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ENSINO DE CIENCIAS POR INVESTIGAÇÃO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: UM AMBIENTE

PARA O ESTUDO DA APRENDIZAGEM CIENTÍFICA

Esta tese apresenta os resultados de uma pesquisa sobre o ambiente de aprendizagem


proporcionado por uma disciplina oferecida pelo Departamento de Bioquímica e
Imunologia de um curso de ciências biológicas de uma instituição federal de ensino
superior. A disciplina tem por objetivo proporcionar aulas investigativas aos alunos.
Para tanto, os grupos de alunos conduzem trabalhos abertos caracterizados como
projetos de pesquisa que exigem a mobilização de conceitos, procedimentos e
habilidades relacionados à investigação científica e/ou à bioquímica. A estratégia
utilizada na disciplina se aproxima da abordagem de ensino de ciências por
investigação que é considerada como ponto fundamental para a educação científica
em nações como EUA e Reino Unido. No Brasil, a adoção dessa abordagem é incipiente
o que exige muitas reflexões sobre o seu real potencial. Nesse sentido, esta tese tem
por objetivo analisar o ambiente de aprendizagem oportunizado pela disciplina
investigada para verificar quais são as suas contribuições na formação de alunos em
um curso de formação de cientistas. Os dados que são analisados neste trabalho foram
obtidos por meio de produções escritas e filmagens em tempo real da atividade de um
grupo que investigou, primeiro na cebolinha e depois no cravo da índia, se existia
propriedade repelente sobre uma espécie de formiga: a formiga fantasma. O grupo
pretendia desenvolver um produto natural para ser utilizado em ambientes
domésticos, principalmente em cozinhas. Além disso, foi realizada uma entrevista com
um dos professores da disciplina. Para análise dos dados foram utilizados aportes
teóricos e metodológicos oriundos dos estudos da sociologia das ciências, dos estudos
epistemológicos da educação científica e da teoria da atividade. Esses diferentes
referenciais teóricos permitiram: i) descrever e analisar a estrutura da disciplina e da
atividade do grupo investigado, possibilitando destacar os diferentes elementos que
configuram a situação estudada; ii) delinear o desenvolvimento da atividade do grupo,
explicitando os principais eventos que a moldaram durante o semestre; iii) caracterizar
os diferentes momentos da atividade, distinguindo as situações de produção das
situações de comunicação; iv) analisar processos de enculturação cientifica,
evidenciando os processos de transformação de uma ação em operação epistêmicas e
v) estudar os processos de tomada de decisão, propiciando uma compreensão acerca
das discussões vivenciadas pelo grupo no desenvolvimento do seu projeto de pesquisa.
A análise dos dados evidenciou eventos de aprendizagem na e pela prática que
acontecem pelo engajamento dos participantes na atividade, principalmente na busca
das soluções para os diferentes problemas e contradições. O exame dos processos de
tomada de decisão permitiu ressaltar aspectos que norteiam as negociações
engendradas no curso da investigação, identificar como são modificadas convicções e
como são valorizados determinados tipos de enunciados. Além disso, ele revela fatores
que orientam, delimitam e transformam essa atividade investigativa escolar. Portanto,
acredita-se que a tese oferece subsídios para o entendimento dos limites e dos
potenciais das atividades investigativas como ambientes que podem ou não criar
oportunidades para os estudantes participarem, compartilharem e vivenciarem
práticas semelhantes as que são encontradas nos laboratório das ciências naturais.

ATIVIDADES INVESTIGATIVAS NO ENSINO DE CIÊNCIAS: ASPECTOS HISTÓRICOS E


DIFERENTES ABORDAGENS

RESUMO: Neste estudo, realizamos uma discussão sobre as diferentes abordagens


acerca da utilização de atividades investigativas no ensino de Ciências, apresentadas
na visão de diversos autores. As atividades investigativas apresentam denominações
distintas na literatura, como: ensino por investigação, ensino por projetos, dentre
outras. Os autores concordam que essa perspectiva de ensino proporciona ao aluno,
além da aprendizagem de conceitos e procedimentos, o desenvolvimento de diversas
habilidades cognitivas e a compreensão da natureza da ciência. O estudo apresenta
características apontadas por diversos autores, no que se refere a atividades
investigativas, e visa mostrar o caráter não conclusivo que essa abordagem de ensino
apresenta. Além das diferentes abordagens, também foram enfatizados os aspectos
históricos que envolvem o ensino com a utilização de atividades investigativas.
Palavras-chave: Ensino de ciências, atividades investigativas, aspectos históricos.

FORMAÇÃO DE FORMADORES PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS BASEADO EM INVESTIGAÇÃO


O ensino de ciências baseado em investigação nas séries iniciais do ensino fundamental tem
sido recomendado por muitos educadores, pelas academias de ciências de todo mundo e
também pela Academia Brasileira de Ciências, que desenvolve o programa ABC na Educação
Científica Mão na Massa. Este estudo se insere na temática de formação de formadores e
foi realizado em um dos polos do programa, a Estação Ciência da Universidade de São Paulo,
no projeto Mão na Massa - Iniciação Científica no Ciclo I realizado em parceria entre a
Estação Ciência e a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME). O projeto teve
como objetivo a implantação do ensino de ciências baseado em investigação em escolas
municipais do fundamental I e envolveu dez Diretorias Regionais de Educação (DRE), cerca
de oitenta escolas da SME e foi desenvolvido de 2006 a 2008. Consistiu na formação: de um
formador de cada uma das Diretorias pela equipe da Estação Ciência, de um coordenador
pedagógico de cada escola realizada pela Estação Ciência e pela DRE; dos professores do
ensino fundamental I, que foi realizada pelos coordenadores pedagógicos na própria escola e
dos alunos desses professores nas aulas de ciências. Acompanhamos e analisamos o grupo de
formação continuada de formadores das Diretorias Regionais de Educação coordenado pela
equipe da Estação Ciência. Realizamos pesquisa qualitativa com observação participativa dos
encontros, entrevistas e análise de documentos, relatos e avaliações. A investigação e estudo
da literatura mostraram que na formação continuada de formadores, está envolvida uma
gama complexa de ações que requer diferentes saberes que são mobilizados durante o
desenvolvimento de sequências didáticas formativas e favorecidas por estratégias que
possibilitam interações dialógicas, dentre os quais destacamos: planejamento e
desenvolvimento de situações de formação; conhecimento disciplinar em ciências; reflexão
sobre a prática de formação e constituição de espaço coletivo e colaborativo.
Palavras-chave: formação de formadores; saberes de formação, ensino de ciências por
investigação; iniciação científica no ensino fundamental, programa mão na massa.

CONTEXTUALIZAÇÃO DO SABER - Formação Inicial dos Professores de 1º e 2º Ciclo do Ensino


Básico

A contextualização tem vindo progressivamente a assumir-se como uma temática central nas
discussões sobre o ensino e aprendizagem. Entendida como forma de aproximar os processos
de ensino-aprendizagem da realidade concreta dos alunos, configura-se como condição
necessária na abordagem dos conteúdos e na organização das atividades a desenvolver na sala
de aula. Ao contribuir para que os alunos relacionem os conteúdos educativos com os seus
saberes e vivências, facilita a interligação entre a teoria e a prática, e permite que os alunos
confiram sentido e utilidade ao que aprendem. Neste contexto, o objeto central da
investigação compeliu a optar pela metodologia de natureza qualitativa, recorrendo ao estudo
de caso. Assim, os dados foram recolhidos através da realização e análise do conteúdo de seis
entrevistas semidiretivas a formandos do 2º ano do mestrado em ensino do 1º e 2º ciclo do
ensino básico, com o intuito de explorar as suas representações no que diz respeito à profissão
docente, competências necessárias ao exercício profissional, bem como à forma como a
formação inicial prepara os futuros professores para contextualizar os saberes das disciplinas
curriculares para as quais ficarão habilitados, nomeadamente no que diz respeito ao
significado, objetivos e estratégias de contextualização. Os resultados da investigação
permitem concluir que os futuros professores embora demonstrem ter preocupações e
procurem contextualizar não mobilizam referências teóricas que sustentem as práticas de
contextualização do saber que ensinam. É ainda de realçar que análise da conceção dos
futuros professores sobre contextualização permite verificar que estes possuem uma
compreensão limitada sobre o que é contextualizar, associando a contextualização às
situações do quotidiano do aluno. Percebe-se, no grupo de professores que participaram na
investigação, que esta ideia parcial sobre o conceito de contextualização provoca, como
consequência, o desenvolvimento de aulas cujo conhecimento não está devidamente
contextualizado e nem há uma dimensão mais ampla do conteúdo, nas suas inserções sociais,
culturais, políticas e económicas. Espera-se, assim, que esta investigação contribua de forma
reflexiva para a compreensão do significado de contextualização, dos objetivos e da
importância da sua utilização para uma aprendizagem mais significativa.

Palavras-chave: Aprendizagem significativa; Competências; Contextualização; Currículo; ação


Inicia; Prática Pedagógica.