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Pontifícia Universidade Católica De Goiás.

Goiânia, 13 de setembro de 2018.


Aluno: Diêmersom Bento de Araújo Turma: 4º Teologia
Professor: Pe. Ricardo Disciplina: Ecumenismo e Diálogo Interreligioso

ESTUDO DIRIGIDO

FONTE: HORTAL, J. E haverá um só rebanho: história, doutrina e prática católica do


ecumenismo. São Paulo: Loyola, 1989 pp.43-56

1. EXPLICAR O MOVIMENTO REFORMISTA DO SÉCULO XVI A PARTIR:

A) CAUSAS RELIGIOSAS (CONSIDERAR O FISCALISMO DA CÚRIA


ROMANA, A DECADÊNCIA DA ESCOLÁSTICA, A LEITURA DA
SAGRADA ESCRITURA, AS CONDENAÇÕES À FOGUEIRA SANTA, O
ENRIQUECIMENTO DO ALTO CLERO);
B) CAUSAS POLÍTICAS;
C) CAUSAS SOCIOCULTURAIS.

O movimento Reformista é muito complexo, ele comporta diversos fatores que


contribuíram para o seu surgimento. Aqui serão apresentados três tipos de causas:
religiosas, políticas e socioculturais.
Causas religiosas. O século XVI inicia num forte período desprestígio do
papado. O grande cisma do Ocidente (1378-1417) deixou profundas marcas. O fator
nacionalista se estabelece fortemente, devido aos reis e príncipes que perceberam que,
no reconhecimento da obediência a um ou outro papa, havia uma fonte de poder sobre a
Igreja.
O fiscalismo da Cúria Romana não contribuiu para uma atitude de maior
apreço da parte dos fiéis. Os diversos modos de arrecadar dinheiro foram
sistematicamente empregados e geraram fama de avareza para a corte romana. As lutas
para manter os estados pontifícios. Deste modo, a simonia não foi infrequente naqueles
séculos. Os banqueiros passaram a exercer um influxo cada vez maior na Igreja.
O século XVI teve uma forte decadência da Escolástica. Em vez das grandes
construções intelectuais de um Santo Tomás ou de um São Boaventura, prevalece uma
ciência verbalista. Diante do semipelagianismo nominalista e contra a piedade
esterilizante da baixa Idade Média, surge por toda a Europa uma ânsia de maior
autenticidade. Houve uma difusão da leitura da Sagrada Escritura, que já no século XV,
com a invenção da imprensa, possibilitou a multiplicação dos escritos. A Bíblia começa
a ser traduzida nas diversas línguas vernáculas. A fogueira da inquisição ainda não se
tinha apagado completamente.
A situação do clero era lamentável. Os conventos acolhiam, com frequência,
gentes sem vocação. O alto clero acumulavam rendas e formavam verdadeiras cortes
mundanizadas. O baixo clero, constituído em boa parte por “vigários” que
administravam os ofícios eclesiásticos em nome do titular permanentemente ausente,
ressentia-se de um baixíssimo nível intelectual, moral e inclusive econômico.
Causas políticas. O fator político também desempenha um papel importante. A
oposição entre povos germânicos e latinos vinha de longa data. Durante a Idade Média,
luta-se para determinar se o centro do poder estará em Roma ou no Império Germânico.
O triunfo do papado, na luta das Investiduras, não foi nem completo nem definitivo. Os
príncipes, sempre que possível, não deixarão de utilizar o luteranismo como arma contra
o centralismo imperial.
Causas socioculturais. O feudalismo que pervivia na Alemanha, aliado às
guerras quase contínuas e à mudança de situação econômica, com os primeiros brotes
do mercantilismo, provocou umas condições sociais propícias para qualquer tipo de
revolução, mesmo religiosa. Duas classes sociais se sentiam marginalizadas pelo
desenvolvimento da civilização burguesa: os camponeses e os fidalgos, quer dizer, a
baixa nobreza. Para essas duas classes depauperadas, a riqueza da Igreja aparecia como
uma afronta. Não esquecer o complexo fenômeno cultural conhecido como Renascença.
Poderia ser considerado como um movimento de caráter religioso. Mas é, sobretudo,
uma proclamação de fé no homem e nas realidades temporais. A Renascença opõe o
“Humanismo” a atitude sacralizante da Idade Média. Em lugar de expressão do
transcendente, ela se conforma com extravasar o simples sentimento estético, sem
considerações éticas que o limitem. O homem se torna o núcleo referencial de tudo.

2. DESCREVA ASPECTOS DA VIDA E DA OBRA DE ZUÍNGLIO.

Ulrico Zuínglio foi o primeiro a protestar publicamente contra o sistema das


indulgências. Foi em 1516 que esse pároco da cidade de Zurique lança seu ataque. Com
o passar dos anos irá acentuar suas posições. Passa a negar a presença real de Cristo na
Eucaristia, que perde assim o seu caráter de sacramento. Ataca a Igreja institucional e
diz que a verdadeira igreja é aquela formada pelos verdadeiros crentes, ainda mais,
pelos predestinados, conhecidos somente por Deus. Assim, para ele a Bíblia, como os
outros reformadores, é o único indicador certo da verdade revelada. Toma atitudes
claramente políticas.
Zuínglio, com o decorrer dos anos, encontrou oposição não só da parte
católica, mas também da luterana. Em 1529, quando se buscou uma unidade em torno
aos princípios mínimos da fé, Lutero rejeitou, no colóquio de Marburgo, a unidade com
os zuinglianos, por causa da doutrina sobre a presença real de Cristo na Eucaristia por
eles negada. O zuinglianos tiveram consequências políticas. O cantão de Zurique
organizou-se de acordo com as ideias do reformador, secularizando o matrimônio e a
vigilância dos costumes. Os católicos, sentindo-se ameaçados, tomaram as armas. Na
batalha de Kappel (1531), os zuinglianos foram derrotados e o próprio Zuínglio pereceu.
Os remanescentes do zuinglianismo acabaram por unir-se aos calvinistas, formando a
Igreja Reformada da Suíça.

3. APRESENTE OS DADOS PRINCIPAIS RELATIVOS A LUTERO E O


LUTERANISMO.

Lutero começou a Reforma impulsionado por uma questão de tipo pessoal: o


problema da consciência do pecado e da impossibilidade de se libertar dele mediante
seus esforços pessoais. Ele se interrogava: “Como conseguirei um Deus
misericordioso?”. Sua procura, que inicialmente o levara à vida religiosa na Ordem
agostiniana, pareceu encontrar uma resposta na meditação e leitura de Rm 1,17, por
volta de 1516-1517. A partir desse texto, Lutero compreendeu “justiça” como
justificação, ou seja, como a ação misericordiosa e amorosa de Deus, que perdoa o
pecador, por causa de Jesus Cristo, fazendo-o “justo”. Disto deduziu o caráter central da
doutrina que ficou conhecida como “luteranismo”, mas contras as expectativas de
Lutero: o Evangelho, quer dizer, a boa-nova da justificação pela fé somente (sola fides).
Esta afirmação levou-o a um conflito com a Igreja institucional. Primeiramente, contra o
sistema de “indulgências”. A pregação da indulgência coube, em primeiro lugar, ao
dominicano Tetzel, que ultrapassou os limites da doutrina oficial da Igreja. Lutero,
consequente com sua doutrina da justificação, escreveu a Alberto de Brandenburgo, que
era o Comissário Pontifício da Indulgência, pedindo-lhe que corrigisse os abusos
cometidos por Tetzel. Acrescentou uma lista de 95 teses sobre as indulgências. A data
desta lista de teses - 31 de outubro de 1517 - foi considerada simbolicamente como
início da Reforma.
Da negação das indulgências, Lutero passou à negação do papel mediador da
Igreja na Salvação, o que futuramente na doutrina luterana seria a perda deste papel
mediador. Assim, a hierarquia eclesiástica perdia seu papel de transmissores da verdade
recebida por tradição apostólica. Com isso, ao longo das disputas, Lutero não aceita
nada que não esteja demonstrado exclusivamente na Sagrada Escritura (sola Scriptura).
Consequentemente a isso Lutero afirma que o que nos leva para o Pai é somente a graça
(sola gratia). Como se pode perceber, o cerne da doutrina luterana encontra-se na
acentuação do papel salvífico de Cristo. Podendo quase que resumir na expressão solus
Christus).
O luteranismo é todo um sistema de conceber o cristianismo. Talvez, um ponto
fundamental a ser focalizado no diálogo ecumênico seria o do papel da Igreja, o seu
caráter “sacramental”, ou seja, mediador, como instrumento de Cristo para atualizar a
salvação na ordem visível. Esse problema coloca raízes na própria Cristologia. O ponto
que hoje impede a aproximação entre luteranos e católicos tem suas origens na
problemática em torno à natureza “sacramental” da Igreja.

4. COMO SE DEU A CONSOLIDAÇÃO DA REFORMA LUTERANA?

Alguns fatos importantes levaram a consolidação da reforma luterana. Eis os


mais importantes. Em 1518, tem lugar o primeiro processo contra Lutero: o cardeal
Caetano o interroga em Augsburgo. Em 1519, acontece a grande discussão conhecida
como “Disputa de Leipzig”, entre Lutero e o teólogo católico Eck. Em 15 de junho de
1520, concluído o respectivo processo inquisitorial, Leão X publicou a bula Exsurge
Domine, condenando 41 proposições de Lutero. No dia 10 de dezembro de 1520, deu
um passo definitivo, queimou publicamente a bula Exsurge Domine junto com o Corpus
Iuris Canonici. Imediatamente Roma responde com a bula Decet Romanum Pontificem,
de 3 de janeiro de 1521, na qual declarou excomungado o frade agostiniano.
Refugiou se em Wartburgo, sob a proteção de Federico da Saxônia, continuou
a escrever suas obras e iniciou a tradução da bíblia para o Alemão. Em 1525, contrai
matrimônio com Catarina Bora, uma ex-monja. No mesmo ano duas de suas obras
mostram a originalidade da doutrina luterana: Contra os ímpios e Criminosos Bandos de
Camponeses, que rejeita os anabatistas. Em 1529, escreveu dois Catecismos, o Maior e
o menor.
O imperador Carlos V, por causa das circunstâncias históricas não conseguiu
intervir decisivamente para conter o avanço da Reforma. Em 1526, na primeira Dieta de
Espira (Speyer), proclama-se o primeiro edito de tolerância religiosa. Em 1529, porém,
durante a segunda Dieta de Espira, é promulgado um novo decreto, proibindo qualquer
mudança que favorecesse os luteranos. Seis príncipes e quatorze cidades “protestaram”
contra essa decisão, com uma proclamação (no latim, protestatio) de fé. Daí provém o
apelativo “protestantes”, aplicados à igreja da Reforma. Em 1530, na cidade de
Augsburgo, reuniu-se de novo a Dieta, na presença do próprio Imperador Carlos V.
Melanchton, colaborador íntimo de Lutero, preparou o escrito que até hoje representa
mais firmemente a identidade luterana: a Confessio Augustana. Com o Imperador
Fernando I, o luteranismo recebe finalmente status oficial dentro do Império alemão.

5. EXPLIQUE O SURGIMENTO DOS GRUPOS MAIS RADICAIS, A


CHAMADA “EXTREMA ESQUERDA” COM DESTAQUE PARA OS
ANABATISTAS.

No Império alemão surgiram grupos radicais que, partindo de posições


religiosas, acabaram por reclamar profundas mudanças políticas e sociais. Lutero
englobou todos esses grupos sob a denominação de Schwärmer, quer dizer, exaltados ou
fanáticos. Talvez seja injusto o nivelamento de todos eles, porque se podem encontrar,
dentro dessas correntes mais revolucionárias da Reforma, desde místicos especulativos,
como Sebastião Frank, e pacifistas convictos, como Gaspar Schwenkfeld, até exaltados
combatentes armados da ordem estabelecida, como Tomás Münzer. Mas, prefere-se
chamá-los de “extrema esquerda da Reforma”, pois representam, com táticas diferentes,
o desejo de uma mudança muito mais radical do que a de Lutero ou Calvino. Assim,
eles despertaram oposição não só dos católicos, mas também dos luteranos.
O grupo mais numeroso desta ala da Reforma é constituído pelos anabatistas.
A denominação provém do grego e significa “rebatizadores”. Eles negavam a validade
do batismo das crianças. Desta forma, exigiam um novo batismo dos adultos que
tivessem sido batizados na infância. O movimento dos anabatistas teve início com
Nicolas Storch, em Zwickau, perto de Wittenberg, mas o seu líder mais conhecido foi
Tomás Münzer, antigo sacerdote católico. As primeiras desordens são provocadas pelos
na própria Wittenberg.
Os anabatistas apoiaram ou promoveram revoltas dos camponeses da
Alemanha meridional e central (1524-1525). Lutero, após algumas vacilações iniciais,
colocou-se ao lado dos príncipes, com o seu escrito Contra os ímpios e criminosos
Bandos dos Camponeses. Isto fez com que as comunidades luteranas se tornassem
oficiais. O exército camponês foi derrotado e aniquilado na batalha de Frankenhausen.
Tomás Münzer morreu decapitado (1525). O movimento anabatista ressurge em 1534, e
chega a dominar a cidade de Münster, na Westfália. Em 1535, Münster foi conquistada
por uma coalizão do bispo católico da cidade com o duque luterano de Hessen. A
repressão foi terrivelmente cruel, visando a eliminação física dos anabatistas. Desta ala
da Reforma, sobraram grupos muito reduzidos, transformados em pacifistas radicais. Os
mais numerosos são os menonitas, que tomaram seu nome de Menno Simons.
Caracterizam-se por uma profunda piedade e por uma grande ação caritativa.

6. QUAIS AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO CALVINISMO, COMO


FOI SUA ORIGEM E DESENVOLVIMENTO?

As características do Calvinismo, segundo o Guia Ecumênico, são três: 1) a


estreita ligação entre ordem eclesiástica e ordem política; 2) a acentuação da glória de
Deus, como ponto central de toda a História. Por isso,a resposta do homem à ação de
Deus é, em primeiro lugar, temor depois e somente depois amor filial; 3) daí deriva
também a doutrina da dupla predestinação (para a salvação ou para a condenação), que
manifesta tanto a justiça divina quanto a misericórdia, para glória de Deus. Assim,
conforme o Calvinismo, o homem não pode ter certeza direta de sua salvação.
O Calvinismo teve início com João Calvino, francês, de caráter introvertido e
dedicado ao estudo, passou para o campo da Reforma por volta do ano 1533. Em 1536,
publicou a primeira edição de sua obra fundamental: Institutio Religionis christianae.
No mesmo ano, a instâncias de Guilherme Farel, inicia em Genebra sua primeira
experiência de aplicação consequente dos princípios reformatórios. Expulso em 1538,
retorna em 1541, estabelecendo um regime teocrático, até sua morte, em 1564. Os
princípios desse regime estão contidos nas Ordenações Eclesiáticas, de 1541.
O calvinismo desde seu início teve um sentido proselitista. Por causa disto,
difundiu-se rapidamente na Suíça, Alemanha, França, Holanda, Escócia e Hungria.
Influenciou a igreja da Inglaterra e lançou raízes nos Estados Unidos. As igrejas
calvinistas se caracterizam por um tipo de governo sinodal presbiteral, ou seja, confiado
a um conselho de “presbíteros”. As igrejas de tradição calvinista são conhecidas
atualmente como “reformadas” ou “presbiterianas”. Calvino, em relação aos
sacramentos, diz que eles são sinais e símbolos sensíveis que acompanham a comunhão
entre Cristo e nós, que reforçam o efeito da Palavra de Deus e nos confortam.
Genebra é hoje conhecida com a “Capital do Protestantismo”. Nela se encontra
sediadas não só o Conselho Mundial de Igrejas e o Instituto Ecumênico Bossey, mas
também outras instituições de grande relevância, como a Federação Luterana Mundial e
a Aliança Reformada Mundial.