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ST 501 – Gestão de Sistemas de Saneamento

Profª Marta

Gestão ambiental dos serviços de saneamento

Pontos principais:
• Proteção dos mananciais, produção e fornecimento de água
• Disposição dos esgotos sanitários

Empresa de saneamento visa:


• Controle da qualidade da água produzida e fornecida ao consumidor
• Controle da qualidade dos esgotos tratados a serem lançados nos corpos d’água

Objetivo do sistema de gestão ambiental:


Conciliar a obtenção de resultados econômicos e financeiros com a preservação
ambiental

Ações:
• Minimizar perdas de água – transporte, tratamento e distribuição
• Estimular redução dos desperdícios na produção e consumo de água
• Minimizar consumo de energia e produtos químicos
• Reciclagem agrícola dos resíduos das ETEs
• Geração de energia como subproduto do tratamento de esgotos
• Educação aos usuários e comunidade
• Proteção das áreas de mananciais

Para gestão ambiental – adotar requisitos da ISO 14001 (2004)


• São requisitos genéricos para implantação e operacionalização do SGA
• Baseadas no PDCA

Requisitos da Norma
Política ambiental – deve ser:
• Adequada às condições da organização
• Compatível com a legislação
• Comprometida com resultados e metas
• Documentada
• Implementada e comunicada

Aspectos ambientais
• Organização deverá identificar os aspectos ambientais sujeitos ao seu controle e á
sua influência
• Determinar os impactos positivos e negativos das duas atividades sobre o meio
ambiente

Requisitos legais
A organização deverá identificar e ter acesso aos requisitos legais a ela aplicáveis
e determinar como esses requisitos se aplicam aos seus aspectos ambientais

Objetivos, metas e programas


• Devem ser mensuráveis

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• Coerentes com a política ambiental
• Incluir comprometimento com a prevenção da poluição
• Atendimento aos requisitos legais e a os outros subscritos pela organização
• Melhoria contínua

Controle operacional
Organização deve:
• Identificar as operações que estejam associadas com os aspectos ambientais
significativos
• Adotar procedimentos documentados para controlar situações em que possa
ocorrer desvios em relação à política ambiental e aos objetivos e metas ambientais

Preparação e atendimento às emergências


Organização deve estabelecer e manter procedimentos:
• Identificar situações de emergência e potenciais acidentes que
possam ter impactos sobre e o meio ambiente e como a
organização responderá
• Deve responder às situações reais de emergência e acidentes e
prevenir ou mitigar os impactos ambientais adversos associados

Monitoramento e medição
Organização deve estabelecer, implementar e manter procedimentos para:
Monitorar e medir regularmente as características principais de suas operações
que possam ter impactos ambientais significativos

Procedimentos devem incluir:


• Documentação de informações para monitorar desempenho
• Controle operacionais pertinentes
• Conformidade com os objetivos e metas ambientais da organização

Registro dos resultados das avaliações periódicas


Organização deve estabelecer, implementar e manter procedimentos para tratar
das não-conformidades reais e potenciais executando ações preventivas e corretivas

Auditoria interna
Organização deve assegurar que as auditorias internas do SGA sejam realizadas
em intervalos planejados

Análise crítica pela administração


O SGA deve ser analisado pela alta administração em intervalos planejados para
assegurar a eficácia
Análises devem considerar:
oportunidades de melhoria e necessidade de alterações no SGA, inclusive na
política ambiental e nos objetivos

Responsabilidades do Sistema de Gestão ambiental


• Buscar integração da quantidade e qualidade da água
• Buscar uma gestão voltada para preservação e recuperação das matas ciliares e
de proteção aos mananciais
• Promover programas e ações visando a conscientização da população em relação
à proteção dos mananciais e controle da poluição

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• Prevenir a erosão do solo nas bacias contribuintes
• Desenvolver programas de conservação e proteção das águas subterrâneas
• Prevenir e tomar medidas mitigadoras no caso de enchentes e estiagens que
possam comprometer as atividades de captação de água

Projetos de saneamento proporcionam efeitos positivos e negativos

Positivos:
 Distribuição de água potável
 Coleta e tratamento de esgoto
 Disposição final adequada de resíduos sólidos
Negativos:
 Impactos provocados pelas águas de lavagem dos filtros de ETA
 Impactos causados pelos efluentes dos coletores, emissários ou das ETE
 Impactos causados pela disposição dos resíduos urbanos

Projetos de saneamento devem se submeter aos processos de licenciamento


A Resolução 001/86 define impacto ambiental:
• Art. 1º . Para efeito desta Resolução, considera-se impacto ambiental qualquer
alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por
qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou
indiretamente, afetam:
- a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
- as atividades sociais e econômicas;
- a biota;
- as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
- a qualidade dos recursos ambientais.

A Resolução 001/86 define as atividades que dependem do EIA/RIMA para que


licenciamento.
As atividades são:
V - Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos
sanitários;
VII - Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos, tais como barragem
para quaisquer fins hidrelétricos acima de 10MW, obras de saneamento ou de
irrigação, abertura de canis para navegação, drenagem e irrigação, retificação de
cursos de água, abertura de barras e embocaduras, transposição de bacias, diques;
X - Aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos tóxicos ou
perigosos;

Conama 237/97 - Regulamenta os aspectos de licenciamento ambiental estabelecidos na


Política Nacional do Meio Ambiente"

Serviços de utilidade
- estações de tratamento de água
- interceptores, emissários, estação elevatória e tratamento de esgoto sanitário
- tratamento e destinação de resíduos industriais (líquidos e sólidos)
- tratamento e destinação de resíduos sólidos urbanos, inclusive aqueles provenientes de
fossas
- dragagem e derrocamentos em corpos d’água

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Cabe aos órgãos municipais, estadual, e eventualmente ao IBAMA, definir a natureza das
avaliações ambientais a serem empreendidas para o licenciamento de projetos de
saneamento. Essas avaliações podem constituir-se desde simples análises de temas
específicos até complexos e completos estudos de impacto ambiental
Resolução No. 237/97 fixou o prazo máximo de 6 (seis) meses para análise do pedido
de licenciamento por parte do órgão ambiental, no caso dos processos mais simples, e de
no máximo 12 (doze) meses, para os casos em que houver elaboração de EIA/RIMA ou
realização de audiência pública
Licenciamento ambiental:
 Procedimento pelo qual o órgão ambiental competente permite a localização,
instalação, ampliação e operação de empreendimentos e atividades utilizadoras
de recursos ambientais, e que possam ser consideradas efetiva ou potencialmente
poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação
ambiental.
 Com este instrumento busca-se garantir que as medidas preventivas e de controle
adotadas nos empreendimentos sejam compatíveis com o desenvolvimento
sustentável.

Licença Prévia (LP) - licença expedida na fase inicial de planejamento da atividade,


fundamentada em informações formalmente prestadas pelo interessado. A licença
especifica as condições básicas a serem atendidos durante a localização, a instalação e o
funcionamento do equipamento ou atividade potencialmente poluidora. A concessão
dessa licença implica compromisso do empreendedor em manter o projeto final
compatível com as condições do deferimento. Sua validade pode abranger um período de
até 5 (cinco) anos
Licença de Instalação (LI) - licença expedida com base no projeto executivo final. A
licença autoriza o início da implantação do equipamento ou da atividade poluidora,
indicando todos os passos a serem observados, considerando-se o cronograma das
obras. Sua validade pode abranger um período de até 6 (seis) anos
Licença de Operação (LO) - licença expedida após concluídas as obras, testados os
equipamentos e verificado a eficiência dos mesmos por vistoria normalmente realizada
por técnicos do órgão ambiental. A licença autoriza a operação de equipamentos ou de
atividades poluidoras, subordinando sua continuidade ao cumprimento das condições de
concessão das LI e LO. A validade da licença abrange um período mínimo de 4 (quatro)
anos e um período máximo de 10 (anos)

AVALIAÇÃO AMBIENTAL DOS PROJETOS DE SANEAMENTO


Avaliação ambiental dos efeitos de projetos de saneamento é uma etapa importante:
 No processo de concepção do sistema
 Na formulação e seleção de alternativas
 Na elaboração e detalhamento do projeto

As interferências e alterações mais comuns provocadas por sistemas de saneamento


básico ocorrem sobre as águas superficiais, embora solo e águas subterrâneas também
possam ser afetados, geralmente em menor intensidade.
Escopo da Avaliação de Impacto Ambiental
• Justificativa
• Alternativas locacionais e tecnológicas
• Características do projeto

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• Diagnóstico Ambiental
• Identificação e Avaliação dos Principais Impactos Ambientais
• Medidas Mitigadoras e Compensatórias
• Planos e Programas Ambientais

Impactos Ambientais - Fase de Planejamento


• Estudo de alternativas locacionais
• Estudo de viabilidade técnico -econômica
• Divulgação do empreendimento

Impactos Ambientais - Durante execução das obras


• Supressão da vegetação
• Obras de terraplenagem
• Abertura de valetas
• Utilização de material de empréstimo e bota-fora
• Canteiro de obras
• Resíduos em geral

Impactos Ambientais - Durante a operação


• Emissão de odores
• Tratamento e disposição final dos resíduos
• Alteração da qualidade da água do corpo receptor

Medidas Mitigadoras
• Compensação com o plantio de espécies nativas
• Paisagismo
• Drenagem provisória e definitiva
• Estocagem adequada de material (corte/aterro)
• Recuperação das áreas degradadas
• Sinalização locais risco
• Definição trajeto caminhões
• Disposição adequada efluentes líquidos e resíduos sólidos
• Manutenção adequada equipamentos
• Tratamento e disposição final dos resíduos
• Monitoramento da qualidade das águas subterrâneas e do corpo receptor
• Monitoramento da eficiência do tratamento

Escolha dos projetos de saneamento que mereçam uma investigação detalhada e


sistemática de seus impactos ambientais – significância dos impactos ambientais.
Baseiam-se nos critérios:
 Porte do empreendimento, que pode ser caracterizado pela área de implantação, a
extensão, o custo financeiro, a intensidade de utilização dos recursos ambientais
 Potencial de impacto das ações a serem executadas nas diversas fases da realização
do empreendimento, em geral definido pelo tipo ou gênero das atividades
 Situação da qualidade ambiental da área de influência do empreendimento,
determinada por sua fragilidade ambiental, seu grau de saturação em relação a um ou
mais poluentes e seu estágio de degradação

Sistemas de abastecimento de água


Em geral, os sistemas de abastecimento de água compreendem os seguintes

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componentes:
 Captação (com/sem canal de derivação)
 Reservatório de nível ou de regularização
 Adução de água bruta (estação de bombeamento e tubulações),
 Estação de tratamento (ETA adução de água tratada, reservatórios de superfície,
reservatórios elevados e rede de distribuição)

Os impactos prováveis são, geralmente, positivos, porque o abastecimento de água


constitui serviço que assegura melhoria de saúde e de bem-estar da população.
Os impactos negativos estão normalmente associados à localização do
empreendimento (vulnerabilidade da área de influência), à má escolha de técnicas
construtivas e à operação de ETAs - Estações de Tratamento de Água (como lavagem de
filtros, por exemplo).

Sistemas de esgotamento sanitário


Os sistemas de esgotamento sanitário, de modo geral, compreendem um ou mais dos
seguintes componentes:
 Rede coletora, interceptores
 Estações elevatórias
 Estações de tratamento (várias modalidades de ETE, incluindo lagoas de
estabilização, sistemas convencionais, estações compactas)
 Emissários para lançamento final

Qualquer consideração a respeito dos impactos negativos provocados pela


implantação e operação de um sistema de esgotamento sanitário deve contemplar ao
menos dois tipos de áreas de influência:
 O local do projeto, ou área de influência direta, onde serão executadas as obras e
serão maiores as interferências no meio natural
 As áreas de influência indireta, ao longo da qual se propagam os impactos. Exemplo
característico desse último tipo de área é o trecho do curso d'água a jusante do
lançamento dos efluentes, que necessita assimilar a carga orgânica lançada

Assim, em uma tentativa de classificar sistemas de esgotamento quanto os seus


impactos negativos, devem ser considerados:
 O potencial poluidor, que se refletirá basicamente na qualidade do corpo receptor
 As alterações físicas inerentes à implantação das obras do sistema

Além da população esgotada, do tipo e grau de tratamento e da correspondente carga


orgânica lançada, o que determina o grau de alteração no corpo receptor é a capacidade
de autodepuração deste último.

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