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A OPTOMETRIA, O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E A

MULTIDISCIPLINALIDADE.

THE OPTOMETRY, SCIENTIFIC AND KNOWLEDGE


MULTIDISCIPLINARITY.

Luis Alberto Ferreira Lopes1

RESUMO
O objetivo deste artigo é apresentar elementos para discursão no que se refere às
atribuições da optometria no âmbito da atenção primária da saúde visual. Para tanto, o
registro de informações e imagens digitais tornam-se indispensáveis para a formulação
de banco de dados, facilitando a participação multidisciplinar. Dessa maneira o registro
digital do exame do fundo de olho, torna-se um forte aliado ao primeiro contato com o
paciente, devido ao seu grande valor diagnóstico. Para que possamos entender melhor
este tipo de exame, buscou-se analisar teoricamente os princípios da física que
permeiam o sistema visual, através de autores renomados como Alhazen, Leonardo da
Vinci, dentre outros, com o intuito de observar alternativas que venham a contemplar a
necessidade de se registrar as imagens do fundo do olho de forma não invasiva, buscou-
se através de método prático ambulatorial analisar as possibilidades discorrendo entre
técnicas conhecidas, explorando possibilidades que venham a ampliar o diâmetro de
visualização das estruturas do fundo do olho. Defendemos uma atenção primária que
possa ser exercida utilizando os recursos disponíveis, de forma otimizada, evitando
desperdícios, de maneira igualitária e sustentável.
Palavras chave: Optometria, Atenção Primária, Fundo de Olho, Sustentabilidade.

ABSTRACT
The purpose of this article is to provide elements for discussion in relation to Optometry
powers under the primary care of the visual health. For both the registration information
and digital images become indispensable to the database formulation, facilitating
multidisciplinary participation. In this way the digital record of the examination of the
fundus, it becomes a strong ally to the first contact with the patient, because of its great
diagnostic value. So we can better understand this scan theoretically analyze it sought
the principles of physics that underlie the visual system, by renowned authors as
Alhazen, Leonardo da Vinci, among others, so that we can observe alternatives that will
address the need to register the images of the back of the eye noninvasively, it sought
through outpatient practical method to analyze the possibilities discoursing among
known techniques, exploring possibilities that will expand the display diameter of the
back of the eye structures. So that way primary care to be exercised, using the available
resources optimally, avoiding waste of equitable and sustainable manner.
Keywords: Optometry, Primary Care, Eye Fund, Sustainability.

1
Aluno concludente do curso técnico em Optometria, membro do grupo de estudo voltado a pesquisar
a qualidade visual no Brasil na faculdade Ratio. Esse artigo é resultado de reflexões e produto intelectual
do grupo, em especial do aluno em questão, sob a coordenação da Pfa. Dra. Magda Lima da Silva.

Revista Trabalho e Sociedade, Fortaleza, v.3, n.1, jul/dez, 2015


1 Introdução

Atualmente, podemos observamos a demanda crescente que procura ingressar no


Sistema Único de Saúde – SUS, em busca de cuidados relativos à saúde visual, buscou-
se através deste artigo demonstrar o posicionamento cientifico que sustenta os
princípios da optometria de forma a contribuir com a saúde visual.

A atenção primária da saúde visual torna-se uma ferramenta indispensável para


que a saúde individual possa ser preservada. No entanto, para que a mesma seja
exercida de forma eficiente, a documentação e o registro de imagens tornam-se cada dia
mais importantes para que sejam catalogados e acessados de forma multidisciplinar,
possibilitando ao indivíduo o mais alto nível de atendimento.

Busca-se demonstrar através de método prático laboratorial o desenvolvimento e


a contextualização do exame de fundo de olho através de aspectos físicos, tendo em
vista a importância de suas características e seu grande valor diagnóstico.

2 A Optometria como Atenção Primária.

O optometrista é o profissional independente da área da saúde, que está


habilitado a examinar e avaliar o sentido da visão, sendo um especialista em identificar
e compensar alterações visuais de origem não patológica, melhorando o desempenho
visual dos pacientes. Essa profissão existe no mundo a mais de 100 anos e é praticada
em mais de 160 países incluindo (a Espanha, os USA, a Europa e o Japão).
Quando muito se fala em atenção primária a saúde, devemos analisar o sentido
da abordagem: “Atenção Primária”. A Constituição Federal que reconhece a saúde
como direito do cidadão e dever do Estado o que desencadeou a criação do Sistema
Único de Saúde – SUS, um sistema público de saúde responsável por garantir, de modo
universal e igualitário, o acesso às ações e serviços para a promoção, proteção e
recuperação da saúde. No qual é regido por três diretrizes constitucionais: A
descentralização, a participação da comunidade e a integralidade da assistência, como
prioridade para as ações preventivas. No entanto a prioridade para as ações preventivas
nem sempre tem sido corretamente interpretada ou cumprida, uma vez que os serviços

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de saúde preventivos que quase sempre são de cunho coletivo, nem sempre são
prioritários. (Andrade, 2010).
“[...] A atenção primária situa-se, fundamentalmente, no campo da
prevenção, devendo ser priorizada no âmbito do SUS, conforme
determinação constitucional [...]” (Andrade, 2010).
O que vem acontecendo no nosso país é que o termo “atenção primária” acaba
conduzindo interpretes desatentos a compreender que se trata de uma assistência menor,
elementar, uma vez que a palavra primária tanto pode ser interpretada como: Limitada,
rudimentar, superficial (Novo Dicionário Aurélio).
Todavia a atenção primária, tendo como principal atribuição o primeiro cuidado
com a saúde da pessoa, no sentido da sua promoção e proteção, a interpretação que
melhor expressa a sua importância dentro da saúde pública é a de principal,
fundamental, devendo, por isso, ser considerada como atenção prioritária, a qual orienta
todo o sistema de saúde. (Andrade, 2010, parágrafo: 5).
“[...] Nenhuma saúde pública que garante a todos a integralidade da
assistência à saúde pode negar à atenção primária o sentido de prioridade.
A atenção primeira deve ser aquela que, atuando como filtro, como agente
regulador do sistema público de saúde, consegue evitar que pequenos
problemas de saúde se agravem, resolvendo de imediato 85% dos problemas
que surgem, sem a necessidade de encaminhamento para a atenção
especializada, com preservação da saúde individual [...]” (Andrade – 2010).
A atenção primaria atua de maneira preventiva, de modo a garantir boa saúde e
integralidade dos serviços e postergando ou evitando doenças, permitindo melhores
condições de vida tendo como principal atuação a prevenção da saúde, o que está
diretamente ligada aos gastos com saúde, a amplitude da cobertura desses serviços à
população e a educação social ou a consciência e responsabilidade de cada um para com
a sua saúde. E tudo o que possa evitar ou resolver os riscos ou prevenir agravos à saúde
redundarão em melhores condições de vida. (Andrade, 2010).
Com o passar dos anos será cada vez mais difícil para qualquer país cobrir as
despesas crescentes com a saúde, em razão do avanço tecnológico que torna cada vez
mais caro os gastos ao invés de reduzi-los. Também não podemos deixar de mencionar
o aumento da taxa de natalidade o que agrava ainda mais a situação. Portando, torna-se
necessário que a população também se conscientiza de suas responsabilidades para com
a sua própria saúde a partir de medidas educativas que devem fazer parte do rol de
atividades e serviços de Atenção Primária, Principal, Prioritária. (Andrade, 2010).

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A partir do momento em que a atenção primária passar a ser considerada como
Atenção Prioritária, certamente estará no caminho de que o bem a ser protegido será a
saúde e não a doença e como isso estaremos cumprindo a diretriz constitucional de
priorizar as ações preventivas de cunho coletivo, evitando que o sujeito adoeça porque a
saúde pública chegou antes do agravo, prevenindo os riscos. (Andrade, 2010).

3 A legislação brasileira.

Com a assinatura do decreto número 20.931 de 11 de janeiro de 1932, durante o


governo de Getúlio Vargas mudaria o rumo da história da optometria no nosso país.
(Bezerra, 2011, Pág. 32).
Segundo Xavier de Lima (2014) no qual em sua obra Optometria Legal no
Brasil, fez questão de publicar suas interpretações com o intuito de aclarar os equívocos
inaceitáveis a cerca da legislação brasileira no que diz respeito à optometria.
Como mencionado de forma negativa por Bezerra 2011. Que diz:
[...] O decreto cerceou a profissão de optometristas no país, foi um duro
golpe na profissão [...]
No entanto, como descrito por (Xavier de Lima, 2014) o decreto de 1932 veio a
contribuir com a Optometria e que as lacunas legais foram completadas pelos
Ministérios competentes com criação de cursos para formação profissional, com
especialidades específicas para tratar das anomalias de refração e problemas que podem
ser evitados através da atenção primária da saúde visual.
Tanto o decreto 20.931/32 como o 24.492/34 foram redigidos para evidenciar a
preocupação do governo com a segurança da saúde pública, referem-se à figura do
prático da época e que hoje suas atribuições são exercidas pelo técnico em óptica, visto
que hoje existe curso específico para o técnico em óptica e “o prático esse profissional
autodidata, verdadeiros fuçadores encontram-se extintos a partir desse momento”
(idem, 2014).
O profissional prático não pode ser confundido com o optometrista, que é
responsável pela avaliação, recomendação de meios ópticos apropriados para o
aperfeiçoamento do sistema visual, enquanto o prático, figura extinta que hoje é o
técnico em óptica, devidamente regularizado, cuida do manejo, fabrico, aviamento das
prescrições de lentes. (Xavier de Lima, 2014, pág. 24).

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Os dois decretos referidos procuraram sim fazer obstáculos não só aos
mencionados no decreto como “Optometristas”, mas que como tal na ocasião eram
meros práticos, comprovadamente de caráter histórico e público de que em 1932 não
havia qualquer curso de optometria, seja técnico ou superior visto que sequer existia o
profissional médico oculista, sendo que as residências oficiais datam de 1976.
Evidencia-se ainda quando o decreto faz questão de proibir o exercício do ortopedista
que na ocasião também era um mero prático e a menção que faz respeito a proibição da
aplicação de anestésicos por parte dos dentistas que na época também era práticos.
(idem 2014, pág. 26).
Não deixando de destacar o aparecimento de outras profissões ligadas a
medicina como é o caso da acupuntura, fonoaudiólogo, fisioterapia. Com as novidades
tecnológicas e a democratização da informação surgiram várias outras profissões como
é o caso do técnico de enfermagem, o técnico em edificações e tantos outros. Dentre
estas temos o exemplo das cirurgias para reconstrução de face, e ou a cirurgia ortognatia
que é praticada pelo buco-maxilo facial, é um dentista e que consequentemente “não é
médico” e que é rotulado como o profissional mais indicado para esse tipo de
procedimento que é totalmente invasivo (Idem,2014).
Observa-se que os decretos mencionados procuravam assegurar que pessoas sem
formação, sem controle e discernimento científico e pedagógico pré-definidos,
aprovados por órgãos governamentais competentes, digam-se livres, fossem
responsáveis por tratamento e cuidados com a saúde do povo.
Fica evidente que para a efetivação da optometria no nosso país, se fazia
necessário a formação técnico-científica de profissionais brasileiros, dessa forma, não
podemos deixar de demonstrar nossa admiração pelas instituições de ensino nacionais,
que acreditaram nessa profissão e que não mediram esforços para desbravar obstáculos
inerentes aos problemas que foram surgindo, quanto a adequação aos parâmetros
internacionais, bem como a falta de literatura que inicialmente, eram em sua maioria em
outros idiomas e o fato de haver a ausência de professores qualificados no qual as
instituições muitas vezes tiveram que buscaram professores em outros países, como é o
caso das parcerias feitas com os professores colombianos, o que possibilitariam a
mudança da realidade da optometria nos últimos 30 anos.
Podemos mencionar várias instituições sejam as de qualificação técnica como é
o caso do Colégio Policursos, o Instituto Optométrico de Pernambuco, o Instituto
Filadélfia, o SENAC, a O.W.P. Educação, como as instituições de nível superior bem

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como a Universidade do Contestado (Canoinhas - SC), FASUP (Pernambuco), Brás
Cubas – SP, Faculdade Ratio – Fortaleza, a Universidade Luterana do Brasil (Canoas-
RS), Estácio de Sá – RJ e tantas outras (Bezerra, 2011, pág. 33). A optometria brasileira
deve respeito e admiração a todas as pessoas que contribuíram para a evolução
cientifica da profissional optometristas do nosso país.
Não se pode deixar de mencionar a criação de entidades com o CBOO –
Conselho Brasileiro de Óptica e Optometria e os CROO´s conselhos de cada estado, o
SINDOCOP-PR – Sindicato dos ópticos, contatólogos e optometristas do estado da
Paraíba, a SOCEA – Sociedade dos optometristas do estado do Ceará, a SOCON -
Sociedade dos optometrista de Natal, a coragem e dedicação de optometristas que lutam
pelo fortalecimento da classe optométrica brasileira. Além de organismos internacionais
que pressionam o governo Brasileiro a introduzirem oficialmente a optometria no
sistema público de saúde. (Bezerra, 2011).
Portant,o o curso que é submetido a uma grade curricular devidamente aprovada
pelo Executivo (Ministério da Educação e ou Secretaria Estadual de Educação), a qual
está necessariamente em harmonia com o Plano Politico e Pedagógico – PPP do
respectivo curso, atendendo o objetivo constitucional de formar, capacitar e qualificar o
cidadão para o trabalho, de acordo com o perfil profissional traçado, nada mais justo
que os mesmos sejam inseridos no mercado de trabalho para que possam levar a efeito
os conhecimentos adquiridos no rigoroso processo técnico-cientifico a que foram
submetidos.
Dessa forma o profissional comprovando sua respectiva habilitação via diploma
ou certificado devidamente autorizado pelo MEC, possui pleno direito de exercer sua
profissão, tendo inclusive seus deveres de ordem tributária e previdenciária, sendo ilegal
qualquer perturbação ao exercício da mesma.
Para fazer jus à referida lacuna deixada pelos decretos de 1932 e 1934:
[...] Não tolerando equívocos acerca da radical alteração da realidade da
optometria em nosso país, e a consequente não aplicação dos Decretos de
1932 e 1934 aos profissionais, surgiu ato normativo secundário, a
Classificação Brasileira de Ocupações – CBO, oriunda do Ministério do
Trabalho e Emprego (Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego N˚ 397
de 09 de outubro de 2002 – Código n˚ 3223-05) [...] (Xavier de Lima –
2014).

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4 O conhecimento cientifico.
Observa-se a eminente necessidade em que a classe optométrica precisa perceber
a importância de se posicionar cientificamente. De fato, historicamente utilizavam-se da
vasta experiência adquirida ao longo dos anos, no entanto, faz-se necessário produzir de
forma estruturada para que sejam comprovadas suas experiências e dessa forma
reconhecidas como conhecimento científico.
O modelo de medicina curativo de caráter médico-hospitalocêntrico adotado em
nosso país, despreza as diretrizes constitucionais do SUS. No entanto a questão a ser
discutida, não se resume em primeiro instante em se afirmar quem está certo ou errado,
a pergunta certa seria como a optometria poderia contribuir para que a atenção primária
da saúde visual possa ser exercida de forma concisa, abrangente e multidisciplinar.
É inaceitável que se permita o ingresso de pacientes ao SUS, a procura de
assistência à saúde visual, sem passar por qualquer tipo de triagem, ou que a mesma seja
feita por profissionais despreparados para observas os sinais e sintomas específicos do
sistema visual. Torna-se indispensável o atendimento primário da saúde visual, feito
pelo profissional optometrista, utilizando-se dos recursos da ficha clínica de optometria
funcional, não deixando de ressaltar que a ficha clínica compõe-se através de critérios
estabelecidos internacionalmente.
Quando entendemos a importância da documentação das observações, do
reconhecimento dos distúrbios e das anormalidades patológicas, podemos afirmar que o
ponto chave em questão que torna a multidisciplinaridade uma ferramenta para que as
diversas disciplinas possam contemplar o bem mais importante a ser preservado, “a
saúde individual do cidadão”, a partir de então, começaremos a caminhar na direção da
preservação da saúde de forma universal e igualitária.
4.1 A Ficha Clínica
A ficha clinica de optometria funcional atualmente compõe-se de 21 itens que se
dividem sistematicamente de forma a compor a situação visual do paciente, inicia-se a
partir da identificação, historia clínica, antecedentes pessoais, lensometria, acuidade
visual, motilidade ocular, forometria, reflexo pupilar, biomicroscopia, oftalmoscopia,
retinoscopia, testes adicionais, visão cromática, preservação da visão central e
periférica, pressão intra-ocular, diagnostico e conduta.
Como anteriormente mencionado posicionar-se cientificamente torna-se
indispensável para que a optometria venha a ser reconhecida como essencial,
primordial, a atenção primária deve ser entendida como o primeiro contato, a primeira

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oportunidade de se descobrir um problema, de forma precoce, prematura e dessa forma
adotar medidas para reverter à situação, ou o mais importante encaminhar para a
especialidade competente o mais rápido possível, evitando que o mesmo tome tempo de
outras especialidades e que possa ser tratada de forma breve para não lhe faltar a saúde,
adotando o conceito de sustentabilidade, utilizando-se dos recursos disponíveis, de
forma justa e precisa evitando desperdícios.
Para tanto, devemos ressaltar a importância da classe optométrica se atentar
para o registro de aspectos patológicos do sistema visual. Neste momento abre-se um
leque de discursões enorme, em que pressupomos que nunca chegará ao fim, todavia
ressaltamos que a atenção primária não trata questões patológicas, seu foco está em
prevenir, impedir agravos de forma preventiva, educativa, compensando defeitos
refrativos, evitando que pequenos problemas tornem-se irreversíveis, e desenvolvendo
exercícios visuais para reverter disfunções musculares, através de terapias. E aqui
vamos observar com muita atenção à importância do reconhecimento de anormalidades.
O profissional optometrista embora tenha inserido em sua grade curricular
disciplinas direcionadas as patologias oculares, está apto ao reconhecimento de
anormalidades. No entanto, o que vale a pena ressaltar não é quem vai ter qualificação
para afirmar que tipo de patologia se está observando, reconhecer a diferença de uma
estrutura normal, para uma estrutura fora da normalidade torna-se imprescindível para
que o primeiro contato com o sistema visual seja feito de forma responsável e que venha
a preservar de fato a saúde individual.
Com o passar dos anos, a tecnologia, a formulação de banco de dados, os tablet’s
e smartphones tem colocado o mundo na palma de nossas mãos, acreditamos que a
utilização da ficha clinica torna-se indispensável. Para isso, a formulação de um
aplicativo direcionado a classe optométrica facilitaria a formulação de banco de dados e
aplicação de todos os seus itens de forma eficiente. Para que haja de fato a observação
de anormalidades torna-se indispensável à criação de mecanismos digitais que venham a
contemplar estas necessidades.
4.2 Fundoscopia
Quando falamos em observação de aspectos patológicos no sistema visual, logo
percebemos a importância de se observar e entender a fundoscopia, que é um exame
utilizado para se avaliar as estruturas do fundo do olho, o que representa grande valor
diagnostico. A fundoscopia vem sendo estudada a mais de 155 anos, quando fora
inventado pelo professor Hermann Von Helmholtz em 1850 o oftalmoscópio direto, o

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que por ele era intitulado como uma descoberta. Atualmente, o registro de imagens do
fundo do olho de forma digital torna-se uma ferramenta poderosa, para que a atenção
primária da saúde visual venha a ser exercida com eficiência. Atualmente existem
diversos modelos no mercado disponíveis para esse tipo de observação. Dentre eles
podemos destacar:
Oftalmoscópio direto: segundo o fabricante Welch Allyn: Possui 6 aberturas de
luz, filtro polarizado, azul cobalto, e controle da intensidade da luz, alteração de dioptria
entre positivo e negativo para enfocar, é portátil e de fácil manipulação, tem como
desvantagem a necessidade de aproximação exagerada entre o examinador e o
examinado e o pequeno raio de visualização. Dentre os demais modelos demostra-se ser
o mais acessível, financeiramente.
Panoptic: equipamento inovador patenteado pelo fabricante Welch Allyn
possibilita observação panorâmica do fundo do olho e registro de fotos através do
samrt-phone iphone 4, com o campo visual de 25˚, permite visualização até 5X maior
que o oftalmoscópio convencional.
Oftalmoscópio indireto: recurso óptico inventado por volta de 1861 no qual
através de um jogo de espelhos concentra a imagem de forma virtual e binocular
tornando a percepção estereoscópica possível, possibilitando a visualização
fundoscópioca ampliada.
Ao observarmos os recursos apresentados em um ponto de vista físico
percebemos que os princípios utilizados em todos são os mesmos, emitir um feixe de
luz, mudar sua trajetória a 90 graus e observar a imagem como se a luz estivesse saindo
de dentro do próprio olho do observador, não podemos esquecer de mencionar que esta
concepção se deu a mais de 155 anos.

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Figura 1:

Quando nos colocamos a analisar esta situação os médicos aquela época


observaram a importância do registro de imagens das estruturas do fundo do olho para
que através de sinais e sintomas, pudessem observar indícios e consequentemente
diagnosticar diversas patologias. No entanto, com a evolução desses estudos,
perceberam que para se ampliar as possibilidades o diâmetro da pupila deveria ser
alterado. A dilatação tornou-se um grande passo para a visualização ampliada das
estruturas do fundo do olho, sem levar em consideração as contra indicações atribuídas
a dilatação pupilar, considerando o grande valor das observações que a mesma
possibilita atribuindo a esta época um grande avanço nas observações das estruturas da
periferia do fundo do olho. Percebemos que ao longo dos anos naturalmente vão
surgindo necessidades e posteriormente vão aparecendo suas soluções, as quais sejam
dadas os méritos das disciplinas a que lhes foram submetidas. Ao iniciar essas
observações nos colocamos a perguntar, será que alguém está certo ao afirmar que um
exame de fundoscopia só pode ser realizado de forma completa através da dilatação?
Conforme fora dito anteriormente, o que está faltando para o optometrista dos
dias atuais é de fato se posicionar com base na ciência. A base que sustenta a optometria
é a física, o processo de exploração das estruturas do fundo do olho através da dilatação
é, na verdade, um procedimento químico, no entanto se pararmos para observar esta
necessidade em uma perspectiva física, acredita-se que de uma forma multidisciplinar
poderíamos contribuir para analisar de forma ampliada as estruturas do fundo do olho.

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Segundo Alhazen (965-1039), o olho humano é um instrumento mecânico, igual
à câmara escura; por outro lado Leonardo da Vinci (1452-1519), embora não tenha
elaborado nenhuma teoria óptica relevante, ajudou a explicar o funcionamento do olho
humano por analogia à câmara escura, neste momento tornou-se fundamental ao
questionar a variabilidade do diâmetro da pupila o que percebeu estar ligado a
intensidade de luz, ao descrever a câmara escura Leonardo da Vinci menciona a
variação do diâmetro do orifício, quanto mais estreito mais nítida seria a imagem
projetada ao fundo da câmara escura, neste momento nos colocamos a imaginar, será
que a analogia de Leonardo da Vinci, segundo a relação da câmara escura poderia nos
ajudar a visualizar as estruturas do fundo do olho de forma ampliada?
Figura 2:

Ao observar esta imagem vale ressaltar os princípios fundamentais da óptica


geométrica: a propagação retilínea da luz: onde nos meios homogêneos e transparentes a
luz se propaga em linha reta; o principio da reversibilidade: onde a trajetória do sentido
da luz independe do sentido de percurso e o principio da independência dos raios de luz:
onde os raios ao se cruzar não interferem na sua trajetória.

5 Metodologia:
Ao observar os princípios da óptica geométrica, buscou-se demonstrar através de
método pratico laboratorial, o desenvolvimento e contextualização do exame de fundo
de olho, do ponto de vista físico, a partir de observação, buscando registrar de forma
ampliada as estruturas do fundo de olho, utilizou-se uma câmera digital e uma lente
biconvexa asférica.
Inicialmente nos colocamos a questionar indagações simples, como: de acordo
com o principio da reversibilidade podemos concordar que em um dado momento uma
imagem que se inverte, deve necessariamente passar pelo mesmo ponto em comum?

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Figura: 3

Percebe-se que dessa maneira, o fato da pupila se manter em um diâmetro


normal deveria ser observado como ponto positivo ao exame de fundo de olho. No
entanto o diâmetro da pupila torna-se um problema quando nos referimos a propagação
retilínea da luz, na qual limita o ângulo de observação consideravelmente.
O que procuramos demostrar neste momento não é descaracterizar o que fora
dito até então, mas sim observar de outras maneiras para que dessa forma possamos
ampliar as possibilidades e proporcionar avanços significativos na exploração
fundoscópca. Dessa forma, ao compilar estes questionamentos, em um ponto de vista
otimista procuramos demonstrar de fato a experimentação que segue:
Serão demonstrados fotos capturadas e tratadas para melhor visualização,
demonstrando técnica laboratorial de observação fundoscópca, a saber:

- Voluntário número 1: Luiz Alberto Ferreira Lopes - 33 anos:

Olho esquerdo:
Cor: alaranjada;
Papila: arredondada e bem definida;
Relação A/V: 2/1
Escacação: 0,1

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- Voluntário número 2: Rickson Bosco Rodrigues Crispin Dias, 28 anos de idade; olho
direito, vale ressaltar que a imagem que segue é uma imagem invertida e real do seu
olho direito, podemos concluir ao analisarmos a foto que:

Cor: alaranjada;
Papila arredondada e bem definida;
Escavação: 0,2;
Relação A/V 3/1;

Obs: alto índice de fotofobia o que dificultou a exploração fundoscópica;

- Voluntário 3: Rayla dos Santos Lopes – 5 anos de idade;

Olho direito:
Cor: alaranjada;
Papila: ovalada e bem definida;
Escavação: 0,3;
Relação A/V: 3/1;

- Voluntária 5: Rayele dos Santos Lopes – 27 anos:

Cor: Alaranjada;
Papila: ovalada e bem definida;
Escavação: 0,2;
Relação A/V: 2/1;

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6 Considerações finais
Entendemos que o exame de fundo de olho deve ser compreendido e explorado
em seus vários aspectos por seu grande valor diagnóstico, não apenas o nervo óptico
como também toda sua periferia, a ciência optométrica pode contribuir observando seus
sinais e sintomas, registrando e catalogando através de imagens digitalizadas a presença
ou ausência de anormalidades. Dessa forma encaminhando para as devidas
especialidades competentes, de forma precoce, evitando desperdícios, diminuindo o
sofrimento, prevenindo e dessa maneira preservando a saúde individual de forma
igualitária e sustentável, impedindo que o mesmo adoeça.

Entendemos ser este o caminho para o desenvolvimento de uma nova técnica


que possa contribuir para em um futuro próximo o registro de forma panorâmica como
demonstramos na figura acima, uma parcela significativa da totalidade das estruturas do
fundo de olho, tornando possível a observação e diagnóstico precoce de patologias
oculares, mapeando e registrando imagens digitalizadas.
Posicionar-se cientificamente para que o individuo possa ter acesso ao mais alto
nível de atendimento, torna-se eminentemente necessário o investimento em pesquisa
para que esta técnica seja aperfeiçoada, tornando o atendimento primário da saúde
visual cada dia mais abrangente.

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REFERÊNCIAS

AURÉLIO. Dicionário. São Paulo: ed. Positivo, 2012.


BEZERRA, Artemir. Aspectos legais e práticos da optometria no Brasil; 1ª Ed. 2011.
BRASIL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL,1998.
GUEDES, Ricardo Augusto Paletta. As estratégias de prevenção em saúde ocular no
âmbito da saúde coletiva e da Atenção Primária à Saúde - APS. Revista APS, v.10,
n.1, p. 66-73, jan./jun. 2007.
XAVIER DE LIMA, Francisco. Optometria Legal no Brasil, 1ª Ed. 2014.
http://blogs.bvsalud.org/ds/2010/04/12/sus-atencao-primaria-ou-prioritaria/ blog:
Direito Sanitário: Saúde e Cidadania - Luiz Odorico Monteiro de Andrade, criado em
Abril de 2010.

http://www.sofisica.com.br/conteudos/Otica/Fundamentos/camaraescura.php. figura 2 e
3.

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