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AGRADECIMENTOS

ESPECIAIS
Ana de Lourdes Pessoa
Ana Maria Alvarez Cabada
Jane Nunes da Costa
Maria Luiza Barroso
QUESTÃO 1

Um homem superior
Machado de Assis

Após uma noite de insônia, saiu Clemente Soares da casa em que morava, à
rua da Misericórdia, e entrou a caminhar à toa pelas ruas da cidade.
Eram quatro horas da manhã.
Os homens do gás começavam a apagar os lampiões, e as ruas, ainda não
bem alumiadas pela aurora, que apontava apenas, apresentavam um aspecto lúgubre.
Clemente caminhava lento e pensativo. De quando em quando abalroava nele uma
quitandeira que se dirigia para as praças do mercado com o cesto ou o tabuleiro à cabeça,
acompanhada de um preto que levava outro cesto e a barraca. Clemente parecia despertar
dos seus devaneios, mas recaía logo neles até nova interrupção.
À proporção que o céu clareava, abriam-se as portas dos botequins, para fazer
concorrência aos vendedores de café ambulantes que desde a meia-noite percorriam a
cidade em todos os sentidos. Ao mesmo tempo começavam a passar os trabalhadores dos
arsenais atroando as ruas com os seus grossos tamancos. Não poucos entravam nos
botequins e aqueciam o estômago.
Os entregadores dos jornais concluíam a sua tarefa com aquela precisão de
memória que sempre invejei a esses funcionários da imprensa. As tavernas abriam as suas
portas e ornavam os portais com as amostras do uso. Daí a pouco era completamente dia; já
a cidade começava a levantar-se toda; numerosas pessoas transitavam a rua; as lojas de
todo gênero abriam as suas portas… Era dia.

ASSIS, Machado de. Obra completa em quatro volumes: volume 2. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.

Glossário:
lúgubre - escuro, medonho, sombrio
abalroava - ia de encontro a
atroando - fazendo estremecer, abalando (com estrondo)
ornavam - enfeitavam, embelezavam
tavernas - lugares onde se consome bebida alcoóilca, bar
devaneio - estado de espírito de quem se deixa levar por lembranças, sonhos e imagens.

O trecho do texto que apresenta o espaço onde se passa o fato narrado é

(A) “Eram quatro horas da manhã.”


(B) “Clemente parecia despertar dos seus devaneios,”
(C) “[...] e entrou a caminhar à toa pelas ruas da cidade.”
(D) “Os homens do gás começavam a apagar os lampiões[...]”
Texto para as questões 2, 3, 4 e 5.

NO AEROPORTO

Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos três horas o seu
quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto para nos entretermos, embora não
falássemos da vã e numerosa matéria atual. Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos
de explorá-lo a fundo. Embora Pedro seja extremamente parco de palavras, e, a bem dizer,
não se digne de pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de
gestos e expressões pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema.
Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede ameno. Sorria para os
moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não direi secreta, porque
ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo considerado sorriso
especial, revelador de suas boas intenções para com o mundo ocidental e oriental, e em
particular o nosso trecho de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com
esse sorriso (encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação.
Devo dizer que Pedro, como visitante, nos deu trabalho; tinha horários especiais,
comidas especiais, roupas especiais, sabonetes especiais, criados especiais. Mas sua
simples presença e seu sorriso compensariam providências e privilégios maiores.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. Rio de Janeiro: Record, 2009.

Glossário:
plausível - aceitável
parco - pouco, escasso
vã - inútil
quadrimotor - tipo de avião
ameno – afável, delicado
QUESTÃO 2

No trecho “Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não
direi secreta, porque ostensiva.”, o significado da palavra destacada é

(A) prazerosa.
(B) disfarçada.
(C) evidente.
(D) discreta.

QUESTÃO 3

A repetição da palavra “especiais”, com relação ao personagem Pedro, no último parágrafo,

(A) reforça que ele deu trabalho.

(B) apresenta suas boas intenções.

(C) sugere sua simpatia como visita.

(D) revela suas maiores preocupações.


QUESTÃO 4

Percebe-se, no primeiro parágrafo, que Pedro conseguia se fazer entender melhor

(A) por gestos.

(B) pela escrita.

(C) por seu sorriso.

(D) por suas roupas.

QUESTÃO 5

No trecho “Era a sua arma, não direi secreta, porque ostensiva.”, do segundo parágrafo, o
termo em destaque se refere

(A) ao motivo plausível.

(B) ) ao sorriso de Pedro.

(C) à vista da pessoa humana.

(D) às boas intenções de Pedro.


QUESTÃO 6

Vidas secas

Jovens que moram no sertão vivem a crença de que fora dali existe ‘uma vida melhor’

Carrapateira, Monte Horebe, Bom Jesus. Os nomes são de cidades das quais
muita gente nem ouviu falar. Essas três ficam no sertão da Paraíba. E têm em comum com
muitas outras espalhadas pelo país o fato de seus jovens viverem a crença de que fora dali
existe ‘uma vida melhor’.
‘É uma monotonia só. Você fica parado direto, não faz nada diferente. Não tem
o que curtir, não tem trabalho, não tem nada’, desabafa Iarley Pereira Bezerra, 19, em frente
à igreja de Carrapateira. A cidade fica praticamente isolada, pois o acesso é uma estrada de
26 km de terra batida, cheia de buracos.
[...]
Iarley terminou o ensino médio em uma cidadezinha e quer sair de
Carrapateira. ‘Gostaria de ir para São Paulo ou para o Maranhão. A maior parte das pessoas
daqui está em São Paulo e na Bahia’, diz. A ideia dele é ‘trabalhar em firma’. ‘Mas vou
prestar vestibular novamente no fim do ano para direito’, conta. A universidade que quer
cursar fica em Cajazeiras, uma das maiores cidades da região [...].

PINHEIRO, Augusto. Folha de São Paulo, São Paulo, 1 de julho de 2002. Folhateen.

O trecho do texto que revela uma opinião é

(A) “É uma monotonia só.”


(B) “Iarley terminou o ensino médio.”
(C) “Essas três ficam no sertão da Paraíba.”
(D) “A maior parte da pessoas daqui está em São Paulo [...]”
QUESTÃO 7

http://municipiosbaianos.com.br/noticia01.asp?tp=1&nID=17033

Percebe-se que o texto trata, principalmente,

(A) do uso inadequado do guarda-chuva, antigamente.

(B) da necessidade de aproveitamento da água, atualmente.

(C) da atitude de pessoas diferentes diante do mesmo problema.

(D) do problema causado pela dificuldade de previsão do tempo.


Texto para as questões 8 e 9

O OVO

Quem olha um ovo, que parece um rosto sem olhos, sem boca, sem nariz, tem vontade de
pintar-lhe tudo isso que lhe falta. Mas quem vê cara não vê coração! E na verdade não há
nada mais infeliz que um ovo quando o coitado, ainda por cima, está choco... Vive num
constante medo que o derrubem... Pior ainda: que o ponham numa omelete... e adeus, lindo
pintinho das suas entranhas!
Já afirmava certo sábio que o ovo é o que mais importa, não passando a galinha de um
mero pretexto da Natureza para produzir outro ovo. O tal sábio que, pelo visto, nada tinha de
galináceo, também não tinha nada de humano. Eu talvez tenha a tendência de humanizar as
coisas. Mas imagino o alvoroçado cacarejo de uma franguinha nova ao botar o primeiro ovo:
“Enfim! Já sou mulher!”
Mas esse assunto do ovo não termina aqui, está emocionalmente ligado à minha infância,
que nesse ponto foi uma infância infeliz porque naqueles tempos os livros de histórias
vinham todos de Portugal e os pintinhos (nem queiram saber!), esses frementes novelos de
vida que são os pintinhos, chegavam aqui com o nome de “pintainhos”!

QUINTANA, Mario. Da preguiça como método de trabalho. Rio de Janeiro: Globo, 1987.
QUESTÃO 8

O trecho do texto que expressa uma dúvida do narrador é

(A) “Mas quem vê cara não vê coração.”


(B) “Mas o assunto do ovo não termina aqui.”
(C) “Pior ainda... Que o ponham numa omelete.”
(D) ”Eu talvez tenha a tendência a humanizar as coisas.”

QUESTÃO 9

O trecho em que se estabelece uma relação de causa e consequência é

(A) “Mas imagino o alvoroçado cacarejo de uma franguinha nova ao botar o primeiro ovo[...].”
(B ) “E na verdade não há nada mais infeliz que um ovo quando o coitado, ainda por cima,
está choco...”
(C) “[...] que nesse ponto foi uma infância infeliz porque naqueles tempos os livros de
histórias vinham todos de Portugal [...].”
(D) ”[...] o ovo é o que mais importa, não passando a galinha de um mero pretexto da
Natureza para produzir outro ovo.”
QUESTÃO 10

Se tudo pode acontecer


Arnaldo Antunes

Se tudo pode acontecer


Se pode acontecer qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
E além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer. . .
http://letras.mus.br/arnaldo-antunes/67070/

O eu lírico do texto tem como característica

(A) o desgosto com a passagem do tempo.


(B) a preocupação com a natureza.
(C) a desconfiança.
(D) o otimismo.
QUESTÃO 11

http://oglobo.globo.com/cultura/megazine/as-questoes-travessuras-de-armandinho-8024251

O texto não verbal que justifica a fala do menino “Vocês ainda não nos venceram!!!!” é

(A) a expressão do menino no primeiro quadrinho.


(B) a ausência de borda no segundo quadrinho.
(C) o toco de árvore no terceiro quadrinho.
(D) o ramo que surge no último quadrinho.
QUESTÃO 12

Um lugar ao sol
Chico Buarque de Hollanda
[...]
Dia desses baixei em Capri, que, segundo o cicerone, ostenta as praias mais
lindas do mundo depois do Rio de Janeiro. Comovido, agradeci, dobrei a gorjeta e fui
conferir. Realmente o azul do mar, com as rochas brancas e a mata cheirosa, é um
espetáculo único. Mas ir à praia, aí é que são elas. Convenci-me de que brasileiro não sabe
tomar banho de mar, e olha que tive o maior empenho em aprender.
- Paga-se a entrada!! Pois não. Paga-se o vestiário? Pois não. O mictório
também? Não tem problema.
Entrada, vestiário, mictório, guarda-sol, cadeira, boia: desci à praia cheio de
tickets e privilégios.
Irrepreensível, pensei. Agora que descobri os macetes, é só deitar na areia [...].
Mas qual não foi minha surpresa quando cheguei à areia (pedregulhos) e a encontrei
literalmente repleta de cabeças, pernas, barrigas e bumbuns. Tentei abrir caminho, pedi um
passinho à frente, por favor, disse que ia saltar no próximo ponto, mas os corpos estavam
surdos-moles no mormaço.

ZAPPA, Regina. Para seguir minha jornada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.

Glossário:
Capri – cidade italiana
ostentar – mostrar, exibir
irrepreensível – perfeito
cicerone – guia que mostra aos turistas o que há de importante em uma localidade e dá informações

No trecho “ - Paga-se a entrada!! Pois não. Paga-se o vestiário? Pois não. O mictório
também? Não tem problema.”, a repetição das exclamações em “Paga-se a entrada!!”

(A) sugere o descuido do brasileiro em viagem.


(B) expressa a dificuldade do turista ao ir à praia.
(C) reforça o espanto do narrador diante de um fato.
(D) revela o encantamento do visitante diante do mar.
QUESTÃO 13

Dentro de nós, a alegria


Ivan Martins

A alegria vem de dentro ou de fora de nós? A pergunta me ocorre no meio de um bloco


de carnaval.[...]
Estou contente, claro. Ao meu redor há um grupo de amigos e uma multidão ruidosa e
colorida. Ainda assim, a resposta sobre a alegria me ilude. Meu coração sorri em resposta a
essa festa ou acha nela apenas um eco do seu próprio e inesperado contentamento? [...]
Penso no amor, fonte permanente de júbilo e apreensão. Quando ele nos é subtraído,
instala-se em nós uma tristeza sem tamanho e sem fim, que tem o rosto de quem nos
deixou. Ela vem de fora, nos é imposta pelas circunstâncias, mas torna-se parte de nós. Um
luto encarnado. Um milhão de carnavais seriam incapazes de iluminar a escuridão dessa
noite se não houvesse, dentro de nós, alguma fonte própria de alegria. [...]. Ficaríamos em
casa, esmagados por nossa tristeza, remoendo os detalhes do que não mais existe. Ao
longe, ouviríamos a batucada, e ela nos pareceria remota e alheia.
Nossa alegria existe, entretanto. Por isso somos capazes de cantar e dançar quando o
destino nos atinge. [...]
Se a alegria vem de dentro ou de fora? De dentro, claro. Mas seu sintoma mais bonito é
nos jogar para fora, de encontro à música e à dança do mundo, ao encontro de nós mesmos.

http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/noticia/2015/02/dentro-de-nos-balegriab.html?folder_id=167

Glossário:
júbilo – grande alegria
apreensão – receio

O trecho que expressa a tese do texto é

(A) “Se a alegria vem de dentro ou de fora? De dentro, claro.”


(B) “Penso no amor, fonte permanente de júbilo e apreensão.”
(C) “Ela vem de fora, nos é imposta pelas circunstâncias, mas torna-se parte de nós.”
(D)“Ficaríamos em casa, esmagados por nossa tristeza, remoendo os detalhes do que não
mais existe.”
QUESTÃO 14

www,petcivil.ufjf. files

A finalidade do painel é

(A) alertar para a necessidade de transportes mais rápidos.


(B) estimular o uso da bicicleta como atitude inteligente.
(C) criticar o uso do carro em atividades de lazer.
(D) mostrar a lentidão da evolução humana.
QUESTÃO 15

Texto 1 Texto 2
Desperdício não tem vez

É verdade que a Terra é conhecida como


Planeta Água, mas não estamos podendo esbanjar.
Ao colocar no papel a porção de água doce que, de
fato, está disponível para consumo em todo o
mundo, é muito pouco: 0,26% (o que representa 13
gotas em um balde de 10 litros).[...]
A ONU já alertou: se não houver mudanças de
hábitos no curto prazo, até 2030 quase metade da
população global terá problemas de abastecimento
[...]. Economizar água já é uma necessidade
urgente em todo o mundo. [...]
Confira [...] dicas supersimples que
selecionamos para você começar a poupar água
em casa hoje mesmo.
Boca aberta, torneira fechada.
Não deixe a água correndo enquanto estiver
escovando os dentes. Uma única pessoa pode
economizar 1,9 milhão de litros de água ao longo
da vida simplesmente escovando os dentes com a
torneira fechada. [...]
Nada de pinga-pinga.
Ao fechar a torneira, certifique-se de que ela não
Ajude a cortar os custos com água no
ficou pingando. Ao longo de um ano, esse pinga-
MPPE. Utilize de forma consciente os
pinga de "apenas umas gotinhas" desperdiça, pelo
bens do seu ambiente de trabalho.
menos, 16 mil litros de água limpa e tratada [...].
Confira outras dicas no site
www.mp.pe.gov.br http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/15-
dicas-praticas-economizar-agua-desperdicio-
777421.shtml

Comparando os dois textos, pode-se afirmar que

(A) o texto 1 utiliza a linguagem verbal e a não verbal e o texto 2 informa sobre cuidados no
ambiente de trabalho.
(B) o texto 1 alerta para o bom uso da água no ambiente de trabalho e o texto 2 dá dicas
para evitar o desperdício de água.
(C) o texto 1 questiona o fato de a Terra ser chamada de Planeta Água e o texto 2 utiliza a
linguagem não verbal.
(D) o texto 1 incentiva a escovar os dentes com a torneira fechada e o texto 2 informa
quanto desperdiça ao longo da vida uma torneira pingando.

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