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XIV ENCONTRO DE HISTÓRIA DE MATO GROSSO DO SUL

“História: o que é, quanto vale, para que serve?”

PROGRAMA E RESUMOS

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XIV ENCONTRO DE HISTÓRIA DE MATO GROSSO DO SUL
História: o que é, quanto vale, para que serve?

Dourados, 8 a 10 de outubro de 2018


Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD

Realização:
Associação Nacional de História (ANPUH) – Seção Mato Grosso do Sul

Apoio:
Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD
Faculdade de Ciências Humanadas da UFGD – FCH/UFGD
Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de
Mato Grosso do Sul – FUNDECT/MS
Centro Universitário da Grande Dourados - UNIGRAN
Graduação em História da UFGD (Licenciatura e Bacharelado)
Programa de Pós-Graduação em História da UFGD – PPGH/UFGD
Laboratório de Ensino de História da UFGD – LABhis/FCH/UFGD

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FICHA TÉCNICA

Organização: Fabiano Coelho


Editoração/Diagramação: Fabiano Coelho
Arte/Capa: Diego Abelino José Máximo Moreira

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP).

F935 Caderno de resumos do XIV Encontro de História da


ANPUH/MS - "História: o que é, quanto vale, para que
serve?" -. Dourados, MS: Universidade Federal da Grande
Dourados, 2018.
104 p.
ISBN: 978-85-8147-160-0

1. Caderno de Resumos. 2. ANPUH/MS 2018. 3. História.


4. UFGD. 5. Dourados/MS.

CDD –
981.06

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central – UFGD.


©Todos os direitos reservados. Permitida a publicação integral desde que citada a fonte.

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ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA – ANPUH
SEÇÃO MATO GROSSO DO SUL

XIV ENCONTRO DE HISTÓRIA DE MATO GROSSO DO SUL


“História: o que é, quanto vale, para que serve?”
Dourados, 8 a 10 outubro 2018

PROGRAMA E RESUMOS

DOURADOS – OUTUBRO 2018

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ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA (ANPUH)
Seção Mato Grosso do Sul (biênio 2016-2018)

Diretoria:
José Carlos Ziliani – UFGD (Diretor)
Mariana Esteves de Oliveira – UFMS (Vice-diretora)
Fernando Perli – UFGD (Secretário)
Paulo Roberto Cimó Queiroz – UFGD (2º Secretário)
Fabiano Coelho – UFGD (Tesoureiro)
Eudes Fernando Leite – UFGD (2º Tesoureiro)

Conselho Consultivo:
Protasio Paulo Langer – UFGD
Losandro Antonio Tedeschi – UFGD
Fernando de Castro Além – UFGD
Carlos Martins Júnior - UFMS
Henry Marcelo Martins Silva – UFMS
Thiago Leandro Vieira Cavalcante - UFGD

Conselho Fiscal:
Suzana Arakaki – UEMS
Edvaldo Correa Sotana – UFMT
Maria Celma Borges – UFMS
Jocimar Lomba Albanez – UFMS
Luiz Carlos Bento – UFMS
Iara Quelho de Castro - UFMS

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XIV ENCONTRO DE HISTÓRIA DE MATO GROSSO DO SUL
“História: o que é, quanto vale, para que serve?”
Dourados, 8 a 10 outubro 2018

Coordenador:
Fabiano Coelho (UFGD)

Comissão Organizadora:
Fabiano Coelho – UFGD
Eudes Fernando Leite – UFGD
Fernando Perli – UFGD
Paulo Roberto Cimó Queiroz – UFGD
Mariana Esteves de Oliveira – UFMS
José Carlos Ziliani – UFGD

Secretária: Aricele Borges Antoniasi – PPGH/UFGD

Comissão Científica:
Protásio Paulo Langer – UFGD
Durval Muniz Albuquerque Júnior – UFRN
Reinaldo Lindolfo Lohn – UDESC
Losandro Antonio Tedeschi – UFGD
Fernando de Araújo Penna – UFF
Luis César Castrilon Mendes – UFGD
Fernando de Castro Além – UFGD
Henry Marcelo Martins Silva – UFMS
Carlos Martins Júnior – UFMS
Thiago Leandro Vieira Cavalcante – UFGD
Fabiano Coelho – UFGD
Eudes Fernando Leite – UFGD
José Carlos Ziliani – UFGD
Mariana Esteves de Oliveira – UFMS
Fernando Perli – UFGD
Jiani Fernando Langaro – UFG
Paulo Roberto Cimó Queiróz – UFGD
Renato Jales Silva Júnior – UFMS
Luiz Carlos Bento – UFMS
Maria Celma Borges – UFMS
Suzana Arakaki – UEMS
Celeida Maria Costa de Souza e Silva – UCDB
Vitor Wagner Neto de Oliveira – UFMS
Sônia Maria de Meneses Silva – URCA
Edvaldo Corrêa Sotana – UFMT
Joana Maria Pedro – UFSC

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SUMÁRIO

Apresentação ........................................................................................................................ 9

Programação geral ............................................................................................................. 10

Minicursos ........................................................................................................................... 11

Programa do dia 08/10/18 ................................................................................................... 14

Programa do dia 09/10/18 ................................................................................................... 15

Programa do dia 10/10/18 ................................................................................................... 16

Programação dos Simpósios Temáticos ............................................................................. 17

Programação dos Pôsteres ................................................................................................. 34

Resumos: Pôsteres e Comunicações Orais ........................................................................ 35

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APRESENTAÇÃO

A Seção Sul-Mato-Grossense da Associação Nacional de História (ANPUH/MS) tem


a satisfação de realizar o XIV Encontro de História da ANPUH/MS, com o tema “História: o
que é, quanto vale, para que serve?”, em Dourados/MS, nos dias 8, 9 e 10 de outubro de
2018, nas dependências da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).
Atenta à importância dos debates vivenciados em nossa sociedade, a ANPUH/MS
propõe para o evento uma discussão em torno da relação entre História, sua produção e sua
apropriação, não apenas pelos especialistas, mas por segmentos sociais interessados em
temas históricos. A realização do evento permite debates em torno da temática, além de
oportunizar que professores, estudantes e pesquisadores apresentem suas pesquisas e
reflexões em relação ao tema ou mesmo a problemas outros que são objeto de pesquisa no
campo histórico. O evento propicia diálogos significativos entre a História e outros campos
do saber, articulando os profissionais da Educação Básica e da Universidade.
O XIV Encontro de História da ANPUH/MS conta em sua programação com
conferências, mesas redondas, simpósios temáticos, minicursos e lançamento de livros, que
envolvem pesquisadores e professores atuantes em núcleos de pesquisas e diversas
Universidades do Brasil.
A Comissão Organizadora deseja um excelente evento a todos/as.

Comissão Organizadora do XIV Encontro de História da ANPUH/MS


Dourados/MS, primavera de 2018.

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ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA – ANPUH
SEÇÃO MATO GROSSO DO SUL

XIV ENCONTRO DE HISTÓRIA DE MATO GROSSO DO SUL


“História: o que é, quanto vale, para que serve?”

PROGRAMAÇÃO GERAL

8 de outubro 2018 – Segunda-feira


9h – 17h: Credenciamento
14h – 17h: Simpósios Temáticos
17h – 18h: Reunião de GTs
19h: Solenidade de Abertura / Atividade Cultural
20h: Conferência de Abertura: “Habitar as cinzas do tempo ou discussões sobre os modos
de ser historiador” - Prof. Dr. Durval Muniz Albuquerque Júnior (UFRN)

9 de outubro 2018 – Terça-feira


8h: Minicursos
10h: Mesa-redonda “Movimentos sociais na contemporaneidade”
Prof. Dr. Reinaldo Lindolfo Lohn (UDESC)
Prof. Dr. Vitor Wagner Neto de Oliveira (UFMS)
Debatedor: Prof. Dr. Fabiano Coelho (UFGD)

14h: Simpósios Temáticos


16h: Assembleia Geral ANPUH/MS
19h: Mesa-redonda “Ensino de História hoje”
Prof. Dr. Fernando de Araújo Penna (UFF)
Prof. Dr. Luis César Castrillon Mendes (UFGD)
Debatedora: Profa. Dra. Mariana Esteves de Oliveira (UFMS)

10 de outubro 2018 – Quarta-feira


8h: Minicursos
10h: Mesa-redonda “História pública e mídias”
Profa. Dra. Sônia Maria de Meneses Silva (URCA)
Prof. Dr. Edvaldo Corrêa Sotana (UFMT)
Debatedor: Prof. Dr. Fernando Perli (UFGD)

14h: Simpósios Temáticos


17h: Lançamento de Livros
19h: Atividade Cultural
19h30min: Conferência de Encerramento – "História e os desafios do tempo presente" -
Profa. Dra. Joana Maria Pedro (UFSC / Presidenta da ANPUH/BRASIL)

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MINICURSOS

Os Minicursos serão realizados no Bloco A, na FCH, e na FAED – UFGD/Unidade II


A responsabilidade pela escrita dos textos dos Minicursos é exclusiva dos
autores e das autoras. Os Minicursos tem a carga horária de 4h.

MINICURSO 1: História oral e memória de expressão oral: conceituações e práticas


em pesquisas
Ministrante/s: Prof. Dr. Leandro Seawright Alonso (Universidade Federal da Grande
Dourados)
Local de realização: Bloco A - Sala 202 - UFGD / Unidade II
Ementa: Introduções à história da história oral brasileira e à linha de pesquisa do Núcleo de
Estudos em História Oral - NEHO; conceituações e debates sobre memória coletiva; a
memória de expressão oral; comunidades, identidades e narrativas; introduções à
epistemologia da história oral; procedimentos em história oral: como armar um projeto?;
análises de práticas em história oral: ponto zero, comunidade de destino, colônia, redes;
gêneros narrativos; entrevistas; transcrição, textualização e transcriação: como fazer?;
análises de entrevistas; ética em história oral e devolução; apresentação experimental de
textos do ministrante em fase de "prelo" ou já publicados; partilha de experiências no campo
da história oral.

MINICURSO 2: O cinema na História, a História no cinema: interseções e fluxos


Ministrante/s: Prof. Dr. Geovano Moreira Chaves (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul)
Local de realização: FAED - Sala 3 - UFGD / Unidade II
Ementa: Os objetivos deste minicurso são os de destacar algumas relações que se
constituíram entre o cinema e a história no que se referem à problematização da noção de
fonte e também as possibilidades de ampliação da noção de cinema como objeto de
reflexão no âmbito das ciências humanas e afins. Para tanto, ressaltamos que, durante a
segunda metade do século XX, o cinema passou a ser considerado, no meio acadêmico,
como uma importante fonte para pesquisas historiográficas. Entretanto, no início do século
XXI, o próprio cinema, antes visto no interior da historiografia como disperso entretenimento
ou mera fonte de pesquisas históricas, se constituiu como um produto que, por meio de suas
multiplicidades narrativas e novos argumentos teóricos, problematizou a legitimidade da
narrativa escrita da história, criando ele mesmo narrativas históricas com bases em
rigorosas pesquisas acadêmicas, mas narrando-as por meio de filmes. Sendo assim, este
minicurso parte dos seguintes questionamentos: Terá o cinema, fonte da história, tornado a
história também sua fonte e assim tensionado a propriedade escrita da narrativa histórica? A
narração fílmica da história tem uma legitimidade acadêmica menor? Por quê? Neste
sentido, ressaltamos que o cinema não será entendido em nossa abordagem unicamente
como o específico fílmico, e sim como uma atividade mais geral que envolve vários
processos. O filme se constitui como uma parte do que definimos como cinema. Em um
segundo momento, a análise dos filmes como fontes de pesquisas historiográficas será
ampliada para o estudo do cinema de forma mais geral, relacionado às questões referentes
à modernidade, a política e a moral. Abordaremos, neste minicurso, a ideia de que o
cinema, de forma mais geral, pode ser utilizado como elemento de pesquisas
historiográficas não apenas em seu aspecto fílmico, mas além deste, em características que
envolvem, numa perspectiva interdisciplinar, o advento do cinema como arte, as relações do
cinema com o Estado, com a Igreja Católica e com a censura, o surgimento da cinefilia, do
star-system, dos cineclubes, das revistas de cinema e da crítica cinematográfica.

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MINICURSO 3: Tatuagem, Corpo e História: possibilidades teórico-metodológicas para
uma História do corpo
Ministrante/s: Prof. Ms. Fernando Lucas Garcia de Souza (Universidade Federal da Grande
Dourados)
Local de realização: FAED - Sala 5 - UFGD / Unidade II
Ementa: Reduto último da individualidade, o corpo é percebido como locus de disputas
entre o indivíduo e a sociedade, empreendidas em torno de sua posse. Nesse contexto,
transformado em instrumento político, o corpo é significado, disciplinado e submetido, assim
como é ressignificado, transgredido e torna-se espaço de resistência. Neste sentido,
propomos pensar as modificações do corpo, mais especificamente a tatuagem, como
instrumento de construção de identidades individuais e coletivas, bem como de afirmação de
uma "posse de si", especialmente se tomarmos em conta o elevado número de jovens e
mulheres que fazem uso das marcas corporais como potencial instrumento de emancipação
e afirmação sobre seu próprio corpo. Analisaremos o percurso histórico de ressignificação
da tatuagem ao longo do século XX, considerando as transformações empreendidas no
ofício dos tatuadores e dos espaços de tatuar, esboçando a relação destas transformações
com a atual heterogeneização dos corpos tatuados e da difusão da tatuagem no corpo
social. Amparados teórica e metodologicamente em uma História do Corpo que procura
considerar os processos de subjetivação e objetivação dessas marcas corporais - calcadas
em uma análise de perfomances de excorporação e incorporação de atributos éticos e
estéticos ligados à tatuagem - analisaremos as transformações historicamente
empreendidas na prática ao longo do último século.

MINICURSO 4: Feminismos latino-americanos: agendas feministas contemporâneas


Ministrante/s: Profa. Dra. Claudia Regina Nichnig (Universidade Federal da Grande
Dourados)
Local de realização: FAED - Sala 6 - UFGD / Unidade II
Ementa: O presente minicurso tem como objetivo trazer ao debate as principais agendas
feministas contemporâneas, especialmente a partir dos feminismos latino americanos,
refletindo através das discussões sobre identidades, demandas por políticas públicas
específicas e o acesso à justiça. Tem como objetivo refletir as reivindicações por direitos
específicos para mulheres negras, indígenas, lésbicas, trans, deficientes, trazendo suas
principais agendas como o acesso à saúde, ao trabalho, à educação, a justiça, entre outras.
Visa analisar como as mulheres e a população LGBTTTI buscam ser consideradas como
sujeitas/os da história e sujeitas/os de direito. A proposta é enfocar estes grupos sociais
marcados pela invisibilidade e pela negação de direitos, mas que, na contemporaneidade
atravessam profundas transformações em seu reconhecimento, seus direitos, suas lutas e
reivindicações. A proposta tem como objetivo perceber como a Justiça se transforma em
campo de luta para essas sujeitas/os. O minicurso é destinado as/os estudantes de
graduação e pós-graduação que pesquisem movimentos sociais, feministas, LGBTTTI entre
outros, e ainda discutam questões de sexualidade, gênero, justiça e migrações. Também
visa discutir o uso de processos judiciais como fontes históricas. A metodologia é
apresentação da temática de forma dialógica, com a discussão dos temas e conceitos.

MINICURSO 5: Mulheres na ditadura civil-militar brasileira (1964-1985)


Ministrante/s: Prof. Ms. Ary Albuquerque Cavalcanti Junior (Universidade Federal da
Grande Dourados); Profa. Ms. Kaoana Sopelsa (Universidade Federal da Grande Dourados)
Local de realização: Auditório 1 - FCH – UFGD / Unidade II
Ementa: Há pouco mais de 50 anos, o Brasil mergulhou em um dos períodos mais sombrios
e de acirramento político-ideológico. Em meio à torturas e outras formas de coerção, muitas
foram as pessoas que partiram para a luta política. Assim, ao longo dos anos que
sucederam a abertura política e ano de 2018, memórias e personagens passaram a
rememorar este passado emblemático. Contudo, apenas recentemente as pesquisas
passaram a trazer a mulher para o centro dos debates quanto a militância política feminina
do período. Assim, o presente minicurso busca, através de memórias do período, apresentar
em diferentes perspectivas e metodologias, mulheres que resistiram à ditadura civil-militar.

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MINICURSO 6: A formação das fronteiras do antigo Mato Grosso nos séculos XVIII e
XIX
Ministrante/s: Prof. Dr. Ney Iared Reynaldo (Universidade Federal de Mato Grosso)
Local de realização: Auditório 2 - FCH – UFGD / Unidade II
Ementa: O cenário político e econômico nas fronteiras do antigo Mato Grosso, desde sua
constituição, até os inícios da Guerra do Paraguai.

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8 DE OUTUBRO – SEGUNDA-FEIRA

CREDENCIAMENTO
9h às 17h – Auditório Central UFGD – Unidade II

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS
14h às 17h – Bloco A / FCH / FAED – UFGD/Unidade II

REUNIÃO DE GTS
17h às 18h – Bloco A – UFGD/Unidade II

SOLENIDADE DE ABERTURA / ATIVIDADE CULTURAL


19h – Auditório Central UFGD – Unidade II

CONFERÊNCIA DE ABERTURA
20h – Auditório Central UFGD – Unidade II
Habitar as cinzas do tempo ou discussões sobre os modos de ser historiador
Prof. Dr. Durval Muniz Albuquerque Júnior (UFRN)

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9 DE OUTUBRO – TERÇA-FEIRA

MINICURSOS
8h às 10 horas – Bloco A / FCH / FAED – UFGD/Unidade II

MESAS-REDONDAS

10h às 12h
MESA-REDONDA 1 – Auditório Central UFGD – Unidade II
Movimentos sociais na contemporaneidade
Prof. Dr. Reinaldo Lindolfo Lohn (UDESC)
Prof. Dr. Vitor Wagner Neto de Oliveira (UFMS)
Debatedor: Prof. Dr. Fabiano Coelho (UFGD)

19h às 22h
MESA-REDONDA 2 – Auditório Central UFGD – Unidade II
Ensino de História hoje
Prof. Dr. Fernando de Araújo Penna (UFF)
Prof. Dr. Luis César Castrillon Mendes (UFGD)
Debatedora: Profa. Dra. Mariana Esteves de Oliveira (UFMS)

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS
14h às 17h – Bloco A / FCH / FAED – UFGD/Unidade II

ASSEMBLEIA GERAL ANPUH/MS


16h às 17h30min – Auditório II - FCH – UFGD/Unidade II

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10 DE OUTUBRO – QUARTA-FEIRA

MINICURSOS
8h às 10 horas – Bloco A / FCH / FAED – UFGD/Unidade II

MESA-REDONDA

10h às 12h
MESA-REDONDA 3 – Auditório Central UFGD – Unidade II
História pública e mídias
Profa. Dra. Sônia Maria de Meneses Silva (URCA)
Prof. Dr. Edvaldo Corrêa Sotana (UFMT)
Debatedor: Prof. Dr. Fernando Perli (UFGD)

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS
14h às 17h – Bloco A / FCH / FAED – UFGD/Unidade II

LANÇAMENTO DE LIVROS
17h às 18h

ATIVIDADE CULTURAL
19h

CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO
19h30min - Auditório Central UFGD – Unidade II
História e os desafios do tempo presente
Profa. Dra. Joana Maria Pedro (UFSC / Presidenta da ANPUH/BRASIL)

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PROGRAMAÇÃO DOS SIMPÓSIOS TEMÁTICOS

Os Simpósios Temáticos serão realizados no Bloco A, na FCH, e na FAED –


UFGD/Unidade II

A responsabilidade pela escrita dos textos dos Simpósios Temáticos é exclusiva dos
autores e das autoras.

ST 1. As antiguidades e os usos do passado


Coordenadores/as: Leandro Hecko (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul); Dolores
Puga Alves de Sousa (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Resumo: Este Simpósio Temático tem o intuito de congregar estudiosos das áreas e ou
recortes temporais diversos de pesquisa com temas em História Antiga, promovendo a
socialização de suas investigações e trocas de experiências de pesquisa. Tal proposta
considera que os estudos sobre temas relacionados às Antiguidades Oriental e Greco-
romana se desenvolvem produtivamente no contexto nacional, ao mesmo tempo em que, na
Educação Básica, paradoxalmente se tente diminuir a sua presença nos currículos
escolares. Neste sentido, cabe divulgar o conhecimento científico produzido sobre as
Antiguidades em todas as perspectivas de pesquisa junto às contribuições de brasileiros.
Seguindo este caminho, este Simpósio Temático objetiva congregar trabalhos de
pesquisadores das áreas da Antiguidade Oriental, Grécia e Roma Antigas e Antiguidade
Tardia, mostrando, igualmente, a pluralidade de abordagens que passam desde o chamado
campo de Usos do Passado até temáticas de interesse cotidiano da sociedade atual.

Sessão 1 – 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 102


Grécia Antiga e Usos do Passado – sobre a arquitetura antiga e o tempo presente - Sávio
Maia Rodrigues (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Grécia Antiga e Usos do Passado: a sexualidade masculina por meio do cinema - Fábio
Tiago Dias de Assunção (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
As narrativas de viagem sobre o Egito na Antiguidade: o estudo das obras de Heródoto (V
a.C.) e Estrabão (I a.C.-I d.C.) - Nathalia Monseff Junqueira (Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul)
A recepção das Epopeias clássicas na obra "La Araucana", de Alonso de Ercilla - Leandro
Mendonça Barbosa (Universidade Católica Dom Bosco)
O Saber e o Poder das Sagas na documentação latina do Principado Júlio-Claudiano -
Carlos Eduardo da Costa Campos (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Achilles, Agony And Ecstasy: O episódio de Aquiles e Pátroclo entre Homero e Manowar -
Leandro Hecko (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Bloco A - Sala 102


A Desconstrução da Hagiografia de Maria Madalena - Suzy Helen Santos de
Paiva (Universidade Federal De Mato Grosso do Sul)
O embate entre donatismo e o catolicismo na África Romana à luz de Agostinho de Hipona -
José Walter Cracco Junior (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
A Influência nas Estruturas Arquitetônicas do Casario do Porto - Rebeca Pessoa
Carvalho (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
17
Reinvenções do antigo: análises do discurso de autoridade e legitimação religiosa da Wicca
tradicional britânica - Dolores Puga Alves de Sousa (Universidade Federal de Mato Grosso
do Sul)

Sessão 3 - 10/10/2018 (quarta-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 102


O discurso de gênero construído nas representações do fantástico no Bestiario Cristão -
Estudo de caso: O Jardim das Delicias Terrenas de Hieronymus Bosch - Renata Lima de
Souza (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
As brumas de avalon: a imagem arturiana e o feminino sagrado entre a cultura céltica e
cristã - Fabiano Araujo Vitorio (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Usos do Passado: As Heranças da Antiga Sociedade de Tiwanaku e o Governo do Primeiro
Presidente Indígena da Bolívia - Gabrieli Donda Grigolin (Universidade Federal do Mato
Grosso do Sul)

ST 2. Cidadania, justiça e direitos humanos: experiências urbanas e


interseccionalidades
Coordenadores/as: Maise Caroline Zucco (Universidade Federal da Bahia); Claudia Regina
Nichnig (Universidade Federal da Grande Dourados)
Resumo: O presente simpósio visa debater trabalhos que investiguem contextos urbanos,
de migrações e deslocamentos em território nacional, pensando as formas contemporâneas
de cidadania e suas exclusões. Ao abordar as desiguais relações de poder existentes
nestes contextos, a proposta é pensar as resistências individuais e coletivas, considerando
as intersecções de gênero, sexualidades, raça, etnia, classe e nacionalidade. Assim, serão
aceitos trabalhos que abordem o acesso ou não, individual ou coletivamente a políticas
públicas, o acesso à justiça, os direitos humanos (das mulheres), as noções de cidadania,
entre outras temáticas.

Sessão 1 - 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 108


Leitura, escrita e remição: um projeto de libertação no presídio Ana Maria Couto May, em
Cuiabá-MT - Ana Maria Marques (Universidade Federal de Mato Grosso); Thamara Luiza da
Silva e Lima (Universidade Federal de Mato Grosso)
Feminismo e políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero: a Casa da Mulher
Brasileira de Campo Grande/MS - Joice Souza Garcia (Universidade Federal da Grande
Dourados)
A política participativa dos movimentos populares de Andradina: o Orçamento Popular e a
Constituinte - Marcos Sanches da Costa Machado (Prefeitura Municipal de Dourados)
Refugiadas nas fronteiras: impressões sobre violências e inserção no mercado de trabalho -
Claudia Regina Nichnig (Universidade Federal da Grande Dourados)

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Bloco A - Sala 108


Das artes às tarefas de Clio: uma reflexão sobre o Movimento Slam em São Paulo - Mariely
Zambianco Soares Sousa (Rede Municipal de Ensino – Campo Grande)
A participação dos Cristianos por el Socialismo na defesa do governo de Salvador Allende
(1970-1973), sob a ótica de Pablo Richard - Eduardo Matheus de Souza Dianna (SEE/MG)
Ciberativismo Kaiowá e Guarani: A resistência da Aty Guasu no contexto violento de Mato
Grosso do Sul. - Lucas Luis de Faria (Universidade Federal da Grande Dourados)
18
ST 4. Educação étnico-racial e histórias do pós-abolição:
protagonismo negro na diáspora africana no centro da América do
Sul
Coordenadores/as: Manuela Areias Costa (Universidade do Estado de Mato Grosso);
Lourival dos Santos (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Resumo: No ano de 2018, em que se completam 130 anos da abolição da escravidão no
Brasil, 30 anos da chamada “Constituição Cidadã” e 15 anos da Lei 10.639, tornam-se
oportunas reflexões acerca dos significados da liberdade e da cidadania negra no Brasil e
das práticas de educação para as relações étnico-raciais. Diversos personagens negros
desenvolveram estratégias de reivindicação pelo fim da escravidão, de integração à
sociedade e de ações contra as discriminações raciais experimentadas no pós-abolição. A
crescente produção historiográfica sobre a escravidão e o pós-abolição, tem lançado novos
olhares para os protagonismos da população negra na luta por direitos e sobre o que
significa ensinar História a partir da temática da diversidade étnico-racial e cultural.
Vinculado ao GT Nacional Emancipações e Pós-Abolição, da Associação Nacional de
História (ANPUH), este simpósio temático tem o objetivo de oferecer um espaço de reflexão
e discussão sobre trajetórias de personagens negros e negras e seus protagonismos na luta
por direitos, considerando as relações que esses estudos estabelecem com os campos das
relações étnico-raciais e ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Visa-se
congregar trabalhos que versem sobre: trajetórias individuais e coletivas de personagens
negros, direitos de cidadania dos libertos, relações raciais e lutas contra o racismo,
memórias da escravidão, quilombos, identidades negras, festas e música negra,
movimentos e trocas culturais, saberes e práticas no ensino de História que visem combater
o racismo e a discriminação étnica, entre outros temas afins.

Sessão 3 - 10/10/2018 (quarta-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 109


Quilombo de Abolição: identidade e resistência - Cléia Batista da Silva Melo (Universidade
Federal de Mato Grosso)
Memória e Patrimônio Cultural de Comunidades Quilombolas de Mato Grosso - Manuela
Areias Costa (Universidade do Estado de Mato Grosso)
A Igreja Católica e a resistência negra no brasil colonial: algumas considerações - João
Paulo Pereira dos Santos (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Violência e Escravidão em Vila Maria Do Paraguai (Segunda Metade Do Século XIX) -
Tatiane Alves da Silva (Escola Estadual Padre José de Anchieta)
Clara Nunes uma Cantora Performática: uma análise das identidades e identificações afro-
religiosas a partir do audiovisual - Monique Francielle Castilho Vargas (Universidade Federal
da Grande Dourados)
Os africanos livres e as relações de trabalho da Sociedade de Mineração de Mato Grosso -
Zilda Alves de Moura (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
A escravidão negra na paroquia de Santa Rita do Paranaíba na segunda metade do século
XIX - Jose Luiz de Castro (Pontifícia Universidade Católica de Goiás)

ST 5. Ensinar História na contemporaneidade: propostas teóricas,


apostas metodológicas e desafios políticos para uma disciplina na
berlinda
Coordenadores/as: Luís César Castrillon Mendes (Universidade Federal da Grande
Dourados); Renilson Rosa Ribeiro (Universidade Federal de Mato Grosso)

19
Resumo: A História ensinada passa por um momento delicado. A sua desvinculação da vida
prática e cotidiana de professores e alunos vem corroborar tal constatação. Torna-se
necessário refletirmos sobre qual o valor da História na contemporaneidade e a sua
aplicabilidade para uma intervenção positiva na sociedade. Urge a necessidade de reflexão
acerca de conceitos, tais como: currículos, livros didáticos, disciplina, memórias e
identidades conflituosas, guerra de narrativas e morte da política. Demandas do tempo
presente que encontram ressonância em séculos passados. Certamente os sentidos podem
ter sofrido algumas alterações, pois todos esses conceitos são representados e construídos
temporal e espacialmente, por determinados grupos que obtiveram relativa hegemonia. A
história ensinada, apesar de pouca visibilidade curricular nos dias atuais, continua sendo
importante, a exemplo de outras disciplinas afins, pois pode contribuir decisivamente para a
formação crítica do ser humano, bem como desenvolver uma consciência plena de
cidadania e trabalhar valores tão deturpados ou esquecidos nos dias atuais, principalmente
no cenário político mundial. Esta proposta busca analisar algumas complexidades e
necessidades inerentes ao processo de ensino e aprendizagem em História, evidenciando
aspectos acerca da formação inicial e da ação docente, em meio às demandas sociais,
políticas e culturais encontradas pelos acadêmicos dos cursos de História no mercado de
trabalho.

Sessão 1 - 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 109


A história e ensino nas universidades do Centro-Oeste (2009-2016) - Dennis Rodrigo
Damasceno Fernandes (Universidade Estadual de Londrina)
O Ensino de História no Ensino Fundamental sob a perspectiva da Base Nacional Comum
Curricular – Expectativas, Continuidades e Rupturas - Claudete Soares de Andrade Santos
(Secretaria de Estado de Educação)
Versões da História de Mato Grosso do Sul e a História Ensinada: o livro didático e o
regional em perspectiva - Jackson James Debona (Escola Municipal Laudemira Coutinho de
Melo)
O ensino e a pesquisa em História podem prescindir da categoria gênero para análise
social? - Marlene de Fáveri (Universidade do Estado de Santa Catarina)

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Bloco A - Sala 109


A Lei 10.639 e suas Implicações na Sociedade: permanências e rupturas da luta dos negros
e negras da América portuguesa ao tempo presente - Leonardo Silva Aguirre (Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul)
Ensino de História, Cinema e História Oral - Givaldo Mauro de Matos (Centro Universitário
da Grande Dourados - Unigran)
A presença indígena na História (didática) do Brasil de João Ribeiro: tramas e embaraços da
civilização na narrativa republicana da nação - Luís César Castrillon Mendes (Universidade
Federal da Grande Dourados); Renilson Rosa Ribeiro (Universidade Federal de Mato
Grosso)

ST 6. Ensino de História e formação de professores: práticas,


vivências e desafios para o século XXI
Coordenadores/as: Adriana Aparecida Pinto (Universidade Federal da Grande Dourados);
Larissa Klosowski de Paula (Universidade Federal da Grande Dourados)
Resumo: O presente simpósio tem por objetivo, a propósito do tema central que direciona
as discussões gerais do evento, apresentar possibilidades de discutir uma das faces de
formação do/a profissional do campo da História – a de professor/a de história. Para tanto,
20
busca congregar pesquisadores interessados/as em compartilhar vivências e possibilidades
relacionadas às práticas do ensino de história em níveis e modalidades de ensino distintos
(ensino fundamental, médio superior, cursos presenciais, à distância, educação de jovens e
adultos, educação especial, dentre outros), projetos de pesquisa, ensino e extensão, ao lado
de programas direcionados à instrumentalização do ensino, a exemplo do Pibid, ampliando
o conhecimento sobre esses saberes e fazeres do cotidiano docente, bem como
promovendo estudos acerca do ensino de história e suas perspectivas para o século XXI.
Dada a atual conjuntura sociopolítica, que se reflete sobremaneira no cenário educacional,
vimos observando constantes ataques aos projetos voltados à formação de professores,
operados pelo desmonte das políticas públicas que antes as colocavam em certa condição
de preocupação social. A implantação da Base Comum Curricular Nacional (2018),
expansão da oferta do ensino à distância, em nível médio e em larga escala, em nível
superior, a precarização do trabalho docente, dada pelas diretrizes do Programa Residência
Pedagógica (2018) conclamam os pesquisadores em formação e experientes a organizar e
fomentar discussões acerca dessa temática, as quais são de suma importância e que
dialogam com premissas constitutivas da educação histórica e seus meandros para o
desenvolvimento de consciências históricas não autoritárias, voltadas à formação dos
sujeitos. A proposta assenta-se, no campo teórico, nos estudos recentes que vem sendo
desenvolvidos por grupos consolidados no campo teórico-metodológico, com destaque para
o grupo de pesquisa Oficinas de História (UERJ/RJ) e o Grupo de Trabalho Ensino de
História e História da Educação (GTEH), da Anpuh, cuja sessão regional em Mato Grosso
do Sul participamos ao lado de outros pesquisadores de Universidades sediadas no Estado.
Por fim, amplia-se, em boa medida, no diálogo com a história e historiografia da educação
brasileira, concepções de história dos documentos norteadores da educação, formação de
consciência histórica, materiais didáticos e paradidáticos para o ensino de história, entre
outros eixos, colaboram para enriquecer o diálogo que alinha práticas do passado,
possibilidades do presente e expectativas para o futuro do ensino de história.

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Auditório 1 - FCH


História da formação docente em Três Lagoas, Sul de Mato Grosso (1952-1975) - Hellen
Caroline Valdez Monteiro (Escola Municipal Professora Adair de Oliveira), Margarita Victoria
Rodríguez (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
As quatro estações da formação docente - Rubens Magrini de Souza (Universidade Federal
da Grande Dourados)
Relações entre Docência e Trabalho: o recurso das subjetividades e o não-lugar social dos
professores - Mariana Esteves de Oliveira (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Quem são os povos muçulmanos? – experiências durante estágio supervisionado em
história - Sthefany de Souza Ribeiro Falco (Universidade Federal da Grande Dourados)
O Ensino de História nos anos finais do ensino fundamental através da metodologia de
Projetos de Ensino, experiências cotidianas na E. M. Neil Fioravanti – CAIC, no município de
Dourados –MS - Irene Quaresma Azevedo Viana (Secretaria Municipal de
Educação/Dourados-MS)
Materiais Didáticos e Formação da Consciência Histórica: uma análise através da
perspectiva rüseniana - Larissa Klosowski de Paula (Universidade Federal da Grande
Dourados)

ST 7. História da imprensa e a imprensa na História


Coordenadores/as: Fábio da Silva Sousa (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Resumo: Indubitavelmente, as investigações da imprensa (impressas ou virtuais) já ocupam
um lugar importante nas pesquisas históricas. Considerada anteriormente como uma fonte
secundária, atualmente, os meios de comunicações elevaram o seu status e a sua
21
importância no fazer histórico. Dito isto, o presente Simpósio Temático objetiva discutir e
analisar os meandros da História da Imprensa e da Imprensa na História. Serão discutidos
investigações (iniciação científica, mestrado e doutorado) que tenham a imprensa como
objeto de estudos. Abarcaremos pesquisas com periódicos impressos, fontes on-line e
outros veículos informativos e propagandísticos que estejam fixados em diversas
plataformas. Finalmente, a partir das discussões a serem realizadas, pretende-se criar um
espaço de diálogo para pesquisadores (iniciais e/ou experientes) que elegeram na imprensa
ou nos meios de comunicação, o palco de construção das suas narrativas históricas.

Sessão 1 - 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 103


As mulheres nas páginas semanais: um estudo da seção Aqui, Roo no jornal A Tribuna,
Rondonópolis, MT (1980-1981) - Ana Gonçalves Sousa (Universidade Federal da Grande
Dourados)
Imprensa, Intelectuais e História em Mato Grosso: Rede de Sociabilidades e Circulação de
Ideias (1880-1920) - Adriana Aparecida Pinto (Universidade Federal da Grande Dourados)
Literatura e os métodos da história, uma breve reflexão - Cristiane de Almeida Santos
(Universidade Federal da Grande Dourados)
Mujeres en “tareas de machos”: o feminino no mundo do trabalho nas páginas dos
periódicos paraguaios - Miriam Cristina Franco Mateu (Universidade Estadual de Mato
Grosso do Sul)
Artífices da memória: a centralidade paternalista nos registros de um complexo
agroindustrial - Ailton Ribeiro Nascimento (Universidade Federal da Grande Dourados)

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Bloco A - Sala 103


Revista UFO - reflexões históricas - Kevin Franco dos Santos (Universidade Federal da
Grande Dourados)
Revista Claudia e Carmen da Silva: mudanças e permanências nas décadas de 1960 e
1970 - Luana Fink de Vargas (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul)
Levantamento de fontes para a história da educação: a imprensa periódica pedagógica no
Sul de Mato Grosso em questão - Bianca de Souza Oliveira (Universidade Federal da
Grande Dourados)
Fontes periódicas: A movimentação de crianças no contexto da guerra da Tríplice Aliança
contra o Paraguai (1860-1870) - Michel Gomes do Carmo (Universidade Federal da Grande
Dourados)
“Comunistas ou Cristãs?”: as Testemunhas de Jeová e a luta pela liberdade religiosa -
Bruna Hanime Brito Soares (Universidade Federal da Grande Dourados)

Sessão 3 - 10/10/2018 (quarta-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 103


El Libertador: o universo político e as estratégias impressas antiimperialistas (1929-1935) -
Sabrina Rodrigues (Escola Estadual Lúcia Martins Coelho)
Representações do movimento gay na América Latina, nas páginas do Lampião da Esquina
(1978-1981) - Geiselly Marçal da Silva Leão (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Quando mundos colidem: as mulheres no período das Guerras de Independência (Século
XIX), nas páginas do periódico comunista El Machete - Hyara Oliveira de Souza Vescovi
(UFMS)
O anticomunismo no sul de Mato Grosso: a ADEMAT nas páginas do jornal O
Matogrossense - Thaís Fleck Olegário (UFRGS)
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Vozes Dissonantes? A presença feminina nas páginas de ¡Luz!, um periódico anarquista na
Revolução Mexicana - Fábio da Silva Sousa (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)

ST 8. História das mulheres, luta política e resistências


Coordenadores/as: Ana Maria Colling (Universidade Federal da Grande Dourados); Ary
Albuquerque Cavalcanti Junior (Universidade Federal da Grande Dourados)
Resumo: Nas últimas décadas, a história das mulheres passaram a ter uma crescente nas
abordagens possíveis dentro dos diversos campos das chamadas ciências humanas e afins.
Dessa forma, muitos espaços de discussão foram sendo criados com o intuito de abrir
possibilidades e reflexões acerca dos diversos temas que foram surgindo. Assim, o presente
simpósio receberá trabalhos e propostas de pesquisa voltados à luta política e resistência
feminina ao longo da história. A narrativa histórica das mulheres é uma história de
transgressões e resistências, tendo o corpo como alvo do poder, algo possível de ser
observado ao longo das sociedades que se constituíram e sua formatação cultural. Do
movimento feminista à Marcha das Vadias a palavra de ordem continua sendo a crítica ao
machismo e ao patriarcado. As práticas de resistência feminista foram marcadas pela luta
contra os regimes ditatoriais em diversos espaços territoriais como a Argentina, o Chile e o
regime Nazista. No caso brasileiro, o enfrentamento à ditadura militar de 1964 até o recente
assassinato da vereadora carioca Marielle Franco são marcas, entre tantas outras, da luta
política das mulheres. Logo, este ST receberá propostas que visem discutir a participação
feminina na resistência política, cultural, social etc ao longo das últimas décadas.

Sessão 1 - 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 105


Mãos femininas: Memória e história de mulheres pescadoras do Pantanal Sul Mato
Grossense - Silvana Aparecida da Silva Zanchett (Universidade Federal da Grande
Dourados)
Tia Eva: Uma Trajetória de resistência e fé - Myleide Meneses Oliveira Machado
(Universidade Federal da Grande Dourados)
Escravidão, escravizadas e família escrava: mulher negra na formação da família escrava -
Kathiusy Gomes da Silva (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Mulher "de bem": uma análise histórica sobre a mulher integralista - Luana Dias dos Santos
(Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Kuñague Aty Guasu: a Grande Assembleia das Mulheres Guarani e Kaiowá - Priscila de
Santana Anzoategui (NUPIIR/Defensoria Pública do Estado de MS)
“Sou brasileira, mas nasci no Paraguai”: vida de mulheres filhas de migrantes brasiguaios/as
- Elisandra Tomascheski (Secretaria de Estado de Educação - SED/MS)
Kuñangue Aty Guasu entre Rituais: a resistência das mulheres Kiowá e Guarani no MS -
Marlene Ricardi de Souza (Universidade Federal da Grande Dourados)

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Bloco A - Sala 105


Sentimentos de mulheres em situação de violência/tortura no Paraná nas décadas de 1960
e 1970: (re)significando a dor e o medo - Altair Bonini (Universidade Federal de Santa
Catarina), Paloma Erotildes de Lima Meneghetti de Paula (Faculdade Santa Maria da Glória)
As mulheres do Mulherio: Imprensa, Feminismo e Política (1981-1982) - Renata Cavazzana
da Silva (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)

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Chiquinha Gonzaga e o piano: formas de existir e reexistir na sociedade patriarcal carioca
do século XIX - Mona Mares Lopes da Costa Bento (Universidade Federal da Grande
Dourados)
As mulheres Sul-matogrossenses e a Ditadura brasileira:problemáticas e perspectivas de
uma pesquisa - Leticia dos Santos de Jesus (Universidade Federal da Grande Dourados)
“Guerrilheira não tem nome”: As Dinas e a Guerrilha do Araguaia - Ary Albuquerque
Cavalcanti Junior (Universidade Federal da Grande Dourados)

Sessão 3 - 10/10/2018 (quarta-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 105


Representações do papel feminino na seção “A Família” segundo O Jornal Batista (1930-
1945) - Marcela Prenda Teixeira (Universidade Federal da Grande Dourados)
Construções Sociais: A Representação da mulher na música sertaneja nas décadas de
(1950-1980) - Carina Bonny (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
A resistência de escrita lispectoriana nas colunas femininas brasileiras, de meados do
século XX - Kaoana Sopelsa (Universidade Federal da Grande Dourados)
O ativismo político de Evita Perón e a história das mulheres: campos de disputa - Ivana
Aparecida da Cunha Marques (Universidade Estadual de Maringá)
Corpo Feminino, Personalidade Jurídica e domínio masculino no Novo Código Civil - Edna
Aparecida Ferreira Benedicto (Universidade Federal da Grande Dourados)
A microhistória e o movimento de mulheres de Andradina: uma abordagem possível -
Elenisia Maria de Oliveira (Universidade Federal da Grande Dourados)

ST 9. História e historiografia acerca da Guerra do Paraguai


Coordenadores/as: Ney Iared Reynaldo (Universidade Federal de Mato Grosso)
Resumo: Tendo como preocupação, a necessidade de constituir uma “Rede de diálogos”
que possibilite um intercâmbio local, regional, nacional e internacional acerca da Guerra do
Paraguai, este simpósio, visa também, reunir pesquisadores e jovens pesquisadores de
diferentes instituições e áreas de saber que desenvolvem ou que já produziram os mais
variados estudos e pesquisas relativas a Tríplice Aliança militar, sobretudo, com ênfase aos
debates à História e a Historiografia contemporânea.

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Auditório 2 - FCH


Abordagens e possibilidades do fato e da ficção na Guerra do Paraguai na obra Chão do
Apa de Brígido Ibanhes - Rosana de Oliveira Prado dos Santos (Universidade Federal da
Grande Dourados)
Guerra do Paraguai, um conflito anunciado (1852-1864) - Ney Iared Reynaldo (Universidade
Federal de Mato Grosso)
A Nova Tática da Burguesia para tomar o poder na América do Sul - o Impeachment de
Fernando Lugo - Fabiano Henrique Santiago Castilho Teno (Universidade Federal da
Grande Dourados)
Flotilha de Canoas Artilhadas nas raias de Mato Grosso (1756-1763) - Saulo Alvaro de Mello
(FUNLEC/Bonito)
A dinâmica do território do Mato Grosso do Sul, a economia e a cultura da erva-mate: o pós-
guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai - Rubens Silvestrini (Universidade de São
Paulo)

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ST 10. História e imagens: relações entre o visível e o dizível na
construção transdisciplinar do saber
Coordenadores/as: Geovano Moreira Chaves (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul)
Resumo: As análises das gêneses e dos itinerários das significações das imagens têm
reconstruído as relações que se estabelecem entre as práticas artísticas, suas formas de
visibilidade e os tipos de pensamento que as fazem inteligíveis. O fazer, o ver e o pensar a
respeito das imagens, têm interrogado as cargas de sentido que se movimentam no âmbito
do conhecimento das ciências humanas e sociais. Entender como as imagens são
produzidas, a partir de quem e por que, assim como suas circulações no meio social, podem
proporcionar novas formas de pensamentos e compreensões teóricas pautadas à relação da
imagem com a palavra e com o mundo inteligível, recorrente ao mundo do sensível dos que
criam, que autorizam, que distribuem, que constroem sentidos as narrativas imagéticas.
Neste sentido, este seminário temático pretende reunir trabalhos que abordem as iterações
entre a construção do conhecimento histórico, sociológico, geográfico, político, filosófico e
artístico com as imagens e sua relação com o tempo e espaço, sejam elas oriundas das
artes, da publicidade, do cinema, da televisão, da fotografia, da literatura, das charges, dos
quadrinhos, do corpo, dos ícones, dos mapas, etc..., enfim, destacando seus momentos de
produção e difusão, capazes de estabelecerem relações entre o visível e o dizível no âmbito
do conhecimento discursivo. Desta maneira, esperamos que este seminário temático
proporcione, por meio de abordagens variadas sobre os usos das imagens no âmbito da
construção do conhecimento das ciências humanas e afins, diálogos e trocas de ideias, no
intuito do enriquecimento das possibilidades de se lidar com as imagens como fontes de
pesquisas.

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Bloco A - Sala 111


Traços de personalismo nas propagandas oficiais dos governos de Mato Grosso do Sul -
Wagner Cordeiro Chagas (Secretaria de Estado de Educação de MS)
Reorganização na divisão das disciplinas do professor pedagogo na Rede Municipal de
Ensino do Município de Naviraí-MS - Glauce Angélica Mazlom (Instituto Federal de Mato
Grosso do Sul)
Os Super Heróis e o Ensino de História - Aparecida de Fatima Assis do Nascimento (Colégio
Nota 10 - Maracaju)
O mito das amazonas na América do século XVI: uma análise da relação entre imaginário e
imagem - Adriano Rodrigues de Oliveira (Universidade Estadual Paulista)

Sessão 3 - 10/10/2018 (quarta-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 111


Geografia e cinema: projetos interdisciplinares (estudo de caso) - Midiane Scarabeli Alves
Coelho da Silva (Universidade Federal da Grande Dourados)
Moderno e modernidade: teoria comparada ao filme “Back to the Future” - Hugo Alves
Gonçalves (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Literatura e História: A imagem da urbe interiorana - Josélia Barros Reis Moreira (SME-GO);
Joselma Barros Reis (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul)
A Transdiciplinaridade pela Arte: Paixão, Imaginação e Pensamento - Paula Renata
Cameschi de Souza (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul)
A moral conservadora como partilha do sensível de comunidades estéticas cinéfilas -
Geovano Moreira Chaves (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul)

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ST 11. História econômico-social da América Platina: diálogos
interdisciplinares entre História, Economia e Relações
Internacionais
Coordenadores/as: Paulo Marcos Esselin (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul);
Vinicius Rajão da Fonseca (Universidade Estadual do Oeste do Paraná)
Resumo: A última década tem sido marcada pelo crescimento de pesquisas e eventos
sobre a região platina. Novas perspectivas e abordagens sobre temas considerados
históricos ampliaram o interesse e reascenderam as discussões sobre esse espaço. Dessa
forma, o simpósio temático “História econômico-social da América Platina: diálogos
interdisciplinares entre História, Economia e Relações Internacionais” tem como objetivo
atrair para o debate, pesquisas concluídas ou em andamento que versam sobre os
seguintes eixos: Estado, Política e Desenvolvimento Econômico, Pecuária, Erva Mate,
Colonização e História Agrária, Conflitos Militares, Povos Indígenas, Fronteiras, e História
das Relações Internacionais. Compreendemos que a interdisciplinaridade pode criar uma
atmosfera de interlocução e o estabelecimento de colaboração entre diferentes áreas das
Ciências Humanas e Sociais, promovendo uma troca de conhecimento e saberes entre
profissionais/pesquisadores com formações diversas, que agregam o campo da História
Econômico-Social, enriquecendo a produção intelectual da América Platina.

Sessão 1 - 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 111


Velhas casas, velhos objetos: a vida material nos campos de Miranda-século XIX - Elaine
Aparecida Cancian de Almeida (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Educação e interculturalidade na América Latina: uma perspectiva crítica e interdisciplinar -
Maria Neusa G. Gomes Souza (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Mato grosso e a definição da fronteira: da colonização a Guerra da Tríplice Aliança contra o
Paraguai - Paulo Marcos Esselin (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
A Guerra do Paraguai: consequências do pós-guerra para o sul do antigo Mato Grosso -
Isabel Camilo de Camargo (Universidade Federal de Mato Grosso)
O Chamamé enquanto Patrimônio Cultural do Mato Grosso do Sul - Douglas Alves da Silva
(Fundação de Cultura de MS / Rede Pública de Ensino)
Os trabalhadores das fronteiras entre Selva Trágica e El Trueno entre las Hojas - Laércio
Cardoso de Jesus (Universidade Federal da Grande Dourados)
Propostas de colonização em Mato Grosso: o núcleo colonial de Terenos - Vinicius Rajão da
Fonseca (Universidade Estadual do Oeste do Paraná)

ST 12. História indígena e do indigenismo: ações e representações


no ensino/pesquisa/extensão
Coordenadores/as: Éder da Silva Novak (Universidade Federal da Grande Dourados);
Protasio Paulo Langer (Universidade Federal da Grande Dourados)
Resumo: O Simpósio acolhe trabalhos em andamento e/ou concluídos que tematizam
ações e representações de grupos indígenas e de instituições indigenistas, concernentes às
relações interétnicas, às lutas pelos territórios, ao patrimônio simbólico/cultural, ao ensino
escolar (em escolas indígenas e não indígenas) e às transformações socioculturais
inerentes ao processo histórico. A temática indígena tem sido amplamente discutida por
diferentes áreas do conhecimento, nos últimos 40 anos, na perspectiva de evidenciar o
protagonismo indígena no período pós-contato, o que tem contribuído para reformular ideias
e pensamentos sobre os conhecimentos e presença da grande diversidade étnica, cultural e
linguística desses povos, bem como para desconstruir estereótipos e preconceitos que

26
perduram após 500 anos de contato. Este espaço multidisciplinar contempla a discussão de
pesquisas que investiguem problemáticas dos povos indígenas em suas diferentes
abordagens no campo das Ciências Humanas, da Educação e das Políticas Públicas, tais
como a obrigatoriedade do ensino de história e cultura dos povos indígenas no Brasil,
concernentes à Lei 11.645/2008, e as políticas para implementação da educação escolar
indígena na Educação Básica e Superior, conforme estabelecidas na Constituição Federal
de 1988 e demais pesquisas que analisem discussões acerca dos direitos indígenas e das
políticas públicas para esses povos.

Sessão 1 - 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 106


Abordagens metodológicas possíveis para a escrita da(s) História(s) Indígena(s): micro-
história, história oral e etnografia - Roseline Mezacasa (Universidade Federal de Santa
Catarina)
Resistência e protagonismo indígena: discussões históricas e antropológicas - Bruna Letícia
da Silva Massuia (Universidade Federal da Grande Dourados)
O direito à terra indígena e suas principais implicações históricas, jurídicas e sociais - Junia
Fior Santos (Escola Municipal Clarice Bastos Rosa)
Povos originários Cayapó entre o Sul e o Norte de Mato Grosso: análise por meio do
caminho das monções entre os séculos XVIII e XIX - Andressa Luiza Montanha de Araújo
(Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
A Trajetória do povo Ofaié: Territorialidade e Reconhecimento de Direitos Territoriais -
Simoni Santos Siqueira (Universidade Federal da Grande Dourados)

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Bloco A - Sala 106


Os Ofayé e o Serviço de Proteção aos Índios - Julia Falgeti Luna (Universidade Federal da
Grande Dourados)
Reserva de Caarapó: as tentativas passadas e atuais de retekoharizar o espaço - Elemir
Soare Martins (Universidade Federal da Grande Dourados)
Formação do Imaginário Civilizador Terena - Renato Felix Lanza (Universidade Federal da
Grande Dourados)
A escolarização indígena na Reserva de Dourados: considerações a partir das relações
entre o Estado brasileiro e a Missão Evangélica Caiuá (1940-1975) - José Augusto Santos
Moraes (Universidade Federal da Grande Dourados)
Direito à identidade cultural dos povos indígenas no Brasil - Joselaine Dias de Lima (Centro
Educacional Infantil Professora Solíria)
A primeira década da Lei 11.645/2008: a aproximação entre universidade e escola e o
ensino de História e Cultura Indígena - Éder da Silva Novak (Universidade Federal da
Grande Dourados); Fernanda Dalmazo Garcia (UFGD)

Sessão 3 - 10/10/2018 (quarta-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 106


Fazer história com narrativas de mulheres indígenas: potencialidades e protagonismo -
Paula Faustino Sampaio (Universidade Federal da Grande Dourados)
As crianças kaiowá e as especificidades de uma parentela - Joziane de Azevedo Cruz
(Universidade Federal da Grande Dourados)
O audiovisual autoral como ferramenta de atualização das representações dos indígenas no
imaginário contemporâneo: índios de MS se apropriam das novas tecnologias para desfazer

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um imaginário historicamente eivado de estereótipos e preconceitos - Miguel Angelo Corrêa
(Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Livro didático como subsídio na Língua Guarani: uma ferramenta de resistência e luta dos
povos indígenas - Rosângela Farias da Silva (Universidade Federal da Grande
Dourados/UFGD/FAED)
O ensino da temática indígena nas escolas da rede pública de Ponta Porã - Elizabeth Vieira
Macena (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul)

ST 13. História, ensino e gênero


Coordenadores/as: Jaqueline Aparecida Martins Zarbato (Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul); Maristela Carneiro (Universidade Federal de Mato Grosso)
Resumo: Este simpósio visa congregar pesquisa, relatos de experiências, estudos sobre a
história, o ensino e o gênero. Almeja-se a constituição de um espaço de debate aberto às
mulheres, às memórias femininas, às relações de gênero e às práticas de ensino que
envolvem as temáticas e se inter-relacionam na produção do conhecimento. Propor o
aprofundamento sobre as questões de gênero e suas dimensões históricas e educativas
contribui para a construção de uma perspectiva crítica, permitindo ampliar as reflexões, bem
como combater os preconceitos e discriminações ligadas ao gênero, instituindo ‘olhares’
sobre a prática cultural, composta e marcada pela diversidade e diferença na sociedade.
Nos últimos cem anos muitos avanços tiveram lugar em relação às conquistas de direitos
civis e sociais para as mulheres. Por isso, nesse simpósio temático apresentam-se as mais
diversas manifestações feministas que ocorreram desde o final do século XIX até os dias
atuais.

Sessão 1 - 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 108


Ensino de história e Educação Científica no Estágio de Regência - Luciano Alonso Justino
(Universidade Federal de Mato Grosso do Sul); Vivina Dias Sól Queiróz (Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul)
Saberes culturais femininos no Centro-Oeste: fontes para oficinas no ensino de História -
Lislley Raquel Damazio (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Museus, mulheres e história do tempo presente - Jaqueline Aparecida Martins Zarbato
(Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Maternidade e Profissão Militar - Cristiane Carvalho Silva Cardoso (Universidade Federal de
Mato Grosso do Sul)
Homofobia no contexto do futebol moderno - Marcos Vinicius Aranda Espíndola
(Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Bloco A - Sala 108


Brasileiras Célebres e a educação das mulheres cariocas do século XIX - Gabriella
Assumpção da Silva Santos Lopes (Universidade Federal da Grande Dourados)
Narrativas de alunos e alunas indígenas no contexto escolar do município de Querência -
MT - Adrieli Müller Sehnem (Universidade Federal de Mato Grosso)
Cultura e alimentação: a mandioca como um bem cultural manuseado por mulheres - Vania
de Sousa Almeida (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul)
Quem tem medo de discutir gênero? Uma abordagem histórica e legislativa sobre os
desafios de se promover a igualdade na educação - Janai Harin Lopes (Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul)
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A desvalorização dos diferentes tipos DELAS - Bruna Dutra de Araujo (Universidade
Estadual de Mato Grosso do Sul)
A diferença invisível: um estudo sobre quadrinhos, autismo e mulheres - Bruna Alves Lopes
(Universidade Estadual de Ponta Grossa); Janaina de Paula do Espírito Santo (Universidade
Estadual de Ponta Grossa)

ST 15. Historiografia brasileira em debate: escrita, teoria e cultura


histórica
Coordenadores/as: Luiz Carlos Bento (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul);
Aruanã Antonio dos Passos (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)
Resumo: Esse simpósio temático tem por objetivo reunir pesquisadores em diversos níveis
de desenvolvimento de pesquisas e também de instituições que queiram discutir e debater
aspectos da produção do conhecimento em História. Ao entender a teoria da história e a
historiografia como fator existencial da produção do conhecimento em História, visualiza-se
contribuir para o pensamento, a tradição e o campo da história que lida com diversos
problemas e abordagens relacionados às Ciências Humanas: sua natureza, pressupostos,
formas de constituição, posicionamentos no espaço público, transferências e circulações de
ideias, dentre outras. Ampliar as possibilidades de investigação e trocas intelectuais
pensando em um modelo autônomo de produção da história e escrita da história que
possibilite a (re) construção das identidades enquanto modelos e escolhas de um tempo e
espaço, que permeiam aproximações ou o seu contrário, entre a historiografia brasileira e a
historiografia de outras nacionalidades. Logo, pretende-se reunir comunicadores que
trabalham com a identificação da memória histórica enquanto um produto de sentido e
orientação temporal dos sujeitos. Visando refletir sobre o conceito de cultura histórica na sua
tripla dimensão: cognitiva, política e estética. Dessa forma, ao refletirmos sobre os estatutos
atribuídos ao saber histórico, buscamos reunir pesquisadores preocupados em identificar as
continuidades e rupturas no processo de pensar a escrita da história no Brasil. Comportando
discussões que abordem elementos constituidores deste debate como: identidade nacional
e regional, multiplicidades étnico-raciais, limites e aproximações epistemológicas no
processo de constituição das ciências humanas no Brasil bem como os múltiplos sentidos
atribuídos a pesquisa e a escrita da história. Além disso, os desafios éticos inerentes à
escrita e a teoria da história que se fazem imperativas no presente: a identidade, a memória,
as relações de poder, o ensino do conhecimento histórico e suas intervenções no espaço
público.

Sessão 1 - 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Sala 3 - FAED


Problemática biográfica e trajetória intelectual: a historiografia brasileira do Brasil Império no
interior do regime republicano (1889-1989) - Aruanã Antonio dos Passos (Universidade
Tecnológica Federal do Paraná)
As diferenças sociais na Primeira República representadas na obra Recordações do
Escrivão Isaías Caminha de Lima Barreto - Gislaine Martins Leite (Universidade Federal da
Grande Dourados)
Sílvio Romero e a Problemática do Brasil Mestiço - Alexandre Bartilotti Machado
(Universidade do Estado da Bahia); Tatiana Sousa Lyra (Universidade do Estado da Bahia)
Os mecanismos de Ocupação de Terra nos Impérios Português e Brasileiro: o Caminho até
a Lei de Terras de 1850 - Marcos Almeida Santos Júnior (Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul)
Ensaísmo e escrita da história: cultura histórica e escrita da história nas primeiras décadas
republicanas - Luiz Carlos Bento (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)

29
Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Sala 3 - FAED
A Corporeidade na História da Educação Física: anotações acerca de uma pesquisa -
Manuel Pacheco Neto (Universidade Federal da Grande Dourados)
Quase da família: Memórias de trabalhadoras domésticas nas relações entre trabalho,
gênero e raça - Anderson Vicente dos Santos (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
A História Pública Digital e o seu potencial colaborativo: estudo das histórias dos municípios
paranaenses narradas nos seus sites oficiais - Jorge Pagliarini Junior (Universidade
Estadual do Paraná)
A cultura e a ditadura militar brasileira: algumas reflexões a respeito do meio cultural no
período - Luan Gabriel Silveira Venturini (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)

ST 16. Memória e linguagens, migrações e cidades


Coordenadores/as: Jiani Fernando Langaro (Universidade Federal de Goiás)
Resumo: O Simpósio Temático propõe reunir pesquisadores que desenvolvem estudos de
memórias, cidades e migrações – entendidas de maneira ampliada, como deslocamentos
humanos (em geral) no tempo histórico –, estudados a partir de múltiplas fontes de
pesquisa, compreendidas aqui como linguagens. Tais temas se tornaram centrais na história
contemporânea, tendo o século XX se revelado um tempo repleto de deslocamentos
(forçados ou não) e de urbanização de populações pelo globo terrestre. O Brasil e os países
da América Latina – em especial aqueles que lhe são limítrofes – foram palco de fortes
movimentos migratórios, da segunda metade do século XX em diante. Nesse mesmo
período, assistimos ao avanço de um imenso processo de urbanização, do qual emergiram
múltiplos formatos de cidades, desde as pequenas urbes do interior, que servem de suporte
a um entorno agrícola, até as grandes megalópoles industriais. Também surgiram diversas
culturas urbanas, prenhes de rupturas e de continuidades com o passado rural e repletas de
formas diferentes de compreensão, uso e apropriação do espaço urbano, resultando em
cidades-arenas de disputas de distintos grupos sociais. No interior do grande leque de
possibilidades de pesquisa que os temas-objetos deste simpósio temático geram, preocupa-
nos reunir pesquisadores que se interessem por entender – em uma perspectiva histórica –
como as populações envolvidas em tais processos os vivenciam, compreendem, recordam e
narram. Nessa perspectiva, a história oral se apresenta como uma das metodologias de
estudo, por proporcionar o diálogo entre pesquisadores e narradores, permitindo um contato
mais direito com as lembranças e recordações dos sujeitos deslocados. Suas falas,
impregnadas de “subjetividade” (PORTELLI, 1997), relevam as maneiras como essas
pessoas experimentaram as migrações e a vida urbana, bem como os significados que o
passado adquire em suas vidas presentes, nas relações que constituem com as múltiplas
memórias que povoam a vida social. Também acolheremos os trabalhos que tratem de
outras fontes, dada a sua grande importância, pois como afirma Déa Fenelon: “E ainda mais
importante, é valorizar a memória, que não está apenas nas lembranças das pessoas, mas
tanto quanto no resultado e nas marcas que a história deixou ao longo do tempo em seus
monumentos, ruas e avenidas ou nos seus espaços de convivência...” (2000-7). As
contribuições das múltiplas linguagens para a construção de memórias e para o estudo dos
deslocamentos humanos e da vida urbana são imensuráveis, sendo necessário o avanço da
pesquisa histórica no trato com fontes como fotografias, música, literatura, livros de relatos
de viagem, imprensa, ou mesmo nas novas formas de ler a documentação oficial, dentre
outras tantas possibilidades que pretendemos fomentar.

Sessão 1 - 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Sala 5 - FAED


A cidade e o patrimônio: olhares sobre a Feira Livre de Dourados (1948-2016) - Camila de
Brito Quadros Lara (Universidade Federal da Grande Dourados)

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Memórias Itaporanenses: o uso do facebook como espaço de memórias da cidade de
Itaporã - Paulo Rodolfo Bork Zanata (Universidade Federal da Grande Dourados)
Patrimônio cultural em Dourados: disputas identitárias - Márcia Bortoli Uliana (Universidade
Federal da Grande Dourados)
Representação do passado: a construção da Narrativa Histórica pela música Choro (1970-
1990) - Wilton Jonh dos Santos Silva (Universidade Federal Goiás)

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Sala 5 - FAED


A memória imagética pelo periódico O Barrageiro e o acesso a memória do Senhor Heleno
de Souza pela História Oral - Aricelle Borges Antoniasi (Universidade Federal da Grande
Dourados)
"Minha casa é o que cobre minha cabeça": o caso da Vila Cachoeirinha e o desligamento de
viveres em benefício da casa própria - Kelly Cristina Silva Vieira (Universidade Federal da
Grande Dourados)
Migração, Identidade Cultural e História Oral - Eliene Dias de Oliveira (Universidade Federal
de Mato Grosso do Sul)
Práticas do Estado paranaense presentes nas narrativas da história da colonização da
região de Campo Mourão (1900-1960) - Astor Weber (Universidade Estadual do Paraná)
Trabalhadoras migrantes, movimentos sociais de bairros e lutas por direitos em Toledo-PR
(Décadas de 1980 e 1990) - Jiani Fernando Langaro (Universidade Federal de Goiás)

ST 17. Mídias, representações e movimentos sociais


Coordenadores/as: Fernando Perli (Universidade Federal da Grande Dourados); Fabiano
Coelho (Universidade Federal da Grande Dourados)
Resumo: A proposta deste Simpósio Temático é agregar pesquisas que tratam de mídias,
representações e movimentos sociais em suas interseções e peculiaridades. Tais temáticas
ganharam destaque nas últimas décadas a partir de abordagens que conciliaram a História
Social e a História Cultural. Isto sugere debater pesquisas que tratam da história, dos usos e
funções sociais de meios de comunicação, das apropriações e estratégias de grupos, da
produção e difusão de representações que visam legitimar projetos de sociedade. Inclui-se
no debate trabalhos sobre indústria cultural, mídias alternativas e tradicionais,
representações sociais e políticas, materiais didáticos e de divulgação de leituras do
passado e a relação entre mídia e movimentos sociais, considerando tensões, articulações e
disputas entre atores históricos num constante diálogo com a memória social. Em meio às
incertezas que povoam o terreno da História no início do século XXI, as múltiplas relações
entre mídias, representações e movimentos sociais possibilitam aos historiadores o trato
com fontes que ampliam abordagens. Além de instrumentos de divulgação que configuraram
uma cultura de consumo, os meios de comunicação tornaram-se importantes mecanismos
do jogo político em sociedades contemporâneas. Diversos movimentos sociais, partidos
políticos, sindicatos, sistemas educacionais, instituições e entidades civis, ao apropriarem e
desenvolverem mídias como estratégias de alcance social, fortaleceram suas organizações
e forjaram representações sobre outros grupos. Enquanto fontes e objetos, as mídias
permitiram aos historiadores tratarem de apropriações, produções, difusões de
representações e de leituras do passado evidenciando interesses de diversos grupos pela
divulgação de projetos políticos, pela visibilidade na História e pela participação nas
relações de forças que constroem a memória social. O Simpósio Temático se justifica pela
importância de pesquisas que tratam da relação entre história e mídia, da história da e
através da imprensa, de materiais didáticos que potencializam o ensino de História, das
mídias alternativas, de representações de mundo, de estratégias e políticas de comunicação

31
de movimentos sociais, de contrapontos entre as mídias tradicionais e os meios de
comunicação militantes.

Sessão 1 - 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 107


A imprensa recifense e o cangaceiro Antonio Silvino: posicionamentos políticos em conflito -
Erasmo Peixoto de Lacerda (Universidade Federal da Grande Dourados)
As temporalidades da notícia e seus suportes técnicos na cultura de convergência - José
Milton Rocha (Universidade Federal da Grande Dourados)
Perfis e representações de escravos cuiabanos: casos selecionados (1859-1865) - Santierre
Luis Krewer Sott (Universidade Federal da Grande Dourados)
Constituição de subjetividades jovens no discurso midiático sobre a reforma do ensino
médio dos anos 1990 - Rosemeire de Lourdes Monteiro Ziliani (Universidade Federal da
Grande Dourados), Wesley Fernando de Andrade Hilário (Universidade Federal da Grande
Dourados)

Sessão 2 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Bloco A - Sala 107


Charges e Ensino de História: entre traços e contextos - Bruno Alves do Nascimento
(Universidade Federal da Grande Dourados)
Conceito de movimento social em livros didáticos de História - Guilherme Nogueira
Magalhães Muzulon (Universidade Federal da Grande Dourados)
Representações sobre o Golpe de 2016 no Brasil por meio das charges de Carlos Latuff -
Kleire Anny Pires de Souza (Universidade Federal da Grande Dourados)
Produção de Charges para o Jornal Sem Terra a partir dos Olhares dos
Profissionais/Ilustradores - Fabiano Coelho (Universidade Federal da Grande Dourados)

Sessão 3 - 10/10/2018 (quarta-feira, 14h às 17h) – Bloco A - Sala 107


O Carreteiro: transportando informações e representações (1970-1988) - Danilo Leite
Moreira (Universidade Federal da Grande Dourados)
“Entre tapas e Beijos”: Ajustes e tensões entre a tradicional e a moderna música rural
brasileira - Alessandro Henrique Cavichia Dias (Universidade Federal de Uberlândia)
O rock brasileiro e a indústria cultural: "um novo começo de era" na década de 1980 -
Fernando de Castro Além (Universidade Federal da Grande Dourados)
A divulgação histórica nas capas da Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN) -
Ariane Melgarejo Arena (Universidade Federal da Grande Dourados)
“Todo es Historia”: uma revista de vanguarda na divulgação histórica - Fernando Perli
(Universidade Federal da Grande Dourados)
Jornal dos Sports: imagens das mulheres no universo cultural das práticas esportivas -
Kelen Katia Prates Silva (Universidade Federal da Grande Dourados)

ST 18. O antigo Mato Grosso: transformações socioeconômicas,


políticas e ambientais (séculos XVIII-XX)
Coordenadores/as: Paulo Roberto Cimó Queiroz (Universidade Federal da Grande
Dourados); Jocimar Lomba Albanez (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul)

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Resumo: Serão aceitos neste Simpósio trabalhos dedicados ao estudo das transformações
verificadas no espaço correspondente aos atuais estados de Mato Grosso e Mato Grosso do
Sul, desde o século XVIII até o XX, envolvendo temas como: 1) vias e meios de transporte e
comunicação; 2) atividades e estruturas produtivas e respectivas relações de trabalho e
fluxos comerciais; 3) movimentos migratórios, correntes de povoamento, políticas de terra e
processos de colonização; 4) relações entre grupos humanos e o meio ambiente, em seus
aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais. Serão também aceitos trabalhos que,
tendo em conta o fato de se tratar aqui de uma área fronteiriça, busquem estudá-la como
local de encontro de alteridades e palco de relações tanto pacíficas como conflituosas –
enfocando, por exemplo, iniciativas locais, projetos estatais, conflitos políticos ou bélicos e
suas peculiaridades e implicações regionais, nacionais e transfronteiriças.

Sessão 1 - 8/10/2018 (segunda-feira, 14h às 17h) – Sala 6 - FAED


Os recrutados na capitania de São Paulo: jovens homens em defesa das possessões
portuguesas - Everson da Silva Bataioli (Universidade Federal da Grande Dourados)
Levando o Brasil até a Bolívia e trazendo a Bolívia até aqui: A Comissão Mixta Ferroviária
na fronteira oeste do Brasil (1937-1958) - Daiane Lima dos Santos (Universidade Federal da
Grande Dourados)
Pobres livres, escravos e povos originários: entre o sul e o norte de Mato Grosso (séculos
XVIII e XIX): anotações de pesquisa - Maria Celma Borges (Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul)
A ação educacional dos salesianos em Mato Grosso do Sul - Alana de Oliveira Barbosa
(Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul)
Rivalidades e conflitos: a participação política dos juízes de fora na capitania do Mato
Grosso (1762-1797) - Gustavo Balbueno de Almeida (Universidade Federal da Grande
Dourados)
Fronteiras, comércio e vinculação ferroviária: Mato Grosso e o Oriente boliviano - Paulo
Roberto Cimó Queiroz (Universidade Federal da Grande Dourados)

Sessão 02 - 9/10/2018 (terça-feira, 14h às 16h) – Sala 6 - FAED


SOMECO S/A e Movimentos Sociais: estratégias políticas e representações (1978-1998) -
Rogério Ribeiro Antonio (Universidade Federal da Grande Dourados)
Aventura e desdobramentos do ciclo madeireiro na região “cone sul” de Mato Grosso/do Sul
(1970-90) - Jocimar Lomba Albanez (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul)
Colonização na Política De Vargas – Estudo De Caso: O Território Federal De Ponta Porã
(1943-1946) - Lúcia de Moura Santos (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Reflexões sobre a fundação da Associação Comercial de Dourados - ACD (década de 1940)
- Poliana Ferreira Vilela Mendes (Universidade Federal da Grande Dourados)
A modernização conservadora da agricultura: apogeu e crise do Complexo Eldorado S.A. no
município de Sidrolândia/MS - Cláudia Delboni (Universidade Estadual de Mato Grosso do
Sul)

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PROGRAMAÇÃO DE APRESENTAÇÃO DE PÔSTER

Todos os pôsteres serão apresentados/expostos no Bloco A – UFGD/Unidade II

Apresentação/Exposição – Dias 9 e 10/10 (terça e quarta-feira, das 14h às 17h)

A divulgação histórica nas capas da revista História Viva - Yara Gabriela Queiroz Vilhagra
(Universidade Federal da Grande Dourados)
A iconografia da colonização Batayporãense: um desafio de pesquisa - Paula Garcia Dobes
(Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
A Participação Feminina no Mercado de Trabalho em Mato Grosso do Sul: uma análise a
partir dos setores mais representativos - Eliakyn Dayan de Ibanhes (Universidade Federal
da Grande Dourados)
Angela Davis e o feminismo negro no Brasil - Letícia Ribeiro Pereira (Universidade Federal
de Mato Grosso do Sul)
Canudos e Contestado uma visão imagética: século XIX ao XXI - Karoline de Faria Alves
(Universidade Federal da Grande Dourados)
Ensino de história e educação patrimonial: Mapeando os lugares de memória em Campo
Grande/MS a partir do museu José Antônio Pereira - Jéssica Lima de Freitas (Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul)
Entre o divino e o humano: festas do Divino Espírito Santo em Coxim-MS - Edna Maria
Tissato (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Frida: amor, beleza e Revolução no cinema - Édipo da Cruz Pereira (Universidade Federal
do Mato Grosso do Sul)
Fronteira protegida? O Sistema de Monitoramento de Fronteira/SISFRON - Ângela Pessôa
Gomes Corrêa (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
História e Patrimônio cultural material: construindo concepções educativas e didáticas
na/para a formação de professoras - Vitória Martins Pereira (Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul)
Literatura, História & Sexualidade: uma análise das interdições e suas rupturas na obra "Em
Nome do Desejo", de João Silvério Trevisan (1983) - Taynara Martins de Moraes (UFMS)
O Lugar da Mulher no jornal Lampião Da Esquina - Cristhiany Alves Nogueira (Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul)
Os operários da Noroeste do Brasil em Três Lagoas: ascensão social pautada na
escolaridade e raça (1930-1940) - Nubia Sotini dos Santos (Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul)
PIBID UFMS - História em perspectivas: uma experiência em Três Lagoas - MS - Isabela
Rodrigues Regagnan (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Tecnocracia, Marxismo e Arte: Perspectiva Sócio-Históricas Frente à Produção do Livro
Didático no Brasil - Diego de Oliveira Mareco da Silva (Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul)
“Bom dia para os defuntos”, Manuel Scorza, da Literatura à História - Fernanda Siqueira
Ortiz Fernando (Universidade Federal da Grande Dourados)

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RESUMOS

A responsabilidade pela escrita dos resumos é exclusiva dos autores e das


autoras.

AGUIRRE, Leonardo Silva. A Lei 10.639 e suas implicações na sociedade: permanências e


rupturas da luta dos negros e negras da América portuguesa ao tempo presente. Este
trabalho busca, por meio de referenciais teóricos que discutem a história social da
escravidão e da liberdade, assim como as Leis, compreender alguns aspectos da sociedade
brasileira escravista evidenciando o negro como agente de sua própria história, por meio do
estudo da América portuguesa e ainda do tempo presente, ao mesmo tempo em que aponto
para as permanências de um racismo social intrínseco às heranças do processo de
colonização do Brasil. O texto também discute a Frente Negra Brasileira (FNB) e o
surgimento do Movimento Negro Unificado (MNU) no século XX. Posteriormente dissertarei
como o governo de nosso país se posicionou quanto às medidas de ensino que foram
instituídas para o ensino de História da África no Brasil após o decreto da Lei 10.639/2003
em que se tornou obrigatório o ensino desse conteúdo. Também complementarei a
discussão apresentando algumas iniciativas, como o uso de pinturas do período colonial,
problematizando o papel do negro na sociedade, que apontam em seu texto para que esse
ensino alcance não apenas a escola pública, mas também as privadas. Com isso, objetivarei
mostrar o negro como agente de sua própria história, e ao discutir essas lutas buscarei
apresentar a Lei 10.639, entendida como resultante de vários movimentos, especialmente,
do Movimento Negro, para que essa consciência social do ser histórico negro seja
conhecida e respeitada pela população brasileira como um todo.

ALBANEZ, Jocimar Lomba. Aventura e desdobramentos do ciclo madeireiro na região “cone


sul” de Mato Grosso/do Sul (1970-90). Com a presente comunicação pretendo refletir sobre
o ciclo madeireiro na região “cone sul” de Mato Grosso/do Sul (última fronteira de Mata
Atlântica, a oeste), a meu ver circunscrito às décadas de 1970 e 1980. A tomar pelo
indicador de empresas constituídas no período proposto – foram 747 aberturas com o ramo
de atividade “serraria, com ou sem desdobramento de madeira” –, o ápice estaria mais
precisamente restrito ao recorte de 1973-1982, passando a declinar logo após, com a
gradual extinção de espécies arbóreas nativas. Pretendo considerar as relações imbricadas
entre o desmatamento promovido para estabelecimento da agropecuária (pecuária, mais
detidamente) e a presença intensa das empresas madeireiras, em meio à modernização
conservadora promovida pelo regime ditatorial militar inaugurado em 1964. Com oferta de
créditos facilitados, o objetivo do Estado brasileiro no período fora o de estimular a grande
propriedade rural a metabolizar-se em empresas agrícolas, com consequente abandonando
do anterior debate sobre a reforma agrária. Por seu turno, os madeireiros, comumente
conhecidos como aventureiros, pelo pragmatismo ou ausência de escrúpulos, passaram a
atuar em parceria com os fazendeiros, estabelecendo contratos de compra do mato fechado
ou por metros cúbicos. Verifica-se para o setor madeireiro um perfil empresarial de pequeno
e médio porte, em grande maioria empresas familiares, assim como é possível apurar entre
os sócios-proprietários majoritariamente migrantes dos estados do Sul do país e do estado
de São Paulo – ambos fluxos migratórios com passagem antes pelo estado do Paraná –,
sendo de reduzido número os empresários nativos dos municípios abrangidos pelo estudo.
Ato contínuo, passo a refletir um pouco mais sobre situações envolvendo desmatamento,
parcerias entre a pecuária e madeireiras, relações de trabalho nas serrarias, mercados
consumidores, deslocamentos regionais permeando a fronteira com a República do
Paraguai para extração da madeira. Por fim, após o esgotamento do ciclo no cone sul,
medito sobre o avançar das madeireiras sobre a Floresta Amazônica, procurando
estabelecer ligações entre o modus operandi das serrarias sul-mato-grossenses com a
sequência da atividade na região Amazônica, especialmente no norte de Mato Grosso,
indagando sobre o que há de continuidade e no que se distinguem os dois momentos. Estou

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convencido que a aventura madeireira no cone sul funcionou como uma prévia para o
dramático problema do avanço dos desmatamentos sobre a Amazônica Legal que hoje tanto
aflige as populações tradicionais, ambientalistas, intelectuais e comunidade internacional.

ALÉM, Fernando de Castro. O rock brasileiro e a indústria cultural: "um novo começo de era"
na década de 1980. A década de 1980 foi marcada pela apropriação do rock produzido no
Brasil pela indústria cultural. Tratou-se de um movimento iniciado com a racionalização da
indústria fonográfica, após um momento de crise na venda de discos no início da década,
que possibilitou a difusão de uma indústria de consumo infanto-juvenil no país. Este boom
foi responsável pelo sucesso de jovens artistas roqueiros, inicialmente no Rio de Janeiro, e
depois por todo o país. Tornou-se comum a presença destes artistas em programas de
grande audiência na televisão, como Chacrinha, Bolinha, as telenovelas da Rede Globo,
além das rádios. O Rock In Rio, em 1985, marcou a entrada do país no circuito internacional
de megaconcertos de rock, bem como a consolidação deste processo de audiência do rock
nacional junto ao grande público, com a apresentação de artistas e grupos brasileiros no
evento. Tratou-se também de um momento de abertura política, com o ocaso da ditadura
militar no período, em que os discursos contidos nas letras, bem como as atitudes
consideradas rebeldes dos roqueiros brasileiros, estavam concatenados a um ethos
marcado pela necessidade em colocar para fora o que estava preso na garganta desde o
período ditatorial. Foi também neste período que se deu o surgimento da BIZZ, revista
especializada em música pop e rock. Criada pela Editora Abril, devido à intuição de Carlos
Arruda, diretor de marketing da editora, ao sentir a necessidade de uma publicação de
música voltada para um público jovem e adolescente, a apropriação do rock nacional pela
mídia garantiu o sucesso da revista nos primeiros anos de sua veiculação. A BIZZ foi agente
ativo na consolidação da difusão do estilo musical no país, ao criticar, elogiar e intervir na
produção roqueira brasileira.

ALMEIDA, Elaine Aparecida Cancian de. Velhas casas, velhos objetos: a vida material nos
campos de Miranda-século XIX. A partir da segunda metade do Oitocentos, famílias
oriundas de São Paulo, Minas Gerais e de Cuiabá, espalharam-se pelo antigo território de
Miranda, situado na província de Mato Grosso. As terras locais dotadas de água em
abundância, barreiros, pastagens nativas viçosas e, ainda, quantidade significativa de gado
selvático, apresentaram-se como chamariz aos migrantes. Assim, impulsionados pela
possibilidade de organizarem propriedades rurais a partir do apossamento livre das terras
consideradas devolutas, intensificaram a fundação e consequente formação de extensas
propriedades rurais. Nestas fazendas, implantaram a criação de gado vacum e cavalar e
para a subsistência, o alambique, os fornos de cobre, o engenho de moer cana e as roças
de algodão, café, cana-de-açúcar, feijão, mandioca e milho. Foram também plantadas
árvores frutíferas, geralmente próximas das habitações rurais e mantidas dentro de
cercados, protegidas dos animais. Currais, ranchos e casas duráveis foram elevados nos
campos. Para execução das atividades específicas do universo rural, os fazendeiros
serviram-se dos trabalhadores escravizados e livres. Portanto, neste texto propõe-se tratar
sobre a ruralidade de Miranda, especificamente, a respeito da vida material. Com base na
análise de documentos específicos, objetiva-se mostrar os tipos de moradias que existiram
nas propriedades da região em questão, assim como a mobília e os objetos usados no
cotidiano.

ALMEIDA, Gustavo Balbueno de. Rivalidades e conflitos: a participação política dos juízes
de fora na capitania do Mato Grosso (1762-1797). Os juízes de fora, na historiografia que
trata do período do Antigo Regime, são vistos a partir de dois vieses interpretativos. Parte
dos autores entende que, ao inserir o direito régio nas localidades, ele serviria para
desarticular costumes locais e contribuiria para a centralização régia. Outra parcela de
estudiosos entendem que, devido à distância das localidades para com o reino, a presença
desse oficial acarretaria em um fortalecimento das elites locais em detrimento ao poder
régio, devido à alianças formadas entre esses dois segmentos sociais. Em diálogo com esse
debate, o trabalho em questão visa entender a participação política dos juízes de fora

36
atuantes na Vila do Cuiabá na segunda metade do século XVIII e sua relação com as elites
desse local.

ALMEIDA, Vania de Sousa. Cultura e alimentação: a mandioca como um bem cultural


manuseado por mulheres. Este trabalho apresenta uma análise histórica sobre a Mandioca
e seu aproveitamento tanto no consumo dos grupos sociais, quanto de seus produtos
diretamente beneficiados. Assim, investigamos como a mandioca se configura, como parte
da cultura brasileira, a qual é encontrada em várias regiões do Brasil. Além disso,
verificaremos como as mulheres no Mato Grosso do Sul, utilizam esse alimento, seja como
um meio de sobrevivência ou como comércio. Verifica-se que elencar as possibilidades de
se abordar os diferentes contextos da mandioca, na cultura, na tradição regional e suas
formas de consumo e como este alimento trás seus valores de união e convivência com as
tradições através de diferentes apresentações e formas de beneficiamentos, proporcionando
também uma garantia de sobrevivência as famílias brasileiras. A partir de observações, de
análises de receitas, de entrevistas, busca-se compreender as diferentes formas de
aceitação, consumo e que possamos entender os porquês de sua história cultural e sua
influência na culinária regional em diferentes regiões do Brasil e no Mato Grosso do Sul,
analisando as receitas regionais e as variedades. Buscando compreender como esse
alimento é aproveitado pelas mulheres que são formadoras do processo de identidades
regionais e de subsistência que a mandioca influencia.

ALVES, Karoline de Faria. Canudos e Contestado uma visão imagética: século XIX ao XXI.
A história da humanidade foi e ainda é marcada pela presença da imagem como um dos
principais mecanismos de comunicação entre os homens, que a utilizaram na forma dos
mais variados suportes e técnicas [...] (Ricardo Crisafulli Rodrigues, 2007, p.68). Ricardo em
seu texto “Análise e tematização da imagem fotográfica”, aborda questões como a
comunicação através das imagens, e como sendo a imagem uma representação visual,
como coloca o próprio autor, o homem a molda conforme suas necessidades e preferências.
Neste projeto levando em consideração tais análises juntamente com análises feitas a partir
de “Testemunha Ocular” de Peter Burke, buscaremos fazer um comparativo de imagens
publicadas à época dos acontecimentos de Contestado (1912-1916) e de Canudos (1896-
1897), com imagens atuais (século XXI), como das charges publicadas na internet ou em
provas de vestibular. A ideia principal do projeto é explicitar a diferença entre a visão dos
acontecimentos no período em que se passam, e o olhar “moderno” sobre esses mesmos
conflitos. A exemplo de Canudos, ocorrido no início do período republicano, tem-se a grande
questão do conflito entre Estado e a crescente comunidade de Canudos sob a liderança de
Antônio Conselheiro. Neste período em questão os meios de comunicação como a
imprensa, eram dirigidos pela elite estadista, logo a visão sobre os acontecimentos tinha um
olhar elitizado, onde a comunidade era colocada como a grande inimiga da recém
estabelecida república. Sendo as imagens representações do homem para determinado
acontecimento, conforme mudam as visões humanas sobre o mundo mudam também as
formas como este é representado.

ANDRADE, Claudete Soares de. O Ensino de História no Ensino Fundamental sob a


perspectiva da Base Nacional Comum Curricular – Expectativas, Continuidades e Rupturas.
Em dezembro de 2017 foi homologada a Base Nacional Comum Curricular para o ensino
fundamental. Trata-se de um documento normativo para regularização e pretensa
uniformização de objetos de conhecimento e direitos de aprendizagem para os estudantes
brasileiros. Em 2018, na fase de implementação, os Estados trabalham na construção de
seus currículos que, por orientação do MEC, devem conter suas especificidades, estando,
porém, em consonância com a BNCC. A presente comunicação propõe uma discussão
sobre as possíveis abordagens de temas relevantes para a História de Mato Grosso do Sul,
a partir da elaboração e implementação do novo currículo. Propõe-se, ainda, uma análise
acerca das perspectivas metodológicas e conceituais, bem como, as condições de
instrumentalização. Poderá, também, ser debatido as possibilidades e expectativas de um
novo currículo que possa colaborar para o fortalecimento de um ensino de história que se

37
pretenda crítico e atuante frente as demandas ideológicas e políticas configuradas na
atualidade.

ANTONIASI, Aricelle Borges. A memória imagética pelo periódico O Barrageiro e o acesso a


memória do Senhor Heleno de Souza pela História Oral. Tenciona-se neste trabalho, fruto
do segundo capítulo da dissertação em fase de produção, como articular o uso do periódico
o Barrageiro escolhido entre o período de 1965 a 1974 e as confluências pela memória de
um “barrageiro” colaborador da entrevista realizada entre o mês de março deste ano.
Pretende-se uma análise dialógica partindo da memória para os arquivos visitados em Três
Lagoas-MS e Ilha Solteira-SP. A partir deste embate tentar-se-á chegar aos conflitos dentro
do período escolhido para a pesquisa que se dá pelos anos de 1967-1991, momento
quando Ilha Solteira é de fato emancipada do município de Pereira Barreto-SP. Este é um
trabalho de memória, tempo vivo, documentos como atas, periódico O Barrageiro, seguirão
não como segundo plano, mas sim, estarão em diálogo com as memórias ouvidas por mim
no sentido de compreender um passado recente, haja vista tencionarmos o processo de
urbanização e segregação que se deram de forma simultânea.

ANTONIO, Rogério Ribeiro. SOMECO S/A e Movimentos Sociais: estratégias políticas e


representações (1978-1998). Entre as décadas de 1950 e 1980 a Sociedade de
Melhoramentos e Colonização (SOMECO S/A) adquiriu e colonizou terras na região do rio
Ivinhema, elaborando planos de colonização para cada uma das onze glebas loteadas. A
pesquisa para nossa dissertação de mestrado, intitulada Um plano privado de colonização
dirigida: a SOMECO S/A em terras do Ivinhema (1961-1974) defendida em 26 de agosto de
2015, permitiu compreender os trabalhos da SOMECO S/A em duas etapas. Devido a farta
e variada documentação disponibilizada pela empresa, optou-se por pesquisar apenas a
primeira etapa (1961-1974) dando ênfase no projeto da empresa para as terras sob o seu
domínio. Caracterizou-se, então, a primeira etapa pela oferta de lotes que variavam de cinco
a cem hectares destinados a exploração agrícola com base no trabalho familiar, na
assistência agrícola, educacional e médico-hospitalar, na construção de uma infraestrutura
que incluía estradas, portos, ferrovias e a edificação de núcleos urbanos. Para a empresa,
tais medidas visavam facilitar a aquisição e a fixação do pequeno produtor. A colonização
que se seguiu, ou seja, a segunda etapa (1978-1986), ficou marcada pela oferta de lotes
maiores, alguns ultrapassando os 400 hectares, e a sugestão da exploração agropecuária
com a utilização de máquinas agrícolas. Analisando o contexto histórico, percebe-se que as
questões fundiárias estavam presentes no debate político nacional. Acirrada por
movimentos sociais, principalmente o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST),
diversas ocupações ocorreram em nível nacional. No Estado de Mato Grosso do Sul, o MST
também se organizou e em 1984 e 1986 ocorreram ocupações na Gleba Santa Idalina,
propriedade da SOMECO S/A. Diante deste cenário, a empresa retomou seus trabalhos e
colonizou duas glebas, Guiraí em 1984 e, Maraú em 1986. Ao mesmo tempo se viu em
embates jurídicos, ora pela manutenção, ora pela reintegração de posse das terras
ocupadas.

ANZOATEGUI, Priscila de Santana. Kuñague Aty Guasu: A Grande Assembleia das


Mulheres Guarani e Kaiowá. A Kunãngue Aty Guasu marca a entrada das mulheres Guarani
e Kaiowá em espaços públicos, apesar de que na organização social dessa etnia, o espaço
doméstico é tão político quanto o espaço público, buscando esses parâmetros na nossa
visão ocidental. Dessa forma, os indígenas desde o final da década de 70 vem se
mobilizando em suas assembleias internas, no caso dos Guarani e Kaiowá, os debates e
rituais de reza, a fim de questionar a estrutura política e colonialista dos karaí (não-
indígenas), tem a sua gênese nas Grandes Assembleias, nomeadas de Aty Guasu. Já as
mulheres Guarani e Kaiowá começaram a se organizar em 2006, a primeira Kuñangue Aty
Guasu ocorreu em Ñanderu Marangatu, território sagrado perto do município de Antônio
João, no cone sul de Mato Grosso do Sul. As discussões dessa Assembleia específica das
mulheres indígenas são voltadas principalmente para a problemática da demarcação de
terras tradicionais, porém, outras demandas são analisadas, como saúde, educação,
segurança e sustentabilidade. Além das pautas voltadas às questões de gênero, como a
38
violência doméstica e adoção de crianças indígenas por famílias não-indígenas, temática
que vem ganhando visibilidade internacional. A Grande Assembleia das Mulheres Guarani e
Kaiowá pode ser analisada dentro da vertente do feminismo comunitário, de Julieta Paredes,
já que atualmente a ideia do(s) feminismo(s) vem sido pluralizada, através das intersecções
de raça, etnia, classe e geração. A luta das mulheres Guarani e Kaiowá se revela uma
resistência constante ao genocídio iminente que esse povo enfrenta no seu cotidiano, essas
mulheres, dentro ou fora dos seus espaços políticos, enfrentam o agronegócio, nas suas
várias vertentes, a nova face do capitalismo/neoliberalismo e patriarcado.

ARAÚJO, Andressa Luiza Montanha de. Povos originários Cayapó entre o Sul e o Norte de
Mato Grosso: análise por meio do caminho das monções entre os séculos XVIII e XIX. Este
resumo visa discutir a vida rural dos povos originários Cayapó entre o século XVIII e
primeiras décadas do XIX, enfocando sua cultura, seus costumes e meios de vida, por entre
os caminhos que ligavam o sul e o norte de Mato Grosso, especialmente no percurso das
monções. É interessante observar que no Mato Grosso as viagens monçoeiras se
estenderam até as duas primeiras décadas do século XIX. Desde 1622, em conformidade
com Holanda (1990), numerosos grupos armados de São Paulo, Parnaíba, Sorocaba e Itu
partiram, na busca pelo ouro, para terras que hoje pertencem ao Mato Grosso, a partir dos
bandeirantes. Décadas depois, já no início do século XVIII, se iniciam viagens por caminhos
fluviais, conhecidas como monções. É por meio da análise de fontes advindas de relatórios
dessas viagens (monções), acontecidas durante os séculos XVIII - por rios que ligavam o sul
ao norte de Mato Grosso -, que nos debruçamos, de forma mais detida, na tentativa de
melhor compreender os Cayapó e o seu modo de vida. Povo tradicional da língua Jê, os
Cayapó habitavam, de acordo com informações que encontramos na análise dos diversos
relatos presentes nos livros “Relatos Monçoeiros”, de Afonso D’Escragnolle Taunay (1981) e
“Diário de Navegação”, de Teotônio José Juzarte (1999), - na tentativa de compreender os
caminhos fluviais do sul ao norte de Mato Grosso em que pudéssemos nos deparar com os
Cayapó - regiões próximas aos seguintes rios: Rio Grande, Rio Pardo, Rio Camapoan, Rio
Taquari, Rio Paraná e Rio Tietê. Utilizamos, como referências centrais, o livro “Cayapó e
Panará”, de Odair Giraldin (1997), as obras “Relatos Monçoeiros”, de Afonso D’Escragnolle
Taunay (1981), “Diário de navegação”, de Teotônio José Juzarte (1999) e “Derrotas”, de
Joaquim Francisco Lopes (2010), assim como os “Documentos Interessantes para a História
de São Paulo” e relatos publicados na “Revista do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro”. Objetiva-se, desta forma, compreender o cotidiano desses povos e sua relação
com o meio rural, os encontros e os desencontros entre os Cayapó e os colonizadores, tal
como com a administração colonial e imperial, por meio de uma análise de fontes acerca
dos relatos dos monçoeiros e de outros viajantes.

ARAUJO, Bruna Dutra de. A desvalorização dos diferentes tipos DELAS. Este trabalho traz
para o centro da discussão a desvalorização da figura feminina, o que traz a mulher nos dias
atuais em diferentes locais de convivência social, em discursos cada vez mais machistas e
patriarcais presando a moral e os bons costumes, onde ela se põe como figura de um objeto
sensível, voltado a cuidar da casa, dos filhos e servir ao seu senhor. Destaca-se o
menosprezo pelo feminino, ao que recorre a figura mulher, percebemos isso até mesmo
com o público das travestis perante os colegas presos na mesma instituição carcerária,
sendo necessário uma adaptação no “convívio” neste ambiente, tudo para evitar a condição
de igualdade. Observamos os moldes colocados pela sociedade no que tange ao gênero, a
necessidade de impor o certo e errado em pleno século XXI e ao que foge da dita
normalidade é subjugado, visto como vulgar, impróprio e até mesmo imprestável. Mesmo o
público feminino conquistando seu espaço no mercado de trabalho e se impondo
socialmente ainda há um longo caminho a percorrer na luta pela valorização de igualdade.
Através da história temos inúmeros exemplos de mulheres a frente de seu tempo, isso
porque ousaram, se expuseram contribuindo para conquistas que até hoje tem grande
expressão, é também dentro das diferentes instituições educacionais que ao longo do tempo
se firmou o feminino como ser frágil e fraco reforçando a ideia da depreciação no que
desrespeito aos diferentes elas existentes. Logo este trabalho tem como objetivo discutir a
forma como tudo que envolve o feminino acaba sendo depreciado e colocado como inferior
39
ao másculo, buscando meios possíveis para amenizar está infeliz modo de convívio social,
já que, mesmo passado anos, ainda há movimentos educacionais de incentivo a
desvalorização da mulher.

ARENA, Ariane Melgarejo. A divulgação histórica nas capas da Revista de História da


Biblioteca Nacional (RHBN). Em meio a uma ampla variedade de revistas de divulgação
histórica, a Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN), se ressalta e se diferencia
por ser uma revista que mantém como foco e intencionalidade a divulgação da história
brasileira, elaborada por historiadores e não por jornalistas. A pesquisa objetiva-se perceber
a divulgação histórica nas capas da Revista de História da Biblioteca Nacional. O trabalho
foi desenvolvido perante os seguintes processos: (i) leituras de referências que tratam sobre
a divulgação científica no Brasil; (ii) mapeamento dos títulos das capas, analisando-os por
área e temporalidade, problematizando as informações coletadas e apontando os principais
temas abordados pela revista ao longo de seis anos, entre 2005 e 2011. Dentro desse
mapeamento, dividimos os títulos em temporalidade e tema. As revistas de história são
importantes meios de divulgação histórica e suas capas estão repletas de signos que
espelham a imagem da cultura histórica contemporânea. Levando em consideração toda a
estrutura da capa – títulos, subtítulos, secundárias, imagens – os títulos merecem atenção
especial no momento em que abarcam toda uma intencionalidade por trás dos
organizadores.

ARRUDA, Geisa Luiza de. Revista A VIOLETA X Jornal A CRUZ: Discursos sobre a
profissionalização feminina em Cuiabá (1920-1930). Este trabalho objetiva analisar
discursos acerca da profissionalização feminina no início do século XX, em Cuiabá. Os
discursos pertencem a dois meios de comunicação: a revista feminina A Violeta e o jornal
católico e conservador A Cruz. A abordagem qualitativa está ancorada nos referenciais
teóricos relacionados com feminismo de Ana Maria Marques, Célia Regina J. Pinto e sobre
os papéis sexuais e sociais, de Pierre Bourdieu. A década de 1920 foi o recorte temporal
escolhido por apresentar um cenário contrastante entre o borbulhar do republicanismo e a
predominância de fortes raízes religiosas. Apesar do advento de normas republicanas e da
separação entre o Estado e a Igreja, a doutrina religiosa, especialmente a fé católica, ainda
imperava nos comportamentos da sociedade, sendo o jornal A Cruz um veículo
comprometido em preservar a hierarquia da Igreja católica ante os novos preceitos
republicanos, numa tentativa de fixar papéis sociais conforme o sexo biológico. A Violeta,
por sua vez, reivindicava direitos para as mulheres e defendia sua emancipação por meio do
trabalho e da educação. Para as redatoras, a mulher tinha tanto direito quanto o homem em
querer se profissionalizar e o jornal, por sua vez, deixava claro que a função primeira da
mulher era ser mãe e esposa, apesar de ver com “bons olhos” a profissão do magistério,
com a qual as características femininas ligadas ao lar e à maternidade, tais como
amorosidade e devoção, se encaixavam. As redatoras da revista e o corpo editorial do jornal
tinham uma convivência harmoniosa e as pesquisas indicam que se tratavam com muito
respeito e esmero, transparecendo que a “divisão entre os sexos parece estar na ‘ordem
das coisas’, como diz Bourdieu (2007, p.17). Diante desse cenário inferimos que não havia
choque entre os dois veículos de comunicação, pois, apesar de a revista defender a
emancipação feminina, o que fica evidente é um discurso dúbio em que o respeito às
normas cristãs prevalecia, trazendo à tona um feminismo “bem-comportado”, como Celia
Pinto (2003) intitula o primeiro movimento feminista. Para Ana Maria Marques (2011, p. 14),
os escritos da revista denunciam “conflitos de ideias e práticas de mulheres de uma elite
cuiabana frente a um movimento latente, porém não incorporado a uma necessidade de
engajamento na luta[...]”, pois a conformidade em relação às funções femininas que elas
julgavam naturais do “sexo frágil” predominavam numa atitude obediente aos papéis de
gênero arraigados socialmente.

ASSUNÇÃO, Fábio Tiago Dias de. Grécia Antiga e usos do passado: a sexualidade
masculina por meio do cinema. Os Usos do Passado são portas de acesso mais fácil para
entrarmos em contato com temporalidades antigas, problematizando-as. Em uma de suas
vertentes, no que concerne ao Cinema, pode contribuir mostrando por meio de vestes,
40
acessórios, mobílias, arquitetura, de forma a trazer uma releitura de um determinado
período. Neste caminho, pretendemos com este texto analisar duas obras fílmicas que
retratam alguns aspectos da Grécia Antiga, que são: “Os 300 de Esparta” de 1962 e “300”
de 2006. Primeiramente buscamos parte da educação espartana, retratada nos dois filmes,
a qual aponta para a construção de um homem guerreiro, desde seu nascimento. Em seu
processo de educação passava pelo “ritual de exame”, pela formação militar a partir dos
sete anos e aos 20 anos entrava para o exército. Após os 30 anos se casava e apenas após
os seus 60 anos era considerado um homem livre. No segundo plano do texto, pensamos
sobre as fontes em si, as duas películas já apontadas no texto; assim buscou-se analisar
como o cinema pode contribuir para a compreensão da história. E por fim, no seu terceiro e
último tópico, objetivou discutir a virilidade desse homem espartano, e da relação de “amor
nobre” entre esses homens guerreiros.

BARBOSA, Alana de Oliveira. A ação educacional dos salesianos em Mato Grosso do Sul.
O presente texto faz parte da pesquisa de âmbito de mestrado que vem levantar a
discussão da atuação educacional dos salesianos em solo mato-grossense, a Congregação
Salesiana (Sociedade São Francisco de Sales), aportados em Mato Grosso nos primórdios
da República em 1894, 11 anos após os primeiros salesianos terem chegados no Brasil.
Objetiva-se identificar na documentação levantada na Missão Salesiana de Mato Grosso,
como era dirigido os espaços educacionais pelo ideário religioso salesiano. A amplitude
temporal e a constatação das diversas formas do agir eclesial, nos diferentes períodos da
história regional, apontaram para uma delimitação que compreendesse o período
republicano e a educação salesiana como uma das realizações mais expressivas da Igreja
em Mato Grosso do Sul, no campo da educação, e que chega até os dias de hoje. O Estado
tinha uma necessidade socioeconômica e política que demandavam escolas que formassem
localmente os quadros que a burocracia estatal exigia e que profissionalizassem a mão de
obra necessária a incipiente industrialização e urbanização em curso. Esta educação
deveria prever e produzir a disciplinarização da crescente população urbana, bem como
pacificar pela catequese e trabalho. A rápida expansão das atividades educacionais da
Congregação patenteia não apenas a imensa lacuna da ação do Estado neste setor, mas
também, as estratégias e interesses daqueles missionários na ocupação dos espaços
necessários a consolidação e implementação da obra salesiana e a consequente influencia
católica. A finalidade da educação estava colocada em sua relação com salvação no plano
espiritual, que traduz a preocupação com a dimensão religiosa e a educação a serviço da
formação para vida religiosa. O projeto da República de laicização do ensino não negava a
Igreja o direito ao ensino, nem poderia fazê-lo. Recusava-lhe apenas o privilegio, os perigos
de monopólio da educação. A infinidade de discursos pró-instrução do final do século XIX e
o crescimento quantitativo da escolarização explicitam o papel que a escola desempenhou.
No processo de modernização do Mato Grosso do Sul a elite dirigente utiliza-se do
amontoado daqueles discursos, e também do próprio modelo de escola que estava sendo
constituído naquele momento para deflagrar a ação evangelizadora. A escola é percebida
como instrumento de ascensão social. Já a precariedade dos quadros e a omissão do
Estado definem a situação e tipo de ensino deste período, abrindo espaço para as
congregações tomarem essa responsabilidade para si.

BARBOSA, Leandro Mendonça. A recepção das Epopeias clássicas na obra "La Araucana",
de Alonso de Ercilla. Durante o século XVI em América, chamado pelos ibéricos de "século
da conquista", diversos europeus que chegavam ao continente, seja para batalhar seja para
tentar o enriquecimento - normalmente os dois - registravam sua impressões sobre a nova
terra e suas sociedades. O poeta e militar Alonso de Ercilla escreve em meados deste
século "La Araucana", obra que descreve a Guerra de Arauco, conflito entre espanhóis e
indígenas mapuches, na recém criada Capitania Geral do Chile. Por que uma obra sobre
uma guerra específica, em local específico, recebeu atenção posterior em livros de Miguel
de Cervantes e Basílio da Gama, por exemplo? Porque esta é considerada a primeira
Epopeia escrita na América do Sul, e que relata o continente, bem ao estilo renascentista. O
objetivo deste trabalho é perceber como as Epopeias clássicas foram recebidas na obra de
Ercilla. A "Ilíada" de Homero e, principalmente, a "Eneida" de Virgílio serviram como base
41
para a construção na narrativa poética do espanhol. Investigar como a Antiguidade Clássica
influenciou na construção de obras no período da invasão européia é essencial para
compreendermos parte da colonização e como a dominação pode ter sido mais profunda e
completa, a partir do momento em que se utilizou também dos âmbitos cultural e artístico
europeus para tal.

BATAIOLI, Everson da Silva. Os recrutados na capitania de São Paulo: jovens homens em


defesa das possessões portuguesas. O presente artigo, procedente de pesquisa de
Mestrado em curso, tem por objetivo analisar um manuscrito datado do século XVIII que
registra dados a respeito de um grupo de recrutas enviados para o forte nossa senhora dos
prazeres do Iguatemi, construído em 1765 à margem de rio homônimo sobre ordens do
Marquês de Pombal, primeiro ministro de Portugal à época da definição das fronteiras entre
a América Portuguesa e a América Espanhola. No contexto da delimitação das áreas em
litígio, fazia-se necessário conquistar e implementar a posse e defesa desses espaços, e
para tal eram utilizados como recursos humanos: indígenas, escravos negros, reinóis e
habitantes da capitania de São Paulo, categoria última na qual se centra a presente análise.
O território em disputa, atualmente faz parte do estado Mato Grosso do Sul, no entanto no
período colonial constituiu a capitania de Mato Grosso. O manuscrito é oriundo de arquivos
disponíveis no site da biblioteca nacional e faz parte de um conjunto de cartas enviadas
entre agentes do Reino a fim de cuidar do que fosse necessário para a manutenção da
ordem colonial e a consequente posse sobre as áreas de interesse português. A análise fez-
se por meio da transcrição do manuscrito e leitura de bibliografia pertinente ao recrutamento
militar no século XVIII.

BENEDICTO, Edna Aparecida Ferreira. Corpo Feminino, Personalidade Jurídica e domínio


masculino no Novo Código Civil. Ao longo da história a mulher foi sendo submetida aos
ditames legais criados por homens. Seu corpo, sua sexualidade e suas subjetividades se
mantiveram sob o poder do masculino que a prendiam a sua capacidade biológica de
reproduzir. A partir do século XX, no Brasil, as mulheres iniciam uma luta constante em prol
do seu reconhecimento como sujeito histórico e de direito, passando pelo reconhecimento
da mulher como pessoa, como uma personalidade jurídica, com capacidade de decidir sobre
sua própria existência. Entretanto, no processo de formulação do Novo Código Civil a
personalidade jurídica da mulher continua submetida a ditames legais votados e aprovados,
em sua grande maioria, por homens, que mantiveram o corpo da mulher preso às
contingências da natureza. O presente estudo tem a pretensão de apresentar os passos do
processo legislativo que formulou o Novo Código Civil e que manteve a sobreposição da
personalidade jurídica do nascituro sobre o da mulher e o respaldo que o dispositivo recebe
do ordenamento jurídico brasileiro, sobretudo no Código Penal.

BENTO, Luiz Carlos. Ensaísmo e escrita da história: cultura histórica e escrita da história
nas primeiras décadas republicanas. Essa comunicação possui como objetivo inicial refletir
sobre as principais características do ensaísmo brasileiro ao longo das primeiras décadas
do século XX problematizando as contribuições historiográficas de alguns dos principais
ensaístas brasileiros do período. Partimos da premissa que falar sobre a historiografia
brasileira nas primeiras décadas do século XX significa remontar a um contexto em que a
escrita da história não era privilégio dos historiadores, mas envolvia grande número de
pensadores imbuídos da necessidade de refletir sobre a inserção do país na modernidade.
Nesse sentido, os intelectuais da Primeira República buscavam, no passado, os indicadores
que orientariam o desenvolvimento futuro. Seus estudos estavam ordenados pelo itinerário
de um modelo clássico de historiografia; contudo, as mudanças em curso na sociedade
exigiam novos modelos de interpretação voltados para a compreensão da experiência do
presente, embora não se pudesse abandonar a referência ao passado como experiência. O
autodidatismo foi uma característica desse período, visto que os cursos superiores eram
muito restritos, não oferecendo condição de formação nem mesmo para os membros da
elite brasileira. Segundo Sevcenko (1983), a missão desses intelectuais era produzir uma
identidade nacional com base em uma cultura historiográfica herdada da tradição deixada
pelo Império e que fosse capaz de responder às questões centrais impostas pela
42
experiência do presente e trazidas à consciência pelo processo de modernização, a qual
impunha outras questões, carecendo de um ideário de respostas mais adequado aos novos
anseios. Esta comunicação pretende expor os resultados iniciais de um projeto de pesquisa
que objetiva refletir sobre a ideia de formação nacional e identidade brasileira desenvolvidas
pelos ensaístas das primeiras décadas do século XX, com especial ênfase para as obras de
Capistrano de Abreu (1853-1927), Manoel Bomfim (1868-1932), Oliveira Viana (1883-1851),
Paulo Prado (1869-1943), Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) e Gilberto Freyre (1900-
1987). Buscando através de uma compreensão aprofundada de suas obras identificar as
expectativas e frustrações presentes nos projetos de sociedade brasileira que suas obras
ensejam, buscando compara-las analiticamente com os problemas e expectativas da
sociedade brasileira das primeiras décadas do século XXI.

BENTO, Mona Mares Lopes da Costa. Chiquinha Gonzaga e o piano: formas de existir e
reexistir na sociedade patriarcal carioca do século XIX. Esta comunicação tem como objetivo
demonstrar as formas de resistência a um modelo composto por regras sociais e costumes,
em um meio no qual se configuram crenças e opiniões decorrentes de estruturas de poder
patriarcal no século XIX. Através de aspectos biográficos da maestrina e compositora
Chiquinha Gonzaga, precursora do movimento da música popular brasileira, tendo como
base as relações constituintes da sociedade carioca em transformação. Nosso intuito é
apontar sua atuação, tanto política, quanto profissional, na questão do papel social da
mulher, e como através de sua relação com o piano, essa mulher ressignificou sua
existência através de um movimento de subjetivação libertária. Pois este instrumento era um
ícone referencial de uma boa educação dada a condição da mulher neste período, porém
entendemos aqui que, Chiquinha Gonzaga o instrumentalizou de forma a atribuir um novo
significado sobre o que lhe era imposto, pois se utilizou do piano para compor canções e se
lançou ao espaço público, pois nesse momento a produção teatral e musical se intensifica
no Brasil. A sua trajetória pública e privada sintetiza de certo modo os conflitos e
contradições do período e, é a partir desta análise que entenderemos como se davam as
relações, o novo papel social, a atuação pública da mulher e as questões de gênero. Com
isso, procuramos contextualizar aspectos de sua biografia e produção musical através da
categoria de gênero como construção de sua identidade enquanto sujeito social não apenas
de forma analítica e descritiva, mas também histórica. Dessa forma, utilizaremos a categoria
gênero para sustentar a discussão acerca da subordinação da mulher, sua reprodução e as
diversas formas que sustentam a supremacia masculina na sociedade carioca do período,
as desigualdades de gêneros presentes em seu cotidiano e as formas de resistência
encontradas por Chiquinha Gonzaga.

BONINI, Altair; PAULA, Paloma Erotildes de Lima Meneghetti de. Sentimentos de mulheres
em situação de violência/tortura no Paraná nas décadas de 1960 e 1970: (re)significando a
dor e o medo. A partir de depoimentos concedidos ao projeto Depoimentos para a História –
A resistência à Ditadura Militar no Paraná, do site DHPaz, foram selecionados as histórias
de quatro mulheres perseguidas e torturadas por representantes do governo militar
brasileiro, procuramos mostrar como essa memória traumática foi (re)significada, tornando-
se algo positivo. O recorte temporal e espacial, que delimita o estudo, foi o de mulheres que
aturaram na militância no Estado do Paraná e que foram presas na década de 1970. Para
análise foi utilizado à metodologia inspirada na História Oral, junto com a categoria de
gênero, onde foi possível perceber as memórias em comum das depoentes, e o que de suas
memórias foram retratadas como importantes de serem ditas e lembradas, mas
principalmente como trataram e (re)significaram estes fatos em suas memórias.

BONNY, Carina. Construções Sociais: A Representação da mulher na música sertaneja nas


décadas de (1950-1980). A comunicação em questão, tem por pressuposto empreender
uma análise do Lugar Social construído para o gênero feminino, através da imposição dos
padrões masculinos às mulheres, e, assim, pensar o discurso e a representação da mulher
em nossa sociedade, que é marcada e construída pelo regime patriarcal. A História das
Mulheres é recente, pois o pouco que aparecem no decorrer das narrativas históricas tem
como porta-vozes os homens, uma vez que a história até pouco tempo, a nível
43
historiográfico, era feita por homens. Dentro desse contexto, passamos a questionar que o
lugar social construído para as mulheres sempre dependeu das representações dos
homens, ficando a mercê das designações do sexo masculino, que foram, por muito tempo,
os únicos historiadores. As mulheres sempre se viram diante de discursos poderosos, que
ditam regras de como se comportar, como cuidar do seu corpo, ser boa mãe, boa esposa,
boa filha, sem se quer importar-se com os seus sentimentos, desejos e inquietações. Para
tanto, será recorrente breve análise das Canções Boiadeiro de Palavra, composição de
Moacyr dos Santos, Lourival dos Santos e Tião Carreiro, Ana Rosa composição de Tião
Carreiro e Carreirinho e a música Pagode composição de Tião Carreiro e Carreirinho. Essas
canções datam da década de 1950 à 1980, período em que foram lançadas e regravadas
várias vezes pelos violeiros Tião Carreiro e Pardinho, dupla sertaneja de grande sucesso
que alcançou os padrões mais altos do meio artístico. Essas Canções serão analisadas
partindo do pressuposto de que contém a história de uma sociedade, da representação da
figura feminina, do discurso presente nessa criação artística, da criação de uma identidade,
da inferiorização e do lugar social construído para as mulheres.

BORGES, Maria Celma. Pobres livres, escravos e povos originários: entre o sul e o norte de
Mato Grosso (séculos XVIII e XIX): anotações de pesquisa. Esta comunicação objetiva
apresentar os trabalhos que vimos desenvolvendo com enfoque para a história rural entre o
sul e o norte de Mato Grosso, no contexto da América portuguesa e do Brasil Império. Por
meio da iniciação científica possibilitamos que os acadêmicos aprofundem suas pesquisas e
tenham acesso a fontes que só teriam, costumeiramente, na pós-graduação. Muitos alunos
tem dado continuidade à pesquisa, por meio da pós-graduação, e contribuído para que, ao
menos, parte da história rural do sul de Mato Grosso seja conhecida, especialmente em
relação aos pobres da terra: escravos, pobres e livres e povos originários. Temos nos
centrado, quanto aos povos originários, no estudo dos Cayapó, por sabermos que são esses
povos, em sua maioria, os encontrados pelos caminhos monçoeiros, no contexto do século
XVIII, e pelos destacamentos, aldeamentos e roças no XIX, no percurso que ligava
Sant'Anna do Paranahyba ao norte de Mato Grosso. Em relação aos escravos trabalhamos
processos criminais e inventários, entre outras fontes, que possibilitam a compreensão
desses agentes sociais na constituição da história rural do sul de Mato Grosso. As falas das
testemunhas nos processos crime são reveladoras de como viviam esses agentes sociais
naquele contexto. A presença desses homens e mulheres vem sendo vasculhada pelos
sítios, roças e fazendas, a fim de entender de que modo as relações de trabalho e o modo
de vida se desenhavam por aquele universo. Nas obras de memorialistas, viajantes, e ainda
de sertanistas, a exemplo das "Derrotas"(2010), de Joaquim Francisco Lopes, nos
deparamos com vestígios dos povos originários, escravos e pobres e livres, em vista do
trabalho que desenvolviam pelos caminhos do sul de Mato Grosso e de seu modo de vida.
Outra questão fundante da pesquisa, que se associa ao trabalho, cultura e resistência
desses diferentes grupos, dá-se no encontro das roças. É na busca dessa história rural do
sul de Mato Grosso que os indícios - quando encontrados - são investigados, a revelar as
ações desses homens e mulheres em uma história que não se limitou ao “vazio”
demográfico. Objetiva-se, desse modo, apresentar alguns resultados de pesquisa, a partir
da exposição de temas investigados e sob minha orientação, ao longo dos anos de 2009 a
2017.

CAMARGO, Isabel Camilo de. A Guerra do Paraguai: consequências do pós-guerra para o


sul do antigo Mato Grosso. Esta apresentação tem como objetivo analisar os aspectos
históricos ocorridos no sul do antigo Mato Grosso no século XIX, enfocando os processos
desencadeados depois da Guerra do Paraguai. Para tanto, subdividimos o texto em dois
tópicos principais, no primeiro apresentaremos a formação histórico-espacial do sul do
antigo Mato Grosso; no segundo, abordamos especificamente as consequências da Guerra
do Paraguai nesta região. É importante destacar que a preocupação e o destaque para o sul
do antigo Mato Grosso se relacionavam com questões direta ou indiretamente ligadas à
mineração e, desde então, a conservação das fronteiras era uma grande inquietação do
governo em relação à província de Mato Grosso. Para discutir o tema utilizaremos como

44
fontes relatórios de presidentes da província e o romance A Retirada da Laguna, de
Visconde de Taunay.

CAMPERLINGO, Vanessa Aparecida. A História Agrária e Povos Originários: Território,


violência e resistência no “Bolsão” em MS. Este trabalho refere-se à análise da história
indígena e agrária do “Bolsão” e a sua gente, o seu modo de vida e de trabalho, analisando
as ações dos povos originários em meio aos encontros e desencontros com os poderes
locais, pela luta territorial, e como essa realidade marcou esse território. Em especial ao
estudo das ações dos povos que habitavam a costa leste desta localidade no contexto do
Brasil Império, com o olhar para as práticas dos Cayapó e, com o olhar mais atual, para os
nativos conhecidos como Ofayé. Visamos, juntamente com os referenciais teórico-
metodológicos, o trabalho de sistematização das fontes, a partir do uso de documentos,
como os Relatórios de Província do século XIX e documentos avulsos, coletados no Arquivo
Público de Cuiabá. Ainda foi necessário trabalharmos outros documentos como os relatos
de viajantes e sertanistas. Observa-se ainda a importância do diálogo com a historiografia
regional e brasileira, norteando as indagações para o entendimento de como se dava a vida
dos povos originários, especialmente os Cayapó, nos meados do XIX, e os conflitos
atualmente de outros povos indígenas, como os Ofayé.

CAMPOS, Carlos Eduardo da Costa. O Saber e o Poder das Sagas na documentação latina
do Principado Júlio-Claudiano. A temática da magia é um assunto que integra diversas
sociedades, desde a Antiguidade. Tais práticas foram se transformando com o passar do
tempo, assim interagindo e possivelmente se adequando aos novos contextos sociais, ou
seja, diante da emergência de outros segmentos políticos e religiosos. Sendo assim,
notamos no cotidiano brasileiro, por exemplo, uma pluralidade de panfletos, programas de
TV e sites da internet, nos quais os magos e as feiticeiras anunciam o seu poder de previsão
do futuro, assim como divulgam o seu conhecimento sobre encantamentos para obter o
sucesso no emprego e a prosperidade para o lar, além das requisitadas magias amorosas.
Analisando tal cenário atual, nos inquieta pensar sobre como era o espaço da magia na
Antiguidade. Assim, emerge um questionamento: A magia em Roma era considerada uma
forma de saber e poder? Desse modo, selecionamos o período do Principado da dinastia
Júlio-Claudiana (I AEC- I EC) para tecermos uma análise sobre as concepções que
envolvem o saber mágico, na poesia e na prosa latina da época.

CARDOSO, Cristiane Carvalho Silva. Maternidade e Profissão Militar. A partir dos anos 70,
a maior parte das Forças Armadas ocidentais passou a admitir em suas fileiras o ingresso
de mulheres, assinalando uma certa ruptura com o esquema tradicional do patriarcado. Em
contraste com os precedentes históricos, em que a participação feminina se limitou ao papel
de simples auxiliares em tempos de guerra, como enfermeiras voluntárias ou disfarçadas em
meio a tropa como Maria Quitéria. Aqui as mulheres conquistaram o estatuto dos militares,
recebendo uma formação idêntica à dos homens e desempenhando funções nos mais
variados domínios. Trata-se de um processo decorrente de profundas evoluções que vêm
atravessando o conjunto da sociedade e alterando o padrão de participação das mulheres
desde a II Guerra Mundial. No Brasil, a primeira força a abrir espaço para as mulheres em
suas fileiras foi a Marinha, em 1980. Seguida pela Força Aérea e os Exército, além das
forças auxiliares. Porém, apesar de incluídas nas Academias e Escolas Superiores Militares,
ainda há muitas especialidades que lhe são vedadas. Para Segal (1988) as Forças Armadas
e a família são consideradas “instituições vorazes”, impondo um elevado nível de exigências
em termos de lealdade, tempo e energia, sobretudo para as mulheres, já que, em geral,
delas se espera que invistam mais tempo e energia emocional do que dos homens, embora
o atual padrão de relações conjugais suponha uma maior equidade das obrigações
familiares, interferindo positivamente na transformação dessa “voracidade seletiva”. Embora
esta dificuldade na articulação entre a vida familiar e a vida profissional não constitui um
aspecto que afeta exclusivamente as mulheres, estudos realizados em países como França
e Estados Unidos, demonstram que a maternidade constitui a principal razão para o não
realistamento das mulheres, e destacam maior propensão para abandonar ou deixar de
investir na carreira militar. A primeira, e única, mulher a ocupar um cargo de Oficial General
45
no Brasil foi a médica Dalva Maria Carvalho Mendes, empossada em 2012, ela compôs a
primeira turma e marchou grávida em sua formatura, ela afirma que a maternidade
possibilita uma compreensão maior da vida e uma visão diferenciada da humanidade. Nos
Estados Unidos a primeira mulher a alcançar o posto de quatro estrelas é uma afro-
americana de 1,5m de altura, para a qual o “pioneirismo não é para fracos de coração”. Este
trabalho propõe uma reflexão acerca das múltiplas dimensões que envolvem a integração
feminina e sua capacidade de adaptação à profissão militar, a partir de estudos provenientes
de diversos países, ressaltando os conflitos entre as exigências da vida familiar e a lógica de
permanente disponibilidade, mobilidade geográfica e riscos inerentes à essência da
profissão militar.

CARMO, Michel Gomes do. Fontes periódicas: A movimentação de crianças no contexto da


guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1860-1870). A guerra da Tríplice Aliança
contra o Paraguai ocorreu entre os anos de 1864 e 1870 tendo como palco o sul da, à
época, Província de Mato Grosso, perfazendo uma região distante dos centros de circulação
política e social, embora com intensa movimentação devido às disputas geopolíticas. A
imprensa teria, em primeira análise, papel de dar a conhecer informações em que pesem as
dificuldades de acesso à informação e deslocamento da mesma pelo território. No entanto
considerando os apontamentos de Marc Bloch (2002), sobre a ampliação das novas
possibilidades de fontes históricas, problemáticas e objetos de estudo, a imprensa configura-
se como importante tipologia documental que traz à luz temas e objetos ofuscados em outro
tipo de documentação. O objetivo é compreender o discurso criado sobre as crianças
através dos textos imagéticos que circularam na imprensa, em especial nas revistas
ilustradas tendo como plano de fundo a guerra da Tríplice Aliança contra do Paraguai. Por
meio do diálogo com os estudos sobre impressos de natureza periódica o trabalho perpassa
por Sodré (1999), Lavarda (2009), Andrade (2004), De Luca (2005), buscando criar uma
seleção de imagens de duas revistas, Semana Ilustrada (1860 - 1875) de Henrique Fleiuss e
Vida Fluminense (1865-1875) de Angelo Agostini, será realizada uma filtragem na busca
pelas imagens que circundam a problemática da representação infantil na guerra, após este
momento um estudo sobre os editores das revistas na busca pela evidenciação de sua
possível atuação politica, social ou cultural; também é fundamental para o trabalho que se
estabeleça uma relação com a produção da historiografia do e sobre o Paraguai e para isso
temos como referências as obras de Toral, (2001), Doratioto (2002), Brezzo, (2003),
Squinelo (2016) e Seiferheld (2016) que podem nos oferecer reflexões importantes sobre a
história de alguns países envolvidos, sendo que muitas mensagens contidas nas fontes só
podem ser analisadas partindo de certo grau de erudição. Pretendo nesta comunicação
mostrar um ponto de partida para um estudo sobre a movimentação de crianças no contexto
da guerra por meio das ilustrações reproduzidas na imprensa do séc. XIX, assinalando quais
impressões puderam ser percebidas no contexto da Guerra da Tríplice Aliança contra do
Paraguai.

CARVALHO, Rebeca Pessoa. A Influência nas Estruturas Arquitetônicas do Casario do


Porto. A conservação do patrimônio histórico não é um assunto recente, há muitos anos
este conteúdo está em pauta, embora não seja muito divulgado ou tenha tido sua merecida
atenção, sua história passou e ainda passa por muitas reformulações. Nesse sentido, irei
relatar as influências das antiguidades presentes nas estruturas arquitetônicas do bem
patrimonial Casario do Porto, bem como, suas características romanas e igrejas com
detalhes baseadas no modelo gótico. Em Corumbá, suas estruturas são ecléticas, levando à
detalhes desde a antiguidade até o modernismo.

CASTRO, Jose Luiz de. A escravidão negra na paroquia de Santa Rita do Paranaíba na
segunda metade do século XIX. Ao longo da nossa trajetória acadêmica, a temática sobre a
escravidão no Brasil sempre nos instigou pela sua complexidade. O nosso país por mais de
trezentos anos alimentou o tráfico de africanos e foi dependente do trabalho escravo em
vários ciclos da nossa economia. O nosso principal contato com as fontes sobre a
escravidão negra ocorreu na pesquisa de doutorado na UNESP de Franca, cujo tema foi
“Transgressão, controle social e Igreja Católica no Brasil: Goiás, século XVIII”. Foram
46
arroladas diversas fontes em busca dos rastros do concubinato e dos filhos ilegítimos. Os
assentos de batismo de escravos e livres em Vila Boa nos revelou uma ilegitimidade alta,
73, %. Mesmo que não se possa provar com exatidão a maioria dos casos das relações de
concubinato, ele surgia de uma forma indireta nos livros paroquiais. O que despertou o
nosso interesse pela temática da escravidão na freguesia de Santa Rita do Paranayba
(Itumbiara) foi o contato com os livros de batismos e casamentos desta paróquia, ocorridos
na segunda metade do século XIX. A documentação apresenta alguns casos de alforrias no
batismo e no casamento. A nossa intenção é fazer um cruzamento destas fontes com outras
documentações existentes para compreender melhor as principais características da
escravidão nesta região. Além destas fontes mencionadas, os mapas da população, os
arquivos da coletoria e os outros documentos do período apresentam os vestígios da
escravidão na região sul de Goiás. Pretende-se reconstituir a trajetória de algumas famílias
escravas, por meio da metodologia da micro história e demografia.

CAVALCANTI JUNIOR, Ary Albuquerque. “Guerrilheira não tem nome”: As Dinas e a


Guerrilha do Araguaia. O presente trabalho é parte das reflexões que venho realizando no
âmbito da trajetória das mulheres baianas na guerrilha do Araguaia junto ao Programa de
Pós Graduação em História (PPGH/UFGD). Iniciado em 1964, o período ditatorial brasileiro
não trouxe consigo apenas o cerceamento ás liberdades, mas feriu os Direitos Humanos e
explicitou com as inúmeras práticas de tortura o quanto agia de forma mais incisiva em
corpos femininos. A partir do exposto, buscaremos a partir da experiência armada
denominada Guerrilha do Araguaia (1969-1972), apresentar a trajetória das militantes
baianas Dinaelza Santana e Dinalva Oliveira, conhecidas como as “Dinas” do Araguaia. De
forma contextual, com o crescimento da repressão, principalmente pós 1968, muitas
pessoas estavam sendo perseguidas por suas opções ideológicas e politicas, com isso,
muitos viram na opção da luta armada uma saída não apenas para sua segurança, mas,
para o inicio de um novo projeto politico para o Brasil. Assim, 69 militantes ligados ao partido
Comunista do Brasil (PC do B) vindo dos mais diversos lugares do Brasil, dentre esses 16
mulheres, migraram para a região do Araguaia, atual estados do Tocantins e Pará. Será
nesse contexto de luta armada, baseada nas experiências da revolução Chinesa (1949) e
Cubana (1959) que as baianas Dinaelza e Dinalva, darão vida aos codinomes Mariadina e
Dina e mudarão toda a trajetória de suas vidas. Assim, buscaremos problematizar, ainda
que brevemente, a participação das mulheres na resistência à ditadura civil-militar e tratar
do episódio Guerrilha do Araguaia e suas dinâmicas em torno das relações de gênero e da
história política.

CHAGAS, Wagner Cordeiro. Traços de personalismo nas propagandas oficiais dos


governos de Mato Grosso do Sul. Dedico-me há 11 anos a pesquisar a respeito de alguns
aspectos da história política de Mato Grosso do Sul. Entre 2012 e 2014 escrevi a
dissertação de mestrado, intitulada “As eleições de 1982 em Mato Grosso do Sul”, defendida
na UFGD. Ao mesmo tempo em que pesquisei sobre a primeira eleição para governador
ocorrida neste estado, a curiosidade e a paixão pelo tema falou mais alto e fiz um
significativo levantamento de fontes referentes à política, eleições e administrações
estaduais. O objetivo desta comunicação é apresentar alguns frutos das curiosidades que
sempre tive em relação às peças de publicidade utilizadas pelos governadores que
administraram este estado ao longo de quase 40 anos de sua implantação. Quem viaja por
rodovias ou transita por ruas e avenidas das cidades de Mato Grosso do Sul já deve ter
percebido alguns monumentos erguidos em obras, como pavimentação asfáltica, casas
populares, escolas, hospitais, universidades. Esses monumentos são criados como forma
de propaganda dos governos para marcarem suas passagens pela gestão e são conhecidos
como totem. O totem tem origem na cultura dos índios Ojibwe, dos Estados Unidos, que
geralmente é um poste e pode ser representado por um animal, planta ou objeto. Também é
muito comum observar logomarcas de governo em documentos oficiais, como cartazes e
propagandas de televisão. Tudo isso faz parte do marketing político. Confesso que tenho
pouco conhecimento na área da publicidade e propaganda, que é uma das responsáveis
pelas propagandas governamentais, e também, pelo que pude observar até o momento
nenhum pesquisador buscou analisar essas propagandas dos governos sul-mato-
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grossenses. Sendo assim, o que busco compartilhar aqui é uma análise superficial, o que
não impedi outro pesquisador/pesquisadora de se debruçar sobre o tema com maior
conhecimento de causa. Foi importante para estimular mais minha curiosidade, algumas
viagens que realizei por Mato Grosso do Sul, como Campo Grande, Taboco (distrito de
Corguinho), Aparecida do Taboado e Carumbé (distrito de Itaporã), onde pude descobrir
totens governamentais que não conhecia.

CHAVES, Geovano Moreira. A moral conservadora como partilha do sensível de


comunidades estéticas cinéfilas. Nos caminhos que perpassam suas incursões acerca de
uma compreensão mais abrangente dos significados da arte, Jacques Rancière (2005)
fomenta um conjunto de análises que buscam a compreensão dos possíveis lugares onde
se permitem a junção entre práticas estéticas e práticas políticas. Para um dos caminhos
possíveis que buscam este entendimento, o filósofo francês formulou o conceito de “partilha
do sensível”. O termo partilha neste “entre espaços” da estética e da política significa duas
coisas: a participação em um conjunto comum e, inversamente, a separação, a distribuição
em partes (RANCIÈRE, 2005). Partindo desta conceitualização, é intuito deste trabalho
delinear os modos em que os cineclubes católicos de Belo Horizonte em meados do século
XX militaram em favor da causa moral de inspiração conservadora, partilhando no comum
da comunidade cinéfila posturas e imaginários políticos conforme o temporalmente
longínquo projeto transnacional da Igreja Católica direcionado às atividades
cinematográficas, que foi além do específico fílmico. No que se refere ao cineclubismo como
comunidade estética, postulamos que a comunidade cinéfila partilha em seu cerne
sensibilidades políticas comuns, pois “as relações entre estética e política se dão no nível do
recorte sensível do comum da comunidade, das formas de sua visibilidade e de sua
disposição” (RANCIÈRE, 2005: p. 13). Neste sentido, entendemos que bispos, padres e o
próprio papa, no caso Pio XI, podem ser considerados, no que se refere ao projeto político
transnacional da Igreja Católica para o cinema, os portadores e senhores dos lugares de
fala, convencidos, em nome da apropriação da tradição em detrimento dos malefícios da
vida moderna, da propriedade de estabelecerem em que consiste a moral, definindo a
orientação do público para o cinema por meio da circulação das encíclicas papais, na
intenção de determinarem quais seriam os direcionamentos das sensibilidades coletivas.
Neste caso específico, os dirigentes clericais e o público a ser educado partilharam um
sensível político conservador comum, advindo de séculos de formulações estéticas e
políticas católicas moralizantes, que se pautaram no anseio de estabelecer quais seriam as
historicidades das formas, uma vez que de certo modo todos os envolvidos partilharam,
mesmo de maneiras específicas, um mesmo macroprojeto moralizador transnacional. As
formas em que os envolvidos tomaram parte no todo constituído por um projeto estético e
político comum, gerando uma gama significativa de atividades cinematográficas no campo
da produção que orbita em torno da exibição fílmica, consiste em uma das indagações deste
trabalho que anseiam encontrar interlocuções e abrir perspectivas de análises e leituras.

COELHO, Fabiano. Produção de Charges para o Jornal Sem Terra a partir dos Olhares dos
Profissionais/Ilustradores. As charges são fontes relevantes para pesquisa histórica. No
campo historiográfico brasileiro há poucos pesquisadores que se dedicam em estudar a
natureza, as possibilidades e os desafios em utilizar esse tipo de imagem na pesquisa e no
ensino. A proposição desse trabalho soma-se as atividades desenvolvidas no projeto de
pesquisa intitulado “Entre Charges e Representações: MST e Jornal Sem Terra”, cadastrado
na Pró-Reitoria de Ensino de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Federal da
Grande Dourados (PROPP/UFGD). Deste modo, o objetivo é refletir sobre a produção de
charges para a publicação no Jornal Sem Terra, periódico do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST), a partir dos olhares dos profissionais/ilustradores. As fontes do
trabalho são charges publicadas no periódico e entrevistas realizadas com profissionais que
desenvolveram trabalhos para o Jornal Sem Terra, a saber: Bira Dantas, Luscar, JAL,
Marcio Baraldi e Vilachã. A intenção da pesquisa é contribuir com a historiografia, em
especial, para os estudos que se utilizam de charges como fontes de pesquisa.

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CORRÊA, Miguel Angelo. O audiovisual autoral como ferramenta de atualização das
representações dos indígenas no imaginário contemporâneo: índios de MS se apropriam
das novas tecnologias para desfazer um imaginário historicamente eivado de estereótipos e
preconceitos. Esta comunicação apresenta resultados de pesquisa sobre a apropriação de
ferramentas oferecidas pelas novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) por
indígenas das diversas etnias de Mato Grosso do Sul e como eles as têm utilizado para
tentar reverter suas representações no imaginário contemporâneo que lhes é historicamente
desfavorável. Conforme Gerbi (1996) ao longo dos séculos os diversos povos indígenas do
continente foram submetidos a várias situações adversas por conta de relações de poder
subjacentes aos discursos estereotipados e contaminados pelo imaginário eurocêntrico.
Cada um a seu modo, Gambini (2002) e Garfield (2000) observam que, grosso modo, desde
o período pré-colombiano a gênese do imaginário sobre os habitantes do novo mundo os
apontava como selvagens ou inumanos. Esta situação, conforme denunciam inúmeros
videastas, educadores e pesquisadores indígenas de Mato Grosso do Sul, parece estar
presente até os dias atuais. Vários destes videastas, professores e coletivos de audiovisual
indígenas, entretanto, refletem a respeito deste imaginário prejudicado e buscam alterá-lo e
atualizá-lo por meio da realização, veiculação e divulgação de filmes e outros trabalhos
audiovisuais para as sociedades envolventes e internamente em suas comunidades.
Procuram, também, disseminar seus conhecimentos e técnicas de maneira diversa do
convencional nas sociedades não indígenas, com o objetivo de sua replicação e da
formação de novos grupos.

CORRÊA. Ângela Pessôa Gomes. Fronteira protegida? O Sistema de Monitoramento de


Fronteira/SISFRON. O relatório do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime
(UNODC) faz um alerta preocupante para as autoridades, apontando que o “Brasil é um
importante entreposto, ponto de trânsito, para o tráfico internacional de cocaína,
principalmente para a Europa e África Ocidental”. Tendo em vista que a região de fronteira
possui pouca estrutura, os ilícitos se utilizam desta fragilidade, para adentrar ao território
brasileiro, fazendo com que o Estado crie um mecanismo tecnológico para o monitoramento,
uma vez que a presença física é dificultada devido à geografia local. Sendo assim, o objetivo
da presente comunicação é explicar o funcionamento e a meta do Sistema de
Monitoramento de Fronteiras/SISFRON. O estudo trata de pesquisa inicial de Trabalho de
Conclusão de Curso, delimitado entre os anos 2014-2018, e está ancorado em fontes tais
como: O relatório do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC); Lei
Complementar N°97, de 09/06/1999, modificada pelas Leis Complementares 117/2004 e
136/2010, bem como bibliografia específica sobre o tema.

COSTA, Manuela Areias. Memória e Patrimônio Cultural de Comunidades Quilombolas de


Mato Grosso. Propomos reflexões sobre memória e patrimônio cultural de Comunidades
Quilombolas de Mato Grosso. Discutiremos a relação entre festas, patrimônio cultural e lutas
políticas por meio das festas realizadas em comunidades quilombolas mato-grossenses,
como as de São Benedito e São Gonçalo, dos Quilombos São Benedito e Coitinho,
localizados no município de Poconé, e as de São Benedito, dos Quilombos Morro do
Cambambi e Itambé, situados em Chapada dos Guimarães. Foram realizadas entrevistas –
focalizando as memórias e narrativas quilombolas sobre os territórios de ocupação
tradicional e suas práticas culturais –, filmagens e consultas de documentos manuscritos e
impressos. O patrimônio imaterial quilombola em suas interfaces com a memória social e o
patrimônio material, pensando no campo das festas, configura um instrumento de defesa,
reparação de direitos e resistência dos quilombolas na luta pelos seus direitos e conquistas
de espaços públicos.

CRACCO JUNIOR, José Walter. O embate entre donatismo e o catolicismo na África


Romana à luz de Agostinho de Hipona. O intuito desta comunicação é perceber a posição
de Agostinho de Hipona diante as doutrinas difundidas pela Igreja Donatista no Norte da
África Romana entre os séculos IV e V d.C. É sabido que a região Norte da África, banhada
pelo Mar Mediterrâneo, estava anexada as conquistas do Império Romano. O caráter
econômico não era o único a chamar atenção para aquela região, posto que no âmbito
49
religioso se via formado, de acordo com os escritos de Agostinho, o palco de um acalorado
embate entre Igreja Donatista e Igreja Católica. A primeira, de acordo com Brown (2012),
era mais conservadora e radical, sobretudo nas suas relações com o Império, pois eram
contrários a cristianização desse, haja vista que se identificavam como herdeiros do
verdadeiro cristianismo, antecessor a Constantino. Além disso, defendiam a santidade da
Igreja e de seus membros, não admitindo elemento impuros em seu corpo. Essa Igreja
ainda recusava as liturgias do catolicismo e o uso da Vulgata de São Jerônimo, posto que
faziam uso da Bíblia Africana, tida como ideal. Agostinho de Hipona, por sua vez, como
defensor do catolicismo não pôde ocultar o donatismo, visto que este estava difundido por
todo o Norte africano, acabando por disputar almas com o catolicismo. O bispo de Hipona
passou a defender a Igreja Católica como espaço de todos, inclusive os impuros; lançou
mão de repressões teológicas-pastorais, institucionais (concílios) e uso da força. Essas
ações, como veremos, desembocaram em vários conflitos. Gonçalves (2008) afirma que
Agostinho travou sérios debates teológicos com os Donatistas, escrevendo diretamente aos
membros daquela Igreja e foram justamente esses escritos que recaímos nosso olhar afim
de compreender a retórica e o discurso do bispo de Hipona, sobretudo quando legitima a
intervenção do Império em assuntos eclesiásticos.

CRUZ, Joziane de Azevedo. As crianças kaiowá e as especificidades de uma parentela. No


Estado de Mato Grosso do Sul-MS encontra-se o segundo maior contingente demográfico
indígena do país, com aproximadamente 70 mil pessoas, como mostra os dados de 2010,
apresentados por Nascimento, Urquiza e Vieira (2011, p.25) sendo que desse total, “56%
são crianças na faixa etária de 0 a 14 anos (39.093) [...]”. Os números que foram expostos
anteriormente são de grande expressividade, pois demonstram que a maioria populacional
do MS, conforme os autores apontam se constitui em crianças, o que chama a atenção para
a necessidade de produções relacionadas a esse grupo e as possíveis reflexões das
especificidades deste momento da vida de meninos e meninas. A finalidade desse artigo é
discorrer a respeito das características existentes em uma parentela kaiowá e suas
especificidades como: sua religiosidade, a circulação de seus membros e a presença das
crianças nesta forma de organização social. A criança é constituída no interior da parentela,
em meio a essa rede de relações estabelecidas com as pessoas de diferentes gerações,
nos diversos espaços frequentados tais como a casa, escola, universidade, casa de reza,
igrejas, áreas indígenas, entre outros, assim como participam de diferentes situações de
aprendizados. As considerações que serão apresentadas foram possíveis a partir dos
estudos realizados na área de Antropologia, centralizados nas discussões sobre criança
indígena, infância, aprendizados, entre outros. Para realização da pesquisa de campo,
realizadas entre os anos de 2013 a 2015, na Aldeia Jaguapiru, localizada na Reserva
Indígena de Dourados (RID), foi utilizado o método etnográfico em conjunto com diferentes
técnicas como: observação participante, entrevistas, desenhos, e registros fotográficos. As
produções cientificas relacionadas especificamente a infância na Antropologia, tem
conquistado espaço nos últimos anos, mas ainda são muito incipientes ao se tratar da
temática criança na etnologia brasileira. Neste sentido, a proposta da discussão visa
contribuir ao campo, a medida que é de suma importância atribuir centralidade à criança
kaiowá e as infâncias vivenciadas.

DAMASCENO, Dennis Rodrigo. A história e ensino nas universidades do Centro-Oeste


(2009-2016). Nos últimos sete anos verifica-se um crescimento de pesquisas acadêmicas
nas universidades brasileiras cuja temática centra-se na compreensão sobre a história e seu
ensino (FERNANDES, 2018). Assim, a proposta deste texto é apresentar um mapeamento
inicial e descritivo dessas produções desenvolvidas nas universidades que situam-se na
região Centro-Oeste do país. Este texto está vinculado a uma pesquisa sobre a “História do
ensino de História no Brasil: o estado da arte na pós-graduação brasileira (1987-2017)”,
desenvolvida no Programa de Mestrado em História Social, da Universidade Estadual de
Londrina (UEL), no Paraná-PR. Este estudo está pautado nos procedimentos metodológicos
da pesquisa documental que visam à localização, recuperação, reunião, seleção e
ordenação de referências sobre a história e seu ensino disponibilizadas nos repositórios
digital de teses e dissertações das universidades brasileiras e no catálogo da Coordenação
50
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Para isso, estabeleceu-se três
critérios analíticos de seleção e categorização das fontes, quais sejam: o estudo dos títulos,
resumos e palavras-chaves das dissertações e teses. A partir destes procedimentos os
resultados parciais da pesquisa indicam, até o momento, um grupo de 16 dissertações nos
programas de pós-graduação em História do centro-oeste, cabe salientar que não foi
localizado nenhuma tese sobre a temática nos programas em História. Esse conjunto de
dissertações foram desenvolvidas entre os anos de 2011 a 2016 nas seguintes instituições:
Universidade Federal da Grande Dourados, Universidade Federal de Goiás, Universidade
Federal do Mato Grosso, Pontifícia Universidade Católica de Goiás e Universidade de
Brasília. As temáticas versadas nas dissertações são sobre a didática da história (de
tradição alemã), livro didático, ensino de história, história do ensino de história e identidade
e representação do professor de história. A partir desse mapeamento regional e nacional
observar-se que este é um tema mais amplamente vinculado às pesquisas na área de
educação, enquanto que os programas em história têm uma produção pequena em relação
ao ensino de sua ciência. Também é possível dizer que o estudo sobre o livro didático e
sobre as metodologias do ensino de História tem sido o maior foco dessas pesquisas.

DAMAZIO, Lislley Raquel. Saberes culturais femininos no Centro-Oeste: fontes para oficinas
no ensino de História. Objetivou-se por meio deste trabalho a catalogação de elementos
culturais na região do Centro-Oeste, principalmente dos saberes femininos em Campo
Grande/MS. Realizar uma investigação acerca dos saberes culturais patrimoniais femininos
é uma ação inovadora no Brasil, uma vez que, somente a partir de 2008 foram sendo
elencados os patrimônios Culturais Imateriais, pelo instituto do Patrimônio Artístico Nacional
(IPHAN). Entre os saberes que estamos investigando está o processo de saber das artesãs,
modos de fazer, seu cotidiano. Seguindo a lógica de valorização dos saberes regionais que
podem contribuir para que os diferentes grupos culturais reconheçam o trabalho e a cultura
feminina, principalmente, de Mato Grosso do Sul foi que pensamos nesta pesquisa. Uma
vez que pontuamos narrar as trajetórias patrimoniais das mulheres artesãs, os grupos
femininos que fazem parte de associações, espaços de socialização de seus trabalhos. Em
que contribuem com o processo de formação das identidades regionais, assim ao catalogar
os processos de fazer-saber das mulheres artesã como elemento cultural na região Centro-
Oeste do Brasil. Os objetivos principais da preservação dos saberes culturais femininos
relacionam-se ao patrimônio cultural imaterial, sendo necessário fortalecer a noção de
pertencimento de indivíduos a uma sociedade, a um grupo, ou a um lugar, contribuindo para
a ampliação do exercício da cidadania e para a melhoria da qualidade de vida. Os
elementos culturais das vivências das artesãs será elemento constituidor como espaços de
formação para o ensino e história do patrimônio. Isso porque, o trabalho tem ainda como
finalidade a produção de oficinas voltadas para o ensino de história patrimonial nas escolas,
assim como a construção de um material didático sobre os saberes femininos nos
elementos culturais sul-mato-grossenses.

DEBONA, Jackson James. Versões da História de Mato Grosso do Sul e a História


Ensinada: o livro didático e o regional em perspectiva. A área de Ensino de História têm, nas
últimas décadas se fortalecido e ganhando espaço em âmbito regional e nacional. No que
concerne à produção histórica sobre as localidades, qualificadas nesse estudo por História
Regional, registram-se contribuições recentes sobre as possibilidades de seu ensino, bem
como versões das narrativas históricas ensinadas, ora pautadas na transposição integral do
conhecimento acadêmico da historiografia, ora adaptada. O presente trabalho tem por
objetivo analisar duas obras didáticas que abordam a História de Mato Grosso do Sul,
aprovadas e recomendadas pelo Programa Nacional do Livro Didático – PNLD 2013, as
quais vem sendo utilizadas na rede pública de ensino fundamental Anos Iniciais, até a
presente data. Os Livros Didáticos, fontes desse estudo, são: História de Mato Grosso do
Sul, 4º. ou 5º. Ano (VALDEZ; AMARAL, 2013) e História do Mato Grosso do Sul
(GRESSLER; VASCONCELOS; KRUGER, 2011). Nessa perspectiva o objeto de discussão,
nesse trabalho, está marcado pelas possibilidades interpretativas construídas a partir de
documentos e pesquisas que embasaram a fabricação da narrativa histórica para o livro
didático de história. A metodologia utilizada na seleção e localização das coleções, consiste
51
no exame material das fontes selecionadas, a exemplo do que propõem os estudos de
CHARTIER (1990), MOREIRA (2011), CHOPPIN (2004) DEBONA (2015) entendendo que a
produção dos textos está diretamente vinculada aos suportes os quais são dados a ler. A
discussão acerca da produção e usos de livros didáticos na contemporaneidade volta a ser
relevante, haja vista iniciativas e orientações governamentais incentivando a escolha e o uso
deste material em todas as escolas do país. Tais ações vem sendo orientadas pelo
Ministério da Educação, através de programas de roteirização e produção de guias para
orientar essa escolha - PNLD - aliada as práticas cotidianas as quais, tratando de escola
pública, fortalecem, para os professores, a sua utilização e para os pesquisadores a
necessidade de discutir suas formas de apropriação. Constatou-se que Mato Grosso do Sul
carece da produção de material didático sobre história regional, o que contribuiu para o
surgimento de debates e produção de escritos sobre a história regional nos sobre livros
didáticos que põem em cheque acontecimentos consolidados em âmbito regional.

DELBONI, Cláudia. A modernização conservadora da agricultura: apogeu e crise do


Complexo Eldorado S.A. no município de Sidrolândia/MS. O artigo tem como objetivo pensar
as transformações socioeconômicas ocorridas na estrutura agrária da região Centro Oeste,
a partir da análise do processo de consolidação e desmonte do Complexo Eldorado S.A.,
localizado no município de Sidrolândia, Estado de Mato Grosso do Sul. O trabalho é parte
da pesquisa de doutorado que estudou o engajamento das mulheres na luta pela terra no
Estado, as quais no ano de 2006 conquistaram um lote de terra numa propriedade que,
antes da reforma agrária, representou foi um marco na produção pecuária no Estado, com a
modernização do pasto e criação do gado nelore. O acesso aos documentos produzidos
pelo Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA) no trâmite de compra da área viabilizou
um arquivo com aproximadamente mil páginas produzidas por tabeliões, procuradores da
união, advogados, agentes ambientais. A partir da análise dos documentos deparei-me com
um longo período da história agrária, mais especificamente o período republicano,
entranhado por relações de disputas e conflitos que acompanharam o processo de
ocupação das terras na região. Dentre os diversos documentos destacamos a Cadeira
Sucessória Dominial do Imóvel a qual trouxe indícios das mudanças e permanências
operadas na estrutura agrária do centro-oeste. Com o estudo da cadeira dominial
percebemos a chegada da República com a emissão dos Títulos Definitivos de propriedade,
tal como a “modernização” da região com a entrada da Land Catle and Packing Companhy,
a qual comprou 145 mil hectares de terra. Também, percebemos a ação de Getúlio Vargas
que desapropriou as terras da companhia em 1930, num esforço de “nacionalização” da
economia. A fazenda permaneceu como terra devoluta até 1948, quando foi vendida para a
Sociedade Anônima Cafeeira da Noroeste e colocou fim ao intervencionismo de Vargas.
Contudo, foi em 1960 no governo de Juscelino Kubitschek, que o italiano Cornélio
Giordanetti comprou uma parcela das terras da Noroeste do Café - 28 mil hectares, a qual
permaneceu sob a direção Paulo E. S. Firmo. Sobre seu comando a fazenda atravessou a
política dos governos militares, experimentou a criação do Estado de Mato Grosso do Sul e
a abertura democrática, tal como consolidou a empresa enquanto modelo de produção
pecuária: o Complexo Eldorado S.A. Por fim, o artigo analisou o alvorecer do século XX e
evidenciou o avanço dos movimentos rurais de luta pela terra, tal como a crise da empresa
que culminou com a venda da propriedade para o Grupo Bertin, no ano de 2003. Este
revendeu a área para o governo federal no ano 2005, o qual distribuiu 2.200 lotes para
famílias que reivindicavam o direito ao uso da terra, a partir das ocupações rurais que
pressionaram o Estado na implementação de mudanças na estrutura agrária do Estado
recém criado.

DIANNA, Eduardo Matheus de Souza. A participação dos Cristianos por el Socialismo na


defesa do governo de Salvador Allende (1970-1973), sob a ótica de Pablo Richard. O
presente trabalho tem como objetivo compreender a relação entre o movimento
sacerdotal/social dos Cristianos por el Socialismo (Cristãos para o Socialismo – CpS) e a
defesa do governo popular da Unidad Popular (UP) de Salvador Allende, sob a ótica do
militante e teólogo da libertação chileno, Pablo Richard. Oficialmente fundado em meados
dos anos 1971, o CpS foi um movimento sacerdotal católico chileno estreitamente ligado
52
aos princípios da emergente teologia da libertação na América Latina, que buscou uma nova
forma de “fazer Igreja” ao propor que seus sacerdotes se aproximassem e experimentassem
da realidade das comunidades pobres e dos trabalhadores e trabalhadoras chilenos. Nos
seus dois anos de atuação legal (1971-1973), o movimento esteve ao lado da classe
obreira, endossando suas reivindicações e praticando, conforme o pensamento do grupo, a
“evangelização libertadora” que culminaria na tomada da consciência de classe e
promoveria, junto do governo popular de Allende, a transição do Estado capitalista chileno
ao socialismo. Nos manifestos lançados pelo grupo e a partir das concepções de Richard,
identificamos certo empenho em defender o governo de Allende e a UP dos ataques da
oposição, sobretudo nos momentos em que os documentos expunham a necessidade dos
cristãos em entender o processo de transformação pelo qual o país vivenciava, e
convocando-os para o enfrentamento político. Assim, enquanto uma fração da sociedade, o
CpS participou ativamente do processo político de transição ao socialismo, com seus
membros acompanhando de perto o desenvolvimento do governo de Allende. Foi
precisamente com a chegada e permanência – mesmo que interrompida por um golpe de
Estado – do governo da UP no poder, que o CpS pôde atuar e exercer influência sob certas
comunidades. A partir da análise dos documentos produzidos pelo movimento ao longo dos
seus anos de atuação, e das percepções de Richard contidas no livro “Cristianos por el
Socialismo: historia y documentación” acerca do contexto chileno da época, pretendemos
nesta comunicação compreender a relação entre religião e defesa da democracia, mais
precisamente como o CpS atuou em defesa do governo de Salvador Allende, nos anos que
antecederam o golpe de Estado no Chile.

DIAS, Alessandro Henrique Cavichia. “Entre tapas e Beijos”: Ajustes e tensões entre a
tradicional e a moderna música rural brasileira. A pesquisa procura apontar o processo de
modernização da música rural brasileira, principalmente ressaltando a influência dos
gêneros estrangeiros como a guarânia paraguaia, a rancheira mexicana e o rock
estadunidense, ritmos que marcaram e transformaram a estética da música rural brasileira
ao longo das décadas de 1970 e 1980. Nessa pesquisa busca-se problematizar alguns
aspectos das transformações sofridas pela música rural do centro-sul do Brasil, que
principalmente durante as décadas de 1970 a 1990 sofreu fortes influências de ritmos
estrangeiros em especial da guarânia paraguaia e da rancheira mexicana, ritmos esses que
se consagraram nas performances das duplas Milionário e José Rico, e Pedro Bento e Zé
da Estrada visto que essa última dupla não restringiu as suas mudanças a apenas as
performance vocal, mais incorporando também em suas apresentações a indumentária
mariachi, trocando o chapéu de palha pelo sombrero. Com isso, cabe salientar as tensões e
acertos estabelecidos entre essas inúmeras duplas que se consagraram através de uma
versão “moderna” da música rural brasileira com a militância de Rolando Boldrin que
buscava preservar a “tradicional” musica rural brasileira. Nesta perspectiva cabe apontar
ainda como ocorre o processo de circulação e hibridação da música rural brasileira e qual o
papel da indústria fonográfica nesse processo de transformação.

DOBES, Paula Garcia. A iconografia da colonização Batayporãense: um desafio de


pesquisa. O presente trabalho tem como objetivo fazer uma discussão da colonização do
município de Batayporã, no estado de Mato Grosso do Sul, partindo do surgimento da
Companhia Viação São Paulo-Mato Grosso até sua venda à Jan Antonin Bata, o que leva à
execução do plano do núcleo colonizador de Batayporã. Cruzaremos trabalhos essenciais
de especialistas da temática, a saber: do Dr. José Carlos Ziliani, das mestras Martina
Cermáková e Juliana Sanches Silva Bonfim e do mestre Danilo Leite Moreira. Como fonte,
trabalharemos com as fontes iconográficas, as fotos, das famílias dos colonizadores. As
fotos acerca do período colonizatório que serão analisadas são acervo do Centro de
Memória Jindrich Trachta de Batayporã, que também ganhará um capítulo sobre sua
idealização, surgimento, papel e importância. Também será focado a colonização do
município de Batayporã sob uma ótica ainda não trabalhada, a das fontes iconográficas. O
Centro de Memória Jindrich Trachta conta com um vasto acervo fotográfico que infelizmente
ainda não foi organizado e estudado, por isso a intenção do referido trabalho em tratar
desse importante material histórico regional.
53
ESPÍNDOLA, Marcos Vinicius Aranda. Homofobia no contexto do futebol moderno. Pautado
em um olhar social, esse trabalho tem como objetivo fazer uma análise sobre todo contexto
da homofobia dentro do futebol moderno, buscando entender seu contexto, causas e
consequências. Será apresentado exemplos e discursos de pessoas que foram diretamente
afetadas por esse mal social, mostrando que ele começa muito antes do estádio. A
homofobia no futebol por mais que tentem velar, continua existindo dentro dos estádios.

ESSELIN, Paulo Marcos. Mato Grosso e a definição da fronteira: da colonização a Guerra


da Tríplice Aliança contra o Paraguai. Nesse trabalho o autor procurou resgatar o Processo
de Colonização de Mato Grosso desde o início da sua ocupação pelos espanhóis no século
XVI, destacando a iniciativa de ocupar aquele território e em que condições foram
implantados os primeiros núcleos populacionais em terras mato – grossenses e nesse
processo de ocupação contando com a participação efetiva dos padres jesuítas a serviço da
coroa espanhola. Ao mesmo tempo apontar o interesse que essa região despertava nos
colonos portugueses, os quais por volta da metade do século XVI, atraídos pela mão de
obra indígena, chegaram ao sul do antigo Mato Grosso. Por essa época começava a
competição, disputa e conflito com os polos de colonização espanhola; a princípio pelo
monopólio do trabalho indígena; posteriormente, com as descobertas das minas de ouro do
Cuiabá, pela posse das regiões auríferas, até o século XIX, momento em que os
portugueses consolidaram a posse sobre esse território.

FALCO, Sthefany de Souza Ribeiro. Quem são os povos muçulmanos? – experiências


durante estágio supervisionado em história. Esta comunicação se baseia em uma
experiência de estágio supervisionado durante o curso de graduação em História. O estágio
em questão foi realizado em turmas do ensino fundamental II, sendo este relato acerca das
atividades realizadas especificamente nas turmas do 7º ano. O assunto abordado durante as
regências foi “O Nascimento do Islã”. O plano de aula teve como base alguns objetivos
gerais: apresentar a dinâmica religiosa, que ocasionou o nascimento do Islã; relatar o
processo de expansão do Islamismo; evidenciar conflitos atuais, demonstrando suas
possíveis causas; citar elementos da cultura islâmica, além de suas semelhanças e
diferenças em relação à cultura ocidental cristã. Primeiramente foi feita uma sondagem
sobre o conhecimento dos alunos a respeito do Islamismo e dos povos muçulmanos.
Através da participação dos alunos na discussão puderam ser identificados alguns termos
recorrentes em suas falas, como por exemplo: “terrorismo”, “burca”, “bomba”, “Alá”, entre
outras. A partir dessas palavras-chaves, iniciou-se a abordagem histórica do o surgimento
do Islã e, em contrapartida, os estereótipos que foram sendo construídos pelo mundo
ocidental a respeito desses povos. Essa problematização inicial objetivou a busca por uma
forma de identificar os preconceitos e testar a capacidade cognitiva de cada um desses
alunos. Ainda na primeira aula durante a discussão e problematização do tema, procurou-se
aproximar a realidade desses alunos, o convívio com a diferença e as notícias que os alunos
tinham acesso sobre os muçulmanos, com o conteúdo histórico trabalhado. Na segunda
aula foi proposta uma atividade em grupo, que consistia em fazer um desenho de um
adolescente muçulmano, apontando as diferenças e semelhanças entre ele e um jovem
cristão ocidental. Os alunos se reuniram em pequenos grupos, elegeram um entre eles para
desenhar, enquanto o restante discutia sobre as semelhanças, diferenças e características
que deveriam apontar na atividade. Ao final do exercício, os desenhos foram reunidos pela
estagiária, que por sua vez analisou, juntamente com os discentes, o resultado da proposta
e os estereótipos presentes na arte. Como atividade avaliativa foi aplicado um questionário
com questões de múltipla escolha, que os alunos responderam individualmente com o
auxílio do livro didático e de suas anotações. Durante a realização desse estágio procurou-
se enfrentar o desafio de "reinventar a escola", buscando auxiliar os alunos e reconhecer
novos objetivos e novas perspectivas. Conhecimento histórico e projeto político-social
devem caminhar juntos, para que assim a escola seja capaz de formar pessoas realmente
preparadas para a vida adulta e que respeitem as diferenças no meio social.

54
FARIA, Lucas Luis de. Ciberativismo Kaiowá e Guarani: A resistência da Aty Guasu no
contexto violento de Mato Grosso do Sul. Nesta pesquisa de Iniciação Científica discutimos
o contexto específico de Dourados e regiões, configurando o Cone Sul do estado de Mato
Grosso do Sul, território cuja ocupação originária deu-se por populações indígenas,
principalmente das etnias Kaiowá e Guarani, sendo os povos que trataremos aqui. As atuais
condições de dificuldades destes povos estão fundadas na invasão e expropriação de seus
territórios tradicionais pelos não-indígenas, com os primeiros registros desse violento
processo colonizador durante a Guerra entre Brasil e Paraguai, no período de 1864-1870, e
que perdura até os dias de hoje. Este texto é um recorte da pesquisa intitulada “Saúde e as
reivindicações dos Kaiowá e Guarani na internet” realizada entre agosto de 2017 e julho de
2018, período em que estivemos inseridos no Programa Institucional de Iniciação a
Pesquisa (PIBIC) CNPq. A proposta da pesquisa foi analisar as reivindicações e denúncias
em saúde expressas nas notas veiculadas na internet pelo movimento Aty Guasu. Para
tanto, utilizamos como campo de pesquisa o blog da Aty Guasu na internet, criado em 2011
para expor as violências contra as comunidades Kaiowá e Guarani. Na literatura o uso das
mídias e redes sociais pelo movimento é entendido como uma nova frente de luta e
construção de uma narrativa contra-hegemônica, aqui ampliamos esse entendimento como
forma de enfrentamento à realidade cruel de invisibilização das ações criminosas do Estado
e dos fazendeiros, expressa pelas denúncias de múltiplas violências e violações, e também
como modo de reivindicação de demandas das comunidades, alinhada as concepções de
Cruz (2005) sobre a participação indígena e os acionamentos de suas estratégias. O
percurso metodológico compreendeu aproximações políticas entre pesquisador-
pesquisadora e o movimento Aty Guasu, com registro em caderno de bordo, e através do
blog do movimento na internet, na aba notas, onde pudemos ter acesso as publicações da
Aty Guasu, entre os anos de 2011 e 2013. Foram lidas 38 notas e separadas de acordo com
a data e local de escrita, a partir da leitura foram feitos pequenos resumos dos assuntos e
recortados os conteúdos referentes às compreensões e demandas em saúde. Na
sequência, analisamos as notas a partir dos entendimentos teóricos oriundos das pesquisas
bibliográficas em: psicologia social latino-americana, decolonialidade, antropologia, redes
sociais e mídias, geografia, e saúde indígena e indigenista. É no contexto de compreensões
cosmológicas específicas, luta pela retomada dos territórios tradicionais, violências e,
violações de direitos, denúncias e reivindicações que se inserem as dimensões da saúde
indígena e indigenista presente nas notas da Aty Guasu.

FÁVERI, Marlene de. O ensino e a pesquisa em História podem prescindir da categoria


gênero para análise social? A pesquisa, e o ensino, em História podem renunciar os estudos
de gênero nas análises sociais? Projetos conservadores propostos por parlamentares
religiosos tem proposto a retirada das discussões de gênero, educação sexual e
diversidades dos currículos escolares, com intuito de eliminar os debates, justificado como
um atentado à família heterossexual, impondo normas morais. Estes projetos subvertem a
atual ordem constitucional por que impedem o pluralismo de ideias e de concepções
pedagógicas, impossibilitando a ampla aprendizagem; confunde educação recebida dos pais
com educação escolar, misturando público e privado; nega a liberdade de cátedra; contraria
o princípio da laicidade do Estado - direitos estes previstos na Constituição de 1988.
Entendo que eliminar as discussões de gênero, sexualidades e diversidade dos currículos
escolares significa retrocessos às conquistas das mulheres, e favorecem violências
pautadas nas relações de poder, sexismo e homofobias que atingem as mulheres e as
populações lgbt; bem como os prejuízos para a educação democrática. Mostro que
prescindir destas discussões atingem o cotidiano escolar, e a sociedade, como violências
advindas de preconceitos e estereótipos de gênero; e, valer-se do aparato estatal para
impedir a superação da exclusão social, o que só faz perpetuar a discriminação. Tais
projetos, ao identificar os estudos de gênero como ´ideologia de gênero’, fomenta o temor,
nas famílias, de que seu filhos e filhas possam subverter a ordem biológica do que
entendem ser o ‘normal’ e natural, balizados em preceitos moralistas e religiosos,
demonizando, assim, esta categoria de análise para as relações sociais e culturais. A
pesquisa, e o ensino, têm um papel fundamental para o avanço da educação, na promoção
dos valores tutelados pela Constituição. O ambiente acadêmico deve proporcionar o debate
55
das ideias; docentes, alunas e alunos não podem ter ameaçados o direito ao
reconhecimento de termos analíticos que mostram as construções culturais que reproduzem
violências sexuais, psicológicas, patrimoniais, raciais, sendo criminosa a retirada destes
termos e, consequentemente, os seus estudos, dos currículos escolares.

FONSECA, Vinicius Rajão da. Propostas de colonização em Mato Grosso: o núcleo colonial
de Terenos. Esta pesquisa tem como objetivo analisar as propostas e os discursos sob os
quais se constituiu a ideia da necessidade de instalação de colônias agrícolas no estado de
Mato Grosso, entre as décadas finais do século XIX e iniciais do XX. Nosso ponto de
chegada é a colônia agrícola de Terenos, localizada no município de Campo Grande. A
formação da colônia se deu a partir de 1920, após um contrato firmado entre o governo do
Estado e a Sociedade Territorial Sul Brasileira Henrique Hacker & Companhia. A Cia. ficou
responsável por colonizar uma área total de 500.000 hectares de terra, além de introduzir
preferencialmente colonos europeus. Após um desacordo que gerou o rompimento do
contrato entre o poder público e a colonizadora particular, o estado de Mato Grosso e a
intendência de Campo Grande assumiram a administração do núcleo colonial. O foco da
análise são os argumentos que caracterizam o Mato Grosso como território em que -
predominaria os vazios demográficos, falta de mão de obra, baixa produção agrícolas -
usado pelo poder público para legitimar o discurso da colonização.

FREITAS, Jéssica Lima de. Ensino de história e educação patrimonial: Mapeando os


lugares de memória em Campo Grande/MS a partir do museu José Antônio Pereira. Este
trabalho pretende abordar as discussões sobre as inter-relações entre história e educação
para o patrimônio. No cenário de mudanças na sociedade brasileira, há necessidade de
repensar a importância do patrimônio cultural como parte da constituição da história das
cidades, bem como das concepções que podemos utilizar para ensinar história a partir dos
bens patrimoniais. Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa sobre o museu José
Antônio Pereira e também pretende desenvolver a análise sobre o patrimônio feminino no
Museu José Antônio Pereira. Este museu está instalado na fazenda Bálsamo, terra doada
pelo fundador da cidade a um dos seus filhos, Antônio Luiz Pereira. Em Bálsamo, a pequena
casa de pau-a-pique, o monjolo, o silêncio só encontrado na periferia semi-rural da cidade.
Neste sentido, buscamos dialogar sobre a conexão entre o ensinar e aprender história, a
partir das práticas museais propõe-se aprofundar as dimensões da cultura feminina e
história regional. A presença feminina está arraigada na construção na cultura nacional e
expressa no patrimônio cultural imaterial brasileiro, em que a transmissão de saberes,
constantemente feita pelas mulheres, seja pelas mãos, dança, artesanato ou oralidade,
muito além de solidificar relações culturais complexas, ainda mais quando se trata do
intangível, é capaz de construir história. Buscamos demonstrar metodologicamente que as
mulheres tem história e são representadas no museu, objetos, estátuas, detalhes que
mostram a contribuição e importância feminina na história de Campo Grande. A partir da
fundamentação teórico-metodológica pretende-se abordar a relação entre museu, história
regional, a presença feminina e sua importância e interfaces com a educação patrimonial.

GARCIA, Fernanda Dalmazo; NOVAK, Éder da Silva. A primeira década da Lei


11.645/2008: a aproximação entre universidade e escola e o ensino de História e Cultura
Indígena. A presente proposta de trabalho tem como objetivo apresentar o Projeto de
Extensão do curso de História da Universidade Federal da Grande Dourados-UFGD,
intitulado “Aproximando universidade e escola, teoria e prática: oficinas de história e cultura
indígena nos campos de estágio”, e suas realizações até o dado momento. O projeto conta
com a participação de docentes e discentes da graduação e pós-graduação do curso de
História-UFGD e encontra-se em desenvolvimento, com início no mês de abril de 2018 e
previsão de término para dezembro de 2018. A Lei 11.645/2008 tornou obrigatório o ensino
de História e Cultura Indígena em toda a rede de ensino, promovendo mudanças nas grades
curriculares dos cursos de licenciatura e no Ensino Fundamental e Médio, bem como nos
livros didáticos, além de cursos de formação continuada sobre a temática. Além de auxiliar
na implementação da citada Lei, que completa sua primeira década de existência, o
presente projeto visa à aproximação da universidade e escola e da teoria e prática, tão
56
importante para a formação docente dos futuros historiadores e professores de história, por
meio de oficinas aplicadas em escolas públicas de Dourados-MS. A proposta é pertinente
para o contexto em que vive o Brasil e principalmente para Dourados e o estado do Mato
Grosso do Sul, com graves e violentos conflitos contra os povos indígenas, invasões de
seus territórios e ameaças de perdas dos seus direitos. Uma realidade vivenciada
localmente pelos alunos e toda sociedade de Dourados, que em grande parte, devido à falta
de conhecimento, reproduzem os mitos e estereótipos que descaracterizam as estratégias e
ações dos indígenas no Brasil. O projeto em questão integra pesquisa/ensino/extensão,
levando as oficinas de História e Cultura Indígena aos estudantes do primeiro ano do Ensino
Médio de algumas escolas públicas de Dourados, contribuindo para o atendimento à Lei
11.645/2008, com o objetivo de promover nos alunos a compreensão das historicidades dos
povos indígenas e da sua diversidade cultural, além do respeito à alteridade e do convívio
democrático. Este Projeto de Extensão permitirá a integração de diferentes disciplinas do
curso de História e dos eixos da UFGD, como História Indígena, Ensino de História, Estágio
Supervisionado, Interculturalidade e Relações Étnico-raciais, entre outras. A ideia é
promover articulações entre os conteúdos teórico-metodológicos ensinados/aprendidos
durante o Curso de Licenciatura em História, com a realidade de ensino da educação
escolar, reduzindo as distâncias que separam a teoria da prática, contribuindo também para
a formação dos futuros professores e historiadores. Além disso, integrar
pesquisa/ensino/extensão.

GARCIA, Joice Souza. Feminismo e políticas públicas de enfrentamento à violência de


gênero: a Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande-MS. O presente trabalho tem o
objetivo de analisar a importância dos movimentos de mulheres e feministas para a
implantação de políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero. Para tal
compreenderemos a constituição da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande (CMB), a
primeira do Brasil, bem como a importância dos movimentos de mulheres e feministas de
Mato Grosso do Sul para sua implantação nesta capital. Inaugurada em 2015, a CMB fez
parte do Programa do governo federal "Mulher viver sem violência", implantado pela
Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres como uma proposta transformadora no
tocante ao enfrentamento à violência de gênero, sobretudo pela participação dos
movimentos de mulheres, das décadas de 1980 à contemporaneidade.

GONÇALVES, Hugo Alves. Moderno e modernidade: teoria comparada ao filme “Back to the
Future”. Nesta comunicação, seguimos a ideia de Veyne (1979) ao compartilharmos do
pensamento que os conceitos são de grande importância para/com a Ciência Histórica,
porém, não iremos neste texto criar novos conceitos, mas sim, analisar os já existentes:
“moderno” e “modernidade”. Para isso, utilizamos teorias de alguns autores, como Falcon
(2006) e Souza (2005), assim como uma analise do filme Back tothe Future (De volta para o
futuro). As metodologias utilizadas neste ensaio foram relacionadas a analise do recurso
audiovisual (filme “Back tothe Future), baseado principalmente em autores essenciais desta
área, como Saliba (2007), discutindo principalmente as imagens canônicas e Morettin
(2007), que aborda o cinema como fonte histórica. Portanto, é interessante notarmos a
maneira como é abordada a diferença do moderno com o antigo, as rupturas e
continuidades. Assim notamos que em diversas passagens, é possível observar o contraste
entre os aspectos modernos em diferenciação com os aspectos do passado. Isso se torna
claro em diversas passagens do filme, como: na relação com as roupas (todo o
estranhamento); na relação com as musicas (os costumes) e também no quesito
“imaginário” (como eles pensavam naquela época as maquinas do futuro- auge da
modernidade, das invenções, da velocidade e das luzes).

GRIGOLIN, Gabrieli Donda. Usos do Passado: As Heranças da Antiga Sociedade de


Tiwanaku e o Governo do Primeiro Presidente Indígena da Bolívia. A presente comunicação
tem como objetivo a discussão acerca da antiga civilização de Tiwanaku que existiu no
período chamado pelos historiadores de Horizonte Médio Andino, entre os anos de 800-500
e 1.000 (d. C.). Hoje suas ruínas se localizam onde conhecemos como Bolívia, Chile e Peru.
Essa civilização é considerada por alguns historiadores como um dos berços da América
57
Colonial, mas, apesar disso, sua história é pouco estudada e considerada “esquecida”
dentro de seu campo de estudos da história, especialmente no Brasil. Nesse sentido, com
base nas fontes e nos documentos sobre essa civilização buscarei expor como a cultura
deste povo foi, e ainda é, valiosa durante seu auge, também estabelecerei e farei uma
análise acerca de como o primeiro presidente de origens indígenas da Bolívia, Evo Morales,
tem feito uso sobre o passado de Tiwanaku, buscando, legitimar seu governo através de
suas raízes.

HECKO, Leandro. Achilles, Agony And Ecstasy: O episódio de Aquiles e Pátroclo entre
Homero e Manowar. O presente trabalho busca fazer uma leitura da ópera rock Achilles,
Agony And Ecstasy (1982) da banda estadunidense Manowar. Neste sentido, serão
relacionados aspectos que foram apropriados ou recriados da obra Ilíada, de Homero,
dentro da ópera rock, buscando contemplar elementos do campo de usos do passado, no
sentido de menções a temáticas, releituras e propagação da cultura grega antiga por meio
do rock contemporâneo.

HILÁRIO, Wesley Fernando de Andrade; ZILIANI, Rosemeire de Lourdes Monteiro.


Constituição de subjetividades jovens no discurso midiático sobre a reforma do ensino
médio dos anos 1990. Este trabalho socializa resultados parciais de uma pesquisa de
caráter histórico em desenvolvimento na linha de pesquisa História da Educação, Memória e
Sociedade do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da
Grande Dourados. Objetiva problematizar a constituição de sujeitos/subjetividades jovens no
discurso midiático que tratou sobre o ensino médio, cuja reforma foi inscrita na Lei n. 9.394,
de 20 de dezembro de 1996. O argumento geral é que quando pautou a reforma em
questão, o discurso midiático o fez articulando enunciados que remetem à racionalidade
neoliberal, e, desse modo, instituindo posições de sujeito a uma franja específica da
população alinhadas àquela perspectiva econômica, política e social hegemônica que
adentrou capilarmente nas políticas públicas brasileiras no início daquela década. Como
fontes foram privilegiadas revistas produzidas pelo Governo Federal e uma edição de uma
revista de ampla circulação nacional, nas quais foram divulgadas as mudanças no nível
médio por ocasião da reforma. Como referencial teórico foram adotados conceitos inscritos
na perspectiva foucaultiana e como metodologia a análise do discurso. Este modo de
análise implicou trabalhar de forma árdua o próprio discurso, o que foi dito, deixando-o
aparecer na complexidade que lhe é peculiar. Em outros termos, tratou-se de analisar
enunciados e relações que o discurso põe em funcionamento a cada momento histórico e
condições políticas, econômicas e sociais, atentando-se para os tipos de sujeito produzidos
discursivamente. O texto foi organizado em duas partes além da Introdução e das
Considerações Finais. Na primeira parte discutiu-se a mídia como um dispositivo da
governamentalidade neoliberal, ou seja, como instrumento levado a efeito por essa
racionalidade para conduzir as condutas da população e fazer com que esta conduza a si
mesma conforme os pressupostos tecidos discursivamente. Na segunda parte abordou-se o
caráter neoliberal da reforma do ensino médio, problematizando dois enunciados em
circulação no discurso midiático. O primeiro diz respeito à autonomia dos jovens em suas
escolhas no ensino médio e potencializa um novo sujeito: o empresário de si, subjetivado a
constituir seu próprio capital, sua própria fonte de renda, sendo por si mesmo seu
empresário, e um empresário de si mesmo. O segundo enunciado refere-se à formação
“para a vida e para o trabalho”, e preconiza a necessidade de melhor preparo dos jovens
para as condições cada vez mais precárias que a vida e o trabalho em tempos de uma
sociedade subordinada ao capital oferece. Com isto enfatiza-se o papel da linguagem e das
relações de poder que são inerentes à mídia e ao seu papel na constituição de sujeitos e de
seus modos de vida, em especial da população jovem brasileira.

IBANHES, Eliakyn Dayan de. A Participação Feminina no Mercado de Trabalho em Mato


Grosso do Sul: uma análise a partir dos setores mais representativos. Ao longo dos anos as
mulheres vêm enfrentando desigualdade e discriminação na vida cotidiana, tanto no que se
refere às questões econômicas, quanto culturais e sociais. O intuito da presente pesquisa foi
analisar a evolução da participação da mulher no mercado de trabalho em Mato Grosso do
58
Sul, bem como de sua renda. Destacando os principais setores econômicos. Para tanto, foi
realizado um estudo exploratório e descritivo, a partir de um levantamento bibliográfico e
documental, com a utilização de fontes como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A partir da análise minuciosa dos dados,
foi possível medir a evolução da participação feminina no Estado, bem como compara-la a
situação das mulheres em todo o Brasil e no mundo. Os dados apontam para uma redução
da lacuna existente entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Contudo, apesar dos
avanços no quesito salarial e participativo, alguns setores ainda apresentam indicadores
bastante inferiores para as mulheres. Mesmo naqueles setores em que elas se destacam
(como a Administração Pública), e que são maiorias (no Estado, no Centro-Oeste e no
Brasil), seus salários ainda aparecem como uma parcela consideravelmente menor que a
dos homens. Naqueles setores em que sua participação é também consideravelmente
menor (como o de Construção Civil) em uma relação de 1/10, seus salários também não são
melhores. Em suma, do total de 8 setores agregados pelo IBGE analisados, em apenas 2 as
mulheres apresentaram-se como maioria (Administração Pública e Serviços), setores estes
que conjuntamente compõem cerca de 49% do mercado de trabalho sul-mato-grossense.
Destes mesmos 8 setores, em apenas 1 elas apresentaram em 2016 um salário
ligeiramente maior que o dos homens (2,24, contra 2,17 Salários Mínimos). Sendo este, o
setor da Construção Civil, em que a participação feminina é de apenas 8,95%, tornando
essa ligeira vantagem salarial em uma estatística irrisória de fato. Os dados, retirados do
anuário RAIS, que representa um censo anual do emprego formal no Brasil, em conjunto
com os da Organização das Nações Unidas e Organização Internacional do Trabalho, do
período de 2007 a 2016, apesar de suas limitações, como por exemplo, não demonstrar os
abusos e preconceitos ainda sofridos na hora da procura do emprego e no âmbito do
trabalho, deixaram transparecer a desigualdade histórica-econômica que as mulheres vêm
sofrendo no mercado de trabalho sul-mato-grossense, brasileiro e mundial.

JESUS, Laércio Cardoso de. Os trabalhadores das fronteiras entre Selva Trágica e El
Trueno entre las Hojas. A proposta deste trabalho visa analisar e discutir a participação dos
trabalhadores das fronteiras em diversos ramos extrativos entre Brasil e Paraguai na região
que demarca uma linha divisória internacional com o sul do antigo Mato Grosso, atual Mato
Grosso do Sul. Especificamente, iremos analisar os filmes Selva Trágica – 1964 e El Trueno
entre las Hojas – 1957. O primeiro filme do diretor Roberto Farias foi baseado no livro de
Hernani Donato escrito em 1957 com o título homônimo e, trata da representação do
trabalhador ervateiro na região referenciada durante toda a primeira metade do século XX.
O segundo, do diretor argentino Armando Bó teve sua base em uma obra literária de
Augusto Roa Bastos, que escreveu sobre a participação de muitos trabalhadores na
reconstrução do Paraguai após as duas principais guerras de seu país – Tríplice Aliança
contra Brasil, Argentina e Uruguai – 1864/1870 e Guerra do Chaco – 1932/1935 contra a
Bolívia. Esse segundo filme busca uma concepção do trabalho extrativo, não da erva-mate,
mas dos trabalhadores no ramo madeireiro do quebracho onde se extraem o tanino,
substância necessária na época para curtição do couro cru, ou seja, um pouco diferente
daquilo que Roa Bastos coloca logo no início de seu livro que seria a produção de açúcar
por estes trabalhadores. Essas atividades eram importantes para a manutenção de várias
pessoas na região onde muitos trabalhadores vinham de outras regiões para trabalhar nas
grandes empresas extrativas nessas fronteiras, sendo agregados como trabalhadores
sazonais, uma vez que as colheitas não ocorriam o ano inteiro, ou na iminência de promover
reformas ou construções, prendiam-nos pelo ano inteiro.É importante observar que ambos
os filmes buscaram seus roteiros em obras de literaturas, portanto, escritas para ficção, não
havendo, nesse sentido, uma preocupação com uma história real. Cabe-nos observar as
possibilidades de entendimento dessas obras para buscar nesses filmes, abordagens que
representam as práticas sociais desses indivíduos das fronteiras.

JESUS, Leticia dos Santos de. As mulheres Sul-matogrossenses e a Ditadura brasileira:


problemáticas e perspectivas de uma pesquisa. A ditadura militar instaurada no Brasil em
1964 perdurou mais de 20 anos e ficou marcada não apenas pelos de direitos civis e
políticos retirados, mas, também na luta incansável de muitos militantes contra o governo.
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Nesse espaço de luta, um número considerável de mulheres participou ativamente para
derrubada do regime e resistiu às práticas de tortura que invadiam o psicológico e atuavam
principalmente no corpo feminino. Entretanto, a representatividade feminina nesse período
permitiunão só conquista de espaços como a militância política, mas a própria reflexão
acerca doslugares destinados na sociedade. Sendo assim, reconstruir a memória coletiva
sobre a participação das mulheres torna-se importante para a evolução das relações
humanas em todos os espaços do país e principalmente nas de gênero. Dessa forma, neste
trabalho pretende-se tecer reflexões sobre as mulheres sul matogrossenses que lutaram
contra a ditadura, observando as possibilidades de problematização e os melhores
caminhos da pesquisa. Quanto ao estado do Mato Grosso do Sul, os impactos da ditadura
vão desde sua emancipação, em 1977, em pleno governo militar, às inúmeras prisões e atos
de repressão em cidades como Corumbá, Ponta Porã e Dourados. Contudo, ainda temos
pouco sobre a participação das mulheres do estado no combate à repressão, uma vez que
não temos nenhuma bibliografia específica, dificultando a identificação dessas mulheres.
Diante dessas circunstancias, objetiva-se identificar algumas dessas mulheres e buscar
contribuir para a bibliografia sulmatogrossense de acordo com suas experiências e lutas,
podendo apontar os porquês de suas resistências serem silenciadas na história nacional.
Por fim, acreditamos contribuir não apenas na (re)construção da história do Mato Grosso do
Sul do período, mas, também reafirmar o espaço e a resistência das mulheres brasileiras na
ditadura militar.

JUNQUEIRA, Nathalia Monseff. As narrativas de viagem sobre o Egito na Antiguidade: o


estudo das obras de Heródoto (V a.C.) e Estrabão (I a.C.-I d.C.). Neste trabalho
apresentarei os primeiros dados provenientes da minha pesquisa de pós-doutorado, na qual
busco analisar características comuns descritas nas obras de Heródoto e Estrabão,
historiador e geógrafo, respectivamente, de origem grega. Entretanto, esses viajantes estão
inseridos em contextos distintos: Heródoto navega pelo Mediterrâneo durante o processo de
expansão ateniense ocorrido no V a.C., enquanto que Estrabão descreve as regiões que ele
conheceu no ano I a.C. Embora a construção de seus relatos tenha ocorrido em épocas
distantes, tais escritores proporcionaram que o seu público tivesse um conhecimento das
áreas visitadas, e dissertando sobre informações importantes para a política expansionista
dos gregos e romanos durante a Antiguidade.

LACERDA, Erasmo Peixoto de. A imprensa recifense e o cangaceiro Antonio Silvino:


posicionamentos políticos em conflito. Antonio Silvino, alcunha utilizada por Manoel Baptista
de Moraes, foi o mais importante cangaceiro, antes de Virgulino Ferreira, o Lampião,
atuando nos Estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte entre os anos
de 1897 e 1914 – quando fora preso. O extenso período em que viveu praticando uma série
de crimes pelo interior dos referidos estados transformou-o em notícia de interesse público,
havendo farta publicação em jornais sobre ele e seu bando. O objetivo desse trabalho, ainda
em caráter inicial, é analisar quatro jornais publicados em Recife – Diário de Pernambuco,
Jornal de Recife, A Província e Jornal Pequeno –, entre os anos em que Antonio Silvino
esteve em atuação, buscando compreender como o cangaço, e especificamente ele, eram
utilizados pela imprensa pernambucana para atacar ou defender o governo estadual. Os
periódicos apresentam-se como fonte possível para o conhecimento sobre o passado, mas,
assim como quaisquer outras fontes, não são neutros, imparciais e detentores da
informação verdadeira, de modo que entender os posicionamentos políticos e ideológicos
por trás dos mesmos pode ser um ponto de partida para compreender as representações
construídas sobre Antonio Silvino nos mesmos.

LANGARO, Jiani Fernando. Trabalhadoras migrantes, movimentos sociais de bairros e lutas


por direitos em Toledo-PR (Décadas de 1980 e 1990). O trabalho propõe uma reflexão
sobre a participação de mulheres trabalhadoras migrantes em movimentos sociais e de luta
por direitos, empreendidos nos bairros periféricos de Toledo, estado do Paraná, entre as
décadas de 1980 e 1990. Trata-se de movimentos reivindicatórios de melhorias urbanas,
tais como redes de água e de energia elétrica, linhas de ônibus e asfaltamento de ruas. As
memórias dessas mobilizações estão envoltas em diversas polêmicas, a começar pelo seu
60
status de movimento social, frequentemente não reconhecido e tratado como extensão das
políticas públicas municipais, em parte por não terem incluído o acesso ao solo urbano entre
suas demandas. Por outro lado, a presença masculina é preponderante nas memórias
dessas experiências, perspectiva que se ancora no fato dos homens terem sido os
ocupantes mais frequentes dos cargos de direção de igrejas e associações de moradores de
bairros, instituições basilares para as organizações populares. Diante disso, nos propomos
discutir a participação feminina nessas ações, no intuito de ampliar a visibilidade dessas
experiências – no interior do ambiente acadêmico – e refletir sobre as formas como tais
mulheres reivindicam seu espaço nas memórias das mobilizações. Para tal, lançamos mão
da história oral como metodologia primordial de trabalho, a qual confrontaremos com outras
fontes, como livros de história local, matérias veiculadas pela imprensa da época e
manuscritos.

LANZA, Renato Felix. Formação do Imaginário Civilizador Terena. O trabalho propõe


analisar a justificativa do uso de populações Terena no oeste paulista, sob a alegação dada
pelo SPI de que eles iriam “civilizar” os Kaingang da região, comparando com as discussões
propostas por autores que analisam formas diversas de representação dos indígenas, desde
comparações com bárbaros e selvagens, criaturas de satã e até como gentis e bons
trabalhadores. Parte-se, pois, desde o antigo imaginário ocidental relacionado ao homem
selvagem até sua transposição sobre os indígenas da América para se tentar entender a
mudança de visão que cairia sobre os Terena. Então, através do conceito de imaginário,
propõe-se analisar o conceito de selvagem ao longo do pensamento ocidental. O clássico
grego não tinha estudos comparativos (alteridade), e o bárbaro (não grego), selvagem, era
irrelevante. Para Aristóteles, bárbaro era for da lei e escravo, sendo justo escravizá-lo. O
cristianismo medieval construiu a diferença entre os homens como expressão da corrupção
da espécie (A Queda). Todavia, a queda poderia ser perdoada desde que se aceitasse a
Igreja (conversão). Na impossibilidade de admitir uma teoria gradualista ou de admitir uma
criatura semi-humana, não restava à teologia outra alternativa senão explicar o selvagem
pela demonologia. Foi nesse ambiente mesclado de esperanças, inovações e humanismo
com um medo escatológico que se deu o encontro com o Novo mundo. A satanização dos
ameríndios é, pois, parte da perplexidade em face do dilúvio e da escatologia e justificava a
empresa civilizadora. Mesmo o indígena sendo tratado como criança também era motivo
para dominá-lo. Mais “piedoso” seria educar e cristianizar. Outra ideia era a pré-
compreensão de que os indígenas seriam desqualificados para o trabalho. São ideias
colonialistas (mesmo assim utilizaram-se deles). Excluir indígenas de serem humanos era
pretexto para violência: eram animais não políticos, selvagens que era licito capturar e
reduzir à escravidão. Então, como se deu essa mudança do imaginário que fez os Terena
passarem de selvagens a civilizadores? Vargas, que fez campanha para “glamourizar” o
indígena, encontrando em Rondon e no SPI fortes colaboradores, já dava reflexos de uma
mudança recém-ocorrida. Em sua propaganda no DIP, difamava o europeu e consagrava o
indígena, subvertendo a concepção eurocêntrica da história nacional. É, pois, em meio a
esse período que o trabalho busca encontrar respostas.

LARA, Camila de Brito Quadros. A cidade e o patrimônio: olhares sobre a Feira Livre de
Dourados (1948-2016). Esse texto tem como temática a apresentação de meu projeto de
pesquisa de tese de doutoramento vinculado ao PPGH/UFGD. Tal projeto de pesquisa tem
como objeto de estudo a Feira Livre de Dourados, criada em 1948 através do Decreto Lei nº
19, como uma estratégia de abastecimento dos moradores da cidade, comercialização dos
produtos hortifrutigranjeiros dos colonos da Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND)
e da Colônia Municipal de Dourados (CMD), bem como forma de arrecadação de impostos
para o município. Nesse sentido, a Feira Livre teve como seu primeiro ponto de localização
a Praça Antônio João. Porém, durante as décadas, sua localização foi alterada por várias
vezes pelo poder público, até ser instalada no Jardim São Pedro, local atual. Diante desse
contexto, o anteprojeto tem por objetivo apresentar e analisar os diversos olhares sobre a
Feira Livre de Dourados e sua relação com a cidade de Dourados: do morador local, do
frequentador da feira, dos feirantes e do poder público, e ainda sua abordagem enquanto
patrimônio histórico-cultural, pois a mesma é tombada a nível municipal desde 2010. A
61
problematização de tais questões nessa pesquisa será importante para entender alguns
aspectos que mais tarde irão contribuir para a escolha e legitimação da Feira Livre de
Dourados como patrimônio histórico e cultural: o processo de interação dos moradores da
cidade e das colônias, o entendimento da Feira Livre enquanto espaço de trocas comerciais
e simbólicas, a visão e o interesse do poder público em relação à feira, a questão do
pertencimento pelo bem patrimonial, além do desenvolvimento econômico de Dourados, tão
pautado no progresso e na modernidade, discurso bastante utilizado pela imprensa local e
pelos memorialistas. Entender a Feira Livre de Dourados enquanto elemento representativo
diante do reordenamento do espaço público, bem como suas dinâmicas e representações
sociais e culturais também se faz necessário, pois a feira se constitui em um espaço de
sociabilidade, de trabalho, de lazer, de tradição e de memória coletiva, produzindo
identidades. Sua representação está para além das funções econômicas, visto que se trata
de uma produção cotidiana de saberes, de práticas sociais e culturais, de relações de poder.
As fontes propostas para essa pesquisa são: orais, impressas, imagéticas e documentos
oficiais.

LEÃO, Geiselly Marçal da Silva. Representações do movimento gay na América Latina, nas
páginas do Lampião da Esquina (1978-1981). A partir do golpe civil-militar de 1964, o Brasil
atravessou períodos de intensa repressão e violência, principalmente no período de 1969
até 1974. No entanto, no final dos anos 1970, em um momento de declínio da capacidade
de manutenção no poder por parte dos militares, a sociedade civil organizada por meio de
manifestações esporádicas e greves da produção cultural trouxe mudanças significativas ao
país, levando ao processo de redemocratização e abertura política. O período de mudanças
também seria identificado na produção midiática, a exemplo da imprensa escrita - O
Lampião da Esquina (1978-1981), primeira publicação direcionada ao público homossexual
de circulação nacional. A população composta por lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros
sofreu tratamentos diferenciados na sociedade brasileira, marcados, sobretudo, pela
violência. Ocorreram transformações dos movimentos sociais no Brasil e a inserção de
novas demandas no cenário político, não somente no Brasil, mas em toda a América. Neste
sentido temos por objetivo realizar o levantamento de matérias relacionadas ao movimento
gay na América Latina e como eles eram retratados no jornal alternativo brasileiro Lampião
da Esquina nos anos de suas publicações.

LEITE, Gislaine Martins. As diferenças sociais na Primeira República representadas na obra


Recordações do Escrivão Isaías Caminha de Lima Barreto. Escolhida por Lima Barreto
(1881-1922) para ser a sua primeira obra publicada e de circulação nacional, Recordações
do Escrivão Isaías Caminha, de 1909, nos possibilita uma reflexão crítica sobre complexos
problemas de ordem social do início do século XX. Período marcado por intensas
transformações sociais, políticas e culturais, que modificavam a estética da cidade e o
cotidiano dos indivíduos, caracterizado muitas vezes pela imposição e exclusão. A
República que chegou a instigar um sentimento de esperança por melhorias sociais às
camadas mais pobres do Brasil se apresentava como uma continuidade conveniente ao
poder das elites brasileiras, grupo este, que se mantinha no topo das decisões políticas e
econômicas do país, e que agora buscava fazer da então capital brasileira, Rio de Janeiro,
uma cidade modernizada e evoluída aos moldes europeus. É nesse contexto que
encontramos na literatura de Lima Barreto uma importante representação dos problemas
sociais ocasionados por essas mudanças, um olhar através da perspectiva de um escritor
pobre e negro diante da face perversa desse processo, que cristalizou uma característica de
exclusão da população pobre da parte desenvolvida da cidade, deixando marcas profundas
na cidade do Rio de janeiro, mas também numa perspectiva mais alargada em nossa
sociedade. Ao realizar a reflexão da obra de Lima Barreto o que se busca é aproximá-la da
produção historiográfica, pensar o autor como um escritor-historiador, que compreende os
problemas de seu tempo e seus desdobramentos na vida cotidiana das pessoas. Não que
sua obra literária seja um documento fidedigno, real da sociedade em questão, visto que,
obra literária é subjetiva e reflete as representações da realidade social, mas problematizá-la
como uma rica fonte histórica que possibilita conhecer algo que a historiografia do começo

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do século não foi capaz de alcançar, momento este, onde grande parte das obras escritas
no país partilhavam do sentimento de transformar o Rio de Janeiro na “Paris dos Trópicos”.

LIMA, Joselaine Dias de. Direito à identidade cultural dos povos indígenas no Brasil. O
trabalho expõe a importância de reconhecer e respeitar a identidade cultural dos povos
indígenas. Mostrando sem exaurir o tema, o que vem a ser o direito e os avanços ocorridos
na garantia desses, com argumentações que abarcam a legislação pertinente, apresentar a
necessidade de autodeterminação destes povos, e os desafios e lutas em favor da
permanência em seus territórios. Observando como o Estado reconhece a democracia
representativa e participativa do povo, a proposta deste trabalho é promover uma reflexão e
apontar a necessidade de considerar que os povos indígenas no Brasil tenham autonomia
para a organização das suas comunidades, a resolução de conflitos de acordo com seus
valores culturais, e o reconhecimento do direito à sua identidade cultural, visando o
cumprimento das leis, de modo que não permaneçam apenas em normas estatais e em um
poder centralizado.

LOPES, Gabriella Assumpção da Silva Santos. Brasileiras Célebres e a educação das


mulheres cariocas do século XIX. A presente comunicação tem o objetivo de apresentar as
biografias de mulheres reunidas no livro Brasileiras Célebres de Joaquim Norberto de
Sousa, publicado pela editora de B.L. Garnier em 1862. Os textos que compunham o livro
foram publicados anteriormente de forma avulsa na seção “Esboços Biográficos” da Revista
Popular (1859-1862), também empreendimento da livraria e editora de Garnier. Essas
biografias publicadas na revista e no livro integram parte da pesquisa de mestrado em
curso, que ao questionar o que poderiam ler e como deveriam ser educadas as mulheres da
segunda metade dos oitocentos, objetiva compreender formas de educação postas em
circulação por meio dos impressos periódicos, tendo como fonte privilegiada a Revista
Popular. No livro, em uma nota de advertência ao leitor, Garnier afirmou que era um dos
objetivos da publicação ser oferecida às meninas nas salas de aula, caso fosse aprovada
pelas autoridades competentes. As biografias trouxeram mulheres que viveram no Brasil
desde o período colonial reunidas sob as categorias de “Amor e Fé”, “Armas e Virtudes”,
“Religião e Vocação”, “Gênio e Glória, “Poesia e Amor”, “Pátria e Independência” e de
acordo com Norberto, pretendiam retirar do esquecimento e do desconhecimento,
personagens ilustres e merecedoras das páginas da história por suas ações e feitos pela
pátria. É importante salientar que o autor da obra foi membro do Instituto Histórico
Geográfico Brasileiro, IHGB, instituição que se preocupou com a constituição de uma
história nacional e incorporou a escrita biográfica nas páginas de seu periódico, também
como uma maneira de fixar memórias de vida e feitos de grandes homens (OLIVEIRA,
2009). De acordo com Armelle Enders (2000), a biografia praticada durante o Segundo
Reinado possuiu, dentre seus objetivos, uma missão pedagógica como difusora de
exemplos, guia moral e cívico, que não ficou restrita às páginas da publicação do IHGB, mas
se expandiu para outros periódicos, compêndios e dicionários biográficos. Ao que se refere
a educação feminina, Joaquim Norberto indicou sua obra como um livro apropriado para
leitura das mulheres, pois apresentava célebres compatriotas que serviriam de exemplos
edificantes. Nesse sentido, busca-se compreender as representações e modelos veiculados
pela obra, bem como suas relações com a pretendida educação para as mulheres do
contexto histórico no qual circulou.

LOPES, Janai Harin. Quem tem medo de discutir gênero? Uma abordagem histórica e
legislativa sobre os desafios de se promover a igualdade na educação. Grupos religiosos
fundamentalistas e conservadores têm se mobilizado visando barrar as discussões de
gênero, sobretudo nas escolas. Na nova versão da Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) termos como gênero e orientação sexual foram excluídos do documento, reforçando
visões conservadoras de que o preconceito não existe. Isto posto, este trabalho revisita a
história dos estudos de gênero no ensino de história partindo de autoras como Maria
Auxiliadora Schmidt, Joana Maria Pedro e Joan Wallach Scott, que ajudam a perceber em
que medida a historiografia e o ensino de história, ao mesmo tempo que desconstroem,
podem contribuir para a manutenção das desigualdades. Como fontes são utilizadas as
63
duas versões da Base Nacional Comum Curricular com o intuito de compará-las e perceber
quais modificações têm sido estratégicas para possibilitar ou inviabilizar o gênero e a
promoção de igualdade no âmbito educacional. Além disso, são analisados projetos de lei
como o PL 7180/2014, o PL 7181/2014 (formulados pela Frente Parlamentar Evangélica),
entre outros, pensados visando propor uma contrapartida às iniciativas que combatem as
discriminações e desigualdades nas escolas. Esta análise permite perceber a forma como
estes grupos estão se apropriando das discussões de gênero e de conceitos como
sexualidade, ensino e família para (re)pensar as bases morais sob as quais se firma a
educação. O objetivo deste artigo é, não somente perceber como este movimento
reacionário ataca o debate sobre os avanços na promoção de igualdade e garantia dos
Direitos Humanos na educação nacional, mas também como esse discurso fundamentalista
religioso motiva o surgimento de movimentos como o Movimento Escola Sem Partido
(MESP), que se articula empenhado a criminalizar a docência, as discussões de gênero e
até mesmo o ensino de história nas escolas.

LUNA, Julia Falgeti. Os Ofayé e o Serviço de Proteção aos Índios. A presente comunicação
constitui uma proposta de estudo sobre as ações do Serviço de Proteção aos Índios (SPI)
junto à etnia Ofayé. Primeiramente, a proposta abarca as tentativas de aldeamento indígena
no antigo sul do estado de Mato Grosso, quando a política indigenista do Brasil esteve sob
incumbência do Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Num primeiro momento, o SPI fez de
duas tentativas de aldeamentos para os Ofayé entre 1913 a 1924, com a criação dos Postos
denominados Peixinho e Laranjalzinho. Contudo, o que representaria, em tese, segurança
aos Ofayé resultou num projeto infortunado e os indígenas dispersaram-se em lugares
diversos. Após um processo de reestruturação do órgão, iniciado no ano de 1942, pela
primeira vez lhe foram destinadas verbas específicas para atuação no serviço etnográfico
dos grupos indígenas. Foi então, no ano de 1948, que o casal de antropólogos Darcy e
Berta Ribeiro, a serviço do SPI, localizou, as margens do Ribeirão Samambaia, também no
sul de Mato Grosso, um grupo de 10 Ofayé. Na perspectiva da política indigenista vigente
não haveria necessidade de uma nova tentativa de aldeamento a outros membros da etnia,
uma vez que esses dez indivíduos eram considerados os “últimos” remanescentes do grupo.
A proposta da comunicação baseia-se nos aportes etnográficos produzidos pelo casal
Ribeiro, na década de 1940, e nos trabalhos do historiador/indigenista Carlos Alberto dos
Santos Dutra, que nas décadas de 1980-90 atuou entre os Ofayé como agente do Conselho
Indigenista Missionário. Com base nos trabalhos citados, percebe-se que, entre os anos
1913-1924, as ações do SPI, face aos Ofayé, foram uma tentativa de reunir todos membros
da etnia num aldeamento, numa localidade “adequada”. Posteriormente, em 1948, quando o
SPI fez presente pela última vez entre os Ofayé, apenas foram coletados dados
etnográficos.

LYRA, Tatiana Sousa. Sílvio Romero e a Problemática do Brasil Mestiço. Neste trabalho,
pretendemos problematizar o pensamento do intelectual Silvio Romero, salutar
contemporaneidade, atentando-se às suas reflexões acerca da mestiçagem. Nesse trabalho,
tomaremos contribuições bibliográficas de diversos autores sobre literatura brasileira, para a
análise de nosso objeto, a problemática em torno do Brasil mestiço na obra de Silvio
Romero. Objetivamos, assim, a partir dessa interconexão expor uma interpretação das
noções de unidade cultural e nacionalidade no autor como uma teorização acerca das
possibilidades problematizadoras do entendimento da mestiçagem.

MACENA, Elizabeth Vieira. O ensino da temática indígena nas escolas da rede pública de
Ponta Porã. A Lei 11.645/2008 que introduziu o ensino da temática indígena nos currículos
da Educação Básica completou uma década de sua existência porém, sua implementação
ainda encontra limites nas salas de aulas devido a carência de formação dos/as docentes e
falta de material didático específico. Esses elementos externos justificam uma abordagem
superficial e esporádica da temática indígena nas suas de aula. Entretanto, a colonialidade
do saber inviabiliza a percepção dos povos indígenas como protagonista da história e, nas
salas de aulas as abordagens da temática visa apenas cumprir o dispositivo legal e em
alguns casos reforça os estereótipos e preconceitos cristalizados no imaginário da
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população brasileira, que considera indígena aquele que vive nas florestas, anda nu e
sobrevive da caça e pesca. O presente trabalho apresenta os dados coletados por meio de
questionário aplicado aos/as professores/as de História da Rede Pública de Ponta Porã da
Educação Básica referente ao ensino da temática indígena no Ensino Fundamental (6° ao 9°
ano) e Ensino Médio. Apoiados nos estudos do Grupo Modernidade/Colonialidade
procuramos analisar as perspectiva dos/as professores/as ao trabalhar a história e cultura
indígena nas aulas, quais os temas abordados, momentos que inserem o tema nas aulas, as
recursos selecionados para subsidiar suas práticas e qual a reação dos/as estudantes ao
ensino deste tema.

MACHADO, Marcos Sanches da Costa. A política participativa dos movimentos populares


de Andradina: o Orçamento Popular e a Constituinte. O Instituto Administrativo Jesus Bom
Pastor, junto aos movimentos populares de Andradina/SP, desenvolveu uma série de
atividades que culminaram na elaboração de estratégias de participação política, durante as
décadas de 1980 e 1990, no Brasil, dentre as quais apontaremos a construção do
Orçamento Participativo, o qual propôs a participação dos movimentos populares
organizados na elaboração do orçamento municipal, e, ainda, a luta das mulheres, ao se
engajarem ao Movimento Regional de Mulheres, buscaram estabelecer propostas a serem
anexadas à Constituinte, em 1988, estabelecendo, assim, estratégias de participação
popular na política.

MACHADO, Myleide Meneses Oliveira. Tia Eva: Uma Trajetória de resistência e fé. Por meio
das memórias mais longínqua dos idosos da “Comunidade Tia Eva” apresento as trajetórias
de vida das famílias da ex-escrava Eva Maria de Jesus, e, como consequência, a história de
origem e formação dessa comunidade negra urbana (Campo Grande/MS), assim
percebemos um outro lado do pós-abolição em Mato Grosso do Sul.

MARQUES, Ana Maria; SILVA E LIMA, Thamara Luiza da. Leitura, escrita e remição: um
projeto de libertação no presídio Ana Maria Couto May, em Cuiabá-MT. O presente trabalho
nasce de um projeto de pesquisa cadastrado na UFMT e com bolsa de Iniciação Científica
(PIBIC), cujo objeto de investigação principal são as práticas educativas de reintegração
social e remição de pena. O principal projeto prisional que acompanhamos é o de Remição
pela Leitura. Segundo a Lei de Execução Penal, parte da pena pode ser diminuída pela
leitura de obras literárias (Projeto de lei n.º 3.216, de 2015). O referido projeto possui
amplitude nacional e tem por objetivo a diminuição de pena através da escrita de resenhas
de livros lidos pelas presas/internas. O projeto de remição que acompanhamos acontece no
Presídio Feminino Ana Maria do Couto May, que iniciou em outubro de 2017, no município
de Cuiabá. As atividades direcionadas ao âmbito de educação e aprendizagem visam, entre
outros objetivos, destacar marcadores étnico-raciais de exclusão. Dessa forma, podemos
afirmar o método de pesquisa como qualitativa e participante. Trata-se de uma análise inicial
no seguimento de educação em cárcere feminino na capital do Estado. Acreditamos, com
Juliana Borges (2018) que “ser encarcerado significa a negação de uma série de direitos e
uma situação de aprofundamento de vulnerabilidades”. Por fim, o intuito da pesquisa é além
de levantar e investigar a vida de mulheres encarceradas em Cuiabá, descobrir se iniciativas
educacionais as envolvem em um outro universo intelectual, capaz de transformar de
maneira efetiva aquela realidade e em que medida oferece uma perspectiva melhor de
futuro.

MARQUES, Ivana Aparecida da Cunha. O ativismo político de Evita Perón e a história das
mulheres: campos de disputa. Resultante da pesquisa de Iniciação Científica, a qual
analisou as apropriações e interpretações historiográficas realizadas a partir da figura da
primeira-dama Eva Perón (1919-1952), a presente comunicação tem por objetivo
compreender a significância do papel desempenhado por Evita no projeto político do
peronismo, num contexto em que as concepções políticas argentinas estavam permeadas
por construções machistas que terminavam por obscurecer o papel político desempenhado
por uma mulher. Entre outras coisas, Eva Perón foi a responsável por liderar um movimento
de mulheres em prol da conquista do voto feminino na Argentina, direito que fora
65
assegurado pela Constituição Justicialista no ano de 1947. É certo que essa atuação política
direta da primeira-dama representava uma afronta e um motivo de espanto e perturbação
para o pensamento conservador vigente, motivo pelo qual a personagem fora esvanecida da
historiografia tradicional em períodos menos recentes. No intuito de recuperar essa lacuna,
a metodologia utilizada consistiu no levantamento bibliográfico sobre Eva Perón e sua
participação no populismo argentino, assim como em um mapeamento das modificações
ocorridas no campo da historiografia para que a história das mulheres ganhasse espaço e
perspectivas para além da tradicional. Para tanto, foram consultados referenciais teóricos
que abordam diferentes vieses sobre o mito Evita, tais como Avelino (2014), Matos (2007),
Cypriano e Brito (2007), Potthast (2010) e Sohiet (2000), assim como bibliografias que
tinham por objetivo conceituar as modificações ocorridas no campo historiográfico e que
permitiram abertura para novas leituras históricas, tais como Smith (2003), Sohiet e Pedro
(2007), Pedro (2005), Scott (1995), Perrot (1988), entre outros. Como resultado, a pesquisa
demonstrou que a força política que vinha sendo adquirida por Eva tornava possível para ela
galgar para além do papel periférico e subjugado - o qual se acreditava, no período, ser o
designado para a primeira-dama - e romper com o status quo, o que causava, pois, espanto
para os grupos tradicionais da sociedade, perspectiva esta que pudera ser constatada
perante as novas estruturas historiográficas impulsionadas pelos movimentos feministas
dentro e fora da academia.

MARTINS, Elemir Soares. Reserva de Caarapó: as tentativas passadas e atuais de


retekoharizar o espaço. A presente pesquisa procura entender as transformações no espaço
e na sociedade dos Kaiowá de Te’yi Kue. Trata-se de um local ocupado por uma parentela –
te’yi, que teve parte e seu território demarcado como Reserva Indígena pelo Serviço de
Proteção ao Índio. A partir da demarcação, o Estado atuou implantando políticas públicas
com o objetivo de assimilar os indígenas, que reagiram de diversas formas. A reserva serviu
também para recepcionar inúmeras comunidades deslocadas de seus territórios. Com o
tempo configurou-se uma população com origens diversas, Kaiowá e Guarani, oriundos de
diversos locais. O artigo discute aspectos dessa configuração, da relação com as agências
públicas e da sociedade civil que atuam na reserva, bem como o esforço dos indígenas em
retomar sua autonomia.

MASSUIA, Bruna Letícia da Silva. Resistência e protagonismo indígena: Discussões


históricas e antropológicas. Tem sido possível observar que discussões sobre a história
indígena, bem como seu protagonismo e resistências, e até mesmo uma antropologia
indígena, vem ganhando espaços nas academias e na sociedade, porém muito ainda
precisa ser conquistado. A luta por uma nova visão e um novo espaço deve ser constante,
dado que, ao nos reportamos ás opiniões sociais, e mesmo as opiniões dentro da própria
academia, pensando em outras áreas de conhecimento, é possível perceber a firmação e
perpetuação de estereótipos que classificam os sujeitos indígenas como povos sem história,
povos sedentários (preguiçosos, bêbados e vagabundos), ou uma história que insiste em
apresentá-los como derrotado, como povos que foram destruídos, dizimados, ou ainda
visões que os demonstram enquanto povos de cultura estática, isolados, e até mesmo não
civilizados, como se uma imposição cultural fosse à salvação, como se a modernidade fosse
à única opção. Também é comum histórias que os vitimam sem levar em consideração seu
protagonismo enquanto agentes de sua história, desconsiderando suas resistências, suas
lutas, a defesa de seus interesses, os conflitos, que os legitimam enquanto agentes sociais,
bem como a produção de novos conhecimentos por parte desses povos. Nesse sentido,
tanto a história quanto a antropologia contribuem e muito para estudos que procuram
entender a dinâmica das comunidades e coletivos indígenas. O trabalho pretende analisar o
protagonismo indígena como agente social, numa perspectiva histórica e antropológica.

MATEU, Miriam Cristina Franco. Mujeres en “tareas de machos”: o feminino no mundo do


trabalho nas páginas dos periódicos paraguaios. O presente trabalho propõe problematizar a
presença feminina no mundo do trabalho no Paraguai e as representações que perpassam
essa presença, tendo como fonte reportagens do jornal ABC Color, periódico paraguaio de
circulação nacional. Analisaremos as reportagens enquanto resultados de práticas sociais
66
oriundas do recrudescimento do fenômeno histórico-social denominado Globalização, que
marcou profundas mudanças no sistema capitalista mundial nas últimas décadas do século
XX. Neste contexto, o mundo do trabalho passou por transformações e uma das mais
contundentes foi a incorporação das mulheres no mercado de trabalho. Nos anos 1990, a
presença feminina consolidou-se no mercado de trabalho latino americano, atrelando um
maior contingente de trabalhadoras no processo produtivo e nos setores de serviços. Apesar
da presença inconteste das mulheres no mundo do trabalho, o preconceito e as
desigualdades na relação homem/mulher as acompanharam nesse processo. A divisão
sexual do trabalho impõe à mulher um papel secundário, em que o feminino é naturalizado
como acessório, derivado, complementar ao masculino, estabelecendo uma concepção
assimétrica, que tem o masculino como arquétipo e o feminino como derivado. A
compreensão de que as cisões das tarefas entre os sexos se dão por características
biológicas, naturalizando-as, é errônea e manipuladora. Os discursos (re)produzidos e o
imaginário social reafirmam a estrutura da divisão sexual do trabalho, impondo verdades e
legitimando a hierarquização do trabalho masculino sobre o feminino. Esse imaginário
social, amparado por discursos reiterados e ressignificados, adentrou o período mais
contemporâneo e, ainda hoje, explica a condição feminina no social e no laboral.
Percebemos esse imaginário social nas representações elaboradas no mundo do trabalho,
em particular à presença feminina. Interessa-nos refletir sobre as representações reiteradas
e as que são reelaboradas nas páginas dos periódicos acerca à presença das mulheres no
campo do trabalho, para que a ideia da naturalização sobre o feminino seja desconstruída,
contribuindo na elaboração de novas práticas sociais que alcancem a equidade de gênero
tanto nas relações sociais quanto no trabalho.

MATOS, Givaldo Mauro de. Ensino de História, Cinema e História Oral. Da didática do
ensino de história, como problematizada por Jörn Rüsen, espera-se que proporcione ao
estudante uma experiência que ultrapasse o mero conhecimento de narrativas acerca do
passado. Para Rüsen, o desafio é o de legar “uma competência cognitiva na perspectiva
temporal da vida prática, da relação de cada sujeito consigo mesmo e do contexto
comunicativo com os demais”. Tendo como foco o filme Narradores de Javé (2003), de
Eliane Caffé, a pesquisa procura identificar em que medida o cinema pode colaborar para
proporcionar esta experiência ao aluno de história. O filme encena o drama de um povoado
que, para impedir que o Vale de Javé seja submerso pelas águas de uma hidrelétrica,
precisa demonstrar ao Estado que o mesmo possui valor histórico a ser preservado,
empresa que será realizada através da elaboração de um dossiê da história de Javé, escrito
a partir de relatos orais de seus mais antigos habitantes. O resultado é uma película repleta
de provocações à atividade historiográfica. O choque de versões entre os guardiães do
passado, a dinamicidade das memórias em função de interesses do presentes, a oscilação
das memórias na velhice e sua relação com as identidades, a afetação dos interesses dos
narradores e do escrivão, a idealização criada em torno de seus mitos de origens, heróis e
heroínas, acentuam o debate sobre a relação entre verdade e veracidade, subjetividade e
objetividade, imagem e representação das narrativas, ampliando a consciência acerca da
complexidade e desafios relacionados ao processo historiográfico que lida com fontes orais.
Por outro lado, as hierarquias outrora estabelecidas em torno dos documentos oficiais em
detrimento dos saberes orais, suas implicações sobre a forma de organizar e legitimar os
espaços sociais e territoriais, o efeito da historiografia escrita sobre as imagens do passado
fundadas na memória viva, a ausência de protagonismo de sujeitos comumente marginais
na historiografia documental, revelam as contradições desencadeadas pelo modo de
civilização moderna contra comunidades tradicionais. Tendo em vista que “a história é um
artefato que reafirma a dominação dos que escrevem sobre os que falam”(Albuquerque Jr.),
a película em tela permite o aprofundamento da percepção de que, apesar de a memória ser
construção artificial e coletiva (Halbwachs), de que memória e história serem entidades
distintas (Ricoeur), é possível e preferível recepcionar e cotejar o relato das testemunhas
orais e identificar elementos fiáveis de um passado que já não é, mas que um dia foi,
capazes de fornecer os elementos necessários para tecer representações históricas
(Ankersmit, Chartier, Ricoeur) a partir dos marginais excluídos pela historiografia
documental.
67
MAZLOM, Glauce Angélica. Reorganização na divisão das disciplinas do professor
pedagogo na Rede Municipal de Ensino do Município de Naviraí-MS. O presente estudo de
caso surgiu da necessidade de compreender a reorganização da divisão das disciplinas do
professor pedagogo, do município de Naviraí-MS, que a partir do ano letivo de 2016 foram
reorganizadas entre o que passou a ser denominado Regente I, que ministra aulas de
Língua Portuguesa e Matemática, enquanto o Regente II ministra as disciplinas de Ciências,
Geografia e História. Diante desta modificação, surgiu a problemática que foi conhecer os
motivos legais das mudanças ocorridas para poder analisar o impacto para o
ensino/aprendizagem das turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental. A metodologia
adotada foi a técnica de entrevista na Gerência Municipal de Educação de Naviraí-GEMED
e análise dos documentos legais. O resultado da pesquisa pretende investigar os motivos
elencados pela Gerência Municipal de Educação-GEMED que justificam aos docentes e aos
alunos um ensino de qualidade, pois o professor, Regente I, estaria focado em duas
disciplinas, podendo desenvolver aulas diferenciadas e dinâmicas tanto na alfabetização
quanto na matemática; enquanto, o outro professor também pedagogo, Regente II, estaria
trabalhando de forma interdisciplinar as disciplinas de Ciências, Geografia e História para
que os alunos possam ter a visão de um todo. Quais seriam as consequências deste
processo? É o que pretendemos investigar e debater mediante esta proposta.

MELLO, Saulo Alvaro de. Flotilha de Canoas Artilhadas nas raias de Mato Grosso (1756-
1763). A ocupação da estratégica Capitania de Mato Grosso, ensejou um fascinante caso de
fronteira, após a descobertas dos sítios auríferos em 1719. Como parte do esforço de
ocupação, Rodrigo César de Menezes, Governador de São Paulo, se dirige a Cuiabá em
novembro de 1726, com numerosa monção e matalotagem. Assim, as minas tornaram-se
centro de interesse da Metrópole Portuguesa, levando em 1748 a criação da Capitania de
Mato Grosso e a nomeação de Antônio Rolim de Moura para governá-la. Em novembro de
1751 Rolim de Moura partiu de São Paulo em direção a Mato Grosso, chegando as margens
do Rio Guaporé a 7 de dezembro do mesmo ano, para fundar Vila Bela. Mesmo considerada
um baluarte de defesa, a região sofria com a negligência das autoridades em relação às
forças militares. No sentido de melhor guarnece-la, Rolim de Moura criou a Flotilha de
Canoas Artilhadas como parte do conjunto de ações estabelecidas nas Instruções Régias. A
organização da referida flotilha deveu-se ao emprego e a acomodação da arte militar
européia em ambientes naturais, aliada a apropriação das técnicas e táticas de guerra dos
nativos. Fundada na borda do Guaporé, Vila Bela tinha como vizinhança incomoda os
espanhóis, arranchados as margens do Rio Itonamas na margem sul do Guaporé, onde os
espanhóis fundaram a Missão de Magdalena como estratégias de ocupação. Por força do
Tratado de Madri, Rolim de Moura ocupa em 1753 a Aldeia de Santa Rosa e funda o Forte
Nossa Senhora da Conceição, para cumprir as determinações das Instruções Regias e
ocupar a margem direita do Guaporé. No irromper da Guerra dos Sete Anos entre Inglaterra,
França e seus aliados, os espanhóis como pretexto, já que esta guerra colocava em lados
opostos portugueses e espanhóis, resolvem fundar missões em ambas as margens do
Guaporé. A fim de conter estes atos premeditados, ultrapassagem das raias consideradas
pelos portugueses como suas, Rolim de Moura, não dispondo de tropas e armas, para uma
guerra de sítio, opta por táticas de guerrilha, e guerra de movimento contra os espanhóis
pelo domínio do Guaporé. As ações táticas da Flotilha de Canoas Artilhadas permitiram a
Rolim de Moura o controle do Guaporé, assegurando a manutenção dos limites dessas raias
aos luso-brasileiros.

MELO, Cléia Batista da Silva. Quilombo de Abolição: identidade e resistência. O presente


Projeto de Pesquisa tem por finalidade identificar e compreender as causas e motivos que
levaram muitos dos remanescentes de quilombolas da Comunidade de Abolição, localizada
às margens da BR 364, município de Santo Antônio de Leverger/MT, a mostrarem certa
resistência em autoidentificarem remanescentes de quilombolas. No ano de 2005, a
comunidade Abolição foi reconhecida pela Fundação Cultural Palmares como comunidade
quilombola. Porém muitos remanescentes não se reconheciam como tal. Isso foi perceptível
no ano de 2011, quando a escola passou a ser escola de educação quilombola, reconhecida
pela Superintendência de Diversidade da Seduc/MT. Muitos alunos, pais e comunidade
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escolar não se identificavam como quilombolas, demonstrando certa resistência e até
desconhecimento sobre o assunto. No entanto essa autodefinição ou autoidentificação não
ocorreu de forma simples, pois muitos remanescentes não se identificavam com aquela
cultura, mesmo fazendo parte das famílias quilombolas que se autoidentificaram através da
história de seus antepassados e da manutenção dos costumes afro- brasileiros. A partir de
então surgiram indagações como: Quais os motivos, questões ou causas levaram diversos
moradores da Comunidade Quilombola de Abolição, a não se identificarem como
remanescentes? Por que tanta resistência? Será que essa resistência tem influencia de
fatores externos? Quais são esses fatores? Quais as consequências dessa não aceitação?
Quais as vantagens em ser quilombola no Brasil? Nessas vivências, questiono se ao longo
dos anos algumas pessoas dessa comunidade, não foram se afastando de suas origens e
perdendo a cultura ainda preservada por famílias quilombolas que se orgulham em
preserva-las? Por que houve esse distanciamento? Será que essas pessoas sofreram
aculturação? Será que a não aceitação em se identificarem remanescentes de quilombolas
também não foi uma forma de resistência? Qual a influência dos grandes fazendeiros da
região nesse processo? Nesse sentido buscaremos analisar através de estudos etnográficos
quais conflitos ou problemas fizeram alguns desses remanescentes a resistirem em se
identificarem como parte dessa história, cultura e identidade quilombola. Já que segundo
informações do INCRA, a comunidade de Abolição já registrava a presença de negros
escravizados desde 1871. Sendo assim faz-se necessário aprofundar os estudos e
pesquisas a cerca dessa comunidade quilombola, visando compreender o processo de
identificação, autoidentificação e resistência que persistem até hoje.

MENDES, Poliana Ferreira Vilela. Reflexões sobre a fundação da Associação Comercial de


Dourados - ACD (década de 1940). A Associação Comercial de Dourados, fundada em
1945, atua na cidade douradense defendendo os interesses dos comerciantes na região.
Desde a sua fundação, as atividades da ACD têm contribuído com a construção da história
de Dourados. Considerando isso, nessa pesquisa procurei examinar, com o auxílio da
história e história das instituições, as razões da criação da Associação Comercial de
Dourados (ACD), os motivos ou interesses que fizeram com que um grupo empresarial se
reunisse em uma instituição de Associação na região de Dourados na década de 1940, e os
seus propósitos iniciais. Essa pesquisa tem como fonte as Atas produzidas pela Associação
e o livro “ACED 70 anos”, publicado pelo jornalista Luis Carlos Luciano, em 2015. A partir do
que foi proposto, observou-se que os motivos que favoreceram e resultaram na fundação da
ACD estão relacionados com a tentativa de livrarem-se da concorrência desleal que
praticam os mascates e a elaboração de algumas medidas governamentais formuladas pelo
presidente Getúlio Vargas, como a criação do Território Federal de Ponta Porã, a política da
“Marcha para Oeste” – que resultou na criação da Colônia Agrícola Nacional de Dourados
(CAND) e na criação da Colônia Municipal de Dourados (CMD). Outra fundamental
contribuição foi o progresso das construções das rodovias e do Ramal da Estrada de Ferro
Noroeste Brasil (NOB), que passou a conectar a cidade de Campo Grande a Ponta Porã,
esse Ramal contribuiu no transporte de mercadorias. Esses eventos além de aumentar o
poder econômico dos Associados da ACD também favoreceram em aumentar o poder
político.

MEZACASA, Roseline. Abordagens metodológicas possíveis para a escrita da(s) História(s)


Indígena(s): micro-história, história oral e etnografia. Ao longo do texto pretende-se realizar
uma discussão no campo metodológico para a escrita das histórias indígenas. Assim,
estando no campo da história, apresentaremos uma discussão que abarcará as abordagens
de jogos de escalas e, posteriormente, enquanto possibilidades metodológicas, uma
discussão sobre o diálogo necessário entre história oral e etnografia. A proposta é aproximar
a história oral da etnografia, no que toca os trabalhos de campo do historiador com
populações indígenas. O engendrar-se da história oral e da etnografia, no saber-fazer do
historiador, torna-se instrumento de acessar as histórias indígenas, como também escrevê-
la junto dos protagonistas indígenas, além de ser instrumento de pesquisa para os
intelectuais indígenas. Em suma, as discussões do texto perpassará debates em torno da
micro-história, jogos de escalas, abordagens metodológicas que envolvem a etnografia e a
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história oral, além de finalizar com as discussões de James Clifford (2008) acerca da
necessidade das experiências polifônicas em trabalhos acadêmicos.

MORAES, José Augusto Santos. A escolarização indígena na Reserva de Dourados:


considerações a partir das relações entre o Estado brasileiro e a Missão Evangélica Caiuá
(1940-1975). A proposta desenvolvida neste artigo foi a de abordar as relações entre o
Estado brasileiro e a Missão Evangélica Caiuá na escolarização dos indígenas que viveram
na Reserva de Dourados entre os anos de 1940 e 1975. Como objetivo, pretendeu-se
discutir as implicações do modelo de educação escolar ali introduzido e analisar em quais
sentidos ele produziu afetações, ou não, nas relações socioculturais dos grupos étnicos
locais. Para tanto, foram analisados documentos do Serviço de Proteção aos Índios e da
Funai, bem como registros e relatos de indígenas e missionários. Como forma de confrontar,
ampliar e aprofundar as análises realizadas, também foram privilegiados outros estudos que
versam sobre a escolarização indígena na Reserva Dourados e em outras áreas. Em face
de seu viés dialogal interdisciplinar, recorri a etno-hstória como opção metodológica.

MORAES. Taynara Martins de. Literatura, História & Sexualidade: Uma análise das
interdições e suas rupturas na obra "Em Nome do Desejo", de João Silvério Trevisan (1983).
Apesar de pouco consagrada pela mídia brasileira, a obra “Em Nome do Desejo”, de João
Silvério Trevisan (1993) tem um peso imensurável na história da literatura nacional. Esta
pesquisa, ao descrever os caminhos do sujeito que protagoniza a narrativa por seus maiores
mistérios em um seminário para padres, onde vive seu amor por outro jovem como João
Evangelista viveu por Cristo, apresenta também as interdições que cerceam o desejo e o
corpo erótico dentro de um espaço homossocial. O objetivo é desvendar também, através
da obra, o autor que viveu por anos lutando por causas sociais lgbt, inclusive testemunhou o
período em que o Brasil esteve sob o governo militar e trouxe do exílio suas influências para
a criação do jornal “O Lampião da Esquina”, o primeiro jornal brasileiro voltado para as
causas e lutas da comunidade lgbt. Para o processo deste estudo, foram realizadas buscas
no banco de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) e nos acervos dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo.

MOREIRA, Danilo Leite. O Carreteiro: Transportando informações e representações (1970-


1988). Em 1970, a Editora Abril colocava em circulação a revista técnico-especializada O
Carreteiro, voltada para o setor automobilístico que tem como objetivo desde seu
surgimento levar informações para motoristas de caminhões, ou como o próprio título diz,
aos motoristas carreteiros. Apesar de possuir mais de 40 anos de vida editorial, pois é
publicada até os dias atuais pela G.G Publicações Técnicas Ltda, O Carreteiro é uma revista
praticamente ignorada na História da Imprensa do Brasil. Diante deste preambulo, a
presente comunicação objetiva contextualizar o surgimento do periódico, bem como as
representações impressas dos motoristas de veículos de cargas em geral nas páginas da
revista, no período em que pertenceu a Editora Abril.

MOURA, Zilda Alves de. Os africanos livres e as relações de trabalho da Sociedade de


Mineração de Mato Grosso. No Brasil do século XIX, “africano livre” era o termo que
designavam os africanos resgatados de navios negreiros apreendidos durante a campanha
de repressão ao comércio de cativos. Apesar de estabelecida nas leis de 1831 e de 1850 de
proibição do tráfico, a reexportação desses africanos para África nunca aconteceu e eles
foram mantidos no Império brasileiro. A maioria foi, assim, distribuída entre instituições
públicas e governos provinciais. Houve, no entanto, concessões a companhias privadas de
interesse público como a Companhia de Navegação a Vapor do Amazonas, do barão de
Mauá, e a Sociedade de Mineração de Mato Grosso. Esta comunicação tem como objetivo
analisar algumas experiências, no campo do trabalho, dos africanos livres que foram
cedidos à Sociedade de Mineração de Mato Grosso, em 1851. A autora utilizou como fonte
principal, documentação manuscrita produzida pela Sociedade de Mineração de Mato
Grosso sobre os africanos livres, arquivada no Arquivo Público de Mato Grosso, dentre
outras.

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MUZULON, Guilherme Nogueira Magalhães. Conceito de movimento social em livros
didáticos de História. O objetivo desta comunicação é responder à seguinte questão: como o
ensino de História conceitua movimentos sociais? Iniciamos nossa busca pela resposta com
leituras de livros didáticos de História que circularam no âmbito da educação pública entre
2008 e 2015 no Ensino Médio. O método se baseia na análise descritiva e interpretacionista
das representações, que depende, por sua vez, da consideração de dados acerca dos
produtores e consumidores das informações veiculadas. A relevância da pesquisa aflora ao
entender que movimentos sociais são representados no ensino de História, por meio dos
livros escolares, mas não obedecem a um padrão de significação. Por exemplo, alguns
livros didáticos se sustentam em textos acadêmicos em certas definições e em outras não;
mas, outros livros didáticos se libertam ainda mais de suportes teóricos e, em certos casos,
não abordam o termo ‘movimento social’ ao se referirem a ações coletivas que,
eventualmente, são configuradas como tais.

NASCIMENTO, Ailton Ribeiro. Artífices da memória: a centralidade paternalista nos registros


de um complexo agroindustrial. O complexo residencial construído em meados do século XX
para abrigar os trabalhadores da Companhia Agrícola e Industrial Cícero Prado, localizada
no município de Pindamonhangaba/SP, conhecido também como Coruputuba, consagrou-se
na memória daqueles que nela residiram, como um lugar de elogiáveis experiências, assim
compreendido como um ambiente em que trabalho, lazer e moradia se misturavam. Dentre
as narrativas que confluem a uma memória, em boa parte formada por relatos de antigos
moradores e trabalhadores, constatou-se a monumentalização da imagem dos primeiros
dirigentes da companhia: Cícero da Silva Prado e Alberto Simi, frequentemente vinculados à
figura paternal. Entretanto, numa pesquisa preliminar foi possível notar a veiculação de um
discurso paternalista enaltecedor por parte da empresa. Diante disso, este trabalho busca
compreender como se construiu uma memória oficial da Companhia, procurando identificar
quais os artifícios utilizados para que esta memória fosse difundida entre os
moradores/trabalhadores. Para tanto foi analisado um conjunto de fontes, em boa parte,
formado por materiais produzidos pela própria empresa, tais como um livro memorialista;
edições de um jornal de circulação interna; programação de aniversários; memorandos e
outros. Sem ignorar aquilo que se produziu e que circulou externamente, como periódicos
da imprensa local e textos de cronistas da cidade. Do ponto de vista historiográfico algumas
abordagens demonstraram que este tipo de habitação, comumente conhecida como vila
operária, esteve marcado tanto por um complexo de estratégias disciplinares, como por um
rol de práticas higienistas. Além destes traços, tais estudos revelaram que em muitos casos
a figura do patrão metamorfoseava-se em entidade paternal, cujas relações, práticas
sociais, normas e valores confluíam para sua pessoa. Essa centralidade reforçava a
dinâmica moralizadora e suavizava sua autoridade, que então se despia da rigidez
autoritária, dando lugar à imagem do "bom patrão", aquele que estabelece uma dinâmica de
troca de interesses e vantagens mútuas entre fábrica e trabalhadores. Embora essa
historiografia sirva como ponto de partida para conduzir este trabalho, o intento aqui é não
se limitar a ela, mas também explorar outras reflexões.

NASCIMENTO, Aparecida de Fatima Assis do. Os Super Herois e o Ensino de História. Este
resumo tem como temática a apresentação de meu pré projeto para concorrer ao Mestrado
em 2019. O projeto tem como objeto de estudo a utilização de super heróis como recurso
nas aulas de História nos Ensino Fundamental II e Médio. Na última década, cada vez mais
os filmes de super heróis estão presentes nas telonas de cinema e fascinando cada vez
mais jovens e adultos na medida em os personagens possuem e assumem comportamentos
cotidianos e exploram com suas aventuras situações e universos inimagináveis. Os mesmos
heróis que permearam a imaginação de muitos fãs a 20 30 anos atrás estão mais que atuais
nas produções de Hollywood. Hoje existem duas empresas em quadrinhos como a DC
Comics que é uma editora norte-americana de histórias em quadrinhos criada em 1939.
Hoje, é oficialmente DC Comics é uma empresa subsidiária da Warner Bros Entertainment,
responsável pelo surgimento de heróis como Batman, Lanterna Verde Mulher Maravilha,
Superman e outros. Outra empresa que se destaca no ramo e a Marvel Comics conhecida
pelos seus quadrinhos produzidas desde 1939, tornou-se famosa pelas séries de super-
71
heróis, entre eles, X-Men, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha e Os Vingadores. Em 2009
a empresa foi vendida para Disney Company e surgiram adaptações e sequências como,
Homem Aranha 1, 2 e 3; X-Men, Capitão America, Demolidor, Elektra, Hulk. Os últimos
filmes da Marvel que começam com Capitão America: o Primeiro Vingador ate, Pantera
Negra e, lançamentos depois da Filme Guerra Infinita que vão desde Homem Formiga e A
Vespa para 2018 mais, os lançamentos de Capitã Marvel e Vingadores 4 para 2019 e,
ainda, os lançamentos para 2020 que incluem Guardiões da Galáxia 3, Pantera Negra 2 e
Viúva Negra. No Universo da DC Comics, começa com Homem de Aço em 2013 e, lançou
no ano de 2016 Batman Vs Superman: A Origem da Justiça, Esquadrão Suicida, Mulher
Maravilha e Liga da Justiça em 2017. Para 2018 a DC lançará ate o final do ano o filme
Aquaman e, 2019 os filme Shazan e Coringa e sua origem. Já para 2020, se aguardado o
lançamento de Esquadrão Suicida 2 entre outros. Frente a todos estes lançamentos
cinematográficos, o artigo terá como objetivo apresentar e analisar a utilização destes filmes
na sala de aula. Problematizar as representações e os simbolismo que os super heróis
carregam em si. Verificar junto com alunos os conteúdos históricos que permeiam as
aventuras, encontrar imagens sublimares nas cenas, pelo meio lúdico atrair os alunos para a
compreensão de fatos históricos de maneira que eles se utilizem destas novas fontes
históricas e que se quebre o falta de confiança nesta nova perspectiva de ensinar História.
As fontes para esta pesquisa serão: revistas em quadrinhos, filmes e desenhos,
documentários, exposições, artigos, canais do Youtube.

NASCIMENTO, Bruno Alves do. Charges e Ensino de História: entre traços e contextos. A
área de História é um campo do saber indispensável à sociedade e deve ser ensinada de
forma comprometida, profissional e com seriedade. Ensinar História não deve ser um
"fardo", mas sim um processo dinâmico, que estimule a produção do saber histórico e do
conhecimento crítico. Na contemporaneidade, os profissionais da área de História tem a
possibilidade de se apropriar de diversas linguagens e fontes, visando estimular a
construção do conhecimento histórico. Nesse sentido, a apresentação oral tem como
objetivo compreender o que é Charge e refletir sobre as possibilidades de explorá-la
enquanto fonte no Ensino de História na educação básica. O trabalho, em si, pretende gerar
uma contribuição à Historiografia e ao Ensino de História, haja vista que abordará as
potencialidades de uma fonte histórica a ser utilizada pelos professores da área, que
buscam estimular a criticidade dos alunos face aos processos históricos.

NICHNIG, Claudia Regina. Refugiadas nas fronteiras: impressões sobre violências e


inserção no mercado de trabalho. Este artigo trata de algumas impressões sobre a pesquisa
desenvolvida na região da Grande Dourados sobre mulheres refugiadas abordando as
temáticas das mobilidades e das migrações. A proposta é pensar as particularidades das
mulheres refugiadas a partir de suas narrativas, utilizando os aportes da história oral. Nas
narrativas das mulheres que experienciam a situação do refúgio a ideia é analisar as
violências sofridas, como violências domesticas, familiares, especialmente as violências
sexuais. Pretendo analisar se as políticas públicas que visam coibir as violências contra as
mulheres pensam as especificidades das mulheres refugiadas, e ainda se esta é uma
problemática reconhecida como uma agenda para os feminismos contemporâneos.

NOGUEIRA, Cristhiany Alves. O Lugar da Mulher no jornal Lampião Da Esquina. O presente


trabalho tem a intenção de analisar o lugar da mulher no periódico Lampião da Esquina.
Este periódico foi um importante veículo da imprensa alternativa nos anos de abertura
política brasileira, circulou de 1978 a 1981 e abordou temas polêmicos para a sua época.
Seu direcionamento era o público homossexual, mas, também tratou de diversos outros
grupos marginalizados, como as mulheres, negros e índios. Foram selecionados quatro
números distintos, que apresentavam como tema principal pautas dos movimentos de
mulheres, no qual foram analisados aspectos de discurso e documentos a saber:
entrevistas, matérias, imagens, entre outros, para compreender a representação feminina.
De questionamentos, quais eram suas exigências e qual a importância do periódico para o
fortalecimento dos movimentos feministas ainda recentes, devido a cultura autoritária
vigente no país. As mulheres nesse período sofreram uma dupla opressão, patrocinada pelo
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patriarcado e pelo regime militar que impôs e reforçou a moral e os bons costumes. Nesse
sentido Lampião exerceu um papel de dar voz para que marginalizad@s expressassem
suas reivindicações com denúncias e críticas aos mecanismos de controle de seus corpos e
sexualidade, como o tabu da virgindade, a descriminalização do aborto, a violência
doméstica, entre outros.

OLEGÁRIO, Thaís Fleck. O anticomunismo no sul de Mato Grosso: a ADEMAT nas páginas
do jornal O Matogrossense. O objetivo deste trabalho é analisar o conteúdo das colunas da
Ação Democrática Mato-Grossense (ADEMAT) veiculadas entre abril e novembro de 1963
no jornal O Matogrossense. A ADEMAT foi uma subsidiária do Instituto Brasileiro de Ação
Democrática (IBAD) criada em Campo Grande no início da década de 1960, tal organização
tinha como objetivo o combate ao comunismo no estado de Mato Grosso. A organização,
que foi fundada em treze municípios, era composta por trinta e sete pessoas apenas no
diretório de Campo Grande, e tinha como membros latifundiários/pecuaristas, médicos,
advogados, engenheiros, militares, estudantes e outros. Os membros da entidade possuíam
vínculos com a Associação dos Criadores do Sul de Mato Grosso (ACSMT), com o Banco
Rural de Campo Grande, Banco Financial de Mato Grosso, Banco Agrícola de Dourados,
Banco Agropecuário de Campo Grande (BANAGRO), o Banco do Brasil, o Matadouro
Industrial de Campo Grande/ Frigorífico Mato-Grossense (FRIMA) e com a Associação
Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG). Por sua vez, o Jornal foi fundado em 26
de agosto de 1949, na cidade de Campo Grande, à época sul de Mato Grosso. O periódico
pertencia, quando de sua fundação, a Adhemar de Barros, já em 1952 o jornal era
propriedade de Ari Coelho de Oliveira e após sua morte passou à administração da Gráfica
Editora Matogrossense Ltda. Na década de 1960 o periódico era presidido pelo Partido
Social Democrático de Mato Grosso (PSD/MT). O que se percebe após a análise de O
Matogrossense dos anos de 1959 e 1960 é que os artigos e informes que salientavam
temas como “o comunismo”, “a Rússia” ou posteriormente “Cuba” eram publicados em
páginas comumente utilizadas para publicidade – segunda e quinta páginas – o que levanta
a possibilidade de que tenham sido produzidas por grupos externos ao jornal e anunciados
em suas páginas de forma paga. Sobre isso, é pertinente lembrar que o IBAD fora criado em
maio de 1959 e não é mera coincidência que a “enxurrada” de artigos de teor anticomunista
publicados em julho de 1959 em O Matogrossense tenha ocorrido justamente dois meses
após a fundação do Instituto. A grande mudança que ocorre em 1963 com a criação da
coluna da ADEMAT é que os artigos de teor anticomunista passam a ocupar a primeira
página, logo abaixo do cabeçalho. Seus textos assinados com o próprio nome da
agremiação forneceram-lhe um teor endógeno na luta contra o comunismo. Este inimigo que
antes operava no cenário internacional passa a ser percebido no Brasil e o “perigo” torna-se
algo tão real que uma instituição emerge no seio de Campo Grande para o seu combate: a
Ação Democrática Mato-Grossense.

OLIVEIRA, Adriano Rodrigues de. O mito das amazonas na América do século XVI: uma
análise da relação entre imaginário e imagem. Esta comunicação tem como objetivo central
discutir os prováveis intercâmbios entre o imaginário, no sentido conceitual do termo, e as
imagens, sobretudo as iconográficas. Partimos da análise do mito das amazonas
reproduzido no Novo Mundo no contexto seiscentista, e a difusão deste por meio de mapas,
gravuras e textos diversos. Tomamos como ponto de partida o imaginário europeu do século
XVI, e sua disseminação em gravuras diversas, cartas geográficas e relatos de viagem.

OLIVEIRA, Bianca de Souza. Levantamento de fontes para a história da educação: a


imprensa periódica pedagógica no Sul de Mato Grosso em questão. Objetiva-se apresentar
a análise da imprensa periódica pedagógica que circulou no sul de Mato Grosso, atual Mato
Grosso do Sul, até a década de 1980. A intenção da pesquisa era localizar e identificar os
periódicos sul-mato-grossenses nos arquivos e acervos do Centro de Documentação
Regional (CDR) para a realização de uma investigação nas páginas que cruzam os
periódicos, buscando compreender as múltiplas facetas dos processos de ensino por meio
da materialidade para compor a história da cultura escolar e a história das instituições
educativas. A metodologia empregada baseou-se em uma pesquisa de campo em arquivos
73
e acervos, no que se refere ao trabalho de campo os procedimentos metodológicos
constaram em localização e acesso dos periódicos e na sistematização das consultas para
análise, iniciou-se o processo de identificação, seleção e catalogação das informações dos
impressos pedagógicos localizados, concretizando a criação do repertório analítico. Ao final,
compondo o repertório analítico descrevemos os periódicos localizados, com intuito de
facilitar e fomentar novas pesquisas em torno dos impressos pedagógicos em Mato Grosso
do Sul.

OLIVEIRA, Elenisia Maria de. A microhistória e o movimento de mulheres de Andradina:


uma abordagem possível. Muito mais do que uma tentativa de afirmar sobre sua gênese, a
micro história pode ser definida como o resultado das práxis dos historiadores italianos da
década de 1970, num período marcado pela crise historiográfica oriunda do estruturalismo,
bem como da utilização “equivocada” do método quantitativo. Essa nova forma de fazer
história buscava os agentes históricos por trás dos discursos e rompia com a polarização
entre fontes qualitativas e quantitativas, passando a conciliar as estruturas e experiências,
formulando de maneira clara a questão da liberdade e inteligibilidade da ação humana na
história. Historiadores italianos, como Carlos Ginzburg, autor de “Queijo e os Vermes”, entre
outros, passaram fazer uso desse método/abordagem. Para Ginzburg (1991), a microanálise
não se trata do único e possível caminho do fazer historiográfico, de modo que o se precisa
levar em consideração é que essa perspectiva se atém ao modo como as pequenas
histórias podem ser narradas considerando os universos que as circundam e ainda, que a
redução da escala lança luz a personagens históricos que com a utilização macro da história
não seria possível. Partindo desses pressupostos, esse trabalho consiste na reflexão sobre
as possibilidades de se empregar o método/perspectiva da microanálise no estudo do
Movimento de Mulheres de Andradina, compreendido como uma organização de mulheres
que nasceu no seio da Igreja Católica, especificamente no Instituto Administrativo Jesus
Bom Pastor, orientado pelo Teologia da Libertação, um movimento que surge no Brasil e na
América Latina em resposta ao imperialismo norte americano e as ditaduras por esse
instaurada no contexto de guerra fria. Para tanto, foram evocados historiadores como
Giovanni Levi, Edoardo Grandi, Carlo Ginzburg e outros/as que teorizaram o
método/abordagem da microanálise. Nesse sentido, o trabalho foi dividido em três partes,
sendo essas: reflexão teórica; apresentação do objeto; e por fim, a possibilidade articulação
entre a teoria e o objeto. Este trabalho ainda está no início, porém é possível afirmar que as
inúmeras fontes que hoje encontram-se disponível no Núcleo de Documentação Histórica
Honório de Souza Carneiro (seção do IAJES), relacionadas ao Movimento de Mulheres de
Andradina, podem oportunizar a escrita de uma “história vista de baixo”, a partir da
abordagem microanalítica.

OLIVEIRA, Eliene Dias de. Migração, Identidade Cultural e História Oral. Este artigo propõe
pensar a migração a partir da perspectiva metodológica da história oral e em diálogo teórico
com a identidade cultural enquanto um caminho de pesquisa possível, quando se almeja
abordar temas voltados à compreensão de grupos migrantes e sujeitos em diáspora.
Inicialmente, será apresentada uma breve discussão acerca dos pressupostos teóricos que
amparam o conceito de migração; num segundo momento, discutiremos acerca da
metodologia da história oral e, por último, discorreremos acerca da identidade cultural
migrante. Enquanto aparato metodológico na abordagem de trajetórias migrantes, a história
oral figura como um caminho de produção e análise das memórias de homens e mulheres
que, ao narrarem suas vivências e memórias, re(s)significam sua história. A entrevista,
momento crucial na produção da narrativa, é, sobretudo, momento de encontro. Momento
esse em que as diferenças não são apagadas, mas em que se cria, utopicamente, uma
experiência de igualdade, “na qual dois sujeitos, separados pelas hierarquias culturais e
sociais, escancaram suas desigualdades e as anulam, fazendo delas o território de suas
trocas” (PORTELLI, 2010-213). Nesse sentido, a entrevista é um confronto com a diferença
e com a alteridade. Cremos que as escolhas teórico-metodológicas trilhadas (na abordagem
de uma temática histórica) enunciam a perspectiva e o olhar daquele que pesquisa. Desta
forma, procuramos apresentar um caminho possível de abordagem ao estudo das
migrações. Acerca da metodologia poderíamos tomar de empréstimo a metáfora do
74
garimpeiro em busca do caminho das pedras preciosas para traduzir a dificuldade
documental em relação a temas ligados a pessoas comuns, como é o caso dos homens e
mulheres que migram. A diferença é que na pesquisa histórica o pesquisador terá, muitas
vezes, de fabricar suas próprias pedras preciosas. Assim, a história oral proporciona essa
oportunidade de “entre/vista” e de encontro entre sujeitos e possibilita a reflexão teórica
alicerçada nas narrativas. Teoricamente, entendemos ainda a dificuldade de refletir acerca
de sujeitos em diáspora e suas trajetórias sem dialogar com a temática da identidade
cultural. O caminho apresentado é, portanto, um dos percursos possíveis, não pretendendo
esgotar as possibilidades e itinerários possíveis no enfrentamento das questões densas e
multifacetadas da temática migração. Pretende, no entanto, ser uma contribuição aos
debates e reflexões acerca da pesquisa histórica.

OLIVEIRA, Mariana Esteves de. Relações entre Docência e Trabalho: O recurso das
subjetividades e o não-lugar social dos professores. Nesta comunicação, apresentaremos os
apontamentos e avanços de nossa pesquisa acerca das relações entre docência e trabalho.
Na tese “Professor, você trabalha ou só dá aula?”, com a análise de 128 questionários
respondidos por professores em atividade na Secretaria Estadual de Educação de São
Paulo - SEE-SP, bem como de três entrevistas orais com professores aposentados,
compreendemos a precarização do trabalho docente como um processo histórico e material
vinculado ao desenvolvimento do capitalismo, às suas crises e reestruturações. Amparados
no materialismo histórico dialético e na centralidade do trabalho, analisamos salários,
jornadas e contratos, num recuo de sessenta anos, e as faces recentes da flexibilização e
reestruturação produtiva, como a avaliação, suas consequências expressas na violência, na
saúde dos professores e na crescente dificuldade de mobilização da categoria. No diálogo
com a perspectiva histórico material, compreendemos a subjetividade como componente da
totalidade e analisamos os sentidos atribuídos pelos próprios professores à história e aos
dados por eles fornecidos. Dentre os resultados obtidos, o mais significativo é o
distanciamento entre docência e trabalho, isto é, a ausência da ideia de que o professor é
um trabalhador, um sujeito que participa do modo de produção capitalista como vendedor da
força de trabalho. Todavia, para além da consciência dos indivíduos, esta ausência se
desdobra no silenciamento da própria historiografia do trabalho, haja visto o número
reduzido de pesquisas que tratem o professor como tal, e a despeito das ampliações de
novos objetos e abordagens dos estudiosos dos mundos do trabalho. Assim, faremos aqui a
exposição dos dados obtidos na pesquisa com os professores entrevistados e traremos
novas contribuições que auxiliem na reflexão sobre as distâncias da relação docência e
trabalho, apontando dados tocantes às pesquisas recentes no campo da História, por meio
dos resumos de encontros da ANPUH e do GT Mundos do Trabalho, além do banco de
teses da CAPES, no intuito de evidenciar a necessidade de repensarmos concepções e
aspectos da formação docente no Brasil. Ainda que pareça ousadia propor mudanças
efetivas nas licenciaturas, podemos afirmar que a manutenção da visão vocacional e inata
da docência constitui uma face importante do processo de precarização do trabalho docente
porque concorre para o aumento da frustração e do sofrimento de professores nos espaços
de trabalho. Superar o não-lugar social do professor poderá contribuir tanto para a
rearticulação de seu papel como classe trabalhadora quanto para a qualificação do ensino
público que abrace a consciência de classe a partir dos mediadores da educação.

ORTIZ, Fernanda Siqueira. “Bom dia para os defuntos”, Manuel Scorza, da Literatura à
História. O presente artigo tem por objetivo apresentar o trabalho produzido pela aluna,
Fernanda Siqueira Ortiz Fernando, orientada pelo Prof. Dr. Leandro Baller, a partir do
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), pela Universidade Federal
da Grande Dourados (UFGD), o artigo propõe trabalhar a relação entre, História e Literatura,
através do livro de Manuel Scroza, Bom dia para os defuntos, de 1973. Romancista
peruano, caracterizado pelo engajamento político em causas referentes à luta dos povos
latino-americanos. Dentre essas lutas, Scorza escreve em seu mais célebre romance, Bom
dia para os defuntos, a sangrenta luta dos índios da região de Rancas, contra a mineradora
norte-americana Cerro de Pasco Corporation e os grandes latifundiários da região do Peru,
entre 1950 e 1960. O livro de Scorza em muitos momentos soa documental, de acordo com
75
Valdeci Rezende Borges (2010), que explica a partir de Chartie, a ideia teorizada que, a
História e Literatura estão ligadas de forma direta pela linguagem, e em alguns casos a
literatura traz consigo os registros de acontecimentos e personagens Históricos. O que se
discuti é até que ponto tem-se uma linha de narrativa ficcional, a uma narrativa que oferece
a possibilidade de uma possível realidade histórica, ainda que a literatura não se produza do
nada, sendo ela, segundo Borges (2010), um produto de tempo, espaço e lugar, e
considerando que mesmo fontes oficiais não estão livres de um processo de análise, no
caso de Bom dia para Defuntos, os acontecimentos referentes ao massacre que
consequentemente levam ao desfecho do livro, mistura o abstrato e o concreto. O poder da
narrativa, segundo Flávio Loureiro Chaves (1988), é grande ao ponto de criar paradoxos e
tornar, a “desordem essencial sob aparência da normalidade”. Os textos utilizados para a
produção do artigo trazem as possibilidades de trabalhar e compreender a narrativa e a
historicidade do livro de Scorza, além de propor uma reflexão sobre os textos literários
produzidos a partir de algum acontecimento histórico.

PACHECO NETO, Manuel. A Corporeidade na História da Educação Física: anotações


acerca de uma pesquisa. Resultante de uma pesquisa pós-doutoral financiada pela CAPES,
esta comunicação foca, em termos específicos, a corporeidade na História da Educação
Física brasileira, percorrendo a produção acadêmica dos mais abalizados pesquisadores, no
recorte temporal que medeia entre 1980 e 2016, sem se furtar de discutir e propor
possibilidades para um viés educacional que contemple os alunos numa perspectiva mais
humanista, demarcando, por conseguinte, possibilidades de antagonismo aos
procedimentos didático-pedagógicos unilaterais, de inclinação mecanicista ou biologicista
que, durante muito tempo – desde o século XIX, com permanências não apenas residuais,
até hoje – foram hegemônicos. Refutando a dicotomia corpo-mente e, por conseguinte,
partindo do entendimento do ser humano numa perspectiva una, indivisível, o estudo
embasou-se no sentido da corporeidade, contemplando o seu potencial para mudar a
Educação Física escolar. Em face de seus objetivos, visando a embasar solidamente o
recorte temporal já mencionado, a pesquisa buscou as mais remotas raízes da Educação
Física brasileira, percorrendo as páginas de uma obra hoje considerada bastante rara, saída
da lavra do pensador inglês Herbert Spencer, referência importante do intelectual baiano Rui
Barbosa, um dos maiores defensores das atividades corporais nas escolas, nas últimas
décadas do oitocentos e, que foi cognominado – por Inezil Penna Marinho, prolífico autor de
diversos volumes sobre a Educação Física, mormente sobre sua história – “Paladino da
Educação Física no Brasil”. Com foco central na corporeidade, discutindo sua cambiante
conceituação, a comunicação proposta é postada na perspectiva de contribuir, mesmo que
modestamente, para as discussões acerca da motricidade humana – ou seja, a
corporeidade, a corporalidade em movimento – no âmbito histórico da Educação Física.

PAGLIARINI JUNIOR, Jorge. A História Pública Digital e o seu potencial colaborativo:


estudo das histórias dos municípios paranaenses narradas nos seus sites oficiais. Parte-se
do pressuposto segundo o qual a internet, quando utilizada enquanto veículo oficial de
comunicação, serve tanto à construção de leituras autorizadas do passado quanto ao
processo de construção colaborativa. O estudo ancora-se nas contribuições da História
Digital Pública e analisa como os sites oficiais dos 399 municípios do Estado do Paraná
estruturam suas narrativas históricas. A metodologia divide-se entre o mapeamento de
discursos históricos dos sites e a aplicação e análise de um questionário da plataforma
SurveyMonkei®, ambas atividades destinados aos 399 municípios do Estado do Paraná.
Dentre os resultados pretende-se apresentar um quadro analítico dos sites estudados e
assim contribuir com a análise e reflexão de narrativas históricas, bem como possibilitar a
inserção do historiador em outros canais de produção de conhecimento histórico além do da
academia.

PAIVA, Suzy Helen Santos de. A Desconstrução da Hagiografia de Maria Madalena. O


presente trabalho objetiva analisar a construção das hagiografias de legendas da vida dos
santos no período da Idade Média Tardia, durante os séculos XI ao XIII. Através da análise
do processo de escrita da compilação feita no século XIII por Jacopo da Varagine das
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legendas dos santos, que se chama A Lenda Dourada, (traduzida para o português). A
pesquisa é sobre a hagiografia de Maria Madalena, na supressão da mulher medieval no
meio religioso cristão.

PASSOS, Aruanã Antonio dos. Problemática biográfica e trajetória intelectual: a


historiografia brasileira do Brasil Império no interior do regime republicano (1889-1989). O
Brasil Republicano produziu novos sentidos e desconstruiu outros muitos relacionados ao
regime imperial. Nas primeiras décadas da República a profusão de símbolos, imagens e
ideias foi uma das tarefas mais prementes do novo regime. Edificar uma significação
pacífica em torno do propósito e missão republicanas passou pela reedificação desse
imaginário. No entanto, há uma tensão entre a tradição imperial e a ordem republicana que
se expressa de modo especial nos vultos do passado, ou seja, personalidades históricas
que marcaram gerações na memória coletiva nacional. Assim, procuramos analisar a
dinâmica de tratamento e usos por parte da historiografia republicana sobre personalidades
do passado imperial.

PAULA, Larissa Klosowski de. Materiais Didáticos e Formação da Consciência Histórica:


uma análise através da perspectiva rüseniana. De acordo com Jörn Rüsen (2011), a
consciência histórica, em sua formação para a cultura história escolar, é construída através
de algumas instâncias formativas que devem possuir suporte nas ferramentas de apoio que
aluno utiliza, além de privilegiar certos mecanismos que aludem à ciência histórica em
específico. Para tanto, o exercício das dimensões da experiência, da interpretação e da
orientação, as quais constituem, na visão do autor, os campos de formação específicos da
consciência histórica, devem ser possibilitado pelas ferramentas de ensino utilizadas em
sala de aula, dentre as quais o livro didático, principal disseminador da cultura histórica
escolar desde o manual de Langlois e Seignobos, de acordo com Martins (2014), consiste
na principal delas mediante o seu caráter propedêutico, tal como afirmado por Rüsen (2011).
Neste sentido, seria notório, para ir em concomitância com a formação dos sujeitos proposta
em alguns dos documentos norteadores da educação brasileira, dentre os quais
encontramos a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 9.394/96 e os antigos Parâmetro
Curriculares Nacionais (PCN), que orientavam a lapidação do material didático, que alguns
princípios das dimensões mencionadas por Rüsen (2001; 2007) fossem solidificadas nesses
materiais para criar possibilidades de um ensino de história para além do tradicional e que
não perdesse a especificidade desse pensamento. Neste sentido, a proposta que segue
objetivou identificar, diante da análise das três coleções mais distribuídas em 2015 para a
modalidade Ensino Médio, se há alternativas para o desenvolvimento dessas dimensões
nesses materiais, assim como se a especificidade da formação da consciência histórica é
contemplada. Para tanto, como metodologia de análise, realizou-se uma categorização do
conteúdo dessas obras em concomitância com as dimensões ressaltadas por Rüsen (2011),
de modo que, para tanto, as coleções foram lidas de “capa a capa”, incluindo os textos, a
forma de utilização das imagens, as propostas de atividades, os box e demais textos
complementares. Concluiu-se que embora muitos avanços tenham sido alcançados, ainda
há um caminho à se trilhar se a meta for o desenvolvimento de uma consciência histórica na
cultura escolar.

PEREIRA, Édipo da Cruz. Frida: amor, beleza e Revolução no cinema. Frida Kahlo é uma
personagem bastante interessante para a historiografia latino-americana e em geral.
Atualmente, contamos com muitas teses e dissertações sobre as suas obras artísticas,
pensamento político, entre outros. Na atual pesquisa, iremos trabalhar com o filme Frida,
lançado em 2003, com direção de Julie Taymor e com o elenco de Salma Hayek, Alfred
Molina, Geoffrey Rush, entre outros. O objetivo principal será realizar um cruzamento de
obras históricas e biográficas de Frida com essa produção homônima, no qual iremos
discutir a ligação da História com os a linguagem cinematográfica e ficcional, o sucesso e os
limites do real que o filme Frida apresentou para os telespectadores. Como fonte, além do
próprio filme e de obras referente a pintora mexicana, também iremos trabalhar com
resenhas e críticas que foram produzidas no momento de lançamento da obra
cinematográfica.
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PEREIRA, Letícia Ribeiro. Angela Davis e o feminismo negro no Brasil. Angela Davis, em
seu livro “Mulheres, raça e classe” apresentou uma síntese da escravidão nos Estados
Unidos e, principalmente, como era a vida das mulheres negras nesse contexto. Nesse
sentido, Davis defendeu uma intersecção entre gênero, raça e classe. Ao longo do seu
trabalho, Davis faz diversas comparações entre a vida das mulheres brancas e negras, suas
relações com o trabalho e com o próprio ideal de feminilidade do século XIX. E com essas
comparações, é possível perceber que as mulheres negras estavam muito mais próximas a
realidade dos homens negros, do que das mulheres brancas. A opressão entre homens e
mulheres escravizados era a mesma, mas as mulheres recebiam punições reservadas
apenas a elas, como o estupro. Se as mulheres negras eram fortes como os seus homens e
tão resistentes quanto eles, os abusos sexuais tinham o poder de lembrá-las de seu gênero.
Nesse sentido, com base em suas obras e entendendo que o feminismo não é um
movimento político homogêneo, pois varia de acordo com as especificidades e vivencias de
cada grupo de mulheres, este trabalho pretende analisar a influência de Angela Davis dentro
do feminismo negro e sua repercussão no Brasil.

PEREIRA, Vitória Martins. História e Patrimônio cultural material: construindo concepções


educativas e didáticas na/para a formação de professoras. A presente proposta de projeto
sobre a formação de professores/as com ênfase na Educação para o patrimônio cultural,
religioso e ambiental pretende fomentar as abordagens sobre o campo da valorização da
cultura, da diversidade religiosa, da valorização e manutenção do patrimônio ambiental, uma
vez que estes estão em consonância direta com os currículos escolares, bem como da
utilização de temáticas que ampliem os elementos didáticos que podem ser utilizados nas
aulas da Educação Básica. Neste sentido, inserem-se nesta proposta, outras discussões
sobre a formação de professores/as, que enfocam as dimensões das Políticas Públicas de
educação, as abordagens de gênero, os elementos curriculares e suas demandas no
processo educativo. Acreditamos que os sujeitos que passam pelo processo de formação,
através das oficinas didáticas e temáticas, tenham diferentes visões para o entendimento
sobre as concepções de Estado, os enredamentos das dimensões políticas, de poder e de
saber que envolve a manutenção e preservação do patrimônio, da memória, dos sujeitos
históricos.

PERLI, Fernando. “Todo es Historia”: uma revista de vanguarda na divulgação histórica. As


revistas de divulgação histórica, no decorrer do século XX, tornaram-se importantes
instrumentos de produção e difusão de leituras do passado, contribuindo para a
popularização da história. Algumas foram objetos de críticas de historiadores profissionais
por fugirem às regras do ofício em busca de mercados consumidores. Outras serviram para
ampliar a circulação da história acadêmica e promover debates sobre o lugar social da
produção histórica. Dentre as centenas de revistas congêneres publicadas na Europa e nas
Américas, a argentina “Todo es Historia” chama atenção por sua longevidade e pelo projeto
editorial idealizado em meio às restrições do cenário político na década de 1960. Ao longo
dos anos, a revista abriu possibilidades para se produzir, ler e discutir o que mais se
aproximava da política: a história através de distintas correntes historiográficas. Neste
sentido, a comunicação objetiva analisar a proposta da revista “Todo es Historia” e sua
trajetória num contexto de debates entre a história acadêmica e a divulgação histórica.

PINTO, Adriana Aparecida. Imprensa, Intelectuais e História em Mato Grosso: Rede de


Sociabilidades e Circulação de Ideias (1880-1920). A presente comunicação busca
apresentar, por meio do diálogo com a imprensa periódica de circulação geral em Mato
Grosso, aspectos que, embora possam ser isolados como objetos de análise historiográfica,
inter-relacionam-se na convergência de um cenário comum – o desenho das redes de
sociabilidade, lidas por meio da imprensa e a configuração cultural do território mato-
grossense, entre os anos de 1880 a 1920. Ao tomar a imprensa como fonte principal para a
compreensão dos embates educacionais (PINTO, 2001; 2013; 2017), silenciados em fontes
de outra natureza, busca-se apreender em que medida esses dispositivos foram utilizados
para a promoção e difusão do ideário que reforçava a busca da modernidade e alçar as
78
localidades em que circulavam à condição de país civilizado. Partimos do pressuposto que,
em Mato Grosso, a imprensa deve ser colocada ao lado dos progressos materiais que
gradativamente chegaram ao território na segunda metade do século XIX, constituindo-se
ela mesma num agente transformador. Os jornais difundiam os ideais das instâncias
políticas e do poder, representados pelas famílias tradicionais, que se alternavam na direção
do estado e se ramificavam pelas municipalidades. Os jornalistas, categoria, à época, ainda
fluída em termos profissionais, desfrutavam de legitimidade social, pois se vinculavam à
produção, circulação e divulgação de valores (MICELI, 2001). Interessa, nesta comunicação,
apresentar a ação de proprietários de jornais, editores, colaboradores, articulistas,
entendidos como intelectuais, “no sentido do escritor ou erudito que se posiciona sobre
questões públicas” (BURKE, 2016, p. 51). Partindo de uma conceituação ampla de
intelectuais, tal como proposta por Jean-François Sirinelli (1998, 2003), incluem-se
professores e educadores profissionais nessa investigação, os quais, por meio de seus
lugares de atução profissional, estabelecem redes de sociabilidade que se espraiam pelo
território.

QUEIROZ, Paulo Roberto Cimó. Fronteiras, comércio e vinculação ferroviária: Mato Grosso
e o Oriente boliviano. O presente trabalho busca analisar a história da vinculação ferroviária
entre o Oriente boliviano e a província (depois estado) de Mato Grosso. Para tanto,
analisam-se inicialmente as relações Bolívia-Brasil ao longo do século XIX, destacando-se
os vários tratados de comércio e limites e o interesse boliviano na utilização do sistema
fluvial Paraguai-Paraná como via de acesso ao Oceano Atlântico. Discute-se em seguida o
processo que resultou na E. F. Noroeste do Brasil (NOB), com seu traçado Bauru-Corumbá
– processo diretamente relacionado com os interesses brasileiros em relação à Bolívia, no
contexto mais amplo da política internacional no Cone Sul da América do Sul. Finalmente,
discute-se o processo que levou à efetivação da vinculação férrea entre os dois países, por
meio da estrada conhecida como Brasil-Bolívia (Corumbá-Santa Cruz de la Sierra),
processo esse diretamente relacionado ao contexto pós-Guerra do Chaco. O trabalho busca
dialogar com a bibliografia especializada e utiliza como fontes, principalmente, os textos dos
atos internacionais firmados entre Brasil e Bolívia e os relatórios do Ministério do Exterior
brasileiro. Conclui-se que a vinculação terrestre entre Bolívia e Brasil, no eixo Santa Cruz-
Corumbá, obteve pleno êxito, tornando-se o principal meio de ligação entre o país andino, e
sobretudo seu Oriente, e o litoral atlântico.

QUEIRÓZ, Vivina Dias Sól; JUSTINO, Luciano Alonso. Ensino de história e Educação
Científica no Estágio de Regência. Este trabalho apresenta os resultados da pesquisa
realizada acerca da formação de professores de História e da fundamentação teórico-
metodológica na didática de história. Durante a vivência no Estágio Obrigatório do curso de
Licenciatura em História, no período de 13 de junho de 2016 a 23 de dezembro de 2017,
observou-se que os inúmeros desafios enfrentados pelo (a) professor(a) de História, neste
século XXI para exercer a docência. Isso porque, tem exigido desse(a) professor(a) o
conhecimento de ferramentas e fontes que o(a)s auxiliem a ensinar os conteúdos da
disciplina de modo a despertar o senso crítico no(a)s estudantes, incentivando-o(a)s a
refletir acerca dos problemas de ordem social, humana e técnica do nosso tempo. Nessa
perspectiva a educação científica (FREIRE, 2002), (GONZAGA, 2012) pode ser um trunfo,
por servir tanto ao propósito de estimular e motivar o(a)s estudantes a serem
investigadores(as), quanto o de promover o debate sobre temas nas áreas de ciência e
tecnologia que tem impactado a vida social. Assim, propomos nas ações didáticas do
Estágio Supervisionado em História, que os planos de aulas elaborados pautaram-se em
conceitos da História, da Arqueologia Experimental e da Museologia, contemplando a
construção de réplicas, maquetes, mapas conceituais, reprodução de artefatos, que
pudessem explicar melhor os processos de produção utilizados pelos nossos antepassados.
Na realização do estágio, a percepção que a educação científica tem estado distante das
disciplinas que compõe a área de ciências humanas. Desta forma, metodologicamente
propomos analisar alguns dos problemas que ocasionam no desinteresse dos estudantes
pela escola, pelas aulas e pelo modelo que ainda predomina na escola contemporânea,
trazendo alternativas ao modelo com a inserção da educação científica no ensino de
79
história, buscando criar um ambiente diferenciado para o processo de ensino/aprendizagem,
em que professore(a)s e estudantes tenham a possibilidade de interagir em espaços
presenciais e virtuais, munido(a)s de instrumentos promotores de ensinos e aprendizagens
significativas e carregadas de sentido para ambo(a)s.

REGAGNAN, Isabela Rodrigues. PIBID UFMS - História em perspectivas: uma experiência


em Três Lagoas – MS. Este trabalho objetiva apresentar a experiência em sala de aula
possibilitada pelo PIBID da UFMS, numa ação com duração de três meses, que ocorreu na
Escola Estadual Afonso Pena, no município de Três Lagoas – MS. Num primeiro momento
falaremos sobre o que se trata o PIBID UFMS e sobre a constituição do projeto “História em
perspectivas”; em seguida, discorreremos sobre o contato com a escola e sobre os alunos
atendidos, a partir de uma fase de observação em campo; num terceiro momento,
comentaremos sobre as sequências didáticas construídas e aplicadas, de acordo com as
orientações propostas pelo coordenador de área; por fim, entre nossa entrada na escola, as
leituras de estudos dentro da universidade e a experiência do grupo, faremos algumas
breves considerações sobre a importância do PIBID para nossa formação, bem como, para
o conjunto de pessoas envolvidas no desenvolvimento da proposta.

REIS, Joselma Barros; MOREIRA, Josélia Barros Reis. Literatura e História: A imagem da
urbe interiorana. O presente trabalho pretende por meio da topoanálise - área da literatura
que se dedica ao estudo do espaço literário - em uma relação transdisciplinar, uma
interpretação do espaço na obra literária, abarcando inferências sociológicas, filosóficas,
psicólogicas e históricas. Ao longo da história da humanidade o espaço urbano tornou-se
objeto teórico, poético e também um dos temas centrais das representações visuais do
mundo moderno. Neste estudo, em um primeiro momento foi feita uma breve abordagem da
relação entre Literatura e História. Introduzida a importância da reflexão sobre a produção
espacial para diversas áreas do conhecimento, foi dado início à uma abordagem do espaço
da cidade interiorana representado por uma das ilustrações presentes no romance de ficção
A Máquina (1999), de Adriana Falcão, sob à luz das teorias do filósofo e poeta francês
Gaston Bachelard.

REYNALDO, Ney Iared. Guerra do Paraguai, um conflito anunciado (1852-1864). Esta


comunicação propõe analisar os fatores regionais que, na Província de Mato Grosso,
contribuíram para a deflagração da Guerra do Paraguai. A fronteira, conceito que subsidiou
a análise, foi abordada no sentido territorial e concebida como expressão da dinâmica que a
ocupação do território por distintas sociedades imprime. Foram focalizados, principalmente,
os anos de 1852 a 1864, período que inicia com a liberalização do rio da Prata (Paraná) à
navegação internacional, fato que recuperou a navegação até o Atlântico Sul para as
comunidades ribeirinhas brasileiras e paraguaias que viviam nas margens do rio Paraguai.
Na Província de Mato Grosso (Brasil) e no Departamento de Concepción (Paraguai), foi
vivenciada uma experiência de fronteira de conflitos e intercâmbios durante o período
colonial (século XVIII). As disputas territoriais se agravaram após a independência do
Paraguai (1811), quando ocorreu um crescente isolamento fronteiriço, decorrente de
dificuldades promovidas pelos governantes do país vizinho. Em vista dessa situação, a
Província de Mato Grosso reorganizou suas atividades econômicas, vinculando-as aos
mercados regional e nacional. Com a reabertura da navegação pelo rio Paraná, em 1852, o
rio Paraguai tornou-se alvo de disputas entre brasileiros e paraguaios pela livre navegação,
pois os países envolvidos tinham posições distintas quanto ao tema. De 1854 a 1856, as
dificuldades de navegar no trecho do rio que cruzava o Paraguai, impostas por esse país,
ocasionaram prejuízos econômicos e a necessidade de militarizar a Província com o
fortalecimento das guarnições militares na região em litígio. A partir de 1856, fruto de acordo
diplomático, assinado entre as duas nações, a navegação no rio foi facilitada. Porém, os
desentendimentos permaneceram, entretanto, com o Paraguai apontando uma série de
inciativas (tais como ocupação de terras, captura de escravos fugidos, invasões indígenas,
etc), oriundas da Província de Mato Grosso, que o prejudicavam.

80
RIBEIRO, Renilson Rosa; MENDES, Luís César Castrillon. A presença indígena na História
(didática) do Brasil de João Ribeiro: tramas e embaraços da civilização na narrativa
republicana da nação. Nosso objetivo neste trabalho é realizar uma leitura das
representações dos índios, a chamada “raça cor de cobre” por von Martius, elaboradas por
João Ribeiro, professor do Colégio Pedro II, historiador, filólogo e autor de manuais
escolares de História no Brasil republicano, procurando compreender como e por que ele
criou seu modelo de interpretação, ao escrever suas versões didáticas para a história
nacional. A intenção é mostrar como João Ribeiro, amparado em ferramentas conceituais
como raça, nação e civilização, forjou as imagens destes sujeitos históricos. Procuramos,
ainda, evidenciar o que houve de permanências e mudanças na arte de construir esta
personagem histórica e as possíveis implicações políticas, sociais, ideológicas e culturais
das escolhas feitas pelo historiador sergipano ao fabricar o índio que deveria povoar os seus
manuais escolares, sujeito este que acreditava ou fazia crer como “verdadeiros”, “reais”.

ROCHA, José Milton. As temporalidades da notícia e seus suportes técnicos na cultura de


convergência. Este trabalho pretende debater a construção da notícia a partir das
características herdadas em decorrência dos suportes técnicos de sua veiculação e as
respectivas temporalidades, mas principalmente pelo presentismo (Hartog, 2006). Suportes
técnicos entenda-se como os veículos de comunicação (impresso, rádio, televisão e
internet) e suas formas de nomenclaturizar a formatação da notícia de acordo com sua
tecnologia, ou seja, para o impresso, jornalismo; o rádio, radiojornalismo, televisão,
telejornalismo e a internet com o ciberjornalismo (Canavilhas, 2001; Pavlik, 2001; Noci e
Salaverría, 2003; Zamith, 2011). Nora (1976) argumenta que a pressa em dar sentido
histórico ao presente é uma característica do nosso tempo, percebida e vivida por meio da
narrativa dos acontecimentos, construída pelos jornalistas. E o que são as narrativas se não
a notícia, uma forma de construção, das representações da realidade (Alsina, 2009)? A
notícia, em seus suportes técnicos mais tradicionais que conhecíamos, acabou desaguando
na grande rede, ou no ciberespaço, para onde convergiram todos os meios de comunicação.
Cultura da convergência é um conceito trabalhado por Jenkins (2011) para dar conta do
caudaloso espaço de comunicação criado pela internet e suas teias de bytes. Esse debate
não pode deixar à margem outro conceito emergente que trata dessas transformações
culturais que impactaram nas ultimas décadas a produção e circulação da informação, o de
mediamorfose abordado por Roger Fidler (1997). Para o autor, os novos meios como os
cibermeios, por exemplo, não surgem, de maneira, espontânea, nem muito menos,
independentes. Eles vão se criando de forma gradual, se metamorfoseando, dos velhos
para os novos media. Nesse processo, quando atingem, certo estágio, os velhos modelos
não desaparecem completamente, porque há uma superposição de modelos, com a
predominância do novo, sem que o velho desapareça completamente.

RODRIGUES, Sabrina. El Libertador: o universo político e as estratégias impressas


antiimperialistas (1929-1935). O presente trabalho tem como objetivo discutir e analisar as
matérias de cunho anti-imperialista que a revista El libertador publicou durante os anos de
1929 a 1935 no México. O El libertador apesar de sua curta trajetória jornalística e política,
retratou as diferentes projeções ideológicas e antiimperialistas dos comunistas latino-
americanos. Entre os anos vinte, a revista circulou em toda América Latina e representou a
Liga Antimperialista das Américas o (LADLA). O El Libertador era porta-voz da Liga anti-
imperialista das Américas, suas tiragens tinham em torno de 15 a 20 páginas e era dividido
em algumas sessões. A revista publicava algumas imagens a respeito da conjuntura política
internacional que o mundo vivia na época, além de tratarem de problemas continentais e
nacionais. Durante as edições do El Libertador os diretores que mais se destacaram foram:
o muralista mexicano Diego Rivera; o estadunidense Bertram Wolfe; o mexicano Enrique
Flores e o político venezuelano, Gustavo Machado. O El libertador como uma revista surgiu
de um movimento político e ideológico anti-imperialistas. Ao analisar o El Libertador
evidenciaremos alguns discursos produzidos por uma certa época e um determinado grupo
e tempo dentro da História. Será por meio destas revistas e jornais, que teremos a
possibilidade de mostrar a atuação política das ligas anti-imperialistas que atuaram no
contexto latino-americano. A metodologia do trabalho será a análise da matérias e artigos de
81
opinião de intelectuais latino-americanos publicados pelo El Libertador durante os anos
vinte. A pesquisa utilizará da análise textual discursiva como forma de entender o universo
midiático latino americano e suas performances textuais através das quais manifestam os
ideais e as ideologias de um movimento político anti-imperialista. As matérias do El
Libertador serão analisadas dentro de um todo, desde sua diagramação até editoriais,
imagens e artigos produzidos pelos intelectuais latino-americanos. Sendo assim, a imprensa
torna-se um instrumento de propagação de interesses que tem por finalidade uma
intervenção social estabelecendo uma dominação ideológica e cultural.

RODRIGUES, Sávio Maia. Grécia Antiga e Usos do Passado – sobre a arquitetura antiga e
o tempo presente. O presente trabalho objetiva apresentar nossa pesquisa de Iniciação
Científica, com financiamento do CNPq, sob orientação do Prof. Dr. Leandro Hecko. A
investigação busca compreender que elementos da cultura grega antiga, no campo da
arquitetura, fazem-se presentes no âmbito das cidades modernas (com alguns exemplos de
cidades do Mato Grosso do Sul – Campo Grande, Três Lagoas e Dourados), bem como
suas intencionalidades – ideias que configuram formas de usos do passado. Para este
momento, especificamente, traremos algumas reflexões iniciais da pesquisa diante de um
breve exercício analítico de questões ligadas à cidade de Três Lagoas – MS.

RODRÍGUEZ, Margarita Victoria; MONTEIRO, Hellen Caroline Valdez. História da formação


docente em Três Lagoas, Sul de Mato Grosso (1952-1975). O presente artigo discute a
formação docente na Escola Normal Dom Aquino Corrêa em Três Lagoas, sul de Mato
Grosso (1952- 1975) com foco em três aspectos: a proveniência social dos ex- alunos; o
aporte teórico- metodológico nas cadeiras de Estágio e Didática para a formação dos
normalistas; a organização do trabalho didático na cadeira de História e Filosofia da
Educação. Como procedimentos metodológicos foram adotados os seguintes: coleta de
documentos na referida escola e a realização de entrevistas com 4 ex- normalistas e a ex-
professora responsável de ministrar aulas de História e Filosofia da Educação entre 1973 e
1975. Também se analisa o público que frequentou a instituição para identificar que classe
social teve acesso à Escola Normal, e a partir das respostas das entrevistadas, evidenciar
em que isso afetou sua vida material em termos de subsistência. Outrossim, compreender
qual a visão de mundo que esses alunos construíram sobre o acesso à educação pós-
ginasial. Como resultado identificamos que a maior parte dos alunos que frequentaram a
instituição eram filhos de ferroviários que trabalhavam na Ferrovia Noroeste do Brasil,
importante meio de ligação econômica de Três Lagoas à São Paulo e que foi grande
responsável pelo desenvolvimento ali constituído. E com relação às práticas escolares
verificamos de acordo com os depoimentos das entrevistadas, que as estratégias didáticas
implementadas no curso tinham como propósito desenvolver práticas de participação nas
escolas primárias, e que se integrassem a realizar atividades que promovessem a
construção do conhecimento, e o principal autor estudado pelas ex- normalistas nas
disciplinas de Estágio e Didática foi Jean Piaget. A respeito da disciplina História e Filosofia
da Educação, a professora formadora relatou que em suas aulas desenvolvia metodologias
diversas, tais como, dramatização, música, teatro, imitação de entrevistas, entre outros,
além da utilização de resumos de livros para transmitir os conteúdos aos normalistas.
Conforme os depoimentos das entrevistas, o acesso à educação pós- ginasial revela por um
lado o esforço familiar para garantir que seus filhos cursassem estudos pós-primários, e por
outro lado, uma visão de mundo pela qual consideravam que o acesso à Escola Normal,
lhes permitiria a ascensão social, a obtenção de bens materiais e culturais diferenciados.
Assim, reproduziam a ideologia própria da classe dominante que visa negar a existência de
diferenças sociais por fatores econômicos, mediante o discurso de que todos tem as
mesmas condições de alavancar sua vida material se buscarem para isso, a educação
institucionalizada.

SAMPAIO, Paula Faustino. Fazer história com narrativas de mulheres indígenas:


potencialidades e protagonismo. Nas últimas décadas, mulheres indígenas tem falado e
escrito sobre si e suas lutas. Entrevistas, testemunhos, biografias, romances, poemas e
autobiografias são alguns dos formatos narrativos utilizados. O livro “Me llamo Rigoberta
82
Menchú y así me nació la conciencia” (1983) é a autobiografia da Prêmio Nobel da Paz
(1992) Riboberta Menchu, mulher quetchua e liderança indígena guatemalteca. Incomum
até os anos 1980, esta autobiografia é exemplo das narrativas de mulheres indígenas que
emergiram no final do século XX na América. Ela se soma ao fundo documental de
narrativas da Flacso, sede no Equador, que reúne relatos de mulheres indígenas da
América Latina; e à produção literária de escritoras mulheres indígenas como Eliane
Potiguara, no Brasil, Rita Joe, no Canadá, Susan Power, Estados Unidos da América, e
Julieta Paredes, na Bolívia. Aqui reunidas, estas narrativas estimulam entender a construção
de uma história das mulheres indígenas tendo-as como fonte histórica e/ou objeto de
estudo. Sendo assim, objetivo mostrar a potencialidade e o protagonismo de mulheres
indígenas nestas construções discursivas visando a construção de uma história das
mulheres indígenas decolonial.

SANTO, Janaina de Paula do Espírito; LOPES, Bruna Alves. A diferença invisível: um


estudo sobre quadrinhos, autismo e mulheres. O presente texto trata de uma investigação
inicial a partir do quadrinho “A diferença invisível”, obra autobiográfica escrita em terceira
pessoa a partir da experiência de vida de Julie Danchez, francesa que descobriu seu
diagnóstico de autismo aos 27 anos. Produzida em parceria com a ilustradora Mademoiselle
Caroline. No quadrinho, é narrado o processo de autoaceitação da protagonista, frente a sua
característica enquanto neuroatípica, ao mesmo tempo em que, ao abordar situações e
enfrentamentos cotidianos, constrói para o leitor comum uma caracterização do autismo. No
quadrinho o processo de autodescobrimento da personagem principal é caracterizado pela
transição de uma história cinza, para uma história colorida, na medida em que a
personagem abre espaço para sua autoaceitação que concomitantemente, garante uma
melhor convivência com as pessoas que as cercam. O artigo, portanto problematiza as
possibilidades de diálogo da linguagem da história em quadrinhos e a história em cima do
tensionamento da obra em questão, onde normalidade e “ser mulher” tornam-se amálgamas
na disputa pelo espaço da protagonista em seu processo de autodescobrimento. De acordo
com Jack (2014) os discursos sobre o autismo — desde os primeiros estudos de Leo
Kanner em 1943, passando pelos discursos da neurodiversidade — são generificados o que
impacta não apenas na conceituação do autismo, mas na representação dos sujeitos
envolvidos nesses discursos, assim, no caso dos autistas, estes são representados na figura
da criança do sexo masculino ou na figura do adulto autista nerd ou geek. Tal forma de
representar os sujeitos, embora represente os dados de estudos epidemiológicos que
apontam que o autismo é mais prevalente em homens (uma menina para cada quatro
meninos) (Joseph; Soorya; Thurm, 2016) acabam gerando uma dupla marginalização: as
diferenças/ dificuldades envolvendo o comportamento, a interação social e a comunicação
apresentado pelos autistas em geral são maus compreendidos pelos neurotípicos, o que
geram situações de preconceito e estigmas; sendo, entre os grupos autistas meninas e
mulheres por estarem em menor grupo no espectro, não tendem a serem “visíveis” nas
discussões acerca do autismo, sendo portanto fundamental a inserção da categoria gênero
nesses debates. Assim, tomamos o quadrinho como elemento de cultura histórica (RÜSEN,
2015) e empatia histórica (LEE, 2001) podem nos permitir delinear posicionamentos
ideológicos, estereótipos, valores, simplificações e interesses na circulação do pensamento
histórico em torno de ideias como diferença, normalidade e autismo deste quadrinho. A
autobiografia em quadrinhos é uma modalidade expressiva bastante específica, que revela
uma “experiência de si” nem sempre presente em outras linguagens da indústria cultural.

SANTOS JÚNIOR, Marcos Almeida. Os mecanismos de Ocupação de Terra nos Impérios


Português e Brasileiro: o caminho até a Lei de Terras de 1850. O presente resumo busca
fazer um pequeno panorama sobre os mecanismos de ocupação terrestre empregados na
América Portuguesa e posteriormente no Império brasileiro, até o advento da Lei de Terras
de 1850 auges desse processo. Segundo Ferlini (2005) inicialmente não existia interesse
português sobre suas posses americanas devido a seu forte comercio asiático, porém após
a descoberta de ouro por suas contra parte espanhola em terras americanas fez os
portugueses entenderem as necessidades de defesa de suas terras no continente,
nascendo assim o sistema de Capitanias Hereditárias que permitiria pequenos núcleos
83
populacionais e a defesa militar da extensa costa, estabelecendo a economia açucareira, de
modo que pudesse custear a ocupação e ao mesmo tempo atrair colonos para aquelas
terras. Porém tal sistema não durou muito sendo extinto com o estabelecimento do governo
geral, e a exportação do sistema de Sesmarias de Portugal Este sistema conforme Ligia
Osório Silva (1996) consistia na concessão de terras devolutas para cultivo tendo assim
certo grau de sucesso em terras lusas até o século XV, porém ao ser exportado para as
terras americanas, sem qualquer mudança ou adaptação para a lógica colonial, se provou
um verdadeiro fracasso. Muitas das terras cedidas não eram cultivadas, ou nem mesmo era
empregado o cultivo da cana deixando assim a agricultura de lado, sem contar a falta de
demarcação dessas terras que gerava posses de tamanhos exorbitantes, de maneira que
dificilmente quem as possuía poderia usar totalmente seu espaço cultivável, mesmo isso
sendo umas das condições da concessão. Herdando esse problema colonial o Império cria a
primeira legislação organizada sobre a questão agrária a Lei de Terras de 1850 que
buscava em tese resolver as falhas deixadas pelos sesmaríamos e constituir um sistema de
compra e vendas de terras, visto que até então as terras eram posses exclusivas da união
servindo como forma de projeção do poder da coroa. Tal lei é vista como falha, porém
Marcia Mendes Motta (1998) mostra que ela teve certo impacto social, pois permitiu que os
grupos lesados pelo sistema de Sesmarias como os pobres e livres que com apoio da Lei
buscaram seus direitos de permanecer em suas terras em posses de grandes senhores
mesmo que sem grande sucesso, mostrando quão influente foi essa lei tanto socialmente
quanto politicamente.

SANTOS, Anderson Vicente dos. Quase da família: Memórias de trabalhadoras domésticas


nas relações entre trabalho, gênero e raça. Por muitos anos o trabalho doméstico foi
completamente desvalorizado no Brasil, sendo uma das últimas categorias a serem
reconhecidas como trabalho pela CLT, criada em 1943 por Getúlio Vargas. Somente no ano
de 1972 foi criada a primeira lei que o reconheceu como categoria trabalhista. No entanto,
de 1972 até o estabelecimento da Constituição de 1988, o trabalho doméstico sofreu com a
enorme desvalorização no que tange a garantia dos direitos trabalhistas. A Constituição de
1988 tratou de assegurar alguns dos direitos fundamentais aos/as profissionais do trabalho
doméstico, porém, ainda haviam muitas confusões acerca desses direitos, que variavam
muito de acordo com cada trabalhador (a) e as suas relações com o trabalho doméstico.
Somente após a promulgação da emenda constitucional nº 72, aprovada em 2013, a
categoria de trabalhadores/as domésticos/as pode finalmente alcançar a integralidade dos
direitos trabalhistas vigentes no Brasil. Parte dessa importante conquista está relacionada à
carga de 8 horas de trabalho por dia, totalizando 44 horas semanais, passando a ser
reconhecido o direito à hora extra, que ainda não era previsto por lei, entre outros
complementos, por exemplo, o direito ao FGTS, seguro desemprego, salário família,
adicional noturno, adicional de viagens, entre outros. Mesmo com tantas mudanças no que
tange a garantia dos direitos trabalhistas a essa categoria, ainda nos resta saber se, na
pratica, eles foram realmente assegurados. Esse presente artigo tem como objetivo analisar
as relações entre trabalho, gênero e raça, com base nas memórias e impressões de quatro
trabalhadoras domésticas de Mato Grosso do Sul. A pesquisa foi realizada na UFMS,
campus de Três Lagoas, entre agosto de 2017 e agosto de 2018, pelo Projeto de Iniciação
Cientifica intitulado “Quase da Família: Memórias e impressões de trabalhadoras domésticas
e as relações entre trabalho, gênero e raça”, sob orientação da professora Dra. Mariana
Esteves de Oliveira. Utilizamos a História Oral como principal metodologia para seu
desenvolvimento, uma vez que, tratando-se de um tema voltado tanto à história social como
também política dessa categoria que sofre até hoje com o preconceito ao trabalho
doméstico, julgamos ser de suma importância dar voz às trabalhadoras, que sentem na pele
todos esses impactos, mudanças e opressões que ainda possam existir mesmo após a
garantia formal desses direitos. Com isso, foram realizadas entrevistas com 4 trabalhadoras
nas cidades de Três Lagoas-MS e Brasilândia-MS. Com base nas transcrições, juntamente
às obras de autores como Mello, Saffiothi, Davis, Engels, Hobsbawm, Marx e Thompson,
pudemos compreender melhor essas complexas relações entre o trabalho, gênero e raça,
em que está inserida a categoria do trabalho doméstico.

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SANTOS, Cristiane de Almeida. Literatura e os métodos da história, uma breve reflexão. O
presente trabalho é resultado das reflexões estabelecidas na aula de "A cidade na
historiografia brasileira contemporânea" ofertada no Programa de Pós-Graduação em
História da UFGD e que teve por objetivo geral “Discutir os aspectos teórico-metodológicos
da produção historiográfica brasileira contemporânea – que aborda o período republicano –
envolvendo as categorias cidade e memória”. O levantamento historiográfico que compunha
o material textual das aulas privilegiavam as diferentes fontes de preservação da memória
de cidades, tais como a História Oral, fotografias, registros da imprensa e literatura. É nesse
contexto que se pretende construir uma análise da fonte literária de Brígido Ibanhes
traçando um paralelo entre os métodos da História com os do literato. A imagem, a oralidade
e a imprensa são os focos da análise, sendo o último o de maior visibilidade, pois é através
da crescente fonte de imprensa sobre o objeto do livro que o autor pode chegar à sua
sétima edição, mais densa e completa. O livro usado como fonte é "Silvino Jacques, o último
dos bandoleiros" que narra episódios da vida desse personagem, afilhado de Getúlio
Vargas, gaúcho e migrante em Mato Grosso na região que hoje é o atual estado de Mato
Grosso do Sul. Sua história é, segundo o autor, o retrato de uma época convulsionada. O
autor acredita que seu livro é uma denúncia às diferentes práticas de violência da região do
Sul do Mato Grosso, sobretudo a violência agrária e pela disputa de poder. E é através da
imprensa que o autor encontra luz sobre as problemáticas que giram em torno do
personagem, como as fugas da polícia, seu envolvimento com política nacional e regional,
sua participação na Revolução de 32, etc. O artigo, ainda em fase de finalização, demonstra
como, ao decorrer das edições, o autor encontra maior autonomia para narrar uma história
do qual não participou, mas que refletiu na trajetória de seus antepassados. E ainda,
problematizar o uso da fonte de impressa usada pelo escritor em contraponto de como a
mesma fonte é utilizada para a História.

SANTOS, Daiane Lima dos. Levando o Brasil até a Bolívia e trazendo a Bolívia até aqui: A
Comissão Mixta Ferroviária na fronteira oeste do Brasil (1937-1958). A presente proposta de
pesquisa tem como objetivo analisar as contribuições da Comissão Mixta Ferroviária
Brasileiro-Boliviana (C.M.F.B.B) na fronteira oeste do Brasil. Deste modo, fará a abordagem
da política nacional e internacional do Brasil e como essa política foi operacionalizada na
prática pela Comixta abordando, para tanto, o aparato técnico e administrativo, as relações
com a municipalidade de Corumbá e com a Marinha no Ladário, ao mesmo tempo em que
evidenciará o processo migratório decorrente das notícias de jornais que circulavam no país
e que diziam respeito aos empregos ofertados no ferrocarril Corumbá-Santa Cruz de la
Sierra. Esse processo migratório de pessoas na busca de emprego em virtude dos trabalhos
realizados pela Comixta na região criou, para o distrito do Ladário, uma “minicidade” cujo
nome era Mixta. Em vista disso, será possível entender o que foi a Mixta nos tempos da
Comixta, no distrito do Ladário, e o que hoje é a Mixta, o bairro, no município de Ladário.
Contudo, visa compreender os desdobramentos e as contribuições da ferrovia na atualidade
a partir da memória ferroviária dos ex-trabalhadores sem desconsiderar a memória dos
demais moradores. Para tanto, utilizará a metodologia de História Oral preocupando-se em
abordar a memória ferroviária local a partir de questionamentos e de reflexões.

SANTOS, João Paulo Pereira dos. A Igreja Católica e a resistência negra no brasil colonial:
algumas considerações. Nesta comunicação propõe-se a discussão do escravo negro
africano dentro do período colonial brasileiro (1500- 1822), de forma que se objetiva dar
visibilidade a esses sujeitos e às suas ações, o que a Igreja Católica e a historiografia oficial,
por muito tempo não fizeram. Nesta perspectiva historiográfica, que toma fôlego no contexto
da abertura política do Brasil, a partir dos anos 1980 - principalmente no centenário da
abolição -, tais agentes sociais, homens e mulheres, passam a ser vistos como sujeitos
históricos, intervindo diretamente e ativamente no mundo colonial, mesmo com todas as
barreiras impostas a estes. Para a discussão destes elementos foi realizada uma análise
destas cartas produzidas por jesuítas do Brasil colonial (1500-1822) a exemplo de P.
Antônio Vieira e Jorge Benci, as quais tivemos acesso por meio dos respectivos livros:
Cartas do P. Antônio Vieyra da Companhia de Jesu de 1735, e Economia Cristã dos
senhores no governo dos escravos datado em 1700, para por meio de estes apreender a
85
visão imposta por esta instituição a estes sujeitos, em diálogo com a nova perspectiva
historiográfica sobre esses homens e mulheres escravizados, para assim tentar
compreender a imagem destes sujeitos tecida pelos jesuítas e a Igreja Católica naquele
momento histórico do Brasil Colonial. Contrapondo esta imagem com evidencias que estes
homens e mulheres escravizados possuíam uma cultura e não a perderam durante o
cativeiro, já que mantiveram suas crenças e práticas, muitas vezes de forma contida, até o
ponto no qual poderiam praticá-las livremente, e não nos espaços privados das casas e
senzalas (REIS; SILVA, 1889).

SANTOS, Junia Fior. O direito à terra indígena e suas principais implicações históricas,
jurídicas e sociais. O presente estudo é fruto de reflexões suscitadas a partir da tensão
social entre indígenas e proprietários rurais, originada pelas últimas demarcações de terras
indígenas no Brasil e devido a um contexto histórico-jurídico que vem passando por
significativas transformações no que tange a sua aplicabilidade. As presentes considerações
são um chamado à discussão sobre alguns fatos históricos de violação dos direitos
indígenas às suas terras de origem, através de uma visão histórica, social e jurídica que
cercam o presente tema. Por conseguinte, o presente estudo, com um viés crítico, ressalta
as nuances do processo (re) interpretativo da Constituição Federal de 1988 acerca do direito
indígena as suas terras de origem. Toda a conjuntura histórica das políticas indigenistas
brasileiras, propostas e efetivadas ao longo de séculos, revela o descompasso entre
previsão legal e as práticas governamentais e o descaso com o qual a garantia do direito
vem sendo abordada. Neste contexto, muitos são os desafios na execução de direitos,
considerando o atual cenário, por um lado reflexo de conformações e deficiências de
discernimento e, por outro, fomentador de usos contra hegemônicos do direito, em defesa
da emancipação social. Desse modo, pretende-se analisar a atual estratégia de
(re)interpretação do texto constitucional por meio de estudos de casos e jurisprudências
emblemáticas que envolvem o tema, visando assim demonstrar a fragmentação dos direitos
indígenas pela adoção de medidas omissas por parte do poder judiciário.

SANTOS, Kevin Franco dos. Revista UFO - Reflexões Históricas. A História da Imprensa,
como campo de pesquisa, surge no Brasil em meados da década de 1960, marcada pelo
lançamento da obra sintomática de Nelson Werneck Sodré, História da Imprensa no Brasil.
Tal obra é caracterizada pela abordagem materialista e pela concepção de que a imprensa,
nada mais é, do que o resultado do desenvolvimento do capitalismo no país. O estudo da
imprensa pela Historiografia foi possível pela ampliação de abordagens e concepções
advindas com o movimento da Escola dos Annalles, que revolucionou a Historiografia ao
revisar seus conceitos em torno de documento, teoria, metodologia e a própria concepção
de História. Nesse sentido, este trabalho é resultante direto dessas modificações vindas com
a Escola dos Annalles, pois desdobra-se no estudo da Revista UFO, periódico especializado
em Ufologia no Brasil. Estudar a Revista UFO é mergulhar no estudo da Ufologia brasileira,
pois a UFO é resultante de uma reunião de ufólogos brasileiros em torno de um periódico,
tornando-a o veículo oficial da Ufologia no país. A Revista UFO surge em meados da
década de 1980 e desde então é a revista especializada nesta área mais antiga no mundo.
Sua constituição atendeu a contextos específicos de casos ufológicas de grande alarde e
repercussão na imprensa, assim como mudanças políticas, econômicas e sociais no país.
Como fonte, utilizou-se a UFO e uma entrevista realizada com Ademar J. Gevaerd, gravado
em abril de 2018, em Curitiba/PR. O trabalho objetiva a inclusão da Revista UFO nos
estudos sobre Imprensa no/do Brasil, analisando sua historicidade, seu contexto de criação,
as fases da revista e as mensagens por ela trazidas, abordando-a como um tipo
especializado de imprensa.

SANTOS, Luana Dias dos. Mulher "de bem": Uma análise histórica sobre a mulher
integralista. O Integralismo foi um movimento político de cunho fascista no Brasil, fundado
por Plinio Salgado no início do século XX. Esse movimento tinha influências de movimentos
contrarrevolucionários cristãs. Um dos elementos fundamentais do Integralismo era a defesa
da “mulher de bem”, ao qual essa mulher propriamente educada pelas condutas
integralistas, seria a percursora do movimento às futuras gerações. As mulheres tinham uma
86
função ambígua que transitava entre espaço público e privado. Com isso, não era apenas
no lar que ela se restringia, podendo participar da militância e de empregos “direcionados às
mulheres”, desde que nunca esquecesse “de sua condição de mãe, esposa, filha”
(POSSAS, 2012, p.24). Plínio Salgado foi um grande defensor da “mulher de bem”, que
seria a mulher que não sujeitou ao liberalismo e à modernidade. Para isso, essa não mulher
não deveria ser, “[...] a boneca de cabecinha vazia só preocupada com o luxo, a exibição, as
futilidades de uma vida ociosa, nem também o ente desgracioso, de passo militar e atitudes
masculinas, a aspirar uma igualdade ridícula com o homem [...]” (SALGADO, 1949, p.95).
Desse modo, em um de seus livros “A Mulher no século XX” Plinio Salgado escreveu qual
era o tipo de mulher que o Integralismo almejava, baseando-se em concepções
conservadoras e religiosas. Para compreender a mulher integralista e qual seu papel dentro
desse movimento, analiso o livro A mulher no século XX (1946) e periódicos do jornal
Monitor Integralista (1933-1937), que funcionava como informativos para a população, com
a finalidade de que esses meios de comunicações, sendo por meio de livros, revistas ou
jornais, ajudassem a entender o que era o Integralismo e como um cidadão integralista
deveria portar. Assim, por meios desses informativos, o livro A mulher no século XX e o
jornal Monitor Integralista, servirão como auxilio de análise para procurar representações e
discursos sobre a mulher integralista, afim de entender o que era ser uma mulher “de bem” e
qual sua funcionalidade na manutenção desse movimento.

SANTOS, Lúcia de Moura. Colonização na Política De Vargas – Estudo De Caso: O


Território Federal De Ponta Porã (1943-1946). O governo de Getúlio Vargas possuía uma
legislação específica para sua política de colonização, tanto em âmbito nacional como para
os Territórios Federais, para que os objetivos propostos em sua campanha da Marcha para
Oeste e sua propaganda de integração nacional fossem alcançados. Assim como as
legislações de implantação e organização administrativa dos territórios, a de colonização foi
publicada após a criação dos mesmos, dando as orientações necessárias à sua aplicação,
porém em alguns casos, como no Território Federal de Ponta Porã, não houve tempo hábil
para seu real cumprimento, devido à extinção do território. Mostraremos alguns exemplos de
como se efetivou essa política de colonização no TFPP, através de pesquisa realizada em
relatórios dos órgãos responsáveis, como a Seção de Terras e Colonização, cartas e ofícios,
além de referências bibliográficas acerca do tema. Percebemos que o discurso oficial
proferido pelo governo em âmbito nacional não se processou na região por inúmeros fatores
que iremos elencar, dentre esses destacamos a campanha para a vinda de trabalhadores
nacionais de outras regiões, com conhecimentos de práticas agrícolas.

SANTOS, Nubia Sotini dos. Os operários da Noroeste do Brasil em Três Lagoas: ascensão
social pautada na escolaridade e raça (1930-1940). Nosso pôster objetiva apresentar o
incipiente projeto de Iniciação Cientifica e suas fontes principais. No desenvolvimento do
projeto, pesquisaremos as condições de trabalho e vida dos operários negros da Estrada de
Ferro da Noroeste do Brasil - NOB, durante o período de 1930 - 1940. Partimos da premissa
de que o sistema escravista secular no Brasil causou diversas consequências sociais
negativas, tanto para os escravos da época quanto para seus descendentes. O preconceito
racial se perpetua até os dias atuais, com prejuízos materiais e imateriais, marginalizando o
povo negro – a despeito da resistência operada pelos sujeitos – e, consequentemente,
dificultando sua ascensão social. Por isto, do ponto de vista teórico, procuraremos realizar
os diálogos necessários entre a História Social do Trabalho e as relações étnico raciais no
Brasil. Nessa perspectiva perscrutaremos as condições e itinerários profissionais de
operários negros, homens comuns, sujeitos do trabalho, com base nas fichas funcionais dos
trabalhadores da NOB, nossas fontes principais. Tais fichas integram o acervo da NOB no
Núcleo de Documentação Histórica Honório de Souza Carneiro, do Curso de História da
UFMS, Campus de Três Lagoas, e apresentam as características dos funcionários, como
fenótipo, escolaridade, seus ofícios, locais de origem, os membros de suas famílias. Nas
fichas também há fotos dos trabalhadores, bem como alguns marcos significativos para a
empresa, informes de aumento salarial ou mudanças de cargos e ainda eventuais
envolvimentos de funcionários em greves e, consequentemente, suas punições. As fontes,
com riquezas de dados, nos possibilitam mergulhar em diversas questões e nos motivam a
87
pesquisar, principalmente, se a declaração racial dos trabalhadores, imputada nas fichas
voluntária ou involuntariamente, pode ou não ser relacionada com sua (baixa) escolaridade,
com as possíveis variações de salários ou ascensão de cargos, perquirindo reconhecer as
relações raciais no trabalho no Brasil após meio século de abolição da escravatura.

SANTOS, Rosana de Oliveira Prado dos. Abordagens e possibilidades do fato e da ficção na


Guerra do Paraguai na obra Chão do Apa de Brígido Ibanhes. Este trabalho tem por objetivo
analisar a possibilidade de se olhar a literatura como fonte histórica, tendo em vista que
alguns romances fornecem uma incisiva interpretação de acontecimentos sociais, culturais e
políticos no Brasil. Este é o caso da obra "Chão do Apa: contos e memórias da fronteira" de
Brígido Ibanhes, em que o autor constrói uma espécie de informações históricas no tecido
textual da obra ao representar a Guerra do Paraguai, abordando os aspectos sociais e
culturais da fronteira entre Brasil e Paraguai que deixa entrever de forma ficcional, uma
interpretação da história. Desta forma, à luz de uma bibliografia teórica dedicada ao assunto
entende-se que a presente obra traça abordagens comparativas nestes diferentes campos
do saber que é a História e a Literatura, permitindo-nos um intenso diálogo entre a ficção e a
História na literatura brasileira.

SEHNEM, Adrieli Müller. Narrativas de alunos e alunas indígenas no contexto escolar do


município de Querência - MT. A cidade de Querência localiza-se a nordeste do estado de
Mato Grosso e começou a se desenvolver na década de 1980 por meio de projetos de
iniciativa privada de ocupação territorial, recebendo vários migrantes da região sul do país.
Nas décadas de 1970/80 surgiram na região várias cidades através dos projetos de
colonização implantados por iniciativa do governo federal e de empresas privadas que
buscavam consolidar os interesses econômicos explorando o interior do estado. O
surgimento dessas cidades acarretou uma série de consequências ambientais que afetou
diretamente o Parque Indígena do Xingu (PIX), criado em 1961. O PIX possui atualmente
uma população de aproximadamente 5.500 pessoas que vivem em 77 aldeias com 16 etnias
(ISA, 2011) e incidi em oito (08) municípios do estado, sendo Querência um deles. Algumas
comunidades indígenas do PIX por não possuir escolas em seus territórios precisam se
deslocar até a cidade para garantir estudos à população. Nesse sentido, propôs-se
investigar como estes estudantes indígenas que se deslocam das aldeias para estudar na
cidade relatam suas experiências adquiridas no contexto de uma escola pública urbana e
não-indígena. Partindo da premissa que a educação escolar é um dos espaços de
aprendizagem que possibilita a reflexão dos problemas sociais e tem o papel de sensibilizar
os estudantes a conhecerem o mundo e a si próprios por meio da construção de
conhecimentos e saberes que integrem os diferentes grupos socioculturais, “a relação
ensino-aprendizagem deve ser um convite e um desafio para os alunos e professores
cruzarem ou mesmo subverterem as fronteiras impostas entre as diferentes culturas e
grupos sociais, entre a teoria e a prática, a política e o cotidiano, a história, a arte e a vida”
(FONSECA, 2003, p. 61). Portanto, as narrativas dos estudantes indígenas viabiliza a
reflexão sobre como a escola de Querência se relaciona com os povos indígenas e se a
mesma tem articulado estratégias de ensino pautadas em princípios de igualdade e respeito
em uma sociedade marcada por diferenças e desigualdades múltiplas.

SILVA, Diego de Oliveira Mareco da. Tecnocracia, Marxismo e Arte: Perspectiva Sócio-
Históricas Frente à Produção do Livro Didático no Brasil. A partir de perspectivas sócio-
históricas o presente ensaio tem como objetivo compreender aspectos sociais que
repercutem na produção dos livros didáticos brasileiros. Para tanto, se faz necessário operar
conceitos socioeconômicos e históricos, na perspectiva interdisciplinar, como arte e
tecnocracia com a intenção de problematizar normas e regras atuais dos livros didáticos
brasileiros. Por fim, compreender a realidade social e cultural do país com o propósito de
sugerir novas plataformas didáticas educacionais.

SILVA, Douglas Alves da. O Chamamé enquanto Patrimônio Cultural do Mato Grosso do
Sul. O estado de Mato Grosso do Sul, por conta de sua condição limítrofe aos seus vizinhos
hispano-americanos, teve e ainda tem uma grande influência dos países fronteiriços em sua
88
construção histórica e cultural. Não podemos, portanto, negar que temos grande influência,
principalmente, de países como Paraguai, Bolívia, Uruguai e Argentina, quanto à construção
de nossa identidade e a consequente salvaguarda do nosso patrimônio cultural. No campo
da música enquanto manifestação cultural, não se pode negar a grande influência do
Chamamé. De origem ligada à Argentina e ao Paraguai, é um gênero musical surgido na
província de Corrientes e de lá difundido para muitos destinos além de suas fronteiras
territoriais, remontam à variações da Polca Paraguai, passando por influências regionais da
região de seu nascimento, inclusive influências da cultura guarani.

SILVA, Kathiusy Gomes da. Escravidão, escravizadas e família escrava: mulher negra na
formação da família escrava. Nossa pesquisa propõe a análise da formação da família
escrava, indagando o papel da mulher negra escravizada e suas formas de resistência. As
escravizadas enfrentavam os infortúnios da exploração escravista, além de lidar com as
provações que são relegadas as mulheres, como a submissão aos companheiros; a
violência sofrida por parte dos senhores e de outros escravizados; dificuldade de manter
seus filhos perto de si, dentre outras. Essas mulheres transitavam nas mais diversas esferas
sociais no período colonial, desde a organização da casa-grande, preparação dos alimentos,
venda de quitutes nos meios urbanos, como companheiras das sinhás, indivíduo
responsável por entregar recados, ama de leite das crianças da elite, outros (JANCSÓ, 1997
p.433). O principal referencial de nossa pesquisa é a obra “Na senzala, uma flor”, de Robert
W. Slenes, que discute a possibilidade de existência da família escrava no sudeste do
Brasil, amparado na historiografia e em obras de arte de Debret e Rugendas. A partir dele,
averiguamos que as mulheres escravizadas possuíam suas formas de resistência, como uso
da língua materna e preparo de alimentos típicos africanos. Em relação à constituição da
família escrava, elas eram importantes já que, em geral, a família era formada pela mãe e
seus filhos, comumente fruto de diversas uniões. Essa família nuclear reduzida é
consequência da instabilidade do período colonial, pois os escravos poderiam morrer por
exaustão, ser separados da família, mortos em embates com outros escravos, feitores e
com o próprio senhor de engenho. Confirmando as afirmações de Slenes, ao final da
pesquisa, notamos que existe a possibilidade de formação da família escrava mantidas pela
força e resistência das mulheres escravizadas, mesmo contra a vontade dos senhores,
contudo, seu cotidiano era marcado por instabilidade. A ideia da “flor” na senzala, no título
da obra de Slenes, advém dessa esperança que os escravizados mantinham de formar ou
reencontrar os familiares, de construir um lar no novo mundo. Slenes demostra a
possiblidade de desenvolver uma economia familiar entre os escravizados, e que essas
famílias tinham sonhos de comprar a liberdade dos entes queridos, e finalmente, que suas
ações eram pautadas na busca da realização desses sonhos. A mulher escravizada, mesmo
inserida no sistema de exploração escravista, sofrendo com assedio e violência, era o
núcleo que salvaguardava os resquícios da cultura africana, além de ser responsável por
cuidar dos filhos. Por esses e outros motivos, reafirmamos a importância da valorização da
história dessas mulheres.

SILVA, Kelen Katia Prates. Jornal dos Sports: imagens das mulheres no universo cultural
das práticas esportivas. A proposta do trabalho é investigar as representações criadas,
afirmadas e reafirmadas sobre mulheres nas páginas do Jornal dos Sports. O periódico
citado se apresentar como um diário esportivo que visava à divulgação e incentivo das
práticas esportivas, inclusive para as mulheres, o jornal define como e quais espaços podem
ser ocupados pelas mulheres no esporte. Ao noticiar as mulheres no esporte o Jornal dos
Sports cria sentidos e significados para os movimentos de seus corpos negociando espaços
e práticas aceitáveis para as mulheres no campo esportivo.

SILVA, Midiane Scarabeli Alves Coelho da. Geografia e cinema: projetos interdisciplinares
(estudo de caso). Esta proposta tem como objetivo debater as relações entre Geografia e
cinema por meio de um estudo de caso, que foi a pesquisa desenvolvida no âmbito de
Iniciação Científica em Geografia na PUC Minas. Analisarei o filme “Uma Onda no Ar”,
produzido no ano de 2002 e dirigido por Helvécio Ratton, um mineiro de Divinópolis. A
história do filme se passa no Aglomerado da Serra, na cidade Belo Horizonte-MG. A
89
narrativa do filme gira em torno da história da Rádio Favela, idealizada por Jorge, jovem
negro, que é morador do Aglomerado da Serra. Ele ajuda nas despesas de casa mediante o
serviço de entrega de roupas lavadas e passadas por encomenda e, além disso, é
estudante bolsista de um colégio de classe alta de Belo Horizonte no qual a sua mãe
trabalha como faxineira. Em meio ao ambiente escolar, Jorge foi alvo de preconceito racial e
social por parte dos colegas e profissionais da escola, mas não deixou de passar o seu
recado, mesmo correndo o risco de ser expulso do colégio e “perder a oportunidade de se
formar e ser doutor”, como dizia a sua mãe. Em uma das partidas de futebol no campinho do
morro, uma bola disparada próxima à antena de transmissão, que é símbolo da paisagem e
potencial das correntes de radiofrequência, a fantasia tomou conta de Jorge que se viu
paralisado ao observar um locutor a trabalhar. Assim, entusiasmado, chamou os seus três
colegas "Zequiel, o técnico", "Brau, o poeta" e "Roque, o irado" e juntos viveram grandes
desafios para descobrir como montar um transmissor e também de onde tirar dinheiro para
compra das peças. A ideia não era somente montar a rádio para ser “como uma
metralhadora disparando palavras contra o sistema” na escala do bairro, mas sim para toda
a cidade e, se possível, “para o mundo todo” ouvir. Deste modo, farei as associações da
pesquisa sobre Geografia e Cinema de modo interdisciplinar, versando sobre as exibições
do filme no Aglomerado da Serra e as impressões dos moradores a partir de histórias orais
sobre os aspectos paisagísticos, sociais, específicos e atuais.

SILVA, Renata Cavazzana da. As mulheres do Mulherio: Imprensa, Feminismo e Política


(1981-1982). O periódico Mulherio (1981-1988), de cunho alternativo e feminista, foi criado
por acadêmicas e jornalistas brasileiras no contexto dos últimos anos da ditadura militar,
com sede na Fundação Carlos Chagas e subsidiado pela Fundação Ford. Estas instituições
realizaram uma das mais importantes iniciativas no estudo do tema mulher e das relações
de gênero no Brasil no período, contando com concursos e captação de recursos para
pesquisas (que eram divulgadas no Mulherio), fazendo com o que o jornal fosse referência
nacional e internacional no estudo da mulher brasileira (PINTO, 2003, p. 86). O jornal, cuja
coleção completa está disponível para consulta online no site da Fundação Carlos Chagas
foi inicialmente idealizado pelas pesquisadoras e jornalistas como um boletim por meio do
qual se realizasse um intercâmbio de pesquisas, informações e discussões sobre a mulher
no Brasil “de uma maneira séria e consequente, mas não mal-humorada, sizuda ou
dogmática” (Mulherio, São Paulo, 1981, n. 0, p. 1). Suas edições são fontes privilegiadas
para o estudo do cenário brasileiro na década de 1980 a partir de perspectivas feministas e
de gênero, que politizam o cotidiano. Pretendemos analisar as edições dos dois primeiros
anos do periódico (1981-1982) com o objetivo de conhecer as formas de fazer política e de
resistir das mulheres acadêmicas e jornalistas no cenário da ditadura. Partimos do
pressuposto da História Social de que a imprensa é um elemento constitutivo de uma
determinada conjuntura e que possui historicidade. Dessa forma, quando articulada como
fonte e objeto de estudo de lutas sociais, devemos “tomá-la como uma força ativa da história
[...] e não como mero depositário de acontecimentos nos diversos processos e conjunturas”
(CRUZ; PEIXOTO, 2007, p. 257). Tendo em vista que o Mulherio se tornou um meio de
publicização de assuntos considerados banais ou de ordem privada (como trabalho
doméstico, contracepção, prazer, aborto e maternidade), compreendemos que, ao subverter
a dissociação e a hierarquização entre público e privado, o jornal ressignifica a política em
consonância com os ideais feministas que insurgem no país na década de 1970. Tais
análises indicam que a leitura do Mulherio como fonte histórica possibilita uma visão
panorâmica do movimento feminista brasileiro do período e evidencia a participação das
mulheres na política, que durante muito tempo foi ocultada na história.

SILVA, Rosângela Farias da. Livro didático como subsídio na Língua Guarani: uma
ferramenta de resistência e luta dos povos indígenas. O artigo socializa resultados de
pesquisa concluída, que teve como objetivo uma aproximação do que vem sendo produzido
sobre livros didáticos (LDs), referentes a língua indígena guarani. Com esse objetivo foi
realizado um levantamento das produções acadêmico-científicas que discutem a língua
indígena nos livros didáticos, bem como suas especificidades em cada etnia. Como
metodologia foi realizado um levantamento em cinco bancos de dados: Scientific Eletronic
90
Library Online (SciELO), Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES), Domínio Público e em anais
da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd).Os
descritores usados nas buscas foram: livro didático na língua indígena; produção didática na
língua indígena; livros didáticos sobre educação escolar indígena na língua mãe; e,
produção de livros didáticos na língua materna indígena. Nos bancos foram localizadas 41
produções. As temáticas encontradas nos bancos da ANPEd e SciELO, tratam sobre “livro
didático na língua indígena”, na BDTD e CAPES as teses e dissertações nos programas de
Pós-Graduação foram na área da linguística e, tratam também sobre livros didáticos na
língua indígena, e suas representações. Como referencial teórico, foram utilizados conceitos
da perspectiva foucaultiana, em especial, sobre o poder entendido como exercício, relações
de forças, inscrito nos materiais didáticos. As produções mapeadas evidenciam a
preocupação dos povos indígenas quanto ao LD que é destinado as escolas, pois apontam
que a língua indígena corre o risco de enfraquecimento com a entrada da língua portuguesa
nas escolas das aldeias. Outro fator importante apontado, foi sobre a imposição dos livros
didáticos destinados para as escolas indígenas que são, na maioria, publicações na língua
portuguesa. Mesmo as escolas que recebem o material didático em língua materna, ora o
quadro docente é composto por indígenas, ora é pelo não índio. Além desse aspecto, nos
LDs de história, grande parte apresenta rotulações sobre os povos indígenas. Nesse
contexto, parte significativa dos trabalhos apontou para um campo de relações de forças,
expressando imposições (como a língua portuguesa) e omissões nas políticas públicas (a
não contratação de docentes indígenas, por exemplo), mas também evidenciam resistências
dos povos indígenas. Resistências expressas nas lutas em defesa da língua materna, para
preservar a cultura indígena e sua alteridade. Nesse mesmo contorno, os povos indígenas
ressaltam quanto ao corpo docente e defendem a entrada apenas de professores índios
para lecionar nas escolas indígenas, alegando que a criança índia difere em seus modos de
aprender, em seu tempo.

SILVA, Tatiane Alves da. Violência e Escravidão em Vila Maria Do Paraguai (Segunda
Metade Do Século XIX). Neste presente texto buscamos uma abordagem relacionada à Vila
Maria do Paraguai, na segunda metade do século XIX, na perspectiva de melhor
compreender a violência escrava marcada por conflitos por constituir uma zona fronteiriça
localizada a oeste de Mato Grosso. Foi realizada uma pesquisa em processos crime
disponibilizada pelo Núcleo de Documentação de História Escrita e Oral
(NUDHEO/UNEMAT). Neste contexto, entender como as ações dos escravos influenciavam
nas relações com seus companheiros de lida. Com a preocupação de compreender a
ocorrência de violência entre os escravos, e focalizá-los em uma dimensão histórica, que
seria primordial para uma melhor interpretação acerca da escravidão presente nesta região,
que obtinha características econômicas de grande importância para a Província.

SILVA, Wilton Jonh dos Santos. Representação do passado: a construção da Narrativa


Histórica pela música Choro (1970-1990). A música choro nasceu do encontro e da
influência de outros estilos musicais em meados de 1870. A questão nacional pode ser
pensada a partir das identidades musicais do choro, há um debate sobre a construção de
Cultura Popular e de Identidade no país, podemos discutir as questões de uma brasilidade
ou “Nacionalidade” principalmente representada pelo choro. Desde os tempos do império
algumas cidades já eram consideradas um celeiro cultural da música em transformação
Tinhorão (2001), um caldeirão de ritmos dos mais diversos compunham a passagem do
século XIX, algo importante na permanência e do surgimento deste gênero da música
brasileira, é desenvolvida dentro desse contexto histórico social-cultural na capital do
império Rio de Janeiro. A principal matriz musical, que se tornará mais presente será a
sincopa – elemento distinto rítmico na música diásporica. O espirito da musicalidade
chorona já se destacava no cenário nacional, dentre um conjunto de músicas rurais e
urbanas, muitas delas constituídas de ressignificações da musicalidade afrodescendente, é
parte de um movimento de diálogo entre estilos e gêneros musicais que se transformaram
nesse cenário. A música produz sensações, de pertencimento, de sentimentos diversos,
apontam vivências de uma região, de um país, de um determinado tempo. Ela mexe com a
91
subjetividade humana; permite a comunicações, ativa a memória dos indivíduos, os sons e
letras são linguagens, que passam imagem, faz com que pensamos em algo já vivido, ativa
emoções, faz sentir alegria, tristeza, indignação e coragem, ela representa comportamentos,
indicam traços culturais de uma sociedade. E traremos átono o caráter de identificação, de
uma música abrasileirada, discutir as questões sociopolíticas que permeiam o imaginário da
construção de um Brasil. A acerca deste estudo percebemos a discussão historiográfica
sobre a interculturalidade evidenciando as discussões sobre identidade, estética musical, e
de linguagens musicais.

SILVESTRINI, Rubens. A dinâmica do território do Mato Grosso do Sul, a economia e a


cultura da erva-mate: o pós-guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai. A pesquisa versa
sobre a dinâmica do território, influenciada pela economia da erva-mate nativa no solo do
antigo estado do Matto Grosso somada às condições sociais encontradas na antiga porção
pertencente ao Paraguai. A existência da espécie Ilexparaguariensis contribuiu para a
consolidação fronteiriça e a nacionalização brasileira na referida área paraguaia. A situação
hipotética delineada para este artigo é que a dinâmica da exploração econômica da erva
mate nativa na antiga porção territorial outrora pertencente ao Paraguai mudou, após a
ocupação desta região para o Brasil, a situação territorial, permitindo a consolidação dos
limites fronteiriços entre o Brasil e o Paraguai. O objetivo principal deste trabalho é
engendrar uma correlação da influência econômica que a erva-mate nativa simbolizava com
o território brasileiro para a determinação da fronteira no Pós-Guerra da Tríplice Aliança
contra o Paraguai. O método de pesquisa utilizado segue um modelo materialista dialético e
os instrumentos de coleta de dados escolhidos foram a pesquisa bibliográfica, entrevistas e
pesquisa eletrônica. A principal conclusão deste trabalho aponta que a influência da
economia da erva-mate definiu o limite territorial do atual estado de Mato Grosso do Sul
após a citada guerra.

SIQUEIRA, Simoni Santos. A Trajetória do povo Ofaié: Territorialidade e Reconhecimento


de Direitos Territoriais. O presente trabalho aborda a etnia Ofaié, localizada na área Anodhi,
município de Brasilândia, Estado de Mato Grosso do Sul. Muitos caminhos foram
percorridos pelos Ofaié ao longo dos anos, através dos rios Samambaia, Três Barras, Serra
da Bodoquena, Rio Paraná e Sucuriú. Na década de 1950, por ocasião de sua expulsão da
fazenda Boa Esperança, localizada em Brasilândia, aproximadamente 200 índios passaram
a ocupar as margens úmidas do Rio Verde, ainda no tempo do Serviço de Proteção ao Índio
(SPI). No entanto, foram muitas andanças e lutas até fixarem-se território. Em 1956,
insatisfeitos com a área, retornaram a Brasilândia buscando fixar-se nas terras onde
estavam sepultados seus parentes. Praticamente considerados extintos, perseguidos e
ameaçados pelos fazendeiros, na década de 60 já não passavam de poucas dezenas
segundo Darcy Ribeiro (1977). A situação de conflito que envolveu o povo Ofaié sempre
esteve muito presente, só foi minimizada em 1997 quando a Companhia Energética de São
Paulo (CESP) comprou uma área e destinou aos Ofaié com 484 hectares. A forte marca de
“extinção étnica” pode ser um dos fatores que levou essa etnia a ser tão pouco estudada por
pesquisadores nos dias atuais, partindo do pressuposto que no passado a região percorrida
pelos Ofaié foi uma das mais visitadas por viajantes e exploradores. O principal objetivo
deste trabalho é realizar uma pesquisa partindo do conceito de territorialidade, a partir de
uma etnografia sobre os Ofaié presentes na região de Brasilândia/MS, abordando sua
organização social e suas relações interétnicas.

SOARES, Bruna Hanime Brito. “Comunistas ou Cristãs?”: As Testemunhas de Jeová e a


luta pela liberdade religiosa. O presente trabalho trata-se de analisar a repressão sofrida
pelos fiéis da religião Testemunhas de Jeová no Brasil e na Rússia e os mecanismos de
resistência por parte dos adeptos frente às constantes acusações de serem subversivos e
comunistas. As Testemunhas de Jeová são conhecidas por realizarem o serviço voluntário
de seu proselitismo de casa em casa em diversos países. Fundada nos Estados Unidos no
final do século XIX por Charles Taze Russel e instalada no Brasil na década de 1920, as
Testemunhas de Jeová também são reconhecidas pelas suas publicações de tratados,
brochuras, livros, bíblias, etc. em larga escala mundial e produzidas no Brasil pela
92
Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Dessa maneira, busca-se analisar a
apreensão no ano de 1939 de cerca de 20.000 folhetos com o título de "Fascismo ou
Liberdade", distribuído pelos fiéis e confiscado pelos agentes do Departamento Estadual de
Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS/SP). O folheto "Fascismo ou Liberdade" foi
encarado como uma afronta ao clero e ao governo de Vargas e as Testemunhas de Jeová,
após terem suas publicações apreendidas, foram proscritas em 1940 pelo Ministério da
Justiça e proibidas de se reunirem. O grupo também foi alvo de suspeitas na Rússia, o que
ocasionou a proscrição das suas atividades no país em meados da década de 1950,
levando as Testemunhas de Jeová a distribuírem o tratado "As Testemunhas de Jeová —
Comunistas ou Cristãs?" a fim de expor suas defesas contra as constantes acusações de
serem subversivas. Dessa forma, objetiva-se expor nesse trabalho os motivos pelos quais
as Testemunhas de Jeová foram proscritas nesses dois países, tendo como foco a análise
dos folhetos "Fascismo ou Liberdade" e "As Testemunhas de Jeová – Comunistas ou
Cristãs?", assim como as estratégias desenvolvidas pelo grupo para que conseguissem o
prosseguimento normal das suas atividades. O arcabouço teórico das análises desses
impressos será dado através de conceitos elaborados por Tânia Regina de Luca, Michel de
Certeau e Roger Chartier.

SOPELSA, Kaoana. A resistência de escrita lispectoriana nas colunas femininas brasileiras,


de meados do século XX. Clarice Lispector foi jornalista brasileira durante grande parte de
sua vida. Sua resistência na escrita jornalística se baseia numa diferente forma de existir,
enquanto mulher, na sociedade brasileira do período. Desta forma, a história como narrativa
permitem a análise de seu espaço de escrita para ser, sentir, agir e viver, resistindo. A
autora inseria nas narrativas jornalísticas denúncias à cultura patriarcal e suas
performatividades de gênero, binárias e limitadoras, nas entrelinhas, com a finalidade de
evitar aborrecimentos e possíveis censuras sociais, maiores do que as que já existiam no
país durante seus anos como jornalista. Essa diferente forma de existir, podendo-se ler
(re)existir, ao patriarcado e seus ditames no pensar e agir, repensando questões de gênero,
identificando desigualdades, denunciando a opressão que recaía sobre as mulheres, ainda
que em meio a uma escrita aparentemente conservadora, quando lida de forma desatenta,
mas com momentos de resistência passa despercebida para olhares desatentos, mas
demonstra que a cultura patriarcal não se implantou de forma generalizada, como gostaria.
A análise da escrita jornalística de Clarice Lispector é repensada, na narrativa histórica,
como visibilidade e denúncia femininas, numa resistência inteligente e articulada,
possibilitando a ampliação do senso crítico e das diferentes performatividades femininas.

SOTT, Santierre Luis Krewer. Perfis e representações de escravos cuiabanos: casos


selecionados (1859-1865). Este ensaio aborda representações discursivas escolhidas,
presentes em anúncios do jornal A Imprensa de Cuyabá, bem como, perfis físicos,
condições sociais de vida e sobrevivência de seres humanos escravizados, utilizando como
fonte a produção jornalística daquele que foi o periódico de maior circulação na capital da
Província de Mato Grosso no período pré-Guerra do Paraguai. A gênese deste trabalho está
relacionada à pesquisa desenvolvida durante os estudos de Mestrado do autor e foi
idealizada como um instrumento de divulgação dos resultados obtidos.

SOUSA, Ana Gonçalves. As mulheres nas páginas semanais: um estudo da seção Aqui,
Roo no jornal A Tribuna, Rondonópolis, MT (1980-1981). Esta comunicação tem por objetivo
apresentar como as mulheres aparecem na seção Aqui, Roo que circulou no jornal A
Tribuna. A seleção do corpus documental está pautada como possibilidade de estudos
originais na região, visto que há poucos investimentos dessa natureza, corroborando para
uma escrita sobre uma história das mulheres (PERROT, 1988, 2005; LUCA, 2005, 2012;
RAGO, 1995, 2013; PEDRO, 2006; TRUBILIANO, 2007). Trubiliano (2007) Pinsky (2012)
são alguns dos estudos que usam jornais como fonte documental para efetivar essas
abordagens, especialmente no século XX. Segundo LUCA (2005), o uso das fontes
impressas como jornais, revistas ou outros periódicos pelo historiador foi lentamente sendo
adotado ao logo da historia contemporânea. A autora relata que na década de 1970 haviam
poucos trabalhos com esta documentação no campo da história, mesmo tendo uma
93
bibliografia de suporte e edições significativas, os historiadores relutaram em utilizar tais
fontes devido a diversos fatores, LUCA (2005). O presente estudo tem por objetivo
compreender as representações sobre as mulheres através da seção Aqui, Roo. A seção
Aqui, Roo começou a circular no jornal A Tribuna em 13 de janeiro de 1980, e era
organizada pelo colunista Conrado, com publicações semanais e com assuntos sobre: as
mulheres trabalhadoras, moças que estudavam fora da cidade e que faziam visitas a seus
familiares nas férias, e atuação das mulheres na comunidade local, nesse um ano de
circulação a seção teve 48 publicações, sendo 20 destas direcionadas sobre as mulheres. O
Jornal, fundado inicialmente como O Tribuna do Leste, em 7 de junho de 1970, nasceu com
esse nome relacionando-se ao pertencimento de Rondonópolis ao leste do estado de Mato
Grosso. O antigo nome deixou de ser usado com a divisão de Mato Grosso, a partir de
1978, quando o jornal passou a se valer do nome A Tribuna, circulando até os dias atuais,
no formato impresso e desde 2005 no formato impresso e digital. Trata-se da principal mídia
jornalística impressa em circulação desde sua fundação. Veicula em suas paginas textos
que apresentam a cidade de Rondonópolis com forte tom de destaque para sua economia
que se desenvolveu em torno do agronegócio desde os anos de 1970 recebendo forte fluxo
migratório de varias regiões do pais com destaque para as regiões nordeste e sul. Após uma
análise desta seção, sobre as notícias publicadas no período de circulação da sessão,
identifica-se certa superficialidade no tratamento e abordagem dos conteúdos direcionados
às mulheres. Por fim, o estudo possibilitou, de modo significativo, compreender o que vira
notícia sobre as mulheres na seção Aqui, Roo.

SOUSA, Dolores Puga Alves de. Reinvenções do antigo: análises do discurso de autoridade
e legitimação religiosa da Wicca tradicional britânica. Partindo do projeto de pesquisa
intitulado “Usos socioculturais da antiguidade: análises de apropriações contemporâneas do
paganismo antigo”, este trabalho busca construir avaliações acerca da chamada Wicca
tradicional britânica, de vertente garderiana/alexandrina; uma concepção que fundamentou a
origem da Wicca em todo mundo. Para tanto, pretende-se utilizar como base documental o
livro de fundamentação histórica e explicação de rituais mágicos dessa vertente, intitulado
“A Bíblia das Bruxas”, de Janet e Stewart Farrar – autores considerados entre os “bruxos
mais influentes da bruxaria moderna”. Problematiza-se a fundamentação de seu discurso de
autoridade baseado em escritos de antropólogos, historiadores e estudiosos de religião
comparada tais como James Frazer e Margaret Murray (ambos do final do século XIX e
início do XX), além de folcloristas tais como Charles Leland (século XIX), criando um fio
condutor de legitimidade religiosa em meio a variadas perspectivas de povos da
antiguidade. Nessa comunicação, analisar-se-á de que maneira a “A Bíblia das Bruxas”
pretensamente considera se originar de rituais célticos – para a criação de uma ascendência
mágica britânica –, em diálogo com culturas etruscas/romanas e gregas, a partir do diálogo
entre o chamado deus Cernunnos e a deusa Arádia, esta, segundo o próprio livro, divindade
ligada à crença da chamada Grande mãe, também denominada em outras épocas tais como
a deusa Ártemis.

SOUSA, Fábio da Silva. Vozes Dissonantes? A presença feminina nas páginas de ¡Luz!, um
periódico anarquista na Revolução Mexicana. Entre os anos de 1917 a 1920, em terras
mexicanas, foi publicado o periódico ¡Luz!. Com um total de 88 edições, ¡Luz! foi publicado
no período final da Revolução Mexicana até a reconstrução do Estado mexicano moderno, e
apresentou-se aos leitores como um impresso “Doctrinario y de protesta, escrito por
trabajadores en defensa de la mujer y de los trabajadores mismos”. Apresentado esse
preâmbulo, o objetivo da presente pesquisa é analisar e discorrer sobre as matérias ¡Luz!
publicou sobre as mulheres e/ou questão feminina. Essa linha editorial proposta pela
presente publicação destoou de outros impressos que se disseminaram em solo mexicano
no período revolucionário. Por meio da discussão dessas matérias, terei como objetivo
dissertar sobre a construção libertária da imagem da mulher no México da Revolução, sobre
o conceito de família, gênero, entre outros temas que ¡Luz! imprimiu em suas páginas a 101
anos.

94
SOUSA, Mariely Zambianco Soares. Das artes às tarefas de Clio: uma reflexão sobre o
Movimento Slam em São Paulo. A presente proposta pesquisa visa entender a historicidade
de um dos expoentes da poesia marginal contemporânea: o Movimento Slam em São
Paulo-SP, bem como a forma como esse incorporou um viés político (talvez uma
singularidade do movimento no país). Assim, partiremos do Slam Resistência, gestado na
capital paulista em 2013 junto aos protestos que percorreram o país, no intuito de
compreender em que medida se constituiu enquanto uma manifestação artística em grande
parte periférica e centrada nos centros urbanos. Para tanto, nos ampararemos nas
observações parciais a partir do canal que disponibiliza performances poéticas no Youtube,
“Sociedade dos Poetas Subversivos”; da página do Facebook “Slam Resistência” e das
entrevistas realizadas com os integrantes do movimento: Lucas Barbosa e Daniel Carvalho
de Almeida. Mediante as singularidades das fontes tornou-se imprescindível vinculá-las ao
debate da História do Tempo Presente, o que permite caracterizarmos o Slam como
fenômeno e também objeto da História.

SOUZA, Kleire Anny Pires de. Representações sobre o Golpe de 2016 no Brasil por meio
das charges de Carlos Latuff. As charges são fontes importantes para o entendimento dos
eventos históricos em determinados contextos. A proposta de comunicação visa refletir
sobre as representações sobre o Golpe de 2016 no Brasil, por meio das charges produzidas
por Carlos Latuff, em que a presidenta Dilma Rousseff sofreu impeachment e teve que se
afastar da Presidência da República. O recorte temporal é de 2015 a 2017, por compreender
um período em que Latuff produziu diversas charges sobre o tema. Acredita-se que, a
pesquisa, contribuirá com a historiografia e as leituras sobre o Golpe de 2016 no Brasil, em
especial, face aos estudos que se utilizam de charges como fonte histórica. Ressalta-se
que, a pesquisa, iniciou-se como Iniciação Científica na Universidade Federal da Grande
Dourados (UFGD) em agosto de 2018, portanto, é recente. A ideia é apresentar o trabalho e
trocar ideias com os colegas sobre as possibilidades de desenvolver a pesquisa.

SOUZA, Maria Neusa G. Gomes. Educação e interculturalidade na América Latina: uma


perspectiva crítica e interdisciplinar. Participando do grupo GEPFIP Grupo de estudos e
pesquisa em formação interdisciplinar de professores no Campus de Aquidauana/MS da
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, desde 2014 desenvolvemos vários estudos no
contexto das pesquisas em interdisciplinaridade, educação e diversidade cultural. A partir de
aulas na pós-graduação, a especialização em História da América Latina na disciplina
Educação na América Latina, CPAQ-UFMS em 2018, nosso interesse foi acentuado e nos
aprofundamos na temática. Nosso objetivo principal é apresentar algumas politicas
educacionais e as principais teorias da educação aplicadas no séc.xx nos países elencados
no caso o Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai. Como também apresentar a educação
intercultural. Nossa perspectiva é histórica, crítica abordando às políticas econômicas e
sociais para a educação. Sobre o surgimento da educação intercultural na Bolívia
esclarecemos a finalidade e as relações internacionais envolvidas, como os interesses de
ordem econômica. A princípio sabemos que a ideia de um grupo americano em trabalhar o
bilíngue com indígenas foi para “civiliza-los” e inseri-los no mercado de trabalho. A
metodologia deste trabalho nos levou a realizar uma revisão bibliográfica, utilizando também
artigos científicos e dados estatísticos para o contexto histórico e análise da situação
educacional na América Latina do séc.xx à atualidade. Sabemos que a falta de valorização e
de prioridade na educação em toda sua complexidade pelo campo político, afeta os
investimentos, e assim impede o avanço nas várias áreas com a falta de recursos de ordem
material e recursos humanos. Fato que gera obstáculos à viabilização do sistema
educacional. Iremos nesta pesquisa considerar e valorizar as especificidades culturais e
identitárias dos países analisados. Para a questão intercultural nos referendamos na ótica
do grupo “modernidade-colonialidade” do grupo de pesquisa de Catherine Walsh. Vera
Candau também compartilha de suas ideias como nós; é uma pesquisadora sobre as
relações interculturais, os grupos étnicos, os movimentos por direitos sociais e coletivos dos
indígenas, negros, sobre igualdade e diferenças sociais. Esperamos contribuir com as
pesquisas na área com este trabalho, acrescentando conhecimento a professores de
História, universitários e pesquisadores. Como resultados preliminares, nos inteiramos das
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dificuldades de professores latino americanos em trabalharem as diferenças étnico-raciais e
culturais em sala de aula, como também constatamos a carência nas políticas e
investimentos na educação nos referidos países. Os Referencias principais são Candau
(2010) e (2003), Medeiros (2001), Saviani (2007), Gadotti (2003) e Walsh (2005).

SOUZA, Marlene Ricardi de. Kuñangue Aty Guasu entre rituais: a resistência das mulheres
Kiowá e Guarani no MS. O artigo ora proposto remete ao Projeto de Pesquisa apresentado
ao Programa de Pós Graduação em História – PPGH – UFGD da Universidade Federal da
Grande Dourados: “As Transformações no Modo de Ser Mulher Guarani em MS no Cenário
de Profundas Transformações no Território, na Organização Social e nas Formas de
Sustentabilidade (1960 – 2017)”. A referida pesquisa está em andamento e esse trabalho
objetiva compartilhar algumas narrativas das mulheres indígenas, mobilizadoras e
articuladoras da Aty Kuña, Assembleia das Mulheres Indígenas Kaiowá e Guarani. O artigo
ora proposto traz relatos de informantes importantes/estratégicas no grupo de mulheres com
as quais pesquisamos, dialogando a partir da espiritualidade, da reza, do canto, da dança no
belo caminhar das mulheres indígenas Kaiowá e Guarani. Nessa perspectiva o espaço da
Kuñangue Aty Guasu, é de conversação e interação entre mulheres de diferentes gerações
e que exercem atividades distintas nas aldeias do sul do estado de Mato Grosso do Sul,
dentre as quais podemos encontrar/destacar as jovens, as anciãs (ñandesy), as mulheres
lideranças das áreas de retomadas, as parlamentares/vereadoras. A Kuñangue Aty Guasu
tornou-se uma ferramenta de reivindicação e afirmação de suas resistências e caminhares.

SOUZA, Paula Renata Cameschi de. A Transdiciplinaridade pela Arte: Paixão, Imaginação e
Pensamento. O caminho da transdisciplinaridade de Regina Migliori se firma sobre um
conhecimento não apenas racional, mas da abertura para um conhecimento que aproxima
pessoas, inteligências, saberes, potencialidades. A transdisciplinaridade propõe a
construção de conhecimentos pela razão e pelas experiências e sentimentos, vai além da
interdisciplinaridade, que aproxima conteúdos, e invade o campo do subjetivo, das vivências
e da interculturalidade, ultrapassando o “penso logo existo” de Descartes para entender
nossa existência e pensamento numa relação complexa e multidimensional. Ao
compreendermos essa dimensão inenarrável do ser e da capacidade de construção do
conhecimento fica nítida que a função da educação e da escola não está restrita a
disciplinas, seus conteúdos lineares e as formas tradicionais de ensino. As contribuições da
estética para educação, sob o prisma da transdisciplinaridade e da pedagogia libertária,
podem fornecer ao educador e ao educando não apenas o conhecimento do que existe, que
está sistematizado e objetificado, mas vai além, não se reduz a como as coisas funcionam,
mas como e porque foram criadas, seus impactos e reconstruções, das potencialidades dos
encontros estéticos. A estética apresentada por Perissé nos mostra que a apreciação do
que é belo, da arte e literatura, nos incita na busca por produzir outras coisas belas, e nos
prepara para o pensar em toda sua amplitude. Pelo viés da arte, ao observarmos Retirantes
de Portinari (1944), constata-se a seca, a migração das famílias aos grandes centros
urbanos, mas existem outras visões possíveis de análise que não devem ser descartadas e
podem ser exploradas por diversas áreas do saber racional e do subjetivo. Pela observação
podemos identificar clima, solo, animais, doenças, fome. Pela análise, questionamos em que
momento histórico essa seca se deu? Quem são os migrantes de hoje? Como se deu a
evolução das políticas públicas? Quais impactos socioeconômicos da seca no Brasil?
Porque Portinari retrata sua infância após tanto tempo? Quais os significados de nossas
vivências ao que somos hoje? Quais são nossas misérias hoje? E ao nos aproximarmos de
uma obra, este encontro estético propõe diferentes leituras conforme o pensar de cada ator
deste processo e surgem novas interpretações, novas inquietações, uma união de saberes
que propõe a criação de novos saberes e novas belezas, provoca a imaginação. E seguindo
as considerações estéticas de Fernando Pessoa, uma proposta de ensino através da arte
traz consigo essa trasndisciplinaridade, para que a educação deixe de ser apenas
pensamento com ânsia de imaginação, mas que possa também despertar a paixão em
conhecer.

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SOUZA, Renata Lima de. O discurso de gênero construído nas representações do fantástico
no Bestiario Cristão - Estudo de caso: O Jardim das Delicias Terrenas de Hieronymus
Bosch. A minha proposta para essa pesquisa se configura em analisar a forma como a
figura da mulher é construída de maneira negativa dentro da doutrina Cristã durante o
período da baixa idade média. Com a criação de uma visão que prima por demonizar as
expressões de sexualidade do gênero feminino e submeter essa a autoridade dada por
Deus ao homem sobre as mulheres, já no ato de sua criação, a religião constrói um discurso
misógino que ecoa até os nossos dias. Dentro da cultura religiosa cristã do medieval, os
bestiários serviam para catalogar e descrever animais fantásticos das mais variadas
espécies e naturezas, bem como plantas e objetos que eram ligados a figura divina ou
demoníaca, dessa forma os bestiários revelavam de forma simbólica e figurativa uma
pragmática religiosa de caráter doutrinário e moral. O presente estudo tem por objetivo,
verificar de que forma o feminino é usado com conotação negativa, dentro dessa intenção
edificante e doutrinaria dos bestiários. Por analisarmos elementos e aspectos característicos
da mentalidade e da cultura patriarcalista da idade média, que se configuram nos bestiários
como a Instância de um verdadeiro discurso de gênero, poderemos visualizar a perspectiva
negativa que é estrategicamente e ideologicamente feita na representação da imagem
feminina em muitos dos animais ali descritos. Como base para essa analise de discurso
utilizarei a pintura, O Jardim das Delícias Terrenas de Hieronymus Bosch, - pintor e
gravador holandês do final do século XIIIV e início do século XV - produzida dentro do
período medieval, composta de temáticas fantásticas e criaturas descritas dentro do
bestiário cristão medieval. Pretendo analisar a construção desse discurso de gênero de
forma velada dentro dessa obra, que era utilizada como uma forma de dogmatização na
época e ajudou a moldar assim, todo um pensamento histórico social do período, que
persistiu enquanto pensamento social comum ate os nossos dias. Como se construía esse
discurso através do imagético é uma das questões que pretendo responder dentro dessa
pesquisa.

SOUZA, Rubens Magrini de. As quatro estações da formação docente. Este Relatório de
Formação Docente é um exercício de reflexão sobre minha formação acadêmica no curso
de História da Faculdade de Ciências Humanas (FCH) da Universidade Federal da Grande
Dourados (UFGD), no qual pretendo expor aspectos desta trajetória acadêmica como um
todo, expectativas, aprendizados, experiências, consolidações e, por vezes, desilusões, ou
melhor, a formação de novos olhares sobre a vida acadêmica, sobre a disciplina de História
e a profissão de Professor. Este caminho de reflexão perpassa um breve relato das
experiências adquiridas na realização do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação
Científica (PIBIC), Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e
Estágios, assim como a realização de uma autoavaliação, uma vez que, refletir acerca de
um processo de formação também significa refletir sobre mim mesmo, como sujeito histórico
e como produto deste processo. A esta produção busco atribuir sentido memorialístico,
científico e, ainda que sutilmente, poético, “[...] Resguardemo-nos de retirar de nossa ciência
sua parte de poesia [...] Seria uma espantosa tolice acreditar que, por exercer sobre a
sensibilidade um apelo tão poderoso, ela devesse ser menos capaz de satisfazer também
nossa inteligência” (BLOCH, 2001, p. 44). Para tanto, observo as estações do ano, distintas,
complementares e conclusivas, encerram ciclos de vida e morte. Seguir os passos de suas
representações me pareceu compor um soneto ao ritmo de quatro anos, quatro passos de
um processo. Esta proposta de desenvolvimento do texto, a ideia, surgiu do livro Quatro
Estações do famoso escritor de terror Stephen King, sendo importante ressaltar que a obra
deste autor é ficcional, portanto, exerce um papel ilustrativo das ideias apresentadas.

TEIXEIRA, Marcela Prenda. Representações do papel feminino na seção “A Família”


segundo O Jornal Batista (1930-1945). O trabalho proposto, proveniente de um artigo
construído a partir de uma pesquisa de Iniciação Científica que inspirou minha atual
pesquisa de mestrado, buscou analisar os discursos sobre o feminino expostos e
aconselhados pelo O Jornal Batista (OJB), órgão oficial da Igreja Batista no Brasil, no
período de 1930 a 1945. O referido Jornal, fundado em 1901, foi um dos primeiros
periódicos protestantes do país no século XX e que ainda está em circulação, com alcance
97
nacional. O Jornal Batista, e especialmente a seção “A Família”, oferece um amplo material
para a análise da visão de mundo adotada pelos batistas brasileiros no que se refere ao
lugar das mulheres dentro e fora da referida instituição religiosa. Ou seja, mais do que um
agente religioso de informação, o Jornal intentou modelar comportamentos, orientou uma
dada visão de mundo da e para as mulheres. Assim, o trabalho buscou – e ainda busca –
analisar o papel atribuído às mulheres discutindo o que é “ser mulher”, “ser esposa” e “ser
mãe”, três aspectos frisados pelos discursos do periódico para direcionar o comportamento
considerado como exemplar para a sociedade e Igreja da época. Mais especificamente,
compreender as formas de se vestir, se divertir e trabalhar (a mulher no “mundo”), os papéis
de “esposa” e “conselheira” (a mulher no “mundo” privado) e o lugar da mulher na esfera
religiosa (a mulher cristã). Nos dias atuais, o comportamento feminino segue sendo alvo de
críticas e direcionamentos por jornais, revistas, programas de TV e redes sociais, meios nos
quais igrejas como a Batista – e outras – também atuam. Assim, o estudo histórico sobre as
representações do feminino – do ser mulher – para e a partir de um determinado grupo,
como o aqui proposto, contribui também para a compreensão e o questionamento, dos
“lugares/papéis” ocupados, pleiteados, idealizados para as mulheres; especialmente num
momento em que discursos aparentemente religiosos estão pautando esferas da vida
pública, como a saúde, educação, união civil, entre outras.

TENO, Fabiano Henrique Santiago Castilho. A Nova Tática da Burguesia para tomar o poder
na América do Sul - O Impeachment de Fernando Lugo. O polêmico impeachment do ex-
presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em 2012, suscitou um debate intenso sobre a
estabilidade democrática nos países do continente americano, em especial, entre os
Estados do MERCOSUL – Mercado do Cone Sul. Muito se debateu sobre se o impeachment
foi, na verdade, um golpe “velado” das antigas elites políticas-econômicas. Os ecos do
processo de deposição do Chefe de Estado do Paraguai continuam a reverberar no que
muitos autores chamaram de recuo da “Onda Rosa”. Diante disso, o objetivo desse artigo é
analisar o impeachment de Fernando Lugo, com vistas a identificar as suas causas e as
variáveis que influenciaram no processo. Parte-se da hipótese que o impeachment
pronunciou a “nova tática” da classe burguesa para manter-se no poder e/ou retomar o
poder na região. Para tanto, faz-se o exame dos fatos sob a ótica marxista.

TISSATO, Edna Maria. Entre o divino e o humano: festas do Divino Espírito Santo em
Coxim-MS. A celebração anual da festa do Divino Espírito Santo é parte importante da
história da cidade de Coxim-MS, existindo aproximadamente um século. De acordo com
Abreu(1999), no século XIX, até o fim do regime monárquico, com o qual estavam
fortemente identificadas, essas festas eram praticadas em muitas províncias brasileiras e
assumia grandes proporções, envolvendo praticamente todas as classes sociais. Os
dirigentes das festas do Divino Espírito Santo mantinham e mantém fortes relações com a
população dos bairros, e fazem parte da memória coletiva local, não havendo distinção de
pessoas e moradias por onde a bandeira do Divino" vai passar, transcende as identidades
particulares ou opções religiosas, logo que esta prática é católica ,reunindo os seus
membros na extensa teia de eventos coletivos anuais: festas religiosas, festas sociais,
festivais, reuniões, almoços e jantares comemorativos produzidos e partilhado pela
comunidade coxinense. A partir dessa inicial, a presente comunicação tem como objetivo
principal expor alguns aspectos da celebração anual das festas em louvor do Divino Espírito
Santo, em Coxim-MS. O estudo trata-se de resultado inicial de Trabalho Inicial de Conclusão
de Curso e está fundamentado em pesquisa oral e bibliografia pertinente ao tema.

TOMASCHESKI, Elisandra. “Sou brasileira, mas nasci no Paraguai”: vida de mulheres filhas
de migrantes brasiguaios/as. Este trabalho aborda a vida mulheres filhas de brasileiros/as
que migraram para o Paraguai a partir da década de 50 do século XX e que atualmente
residem no Assentamento Itamarati, localizado no município de Ponta Porã – MS. A
migração de mulheres e homens brasileiras/os para o Paraguai se deu sobretudo por
alterações estruturais na posse e manuseio da terra. Deste modo os/as migrantes tinham
como objetivo primordial o trabalho na agricultura, situação esta, que havia sido limitada no
Brasil com a expansão dos monocultivos e a implantação da lavoura mecanizada. Estas
98
pessoas ao organizarem suas rotinas no novo lugar, tiveram filhos/as, estes por sua vez,
sendo nativos/as do Paraguai, foram educados como brasileiros/as. Assim este trabalho tem
por finalidade compreender a formação da identidade dessas mulheres que nasceram num
lugar e não o reconhecem como seu. Utilizando a categoria gênero busca-se também
ponderar sobre o cotidiano dessas mulheres no Paraguai e também posteriormente no
Brasil, dando visibilidade a história das mulheres que constantemente foram subalternizadas
nas narrativas historiográficas.

ULIANA, Márcia Bortoli. Patrimônio cultural em Dourados: disputas identitárias. O objetivo


deste trabalho é analisar a construção das representações de patrimônio cultural em
Dourados/MS, em especial as que se referem às identidades. Para tanto, o patrimônio
cultural institucionalizado pelo poder público municipal ao longo de décadas e em diferentes
gestões político-administrativas ressaltou não uma identidade social monolítica, mas
identidades de diferentes grupos sociais. Embates estiveram presentes mesmo em projetos
de lei aprovados por unanimidade. Embates estes que ocorreram e envolveram não só o
poder público municipal, mas também o Ministério Público Estadual e Federal, a Academia
Douradense de Letras, o Grupo Literário Arandu, o Conselho Municipal de Preservação do
Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de Dourados, as Universidades locais, em
especial, determinados sujeitos de cursos específicos, os feirantes, entre outros. Entre a
crescente patrimonialização, via poder público municipal, temas como a judicialização
também se fizeram presentes no intuito não apenas de “cumprir a lei”, mas de preservar,
intervir e contribuir para a elaboração de políticas públicas locais direcionadas a identidade,
a memória, a história e a cidade de Dourados.

VARGAS, Luana Fink de. Revista Claudia e Carmen da Silva: mudanças e permanências
nas décadas de 1960 e 1970. Este texto tem o objetivo de analisar o papel desempenhado
pelas mulheres no período de 1960 a 1970 utilizando a Revista Claudia como meio de
embasamento e fonte. Comparando as primeiras edições da revista, com as mudanças
acarretadas pela emergência do movimento feminista a partir da década de 70, que
influenciaram a jornalista e escritora Carmen da Silva que leva essas discussões para seus
artigos na revista. A Revista Claudia teve sua primeira publicação em outubro de 1961, com
foco, a princípio nas mulheres brancas de classe média. Apareceu como a “revista amiga”
com a intenção de auxiliar mães e esposas nas questões domésticas e familiares. Claudia é
composta de matérias e propagandas que conversam com a “mulher moderna”, nesse
sentido, cabe a pergunta: O que é ser uma “mulher moderna na década de 1960? A partir de
uma análise dos anos iniciais da publicação, podemos concluir a revista refere-se à mulher
que procura formas de facilitar seu trabalho doméstico com eletrodomésticos de boa
qualidade e funcionais. Tendo isso em mente, o texto tem como objetivo refletir a divisão
sexual do trabalho desse período no qual as mulheres estavam destinadas a cumprir suas
obrigações no lar, e os homens eram responsáveis pela manutenção financeira e estavam
distantes das obrigações da casa e da criação dos filhos. A mulher responsável pelo lar
acaba por ter uma carga mental grande, o que tende a piorar com sua entrada no mercado
de trabalho, uma vez que mesmo trabalhando fora os cuidados domésticos continuam
sendo seu dever. A análise das fontes foca nas colunas “a arte de ser mulher”, presente
desde os primeiros números. Carmen da Silva modificou a intenção da revista, procurando
auxiliar a mulher a compreender-se como individuo próprio, não uma extensão do marido ou
de seus filhos. A escolha das edições parte do princípio da plena atuação e alcance que o
movimento feminista teve no Brasil a partir dos anos 70. Em especial o ano de 1975, no qual
foi de suma importância para o movimento feminista nacional e do exterior, no qual a ONU
declarou como sendo o Ano Internacional da Mulher. Para elaborar a discussão as principais
autoras citadas foram, Ana Rita Fonteles Duarte, Tania Regina de Luca, Céli Regina Pinto
que analisam a revista e Carmen da Silva. Michelle Perrot, Cristina Scheibe Wolff discutindo
sobre as mulheres como sujeito histórico. Amelinha Teles e Rosalina Leite que abordam a
imprensa e os movimentos feministas a partir da ditadura militar. Simone de Beauvoir e
Betty Friedan, leituras da própria Carmen da Silva. Joan Scott, Joana Maria Pedro e Rachel
Soihet foram utilizadas para questões acerca da História das Mulheres e a emergência dos
movimentos feministas.
99
VARGAS, Monique Francielle Castilho. Clara Nunes uma cantora performática: uma análise
das identidades e identificações afro-religiosas a partir do audiovisual. Esta comunicação
almeja apresentar uma discussão sobre as identidades e identificações afro-religiosas
presentes na performance artística da cantora Clara Nunes apresentadas nos audiovisuais
produzidos ao longo de sua carreira (1971-1983). Esta intérprete foi a primeira mulher a
vender mais de cem mil cópias de discos, conquistando sucesso nacional com projeção
internacional, ao assumir o projeto artístico-musical composto por ritmo, figurinos,
acessórios, conteúdo das canções interpretadas e performances corporais fundamentadas
nas práticas religiosas de matrizes africanas em um Brasil marcado pelo Governo Militar,
racismo e intolerância religiosa. Deste modo, considero que as representações culturais
presentes nos versos das canções, nos encartes da discografia e, principalmente nas
performances artísticas de Clara Nunes, possuem a capacidade de auxiliar historiadoras/es
a interpretar aspectos identitários afro-religiosos dos anos de 1970/80.

VENTURINI, Luan Gabriel Silveira. A cultura e a ditadura militar brasileira: algumas


reflexões a respeito do meio cultural no período. O presente trabalho analisará qual a
relação da ditadura militar com a vida cultural brasileira entre os anos 1960 e 1980, ou seja,
buscará perceber como que se deu essa relação e quais as consequências dela nos
âmbitos da sociedade brasileira. Pois, apesar de se dar maior atenção ao aspecto da
censura na produção cultural do período e consequentemente as formas de resistência à
ela, aqui será destacado também o lugar da cultura no planejamento da ditadura. Sendo
assim, como no campo econômico, social e político, a cultura também foi nos governos
militares um aspecto inserido na sua estratégia de atuação.

VESCOVI, Hyara Oliveira de Souza. Quando mundos colidem: as mulheres no período das
Guerras de Independência (Século XIX), nas páginas do periódico comunista El Machete. O
objetivo deste trabalho é analisar as matérias presentes no jornal comunista mexicano El
Machete, referentes às mulheres que protagonistas dos movimentos de Independência das
ex-colônias Espanholas das América no Século XIX. As matérias apresentam, em uma
escrita grandiosa, essa participação feminina na História do México Independente. Além do
caráter biográfico, temos uma narrativa da independência no quadro econômico, social e
político desse período turbulento. Nas matérias, destaca-se a trajetória de personagens
como Natalia Garcia, Leona Vicaria, Josefa Ortiz de Domingues, Gertrudes Bocanegra,
entre outras. Levantamos a hipótese que a apropriação dos feitos heroicos das mulheres
durante as Guerras de Independência do Século XIX, foi utilizada como propaganda política
nas páginas do periódico comunista, como o reconhecimento da participação feminina na
construção do país, iniciada com a Independência e passando pela questão econômica no
Século XX.

VIANA, Irene Quaresma Azevedo. O Ensino de História nos anos finais do ensino
fundamental através da metodologia de Projetos de Ensino, experiências cotidianas na E. M.
Neil Fioravanti – CAIC, no município de Dourados –MS. Este trabalho pretende apresentar
algumas práticas pedagógicas relacionadas ao Ensino de História, aplicadas na Escola
Municipal Neil Fioravanti - CAIC, com os alunos do Ensino Fundamental de 6º ao 9º ano,
nos anos de 2015 a 2017, abordando temáticas que fazem parte dos conteúdos curriculares
através do desenvolvimento de Projetos de Ensino, metodologia que possibilita a interação
da teoria e prática, com intuito de envolver o aluno em todo o processo de aprendizagem
referente aos temas abordados. Buscando desenvolver no aluno o interesse pela disciplina
de História, pelos conteúdos e ao mesmo tempo contribuir para sua formação enquanto
sujeito crítico, desenvolver trabalho em equipe e mostrar-se autônomo no contexto em que
atua. Entretanto, essa abordagem pedagógica requer do professor uma postura diferente
daquela habitualmente utilizada no sistema da escola, ou seja, requer uma postura que
concebe a aprendizagem como um processo que o aluno constrói “como produto do
processamento, da interpretação, da compreensão da informação” (Valente, 2003, p. 20). O
trabalho com Projeto de Ensino deve ser entendido como uma proposta de organização e
desenvolvimento dos conteúdos com participação dos alunos no processo de construção do
100
conhecimento. O papel do professor é propor problemas e orientar os alunos na busca da
solução. Já o do aluno é participar da construção do conhecimento por meio da pesquisa. O
processo de desenvolvimento nesta metodologia de ensino inclui vária etapas: definir o tema
a partir de situações problemas que possam ser investigados de acordo com o nível
cognitivo dos alunos; discussão das perguntas e hipóteses dos alunos, de forma a
estabelecer um direcionamento para a ação; elaboração de projetos com a participação
efetiva dos alunos; coleta de informações através de diferentes recursos, inclusive por meio
de atividades práticas que, sempre que possível, devem envolver atividades diferenciadas,
tais como: discussão coletiva, registro das informações, com utilização de diferentes meios,
palestras, visitas de campo, elaboração e/ou exposições de materiais, apresentações
culturais e apresentação dos resultados finais através da conclusão do projeto. Ensinar
História, através de Projetos é despertar no aluno, o interesse pela pesquisa e
consequentemente levá-lo à construção de uma aprendizagem significativa.

VIEIRA, Kelly Cristina Silva. "Minha casa é o que cobre minha cabeça": O caso da Vila
Cachoeirinha e o desligamento de viveres em benefício da casa própria. A partir das
reflexões de Raphael Samuel (1989–90), Célia Rocha Calvo (2004) e Déa Ribeiro Fenelon
(1999) o presente artigo objetiva apresentar um breve histórico da Vila Cachoeirinha no
município de Dourados – MS e a relação de duas moradoras com o mesmo. Concluí que o
conceito de desligamento de viveres apresentado por Calvo pode ser aplicado a essas
moradoras e que as relações construídas e desconstruídas durante o processo de ocupação
do bairro são aspectos importantes a serem analisados na pesquisa a partir da História
Social.

VILHAGRA, Yara Gabriela Queiroz. A divulgação histórica nas capas da revista História
Viva. Esta pesquisa de iniciação científica oferece uma análise que contribui para as
investigações acadêmicas sobre a divulgação e cultura histórica. O objeto de estudo são as
capas da revista História Viva, publicada pela Editora Duetto entre 2003 e 2015. Em sua
trajetória, a revista História Viva foi publicada mensalmente, sendo oferecida aos leitores em
bancas, no site da editora e através de assinaturas. O objetivo foi compreender a divulgação
do conhecimento histórico numa revista de consumo através de um método de análise que
consistiu em tabular os temas das capas, associando-os às suas respectivas periodizações.
Como fontes históricas, foram selecionadas as capas das primeiras cinquenta edições, entre
os anos de 2003 a 2006. Vale destacar que a revista combinava artigos escritos por
jornalistas e historiadores, demonstrando a participação de profissionais da área. Além
disso, trazia em suas edições artigos traduzidos da revista francesa História. A análise
considerou pelo menos uma hipótese inicial: os temas expressos nos títulos eram atrativos
para a venda. Logo, percebeu-se que a narração de grandes feitos, de caráter
sensacionalista, fomenta uma atração do público leigo pela história.

VITORIO, Fabiano Araujo. As brumas de avalon: a imagem arturiana e o feminino sagrado


entre a cultura céltica e cristã. A partir da sistemática vista no filme As Brumas de Avalon, de
Uli Edel de 2001, busca-se refletir acerca das problemáticas estabelecidas no confronto das
chamadas culturas célticas e a nova religião cristã na Bretanha do sec. V e VI d.C, bem
como a figura feminina vista no seu contexto contemporâneo juntamente às práticas
místicas voltadas para a cultura da chamada "antiga religião". Nesse sentido, a
personificação da figura da grande deusa se torna uma questão relevante, além da imagem
de grande importância feminina com relação ao sagrado. De maneira geral, apresenta-se
também uma relação da figura arturiana entre as obras do ciclo arturiano, e a sua
concepção na construção tanto literária das Brumas de Avalon (anos de 1970) quanto a
cinematográfica já citada, e, assim, como teria sido criada a imagem religiosa céltica e cristã
do Rei Artur."

WEBER, Astor. Práticas do Estado paranaense presentes nas narrativas da história da


colonização da região de Campo Mourão (1900-1960). A abordagem das narrativas sobre a
história da atuação do Estado paranaense na colonização da região de Campo Mourão
(1900-1960) não é homogênea. A partir da comparação entre os dados e as perspectivas
101
dos autores faço uma proposta de divisão dessas narrativas em quatro grupos de macro
análises distintas. Não há praticamente discrepância sobre as fases da colonização da
região, no entanto a ação estatal não é entendida da mesma maneira. Na primeira
perspectiva os geógrafos da década de 1950 a 1990 argumentam que o Estado interveio na
colonização para trazer o progresso e o desenvolvimento a região. Já os geógrafos da
década de 2000 a 2010 acreditam que as ações do Estado trouxeram problemas sociais e
ambientais graves vitimando os índios e lavradores pobres que ali viviam ou para lá
migraram. Na terceira perspectiva um antropólogo e historiador tratam essas vítimas
também como sujeitos históricos e apresentam como se comportaram frente a essas
políticas estatais. Na quarta perspectiva a historiografia local afirma que o desenvolvimento,
a evolução e o progresso ocorreram muito mais devido a ação dos migrantes/pioneiros que
se deslocaram para a região no século XX. O que me parece que não se pode negar é de
que a atuação do Estado foi fundamental para a seleção, a alteração e a constituição social,
econômica, política e cultural da região. Nas narrativas historiográficas locais a ideia de
progresso, desenvolvimento e evolução é um discurso usado recorrentemente para justificar
a constituição desse novo território. Portanto, a interpretação da atuação do Estado na
colonização dessa região está atrelada ao período em que as narrativas foram escritas, a
instituição que está financiando a obra, o grupo a qual o pesquisador pertence e o interesse
individual do autor.

ZANATA, Paulo Rodolfo Bork. Memórias Itaporanenses: o uso do facebook como espaço de
memórias da cidade de Itaporã. Criado por moradores da cidade de Itaporã, MS, o perfil do
facebook “Itaporã-MS: O povo contando sua história” se apresenta como uma importante
ferramenta para eventuais pesquisas, sobretudo, na área de História e memória. Com isso,
esse texto se propõe não apenas apresentar esse perfil como também analisar os usos
desse por moradores da cidade considerando que os mesmos publicam com certa
frequência desde fotografias e mensagens em referência à história da cidade. Além da
análise do perfil e suas publicações, também será de suma importância entrevistas de
História Oral realizadas com parte dos moradores que utilizam o perfil proporcionando assim
um material para análise permitindo resultados que melhor apresentem os significados e
construções, além da própria disputa que se tem por memórias a respeito dessa cidade
interiorana que em muitos aspectos dificulta estabelecer características que diferencie ou
delimite o mundo rural do urbano, já que boa parte de sua população, apesar de viver na
urbe, trabalha na zona rural.

ZANCHETT, Silvana Aparecida da Silva. Mãos femininas: memória e história de mulheres


pescadoras do Pantanal Sul Mato Grossense. Mãos femininas: Memória e história de
mulheres pescadoras do Pantanal Sul Mato Grossense, propõe apresentar parte da
pesquisa de doutoramento em história, que problematiza as especificidades das relações de
gênero, no campo do trabalho com a pesca artesanal profissional. A pesquisa utiliza como
recurso metodológico a análise de relatos orais, que visam analisar a história de vida de
mulheres, dialogando com múltiplos sentidos e significados que a vida ribeirinha
proporcionou às mulheres que pescam no Pantanal Sul Mato Grossense. Modos de trabalho
e cotidiano permeiam memórias dessas mulheres, ainda, lutas e resistências nas relações
tecidas com o trabalho e a cidade, com a natureza e a adversidade física, enfim, memórias
cotidianas de mulheres pescadoras que vivenciam e compartilham práticas e viveres às
margens de um rio, projetadas em suas narrativas carregadas de significados de existências
no fazer pesqueiro, que, no entanto careciam de uma análise histórica. Nesse sentido, há
uma relevância para analisar nessa categoria de trabalho, as relações de gênero
constituídas socialmente nas relações entre homens e mulheres. Sendo que, a natureza
sociocultural e histórica dessas mulheres se dá numa construção desigual nas relações
entre os sexos na esfera do trabalho. Observando que as diferentes culturas desenvolvem
diversos entendimentos do que é ser mulher pescadora e o que é ser homem pescador,
observando que a categoria gênero é uma construção social e histórica, que se modifica no
tempo e no espaço. Historicamente demarcadas como “do lar” e “ajudantes da pesca”,
muitas mulheres conquistaram seus espaços e tornaram-se trabalhadoras profissionais da
pesca, documentadas e atuantes diretamente na economia familiar, conforme atestam em
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suas narrativas orais. Mulheres trabalhadoras que relatam experiências e modos de vida e
trajetórias e aprendizados com o trabalho rural e se afirmam como sujeitos históricos,
protagonistas de sua história. São memórias que demonstram as vivências e as principais
preocupações que, coletivas, passam a ser compartilhadas, vivenciadas por essas
trabalhadoras ao longo de suas vidas, portanto, apresentaremos esses sentidos e
significados plurais de mulheres pescadoras do Pantanal localizado no Estado de Mato
Grosso do Sul.

ZARBATO, Jaqueline Aparecida Martins. Museus, mulheres e história do tempo presente.


Este trabalho faz parte do projeto de pesquisa: História e educação para o patrimônio:
construindo aulas oficinas para formação de professores/as. Sendo assim, tem como
objetivo apresentar as análises sobre a perspectiva feminina e histórica na análise sobre
museus. Compreendo o museu como espaço educativo não formal, mas que tem uma
prisma masculino e eurocêntrico, o que nos impulsiona a investigar as coleções femininas
em museus, as curadorias das obras de artes, as exposições assinadas por mulheres entre
outras questões. Para tal, pontuamos três espaços museológicos no Brasil, na
contemporaneidade que abordam o protagonismo feminino: os artefatos de D. Santa (museu
do homem nordestino) em Pernambuco; museu e cada de Cora Colina, em Góias; Museu
Anita Garibaldi em Santa Catarina. Assim, pode-se dizer que a análise circunscreve-se na
história do tempo presente, pois há a inquietação da inserção dos sujeitos históricos neste
processo de análise do Tempo Presente, como destacam Chaveau e Tétart (1999, p. 16), “a
presença física no nosso tempo e no nosso tema, isso não pode ser deixado de lado, pois é
preciso nos reconhecer como sujeitos históricos do nosso tempo”. Metodologicamente
utilizamos as imagens das obras, artefatos dos museus e os textos produzidos sobre os
mesmos.

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