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Salas Limpas

o Introdução
o Histórico
o Classificação das Salas Limpas
o Tipos de Salas Limpas
o Salas Cirúrgicas
o Indústrias Farmacêuticas
o Indústrias de Biotecnologia
o Salas para Equipamentos Eletrônicos

Introdução

Pode-se dizer que Sala Limpa é aquela que contém sistema de manutenção da qualidade do ar interior,
apresentando os níveis de contaminantes e particulados dentro dos limites establecidos por Norma para a atividade
exercida.

Embora tenha se dado grande atenção à saúde, segurança e economia, o conforto ainda é o maior destaque da
indústria. Experiência tem mostrado que não muito freqüente alguns estão conseguindo conciliá-los. Ainda que todos
os fatores que afetem o conforto ainda não os conhecemos, a limpeza e conforto estão diretamente influenciados
pela temperatura, umidade, movimentação do ar bem como a radiação térmica proveniente das áreas ao redor. Odor,
poeira e ruído são fatores adicionais que podem causar um sentimento de desconforto. No projeto de sistemas de
HVAC tem que se manter estas variáveis dentro dos limites especificados, tanto para o consumidor como para as
normas de engenharia e saúde.

Devido as reduções na quantidade de ar exterior insuflado ao ambiente, diversos problemas de saúde foram
levantados e associados a ambientes fechados com ar condicionado. Em 1987 a Organização Mundial de Saúde
enumerou diversas doenças causadas, ou mesmo desencadeadas, em ambientes fechados, como doenças
respiratórias (tuberculose, pneumonia, alveolite, asma etc.) (BURGE, 1988; BURROUGHS, 1997). A epidemia de
tuberculose está sendo amplamente associada aos ambientes fechados (COX, 1998). Tais doenças tem custado caro
aos cofres públicos e privados, devido ao afastamento de trabalhadores (BROWN, 1991; REVISTA ABRAVA, 1997;
STERLING, 1993; WHYTE, 1992).

Muitos locais necessitam de condicionamento do ar especial, principalmente na qualidade requerida. Em hospitais,


principalmente em salas de operações, centros de terapia intensiva e de doenças infecto-contagiosas. A indústria
farmacêutica também necessita de excelente qualidade do ar para seus processos de fabricação de remédios. A
indústria microeletrônica é a mais exigente no que diz respeito a quantidade de partículas, visto que na fabricação de
circuitos miniaturizados uma simples partícula pode danificar componentes, ou mesmo placas.

Problemas que a má qualidade do ar interior vem causando aos sistemas eletrônicos, devido a proliferação de
microorganismos em placas, chips etc (SHIELDS, 1998). Existe a necessidade de se manter áreas limpas, tanto na
indústria eletrônica, como em outras em que o ar é principal e maior meio de contaminação. Sistemas de
monitoramento em salas de injetáveis visam minimizar problemas na indústria farmacêutica (ATHAYDE, 1998).

Fatores sérios combinados produziram esta advertência: a contaminação do ar interior por uma variedade de
poluentes tóxicos e perigosos nesta última década veio a acentuar e reconhecer o sério problema em potencial de
risco à saúde pública.

O codinome Síndrome do Prédio Doente é aplicado para ocorrência de variedade de sintomas de doenças
relatadas por ocupantes de grandes escritórios e outros prédios públicos. Este problema também tem sido chamado
de "Relato de prédios doentes" e "síndroma dos ambientes fechados". Nos ambientes com características citadas, há
um grande número de pessoas (em muitos casos > 30% da população do prédio) que reclamam de sintomas de
doenças não específicas, com os seguintes sintomas: dores de cabeça, às vezes fadiga, irritação nos olhos, nariz e
garganta e falta de ar. Ou sintomas mais específicos como febre, dor de cabeça, casos de hipersensibilidade a
pneumonia e legionella.

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Histórico

As primeiras salas limpas surgiram em hospitais. O trabalho de Pasteur, Koch, Lister e outros pioneiros e cirurgiões
que há 100 anos descobriram que bactérias causariam infeções. Lister substancialmente reduziu as infeções
operando na sala da Royal Infirmary, utilizando como antiséptico solução de ácido fênico em instrumentos, nas mãos
dos cirurgiões e espirrando-o no ar.

Embora as salas limpas de ontem fossem similares às de hoje, a principal omissão estava na ventilação positiva,
através da limpeza do ar. A utilização do ar exterior também mostrou-se muito importante, reduzindo a concentração
dos contaminantes (1855).

o Bourdillon and Colebrook (1946) - utilização de salas com pressão positivas em relação as
adjacentes;
o 1961 - criou-se o sistema unidirecional ou fluxo laminar conceito de ventilação que utilizam filtros
HEPA com fluxo sob regime laminar;
o Projetos considerando o ser humano como fonte de bactérias e dispersor de partículas de pele e
outras e também através da respiração (1962);
o Utilização do fluxo de ar como forma de remover contaminantes em hospitais (1964);
o John Charnley. (início da década de 60) inseriu a técnica de uma junta artificial tipo bacia. Esta é
extremamente efetiva na operação, mas as taxas de assepsia nas junções, nos casos estudados foi
de quase 9%. Este método foi um desastre para os pacientes porque com o tempo, os métodos
usados no tratamento das infeções não foram muito efetivas e a junção artificial teve de ser removida;
o (1966) Utilização do fluxo laminar durante operações, reduziu de 9 para 1,3% as infeções durante as
operações;
o (1980) Ultraclean com sistema de fluxo laminar;
o Realizou-se a limpeza dos ambientes de produção, para a fabricação de sistemas de precisão. Assim
criou-se o conceito "Livre de Bactéria" e não apenas livre poeira;
o Depois da guerra com desenvolvimento de armazenamentos nucleares bem como a utilização de
armas químicas e biológicas, produziu-se os filtros High Effciency Particulate Air (HEPA), filtros que
foram necessários para conter micróbios perigosos e contaminantes radioativos.

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Classificação das Salas Limpas

As salas limpas são classificadas pela pureza de seu ar. O método mais facilmente conhecido e universalmente
aplicado e é sugerido pela Federal Standard 209 em que o número de partículas igual ou maior que 0,5 mm é medida
em um pé cúbico e esta contagem é usada para classificar a sala.

Classificação Federal Standard 1 10 100 1.000 10.000 100.000


209

No. De partículas por pé cúbico ³ 1 10 100 1.000 10.000 100.000


0,5mm.

Na classificação requerida para diferentes indústrias temos, seus níveis de partículas, em função do tipo de
atividade, grau de concentração.

Classe 1 - estas salas são somente usada para manufatura de circuitos integrados com desenvolvimento de
geometrias sub-mícron.

Classe 10 - salas usadas para manufatura de semicondutores produzidos em larga escala, circuitos integrados com
linhas menores que 2 micras.

Classe 100 - Usado quando se deseja ambientes livres de partículas e bactérias é requerida na manufatura de
produtos médicos injetáveis. Requerido para operações de implantes ou transplantes cirúrgicos. Fabricação de
circuitos integrados. Isolamento de pacientes imonudeprimidos e pacientes com operações ortopédicas.

Classe 1000 - Fabricação de equipamento de alta qualidade. Montagem e teste de giroscópios de precisão.
Montagem de mancais miniaturizados

Classe 10.000 - Montagem de equipamentos hidráulicos e pneumáticos de precisão, válvulas servo-controladas,


dispositivos de relógios de precisão, engrenamento de alto grau.

Classe 100.000 - Trabalhos óticos em geral, montagem de componentes eletroeletrônicos, montagem hidráulica e
pneumática.

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Tipos de Salas Limpas

As salas limpas envolvem em dois grandes tipos, que são diferenciadas pelo seus métodos de ventilação. São de
fluxo convencional e unidirecional. Salas limpas convencionais são também conhecidas como salas limpas de
ventilação turbulenta ou (no Federal Standard 209) não unidirecional. Salas limpas de fluxo unidirecional são também
conhecidas como de fluxo laminar ou salas ultra limpas.

Salas limpas ventiladas convencionalmente.

A figura mostra um diagrama de uma sala típica convencionalmente ventilada. O método geral de ventilação usado
neste tipo de sala limpa é similar aos utilizados em escritórios, lojas e sistemas comerciais, em que o ar insuflado na
planta de ar condicionado pelo forro. Assim, uma sala limpa difere de uma sala comum apenas pelo número de
condições:

i. aumento do ar de insuflamento: a quantidade de trocas de ar está entre 20 e 60, ou seja em trono de 10


vezes mais que um escritório comum.
ii. filtros de alta eficiência: filtros com cerca de 99,97% de remoção de partículas ³ 0,5mm. (HEPA) ou ULPA
Ultra Low Particulate Air 99,998%
iii. Filtros de ar terminais: os filtros são instalados na descarga dos difusores, ou seja, diretamente na saída de
ar dos dutos para a sala.

As salas limpas são construídas com materiais que não geram partículas e são facilmente limpas. A limpeza do ar
transportado de uma sala limpa convencionalmente ventilada depende da quantidade e qualidade do ar de
insuflamento e a boa mistura com o ar exterior devidamente filtrados. As salas limpas dependem também da
quantidade de geração interna de contaminantes, quantidade de pessoas, grau de atividade, tipo de vestimenta.
Pessoas movimentando-se com uma vestimenta pouco limpa assim como avental ou guarda-pó gerará, em média,
entre 2 milhões de partículas ³ 0,5mm. e 300 mil partículas ³ 0,5mm. e 160 bactérias carregadas por minuto. Se uma
pessoa veste roupas projetadas, feitas para redução de partículas e as bactérias reduzidas em 50 a 92%
respectivamente.

Se a eficiência dos filtros podem ser assumidas como 100%, então a quantidade de partículas para a sala limpa
convencionalmente ventilada pode ser determinada seguindo a equação:

Concentração no fluxo de ar = (número de partículas geradas por minuto/ volume de ar de insuflamento)

Salas limpas ventiladas neste convencionalmente turbulentas não podem ser incluídas em classes menores que
1000, durante a fabricação, mas são mais comumente classe 10.000. Para se obter salas limpas, grandes diluições
das partículas são necessárias e esta pode ser conseguida pelo fluxo unidirecional do ar.
Salas limpas com fluxo unidirecional do ar

Fluxo de ar unidirecional é usado quando transporte de baixas concentrações de partículas ou bactérias é


requerido. Este tipo de sala limpa foi anteriormente citada como "fluxo laminar", ambos descrevem o fluxo do ar. Este
fluxo é usualmente na direção horizontal ou vertical, a uma velocidade uniforme entre 0,3 e 0,45 m/s e entrada de ar
por toda parte.

A velocidade é suficiente para remover relativamente grande quantidade de partículas das áreas. O fluxo de ar é
insuflado diretamente sobre o objeto desejado, ou mesmo sobre o paciente, fazendo uma cortina de ar com alto grau
de pureza, mantendo as partículas longe pelos princípios do escoamento laminar.

O volume de ar de insuflamento de fluxo unidirecional está muitas vezes (10-100) a mais que o insuflamento em
uma sala limpa convencionalmente ventilada. Existem custos muito altos na operação.

As salas limpas com fluxo unidirecional mais construídos são as verticais onde o insuflamento superior facilita a
rápida retirada das partículas pelo piso.

O menos popular é o horizontal devido ao fato que durante as limpezas (Varredura) as partículas ainda são
arrastadas contaminando todo resto do processo, enquanto que o de fluxo vertical as partículas rapidamente são
retiradas do ambiente.

Salas com fluxo misturado

Este tipo de sala é de fluxo convencional em que a fabricação crítica é isolada com alta qualidade do ar provida por
um sistema de fluxo unidirecional. Este é dos métodos mais simples e efetivos no controle de contaminação.

Sistemas Fechados

Trabalhos perigosos com produtos tóxicos ou bactérias perigosas tem sido realizado por muitos anos sistemas
fechados. Trabalho com germes livres de animais teve também a separação através de isoladores plásticos como
prevenção de entrada de microorganismos. Estes retém os contaminantes ou excluem contaminantes, embora não
dependam do fluxo de ar, mas de paredes metálicas e plásticas. Este princípio de isolação tem claramente
excelentes propriedades de separação e hoje em dia está sendo utilizado em salas modernas de alta tecnologia.
O ar com isolador esteriliza o ar além de filtrá-lo com filtros HEPA ou ULPA. O contato de pessoas é totalmente
separado dos materiais manuseados por roupas pressurizadas, existe um excelente isolamento de fontes de geração
de partículas. Estes sistemas também são utilizados na fabricação de semicondutores.

Contenção de Contaminação

As salas limpas são usadas para prevenir contaminação de artigos produzidos na sala.

Assim é muito comum achar que alguns processos de fabricação produzem substâncias tóxicas ou bactérias
perigosas e esses tem que ser contidos. Isso pode ocorrer, por exemplo, em indústrias farmacêuticas onde produtos
altamente ativos, como hormônios não muito distante do operador. Laboratórios de engenharia genética, laboratórios
de microbiologia.

Para esses tipos de atividade cabines foram desenvolvida para aumentar a segurança do operador que manipula
microorganismos ou produtos tóxicos e divididos respectivamente em três classes. Classe I, II, III . A utilização
dessas classes dependem do tipo e perigo oferecido pelos materiais manipulados.

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Salas Cirúrgicas

Nenhuma área do hospital requer mais cuidado no controle das condições de assepsia do ambiente que o
ambiente cirúrgico. O sistema que supre as salas de citoscopia e fratura, requerem projeto especial para reduzir ao
mínimo a concentração de microorganismos em suspensão no ar.

A maior quantidade de bactérias encontradas nas salas de operação vem da equipe cirúrgica e é um resultado de
sua atividades durante o procedimento operatório. Durante uma operação, a maioria dos membros da equipe
cirúrgica está próxima a mesa cirúrgica, criando uma situação de aumento de concentração de contaminantes nesta
área altamente sensível.

Salas de Operação, estudos dos sistemas de distribuição de ar nas salas de operação e observações das
instalações industriais de salas limpas indicam que o insuflamento de ar do forro de forma descendente, sendo
retirado pela parte inferior, é provavelmente mais efetivo padrão de movimento do ar mantendo a concentração de
contaminantes a um nível aceitável.

A aplicação de sistemas de insuflamento pelo forro e exaustão próximo ao piso é de grande aceitação pela
comunidade médica de infectologia. Além do que proporciona maior assepsia na mesa de operação, principalmente
quando aplicado concomitantemente como insuflamento laminar e filtros HEPA ou ULPA.

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Indústrias Farmacêuticas

Os processos da indústria farmacêutica podem ser divididos em três categorias:


o Produtos Injetáveis, produtos que são injetados em pessoas;
o Produtos Tópicos, que são aplicados sobre a pela humana; e
o Produtos de uso Oral, que são ingeridos.

Geralmente os produtos injetáveis requerem muito mais alta qualidade nas condições ambientais que os Tópicos e
Orais. A corrente sangüínea apresenta baixa quantidade de bactérias que na pele ou no estômago. Com exceção dos
olhos que são mais suscetíveis a infecção que a pele.

Na fabricação de injetáveis, devido ao risco não apenas de poeira, mas principalmente a presença de
microorganismos. A produção ou síntese de hormônios humanos e vacinas requerem locais esterilizados, bem como
líquidos isentos de microorganismos.

A condição necessária para esse tipo de ambiente é Classe 100 e geralmente utiliza-se o fluxo laminar.

Tópicos, os produtos para uso externo, exceto produtos para os olhos. Não necessitam de grau de pureza do ar
tão elevado quanto para os injetáveis, isto porque sobre a pele humana existem diversos microorganismos. Deve-se
reduzir a presença de microorganismos para que os mesmos não deteriorem os produtos. Utilizando Classe 100.000
já é suficiente. Para preparação de produtos para os olhos necessita-se de ambientes e produtos mais estéreis.

Produtos de Uso Oral, deve-se evitar a contaminação direta e indireta dos produtos, porém o grau de rigorosidade
não é tão elevado como com os produtos injetáveis.

Em todos os casos, as salas de preparação possuem pressão maior que as adjacentes. A sala principal utiliza
ventilação com fluxo laminar.

Existe uma sala de esterilização dos ocupantes, que trabalharão na sala principal. Outras sala possuem pressão
positiva, porém menor que as salas de acesso a sala principal.

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Indústria de Biotecnologia

A indústria de biotecnologia, manipula diversos produtos "vivos", ou seja, vírus bactérias, fungos e outros animais e
plantas, com o intuito de produzir remédios, produtos alimentícios, cosméticos, produtos de auxílio à agricultura e ao
maior ambiente etc.

Bioprocessos e operações como culturas de células animais, culturas de bactérias, fermentação, cultura de plantas
e fungos etc.

Ao observar tais diferenças e muitas vezes os seres que são manuseados possuem grande poder de destruição da
vida de outros. O isolamento se faz necessário, além de ao redor possuir Classe de filtragem tipo 100 com fluxo
laminar.

Outras utilizações também necessitam de grandes cuidados, geralmente nesses laboratórios, usam instrumentos
de altíssima precisão. Isso torna o condicionamento de tais ambientes de vital importância.

Determinados laboratórios trabalham com produtos radioativos, o que leva a adotar o ar com 100% de exaustão e
grande eficiência de filtragem.

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Salas de Equipamentos Eletrônicos

A utilização de salas limpas, na indústria microeletrônica é sumariamente importante, principalmente à quantidade


de partículas presentes no ar.

As principais características que devem ser mantidas nessas salas são:

o Quantidade de partículas: Menos que 1 de 0,1 mm /ft3


o Variação de temperatura: ± 0,1ºC
o Variação de Umidade: ± 2%
o Ruído menor que 60 dBA
o Componentes orgânicos: menos de 1ppm
o Ácidos, gases e vapores no ar: menos de 1.0 ppm
o Gases de processos: filtração abaixo de 0,1 mm
o Líquido de processo (incluindo água de deionizada): abaixo de 0,1 mm
o Sistemas de monitoramento e controle para assegurar as especificações.

Fabricação de circuitos de semicondutores

A fabricação de circuitos semicondutores utilizando amplamente as salas


limpas. Devido ao alto grau de miniaturização dos circuitos e também que a
qualidade deles depende do alto grau de pureza dos processos utilizados. Como
o germânio e o silício a presença de uma partícula nesses circuitos muitas vezes
danifica seu funcionamento.

Na fabricação dos "wafers" necessita-se de um grau de pureza mínima de


Classe 100 e em casos mais rigorosos Classe 1.

Durante a montagem pode-se utilizar a Classe 10 e ou Classe 100.

Na fabricação de "chips" de última geração está se utilizando na salas com


Classe 0,1 e especialmente projetadas para tal utilização, com filtros de até
99,9995% de eficiência.

O sistema de insuflação é através de fluxo laminar e com pressão positiva e com velocidade de 0,5 m/s a 0,09 m/s.

Existe a necessidade de sistemas de monitoramento e controle da quantidade do ar interior continuamente de


forma a se saber quando é necessário intervir no funcionamento do sistema ou em casos mais graves invalidar um
lote de peças ou para a produção para realizar a limpeza do ambiente.

Todos os sistemas devem ser aprova de infiltração de ar, e também possuir cantos de fácil acesso para limpeza.

As pessoas que utilizam tal ambiente, tem que vestir roupas apropriadas e limpas com rigor que o processo exige.

As salas que exigem mais alto grau de pureza do ar, devem possuir pressão superior às adjacentes e essas às
outras, que servem de antecâmara. Para evitar a infiltração de partículas de outros ambientes por diferencial de
pressão.

Conlusão

A aplicação correta das normas e também da manutenção em salas limpas é de fundamental importância para
obter a qualidade do ar interior desejável, de maneira a atender o padrões requeridos para cada tipo de atividade
exercida para o ambiente.

Aplicações de Ar Condicionado na Ajuda à Saúde


O Contínuo avanço na medicina e tecnologia necessitam
constantemente de reavaliação das necessidades dos sistemas de ar
condicionado em hospitais e facilidades médicas. Enquanto evidências
médicas mostram que de forma peculiar o ar condicionado está ajudando
a prevenir e tratar de muitas condições, o elevado custo relativo dos
sistemas de ar condicionado demandam projetos eficientes e com
gerenciamento do consumo de energia.

Os hospitais em geral foram selecionados como base para o guia


fundamental de seleção inicial, devido a variedade de serviços
disponibilizados. As condições ambientais e critérios de projetos são
aplicados a fim de comparar com outras áreas de facilidade de saúde.
Os casos gerais mais agudos tem cuidado nos espaços mais críticos incluindo, salas de operação, sala de
laboratório, salas de entrega, berçários. Usualmente as funções de radiologia, laboratoria, centros de esterilização e
farmácia são ambientes fechados pelo cuidado com espaços críticos. Também Centro de tratamento intensivos e
enfermarias com doentes com infecção bacteriológicas, como pneumonia, meningite, tuberculose, etc.

As facilidades também incorporam salas de emergência, cozinha, refeitório e serviço de alimentação etc.

Ar Condicionado na Prevenção e Tratamento de Doenças.

O ar condicionado no hospital assume uma tarefa mais importante que não é apenas a de promover o conforto. Em
muitos casos, o Ar condicionado é um fator de terapia para o paciente, em diversas instâncias é o melhor tratamento.

Estudos mostram que pacientes em ambientes controlados geralmente têm recuperação física mais rápido do que
aqueles que estiveram em ambientes não controlados. Pacientes com "Thyrotoxicosis" não toleram calor e umidade
muito bem. Um ambiente frio e seco favorece a perda de calor pela radiação e evaporação da pele e pode salvar a
vida do paciente.

Pacientes cardíacos podem ser aplicados para manter a circulação necessária para assegurar a perda de calor
normal.

Indivíduos com incisões cranianas, estes sujeitos a operação do cérebro, e estes com altas doses de barbitúricos
podem ter hipertermia, especialmente em um ambiente quente , devido ao distúrbio no sistema regulatório central do
cérebro. Obviamente, um importante fator de recuperação é um ambiente no qual o paciente pode perder calor por
radiação e evaporação, em local frio e com ar desumidificado.

Um ambiente quente e seco com temperatura de bulbo seco de 32ºC e 35% de umidade relativa tem sucesso no
tratamento em pacientes com artrite reumática.

Condições secas podem constituir um perigo para doentes debilitados, por contribuir para infecção secundária ou
infecções totalmente não relatadas para condições clínicas, causando hospitalizações. Áreas clínicas voltadas para o
tratamento de doenças respiratórias e cuidados agudos, bem como as áreas gerais de entrada do hospital, devem ser
mantido com uma umidade relativa de 30 a 60%.

Pacientes com doenças pulmonares graves tem secreções viscosas. Como estas secreções se acumulam e
aumentam sua viscosidade, a troca de calor do paciente e perdas de água aumentam. Sob estas circunstâncias, a
inspiração de calor e umidade é essencial para prevenir a desidratação.

Pacientes que necessitam de terapia com oxigênio e aqueles traqueostomizados requerem especial atenção para
assegurar um suprimento de ar aquecido e umidificado em sua inspiração. O oxigênio frio e seco ou a não passagem
pela mucosa nasofaringeal apresentam uma situação extrema.

Pacientes queimados necessitam de um ambiente quente e com alta umidade relativa. O corpo vitimado por
diversas queimaduras deve ficar em um ambiente que possuam controle de temperatura que permita ajustá-la acima
de 32ºC e a umidade relativa acima de 95%.

Facilidades Hospitalares

A função principal do sistemas de ar condicionado é prover conforto e ajudar no tratamento de doenças, a


aplicação do ar condicionado no auxílio à saúde apresenta muitos problemas não encontrados nos sistemas usuais
de conforto.

As diferenças básicas encontradas entre o ar condicionado hospitalar e o que supre outro tipos de prédios são os
seguintes:

1. A necessidade de restringir o movimento do ar em ou entre vários departamentos;


2. Requerimentos específicos para ventilação e filtragem para diluir e remover contaminação na forma de odor,
microorganismos transportados pelo ar e vírus, e perigosas substâncias químicas e radioativas;
3. Diferentes temperaturas e umidades são requeridos para várias áreas;
4. A sofisticação do projeto é necessária para permitir a precisão e controle das condições ambientais.

Fontes de infecção e medidas de controle

Infecção Bacteriológica. Exemplos de bactérias que são altamente infecciosas e transportáveis pelo ar ou ar e
água misturados são Mycobacterium tuberculosis e Legionella pneumophila. 99,9% de todas as bactérias presentes
no ar podem ser retiradas com filtros de 90 a 95% de eficiência (ASHRAE Standard 52.1). Isto porque as bactérias
são tipicamente encontradas em colônias maiores que 1µ m. Diversas autoridades recomendam o use de filtros de
alta eficiência HEPA (high efficiency particulate air) contendo dioctylphthalate com 99,97% de eficiência (DOP).

Infecção Viral. Exemplos de vírus que são transportados pelo ar como Varicella, Rubella e Rubeola. Evidência
epidemiológica e outros estudos indicam que muitos vírus transportados pelo ar que transmitem infecção estão na
faixa de tamanho de submícron, assim não se conhece método eficiente para eliminar 100%. Filtros ULPA (ultra low
penetration) alta eficiência 99,999%. Atenção para desativar inocular vírus com ultravioleta e "spray" produtos
químicos não possui eficiência suficiente para serem recomendadas pela maioria dos códigos com um controle
primário de infecção. A utilização de salas e ante-salas com pressões positivas e decrescentes, servem para prevenir
a entrada de partículas nos ambientes dos hospitais.

Fungos: Evidências indicam que alguns fungos como Aspergillis pode ser fatais para o avanço leucemia, e
pacientes imunodeprimidos.

Ventilação com ar exterior: Se o ar exterior entra são propriamente localizados, e áreas adjacentes à entrada de ar
exterior são propriamente mantidos, o ar exterior, em comparação ao ar da sala, é virtualmente livre de bactérias e
vírus. O problema de controle de infecções envolve fontes de bactérias e vírus no hospital. O ar de ventilação dilui a
contaminação virótica e bacteriológica no hospital. Se o sistema de ventilação são devidamente projetados,
construídos e mantidos para preservar as relações de pressão corretas entre as áreas funcionais, ele remove os
agentes infecciosos do ambiente hospitalar.

Temperatura e Umidade. Estes condições podem inibir ou promover o crescimento de bactérias e ativar ou
desativar viroses. Algumas bactérias como Legionella pneumophila são basicamente transportadas pela água e
sobrevivem por mais tempo em ambientes úmidos. Guias, códigos e normas especificam faixa de temperatura e
umidade em diversas áreas do hospital tanto como um medida para controle de infecções como para o conforto dos
ocupantes.

Qualidade do Ar

Os sistemas devem também prover o ar virtualmente livre de poeira, pólens, odores e substâncias químicas e
radioativas. Em alguns casos, o ar exterior é perigoso para pacientes que sofrem de doenças cardiopulmonar,
respiratórias, ou pulmonar. Nessas circunstâncias o deve ser recirculado o máximo possível.

Entradas exteriores, as entrada de ar exterior, estas devem estar localizadas não menos que 9m de escapamentos
de motores, chaminés, exaustão de salas contaminadas, torres de resfriamento. As entradas de ar exterior podem ser
fechadas para que as saídas da exaustão provoquem a recirculação adequada, contudo deve-se evitar provocar
curto-circuito, os sistemas de ventilação podem ser usados para controle de fumaça.

Saídas da exaustão, as saídas da exaustão devem está localizadas 3m acima do nível do piso e distante de
paredes, áreas ocupadas e janelas operáveis. Localização preferível é próximo ao telhado e o fluxo o sentido do fluxo
vertical ascendente.

Filtros de ar, todo sistema de ventilação centralizado deve ser dotado de filtros tendo eficiência mínima conforme
tabela 1. Quando se utilizar dois filtros em linha, o primeiro deve ser de menor e eficiência e o segundo de maior.
Precauções devem ser observadas para prevenir umidecer os elementos filtrantes pela umidade de umidificadores.
As eficiências dos filtros é baseada na ASHRAE Standard 52.1.

1. Filtros HEPA, possuindo teste de eficiência DOP de 99,97% pode ser usado em sistemas de insuflamento de
ar que servem sala para tratamento clínico de pacientes com uma alta suscetibilidade a infecção devido
leucemia, queimaduras, transplante de medula óssea, órgãos transplantados ou AIDS. Os filtros HEPA
devem também ser usados na descarga de ar e fumos de capelas, gabinetes de segurança de doenças
infecciosas ou materiais altamente radiativos . O sistema de filtragem deve ser projetado e instalado de forma
a permitir remover com segurança, dar manutenção sem contaminar os ambientes.
2. Todos os filtros devem ser instalados para prevenir vazamentos entre os diversos segmentos de leito de
filtragem e a moldura. Um pequeno vazamento que permita qualquer quantidade de ar contaminado escape
através do filtro pode destruir a utilidade do melhor equipamento de limpeza do ar.
3. Um manômetro deve ser instalado no sistema de filtragem para medir a perda de pressão através de cada
banco de filtros. Esta precaução fornece uma mais apurada indicação de quando deve-se realizar a
manutenção ou troca dos filtros.
4. Filtros de alta eficiências devem ser instalados no sistema, com adequadas facilidades à manutenção sem
introduzir contaminação no ar entregue aos ambientes.
5. Durante construção aberturas em dutos e difusores devem ser seladas para prevenir intrusão de poeira, e
materiais perigosos. Como a contaminação é permanentemente freqüente um meio de crescimento de
agentes infecciosos. Existindo ou não filtros novos podem ser rapidamente contaminados pela poeira oriunda
dos dutos.

Tabela 1 - Eficiência dos filtros para central de ventilação e sistemas de ar condicionado em hsopitais
Número mínimo de Eficiência dos filtros por camada (%)
Área Destinada
camadas de filtro 1ª 2ª 3ª
Salas de operação ortopédica, sala de operação de transpante de medula óssea,
3 25 90 99,97
sala de operação de transplante de órgãos
Sala de operação de procedimentos gerais, salas de parto, berçário, UTI, áreas
2 25 90
de exames especiais

1 Laboratórios, armazenamento de produtos esterilizados 80

Área de preparação de alimentos, lavanderias, áreas administrativas,


1 25
almoxarifado, área de material sujo

Movimentação do ar

As informações da tabela 2 ilustram o grau no qual a contaminação pode ser dispersada no ar do ambiente do
hospital por uma ou mais atividades rotineiras normais aos cuidados com pacientes. A contagem de bactérias nos
corredores indica claramente o grau de contaminação. A forma de dispersão de bactérias resulta de como as
atividades necessárias, sistema de insuflamento pode prover a forma de movimentação do ar para minimizar a
contaminação. O fluxo de ar indesejável entre as salas e corredores é freqüentemente dificultado o controle por
portas abertas, movimentação de funcionários e pacientes, diferenciais de temperatura e efeito chaminé, que é
acentuado pelas aberturas verticais. Enquanto alguns desses fatores são de difícil controle, os outros afeitos podem
ser minimizados pela aberturas e fechamento dos elevadores de carga, salas bem vedadas e pelo projeto e
balanceamento do sistema de ar de forma a criar pressões positivas e negativas em determinadas áreas e salas.

Tabela 2 - Influência da internação na contagem de bactérias em suspensão no ar em Hospitais

Quantidade por metro cúbico


Item
Sala de paciente Correddor próximo a sala de paciente
Áreas secundárias 1200 1060
Durante a internação 4920 2260
10 min após 2120 1470
30 min após 1270 950

Áreas secundárias 560

Internação normal 3520

Internação vigorosa 6070

Sistemas que suprem áreas altamente contaminadas como as salas de autopsia e salas de isolamento por
doenças contagiosas ou com pacientes imunocomprometidos, podem manter uma pressão positiva ou negativa com
as salas adjacentes ou corredores. A pressão é obtida insuflando menos quantidade de ar do que é exaurido do
ambiente. Esta induz um fluxo de ar para dentro do ambiente através das frestas das portas e previne que o ar saia.
Salas de operação geralmente apresentam caso oposto. Estas salas que requerem que o ar esteja livre de
contaminação, devam ser pressurizadas positivamente que as salas adjacentes ou corredores para prevenir
infiltração de ar dessas áreas altamente contaminadas.

Uma maneira de se manter diferenciais de pressão entre os ambientes de forma a garantir a qualidade do ar
interior, é utilizar cascata de pressão, sendo a maior pressão relativa à das salas de maior necessidade de ar livre de
contaminação. Também pode se aplicar vedantes e batentes nas portas e frestas de maneira a minimizar os efeitos
de fluxo de ar.

A figura1 abaixo mostra a contagem bacteriológica em uma sala de cirurgia e salas adjacentes durante um
procedimento normal de operação. Essa contagem ocorre simultaneamente em todas as salas.
Geralmente, as saídas do ar de insuflamento em salas ultralimpas e áreas altamente contaminadas são localizadas
no forro e o retorno próximo ao piso. Este arranjo provê um fluxo descendente do ar limpo, arrastando os
contaminantes para baixo onde este é retirado. Desta forma ao nível da mesa cirúrgica e do paciente, o ar apresenta
baixo quantidade de contaminantes.

O fluxo laminar foi um conceito desenvolvido para as salas limpas industriais, porém hoje em dia está sendo
defendida por algumas autoridades médicas. Existem sistemas de fluxo laminar tanto horizontal quanto vertical, com
ou sem paredes móveis entorno do time cirúrgico. Diversas autoridades médicas não defendem a utilização do fluxo
laminar para cirurgias, mas encorajam sistemas similares em salas de operações cirúrgicas. Define-se fluxo laminar
como fluxo de ar predominantemente unidirecional quando não obstruído ou perturbado, as velocidades padrão ficam
entorno de 0,46 ± 0,10 m/s.

Sistemas de fluxo laminar tem-se mostrado promissores para uso em tratamento de pacientes quando estão
altamente suscetíveis à infecção, como queimados, amputados, transplantados, que sofreram operações ortopédicas
etc.

Relação de Pressão e Ventilação

Os padrões de ventilação para conforto, assepsia e controle de odores em áreas de cuidados agudos em hospitais
que diretamente afetam o cuidado com os pacientes. Podendo em certos ambientes possuir pressão positiva ou
negativa, o que proporciona maior qualidade do ar nos ambientes que mais necessitam de controle.

O projeto de sistemas de ventilação deve tenta quanto possível prover movimento do ar das salas mais limpas para
as menos limpas. Nas salas de cuidados críticos, deve-se utilizar sistemas de volume constante de ar, a fim de
assegurar o diferencial de pressão. Em salas menos críticas pode-se utilizar sistemas de volume variável de ar, para
economizar energia, mas garantindo a vazão mínima requerida, o número de trocas de ar pode ser reduzida para
25% dp indicado, quando a sala estiver desocupada, desde que o número de trocas assuma o valor nominal quando
a sala estiver devidamente ocupada.

Controle Fumaça

Com o projeto de ventilação é desenvolvido, a própria estratégia de controle de fumaça de ser considerada.
Sistemas de fechamento passivos quando desliga-se os ventiladores, das partes com fumaça ou fogo, janelas
operáveis.

Sistema de controle de fumaça usa o sistema de ventilação para criar áreas de pressão positivas e negativas. Que
durante um incêndio e ambientes com fumaça, limita sua propagação. O sistema de ventilação deve ser usado de
forma a remover a fumaça no que os produtos da combustão são exauridos por meios mecânicos.

Critérios de Projetos Específicos

Existem sete divisões principais de ambientes de cuidados agudos em um hospital (1) Cirurgia e UTI, (2)
Enfermaria, (3) Procedimentos Secundários, (4) Administração, (5) Tratamento e Diagnóstico, (6) Esterilização e
Suprimento, (7) Serviços. Os requisitos dos ambientes de cada departamento com estas divisões diferem em vários
graus de acordo com sua função e os procedimentos carregados nos espaços.

Cirurgias e UTI.
Nenhuma área do hospital requer mais cuidado no controle das condições de assepsia do ambiente que o
ambiente cirúrgico. O sistema que supre as salas de citoscopia e fratura, requerem projeto especial para reduzir ao
mínimo a concentração de microorganismo em suspensão no ar.

A maior quantidade de bactérias encontradas nas salas de operação vem da equipe cirúrgica e é um resultado de
sua atividades durante o procedimento operatório. Durante uma operação, a maioria dos membros da equipe
cirúrgica está próxima a mesa cirúrgica, criando uma situação de aumento de concentração de contaminantes nesta
área altamente sensível.

Salas de Operação, estudos dos sistemas de distribuição de ar nas salas de operação e observações das
instalações industriais de salas limpas indicam que o insuflamento de ar do forro de forma descendente, sendo
retirado pela parte inferior, é provavelmente mais efetivo padrão de movimento do ar mantendo a concentração de
contaminantes a um nível aceitável.

A importância dos equipamentos de condicionamento de ar, não está apenas no conforto térmico dos ocupantes,
mas também no auxílio ao tratamento de doenças e na qualidade do ar interior, evitando desta maneira que
microorganismo se propagem pelo ar. O perfeito projeto e instalação adequada é fundamental entretanto, é na
manutenção dos equipamentos que reside os maiores problemas, pois surge os custos dos filtros, análises
laboratorias do ar, limpeza rigorosa das unidades, além do custo do equipamentos de proteção necessários. Os
custos elevados de manutenção põem em risco a operação do sistemas contudo, deve-se ressaltar a importância
dessa atividade, muitas vezes colocada em segundo plano.

A tecnologia dos filtros para salas limpas


Vicente de Aquino

Pode-se dizer que sala limpa é aquela que contém sistema de manutenção da qualidade do ar interior, apresentando os
níveis de contaminantes e particulados dentro dos limites estabelecidos pelas normas para a atividade exercida.
Mesmo que todos os fatores ligados ao conforto e segurança de uma sala limpa ainda não sejam completamente
conhecidos, a limpeza está diretamente influenciada pela temperatura, umidade, movimentação do ar, bem como a
radiação térmica proveniente das áreas ao redor. Odor, poeira e ruído são fatores adicionais que podem causar um
sentimento de desconforto. No projeto de sistemas é preciso manter estas variáveis dentro dos limites especificados,
tanto para o consumidor como para as normas de engenharia e saúde. E para que essas variáveis estejam sempre dentro
do padrão preconizado pelas normas, há necessidade de utilização dos chamados filtros de salas limpas.
Devido às reduções na quantidade de ar exterior insuflado ao ambiente, diversos problemas de saúde foram levantados e
associados a ambientes fechados com ar condicionado. Em 1987, a Organização Mundial de Saúde enumerou diversas
doenças causadas, ou mesmo desencadeadas em ambientes fechados, como doenças respiratórias (tuberculose,
pneumonia, alveolite, asma etc).
Muitos locais necessitam de condicionamento do ar especial, principalmente na qualidade requerida. No caso de hospitais,
principalmente em salas de operações, centros de terapia intensiva e de doenças infectocontagiosas. A indústria
farmacêutica também necessita de excelente qualidade do ar para seus processos de fabricação de remédios. A indústria
microeletrônica é a mais exigente no que diz respeito à quantidade de partículas, pois durante o processo de circuitos
miniaturizados, uma simples partícula de pó pode danificar componentes, ou mesmo placas-problemas que a má
qualidade do ar interior vem causando aos sistemas eletrônicos, devido à proliferação de microorganismos em placas e
chips. Existe a necessidade de se manter áreas limpas, tanto na indústria eletrônica, como em outras em que o ar é o
principal e maior meio de contaminação. Sistemas de monitoramento em salas de injetáveis visam minimizar problemas
na indústria farmacêutica.
Fatores sérios combinados produziram esta advertência: a contaminação do ar interior por uma variedade de poluentes
tóxicos e perigosos, nesta última década, veio só acentuar e reconhecer o sério problema em potencial de risco à saúde
pública.
O codinome Síndrome do Prédio Doente é aplicado para a ocorrência de uma
variedade de sintomas de doenças relatadas por ocupantes de grandes escritórios e
outros prédios públicos. Este problema também tem sido chamado de “Relato de
Prédios Doentes” e “Síndrome dos Ambientes Fechados”. Nos ambientes com as
características citadas, há um grande número de pessoas (em muitos casos mais que
30% da população do prédio) que reclamam de doenças não específicas, com os
seguintes sintomas: dores de cabeça, fadiga, irritação nos olhos, nariz e garganta,
além de falta de ar. Ou sintomas mais específicos como febre e dor de cabeça.

O que representam os filtros para salas limpas


Mas, na realidade, o que representam os filtros para salas limpas? Com a
naturalidade daqueles que sabem do que estão falando, o engenheiro Gastão Martins,
da Engenharia de Aplicação da Linter Filtros, não titubeia ao afirmar que “são os
elementos que garantem a pureza do ar insuflado e recirculado nas salas. A seleção
de filtros depende das características do projeto e do processo produtivo, ou seja qual
a classificação da sala que pretendemos atingir”, diz.
Para esses tipos de ambiente, normalmente são utilizados filtros grossos descartáveis, finos e absolutos tipo HEPA. Mas
quais seriam as classes de filtragem? O engenheiro Gastão explica: “Depende da classe da sala. Temos vários ranges de
classificação para os filtros. Desde os grossos G3/G4; finos F8/F9 e HEPA (absolutos) H13 a U16. O primeiro estágio é
composto de pré-filtros responsáveis pela captação de partículas grossas (como indicativo poderíamos dizer > 5 micra).
O segundo estágio é formado pelos filtros finos do tipo bolsa rígida (com elemento filtrante em papel plissado) ou bolsa
com manta sintética para retenção de partículas finas (entre
1 a 5 micra - indicativo). O último estágio é composto pelos filtros HEPA ou ULPA, responsáveis pela retenção de
microorganismos (< 1 micron)”.
O engenheiro afirma que existem classificações específicas para a utilização das normas: “A classificação de filtros grosso
e finos segue a norma ABNT NBR16401; e para filtros absolutos a norma Européia EN1822. As normas utilizadas para
classificação de salas limpas: NBR ISO 16644 partes 1 a 8”.
Ele também fala sobre a importância de um sistema para sala limpa: “É o sistema que garante a vazão de ar mínima e
constante para a sala, assim como a pressurização e o grau de pureza do ar através dos filtros”.
Mas Gastão faz uma ressalva importante em casos de erro de dimensionamento ou saturação do filtro: “O mau
dimensionamento dos filtros pode gerar uma sobrecarga
nos ventiladores bem como risco de ruptura dos filtros,
trazendo consequências desastrosas e prejuízos ao
sistema e ao processo.
O monitoramento de ambientes garante a integridade
dos produtos”, afirma.
O engenheiro da Linter Filtros explica que o mercado está
em expansão: “Com o advento de novas tecnologias
principalmente nas áreas de microeletrônica e biomédica,
podemos dizer que o mercado se encontra em
expansão”.
Gastão explica que o conceito de salas limpas realmente
teve seu surgimento dentro dos hospitais.
Ao finalizar, o engenheiro explicou como funciona o
sistema de insuflação: “O insuflamento é feito através de
dutos e de caixas terminais filtrantes. O ar é tratado em
uma Unidade de Tramento de Ar (UTA) composta por
filtros grossos, serpentinas de resfriamento e de
aquecimento do ar, ventilador, filtragem fina e filtragem
absoluta HEPA. A UTA garante a vazão necessária à
classe da sala, bem como a sua pressurização e pureza
do ar”, afirma.

Barreiras para manter qualidade do ar


“Os filtros nas salas limpas representam as barreiras que garantem a qualidade do ar no seu interior, sendo classificadas
conforme a pureza do ar desejado, possibilitando assim a utilização dos diferentes tipos de filtros”. Quem fala com
propriedade sobre o assunto é Wilson Ferreira, responsável técnico-comercial da Camfil Farr. Aos 27 anos, Wilson se
dedica à área de filtragem de ar para Indústria Farmacêutica, Automotiva, e Turbinas a Gás, entre outras.
Wilson explica que os filtros utilizados para salas limpas são de alta eficiência: “Este tipo de ambiente requer filtros de
alta eficiência, também conhecidos com Filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air) e Filtros ULPA (Ultra Low Particulate
Air). Também se utilizam filtros grossos e finos para preservação e aumento da durabilidade dos mesmos”.
Mas esses filtros são divididos por classes e existem diferenças entre eles: “No Brasil, os trabalhos da norma brasileira de
filtros de ar seguem as classificações européias, sendo assim podem ser classificados em famílias: 1) Filtros Grossos (G)
– G0, G1, G2, G3, G4; 2) Filtros Finos (F) – F5, F6, F7, F8, F9; 3) Filtros Alta Eficiência (H) – H10, H11, H12, H13, H14;
4) Filtros Alta Eficiência (U) – U15, U16, U17”.
O Brasil obedece uma norma de referência e Wilson explica qual é : “Aqui utilizamos a NBR16401-que trata de ar
condicionado basicamente e qualidade do ar interior, mas já há um grupo de trabalho desenvolvendo uma norma
brasileira de filtros que acreditamos dentro de 18 e 36 meses, liberem normas completas só sobre esses filtros de ar.
Ainda se utilizam no Brasil a NBR7256 (de hospitais), além das européias EN779 (grossos e finos, citada na NBR16401),
EN1822 (de filtros HEPA e ULPA) e as americanas ASHRAE 52.1 e Mil STD 282, para grossos/finos e HEPA/ULPA
respectivamente”, fala.
O sistema para salas limpas tem uma importância que está justamente no seu dimensionamento: “A importância do
sistema está na definição e no dimensionamento dos filtros. Um sistema de filtragem é formado geralmente por três
estágios, sendo eles: 1) Pré-Filtragem, 2) Filtros Finos, 3) Filtros Hepa/Ulpa”, explica Wilson.
Mas o que pode acontecer a produtos (ou pessoas) se o filtro não estiver bem dimensionado ou saturado? Wilson afirma
que são vários: “Diversos problemas podem derivar do mau dimensionamento; sejam físicos (contaminação,
desbalanceamento de ar, vazamentos no sistema, consumo de energia elevado até mesmo a problemas virtuais
(documentação equivocada, falta de evidências dos dados, dados diferentes para auditorias). Todos são preocupantes e
podem levar a não obtenção da sala desenhada inicialmente pelo projetista”.
Com sua experiência na Camfill Farr, Wilson afirma, com convicção, que o mercado está em expansão:
“É um mercado, na realidade, em constante expansão. Posso citar como exemplo, o mercado de vacinas que está
crescendo quase 20% ao ano”, diz.
“Nos anos 50, com o desenvolvimento da tecnologia de filtragem de ar, entre outras, tornou-se possível a configuração
das salas limpas como as conhecemos, através do conceito e execução de confinamento com barreiras”, complementa
Wilson.

Como surgiram as primeiras salas limpas


As primeiras salas limpas surgiram em hospitais. O trabalho de Pasteur, Koch, Lister e outros pioneiros e cirurgiões,
descobriu que bactérias causariam infeções. Lister substancialmente reduziu as infecções operando na sala da Royal
Infirmary, utilizando como antisséptico solução de ácido fênico em instrumentos, nas mãos dos cirurgiões, e espirrando-o
no ar.
Embora as salas limpas de ontem fossem similares às de hoje, a principal omissão estava na ventilação positiva, através
da limpeza do ar. A utilização do ar exterior também mostrou-se muito importante, reduzindo a concentração dos
contaminantes.
John Charnley, no início da década de 60, inseriu a técnica de uma junta artificial tipo bacia. Esta é extremamente efetiva
na operação, mas as taxas de assepsia nas junções, nos casos estudados, foi de quase 9%. Este método foi um desastre
para os pacientes porque com o tempo, os métodos usados no tratamento das infeções não foram muito efetivos e a
junção artificial teve de ser removida.
Em 1966, a utilização do fluxo laminar durante operações, reduziu de 9 para 1,3% as infecções durante as operações. O
processo foi aperfeiçoado em 1980, com o Ultraclean com sistema de fluxo laminar: realizou-se a limpeza dos ambientes
de produção, para a fabricação de sistemas de precisão. Assim criou-se o conceito “Livre de Bactéria” e não apenas livre
da poeira.
Depois da guerra, com desenvolvimento de armazenamentos nucleares bem como a utilização de armas químicas e
biológicas, produziu-se os filtros High Effciency Particulate Air (HEPA), filtros que foram necessários para conter micróbios
perigosos e contaminantes radioativos.

Classificação das Salas Limpas


As salas limpas são classificadas pela pureza de seu ar. O método mais facilmente conhecido e universalmente aplicado é
sugerido pela Federal Standard 209, em que o número de partículas igual ou maior que 0,5 mm é medido em um pé
cúbico e esta contagem é usada para classificar a sala.
Na classificação requerida para diferentes indústrias, temos seus níveis de partículas, em função do tipo de atividade e
grau de concentração:
Classe 1 - estas salas são somente usadas para manufatura de circuitos integrados com desenvolvimento de geometrias
sub-mícron.
Classe 10 - salas usadas para manufatura de semicondutores produzidos em larga escala, circuitos integrados com
linhas menores que 2 micra.
Classe 100 - Usado quando se deseja ambiente livre de partículas e bactérias. É requerida na manufatura de produtos
médicos injetáveis; para operações de implantes ou transplantes cirúrgicos; fabricação de circuitos integrados;
isolamento de pacientes imonudeprimidos e pacientes com operações ortopédicas.
Classe 1.000 - Fabricação de equipamento de alta qualidade; montagem e teste de giroscópios de precisão; montagem
de mancais miniaturizados.
Classe 10.000 - Montagem de equipamentos hidráulicos e pneumáticos de precisão, válvulas servo-controladas,
dispositivos de relógios de precisão, engrenamento de alto grau.
Classe 100.000 - Trabalhos óticos em geral, montagem de componentes eletroeletrônicos, montagem hidráulica e
pneumática.
Tipos de Salas Limpas
As salas limpas envolvem dois grandes tipos, que são diferenciados pelos seus
métodos de ventilação; de fluxo convencional ou unidirecional. Salas limpas
convencionais são também conhecidas como salas limpas de ventilação turbulenta ou
(no Federal Standard 209) não unidirecional. Salas limpas de fluxo unidirecional são
também conhecidas como de fluxo laminar ou salas ultra-limpas.
As salas limpas são construídas com materiais que não geram partículas e são
facilmente limpas. A limpeza do ar transportado de uma sala limpa
convencionalmente ventilada depende da quantidade e qualidade do ar de
insuflamento e a boa mistura com o ar exterior devidamente filtrados. As salas limpas
dependem também da quantidade de geração interna de contaminantes, quantidade
de pessoas, grau de atividade, tipo de vestimenta. Pessoas movimentando-se com
uma vestimenta pouco limpa, assim como avental ou guarda-pó irão gerar, em
média, entre 2 milhões de partículas³ de 0,5mm. e
300 mil partículas³ de 0,5mm. e 160 bactérias carregadas por minuto. Se uma pessoa veste roupas projetadas, feitas
para redução de partículas e bactérias, os níveis são reduzidos em 50 a 92%, respectivamente.
Se a eficiência dos filtros pode ser assumida como 100%, então a quantidade de partículas para a sala limpa
convencionalmente ventilada pode ser determinada seguindo a equação: concentração no fluxo de ar = (número de
partículas geradas por minuto/ volume de ar de insuflamento).

Salas limpas com fluxo unidirecional do ar


O fluxo de ar unidirecional é usado quando transporte de baixas concentrações de partículas ou bactérias é requerido.
Esse tipo de sala limpa foi anteriormente citada como “fluxo laminar”, e ambos conceitos descrevem o fluxo do ar. Este
fluxo é usualmente na direção horizontal ou vertical, a uma velocidade uniforme entre 0,3 e 0,45 m/s e entrada de ar por
toda parte.
A velocidade é suficiente para remover relativamente grande quantidade de partículas das áreas. O fluxo de ar é
insuflado diretamente sobre o objeto desejado, ou mesmo sobre o paciente, fazendo uma cortina de ar com alto grau de
pureza, mantendo as partículas longe pelos princípios do escoamento laminar.
O volume de ar de insuflamento de fluxo unidirecional está muitas vezes (10-100) a mais que o insuflamento em uma
sala limpa convencionalmente ventilada. Existem custos muito altos nesta operação.
As salas limpas com fluxo unidirecional mais construídas são as verticais, onde o insuflamento superior facilita a rápida
retirada das partículas pelo piso.
O menos popular é o horizontal, devido ao fato que durante as limpezas (varredura), as partículas ainda são arrastadas
contaminando todo resto do processo, enquanto que no de fluxo vertical as partículas rapidamente são retiradas do
ambiente.