produto final e não o processo. Cócco e Hailer (1996) afirmam
o seguinte:

A alfabetização trabalhada no chamado “método tradicional” tem como ponto


de sustentação uma sistematização a priori e um material – a cartilha – que
desenvolve um método (global, silábico, fonético, etc.). O processo é
organizado pelo professor, pelo adulto. O que geralmente ocorre, então, é o
uso de uma linguagem padronizada e irreal. Esse fato, associado a uma
ênfase excessiva no treino da ortografia e da gramática desenvolvida nas
séries do Ensino Fundamental, leva a criança a acreditar que a linguagem da
escola é diferente da linguagem cotidiana, viva e real (CÓCCO; HAILER,
1996, p. 19).
Percebe-se o reflexo do uso destes modelos nos resultados das avaliações externas
aplicadas, que apresentam a grande dificuldade que os alunos têm de ler e interpretar
textos.

Nos últimos anos, estudos foram publicados sobre como a criança constrói seus
conhecimentos a respeito da linguagem escrita, entre as teorias divulgadas
encontramos a de Vygotsky que diz “a linguagem escrita é constituída por um sistema
de signos que designam os sons e as palavras da linguagem falada” (VYGOTSKY,
1999, p. 140). E continua o autor que para evoluir no simbolismo, a criança “[...] precisa
fazer uma descoberta básica – a de que se pode desenhar, além de coisas, também
a fala” (VYGOTSKY, 1999, p. 153).

Diante disso surge à necessidade de mudança na maneira de formar novos usuários


da língua escrita, já não basta mais saber assinar o próprio nome, ou escrever um
bilhete simples para ser considerado alfabetizado, é necessário saber fazer uso da
leitura e da escrita para interagir com o mundo.
26

É preciso que o professor entenda processo de alfabetização se inicia mesmo antes


do indivíduo adentrar pelos portões da escola, e não tem tempo para terminar, pois
constantemente se deparará com novas linguagens, com novos materiais escritos,
com novas informações, que fazem parte da sociedade letrada na qual está inserido.

Lerner apud Bernardes et al (2008) coloca que “o desafio que a escola enfrenta hoje
é o de incorporar todos os alunos à cultura do escrito, é o de conseguir que todos seus
ex-alunos cheguem a ser membros plenos da comunidade de leitores e escritores”
(BERNARDES et al, 2008, p. 68). Aos professores lança-se o desafio de alfabetizar
letrando, se forma que a linguagem escrita assuma e cumpra sua função social, não
ficando restrita ao uso em sala de aula.

É necessário, que o professor alfabetizador supere alguns equívocos no sentido de


concretizar uma prática educativa de qualidade cumprindo o desafio de alfabetizar
letrando. Um desses equívocos é a separação inadequada entre alfabetização e
letramento. Muitos pensam que primeiro deve-se ensinar a ler e a escrever para
depois utilizar esses conhecimentos na produção de textos. O processo de construção
/ apropriação da linguagem escrita envolve estes dois processos, que são distintos
entre si, mas interdependentes e inseparáveis, como afirma Soares:

A alfabetização – a aquisição da tecnologia da escrita – não precede nem é


pré-requisito para o “letramento”, ou seja, para a participação nas práticas
sociais de escrita, tanto é assim que os analfabetos podem ter certo nível de
“letramento”: sem que hajam adquirido a tecnologia da escrita, utilizam a
quem a tem para fazer uso da leitura e da escrita, além disso, na concepção
psicogenética de alfabetização atualmente em vigor, a tecnologia da escrita
é aprendida não como em concepções anteriores com textos construídos
artificialmente para a aquisição das ‘técnicas’ de leitura e escrita, e sim por
meio de atividades de “letramento”, ou seja, de leitura e produção de textos
reais, de práticas sociais de leitura e escrita (SOARES, 2000, p. 92).
Os estudos sobre alfabetização e letramento mostram que se deve orientar os
professores a planejarem atividades que envolvam práticas de leitura e escrita que
ampliem os conhecimentos dos alunos acerca dos usos das mesmas, isto é, textos
reais, que tenham função social. Este tipo de orientação deve estar presente no
Projeto Político Pedagógico, para servir de norte ao trabalho dos professores em sala
de aula, não só os alfabetizadores, mas também os dos demais anos do ensino
fundamental.

O professor deve ter consciência de que a criança em processo de construção /


aquisição da língua escrita não precisa saber ler e escrever para participar de
situações que envolvam leitura e escrita, parte daí a necessidade da interação entre
27

um sujeito que já se apropriou do sistema de escrita e aquele que está em processo,


podendo este ser o próprio professor ou um colega. Vygotsky (1999) em seus estudos
afirma a importância das interações sociais que levam o sujeito a avançar em seu
desenvolvimento e sua aprendizagem. E para assegurar essas interações é preciso
que se organizem situações de aprendizagem como o exposto por Batista (2008):

Para mobilizar os processos de aprendizagem das crianças de modo a ajudá-


las no desenvolvimento das capacidades relacionadas à leitura e à escrita e
na construção de representações sobre esse objeto de estudo as propostas
de atividades e as estratégias metodológicas precisam ser sequenciadas,
articuladas e contextualizadas, ou seja, as crianças precisam participar de um
conjunto de atividades caracterizado por um ciclo de ações e procedimentos
de ensino e aprendizagem – as chamadas Situações de Aprendizagem.
Organizar esses ciclos de situações de aprendizagem fica mais fácil quando
as professoras têm em mente uma proposta de ensino na qual possam
buscar referências metodológicas para projetar seus trabalhos junto às
crianças (BATISTA, 2008, p. 18).
Para garantir que os alunos participem de situações de aprendizagem que os levem
a utilizar a leitura e escrita em seu contexto diário e que tenham condições para
continuarem seus estudos, o governo federal em pareceria com os estados e
municípios tem buscado através de leis, programas entre outras medidas melhorar a
qualidade do ensino ofertado.
28

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As discussões feitas até aqui nos apontam que a escrita deve ter significado para as
crianças, e que a necessidade de aprender a escrever deve ser despertada e vista
como necessária e relevante para a vida. Só então poderemos estar certos de que ela
se desenvolverá não como hábito de mãos e dedos, mas como uma forma nova e
complexa de linguagem.

A concepção de escrita que se tem mostrado mais produtiva na alfabetização de


crianças é a que enfatiza a dimensão social, tanto da aprendizagem de leitura e
produção de textos quanto do uso dos materiais escritos. Logo é produto de uma
interação entre aquele que aprende e os instrumentos colocados ao seu alcance.

Ainda há muito que se fazer para concretizar um projeto de alfabetização que seja
eficiente e eficaz, acreditamos que nesse momento, cabe ao professor usar sua
criatividade, conhecendo as particularidades de cada criança com as quais ele
trabalha e buscar alternativas que torne fluente o processo de ensino-aprendizagem.

É importante ressaltar que não podemos embasar nosso trabalho de alfabetizadores


apenas nos métodos de ensino que estão disponibilizados aí para nós, é preciso
conhecer as diferentes formas com que a criança aprende, fugindo de uma visão que
encara o conhecimento como algo calcado apenas nas habilidades preceptivas e
desconsidera suas capacidades cognoscitivas, ou seja, a forma como ela elabora o
conhecimento internamente e o apreende.

A alfabetização é um caminho contínuo, e sabemos que ela é apenas uma parte do


processo que leva a um domínio maior das formas de apreensão das diferentes
linguagens que o meio social apresenta e que sonhamos um dia que toda criança se
aproprie com plenitude e segurança.
29

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