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SECRETARIA TÉCNICA – COMITÊ GESTOR

DA COOPERAÇÃO DESCENTRALIZADA
BRASIL – ITÁLIA

Módulo do plano
de ação
Esquema metodológico de um
projeto de desenvolvimento
Eduardo A.C. Garcia

[Críticas e sugestões enviar a:


eduardo.garcia@agricultura.com.br]

2008

[CONTRIBUIÇÃO DO MAPA, ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS, BLOCO D


ANEXO B, 1º. ANDAR, SALA 149
2

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

SUMÁRIO
1) Introdução 5

2) Desenvolvimento 5

2.1 Conceitos e etapas do desenvolvimento de projeto 6

2.1.1 O Problema para Resolver (perspectiva do cliente: o que espera do projeto) e o Problema do
Proponente (o que pode / deve oferecer o proponente ao cliente) 12

2.1.2 Os Propósitos do Projeto para Atender Objetivos do Cliente 23

2.1.3 Conceitos e Procedimentos Metodológicos para Atingir os Objetivos e Metas Indicadas no


Projeto 25

AS PARTES QUE SEGUEM FORAM PROPOSITADAMENTE OMITIDAS

2.2 Um estudo de caso

2.3 Cenários prospectivos

2.3.1 Um estudo de casos

2.4 Riscos no projeto

2.4.1 Um estudo de casos

3) Referências
3

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Apresentação
O esquema proposto, na forma de um manual simples para a apresentação e implantação de
projetos, segue diretrizes e princípios da administração pública e se orienta conforme critérios e
novos paradigmas da ciência-tecnologia na elaboração de projeto, instrumento de planejamento e
gestão. São diretrizes e princípios, tais como os do Plano Plurianual (PPA) e do Projeto de Lei
Orçamentária Anual da União (PLOA).
Nessas orientações se tem espaços e oportunidades para considerar critérios e fundamentos de
parceiros como, no caso específico da Cooperação Descentralizada Brasil e Itália – Mapa e outros,
sempre que não sejam conflitantes com orientações de programas que compreendam as ações e
projetos financiáveis com recursos públicos ou recursos de instituições como o Banco do Brasil
(BB) e Caixa Econômica Federal (CEF).
Nos instrumentos programáticos gerais (PPA e PLOA), colocam-se em evidência princípios
da administração pública e da metodologia de planejamento de projetos por objetivos (MPPO),
como sendo uma forma eficiente de aceder à diversidade de conhecimentos e perspectivas e de
identidades e valores (…) que enriquecem a visão de fatos e a solução (aproveitamento) de
problemas (oportunidades) dentro de um grupo. Deve-se acrescentar que a condição grupal, a
dinâmica de grupos (…) torna os indivíduos mais criativos, facilita a exposição da divergência
rumo a um consenso e quebra a rigidez na forma de pensar e se posicionar ao evidenciar um
interesse social do qual o grupo pode contribuir e é responsável.
Entre esses princípios se destacam:
a) A racionalidade e transparência na aplicação de recursos públicos, o que ocorre (é facilitado)
com o registro e análise de dados (valiosos, úteis, oportunos, atualizados etc.) observáveis,
medíveis (na aplicação) e sintetizáveis (pela gerência) em indicadores para monitorar, avaliar
– agir no controle (…).
b) O estímulo à participação e controle social no projeto a desenvolver com recursos públicos; o
princípio da participação transversal é imanente da técnica MPPO e favorece a integração das
“figuras” programáticas de planejamento, orçamento e gestão.
c) As técnicas de visualização, baseadas em fundamentos de lógicas racionais, de catalisadores
de idéias, de análises de raciocínios (…) que possibilitam a visão partilhada de atividades e
estratégias de um projeto. Em muitos casos, em geral para projetos complexos, os interesses e
meios de atores são conflitantes; os interesses e objetivos públicos e privados também podem
ser conflitantes. Com base em princípios como os da racionalidade e transparência, a
participação pró-ativa e efetiva e a visualização se pode potencializar visões confluentes e
diminuir os atritos e diferenças, rumo a um entendimento de consensos fortalecidos.
d) A avaliação de resultados com evidências e propósitos de desenvolvimento sustentável. Essas
mesmas orientações devem aparecer, na escala conveniente de abrangência espacial, temporal
e de montante de recursos econômico-financeiros, em projetos e ações.
O presente manual de orientações é uma síntese e adaptação de Orientações para elaborar
um projeto de pesquisa (...), cap. 6, 1 no âmbito do desenvolvimento, com simplificações e

1
GARCIA, EAC. O r ie n taç õ es p ar a e la b or ar um pro j et o d e pes q u is a c om q ua l i da d e e
f a zer a pes q u is a c o m ef eti v i da d e de s e us r es u l ta d os no d e s env o lv i me nt o . B ra sí li a:
E mb r ap a, 2 0 0 8 , ( Do c u me n to e m me io d i gi ta l, co mp o s to p o r 1 0 cap í tu lo s, 3 ap ê nd ic es e 1 0
a n e xo s , a ss i m: 1 ) Or i ge m e e vo l u ç ã o d a c iê n ci a: fi ló so fo s ; 2 ) Co nc eit o s e re ferê n cia s p ar a a
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

adaptações para atender propósitos da Cooperação Descentralizada Brasil – Itália, destacando


aspectos conceituais – operacionais com ilustrações e exemplos esclarecedores.
Conforme as normas da ABNT, todo texto técnico-científico esta composto de três conjuntos
de elementos: o pré-texto que nesta síntese é propositadamente dispensado; o texto composto por
duas partes: a introdução e o desenvolvimento; e o pós-texto, apenas indicado na parte de
referências. Esse desdobramento textual é apresentado a seguir.

p esq u is a; 3 ) Q u a l id a d e na p e sq ui sa ; 4 ) É ti ca e co mp r o me ti me n to d o p e sq ui sad o r- ci e nt is ta co m a
so c ied ad e, co m o me io a mb ie n te ( ...) ; 5 ) R u mo s d a p e sq ui s a ( .. .) ; 6 ) O p r o j eto d e p e sq u is a; 7 )
Si st e ma ti zaç ão e no r ma l iz a ç ã o ( ... ) ; 8 ) Mé to d o cie n tí f ico d e p e sq ui sa : a ló gic a d e p r o ce sso s ; 9 )
An ál i se d e r i sc o e si mu l a ç ã o ( . ..) ; 1 0 ) Ce nár io s e ar r a nj o s ( ...) . Ap ê nd ic es ( 3 ) ; An e xo s ( 1 0 ) .
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

1) Introdução
É a parte inicial do texto em que se consideram, com certo nível de detalhes, vários assuntos
diretamente relacionados com a matéria (problema ou oportunidade) objeto de tratamento. Essas
considerações na introdução se referem:
a) A apresentação geral do tema que compreendem o contexto em que se encontra o problema ou
a oportunidade considerada no projeto.
b) A delimitação do assunto a ser tratado no projeto em dimensões como a espacial (geográfica) e
temporal (período compreendido).
c) A importância do tema, e dentro do tema, sinalizações para o problema ou oportunidade como
um fator importante e oportuno, com referências descritivas e quantificáveis, em termos
gerais.
A importância do tema pode ser o desdobramento de uma parte significativa de um plano,
programa (...) para o qual os resultados do projeto devem contribuir; em última instância, a
referência maior para definir a importância do tema é o desenvolvimento sustentável do local,
da região (...).
d) O relacionamento do tema ou assunto com outros temas, compreendidos em planos,
programas (...), dentro do âmbito espacial e temporal em que se define o projeto.
O relacionamento deve ser feito mediante uma adequada e fiel representação por dados e
informações necessárias para situar o tema problematizado, sua importância no contexto de
um programa, de um plano (...) que, repetindo, serve de referência ao projeto.
e) A justificativa do projeto; deve ficar claro que projeto é uma resposta a um determinado
problema (ou oportunidade) sentido pela comunidade (...) que o proponente do projeto captou
com os necessários detalhes, (apenas os necessários) do local, da região, do setor, da
comunidade (...) onde vai ser desenvolvido o projeto para contribuir no desenvolvimento.
Com a introdução se inicia a paginação numérica (algarismos arábicos, na margem superior,
no centro ou no lado direito) do documento, com seus títulos (elaborados conforme indicações
pertinentes, entre outras as da ISO 215) de seções devidamente relacionados no sumário, elemento
obrigatório do pré-texto.

2) Desenvolvimento
É a parte principal do texto que pode ter seu início com a definição de um problema (ou de
uma oportunidade), com a delimitação e especificação dos detalhes necessários (repetindo, apenas
os necessários), dentro do tema apresentado e justificado na introdução geral do documento.
Na definição do problema (oportunidade) para estudo, isto é, na identificação, delimitação e
caracterização mediante o estudo de relações de causas e efeitos dos “principais” fatores que
respondam, mediante indicações adequadas, pelo estado ou situação indesejável que o problema
representa (oportunidade) há de se considerar, determinadas fatores e tendências, uma característica
da ciência, entre outras, as seguintes:
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

a) A maneira de avaliação do projeto em instâncias como conselhos de prefeituras, comitês da


empresa, grupos especiais de trabalhos, agências de financiamento como o BB e a CEF, entre
outras.
b) A transformação do resultado esperado com a implantação do projeto, se aprovado, em termos
de solução do problema (ou aproveitamento da oportunidade), por vezes em objeto
“mercadizado”; em outras, em algo com utilidade e valor para o cliente alvo direto, para a
indústria, para a comunidade e sociedade, para o meio ambiente (...), beneficiários dos
resultados do projeto se desenvolvido e transferidos seus resultados corretamente.
O Quadro A1 sintetiza os principais elementos componentes de um projeto, neste caso de
pesquisa, em seus aspectos conceituais motivos de desdobramentos e ilustrações – exemplificações,
que, neste manual, foram propositadamente omitidos. Parte desses elementos se aplica em projetos
de outra natureza ou para outras finalidades, com adequações que cada caso possa requerer.

2.1 Conceitos e etapas do desenvolvimento de projeto


O desdobramento da parte central de um projeto, o desenvolvimento, é precedido de conceitos
que devem orientar a elaboração desse instrumento ao se constituir parte de um programa, de um
plano (...) que serve de referência ao projeto ou as ações passíveis de apoio de interessados como,
neste caso, é o Mapa. São interessados no Pacto territorial de acordo entre prefeituras, entidades
sociais e outros atores públicos ou privados para intervir no desenvolvimento integrado de áreas
territoriais regionais, sub-regionais, mediante a promoção do compartilhamento social e da
cooperação regionalizada e monitorada.
Entre os conceitos importantes, relacionam-se os seguintes:

a) Estratégia de desenvolvimento; entendida como a síntese lógica de um programa (neste caso,


de governo), que articula de maneira consistente, um conjunto de políticas e outras (social,
econômica, ambiental, regional, infra-estrutura etc.) com vistas à transformação da sociedade
no longo prazo. Essas estratégias sintetizam princípios básicos de orientações como as do
PPA, do Mapa, da Cooperação Descentralizada Brasil – Itália, de secretarias de planejamento
de Estados (...), de municípios ou regiões, de agentes de financiamento (...) traduzidas no
projeto.
O PPA estabelece as diretrizes, objetivos e metas da administração pública, em especial
aquelas relativas às despesas de capital e aos programas de duração continuada, como é o caso
de projetos no âmbito de parcerias da cooperação internacional.
b) Dimensões ou grandes referências de atuação do governo expressas em megaobjetivos e onde
se relacionam elementos da estratégia de desenvolvimento; dentre tais megaobjetivos ou
desafios se situam os objetivos de programas, planos e projetos, um deles o da cooperação
regionalizada das estratégias de relações exteriores.
c) Objetivos setoriais que se traduzem ou se relacionam com programas orientados para superar
os obstáculos (desafios), passíveis de mensuração por INDICADORES que permitam a
avaliação do grau de concretização (destaque de indicadores em maiúscula está ausente desses
objetivos e presente neste documento).
d) Programas ou instrumentos de organização da ação governamental para tratar problemas;
cada problema é considerado em um projeto que complementado em sua execução com outros
possibilitam atingir os objetivos setoriais.
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Quadro A1 Elementos componentes de um projeto (...) com uma síntese de informações gerais.

PROJETO (...)
“Planos” para antecipar e prever o que pode ser realizado para transformar a realidade; ideias que evoluem
das intenções para “planos específicos” e integráveis de atividades que fundamentarão ações e estratégias na
geração/ adaptação e na transferência / difusão de resultados: representa novidades. Conjunto de atividades /
tarefas inovadoras que tem começo, meio e fim previsíveis ou programáveis, sob uma coordenação e gestão
determinada, para um prazo definido, numa região geográfica delimitada e para um grupo, setor, comunidade
(...) alvo devidamente caracterizado mediante indicadores para fins de monitoramento e gestão.
1 INTRODUÇÃO. Informações para se alcançarem determinados objetivos gerais como: nivelamento,
esclarecimento, justificativa; abrangência (extensão e compreensão) e limitações (...) do trabalho proposto.
2 DESENVOLVIMENTO. Compreende as ideias, em claras proposições, de respostas a: O que (...)? O
problema ou oportunidade delimitado em sua abrangência, caracterizado pelas suas causas e efeitos. Para
que ou para quem? Os objetivos gerais e específicos. Como (...)? A metodologia. Quando (...)? Os
cronogramas. Por quem? Equipe. Quanto custa e como se aplica (...)? O orçamento. Que resultados se
esperam? Como difundi-los? sob certas condições de responsabilidade com o cliente, de respeito com o
meio ambiente e com instituições (...)
2.1 PROBLEMA. Ao exprimir previsões e intenções de solução de problemas definidos por suas causas é
possível compreender mais elementos dos que realmente possam ser obtidos e tratados com os recursos
disponíveis e no prazo determinado; o cenário prospectivo em que se define o problema (oportunidade) é
dominado por incertezas que não podem ser negligenciadas; algumas delas podem ser reduzidas a riscos em
condições toleráveis pelos interessados.
2.2 HIPÓTESES. Expectativa de um resultado (p.ex., explicação, relação entre variáveis, solução, comporta-
mento) obtido do confronto teoria – realidade, submetido a teste para aceitar ou rejeitar esse resultado
propositivo, sob certas condições e nível de confiança (probabilidade).
2.3 OBJETIVOS. Esperados, o que se pretende medir, conhecer, explicar, resolver (...). Podem ser: gerias ou
específicos. Relacionam-se com uma visão global e com procedimentos práticos e disponibilidade de
recursos.
2.4 REVISÃO DE LITERATURA. É a base de sustentação teórica, aplicativa, histórica (...) da pesquisa que
possibilita orientá-la em seu contorno. Limitada às revisões mais atualizadas e próximas ao assunto.
Responde: que aspectos (temas, métodos, resultados) já foram abordados? Quais as lacunas existentes?
2.5 METODOLOGIA. Proposta de atividades finitas, detalhadas e sequenciais de procedimentos
metodológicos (critérios, técnicas, métodos, modelos etc.) que respondem: como? Com que?. Devem ser
rigorosamente consistentes com as definições do problema, das hipóteses e dos objetivos e,
simultaneamente, atender aos critérios de racionalidade–lógica, de menores custos, de maio efetividade, de
qualidade e confiabilidade em níveis desejáveis e possíveis.
2.5.1 Conceitos, técnicas e métodos propostos para prospectar, cenarizar, planejar, gerir (...)
2.5.2 Conceitos, técnicas e métodos propostos para gerar / adaptar a solução (aproveitamento)
2.5.3 Conceitos, técnicas e métodos propostos para a transferência e difusão de resultados (...)
2.6 CRONOGRAMAS. Acordado (entre os membros da equipe, equipe – organização etc.), proposto e
explícito, com as especificações e detalhes necessários, efetuado com suficiente realismo (confiabilidade).
2.7 EQUIPE. Prevista e acordada com os membros (equipe, instituições etc.) em esquemas claros.
2.8 ORÇAMENTO: Previsto e devidamente justificado, tanto na parte teórica como prática.
2.9 RESULTADOS ESPERADOS. Propostos. Especificação de atividades de difusão e avaliação
PÓS-TEXTO (Referências, apêndices, anexos etc.)
REFERÊNCIAS. Limitada (número razoável) apenas a um determinado número, conforme seja o tema.
O projeto tem componentes de incertezas que podem afetar a implantação e os resultados esperados ou ambos. Muitos
projetos partem de um problema (oportunidade) no presente para gerar uma solução (aproveitar uma oportunidade) no
futuro. Esse estado inicial pode evoluir e reduzir ou aumentar o problema inicial, poderá gerar novos problemas (…) e por
causa disso, os resultados, sem considerar essa dinâmica e evolução poderão ser não-adequados (ver Riscos e cenários...).
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

e) Missão; cada órgão, empresa, setor da administração, ente interessado na Cooperação tem
uma missão como a de participar de um processo para (...), assessorar – coordenar (...),
contribuir para melhorar a qualidade (....) mediante (...).
A missão do Mapa é “estimular o aumento da produção agropecuária e o desenvolvimento do
agronegócio, com o objetivo de atender o consumo interno e formar excedentes para
exportação (...), em conseqüência, gerar emprego e renda, promover a segurança alimentar, a
inclusão social e a redução das desigualdades sociais. Para cumprir sua missão, formula e
executa (implementa) políticas para o desenvolvimento do agronegócio, integrando aspectos
mercadológicos, tecnológicos, científicos, organizacionais e ambientais do País (...).
f) Projeto; empreendimento planejado composto por um conjunto de atividades inter-
relacionadas, coordenadas e, em geral, seqüenciais, com o propósito de alcançar objetivos
específicos dentro dos limites de um orçamento, de recursos físicos e humanos e de um
período de tempo dados (ver Quadro A1).
Esse empreendimento deve surgir como uma resposta a um problema (oportunidade) real,
delimitado, relevante, com alvos-clientes afetados e interessados na solução (aproveitamento).
O projeto é o resultado de se “projetar” tudo o que seja necessário (quanto possível, pelos
cenários e estudos retrospectivos e prospectivos necessários) para desenvolver, com lógica e
racionalidade, com propósitos e objetividade (…) um conjunto de atividades a serem
executadas a fim de alcançar determinados propósitos, ao encontro de objetivos do cliente, em
certo prazo ou período de tempo.
O projeto se diferencia do serviço porque tem limite temporal (o do serviço é permanente);
representa uma novidade (o serviço é habitual); em geral tem um ou poucos objetivos (o
serviço tem vários); dispõe de um recurso, ainda que de possíveis várias fontes (o serviço
recebe recursos periodicamente); as abrangências geográfica (espacial) e temporal são
limitadas (as do serviço podem ser amplas como a de uma bacia hidrográfica, Estado, País).
A figura central da programação, gestão e elaboração de atividades, o projeto, está inserida,
com frequência em um programa, em um plano (...), conforme se ilustra na Figura B1.

Bacia hidrográfica
Região
A Agropecuário PLANO Estado
B: Socioeconômico País (...)

n: Gestão (...)
Programa A (...) Programa B (...) Programa n (...)

A1 Agrícola (...) Projeto A1 (...)


A2: Pecuário (...) Projeto B1 (...) Projeto n1 (...)
A3: Agronegócio
Projeto A2 (...)
N: Gestão (...) Projeto B2 (...) Projeto n2 (...)

Figura B1 Hierarquização de atividades, ações, estratégias (...) de desenvolvimento em


“figuras” de programação (planejamento), de gestão e de monitoramento - avaliação (...)
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Esse instrumento operacional de programação está composta por três conjuntos de elementos
(pré-texto, texto e pós-texto), dos quais se destacam alguns deles em cada conjunto:
f.1) Título; realizado conforme critérios específicos da ABNT e, em particular, da ISO 215
que o interessado poderá encontrar na fonte citada, nota de rodapé 1. O objetivo dessa
proposição, o título, é dar uma ideia clara e concisa do que se pretende realizar ao projetar
ações comprometidas com objetivos esperados.
f.2) Período de execução: indicar datas de início e término da execução com base em
fundamentos e critérios consistentes com a natureza do problema (oportunidade), recursos
requeridos e objetivos anunciados.
f.3) Caracterização do problema (oportunidade). A elaboração de um projeto se dá com a
especificação clara, delimitada e exequível, técnica e operacional, do que se pretende
resolver, transformar, aproveitar, solucionar (...) com a implantação e difusão dos
resultados do projeto. São fases que precisam de acompanhamento e avaliação, mediante
indicadores
O projeto, como instrumento de programação, sintetiza as fases de atividades e processos
para dar uma resposta a um problema (oportunidade). Nessa fase inicial, a de definição do
problema (oportunidade), deve-se descrever, com detalhes e precisão, a região onde será
implantado, caso for aprovado, o diagnóstico de dificuldades (...) que o projeto se propõe a
solucionar (oportunidade a aproveitar); a descrição de antecedentes do problema, relatando
os esforços já realizados ou em curso para resolvê-lo.
A justificativa do problema como é considerado no projeto (diferente da justificativa global
do projeto que aparece na Introdução) deve apresentar respostas à questão, tais como:
POR QUE? executar o projeto com o problema que apresenta? Por que deve ser aprovado
e implementado por (...)?
Outras perguntas de orientação: Qual é a importância desse problema para o local, região
ou comunidade? Existem outros projetos com problemas semelhantes sendo desenvolvidos
na região, na comunidade ou com semelhante temática? Qual são as possíveis relações e
atividades semelhantes ou complementares entre essas outras ações e o projeto proposto?
Quais são os benefícios econômicos, sociais e ambientais a serem alcançados (que se
espera) pela comunidade e os resultados para a região, para a sociedade, para o País?
f.4) Descrever com clareza, objetividade e de forma sucinta as razões que levaram à
proposição e apresentação do projeto, evidenciando os benefícios econômicos e sociais a
serem alcançados pela comunidade, a localização geográfica a ser atendida, bem como os
resultados a serem obtidos (esperados) com a realização do projeto, programa ou evento.
f.5) Especificação de objetivos; descrição do produto e resultado final; os clientes, áreas,
setores (...) beneficiados e indicadores de possíveis satisfações. Essa especificação deve
responder questões, tais como:
PARA QUE? Responde à pergunta com a definição dos objetivos gerais: produto final que
o projeto quer atingir; expressar o que se quer alcançar no local, na região (...) no longo
prazo, ultrapassando inclusive o tempo de duração do projeto; isto, porque o projeto não
pode ser visto como fim em si mesmo, mas como um meio para alcançar um fim maior.
PARA QUEM? Responde à pergunta com a definição dos objetivos específicos: ações que
se propõe a executar dentro de um determinado período de tempo ou resultados até o final
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

do projeto, com a especificação dos alvos - clientes, setores, comunidades etc. -


beneficiados.
Dessa forma, os objetivos podem ser de curto (p.ex., um ano e o período compreendido
pelo projeto) ou longo prazo (p.ex., vários anos e como parte de um processo maior a do
projeto), estratégicos ou não (...) quando se busca otimizar a qualidade e efetividade de
obras, serviços (...) com a análise e melhoria de processos construtivos, melhorar o
atendimento ao cliente, ao reduzir o tempo de espera, promover o desenvolvimento de
pessoas (...) agindo em sua motivação e adesão à educação para (...).
Os objetivos devem ser formulados sempre como a solução de um problema
(aproveitamento de uma oportunidade).
Os objetivos genéricos (de um plano, de um programa etc.) não podem ser assegurados, em
geral, somente pelo sucesso dos resultados do projeto, dependem de outras condicionantes.
Mas, estes devem aparecer as contribuições efetivas do projeto complementadas com
outras contribuições.
Um aspecto a ser destacado, ao tratar do objetivo, é o de sua especificação mediante
expressões concretas e quantificáveis dos logros no ano ou outro período, com relação ao
objetivo e produto identificado: a meta; trata-se de uma declaração explícita de níveis de
atividades que se espera atingir em um horizonte limitado de tempo.
Como requisitos para a construção de metas se têm: compreender dimensões de
desempenho (eficiência, eficácia, qualidade e economia); explicitar compromissos internos
quando seu cumprimento não seja dependente de fatores exógenos; e ter um componente
de realismo ao ser possível de alcançar com os recursos humanos e financeiros e dentro de
uma especificação temporal.
f.6) A metodologia deve descrever as formas, procedimentos, conceitos e técnicas – métodos
que serão utilizadas para executar o projeto, para alcançar os objetivos e metas proposta,
compreendendo diversos elementos para responder, a um só tempo, questões, tais como:
COMO? (vai atingir seus objetivos) COM QUE? (recursos, tangíveis e intangíveis)
ONDE? (serão coordenadas e gerenciadas as atividades em termos de espaços, períodos
etc.) QUANTO e POR QUE? (usar etc.).
Na metodologia se descreve o tipo de atuação a ser desenvolvida: pesquisa, diagnóstico,
intervenção ou outras; que procedimentos (métodos, técnicas e instrumentos, etc.) serão
adotados, justificando-os, e como será sua avaliação e divulgação (técnicas e
procedimentos de transferência e difusão dos resultados alcançados).
É importante pesquisar metodologias que foram empregadas em projetos semelhantes,
verificando sua aplicabilidade e deficiências; devem-se mencionar as referências.
Um projeto pode ser considerado bem elaborado quando, além da correta caracterização do
problema, tem metodologia bem definida e clara.
É a metodologia que vai dar aos avaliadores a “certeza” (?) de que os objetivos do projeto
realmente têm condições de serem alcançados. Portanto este item deve merecer atenção
especial, tanto quanto à definição do problema, por parte das instituições que elaborarem
projetos.
Uma boa metodologia prevê três pontos fundamentais: a gestão participativa, o
acompanhamento técnico sistemático continuado e o desenvolvimento de ações de
disseminação de informações e de conhecimentos entre a população envolvida.
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

f.6) O cronograma de execução (responde à questão QUANDO?): compreende a


especificação de metas (elementos que compões em quantificam o objetivo); as etapas ou
fases de cada ação em que se divide a execução de uma meta; são especificações dadas em
termos de indicadores (físicos, gerenciais, econômico-financeiros etc.).
f.7) O plano de aplicação ou desdobramento da dotação; responde a questão COM
QUANTO? (natureza da despesa) e a sua consequente utilização em diversas espécies de
gastos (código, especificação, total, concedente etc.), porém, correspondentes aos
elementos de despesa de acordo com a legislação vigente.
f.8) Cronograma de desembolso ou desdobramento da aplicação dos recursos financeiros em
parcelas mensais de acordo com a previsão de execução do projeto, se pertinente.
f.9) Outros elementos como proponente(s), assinatura(s), local e aprovação.
f.10) Consistência quanto ao cumprimento de leis, resoluções (...) que de alguma forma se
relacionem com a proposta do projeto, como as leis ambientais (p.ex., Ação Civil Pública
ou Lei 7.347 de 24/07/1985) - Lei de Interesses Difusos; Agrotóxicos (Lei 7.802 de
11/07/1989) Área de Proteção Ambiental (Lei 6.902, de 27/04/1981); Crimes
Ambientais (Lei 9.605, de 12/02/1998); Exploração Mineral (Lei 7.805 de 18/07/1989);
Fauna Silvestre (Lei 5.197 de 03/01/1967); Florestas (Lei 4771 de 15/09/1965); IBAMA
(Lei 7.735, de 22/02/1989); Patrimônio Cultural (Decreto-Lei 25, de 30/11/1937);
Política Agrícola (Lei 8.171 de 17/01/1991); Política Nacional do Meio Ambiente (Lei
6.938, de 17/01/1981); Recursos Hídricos (Lei 9.433 de 08/01/1997), entre outras.

__________o__________

As referências de procedimentos, atividades (...) se encontram no ciclo de um projeto


ilustrado na Figura B2, sintetizando as fases de intervenção. A parte que segue apresenta
desdobramentos desses componentes.

Diagnóstico
Conhecer a realidade objeto de intervenção

Avaliação Planejamento
Indicadores para estabelecer Estabelecer o que fazer, por quem,
comparações entre os resultados previstos quando, como, com que meios (…)
e os resultados efetivamente alcançados Fazer projeções de resultados esperados
Antecipar dificuldades como (…).
Flexibilidade e acordos em (…) para (…)

Implementação
Executar o plano; controlar / gerenciar os
meios humanos, materiais e financeiros.
Flexibilidade, porém considerando a
eficiência e eficácia de intervenções (…).

Figura B2 Ciclo de um projeto com a síntese de seus componentes


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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Os procedimentos e métodos do quadro lógico compreendem fases e análises de fatores de


um projeto como do problema (oportunidade), das participações dos interessados, dos objetivos e
das alternativas. Informações sobre esses aspectos são apresentadas e ilustradas nas próximas
seções.

2.1.1 O Problema para Resolver (perspectiva do cliente: o


que espera do projeto) e o Problema do Proponente (o que
pode / deve oferecer o proponente ao cliente)
Esta parte é tratada com detalhes não apenas pela importância que ela tem no projeto, mas, por
ser a parte mais difícil e por se constituir o ponto de referência mais importante para as seguintes
fases (Quadro 1): a formulação de hipóteses como orientações ao combinar teoria e realidade; a
especificação de objetivos (clientes com o problema ou oportunidade); a revisão de conceitos e
procedimentos metodológicos; a escolha de técnicas e métodos para atingir os objetivos; os
cronogramas de financiamento, de execução – aplicação de recursos, de geração – transferência de
resultados etc.
A importância do problema (ou oportunidade) em um projeto pode ser compreendida, em
parte, por frases como a de Albert Einstein:

“the formulation of a problem is often more essential that its


solutions”.
Albert Einstein, semelhantes ideias são compartilhadas por outros
cientistas e filósofos das ciências, entre eles, Popper.

“Utilizaria 55 minutos para definir o problema e 5


minutos para resolvê-lo”.
Resposta atribuída a Einstein, ao ser questionado
sobre o que faria se dispusesse de uma hora para
salvar o mundo.

Na acepção comum, problema significa qualquer assunto controverso e não satisfatoriamente


respondido - solucionado até o momento; sem solução para determinada situação / condição de
interesse, em qualquer campo do conhecimento e que pode ser objeto de estudo ou de discussão.
O conceito geral de problema poderá compreender diversos fatores incluindo os de raciocínio,
onde o importante é o uso da lógica e suas operações de ordenação e inferência com base em dados
consistidos e análises consistentes. Pode incluir condições, como dificuldades para se atingir uma
melhoria; situações e comportamentos como as de conflitos (...), simples ou complexos, funcionais
ou estruturais, limitados ou abrangentes, convergentes com uma solução possível, ou divergentes,
com indeterminadas possíveis soluções (...) e com diferentes níveis de interesse pelos afetados;
pelos entes que se expressam como não-satisfeitos e preocupados (…) com algo que é indesejável,
com perdas (...). Nesse contexto, relacionam-se elementos como:
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

a) Determinados fatores (causas ou obstáculos) responsáveis por uma situação difícil ou de


conflitos; são situações que podem se observar, medir, registrar (...) em, p.ex., relacionamentos
entre pessoas de uma equipe, em integrações de processos e resultados (...) que desafiam a
capacidade – habilidade de solucionar de alguém, em um processo de produção de (…), no
arranjo de (…).
b) Uma condição não-satisfatória ou um estado indesejável por estar em desacordo com
referências aceitas e /ou normais; essa condição é responsável pelo mau funcionamento de um
processo, sistema, resultado (...) e com efeitos que provocam transtornos, distúrbios ou
disfunções em (...), perdas (econômicas ou não) etc., em alguém conhecido. A insatisfação
pode ser pela perda de uma oportunidade que poderia ser aproveitada se fossem solucionados
determinados entraves que o potencial, a aptidão (…) apresenta.
c) Uma situação ou estado de ociosidade como, p.ex., uma oportunidade ou de um potencial
com um alto custo de oportunidade ao não ser conservado, vale dizer, utilizado com
racionalidade e sustentabilidade, que poderia eliminar transtornos, reduzir perdas, aliviar
estado de pobreza e miséria, reduzir a pressão sobre o meio ambiente (...).
Em todos os exemplos ilustrativos anteriores, uma pessoa ou um grupo de pessoas, uma
empresa ou um setor, uma comunidade, a sociedade (...) conhecida, sente e manifesta a ação de
fatores, obstáculos, condições ou situações de falhas, de dificuldades, de insatisfações (...)
provocadas por determinadas causas: são os fatores causais do problema a serem explicitados pelo
proponente do projeto com o auxílio dos interessados; estes colocam condições de aceitação de um
possível resultado; o proponente considera essas condições ao gerar e disponibilizar o resultado.
Quando a percepção de um assunto controverso, de um obstáculo, de uma condição ou
situação indesejável é acompanhada pela intenção (de quem manifesta o problema) de vencer ou
superar, de melhorar ou transformar (...) a situação pelo tratamento na(s) fonte(s) ou causa(s) que
provoca a tensão (...), tem-se um problema.
Esse problema só existe se houver uma tensão identificável e se for possível detectá-la no
sujeito e interessado a ser compreendido pelo projeto. Se essa pessoa ou grupo, empresa ou setor,
comunidade ou sociedade (...) recorre a um proponente para resolvê-lo, então passará a se constituir
um dos interessados na solução (aproveitamento) do problema (oportunidade) que ele manifesta e
que um proponente deve captar e sintetizar no projeto. É importante, nesse contexto, a leitura ou
percepção - observação, interpretação e tradução dessa manifestação, de sintomas, para o método da
ciência: este é sentido de um problema da ciência, problema de estudo, problema de pesquisa (...)
que o proponente de um projeto deve apresentar à financiadora.
Para um caso geral e comum, é necessário ter uma definição do problema, ainda que
incompleta; a especificação de fatores, obstáculos, condições, situações (...) de falhas, de
dificuldades, de insatisfações, de preocupação (...) com especificação de causas, passíveis de
análise: agrupamento, importância, conveniência ou oportunidade para serem tratadas. São fatores
(...) que ocorrem sob determinadas condições (com frequência, possíveis de síntese, mediante
indicadores), conforme se ilustra nas Figuras B2, B3, B4 e B5.
O proponente de um projeto não pode estar interessado ou deter-se em apenas dúvidas ou
hesitações que como máximo, na forma de perguntas, o orientariam para a definição, tais como:
1’) Será que existem fontes de energias renováveis e sistemas que possam ser integráveis na
Amazônia em processos com eficiência e sustentabilidade?
14

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

2’) É possível introduzir inovações tecnológicas, cursos de especialização – profissionalização e


processos modernos de design para a indústria madeireira e de móveis em Manaus e Belém da
Amazônia?
3’Como salvaguardar e valorizar a biodiversidade ictíica da Amazônia, em Benjamin Constant e
Tabatinga, com a formação de uma estação científica (...), com a implantação de aquários
(…)?
4’) As produções agroalimentares no entorno de Manaus, Rio Preto da Eva e Manacapurú são
passíveis de valorização, disciplinamento de produções e certificações de qualidades de
produtos regionais? Esses produtos têm potencial econômico, comercial nesses locais?
5’) Como desenvolver a atividade turística na Amazônia, de forma sustentável, mediante
pequenas intervenções – pilotos em locais em que em que dominam o desemprego e a
marginalização social, à despeito de atrativos?
6’) Na Serra da Mantiqueira é possível implantar ações que permitam o desenvolvimento do
turismo em bases sustentáveis?
7’) Será que o arranjo produtivo de carne - couro apresenta brechas para aumentar o nível de
transformação manufatureira que se desenvolve nos municípios de Bagé, Hulha Negra, Aceguá
e Candiota e gerar novas utilidades, novos valores com efeitos no desenvolvimento do
agronegócio para esses locais, para a região, para o Estado?
O proponente de um projeto, em qualquer um desses locais, temas (…), deve-se orientar em
fatos, em evidências (...) de dados da realidade como as oportunidades de fontes de energias
renováveis; a brecha para introduzir inovações tecnológicas, profissionalizar a mão-de-obra (...) de
constatações de algo insatisfatório e que causa tensão (...), da construção de cenários prospectivos,
de diagnósticos e tendências (...), feitas com base em pesquisas documentais em que se localizam os
fatores negativos, os fatores críticos de sucesso, as causas de um entrave (...), para especificar os
problemas em termos como:
1”) Áreas e atividades como aqueduto em Tabatinga: suas deficiências, fragilidades, fatores
responsáveis das debilidades, extensão e gravidades do problema (...) feito, com base em
síntese dados, indicadores.
Parte das indicações na definição do problema acenam para definir proposições de possíveis
sistemas de potabilização com a utilização da energia solar. São proposições definidas com
base no conhecimento e resultados favoráveis que se tem de outras regiões, de outras
condições (...) e que, com certa lógica e sentido de aplicação na região, esperam-se sejam
testadas para a realidade em foco apresentada no projeto.
As alternativas de fornecimento de energia com base em fontes renováveis e presentes na
região da Amazônia é outra hipótese que deve ser criteriosamente formulada e testada como
alternativa para suprir necessidades de energia elétrica.
O problema (oportunidade) que se define no projeto deve ser consistente e realista ao
especificar (identificar, caracterizar, delimitar etc.) os atores afetados, isto é, as pessoas,
grupos, comunidades, setores, instituições (...) diretamente envolvidos (impactados) com os
problemas e interessados em soluções ou na solução. Isto é fundamental para melhor entender
as necessidades, ordenando-as; desejos e expectativas, a serem atendidas, quanto possível;
bem como as possibilidades e agendas de cada um dos principais participantes na definição,
desenvolvimento e aproveitamento de benefícios derivados da implantação do projeto. Parte
desse entendimento – caracterização dos atores resulta de análises de dados e informações que
15

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

colocam em evidência interesses (recursos e objetivos, desacordos e conflitos, vontades e


possibilidades etc.).
2”) As oportunidades de melhorias tecnológicas em (...); a demanda não-satisfeita de pessoal
com certas competências e desenvolvimento de habilidades para trabalhar com (...); e as
restrições de rotinas obsoletas que precisam modernos processos de design para a indústria
madeireira de móveis em Manaus e Belém, devem ser fatos descritivo-analíticos de uma
realidade em foco do projeto. Essa realidade, quanto possível, pode ser sintetizada por
indicadores para sinalizar a gravidade e possibilidade de transferências de informações para
novos conhecimento e de serviços e produtos integrados para inovações tecnológicas
desejáveis e possíveis por alguém. Quem é esse alguém? São os atores a serem caracterizados
dentro de seus processos, atividades e resultados (retrospectivas que informam a origem de
causas do problema, de diagnósticos que apontam a situações do presente e de prognósticos
incorporando tendências e expectativas de futuros) com deficiências, ineficiências e perdas: o
problema.
3”) Para proteger, defender (...) e valorizar (..) algo é preciso conhecê-lo em suas propriedades e
ameaças de perdas; é preciso caracterizar as ameaçar e riscos de perdas em suas causas e
consequências para um interessado, acenado para médios, neste caso estação científica de (...),
implantação de aquários (…), que possam solucionar o problema.
...
7’) Não se trata de uma dúvida, de hesitação (....) em relação aos arranjos produtivos de carne –
couro, mas de fatos indesejáveis, de perdas de oportunidades (...) que possam evidenciar,
mediante o tratamento de causas que respondem ao estado inicial problematizado, benefícios
decorrentes de possíveis aumentos do nível de transformação manufatureira que se desenvolve
nos municípios de (...) e gerar novas utilidades, novos valores com efeitos no desenvolvimento
do agronegócio. São oportunidades que devem indicar técnicas, procedimentos, formas de
organização (...) de outras comunidades (o caso de experiências de setores produtivos carne –
couro italianos e da Comunidade Européia, com possibilidades de testes, adequações e
complementações na região no alvo do projeto).
Ao longo das poucos exemplos citados se destacaram alguns pontos básicos no acordo para
definição e implantação de um projeto. Um desses pontos é a caracterização e análise dos
envolvidos / interessados (afetados e possíveis beneficiários do projeto), podendo ser orientada por
perguntas-chaves como:
Quais são os grupos, setores, comunidades (...) que mais necessitam de ajuda externa? Que
tipo de ajuda? Como deve ser planejada, desenvolvida e oferecida essa ajuda para atingir certos
objetivos?
Quais são os grupos, setores (...) de interesse que devem ser apoiados para assegurar o
desenvolvimento?
Quais são os conflitos, reais – atuais e potenciais que podem surgir com o desenvolvimento de
determinadas medidas?
Das respostas às perguntas anteriores ou concomitantemente com a caracterização e análise
dos envolvidos / interessados se tem a caracterização e análise de causas e efeitos do problema,
ordenando-as conforme determinados critérios relativos às indicações de gravidade, extensão e
oportunidade de tratamentos dos problemas; de conformidade da disponibilidade de recursos,
materiais e humanos, para fazer esses tratamentos e oferecer soluções.
16

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Sobre esses tópicos iniciais de um projeto se trata na parte que segue, com indicações para o
tratamento da informação primária em um banco de dados.
A apresentação e análise (indicativo – descritivo) de dados dos interessados / envolvidos no
projeto podem ser sumarizadas em tabelas (matrizes) como as apresentadas nos Quadros A2 e A3.
O Código pode ser uma sigla ou um identificador numérico ou não de um campo de tabelas
relacionadas em um banco de dados.

Quadro A2 Indicação dos principais elementos dos envolvidos em um projeto.

GRUPOS DE PRINCIPAIS RECURSOS E


CODIGO VALOR PODER INDICE CONFLITO
INTERESSES CARACTERÍSTICAS MANDATOS

Os grupos de interesses podem ser orientados conforme descritores de atividades constantes


no dicionário do banco de dados. Quando sejam relativamente pequenos podem ser descritos
Nas principais características se listam os interesses de cada grupo afetados pelo problema e
os possíveis benefícios esperados com a solução do mesmo, podendo-se utilizar subdivisões para os
agrupamentos de causas (problemas) e benefícios (objetivo).
Para que tais características básicas sejam consideradas com sua devida importância o
proponente do projeto deve fazer fiel observação, tradução e internalização das mesmas,
condicionantes, em muitos casos, da facilidade ou não, de adoção do(s) resultado(s) do projeto
implantado.
Na coluna de recursos e mandatos se indicam os recursos que cada grupo pode aportar –
contribuir para o sucesso do projeto (ou insucesso) e o nível de autoridades legal, de peso
econômico, de responsabilidades (...) que esse grupo pode ter com relação ao projeto, incluindo sua
obrigação de desempenhar uma função ou prestar um serviço, respectivamente.
A coluna do valor, referido a determinada escala, indica a importância que o interessado dá ao
projeto e às suas necessidades e interesses relativos a ele; esse valor pode ser positivo ou negativo,
representado por números associados com determinadas características, conforme se exemplifica a
seguir (devem constar as especificações de agrupamento, conforme critérios ou referências
adequadas):
A coluna poder se refere a capacidade de controle, de influência (...) que o interessado tem no
projeto, podendo variar conforme certa escala; a ilustração que segue exemplifica esta variável da
matriz de caracterização do cliente, interessado (...).
17

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Escolher e indicar a opção, do quadro ao


lado, que melhor represente a situação

Valor ao 6 = Crítico, quando apresenta as seguintes características: ___


projeto _____________________________________________________

5 = Básico definido nos termos ____________________________


_____________________________________________________.
Valor às suas
necessidades 4 = Necessário: para o caso em que_______________________
e interesses _____________________________________________________

Ou 3 = Desejável porque ____________________________________


______________________________________________________

2 = Não - essencial, quando _______________________________


Valor ao projeto e às
______________________________________________________
suas necessidades e
interesses 1 = Desconhecido

A coluna índice de impacto do interessado no projeto se define como o produto de valor pelo
poder, no domínio de 36 (máximo) a um (o desconhecido), com indicações para definir possíveis
áreas de conflitos entre os grupos e ter uma oportunidade para (re)definir objetivos, antes de se ter
uma proposta definitiva do projeto, evitando-se ou minimizando-se assim a ocorrência dos mesmo
durante o desenvolvimento do projeto.
Outro aspecto a considerar na formulação de um projeto é a análise de problemas com
desdobramentos à montante (origem) de um problema central, mediante as especificações de causas
primárias, secundárias, terciárias (...).
Desdobramentos, também, à jusante com efeitos de primeira, segunda, terceira (...) ordem,
verificando-se que a importância relativa decresce conforme se afasta do problema central e que em
determinado nível, causas e efeitos poderão ter pesos relativos diferentes, conforme se ilustra
(taxas) na Figura B2.
Na análise numérica (omitido deste manual) se ordenam as causas de acordo com determina-
dos critérios e se especificam relacionamentos que poderão torná-las imprescindíveis (excludentes)
ou necessárias (aditivas), conforme seja a natureza do problema acenado para a modelação.
Outras formas de apresentação e indicação para a análise de uma situação problematiza
utilizando a técnica de “arvores de problemas” são mostradas nas Figuras B3, B4, B5 e B6. Os
passos que segue sintetizam orientações na definição de problemas com a essa técnica:
18

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Escolher a melhor
opção representativa

6 = Completo: o interessado dispõe de recursos, posição, relacionamentos,


contatos (...) necessários para influenciar o projeto

5 = Influência significativa, quando o interessado tem força, mediante (...)


para influenciar a ação, interesse e participação dos outros grupos
Poder em
4 = Força e influências moderadas, em termos de _____________________
relação ao
projeto
3 = Força e influências baixas

2 = Reativo, sem poder nem influencias sobre os outros, porém com


condições de reatividade ao acompanhar e avaliar situações do projeto

1= Desconhecido

Quadro A3 Alternativa de matriz com os principais elementos dos envolvidos em um projeto.

GRUPOS DE COMPROMISSOS
CODIGO MENSAGENS ALIADOS OPOSITORES CONFLITOS
INTERESSES DE CADA GRUPO
19

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Efeito secundário Efeito primário


Indicadores
Efeitos

Taxa do Taxa do
Efeito (...) efeito (...)

Problema Central
Indicadores

Taxa da Taxa da Taxa da


Causas

causa (...) causa (...) causa (...)

Figura B3 Desdobramento de uma situação problematizada técnica árvore de problema

Problema: água contaminada definida por indicadores (...)| condição

Fatores sociais, definidor por (...)| condição Efeitos:


Saúde (...)
Fatores culturais, tais como (...)| condição Doenças (...)
Sociais (...)
Econômicos
Comportamento definido por (...)| condição
Etc.

Atitudes caracterizadas por (...)| condição Conhecimento deficiente em (...)| condição

Comunidade (...), período (...) | condição

Figura B4. Árvore de definição de problema e seus efeitos


20

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Perdas de sinergia,
Perdas de oportunidade para complementação (...) Reduzido valor agregado (...)
aumentar a renda (...) de benefícios em (...)

Reduzido excedente, com Desintegração com a


vantagens, para a venda (...) indústria de couro (...) Produto de baixa qualidade (...)

Níveis tecnológicos insuficientes e infraestruturas


inadequadas para definir padrões de
competitividade (...) no arranjo carne-couro (...)

Baixos níveis de desempenho do Elevados níveis de Fragilidades da cultura


rebanho em termos de natalidade perdas de qualidade no associativa dentre
(...), mortalidade (...), sanidade (...) processamento do produtores e entre estes
couro por causa (...) e a agroindústria (...)

Práticas de manejo deficientes


caracterizadas por (...)
Infraestrutura de marke-
ting inadequada, caracte-
Deficiência em serviços como os rizada por (...) para (...)
de assistência ao produtor (...)
Acesso limitado às redes de
distribuição entre outras causas
Limitações de créditos em áreas
pela carência de dados
específicas e estratégicas como (...)

Limitações de conhecimentos e
Deficientes / falta de
deficiência técnicas –
incentivos de investimentos
procedimentos para adicionar
em (...) para valor (...)

Figura B5 Estrutura simplificada de árvore de problema no arranjo produtivo carne – couro (...)
21

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Baixa renda (...) Elevados níveis de


Baixo emprego (...) desnutrição protéica (...)

Reduzido excedente, com


Baixo consumo de peixe
qualidade, para a venda (...)
(...)

Baixa produção de peixes


se comparada com (...)

Deficiente produção de alevinos Baixa produtividade de criatórios Elevados níveis de perdas na


das espécies (...), devido às altera- e ares especiais de alimentação fase de pós-produção primária
ções de ambientes por causa (...) em consequência de (...) dada pelos indicadores (....)

Procedimentos e técnicas
Efeitos negativos sobre habitats e Práticas inadequadas de manejo de processamento inade-
ciclos da hidrobiota como (...), em de criatórios em (...) e de áreas quadas, caracterizadas por
função de práticas agroflorestais... especiais como as de (...) (...)

Manejo inadequado por falta de


conhecimento de processos Pouco conhecimento e serviços Inadequada infraestru-
naturais como (...) de alicercem às deficientes, além de técnicas tura de comercializa-
primárias obsoletas (...) ção e informação (...)

Falta de assistência técnica, de Deficiente planejamento, orga-


investimentos, de crédito (...) nização, articulação em (...)

Figura B6 Estrutura da “árvore de problema” como auxílio na definição de um problema na produção de


peixe em (...). 2008.
22

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

O proponente do projeto constitui um grupo com um moderador para, desse grupo, obter
elementos informativos, mediante fichas, na definição do problema:
a) O moderador, convenientemente preparado e com habilidades para tratar consensos-dissensos
grupais, distribui fichas aos participantes solicitando que cada um escreva o problema que
considera deva ser o problema central, justificando-o brevemente: escrever um só problema
por ficha, identificando-o como real, observável e até possível de ocorrer, dadas certas
condições presentes que são portadoras de futuros (ver criação de cenários na fonte
consultada) e onde a racionalidade de prevenção ou tratamentos de condições iniciais possam
evitar o agravamento de um processo, resultado (...).
É importante estabelecer claras diferenciações entre o problema, como um conjunto de causas
reais, de consequências negativas de algo que existe ou poderá existir (...) e elementos que o
condicionam ou fatores ausentes, conforme se ilustra com os seguintes exemplos:

AS DEFINIÇÕES DE PROBLEMAS, COM


ALTERNATIVAS CORRETAS, PODERIAM SER:
SÃO FREQÜENTES, POREM
ERRADAS, DEFINIÇÕES COMO: 1”) A água DISPONÌVEL para o consumo humano na
comunidade (...) APRESENTA características indesejáveis
1’) Não existe água potável na em termos de qualidade, tais como (...)
comunidade (...)
/ A água que existe (...) não é apropriada para o consumo
2’) Carência de infraestrutura humano porque apresenta características, tais como (...)
viária em (...)
2”) A infraestrutura viária em (...) é caracterizada por (...)
3’) Não há valorização e certifica- que são fatores e condições indesejáveis para (...)
ção de produções típicas locais
3”) Os produtos são considerados não-valiosos como
4’) Não há insumos para (...) resultado de (...) e é escassa – deficiente (...) a informação
sobre certificação e os benefícios dela para as produções
5’) Não se planeja nem gerencia as
típicas locais, pelo que limita seu uso (...).
atividades (...)
4”) A colheita (…) é destruída por insetos, doenças (...)
porque os processos, técnica (…) que se utilizam EXISTEN-
TES para controle são ineficientes porque (...).

5”) Os procedimentos rudimentares, obsoletos de planejar e


gerir as atividades são deficientes (...)

b) As fichas são afixadas em um painel para serem visualizadas por todos os participantes, com
atenta observação de temas recorrentes, ainda que apresentados de formas diferentes, que
possam indicar algo significativo e comum a todos.
c) O grupo, após criterioso e atento exame das fichas, determina o problema central que será
objeto de desdobramentos quando, no próximo passo, sejam indicadas as causas e efeitos.
d) Os participantes escrevem, em fichas, as causas do problema central; em outras fichas,
indicam as consequências ou efeitos em várias dimensões, sempre que possível, associando-as
com as suas respectivas causas; conforme seja o grupo (nível de instrução, motivação etc.)
poderá se solicitar estabelecer ordenamentos e sequenciamentos de causas e efeitos, bem
23

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

como possíveis associações – complementações desses fatores; esta informação é


fundamental para orientar a escolha de técnicas e métodos de síntese e análise de dados.
e) Dessa forma procedendo com objetividade e rapidez, definem-se os problemas que serão, a
seguir, discutidos pelo grupo, sendo ou não confirmados. Em alguns casos poderá ser
conveniente estabelecer escalar de prioridades, de associação (...) entre os problemas.
f) O grupo constrói um diagrama, em forma de árvore, obedecendo a relação causa-efeito entre
os problemas, conforme se exemplifica nas Figuras B2 – B5.

2.1.2 Os Propósitos do Projeto para Atender Objetivos do


Cliente
O objetivo descreve, analisa (...) a situação futura melhorada, solucionada (...) que poderá ser
atingida quando sejam resolvidos os problemas (aproveitadas as oportunidades) detectados na fase
anterior. Nesta fase, observam-se conversões sintetizadas na Figura B7.

Dados do real
Situações negativas (...) HIPÓTESE Situações positivas (...)
Referência teórica

Condições indesejáveis (...) Dados do real


HIPÓTESE Condições desejáveis (...)
Referência teórica

Dados do real
Perdas de recursos HIPÓTESE Minimizar/eliminar perdas
Referência teórica

Dados do real
Inconsistentes de informações HIPÓTESE
Consistência de informações
Referência teórica

Dados do real
Degradação/poluição (...) HIPÓTESE
Restauração de ambientes(...)
Referência teórica

Figura B7 Relações problemas – objetivos: indicação do papel das hipóteses

Em tese, a conversão de um problema para solução passa por alguns pressupostos e


formulação de proposições de orientação em que se alinham as situações reais problematizadas com
prováveis situações melhoradas, caso estas sejam aceitas mediante rigorosos e criteriosos testes para
níveis de significância aplicáveis em cada caso. Essa fase de formulação e teste dessas proposições,
as hipóteses, é omitida deste manual simplista, admitindo-se que a relação de causa e efeito no
24

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

problema detectado possa se transformar indutivamente numa relação meios – fins dos objetivos.
Ainda dentro dessa pressuposta simplista, deve-se observar certa simetria os equivalência entre o
problema central e o objetivo geral, entre as causas do problema e os objetivos específicos,
conforme se ilustra na Figura B8.

Aproveitamento e potenciali-
Alto valor agregado na propriedade
zação de sinergias; comple-
Aproveitamento de oportunidades pelo acréscimo de utilidades (...).
mentação (...) de benefícios
para aumentar a renda, emprego (...)
em (...)

Aumento de excedente, com vanta- Integração com a indústria Produto de alta qualidade e valo-
gens, para aumentar venda (...) de couro (...) rizado na indústria de (...) por...

Níveis tecnológicos suficientes para (...) e com infra-estruturas adequada


para definir critérios de competitividade (...) no arranjo carne-couro

Elevados níveis de desempenho do rebanho Reduzidos (toleráveis) níveis Estímulo e fortalecimento


em termos de alta natalidade (...), baixa de perdas de qualidade no pro- da cultura associativa
mortalidade (...), índices de sanidade (...) cessamento do couro, em dentre produtores e entre
função de benefícios em (...) estes e a agroindústria (...)

Eficientes práticas de manejo caracteri-


zadas por melhorias em (...)
Infra-estrutura de marketing
Melhorias em serviços básicos como os adequada às condições, carac-
de assistência técnica ao produtor (...) terizada por (...) para (...)

Facilidade de acesso às redes de distri-


Ampliação de linhas de créditos em áreas buição entre outros meios pela disponi-
específicas e estratégicas como (...) bilidade de informações para (...)

Ampliação e divulgação de informações úteis e


Eficientes incentivos de investimentos
valiosas para novos conhecimentos e eficiências
para melhorias em estruturas básicas (...)
técnicas – procedimentos para adicionar valor (...)

Figura B8 Estrutura simplificada de árvore de objetivos no arranjo produtivo carne – couro (...)
25

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

2.1.3 Conceitos e Procedimentos Metodológicos para


Atingir os Objetivos e Metas Indicadas no Projeto
O método marco lógico, apesar de simples, requer do entendimento de alguns princípios
básicos. A apresentação desses princípios é precedida de conceitos para se ter clara percepção de
sua finalidade e limitações.
Na construção e aplicação do marco lógico aparecem, em parte, conceitos como os que
seguem:
a) Meta; valor definido de um objetivo a ser atingido em um prazo determinado de uma
atividade, processo, projeto (...) (Quadro A1).
A meta é composta por três partes: o objetivo a ser atingido descrito de forma objetiva, com a
explicitação de meios; o valor proposto como algo a ser alcançado com os meios; e o prazo
determinado; os exemplos que segues são ilustrativos:
“reduzir o desperdício de papel no escritório (...) em 10% no ano de 2008”: o objetivo é reduzir
o desperdício em (...); o valor é 10%; o prazo é um ano.
Fortalecer a base produtiva da apicultura em comunidades de baixa renda (...) com a construção
e dotação de equipamentos necessários ao processamento e exigências sanitárias, para 6 casa de
mel (4 decantadores, 2 centrífugas, 2 mesas de soperculadoras) com 40,04m2, no prazo de 12
meses / ou em 2009.
Elevar em 30% os níveis de treinamento dos agentes formadores de pessoal de atendimento ao
turismo em (...), no prazo de 6 meses.
b) Propósito: algo que se pretende fazer ou atingir, portanto, corresponde a descrição de um
objetivo como o de um impacto desejado / esperado, podendo-se com um ou vários meios. O
propósito está ligado à realização de atividades necessária para se atingir determinados
objetivos. Por vezes o propósito é um recurso na definição do objetivo como, p.ex.:
Realizar um estudo e análise de viabilidade (meio), concentrado no quadro normativo vigente
no Brasil, para entender (entender) qual impacto poderia ocorrer no sistema produtivo local com
a aplicação de uma certificação.
O entendimento desse impacto é necessário para se defini re alcançar um objetivo da
certificação como p.ex., estabelecer, mediante a exigência de determinados requisitos, um nível
mínimo de segurança (...) e poder fiscalizar (monitorar, controlar etc.) tecnicamente a aplicação
desses requisitos compreendendo certas atividades (p.ex., as de homologação de processo, de
serviço, de produtos etc.).
c) Produto; resultado de uma atividade, processo (...) associado ao objetivo dessa atividade,
processo (...), ao que se exigem determinadas características (...).
d) Atividade: no sentido estrito, é a menor divisão de trabalho de operações, tarefas ou ações em
um processo, necessária para se atingir determinado resultado. A atividade, se exequível e ao
compreende as ações, deverá relacionar os meios (recursos) para a sua execução. A
exequibilidade está associada às premissas (implícitas) com as de dispor de pessoal habilitado
/ competente, recursos financeiros suficientes, infraestrutura adequada e procedimentos
gerenciais convenientes para agilizar e desenvolver as ações da atividade.
e) Indicador; é a especificação quantitativo-qualitativa que pode ser expressa pela soma
ponderada de eventos de várias classes com seus pesos específicos.
Em projetos sociais e de desenvolvimento, os indicadores são estimativas de parâmetros
qualificados-quantificados que se utilizam para detalhar em que medida os objetivos de um
26

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

projeto foram alcançados, dentro de um prazo delimitado de tempo e numa localidade


específica. São como marcas ou sinalizadores que expressam algum aspecto da realidade sob
formas de observação e mensuração. Eles apenas indicam e, portanto, não são a própria
realidade nem sua expressão (definida por dados), mas estimativas de variáveis
O indicador é utilizado para medir e orientar como alcançar um objetivo ou a expressão
(evidência) numérica do mesmo; um elemento capaz de medir a evolução de um problema,
devendo ser coerente com o objetivo, sensível à contribuição de ações e apurável em tempo
oportuno.
A escolha dos indicadores em um projeto ocorre em função de aspectos que se querem
avaliar, considerando sua eficiência, eficácia, efetividade ou impacto.
e.1) Accountability; indicadores que expressam, mediante adequados proxies a sensibilidade
de aplicadores de recursos públicos ao agirem com honestidade; o conceito vai além da
prestação de contas na aplicação de recursos públicos; diz respeito às indicações de
sensibilidade das autoridades públicas em relação ao que os cidadãos pensam em relação à
má utilização, desvios, “caixa dois”, corrupção (...), à existência de mecanismos
institucionais efetivos, que permitam fazer cobranças e atender o cumprimento de
responsabilidades básicas na utilização de recursos públicos; nesse objetivo são
fundamentais os indicadores de eficiência e eficácia..
e.1) A eficiência; diz respeito à boa utilização dos recursos (financeiros, materiais e humanos)
em relação às atividades e resultados atingidos, como p.ex., indicadores atividades
planejadas / realizadas; custo total / pessoas atingidas; quantidade de cursos / pessoas
capacitadas.
e.2) Eficácia; observa se as ações do projeto permitiram alcançar os resultados previstos
como, p.ex., se um programa de capacitação permitiu aos seus participantes adquirir novas
habilidades e conhecimentos, mudanças de atitude e comportamento.; a criação de uma
associação trouxe, efetivamente, em melhorias na produção e comercialização de produtos.
e.3) Efetividade; indicadores que examinam em que medida os resultados do projeto, em
termos de benefícios ou mudanças gerados, estão incorporados de modo permanente à
realidade da população, como p.ex., se um grupo mantém no tempo novos comportamentos
e atitudes ou se a assessoria a um grupo permitiu que ele se mantenha por iniciativa e
motivação própria.
e.4) Impacto; indicadores que dizem respeito às mudanças em outras áreas não diretamente
trabalhadas pelo projeto (temas, aspectos, públicos, localidades, organizações etc.), em
função de seus resultados, demonstrando seu poder de influência e irradiação como, p,ex.,
se um programa de orientação de saúde gerou na população ações de reivindicação e
negociação com a prefeitura para obras de saneamento básico; se o trabalho junto a um
grupo portador de deficiência animou-os a se organizarem e provocou mudanças no
comportamento da comunidade em relação a eles; se os resultados positivos de um
programa de capacitação de empreendedores fizeram com que o seu modelo fosse adotado
e reproduzido em outros locais.
f) Meios de verificação; mecanismo, procedimento (...) que permite “comprovar” a existência de
um indicador; por esses meios, especificam-se como os indicadores podem ser medidos e
como se podem obter os dados e informações; e
g) Premissas; considerações assumidas (aceitas) sobre fatores, pré-requisitos (...) para que se
possa assegurar alcançar um objetivo.
27

Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

h) Resumo descritivo: é a descrição das metas, propósitos, produtos e atividades de um processo,


de um projeto (...).
i) Um conceito a destacar da Cooperação Brasil – Itália e que permeia o projeto em sua
elaboração e implantação é o entendimento de cooperação
Como se relacionam os conceitos mencionados anteriormente com a técnica marco lógico?
Parte desse relacionamento se exemplifica nos Quadro A2 e A3.
O Quadro A2 se refere a um projeto de pesquisa em que foram indicados problemas e
diversos descritores com desdobramentos em indicadores associados às metas.

Quadro A2 Exemplos de problemas, descritores e indicadores em pesquisa do agronegócio.

PROBLEMA DESCRITOR INDICADOR, ÍNDICES e METAS

1.1.1 Número de visitas de técnicos ao produtor:


3,12,2/ano (média e intervalo de confiança para 90%)
1.1.2 Número de novas técnicas adotadas por mais de 50%
1.1 Tradição e permanên-
dos produtores no período (...): 0,3 0,6
cia de técnicas produtivas
1.1.3 Idade e anos de experiência em (...): 53,012,0 e
ineficientes
1 Processos produtivos 22,512,8 respectivamente anos.
(...) estáticos, com crítica 1.1.4 Índices de produtividade e evolução na década:
sustentabilidade e 1.224804,6 kg/ha e 2,3 kg/ha na última (...).
resultados de baixa
qualidade
1.2 Vida útil de sistemas 1.2.1 Em média 11,4 anos para (...) ou que representa uma
(de fontes produtivas) redução de 32,5%
1.3 Níveis de perdas ou de
rejeição com base em 1.3.1 0,5 espécies extintas durante (...)
critérios de qualidade 36,7 kg/ha/ano (...).
como são os de (...)
2 Inadequadas práticas de 2.1.1 Quatro vezes por (...)
uso e manjo dos recursos 2.1 Frequência de uso 2.1.2 Processo de uso contínuo
naturais de (...), quando (extração) por (...). 2.1.3 Uso total sem diferenciação de (...)
avaliadas de acordo com
critérios de “conserva- 2.2 Tipo de técnica
ção” e de “manejo utilizada nesse uso, 2.2.1 Não atende especificações para o local tais como (...)
integrado” propostos por caracterizada por (...)
(...) como referências que 2.3.1 Não há separação em função de características como
podem ser consideradas 2.3 Práticas de manejo (...)
para a região (...) caracterizadas por (...)

3 Inadequadas práticas de 3.1.1 Três vezes por ano.


uso e de manejo do solo
3.1 Intensidade de uso por
quando avaliadas em
ano por período (...).
relação aos critérios de 3.2.1 Maquinaria e equipamento com peso acima da
conservação e de manejo “capacidade de suporte” estimada para os solos da região,
3.2 Tipo de maquinaria
integrados, propostos por com a textura, estrutura e inclinação, definidas por (... :
utilizada (...)
(...) (Referência atualiza- referência que indica os valores “normais” para fazer os
da e pertinente aplicável julgamentos ao compará-los com os observados).
ao caso).
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

O Quadro A3 se refere ao marco lógico, na matriz de planejamento de projetos, com


indicações, nas colunas, de quatro componentes, com indicações para projetos de pesquisa
a) Resumo narrativo / descritivo de objetivos, considerando-se que cada projeto é a resposta a
um determinado problema detectado, caracterizado, delimitado (...). O objetivo geral é uma
descrição da solução esperada. Exemplo:
Problema: desorganização na associação de produtores (...); fragilidade e segmentação de
estruturas como (...); perda de oportunidades em (...); escassos e não-consistentes
conhecimentos sobre oportunidades e vantagens de (...); acesso limitado às tecnologias e
serviços para inovações desejáveis e possíveis; escassos recursos financeiros; deficiente
estrutura para captação de recursos (...) do sistema produtivo carne – couro em Bagé.
Objetivos: realização de estudos para a indicação de formas de organização – associação que
possam potencializar o esforço coletivo (...); fortalecer e estabelecer relações em lógicas
estruturas de (...); aproveitar oportunidades e obter vantagens que a agroindústria do couro
possa oferecer quando receber produtos com acréscimos de utilidade e valor como (...);
definir claros indicadores do tipo, setor, atividade que requeira novas tecnologias, informa-
ções e serviços para inovações desejáveis e possíveis ao atenderem condições do produtor,
como (...); aumentar o leque de alternativas de recursos financeiros ao colocar a atividade em
bases sustentáveis de desenvolvimento; melhorar a estrutura de captação de recursos (...)

Quadro A3 Relacionamentos conceituais do março lógico na definição de um problema para pesquisa


RESUMO DESCRITIVO INDICADOR MEIO DE VERIFICAÇÃO PREMISSA
1 Componente: Identificar (caracterizar) a população objeto de estudo
1.1 Meta. Delimitar a área e o Em 2006, a região de (...km2) Relatório técnico de pesquisa Têm-se os recursos
número de clientes conforme e os 3.225 produtores se em andamento apresentado necessários para a
critérios internos (missão, encontram caracterizados - em reunião de prospecção conforme se
visão...) e externos (IBGE...) síntese acompanhamento indica/ solicita no projeto
Relatório com a caracterização Os atributos objeto de
1.2 Propósito. Conhecer a Realizadas 10 entrevistas pesquisa são
global da realidade objeto de
realidade no que concerne como “amostras piloto” para
aos atributos que definem o estimar parâmetros de
pesquisa caracterizados com as
Entrevistas com lideres e habilidades e
problema: perdas/ (...) definição da amostragem
associações de classe competências disponíveis
1.3 Produto. População Documento técnico cós a
Documento técnico
caracterizada caracterização da população
Documento síntese da pesquisa
1.4 Atividade. Consulta / 20 referências documentais
documental cartográfica e
pesquisa documental atualizadas. 3 cartas digitais
digital
2 Componente. Obter dados e informações do problema e das condições: definir o problema para pesquisa
Nível de significância de
Tipo de amostragem aleatória
2.1 Meta. Delinear estratégias Teste de aderência de 10% nos testes é
simples. Número de
de levantamento de dados distribuições real e teórica consistente com a
elementos 126
precisão do estudo
2.2 Propósito. Conhecer a Processos de preparação do
Documento técnico de
população amostrável e questionário: aplicação piloto.
amostragem
definir a amostragem. Preparação do respondente
Escalas de classificação e
Caracterização dos atributos Atributos definidos em termos
ordenamento dos atributos
objeto de pesquisa de amplitude e variação
Informe sobre a coleta de As escalas de (...) são
2.3 Produto. Dados coletados, Procedimento treinamento e
dados.
tabulados e dispostos em coleta do dado.
Informa de classificação dos
consistentes com as
formato informacional Questionários respondidos condições da população.
atributos
2.4 Atividade. Elaboração
questionário. Teste. Ajuste.
Banco de dados no Excel Relatórios
Aplicação. Avaliação
consistência dos dados
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Problema: Elevada taxa de mortalidade materna (64,5‰) e infantil (16,5‰) na população de


baixa renda ((menos de três SM), por causa da insalubridade / deficiências no saneamento
básico, deficientes sistemas de informações e assistência familiar (...).
Objetivos. Reduzir a taxa de mortalidade materna e infantil nessa população mediante
melhorias no sistema de abastecimento de água e tratamento de esgotos, implantação de
sistemas de informações em escolas básicas da comunidade e planos de assistência as
famílias de baixa renda.
b) Indicadores para acompanhamento (para informar – comunicar ao gestor, à comunidade (...);
para monitorar e auxiliar a avaliação – ação com oportunidades e ainda no desenvolvimento).
Os indicadores para acompanhamento, ao sumarizar dados consistentes, atualizados (...) da
realidade em que se desenvolve um projeto, tornam específicos os resultados esperados, em
três dimensões: quantidade, qualidade e oportunidade de tempo.
Os indicadores dos produtos correspondem a síntese de descrições de atividades como
estudos, treinamentos e obras físicas geradas pelo projeto.
Os indicadores de atividades podem ser expressos em cronogramas e orçamento da atividades
correspondentes as células da matriz.
c) Fontes de verificação que indicam ao executor ou ao avaliador do projeto as possíveis fontes
de dados e informações para a elaboração dos indicadores, bem como de recursos para os
correspondentes levantamentos e análise-síntese de dados.
d) Pressupostos para a descrição de eventos de incertezas e riscos. São eventos e fatores como os
ambientais, econômico-financeiros, socioculturais, político-institucionais, de mercado (...) que
determinam o êxito ou fracasso do projeto, com pressupostos a serem considerados para cada
um desses fatores ou eventos. Em muitos casos são pressupostos fora de controle; em outros,
há probabilidades de sua ocorrência: são os riscos do projeto. Como se relacionam os
pressupostos da técnica marco lógico? O quadro que segue da uma indicação desse
relacionamento.

Pressupostos
Resumo Descritivo Indicadores Fontes de Verificação
Importantes
1. Objetivo geral (fim) (De objetivo geral a
meta)
2. Objetivo do projeto
(propósito) (De objetivo do projeto a
objetivo geral)

3. Produtos
(componentes) (De produtos ao objetivo
do projeto)

4.Atividades (tarefas) Insumos: (De atividades a


(orçamento) produtos)
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Esquema metodológico de um projeto de desenvolvimento

Como se avalia a importância, conveniência – pertinência de um pressuposto? A lógica no


roteiro, com referências consistentes e técnicas-procedimentos que sejam adequados para analisar e
decidir, é ilustrada na Figura B8.

Conjunto de pressu-
postos de uma ativida-
de, de um dimensão do
projeto (...)

Avaliar cada pressuposto


Referências para (...)
Técnicas de (...)

Decidir Sim
IMPORTANTE Não considerá-lo
Pode ocorrer?

Não
Do pressuposto escolhido
Referências para (...)
Técnicas de (...)

Decidir Não
Pressuposto crítico
 ESTRATÉGIA?

Sim

Prever atividades
para evitar o
pressuposto

Figura B8 Passos a seguir na decisão de avaliar e selecionar pressupostos