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Cap. 19.

Os componentes: O Indutor
05/09/2018

| Escrito por:

Leonardo Ritter

Neste artigo será dada a continuidade nas explicações sobre os


componentes passivos da eletrônica! O componente da vez é o
indutor, essencial em praticamente todos os circuitos!

Podemos encontrar o indutor em circuitos de sintonia de rádio AM


e FM, nas fases de alimentação de uma CPU, GPU ou Chipset de
placas-mãe e placas de vídeo, podemos encontra-lo em circuitos de
sintonia de rádio Wi-Fi e Bluetooth (o indutor pode estar dentro de
circuitos integrados!). enfim, o indutor é essencial na eletrônica,
seja ela analógica ou digital!

Os indutores são constituídos de uma bobina com um núcleo


ferromagnético ou outro material propício (o porque da bobina e do
núcleo você verá se continuar lendo o artigo!). Existem também
pequenos indutores, em formato semelhante à resistores de
cerâmica podem ser encontrados no formato axial ou SMD, sendo
que o SMD é muito comum em placas de smartphones e outros
circuitos compactos!

Abaixo, você vê a simbologia dos principais tipos de indutores:


Na imagem acima, mostramos alguns símbolos utilizados para
indutores. A simbologia de transformadores e outros dispositivos
que funcionam com bobinas não será detalhada neste artigo.

Um indutor nada mais é do que um enrolamento de fio,


popularmente chamado de bobina. Este fio é feito de cobre na
grande maioria dos casos. Ao circular energia este fio de cobre, um
campo magnético é criado ao redor dele e, afim de aumentar o
campo e o fluxo magnético utilizamos espirais de fio, ao invés de
usar um simples pedaço de fio.
O indutor armazena e filtra energia elétrica. Quando é aplicada uma
corrente variável no terminal do indutor, o campo magnético ao
redor do fio varia e, conforme a variação deste campo, uma tensão é
induzida em seus terminais. Este fenômeno é conhecido como
autoindução.

Esta tensão está relacionada com a taxa de variação da corrente na


bobina. Veja abaixo a representação de um indutor com o campo
eletromagnético ao seu redor:

O indutor possui a mesma característica do capacitor: ele


armazena cargas elétricas. A grande diferença está na forma com
que o indutor armazenam energia: o indutor cria um campo
magnético ao seu redor, diferente do capacitor que armazena
cargas elétricas em forma de campo elétrico em suas armaduras.

De forma resumida, um indutor armazena energia em forma de


campo magnético em seu enrolamento através da circulação de
corrente elétrica pelas espiras de fio de cobre. Este campo induz
uma força magnetomotriz (que podemos chamar de tensão) nos
terminais do componente.
Para saber a direção que que o campo magnético está, devemos aplicar a regra da mão direita e notar o sentido em que a
corrente elétrica está circulando pelo fio.

Duas coisas que podemos observar em um indutor é que, quanto


maior a variação de corrente no enrolamento, maior será a tensão
em seus terminais e qualquer varição brusca de corrente gerará
uma tensão infinita no mesmo instante.

Mas, e o "miolo" do indutor? Não tem nada, é só um enrolamento


de fio mesmo?

A resposta é: depende! Indutores podem ter um núcleo, isto é, o fio


de cobre pode ser enrolado em um material que concentra mais o
fluxo magnético (as linhas de força deste campo) produzido pelo
fluxo da corrente elétrica e, isso traz benefícios para o
funcionamento geral da bobina! É o que veremos na sequência! Um
indutor também pode ter o núcleo de ar, isto é, não há nada em seu
"miolo", é literalmente uma espiral de fio de cobre!

Como foi dito, a função do núcleo do indutor é concentrar o fluxo


magnético no componente, sem ter chance de "espalha-lo",
podendo interferir no funcionamento de outros componentes do
circuito. Placas-mãe de desktop, notebook e placas de vídeo mais
novas possuem bobinas cobertas com o mesmo material do núcleo
(normalmente é ferrite), tornando o isolamento do componente mais
eficaz. Estes indutores são fáceis de identificar: são pequenas
"caixinhas" na placa. Veja a imagem abaixo:
Observe os indutores "1R2" entre os capacitores CPA

Abaixo, indutores de ferrite com a bobina completamente


escondida (as caixinhas):
Abaixo, você a imagem de um indutor com núcleo de ar:

Abaixo, você vê vários modelos de indutores com núcleo de


ferrite:
Existem também indutores toroidais, que nada mais é do que um
enrolamento diferente mas, que podem utilizar os mesmo materiais
no núcleo. Veja a imagem de um indutor toroidal abaixo:

No mesmo núcleo de um indutor toroidal, podem haver vários


enrolamentos de fio de cobre. O indutor toroidal da imagem ao
lado possui apenas um enrolamento (são apenas dois terminais por
enrolamento). Estes indutores são comuns em fontes de
alimentação ATX de computadores de mesa, além de vários outros
equipamentos.

Existem também indutores que ao invés de utilizar ferrite, utilizam


um núcleo de ferro.

Indutores estão disponíveis em vários tamanhos, com várias


opções de núcleos e com várias indutâncias.

O que é indutância?

Para entender as fórmulas matemáticas que iremos apresentar ao


longo deste texto, você deve saber que a unidade de medida padrão
do SI para medir a indutância de um enrolamento de fio é o Henry,
abreviado pela letra "H".

Abaixo, você vê a tabela com os prefixos do Henry:

Quando a corrente elétrica que passa pela bobina for 1 Ampére e a


Tensão 1 Volt, a indutância será de 1 Henry.

A indutância é um valor que surge a partir das dimensões e


características da bobina! Devemos dimensiona-la para saber que
indutância terá e, a partir dai calcular a energia que ela irá
armazenar e o efeito que este enrolamento fará no circuito.

Entre as características e dimensões estão:


> Diâmetro da espiral;

> Área abrangida por uma espira ou área da secção transversal do


núcleo;

> Quantidade de espiras (quantidade de "voltas" do fio para formar


o enrolamento);

> Comprimento da bobina;

> Permeabilidade magnética do núcleo;

> Características do fio de cobre utilizado (diâmetro e


comprimento).

Para calcular pequenos indutores com núcleo de ar que não


possuem um comprimento de 1,5 vezes maior que o diâmetro,
podemos utilizar as fórmulas dadas abaixo:

Ou

Onde:

> n : Número de espiras;

> L : Indutância desejada em Henry;

> C : Comprimento do enrolamento em centímetros;

> S : Área abrangida por uma espira, em cm²;

> 1,256 : Constante da fórmula.

> 10^8 : constante da fórmula;


> 10^-8 : constante da fórmula.

Para determinar a área abrangida, deverá saber o raio da espira:

Onde:

> π : vale 3,1416;

> r : Raio da espira;

> S : Área abrangida por uma espira, em cm²;

Para calcular indutores com núcleo, você deverá saber a


permeabilidade magnética do material que vai ser utilizado como
núcleo.

Aplica-se a mesma fórmula matemática para indutores sem núcleo,


só que adiciona-se o valor da permeabilidade magnética do material
que vai ser utilizado no núcleo. O símbolo que representa essa
permeabilidade é o "μ".

Outra fórmula mais simples para indutores com núcleo pode ser
utilizada, e essa fórmula é dada abaixo:

Os símbolos utilizados nesta fórmula matemática são os mesmos


das outras fórmulas, só que inclui-se a intensidade do
campo magnético, simbolizado pela letra "M"

Lembrando que, utilizamos estas fórmulas para calcular pequenos


indutores artesanais!

Os cálculos a seguir são mais complexos e utilizados afim


de se calcular "milimetricamente" um indutor

A capacidade de um capacitor armazenar energia vem da tensão


aplicada em seus terminais, já um indutor, a capacidade de
armazenar energia vem da força magnetomotriz do componente,
que é dada pela fórmula abaixo:

Onde:

> F : Força magnetomotriz;

> n : Número de espiras;

> i : Corrente elétrica que passa pelo indutor.

Temos também o campo H, a intensidade do campo magnético da


bobina. Para calcularmos estes valores, devemos saber o
comprimento do núcleo e sua força magnetomotriz. O campo H é
diretamente proporcional a força magnetomotriz e será sempre o
mesmo se mantivermos a quantidade de espiras e a mesma
corrente elétrica. Veja a fórmula abaixo:

Onde:

> H : Campo H (intensidade do campo magnético da bobina), em


Amperes por metro (A/m);

> F : Força magnetomotriz;

> l : Comprimento do núcleo (dado em metros).

O campo induzido B depende do material utilizado como núcleo do


indutor. Este campo não faz o campo H variar. O campo B só vai
variar se colocarmos outro núcleo com permeabilidade magnética
diferente. Veja a fórmula abaixo:

Onde:

> B : Campo B (concentração do campo magnético da bobina), que


possui como unidade de medida o Tesla (T);

> π : Vale 3,1416;

> H : Campo H (intensidade do campo magnético da bobina).

Podemos observar que, o campo induzido B aumenta de acordo


com o campo H, porém, chega um momento em que mesmo
aumentando o campo H, o campo B para de aumentar e, este é o
momento em que o material atinge sua saturação magnética. O
ponto de saturação magnética depende do material utilizado no
núcleo do indutor. Veja o gráfico abaixo:

Num indutor em que o núcleo seja algum material ferromagnético,


quando a energia que passa pelo enrolamento de fio é cessada
(como foi dito, indutores só funcionam com corrente alternada), o
campo magnético e a indução magnética não são interrompidos no
mesmo instante, isto porque o material ferromagnético retém um
pouco do magnetismo após a corrente ser cortada. Este
magnetismo retido vai induzir uma corrente elétrica no sentido
oposto a corrente aplicada no indutor, o que significa que indutores
armazenam energia após seu desligamento.

A energia em um indutor é armazenada em seu fluxo magnético,


que depende do campo B e área da secção transversal "A" do
núcleo. Como assim? veja a imagem abaixo para entender o que é
secção transversal:
Para descobrir a secção transversal, você deverá saber o raio do
cilindro do núcleo e calcular a área utilizando a fórmula matemática
apresentada lá no início, quando mostramos as fórmulas para
calcular pequenos indutores caseiros.

A fórmula que utilizamos para calcular o fluxo magnético é dada a


seguir:

Onde:

> Ø : Fluxo magnético;

> B : Campo B (concentração do campo magnético da bobina);

> A : Área da secção transversal do cilindro do núcleo.

O formato do núcleo também influência no funcionamento do


indutor. Observe o desenho abaixo:
Para calcular o comprimento do núcleo, devemos medir seus lados
ou sua circunferência (caso ele seja do tipo toroidal) levando em
conta o centro do núcleo, onde está localizado "o principal" do fluxo
magnético. Observe as linhas vermelhas no desenho acima para
entender melhor.

A relutância de uma bobina é quando relacionamos o fluxo


magnético com a força magnetomotriz. Perceba as semelhanças: a
força magnetomotriz é equivalente a tensão elétrica, a relutância é
equivalente a resistência elétrica e o fluxo magnético é equivalente
a corrente elétrica, portanto podemos concluir que, a força
magnetomotriz, relutância e fluxo magnético são utilizadas em
circuitos magnéticos e equivalem as grandezas elétricas tensão,
resistência e corrente utilizadas em circuitos elétricos. A relutância
oferecida pelo material utilizado no núcleo do indutor é dada pela
fórmula:

Onde:

> 1 : Constante da fórmula;

> μ : permeabilidade magnética do material utilizado no núcleo


(capacidade do material de concentrar o campo magnético);

> A : Área da secção transversal do cilindro do núcleo.

Chegamos a fórmula para saber a indutância da bobina! No


capacitor relacionamos a tensão com a carga elétrica acumulada e
chamamos isso de capacitância. Já no indutor, relacionamos a
corrente com o fluxo magnético e temos a indutância. Observe a
fórmula abaixo:

Onde:

> L : Indutância, em Henry;

> n : número de espiras da bobina;

> Ø : Fluxo magnético;

> I : Corrente elétrica.

A energia armazenada num indutor é dada pela fórmula abaixo:

Onde:

> E : É a energia armazenada em Joules;

> L : É a indutância em Henrys;

> i : Corrente elétrica em amperes.

Sobre a permeabilidade magnética do núcleo, devemos calculá-la


levando em conta a permeabilidade magnética do vácuo e a
permeabilidade relativa do material em questão:

Onde:
> μ : Permeabilidade magnética;

> μr : Permeabilidade relativa do material;

> μO : Permeabilidade magnética do vácuo.

Veja abaixo a permeabilidade de alguns materiais ferromagnéticos


e do ar:

Lembre-se que, estes utilizados em indutores são materiais


ferromagnéticos (exceto o ar). Existem os paramagnéticos e os
diamagnéticos que vamos ver em artigos futuros, quando falarmos
mais sobre magnetismo.

Ainda falando sobre permeabilidade, a permeabilidade magnética


também pode ser entendida como a capacidade de um material de
se magnetizar quando aplicado uma força magnetomotriz sobre ele.
Todo material possui um nível máximo de magnetização, e quando
este valor máximo for atingido o material vai se estabilizar nesse
valor, não importa o quanto for aumentado a corrente elétrica
aplicada em seus terminais.

O magnetismo de um material pode continuar após cessar a força


magnetomotriz e, para desmagnetiza-lo devemos aplicar uma força
magnetomotriz contrária com a mesma intensidade. Este fenômeno
é chamado de Histerese magnética.

Veja abaixo o gráfico com a curva de histerese:


Quando a bobina é energizada pela primeira vez no circuito, B e H
estarão no ponto "0" do gráfico. Após a energização da bobina, B e
H vão aumentar em direção a "a" pela linha pontilhada. No momento
em que o indutor em questão chega a "a" ele atinge a saturação
magnética. Neste ponto de saturação, quando a corrente for
cessada, o enrolamento começará a descarregar indo em direção a
"b" e estará completamente descarregado quando chegar no ponto
"c". Como bobinas funcionam apenas em circuitos com corrente
alternada, a corrente começará a fluir no sentido oposto, fazendo
com que B e H sigam em direção a "d". Quando a corrente for
cortada novamente, B e H vão ir para o ponto "e" e chegarão no
ponto "f" quando a bobina se descarregar completamente. Neste
momento a bobina volta se carregar e a ir em direção a "a". Todo
este processo fica se repetindo enquanto o circuito estiver em
funcionamento.

Quanto maior a área da curva de histerese, mais energia será


desperdiçada em forma de calor! É por este motivo que bobinas
esquentam. Procure sempre por bobinas com a menor área possível
da curva de histerese pois elas tendem a armazenar mais energia
com menos perdas. O aço-silício (também chamado de aço elétrico)
possui menos perdas que o ferrite, e o ferrite possui menos perdas
que o ferro. Materiais com menos perda tendem a ser um pouco
mais caros.

Podemos dizer que, quanto maior o ponto de saturação e quanto


menor a perda, melhor é a bobina!

Estas foram apenas algumas informações sobre o indutor!


Informações sobre sua construção!

No próximo artigo da série sobre eletrônica, vamos detalhar mais


coisas sobre o indutor! Aguarde!

Se quiser saber um pouquinho mais sobre o assunto, acesse este


PDF sobre eletricidade e magnetismo.

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FONTES e CRÉDITOS

Texto, fotos, gráficos e tabelas: Leonardo Ritter

Fontes: Instituto Newton C. Braga; EletronPI; BrasilEscola; Mundo da Elétrica; InfoEscola; Livro "Eletronica Para Autodidatas,
Estudantes e Técnicos" de Gabriel Torres; Wikipedia (somente artigos com fontes verificadas!).

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