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10 Princípios da Terapia Cognitiva -O 4°

princípio é o mais importante

Princípio 1: A terapia cognitiva se baseia em uma formulação em contínuo


desenvolvimento do paciente e de seus problemas em termos cognitivos.

Em outras palavras, a avaliação psicológica feita pelo terapeuta cognitivo está


sempre em processo, sempre acontecendo, e evoluindo de acordo com as
sessões. Ou seja, não há uma formulação única e definitiva, uma forma
fechada de ver o paciente como sendo X ou como tendo o comportamento Y. A
avaliação é constantemente revisada, levando-se em conta, também, as
mudanças que vão ocorrendo ao longo do tempo, com a sequência das
sessões.

Princípio 2: A terapia cognitiva requer uma aliança terapêutica segura

Isto significa que o terapeuta vai buscar criar um clima de confiança, para que o
paciente se sinta livre para se abrir e contar o que for necessário durante as
consultas. Com isso, a empatia, a atenção e o respeito verdadeiro por parte do
terapeuta são fundamentais para que as sessões possam fluir a contento. Com
a experiência de mais de cinco décadas, a abordagem da terapia cognitiva
afirma que, enquanto alguns pacientes tem facilidade de confiar, outros podem
apresentar extrema dificuldade, o que torna as sessões não somente mais
lentas, mas faz com que a aliança terapêutica segura exija uma preocupação
maior.

Princípio 3: A terapia cognitiva enfatiza a colaboração e participação ativa

Em cada sessão, o terapeuta e o paciente estão com colaboração e isto quer


dizer que ambos decidem o conteúdo que será trabalhado, o número de
sessões semanais que é ideal para a eficácia do tratamento, se é adequado ou
não uma determinada “tarefa de casa” a ser realizada pelo paciente. Portanto,
o terapeuta tem uma participação ativa no processo da terapia, propondo o
seguimento das próximas consultas, bem como o resumo final em cada uma
delas. Enfim, há sempre o encorajamento de que as consultas sejam em mútuo
acordo, com o objetivo último de dar cada vez mais autonomia para quem
buscou o tratamento.

Princípio 4: A terapia cognitiva é orientada em meta e focalizada em


problemas

Este é um dos principais princípios da terapia cognitiva, em minha opinião, pois


demonstra que há um foco, há uma meta, há um objetivo no tratamento como
um todo, mas também em cada sessão deste. O quarto princípio está
claramente em distinção com toda a linha terapêutica que vem da psicanálise e
é chamada de psicodinâmica, ou seja, todas as outras linhas que não são
diretivas e deixam que o conteúdo surja a partir do inconsciente.
Assim, na terapia cognitiva já na primeira sessão há o levantamento completo
do porquê do tratamento, o que vai ser tratado, qual é o problema específico a
ser resolvido a fim de que ao final possa ser feita uma avaliação se foi positivo
ou negativo, se foi eficaz ou ineficaz – o que nem sempre é possível em outros
tratamentos psicológicos. Evidente, que a terapia cognitiva já demonstrou a sua
eficácia, mas é sempre interessante saber que, no final, há a possibilidade de
saber em detalhes o que ocorreu, como ocorreu e para que.
Portanto, há uma orientação a ser buscada no consultório para cada um, há um
foco, um objetivo, uma meta (ou várias). Com isso, o terapeuta pode se
organizar para utilizar as melhores estratégias para resolver os problemas,
ajudando o paciente a mudar de pensamento e agir de formas mais funcionais.
Princípio 5: A terapia cognitiva inicialmente enfatiza o presente

Este princípio também é importantíssimo para a terapia cognitiva. O que é


interessante de observarmos é que, para a grande maioria dos pacientes, o
problema está localizado no momento presente, embora seja projetado em
causas do passado ou ideias sobre o futuro.
Se em todas as hipóteses, o único tempo que temos disponível para mudar é o
presente, há uma grande ênfase sobre o momento atual, enfrentamento da
realidade como ela é, e não como é imaginada ou temida.
Apenas pelo fato de ter o seu centro no presente, já pode-se notar (com
algumas sessões) uma grande mudança por parte do paciente. Afinal, ficar
preso no passado não ajuda ninguém, nem ficar temendo mil situações que
não aconteceram e provavelmente não vão acontecer.
Entretanto, é importante deixar claro que a terapia cognitiva não desconsidera
a história de vida do paciente, mas enfatiza o presente pois quer provocar
mudanças aqui-e-agora. O passado é trazido em três situações típicas: quando
o paciente tem grande interesse nele; quando o foco no presente não provoca
mudanças significativas ou quando há a necessidade de entender a relação de
causas e efeitos entre o passado e o presente.

Princípio 6: A terapia cognitiva é educativa, visa ensinar o paciente a ser


seu próprio terapeuta e enfatiza prevenção da recaída

Dependendo de cada caso, o terapeuta vai também dar um suporte educativo


sobre o problema que está sendo enfrentado no momento. Por exemplo, se o
paciente tem um determinado transtorno ou um sintoma específico, cabe ao
terapeuta informar ao paciente sobre o seu significado, sobre a natureza do
transtorno ou sintoma, sobre o caminho a ser trilhado e sobre possíveis
dificuldades (como recaídas no comportamento anterior) que podem ocorrer
após o final da terapia.
Mas, mais do que isso, há no tratamento da terapia cognitiva a explicação a
respeito do modelo cognitivo (como o modo de pensar influencia as emoções e
ações). Em outras palavras, o paciente não só aprende como funciona a sua
própria personalidade, mas também aprende a criar a sua própria mudança
comportamental, para que em situações futuras possa ser sua própria o próprio
terapeuta, o terapeuta de si mesmo.
Princípio 7: A terapia cognitiva visa ter um tempo limitado

Este princípio é autoexplicativo: mesmo em situações de transtornos mais


graves, existe um limite para a conclusão do tratamento, pois, a partir de
estatísticas e modelos das sessões, é possível saber quanto tempo é
necessário para que cada situação, para que cada problema, para que cada
transtorno seja tratado. Por exemplo, pacientes com sintomas depressivos são
tratados, em média, em 4 a 14 sessões.
Apesar disso, como na psicologia sempre lidamos com o indivíduo, é possível
que, em alguns casos, o tempo seja aumentado a fim de tratar mais a fundo os
padrões mentais rígidos e fixos mais complexos.

Princípio 8: As sessões de terapia cognitiva são estruturadas

Independe do problema ou sintoma de cada paciente, há um estrutura definida


em cada sessão. Em geral, há a avaliação do humor do paciente, uma
avaliação dos dias que se passaram entre a última sessão e a atual, bem como
cria-se a definição do que será tratado nesta, em comum acordo entre
terapeuta e paciente e o estabelecimento de uma “tarefa de casa” para ser feita
até a sessão seguinte.
Ao longo de todo o tratamento, as sessões seguem este padrão de avaliação
do humor, revisão do tempo desde o último encontro, definição do problema a
ser tratado na sessão atual e criação de uma atividade a ser realizada para
sanar o problema específico do presente.

Princípio 9: A terapia cognitiva ensina os pacientes a identificar, avaliar e


responder a seus pensamentos e crenças disfuncionais

Tendo em vista o princípio 6, a terapia cognitiva auxilia o paciente a observar


os próprios sentimentos, a avaliar suas crenças e pensamentos que estão
influenciando o seu agir e o seu humor para que, entre as sessões e apos o fim
da terapia, haja a possibilidade de autoavaliação, de autonomia, de conseguir
lidar com as próprias dificuldades e problemas.
Por exemplo, com o tempo, o paciente consegue notar que está se sentindo
pra baixo por causa de um problema que não está conseguindo resolver. Ele
conseguirá descrever o problema, avaliar o pensamento que está por trás de
sua dificuldade e propor alternativas ou saídas práticas para solucioná-lo, ainda
que esteja sozinho ou não esteja tendo mais auxílio profissional.

Princípio 10: A terapia cognitiva utiliza uma variedade de técnicas para


mudar pensamento, humor e comportamento

O terapeuta cognitivo tem à sua disposição centenas de técnicas para serem


utilizadas em cada caso como, por exemplo, o questionamento socrático,
descoberta orientada, técnicas de outras abordagem como as usadas na
terapia comportamental ou mesmo a gestalt, tendo, claro, por base sempre o
modelo cognitivo.
Neste sentido, a habilidade do terapeuta não reside apenas em conhecer
centenas de técnicas, mas saber utilizadas nos momentos apropriados e para
os pacientes quando delas precisarem.
12 distorções cognitivas na terapia
racional-emotiva de Albert Ellis
As distorções cognitivas são como lentes com foco distorcido que são usadas
para ver o mundo, a si e o outro e causam transtornos emocionais.
A terapia racional-emotiva de Albert Ellis é uma das vertentes das terapias
cognitivo-comportamentais. Neste texto, procuraremos falar sobre os principais
pontos da teoria e prática de Ellis.

Entre o estímulo e a resposta

A ideia do filósofo Epiteto de que “não sofremos pelas coisas, mas sim pelo
modo como vemos as coisas” é central na terapia racional-emotiva. Entre o
estímulo e a resposta há um elemento fundamental: a nossa interpretação
sobre o estímulo. Se uma criança cai, ela pode imediatamente interpretar o
tombo como horrível ou como algo engraçado. A resposta de chorar ou de rir
virá não a partir do estímulo inicial e sim da interpretação.
Ellis explica esta questão através das letras ABC. A é o acontecimento. B vem
da palavra Belief, crença, em inglês e C é a consequência. Se não houvesse o
ponto do meio do B, das crenças, todas as pessoas reagiriam do mesmo modo
frente à um mesmo estímulo.
Por exemplo, se não houvesse a crença mediando a relação entre o
acontecimento e a consequência, a resposta, todo final de relacionamento
poderia ser visto como triste. E sabemos que não é o caso. O acontecimento
de terminar uma relação pode ser sentido como um alívio, como felicidade,
como liberdade, etc; pois dependendo da crença sobre o que a relação
significou a consequência terá lugar. Se a pessoa pensa que o seu parceiro ou
parceira era o amor de sua vida, ficará desconsolada e até deprimida. Se, por
outro lado, entende que separar é a melhor coisa que aconteceu então ficará
alegre.
Portanto, tanto os comportamentos como as emoções aparecem a partir das
crenças que temos e mantemos.

Devo que…tenho que

Com a sua enorme experiência clínica, Ellis defende a ideia de que os


transtornos psicológicos se baseiam em crenças absolutistas de “devo que” ou
“tenho que” sobre si mesmo, sobre os outros (ele, ela, eles devem, tem que) e
sobre o mundo (que deveria ser… tem que ser…). Embora possam até parecer
racionais, tais crenças não são e causam muitos problemas afetivos e de
motivação, muitas vezes paralisando o sujeito na busca de seus sonhos.
Decorrem dos devo que… tenho que…
1. Catastrofização: a tendência de avaliar (a si, ao outro, ao mundo) como
totalmente mau, pois há a ideia de que não deveria ou poderia ser como é;
2. “Não vou suportar”: a ideia de que não será possível suportar isso agora ou o
que pode vir a acontecer. Se tal fato tem que ocorrer, e ele não está ocorrendo,
ou pode vir a se transformar, cria-se a ideia de que se aquilo que acho que
deve acontecer não acontece, a pessoa não vai aguentar.
3. Condenação: Ao entender que o valor de uma pessoa (ou de si) advém do seu
comportamento, que se alinha ao que deve ou tem que ser…, a pessoa passa
a condenar ao outro ou a si de acordo com seus parâmetros.

12 distorções cognitivas

Ellis levanta 12 distorções principais que se baseiam também na lógica do


devo… tenho que e que causam consequências negativas dentro do esquema
ABC:
1. Pensamento de tudo ou nada
“Se erro ou fracasso, sou um total fracasso”. Neste tipo de pensamento de tudo
ou nada, a realidade é dividida em 8 ou 80.
2. Saltando às conclusões negativas
“Se fiz isso que não devia, me verão como uma pessoa horrível”. As
conclusões retiradas das premissas são negativas.
3. Adivinhar o futuro
“Como deixei de fazer isso que tinha que fazer, nunca mais serei apreciado no
futuro”. O futuro é projetado como real, certo e de maneira pessimista.
4. Centrando-se no negativo
“Não suporto isso que está acontecendo, tudo parece perdido”. O foco da
atenção está em tudo o que não tinha que ou deveria, portanto, o negativo
sobre tudo tem prevalência.
5. Desqualificando o positivo
“Isso é até legal, mas não importa porque não significa de fato nada
importante”. O positivo das situações é até visualizado, mas logo descartado.
6. Sempre e nunca
“Isso foi sempre assim, nunca será diferente, embora deveria ser”. Não se
percebe, no pensamento de sempre-nunca, que a realidade se transforma a
todo momento.
7. Minimização
“O que consegui foi por sorte e não por capacidade”. Neste tipo de
pensamento, tudo o que é positivo sobre si ou outro é minimizado.
8. Raciocínio emocional
“Não deveria me sentir desse jeito e me sentir desse jeito mostra como não sou
bom”. Aqui há uma racionalização da emoção de modo que uma determinada
emoção não deveria ser sentida e o fato de sentir prova a inadequação.
9. Rotulação e supergeneralização
“Sou uma desgraça e não fiz nada da minha vida”. Há a criação de um rótulo
fixo e uma generalização absoluta e absurda.
10. Personalização
“Ao andar na rua, as pessoas olham e riem de mim”. Nesta forma, tudo é
trazido para o eu, como se todas as coisas negativas ou até mesmo neutras
fossem sobre si mesmo.
11. Falseamento
“Logo vão descobrir que sou uma fraude e que não faço as coisas direito”. Aqui
o pensamento é parecido com a famosa síndrome do impostor, a ideia de que
não se é capaz e que mais cedo ou mais tarde será descoberto.
12. Perfeccionismo
E, finalmente, o perfeccionismo consiste no pensamento de que é sempre
possível fazer algo perfeito e que, no fundo, “eu nunca fiz ou nunca atingirei
esse nível”.

Conclusão

Embora os terapeutas da vertente da linha racional-emotiva investiguem e


procurem ajudar os pacientes a mudarem estas 12 distorções, é consenso
entre eles que o central é a modificação dos pensamentos “devo que”, “tenho
que”, pois eles são as crenças centrais a partir das quais os pensamentos
ilógicos e disfuncionais aparecem.