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Hugo Manoel Souza de Moura Rocha

Resumo
Maio/2017
Metodologia da Música III
Prof. Viaviane Louro
UFPE – CAC – Departamento de Música

O profissional que se sente satisfeito em sua função pode se considerar


tranquilo? Deve se contentar com o que já sabe e estagnar? Mário Sérgio Cortella
afirma que caso este profissional seja um professor então não, este profissional não deve
se contentar com aquilo que sabe, deve sim buscar outras formas de realizar o seu
ofício.
Segundo Cortella, filósofo e educador, existe um perigo dentro das universidades
católicas (não somente nelas), que é o perigo de envelhecer, de se reconhecer grande, do
autoritarismo, do envelhecimento das práticas pedagógicas, da arrogância dos
professores e a utilização de conteúdos que não fazem mais sentidos. Tudo isso que se
considera arcaico deve ser deixado no passado, o que devemos trazer para nossos dias, o
que devemos proteger, é aquilo que é tradicional No caso das universidades católicas a
atenção ao conteúdo, a formação humanista, o relacionamento saudável na convivência,
a recusa ao egoísmo, a noção de acolhimento, o desejo de formar pessoas.
A universidade envelhece quando considera perfeito aquilo que faz, ou seja,
basta reproduzir, não é necessário mais o estudo, a pesquisa, reproduzir aquilo que já
está feito satisfaz a função da universidade. Existe uma diferença entre o idoso e o
velho, o idoso é uma pessoa com muita idade, já o velho é uma pessoa que acha que não
precisa mais aprender. Conforme Cortella nós professores deveríamos ser sábios idosos
e não velhos tolos, pois segundo Eintein "tolice é fazer as coisa sempre do mesmo jeito
e aguardar resultados diferentes".
Segundo Leandro Karnall é preciso que em uma sala de aula tenha pelo menos
alguém entusiasmado com a aula - o professor. Um adulto na sala também é bem vindo,
este deve ser sempre o professor, além do mais este profissional tem de estar bem
estabelecido emocionalmente para ministrar sua aula.
Concordo em partes com o Karnall, é claro que é necessário um adulto em sala
de aula porém acredito que este mesmo adulto (se for o professor) deve, em certos
momentos virar criança, perceber, imaginar e agir como criança em momentos oportuno
de forma a dar leveza a aula, a se divertir e a passar isso a seus alunos. Um adulto
"sempre" é chato, um adulto não brinca. Entusiasmo é sempre bem vindo, se o professor
não demonstra entusiasmo com aquilo que faz, será bem difícil que o aluno sinta
alguma coisa além de tédio, monotonia, fadiga e cansaço. Um ponto importante na fala
de Karnall é a questão do cuidado com a linguagem, saber falar, saber agir, ser cordial,
deveriam sem pré-requisitos de um professor e educador.
A escola é a continuidade do lar, mas do meu lar? Tião Rocha no início de sua
fala lança essa questão e outra: como seria uma educação sem escola? Esta ele não
demora a responder: "não sei". Para Tião professor é aquele que ensina, educador é
aquele que aprende, as universidade querem ensinar mas não querem aprender, estão
fechadas em 4 paredes. Neste sentido as universidade não educam, aí entra também o
que Cortella já havia dito, que as universidades apenas reproduzem mais do mesmo.
Para Tião Rocha a escola é a comunidade, a sala de aula vai da varanda de uma
casa até a sombra do pé de manga, o conteúdo é o que as pessoas do lugar sabem, fazem
e querem, dá-se uma utilidade e um sentido ao que se aprende, e o jeito de aprender é
pôr na roda, mas o que é a roda? A roda é um círculo onde todos se veem, não tem dono,
seu centro é uma ideia, numa roda você deve produzir consensos.
Tião Rocha observou que escola é um lugar onde se perde menino e que para
não perder mais menino todas as ideias tem de ser aproveitadas, então neste modelo
proposto por Tião toda pessoa que tenha uma ideia será escutada e sua ideia será
analisada de forma a tentar implementar o que foi pensado.
A educação é algo que só acontece no plural (tem de haver no mínimo 2 pessoas,
o eu e o outro), educação pressupõe troca, tem de gerar aprendizagem (o eu e o outro
tem de trocar o que tem pelo que não tem), por fim educação é um processo permanente
para o resto da vida. Somente bons educadores produzem boa educação, mas onde estão
os bons educadores? Eles não estão sendo formados pelas universidades, pois a
universidade que deveria pensar fora da caixa não quer sair da caixa, está confortável
onde está.
Tião rocha levanta algumas das metodologias utilizadas em sua prática,
pedagogia da roda, do sabão, do abraço e do copo cheio. A pedagogia do copo cheio é
medida pelo IPDH (indice de potencial de desenvolvimento humano) que é o lado cheio
do copo - observe aquilo que o aluno já possui e parta daí. Quando ao olhar uma
comunidade pela sua capacidade de acolhimento (como as pessoas dão colo pra não
perder ninguém), de convivência (como vivem com o outro, com o diferente) e de
aprendizagem (dos conhecimentos, das habilidades e das atitudes) e de oportunidade
(como gera oportunidade), a pedagogia do copo estará presente. Nesta metodologia a
transformação acontece de dentro pra fora. Estaria em sentido com o que Paulo Freire
pensa acerca da educação, que é de dar autonomia ao educando.
Para Tião Rocha a escola não precisa ser o serviço militar obrigatório aos 7 anos
ela deve ser um lugar onde se aprende brincando porque as crianças adoram aprender,
elas não gostam de estudar, porque estudar ficou chato. E é de vital importância
aprender com o outro, aprender do ponto de vista do outro pois quanto mais se aprende
com o outro mais formas diferentes de fazer o mesmo se aprende, mais apurado seu
olhar ficará. Por fim deixo uma frase de Tião proferida na palestra que acho atual e
necessária: "eu quero mudar a rua, a rua é um lugar tão bom quanto qualquer outro
lugar, a rua é um espaço de aprendizado". A partir da rua podemos mudar o mundo. É na
ruas que as transformações acontecem, que a vida pulsa.