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Miniguia

do
Pensamento Crítico
Seu futuro depende menos do que você
conhece e mais de como você pensa.

Jairo Siqueira
Pensamento crítico é o processo que usamos para determinar a
veracidade, a exatidão e o valor das suposições que sustentam
nossas próprias ideias ou de terceiros.

Os homens se tornaram civilizados, não em razão de sua


disposição para acreditar, mas de sua presteza para duvidar.

H. L. Mencken.

O principal objetivo da educação nas escolas deveria ser a


criação de homens e mulheres que sejam capazes de realizar
coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações
já fizeram; homens e mulheres que são criativos, inventivos e
descobridores, que possam ser críticos e verificar, e não
aceitar, tudo que lhes é oferecido.

Jean Piaget, educador e cientista suíço.

Jairo Siqueira
siqueira.jairo@gmail.com
CriatividadeAplicada.com
Rio de Janeiro, janeiro de 2017
Sumário
Pensar é preciso..............................................................................2
Use mais seu cérebro e tenha suas próprias opiniões .....................3
O que é o pensamento crítico e para que serve?.............................4
Você tem opinião própria, ou acredita em tudo que lê ou ouve? 6
Os seis passos do pensamento crítico..............................................7
Resumo do processo de pensamento crítico ...................................9
Check-list do pensamento crítico ...................................................10
As habilidades e atitudes do pensador crítico................................12
As habilidades do pensador crítico.................................................13
A arte de fazer perguntas esclarecedoras......................................13
As armadilhas do pensamento falacioso........................................14
As atitudes de uma mente aberta e saudavelmente cética...........17
Pratique o que você aprendeu sobre pensamento crítico.............18
Bibliografia....................................................................................20

1
Pensar é preciso

Muitos poucos realmente buscam o conhecimento


neste mundo. Mortal ou imortal, poucos realmente
questionam. Pelo contrário, eles tentam arrancar do
desconhecido as respostas que eles já moldaram em
suas mentes: justificativas, explicações, formas de
consolo sem as quais não conseguem seguir adiante.
Questionar de verdade é abrir a porta do turbilhão. A
resposta pode aniquilar a pergunta e o questionador.

Palavras do vampiro Marius no livro O Vampiro Lestat


de Anne Rice.

Vivemos hoje num turbilhão. De todos os lados e por todos os


meios, recebemos uma avalanche de informações e opiniões.
Muitas tratam de temas triviais ou irrelevantes para a nossa
vida e nossa sociedade, mas outras não podem ser tratadas
levianamente. São questões que afetam nossa liberdade, nosso
bem estar, nossa dignidade, nossos direitos fundamentais e
nosso futuro como indivíduos e como uma sociedade justa,
civilizada e sustentável.

Somos confrontados com opiniões controversas que não


podemos deixar de analisar, julgar e tomar uma posição. O
modo como conduzimos nossas vidas depende do que

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acreditamos ser verdade e de quais ideias adotamos como
legítimas e valiosas. Aceitar opiniões alheias sem examinar seus
méritos significa entregar levianamente nosso destino nas mãos
de outras pessoas, sem ao menos nos darmos ao trabalho de
procurar conhecer as suas qualificações, suas intenções e,
especialmente, em que se baseiam seus argumentos e quais as
suas consequências. Mais do que nunca, pensar é preciso.

Use mais seu cérebro e tenha suas


próprias opiniões
A boa notícia: nós todos nascemos com o equipamento
necessário e suficiente, nosso cérebro. A má notícia: nossos
mestres têm sido muito devotados a nos ensinar o que pensar
e pouco inclinados a nos ensinar como pensar. Ou o pior, pois
alguns professores usam a sala de aula para fazer a pregação
de suas convicções e dogmas, negando aos jovens a
oportunidade de desenvolver seu raciocínio no confronto de
pontos de vista e ideias divergentes. Como resultado,
acumulamos muitas informações desconexas, mas não somos
ensinados como usar estas informações de forma racional e
objetiva e transformá-las em conhecimento e sabedoria. Falta-
nos a habilidade de pensar criticamente sobre o que lemos,
ouvimos e vivenciamos. Melhor dizendo, a habilidade até que
existe, mas raramente a usamos, como bem dito pelo vampiro
Marius criado por Anne Rice.

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O que é o pensamento crítico e para que
serve?
O pensamento crítico é a habilidade de pensar por nós mesmos
e de tomar as decisões sobre em que acreditar e o que fazer,
de forma racional, confiável e responsável. É também a
habilidade de questionar ideias e opiniões, nossas e de
terceiros, de forma objetiva; descobrir em que fatos,
suposições, crenças ou preconceitos elas se baseiam; avaliar as
fontes e as qualificações de quem opina; avaliar as
consequências de adotar ou não essas ideias e opiniões.

Um alerta: pensar criticamente não é atacar pessoas, mas


examinar racional e objetivamente suas ideias, opiniões e
argumentos e desvendar seus méritos e suas falhas. Também
não significa adotar uma atitude negativa e hipercrítica em
relação a tudo e a todos.

O pensamento crítico é um processo de avaliação da validade


dos argumentos que apoiam uma opinião. Como todo processo,
tem suas técnicas e exige algumas habilidades que podem ser
aprendidas.

Nos dois próximos capítulos abordaremos estas técnicas e


habilidades, de forma que você possa dar os primeiros passos
no desenvolvimento de seu raciocínio crítico. Veremos ainda
como você mesmo pode usar o pensamento crítico para
analisar argumentos e opiniões sobre assuntos do seu dia a dia
ou temas controversos de interesse geral como aquecimento

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global, combate à violência e à corrupção, descriminalização de
drogas, legalização do aborto, política econômica e outros.

Bem usado, o pensamento crítico pode se tornar uma valiosa


ferramenta para fortalecer sua criatividade e suas habilidades
de liderança e de solução de problemas.

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Você tem opinião própria, ou
acredita em tudo que lê ou ouve?

Acredite no que você gosta, mas não acredite em


tudo que você lê sem questionar.
Pauline Baynes, Questionable Creatures: A Bestiary.

No capítulo anterior nós vimos a definição de pensamento


crítico e sua importância no desenvolvimento de nossas
habilidades de raciocínio. Agora veremos como trazer este
conceito para o mundo prático. Veremos como o pensamento
crítico pode nos ajudar a verificar se uma opinião, teoria ou
ideia é incompleta ou confusa, carente em dados e fatos que a
apoiem, ou seja, inconsistente e inconvincente.

Imagine o seguinte cenário: você está participando de uma


calorosa discussão sobre a legalização do aborto no caso de
gravidez indesejada e as duas principais posições podem ser
assim resumidas:

Contra: O aborto é o assassinato de uma pessoa inocente ainda


não nascida.

A favor: O aborto é uma medida necessária para a redução da


criminalidade.

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Duas afirmações fortes e carregadas de emoção. Como avaliar
essas duas opiniões e tomar uma posição racional e objetiva?

Os seis passos do pensamento crítico


O primeiro passo é assegurar que você entendeu claramente
todo o argumento, ou seja, o tema discutido. Neste caso a
argumentação é sobre a legalização do aborto, com fortes
posições a favor e contra. Nem sempre o tema é tão claro
como neste caso.

O segundo passo é analisar e fazer perguntas para descobrir as


suposições em que estas opiniões se baseiam. A opinião
contrária ao aborto se baseia na suposição de que a vida
começa logo no ato de concepção e, portanto, o aborto é um
assassinato. A opinião a favor se baseia em duas suposições. A
primeira, que a vida começa algumas semanas depois da
concepção e o aborto não seria um assassinato, se praticado
neste período inicial. A segunda suposição é que as crianças
nascidas de gravidez indesejada crescem socialmente
desajustadas e com tendências criminosas. Até aqui você deu
um importante passo, saindo do terreno emocional e entrando
no racional, ou seja, no exame objetivo das suposições em que
se baseiam as duas opiniões.

Vamos no concentrar na análise da segunda suposição da


opinião favorável à legalização do aborto para ilustrar as
demais etapas do processo de pensamento crítico.

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O terceiro passo é perguntar ao formulador desta opinião em
que evidências ele baseia suas suposições. Que dados,
estatísticas ou pareceres de especialistas ele pode apresentar
para corroborar sua opinião? O que as autoridades de
segurança pública informam sobre as causas do aumento da
criminalidade? Não raro, você concluirá que algumas suposições
se baseiam meramente em preconceitos, dogmas e convicções
religiosas e políticas ou grosseiras e interesseiras manipulações
de informações e sentimentos.

O quarto passo é indagar sobre a credibilidade, integridade


e reputação das fontes de informação. Quais as suas
qualificações e quais seus interesses no tema? Se o tema
envolver verbas governamentais ou doações de empresas, use
de prudência na aceitação da credibilidade das fontes. Para
atrair verbas ou votos, algumas fontes manipulam as
informações, evidenciam os dados favoráveis, escamoteiam os
dados desfavoráveis e criam cenários catastróficos. Separar as
fontes imparciais das demais é um passo muito importante.

O quinto passo é o exame da relevância das evidências. Os


dados podem nos levar a concluir que há uma correlação
significativa entre o aumento da gravidez indesejada e o
aumento da criminalidade? Ou será esta mais uma proposta
sem nenhuma base na realidade?

O sexto passo é conclusão, com o julgamento da consistência


e lógica do argumento inicial. Considerando as suposições, a
qualidade e a relevância das evidências, o argumento faz

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sentido? Mesmo com dúvidas e incertezas razoáveis sobre as
evidências apresentadas, a conclusão parece lógica e aceitável?

Nota importante: o pensamento crítico não assegura que você


obtenha a verdade final e absoluta sobre qualquer tema, se tal
verdade existir. Nem sempre você conseguirá as respostas
desejadas de forma completa, totalmente precisa e confiável. O
benefício do pensamento crítico é que você pode tomar sua
decisão de adotar ou não uma opinião, conhecendo em que se
baseia, quais seus pontos fortes e fraquezas e quais suas
consequências. Você estará também preparado para
reconhecer a ocorrência de mudanças no mundo real que
venham a enfraquecer ou fortalecer as premissas em que esta
opinião se fundamenta. Mente flexível e aberta é uma atitude
de quem procura conhecimento e sabedoria.

Resumo do processo de pensamento


crítico
Passo 1: Compreensão do tema discutido. Todo argumento
tem um propósito: decidir uma questão ou resolver
um problema. Tome tempo necessário para
esclarecer o propósito.

Passo 2: Descubra as suposições em que o argumento se


baseia. Toda argumentação se baseia em
suposições. Esclareça quais são e determine se são
justificáveis.

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Passo 3: Indague pelas evidências em que se baseiam as
premissas. Toda argumentação se baseia em dados
e informações. Assegure-se de que toda informação
usada é clara, correta, precisa, suficiente e
relevante para o tema da argumentação. Procure
também por informações que contrariam a
argumentação.

Passo 4: Indague sobre as fontes de dados: credibilidade,


integridade e reputação. Essas fontes têm algum
interesse conhecido ou velado sobre o tema
discutido?

Passo 5: Examine a relevância das evidências apresentadas.


Separe o relevante do irrelevante e supérfluo.

Passo 6: Julgue a consistência e a lógica do argumento. Faz


sentido? Quais as implicações e consequências de
suas conclusões?

Check-list do pensamento crítico


Tendo compreendido os seis passos do processo de
pensamento crítico, você pode usar o seguinte check-list na
avaliação de argumentos importantes:

a) Há alguma ambiguidade, imprecisão ou falta de clareza


que impede o completo entendimento do tema da
argumentação?
b) O argumento inclui algumas das armadilhas do
pensamento falacioso (veja páginas 14 a 17)?

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c) A linguagem é essencialmente emocional ou
manipulativa?
d) Consegui separar as suposições, fatos e evidências
relevantes de informações irrelevantes?
e) Consegui separar as suposições justificadas das
injustificadas?
f) Consegui avaliar a veracidade, relevância, adequação,
completude e suficiência das evidências que dão suporte
à conclusão?
g) Consegui verificar a credibilidade, integridade e
reputação das fontes de informações usadas?
h) Necessito de informações adicionais para chegar a um
julgamento razoável do argumento devido a omissões
ou outras razões?

Este procedimento é mais trabalhoso do que discutir opiniões -


bater boca é mais fácil do que raciocinar, mas certamente o
ajudará muito a construir uma reputação de profissional
objetivo, pragmático e criativo.

O pensamento crítico não desencoraja ou pretende substituir os


sentimentos, emoções e intuição, pois não somos máquinas de
pensar. Ao tomar sua decisão final (passo 6) é claro que sua
intuição, seus sentimentos e emoções podem ter um papel
relevante. O importante é que você tenha consciência de que
fatores objetivos e subjetivos o levaram a aceitar ou não uma
determinada opinião ou ideia.

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As habilidades e atitudes do
pensador crítico

Prefiro ser essa metamorfose ambulante


Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Quero dizer agora o oposto do que disse antes.

Raul Seixas, Metamorfose Ambulante.

A maior parte de nosso conhecimento vem do que ouvimos e


lemos, muito pouco nasce de nossas experiências pessoais.
Vivemos de ideias, convicções e crenças alheias que recebemos
de nossos pais, educadores, instrutores, pastores, diretamente
ou através do rádio, televisão, cinema, livros, jornais e telas de
computadores e celulares. Poucas vezes as informações
chegam a nós de forma pura, pois vêm carregadas de paixões,
interesses, preconceitos e mesmo de desinformação e
ignorância.

Temos de respeitar o direito de cada pessoa ter suas opiniões.


Mas é muito difícil respeitar uma opinião quando ela é
lamentavelmente desinformada, carregada de teorias
conspiratórias sem sentido, ou fortemente influenciada por
preconceitos, dogmas e modismos e tristemente desprovida de
razão.

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As habilidades do pensador crítico
Os muito crédulos aceitam passivamente opiniões e ideias sem
questionamentos. O pensador crítico é uma pessoa que tem a
motivação para questionar e procura conhecer as diferenças
entre a boa e a má opinião. Para ter sucesso nesta empreitada,
além do domínio do processo de pensamento crítico, ele precisa
desenvolver algumas habilidades essenciais:

 Ouvir e ler atentamente; o bom pensador crítico sabe


separar o momento de ouvir do momento de falar ou
julgar.
 Fazer perguntas apropriadas e esclarecedoras.
 Avaliar argumentos e identificar as armadilhas do
pensamento falacioso.
 Julgar a relevância, consistência, credibilidade e solidez
das evidências apresentadas.
 Procurar e encontrar suposições explícitas ou implícitas.
 Determinar as consequências de uma afirmação.

A arte de fazer perguntas esclarecedoras


Quem pergunta é um tolo por cinco minutos, quem
não pergunta é um tolo por toda a vida.
Provérbio chinês.
Boas perguntas são aquelas que estimulam a reflexão,
questionam as suposições e evidências e abrem novos
caminhos para verificar a consistência, a credibilidade e a
relevância dos argumentos, premissas, evidências e fontes de

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informação. Algumas das perguntas que podemos considerar
no processo de pensamento crítico:

a) Por quê?
b) Qual é seu principal ponto de apoio?
c) Que evidências corroboram suas afirmações?
d) Quais são os fatos?
e) Como podemos checar isto?
f) O que você quer dizer com.........?
g) Poderia ser mais específico?
h) Poderia dar mais detalhes?
i) Poderia dar um exemplo?
j) Qual o exemplo contrário?
k) Como o que você afirma se aplica a este caso:......?
(descreva um caso que possa parecer um exemplo
contrário).
l) Que diferença isto faz?
m) É isto que você está dizendo:.....................?
n) O que mais você pode dizer sobre isto?

As armadilhas do pensamento falacioso


Falácia é todo o raciocínio aparentemente válido, mas, na
realidade, incorreto e fraudulento, que no faz cair em erro ou
engano.

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Sem a intenção de cobrir todas as formas de pensamento
falacioso, a listagem a seguir apresenta algumas das
armadilhas mais comuns nos dias atuais:

Filtragem: Consiste em considerar como irrelevante, ou


insignificante, tudo que contraria as crenças, ideologia e
dogmas do argumentador. De outro modo, cita ou exagera a
importância de dados irrelevantes, mas que estão alinhados
com suas crenças e posições.

Omissão de evidências: Uma forma de filtragem em que o


argumentador omite intencionalmente dados relevantes, mas
que lhe criam desconforto. Esta é uma falácia difícil de
detectar, pois nem sempre temos como saber se toda a
verdade foi revelada. Muitas propagandas cometem esta
falácia. Indústrias como produtores de cigarros, bebidas e
carvão informam os riscos associados a seus produtos somente
quando exigido por lei. Governantes omitem ou escamoteiam
dados para esconder os fracassos de suas políticas.

Polarização: Insistência em escolhas dicotômicas; as coisas


são pretas ou brancas, boas ou más. Tendência para perceber
tudo nos extremos, sem espaço para o meio termo. Ou você
está do meu lado, ou é meu inimigo; progressista ou
reacionário; bandido bom é bandido morto. A primeira vitima
do pensamento polarizado é o dialogo e suas consequências
mais funestas são o ódio e a intolerância.

Generalização apressada: Tirar uma conclusão com base em


dados ou em evidências insuficientes. Dito de outro modo,
julgar todo um universo com base numa amostragem reduzida,
sem valor estatístico. Exemplo: Fulano é corrupto, fulano é
politico, logo todos os políticos são corruptos. Se algo

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aconteceu antes, concluir que acontecerá novamente várias
vezes. O uso de “sempre”, “nunca” e “todos” podem ser sinais
de utilização deste tipo de pensamento.

Preconceito: Uma forma de generalização baseada em ideias


preconcebidas sobre pessoas e grupos com base na cor da
pele, religião, nacionalidade, profissão, partido politico, etc.
Consiste em generalizar para determinado grupo as
características, atos e atitudes observadas ou imaginadas em
alguns indivíduos, ignorando as evidências contrárias sobre a
diversidade do grupo. Um exemplo atual é julgar que todo
muçulmano é violento e apoia os atos de terrorismo. Ignora
que há mais de um bilhão de muçulmanos e que nenhuma
conclusão sólida e honesta sobre esta comunidade pode ser
tirada a partir de uma minoria que, embora ativa e perniciosa, é
estatisticamente irrelevante para se tirar conclusões sobre toda
a comunidade muçulmana.

Apelo à autoridade ou notoriedade: Consiste em citar uma


autoridade (muitas vezes não qualificada) para sustentar uma
opinião. Uma variante muito comum nas redes sociais é atribuir
falsamente um artigo ou opinião a uma pessoa famosa e
respeitada. Outra é divulgar reportagens falsas, pretensamente
atribuídas a conhecidos jornais ou revistas.

Apelo à força: Consiste em ameaçar com consequências


desagradáveis se não for aceita ou acatada a proposição
apresentada. Exemplo: É melhor exterminar os bandidos, você
poderá ser a próxima vítima.

Falso dilema: Consiste em apresentar apenas duas opções,


quando, na verdade, existem mais. Exemplo: Ou a ditadura
militar, ou a corrupção.

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Falsa Analogia: Usar uma analogia consiste em alegar que
duas coisas distintas são parecidas ou semelhantes em algum
aspecto. Argumentar por analogia é afirmar que, se duas coisas
são similares, o que é verdade para uma é também verdade
para a outra. Analogias absurdas e incoerentes são
frequentemente usadas como argumentos para apoiar uma
conclusão. Exemplo: Capitalistas são como vampiros. Se aceita
a analogia entre capitalistas e vampiros, conclui-se que os
capitalistas sugam o sangue dos trabalhadores.

Analogias forçadas induzem a conclusões fantasiosas ou


exageradas. Um exemplo é a exortação de São Paulo às
esposas: “Mulheres, submetam-se aos seus maridos, como se
submetem ao Senhor, pois o marido é cabeça da mulher, assim
como Cristo é cabeça da igreja.” (Efésios 5:22). Embora
reconhecendo a sabedoria do apóstolo em várias de suas
exortações e ensinamentos, temos de considerar que há muitas
diferenças entre a Igreja e a família e entre Cristo e um pai de
família.

As atitudes de uma mente aberta e


saudavelmente cética
É necessário cultivar algumas atitudes que nos mantém alerta
para as oportunidades de exercitar o pensamento crítico, tanto
sobre nossas opiniões e ideias, como alheias:

 Preocupação em se manter bem informado.


 Curiosidade em relação a uma grande variedade de
assuntos.

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 Mente aberta com relação a pontos de vistas
divergentes.
 Flexibilidade na consideração de alternativas e opiniões.
 Compreensão das opiniões e motivações de outras
pessoas e de como afetam seus raciocínios.
 Imparcialidade e objetividade na avaliação de
argumentos.
 Honestidade ao encarar seus próprios preconceitos e
inclinações.
 Prudência ao fazer, alterar ou suspender julgamentos.
 Disposição para reconsiderar e rever pontos de vista
quando uma reflexão honesta recomenda mudança.
 Confiança nas suas habilidades de raciocínio.

Pratique o que você aprendeu sobre


pensamento crítico
Algumas sugestões para você exercitar suas habilidades e
atitudes de pensador crítico e praticar as técnicas apresentadas
neste pequeno guia:

 Ler ou reler alguns dos vários livros sobre pensamento


positivo, leis de atração do universo, como obter
sucesso, etc.
 Reler o livro de algum guru de autoajuda ou qualquer
texto polêmico que tenha te impressionado
recentemente.
 Ver ou rever o filme Uma Verdade Inconveniente de Al
Gore ou outro documentário sobre meio ambiente.

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 Ler artigos com opiniões divergentes sobre as causas e
consequências do aquecimento global e outros temas
polêmicos, como: segurança versus privacidade,
reforma da previdência social, etc.

Em que suposições se baseiam os argumentos apresentados?


Que evidências são apresentadas para suportar as suposições?
Qual a credibilidade dos diversos testemunhos apresentados?
Quem são estas pessoas? Por que acreditar em seus
testemunhos e opiniões?

Termino este capítulo com uma frase do filósofo inglês Bertrand


Russel:

Em todos os assuntos, é sempre saudável colocar um ponto de


interrogação naquelas coisas que você há muito tempo tem
considerado como certas.

Jairo Siqueira
siqueira.jairo@gmail.com
CriatividadeAplicada.com

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Bibliografia
Egan, B. Denis. The Role of Critical Thinking in Effective
Decision Making. Global Knowledge. www.globalknowledge.com

Haskins, Greg R. A Pratical Guide to Critical Thinking.


isites.harvard.edu.

Hayakawa, S.I. A Linguagem no Pensamento e na Ação. São


Paulo. Livraria Pioneira Editora, 1972.

Lau, Joe. A Mini Guide to Critical Thinking. Department of


Philosophy, The University of Hong Kong, 2003.

Moore B. Noel & Parker Richard. Critical Thinking - 9th Edition.


McGraw-Hill, 2009.
The Open University. Thinking Critically.
www.open.ac.uk/skillforstudy

20
Dois livros essenciais para o
desenvolvimento de sua criatividade.

Disponíveis na Amazon: www.amazon.com.br


e
Clube de Autores: www.clubedeautores.com.br

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