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FUNDAMENTOS

DA GESTÃO
AMBIENTAL

Professora Dra. Cláudia Fabiane Meneguetti


Professora Dra. Edneia Aparecida de Souza Paccola
Professora Dra. Francielli Gasparotto

GRADUAÇÃO

Unicesumar
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de EAD
Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi

NEAD - Núcleo de Educação a Distância


Direção Operacional de Ensino
Kátia Coelho
Direção de Planejamento de Ensino
Fabrício Lazilha
Direção de Operações
Chrystiano Mincoff
Direção de Mercado
Hilton Pereira
Direção de Polos Próprios
James Prestes
Direção de Desenvolvimento
Dayane Almeida
Direção de Relacionamento
Alessandra Baron
Head de Produção de Conteúdos
Rodolfo Encinas de Encarnação Pinelli
Gerência de Produção de Conteúdos
Gabriel Araújo
Supervisão do Núcleo de Produção de
Materiais
Nádila de Almeida Toledo
Supervisão de Projetos Especiais
Daniel F. Hey
Coordenador de Conteúdo
Silvio Silvestre Barczsz
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação Design Educacional
a Distância; MENEGUETTI, Cláudia Fabiane; PACCOLA, Edneia Yasminn Zagonel
Aparecida de Souza; GASPAROTTO, Francielli.
Iconografia
Fundamentos da Gestão Ambiental. Cláudia Fabiane Amanda Peçanha dos Santos
Meneguetti; Edneia Aparecida de Souza Paccola; Francielli Ana Carolina Martins Prado
Gasparotto. Projeto Gráfico
Reimpressão
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2018. Jaime de Marchi Junior
281 p. José Jhonny Coelho
“Graduação - EaD”. Arte Capa
Arthur Cantareli Silva
1. Fundamentos. 2. Gestão. 3. Ambiental. 4. EaD. I. Título.
Editoração
ISBN 978-85-459-0059-7 Robson Yuiti Saito
CDD - 22 ed. 363.7
CIP - NBR 12899 - AACR/2 Qualidade Textual
Hellyery Agda
Ana Caroline de Abreu
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Viviane Favaro Notari
Ilustração
Impresso por: Bruno César Pardinho
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um
grande desafio para todos os cidadãos. A busca
por tecnologia, informação, conhecimento de
qualidade, novas habilidades para liderança e so-
lução de problemas com eficiência tornou-se uma
questão de sobrevivência no mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilida-
de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nos-
sos farão grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar
assume o compromisso de democratizar o conhe-
cimento por meio de alta tecnologia e contribuir
para o futuro dos brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a
educação de qualidade nas diferentes áreas do
conhecimento, formando profissionais cidadãos
que contribuam para o desenvolvimento de uma
sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi-
tário Cesumar busca a integração do ensino-pes-
quisa-extensão com as demandas institucionais
e sociais; a realização de uma prática acadêmica
que contribua para o desenvolvimento da consci-
ência social e política e, por fim, a democratização
do conhecimento acadêmico com a articulação e
a integração com a sociedade.
Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al-
meja ser reconhecido como uma instituição uni-
versitária de referência regional e nacional pela
qualidade e compromisso do corpo docente;
aquisição de competências institucionais para
o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con-
solidação da extensão universitária; qualidade
da oferta dos ensinos presencial e a distância;
bem-estar e satisfação da comunidade interna;
qualidade da gestão acadêmica e administrati-
va; compromisso social de inclusão; processos de
cooperação e parceria com o mundo do trabalho,
como também pelo compromisso e relaciona-
mento permanente com os egressos, incentivan-
do a educação continuada.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está
iniciando um processo de transformação, pois quan-
do investimos em nossa formação, seja ela pessoal
ou profissional, nos transformamos e, consequente-
mente, transformamos também a sociedade na qual
estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capa-
zes de alcançar um nível de desenvolvimento compa-
tível com os desafios que surgem no mundo contem-
porâneo.
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialó-
gica e encontram-se integrados à proposta pedagó-
gica, contribuindo no processo educacional, comple-
mentando sua formação profissional, desenvolvendo
competências e habilidades, e aplicando conceitos
teóricos em situação de realidade, de maneira a inse-
ri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais
têm como principal objetivo “provocar uma aproxi-
mação entre você e o conteúdo”, desta forma possi-
bilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos
conhecimentos necessários para a sua formação pes-
soal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cres-
cimento e construção do conhecimento deve ser
apenas geográfica. Utilize os diversos recursos peda-
gógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possi-
bilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente
Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e en-
quetes, assista às aulas ao vivo e participe das discus-
sões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de
professores e tutores que se encontra disponível para
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
AUTORES

Professora Dra. Cláudia Fabiane Meneguetti


Graduada em Agronomia pela Universidade Estadual de Maringá (2000),
mestrado em Agronomia pela Universidade Estadual de Maringá (2006) e
doutorado em Agronomia pela Universidade Estadual de Maringá (2010).
Atualmente, é CLT - professora adjunto da graduação da Universidade
Estadual de Maringá e professora convidada da Centro Universitário de
Maringá no sistema de educação a distância da graduação e pós-graduação
em agronegócio e gestão ambiental. Tem experiência na área de Agronomia,
com ênfase em meio ambiente, plantas medicinais, paisagismo e ciência e
tecnologia de alimentos.

Professora Dra. Edneia Aparecida de Souza Paccola


Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Londrina
(1996), mestrado em Agronomia pela Universidade Estadual de Londrina
(2002) e doutorado em Ciências Agrárias pela Universidade Estadual de
Londrina (2006). Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em
Fitopatologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Colletotrichum
sublineolum (antracnose), Doença Foliar, Microscopia Eletrônica,
Recombinação Genética, Lentinula edodes (shiitake) e Resíduos Sólidos
Urbanos. Atualmente, é professora do Curso de Agronomia e do Mestrado
em Tecnologias Limpas do Centro Universitário de Maringá - UniCesumar.

Professora Dra. Francielli Gasparotto


Graduada em Agronomia pela Universidade Estadual de Maringá (2004),
mestrado em Agronomia pela Universidade Estadual de Maringá (2006) e
doutorado em Agronomia pela Universidade Estadual de Maringá (2010).
Professora Adjunta do Centro Universitário Cesumar (UniCesumar), atuando
como professora permanente no curso de Mestrado em Tecnologias Limpas
e nos cursos de graduação em Agronomia, Tecnologia em Agronegócios e
Tecnologia em Gestão Ambiental. Tem experiência na área de Agronomia,
com enfase em Fitopatologia, Microbiologia do Solo e Produção Agrícola
Sustentável.
APRESENTAÇÃO

FUNDAMENTOS DA GESTÃO AMBIENTAL

SEJA BEM-VINDO(A)!
Seja muito bem-vindo(a) ao livro que utilizaremos na disciplina de Fundamentos da
Gestão Ambiental. Este livro foi especialmente organizado e planejado para você, de
forma a ser uma ferramenta de base importante para direcioná-lo(a) e auxiliá-lo(a) na
compreensão dos temas abordados. O objetivo é despertar a vontade de buscar o co-
nhecimento e se sentir motivado para tal.
O livro foi dividido em cinco unidades para facilitar a organização dos temas e a inter-re-
lação entre eles. Todas as unidades se relacionam ao tema principal da nossa disciplina,
“Fundamentos da Gestão Ambiental”, pois sabemos que na atualidade o foco que está
em pauta diz respeito às discussões de assuntos ligados ao meio ambiente. Como os
futuros profissionais que engajarão no mercado de trabalho certamente irão, direta ou
indiretamente, lidar com a gestão ambiental, nada mais interessante então do que focar
a questão ambiental, pelo fato desta estar diretamente ligada às diferentes atividades
e segmentos.
A crescente preocupação ambiental é notória dentro e fora do nosso país, uma vez que
a utilização responsável dos recursos naturais é o foco da sustentabilidade, tema esse
discutido amplamente por todos os setores da sociedade. Por acaso, você sabe o que é
sustentabilidade? A tal sustentabilidade de que tanto se fala refere-se: como apresen-
tado no relatório nosso futuro comum, à “capacidade de atender às necessidades do
presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas
próprias necessidades”. Assim sendo, o planejamento e a adoção de práticas sustentá-
veis pelas atividades devem ser assunto muito bem pautado e posicionado na tomada
de decisões por profissionais de todas as áreas, sobretudo a ambiental.
Na primeira unidade, iremos tratar da Gestão Ambiental de forma abrangente. Inicial-
mente, partiremos de como ocorreu a relação homem X natureza para explicar a relação
de depredação do ser humano sobre o meio ambiente. Abordaremos como as altera-
ções climáticas, fruto da exploração antropogênica sobre os recursos naturais, afetam
a economia de forma geral. Abordaremos também algumas definições sobre gestão
ambiental, falaremos dos marcos ambientais que deram origem à gestão ambiental
atual. Trataremos do sistema de gestão ambiental (SGA), ou seja, da metodologia de
sistematização da gestão ambiental. Esses tópicos servirão de base para que você possa
compreender alguns assuntos discutidos nas unidades a seguir.
Na segunda unidade, trataremos da sustentabilidade e desenvolvimento sustentável
que muito se fala hoje, mas que poucas vezes paramos para entender ou relacionar a
nossa forma de vida. Afinal de contas, você colabora para o desenvolvimento sustentá-
vel com suas ações? Abordaremos a questão da sustentabilidade empresarial, das exi-
gências e necessidades de ações socioambientais por parte das organizações na atua-
lidade e como podem contribuir para uma economia verde. Veremos também o papel
da sociedade, do governo e das empresas, na busca por um mundo mais sustentável e
mais humano. Ainda, veremos algumas considerações sobre responsabilidade social e
discutiremos algumas diretrizes específicas sobre o tema.
APRESENTAÇÃO

Na unidade III, os tópicos tratados serão certificação ambiental, auditoria ambiental,


ferramentas de gestão ambiental: análise do ciclo de vida (ACV), ecoeficiência e a
produção mais limpa (P+L), além de estudarmos também sobre a gestão de custos
ambientais. Outro tópico a ser estudado é a rotulagem ambiental, muito comentada
na atualidade e que serve de critério para a classificação e escolha de produtos pro-
duzidos de forma sustentável, por um nicho “ainda” exclusivo de consumidores fora
e dentro do país. Essa realidade tende a mudar! Veremos que as certificações têm
papel imprescindível para a empresa reduzir custos, aumentar lucros e agregar valor
à sua marca e aos seus produtos, além de demonstrar confiabilidade e segurança
para os consumidores.
Na unidade IV, analisaremos como a Política Pública Ambiental pode ser entendida
como o conjunto de objetivos, diretrizes e instrumentos de ação de que dispõe o
poder público para produzir efeitos desejáveis sobre o meio ambiente. Assim, pode-
mos tomar como exemplo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e o Novo
Código Florestal Brasileiro, proposto pela bancada ruralista do senado e aprovado
em maio de 2012. Essa pauta é motivo de crítica pelos ambientalistas. Vale a pena
discutir para posicionarmo-nos a respeito do tema. Outro tema debatido nessa uni-
dade é o Licenciamento Ambiental. Este será discutido juntamente com os tipos de
licenças empregadas nos processos de licenciamento como ferramentas de garan-
tia de preservação dos recursos naturais. Da mesma forma, os estudos ambientais
são utilizados como mediadores entre os empreendimentos e os impactos, gerados
por eles ao meio ambiente.
Na quinta e última unidade, traçamos um panorama das ações socioambientais de-
senvolvidas por atividades de diferentes segmentos, para ilustrar a necessidade e os
benefícios de tais ações para as organizações e, mais ainda, para os consumidores.
Acessando o site das empresas citadas, você poderá conhecer um pouco mais sobre
os projetos.
APRESENTAÇÃO

É importante ressaltar aqui que em todas as unidades há algumas sugestões de lei-


tura nos tópicos intitulados “saiba mais” e “leitura complementar”. Verifique as indi-
cações, pois elas o(a) ajudarão bastante no entendimento e na formulação dos seus
próprios conceitos.
Quanto a nós, professores, estaremos disponíveis para lhe auxiliar da melhor forma
possível, tirando suas dúvidas e acatando sugestões durante nossas aulas ao vivo
sobre os temas abordados nas cinco unidades. Esperamos ter contribuir para o seu
processo de aprendizado e formação cultural.
“Formar cidadãos mais conscientes das suas responsabilidades com o meio ambien-
te de forma a garantir nossa sobrevivência tranquila e pacífica, bem como de preser-
vá-la às futuras gerações”.
(Cláudia F. Meneguetti)
Bom estudo e felicidades para você!
Professora Cláudia
Professora Edneia
Professora Francielli
11
SUMÁRIO

UNIDADE I

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL

17 Introdução

18 Meio Ambiente e Sociedade

35 Os Grandes Marcos Ambientais Mundiais

45 Gestão Ambiental

59 Considerações Finais

UNIDADE II

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL

65 Introdução

66 Sustentabilidade 

74 A Sustentabilidade Empresarial

93 Economia Verde

95 Os Papéis na Busca da Sustentabilidade

100 Responsabilidade Social

103 Certificações e Normativas de Responsabilidade Social e Gestão


Ambiental

107 Considerações Finais


SUMÁRIO

UNIDADE III

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


FERRAMENTAS DE GESTÃO AMBIENTAL E GESTÃO DE CUSTOS
AMBIENTAIS

113 Introdução

114 Certificações Ambientais

124 Auditorias Ambientais

133 Rotulagem Ambiental

140 Programas de Rotulagem Ambiental

145 Ferramentas de Gestão Ambiental: Análise do Ciclo de Vida (ACV),


Ecoeficiência e Produção mais Limpa (P+L)

156 A Gestão de Custos Ambientais

163 Considerações Finais

UNIDADE IV

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO

169 Introdução

170 Políticas Públicas Ambientais

172 A Política Ambiental Brasileira

178 Licenciamento Ambiental


13
SUMÁRIO

183 Estudos Ambientais

191 A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)

199 O Novo Código Florestal Brasileiro

207 Considerações Finais

UNIDADE V

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO

213 Introdução

214 Gestão Ambiental de Sucesso

215 Braskem

225 Klabin

233 Natura

245 Ambev

252 Walmart

255 Coca-Cola

260 Considerações Finais


265 CONCLUSÃO
267 REFERÊNCIAS
275 GABARITO
Professora Dra. Cláudia Fabiane Meneguetti
Professora Dra. Edneia Aparecida de Souza Paccola

I
Professora Dra. Francielli Gasparotto

A FORMULAÇÃO DA

UNIDADE
GESTÃO AMBIENTAL ATUAL

Objetivos de Aprendizagem
■■ Apresentar as bases da terminologia básica ao aluno para a
formulação e a definição relativa à Gestão Ambiental.
■■ Refletir sobre os Marcos Ambientais Mundiais.
■■ Desenvolver a capacidade crítica e reflexiva do aluno a respeito dos
temas abordados.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Meio Ambiente e Sociedade
■■ Os Grandes Marcos Ambientais Mundiais
■■ Gestão Ambiental
17

INTRODUÇÃO

Atualmente, vivemos em um século cujo foco é o meio ambiente. Não há como


dizer que nunca ouvimos falar da falta de água para o consumo humano, causada
por diversos aspectos, quais sejam: uso irracional; contaminação e poluição dos
recursos hídricos; aquecimento global, causado pela grande emissão de gases;
poluição de rios, lagos, mares e oceanos, provocada por despejos de esgotos e
lixo; vazamento de petróleo; contaminação do ar por gases poluentes; queima
de combustíveis fósseis e industriais; poluição do solo, provocada por agrotó-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

xicos, fertilizantes e produtos químicos; descarte incorreto do lixo; queimadas


das matas e florestas, como forma de ampliar áreas para pasto ou agricultura;
desmatamento da Amazônia com o corte ilegal de árvores para a comercializa-
ção de madeira.
Nesse sentido, a gestão ambiental, assim como as preocupações e ativida-
des que dizem respeito a ela são atuais e, por esse motivo, ainda trazem muitas
dúvidas e questionamentos.
A gestão ambiental vem sendo formalizada e conceituada desde a década de
70, quando surgiram as primeiras manifestações ambientais, focando um novo
modelo de desenvolvimento para os países.
Da mesma forma que administramos nossa casa, nossas tarefas, nossa conta
no banco, devemos também administrar a nossa relação com o meio ambiente.
Afinal, de onde sai o que comemos e bebemos? Até quando teremos esses recursos
para suprir as nossas necessidades? O que fazer com as sobras do que consumimos?
Está vendo? Gestão ambiental cabe em qualquer lugar, seja em casa, no tra-
balho ou qualquer outra ocupação. Tudo o que fazemos está relacionado ao meio
ambiente e por isso somos tão dependentes dele. Assim, o gerenciamento res-
ponsável das questões ambientais é o que define a gestão ambiental. O que define
bons gestores é a importância dada às questões ambientais no desenvolvimento
das atividades produtivas. Portanto, sem bons gestores não há gestão ambiental
eficiente, comprometida e ética. Como você gerencia as questões ambientais no
seu dia a dia? Você se considera um bom gestor?

Introdução
I

©shutterstock
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE

A RELAÇÃO DE EXPLORAÇÃO E DE DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

Os primeiros relatos da existência de seres vivos na Terra aconteceram há mais


de 3,0 milhões de anos. Além da teoria da evolução, outras teses religiosas e de
cunho não religioso dão sua explicação para o surgimento do homem no planeta
Terra. O caso é que, teoricamente ou não, a relação do homem com a natureza é
uma história de relações de dependência, depredação e exploração.
A verdade é que não há como enxergar a natureza separadamente do homem,
ou seja, o homem depende do meio ambiente para sobreviver, visto que retira dele
tudo o que necessita para viver, por exemplo, a água. Você conseguiria sobrevi-
ver sem água? A resposta é óbvia, ou seja, não é possível, basta nos lembrarmos
de que o corpo humano é composto por cerca de 70% de água e os nossos mem-
bros servem de alimento ou energia para micro-organismos decompositores.
Assim sendo, podemos dizer que somos parte integrante do meio ambiente em
que vivemos. Por esse fato, a inclusão do homem ao conceito de meio ambiente
é fundamental.
O conceito de meio ambiente, como realça Barbieri (2007), reflete a inte-
ração do homem com o seu ambiente. O prefixo ambi significa ao redor. Dessa
forma, a noção de meio ambiente reforça a ideia de um lugar que está em volta
do homem, sem incluí-lo. Ao contrário do próprio conceito de meio ambiente,

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


19

este deve abranger todos os seres vivos, assim como as circunstâncias que tor-
nam possível a vida na terra.
Barbieri (2007, p. 6) explica as fronteiras do meio ambiente:
O meio ambiente, como condição de existência da vida, envolve a bios-
fera e estende-se muito além dos limites em que a vida é possível. Por
exemplo, os seres vivos estão condicionados a uma certa exposição às
radiações ultravioleta que, por sua vez, dependem da camada de ozô-
nio existente na estratosfera, região da atmosfera que vai até cerca de 35
km de altitude e onde não há vida.

A ecologia apresenta uma definição mais indutiva da relação homem X natureza.


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O termo oikos, do grego, significa casa; o sufixo logos quer dizer estudo; então,
ecologia pode ser definida como o estudo da casa. Esse conceito leva em conta
os seres vivos e as relações estabelecidas entre si (CAPRA, 2005).
Apesar do conceito abrangente de ecologia, existem correntes que não enxer-
gam a ecologia como ciência integradora. A ecologia rasa, por exemplo, prega
que o homem está fora da natureza. Propõe que o ser humano tem o direito
ilimitado de explorar os recursos naturais em prol do seu desenvolvimento, jus-
tificando, dessa forma, as agressões contra o meio ambiente.
A ecologia profunda, ao contrário da rasa, não restringe o homem da natu-
reza. Sob essa nova visão, o mundo é constituído por teias da vida (CAPRA,
2005). A sociedade é constituída por redes sociais em que os seres humanos
convivem, os quais são constituídos por uma rede de órgãos que são compostos
por uma rede de células. Portanto, a manutenção da vida no planeta depende
dos cuidados que temos com as teias.
A definição de ecossistema é composta pelas palavras gregas oikos e sys-
tema, que quer dizer sistema da casa. Esse conceito de ecossistema explora as
inter-relações existentes entre os organismos vivos e os demais elementos que
os compõem. Segundo Curi (2011), uma boa definição de ecossistema seria um
conjunto composto por diversas comunidades biológicas que vivem e interagem
em determinada região e, também, pelos fatores abióticos. Dessa forma, todas as
alterações promovidas por um componente do ecossistema provocam mudan-
ças no lugar onde esse vive, afetando o meio e os demais organismos.
A relação estabelecida entre os organismos do ecossistema é que garante a
eles a capacidade de manterem o equilíbrio necessário para sua sobrevivência.

Meio Ambiente e Sociedade


I

Esse equilíbrio permite o ciclo da matéria ou a renovação da matéria, orgânica


ou mineral, para suprir as necessidades permanentes dos seres vivos, todavia, as
características desenvolvidas pelo homem, como a capacidade de raciocinar e de
desenvolver técnicas, colocaram o ser humano no topo de destaque, por conta de
sua capacidade de promover impactos sobre o meio (ambiente). Para conseguir
os bens e serviços de que necessita para sobreviver, o homem passou a manipu-
lar a natureza, portanto, o homem é o principal agente transformador do espaço.
Barbieri classifica o ambiente em três tipos: ambiente natural, domesticado e
fabricado (Quadro1). Dentre os três tipos, o fabricado é o mais dependente dos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
demais. Exemplo disso são os centros urbanos que são compostos por ambien-
tes domesticados e naturais para manterem o abastecimento de alimentos e
de outros recursos, como minerais, por exemplo. O resultado disso é o incha-
mento dos centros urbanos e o aumento exacerbado de lixo produzido, sendo
que grande parte desses materiais não biodegradáveis não tem destinação cor-
reta, o que acaba por contaminar solo e água.

TIPOS DE MEIO AMBIENTE EXEMPLOS

Matas virgens e outros ambientes ainda inexplorados


Ambiente natural
pelo homem
Ambiente domesticado Áreas de reflorestamento, açudes e lagos artificiais
Ambiente fabricado Centros urbanos e estradas
Quadro 01 - Tipos de ambiente
Fonte: Barbieri (2007).

Portanto, a relação de exploração do homem sobre o meio ambiente do qual faz


parte está caminhando para a insustentabilidade. A capacidade de suporte do
meio já está se exaurindo.
A capacidade de suporte do meio pode ser entendida como nível de utilização
dos recursos naturais que um sistema ambiental ou um ecossistema pode suportar,
garantindo-se a sustentabilidade, a conservação de tais recursos e o respeito aos
padrões de qualidade ambiental. Sendo assim, não importa se o recurso é reno-
vável ou não, o meio ambiente sempre tem uma capacidade máxima de suporte
relacionada ao tempo que aquele recurso leva para se regenerar naturalmente.

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


21

Segundo Curi (apud BOFF, 2005, p.35), a ação humana alcançou um alto
grau de exploração predatória nos últimos séculos:
Como espécie – Homo sapiens ET demens -, temos ocupado 83% do
planeta, explorando para nosso proveito quase todos os recursos natu-
rais. A velocidade é tal que temos depredado os ecossistemas a ponto
de a Terra ter superado já em 20% sua capacidade de suporte e de re-
generação.

Mais ainda, fizemo-nos reféns de um modelo civilizatório depredador


e consumista que, se universalizado, demandaria três planetas seme-
lhantes ao nosso.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Atualmente, vemos se concretizando todas as alarmantes colocações feitas pelo


filósofo Boff. Precisamos de muita urgência e de muitas ações concretas para
revertermos o caminho de desastres que nos espera. Infelizmente, o homem é
o centro de transformação desse processo e o primeiro passo é uma mudança
de visão e comportamento do que o dinheiro não pode comprar, em tão pouco
tempo (que é o tempo que nos resta para penalizar de vez o planeta), o que a
natureza levou milhões de anos para construir.
Hoje, não é incomum ouvirmos que o meio ambiente é um problema do
governo, ou então, que não conseguimos mais reverter o quadro ambiental dese-
nhado até agora. É verdade que o século XXI tem seu foco voltado em grande
parte para as questões ambientais, pois muitas das ações ambientais desenca-
deadas são para corrigirmos erros do passado. No entanto, não podemos dizer
que o século XX foi o século da depredação ambiental, nem tampouco que foi
a Revolução Industrial a grande responsável pela degradação ambiental e pelos
impactos que sentimos hoje. Na verdade, a relação do homem com a natureza
sempre foi marcada por grandes atos exploratórios, desde a descoberta do fogo,
até a descoberta do petróleo e da energia elétrica. Não podemos deixar de men-
cionar o desenvolvimento promovido por essas grandes descobertas e todo o
conforto gerado à vida das pessoas.
Devemos reconhecer que, como afirma o ex-ministro da cultura Gilberto
Gil (2005, p. 45), a comunhão entre o homem e o meio ambiente nunca che-
gou a se manifestar nos dias mais remotos da nossa existência. Desse modo,
cabe a nós concluirmos que o homem nunca se sentiu parte integrante da natu-
reza, pois as necessidades geradas com o desenvolvimento desde a pré-história

Meio Ambiente e Sociedade


I

nos fizeram pensar somente sobre o que precisávamos e não sobre os limites da
nossa forma de exploração.
O homem sempre enxergou a natureza como fonte de recursos para satisfazer
as suas necessidades. O ser humano sempre ignorou a capacidade de suporte do
meio em prol de seus desejos. Na verdade, o que mudou com o passar do tempo
foi o poder de destruição das suas ferramentas (GIL, 2005, p. 45).
Diamond (apud CURI, 2011), em seu livro “Armas, germes e aço”, esclarece
que a forma como a sociedade interage com o meio ambiente pode ser decisiva
para o seu apogeu ou para o seu declínio.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Entender a relação da natureza com a sociedade é fácil, quando analisa-
mos a história e os marcos que influenciaram essa relação. Na pré-história, por
exemplo, os nossos ancestrais se dedicavam à pesca e à caça, além da coleta de
frutos e vegetais para suprir as suas necessidades. Essa forma de exploração não
causava desequilíbrios ecológicos, pois, quando os alimentos ficavam escassos,
eles migravam para outro lugar, permitindo que aquele ambiente se regenerasse.
Quando o homem pas-
sou a domesticar animais e
a cultivar seu próprio ali-
mento, ele se fixou e foi
assim que surgiram os
primeiros indícios de orga-
nização social, há cerca de
10 mil anos. As civilizações
gregas, por exemplo, utiliza-
vam o chumbo para fabricar
©shutterstock

moedas. Cerca de 5% desse


metal evaporavam e conta-
minavam a atmosfera, chegando até a Groenlândia, onde grande quantidade
desse metal foi encontrada nas geleiras recentemente (CURI, 2011).
A Idade Média foi marcada pela agricultura que abria espaço derrubando
matas para poder produzir mais. Já na época feudal, no século XV, assistiu-se ao
fim desse sistema que deu origem ao capitalismo impulsionado pelo comércio.

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


23

Com isso, grande parte do contingente humano do campo migrava para as cidades.
O século XVI, marcado pelas grandes descobertas das navegações, foi tam-
bém determinante para a exploração predatória da imensa quantidade de recursos
extraídos das chamadas “colônias”. Exemplo disso são os portugueses que, ao
chegarem ao Brasil, depararam-se com uma abundância inesgotável de recur-
sos naturais e minerais, que fez com que muitos dos nossos recursos naturais: ao
serem explorados, quase se exaurissem, como é o caso do pau-brasil.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Fonte: Revista Brasil Sustentável (2011)

Meio Ambiente e Sociedade


I

Até o século XVIII, o impacto das atividades humanas sobre o meio ambiente
só aumentou (CURI, 2011). Com a Revolução Industrial, houve a intensificação
da produção para suprir as demandas de consumo que não paravam de cres-
cer. A industrialização só alterou a forma de se produzir degradação ambiental.
Esse cenário é o que vem se desenhando até os nossos dias, nos quais a ação
exploratória do homem sobre a natureza é impulsionada pelo lucro e pelo con-
sumismo descontrolado.
A preocupação ambiental é uma realidade que só tende a aumentar, visto que
os problemas ambientais decorrentes de formas indiscriminadas dos recursos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
não vêm somente afetando a qualidade de vida das pessoas, mas principalmente,
comprometendo a sobrevivência das gerações futuras.
Atualmente, as atividades de extração mineral, vegetal e animal têm alimen-
tado uma crença ingênua e capacidade ilimitada das suas fontes. As tendências
predatórias são acentuadas por novidades como mercadorias descartáveis e pro-
dutos tecnológicos que se tornam obsoletos em pouco tempo, exigindo uma
exploração mais veloz do meio ambiente como fornecedor de matéria-prima
(CURI, 2011). Do ponto de vista ambiental, a história do homem pode ser vista
como uma transição gradual do ambiente natural, passando pelo domesticado
até o artificial (Figura 1).
Não é possível falarmos de ação humana sobre o meio ambiente sem nos
lembrarmos da classificação usual para os recursos naturais em renováveis e não
renováveis. Há aqueles que preferem não adotar essa classificação por conside-
rá-la inadequada, uma vez que todos os recursos podem se renovar por meio de
seus ciclos naturais, ainda que para isso possam levar milhões de anos. A pers-
pectiva de tempo humano e o modo de usar os recursos são condições que os
tornam renováveis ou não, como sugere Barbieri (2007).

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


25

Pré-história e antigui- Idade Média e Idade Revolução Industrial em


dade Moderna diante
O ser humano não A agricultura era a ativi- O poder de manipulação
contava com técnicas dade econômica predo- da natureza atinge seu
aprimoradas para mani- minante. Embora promo- potencial máximo, trans-
pular o meio ambiente, o vesse o desmatamento formando por completo o
que reduzia seu impacto das florestas nativas, o meio ambiente e produ-
ambiental no ecossistema impacto ambiental do zindo impactos profundos
local, a população mun- homem ainda não tinha e irreversíveis.
dial ainda era pequena. atingido seu ápice.
Figura 1: Evolução do impacto humano sobre o meio ambiente.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Fonte: Curi (2011).

O que ocorre quanto à classificação de um recurso em renovável ou não é a


utilização que o homem faz desse recurso, como é o caso do petróleo e da água.
O tempo de disponibilidade de um recurso está atrelado ao seu modo de extração
sustentável, ou seja, deve-se respeitar a capacidade de suporte do meio (Figura 2).
Os recursos naturais são bens e serviços originais, ou primários, dos quais
todos os demais dependem. Esses envolvem solo, plantas, animais, minerais e
tudo o que pode servir para a subsistência humana. Dessa forma, por recurso
renovável entende-se aquele que pode ser obtido indefinidamente de uma mesma
fonte, enquanto o recurso não renovável apresenta-se numa quantidade finita,
passível de esgotamento pela exploração contínua (BARBIERI, 2007).
Portanto, não basta discutirmos simplesmente uma classificação mais ade-
quada aos recursos naturais, o que devemos pensar e repensar é o nosso modo
de vida e as mudanças de comportamento e atitudes exigidas para manter os
recursos preservados para as futuras gerações.

Meio Ambiente e Sociedade


I

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 2: Recursos Naturais – tipos e exemplos.
Fonte: Barbieri (2007, p.11).

POPULAÇÃO E MEIO AMBIENTE

No final do ano de 2011, che-


gamos a marca dos 7 bilhões
de seres humanos povoando o
planeta Terra. As marcas dessa
trajetória de crescimento popu-
lacional são visíveis sob a ótica
ambiental. Alcançamos mui-
tas conquistas com essa marca:
desmatamentos; poluição da
água, do solo e da atmosfera;
©shutterstock

fome por conta da má distri-


buição de recursos financeiros,
dentre outros.

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


27

É verídico que o crescimento populacional (Figuras 3 e 4) está ligado à misé-


ria, pois muitos países ricos apresentam taxa negativa de crescimento. Muitos
países que mantêm um nível de vida elevado para seu povo dependem de recursos
obtidos em outros países. Então, trata-se de problemas socioambientais, porque
decorrem mais do modo como os diferentes grupos obtêm sua subsistência e
menos da disponibilidade de recursos (BARBIERI, 2007).
População Mundial: 1950 - 2050
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

9 Bilhões
8 Bilhões
7 Bilhões
6 Bilhões
5 Bilhões
4 Bilhões
3 Bilhões

Anos
Figura 3: Estimativa de crescimento populacional de 1950 a 2050.
Fonte: Reuters (2002).

Figura 4: Estimativa de crescimento populacional por continente, de 2002 a 2050.


Fonte: Reuters (2002)

Meio Ambiente e Sociedade


I

De maneira genérica, podemos dizer que o modo de exploração dos recursos


pelo ser humano tem ligação direta com a questão de exploração dos recursos
naturais para a sua subsistência. Desse modo de desenvolvimento, surgiu a cha-
mada poluição. Somente após a Revolução Industrial, esse termo começou a ser
avaliado e repensado. Portanto, as consequências da poluição começaram a ser
percebidas de forma descentralizada e gradativa.
Como consequência do ato de poluir, temos os chamados impactos ambien-
tais, cuja magnitude depende do nível e do tipo de poluição gerada, a qual pode
ser classificada sobre diversos critérios (Quadro 2), como relata Barbieri (2007).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Segundo o Artigo 1º da Resolução n.º 001/86, do Conselho Nacional do
Meio Ambiente (CONAMA), Impacto Ambiental é:
qualquer alteração das propriedades físicas, químicas, biológicas do
meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia
resultante das atividades humanas que afetem diretamente ou indire-
tamente: a saúde, a segurança, e o bem estar da população; as ativida-
des sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do
meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais.

Falar de impactos ambientais requer uma avaliação da atividade a qual esta-


mos nos referindo, pois é difícil compararmos os impactos causados por uma
mineradora e aqueles causados por uma indústria têxtil, por exemplo. Quando
falamos na relação homem X natureza e nos referimos aos impactos causados
pelo agronegócio, os principais temas abordados certamente serão desmata-
mento, transgênicos e contaminação por agrotóxicos.

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


29

FONTE DE POLUIÇÃO MEIO RECEPTOR IMPACTOS AMBIENTAIS

Alcance:
Imediato:
Local, regional, global
Ar, água, solo
Origem:
Natural, antropogênica Danos:
Final:
Aos seres humanos: toxicidade
Organismos, mate-
aguda ou crônica, alteração gené-
riais, ecossistemas
tica...
À flora, fauna e aos solos
Fonte: Aos materiais, construção, equi-
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Móvel, fixa pamentos, monumentos, sítios


aqueológicos...
Tipos de impactos:
Emissão: Eutrofização, acidificação, destrui-
ção da camada de ozônio, perda
Pontual, difusa
da biodiversidade, aquecimento
global...
Poluente:
Físico, físico-químico, bio-
lógico, radioativo, sonoro...
Atividades humanas:
Agricultura, geração de
energia, mineração, indús-
trias, saúde, transporte...
Quadro 2 - Critérios de classificação da poluição
Fonte: Barbieri (2007, p. 22).

■■ Fontes naturais – são constituídas por fumaças liberadas em queimas


espontâneas, cinzas vulcânicas e tempestades marítimas carregadas de sais.
■■ Fontes antropogênicas – decomposição de material orgânico presente no
solo, refinarias de petróleo, fábricas de celulose, ou por processos indus-
triais. Cada qual produz poluentes específicos, dependendo da atividade
geradora (Quadro 3).
■■ Fontes pontuais – fábricas, hospitais, depósitos, portos, veículos etc.
■■ Fontes difusas – lixo deixado na beira de estradas, partículas de fertili-
zantes agrícolas levados pela chuva, entre outros.

Meio Ambiente e Sociedade


I

SETOR POLUENTES
Metano (CH4), dióxido de carbono (CO2), compostos
orgânicos voláteis (COV), metais pesados, embalagens
Agropecuária
de agrotóxicos, materiais não aproveitados, materiais
particulados.
CO2, monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio
Mineração (NOX), óxidos de enxofre (SO2), metais pesados, águas
residuárias, resíduos sólidos, ruídos, vibração.
SO2, NO2, CO, COV, DBO, escórias e lodos de tratamen-
Siderurgia
tos de efluentes, ruídos, materiais particulados.

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SO2, CO, materiais particulados, DBO, lodos de trata-
Metais não metálicos
mentos de efluentes, ruídos.
Usinas termoelétricas Materiais particulados, lodos, CO, CO2, CH4, NOx, SO2.
Têxtil Materiais particulados, SO2, HC, DBO, ruídos.

SO2, NOx, CO, COV, DBO, DCO, materiais particulados,


Refinaria de petróleo
derramamentos.

CO, CO2, NOx, SO2, materiais particulados, hidrocar-


Transporte bonetos, derramamentos de óleos e combustíveis,
ruídos.
Quadro 3 - Exemplos de poluentes de diferentes setores
Fonte: adaptado de Barbieri (2007, p. 23).

A permanência de um poluente no meio ambiente depende de suas característi-


cas físico-químicas, bem como das próprias características dele como: umidade,
luminosidade, grau de acidez. A trajetória dos poluentes depende das interações
entre tais fatores. Portanto, dar destinação adequada aos poluentes é uma ques-
tão muito importante, necessária e urgente, cuja finalidade é reduzir o grau de
impacto ambiental dessas substâncias sobre o meio ambiente e sobre a saúde da
população.

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


31
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©shutterstock
MUDANÇAS CLIMÁTICAS E ECONOMIA

Olhar para trás é buscar enxergar o que talvez não conseguimos perceber no
momento exato de impedir que algo de ruim acontecesse. Se observarmos a his-
tória e conseguirmos tirar dela os bons e maus exemplos para nos servirem de
guia, certamente erraremos muito menos no presente. Pensando assim, se formos
capazes de entender quanto mal fizemos ao meio ambiente e o quanto estamos e
tendemos a sofrer com as chamadas mudanças climáticas, aquecimento global,
e outras consequências do nosso estilo de desenvolvimento atual, baseado no
consumismo desenfreado, iremos entender quão importante são nossas ações.
O século XXI é o século do meio ambiente, afinal nunca ouvimos e trata-
mos as questões ambientais com tanta pompa como agora. Há muitas discussões
e propostas apontadas por diferentes nações, para minimizar os impactos que
viemos provocando, já faz um bom tempo. A única certeza é a de que não pode-
mos mais ignorar os sinais que a natureza está emitindo, ou repensamos nosso
modo de vida, ou inventamos uma nova fórmula para sobreviver sem os recur-
sos naturais.

Meio Ambiente e Sociedade


I

Segundo reportagem da Revista


Super Interessante (2011), a última
década registrou 50 de 180 maio-
res enchentes dos últimos 100 anos.
Somente no Rio de janeiro, no verão
de 2011, foram 700 mortos e 14000
desalojados por conta de desastres
promovidos por enchentes.
Na Índia e China, dois países

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superpopulosos, as enchentes matam
milhões, sem contar as doenças que
disseminam. Pela primeira vez, foi ©ChristianJohnsson

provado que os gases de efeito estufa são responsáveis pelo aumento das chuvas.
“Agora podemos dizer com confiança que o aumento da intensidade de chuvas
no final do século XX não pode ser explicado pelos modelos climáticos existen-
tes”, disse a pesquisadora Gabriele Hegerl à revista Nature. Ela é líder de pesquisa
na Universidade de Edimburgo, no Reino Unido. E aí? Ainda vamos dizer que
não temos nada a ver com isso?
Svante Arrhenius era um desconhecido físico sueco quando, em 1896,
fez um alerta: se a humanidade continuasse a emitir dióxido de carbo-
no na atmosfera no mesmo ritmo que fazia desde a alvorada da Revo-
lução Industrial, em 1750, a temperatura média do planeta subiria de
maneira dramática, em decorrência do efeito estufa (REVISTA VEJA,
2009).

Segundo a Revista Super Interessante (2011), existe um alarmante cenário de


seca a nossa espera. A falta de água poderá atingir cerca de 2/3 da população
em 2025. África, Ásia, Austrália, Estados Unidos e até o nordeste brasileiro já
estão em situação de escassez ou próximo disso. A imigração é o resultado mais
certeiro nessas situações, em busca de alimentos e água. As previsões apontam
para um aumento na ocorrência de secas e evaporação dos solos, em virtude da
alta temperatura, mas as chuvas promovidas por esse vapor caíram em outras
regiões, tornando os solos mais áridos. “Precisamos ser mais eficientes com nos-
sos recursos”, diz Michael Hayes, diretor do Centro Nacional de Mitigação da
Seca, dos EUA.

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


33

Uso de energia suja no Brasil


Entendemos por energia suja aquela que, quando utilizada, causa danos à saúde
das pessoas e ao meio ambiente, provocando a poluição do ar. Essas fontes de
energia suja são utilizadas, na maioria das vezes, para gerar a energia elétrica,
como nos casos das usinas termelétricas que usam o carvão mineral, ou nos
meios de transporte.
Em se tratando de Brasil, embora tenhamos potencial hidroelétrico, ainda uti-
lizamos energia suja, pois a geração de energia das hidrelétricas não é suficiente.
Essas usinas ainda podem ser utilizadas em caso de crise hídrica, quando os
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reservatórios de água das hidrelétricas ficam muito baixos. Temos como exem-
plo a situação da crise hídrica do verão 2013/2014, quando o nível de chuvas
ficou muito abaixo do normal (www.suapesquisa.com).

A Energia mais suja do Brasil


As 260 usinas termelétricas instaladas nos estados do Acre, Rondônia, Amapá,
Amazonas, Pará, Roraima e Mato Grosso queimam 6,3 milhões de litros de óleo
por dia.
Isso significa em termos de poluição:
Seis milhões de toneladas de CO2 por ano, o dobro das emissões de poluentes
de toda a frota de veículos da cidade de São Paulo. Cada petroleiro que abastece
Manaus com óleo diesel produz poluentes equivalentes à queima de uma área
de 28 hectares de floresta.

Viagem longa e cara


O óleo diesel que abastece as 260 usinas termelétricas, veículos e embarcações
da Amazônia chega a Manaus em petroleiros vindos do Sudeste do Brasil ou é
importado de países como Venezuela, Estados Unidos, Índia e Coreia do Sul.
O ponto de partida de 50% dos petroleiros é o terminal da Petrobrás em São
Sebastião, no litoral de São Paulo. A distância entre São Sebastião e Manaus é de
5930 quilômetros, o custo mensal da operação é de 10 milhões de reais, o óleo
diesel por mês custa 180 milhões de litros, cinco petroleiros por mês são neces-
sários e a duração da viagem é de 15 dias.

Meio Ambiente e Sociedade


I

Um estudo realizado por pesquisadores das principais instituições públicas e pri-


vadas do país afirma que a economia brasileira poderá perder até R$ 3,6 trilhões
nos próximos 40 anos, em decorrência das mudanças climáticas.
O estudo (denominado de Economia das Mudanças do Clima no Brasil)
abordou vários setores, como: agricultura, energia, uso da terra e desmatamento,
biodiversidade, recursos hídricos, zona costeira, migração e saúde, e descreveu
que em 2050 o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro seria de R$ 15,3 trilhões a
R$ 16 trilhões, caso não houvesse mudanças no clima. Se forem considerados os
impactos das mudanças climáticas, esses montantes seriam reduzidos de 0,5% a

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2,3%. Conforme o documento, as perdas acumuladas até 2050 ficariam entre R$
719 bilhões e R$ 3,6 trilhões. Foram projetados dois cenários para o Brasil, que
levaram em conta duas possíveis trajetórias do clima futuro, desenvolvidas pelo
Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Os resultados do
estudo provaram os seguintes fatos: é muito melhor antecipar essas mudanças;
assumir políticas públicas de redução de emissões, por parte do setor produtivo;
o Brasil deve reduzir o desmatamento. “Com tudo isso, estaremos reduzindo
custos”, disse à BBC Brasil o coordenador do estudo, Jacques Marcovitch, pro-
fessor da FEA/USP.
O estudo estima que as mudanças climáticas resultariam em redução de 40%
da cobertura florestal na região sul-sudeste-leste da Amazônia, que será substituída
pelo bioma savana. No Nordeste, a redução de chuvas causaria perdas na agri-
cultura e reduziria a capacidade de
pastoreio de bovinos de corte. Nesse
cenário, a saída seria as modificações
genéticas, servindo como alternativas
para reduzir os impactos das mudan-
ças climáticas na agricultura, o que
exigiria investimentos em pesquisa
da ordem de R$ 1 bilhão por ano.

©shutterstock

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


35

No setor de energia, precisaria instalar capacidade extra de geração, a exem-


plo da geração por gás natural, bagaço de cana e energia eólica, com custo entre
US$ 51 bilhões e US$ 48 bilhões. O documento ainda sugere medidas mitiga-
doras, como substituição de combustíveis fósseis, taxação de emissão de CO2,
entre outras.
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OS GRANDES MARCOS AMBIENTAIS MUNDIAIS

CONFERÊNCIA DE ESTOCOLMO EM 1972

A Conferência chamou a atenção das nações para o fato de que a ação humana
estava causando séria degradação da natureza e criando severos riscos para o
bem-estar e para a própria sobrevivência da humanidade. Foi marcada por uma
visão antropocêntrica de mundo, em que o homem era tido como o centro de
toda a atividade realizada no planeta, desconsiderando o fato de a espécie humana
ser parte da grande cadeia ecológica que rege a vida na Terra.
Essa Conferência se destacou pelo confronto entre as perspectivas tanto dos
países desenvolvidos quanto dos países em desenvolvimento. Propuseram um
programa internacional voltado para a Conservação dos recursos naturais e gené-
ticos do planeta. A Conferência produziu a Declaração sobre o Meio Ambiente
Humano, uma declaração de princípios de comportamento e responsabilidade
que deveriam governar as decisões concernentes às questões ambientais. Outro
resultado formal foi um Plano de Ação que convocava todos os países, os orga-
nismos das Nações Unidas, bem como todas as organizações internacionais a
cooperarem na busca de soluções para uma série de problemas ambientais.

Os Grandes Marcos Ambientais Mundiais


I

RIO 92 OU CÚPULA DA TERRA

Com o objetivo de avaliar como os países haviam promovido a Proteção ambiental


desde a Conferência de Estocolmo de 1972, a Assembleia Geral da ONU convo-
cou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento
(CNUMAD), que ficou conhecida como “Cúpula da Terra”, e marcou sua reali-
zação para o mês de junho de 1992, de maneira a coincidir com o Dia do Meio
Ambiente.
Dentre os objetivos principais dessa conferência, destacaram-se os seguintes:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
1. examinar a situação ambiental mundial desde 1972 e suas relações com
o estilo de desenvolvimento vigente;
2. estabelecer mecanismos de transferência de tecnologias não poluentes
aos países subdesenvolvidos;
3. examinar estratégias nacionais e internacionais para a incorporação de
critérios ambientais ao processo de desenvolvimento;
4. estabelecer um sistema de cooperação internacional para prever amea-
ças ambientais e prestar socorro em casos emergenciais;
5. reavaliar o sistema de organismos da ONU, eventualmente criando novas
instituições para implementar as decisões da conferência.

Como produto dessa Conferência, foram assinados 05 documentos, quais sejam:


1. Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - Trata-
-se de uma carta contendo 27 princípios que visam estabelecer um novo
estilo de vida, um novo tipo de presença do homem na Terra, por meio
da proteção dos recursos naturais, da busca do desenvolvimento susten-
tável e de melhores condições de vida para todos os povos.
2. Agenda 21 - A Agenda 21 é um abrangente plano de ação para ser imple-
mentado pelos governos, agências de desenvolvimento, organizações das
Nações Unidas e grupos setoriais independentes em cada área em que a
atividade humana afeta o meio ambiente. As quatro seções se subdividem
em capítulos temáticos que contêm um conjunto de áreas e programas.
Tais seções abrangem os seguintes temas:

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


37

■■ dimensões econômicas e sociais: trata das relações entre meio ambiente


e pobreza, saúde, comércio, dívida externa, consumo e população;
■■ conservação e administração de recursos: trata das maneiras de gerenciar
recursos físicos para garantir o desenvolvimento sustentável;
■■ fortalecimento dos grupos sociais: trata das formas de apoio a grupos
sociais organizados e minoritários que colaboram para a sustentabilidade;
■■ meios de implementação: trata dos financiamentos e papel das ativida-
des governamentais.
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3. Princípios para a Administração Sustentável das Florestas - Os países par-


ticipantes da CNUMAD adotaram essa declaração de princípios visando
a um consenso global sobre o manejo, conservação e desenvolvimento
sustentável de todos os tipos de florestas. Apesar de controvertido, esse
foi o primeiro tratado a abordar a questão florestal de maneira universal.
4. Convenção da Biodiversidade - A Convenção da Biodiversidade foi assi-
nada no Rio de Janeiro, em 1992, por 156 Estados e uma organização de
integração econômica regional. Os objetivos da convenção estão expres-
sos em seu artigo de número 1:
Os objetivos dessa Convenção, a serem observados de acordo com as
disposições aqui expressas, são a conservação da biodiversidade, o uso
sustentável de seus componentes e a divisão equitativa e justa dos bene-
fícios gerados com a utilização de recursos genéticos, através do acesso
apropriado a referidos recursos, e através da transferência apropriada
das tecnologias relevantes, levando-se em consideração todos os direi-
tos sobre tais recursos e sobre as tecnologias, e através de financiamen-
to adequado (MMA – Ministério do Meio Ambiente).

Os Grandes Marcos Ambientais Mundiais


I

5. Convenção sobre Mudança do Clima - Foi assinada em 1992, no Rio de


Janeiro, por 154 Estados e uma organização de integração econômica
regional. Seus objetivos são:
■■ estabilizar a concentração de gases efeito estufa na atmosfera num nível
que possa evitar uma interferência perigosa com o sistema climático;
■■ assegurar que a produção alimentar não seja ameaçada;
■■ possibilitar que o desenvolvimento econômico se dê de forma sustentável.

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PROTOCOLO DE KYOTO

No ano de 1997, ocorreu a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças


Climáticas na cidade de Kyoto, no Japão. Nessa ocasião, foi criado um acordo
internacional denominado “Protocolo de Kyoto”, o qual entrou em vigor no ano
de 2005. O acordo apresentou como objetivo maior estabilizar a emissão de gases
de efeito estufa (GEE), visando à redução do aquecimento global e seus impactos.
Foi assinado por 184 países que participaram da convenção e foram divididos
em dois grupos, de acordo com seu grau de desenvolvimento/industrialização:
países desenvolvidos (considerados anexo I) e países em desenvolvimento (não
anexo I), sendo que cada grupo apresenta obrigações diferentes em relação ao
Protocolo (Quadro 4). Entre os países desenvolvidos, destaca-se o fato de os
Estados Unidos da América não ter ratificado esse tratado.

Alemanha Islândia
Austrália Itália
Áustria Japão
Bélgica Letônia
Bulgária Liechtenstein
Canadá Luxemburgo
Dinamarca Mônaco
Eslováquia Noruega

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


39

Espanha Nova Zelândia


Estados Unidos Países Baixos
Estônia Polônia
Federação Russa Portugal
Finlândia Reino Unido
França República Tcheca
Grécia Romênia
Hungria Suécia
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Irlanda Suíça
Quadro 4 - Países que compõem o anexo I do Protocolo de Kyoto
Fonte: Curi (2001, p. 38).

O protocolo de Kyoto impôs tarefas mais árduas aos países desenvolvidos, de


acordo com o princípio de “Responsabilidades comuns, porém diferenciadas”,
fato que está ligado ao reconhecimento de tais países como os principais respon-
sáveis pelos atuais níveis elevados de emissões de GEE na atmosfera. Os países
desenvolvidos que assinaram o protocolo assumiram o compromisso de redu-
zir em 5,2% suas emissões de gases do efeito estufa, considerando os níveis que
emitiam em 1990, tendo um período entre 2008 e 2012 para cumprir a meta, o
qual é denominado como primeiro período de compromisso. Visando à redu-
ção das emissões dos GEE, foram propostos três Mecanismos de Flexibilização
pelo Protocolo de Kyoto:
1) implementação conjunta: abrange a implantação de projetos de redução de
emissões de GEE entre países do Anexo I;
2) comércio e Emissões: permite que países do Anexo I que tenham reduzido
suas emissões abaixo de sua meta transfiram o excedente de suas reduções
para outros países do Anexo I que não tenham obtido sua meta;
3) mecanismos de Desenvolvimento Limpo: permite que países desenvolvi-
dos invistam em projetos de energia limpa nos países em desenvolvimento;

Os Grandes Marcos Ambientais Mundiais


I

Os países em desenvolvimento (não anexo I) não apresentam metas obriga-


tórias de redução de GEE, mas devem participar também da redução desses
gases a partir de ações governamentais e projetos descritos no Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo. Os países pertencentes ao não anexo I podem comer-
cializar créditos de carbono gerados por projetos que estejam reduzindo a emissão
de GEE para países desenvolvidos. Segundo Curi (2011), o crédito de carbono é
um direito de poluir que pode ser vendido para países do anexo I, ou seja, uma
moeda ambiental. Cada crédito de carbono representa a retirada da atmosfera
de uma tonelada de CO2, com a compra de créditos, o comprador passa a ter o

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
direito de emitir o equivalente em gases-estufa.

Para você entender:


Créditos de carbono ou Redução Certificada de Emissões (RCE) são certifica-
dos emitidos quando ocorre a redução de emissão de gases do efeito estufa
(GEE). Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equiva-
lente corresponde a um crédito de carbono.
Créditos de carbono criam um mercado para a redução de GEE dando um
valor monetário à redução da poluição. O mercado ficou estabelecido a par-
tir da assinatura, em 1997, do Protocolo de Kyoto, que estabeleceu metas de
redução de emissões de dióxido de carbono para os países mais industriali-
zados do planeta.
Para que esses países consigam atingir suas metas, o protocolo lhes permite
comprar os créditos de carbono de outras nações, como o Brasil, que tam-
bém é signatário do acordo.
Leia mais no site do Ministério de Ciência e Tecnologia:
<www.mct.gov.br>
Fonte: GREENCO2. Créditos de carbono - O que são. São Paulo. Disponível em:
<http://www.greenco2.net/credito_oquesao.shtml>. Acesso em: 18 maio. 2015.

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


41

CO-GERAÇÃO

De acordo com o SEBRAE, a co-geração é o segmento mais explorado pelo


Brasil no mercado de créditos de carbono, com 67 projetos aprovados, segundo
o Ministério do Meio Ambiente. Um exemplo é a utilização do bagaço de cana
para geração de energia nas usinas, um processo que rende créditos por preser-
var a biomassa que seria queimada. Para medir os valores, existem metodologias
que calculam quanto CO2 deixa de ser lançado no meio ambiente.
Ainda segundo o SEBRAE, o segundo segmento mais explorado no país,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

com 22 projetos, é a produção de biogás por intermédio de disposição e manejo


de dejetos. Nesse caso, a simples queima do biogás já é enquadrada no MDL.
Outra forma de obter créditos com o biogás é sua utilização como combustí-
vel, para geração de energia elétrica, térmica ou mecânica na propriedade rural,
contribuindo para a redução dos custos de produção. Nas granjas de suínos,
por exemplo, a energia obtida a partir dos dejetos dos animais pode alimentar
as lâmpadas utilizadas para aquece-los.

CONFERÊNCIA DE COPENHAGUE OU COP-15

A COP-15 ou 15ª Conferência das Partes, realizada pela UNFCCC –


Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, de
7 a 18 de dezembro de 2009 em Copenhague (Dinamarca), foi espera-
da com enorme expectativa por diversos governos, ONGs, empresas e
pessoas interessadas para saber como o mundo vai resolver a ameaça
do aquecimento global.

De acordo com o 4º relatório do IPCC – Painel Intergovernamental de


Mudanças Climáticas, publicado em 2007, a temperatura da Terra não
pode aumentar mais do que 2º C, em relação à era pré-industrial, até
o final deste século, ou as alterações climáticas sairão completamente
do controle. Para isso, é necessário reduzir a concentração de gases de
efeito estufa na atmosfera, já que são eles os responsáveis por reter mais
calor na superfície terrestre. O ideal é que a quantidade de carbono não
ultrapassasse os 350ppm, no entanto, já estamos em 387ppm, número
que cresce 2ppm/ano.

Os Grandes Marcos Ambientais Mundiais


I

Diminuir a emissão de gases de efeito estufa implica modificações


profundas no modelo de desenvolvimento econômico e social de cada
país, como a redução do uso de combustíveis fósseis, a opção por ma-
trizes energéticas mais limpas e renováveis, o fim do desmatamento e
da devastação florestal e a mudança de nossos hábitos de consumo e
estilos de vida. Por isso, até agora, os governos têm se mostrado bem
menos dispostos a reduzir suas emissões de carbono do que deveriam
(PLANETA SUSTENTÁVEL, online).

Era para os países assinarem cortes de gases-estufa, segundo as recomen-


dações científicas do IPCC.  Mas o fruto de dois anos de preparativos e duas
semanas de conferência foi um texto com duas páginas e meia. Não estabelece-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ram metas; apresentaram algumas cifras, mas não explicaram como o dinheiro
seria captado e administrado. Segundo a ONU, dos 111 países e União Europeia
que expressaram apoio ao acordo de Copenhague, 75 países fixaram meta de
emissão de gases-estufa para 2020.
 Mais preciso no capítulo financeiro do que no relativo à redução de emis-
sões, o Acordo de Copenhague - um documento político não vinculante – apenas
previu uma ajuda aos países mais vulneráveis de 30 bilhões de dólares em três
anos (2010 a 2012) e um aumento progressivo para alcançar os cem bilhões de
dólares anuais em 2020.

O acordo de Copenhague foi criticado por muitos, uma vez que não estabe-
leceu limites à poluição e indicou que os países concordassem que a tempe-
ratura do planeta não poderia subir mais de 2º C até 2020. Prevendo ações
para a manutenção do aumento da temperatura global a 2º C. No acordo
não foi previsto qualquer redução de emissões dos gases que provocam o
efeito estufa. Neste documento, foi descritA a criação de um fundo emer-
gencial de US$ 30 bilhões pelos próximos três anos, para ajudar países po-
bres a combater UM causas e efeitos das mudanças do clima e também para
arrecadar fundos aos financiamentos de longo prazo de até US$ 100 bilhões
até 2020.
Para saber mais sobre o Acordo de Copenhague na íntegra, acesse o site:
<http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1421535-17816,00.
html>

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


43

RIO+20: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentá-


vel (UNCSD), que foi organizada em conformidade com a Resolução
64/236 da Assembleia Geral (A/RES/64/236), tendo como país sede o
Brasil de 20 a 22 de junho de 2012 marcando o 20º aniversário da Con-
ferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
(UNCED), que ocorreu no Rio de Janeiro em 1992, e o 10º aniversário
da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (WSSD), ocor-
rida em Johanesburgo em 2002. Com a presença de Chefes de Estado
e de Governo ou outros representantes a expectativa foi de uma Con-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ferência do mais alto nível, sendo que dela resultou a produção de um


documento político focado.

O objetivo da Conferência foi a renovação do compromisso político


com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progres-
so e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas princi-
pais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emer-
gentes (BRASIL, 2012, online).

Os principais temas debatidos foram: (a) uma revisão do que foi feito nos últi-
mos 20 anos em relação ao meio ambiente; (b) a importância e os processos da
Economia Verde; (c) ações para garantir o desenvolvimento sustentável do pla-
neta; (d) maneiras de eliminar a pobreza; (e) a governança internacional no
campo de desenvolvimento sustentável.
O documento com 53 páginas destaca aspectos sociais e ressalta o esforço
conjunto para o combate à pobreza e à fome, à proteção das florestas, dos ocea-
nos e da biodiversidade e o incentivo à agricultura e à energia sustentável.

Os Grandes Marcos Ambientais Mundiais


I

Em cada um dos 253 itens do texto final, há algum tipo de afirmação, seja
reconhecendo um problema, seja se comprometendo com algum ideal ou mesmo
propondo alguma ação específica. No entanto, a maior parte do documento ape-
nas reforça ou reafirma compromissos estabelecidos em outras conferências, como
a ECO-92, realizada há 20 ano, também no Rio de Janeiro, o que despertou críti-
cas de ecologistas, organizações sociais e até delegações dos governos. Enquanto
isso, alguns dos temas mais polêmicos, como a negociação das formas de finan-
ciamento das metas estabelecidas, acabaram adiando para os próximos anos a
definição de medidas práticas para garantir a proteção do meio ambiente. Muitos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
analistas disseram que a crise econômica mundial, principalmente nos Estados
Unidos e na Europa, prejudicou as negociações e tomadas de decisões práticas.

A Rio+20 ou Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sus-


tentável reuniu líderes mundiais, os quais discutiram medidas com o obje-
tivo de favorecer o progresso juntamente com à preservação do meio am-
biente nas próximas décadas. Os dois temas principais discutidos foram a
economia verde e a cooperação global. A economia verde trata-se de um
modelo de crescimento econômico baseado na baixa emissão de carbono e
no uso inteligente dos recursos naturais.
Para você conhecer na íntegra o documento sobre a Conferência das Nações
Unidas, acesse o link:
<http://rio20.ebc.com.br/wp-content/uploads/2012/06/TheFutureWeWa-
nt.pdf>
Fonte: Confira os resultados da cobertura integrada da EBC. EBC, Empresa Brasil de
Comunicação, Rio de Janeiro, 2012. Disponível em: <http://rio20.ebc.com.br/wp-
-content/uploads/2012/06/TheFutureWeWant.pdf>. Acesso em: 18 maio 2015.

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


45

Uma indicação bastante interessante são os apontamentos descritos no re-


latório publicado pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente), conhecido como GEO-3 (Panorama Ambiental Global), em que
são abordados os principais problemas ambientais que estão afligindo a
humanidade. Dentre os problemas, está a concentração de gás carbônico
na atmosfera, que provoca o aquecimento global terrestre; a crescente es-
cassez de água potável devido a um aumento da população; o desenvol-
vimento industrial e a expansão da agricultura irrigada; a degradação dos
solos por erosão, salinização; o avanço contínuo da agricultura irrigada em
grande escala; os desmatamentos; a poluição dos rios, lagos, zonas costeiras
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e baías, pelo despejo de resíduos e dejetos industriais e orgânicos; os des-


matamentos contínuos.
Para você conhecer melhor esses apontamentos sobre os principais proble-
mas ambientais para a humanidade, acesse:
<http://www.espacoacademico.com.br/014/14crattner.htm>
Fonte: RATTNER, Henrique. Meio ambiente e desenvolvimento sustentável: o mundo
na encruzilhada da História. Revista Espaço Acadêmico, São Paulo, ano II, n. 14, jul.
2002. Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.br/014/14crattner.htm>.
Acesso em: 18 maio 2015.

GESTÃO AMBIENTAL

O SURGIMENTO DA GESTÃO AMBIENTAL NO CONTEXTO AMBIENTAL

A Gestão Ambiental surgiu da necessidade do ser humano organizar melhor


suas diversas formas de se relacionar com o meio ambiente (MORALES, 2006).
A seguir, são descritos alguns marcos que contribuíram para a formação his-
tórica da gestão ambiental, fizeram o mundo repensar acerca do desenvolvimento
e a relação deste com o meio ambiente e a sociedade, até chegar à formulação da
gestão ambiental na atualidade.

Gestão Ambiental
I

Década de 1940 a 1950:


■■ Bombas Atômicas em Hiroshima e Nagasaki.

Década de 1960:
■■ Industrialização acelerada - aceitação da ideia de que os prejuízos ambien-
tais devem ser assumidos pela sociedade, em favor do desenvolvimento
econômico.
■■ Preocupação com acidentes de trabalho.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Legislação ambiental incipiente no Brasil.
■■ Publicação do romance “Silent Spring” (Primavera Silenciosa), da bióloga
americana Rachel Carson, que contribuiu decisivamente para a proibi-
ção do uso do DDT.

Década de 70:
■■ Conferência de Estocolmo, promovida pela ONU em 1972.
■■ Crise do Petróleo e aceleração dos programas nucleares na Europa.
■■ Surgimento das ONG’s - em 1971, nasce o Greenpeace, que apresenta uma
das atuações mais radicais em favor do meio ambiente.
■■ Inicia-se a implantação da tecnologia de fim de tubo (ponto de descarga).
■■ Em 1974, pela primeira vez, cientistas americanos chamam a atenção
do mundo para os perigos da destruição da camada de ozônio, pelo uso
dos CFCs.
■■ Criação da Agência Ambiental Americana (EPA), do Selo Verde na
Alemanha e do Anjo Azul na França.

Década de 80:
■■ Instituição da Política Nacional do Meio ambiente, em 1981, e criação de
diversos órgãos de atuação ambiental.

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


47

■■ Legislação ambiental sobre zoneamento ambiental, licenciamento de ativi-


dades poluidoras e avaliação de impacto ambiental (Resolução CONAMA
1/86), dentre outras.
■■ Preocupação das empresas em atender às exigências dos órgãos ambientais.
■■ Inclusão do planejamento ambiental nas empresas, investimentos e sis-
temas de controle.
■■ Pouca (ou nenhuma) visão das oportunidades de ganho decorrentes de
uma gestão ambiental eficaz.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

■■ Mobilização das comunidades.


■■ Convenção de Viena, de 1985, e o Protocolo de Montreal, em 1987, sobre
o uso de substâncias nocivas à camada de ozônio.
■■ Aprovação e divulgação pela ONU, em 1987, do Relatório “Nosso Futuro
Comum”, no qual foi defendido o conceito de Desenvolvimento Sustentável.

Década de 90:
■■ Conferência Rio-92, que consolidou o conceito de desenvolvimento sus-
tentável e aprovou a Agenda 21.
■■ Promulgada, em 1991, pela Câmara Internacional do Comércio (ICC),
a “Carta de Roterdã”, conhecida também por “Princípios do desenvolvi-
mento sustentável”.
■■ Gestão Proativa (ações preventivas para evitar a poluição no ponto de
geração).
■■ Intensificação da mobilização das comunidades, de forma organizada e
reivindicativa.
■■ Adesão das empresas a princípios estabelecidos por determinados gru-
pos, com base no conceito de desenvolvimento sustentável. Exemplos:
“Responsible Care” (Atuação Responsável), da Associação de Indústrias
Químicas e “Princípios do Desenvolvimento sustentável”, da ICC.

Gestão Ambiental
I

■■ Emissão da Norma ISO 14001 – Sistema de Gestão Ambiental, com ade-


sões em escala crescente por parte das empresas internacionais e nacionais,
antes mesmo de sua versão final em Outubro de 1996.
■■ Negociações internacionais sobre a redução das emissões de CO2 (Protocolo
de Kyoto).
■■ Surgimento da legislação brasileira sobre “crimes ambientais” (1998).

Década de 2000:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Introdução do conceito do ciclo de vida do produto (análise ambiental
de todas as etapas de produção, incluindo fornecedores e consumidores,
conhecida também pela expressão “do berço ao túmulo”).
■■ Integração das questões ambientais às estratégias de negócios, gestão
ambiental vista como um diferencial competitivo e um fator de melho-
ria organizacional.
■■ Exploração do “ecomarketing”; “empresa cidadã”; preocupação da empresa
frente à sociedade.

GESTÃO AMBIENTAL: DEFINIÇÃO

Segundo a Enciclopédia Britânica, “gestão ambiental é o controle apropriado


do meio ambiente físico, para propiciar o seu uso com o mínimo de abuso, de
modo a manter as comunidades biológicas, para o benefício continuado do ser
humano.” Ou ainda, a Gestão Ambiental consiste na administração do uso dos
recursos ambientais, por meio de ações ou medidas econômicas, investimentos
e potenciais institucionais e jurídicos, com a finalidade de manter ou recuperar
a qualidade de recursos e desenvolvimento social (CAMPOS, 2002).

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


49

Há outros autores que definem Gestão Ambiental como:


diretrizes e atividades administrativas e operacionais como planeja-
mento, direção, controle, alocação de recursos e outras realidades com
o objetivo de obter efeitos positivos sobre o meio ambiente, quer re-
duzindo ou eliminando os danos ou problemas causados pelas ações
humanas, quer evitando que eles surjam (BARBIERI, 2007, p. 25).

Ou o “conjunto de medidas e procedimentos definidos e adequadamente aplicados


que visam reduzir e controlar os impactos introduzidos por um empreendimento
sobre o meio ambiente” (VALLE, 2000, p. 39).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Meyer (2000) apresenta a gestão ambiental da seguinte forma:


■■ objeto de manter o meio ambiente saudável (à medida do possível), para
atender as necessidades humanas atuais, sem comprometer o atendimento
das necessidades das gerações futuras;
■■ meio de atuar sobre as modificações causadas no meio ambiente pelo
uso e/ou descarte dos bens e detritos gerados pelas atividades humanas,
a partir de um plano de ação viável, técnica e economicamente, com prio-
ridades perfeitamente definidas;
■■ instrumentos de monitoramentos, controles, taxações, imposições, sub-
sídios, divulgação, obras e ações mitigadoras, além de treinamento e
conscientização;
■■ base de atuação de diagnósticos (cenários) ambientais da área de atua-
ção, a partir de estudos e pesquisas dirigidos em busca de soluções para
os problemas que forem detectados.
A gestão ambiental deve visar o uso de práticas que garantam a conser-
vação e preservação da biodiversidade, a reciclagem das matérias-pri-
mas e a redução do impacto ambiental das atividades humanas sobre
os recursos naturais. Fazem parte também do arcabouço de conheci-
mentos associados à gestão ambiental técnicas para a recuperação de
áreas degradadas, técnicas de reflorestamento, métodos para a explo-
ração sustentável de recursos naturais, e o estudo de riscos e impactos
ambientais para a avaliação de novos empreendimentos ou ampliação
de atividades produtivas (FRANCISCO, online).

Gestão Ambiental
I

A prática da gestão ambiental introduz a variável ambiental no planejamento


empresarial e, quando bem aplicada, permite a redução de custos diretos (pela
diminuição do desperdício de matérias-primas e de recursos cada vez mais escas-
sos e dispendiosos, como água e energia) e de custos indiretos (representados por
sanções e indenizações relacionadas aos danos ao meio ambiente ou à saúde de
funcionários, e da população de comunidades que tenham proximidade geográ-
fica com as unidades de produção da empresa). Um exemplo prático de políticas
para a inserção da gestão ambiental em empresas tem sido a criação de leis que
obrigam a prática da responsabilidade pós-consumo. Podemos citar, nesSe caso,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
a logística reversa aplicada às embalagens de agrotóxicos.
A gestão ambiental se aplica a uma grande variedade de iniciativas relativas
a qualquer tipo de problema ambiental. A qualidade de vida e a própria sobre-
vivência da sociedade humana não podem ser estudadas simplesmente como
variáveis do sistema econômico. O desafio é ultrapassar essa visão reducionista
para alcançar soluções capazes de harmonizar o plano econômico, ambiental
e social. A adoção de procedimentos mais responsáveis em relação aos efeitos
ambientais das atividades econômicas é um jogo que não admite perdedores
(ANDREOLI, 2002).
A adoção da gestão ambiental deve passar por uma mudança em sua cultura
empresarial e por uma revisão de seus paradigmas (Quadro 5). Nesse sentido, a
gestão ambiental tem se configurado como uma das mais importantes ativida-
des relacionadas com qualquer empreendimento (KRAEMER, 2009).

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


51

GESTÃO AMBIENTAL
Gestão de Gestão de Gestão de Gestão do Plano
Processos Resultados Sustentabilidade Ambiental
Exploração de Princípios e compro-
Emissões gasosas Qualidade do ar
recursos missos
Transformação de
Efluentes líquidos Qualidade da água Política ambiental
recursos
Acondicionamento
Resíduos sólidos Qualidade do solo Conformidade legal
de recursos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Transporte de Abundância e diver-


Particulados Objetivos e metas
recursos sidade da flora
Aplicação e uso de Abundância e diver-
Odores Programa ambiental
recursos sidade da fauna
Quadros de riscos Qualidade de vida
Ruídos e vibrações Projetos ambientais
ambientais do ser humano
Situações de Imagem institucio- Ações corretivas e
Iluminação
emergência nal preventivas
Quadro 5 - Visão geral da gestão ambiental
Fonte: Macedo, R.K. (1994).

Para Kraemer (2009), a gestão ambiental facilita o processo de gerenciamento,


proporcionando vários benefícios às organizações. North (apud CAGNIN, 2000)
classifica os benefícios da gestão ambiental em benefícios econômicos e benefí-
cios estratégicos (Quadro 6).

Gestão Ambiental
I

BENEFÍCIOS ECONÔMICOS
Economia de Custos

√√ Redução do consumo de água, energia e outros insumos.


√√ Reciclagem, venda e aproveitamento de resíduos, e diminuição de efluen-
tes.
√√ Redução de multas e penalidades por poluição.
Incremento de Receita

√√ Aumento da contribuição marginal de “produtos verdes”, que podem ser

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
vendidos a preços mais altos.
√√ Aumento da participação no mercado, devido à inovação dos produtos e à
menor concorrência.
√√ Linhas de novos produtos para novos mercados.
√√ Aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da
poluição.
BENEFÍCIOS ESTRATÉGICOS
√√ Melhoria da imagem institucional.
√√ Renovação da carteira de produtos.
√√ Aumento da produtividade.
√√ Alto comprometimento do pessoal.
√√ Melhoria nas relações de trabalho.
√√ Melhoria da criatividade para novos desafios.
√√ Melhoria das relações com os órgãos governamentais, comunidade e gru-
pos ambientalistas.
√√ Acesso assegurado ao mercado externo.
√√ Melhor adequação aos padrões ambientais.
Quadro 6 - Benefícios da gestão ambiental
Fonte: Cagnin (1999).

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


53

O SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL (SGA)

Segundo a Resolução
CONAMA nº 306/02, a ges-
tão ambiental é a condução,
direção e controle do uso
dos recursos naturais, ris-
cos ambientais e emissões
para o meio ambiente, por
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intermédio da implementa-
ção de um sistema de gestão

©shutterstock
ambiental (SGA). Esse sis-
tema é parte de uma gestão
global que inclui estrutura
organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, proce-
dimentos, processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar
criticamente e manter a política ambiental da instalação.
A implementação de um SGA constitui uma ferramenta para identificar
oportunidades de melhorias que reduzam os impactos das atividades sobre o
meio ambiente, gerando com isso novas receitas e oportunidades de negócio
(ANDREOLLI, 2002).
Para Dias (2008), o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é a expressão utili-
zada para denominar a gestão empresarial que se orienta para evitar, na medida
do possível, problemas para o meio ambiente, cujo objetivo é obter um desen-
volvimento sustentável. O SGA pode ser entendido, segundo Dias (2008), como:
“(...)conjunto de responsabilidades organizacionais, procedimentos, pro-
cessos e meios que se adotam para implantação de uma política ambiental em
determinada empresa ou unidade produtiva” (DIAS, 2008, p. 91).
“(...)método empregado para levar uma organização a atingir e manter-se em
funcionamento de acordo com as normas estabelecidas, bem como para alcan-
çar os objetivos de sua política ambiental” (DIAS, 2008, p. 91).

Gestão Ambiental
I

O SGA está vinculado às normas elaboradas pelas instituições públicas


(prefeituras, governos estaduais e federais) sobre o meio ambiente, as quais são
responsáveis por estabelecerem limites aceitáveis de todos os atos que tenham
potencial poluidor, por exemplo, a emissão de substâncias tóxicas, alocação de
resíduos, despejo de substâncias em rios e mananciais etc. Atualmente, a base
da política ambiental de muitas empresas tem sido a “reativa“, ou seja, a de criar
estratégias para reagir ao surgimento de problemas, predominando os métodos
corretivos para a solução de problemas ambientais, buscando eliminar ou redu-
zir os impactos gerados.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Uma política proativa está baseada num planejamento prévio dos possíveis
efeitos ambientais e numa atuação antecipada para evitar os impactos ambien-
tais, reestruturando os produtos e processos envolvidos. A política proativa está
ligada à aplicação de métodos preventivos que estudam a eliminação dos impac-
tos na origem, buscando as causas (DIAS, 2008).
O SGA não deve estar ligado somente à aplicação de técnicas corretivas, como
reciclagem, armazenamento de resíduos, filtragem de emissões etc. É necessário
que essas sejam substituídas por políticas preventivas, atuando sobre a origem do
problema. Nesse contexto, precisamos refletir sobre a importância dos profissio-
nais envolvidos no processo, de forma que esses estejam aptos a tomar decisões
sábias e viáveis sobre a questão ambiental dentro das organizações.
O SGA pode ser aplicado dentro de qualquer empresa, que possua qual-
quer tamanho e setor. No entanto, as pequenas empresas têm dificuldades de
implementar o SGA, por ter de disponibilizar parte de seus recursos humanos
e financeiros para tal. A implantação e certificação do sistema ainda prevê um
custo apreciável.
Quando uma pequena empresa se encontra vinculada a grandes clientes que
exigem de seus fornecedores um SGA, ou são empresas voltadas para exporta-
ção, a implantação desse sistema pode ser necessária e imprescindível para a
continuidade dos negócios. Nesse caso, a decisão de implantação do SGA deve
ser baseada nas vantagens e desvantagens da adoção. O que não deve ser despre-
zado é o fato de que a cada dia torna-se maior a exigência de adoção de sistemas
de gestão sustentáveis, por parte dos consumidores, de instituições públicas e
do mercado internacional.

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


55

A implantação do SGA é uma vantagem competitiva para a empresa que


pode melhorar sua imagem no mercado, o que se torna cada dia mais impor-
tante pelo aumento da consciência ambiental e das exigências dos consumidores.
Hoje, uma empresa agropecuária, por exemplo, de grande ou pequeno porte,
que ignore a importância que o controle dos impactos ambientais e suas ativi-
dades podem causar ao meio ambiente, está determinando os limites de sua
existência e, ao mesmo tempo, está perdendo a possibilidade de gerar uma van-
tagem competitiva para assegurar um lugar de sucesso no mercado em que atua
(MARIUZZO, 2012).
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Dessa forma, podemos dizer que o SGA pode ser entendido como a sistema-
tização da gestão ambiental adotada por uma organização determinada.
A gestão deve providenciar os meios humanos, tecnológicos e financeiros
para a implementação e controle do sistema. O responsável pela gestão ambien-
tal deverá garantir que o SGA seja estabelecido, documentado, implementado e
mantido de acordo com o descrito nas normas ISO 14000 (KRAEMER, 2009).
A autora resume as etapas de um SGA (Figura 5) da seguinte forma:
1. Política Ambiental – É a posição adotada por uma organização refe-
rente ao ambiente, ou seja, é o ponto de partida para a implementação
e aprimoramento do SGA de uma organização, permitindo a expressão
de suas intenções a respeito do tratamento das questões ambientais que
lhe digam, ou possam lhe dizer, respeito. A política deve refletir o com-
prometimento, do nível hierárquico mais alto da organização, de estar
em conformidade com requisitos legais aplicáveis e outros requisitos,
com a prevenção de poluição e com a melhoria contínua do desempe-
nho ambiental. A elaboração e definição dessa política é o primeiro passo
na implementação de um SGA, traduzindo-se numa espécie de compro-
metimento da organização para com as questões do ambiente, buscando
uma melhoria contínua dos aspectos ambientais.
2. Planejamento – Busca-se identificar aspectos ambientais e avaliar o
impacto de cada um no meio ambiente; a organização deve estabele-
cer e manter procedimentos para identificar os aspectos ambientais que
controla e sobre os quais exerce alguma influência, devendo igualmente
garantir que os impactos por eles provocados estão considerados no esta-
belecimento da sua política ambiental.

Gestão Ambiental
I

3. Implementação - Regras, responsabilidades e autoridades devem estar


definidas, documentadas e comunicadas a todos, de modo a garantir
sua aplicação.
4. Verificação e ações corretivas – A organização deve definir, estabelecer e
manter procedimentos de controle e medida das características-chave dos
seus processos que possam ter impacto sobre o ambiente; assim, também,
a responsabilidade pela análise de não conformidades e implementação
de ações corretivas e preventivas deve estar devidamente documentada,
bem como todas as alterações daí resultantes; todos os registros ambien-
tais, incluindo os relacionados às formações e auditorias, devem estar

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identificáveis e acessíveis.
5. Revisão - Cabe à direção, com uma frequência definida por ela própria,
rever o SGA e avaliar a adequabilidade e eficácia dele, num processo que
deverá ser devidamente documentado.

O SGA vem ao encontro da necessidade das empresas de adotarem práticas


gerenciais adequadas às exigências do mercado, universalizando os princípios e
procedimentos que permitirão uma expressão consistente de qualidade ambien-
tal (ANDREOLI, 2002).

Figura 5: Representação do Sistema de Gestão Ambiental, segundo a ISO 14001


Fonte: <http://scribd.com/doc/2260618/Apontams-gestaoambiental> (2008).

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


57

Com o SGA, propõe-se equacionar a complexa relação das organizações com o


meio ambiente e com a regulamentação, legal ou técnica, aplicável. Organizações
de todos os tipos estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar seu
desempenho ambiental, sua conduta ambiental correta. Isso tem sido feito com
a prevenção, redução e controle dos impactos ambientais de suas atividades, pro-
dutos e serviços. Por que estão agindo assim? Porque:
■■ a legislação está cada vez mais complexa e exigente;
■■ há políticas de desenvolvimento e outras medidas visando adotar a pro-
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teção ao meio ambiente;


■■ é crescente a preocupação expressa pelos clientes, fornecedores, comuni-
dades, acionistas, entre outros indivíduos ou grupos, também chamados
de partes interessadas, em relação às questões ambientais e ao desenvol-
vimento sustentável (FIESP, 2007).

Todas essas razões levam as organizações à necessidade de planejar ações sis-


temáticas que, muitas vezes, precisam apoiar-se numa Política Ambiental e em
objetivos ambientais, ambos estabelecidos pelas próprias organizações, diante
dos impactos ambientais que causam ou possam causar, e adequados ao tipo
de atividade, estrutura, ao porte e aos recursos materiais e humanos (Figura 6)
(FIESP, 2007).

Figura 6: O SGA propõe-se a equacionar a complexa relação das organizações com o meio ambiente e
com a regulamentação, legal ou técnica, aplicável.
Fonte: adaptada de Sindicel (2006).

Gestão Ambiental
I

Um exemplo: o SGA desenvolvido pela Fiat Automóveis

A empresa possui vários projetos com o objetivo de reduzir os impactos ambientais.


Para tanto, conta com um SGA que abrange esse objetivo, tanto nos processos
quanto nos produtos. O modelo adotado pela Fiat é baseado no controle sistemá-
tico de todo o desperdício e na prevenção dos impactos ambientais que possam
ocorrer sobre o meio ambiente.
O SGA tem como foco três pontos principais: a busca de níveis mais ele-
vados de segurança na gestão dos processos, dos produtos e da estocagem de
matérias-primas, a conscientização das pessoas e a formação e informação de

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
todos os níveis organizacionais.
A Fiat foi a primeira indústria brasileira a conseguir a certificação ISO 14001
em 1997. A implantação do SGA e a elaboração da política ambiental consoli-
daram as diretrizes e ações da empresa na área.

A FORMULAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL ATUAL


59

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As conferências mundiais apresentam um papel fundamental na orientação do


trabalho das Nações Unidas, pois mobilizam os governos nacionais e as autar-
quias, bem como as organizações não governamentais (ONG), para tomarem
medidas sobre um problema mundial importante, estabelecer normas e diretri-
zes internacionais para as políticas nacionais, servir de fórum no qual podem
ser debatidas novas propostas e procurados novos consensos, desencadear um
processo de acordo com o qual os governos assumam compromissos e passem a
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

informar regularmente as Nações Unidas da evolução da situação nesses domínios.


Com essas informações, a sociedade então se conscientiza da necessidade de
preservar o meio ambiente, a opinião pública começa a pressionar a indústria ou
empresa a procurar formas alternativas de desenvolver suas atividades econômi-
cas de maneira mais racional. A partir do momento em que a indústria coloca
no mercado um produto que mostra a preocupação com a preservação do meio
ambiente, ela, juntamente com seu produto, passa a se tornar uma referência.
A adoção da gestão ambiental abordada como ferramenta de uma política
ambiental eficiente é fundamental para a adequação de uma empresa dentro das
normas ambientais. Seja qual for o segmento ou atividade, a gestão ambiental
faz parte do processo de produção sustentável, tão enfatizado, amplamente dis-
cutido e muito requisitado, sobretudo como meio de agregar valor ao produto
como de instrumento de promoção empresarial.
O fato é que gestão ambiental, desenvolvimento sustentável e responsabili-
dade social estão, sem exceção, interligados e atuando conjuntamente, pois não
é possível administrar as questões ambientais sem pensar em produzir de forma
sustentável a garantia da qualidade de vida humana.
Entender o funcionamento da gestão ambiental é primordial para a forma-
ção da consciência ambiental e de novas atitudes responsáveis e comprometidas
com o futuro da nossa e de outras espécies. Afinal, qual é o mundo que quere-
mos para nós e para os nossos filhos?

Considerações Finais
1. A maior parte das teorias sobre o meio ambiente admite que o ser humano é
parte integrante do ambiente no qual habita. Nesse sentido, defina:
a. meio ambiente;
b. ecologia;
c. ecossistema.
2. O termo gestão ambiental pode ser definido de várias maneiras, segundo di-
ferentes autores, mas algumas práticas e conhecimentos são ferramentas que
devem ser visadas por essa forma de gestão. Cite tais práticas e exemplifique os
conhecimentos que podem ser associados à gestão ambiental.
3. O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é a expressão utilizada para denominar a
gestão empresarial que se orienta para evitar, na medida do possível, problemas
para o meio ambiente, cujo objetivo é obter um desenvolvimento sustentável.
Dessa forma, explique como o SGA pode se tornar uma ferramenta de competi-
tividade para uma organização.
61

Reconhecendo que os países desenvolvidos são os principais responsáveis pelos atuais


níveis elevados de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera, como resulta-
do de mais de 150 anos de atividade industrial, o protocolo impõe uma grande tarefa às
nações desenvolvidas sob o princípio de “Responsabilidades comuns, porém diferencia-
das”. Dessa forma, os países desenvolvidos que ratificaram o tratado têm o compromisso
de diminuir suas emissões de GEE numa média de 5,2% em relação aos níveis que emi-
tiam em 1990 e têm um prazo final para cumprir a meta: entre 2008 e 2012.
Já os países do não Anexo I não têm metas obrigatórias, mas devem auxiliar na redução
de emissão desses gases por meio de ações nacionais e também de projetos previstos
no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
O Protocolo de Kyoto é visto como um primeiro passo importante para um regime glo-
bal de redução de emissões. No entanto, é preciso avançar e é justamente nesse sentido
que as negociações da COP 16 e da 6ª Reunião das Partes do Protocolo de Kyoto devem
definir quais serão as metas para os países do chamado Anexo I, ao longo do segundo
período de compromisso do documento, que vai de 2013 a 2017.
Alguns até podem pensar que o tratado vai acabar ou será substituído, mas cabe escla-
recer que, no mandato da Convenção-Quadro, isso não está em discussão, apesar de
haver tentativas, por parte de alguns países, em acabar com o Protocolo.
Fonte: GOVERNO FEDERAL, Portal Brasil. MEIO AMBIENTE: Saiba mais sobre o Protocolo
de Quioto. Brasília, DF, 2010. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/meio-ambien-
te/2010/11/protocolo-de-quioto>. Acesso em: 22 abr. 2015.
Professora Dra. Cláudia Fabiane Meneguetti
Professora Dra. Edneia Aparecida de Souza Paccola

II
Professora Dra. Francielli Gasparotto

SUSTENTABILIDADE E

UNIDADE
RESPONSABILIDADE SOCIAL

Objetivos de Aprendizagem
■■ Apresentar uma abordagem genérica e sistematizada sobre a
sustentabilidade e a responsabilidade social.
■■ Compreender o tema tratado e ampliar a sua visão sobre a
sustentabilidade.
■■ Mensurar a importância e os benefícios dos assuntos para o
momento atual e futuro.
■■ Incentivar a formulação de conceitos e argumentos próprios que
contribuam com a sua formação.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Sustentabilidade
■■ A Sustentabilidade Empresarial
■■ Economia Verde
■■ Os Papéis na Busca da Sustentabilidade
■■ Responsabilidade Social
■■ Certificações e Normativas de Responsabilidade Social e Gestão
Ambiental
65

INTRODUÇÃO

O meio ambiente provê a nós, seres humanos, todos os elementos necessários


para a nossa sobrevivência e evolução, como a água, o solo, o ar, entre outros.
Infelizmente, o meio ambiente se transformou, para muitos, em negócio lucra-
tivo, cujo foco não se trata exclusivamente de preservação, mas de exploração
do tema da moda, que é a sustentabilidade. Muitas empresas têm se aproveitado
da situação para embarcar na “onda verde” e acabam aderindo ao Greenwashing,
ou mascarando seus produtos para vender mais, por um preço maior.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A sustentabilidade deve ser encarada seriamente por todos. Depois de termos


avançado e sermos reconhecidos como um país que caminha para a sustenta-
bilidade, precisamos crescer muito mais em mudanças de comportamento e
atitudes. Devemos entender que há leis para serem seguidas, as quais são ferra-
mentas para assegurar maior qualidade de vida a todos.
Falar de gestão sustentável e responsabilidade socioambiental é fácil, difícil é
fazer isso funcionar na prática, porém essa realidade tende a mudar. Hoje, esta-
mos formando gestores comprometidos e informados, quanto à importância da
adesão da gestão ambientalmente responsável para as organizações.
Nesta segunda unidade, iremos abordar a sustentabilidade em suas diferen-
tes dimensões e os papéis do governo, da sociedade e das empresas em busca
da sustentabilidade. Hoje, as empresas estão sendo cobradas pela sociedade e
governo, fazendo com que a economia verde e os índices de sustentabilidade
venham tomando destaque em todo o planeta.
Há vários exemplos, que podem ser citados dentro do nosso país, de orga-
nizações engajadas em responsabilidade ambiental e social que estão colhendo
os bons frutos de tais ações. Para isso continuar a acontecer, muito depende da
sociedade e de conhecimento. Por isso, busque sempre o caminho da informa-
ção, visto que ele é o sentido mais seguro para organizações sólidas, para gestores
de sucesso e para um mundo mais sustentável.

Introdução
II

SUSTENTABILIDADE

Desde Estocolmo, em 1972, as questões ambientais vinham tomando um cunho


mais sério e várias ações vinham sendo tomadas em prol de medidas que tivessem
o intuito de preservar recursos naturais e reduzir impactos sobre o meio ambiente.
Com as transformações pelas quais o mundo vinha passando, sentia-se a
necessidade de uma expressão que pudesse representar a intenção e o propó-
sito que as nações deveriam seguir para aliar o desenvolvimento e as questões
ambientais.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continui-
dade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da so-
ciedade humana. Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização
e atividade humanas, de tal forma que a sociedade, os seus membros e
as suas economias possam preencher as suas necessidades e expressar
o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a bio-
diversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a
atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais (ABRIL,
online).

Para muitos, a relação de desenvolvimento com meio ambiente ainda trazia


muitas incertezas quanto à estagnação do crescimento do país. As iniciativas
ecológicas poderiam reduzir a lucratividade dos negócios.
O Relatório Brundtland intitulado Nosso Futuro Comum tranquilizou
os economistas, mas não descartou a ideia de que mudanças seriam
necessárias. Em 1987, o documento Nosso Futuro Comum (Our Com-
mon Future) ou Relatório Brundtland, apresentou um novo olhar so-
bre o desenvolvimento, agora chamado de desenvolvimento sustentável
e definido como: “processo que satisfaz as necessidades presentes, sem
comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias
necessidades”. A partir de então, o conceito de desenvolvimento susten-
tável passa a ficar conhecido.

O Relatório Brundtlandt é resultado do trabalho da Comissão Mundial


sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, presidida por Gro
Harlem Brundtlandt e Mansour Khalid. A comissão foi criada em 1983,
após uma avaliação dos dez anos da Conferência de Estocolmo, com
o objetivo de promover audiências em todo o mundo e produzir um
resultado formal das discussões. O documento foi publicado após três
anos de audiências com líderes de governo e o público em geral, ouvi-

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


67

dos em todo o mundo sobre questões relacionadas ao meio ambiente


e ao desenvolvimento. Foram realizadas reuniões públicas tanto em
regiões desenvolvidas quanto nas em desenvolvimento, e o processo
possibilitou que diferentes grupos expressassem seus pontos de vista
em questões como agricultura, silvicultura, água, energia, transferência
de tecnologias e desenvolvimento sustentável em geral.

O documento aponta para a incompatibilidade entre desenvolvimen-


to sustentável e os padrões de produção e consumo, trazendo à tona
mais uma vez a necessidade de uma nova relação “ser humano-meio
ambiente”. Ao mesmo tempo, esse modelo não sugere a estagnação do
crescimento econômico, mas sim essa conciliação com as questões am-
bientais e sociais.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Enfatizou ainda problemas ambientais, como o aquecimento global e a


destruição da camada de ozônio (conceitos novos para a época). Apre-
sentou uma lista de ações a serem tomadas pelos Estados e também
definia metas a serem realizadas no nível internacional, tendo como
agentes as diversas instituições multilaterais.

(MUDANÇAS CLIMÁTICAS, online)

Aspásia Camargo faz um retrospecto


sobre os dez anos que se passaram entre
a Conferência do Rio e a da África do Sul
e destaca que muitas foram as frustrações
quanto às perspectivas positivas da Rio-92,
mas o que avançou foi o reconhecimento do
desenvolvimento sustentável como uma pos-
sível e aceitável solução para os problemas
ambientais e sociais enfrentados pelo mundo
(CAMARGO, 2004 apud BARBOSA, 2008).
Para Canepa, 2007 (apud BARBOSA,
2008), o termo desenvolvimento sustentável
não está relacionado a um estado de harmo-
nia, mas as mudanças que devem contemplar
a exploração dos recursos, o gerenciamento
©GalynaAndrushko
de investimento tecnológico e as mudanças
institucionais que devem contemplar tanto o
futuro quanto o presente.

Sustentabilidade
II

O desenvolvimento sustentável é um processo de aprendizagem social de


longo prazo que, por sua vez, é direcionado por políticas públicas orientadas por
um plano de desenvolvimento nacional. Assim, a pluralidade de atores sociais
e interesses presentes na sociedade colocam-se como um entrave para as políti-
cas públicas referentes ao desenvolvimento sustentável (BEZERRA; BURSZTYN,
2000 apud BARBOSA, 2008).
O desenvolvimento sustentável introduz uma dimensão ética e política que
considera o desenvolvimento como um processo de mudança social, com demo-
cratização do acesso aos recursos naturais e distribuição equitativa dos custos e

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
benefícios do novo desenvolvimento.
O desenvolvimento da tecnologia deverá ser orientado para metas de equi-
líbrio com a natureza e incremento da capacidade de inovação dos países em
desenvolvimento. O progresso será entendido como fruto de maior riqueza, maior
benefício social equitativo e equilíbrio ecológico (KRAEMER, 2009).
Nesse sentido, o conceito de sustentabilidade surge como derivado do con-
ceito de desenvolvimento sustentável. Então, a sustentabilidade pode ser entendida
como a capacidade de satisfazer as necessidades do presente sem se comprome-
ter com os interesses das gerações futuras, a fim de corresponder às suas próprias
necessidades.
Como relatado por Curi (2011), o Relatório Brundtland firmou um com-
promisso entre gerações.
Sachs (apud CAMPOS, 2001) apresenta cinco dimensões do que se pode
chamar desenvolvimento sustentável (Figura 7).

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


69
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 7: Dimensões da sustentabilidade


Fonte: Sachs (apud CAMPOS, 2001).

Para entender melhor:


- A sustentabilidade social – se entende como a criação de um processo de
desenvolvimento sustentado por uma civilização com maior equidade na dis-
tribuição de renda e bens, de modo a reduzir o abismo entre os padrões de vida
dos ricos e dos pobres.
- A sustentabilidade econômica – deve ser alcançada por intermédio do
gerenciamento e alocação mais eficientes dos recursos e de um fluxo constante
de investimentos públicos e privados.
- A sustentabilidade ecológica – pode ser alcançada por meio do aumento
da capacidade de utilização dos recursos; limitação do consumo de combustí-
veis fósseis e outros recursos e produtos que são facilmente esgotáveis; redução
da geração de resíduos e de poluição, por meio da conservação de energia, recur-
sos e da reciclagem.
- A sustentabilidade espacial – deve ser dirigida para a obtenção de uma
configuração rural-urbana mais equilibrada e melhor distribuição territorial dos
assentamentos humanos e das atividades econômicas.
- A sustentabilidade cultural – incluindo a procura por raízes endógenas
de processos de modernização e sistemas agrícolas integrados, que facilitem a
geração de soluções específicas para o local, o ecossistema, a cultura e a área.
Para Robles Jr. e Bonelli (2006), durante muito tempo, a sociedade conce-
deu mais importância ao crescimento econômico do que à saúde e à qualidade
de vida. Os custos desse comportamento agora têm de ser assumidos pela socie-
dade atual, de forma a não prejudicar ainda mais o futuro das próximas gerações.

Sustentabilidade
II

Assim sendo, a gestão ambiental atua como instrumento regulador para a


prática do desenvolvimento sustentável, por meio da adoção de medidas preven-
tivas e mitigadoras do controle da poluição ambiental. De acordo com Maglio
(2014), o foco central da gestão ambiental passou a ser a promoção da sustenta-
bilidade em suas três dimensões: econômica, social e ambiental.
Conforme alerta Curi (2011), não devemos confundir sustentabilidade com
gestão ambiental.
A sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável aparece no nível
macro, integrando dimensões econômicas, sociais e ambientais. A

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
gestão ambiental é mais específica, pois só determina a forma como
a empresa se relaciona com o meio ambiente. Decisões relativas à ad-
ministração dos recursos naturais e à avaliação dos impactos ecológi-
cos são da alçada da gestão ambiental. Já a sustentabilidade resulta de
um olhar mais amplo, pois não engloba apenas questões ambientais.
(CURI, 2011, p. 62).

Para John Elkington, só faz sentido pensarmos em desenvolvimento sustentá-


vel se considerarmos os aspectos econômicos, sociais e ambientais, ou seja, lucro,
sociedade ou pessoas, e planeta ou meio ambiente. Ele propôs o Triple Bottom
Line (Figura 8), ou tripé da sustentabilidade.

Figura 8: Triple bottom line proposto por John Elkington


Fonte: ELKINGTON (2011).

Os três aspectos do Triple Bottom Line que se relacionam são os seguintes: ser eco-
nomicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto. Assim, não é
possível alcançar o desenvolvimento sustentável sem considerar que dependemos

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


71

da exploração dos recursos naturais para a nossa sobrevivência. Se não tomarmos


medidas de conservação e redução de impactos, tão logo sentiremos as consequ-
ências desse modo degradatório de exploração. Como consequência dos nossos
atos, a saúde e a qualidade de vida são alteradas, todavia, os mecanismos para
conciliar os aspectos sociais e ambientais só serão seriamente considerados se
forem viáveis ou se promoverem resultados financeiros interessantes.
A visão antropocêntrica de mundo faz com que o crescimento econômico
muitas vezes seja visto como a solução para todos os problemas. No entanto, a
economia está interligada aos demais subsistemas e é dependente da biosfera
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

finita. Portanto, todo o crescimento econômico afeta o meio ambiente e é por


ele afetado, já que economia e meio ambiente são partes de um sistema único e
interagem entre si (PENNA, 1999, p. 127-129 apud GOMES, 2011).

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Na busca do desenvolvimento sustentável, a grande questão é que a demanda


de recursos é cada vez maior, mas esses são finitos. Nesse sentido, Penna (1999,
p. 130 apud GOMES, 2011) relata:
Grande parte das questões ambientais e sociais baseiam-se no equilí-
brio abastecimento versus demanda. Embora não se sabia com precisão
os seus limites, o abastecimento (de qualquer coisa) é seguramente li-
mitado, enquanto a demanda pode ser ilimitada. Não há limites intrín-
secos à demanda dos seres humanos.

O desenvolvimento sustentável apre-


senta-se como um projeto destinado
a erradicar a pobreza, satisfazer as
necessidades básicas, melhorar a
qualidade de vida da população e
promover a conservação ambien-
tal. Constitui-se num projeto social
e político que aponta para o ordena-
mento ecológico e a descentralização
©Ruslan Ivantsov

Sustentabilidade
II

territorial da produção, assim como para a diversificação dos tipos de desenvol-


vimento e dos modos de vida das populações que habitam o planeta (LEFF, 2001
apud MENEGUZZO et al., 2009).
Romeiro (2003) comenta que é necessário criar condições socioeconômicas,
institucionais e culturais que estimulem não apenas um rápido crescimento tec-
nológico, poupador de recursos naturais, mas também uma alteração no sentido
dos padrões de consumo que não acarretem o crescimento contínuo e ilimitado
do uso de recursos naturais per capita. Para o autor supracitado, a estabilização
dos níveis de consumo per capita pressupõe uma mudança de atitude, de valo-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
res, que contraria a lógica prevalecente, a da acumulação de capital.
Brügger (2004 apud MENEGUZZO et al., 2009) argumenta que o conceito
de desenvolvimento sustentável comumente apresentado na literatura possui
consonância com a ideologia vigente do sistema capitalista. Depreende-se, por-
tanto, que ele não atinge a “raiz” do problema, ou seja, não provoca mudanças
na estrutura produtiva, nem na qualidade de vida das pessoas.
Montibeller Filho (2007 apud MENEGUEZZO et al., 2009) indica que o
desenvolvimento sustentável tem sido efetivado em atividades empresariais
apenas no sentido de buscar a sustentabilidade do ambiente físico, não con-
templando, portanto, as outras dimensões (cultural, educacional e política, por
exemplo) que constituem sua razão de ser.
O crescimento global é o grande desafio para se construir um desenvolvimento
sustentável que valorize os recursos naturais e humanos, visando a melhoria da
qualidade e à edificação de uma sociedade sustentável capaz de superar os pro-
blemas atuais e utilizar as potencialidades existentes no país. É preciso solução
para uma série de problemas, além de estabelecer mudanças, como exemplifica
Mininni-Medina (2001 apud ARAÚJO, 2006):
■■ Agricultura sustentável: transformações no modelo de desenvolvimento e
nas políticas de ocupação do solo, de produção, de novos modelos e prio-
ridades para comercialização, investimentos em crédito rural.
■■ Sustentabilidade nas cidades: transformar os espaços urbanos em luga-
res adequados para o desenvolvimento das atividades humanas, com boas
condições de moradia, transporte, lazer, entre muitas outras.

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


73

■■ Infraestrutura sustentável: transformar a matriz energética brasileira


eficiente e não desperdiçadora, investir também na aplicação de novos
recursos e tecnologias para a geração de energias limpas e alternativas.
■■ Redução de desigualdades: diminuição da pobreza extrema, acesso
aos recursos (inclusão social), diminuição do consumo desenfreado das
camadas privilegiadas são as condições básicas para a construção de um
desenvolvimento sustentável.
■■ Ciência e tecnologia: o desenvolvimento sustentável econômico, social
e ambiental exige fortes investimentos na ciência e na tecnologia, para
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tanto, necessita-se de mais investimento em educação e pesquisa.

O mundo tem mudado profundamente desde 2000, quando a Declaração


do Milênio e os ODM foram adotados. Em particular, quatro mudanças farão
o período seguinte, entre 2015 e 2030, diferente do período que se encerra
em 2015: a viabilidade de acabar com a pobreza extrema em todas as suas
formas; um impacto humano  drasticamente maior na Terra física; rápidas
mudanças tecnológicas; crescente desigualdade; e uma crescente difusão e
complexidade de governança.
Parte extraída do documento da ONU sobre a agenda para o desenvolvi-
mento sustentável, disponível em:
<http://unsdsn.org/wp-content/uploads/2014/02/130619-Uma-Agenda-
-de-A%C3%A7%C3%A3o-Para-o-Desenvolvimento-Sustent%C3%A1vel-
-US-LETTER.pdf>
CONSELHO DE LIDERANÇA DA REDE DE SOLUÇÕES PARA O DESENVOLVI-
MENTO SUSTENTÁVEL. Resumo Executivo. In: ______. Uma Agenda De Ação
para o Desenvolvimento Sustentável. Amazônia: SDSN, Rede de Soluções
para o Desenvolvimento Sustentável, 2013. Disponível em: <http://unsdsn.
org/wp-content/uploads/2014/02/130619-Uma-Agenda-de-A%C3%A7%-
C3%A3o-Para-o-Desenvolvimento-Sustent%C3%A1vel-US-LETTER.pdf>.
Acesso em: 05 maio 2015.

Sustentabilidade
II

A SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL

“Espera-se que as empresas deixem de ser problema e passem a fazer parte


das soluções!” (BARBIERI, 2007).
As exigências relacionadas às questões ambientais e às soluções pertinentes vêm
exigindo uma nova postura dos empresários e administradores, inclusive daqueles
que atuam no agronegócio. Estes devem considerar o meio ambiente no âmbito de
suas decisões e rever concepções administrativas e tecnológicas (BARBIERI, 2007).
Considerando que vivemos num mundo cujo foco, independente do sistema

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
de governo empregado vigente no país, é a geração de lucros, as pressões sociais e
restrições impostas fazem com que as empresas sejam forçadas a buscarem formas
de reduzir seu impacto ambiental e a melhorarem sua imagem frente a respon-
sabilidade social. Nesse sentido, muito tem sido feito para a sustentabilidade do
setor produtivo (CORAL, 2002).
As organizações sustentáveis devem modificar seus processos produtivos,
quando for necessário, para que possam contribuir para a sustentabilidade, a fim
de se tornarem ecologicamente sustentáveis. Isso implica em construir sistemas
de produção que não causem impactos negativos, mesmo que estejam contri-
buindo para a recuperação de áreas degradadas ou oferecendo produtos e serviços
que contribuam para a melhoria do desempenho ambiental dos consumidores
e clientes de uma indústria (CORAL, 2002). A autora apresenta um modelo de
sustentabilidade a ser aplicado pelas empresas (Figura 9).
Araújo et al. (2006) ressaltam que dentro dos princípios de sustentabilidade
não se pode separar as questões sociais das ambientais. Por isso, quando uma
organização é ecologicamente sustentável, ela também estará atuando de forma
socialmente responsável, de forma a atender os interesses de todos os stakehol-
ders que afetam ou são afetados por suas atividades.
Ainda de acordo com Araújo et al. (2006), é importante ressaltar que, se uma
empresa investe em ações ambientais, tão somente ela possui uma boa gestão
ambiental; se uma empresa está voltada para o social, gestão social; e se mes-
cla ações voltadas para o meio ambiente e para o social, apresenta uma gestão
socioambiental. Para ser considerada sustentabilidade empresarial, é necessário
apresentar ações voltadas para as três dimensões básicas.

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


75
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 9: Modelo de sustentabilidade empresarial sugerido por Coral


Fonte: Coral (2002, p. 129).

As preocupações dos empresários são constituídas por três tipos de forças que
interagem entre si: o governo, a sociedade e o mercado (Figura 10). Sem pressões
impostas pela sociedade e imposições governamentais, não teríamos o envolvi-
mento das empresas com as questões ambientais.

Figura 10: Gestão empresarial – influências


Fonte: Barbieri (2007).

A Sustentabilidade Empresarial
II

A forma como a empresa atua, em relação aos problemas ambientais decorrentes


de sua atividade, determina três diferentes abordagens como estratégia empresa-
rial: controle da poluição, prevenção da poluição e incorporação dessas questões
nas estratégias empresariais (Quadro 7) (BARBIERI, 2007).

CARACTERÍSTICAS ABORDAGENS
CONTROLE DA PREVENÇÃO DA
ESTRATÉGIAS
POLUIÇÃO POLUIÇÃO
cumprimento da

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Preocupação legislação e respos- uso eficiente de
competitividade
Básica tas às pressões da insumos
comunidade
Postura Típica reativa reativa e proativa reativa e proativa
corretivas, preven-
corretivas; uso de tivas e antecipató-
tecnologias de rias; antecipação
corretivas e preven-
remediação e de dos problemas e
tivas; conservação
controle no final do captura de oportu-
Ações Típicas e substituição de
processo (end-of- nidades utilizando
insumos; uso de
-pipe); aplicação de soluções de médio
tecnologias limpas
normas de segu- e longo prazos;
rança uso de tecnologias
limpas
redução de custo e
Percepção dos vantagens compe-
custo adicional aumento da produ-
Empresários titivas
tividade
Envolvimento da permanente e siste-
esporádico periódico
Alta Administ. mático
atividades ambien-
crescente envolvi-
tais disseminadas
ações ambientais mento de outras
pela organização;
confinadas nas áreas (produção,
Áreas Envolvidas ampliação das
áreas geradoras de compras, desenvol-
ações ambientais
poluição vimento de produ-
para toda a cadeia
tos e marketing)
produtiva
Quadro 7- Gestão ambiental na empresa - abordagens
Fonte: Barbieri (2007).

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


77

A globalização impulsionou as empresas para se ajustarem em ações empresa-


riais comprometidas com as questões ambientais, sobretudo aquelas que estão
ligadas a mercados internacionais.
Para Andreolli (2002), as empresas transnacionais, por determinação de
seus acionistas, vêm adotando os padrões ambientais definidos em seus países
de origem, um que os modelos e normas legais são mais rigorosos. Por outro
lado, as empresas exportadoras enfrentam um novo protecionismo: a discri-
minação de produtos e serviços que não comprovem a estrita observância das
normas ambientais.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Justamente a responsabilidade ética de empresários e políticos mais


arrojados foi capaz de comprovar na prática que há vantagens em
ultrapassar essa visão unilateral do meio ambiente como um custo e
considerá-lo uma oportunidade. A iniciativa de adotar os princípios
da gestão ambiental, numa economia que se caracteriza pelo elevado
desperdício de recursos, determina um importante diferencial compe-
titivo.

Há anos a comercialização superou a produção como fator limitante


da atividade econômica; tornou-se mais difícil vender do que produzir.
A colocação de produtos no mercado globalizado exige diferenciais de
competitividade, definidos principalmente pelo preço e pela qualidade.
Devemos observar cuidadosamente que os clássicos conceitos de qua-
lidade do produto estão bastante ampliados, com um grande destaque
à qualidade ambiental. Dentro dessa perspectiva os investimentos na
sustentabilidade, além de essenciais à qualidade ambiental, podem re-
presentar um importante diferencial especialmente para exportações a
mercados altamente promissores.

O meio ambiente é um bom negócio, e não são os ecologistas visio-


nários e idealistas que fazem esta afirmação. Reduzir os custos com a
eliminação de desperdícios, desenvolver tecnologias limpas e baratas,
reciclar insumos não são apenas princípios de gestão ambiental, mas
condição de sobrevivência empresarial. (ANDREOLLI, 2002)

A Sustentabilidade Empresarial
II

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O gerenciamento ambiental passa a ser um fator estratégico que a alta admi-
nistração das organizações deve analisar. As organizações deverão incorporar
a variável ambiental no aspecto de seus cenários e na tomada de decisão, man-
tendo com isso uma postura responsável de respeito à questão ambiental.
Empresas experientes identificam resultados econômicos e estratégicos do
engajamento da organização na causa ambiental. Esses resultados não se viabilizam
de imediato, há necessidade de que sejam corretamente planejados e organiza-
dos todos os passos para a interiorização da variável ambiental na organização,
com o intuito de que ela possa atingir o conceito de excelência ambiental, tra-
zendo com isso vantagem competitiva.
De acordo com Donaire (1999), os dez passos necessários para a empresa
alcançar a excelência ambiental são:
1. Desenvolva e publique uma política ambiental.
2. Estabeleça metas e continue a avaliar os ganhos.
3. Defina claramente as responsabilidades ambientais de cada uma das áreas
e do pessoal administrativo (linha de assessoria).
4. Divulgue interna e externamente a política, os objetivos, metas e as res-
ponsabilidades.
5. Obtenha recursos adequados.

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


79

6. Eduque e treine seu pessoal e informe os consumidores e a comunidade.


7. Acompanhe a situação ambiental da empresa e faça auditorias e relatórios.
8. Acompanhe a evolução da discussão sobre a questão ambiental.
9. Contribua para os programas ambientais da comunidade e invista em
pesquisa e desenvolvimento aplicados à área ambiental.
10. Ajude a conciliar os diferentes interesses existentes entre todos os envol-
vidos: empresa, consumidores, comunidade, acionistas etc.
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Figura 11: Motivação para proteção ambiental na empresa.


Fonte: Callenbach et al. (1993, p. 26).

A Sustentabilidade Empresarial
II

Donaire (1999 apud KRAEMER, 2003) argumenta que algumas empresas têm
demonstrado que é possível ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente, mesmo
não sendo uma organização que atua no chamado ‘mercado verde’, desde que as
empresas possuam certa dose de criatividade e condições internas que possam
transformar as restrições e ameaças ambientais em “oportunidades de negócios”.
Conforme Kraemer (2003), para se entender a relação entre a empresa e
o meio ambiente, é preciso aceitar, como estabelece a teoria de sistemas, que a
empresa é um sistema aberto. Sem dúvida nenhuma, as interpretações tradi-
cionais da teoria da empresa como sistema têm incorrido em uma certa visão

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parcial dos efeitos da empresa geral e em seu entorno.
Ainda segundo a autora, a empresa é um sistema aberto, porque está for-
mada por um conjunto de elementos relacionados entre si, gera bens e serviços,
empregos, dividendos, porém consome recursos naturais escassos e gera con-
taminação e resíduos. Por isso, é necessário que a economia da empresa defina
uma visão mais ampla dela como um sistema aberto.
Para a empresa o meio ambiente que estuda ecologia constitui simples-
mente o suporte físico que fornece a empresa os recursos necessários
para desenvolver sua atividade produtiva e o receptor de resíduos que
se geram.

Alguns setores já assumiram tais compromissos com o novo modelo de


desenvolvimento, ao incorporarem nos modelos de gestão a dimensão
ambiental. A gestão de qualidade empresarial passa pela obrigatorieda-
de de que sejam implantados sistemas organizacionais e de produção
que valorizem os bens naturais, as fontes de matérias-primas, as poten-
cialidades do quadro humano criativo, as comunidades locais e devem
iniciar o novo ciclo, onde a cultura do descartável e do desperdício se-
jam coisas do passado.

Atividades de reciclagem, incentivo à diminuição do consumo, con-


trole de resíduo, capacitação permanentes dos quadros profissionais,
em diferentes níveis e escalas de conhecimento, fomento ao trabalho
em equipe e às ações criativas são desafios-chave neste novo cenário.
(KRAEMER, 2003)

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


81

Em função de pressões por ações mais transparentes, as empresas estão se vendo


obrigadas a repensar suas ações socioambientais. Para Fernando Costa, gerente de
Responsabilidade Corporativa da Cargill, a criação de uma cultura de sustentabi-
lidade nas empresas envolve a iniciativa de mostrar para os funcionários quais são
os impactos causados no dia a dia para que eles identifiquem as melhorias feitas.
Um grande desafio está na comunicação da sustentabilidade e no despertar dessa
percepção na sociedade e nos consumidores (REVISTA DISTRIBUIÇÃO, 2011).
De acordo com Émerson Cação, diretor de Marketing da BIC Brasil, a preocu-
pação da empresa vai além de o que fazer com os resíduos sólidos, estendendo-se
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às “emissões geradas por toda a cadeia de suprimentos com o objetivo de conhecer


melhor os aspectos ambientais de maneira integrada, evitando que uma suposta
solução possa gerar um problema novo” (REVISTA DISTRIBUIÇÃO, 2011).
Em 2010, a varejista norte-americana Walmart, em parceria com o Ministério
do Meio Ambiente, realizou a pesquisa “Sustentabilidade Aqui e Agora”. O levan-
tamento, executado pela Synovate, ouviu 1.100 pessoas em 11 capitais brasileiras.
O resultado mostrou que a população brasileira tem cada vez mais a percepção
de que cuidar do meio ambiente é uma iniciativa obrigatória e que não há mais
saída para o futuro do planeta, a não ser que se multipliquem as atitudes que
preservam seus recursos naturais. Para 61% dos brasileiros, o país deveria ter
leis mais rígidas em relação à sustentabilidade.

A Sustentabilidade Empresarial
Em uma pesquisa realizada pelo instituto Akatu, no ano de 2012, segundo a Revista
Exame (2013), destacaram-se como as 10 práticas de sustentabilidade empresarial que
os consumidores mais valorizam: o não ao trabalho infantil e escravo; a igualdade de
oportunidades; remuneração justa; cuidados com bem-estar; respeito ao trabalhador
terceirizado; o investimento em especialização; a preocupação com reciclagem; formar
consumidores conscientes; orientar sobre uso e descarte do produto.

Algumas considerações importantes


que merecem ser destacadas e repen-
sadas:
• Lojas ainda são canais de infor-
mação que percebem pouco e
comunicam insatisfatoriamente
sobre o tema.
• O consumidor brasileiro não
identifica produtos e serviços sus-
tentáveis no mercado, embora as-
pire a consumi-los e se disponha
a pagar mais por isso.
• É fundamental que o benefício do
valor sustentável incorporado ao
produto, à marca e ao canal seja
percebido de forma clara pelo
consumidor.
Fonte: GS&MD - Gouvêa de Souza

Fonte: Revista Distribuição (2011)


Fonte: Sustentabilidade. EXAME.COM. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/topi-
cos/sustentabilidade.> Acesso em: mar. 2015.
Parte do texto extraída de reportagem disponível em: <http://exame.abril.com.br/topi-
cos/sustentabilidade>. Acesso em: mar. 2015.
83

AS EMPRESAS MAIS SUSTENTÁVEIS DO MUNDO

Segundo a “Corporate Knights” (2015), a empresa americana de biotecnologia


Biogen Idec liderou o ranking das cem empresas mais sustentáveis do mundo
no ano de 2014. O ranking organizado pela “Corporate Knights” (Global 100
index) teve início em 2005 e leva em consideração doze parâmetros em sua ava-
liação: produtividade energética; emissões de carbono; uso da água; produção
de lixo; capacidade de inovação; tributos pagos; relação entre salários do prin-
cipal executivo e dos trabalhadores da base; fundo de pensão; desempenho de
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segurança; taxa de rotatividade dos empregados; diversidade das lideranças e a


existência de uma relação entre o pagamento dos executivos e o desempenho sus-
tentável da companhia. Apenas uma empresa brasileira ficou entre as cem mais
sustentáveis do mundo no ano de 2014, a Natura, que ocupou a 44º colocação.
O ranking com as empresas mais famosas ficou da seguinte maneira:

RANK COMPANY COUNTRY GICS INDUSTRY OVERALL SCORE

1 Biogen Idec United Scates Biotechnology 73.50%

2 Allergan United Scates Pharmaceuticals 72.80%


Textilles. Apparel
3 Adidas Germany 72.60%
& Luxury Goods
Real Estate
4 keppel Land Singapore Management & 71.30%
Development
Food & Staples
5 kesko Finland 70.00%
Retailing
Bayerische Motoren
6 Germany Automobiles 69.20%
Weske (BMW)
Housebhold
7 Reckitt Benckiser Group United Kingdom 68.80%
Products
8 Centrica United Kingdom Multi-Utilies 68.50%
Electrical Equip-
9 Schineider Eletric France 68.40%
ment
10 Danske Bank Denmark Banks 68.40%
Fonte: Corporate Knights (2015)

A Sustentabilidade Empresarial
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INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE

Como indicadores de sustentabilidade podemos ter aqueles que medem, por


exemplo, o Índice de Desenvolvimento Sustentável (IDS) de um país, como é o
caso do levantamento elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) ou indicadores que medem o Índice de Sustentabilidade de uma Empresa
(ISE), como o desenvolvido pela Dow Jones ou pela Bovespa.

IDS
Os IDS são instrumentos essenciais para guiar a ação e subsidiar o acompanha-
mento e a avaliação do progresso alcançado por um país rumo ao desenvolvimento
sustentável. Têm a função de identificar variações, comportamentos, processos e
tendências; estabelecer comparações entre países e entre regiões dentro do Brasil;
indicar necessidades e prioridades para a formulação, monitoramento e avalia-
ção de políticas, enfim, por sua capacidade de síntese são capazes de facilitar o
entendimento ao crescente público envolvido com o tema.
Os indicadores de sustentabilidade desenvolvidos pelo IBGE compreendem
um conjunto de informações sobre a realidade brasileira, em suas dimensões
ambiental, social, econômica e institucional.

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


85

O trabalho de construção de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável


do Brasil é inspirado no movimento internacional liderado pela Comissão para
o Desenvolvimento Sustentável (CDS), das Nações Unidas (Commission on
Sustainable Development - CSD), que reuniu ao longo da década passada governos
nacionais, instituições acadêmicas, organizações não governamentais, organiza-
ções do sistema das Nações Unidas e especialistas de todo o mundo.

ISE
Os índices de sustentabilidade fornecem marcas de nível objetivas para os pro-
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dutos financeiros que são ligados aos critérios econômicos, ambientais e sociais.
Oferecem uma linha de base do desempenho como uma marca de nível e uni-
verso do investimento para o número crescente de fundos mútuos, de certificados
e outros veículos de investimento que são baseados no conceito de sustentabi-
lidade (KRAEMER, 2003).
O Índice Dow Jones de Sustentabilidade reflete a lucratividade das ações
das 312 empresas com melhor desempenho socioambiental, dentre as aproxi-
madamente três mil que compõem o Índice Dow Jones Geral, principal índice
bolsista do mundo.
Hoje, a principal ferramenta de escolha de ações de empresas com respon-
sabilidade social e ambiental é o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI
- Dow Jones Sustainability Group Index). O DJSI foi lançado em setembro de
1999, pela Dow Jones e a Sustainable Asset Management (SAM), gestora de recur-
sos da Suíça especializada em empresas comprometidas com a responsabilidade
social e ambiental (KRAEMER, 2003).
Ainda segundo a autora, as empresas que integram a lista do DJSI podem
render vários benefícios:
■■ reconhecimento público da preocupação com a área ambiental e social;
■■ reconhecimento dos stakeholders importantes, tais como legisladores,
clientes e empregados;
■■ benefício financeiro crescente pelos investimentos baseados no índice;
■■ os resultados altamente visíveis, internos e externos à companhia, como
todos os componentes são anunciados publicamente pelo Boletim do

A Sustentabilidade Empresarial
II

Índice e as companhias são intituladas a usar “membro da etiqueta ofi-


cial de DJSI”.

A Bovespa, em conjunto com várias instituições, quais sejam ABRAPP, ANBID,


APIMEC, IBGC, IFC, Instituto ETHOS, MMA e PNUMA, criou, em 30 de
novembro de 2005, um índice que foi referência de investimentos socialmente res-
ponsáveis no Brasil, o ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial (BOVESPA,
2008).
“O ISE tem por objetivo refletir o retorno de uma carteira composta por
ações de empresas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade

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social e a sustentabilidade empresarial e também atuar como promotor das boas
práticas no meio empresarial brasileiro” (BM&F BOVESPA, 2014).
A missão do índice de sustentabilidade da Bovespa é:

• Ser composto por empresas que se destacam em responsabilidade


social, com sustentabilidade no longo prazo.

• Ser um referencial do desempenho das ações desse tipo de empresa.

• Ser percebido como tal pelo mercado (credibilidade).

• Ser replicável.

• Estimular boas práticas por parte das demais empresas (BM&F BO-
VESPA, 2014)

É pré-requisito para participação no ISE a ação ser uma das 200 mais negocia-
das da Bolsa e ter sido negociada em pelo menos 50% dos pregões no período
de vigência das três carteiras anteriores, atender aos critérios de sustentabilidade
e não ser classificada como “Penny Stock” (BM&F BOVESPA, 2014).
A seleção das empresas para compor o índice teve início em 2005 e é refeita
anualmente por meio do envio às empresas pré-selecionadas (200 ações mais
líquidas) de questionário de avaliação. O questionário tem sido aperfeiçoado a
cada ano e é bem abrangente, considerando a performance da empresa em sete
dimensões: geral, governança cooperativa, natureza do produto, social, eco-
nômico-financeira, ambiental e mudanças climáticas. Para as quatro últimas
dimensões são seguidos os mesmos critérios, divididos em quatro conjuntos:
1) políticas (indicadores de comprometimento); 2) gestão (indicadores de pro-
gramas, metas e acompanhamento); 3) desempenho; 4) cumprimento legal. Na

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


87

dimensão ambiental, as empresas respondem a um mesmo questionário sendo


a ponderação diferenciada para as empresas consideradas de “alto impacto” e de
“impacto moderado”, a exceção é para as empresas do setor financeiro que res-
pondem a um questionário diferenciado (BM&FBOVESPA, 2014).
O preenchimento do questionário é voluntário e, quando respondido, a sua
análise é feita por meio da ferramenta estatística conhecida como análise de
clusters, que identifica companhias com desempenhos similares e aponta gru-
pos com melhor desempenho geral, sendo esses os que farão parte da carteira
final do ISE, respeitando o limite máximo de 40 empresas (BOVESPA, 2008).
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Dessa forma, o ISE busca refletir o retorno de uma carteira composta dos ISR do
mercado de capitais brasileiro, servindo como referência de desempenho dessas
empresas e atendendo a demanda dos investidores ao funcionar como um “selo
de qualidade” para empresas socialmente responsáveis e sustentáveis. Pretende
ainda estimular as demais empresas a utilizarem boas práticas de responsabili-
dade social e sustentabilidade (BOVESPA, 2008 apud LUZ, 2009).
O critério para seleção das empresas participantes do ISE se baseia no con-
ceito do “Triple-Bottom-Line” (TBL), ilustrado na Figura 8, além de indicadores
que avaliam a natureza do produto, as práticas de governança corporativa ado-
tadas e características gerais (BOVESPA, 2008).
De acordo com a BM&F Bovespa, o ISE promove as seguintes vantagens à
empresa:
1. reconhecida pelo mercado como empresa que atua com responsabili-
dade social corporativa;
2. reconhecida como empresa com sustentabilidade no longo prazo;
3. reconhecida como empresa preocupada com o impacto ambiental das
suas atividades;
4. em resumo: o ISE é um “selo de qualidade”.

A Sustentabilidade Empresarial
II

Exemplo de indicador de sustentabilidade para o setor sucroenergético


Como avaliar de forma criteriosa o grau de sustentabilidade atingido por uma
usina em seu processo produtivo? Para responder a essa pergunta, a Guarani
S.A., associada à União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), adotou em
duas de suas usinas o AgBalance, um método de avaliação de práticas no agro-
negócio que foi lançado no Brasil, em 2012, pela Basf, aplicado pela Fundação
Espaço ECO, que pode beneficiar mais empresas do setor sucroenergético.
A empresa descreve a nova ferramenta como uma “evolução das análises
de sócio eficiência, com ênfase na avaliação da sustentabilidade na agricultura”.

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O processo utiliza 69 indicadores, cada um ligado aos três pilares da sustenta-
bilidade (ambiental, econômico e social), para calcular, de forma ponderada,
aproximadamente 200 fatores de avaliação.

A ferramenta AgBalance foi um dos destaques da publicação de 2014 do


Mapa “Gestão Sustentável na Agricultura”, abordando o caso da SLC Agríco-
la, empresa produtora de commodities (soja, milho e algodão). Essa publi-
cação anual do MAPA apresenta casos de sucesso de instituições privadas,
públicas e de produtores, ligadas ao agronegócio, que tiveram a gestão sus-
tentável inserida e exercitada em suas atividades.
Para saber mais sobre o assunto e sobre os outros destaques desta publica-
ção do MAPA, acesse:
<http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/2%20edicao-gestao-sustenta-
velCOMPLETO.pdf>
Fonte: BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Gestão
sustentável na agricultura. 2. ed. Brasília : MAPA/ACS, 2014. Disponível em:
<http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/2%20edicao-gestao-sustenta-
velCOMPLETO.pdf>. Acesso em: 05 maio 2015.

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


89

ESTRATÉGIAS SUSTENTÁVEIS

As organizações como um todo devem fazer uma análise interna antes de tomar
qualquer decisão e avaliar o seu desempenho econômico, social e ambiental, ou
seja, é necessário que se faça uma revisão inicial. De acordo com Curi (2011),
esse diagnóstico pode ser realizado por auditores internos ou por consultores
especializados.
Para Andrew Savitz (2007 apud BARBIERI, 2007), a avaliação deve ser base-
ada em quatro partes:
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1. o que diz a empresa;


2. como ela opera;
3. a natureza do seu negócio;
4. como a sustentabilidade se aplica ao setor da empresa.

A partir dessa avaliação, é hora de traçar uma estratégia de sustentabilidade


para a organização. Isso pode ser realizado com base nos pontos fortes e fra-
cos dela, apostando em seus pontos fortes. Os pontos fracos não podem e não
devem ser ignorados.
Andrew Savitz (2007) designa minimização as estratégias que tendem a
reduzir os impactos negativos da atividade da organização. A empresa tam-
bém precisa pensar e reverter investimentos para otimizar o desempenho de
seus processos, produtos e serviços, exigindo uma busca contínua por “inova-
ção” (CURI, 2011). Conforme Andrew Savitz (2007), existem três maneiras de
se farejar oportunidades sustentáveis:
1. eliminar os desperdícios;
2. solucionar conflitos com os stakeholders;
3. conhecer a concorrência.

A Sustentabilidade Empresarial
II

As estratégias sustentáveis como controle da poluição, prevenção da poluição e


abordagem estratégica também podem ser entendidas como fases de um pro-
cesso de implementação gradual de práticas de gestão ambiental. Barbieri (2007)
comenta sobre tais estratégias:
Controle da poluição: refere-se a práticas que impedem os efeitos decorren-
tes da poluição gerada por um dado processo produtivo. Resulta de uma postura
reativa da empresa e de ações pontuais. Tem por objetivo atender as exigências
estabelecidas nos instrumentos de comando e controle, às quais as empresas estão
sujeitas, e as pressões da comunidade. As tecnologias de controle da poluição

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buscam fazê-la sem alterar significativamente os processos e os produtos que as
produziram, podendo ser tecnologias de remediação – resolver um problema
ambiental que já ocorreu – ou tecnologias de controle no final do processo (end-
-of-pipe) – capturar e tratar a poluição antes de chegar ao meio ambiente. Essas
soluções tecnológicas nem sempre eliminam o problema de modo definitivo,
além de agregar custos adicionais. As soluções baseadas no controle da polui-
ção são fundamentais, mas não suficientes.
Prevenção da poluição: refere-se à atuação sobre processos e produtos para
prevenir a geração de poluição, com vistas a uma produção mais eficiente, pou-
padora de materiais e energia em diferentes fases do processo de produção e
comercialização. Requer mudanças em processos e serviços para reduzir ou eli-
minar os rejeitos na fonte.
A prevenção da poluição é baseada no uso sustentável dos recursos e no con-
trole da poluição. Os instrumentos para o uso sustentável dos recursos podem
ser sintetizados pelos 4R’s: redução de poluição na fonte, reuso, reciclagem e
recuperação.
Além da reciclagem, a troca de materiais poluentes é uma medida essencial
de prevenção da poluição, como é o caso das sacolas plásticas que foram proi-
bidas em muitos países e agora essa proibiçãochegou ao Brasil. As sacolas têm
como principal matéria-prima o petróleo. O óleo passa por um processo de des-
tilação que retira suas impurezas, possibilitando a produção de polietileno de alta
densidade, insumo necessário para a fabricação do plástico, que segue para uma
fábrica onde a sacola é confeccionada (REVISTA BRASIL SUSTENTÁVEL, 2011).

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


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Fonte: Revista Brasil Sustentável (2011).

A Sustentabilidade Empresarial
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Fonte: Revista Época (2012).

Abordagem estratégica: os problemas ambientais são tratados como uma das


questões estratégicas da empresa e relacionados com a busca por uma situação
vantajosa no seu negócio atual ou futuro. O envolvimento das organizações com
os problemas ambientais adquire importância estratégica medida que aumenta
o interesse da opinião pública sobre as questões ambientais, bem como dos
consumidores, investidores e ambientalistas. Exemplos de uma abordagem estra-
tégica são os Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA). O CEBDS (Conselho
Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) lançou o projeto
Valoração da Biodiversidade e dos Serviços Ecossistêmicos, que tem o objetivo
de auxiliar as empresas a incorporarem esses temas em sua gestão estratégica.
Como parte do projeto do CEBDS, foram abertas oficinas de capacitação para
orientar os executivos a estimar e prever a oferta de serviços ambientais, além
de avaliar sua correspondência em valores econômicos.
A avaliação dos serviços ambientais (ou serviços ecossistêmicos) tam-
bém traz para empresa informações sobre riscos e oportunidades, ajuda
a antever novos mercados e a fortalecer aspectos de gestão ambiental.
Uma corporação que procura contabilizar os impactos que provoca,
incluindo os da sua cadeia de valor, assume um papel de liderança e
reforça o compromisso com a sustentabilidade.(REVISTA BRASIL
SUSTENTÁVEL, 2011)

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


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ECONOMIA VERDE

O conceito de economia verde significa que o crescimento econômico pode estar


baseado em investimentos em capital natural e, portanto, a estrutura da eco-
nomia muda na direção dos setores/tecnologias “verdes” ou “limpos” que vão
substituindo os setores/tecnologias “sujos” ou “marrons”.
O relatório “Rumo a uma economia verde: caminhos para o desenvolvimento
sustentável e a erradicação da pobreza”, produzido pelo PNUMA (UNEP, 2011),
procura demonstrar que essa transformação pode ser alcançada sem perdas de
renda, emprego e com a redução da pobreza.
No documento “Green Economy: synthesis for policy makers”, elaborado
pelo PNUMA em 2011, a economia verde é definida como: “...aquela que resulta
na melhoria do bem-estar humano e na equidade social, enquanto reduz signi-
ficativamente os riscos ambientais e as escassezes ecológicas”.
Carlos Minc, em entrevista ao Jornal “o Globo” (2012), definiu economia
verde como sendo: “...conjunto de medidas econômicas, financeiras, creditícias,
tributárias, tecnológicas, sociais, regionais, que viabilizam o desenvolvimento
sustentável, gerando empregos e inclusão com menos desperdício e emissões
de carbono”.

Economia Verde
II

O relatório “The economics of ecosystems and biodiversity” (TEEB, 2011)


estima os valores associados aos bens e serviços ambientais, e suas formas de
captura no mercado é uma tarefa controversa e complexa, mas, mesmo assim,
os números resultantes acabam por indicar oportunidades de geração de renda
e emprego por meio do reconhecimento dos valores econômicos dos recursos
naturais (REVISTA POLÍTICA AMBIENTAL, 2011a).
O Brasil vem desenvolvendo uma série de instrumentos institucionais,
econômicos e tecnológicos destinados a preservar e a utilizar de ma-
neira mais racional e sustentável esses recursos. Esse esforço é recente,

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embora tenha ganhado impulso nos últimos 25 anos. O desafio hoje é
tirar proveito do esforço acumulado em prol da preservação ambien-
tal e do desenvolvimento socioeconômico, de modo a se aproveitar a
janela de oportunidade global que está se abrindo pelo e para o Brasil.

Um exemplo de iniciativa de destaque é o histórico brasileiro de uti-


lização do álcool combustível ou etanol. Nos últimos anos, os chama-
dos carros flex (bicombustíveis) já alcançaram participação relevante
na frota de veículos vendidos no país, mudando significativamente o
perfil do consumo de combustíveis, ao consolidar a possibilidade do
uso de etanol em substituição à gasolina e ao afetar as características de
demanda desse mercado, em que consumidores passaram a ter opção
de escolha. (REVISTA POLÍTICA AMBIENTAL, 2011)

Tais iniciativas não tiveram como objetivo a proteção do meio ambien-


te. Hoje, por outro lado, têm importância significativa na estratégia
brasileira de realizar uma transição para uma economia verde. No caso
do álcool, esse combustível tem um balanço de emissões de gases do
efeito estufa muito menor que seu principal concorrente, a gasolina.

Segundo o MME, em função de seu uso, entre 1970 e 2007, deixou-se


de consumir 854 milhões de barris equivalentes de petróleo, evitan-
do, dessa forma, a descarga de 800 milhões de toneladas de CO2 na
atmosfera. Agregam-se a isso os benefícios para a saúde pública de-
vido à redução de emissões de poluentes atmosféricos. O aumento da
produtividade agrícola e industrial do setor alcooleiro, fruto de inten-
sos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento, em determinada medida
colaborou para a redução da pressão sobre as florestas a serem con-
vertidas para a agricultura. A despeito do aumento da produtividade,
com a elevação recente da demanda, a adoção de medidas mitigadoras
tornou-se imprescindível para preservar áreas com importante capital
ambiental. (REVISTA POLÍTICA AMBIENTAL, 2011)

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


95

São exemplos da EV no Brasil: instrumentos econômicos, tecnológicos e ins-


titucionais para aproveitar de forma eficiente as excelentes condições naturais
de que o país dispõe e fazer com que os benefícios trazidos por essas atividades
sejam incorporados de maneira inclusiva pela sociedade brasileira.

OS PAPÉIS NA BUSCA DA SUSTENTABILIDADE


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O PAPEL DO GOVERNO:

Os indicadores de sustentabilidade pelo mundo afora mostram que ainda há


muitas disparidades entre as nações em todas as partes do globo. Em geral, as
nações mais sustentáveis são aquelas que contam com a participação ativa do
governo no estímulo à inovações verdes. Por outro lado, quando não há políti-
cas públicas de incentivo e controle, a iniciativa privada se acomoda e acaba por
manter os velhos moldes de desenvolvimento (CURI, 2011).
Thomas Friedman (2010, p. 376) diz que as empresas e os consumidores só
agem mediante sinalizações de preços.

Se os governos pretendem promover o desenvolvimento sustentável, é


necessário taxar mais produtos e serviços que andam na contramão dessa
meta e aqueles que já estão enquadrados nos novos padrões de produção
devem ser premiados com benefícios fiscais, por exemplo.
(CURI, 2011, p. 309).

Os Papéis na Busca da Sustentabilidade


II

A competitividade das mercadorias sustentáveis deve ser levada em conta para


que essas se tornem mais baratas e atraentes em relação àquelas que promovem
impactos ambientais.
Portanto, o papel do governo é mexer no bolso do produtor e do consumi-
dor, de forma que sintam os efeitos das suas escolhas. É necessário, por exemplo,
a criação de impostos para a emissão de gás carbônico e impostos adicionais
sobre a gasolina, retomando o princípio do poluidor pagador (CURI, 2011).
As iniciativas sustentáveis devem, igualmente, ser compensadas da mesma
forma. Portanto, a definição de políticas rígidas para a sustentabilidade precisa

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fazer parte das empresas, de modo que possa contagiar e, ao mesmo tempo, con-
templar as expectativas dos consumidores e da sociedade.

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


97

Princípio do poluidor-pagador - é uma das ferramentas de preservação am-


biental a partir da internalização dos custos pelo próprio poluidor. Com ele,
o agressor passa a se responsabilizar pela eliminação ou redução da polui-
ção causada. Esse princípio foi consagrado no ECO-92, por meio da norma
Princípio 16, dessa forma:
“As autoridades nacionais devem esforçar-se para promover a internalização
dos custos de proteção do meio ambiente e o uso dos instrumentos econômi-
cos, levando-se em conta o conceito de que o poluidor deve, em princípio, as-
sumir o custo da poluição, tendo em vista o interesse público, sem desvirtuar o
comércio e os investimentos internacionais”.
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Na Constituição Brasileira, o princípio do poluidor-pagador encontra guari-


da no §2º do artigo 225, nos seguintes termos:
“Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio am-
biente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público
competente, na forma da lei”.
O princípio do poluidor-pagador também está consagrado nas legislações
brasileiras que versam sobre meio ambiente, como a que estabelece a Política
Nacional do Meio Ambiente (Lei n.º 6.938/91) que assim o prevê no seu 4º, VII:
“A imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou inde-
nizar os danos causados, e ao usuário, de contribuição pela utilização de recur-
sos ambientais com fins econômicos”.
Fonte: OLÍMPIO, Daniela. O que é o princípio do poluidor-pagador? ACESSA.com,
Minas Gerais, 19 jul. 2007. Disponível em: <http://www.acessa.com/consumidor/ar-
quivo/vocesabia/2007/07/19-daniela/>. Acesso em: mar. 2014.

O PAPEL DA EMPRESA

Primeiramente, é necessário que a empresa esteja plenamente consciente do peso


e da necessidade de ações sustentáveis para o seu futuro. Não enxergar as ques-
tões ambientais ou a gestão ambiental como custo simplesmente, mas ser capaz
de enxergar os benefícios que podem advir da adoção de medidas sustentáveis.
A segunda etapa que a empresa deve cumprir é localizar-se dentro do ambiente
local, regional e global para entender como as empresas do seu segmento estão
encarando a sustentabilidade e agregando-a ao funcionamento das organiza-
ções. É preciso entender que essa não está isolada no universo dos negócios a

Os Papéis na Busca da Sustentabilidade


II

que pertence. Importa ainda compreender que as preocupações ambientais não


podem ser enxergadas como medidas isoladas (mesmo porque a empresa não
está isolada no espaço) e que suas ações sempre resultam em impactos sobre o
ambiente. Então, tais ações refletem em produtividade, mercado, preços, novos
clientes, valor agregado do produto ou serviço, além de outros que podem sur-
gir ao longo do tempo.
O papel da empresa é estimular medidas sustentáveis por meio da demons-
tração de suas ações e intenções, de forma que os impactos socioambientais
promovidos possam ser reduzidos ou mitigados e isso possa ser revertido em

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valorização da organização. Portanto, mais que uma necessidade, medidas sus-
tentáveis ou gestão sustentável são pré-requisitos fundamentais para a empresa
manter-se em funcionamento e continuar a galgar novos mercados.
As pressões externas advindas de países importadores, da sociedade e do
governo são requisitos meramente básicos a serem cumpridos para que a empresa
se adeque às novas exigências dessas entidades. Hoje, a empresa deve buscar ir
além, uma vez que o básico todos já estão buscando fazer. Sendo assim, inovar
é a palavra mestre para se alcançar a sustentabilidade.

O PAPEL DA SOCIEDADE

Os consumidores estão a cada dia que passa se preocupando mais com as ques-
tões ambientais e expressando ou transmitindo suas preocupações mediante
cobranças e pressões sobre as empresas. Mais do que os seus direitos, estão pas-
sando a exigir que as organizações cumpram seus deveres de preservação com
o meio ambiente.
Esses novos consumidores estão aptos, inclusive, a pagar mais por produtos
que tenham apelo ambiental. Tal nicho de consumidores ainda não é muito repre-
sentativo, sobretudo no Brasil. No entanto, em alguns países, principalmente os
Europeus, o mercado de produtos sustentáveis vem ganhando força a cada dia
que passa. Também chamados de consumidores verdes ou consumidores green,
estes representam uma fatia do mercado consumidor que se preocupa com meio
ambiente e qualidade de vida como requisitos primordiais para a escolha de um

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


99

produto e, consequentemente, da marca (empresa): critérios diferenciados perto


do critério “preço”, utilizado por grande parte dos brasileiros.
Um estudo realizado pelo Instituto Akatu mostrou que, para 51% dos bra-
sileiros, as grandes empresas também devem contribuir ativamente para o
desenvolvimento da sociedade. Quando indagados se buscam informações
sobre as empresas que têm responsabilidade socioambiental, 30% deles disse-
ram que procuram se informar sobre elas antes de comprar seus produtos. A
pesquisa mostrou ainda que 37% dos entrevistados pagariam mais por produ-
tos com essa característica e que estariam, inclusive, dispostos a pagar até 25%
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a mais por eles (REVISTA DISTRIBUIÇÃO, 2011).

Fonte: Revista Distribuição (2011).

Diante de tais informações, podemos observar que os novos consumidores


estão se preocupando cada dia mais com a qualidade socioambiental dos produ-
tos que consomem. Portanto, o comportamento apresentado por eles é o reflexo
de uma mudança na cultura de um povo, em que a informação é essencial para
a construção de cidadãos mais conscientes, tanto de seus direitos quanto da
qualidade dos produtos e serviços comprados, como também da sua responsa-
bilidade com o meio ambiente. Nesse cenário, as exigências dos consumidores
determinam a demonstração da responsabilidade socioambiental das empresas.

Os Papéis na Busca da Sustentabilidade


II

RESPONSABILIDADE SOCIAL

A Gestão Ambiental está diretamente relacionada à Responsabilidade Social.


Então, como implantar
um Programa de Gestão
Ambiental sem que esse
aborde as questões sociais?
A empresa deverá “olhar” o
seu entorno, pois é respon-

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sável por possíveis impactos
à comunidade.
Uma empresa pode,
ao implantar o Plano de
Gestão, contemplar ações
sociais, por exemplo, a
Educação Ambiental. Por
esse instrumento espera-se
uma mudança de compor-
©shutterstock

tamento dos funcionários da


empresa, da alta administração e de pessoas que fazem parte da comunidade.
Quando a empresa oferece risco devido as suas atividades junto ao Plano de
Gestão, faz-se também necessário um Plano de Avaliação e ação de possíveis riscos.
Podemos entender que a Gestão Ambiental é de Responsabilidade Social,
pois a proteção do Meio Ambiente somente realizada com o intuito econômico
é um erro. Devemos buscar o benefício comum da preservação da vida em seu
sentido maior, não só da fauna e flora, mas da vida humana. É necessário para
tal uma Gestão Socioambiental.
Os principais agentes do desenvolvimento econômico de um país são as
empresas, nas quais seus avanços tecnológicos e a grande capacidade de gera-
ção de recursos fazem com que cada vez mais precisem de ações cooperativas e
integradas, em que possam desenvolver processos que têm por objetivo a Gestão
Ambiental e a Responsabilidade Social.

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


101

As empresas socialmente responsáveis têm uma postura ética na qual o res-


peito da comunidade passa a ser um grande diferencial. O reconhecimento desses
fatores pelos consumidores e o apoio de seus colaboradores faz com que se criem
vantagens competitivas e, consequentemente, atinjam maiores níveis de sucesso.
A responsabilidade das empresas frente ao meio ambiente é centrada na
análise de como essas interagem com o meio em que habitam e praticam suas ati-
vidades. Então, nós podemos dizer que uma empresa que possui um modelo de
Gestão Ambiental já está correlacionada à responsabilidade social. Tais eventos
irão, de certa forma, interagir com as tomadas de decisões, tendo total impor-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tância na estratégia empresarial.


Assim, a Gestão Ambiental e a Responsabilidade Social são, atualmente,
condicionadas pela pressão de regulamentações e busca de melhor reputação
perante a sociedade. A sociedade atual está reconhecendo a responsabilidade
ambiental e social como valor permanente, sendo fatores de avaliação e indica-
dores de preferência para investidores e consumidores.
Os investimentos destinados à Gestão Ambiental e à consciência da
Responsabilidade Social pelas empresas são aspectos que fortalecem a imagem
positiva das organizações diante dos mercados em que atuam, dos seus colabo-
radores, concorrentes e fornecedores.
Portanto, responsabilidade social pode ser entendida como a atuação que
tem como base o relacionamento ético e transparente com todas as partes inte-
ressadas, visando ao desenvolvimento sustentável da sociedade por meio da
preservação dos recursos ambientais e culturais para futuras gerações, respei-
tando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.
Para Tenório (2004), os primeiros estudos teóricos sobre a responsabili-
dade social empresarial, desenvolvidos a partir dos pressupostos conceituais
da sociedade pós-industrial, surgem em 1950. O conceito contemporâneo da
responsabilidade social empresarial está associado aos valores requeridos pela
sociedade pós-industrial. Nessa nova concepção do conceito, há o entendimento
de que as empresas estão inseridas num ambiente complexo, em que suas ativi-
dades influenciam e têm impacto sobre diversos agentes sociais, comunidade e
sociedade. Consequentemente, a orientação do negócio visando atender apenas
os interesses dos acionistas torna-se insuficiente, sendo necessária a incorporação

Responsabilidade Social
II

de objetivos sociais no plano de negócios como forma de integrar as empresas


à sociedade. No entanto, é somente a partir da década de 70 que os trabalhos
desenvolvidos a respeito do tema ganham destaque.
Segundo o mesmo autor, além do filantropismo, desenvolveram-se conceitos
como voluntariado empresarial, cidadania corporativa, responsabilidade social
corporativa e, por último, desenvolvimento sustentável.
De acordo com Oliveira (2005), Responsabilidade Social não significa a
mesma coisa para todos. Para alguns, representa a ideia de obrigação legal, para
outros, significa um comportamento ético, outros ainda acreditam no sentido

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de socialmente consciente. Sendo assim, por enquanto, não existe um conceito
formal de Responsabilidade Social, por isso permanecem diversos pontos de
vista particulares sobre o tema.
Segundo relatos de Kraemer (2005), em 1998 foi criado o Instituto Ethos de
Empresas e Responsabilidade Social, pelo empresário Oded Grajew. O Instituto
serve como uma ligação entre os empresários e a responsabilidade social. Tem
por objetivo disseminar a prática da responsabilidade social empresarial por
meio de publicações, experiências, programas e eventos para os interessados
nas ações sociais.
A visão clássica da responsabilidade social empresarial, conforme Tenório
(2004), incorporava os princípios liberais, influenciando a forma de atuação
social das empresas e definindo as principais responsabilidades das empresas,
em relação aos agentes sociais na época.
De acordo com o mesmo autor, a responsabilidade social surge de um com-
promisso da organização com a sociedade, em que sua participação vai além do
que apenas gerar empregos, impostos e lucros. O equilíbrio da empresa den-
tro do ecossistema social depende basicamente de uma atuação responsável e
ética em todas as frentes, em harmonia com o equilíbrio ecológico, com o cres-
cimento econômico e o desenvolvimento social, tornando-se uma ferramenta
para a sustentabilidade da sociedade e dos negócios. Algumas empresas buscam
a melhor maneira de praticar a responsabilidade, desenvolvendo ou participando
de projetos sociais, para que esse envolvimento tenha uma identificação com a
sociedade e seu público (interno e externo), a fim de conseguir um diferencial
para seus produtos e uma boa imagem institucional.

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


103

CERTIFICAÇÕES E NORMATIVAS DE
RESPONSABILIDADE SOCIAL E GESTÃO AMBIENTAL

Quando a certificação se converte em informação para o consumidor, este irá


valorar de forma distinta de outros produtos de iguais aparências, além de deci-
dir a favor ou contra outra empresa.
Torres (2002) diz que, para conquistar um diferencial e obter a credibilidade
e aceitação da sociedade e das diversas partes interessadas dentro do universo
empresarial, além de novas práticas sociais, as corporações têm buscado cer-
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tificações, selos e standards internacionais na área social. Entre os exemplos


brasileiros mais significativos estão o Selo Empresa Amiga da Criança, confe-
rido pela Fundação Abrinq, o Selo Empresa-Cidadã, que é uma premiação da
Câmara Municipal da Cidade de São Paulo e o Selo Balanço Social Ibase/Betinho,
do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas desde 1998.

NORMA AA1000 DE RESPONSABILIDADE SOCIAL

A norma AA1000 foi desenvolvida pelo Institute of Social and Ethical Accoutability
- ISEA, criado para assistir organizações na definição de objetivos e metas, na
medição do progresso em relação a essas metas, na auditoria e relato da perfor-
mance, no estabelecimento de mecanismos de feedback e compreender princípios
e normas de processo.
De acordo com Torres (2002), as normas de processo da AA1000 associam
a definição e integração de sistemas dos valores da organização com o desen-
volvimento das metas de desempenho e com a avaliação e comunicação do
desempenho organizacional. Por esse processo, focalizado no comprometimento
da organização para os stakeholders, a AA1000 vincula as questões sociais e éti-
cas à gestão estratégica e às operações da organização.
O padrão não é certificável, mas um instrumento verificável de mudança
organizacional, derivado da melhoria contínua e de aprendizagem e inovação,
para servir de modelo do processo de elaboração, proporcionar mais qualidade
a outros padrões específicos e complemento a outras iniciativas.

Certificações e Normativas de Responsabilidade Social e Gestão Ambiental


II

NORMA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL - NBR 16001/2004

Em 30 de dezembro de 2004, foi criada pela ABNT a NBR 16001:2004, uma Norma
de Responsabilidade Social que envolve todo o sistema de gestão organizacional,
servindo de referência para as empresas brasileiras que queiram implantar, de
forma sistêmica, um conjunto de técnicas de gestão da responsabilidade social.
Conforme Ohnuma (2005), a NBR ISO 9001:2000 (Qualidade), a NBR ISO
14001:1996 (Meio Ambiente) e a SA 8000:2001 (Responsabilidade Social) são de
inteira compatibilidade com a estrutura da NBR 16001:2004 (política, objetivos,

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planejamento, medição, análise e melhoria contínua). Portanto, todas as orga-
nizações que estejam implantando algum tipo de “sistema de gestão”, baseado
nas séries de normas relacionadas anteriormente, tendem a ter maior facilidade
para implantar e implementar os requisitos da NBR 16001:2004.
Para o autor, as organizações, no intuito de implantar a NBR 16001:2004, deve-
rão em sua política e em seus objetivos atender aos requisitos legais e promover
o desenvolvimento humano e social, o bem-estar da comunidade, a cidadania e
o desenvolvimento sustentável, de forma transparente com a sociedade em que
está inserida e tendo sempre consideração com os grupos de interesses, ou seja,
com todas as pessoas/grupos que se preocupam ou que possam ser prejudica-
dos/afetados pelas ações de uma organização.
A NBR 16001:2004 tem seu
foco nas “pessoas”, a preocupa-
ção baseia-se no ser humano, na
sociedade, o investimento ocorre
na qualidade de vida das pessoas
,e não mais apenas nos procedi-
mentos organizacionais e em
seus produtos. Hoje, o grande
interesse da sociedade é sobre o
retorno social que as organiza-
ções tendem a devolver para ela.

©Stockbyte

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


105

Essa visão gera uma atenção maior para todos os colaboradores organizacio-
nais, já que são eles que buscam sempre a melhoria operacional de uma empresa.
Os processos tendem a ficar cada vez mais humanos e com maior envolvimento
da sociedade com as organizações. Essa busca o reconhecimento com as empre-
sas, enquanto as empresas buscam uma maior integração com a comunidade.
Em outras palavras, Ohnuma (2005) afirma que as organizações devem buscar
sempre melhorias na qualidade de suas relações sociais e humanas, considerando
os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, das Organizações
das Nações Unidas (1948), as Convenções da Organização Internacional do
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Trabalho, as Metas de Desenvolvimento do Milênio (2000), o Estatuto da Criança


e do Adolescente, entre outros documentos que serviram como referência para
a NBR 16001:2004.
Para que as empresas possam estar em conformidade com a NBR 16001:2004,
vale a pena ressaltar os compromissos e responsabilidades que a organização
deverá abordar em sua gestão como dever com o desenvolvimento profissio-
nal, fazendo dos seus funcionários colaboradores em potencial, considerando:
1. a discriminação durante a contratação de pessoal;
2. aplicando práticas leais de concorrência;
3. obedecendo aos direitos dos trabalhadores;
4. a promoção da diversidade;
5. a implantação de um sistema de gestão de resíduos;
6. a inclusão social, entre outros aspectos.

Esses compromissos se caracterizam na base mínima de Responsabilidade Social


que uma empresa deve implantar em sua gestão organizacional. Conforme men-
ciona a referida norma, o atendimento aos requisitos da NBR 16001:2004 não
significa que a empresa é socialmente responsável, mas que tem implantado um
sistema da gestão de responsabilidade social.

Certificações e Normativas de Responsabilidade Social e Gestão Ambiental


II

NORMA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL – NBR ISO 26000

Diferentemente dessas, a ISO 26000 não é uma norma para certificação, uma vez
que ela serve apenas como um guia de diretrizes e não como base para obtenção
de selos e certificados de responsabilidade socioambiental, da parte das empre-
sas e outras organizações.
Os objetivos da norma ISO 26000 são:
1) Ajudar uma organização a endereçar suas responsabilidades sociais.

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2) Fornecer diretrizes práticas relacionadas a:
• Operacionalização da responsabilidade social.
• Identificação e engajamento de partes interessadas.
• Aumento da credibilidade de relatórios e reivindicações feitas sobre
responsabilidade social.
3) Enfatizar resultados e melhorias de desempenho.
4) Aumentar a satisfação e confiança dos clientes.
5) Promover uma terminologia comum na área de responsabilidade social.
6) Ser consistente e não entrar em conflito com os documentos, tratados,
convenções existentes e outras normas da ISO (SANTOS, 2011).

COMPOSIÇÃO

A ISO 26000 abrange três tipos de princípios. No primeiro, denominado Gerais,


se aplicam todas as circunstâncias, por exemplo, respeito à lei, convenções e
declarações reconhecidas internacionalmente. O segundo critério, chamado
Substantivos, é voltado para resultados e avanço de critérios internacionalmente
reconhecidos nas diversas áreas da responsabilidade social. Por fim, os ditos
Operacionais dizem respeito à natureza e qualidade do processo, englobando
inclusividade, accountability, transparência, materialidade, responsabilidade,
entre outros aspectos (CREDIDIO, 2007).

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL


107

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesta unidade, conseguimos revisitar fundamentos que talvez você já tenha


conhecido na sua formação, como sustentabilidade e desenvolvimento susten-
tável. Inserimos novos conceitos, como a economia verde, os indicadores de
sustentabilidade empresarial e algumas estratégias sustentáveis utilizadas por
empresas. Abordamos também a responsabilidade social e algumas certifica-
ções importantes relacionadas a esse tema e à gestão ambiental.
É importante ressaltar que os temas “sustentabilidade” e “desenvolvimento
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sustentável” vêm sendo destaque nas discussões de governantes, empresários


e da sociedade no mundo todo já há algum tempo, sendo essencial a busca do
desenvolvimento sustentável por todos para a preservação e manutenção da vida
em nosso planeta.
Nos dias atuais, conciliar o desenvolvimento socioeconômico com a con-
servação do meio ambiente é um dos maiores desafios dos governantes e das
empresas. Nestas, a busca implica na mudança de processos produtivos, obje-
tivando tornar seus negócios sustentáveis. Para tanto, a ferramenta principal
adotada é a gestão ambiental.
As mudanças, em qualquer organização, devem começar de cima, ou seja,
dos gestores, então, faz-se necessário implementar um modelo de gestão que
seja compatível com os princípios de sustentabilidade, responsabilidade social
e ética. A credibilidade ambiental é um importante fator de competitividade a
nível nacional e internacional, sendo necessária para que as empresas mante-
nham a concorrência no mercado.
Essa é a razão pela qual os profissionais devem conhecer a problemática
ambiental do setor, bem como os conceitos e ferramentas práticas de gestão
ambiental, para que possam tomar decisões e monitorar as atividades da empresa
e, dessa forma, implementar as mudanças necessárias em prol da sustentabili-
dade, por meio de uma gestão ambientalmente responsável.

Considerações Finais
1. Na atualidade, a inovação é reconhecida como uma ferramenta de gestão para
se alcançar a sustentabilidade. Para inovar, as organizações devem questionar os
modelos de negócio e pensar em modelos totalmente novos. Sob esse aspecto,
relate sobre os principais pontos que uma empresa interessada em inovação e
sustentabilidade deve trabalhar.
2. Os índices de sustentabilidade podem ser utilizados tanto como indicadores do
nível de sustentabilidade de um país, quanto de uma empresa. Relate sobre a
função desses índices de forma geral.
3. Para as organizações traçarem suas estratégias de sustentabilidade, elas devem
realizar um diagnóstico ou uma revisão inicial. Enumere os pontos que devem
ser considerados nessa fase de avaliação e dê exemplos de estratégias sustentá-
veis que podem ser utilizadas pelas empresas.
4. Responsabilidade social está relacionada à gestão ambiental, pois a empresa é
responsável por possíveis impactos à comunidade ou sociedade. Logo, defina
qual a importância das ações de responsabilidade social para as organizações.
MATERIAL COMPLEMENTAR

A Bovespa criou um índice para medir as emissões de CO2 das empresas, um índice de
sustentabilidade, que visa diminuir o aquecimento global, o efeito estufa, e diminuir as
mudanças climáticas. Veja mais sobre o assunto em:
<http://www.youtube.com/watch?v=sko4q-gN6Gg>.

Saiba mais sobre O Princípio do poluidor-pagador no artigo disponível em:


<http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.
php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=932>.

Assista ao vídeo que trata de Economia e Sustentabilidade. Reflita sobre o assunto


discutido com diferentes personalidades públicas do nosso país: Delfin Neto, Rubens
Ricupero e Armíneo Fraga.
Economia e Sustentabilidade – Cidades e Soluções. <http://www.youtube.com/
watch?v=x9Bwj0W8rpk&feature=related>.

Leia mais sobre o tema sustentabilidade empresarial e outras pesquisas referentes ao


consumo acessando os sites a seguir. Boa leitura!
<http://exame.abril.com.br/topicos/sustentabilidade>.
<http://akatu.org.br/Publicacoes>.

Material Complementar
Professora Dra. Cláudia Fabiane Meneguetti
Professora Dra. Edneia Ap. de S. Paccola

III
Professora Dra. Francielli Gasparotto

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS

UNIDADE
AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,
FERRAMENTAS DE GESTÃO AMBIENTAL
E GESTÃO DE CUSTOS AMBIENTAIS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Apresentar uma visão mais clara sobre as definições e estruturação
dos processos de auditoria, licenciamento e os principais
documentos empregados.
■■ Permitir a construção de uma visão positiva a respeito da importância
das ferramentas de gestão ambiental para a conscientização
empresarial/organizacional.
■■ Introduzir o conceito de custos ambientais de forma a enfatizar a sua
importância dentro do sistema de gestão atual.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Certificações Ambientais
■■ Auditorias Ambientais
■■ Rotulagem Ambiental
■■ Ferramentas de Gestão Ambiental: Análise do Ciclo de Vida (ACV),
Ecoeficiência e Produção Mais Limpa (P+L)
■■ A Gestão de Custos Ambientais
113

INTRODUÇÃO

Nesta terceira unidade de nosso livro, iremos dar continuidade a nossa busca por
conhecimento na área de gestão ambiental, abordando temas importantíssimos
para você, gestor(a), que irá atuar em setores que envolvem a área ambiental,
as certificações ambientais, as auditorias ambientais e a rotulagem ambiental.
O meio ambiente é um direito de todos, conforme estabelecido por lei. O
licenciamento é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente,
cujo objetivo é agir preventivamente sobre a proteção desse direito e compati-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

bilizar sua preservação com o desenvolvimento econômico-social.


A preservação do meio ambiente inclui tanto aspectos da gestão ambiental
como da gestão de custos, por estar relacionada ao processo de desenvolvimento.
As certificações e a rotulagem ambiental são ferramentas que asseguram confiança
e segurança aos produtos e serviços que contam com esses critérios de qualidade.
As ferramentas voluntárias de gestão ambiental como a análise do ciclo de
vida, a ecoeficiência e a produção mais limpa são manifestações da responsa-
bilidade da produção consciente. Atualmente, muito adotadas por inúmeras
empresas, essas ferramentas servem de base para uma gestão ambiental mais
eficiente.
A gestão dos custos ambientais é um instrumento estratégico para aumentar
e reduzir os custos, conduzindo a um processo de mudanças em desenvolvimento
contínuo. Por intermédio da gestão dos custos ambientais, os sistemas de gestão
ambiental existentes se fortalecem, ou o estabelecimento de sistemas padroniza-
dos é facilitado. A identificação dos custos ambientais é o primeiro passo para a
chamada contabilidade ambiental. Então, podemos mensurar o benefício/custo
da preservação ambiental para uma empresa. Afinal, quanto custa preservar?
Qual a relação benefício/custo da preservação para a empresa? E para o meio
ambiente e sociedade? Na maior parte das vezes, a conta sempre tem fechado
positiva para o meio ambiente.

Introdução
III

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CERTIFICAÇÕES AMBIENTAIS

Atualmente, a postura responsável das empresas está sendo bastante cobrada


pelos consumidores. Dessa forma, as empresas têm dividido a pressão com os
seus fornecedores. Nesse sentido, a busca por ações socioambientais é um cír-
culo que vai se fechando para expor os SGA’s (Sistemas de Gestão Ambiental)
das organizações.
Manter ou atingir níveis significativos de produtividade sem agredir o meio
ambiente é um desafio imenso para qualquer organização. As ações emprega-
das pelas empresas devem assegurar a proteção eficiente dos recursos naturais.
Atender as exigências de certificações como a ISO 14001, por exemplo, mui-
tas vezes não significa atender todos os requisitos legais, pois o SGA proposto
nem sempre está em conformidade com a legislação ambiental do país onde a
empresa opera (CURI, 2011).
O SGA é uma ferramenta útil para qualquer organização a fim de promover
o uso eficiente dos recursos, a divulgação de boas práticas, melhorar a imagem
da empresa perante o público, tornar os produtos e serviços mais competitivos.
Para Barbieri (2007), a empresa conta com quatro instrumentos para populari-
zar a sua política ambiental pública, quais sejam:

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


115

1. Autoavaliações: são declarações emitidas pela própria empresa sobre a


sua política ambiental.
2. Confirmação da autodeclaração por partes interessadas: clientes, forne-
cedores, vendedores podem ser testemunhos sobre a eficiência do SGA
para conferir mais credibilidade a autodeclaração.
3. Confirmação da autodeclaração por organização externa: o SGA é apro-
vado por uma organização de terceira parte.
4. Certificação ou registro do SGA por organização externa: a empresa segue
a cartilha proposta por uma norma e se submete à avaliação de um órgão
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

credenciador para receber a certificação.


Auditorias de primeira parte - auditorias internas: são realizadas por
funcionários da organização auditada, seu objetivo pode ser avaliar o
SGA na elaboração de uma autodeclaração para divulgar o desempe-
nho socioambiental da empresa.

Auditorias de segunda parte: são desenvolvidas por partes interessadas


(stakeholders), e quem examina o SGA da empresa são os stakeholders,
para confirmar a autodeclaração da empresa.

Existem também as auditorias de primeira e segunda parte que servem


apenas como vistorias de pré-certificação, antes de submetê-la a avalia-
ção de terceiros.

Auditorias de terceira parte: quem audita o SGA é uma equipe inde-


pendente sem vínculos com a organização, se o objetivo for a concessão
de um certificado, os auditores representantes de um Organismo de
Certificação Credenciado (OCC) analisarão a adequação do SGA às
normas referentes a certificação ambiental (CURI, 2011, p. 206).

O quarto instrumento - certificação ou registro do SGA por organização externa


– tem apresentado uma demanda crescente no país por conta das exigências e
pressões de outros países e, até mesmo, da população que quer provas do com-
prometimento socioambiental das organizações que produzem os produtos e/
ou serviços que estão consumindo. Nesse caso, três entidades estão envolvidas
no processo de certificação: organismo normalizador, organismo credenciador
e organismo certificador.

Certificações Ambientais
III

ORGANISMO NORMALIZADOR

É o responsável pela emissão de normas técnicas, por exemplo, a ISO (International


Organization for Standardization), que é uma entidade normalizadora internacio-
nal, pois cria diretrizes para inúmeras atividades da gestão empresarial. No Brasil,
a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a representante da ISO.

ORGANISMO CREDENCIADOR

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É o responsável pela criação de critérios para definir quem pode analisar os
pedidos de certificação e emitir os certificados. Ele credencia as entidades certi-
ficadoras conhecidas como Organismos de Certificação Credenciados (OCC),
responsáveis pela realização de auditorias e, nos casos de aprovação, pela emis-
são de certificados.
Cada país tem seu próprio organismo credenciador que se encarrega de moni-
torar as entidades das OCC’s. No Brasil, essa é a função do Sistema Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (SINMETRO), mas, na reali-
dade, quem credencia os OCCs na prática é o Instituto Nacional de Metrologia,
Qualidade e Tecnologia (INMETRO), que após a inspeção libera o reconheci-
mento formal de que o organismo de certificação opera segundo os critérios
estabelecidos em âmbito nacional e internacional, sendo habilitado para avaliar
solicitações e emitir certificados (CURI, 2011).
Organismos de certificação que operam ou que buscam atender clientes no

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


117

exterior podem não se submeter ao INMETRO, mas ao organismo de creden-


ciamento do país no qual busca operar.

ORGANISMO CERTIFICADOR

Esses organismos são responsáveis por avaliar e emitir as certificações. No entanto,


não precisam se limitar ao credenciamento do INMETRO somente, já que têm
a liberdade de-se credenciarem em outros órgãos internacionais, de acordo com
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as necessidades de seus clientes. Para uma empresa que busca fechar negócios
com os Estados Unidos, por exemplo, é interessante que o OCC seja creden-
ciado ao Register Accreditation Board (RAB) para conferir maior credibilidade
ao certificado.
No Brasil, além da ABNT, existem vários outros OCC’s, como a Bureau
Veritas Quality International (BVQI) do Brasil, que é um grupo credenciado para
emitir certificações nas áreas de qualidade, segurança, saúde ocupacional, meio
ambiente e responsabilidade social. Conta com o aval de vários órgãos creden-
ciadores renomados e opera em 140 países (CURI, 2011).
Outras opções de OCC’s de reconhecimento internacional são o ABS Quality
Evaluations (ABS QE) e o Lloyd`s Register Quality Assurance (LRQA), ambos
credenciados em vários países pelo mundo.
Um OCC credenciado apenas pelo Inmetro terá menos apelo comercial
que outro que ostente seu portfólio credenciamentos pelo RAB norte-
-americano, DAR alemão, JAB do Japão e outros órgãos credenciadores
de importância reconhecida mundialmente. (BARBIERI, 2007, p. 204)

Certificações Ambientais
III

A certificação LEED
A LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é um sistema in-
ternacional de certificação e orientação ambiental, que chegou ao Brasil em
2007, sete anos após sua criação pelo Conselho de Construção Sustentável
dos EUA (USGBC). Cerca de 143 países já utilizaram essa certificação com o
objetivo de incentivar a transformação dos projetos, obras e operação das
edificações, sempre com foco na sustentabilidade.
No Brasil já existem 216 edificações com o selo LEED, nove dos estádios que
receberam os jogos da Copa do Mundo de Futebol possuem o selo da orga-
nização norte-americana, outros três estão em processo de certificação, que

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vai da categoria básica até a Platinum. Entre os estádios certificados estão
o Mineirão (Platinum), o Estádio Nacional de Brasília (Ouro), o Maracanã, o
Beira-Rio, a Arena Pernambuco e Fonte Nova (Prata), a Arena da Amazônia, o
Castelão e a Arena das Dunas (básico).
A iniciativa de adotar medidas sustentáveis na construção dos estádios foi
feita de forma voluntária pelo governo brasileiro, como um requisito para
que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) li-
berasse financiamento para as obras.
Fonte: GOVERNO FEDERAL, Portal Brasil. Arena das Dunas recebe certifi-
cação LEED de sustentabilidade. Brasília, DF, 2015. Disponível em: <http://
www.brasil.gov.br/esporte/2015/02/arena-das-dunas-recebe-certificacao-
-leed-de-sustentabilidade>. Acesso em: abr. 2015.

As certificações como estratégia de marketing são adotadas pelas empresas como


oportunidade de mercado para diferenciarem-se dos concorrentes mais con-
vencionais se posicionarem como marca ambientalmente correta e socialmente
responsável. A certificação também contribui para a inserção da marca em novos
nichos de mercado e para atender às demandas de mercados que adotam altos
critérios de exigências em matéria ambiental (DIAS, 2008).
Como exemplos de certificações ambientais, temos os selos de produtos
orgânicos, de madeiras, de espécies animais específicas e a certificação do SGA,
como a ISO 14001, de cunho mais geral.

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


119

A CERTIFICAÇÃO ISO 14001

ISO – International Organization for Standardization é uma organização inter-


nacional não governamental, fundada em 1946, com o objetivo de reunir órgãos
de normalização de diversos países e criar um consenso internacional normativo
de fabricação, comércio e comunicações (STANDARDS DEVELOPMENT, 2008).
A ISO é composta por mais de 130 países membros que participam com
direito a voto das decisões ou apenas como observadores. Está estruturada em
cerca de 180 Comitês Técnicos (TC’s), cada um especializado em minutar normas
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em uma área particular. Alguns países são representados por entidades governa-
mentais, como o Brasil, que é representado pela ABNT – Associação Brasileira
de Normas Técnicas (NASCIMENTO, 2009).
A ISO desenvolve normas em todos os setores industriais, exceto as relacio-
nadas à engenharia elétrica e eletrônica, que são desenvolvidas pela International
Electrotechnical Commission (IEC).
As normas ISO 14000 são aplicadas às atividades industriais, extrativas,
agroindustriais e de serviços. A certificação ambiental a que se refere a ISO em
questão pode ser relacionada às instalações da empresa, linhas de produção e
também aos produtos, desde que satisfaçam os padrões de qualidade ambien-
tal (VALLE, 1995).
Para a ISSO, norma significa um acordo documentado com especificações
técnicas ou outros critérios a serem utilizados como regra, diretriz ou defini-
ção de características, com a finalidade de assegurar que os materiais, produtos,
processos e serviços sejam adequados a sua finalidade. O objetivo das normas
é facilitar o comércio internacional, aumentando a confiabilidade e eficácia das
mercadorias e serviços (MOURA, 1988).
O objetivo da série ISO 14000 é a criação de um Sistema de Gestão Ambiental
(SGA), de forma a auxiliar as organizações a cumprirem seus compromissos
assumidos com o meio ambiente. O reconhecimento internacional dispensado
pela adoção da ISO por uma organização pode fazer muita diferença quanto à
agregação de valor aos seus produtos e serviços.

Certificações Ambientais
III

As normas impostas pela ISO 14000 estabelecem também as diretrizes para


as auditorias ambientais, avaliação do desempenho ambiental, rotulagem ambien-
tal e análise do ciclo de vida dos produtos (Quadro 8). Para uma organização
alcançar a certificação ambiental, deve cumprir três exigências básicas expres-
sas na norma ISO 14001, quais sejam:
»» ter um SGA implantado;
»» cumprir a legislação ambiental aplicável ao local da instalação;
»» assumir um compromisso de melhoria contínua de seu desempenho

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ambiental.
Um SGA, segundo a ISO 14001:2004, permite a uma organização desenvolver
uma política ambiental, estabelecer objetivos e processos para o seu cumpri-
mento, agir, conforme necessário, para melhorar continuamente seu desempenho
ambiental, verificar e demonstrar a conformidade do sistema com os requisitos
legais, da norma e aqueles com os quais a organização decide voluntariamente
aderir. A finalidade geral do SGA proposta na ISO 14001:2004 é equilibrar a pro-
teção ambiental e a prevenção de poluição com as necessidades econômicas das
organizações (FIESP, 2007).
Para atingir os objetivos ambientais e a política ambiental, convém que o SGA
estimule as organizações a considerarem a implementação das melhores técni-
cas disponíveis, quando for apropriado e economicamente viável (FIESP, 2007).
Segundo a ABNT (2004), a norma ISO 14000 não estabelece requisitos
absolutos para o desempenho ambiental. Cada organização identifica aqueles
aspectos ambientais que possa controlar e aqueles que possa influenciar. Dessa
forma, duas organizações com processos similares e níveis de desempenho dife-
rentes podem estar em conformidade com os requisitos expressos nas políticas
ambiental, legal e melhoria contínua que cada uma tenha subscrito.

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


121

A ISO 14001 é uma norma de gerenciamento, não de produto ou desem-


penho. É um processo de gerenciamento das atividades da empresa que tem
impacto no ambiente. Essa norma especifica os requisitos relativos a um SGA,
permitindo a organização formular política e objetivos que levem em conta os
requisitos legais e as informações referentes aos impactos ambientais significa-
tivos. Portanto, a finalidade básica da ISO 14001 é de fornecer às organizações
os requisitos básicos de um SGA eficaz.

ISO 14001* Sistema de Gestão Ambiental (SGA) - Especificações para implantação e


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

guia
ISO 14004 Sistema de Gestão Ambiental - Diretrizes Gerais
ISO 14010 Guias para auditoria ambiental - Diretrizes Gerais
ISO 14011 Diretrizes para Auditoria Ambiental e Procedimentos para Auditorias
ISO 14012 Diretrizes para a Auditoria Ambiental - Critérios de Qualificação
ISO 14020 Rotulagem Ambiental - Princípios Básicos
ISO 14021 Rotulagem Ambiental - Termos e Definições
ISO 14022 Rotulagem Ambiental - Simbologia para Rótulos
ISO 14023 Rotulagem Ambiental - Testes de Metodologias para Verificação
ISO 14024 Rotulagem Ambiental - Guia para Certificação com Base em Análise Multi-
criterial
ISO 14031 Avaliação da Performance Ambiental
ISO 14032 Avaliação da Performance Ambiental dos Sistemas de Operadores
ISO 14040* Análise do Ciclo de Vida - Princípios Gerais
ISO 14041 Análise do Ciclo de Vida - Inventário
ISO 14042 Análise do Ciclo de Vida - Análise dos Impactos
ISO 14043 Análise do Ciclo de Vida - Migração dos Impactos
* Normas passíveis de certificação
Quadro 8 - Famílias de normas NBR ISO 14000
Fonte: ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

A NBR ISO 14000 é baseada na metodologia do PDCA (Plan-Do-Check-Act)


(Figura 12).

Certificações Ambientais
III

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 12: Ciclo do PDCA
Fonte: Casa Da Consultoria, 2011, online.

Dentro dessa metodologia, as empresas gerenciam seus processos em busca da


melhoria contínua. O PDCA pode ser brevemente descrito como:
1. Planejar: estabelecer os objetivos e processos necessários para atingir
os resultados em concordância com a política ambiental da organização.
2. Executar: implementar os processos.
3. Verificar: monitorar e medir os processos em conformidade com a polí-
tica ambiental, objetivos, metas, requisitos legais e outros, e relatar os
resultados.
4. Agir: para continuamente melhorar o desempenho do sistema de ges-
tão ambiental.
A ISO 14001 está passando por uma revisão, desde 2011, discute-se sua nova
versão que está agora na última etapa do processo produtivo, com previsão para
publicação em outubro de 2015 (ISO, 2015). Com a ISO 14001: 2015, espera-se
atender as mais recentes tendências sustentáveis mundiais, torná-la compatível
com outras normas de sistemas de gestão, tais como a ISO 9001, que também
passa por revisão.
Segundo a ISO (2015), as principais alterações da ISO 14001 estão relacio-
nadas aos seguintes aspectos:

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


123

- maior destaque da gestão ambiental dentro dos processos de planejamento


estratégico das organizações;
- maior foco na liderança;
- inclusão de iniciativas pró-ativas para proteger o meio ambiente de danos e
degradações, tais como o uso sustentável dos recursos e a mitigação das mudan-
ças climáticas;
- melhora da performance ambiental;
- pensar no Ciclo de Vida, considerando os aspectos ambientais;
- adição de estratégias de comunicação.
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Após a publicação desta nova versão, as organizações terão um prazo de


transição de três anos para adequarem seu sistema de gestão ambiental à
nova edição. Depois desse período de transição, as empresas que optarem
por certificação de terceiros terão de buscar a certificação para a nova ver-
são da norma.
Conheça mais sobre a revisão da ISO 14001, acessando os links:
<http://www.iso.org/iso/home/standards/management-standards/
iso14000/iso14001_revision.htm>.
<http://www.qualityconsult.com.br/index.php/versao-2015-iso-14001/>.

A certificação, sob uma visão mais ampla, é a definição de atributos ou servi-


ços e a garantia de que eles se adequem às normas predefinidas. As certificações
podem envolver normas de esferas públicas, privadas, nacional, internacional
e um órgão certificador, com o poder de fiscalização e exclusão. Seguem alguns
exemplos de iniciativas de certificação ambiental e rotulagem aplicadas ao setor
do agronegócio, segundo Pinheiro (2010):

Certificações Ambientais
III

GAP - Good Agricultural Practice: é um protocolo que tem como base


estabelecer diretrizes de boa prática agrícola. O GAP tem como bases práticas
o Manejo Integrado de Pragas e o Manejo Integrado de Culturas. Essas práticas
são abordadas como essenciais para a melhoria incessante e para uma agricul-
tura sustentável.
FSC – Forest Stewardship Council: criado em 1993, no México, tem o obje-
tivo de promover a conservação florestal por meio de certificação de florestas
bem manejadas.
RAS – Rede de Agricultura Sustentável: tem o objetivo de promover, por

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meio do mecanismo de certificação, a conservação ambiental, a melhoria das
condições de vida dos trabalhadores rurais e o desenvolvimento da região, onde
a propriedade se insere aliando, dessa forma, produção, conservação da biodi-
versidade e desenvolvimento humano, especialmente nas regiões dedicadas à
produção de commodities agrícolas cultivadas nos trópicos.

AUDITORIAS AMBIENTAIS

A auditoria ambiental sur-


giu nos Estados Unidos,
no final da década de 70,
com o objetivo principal de
verificar o cumprimento da
legislação. Era vista pelas
empresas norte-america-
nas como uma ferramenta
de gerenciamento utilizada
para identificar, de forma
antecipada, os problemas
©shutterstock

provocados por suas opera-


ções. Na época, as auditorias

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


125

eram utilizadas para medir o grau de desempenho ambiental do empreendi-


mento e julgar sua adequação às normas legais. O objetivo desta era diminuir os
riscos dos investidores, pois ações judiciais poderiam reduzir o valor das ações
da empresa (CURI, 2011).
Essas empresas consideravam a auditoria ambiental como um meio de mini-
mizar os custos envolvidos com reparos, reorganizações, saúde e reivindicações.
Muitas empresas aplicavam também a auditoria, a fim de se prepararem para
inspeções da Environmental Protection Agency - EPA e melhorar suas relações
com aquele órgão governamental.
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Na Europa, a auditoria ambiental começou a ser utilizada na Holanda, em


1985, em filiais de empresas norte-americanas, por influência de suas matri-
zes. Em seguida, em outros países da Europa, a prática da auditoria passou a ser
disseminada em países como Reino Unido, Noruega e Suécia, também por influ-
ência de matrizes americanas.
Em 1991, a Câmara de Comércio Internacional (CCI) recomenda a realiza-
ção de auditorias ambientais para avaliar o desempenho ambiental das empresas
e julgar sua conformidade com as leis locais (CURI, 2011).
No ano de 1992, no Reino Unido, surgiu a primeira norma de sistema de ges-
tão ambiental, a BS 7750 (BSI, 1994), baseada na BS 5770 de Sistema de Gestão
da Qualidade, na qual a auditoria ambiental encontra-se normalizada. Em 1993,
começou a ser discutido o Regulamento da Comunidade Econômica Europeia -
CEE no 1.836/93, que trata do sistema de gestão e auditoria ambiental da União
Europeia (Environmental Management and Auditing Scheme - EMAS), e entrou
em vigor a partir de 10 de abril de 1995. A discussão se amplia mundialmente
em 1994, com a divulgação dos projetos de norma dentro da série ISO 14000
(RODRIGUES, 2007).
Em 1996, os projetos de norma são levados à categoria de normas interna-
cionais e adotados pelos países participantes da ISO. No Brasil, a Associação
Brasileira de Normas Técnicas - ABNT apresentou, em dezembro de 1996, as
NBR ISO 14010, 14011 e 14012, referentes à auditoria ambiental.
A auditoria fornece recomendações de ações emergenciais, de curto, médio
e longo prazo, que deverão ser tomadas para proporcionar a melhoria ambiental

Auditorias Ambientais
III

da empresa. De forma sucinta, pode-se dizer que a auditoria ambiental compara


resultados com expectativas ambientais (RODRIGUES, 2007).
De maneira geral, a auditoria ambiental é um instrumento para avaliar o
desempenho ambiental da empresa e julgar a sua conformidade com as leis locais;
dependendo dos objetivos que são somados a essa função principal. Tal instru-
mento pode contribuir também para outros fins (CURI, 2011).
A auditoria ambiental consiste em:
Processo sistemático e documentado de verificação, executado para
obter e avaliar, de forma objetiva, evidências que determinem se as ati-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
vidades, eventos, sistemas de gestão e condições ambientais especifica-
dos ou as informações relacionadas a estes estão em conformidade com
os critérios de auditoria estabelecidos nesta resolução e, para comuni-
car os resultados desse processo (CONAMA, 2002).

Instrumento gerencial que compreende uma avaliação sistemática, pe-


riódica, documentada e objetiva do desempenho da organização, da
administração e dos equipamentos na salvaguarda do meio ambiente
com vistas a facilitar o controle das práticas ambientais e avaliar a ade-
quação das políticas ambientais da empresa com as normas legais (ICC,
2007, p. 218).

Processo sistemático e documentado de verificação, executado para


obter e avaliar, de forma objetiva, evidências de auditoria para determi-
nar se as atividades, eventos, sistemas de gestão e condições ambientais
especificados ou as informações relacionadas a estes estão em confor-
midade com os critérios de auditoria, e para comunicar os resultados
deste processo ao cliente (ABNT NBR ISO 14010, 1996).

Processo sistemático de inspeção, análise e avaliação das condições ge-


rais ou específicas de uma determinada empresa em relação a fontes de
poluição, eficiência dos sistemas de controle de poluentes, riscos am-
bientais, legislação ambiental, relacionamento da empresa com a co-
munidade e órgão de controle, ou ainda do desempenho ambiental da
empresa (RODRIGUES, 2007).

A auditoria ambiental tem como objetivo caracterizar a situação da empresa


para fornecer um diagnóstico atual no que diz respeito à poluição do ar, águas
e resíduos sólidos, favorecendo a definição das ações de controle e gerencia-
mento que deverão ser tomadas para proporcionar a sua melhoria ambiental
(RODRIGUES, 2007).

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


127

Para Barbieri (2007), as auditorias ambientais podem ser realizadas com o


objetivo específico de detectar problemas ou oportunidades, em áreas como:
■■ Fontes de poluição e medidas de controle e prevenção.
■■ Uso de energia, água e medidas de economia.
■■ Processos de produção e distribuição.
■■ Pesquisas e desenvolvimento de produtos.
■■ Uso, armazenagem, manuseio e transporte de produtos controlados.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

■■ Subprodutos e desperdícios.
■■ Estações de tratamento de águas residuárias.
■■ Sítios contaminados.
■■ Reformas e manutenções de prédios e instalações.
■■ Panes, acidentes e medidas de emergência e mitigação.
■■ Saúde ocupacional e segurança do trabalho.

Rodrigues (2007) apresenta as aplicações e vantagens características do pro-


cesso de auditoria.

Aplicações e vantagens da Auditoria Ambiental


■■ Melhoria do controle da poluição nas empresas.
■■ Verificação das condições da empresa em relação à legislação ambiental.
■■ Substituição parcial do governo na fiscalização ambiental.
■■ Avaliação dos riscos existentes e da vulnerabilidade da empresa, assim
como identificação dos riscos antecipadamente.
■■ Priorização de atividades e verbas para o controle ambiental.
■■ Dotação adequada de verbas para o controle ambiental.
■■ Verificação da condição ambiental de unidades a serem adquiridas e

Auditorias Ambientais
III

avaliação de alternativas de crescimento.


■■ Corte de gastos desnecessários, favorecendo ações econômicas e efica-
zes, reduzindo desperdícios.
■■ Melhora no relacionamento empresa-governo e vice-versa.
■■ Atendimento à legislação de forma sistemática e consistente, com res-
posta imediata às novas exigências legais.
■■ Fornecimento de uma terceira visão do problema ambiental (do auditor).
■■ Maior credibilidade e maior flexibilidade nas exigências da fiscalização.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Proteção e melhoria da imagem da empresa junto à comunidade.

Com a popularização das questões ambientais, as auditorias ganharam novas for-


mas e especificidade. De acordo com Barbieri (2007), existem sete modelos de
auditorias ambientais para a aplicação do gestor ambiental, como apresentado na
Figura 13. Esses modelos são aplicáveis a qualquer empreendimento, indepen-
dente de sua localização, cadeia produtiva ou do sistema de gestão implantado
(CURI, 2011).

Figura 13: Modelos de auditorias ambientais, segundo Barbieri


Fonte: Barbieri (2007).

Curi (2011) descreve os sete tipos de auditorias da seguinte forma:


Auditoria de Conformidade: tem uma motivação meramente legalista.
Sua função se limita a verificar o status das licenças ambientais e avaliar se as
atividades da empresa operam dentro dos limites da lei, atendendo às normas
municipais, estaduais e federais que regulam o setor.

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


129

Auditoria de Desempenho Ambiental:


tem por finalidade verificar o impacto do
empreendimento sobre o meio ambiente,
por meio de medidas da poluição e do con-
sumo de matéria-prima, água e energia, por
exemplo. O desempenho ambiental é compa-
rado não apenas às metas estabelecidas por
lei, mas aos objetivos propostos na política
ambiental da organização.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Auditoria due dilligence: é utilizada em


situações de fusão, cisão, compra ou venda.
Considera, além do balanço patrimonial da
empresa, os seus ativos e passivos ambientais, ©shutterstock
incorporando-os ao seu valor final.
Auditoria de Desperdícios e Emissões: é utilizada para medir os efeitos nega-
tivos dos negócios, contribuindo para a implantação de melhorias. Um exemplo
é a sugestão de substituição de equipamentos menos poluentes.
Auditoria Pós-acidente: tem a função de medir a dimensão dos estragos e
apontar as falhas responsáveis pelo problema. É importante para conter os danos
e corrigir os instrumentos do SGA da organização.
Auditoria de Fornecedores: responsável pela investigação dos aspectos
ambientais dos produtos e serviços adquiridos pela empresa. É uma auditoria
útil na hora de escolher ou renovar o contrato de um fornecedor, ajudando a
vincular a organização a parceiros ecologicamente mais corretos.
Auditora do SGA: ajuda a avaliar o desempenho do SGA, verificando se
está em conformidade com a política ambiental, ou até se merece a certificação.

Auditorias Ambientais
III

Auditorias segundo Órgãos Nacionais e Internacionais


Auditorias segundo a Câmara Internacional do Comércio (ICC)

Segundo a Câmara de Comércio Internacional (ICC, 1989), a Auditoria Ambiental


é dividida em três partes básicas:
1. Atividade de Pré-auditoria: consiste em formar a equipe, discutir o
plano de auditoria, cronograma, profundidade da avaliação, recursos e
tópicos prioritários, de acordo com a política estabelecida pela empresa.
2. Atividade de Campo (Auditoria propriamente dita): formada por cinco

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fases: compreensão dos controles internos e critérios, avaliação dos con-
troles internos, coleta de dados, avaliação dos resultados da auditoria e
relatório dos resultados.
3. Atividade Pós-auditoria: consiste na reavaliação do relatório apresentado,
elaboração e distribuição do relatório final, desenvolvimento e acompa-
nhamento do plano de ação.

Dentre os requisitos estabelecidos para a concepção e a implementação do SGA


pelo EMAS, está a realização de auditorias ambientais periódicas.
Como aponta Barbieri (2007), todas as atividades da organização passarão
por auditoria no final de um período determinado por um ciclo de auditoria que
não ultrapassará três anos. A frequência dependerá de:
■■ Natureza, complexidade e dimensão da atividade.
■■ Impactos ambientais associados a ela.
■■ Importância e premência dos problemas detectados em auditorias
anteriores.
■■ Histórico dos problemas ambientais.

As atividades de auditoria incluirão entrevistas, inspeção de equipamentos e


análise de registros, procedimentos escritos e outras documentações que sirvam
para avaliar o comportamento ambiental da atividade, para verificar o cumpri-
mento das normas e dos regulamentos aplicáveis e dos objetivos fixados, bem
como a eficácia e a adequação do SGA (BARBIERI, 2007).

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


131

Para o autor, o processo de auditoria compreenderá as seguintes fases:


■■ Compreensão dos sistemas de gestão.
■■ Determinação dos pontos fracos e fortes do sistema.
■■ Levantamento de informação sobre elementos importantes.
■■ Avaliação dos resultados da auditoria.
■■ Elaboração de conclusões.
■■ Comunicação dos resultados e conclusão da auditoria.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Auditorias segundo a ISO 19011


Em 2002, a ISO disponibilizou a norma ISO 19011, com o objetivo de padronizar
as auditorias ambientais e as de qualidade, dispostas na série 9000. A unifor-
mização veio para facilitar a integração dos sistemas de gestão, unificando as
iniciativas para qualidade e meio ambiente. A ISO 19011 não determina requi-
sitos mínimos, mas princípios e orientações gerais para o desenvolvimento de
programas de auditoria interna e externa (CURI 2011). As auditorias de sistema
de gestão da qualidade e ambiental estão sobre a competência, educação e ava-
liação dos auditores (BARBIERI, 2007).
Os princípios de auditoria da norma ISO 19011 estão divididos em dois
grupos: um relacionado à auditoria e outro aos auditores, em que contém con-
duta ética, apresentação justa e devido cuidado profissional (BARBIERI, 2007).
A ISO 19011 trouxe o conceito de programas de auditorias, designado como
o conjunto de auditorias agendadas dentro de um determinado período, com
o objetivo de tratar temas específicos, ou seja, a função é de ajudar a limitar o
escopo de cada ciclo de auditoria (CURI, 2011).

Auditorias segundo o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA)


Segundo o CONAMA, as auditorias devem ser conduzidas por entidades de
terceira parte. Todos os procedimentos precisam ser documentados e seguir os
princípios prescritos no escopo e na metodologia, escolhidos para o programa
de auditoria.

Auditorias Ambientais
III

A Resolução nº 306/2002, que trata das auditorias ambientais, tem a finali-


dade de estabelecer parâmetros para a execução de inspeções e evitar que cada
organização crie seus próprios procedimentos.
Os passos para a auditoria ambiental, segundo o CONAMA, compreen-
dem o levantamento de todas as leis federais, estaduais e municipais aplicáveis
ao empreendimento. Tais passos levam em conta ainda todos os acordos firma-
dos com outros parceiros; checam se o processo de licenciamento está em dia e
o cumprimento das recomendações solicitadas pelo órgão competente durante
o processo de licenciamento; comparam os resultados da inspeção com as pro-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
postas na legislação e na política da organização, como também se a empresa
mantém um canal aberto com os stakeholders sobre os impactos ambientais da
atividade e se ouvem as suas solicitações; verificam planos de emergência e geren-
ciamento de riscos, e a realização de respectivos treinamentos e simulações, por
último, confeccionam um relatório contendo os seguintes itens:
■■ Membros da equipe de auditoria e distribuição de tarefas.
■■ Descrição dos aspectos operacionais e administrativos do setor da empresa
e das instalações auditadas.
■■ Escolha da metodologia e dos critérios que orientaram a auditoria.
■■ Período coberto pela auditoria.
■■ Documentos, normas e regulamentos de referência.
■■ Lista de documentos e unidades auditadas.
■■ Lista de entrevistados e suas respectivas funções na empresa.
■■ Conclusão da auditoria, incluindo a identificação de conformidades e
não conformidades.

Com base nos dados do relatório da auditoria, a empresa deve elaborar um plano
de ação contendo no mínimo os componentes:
■■ Ações corretivas e preventivas para extinguir os problemas com não con-
formidade indicados no relatório.
■■ Cronograma para o plano de ação.

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


133

■■ Indicação de equipe responsável pela implementação das medidas.


■■ Cronograma para avaliação da eficiência do plano e para elaboração de
um relatório.

ROTULAGEM AMBIENTAL
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Desde que as empresas passaram a reco-


nhecer as preocupações ambientais como
uma vantagem competitiva e de distinção no
mercado, declarações e rótulos ambientais
começaram a emergir em vários produtos
e serviços no mercado. Esses instrumen-
tos ainda fizeram despertar o interesse dos
consumidores na redução dos impactos
no ambiente por meio das suas opções de
compra.
O enquadramento da rotulagem ©shutterstock
ambiental leva em consideração a preocu-
pação global e crescente da proteção do ambiente, por parte dos governos, do
mercado e dos cidadãos.
Rótulos ambientais, também conhecidos por selos verdes, selos ambientais
e rótulos ecológicos, são alternativas encontradas pelos fabricantes para a divul-
gação de suas práticas menos agressivas ao meio ambiente, ou seja, é por meio
desse recurso que as empresas buscam diferenciar seus produtos “ambiental-
mente corretos” dos concorrentes (BAENA, 2000).
Rotulagem ambiental é a certificação de produtos adequados ao uso e que
apresentam menor impacto no meio ambiente, em relação a outros produtos
comparáveis disponíveis no mercado (BARBOSA, 2001).

Rotulagem Ambiental
III

Rótulos e declarações ambientais fornecem informações sobre um pro-


duto ou serviço em termos de suas características ambientais gerais,
ou de um ou mais aspectos ambientais específicos. [...] pode aparecer
sob forma de um texto, um símbolo ou elemento gráfico no rótulo de
um produto ou numa embalagem, na literatura sobre o produto, em
boletins técnicos, em propaganda ou publicidade, entre outras coisas.
[...] A meta geral dos rótulos e declarações ambientais é [...] promover
a demanda e fornecimento dos produtos e serviços que causem menor
impacto ambiental, estimulando assim, o potencial para uma melhoria
ambiental contínua, ditada pelo mercado. (ABNT ISO 14020, 2002)

De acordo com a Comissão das Comunidades Europeias (2001), o objetivo glo-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
bal do rótulo ecológico é a promoção de produtos potencialmente capazes de
reduzir impactos negativos ao meio ambiente e assim apoiar o uso eficiente de
recursos e uma eficaz condição de proteção ambiental, contribuindo para tor-
nar o consumo mais consciente.
O primeiro rótulo ambiental que surgiu foi o Anjo Azul, na Alemanha, em
1978. Esse selo era uma referência às empresas que tinham respeito com a natureza.
Com o passar do tempo, muitas organizações passaram a sentir a necessidade de
adotar o selo, por conta da preferência dos consumidores aos produtos rotulados.
Atualmente, na Europa, muitos outros selos foram criados para identificar as
empresas que tratam o meio ambiente com respeito em seus processos de pro-
dução de bens ou serviços (Figura 14).

CE (Conformité Européenne) GS (Geprufte Sicherheit) Gruner Punkt (Ponto Verde)

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


135

VDE (Verband der Elek- EU Eco-Label (Rótulo


“Blauer-Engel“ (Anjo
trotechnik Elektronik Ecológico d: Comunidade
Azul)
Informationstechnik e.V) Européia)
Figura 14: Selos de qualidade mais conhecidos na Europa
Fonte: www.ahkbrasil.com

De acordo com a norma ISO 14020, a rotulagem ambiental compreende um


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

conjunto de instrumentos informativos que procura estimular a procura de pro-


dutos e serviços com baixos impactos ambientais, por meio da disponibilização
de informação relevante sobre os seus desempenhos ambientais.
Existe grande variedade de rótulos e declarações de desempenho ambien-
tal, quer voluntários ou obrigatórios. Em vários casos, esse tipo de rotulagem
tomou a forma de rótulos ecológicos concedidos ao produto, aprovados por um
programa de rotulagem ambiental operado a nível nacional e regional. Os rótu-
los ecológicos utilizam critérios multidimensionais (como o rótulo ecológico da
União Europeia), baseados na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) de um pro-
duto, ou num determinado impacto ambiental (como o rótulo Energy Star em
eficiência energética).
Além dos rótulos ambientais, os produtores podem declarar que os seus
produtos são ambientalmente orientados, sendo denominados por declarações
ambientais. A Organização Internacional de Normalização (ISO) determinou um
conjunto de critérios para avaliar os esquemas de rotulagem ambiental, conhe-
cido pela série ISO 14020.

Rotulagem Ambiental
III

TIPOS DE RÓTULOS AMBIENTAIS

De acordo com a classificação ISO, existem três tipos voluntários de rótulos


ambientais:
Tipo I: Rótulos ambientais certificados.
Tipo II: Autodeclarações.
Tipo III: Declarações Ambientais do Produto, EPDs.

Veja a que se referem os três tipos de esquemas de rótulos ambientais.

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SELOS DO TIPO I

São programas voluntários que concedem rótulos refletindo uma preferência


ambiental global de um produto dentro de uma categoria particular, baseados
em considerações do ciclo de vida (Quadro 09).
São multicriteriosos e são certificados por entidades de Programas de 3a
Parte, que estabelecem os critérios e os monitoram por meio de certificação,
auditoria e processo. No Quadro 09, são apresentados alguns selos ecológicos
do Tipo I usados mundialmente.

Nome Símbolo Descrição

Produtos com impactos ambientais mais


Produtos Ecológicos

Rótulo Ecoló-
reduzidos ao longo do seu ciclo de vida, rela-
gico da UE
tivamente aos outros produtos convecionais

Rótulo Anjo Para produtos e serviços: protecção ambien-


Azul tal e do consumidor

Rótulo do governo dos EUA para produtos


Produtos eletrónicos

Energy Star
com excepcional eficiência energética

Especialmente para computadores e monito-


res. Especificações de aspectos: ambientais,
TCO 95/99
ergonômicos, de usabilidade, emissão de
campos elétricos e magnéticos

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


137

Forest Certificação de explorações florestais para a


Produtos em madeira

Stewardship comercialização de madeira de uma forma


Council sustentável

Pan- European
Certificação de florestas com uma gestão
Forest
ambiental, social e economicamente viável
Certification

Carpetes e tapetes aprovados no progra-


Carpetes e

ma de testes de Qualidade Ambiental de


Rótulo
tapetes

Interiores e Materiais com Baixas Emissões do


“Carpet and Rug Istituite´s (CRI)“
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Certificação de produtos animais e de agri-


BIO Suísse
cultura biológicos

Certificação de atum apanhado com práticas


Dolphin Safe
protectoras de golfinhos

Marine Para produtos marinhos provenientes de


Stewardship pescas com uma gestão ambientalmente
Council orientada
Produtos alimentares

Certificação de Comércio Justo garante que


agricultures e trabalhadores receberam um
Rótulo “Trans- preço justo pelos seus produtos e que os
fair Fair Trade“ produtos têm maior qualidade e foram pro-
duzidos com respeito pelo ambiente (por ex.
podem ser de agricultura biológica)
Embalagens

Rotulagem obrigatória de embalagens (base-


Ponto Verde
ada na Directiva 94/62/EC)

Quadro 09 - Exemplos de selos ecológicos do Tipo I


Fonte: PROJECTO START IPP (online).

Rotulagem Ambiental
III

SELOS DO TIPO II:

Aqueles das reivindicações ambientais que são feitas pelos próprios fabricantes,
importadores ou distribuidores para os seus produtos, sem avaliação de orga-
nizações de terceira parte.
Não são verificados independentemente, não usam os critérios preestabe-
lecidos e aceitos como referência, e são questionáveis como sendo os menos
informativos das três categorias de selos ambientais. De qualquer forma, as
autodeclarações dos produtos têm uma vantagem sobre as do Tipo I e III, pois

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
são mais econômicas, uma vez que não estão envolvidos os custos de certifica-
ção ou de validação.

SELOS DO TIPO III:

São aqueles que listam critérios de impactos ambientais para produtos, por meio
do seu ciclo de vida, semelhantes aos selos de produtos alimentícios que deta-
lham seu teor de gordura, açúcar ou vitaminas.
Os rótulos ambientais de Tipo III fornecem informação sobre um produto
ou serviço baseado na análise de ciclo de vida, por meio de diagramas que apre-
sentam um conjunto de indicadores ambientais (aquecimento global, depleção
de recursos, resíduos, entre outros), acompanhados de uma interpretação da
informação.
A Environmental Product Declaration (EPD) é desenvolvida por iniciativa da
própria indústria. As EPD’s fornecem uma descrição quantitativa fiável e verifi-
cada do desempenho de produtos e serviços do qual é objeto, devido ao uso do
método de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV).
Embora a EPD seja verificada por terceira parte, ela não é necessariamente
certificada. As EPD’s são aplicáveis a todos os produtos, serviços e são atualizáveis.
As categorias de informação podem ser estabelecidas pelo setor industrial ou
por organismos independentes. Diferentemente dos de Tipo I, eles não julgam
produtos, deixando essa tarefa para os consumidores. Seu ponto crítico é se o
consumidor comum tem tempo e conhecimento suficiente para tais julgamentos.

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


139

Diferentes dos selos do Tipo I e Tipo II, eles não têm padronização para alcançar.
Assim, os próprios usuários avaliam o nível de impacto ambiental dos pro-
dutos, baseados em dados quantitativos obtidos pela ACV (Avaliação do Ciclo
de Vida). Esse tipo de selo ainda continua em discussão como ISO 14025.
No Quadro 10, são apresentados os tipos de selos e as suas características
particulares, organismo certificador e as normas seguidas por eles.
Dentro da série ISO 14000, as normas que se referem à rotulagem ambien-
tal e ao ciclo de vida do produto são especificadas pelas ISOS 14020, 14030 e
14040 (Quadro 11).
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TIPOS CARACTÉRISTICAS CERTIFICADOR NORMAS


♦♦ Comparam os produtos ♦♦ Agência governamen- ♦♦ Especificam
com outros da mesma tal, setor privado ou normas. ISO
categoria, e são concedidos sem fins lucrativos (3ª
I àqueles que são ambiental- Parte).
mente preferíveis devido ao ♦♦ Estão desvinculados
seu ciclo de vida total (ACV). da fabricação ou ven-
da do produto.
♦♦ Não são verificados por ♦♦ Fabricante, importa- ♦♦ Não usam
partes independentes. dor ou distribuidor do os critérios
♦♦ São considerados os menos produto. Autodeclara- estabelecidos
II informativos. ção. (1ª Parte) Vincu- e aceitos como
lados diretamente à referência.
fabricação e venda do
produto.
♦♦ Listam critérios de impac- ♦♦ Associações comer- ♦♦ Não têm
tos ambientais para os ciais. (2ª Parte) padronização
produtos considerando o alcançar. As
seu ciclo de vida. Não são categorias são
diretamente vinculados à estabelecidas
III sua fabricação ou comer- pelo setor in-
cialização. O julgamento do dustrial ou por
produto cabe ao consumi- partes indepen-
dor. dentes. Está em
discussão como
ISO 14025.
Quadro 10 - Tipos de selos e suas características (ISO)
Fonte: Barboza (2000).

Rotulagem Ambiental
III

ISO 14020 Concessão de selos verdes, princípios par a rótulos e declarações


ISO 14021 Rotulagem ambiental - Auto-declaração do Tipo II
ISO 14024 Rotulagem ambiental - Auto-declaração do Tipo I
ISO 14025 Avaliação do ciclo de vida ACV (avaliação do ciclo de vida - Tipo III - selo verde)
ISO 14031 Diretrizes para avaliação da performance ambiental
ISO 14032 Exemplo de indicadores ambientais
ISO 14040 Diretrizes da análise do ACV
ISO 14041 Escopo e análise do inventário de ACV

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ISO 14042 Avaliação do Impacto - ACV
ISO 14043 Interpretação do ACV
Quadro 11 - Normas da Série 14000 referentes à rotulagem ambiental e análise do ciclo de vida dos
produtos
Fonte: Siqueira (2010).

PROGRAMAS DE ROTULAGEM AMBIENTAL

O programa de rotulagem ambiental no Brasil foi desenvolvido com base em


experiências de programas mundiais de rotulagem ambiental (BARBOZA, 2001).
O programa brasileiro é representado pela Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT), órgão responsável pela normalização técnica voluntária no
país, entidade privada, sem fins lucrativos, fundada em 1940 e reconhecida
pelo governo como fórum nacional de normalização. É também o organismo
de certificação credenciado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade
e Tecnologia (INMETRO) para a Certificação de sistemas de qualidade (ISO
9000), sistemas de gestão ambiental (ISO14001) e diversos produtos e serviços,
qualidade e meio ambiente (BARBOZA, 2001).
Os programas de rotulagem ambiental tentam, em diferentes graus, alcan-
çar pelo menos três objetivos:
■■ despertar no consumidor e no setor privado a consciência e entendimento
dos propósitos de um programa de rotulagem;

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


141

■■ aumentar a consciência e entendimento dos aspectos ambientais de um


produto que recebe o rótulo ambiental;
■■ influenciar na escolha do consumidor ou no comportamento do fabri-
cante (BARBOZA, 2000).

CLASSIFICAÇÕES DOS PROGRAMAS DE ROTULAGEM AMBIENTAL

Os programas de rotulagem ambiental variam muito, tanto com relação aos pro-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

dutos que eles cobrem, quanto para com os problemas de meio ambiente para os
quais estão voltados. Podem ser classificados de acordo com o número de carac-
terísticas do programa. Uma das características mais importantes considera o
tipo de organização que administra o programa (BARBOZA, 2000).

a) Programas de Primeira Parte


Os programas de 1ª parte são voluntários se tratam de reivindicações baseadas
em autodeclarações ambientais produzidas pelo próprio fabricante, que se bene-
ficia diretamente da reivindicação (KOHLRAUSCH, 2003). A solicitação baseada
em autodeclaração é considerada pela ISO 14021 como tipo II e definida como
“qualquer declaração ambiental que descreve ou implica, por qualquer meio, os
efeitos que a extração das matérias-primas, a produção, a distribuição, o uso ou
o descarte de um produto ou serviço tem sobre o meio ambiente” (ABNT NBR
ISO 14021, 2004).
Os termos e definições utilizados nas
autodeclarações são referentes à qualidade
e atributos ambientais que um produto ou
serviço pode ter, os mais comuns se refe-
rem ao material “reciclável”, “reutilizável”,
“compostável”, “degradável”, “biodegradá-
vel” etc. (BIAZIN, 2002).
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Programas de Rotulagem Ambiental


III

Esse tipo de rotulagem é a que mais gera polêmica e cria uma ilusão para
o consumidor, pois parte direto do fabricante que, muitas vezes, divulga como
atributo ambiental a reciclabilidade do produto, quando na realidade a fase de
extração da matéria-prima é o processo mais poluente (CABRAL, 1996). Ainda
assim, são as mais conhecidas dos brasileiros e utilizadas pelos americanos
(CORRÊA, 1998).

b) Programas de Segunda Parte


Os programas de segunda parte são aqueles que envolvem a rotulagem para

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
produtos ou embalagens concedidos por associações comerciais. Não estão dire-
tamente ligados à fabricação ou venda do produto, e as categorias de informação
podem ser estabelecidas pelo setor industrial ou organismos independentes.

c) Programas de Terceira Parte


São aqueles certificados por organismos independentes dos fabricantes e classi-
ficados como Tipo I pela ISO 14024. O produto passa a ter direito a esse rótulo
após a avaliação de todo o seu ciclo de vida e, por isso, é detentor de múltiplos
critérios (KOHLRAUSCH, 2003; BIAZIN, 2002). Conforme a U. S. Environmental
Protection Agency – EPA (1998), esses programas podem ser positivos, se dota-
dos de um ou mais atributos ambientalmente preferíveis; neutros, quando apenas
resumem informações ambientais sobre produtos que serão interpretadas pelos
consumidores; e negativos, quando são apresentados os potenciais efeitos noci-
vos do produto.
Apesar da ISO recomendar que os programas utilizem a Análise do Ciclo de
Vida (ACV) em sua totalidade, poucos efetivamente a utilizam, pois, por ser um
processo complexo e oneroso, muitos acabam adotando uma análise limitada,
ou simplificada, nem sempre identificando a fase de maior impacto ambiental.
A partir daí, estabelecem os parâmetros ambientais para a formulação dos cri-
térios exigidos para a concessão do selo. Hoje, existem mais de 26 programas de
rotulagem ambiental Tipo I espalhados pelo mundo, com mais de 23 mil pro-
dutos certificados (COLTRO, 2007).

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


143

A ABNT ainda representa no Brasil os organismos internacionais: International


Organization for Standardization (ISO); International Electrotechnical Comission
(IEC), Comisssão Pannamericana de Normas Técnicas (COPANT) e Associação
Mercosul de Normalização (AMN) (BARBOZA, 2000).
O programa brasileiro de rotulagem ambiental – ABNT - Qualidade
Ambiental – está estruturado de acordo com o esboço das versões das normas
ISO 14020, “Environmental Labels and Declarations - General Principals” e ISO
14024 “Guiding principles and procedures for Type I Environmental Labeling”. É um
programa de 3a parte, positivo, que concede selo do Tipo I, o Selo de Aprovação
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

(BARBOZA, 2000).
Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), em jargão técnico, é uma forma que tende
a examinar o impacto total de um produto por meio de cada etapa de sua vida,
desde a obtenção de matéria-prima, até a forma de como é fabricado, a venda no
mercado, o uso em casa e seu descarte. As opções de descarte incluem incine-
ração, depósito em aterros ou reciclagem. Muitos países utilizam a metodologia
ACV para a concessão de selos ambientais (BARBOZA, 2000).
Quando a certificação se converte em informação para o consumidor, este
irá valorar, de forma distinta, outros produtos de iguais aparências, além de deci-
dir a favor ou contra outra empresa.
Torres (2002) diz que para conquistar um diferencial e obter a credibilidade
e aceitação da sociedade e das diversas partes interessadas dentro do universo
empresarial, além de novas práticas sociais, as corporações têm buscado certi-
ficações, selos e standards internacionais na área
social. Entre os exemplos brasileiros mais signi-
ficativos estão o Selo Empresa Amiga da Criança,
conferido pela Fundação Abrinq; o Selo Empresa-
Cidadã, que é uma premiação da Câmara Municipal da
Cidade de São Paulo; e o Selo Balanço Social Ibase/Betinho,
do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas,
desde 1998.
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Programas de Rotulagem Ambiental


III

CONHEÇA O GREENWASHING
O termo Greenwashing ou “lavagem verde” é um termo usado quando uma
empresa, ONG ou mesmo o próprio governo, propaga práticas ambientais
positivas e, na verdade, possui atuação contrária aos interesses e bens am-
bientais. Trata-se do uso de ideias ambientais para construção de uma ima-
gem pública positiva de “amigo do meio ambiente” que não é condizente
com a real gestão. Trocando em miúdos, é a mascaração da empresa que

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
não se preocupa com as questões, mas que precisa dar ao seu produto/
serviço um apelo ambiental, tanto para vender mais, quanto para vender a
preços diferenciados e para clientes diferenciados.
Essa prática nociva de gestão é um problema global e vem sendo discutido
por vários meios especializados no assunto. Em um artigo intitulado “Green
is the colour of money”, a jornalista norte-americana Amanda Witherell de-
nuncia que empresas estão investindo dinheiro em iniciativas ambientais
para encobrir ofensas do passado ao meio ambiente.
O último relatório do Terra Choice mostra que, de 2007 a 2009, o crescimen-
to dos produtos verdes subiu de 40% para 176%, mas 98% desse total prati-
ca o greenwashing de alguma forma.
Fonte: REZENDE, Bruno. Um vilão chamado Greenwashing. 2009. Disponí-
vel em: <http://www.colunazero.com.br/2009/11/um-vilao-chamado-gre-
enwashing.html>. Acesso em: 18 maio 2015.

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


145

FERRAMENTAS DE GESTÃO AMBIENTAL: ANÁLISE DO CICLO DE


VIDA (ACV), ECOEFICIÊNCIA E PRODUÇÃO MAIS LIMPA (P+L)

ANÁLISE DO CICLO DE VIDA (ACV)

Avaliação do ciclo de vida (ACV) é uma forma que tende a examinar o impacto
total de um produto por meio de cada etapa de sua vida, desde a obtenção de
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

matéria-prima, a forma de como é fabricado, a venda no mercado, o uso em casa


e seu descarte (BARBOZA, 2001).
Para Chehebe (1997), a ACV é uma técnica para avaliação dos aspectos
ambientais e dos impactos potenciais associados a um produto, compreendendo
etapas que vão desde a retirada da natureza das matérias-primas elementares que
entram no sistema produtivo à disposição do produto final.
Fava (apud SCHENINI, 1999) esclarece que a ACV considera a extração, o
processamento da matéria-prima, a manufatura, o transporte e a distribuição,
uso e reuso, manutenção, reciclagem e o gerenciamento de resíduos.
A ACV deve ser vista como instrumento de gestão ambiental que permite
às organizações entenderem as incidências ambientais dos materiais, dos pro-
cessos e produtos, podendo a informação obtida conduzir ao desenvolvimento
de novos produtos e à detecção de melhorias a serem aplicadas, além de formu-
lar estratégias comerciais específicas (NEUENFELD et al., 2006).
As opções de descarte incluem incineração, depósito em aterros ou recicla-
gem. O EMAS (Eco-Management Audit Scheme, da Comissão Europeia), a BS
(British Standards) e a série ISO 14000 exigem um desenvolvimento contínuo
no seu sistema de gerenciamento ambiental da ACV.
Em um estudo ACV de um produto ou serviço, todas as extrações de recur-
sos e emissões para o ambiente são determinadas, quando possível, numa forma
quantitativa ao longo de todo o ciclo de vida, desde o “nascer” ao “morrer”, ou
ainda, conforme uma expressão muito utilizada, qual seja “do berço ao túmulo”
– “from cradle to grave”. Com base nesses dados são avaliados os potenciais impac-
tos nos recursos naturais, no ambiente e na saúde humana (FERREIRA, 2004).

Ferramentas de Gestão Ambiental


III

A Figura 15 ilustra os possíveis estágios de ciclo de vida que podem ser con-
siderados numa ACV, e as típicas entradas/saídas medidas (USEPA, 2001 apud
FERREIRA, 2004).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 15: Estágios do ciclo de vida do produto
Fonte: USEPA (2001 apud FERREIRA, 2004).

O processo ACV é uma abordagem sistemática composta por quatro fases: defini-
ção de objetivos e âmbito; análise de inventário; análise de impacto; e interpretação
dos resultados, como se ilustra na Figura 16 (ISO 14040: 1997).

Figura 16: Fases de uma Análise de Ciclo de Vida


Fonte: ISO 14040:1997.

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


147

1. Definição de Objetivos e Âmbito – define e descreve o produto, processo


ou atividade. Estabelece o contexto no qual a avaliação é para ser feita e
identifica os limites e efeitos ambientais a serem revistos para a avaliação.
2. Inventário - descreve quais emissões ocorrerão e que matérias-primas
são usadas durante a vida de um produto. A base de um estudo de ACV
é um inventário de todas as entradas e saídas dos processos industriais
que ocorrem durante o ciclo de vida de um produto, que inclui a fase de
produção, distribuição, uso e descarte final do produto.
3. Análise do impacto - analisa quais os impactos das emissões e do esgota-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mento da matéria-prima. A tabela resultante do inventário é o resultado


mais objetivo de um estudo de ACV.
4. Interpretação – avalia os resultados da análise de inventário e análise de
impacto para selecionar o produto preferido, processo ou serviço, com
uma compreensão clara das incertezas e suposições utilizadas para gerar
os resultados.

BENEFÍCIOS DE UM ESTUDO ACV

Os dados de um estudo ACV, em conjunto com outra informação, por exemplo,


os dados de custos e performance, podem ajudar os responsáveis pela tomada de
decisão na seleção de produtos ou processos que resultem num menor impacto
para o ambiente. A metodologia ACV é a única que permite identificar a trans-
ferência de impactos ambientais de um meio para outro (FERREIRA, 2004).
Ainda segundo o mesmo autor, um estudo de ACV permite:
■■ Desenvolver uma sistemática avaliação das consequências ambientais
associadas com um dado produto.
■■ Analisar os balanços (ganhos/perdas) ambientais associados com um ou
mais produtos/processos específicos, de modo a que os visados (estado,
comunidade etc.) aceitem uma ação planeada.
■■ Quantificar as descargas ambientais para o ar, água e solo, relativamente
a cada estágio do ciclo de vida e/ou processos que mais contribuem.

Ferramentas de Gestão Ambiental


III

■■ Assistir, na identificação de significantes, troca de impactos ambientais


entre estágios de ciclo de vida e o meio ambiental.
■■ Avaliar os efeitos humanos e ecológicos do consumo de materiais e des-
cargas ambientais para a comunidade local, região e o mundo.
■■ Comparar os impactos ecológicos na saúde humana entre dois ou mais
produtos/processos rivais, ou identificar os impactes de um produto ou
processo específico.
■■ Identificar impactos em uma ou mais áreas ambientais específicas de
interesse.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Um dos mais antigos métodos de análise de impacto é do Environmental Priority
System (EPS), desenvolvido pelo IVL na Suécia. Nesse método, é calculada a
cadeia completa de causa e efeito de cada impacto em um ser humano.
Outro método é o do Ecopoints, desenvolvido pelo governo suíço. É baseado
no princípio da distância existente do objetivo a ser atingido. Nesse método, a
distância entre o nível existente de um impacto e a meta a ser alcançada, nível
alvo, é tida como representativa da gravidade da emissão.
Existem vários softwares para avaliação da ACV:
Boustead Consulting Database and Software;
CMLCA - Chain Management by Life Cycle Assessment - CML at Leiden
University;
Design for Environment, Ver 1.0 - Boothroyd Dewhurst, Inc. and TNO Institute;
ECO-it: Eco-Indicator Tool for environmentally friendly design - PRé
Consultants;
EcoManager - Franklin Associates.
Para a análise da segunda etapa da Avaliação do Ciclo de Vida, a análise do
impacto ambiental, várias são as ferramentas existentes. O SimaPro, desenvol-
vido pela Pré-Consultants, inclui as seguintes ferramentas para análise de impacto:
■■ Eco-indicator 99;
■■ Eco-indicator 95;
■■ ML 92 (2001);

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


149

■■ EDIP/UMIP;
■■ EPS 2000;
■■ Ecopoints 97.

ECOEFICIÊNCIA

Nas ultimas décadas, muito se tem falado sobre ecoeficiência e se incentivado as


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

organizações a implementarem-na em seus processos produtivos, por meio do


gerenciando sustentável desses. Segundo o CEDSB (2012), o termo ecoeficiên-
cia foi introduzido por meio da publicação do livro Changing Course, em 1992
(World Business Council for Sustainable Development - WBCSD), sendo endos-
sado pela Conferência Rio-92. Esse conceito foi definido por gestores ligados ao
mundo dos negócios e se disseminou rapidamente no mundo, principalmente
junto a executivos.
A ecoeficiência é obtida pela “entrega de bens e serviços com preços
competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qua-
lidade de vida, reduzindo progressivamente impactos ambientais dos
bens e serviços, através de todo o ciclo de vida, em linha com a capaci-
dade estimada da Terra em suportar”

(WBCSD apud CEDSB, 2012). Ainda de acordo com o texto, esse processo
envolve uma visão para produção de bens e serviços economicamente viáveis e
que reduzem os impactos ecológicos da produção. A ecoeficiência busca o uso
mais eficiente de matérias-primas e energia, visando à redução dos custos eco-
nômicos e dos impactos ambientais, reduzindo ainda os riscos de acidente e
melhorando a relação da organização com as partes interessadas.
O CEBDS (2012) aponta alguns elementos que compõem a ecoeficiência:
1. Reduzir o consumo de materiais com bens e serviços.
2. Reduzir o consumo de energia com bens e serviços.
3. Reduzir a dispersão de substâncias tóxicas.

Ferramentas de Gestão Ambiental


III

4. Intensificar a reciclagem de materiais.


5. Maximizar o uso sustentável dos recursos naturais.
6. Prolongar a durabilidade dos produtos.
7. Agregar valor aos bens e serviços.
No Brasil, esse conceito vêm ganhando força a partir da criação do Conse-
lho Empresarial Brasileiros para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS,
que congrega  grandes corporações e tem como missão promover o desen-
volvimento sustentável no setor empresarial, por meio do conceito de

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ecoeficiência (AGENDA 21 EMPRESARIAL, online).

Segundo o World Business Council


for Sustainable Development
(WBCSD), a ecoeficiência é
atingida por meio da produ-
ção de bens e serviços a preços
competitivos que, por um lado,

©shutterstock
satisfaçam as necessidades huma-
nas e contribuam para a qualidade
de vida e, por outro, reduzam pro-
gressivamente o impacto ecológico
e a intensidade de utilização de
recursos ao longo do ciclo de vida, até atingirem um nível que, pelo menos, res-
peite a capacidade de sustentação estimada para o planeta Terra.
Para o WBCSD, a ecoeficiência está relacionada a três importantes objetivos:

1. Redução do consumo de recursos


Seu alcance pressupõe a minimização do uso de energia, materiais, água e solo, a
promoção do reuso de materiais e da durabilidade dos produtos, além da redu-
ção dos desperdícios.

2. Redução do impacto na natureza


Seu alcance implica na redução de emissões atmosféricas, lançamentos de efluen-
tes e geração de resíduos e ruídos, dentre outros.

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


151

3. Aumento da produtividade ou do valor do produto


Pressupõe atendimento aos clientes, fornecendo produtos mais flexíveis, fun-
cionais, duráveis e que atendam objetivamente às suas necessidades, utilizando
a menor quantidade de recursos possível.
Os indicadores de ecoeficiência vêm sendo progressivamente incorpora-
dos pelas empresas, na medida em que as grandes empresas se conscientizam
de que o comportamento ecoeficiente, além de reduzir o impacto das ativida-
des empresariais no meio ambiente, aumenta a rentabilidade de suas empresas.
Segundo o WBSCD, os princípios para a definição e utilização dos indica-
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dores de ecoeficiência devem seguir o modelo apresentado no Quadro 12.

Indicadores de Ecoeficiência
1. Ser relevantes e significativos na proteção do meio ambiente e da saúde
humana e/ou na melhoria da qualidade de vida.
2. Fornecer informação aos tomadores de decisão, com o objetivo de melhorar
o desempenho da organização.
3. Reconhecer a diversidade inerente a cada negócio.
4. Apoiar o benchmarking e monitorar a evolução do desempenho.
5. Ser claramente definidos, mensuráveis, transparentes e verificáveis.
6. Ser compreensíveis e significativos para as várias partes interessadas.
7. Basear-se em uma avaliação geral da atividade da empresa, produtos e ser-
viços, concentrando-se principalmente nas áreas controladas diretamente
pela gestão.
8. Levar em consideração questões relevantes e significativas, relacionadas
com as atividades da empresa, a montante (ex.: fornecedores) e a jusante
(ex.: utilização do produto).
Quadro 12 - Princípios do WBSCD para a Definição e Utilização de Indicadores de Ecoeficiência
Fonte: WBSCD (2003).

O WBSCD define dois tipos de indicadores, em uma abordagem que conjuga


a utilização de indicadores de aplicação genérica com indicadores específicos
do negócio avaliado. Esse item explica o conceito subjacente a essa abordagem,
enumerando os genéricos e apresentando exemplos de indicadores específicos
de negócios (SALGADO et al., 2004):

Ferramentas de Gestão Ambiental


III

Indicadores de Aplicação Genérica - são aqueles que podem ser utiliza-


dos por praticamente todos os negócios, embora possam ter um valor e grau de
importância diferente, consoante o negócio. Para cada um desses indicadores,
tem de haver um acordo internacional geral sobre o seguinte:
■■ O indicador está relacionado com uma preocupação ambiental global, ou
com um valor representativo global para todos os negócios.
■■ É relevante e significativo para praticamente todos os negócios.
■■ Os métodos de medição estão estabelecidos e as definições são global-

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mente aceitas.

Todos os outros indicadores que não respeitarem esses três critérios são deno-
minados específicos de negócio, o que significa que deverão ser definidos de
acordo com o negócio ao qual se referem. Tais distinções não implicam que os
indicadores de aplicação genérica sejam mais importantes do que os indicadores
específicos, ou seja, a questão dependerá da natureza do próprio negócio. Seguem
alguns exemplos de indicadores de aplicação genérica (SALGADO et al., 2004):

Valor do Produto ou Serviço


■■ Quantidade de mercadoria produzida ou serviços prestados aos clientes.
■■ Vendas Líquidas.

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


153

Influência Ambiental na Criação do Produto / Serviço


■■ Consumo de energia, materiais e água.
■■ Emissões de gases de efeito estufa.
■■ Emissões de substâncias deterioradoras da camada de ozônio.
■■ Resíduos totais.
■■ Emissões gasosas acidificantes.

Conheça a metodologia de análise de ecoeficiência desenvolvida pela Basf,


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empresa que tem uma das maiores gamas de projetos ambientais ligados ao
desenvolvimento de produtos e a ecoeficiência.
A metodologia de análise da ecoeficiência foi desenvolvida na Alemanha pela
BASF AG, em 1996, e pode ser considerada como uma classe de técnicas de ges-
tão que visa avaliar o desempenho ambiental de produtos, processos e serviços, de
forma a integrar uma avaliação econômica. A análise de ecoeficiência tem como
base a metodologia da avaliação do ciclo de vida, conforme a série de normas
ISO 14040 e é usada principalmente para a comparação de produtos similares,
visando à geração de subsídios para a tomada de decisão em diversos níveis.

Ferramentas de Gestão Ambiental


A ANÁLISE DE ECOEFICIÊNCIA CONSISTE DOS SEGUINTES PASSOS:
1. definição do escopo do projeto que compreende: a definição da necessidade do clien-
te (unidade funcional), por exemplo, 1000 m² de parede pintada; seleção de processos
ou produtos alternativos que satisfaçam a mesma necessidade do cliente; determinação
dos limites da cadeia de valor agregado;
2. determinação do impacto ambiental de cada alternativa que compreende: o consu-
mo de matéria-prima e energia, as emissões e o uso da terra são determinados quantita-
tivamente. A toxicidade e o risco potencial são estimados separadamente e determina-
dos semi-quantitativamente. Para obtenção desses dados, são mapeadas as principais
fontes de informação, local em que se determina a arquitetura de captura, enriqueci-
mento e distribuição de informações. As seis categorias são mostradas no diagrama da
Impressão Ambiental;
3. determinação dos custos totais de cada alternativa que compreende: os custos reque-
ridos para atingir a necessidade do cliente – produção, investimentos, aplicação, dispo-
sição final etc. – são calculados;
4. apresentação do resultado que compreende: o resultado da análise é apresentado na
matriz da ecoeficiência. Produtos ou processos com baixo custo e baixo impacto am-
biental, isto é, os mais ecoeficientes, estão posicionados no quadrante superior direito
do gráfico. Esse método fornece uma avaliação objetiva de custos e aspectos ambien-
tais, algo que no passado era aproximado e subjetivo. A ecoeficiência de produtos e
processos pode ser vista claramente no gráfico, tornando fácil ao cliente a determinação
que melhor atende ao seu objetivo.
Os clientes da Fundação Espaço Eco poderão otimizar o processo de tomada de decisões
estratégicas, utilizando estudos concretos de desenvolvimento sustentável aplicado.
Para ler o texto na íntegra, acesse o site disponível em: <http://www.agrofit.com.br/por-
tal/index.php?view=article&catid=40%3Aoutros&id=62%3Aecoeficiencia-e-o-desen-
volvimento-sustentavel&option=com_content&Itemid=18>
Fonte: ZANCHETTA, Mirian Tiemi. Ecoeficiência e o desenvolvimento sustentável. São Pau-
lo, ago. 2008. Disponível em: <http://www.agrofit.com.br/portal/index.php?view=article&cati-
d=40%3Aoutros&id=62%3Aecoeficiencia-e-o-desenvolvimento-sustentavel&option=com_con-
tent&Itemid=18>. Acesso em: 18 maio 2015.
155

PRODUÇÃO MAIS LIMPA (P+L)

P+L significa a aplicação contínua de uma estratégia econômica, ambiental e tec-


nológica, integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no
uso de matérias-primas, água e energia, por meio da não geração, minimização
ou reciclagem de resíduos gerados num processo produtivo.
A prioridade da P+L está à esquerda do fluxograma (Figura 17): evitar a
geração de resíduos e emissões (nível 1). Os resíduos que não podem ser evita-
dos devem, preferencialmente, ser reintegrados ao processo de produção (nível
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

2). Na impossibilidade, medidas de reciclagem fora da empresa podem ser uti-


lizadas (nível 3).

Figura 17: Fluxograma da produção mais limpa


Fonte: Centro Nacional de Tecnologias Limpas - SENAI .

Ferramentas de Gestão Ambiental


III

A Produção mais Limpa pretende integrar os objetivos ambientais aos processos


de produção, a fim de reduzir os resíduos e as emissões em termos de quanti-
dade e periculosidade. São utilizadas várias estratégias visando à Produção mais
Limpa e à minimização de resíduos.

A GESTÃO DE CUSTOS AMBIENTAIS

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Segundo Kraemer (2010), o
conceito de gestão de custos
ambientais engloba aspectos
da gestão ambiental, como o
uso consciente de matérias
primas e energia, a redu-
ção do volume produzido
de resíduos e da gestão de
custos, que envolvem a redu-
ção de custos ambientais e o

©istock
incremento da receita.
De acordo com o mesmo
autor, os custos oriundos dos resíduos representam gastos sem acréscimo de valor
e sua redução geralmente acarreta em efeitos positivos economicamente e eco-
logicamente. Os resíduos geram custos em sua aquisição, com a mão de obra
durante o processo produtivo e em seu tratamento final, sendo assim, represen-
tam uma preocupação não apenas ambiental, mas também financeira.
A gestão dos custos ambientais pode constituir a primeira fase para a implan-
tação da ISO 14001 em uma organização, pois produz informações básicas,
auxilia na conscientização e estruturação. Além disso, serve como estratégia que
visa ao aumento dos lucros e à redução de custos, conduzindo a um processo de
mudanças em desenvolvimento contínuo (KRAEMER, 2010).

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


157

Martins (2000) considera “custos” como sendo gastos relativos a bens ou


serviços utilizados na produção de outros bens e serviços, ou seja, o valor dos
insumos usados na fabricação dos produtos da empresa. Martins ainda diz que
o custo é também um gasto, porém, reconhecido como tal, isto é, como custo,
no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços) para fabri-
cação de um produto ou execução de um serviço.
Os custos (gastos) ambientais promovem impacto no resultado da empresa,
refletindo diretamente na reputação dela. São gastos preventivos, aqueles per-
cebidos com antecedência; os remediáveis, decorrentes de ações voltadas à
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

recuperação de área ambientalmente agredida; e os irremediáveis, que são aqueles


que promovem uma redução do patrimônio da empresa por serem irrecuperá-
veis (ROBLES Jr.; BONELLI, 2006).
A análise dos custos da qualidade ambiental mostra-se uma ferramenta
gerencial importantíssima não somente à tomada de decisão, mas também à
gestão ambiental de forma equilibrada e concisa.

A IDENTIFICAÇÃO DOS GASTOS AMBIENTAIS

Segundo Robles Jr. e Bonelli (2006), a identificação dos custos ambientais referen-
tes ao nível de falhas existentes e ao volume de gastos necessários para eliminar
e/ou reduzir as falhas torna-se o primeiro passo para a contabilidade ambiental.
A identificação dos gastos e a sua classificação são de suma relevância na
administração da empresa para a tomada de decisão relacionada à gestão ambien-
tal, para a mensuração dos programas ambientais implantados e ainda para a
divulgação dos gastos por meio do balanço social ou socioambiental (ROBLES
Jr.; BONELLI, 2006).

A Gestão de Custos Ambientais


III

IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS AMBIENTAIS

Segundo Carvalho et al. (2000, p. 15), os custos ambientais devem compreender


todos os gastos que possam estar direta ou indiretamente relacionados à prote-
ção do meio ambiente e que serão ativados considerando sua vida útil, ou seja:
- Amortização, exaustão e depreciação.
- Aquisição de insumos para controle, redução, eliminação de poluentes.
- Tratamento de resíduos de produtos.
- Disposição dos resíduos poluentes.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
- Tratamento de recuperação e restauração de áreas contaminadas.
- Mão de obra utilizada nas atividades de controle, preservação e recupera-
ção do meio ambiente.
Moura (2000) mostra em um fluxograma uma forma de classificação dos
custos ambientais (adaptando os conceitos de qualidade total), enquadrando-se
de maneira mais específica na realidade das empresas brasileiras.
a) Custos Ambientais de Controle:
- Custos de prevenção.
- Custos de avaliação.
a1) Custos de Prevenção: são aqueles que visam prevenir a indústria de
certos danos ambientais no processo industrial. O setor de atividade com res-
ponsabilidade desse setor ajuda a se livrar de ocorrência de problemas ambientais
durante o processo produtivo, ainda tem como função manter o cumprimento
de padrões, normas e a fabricação de problemas que causam danos ambientais,
caso venha ocorrer falhas e acidentes.
a2) Custos de Avaliação: são os custos dispendidos para manter os níveis
de qualidade ambiental da empresa, por meio de trabalhos de laboratórios e ava-
liações formais do sistema de gestão ambiental, ou sistema gerencial. Englobam
custos com inspeções, testes, auditorias da qualidade ambiental e despesas
similares.
b) Custos Ambientais da Falta de Controle:
- Custos de falhas internas.
- Custos de falhas externas.
- Custos intangíveis.

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


159

b1) Custos de Falhas Internas: é o primeiro dos custos decorrente das falhas/
falha de controle. Esses custos resultam de ações internas na empresa, tais como
correção de problemas ambientais e recuperação de áreas internas degradadas,
desperdícios de material, energia, água e outros recursos naturais, além de tem-
pos de máquinas paradas como resultado de problemas ambientais causados
(interdições e retrabalhos) por não conformidades ambientais.
b2) Custos de Falhas Externas: compreende os custos de qualidade ambien-
tal e não conformidades fora dos limites da empresa, resultantes de uma gestão
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ambiental inadequada. Engloba os custos decorrentes de queixas ambientais de


consumidores, levando a existência de despesas de correção; recuperação de áreas
externas degradadas ou contaminadas pela atividade da empresa; pagamento de
multas aplicadas por órgãos ambientais de controle; indenizações decorrentes de
ações legais resultantes de disposição inadequada de resíduos ácidos; transporte
de produtos tóxicos, inflamáveis, corrosivos; prejuízos decorrentes de suspen-
são de vendas e fabricação de produtos.
b3) Custos Intangíveis: são aqueles com alto grau de dificuldade para serem
quantificados, embora se perceba claramente a existência deles. Normalmente,
não podem ser diretamente associados a um produto ou processo. Eles são iden-
tificados pela associação de um resultado a uma medida de prevenção adotada.
Como exemplo, tem-se a perda de valor das ações da empresa, como resultado
de desempenho ambiental insatisfatório, baixa produtividade dos empregados
em função de um ambiente poluído, contaminado ou inseguro, dificuldades e
aumento de tempo (e custo) na obtenção de licenciamento ambiental, como
resultado de multas e problemas anteriormente constatados.

PEGADA ECOLÓGICA

Quanto mais se acelera nossa exploração do meio ambiente, maior se


torna a marca que deixamos na Terra. O uso excessivo de recursos na-
turais, o consumismo exagerado, a degradação ambiental e a grande
quantidade de resíduos gerados são rastros deixados por uma humani-
dade que ainda se vê fora e distante da Natureza.

A Gestão de Custos Ambientais


III

A Pegada Ecológica é apenas uma estimativa. Ela nos mostra até que
ponto a nossa forma de viver está de acordo com a capacidade do pla-
neta de oferecer, renovar seus recursos naturais e absorver os resíduos
que geramos por muitos e muitos anos. (WWF-BRASIL, 2007, online).

A Pegada Ecológica de um país, de uma cidade ou de uma pessoa, cor-


responde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar neces-
sárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam seus estilos
de vida. Em outras palavras, trata-se de traduzir, em hectares (ha), a
extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade utiliza,
em média, para se sustentar. (WWF-BRASIL, 2007, online).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
PEGADA ECOLÓGICA GLOBAL

Estudos mostram que desde os anos 80 a demanda da população mun-


dial por recursos naturais é maior do que a capacidade do planeta em
renová-los.

Dados mais recentes demonstram que estamos utilizando cerca de 25


% a mais do que temos disponível em recursos naturais, ou seja, preci-
samos de um planeta e mais um quarto dele para sustentar nosso estilo
de vida atual. Podemos dizer que esta é uma forma irracional de ex-
ploração da natureza, que gera o esgotamento do capital natural mais
rápido do que sua capacidade de renovação. Se esta situação perdurar,
enfrentaremos em breve uma profunda crise socioambiental e uma dis-
puta por recursos.

Outro grave efeito da excessiva exploração da natureza é a perda ace-


lerada da biodiversidade, ou seja, o desaparecimento ou declínio do
número de populações de espécies de plantas e animais. A perda da
biodiversidade verificada entre os anos de 1970 e 2000, cerca de 35%,
somente é comparável a eventos de extinção em massa ocorridos ape-
nas quatro ou cinco vezes durante bilhões de anos da história da Ter-
ra. A nossa pegada ecológica vem aumentando (Figura 18). Todos eles
causados por desastres naturais e jamais pelo ser humano, como agora.
(WWF-BRASIL, 2007, online).

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


161

Então, se conseguirmos identificar as nossas pegadas, poderemos, talvez, mensu-


rar os custos dos nossos atos sobre o meio ambiente. Você já parou para pensar
em quanto o nosso modo de vida custa para o meio ambiente? Acho que esta-
mos em débito com ele. Não acha?
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 18: Cenários da Pegada Ecológica de 1951 a 2100


Fonte: WWF-BRASIL (2007, online).

Teoricamente, 1.8 hectares é a média de área disponível por pessoa*, no planeta


(Figura 19), de modo a garantir a sustentabilidade da vida na Terra. Isso equi-
vale a uma área pouco menor do que a de dois campos de futebol. Entretanto,
desde 1999, a média de consumo por pessoa no mundo é de 2.2 hectares, cerca
de 25% a mais do que o planeta pode suportar, portanto, estamos em estado de
alerta total.
*Considerando uma população mundial de 6 bilhões de pessoas (2004).

A Gestão de Custos Ambientais


III

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 19: Área média disponível por pessoa no planeta
Fonte: WWF-BRASIL (2007, online).

E você, sua forma de viver está de acordo com a capacidade de nosso plane-
ta? Já parou para pensar qual o tamanho da sua pegada ecológica?
Fonte: as autoras.

CERTIFICAÇÕES E AUDITORIAS AMBIENTAIS, ROTULAGEM AMBIENTAL,


163

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesta unidade, abordamos conceitos importantes para gestores que irão atuar
em áreas relacionadas ao meio ambiente, como as certificações ambientais, em
especial a ISO 14000, que está passando por um processo de reformulação para
se adequar às exigências atuais da sociedade e governo.
A norma ISO 14000 busca a melhoria contínua das empresas no geren-
ciamento de seus processos produtivos por meio do planejamento, execução,
verificação e ações corretivas.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Os processos de certificações ambientais têm crescido significativamente


no Brasil. Isso é fruto tanto de pressões de clientes de outros países, cujas exi-
gências legais são bastante severas, quanto da mudança de comportamento do
perfil do consumidor brasileiro que tem exigido mais qualidade ambiental dos
produtos e serviços. Ainda, das leis ambientais que têm tido um papel muito
importante no comprometimento dos deveres de empresas, sobretudo, de con-
servação ambiental.
Abordamos também as auditorias ambientais em suas diversas formas, audi-
torias essas que muitas vezes auxiliam as empresas a alcançarem os padrões
exigidos para as certificações ambientais, como a ISO 14000, e para manter tais
padrões. A auditoria ambiental compara os resultados das empresas com as
expectativas ambientais.
Por outro lado, a identificação dos gastos ambientais dentro de uma empresa e
a sua classificação são de suma relevância para a gestão da empresa na tomada de
decisão relacionada à gestão ambiental, na mensuração dos programas ambien-
tais implantados, como é o caso da rotulagem ambiental e os projetos de crédito
de carbono (MDL).
Ferramentas como a ecoeficiência, produção mais limpa e análise do ciclo
de vida mostram-se instrumentos gerenciais valorosos na tomada de decisão e
no processo de gestão ambiental adotado, uma vez que podem ser determinan-
tes na escolha de ações a serem tomadas, visto a relação benefício/custo avaliada.

Considerações Finais
1. A busca por ações socioambientais é um círculo que vai se fechando para expor
ou popularizar os SGAs das organizações. Segundo Barbieri (2007), a empresa
conta com quatro instrumentos para popularizar a sua política ambiental públi-
ca. Relate sobre tais instrumentos.
2. No processo de certificação ambiental, estão envolvidos diversos organismos
com finalidades distintas, para tornar o SGA de uma organização certificado.
Enumere e defina a finalidade desses organismos.
3. As normas ISO 14000 se aplicam às atividades industriais, extrativas, agroindus-
triais e de serviços, certificando as instalações da empresa, linhas de produção e
produtos que satisfaçam os padrões de qualidade ambiental. Descreva a finali-
dade e os objetivos de tais normas.
4. Em função da popularização das questões ambientais, as auditorias ganharam
novas formas e especificidade. De acordo com Barbieri (2007), existem sete mo-
delos de auditorias ambientais. Relate e descreva sobre cada tipo de auditoria.
5. Ecoeficiência é uma ferramenta de gestão ambiental que descreve uma visão
para produção de bens e serviços que possuam valor econômico, enquanto re-
duzem os impactos ecológicos da produção. Conceitue o termo “ecoeficiência”.
6. A gestão dos custos ambientais é um instrumento estratégico para aumentar os
lucros e reduzir os custos, conduzindo a um processo de mudanças em desen-
volvimento contínuo. Sob essas considerações, comente sobre a identificação
dos custos e dos gastos ambientais.
165

PESQUISA AKATU: CONSUMIDORES ACHAM QUE EMPRESAS FAZEM GREEN-


WASHING
Os dados são claros: 46% dos consumidores acreditam que as empresas que fazem algo
pela sociedade e pelo meio ambiente estão praticando ‘greenwashing’; 64% dos consul-
tados acham que o Estado deveria criar leis que obriguem as empresas a irem além do
seu papel econômico tradicional e a contribuírem para uma sociedade melhor, mesmo
que isso implique em preços mais altos e menos empregos; 53% das pessoas ouvidas
afirmam que deixam de comprar sua marca preferida se souberem que o fabricante fez
algo prejudicial à sociedade e ao meio ambiente.
Este é o resultado de pesquisas feitas ano passado pelo Instituto Akatu e divulgado na
Conferência Mundial do Instituto Ethos.
Fonte: GONZALEZ, Amelia. Pesquisa Akatu: consumidores acham que empresas fazem
greenwashing. O Globo, Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/
blogs/razaosocial/posts/2009/06/18/pesquisa-akatu-consumidores-acham-que-em-
presas-fazem-greenwashing-196871.asp>. Acesso em: 18 maio 2015.
MATERIAL COMPLEMENTAR

Assista aos vídeos a seguir e tire as suas próprias soluções sobre o assunto.

<http://www.colunazero.com.br/2009/11/um-vilao-chamado-greenwashing.
html#ixzz1vkQvcTFd>.

<http://www.colunazero.com.br/2009/11/um-vilao-chamado-greenwashing.
html#ixzz1vkQl2NGj>.

<http://globotv.globo.com/globo-news/cidades-e-solucoes/v/
estudo-sobre-maquiagem-verde-ou-greenwashing-investigou-501-produtos-no-
brasil/1847755/>.

<http://www.revistaespacios.com/a15v36n05/15360501.html >.

<http://www.expoprint.com.br/es/noticias/
two-sides-lanca-nova-iniciativa-global-contra-greenwashing>.
Professora Dra. Cláudia Fabiane Meneguetti
Professora Dra. Edneia Aparecida de Souza Paccola

IV
Professora Dra. Francielli Gasparotto

POLÍTICAS PÚBLICAS

UNIDADE
AMBIENTAIS E
LICENCIAMENTO

Objetivos de Aprendizagem
■■ Apresentar ao aluno uma visão global da organização e função da
política ambiental brasileira e da legislação ambiental.
■■ Indicar as fontes de informação completa para consulta da legislação
ambiental.
■■ Qualificar o aluno a identificar possíveis inadequações legais no seu
ambiente de trabalho e possibilitar a indicação de ações pró-ativas
para a sua resolução.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Políticas Públicas Ambientais
■■ A Política Pública Ambiental Brasileira
■■ Licenciamento Ambiental
■■ Estudos Ambientais
■■ A Política Nacional De Resíduos Sólidos (PNRS)
■■ O Novo Código Florestal Brasileiro
169

INTRODUÇÃO

O meio ambiente é um direito de todos, conforme estabelecido por lei. O licen-


ciamento é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, cujo
objetivo é agir preventivamente sobre a proteção desse direito e compatibilizar
sua preservação com o desenvolvimento econômico-social.
Nesta unidade, abordaremos questões referentes a políticas públicas e legis-
lação ambiental.
As políticas públicas ambientais são baseadas em Normas e Leis, via ação
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

do poder público, que estabelecem critérios visando à preservação sustentável


dos recursos, por meio do estabelecimento de limites e impedimentos quanto à
utilização destes, a fim de preservá-los às futuras gerações. Essas ações são deno-
minadas políticas públicas ambientais.
O parcelamento do solo e os estudos de zoneamento agroclimático e ambien-
tal, as áreas de preservação permanente e reserva legal são mecanismos para
equacionar a utilização dos recursos como o solo e a água, por exemplo, frente ao
avanço das atividades ligadas ao agronegócio por meio de legislações pertinentes.
O objetivo da política ambiental é fazer-se aplicar as legislações específicas,
na forma da Lei. Dentro do cenário do agronegócio, às questões referentes à pre-
servação dos recursos são sempre questionáveis, por dividir opiniões a respeito
do que a Lei determina como forma de preservar os recursos utilizáveis pelas
cadeias do agronegócio no país. O novo código florestal brasileiro foi aprovado
em 2012, pela Lei 12.651, na qual apontam modificações condizentes com o que
se deseja em relação à legislação ambiental brasileira. Continua no novo código
a obrigação do proprietário de manter em sua propriedade privada as Áreas de
Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL), com o intuito de proteger
o meio ambiente natural, porém a forma de fiscalização delas foi alterada, sendo
agora necessário o Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Introdução
IV

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS

As atitudes referentes à gestão ambiental só começaram a se manifestar por


meio dos governos estaduais, ao passo que os problemas iam surgindo, ou seja,
eram medidas isoladas de cunho reparador ou remediador. Somente a par-
tir da Revolução Industrial, os problemas referentes à poluição começam a ser
considerados e sistematizados de forma mais consistente nas ações públicas
governamentais, em forma de leis.
As iniciativas ambientais dos governos concentravam-se em medidas corre-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tivas e não preventivas, de pouco significado e baixa eficiência. Somente a partir
de 1970 começam a surgir medidas preventivas, por meio de políticas governa-
mentais. Para isso, contribuíram os debates sobre a relação entre meio ambiente,
desenvolvimento e acordos ambientais, como a Conferência de Estocolmo, em
1972.

De acordo com Barbieri (2007), “Gestão Ambiental Pública é caracterizada


pela ação do poder público conduzida por uma política pública ambiental”.
Para o autor, “Política Pública Ambiental é o conjunto de objetivos, diretrizes
e instrumentos de ação de que dispõe o poder público para produzir efeitos
desejáveis sobre o meio ambiente”.

Os instrumentos de comando e controle, ou instrumentos de regulação direta,


objetivam alcançar as ações que degradam o meio ambiente, limitando ou con-
dicionando o uso de bens, a realização de atividades e o exercício de liberdades
individuais em benefício da sociedade.
De acordo com Barbieri (2007), os instrumentos de comando e controle
mais conhecidos são aqueles que estabelecem padrões ou níveis de concentração
máximos aceitáveis de poluente. Esses padrões podem ser: de qualidade ambien-
tal, de emissão e de estágio tecnológico.

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


171

Os padrões de qualidade ambiental referem-se aos níveis máximos admiti-


dos para os poluentes no meio ambiente (ar, água e solo). São estabelecidos em
função de médias geométricas
ou aritméticas, de concen-
tração diária ou anual, de
forma a considerar as varia-
ções climáticas que afetam a
dispersão e a concentração
dos poluentes.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Os padrões de emissão
referem-se aos poluentes
lançados individualmente
por fontes (fixa ou esta-
cionária), como fábricas,
automóveis, armazéns e ©shutterstock
outros. Estabelecem uma
quantidade máxima aceitável de cada tipo de poluente por fonte poluidora.
Os padrões tecnológicos dizem respeito à tecnologia disponível. Deve ser
estabelecido um consenso quanto ao melhor padrão tecnológico disponível a ser
adotado, já que a tecnologia está em constante evolução. Esses critérios baseiam-
-se no conceito de Melhor Tecnologia Disponível, ou de Melhor Tecnologia
Disponível que Não Acarrete Custo Excessivo (BARBIERI, 2007).
Outros instrumentos de comando e controle da poluição são as proibições
ou banimentos da produção, comercialização e uso de produtos e o estabeleci-
mento de cotas de produção, comercialização ou utilização de recursos.
O licenciamento ambiental para atividades ou obras potencialmente polui-
doras e o zoneamento ambiental são outros instrumentos de comando e controle.
Assim, as normas sobre parcelamento do uso do solo também são instrumentos
de comando e controle, pois limitam o direito dos proprietários de dispor livre-
mente sobre seus imóveis.

Políticas Públicas Ambientais


IV

©shutterstock
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A POLÍTICA AMBIENTAL BRASILEIRA

Durante séculos, o desenvolvimento econômico decorrente da Revolução


Industrial impediu que os problemas ambientais fossem considerados. O meio
ambiente era predominantemente visto como acessório do desenvolvimento, e
não como parte intrínseca dele.
A poluição e os impactos ambientais do desenvolvimento desordenado eram
visíveis, mas os benefícios proporcionados pelo progresso os justificavam como
um “mal necessário”, algo com que se deveria resignar (SOUSA, 2010).
Quem primeiro percebeu a necessidade e urgência da intervenção do poder
público sobre as questões ambientais foram os Estados Unidos, ainda na década
de 1960. Paradoxalmente, o país considerado o paraíso do não intervencio-
nismo foi o que primeiro promoveu a intervenção regulamentadora no meio
ambiente, por meio da “Avaliação dos Impactos Ambientais” (AIA), formali-
zada nos Estados Unidos, em 1969.
Para Sousa (2010), no a política ambiental brasileira nasceu e se desenvol-
veu nos últimos quarenta anos, como resultado da ação de movimentos sociais
locais e de pressões vindas de fora do país. Não havia propriamente uma política
ambiental, mas políticas que acabaram resultando nela. Os temas predominantes
eram o fomento à exploração dos recursos naturais, o desbravamento do terri-
tório, o saneamento rural, a educação sanitária e os embates entre os interesses
econômicos internos e externos. A legislação que dava base a essa política era
formada pelos seguintes códigos: de águas (1934), florestal (1965) e de caça e
pesca (1967).

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


173

Em 1970, um relatório for-


mulado pelo Clube de Roma
em associação com o grupo
de pesquisas do Massachusetts
Institute of Technology (MIT)

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foi publicado com o título de
Limites do Crescimento. Esse
documento apresentava mode-
los que relacionavam variáveis de crescimento econômico, explosão demográfica,
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poluição e esgotamento de recursos naturais, com ênfase nos aspectos técnicos


da contaminação – devido à acelerada industrialização e urbanização – e no
esgotamento dos recursos naturais, em função da explosão demográfica. Dois
anos depois, foi promovida na cidade de Estocolmo a Conferência das Nações
Unidas para o Meio Ambiente, Da qual o Brasil participou. As questões ambien-
tais levantadas diziam respeito às poluições do ar, da água e do solo, derivadas
da industrialização, as quais deveriam ser corrigidas.
Em 1973, pouco depois da Conferência de Estocolmo, foi criada no Brasil a
Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA), órgão especializado no trato de
assuntos ambientais, sob a coordenação do Ministério do Interior. A SEMA se
dedicava ao avanço da legislação e aos assuntos que demandavam negociação
em nível nacional, tais como a produção de detergentes biodegradáveis, poluição
por veículos, demarcação de áreas críticas de poluição e a criação de unidades
nacionais de conservação. De fato, as medidas de Governo se concentravam na
agenda de comando e controle, normalmente em resposta a denúncias de polui-
ção industrial e rural.
Em Agosto de 1981, a Lei federal 6.938 criou o Sistema Nacional de Meio
Ambiente (SISNAMA), integrado por um órgão colegiado: o Conselho Nacional
do Meio Ambiente (CONAMA). Este é composto por representantes de ministé-
rios e entidades setoriais da Administração Federal, diretamente envolvidos com
a questão ambiental, bem como de órgãos ambientais estaduais e municipais, de
entidades de classe e organizações não governamentais. Essa Lei estabeleceu os
objetivos, princípios, diretrizes, instrumentos, atribuições e instituições da polí-
tica ambiental nacional. Segundo ela, o objetivo principal da política nacional de

A Política Ambiental Brasileira


IV

meio ambiente era: “a preservação ambiental propícia à vida, visando assegurar,


no país, condições para o desenvolvimento sócio-econômico, os interesses da
segurança nacional e a proteção da dignidade da vida humana”. Dentre os instru-
mentos por ela enumerados, encontramos: a avaliação de impactos ambientais,
o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras,
procedimentos esses ratificados e assegurados na Constituição Federal de 1988.
Poucos anos depois da criação do SISNAMA, o Presidente José Sarney
(1985-89) deu início à redefinição da política ambiental brasileira, por meio
da reestruturação dos órgãos públicos encarregados da questão ambiental. Por

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intermédio do programa Nossa Natureza, foram unificados o Sudepe (pesca),
o Sudhevea (borracha), o IBDF (Desenvolvimento Florestal) e a Sema (meio
ambiente) em torno de um único órgão federal: o Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA).
A Constituição Federal de 1988 estabelecia que a construção, instalação,
ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras dos
recursos ambientais - considerados efetivos ou potencialmente poluidores - depen-
deriam de prévio licenciamento por órgão estadual integrante do SISNAMA sem
prejuízo de outras licenças exigíveis.
O decreto 99.274 de 1990, que regulamentou a Lei 6938/81 e suas modifi-
cações posteriores, explicava o procedimento para o licenciamento ambiental,
prescrevendo que o prévio licenciamento de atividades e obras utilizadoras
dos recursos ambientais seria feito pelos devidos órgãos estaduais competen-
tes – incluindo o técnico e o político – cabendo ao Conselho Nacional de Meio
Ambiente (CONAMA) fixar os critérios básicos exigidos para os Estudos de
Impacto Ambiental (EIA). Os Estudos de Impacto Ambiental e o Relatório de
Impacto Ambiental (EIA/RIMA), em cada caso específico, ficam a cargo do órgão
concessor da licença por meio do chamado Termo de Referência. Tais estudos
são conduzidos por profissionais habilitados, que respondem legalmente por
seus atos, embora não haja um sistema de acreditação e supervisão da quali-
dade de seu trabalho.

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


175

A ótica preventiva da política ambiental dos anos 1980 cedia lugar a uma
nova ótica, agora integradora, que passava a combinar os aspectos econômicos
e sociais com os ambientais, em busca tanto da preservação do meio ambiente,
como também de formas mais racionais de utilização dos recursos naturais, com
vistas à preservação das gerações futuras. A pauta da política ambiental interna-
cional precisava, portanto, ser redefinida. O principal documento que representou
esses esforços foi o Relatório Bruntland – mais conhecido como Nosso Futuro
Comum – de 1987, por meio da iniciativa do Programa das Nações Unidas para
o Meio Ambiente (Pnuma) (SOUSA, 2010).
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A necessidade de um novo pacto entre as nações geraria uma nova confe-


rência internacional, a Unced-92 (Conferência das Nações Unidas para o Meio
Ambiente e Desenvolvimento), conhecida como Eco-92, realizada no Rio de
Janeiro, Brasil.
A Eco-92 foi uma tentativa de reunir representantes de todos os países do
mundo para discutir e divulgar a nova concepção de Desenvolvimento Sustentável,
que estava em voga a partir da publicação do Relatório Brundtland. Esse evento
significou para o Brasil ter que enfrentar a crise ambiental e, ao mesmo tempo,
retomar o desenvolvimento, fortalecendo a democracia e a estabilidade da econo-
mia. O problema do desenvolvimento deveria ser finalmente resolvido sob uma
ótica ambiental e socialmente sustentável. Nessa época, foi criada a Secretaria
do Meio Ambiente da Presidência da República, transformada mais tarde em
Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Ao longo dos anos 90, o modelo de política ambiental executado no Brasil
entrou em crise. De um lado, por não atender à nova pauta da política interna-
cional definida na Eco-92, de outro, por não atender às demandas de cidadania
e consciência ambiental que se generalizava. Isso fez com que se evidenciasse,
finalmente, a necessidade de redefinição das opções de política ambiental e do
próprio papel do Estado brasileiro. A criação do IBAMA não consolidou um
modelo institucional adaptado aos novos desafios (SOUSA, 2010).
Em 1998, foi aprovada a Lei de Crimes Ambientais no Brasil, uma das
mais avançadas do mundo. Condutas e atividades consideradas lesivas ao meio
ambiente passaram a ser punidas, de forma civil, administrativa e criminal. A Lei
não trata apenas de punições severas, pois incorpora métodos e possibilidades

A Política Ambiental Brasileira


IV

de não aplicação das penas, desde que o infrator recupere o dano, ou, de outra
forma, pague sua dívida à sociedade. Esperou-se com essa Lei que órgãos ambien-
tais e Ministério Público pudessem contar com um instrumento a mais que lhes
garantisse agilidade e eficácia na punição dos infratores do meio ambiente. 
Em 2002, foi realizada em Johannsburg, África do Sul, a Conferência
Ambiental Rio +10. Essa conferência objetivou dar continuidade à discussão
iniciada pela ECO-92. A discussão incidiu sobre ações mais voltadas à erradica-
ção da pobreza, globalização e questões energéticas, tais como o Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL) e o Protocolo de Kyoto, bem como às mudan-

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ças climáticas, entre outrAs.
A Rio+10 reconheceu a importância e a urgência da adoção de energias reno-
váveis em todo o planeta e considerou legítimo que os blocos regionais de países
estabelecessem metas e prazos para cumpri-las. No entanto, não conseguiu fixá-
-las para todos os países, o que foi uma derrota, atenuada apenas pela decisão de
que o progresso na implementação de energias renováveis fosse revisto periodi-
camente pelas agências e instituições especializadas das Nações.
Em 2010, depois de 21 anos de tramitação no Congresso Nacional, a lei que
institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi sancionada, no dia
02 de agosto de 2010, em Brasília. Com a sanção da PNRS, o país passa a ter
um marco regulatório na área de Resíduos Sólidos. A lei faz a distinção entre
resíduo (lixo que pode ser reaproveitado ou reciclado) e rejeito (o que não é pas-
sível de reaproveitamento), além de se referir a todo tipo de resíduo: doméstico,
industrial, da construção civil, eletroeletrônico, lâmpadas de vapores mercuriais,
agrosilvopastoril, da área de saúde e perigosos.
A PNRS instituiu o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo
de vida dos produtos, incluiu a chamada logística reversa, que se constitui em um
conjunto de ações para facilitar o retorno dos resíduos aos seus geradores, a fim
de que sejam tratados ou reaproveitados em novos produtos e estabeleceu prin-
cípios para a elaboração dos Planos Nacional, Estadual, Regional e Municipal de
Resíduos Sólidos. Ainda propiciou oportunidades de cooperação entre o poder
público federal, estadual e municipal, o setor produtivo e a sociedade em geral.

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


177

Entre os principais instrumentos instituídos pela PNRS, destacam-se:


■■ os planos de resíduos sólidos;
■■ inventários e o sistema declaratório anual de resíduos sólidos;
■■ coleta seletiva;
■■ os sistemas de logística reversa e outras ferramentas relacionadas à imple-
mentação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos
produtos;
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■■ incentivo às cooperativas de catadores;


■■ monitoramento e fiscalização ambiental, sanitária e agropecuária;
■■ cooperação técnica e financeira entre os setores público e privado para o
desenvolvimento de pesquisas de novos produtos, métodos, processos e
tecnologias de gestão, reciclagem, reutilização, tratamento de resíduos e
disposição final, ambientalmente adequada de rejeitos;
■■ educação ambiental.

Os principais objetivos da PNRS são:


■■ a não geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos;
■■ destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos;
■■ diminuição do uso de recursos naturais, no processo de produção de
novos produtos;
■■ intensificação de ações de educação ambiental;
■■ aumento da reciclagem no país;
■■ promoção da inclusão social;
■■ geração de emprego e renda para catadores de materiais recicláveis.

A Política Ambiental Brasileira


IV

LICENCIAMENTO AMBIENTAL

Segundo a Constituição Federal,

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em seu art. 225, “todos têm direito
ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum
do povo e essencial à sadia qua-
lidade de vida, impondo-se ao
Poder Público e à coletividade o

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dever de defendê-lo e preservá-lo
para as presentes e futuras gera-
ções.” Com isso, o meio ambiente
tornou-se direito fundamental do
cidadão, cabendo tanto ao governo
quanto a cada indivíduo o dever de
resguardá-lo.
O licenciamento é também um dos instrumentos da Política Nacional do
Meio Ambiente (PNMA), cujo objetivo é agir preventivamente sobre a prote-
ção do bem comum do povo, qual seja o meio ambiente, e compatibilizar sua
preservação com o desenvolvimento econômico-social, essenciais para a socie-
dade. São direitos constitucionais (TCU, 2007).
O conceito de Licenciamento Ambiental pode ser definido como:
A construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabeleci-
mentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados
efetiva ou potencialmente poluidores, bem como os capazes, sob qual-
quer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio
licenciamento por órgão estadual competente, integrante do Sistema
Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, e do Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - Ibama, em caráter
supletivo, sem prejuízo de outras licenças exigíveis. (LEI 6.938/81, art.
10).

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


179

Procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente


licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreen-
dimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considera-
das efetiva ou potencialmente poluidoras; ou aquelas que, sob qualquer
forma, possam causar degradação ambiental, considerando as dispo-
sições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.
(RESOLUÇÃO CONAMA 237/97)

Portanto, a Licença Ambiental pode ser entendida como:


Ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente estabelece
as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão
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ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para loca-


lizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utiliza-
doras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente
poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degra-
dação ambiental.(RESOLUÇÃO CONAMA 237/97)

A licença ambiental é, portanto, uma autorização emitida pelo órgão público


competente. Concedida ao empreendedor para que exerça seu direito à livre
iniciativa, desde que atendidas às precauções requeridas, a fim de resguardar o
direito coletivo ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Importante notar
que, devido à natureza autorizativa da licença ambiental, esta possui caráter
precário. Exemplo disso é a possibilidade legal de a licença ser cassada, caso as
condições estabelecidas pelo órgão ambiental não sejam cumpridas (TCU, 2007).
O licenciamento é composto por três tipos de licença: prévia, de instalação
e de operação. Cada uma refere-se a uma fase distinta do empreendimento e
segue uma sequência lógica de encadeamento.
Essas licenças, no entanto, não eximem o empreendedor da obtenção de outras
autorizações ambientais específicas junto aos órgãos competentes, a depender da
natureza do empreendimento e dos recursos ambientais envolvidos. Atividades
que se utilizam de recursos hídricos, por exemplo, também necessitarão da outorga
de direito de uso desses, conforme os preceitos constantes da Lei 9.433/97, que
institui a Política Nacional de Recursos Hídricos. Outros exemplos de autoriza-
ções e licenças específicas são apresentados a seguir:
■■ concessão de licença de instalação para atividades que incluam desma-
tamento depende também de autorização específica do órgão ambiental
(Código Florestal, Lei 4.771/65, art. 19 e Resolução Conama 378/06);

Licenciamento Ambiental
IV

■■ autorização para supressão de área de preservação permanente para a


execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública
ou interesse social (Código Florestal, Lei 4.771/65, art. 3º, § 1º e art. 4º);
■■ licença para transportar e comercializar produtos florestais (Lei 4.771/65,
art. 26, alíneas “h” e “i”, Portaria MMA 253/06 e Instrução Normativa Ibama
112/06, que dispõem sobre o Documento de Origem Florestal - DOF);
■■ licença para construção e autorização para operação de instalações nucle-
ares e transferência da propriedade ou da posse de instalações nucleares
e comércio de materiais nucleares (Lei 6.189/74, art. 7º a 11);

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ autorização para queimada controlada em práticas agropastoris e flores-
tais (Lei 4.771/65, art. 27 e Decreto 2.661/98);
■■ concessões das agências reguladoras, por exemplo autorização para explo-
ração, de centrais hidrelétricas até 30MW (Resolução ANEEL 395/98) e
autorização para implantação, ampliação ou repotenciação de centrais
geradoras termelétricas, eólicas e de outras fontes alternativas de energia
(Resolução ANEEL 112/99).

TIPOS DE LICENÇA AMBIENTAL

1. Licença Prévia (LP)


Deve ser solicitada na fase preliminar do planejamento da atividade, atestará a
viabilidade ambiental do empreendimento, aprovará sua localização e concep-
ção e definirá as medidas mitigadoras e compensatórias dos impactos negativos
do projeto. Sua finalidade é definir as condições com as quais o projeto torna-se
compatível com a preservação do meio ambiente que afetará. Tal licença é tam-
bém um compromisso assumido pelo empreendedor de que seguirá o projeto,
de acordo com os requisitos determinados pelo órgão ambiental (TCU, 2007).
Para as atividades consideradas - efetiva ou potencialmente - causadoras
de significativa degradação ambiental, a concessão da licença prévia dependerá
da aprovação de estudo prévio de impacto ambiental e respectivo relatório de
impacto sobre o meio ambiente (EIA/Rima). Esses instrumentos também são

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


181

essenciais para a solicitação de financiamentos e obtenção de incentivos fiscais.


A licença prévia possui extrema importância no atendimento ao princípio
da prevenção. EsSe se desenha quando, diante da ineficácia ou pouca valia em
se reparar um dano e da impossibilidade de se recompor uma situação anterior
idêntica, a ação preventiva é a melhor solução. Nesse conceito, encaixam-se os
danos ambientais, cujo impacto negativo, muitas vezes, é irreversível e irrepa-
rável (TCU, 2007).
O prazo de validade da Licença Prévia deverá ser, no mínimo, igual ao estabe-
lecido pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e projetos relativos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ao empreendimento ou atividade, ou seja, ao tempo necessário para a realização


do planejamento, não podendo ser superior a cinco anos.

2. Licença de Instalação (LI)


Após a obtenção da licença prévia, inicia-se então o detalhamento do projeto de
construção do empreendimento, incluindo nesse as medidas de controle ambien-
tal determinadas. Antes do início das obras, deverá ser solicitada a licença de
instalação junto ao órgão ambiental, que verificará se o projeto é compatível com
o meio ambiente afetado. Essa licença dá validade à estratégia proposta para o
trato das questões ambientais durante a fase de construção.
Ao conceder a licença de instalação, o órgão gestor de meio ambiente terá:
■■ autorizado o empreendedor a iniciar as obras;
■■ concordado com as especificações constantes dos planos, programas e
projetos ambientais, seus detalhamentos e respectivos cronogramas de
implementação;
■■ verificado o atendimento das condicionantes determinadas na licença
prévia;
■■ estabelecido medidas de controle ambiental, com vistas a garantir que a
fase de implantação do empreendimento obedecerá aos padrões de qua-
lidade ambiental estabelecidos em lei ou regulamentos (TCU, 2007).

O prazo de validade da licença de instalação será, no mínimo, igual ao estabe-


lecido pelo cronograma de instalação do empreendimento ou atividade, não
podendo ser superior a seis anos.

Licenciamento Ambiental
IV

3. Licença de Operação (LO)


A licença de operação autoriza o interessado a iniciar suas atividades. Tem como
finalidade aprovar a forma proposta de convívio do empreendimento com o
meio ambiente e estabelecer condicionantes para a continuidade da operação.
Sua concessão é por tempo finito. A licença não tem caráter definitivo, por-
tanto, sujeita o empreendedor à renovação, com condicionantes supervenientes.
O prazo de validade da licença de operação deverá considerar os planos de
controle ambiental e será em regra de, no mínimo, quatro anos e, no máximo,
dez anos. Cada ente da federação determinará dentro desse limite seus prazos.

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O ideal é que esse prazo termine ao mesmo tempo dos programas de controle
ambiental, o que possibilitará melhor avaliação dos resultados, bem como a con-
sideração deles no mérito da renovação da licença. No entanto, o órgão ambiental
poderá estabelecer prazos de validade específicos para a licença de operação
de empreendimentos que, por sua natureza e peculiaridades, estejam sujeitos a
encerramento ou modificação em prazos inferiores (TCU, 2007).
A renovação da LO deverá ser requerida pelo empreendedor com antece-
dência mínima de 120 dias do prazo de sua expiração. Caso o órgão ambiental
não conclua a análise nesse prazo, a licença ficará automaticamente renovada
até sua manifestação definitiva. Na renovação da licença de operação, é facul-
tado ao órgão ambiental, mediante justificativa, aumentar ou reduzir seu prazo
de validade, mantendo os limites, mínimo e máximo, entre quatro e dez anos.
A decisão será tomada com base na avaliação do desempenho ambiental da ati-
vidade no período anterior.
A licença de operação possui três características básicas:
1. é concedida após a verificação, pelo órgão ambiental, do efetivo cumpri-
mento das condicionantes estabelecidas nas licenças anteriores (prévia
e de instalação);
2. contém as medidas de controle ambiental (padrões ambientais) que ser-
virão de limite para o funcionamento do empreendimento ou atividade;
3. especifica as condicionantes determinadas para a operação do empre-
endimento, cujo cumprimento é obrigatório, sob pena de suspensão ou
cancelamento da operação (TCU, 2007).

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


183

O licenciamento é um compromisso, assumido pelo empreendedor junto ao


órgão ambiental, de atuar conforme o projeto aprovado. Portanto, modificações
posteriores, como redesenho de seu processo produtivo ou ampliação da área de
influência, deverão ser levadas novamente ao crivo do órgão ambiental. Além
disso, o órgão ambiental monitorará, ao longo do tempo, o trato das questões
ambientais e das condicionantes determinadas ao empreendimento (TCU, 2007).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ESTUDOS AMBIENTAIS

A Política Nacional do Meio Ambiente


(PNMA) enfatizou a necessidade de compa-
tibilizar o desenvolvimento socioeconômico
com a qualidade ambiental, tendo como
objetivo precípuo a preservação, melhoria e
recuperação da qualidade ambiental propí-
cia à vida, visando assegurar as condições ao
desenvolvimento socioeconômico, aos inte-
resses da segurança nacional e à proteção da
dignidade da vida humana.
Para garantir esse objetivo, o art. 9º da
Lei 6.938/81 relacionou os instrumentos da
©shutterstock

PNMA, entre os quais se destacam o licen-


ciamento ambiental e a Avaliação de Impacto
Ambiental (AIA). Por AIA entende-se um
conjunto de procedimentos capaz de assegurar, desde o início do processo, que
se faça um exame sistêmico dos impactos ambientais de uma ação proposta e de
suas alternativas, e que os resultados sejam apresentados de forma adequada ao
público e aos responsáveis pela tomada de decisão e por eles considerados. Além
disso, os procedimentos devem garantir a adoção das medidas de proteção ao
meio ambiente determinadas, no caso de decisão sobre a implantação do projeto.

Estudos Ambientais
IV

Destaca-se que a Lei 6.938/81 não relaciona esses dois instrumentos da


PNMA. Somente a partir da Resolução Conama 01/86 que a AIA vincula-se ao
licenciamento ambiental de atividades potencialmente poluidoras. Tal Resolução
consagrou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) como o principal documento de
avaliação de impactos de empreendimentos sujeitos ao licenciamento, determi-
nando que o EIA deve trazer a “definição das medidas mitigadoras dos impactos
negativos, entre elas os equipamentos de controle e os sistemas de tratamento de
despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas”. Dessa forma, definições, res-
ponsabilidades, critérios básicos e diretrizes gerais para o uso e implementação

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da AIA só foram estabelecidos a partir da Resolução Conama 01/86.
A necessidade do EIA para o licenciamento é reforçada pela Constituição
Federal de 1988, em seu artigo 225, parágrafo 1º, e incumbiu ao Poder Público
“exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou de atividade potencialmente
causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto
ambiental, a que se dará publicidade”. Além disso, segundo o art. 3º da Resolução
Conama 237/97, todas as atividades e empreendimentos considerados, efetiva
ou potencialmente, causadores de significativa degradação do meio ambiente,
dependerão de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e de respectivo Relatório de
Impacto Sobre o Meio Ambiente (RIMA).
Para identificar atividades e empreendimentos que demandam o EIA, a
Resolução Conama 01/86 apresentou uma lista com alguns deles considerados
potencialmente causadores de significativo impacto ambiental. Vale ressaltar que
essa lista é apenas exemplificativa, por isso poderá ser ampliada, mas não reduzida.
Cabe destacar que o inciso IV, § 1º do art. 225, da Constituição Federal de
1988, não tornou o EIA exigível em todos os casos, permitindo àqueles rela-
cionados ao empreendimento ou atividade não “potencialmente causadora de
significativa degradação ambiental” a possibilidade de dispensa da realização
desse estudo. Isso não significa que a Carta Magna tenha dispensado o órgão
licenciador, competente de proceder a Avaliação do Impacto Ambiental (AIA),
do empreendimento a ser licenciado por meio de outros estudos ambientais.
Nesses casos, quando o impacto ambiental de determinada atividade for
considerado não significativo, o órgão ambiental competente poderá deman-
dar, como subsídio ao processo decisório, outros estudos ambientais que não o

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


185

EIA, tais como relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, rela-
tório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de
recuperação de área degradada e análise preliminar de risco.
Assim, a Resolução Conama 237/97, no parágrafo único de seu art. 3º,
assevera que “o órgão ambiental competente, verificando que a atividade ou
empreendimento não é potencialmente causador de significativa degradação
do meio ambiente, definirá os estudos ambientais pertinentes ao respectivo pro-
cesso de licenciamento”. Dessa forma, quando da solicitação de licença prévia,
ou da regularização de empreendimento em fase de instalação, ou de operação
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

que não disponha da correspondente licença, o órgão ambiental especifica os


estudos ambientais que devem ser apresentados como condição para a conces-
são de licença.
Por estudos ambientais entende-se: “aqueles que avaliam os aspectos ambien-
tais relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade
ou empreendimento, apresentado como subsídio para a análise da licença reque-
rida” (TCU, 2007).
A definição da necessidade desses estudos é feita pela legislação ou de acordo
com critérios do próprio órgão ambiental, ao analisar o caso concreto. Destaca-se
que, no âmbito federal, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Renováveis (IBAMA), cabe apenas determinar a feitura e realizar a análise de
Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA).
É importante destacar que os estudos ambientais supracitados compõem a
Avaliação de Impactos Ambientais (AIA) e não se confundem com a Avaliação
Ambiental Estratégica (AAE). A principal diferença entre a AIA e a AAE é que, no
Brasil, a AIA é empregada usualmente na avaliação ambiental de projetos de obras
e atividades, e a AAE, na avaliação ambiental de políticas, planos e programas.
Muito embora o licenciamento de empreendimentos e atividades potencial-
mente poluidores, que utilizam a AIA em suas análises, seja um instrumento
importante para inserir a variável ambiental no processo de tomada de decisão,
esse possui uma ação limitada, pois subsidia apenas as decisões de aprovação
de projetos individuais.

Estudos Ambientais
IV

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ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL (EIA)

O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) é necessário para o licenciamento de


empreendimentos com significativo impacto ambiental. Caberá ao órgão ambien-
tal competente identificar as atividades e os empreendimentos causadores de
“impactos significativos”.
O EIA precisa ser elaborado por profissionais legalmente habilitados e deve:
I. contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização de projeto,
confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto;
II. identificar e avaliar sistematicamente os impactos ambientais gerados
nas fases de implantação e operação da atividade;
III. definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetados
pelos impactos, denominados área de influência do projeto, considerando,
em todos os casos, a bacia hidrográfica na qual se localiza;
IV. considerar os planos e programas governamentais propostos e em implan-
tação na área de influência do projeto e sua compatibilidade.

De acordo com o art. 6º da Resolução Conama 237/97, o EIA deve ser composto
obrigatoriamente por quatro seções:

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


187

1. diagnóstico ambiental da área de influência do empreendimento: deve


descrever e analisar as potencialidades dos meios físico, biológico e socio-
econômico da área de influência do empreendimento, inferindo sobre
a situação desses elementos antes e depois da implantação do projeto;
2. análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas: con-
templa a previsão da magnitude e a interpretação da importância dos
prováveis impactos relevantes do empreendimento, discriminando os
impactos positivos e negativos (benéficos e adversos); diretos e indire-
tos; imediatos e a médio e longo prazos; temporários e permanentes; o
grau de reversibilidade desses impactos; suas propriedades cumulativas
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e sinérgicas; a distribuição dos ônus e benefícios sociais;


3. medidas mitigadoras dos impactos negativos: devem ter sua eficiência
avaliada a partir da implementação dos programas ambientais previstos
para serem implementados durante a vigência da LI;
4. programa de acompanhamento e monitoramento: deve abranger os impac-
tos positivos e negativos, indicando os padrões de qualidade a serem
adotados como parâmetros. Considerando a extensão, o nível de deta-
lhamento do EIA e o fato de ele ser redigido em linguagem técnica, o
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) é elaborado, em linguagem mais
acessível, com o objetivo de atender à demanda da sociedade por infor-
mações a respeito do empreendimento e seus impactos.

2. RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL (RIMA)

O RIMA é exigido nos mesmos casos em que se exige o EIA. Diferentemente


do que vem ocorrendo em muitos casos, o RIMA não é, e nem deve ser, um
resumo do EIA.
O EIA e o RIMA são dois documentos distintos com focos diferenciados.
O EIA tem como objeto o diagnóstico das potencialidades naturais e socioeco-
nômicas, os impactos do empreendimento e as medidas destinadas à mitigação,
compensação e controle desses impactos. Já o RIMA oferece informações essen-
ciais para que a população tenha conhecimento das vantagens e desvantagens
do projeto e as consequências ambientais de sua implementação. Em termos

Estudos Ambientais
IV

gerais, pode-se dizer que o EIA é um documento técnico, enquanto o RIMA é


um relatório gerencial.
Segundo o Tribunal de Contas da União (2007), o RIMA deve conter:
I. os objetivos e justificativas do projeto, sua relação e sua compatibili-
dade com as políticas setoriais, planos e programas governamentais;
II. a descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e locacionais,
especificando para cada um deles, nas fases de construção e opera-
ção, a área de influência, as matérias-primas e mão de obra, as fontes
de energia, os processos e técnicas operacionais, os prováveis efluen-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tes, emissões, resíduos de energia, e os empregos diretos e indiretos a
serem gerados;
III. a síntese dos resultados dos estudos de diagnóstico ambiental da área
de influência do projeto;
IV. a descrição dos prováveis impactos ambientais da implantação e opera-
ção da atividade, considerando o projeto, suas alternativas, os horizontes
de tempo de incidência dos impactos, indicando métodos, técnicas e
critérios adotados para sua identificação, quantificação e interpretação;
V. a caracterização da qualidade ambiental futura da área de influência,
comparando as diferentes situações da adoção do projeto e suas alter-
nativas e a hipótese de sua não realização;
VI. a descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas em
relação aos impactos negativos, mencionando aqueles que não pude-
ram ser evitados e o grau de alteração esperado;
VII. o programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos;
VIII. a recomendação quanto à alternativa mais favorável (conclusões e
comentários de ordem geral).

O RIMA é um conjunto de informações destinadas a possibilitar a avaliação do


potencial impactante do empreendimento. As informações devem ser produzidas em
linguagem acessível, ilustradas por mapas, cartas, quadros, gráficos e demais técnicas
de comunicação visual, de modo que se possa entender as vantagens e desvantagens
do projeto e todas as consequências ambientais de sua implementação (TCU, 2007).

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


189

PCA/RCA - Plano de Controle Ambiental, acompanhado do Relatório de


Controle Ambiental – é exigido para empreendimentos e/ou atividades que
não têm grande capacidade de gerar impactos ambientais, a estruturação dos
documentos possui escopo semelhante ao do EIA/RIMA. Nesse caso, não são
necessários grandes níveis de detalhamento.
PRAD - Plano de Recuperação de Áreas Degradadas, instituído pelo Decreto
Federal 97.632, de 10.04.1989, define em seu Artigo Primeiro: “Os empreendi-
mentos que se destinam à exploração dos recursos minerais deverão, quando da
apresentação do Estudo de Impacto Ambiental - EIA e do Relatório de Impacto
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Ambiental - RIMA, submeter à aprovação do órgão ambiental competente ao


Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD)”.

Empreendimentos e Atividades Sujeitos ao Licenciamento Ambiental


■■ EXTRAÇÃO E TRATAMENTO DE MINERAIS, INDÚSTRIA DE
PRODUTOS MINERAIS NÃO METÁLICOS.
■■ INDÚSTRIA METALÚRGICA.
■■ INDÚSTRIA MECÂNICA.
■■ INDÚSTRIA DE MATERIAL ELÉTRICO, ELETRÔNICO E
COMUNICAÇÕES.
■■ INDÚSTRIA DE MATERIAL DE TRANSPORTE.
■■ INDÚSTRIA DE MADEIRA.
■■ INDÚSTRIA DE PAPEL E CELULOSE.
■■ INDÚSTRIA DE BORRACHA.
■■ INDÚSTRIA DE COUROS E PELES.
■■ INDÚSTRIA QUÍMICA.
■■ INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE MATÉRIA PLÁSTICA.
■■ INDÚSTRIA TÊXTIL, DE VESTUÁRIO, CALÇADOS E ARTEFATOS
DE TECIDOS.

Estudos Ambientais
IV

■■ INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTARES E BEBIDAS.


■■ INDÚSTRIA DE FUMO.
■■ OBRAS CIVIS.
■■ SERVIÇOS DE UTILIDADE.
■■ TRANSPORTE, TERMINAIS E DEPÓSITOS.
■■ TURISMO.
■■ ATIVIDADES DIVERSAS.

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■■ PARCELAMENTO DO SOLO.
■■ ATIVIDADES AGROPECUÁRIAS.
■■ PROJETO AGRÍCOLA.
■■ CRIAÇÃO DE ANIMAIS.
■■ PROJETOS DE ASSENTAMENTOS E COLONIZAÇÃO.
■■ USO DE RECURSOS NATURAIS.
■■ SILVICULTURA.
■■ EXPLORAÇÃO ECONÔMICA DA MADEIRA OU LENHA E
SUBPRODUTOS FLORESTAIS.
■■ ATIVIDADE DE MANEJO DE FAUNA EXÓTICA E CRIADOURO DE
FAUNA SILVESTRE.
■■ UTILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO GENÉTICO NATURAL.
■■ MANEJO DE RECURSOS AQUÁTICOS VIVOS.
■■ INTRODUÇÃO DE ESPÉCIES EXÓTICAS E/OU GENETICAMENTE
MODIFICADAS.
■■ USO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA PELA BIOTECNOLOGIA.
■■ OUTRAS ATIVIDADES QUE, POR SUAS CARACTERÍSTICAS, SEJAM
CONSIDERADAS EFETIVA OU POTENCIALMENTE POLUIDORAS,
OU QUE POSSAM CAUSAR DEGRADAÇÃO AMBIENTAL (TCU,
2007).

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


191

Vejamos alguns exemplos de políticas públicas que fazem parte do nosso coti-
diano e interferem diretamente em nosso modo de vida, como é o caso da Política
Nacional de Resíduos Sólidos e o Código Florestal Brasileiro.

A POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS (PNRS)


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Promulgada no dia 2 de agosto de 2010, após amplo debate com governo, uni-
versidades, setor produtivo e entidades civis, a Política Nacional de Resíduos
Sólidos impulsiona o retorno dos produtos às indústrias após o consumo e obriga
o poder público a realizar Planos para o gerenciamento do lixo.
“O poder público, o setor empresarial e a coletividade são responsáveis pela
efetividade das ações voltadas para assegurar a observância da Política Nacional
de Resíduos Sólidos (...)” (BRASIL, 2010).
No âmbito da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos
produtos, cabe ao titular dos serviços públicos de limpeza urbana (...)
adotar procedimentos para reaproveitar os resíduos sólidos reutili-
záveis e recicláveis (...), estabelecer sistema de coleta seletiva, (...) dar
disposição final ambientalmente adequada aos rejeitos (...) (BRASIL,
2010).

Pela nova lei, os governos municipais e estaduais teriam prazo de dois anos para
elaborar um plano de resíduos sólidos, com diagnóstico da situação do lixo e
metas para redução e reciclagem, além de dar um fim aos lixões e buscar solu-
ções consorciadas com outros municípios.
Até o dia 03 de agosto de 2014, os municípios tiveram de se adaptar à Política
de Resíduos Sólidos, que proíbe os lixões a céu aberto e o descarte de resíduos
que possam ser reciclados ou reutilizados. No lugar deles, devem ser criados
aterros controlados ou aterros sanitários.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)


IV

O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2013 foi lançado em 04 de agosto


de 2014, 11ª edição do relatório anual da ABRELPE – Associação Brasileira de
Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. O país registra a presença
de lixões em todos os estados e cerca de 60% dos municípios brasileiros ainda
encaminham seus resíduos para locais inadequados.
A pesquisa realizada pela ABRELPE abrangeu 404 municípios, represen-
tando 45,3% da população brasileira total indicada pelo IBGE em 2013, em que
a geração de RSU (Resíduos Sólidos Urbanos) foi de 76.387.200 toneladas, o que
indica um aumento de 4,1% em relação ao ano de 2012.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Os dados do Panorama 2013 sobre a destinação final dos resíduos coletados
indicaram que 58,3% seguiram para aterros sanitários nesse ano. Essa situação
manteve-se inalterada em relação ao panorama de 2012. A outra parte, que equi-
vale a 41,7% do que é coletado, é encaminhada para lixões e aterros controlados,
que pouco diferenciam dos lixões, em termos de impacto ambiental.
Nessa análise realizada pela ABRELPE, a destinação inadequada de RSU
ainda é uma prática presente em todas as regiões brasileiras e 3.344 municípios
- correspondentes a 60% do total - ainda fizeram uso, no ano 2013, de locais ina-
dequados para destinação final dos resíduos coletados.
A coleta seletiva é a etapa mais importante para que vários tipos de resí-
duos sigam o caminho para a reciclagem ou destinação final correta. No Brasil,
em 2013, constatou-se que 62% dos municípios apontaram alguma iniciativa de
coleta seletiva, que muitas vezes são apenas alguns locais esporádicos de entrega
voluntária em locais públicos, ou convênios com cooperativas de catadores pouco
estruturadas, que não abrangem a totalidade do território ou da população do
município (Figura 20).

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


193
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 20: Distribuição dos municípios com iniciativas de Coleta Seletiva em 2013 (%)
Fonte: Pesquisa ABRELPE (2013).

A existência desse plano de resíduos sólidos, que será simplificado nas cida-
des com menos de 20 mil habitantes, é condição para o acesso a recursos da
União. Terão prioridade às fontes financeiras do governo federal os municípios
que implantarem coleta seletiva com participação de cooperativas de catadores.
No caso do governo federal, a lei obriga a elaboração de um plano nacional
com horizonte de duas décadas, atualizado a cada quatro anos, sob coordena-
ção do Ministério do Meio Ambiente.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)


IV

O QUE MUDA COM A LEI

Antes Depois
• Municípios farão plano de metas
sobre resíduos com participação dos
• Falta de prioridade para o lixo urbano
catadores
• Existência de lixões na maioria dos
• Os lixões precisam ser erradicados
municípios
em 4 anos
• Resíduo orgânico sem aproveitamen-
• Prefeituras passam a fazer a compos-
to
tagem
• Coleta seletiva cara e ineficiente
• É obrigatório controlar custos e me-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
dir a qualidade do serviço
Fonte: <http://cempre.org.br/artigo-publicacao/artigos>.

“São princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos: (...) integração dos


catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações que envolvam a res-
ponsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos” (BRASIL, 2010).
(...) o titular dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de
resíduos sólidos priorizará a organização e o funcionamento de coope-
rativas ou de outras formas de associação de catadores (...) formadas
por pessoas físicas de baixa renda, bem como sua contratação (BRA-
SIL, 2010).

O QUE MUDA COM A LEI

Antes Depois
• Catadores reduzem riscos à sáude e
• Exploração por atravessadores e
aumentam renda em cooperativas
riscos à sáude
• Cooperativas são contratadas pelos
• Informalidade
municípios para coleta e reciclagem
• Problemas de qualidade e quantida-
• Aumenta a quantidade e melhora a
de dos materiais
qualidade da matéria-prima reciclada
• Falta de qualificação e visão de
• Trabalhadores são treinados e capaci-
mercado
tados para ampliar produção
Fonte: <http://cempre.org.br/artigo-publicacao/artigos>

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


195

(...) os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes têm


responsabilidade que abrange (...) recolhimento dos produtos e dos
resíduos remanescentes após o uso, assim como sua subseqüente des-
tinação final ambientalmente adequada, no caso de produtos objeto de
sistema de logística reversa (...) (BRASIL, 2010).

“As embalagens devem ser fabricadas com materiais que propiciem a reutilização
ou a reciclagem” (BRASIL, 2010). Por intermédio da reciclagem, determinados
materiais, muitas vezes reconhecidos como lixo, podem ser reutilizados como
matéria-prima para a fabricação de novos produtos. A figura 21 apresenta os
índices de reciclagem disponíveis para alumínio, papel e plástico. Os índices
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

demonstram, de maneira geral, uma estabilidade no volume de reciclagem no


Brasil.

Figura 21: Índices de Reciclagem Disponíveis para Alumínio, Papel e Plástico


Fonte: ABAL - Associação Brasileira de Alumínio; BRACELPA - Associação Brasileira de Celulose e
PAPEL; ABIPET - Associação Brasileira da Indústria de PET (2013).

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)


IV

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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Atualmente, 13% dos resíduos urbanos são reciclados, mas o potencial para
reciclagem é muito maior. Um recente estudo do Instituto de Pesquisa Eco-
nômica e Aplicada (IPEA), do governo federal, indicou que o país perde anu-
almente R$ 8 bilhões por enterrar materiais recicláveis que podem voltar à
produção industrial.
Parte extraída da reportagem disponível em:
<http://cempre.org.br/artigo-publicacao/artigos>
Fonte: CEMPRE. Compromisso Empresarial Para Reciclagem. Review 2013.
Um panorama reciclagem no Brasil. Disponível em: <http://cempre.org.
br/artigo-publicacao/artigos>. Acesso em: 20 abr. 2015.

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


197

Além dos aspectos econômicos, a reciclagem economiza recursos naturais,


como a água, além de proporcionar o uso racional de energia e menor emissão
de gases do efeito estufa. As medidas para reduzir resíduos começam desde o
projeto dos produtos e permeiam todo o seu ciclo de vida, incluindo também o
transporte e o descarte final.

O QUE MUDA COM A LEI

Antes Depois
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• Marco legal estimulará ações empre-


• Inexistência de lei nacional para nor- sariais
tear os investimentos das empresas • Novos instrumentos financeiros
• Falta de incentivos financeiros impulsionarão a reciclagem
• Baixo retorno de produtos eletroele- • Mais produtos retornarão à indútria
trônicos pós-consumo após o uso pelo consumidor
• Desperdício econômico sem a reci- • Reciclagem avançará e gerará mais
clagem negócios com impacto na geração
de renda
Fonte: <http://cempre.org.br/artigo-publicacao/artigos>

Sempre que estabelecido sistema de coleta seletiva pelo plano mu-


nicipal (...), os consumidores são obrigados a (...) acondicionar ade-
quadamente e de forma diferenciada os resíduos (...) O poder público
municipal pode instituir incentivos econômicos aos consumidores que
participam desse processo (...) (BRASIL, 2010).

O QUE MUDA COM A LEI

Antes Depois
• Consumidor fará separação mais
• Não separação do lixo reciclável nas
criteriosa nas residências
residências
• Campanhas educativas mobilizarão
• Falta de informação
moradores
• Falhas no atendimento da coleta
• Coleta seletiva melhorará para reco-
municipal
lher mais resíduos
• Pouca reivindicação junto às autori-
• Cidadão exercerá seus direitos junto
dades
aos governantes
Fonte: <http://cempre.org.br/artigo-publicacao/artigos>

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)


IV

A ENERGIA QUE VEM DO LIXO

No Brasil, as hidrelétricas são responsáveis por 70,77% da matriz energética do


país, sendo essa forma de produção de energia considerada limpa. Porém, a gera-
ção de energia a partir do lixo, por meio, por exemplo, do biogás, pode ser uma
solução não apenas econômica, mas também social e ambiental. Estima-se que no
Brasil seria possível aumentar em 15% o total de energia elétrica ofertada no país.
A energia gerada a partir de lixo sólido se dá por meio de dois processos
basicamente: a fermentação anaeróbica de lixo por micro-organismos,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
com geração de metano como produto metabólico e a incineração con-
trolada do lixo. A fermentação – decomposição da matéria orgânica – é
geralmente feita em biodigestores ou em aterros sanitários munidos de
sistema de dutos de coleta do biogás, um conjunto de gases gerados por
essa decomposição. O biogás possui entre 50% e 70% de metano, que
tem poder calorífico, isto é, pode ser queimado para gerar energia. No
caso da incineração, a energia é gerada por meio da queima completa
dos resíduos. Esse processo produz monóxido de carbono, que também
apresenta poder calorífico. Em ambos os casos, é possível não apenas
gerar energia a partir do lixo, mas também utilizar a redução das emis-
sões de gases de efeito estufa para negociar certificados de créditos de
carbono com valor no mercado financeiro, de acordo com o Protocolo
de Kyoto (BUENO, 2008).

As vantagens da transformação do lixo em energia são muitas. Podemos citar


aqui algumas delas, quais sejam: diminuição dos aterros sanitário e lixões, menor
produção de gases poluentes, menos riscos ao meio ambiente e à saúde humana,
mais economia e mais empregos.

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


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O NOVO CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO


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Em 25 de maio de 2012, foi aprovado o Novo Código Florestal Brasileiro, pela Lei
12.651. O Novo Código apresentou algumas alterações para que ficasse condi-
zente com o que se deseja em relação à legislação ambiental brasileira. Continua
no novo código a obrigação do proprietário de manter em sua propriedade pri-
vada as Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL), a fim de
proteger o meio ambiente natural, porém a forma de fiscalização dessas foi alte-
rada, sendo agora necessário o Cadastro Ambiental Rural (CAR).
De acordo com Zakia e Pinto (2013), os conceitos fundamentais de APP e
RL foram mantidos. Com algumas exceções, os requisitos para o cumprimento
das APPs e das RLs também se mantiveram. Portanto, a expansão de novas áreas
de produção deve contemplar a proteção das florestas, contudo, flexibilizou-se o
cumprimento da Lei quanto às novas formas de contabilização de áreas de RL e
APP e novas formas de compensação de RL, especialmente em função do tama-
nho da propriedade.
Ainda segundo os autores supracitados, dependendo do tamanho do imó-
vel rural, essa lei tem aplicações diferenciadas. Segundo a legislação fundiária
brasileira, os imóveis rurais podem ser:
■■ Minifúndios: imóveis rurais com área inferior a 1 (um) módulo fiscal.
■■ Pequenas propriedades: imóveis rurais de área entre 1 (um) e 4 (quatro)
módulos fiscais.
■■ Médias propriedades: imóveis rurais com área entre 4 (quatro) e 15
(quinze) módulos fiscais.

O Novo Código Florestal Brasileiro


IV

■■ Grandes propriedades: imóveis


rurais de área superior a 15 (quinze)
módulos fiscais.

O Módulo fiscal é estabelecido em cada


município e procura refletir a área mediana
dos Módulos Rurais, em oposição aos
imóveis rurais do município. Para o cum-
primento dessa lei, considera-se o tamanho ©Istock
do imóvel no dia 22 de julho de 2008.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O Art. 3o  da referida Lei apresenta o conceito de diversas áreas ambien-
tais, ou termos utilizados nos dispositivos de seu conteúdo. Assim, destacamos
alguns desses conceitos:

ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE – APP

Área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental
de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a bio-
diversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar
o bem-estar das populações humanas.
O artigo 4º apresenta como locais considerados como Área de Preservação
Permanente, em zonas rurais ou urbanas:
I - as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermi-
tente, excluídos os efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura
mínima de:
a) 30 (trinta) metros, para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros
de largura;
b) 50 (cinquenta) metros, para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a
50 (cinquenta) metros de largura;
c) 100 (cem) metros, para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a
200 (duzentos) metros de largura;

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


201

d) 200 (duzentos) metros, para os cursos d’água que tenham de 200 (duzen-
tos) a 600 (seiscentos) metros de largura;
e) 500 (quinhentos) metros, para os cursos d’água que tenham largura supe-
rior a 600 (seiscentos) metros;
II - as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, em faixa com largura
mínima de:
a) 100 (cem) metros, em zonas rurais, exceto para o corpo d’água com até 20
(vinte) hectares de superfície, cuja faixa marginal será de 50 (cinquenta) metros;
b) 30 (trinta) metros, em zonas urbanas;
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

III - as áreas no entorno dos reservatórios d’água artificiais, decorrentes de


barramento ou represamento de cursos d’água naturais, na faixa definida na
licença ambiental do empreendimento; 
IV - as áreas no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes, qualquer
que seja sua situação topográfica, no raio mínimo de 50 (cinquenta) metros;
V - as encostas ou partes destas com declividade superior a 45°, equivalente
a 100% (cem por cento) na linha de maior declive;
VI - as restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues;
VII - os manguezais, em toda a sua extensão;
VIII - as bordas dos tabuleiros ou chapadas, até a linha de ruptura do relevo,
em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais;
IX - no topo de morros, montes, montanhas e serras, com altura mínima
de 100 (cem) metros e inclinação média maior que 25°, as áreas delimitadas a
partir da curva de nível correspondente a 2/3 (dois terços) da altura mínima da
elevação sempre em relação à base, sendo esta definida pelo plano horizontal
determinado por planície ou espelho d’água adjacente ou, nos relevos ondula-
dos, pela cota do ponto de sela mais próximo da elevação;
X - as áreas em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer
que seja a vegetação;
XI - em veredas, a faixa marginal, em projeção horizontal, com largura
mínima de 50 (cinquenta) metros, a partir do espaço permanentemente bre-
joso e encharcado.

O Novo Código Florestal Brasileiro


IV

No quadro 13 estão discriminadas as áreas de APP necessárias de acordo


com o tamanho das propriedades e a largura do rio existente nas propriedades.
Ressalta-se que a obrigação poderá ser menor que a apresentada no referido qua-
dro somente quando a área recomposta atingir:
1) 10% (dez por cento) da área total do imóvel, com até 2 (dois) módulos
fiscais;
2) 20% (vinte por cento) da área total do imóvel, para imóveis rurais com
área entre 2 (dois) e 4 (quatro) módulos fiscais.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
TAMANHO DA PROPRIEDADE
MÓDULOS FISCAIS
(IMÓVEL RURAL)
Até 1 >1a2 >2a4 > 4 a 10 > 10
Rios com largura de: Qualquer Qualquer Qualquer
10 m Todos
Largura Largura Largura
De 30 a 100 m
Rios 5m 9m 15 m 20 m em função da
Obrigação
largura do rio
mínima de
recompor a Nascentes 15 m 15 m 15 m 15 m 15 m
APP: Lagoas e lagos 5m 9m 15 m 30 m 30 m
Veredas 30 m 30 m 30 m 50 m 50 m
Quadro 13 - Faixas mínimas e obrigatórias de recomposição de APP hídricas naturais para áreas
convertidas até 22 de julho de 2008
Fonte: FAEP (2012).

RESERVA LEGAL

De acordo com o artigo 3o da referida Lei, considera-se Reserva Legal: área loca-
lizada no interior de uma propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do
art. 12, com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos
recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos
processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o
abrigo e proteção de fauna silvestre e flora nativa.

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


203

Art. 12.  Todo imóvel rural deve manter área com cobertura de vegetação
nativa, a título de Reserva Legal, sem prejuízo da aplicação das normas sobre as
Áreas de Preservação Permanente, observados os seguintes percentuais mínimos
em relação à área do imóvel, excetuados os casos previstos no art. 68 desta Lei:
I - localizado na Amazônia Legal:
a) 80% (oitenta por cento), no imóvel situado em área de florestas;
b) 35% (trinta e cinco por cento), no imóvel situado em área de cerrado;
c) 20% (vinte por cento), no imóvel situado em área de campos gerais;
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

II - localizado nas demais regiões do País: 20% (vinte por cento).


Zaquia e Pinto (2013) apresentam como novidades da nova Lei Florestal:
- A possibilidade de se contabilizar as APP’s na Reserva Legal desde
que:

a) não implique a conversão de novas áreas para o uso alternativo do


solo;

b) a APP a ser computada esteja conservada, ou em processo de recu-


peração;

c) o imóvel esteja incluído no Cadastro Ambiental Rural - CAR.

- Todo imóvel rural que tenha área de Reserva Legal em extensão in-
ferior ao estabelecido, poderá regularizar sua situação, independente-
mente da adesão ao PRA, (ou seja, pode começar agora).

Os autores abordam ainda que a recomposição da Reserva Legal pode


ser feita por meio das seguintes técnicas que podem ser combinadas
entre si:

1. plantio;

2. permitir a regeneração natural da vegetação na área de Reserva Le-


gal;

3. compensar a Reserva Legal.

No caso de Recomposição poderá ser feito o plantio intercalado de


espécies nativas com exóticas ou frutíferas, em sistema agroflorestal,
observados os seguintes parâmetros:

O Novo Código Florestal Brasileiro


IV

I. o plantio de espécies exóticas deverá ser combinado com as espécies


nativas de ocorrência regional;

II. a área recomposta com espécies exóticas não poderá exceder a 50%
(cinquenta por cento) da área total a ser recuperada.

A compensação da Reserva Legal poderá ser feita mediante:

1. aquisição de Cota de Reserva Ambiental - CRA;

2. arrendamento de área sob regime de servidão ambiental ou Reserva


Legal;

3. doação ao poder público de área localizada no interior de Unidade de

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Conservação de domínio público pendente de regularização fundiária;

4. cadastramento de outra área equivalente e excedente à Reserva Legal,


em imóvel de mesma titularidade ou adquirida em imóvel de terceiro,
com vegetação nativa estabelecida, em regeneração ou recomposição,
desde que localizada no mesmo bioma.

Área rural consolidada


Área de imóvel rural com ocupação antrópica preexistente a 22 de julho de 2008,
com edificações, benfeitorias ou atividades agrossilvipastoris, admitida, nesse
último caso, a adoção do regime de pousio.

Uso alternativo do solo


Substituição de vegetação nativa e formações sucessoras por outras coberturas
do solo, como atividades agropecuárias, industriais, de geração e transmissão
de energia, de mineração e transporte, assentamentos urbanos ou outras for-
mas de ocupação humana.

Manejo sustentável
Administração da vegetação natural para a obtenção de benefícios econômicos,
sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossis-
tema objeto do manejo e se considerando, cumulativa ou alternativamente, a
utilização de múltiplas espécies madeireiras ou não, de múltiplos produtos e
subprodutos da flora, bem como a utilização de outros bens e serviços.

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


205

O novo Código florestal ainda é tema de muitas discussões, em que alguns


grupos o consideram como um avanço e outros, um retrocesso, que possibilita
a anistia dos desmatadores. O Sistema FAEP (2012) apresenta, em sua publica-
ção sobre o Novo Código Florestal, as conquistas que este considera como as
doze maiores:
1) Áreas consolidadas: as atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e
turismo rural, que já existiam em APP’s até 22 de julho de 2008, poderão conti-
nuar e serão consideradas áreas consolidadas, desde que não estejam em áreas
de risco e sejam observados critérios técnicos de conservação do solo e da água
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

estabelecidos no Programa de Regularização Ambiental (PRA).


2) Recomposição de APP consolidada para propriedades de até 4 módu-
los fiscais, com largura de rio de até 10 metros: a recomposição da mata ciliar
deve variar de 5 metros a, no máximo, 20 metros, dependendo do tamanho da
propriedade.
3) Reserva Legal consolidada para propriedades menores de 4 módulos fis-
cais: imóveis rurais com áreas de até 4 módulos fiscais, que corresponde, por
exemplo, no Paraná, a uma média de 72 hectares, não precisarão recompor as
reservas legais. Valerá o percentual de vegetação nativa existente na propriedade
até o dia 22 de julho de 2008, ficando bem claro que não poderá haver nenhum
desmatamento dessas áreas.
4) Reserva Legal para propriedades maiores que 4 módulos fiscais: as APPs
poderão ser incluídas no cálculo de 20% da Reserva Legal. Porém, se a soma
das áreas de Reserva Legal mais APP for superior a 20%, o produtor não poderá
retirar a vegetação excedente.
5) A recomposição de Reserva Legal poderá ser feita com a regeneração
natural da vegetação, pelo plantio de novas árvores (permitido o uso de até 50%
de espécies exóticas), ou pela compensação.
6) O proprietário rural que optar por recompor a Reserva Legal, com uti-
lização do plantio intercalado de espécies exóticas terá direito a sua exploração
econômica.
7) A recomposição poderá ser feita em até 20 anos e as espécies exóticas
poderão ser exploradas economicamente.

O Novo Código Florestal Brasileiro


IV

8) A compensação poderá ocorrer fora da propriedade por meio de compra de


Cota de Reserva Ambiental (CRA), arrendamento, doação ao Poder Público
de área no interior de unidade de conservação de domínio público pendente de
regularização fundiária, ou cadastramento de área equivalente no mesmo bioma.
9) Os passivos ambientais dos produtores rurais poderão ser solucionados
a partir de sua adesão ao PRA, o que será considerado no acesso aos incenti-
vos econômicos e financeiros concedidos ao produtor, em retribuição a serviços
ambientais por ele prestados.
10) As multas por infrações ambientais cometidas até 22 de julho de 2008

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
serão suspensas, a partir da publicação do Novo Código e enquanto o proprie-
tário que aderiu ao PRA estiver cumprindo o termo de compromisso.
11) Desde que o produtor cumpra os prazos e as condições estabelecidas no
termo de compromisso, as multas serão consideradas convertidas em serviços
de melhoria ou recuperação da qualidade do meio ambiente.
12) O Novo Código autoriza o Governo Federal a instituir um programa de
apoio à conservação do meio ambiente. O programa poderá fazer pagamentos
em retribuição a serviços ambientais, tais como o sequestro de carbono, a con-
servação das águas e da biodiversidade e a manutenção de APPs e Reserva Legal.

POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS E LICENCIAMENTO


207

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As políticas públicas ambientais no Brasil foram adotadas a priori para “con-


sertar ou minimizar” alguns impactos ambientais de um desenvolvimento que
não considerava em nenhuma escala de importância a preservação dos recursos
naturais. Mesmo que tardia, a adoção de legislações ambientais e de uma polí-
tica pública ambiental pouco eficiente veio alicerçar a posição do país dentro do
cenário de desenvolvimento sustentável.
A falta de entendimento sobre as questões ambientais dos brasileiros com-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

promete a adequada utilização dos recursos hídricos, matriz energética limpa


e renovável e a biodiversidade. A sociedade precisa entender que, ao enfraque-
cer o meio ambiente, enfraquece também a economia, o emprego e a saúde. A
conscientização ambiental da população só será possível com a clareza e enten-
dimento do valor do meio ambiente natural em suas vidas.
Ao julgar e condenar alguns setores pelos danosos impactos promovidos
aos nossos recursos ambientais, as atividades agropecuárias sempre carrega-
ram a maior parcela de culpa. As legislações ambientais adotadas devem ser
uma ferramenta de comando e controle na preservação dos recursos, e não
um acobertamento de ações ambientalmente repudiáveis como privilégio de
alguns. Cabe aos profissionais do agronegócio o desafio de auxiliar na tomada
de decisões, as ações que priorizem uma produção ambientalmente saudável e
produtiva. Isso é possível.
Os processos de licenciamento ambiental empregados no Brasil, embora bas-
tante burocráticos, são eficientes. Estudos como EIA e RIMA são instrumentos
de controle ambiental de preservação dos recursos naturais, incluindo as ativida-
des agrícolas. Portanto, as ferramentas utilizadas nos processos de licenciamento
ambiental são importantes para a implantação de atividades ambientalmente
corretas ligadas ao segmento, que podem ser utilizadas como base pelos profis-
sionais habilitados para lidar com as falhas existentes.

Considerações Finais
1. As políticas públicas tiveram seu surgimento em diferentes épocas, dentro de
diferentes países. A política ambiental brasileira nasceu e se desenvolveu nos
últimos quarenta anos. Comente sobre o surgimento dela em nosso país e sobre
como estava fundamentada.
2. O licenciamento ambiental tem como objetivo agir preventivamente sobre a
proteção do meio ambiente e compatibilizar sua preservação com o desenvolvi-
mento econômico-social, essenciais para a sociedade. Dessa forma, defina licen-
ciamento e licença ambiental.
3. Como ferramentas do licenciamento ambiental, têm-se as licenças ambientais e
os estudos ambientais. Os últimos, requeridos para atividades que apresentem
reais ou potenciais impactos sobre o meio ambiente. Nesse sentido, descreva
sobre os principais estudos ambientais e caracterize-os.
MATERIAL COMPLEMENTAR

Conheça o Novo Código Florestal Brasileiro na íntegra e algumas de suas


peculiaridades discutidas por diferentes autores acessando os links:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/L12651compilado.
htm>

<http://codigoflorestal.sistemafaep.org.br/wp-content/uploads/2012/11/novo-codigo-
florestal.pdf>

<http://www.aci-scs.org.br/uploads/conteudo/386/NOVO%20CODIGO%20
FLORESTAL%20-%20RESUMO.pdf>

Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo indicado e satisfaça algumas
curiosidades a respeito dele. Bom filme!

Lixo se torna alternativa de energia no Brasil

<http://www.haztec.com.br/ambiental/index.php/
globonews-cidades-e-solucoes-lixo-se-torna-alternativa-de-energia-no-brasil>

Para você entender melhor o assunto, leia a formulação da lei na íntegra pelo site:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>

Para você, que é curioso, entender melhor a diferença entre aterro e lixão, assista ao
vídeo indicado no site:

<http://globotv.globo.com/editora-globo/revista-epoca/v/
como-funciona-um-aterro-sanitario/1738367>

Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR

Assista ao vídeo: “Sopa Plástica: o Lixão do Oceano Pacífico”, no site indicado e reflita
sobre os apontamentos feitos a respeito da relação do ser humano com o seu meio:

<http://www.youtube.com/watch?v=XwvYzmk-NjY>

Para saber mais a respeito da ABRELPE, acesse:

<http://www.abrelpe.org.br/>
Professora Dra. Cláudia Fabiane Meneguetti
Professora Dra. Edneia Aparecida de Souza Paccola

V
Professora Dra. Francielli Gasparotto

GESTÃO AMBIENTAL DE

UNIDADE
SUCESSO

Objetivos de Aprendizagem
■■ Apresentar ao aluno uma visão ampla a respeito da importância das
ações socioambientais para as empresas, por meio da apresentação
de cases.
■■ Estimular o aluno a comparar as diferentes ações entre segmentos
diferenciados, de forma que este possa comparar os resultados
e formular sua própria opinião acerca das ações socioambientais
adotadas pelas organizações.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Gestão Ambiental de Sucesso
■■ Braskem
■■ Klabin
■■ Natura
■■ AmBev
■■ Walmart
■■ Coca-Cola
213

INTRODUÇÃO

Uma gestão ambiental bem estruturada e eficaz resulta em ações socioambientais


que garantam muitos benefícios às organizações e a sua colocação no mercado.
Atualmente, a sociedade e o governo vêm exigindo das empresas uma postura
adequada à busca pelo desenvolvimento sustentável, reduzindo seus impactos
ambientais e aumentando sua participação na preservação do meio ambiente.
Nesta quinta e última unidade de nosso livro, iremos abordar alguns casos de
sucesso de empresas brasileiras que adotaram uma gestão ambiental eficiente em
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

seus processos produtivos. No Brasil, muitas empresas adotam projetos e ações


voltados ao meio ambiente. Essas empresas têm se fortalecido e apresentado um
retorno econômico apreciável por conta da adoção de uma postura mais ética,
em relação às questões ambientais.
Dizer que não é preciso considerar o meio ambiente no planejamento estra-
tégico de uma empresa significa estar fadada a cair no esquecimento. Além de ser
uma estratégia de marketing, as ações socioambientais vêm se tornando indica-
dores de qualidade e critério de seleção de marcas, produtos e serviços, por um
consumidor que está cada dia mais exigente. Como exemplo, temos os indicado-
res de sustentabilidade empresarial abordados na unidade III, que são adotados
por muitas das empresas apresentadas nesta unidade e utilizados pelos consu-
midores para consulta sobre elas.
Os consumidores são os termômetros das ações das empresas. Ignorar a
necessidade de gerir ambientalmente uma organização é ir contra o que se tem
pregado em relação às novas exigências para se manter no mercado. Então, as
empresas que não desenvolvem algum tipo de ação socioambiental precisam
tomar cuidado, pois somente cumprir o que manda a legislação para fugir das
penalidades não fará com que essas empresas permaneçam na corrida por um
lugar de destaque no mercado.

Introdução
V

©iStock
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO

CASES DE AÇÕES SOCIOAMBIENTAIS DE ALGUMAS EMPRESAS

A seguir, veremos os exemplos de algumas empresas, de diferentes segmentos e


atividades, que viram na questão ambiental uma oportunidade, não só de negó-
cios, mas de diferenciação de produtos e serviços. Afinal de contas, meio ambiente,
hoje, é coisa séria. Mais do que uma necessidade, está se tornando uma exigência.
O termo sustentabilidade vem ganhando destaque nas empresas desde a
última década. Além da preservação do meio ambiente, as ações agregam valor
à imagem da marca. Pesquisa realizada em 2010 pelo Akatu, juntamente ao
Instituto Ethos, sobre recepção do consumidor, revela que 70% preferem com-
prar de empresas que promovem ações de sustentabilidade e 45% das pessoas
entrevistadas valorizam marcas com ações socioambientais.
Com maior consciência, o consumidor está valorizando as iniciativas que
tenham impactos positivos não somente em sua vida, mas no contexto social
como um todo. A sociedade tem hoje maior grau de consciência sobre seu papel
e o das empresas, com isso tem exercido cada vez mais seu poder crítico em ques-
tões que envolvem sustentabilidade.

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


215

Quase a metade dos consumidores brasileiros escolhem produtos por influ-


ência da ação socioambiental das empresas que os fabricam. Essa é a conclusão
da pesquisa Conjoint Social — avaliação do peso de ações sociais nas ações de
compra do consumidor, realizada pela empresa GfK. O estudo procurou ava-
liar o quanto o atributo “ação social da empresa” pesa no processo de escolha
do consumidor, comparativamente à marca e ao preço. Como conclusão geral,
45% dos homens e mulheres que responderam a pesquisa valorizam marcas que
tenham ações socioambientais, escolhendo produtos baseados não apenas nos
tradicionais critérios de marca, qualidade e preço, mas também reconhecendo
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e valorizando as ações socioambientais das empresas por meio de seu poder de


compra. Em outras palavras, são consumidores conscientes, que reconhecem
a importância da ação de contribuição das empresas para um mundo social e
ambientalmente mais sustentável.
Seja para ganhar vantagens ou por consciência socioambiental, as grandes
empresas têm colaborado muito com a prática e a propagação da sustentabili-
dade, melhorando assim nossas condições ambientais e sociais. Conheça alguns
exemplos de projetos ambientais desenvolvidos pelas empresas para melhorar
os negócios e qualidade de vida no planeta.

BRASKEM

Com escritórios nas Américas, Europa e Ásia e parcerias com clientes em mais
de 60 países, a Braskem é um importante player global no mercado de resinas
termoplásticas.
As soluções para os problemas sociais e ambientais que afligem o nosso
tempo vêm sendo muito discutidas pelas nações em todo o mundo,
mas naturalmente não há saídas simples ou únicas para este tema. No
entanto, não há dúvidas de que as empresas têm um papel importan-
te nesse cenário como geradoras de riquezas. A geração dessa riqueza
pode ser feita de forma responsável, tanto social quanto ambientalmen-
te. As empresas que assim o fizerem serão parte da solução.
(BRASKEM, 2002, online)

Braskem
V

A evolução da gestão ambiental responsável e comprometida com o futuro da


vida. Para tal, são prioridades da Braskem: preservação da saúde e segurança das
pessoas, processos e produtos; minimização dos impactos ambientais decorrentes
de suas atividades; ecoeficiência de operações; inovações em processos, tecnolo-
gias e produtos e a busca permanente por uma vida sustentável.
A Braskem participa ativamente de fóruns e discussões internacionais, com
o propósito de estimular e reforçar a contribuição do setor empresarial para o
desenvolvimento sustentável. Alguns dos compromissos voluntários da Braskem
nessa área são:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
- Programa Atuação Responsável: A Atuação Responsável busca aprimorar
a gestão ambiental das empresas químicas e da sua cadeia. Entre os itens obser-
vados, estão a segurança das unidades fabris, de seus processos e produtos, bem
como a preservação da saúde dos trabalhadores e proteção do meio ambiente.
- Pacto Global: A Braskem é signatária desde 2007 do Pacto Global, pro-
grama das Nações Unidas que visa fortalecer a aplicação da responsabilidade
social empresarial no mundo, e conta com a adesão de mais de 6 mil empresas.
Desde 2008, a Braskem integra o Comitê Brasileiro do Pacto Global.
- Carbon Disclosure Project (CDP): A Braskem apoia esta iniciativa lan-
çada em 2000, que tem o objetivo de coletar e publicar as emissões de gases de
efeito estufa de mais de 2.500 organizações, em 60 países. Desde 2008, a Braskem
reporta suas emissões de gases de efeito estufa para o CDP.
- Declaração Internacional de Produção mais limpa: A Braskem foi a pri-
meira empresa brasileira a assinar a declaração, em 2004. A declaração faz parte
do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e tem por objetivo dis-
seminar políticas de produção ambientalmente limpas, bem como práticas de
produção e consumo mais sustentáveis.
- Global Reporting Initiative (GRI): As diretrizes propostas pela GRI orien-
tam o processo de elaboração de relatórios de sustentabilidade das empresas. A
metodologia GRI permite um reporte de informações com alto grau de consis-
tência, credibilidade e comparabilidade. O Relatório Anual e de Sustentabilidade
da Braskem evoluiu, em 2011, para o nível B+, e até 2015 deve evoluir para o
nível A+.
- Global Product Strategy (GPS): A Braskem lidera, na América Latina, este

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


217

projeto, que visa promover o reconhecimento e a divulgação dos riscos às pes-


soas e ao meio ambiente, decorrentes do uso de produtos químicos.
- Manifesto Braskem sobre as Mudanças Climáticas: Chamado “É preciso
amadurecer para ser verde”, o manifesto foi lançado em agosto de 2009 e expli-
cita os desafios e compromissos da empresa, em busca da redução da intensidade
de emissão dos gases de efeito estufa.
- Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas:
A Braskem apoia o programa liderado pela Plastivida (Instituto Socioambiental
dos Plásticos), no Brasil, que tem o objetivo de assegurar a qualidade das
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

sacolas plásticas, diminuindo o desperdício, além de estimular o consumo


responsável do produto.
- Programa Na Mão Certa: A Braskem é signatária, com outras 710 empre-
sas, do Pacto Empresarial Contra Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes
nas Rodovias Brasileiras, iniciativa do Childhood Brasil e do Instituto Ethos. Na
Braskem, esse programa é liderado pela área de Logística, que coordena com os
Prestadores de Serviços logísticos a aplicação dos conceitos desenvolvidos pelo
“Na Mão Certa”.
- Certificações ISO 9001, 14001 e OHSAS 18001: O compromisso com
a busca da excelência é fundamental para a Braskem. As unidades da empresa
possuem certificações ISO 9001, relativa à gestão da qualidade; ISO 14001, rela-
tiva à gestão ambiental e OHSAS 18001, relativa à gestão de saúde e segurança. 

A empresa foi a pioneira na fabricação do bioplástico, produzido a partir da


cana de açúcar. O I’m Green é o polietileno verde da Braskem. Hoje várias
marcas já utilizam o produto: Estrela, Coca-Cola, Danone, Natura, Tetra Pak,
Toyota Tsusho, entre outras.
Conheça as iniciativas da Braskem e as planejadas até 2020 em:
<http://www.braskem.com.br/site.aspx/objetivos-iniciativas>
Fonte: BRASKEM. OBJETIVOS E INICIATIVAS. São Paulo, 2002. Disponível
em: <http://www.braskem.com.br/site.aspx/objetivos-iniciativas>. Acesso
em: 04 maio 2015.

Braskem
V

SEGURANÇA

2013 2015 2020

- 2010: Registro dos produtos da > 2012 - 2015: liderar a im- Ser reconhecida

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Braskem no sistema europeu REA- plementação do GPS - Global como a referência
CH (Registration, Evaluation, Autho- Product Strategy na América em Seguranaça
rization and Restriction of Chemical Latina. química do traba-
Substances). Assumiu a Liderança, lho e processos
na America Latina, do Global no setor químico
> 2012 - 2015: promover a
Product Strategy, ligado ao ICCA mundial.
melhoria contínua do risk
(Internacional Council of Chemical
rating, índice de segurança
Associations). Iniciou a implanta-
de processos estabelecido
ção do Sistema de Excelência em
por companhias segurado-
Segurança, Saúde e Meio Ambiente
ras, de forma a alcançar, no
(Sempre) nas unidades adquiridas
mínimo, 90 pontos na média
da Sunoco Chemicals e Quattor.
da Braskem, com todas as
plantas above standard
- 2011:Submissão do Plano de (acima do padrão).
Implantação do GPS ao ICCA em
conjunto com a Abiquim e emissão
> 2014 - 2015: Identificar
dos safety summaries de 27 subs-
altenativas para substituição
tâncias e dos planos de controle,
de substâncias depletoras da
conforme GPS, de duas substâncias.
camada de ozônio.
Priorizada a evolução na gestão de
segurança de processos, através do
projeto varredura de riscos altos, > 2012 - 2015: manter está-
tendo sido analisados e implemen- vel a geração de resíduos e
tadas melhorias para 608 cenários permanecer como referência
de risco de processo, além disso foi no setor.
iniciada a implantação das Regras
de Ouro para fortalecer a disciplina
operacional.

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


219

Continuação Segurança

- 2012: Concluída a análise de


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

riscos de benzeno e butadieno, em


conformidade com o Guia do GPS.
O projeto para substituição das
células eletrolíticas do processo de
produção de cloro para eliminação
de mercúrio encontra-se em estágio
conceitual. Eliminados 177 cenários
de pontecial de riscos alto e obtida a
taxa de frequência de acidentes sem
e com afastamento de 1,04 aciden-
tes por mihão de horas trabalhadas
a melhor taxa histórica da Braskem,
desde 2002.

-2013: Foi mantida a melhor taxa


histórica da Empresa em segurança
do trabalho, com e sem afastamento
(CAF + SAF): 1,04 e Investidos R$ 151
milhões em segurança do trabalho,
segurança do processo e saúde.
Registrado o melhor resultado
histórico da Empresa em relação ao
índice de geração de resíduos 2,19
Kg/t, representando uma melhoria
de 62% no período de 2002 a 2013.

Fonte: BRASKEM (online)

Braskem
V

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

- 2010: Passou a utilizar cana-de- > 2012 - 2015: Reduzir a Estar entre as
-açúcar como matéria-prima para a intensidade das emissões. melhores grandes
fabricação de eteno, o que evitará indústrias quí-
a emissão de até 750 mil toneladas micas do mundo
> 2012 - 2015: atingir e
por ano de CO2. em intensidade
manter a evolução do CDP
de emissões de
na dimensão “transparência”
Gases de Efeito
-2011: A evolução da gestão em e na dimensão “resultado”.
Estufa (GEE) e ser
permitiu a entrada da Braskem no

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
um importante
índice Carbono Eficiente (ICO2)
> 2012 - 2015: obter os sequestrador de
da BM&FBovespa, a classificação
primeiros créditos de carbo- emissões de GEE
do inventário da Companhia na
no (Prazo: adiado devido à devido ao uso de
Categoria Ouro do GHG Protocol e
instabilidade do mercado de matérias-primas
a entrada da Braskem na categoria
carbono e queda de atrativi- renováveis.
Alta Transparência do CDP Carbon
dade dos créditos.)
Disclosure Project. Realizada a pri-
meira verificação externa indepen-
dente do inventário de emissões
de GEE.

-2012: Redução de 12,8% no indi-


cador de intensidade das emissões
de GEE, em comparação com 2008,
superando a meta de redução de
11% estabelecida para 2012.

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


221

Continuação Mudanças Climáticas

- Fortalecimento do engajamento da
cadeia de Fornecedores nas questões
associadas a mudanças climáticas,
em alinhamento com iniciativas junto
com o CDP Supply Chain, CEBDS,
GVces, CNI
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

- 2013: O inventário de Gases de


efeito estufa da Brasken obteve a clas-
sificação ouro no GHG Protocol Brasil
pelo 3º ano consecutivo.
- Alcançamos a posição de líderes no
Carbon Disclosure Project - CDP Brasil
em 2013, com 99% em transparência
e nível A em resultados.

Divulgação da pegada de carbono


das principais famílias de produtos da
Brasken para a Impresa e para Clientes
por meio do programa Visio. As resi-
nas da Braskem produzidas a partir de
base nafta possuem melhor pegada
de carbono que a média da indústria
Americana e Europeia.

- Pela 3ª vez consecutiva inte-


gramos também a carteira do
ICO2, que mede a transparência e
eficiência de emissões de GEE das
empresas do IBrX-50.

Fonte: BRASKEM (online).

Braskem
V

EFICIÊNCIA HÍDRICA

- 2012: Reduziu em 12% a gera- > 2012 - 2015: Continuar Continuar como
ção de efluentes em relação ao melhorando o índice de referência em uso
ano anterior. Entre 2002 e 2010, consumo de água e percen- de recursos hídricos
houve redução de 36% na gera- tual de reuso de água da na indústria química
ção de efluentes. Braskem. mundial e alcançar
o índice de reuso
maior que 40%.
- 2011: Atingimos o índice de > 2012-2015: dar conti-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
18% de reutilização de toda a nuidade aos projetos de
água consumida ao longo de remediação. O processo
2011, índice de 18% de reutiliza- de gestão de remediação
ção de àgua. No polo de Capuava, da Braskem tem o foco em
em São Paulo, foram iniciadas as prevenção de passivos e
obras do Projeto Aquapolo, em mitigação dos possíveis
parceria com a empresa Foz do problemas detectados. Os
Brasil e a Sabesp, para disponibili- projetos novos apresentam
zar água de reuso. mecanismos de melhorias
com eliminação de impac-
tos.
- 2012 Obtido o índice de geração
de efluentes líquidos de 1,18m3/t,
o melhor índice histórico desde
2002 e índice de reuso atingiu
24,3% com a partida dos projetos
de reuso de água Aquapolo em
São Paulo e Água Viva em Cama-
çari-BA.

- 2013: Índice de reuso da água


da Braskem atingiu 29,45%, uma
melhoria de 24% em relação a
2012, totalizando volume total de
água de reuso de 20,5 milhões de
m3/ana.
Fonte: BRASKEM (online).

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


223

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

- 2010: Redução em 6% a > 2012 - 2015: Continuar Estar entre as melho-


intensidade de seu consumo a reduzir a intensidade res grandes indústrias
energético em relação a 2009. do consumo energético. químicas do mundo em
intensidade de consu-
mo energético e ser um
- 2011: Definidas a base do > 2012 - 2016: continuar
importante usuário de
projeto e a modelagem econô- a avaliar a viabilidade do
energia de fonte reno-
mica do Projeto de cogeração projeto de cogeração a
vável.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

com biomassa em Alagoas e partir de biomassa e a


Paulínia. partir do uso de resíduos
sólidos urbanos.
- 2012: Índice de consumo de
energia foi de 10,59 Gj/t de
produto, melhor resultado his-
tórico desde 2002, perfomance
em avaliação a viabilidade de
projeto para cogeração de
energia.

- 2013: O índice de consumo


de energia acumula uma
melhoria de 12%, no período
2002 a 2013.
Fonte: BRASKEM (online).

De acordo com a Braskem (online, 2009):


(...) o resultado de todo o trabalho pode ser percebido por meio de in-
dicadores que demonstram evoluções relevantes e que se destacam no
cenário da indústria química global:

• Geração de efluentes: redução de 36% em relação a 2002 (de


1,94m³/t para 1,24m³/t).

• Geração de resíduos sólidos: redução de 62% em relação a 2002 (de


5,78 kg/t para 2,21kg/t).

• Consumo de energia: redução de 10% em relação a 2002 (de 11,90


GJ para 10,65 GJ/t).

Braskem
V

• Intensidade de emissões de CO2: redução de 11,6% em relação a


2008 (de 0,73 CO2e**/t para 0,65 CO2e/t). **CO2 equivalente.

A ACV na Braskem

Para avaliar questões de sustentabilidade na cadeia de valor, a Braskem


vem utilizando a ferramenta ACV desde 2005, com aproximadamente
22 estudos já realizados com o apoio de consultorias especializadas. A
estruturação de uma área específica para conduzir o assunto, em 2011,
permitiu apoiar a estratégia de desenvolvimento sustentável em direção
a uma atuação responsável e competitiva que ultrapassa o limite das
nossas unidades industriais e envolve toda a cadeia produtiva em que
estamos inseridos.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
São três os focos de nossos estudos:

- Enfoque operacional: com objetivo de melhorias no processo produ-


tivo;

- Enfoque estratégico: decisão sobre novos produtos, aplicações e tec-


nologias;

- Enfoque comercial: análise de sucedâneos, ou seja, materiais que pos-


sam substituir outros, mantendo a mesma função, mas oferecendo no-
vas vantagens.

A Braskem tem o compromisso de contribuir para a evolução da indús-


tria química e petroquímica, buscando a liderança global da química
sustentável. Neste cenário, a ACV contribui para indicar o nível de ade-
rência dos projetos, processos e produtos à visão de futuro da empresa.
O uso dessa metodologia também agrega valor ao Cliente, promove a
imagem do plástico e contribui para que as pessoas comecem a enten-
der o real impacto de cada produto. Ao ampliar seu conhecimento so-
bre o ciclo de vida dos produtos, a sociedade em geral poderá orientar
suas decisões de consumo visando sustentabilidade.

(BRASKEM, 2002, online)

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


225

KLABIN

A Klabin é a maior produtora, exportadora e recicladora de papéis do Brasil.


Líder nos mercados de papéis e cartões para embalagens, embalagens de pape-
lão ondulado e sacos industriais, também produz e comercializa madeira em
toras. Fundada em 1899, possui atualmente 15 unidades industriais, sendo 14
no Brasil e uma na Argentina.
A companhia abrange três áreas de negócio: a florestal, com produção de
matéria-prima para produção de celulose e comercialização de toras de madeira
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

para serrarias e laminadoras; a de papéis (papel Kraft, papel cartão e papel reci-
clado); e a de conversão, com a produção de embalagens de papelão ondulado
e sacos industriais.
O desenvolvimento sustentável orienta a gestão da empresa, que busca cres-
cimento integrado e responsável, unindo rentabilidade, desenvolvimento social e
compromisso ambiental. A Klabin fez parte em 2014 do Índice de Sustentabilidade
Empresarial (ISE), da BM&FBovespa, além de ser signatária do Pacto Global
da ONU e do Pacto Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, buscando
fornecedores e parceiros de negócio que sigam os mesmos valores de ética,
transparência e respeito aos princípios de sustentabilidade. Em 1998, a empresa
recebeu a certificação FSC® - Forest Stewardship Council®, atestando gestão que
conserva os recursos naturais, proporciona condições justas de trabalho e esti-
mula boas relações com a comunidade.
A companhia conta ainda com um Programa de Fomento Florestal, iniciativa
que busca ampliar e diversificar a renda nas comunidades em que atua a partir
da formação de florestas plantadas em propriedades rurais. A atividade auxilia
na fixação dos agricultores na terra, promovendo a recuperação da vegetação e
o estabelecimento de diferentes tipos de cultivos. O programa já beneficiou 19
mil produtores rurais e distribuiu mais de 160 milhões de mudas.

Klabin
V

A empresa possui as certificações: FSC - Forest Stewardship Council (FSC


Embalagem; FSC Florestal; FSC Papel; FSC Reciclados; FSC Sacos Industriais;
FSC Traders), OK Compost; FSSC 22000, ISEGA, ISO 9001, ISO 14001, OHSAS
18001 e TPM – Total Productive Maintenance.
Saiba mais sobre as certificações que cada unidade produtiva da Klabin pos-
sui em: <http://www.klabin.com.br/pt/a-klabin/certificacoes/>
Fonte: KLABIN. Certificações. São Paulo, 1899. Disponível em: <http://www.
klabin.com.br/pt/a-klabin/certificacoes/>. Acesso em: 10 abr. 2015.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A Klabin desenvolve suas atividades florestais e industriais com base no conceito
de Desenvolvimento Sustentável, para garantir a biodiversidade e o equilíbrio
dos ecossistemas das regiões onde atua, como é o caso do fechamento do ciclo
da reciclagem.
A Klabin conduz de forma multidisciplinar sua gestão de sustentabilidade,
utilizando-se das melhores práticas nas atividades operacionais, o respeito aos
direitos humanos, o desenvolvimento das comunidades e dos colaboradores, a
utilização racional dos recursos naturais e o cumprimento de critérios éticos e
legais. A empresa alega que todos os seus níveis hierárquicos estão envolvidos na
estrutura de governança, assegurando o sucesso de seu modelo de gestão. Para
afirmar que os conceitos da sustentabilidade sejam abrangidos nas tomadas de
decisão e na gestão da Companhia, existe um Comitê de Sustentabilidade com
essa função, formado por representantes da Diretoria Executiva e por um membro
externo. A empresa estabeleceu em 2013 os desafios e diretrizes para os próximos
anos, por intermédio da preparação do documento a Visão de Sustentabilidade.
Segundo a Klabin, a política de sustentabilidade da empresa envolve os
seguintes princípios, que são considerados em todas as atividades relativas aos
seus produtos e serviços:
- Buscar a qualidade competitiva, visando à melhoria sustentada dos
seus resultados, aperfeiçoando continuamente os processos, produtos e
serviços para atender às expectativas dos clientes, colaboradores, acio-
nistas, comunidade e fornecedores.

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


227

- Assegurar o suprimento de madeira plantada para as suas unidades


industriais, de forma sustentada, sem agredir os ecossistemas naturais
associados.

- Praticar e promover a reciclagem de fibras celulósicas em sua cadeia


produtiva.

- Evitar e prevenir a poluição por meio da redução dos impactos am-


bientais relacionados a efluentes hídricos, resíduos sólidos e emissões
atmosféricas.

- Promover o crescimento pessoal e profissional dos seus colaborado-


res e a busca da melhoria contínua das condições de trabalho, saúde e
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

segurança.

- Praticar a responsabilidade social com foco nas comunidades onde


atua.

- Atender à legislação e normas aplicáveis ao produto, meio ambiente,


saúde e segurança. (KLABIN, 1899, online)

Segundo o relatório de Sustentabilidade da Klabin, referente ao ano de 2013,


elaborado de acordo com as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), as
recomendações da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) e
o Comitê de Orientação para Divulgação de Informações ao Mercado (Codim),
a empresa realizou sua gestão de impactos ambientais por meio de políticas e
diretrizes alinhadas ao seu planejamento estratégico.
De acordo com dados apresentados por esse relatório, a empresa investiu,
em 2013, R$ 23,93 milhões em iniciativas e tecnologias de proteção ambiental,
sendo as principais:
- Tratamento das cinzas da caldeira de recuperação na Unidade de Otacílio
Costa (SC), no qual foram investidos R$ 7,8 milhões.
- Início de projeto para coleta e queima de Gases Não Condensáveis Diluídos
(GNCD) na Unidade de Monte Alegre (PR), sendo investidos R$ 3,4 milhões.
- Melhoria na estação de tratamento de efluentes na Unidade de Monte
Alegre (PR), com investimento superior a R$ 600 mil.
Na figura 22, são apresentados investimentos e gastos ambientais realizados
pela Klabin nos últimos anos e os investimentos e gastos ambientais relativos ao
ano de 2013. Pode-se observar que os maiores valores são referentes às despesas
com a gestão ambiental (pessoal, certificações e taxas ambientais).

Klabin
V

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 22: Investimentos e gastos ambientais da Klabin em 2013
Fonte: Relatório de Sustentabilidade Klabin (2013).

Ainda de acordo com o relatório de sustentabilidade 2013 da Companhia,


os objetivos e metas estão apresentados no quadro 14 e envolvem a redução de
fases de efeito estufa, do consumo de água, do aumento de fontes renováveis na
matriz energética e da autossuficiência em geração de energia.

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


229

Meta médio
Meta Resultado Meta
Objetivo prazo (3 a 5
2013 2013 2014
anos)
190 kg 201,6 kg 205 Kg CO2 185 Kg CO2 eq/t
Reduzir emissões de gases de efeito
CO2 eq/t CO2 eq/t eq/t papel papel (Klabin
estufa(1)
papel papel (Klabin S.A) S.A)
Reduzir
Reduzir emissões diretas absolutas de 442.800 t
- 0,5% (Kla- -
gases de efeito estufa de CO2 eq
bin S.A)
40 m3 t/ 37,02 m3 t/ 39 m3 t/
Reduzir consumo de água(2) 38 m3 t/papel
papel papel papel
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Aumentar a participação de fontes


85% 86,7% 87% 88%
renováveis na matriz energética
57% das
Ampliar a autossuficiência em geração 100% das neces-
necessi- 55,6% 57%
de energia sidades
dades
(1) Incluído a meta para CO2 equivalente para a Klabin S.A referente ao escopo 1 e 2 do GHG Protocol, sendo que
aproximadamente 87% das emissões são relacionados ao escopo 1 e 13% em relação ao escopo 2. (2) Consumo
específico de água (m3/t) - Negócio Papéis

Quadro 14 - Objetivos e metas apresentados pela Klabin no Relatório de Sustentabilidade


Fonte: Relatório de Sustentabilidade Klabin (2013)

A seguir, são apresentados alguns números referentes ao relatório de


Sustentabilidade da Klabin 2013. Quanto ao consumo de energia, 79,8% das
fontes utilizadas pela empresa derivam de fontes renováveis, 12,29% de fontes
não renováveis e 7,91%, de energia elétrica adquirida (Quadro 15).

Klabin
V

Energia direta e
2010 2011 2012 % 2013 %
indireta (GJ/ano)
Fontes Renová-
79,97% 79,80%
veis
Licor preto 14.067.186 14.442.191 19.161.973 47.94% 19.089.867 46.63%
Biomassa 10.860.711 12.250.109 12.045.455 30,14% 12.825.020 31,33%
Energia elétrica
761.023 761.340 753.648 1,89% 755.234 1,84%
própria (hidráulica)
Fontes não reno-
12.09% 12.29%
váveis

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Gás natural 1.236.245 1.344.699 1.169.165 2.93% 1.224.675 2.99%
Óleo combustível 6.020.728 5.325.550 3.371.850 8.44% 3.483.306 8.51%
Óleo diesel 11.238 9.564 2.719 0.01% 2.318 0.01%
GLP 286.243 276.689 285.223 0.71% 321.724 0,79%
Energia elétrica
7.95% 7.91%
adquirida
Energia elétrica
3.247.174 3.089.286 3.177.194 7.95 3.239.039 7.91%
adquirida
Total 36.490.548 37.499.428 39.967.227 100% 40.941.183 100%
Quadro 15 - Consumo de energia indireta discriminado por fonte de energia primária (GJ/ano).
Fonte: Relatório de Sustentabilidade Klabin (2013)

Nos Quadros 16, 17, 18 e na Figura -23 são apresentados dados referentes
aos materiais usados nos processos produtivos das empresas; consumo de água;
qualidade da água e dos resíduos gerados pela Companhia. Esses números refle-
tem a governança e a preocupação ambiental da empresa e a melhoria de seus
números relativos à área ambiental.

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


231

Materiais Indiretos 2010 2011 2012 2013


Madeira para processo 5.850 6.048 6.233 6.183
Aparas compradas de mercado (reciclado) 220 220 135 206
Polpa comprada (celulose e CTMP) 52 44 28,4 21,1
Total 6.122 6.312 6.396 6.410
Materiais não renováveis 2010 2011 2012 2013
Ácido sulfúrico 9,4 7,3 6,58 6,48
Soda cáustica 24,7 27 27 27,1
Sulfato de sódio 19,5 19 16,57 12,1
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Sulfato de alumínio 22,6 26,5 25,4 26,5


Cal virgem 38,3 26,7 29,6 53,8
Caulim 23,3 15 21,3 21,7
Total 137,8 121,5 126,45 147,68
Quadro 16 - Materiais usados, por peso ou volume (mil t)
Fonte: Relatório de Sustentabilidade Klabin (2013).

2010 2011 2012 2013


Água de superfície 67.449.109 66.931.863 68.770.566 62.311.579
Água subterrânea 112.971 115.933 110.505 102.650
Água de chuva 960 960 960 960
Água de concessionárias 404.973 233.356 207.667 2010.296
Total 67.968.013 67.282.113 69.089.698 62.625.486
Quadro 17 - Consumo de água por fonte (m3)
Fonte: Relatório de Sustentabilidade Klabin (2013).

Klabin
V

Descarte total de água, por qualidade e destinação / GRI EN21 /


2010 2011 2012 2013
Destinação
Estação de trata-
mento de efluentes 53.009.332,88 54.060.768,92 55.193.932,00 53.414.395,97
(m3)
Método de tratamento
Processo físico-quí-
mico, aeração e 53.009.332,88 54.060.768,92 55.193.932,00 53.414.395,97
lodos ativados (m3)

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Qualidade dos efluentes Klabin Papéis
Demanda Química
de Oxigênio (DQO) 192,94 198,65 142,70 167,08
(mg/l)
Demanda Bioquí-
mica de Oxigênio 47,22 35,84 18,80 28,19
(DBO) (mg/l)
Quadro 18 - Consumo total de água, por qualidade e destinação, e qualidade de efluentes
Fonte: Relatório de Sustentabilidade Klabin (2013).

Figura 23: Distribuição de resíduos perigosos e não perigosos gerados pela Klabin, em 2013
Fonte: Relatório de Sustentabilidade Klabin (2013).

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


233

NATURA

A Natura é uma marca de origem brasileira, nascida das paixões pela cosmé-
tica e pelas relações, presente em sete países da América Latina e na França. No
Brasil, é a indústria líder no mercado de cosméticos, fragrâncias e higiene pes-
soal, assim como no setor da venda direta. Desde 2004, é uma companhia de
capital aberto, com ações listadas no Novo Mercado, o mais alto nível de gover-
nança corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
A Natura se intitula uma empresa ambientalmente responsável por gerenciar
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

as suas atividades de maneira a identificar os impactos sobre o meio ambiente.


Age pela manutenção das condições ambientais, minimizando as ações próprias
potencialmente agressivas ao meio ambiente e por disseminar as práticas de ges-
tão ambiental para outras empresas.
Visa à ecoeficiência na sua cadeia de geração de valor e favorece a valoriza-
ção da biodiversidade e de sua responsabilidade social.
As diretrizes para o meio ambiente da Natura contemplam:
■■ Compromisso com as futuras gerações.
■■ Educação ambiental.
■■ O gerenciamento do pacto no meio ambiente e do ciclo de vida dos pro-
dutos e serviços.
■■ A minimização de entradas e saídas de materiais.
(NATURA, 2015, online).

Aspectos e impactos ambientais gerados pelos processos da Natura


Na figura 24, são apresentados alguns números relativos ao Relatório de
Sustentabilidade da Natura 2013, no qual se verifica que, em comparação ao
ano de 2009, ocorreu um aumento da receita líquida da empresa, dos dividen-
dos e do número de consultores, assim como uma redução de 6% na emissão
relativa de CO2.

Natura
V

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 24: Comparação entre os números obtidos em 2009 e em 2013, pela Natura, em diferentes áreas
Fonte: Relatório Natura, 2013.

AMBIENTAL 2011 2012 2013


Emissão relativa de gases GEE (kg CO2e/kg produto faturado) 3,12 2,99 2,79
Emissões absolutas de gases GEE (milhares t) 265 280 313
Consumo de água (l/unidade consumidora) 0,40 0,40 0,40
Geração de resíduos (g/unidade produzida) 20 26 22
Quadro 19 - Números relativos à área ambiental da Natura referentes aos anos de 2011, 2012 e 2013
Fonte: Relatório Natura, 2013.

As empresas existem com o intuito de fazer com que a sociedade e o pla-


neta sejam melhores, por isso algumas empresas apresentam uma visão de
sustentabilidade para definir aonde chegar e o impacto que buscam causar.
Fonte: as autoras.

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


235

PRINCIPAIS INOVAÇÕES DA NATURA PARA REDUÇÃO DA EMISSÃO


DE CO2

Em 2006, para cada quilo de produto faturado pela Natura, era gerado
o equivalente a 4,18 kg de CO2. Em 2013, esse índice caiu 33,2%, che-
gando a 2,79 kg de CO2 e/quilo de produto faturado. Com essa redu-
ção, a empresa alcança o compromisso assumido em 2007 de reduzir
um terço das suas emissões relativas de carbono, considerando todo o
ciclo de vida do produto – da extração da matéria-prima até o descarte
das embalagens pelo consumidor.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Esse é um exemplo de como um desafio ambiental pode ser alcançado


ao ser incorporado ao processo de planejamento estratégico e de toma-
da de decisão da empresa. O desafio de redução das emissões motivou
diversas inovações e gerou inúmeros aprendizados na Natura. Lançado
em 2007 para estruturar iniciativas de redução, o Programa Carbono
Neutro influenciou a criação de um sistema de gestão do tema em todas
as etapas dos processos de desenvolvimento, produção e comercializa-
ção dos produtos.

O desenvolvimento de produtos passou a ser acompanhado, desde


2010, por uma calculadora de carbono e é exemplo de como o desafio
de reduzir as emissões pode gerar inovação. A submarca Sou, lançada
em 2013, tem significativo volume de vendas e a menor emissão relati-
va de carbono da Natura. (NATURA, 2013, online).

Natura
V

-3,9% -8,6% -15,1% -21,2%


2007 Programa 2008 Natura torna-se 2009 Nova meta é 2010 Revisão do pra-
Carbono Neutro com empresa carbono neutro estabelecida: redução zo da meta de emissões
três frentes de atuação: ao compensar todas as de 10% das emissões relativas de 2011 para
inventário, redução e emissões que não podem absolutas de 2008 a 2013.
compensação, envol- ser evitadas. 2012. Lançamento do progra-
vendo toda a cadeia Aumento do uso de álcool Construção de meto- ma Menos Carbono. Mais
produtiva. orgânico nas formulações. dologia para calcular a Produtividade.
Compromisso de redu- Incentivo ao tranporte de pegada de carbono de Calculadora de carbono
zir 33% das emissões produtos por via marítima. cada produto. auxilia gestores a estimar
relativas até 2011.
Estímulo do uso de etanol Redução no uso de um impacto antes de

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Adoção de álcool orgâ- na frota de força de energia com geradores criar novo produto.
nico na perfumaria. vendas. em Cajamar (SP). Nova diretriz: decisões
Otimização de embala- sobre lançamento devem
gens e ampliação do uso priorizar impacto menor
de materiais reciclados. ou similar ao de produtos
equivalentes.

-25,4% -28,4% -33,2%


2011 Relança- Adoção de caixas menores
para otimizar entrega às
2012
Substituição 2010 Lançamento de
mento de linha Ekos, da caldeira movida a Sou, linha de produtos
CNs.
em que cartuchos e diesel para biomassa com até 60% de redução
embalagens foram re- Substituição do GLP por em Benevides (PA). de GEE.
planejados para reduzir etanol na caldeira de Relançamento da linha
o impacto ambiental. Cajamar.
de maquiagem Aquarela,
A linha reduziu em Consolidação da revisão com embalagem refor-
45% a emissão de GEE da rede logística, com mulada.
em relação aos anos ampliação dos centros
Adoção de ônibus
anteriores. de distribuição no Brasil
movido a etanol para o
e expansão da produção
Criação de metodo- transporte de colabora-
internacional, diminuindo
logia de valorização dores em Cajamar (SP).
transporte de produtos
de impacto ao meio Operação das duas pri-
entre os países.
ambiente da cadeia. meiras carretas movidas
Redução do número de a etanol da América
página e do formato de Latina.
revista Natura. Início do teste com veícu-
los elétricos, entre carros,
triciclos e bicicletas, na
logística.
Quadro 20-Principais inovações para a redução de emissões.
Fonte: RELATÓRIO NATURA, 2013

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


237

FAZER MAIS DO QUE COMPENSAR

A Visão de Sustentabilidade da Natura demonstra que a empresa não se preo-


cupa apenas em simplesmente reduzir ou compensar os efeitos de suas atividades
no ambiente, mas também promover o bem social, impactando de forma posi-
tiva na sociedade.
Para construir a visão, foram analisadas tendências mundiais sustentáveis,
processos internos da empresa e levados em consideração informações levan-
tadas junto aos públicos de relacionamento da Natura. Três pilares constituem
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a visão da empresa: nossas marcas e produtos, nossa rede e nossa gestão e orga-
nização, e por meio deles foram estabelecidas as diretrizes a serem seguidas até
2050 e as ambições públicas para 2020. Confira a seguir cada uma dessas ambi-
ções/áreas apresentadas pela Natura:
Marcas e Produtos:

Formulação

- 30% dos insumos consumidos pela Natura em valor serão provenien-


tes da região Pan-amazônica (13,4% em 2013).

Embalagens

- utilizar, no mínimo, 75% de material reciclável na massa total das


embalagens (56% em 2013).

- utilizar, no mínimo, 10% de material reciclado pós-consumo na mas-


sa total de embalagens (1,43% em 2013).

- 40% das unidades faturadas Natura serão embalagens ecoeficientes


(21,5% em 2013).

Carbono

- Reduzir em 33% a emissão relativa de carbono (2020x2012) (redução


de 33,2% em 2013x2006).

Resíduos
- implementar um sistema de logística reversa que permita coletar, em
toneladas equivalentes, 50% da quantidade de resíduos gerados pelas
embalagens.

Natura
V

Sociodiversidade

- alcançar 10 mil famílias nas cadeias produtivas da Pan-amazônia


(2.188 famílias em 2013).

- movimentar R$ 1 bilhão em volume de negócios na Amazônia (de


2010 a 2020) (R$ 388 milhões em 2010-2013).

Água

- implementar estratégia para redução e neutralização de impacto, com


base na medição de pegada hídrica e considerando toda a cadeia de
valor Natura.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Energia

- implementar estratégia para aumento do consumo de energia reno-


vável.

Rede de relações:

Consultoras

- aumentar significativamente a renda média das CNs e CNOs.


- despertar o interesse pelo aprendizado constante e oferecer uma am-
pla oferta de Educação que atenda as necessidades desse público.

- criar indicador para avaliar o desenvolvimento humano das consul-


toras e consultores e estruturar estratégia para melhoria significativa.
Colaboradores

- atingir índice de mulheres em cargos de liderança de 50% (29% em


2013).

- ter um quadro de colaboradores com 8% de pessoas com deficiência


(4,3% em 2013).

- alavancar seu potencial de realização e empreendedorismo por meio


do engajamento à cultura da Natura.

Comunidades

- evoluir os indicadores de medição do desenvolvimento humano de


comunidades e estruturar plano para melhoria significativa dessa re-
alidade.

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


239

- implementar estratégia para os territórios da sociobiodiversidade na


região Pan-amazônica e nas comunidades do entorno por meio do diá-
logo e construção colaborativa com as populações e atores locais.

Fornecedores

- até 2015, garantir a rastreabilidade de 100% dos insumos produzidos


pelos fabricantes diretos (último elo de fabricação) e até 2020 imple-
mentar um programa de rastreabilidade para os demais elos da cadeia.

Gestão e organização
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Modelo de gestão

- implementar a valoração de externalidades socioambientais conside-


rando os impactos positivos e negativos de toda a cadeia de valor da
Natura para evoluir nossa gestão TBL.

Engajamento com público de relacionamento

- apoiar a discussão e o debate público de temas relevantes para o bem


comum da sociedade e seu desenvolvimento sustentável apoiando a
viabilização de soluções alternativas nos mercados nos quais atuarmos.

Comunicação, ética e transparência

- institucionalizar um modelo de governança com engajamento exter-


no, dando voz contínua aos públicos de relacionamento na evolução da
gestão e estratégia.

- implementar transparência radial no fornecimento de informações


de produtos e da implantação e evolução da Visão de Sustentabilidade
(RELATÓRIO NATURA, 2013).

Natura
V

PROCESSO ASPECTOS IMPACTOS

• Contaminação do solo, ocupação de


• Geração de resíduos sólidos
aterros sanitários
• Efluentes líquidos
• Alteração da qualidade de água
• Emissões atmosféricas
superficial e subterrânea
Imobilização • Consumo de recursos naturais
• Alteração da qualidade do ar
de Produtos • Situações de emergência
• Esgotamento de recursos naturais
(Vazamento de Produtos Químicos, Mi-
não-renováveis
croorganisos ou Incêndios e Explosões)
• Diminuição da camada de ozônio,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
efeito estufa, riscos à saúde humana

• Geração de resíduos sólidos • Contaminação do solo, ocupação de


aterros saitários
• Efluentes líquidos
• Alteração da qualidade de água
Ciclo do • Emissões atmosféricas
Alteração da qualidade do ar
Pedido CN • Consumo de recursos naturais
• Esgotamento de recursos naturais
• Situações de emergência não-renováveis
• Incômodos à comunidade local

PROCESSO ASPECTOS IMPACTOS

• Geração de resíduos sólidos • Contaminação do solo, ocupação de


aterros sanitários
• Efluentes líquidos
• Alteração da qualidade de água
• Emissões atmosféricas
Disponibi- superficial e subterrânea
• Consumo de recursos naturais
lização de • Alteração da qualidade do ar
Produtos • Situações de emergência (Vazamento de
• Esgotamento de recursos naturais
Produtos Químicos, Microorganisos ou
não-renováveis
Incêndios e Explosões)
• Diminuição da camada de ozônio,
efeito estufa, riscos à saúde humana

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


241

• Geração de resíduos sólidos • Contaminação do solo, ocupação de


aterros sanitários
• Efluentes líquidos
• Alteração da qualidade de água
• Emissões atmosféricas
Ciclo do Alteração da qualidade do ar
• Consumo de recursos naturais
Pedido CN • Esgotamento de recursos naturais
• Situações de emergência (Incêndios e não-renováveis
Explosões)
• Contribuição para o aquecimento
global
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• Geração de resíduos sólidos


• Contaminação do solo, ocupação de
• Efluentes líquidos
aterros sanitários
• Emissões atmosféricas
• Alteração da qualidade da água
• Consumo de recursos naturais superficial e subterrânea
Gestão da
Qualidade • Situações de emergência • Ateração da qualidade do ar
(Vazamento de Produtos Quimícos, • Esgotamento de recursos naturais
Microorganismos ou Incêndios e Explo- não-renováveis
sões)
• Diminuição da camada de ozônio

• Geração de resíduos sólidos • Contaminação do solo, ocupação de


aterros sanitários
• Efluentes líquidos
Processos • Alteração da qualidade da água
• Emissões atmosféricas
Administrati- • Alteração da qualidade do ar
• Consumo de recursos naturais
vos de Apoio • Esgotamento de recursos naturais
e Gestão • Situações de emergência (Incêndios e
não-renováveis
Explosões)
• Diminuição da camada de ozônio,
efeito estufa, riscos à saúde humana
Quadro 21 - Aspectos e impactos gerados pela Natura em seus processos.
Fonte: NATURA.NET (online)

Natura
V

CADEIAS PRODUTIVAS SUSTENTÁVEIS - O ECOPARQUE

A Natura inaugurou em 2014 uma nova fábrica de sabonetes na Amazônia, no


município de Benevides – PA. Essa fábrica, além de substituir a antiga, possibilita
que outras empresas se instalem no local. Essa ação constitui uma das estraté-
gias do Programa Amazônia (2011) e almeja formar uma rede de cooperação,
compartilhando recursos e articulando alternativas conjuntas para fomentar a
geração de negócios sustentáveis na Amazônia.
A nova fábrica da Natura passa a ser responsável pelo processo completo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
de produção dos sabonetes. Com isso, será possível triplicar a produção desse
item até 2015, ampliar o uso de insumos e reduzir custos pela concentração do
processo industrial próximo à cadeia de fornecimento.
A região ganha uma operação de maior valor agregado, fomentando a economia
local com novas oportunidades de negócio e geração de emprego. Além da Natura, o
fabricante internacional de fragrâncias e matérias-primas Symrise já confirmou sua ins-
talação no Ecoparque (RELATÓRIO NATURA, 2013).

Estrutura do Ecoparque Natura

Fonte: Relatório Natura, 2013

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


243

Diferenciais proporcionados pelo Ecoparque Natura


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Fonte: Relatório Natura, 2013

TABELA AMBIENTAL

Os produtos da Natura vêm com uma tabela (Figura 25) constando todas as infor-
mações referentes aos produtos para conferir transparência sobre os impactos de
todos os produtos e embalagens, incentivando o consumo consciente.

INFORMAÇÕES AMBIENTAIS (EXEMPLO)


produto
origiem vegetal renovável 53,5%
vegetal 42,2%
com certificação de origem 0%
embalagem
material reciclado 25%
material reciclável 86,7%
número recomendado de refilagem 3
Figura 25: Tabela ambiental Natura
Fonte: NATURA.NET (online).

Natura
V

A empresa também adota práticas como o manejo sustentável da floresta, de


onde retira grande parte de sua matéria-prima, de forma a não causar prejuí-
zos para a biodiversidade local. Foi uma das pioneiras a adotar o sistema de refil
para seus produtos, além de outras medidas que visam à eficiência de utilização
de água e energia em seu processo produtivo. Além disso, ainda adota um pro-
grama específico com indicadores próprios para avaliar os seus fornecedores.
Na busca de soluções para a crise das mudanças climáticas, a Natura criou
em 2007 o Programa Natura Carbono Neutro, que visa reduzir de forma contí-
nua nossas emissões de gases do efeito estufa.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O Programa Carbono Neutro está dividido em três momentos que orientam
as ações de melhoria contínua e aperfeiçoamento dos processos. Para cada um
desses momentos, identificamos uma oportunidade de potencializar essa atuação.
O programa da natura tem como desafio atuar em toda a cadeia de negó-
cios, da produção de matéria-prima à destinação pós-consumo, por isso, sempre
busca alternativas de melhoria dessa eficiência para garantir o sucesso do negó-
cio, evitando que as emissões de gás carbônico da empresa cresçam proporcionais
às operações.
O programa Carbono Neutro está dividido em três momentos: Inventário,
Redução e Compensação, que orientam as ações da empresa na busca pela

De 2007 a 2013 reduzimos de 4,18 kg para 2,79 kg a emissão de GEE para


cada quilo de produto faturado. Isso significa que reduzimos em 33,2% nos-
sas emissões relativas GEE alcançando o compromisso que firmamos em
2007 de buscar alternativas para reduzir nosso impacto em mudanças cli-
máticas em 33%.
Para conhecer e entender melhor os detalhes e objetivos do Programa Car-
bono Neutro da Natura, você pode acessar o site: <http://www.natura.com.
br/www/a-natura/sustentabilidade/programa-carbono-neutro/>
Fonte: NATURA. Programa Carbono Neutro. São Paulo, 2007. Disponível
em: <http://www.natura.com.br/www/a-natura/sustentabilidade/progra-
ma-carbono-neutro/>. Acesso em: abr. 2015.

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


245

melhoria contínua e aperfeiçoamento dos processos. Para cada um desses momen-


tos, há uma oportunidade de potencializar a atuação.
1. Inventário: Medição e registro de emissões. Resume-se num inventá-
rio com escopo ampliado, da extração de recursos naturais para a produção de
matérias-primas até o descarte final dos conteúdos e embalagens pós-consumo.
2. Redução: Ações e processos visando à redução de gases de efeito estufa.
Resume-se em redução de emissões por quilo de produto em toda a cadeia de
negócios (e não somente as emissões sob nosso controle). Compromisso de
reduzir as emissões totais internas, mesmo com o forte crescimento de opera-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ções da empresa.
3. Compensação: Apoio a projetos de compensação para neutralizar as emis-
sões que não puderam ser evitadas. Resume-se em projetos de compensação
que necessariamente apresentem benefícios ambientais e sociais. A organização
neutraliza as emissões de toda a cadeia, por isso é possível afirmar que todos os
produtos desta são carbono neutro. (NATURA, 2008, online)

AMBEV

O Sistema de Gestão Ambiental da Ambev segue o Princípio da Precaução, reco-


nhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante a Conferência Rio
92. O princípio define que as ações para prevenção de danos ao meio ambiente
não devem ser postergadas. Mesmo quando não há comprovação científica, diz
a ONU, todo o esforço deve ser realizado a fim de evitar os danos sérios ao ecos-
sistema ou à saúde humana.
São três as vertentes do sistema: (i) redução da captação de água e do consumo
de energia, (ii) aumento do índice de reciclagem dos resíduos e (iii) diminuição
na emissão de poluentes. Para que as metas sejam atingidas, cada uma das fábri-
cas da Ambev conta com o trabalho de um gerente de meio ambiente.

Ambev
V

Cada unidade fabril tem metas claras de ecoeficiência: reduzir o consumo de


água, gastar menos energia, diminuir a emissão de poluentes, aumentar o índice
de reciclagem dos resíduos e, não menos importante, garantir o tratamento da
água utilizada para a devolução na natureza. Todo esse trabalho conta com a
supervisão de um gerente ambiental.
Os resultados são eloquentes. Entre 2002 e 2009, a Ambev reduziu em 27,2%
o índice geral de utilização de água para a produção de bebidas. Nos últimos
10 anos, o índice de consumo de água caiu mais de 33%. Entre 2010 e 2011, o
volume de água economizado nas unidades seria suficiente para abastecer por

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
um mês cerca de 580 mil pessoas, mais do que a população de Florianópolis (SC).
As unidades que produzem exclusivamente refrigerantes têm índices expressiva-
mente baixos. Sapucaia (RS), por exemplo, consome apenas 1,53 litros de água
para cada litro produzido. A unidade de Jundiaí (SP), 1,55 litros e a Curitibana
(PR), 1,56 litros.
Foram adotadas fontes renováveis de energia desde 2003, visto que 27% da
nossa matriz energética são compostas de combustíveis provenientes de fontes
renováveis.  O uso de biomassa, biogás e gás natural, em substituição ao óleo
combustível, reduziu, em cinco anos, 35% a emissão de CO2 na atmosfera - o
que equivale ao plantio de 1,6 milhões de árvores.
Graças à prática, a Ambev é a primeira indústria de bebidas apta a negociar
crédito de carbono com certificação da ONU, alinhada ao Protocolo de Kyoto,
com a prática da Filial Viamão. Esse conjunto de práticas também traz resul-
tados financeiros positivos. Em 2009, a Ambev reaproveitou 98,2% de todo o
subproduto gerado no processo de fabricação de bebidas das fábricas, gerando
uma receita extra de R$ 78,8 milhões.
Algumas das ações ambientais da AmBev: tratamento da água utilizada nos
processos produtivos, que garante uma água de ótima qualidade e é devolvida
a natureza; estações de tratamentos de efluentes industriais; reciclagem de cas-
cos; reciclagem de plástico.

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


247

Conheça alguns projetos socioambientais da AmBev:

MOVIMENTO CYAN

Estímulo ao consumo consciente e adoção de bacias hidrográficas são algumas


das diretrizes do Movimento CYAN. Fundado no Dia Mundial da Água, em 22
de março de 2010, o Movimento apresenta três pilares principais:
1. Alertar - Despertar a atenção da sociedade para a importância e a urgên-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

cia de falar sobre o tema;.


2. Preservação e recuperação - Adotar medidas ecoeficientes que preservem
esse recurso natural, tanto na atividade industrial e na cadeia produtiva da
Ambev, como estimulando a criação de novas tecnologias socioambien-
tais para cuidar dos recursos hídricos em geral, de modo a proporcionar
valor para as diversas comunidades direta e indiretamente relacionadas
a esses ecossistemas.
3. Educação e conscientização - Ações que gerem informação e aprendi-
zado, provendo a criação e difusão de conteúdo e recursos que permitam
à sociedade alcançar um patamar mais elevado de consciência sobre o
assunto (AMBEV, 2010, online).

PROJETO BACIAS

O Movimento Cyan, realizado pela Ambev, engloba o Projeto Baciais, que tem
como objetivo recuperar e preservar bacias hidrográficas de destaque do Brasil.
Por exemplo, na região de Jaguariúna (SP), esse projeto é desenvolvido em con-
junto com a ONG The Nature Conservancy, que tem por finalidade incentivar
agricultores a desenvolverem práticas de conservação nas suas propriedades, por
meio do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) (AMBEV, 2015).

Ambev
V

O financiamento de práticas de conservação, para que as nascentes e os cór-


regos que estão dentro de propriedades estejam protegidos, também está previsto
pelo Projeto Bacias. Os recursos serão provenientes do repasse parcial de impostos
(ICMS ecológico) para o Fundo Municipal de Meio Ambiente. Oferecemos assis-
tência gratuita aos agricultores para o Cadastramento Ambiental Rural (CAR),
que, além de comprovar a regularização da propriedade, permitirá ao proprie-
tário o acesso ao crédito e a programas de adequação ambiental.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
CONHEÇA AS METAS DA AMBEV PARA 2017:

Reduzir o consumo interno Trabalhar em parceria com Junto com parceiros locais,
de água para um índice de stakeholders locais para participar de medidas que
3,2 litros para cada litro de melhorar a gestão de água protejam os mananciais
bebida envasado em regiões-chave de culti- de todos os ponto estraté-
vo de cevada gicos onde temos insta-
lações fabris em 7 países,
incluindo o Brasil

GESTÃO AMBIENTAL DE SUCESSO


249

Reduzir a emissão de gases Reduzir o consumo de 70% dos refrigeradores


de efeito etufa em 10% energia em 10% adquiridos anualmente
devem ser modelos mais
ecológicos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Reduzir em 100 mil tone- Reduzir em 15% as


ladas os materiais usados emissões de carbono nas
para as embalagens operações da companhia
Figura 26: Metas da AmBev para 2017
Fonte: AMBEV, 2014 (online)

AMBEV RECICLA

Por meio do programa, houve a criação da primeira PET 100% reciclada do Brasil,
a do Guaraná Antarctica. A empresa apoia