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Apostila da Disciplina de Telecomunicações

1​a​ Edição
Telecomunicações​ 5 
1 Radiocomunicação 6

2. Telefonia 22

3. Correio Eletrônico 23

4. Central de emergência
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LIÇÃO I

Radiocomunicação

Ao final da lição, os participantes deverão ser capazes de:

1) Descrever o conceito, a finalidade e forma de funcionamento básica dos sistemas de


telecomunicações;

2) Descrever o conceito de Radiocomunicação;

3) Identificar os principais componentes de um Sistema de Radiocomunicação;

4) Identificar o Alfabeto fonético internacional os códigos J e Q no CBMSC.

5) Identificar os problemas mais comuns de Radio em uma Central de Emergências e


suas possíveis soluções;

6) Citar 3 boas práticas no uso do sistema de rádio.


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1 RADIOCOMUNICAÇÃO

1.1 A Comunicação no CBMSC

A comunicação é um dos elementos mais importantes no desenvolvimento de


qualquer atividade humana. A palavra “comunicação” deriva do termo latino
“communicare”, o qual significa “partilhar, participar algo, tornar comum”. Portanto,
podemos definir a comunicação como um processo (verbal ou não verbal) de compartilhar
informações com outras pessoas.
A comunicação é composta, basicamente, por quatro elementos:
Transmissor​: aquele que fala;
Receptor:​ aquele que escuta;
Mensagem:​ a informação que se quer compartilhar;
Canal: é o meio físico por onde ocorre a comunicação ( por exemplo, no caso de
uma conversa entre duas pessoas em que uma fala e a outra escuta, o canal
seria o ar).

Os meios de comunicação podem ser classificados em:


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Acústico: Todos os equipamentos que produzem sinais perceptíveis ao sentido da
audição. São empregados nas transmissões de mensagens a curtas distâncias.
Exemplo: Voz, Apito, Tiros de alerta.

Elétrico com fio: utilizam um circuito físico, um fio condutor ( par metálico).
Exemplo: Telefone, Telégrafo, FAX, TV a Cabo

Elétrico sem fio: dispositivos que se comunicam por meio de ondas


eletromagnéticas ( ondas de rádio). Exemplo: Telefone Celular, Radio transceptor,
Televisor.

Mecânico: São engenhos destinados à ligação de terra-aviões ou ao lancamento


mecânico de mensagens. Exemplo: Mensagem lastrada, pombo-correio, foguetes
porta mensagem.

Visual: Qualquer sinal perceptível ao sentido da visão, quando utilizado para


transmitir mensagens. Exemplo: bandeirolas, painéis, sinais luminosos, sinal de
fumaça.

Em operações militares e em serviços de atendimento à emergências, como no


caso do CBMSC, a comunicação adquire fundamental importância, podendo representar
a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma operação. Sendo assim, os meios de
comunicação utilizados nessas corporações devem assegurar confiabilidade, segurança,
alta disponibilidade e rapidez.
Dentre as diversas tecnologias disponíveis atualmente, os meios de comunicação
elétricos são os mais utilizados no CBMSC, com destaque para a radiocomunicação no
meio operacional, pela confiabilidade e rapidez na comunicação com a Central de
Atendimento e demais unidades. Além disso, são amplamente empregadas a telefonia
(fixa e celular), o e-mail corporativo e aplicativos móveis, como o Firecast.
Neste capítulo serão abordados a infraestrutura de radiocomunicação do CBMSC e
como funciona o processo de uso desta ferramenta em ocorrências, abordando códigos e
procedimentos envolvidos.
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1.2 Conceitos Básicos de Telecomunicações

1.2.1 Telecomunicações

Telecomunicações podem ser definidas como a transmissão de informações entre


pontos distantes, por meio de sistemas eletrônicos e meios físicos.
A principal finalidade das telecomunicações é suprir a necessidade humana de se
comunicar à distância.
Em um sistema de telecomunicações, as informações do emissor são
temporariamente convertidas em sinais elétricos, para que possam trafegar pelo sistema
até que cheguem ao destino, onde são novamente convertidas em informações
inteligíveis pelo destinatário.

1.2.2 Radiocomunicação

O termo “radiocomunicação” é utilizado para descrever um sistema de


comunicação, que pode envolver vários equipamentos como repetidoras, links, estações
bases, rádios móveis e rádios portáteis. Essa comunicação ocorre através de ondas
eletromagnéticas.
O rádio transmissor não surgiu de uma hora para outra, muitos inventores e
estudiosos dos fenômenos elétricos e magnéticos, contribuíram grandemente no passado
para que esta invenção pudesse ser aperfeiçoada a fim de que pudéssemos chegar ao
que temos hoje. É difícil, no entanto dizer qual foi o maior dentre eles. A invenção do
telégrafo, do telefone, do rádio, e a observação das manifestações elétricas e magnéticas
no meio ambiente foram à chave para este mundo tão diverso que é o de Comunicações.
Podemos citar alguns colaboradores importantes para o desenvolvimento da
radiocomunicação:

Heinrich Hertz (1857-1894): Físico Alemão, iniciou a teoria de que os campos


elétricos na forma de ondas se propagava na velocidade da luz em vez de
instantaneamente.
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Guglielmo Marconi (1874-1937): Provavelmente o nome mais associado à
invenção do rádio em todo o mundo. Foi o primeiro a se dedicar no campo da transmissão
e recepção de sinais sem fios. É considerado o descobridor da telegrafia sem fios, por ter
coordenado todos os esforços dos principais investigadores da época.
Padre Roberto Landell de Moura (1861-1928): Precursor nas transmissões de
vozes e ruídos outros. Inventou o Teletiton, telegrafia fonética sem fio, com o qual duas
pessoas podem comunicar-se sem serem ouvidas por outras, tendo sido o precursor da
telefonia sem fio e outros invenções.
Alexander Stepanovitc Popow (1859-1906): Projetou um rádio receptor que o
permitia receber sinais transmitidos por meios de ondas eletromagnéticas.

O estudo metódico e sério das ondas sonoras, correntes elétricas, espectro da luz,
ondas de rádio, ondas cósmicas, o estudo da propagação das ondas eletromagnéticas
foram importantíssimas para que se pudesse aperfeiçoar e desenvolver os aparelhos
diversos que serviriam para as comunicações, inclusive os satélites e as antenas que é
um estudo a parte.

1.2.3. Frequência

A frequência é definida como a quantidade de vezes que um evento se repete em


um determinado período de tempo. No caso das ondas eletromagnéticas a frequência é
medida em Hertz (Hz) - quantidade de ciclos por segundo.
O CBMSC, em sua radiocomunicação, opera em três faixas de frequência:

Faixa VHF – (30 a 300 MHz): Faixa de operação do rádio do CBMSC. ( entre 149
e 154 MHz)
Faixa UHF – (300 MHz a 3GHz): Utilizada para fazer o “link” entre as repetidoras.
(459 Mhz)
Microondas – acima de 3 GHz:​ Utilizado para “links” digitais.(Links IP: 4,9 GHz)
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1.2.4. Canais do CBMSC

O CBMSC possui 14 canais do tipo Semi-Duplex e 2 canais do tipo simplex. O


sistema de rádio foi projetado para rádios analógicos de 16 canais, de forma que um rádio
pudesse se comunicar em qualquer lugar do estado.

Os sistemas possíveis basicamente são os seguintes:

Simplex:​ sistema onde uma única freqüência é utilizada para transmissão e


recepção;

Semi-Duplex:​ sistema onde são utilizadas duas freqüências sendo uma para
transmissão e outra para recepção, no entanto não podem ser utilizadas
simultaneamente;

Duplex:​ composto por duas freqüências que poderão ser utilizadas


simultaneamente. Ex.: Aparelho telefone sem fio, aparelho celular.

Talkaround:​ é o processo de passarmos de semi-duplex para simplex usando


uma das freqüências da repetidora.

1.3 Sistema de Radiocomunicação

O sistema de radiocomunicação envolve os diversos componentes e equipamentos


que possibilitam a comunicação entre bombeiros, viaturas, central de atendimento, base
operacional, e outras unidades envolvidas. Engloba equipamentos como estações
repetidoras, rádios portáteis, rádios móveis, rádios fixos e links entre estações.
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1.3.1 Componentes do Sistema de Radiocomunicação

Estação Portátil: Equipamento pequeno de mão, com bateria recarregável e de baixa


potência (5 Watts). Alcance curto.
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Estação Fixa: Equipamento de base (Centrais/COBOM), de alta potência (45 Watts).
Alcance longo obtido com antenas de alto ganho e em pontos mais elevados.
Estação Móvel: ​Equipamento utilizado em veículos, possuem alta potência (45 Watts).
Alcance médio.

Estação Repetidora: ​Equipamento situado em pontos privilegiados que retransmite


automaticamente sinais de rádio de um ponto a outro aonde não seria possível a
comunicação de forma direta.

Para ultrapassar a linha do horizonte, vencer obstáculos existentes ao longo do


percurso e iluminar áreas de sombra, as radiocomunicações em VHF, UHF e SHF
necessitam de estações repetidoras. Instaladas em pontos elevados do terreno, as
comunicações entre terminais fixos e móveis se desenrolam através delas. Em centros
urbanos, principalmente, estações repetidoras são usadas em larga escala, em proveito
das forças armadas, polícias, bombeiros, defesa civil, radiotáxis, radioamadores, etc
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Um pré-requisito para uma repetidora operar é a habilidade de receber e
retransmitir o sinal desejado ao mesmo tempo. Para isso, ela precisa de um receptor
separado do transmissor. Por motivos óbvios, as frequências de transmissão e recepção
devem ser diferentes. Abaixo, é mostrado o esquema de uma rede de radiocomunicação
comum.

Repetidoras CBMSC:
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1.4 Sistema de Controle de Rádio

O CBMSC possui um Sistema de Radio, que é um aplicativo para o cadastro de


todos os rádios da corporação. Inclusive os rádios comprados através de Fundos
Municipais. O Corpo de Bombeiros presta contas de seus equipamentos de
telecomunicações ao Exército Brasileiro e à Anatel. Todos os rádios adquiridos pelo
CBMSC devem ser cadastrados no sistema de rádio (com seus PIM, Número de Série,
Marca e Modelo), o sistema fornecerá um número de identificação (ID) que deve ser
programado no rádio. Toda vez que esse rádio for acionado ele poderá ser identificado.

1.5 Operação do Rádio

A radiocomunicação é um meio de comunicação que foi feito para ser simples e


ágil, permitindo a comunicação entre todos os rádios que estão na mesma rede, ou seja,
cobertos pela mesma repetidora ou em repetidora interligada à rede de onde a
transmissão se originou.
Para operar corretamente o rádio é necessário seguir algumas regras a fim de que
a comunicação seja a mais eficiente possível, tais como o uso dos códigos Q e J, além do
alfabeto fonético internacional, que foram adotados como padrão também pelo CBMSC.

1.5.1 Alfabeto fonético internacional

O alfabeto fonético internacional, o qual está descrito no quadro abaixo, serve para
agilizar a comunicação e evitar confusões. É comum na radiocomunicação haver ruído,
este ruído pode gerar problemas de entendimento do que está sendo dito. Por exemplo: É
muito fácil confundir o som da letra ‘b’ e da letra ‘d’ no rádio. Imagine a situação em que é
necessário informar ao COBOM o número da placa de um veículo envolvido em um
acidente e esta placa é BDB 9999. Ao soletrar as letras seguindo os fonemas da língua
portuguesa, “be”, “de”, “be” é muito fácil causar confusão em quem está ouvindo a
mensagem no COBOM. Esta placa facilmente poderia ser anotada como DDD, BDD,
DDD.
Para evitar esta confusão, o alfabeto fonético internacional estabelece palavras
bem distintas que descrevem cada caracter.
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Código Fonético Internacional


A: ALFA N: NOVEMBER
B: BETA ou BRAVO O: OSCAR
C: CHARLIE P: PAPA
D: DELTA Q: QUEBEC
E: ECHO R: ROMEO
F: FOXTROT S: SIERRA
G: GOLF T: TANGO
H: HOTEL U: UNIFORM
I: INDIA V: VICTOR
J: JULIET X: XRAY
K: KILO W: WHISKEY
L: LIMA Y: YANKEE
M: MIKE Z: ZULU

Voltando ao exemplo anterior, pode-se perceber que o operador do rádio que está
informando a placa ao cobom ao invés de falar “be”, “de”, “be” falaria, “Bravo”, “Delta”,
“Bravo”, tornando a mensagem clara e evitando o erro de interpretação do por parte de
quem está ouvindo e agilizando a comunicação.

1.5.2 Códigos ‘Q’ e ‘J’

Assim como o alfabeto fonético os códigos Q e J buscam agilizar a comunicação e


evitar confusões. Esses códigos representam as mensagens mais comuns na
comunicação via rádio.
A seguir as tabelas com os Códigos ‘Q’ e ‘J’:

Código “Q”
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Q A P Está na escuta ou estou na escuta.
Q R A Quem esta transmitindo (IDENTIFICAÇÃO)
Q R G Qual canal ou canal tal, qual frequência.
Como esta chegando à mensagem.
Resposta: QRK 5 – Ótimo
QRK 4 – Bom
QRK
QRK 3 – Regular
QRK 2 – Ruim
QRK 1 – Péssimo
Q R M Não escutei (interferência)
Q R T Cessar a transmissão
Q R U Alguma mensagem ou qual a mensagem
Q R V A disposição, preparado, pronto.
Q R X Aguarde a ser chamado ou espere
QSL Compreendido o QTC, confirmado, entendido.
Q S O Contato (telefônico)
Q S P Retransmissão de mensagem
Q S X Permissão para passar Q T C ou fazer contato direto
Q S Y Mudar de freqüência (canal)
Q T A Cancelar a última comunicação, cancelar último QTC.
Q T C Qual a mensagem, mensagem a ser transmitida.
Q T H Qual a localização ou meu local e...
Q T O Sanitário (J-8 é mais usado)
Q T R Que horas são ou em tal hora
TKS Obrigado

Código “J”
J–3 Troca de guarnição de serviço
J–4 Refeição
J–5 Abastecimento
J–6 Lavação ou limpeza viatura
J–7 Baixa mecânica na Vtr
J–8 Necessidades fisiológicas
J–9 Deslocamento para a ocorrência
J – 10 Chegada no local da ocorrência
J – 11 Deslocamento para a Base/OBM
J – 12 Chegada na Base/OBM
1.6 Boas Práticas no uso de Sistemas de Radiocomunicação
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-Antes de iniciar uma comunicação o Bombeiro deverá ouvir por alguns instantes a
rede, para verificar se já não existe alguém utilizando o canal;
-Toda comunicação entre Bombeiros deverá ser solicitada, previamente ao
COBOM. Ex: “COBOM é ASU-320, permissão para realizar um QSX com o ABTR-66”
-A comunicação deverá ser a mais breve possível e relacionada ao serviço
operacional. Assuntos de ordem administrativa ou particular deverão ser transmitidos via
telefone ou em canal apropriado (se houver).
-Antes de se comunicar via rádio. Tenha em mente o que irá falar; fale de forma
clara e pausada, em um tom alto, mas sem gritar; sempre que possível, utilize os códigos,
não utilize gírias.
-Ao apertar o PTT, aguarde cerca de 1 segundo antes de iniciar a comunicação. É
o tempo necessário para acionar todas as repetidoras de rede.
-Ao falar no rádio lembre-se: ​Muitas pessoas estão escutando o que você fala!

1.7 Problemas Comuns em Radiocomunicação

Alguns procedimentos muito simples podem ajudar na detecção de eventuais


problemas no sistema de radiocomunicação e agilizar a sua manutenção. Segue, abaixo,
algumas situações usuais no uso do rádio e que podem ser verificados por qualquer
bombeiro militar.

Situação:​ O rádio da central não funciona, não consegue comunicar. ​O que fazer:
1) Verificar se o rádio está energizado e ligado.
2) Verificar se está operando no canal correto.
3) Verificar funcionamento do PTT, substituindo-o por outro.
4) Verificar a conexão da antena na parte anterior do rádio.
5) Procurar chamar uma viatura/OBM de outro rádio: Se funcionar – problema no
rádio da central. Se não funcionar – problema na repetidora.
Situação:​ Repetidora não funciona.
O que fazer:
1) Verificar se há energia na repetidora.
2) Verificar se os rádios estão ligados e os cabos conectados.
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Lição II

TELEFONIA E CORREIO ELETRÔNICO

Ao final da lição, os participantes deverão ser capazes de:


- Conhecer como funciona a telefonia no CBMSC
- Identificar a infraestrutura de telefonia do CBMSC
- Conhecer como funciona a comunicação por correio eletrônico no CBMSC
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1 TELEFONIA

A grande maioria dos quartéis da nossa Corporação estão equipados com


Telefones VOIP (Voz sobre IP) incorporados a Rede de Governo, sendo que alguns
quartéis possuem Gateway Analógico para distribuição dos ramais e outros possuem
apenas o Aparelho Telefônico IP.
Nos Quartéis onde existe COBOM, estão instaladas Centrais Telefônicas
Analógicas que recebem linhas telefônicas analógicas convencionais, utilizadas para o
atendimento das chamadas de emergência (193). Essas linhas são distribuídas em
grupos de ramais atendedores com identificação de chamadas e incorporam, ainda,
outras facilidades que a central telefônica disponibiliza.
Com a telefonia IP os ramais dos quartéis são interligados em todo o Estado
através da rede de dados, tendo como exemplo uma ligação efetuada de Florianópolis
para Chapecó através destes ramais tem custo zero, uma vez que fazem parte da mesma
Rede de Governo todos os órgãos do poder executivo estadual.

1.1 Componentes básicos da telefonia no CBMSC:

CENTRAL TELEFÔNICA PABX (COBOM): Central telefônica analógica usada para


atendimento das chamadas 193

CENTRAL ANALÓGICA
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GATEWAY DE VOZ REDE DE GOVERNO: Adaptador para transformar sinal digital em
analógico para a distribuição dos ramais.

TELEFONE IP: Telefones com tecnologia VOIP integrada, são ligados diretamente a rede
de dados.
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1.2 Telefonia VoIP ( Voice over Internet Protocol)

O VoIP (ou Voice Over IP ou Voz Sobre IP) é a tecnologia que torna possível
estabelecer conversações telefônicas em uma Rede IP (incluindo a Internet ), tornando a
transmissão de voz mais um dos serviços suportados pela rede de dados.
Essa tecnologia permite converter o sinal de áudio analógico em dados digitais e
utilizar a internet para enviar e receber chamadas, convertendo voz em pacotes de
dados.
As Centrais VOIP da rede de Governo ficam concentradas nas Secretarias de
Desenvolvimento Regional em todos o Estado de Santa Catarina e os ramais distribuídos
para os órgãos estaduais (CBMSC, PMSC, EPAGRI, etc) através dos gateways de voz e
pelos telefones IP.

1.2.1. Vantagens do VoIP

A comunicação telefônica através de VoIP apresenta grandes vantagens sobre a


telefonia convencional, sendo que a principal delas tem sido a redução de despesas que
proporciona, visto que a rede de dados não está sujeita à mesma tarifação das ligações
telefônicas convencionais, que é calculada em função de distâncias geodésicas e horários
de utilização estabelecidos pelas Operadoras de Telefonia.
Outra grande vantagem da VoIP em relação à telefonia convencional é que esta
última está baseada em comutação de circuitos, que podem ou não estar sendo
utilizados, enquanto a VoIP utiliza comutação por pacotes, o que a torna mais "inteligente"
no aproveitamento dos recursos existentes (circuitos físicos e largura de banda).
Esta característica (comutação por pacotes) também traz outra vantagem à VoIP,
que é a capacidade dos pacotes de voz "buscarem" o melhor caminho entre dois pontos,
tendo sempre mais de um caminho, ou rota, disponível e, portanto, com maiores opções
de contingência (característica intrínseca das redes IP).
A escalabilidade também é uma característica do VoIP, pois a mesmo permite que
a rede de telefonia seja expandida conforme a necessidade aproveitando a própria rede
de dados, sem que seja preciso acrescentar nova fiação telefônica.
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1.2.2 Desvantagens do VoIP 

A telefonia VoIP depende da rede de dados para funcionar, de forma que


instabilidades na rede podem afetar a qualidade das chamadas ou mesmo inviabilizá-las.
Por estar ligada à rede de dados a telefonia VoIP depende da energia elétrica no
local para funcionar. Sendo assim, deve haver um investimento maior em equipamentos
de acumulação e geração de energia na OBM, tais como nobreaks e geradores.

1.3 Telefonia Analógica 

As Centrais Analógicas do COBOM que recebem as ligações do serviço 193, são


interligadas através de ​LINHAS TRONCO com a Central Pública (OPERADORA). Os
Terminais Telefônicos (aparelhos telefônicos) dos usuários da Central de Emergência,
são interligados através de ​RAMAIS​. Estes ramais terão características e facilidades que
são definidas pelo administrador da Unidade.

1.3.1 Linhas Tronco 

As​ Linhas Tronco​ são linhas disponibilizadas pela central pública e interligadas à
central telefônica da OBM, para a origem e recebimento das chamadas. As Linhas Tronco
oferecem algumas facilidades, tais como:

Busca automática​: Quando existe mais de uma linha que precisam trabalhar
simultaneamente, usamos a Busca Automática, que é um serviço disponibilizado pela
companhia telefônica, para que ao receber uma outra ligação para um mesmo número
discado, a ligação seguinte seja direcionada automaticamente para uma outra linha.

Outros Serviços especializados​: Bloqueios (celular, DDI, a cobrar, etc), identificação de


chamadas, etc.
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1.3.2 Quadro de Distribuição Geral: 

Os quadros de distribuição geral (DG´s), são aqueles onde chegam as linhas das
centrais públicas. Eles ainda fazem a distribuição das linhas troncos para as centrais, bem
como as interligações ramais-aparelhos.

1.3.3 Linhas de emergência 193 

As Centrais de Emergência do CBMSC possuem linhas de emergência para


atendimento ao público externo, aos quais são acessadas pela comunidade através do
número 193. Este tipo de serviço é disponibilizado pela Anatel aos Corpos de Bombeiros
em todo o Brasil e é gerenciado aqui no Estado de Santa Catarina pela Divisão de
Tecnologia da Informação (DiTI) através do Centro de Infraestrutura.
Para utilização do serviço 193, são instaladas linhas troncos, digitais ou analógicas
e solicitado pela DiTI, para que as empresas de telefonia fixa ou móvel, direcionem as
ligações 193, para os números instalados.
Todas as linhas de emergência do CBMSC estão instaladas em centrais
telefônicas, interligadas ao Sistema de Gerenciamento de Ocorrência “E-Bombeiro” onde
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fazem a bilhetagem das ligações atendidas ou não, além da identificação das chamadas
para geração de ocorrências.

1.3.4 Direcionamento das chamadas 193 

Trata-se do processo de centralizar todas as chamadas telefônicas realizadas para


o 193 em um ou mais terminais telefônicos. Não é um processo simples, uma vez que
todas as operadoras devem alterar o roteamento das ligações para que sejam enviadas
ao número desejado.

1.4 Atendimento Telefônico 

O telefone é uma importante porta de acesso para os nossos usuários e o primeiro


contato do solicitante com a Corporação, portanto deve-se dispensar uma atenção
especial ao atendê-lo, pois uma boa impressão no início do atendimento poderá auxiliar
na resolução de um problema.

No atendimento de chamadas no âmbito administrativo o Bombeiro Militar ao


atender o telefone deverá:
- Declinar o nome do órgão e a seção onde trabalha;
- Declinar o posto ou graduação e o nome;
- Declinar a saudação correspondente ao período do dia;
Ex.: Corpo de Bombeiros, Centro de Ensino, Sd. João, bom dia!

1.5 Problemas comuns em  telefonia 

Situação:​ Telefone não funciona (mudo). ​O que fazer:


1) Trocar de telefone, colocar um telefone diferente saída da linha telefônica.
2) Desligar a Central Telefônica da tomada de energia e verficar se dá tom de linha,
os ramais de 193 devem funcionar mesmo sem energia.
3) Se continua mudo, acionar a DiTI.
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Situação:​ Telefone VoIP não funciona . ​O que fazer:


1) Verificar se tem rede no quartel.
2) Se tiver rede, verificar se o telefone VoIP ou ATA, está energizado.
3) Se estiver, desligar da energia, aguardar alguns segundos e ligar novamente.

Situação: ​Problemas no Direcionamento das chamadas 193. ​O que fazer:


1)Procurar obter informações:
- Origem da ligação ( cidade/endereço)?
- Qual a operadora?
- O solicitante está chamando de aparelho fixo ou celular? - Qual o numero do
telefone do solicitante ( se possível)?
- Qual o nome do solicitante?
2)Encaminhar SAU para a DiTI na área de telefonia

2 CORREIO ELETRÔNICO

Assim como a telefonia, o uso do correio eletrônico está regulado através de


instrução Geral que trata da criação, uso e controle das correspondências eletrônicas no
CBMSC – IG 10-02-BM(Disponível em: ​https://goo.gl/KUBZke​).
Conforme a IG as contas são criadas atualmente pela divisão de tecnologia de
informação:

“Art 3º. Serão abertas contas padrões para cada nível de Elemento Subordinado:

§ 1º As contas de correio serão abertas por uma única pessoa designada pelo
Chefe da Divisão de Tecnologia da Informação – DiTI, em conformidade com
estas IG.”

Atualmente toda abertura de conta e problemas relacionados ao correio devem ser


solicitadas pelo Sistema de Atendimento ao Usuário (SAU) encaminhando um pedido
para a área de correio contendo os seguintes dados:
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1. Nome completo: FULANO DA SILVA


2. CPF: 999.900.009-92
3. RG: 5.555.555
4. Seção em que irá trabalhar: SAT
5. Atividade que irá exercer: PROTOCOLO SAT
6. Tipo de contrato de trabalho: ESTÁGIO TEMPORÁRIO
REMUNERADO
7. OBM: 1º/1º/1ª/12º BBM
8. Cidade da OBM: GUARACIABA
9. Fone pessoal para contato (com cod. área): (49)99999-9999

Para acessar todos os sistemas do CBMSC o usuário deve estar cadastrado no


sistema de correio:

“Art. 12. Toda conta estará vinculada a um login, parte que precede o domínio
“@cbm.sc.gov.br”, e terá uma senha, tendo sempre uma pessoa responsável por
sua abertura e a não divulgação da senha.

Parágrafo único. A senha será dada pelo militar responsável pela criação da
conta, devendo ser trocada pelo usuário assim que tiver ciência de que sua conta
está aberta, a fim de evitar invasão da caixa postal.”

É importante ressaltar que a senha é pessoal e intransferível, não é permitido que


usuários compartilhem contas e senhas. O login é constantemente utilizado como meio de
auditar procedimentos feitos nos sistemas do CBMSC portanto será responsabilizado
pelas informações inseridas nos softwares do CBMSC o dono do login registrado junto ao
procedimento executado.
No que tange a composição de emails é importante seguir algumas regras. Todo
email tem um título, que deve sempre ser composto das seguintes partes: Tipo(Nota,
encaminhamento, etc..), número(controlada por cada unidade ou setor), sigla da unidade
e assunto, de acordo com o seguinte modelo:

“Nota Nr 3244-17-AjG: Consulta sobre escalas de serviço”

O corpo do email, terá 3 partes o cabeçalho o texto e o fecho. Conforme pode ser
visto nos modelos a seguir:
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MODELO 1 - Com cabeçalho timbrado

MODELO 2 - Sem cabeçalho timbrado

Conforme os modelos, no cabeçalho temos a referência ao destinatário, no corpo


temos o texto da mensagem em si e no fecho temos a identificação do remetente do
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email, de forma que seja possível identificar facilmente quem enviou e de onde veio o
email. è sempre importante colocar um telefone de contato nesta parte, para que possa se
efetuar o contato rapidamente com o remetente caso haja dúvida sobre o conteúdo do
email.

1.1 BOAS PRÁTICAS NO ENVIO DE EMAILS

-Seja sucinto.
-Tome cuidado com a formatação. Letras muito pequenas e frases muito grandes
podem ficar desconfiguradas em dispositivos móveis.
-Subdivida o email em tópicos.
-Encaminhe os e-mails apenas aos destinatário de interesse, evite encaminhar
emails desnecessários para as listas da instituição.

1.2 SOFTWARES

As Unidades da Corporação possuem um endereço eletrônico que funcionam


como uma caixa postal. Existem alguns softwares que estão sendo usados pela CBMSC
que são utilizados oficialmente para o gerenciamento das contas de email:

Mozilla Thunderbird: Software de correio eletrônico oficial utilizado pela CBMSC,


que além da simples transmissão e recepção de mensagens, pode receber e enviar
dados, fotos, imagens e sons. Também permite a integração com a internet e automação
de serviços burocráticos.
Mozilla Firefox (internet): ​Software (browser) ​que permitem o acesso à rede
mundial, a qual a CBMSC está conectada. Através da rede pode-se utilizar todos os
recursos de correio eletrônico e demais serviços que estão disponíveis. O sistema de
correio do cbmsc está disponível através do endereço (https://correio.cbm.sc.gov.br)
Aplicativos de celular: ​Existem diversos aplicativos para leitura de emails em
dispositivos móveis os mais utilizados na instituição são o K-9 e o aplicativo de email
nativo do sistema operacional android.
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Lição III COBOM

1) Compreender o funcionamento geral do COBOM


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1 CENTRAIS DE EMERGÊNCIA

As centrais de emergência do CBMSC, também conhecidas como Centrais de


Operação Bombeiro Militar(COBOM) são as estruturas responsáveis pela primeira
resposta de atendimento a emergẽncia na instituição, sendo o ponto por onde as
ocorrências entram e são gerenciadas no CBMSC.

Os COBOMs exercem de maneira sucinta as seguintes tarefas:

1-Atendimento dos chamados de emergência.


2-Acionamento das guarnições de serviço para o atendimento de ocorrência.
3-Intermédio entre a guarnição que atende a ocorrência e os demais órgãos
envolvidos ou o pŕoprio solicitante do atendimento.
4-Controle dos recursos disponíveis para atendimento a emergências em uma
determinada região.

Para o restante do andamento desta aula, os alunos deverão assistir o video


abaixo e efetuar a visita a uma central de emergência.
Nesta visita serão acompanhados pelo instrutor que então explicará como funciona
a infraestrutura e como os operadores se comportam, buscando trocar experiências sobre
as principais dificuldades existentes nos COBOMs e boas práticas adotadas pelos
atendentes.
Video infraestrutura das centrais de emergência:

http://www.cbm.sc.gov.br/ccecobom/index.php/2015-02-25-19-31-44/2015-07-02-17-15-01
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Lição IV

EXERCÍCIO SIMULADO DAS DISCIPLINAS DE TELECOMUNICAÇÕES E SISTEMAS


INFORMATIZADOS

OBJETIVOS

Ao final desta lição, os participantes serão capazes de:

1) Comunicar-se na rede de rádio utilizando os códigos, os numerais e o alfabeto fonético


internacional, simulando situação semelhante à encontrada em uma ocorrência real ;
2) Utilizar o sistema E-193 para gerenciamento e inserção das ocorrências atendidas;
3) Utilizar o aplicativo Firecast e suas funcionalidades no âmbito das ocorrências;
4) Realizar um atendimento telefônico, simulando o ambiente de uma Central de
Emergẽncias.
Telecomunicações​ 33 

1.EXERCÍCIO SIMULADO

1.1 Material necessário

- 10 Rádios Portáteis (HTs);


- 3 Notebooks com Sistema Operacional Linux;
- 4 Smartphones com Sistema Operacional Android ( os smartphones devem estar
preparados com o App Firecast previamente instalado e devem possuir acesso à
rede de dados)

1.2 Execução da Simulação

1.2.1 A turma será dividida em grupos no, no máximo, 10 pessoas.

1.2.2 Enquanto uma equipe realiza o simulado, outra equipe acompanhará a execução,
na condição de observador.

1.2.3 A equipe realizará o simulado deverá ser dividida em guarnições, tais como:

- Guarnição do ASU (até 2 militares)


- Guarnição do ABTR 1 (até 2 militares)
- Guarnição do ABTR 2 (até 2 militares)
- Guarnição do AT (até 2 militares)
- Guarnição do COBOM ( até 3 militares)

1.2.4 As equipes deverão utilizar os códigos e o alfabeto fonético para a comunicação via
rádio.

1.2.5 A guarnição deverá assumir o serviço via rádio e realizar conferência do


funcionamento do sistema de radiocomunicação (solicitando ao operador do COBOM que
informe o QRK).

1.2.6 A guarnição que assume deverá realizar o seu respectivo cadastro no sistema
E-193, utilizando um servidor de treinamento. Para isso deverá ser utilizado o site do
E-193 ou aplicativo Firecast CBMSC.
Telecomunicações​ 34 

1.2.7 As orientações para o cadastro tais como, cidade, tipo de escala, viatura e OBM,
deverão ser informadas pelo instrutor.

1.2.8 A guarnição do COBOM deverá atender às chamadas telefônicas, gerar a


ocorrẽncia através do E-Bombeiro Web, e empenhar a guarnição conforme a
necessidade, utilizando o rádio e o aplicativo Firecast CBMSC.

1.2.9 A guarnição do COBOM deverá utilizar os sistemas de mapeamento e


monitoramento de recursos, que são ferramentas auxiliares disponíveis na intranet do
CBMSC, a fim de apoiar a guarnição no deslocamento até a ocorrência.

1.2.10 As guarnições deverão informar via rádio o status da ocorrência e se serão


necessários recursos adicionais.

1.2.11 As guarnições deverão utilizar o aplicativo Firecast para informar o seu status,
utilizando os códigos J9, J10, J11 e J12.

1.3 O tipo de ocorrência a ser simulada

O instrutor deverá criar uma estória de fundo, para simular a ocorrência de maneira
que possam ser utilizado o espaço físico e os recursos disponíveis no local. Durante o
simulado a situação da ocorrência poderá evoluir, aumentando a complexidade de mesma
ou mesmo exigindo o acionamento de recursos adicionais.

O instrutor poderá criar simulados com situações diferenciadas para cada equipe.
O importante é que os alunos tenham noção e compreendam a complexidade e as
diferentes maneiras como o atendimento a uma ocorrẽncia pode desenrolar.

O simulado deverá ser realizado de forma que haja alternância de funções, para
que todos os alunos possam exercitar as diferentes funções na guarnição.