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Relatório Clínico 4

Diagnóstico e Planeamento da intervenção


para uma utente com AVC Hemorrágico

Instituto Politécnico de Setúbal - Escola Superior de Saúde

Curso: Licenciatura em Fisioterapia

Unidade Curricular: Fisioterapia Teoria e Prática IV

Docente responsável do módulo: Teresa Paula Mimoso

Discente: Cláudia Morais Pinela Fontes


Instituto Politécnico de Setúbal – Escola Superior de Saúde

Instituto Politécnico de Setúbal- Escola Superior de Saúde

Ano Lectivo 2017/2018

Relatório Clínico 4

Diagnóstico e Planeamento da intervenção


para uma utente com AVC Hemorrágico

Curso: Licenciatura em Fisioterapia

Módulo 8: Raciocínio Clinico em Condições Neurológicas e na População Idosa

Unidade Curricular: Fisioterapia Teoria e Prática IV

Professor responsável do módulo: Teresa Paula Mimoso

Estudante: Cláudia Morais Pinela Fontes

Número: 160554070

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ÍNDICE

Introdução...............................................................................................pág. 4

Problemas atuais e principais problemas da utente ...............................pág. 4-6

Diagnóstico Funcional............................................................................pág. 6-7

Objetivos de Intervenção........................................................................pág. 7-9

Plano de Intervenção..............................................................................pág. 9-12

Prognóstico Funcional............................................................................pág. 12-13

Critérios de Alta e reavaliação...............................................................pág. 13

Conclusão...............................................................................................pág. 14

Bibliografia............................................................................................pág. 15-20

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INTRODUÇÃO

Infelizmente, na realidade do nosso país as doenças do aparelho circulatório são ainda


uma importante causa da morte em Portugal (cerca de 30% dos óbitos em Portugal em
2015) (INE, 2017; DGS 2013) sendo que os AVC’s (de agora em diante é utilizada a
abreviatura com o significado de Acidente Vascular Cerebral) representam 10,8 % do
total de mortes no país. O AVC é uma doença que ocorre de forma repentina numa zona
localizada do cérebro, produz sintomas e sinais que ilustram os défices causados e é uma
das patologias neurológicas que gera mais internamentos hospitalares. Contudo, a
mortalidade por AVC em Portugal tem vindo a diminuir nas últimas décadas. A utente
teve um AVC Hemorrágico onde ocorreu uma hemorragia do tipo intracerebral onde foi
afetado o lobo occipital esquerdo. Apesar de não ter sustido sequelas motoras do AVC
alguns mecanismos do controlo de equilíbrio e orientação espaço temporal estão afetados.
Esta situação será importante uma vez que interfere de forma importante na capacidade
funcional da utente e no seu grau de independência. Também a acrescentar a esta situação
a utente teve algumas complicações derivadas do AVC que contribuem para o seu quadro
clínico, como sejam a hidrocefalia (acumulação de líquido cefalorraquidiano que causa o
aumento dos ventrículos e estiramento das fibras nervosas que quando não tratada tem
implicações graves ao nível do funcionamento mental, distúrbios na visão, dificuldade
em realizar marcha assim como estado de consciência reduzido), sabe-se, no entanto, que
a hemorragia foi reabsorvida.

PROBLEMAS ATUAIS E PRINCIPAIS PROBLEMAS DA UTENTE

Atualmente a utente apresenta vários problemas, alguns relacionados com a ocorrência


do AVC e outros relacionados com a idade. A fim de estabelecer um plano de intervenção
adequado à utente temos de ter em atenção que a utente não é apenas um conjunto de
alavancas e défices no equilíbrio, mas é também um ser humano provido de sentimentos,
motivação e expectativas (modelo bio-psico-social). Devem ser considerados para efeitos
de diagnóstico e plano de intervenção os fatores que são mensuráveis e que se enquadram
no campo de atuação da fisioterapia.

A utente apresenta défices cognitivos marcados apresentando um score de 13 em 30 na


Mini-mental State Examination. Esta situação deve ser considerada pois vai influenciar o
decorrer dos tratamentos uma vez que a utente irá ter dificuldade em decorar sequências
e irá necessitar de ajuda para o planeamento e realização das tarefas propostas. A utente

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tem dificuldades em alterar o seu plano de ação caso seja necessário, assim é importante
dizer à utente como proceder e a ordem dos acontecimentos. A utente apresenta-se
também desorientada no tempo e no espaço o que também é detetado por este instrumento
de medida.

Na marcha apresenta diminuição do comprimento do passo sendo esta uma alteração que
ocorre principalmente em pessoas idosas e que em conjunto com outras alterações
aumenta o risco de queda (Lee & Lee, 2017). São comuns alterações biomecânicas na
marcha em idosos como sejam a diminuição da extensão da anca na fase de impulsão,
assim como redução da flexão plantar e do poder de impulsão durante a mesma fase.
Estão muitas vezes presentes perturbações no timing. Ocorre também dificuldade em
realizar as transferências de peso (Brach & VanSwearingen, 2013). Assim a marcha da
utente será mais lenta e menos estável, aumentando assim o risco de queda.

Apresenta uma escoliose de concavidade esquerda com inclinação do tronco à direita o


que pode (se a mesma tiver um ângulo superior a 30º) interferir com o equilíbrio e
controlo postural, gerando ajustes compensatórios. Não apresenta alterações do tónus.

Apresenta problemas de equilíbrio (score na Berg de 29 em 53) o que significa que requer
ajuda para realizar marcha (Donoghue, 2008). A utente apresenta também dificuldades a
tomar banho, provavelmente relacionadas com o equilíbrio. Este score é consistente com
o medo de cair reportado (score de 24/64 na FES-I) (aquando da realização da marcha de
forma autónoma) pela utente. Este facto pode dever-se à idade da utente e à localização
do AVC (lobo occipital relacionado com a visão (input sensorial)). De facto, a evidência
diz-nos que em adultos mais velhos a visão e os inputs somato-sensoriais assumem um
papel de grande importância no equilíbrio e uma vez que existe degradação dos órgãos
responsáveis pelo processamento destes inputs sendo que o risco de queda nestes
indivíduos encontra-se aumentado (Rydwik, Frandin & Akner, 2003). Desta forma a
utente apresenta risco aumentado de queda tendo realizando um tempo de 21 segundos
na Timed Up & Go (de agora em diante é utilizada a sigla TUG) (Shumway-Cook 2000).
O risco de queda em idosos também está relacionado com o a redução da velocidade da
condução de estímulos sensoriais e motores no sistema nervoso central e periférico assim
como a diminuição da bainha de mielina nos neurónios que resulta na diminuição da
velocidade com que a informação sensorial é processada (Baptist el al., 2017).

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A D. Laura apresenta diminuição da capacidade funcional (50 passos na 2 minute step


test) (Rikli, Jones 1999) uma vez que com o aumento da idade o Volume máximo de
Oxigénio (VO2máx) tende a diminuir (aproximadamente 1% por ano) o que pode explicar
assim a diminuição da tolerância ao esforço, para além disso as lesões do sistema nervoso
central podem causar fadiga.

A utente apresenta não apresenta défices significativos do controlo postural, com exceção
de quando apanhar um objeto do chão (Score de 33 em 36 na escala PASS, teve 0 no item
apanhar uma caneta do chão) (Vieira, Fernandes & Mimoso., 2007).

Apresenta uma diminuição da qualidade de vida (score de 2 em 5 na escala de Qualidade


Específica para Utentes que sofreram um AVC). Uma vez que a utente se encontra a
viver numa instituição de idosos a mesma vê o seu papel social (com os respetivos
microssistemas associados) bastante modificado e percebe que a sua capacidade mental,
disposição e mobilidade estão afetados (consegue no entanto realizar higiene (exceto
banho) e utilizar o membro superior) assim como nota uma degradação da sua energia
(refere cansaço) o que faz com que demore mais tempo na realização das tarefas que
pretende efetuar durante o dia (Williams et al., 1999). Antes do AVC a utente era
autónoma e bastante ativa, tendo apenas o apoio de uma empregada 1 vez por semana
para ajudar nas limpezas. A utente sente-se abatida pelo facto de agora depender de outras
pessoas o que mais demonstra que a sua funcionalidade está severamente afetada.

Hipertensão arterial difícil de controlar e que é desvalorizado pela utente e que poderá ser
fator de risco para um novo AVC.

É muito importante para que a intervenção seja bem-sucedida considerar as expectativas


da utente que passo a citar:
“Tenho esperança, muita esperança, que me ajudem a andar melhor. Se perder este medo
de cair e este desequilíbrio, tenho a certeza de que vou voltar para a minha casa, a minha
cadelinha, as minhas coisas...”

DIAGNÓSTICO FUNCIONAL

Foi realizada uma análise dos problemas da utente a fim de agora poder estabelecer o
diagnóstico em fisioterapia e que difere do diagnóstico médico pois não se foca na
patologia em si mas sim nas limitações funcionais onde o fisioterapeuta pode intervir.

Diagnóstico:

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Laura Silva, sexo feminino, 74 anos apresenta dificuldade em realizar marcha de forma
independente e dificuldades no equilíbrio (score de 29 em 53 na escala de BERG) e risco
aumentado de queda (21 segundos na TUG), apresenta medo de cair (score de 24/64 na
FES-I) assim como demonstra défices cognitivos moderados (score de 13/30 pontos na
Mini-mental State Examination). Revela uma diminuição da capacidade funcional e
cansaço (50 passos na 2 Minute Step Test). Apresenta dificuldade no controlo postural ao
apanhar objetos do chão (Score de 33/36 na escala PASS, 0 no item 12, em pé apanhar
uma caneta do chão). Apresenta ainda uma diminuição na qualidade de vida (score de 2
em 5 na escala de Qualidade Específica para Utentes que Sofreram um AVC).

OBJECTIVOS DE INTERVENÇÃO

Após extensa pesquisa de evidência foram encontrados vários protocolos com vários
planos de intervenção, no entanto alguns dos critérios exclusão dos utentes coincidiam
com alguns dos problemas apresentados pela utente, nomeadamente o tempo de
ocorrência do AVC (artigos para 6 meses após AVC) e no que toca ao score na Mini-
Mental State Examination (para os utentes serem incluídos nesses planos deveriam ter
um score superior a 24/30, a utente tem 13/30 e tem escolaridade superior a 11 anos).
Assim sendo foram feitas algumas adaptações nos programas em especial no que toca ao
acompanhamento dado à utente durante a realização dos exercícios (iria requerer sempre
um fisioterapeuta presente e a relembrar à utente os passos a seguir). Desta forma e
adaptando os programas ao raciocínio clinico e condição da utente resolvi utilizar o efeito
clinicamente benéfico das escalas em questão em vez de as alterações de score
apresentadas nos artigos.

Estes objetivos são conseguidos ao longo de um período de 12 semanas:

- Melhorar o equilíbrio através do aumento do score da escala de Berg de 29/53 para


36/53 (Donoghue, 2009) – Este objetivo é alcançado através do treino de percurso com
obstáculos ajudando assim a melhorar a marcha e a melhorar os ajustes posturais
antecipatórios (APA) sempre com supervisão do fisioterapeuta (Baptist et al., 2017). Este
treino vai ajudar a aumentar o comprimento do passo (um dos problemas da utente) assim
como vai aumentar a capacidade de ultrapassar obstáculos e reduzir o risco de queda por
melhoria do equilíbrio (Baptist et al., 2017). Existe também evidência de que é possível
ajudar a melhorar o equilíbrio realizando duas tarefas ao mesmo tempo, treino a atenção

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dividida tornando assim automáticas algumas das funções a trabalhar nestas atividades
como sejam o equilíbrio e a marcha (Halvarsson et al., 2015).

- Melhorar a capacidade funcional e tolerância ao esforço aumentando o número de


passos na prova 2 Minutes Step Test de 50 passos para pelo menos 68 passos (Rikli
and Jones 2013) – É muito importante trabalhar a capacidade aeróbia a fim de melhorar
a capacidade de tolerar as sessões e atingir as melhorias desejadas.

- Diminuir o risco de queda diminuindo o tempo de realização do teste Timed Up


and Go de 21 segundos para pelo menos 13 segundos (Hiengkaew et al., 2012) –
Conseguido através do treino de marcha e melhorando a mobilidade funcional assim
como melhorando o equilíbrio através do treino de obstáculos e treino de exercícios
próprios para a melhoria do equilíbrio (Lee & Lee, 2017). O levantar de uma cadeira
para a posição de pé um dos mais importantes movimentos para andar e pode prevenir o
desempenho independente das actividades do quotidiano. Assim deverão ser treinados
os movimentos de levantar da cadeira e manter de pé e deverá ser reforçada a
musculatura responsável por estes movimentos. Deve ser estimulada a aprendizagem
motora destas funções. Alterações de postura deverão ser feitas a fim de se alcançar os
objetivos desejados (Pollock et al., 2014)

- Diminuir o receio de cair por parte da utente diminuindo o score da FES-I de 24/64
para 15,8/64 (Dewan & MacDermid, 2014) – Este objetivo é atingível através do treino
de marcha assim como o treino de duas tarefas ao mesmo tempo, tarefas diárias como
vestir-se o varrer o chão ou tomar banho (sendo esta última uma das tarefas em que a
utente apresenta mais dificuldade)

- Aumentar o controlo postural ao apanhar objetos do chão aumentando o score da


PASS de 33/36 para 36/36 (Vieira, Fernandes & Mimoso, 2007) – Conseguido através
do treino da tarefa de apanhar um objeto do chão, treinado de forma progressiva e com
ajuda e supervisão do fisioterapeuta.

- Aumentar o score de Mini-mental state examination de 13/30 pontos para 16/30


com a ajuda da neuropsicologia e terapia ocupacional (das Nair, 2016) – Utilizar
estratégias para ajudar a utente a fixar os exercícios. Além disso está também comprovado
em variadas fontes que o exercício melhora as funções cognitivas. Este objetivo não está
diretamente relacionado com a fisioterapia, mas seria importante trabalhar em conjunto
com a terapia ocupacional.

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- Aumentar a Qualidade de vida aumentando o score da escala de Qualidade


Específica para Utentes que sofreram um AVC de 2 para 5 – Está implícito em todos
os outros objetivos.

Objetivos educacionais (conseguidos ao longo de 4 semanas para os cuidadores


(instituição de idosos e filho da utente, não para a utente derivado aos défices
cognitivos), a realizar numa sessão de 30 minutos 1 vez por semana):

- Saber identificar pelo menos 3 dos principais fatores de risco queda em utentes
idosos pós-AVC – Aqui é importante mencionar que as quedas podem levar a fraturas ou
a lesões sérias, internamentos e regressão de todo o tratamento conseguido na fisioterapia.

- Descrever pelo menos duas consequências da idade na marcha e no equilíbrio – É


importante referir que nunca se deve forçar a utente a ir para além dos seus limites e os
perigos de o fazer, em especial porque a utente se encontra a viver numa instituição de
idosos, onde muitas vezes não se respeitam os limites das pessoas.

- Saber enumerar três vantagens do exercício físico para a melhoria da marcha e


equilíbrio em utentes idosos (Margareta et al., 2007) – Neste caso pretende-se
sensibilizar os cuidadores da utente para as consequências da inatividade física e
sensibilizar os cuidadores para as vantagens dos exercícios na melhoria da qualidade de
vida e melhoria da cognição.

PLANO DE INTERVENÇÃO (a utente não deve nunca ser deixada sozinha, pois
pode colocar a sua integridade em risco)

Duração das sessões 45 minutos, 5 x por semana durante 12 semanas (Halvarsson et


al., 2015)

1ª Parte - A sessão deverá começar com um curto aquecimento (5-7 minutos). O


aquecimento deverá incluir, marcha sem sair do sítio, apoio uni-podal, transferências de
pedo, lunges e aquecimento geral das articulações dos membros inferiores e superiores.

2ª Parte – Opção 1 (3 dias por semana) - Em seguida serão realizados exercícios


sentados numa bola (aproximadamente 15 minutos e em seguida exercícios em posição
de pé e em marcha (aproximadamente 15-20 minutos). O nível dos exercícios progride
da seguinte através de um nível básico – um ou dois componentes está incluído, nível
intermédio – três ou quatro componentes incorporados, nível avançado: mais de quatro

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componentes incorporados e geralmente incluir uma tarefa motora e cognitiva e é


geralmente multitarefa.

Exemplos de progressão dos exercícios:

Básico Intermédio Avançado


Exercícios - Sentada; - Sentada e adicionar - Sentada e
sentada - Sentada em cima da uma tarefa cognitiva ou acrescentar uma
numa bola bola grande num motora; tarefa cognitiva e
de pilates circulo e passar uma - Sentada num circulo a uma tarefa motora;
bola de um pé para o passar uma bola com um - Sentada num
outro; pé a descansar sobre circulo e passar uma
- Sentada numa linha uma almofada; bola grande com os
e passar a bola; - Sentada num círculo a dois pés apoiados
- Sentada numa linha chutar uma bola com numa almofada;
e passar uma bola pés e braços e posições - A tarefa anterior,
maior; diferentes; mas acrescentando
Sentada com uma - Sentada numa linha e uma tarefa cognitiva;
pessoa à frente de passar uma bola grande,
mãos dadas e puxar e com um pé numa
empurrar almofada;
gentilmente;
Exemplos de tarefas motoras: mexer um braço ou perna, cabeça ou tronco, apertar ou
desapertar um botão, brincar com um balão, lançar e apanhar uma bola, chutar uma
bola, transportar um copo de água, fechar os olhos
Exemplos de tarefas cognitivas: Adicionar ou subtrair a partir de um determinado
número, ler um jornal em silêncio ou em vós alta, dizer nomes de países, cidades,
nomes de pessoas, etc...

Básico Intermédio Avançado


Exercícios - Em pé dentro de um - Ficar num círculo e bater -
em pé círculo, com cadeiras que num balão e quando bate faz Adicionar
um lunge; uma tarefa

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abrem um caminho e passar - Ficar num círculo passar cognitiva


uma bola grande; uma bola enquanto faz um aos
- Ficar com um pé em frente lunge; exercícios
ao outro; - Ficar num círculo e atirar do nível
- Ficar em apoio unipedal; uma bola enquanto faz um moderado;
- Ficar em pé com os dois lunge; - Ficar em
pés em cima de uma - Atirar uma bola alterando a pé em
almofada ou superfície base de sustentação (ficar em diferentes
mole; apoio unipedal, bipedal, bases de
- Ficar em apoio unipedal almofada mole, um pé à suporte e
em cima de uma almofada frente do outro); adicionar
ou superfície mole; - Ficar num círculo e passar tarefas
- Ficar em frente a um par e um copo de água com um pé cognitivas
agarram uma bola grande, assente numa superfície e motoras;
um dos parceiros guia a bola mole;
e o outro segue o - Ficar numa linha e passar
movimento; uma bola grande com
- Ficar em pé em pares diferentes bases de suporte
segurando a bola no peito e (unipedal, bipedal, etc...);
um empurra gentilmente e o - Ficar em diferentes bases de
outro segue o movimento; suporte enquanto adiciona
umam tarefa cognitiva ou
motora;

Básico Intermédio Avançado


Exercícios - Contornar 4 almofadas; - Contornar objetos - Realizar
realizados - Andar e colocar um pé adicionando uma tarefa todas as
em numa superfície instável; motora ou cognitiva; outras
marcha - Andar numa superfície - Andar numa fila e passar por tarefas
com vários objetos cima de almofadas e envolvendo
espalhados (cadeiras, superfícies instáveis; ao mesmo
bolas, steps, pinos, etc...); tempo
tarefas

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- Andar para a frente a uma - Andar numa superfície com cognitivas


velocidade mais rápida e objetos espalhados e realizar e motoras;
depois andar para trás; uma tarefa cognitiva;
- Andar para a frente a uma - Andar mais depressa para a
velocidade mais rápida e frente e ao vir para trás
depois subir e descer steps; realizar uma tarefa cognitiva;
- Andar sobre um colchão; - Andar para a frente de forma
- Andar colocando um pé à rápida, subir e descer step e
frente do outro; ao vir para trás fazer uma
tarefa motora ou cognitiva;
- Andar numa superfície
instável e adicionar tarefa
cognitiva ou motora;
- Andar com um pé à frente
do outro e adicionar tarefa
cognitiva ou motora;

Opção 2 (2 dias por semana durante 4 semanas de pois o programa passa a ser
apenas 3 dias por semana) (Baptist, 2017) – Ultrapassar obstáculos: 10 obstáculos, 10
séries por sessão (conforme tolerado pela utente). Os obstáculos deverão ter várias
dimensões, formas, cores e alturas. Progressão: Deverão ser ultrapassados (marcha de
lado, frente ou de trás) com pausas entre cada um e depois progredir retirando as pausas.
Deverão também ser ultrapassados (marcha de lado, frente e trás) em padrões (por
exemplo, em oito).

3ª Parte- As sessões devem terminar com alongamentos e regulação da respiração.

PROGNÓSTICO FUNCIONAL

Fatores negativos: neste caso a idade da utente é um fator negativo relativamente ao seu
prognóstico, assim como o facto de ter défices cognitivos significativos, a utente poderá
ter dificuldade ultrapassar esta situação e pode ter dificuldade em utilizar a atenção divida
em algumas das tarefas e poderá continuar a ter dificuldade a executar sequências de

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tarefas sem ter ajuda (memória executiva). De facto, existe uma degradação natural das
capacidades motoras e existe uma degradação dos sentidos motivada pelo processo
natural de envelhecimento, especialmente quando falamos de movimentos complexos o
que poderá levar ao risco de queda, que apesar de diminuir com os tratamentos é provável
que não vá desaparecer por completo ( Lee & Lee, 2017).

Fatores Positivos: Utente bastante motivada, que adere às novas tecnologias e gosta
sempre de se manter atualizada. É uma utente com objetivos e que apresenta forte
motivação para seguir em frente com o tratamento o que irá fazer com que a mesma
enfrente com mais facilidade os desafios que vão surgindo ao longo dos tratamentos assim
como vai melhorar a aderência da utente ao tratamento.

Como a utente é formada no ensino superior, apesar de ter distúrbios cognitivos, saberá
provavelmente a importância do exercício físico no processo do envelhecimento assim
como terá noção de que os tratamentos serão importantes para a melhoria da condição,
algo que revela quando diz quais são as suas expectativas relativamente à fisioterapia
(apesar de poderem estar demasiado elevadas, pois é provável que a utente não possa
viver mais tempo sozinha), assim como terá provavelmente condições financeiras que a
ajudem a sustentar os tratamentos. O facto de não gostar de estar dependente de outras
pessoas também uma motivação extra para que o tratamento seja bem-sucedido.

CRITÉRIOS DE ALTA E REAVALIAÇÃO

Sabemos que a utente pode ter alta quando a mesma alcançar os objetivos propostos para
a intervenção. Também é possível que exista alta quando o fisioterapeuta considera que
a utente já não está a beneficiar das sessões (pode ser por desmotivação da utente (por
exemplos estados depressivos) pelo surgimento de uma nova patologia que impossibilite
a realização do tratamento ou pelo facto de não haver apoio em termos monetários ou de
transporte para as sessões) ou até mesmo por incontinência urinária ou fecal. No caso
desta utente é também importante garantir que os cuidadores atingiram os seus objetivos
pois caso contrário poderão estar a ser postos em causa os resultados do tratamento assim
como a continuidade dos mesmos ao longo do tempo. A utente será reavaliada no final
de cada mês.

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CONCLUSÃO

Este foi para mim um caso desafiante, pois quando percebi que estava perante um caso
de AVC estava à espera de sequelas motoras, com hemiparesias e distúrbios
frequentemente associados ao AVC, como seja a hemianopsia homónima. Para estes
assuntos existe imensa evidência e o facto de a utente não apresentar sequelas motoras
foi para mim um fator de que gerou bastante confusão e sobre o qual tive de aprofundar
os meus conhecimentos.

Este trabalho foi muito produtivo no sentido em que me ajudou a melhorar a minha
capacidade de pesquisa, assim como me ajudou a perceber de uma forma mais
aprofundada quais as consequências do processo de envelhecimento na marcha e no
equilíbrio, dando me assim a possibilidade de enriquecer os meus futuros planos de
intervenção para futuros utentes.

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