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PROVA 24/10/2018

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

Na época dos Estados Absolutistas não se cogitava a responsabilização


do estado, muito pelo contrário, o Estado não possuía responsabilidade alguma.
A entidade estatal estava intimamente ligada a figura do rei, e o poder do rei
emanava em última análise de Deus. A irresponsabilidade estatal dominou os
estados absolutistas pendurou até o século passado, quando se começou a
admitir a responsabilidade subjetiva do Estado.
Entretanto, a reponsabilidade subjetiva do Estado se mostrou inócua na
tentativa de garantir os direitos dos cidadãos, tendo em vista a grande dificuldade
de que um simples cidadão tem em produzir provas frente ao grande
aparelhamento estatal que protege a administração pública e seus agentes. Com
o passar do tempo surgiu a “Teoria da Fatia do Serviço”, que questionava “a
culpa do serviço, o mal funcionamento do serviço, o funcionamento atrasado do
serviço e o não funcionamento do serviço” que acelerava que a ausência do
serviço devido ao seu defeituoso funcionamento, inclusive por demora, basta
para configurar a responsabilidade do estado. Muito embora essa teoria
representada com avanço, ela ainda não configurava a responsabilidade objetiva
Comentado [CdRC21]: Art. 37. A administração pública
do Estado. direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Em seguida chegou-se a responsabilidade objetiva do Estado, Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
dispensando a comprovação de culpa, bastando o ato ilícito, o dano é obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,
obviamente o nexo de causal entre esses para a configuração da também, ao seguinte:
responsabilidade. Tal teoria vem a equilibrar a relação ao estado com todo seus
privilégios e poderes e seus cidadãos que evidentemente encontram-se em § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de
direito privado prestadoras de serviços públicos
hipossuficiência nesta relação jurídica. responderão pelos danos que seus agentes, nessa
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito
Art. 37, § 6º da CF de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou
culpa.

O parágrafo 6º do art. 37 autoriza a proposição de que somente as Comentado [CdRC22]: Art. 225. Todos têm direito ao
meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
pessoas jurídicas de direito público, ou as pessoas jurídicas de direito privado comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
que prestem serviços públicos, é que poderão responder, objetivamente, pela impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever
reparação de danos a terceiros. Isso por ato ou omissão dos respectivos agentes de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e
futuras gerações.
públicos, agindo estes na qualidade de agentes públicos, e não como pessoas
comuns. Este mesmo dispositivo constitucional consagra, ainda, dupla garantia: § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao
Uma em favor do particular, possibilitando-lhe ação indenizatória como meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas
ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,
pessoa jurídica de direito público, ou de direito privado que preste serviço independentemente da obrigação de reparar os danos
público, dado que bem maior, praticamente certa, a responsabilidade de causados.
pagamento do dano objetivamente sofrido. Comentado [CdRC23]: Art. 14 - Sem prejuízo das
Outra garantia, no entanto, em prol do servidor estatal, e somente penalidades definidas pela legislação federal, estadual
responde administrativo e civilmente perante a pessoa jurídica a cujo quadro e municipal, o não cumprimento das medidas
necessárias à preservação ou correção dos
funcional se vincular. (RE 327.904, Rel. Min. Carlos Britto, DJ 08/09/06). inconvenientes e danos causados pela degradação da
qualidade ambiental sujeitará os transgressores:
RESPONSABILIDADE CIVIL NO DIREITO AMBIENTAL
§ 1º - Sem obstar a aplicação das penalidades
previstas neste artigo, é o poluidor obrigado,
Art. 225, § 3º da CF. independentemente da existência de culpa, a indenizar
Art. 14, § 1º da Lei 6.938/81. ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a
terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério
Público da União e dos Estados terá legitimidade para
propor ação de responsabilidade civil e criminal, por
danos causados ao meio ambiente.

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O dano ambiental pode ser definido como a ação ou omissão que
prejudique as diversas condições, leis, influências e interações de ordem física,
química e biológica que abrigue a vida, em quaisquer de suas formas.
Resumindo o dano ambiental pode ser considerado como a lesão aos
recursos ambientais com a consequente degradação, alteração adversa do
equilíbrio ecológico e da qualidade ambiental.
A CF/88 traz três modalidade de responsabilidade: Administrativa, Civil e
Penal.
A responsabilidade civil está expressa no final do Art. 225, § 3º, trazendo
a obrigação de reparar os danos causados.
O Art. 14, § 1º, da lei da política nacional do meio ambiente estabelece
que o poluidor é obrigado independente de existência de culpa, a indenizar ou
reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados por sua
atividade.
O Ministério Público da União e dos Estados terão legitimidade para
propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio
ambiente.
Para a responsabilidade pelo dano ambiental vigora a teoria na
responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessário a comprovação de dolo ou
da culpa para caracterização da responsabilidade civil, bastando existir o dano
e o nexo causal.
Como consequência da responsabilidade civil objetiva é irrelevante se a
atividade causadora do dono é ou não lícita e se está ou não de acordo com as
normas ambientais.
Ainda deve-se mencionar que não são excludentes de responsabilidade
pelo dano ambiental o caso fortuito e de força maior, sendo admitido apenas, o
regresso do empreendedor contra o verdadeiro causador, se foro caso.

RESPONSABILIDADE CIVIL NO DIREITO DO TRABALHO

A atividade desenvolvida pelo empregador traz consigo o risco do


negócio, como não há produção de bens de consumo sem que o trabalhador
esteja presente, uma vez consumada a relação contratual de trabalho, todo
acontecimento que afeta a integridade física ou saúde ocupacional do
trabalhador deve ser reparado em decorrência dos riscos do negócio.

RESPONSABILIDADE CIVIL NO DIREITO DO CONSUMIDOR

Por se uma relação de consumo e o consumidor ser parte hipossuficiente


cuidou a lei de estabelecer o devido equilíbrio na relação jurídica.

✓ Art. 12 e 14 do CDC:

Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e


o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de
projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação,
apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

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§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele
legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias
relevantes, entre as quais:
I - sua apresentação;
II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III - a época em que foi colocado em circulação.

§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor


qualidade ter sido colocado no mercado.

§ 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será


responsabilizado quando provar:
I - que não colocou o produto no mercado;
II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;
III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da


existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por
defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações
insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o


consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias
relevantes, entre as quais:
I - o modo de seu fornecimento;
II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III - a época em que foi fornecido.

§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.

§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:


I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;
II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada


mediante a verificação de culpa.

RESPONSABILIDADE CIVIL DO PROFISSIONAL LIBERAL

✓ Art. 14, § 4º do CDC. Comentado [CdRC24]: Art. 14. O fornecedor de


serviços responde, independentemente da existência
de culpa, pela reparação dos danos causados aos
RESPONSABILIDADE CIVIL POR ATO DE TERCEIRO consumidores por defeitos relativos à prestação dos
serviços, bem como por informações insuficientes ou
✓ Art. 932, 936 e 938 do CC. inadequadas sobre sua fruição e riscos.

§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais


Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: liberais será apurada mediante a verificação de culpa.
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em
sua companhia;
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas
mesmas condições;

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III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e
prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se
albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes,
moradores e educandos;
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até
a concorrente quantia.

Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este


causado, se não provar culpa da vítima ou força maior.

Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano
proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido.

PRESCRIÇÃO DA RESPONSABILIDADE CIVIL

1. Reparação Civil (Responsabilidade Extracontratual).


Art. 206, prescreve:
(...)
§ 3º Em três anos:
(...)
V – A pretensão de reparação civil;
Ex.: Perdas e Danos

2. Responsabilidade Civil Contratual – Art. 205 do CC.


Art. 205 – A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja
fixado prazo menor.
Ex.: Inadimplência – negócio jurídico.

3. Direito do Consumidor.
Art. 27 do CDC.

Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos


causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo,
iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua
autoria.