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Temperatura de Cor

Escrito por Aldoberto. Publicado em Artigos e Notícias

É um pouco “estranho” para um iniciante ou leigo no assunto ver que em iluminação a cor, ou melhor dizendo, a
tonalidade da luz branca, sempre é associada a uma unidade de temperatura , não é mesmo?

Então, vamos iniciar esse artigo abordando esse lado “científico” do assunto:

Para os cientistas, a cor definida em uma escala de temperatura tem base comparativa, e corresponde a uma
determinada distribuição espectral da fonte de luz. Um corpo radiador negro, tomado como ideal, emite luz em
uma tonalidade comparável à de uma fonte de luz, e essa tonalidade depende da sua temperatura.

Para essa correlação convencionou-se o uso da temperatura absoluta, em graus Kelvin, onde 1 Kelvin é igual à
temperatura de - 273 graus Celsius, como unidade da temperatura de cor.

Na prática, a temperatura de cor só faz sentido para fontes de luz que correspondem aproximadamente à radiação
do corpo negro, ou seja, aquelas que emitem luz avermelhada / laranja passando pelo amarelo e pelo branco mais
ou menos azulado. Não faz sentido falar de temperatura de cor, por exemplo, para tonalidades verdes ou para
uma luz púrpura.

Observando o aquecimento de uma peça de ferro colocada no fogo, esta peça comporta-se segundo a lei de
Planck, e vai adquirindo diferentes colorações na medida que sua temperatura aumenta. Na temperatura ambiente
tem uma cor escura, como geralmente vemos o ferro, mas sua cor se torna vermelha a 800 K, amarelada em
3.000 K e branca azulada em 5.000K, ou seja, a cor será cada vez mais clara à medida que a temperatura
aumentar, até atingir o ponto de fusão.

Essa observação demonstra que o pico espectral é deslocado para comprimentos de onda mais curtos (resultando
em um branco mais azulado) para temperaturas mais elevadas.

Na prática, denominamos a cor segundo nosso psicológico, ou seja, chamamos de Quente a cor mais amarelada,
relacionando-a ao calor do Sol na zona tropical, e de Fria a cor mais azulada relacionando-a ao frio do gelo dos
polos da Terra. No entanto, fisicamente, quanto mais quente a temperatura da cor em Kelvein, mais azulada será
essa cor e quanto mais fria, mais amarelada, conforme a tabela abaixo, que serve de referência para a escolha
de lâmpadas e luminárias a LED:

Branco Quente: tipicamente de 2600 Kelvin a 3500 Kelvin.

Branco Neutro: tipicamente de 4000 Kelvin a 4500 Kelvin.

Branco “Luz do dia”: tipicamente de 5000 Kelvin a 5500 Kelvin.

Branco Frio: tipicamente acima de 6000 Kelvin

A cor branca na faixa de temperatura de cor denominada “luz do dia” é a que mais se aproxima da luz do Sol, que
ilumina naturalmente os ambientes que frequentamos, sejam internos ou externos, depois de filtrada e afetada
pela atmosfera da Terra, por isso ganhou esse nome.

Os LEDs brancos estão disponíveis em diferentes temperaturas de cor, à medida que utilizam mais ou menos
fósforo em sua composição:

Branco Quente (2700-3500 Kelvin): comparável à tonalidade da lâmpada de filamento incandescente tipo bulbo

Branco Neutro (4000-4500 Kelvin): comparável às lâmpadas halógenas e de vapor metálico das lojas de varejo

Branco “Luz do Dia” (5000-6000 Kelvin): usada para melhor reprodução de cores, sendo tipicamente a
temperatura de cor do “Sol do meio-dia” em muitas partes do mundo

Branco Frio (6000-7000 Kelvin): comparável às lâmpadas fluorescentes e de alta potência (lâmpadas de
mercúrio ou vapor metálico) utilizadas em indústrias, comércios e tipicamente nos hospitais e drogarias

A escolha da temperatura de cor mais adequada a cada ambiente é uma escolha pessoal, ou seja, cada pessoa
tem sua preferência, mas especialistas em iluminação sugerem algumas referências para essa decisão:
Branco Quente: luz preferida para restaurantes, sala de jantar, sala de estar, quartos e outros ambientes onde se
deseja uma sensação de calma / relaxamento e conforto.

Branco Neutro: luz ideal para cozinhas, sanitários e outros ambientes onde alguma tarefa seja executada com
necessidade de um nível de atenção normal.

Branco “Luz do dia”: luz ideal para lojas, pontos comerciais, escritórios em geral, salas de aula, onde durante boa
parte do dia também pode ser aproveitada a iluminação natural para compor a iluminação total do ambiente, junto
à iluminação artificial.

Branco frio: luz indicada para locais onde as tarefas exijam atenção máxima e onde seja importante realçar a
limpeza do ambiente, ou falta dela, como em determinadas áreas de produção industrial, clínicas e hospitais,
drogarias, etc.

Psicologicamente, a luz branca fria desperta a atenção do cérebro, enquanto a luz branca quente leva a um estado
de maior relaxamento. Em geral, a maioria dos homens prefere a luz fria, enquanto a maioria das mulheres prefere
a luz quente.

Tanto as temperaturas de cor muito baixas como as muito altas afetam significativamente a cor real dos objetos,
com as baixas tornando-os mais amarelados e as altas mais azulados. Par melhor reprodução de cores, prefira
sempre as temperaturas do branco “luz do dia” ou neutro. A fidelidade na reprodução das cores é indicada por um
índice: IRC – Índice de Reprodução de Cor, ou CRI, em inglês.

O IRC é um valor relativo à sensação de reprodução de cor, baseado em uma série de cores padrões. À luz que
tem reprodução das cores com a máxima fidelidade atribui-se IRC = 100 (indicando 100% de fidelidade), que seria
equivalente à luz natural do Sol do meio-dia.

Esse é um assunto para ser tratado em outro artigo, por ora, observe como essa informação acompanha as
especificações das lâmpadas de LEDs de diferentes temperaturas de cor:

Branco Quente de 3000K: IRC > 80

Branco Frio de 6500K: IRC > 70

Branco Neutro 4000K: IRC > 85

Para concluirmos, é importante destacarmos que muitas vezes os consumidores procuram somente a lâmpada
de LED mais "forte", ou seja, que gera um fluxo luminoso maior em lúmens ou lux, no entanto, não é somente
esse fator que deve ser observado na escolha da lâmpada ideal.

Em geral, o LED branco frio (acima de 6000K) entrega mais lúmens, porém a qualidade da iluminação não
depende somente desse parâmetro. Conforme o ambiente, apesar de tecnicamente mais intensa, a iluminação
na tonalidade branca fria pode representar uma iluminação de baixa qualidade, principalmente se a reprodução
fiel das cores for um aspecto importante, ou o estímulo cerebral dessa tonalidade não ser adequado ao "clima"
desse ambiente, sua decoração e suas particularidades.

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