Você está na página 1de 16

 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

As Ferramentas de Comunicação do Moodle como Apoio a uma


Unidade Curricular de um Curso de Licenciatura
Claudia Machado
Universidade do Minho
actmachado@hotmail.com

Resumo

A utilização de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) em contexto educativo


favorece a partilha e a transformação da informação em conhecimento. A
interatividade é fundamento tanto da educação presencial como à distância e está
em consonância com a era digital e com a construção da participação crítica,
reflexiva e emancipadora. No sentido de aproveitar as vantagens dos AVA no
contexto educativo, o presente artigo teve como objetivo levantar a percepção dos
alunos sobre a utilização das ferramentas de comunicação do Moodle utilizadas
como apoio ao processo de ensino-aprendizagem em uma Unidade Curricular
oferecida no Curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Virtual do
Estado do Maranhão. Os dados obtidos nesta pesquisa, alinhados com o que diz a
literatura, demonstram a importância da interação no ambiente online.

Palavras chave: Ambiente virtual de aprendizagem, Ferramentas comunicação,


Moodle.

Moodle Communication Tools as a Support to a Discipline of a


Degree Course
Abstract

The use of Virtual Learning Environments (VLE) in an educational context indulges


transformation and sharing of information into knowledge. Interaction is an important
issue in the face-to-face education as well as in the distance environment. It is in line
with the digital age and with the construction of a critical, reflective and emancipatory
participation. In order to take advantage of the AVA in the educational context, this
article aims to raise students' perceptions on the use of communication tools in
1
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

Moodle used as a support to the teaching-learning process in a discipline offered in


the under graduation course of Mathematics at the Virtual University of Maranhão
State. The data obtained in this study, aligned with what literature says, demonstrates
the importance of interaction in the online environment.

Key words: Virtual learning environment, Communication tools, Moodle. 

Introdução

Nos últimos tempos, tem-se assistido a uma rápida evolução tecnológica. Estamos
perante uma geração em que o uso das novas tecnologias faz parte do seu dia-a-
dia, isto a torna diferente das gerações anteriores, pois possuem outras
necessidades e conhecimentos (SACRISTÁN, 2007). Em consequência das
mudanças tecnológicas ocorridas nas últimas décadas, a escola inserida neste
contexto foi pressionada a mudar o paradigma formal de ensino, que não consegue
responder às necessidades de formação numa sociedade em constante mudança.

As tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) influenciam a forma como as


pessoas se comunicam e se relacionam tornando possível o aparecimento das
várias ferramentas disponibilizadas na web, modificando as linguagens, propondo
novos padrões éticos e novas maneiras de aprender, pela partilha e produção de
conhecimentos (MACHADO, 2010).

Na análise das relações entre tecnologia e educação, um elemento essencial deve


estar presente, ou seja, a convicção de que o uso de uma “tecnologia” (no sentido
de artefato técnico) em situação de ensino-aprendizagem, deve ser acompanhada
por uma reflexão sobre que pressuposto epistemológico está adotado, com vistas a
uma aprendizagem significativa que considere, antes de tudo, os conhecimentos
prévios dos alunos, com o objetivo de favorecer a construção e redescoberta do
conhecimento (LÉVY, 1999).

Neste sentido, vários autores como Alves e Brito (2005), Delgado et.all (2008),
Delgado e Haguenauer (2010), Silva e Ramos (2011), Mussi et al, 2008, Salvador e
2
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

Gonçalves, 2006; entre outros abordam a utilização de AVA no ensino. A utilização


de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) em contexto educativo favorece a
partilha e a transformação da informação em conhecimento. A interatividade é
fundamento tanto da educação presencial como à distância e está em consonância
com a era digital e com a construção da participação crítica, reflexiva e
emancipadora. Portanto, o grande desafio para a educação, é passar do paradigma
da transmissão, em que o aluno é um mero receptor, para um contexto onde a
aprendizagem é um empreendimento contínuo e para toda vida, (Machado et al.,
2009) e acontece através da participação, colaboração e cooperação.

No sentido de aproveitar as vantagens da utilização do AVA no contexto educativo


como apoio ao processo de ensino-aprendizagem, o presente estudo objetivou
fazer um levantamento da visão dos alunos do Curso de Licenciatura em
Matemática na modalidade presencial da Universidade Virtual do Estado do
Maranhão (UNIVIMA) quanto a utilização das ferramentas de comunicação do
Moodle na Unidade Curricular (UC) Fundamentos da Educação. Para tanto, foi
aplicado um questionário online.

O ambiente virtual de aprendizagem (AVA) adotado na Unidade


Curricular
O AVA adotado para o apoio ao processo ensino-aprendizagem na UC
Fundamentos da Educação foi o Moodle (Figura 1), que tem como filosofia de
aprendizagem a "pedagogia socioconstrucionista"1 (Moodle, online). Este AVA, além
de ser um software livre (sem custos) e oferecer uma gestão administrativa e
acadêmica, possui recursos de interação e comunicação que possibilitam ao
professor adequar a plataforma de acordo com suas necessidades.

                                                            
1
passando de um modelo passivo, de delivery, para um ensino mais centrado no aluno, baseado no que este faz, no seu
papel enquanto problem-solver e indivíduo social que aprende com os outros.
3
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

Figura 1: AVA Moodle da UC Fundamentos da Educação.

Segundo Stiles (2000:online), um AVA é “designed to act as a focus for students


learning activities and their management and facilitation, along with the provision of
content and resources required to help make the activities successful.” Para Inácio
(2009) um bom AVA tem que:

• Enfatizar a aprendizagem, integrando as ferramentas de comunicação e


interação;

• Proporcionar estratégias que permita ao aluno participar ativamente e


significativamente;

• Possibilitar aprendizagem individual e coletiva;

• Possibilitar ao aluno uma aprendizagem personalizada (escolha dos caminhos


que melhor satisfaçam o alcance da sua aprendizagem);

• Possibilitar a expressão dos alunos (através de opiniões e das produções);

• Favorecer o acesso a Web, procurando expandir e enriquecer os conhecimentos.

Neste sentido, ressalta-se que a utilização do AVA Moodle, nesta UC


particularmente, não teve a intenção de vir a ser apenas mero espaço de consulta
ou de se tornar repositório de documentos. Assim, foi essencial proporcionar a
participação dos alunos através das diversas ferramentas disponíveis, de modo que
4
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

viessem a construir o conhecimento, através da colaboração e cooperação, tornando


a sua utilização um espaço de interação entre professor- alunos e entre alunos-
alunos (Silva, 2001:15).

Nesta perspectiva, concebe-se o ambiente virtual na modalidade presencial, como


um local onde o professor espelhe as necessidades de interação e comunicação que
cada contexto educacional lhe apresente em diferentes momentos e situações,
tornando-o mais do que um simples “depósito” de materiais.

Ferramentas de comunicação síncronas e assíncronas do Moodle


como suporte na modalidade presencial
De acordo com Gomes (2004), qualquer modalidade de formação a distância tem
que considerar não só os processos de mediatização dos conteúdos mas também
os processos de mediação da comunicação professor-aluno ou dos alunos-alunos.

No AVA Moodle há a possibilidade de dois tipos de comunicação para a promoção e


desenvolvimento da interação e da interatividade entre os participantes do curso.
São elas: (i) a comunicação síncrona, na qual os usuários necessitam estar online
ao mesmo tempo ocorrendo simultaneamente a emissão e recepção de mensagens;
(ii) e a comunicação assíncrona em que os usuários não necessitam estar online ao
mesmo tempo e as mensagens postadas são armazenadas podendo ser acessadas
em tempos distintos da qual foram escritas.

A forma de comunicação síncrona (Figura 2), mais conhecida em contexto de ensino


online é o chat, que pode ser planejado com diversas finalidades, servindo para a
discussão de um tema, esclarecimento de dúvidas, distribuição e coordenação de
tarefas ou espaço de socialização (Gomes, 2009). Tem como principal vantagem,
obter respostas ou esclarecimentos sobre determinado assunto imediatamente, e ao
mesmo tempo tem a desvantagem de retirar a flexibilidade na gestão dos momentos
de comunicação entre os intervenientes (Gomes, 2004). Ressalta-se a importância
das mensagens enviadas serem curtas, para que se possa receber o feedback
imediato dos demais integrantes.
5
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

Figura 2: Comunicação síncrona.

Fonseca (2011) classifica os chats em três categorias: (i) Livre – sem moderador e
sem tema específico; (ii) Moderado – com moderador e tema específico e; (iii)
Especial – com moderador, tema específico, entrevistado convidado, data e hora de
realização. No caso deste estudo, utilizou-se o chat moderado (Figura 3) de texto
nas duas ocasiões trabalhadas, por contar com professor, ter tema, data e horário
previamente definidos. Utilizar continuadamente e integrado às atividades
educacionais, o chat, segundo Cruz (2007), “constitui-se numa forma de manter os
aprendizes motivados e engajados para garantir o sucesso e continuidade de cursos
à distância e também presenciais.”

Figura 3: Sessão de chat.

Ao utilizar o chat, tanto o professor como os alunos tem a possibilidade de acessar o


registro dos debates que ficam armazenados na plataforma, servindo de reflexão
sobre o que foi discutido e subsidiando o professor para identificar e responder as
necessidades dos alunos.

Já na forma de comunicação assíncrona (Figura 4), os usuários não precisam estar


online e as mensagens enviadas ficam armazenadas podendo ser acessadas por
6
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

todos em tempos distintos. É a forma de comunicação mais antiga no ensino à


distancia e no e-learning. Esta forma de comunicação, gera “(...) condições
acrescidas de reflexão, pesquisa e integração com outras formas de informação, o
que facilita a aprendizagem e a construção de conhecimento, os quais constituem os
objetivos essenciais da formação.” (RODRIGUES, 2004).

Figura 4: Comunicação assíncrona.

Entre outros aspectos positivos desta forma de comunicação, ressalta-se a


possibilidade que o aluno tem de desenvolver suas tarefas, refletindo, corrigindo,
procurando informações para poder intervir no seu próprio ritmo, escolhendo quando
e onde desenvolvê-la. De acordo com Tajra (2000) os alunos, ao desenvolver parte
das atividades individualmente ganham autonomia, favorecendo o aprendizado
individualizado. Contudo, em contrapartida, pode-se sentir uma sensação de
isolamento.

Cabe ressaltar, que a demora em retornar as postagens que vão surgindo e que
vão deixando o aluno à espera de uma resposta, pode desmotivá-lo e,
conseqüentemente, frustrar a aprendizagem.

Pode-se citar como ferramentas assíncronas do Moodle: o Fórum de Discussão, o


Diário, o Perfil, a Tarefa, Pesquisa de Opinião, Glossário, Lição, entre outros.
Contudo, optou-se por trabalhar com o Fórum, Glossário e a Tarefa.

O fórum (Figura 5) tem como objetivo envolver os participantes no debate em torno


de um tema específico. Os participantes podem responder a uma mensagem ou
iniciar um novo tópico de discussão. Todos os participantes inscritos recebem na
sua caixa de e-mail cópias de cada intervenção e o professor pode ainda optar pela
subscrição obrigatória de todos.

7
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

Figura 5: Fórum.

Permite ainda, anexar arquivos e imagens de apoio às intervenções. Para Rodrigues


(2004), os fóruns tem uma grande vantagem que ”(...) é o facto de permitirem
estruturar, organizar, preservar e manter o registro dos diálogos, discussões e trocas
de pontos de vista que neles decorrem”, podendo ser utilizados para diversas
atividades como: apresentação de participantes brainstorming; discussão orientada;
discussão livre; debates; e apresentação e avaliação de trabalhos (RODRIGUES,
2004).

Os fóruns, por funcionar com comunicação assíncrona, permitem aos alunos um


tempo para pesquisar e refletir antes que seja postada a mensagem e ainda,
possibilita aos professores uma análise mais apurada das contribuições dadas pelos
alunos (Gomes, 2009).

Em relação ao glossário (Figura 6), este permite que sejam criados dicionários de
termos relacionados com o assunto, bases de dados documentais ou de arquivos,
galerias de imagens ou mesmo links que podem ser facilmente pesquisados
(Moodle; online). Possibilita ainda, a inserção colaborativa e de comentários desde
que aprovadas pelo professor.

8
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

Figura 6: Glossário.

Já a tarefa (Figura 7), consiste na descrição de uma atividade para ser desenvolvida
pelos alunos, que podem ser: redações, criação de imagens, relatórios, etc. O
professor submete os enunciados dos trabalhos, podendo os alunos enviarem os
trabalhos, em formato digital, para o servidor. Poderá ainda ser utilizado o controle
de datas de entregas no qual é definido o intervalo de aceitação dos trabalhos. No
nosso caso foram solicitadas as entregas em dia pré-definido na aula presencial.

Figura 7: Tarefa.

Ao utilizarmos as ferramentas de comunicação disponíveis no âmbito do Moodle


para promoção do trabalho cooperativo e colaborativo, procurou-se uma estratégia
de ensino-aprendizagem a partir da qual os alunos trabalhassem na construção
conjunta do conhecimento.

Por se tratar de uma UC que teve como auxílio um AVA e suas ferramentas de
comunicação, que pressupõe interação e que envolvem a aprendizagem de adultos,
demos destaque à perspectiva construtivista de Vygotsky (2000) por afirmar que a
9
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

nova aprendizagem do sujeito interage com a estrutura constituída pelas


construções anteriores, transformando e sendo transformada pelas mesmas.

Procedimentos Metodológicos

O universo deste estudo compreendeu os 25 alunos do 1º período do Curso de


Licenciatura em Matemática da UNIVIMA modalidade presencial em São Luís-Ma.
No primeiro dia de aula da UC, foi apresentando aos alunos a proposta de utilização
do AVA como uma ferramenta de apoio ao ensino presencial, sendo recebida pela
maioria com entusiasmo.

Ao final da disciplina, com vistas a coletar dados, foi aplicado um questionário em


formato eletrônico2 composto por quinze questões, sendo catorze fechadas e uma
aberta.

Com base no referencial teórico realizou-se a análise e interpretação dos dados. A


metodologia de investigação deste trabalho seguiu uma abordagem mista,
quantitativa no sentido de qualificar estatisticamente o uso das ferramentas de
comunicação síncronas e assíncronas do Moodle. Os resultados serviram para a
construção de algumas considerações finais.

Apresentação dos resultados

Dentre os 25 alunos do 1º período do Curso de Licenciatura em Matemática na


modalidade presencial, 80% responderam o questionário.

Na análise do questionário apurou-se que, apesar dos alunos não possuírem,


inicialmente, experiência na utilização de AVA, 90% considerou MUITO BOM e 10%
BOM quanto à facilidade para aprender a utilizar as ferramentas do ambiente.
Perguntados se o ambiente era visualmente interessante, 100% dos entrevistados
aprovaram o AVA, pois acessaram de forma regular e exploraram as diferentes
                                                            
2
Disponível: http://spreadsheets.google.com/viewform?key=pjnpCHfNtmdLCPoJyerCUVQ&hl=pt_BR
10
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

áreas disponibilizadas no Moodle.

Quanto ao nível de satisfação em relação ao aprendizado adquirido, atratividade,


facilidade de uso e motivação ao utilizar a ferramenta para troca de mensagens,
80% responderam MUITO BOM, 15% BOM e apenas 5% REGULAR.

Em relação à utilização do AVA durante a unidade, em particular a interação entre


professora e alunos, 50% responderam que foi MUITO BOM e 50% BOM. De fato,
60% dos sujeitos referiram que a utilização da ferramenta Chat foi MUITO BOM, pois
promoveu bastante a interação entre professor e aluno, 36% respondeu que foi BOM
e apenas 5% assinalaram que foi REGULAR.

Já quanto ao nível de satisfação, com o apoio oferecido por parte da professora e do


instrumento utilizado para esclarecer dúvidas, 75% consideraram MUITO BOM e
25% BOM.

Quanto ao conjunto de ferramentas de comunicação, em relação às possibilidades


de interação entre os participantes, foi considerado MUITO BOM por 55% e BOM
por 45%. Isso significa dizer que o AVA facilita o relacionamento com outros
participantes.

Constatou-se que, quanto a satisfação de ter parte da disciplina desenvolvida com o


apoio de um AVA, 75% consideraram que foi MUITO BOM e 25% BOM. Visto que,
40% responderam que o grau de aprendizagem com a utilização do Ambiente Virtual
foi MUITO BOM, 50% BOM e somente 10% REGULAR.

Verificou-se também sobre o grau de satisfação, que a utilização do Ambiente Virtual


colaborou em capacitar o aluno na busca pelo seu assunto de interesse, selecionar
e localizar a melhor forma de obter sua informação, conhecer as várias formas de
acesso a documentos e mantê-lo constantemente atualizado nessas tecnologias,
70% disseram que foi MUITO BOM e 30% BOM.

Perguntados sobre os recursos disponibilizados no AVA, qual (is) deixou (aram) a


desejar, a maioria, 65% respondeu que NENHUM, 20% que foi o CHAT, 5% as
ATIVIDADES e 10% GLOSSÁRIO. Sobre a satisfação de utilizar a ferramenta

11
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

Fórum, 70% responderam que foi MUITO BOM e 30% BOM.

Em relação ao glossário, quando perguntados se achavam um espaço que


possibilitava a ampliação do conhecimento de palavras relacionadas ao assunto
abordado, constatou-se que 100% responderam SIM, apesar de 10% responderem
que era um dos recursos disponibilizado no AVA que deixou a desejar.

Na questão aberta sobre as dificuldades na utilização do AVA, alguns alunos


alegaram:

(...)a demora na hora de conectar o chat, mas em geral foi uma experiência
inesquecível em minha vida acadêmica (aluno 1)

No começo encontrei dificuldades, mas com o decorrer do processo acabei


me adaptando e fazendo bom proveito das ferramentas oferecidas pelo AVA
(aluno 2)

(...) não foram praticamente dificuldades e sim inovações (aluno 3)

Nunca tinha usado uma ambiente virtual, mas deu para participar de todas as
atividades (aluno 4)

A partir das respostas fornecidas, conclui-se que a implementação da metodologia


foi bem aceita, pois 100% dos alunos afirmaram que a utilização do AVA permitiu
o melhor conhecimento do conteúdo e que gostariam de continuar a utilizá-lo em
outras disciplinas. Nota-se que o grau de satisfação dos alunos em relação à
metodologia adotada foi proporcional a satisfação em relação ao conteúdo e a
organização do curso/disciplina.

Considerações finais

Nota-se que os métodos de ensino tradicionais já não correspondem aos anseios da


sociedade atual. Neste sentido, as TIC e a Internet permitem ao professor, no âmbito
de sala de aula, implementar estratégias diferenciadas que possibilitem a construção
12
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

do conhecimento e que os alunos sintam-se autores do processo ensino-


aprendizagem

Em relação à escolha do Moodle, ao longo da experiência, pudemos perceber


que apesar de não haver custo para a utilização da plataforma, foi necessário
que a professora o conhecesse para administrar e acompanhar os alunos no AVA.

A aceitação dos alunos em relação à introdução do AVA como estratégia do foi bem
ampla, já que 100% dos alunos aprovaram o uso da plataforma. Os pequenos
percalços, como “não conseguir acessar ao chat” e que “demorava muito para
conectar”, não pareceu ser suficiente para abalar a credibilidade no sistema e no
método.

De forma geral, os alunos utilizaram as ferramentas de forma equilibrada e fluida,


não havendo casos de dificuldades de compreensão com relação à utilização das
mesmas. A ferramenta chat, no entanto, teve uma utilização fraca, pois nem todos
puderam acessar o AVA no dia e na hora marcada, além da demora na hora de
conectar e acessar o chat.

Nas situações de postagens, o aluno sentiu-se valorizado, sobretudo quanto ao


feedback do professor e a colaboração dos colegas, pois renderam boas
discussões, dando uma dinâmica aos fóruns. Ressalta-se a importância desse
espaço em UC/cursos disponibilizados online, pois é onde a maioria das interações
acontece, mesmo sendo de forma assíncrona, a forma de comunicação mais
utilizada no ambiente.

Os resultados encontrados na pesquisa mostram a necessidade de se implantar


cursos presenciais com apoio de AVAs que garantam um canal de comunicação
eficiente, privilegiando, assim, a interação entre alunos-professores e alunos-alunos.
Essas interações, por sua vez, proporcionarão um ensino de qualidade. Os dados
obtidos nesta pesquisa, alinhados com o que diz a literatura, demonstram a
importância da interação no ambiente online. Nesse sentido, os resultados sugerem
a utilização das ferramentas de comunicação do Moodle como suporte ao processo
de ensino-aprendizagem presencial, possibilitando uma maior interação entre os
13
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

autores do processo.

Referências

ALVES, L; Brito M. O ambiente moodle como apoio ao ensino presencial. In


Actas do 12º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Educação a
Distância, 2005.

CRUZ, W. B. Experiência utilizando ferramenta síncrona no processo de


aprendizagem. 2007.

Disponível em: <http://www.colombiaaprende.edu.co/html/mediateca/1607/article-


108372.html>. Acesso em: 25/05/2010.

DELGADO, L, et al. Uso da plataforma moodle no suporte ao ensino de


graduação semi-presencial. Revista EducaOnline, v.3, p 1-19, 2009. Disponível
em: <http://www.abed.org.br/congresso2008/tc/511200870511PM.pdf>. Acesso em:
13/02/2012.

_______________, HAGUENAUEr, C. J. Uso da plataforma moodle ao apoio ao


ensino presencial: um estudo de caso. Revista EducaOnline, v.4, p. 11-26, 2010.

Disponível em:

<http://www.latec.ufrj.br/revistaeducaonline/vol4_1/2_Moodle_laura.pdf>.

Acesso em: 13/02/2012.

FONSECA, L. O uso dos chats na aprendizagem de línguas estrangeiras.


Caligrama, Belo Horizonte, 2011, v.1, n.7, p.101-121. Disponível em:
<http://www.letras.ufmg.br/caligrama/caligramav07a06.pdf>. Acesso em: 20/05/2011.

GOMES, M.J. Educação a distância. Braga: Universidade do Minho – Centro de


Investigação em Educação, 2004.

_____________J. Contextos e Práticas de Avaliação em Educação Online, In G.


Miranda (org.), Ensino online e aprendizagem multimédia. Lisboa: Relógio d´Água

14
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

Editores, p. 125-153. Book Chapter, 2009.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

MACHADO, Ana Claudia Teixeira.Comunidade de aprendizagem online: uma


experiência no âmbito de uma unidade curricular do mestrado em ciências da
educação. Revista Paidéi@, UNIMES VIRTUAL, v.2, n. 3, julho, 2010.

___________________ Bottentuit Junior J. B.; Lisboa, E. S.; Coutinho, C. P. O CD-


ROM como recurso pedagógico auxiliar de aprendizagem na plataforma
moodle: um relato de experiência, In: VI Conferência Internacional de TIC na
Educação, Braga. Actas do Challenges / Desafios 2009.

MUSSI, M. V. et al. O uso de um ambiente virtual de aprendizagem como


suporte a aulas presenciais de inglês: um estudo de caso focado na percepção
do aluno. Revista EducaOnline, v.2, p. 56-67, 2008.

RODRIGUES, Eloy. Competências dos e-formadores. In Dias, A., & Gomes, M.,
Elearning para E-formadores, TecMinho/Gabinete de Formação Contínua da
Universidade do Minho, Braga, p. 71-95, 2004.

SACRISTÁN, J. G. A educação e os meios de comunicação. Quem serve a


quem?, Mangualde: Edições Pedago Lda, 2007.

SILVA, Marco. Sala de aula interativa: a educação presencial e à distância em


sintonia com a era digital e com a cidadania. XXIV Congresso Brasileiro da
Comunicação – Campo Grande/MS, 2007. Disponível em:
<http://www.unesp.br/proex/opiniao/np8silva3.pdf>. Acesso em: 17/11/2009.

SALVADOR J. A.; Gonçalves J. P. O MOODLE como ferramenta de apoio a uma


disciplina presencial de ciências exatas. In Congresso Brasileiro de Ensino de
Engenharia, Passo Fundo - COBENGE. Anais do XXXIV COBENGE, 2006.
Disponível em: <http://www.dee.ufma.br/~fsouza/anais/arquivos/7_243_365.pdf>.
Acesso em: 14/02/2011.

SILVA, G. J. y Ramos, W. O Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) como


Potencializador da Autonomia do Estudante: Estudo de Caso na UAB-UnB. In
15
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ
 

 
Volume 6 - No 2 – Maio/Agosto de 2012

Revista Iberoamericana de Evaluación Educativa, 4(2), pp. 92-106. 2011.

Disponível em: <http://www.rinace.net/riee/numeros/vol4-num2/art5.pdf >. Acesso


em: 12/02/2012.

STILES, M. J. Effective learning and the virtual learning environment.2000.


Disponível em: <http://www.staffs.ac.uk/COSE/cose10/posnan.html>. Acesso em:
20/06/2010.

TAJRA, Sanmya Feitosa. Informática na Educação: novas ferramentas para o


professor da atualidade. 2ª ed. São Paulo: Érica, 2000.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Sobre a Autora

Claudia Machado
Doutoranda em Educação - Tecnologia Educativa
pela Universidade do MINHO (2011 - actual). Mestre
em Educação - Tecnologia Educativa pela
Universidade do MINHO (2011). Especialista em
Educação a Distância pelo SENAC (2007) e em
Supervisão Escolar pela UNIVERSO (1999).
Licenciada em Pedagogia pelo UNICEUMA (1997).
Bolsista de Investigação da Fundação para a Ciência
e .a Tecnologia com a referência SFRH / BD / 81690 /
2011– Portugal.(2012- ). actmachado@hotmail.com.

Revista EducaOnline, Volume 6, No 2, Maio/Agosto de 2012. ISSN: 1983-2664.


Este artigo foi submetido para avaliação em 16/02/2012 e aprovado para publicação em 13/04/2012.

16
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ