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DEMOGRAFIA E FAMÍLIA ESCRAVA NO RECÔNCAVO DA

GUANABARA NO COLONIAL TARDIO – VILA DE SANTO ANTÔNIO


DE SÁ (c. 1750- c.1808)

DERMEVAL MARINS DE FREITAS

Projeto de pesquisa apresentado ao Programa de Pós-Graduação em


História da Universidade Federal do Rio de Janeiro como requisito para
seleção de ingresso ao Doutorado em História.
Linha de Pesquisa: Sociedade e Economia

2018
1
RESUMO

O tema proposto nesta pesquisa é o estudo da demografia e família escrava no distrito


da Vila de Santo Antônio de Sá, localizado no Recôncavo da Guanabara, em fins do século
XVIII e início do XIX. Pretende-se estudar a constituição de famílias escravas e de seus laços
de compadrio de acordo com o grau de antiguidade das escravarias, percebendo de que modo o
tempo em que os escravos estavam situados na colônia portuguesa, influenciava na constituição
dos laços familiares e do compadrio. Tal estudo visa ainda, estabelecer a relação entre estes
laços e o desenvolvimento da economia do Rio de Janeiro naquele período, percebendo que o
crescimento econômico da região alterou o perfil das escravarias e de seus proprietários.

Palavras-chave: Demografia; família escrava; Santo Antônio de Sá; Rio de Janeiro;

2
I –Introdução
1. Delimitação do objeto e problemática de pesquisa
O tema proposto nesta pesquisa é o estudo da demografia e família escrava no distrito da
Vila de Santo Antônio de Sá, localizado no Recôncavo da Guanabara, em fins do século XVIII
e início do XIX. Pretende-se estudar a constituição de famílias escravas e de seus laços de
compadrio de acordo com o grau de antiguidade das escravarias, percebendo de que modo o
tempo em que os escravos estavam situados na colônia portuguesa, influenciava na constituição
dos laços familiares e do compadrio. Tal estudo visa ainda, estabelecer a relação entre estes
laços e o desenvolvimento da economia do Rio de Janeiro naquele período, percebendo que o
crescimento econômico da região alterou o perfil das escravarias e de seus proprietários.

Na pesquisa desenvolvida no mestrado foi verificado que a segunda metade do século XVIII
apresentou o aumento da população do distrito de Santo Antonio de Sá consequência, em
grande parte, do desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro naquele período. A economia
local também crescera e se diversificará, aumentando a produção agrícola, como a farinha, o
milho, o feijão e o arroz, assim como o número de arroubas de açúcar. O aumento da produção
de açúcar se deve a construção de novos engenhos na região e, consequentemente, a entrada de
novos atores, como os comerciantes de grosso trato.

Se de um lado, esse crescimento agrícola pode estar relacionado as políticas de fomento do


período pombalino, ou mais exatamente, durante a vigência do governo do Marques de
Lavradio, entre 1769 e 1779, por outro, deve-se acrescentar, a inserção dos comerciantes de
grosso trato na economia agrária das freguesias do Rio de Janeiro, conforme aponta João
Fragoso.1

A população escrava seguiu o ritmo de crescimento da população total. Na dissertação


sugerimos que esse aumento alterou a composição dos domicílios escravistas da região, isto é,
o número destes domicílios cresceu, aumentando a dispersão da propriedade escrava e, ao
mesmo tempo, aumentou a concentração dos escravos em grandes propriedades escravistas,
principalmente, os engenhos de açúcar.

Acreditamos que este incremento de escravos nos engenhos de açúcar pode ter provocado
uma alteração na composição da população escrava da freguesia de Santo Antônio de Sá,

1
FRAGOSO, João. “Algumas notas sobre a noção de colonial tardio no Rio de Janeiro: um ensaio sobre a
economia colonial” Locus, Revista de História, n. 10, Juiz de Fora, UFJF, 2000.

3
aumentando a proporção de africanos com relação aos crioulos. E, por outro lado, ocorreu o
aumento do número de uniões matrimoniais dos escravos da região e consequentemente o
número de filhos legítimos registrados nos livros de batismos de escravos.

Na dissertação de mestrado, também apontei que nas propriedades escravistas mais antigas
os escravos tendiam a escolher padrinhos de condição social superior a sua, isto é, com livres,
enquanto nas propriedades mais recentes, o quadro se invertia, comparecendo na pia batismal,
outros companheiros da senzala. Contudo, a pesquisa se concentrou em apenas duas
escravarias, número portanto, reduzido, nas quais outros fatores podem ter interferido nas
tendências verificadas, principalmente o grau de ingerência dos proprietários de escravos nas
escolhas de padrinhos escravos, como alguns autores tendem a sugerir.

Nesse sentido, aumentaremos o número de propriedades escravistas analisadas buscando


perceber que tais escolhas de compadrio eram mais que meras causalidades e sim tendências
conforme o grau de antiguidade. Nessa empreitada contaremos com um grande número de
fontes como os registros de batismos, casamentos e mortes tanto de livres, expostos, escravos,
forros e libertos, assim como testamentos, inventários post-mortem, livros de sesmarias e outras
fontes produzidas no período, afim de perceber a entrada e permanência dos senhores de
escravos na região, e os laços familiares estabelecidos pelos seus escravos.

Outro caminho poderia ser trilhado, no qual verificaríamos a escolha de padrinhos dos
escravos através da origem dos mesmos, porém nem sempre os padres explicitaram tais
informações e por outro lado, ocorrem variações da mesma, diminuindo em muito a nossa
amostra afim de perceber qualquer tipo de tendência. Ao analisar as escolhas dos padrinhos dos
filhos de escravos através do grau de antiguidade na região, inferimos que boa parte dos
escravos nas propriedades escravistas antigas eram crioulas e que nas criadas mais
recentemente, os escravos eram predominantemente africanos. É claro que tal método é passível
de equívocos, pois poderia sugerir que velhos escravistas mantinham suas propriedades
principalmente através da reprodução natural dos seus escravos e os novos escravistas, somente
através do tráfico de escravos. A aquisição ou aumento do número de escravos não se dava
apenas por meio destes mecanismos, além destes temos dotes, pagamentos de dívidas, herdados
após a morte do primeiro senhor, entre outros.

A análise das propriedades escravistas também se dará por meio do tamanho da posse de
escravos, pois pequenas escravarias (1 a 9 escravos) apesar de majoritárias na região,

4
dificilmente contrariam matrimonio, principalmente por conta do pool de mulheres no interior
delas e, consequentemente pouco expressivo o número de batismos de escravos destas
propriedades. Além disso, os escravistas destas pequenas posses, possuem nomes que
dificilmente se consegue rastrear ao longo do tempo em diferentes fontes, principalmente por
conta da existência de homônimo aliado a isso pouco conseguiremos aferir da transferência
destes escravos entre os seus herdeiros. Por outro lado, os médios (10 a 19 cativos) e grandes
escravistas (mais de 20 cativos), na maioria das vezes possuíam além do prenome o sobrenome,
além de possuírem mecanismos de transferência de propriedade que garantiriam o mínimo de
dispersão da propriedade escrava.

2. Discussão bibliográfica
Os primeiros estudos relacionados a família escrava surgiram em fins da década de 1970
e buscavam contrapor a ideia da anomia escrava, demonstrando em geral a existência de laços
familiares entre os escravos e particularmente a presença de casamentos escravos sancionados
pela igreja católica. Um desses trabalhos pioneiros foi o do brasilianista Robert Slenes. Em seus
estudos sobre o Oeste paulista, o autor constata a existência de altas taxas de casamento formal,
com famílias escravas regulares e extensas (contando até mesmo com a presença de três
gerações), em médias e grandes propriedades, apesar do desequilíbrio número entre homens e
mulheres escravos. No entanto, boa parte dessas uniões familiares consta somente com o núcleo
familiar, ou seja, pai, mãe e filhos. 2

Boa parte das pesquisas posteriores, como argumenta Sheila de Castro Faria, possuem
influência direta, ou indiretamente, do trabalho de Robert Slenes.3 Um dos trabalhos, nesse
sentido, é a obra A paz das senzalas de Manolo Florentino e José Roberto Góes que contrariando
os argumentos de Florestan Fernandes, colocaram de ponta a cabeça os seus argumentos quanto
a importância da destruição da família escrava como essencial para a manutenção do
escravismo, na medida em que obstruía ação política dos escravizados. Nesse sentido, ambos
os autores argumentam que era só criando escravos com compromissos entre si que os senhores
podiam garantir a “paz” nas senzalas, pois eles ficariam com receios em realizar possíveis
rebeliões e fugas, pois poderiam acabar se separando de suas famílias. De acordo com estes
historiadores

2
SLENES, Robert Wayne. Na senzala, uma flor – esperanças e recordações na formação da família escrava:
Brasil Sudeste, século XIX. 2ª ed. corrigida. Campinas: Editora da Unicamp, 2011 e FARIA, Sheila. A Colônia em
Movimento, Fortuna e Família no Cotidiano Colonial. RJ: Nova Fronteira, 1998.
3
FARIA, Sheila. Ibid.p.4.

5
A cooperação entre os cativos deve ter sido fundamental, em primeiro lugar, a
eles próprios. O avesso da paz significaria simplesmente a anomia, o outro nome da
guerra, e os homens, por definição, não vivem para além da regra. Na condição de
escravos, tocava-lhes representar o objeto da cobiça de todos os senhores. Eram eles,
como grupo, o alvo da beligerância que tanto tem impressionado os estudiosos da
escravidão. Portanto, devia se lhes afigurar vital construir laços de solidariedade e de
auxílio mútuo que os ajudassem a sobreviver no cativeiro – a levar a vida, como bem
o afirmou Antonil. Dissímeis, posições de singularidade, pontos nos quais se
encarnava o particular que, de maneira sincrônica, constituía o outro e o recusava,
estavam condenados a produzir-se em um nós. Estavam fadados a procurar instituir a
paz. E fizeram-no, constante e paulatinamente, mediante a criação e a recriação de
laços diversos, os de parentesco inclusive. Os cativos faziam e refazia o parentesco,
enquanto o mercado produzia e produzia mais uma vez o estrangeiro.4

Portanto, para estes historiadores a família escrava é condição estrutural para a


continuidade do sistema escravista na medida em que é ela uma estratégia primordial para a
sobrevivência, já que o cativeiro era marcado por divergências existentes entre os crioulos e
africanos. Através da família os escravos estabeleciam uma identidade na senzala, oposta à do
senhor.

Robert Slenes questiona estes argumentos, afirmando

que paz pode reinar numa senzala habitada por parentelas, cujos membros têm
experiências, alianças e memórias radicalmente diferentes das de seus senhores? Dito
de outra forma: que “estrutura” é essa que, atrás de uma fachada de paz, alimenta a
guerra entre a senzala e a casa grande? 5

Outro estudo importante é o da historiadora Hebe Maria Mattos. Em Das cores do


silêncio: os significados da liberdade do Sudeste escravista – Brasil século XIX, a autora
argumenta que os laços de parentesco era condição para o estabelecimento de laços entre os
escravos pois era através destas que o escravo deixava de ser um estrangeiro à comunidade,
assim como lhe permitia uma mobilidade espacial no sistema escravista:

a obtenção de maiores níveis de autonomia dentro do cativeiro, parece ter dependido,


em grande parte das relações familiares e comunitárias que estabeleciam com outros
escravos e homens livres da região. Mesmo para o estabelecimento de laços de
solidariedade vertical mais permanentes, a formação de uma família ou pertencimento
a uma já existente era pré-condição, na medida em que as relações de solidariedade
vertical culturalmente sólidas, e não simplesmente táticas, eram em geral
estabelecidas entre famílias e não entre indivíduos. 6

Para esta autora, a família era uma possibilidade do cativo escapar da escravidão já que
a alforria em pouquíssimos casos era visto como um projeto individual, mas sim uma estratégia

4
FLORENTINO, Manolo, GÓES, José Roberto. A paz das senzalas. Famílias escravas e tráfico atlântico, Rio
de janeiro, c. 1790 –c. 1850. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997. p.36.
5
SLENES, Robert W.Ibid. p.3.
6
MATTOS, Hebe Maria. Das cores do silêncio: os significados da liberdade do Sudeste escravista – Brasil século
XIX. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995.p. 72.

6
familiar. Nestas negociações, entre senhores e escravos, os primeiros poderiam ter sua
autoridade fortalecida, enquanto que os segundos poderiam se revoltar frente à irredutibilidade
daqueles.

Outro aspecto que os historiadores da escravidão e, sobretudo, da família escrava, se


debruçaram foi em relação as redes de compadrio que extrapolam os vínculos consanguíneos.
Os laços de compadrio eram estabelecidos no momento do batismo da criança escrava,
resultando no vínculo entre a criança, os pais da criança e os padrinhos e madrinhas presentes
neste ritual católico. Ao analisar as escolhas dos padrinhos das crianças escravas pela condição
dos mesmos – livres e escravos -, a historiografia tem ressaltado que elas tendiam a estratégias
diferentes dos escravizados. De acordo com Gudeman e Schwartz, a busca por padrinhos livres
seria uma estratégia dos escravos “para garantir um possível aliado ou protetor”. 7 Brugger vai
além, afirmando que

A opção por padrinhos livres indica a intenção dos cativos de estabelecer,


através do compadrio, alianças “para cima”. Afinal, o padrinho, segundo a própria
doutrina católica, constituía-se em um segundo pai, em um com-padre: ou seja,
alguém com quem, de algum modo, se dividia a paternidade. Nada mais “normal” do
que a pretensão de que esta divisão pudesse ser feita com homens situados socialmente
num patamar superior e que pudessem dispor de mais recursos – não só financeiros,
mas também políticos e de prestígio – para o “cuidado dos afilhados.8

Robert Slenes afirma que “a formação dos laços frequentemente extrapolava os limites
do cativeiro” e que “o raciocínio que pauta a escolha de compadres” seria “a necessidade, num
mundo hostil, de criar laços morais com pessoas de recursos, para proteger-se a si e aos filhos”.9
Desse modo o autor cita diversos exemplos de escravos que puderam contar com a ajuda dos
seus compadres, principalmente para a obtenção de alforria. Contudo, essa relação de
dependência em relação aos senhores e outros homens livres, poderia gerar certo desconforto
entre os cativos, na medida em que estes escravos deveriam realizar “um constante esforço de
dirimir as dúvidas dos parceiros a respeito do lado em que estava, de fato, sua lealdade.”10

7
GUDEMAN, Stephen; SCHWARTZ, Stuart B. “Purgando o pecado original: compadrio e batismo de escravo na
Bahia do século XVIII.” In: REIS, João José (org.). Escravidão e invenção da liberdade. São Paulo: Brasiliense,
1988. p 47.
8
BRUGGER, Silvia Maria Jardim. Compadrio e Escravidão: uma análise do apadrinhamento de cativos em São
João del Rei, 1730-1850. In: Anais do XIV Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em
Caxambu, MG, Setembro de 2004. P.4.
9
SLENES, Robert. Senhores e subalternos no Oeste Paulista. In: ALENCASTRO, Luís (org.) História da Vida
Privada, Vol II: Império: a corte e a modernidade nacional. São Paulo: Cia. das Letras, 1997.p.271.
10
Ibid.p.271.

7
Por outro lado, a escolha de uma madrinha escrava tenderia para outros objetivos dos
cativos. Segundo Schwartz, esta estratégia tende a “levar em conta a possibilidade de, em caso
de morte da mãe, a madrinha escrava assumisse responsabilidade pela criação do afilhado”.11

Diversos estudos têm demonstrado que o casamento escravo sancionado pela Igreja
Católica variou conforme o tamanho das escravarias. De acordo com estes estudo, quanto maior
fosse a posse de escravos, maiores as possibilidades dos escravos encontrarem um cônjuge nas
mesmas escravarias, enquanto nas menores posses devido ao número restrito de cativos, poucos
seriam os cativos a realizarem o matrimônio dentro destas pequenas posses12.

Por outro lado, Roberto Guedes demonstrou que em Porto Feliz (SP), entre 1798 e 1850,
as grandes propriedades não foram responsáveis por uma queda do número de solteiros. Dito
de outro modo, era de se esperar que nas pequenas posses de escravos houvesse um número
maior de escravos solteiros na medida que eram nelas que se encontravam as menores
porcentagens de escravos casados. 13

Do mesmo modo, alguns historiadores têm afirmado que o tamanho da escravaria


influenciaria na escolha por padrinhos. De acordo com Silvia Brugger, tomando por base a
afirmação de Ana Lugão Rios, de que os padrinhos escravos predominavam nas escravarias
maiores e os livres nas menores, ela argumenta que tal resultado seria indício de que
“legitimidade e presença de padrinhos cativos eram variáveis que acompanhavam a dimensão
das escravarias. Daí serem mais frequentes os padrinhos escravos entre os filhos legítimos, pois
ambos estariam mais presentes nas freguesias.”14

José Roberto Góes, do mesmo modo argumenta que “nos maiores plantéis são mais altos
os índices de compadrio endogâmico, são também mais altas as taxas de crianças legítimas – e
o inverso acontecia nos menores plantéis”.15

11
SCHWARTZ, Stuart. Escravos, roceiros e rebeldes. Bauru: EDUSC, 2001. P.283.
12
SLENES, Robert. “Escravidão e família: padrões de casamento e estabilidade familiar numa comunidade
escrava. Campinas, século XIX. ” In: Estudos Econômicos. São Paulo: 17(2), 1987.; Robert Slenes e Stuart
Schwartz, "A Familia escrava em Lorena (1801)", Estudos Economicos, 17(2), 1987; Alida C. Metcalf, “Vida
familiar dos escravos em São Paulo no século dezoito: o caso de Santana de Parnaiba”, Estudos Economicos,
Número 17 (2), São Paulo, IPE/USP, 1987.; LUNA, Francisco Vidal. Casamento de Escravos em São Paulo: 1776,
1804, 1829, In: NADALIN, Sérgio et alii. (org). História e População: Estudos sobre a América Latina, São
Paulo, SEADE/ABEP/IUSSP/CELADE, , 1990; MOTTA, José Flávio. Corpos Escravos, Vontades Livres; Posse
de Cativos e Família Escrava em Bananal (1801-1829). São Paulo: FAPESP-Annablume, 1999.
13
GUEDES, Roberto. Egressos do cativeiro: trabalho, família, aliança e mobilidade social (Porto Feliz, São Paulo,
c.1798-c.1850). 1. ed. Rio de Janeiro: Mauad/FAPERJ, 2008. p.152.
14
BRUGGER, Silvia.Op. Cit. p.10.
15
Góes, José Roberto.Op. Cit. p.123.

8
O grau de autonomia escrava também foi levado em conta pelos historiadores com
relação a escolha dos padrinhos, contudo, ainda estamos longe de alcançar um consenso. 16 Para
alguns, os escravos detinham autonomia para escolher os padrinhos de seus filhos e nesse
sentido, a escolha poderia visar tanto a construção de laços horizontais, isto é, com a
comunidade escrava, como verticais, com o mundo dos livres, forros ou libertos, vislumbrando
possíveis vantagens através desse tipo de compadrio. 17

Outros autores afirmam existir uma intervenção senhorial nas escolhas dos padrinhos
das crianças cativas. 18
Cacilda Machado, por exemplo, argumenta que “É preciso admitir ao
menos algum grau de controle dos senhores sobre a socialização de seus cativos.” 19 E Luís
Farinnati do mesmo modo afirma que, “A presença senhorial certamente se fazia sentir, mesmo
nos casos de escolhas mais autônomas, aparecendo como um limitante”.20 Para Martha Daisson
Hameister o próprio compadrio representaria uma forma de evitar revoltas escravas ao
21
estabelecer laços entre cativos e parentela dos senhores de escravos. João Fragoso por seu
turno, argumenta que o compadrio engendraria políticas “dirigidas a formação de uma casa,
costurada pelas relações vividas por senhores integrantes de uma mesma família, sendo isto
seguida de perto por seus clientes e, aparentemente, ainda respectivos escravos”.22

II –Objetivos
1. Objetivo Geral

16
Para um debate em torno dessa questão ver: BACELLAR, Carlos de Almeida Prado. “Os compadres e as
comadres de escravos: um balanço da produção historiográfica brasileira”. In: Anais do XXVI Simpósio Nacional
de História, São Paulo: ANPUH, 2011.
17
Conferir, entre outros: SLENES, Robert W. “Senhores e subalternos no Oeste Paulista”. In: NOVAIS, Fernando
A. (Coord. Geral); ALENCASTRO, Luiz Felipe de (org.). História da vida privada no Brasil: cotidiano e vida
privada na América portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. v. 2; GUDEMAN, Stephen;
SCHWARTZ, Stuart B., op. cit., 1988.
18
FARINATTI, Luís A. E. (2011), Os compadres de Estevão e Benedita: hierarquia social, compadrio e
escravidão no sul do Brasil (1821-1845). XXVI Simpósio Nacional de História. São Paulo: ANPUH.2011;
MACHADO, Cacilda (2008), A trama das vontades: negros, pardos e brancos na construção da hierarquia social
do Brasil escravista. Rio de Janeiro: Apicuri.2006; HAMEISTER, Martha Daisson. Para dar calor à nova
povoação: estudo sobre estratégias sociais e familiares a partir dos registros batismais da vila do Rio Grande
(1738-63). Nova Iguaçú, 2006. f.474.Tese (Doutorado em História) – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais,
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Nova Iguaçú, 2006; FRAGOSO, João. “Fidalgos e parentes de
pretos: notas sobre a nobreza principal da terra no Rio de Janeiro (1600-1750).” In: FRAGOSO, João Luís Ribeiro;
ALMEIDA, Carla Maria Carvalho de, SAMPAIO, Antônio Carlos Jucá de (Orgs.). Conquistadores e negociantes:
histórias de elites no Antigo Regime nos trópicos. América lusa, séculos XVI a XVIII. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2007.
19
MACHADO, Cacilda, op. cit. p.192.
20
FARINATTI, Luís A.E., op. cit. p. 15.
21
HAMEISTER, Martha Daisson, op. cit. p. 248.
22
FRAGOSO, João, op. cit. 2007. p.108.

9
Analisar a constituição de famílias escravas através dos casamentos, batismos e relações
de compadrio observando as influências que o tamanho e o grau de antiguidade das escravarias
exerciam nessas relações e como elas interferiam nas possibilidades de alforrias na pia batismal;

1.2 – Objetivos Específicos


Acompanhar a constituição e o crescimento das escravarias dos proprietários de escravos
desde a sua inserção na vila, através de cartas de sesmarias e documentos de compra e venda
de terras, chão e chácaras;
Analisar a constituição de famílias escravas nas propriedades escravistas, assim como as
relações de compadrio estabelecidas pelas mesmas ao longo de suas trajetórias de vida;
Identificar as características dos padrinhos das crianças escravas tendo em vista a
proximidade destes padrinhos e o prestígio dos mesmos, dentro e fora das escravarias;
Analisar as alforrias de pia concedidas as crianças e verificar se existe alguma proximidade
destas crianças com o padrinho ou proprietário pelos patrimônios deixados por estes, ou mesmo
alguma confirmação de paternidade;
Identificar as mestiçagens ocorridas no interior das escravarias, tendo como ponto de partida
as “qualidades” e a cor dos indivíduos escravizados;
III – Quadro teórico

Partimos da compreensão da sociedade colonial como integrante do Império Ultramarino


Português, permitindo assim estreitar os laços entre o Brasil e outras partes do mundo
constituintes deste vasto império, tendo em vista a importância que o porto do Rio de Janeiro
vai assumir no século XVIII, tornando-se a principal praça mercantil do Atlântico Sul.

Nesta perspectiva torna-se fundamental a compreensão desta conjuntura dentro do processo


de mundialização, empreendidas pelos países ibéricos, possibilitando o trânsito e circulação de
pessoas, mercadorias, culturas dos quatros continentes.23

Um outro conceito importante é o de mestiçagens, compreendida por Gruzinski como


constitutivas da monarquia. De acordo com este autor as mestiçagens são “fenômenos de ordem
social, econômica, religiosa e, sobretudo, política, tanto senão mais que processos culturais”24.

23
GRUZINKS. As quatro partes do mundo: história de uma mundialização. Belo Horizonte: Editora UFMG, São
Paulo: Edusp, 2014.
24
Ibid. p.48.

10
As mestiçagens para Gruziski não estão dissociadas das relações de poder pois, em muitos casos
“os empreendimentos de dominação que precipitam as mestiçagens”.25

As relações sociais na América portuguesa é um mundo das mestiçagens, portanto, aplicar


o modelo de estratificação social europeu daquele período, é esquecer de vista as
complexidades inerentes deste mundo colonial.

Para compreendermos como eram construídas as relações familiares entre os escravos é


necessário o exame das estratégias construídas por estes indivíduos na construção e ampliação
de suas redes de solidariedade por meio das alianças matrimoniais e dos laços de compadrio
constituídas com os diversos segmentos da sociedade colonial. Para isso lançamos mão do
conceito de estratégia concebido por Geovanni Levi.

Para Levi, as estratégias são concebidas através da racionalidade seletiva e limitada que era
“empregada na obra de transformação e utilização do mundo social e natural”.26 A ação social,
baseada nestas estratégias, segundo este autor é “resultado de uma constante negociação,
manipulação, escolhas e decisões do indivíduo, diante de uma realidade normativa que, embora
difusa, não obstante oferece muitas possibilidades de interpretações e liberdades pessoais.”27

Geovanni Levi foi inspirado pelas ideias de Frederick Barth, que concebia a sociedade
simultaneamente como fragmentada e aberta, ou nas palavras de Barth, as sociedades seriam
“sistemas desordenados, caracterizados pela ausência de fechamento”28. Desse modo, a
sociedade é composta por “pessoas situadas em posições diferentes podem acumular
experiências particulares e lançar mão de diferentes esquemas de interpretação, ou seja, podem
viver juntas, mas em mundos diferentemente construídos”.29

Tal compreensão pode ser útil na compreensão da sociedade colonial. Nesta sociedade,
senhores e escravos realizavam suas ações com base em seus sistemas valorativos, isto é,
realizavam escolhas frutos de suas estratégias. Contudo, suas ações eram condicionadas, pelas
normas sociais, consideradas múltiplas e contraditórias, e pelo acesso aos recursos. As

25
Ibid. p.48.
26
LEVI, Giovanni. A herança imaterial. Trajetória de um exorcista no Piemonte do século XVII. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2000. p.45.
27
LEVI, Giovanni. “Sobre a micro-história” In: BURKE, Peter (org). A escrita da história: novas perspectivas.
São Paulo: Editora da UNESP, 1992.p.136.
28
BARTH, Frederik. “Grupos étnicos e suas fronteiras”. In T. Lask (org.), O guru, o iniciador e outras variações
antropológicas. Rio de Janeiro, Contra Capa. 2000.p. 172.
29
Ibdem.p.176.

11
interações entre os diversos atores sociais são atravessadas por conflitos e tensões, justamente
porque possuem interesses diversos. Nesse sentido, tanto o matrimônio e o estabelecimento do
parentesco fictício através das relações de compadrio teriam sentidos diferentes para os diversos
grupos sociais e eram concebidas tendo em vistas estratégias também diferentes.

IV – Hipóteses
O grau de antiguidade das propriedades escravistas influenciou a escolha dos padrinhos
das crianças escravas. O maior tempo com a sociedade colonial fez com que os escravos das
propriedades mais antigas buscassem padrinhos de outras condições sociais, enquanto nas mais
recentes, buscou-se estabelecer o compadrio entre os companheiros das senzalas.
1. Hipóteses Específicas
A entrada dos novos senhores de escravos modificou o perfil da população escrava da
região, aumentando a participação de africanos e consequentemente a proporção de homens
escravos;
O incremento da população escrava teve repercussão no aumento da realização do
matrimonio entre os escravos, principalmente no período de constituição de novas propriedades
escravistas (principalmente os engenhos) e consequentemente, no aumento no percentual de
legitimidade das crianças cativas;
Escravarias mais antigas tinham maiores possibilidades de conquistar a alforria que com
relação as mais “novas”;
V– Metodologia e Fontes

Para a elaboração deste trabalho serão utilizadas diversas fontes produzidas no período,
principalmente os livros de registros de batismos, casamento e morte de escravos das freguesias
que compõe o distrito da Vila de Santo Antônio de Sá (freguesia homônima, Nossa Senhora da
Ajuda de Guapimirim, Santíssima Trindade, Nossa Senhora do Desterro de Itambi e o antigo
aldeamento de São Barnabé depois elevada a Vila de São José Del Rei). Boa parte destas fontes
estão disponibilizados pelo site Ecclesiastical Sources in Slave Societies cujo segmento Brasil
digitalizou a documentação do Arquivo da Cúria Metropolitana de Niterói os demais registros
paroquiais se encontram nos arquivos da Cúria de Niterói, Rio de Janeiro e Petrópolis.30 Com
o uso de tais fontes será permitido realizarmos ora uma análise quantitativa, ora qualitativa.

30
Sobre o projeto ver em http://www.vanderbilt.edu/esss/ e para o segmento Brasil conferir
http://www.uff.br/curias/apresenta-o, o livro de casamento dos escravos da freguesia de Santo Antônio de Sá se
encontra em http://diglib.library.vanderbilt.edu/esss-brazil.pl, acesso em 24.06.2018.

12
O livro de registros de casamento de escravos da Igreja Matriz de Santo Antônio de Sá
(1756 a 1809) já foi totalmente transcrito e está praticamente completo em suas 160 folhas,
faltando somente as cinco primeiras folhas. Enquanto isto, o livro de registro de batismos de
escravos da mesma matriz, que se encontra também totalmente digitalizado, foi só parcialmente
transcrito, faltando os anos de 1763 a 1770 (folhas 1 a 61). Ao todo foram realizadas 860
cerimonias de casamento e 1.996 batismos.

Com base nestes registros criamos uma base de dados com o uso do Microsoft Excel,
anotado para cada batismo, as seguintes informações: data do batismo (dia, mês e ano), local
do batismo, idade do batizando (criança ou adulto), sexo do batizando, legitimidade do
batizando, cor/origem do batizando, do pai, da mãe, do padrinho e da madrinha, condição social
do batizando, do pai, da mãe, do padrinho e da madrinha, nome dos batizados, pais, mães,
padrinhos, madrinhas e dos proprietários dos escravos.

Para os registros de matrimonio retiramos as seguintes informações para a composição


do nosso banco de dados: data do casamento (dia, mês e ano), local do casamento, cor/origem
dos noivos, condição social dos noivos, nomes dos noivos, do senhor de escravos e das
testemunhas.

De acordo com Maria Yeda Linhares a metodologia da História Quantitativa seria uma

expressão para designar métodos e técnicas de pesquisa no âmbito de uma história


delimitada em determinado espaço historicamente construído, caracterizando-se pelo
emprego de séries documentais e pela tentativa de abranger em amplitude, no decorrer
de uma longa duração – la longue durée – um espaço determinado (um recorte) e uma
temática, diante da possibilidade concreta de trabalhar fontes numerosas e suscetíveis
de tratamento estatístico.31

O método da História Quantitativa no nosso trabalho servirá para a análise demográfica


da freguesia de Santo Antônio de Sá. Nesse sentido, mais que uma história quantitativa, o nosso
objetivo é realizar um estudo demográfico, do comportamento da população escrava, com base
nas fontes eclesiásticas.

Se, num primeiro momento as atas de batismos e de casamento, através do método


quantitativo permitirão compreender o movimento geral da população escrava estudada,

31
LINHARES, Maria Yeda de. “Introdução” In: BOTELHO, Tarcísio Rodrigues. Historia quantitativa e serial
no Brasil: um balanço. Goiânia: ANPUH-MG, 2001.p.14

13
vislumbrando assim algumas tendências, após este estudo preliminar, tais registros nos
possibilitarão apreender as redes que os indivíduos estabeleceram no decorrer do tempo.

A partir das alianças matrimoniais e dos laços de compadrio estabelecidas no ato do


batismo de crianças e adultos nos é permitido observar as relações familiares, de sociabilidade
e de solidariedade estabelecidas pelos escravos e, ainda sob viés da história quantitativa,
observar algumas tendências e particularidades destas mesmas relações.

Contudo, é necessário ir além da simples contagem e analisar as estratégias


desenvolvidas por estes sujeitos na formalização de suas uniões matrimoniais e no
estabelecimento dos laços de compadrio. Para isso, utilizamos o método micro-analítico para
poder tentar buscar explicações por trás das escolhas destes sujeitos.

Desse modo realizamos uma mudança da escala de análise preconizada pela micro-
história32. De acordo com Geovanni Levi a escolha da microanálise “se usa para entender la
historia general. Se parte de que es posiblie al reducir el grado de escala y observar cosas
aparentemente más generales”33

Essa mudança das escalas de análise produz diferentes efeitos de conhecimento como
numa máquina fotográfica, que ao ampliar o foco da lente objetiva, não só aumenta o objeto
mas a própria maneira de apresentar a sua forma. Essa variação de escala, para Paul-André
Rosental, é justamente o que diferencia a micro-história das outras abordagens.34

O objetivo da redução da escala de análise tem como objetivo perseguir os indivíduos a


partir dos indícios deixados nas fontes

de modo a permitir-nos encontrar o mesmo indivíduo ou grupos de indivíduos em


contextos sociais diversos. O fio de Ariane que guia o investigador no labirinto
documental é aquilo que distingue de um indivíduo de outro em todas as sociedades
conhecidas: o nome35.

32
Sobre a micro-história conferir, entre outros: REVEL, Jacques (org.). “Microanálise e construção do sócia” In:
Jogos de escalas: a experiência da microanálise. Rio de Janeiro: FGV, 1998. LEVI, Giovanni. Sobre a micro-
história. In: BURKE, Peter (org.). A escrita da história: novas. São Paulo: Editora UNESP, 1992; GINZBURG,
Carlo. “Prefácio à edição italiana. In: O queijo e os vermes: o cotidiano e as ideias de um moleiro. São Paulo: Cia
das Letras, 1987.
33
LEVI, Giovanni, Entrevista concedida por G. Levi a Juan José Marin. Revista de História, nº. 41, Enero-Junio
del 2000. EUNA-EUCR. s/p. (Heredia –Costa Rica). Disponível em:
http://escuelahistoria.fcs.ucr.ac.cr/contenidos/mod-his/e-levi-cost.htm#_ftn1, acesso em 10.07.2018,
34
ROSENTAL, Paul-André. Construir o “macro” pelo “micro”: Fredrik Barth e a “microhistoria”. In: REVEL,
Jacques (org). Jogos de escalas. A experiência da microanálise. Rio de Janeiro: FGV, 1998. 151-152.
35
GINZBURG, Carlo. “O nome e o como: troca desigual e o mercado historiográfico”. In: A micro-história e
outros ensaios. Lisboa/Rio de Janeiro: Difel/Bertrand Brasil, 1989. pp.173-174.

14
Cruzando e articulando diversas fontes (como os assentos de casamento e batismo de
escravos, assim como do uso de uma lista nominativa e outros documentos produzidos pelo
período), tendo como guia o nome foi possível reconstituir as trajetórias de algumas
propriedades escravistas, dos seus senhores, dos escravos que lá trabalhavam e viviam, assim
como identificar as características dos padrinhos escolhidos na cerimônia do batismo.

Através dos livros de paroquiais de casamento e de batismo de escravos foi nos


permitido acompanhar as trajetórias dos escravos na formalização de suas uniões conjugais e
no estabelecimento das relações de compadrio. Para identificar as atividades econômicas
desenvolvidas pelos senhores e seus escravos contamos com uma lista nominativa que
apresenta informações sobre o perfil produtivo do domicílio e o tamanho das escravarias o que
vai permitir definir as características da posse de escravos na região. Com o auxílio de outras
fontes é nos permitido acompanhar o aumento ou a diminuição da quantidade de escravos de
alguns senhores, exclusivamente os senhores de engenho de açúcar.

Dispomos de apenas uma lista nominativa produzida no ano de 1797 denominada


Discripção do que contém o distrito da Vila de Santo Antônio de Sá de Macacu feita por ordem
do vice-rei do estado do Brasil, conde de Resende [D. José Luís de Castro]. 07 de abril de
1797.36 Nesta lista são discriminados todos os domicílios do distrito de Santo Antônio de Sá,
acompanhado pelo nome dos chefes destes domicílios, e enumeração dos filhos maiores e
menores, agregados, escravos e a quantidade de gêneros produzidos naquele ano. Este
documento faz parte do Arquivo Histórico Ultramarino, e pode ser encontrado em sua versão
digital no site: http://resgate.bn.br/.

36
Discripção do que contém o distrito da Vila de Santo Antônio de Sá de Macacu feita por ordem do vice-rei do
estado do Brasil, conde de Resende [D. José Luís de Castro]. 07 de abril de 1797. Arquivo Histórico Ultramarino-
Rio de Janeiro. Cx. 165, doc. 62 e AHU_ACL_CU_017, Cx.161, D. 12071. Contém anexo com mapas (planilhas).

15
I - Referências
1. Fontes
1.2. Fontes Manuscritas
ARQUIVO DA CÚRIA METROPOLITANA DO RIO DE JANEIRO
1. Livro de registros paroquiais da Freguesia da Santíssima Trindade
Livro de casamentos (1762-1795)
Habilitação matrimonial de Antonio de Oliveira Braga,1804. Caixa 1065, Notação 2831, maço
68.
Habilitação Matrimonial de Henrique José de Araújo - 1804. Caixa 15/13 Notação 17.406.
Registro de falecimento de Nicolao Antonio Bonorota. Habilitação Matrimonial de Antonio de
Oliveira Braga. Caixa 1065 - Notação 2831- Maço 68.
Visitas Pastoraes de Monsenhor Pizarro e Araújo, 1794-95. Cópia datilografada do original
manuscrito. Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro).

ARQUIVO DA CÚRIA METROPOLITANA DE NITERÓI


1. Livros de registros paroquiais da Freguesia de Nossa Senhora da Ajuda de Guapimirim
Livro de Casamentos de escravos (1749-1762)
Livro de Óbitos de livres (1749- 1754 / 1766-1773)

2. Livros de registros paroquiais da Freguesia de Santo Antônio de Sá

Livro de Batismos de livres (1753–1866)


Livro de Batismos de escravos (1761-1807)
Livro de Batismos de livres (1762-1798)
Livro de Batismos de livres (1772-1777) (Santíssima Trindade)
Livro de Casamentos e Óbitos de escravos (1719-1754)

Livro de Casamentos de livres (1754–1805)


Livro de Casamentos de escravos, forros e livres (1754-1809)
Livro de Óbitos de livres (1748-1759)
Livro de Óbitos de livres (1750–1798)
Livro de Óbitos de livres (1760)
Livro de Óbitos (1765-1795) – Vila de Santo Antônio de Sá de Cassarabu
Livro de Óbitos de livres (1779-1780) Matriz da Ss. Trindade
Livro de Óbitos (1790)

16
Livro de Óbitos de livres (1796)

ARQUIVO DIOCESANO DE PETRÓPOLIS


Livro de Batismo de Escravos da freguesia de Nossa Senhora da Ajuda de Guapimirim (1783-
1843)
Livro de Óbitos de Escravos da freguesia de Nossa Senhora da Ajuda de Guapimirim (1787-
1820)
Livro de Casamento de Escravos (1743-1784)

INVENTÁRIOS
Manoel da Silva Correa. Maço 699. Processo 2843. Guapimirim (1803)
Francisco Ferreira da Cunha. EJ.0.ACI.1072. Casa da Suplicação do Brasil. EJ. (1829)
Ana Joaquina. Juízo de Órfãos e Ausentes – ZN. 1813.
José Freire Sardinha. Juízo de Órfãos e Ausentes – ZN. 1816.

ARQUIVO HISTÓRICO ULTRAMARINO

Correspondência e documentos relativos as novas Minas de Macacu, do Rio de Janeiro, de que


era superintendente Manuel Pinto da Cunha e Souza – 1786 a 1790. Seção de Manuscritos.
Biblioteca Nacional. Catálogo 09,3,017-021.
Discripção do que contém o distrito da Vila de Santo Antônio de Sá de Macacu feita por ordem
do vice-rei do estado do Brasil, conde de Resende [D. José Luís de Castro]. 07 de abril de 1797.
Arquivo Histórico Ultramarino-Rio de Janeiro. Cx. 165, doc. 62 e AHU_ACL_CU_017,
Cx.161, D. 12071. Contém anexo com mapas (planilhas).
Pastoraes e Visitas da Freguesia da Santissima Trindade. Rio de Janeiro (1727-1812). Seção de
Manuscritos. Biblioteca Nacional. Cópia manuscrito. 140 f. 14,3,7.

Fontes impressas
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do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, volume 267 – abril/junho, 1965, 93-214.
ARAÚJO, José de Sousa Azevedo P. Memórias Históricas do Rio de Janeiro e das Províncias
Anexas à Jurisdição do Vice-Rei do Estado do Brasil. RJ: Impressão Régia, Tomo III, 1820.

2. Referências Bibliográficas

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