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CICLO DA VIDA

NASCIMENTO
Nome: força vital!

O Talmud afirma (Berachot 7b): "Como sabemos que o nome da pessoa causa [eventos em sua vida]? Diz a Escritura: 'Vai e vê as
obras do Eterno, que pôs destruição (shamot) sobre a terra.' Não leia shamot (destruição), mas shemot [nomes]. Maharsha explica:
“Não podemos atribuir ao Eterno atos maus tais como destruição, portanto, os Sábios interpretam a palavra shamot como shemot,
significando que as obras de D’us são atraídas para baixo por meio do nome da pessoa e assim, o nome é a causa.”

Mais uma vez, no Talmud, encontramos que R. Meir faria deduções [sobre uma pessoa] a partir do nome, mas R. Yehudah e R. Yosse
nada deduziriam. Em outro local, R. Yitschak declara: "Os espiões [enviados por Moshê à Terra de Israel] tinham nomes que refletiam
suas ações."

A noção de que o nome de uma pessoa nos informa a respeito de suas ações e caráter aplica-se não apenas a indivíduos, mas sobre a
geração como um todo. Assim, o nome do Profeta Yermiyáhu indica que em seu tempo o Bet Hamicdash tornou-se arimon [vago], ou
que em seu tempo um severo julgamento foi nisromema (despertado; as duas palavras compartilham letras comuns com seu nome].
Isso é confirmado no Zohar, onde o nome de Yermiyáhu (que predisse punição) está contrastado com aquele de Yeshayáhu, cujo
nome (significando 'resgate de D’us") causou nossa redenção, e a restauração da Divina Luz a seu lugar de direito.

Sefer Chassidim e Sefer HaBahir também nos advertem sobre nomes. Midrash Tanchuma comenta o versículo: "Lembra-te dos dias
do mundo, entende os anos de cada geração" – a pessoa deveria sempre examinar nomes históricos, e escolher para seu filho um nome
que o fará tornar-se um tsadic. Assim, vemos que o nome de uma pessoa indica os traços de caráter que ela provavelmente possuirá. A
partir desse nome, podemos adivinhar que tipo de pessoa é, e como são suas ações.

R. Yosef Karo escreve em Maguid Meisharim que alguém chamado Avraham tende a realizar atos de bondade, uma pessoa chamada
Yossef é forte para resistir a tentações sexuais ilícitas, ou então alimenta e apóia os outros, como fez Yossef, que alimentou e apoiou
seu pai e irmãos. A Escritura diz: "Naval é seu nome, e abominação (nevala) combina com ele." É isso também que Essav queria dizer
quando afirmou: "Seu nome é Yaacov por nada? De fato, ele se afastou (vayaakeveim) de mim duas vezes."

O Midrash Tanchuma declara que se nossa geração tivesse merecido, o próprio Eterno teria dado a cada indivíduo seu nome, e a partir
de seu nome conheceríamos assim seu caráter e suas ações.

O Nome da Pessoa é Sua Força Vital

Está declarado nos sagrados livros que o nome pelo qual uma pessoa é chamada constitui sua alma e sua força vital. Isso significa que
quando a alma habita o corpo, extrai vida para si por meio do nome, através de uma junção correta das letras. É explicado no Tanya,
cap. 1 de Shaar HaYichud VehaEmunah, que para todas as coisas criadas no universo, o nome hebraico pelo qual são chamadas
constitui – depois de progressivos estágios de descida evolutiva – o discurso literal dos Dez Pronunciamentos pelos quais o mundo foi
criado. Esta descida ocorre por meio de sucessivos intercâmbios e ajuntamentos de letras nas 231 permutações, até que finalmente elas
se incorporam à pessoa, para dar-lhe vida.

Um nome tem duas características opostas. Por um lado, o nome está associado com a alma. Assim, quando chamamos alguém por
seu nome, despertamos sua força vital. Isso aplica-se não somente ao nome próprio, mas também a um nome descritivo – quando
chamamos alguém de "sábio", despertamos suas faculdades intelectuais; quando o chamamos de "misericordioso", despertamos sua
piedade. Portanto, os discípulos de R, Shimon bar Yochai pronunciavam louvores a ele, para que isso despertasse os grandes poderes
de seu mestre, que ele partilharia com eles. Tudo isso aplica-se muito mais ainda ao nome próprio, pois este desperta não apenas os
poderes individuais, como também toda a alma.

Por outro lado, sabe-se que todo o propósito de um nome é para o uso de outros, para que outra pessoa possa chamá-lo, e ele saberá
que está sendo chamado. Mas para si mesma, a pessoa não precisa de nome; qual a utilidade do nome para alguém que mora sozinho?
Assim, parece que o nome não está conectado com sua essência ou força vital, mas foi meramente estabelecido por convenção.

A solução desse paradoxo é que o nome da pessoa é como a sefirá de Malchut: apenas um raio (ziv) que nada possui em si mesmo,
mas está radicado em sua fonte original. Por este motivo, tem estas características opostas.
Shir Hamalot: proteção para a mãe e o bebê
À medida que as mulheres que esperam bebês vêem se aproximar a data do parto uma variedade de emoções tendem a surgir.
Algumas mulheres ficam repletas de entusiasmo, antecipando ansiosas o dia em que conhecerão o bebê face a face. Outras ficam
irrequietas, nervosas com as horas de trabalho de parto que se aproximam. Todas as mulheres rezam a D'us pedindo um filho sadio.
Muitas mulheres judias ficariam empolgadas se soubessem que existe uma prece especial que tem sido um costume durante séculos
em nossa tradição de salvaguardar tanto a mãe quando o bebê. Esta prece é Shir Hamalot (Canção das Ascensões, Tehilim 121). Os
versículos desse Salmo declaram nossa dependência sob o Criador para nossa segurança e bem-estar e Seu compromisso de nos
proteger em todas as horas.
O Rebe iniciou uma campanha para divulgar a importância de Shir Hamalot para toda mãe judia e seu bebê. Estas palavras sagradas
contêm o poder de proteger a mãe e o bebê durante o processo de nascimento e o período de recuperação que se segue. É por isso que
é tão imperativo que quando a futura mamãe prepara sua maleta com todos os itens que planeja levar ao hospital, não se esqueça do
Shir Hamalot. Só o fato de ter esta prece ao seu lado durante o parto fornece aquela dose adicional de proteção.

Quando o bebê nasce, é costume colocar o Shir Hamalot sobre o berço. Esta é uma maneira notável de protegê-lo. É costume também
pendurar o Shir Hamalot nos batentes da casa, especialmente os do quarto do bebê, antes de entrar com ele. É importante notar que
tudo aquilo que cerca um recém-nascido tem um efeito espiritual. A Torá nos ensina que aquilo que um bebê vê e ouve, mesmo
durante seu primeiro dia de vida, terá uma influência sobre ele por muitos anos. Os pais são encorajados a expor seus filhos a imagens
sagradas desde que nascem. O Shir Hamalot é uma maneira maravilhosa de começar.

Por que você nasceu?


Numa reunião de família que celebrava o nascimento de uma criança, o Rebe explicou os três motivos para se alegrar numa ocasião
dessas: o júbilo de toda a nação pelo nascimento de um novo membro, a alegria dos pais por serem abençoados com um filho, e a
alegria da criança por ter sido trazida ao mundo.
"Mas como podemos celebrar quando ainda não sabemos o que a criança será?" perguntou um homem.

"O nascimento marca o momento em que a alma entra no corpo" – disse o Rebe. "E como a alma está conectada diretamente a D’us,
este é motivo suficiente para se alegrar."

Por que você nasceu?


Seu nascimento significa que você é filho de D’us. Seu nascimento não foi apenas um acidente; D’us escolhe cada um de nós para
desempenhar uma missão específica neste mundo, assim como o compositor organiza harmoniosamente cada nota musical. Tire uma
nota que seja, e a composição se desintegra. Cada pessoa tem seu valor; cada pessoa é insubstituível. Sua vida está sempre o levando
na direção de seu destino, e todo momento é significativo e precioso.
Muitas pessoas parecem sentir que, apenas porque não escolhemos vir ao mundo, nosso nascimento é um golpe de coincidência ou do
acaso. Isso não poderia estar mais longe da verdade. O nascimento é a maneira de D’us dizer que Ele investiu Sua vontade e energia
para criar você; D’us sente grande alegria quando você nasce, o maior prazer imaginável, pois o instante do nascimento engloba o
potencial de todas as futuras realizações.

Quando, exatamente, começa a vida?

No nascimento, a alma entra no corpo, criando uma vida que se sustenta, um ser humano autônomo. Um feto, obviamente, é um
organismo vivo completo com cérebro em funcionamento, coração e membros. Mas é somente uma extensão, embora viva, da mãe.
Contém a vida, mas ainda não é independente, sustentado por sua própria força.
Portanto, o instante do nascimento assinala o início de nossa missão na terra, que é transformar nosso mundo material num veículo de
expressão espiritual e Divindade. O processo da vida é muito mais que simples biologia. Uma pessoa não está plenamente viva a
menos que esteja sintonizada com o propósito mais elevado de sua alma, a menos que conheça sua missão.

Muitos de nós sentimos um lado espiritual em nossa vida. Talvez o busquemos apenas de tempos em tempos. Mas como estamos tão
ocupados com nossa vida diária e tão famintos pela gratificação instantânea, esquecemos – ou jamais separamos tempo para aprender
– por que, para começar, estamos aqui.

Cada um de nós tem uma opção: podemos estar meramente vivos no sentido biológico ou podemos ser realmente vivos,
espiritualmente vivos. Mesmo como adultos, podemos viver da maneira que um feto vive – comendo, bebendo e dormindo, uma
pessoa completa que carece de seu elemento mais vital: uma alma. Ou podemos aproveitar nossa capacidade para sermos
espiritualmente sensíveis, e participar do mundo.

É tentador passar nossa vida num estado semelhante ao do feto. Até os Sábios admitem isso: ‘É mais agradável não nascer do que
nascer." Não seria mais fácil passar pela vida aquecido e bem alimentado, protegido do mundo exterior, que suportar as difíceis
batalhas da vida que todos teremos de conhecer?
De fato, muitos tentam se isolar, reagindo à vida mas nunca se envolvendo nela por completo. Sob esta ótica, vemos que o
nascimento, acima de tudo o mais, é um desafio, o primeiro e talvez o mais difícil que jamais enfrentaremos.

Por um momento, pense sobre as experiências de um bebê. Agora tente imaginar seu próprio nascimento. Que momento monumental!
Que sentimentos você teve? Que vozes escutou? Cientistas e psicólogos estão apenas começando a reconhecer aquilo que a Torá tem
ensinado durante milhares de anos: que nossas experiências como recém-nascido têm um profundo impacto em nossa psique interior.
Um recém-nascido é tão receptivo como uma esponja seca.
Escuta talvez ainda mais que um adulto; exatamente porque sua mente consciente ainda não funciona, e porque não entende as
palavras, um recém-nascido é muito mais impressionável. Absorve tudo em seu ambiente na forma mais pura, sem ser adulterada pelo
ego ou intelecto adulto.

A educação, portanto, começa no momento em que a criança nasce. Isso nos apresenta uma profunda responsabilidade sobre como nos
comportar na presença de uma criança, e como tratamos as crianças desde o instante do nascimento. Lembre-se: a alma de um recém-
nascido está completamente viva, com ouvidos abertos que escutam tudo.

Um respeitado rabino, quando bebê, era carregado com freqüência em seu cestinho para ouvir preces e canções. Ele cresceu e se
tornou um grande erudito e, em reconhecimento à maneira pela qual fora criado, era cumprimentado muitas vezes com a bênção:
"Abençoada seja aquela que lhe deu à luz."

Escolhendo o nome Judaico


A importância de um nome judaico refere-se àquela parte de nós que verdadeiramente define a identidade judaica: a alma judaica. Um
nome judaico é o seu chamado espiritual, um título que reflete seus traços particulares de caráter e os dons concedidos por D’us.

O fato de que o nome da pessoa representa sua força vital é insinuado pela palavra neshamá (alma), cujas duas letras intermediárias
formam a palavra shem (nome). As letras do nome de uma pessoa são como o cano através do qual a vida é levada ao corpo. Portanto,
a palavra shem, nome, tem o mesmo valor numérico que tzinor, cano.

Nomear um recém-nascido judeu é uma tarefa sagrada, parte do ciclo de vida da religião judaica. Um menino recebe o nome durante a
cerimônia do brit milá, quando entra no pacto de Avraham Avinu; uma menina é nomeada logo após seu nascimento, na primeira
oportunidade em que a Torá será lida. Seu pai então é chamado na Torá e nesta oportunidade anuncia seu nome judaico.

Ao escolher um nome para a criança recém-nascida, os pais passam em revista os nomes de seus entes queridos. Isso se baseia no
preceito da Torá de que o nome do falecido não deve ser apagado de Israel. Ocasionalmente, uma criança recebe o nome de algum
erudito de Torá, ou do maior tsadic da geração, cuja vida foi consagrada à Torá; ou então uma menina recebe o nome de mulheres
sábias e grandiosas da Torá, cuja vida serviu como inspiração a todos.

Quando a criança recebe o nome de um parente falecido – segundo o costume askenazi – cumpre também a mitsvá de honrar pai e
mãe. Esta mitsvá é obrigatória não somente durante a vida deles, como também depois de sua morte. É uma grande satisfação para a
alma, e proporciona prazer às almas dos parentes falecidos, quando os descendentes recebem seus nomes.

A Cabalá afirma que os pais recebem inspiração Divina ao escolher um nome para seu filho. O nome é registrado como pertencendo
para sempre a esta criança. É por este nome que o menino será chamado à Torá quando chegar a seu bar mitsvá, aos treze anos;
quando chegar à vida adulta e ao casamento, seu nome aparecerá na ketubá; este nome é mencionado na prece E-l malei rachamim
oferecida em benefício da alma após 120 anos. Assim, o nome judaico acompanha o judeu por toda a vida e em todas as ocasiões.

Classificação de nomes judaicos

Os nomes judaicos podem ser classificados em diferentes categorias:

1 – Nomes bíblicos – nomes mencionados nos Cinco Livros da Torá, nos Profetas, ou nas Sagradas Escrituras.
2 – Nomes talmúdicos – nomes originalmente encontrados no Talmud e Midrashim.
3 – Nomes encontrados na natureza – no mundo animal, alguns dos quais aparecem nas Escrituras, tais como Chava, Rachel, Devorah,
Tziporah, Yonah, etc. Há também nomes do reino animal não mencionados nas Escrituras como nomes de pessoas, tais como Aryrh,
Zev, Tzvi; tais nomes originaram-se com as bênçãos de Yaacov e Moshê, que aplicaram os nomes de diversas coisas vivas às tribos de
Israel.
4 – Nomes encontrados na Natureza – no mundo vegetal, alguns dos quais aparecem nas Escrituras, como Tamar, etc. Outros nomes
desse tipo são Shoshana, Alon, Oren, Oranah, Aviva, etc.
5 – Nomes que incluem o Nome de D’us dentro deles, e nomes que expressam agradecimentos a D’us.
6 – Nomes de Anjos, que foram adotados como nomes humanos:Gabriel, Rafael, etc.
7 – Nomes secundários, que ocorrem em conjunto com o nome principal, embora ocasionalmente estejam sozinhos.

Como faço para dar ou receber um nome hebraico?

1 – Além de sua escolha


Geralmente, seu nome hebraico é aplicado a você por ocasião de seu nascimento ou pouco depois, escolhido por seus pais, que o
nomeiam em homenagem a um ente querido falecido, geralmente um antepassado (costume ashkenazi) ou a um ente querido, como
avós, ainda vivos, como forma de homenageá-los (costume sefaradi). Ou, caso eles não tenham ninguém para homenagear, talvez
você receba um nome hebraico da preferência deles. Portanto na verdade você não poderá escolher seu próprio nome, a menos que
não tenha recebido um até a idade adulta.

2 – Por sua escolha


Se você não recebeu um nome hebraico até a idade adulta, ou seja, seus pais não lhe fizeram um brit (caso seja menino) ou não lhe
deram um nome na primeira oportunidade em que foi lida a Torá logo após seu nascimento (se for menina), você pode selecionar
qualquer nome hebraico normal que lhe agrade.

3 – Opções de conversão
Um terceiro nome hebraico alternativo é quando um não-judeu se converte ao Judaísmo. O convertido pode escolher qualquer nome
hebraico, geralmente há escolha algo foneticamente semelhante ao nome existente: John talvez se torne Yonatan (hebraico para
Jonathan), Mary pode se tornar Miriam.

Situações especiais

Um menino que já nasceu circuncidado é nomeado no hatafas dam bris, na presença de um minyan. Caso não haja um quórum de dez
homens, poderá ser nomeado na presença de dois.

Se uma criança nasceu, e é necessário rezar pela sua saúde, seu nome poderá ser dado imediatamente, para que possam rezar em seu
nome. Costuma-se apenas dar o nome neste caso, sem no entanto torná-lo público até o brit milá.

Quando uma pessoa se encontra em situação de risco, como uma grave doença ou problemas de saúde, D’us não o permita, costuma-
se acrescentar outro nome ao seu nome judaico original. Desta forma pode-se alterar seu mazal, sorte e destino, e rezar pelo seu pronto
restabelecimento e cura.

Importância vital

O nome pelo qual a pessoa é chamada é o recipiente que contém a força vital condensada inerente nas letras do nome. Como disse o
Eterno aos Anjos: "A sabedoria de Adam é maior que a sua", pois ele entendeu a fonte suprema de cada ser criado, e segundo este Ele
o chamou por seus nomes. Portanto, descobrimos que quando desejamos reviver alguém que desmaiou, chamamos seu nome. Ao
chamar seu nome, despertamos a força vital em sua fonte, e atraímos vitalidade para o corpo. Similarmente, se alguém está
adormecido, nós o chamamos por seu nome.

Ao falecer, quando a alma parte do corpo e chega perante a Corte Celestial, não lhe é perguntado: "Qual é seu nome hebraico" A
pergunta feita é simplesmente: "Qual é seu nome?" Porque seu nome verdadeiro, sua essência, está contida em seu nome hebraico.

Atualmente, o maior problema para o povo judeu é a assimilação e a ignorância. Embora seja um grande problema, existem pequenas
coisas que podemos fazer para lutar contra isso. Podemos assistir uma aula de Torá uma vez por semana ou por mês. Podemos
celebrar o Shabat. E podemos usar nossos nomes hebraicos. Quando os usamos, lembramo-nos constantemente de quem somos,
fortificando assim nossa identidade judaica e automaticamente lutamos contra a assimilação. Parafraseando Neil Armstrong, talvez
seja um pequeno passo para um judeu, mas um salto gigante para o Judaísmo!

Devemos nos inspirar no exemplo fornecido por nosso povo na saída do Egito; não se assimilaram. Este fato deveu-se a três fatores
fundamentais que fizeram questão de conservar: o modo de se vestirem, a língua (hebraico) e o nome (judaico). Quanto ao último,
disseram nossos Sábios: (Bamidbar Rabah 20:22) "Nossos antepassados mereceram ser redimidos do Egito porque não mudaram seus
nomes." Devido a estes cuidados tiveram o mérito de serem redimidos e conduzidos à outorga da Torá no Monte Sinai.

Que possamos através de nossas boas ações e utilização destas mesmas "vestimentas" que nos conectam à nossa essência, sermos
merecedores de presenciar a recompensa neste mundo: uma época sem guerras, onde a paz verdadeira será restabelecida e o
conhecimento de D’us transbordará no mundo inteiro. Enquanto aguardamos, continuaremos colocando nomes judaicos em nossos
filhos e, nossos filhos em nossos netos.

NOMES JUDAICOS MASCULINOS Se tomado como cognato do assírio abalu, o significado é


A campina, e significa fecundidade. Na Torá o significado
hebraico é "sopro". Abel era o irmão de Caim, filho de Adam
Aharon, Aaron e Eva.
Aaron era o irmão três anos mais velho que Moshê. Na corte
do faraó, ele foi o porta-voz de seu povo, e ao mesmo tempo Abiel, Aviel
líder do sacerdócio, o primeiro Cohen Gadol. Do hebraico, significando "D’us é meu Pai". Aviel é uma
variante.
Abba
Do radical árabe ou sírio, significa "Pai" e tem a conotação de Abner
governante ou líder. O nome era usado comumente entre os De origem hebraica, significa "a vela do pai". Tem a
eruditos do Talmud. conotação de defensor (do nome do pai) ou luz e esplendor.
Na Torá, Abner ben ner foi o tio do Rei Saul e comandante de
Abbe, Abbey, Abby seu exército.
Formas abreviadas de Abba ou Abbot. Estes nomes são
também usados como formas femininas, geralmente Absalom
diminutivo de Abigail. Também são usados como formas do Do hebraico, significa "o pai da paz". Absalom foi o terceiro
nome Abiel. filho do Rei David.

Abel Adam
Na narrativa bíblica, Adam é o nome do primeiro homem. Uma variante de Abner, que significa "pai da luz". Abner era o
Diversos significados lhe são atribuídos, porém o mais comum primo do Rei Saul e general de seu exército.
é "terra".
Adam não era usado entre os judeus até recentemente. Avraham, Abraham, Abrão, Avrum
Uma variante de Abram, que é a forma abreviada de Abraham.
Akiba, Akiva Avraham foi o primeiro judeu. Era chamado de hebreu porque
Famoso erudito e professor do século I. De origem hebraica, vinha do "outro lado" (eber) do Eufrates. O nome original era
similar ao nome Jacob, e interpretado como significando Avram, que significa "pai exaltado". Mais tarde foi mudado
"suplantar, preso pelo calcanhar, ou proteger". para Avraham, que significa "pai de uma nação poderosa", ou
"pai de uma multidão". A letra hebraica "H", que é o símbolo
Alan, Allan, Allen, Allyn para D’us, foi adicionada (tornando Avram em Avraham) por
Numa pesquisa feita em 1945, Alan era muito popular como causa da aceitação de um único D’us por Avraham.
primeiro nome, e o mais usado como segundo nome em
meninos. A origem exata é duvidosa, mas geralmente é tirado B
do celta, significando "harmonia, paz", ou do gaélico,
significando "bonito, de boa aparência". Baruch
Do hebraico, significando "abençoado", e tendo a conotação
Alex, Alexandre de afortunado, feliz. Na Torá, Baruch era o filho e secretário
Alex é a forma abreviada de Alexandre, que significa "protetor do Profeta Yirmyahu.
de homens". Segundo a lenda, quando Alexandre o Grande, da
Macedônia (356-323 AEC) entrou na Palestina, todos os Barzilai
meninos judeus nascidos naquele ano receberam o nome de Do hebraico, significando "homem de ferro", e tendo a
Alexandre em sua honra. conotação de força.

Alon Ben
Do hebraico, significa "carvalho". Do hebraico, significa "filho". Usado ocasionalmente como
nome independente, mas com maior freqüência é o diminutivo
Ami de Benjamim.
Do hebraico, significa "meu povo".
Ben-Ami
Amnon Do hebraico, significando "filho de meu povo".
Nome popular em israel, significa "fiel". Amnon foi o filho
mais velho do Rei David. Benjamin
Do hebraico, significando "filho de minha mão direita", com a
Amram conotação de força. Benjamin era o mais jovem dos doze
Pai de Moshê. Extraído do radical hebraico, significa "uma filhos de Yaacov na Torá.
nação poderosa", ao passo que em árabe significa "vive, vida".
Benzecry
Ari, Arie Uma corruptela da forma patronímica (referente à linhagem),
Uma forma hebraica de Aryay, que significa "leão", e tem a significando "o filho de Zecariah".
conotação de força.
Ben Zion, Benzi
Aryeh Do hebraico, significando "filho excelente" ou "muito bom".
Do hebraico, e significa "leão" tendo a conotação de força.
Aryeh era um dos oficiais no exército de Pekach. O nome Berger
Benroy pode ser uma corruptela de Ben (filho de) Aryeh. Uma variante de Burgess.

Asher Boaz
Do inglês antigo, significando "abençoado, afortunado ou Do hebraico, significando "força e rapidez". Bisavô do Rei
feliz". Asher, o filho de Zilpah, foi um dos doze filhos de David e marido de Ruth.
Yaacov e líder de uma das tribos.
Boris
Avi Do eslavo, significando "guerreiro que luta".
Do hebraico, significando "pai". Abba é a forma popular em
aramaico. Brand
Do anglo-saxão, significando "corvo" ou "espada", com a
Avigdor conotação de força ou guerreiro.
Do hebraico, significando "pai protetor".
C
Avital
Do hebraico, significando "pai do orvalho". Usado como Caleb
nome masculino e feminino em Israel. Vários significados lhe são atribuídos: "coração" ou "um cão"
do hebraico. "Sacerdotal, oficial, um mensageiro", do assírio.
Avner "Destemido, bravo" do árabe. Espião enviado a Canaã por
Moshê.
Elazar
Chaim, Chai Filho de Aharon na narrativa bíblica e um dos nomes bíblicos
Do hebraico, significando "vida". Entre os judeus, é mais usados no Talmud.
freqüentemente dado a alguém que esteja gravemente
enfermo, na esperança de que lhe seja concedida a Eli, Ely
continuação da vida. Do hebraico, significando "ascender, elevar-se, ofertar", tendo
a conotação de altura, grandeza e proeminência. É também
Chanan uma forma abreviada de Elijah ou Elisha. Na Torá, Eli
Graça (pronunciado Aylee) era um sumo sacerdote e o último dos
Juízes nos dias de Samuel. Eli (pronunciado Eelai) foi também
D o nome de um dos guarda-costas de David.

Dan Elias
Dan foi um dos doze filhos de Yaacov, e o nome de uma das A forma grega de Elijah ou Elisha,
tribos de Israel. Dan é derivado do hebraico, significa "ele
julgou". Eliezer
Do hebraico, significando "meu D’us ajudou". Eliezer aparece
Dani muitas vezes na Torá. Um Eliezer foi administrador de
Um nome israelense moderno, derivado de Dan; significa Avraham, outro foi um filho de Moshê, e um terceiro, um
"meu juiz". profeta na época de Jehoshaphat.

Daniel Elijah
Do hebraico, significando "D’us é meu juiz". Daniel foi uma Do hebraico, significando "o Eterno é meu D’us". O nome de
figura famosa na Torá durante o período do exílio babilônico e um dos primeiros e mais famosos dos profetas hebreus, que
famoso por ter escapado da toca do leão. Dan e Danny são viveu durante o reinado de Ahab and Jezebel.
formas diminutivas populares.
Elisha
David Do hebraico, significando "D’us é minha salvação". O Profeta
O Rei David foi um personagem querido na história bíblica. Elisha foi aluno e sucessor de Elijah.
Embora o nome fosse comumente usado por muitos séculos
depois de seu tempo, não há um rabino sequer no Talmud que Enoch
se chamasse David. Atualmente, está entre os nomes mais Do hebraico, significando "educado ou dedicado". Enoch foi o
populares para meninos. David vem do hebraico, e significa filho de Caim, nascido depois que este matou Abel.
"amado".
Ephraim
Doran Uma grafia alternativa para Efraim.
Presente
Ezekiel
Dotan Do hebraico, significando "D’us fortalecerá". Um dos profetas
Lei. Lugar em Israel bíblicos mais conhecidos na época do final do Primeiro
Templo (6º século AEC).
Dov
Do hebraico, significando "um urso", e derivado de um radical Ezra, Ezri
árabe que significa "caminhar suavemente, a passeio". Do hebraico, significando "ajuda". Ezra foi um líder dos
judeus depois da destruição do Primeiro Templo. Os
Dror Iemenitas, é notório, jamais dão o nome de Ezra a seus filhos.
Liberdade. Pássaro Eles alegam que quando Ezra tirou os judeus da Babilônia,
não levou os Iemenitas junto. Ezri é mencionado no Livro das
Dvir Crônicas.
Lugar Sagrado no Templo
G
E
Gabriel
Efraim, Efrem Do hebraico, significando "D’us é minha força". Gabriel foi o
Um dos filhos de Yossef na narrativa bíblica. Nome hebraico anjo visto por Daniel em uma visão. Gabe e Gabby são formas
significando "frutífero". abreviadas populares.

Efrat Gad
Do hebraico, significando "honrado, homenageado". Membro Do hebraico e árabe, significando "feliz, afortunado" ou "um
da tribo de Efraim. soldado, um guerreiro". Um dos filhos de Yaacov.

Elad Gal
Da Tribo de Efraim Onda
diminutiva.
Gamaliel, Gamliel
Do hebraico, significando "D’us é minha recompensa", e Ishmael
tendo a conotação de bênção. Do hebraico, significando "D’us ouvirá".

Gedalia, Gedaliah, Gedaliahu Israel


Do hebraico, significando "D’us é grande". Na Torá, Gedaliah O último nome dado a Yaacov, o terceiro dos três patriarcas.
foi o governador da Judéia, designado por Nabucodonosor. Do hebraico, significando "príncipe de D’us" ou "lutou com
D’us", tendo a conotação de lutador ou governante.
Gidon (Gideon)
Guerreiro e Herói Issachar
Na Torá, Issachar foi o filho de Yaacov e Leah. Foi o líder de
Gil uma das doze tribos de Israel. Derivado do hebraico, significa
Júbilo "há uma recompensa".

Gilad Itai
Júbilo interminável. Nome de uma montanha Um dos guerreiros de David. Também significa "amigável"

Guy Itamar
Vale Do hebraico, significando "ilha de palmeira", com a conotação
de "retidão, graça". Filho de Aharon
H
J
Haim, Haym
Formas de Chaim, significando "vida". Jack, Jackie
Formas diminutivas de Jacob. Veja Jacob para uma explicação
Hanan completa.
Do hebraico, significando "graça, gracioso".
Jacob
Haskel, Haskell Do hebraico, significando "seguro pelo calcanhar, substituto,
Provavelmente uma corruptela da forma yidish Ezekiel, ou protegido". O terceiro dos três patriarcas e pai dos doze
significando "força". filhos que foram os fundadores das tribos de Israel. O Livro de
Bereshit descreve o encontro de Yaacov com um anjo e como
Hersch, Hersh ele recebeu o nome Israel, em complemento a seu nome
Do yidish, significando "um cervo", e tendo a conotação de original.
ligeireza. Hirsch, Hirsh, Herzel, Heschel e Heshel são
variantes. Jacques
A forma francesa de Jacob.
Hillel James
Do hebraico, significando "elogiado ou famoso". Embora o A forma inglesa do hebraico Jacob, significando "seguro pelo
nome apareça como o pai de um juiz judeu, não se tornou calcanhar, substituto, ou protegido". Jim, Jimmie, Jimmy e
popular até ser usado pelo renomado erudito judeu que nasceu Jamie são formas populares abreviadas.
na Babilônia cerca de 75 AEC, e que fundou uma notável
academia. Jeremiah, Jeremias, Jeremy
Do hebraico, significando "D’us afrouxará (os vínculos)" ou
Hod "D’us elevará". Jeremiah é um dos seis profetas hebreus cujo
Membro da tribo de Asher. Também significa "esplendor" nome é mencionado como um nome pessoal no Talmud.
Pertenceu a uma família de sacerdotes que morava perto de
I Jerusalém e começou a profetizar em 625 AEC.

Idan Job
Era, período histórico Do hebraico, significando "odiado e oprimido". Job é famoso
por sua paciência e fé em D’us.
Ilan
Árvore Jochanan, Johanan
Do hebraico, significando "D’us é generoso, misericordioso."
Isaac Jochanan era extremamente popular nos tempos talmúdicos.
Do hebraico, significando "ele rirá". Isaac, o segundo dos três Mais de 52 pessoas no Talmud são chamadas Jochanan.
Patriarcas, é um dos nomes mais usados no Talmud.
Joel
Isaiah Do hebraico, significando "D’us está querendo". Joel foi um
Do hebraico, significando "D’us é salvação", tem a conotação dos doze Profetas Menores cujas obras estão incluídas na
de ajudante. Um dos mais famosos dos profetas hebreus, ele Torá.
profetizava em Jerusalém, de 740-701 AEC. Isa é uma forma
Jonathan Lior
Do hebraico, significando "D’us deu", ou "presente de D’us". Eu tenho luz
O primeiro Jonathan na história foi o filho do Rei Saul, A
amizade de Jonathan com David é uma das histórias mais Lipman
comoventes na Torá. Uma corruptela de Liebman, do alemão, significando "amante
do homem".
Joseph
Do hebraico, significando "Ele (D’us) acrescentará ou Liron
aumentará". Joseph era o filho de Jacob na Torá. Quase 25% Eu tenho júbilo
do Livro de Bereshit é devotado à história de sua vida.
M
Josh
Apelido de Joshua. Maimon, Maimun
Do árabe, significando "sorte, boa sorte". A personalidade
Joshua mais famosa com este nome foi Moses ben Maimon (também
Do hebraico, significando "o Senhor é minha salvação". chamado Maimônides), um filósofo judeu que viveu de 1135 a
Joshua na Torá foi o sucessor de Moshê, e levou os Filhos de 1204. Maimun é uma variante.
Israel até a Terra Prometida. Seu nome original era Hoshea. O
prefixo Yah foi acrescentado mais tarde por Moshê. Malachai, Malachi
Do hebraico, significando "meu mensageiro, ministro, ou meu
Judah servo." Malachai foi o último dos profetas hebreus. Seu
Judah está entre os nomes bíblicos mais usados no Talmud. O período de atividade mais intensa foi 460-450 AEC).
nome aparece pela primeira vez no Livro de Bereshit, onde
Judah é o quarto filho de Jacob. É derivado do hebraico, e Matatias
significa "louvor". Do hebraico, significando "presente de D’us". O primeiro
Matatias foi um patriota e sacerdote judeu que morreu cerca
K de 167 AEC. Foi o pai dos cinco famosos irmãos
hasmoneanos, dos quais o mais famoso é Judah, o Macabeu.
Kaufman
Do alemão, e significa "um comprador", e tem a conotação de Mayer
proprietário, ou propriedade. Ou do hebraico, com o significado de "aquele que brilha,
reluz", ou então do alemão, com o significado de capataz,
Kedem fazendeiro".
Do hebraico, significando "velho, antigo" ou "vindo do leste".
Meir, Meiri
Kenneth Do hebraico, significando "aquele que brilha ou reluz".
Do celta e do escocês, significando "gracioso, atraente".
Menachem, Menahem
L Do hebraico, significando "aquele que conforta". A forma
helenizada de Menachem durante o Período Grego era
Lavi Menelaus. Este foi usado principalmente por judeus das
Do hebraico, significando "um leão". camadas superiores da sociedade, incluindo os Sumos
Sacerdotes. No Judaísmo italiano, era comum traduzir
Lazar, Lazarus Menachem em Tranquilus. Durante a Idade Média, era
Formas gregas dos nomes bíblicos hebraicos Elazar e Eliezer. costume dar-se o nome de Menachem aos meninos nascidos
no 9º dia do mês judaico de Av (um dia de luto nacional pelo
Leib, Leibel Templo).
Nomes yidish de origem germânica, significando "leão".
Menasseh, Menashe
Leo, Leon Do hebraico, significando "faz esquecer". Na Torá, Menasse,
Leon é derivado do grego, significando "leão" ou "da natureza ou Manasse, foi o filho mais velho de Yossef. Seu irmão era
do leão", e tem a conotação de força. Leo é a forma latina. Efraim.

Lev Mendel
Do hebraico, significando "um coração", ou então do yidish, Deriva do latim, significando "da mente", ou então é uma
significando "um leão". variante yidish de Menachem.

Levi Meyer, Myer


Do hebraico, significando "reunido a", ou "atendente de" com Variante da grafia de Meir.
a conotação de devoção, amizade. Levi na Torá era o terceiro
dos doze filhos de Yaacov. Sua mãe era Leah. Os Micah
descendentes de Levi eram os sacerdotes e levitas que serviam Do hebraico, significando "que é como D’us". É uma variante
no Templo de Jerusalém. abreviada de Michael, e tem o mesmo significado.
Michael Companheiro
Do hebraico, significando "que é como D’us". Anjo e
mensageiro de D’us Noah
Micah é uma forma abreviada derivada de Michael, que Do hebraico, significando "repouso, paz e tranqüilidade". Na
aparece no começo da Torá, em Bamidbar, como membro da Torá, Noah foi o personagem principal do episódio do
tribo de Asher. Dilúvio.

Moe, Moise Noam


Moe é o diminutivo de Moses, e Moise é a forma francesa e Do hebraico, significando "doçura ou amizade".
italiana de Moses.
O
Mordecai, Mordechai
Derivado do persa, significa "guerreiro". Primo da Rainha Omri — Rei de Israel
Ester.
Obadiah
Moses, Moshê Do hebraico, significando "servo de D’us". Na Torá, Obadiah
O nome da mais notável figura bíblica, que tirou os Filhos de foi o quarto dos doze profetas menores. Viveu no 6º século
Israel do Egito, após séculos de cativeiro. Líder do povo AEC. O Livro de Obadiah na Torá consiste de um só capítulo.
judeu. O nome deriva do hebraico, significando "extraído ou
salvo (da água)", ou do egípcio, significando "filho, criança". Ofer
Cervo
N
Oren
Nadav Do hebraico, significando "uma árvore (cedro ou pinheiro)."
Doador Na Torá, Oren foi um descendente de Yehudá.

Naftali, Naphtali Oz
Do hebraico, significando "lutar". Na Torá, Naftali foi o sexto Força
filho de Yaacov, o segundo com sua esposa Bilhah.
P
Nathan
Do hebraico, significando "ele deu", e sugerindo um presente Paz
de D’us. Nathan foi o profeta na Torá durante os séculos 11 e De ouro
12 AEC, que pronunciou que a dinastia do Rei David seria
perpetuamente estabelecida, mas ao mesmo tempo ele Peretz, Perez
admoestou David por seu tratamento injusto a Uriah, o Hitita. Do hebraico, significando "irromper".

Nathaniel Pêssach
Do hebraico, significando "um presente de D’us". O nome Do hebraico, significando "passar ou saltar por cima". É o
aparece muitas vezes na Torá. Um Nathaniel foi o quarto filho nome hebraico usado na Torá para os dias festivos de Pêssach,
de Jesse, irmão de David. o feriado da liberdade, comemorando o éxodo do Egito e o
salvamento dos primogênitos israelitas durante a última das
Negev Dez Pragas.
Do hebraico, significando "sul, do sul".
Pinchás, Phineas
Nehemiah Do egípcio, significando "negro, de pele escura". Na Torá,
Do hebraico, significando "confortado do Senhor". Durante o Pinchás foi um sacerdote, neto de Aharon.
séc. V AEC, Nehemiah, contemporâneo de Ezra na Torá, foi
Governador de Judah. Tinha trabalhado anteriormente como Pinchás, Pincus, Pinkas
copeiro do Rei da Pérsia, Artaxerxes I. Pinchás e suas variantes são as formas originais de Phineas,
encontrado na Torá em hebraico.
Nir
Campo R

Nissan Rafael
Do hebraico, significando "vôo" ou "padrão, emblema". Do hebraico, significando "D’us curou". Rafael foi o arcanjo e
Nissan é o nome do mês hebraico no qual ocorre a festa de mensageiro Divino mencionado nos livros apócrifos de Enoch
Pêssach. e Tobit, embora o nome apareça na Torá como um dos
Levitas.
Nissim
Do hebraico, significando "sinais ou milagres". Deriva do Ram
mesmo radical hebraico de Nissan. Altura

Nitzan Ravid
Ornamento importante escola de pensamento. Do hebraico e aramaico,
significando "nome", e tendo a conotação de reputação.
Raviv
Chuva, orvalho Shapir
Do aramaico, significando "belo". O sobrenome Shapiro é
Raz, Razi, Raziel derivado deste nome pessoal.
Nomes populares em Israel, derivados do aramaico, e
significam "segredo, meu segredo, ou segredo do Senhor." Shai
Presente
Reuven, Reuben
Do hebraico, significando "veja — um filho!" Na Torá, Shalom
Reuven foi o primeiro filho de Yaacov e Leah. Paz

Roi Shaul (Saul)


Meu pastor Primeiro Rei de Israel (veja Saul).

Ron, Ronel, Roni, Ronli Shelomi, Shelomo


Formas variantes derivadas do hebraico, significando "júbilo Formas variantes de Shlomo, que é a forma hebraica de
ou canção". Solomon.

S Shem
Do hebraico, significando "nome", e tendo a conotação de
Saadiah, Saadyah "boa reputação". Na Torá, Shem foi o mais velho dos três
Do hebraico, significando, "ajudante de D’us", e tendo a filhos de Nôach.
conotação de proteção. Saadiah ben Joseph foi um famoso
erudito judeu nascido no Egito, que viveu de 882 a 942. Sheraga, Shraga, Sheragai, Shragai
Estes nomes são formas variantes derivadas do aramaico, e
Samson, Sampson, Shimshon significam "luz". Em yidish, o nome híbrido Shraga-Feivel é
Do hebraico, significando "sol". Na Torá, Samson foi um juiz comumente usado.
israelita da tribo de Dan. Era famoso por sua força e coragem,
e teve sucesso na luta contra os filisteus, até que foi traído por Shimon
Delilah. Na literatura, Samson tornou-se um sinônimo para A forma hebraica de Simon ou Simeon. Filho de Yaacov
"homem forte".
Shmuel, Samuel
Samuel Profeta e Juiz. Significa também "D’us ouviu"
Famosa figura bíblica que viveu durante o século 11 AEC. Foi
o profeta e juiz em Israel que ungiu Shaul como o primeiro rei. Shneur
O nome deriva de um radical hebraico, e tem sido interpretado Nome yidish, derivado do latim, Senior, que significa "o
como significando tanto 'Seu nome é D’us", como "D’us idoso".
ouviu", ou "D’us ungiu ou dedicou."
Simcha, Simha
Saul Do hebraico, significando "júbilo", ou "ocasião feliz".
Do hebraico, significando "pedido ou emprestado". Na Torá,
Saul foi o primeiro rei a reinar sobre Israel (11º século AEC). Simeon, Simon
Era o filho de Kish, da tribo de Benjamin. Samuel, o Profeta, Do hebraico, significando "ouvir" ou :ser ouvido". Na Torá,
ungiu-o rei somente por causa do clamor do populacho, e Simeon foi o segundo filho de Yaacov e Leah.
apesar de seu próprio melhor critério.
Sivan
Set, Seth Sivan é o nono mês depois do Ano Novo Judaico,
Filho de Adam correspondendo a maio-junho. No Zodíaco, seu signo é
Gêmeos.
Shalom, Shlomo, Sholom
Nomes independentes com um radical comum. Do hebraico, T
significando "paz". Shlomo é o nome hebraico correspondente
a Salomão. Tal
Do hebraico, significando "orvalho ou chuva".
Shamir
Do hebraico, significando "uma substância muito dura, como Tamir
pedra", capaz de cortar o metal. Há uma referência a ele no Alto
Livro de Ezekiel. Segundo a lenda talmúdica, foi criado na
véspera do Shabat, ao anoitecer. Tom
Honesto
Shammai
Erudito palestino do primeiro século e líder que fundou uma Tomer
Árvore Yaron
Ele cantará
Tzevi, Tzvi
Do hebraico, significando "um cervo". Yigal
Ele redimirá
U
Z
Uri, Uriah, Uriel
Todos são nomes independentes, mas têm um radical comum Zachariah (Zachary), Zecharia
— do hebraico, significando "luz". Uri significa "minha luz". Do hebraico, significando "a memória, ou lembrança do
Uriah e Uriel significam "D’us é minha luz". Uriah, o Hitita da Eterno". Zachariah e Zachary são formas variantes de
Torá, foi um dos guerreiros de David cuja esposa, Bathsheba, Zechariah. O mais famoso Zechariah foi o profeta que viveu
mais tarde tornou-se esposa de David. Uriel, segundo uma na primeira metade do 6º século AEC, durante o período de
antiga lenda judaica, era um dos quatro anjos que ministravam retorno dos exílios babilônicos. Outro Zechariah foi o Rei de
na Presença de D’us. Israel, filho de Jeroboam o Segundo, no século 8º AEC.
Profeta. Significa também "Lembrando D’us"
Y
Zamir
Yaacov, Yaakov Canção
A forma hebraica de Jacob. Filho de Yitschac.
Zak
Yashar, Yesher Forma abreviada de Isaac, ou então apelido de Zechariah e
Do hebraico, significando "íntegro, honesto". Yesher é um Zachary.
nome bíblico, o filho de Caleb.
Zebulun, Zevulun
Yehoshua (Joshua) Do hebraico, significando "exaltar, honrar", ou "uma casa
Sucedeu Moshê como líder elevada". Na Torá, Zebulun era o sexto filho de Yaacov e
Leah.
Yehuda, Yehudah
Do hebraico, significando "louvor". A forma inglesa exata é Zev, Zevi, Zeviel
Judah. Judah foi o quarto filho de Yaacov e Leah, e fundador Formas variantes do nome hebraico Tzvee, que significa "um
de uma das doze tribos. cervo". Zev também possui o significado de "lobo". Zeviel
significa "gazela do Senhor."
Yeshurun
Um nome poético usado na Torá para designar a nação Zevulun
hebraica. Yeshurun significa "aquele que é íntegro". Grafia hebraica original para Zebulun.

Yigal Ziv
Do hebraico, significando "ele redimirá". O nome aparece Reluzir
diversas vezes na Torá. Igal é uma variante.
Zohar
Yitschac (Isaac) Luz
Filho de Avraham. Significa também "riso"
NOMES JUDAICOS FEMININOS
Yoel
O nome hebraico do Profeta Joel, e significa 'D’us está A
querendo".
Adela, Adelia, Adele, Adelle
Yonah (Jonah) Estes nomes, todos populares na Alemanha, significam "de
Profeta. Significa também "pomba" origem nobre".

Yonatan (Jonathan) Adena, Adina


Filho de Saul e amigo de David. Significa também "D’us Do hebraico e do grego, significando "nobre, desejada,
doou" adornada". Também significa "delicada".

Yossef (Joseph) Aderet


Filho de Yaacov e Rachel Do hebraico, significando "uma capa, uma veste externa".

Yair Afra
Ele brilhará Do hebraico, significando "uma jovem corça".

Yakir Ahava, Ahuva


Precioso Do hebraico, significando "amor, ou amada".
Aliza, Alizah, Alitza, Alitzah Ela é a única mulher mencionada no Talmud que participou de
Do hebraico, significando "júbilo, ou jubilosa". discussões legais. Berura é um nome moderno usado em
Israel.
Amalia, Amaliah
Do hebraico, significando "a obra do Senhor", ou Bina, Buna
"trabalhadeira". Nomes hebraicos, significam "entendimento, inteligência,
sabedoria".
Ariel, Ariela, Ariella Bluma
Do hebraico, significando "leoa de D’us", e tendo a conotação Nome yidish anglicizado, significando "flor", derivado do
de força. alemão.

Ashira C
Do hebraico, significando "rica".
Chana, Chanah
Asisa Formas hebraicas de Hana ou Hannah.
Do hebraico, significando "suculenta, madura".
Chaya
Ateret Do hebraico, significa "vida, viver".
Do hebraico, significando "uma coroa ou coberta". Civia
Uma forma do nome hebraico Tzivav, significando "cervo" e
Avi tendo a conotação de agilidade.
Do hebraico, significando "meu pai", ou "meu senhor". Usado
tanto como nome masculino como feminino. D

Aviva, Avivah Dalia


Do hebraico, significando "primavera", sugerindo juventude, Do hebraico, significando "um ramo, um arco" ou "extrair
frescor. água".

Ayala, Ayalah, Ayelet Dalice, Dalit


Do hebraico, significando "um cervo, uma gazela". Do hebraico, significando "extrair água" ou "um ramo, um
arco".
Aziza, Azizah.
Do hebraico, significando "forte". Dania, Danya, Danice, Danit
Formas variantes do nome masculino Dan, que é derivado do
B significado hebraico "julgar". Dania e Danya significam
"julgamento do Senhor".
Baila, bayle, Beylah
Estes nomes são variantes yidish do hebraico Bilhaw (Bilhah) Daniela, Daniella, Daniele, Danielle
significando "problemática, fraca, idosa", ou derivados do Formas femininas do nome masculino Daniel, que é derivado
eslavo, significando "branca". do hebraico e significa "D’us é meu juiz".

Batsheba, Batsheva Deanna, Deanne


Batsheva é a moderna forma israelense de Bathsheba, que é Variantes de Diane ou Dina.
derivada do hebraico e significa "filha de um juramento". Na
Torá, Batsheba foi a esposa do Rei David. Shlomo, Salomão, Debbi, Debby
que mais tarde se tornou rei, foi o segundo filho de David e Formas carinhosas de Deborah.
Batsheba.
Deborah, Debra
Batya, Basya Do hebraico, significando "um enxame de abelhas", ou :"dizer
Do hebraico, significando "filha de D’us". Na Torá, Bitya (em palavras bondosas". Na Torá, duas personagens encantadoras
inglês, Bithia) era a filha do faraó que se casou com Mered, eram conhecidas por este nome: 1) Deborah, a enfermeira de
membro da tribo de Judah. Rebeca, e 2) A profetisa-juíza, esposa de Lapidos, que viveu
acerca de 1150 AEC, e liderou a revolta contra o rei canaanita
Bela, Bella, Belle e seu general, Sisera. Sua canção de vitória, conhecida como
Pode ser uma forma de Isabella, significando "juramento de "Canção de Deborah", é um dos poemas mais antigos
D’us", ou do húngaro, significando "nobremente brilhante", ou preservados em hebraico.
do latim, com o significado de "bela". Belle é a forma
francesa. Deena, Dena, Denna
Formas hebraicas variantes da Dinah bíblica, significando
Berura, Beruria "julgamento". Dena também é derivada do anglo-saxão,
Do hebraico, significando "pura, limpa". Em aramaico, a significando "do vale".
mesma palavra significa "devota, boa, honesta". Em assírio,
tem o significado de "reluzente". Beruria foi a santa esposa do Devora, Devorah, Devra
erudito talmúdico Rabi Meir, que viveu no segundo século. Formas hebraicas variantes de Deborah.
Dinah Freida, Freide, Frayde
Do hebraico, significando "julgamento". Na Torá, Dinah era Formas alternativas de Frieda e Freda, ou do yidish, e
filha de Yaacov e Leah. significam "júbilo".

E Fruma
Nome yidish, significa "piedosa ".
Eliana, Elianna
Do hebraico, significando "D’us respondeu a mim".
G
Eliora, Eleora
Do hebraico, significando "D’us é minha luz". Gabi, Gavi
Forma abreviada de Gabriela.
Elisa, Elissa, Eliza, Elize
Estas são algumas das muitas formas variantes derivadas de Gabriela, Gabriella, Gabrielle
Elizabeth. Formas femininas de Gabriel, significando "D’us é minha
força", em hebraico.
Elisabeth, Elizabeth
Do hebraico, significando "Juramento de D’us", ou "D’us é Gina
um juramento". A forma hebraica original é Elisheva. Na Pode ser a forma abreviada de Regina ou vir do hebraico, com
Torá, Elisheva (também grafado Elisheba) era a esposa de o significado de "jardim".
Aharon, irmão de Moshê. Elisabeth é a forma que Elisheva
recebeu na tradução grega da Torá. Gita, Gitel
Derivado do yidish. Significa "boa".
Elisheva
Do hebraico, significando D’us é meu juramento". Esta é a Golda, Goldarina, Goldie, Goldy
forma hebraica exata do nome Elizabeth. Do teutônico, significa "de cabelo dourado".

Elza H
Do hebraico, significando "D’us é minha alegria".
Hadassah
Emuna, Emunah Do hebraico, significando "uma árvore de murta", que é o
Do hebraico, significando "fiel". Usado na Idade Média, e símbolo da vitória. Na Torá, Hadassah era o nome hebraico de
atualmente em Israel. Ester, prima de Mordechai.

Ester, Esther Hana, Hannah


Esther e suas diversas formas variantes são de origem persa, e Do hebraico, significando "graciosa, misericordiosa". Na
significam "uma estrela". Na Torá, Ester foi o personagem Torá, Hannah era a mãe de Samuel, esposa de Elkanah. Antes
central no livro de Ester. Era prima e filha adotiva de de tornar-se mãe, prometeu que se tivesse um filho ela o
Mordechai, e mais tarde tornou-se a rainha do Rei Ahasuero. consagraria ao serviço de D’us. Deu ao filho o nome de
Seu nome hebraico era Hadassah, que significa "murta". Essia, Samuel, que significa: "D’us ouviu minha súplica".
Essie, Ettie, Estella e Estelle são algumas das variantes.
Hasia, Hasya
Ethel Do hebraico, significando "protegida do Senhor".
Do teutônico, significa "nobre".
Hava
Eva, Eve Do hebraico, significando "vida" ou "existir". A forma inglesa
Eva é a forma alemã de Eve, que deriva do hebraico e de Hava é Eve.
significa "vida". Na Torá, Eva, mulher de Adam, foi a
primeira mulher. Haviva
Do hebraico, significando "amada".
Evelyn
Pode ser diminutivo de Eve ou, do céltico, significando Haya
"agradável, bom". Do hebraico, significando "vida". Variante da grafia de Chaya.

F Heidi
Provavelmente uma variante de Hester e seu diminutivo,
Faiga Hettie, ambos derivados de Esther.
Do anglo-saxão, significa "a bela" ou um nome yidish
derivado do alemão, significando "um pássaro". Hinda
Do anglo-saxão, significa "gazela, cervo", e tem a conotação
Feigel de rapidez.
Nome yidish derivado do alemão, significa "um pássaro".
Faiga é uma variante. I
Iti, Itti Leeba
Do hebraico, significando "comigo". Nome yidish, de origem germânica, e significa "amada".
Leeba também é usado em Israel, com origem hebraica
J significando "coração".

Jael Leila
Do hebraico, significando "cabra montanhesa" ou "subir", e Do árabe e hebraico, significando "beleza oriental escura", ou
tem a conotação de alturas. "noite". Entre os persas, Leilah era usado como um nome
significando "de cabelos escuros". Laila, Laili, Lailie e Laylie
Jaffa, Jafit são formas variantes.
Do hebraico, significando "bela, graciosa".
Lela, Lelia
Jennifer Do teutônico, significando "leal, fiel".
Nome hebraico e latino, significando "porte gracioso". Usado
também pelo significado galês, "bela". Lena, Lennie, Lenora, Lenore
Formas de Eleanor. Veja Eleanor para um completa
Jessica, Jessie explicação. Lena é usado também como um moderno nome
Do hebraico, significando "Graça de D’us" ou, se tirado do israelense, derivado do hebraico, e significa "habitar" ou
mesmo radical que o masculino Jesse, tem o significado de "alojar".
"riqueza".
Levana, Livana
Jochebed, Jocheved Do hebraico, significando "a lua", ou "branca".
Do hebraico, significando "D’us é glorioso", ou "a honra de
D’us". Na Torá, Jochebed foi a esposa de Amram, e mãe de Levona, Livona
Moshê, Aharon e Miriam. Do hebraico, significando "tempero, incenso", usado durante o
sistema de sacrifícios, e assim chamado por causa de sua cor
Joela, Joella, Joelle branca. Levana, que significa "branco" em hebraico, deriva do
Formas femininas de Joel, significando "D’us está querendo", mesmo radical que a palavra significando "tempero".
em hebraico.
Lia
Judith, Judi, Judie, Judy A forma italiana de Leah.
Do hebraico, significando "louvor". Na Torá, Judith era o
nome da esposa de Essav. Tornou-se popular, no entanto, por Liba
causa da bela heroína no livro de Judith (no Apócrifo) que Variante da grafia de Leeba.
conseguiu decapitar Holofernes, o general assírio.
Libbie, Libby
K Formas diminutivas de Elisabeth. Veja Elisabeth para uma
explicação mais completa.
Kalanit
Nome de uma planta em formato de xícara, com flores Linda
coloridas, vista no interior de Israel. Do latim e espanhol, significando "bela" ou do teutônico, com
o significado de "donzela gentil ou adorável".
Keren
Do hebraico, significando "chifre (de um animal)". Liora
Variante da grafia de Leora, significa "luz", em hebraico.
Keret
Do hebraico, significando "cidade ou colônia". M

Keshet Malka
Do hebraico, significando "um arco, um arco-íris". Do hebraico, significando "uma rainha".

L Margalis, Margalit, Margalith


Nome hebraico derivado do grego, significa "pérola".
Laila, Laili, Lailie, Laylie Margaret é derivado do mesmo radical.
Do hebraico, significando "noturno", pertinente à noite ou à
escuridão. Martha
Do aramaico, significa "triste", ou "senhora".
Lea, Leah
Do hebraico, significando "estar fatigado", ou do assírio, com Mazal
o significado de "proprietária, mandante". Lee é a forma Do hebraico, significando "uma estrela". No sentido popular,
abreviada popular. Lia é a variante italiana, e Lea a francesa, tem o significado de "boa sorte".
bem como a forma diminutiva. Na Torá, Leah era filha de
Laban e a primeira das esposas de Yaacov. Menora, Menorah
Moderno nome israelense, derivado do hebraico, e significa R
"um candelabro".
Rachel, Rachele, Rahel
Mia Do hebraico, significando "uma ovelha", o símbolo da pureza
Moderno nome israelense derivado de Michaela, significa e gentileza. Na Torá, Rachel era a esposa de Yaacov e irmã de
"Quem é igual a D’us?" em hebraico. Leah. Yossef e Benjamin eram os dois filhos de Yaacov com
Rachel.
Miriam
Pode vir do hebraico, significando "mar de amargura, Raizel, Rayzel, Razil
tristeza", ou do caldeu, "senhora do mar". Mary é o nome mais Formas yidish de Rose ou Rosa.
popular que se desenvolveu a partir de Miriam, que, por sua
vez, tem sido a fonte de uma grande variedade de outros Rayna, Reyna
nomes. Na Torá, Miriam era a irmã de Moshê e Aharon. Do yidish, significa "pura, limpa".

Mira, Miri, Mirit Rebecca, Rebekah


Formas populares de Miriam, usadas em Israel. Veja Miriam A linda Rebecca na narrativa bíblica era a esposa de Yitschac
para uma explicação completa. e mãe de Yaacov e Essav.

Moriah, Morice, Moriel, Morit Rina


Do hebraico, significando "professora". Moriah e Moriel Uma variante da grafia de Rena, significa "júbilo" em
significam "D’us é meu professor". hebraico.

Rivka
N A grafia hebraica de Rebecca.

Naama, Naamah Ruth


Do hebraico, significando "agradável, bela". Nome usado em primeiro lugar pela personagem bíblica cuja
lealdade à sogra, Naomi, conquistou a admiração de todos os
Naomi povos, e um dos nomes modernos mais populares. É derivado
Do hebraico, significando "linda, agradável". Na Torá, Naomi do hebraico e do siríaco, e significa "amizade".
foi a sogra de Ruth, uma moabita que se converteu ao
Judaísmo. S

Naava, Nava, Navit Samantha


Do hebraico, significando "bela, agradável". Do aramaico, significando: "ouvinte".

Nechama, Nehama Samara


Nome hebraico, significa "conforto". Do hebraico, significando "um guardião".

Sara, Sarah, Sarai, Sarette, Sari, Sarita


O Sarah, a primeira das matriarcas e esposa de Avraham, é
derivado do hebraico, e significa "princesa, nobre". Seu nome
Odelia na Torá era originalmente Sarai, e mais tarde mudou para
Do hebraico, significando "Louvarei a D’us", ou então do Sara. Ela e Avraham foram os pais de Yitschac.
alemão, com o significado de "nobre, rico". Odete é uma
variante francesa do alemão. Sarene, Sarina, Sarine
Formas variantes de Sarah.
Ora, Orah, Orit
Do hebraico, significando "luz". Ora também é tirado do latim, Shaina, Shaine, Shayna, Shayne
e significa "ouro". Do yidish, significa "linda".

Orlice, Orlit Sharon


Do hebraico, significando "luz". Nome de uma variedade de rosas encontrada abundantemente
em Israel. O Rei Salomão teceu elogios às Rosas de Sharon no
Cântico dos Cânticos (Shir Hashirim) na Torá.
P
Shifra
Penina, Peninit Do hebraico, significando "linda".
Do hebraico, significando "coral ou pérola".
Shira, Shirah, Shiri
Pora, Poria Do hebraico, significando "canção".
Do hebraico, significando "frutífero".
Shoshan, Shoshana, Shoshanah
Do hebraico, significando "lírio" ou "rosa". Shoshan também é
usado como nome masculino em Israel. do yidish, com o significado de "pomba".

Shulamit, Shulamith Tova, Tovah


Do hebraico, significando "pacífica". Salomé é a forma grega. Do hebraico, significando "boa".

Sima U
Do aramaico, significando "um tesouro".
Urice, Urit
Simeona, Simona, Simone Do hebraico, significando "luz".
Formas femininas de Simeon e Simon, com o significado de
"ouvir" ou "ser ouvido", em hebraico. V

Sivia, Sivya Varda, Vardice, Vardis, Varddit


Do hebraico, significa "um cervo". Também pode ser grafado Do hebraico, significando "uma rosa".
como Civia e Tzivya.
Y
Stella
Do latim, significa "estrela". Esther é a forma persa de Stella. Yaffa, Yafit
Do hebraico, significando "bela".
Susan
Do hebraico, significando "uma rosa ou lírio". Muitas formas Yehudit, Yudit, Yuta
variantes de Susan desenvolveram-se no decorrer dos séculos, Nome hebraico para Judith. Na Torá, Yehudit aparece
especialmente como diminutivos. Os mais populares são: Sue, somente uma vez, como esposa de Essav.
Suzie, Suzy, Sukie, Sukey, Susanne, Susette e Suzette.
Yona, Yonina, Yonit, Yonita
T Diversas formas do hebraico, significando "pomba".

Taga
Do aramaico e árabe, significando "uma coroa". Z

Tal, Talia, Talya Zila, Zilla, Zili, Zilli


Do hebraico, significando "orvalho". Talia e Talya significam Do hebraico, significando "sombra".
"o orvalho do céu", e também "um cordeiro" em aramaico.
Zimra
Tamar, Tamarah Do hebraico, significando "um ramo de frutos escolhidos" ou
Do hebraico, significando "uma palmeira", e tendo a "canção de louvor".
conotação de ereta, íntegra, graciosa.
Zipporah, Tsipora
Tamara Do hebraico, significando pássaro. Na Torá, Zippora era a
Das Índias Ocidentais, significando "tempero", ou do esposa de Moshê e filha de Yitrô.
hebraico, significando "palmeira", equivalente a Tamar.
Ziva, Zivit
Temima Do hebraico, significando "brilho, esplendor".
Nome hebraico, significando "íntegra, honesta".
Zohar
Toba, Tobelle, Toby Do hebraico, significando "luz, brilho". Usado também como
Toby e suas formas são do hebraico, significando "bom", ou nome masculino.

Conselhos para uma futura mamãe

Querida................,
Obrigada por escrever. É sempre bom receber boas notícias, especialmente boas notícias na família.
Então, você está grávida! Mazal Tov! Estou lisonjeada por ser consultada e por favor, sinta-se à vontade para ligar ou escrever a
qualquer hora pedindo conselhos. Você provavelmente não receberá nenhum, mas procure-me de qualquer forma. Se eu não tiver
conselhos a dar, provavelmente inventarei alguma coisa que seja agradável. Em última instância, farei você rir um pouquinho, e todos
sabem que rir é a melhor coisa para bebês ainda não nascidos. Na verdade, o riso é a melhor coisa que conheço para quase tudo.
De qualquer forma, todas as bênçãos para uma gravidez fácil, com muitos momentos de aconchego. Um conselho tenho certeza que
posso oferecer: dê-se ao luxo de sentir-se cansada. É sempre bom ter uma boa desculpa para ir para a cama e agora, finalmente, você
pode fazer isso sem sentir-se culpada. Pode ir para a cama e pensar consigo mesma: "Não estou fazendo isso por mim, mas pelo bebê."
Certo? Certo.
Então, agora que você está bem acomodada, precisará de boas coisas para ler. (Já tentou uma pequena dose diária de salmos? Bastante
confortador.) E, cobertores confortáveis para as noites frias de inverno. Sugiro um pouco de incenso ou uma daquelas coisinhas que
queimam óleos perfumados.
É claro que nada disso é para você. É para aquele que vai nascer. Portanto, não há auto-indulgência nenhuma. Apenas uma boa
preparação para ser mãe. Certo? Certo.
Agora, conselhos práticos:
Não: Olhe nada que seja feio. Leia sobre coisas desagradáveis. E deixe assuntos políticos e sociais pesados para os outros.
Sim: Olhe bastante pela janela, especialmente para as nuvens, árvores em flor e flores na primavera, e o sol faiscando sobre a neve
recém-caída ou galhos cobertos de neve.
Música: Bastante. Várias vezes ao dia. E não se esqueça de cantar. O canto é essencial. Faça isso a qualquer hora, mas tente de
verdade.
Prece: Algumas pessoas parecem acreditar que isso ajuda. Sou uma delas. Ele, como estou certo que você sabe, desempenha um
importante papel em toda a concepção, gravidez, processo de nascimento (alguns dizem que Ele é o terceiro parceiro no evento),
portanto, se eu fosse você, não o ignoraria. Eu soube que Ele gosta de ser lembrado, e que Se lembra daqueles que lembram d'Ele.
Além de algum tempo regular para prece, como foi sugerido por nossos Sábios, recomendo tentar manter-se cônscia da presença de
D'us em nossa vida o tempo todo. Você pode mesmo achar-se tendo algum tipo espontâneo de conversação com D'us (mas não diga a
ninguém que o faz, caso contrário será levada para o hospício). Nestas conversas, permita-se fazer reclamações, se tiver vontade, ou
mesmo lamentar-se. E quando sentir vontade sincera, expresse sua gratidão ao Todo Poderoso. Você pode achar que quando pensa
n'Ele, um sorriso brota em seu rosto, ou mesmo uma risada. E, bem, há muitos momentos para se ligar no Sr. Onipresente, se você
deseja estar presente para Ele.
De qualquer maneira, estou certa de que você tem suas próprias maneiras de dialogar com o Divino. Estou apenas tentando lembrá-la
a fazer isso tão freqüentemente quanto possível, formal ou informalmente.
Você pode querer ter alguns objetos sagrados pela casa - mezuzot, caixinhas de tsedacá (para caridade), e livros sagrados - para
servirem como receptáculos a quaisquer bênçãos desgarradas que flutuem à procura de algo para se conectarem.
Também acredito que aquilo que você faz com seus olhos durante a gravidez (aquilo que você olha) é comunicado diretamente ao
bebê que está para nascer; assim também os sons e as vibrações de outros. Portanto, fique perto de pessoas que pensem positivamente,
e evite qualquer pessoa negativa, ou que a deixe preocupada ou ansiosa. E, siga sempre seu coração quando se tratar do seu bem-estar
e do bebê.
Prometo que tudo vai dar certo. Você terá meses agradáveis e felizes à sua frente. O parto será uma brisa. E seu bebê será saudável e
lindo. Você e seu marido terão horas maravilhosas esperando por vocês, com todos aqueles sons e movimentos encantadores
emergindo. E o carinho mútuo entre você e seu marido durante estes meses incrivelmente especiais durarão para sempre, e são uma
preparação para o que está para chegar.
Não fique intimidada ou hesitante em pedir a ele tudo que precisa para sentir-se mais feliz ou mais confortável. Não pense que é
egoísta por causa disso. Lembre-se: é tudo para o bebê. O mais importante sobre ter filhos, pelo que sei, é a ausência de egoísmo.
Aprender a dar. Aprender que amar é dar. Então, por que não começar com vocês dois? Assim, quando o bebê nascer, vocês dois
estarão acostumados a ficar em segundo plano, a fim de estar lá um para o outro, e para ele ou ela.
Aprender a amar e doar-se um ao outro é apenas outra maneira de preparar-se para ser pai ou mãe.
Bem, preciso terminar. Espero ter notícias suas. E se não tiver, saiba que estou pensando em você, rezando por você, e enviando a
você, seu marido e o bebê, montanhas de amor.
Tudo de bom.

A educação começa no nascimento

A psicologia moderna descobriu e demonstrou que um bebê começa a absorver impressões duradouras que moldarão sua
personalidade e permanecerão com ela por toda a vida — conceito que o rei Salomão ensinava há mais de 2800 anos. Através de
gerações, as mães judias faziam seus bebês adormecerem através da entoação de canções que exaltavam a beleza da Torá.
Antes mesmo que a criança inicie a articulação das sílabas de suas primeiras palavras, o processo educacional já começa no
nascimento, pois no berço ela já observa e absorve o que se passa ao seu redor.
Indo mais longe ainda, mesmo no período de gestação, o feto responde a estímulos e mantém ligações que podem as vezes passar
despercebidas como respostas à estímulos como ruídos, percepção de voz, sentimento de afeto, entre outros.
A palavra hebraica Chinuch significa muito mais do que simplesmente educação no sentido de dar à criança fatos e números para
serem assimilados. Chinuch significa moldar o caráter da criança e guiá-la, passo a passo, pelos caminhos que a ajudarão a torná-la
uma pessoa íntegra e um bom judeu em sua totalidade.

A escolha de um nome
Quando D'us fez o primeiro homem, Adam, instruiu-o a dar nomes a tudo que Ele criara. Nossos sábios nos dizem que Adam
compreendia as origens de todas as criaturas e assim era capaz de designar para cada coisa um nome apropriado correspondente à sua
fonte no céu.
Semelhantemente, segundo a tradição, os pais recebem uma inspiração Divina ao selecionarem nomes para os seus filhos. Deste
modo, não importa qual o nome judaico escolhido, certamente ele será o mais adequado para aquele menino ou menina.
Um nome ajuda a estabelecer um elo entre a criança e a herança do seu povo. Geralmente é selecionado através do vasto tesouro de
nomes encontrados na Torá e no Talmud ou em nomes tradicionais judaicos que foram dados a crianças judias no decorrer de
gerações.
O mero registro de um nome, atribuído à semelhança dos nomes comuns do país onde se reside, junto às autoridades civis para fins de
diferenciação não basta, pois não é suficiente para dar à criança uma identidade judaica.
O nome da pessoa está intimamente ligado à essência de sua alma. Se uma pessoa desmaiar, poderá ser reanimada se alguém
sussurrar-lhe ao ouvido seu nome judaico.
Quando é dado o nome
Um menino recebe seu nome na cerimônia de Brit Milá (circuncisão), enquanto que o da menina é dado na sinagoga no dia em que é
lida a Torá. Alguns pais costumam dar nome à filha na primeira leitura da Torá, que se segue ao nascimento; outros ainda preferem
esperar até o primeiro Shabat. (É costume Chabad dá-lo na primeira oportunidade).
Durante a leitura da Torá, uma prece especial é recitada pela saúde da mãe e da filha, quando então é dado o nome. Em geral, um
Lechayim ou Kidush segue-se ao serviço.
Antes da realização desta cerimônia, o pai deve conhecer seu próprio nome hebraico, o de seu pai, sua descendência (Cohen, Levi ou
Israel), o nome judaico de sua mulher, da mãe dela e finalmente o nome hebraico a ser dado ao recém-nascido.

Tradições diferentes
Entre os judeus ashkenazim é costume dar ao filho ou à filha o nome de um parente próximo já falecido, cuja vida foi uma inspiração
para todos, e cujas qualidades os pais gostariam de ver renascidas e emuladas em sua própria criança.
Os judeus sefaradim, frequentemente dão a seus filhos o nome de um avô ou de uma avó estimados, ou ainda de um outro parente vivo
como forma de homenageá-lo.
Outro costume, amplamente difundido, é o de dar à criança o nome de uma grande personalidade da Torá, formando assim um elo
espiritual entre os dois.

Identidade
Quando o povo judeu era escravo no Egito, esse país era o centro do mundo civilizado e havia atingido o que então era considerado o
ápice da cultura secular. Embora os judeus permanecessem em cativeiro por mais de duzentos anos, nunca perderam sua identidade
como nação. Nossos sábios atribuem este fato à três elementos que os fizeram merecer a liberdade da escravidão: a conservação do
seu próprio idioma (hebraico), o fato de se vestirem seguindo suas tradições e a conservação de seus nomes judaicos.

A fala
Assim que a criança começa a falar, inicia-se uma nova fase em sua vida. Versículos da Torá lhe são ensinados, a recitação do "Shemá
Israel", antes de dormir, "Modê ani", ao acordar, demonstrando desta forma, em cada ato e em cada pequena prece, que existe um
Criador que nos cuida e nos envia bênçãos a cada dia e quer que a gente cumpra Seus mandamentos, as mitsvot, através da Torá, Seu
Guia de vida.
O quarto de um bebê não deve ser "ornamentado" somente no aspecto físico, que engloba dezenas de brinquedos e objetos coloridos.
A preocupação de seus pais deve ser de proporcionar uma paz e proteção espiritual através da aquisição de livros sagrados entre os
quais o Sidur, Chumash e Tehilim.
Uma caixinha de Tsedacá (caridade) deverá ser colocada na prateleira de seu quarto, como um lembrete constante e encorajamento a
repartir a sua mesada com os menos favorecidos, no decorrer de cada dia de sua vida.

A escola
Aprendemos que "a Torá é a árvore da vida, para aqueles que se atêm a ela". A escola que escolhemos para nossos filhos deve,
portanto e antes de tudo, possuir uma apropriada atmosfera de Torá na qual a atuação de seus diretores seja um exemplo vivo, coerente
e de total compatibilidade com os ensinamentos da Torá.
Igualmente importante é a postura demonstrada pelos professores. Eles devem ser indivíduos tementes a D'us, cujo comportamento
seja exemplar, pois o estudo da Torá é completamente diferente de qualquer outro – não poderá jamais ser encarado como mais uma
matéria do currículo escolar.
Um professor deve ser coerente, se espera que seus alunos pratiquem o que ele ensina. Somente através da combinação dos esforços
do lar aliados ao da escola poderemos ter certeza de que a criança será uma fonte de alegrias judaicas para seus pais, a família e o
povo de Israel.

Nossos fiadores
Antes de doar a Torá a Israel, D'us pediu fiadores que garantissem seu contínuo estudo e prática de Seus mandamentos. Primeiramente
os anciãos foram sugeridos, mas D'us os rejeitou; depois os líderes foram apresentados, mas também foram considerados inaptos.
A quem D'us finalmente aceitou como fiadores de seu sagrado legado?
Foram as crianças pela sua pureza às quais seriam ensinadas e educadas pelos seus pais e professores para se comprometerem com
uma vida plena e significativa de Torá.
É nossa obrigação e responsabilidade fornecer aos nossos filhos uma genuína educação judaica baseada nos ensinamentos da Torá e
no comprometimento com as mitsvot. Desta forma permanecerão para sempre, fiadoras do legado Divino e de Suas eternas bênçãos de
vida e continuidade judaica.

BRIT MILÁ
Brit Milá: trauma ou alegria?

(In)Decisão
Nenhum outro costume, hábito ou ritual tem atravessado tantas eras e vencido tantas perseguições. A circuncisão seja na paz ou na
guerra, tem sobrevivido, de Avraham Avinu até os dias de hoje.
Atualmente, no entanto, muitos judeus têm deixado de realizar a mistvá de Brit Milá em seus bebês, um dos mais antigos preceitos
ordenados por D'us na Torá. Alegam as mais diversas razões para isto, indo desde trauma psicológico, diminuição da tolerância à dor
até a diminuição do desejo sexual.
Sem base científica, ou fatos que apontem para qualquer uma destas conclusões, o resultado tem sido desastroso. Estes mitos e medos
transformam-se em desafios onde a única lógica na decisão a tomar é a proteção natural que pais desejam garantir ao futuro e ao bem
estar de seus filhos.
"Porque eu deveria fazer o brit milá em meu filho? É cruel. Não posso fazer algo tão bárbaro que o marcaria psicologicamente para o
resto da vida!"
"Por que o faria sem dar-lhe o direito de escolha?"
"Este procedimento é arcaico, fora de moda e arriscado."
"Não sou religioso e nem acredito nisto. Estaria sendo hipócrita!"
Mas porque, antes de tomar qualquer iniciativa ou decisão, não escutam o outro lado da questão? Afinal, deve haver prós, senão,
nenhum judeu, e felizmente ainda há muitos, arriscariam a vida emocional de seus filhos submetendo-os ao Brit Milá.
Então, que tal dar uma chance?

Do ponto de vista médico


Um estudo no New England Journal of Medicine (1990) registrou uma taxa de complicação por volta de 0,19% quando a circuncisão é
realizada por um médico. Quando é feita por um mohel, a taxa cai para 0,13%, aproximadamente 1 em 1.000. Quando ocorre uma
complicação, geralmente trata-se de sangramento excessivo, que é facilmente contornável. Nenhum outro procedimento cirúrgico
chega a tais índices de operações livres de complicações. Um estudo mostrou que em torno do oitavo dia, os níveis de protombina
atingem 110 por cento do normal.
Uma razão pela qual há tão poucas complicações envolvendo o sangramento deve-se aos agentes coaguladores mais importantes, a
protombina e a vitamina K, quando não atingem os níveis máximos no sangue até o oitavo dia de vida. Os níveis de protombina são
normais ao nascer, caem a níveis muito baixos nos dias seguintes, e voltam ao normal no fim da primeira semana. Um estudo
demonstrou que por volta do oitavo dia, os níveis de protombina atingem 110% do normal. Nas palavras do Dr. J. Quick, autor de
diversas obras sobre controle de hemorragia, "Não parece acidental que o ritual da circuncisão fosse adiado até o oitavo dia pela Lei
Judaica." Além disso, a circuncisão é conhecida por oferecer proteção praticamente completa contra o câncer peniano.
Segundo um recente artigo no New England Journal of Medicine, nenhum dos mais de 1.600 homens com este tipo de câncer no
estudo tinham sido circuncidados na infância. Nas palavras dos pesquisadores Cochen e McCurdy, a incidência de câncer peniano nos
Estados Unidos é "praticamente zero" entre homens circuncidados.
Diversos estudos relataram que meninos circuncidados tinham de 10 a 39 vezes menos probabilidade de desenvolver infecções do
trato urinário durante a infância que meninos não circuncidados. Além disso, a circuncisão protege contra bactérias, fungos e
infecções parasitárias, além de uma série de outros problemas relacionados com a higiene. A taxa extremamente baixa de câncer
cervical em mulheres judias (de 9 a 22 vezes menor que entre mulheres não-judias) é atribuída à prática da circuncisão.
Como resultado de estudos como esses, diversas organizações médicas de prestígio reconheceram os benefícios da circuncisão, e a
Associação Médica da Califórnia tem endossado a circuncisão como uma "efetiva medida de saúde pública."
No entanto, não é por nenhuma destas razões que realizamos a mitsvá de Brit Milá.

Uma conexão espiritual


A circuncisão tem sido praticada em judeus do sexo masculino há quase 4.000 anos, desde que Avraham assim foi ordenado por D'us.
A verdade é que não há argumento "lógico" para cortar um pedaço de carne de um bebê indefeso.
Em lugar algum a pessoa tem mais potencial para expressar comportamento "bárbaro" que no desejo sexual. É por isso que o Brit é
feito neste órgão específico. Se trouxermos santidade em nossa vida ali, tornaremos fácil a tarefa de trazer santidade em todas as
outras partes de nosso ser. O judaísmo nos direciona a sermos os verdadeiros donos de nossos impulsos e emoções e a controlar
nossos desejos mais primitivos direcionando-os a buscas espirituais.
Em termos cabalísticos, o prepúcio simboliza uma barreira que impede o crescimento. Quando a Torá fala sobre aproximarmo-nos de
D'us, nos conclama a "remover a Orlah, (o invólucro) de seu coração" (Devarim 10:16).
Quando Avraham fez sua própria circuncisão aos 99 anos, D'us adicionou a letra "heh" ao seu nome. "Heh" é parte do próprio nome
de D'us, significando que por meio do Brit Milá, o ser humano acrescenta uma dimensão de espiritualidade ao corpo físico.

Médico ou mohel?
A escolha não é tão difícil se você conhecer os argumentos. Os métodos são diferentes, as circunstâncias são diferentes, e os
resultados são diferentes.
A circuncisão feita no hospital, longe da mãe da criança, é realizada com tenazes dolorosas e pode demorar até 15 minutos. Em
contraste, o trabalho de um mohel é completado em segundos.
No hospital, é uma prática cirúrgica: luzes, ambiente frio, uma equipe de estranhos "homens de branco" debruçados, mãos e pezinhos
do bebê amarrados numa mesa impessoal cirúrgica, ao passo que num Brit ele repousa no colo tranquilo de um vovô carinhoso, em
um ambiente aquecido e familiar.
Estas e outras diferenças foram registradas em 1997 pela Associated Press, que relatou serem as "circuncisões judaicas mais suaves"
que aquelas realizadas em ambientes seculares, e que os "mohels, hábeis praticantes do antigo ritual judaico da circuncisão, parecem
infligir menos dor nos recém-nascidos que a maioria dos médicos."
Cicatrizes psicológicas, anestesia, barbarismo e crueldade - tudo isso fala da circuncisão ao estilo do hospital. Nas palavras de um
mohel da Califórnia, "Se eu tivesse de fazer um brit usando a técnica hospitalar, não desejaria ser um mohel."
Uma livre escolha?
"E quanto à livre escolha de nossos filhos, podemos nos impor sobre este direito?"
Como pais, é nossa obrigação nos impor a nossos filhos. E na verdade, é isso que fazemos. Escolhemos seu quarto (antes mesmo de
nascerem!) suas roupas, babás e escolas. Os vacinamos pontualmente para que não estejam expostos a riscos e contraiam doenças. O
que estamos fazendo? Impomos nossos padrões de comportamento! Como pais responsáveis nos sentimos no dever de incutir em
nossos filhos valores, na esperança de que quando eles crescerem, também os adotarem. Não deveríamos fazer o mesmo com a
identidade e valores judaicos? Se o brit é o símbolo do Judaísmo da pessoa, por que não podemos "impô-lo," com tudo aquilo que
representa, ao nosso filho recém-nascido?
Alguém poderia argumentar: "Mas a circuncisão é diferente, porque possui caráter permanente."
Certo, mas as impressões feitas na mente e no coração de uma criança também são permanentes. Tudo na verdade que os pais fazem
afeta profundamente os filhos. Se para os pais o Judaísmo ocupa um significativo espaço em suas vidas, então a responsabilidade de
introduzi-lo e torná-lo desde cedo familiar a seus filhos passa a ser fundamental. O Brit é apenas o primeiro passo na direção destes
valores. Do contrário, jamais poderão reivindicar uma posição judaica no futuro.
Fomos o povo instruído a utilizar nosso corpo e toda a matéria existente a fim de elevá-los a níveis espirituais. Não sabemos até aonde
estes níveis são capazes de nos conduzir, mas com certeza, ao conduzir nosso filho em nossos braços e entregá-lo por segundos nas
mãos hábeis de um mohel pode ser justamente este o único gesto que garantirá nossa identidade mais íntima como judeus e nossa mais
profunda e eterna relação com D'us.

Brit Milá: Circuncisão

O que é
O Brit Milá é um preceito positivo da Torá na qual D'us ordena realizar a circuncisão de todo menino judeu. É um dos rituais mais
sagrados e como é efetuado sem a consciência da criança, significa um ato de fé acima da lógica, mantido através das gerações; é
sinônimo de uma aliança viva e eterna entre o homem e D'us.

O primeiro
Brit Milá é o sinal especial que tem distinguido o judeu dentre as nações, desde quando o patriarca Avraham circuncidou a si mesmo e
a todos os de sua casa, por ordem Divina, na idade de 99 anos.
Quando Yishmael, o primeiro filho de Avraham, fez o Brit milá, já possuía 13 anos, estava completamente capacitado a compreender
este mandamento. Estava orgulhoso de sua decisão em submeter-se racionalmente a um preceito de D'us. Sua aceitação do Brit Milá
estava limitada à razão.
Yitschac, por outro lado, nasceu um ano após ter sido ordenado a Avraham fazer o Brit e foi circuncidado com apenas oito dias, um
bebê sem o desenvolvimento intelectual.

Lei Judaica
Pela Halachá, Lei Judaica, um judeu deve circuncidar seu filho no oitavo dia após o nascimento, quando sua faculdade da razão ainda
não está desenvolvida. Isto significa que um judeu está ligado e comprometido com D'us o mais cedo possível, de um modo absoluto e
abrangente, que transcende sua razão e percepção.

Shalom Zachor
Na primeira sexta-feira após o nascimento de um filho, é feita uma cerimônia conhecida pelo nome de Shalom Zachor, traduzido
como boas vindas e agradecimento a D'us pelo nascimento do bebê. Recebe na verdade esta designação por ser no Shabat, (também
conhecido como Shalom, paz), quando nos reunimos para saudar o recém-nascido (Zachor).
Costuma-se convidar amigos para celebrar a chegada do novo membro logo após a refeição de Shabat à noite, quando então servem-se
alimentos e bebidas além do prato essencial desta noite: grão-de-bico, conhecido como arbis ou nahit, que simboliza luto. Por que luto
em uma ocasião tão festiva?
Para lamentar o fato de que ao nascer, a criança esqueceu a Torá que estava aprendendo no útero materno. Este aprendizado inicial da
Torá lhe dá, mais tarde, a capacidade de adquirir o conhecimento e a sabedoria de D'us, por si mesma.

O dia do Brit Milá


O Brit é executado no oitavo dia subsequente ao nascimento da criança. Por exemplo, se a criança nasceu no domingo (do pôr-do-sol
de sábado até o pôr-do-sol de domingo) o Brit é realizado no domingo seguinte. Isto se aplica mesmo quando o oitavo dia cai num
Shabat ou em algum Yom Tov (desde que o nascimento tenha sido de parto normal —caso tenha sido de cesariana, o Brit é adiado
para o dia seguinte).
A circuncisão é realizada através de um "Mohel", homem temente a D'us, cumpridor dos preceitos judaicos e versado na prática da
circuncisão, conforme as leis da Torá.
É o Mohel que decide se a criança está apta ou não a ser circuncidada. Se decidir que ela não está fisicamente capacitada a se submeter
à circuncisão no tempo prescrito, por estar com icterícia, se encontrar abaixo do peso mínimo exigido (kg) ou algum outro problema, o
Brit é adiado. Uma vez atrasada a cerimônia, ela não poderá ter lugar num Shabat ou em um Yom Tov, mas deverá ser realizada na
primeira oportunidade.
Sempre que praticável, o Brit deve ser realizado pela manhã como sinal de nossa urgência em cumprir uma mitsvá, a vontade de D'us.
Nunca deve ser realizado à noite.
Não se costuma convidar as pessoas para o Brit, mas simplesmente informá-las sobre a hora e o local, pois não seria apropriado que
elas declinassem de um convite para um evento, no qual Eliyáhu, o profeta, estará presente.
O Profeta Eliyáhu
Na cerimônia de cada Brit Milá o Profeta Eliyáhu é uma visita ilustre que traz muita honra.
Há muito tempo, um dos reis de Israel, influenciado por maus conselheiros, aboliu a cerimônia da circuncisão. Eliyáhu, que vivia
naquela época, clamou então a D'us relatando que o povo de Israel havia abandonado Sua valiosa aliança. A partir de então, D'us o
instruiu a estar presente e a testemunhar todas as circuncisões. Por esta razão uma cadeira especial é designada em honra ao Profeta
Eliyáhu, em cada Brit Milá.

O Mohel
Embora a Torá aponte o pai para circuncidar seu filho, o Brit é geralmente feito por um Mohel, pois a maioria dos pais não está
qualificada para executar tal ato. O homem escolhido para fazer o Brit deve ser observante e temente a D'us, e estar adequadamente
habilitado e treinado. A circuncisão realizada através de um cirurgião judeu, mas que não seja um Mohel, adulterará inteiramente o
significado do Brit Milá, pois este ato é o elo espiritual que liga a criança a D'us.

Sandec, Kvater e outras honras


Juntamente com o Mohel, o Sandec, a pessoa que segura a criança durante a circuncisão, deve ser alguém de grande estima da família
e da comunidade.
O dia do Brit Milá é visto como uma festa para o Sandec, tal como para o pai e o Mohel. Geralmente, um casal (de noivos ou casados)
é escolhido para servir de Kvater (aqueles que trazem a criança para o aposento onde o Brit terá lugar).
A mulher toma a criança dos braços da mãe e por sua vez a entrega ao homem que a levará para o aposento. Ele ou ainda outro
homem coloca então a criança sobre a cadeira reservada ao Profeta Eliyáhu. A tradição nos diz que ao dar a honra de ser Kvater a um
casal ainda sem filhos, confere-se a este uma bênção especial para que se torne fértil e tenha seus próprios filhos.
Em seguida, o pai coloca o bebê no colo do Sandec. Depois que o Mohel executa a circuncisão, mais dois homens podem receber
honras especiais: um, a de segurar a criança, enquanto o outro recita a bênção e a prece especial onde em seguida é anunciado a todos
o nome judaico da criança. Na refeição que se segue é costume acender velas em honra da Simchá, porém, nenhuma bênção especial é
recitada.
No Bircat Hamazon, Bênção de Graças recitada após uma seudat mitsvá, refeição festiva, vários pedidos são acrescentados para o
bem-estar do nenê recém circuncidado, por seus pais, o Sandec e o Mohel.
Através do Brit Milá um menino se identifica como judeu logo no início de sua vida e permanece, por toda ela, ligado à sua Fonte.

Dando nome ao bebê

Pergunta:
Minha mulher entrou no sétimo mês de gravidez, e começamos a discutir nomes para nosso bebê. Ela deseja algo tradicional, mas eu
quero que meu filho seja um indivíduo e estou pensando em algo mais exótico. O que diz o Judaísmo sobre dar nome a um filho?

Resposta:
Escolher um nome não é tarefa fácil. O nome da pessoa não é uma mera etiqueta, pois expressa a essência do portador. As letras que
formam seu nome, seu som e seu significado são descrições de sua alma. Somente um profeta tem a visão e a perspicácia para saber
que nome combina com a alma de seu filho.
Você é este profeta.

A Cabalá ensina que os pais recebem uma profecia temporária para escolher o nome certo para o filho, Este lampejo de perspicácia
pode chegar a qualquer hora, mas quando vem, você sabe que escolheu o nome certo. Um determinado nome começa a aparecer na
sua cabeça e gradualmente o influencia. É uma inspiração Divina, levando-o a dar o nome que realmente pertence ao seu filho.

Para uma alma judia, o nome da alma está em hebraico. O hebraico é o idioma original, sagrado, o idioma que D’us usou para criar o
mundo. Os nomes hebraicos têm significados elevados, têm múltiplas camadas, há tantas pessoas com o mesmo nome mas mesmo
assim cada qual é única, dependendo de qual camada de significado sua alma expressa. Ser chamado pelo seu nome hebraico desperta
a alma para ser mais manifesta em sua vida diária.

Examine os nomes dos grandes personagens da História Judaica, ou nomes de avós falecidos. Se algum desses nomes “saltar” para
você, isso pode indicar que a criança tem uma centelha da alma daquela pessoa, e vai imitar os traços positivos daquela pessoa. A
alma tende a continuar na mesma família, e uma criança que recebe o nome de um ente querido que se foi continuará a carregar aquela
chama.

A originalidade não deveria ser um fator decidivo na escolha de um nome. Tentar ser diferente de todo mundo significa basear sua
escolha em todo mundo. Isso não pode ser chamado de individualidade. Porém dar ao seu filho um nome hebraico com o qual tanto
você quanto sua mulher concordam, significa dar um nome que é verdadeito para a alma única de seu filho.

Lembre-se você não está apenas dando nome a um bebê. Está também dando nome a um adolescente, um adulto e um cidadão idoso.
Os nomes da moda de hoje estarão ultrapassados quando seu bebê estiver ganhando os dentinhos. Os nomes hebraicos têm
permanecido em voga por 4000 anos. Use sua chance de ser profeta por um dia, e escolha um nome que descreva a alma de seu filho.
Por que fazer a Brit Milá?

O brit é um símbolo físico do relacionamento entre D’us e o povo judeu. É um lembrete constante daquilo que a missão judaica
acarreta (um lembrete de que os homens precisam mais que as mulheres). Vejamos alguns detalhes:

Se D’us deseja a circuncisão, por que não nascemos circuncidados?


D’us criou o mundo imperfeito, e nos deu a missão de aperfeiçoá-lo. D’us criou o trigo, os seres humanos fazem o pão. D’us criou a
selva, os seres humanos criaram a civilização. A matéria prima nos é dada, e devemos usar nossa engenhosidade para melhorar o
mundo onde nascemos. Isso é simbolizado pelo brit – nascemos incircuncidados, e cabe a nós “terminar o trabalho”. Isso também é
verdadeiro metaforicamente. Todos nós temos instintos e tendências naturais que são inatos, mas precisam ser refinados. “Eu nasci
dessa maneira” não desculpa o comportamento imoral – devemos podar os traços negativos, não importa o quanto sejam inatos.

Por que D’us escolheria a circuncisão para representar algo sagrado?


A espiritualidade judaica torna o mundo físico sagrado. Nossa maneira de comer, dormir, trabalhar e procriar deve ser imbuída com a
mesma santidade com a qual rezamos; nossos lares devem ser tão santificados quanto nossas sinagogas. Encontramos D’us na terra
assim como (e talvez mais) que nos céus. Portanto colocamos um sinal no órgão mais físico e potencialmente mais baixo, para dizer
que ele pode e deve ser usado de maneira sagrada. Na verdade, é na sexualidade que podemos tocar a parte mais profunda da nossa
alma, quando a abordamos com santidade.

Por que circuncidar um bebê? A declaração não seria mais poderosa se fosse feita por um adulto amadurecido?
A circuncisão é realizada quando a criança ainda não tem consciência do que está acontecendo. Isso porque a conexão judaica com
D’us é intrínseca – se nossas mentes acreditam ou não em D’us, se nossos corações amam ou não a D’us, nossas almas conhecem a
D’us. Nós podemos entrar no pacto com D’us mesmo sem estarmos cônscios d’Ele, porque subconscientemente nós já O conhecemos.

Por que especificamente no oitavo dia?


O número sete representa a natureza – sete dias da semana, sete cores do arco-íris, sete notas musicais; o número oito é o número que
sobrepuja sete, e assim representa o miraculoso, que está além da natureza.

Fazemos o brit no oitavo dia porque o povo judeu sobrevive de milagres. Nossa história desafia as leis da natureza. Recepcionamos
um novo menino judeu a esta miraculosa existência no oitavo dia de sua vida, como para expressar: “Espere milagres!”
PIDYON BECHOR

Pidyon Haben: a mitsvá de redimir o primogênito

A Torá menciona que todo primogênito é sagrado para D'us. Esta mitsvá é mencionada três vezes na Torá.

O que é
Cada judeu (exceto cohen ou levi) deve redimir seu filho primogênito nascido (de parto natural, sem aborto anterior) de mãe judia
(não filha de cohen ou levi) no 31º dia de vida, com cinco shecalim (moedas de prata equivalentes a 101 g de prata pura). Esta quantia
de resgate deve ser entregue, em prata, ao cohen durante a cerimônia. Se o 31º dia coincidir com Shabat ou Yom Tov, (que proíbe
transações comerciais) deve ser adiada para o dia seguinte.

Origem
Os primogênitos foram inicialmente escolhidos por D'us para exercerem os deveres do sacerdócio (kehuná) em virtude de terem sido
poupados quando o Criador matou os primogênitos egípcios. Entretanto, quando os primogênitos judeus executaram os rituais
sacerdotais diante do bezerro de ouro, esse chamado sagrado foi transferido para os cohanim.
A fim de libertá-los legalmente dessa obrigação original, eles devem ser resgatados com cinco moedas de prata (shecalim), pagos a um
cohen. O procedimento deste resgate não se aplica a um primogênito cujo pai é um cohen ou levi, ou a mãe filha de cohen e levi.

Procedimento
É costume cumprir esta mitsvá à luz do dia; entretanto a festa que se segue pode se estender até a noite. Prepara-se uma refeição (que
deve conter pão e carne), em honra ao resgate do primogênito. Esta refeição é considerada seudat (refeição de) mitsvá.
A cerimônia do pidyon é realizada após a bênção sobre o pão antes de servir a refeição.
Se, por alguma razão, o primogênito não foi resgatado no tempo prescrito, isto deve ser feito na primeira oportunidade, mesmo sendo
o menino já adulto. (Neste caso, ele próprio deve resgatar-se perante um cohen.)
O pai deve escolher um Cohen observante e bem versado na Lei Judaica para redimir seu filho na frente do qual apresenta o filho
primogênito e as cinco moedas de prata as bênçãos específicas.

Bênçãos do resgate
O pai da criança declara:
Ishti hayisreelit yaledá li ben zê habechor.
"Minha esposa israelita deu à luz para mim este filho primogênito."
O cohen pergunta:
Bemai ba'it tefê, bevinchá vechorêcha, o becha-mishá sela'im dimchayávta liten, befidyon binchá bechorêcha zê?
"O que preferes ter - teu filho primogênito ou as cinco moedas de prata que deves [me] dar pelo resgate de teu filho primogênito?"
O pai responde:
Be'iná bivni vechori zê, vehelach chamishá sela'-im befidyon dimchayávna bêh.
"Prefiro este meu filho primogênito e eis as cinco moedas de prata exigidas de mim pelo resgate."
Ao entregar ao cohen a quantia do resgate, o pai recita as seguintes bênçãos:
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu al pidyon haben.
"Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D'us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou sobre o resgate do
filho."
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, shehecheyánu vekiyemánu vehiguiánu lizman hazê.
"Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D'us, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos fez chegar até a presente época."
Com um cálice de vinho na mão (contendo no mínimo 86 ml), o cohen recita a bênção sobre o vinho imediatamente após o resgate,
bebendo-o em seguida:
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam borê peri hagáfen.
"Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D'us, Rei do Universo, que cria o fruto da vinha."
Na conclusão da refeição recita-se o Bircat Hamazon, Bênção de Graças.

Resgate do primogênito (adulto)


O pidyon haben não deve ser adiado. Porém, um primogênito cujo pai não o redimiu deve resgatar a si próprio, tão logo seja possível,
após tornar-se bar-mitsvá.
O primogênito deverá dizer:
Ani bechor pêter rêchem, veha'Cadôsh baruch Hu tsivá lifdot et habechor.
"Sou um primogênito que abriu o ventre materno e o Santo, bendito seja Ele, ordenou resgatar o primogênito."
O cohen pergunta:
Bemai ba'it tefê: yat garmach, o bechamishá sela'im dimchayávta befurcanach?
"O que preferes - a si próprio ou as cinco moedas de prata que deves [me] dar pelo resgate?"
O primogênito responde:
Be'iná yat garmi, vehelach chamishá sela'im befid-yon dimchayávna bêh.
"Prefiro a minha pessoa e eis as cinco moedas de prata exigidas de mim pelo resgate."
Ao entregar ao cohen a quantia do resgate, o primogênito recita as seguintes bênçãos:
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech Haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu al pidyon bechor.
"Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D'us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou sobre o resgate do
filho."
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech Haolam, shehecheyánu vekiyemánu vehiguiánu lizman hazê.
"Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D'us, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos fez chegar até a presente época."
Com um cálice de vinho na mão (contendo no mínimo 86 ml), o cohen recita a bênção sobre o vinho imediatamente após o resgate,
bebendo-o em seguida:
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam borê peri hagáfen.
"Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D'us, Rei do Universo, que cria o fruto da vinha."
Na conclusão da refeição recita-se o Bircat Hamazon, a Bênção de Graças.

Significado
A mitsvá de Pidyon Haben significa que o "primeiro" (o melhor) de todos os nossos bens pertence a D'us. Um homem pode facilmente
ser levado a pensar que tem direitos acima de qualquer disputa sobre todas as suas posses.
A Torá declara que o início de qualquer realização, da qual nos orgulhamos em especial, deverá ser para D'us e o Seu serviço, e só
então podemos participar e aproveitar do restante. Isto era mais perceptível na época do Templo Sagrado, quando os primeiros frutos
tinham que ser trazidos ao Santuário e os primogênitos do gado eram ofertados ao Cohen, o servo de D'us. Entretanto, D'us nos
permitiu reivindicar nosso filho primogênito, desde que nos comprometamos a educá-lo nos passos da Torá.
Isto fica nítido através da pergunta retórica que o Cohen apresenta: "O que preferes - teu filho ou cinco moedas de prata?"
Já que o pai é obrigado a resgatar o filho de qualquer forma. A pergunta implícita é: "Estás consciente da tua obrigação de criar teu
filho para ser dedicado a D'us, estudar a Torá e cumprir as Mitsvot? Compreendes que para educar uma criança apropriadamente
deves estar preparado para fazer sacrifícios materiais se for preciso?"
Ao que o pai responde: "Eu quero o meu filho e aqui estão as cinco moedas de prata", este é o testemunho de que ele entendeu
plenamente a responsabilidade e o privilégio de criar seu filho para ser motivo de orgulho de D'us e de todo o povo de Israel.
Cartas do Rebe
Baruch Hashem,
Paz e Bênção!

Em resposta ao convite para o Pidyon Haben de seu filho, que tenha vida longa.
Que seja a vontade de D’us que esta seja numa hora boa e propícia, e que, junto com sua esposa, o eduquem para o estudo de Torá, ao
casamento e para uma vida de boas ações, em prosperidade, material e espiritualmente.
O preceito de resgatar o primogênito é em troca de D’us ter resgatado os primogênitos israelitas quando houve a praga sobre todos os
primogênitos no Egito.
Nossos Sábios nos ensinaram a nos assemelhar com D’us: “Da mesma forma que Ele é bondoso e piedoso seja você também”. Desta
mesma forma, cada um e cada uma, tendo a possibilidade, deve salvar filhos e filhas do povo judeu, que sobre todos foi dito “meu
filho primogênito, Israel”, para que não se assimilem entre as nações, D’us nos livre, conectando-os com a Torá viva, e desta forma
estarão “vivos hoje todos perante Ti”.
Que seja a vontade de D’us que brevemente em nossos dias tenhamos todos o mérito de presenciar nosso Pai Celestial redimindo Seu
primogênito, Israel, deste último exílio, e meu sogro, o Rebe, vai nos levar ao encontro do justo Mashiach brevemente. Amen.
Rabino Menachem M. Schneersohn

OPSHRNISH
Opshernish

Os judeus tradicionais geralmente esperam um menino completar três anos antes de fazer seu primeiro corte de cabelo. Isso é chamado
"Upsherin" - uma palavra iídiche que significa "cortar fora." O costume é primeiramente mencionado em "Sha'ar HaKavonot" por
Rabi Chaim Vital, aluno do notável cabalista do século dezesseis, o Arizal.
O terceiro aniversário é uma etapa importante na vida de um menino judeu. É quando ele inicia oficialmente sua educação de Torá, e
começa a usar kipá e tsitsit.
Falando em termos de desenvolvimento, três anos de idade é um tempo chave de transição. Cortar o cabelo nesta idade provoca forte
impressão emocional na criança. Ele sabe que está avançando rumo a um novo estágio de maturidade, e isso o ajuda a corresponder ao
novo papel.

Por que três anos?


A Torá compara a pessoa a uma árvore:
"Uma pessoa é como uma árvore do campo..." (Devarim 20:19).
A idéia de três anos como etapa de transição deriva da mitsvá de Orlá. A Torá diz que se você plantar uma árvore, todos os frutos que
crescerem durante os primeiros três anos são "orlá" - fora do alcance (Vayicrá 19:23). Assim como o fruto Orlá está fora de alcance
por três anos, assim também deixamos o cabelo de uma criança em paz durante seus primeiros três anos.

Bloqueio espiritual
O termo "Orlá" aparece em três referências diferentes na Torá:
1) Frutos; 2) Brit Milá, e 3) A busca da verdade.
Mas o que significa literalmente a palavra "orlá"? E qual a conexão entre estas três referências?
A primeira referência, em Vayicrá 19:23, é que os frutos que crescem durante os três primeiros anos são classificados de "orlá" e não
são comidos. Nachmânides explica que enquanto a árvore ainda é imatura, há um excesso de formação de fluidos nos frutos, o que
pode ser prejudicial, caso ingerido. Orlá, como definido por Nachmânides, significa "bloqueado."
A segunda, e talvez mais famosa referência à "orlá," é o prepúcio que é removido durante a circuncisão (Bereshit 17:11). Os
comentaristas explicam que aqui, também, orlá refere-se a bloqueio - neste caso, bloqueio espiritual. Um menino judeu não recebe a
medida total de sua alma até que a circuncisão seja realizada, e por este motivo a Torá registra a conseqüência de "extirpação
espiritual" para qualquer judeu do sexo masculino que não tenha um Brit Milá (Bereshit 17:14).
A terceira referência à "orlá" é quando D'us diz ao povo judeu "para remover a orlá do coração" (Devarim 10:16). Aqui a referência é
simbólica; o Todo Poderoso está exortando as pessoas a buscarem a verdade. Fazer isso exige que se remova aquilo que impede a
pessoa de enxergar a verdade - "as barreiras do coração."
Portanto, é apropriado que o dia do opshernish do garoto (quando ele simbolicamente deixa a categoria de "orlá" juntamente com seu
cabelo) seja também o dia em que ele tradicionalmente inicia sua educação de Torá. Pois o estudo de Torá é a maneira básica de
desligar o bloqueio espiritual, e remover as barreiras que impedem a pessoa de enxergar a verdade.
Conforme vai se livrando de seu cabelo, o menino sente que está entrando em uma nova etapa. Este é o dia de remover as barreiras.

Costumes
O terceiro aniversário de um garoto judeu é um evento especial repleto de importância. Para o corte de cabelo em si, é costume que
membros da família e amigos dêem uma aparada. O primeiro corte é feito na frente da cabeça, no local onde o menino mais tarde
colocará seu tefilin ao se tornar Bar Mitsvá.
Após aparar o cabelo, as pessoas dão ao menino uma bênção para obter sucesso na Torá, e também lhe dão dinheiro, que ele é
encorajado a colocar na tsedacá, caixa de caridade. Já ouvi falar também de um costume de se pesar o cabelo do garoto, e então dar o
valor equivalente em ouro ou prata para caridade - pelo mérito de que o menino tenha sucesso em Torá.
O primeiro corte de cabelo geralmente deixa o menino com "Peyot" - costeletas. Esta é uma glorificação do mandamento de não cortar
o cabelo rente nos lados da cabeça (veja Vayicrá 19:27). As "Peyot" podem ser curtas ou longas, como preferir, desde que não sejam
totalmente removidas. Os adultos cumprem esta mitsvá usando costeletas até o meio da orelha.
O dia do opshernish inclui estudar o Alef-Bet, as letras do alfabeto hebraico, com a criança. Uma bela maneira de se fazer isso é
conseguir um cartão de plástico com o alfabeto, colocando um pouco de mel sobre cada letra. Deixa-se então a criança lamber o mel
enquanto pronuncia cada letra. Isso é para que a Torá seja "doce em sua língua!"
Após três anos, ele agora começa a saborear os doces frutos da "Árvore da Vida."
Também se ensina à criança o versículo: "A Torá nos foi ordenada através de Moshê, uma herança para todo o povo judeu" (Devarim
33:4). Estas são as primeiras palavras que um menino judeu deve ser ensinado a falar, pois isso expressa seu relacionamento único e
pessoal com a Torá.
Em Israel, tornou-se um costume fazer o primeiro corte de cabelo de um menino em Lag Baômer, no túmulo de Rebe Shimon Bar
Yochai, em Meiron.
Bar-Mitsvá
A expressão "Bar-Mitsvá" se origina parcialmente do aramaico, a língua do Talmud. "Bar" significa literalmente "filho de", e "mitsvá"
significa "mandamento". Assim, um "bar-Mitsvá" é um "filho do mandamento".
A ocasião mais importante na vida de um judeu chega quando ele atinge a idade para entrar na aliança com D'us e no compromisso de
manter, estudar e praticar todos os mandamentos da Torá, aos treze anos de idade.
O sagrado livro Zôhar explica que no dia do décimo terceiro aniversário de um menino, a alma Divina é revelada com maior
intensidade, e exerce uma maior influência. Neste momento os jovens tornam-se aptos a responder pelo cumprimento das mitsvot.
Esta é a razão de se fazer uma comemoração especial neste dia.
Uma Seudat Mitsvá (refeição completa com pão e carne) é preparada por ocasião do Bar-Mitsvá. Durante a refeição, o rapaz
pronuncia um Devar Torá (um breve, mas profundo comentário sobre algum aspecto da Torá).

Costumes
A partir desta data o jovem deve colocar Tefilin diariamente (exceto em Shabat, Yom Tov e Chol Hamoêd) e cumprir todas as leis
judaicas.
jovem deve ser chamado à Torá para recitar as devidas bênçãos, na primeira oportunidade.
Após a cerimônia faz-se uma refeição, denominada Seudat Mitsvá, que deve conter pão e carne.
Nesta refeição, o jovem faz um discurso baseado na Torá.
Na conclusão da refeição, recita-se Bircat Hamazon, a Bênção de Graças.
É costume no dia do Bar-Mitsvá o jovem e seus pais fazerem maior doação do que o habitual para caridade, para que este ato lhes
traga uma bênção especial.

Bênção recitada pelo pai do jovem:


Após ser chamado à Torá pela primeira vez, quando o filho conclui a segunda bênção, o pai recita uma bênção na qual agradece a D'us
pela chegada deste momento tão feliz e por isentá-lo da responsabilidade pelos atos do filho, transferindo tudo ao próprio filho, através
da seguinte declaração testemunhada por todos os presentes:
Baruch shepetaráni meônesh halazê.
"Bendito é Ele que me livrou de ser punido por este menino."

Bat-mitsvá
"Bat" significa literalmente "filha de", e "mitsvá" significa "mandamento". Assim, uma "Bat-Mitsvá" representa uma "filha do
mandamento".
Uma das ocasiões mais importante na vida de uma menina judia chega quando ela atinge a idade para entrar na aliança com D'us e no
compromisso de manter, estudar e praticar todos os mandamentos da Torá, aos doze anos de idade.
O sagrado livro Zôhar explica que no dia do décimo segundo aniversário de uma menina, a alma Divina é revelada com maior
intensidade, e exerce uma maior influência. Neste momento as jovens tornam-se aptas a responder pelo cumprimento das mitsvot.
No caso da menina é positivo, não uma obrigação, reunir suas amigas e familiares onde algumas palavras de Torá deverão ser
proferidas, seguida de uma seudat mitsvá, refeição festiva.
Ao contrário da cerimônia de Bar-Mitsvá do menino, que implica na colocação dos tefilin e sua chamada pela primeira vez à Torá,
esta data não requer nenhum ato religioso específico, já que o Bat-Mitsvá ocorre um ano antes do menino, pois D'us abençoou as
mulheres com um grau maior de compreensão e ligação com o Criador.

Costumes
As meninas, ao completarem doze anos, chegam à idade da maturidade, e têm a responsabilidade de assumir o cumprimento das
mitsvot.
É uma mitsvá fazer uma refeição festiva no dia do Bat-Mitsvá, de forma discreta, conforme nossos sábios explicam que a discrição é
uma das maiores virtudes da mulher.
É costume no dia do Bat-Mitsvá a jovem e seus pais aumentarem a doação que habitualmente reservam para caridade, ato que lhes
traz uma bênção especial.

ANIVERSÁRIO
Feliz Aniversário!

Chegou o dia. Mais um ano, mais um aniversário, mais presentes, mais algumas expectativas, sonhos ao fechar os olhos e fazer seus
pedidos... Quer continuar comemorando assim o seu aniversário ou está aberto a mudanças?
O Talmud nos diz que na data do aniversário judaico o mazal, sorte, da pessoa é dominante. É certamente mais que uma ocasião para
receber presentes; é uma chance de festejar, agradecer e refletir sobre o que está realizando atualmente em sua vida. Este é o dia em
que você nasceu, em que a sua vida começou e é também o dia em que sua vida pode mudar.
O aniversário ensina o conceito de renascer. Festeja-lo é celebrar um novo começo. Não importa como as coisas transcorreram ontem,
ou ano passado, temos sempre a capacidade de tentar de novo. Nossos sábios explicam que no dia do aniversário, com nossa sorte
aumentada, torna-se o momento oportuno para fazer um balanço de nossas realizações passadas e assumir novas decisões.
O aniversário é mais um estágio em nosso desenvolvimento e a ocasião propícia para uma introspecção. Aproveite para pensar sobre o
papel que a Torá ocupa em sua vida. Pergunte para si mesmo qual a distância dos atos que você praticou daqueles que você ainda pode
praticar e adicionar.
Investigue francamente: "Estou utilizando meu tempo apropriadamente ou o desperdiçando em coisas fúteis e passageiras? Como
posso aproximar o caminho que conecta minha vida exterior à minha vida interior?"
A mesma energia que D'us investiu no instante de sua concepção está presente a cada ano mais uma vez. Aproveite a chance. Comece
com a introdução de pequenos atos. É muito fácil declarar que você está simplesmente agradecido; torna-se muito mais significativo,
no entanto, demonstra-lo através de uma boa ação, algo que não fez ontem. Não porque alguém lhe está convencendo a fazê-lo ou
forçando-o, mas simplesmente porque a voz de sua alma quer expressar a gratidão que sente por ter nascido e estar viva.
É simples, planeje uma festa! Convide sua família e reuna seus melhores amigos. Alimente e nutra bem seus amigos. Além dos comes
e bebes casher que os farão sair da dieta habitual, prepare uma comida espiritual. Fale um assunto de Torá (descole um rabino
ortodoxo moderno, mente ampla e cuca fresca, mas profundamente engajado em temor a D'us e cumprimento de mitsvot - ações
quentíssimas da Torá - praticadas com amor e sabedoria). Recite no Tehilim, Livro dos Salmos, o capítulo correspondente ao ano que
completará em sua próxima data de aniversário.
Deixe exposta uma caixinha de Tsedacá (caridade) e coloque um valor que ficará a seu critério. Incentive seus amigos a fazerem o
mesmo, explicando que não se trata de nenhuma poupança ou fundo de investimento pessoal, mas universal - para ser posteriormente
doada aos pobres e instituições beneficentes. Se o seu aniversário cair em um Shabat ou Yom Tov, dê tsedacá na véspera, antes do
horário do acendimento das velas. Quer aumentar suas ações positivas nesta data? Então se possível, adquira uma fruta que ainda não
tenha provado este ano para recitar a bênção de Shehecheyánu: Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, shehecheyánu
vekiyemánu vehiguiánu lizman hazê. Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D'us, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos fez
chegar até a presente época. No caso de homens, é costume ser chamado à Torá no Shabat precedente ao aniversário. Não é simples?
Faça um l'chayim (isto sou eu quem aconselho!) e tenha uma vida longa e plena, com Torá e mitsvot. Qualquer mitsvá dá uma grande
satisfação a D'us, porque ele vê que a criança na qual Ele investiu está vivendo conforme seu potencial. Esta é a verdadeira
experiência do nascimento, o começo verdadeiro para uma vida significativa.
Não se esqueça de agradecer a Ele, o primeiro a entrar em sua vida, seu convidado permanente, o maior amigo desde o dia de seu
nascimento: aquele que certamente nunca lhe abandonará: D'us.

CASAMENTO

A fusão de duas almas


Foi uma semana inteira. Como manda nossa tradição, não o vi ou falei com ele; nem sequer ouvi sua voz durante uma semana antes de
nosso casamento. E mesmo assim tenho sua imagem na minha mente, suas palavras em meu coração, e seu ser gravado em minha
alma.

É o dia de nosso casamento e acordei cedo para preparar-me. Por fora, estão arrumando meu cabelo, fazendo minhas unhas, minha
maquiagem. Mas por dentro estou num mundo totalmente diferente. Recito salmos tentando infundir cada momento com santidade.
Jejuo, pois este é meu Yom Kipur pessoal, meu Dia de Expiação e peço perdão pelo meu passado, enquanto me purifico e me preparo
para o meu futuro.

Em meu vestido de noiva, represento uma rainha e rezo pela capacidade de ser uma coroa para meu marido. Não para ser seu enfeite,
mas o laço entre seu consciente e seu inconsciente, para permitir-lhe ser o melhor possível. Assim como uma coroa está acima da
cabeça e também conectada com ela, assim a mulher judia une o espiritual e o físico, a teoria com a realidade. A coroa repousa nas
têmporas, a parte mais sensível da cabeça. Espiritualmente, a mulher também repousa nas têmporas. Ela pode massagear onde existe
dor, ao mesmo tempo em que assegura que o ego não se envaideça, pois ela serve como suas fronteiras. E ela mantém a cabeça
erguida, porque é a rainha e permite que ele seja o rei.

Tiro meus brincos, minha pulseira e colar. Em outro aposento, ele esvazia os bolsos, desfaz o nó da gravata e desata os cordões dos
sapatos. Ele não está me desposando pela minha beleza física ou jóias exteriores. Não estou casando com ele pelo dinheiro em seus
bolsos. Ele vem para ser desligado, sem laços, sem nenhuma conexão a ninguém ou coisa alguma, exceto comigo e com nosso
compromisso mútuo.

A música tem início e meu chatan, meu noivo, está para ser levado a mim. Ele cobrirá o meu rosto com um véu, para proteger a
santidade, a Divina Presença, que paira sobre o rosto de uma noiva. Meu véu será opaco para que eu não possa ver e ninguém possa
me ver também. Meus olhos, de qualquer maneira, estarão fechados para que eu sensibilize mais minha capacidade de pensar e sentir.
Neste momento, desejo a mais absoluta privacidade e não quero ser distraída pelos olhares das centenas de convidados.

Ao me velar, fazemos uma importante declaração mútua, sem palavras. Reconhecemos que estamos nos casando com aquilo que
vemos, mas estamos também casando com aquilo que não vemos. Acreditamos plenamente que somos a metade da alma um do outro.
Somente juntos podemos nos completar. Porém isso demandará esforços, muitos esforços. Ele não é a resposta para minha
imperfeição, mas sim os meios para eu chegar lá. Portanto, reconhecemos que amamos o que conhecemos e aquilo que sabemos, mas
estamos também nos casando com as partes que estão ocultas um do outro, e mesmo de nós próprios. Estamos determinados a amar
também estas partes e a aprender a entender como elas são também parte integrante de nossa restauração e nosso desenvolvimento.

Finalmente, após a semana mais longa de minha vida, meu chatan, meu noivo, se aproxima de mim. É quase intenso demais para
olhar. Contemplo meu futuro marido por um instante mas então meus olhos se enchem de lágrimas. Não posso mais ver, e não preciso.
Estamos para nos unir. Porém não somos apenas duas pessoas. Nosso casamento representa a continuidade do povo judeu. Não
estamos apenas a ponto de nos unir um ao outro, mas ao fazê-lo, estamos unindo o passado, o presente e o futuro.
Reunimo-nos agora novamente sob a chupá, para nos tornarmos marido e mulher. A canópia é aberta de todos os lados para
representar como devem ser nosso lar e nosso coração, receptivos e abertos a todos que nos cercam. Ficaremos fora, sob as estrelas,
para aproximar o céu da terra ao mesmo tempo em que nos elevamos para mais perto do céu.

Agora sou eu a ser levada para ele, que me espera sob a chupá. Quando me aproximo, circulo sete vezes à sua volta. Como há sete dias
na semana, culminando com a santidade do Shabat, assim também eu o rodeio, envolvendo-o em amor e comprometimento,
culminando comigo ao seu lado. Assim como eu sou a coroa dele que repousa como um círculo na sua cabeça, agora eu também crio
aquele vínculo, aquele alicerce, aquela segurança.

Num círculo, todos os lados estão à mesma distância do centro e existe perfeita harmonia. Quando eu terminar meus sete círculos, ele
volta a circundar-me colocando um anel simples de ouro em meu dedo. Este é nosso oitavo círculo, um acima do natural, os dias da
semana, e nos unindo com o sobrenatural, o Criador Acima. Sete bênçãos são agora recitadas, imbuindo santidade adicional ao nosso
relacionamento e compromisso. Mas pouco antes de celebrarmos um com o outro, como marido e mulher, devemos primeiro quebrar
um copo.

A última coisa que meu marido faz sob nossa canópia nupcial é pisar no copo. Tudo está em silêncio, e ouvimos o barulho. O vidro
despedaçado representa o sofrimento que sempre deve ser lembrado, mesmo em nosso júbilo. Embora estejamos repletos de
felicidade, nós como um povo, como um mundo, não estamos assim. E portanto é nossa responsabilidade lembrar que enquanto nos
alegramos, precisamos criar um mundo onde todos sejam felizes. E devemos viver nossa vida com sensibilidade a todos os menos
afortunados que nós, e sermos gratos por todo o bem que nos foi concedido.

Depois que o copo é quebrado, está na hora de celebrar nossa alegria. Removo o véu, enquanto meu marido e eu nos olhamos pela
primeira vez como casados. A música tem início, nossos convidados começam a cantar e dançar, e somos levados da chupá para
começarmos juntos uma nova vida.Sara Esther Crispe é escritora, editora, conferencista inspirada e professora. Mora com o marido,
Rabi Asher Crispe e seus três filhos, em Jerusalém.

Casamento versus viver junto

Fiz uma palestra certa vez, na residência de um amigo em Londres, durante minha aula semanal para casais, dos quais muitos não
necessariamente casados, sobre por que as pessoas deveriam transformar relacionamentos em casamento. Pela primeira vez um casal
que estava vivendo junto em um relacionamento de vinte e sete anos, mas nunca havia se casado, compareceu. Eu fora avisado de
antemão de sua situação um tanto irregular, e de certa forma dirigi a eles minhas observações. Ninguém poderia afirmar que não
estavam comprometidos um com o outro. Na verdade, embora ambos fossem previamente divorciados, já estavam juntos por vinte e
sete anos. Em seu testamento, tudo que ele possui está sendo legado a sua "parceira", como ele se refere a ela. Mas ele se recusa a
casar-se, porque já passou por um mau casamento e sente que não precisa disso. Considera o casamento como uma satisfação à
comunidade, apenas um pedaço de papel sem nenhum significado. Eu discordo. Ele estava dizendo que o casamento é apenas um
símbolo daquilo que sentem um pelo outro, e que os símbolos não são tão importantes assim.
Primeiramente, como dissemos em muitos destes ensaios, o casamento é muito mais que um símbolo. Porém mesmo os símbolos são
importantes; a vida está repleta de símbolos. Para um judeu, por exemplo, colocar o solidéu (kipá) é um símbolo de orgulho por seu
Judaísmo. É uma proclamação ao mundo daquilo que ele é. Suas ações serão baseadas no fato de que ele sabe que as pessoas sabem
que ele é judeu. Quando um soldado americano enverga uma farda americana, não apenas distingue-se do inimigo, como dá um
testemunho daquilo que representa. Quando luta contra um soldado nazista, não está somente lutando contra um inimigo, está
libertando a humanidade. Ao vestir sua farda, o soldado torna-se a democracia personificada. É por isso que arrisca a vida para cravar
sua bandeira, como no filme mundialmente famoso sobre a batalha de Iwo Jima, quando os fuzileiros americanos, em meio a terrível
luta, se reúnem para juntos cravarem a bandeira, que hoje serve de principal monumento ao Corpo de Fuzileiros Navais Americanos.
Embora um símbolo meramente represente alguma outra coisa, nossa prontidão em abraçar ou rejeitar aquele símbolo torna-se a chave
daquilo que sentimos pelo objeto que representa. Quando um homem usa um anel de casamento, é como se fosse uma declaração ao
mundo, não apenas que ele está amando alguém, como também que está tão orgulhoso disso, que anuncia este fato ao mundo todo.
Diz ao mundo que está casado, que não apenas ama uma pessoa, como também está se afastando de formas íntimas de afeição com
outras mulheres. Quando uma mulher orgulhosamente exibe seu anel de noivado, está proclamando a todos que quiserem ouvir que
ela acredita que seu noivo é alguém especial, e que ela se considera uma pessoa de sorte.

Sonhos e símbolos
Estes símbolos são incrivelmente importantes. Toda empresa precisa de um logotipo, todo país possui uma bandeira, toda religião
necessita de um ícone. Entendemos sua necessidade e sua importância. De repente, quando se trata de casamento, as pessoas dizem
que é "apenas" um símbolo. Perdemos todo o respeito por símbolos na sociedade de hoje.
Eis por que em meu primeiro livro Sonhos eu discuto que as pessoas não podem entender seus sonhos. Acordam pela manhã tendo
visto durante a noite estas imagens poderosas de suas vidas que, se fossem compreendidas, lhes diriam tanto sobre si mesmos,
especialmente aquelas coisas que podem não estar prontos para encarar conscientemente. Coisas que falam de emoções tão grandes
que jamais poderemos expressar, segredos tão profundos e escuros que não ousamos enfrentar, ganham vida em cores reais. Porém,
nós os descartamos rapidamente, e esquecemos nossos sonhos porque não podemos entendê-los. Perdemos nossa capacidade de
apreciar os símbolos, imagens visuais e linguagem pictórica. Podemos apenas falar verbalmente, de tal forma que quando vamos ao
museu precisamos de um professor erudito para traduzir os hieróglifos encontrados numa antiga tumba egípcia. Somos ignorantes,
bem como apáticos, sobre a linguagem dos símbolos.
Qual a diferença entre linguagens verbais e visuais? A linguagem verbal faz com que o ouvinte evoque uma imagem em sua mente.
Por exemplo, se eu descrever todos os detalhes da casa onde cresci em Miami Beach, cada leitor terá um quadro diferente sobre o
aspecto da casa em sua imaginação. A razão é esta: ao assimilarem os vários detalhes da casa em um todo coerente, serão eles a criar e
formar a imagem na mente. Porém, se eu imprimisse o desenho da casa junto com a descrição da mesma, todos os leitores saberiam
exatamente como ela era. Em outras palavras, imagens visuais são poderosas porque plantam uma imagem na mente do observador.
Produzem um impacto ao carimbarem sua impressão na pessoa que as olha.
Quando você apenas diz verbalmente a uma pessoa que a ama, ou que irá viver com ela, isso tem algum impacto, é de certa forma
poderoso. Quando lhe demonstra isso em cores vivas ao dar-lhe um anel na presença de toda a comunidade, está dizendo: "sou seu,"
numa declaração de amor que eles jamais poderão esquecer. Está carimbado neles como um selo de aprovação. Alguém está
proclamando: "Você é meu, não importa quantos queixos venha a ter daqui a cinquenta anos, ou como será sua saúde durante a vida.
Sempre o amarei e lhe terei devoção." Em um casamento judeu, a mulher não usa jóias sob a chupá (pálio nupcial), e um homem nada
tem em seus bolsos; a mulher usa um véu para mostrar que a despeito de sua beleza ou do status financeiro do casal, mesmo se os
bolsos estão vazios, mesmo assim amam um ao outro. Estão assumindo um compromisso para toda a vida, independente de quaisquer
considerações externas. Está sendo mostrado a toda a comunidade. Este símbolo é tão poderoso porque é uma representação visual de
seu amor; algo que a palavra "relacionamento" jamais poderá transmitir. Mesmo nos dias de hoje, sabemos que o casamento é intenso
e compromissado. Um relacionamento sempre oferece uma porta de saída.
Saber que você está casado com alguém é a suprema e constante declaração de amor. Em um relacionamento sempre há uma
ambigüidade; será que ele me ama? Será que ainda me ama? Você está sempre se questionando. Isso também pode existir no
casamento, mas pelo menos ocorre dentro de uma estrutura completa do amor e compromisso que assumiram um com o outro.

Proclamação total de amor


A idéia completa de um símbolo é que uma foto pode captar algo em sua totalidade. Esta foi minha intenção com o exemplo da casa.
Que uma foto diz tudo aquilo que diria um livro inteiro sobre a casa. Captura tudo, e coloca tudo junto numa imagem visual. Causa
um impacto muito mais poderoso no observador. Eis o que é o casamento. Encerra todos os sentimentos que você tem pela pessoa. É a
declaração de um ser humano a outro: "Eis o quadro de meus sentimentos, eu sou seu... Amo-o tanto que quero me arriscar por você.
Aceito o comprometimento absoluto. Não sei como me sentirei em dez ou vinte anos, mas isso não faz diferença. Minha proposta de
casamento encerra tudo aquilo que sinto a seu respeito." Não há melhor maneira de expressá-lo.
De que forma um relacionamento pode dizer tudo isso? É claro que você pode dizer a alguém: "Estamos vivendo juntos, eu a amo,
você é minha, saímos juntos, compartilhamos o mesmo espaço, o mesmo dinheiro, portanto não precisamos nos casar. Já temos isso
tudo." Porém, mesmo assim, são somente palavras. Não há uma imagem. Sempre deixa margem para alguma ambigüidade, da mesma
forma que cem pessoas diferentes farão uma centena de imagens diferentes de minha casa após lerem minha descrição. Uma centena
de pessoas terá cem diferentes modos de pensar sobre o que significa um relacionamento. É sério, não é sério? É intenso, não é
intenso? Como foi dito acima, a palavra relacionamento nada significa e nada transmite.
Porém casamento significa o mesmo para todos. Significa compromisso. Significa: pertenço a você. Significa que estamos juntos para
sempre, e lutaremos para fazer este casamento dar certo. Não sairei simplesmente porta afora na primeira vez que você perder a
paciência comigo. Significa que como marido e mulher, nos reservamos algumas experiências apenas um para o outro, e isso é o que
as torna tão intensas. A intensidade é criada quando você isola toda uma área da atividade humana, uma área inteira de linguagem
verbal e pensamento humano, e as reserva para uma única pessoa. É como o dia de Shabat, diferente dos outros dias da semana, e que
se distingue principalmente por ser tratado de forma diferente. Aqui a sua intimidade é preservada antes e durante o casamento para
aquela pessoa que você vai amar. Pois tudo que você faz com ela é único, porque não é feito com ninguém mais. Não é como uma
conversa que você acabou de ter, não é apenas como dar uma saída.
A vida trata de símbolos: o carro que dirigimos, a casa em que vivemos, as roupas que vestimos. Então, por que as pessoas sugerem
que o casamento é um símbolo sem importância?

Finanças compartilhadas
Outro símbolo importante do casamento é ter uma conta bancária conjunta. Posso enumerar quantos casais tenho visto que viram a
constante deterioração de seu casamento por não compartilharem uma conta bancária; têm acordos pré-nupciais ou guardam seus
ganhos para si. Muitas vezes, se as pessoas não têm contas conjuntas é porque estão apostando dos dois lados. Não têm certeza se dará
certo. Entretanto, quando você aposta dos dois lados, está perdendo o necessário grau de comprometimento. Naturalmente não dará
certo, porque você não está canalizando seus esforços suficientemente, concentrando-os em tornar o relacionamento um sucesso. Por
que arriscar?
Porém, além disso, uma conta conjunta é também um símbolo poderoso. Encaremos isso: o dinheiro é incrivelmente importante para
as pessoas. Tudo que você possui, sua prosperidade e seu futuro, as roupas que veste e os alimentos que come, a casa onde se abriga,
tudo é comprado com seu dinheiro. E quando você o compartilha, está declarando que pertence a ambos. Você compartilha tudo. Isso
significa que compartilha a mesma vida. Na verdade, esta é a única maneira, num sentido empírico, pela qual podemos transmitir o
tipo de unidade que o casamento concede, mesmo se usarmos a expressão: uma só carne. É verdade que você pode ser uma só carne
ao ter filhos. Ambos podem olhar para os filhos e ver uma parte sua e uma parte de seu companheiro. Porém se não há filhos, isso não
existe.
Mas se vocês compartilham os mesmos cartões de crédito, contas bancárias, com os nomes de ambos em tudo, isso serve como um
símbolo, como uma extensão de si mesmos. Sua casa, suas roupas. sua comida, seu carro, sua segurança, seu futuro, são de ambos.
Não é apenas algo que vocês criaram. É na verdade aquilo que os sustenta e os mantém vivos. Pertence a ambos.
Apenas quando nossa intimidade é preservada para aquela pessoa em especial, e quando fazemos nossos maiores esforços para tornar
nossa vida conjugal com nosso parceiro uma vida apaixonada, é que podemos sentir realmente que esta é uma atividade reservada
especificamente para a pessoa com a qual se está casado. Isso em si nos impede de cometer adultério. Sentimo-nos diferentes. Não
sentimos que isso é apenas um empreendimento casual.

Casamento 1+1=1

Você já se perguntou o que faz um homem e uma mulher casarem-se? Afinal, casamento não é brincadeira! Com ele, vem a
responsabilidade de prover sustento, educar filhos, dedicação ao cônjuge... Qual é a força de atração que supera todos os empecilhos?
Para o judaísmo, o amor é muito mais que um encontro de corpos e mentes: é um verdadeiro encontro de almas. A alma, ao descer ao
mundo, é dividida em duas metades - uma fica com o homem, outra com a mulher. No período do nascimento ao casamento, as duas
partes encontram-se em casas separadas, e muitas vezes em sociedades e países diferentes. No momento predestinado, elas encontram-
se. Nosso trabalho é fazer com que encaixem-se perfeitamente.
Existem duas conexões entre um homem e uma mulher casados.
A primeira, uma ligação material, pela qual são ligados todos os casais do mundo. Viver sob o mesmo teto, compartilhar tarefas e vida
conjugal. Neste ponto de vista, sempre haverão duas unidades - dois corpos separados, com pensamentos particulares e emoções
peculiares. Mesmo num casamento "super bonder" de paz e amor, será sempre possível reconhecer que, apesar de inseparáveis,
existem ali dois indivíduos.
Porém, o casamento é fruto de uma ligação muito mais profunda e essencial. Debaixo da chupá (pálio nupcial), duas metades fundem-
se em uma alma só. No campo espiritual, não se reconhece que existem ali duas pessoas separadas. O casamento não é uma sociedade
entre duas pessoas. É a união ao pé da letra.
A consciência da ligação interna no casamento é o melhor caminho para assegurar uma vida de paz e serenidade no lar. Uma ligação
apenas material dá abertura a cálculos pessoais, referentes às expectativas e aos desejos de cada lado. Porém, tendo em mente que meu
cônjuge é metade de minha alma, não se pode nem chegar a pensar numa vida individual, assim como ninguém abriria mão de uma
parte de seu corpo. Eu sou sua alma, ele/ela é minha alma, somos duas metades... enfim, somos um.
Se o casamento é algo tão espiritual e profundo, porque é, então, que os casamentos são comemorados com tanta dança e música?
Mais do que isto, existe uma mitsvá especial de alegrar o noivo e a noiva desta forma, e neste dia é servida uma refeição festiva! Não
seriam estas formas muito mundanas para a celebração de algo tão transcendental?
A resposta é: são formas mundanas, sim, e é justamente por isso que as utilizamos. Neste mundo, espiritualidade não deve ser
desconectada de materialidade. Tanto, que a união sublime das almas somente ocorre quando o noivo põe o anel no dedo da noiva sob
a chupá. Não é somente a alma que deve estar alegre por ter se completado para o resto da vida. O corpo também participa desta
alegria, na sua maneira de se fazer alegre - através de música, dança e alimentos saborosos.
Na próxima vez que for a um casamento, ou refletir sobre sua própria vida matrimonial, lembre-se que esta não é somente uma ligação
entre duas pessoas. É a conexão entre dois mundos: o material e o espiritual. E a interseção entre eles forma um dois mais importantes
núcleos do judaísmo: o lar judaico.

Casamento chassídico

Já declarei muitas vezes que o casamento é um relacionamento entre um homem, uma mulher e D’us. Tenho afirmado isso com
paixão, com esperança, e com sinceridade. Mas jamais senti tanto isso como recentemente, quando tive uma experiência que mudou-
me em mais maneiras que consigo entender por completo.

Já compareci a muitos casamentos que juntam pessoas adoráveis em enlaces maravilhosos com excelentes famílias. Todos nós já
fomos. Mas você já presenciou um casamento onde sentiu realmente a magia de uma presença Divina como partes das núpcias? Não
quero parecer piegas, mas estive recentemente num casamento no qual, pela primeira vez na minha vida, senti realmente que D’us
estava envolvido.

Sou apaixonada por minha religião, mas para ser honesta nunca tinha me sentido amada por D’us – pelo menos não da maneira
concreta de quando uma criança diz: "Mamãe, eu te amo." Este casamento em particular preencheu esta lacuna para mim.

O casamento foi entre um jovem rabino chassídico que conheço e uma jovem do Brooklyn. Eles foram apresentados e sugeridos um
ao outro. Não foram forçados a nada: encontraram-se, conversaram por um milhão de horas, viram-se mais algumas vezes,
conversaram por mais um milhão de horas, e então tomaram a decisão. Eram um par formado no céu. Como bem disse um rabino
presente: "São duas almas que foram designadas por D’us a se juntarem." E assim o fizeram.

Era meu primeiro casamento chassídico, portanto naturalmente fiz muitas perguntas. Como me explicaram, ambos jejuam no dia da
cerimônia. É uma ocasião séria, quando duas almas se juntam para a eternidade numa conexão com D’us e toda a humanidade.

Conforme eu caminhava pelo hall para ver Dov – o noivo – antes da cerimônia, encontrei-o num salão no meio de um grupo de
chassidim. O que vi tocou-me profundamente: estavam rezando e cantando. O noivo não tinha comido durante o dia todo, mas estava
concentrado na prece, recitando seus textos. Esta era uma das mais profundas e relevantes transições de sua vida. Nada poderia estar
mais distante de uma "despedida de solteiro", como você poderia estar imaginando. Esta é uma experiência puramente espiritual.

No decorrer da história, o Judaísmo Ortodoxo considera um homem incompleto, até que se case. É a mulher quem tem a capacidade
de atingir uma conexão mais espiritual com D’us. O homem deve trabalhar muito para se conectar. Juntas, suas almas se completam.

Umas moças me perguntaram se eu havia falado com a noiva. Respondi que eu tinha acabado de encontrá-la no elevador e lhe dissera
como estava bonita. "Não, não" – disseram elas – "nesta hora, pouco antes do casamento, ela está mais conectada a D’us. Portanto, se
você deseja alguma coisa, como uma prece, esta é a ocasião para pedir a ela. A noiva é quase como um conduíte."

Pessoalmente, sempre que penso em pedir algo a D’us, a primeira coisa que me vem à cabeça são as crianças com câncer nos hospitais
– se D’us cuidar delas, eu fico numa boa. Caso contrário, não peço nada. Meus amigos que estão mergulhados na prece muitas vezes
ficam frustrados porque não consigo fazer algo egoísta. Então me levanto e digo algo em particular para ela.

Em seguida o noivo é levado ao salão por dois homens, um em cada braço, que o apóiam porque ele mal pode caminhar. O noivo e eu
nos conhecemos de Chabad; quando o vi, sabia que ele estava completamente alterado. Foi maravilhoso ver a expressão em seu rosto,
e que tinha lágrimas nos olhos. Ele estava tão comovido pelo que isso significava para toda a eternidade!
Ao se aproximar da noiva, ele colocou o véu sobre seu rosto, e ela não conseguia ver através dele; a partir daí, ela foi guiada, porque
caso contrário poderia ir de encontro a uma parede. Veja só a interpretação filosófica e espiritual por trás do véu: Nós nos casamos
porque estamos tão empolgados pela outra pessoa; ela parece ser exatamente aquilo que queremos. Tem boa aparência, é isso e aquilo,
mas na verdade não a conhecemos. Não conhecemos realmente como é a pessoa no seu interior.

Estão ocultos, e levam um tempo para se revelar um ao outro. Assim também, existem lados mais obscuros em nós que nem sempre
revelamos. Parte do ritual de cobrir o rosto da noiva é que o noivo não está vendo sua bela noiva, mas sim a totalidade daquilo com
que ele está comprometendo sua vida – incluindo as coisas que não conhece e não pode ver. Ela se compromete junto com ele à
mesma vida.

A cerimônia foi então levada para fora, com as estrelas reluzindo lá no alto. O noivo fica de pé sob a Chupá (canópia) e a noiva circula
sete vezes em torno dele, para construir uma fortaleza dentro da qual há uma intensa espiritualidade de amor e compromisso. Este é o
poder da mulher, porque ela está tão conectada a D’us. Quando ela se junta a ele sob a Chupá, eles não se beijam.
Ninguém da assistência joga nada sobre eles. Somente quando tudo termina eles vão até uma sala para ficarem sozinhos, onde juntos
quebram o jejum. Esta é a primeira vez que eles se tocam.

Foi incrível ver como tudo foi especial, e perceber que levou milhares – milhares – de anos para criar este momento profundo e
tocante. Ali, sob as estrelas, pude sentir realmente a presença de D’us. Pela primeira vez, eu sabia que eram um homem e uma mulher
à vista de D’us. Eu vi acontecer.
Dra. Laura Schlessinger, Ph.D., MFCC, foi membro do corpo docente de Ciências Biológicas da Universidade do Sul da Carolina, e
professora de Psicologia na Perpperdine University. Escreveu três livros que se tornaram best-sellers, e seu programa no rádio, "Dra.
Laura Show", é transmitido nacionalmente. Reimpresso com permissão da edição Pêssach 2000 de Farbrenguen Magazine, publicado
por Chabad da Califórnia.

Por trás do véu


Sócrates, o grande filósofo grego, disse certa vez a um discípulo: "Meu conselho a você é que se case. Se encontrar uma boa esposa,
será feliz; caso contrário, se tornará um filósofo."

De fato, atualmente, temos muitos filósofos. Em nosso tempo, tem havido um aumento sem precedentes de relacionamentos rompidos.
Nos Estados Unidos, estima-se que um em cada dois casamentos termina em divórcio. Famílias com apenas um dos pais dobraram nos
últimos 20 anos. Apenas uma criança em duas terá pais que estavam casados quando ela nasceu e que permaneceram juntos até a
criança crescer.1

Uma palestrante disse-me que durante anos ela tinha ido a escolas ensinar religião às crianças, e sobre "D'us nosso Pai". Agora ela não
pode fazer mais isso, porque muitas das crianças não entendem a palavra. Não a palavra D'us, mas a palavra "pai".

Como um meteorito entrando no campo gravitacional da terra, o casamento e a família estão se desintegrando. O pior que podemos
fazer agora seria entrar num debate sobre quem é culpado: indivíduo ou sociedade, afluência ou secularização. O que precisamos é
imaginação, não recriminação; otimismo, não pessimismo. É aqui que a tradição mística judaica tem algo lindo e vital a dizer.

No capítulo inicial da Bíblia hebraica, onde se desenrola a história da Criação, a mística apresenta uma fascinante questão: Como, se
D'us existe, o universo pode simultaneamente existir? D'us é infinito, D'us está em toda parte. Portanto, em qualquer lugar, existe tanto
o finito como o infinito. Porém certamente o infinito supera tudo que seja finito. Simplesmente não há espaço para a matéria física se
todo lugar está preenchido com a presença infinita de D'us. Como, então, existe um universo?

A resposta dos místicos é obrigatória. Para criar espaço para o universo, D'us, por assim dizer, iniciou um processo chamado
"tzimtzum", auto-contração ou retirada, criando um vácuo esférico 211; o espaço necessário para o mundo existir. Ao retirar Sua luz
infinita, um mundo autônomo, independente, distinto de D'us, pode emergir.2

A conclusão? O universo é o espaço que o Autor do Ser cria para a humanidade por meio de um ato de retirada. Nenhum único ato
indica mais profundamente o amor e a generosidade implícitos na Criação. 3
Num estonteante paralelo, o mesmo se aplica aos relacionamentos humanos4.

No início da vida, não há consideração pelo outro. Um bebê recém-nascido não distingue entre si mesmo e o resto do universo.
Conhece e se preocupa apenas com suas próprias necessidade. Ao chorar, está dizendo: "Quero Mamãe, quero ser alimentado, quero
colo, quero que brinquem comigo, e se isso não for feito agora, vou arruinar sua vida." Não há espaço para um outro. À medida que as
crianças crescem e amadurecem, começam a sentir o outro como uma entidade separada. Começam a ter relacionamentos; começam a
se importar com o outro. Este processo é essencial para um desenvolvimento sadio.

Como adultos, sabemos que para amar realmente, precisamos nos retirar de nosso "centro" (ego) e criar espaço para uma outra pessoa
em nossa vida. Um relacionamento não é baseado em controle. Quando um parceiro domina o outro, exigindo que ele ou ela se
conforme e suprima sua personalidade, a possibilidade de um relacionamento é extinta. O amor genuíno não apenas respeita a
individualidade do outro, como também procura cultivá-la. Amor, como o ato da criação, é a coragem de criar espaço para a presença
do outro. Quando o homem se afasta de si mesmo, atingindo o coração e a alma de outro ser humano, ele imita D'us, que escolhe
suspender-Se para dar espaço ao outro. Stephen Hawking estava errado em seu livro Uma Breve História do Tempo. Não é por meio
da Física teórica que abordaremos a compreensão da "mente de D'us". É dando espaço a outra pessoa dentro de si mesmo.

Um rapaz e uma moça saíram para um encontro. Durante duas horas, ele falou sobre si mesmo, suas conquistas, sucessos e idéias.
Então virou-se para ela e disse: "Chega de falar a meu respeito. Agora diga-me, o que você acha de mim?"

Existem duas palavras simples que ilustram essa noção mística de tzimtzum, contração. As palavras solo e alma. Representam dois
opostos perfeitos: o material e o espiritual. A palavra "solo" representa o material. A palavra "alma" representa o espiritual. Quando a
pessoa pensa apenas sobre "solo", não cria espaço para outra pessoa. Mas quando pensa sobre "alma", abre espaço para outra pessoa
em sua vida. Está pronta para viver e amar com mais profundidade.

Esta idéia de tzimtzum se expressa na linda cerimônia judaica de casamento, conhecida como "bedeken", ou velar. Antes da cerimônia
da chupá, o noivo é escoltado até a sala onde a noiva está esperando, e cobre a face dela com um véu. Este costume tradicionalmente
comemora o evento bíblico que ocorreu durante a cerimônia de casamento de Yaacov. A Torá relata que Yaacov viajou à casa de
Laban. Ao chegar, encontrou a filha mais nova de Laban, Rachel, e se apaixonou por ela. Laban propõe um acordo: trabalhe sete anos
para mim e eu a darei a você em casamento. Yaacov faz isso, mas na noite do casamento Laban substitui Rachel por Leah. Como a
noiva estava velada, ele não percebeu que estava se casando com a moça errada. Yaacov descobriu o engano somente quando era tarde
demais. Por fim, Yaacov aceitou seu destino e continuou com Leah. Mais tarde, porém, ele também desposou Rachel, a noiva que
tinha escolhido.

A pergunta que surge é: se o velar nos lembra Yaacov e Leah, o costume não deveria ser o noivo descobrir o rosto da noiva para
certificar-se de que está casando com a moça que escolheu?

A resposta é profunda e tocante. Leah e Rachel não são meramente duas irmãs morando na Mesopotâmia na primeira fase da Idade do
Bronze. Elas também simbolizam duas dimensões de toda personalidade humana. Cada um de nós possui uma "Rachel" interior, bem
como uma "Leah" interior.5

Rachel, a mulher linda, simboliza as características atraentes, charmosas e belas existentes em nosso cônjuge e em nós mesmos. O
nome Rachel em hebraico significa "ovelha", conhecida por sua cor branca e sua natureza amável e serena. 6

Leah, um nome que literalmente significa cansaço ou exaustão,7 representa aqueles elementos em nós e em nosso cônjuge que são
mais desafiadores. Leah, a irmã de "olho fraco", era mais facilmente dada às lágrimas.8 Ela era emocionalmente vulnerável. Leah,
enfraquecida pelas lágrimas e pela ansiedade, representa nosso conflito com a insegurança e com a tensão psicológica e espiritual.

Poucas pessoas podem ser definidas como "Rachel" ou "Leah", exclusivamente. A maioria possui os dois componentes. Somos uma
mistura de serenidade e tensão. Temos instintos compassivos mas devemos lutar contra instintos egoístas também. Temos luz, mas
devemos lidar também com a sombra. Ambas são partes genuínas de nossa personalidade multi-dimensional. Rachel é a luz; Leah é a
luta contra a escuridão.

Portanto, o drama que ocorreu no casamento de Yaacov, o Patriarca da nação judaica, acontece em todo casamento. Antes de se casar,
você pensa que está desposando Rachel – a linda, inteligente, bondosa, sensível…a mulher dos seus sonhos. Na realidade, você vai
descobrir que terminou com Leah, uma pessoa que também está em conflitos com tensão não resolvida.

Naturalmente, você ama Rachel, e rejeita Leah. Porém à medida que a vida passa você começa a descobrir que é exatamente a
dimensão Leah de sua esposa que desafia você a transcender o seu ego e tornar-se a pessoa que é capaz de ser. Porque são as próprias
falhas e imperfeições de seu cônjuge que permitem que você cresça em algo maior que si mesmo.

Este, então, é o segredo por trás do ato de velar a noiva. Quando o noivo vela sua noiva, está dizendo: "Eu amarei, prezarei e
respeitarei não apenas o 'você' que se revela a mim, mas também aqueles elementos de sua personalidade que estão ocultos para mim.
E quando me uno a você em casamento, comprometo-me a criar um tzimtzum, um espaço dentro de mim para a totalidade do seu ser –
para toda você, para sempre."

Isso, se realmente o fizermos, é o significado de Tzimtzum e tem o poder de banhar o alquebrado mundo atual na luz e espaço para a
Divina Presença.
Notas:
1 - Números extraídos de "Family Change and Future Policy", de Kathleen Kiernan e Malcolm Wicks.

2 - Início de Eitz Chaim (Heichal Adam Kadmon, 1:2; Shaar HaHakdamot) e Mevo Shaarim, obras cabalistas de Rabi Isaac Luria
(conhecido como o Arizal), transcritas pelo seu aluno Rabi Chaim Vital, Cf, Licutê Torá por Rabi Shneur Zalman de Liadi, adendo a
vayicrá 51b-54d.

3 - Tanya, cap. 49.

4 - Veja Tanya ibid., citando uma declaração talmúdica (Bava Metziah 84a) sobre casamento: "O Amor Contrata a Carne". Eis como
Rabi Shneur Zalman declara a idéia: Veja também Homem de Fé no Mundo Moderno, pág. 157, por Rabi Joseph B. Soloveitchik.

5 - Bereshit cap. 29:16:31).

6 - Ouvi isso pela primeira vez durante minha cerimônia de casamento do meu amigo Rabi Joseph Y. Jacobson. Veja também Luz
Infinita (por Rabi David Aaron), págs. 37-38.

6 - Veja Licutê Torá por Rabi Shneur Zalman de Liadi (1745-1812) Parashá Emor pág. 38d. Veja também Yonas Alem por Rabi
Menachem Azaryah de Fano (1548-1620) cap. 5, explicado em Licutê Sichot vol. 30 pág. 186.

7 - Mei Hashluach Parashá Vayetsê. Também Maamarei Admur HaZakan 5565 vols. 1 e 2.
O casamento judaico
O casamento judaico torna-se cadosh através de todo o significado que permeia a cerimônia em todos os detalhes, através de kidushin,
consagração, e os alicerces que deverão formar o novo lar e o relacionamento do casal

O dia do casamento
O dia do casamento judaico para os noivos é como um Yom Kipur pessoal. É passado em jejum, oração, atos de bondade (tsedacá) e
reflexão espiritual.
A tradição nos diz que neste dia D'us perdoa completamente ambos pelas transgressões cometidas em suas vidas, para que possam
começar suas vidas de casados em um estado totalmente puro.

Micvê, o banho ritual de corpo e alma


Antes da núpcias, a noiva deve imergir nas águas do micvê para uma purificação espiritual (este ato deve ser repetido todos os meses).
Recomenda-se que nesta data o noivo também se purifique no micvê com este mesmo propósito.
A união conjugal do casal é uma expressão física da unidade espiritual dos dois. Afirmando esta unidade dentro do quadro de uma
orientação Divina das leis de Taharat Hamishpachá - a pureza familiar - a imersão no micvê eleva um ato físico em um ato imbuído
com a santidade Divina. Isto atrai as bênçãos Divinas de paz e harmonia e tudo de bom no meio do lar e da família.
Por ser um assunto extremamente complexo, que requer um esclarecimento mais amplo e profundo, as leis de pureza familiar são
minuciosamente estudadas pelo noivo e pela noiva com orientadores competentes.
O jejum do dia do casamento
Uma antiga tradição aconselha noiva e noivo a jejuarem no dia de seu casamento, desde o nascer do sol até depois da cerimônia em
baixo da chupá, pálio nupcial, comendo a sua primeira refeição juntos no fim da cerimônia nupcial. (em certos dias festivos como em
Shabat, Rosh Chôdesh, Chanucá, etc., não é permitido jejuar).
Além do jejum, os noivos lêem salmos e oram pelo perdão de D'us (como em Yom Kipur).

O kitel
Antes da chupá, o noivo veste o kitel branco, veste tradicionalmente usada em Yom Kipur, sob seu terno. É esse o seu traje durante
toda a cerimônia da chupá. O kitel lembra uma mortalha. Mesmo neste seu dia mais feliz o homem deve lembrar que é mortal. Este
pensamento afastará a pessoa do pecado, pois terá sempre D'us em mente.
Recordar o dia da morte é também um lembrete para o casal que o casamento deve perdurar até o último dia de suas vidas

O Talit
No Monte Sinai, no "Grande Casamento" entre D'us e o povo de Israel, os judeus tiveram a visão de D'us envolto em um talit, xale de
orações. Por este motivo, é um antigo costume judaico que a noiva dê ao noivo um talit novo como presente antes do casamento (e o
noivo presenteia a noiva com um par de castiçais).

O vestido da noiva
A tradição nos conta que D'us, Ele próprio, enfeitou Chava (Eva), a primeira mulher, para o seu casamento com Adam (Adão). Por
esta razão, a noiva se prepara e se enfeita para o seu casamento.
Costuma-se usar vestido de cor clara, que indica pureza, já que todos os pecados dos noivos são perdoados no dia de seu casamento.
O contrato de noivado
A tradição judaica especifica que, antes da cerimônia do casamento, os contratos, num texto padrão, sejam elaborados num documento
escrito e assinado por duas testemunhas e pelos noivos. As testemunhas devem ser homens adultos, seguidores das mitsvot, preceitos,
da Torá, sem serem parentes dos noivos e entre si.
O contrato de noivado pode ser feito com antecedência, mas há um costume de realizá-lo logo antes da chupá, são lidos e assinados na
Cabalat Panim, antes da cerimônia de casamento. Após a leitura do documento, as mães dos noivos quebram um prato de porcelana. O
prato de porcelana é quebrado para indicar que como a porcelana nunca pode ser consertada, um contrato de noivado quebrado é
muito grave.

O contrato de casamento
O contrato matrimonial especifica as responsabilidades do marido para com sua esposa, como provê-la com alimento, roupa e direitos
conjugais.
A assinatura da Ketubá, contrato judaico de casamento, demonstra que os noivos não vêem o casamento apenas como uma união física
e emocional, mas também como um compromisso legal e moral. Dois homens seguidores das mitsvot servem de testemunhas no ato
da assinatura da Ketubá, assegurando que tudo seja feito de acordo com a prática legal e tradicional judaica.

Cabalat Panim - cerimônia de saudação aos noivos


A celebração do casamento judaico inicia-se com a Cabalat Panim, uma recepção na qual o noivo, e a noiva, são cumprimentados por
parentes e amigos. A noiva e o noivo sentam-se em locais distintos e as recepções ocorrem separadamente, já que noivo e noiva não se
vêem na semana anterior ao casamento (alguns costumam não se ver desde a noite do micvê).
A tradição nos diz que em certas ocasiões especiais D'us escuta e atende nossas preces com mais intensidade: nos momentos do
acendimento das velas de Shabat na sexta-feira à noite, por exemplo. Para o noivo e noiva, o dia do casamento é outra destas ocasiões
especiais, especialmente em baixo da chupá. É costume e apropriado se aproximar dos noivos e pedir a eles que rezem por um amigo
ou pessoa querida que necessita particularmente das bênçãos de D'us (por alguém que se encontra enfermo, por alguém que deseja
casar-se, etc.).

A recepção da noiva
É um mandamento positivo, de origem rabínica, honrar e louvar a noiva, providenciar o que ela necessita e alegrá-la. O Talmud
designa-lhe um "trono de noiva" e instrui todos os que comparecerem a agir como o seu séquito. A noiva neste dia é chamada de
rainha e o noivo, de rei.
Durante a recepção nupcial, cercada por sua família, a noiva senta-se sobre o seu "trono" e é cumprimentada pelas convidadas,
enquanto parentes e amigas dançam em sua honra

A recepção do noivo
Em certas comunidades, o noivo, recita um Maamar (discurso chassídico de Torá) sobre o significado espiritual do casamento. Com
isto ele demonstra que, mesmo no momento mais feliz de sua vida, não esquece de D'us e da Torá. Ele quer que seu casamento esteja
baseado nos fundamentos da Torá.
Em alguns círculos, as pessoas costumam interromper o noivo com canções no meio de seu discurso. Sendo o casamento uma réplica
da outorga da Torá, já que D'us pronunciou os Dez Mandamentos, o noivo profere um discurso: mas assim como as Tábuas da Lei
foram quebradas, também o discurso do noivo é interrompido.
Convidados especiais
É sabido que os antepassados do casal descem do mundo da verdade para participar da celebração do casamento. Almas ancestrais de
três gerações participam de todos os casamentos judaicos. Em alguns casamentos, de diferentes níveis, até gerações mais antigas estão
presentes.
É por este motivo que é um costume, em cemitério judaico em ocasiões tristes como o passamento de um ente querido, cumprimentar
ao que sofreu a perda com a expressão: "Of simches", "Somente em festas". Sabe-se que a alma da pessoa falecida estará presente na
próxima celebração de uma festa judaica da família (brit-milá, bar-mitsvá, casamento).

Cobrir o rosto da noiva


A última etapa preparatória para o casamento ocorre quando o noivo, acompanhado por seus pais e todos os convidados, se dirige até
o local onde a noiva está recebendo os convidados. Lá, ele coloca o véu sobre a cabeça da noiva, que fica ladeada pelas duas mães.
Neste momento, é costume os pais abençoarem a noiva, colocando suas mãos por cima da cabeça da noiva e proferindo a bênção:
"Que D'us te faça como as Matriarcas Sara, Rivca, Rachel e Lea" e também a bênção sacerdotal.
Os pais podem também acrescentar qualquer bênção ou prece particular. Aprendemos a proceder assim de D'us, que abençoou Adam e
Chava antes de seu casamento.
O costume de se cobrir o rosto da noiva lembra a nossa matriarca Rivca, em seu recato, cobrindo seu rosto com um véu em seu
primeiro encontro com Yitschac.
Cobrir os cabelos simboliza a modéstia que caracteriza as virtudes da mulher judia. O casamento de Yitschac com Rivca marcou o
começo do povo judeu. Imitando o gesto de Rivca, a noiva espera de que seja igualmente merecedora das bênçãos Divinas no seu
casamento.
Outro motivo pelo qual o noivo cobre o rosto da noiva é que a Presença Divina irradia do rosto da noiva neste momento, e por isto
deve ser coberto. Mais um motivo é para indicar que o noivo não está interessado apenas na sua beleza física, pois beleza é algo
passageiro, pode desvanecer com o tempo. Ele está atraído pelas suas qualidades espirituais, algo que ela nunca irá perder.
De certa maneira, cada noiva é um reflexo de Rivca, pois o casamento não é somente um processo particular que une duas pessoas
dispostas a construir um lar individual, mas é uma instituição sagrada que abrange o povo todo. É uma união que traz à tona milhares
de resultados benéficos para o casal e para toda a comunidade.
No seu caminho para a chupá, o noivo, junto com seus acompanhantes, faz uma rápida parada num local onde vestirá o kitel, manto
branco, e prosseguem até a chupá seguido pela noiva, acompanhada pelas duas mães e pelas mulheres presentes.

O casamento
Os pais que acompanham o noivo e a noiva até a chupá seguram velas acesas. Já que os noivos são comparados a rei e rainha, devem
ser escoltados por um séquito.
Nossos sábios nos contam que no casamento do primeiro casal, os anjos Michael e Gavriel escoltaram Adam e o levaram até Chava.
Também Moshé e Aharon levaram o povo de Israel para o "casamento" com D'us, ao redor do Monte Sinai. Assim como D'us foi
acompanhado pelas duas Tábuas da Lei e por miríades de anjos, os noivos são acompanhados pelos pais.
Os acompanhantes que levam as velas ficavam à direita e à esquerda dos noivos. A mão direita representa bondade e a esquerda,
firmeza. Direita e esquerda simbolizam o relacionamento entre o casal que deve ser contrabalançam com amor e firmeza - saber dar e
não procurar só receber.
Aharon, que procurava a paz e o amor entre as pessoas, personifica a harmonia que deve existir entre marido e mulher; e Moshê, que
recebeu a Torá, representa as leis e regras que devem reger a nossa vida. Leis e regulamentos devem ser obedecidos num espírito de
união e cessão, entrando o casal sempre em acordo.

As velas
O motivo do uso das velas é que, quando acesas, parecem com uma tocha de luz, lembrando os relâmpagos faiscando no Monte Sinai
que acompanharam o povo de Israel, e o fulgor que acompanhou D'us, na outorga da Torá.
As velas também representam as almas dos entes queridos que partiram e que se reúnem ao casal nesta noite.

O cortejo
O noivo chega primeiro à chupá, lembrando a outorga da Torá. D'us apareceu na montanha e precisou esperar o povo de Israel. Outro
motivo porque o noivo vem primeiro é que um casamento só pode ser ajustado com o consentimento da mulher. Por isto, ela vai à
chupá para o noivo, mostrando que realmente deseja este casamento.
É costume que os noivos não levem nada nos bolsos, nem usem jóias durante a cerimônia da chupá, para indicar que cada um é aceito
pelo outro por aquilo que é e não por causa das suas posses. Outro motivo é que o noivo, no dia do seu casamento, é como o Cohen
Gadol (o Sumo Sacerdote) em Yom Kipur, quando entrava no santo dos Santos. Lá ele usava uma roupa branca simples, sem bolsos e
sem trajar suas roupas douradas.
Assim como os Leviyim (levitas), acompanhavam o serviço Divino no Templo com instrumentos musicais, também os noivos são
acompanhados com música à chupá.

A chupá
A cerimônia do casamento deve ser realizada preferivelmente sob céu aberto, lembrando a bênção de D'us para que a semente de
Avraham fosse tão numerosa como as estrelas. A cerimônia ocorre sob a chupá, cobertura ou proteção, que representa a casa que o
novo casal irá estabelecer unido.
Da mesma forma como a tenda de Avraham era aberta nos quadro lados para acolher hóspedes de todas as direções, a chupá aberta
simboliza o desejo de sempre se ter um lar aberto e acolhedor.
A chupá envolvendo os noivos representa a bênção infinita de D'us em resposta a busca de ambos. Uma bênção que ajudará a
frutificar seus desejos de construir um lar sobre a fundação de Torá e mitsvot.
A chupá por cima da cabeça dos noivos simboliza que estas duas almas estavam inicialmente interligadas e unidas, e que seu encontro
e casamento constitui realmente uma reunificação. Quando vieram a este mundo material, receberam corpos físicos dentro dos quais a
alma original se separou. Finalmente elas se reencontram e se reúnem. Isto explica a grande alegria de um casamento. Uma reunião
após uma separação temporária é muito mais emocionante que a união de algo completamente novo.
A chupá também relembra a Revelação no Monte Sinai, onde o povo de Israel foi consagrado a D'us, quando Ele ergueu a montanha
sobre suas cabeças como uma chupá. A chupá também lembra o Mishcan, Tabernáculo, o Santuário de D'us, construído no deserto do
Sinai. Seu teto foi feito de tapeçarias apoiadas sobre colunas de madeira, como a chupá.
A chupá também representa o conceito da harmonia conjugal, o qual só pode ser alcançado com amor e respeito e quando o casal se
dedica a uma meta comum acima e além do seu próprio ser limitado; a uma meta Divina que os abrange, abraça, eleva e refina.
A chupá sob o céu aberto, reflete a esperança de que esta união será abençoada com muito brilho, como as estrelas que iluminam o
céu. Às vezes, uma estrela parece não ter muita claridade, mas dá para reconhecer que ela está emitindo luz na imensa escuridão do
céu. Assim também na vida de um indivíduo ou de um casal, há mérito e valor em cada ato, palavra ou pensamento por mínimos que
sejam.
A felicidade se desenvolve a partir do total de pequenas minúcias e detalhes que constituem a vida cotidiana de um casal. Respeitando
o próximo em áreas maiores é apenas civilidade. Respeito e consideração nos pequenos detalhes é indicativo de um relacionamento
realmente afetivo e saudável.

As sete voltas
Ao chegarem à chupá, a noiva, os pais (e, segundo a tradição de alguns, até os avós) circundam o noivo sete vezes. Este é um costume
de origem cabalística, difundido apenas entre as comunidades judaicas ashkenazitas (ocidentais). As voltas são alusivas aos sete dias
da Criação.
O Rebe explica o significado das voltas da noiva, e da colocação do anel, adquirido pelo noivo, no dedo da noiva:
"Em sua nova vida e estabelecimento de um lar judaico, é da máxima importância que noivo e noiva renovem sua devoção a D'us e ao
Serviço Divino; uma devoção acima de todos os limites, superior à sua inteligência e aos seus sentimentos limitados, mas
principalmente uma devoção absoluta para seguir a D'us e Seus mandamentos. Mesmo se não encontram motivos para uma lei
específica, ou se são desafiados em qualquer aspecto, material, física, emocional e espiritualmente, ambos permanecerão leais a D'us,
à Sua Torá e às Suas mitsvot.
"Este tipo de devoção é simbolizado por um círculo, que não tem início nem fim, representando uma dimensão que está além dos
limites; que é total. O circundar da noiva em torno do noivo representa o seu investimento no casamento por um compromisso
absoluto à construção de um lar de acordo com a vontade de D'us. A aliança que o noivo oferece à noiva representa o seu investimento
de uma devoção ilimitada e essencial a D'us, Sua Torá e mitsvot."
Outros motivos das sete voltas:
Lembra as sete expressões de noivado entre D'us, o noivo, e Israel, a noiva. "Eu te consagro a Mim para sempre. Eu te consagro a
Mim em misericórdia e em julgamento, e em amor, e em retidão. Eu te consagro a Mim em fidelidade, e tu conhecerás D'us."
No dia do seu casamento o noivo é comparado a um rei. Assim como o rei é cercado pela sua legião, o noivo deve ser rodeado pela
noiva e o seu séquito.
Recorda as sete vezes que as tiras dos tefilin são enroladas no braço do homem. Assim como o homem se liga em amor a D'us, assim
ele é "amarrado" à sua esposa, entre outras razões.
Após terminar as sete voltas, a noiva fica ao lado direito do noivo, em sinal que estará sempre a seu lado para qualquer ajuda.

Kidushim – consagração
Já que o casamento é uma mitsvá, preceito Divino, uma bênção é recitada antes de sua execução em agradecimento pela santificação
de D'us à união.
O casamento judaico torna-se cadosh através de todo o significado que permeia a cerimônia em todos os detalhes, através de kidushin,
consagração, e os alicerces que deverão formar o novo lar e o relacionamento do casal.

A aliança
A entrega da aliança pelo noivo e sua aceitação pela noiva constitui o ato central da santificação do casamento. É um vínculo eterno
que fica estabelecido. A partir do momento em que a aliança é colocada no dedo da noiva, o casal, de acordo com a Lei Judaica, é
considerado casado.
A aliança simboliza o elo numa corrente, também um círculo sem fim representando o ciclo da vida.
O ato de dar o anel também simboliza a transferência de poder e autoridade. Assim o marido simbolicamente transfere à sua nova
esposa a autoridade sobre seu lar e tudo que se encontra nele. A partir deste momento tudo em sua vida será repartido. O anel também
simboliza a proteção que o marido dá a sua esposa; assim como o anel envolve o dedo, também sua aura de proteção envolve a esposa.
A aliança simboliza a confiança e lealdade que envolve o casal pelo resto de sua vida.
O costume é que a aliança seja redonda, de ouro sólido, simples e perfeitamente lisa, sem pedras preciosas, desenho ou gravação, nem
mesmo por dentro (após o casamento pode-se gravar o que quiser nela) para que represente um simples círculo inquebrável e ilimitado
entre o casal.
A aliança deve ser colocada no dedo indicador da mão mais forte da noiva (canhota ou direita), sem interferência de luvas (caso
estiver usando alguma), mas diretamente em seu dedo. Antes de colocar a aliança, o noivo recita a seguinte frase:
"Com este anel, tu és consagrada a mim conforme a lei de Moshê e Israel" e as testemunhas falam: "Está casada".
Ao aceitar o anel, a noiva consente ao kidushin, consagração, significando a singularidade do casamento judaico, estabelecendo uma
relação em um lar onde D'us, Ele mesmo, habita.
A ketubá logo em seguida é lida em voz alta para todos os presentes e são recitadas, Sheva Brachot, Sete Bênçãos aos noivos.

O ato de quebrar o copo


O ato final da cerimônia é a quebra de um copo de vidro pelo chatan, lembrando a todos que mesmo na maior alegria pessoal devemos
lembrar a destruição do Templo Sagrado de Jerusalém e continuar a almejar pela sua reconstrução.
Outros significados para a quebra do copo:
Nos lembra as primeiras Tábuas da Lei, quebradas após o "Grande casamento" entre D'us e o povo de Israel; que somos mortais e
devemos nos casar e multiplicar; que somos como vidro, que mesmo quebrado, pode ser reconstituído, como através de nosso sincero
arrependimento somos perdoados.
Ao som do copo quebrado, a atmosfera solene é rompida e substituída por danças e música. Todos devem animar os noivos
expressando a alegria e apoio ao casal que constitui a partir deste momento, mais um elo na corrente de vida através da Torá.
O casamento será fortalecido a cada dia através do entendimento entre ambos, dos limites do outro, companheirismo, amizade,
carinho, amor, respeito e cumprimento das leis de pureza familiar. Estes são os verdadeiros valores que consagram um casamento
judaico.

CARREIRA & SUCESSO


Faça-me uma oferta

Todos nós já conhecemos pessoas tão devotadas ao trabalho que sua saúde e vida pessoal sofrem com isso, Um amigo meu certa vez
foi entrevistado numa firma de advocacia; o salário era ótimo, as oportunidades de progresso ilimitadas – dependendo de quanto
tempo e esforço a pessoa estivesse preparada para dedicar ao trabalho. Ele ficou seriamente tentado a aceitar, quando percebeu algo
interessante: todos os sócios da firma eram divorciados.
Ele preferiu dar as costas àquela fábrica de sofredores e agora está empregado numa empresa comercial; o salário não é tão bom,
porém a atmosfera é mais calma. Ele gosta dos colegas e consegue chegar em casa numa hora decente para passar algum tempo com a
família.

Muitas pessoas confundem um emprego, que é um método de proporcionar a si mesmas as necessidades da vida, e o transformam num
propósito em si próprio. Sua auto-identidade está vinculada ao cargo e ao cheque de pagamento, e não conseguem se ver como
entidades individuais, independentes do seu trabalho.

Triste.

Outros, no entanto, são indiferentes em sua atitude para com o trabalho, negligenciando suas obrigações e responsabilidades básicas.
Não me refiro àqueles que são parasitas da sociedade, recusando-se a ter empregos, aqueles que vivem às custas do governo, mas sim
daqueles que por falta de confiança ou vontade, não correspondem ao seu potencial.

Há uma exigência humana básica: deixar o mundo melhor do que o encontrou. Todos nós fomos criados com capacidades únicas e
cabe a cada um de nós corresponder a essa responsabilidade. Deixar-se levar ao longo da sua jornada pela vida, ignorando
oportunidades para contribuir com o bem maior, é negligenciar voluntariamente o próprio objetivo de sua existência.

O Talmud relata que um dos alunos do grande sábio Rabi Shimon bar Yochai (cujo yahrtzeit – aniversário de falecimento –
comemoramos em Lag Baômer) deixou a sala de estudos para se dedicar ao mundo dos negócios. Traduzindo sua perspicácia
talmúdica em talento financeiro, ele logo conquistou grande fortuna. Muitos dos outros alunos de Rabi Shimon, observando a recém-
conquistada riqueza do antigo colega, ficaram tentados a imitá-lo.

Desejando impedir um êxodo em massa, Rabi Shimon levou os descontentes a um vale nas cercanias da cidade, e miraculosamente
encheu a área com moedas de ouro. Rabi Shimon ofereceu aos alunos a oportunidade de apanharem quantas moedas quisessem, com
apenas uma condição: tudo aquilo que pegassem agora seria contabilizado no seu “balanço” e deduzido da riqueza espiritual designada
para eles no Mundo Vindouro. Nem um só dos estudantes foi tentado: virando as costas à riqueza e ao conforto, eles correram de volta
para a yeshivá e se atiraram aos estudos.

A pessoa comum não tem como relacionar recompensa com esforço. Num mundo imperfeito, somos forçados a substituir dinheiro ou
outros símbolos de status como uma maneira de calcular a utilidade da contribuição pessoal de alguém. Para alguns, estes símbolos
deixam de ser um meio para um fim, e se tornam um fim em si mesmos.

Rabi Shimon bar Yochai foi um cabalista. Autor do Zohar e fundador do primeiro sistema de instrução mística, ele foi abençoado com
a capacidade de revelar o verdadeiro valor existencial de cada pessoa ou objeto. A busca da Divindade por parte de um cabalista
envolve olhar por trás do véu de ocultação e revelar o efeito espiritual inerente instigado pelas nossas ações. Sob essa perspectiva,
ouro e outras ninharias são reveladoos como meros brinquedos, totalmente superados pelo verdadeiro propósito da existência; trazer
D’us ao mundo, e levar o mundo a D’us.
Ter ou Ser

Pergunta:
Minha carreira parece ter chegado a um beco sem saída Durante anos tenho treinado como ator e lutado para conseguir meu primeiro
sucesso, mas toda vez que chego perto de conseguir algum papel importante, algo dá errado e termino perdendo. Já tentei de todas as
formas, incluindo mudar de agente, mas isso não me levou a lugar nenhum. Sou profissional, trabalhador, dedicado e acredito que
tenho talento (isso tem sido confirmado por outras pessoas também). Porém estou começando a pensar que simplesmente não
conseguirei ser ator.
Acha que eu deveria me conformar com a idéia de ser um fracasso?

Resposta:
Por Aron Moss

Meu amigo, há apenas uma coisa à qual você pecisa se conformar. Você não é um ator. Talvez seja bom em representar, mas não é
isso que você é – isso é o que você faz. Pare de identificar-se pela sua carreira. Você precisa descobrir uma identidade que esteja além
do seu trabalho. Assim, sucesso e fracasso em sua carreira não significarão sucesso ou fracasso em sua vida.

Em nosso mundo de valores invertidos, um homem é chamado de bem-sucedido porque ganhou muito dinheiro. Talvez ele tenha
abandonado a terceira esposa, esteja afastado dos filhos, não tem amigos e até o cachorro fugiu dele. Porém todos dizem que ele saiu-
se bem em sua “carreira”, e as pessoas dizem: “Quisera eu ter a sorte dele.”

Nós atingimos o verdadeiro sucesso quando somos bem-sucedidos em nossos relacionamentos. Se você é um amigo atento às horas de
necessidade, se trata bem os seus pais, se é um cônjuge compreensivo e que oferece apoio, um pai devotado e carinhoso, então você é
um sucesso. Aqueles que contribuem com a comunidade, não apenas com dinheiro, mas com tempo e esforço, aqueles que
desenvolveram relacionamentos felizes com D’us e com o ser humano, estes sim têm verdadeiras histórias de sucesso.
Quando nos identificamos com nossa profissão – sou um ator, um vendedor, um técnico em eletrônica – então estamos vinculando
nosso sucesso como pessoa ao nosso sucesso na carreira. Porém isto não é verdade. Não somos definidos pelo nosso trabalho. Aquilo
que fazemos para ganhar a vida é diferente daquilo que fazemos para ter uma vida. Trabalhamos pelo sustento, porém para fazer uma
vida devemos amar, nos conectar, servir a um propósito e encontrar um significado.

Este é o presente do Shabat. Durante um dia da semana saímos do nosso papel dos dias comuns e retornamos ao nosso verdadeiro eu.
Não somos membros de uma empresa, mas sim membros de uma comunidade, não somos empregados ou patrões, mas sim irmãos e
irmãs, filhos, pais e amigos. Não estamos trabalhando para um chefe quando fazemos o nosso trabalho, mas sim trabalhando para O
Chefe, para cumprir nossa missão.

Você pode ser muito bom naquilo que faz. Ou talvez não. Porém o mais importante é ser bom como ser humano: quando se trata do
ser humano, um empresário falido também pode ser uma grande história de sucesso, e um ator em dificuldades pode ser um astro.

O significado de ganhar dinheiro

“Se a vida é repleta de significado, por que eu a passo atropelando outras pessoas em busca de dinheiro?”

Não pense que esta questão foi inventada pela nossa geração burguesa e boêmia, estilo “salve o mundo e fique rico”. Isso já está por
aqui desde que D’us entregou uma enxada a Adam e expulsou-o do Jardim. Portanto, a maioria dos filhos de Adam trabalhou com a
enxada nas mãos. Atualmente, nós todos estamos arando a terra com nossa cabeça. E isso pode significar uma cabeça bastante
enlameada.

Alguns gostam de lama. Outros acham a lama nojenta e correm dela. Muitos tentam fazer concessões – vamos ficar só um pouquinho
sujos e tentaremos nos lavar depois. Neste caso terminamos com uma vida dividida, na qual nossa principal ocupação é ganhar
dinheiro e encontrar um significado é mero passatempo.

O que realmente desejamos é uma maneira de ter tudo isso. Queremos descobrir que vender bugigangas é na verdade um caminho
para a concientização mais elevada e que o verdadeiro esclarecimento não precisa ser acessado em serena meditação afastada da
humanidade – você consegue agarrá-la a partir de uma escrivaninha com vista para o centro da cidade. Talvez até mesmo um
escritório de advocacia.

Porém se as vendas de bugigangas são o principal meio de conseguir o dinheiro dos outros, então como pode haver qualquer nexo
entre isso e a sua espiritualidade pessoal?

Temos de reexaminar o que são os negócios. Talvez os negócios, também. Seja sobre a descoberta de um significado. Sobre descobrir
jóias naquela lama.

O mestre cabalista, Rabi Isaac Luria, 1534-1572 , Arizal, fez a mesma pergunta há quinhentos anos – porém num nível mais básico:
“Se o homem é um ser espiritual, por que precisa comer?”

Os animais, aparentemente, são menos espirituais que as pessoas. Os vegetais parecem ainda mais inferiores – e a terra, ar e luz do sol
poderiam parecer a escala mais baixa. Porém a vegetação é alimentada por aqueles elementos “inanimados” (indicando que eles
possuem uma força vital que ele próprio não possui), os animais são nutridos por aqueles elementos e a vegetação, e os humanos
confiam em todos os três. Por que, perguntou o Ari, a pirâmide está virada para baixo? Ou talvez não esteja. Talvez, de alguma forma,
aqueles animais tenham dentro de si uma centelha Divina muito além de qualquer coisa que os humanos possam atingir por si
mesmos. Talvez quanto mais fundo se for dentro do planeta terra, mais brilhantes as centelhas se tornam, de modo que as centelhas
mais notáveis se encontrem nos locais mais terrenos.

Isso significa que o motivo real pelo qual comemos não é para nós mesmos, mas em prol do nosso alimento. Para descrobrir aquelas
centelhas e conectá-las de volta à sua fonte – e uma com a outra.

Foi justamente isso que o Ari e seus alunos ensinaram: que todo o esforço humano deve ser uma maneira de reconectar o mundo e
revelar seu poder Divino.

Há uma advertência, no entanto, a esse processo. Para resgatar uma centelha de seu cativeiro dentro da sua comida, você precisa estar
um degrau acima dela. Se você está “agarrando um bocadinho”. O bocadinho está agarrando você. Isso significa que se é o alimento
que está exigindo “Você precisa de mim. Você deve me comer. Coma-me agora!” E você obedece – então não é a centelha que está
sendo elevada, mas você que está sendo arrastado para baixo. Comer, explicava o Ari, deve ser tratado como qualquer outra atividade
espiritual, com compostura, concentração – como um ser humano.

Assim como Adam com aquela enxada revelou o poder da terra de produzir alimentos, também o vendedor de bugigangas descobriu
uma forma de melhorar a vida humana com um simples arranjo de fios e plástico. O analista de sistemas, também, está constantemente
no processo de extrair valor do abismo no qual ele caiu. O ortodontista melhoraa a vida humana para que nenhuma jovem precise
viver sem um sorriso bonito.
O resultado é que os negócios, na verdade, são uma maneira de encontrar um significado – encontrar e expor o poder secreto do
mundo que nos cerca. E não apenas o poder de melhorar a vida humana, mas também o poder de milagres e maravilhas e boas ações.
A luz infinita oculta em locais finitos.

O sujeito das bugigangas descobriu aquela luz infinita oculta na escola da cidade, quando ele percebeu como seus artigos podiam ser
usados como uma ferramenta para ensinar cooperação e as letras. O executivo em Atlanta revelou-a no próprio escritório, quando
organizou uma sessão semanal de estudos na hora do almoço com um rabino local que discute ética talmúdica nos negócios. Quanto
ao ortodontista, ele encontra a luz todos os dias, nos sorrisos que proporciona aos jovens, especialmente aqueles de famílias menos
privilegiadas, que ele trata sem cobrar.

Quanto mais profundamente entramos nas cavernas da vida mundana, mais brilhantes são as jóias que encontramos – desde que
fiquemos acima enquanto entramos. Isso significa: Desde que nos lembremos que o propósito da nossa ocupação não é o óbvio, fazer
dinheiro, mas sim um propósito mais profundo e elevado. Porque somos todos, na verdade, seres espirituais navegando num mundo
material.

Como escreve o Salmista: “Aqueles que saem ao mar nos navios, que fazem seu ofício nas águas poderosas, estes são os que vêem as
obras de D’us, apanhando Suas maravilhas em sua rede.”1

Nota:
1 – Salmos 107:23-24
ENVELHECIMENTO

Envelhecendo

Uma abordagem judaica ao envelhecimento e aposentadoria

Baseado nos ensinamentos do Rebe


A Torá considera a idade avançada uma virtude e uma bênção. Em toda a Torá, "velho" (zaken) é sinônimo de "sábio"; a Torá nos
ordena respeitar todos os idosos, independentemente de sua erudição ou religiosidade, porque as muitas provações e experiências que
cada ano adicional de vida traz proporciona uma sabedoria que o mais fenomenal jovem prodígio não consegue igualar. Descreve
Avraham como alguém que "era velho, e entrado em dias" (Bereshit 24:1) - seus dias acumulados, cada qual repleto de aprendizado e
realizações, significando que a cada dia que passava seu valor aumentava. Assim, uma idade avançada é considerada como uma das
maiores bênçãos que podem ser concedidas ao ser humano.

O valor de uma pessoa deve ser medido por sua aptidão física? Pelo número de homens-hora e vôos intercontinentais que
podem ser extraídos dele por semana? O que está em discussão aqui é mais que a “desfranquia” de todo um segmento da
população cujo único crime é ter nascido uma ou duas décadas antes dos outros. Este é um flagrante contraste à atitude
prevalecente nos países "desenvolvidos" do mundo atual. No mundo ocidental do Século XXI, a idade é um risco. A juventude é vista
como a melhor credencial em todos os campos, dos negócios ao governo, onde uma geração mais jovem insiste em "aprender com os
próprios erros" em vez de construir sobre a experiência de vida dos mais velhos. Aos 50 a pessoa é considerada "ultrapassada", e
começa a receber dicas de que seu cargo estaria mais bem preenchido por alguém com vinte anos a menos; em muitas empresas e
instituições, a aposentadoria é obrigatória aos 65 anos ou até antes.

Assim a sociedade decreta que a fase da maturidade seja marcada por inatividade e declínio. Os idosos são forçados a se sentirem
inúteis ou então um fardo, e que fariam melhor em se confinar em aldeias de aposentados ou lares para idosos. Após décadas de
realizações, seu conhecimento e talento subitamente se tornam sem valor; após décadas de contribuições à sociedade, eles de repente
se transformam em recipientes indignos, gratos por qualquer tempo que a geração mais jovem tira do trabalho e da diversão para uma
visitinha de meia hora, na data obrigatória do Dia das Mães ou dos Pais.

Na superfície, a atitude moderna parece justificada em parte. Não é verdade que a pessoa enfraquece fisicamente à medida que avança
na idade? Sim, a inatividade da aposentadoria tem sido mostrada como sendo um fator chave na deterioração dos idosos; porém ainda
não é um fato inescapável da natureza que o corpo de 70 anos não é o mesmo corpo de 30?

Este, exatamente, é o ponto: o valor de uma pessoa deve ser medido por sua aptidão física? Pelo número de homens-hora e vôos
intercontinentais que podem ser extraídos dele por semana? O que está em discussão aqui é mais que a "desfranquia" de todo um
segmento da população cujo único crime é ter nascido uma ou duas décadas antes dos outros; nossa atitude para com os idosos reflete
nosso próprio conceito de "valor". Se a força física de uma pessoa diminuiu e sua sagacidade e percepção cresceram, nós enxergamos
isso como uma melhora ou um declínio? Se o trabalho da pessoa diminuiu em quantidade mas aumentou em qualidade, seu valor
subiu ou desceu?

Na verdade, uma pessoa de vinte anos pode dançar a noite inteira, ao passo que sua avó se cansa após alguns minutos. Porém o ser
humano não foi criado para dançar horas a fio. Foi criado para tornar a vida na terra mais pura, mais brilhante e mais sagrada do que
era antes que ele entrasse em cena. Vista sob essa luz, a maturidade espiritual dos idosos mais que compensa sua força física
diminuída; na verdade, a diminuição dos anseios físicos pode até ser utilizada como um bem espiritual, pois permite uma
reorganização de prioridades que é muito mais difícil nos jovens, quando a busca pelos ganhos materiais está no auge.

Certamente, a saúde física do corpo afeta a produtividade da pessoa. A vida é um casamento de corpo e alma, e é mais produtivo
quando nutrido por um físico são, bem como por um espírito saudável. Porém os efeitos do processo de envelhecimento sobre a
produtividade de uma pessoa em grande parte são determinados pela maneira que ela considera este casamento e parceria. Quais são
os meios e qual é o fim? Se a alma nada mais é que um motor para impulsionar o corpo na busca de suas necessidades e metas, então o
enfraquecimento físico do corpo com a idade traz consigo a deterioração espiritual também - uma descida ao tédio, à futilidade e ao
desespero. Porém quando alguém considera o corpo como um acessório da alma, ocorre o oposto; o crescimento espiritual da idade
revigora o corpo, permitindo que a pessoa leve uma existência produtiva pelo tempo que o Todo Poderoso conceder-lhe o presente da
vida.

Vida: Uma Definição


Porém não é só isso. Há mais na diferença entre a perspectiva da Torá sobre a idade e aquela do mundo moderno que a clássica
dicotomia entre corpo e alma, mais que a questão da prioridade material versus a espiritual.

Na base da instituição da aposentadoria está a noção de que a vida é composta de periodos produtivos e períodos não produtivos. Os
primeiros 20-30 anos de vida são vistos como um tempo de pouca ou nenhuma realização, à medida que a pessoa adquire
conhecimento e treino em preparação para o período produtivo da vida. Os próximos 30-40 anos são o tempo no qual suas energias
criativas se concretizam; ele agora devolve aquilo que foi investido nele por seus agora passivos pais idosos, e por sua vez, investe na
ainda passiva geração mais jovem. Finalmente, quando entra em seus "anos de crepúsculo", deixa para trás seu período de realizações
"reais"; ele trabalhou duro "toda a vida", portanto ele agora deveria acomodar-se e colher os frutos de seu trabalho. Se o anseio
criativo ainda agitar seu corpo que está envelhecendo, ele é aconselhado a encontrar algum passatempo inofensivo para preencher seu
tempo. Na verdade, tempo é agora algo a ser "preenchido" e gasto, enquanto passa os dias à margem da vida, seu conhecimento e
habilidades arquivados no sótao da velhice. Ele retorna agora à infância; mais uma vez é o recipiente passivo de um mundo moldado e
dirigido pela iniciativa de outros.

A Torá, no entanto, não reconhece tais distinções entre as fases da vida, pois vê a produtividade como a própria essência da vida: as
palavras "um período não-produtivo da vida" são uma contradição. Há diferenças marcantes entre a infância, idade adulta, etc., mas
estas diferem na maneira, não no fato, da produtividade de uma pessoa. A aposentadoria e a colheita passiva dos frutos do próprio
trabalho têm seu tempo e lugar - no Mundo Vindouro. Nas palavras do Talmud, "Hoje, é o tempo de fazer; amanhã, de colher a
recompensa." O próprio fato de D'us ter concedido à pessoa um único dia adicional de vida corpórea significa que ele ainda não
concluiu sua missão na vida, que ainda há algo para ele realizar neste mundo.

O ser humano foi criado para tornar a vida na terra mais pura, mais brilhante e sagrada do que era antes que ele entrasse em
cena.Assim, o aforismo "O homem nasceu para labutar" (Job 5:7) expressa um fato básico da natureza humana. Uma pessoa
experimenta satisfação verdadeira somente com algo que adquiriu com o próprio esforço e iniciativa; presentes não merecidos e
doações ("o pão da vergonha" na terminologia cabalista) não deixam a pessoa realizada e a desumanizam. Como observa o Talmud,
"Uma pessoa preferiria uma única medida do próprio grão a nove medidas dadas por outros."

Um adulto que trabalha, sobrecarregado pelas exigências da vida, pode lembrar-se com nostalgia do "paraíso" da infância como uma
época livre de responsabilidade e trabalho. Quando criança, no entanto, ele desdenhava este paraíso, desejando apenas fazer algo real e
criativo. Desafie uma criança com responsabilidade, e ela floresce; mantenha-a como um recipiente passivo e não produtivo de
"educação", e ela crescerá irresponsável e rebelde. Pois a criança, também, está viva, e como tal anseia por realização; a partir do
instante do nascimento ela já estava influenciando ativamente aquilo que a cerca, mesmo que seja apenas ao estimular os pais com sua
sede de conhecimento e afeição.

O mesmo se aplica a adultos de todas as idades. A promessa de uma "aposentadoria feliz" é um mito cruel: a própria natureza da vida
humana é que o homem conhece a verdadeira felicidade apenas quando contribui criativamente ao mundo que habita. O estado
enfraquecido da idade avançada (ou doença, D'us não o permita) não é uma sentença de inatividade, mas um desafio para encontrar
novas - e superiores - maneiras de se realizar.

Por que
D’us tornou o impulso de realização a própria essência da vida humana.De fato, assim é a natureza humana: a vida tem
significado apenas quando é produtiva. Mas por quê? Por que o ser humano foi construído assim?

Porque D'us criou o homem para ser Seu parceiro na Criação.

O Midrash nos diz que "D'us diz aos justos: Assim como Eu sou um criador de mundos, você também deverá ser." O Midrash também
relata uma conversa ocorrida entre um filósofo grego e o sábio talmúdico Rabi Hoshiah: "Se a circuncisão é desejável a D'us,"
perguntou o pensador, "por que então Ele não criou Adam circuncidado?" Respondeu Rabi Hoshiah: "Tudo que foi criado nos seis
dias da Criação exige ajuste e aperfeiçoamento pelo homem: o grão de mostarda deve ser adoçado, o trigo precisa ser moído..." D'us
especificamente criou um mundo inacabado para que o homem o desenvolvesse e aperfeiçoasse.
D'us é o supremo iniciador e doador, concedendo-nos existência e vida e equipando-nos com faculdades e recursos. Porém D'us queria
mais que recipientes passivos de Seus presentes. Ele desejava uma parceria conosco, na qual pudéssemos criar e dar como Ele cria e
dá, e Ele receberia de nós assim como recebemos d'Ele. Portanto Ele tornou o impulso de realização a própria essência da vida
humana.

Um Curso de Ação

O estado enfraquecido da idade avançada não é uma sentença de inatividade, mas um desafio para encontrar novas – e
superiores – maneiras de se realizar. A triste verdade, porém, permanece; a aposentadoria, seja ou não obrigatória, é um fato da vida
moderna. Ano após ano, destrói milhões de vidas e condena recursos humanos inestimáveis (na verdade, os mais valiosos recursos
humanos que possuímos) ao completo, ou quase completo, desperdício. O que se pode fazer face a esta tragédia humana e social? A
pessoa deveria embarcar numa campanha para mudar esta prática e o sistema de valores que está por trás dela? Deveria procurar o
lado positivo da aposentadoria e tentar utilizar seus aspectos positivos?

Na verdade, devemos fazer as duas coisas. Devemos mudar a atitude dos líderes dos negócios e do mundo profissional, e da sociedade
em geral. E acima de tudo, devemos mudar a auto-percepção dos idosos (e dos quase idosos, e dos quase quase idosos). Devemos
dizer a eles: vocês não são inúteis; pelo contrário, são um bem valioso para a sociedade, mais ainda que antes, e a cada dia que passa
seu valor aumenta. As mudanças de vida que você está vivenciando como resultado do avanço dos anos não são motivo para
aposentadoria da vida produtiva, mas a oportunidade para descobrir maneiras novas e mais significativas para desenvolver a si mesmo
e o ambiente ao seu redor. A vida longa é um presente Divino, e o Todo Poderoso certamente dotou você com as ferramentas que
precisa para vivê-la bem.

Ao mesmo tempo, devemos explorar as oportunidades que a instituição da aposentadoria nos apresenta. Se existem incontáveis
homens e mulheres aposentados procurando desesperadamente maneiras de preencher o tempo, vamos estabelecer para eles centros de
estudo de Torá, onde possam passar várias horas por dia e aumentar seu conhecimento e produtividade. Vamos abrir estes centros em
toda comunidade, criar classes e oficinas em todo lar de idosos. Se as lutas travadas nos locais de trabalho impediram que adquirissem
a perspectiva iluminada da Torá sobre a vida quando eram mais jovens, a aposentadoria proporciona uma oportunidade de ouro para
aprender e crescer; educação, como a produtividade, é um esforço a longo prazo. A Torá dará a eles novas esperanças na vida. Ficarão
conscientes do próprio valor e potencial e os transformará de fúteis "já eram" em faróis de luz para suas famílias e comunidades. A
aposentadoria, quando bem utilizada, pode ser dirigida como a força mais potente no sentido de erradicá-la da mente e da vida do
homem.

Nota do Editor: Este ensaio é baseado nas palestras feitas pelo Rebe em seu 70º aniversário, 11 de Nissan de 5732 (26 de março de
1972), e dez anos depois em seu 80º aniversário. Nestas duas ocasiões, o Rebe recebeu dezenas de milhares de cartas vindas do mundo
inteiro; dentre essas havia diversas sugerindo que talvez fosse a hora de pensar em "diminuir o ritmo" e "ir mais devagar", após seus
muitos anos frutíferos como líder e ativista. A resposta do Rebe foi este ardente ataque ao próprio conceito de "aposentadoria" aqui
articulado.

O Rebe também abordou o assunto em diversas outras ocasiões, incluindo uma série de reuniões de Shabat no verão de 1980. Ele
então sugeriu o estabelecimento de centros de estudo de Torá para os idosos. Centenas desses centros de estudo - chamados, segundo a
sugestão do Rebe, Tiferet Zkeinim ("a glória dos idosos") - desde então foram fundados em todos os cantos do globo pelos emissários
do Rebe. Elementos dessas palestras, bem como de diversas outras nas quais o Rebe discutiu o conceito de "vida com produtividade",
também foram incorporados neste ensaio.

O próprio Rebe era um exemplo vivo da perspectiva da Torá sobre "aposentadoria" que ele expôs. Ele celebrou seu 70º aniversário
iniciando o estabelecimento de 71 novas instituições sociais e educacionais, praticamente dobrando a rede mundial de
estabelecimentos Chabad-Lubavitch. Em seu 80º aniversário, ele novamente conclamou a uma maciça expansão das atividades de
Chabad, num discurso de seis horas que terminou após as 3 horas da madrugada, após o qual o Rebe distribuiu pessoalmente um
presente - uma edição especial do clássico chassídico, o Tanya - a cada um dos 10.000 homens, mulheres e crianças presentes, sendo
que o último participante recebeu seu Tanya às 6h15 da manhã.

Embora o Rebe tivesse uma impressionante lista de realizações quando foi aconselhado a "apreciar os frutos de seu trabalho" ao
completar 70 anos em 1972, estas empalidecem em comparação com aquilo que ele realizou após completar 80 e que, por sua vez, são
uma fração da abrangência de suas atividades aos 90 anos.

Cada ano trouxe a revelação de novas dimensões à sua filosofia e visão do mundo, novas campanhas e iniciativas, novos centros de
Chabad, escolas e comunidades em todo o mundo. Também de 1992 a 1994, quando estava fisicamente debilitado pelo forte AVC que
sofreu em março de 1992, ele continuou a liderar o Movimento Chabad, emitindo diretrizes para seus 3.000 emissários em seis
continentes, e os muitos milhares que o procuravam em busca de orientação e conselhos.

A vida aos quarenta

Chegar a idade dos quarenta anos, em particular, é diferente de todos os aniversários anteriores, e é freqüente sentir uma forte
resistência. A capa de um cartão de aniversário diz: "Alegro-me com seus 39 anos"… e no interior do cartão lê-se: "… de novo pela
quinta vez".

Os livros de auto-ajuda ostentam títulos como: "A vida depois da Juventude: A mulher de quarenta – o que vem depois?" e ainda:
"Nós chegamos aos quarenta, os anos perigosos. "Porém, por outro lado há: "Um Guia de Oportunidades da Nova Idade Madura"; "A
Crise Masculina na meia idade"; e o famoso "A Vida Começa aos Quarenta".

Estes títulos refletem a ambivalência e desassossego que afligem tantas pessoas quando chegam aos quarenta. Há uma sensação de ter-
se completado um ciclo, e isto dá lugar à ansiedade – a tão conhecida crise da meia idade. Sentimentos de vazio muitas vezes
acompanham a realização de qualquer projeto de vida. A pessoa se pergunta o que vai fazer em seguida, como preencher este vazio.
Aqueles com "quarenta e tantos" sentem que a juventude e suas possibilidades aparentemente ilimitadas estão se esgotando, as
ambições continuam insatisfeitas, a energia física diminuindo. Os avisos estão presentes em toda parte: Se você tem mais de quarenta,
consulte seu médico, uma advertência muito comum. Os encontros sociais para solteiros e os anúncios de empregos freqüentemente
são divididos em dois grupos: para menores e para maiores de quarenta.

A intuição de que se chegou a um divisor-de-águas pode levar ao descontentamento, e pôr em dúvida todos os aspectos da vida. Os
quarenta muitas vezes são uma fase de tumulto, uma espécie de segunda adolescência quando se troca de trabalho e de cônjuge, numa
busca inquieta por uma nova vida. E este desequilíbrio não é somente um fenômeno de nosso mundo contemporâneo.

O que tem a dizer a Torá, sob sua filosofia chassídica, àqueles que estão chegando aos quarenta e mais alguns, aos que já passaram por
eles e refletem sobre as etapas passadas de suas vidas?

A metade vazia

Os ensinamentos chassídicos têm uma compreensão especial sobre este sentido de perda e vazio. Para que uma pessoa alcance
qualquer etapa nova, para ascender a um nível mais elevado de visão e entendimento, o chassidismo explica que deve haver uma
espécie de auto-anulação (bitul), um vazio de si mesmo para dar lugar ao novo. Em outras palavras, entre o nível anterior e o seguinte,
precisa haver aquilo que o chassidismo chama de "o nada no meio" (ayin beemtzá). Este princípio psicológico reflete um princípio
espiritual, que por sua vez reflete um princípio cosmológico.

O misticismo judaico explica que a Criação do mundo não ocorreu primeiro através de um ato de expansão e autodefinição de D’us,
mas sim o contrário – através de um tzimtzum, ou contração. D’us, por assim dizer, teve de retirar Sua luz infinita e Sua presença
primeiro, e criar um espaço vazio para dar lugar a um mundo de seres finitos.

Este modelo logo se segue em cada aspecto da existência: tem de haver um vazio no meio para poder mover-se de um estado do ser ao
próximo. Uma semente precisa primeiro dissolver-se na terra antes que possa crescer rumo à luz e florescer. No ser humano, o vazio
se torna abertura espiritual quando a pessoa permite que ele ocorra, quando anula seu ego, quando o próprio ego não tenta preencher e
controlar tudo ao seu redor, mas deixa lugar para o outro. O vazio é o prelúdio necessário para um modo de vida novo e mais elevado.

Encontramos este princípio na história do Dilúvio em Bereshit. Está relatado que o Dilúvio durou 40 dias e 40 noites. Ora,
obviamente, se D’us queria apenas castigar a humanidade por sua corrupção, D’us poderia tê-lo feito num só momento. Qual o
propósito de um dilúvio de 40 dias? Na interpretação chassídica, o Dilúvio foi um tipo de micvê, um banho ritual dado ao mundo para
purificá-lo e renová-lo. A pessoa submerge completamente nas águas do micvê, até o último fio de cabelo, anulando seu estado
anterior. E em virtude dessa completa submersão e auto-anulação, a pessoa emerge das águas purificada, num nível diferente, um
novo ser.

Quarenta representa a realização de um modo ou maneira de ser completo, e quando a pessoa passa pelo número quarenta, deixa este
modo para trás e entra num nível completamente diferente… num outro mundo…

Os quatro mundos

A filosofia do chassidismo, utilizando a tradição mística judaica, explica que toda realidade pode descrever-se como dividida em
quatro mundos. Estes constituem vários estados de revelação e ocultação de D’us. [Os quatro mundos se chamam atzilut (emanação),
beriá (criação), yetzirá (formação) e asiyá (ação).] Estes quatro mundos, por sua vez, emanam de, e estão arraigados, nas quatro letras
do nome mais sagrado de D’us: Y-H-V-H (Yud –Chei – Vav – Chei).

Um princípio importante do pensamento chassídico é que o microcosmo emana de, e se reflete, no macrocosmo. Assim nós também
encontramos muitos outros jogos de "quatros" refletidos na natureza. Por exemplo, a Chassidut fala de quatro categorias no mundo
natural: o inanimado (domem); o vegetativo (tzomeach); o animal (chai); e o falante (ledaber). Estes quatro tipos de níveis de
existências naturais também existem dentro de cada pessoa, por assim dizer.

Há quatro estações do ano e quatro direções na bússola. Finalmente, a compreensão tradicional do mundo físico como sendo composto
de quatro elementos – fogo, ar, água e terra – também poderia traduzir-se no idioma da ciência moderna: a matéria de nosso mundo
físico assume um dos quatro estados: o sólido, o líquido, o gasoso e o da combustão ativa; ou pode-se dizer que os quatro elementos
correspondem aos quatro elementos químicos básicos: o hidrogênio, o carbono, o nitrogênio e o oxigênio; ou aos quatro elementos do
fenômeno sub-atômico; ou às quatro forças da física moderna (a gravitacional, a eletro-magnética, a força nuclear fraca e a forte).

Num plano espiritual, há numerosos outros "quatros": as quatro Matriarcas; as quatro esposas de Yaacov; os quatro tipos de filhos
mencionados na Hagadá; os quatro componentes de um texto da Torá (entonação, vogais, coroas, letras); os quatro níveis básicos de
interpretação da Torá (literal, alusiva, alegórica, mística), etc.

O misticismo judaico também explica que cada um dos quatro mundos espirituais mais elevados possui o espectro completo das
chamadas dez sefirot. As sefirot são os atributos criativos de D’us ou características que emanam, estruturam e se refletem em toda a
existência, inclusive nos poderes espirituais da alma humana.

Quatro vezes dez é igual a quarenta; portanto, algo completo tem quarenta aspectos. Em outros termos, quarenta representa a
realização de um modo ou maneira de ser completo, e quando alguém passa pelo número quarenta, deixa este modo para trás e entra
num nível completamente diferente… num outro mundo.

Portanto, a cada vez que alguém encontra o número quarenta na Torá, seu significado interior é a ascensão a um nível mais alto.
Porém a obtenção de um nível mais alto só vem depois de alcançar primeiro e cumprir todos os aspectos (quarenta) do nível anterior, e
logo então fazer um vazio no meio para permitir que surja algo completamente novo. Uma história intrigante no Talmud faz uma
referência sutil a isso. Quando o Rabino Zeira quis aprender a versão Yerushalmi do Talmud, primeiro jejuou quarenta vezes para
esquecer-se de tudo que havia aprendido na versão babilônica (Bava Metzia 85a). Por que teve de apagar seu conhecimento do
Talmud babilônico para iniciar-se no Yerushalmi?

Na interpretação chassídica, o motivo é que ele quis absorver o Talmud Yerushalmi de uma maneira profunda e precisava estar aberto
para aprender o estilo tão diferente deste Talmud. Ele tinha de conseguir este vazio no meio, e esquecer-se do aprendido para poder
subir ao nível do Yerushalmi.

FALECIMENTO E LUTO

INTRODUÇÃO

Corpo: invólucro da alma


O corpo judaico tem em si uma santidade especial por ter sido este um invólucro para alma, por este motivo ele deve ser tratado com
respeito. Muitos judeus, que mesmo que por qualquer motivo não foram praticantes durante a vida, não abrem mão de serem
enterrados em um kever Yisrael (cemitério judaico), fazendo de tudo para poder cumprir pelo menos esta Mitsvá.

Muitos judeus em nossa história colocaram em risco a própria vida para garantir o enterro de parentes ou conhecidos em cemitérios
judaicos. O motivo para tanto é por que após a morte a alma se encontra no mundo da verdade, e todo judeu sabe que a verdade se
encontra no cumprimento da vontade Divina.

Qual é o motivo para darmos tanta importância ao corpo judaico se afinal de contas o principal é a alma e sem esta o corpo não
deveria ter nenhum valor?

Maimônides escreve em seus Princípios da Fé Judaica, que um dos fundamentos do judaísmo é acreditar que D’us irá ressuscitar os
mortos na era pós-messiânica, devolvendo a vida a todos que cumpriram a sua missão enquanto estavam neste mundo, para que
possam aproveitar dos prazeres Divinos da era messiânica e do mundo vindouro, que conforme a idéia de Nachmanides será neste
mundo material.

Na verdade, logo após o falecimento, a alma do justo adentra o Gan Eden (paraíso), desfrutando lá de um imenso prazer Divino,
ficando lá para a eternidade. Sendo assim, por que motivo a alma deixará este ambiente para voltar a habitar o mundo material na era
da ressurreição?
A chassidut explica, que apesar da alma judia se encontrar num nível elevadíssimo, sendo considerada uma partícula Divina, o corpo
judeu tem uma fonte Divina muito mais elevada, sendo que somente através dele podemos cumprir a vontade Divina, que é cumprir
Suas Mitsvot justamente neste mundo material.

Na época da ressurreição, será revelado o nível espiritual do corpo, sendo que a alma deixará o Gan Eden e todos seus prazeres para
desfrutar de um prazer muito mais intenso que é a verdadeira recompensa das mitsvot, que se dará justamente neste mundo material,
com a alma dentro de um corpo. Daqui entendemos realmente a importância do corpo judaico.
Os últimos momentos
O judaísmo considera uma pessoa morta somente quando seu coração e cérebro cessaram completamente de funcionar. Antes disso,
ela é considerada viva, mesmo estando agonizante ou em estado de coma. Nada pode ser feito para apressar o seu fim, pelo contrario;
deve-se fazer todas as tentativas médicas possíveis para mantê-la viva e salvá-la.

É considerado um ato de extrema bondade permanecer junto a uma pessoa nessas condiões, não permitindo que ela deixe este mundo
estando sozinha. Não se deve permanecer parado atrás de sua cabeça e nem ao lado de seus pés. É proibido tocar em um moribundo.
Amigos e failiares que não conseguem controlar o choro devem ser retirados do recinto e aguardar do lado de fora.

Costuma-se rezar junto ao leito para trazer consolo espiritual àquele que está prestes a partir, no caso de ainda ser capaz de ouvir as
palavras sagradas, ou como um “acompanhamento” para a alma que se separa do corpo, no caso em que já tiver perdido a consciência.
(Fonte: Chevra Kadisha- SP)

Abaixo, orientações do Livro “Os Ultimos Momentos” Por Rabino Shamai Ende

1. Uma pessoa que está agonizando, que se encontra nos últimos momentos de vida, ainda é considerado vivo sendo totalmente
proibido, e é considerado homicídio, fazer qualquer coisa que aproxima o momento de sua morte. Neste momento não se deve nem
mesmo tocá-lo, (a não ser para tentar salvar sua vida ou curá-lo) nem mesmo retirar o travesseiro debaixo do mesmo, ou fazer
qualquer preparação para sua morte.

2. Antes da morte, é uma grande mitsvá se arrepender de todas falhas cometidas em vida, e se recita uma confissão especial [Veja em
Vidui] de todos seus pecados pedindo a D’us que os perdoe. Todo aquele que faz esta confissão tem garantido seu quinhão no mundo
vindouro. Se a pessoa não tem condições de falar muito, ou não sabe como falar, deve pelo menos dizer: “Seja minha morte a Capará
(perdão) de todos meus pecados”. Deve-se pedir perdão também para todas as pessoas que lhe fez qualquer mal. Costuma-se falar
também o primeiro versículo do Shemá Yisrael, e outros versículos, como na saída de Yom Kipur.

3. Quando já se nota que está prestes a morrer, não se deve deixá-lo a sós, já que a alma sofre quando falece sozinha. Se possível,
deve-se ter dez pessoas na hora do falecimento. Não se deve ficar próximo do pé da cama nesta hora. É muito importante a presença
dos filhos neste momento, porém todos devem tomar o máximo de cuidado de não chorar ou gritar nesta hora. Quem não consegue
segurar o choro, não deve estar presente neste momento. Os presentes não devem se ocupar em assuntos vãos, mas devem neste
momento se ocupar em estudar Torá, recitar o Tehilim e demais preces.

4. Se possível, costuma-se acender velas no local, um pouco distante do doente, para que quando falecer já tenham velas acesas. Se for
possível, deve-se deixar as janelas abertas. Deve-se tomar um cuidado especial para que nenhum órgão esteja fora da cama na hora do
falecimento. Para isto, pode se colocar cadeiras ou outros objetos em volta da cama para impedi-lo de colocar o pé ou a mão fora da
mesma.

5. Não se faz nenhuma preparação para o enterro, antes do falecimento. Não se preparam as mortalhas, não se chama a Chevra
Kadisha, não se rasga as roupas, não se prepara o caixão, e muito menos, não se escava a cova, antes do total falecimento.

O vidui

O vidui (confissão) é recitado antes do falecimento conforme o texto de Ramban (Rabi Moshê bem Nachman).

“A ordem do vidui de um doente terminal que recebemos de chassidim e de homens de bons atos com as seguintes instruções: O
doente deve se esforçar para fazer teshuvá, pedir perdão para todos aqueles que tenha ofendido, e pedir aos presentes que rezem por
ele. Ao fazer a teshuvá completa, deve lavar as mãos, colocar o Tsitsit e dizer: ‘Hashem Elo-kim emet vetoratô emet umoshê neviô
emet uvaruch shem kevod malchutô leolam vaêd’. (Hashem o D'us é verdadeiro, Sua Torá é verdadeira, Moshê Seu profeta é
verdadeiro e seja abençoado o nome da honra de Seu reinado para sempre).”

Em seguida deve recitar o Ashrê yoshevê vetêcha até o final do Salmo 145, os Salmos 86, 4 e 121. Em seguida deve recitar o vidui
com cavaná - grande intenção.

Este é o texto que recebemos dos chassidim e de homens de bons atos:


Modê ani lefanêcha Ado-nai E-lohai vE-lohê avotai E-lohê avraham yitschak veyaacov E-lohê hae-lohim vaAdonê haadonim
bashamáim mimaál veal haárets mitáchat ên od, ossê shamáim vaárets, ossê chésed mishpat utsedaká baárets, haia vehovê
veyihiê, mehavê et hacol, sherefuati beyadêcha, umitati veyadêcha, iehi ratson milefanêcha Ado-nai E-lohai vE-lohê avotai
shetirpaêni refuá shelêma ki Atá E-l rofê rachaman, veim bar minan amut tehê mitati capará al col chatotai vaavonotai
ufshaai shechatáti vesheavíti veshepasháti lefanécha vetên chelki betoratêcha uvegan êden vezakêni laolam habá hatsafun
latsadikim vaani modê umaamin ki Atá nimtsá metsiut guemurá, veAtá echad velo kechol haachadim, verosh lechol
hanimtsaim, veenechá guf velo chôach beguf, velo iasigúcha massiguê haguf umikrav, veên bechá davar mitoarê hagufim,
veAtá cadmon lechol hanimtsaim, veAtá raui leheavêd uleharim, veAtá hanotên nevuá befi chol haneviim, unvuat moshê
avdêcha neviêcha lemála micol haneviim, veAtá natáta lánu al yadô min hashamáim torá shelemá umeshivat nafesh, vehi zot
hatorá hakedoshá hametsuiá venênu, vehiguía elav mipi haguevurá, velo tihiê zot hatorá nedéret velo nessuchá, veAtá yodêa
machshevot benê adam velo titrashel bahem, vedarkechá ligmol tov latsadikim ulehaanish lareshaim vetavi meshichênu
haahuv utechaiê metênu. Yihiu leratson imrê fi vehegion libi lefanêcha Ado-nai tsuri vegoali.

Tradução:

Admito perante ti Ado-nai meu D'us e D'us de meus patriarcas, D'us de Avraham, Yitschak e Yaacov, D'us dos deuses Senhor dos
senhores, no céu acima e sobre a terra abaixo não há outro, que faz o céu e a terra, que faz a justiça e caridade na Terra, que existe
existiu e existirá, dá a existência a tudo, que minha cura está em Tuas mãos, e minha morte está em Tuas mãos. Seja a vontade perante
Ti, Ado-nai meu D'us e D'us de meus patriarcas, que me curas com uma cura completa, pois Tu és D'us que cura com piedade. E caso,
longe de mim, eu morra, seja minha morte um perdão sobre todas as minhas falhas e pecados e revoltas que eu falhei, pequei e me
revoltei perante Ti, e me dê uma parte em Tua Torá, e no Gan Éden, e me faça merecer o mundo vindouro que é guardado para os
justos. Eu admito e creio que Tu existes numa existência completa, Tu es um e não como todos os únicos, é o primeiro de todos os
existentes, não es um corpo e não uma força corporal, e não Te compreenderá aqueles que compreendem os corpos e suas ocorrências,
e não existe em Ti nada das formas corporais, e Tu é mais antigo de todas as existências, e a Ti é propício servir e elevar, e Tu colocas
a profecia na boca de todos os profetas, e a profecia de Moshê Teu servo e profeta é acima de todos os profetas, e Tu nos deste por seu
intermédio dos Céus a Torá completa que conforta a alma, e esta é a Torá sagrada que se encontra entre nós, e chegou a ele da boca do
Todo-poderoso, e esta Torá jamais faltará e não será esquecida, e Tu sabes os pensamentos dos humanos, e não os abandonarás, e Teu
caminho é proporcionar bondades aos justos e castigar os perversos, e nos trarás nosso Mashiach querido, e ressuscitarás nossos
mortos. Seja bem aceito o dito de minha boca e os pensamentos de meu coração perante Ti, Ado-nai minha rocha e meu salvador.

Se a hora está próxima, e a pessoa já não tem condição de recitar o Vidui completo deverá lembrar D’us como o Rei do Universo e da
outorga da Torá no monte Sinai ao recitar a seguinte frase:

Ribonô shel olam yehi ratson milefanêcha sheyihie shalom menuchati.

“Senhor dos mundos, seja a vontade perante Ti, que será em paz o meu descanso.

”Escreveram os sábios cabalistas, que ao sair a alma do homem, o Satan fica à sua direita para tentá-lo a negar a existência Divina. A
alma se nega, porém, pode ser que por causa do sofrimento momentâneo, ela pode sucumbir por alguns instantes. Portanto, antes que
isto ocorra, deve-se declarar o texto a seguir (perante algumas pessoas que devem estar sentados):

Shimu rabotai harê ani mossêr modaá bifnechem beim sheiavô hassatan o cat dilê lehassit oti laavor al achat mimitsvot Ado-
nai hên mitsvat assê hên mitsvat lo taasê hên mitsvot shechaiavin alehen keritot o mitot bêt din o guedarim o seyaguim o al
hakelal culô chas veshalom uvifrat beim sheyavô êt pecudati lehashiv hapicadon asher hofcad iti yassit veyadíach oti
umachamat êma varáad veteruf uvilbul dáat ani mode lo chalíla vechalíla hên bemachshavá hên bedibur o bechol ma shehapê
yuchal ledabêr velêv lachashov af al pi sheamru chachamênu zichronam livrachá ên adam nitpas al tsaarô, im ên ossê calá
ossê mechitsá benô levên avínu shebashamáim, bechên ani mossêr modaá bifnechem sheyihiê otô dibur o machashavá batêl
umvutal kecheres hanishbar velo yihie mamash bediburi o bemachashavti o virmizati ki ani maamin beshimchá hagadol
sheatá emet umoshê avdechá emet vetoratô emet veatá yachid umeyuchad veên iechidut camôcha beshum panim haia hovê
veyihiê Ado-nai melech Ado-nai malach Ado-nai yimloch leolam vaed. Bayom hahu yihiê Ado-nai echad ushemô echad. Ki ên
camôcha vae-lohim bashamáim mimáal veal haarets mitáchat ên od. Baruch Hu uvaruch shemô laad, baruch shêm kevod
malchutô leolam vaed.

Ouçam meus senhores, eu estou prestando uma declaração perante vocês, se caso vier o Satan ou seu grupo para me incitar a
transgredir uma das mitsvot Divinas, tanto uma mitsvá ativa, como uma proibitiva, tanto as mitsvot sob pena de morte celestial de
caret ou de morte do tribunal, ou cercos, ou sobre todas as mitsvot em geral, D'us nos livre, e especificamente, se ao chegar o
momento de minha obrigação de devolver meu penhor – a alma – que foi penhorado comigo ele vai me incitar e me desviar do
caminho, e por medo, temor, enlouquecimento ou perda de lógica eu concordar com ele, D'us nos livre, tanto no pensamento como na
fala ou de qualquer forma que a boca possa se expressar e o coração pensar, apesar de que disseram nossos sábios que a pessoa não é
responsabilizada pelos atos cometidos no momento de imenso sofrimento, todavia se estes não causam seu extermínio, mas fazem um
anteparo entre ele e nosso Pai celestial, portanto eu faço uma declaração prévia perante vocês para que esta fala ou pensamento sejam
anulados totalmente como um barro que se quebra, e não tenha nenhuma consistência em minha fala ou pensamento ou indicações,
pois eu creio em Teu nome sagrado que Tu es verdadeiro, e Moshê Teu servo é verdadeiro e sua Torá é verdadeira, Tu es um e único e
não há outra unicidade como a Tua de forma alguma, existiu existe e existirá, Ado-nai reina, Ado-nai reinou, Ado-nai reinará para
sempre. Naquele dia será Ado-nai um e Seu nome um. Pois não há como Ti entre outros deuses no céu acima e na terra abaixo, não há
outro. Abençoado é Ele e abençoado é Seu nome para sempre. Abençoado o nome da honra de Seu reinado para sempre.

Os presentes devem responder:

Betseruf Kudshá Brich Hu uShchintê kibalnu hamessirut asher massar (fulano ben fulano) gufô venafshô ruchô venishmatô
leilat col hailot vessibat col hassibot vechol ma sheyaassê mehayom negued messirat hamodaá hazot hên bemaassê hên bedibur
hên bemachshavá anachnu mevatlim oto hamaasê betseruf Kudshá Brich Hu uShchintê velô yaassê (________ ben ______)
shum roshem clal.

Juntando-se ao Santíssimo abençoado seja e sua Divindade, recebemos a declaração que nos transmitiu (______ filho de ______) seu
corpo, alma, espírito, e neshamá, ao Motivo de todos os motivos e à Causa de todas as causas, e tudo o que ele fizer a partir de hoje
contra esta declaração, tanto no ato como no na fala ou pensamento, nós estamos anulando este ato, juntando-se ao Santíssimo
abençoado seja e sua Divindade, e não fará (______ filho de ______) nenhuma marca de forma alguma.

FALECIMENTO
Primeiras providências

Logo após a morte, uma série de assuntos práticos e religiosos entram em efeito.
Os principais são:

a) Respeito pela dignidade e santidade do corpo.


b) O rápido retorno do corpo à terra.
c) Ajudar e fortalecer a alma em sua contínua jornada espiritual.

Quando ocorre a morte, a família enlutada enfrenta uma época muito difícil; mas também é difícil para o falecido. Segundo as
tradições espirituais do Judaísmo articuladas no Talmud e Cabalá, a alma não deixa completamente este mundo até mesmo após o
enterro. O período entre a morte e o enterro é bastante confuso para a alma, pois esta se encontra num estado de transição,
desconectada do passado quanto do futuro.

A presença de outros que, através de seu respeito e preces, demonstram que se importam, é bastante confortadora para a alma, pois as
almas dos vivos fornecem uma estrutura de referência para a alma recém-partida. Fazer as coisas de forma confortadora para o
falecido é portanto confortar aqueles que se importam com ele ou ela.

Seguem-se orientações práticas sobre cuidados com os falecidos do livro


“Os últimos Momentos” – Por Rabino Shamai Ende

Após o falecimento

1. Pelo judaísmo, o falecimento se dá após a total parada cardíaca e cerebral. Mesmo após isto, não se deve tocar no falecido até
aproximadamente 15 minutos após a morte para garantir que realmente faleceu. Quando não há médicos ou peritos no local, deve-se
colocar uma pluma próxima das narinas, e esperar até esta ficar algum tempo sem se mover, fixando desta forma seu falecimento.

2. Logo após o falecimento deve-se cobrir a face do morto com um pano ou lençol, para não olhar na sua face, pois isto prejudica tanto
aquele que olha como o próprio morto.. Existem alguns motivos para isto: 1) Quem olha a face de um morto terá dificuldades para
estudar; 2) Isto prejudica a visão;

3) Consiste numa vergonha para o falecido.

3. Em seguida, deve-se retirar todas suas roupas e cobri-lo com um lençol. Com cuidado carrega-se o corpo até o chão, tomando o
cuidado para não descobri-lo, colocando-o no chão sobre um lençol, deitado de costas, com os braços e pernas esticados ao longo do
corpo, olhos e bocas fechados, (caso não for possível fechar sua boca, deve-se amarrá-la com uma fita) e a cabeça ligeiramente
levantada sobre um apoio. Não se deve colocar travesseiros ou cobertores, para não esquentar o corpo. Deve-se posicioná-lo de forma
tal que seus pés ficam voltados para a porta. Muitos costumam deixá-lo em posição diagonal, com os pés direcionados para a porta.
Ao descê-lo ao chão deve-se pedir-lhe perdão pelo desrespeito, citando seu nome e nome de seu pai. Como também existe uma prece
especial que é recitada neste momento e alguns capítulos de Salmos (23 e 91, há quem recite também o 51).

4. Deve-se colocar próxima a sua cabeça velas acesas, de preferência 5 velas. Cobrem-se todos os espelhos e fotos humanas do local.
As mulheres que não foram ao micvê após o período menstrual, devem evitar tocar no corpo. Como também os homens que
manuseiam o corpo costumam ir ao micvê.

5. [O texto dentro destes colchetes pertence à: Chevra Kadisha: É costume cobrir os espelhos e demais superfícies polidas (como
quadros, fotos de pessoas envidraçados e televisão) na casa do enlutado, pois é proibido rezar na frente de espelhos. Alem disso,
segundo a cabala, a alma do falecido visita a casa durantes estes dias e faz aparecer a sua forma através do espelho.]

6. É costume judaico entornar toda a água que se encontra em qualquer utensílio da casa onde ocorreu o falecimento. Também
entorna-se a água dos utensílios da vizinhança, ou seja, das duas casas próximas à do falecido, tanto as casas da direita, da esquerda, e
no caso de prédios, se for apenas um apartamento por andar, dos dois andares superiores e inferiores. Esta água não deve ser bebida,
mas pode ser usada para lavar. Água fervida, congelada, gaseificada ou que contém alguma mistura não entram neste costume.

7. A Chevra Kadisha local deve ser contatada imediatamente para as devidas providências, iniciando sem demora os preparativos
necessários para o enterro [cuidados do corpo, sua lavagem- Tahará- e preparação para o enterro, aquisição do devido caixão,
documentação, e procedimentos legais, velório e o próprio enterro. Existem situações em que deve-se chamar a Chevra kadisha com
urgência para evitar, por exemplo, que o corpo seja levado contra a vontade ao IML.]

8. [O corpo não deve ficar sozinho em hipótese nenhuma, de dia ou de noite, e ninguém deve comer, beber ou fumar no recinto em
que ele se encontrar. Se o corpo estiver em uma geladeira, basta ficar próxima dela. Em hospitais, deve-se ficar atento aos diferentes
procedimentos e exigir o devido respeito com relação ao corpo e às crenças e práticas religiosas do falecido.]

2. Falecimento no Shabat
Caso o falecimento ocorreu no Shabat, não se deve tocar no corpo desnecessariamente, porém costuma-se assim mesmo, despi-lo e
coloca-lo no chão conforme dito acima, porém não se fecha-lhe os olhos nem se estica seus membros. Se for possível deve-se colocá-
lo no chão ainda com roupa e somente depois despi-lo, ou colocar sobre ele algum objeto que possa ser manuseado no Shabat, ou até
mesmo um pão ou qualquer comida. Não se fecha sua boca, porém pode-se amarrar uma fita (com um laço mas não com um nó) para
a boca não abrir mais do que está. Não há necessidade de jogar fora a água da casa ou da vizinhança quando o falecimento ocorreu no
shabat. Não se deve contatar a Chevra Kadisha nem transportar o corpo no dia de Shabat.

3. Falecimento no Yom Tov

1. Quando ocorre o falecimento no primeiro dia de Yom Tov, deve-se tomar todas as providências possíveis para o enterro somente
por intermédio de um não judeu. Porem a lavagem do corpo e a Tahará, pode ser feita através de um judeu, se este não profanará o
Yom Tov para tanto. Pela lei, o transporte do corpo, o enterro e todas as preparações poderiam ser feitos através de um não judeu,
sendo que nenhum judeu pode profanar o Yom Tov para tanto. Já no segundo dia de Yom Tov as leis são um pouco diferente. Tudo
que pode ser feito através de um não judeu, como cavar a cova, preparar o caixão e as mortalhas, cobrir com terra, deve ser feito
através de um não judeu. No entanto, se não dá para fazer por um não judeu, pode ser feito por um judeu, todo trabalho extremamente
necessário. Porem é proibido ir ao cemitério de carro para acompanhar o enterro, como exceção dos que são necessários para o enterro
(membros da Chevra Kadisha, coveiros, etc.)

2. No entanto, para evitar Chilul (profanação do) Yom Tov, como também para não faltar na honra do falecido (já que muitas poucas
pessoas chegariam ao cemitério sem profanar o Yom Tov), não costumamos atualmente realizar enterros no Yom Tov. Somente num
caso que tem se certeza que não haverá chilul Yom Tov, e quando o corpo está em estado de putrefação avançado, permite-se fazê-lo
no segundo dia de Yom Tov conforme as leis acima.

Honra ao morto

1. O corpo judaico tem em si uma santidade especial devendo ser tratado com respeito.

2. É proibido comer ou beber qualquer alimento no ambiente onde se encontra um morto, salvo se houver entre a pessoa e o morto um
anteparo de pelo menos 80cm de altura. Como também não se recita no local nenhuma berachá. Em caso de grande necessidade, pode
se comer no local, contanto que se vire de costas para o morto e se afaste pelo menos 2m do morto antes de recitar uma bênção.

3. É proibido fumar ou cheirar rapé perante o morto.

4. Não se deve estudar Torá, colocar Tefilin ou Talit perante o morto, salvo se afastar do mesmo 2m. Porem pode recitar Tehilim e
trechos sagrados na hora da lavagem, já que isto é feito em honra ao mesmo. Como também, pode se falar trechos da Torá e do
Talmud nos discursos fúnebres (hespedim), já que isto é feito em honra do falecido.

A guarda do corpo (Shmirá)

1. A partir do momento do falecimento, até o enterro, é proibido deixar o corpo desacompanhado. Mesmo que até o enterro irá
demorar vários dias, e mesmo que não há nenhuma suspeita que algo de mal possa ocorrer com o corpo, este deve estar sempre
acompanhado por um Shomer (responsável pela guarda), (Consta no Maavar Yabok (1, 24) que o motivo disto é que ao encontrar um
corpo desacompanhado, os espíritos de impureza se apoderam dele e o impurificam, já que estes foram criados sem corpo, e desejam
se apossar de um, principalmente quando este tiver a santidade judaica) tanto durante o dia como durante a noite.

2. Este shomer deve constantemente recitar Salmos e outras preces próximo do falecido, sendo proibido conversar perto do morto
assuntos que não diz respeito ao enterro e suas preparações. Como também, é proibido cumprimentar alguém, ou responder a um
cumprimento perante o morto e comer ou fumar no local. Este shomer está isento de recitar o Shemá e de rezar e de qualquer outra
obrigação da Torá (como colocar Tefilin por ex.) enquanto está ocupado com a guarda do corpo (logicamente que é proibido
transgredir qualquer proibição). Porem se duas pessoas estão fazendo a shemirá, devem se intercalar sendo que enquanto um fica
cuidando o outro sai para recitar o Shemá, rezar e colocar o Tefilin. Quando o período de guarda é longo, ou quando se passa uma
noite, aconselha-se a designar dois shomrim para que enquanto um cuida o outro possa descansar e dar uma saída se for necessário,
evitando que o falecido fique desacompanhado sequer um minuto.

Mesmo se o corpo pernoita numa câmara fria, deve-se ter um shomer próximo.

Se o morto se encontra em um local que pode ser desprezado ou destruído, por ex. próximo de um incêndio ou num local onde existem
ratos, ou em praça pública, deve-se retira-lo de lá, levando-o para um local seguro e protegido.

Mesmo durante o Shabat há necessidade desta shmirá, caso o falecimento tenha ocorrido no shabat, ou se passou um Shabat antes do
enterro. No entanto é proibido manusear [O corpo é considerado no shabat muktsê, ou seja, algo proibido por nossos sábios de
manusear no shabat. Só é permitido manusear no shabat, pessoas, alimentos e utensílios de uso permitido. As leis de Muktsê são muito
extensas, não sendo aqui o local para descrevê-las] ou transportar o corpo no Shabat mesmo se for necessário por causa dos cohanim
que se encontram no local, devendo estes saírem do local.

No caso que os parentes desejam transportá-lo para outro local por alguma necessidade, devem fazê-lo por intermédio de um não
judeu. Porém, se o morto se encontra em um local de desprezo ou não seguro, ou se desejam colocá-lo na câmara fria para que não
cheire mal, e não há condição de fazê-lo por intermédio de um não judeu, pode ser transportado por um judeu por intermédio de suas
roupas, que não são muktsê, ou colocando sobre sua cama algum objeto ou comida não muktsê. Mas mesmo neste caso, não pode
transportá-lo passando por uma rua, ou qualquer praça pública que não se pode carregar nela no shabat pela Torá, somente por
intermédio de um não judeu se for necessário. Como também no Shabat é permitido colocar gelo sobre o corpo e até mesmo pedir a
um não judeu comprar ou trazer gelo para este fim.

Durante todo o tempo do velamento do corpo, desde o falecimento até a lavagem, o corpo e a cabeça devem estar totalmente cobertos.
As pessoas que se encontram no local estão totalmente proibidas de conversar, cumprimentar, comer, fumar ou fazer qualquer estudo
ou mitsvá perante o corpo, a não ser recitar Tehilim e preces em prol do falecido. Quem não tem certeza que se portará no recinto da
forma devida, não deverá permanecer no local.
Velório
Até o sepultamento, deve-se dar aos enlutados plena vazão a sua aflição e dor, e não se deve oferecer condolências.

A exibição do morto num caixão aberto é considerada pela tradição como uma desonra e um desrespeito ao falecido; embora a
intenção desta prática seja honrosa, ela é rejeitada pelos valores judaico. Por isso, tão logo é constatado o óbito, o corpo é coberto com
um lençol.

No recinto em que se encontrar o corpo ou o caixão, deve-se acender velas no castiçal e mantê-las acesas até a saída do féretro. As
pessoas devem recitar Salmos (o costume é falar principalmente os Salmos 33, 16, 17, 72, 91, 104, 130 e estrofes alfabéticas do 119
que compõe o nome judaico do falecido) em intenção à alma do falecido, mencionar as virtudes e as boas obras dele e manter no
ambiente um clima de circunspecção e sobriedade.

O corpo não deve ser deixado sozinho, nem à noite, e é proibido comer, beber, ou fumar no recinto em que este se encontrar.

No tocante ao envoi de flores, este é um procedimento não contumaz no judaísmo; flores ou coroas de flores que porventura sejam
enviadas em honra do falecido (principalmente por nnao judeus), devem ser aceitas mas não colocadas sobre o caixão ou levadas ao
cemiterio, e sim solocadas numa sala próxima ao velório.

A maior honra (cavod) que os amigos e parentes podem manifestar nesta ocasião, além de suas presenças, é o ato de fazer donativos às
entidades de beneficencia em nome do falecido e pelo repouso de sua alma, pois a caridade proporciona conforto espiritual à alma
perante D’us.

Acompanhar um cortejo fúnebre (Levaiá) e levar um morto à sua última morada é um dever tão sagrado que permite, ate mesmo, em
alguns casos, interromper o estudo da torá. O carro que transporta o feeretro para o cemitério deve ir à frente; nele devem ir também
correligionários para evitar que o corpo fique sozinho.
O enlutado e o pranteado
Quem Está Enlutado?

A Lei Judaica considera formalmente o enlutado como sendo aquele que perdeu qualquer um dos sete parentes próximos relacionados
em Vayicrá (21:1-3): pai, mãe, esposa (ou marido), filho, filha, (casados ou solteiros), irmão e irmã (ou meio-irmão e meia-irmã). A
Torá originalmente enumerou estes relacionamentos com respeito à impureza ritual do cohen ou sacerdote. O sacerdote que
normalmente não tinha contato com os mortos tinha, no entanto, permissão de impurificar-se para enterrar estes parentes. A Tradição
Oral considerava que esses relacionamentos se aplicam também às leis do luto.

1 – Pais adotados. Não há exigência de enlutar-se por pais, irmãos ou irmãs adotivos, ou filhos adotivos. Mas embora não haja
obrigação legal de luto, há o "luto em simpatia", ou seja, abstenção de festejos e atividades semelhantes a fim de demonstrar tristeza.

2 – Menores de idade não têm obrigação de observar as leis de luto. Assim, um menino até os treze anos e uma menina até os doze
não precisa "sentar" shivá, nem seguir os outros costumes. No entanto, suas roupas devem ser rasgadas, e deveriam ser encorajados a
restringir de alguma forma suas atividades diárias. Este procedimento deve ser seguido especialmente no caso de crianças mais
amadurecidas, embora ainda sejam menores.

Noiva e Noivo

1 – Durante os primeiros sete dias completos após o casamento, noiva e noivo ainda não estão obrigados a observarem as leis do luto,
mesmo por um dos pais, porém eles comparecem ao serviço de funeral. No entanto, logo após estes sete dias, eles devem começar a
observância de shivá e sheloshim. A lei distingue entre um caso no qual a morte ocorreu antes do início de Shevá Berachot (sete dias
de festejos), e um caso onde a morte ocorreu no meio dessa semana. No primeiro caso, a noiva ou noivo começam o período completo
de shivá e sheloshim imediatamente depois que termina a semana de comemorações. Neste caso, ele ou ela se juntam ao restante da
família que está observando shivá e termina a observância de shivá junto com eles. Uma viúva e um viúvo têm um período formal de
comemorações de três dias, em vez de sete, após o casamento.

2 – Se um feriado, que normalmente anula o período inteiro de shivá, ocorrer durante a semana de festejos que é co-extensiva com
shivá, os noivos devem mesmo assim, cumprir shivá depois do feriado. Assim, se o casamento foi na noite do sábado e a morte do
parente ocorreu no domingo, o feriado que cai naquela semana anula o período de shivá apenas para aqueles que observaram o período
de luto. Porém os noivos, como não foram obrigados, e não cumpriram formalmente o luto, devem observar a shivá completa após a
conclusão do feriado.

3 – Os noivos não rasgam a roupa até depois de Sheva Berachot. No entanto, eles recitam a bênção”Dayan haEmet” ("O Verdadeiro
Juiz") com os outros enlutados no serviço de funeral, pois esta é uma expressão de dor imediata e espontânea, e não pode ser retardada
de propósito.

4 – Durante sheva berachot eles, tecnicamente, não são considerados enlutados. Pela lei, eles não precisam ser visitados e consolados
como se faz com outros que observam shivá.

5 – Os noivos não precisam acompanhar um pai falecido ao cemitério, mas mesmo assim, devem seguir o carro funerário da casa ou
da funerária durante vários quarteirões, de modo a prestar homenagem ao pai.

6 – O noivo é obrigado a colocar tefilin mesmo no dia após a morte, o que não é obrigatório para os outros enlutados, pois ele é
considerado como estando em período de festas e não de luto.

7 – No caso da morte de um pai da noiva ou do noivo antes da cerimônia do casamento, ou mesmo após a cerimônia, mas antes da
consumação do casamento, deve-se consultar uma autoridade competente.

Todos esses casos acima citados se aplicam aos noivos durante seu período formal de sete dias, sheva berachot, quando reservaram
esses dias exclusivamente um para o outro. Se, no entanto, eles retornaram ao trabalho ou escola antes da morte, mas durante Sheva
Berachot, estão obrigados a ficar de luto da maneira usual.

Parceiro Divorciado

Um parceiro divorciado não precisa observar qualquer lei de luto, e não precisa comparecer ao funeral. Se um dos parceiros pensou
em divórcio, mas não tomou ação legal, está obrigado a se enlutar. Se ambos concordaram em princípio com o divórcio, e
definitivamente estão determinados a ir em frente com isso, embora nenhuma ação legal tenha tido início, não há exigência de luto.

Convertidos ao Judaísmo

Não há obrigação para o convertido ao Judaísmo de se enlutar por seus pais não-judeus da maneira prescrita pela Lei Judaica. Embora
se espere que o convertido demonstre respeito pelos seus pais naturais, ele é, mesmo assim, considerado afastado deles religiosamente.
A dor que o convertido expressa embora não tecnicamente exigida pela Lei Judaica, deveria possuir um caráter marcantemente
judaico. Portanto:

1 – O convertido pode recitar cadish se assim o desejar. É preferível, no entanto, como o falecido não era judeu, que ele recite um
Salmo, ou estude uma porção da Torá em honra do falecido, como é costume em yahrtzeits. A decisão de adotar um modo ou outro
cabe ao enlutado.

2 – Da mesma forma, os procedimentos de shivá não devem, de preferência, serem observados como no luto completo por um pai
judeu. A observância total pode indicar aos amigos, não intimamente ligados com a família, que o pai era judeu. Isso pode causar o
surgimento de dificuldades. Por exemplo, poderia encorajar o casamento do convertido com um cohen que não suspeita disso, e estaria
induzindo a uma união que não é permitida.

O judeu convertido não deve sentir que suas emoções de dor devam ser restringidas por causa da diferença religiosa. É apenas a
observância religiosa que está em causa. De fato, aqueles enlutados que são convertidos deveriam receber uma atenção especial
durante esse período.

Quais Parentes São Pranteados?

Uma vida com duração superior a 30 dias estabelece o ser humano como uma pessoa viável. Se uma criança morre antes desse tempo,
é considerada como não tendo vivido de todo, e nenhuma prática de luto é observada, embora a criança tenha sido normal, mas morreu
acidentalmente.

Qualquer ser humano que tenha vivido além desse período mínimo deve ser pranteado. Existem, no entanto, várias exceções.

Apóstatas
Um desertor da fé, que censura abertamente o Judaísmo, e adota outra religião sem compulsão, não pode ser enterrado num cemitério
judaico nem se deve adotar o luto por ele. Para todos os efeitos e propósitos, sua deserção é aceita como separação verdadeira da fé e
da comunidade, e portanto, não é honrado pela comunidade. Permitir o enterro ou qualquer outra observância religiosa para um
apóstata deixaria a porta aberta encorajando a deserção de outros. Saber que todos os privilégios e honras do povo judeu não serão
conferidos ao apóstata serve como um freio àqueles que consideram enveredar por esse caminho.

Pecadores arrogantes

Aqueles que publicamente, propositadamente e com arrogância, desonram os caminhos de Israel, sua fé e práticas, suas leis e
tradições, mas não desertam formalmente do Judaísmo abraçando outra fé, têm garantidos os direitos de taharat (purificação) e o uso
de mortalhas. Também são enterrados, embora numa parte obscura do cemitério judaico. No entanto, não há luto, como rasgar a roupa,
aninut ou shivá. A comunidade judaica deve perdoar até certo ponto; além disso deve salvaguardar sua própria existência. Confere tal
tratamento ao pecador falecido na esperança de impedir que outros sigam o seu exemplo.

Pecadores não intencionais

Aqueles que violam as leis e tradições de Israel por necessidade social, ou como resultado da ignorância sobre os detalhes da lei, não
são considerados na categoria de pecadores arrogantes. Estas pessoas devem receber a medida completa de dignidade conferida a
todos os judeus falecidos. Devem ser pranteados na maneira prescrita para todos os outros que morreram.

Mortos Cremados

Aqueles que escolhem não ser enterrados da maneira judaica não se deve guardar luto por eles. Suas cinzas não devem ser enterradas
num cemitério judaico. Leia sobre cremação.

Criminosos executados

Aqueles que são executados pelo governo por razões que, sob a Lei Judaica, teriam trazido sobre eles uma sentença capital (tais como
assassinos), não devem ser pranteados. Se o crime não teria merecido pena capital sob a Lei Judaica, o criminoso deve ser pranteado e
lhe são conferidos todos os direitos de um funeral completo. Este é um problema incomum, e os detalhes de cada caso individual
exigem consulta a uma autoridade rabínica.

Suicidas

Aquele que foi obviamente um suicida intencional não recebe eulogia nem luto, porém certas leis devem ser observadas. Existem, no
entanto, numerosas qualificações sobre quem é legalmente considerado suicida intencional.

Filhos de casamentos mistos

O filho de uma mãe judia é considerado judeu, mesmo que o pai seja gentio. Portanto, esta pessoa deve ser pranteada como sendo um
completo judeu e, por sua vez, está obrigado a ficar de luto por outros parentes. Compreensivelmente, exige-se dele que fique de luto
pelo pai gentio apenas se o pai se converteu antes da concepção do filho.

Filhos nascidos fora do casamento

Se a mãe é judia, o filho é considerado judeu no que diz respeito a todas as leis do luto, como foi declarado acima.

Instruções para dispensar o luto

No caso de um pedido explícito feito pelo falecido de não ser pranteado pela observância de shivá, é questionável se a vontade do
falecido deve ser cumprida. Depende muito do motivo do pedido. Se a intenção foi aliviar o fardo dos sobreviventes, permitir-lhes que
fossem trabalhar, ou poupar à família dos inconvenientes da observância, então podemos desconsiderar o pedido e insistir em prestar
homenagens ao falecido.

Se, no entanto, o motivo do pedido foi a violação intencional da tradição, devemos julgar se foi ou não feito por ignorância dos valores
judaicos e seu verdadeiro significado. Se o motivo para o pedido foi baseado em ignorância, devemos certamente observar as leis de
luto. Se foi uma negação voluntária dos valores judaicos, porém, a tradição judaica mandará obedecer à sua vontade, e não o honrará
através da shivá.
Saída do cemitério
1. Costuma-se após acompanhar um féretro, não voltar pelo mesmo caminho que veio, se for possível. Pelo menos deve-se evitar
encontrar-se com as mulheres que estiveram também acompanhando, pois isto não é bom para ambos. Após o enterro, arranca-se um
pouco de grama (exceto em Yom Tov e Chol Hamoed) e jogá-la por cima do ombro direito para trás pronunciando a seguinte frase:
"Veyatsisu me'ir keêssev haáretz; zachur ki afar anáchnu" Tradução: “Que eles (os falecidos) brotem (ressuscitem) como as
plantas da terra”. Isto é feito para demonstrar que o falecido brotará de novo à vida na época da ressurreição dos mortos (Techiyas
Hametim )

2. Antes de voltar para casa, deve-se lavar as mãos três vezes intercaladas tomando o cuidado de não passar a caneca de mão em mão.
Como também, costuma-se não enxugar as mãos. Se esteve próximo do morto, ou se foi ao cemitério, não deve entrar em casa antes
de lavar as mãos da forma acima

3. Ao sair do cemitério cada pessoa deverá fazer netilat yadáyim – ablução das mãos. Não se costuma passar a caneca de netilat para
outra pessoa após usá-la para mostrar que não passamos tristeza a outras pessoas. A caneca deverá ser colocada com a abertura para
baixo, indicando que toda vida chegará ao fim. As mãos não devem ser enxugadas em sinal de que a memória do falecido ainda
permanece conosco.

4. Após lavar as mãos recita-se o versículo (Yeshaiahu XXV): “Bilá hamavet lanetsach, umachá Ado-nai Elo-him dim’á meal col
panim vecherpat amo yassir meal col haarets ki ado-nai diber” – “Abolirá a morte para sempre, e D’us apagará as lágrimas de
todas as faces, e a vergonha de Seu povo tirará de toda a terra, pois assim disse D’us”.

5. Costuma-se sentar sete vezes em locais diferentes e recitar o Salmo 91 a cada vez. Isto é válido até mesmo para uma pessoa que não
foi ao cemitério, mas apenas acompanhou o féretro.
Taharah – preparação do corpo
"Assim como veio, ele deve ir"

Cohêlet
Assim como um recém-nascido é imediatamente lavado e entra neste mundo limpo e puro, também aquele que parte deste mundo
deve ser limpo e purificado através de um ritual religioso chamado taharah (purificação).

Leis referentes à Tahará

A tahará é realizada pela Chevra Kadisha (Sociedade Sagrada, i.e., Sociedade Funerária), composta por judeus instruídos na área dos
deveres tradicionais, e que podem mostrar o devido respeito aos falecidos. Além da limpeza física e da preparação do corpo para o
enterro, eles também recitam as preces exigidas pedindo perdão a D'us por qualquer pecado que o morto possa ter cometido, e rezando
para que o Todo Misericordioso o guarde e lhe conceda a paz eterna.

Fazer parte da Chevra Kadisha sempre foi considerada uma grande honra comunitária concedida apenas àqueles que são realmente
piedosos. Não-judeus, sob nenhuma circunstância, podem realizar estas tarefas sagradas de preparar o corpo, pois o ritual de tahará de
maneira alguma é meramente um ritual higiênico. É um ato religioso judaico.

Em preparação para o enterro, o corpo é completamente limpo e envolto numa mortalha simples branca de linho comum. Os Sábios
decretaram que tanto a roupa como o caixão devem ser simples, para que um pobre não receba menos honra na morte que uma pessoa
rica. O corpo é envolto num talit com seus tsitsit, franjas, rasgadas para torna-los inválidos.

O corpo não é embalsamado, e os órgãos e fluidos não devem ser removidos. O corpo não deve ser cremado. Deve ser sepultado na
terra. Os caixões não são obrigatórios, mas se forem usados, devem ter buracos para que o corpo possa entrar em contato com o solo.
[Este texto, dentro dos colchetes, é de autoria da Chevra kadisha: É proibido embalsamar o corpo, pois o sangue do morto faz parte
dele e deve ser enterrado com ele. Quando se faz necessário transportar o corpo para outra localidade, a Chevra kadisha aplica as
técnicas de conservação de cadáveres permitidas pela tradição judaica e de acordo com a legislação brasileira.

Dentes de ouro, dentadura, lentes de contato e próteses devem ser retirados do corpo e não serem enterrados com ele.

É permitido deixar os enlutados verem o falecido antes de fechar-se o caixão, mas deve-se persuadi-los a não fazê-lo. Tocá-lo ou
beija-lo é proibido.]

O corpo nunca é exibido em funerais; cerimônias com o caixão aberto são proibidas pela Lei Judaica. É aconselhável que membros da
família imediata se ausentem durante a purificação, pois embora sua presença pudesse constituir um símbolo de respeito, é
considerado muito doloroso para assistirem. O rabino pode agendar essa purificação através da Chevra Kadisha. A tarahá é a maneira
milenar judaica de mostrar respeito pelos mortos. Isso não é meramente um "antigo costume" ou uma "bela tradição", mas uma
exigência absoluta da Lei Judaica.

Vestir o Corpo

A tradição judaica reconhece a democracia da morte. Portanto, exige que todos os judeus sejam enterrados com o mesmo tipo de
roupa. Ricos ou pobres, todos são iguais perante D'us, e o que determina sua recompensa não é aquilo que vestem, mas aquilo que são.

Há 1900 anos, Rabi Gamaliel instituiu essa prática para que os pobres não se envergonhassem e os ricos não rivalizassem entre si ao
exibir roupas dispendiosas ao serem enterrados.
As roupas a serem vestidas devem ser apropriadas para alguém que em breve estará em julgamento perante D'us Todo Poderoso, o
Mestre do Universo e Criador do homem. Portanto, devem ser simples, feitas à mão, perfeitamente limpas e brancas. Estas mortalhas
simbolizam pureza, simplicidade e dignidade. Mortalhas não têm bolsos. Portanto, não podem levar riquezas materiais. Nem um
pertence do homem, exceto sua alma, tem importância.

A Chevra Kadisha tem um suprimento dessas mortalhas. Se decorrer algum tempo antes de serem obtidas, o funeral deve ser
retardado, pois são consideradas muito importantes. As mortalhas devem ser feitas de musselina, linho ou algodão. A regra é que não
se deve gastar muito mais que o preço do linho, mas usar um tecido menos dispendioso.

O falecido deve ser envolto em seu talit – não importa se é ou não dispendioso, novo ou velho. Uma das franjas deve ser cortada.
Quem não era observante ou acostumado a colocar talit pode, se desejado, ser enterrado num talit comprado especificamente para esse
fim. A família do falecido deve decidir nesse caso.
O texto abaixo é de autoria do Rabino Shamai Ende, retirado de seu livro “Os Últimos Momentos”

A lavagem e a Tahará (purificação) do corpo

1. É costume judaico lavar a cabeça e o corpo do falecido com água morna. Esta lavagem deve ser feita somente por judeus, e
normalmente é feita pelos membros da Chevra Kadisha. Parentes como pai, irmão, cunhado, sogro, e especialmente os filhos não
devem participar desta lavagem.

2. Esta lavagem deve ser feita a portas fechadas, e ninguém além dos responsáveis pela mesma não pode estar presente.

3. Esta de preferência deve ser feita o mais próximo do enterro, sendo que não se deve ter uma interrupção entre a lavagem e o
enterrro de mais de 3 horas, salvo se não houver outra opção.

4. Após a lavagem, joga-se sobre o corpo uma quantia de 9 Kabin (pouco mais de 12 litros) de água para purificá-lo, se enxuga
completamente o corpo, veste-se mortalhas de linho especialmente preparadas, e no caso de homens, veste-se o Talit por cima das
mortalhas (se for possível, deve se usar o Talit que usava em vida para rezar), envolvendo-o finalmente com um lençol antes de
colocá-lo no caixão.

5. Existem aqueles que costumam, após envolver totalmente o corpo, chamar os filhos para amarrar o cinto.

6. Como existem muitas leis e costumes relacionados com a lavagem, purificação e vestimenta, e muitas preces a serem recitadas,
como também existem casos especiais em que esta lavagem não é feita ou feita de forma diferente, sendo que por estes e outros
motivos esta deve ser feita apenas pelos membros da Chevra Kadisha e aqueles que tem conhecimento e experiência.
Keriá – rasgar as roupas
"1. Aquele que perdeu um parente próximo tem a obrigação de fazer a Keriá (rasgar sua roupa). Esta consiste em uma obrigação de
ordem rabínica muito rigorosa. O prazo da keriá a princípio é desde o falecimento até cobrir o corpo com terra. No entanto, entre os
Sefaradim, muitos costumam fazer a keriá somente ao voltar para casa após o enterro. O costume entre os ashkenazim, é fazer a keriá
antes de levar o corpo de casa, ou do último local antes de ser levado para o enterro. Antes de fazer a keriá deve recitar a berachá:
“Baruch Atá A-do-nai E-lo-hênu Melech haolam Dayan haemet” – “Bendito és Tu, Ó Senhor nosso D’us, Rei do Universo, o juiz
verdadeiro”.

2. Em Shabat e Yom Tov é proibido fazer a keriá. Em chol hamoed, só pode fazer a keriá o(a) Filho(a) do(a) falecido(a). Os demais
enlutados fazem a keriá após o último dia de Yom Tov. No entanto, a brachá de “dayan emet” deve ser recitada por todos na hora da
saída do enterro, mesmo aqueles que não irão fazer a keriá.

3. O enlutado que não fez a keriá antes do enterro, deve fazê-la durante os sete dias de Shivá. No entanto, após o terceiro dia de luto,
não se recita a berachá acima completa, recitando apenas sem o nome de D’us da seguinte forma: “Baruch Dayan Haemet”. Caso
tenha passado o período da shivá e não foi feita a keriá, no caso que ele poderia ter feito, esta não é mais feita. Isto trata-se apenas de
outros parentes que não seja o pai ou a mãe. Sobre os pais, o enlutado que não fez a keriá durante a shivá, tem a obrigação de fazê-lo
na primeira oportunidade, sem limite de prazo.

4. A keriá deve ser feita de pé, sem se apoiar em nada, salvo em caso de doença. Caso a keriá foi feita sentado, esta deve ser repetida.
O próprio enlutado deve rasgar suas roupas se possível. O costume é que alguém inicia com um corte com faca ou tesoura e o enlutado
termina rasgando com as próprias mãos, sem o uso de utensílios. Porém sobre outros parentes, fora o pai ou mãe, pode se quiser fazer
a keriá com um utensílio. O corte deve ser feito na vertical e não na horizontal, acompanhando o comprimento da roupa, a partir da
borda, de forma a separar o corte em dois.

5. Sobre o pai ou mãe, a keriá deve ser feita no lado esquerdo superior da roupa, sendo que devem ser cortadas todas as roupas até
revelar o coração (paletó, camisa, malha, etc.), porém não há necessidade de cortar o sobretudo e a camiseta de baixo (usada para
proteger do suor) nem o talit catan (tsitsit). Sobre os demais parentes, deve se cortar do lado direito superior, bastando apenas a roupa
superior. O tamanho do corte é de no mínimo 8 cm, sendo que em demais parentes, fora pai e mãe, não se deve acrescentar muito à
esta medida. A keriá deve ser feita no lado da frente da roupa, caso esta foi feita no lado de trás ou inferior, não foi válida devendo ser
repetida no local certo.

6. Se dois parentes faleceram ao mesmo tempo, ou a notícia do falecimento de dois parentes chegou ao mesmo tempo, basta um único
corte para os dois. Isto é válido mesmo para quem perdeu ambos os pais ao mesmo tempo. No entanto, se um dos parentes for o pai ou
a mãe, e o outro se tratar dos demais enumerados acima, deve ser feito um corte separada para o pai ou mãe (no lado esquerdo), e
outro para os demais parentes (no lado direito).

7. O enlutado deve vestir a roupa rasgada de preferência até o final da Shivá. No caso de muita necessidade pode trocar a roupa
durante a Shivá, porém se o luto for pelo pai ou mãe, esta roupa trocada deve ser também rasgada conforme as leis acima.

8. Durante o Shabat, deve se trocar de roupa, não podendo usar as roupas rasgadas, porém estas devem ser trocadas não muito antes da
entrada do Shabat, e logo após o Shabat, o enlutado deverá vestir novamente as roupas rasgadas.

9. Logo após levantar da shivá, estas roupas podem ser trocadas.

10. A roupa que foi rasgada pode ser costurada somente após trinta dias do luto. Porém no caso do falecimento de pai e mãe, as roupas
rasgadas jamais podem ser costuradas. No entanto, a roupa pode ser costurada de forma irregular após a shivá, no caso de outros
parentes, ou após trinta dias, pelo pai ou mãe, no entanto deve-se evitar fazê-lo.

A Keriá em crianças

11. Uma criança, ou seja, meninos abaixo de 13 anos e meninas abaixo de 12 anos, não tem a obrigação de rasgar as roupas em sinal
de luto. Porém existem idéias que se eles já têm idade de entender o luto, devem fazer a Keriá se estiverem presentes na hora do
enterro ou do hesped, discurso fúnebre. Caso a criança não tem idade de entender o luto, rasga-se a roupa dele só um pouco para
despertar a dor do luto nos demais parentes.
O caixão
"Pois tu és pó, e ao pó retornarás" (Bereshit 3:19), é o princípio guia sobre a escolha de caixões. A prática em Israel e em muitas
partes da Europa tem sido enterrar numa cama de juncos entrelaçados, sem qualquer caixão, cumprindo, literalmente, a prescrição
bíblica de devolver o corpo ao seio da terra. O caixão era usado antigamente para propósitos de honra, como no enterro de um
sacerdote, ou para evitar uma visão chocante, como no caso de alguém que morreu gravemente queimado ou desfigurado, ou ainda
para evitar risco sanitário, como no caso de alguém que morreu de uma doença contagiosa.

Nesse país, no entanto, os mortos são sempre enterrados em caixões. A compra do caixão não deve ser determinada pelo custo, e não
se deve preocupar em excesso com a opinião dos visitantes.

Seguem-se alguns critérios básicos:

1 – O caixão deve ser feito completamente de madeira. A Torá nos diz que Adam e Eva se esconderam entre as árvores no Jardim do
Éden quando ouviram o Divino julgamento por cometerem o primeiro pecado. Disse Rabi Levi: "Aquele foi um sinal para seus
descendentes que, quando eles morrerem e se prepararem para receber sua recompensa, devem ser colocados em caixões feitos de
madeira."

Outro motivo para o uso de um caixão de madeira é para que o corpo e a mortalha não se decomponham muito tempo antes que o
caixão. O corpo, o tecido e a madeira têm prazos de deterioração semelhantes. Um caixão de metal retardaria o processo "Ao pó
retornarás."

2 – Caixões com alças de metal, teoricamente, podem ser usados. Isso satisfaz os dois motivos previamente mencionados para o uso
de caixões de madeira. Existe um costume antigo, porém, que é aceito pela maioria dos judeus, exigindo que apenas alças de madeira
sejam usadas. Nas capelas funerárias estes caixões com pegadores de madeira são chamados "Ortodoxos".

3 – Interior do caixão. Com freqüência, os caixões ortodoxos são adquiridos com o interior forrado, com colchão e travesseiro,
preparatório para exibir o falecido – um procedimento totalmente questionável na verdadeira crença e prática ortodoxa. Interiores
forrados não são considerados adequados. Assim como o embalsamamento, o uso de ternos e a exibição, eles violam os princípios
básicos do funeral judaico. O interior não acrescenta "conforto", muito menos dignidade e respeito. É apenas um acessório artificial,
projetado para "exibição", e exibir o corpo certamente não é aceito religiosamente.

4 – Tipo de madeira. Na verdade não faz diferença que estilo ou qualidade de madeira foi selecionada para o caixão. Seja mogno ou
pinho, polido ou simples, não é importante. Muitos insistem em fazer buracos no fundo do caixão para cumprir a exigência "ao pó
retornarás". Isso é apropriado e deve ser encorajado.

5 – Terra da Terra Santa é freqüentemente enterrada junto com o falecido, Este é um costume comovente e significativo. Aqueles que
desejam cumpri-lo, não devem ser desencorajados. O agente funerário pode facilmente arranjar este item.
6 – O caixão não precisa ser nem muito caro nem barato. Os Sábios não consideram a despesa como um barômetro da homenagem aos
mortos. Para alguns seria preferível contribuir com dinheiro para caridade em nome do falecido, em vez de comprarem caixões
luxuosos. O custo é uma questão pessoal, e deveria estar de acordo com o orçamento dos sobreviventes. A exigência essencial é que
prevaleça a dignidade.

7 – Caixões luxuosos não são de bom gosto. O Presidente Franklin Delano Rossevelt deixou instruções específicas para que "o caixão
seja de absoluta simplicidade, de madeira escura, que o corpo não seja embalsamado ou hermeticamente selado, e que o túmulo não
seja revestido com tijolos, cimento ou pedras." Da mesma forma, quando os restos mortais do Presidente John F. Kennedy foram
transportados num caixão de bronze, antes que arranjos explícitos pudessem ser feitos, a viúva decidiu que o espírito e a vida do
Presidente exigiam um caixão simples, e ele foi removido do caixão de bronze e enterrado num caixão de madeira.
Levayá-o cortejo
Costumes na hora de retirar o corpo da casa

1. Existe uma mitsvá de ordem rabínica de acompanhar e participar ativamente do enterro e carregar o morto na hora que se está sendo
levado para ser enterrado. Normalmente todas as preparações para o enterro, como cavar a cova, preparar as mortalhas, lavar o corpo,
etc., é trabalho da Chevra Kadisha, sendo que as demais pessoas estão isentas deste trabalho. Porém em locais onde não existe uma
Chevra Kadisha, é uma obrigação de todos os judeus locais de fazer todas as preparações e todo o enterro, mesmo se for necessário
deixar de trabalhar ou anular um estudo de Torá para isto.

2. Ao retirar o falecido da casa onde se encontra, ele deve ser carregado pelos membros da Chevra Kadisha. Neste momento, ninguém
pode sair do local antes do morto, pois isto pode causar-lhes um prejuízo. Neste momento os presentes devem dar Tsedacá por vários
motivos:

a.A Tsedacá salva da morte;

b. A morte de justos traz o perdão tal como a Tsedacá;

c. A Tsedacá indica união do povo, tal como todos estão agora reunidos para prestar uma homenagem;

d. Pelo mérito da Tsedacá ocorrerá a ressurreição dos mortos. A Chevra Kadisha carrega o corpo um pouco adiante da casa, sendo que
então, já pode ser passado de mão em mão. Antes de retirar o corpo da casa, o costume é recitar alguns Salmos e os enlutados recitam
o cadish.

3. Se existem dois mortos, estes não devem ser tirados e acompanhados juntos (salvo em caso de emergência, como por ex. na véspera
do shabat), sendo que primeiro se retira o que faleceu primeiro, e após seu enterro, retira-se o próximo. Se o processo de putrefação de
um deles já iniciou, deve-se dar preferência ao mesmo. Existem outros casos de preferências, devendo sempre consultar um rabino
competente.

A Keriyá (rasgar as roupas) e pedido de perdão

4. Antes do cortejo final que levará o caixão ao local do enterro, os enlutados devem rasgar suas vestes. É costume também que neste
momento, os membros da Chevra Kadisha peçam perdão ao falecido por qualquer falta de respeito ou falha cometida na preparação do
enterro e na Tahará. Como também, os filhos (e demais presentes) devem pedir perdão por qualquer falta cometida durante sua vida
ou após sua morte.

O cortejo

5. Deve-se tomar o cuidado para que pelo menos 10 pessoas acompanhem o enterro, mesmo da pessoa mais simples. Se o falecido é
estudioso da Torá, um número imenso de pessoas ainda não é demais, sendo que todos devem vir participar de seu féretro. Se está se
tratando de alguém que além de estudar também ensinava Torá, não há limite para o número de acompanhantes.

6. Se a pessoa encontra em seu caminho um enterro judaico, deve acompanhá-lo por pelo menos 4 amot (aprox. 2 metros), sendo que
se não o fizer é considerado desprezo ao falecido, e uma falha grave, salvo se já o estão acompanhando. Mesmo neste caso, deve-se
pelo menos ficar parado até o féretro passar.

7. Mesmo se o morto está sendo levado para um outro local, não para o cemitério, como por ex. se vai ser levado para outro país,
deve-se acompanhá-lo pelo menos 4 amot nesta sua última jornada.

8. Muitos tem o costume de que os filhos do falecido não acompanhem o caixão, devendo seguir em frente do mesmo, ou ir direto ao
local da sepultura esperar a chegada do mesmo.

9. Existem locais em que as mulheres não participam de enterros, porém mesmo em locais que elas participam, devem tomar o
máximo cuidado de não andar entre os homens, como também os homens entre as mulheres, pois isto pode prejudicá-los.
10. A mitsvá é o féretro ser carregado por homens judeus o caminho inteiro não deixando de forma alguma ser carregado por não
judeus. De preferência este deve ser carregado por sobre os ombros. Deve-se trocar o caixão de mão em mão para que todos tenham a
possibilidade de cumprir esta mitsvá. Em muitas comunidades atuais é costume que os enlutados não carreguem o caixão e não se
ocupem com o enterro, principalmente os filhos. Costumamos também não deixar os filhos sequer acompanhar o caixão, andando na
frente do mesmo.

11. Se há condições, o corpo deve ser carregado a pé em todo o percurso, desde o local do falecimento até o túmulo. Caso a sepultura
esteja localizada em um local mais distante e sendo isto impossível, o corpo pode ser levado de carro. Neste caso, deve-se tomar o
cuidado que este seja dirigido por um judeu, ou pelo menos que um judeu esteja dentro do carro acompanhando.

12. Na hora que se vai acompanhar, não se deve cumprimentar ninguém. Isto não pode ser feito também dentro do cemitério, ou
próximo do falecido. Como também não se deve conversar no local, somente se os assuntos forem relacionados ao enterro. É
apropriado que todos os acompanhantes recitem Tehilim (Salmos) e demais preces, despertando a misericórdia Divina pelo falecido.
O costume judaico é recitar neste momento várias vezes o Salmo 91. É uma mitsvá dar tsedacá em prol do falecido.

13. Aqueles que acompanham o corpo não podem ter o tsitsit para fora, este deve estar coberto ou ser colocado para dentro das vestes.
[há o costume de colocá-los sempre para dentro antes de visitar o cemitério e só retira-los após a completa saída do cemitério; o
motivo é que a alma dos mortos se entristece por não poder mais cumprir esta mitsvá].

Maamadot – as paradas

1. Durante o cortejo, deve-se parar algumas vezes e colocar o caixão no chão. Se o cortejo passa em frente às sinagogas, estas paradas
são feitas em frente às mesmas. Pronunciam-se alguns Salmos neste momento, e os enlutados recitam o cadish. Estas paradas visam
afastar os maus espíritos que acompanham o corpo que querem impedi-lo de seguir para o descanso final. Por este motivo, em dias
festivos, quando o tsiduc hadin não é recitado, não são feitas estas paradas, pois estes espíritos não tem domínio nestes dias.

2. Atualmente, costuma-se fazer sete paradas durante o cortejo no cemitério, próximo à chegada ao túmulo, nas últimas 30 amot
(aprox. 15 m), uma parada a cada 4 amot (aprox. 2m). Antes de cada uma destas paradas costuma-se recitar o Salmo 91, também sete
vezes, até antes do versículo “Ki malachav...”.

Em cada uma das paradas, acrescenta-se uma palavra deste versículo, encerrando-o na sétima vez. Após a sétima parada, faz-se uma
espera um pouco mais longa, para trazer capará ao falecido, e então se recita 3 vezes o versículo (Tehilim LXXVII): “Vehu Rachum
yechaper avon velo Yashchit vehirbá lehashiv apó veló yair col chamató” –Este versículo tem 13 palavras, que são equivalentes aos
treze Atributos Divinos de misericórdia. Por isto é recitado três vezes, totalizando 39 palavras, pois três vezes os Treze Atributos
despertam o Perdão Divino ao falecido. (“E Ele é Misericordioso, vai perdoar o pecado, e revoga Sua ira demasiadamente, e não
despertará todo Seu ódio”).

Em seguida, leva-se o caixão direto ao túmulo.

3.Nos dias em que o tsiduc hadin não é recitado não se faz esta paradas.

4.Existem costumes que só se faz estas paradas para falecidos homens, e não para mulheres. Outros costumam fazer para ambos.
Deve-se seguir o costume local.
Hesped – os discursos fúnebres
1. Consiste em uma grande mitsvá honrar o falecido, homem ou mulher, com discursos à sua altura. Deve-se pedir para alguém
competente para fazer um hesped digno. Esta mitsvá cabe aos enlutados e parentes, principalmente dos herdeiros do falecido.
Costuma-se honrar os rabinos presentes para falar o hesped, sendo que os enlutados não devem impedi-los, salvo se não for alguém
digno, para não diminuir a honra do falecido. Caso o falecido tenha solicitado em vida que não se fale um hesped em sua homenagem,
sua vontade deve ser cumprida.

2. O hesped deve ser pronunciado de preferência diante do falecido, podendo ser dito também após o enterro, durante a shivá, ou
durante o ano. Deve- se fazer o hesped ao chegar a notícia do falecimento, mesmo após ter passado vários dias após o enterro. Não se
faz o hesped após 12 meses do falecimento.

3. Nestes discursos, chamados de hesped, o falecido deve ser lembrado citando seus bons atos. Deve ser falado em voz alta, e sobre
algo que quebre os corações dos presentes, para despertar o pesar e o choro. Todo aquele que derrama lágrimas sobre uma pessoa
justa, D’us as conta e guarda em seu tesouro Celestial. Por outro lado, todo aquele que tem desleixo e preguiça e não faz um hesped a
altura para uma pessoa justa, não terá longevidade.

É proibido exagerar demais nas qualidades do falecido. Todo aquele que fala de qualidades do falecido que este não as tinha, ou que
exagera demasiadamente naquilo que ele tinha, causa um prejuízo para si e para o falecido. Por este motivo muitas pessoas preferiam
que não fosse feito para eles um hesped. Entre os chassidim costuma-se evitar o hesped. pois temos certeza que não era este o desejo
do falecido.
4. Não se deve levar o corpo para dentro da sinagoga ou de um beit midrash (casa de estudos, onde também se reza) pois isto é
proibido e causa prejuízo ao falecido, salvo se o falecido for um sábio e um grande conhecedor da Torá. Neste caso, deve-se levar seu
corpo para ser velado na sinagoga.

5. Em certos dias festivos é proibido falar o hesped, para não diminuir a alegria da data. A seguir a lista destes dias: Rosh Chodesh,
todo o mês de nissan, Pêssach Sheni, Lag Baomer, Chanucá, Purim e Shushan Purim, Purim Catan e Shushan Purim Catan, Isru chag
(no dia posterior a Shavuot e Simchat Torá), entre Yom Kipur e Sucot, Tu Bishvat, 15 de Av, véspera de shabat e Yom Tov após meio
dia, véspera de Yom Kipur, mesmo antes do meio dia. Nestes dias porém pode-se fazer um hesped para um erudito, conhecedor da
Torá, somente perante o corpo.

6. A seguir a lista dos dias que não se pode falar o hesped mesmo sobre um erudito: Shabat, Yom Tov (1º e 2º dias) e chol hamoed.

7. Deve-se evitar falar o hesped nos trinta dias próximo de um Yom Tov, se o falecimento ocorreu antes destes trinta dias.
O enterro
1. O ideal seria colocar o corpo diretamente na terra sem nenhuma interrupção, deitado de costas, e nas laterais, deveria se colocar
madeiras e sobre elas uma tábua para impedir que a terra caia sobre sua face. Porém atualmente, o costume em muitas cidades fora de
Israel é enterrá-lo em caixão. No entanto, para que ele seja colocado diretamente na terra, costuma-se fazer vários orifícios na parte
inferior do mesmo. Geralmente, os membros da Chevra Kadisha fazem estes orifícios na hora da lavagem do corpo.

2.O costume judaico é de adquirir o local do cemitério aonde a pessoa será enterrada com dinheiro próprio (Nossos sábios explicam
que após o enterro em local próprio, o corpo fica protegido de forças negativa, que não tem direito de entrar em propriedade particular.
A Torá deixa claro, para que ninguém tenha dúvidas no futuro ou venha a questionar, a compra que nosso patriarca Avraham realizou
ao fazer questão de comprar o local para enterrar sua esposa Sara, Marat Hamachpela. Este local foi destinado para seu próprio
enterro, bem como de seu filho, neto e respectivas esposas. Muitos costumam comprar seu local no cemitério ainda em vida por ser
uma segulá – receita – para uma longa vida) mesmo se a pessoa for pobre. De preferência deve adquirir o local ainda em vida, ou pelo
menos antes do enterro. Caso os filhos não se encontram no local, pode-se tirar de seus bens para o enterro (contanto que seja uma
taxa fixa igual para todos). Deve-se tomar o máximo cuidado para não atrasar o enterro de forma alguma por questões monetárias,
para não chegar a transgredir uma proibição da Torá.

3.Os responsáveis pelo pagamento e por todos os detalhes do enterro, em primeiro lugar são os filhos. Caso não teve filhos homens, as
filhas, e em seguida todos que o herdam. Como também, a eles cabe a responsabilidade de garantir que o enterro seja feito em local e
de forma respeitável, a altura do falecido. O marido é o responsável pelo enterro da esposa.

4.A profundidade da cova deve ter pelo menos pouco mais de 80cm, porém, costuma-se por motivos cabalísticos cavar uma cova onde
caiba uma pessoa mediana de pé. Entre um túmulo e outro, se for possível, deve-se ter pouco mais de meio metro, porém muitos
cemitérios judaicos atuais fazem paredes bem mais finas, e tem em que se basear.

5.Deve-se enterrar os filhos o mais perto possível de seus pais (dando preferência ao pai antes da mãe) e familiares, sendo que em
túmulos da mesma família não há necessidade de afastá-los conforme a medida acima. Como também tem os que costumam colocar a
esposa ao lado do marido, sendo que se esta foi casada duas vezes, sabe-se quais dos dois ela mais gostava, ou com qual dos dois ela
teve filhos, coloca-se ao lado do mesmo. Se não existe diferença, deve ser enterrada ao lado do segundo. Muitos costumam sempre dar
preferência ao segundo marido. No entanto, em muitos cemitérios os homens são enterrados em locais separados das mulheres.
6.As cinzas de corpos que foram cremados por acidente, (em acidentes de carro ou avião por ex.) devem ser enterradas também no
cemitério judaico recaindo sobre os parentes todas as leis de luto, o que não ocorre com os que foram cremados propositadamente.

7.Deve se tomar o cuidado de apenas judeus cobrirem o túmulo com terra, sendo que cada um joga um pouco de terra para participar
da mitsvá, até preencher o túmulo. Deve-se tomar o cuidado de não passar a pá de mão em mão, (Pois é como que estivesse passando
uma desgraça de um para outro) sendo que cada um deixa a no chão após o uso e o próximo pegará a mesma do local deixado pelo
primeiro.

8.Ao jogar a terra sobre o túmulo, cada um deve recitar três vezes o versículo “Vehu Rachum...” e vários outros versos evocando a
presença Divina junto ao falecido.

Tsiduc hadin e Cadish

1.Ao cobrir o caixão de terra recita-se o “Tsiduc Hadin” (afirmamos neste trecho, nossa fé na Justiça Divina, recitando vários
versículos com este tema. O correto seria recitá-lo logo após o falecimento. Porém se espera para recitá-lo na hora do enterro, onde se
encontra um público maior. Muitos costumam recitá-lo duas vezes, uma vez antes do corpo abandonar o local do falecimento, quando
só os enlutados o recitam, e na hora do enterro, onde recitam também todos o que se ocupam do enterro.) Nos dias que não se recita
“Tachanun”, não se recita o “Tsiduc Hadin”. O mesmo é válido para as vésperas de shabat, Yom Tov e Rosh Chodesh após o meio
dia, e na véspera de Rosh Hashaná e Yom Kipur, mesmo antes do meio dia. Porém na véspera de outras datas festivas após o meio dia,
mesmo que não se recita o “Tachanun”, deve-se recitar “Tsiduc Hadin”. No entanto, este não é recitado a noite.

2. O “Tsiduc Hadin” é recitado sobre falecidos homens, mulheres e crianças a partir de 30 dias. Sobre fetos, ou crianças menores de
um mês, ou sobre cinzas, não é recitado.

3. Após recitá-lo costuma-se falar o Salmo 49. Em seguida, após terminar de preencher totalmente a cova de terra, os enlutados tiram
os sapatos e recitam um cadish especial: “Dehu atid leitchadata..”. Nos dias em que o “Tsiduc Hadin” não é recitado, este cadish
também não o é. Neste caso recita-se apenas o Salmo 49, e em seguida o enlutado recita o Cadish Yatom.

Shurá – a fila de consolo

4. Após o Cadish, faz-se uma fila entre os presentes, de pelo menos dez pessoas, e os enlutados (somente os homens maiores de bar-
mitsvá) passam entre as filas, já sem os sapatos, e os presentes consolam o falecido com as palavras: “Hamacom Yenachem etchem
betoch shaar avelei tsion viyerushalaim” – “D’us os consolará, junto com os demais enlutados de Tsyion e Jerusalém”. Em seguida o
enlutado volta para casa já sem o sapato. Se isto não for possível, deve colocar dentro do sapato um pouco de terra, e ao chegar em
casa deve retirá-lo. Muitos costumam trocar os sapatos somente ao chegarem em casa.

[Existe o costume de formar uma fila de mulheres para que as mulheres e moças enlutadas passem entre elas e os homens formem
uma fila separada para que apenas os homens e rapazes enlutados passem entre eles. Em ambos casos é pronunciado “Hamacom ...”]
confortando os enlutados
O local para oferecer condolências é em casa, durante os sete dias especiais de luto chamados shivá.

Uma obrigação sagrada que recai sobre todo judeu é confortar os enlutados, sejam ou não da família, amigos chegados ou apenas
conhecidos. No Judaísmo, exercer a compaixão fazendo uma visita de condolências é uma mitsvá, considerada por alguns dos nossos
maiores eruditos como sendo biblicamente ordenada.

A Torá registra que D'us visitou Yitschac: "E foi depois da morte de Avraham, que D'us abençoou Yitschac, seu filho" (Bereshit
25:11). Os Sábios deduzem deste versículo que o próprio D'us, por assim dizer, estava confortando o enlutado Yitschac.

É dever do homem imitar a D'us: assim como D'us consola os enlutados, o homem deve fazer o mesmo. Consolação é considerada
uma ação Divina – que todos os Filhos de Israel devem realizar. Quando, após a destruição de Jerusalém e a dizimação do povo judeu,
Yeshayáhu proclamou a mensagem de D'us: "Consolo a vós, consolo a vós, Meu povo" (Yeshayáhu 40:1), isso indicou não apenas
uma recomendação vinda do Alto, mas uma ordem específica obrigando o profeta a levar consolo ao seu povo.

O propósito fundamental da visita de condolências durante a shivá é aliviar o enlutado do fardo intolerável da intensa solidão. Em
nenhuma outra hora o ser humano está mais necessitado desse companheirismo.

Avelut significa afastamento, o retiro pessoal e físico do convívio social e da preocupação com os outros. É uma perda que só ele
sofreu. Todas as tradições do luto expressam esta difícil solidão em diversas maneiras, cobrindo o espectro da vida social – desde o
crescimento excessivo do cabelo em indiferença ao costume social, até evitar os cumprimentos, a mínima cortesia social.

Reconhecendo esse estado de espírito, o visitante vai à casa enlutada, discretamente, para fazer companhia ao enlutado em sua solidão,
para sentar-se com ele, acompanhar seus pensamentos e alongar-se sobre sua perda. O calor dessa presença humana é inestimável.
Praticada como a tradição prescreve, a verdadeira consolação é demonstrar empatia. O efeito da visita de muitos amigos e parentes,
alguns há muito não vistos, outros membros da comunidade que raramente prestaram alguma atenção ao enlutado, diminui a solidão, o
alívio do pesado fardo de desespero interior, e a afirmação de que o mundo em gral não é um lugar hostil e desagradável, mas caloroso
e amigável. É um chamado de braços abertos para o enlutado retornar à sociedade. Confortar os enlutados, diz Maimônides, é gemilut
chassadim, um bondade genuína tanto aos mortos quanto aos vivos.

O objetivo da visita de condolências não é convencer o enlutado de qualquer coisa. Esta é a hora de acompanhá-lo em seu próprio
caminho, não para argumentação ou debate. É um tempo para a contemplação da tragédia. Embora o próprio enlutado possa querer
discutir o assunto, não é o objetivo principal desta visita aliviar seus temores para o futuro, ou sua culpa pelo passado. Não é
conveniente, dizem os Sábios, (na verdade isso beira o sacrilégio), impor ao enlutado a idéia da inevitabilidade da morte, como se
duvidando do propósito e justiça do decreto emitido por D'us, mas mudaria se apenas Ele estivesse livre para fazê-lo. Não é
conveniente, talvez seja até inútil, assegurar ao enlutado que outros sofreram tragédias semelhantes, ou ainda piores, como se por
direito ele tivesse de estar menos desesperado. "Poderia ter sido pior". é um consolo vazio. Esta é uma hora de subjetividade, para uma
intensa avaliação pessoal da vida, e os enlutados não deveriam ser privados dessa indulgência. Alguns visitantes inoportunos dizem
que "a vida deve continuar", e que o enlutado deveria "ser grato por não ter ocorrido o pior". São expressões bem-intencionadas, mas
vazias e às vezes desagradáveis.

A estratégia da verdadeira compaixão é presença e silêncio, a eloqüência da proximidade humana, Palavras tristes, murmuradas, são
mais desajeitadas que o sussurro suave expresso pelos olhos. O companheirismo demonstrado pela expressão da face fala palavras que
os antigos bardos não conseguiam dizer com meras palavras, não importa quão lindas fossem. Preenche a desesperada necessidade do
enlutado tanto por companhia quanto pela privacidade. Foi, portanto, um antigo costume, infelizmente perdido para nossas gerações,
os visitantes se sentarem sobre o chão junto com o enlutado. Que magnífica expressão de compaixão!

O primeiro princípio de consolar os enlutados, encontrado nos principais códigos da Lei Judaica, é que a pessoa deve permanecer em
silêncio e deixar o enlutado falar primeiro. Em muitas comunidades judaicas de antigamente, os congregantes acompanhavam o
enlutado quando ele caminhava da sinagoga para casa no Shabat ou num feriado, e sentavam-se com ele. Como é calorosa a mera
presença física de outros seres humanos! Como alivia a aguda dor da tragédia! O clássico enlutado, Job, visitado por três amigos,
sentou-se com eles por sete dias e ninguém pronunciou uma palavra. Cohêlet sabiamente declara que há "um tempo para ficar em
silêncio e um tempo para falar". O Midrash (Cohêlet Rabbah 3:5) registra que a esposa de Rabi Mana faleceu. Seu colega, Rabi Abin,
foi fazer uma visita de condolências. Rabi Mana perguntou: "Há algumas palavras de Torá que você gostaria de nos oferecer em nossa
hora de sofrimento?" Rabi Abin respondeu: "Nessas horas a Torá se refugia no silêncio!"

É nesse espírito que Maimônides aconselha os visitantes a não falarem muito abertamente pois, de alguma forma, as palavras têm a
tendência de criar um clima de frivolidade tão contrário ao espírito de shivá. Na verdade, o Talmud nota isso quando declara com
muita percepção: "A verdadeira recompensa chega àquele que fica silente na casa enlutada, e volúvel no salão de casamento!"

É verdade, obviamente, que é muito difícil confortar com calor, esperança e compaixão, quando sentado relativamente em silêncio.
Talvez seja este o motivo para a frase de consolo "Que D'us te console entre os outros enlutados de Tsion e Jerusalém." Pois somente
D'us pode confortar realmente, assim como Ele consolou Yitschac após a morte de Avraham, e como Ele tem confortado, no decorrer
dos tempos, os outros enlutados de Tsion após a trágica destruição do antigo Templo, e os exilados, e aqueles que sofreram em
pogroms e cruzadas. Se o visitante sente-se pouco à vontade na tensão do silêncio, ele pode conversar com o enlutado, mas pouco e
sabiamente.
Nichum Avelim – a mitsvá de consolar o enlutado

Do livro “Os Últimos Momentos”


De Rabino Shamai Ende

A Mitsvá

1. Há uma mitsvá de ordem rabínica de consolar um enlutado. Esta faz parte das leis de Guemilut chassadim que faz parte da mitsvá
da Torá de ‘amar o próximo’, (nossos sábios nos ensinam que D’us foi o Primeiro a consolar um enlutado, como consta no versículo
(Bereshit 25:11): “..após o falecimento de Avraham, D’us abençoou seu filho Yitschac”.) O Talmud (Sotá 14) interpreta este versículo
dizendo que D’us veio consolá-lo.

2. É maior a mitsvá de visitar um enlutado do que visitar um doente, pois este faz uma mitsvá com os vivos e os mortos, por isto, se
não tem condições de fazer os dois, deve se dar preferência ao enlutado. Caso porém tenha condições de fazer os dois, deve visitar
primeiro o doente, pois isto irá ajudar em sua recuperação e é considerado como se desse a ele nova vida.

3. Esta mitsvá consiste em visitar os enlutados durante a semana de shivá para consolá-los. Mesmo quem retorna várias vezes à casa
do enlutado, cumpre esta mitsvá. No entanto, deve-se distribuir as visitas de forma que sempre tenha alguém na casa do enlutado, e
não que venham todos na mesma hora sendo que a maioria do dia não vem ninguém.

4. Faz parte desta mitsvá prover a falta dos enlutados. Por exemplo, se faleceu o chefe da família, ou seja, aquele que sustentava a
casa, é mitsvá coletar dinheiro para sustentar os órfãos e a viúva.

5. Da mesma forma que consiste em uma mitsvá consolar o enlutado, também é uma mitsvá do enlutado se consolar, pois caso isto
não ocorra, a mitsvá do consolo não foi completa.

6. Os enlutados devem também consolar-se uns aos outros.

7. O correto é homens consolar homens enlutados, e mulheres as mulheres. De preferência as mulheres devem sentar em outro
ambiente para que não haja mistura. Caso um homem deseje consolar uma mulher, este deve ficar à porta e consolá-la.

8. Pode-se cumprir esta mitsvá também por telefone, por carta ou por fax, se não há possibilidade de visitá-lo pessoalmente.

9. Faz parte desta mitsvá completar o minyan nas orações da casa do enlutado.

10. Não se deve visitar um enlutado que odeia o visitante, somente se este pede licença antes de visitá-lo.

Quando cumprir esta mitsvá

11. A primeira vez que se consola um enlutado é ainda no cemitério logo após o enterro.

12. Há pessoas que costumam não consolar o enlutado nos primeiros três dias de luto. No entanto, pela lei é permitido e muitos
costumam fazê-lo, principalmente se o enlutado é uma pessoa importante e tem muita gente para consolá-lo. Como também os
parentes próximos e amigos ou aqueles que não poderão fazê-lo após o terceiro dia, ou aqueles que freqüentam o minyan nos
primeiros dias, podem consolá-los desde o inicio conforme todos os costumes.
13. Tem costumes que evitam de consolar o enlutado de noite, porém atualmente, o costume geral é consolá-lo também a noite. No
entanto deve-se tomar o cuidado de não vir visitar o enlutado muito tarde para não atrapalhar seu descanso.

14. Se não for possível consolar nos dias de shivá, pode consolar o enlutado após este período, mas dentro dos shloshim. No caso de
enlutados pelos pais, pode-se prestar consolo durante os doze meses de luto.

15. Costuma-se evitar consolar um enlutado em shabat e Yom Tov.

Como cumprir esta mitsvá

16. A mitsvá de consolar um enlutado consiste em falar com ele palavras de consolo e palavras agradáveis que façam ele esquecer um
pouco de seu sofrimento, e mude um pouco sua expressão facial, e não apenas sentar em silêncio. Porém caso o visitante que veio
consolar falar apenas a frase comum de consolo ‘Hamacom...’ também cumpriu a mitsvá.

17. Quando se entra na casa do enlutado é proibido cumprimentá-lo, mas é permitido apenas baixar a cabeça como saudação. Como
também o enlutado não costuma levantar-se em honra de ninguém. É permitido ao enlutado agradecer a visita.

18. Os visitantes não devem iniciar a conversa deixando o enlutado dar o inicio. Caso o enlutado não inicie a conversa por não
conhecer a lei, por vergonha, por respeito ou por sofrimento, os visitantes podem iniciar a conversa. Como também pode se pedir a ele
que comece a falar.

19. Não se pode dizer ao enlutado “o que você podia fazer”, pois parece que se pudesse ele faria algo contra a vontade Divina. O
correto é aceitar o decreto Divino com amor.

20. Quando notarem que o enlutado quer encerrar a conversa, os visitantes devem se retirar. Deve-se constantemente prestar atenção
na face do enlutado, para perceber se este quer que a visita termine. Normalmente, costuma-se que o enlutado baixe a cabeça quando
quer encerrar a conversa.

21. O costume geral é sentar do lado do enlutado por algum tempo para falar com ele, e ao se levantar para ir embora fala-se a frase:
“Hamacom yenachem etchem betoch

shaar avelê tsion viyerushalaim”.


Deve-se explicar esta frase ao enlutado para que entenda o que estão falando. Esta é a tradução em português:
“Que o Onipresente console vocês

dentro dos enlutados de Tsiyon e Jerusalém”.


Pode-se acrescentar outras bênçãos após esta frase, como ‘boas noticias’; ‘somente alegrias’, etc. Após esta bênção o enlutado
responde ‘Amen’ .

22. Esta frase pode ser dita uma vez para todos os enlutados juntos, como também, no caso de indisponibilidade, todos os visitantes
podem falar esta frase ao mesmo tempo. No entanto há aqueles que costumam dizê-la para cada enlutado separadamente.

23. É proibido o enlutado bater papo a toa, para não demonstrar que já se esqueceu do luto. Como também, os consoladores não
devem falar conversas vãs em demasia.

24. Os visitantes podem sentar numa cadeira na hora que trazem o consolo, como podem também permanecer de pé. A principio o
enlutado deve sentar na hora do consolo, mas pela lei o enlutado pode estar de pé quando o consolam, sendo proibido dizer-lhe ‘sente’
( Isto pode ter uma conotação negativa, como que estamos lhe dizendo para que continue sentando por luto.) Mas podem dizer-lhe
‘não precisa ficar de pé por nossa causa’ ou algo parecido.

25. Rezar na casa do enlutado, como orar pelo enlutado e sua família fazem parte da mitsvá de consolá-lo.
A colocação da matsevá
1. É costume judaico colocar uma matsevá (pedra tumular) sobre o túmulo do falecido . Esta é de responsabilidade dos filhos e demais
parentes. Caso o falecido não tenha parente próximo com condições de fazê-la, passa a ser responsabilidade da Chevra Kadisha local.

2. Sobre esta pedra deve se escrever o nome do falecido, a data de seu falecimento e as iniciais das palavras: ‘Tehê nishmatô tserurá
bitseror hachaim’, ou seja, ‘seja sua alma envolvida no pacote da vida’.

3. Ao escrever o nome do falecido, deve-se escrever o nome de seu pai. Este é o costume da maioria dos ashkenazim, sendo também o
costume Chabad. No entanto, entre a maioria dos sefaradim escreve-se o nome da mãe. Há também costumes em que se escreve
ambos os nomes.

4. Deve-se evitar ao máximo escrever na matsevá letras que não sejam em hebraico, muito menos data não judaica e nomes não
judaicos, pois isto pode prejudicar o falecido.
5. Pode-se escrever na matsevá algumas qualidades do falecido. No entanto, ao escrever na matsevá uma qualidade que o falecido não
tinha, pode prejudicá-lo. Por este motivo, deve-se evitar ao máximo escrever tais adjetivos, salvo se tem-se a certeza de que o falecido
possuía estas qualidades. Por este motivo, muitas pessoas idôneas costumam deixar escrito no testamento que não escrevam nada em
sua matsevá, além de seu nome e data de falecimento.

6. Muitos chassidim costumam escrever em sua matsevá o nome de seu mestre, para que isto sirva como mérito para a alma.

7. Mesmo sobre o túmulo de uma criança deve se colocar uma matsevá. Porém, não se coloca uma matsevá no túmulo de um feto ou
de uma criança que faleceu com menos de um mês de idade, mas o túmulo deve ser demarcado.

8. É de responsabilidade da Chevra Kadisha averiguar o texto da matsevá para certificar que não contém erros ou louvores
demasiados.

9. Se o falecido tinha parentes falecidos no Holocausto, ou em outras guerras, cujos corpos não foram encontrados, costuma-se
escrever seus nomes em sua matsevá.

10. Em alguns cemitérios costuma-se colocar a matsevá de pé na direção da cabeça do falecido, sendo este o costume da maioria das
comunidades de fora de Israel. Em outros locais, como em Israel e em algumas comunidades da diáspora, a matsevá é colocada na
horizontal sobre o túmulo. Cada um deve seguir o costume local, sendo proibido portar-se de maneira diferente do habitual (salvo se o
costume local não for de acordo com a halachá).

11. Não existe tamanho mínimo para a matsevá, podendo ser até mesmo uma pequena pedra onde caibam os dizeres, devendo cada um
seguir o costume local. No entanto, deve-se demarcar os limites do túmulo, independentemente da matsevá.

12. Muitas autoridades rabínicas proíbem plantar sobre o túmulo árvores, flores ou demais plantas, sendo que o espaço sobre o túmulo
que não é ocupado pela matsevá, deve ser preenchido com um cimentado, pedras ou simplesmente deixá-lo com a terra natural. No
entanto, existem autoridades rabínicas que permitem plantar sobre o túmulo um gramado ou outras plantas rasteiras.

13. Deve-se evitar fazer pedras tumulares muito caras ou com letras douradas, para não esbanjar dinheiro desnecessariamente.
Costuma-se escrever sobre a matsevá letras gravadas em baixo relevo, pois há problemas de ler dizeres na matsevá escritos em alto
relevo .

14. Pode se fazer uma matsevá larga sobre o túmulo de um casal, sendo que sobre cada um deve escrever seus dizeres separados.

15. É proibido colocar sobre a matsevá uma foto ou pintura do falecido ou de qualquer pessoa.

16. Uma matsevá que quebrou ou que se apagou com o tempo pode, e deve, ser substituída, sendo que a primeira matsevá deve ser
enterrada, já que não pode ser usada para nada.

17. A responsabilidade da manutenção da matsevá é dos parentes próximos, ou da Chevra Kadisha na falta de parentes.

Quando se coloca a matsevá

18. Há costumes de colocar a Matsevá somente após doze meses do falecimento ou no dia do primeiro Yohrtsait, outros costumam
colocá-la após o shloshim, ou após onze meses, e entre muitos chassidim, costuma-se colocá-la no sétimo dia ou oitavo dia, após
levantar-se da shivá .

19. Conforme o costume Chabad, coloca-se a matsevá logo após a shivá, sendo que se não ficarem pronto os dizeres, coloca-se apenas
a pedra gravando os dizeres posteriormente. Caso não for possível colocá-la logo após a shivá, coloca-se o quanto antes.

Costumes do descerramento da Matsevá

20. No dia da inauguração da matsevá, costuma-se visitar o túmulo, de preferência na presença de um minyan.

21. Recita-se os Salmos conforme explicado acima, sendo que alguns costumam acrescentar as iniciais da palavra matsevá, no Salmo
119 (letras mem, tsadi, bêt e hê) .

22. Na hora de colocar a matsevá costuma-se estudar Mishnayot.

23. Existem várias orações especiais a serem ditas na hora de colocar a matsevá, sendo que cada um deve seguir seu costume.

24. Um Cohen não pode se aproximar do túmulo dos pais na inauguração da matsevá, devendo ficar distante dos túmulos, conforme as
leis descritas no cap.25.
Nota:
A primeira matsevá de que se tem noticia foi a feita pelo patriarca Yaacov sobre o túmulo de sua esposa Rachel, como consta no
versículo (Bereshit 35, 20): “E erigiu Yaacov uma Matsevá sobre seu túmulo. Esta é a Matsevá do túmulo de Rachel até hoje”.
Nossos sábios afirmam que aquele que lê dizeres da matsevá escritos em alto relevo pode esquecer seus estudos.
Pois um dos motivos de colocar-se a matsevá é para manter a lembrança do falecido, e durante os doze meses, ele ainda é bem
lembrado.
Pois conforme o ensinamento do Arizal, a alma só encontra o descanso total após ser colocada sobre ela a matsevá. Porém conforme o
Zohar não se pode colocar a matsevá durante o shivá, por isto se faz logo após levantar-se do shivá.
Leis de luto para os cohanim
1. É proibido a um Cohen se impurificar (o conceito impurificar não tem conotação pejorativa. Muito pelo contrário, o cemitério é
chamado de um ´campo santo). Impureza significa um estado abstrato que pela lei judaica recaem certas proibições em relação ao
contato com um morto. Ou seja, um Cohen não pode tocar num morto, nem mesmo por intermédio de um objeto, ou uma roupa, nem
tocar num caixão onde se encontra um morto, nem carregar um morto sem tocar nele, nem mesmo pode estar em ambiente onde se
encontra um morto como detalharemos adiante.

2. Esta proibição só diz respeito aos homens cohanim; uma mulher que é filha de um Cohen ou que esta casada com um Cohen não
possui esta proibição.

3. É proibido a um Cohen ficar num espaço de 4 ´amot´ (aproximadamente 2m) de um morto ou de um túmulo, mesmo ao ar livre.

4. Um Cohen não pode ficar sob o mesmo teto de um morto, sendo-lhe proibido entrar em um prédio onde haja um morto, mesmo que
este tenha vários andares e o morto esteja em um deles. Como também não pode passar sob uma árvore ou galho, que sob um de seus
lados se encontra um morto ou um túmulo.

5. A proibição de tocar ou carregar recai até mesmo sobre um morto não judeu, porém a proibição de estar sob um mesmo teto recai
apenas sobre um morto judeu. No entanto, deve-se proibir a um Cohen passar sobre um túmulo, mesmo de um não judeu.

6. O Cohen não pode entrar num prédio onde se encontra um judeu moribundo, e se já está no prédio, deve sair. Como também, se o
Cohen foi noticiado que ocorreu um falecimento no prédio onde se encontra, deve sair de lá de imediato.

7. O Cohen não pode entrar num hospital no andar do velório quando lá se encontra um morto, porém, caso este andar tenha uma saída
independente, ele pode ficar nos outros andares, se não há conexões abertas para este andar.

8. Todas as proibições recaem tanto para um morto como para qualquer órgão ou parte de seu corpo, inclusive a um órgão amputado
ainda em vida, como também recaem sobre um feto abortado.

9. Existem idéias que permitem ao Cohen entrar no cemitério, se ele se

cuidar de não se aproximar de um túmulo ou do morto guardando uma distância de 4 amot, e cuidar-se de não ficar sob o mesmo teto,
ou copa de árvores. Costuma-se basear nestas idéias em caso de necessidade como num enterro de parente ou amigo próximo, mas não
desnecessariamente.

10. Mesmo um Cohen abaixo de bar-mitsvá não pode ser impurificado, e se ele transgredir uma das leis acima, seu pai deve admoestá-
lo.

A mitsvá de se impurificar por um parente

11.A proibição acima recai sobre qualquer morto, exceto um dos sete parentes a seguir, e do ‘met mitsvá’ (significa um falecido judeu
que foi encontrado no caminho, ou que faleceu entre goim e não tem nenhum judeu para enterrá-lo a não ser o Cohen. Porém caso o
Cohen possa chamar outra pesoa para enterrá-lo deverá fazê-lo, recaindo então a proibição de “se impurificar por ele”.)Estes são os
parentes que um Cohen deve se impurificar por eles: O pai; a mãe; o irmão por parte de pai (a Torá só permite se impurificar, quando
se trata de irmão por parte de pai) (Apesar que nossos sábios instituíram que deve-se enlutar mesmo por irmão por parte de mãe).; a
irmã por parte do pai (porém não quando ela for casada, divorciada ou viúva; Vide Vaicrá 21,3). Irmã solteira e virgem; o filho; a
filha; e a esposa. 12. Caso tenha falecido um destes sete parentes, o Cohen tem a obrigação de se impurificar por eles, indo ao
cemitério e participando do enterro, podendo tocar no morto e carregá-lo, fazendo tudo o que é necessário, mesmo que a Chevra
Kadisha esteja cuidando de todo o processo.

13. Caso tenha falecido um destes sete parentes, ele pode ficar na casa onde se encontra o morto até o enterro, pois ele pode ser útil,
principalmente para evitar qualquer desrespeito ao falecido como uma autópsia, ou algo parecido. No entanto, caso ele não possa ser
útil de nenhuma forma, como por exemplo, no shabat que nada é feito pelo falecido, ele não pode estar presente. Como também, o
Cohen parente não pode fazer a shmirá do morto, salvo se não tem outro para fazê-lo.

14. É permitido ficar no local na hora que são recitados os discursos fúnebres.
15. Um Cohen pode cerrar os olhos de seu pai falecido, se assim é o costume local.

16. Só é permitido ao Cohen se impurificar por seu parente se seu corpo estiver completo, isto é, não estiver faltando nenhum órgão,
nenhum membro. Porém, caso estiver faltando uma parte do corpo, mesmo um órgão interno, ou se ele foi assassinado, é proibido ao
parente Cohen se impurificar. Neste caso um rabino deve ser consultado para saber como agir.

17. Na hora que o Cohen participa do enterro de um parente, este não pode se impurificar por outros mortos. Portanto, se para chegar a
seu túmulo o Cohen precisa passar por outros túmulos, é proibido fazê-lo, permanecendo distante. Por este motivo, em todas as
comunidades judaicas costuma-se enterrar os pais de cohanim próximos da entrada do cemitério e no inicio das fileiras, para permitir
os filhos se aproximarem na hora do enterro.

A permissão de se impurificar vigora somente até o enterro. Portanto, logo após o início da mitsvá de cobrir o corpo com terra, o
Cohen deve se afastar do túmulo, permanecendo distante ao recitar o cadish. A partir deste momento, é proibido ao Cohen tocar no
túmulo de seu parente, mantendo sempre a distância deles no mínimo de 4 amot (aproximadamente 2m) ao visitá-lo, se realmente for
necessário fazê-lo, como por exemplo, no shloshim (30 dias), na inauguração da matzevá e no Yahrtzeit.
A alma se apaga?
A respeito da terrível tragédia que ocorreu hoje aos pais da minha cunhada Pessa Kirschenbaum, Reb Zev e sua esposa Rachel
Simons, duas almas muito especiais que foram levadas deste mundo num terrível acidente de carro.

Eu gostaria de apresentar uma resposta que o Rebe deu aos pais da menina Miriam de seis anos, que foi morta num acidente de carro
em Berkeley, Califórnia (Erev Pêssach 1989). Após a morte, os pais escreveram uma longa carta ao Rebe com muitas perguntas sobre
a natureza desses tipos de tragédias.

A resposta do Rebe fez mais do que apenas consolar – deu um novo foco à família enlutada.

1 – Uma pessoa não pode dizer com certeza que conhece claramente as intenções de Hashem, (exceto um profeta que foi instruído por
Hashem a revelar isto).

2 – Para tudo que acontece nos tempos de hoje, podemos encontrar um exemplo no passado. (Em Midrashim de Chazal, com
interpretações adicionais diferentes para cada evento). Às vezes, nos detalhes de um incidente de hoje, podemos explicar com um
evento ou uma explicação de um evento no passado.

3 – Com respeito a Miriam, é óbvio que ela faleceu de uma maneira que Torá Emet ordena que é proibido pranteá-la em shivá, exceto
por alguns poucos momentos e similarmente no que tange ao Shloshim [devido ao fato de que era Erev Yom Tov].

4 – Todas as neshamot (almas) do presente descem como uma continuação de um guilgul prévio (reencarnação) a fim de completar o
que estava faltando antes de vir (de maneira total ou parcial).

5 – Aqueles que são nistalek (falecidos) antes de sua obrigação de cumprir mitsvot, é porque estão aqui neste mundo para completar o
número de anos que precisavam estar neste mundo. (Embora esta seja uma exceção, em geral todos precisam viver 70-80, até 120
anos).

6 – Se Miriam precisava completar o número de anos que tinha de estar neste mundo, e então ir imediatamente para o Gan Éden,
entende-se que os pais não devem ficar tristes porque neste Pêssach em que ela partiu ela estava no Gan Éden.

7 – Especialmente porque ela (a Sra. Gearman) e seu marido deram à filha uma infância que foi preenchida com o bem, material e
espiritualmente, durante todos os seus anos.

A luz de uma neshamá jamais se apaga.


LUTO
Introdução
Luto no judaísmo
O Judaísmo, com sua longa história de lidar com a alma do homem, seu conhecimento profundo das realizações e fraquezas, suas
grandezas e seus pontos fracos, sabiamente estabeleceu períodos graduais de luto. Durante este tempo, o enlutado pode expressar sua
dor e alívio, com calculada regularidade, o aumento das tensões causadas pela perda.

A religião judaica fornece uma abordagem estruturada ao luto, dividido em cinco estágios.

Os primeiros três dias


• Nos primeiros três dias de luto, é uma mitsvá chorar.
• Durante este tempo, a pessoa deve refletir sobre o que pode melhorar no seu comportamento.
• As pessoas não podem saudar ou serem saudadas por um enlutado. Se por engano o cumprimentam, ele deve responder: "Não posso
responder ao cumprimento, pois estou de luto."
• As "proibições de trabalho" durante estes dias aplicam-se mesmo se os enlutados forem passíveis de sofrer perda financeira.
O primeiro estágio – aninut
Este é o período entre a morte e o enterro, quando o desespero é mais intenso. Nessa hora, não apenas as amenidades sociais, como até
exigências religiosas importantes são canceladas, em reconhecimento à mente perturbada do enlutado.

O segundo estágio – lamentação


Este período consiste nos primeiros três dias após o funeral, dias devotados ao pranto e lamentação. Durante este período, o enlutado
nem sequer responde aos cumprimentos, e permanece em casa (exceto sob certas circunstâncias especiais). É um tempo em que até
visitar o enlutado de certa forma é desencorajado, pois é cedo demais para consolar os enlutados quando a ferida está tão recente.
Durante este tempo, o enlutado fica dentro de casa, expressando sua dor ao usar uma roupa rasgada, sentando-se num banco baixo,
usando chinelos, abstendo-se de barbear e arrumar-se, e recitando o Cadish (prece dos enlutados).

O terceiro estágio – shivá


Este estágio abrange os sete dias após o enterro e inclui o período de três dias de lamentação. Durante este tempo, o enlutado sai do
estágio de profunda dor para um novo estado de mente no qual ele é preparado para falar sobre sua perda e aceitar consolo dos amigos
e parentes.
O mundo agora se amplia para o enlutado. Ele continua as observâncias delineadas no segundo estágio acima, mas ele pode interagir
com conhecidos que vão à sua casa para expressar simpatia em seu desgosto.

Uma obrigação sagrada cai sobre todo judeu – não importa seu relacionamento com o falecido ou com os enlutados – confortar os
sobreviventes – mãe, pai, cônjuge, filho, filha (casados ou solteiros), irmão, irmã (ou meio-irmão e meia-irmã) do falecido.

No Judaísmo, mostrar compaixão fazendo uma visita de condolências é uma mitsvá, considerada por alguns de nossos maiores
eruditos como sendo biblicamente ordenada. É dever de uma pessoa imitar D'us: assim como D'us consola os enlutados, o homem
deve fazer o mesmo.
O objetivo fundamental da visita durante a shivá é aliviar o enlutado do fardo intolerável da intensa solidão. Em nenhuma outra
ocasião um ser humano precisa mais de companheirismo.
O frio interior que se instala com a morte do parente começa agora a degelar. O isolamento e retiro do mundo e das pessoas agora
relaxa um pouco, e a normalidade começa a voltar.

O quarto estágio – sheloshim


Este período consiste de trinta dias (contando os sete de shivá) após o funeral. O enlutado é encorajado a sair de casa após a shivá e
aos poucos retomar seu contato com a sociedade, sempre reconhecendo que ainda não passou tempo suficiente para assumir relações
sociais completas.

Barbear-se e cortar o cabelo geralmente é proibido para os enlutados, bem como cortar as unhas e lavar o corpo todo por deleite (em
oposição a lavar-se em prol do asseio, que é requerido).

O quinto estágio – um ano de luto


O quinto estágio dura um ano (contado a partir do dia do enterro), durante o qual as coisas retornam ao normal, e os negócios se
tornam novamente rotina, porém os sentimentos do enlutado ainda são afetados pela ruptura no relacionamento com o ente querido.
A observância que mais afeta a vida diária do enlutado durante o período de doze meses é a completa abstenção de festividades, tanto
públicas quanto privadas. Participar dessas reuniões simplesmente não coaduna com a depressão e tristeza pelas quais o enlutado está
passando. Seria absurdo a pessoa dançar alegremente enquanto seu pai ou mãe foi enterrado há pouco tempo.

Assim, os Sábios decretaram que, embora o completo afastamento físico das atividades normais da sociedade dure somente uma
semana, abster-se de ocasiões sociais festivas geralmente é observado por trinta dias para outros parentes, e um ano no caso da morte
do pai ou mãe. A alegria, em termos da tradição do luto, está em grande parte associada com eventos sociais e públicos, e não com
satisfação pessoal.

No encerramento deste último estágio, não se espera que a pessoa continue seu luto, exceto por breves momentos quando yizkor
(prece especial recitada em memória aos entes falecidos) ou yahrtzeit (aniversário de morte do ente falecido) estão sendo cumpridos.
Na verdade, a tradição judaica adverte a pessoa por ficar de luto mais tempo que este período prescrito.

Recitar o Cadish
O Cadish é recitado em todo serviço de prece, de manhã e à noite, no Shabat e feriados, em dias de jejum e de júbilo.

O período em que o enlutado recita o Cadish pelos pais é, teoricamente, um ano inteiro. O falecido é considerado como estando sob
julgamento Divino naquele período. Algumas comunidades, portanto, aderem ao costume de recitar o Cadish por doze meses em todos
os casos.

No entanto, como um ano inteiro é considerado como sendo a duração do julgamento para os perversos, e presumimos que nossos pais
não se enquadram nessa categoria, a prática em muitas comunidades é recitar o Cadish somente durante onze meses.
O Cadish deve ser recitado somente na presença de um quorum devidamente constituído, um minyan, que consiste de dez homens
acima da idade de bar mitsvá. Se houver apenas nove adultos e um menor presente, ainda não é considerado um quorum para um
minyan.

Yizkor e Yahrtzeit
Yizkor é uma cerimônia relembrando todos os falecidos durante um serviço comunal na sinagoga. Yahrtzeit é um memorial pessoal
de aniversário; pode ser observado por qualquer parente ou amigo, mas basicamente é pelos pais.

O serviço Yizkor foi instituído para que o judeu pudesse prestar homenagem aos seus antepassados e relembrar a vida boa e os
objetivos tradicionais. Este serviço está baseado num princípio vital da vida judaica, que motiva e anima a recitação do Cadish.
É baseado na firme crença de que os vivos, por meios de atos de piedade e bondade, podem redimir os mortos. O filho pode levar
honra ao pai. O "mérito dos filhos" pode refletir o valor dos pais.

Este mérito é atingido, basicamente, ao viver num elevado plano moral e ético, correspondendo às exigências de D'us e sendo sensível
às necessidades do próximo. A expressão formal deste mérito é conseguida por meio de preces e contribuições para caridade.

Yahrtzeit é um dia especial de observâncias para relembrar o aniversário da morte dos pais. Embora a palavra seja de origem alemã, o
costume está anotado no Talmud.

Esta comemoração religiosa é registrada não como um decreto, mas como uma descrição de um sentimento instintivo de tristeza, uma
lembrança anual da tragédia, que impele a pessoa a evitar a ingestão de carne e vinho – símbolos de festividade e alegria, o próprio sal
da vida.
Shivá – sete dias
Visita aos enlutados
• É uma grande mitsvá visitar os enlutados, sendo considerado um ato de bondade para os parentes e o falecido, cuja alma ainda está
de luto.

• Pode-se visitar o enlutado durante o dia ou à noite.

• Se possível, a visita deve esperar até o terceiro dia após o enterro. Este conselho é dado porque a ferida do enlutado ainda está fresca,
e o falecido está constantemente em seu pensamento. No entanto, se por algum motivo isso não pode ser arranjado, a visita pode ser
feita até no primeiro dia. Consolar os enlutados na verdade começa no cemitério, quando os enlutados deixam o túmulo, passando por
fileiras de amigos e parentes.

• Visitantes normalmente não fazem visitas de condolência no Shabat ou feriados, pois estes são dias em que não se deve ficar
enlutado publicamente. No entanto, o enlutado pode receber companhia e condolências nesses dias. Pode haver visitas de shivá em
Chol Hamoed, Rosh Chodesh, Purim e Chanucá.

• Um visitante não deve começar a falar, mas sim sentar-se em silêncio até que o enlutado comece. (O enlutado pode iniciar a
conversa dizendo: "Bendito seja o Verdadeiro Juiz.") O enlutado não pode cumprimentar as pessoas dizendo shalom; e não pode
receber cumprimentos dos outros.

• O enlutado senta-se no chão., ou em assento baixo.

• O assunto da conversa deve ser sobre os méritos do falecido, recordar suas boas qualidades que o tornavam querido de todos.
Aqueles que deliberadamente se abstêm de mencionar o falecido, acreditando que assim desviam a mente do enlutado da sua dor, não
entendem bem a psicologia do luto. Passar a visita falando trivialidades é menos consolador e mais doloroso para o enlutado que falar
sobre o falecido.

• O enlutado não deveria dizer: "Meus castigos não equivalem aos meus pecados," indicando que merece mais punição. (Mesmo que
isso seja verdadeiro, não se deve expressar estes pensamentos, pois podem provocar mais sofrimento.)

• Não se pode dizer ao enlutado: "O que se pode fazer, é impossível mudar as decisões de D’us," mas sim dizer: "Tudo aquilo que
D’us faz é para o bem, e Ele sabe o que é melhor. Devemos aceitar Seu decreto com amor."

• Assim que o enlutado indique que os visitantes devem ir embora, estes não devem demorar. (Tenha consideração, não prolongue sua
visita ou fique até tarde. Na hora de sair, deve-se dizer: "Hamacom yenachem etchem betoch shear avelê Tsiyon Virushaláyim" "Que
o Eterno te conforte com todos os enlutados de Tzion e Jerusalém."

• É apropriado ter um minyan para a prece três vezes ao dia na casa enlutada. Após as preces matinais e vespertinas, um Salmo
adicional, capítulo 49, é recitado.

• Também é bom para os outros aprender mishnayot pelo benefício da neshamá do falecido.
• Se alguém não foi visitar durante a shivá, pode expressar condolências a qualquer tempo dentro dos 12 meses quando encontrar
enlutados pelos pais, e durante os primeiros 30 dias para aqueles enlutados por outros parentes.

• Visitas de condolência podem ser feitas a enlutados que voltaram aos negócios durante a shivá (se foi religiosamente permissível
fazê-lo), da mesma forma que com os outros enlutados. Se o enlutado voltou ao trabalho violando a tradição, ele não precisa ser
visitado. Ele negou a si mesmo o conforto da consolação religiosa.

Algumas regras de comportamento na Casa Enlutada


1 - Não deve haver cumprimentos, sejam de boas-vindas ou de despedida.

2 - Não é costume falar até que o enlutado o faça. O visitante não deve falar demais e monopolizar a discussão. A conversa na casa em
luto deve ser condizente com a reação do enlutado.

Não há realmente necessidade de censurar aqueles que acreditam que observações humorísticas ou histórias frívolas aliviarão a
amargura dos sentimentos do enlutado. O propósito da presença do visitante e sua conversa durante a shivá não é distrair o enlutado. É
correto e adequado falar sobre o falecido, suas qualidades, esperanças e seus entes queridos. Longe de evocar a angústia que
certamente não foi esquecida, isso dá ao enlutado a oportunidade de relembrar e expressar seu sofrimento em voz alta. Os psicólogos
garantem que o enlutado deseja falar sobre sua perda.

Dr. Eric Lindemann, em sua obra Symptomatology and Management of Acute Grief, diz: "Não há retardação da ação da fala; ao
contrário, há uma ânsia de falar, especialmente sobre o falecido." Nem as palavras nem as lágrimas do enlutado devem ser evitadas ou
suprimidas. Isso é análogo ao mundo da natureza, onde os animais freqüentemente usam estes meios para se curar; recuperam-se
lambendo as próprias feridas.

3 - Não se deve insistir para que o enlutado se "sente" no banco de shivá, pois essa observação inocente pode implicar ao enlutado que
ele "continua" sofrendo. É possível que isso cause ressentimento.

4 - O visitante, deve, sempre, mostrar-se sensível aos sentimentos do enlutado. Há um tempo para todas as coisas, diz-nos a Torá, e
certamente há um tempo para deixar a casa do enlutado. As visitas não devem ser prolongadas indevidamente, cometendo o equívoco
de acreditar que a presença do visitante traz um grau incomum de alívio.

Comportamento do enlutado durante a visita


1 - Os cumprimentos não devem ser respondidos durante os primeiros três dias.

2 - O enlutado deve sentar-se quando as pessoas o consolarem, bem como quando elas estão para partir. No entanto, especialmente
durante visitas prolongadas, ele não precisa sentar o tempo todo, mas pode levantar-se e caminhar se quiser.

3 - O enlutado não precisa levantar-se perante qualquer visitante, não importa sua estatura.
4 - Na hora da refeição na companhia de visitantes, o enlutado deve sentar-se à cabeceira da mesa num banco mais baixo.

Palavras de condolência
Ao sair, o visitante deve recitar a frase, em hebraico ou português:
Hamakom yenachem et'chem
b'toch she'ar avelai
Tziyon Vi'yerushalayim
"Que D'us te conforte entre os outros enlutados de Tsion e Jerusalém."
A shivá
O Judaísmo, com sua longa história de lidar com a alma do homem, seu conhecimento íntimo das realizações e pontos fracos, sua
grandeza e sua fraqueza, sabiamente criou períodos graduais durante os quais o enlutado expressa sua dor, e libera com calculada
regularidade as tensões interiores causadas pelo luto. A religião judaica fornece uma abordagem lindamente estruturada para o luto.

A sensibilidade da Torá, juntamente com a experiência religiosa acumulada em séculos, ensinou ao judeu como lidar melhor com a
situação de pesar. Foi somente com o surgimento da moderna Psicologia, com suas ferramentas científicas e experimentação
controlada, que o valor dessa estrutura no sofrimento foi reconhecido.

Joshua Loth Lieberman, em seu livro Paz de Espírito, afirma: "As descobertas da Psiquiatria – de como é essencial expressar, em vez
de reprimir a dor, falar sobre a perda com amigos e companheiros, mover-se passo a passo novamente da inatividade à atividade– nos
lembra que os antigos mestres do Judaísmo com freqüência tinham sabedoria intuitiva sobre a natureza humana e suas necessidades,
algo que a nossa era mais sofisticada e liberal esqueceu. O Judaísmo tradicional, na verdade, teve a sabedoria de delinear quase todos
os procedimentos para o estado de pesar que levam em conta a saúde que a Psicologia contemporânea aconselha, embora o Judaísmo
naturalmente não possuísse as ferramentas para o experimento científico e o estudo sistemático."

A tradição judaica dessa forma proporcionou uma libertação gradual do sofrimento, e ordenou cinco períodos sucessivos de luto, cada
qual com suas próprias leis governando a expressão da dor e o processo da volta aos assuntos normais da sociedade. Encaixa-se tão
acertadamente no ciclo normal de luto que alguns afirmaram que as leis do luto são descritivas, em vez de prescritivas.
Cinco Estágios do Luto

O primeiro período é entre a morte e o enterro (aninut), quando o desespero é mais intenso. Durante esse tempo, não apenas as
amenidades sociais, como até exigências religiosas positivas, foram canceladas em reconhecimento ao estado de espírito do enlutado.

O segundo estágio consiste nos primeiros três dias após o funeral, dias devotados a "choro e lamentação". Durante esse tempo, o
enlutado nem sequer responde aos cumprimentos, e permanece em sua casa (exceto sob circunstâncias especiais). É um tempo em que
se desencoraja até visitas ao enlutado, pois é cedo demais para consolar os enlutados quando a ferida ainda estão tão fresca.

O terceiro é o período de shivá, os sete dias seguintes ao enterro (este período mais longo inclui os primeiros três dias.) Durante esse
tempo o enlutado emerge do estado de luto intenso para um novo estado de mente, no qual está preparado para falar sobre a sua perda
e a aceitar consolo de amigos e vizinhos. O mundo agora se amplia para o enlutado. Embora ele permaneça dentro de casa,
expressando sua tristeza por meio das observâncias de avelut – sentar-se num banco baixo, usar chinelos, abster-se de arrumar-se,
recitar o cadish – seus conhecidos vão à sua casa para expressar solidariedade ao seu sofrimento. O gelo interior que vem com a morte
de seu parente agora começa a derreter. O isolamento do mundo das pessoas e o retiro para dentro de si mesmo agora de certo modo
relaxa, e a normalidade começa a retornar.

O quarto estágio é o de sheloshim, os 30 dias que se seguem ao enterro (que incluem a shivá). O enlutado é encorajado a sair de casa
após a shivá e aos poucos retornar ao convívio social, sempre reconhecendo que ainda não passou tempo suficiente para assumir as
relações sociais plenas. O corte de cabelo ainda é proibido para os homens.

O quinto e último estágio é o período de doze meses (que inclui o sheloshim) durante o qual as coisas retornam ao normal, e os
negócios novamente se tornam rotina, porém os sentimentos do enlutado ainda estão feridos pela ruptura de seu relacionamento com
um parente. A procura de entretenimento e diversão é reduzida. Ao final deste último estágio, o período de doze meses, não se espera
que a pessoa continue com seu luto, exceto por breves momentos quando yizkor ou yahrtzeit é observado. Na verdade, a nossa
tradição reprova uma pessoa por prantear por mais tempo que este período prescrito.

Nesse processo de luto gradual, magnificamente concebido, o judaísmo ergue o enlutado da tristeza e desespero para a retomada de
seu equilíbrio e retorno a sua vida normal.

As origens da shivá

Estabelecer um tempo para a expressão da dor está indicado na Torá e é mencionado, de forma recorrente, em suas primeiras
narrativas históricas. O Sumo sacerdote, Aharon, é golpeado pela morte súbita de seus dois filhos no auge de suas carreiras. Quando
Moshê pergunta por que a oferenda de sacrifício não fora comida no dia da morte deles, Aharon responde: "Coisas assim caíram sobre
mim, e se eu tivesse comido a oferenda, isso teria sido agradável aos olhos do Eterno?" (Vayicrá 10:20). A explicação de Aharon é
que o tempo de luto não é uma ocasião para festejar perante Hashem; é, especificamente, para expressar a dor.

Assim também, Amos refere-se a um período especial para o luto. Eles profetiza as conseqüências desastrosas da injustiça e
imoralidade, e declara: "E eu transformarei seus festins em luto, e todas as suas canções em lamentos; e trarei sacos de estopa sobre
todas as cinturas, e calvície sobre todas as cabeças; e farei isso como se fosse o luto pelo único filho; e o fim será um dia amargo"
(Amos 8:10). O dia de chorar é yom mar: "um dia amargo".

Os Sábios escreveram que esta era a prática nos tempos antigos, ainda antes da Revelação no Monte Sinai, prantear intensamente, não
apenas por um dia, mas por uma semana – shivá. Assim, Yossef foi um enlutado durante sete dias após o falecimento do seu pai, o
Patriarca Yaacov.

Após a Revelação, Moshê estabeleceu os sete dias de luto por decreto especial, declarando-o como doutrina formal, que até então
tinha sido praticado apenas como costume. Ele fez valer, garantiram os Sábios, os sete dias de luto assim como fez valer os sete dias
bíblicos de júbilo das Grandes Festas. A conexão entre os dois opostos é sugerida no versículo de Amos, acima citado: "E eu
transformarei seus festins em luto." Assim como as festas eram observadas por sete dias, também o luto deveria durar uma semana.

Assim, desde os primeiros momentos da História Judaica, o povo judeu tem cumprido shivá pelos parentes falecidos como "dias de
amargura". O ocasional desrespeito a shivá em algumas partes da comunidade judaica, ou a decisão informal, sem autorização
rabínica, de observar um número arbitrário de dias de luto para convir às necessidades da pessoa, ou para coincidir com um fim de
semana constituem, na verdade, um nocivo desrespeito a gerações de sagrada memória.
Onde a shivá é observada
Idealmente, a shivá deveria ser observada por todos os parentes na casa do falecido. Onde um homem viveu, seu espírito continua a
habitar. É, afinal, naquele lugar que a pessoa está cercada com os remanescentes tangíveis da vida da pessoa, e é correto que a
evidência de sua vida seja palpável durante a shivá. Além disso, há um valor distinto em ter a família reunida como era nos dias
passados.

É permitido viajar até grandes distâncias após o funeral para observar shivá na casa do falecido. No entanto, nesses casos, a aceitação
do luto deve ser mostrada formalmente no cemitério, no escritório do cemitério ou nas suas dependências, sentando-se num banco
baixo e removendo os sapatos por um breve período.

As circunstâncias, porém, nem sempre são ideais. Assim, se houver necessidade de dormir na própria casa, o enlutado pode viajar,
mas deve fazê-lo após o escurecer, quando as ruas estão em silêncio. Ele deveria então retornar à casa de shivá cedo pela manhã, antes
de as pessoas geralmente acordarem.

Assim, também, se uma pessoa deseja sentar shivá dentro de sua própria casa, na companhia do cônjuge e filhos, pode fazê-lo. Ele
pode também viajar a distância do cemitério até sua casa. No entanto, se for viajar, deve primeiro aceitar o luto no cemitério, como
explicado acima.
O inicio do luto
1. A partir do término do enterro, ou seja após cobrir totalmente a cova e fazer um pequeno montinho de terra sobre o túmulo, inicia-
se os sete dias de Shivá, e passam a vigorar as leis de luto. A partir deste momento também, inicia-se os trinta dias do luto,
Shloshim.Se o enterro é realizado no final da tarde, deve-se reparar exatamente o horário do término do mesmo, pois caso terminou
após o total anoitecer, o luto iniciará a noite, terminando um dia depois, pois a noite já faz parte do dia seguinte.

2. Quando o enlutado não vai ao enterro, se ele está na cidade onde se encontra o cemitério ou próximo dela, o luto começa quando ele
é avisado que o enterro terminou, ou quando ele supõe que já deu tempo de finalizar o enterro.

3. Porém, se o corpo esta sendo enviado para ser enterrado em outra cidade ou em outro país, os enlutados que não acompanham o
corpo, iniciam o luto, após tomarem seu caminho para retornar ao lar. Quando o corpo é despachado por avião, os enlutados que
acompanharam até o aeroporto iniciam o luto após a decolagem.

4. Nestes casos se o enlutado mais velho (ou seja, aquele que é o responsável da casa) vai ao enterro, e ficará durante o período de
Shivá no local do enterro, mesmo aqueles que ficaram na cidade iniciam o luto somente após o enterro, caso este foi realizado dentro
de três dias após a viagem. Neste caso uma autoridade rabínica deve ser consultada, já que existem muitos detalhes referente a estas
leis. Porém se o enlutado mais velho voltar para a cidade onde encontram-se os outros para sentar com eles shivá, o luto inicia-se antes
da viagem e este que viajou termina seu luto junto com aqueles que ficaram, mesmo que não completou para si os sete dias.

5. Quando o enlutado não está na cidade do falecido e nem estará presente no enterro, o luto inicia-se logo após ele ser comunicado do
falecimento. No entanto, o enlutado deve perguntar a seu rabino como agir, já que existem outras idéias entre os legisladores.

6. Se alguém não foi avisado da morte de um parente e chegou em casa no meio do luto, deve perguntar a um rabino se o seu luto
termina após sete dias de sua chegada, ou se ele encerra junto com os outros enlutados. Se a pessoa só ouviu sobre o falecimento
depois que os sete dias de Shivá terminaram, mas ainda durante o primeiro mês após o falecimento, ele deve sentar sete dias de Shivá
completos,. Porém se ele só recebeu a notícia após trinta dias, o luto para ele dura apenas uma hora. Por este motivo, quando um irmão
do falecido mora distante, e não tem muito contato com a família, pode-se deixar para comunicar-lhe o falecimento após os trinta dias
para que não tenha que se enlutar por sete dias.

7. Se o enlutado é recém casado, na primeira semana após o casamento, o luto inicia-se somente após terminar a primeira semana de
casado. (Isto é válido somente para as primeiras núpcias. Em caso de segundas núpcias, o luto inicia-se após três dias do casamento)

8. Caso o enterro for realizado em Chol Hamoed, o luto inicia-se após o término dos segundos dias de Yom Tov.

9. No caso que o falecimento ocorreu por causa de um afogamento ou outro acidente e o corpo não foi encontrado, a Shivá inicia-se a
partir do momento que desistiram de procurar o corpo.
Outras Considerações de
Quando começa a Shivá

Por Maurice Lamm

Pessoas desaparecidas e presumivelmente mortas

1 – Se há esperança de encontrar os restos do falecido, como no caso de alguém que se afogou ou foi morto por um animal em local
conhecido, ou se foi assassinado, e acredita-se que o corpo será encontrado, o luto deve começar quando o corpo é descoberto, ou
quando, após busca exaustiva, toda a esperança de encontrar o corpo é abandonado. Se houver uma expectativa razoável de que o
corpo será encontrado, o luto não precisa ser observado.

2 – Se não há expectativa de encontrar o corpo, como no caso de alguém que se afogou no oceano, ou acredita-se que tenha sido morto
em local desconhecido; ou se uma busca exaustiva não produziu resultados e não há testemunhas da morte, então:

a – Se a esposa sobrevive, não deve haver luto demonstrativo por temor de que outros a considerem disponível para casamento
quando, na verdade, essa disponibilidade é incerta aos olhos da lei, pois não houve testemunhas da morte do marido. Se houver uma
testemunha, ou alguém que soube da morte por uma testemunha, deve-se procurar orientação rabínica.
b – Se não há esposa sobrevivente, se o falecido é solteiro ou divorciado, o luto é iniciado quando é feito o julgamento da morte. No
entanto, essa é uma ocorrência bem incomum, e a determinação da morte é uma decisão rabínica complicada e difícil. O leitor deve
avaliar que este assunto é complexo e para o qual não há uma regra geral, e portanto, deve procurar conselho qualificado.

A duração da shivá

Os sete dias de luto começam imediatamente após o enterro. Terminam na manhã do sétimo dia após o enterro, logo depois do serviço
matinal (shacharit). Aqueles presentes oferecem condolências, e o enlutado se levanta de sua semana de luto. Se não é feito um serviço
de shacharit público na casa do enlutado, a shivá termina depois que o enlutado recita suas preces pessoais, desde que seja após o pôr-
do-sol.

Ao computar os sete dias, a tradição judaica segue o princípio de considerar uma fração do dia como um dia completo. Assim, o dia
do enterro é considerado como o primeiro, embora o enterro possa ter sido concluído apenas alguns momentos antes do anoitecer.
Assim, também, o sétimo dia é considerado um dia completo embora o luto fosse observado por somente um curto tempo após o pôr-
do-sol. Dois dias fracionados de luto são contados como dois dias inteiros de shivá.

Para ilustrar, se o enterro ocorreu na tarde da quarta-feira, a quarta-feira é o primeiro dia, a quinta o segundo, sexta o terceiro, sábado
o quarto, domingo o quinto, segunda o sexto e a manhã de terça é o sétimo e último dia. Um método simplificado é considerar a shivá
como concluindo uma semana a partir da manhã antes do dia do enterro.

O Shabat durante shivá e sheloshim

O Shabat não termina a shivá como faz um Grande Dia Festivo, pois embora as observâncias públicas de luto sejam suspensas, as
práticas privadas de luto são observadas. Portanto, é contado como parte dos sete dias. Como as observâncias públicas de luto são
suspensas e os enlutados têm permissão de calçarem sapatos e saírem de casa para serviços, é necessário estabelecer a duração exata
do descanso do Shabat. Além disso, as roupas rasgadas não são usadas no Shabat durante a shivá.

O enlutado não deve levantar-se da shivá (na sexta-feira) até o mais próximo possível do Shabat, permitindo-se o tempo necessário
para os preparativos do Shabat, como cozinhar ou vestir-se. Isso não deveria levar mais que uma hora e um quarto. Numa emergência,
cerca de duas horas e meia podem ser permitidas para estes preparativos. Contrário à opinião popular, a avelut não cessa ao meio-dia
da sexta-feira. O enlutado deve retornar ao luto na noite de sábado, logo após os serviços noturnos.

Feriados durante shivá e sheloshim

1 – O espírito de júbilo que é obrigatório nos Grandes Dias Festivos não se coaduna com a tristeza do luto. Na Lei Judaica, portanto, o
feriado cancela completamente a shivá. Assim, se o luto foi começado até uma hora antes do escurecer, o início da Festa anula o
restante da shivá, e consideramos uma hora de observância de shivá como equivalente a sete dias completos.

2 – Se, no entanto, a morte ocorreu durante o feriado, ou mesmo antes do feriado, mas sem o conhecimento do enlutado, shivá e
sheloshim começam depois que o feriado é concluído.

3 – Além disso, se a shivá foi completada tarde como na manhã antes do feriado, o restante do sheloshim é cancelado, e todas as
observâncias são suspensas. Assim, um homem pode ter um corte de cabelo imediatamente antes do feriado em honra à Festa, tendo o
sheloshim sido cumprido.

4 – Se o feriado ocorreu no meio da shivá, não apenas a shiva é considerada completa, como os dias do feriado são contados para o
sheloshim, e a contagem de 30 dias não precisa ser retardada até depois do feriado.

Resumo dos regulamentos para os feriados


Se o luto começou antes de Pêssach

1 – O luto parcial antes do feriado iguala sete dias.


2 – Oito dias de feriado, acrescentados ao sete, perfazem um total de 15 dias.
3 – Exigido para o sheloshim: 15 dias adicionais.

Shavuot:
1 – O período de luto antes do feriado iguala sete dias.
2 – O primeiro dia de Shavuot é considerado como o equivalente a outros sete dias, somando 14 dias.
3 – O segundo dia do feriado marca o 15º dia.
4 – Exigido para sheloshim: 15 dias adicionais.

Sucot
1 – Período de luto antes do feriado iguala sete dias.
2 – Sete dias de feriado, acrescentado aos sete, fazem um total de 14 dias.
3 – O feriado de Shemini Atsêret, que cai no oitavo dia de Sucot, age como Shavuot no que diz respeito a sheloshim, sendo
considerado como outro período de sete dias. Isso perfaz 21 dias.
4 – O dia de Simchat Torá marca o 22º dia.
5 – Exigido para sheloshim: oito dias adicionais.

Rosh Hashaná e Yom Kipur


Embora não haja mandamento de "rejubilar-se" tecnicamente) nesses feriados, eles são considerados o mesmo que as outras Festas em
todos os três aspectos, ou seja: a) Cancelam o restante da shivá, se o luto foi aceito antes do feriado. b) Eles retardam o início do luto
se o enterro por algum motivo ocorreu durante eles; c) Eles cancelam o restante do sheloshim se a shivá foi completada antes do início
do feriado. Assim,

Rosh Hashaná:
1 – Luto antes de Rosh Hashaná equivale a sete dias.
2 – Yom Kipur completa o sheloshim.

Yom Kipur:
1 – Luto antes do dia sagrado iguala sete dias.
2 – Sucot completa o sheloshim.
Se o enterro ocorreu, por algum motivo, durante o próprio feriado, ou em chol hamoed de Sucot ou Pêssach, então:
1 – A observância de shivá começa na compleição do feriado (no caso de Sucot – após Simchat Torá).
2 – O último dia da festa (Pêssach, Shavuot, Sucot e Rosh Hashaná) é contado como o primeiro dia de shivá.
3 – Os dias dos feriados são, mesmo assim, contados como parte de sheloshim. (Daí a circunstância incomum de ter o sheloshim antes
de shivá).
4 – O dia de Shemini Atsêret é contado como apenas um único dia.O texto abaixo não pertence ao autor:

Resumo das proibições durante o período da Shivá


(Leia mais detalhes nas opções do menu principal)

A um enlutado não é permitido:

• Trabalhar (em situações que envolvam sócios, patrões, etc., a pessoa deve informar-se com um rabino ortodoxo competente antes do
sepultamento, a fim de fazer os arranjos necessários.)

• Trabalho doméstico necessário (limpeza, lavagem de louça) e preparação das refeições são permitidos.

• É exigido que se forneça ajuda financeira a pessoas pobres, para que possam afastar-se do trabalho durante a shivá (sete dias de luto
inicial).

• Os enlutados não podem lavar-se ou tomar banho, exceto o rosto, mãos e pés com água fria (o uso de cosméticos também está
incluído nesta proibição.)

• Uma mulher em idade de se casar (ou uma noiva) pode embelezar-se mesmo durante este período de sete dias de luto.

• Não pode calçar sapatos de couro.

• Não pode ter relações íntimas (nem mesmo no Shabat).

• Não podem estudar Torá (porque causa alegria).

• Um enlutado pode estudar Iyov, Kinot, as porções tristes de Yermiyáhu e as leis de luto. Não pode estudar outras ciências ou ler
outras coisas (jornais, por exemplo) que afastarão sua mente do luto. (Aruch Hashukchan). Pode estudar obras de Mussar. (Sdei
Chemed, Avelut 25)

• Não pode saudar outras pessoas. Se alguém cumprimenta um enlutado após os primeiros três dias, ele pode responder em voz baixa.

• Não pode lavar ou limpar roupas.

• Não pode falar em excesso, nem dar risadas e alegrar-se, pois foi dito: "Que permaneçam em silêncio." Esta proibição é entendida do
fato de que nem mesmo pode dizer "Shalom" a outras pessoas. Um enlutado também não pode pegar uma criança no colo, ou engajar-
se em atividades similares que possam provocar o riso. (Rambam, Aveilut 5:20)

• Não pode barbear-se ou cortar o cabelo (pentear o cabelo é permitido).


• Não pode cortar as unhas com um utensílio, mas pode roê-las ou arrancá-las.

• Não pode sentar em um assento. Quem estiver doente ou em situação excepcional deve consultar um rabino ortodoxo competente
para exceções à regra acima.

• Um enlutado não pode sair de casa durante a primeira semana. Entretanto, pode sair para dormir em outro lugar se houver
necessidade.

• No sétimo dia, depois que os visitantes saíram (ou depois da hora em que eles normalmente sairiam), o período de luto está
terminado. É costume que alguns amigos ajudem os enlutados a levantarem-se do chão.
Atraso da noticia do falecimento
Shmuá Krová – A notícia dentro de 30 dias

1. Alguém que recebeu a notícia do falecimento de um parente que deve se enlutar por ele após o enterro, dentro dos primeiros trinta
dias do falecimento, mesmo que a notícia foi recebida em shabat, ele deve começar o luto de shivá a partir do momento da notícia,
devendo manter as leis de shivá e posteriormente shloshim, como se o dia da notícia fosse o dia do enterro. Como também no dia da
notícia ele deve fazer a Keriá e a seudat havraá, e não deve colocar Tefilin como no dia do enterro.

2. Caso a notícia veio no trigésimo dia antes do anoitecer, passam a vigorar a partir de então as leis de shivá e shloshim. Caso a pessoa
não fez o luto por qualquer razão, deve consultar um rarbino para daber como agir a partir de então.

3. Caso a notícia foi recebida no trigésimo dia que caiu em shabat ou Yom Tov, neste dia vigoram as leis discretas de luto como
shabat e Yom Tov, e após este dia vigora o luto por apenas uma hora como as leis de shmuá rechocá adiante.

4. Caso a notícia veio no meio dos primeiros sete dias, e o enlutado foi até a família que já estavam sentados shivá para ficar com eles,
deve-se consultar um rabino para saber como agir, pois em certos casos o enlutado deve iniciar o shivá a partir do momento da notícia,
e em certos casos, ele conta os dias de shivá e shloshim a partir do momento do enterro como o resto da família.

Shmuá Rechocá – A notícia após os 30 dias

5. Caso a notícia foi recebida após 30 dias do falecimento, mesmo na noite após o trigésimo dia, não vigoram as leis de luto por sete
dias, mas apenas por uma hora.

6. Durante esta hora, o enlutado deve apenas fazer uma lei do luto, como tirar o sapato, virar a cadeira, ou cobrir a cabeça como
enlutado . As demais proibições do luto não recaem sobre o enlutado, sendo que este pode tomar banho, passar cosméticos e trabalhar
durante esta hora.

7. Ao ouvir uma noticia de falecimento de um parente próximo que recai sobre ele luto, mesmo após 30 dias, deve recitar a bençao
‘Baruch atá Ado-nai Elo-henu melech haolam Dayan haemet’.

8. Não há necessidade de rasgar as roupa por uma Shmuá rechocá, salvo um(a) filho(a) por seu pai ou mãe. Neste caso, vigoram todas
as leis de keriá como na hora do enterro, mas ele não precisa ficar com a roupa rasgada nem por uma hora.

9. Não se faz seudat havraá sobre uma shmuá rechocá em nenhum caso. Também não há necessidade de tirar o Tefilin na hora do luto
pela shmuá rechocá.

10. Caso a notícia foi recebida após 30 dias em shabat ou Yom Tov, neste dia vigoram as leis discretas de luto como shabat e Yom
Tov, e após este dia vigora o luto por apenas uma hora.

11. Não há necessidade de duas testemunhas para noticiar um falecimento, bastando apenas uma pessoa avisar do falecimento, para
vigorar as leis de luto.

12. Se ocorreu qualquer dúvida relacionada ao luto de uma notícia tardia, um rabino deve ser consultado pois existem muitas leis
detalhadas, e muitas idéias divergentes sobre cada caso.

13. Se ocorreu um falecimento, não há obrigação de avisar os familiares do fato, se estes não são necessários para a preparação do
enterro, ou algo parecido.
A primeira refeição
Depois do funeral, a primeira refeição de um enlutado não pode ser preparada por ele próprio. A prática é baseada numa passagem de
Yechezekel 24:17 que fala negativamente das práticas de luto então vigentes e diz: “… e não comas o pão do homem.” Portanto, é
considerada uma mitsvá que os amigos, vizinhos ou parentes do enlutado lhe forneçam a primeira refeição, que é denominada
“refeição do consolo.”

É ingerida em silêncio e não é compartilhada pelos visitantes. As próximas refeições poderão ser normalmente preparadas pelo
enlutado.

Caso o enterro seja realizado há poucas horas da véspera de Shabat ou Yom Tov (em torno de 2h) esta refeição não será necessária.
Mas deverá ser servida nos Dias Intermediários de Pêssach e Sucot (chol hamoed), embora não haja shivá.

É muito importante considerar todas as possíveis necessidades dos enlutados e tentar ajudar. As necessidades incluem: Arranjar os
minyanim, preparar as refeições, contactar outros visitantes em potencial, cuidar das crianças, etc.

A primeira refeição completa que os enlutados fazem ao voltar do enterro, é tradicionalmente fornecida pelos vizinhos do enlutado.
Esta cortesia básica era considerada tão importante que alguns pensadores religiosos afirmam que foi biblicamente ordenada. De fato,
os Sábios do Talmud Jerusalém admoestaram os vizinhos que fizeram o enlutado comer a refeição preparada por ele próprio.

Este lindo costume, que poderia parecer estranho para alguns judeus encerra uma profunda percepção psicológica. Um astuto rabino
medieval, obviamente da era pré-freudiana, observou que o enlutado abriga um forte desejo de morte no momento em que regressa
para casa, para o ambiente familiar agora privado de calor e vida. Ele deseja se juntar ao seu ente querido. Neste estado de espírito, ele
tende a privar-se de alimento para atingir uma morte simbólica. De fato, um comentário ouvido com freqüência é: "Quem pode comer
quando meu marido jaz ali na terra fria?"

Outro aspecto da refeição de condolências é que constitui a segunda expressão formal de consolo. A primeira, como mencionado
acima, é a fila de amigos entre os quais o enlutado passa à medida que eles saem da proximidade do túmulo. Este é um tributo
silencioso, com somente uma fórmula hebraica de condolências, mas é um testemunho eloqüente de que partilhamos as dores da
angústia de nosso vizinho.

Este segundo estágio de condolências nos leva um passo mais próximos ao enlutado em seu estado de angústia; saímos do papel de
espectador para o de participante, do sentimento ao serviço. Levamos ao enlutado o sustento da vida, literal e figuradamente, o "pão"
da existência. É por isso que esta refeição de condolência é obrigatória aos vizinhos, e não aos enlutados.

Essa expressão de consolo deveria, por ser a primeira, transcorrer em silêncio. Não deve ser uma ocasião para socializar ou para bater
papo. Isso é desencorajado durante o período de luto.

A terceira ocasião formal de consolo, a visita de shivá, é a hora aprazada para o início da verbalização do sentimento de perda do
enlutado. Aqui, também, os rabinos insistem com os visitantes para que se sentem em silêncio até que o próprio enlutado deseje falar.
Mesmo então, é aconselhável que os visitantes falem apenas sobre o assunto da morte em família.

O menu da refeição de condolências

1 – No mínimo, deverá incluir pão – o sustento da vida. Deveria também incluir ovos cozidos duros, símbolo da natureza cíclica e
contínua da vida. Alguns explicam que o ovo é o único alimento que quanto mais se cozinha, mais endurece, e o homem deve
aprender a endurecer-se quando a morte ocorre [outra razão é que os ovos não têm uma abertura, para demonstrar que o enlutado é
incapaz de falar]. É um costume o enlutado comer lentilhas como símbolo do luto [conforme é feito em Seudat Hamafsêket em Tishá
Beav, onde antes do jejum costuma-se comer um ovo como último alimento, em lembrança a destruição do Templo Sagrado de
Jerusalém]. A refeição de condolências deve também incluir legumes cozidos, e para beber café ou chá.

2 – A refeição de condolências deve ser a primeira refeição feita no dia do enterro. Este mandamento refere-se apenas à primeira
refeição, e não à segunda do dia nem, se os enlutados preferirem jejuar, à refeição feita depois do anoitecer do dia seguinte.
Obviamente, se os vizinhos se atrasarem involuntariamente, ou se não conhecerem o costume, a refeição deve ser aceita da maneira
mais gentil. Se o enterro ocorreu à noite, a hora para a primeira refeição é considerada como sendo a noite toda ou a qualquer hora
durante o dia seguinte.

3 – Quem deve preparar a refeição?


O ideal, como já foi dito, é que os vizinhos o façam. Se não o fizerem, os parentes ou o filho ou filha do enlutado podem cumprir essa
mitsvá. Se isso não for possível, os enlutados podem preparar a refeição um para o outro.
Se não há ninguém para cumprir esse mandamento, o enlutado pode preparar sua própria refeição. Não se espera que o enlutado jejue.
Se a refeição de condolências não estiver pronta quando os enlutados regressarem do funeral, eles podem fazer um lanche leve
preparado por eles mesmos, como café e bolo, desde que não comam pão ou alimentos cozidos, nem se sentem à mesa como numa
refeição formal.

4 – Quando a refeição de condolências não é servida?


Não é servida quando não há observância pública e formal de luto, como no Shabat ou Grandes Festas (Pêssach, Shavuot e Sucot), ou
nos finais das tardes precedendo estes dias. No entanto, a refeição deveria ser servida em dias de Rosh Chôdesh, Chanucá, Purim e
chol hamoed.
Esta refeição também não é servida para aqueles que pranteiam a morte de bebês que não chegaram a viver trinta dias, e após a morte
de suicidas intencionais. Além disso, se a notícia da morte de um parente próximo chegou mais de trinta dias depois, a refeição não é
servida.
5 – Se uma segunda morte ocorrer durante a shivá, outra refeição de condolências deve ser servida.
Do livro “Os Últimos Momentos”
Por Rabino Shamai Ende

A primeira refeição do luto - Seudat Havraá

1. É proibido a um enlutado, comer a primeira refeição do dia do enterro após o enterro de sua própria comida(Há alguns motivos para
isto: 1) para que o enlutado não esqueça de seu luto dedicando-se a comida e bebida; 2) para que as pessoas tragam-lhe comida para
poder consolá-lo; 3) para que ele não deixe de comer por causa da amargura do luto, nossos sábios instituíram que outros devem
alimentá-lo) podendo apenas comer de uma comida que lhe foi trazida por outros. É uma Mitsvá a seus vizinhos e amigos trazerem-
lhe esta refeição que é chamada de Seudat Havraá. Costuma-se servir nesta refeição ovos duros e pão. Muitos costumam trazer um pão
em forma de rosca (tipo beiguel). O enlutado come esta refeição sentado no chão ou em um lugar baixo.O enlutado não deve descascar
sozinho o ovo, para não parecer esfomeado.

2. Deve-se trazer também algo para beber, e alguns costumam trazer vinho. No entanto, o enlutado não pode beber vinho até se
embriagar.

3. Não se deve trazer esta refeição em utensílios importantes de prata ou cristal, para não envergonhar aqueles que não tem
possibilidade.

4. Após o término desta refeição (após a recitação da bênção final), o enlutado já pode comer de sua própria comida mesmo no dia do
enterro.

5. Antes desta refeição e durante a mesma, o enlutado não deve comer nada de sua propriedade. De preferência não deve nem beber.
Se não há ninguém na cidade que pode trazer ao enlutado comida, este pode comer de sua própria. Alguns costumam porém jejuar até
o anoitecer neste caso.

6. Caso o enterro terminou antes do final da tarde e o enlutado só chegou em casa após o anoitecer, este já pode comer de sua própria
comida não sendo necessário fazer a seudat havraá. Caso o enterro terminou após o anoitecer, deve-se trazer esta refeição de noite
após a volta do enterro sendo este proibido de comer de sua comida antes que lhe tragam esta refeição.

7. Um homem deve trazer esta refeição a um enlutado homem, e uma mulher para outra e não o contrário. Porém se uma família
enlutada de homens e mulheres estão sentados juntos, qualquer um pode trazer-lhes esta refeição.

8. Se o enterro ocorreu na véspera de Shabat ou Yom Tov, e o enlutado chegou em casa após o início da décima hora do dia,
(aproximadamente 2 horas antes do Shabat) não deve-se trazer esta refeição, porém se o enlutado está com fome deve pedir algo do
vizinho para comer.

9. Se o falecimento ocorreu no Shabat ou Yom Tov, e o enterro ocorreu no dia seguinte, não se faz esta refeição podendo o enlutado
comer de sua comida.

10. Se o enterro ocorreu em Purim, traz-se uma refeição com outros alimentos (como carne e vinho) e o enlutado come sentado à
mesa. Se o enterro ocorreu em Chol Hamoed, traz-se uma refeição com bolos ou bolachas e uma bebida como café e o enlutado come
sentado no sofá ou à mesa.
‘sentar’ shivá
Sair de Casa Durante a Shivá

A tradição mais característica do luto judaico é o retiro do enlutado no recesso de seu lar após a morte de um parente próximo. Ele não
se mistura socialmente, não participa de eventos alegres ou faz viagens recreativas durante essa época.

Esta tradição de ficar em casa está baseada, geralmente, em dois motivos. Primeiro, uma razão prática: se ele está proibido de fazer
negócios ou experimentar prazeres, a casa é o local mais lógico para ficar. Segundo, isso tem um valor positivo, que ajuda a curar: o
luto é um profunda experiência em solidão. Os vínculos que ligam uma alma a outra foram cortados, e há um grande senso de solidão.
Permanecer incomunicável é expressar sofrimento pela ruptura da comunicação com alguém que amamos. Em determinadas ocasiões
a pessoa tem o direito, até uma obrigação, de ficar sozinha. Esta é uma delas. O enlutado, portanto, fica em casa durante todo o
período de shivá. Torna-se então o dever moral da comunidade judaica ir à porta do enlutado e confortá-lo com palavras elogiosas
sobre o falecido, dessa forma tirando-o da solidão e encaixando-o novamente na estrutura social.

A seguir alguns detalhes sobre a lei de permanecer em casa durante a shivá:

1 – Se há uma forte necessidade de o próprio enlutado sair de casa para cumprir pessoalmente uma mitsvá, como a circuncisão de um
filho, ou a compra de tefilin, que outros não podem cumprir por ele, então pode sair de casa para esse fim.
2 – O enlutado não pode sair de casa para participar de uma mitsvá que pode ser cumprida sem a sua presença, como comparecer a um
bar mitsvá, a circuncisão do filho de um parente ou amigo, comparecer a um casamento ou prestar condolências a outros enlutados.

3 – Se a casa de shivá não tem lugar disponível para os enlutados dormirem, ou se eles são necessários em sua própria casa
(especialmente se um dos enlutados é mãe de filhos pequenos), ou se o enlutado deseja mudar o local do luto para que amigos pessoais
e vizinhos possam ter a oportunidade de fazer uma visita, eles têm permissão de deixar a casa de shivá. Devem fazer isso, porém, da
maneira abaixo descrita.

4 – Se durante a shivá ocorrer a morte de outro dos sete parentes próximos para quem a pessoa está religiosamente obrigada a se
enlutar, ela pode deixar a casa para acompanhar o funeral, sem fazer alarde disso. Se ele é necessário para fazer os arranjos do funeral
ou agir como carregador do féretro, etc., ele pode comparecer ao funeral mesmo durante o primeiro dia de shivá (ou seja, a segunda
manhã após o enterro). No funeral ele pode acompanhar o corpo do falecido por uma curta distância, sempre permanecendo na
periferia do cortejo.

5 – Se não há minyan que possa ir à casa e se, de acordo com as qualificações acima estipuladas, ele escolhe freqüentar o serviço, ele
deveria rezar na sinagoga mais próxima. Deve ir sozinho, ou na companhia de outros enlutados. Se ele estiver de carro, considera-se
que está sozinho. A distância que ele é obrigado a viajar não tem importância. Deve-se notar que o enlutado não pode usar essa
ocasião para fazer qualquer coisa, exceto comparecer aos serviços.

6 – A necessidade de sair de casa para assuntos profissionais, ou emergências, será considerada num capítulo abaixo, sobre trabalho
durante shivá.

7 – Um mohel pode sair de casa para realizar uma circuncisão, pois isso deve ser realizado somente no oitavo dia após o nascimento.
Se não houver outro mohel disponível, ele pode fazê-lo até mesmo no primeiro dia de sua shivá. Se houver outro mohel disponível,
mas somente seus serviços são desejados, ele pode fazer a circuncisão, desde que ocorra depois do terceiro dia do período de shivá.

8 – Um Cohen, exigido para um pidyon ha'ben (redenção cerimonial do filho primogênito, que deve ser realizada somente no 30º dia
após o nascimento), segue o mesmo regulamento aplicado ao mohel.

9 – O enlutado pode ser solicitado a servir como sandac num berit após o terceiro dia, mas é considerado impróprio fazer este pedido a
ele. Uma pessoa de luto certamente terá sentimentos ambivalentes sobre aceitar esta honra.

10 – O enlutado deveria comparecer aos serviços congregacionais em Tishá Beav e Purim. Se um minyan e Rolos de Torá não estão
facilmente disponíveis, ele deveria também rezar com uma congregação no Shabat.

11 – Deve-se fazer todos os esforços para não deixar a casa de shiva até o terceiro dia – ou seja, (como explicado acima) a segunda
manhã após o enterro. Ele deveria fazer o possível para sair apenas após escurecer. Se isso não se provar prático, pode sair durante o
dia, mas deve proceder tão discretamente quanto possível. Não deve usar sapatos de couro, nem mesmo fora da casa, como se verá
mais abaixo. Se isso for impossível, deve colocar alguma terra ou areia em seus sapatos, causando-lhe desconforto como um constante
lembrete de que está de luto. Em todas as situações complicadas, obviamente, um rabino deve ser consultado.

"Sentar" shivá

É uma antiga tradição judaica que os enlutados, durante a shivá, não se sentem em cadeiras de altura normal. Até os tempos modernos
era costume sentar-se sobre a própria terra, um procedimento que demonstrava o afastamento da normalidade durante os primeiros
estágios do sofrimento. Assim, era expresso o sentimento de solidão que a pessoa sentia após seu ente querido ser enterrado na própria
terra sobre a qual ele se sentava. A Torá nos diz que quando Job sofreu uma sucessão de desastres, ele foi confortado por amigos que
se sentaram com ele "sobre a terra". Isso é, num sentido quase literal, um ajuste físico ao estado emocional da pessoa, abaixar o corpo
ao nível dos próprios sentimentos, uma encenação simbólica de remorso e desolação.

O enlutado atual senta-se "na terra", segundo a expressão bíblica, ao sentar-se próximo da terra num banco de madeira ou banquinho
de apoio para os pés, num capacho ou sobre algumas almofadas. O material que o enlutado escolhe para sentar-se é, na atual situação,
irrelevante. Não é o banco que é importante. Primeiramente, estipula a tradição, ele deve sentar-se num nível mais baixo que o assento
normal e se é ou não confortável não vem ao caso. Se ele desejar, pode colocar uma almofada sobre o banco. Dormir numa cama de
altura normal é permitido.

Listamos abaixo alguns detalhes sobre a tradição de sentar shivá:

1 – A pessoa não precisa "sentar" durante a shivá. Pode ficar de pé ou deitar. A tradição diz respeito apenas ao fato de que, quando o
enlutado se senta, deve fazê-lo sobre um assento mais baixo que o usual.

2 – Pessoas idosas, os fisicamente fracos, e mulheres grávidas podem sentar-se em cadeiras normais. No entanto, devem fazer um
esforço, se possível, para sentar-se num banco baixo quando chegam os visitantes que vieram confortar os enlutados. Este luto
demonstrativo é o aspecto mais importante da tradição de "sentar", e deveria ser levado muito a sério.
3 – O enlutado não precisa levantar-se de seu assento em respeito por qualquer visitante, mesmo que esse seja importante, um
renomado erudito ou uma personalidade pública.

4 – Se o enlutado deseja sentar-se na entrada da casa ou terraço, pode fazê-lo, desde que se sente num banco baixo.
A casa do enlutado
Acendimento da vela

1. Costuma-se acender uma vela que dure sete dias para elevar a alma do falecido, no quarto em que ele faleceu. Caso o falecimento
ocorreu no hospital ou em outro local onde não dá para acender lá a vela, esta deve ser acesa na casa onde morou, ou no local onde os
enlutados estão sentando Shivá.

2. Ao acender a vela deve se dizer que esta é para elevar a alma (leilui nishmat) de fulano filho de fulano (deve-se pronunciar os
nomes judaicos).

3. Mesmo quando a Shivá não dura sete dias (como por exemplo, se o falecimento ocorreu poucos dias antes de Yom Tov, já que Yom
Tov quebra o luto), a vela deve permanecer sete dias acesa, inclusive durante o Shabat e Yom Tov. Como também, mesmo que a shivá
só terá início após algum tempo (no caso que o enterro foi em Chol Hamoed, ou na semana após o casamento do enlutado por
exemplo), a vela deve ser acesa de imediato e durar até o final da Shivá.

4. Muitos costumam acender uma lamparina de azeite de oliva, já que esta tem preferência conforme a halachá. Outros costumam
acender uma vela de cera de abelha. No entanto serve também uma vela de parafina, ou, em último caso, também uma lâmpada
elétrica.

5. Conforme alguns costumes, deixam-se cinco velas acesas durante os sete dias de Shivá, e uma vela acesa até o final dos trinta dias,
ou até o final dos onze meses, ou ainda até o primeiro Yohrtzait.

Procedimentos da casa

6. De preferência, os enlutados devem sentar shivá na casa em que ocorreu o falecimento, ou pelo menos na casa onde morava o
falecido.

7. Costuma-se cobrir todos os espelhos da casa do enlutado(Há alguns motivos para isto: 1) Olhar no espelho traz alegria, e o enlutado
não deve se alegrar para não desviar a atenção do luto; 2)Já que se reza na casa, e é proibido rezar na frente do espelho; 3) Conforme o
Zohar, um mau espírito se reveste na face humana na casa dos enlutados, devendo por este motivo cobrir também as fotos). Muito
costumam também cobrir fotos de pessoas. Mesmo a casa que só é usada pelo enlutado para dormir, deve ter os espelhos cobertos.

8. Pode-se lavar e limpar a casa do enlutado e a louça, porém não se deve perfumá-las. Mas no caso que tem um mau cheiro, pode – se
borrifar um purificador de ambiente.

9. Tem idéias na halachá que não se deve tirar nada da casa do enlutado durante a shivá, se o falecimento ocorreu na mesma. Porém
não é este o costume geral.

10. Deve-se evitar de cumprimentar um companheiro na casa de um enlutado, como também, conversas vãs devem ser evitadas no
local.

11. A cama do falecido deve estar arrumada durante a shivá, porém ninguém deve dormir nesta cama durante este período, salvo em
caso de muita necessidade.

Procedimentos dos enlutados

12. Após o enterro, os enlutados podem comer carne e beber um pouco de vinho às refeições. Ao cortar o pão deve-se dar na mão do
enlutado. Pode-se participar de um zimun (Bênção especial que se recita antes do Bircat Hamazon (Bênção após comer uma refeição
com pão), quando é feito em grupo de mais de três pessoas.) porém tem aqueles que sustentam que deve evitar participar de uma
refeição com três pessoas para não ter de fazer o zimun.

13. O enlutado não deve falar demais, pois pode parecer que este se esqueceu de seu luto.

14. O enlutado não precisa levantar-se para ninguém, nem mesmo em honra de um sábio ou rabino. Caso ele levantou, não se deve
mandá-lo sentar. Porém ele deve levantar-se em honra ao Sefer Torá.

15. O enlutado não pode ficar sozinho durante os sete dias.

As orações na casa do enlutado


16. É uma Mitsvá rezar as três orações diárias com Minian na casa onde ocorreu o falecimento, ou onde ele morava, mesmo se não
têm enlutados. Isto traz um prazer para a alma. O enlutado completa minian, e de preferência ele deve ser o chazan no caso que o luto
é pelo pai ou mãe. Caso ele não tem condições ou conhecimentos para tal, deve pelo menos recitar o cadish dos enlutados e o cadish
derabanan. Porém em Rosh Chodesh, o enlutado não deve ser o Chazan, mas deve recitar o cadish.

17. Não se recita o tachanun (súplicas) na casa do enlutado, mesmo quando este não está presente, durante os sete dias.

18. Tem costumes que não se recita o trecho referente a bircat cohanim na casas do enlutado (elo-hênu ve-lohê avotênu barechenu) e o
trecho Titcabel do cadish, porém tem costumes de recitá-los.

19. Não se recita o halel em Rosh chodesh na casa do enlutado. Porém muitos costumam recitá-lo, sendo que o enlutado sai da sala
naquele momento.

20. Pode-se trazer um sêfer Torá para a casa do enlutado, porém costuma-se trazê-lo somente se for lido pelo menos três vezes. O
enlutado não deve ter uma aliya na Torá durante os sete dias.

21. Após a oração de shacharit e minchá costuma-se recitar o salmo 49, e posteriormente o cadish. Num dia que não se recita o
tachanun, este é substituído pelo salmo 16.

22. Costuma-se estudar Mishnaiot na casa do enlutado, principalmente aqueles capítulos que iniciam com as letras do nome do
falecido. Como também após cada oração costuma-se estudar o cap. 24 do tratado de Kelim, e o cap. 7 de Micvaot, principalmente as
últimas 4 mishnaiot que iniciam com as 4 letras da palavra neshamá (alma) – (Conforme o costume chabad, o enlutado recita umas
linhas do livro sagrado Tanya, após as mishnaiot antes do cadish, em cada uma das três orações diárias). Após as mishnaiot o enlutado
recita o cadish derabanan.

23. O enlutado não deve recitar Kidush Levaná, se até o fim da shivá não irá passar o prazo. No entanto, ele pode sair para recitar o
Bircat Hachamá.
Preces na Casa de Shivá
Por Maurice Lamm

É uma obrigação sagrada promover serviços diários durante a shivá na casa do falecido, não importa se a morte ocorreu ali ou em
outro local. Isso é feito para honrar o falecido e para demonstrar respeito pelos enlutados.

É importante fazer os serviços públicos na presença de um minyan, para que os enlutados observando shivá recitem o cadish, que
exige a presença de dez homens adultos. Nós, dessa maneira, demonstramos respeito pelos enlutados e honra pelo falecido.

Significativamente, no entanto, é considerado por muitos mais importante fazer os serviços na casa do falecido se ele não deixou
pessoas enlutadas, e quando o cadish não precisa ser recitado e a shivá não é observada. O Talmud (Shabat 152b) registra que Rabi
Yehuda, o Príncipe, reunia um minyan para acompanhá-lo numa visita de condolências à casa de alguém que morrera na vizinhança e
não deixara enlutados. Após a shivá, Rabi Yehuda via o falecido num sonho e ouvia dele que ficara confortado e sentindo-se melhor
por causa da presença do minyan. Portanto, se ocorrerem duas mortes numa comunidade que pode formar apenas um minyan, e um
dos falecidos deixou enlutados e o outro não, o serviço deve ser feito na casa do falecido que não é pranteado.

O Enlutado e o Minyan

1 – Se os enlutados podem conseguir emprestado um Sêfer Torá, devem fazê-lo, mas devem providenciar para ele um local limpo e de
honra na casa. Será lido a cada serviço às segundas-feiras, quintas e sábados (manhã ou tarde, quando os enlutados preferirem rezar
em casa).

2 – Os serviços não precisam ser feitos na casa se o falecido era uma criança com menos de um ano. Nos locais onde esses serviços
são realizados, no entanto, são feitos somente em homenagem ao falecido, para que possam permanecer em casa durante a shivá.

3 – O enlutado adulto é contado como parte do minyan.

4 – O enlutado pode liderar o serviço. Embora alguns costumes locais desencorajem isso, o peso de opiniões eruditas insiste em que o
enlutado o faça.

5 – Se não há como reunir um minyan, o enlutado deve sair da casa da shivá para comparecer aos serviços com a congregação, ou
deve rezar em casa? Embora exista controvérsia rabínica sobre esse ponto, muito depende do comprometimento do enlutado em
observar a shivá. Se o fato de sair de casa o tentará a engajar-se em outras atividades enquanto está fora, é melhor que não compareça
a serviços públicos. Se, no entanto, ele não abusa dessa concessão, o enlutado não deveria ser privado do privilégio de recitar o cadish
e rezar com um minyan.
No entanto, ele deveria primeiro fazer todos os esforços para assegurar um minyan em casa, tanto para o serviço matinal como para o
noturno. Se isso não for possível, o minyan deve ser assegurado pelo menos para um dos serviços, manhã ou noite, e ele pode então ir
à sinagoga para o outro serviço. Isso não ocorrendo, ele deve ter em mente as exigências de shivá, e ir à sinagoga mais próxima para
ambos os serviços, de manhã e à noite. Na sinagoga, ele não deve sentar-se em seu lugar costumeiro, como que indicando alguma
mudança em seu status pessoal durante o luto.

6 – [O enlutado não deverá colocar tefilin no primeiro dia de luto.]

Mudanças na Ordem do Serviço

Listamos a seguir diversas mudanças na ordem do serviço pertinentes ao minyan inteiro quando é feito na casa do enlutado.

Serviços diários

Tachanun não é recitado; ”el erech apayim”, “lamenatzeiach”, e “va'ani zot briti” não são recitados. “Titcabel”, na recitação completa
do cadish, não é recitado, segundo alguns usos. Muitos costumes locais exigem sua recitação.

“Hodu” antes dos serviços de minchá não devem ser recitados pelo enlutado. O serviço da véspera do Shabat deve começar com
“mizmor shir le'yom ha-shabat”, omitindo “lechu neranená” e os Salmos introdutórios. “Birchat me'en sheva” não é recitado. “Shalom
Aleichem” não deve ser recitado à mesa, mas zemirot, canções de Shabat, podem ser entoadas.

Serviços de Shacharit no Shabat

O enlutado não pode recitar uma aliyá (o chamado para recitar a bênção sobre a Torá). Nos dias de semana, ele deve recusar a honra
mesmo após ter sido chamado publicamente. No Shabat ele deve evitar receber a homenagem, embora seja um Cohen ou Levi, mas se
não houver outra pessoa disponível, ou se for chamado por engano, deve aceitar a honra. Sua recusa de uma aliyá no Shabat seria
considerada luto em público, o que é proibido. O enlutado deve ser chamado, no entanto, para levantar ou atar a Torá, ou para removê-
la e colocá-la novamente na Arca Sagrada, mesmo em dias de semana.

Se o enlutado esteve gravemente enfermo e se recuperou, pode recitar a bênção de gratidão, o “birchat ha'gomel”, antes de todo o
minyan, mas sem receber uma aliyá. “Av harachamim” é recitado neste serviço domiciliar.

Serviços de Minchá no Shabat

“Tzidkat'cha” é recitado, embora seja o equivalente a “Tachanun” que é omitido nos dias de semana, e” va'ani tefilati” é omitido.

Conclusão do Shabat

“Vi'yehi noam” não é recitado, segundo alguns costumes; “ve'yiten” deve ser recitado; a havdalá deve começar a partir das próprias
bênçãos, omitindo a introdução, “hinê”, se o próprio enlutado a recita.

Nas festas judaicas, se o enlutado é um Cohen, ele não deve participar na Bênção Sacerdotal, mas deixar o minyan antes de sua
recitação.

Hallel

O “Hallel” não é entoado na casa do enlutado porque fala de júbilo, que não combina com luto, e porque inclui a frase: "Os mortos
não devem Te louvar", considerada uma zombaria ao falecido quando é recitada durante a shivá na casa enlutada. Um consenso de
opinião rabínica observa as seguintes orientações com referência à recitação de “Hallel” na casa enlutada.

1 – Em Rosh Chôdesh: Se o serviço é feito na casa do falecido, o “Hallel” não deve ser recitado no serviço em si, mas os indivíduos
podem recitá-lo em suas próprias casas. Se é feito na casa do enlutado que não é a casa do falecido, o enlutado deveria se ausentar
enquanto o restante do minyan recita o “Hallel” .

2 – Em Chanucá e outros dias festivos: Todos os membros do minyan devem recitar o “Hallel” individualmente após o serviço, se
ainda não o fizeram. Da mesma forma, se o “Hallel” deve ser dito num feriado que coincide com o último dia de shivá (quando a shivá
termina com a conclusão dos serviços), não deveria ser recitado no serviço propriamente dito, mas todos devem recitá-lo mais tarde,
individualmente.

“Avinu malkenu”, durante os Dez Dias de Arrependimento, deve ser recitado.

O Salmo 49 é recitado em todo serviço matinal e noturno na casa do enlutado. Algumas tradições insistem que essa recitação seja feita
também após o serviço de minchá. Nos dias em que “Tachanun” não é recitado, o Salmo 17 é substituído às vezes. No Shabat, chol
hamoed e Purim este Salmo, também, é omitido.
As proibições durante a shivá
A proibição de lavar-se

Como os prazeres pessoais são negados ao enlutado em todas as suas outras atividades durante a shivá, também o enlutado não pode
banhar-se por prazer. A tradição do judeu sempre enfatizou a exigência urgente de lavar-se e nunca fez concessão à sua antiga
insistência na necessidade de total higiene. Porém os Sábios do Talmud entenderam que lavar-se era também praticado por conforto, e
isso não era consistente com o espírito do luto.

Tendo de julgar onde termina a limpeza e começa o conforto, os Sábios mantiveram que banhar o corpo inteiro e o uso de água quente
eram critérios de prazer, e não essenciais ao processo básico de limpeza. Embora proibissem lavar o corpo inteiro de uma vez, como
numa banheira ou chuveiro – e em água quente, eles permitiram lavar partes separadas do corpo, ou a cabeça e o rosto, em água fria.

1. É proibido lavar todo o corpo mesmo com água fria. Porém, as mãos, os pés, a face e outras partes do corpo, podem ser lavadas com
água fria, mas não com água quente. Como também, pode-se escovar os dentes normalmente durante a shivá.

2. Se a pessoa tem uma sujeira em uma parte do corpo, pode lavar o local até mesmo com água quente, porém somente o necessário
para limpar a sujeira. Como também pode lavar as partes do corpo que estão sujas com suor, como também pode passar um pano
úmido para limpar o suor. Pode-se também lavar a cabeça com água quente no caso de infestação de piolhos.

3. Uma pessoa que é extremamente delicada e se acostumou a banhar-se com frequência e a falta de um banho pode lhe fazer mal,
pode faze-lo mesmo durante a shivá se experimentar grave desconforto. Um rabino deverá ser consultado em como deverá proceder.

4. Um doente que teve prescrição médica de tomar um banho pode fazê-lo no meio da shivá. Assim também, uma parturiente no
primeiro mês após o parto, pode tomar um banho quente se necessário.

5. Uma mulher nidá, que deve fazer o hefsek tahará no meio da shivá, pode lavar o local com água quente. Como também, se a shivá
termina no shabat, e a mulher tem de ir ao micvê em motsae shabat (no termino do Shabat), pode-se banhar na sexta-feira no final da
tarde para fazer as preparações para o micvê se este é seu costume habitual. No entanto, é proibido à mulher ir ao micvê durante a
shivá.

6. É proibido ir a sauna durante a shivá, mesmo dentro de casa.

7. A principio o banho é proibido mesmo na véspera de shabat. Homens que costumam ir ao micvê toda sexta feira, devem perguntar a
um rabino como agir.

8. Crianças abaixo da idade de bar mitsvá podem ser lavadas, pois não são obrigadas a observar as leis de luto.

O uso de cosméticos

Assim como os enlutados devem abster-se de banhos, também devem, tanto homens como mulheres, abster-se do uso de óleos,
cosméticos ou sabonetes e perfumes, colônias ou cremes de cabelo, mesmo se forem usados em partes individuais do corpo ou do
cabelo. Cremes sobre seu corpo poderá ser usado somente se for uma exceção por motivos de saúde, conforme prescrição médica.
Ruge, pó, batom, máscara e esmalte de unhas também devem ser evitados, pois certamente são para propósitos cosméticos e não por
higiene.

9. É proibido ao enlutado, homem ou mulher, passar óleos, sabonete, perfume ou qualquer tipo de produto cosmético no corpo ou no
cabelo durante a shivá, por prazer ou higiene. No entanto, para limpar uma sujeira local, ou por motivos médicos, é permitido.

10. Uma mulher não pode usar qualquer tipo de maquiagem durante a shivá, com exceção de uma jovem solteira que já está na idade
de casar ou tratar-se de uma noiva prestes a se casar, e vai sair com seu futuro marido, se sente fortemente que os cosméticos são
necessários para a sua aparência, pode usá-los mesmo durante esse período de luto, desde que seja com moderação.

11. Uma mulher enlutada não deve usar qualquer tipo de jóia, com exceção à aliança do casamento. Uma mulher recém casada pode
usar jóias no primeiro mês de casamento.

A Proibição de Cortar o Cabelo

O Talmud, ao descrever a origem da proibição do corte de cabelo para o enlutado, cita a ordem de D'us aos filhos de Aharon, de que
eles não deveriam impedir os cabelos de crescer. Com uma análise do texto bíblico, aprendemos que essa proibição dura trinta dias.

Permitir o crescimento do cabelo é outra indicação do afastamento do enlutado da sociedade. É parte do padrão geral de esquecer-se
da própria aparência e cuidados, num período de grande perda pessoal. De fato, uma das principais características dos ermitãos dos
antigos naziritas, que foi uma rebelião espiritualmente inspirada contra os pecados da sociedade, foi o crescimento irrestrito do cabelo.
Isso expressava, evidentemente, uma rejeição da civilidade.
Similarmente, em nossos dias, muitos jovens, não menos espiritualmente inspirados, demonstram rebelião ao usar o cabelo
excessivamente longo. É, num certo sentido, um abandono, uma retirada, da sociedade que impele o enlutado a não cortar seu cabelo.

Embora o enlutado jamais seja solicitado a se tornar recluso – religiosa ou socialmente – mesmo assim ele se encontra num estado de
afastamento social. Não vai ao trabalho nem a festas; nem seque sai de casa. Não deseja ser incomodado com as amenidades sociais de
"alô" e "até logo". Permite que seu cabelo, barba e unhas cresçam num espírito de abandono. Está desolado pelas trágicas reviravoltas
da vida. Somente quando começa a emergir do desespero, quando parentes ou amigos começam a comentar sua aparência descuidada,
ele começa a arrumar-se novamente.

Nos tempos antigos, quando o costume normal da sociedade era todos os homens cultivarem longas barbas, o afastamento da
sociedade era simbolizado por barbear-se, como em Yirmiyáhu 41: "O povo veio de Shechem… com as faces barbeadas e roupas
alugadas."

Atualmente, na sociedade de barbas feitas, o enlutado se afasta deixando crescer o cabelo e a barba. Como se viu no capítulo sobre
higiene pessoal, porém, não se espera que o enlutado pareça descuidado e pode, portanto, pentear o cabelo segundo os padrões
mínimos aceitáveis da convivência social.

Desses princípios derivam as seguintes tradições:

1 – Quando em luto por parentes que não sejam os pais, cortes de cabelo não são permitidos até o final do período de 30 dias, o
sheloshim.

2 – De maneira ideal, aqueles de luto por um dos pais não devem cortar o cabelo durante doze meses. No entanto, a lei abre uma
brecha para o princípio de "reprovação social". Isso significa que aqueles de luto por um dos pais pode cortar o cabelo após 30 dias, ao
primeiro exemplo de crítica ou reprovação social, mesmo que branda, por parte de amigos ou vizinhos. Imediatamente após sua
reprovação social, o enlutado pode ter um corte de cabelo. Não pode fazê-lo até o 30º dia após o enterro, mesmo se for reprovado.

Esta censura não precisa ser articulada. Se o comprimento do cabelo é tão marcante que a pessoa pode ser caracterizada como
excêntrica, tem permissão de cortar o cabelo.
A proibição de usar sapatos de couro

12. É proibido o uso de sapatos de couro durante a shivá, porém é permitido o uso de calçados de pano, borracha, plástico ou madeira.

13. Mesmo um sapato que é feito de outro material, mas que tem algumas partes de couro, mesmo se só são detalhes, não devem ser
usados.

14. Se a pessoa tem que sair de casa por algum motivo permitido, e é difícil ir sem sapato de couro, pode usá-lo. Neste caso deve
colocar um pouco de terra dentro do sapato.

15. Alguns costumam tirar o sapato de couro já no cemitério logo após o enterro. Muitos costumam só tirar os sapatos ao chegar em
casa para iniciar o luto. (Este também foi o costume de vários tsadikim, inclusive dos rebeim de chabad)

16. Uma parturiente ou um doente que sentem frio nos pés, e não têm um sapato que não seja de couro, pode calçá-los durante o shivá.
Porém se tiverem um tênis ou galochas de borracha, não devem usar os sapatos de couro.

A proibição de manter relações conjugais

17. É proibido ao enlutado, homem ou mulher, ter relações maritais durante o shivá. Como também um casal não podem se beijar ou
abraçar e dormir na mesma cama durante a shivá de um dos cônjuges. Porém, as outras proibições que vigoram no período de nidá,
são permitidas durante o luto (se a mulher não está nidá).

A proibição de trabalhar

1. É proibido ao enlutado trabalhar durante a shivá (Baseado no versículo (Yirmiahu 31:12): “... e Eu transformarei vossas festas em
luto” . Deste versículo nossos sábios aprenderam que durante o luto é proibido trabalhar tal como nas festas. O principal motivo que
nossos sábios proibiram ao enlutado trabalhar é para não desviar a atenção do luto.) Até mesmo um pobre que se sustenta com
donativos é proibido trabalhar pelo menos nos três primeiros dias. A partir de então, se ele não tem o que comer, pode fazer um
trabalho em casa com total discrição.

2. O enlutado não pode também mandar alguém realizar um trabalho para ele, nem mesmo um não judeu. Por este motivo, os
empregados não podem fazer o serviço do patrão que está enlutado.

3. Os trabalhos de casa como cozinhar, varrer, lavar louça, lavar o chão, arrumar a casa e as camas, e tudo que é necessário ao
enlutado, ele pode fazer, como também outros podem fazer por ele. No entanto só é permitido fazer o que é estritamente necessário
para os dia do luto.

4. É permitido engraxar os sapatos durante o luto (para usá-los no shabat da semana do luto por exemplo, ou um sapato que não seja
de couro para usá-lo durante a shivá), porém não se deve lustrá-los.

5. Negócios são proibidos durante a shivá. Portanto, se o enlutado tem uma loja, fábrica ou qualquer outra empresa, deverá fechá-la
durante a shivá, mesmo se ele tem um sócio. Porém, em caso de muita perda, deve-se consultar um rabino para saber de que forma o
enlutado pode vender sua parte ao sócio durante a shivá permitindo-lhe manter a loja aberta. Neste caso porém ele deverá colocar uma
placa na loja ou empresa onde consta que durante estes dias esta não pertence ao enlutado.

6. O enlutado pode mandar alguém cobrar seus créditos, caso ele teme que posteriormente ele não terá como cobrá-las. Como também
ele pode mandar um advogado representá-lo na justiça se for necessário e inadiável.

7. É proibido escrever durante a shivá, salvo se for algo muito necessário e que não pode ser feito por outro. Como também é proibido
fazer nós fixos, como por ex. fazer os nós do tsitsit.

8. Se a empregada judia está de luto, ela pode fazer o trabalho de casa estritamente necessário.

9. Mesmo outras pessoas não podem fazer negócios ou outros trabalhos na casa do enlutado.

10. Se a pessoa necessita fazer um trabalho, que se deixar de fazê-lo irá perder muito dinheiro, deve consultar um rabino.

11. Um médico enlutado pode visitar seus pacientes se for necessário, como também um enlutado doente poderá ir ao médico.

12. Um empregado não pode ir trabalhar durante a shivá, nem fazer o trabalho em casa. No caso de ele poder perder o emprego, deve
consultar um rabino para saber como agir.

13. Não se deve visitar um enlutado que trabalha normalmente durante a shivá para consolá-lo.

A proibição de estudar Torá

1. Durante a shivá, é proibido ao enlutado estudar Torá, já que este estudo alegra os corações, como consta (Tehilim 19:9): “As ordens
Divinas são corretas e alegram os corações..”, e o enlutado é proibido de se alegrar. Por este motivo não pode estudar nenhum trecho
da Torá escrita, dos Profetas e Escrituras, bem como da Torá oral que são os livros da Mishná do Talmud, dos Midrashim, Halachot
(leis judaicas), etc.

2. No entanto, pode-se estudar trechos da Torá relacionados com desgraças ou luto, como os trechos do livro de Yirmiahu relacionado
com a destruição do Templo e do exílio; o livro de Yiov; o terceiro capítulo do tratado de Moed Catan que fala sobre luto; leis de luto,
porém sem se aprofundar nos mesmos, nem mesmo ensinar para outros.

3. Há legisladores que permitem o estudo de Cabalá e Chassidut. Como também pode se estudar palavras de mussar que despertam o
coração para teshuvá.

4. Um professor de crianças que não tem substituto a altura, pode ensinar seus alunos durante a shivá. O mesmo é válido a um
professor de adultos que seus alunos precisam dele. Como também, um rabino pode responder consultas de halachá se não tem outro a
sua altura, porém ele não pode fazer um Din Torá.

5. É permitido recitar os trechos de Torá que se encontram nas orações, como as porções que recitamos antes de Shacharit; o capítulo
de Mishná “Ezehu mekoman”; como também pode recitar Tehilim.

6. Mesmo os estudos diários que a pessoa estuda constantemente não pode estudá-los durante a shivá. No entanto, há quem permita
recitar os estudos diários sem se aprofundar, se assim o faz todos os dias (Conforme o costume chabad, aquele que recita diariamente
os trechos de Chumash, Tehilim e Tanya, pode fazê-lo durante a shivá.)

7. O enlutado não pode participar dos estudos de mishná realizados em sua casa em mérito ao falecido, mas ele pode ouvir sem prestar
muita atenção.

8. Não se deve escrever nestes dias Chidushei Torá, nem mesmo sobre leis de luto. Porém pode escrever para si alguns tópicos sobre
estas leis.

A proibição de cumprimentar

1. É proibido cumprimentar durante a Shivá. Nos primeiros três dias o enlutado não pode cumprimentar ninguém, e se alguém que
desconhece esta lei cumprimentá-lo deverá avisá-lo que está de luto e não pode responder. Do quarto dia em diante, também não pode
cumprimentar, mas se alguém cumprimentá-lo, pode responder o cumprimento.

2. O enlutado pode desejar “mazal tov”, como também responder “lechaim” e desejar sucesso, pois isto é uma bênção e não um
cumprimento. Como também pode-se desejar-lhe saúde e longa vida. Na hora de abençoá-lo pode-se também dar a mão.

3. O enlutado pode falar ao público que veio consolá-lo: “Vão para casa em paz”.

4. Não se pode dar um presente a um enlutado, nem mesmo um livro, pois isto é considerado um cumprimento. No entanto, pode-se
mandar um presente a um pobre, já que isto é considerado tsedacá.

A proibição de sair de casa

1. O enlutado não pode sair da porta de sua casa durante os sete dias de luto, nem para cumprir uma mitsvá, como por exemplo, para
participar de um enterro. Até mesmo passear no próprio quintal é proibido.

2. Se durante a shivá faleceu outro parente que ele tem que se enlutar por ele, o enlutado pode participar de seu enterro. Como também
se tem um enterro na cidade que não tem pessoas suficientes para acompanhá-lo, ele pode fazê-lo.

3. O enlutado pode viajar para a cidade que seus parentes estão sentados shivá, para estar junto deles. Porém se ele veio de longe
acompanhar o enterro de seu parente, e a família senta shivá no local, ele não deve retornar para casa, salvo por extrema necessidade,
pois não deve viajar no meio da shivá, e também é correto todos os enlutados sentarem shivá juntos.

4. O correto seria não sair de casa nem para rezar com minyan. Por este motivo deve se organizar um minyan na casa do enlutado para
que ele possa recitar o cadish bem como ser o chazan. Porém, em último caso, se não há minyan na casa do enlutado, costuma-se
permitir a ele ir rezar na sinagoga para não perder o cadish.

5. Mesmo se existe uma sinagoga no prédio do enlutado, este de preferência deve rezar em sua própria casa.

6. Não se deve ir à varanda durante a shivá para dar uma volta, somente se esta é fechada. Como também, não se deve sair nem para a
escadaria e corredor do prédio.

7. Se não há condições de dormir na casa onde está sentando shivá, o enlutado pode ir para casa dormir de noite, num horário que já
não tem muitas pessoas na rua, e voltar antes do amanhecer, quando ainda não tem pessoas na rua.. Neste caso ele deve estar
acompanhado de alguém, e de preferência deve ir de carro. Se não tem outro motorista, o próprio enlutado pode dirigir o carro. Porém,
durante o dia não deve ir para casa, somente em caso de extrema necessidade, como por exemplo, um idoso ou um doente.

8. Uma mulher que está amamentando, pode ir para casa no meio do dia para amamentar seu filho, se não há possibilidade de trazer a
criança para a casa onde se encontra. Também neste caso deve ir de carro de preferência, e acompanhada.

9. É proibido passear, mesmo durante a noite quando não tem ninguém na rua.

10. É proibido viajar no meio da shivá para outra cidade, mesmo que necessite estar lá logo após a shivá, salvo se for para o casamento
do(a) filho(a). Em outro caso de extrema necessidade, um rabino deve ser consultado.

11. É permitido ao enlutado sair de casa para participar do Brit Milá de seu próprio filho. Como também o sandac e o mohel que estão
enlutados podem ir ao brit milá, após o terceiro dia. Porém nos três primeiros dias devem consultar um rabino.

As leis referentes às roupas

1. É proibido ao enlutado lavar e passar roupas, nem suas próprias nem de outros, mesmo para usá-las após a shivá. Como também,
outra pessoa não pode lavar suas roupas, nem mesmo um não judeu, nem mesmo em outra casa. No entanto, se ele mandou sua roupa
ao tintureiro antes do inicio do luto, pode-se lavá-las em outra casa.

2. Roupa de crianças muito pequenas, que sujam constantemente, o enlutado pode lavar. Porém, de preferência, deve usar a máquina
de lavar e não lavá-las à mão.

3. Pessoas não enlutadas, que moram na casa do enlutado, podem lavar suas roupas em casa.

4. É proibido ao enlutado vestir roupas limpas, mesmo que foram lavadas antes do inicio do luto. Também lençóis, toalhas de mão e
de mesa do enlutado não podem ser lavados e nem usar os que tiverem sido lavados antes.

5. Pode-se trocar meias e roupas íntimas. Demais roupas que sujaram ou ficaram com mau cheiro de suor, não devem ser trocadas,
porem há quem permita trocar por roupas que outra pessoa usou anteriormente por algum tempo.
6. O enlutado pelo pai ou mãe que trocou de camisa ou paletó (por outros não lavados) durante a shivá, deve rasgar os mesmos
conforme as leis da keriá .

7. A proibição de cortar cabelo e unhas

8. É proibido ao enlutado cortar cabelo, barba, bigode ou qualquer pelo do corpo durante a shivá.

9. Se ouviu a notícia no meio do corte de cabelo, pode terminar o corte. Tanto se o enlutado é o barbeiro, tanto se estão cortando seu
cabelo.

10. Pode-se pentear o cabelo, mesmo que o pente arrancar alguns fios. Alguns costumam proibir aos homens pentear o cabelo, mas no
caso de piolhos todos permitem.

11. Também é proibido cortar as unhas durante a shivá com tesoura ou cortador. Porém, pode-se roê-las ou cortar com a própria mão.
Pode-se também cortar o inicio com a tesoura e o resto puxar com a mão.

A proibição de sentar em cadeiras

1. É proibido ao enlutado sentar em cadeiras, sofás, pufes ou almofadas durante a shivá. Porém, não costuma-se sentar diretamente no
chão, mas deve colocar uma toalha sobre o chão e sentar sobre ela. Como também pode sentar sobre uma cadeira pequena com menos
de 32 cm de altura. Pode sentar-se também sobre um degrau ou uma saliência da construção da casa, mesmo acima de 32 cm do chão.

2. Atualmente não costumamos dormir no chão como consta na halachá, podendo dormir normalmente sobre a cama. No entanto,
costuma-se diminuir um pouquinho no conforto da cama (um travesseiro a menos por exemplo).

3. Pode-se apoiar num sofá ou numa cadeira sem sentar nas mesmas.

4. Ao comer, pode sentar em uma cadeira baixa, mesmo se tem mais de 32 cm. Como também, uma pessoa doente, fraca ou idosa,
bem como uma mulher ao amamentar o filho, podem sentar em cadeiras altas.

A proibição de participar de festas

1. É proibido ao enlutado participar de festas ou refeições festivas durante o período de shivá, mesmo se esta é realizada em sua casa,
salvo nos casos especiais citados a seguir.

2. É proibido ao enlutado escutar instrumentos musicais, muito menos tocá-los. Não se deve ouvir musica também de discos, fitas,
radio e demais aparelhos.

Brit Milá

3. Caso o Brit Milá de seu filho é realizado nos dias de shivá, é permitido ao enlutado trocar suas roupas por roupas festivas ou de
shabat. Conforme algumas idéias pode também calçar sapatos de couro. Pode ir a sinagoga para rezar e lá permanecer até após o Brit
Milá. Pode também participar da refeição do Brit Milá se esta é feita em sua casa, porém não deve sentar à mesa. Todas estas leis são
válidas mesmo quando o Brit é realizado após o oitavo dia. Em nenhum caso é permitido atrasar o Brit Milá para ser realizado após a
shivá.

4. Não se deve realizar a refeição da noite anterior ao Brit (chamada de vach nacht) na casa do enlutado, porém pode-se convidar 10
pessoas para recitar as orações especiais desta noite.

5. É permitido ao enlutado ser sandac, sendo que neste caso pode ir ao local onde é realizado o Brit. Neste caso é proibido vestir
roupas festivas e calçar sapatos de couro.

6. Não se pode honrar o enlutado para ser Kvater (aquele que traz a criança para o local do Brit), salvo se o Brit Milá é realizado em
sua casa.

7. Um enlutado que é Mohel, pode realizar um Brit Milá após os três primeiros dias de luto, se este é realizado fora de sua casa; e até
mesmo nos primeiros dias se este é realizado em sua casa. Caso não tenha outro Mohel tão bom como ele, ou se os pais fazem questão
que ele seja o Mohel por qualquer motivo, pode fazer o Brit mesmo nos primeiros dias fora de casa. Em todos estes casos porém, não
pode vestir roupas festivas, nem usar sapato de couro.

Pidyon Haben

8. É permitido ao pai ou a mãe enlutado participar do pidyon haben de seu filho. Neste caso podem vestir roupas festivas e, conforme
algumas idéias, usar sapatos de couro. Como também, podem participar da refeição festiva se esta é realizada em sua casa.

9. A principio não se escolhe um Cohen que está de luto em shivá para realizar o pidyon haben, salvo se ele é o único disponível, ou
após o terceiro dia de luto. Neste caso ele pode sair de casa para ir ao local do pidyon, mas não pode usar roupas de festa nem sapatos
de couro.

Casamento

10. É permitido aos pais do noivo ou noiva que estão de luto em shivá, participar da chupá de seu(sua) filho(a), no entanto eles não
podem comer na festa. Conforme algumas idéias isto também é válido para os avós, mas não para outros parentes.
Fim do período de shivá
Assim como no começo da shivá, a tradição considera "uma porção do dia como um dia inteiro", portanto na sua conclusão a shivá
termina pela manhã, embora seja somente uma porção do sétimo dia.

Assim, se o enterro foi na terça-feira antes do escurecer, a shivá termina na manhã da segunda-feira. O enlutado deve esperar, no
entanto, até depois do serviço matinal. Ele então recebe consolo e se levanta.Há o costume de alguém acompanhá-lo e dar uma volta
no quarteirão ou alguns passos marcando o final deste período de luto.

Se o enterro ocorreu no domingo, a shivá tecnicamente deveria terminar na manhã do Shabat após os serviços. Assim, também, o
enlutado não deve aceitar uma honra de Torá senão até o final do serviço da tarde do Shabat. No entanto, as observâncias públicas de
shivá terminam na sexta-feira, antes do início do Shabat.

Muitos seguem o costume de ter todos os enlutados caminhando juntos por uma curta distância. Isso simboliza o retorno à sociedade
da qual o enlutado tinha se afastado.
Shloshim – os 30 dias
Computando o período de 30 dias – sheloshim

Os seguintes princípios são usados para contar o período de trinta dias:

1 – A contagem começa a partir da data do enterro, não na data da morte.


2 - Dias parciais são considerados dias inteiros (o mesmo que ocorre com a shivá)
3 – Sheloshim termina após os serviços matinais no 30º dia após o enterro.

O enlutado poderá viajar para o exterior a negócios. A mulher enlutada solteira estará proibida de usar cosméticos, mas a casada
poderá usá-lo após os sete primeiros dias de luto e a solteira em idade de casar ou à recém-casada é permitido usá-lo, mesmo durante
os sete primeiros dias de luto.
O enlutado poderá cumprimentar as pessoas normalmente, porém os outros não deverão cumprimentá-lo durante os trinta dias.
Não deverá receber presentes.
Não se usa roupas novas durante este período.

Determinadas leis de luto continuam após os sete dias, até o final dos primeiros trinta dias. Estas incluem a proibição de:

• Banhar-se, lavagem de roupas e vestir roupas recém-lavadas (sem que primeiro alguém as tenha vestido).
• Cortes de cabelo ou barbear para homens (mulheres podem cortar o cabelo após shiva).
• Cortar as unhas por intermédio de um utensílio.
• Casar-se.
• Comparecer a festas.
• Não se pode viajar para longe em viagens de negócios que tragam alegria à pessoa.
• Quando o luto é pelos pais da pessoa, existem restrições que se aplicam até o final de doze meses.
• Depois de sete dias, o enlutado pode calçar sapatos de couro, sentar-se normalmente em cadeiras, recomeçar as relações conjugais,
voltar ao trabalho e recomeçar o estudo normal de Torá.
• Pode cumprimentar as pessoas, mas os outros não podem cumprimentá-lo. Se o fizerem, ele pode devolver o cumprimento
• Não pode comparecer a um casamento, ou a uma refeição de bar mitsvá ou brit-milá, ou qualquer celebração semelhante.
• Este período termina ao alvorecer da manhã do trigésimo dia.
Um ano
Os 12 meses
O período de 12 meses conclui integralmente o luto para quem perdeu os pais, assim como 30 dias concluem o luto por outros
parentes. Deve-se notar que a contagem dos 12 meses não segue as regras usadas na contagem de shivá e shloshim.

Veja as diferenças a seguir:

1 – Ao contar os 12 meses não seguimos o princípio de que uma porção do dia é igual a um dia completo e que, portanto, uma porção
do mês é igual a um mês inteiro. Devemos contar os doze meses completos.
2 – A contagem dos 12 meses começa a partir do dia da morte, não como na contagem de shivá, a partir do dia do enterro. Assim,
alguém que faleceu no primeiro dia do mês hebraico de Tevet é pranteado até o final do primeiro dia de Tevet do ano seguinte. Se a
morte ocorreu no segundo dia, o luto inclui o segundo dia do ano seguinte, e assim por diante.

3 – A duração das observâncias do luto são de 12 meses. Assim, num ano bissexto, quando o Calendário Judaico acrescenta um mês
inteiro, chamado Adar Sheni, somente 12 meses são observados, mas não o décimo terceiro que é acrescentado para tornar o ano
bissexto. Isso se aplica a todas as observâncias do luto, exceto para o cadish, que é recitado somente até os 11 meses.

Relação das Leis e Costumes para um ano

1 – O corte de cabelo, tecnicamente proibido por 12 meses, é permitido quando ocorrer reprovação social, isto é, criticarem seu
comprimento ou sua aparência, após o shloshim, como indicado acima.

2– Da mesma forma, usar roupas novas é permitido no caso de "reprovação social" após o shloshim, e após ter sido usada por um
curto período de tempo por outras pessoas, embora tecnicamente seja um período de observância de 12 meses.

3 – O enlutado deve mudar seu assento usual na sinagoga na hora da prece. No Shabat ele pode sentar no lugar de costume.

4 – O enlutado deveria, em geral, prestar atenção a questões educativas, de caridade e religiosas pois estas, dizem os Sábios, são os
tributos mais eloqüentes aos ensinamentos do parente falecido. Assim, é costume que o enlutado estude uma porção de Torá antes ou
após os serviços diários. Ele deveria também aprender a liderar todo, ou parte, dos serviços da congregação.

5 – Não deverá receber presentes se estiver de luto por seus pais, mas poderá recebê-los caso esteja de luto por outros parentes.

6 – Luto pela perda de um dos pais continua, até o final de doze meses. A obrigação dos filhos para com os pais é expandida por causa
do mandamento na Tora: "Honra teu pai e tua mãe", que aplica-se mesmo após o falecimento deles.

7 – Ele não pode comparecer a um evento onde haja música. Pode comparecer a um brit milá ou a um serviço pidyon haben, mas não
à refeição de comemoração. Casamentos e outras festas, somente poderão participar ao término deste período, caso esteja de luto por
seus pais.

8 – Após a recitação do cadish pelo período de 11 meses e o fim do período de luto de um ano, a memória do falecido deverá ser
santificada com prece, tehilim e recitação do Cadish durante todos os anos de seu Yahrtzeit, (data do aniversário de seu falecimento)
bem como acendendo-se uma chama dedicada à sua memória.

9 – O estudo da Torá e a realização de obras beneficentes em nome da pessoa falecida enaltecem sua neshamá, (alma judia) e é o
maior tributo que se pode prestar à sua memória e à ascenção de sua alma aos vários estágios que atinge nos céus a cada ano, após seu
falecimento.
Ocasiões festivas durante o luto
A observância que mais afeta a vida diária do enlutado durante o período de 12 meses é a completa abstenção de festas e festividades,
tanto públicas quanto privadas. Participar dessas reuniões simplesmente não é consonante com a depressão e contrição experimentada
pelo enlutado. Chega às raias do absurdo o enlutado dançar com animação enquanto seu parente jaz morto num túmulo recente.
Assim, os Sábios decretaram que embora o completo afastamento das atividades normais da sociedade dure apenas uma semana,
afastamento de ocasiões sociais festivas dura 30 dias em luto por outros parentes, e um ano (12 meses hebraicos) quando em luto pelos
pais. A alegria, em termos da tradição do luto, está associada em grande parte com eventos sociais públicos do que com satisfações
pessoais.

A definição de júbilo

A dificuldade aqui, no entanto, é qual ocasião social deve ser definida como alegre, e portanto proibida ao enlutado. Existem, por um
lado, reuniões sociais como festas, reuniões entre amigos, encontros da comunidade, viagens de recreio e cruzeiros, reuniões de
negócios, eventos na sinagoga, e assim por diante. Por outro lado, há as celebrações religiosas, como brit milá, bar mitsvá e
casamentos. Quais são considerados "alegres" em termos da tradição do luto? Quais critérios são usados para avaliar a determinação?

Os Sábios, através dos séculos, estabeleceram critérios gerais de ocasiões "alegres". A primeira consideração foi se a festa era
religiosa ou social. Nesse ponto os grandes Sábios estavam divididos. A maioria, e a atitude prevalecente, foi que apenas o
"verdadeiro júbilo" era proibido. O verdadeiro júbilo é aquele que vai até o âmago da pessoa, sua relação interior com D'us e com sua
família. Isso é o que o Talmud tinha em mente quando proibiu o enlutado de entrar num salão para participar do jantar de gala de um
casamento. A ocasião que celebra o cumprimento de uma mitsvá, como um casamento ou bar mitsvá, desperta verdadeiro júbilo no
coração da pessoa, e isso o enlutado não tem permissão de sentir.

O estabelecimento desse critério está longe de ser arbitrário. Em vez disso, é uma conseqüência do conceito espiritual judaico sobre o
mundo. O homem encontra genuína felicidade no cumprimento de suas obrigações para com D'us. Sua profunda satisfação não vem
das distrações da mídia de entretenimento e das frivolidades superficiais de agora, dos jogos e concursos da sociedade. É verdade que
reuniões de amigos e colegas proporcionam uma alegria positiva e incontestável, e muitos são os louvores oferecidos pelos Sábios à
camaradagem característica de ocasiões sociais amigáveis. Porém o deleite que é derivado não é tão profundo como o júbilo
verdadeiro da ocasião religiosa.

Assim, esses eruditos afirmaram que a proibição básica era a simchá shel mitsvá, a celebração religiosa, e o arquétipo dessa
festividade realmente feliz era a cerimônia de casamento e o banquete. Apenas secundariamente a ocasião social foi proibida.

Uma opinião minoritária, apoiada por alguns dos mais estimados pensadores na vida judaica, afirmava que a tradição proibia
basicamente a simchat mera'im, as alegrias puramente sociais, as diversões entre amigos, e a rodada de festas que geralmente marcam
a vida. Qualquer ocasião celebrando a observância de um mandamento certamente não poderia ser proibida ao enlutado que deseja
observar o mandamento!

Estas alegrias podem prejudicar o espírito do enlutado? Podem trazer vergonha ao falecido? Pode-se dizer que a participação em
festividades religiosas familiares afastam a mente da pessoa dos mortos?

Judeus engajados, ansiosos para cumprir a lei, para honrar seus pais, e relativamente despreocupados com o número de eventos a que
comparecem durante o ano, mantêm ambas as opiniões, e evitam tanto as festividades sociais quanto as religiosas, como regra geral.
Exceções a esse costume foram enumeradas.

Outros critérios óbvios do que constitui júbilo foram estabelecidos. A música, especialmente para dançar, geralmente desfrutada na
companhia de outros, é um evidente sinal de alegria. Outro critério é um jantar festivo; um suntuoso jantar de celebração é uma
ocasião festiva. Há momentos, como uma recepção de casamento ou num cruzeiro a passeio, quando simplesmente estar num salão
para jantar e danças, sem participar em nenhum dos dois, não é permitido ao enlutado. É um espírito de reunião pública que deve ser
evitado. Deve-se notar que o júbilo proibido ao enlutado é comensurado com o grau e período do luto, e também com o parentesco
com o falecido.

Assim:
1 – Durante a shivá o enlutado deve se abster de fazer as coisas que possam evocar alegria, como a recitação de determinados
versículos do livro de preces, ou brincar em demasia com os filhos, ou até engajar-se em discussões animadas com os visitantes na
casa enlutada. Estas são consideradas s'chok, amenidades, impróprias ao enlutado e proibidas durante todos os estágios de luto.
Cohelet diz: "Há um tempo para chorar (bechi) e um tempo para rir (s'chok)." Como o luto é certamente o tempo para chorar, o riso
excessivo não é permitido.

2 – Antes do shloshim, que finaliza a observância de luto para aqueles enlutados por parentes que não sejam os pais, reuniões
religiosas e sociais sob circunstâncias normais são proibidas. Após o shloshim, todas as festividades estão permitidas aos enlutados.

3 – Para aqueles em luto pelos próprios pais, o período de shloshim exige uma abstenção mais intensa do júbilo que os meses
remanescentes do ano. Por exemplo, os enlutados podem comparecer a uma festa de bar mitsvá (obviamente todos podem ir ao serviço
na sinagoga) durante shloshim (após shivá) juntos, desde que evitem escutar a música instrumental e participar no jantar com os
celebrantes. Após shloshim, e para o balanço do ano, porém, eles podem participar plenamente do jantar se o bar mitsvando fala sobre
algum tema de Torá, tornando a celebração uma função realmente religiosa.

A seguir damos alguns detalhes da lei que deriva desses conceitos. Em situações difíceis deve-se discutir estes detalhes com o rabino,
para que ele possa decidir qualquer questão da Lei. Damos a seguir algumas orientações sobre a regra e suas exceções, na proibição de
comparecer a ocasiões festivas durante o luto.

Reuniões sociais e de negócios

1 – Encontros de negócios da comunidade, como reuniões da sinagoga ou organização fraternal, são permitidos ao enlutado após
shivá.

2 – Jantares sociais, mesmo que não haja música, mesmo quando promovidos para causas de caridade, não devem ser freqüentados
por enlutados pelos pais durante 12 meses, e outros enlutados por 30 dias.

3 – Cruzeiros recreativos e turismo em grupo de certa forma são semelhantes a jantares sociais aos olhos da Lei, embora as refeições
sejam feitas privadamente. Estes são considerados verdadeiros "passeios" e devem ser desencorajados pelo menos durante os 30 dias.

4 – Festas em residências também devem ser desencorajadas ao enlutado pelos pais durante 12 meses, e outros enlutados por 30 dias,
embora não seja servida uma refeição completa. Não há restrições sobre reuniões com uns poucos amigos de cada vez. O importante a
ser lembrado é que esses eventos não devem se transformar em "ocasiões sociais". Receber amigos tudo bem, mas festividades não
são apropriadas.

5 – Festas de negócios, onde alegria e farra são comuns, e realizações comerciais são a meta, devem ser evitadas durante todo o
período de luto. Se a ausência nesses eventos pode causar perda financeira, deve-se consultar um rabino. Convenções de negócios são,
similarmente, algo a se evitar em situações normais. No entanto, se o comparecimento for obrigatório, ou economicamente benéfico, o
enlutado pode ir mas deve se retirar durante os períodos de música e dança. Deve fazer as refeições privadamente ou com amigos, a
menos que o objetivo da reunião seja puramente de negócios, quando então ele pode jantar com a convenção, após o período de
shloshim.

6 – Músicos profissionais que extraem todo, ou parte do próprio sustento tocando em ocasiões festivas, podem fazê-lo após a shivá,
pois não estão tocando por alegria. Se forem financeiramente sustentáveis, devem evitar tocar durante o shloshim.

7 – Ir a óperas e concertos, teatros e cinemas deve ser desencorajado. Ouvir rádio ou assistir à TV depende dos critérios de júbilo
acima. Geralmente, eventos esportivos e transmissões via rádio ou TV sobre notícias e esportes são permitidos.

Celebrações Religiosas

Brit Milá

• O enlutado que acaba de tornar-se pai pode comparecer ao brit milá do filho, mesmo que seja no primeiro dia após o enterro. Pode ir
vestido com roupas de Shabat. Pode ajudar a preparar e comer a refeição festiva, até (talvez de preferência) em sua própria casa. Se
não for na sua casa, pode se deslocar até o local do brit milá. Porém, logo após o brit milá, ele deve regressar e continuar a shivá na
casa enlutada.

• O mohel, se não houver outro competente que esteja disponível, pode realizar o brit milá, mesmo durante sua shivá. Ele não deve
participar da refeição festiva durante o shloshim se estiver de luto por um dos pais, porém pode fazê-lo (após shivá) se estiver de luto
por outros parentes.

• O sandak (enlutado) pode comparecer ao brit milá, mas não deve participar da refeição festiva durante a shivá, como o mohel. Pode
calçar sapatos e vestir-se para a ocasião. No entanto, não é considerado inteiramente adequado convidar um enlutado para ser o
sandak.

PIdyon Ha'ben

As leis de pidyon ha'ben são semelhantes àquelas do brit milá. O Cohen, nesse exemplo, pode realizar esse procedimento, como no
caso do mohel.

Bar mitsvá

Um pai enlutado pode preparar a festa de bar mitsvá mesmo durante shloshim, desde que seja após a shivá. Ele não deveria, porém,
fazer a refeição com os convidados. Pode comer em outro aposento, e socializar com os convidados durante a refeição propriamente
dita, sem música.

Um pai nessa situação pode vestir-se para a ocasião. O próprio bar mitsvando, se estiver de luto por um dos pais, pode vestir suas
melhores roupas. A cerimônia religiosa do bar mitsvá não é cancelada mesmo que o rapazinho esteja de luto. Todos os enlutados,
sejam ou não parentes do bar mitsvando, podem comparecer à celebração durante o shloshim, mas devem evitar o jantar ou ouvir
música. Após shloshim, o enlutado pelos pais pode participar da refeição se o celebrante falar sobre tópicos de Torá, indicando assim
que é uma simchá shel mitsvá, uma ocasião religiosa.

A cerimônia de casamento

1 – Se a cerimônia acontece num salão ou local semelhante onde haja música, a regra geral é que os enlutados pelos pais não devem
comparecer durante 12 meses, e por outros parentes por 30 dias.

2 – No próprio salão do buffet, se não houver orquestra presente, enlutados pelos pais podem comparecer após shloshim.

3 – Se o casamento for numa sinagoga, onde costumeiramente há apenas música vocal mas não instrumental, o enlutado pelos pais
pode comparecer após a shivá. Após shloshim, nesse caso, o enlutado pelos pais pode até participar na recitação das bênçãos na
cerimônia e vestir-se para a ocasião. Se houver música instrumental ele não pode comparecer pelo menos até o fim do ano.

4 – Se o enlutado (mesmo pelos pais) for o décimo no minyan, e não houver mais homens disponíveis para constituir o quorum, ele
pode comparecer ao casamento e fazer a refeição, mesmo durante o shloshim.

5 – Se a ausência do enlutado causará um adiamento na data do casamento, e houver a possibilidade de que o adiamento possa fazer
com que um dos noivos desista do casamento, o enlutado pode comparecer a qualquer tempo e sob quaisquer condições.

6 – Se o rabino está de luto, pode oficiar um casamento após shivá, mas deve evitar ouvir música.
7 – Quando enlutados vão a essas ocasiões quando isso normalmente não seria permitido, eles devem realizar alguma função útil:

a – Parentes que comparecem após shivá (durante shloshim), devem atuar como anfitriões ou ajudantes na cerimônia, mesmo que não
estejam de luto pelos pais, Estes enlutados, obviamente, podem comparecer após shloshim sem esta exigência.

b – Amigos íntimos do celebrante que estejam de luto não devem comparecer à cerimônia durante shloshim. No entanto, se eles
sentirem que sua ausência causará remorso ou sofrimento aos noivos, podem comparecer como assistentes antes da cerimônia. Após
shloshim, se estão de luto pelos pais, estes amigos podem comparecer se ajudarem antes da cerimônia.

O Jantar

Jantar festivo com amigos e parentes cai exatamente na categoria de simchá, júbilo, e deve ser evitado pelo enlutado durante 12 meses
quando em luto pelos pais, e 30 dias em luto por outros parentes. Em circunstâncias prementes, os enlutados devem agir conforme
explicado a seguir:

1 – Pai e mãe, irmão e irmã, e filhos da noiva ou do noivo, podem comparecer à cerimônia e participar do jantar durante shloshim
mesmo se estiverem de luto pelos pais. Devem, no entanto, ser de alguma ajuda na preparação ou serviço da refeição, ou servindo
bebidas e assim por diante.

2 – Outros parentes do casal podem ir à recepção do casamento após shloshim, se estiverem de luto pelos pais, (outros enlutados após
a shivá) mas devem ajudar a servir.

Siyyum Masechet

Na conclusão de um tratado do Talmud uma celebração (siyyum masechet) geralmente é feita (como aquela à qual comparece o
primogênito que, caso contrário, teria de jejuar antes de Pêssach). Estas celebrações podem ser freqüentadas por enlutados, e eles
podem participar da refeição em seguida ao discurso talmúdico. A refeição festiva em Chanucá e na inauguração de uma casa estão na
mesma categoria, desde que haja um caráter de celebração religiosa com um divrei Torá ou canções entoadas em louvor a D'us.

Festividades no Shabat

O Shabat é um dia no qual é evitado luto em público (embora as proibições do luto pessoal estejam valendo).

A pessoa pode comparecer a uma reunião pública festiva no Shabat?

A regra geral é que o Shabat apenas acrescenta à simchá que coincide com ele, e portanto isso deve torná-la duplamente proibitiva. Ao
mesmo tempo, porém, se a comunidade normalmente esperaria que o enlutado comparecesse, sua ausência pareceria luto público,
seria permitido no Shabat.

Os procedimentos a seguir, portanto, devem ser adotados:

Festejos pós-casamento (sheva brachot) feitos a cada noite durante sete dias depois do casamento, não devem ser freqüentados nem
mesmo no Shabat até depois de shloshim por enlutados pelos pais, e após a shivá por outros enlutados. O mesmo é verdadeiro para
brit milá, shalom zachar (celebrado na primeira sexta-feira à noite após o nascimento de um filho), e para uma mãe retornando à
sinagoga pela primeira vez após o nascimento do filho, se costumeiramente é dada uma festa em sua homenagem.

No entanto, o acima é feito para amigos e parentes distantes do celebrante. Parentes próximos da família imediata e indivíduos
proeminentes, dos quais geralmente se espera o comparecimento, podem ir a essas celebrações e participar da refeição. Sua ausência
seria claramente uma indicação de luto em público, que é proibido no Shabat.

O Enlutado e Casamentos

Para os parentes, amigos e pessoas que desejam o bem, a alegria no casamento é definida em termos materiais, como jantar e danças.
Assim, o enlutado pode ir à cerimônia se não houver música e se ele não participar do banquete. Porém para o casal que está se
casando, comida e música são secundários, meramente um acompanhamento para o importante momento sob a chpá. Para eles a
definição de júbilo é o vínculo pessoal e espiritual que os une. Mesmo que o casamento fosse destituído dos enfeites materiais, dos
sorrisos e adornos, e somente o casal, as testemunhas, o minyan e o rabino estivessem presentes, a cerimônia ainda seria o máximo da
alegria.

O som empolgante do mazal tov, a beleza das flores e da música teriam ido embora, mas a essência permaneceria pela vida toda.
Portanto, para o enlutado, o casamento deveria ser proibido. Mas esta não é uma questão fácil. A pessoa pode se abster de celebrações
e música por um ano, mas o casamento é o próprio tecido da vida, e a vida inevitavelmente deve continuar. E portanto todos os
enlutados, seja pelos pais ou por outros parentes, embora estejam proibidos de casar-se durante a shivá, tinham permissão de casar-se
após o shloshim.
O casamento pode ser celebrado na presença de todos os amigos, abundância material, beleza, música e alegria. Pois é, afinal, a festa
das festas e, portanto, barbear-se, cortar o cabelo, lavar-se e vestir-se da melhor maneira são permitidos.

As leis relativas ao casamento afirmavam a necessidade de a vida continuar e ser vivida plenamente, mas também consideravam que,
mesmo assim, um parente próximo acaba de perder a vida. A gloriosa união do casamento e a grave perda da morte são dois
contrastes, e a tradição entendia a necessidade de ambos.

A seguir temos as leis que surgiram desse entendimento da necessidade humana no momento raro da coincidência de tamanhos
opostos na vida.

1 – Quando o casamento pode ocorrer:

a – Os enlutados não devem se casar durante shloshim, e certamente não durante a shivá, mesmo sem pompa, música e recepção
suntuosa. Noivados não podem ser realizados ou anunciados durante esse período.

b – Após o shloshim, o casamento pode ocorrer com todos os adornos, música e comida, e os noivos e pais podem se vestir para a
ocasião, sem demonstrar quaisquer sinais evidentes de luto.

c – Durante shloshim (após shivá) há circunstâncias excepcionais quando os casamentos podem ser realizados:

Se o noivo é o enlutado:

• Se ele não tiver filhos, e os preparativos já foram feitos, como: data marcada, os arranjos contratados, a comida foi adquirida,
portanto adiar o casamento incorreria em grande perda financeira, ou faria com que muitas pessoas ficassem ausentes.

• Se a data não foi marcada, mas por alguma razão irrefutável, como alistamento militar, deve ser feito durante shloshim, o casal pode
se casar, mas não viver como marido e mulher até depois do shloshim.

Se a noiva é a enlutada:

O casamento pode ocorrer durante o shloshim apenas se ela já estiver noiva, os preparativos feitos e o noivo não tem filhos.

2 – Quando pode ocorrer o segundo casamento:

a – Se a esposa morreu.
O marido deve esperar passar as três maiores Festas (Pêssach, Sucot e Shavuot) antes de casar novamente. Rosh Hashaná e Yom
Kipur não contam como Festas para esse propósito. Shemini Atsêret pode ser contado como Festa em determinados casos envolvendo
circunstâncias urgentes pessoais e familiares. O motivo ostensivo para esta demora é a esperança que a duração de três Festas
separadas e o ciclo de estações diminua seu desespero, e ele não entre num segundo casamento com a imagem do primeiro amor ainda
presente em sua mente. Este espaço de tempo pode ter até um ano se a morte ocorreu pouco depois de Sucot, ou apenas alguns meses
se a morte ocorreu pouco antes de Pêssach.

Há exceções dignas de nota a essa regra geral:

• Se o marido não gerou filhos, o casamento pode ser feito após shivá e eles podem viver como marido e mulher.

• Se ele tem filhos pequenos que precisam ser cuidados, o casamento pode ser feito após shivá, porém as relações conjugais devem ser
adiadas até depois de shloshim.

• Se ele não suportar viver sozinho, qualquer que seja o motivo (esta não é uma ocorrência rara), ele pode se casar, mas não pode ter
relações conjugais até depois de shloshim.

b - Se o marido faleceu:
A mulher pode casar-se novamente depois de três meses, um tempo consideravelmente mais breve que a duração de três Festas para o
homem. Evidentemente, a mulher era considerada mais capaz de controlar suas emoções, tendo de estar mais preocupada com a
criação dos filhos que com os próprios sentimentos. O motivo para essa espera de três meses é que deve ficar evidente que ela não
espera um filho do marido falecido. Sob circunstâncias excepcionais a serem julgadas por competentes autoridades rabínicas, caso
saiba-se medicamente que ela não poderia estar grávida, e se o noivo não tem filhos, ela pode receber permissão de casar-se após
shivá. Além disso, se ela tem muita dificuldade para sustentar os filhos órfãos e pode ser determinado com segurança que não está
grávida, ela pode receber permissão de casar-se imediatamente após shivá.

3 – Tornando-se enlutado após a cerimônia


a – Se um dos sete parentes próximos da noiva ou do noivo faleceu logo após a cerimônia, mas antes que o casamento fosse
consumado, o casal deve viver separado até depois da shivá.

b – Se o parente faleceu após a consumação do casamento, o luto é adiado até depois da semana inteira de celebração das bodas.
Durante esse período, o enlutado pode cuidar de sua higiene pessoal e aparência, e pode experimentar todas as alegrias da vida.
Quando a semana terminar, porém, a roupa do enlutado é rasgada e a shivá começa de maneira plena, como descrito acima.
O cadish
Antes da alma conhecer por experiência própria as virtudes de estar num corpo, ela nasce contra a sua vontade e não quer entrar nele.
Mas, depois de viver e conhecer o significado de ser capaz de praticar uma mitsvá, ela deixa agora o corpo contra a sua vontade. Por
isso a Mishná diz: "Você nasce contra a sua vontade e depois morre contra a sua vontade". Recitamos o Cadish para ajudar a
minimizar o trauma da alma de se separar do corpo, pois isto é muito doloroso para ela. O Cadish facilita o caminhoé recitado durante
onze meses, ainda que leve doze para este trauma se resolver. Como não queremos indicar, em respeito à alma, que ela,
particularmente, precisou de doze meses completos para se reajustar ao Céu recitamos o Cadish apenas por onze meses.

O que é o Cadish? O Cadish é um hino de louvor a D’us. Por ser tradicionalmente recitado nos enterros e em honra a entes falecidos
tornou-se popularmente identificado como uma oração pelos mortos. Entretanto, o Cadish não faz nenhuma referência à morte ou ao
luto. Embora os cabalistas do século XVI atribuíssem um caráter místico ao Cadish, alegando que toda vez que era recitado a alma do
falecido se elevava a um nível espiritual mais alto o valor intrínseco do Cadish se relaciona à pessoa que o recita. É uma expressão
pública de fé em D’us por parte do enlutado, uma aceitação da Sua vontade mesmo em face da dor e da tristeza, uma submissão aos
desígnios divinos diante da incapacidade de racionalizar uma tragédia pessoal.

Cadish dos Enlutados


Leis e costumes

• O Cadish é recitado por onze meses menos um dia a partir do dia do falecimento.

• É importante lembrar que o Cadish só tem valor quando há minyan, i. e., num grupo de dez judeus, e estes respondem Amên, o que
traz méritos para a alma.

• O Cadish é dito em pé, com os pés juntos.

• Antes de recitar o último verso, “Ossê Shalom Bimromav...”, dá-se três passos para trás.

• Em todas as orações em que o Cadish é dito cinco velas devem ser acesas na frente do ledor.

• Os onze meses do Cadish terminam na oração de Minchá do último dia do décimo-primeiro mês.

• O Cadish também é dito no dia do yahrzeit da data hebraica, ou seja, durante a oração de Arvit na noite que antecede o aniversário
de falecimento e nas orações de Shacharit e Minchá deste dia.

• Pais que não têm filhos homens devem assegurar que o Cadish será dito por parente, amigo ou integrante de minyan na sinagoga.

• É costume os enlutados praticarem boas ações em nome do falecido, principalmente doar tsedacá em seu nome.

Se não há filhos para recitar o Cadish, a família deve pagar a alguém para recitar o Cadish durante este período.

Yitgadal veyitcadash shemê, bealmá di verá chir‘utê. Veyamlich malchutê,veyatsmach purcanê, vicarev Meshichê.
Bechayechon uvyomechon, uvchayê dechol Bet Yisrael, baagalá, uvizman cariv, ve’imru amen. Yehê shemê rabá mevarach
lealam ul’almê almayá. Yitbarech, veyishtabach, veyitpaer, veyitromam, veyitnassê, veyit’hadar, veyit‘alê, veyit’halal shemê
decudshá berich Hu. Leelá min col birchatá veshiratá, tushbechatá venechematá, daamiran bealmá, ve‘imru amen.

Al Yisrael, veal rabanan, veal talmidehon, veal col talmidê talmidehon, veal col man deaskin beoraytá, di veatrá haden, vedi
vechol atar vaatar; yehê lehon ulchon shelamá rabá, chiná, vechisdá, verachamin, vechayin arichin, umzoná revichá, ufurcaná
min cadam Avuhon devishmayá, ve‘imru amen

Yehê shelamá rabá min shemayá, vechayim tovim, alênu veal col Yisrael, ve‘imru amen. Ossê shalom (nos dez dias entre Rosh
Hashaná e yom kipur,substitui-se por: hashalom) bimromav, hu yaassê shalom alênu, veal col Yisrael; ve‘imru amen.

Tradução:
Que seja exaltado e santificado Seu grande nome (congregação: Amém), no mundo que Ele criou segundo Sua vontade. Que Ele
estabeleça Seu Reino, faça vir Sua redenção e aproxime a vinda de Seu Mashiach (congregação: Amém) em vossa vida e em vossos
dias e na vida de toda a Casa de Israel, pronta e brevemente, e dizei amém. (Congregação: Amém)

Que Seu grande nome seja bendito eternamente e por todo o sempre; que seja bendito.)
Que Seu grande nome seja bendito eternamente e por todo o sempre. Que seja bendito, louvado, glorificado, exaltado, engrandecido,
honrado, elevado e excelentemente adorado o nome do Santo, bendito seja Ele (congregação: Amém), acima de todas as bênçãos,
hinos, louvores e consolos que possam ser proferidos no mundo, e dizei amém (congregação: Amém).

Que haja paz abundante emanada dos Céus, e bênção de vida sobre nós e sobre todo [o povo de] Israel; e dizei amém (congregação:
Amém).

Aquele que estabelece (nos dez dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur, acrescenta-se: “a”) paz em Suas Alturas, possa Ele estabelecer
paz para nós e para todo Israel; e dizei amém (congregação: Amém).

Obs: Ao terminar os trechos “Rabi Yishmael” (no início da Prece Matinal) e “En k’E-lo-hê-nu” (no final da Prece Matinal) e
também após um estudo de Torá na presença de dez homens (minyan), insere-se o seguinte parágrafo antes de “Yehê shelamá rabá”
(“Que haja paz abundante”)

Sobre Israel, sobre nossos mestres e sobre seus discípulos e sobre todos os discípulos de seus discípulos e sobre todos os dedicados ao
estudo de Torá, quer aqui, quer em qualquer lugar; sobre eles e sobre vós, se derrame paz abundante, graça, benevolência,
misericórdia, vida prolongada, sustento farto e salvação, proporcionados por Seu Pai nos Céus, e dizei amém (congregação:Amém).

Com este acréscimo o Cadish é denominado “Cadish de’Rabanan”.

Curiosidades

Por que o Cadish é recitado em aramaico? Nos tempos talmúdicos, o hebraico era o idioma dos eruditos, a língua do estudo e da
oração, porém o vernáculo era o aramaico.
Os rabinos achavam essencial que qualquer leigo pudesse captar plenamente o significado do Cadish. Decretaram que esta oração
fosse sempre proferida na língua em que foi composta: em aramaico, a linguagem do povo .

Por que existem varias formas de Cadish? O Cadish era originalmente recitado no final de um sermão ou de uma sessão de estudos,
e continha um parágrafo a mais que constituía uma prece pelo bem estar de todos que se dedicam ao estudo da Torá. A primeira
referência ao Cadish como uma oração dos enlutados se encontra no livro Or Zarua, escrito no século XIII pelo Rabino Isaac Ben
Moses de Viena.
Além destas duas formas - o Cadish dos rabinos (Cadish de'Rabanan) e o dos enlutados (Cadish Yatom) - duas outras versões são
usadas em nossas sinagogas hoje em dia: uma forma abreviada recitada no final de cada parte do serviço, o meio cadish (Chatzi
Cadish) e o "Grande Cadish" (Cadish Shalem), recitado no término do serviço religioso.

Por que os filhos devem recitar o Cadish diariamente durante onze meses após a morte do pai ou da mãe? Originalmente, os
rabinos estipularam que o Cadish deveria ser recitado durante um ano, até terminar o prazo de luto no qual os filhos devem se abster
de participar de reuniões festivas, etc. Uma pessoa, após a morte, deve expiar os pecados cometidos na Terra, antes que sua alma entre
no Gan Eden. Quanto maior o número de pecados, maior o tempo de expiação, sendo que o prazo máximo era de doze meses.
Baseado nesta crença, o Rabino Isserles de Cracóvia decretou no século XVI que o Cadish deveria ser recitado somente durante onze
meses, pois se fosse mantido o período total de um ano, poderia parecer que o falecido tinha sido um pecador do mais alto grau .

O que é o Gan Éden (Paraíso)? O local onde repousam as almas, o mundo espiritual. A alma volta ao mundo das almas e se adapta a
ele como se nunca houvesse saído. É uma alma entre almas sem precisar de reintegração. Isto é o Paraíso. O período de reintegração
tem, no máximo, doze meses. E para ajudar na adaptação, recitamos o Cadish. Damos à alma o crédito por todas as mitsvot que foram
realizadas devido à sua influência sobre nós.Nos Provérbios, o mais sábio dos homens diz: "Eu elogio os mortos que já morreram mais
do que os vivos." Uma das razões para dizer isto é porque o impacto, a impressão e a influência extraordinários que uma pessoa tem
depois de sua morte é muito maior e mais forte que quando viva.

O Yahrtzeit
1. O Yahrtzeit – data judaica do falecimento – julga-se a alma nos mundos superiores. Por este motivo, foram instituídos vários
costumes para este dia, que visam a trazer méritos à alma, possibilitando que esta seja elevada a níveis superiores, e causar-lhe prazer.

2. Todos os costumes do Yahrtzeit devem ser seguidos anualmente na data do aniversário do falecimento. Há costumes de no primeiro
ano fazer o Yahrtzeit na data do enterro, se este ocorreu após o dia do falecimento. Porém o costume Chabad e, também o mais
comum, é de também no primeiro ano fazê-lo na data do falecimento.

3. Os costumes do Yahrtzeit devem ser seguidos pelos filhos do falecido, sendo que certos costumes, que podem ser feitos por
mulheres, dizem respeito também às filhas. Na falta de filhos, devem ser feitos pelo parente mais próximo conforme as leis do cadish.

O Shabat anterior ao Yahrtzeit


4. No Shabat anterior ao Yahrtzeit, o filho deve receber uma Aliyá na Torá, de preferência o Maftir, recitando posteriormente a
Haftará.
5. Muitos costumam que aquele que tem Yahrtzeit durante a semana reze como chazan no Shabat anterior a oração de Mussaf. Outros
costumam rezar Arvit e outros Pessukê dezimrá. Porém muitos costumam não ser chazan neste Shabat, salvo se for o próprio dia do
Yahrtzeit. Os sefaradim costumam rezar como chazan, todas as orações do dia de Shabat anterior ao Yahrtzeit e recitar todos os
cadishim.

6. Se a pessoa não puder falar cadish e ser chazan no dia do Yahrtzeit por causa de um imprevisto, dever fazê-lo no Shabat anterior.

7. Muitos costumam neste Shabat tentar fazer o zimun perante dez pessoas, porém este não é o costume Chabad.

Costumes do dia do Yahrtzeit


8. O dia do Yahrtzeit, como todo dia judaico, inicia-se ao pôr-do-sol da véspera e termina após o total anoitecer do dia seguinte, ou
seja após o horário da saída das estrelas.

9. Logo após o pôr-do-sol da véspera, deve se acender uma vela que dure as 24 horas do dia do Yahrtzeit. Esta prática é baseada em
Mishlê 20:27: “A alma do homem é a lamparina de D’us.” A alma é comparada a uma vela, pois a alma dá vida ao corpo como a vela
ilumina a escuridão.

10. Caso o Yahrtzeit caia no Shabat, a vela deve ser acesa antes das velas de shabat. Caso a pessoa tenha esquecido, se ainda não
chegou o horário da saída das estrelas de sexta-feira, pode pedir a um não judeu para acender a vela.

11. O principal comportamento no dia do Yahrtzeit consiste em acrescentar o máximo possível no estudo de Torá e no cumprimento
das mitsvot, em mérito da alma do falecido.

12. Devem-se rezar todas as orações do dia (Arvit, Shacharit, Minchá e também Mussaf, no dia que esta oração é feita) perante o
público como chazan, e recitar todos os cadishim como durante os 11 meses.

13. Durante as orações, costuma-se acender velas perante o chazan, de preferência 5 velas, como durante os 11 meses.

14. Costuma-se estudar Mishnayot, principalmente os capítulos que começam com as letras das iniciais do falecido, e recitar em
seguida o cadish de Rabanan como durante os 11 meses. A palavra para Mishná (lei oral) tem as mesmas letras que a palavra Neshamá
(alma).

15. Após as orações costuma-se estudar as Mishnayot dos cap. 24 de Kelim e 7 de Micvaot e recitar em seguida o cadish de Rabanan
como durante os 11 meses.

16. Neste dia deve-se doar para tsedacá, uma quantia maior que diariamente, principalmente antes das orações de Shacharit e Minchá.

17. Se o dia do Yahrtzeit coincidir com o dia de leitura da Torá, deve-se dar ao filho uma Aliyá na Torá. Este deve também recitar o
Cadish após a leitura da Torá, e de preferência ser o baal corê (ledor da Torá).

18. O filho não deve estar viajando durante o Yahrtzeit, se isto o impossibilitar de seguir os costumes do Yahrtzeit de forma adequada.

19. Caso o filho tenha esquecido o dia do Yahrtzeit, deve recitar o Cadish no dia que lembrou, e receber sobre si que anualmente
falará um Cadish em outro dia, além do dia do Yahrtzeit, para recuperar esta falha.

20. No dia do Yahrtzeit, o filho do falecido não deve participar da refeição de casamentos. No entanto muitos costumam permitir,
sendo proibido somente no primeiro Yahrtzeit num ano de doze meses, pois este dia ainda faz parte do luto.

21. Costuma-se dar uma refeição na sinagoga no dia do Yahrtzeit após a oração, pelo menos um lechayim e bolo ou outro aperitivo.
Nesta ocasião, os participantes recitam berachot sobre os alimentos em mérito do falecido, e desejam que a alma tenha uma elevação.
Se o Yahrtzeit coincidir com Shabat ou Yom Tov, costuma-se oferecer um Kidush na sinagoga, em prol da elevação da alma.

22. Costuma-se fazer um Siyum Massechet (término de um tratado Talmúdico) no dia do Yahrtzeit, e uma seudat Mitsvá em prol da
alma do falecido.

23. No dia do Yahrtzeit, o filho deve falar em público os chidushê (novas explanações da) Torá, ou algum divrê (palavras de) Torá de
seu pai. Se o filho tem capacidade, deve também proferir seus próprios chidushê Torá.

24. No dia do Yahrtzeit, o filho deve tentar recitar o zimun, em especial perante dez pessoas.

25. Neste dia, o filho deve visitar o túmulo do pai, mesmo que para isto for necessário uma viagem que implique em gastos com
dinheiro, se este tem a possibilidade. Caso não possa estar no túmulo no próprio dia do Yahrtzeit, deve fazê-lo na data mais próxima
possível.
26. Ao visitar o cemitério, deve se esforçar para levar consigo um Minyan para poder recitar o Cadish.

27. No dia do Yahrtzeit os filhos devem meditar sobre suas ações e fazer teshuvá, recebendo sobre si boas decisões para melhorar sua
conduta, tanto nas mitsvot do homem para com D'us, quanto relativas ao seu próximo.

28. Conforme a lei do Shulchan Aruch, é mitsvá jejuar no dia do Yahrtzeit dos pais. No entanto, nas últimas gerações, por motivo de
fraqueza, facilitaram este jejum, principalmente para estudiosos da Torá, se o jejum irá impedi-los de estudar adequadamente. Mesmo
assim, deve-se resgatar este jejum com Tsedacá, doando a quantia de pelo menos duas refeições para os pobres.

29. Se alguém jejuou no primeiro Yahrtzeit após o falecimento dos pais, deve assim fazer durante toda a vida, salvo se ao fazê-lo falou
“bli neder”, ou seja, que não assume isto como uma promessa. Mesmo quem não falou “bli neder” pode fazer “hatarat nedarim”,
anulando a promessa perante um tribunal rabínico conhecedor das leis de como anular uma promessa.

30. Se o Yahrtzeit cair num Shabat, Yom Tov, Chol hamoed, Rosh Chodesh, Purim, Chanucá, no mês de Nissan e em outras datas
especiais que não se recita o Tachanun, não se faz o jejum neste dia. Como também não se costuma visitar o cemitério em nenhum
destes dias devendo fazer antes dos mesmos, ou logo após estas datas.

A data do Yahrtzeit
31. Quando o enterro ocorreu no dia seguinte ao falecimento, o Yahrtzeit é fixado no dia do falecimento. No entanto, se o enterro
ocorreu após três ou mais dias após o falecimento, muitos costumam fazer o Yahrtzeit no primeiro ano no dia do enterro, e nos demais
anos no dia do falecimento. Porém o costume Chabad e alguns outros, mesmo neste caso, fazem o Yahrtzeit no dia do falecimento até
mesmo no primeiro ano.

32. Caso o falecimento ocorreu num ano de treze meses, sendo que o Yahrtzeit ocorre no final do décimo terceiro mês, conforme
todas as opiniões, deve-se fazer na data do falecimento.

33. Se o falecimento ocorreu após o pôr-do-sol e antes da saída das estrelas, há dúvida se ainda é considerado dia ou noite. Neste caso,
existem costumes de fixar a primeira data, outros fixam a segunda. Cada um deve perguntar a seu rabino como agir. De preferência,
deve-se tentar fazer todos os costumes do Yahrtzeit em ambos os dias.

34. Se o falecimento ocorrer no mês de Adar I, o Yahrtzeit é fixado num ano normal no mês de Adar, e num ano de treze meses no
Adar I. O mesmo ocorre se ocorreu no Adar II, o Yahrtzeit é mantido no Adar II. Caso o ano do falecimento foi um ano normal, e o
Yahrtzeit ocorreu em Adar, existem opiniões que se fixa a data em Adar II, sendo este o costume dos sefaradim. Outros porém
sustentam que o Yahrtzeit deve ser feito em Adar I. O costume dos ashkenazim é fazer os dois dias de Yahrtzeit, em Adar I e em Adar
II, sendo que o principal dia é fixado em Adar I.

35. Se o falecimento ocorrer no dia 30 de Adar I, num ano normal o Yahrtzeit é fixado em 30 de Shevat.

36. Se ocorrer no dia 30 de Cheshvan ou 30 de Kislev, num ano que o mês de Cheshvan ou Kislev só tem 29 dias, deve-se consultar
um rabino como agir, já que existem várias opiniões. O costume mais comum é comemorá-lo no primeiro dia do mês seguinte.

37. Se o filho não sabe o dia do falecimento dos pais, deve fixar um dia no ano para celebrar o Yahrtzeit. Muitos costumam fixar a
data de 10 de Tevet como o dia de um Yahrtzeit de data desconhecida.
O Yizkor
• O Yizkor fornece ao enlutado a oportunidade de rezar pela alma do falecido, de renovar seu próprio comprometimento espiritual, e
de contribuir para caridade para elevação da alma daquele que partiu. É recitado nas seguintes ocasiões: Yom Kipur, Shemini Atsêret,
o oitavo dia de Pêssach e segundo dia de Shavuot, mesmo quando estes dias coincidem com Shabat.

• Embora Yizkor possa ser recitado mesmo sem minyan, é preferível recitá-lo com minyan.
• Yizkor é recitado na sinagoga após a leitura da Porção da Torá, se Yom Tov cair em qualquer outro dia que não no Shabat. Se Yom
Tov coincidir com o Shabat, Yizkor é recitado antes de “Av Harachamim”.

• Ao recitar Yizkor por várias pessoas, os pais recebem precedência. Se ambos os pais já faleceram, um ou outro pode ser mencionado
em primeiro lugar.

• Nomes de homens e mulheres podem ser mencionados junto.

• Uma pessoa cujos pais estão vivos não deve permanecer na sinagoga enquanto Yizkor está sendo recitado.

• Quem tiver permissão para dizer Yizkor por um progenitor falecido, deve também recitar Yizkor por um cônjuge falecido, mesmo
que tenha se casado novamente.

• A pessoa que mora em Israel, mas encontra-se temporariamente em outro país durante um Yom Tov, deve recitar Yizkor no oitavo
dia de Pêssach e no segundo dia de Shavuot, como é feito fora de Israel.
Visitas ao cemitério
Costuma-se visitar o cemitério para honrar e rezar pela elevação da alma de entes falecidos nas seguintes ocasiões:

1. Após os 7 dias de luto, shivá


2.No dia de sheloshim, quando completam-se 30 dias
3. Ao final dos 12 meses
4. No dia do yartzeit, data de falecimento
5. Antes de Rosh Hashaná e de Yom Kipur
O texto com detalhes abaixo é de autoria de
Rabino Shamai Ende em seu Livro; “Últimos Momentos”

1. É costume judaico visitar o túmulo dos pais , sendo este ato considerado proveitoso tanto ao falecido como ao visitante.

2. Ao visitar o túmulo, a pessoa não deve ter intenção de rezar para o morto, D'us nos livre, pois isto é considerado uma transgressão
grave . Suas orações devem ser dirigidas diretamente a D'us pelo mérito ou em prol do falecido.

Quando visitar
3. Costuma-se visitar o túmulo no sétimo dia do falecimento, após levantar-se da Shivá. Caso o sétimo dia coincida com Shabat, Yom
Tov, Chol hamoed ou Rosh Chodesh, há costumes de visitar no dia posterior, porém alguns dizem que não deve-se visitá-lo
posteriormente, sendo que nestes casos, não se visita o túmulo neste período.

4. Caso Yom Tov tenha quebrado a shivá, alguns costumam visitar somente no sétimo dia após o falecimento, porém outros costumam
visitar logo após o Yom Tov, mesmo que seja dentro dos sete dias.

5. No dia do Shloshim costuma-se visitar o túmulo. Se o Yom Tov quebrou ou encurtou o luto de trinta dias, alguns costumam visitar
logo após o Yom Tov, e outros costumam ir somente no trigésimo dia após o falecimento.

6. Deve-se visitar o túmulo no dia em se faz o levantamento da Matsevá, conforme veremos no próximo capítulo.

7. Costuma-se também visitar o túmulo no dia do Yohrtsait anualmente, e no dia que terminam os doze meses de luto, mesmo se este
não for o dia do Yohrtsait, como no caso de um ano de treze meses.

8. Anualmente costuma-se visitar os túmulos na véspera de Rosh Hashaná; durante os dias de selichot; na semana antes de Yom
Kipur; e alguns costumam visitar mensalmente na véspera de Rosh Chodesh e no dia 15 do mês judaico.

9. Ao visitar um túmulo no primeiro ano do falecimento, não se deve pedir ao falecido que interceda pelos parentes e amigos vivos,
mas apenas deve-se rezar pela elevação da alma do falecido. Muitos costumam evitar a visita no primeiro ano, mesmo no sétimo e
trigésimo dia, sendo que cada um deve seguir o costume local.

10. Não se visitam os túmulos em Shabat, Yom Tov, Rosh Chodesh, Chol hamoed, Purim, Chanucá, durante o mês de Nissan e outros
dias em que não se recita o Tachanun. O costume mais comum atualmente, é que não se visita os túmulos mesmo quando um desses
dias coincida com o término do shivá, Shloshim, 12 meses, Yohrtsait, devendo fazer a visita antes ou após estas datas. Como também,
não costuma-se fazer nestes dias o levantamento da Matsevá. Porém em casos especiais, deve-se consultar um rabino, já que existem
alguns costumes referentes a isso.

11. Quando se visita o túmulo dos pais no dia do Yohrtsait, não se deve aproveitar a viagem para visitar outros túmulos.

12. A mulher casada em segunda núpcias não deve visitar o primeiro marido, sendo que antes de casar pela segunda vez, costuma
visitar o primeiro marido para se despedir. É costume também que o homem casado em segundas núpcias não visite o túmulo de sua
primeira esposa.

13. Antes do casamento, o(a) noivo(a) costuma visitar o túmulo de seus pais e avós para convidá-los, e pedir para que despertem sobre
eles as bênçãos Divinas.

14. Não se deve visitar demasiadamente o cemitério, devendo ir somente nas ocasiões acima descritas.

15. Não se visita o mesmo túmulo duas vezes no mesmo dia.

16. Uma mulher em seu período menstrual e uma mulher grávida devem evitar ir ao cemitério. Em caso de extrema necessidade, um
rabino deve ser consultado.

17. Ao visitar o cemitério, após não ter visto um túmulo judaico por mais de trinta dias, recita-se a seguinte berachá:
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, asher yatsar et’chêm badin, vezan et’chêm badin, vechilkel et’chêm badin,
vehemit et’chêm badin, veyodêa mispar kulchêm; ve’Hu atid lehachayotechêm, ulcayêm et’chêm badin. Baruch Atá A-donai,
mechayê hametim.

Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo,que vos criou em julgamento, vos nutriu em julgamento, vos sustentou em
julgamento e vos fez falecer em julgamento, e sabe o número de todos vós; e no futuro Ele vos ressuscitará e vos dará existência em
julgamento. Bendito és Tu, que ressuscita os mortos.

18. Caso já tenha visto dentro dos últimos dias túmulos judaicos e feito então a berachá, esta só será recitada novamente ao avistar um
túmulo judaico após um intervalo de mais de trinta dias sem ter visto.

19. Se avistar dentro de trinta dias outros túmulos, ou se nestes dias foram acrescentados novos túmulos ao cemitério, algumas
opiniões sustentam que deve recitar novamente a berachá, porém alguns discordam. Pela dúvida não deve recitá-la novamente, para
não ser uma berachá em vão, no entanto, pode recitá-la sem falar o nome de D'us.

O comportamento no cemitério
20. É proibido entrar no cemitério, ou dentro de dois metros dos túmulos, com o tsitsit revelado, sendo que deve escondê-los dentro da
roupa. Também é proibido colocar Tefilin no cemitério, ou dentro de dois metros dos túmulos. É proibido recitar o Shemá Yisrael,
estudar Torá e rezar nestes locais. Atrás da cerca do cemitério, tudo isto é permitido, mesmo que consiga enxergar os túmulos.

21. Pode-se recitar Salmos e estudar Torá em mérito ao falecido próximo de seu túmulo.

22. É proibido comer, urinar e evacuar, e comportar-se de forma leviana dentro do cemitério. Também não se deve conversar sobre
assuntos diversos e fazer contabilidade. Se existe no local um falecido que ainda não foi enterrado não se pode nem cumprimentar o
amigo. Caso isso não ocorra, só não se pode cumprimentar nos dois metros próximo dos túmulos.

23. Só é considerado parte do cemitério o campo que é designado para os túmulos, mesmo se ainda não foram enterrados corpos na
local (contanto que neste cemitério já exista pelo menos um túmulo). Portanto, dentro dos prédios construídos no local (caso não
foram edificados sobre o terreno designado aos túmulos, e são cercado com paredes), não se incluem nas proibições acima. No
entanto, pela sua proximidade do cemitério, não se deve ter nestes locais um comportamento leviano.

24. É proibido sentar sobre um túmulo. É proibido pisar sobre os túmulos, salvo se não há outra forma de chegar a um determinado
túmulo, exceto passando por cima de outros.

25. Antes de visitar o túmulo de um tsadik ou dos pais, alguns costumam não comer mas apenas beber algo.

26. Alguns homens costumam ir ao micvê antes de visitar o cemitério

As orações próximas ao túmulo


27. Costuma-se acender uma vela próximo ao túmulo, ao visitá-lo.
28. Costuma-se colocar a mão esquerda sobre o túmulo e recitar o versículo (Yeshayáhu 58, 11): “Venachachá Ado-nai tamid vehisbia
betsachtsechot nafshêcha veatsmotêcha yachalits vehaita kegan ravê uchemotsá maim asher lo yechazevú mêmav”
(E D'us irá lhe dirigir constantemente, satisfará sua alma na época de seca, seus ossos fortificará, e você será como um jardim regado,
e como uma fonte que não extinguirá suas águas).
29. Deve-se recitar Salmos próximo ao túmulo. Existem vários costumes da ordem dos Salmos a serem recitados, sendo que cada um
deve seguir seu costume. O costume dos ashkeanzim de forma geral é recitar estes Salmos: 33, 16, 17, 72, 91, 104, 130 e no Salmo
119 as letras referentes às iniciais do nome do falecido, e as iniciais da palavra ‘neshamá’ (nun, shin, mem, hê).
30. Alguns costumam recitar mishnayot, sendo que se deve dar preferência às últimas 4 mishnayot do cap. 7 de Micvaot que iniciam
com as letras da palavra ‘neshamá’.
31. Se houver minyan no local, recita-se o Kadish Yatom após a recitação dos Salmos e o Kadish derabanan após o estudo das
mishnayot. É proibido recitar o Kadish se não houver um minyan (dez judeus homens adultos e vivos).
32. Costuma-se recitar a prece ‘E-l Malê Rachamim’ e doar tsedacá em seguida. Quem não tem dinheiro no local ou não tem para
quem dar, deve assumir sobre si doar posteriormente uma quantia para tsedacá, falando ‘bli nêder’ (sem promessa).
33. Muitos não costumam recitar o ‘E-l Malê Rachamim’ no primeiro ano de falecimento, sendo este o costume Chabad.
34. Ao visitar o cemitério no sétimo dia, no shloshim, no Yohrtseit e na inauguração da Matsevá, costuma-se recitar palavras de
hesped (vide cap. 19) e posteriormente recitar o Kadish derabanan (salvo nos dias em que é proibido falar hesped).
35. Ao despedir-se do túmulo, costuma-se colocar sobre o mesmo uma pedra ou planta, para deixar uma prova que esteve visitando
este túmulo.

Netilat yadaim – lavar as mãos


36. Ao sair do cemitério deve-se lavar as mãos. Deve-se de preferência usar para isto uma caneca, ou outro recipiente qualquer,
vertendo a água sobre as mãos seis vezes, três em cada mão intercaladas, lavando primeiro a direita. Costuma-se não enxugar as mãos
após esta lavagem.
37. Mesmo antes de lavar as mãos, pode-se comer ou estudar. Como também, não há problema de comer uma comida que esteve no
cemitério.
PERGUNTAS MAIS FREQUENTES

Por que os judeus lavam as mãos ao saírem do cemitério?

Certamente não por motivos de higiene. A morte não é suja; a morte é uma parte natural, lógica e orgânica da vida. Lavamos as mãos
porque a água é o símbolo da vida, reafirmando assim nossa crença de que a vida é mais forte do que a morte.
Após lavar as mãos, deixamos que elas se sequem naturalmente, sem usar uma toalha. simbolicamente, demonstramos assim nosso
desejo de jamais obliterar nossos laços com o falecido e, pelo contrário, conservá-lo em nossa memória para todo o sempre.

Autópsia

Os exames post-mortem com freqüência incluem autópsias, O propósito dessa dissecação do corpo é estabelecer a causa da morte e os
processos patológicos envolvidos. O patologista se esforça para adquirir informações confiáveis sobre a natureza e causa da doença, e
talvez para investigar os procedimentos médicos usados no paciente. A incisão inicial da autópsia abre o corpo inteiro em formato de
Y. Começa em baixo do ombro, continua sob o peito e se estende até o ponto correspondente sob o outro ombro. Esta incisão é então
ligada a outra feita na linha central que vai até o púbis, para completar o Y. A incisão do escalpo começa sob uma orelha, estende-se
ao topo do escalpo e termina por trás da outra orelha. Os órgãos são removidos e estudados segundo as exigências de cada autópsia
individual. Deve-se notar que a autópsia padrão permitida segundo o Manual da Autópsia publicado pelo United Hospital Fund, de
Nova York inclui, obviamente, autorização para "a retenção de partes e tecidos que a equipe hospitalar considera necessários para o
diagnóstico".

É exigido o consentimento do parente mais próximo para a autópsia. Este consentimento pode ser dado pelo guardião legal do corpo
que é responsável pelo enterro, geralmente o marido ou a esposa. Se houver mais de um "parente mais próximo" (e a interpretação
dessa expressão é flexível) e surgir alguma controvérsia, o hospital pode proceder a autópsia ou eleger o parente mais receptivo como
"o" parente mais próximo.

Na verdade, porém, pode-se presumir que a causa da morte é conhecida na maioria dos casos, e apenas raramente é um mistério
médico. Pela experiência com os modernos procedimentos médicos, é evidente que as autópsias são recomendadas com mais
freqüência para permitir que estudantes e residentes estudem e pratiquem pela dissecação e observação do cadáver. Muitos artigos em
jornais médicos têm declarado que o progresso recente na ciência da patologia e fisiologia tornaram possível a determinação confiável
da causa da morte sem uma autópsia. Muitas autoridades afirmam que, com algumas exceções, as autópsias não são mais consideradas
tão vitais como já foram.

Mesmo assim, parece que a porcentagem de autópsias ainda é considerado um dos melhores índices do padrão da prática médica nos
hospitais. Por este motivo A Comissão Conjunta de Aprovação de Hospitais exige a manutenção de uma porcentagem satisfatória de
autópsias. O manual padrão do United Hospital Fund insiste em que seja obtido o consentimento sempre que possível. "Na verdade",
diz o Manual da Autópsia, "quando a permissão não é obtida, os médicos devem prestar contas por tal falha."

As equipes administrativas dos hospitais aperfeiçoaram técnicas de extrair o consentimento. São oferecidos argumentos para objetar às
típicas negações da família, alguns não verdadeiros, muito abaixo da elevada ética que o público espera da profissão médica. Um
desses argumentos é: "Estão registradas declarações autorizadas de líderes religiosos de todas as fés, indicando que em parte alguma
há qualquer justificativa para oposição a autópsias com bases religiosas." É lamentável que a sensibilidade religiosa dos judeus
tradicionais seja tão cavalheirescamente rejeitada por declarações tão equivocadas. Embora haja notáveis exceções a essa regra, existe
uma objeção religiosa definida à autópsia.

Embora o motivo para o estudo médico seja importante, a tradição judaica forçosamente rejeita as autópsias realizadas para ensinar
estudantes de Medicina, porque isso viola um princípio mais elevado: a mutilação do corpo do falecido. A Lei Judaica é governada
por diversos princípios básicos;

Primeiro, o homem foi criado à imagem de D'us, e na morte o corpo ainda conserva a unidade daquela imagem. Não se pode cometer
violência à forma humana nem mesmo quando o sopro de vida expirou. O Judaísmo exige respeito pelo homem total, corpo e alma. O
valor da integridade do homem não pode ser comprometido, nem na morte.

Em segundo lugar, a dissecação do corpo, por motivos que não sejam urgentes e diretamente aplicáveis a casos médicos específicos, é
considerada vergonha e desonra ao falecido. Assim como ele nasceu, merece ser colocado para repousar: amorosamente, não
cientificamente, como se fosse um objeto impessoal de algum experimento. A santidade do ser humano exige que não desrespeitemos
a sua pessoa.

Terceiro, não temos permissão de usar seu corpo sem seu desejo expresso de que seja usado, e mesmo então é questionável se a
própria pessoa pode desejar que mutilem a imagem na qual foi criada. Certamente, se o falecido durante sua vida não deu permissão
expressa, nem mesmo seus filhos têm os direitos de posse sobre seu corpo. Assim, não temos o direito moral, exceto nos casos que
serão mencionados, de usar o corpo oferecendo-o como objeto de estudo.

As autópsias são de fato válidas em determinados casos incomuns, e estes são exceções à proibição em geral. Embora as
possibilidades de autópsias religiosamente permitidas estejam listadas abaixo, uma autoridade rabínica competente deve ser
consultada em todos os casos.

A – Casos que estão sob a jurisdição de autoridades governamentais. Aqui a decisão deve ser tomada pelo Examinador Médico. Para
conveniência e clareza, estes casos devem ser divididos em dois grupos:

Grupo 1: Casos com implicações legais forçosas, nas quais uma autópsia geralmente é realizada pelo Examinador Médico, e na qual a
permissão para a autópsia nunca é exigida pelo médico do hospital.

Exemplos de casos assim:

a - Morte por homicídio ou suspeita de homicídio.


b – Morte por suicídio ou suspeita de suicídio.
c – Morte devida a ferimento acidental.
d – Morte resultante de aborto.
e – Morte por envenenamento ou suspeita de envenenamento, incluindo por bactérias alimentares.

Grupo 2: Casos nos quais o Examinador Médico pode decidir que não é necessário para ele fazer a autópsia como parte de sua
investigação post-mortem.

Exemplos de tais casos:

a – Morte ocorrida durante ou imediatamente após diagnóstico, procedimentos cirúrgico ou anestésico, ou devido a reações à
medicação.

b – Morte ocorrida de maneira incomum ou peculiar, ou quando o paciente não estava sendo atendido por um médico, ou após coma
ou convulsões com causas não evidentes.

c – Morte resultante de alcoolismo crônico, sem manifestação de trauma.

d – Morte na qual um ferimento traumático foi apenas fator contribuinte, e na qual o trauma não foi causado por negligência, ataque
ou incêndio criminoso, como fratura do pescoço resultante de uma queda em casa e contribuindo para a morte de uma pessoa idosa, ou
queimaduras acidentais ocorridas em casa.

B – Casos de doenças hereditárias, quando a autópsia pode servir para salvaguardar a saúde dos sobreviventes.

C – Se outra pessoa conhecida está sofrendo de doença letal semelhante, e uma autópsia é considerada pela autoridade médica
competente como passível de fornecer informação vital à sua saúde.

D – Nos casos em que o falecido estipulou especificamente que uma autópsia seja realizada, há muita discordância rabínica. As
circunstâncias devem ser investigadas numa base individual, e somente uma autoridade religiosa bem informada, altamente
competente pode decidir.

Mesmo nos casos em que os rabinos permitem o post-mortem, eles devem sempre insistir que:

• Qualquer parte do corpo que seja removida deve ser enterrada com o corpo, e que seja devolvida à Chevra Kadisha para este fim o
mais rápido possível.

• A dissecação médica deve ser realizada com o maior respeito pelo falecido, e não tratada levianamente por pessoas insensíveis.

Como estes assuntos são objeto de grande preocupação religiosa, questões sobre exames post-mortem devem ser respondidas por um
rabino competente que conheça tanto as exigências médicas como as da tradição. Além disso, algumas formas de autópsia, como a
remoção somente de sangue ou fluidos, ou a inserção de uma agulha elétrica, pode ser considerada permissível em muitos casos.

A decisão de realizar uma autópsia não deveria ser tomada pelo médico, não importa o quanto ele seja chegado à família e quão boa
seja sua reputação. A proibição é de natureza moral-religiosa, e a permissão deve ser obtida de uma autoridade em lei religiosa após
uma consulta com autoridades médicas.

Autópsia, cremação, embalsamento e doação de órgãos

1. Existe pela Torá a Mitsvá de enterrar o morto logo após o falecimento, sendo proibido adiar o enterro se não houver necessidade.
Além disto, existe também a proibição de mutilar o corpo de um judeu como também de ter qualquer proveito de qualquer parte de seu
corpo. Esta Mitsvá recai a qualquer judeu independente de seu nível espiritual, ou comportamento religioso. Já que existe a proibição
de mutilar o corpo, fazemos o possível e o impossível para que não seja feito no corpo nenhum tipo de autópsia. É proibido dar
permissão aos médicos realizar qualquer incisão ou retaliação no corpo de um judeu, mesmo se este deu licença por escrito em vida,
ou se vendeu seu corpo ou parte do mesmo, pois a pessoa não tem posse de seu corpo já que este pertence a seu Criador, que lhe
emprestou seu corpo por tempo determinado para poder com ele cumprir a vontade Divina expressa em Sua Torá e Mitsvot. Da
mesma forma que ninguém tem direito de causar qualquer dano a seu corpo em vida, muito menos não pode deixar mutilá-lo após a
morte, quando com certeza este corpo já não lhe pertence. Ademais, após a morte a alma já se encontra no mundo da verdade e com
certeza não concorda com aquela permissão proibida feita em vida.

2. Num caso que uma autópsia pode salvar uma vida eminente, como por ex. se duas pessoas tem a mesma doença e um deles faleceu
e através da autópsia poderiam encontrar a cura para o vivo, sob certas circunstâncias pode ser feita a autópsia, porém deve-se
consultar um rabino competente para saber de que forma faze-lo. De qualquer forma todo e qualquer tecido retirado nesta ou em
qualquer autópsia, bem como o sangue retirado, deve ser enterrado com o corpo.

3. [Este texto, dentro dos colchetes sobre cremação, é de autoria da Chevra Kadisha: É proibido cremar um corpo, mesmo quando o
falecido assim o determinou previamente. O sepultamento precisa ser realizado na terra, de acordo com o ensinamento bíblico:
“porquanto tu és pó, e ao pó hás de retornar (Bereshit 3,19). Se houver cremação (o que é extremamente prejudicial à alma do
falecido), tanto se as cinzas forem enterradas na terra, como conservadas em uma urna – os cemitérios judaicos, como
norma/princípios- não enterram urnas crematórias! – sobre a terra ou forem espalhadas sobre o mar, a família nnao deverá observar o
período de shivá (sete dias de luto)].

4. Quando o morto é transportado para outro país e se faz o embalsamento, é proibido retirar qualquer tecido ou órgão do corpo, nem
mesmo uma gota de sangue, porém neste caso pode se injetar certos líquidos e envolver o corpo superficialmente com certos produtos,
porém mexendo o mínimo possível com o corpo. Se por acaso durante o processo saiu sangue, deve se limpá-lo com um pedaço de
tecido e ser enterrado junto com o corpo. De qualquer forma deve se consultar um rabino para saber como proceder neste caso.

5. A doação de órgãos, além de ser considerada uma mutilação do corpo, o que poderia ser liberado em certas circunstâncias para
salvar vidas em eminente perigo, pode acarretar também na proibição de homicídio, que é uma das três falhas que não é liberada nem
para salvar uma vida. No entanto, mesmo que porventura isto foi feito, não impede o judeu de ser enterrado num cemitério judaico,
sendo o dever dos parentes ou de qualquer pessoa que tem este poder de providenciar este enterro. [O texto a seguir nestes colchetes é
de autoria da Chevra Kadisha e complementa este delicado assunto: A doação de órgãos intervivos é permitida pelo judaísmo, desde
que, após o transplante, o doador continue com a possibilidade de viver sem aquele órgão. Já a doação de órgãos após a morte não é
permitida pelo seguinte motivo: como a definição de morte pelo judaísmo compreende a parada cerebral e a parada cardíaca (ambas),
transplantes de órgãos nesta condição não são possíveis pois, na medicina, é justamente entre a parada cerebral e a cardíaca que
órgãos podem ser retirados para transplante em outra pessoa... A doação, pura e simples, do corpo à ciência é proibida, mesmo sendo
esta uma determinação prévia do falecido. Neste caso, cabe a família não dar ouvidos ao falecido e enterra-lo como prescreve a Lei
Judaica.]

Por que se coloca uma pedra tumular?

O costume de colocar uma matzeivá, pedra tumular, remonta aos tempos dos nossos patriarcas. É um ato de respeito pelo falecido.
Marcando visivelmente o local do sepultamento, asseguramos que os mortos não serão esquecidos, e sua sepultura não será profanada.

A matzeivá pode ser colocada a partir do término da Shiváapós um mies ou um ano do falecimento. A tradição judaica recomenda que
a Iápide seja simples, sem nenhuma ostentação. Simbolicamente, porque a morte é o grande nivelador. Se havia diferenças em vida,
elas são eliminadas na morte. Não há ricos nem pobres. Somos todos iguais, porque nosso destino final é o mesmo.
Cemitério ecumênico
Um judeu pode ser sepultado conforme o ritual judaico num cemitério ecumênico?

O corpo judaico tem em si uma santidade especial por ter sido este um invólucro para alma, por este motivo ele deve ser tratado com
respeito. Muitos judeus, que mesmo que por qualquer motivo não foram praticantes durante a vida, não abrem mão de serem
enterrados em um kever Yisrael (cemitério judaico), fazendo de tudo para poder cumprir pelo menos esta Mitsvá.

Muitos judeus em nossa história colocaram em risco a própria vida para garantir o enterro de parentes ou conhecidos em cemitérios
judaicos. O motivo para tanto é por que após a morte a alma se encontra no mundo da verdade, e todo judeu sabe que a verdade se
encontra no cumprimento da vontade Divina.

De acordo com o Talmud, "o homem deve ser enterrado em seu próprio terreno" (Bava Batra 112a).
Um cemitério judaico é considerado patrimônio comum da coletividade israelita, satisfazendo portanto o preceito talmúdico. No caso
de um cemitério não-judaico ou "ecumênico", o ritual judaico de sepultamento só pode ser realizado sob rigorosas exigências:

1) A família deve adquirir um lote inteiro no cemitério, para que possa ser qualificado como "terreno próprio". A sepultura em si não é
considerada "propriedade";

2) O lote deve estar situado numa parte desocupada do cemitério, para que possa ser cercado e delimitado como um terreno separado.
Dada a complexidade das condições acima estipuladas, é norma do Rabinato não permitir a celebração do rito judaico de sepultamento
fora de um cemitério israelita.

Por que se cobre o corpo logo após o falecimento?

A tradição judaica considera que deixar o corpo à vista é uma violação do princípio de "kevod ha'met", respeito pelos mortos. Mais
ainda, se deixássemos o corpo exposto, estaríamos limitando nossa perspectiva à realidade física da morte. Cobrindo-o, tentamos
conservar na memória a imagem da pessoa em vida, e alargamos nossa visão para abranger uma dimensão espiritual.

Por que se cobrem os espelhos na casa de uma família enlutada?

Os espelhos da casa inteira são cobertos para não enfatizar a beleza e ornamentação do corpo numa hora em que, na mesma casa, o
corpo de outra pessoa começa a se decompor.
Os espelhos são cobertos também para evitar a vaidade pessoal durante momentos de tragédia e para diminuir a preocupação usual
com a aparência.

Durante a Shivá (a primeira semana de luto), realizam-se diariamente serviços religiosos na casa dos enlutados. A lei judaica proíbe
rezar diante de um espelho. Outra explicação para esse costume é que a imagem de D'us, refletida no espelho, foi diminuída pela
morte recente.

Por que um pedaço quebrado de argila é colocado sobre a boca e olhos de um morto?

Uma tradição judaica vê o corpo como um recipiente criado a partir da terra, contendo a centelha da alma. Quando o corpo morre, é
como se o vaso tivesse se quebrado. A cerâmica quebrada (feita de uma substância terrena) colocada dentro do caixão simboliza isso.
Durante uma tahará, ritual de preparação e purificação do corpo é colocada louça quebrada (Sherdlech) sobre os olhos e boca do
niftar, para simbolizar o fato de que estes órgãos que eram os portais da pessoa para o mundo, não são mais.

É costume colocar terra dentro do túmulo, geralmente terra de Israel. Também costuma-se fazer furos em baixo do caixão para que a
terra do local onde é enterrado o corpo possa penetrar no caixão conforme o mandamento: “Do pó vieste e ao pó retornarás”.

Como é apropriado expressar nossas condolências?

As flores não são apropriadas para um funeral judaico.

Em vez disso, geralmente fazemos uma doação para caridade em memória do falecido – alguma que o falecido apoiasse ou que esteja
relacionada a ele de alguma forma. A instituição de caridade geralmente envia à família enlutada um reconhecimento informando que
a doação foi feita em seu nome.

Costuma-se também levar alimentos, como uma cesta de frutas, à casa dos enlutados. Também se encoraja visitar a casa dos enlutados
durante a semana de shivá. Se fizer isso, não bata à porta ou toque a campainha – apenas entre. Coloque aquilo que tiver levado sobre
uma mesa, depois sente-se perto dos enlutados, mas não puxe conversa. Deixe que eles iniciem a conversação. Se eles desejarem falar
o farão, e você pode responder de acordo.

O cumprimento usual ao fim da visita é dizer: ‘Que Aquele que consola possa confortá-los entre os enlutados de Tzion em Jerusalém.’

Quando um homem torna a se casar após a morte da esposa, ele deve ser enterrado com a primeira ou com a última mulher?

Não há uma resposta certa para esta pergunta. Depende das circunstâncias individuais. Se o homem foi casado com a primeira mulher
durante muitos anos e depois se casou já tarde na vida, é normal que ele seja enterrado com a primeira esposa, especialmente se eles
tiveram filhos que possam querer os pais enterrados juntos. Isso não é uma lei, porém, e pode ser que o próprio homem deseje ser
enterrado com a segunda esposa. Se ele assim o desejava, então seu desejo deve ser respeitado. Porém eu diria que quando há filhos do
primeiro casamento, seria mais apropriado ele ser enterrado com a primeira mulher.

Eu sei que isso pode ser uma questão extremamente difícil para as famílias resolverem no momento da morte, portanto é importante
que ele deixe este ponto bem claro para todos na família enquanto ainda está vivo.

Por que se costuma fechar os olhos do falecido imediatamente após a morte?

De acordo com a tradição mística judaica, a pessoa quando morre encontra-se com o Criador. E seria indecoroso contemplar a
Presença Divina ao mesmo tempo em que se observa as coisas mundanas. Fechando os olhos do falecido para o mundo físico,
permitimos que ele os abra para a paz do mundo espiritual.
Geralmente é o filho quem pratica este ato, em lembrança das palavras confortantes de D’us ao patriarca Yaacov: "Teu filho Yosef
colocará as mãos sobre teus olhos" (Gênesis 46:4).
Enbalsamento
O enbalsamamento foi instituído nos tempos antigos para preservar os restos mortais dos falecidos. A preservação era desejada por
muitos motivos:

1 – Para questões de higiene – presumia-se que os restos mortais frescos eram um risco à saúde.

2 – Por motivos sentimentais – a família desejava impedir a deterioração do corpo físico como uma ilusão reconfortante de que o
falecido ainda vivia.

3 – Para apresentação – para evitar sinais visíveis de deterioração enquanto o falecido estava sendo visitado pelo público antes do
funeral.

Vale a pena analisar os três motivos para determinar sua validade hoje em dia. Primeiro, no entanto, deve ficar claro que não há lei nos
Estados Unidos (ou no Brasil) que exija que o corpo seja embalsamado, exceto quando vai ser transportado por conveniência pública a
grandes distâncias.

Existe um motivo de higiene para embalsamar?

Sob toda a evidência disponível, o corpo não embalsamado não apresenta risco à saúde, embora o falecido possa ter morrido de
doença transmissível. O Dr. Jesse Can, citado no livro The American Way of Death por Jessica Mitford, indica que não há uma razão
sanitária legítima para embalsamar os mortos para um serviço funerário sob circunstâncias normais.

Razões de respeito e amor levam ao embalsamamento para preservar os restos durante o maior tempo possível?

Muitos parentes sentem, naturalmente, que desejam apegar-se ao ente querido na sua forma humana durante o maior tempo que
puderem. Se for este o principal objetivo do embalsamamento, deve-se levar diversos pontos em consideração:

1 – O corpo se conservará, sob condições normais, durante 24 horas, a menos que tenha sido dissecado. Se foi mantido sob
refrigeração, como é o procedimento padrão, sem dúvida ficará preservado até depois do serviço de funeral.

2 – O corpo terminará por se decompor no túmulo. Sob boas condições, mesmo com os fluidos embalsamadores retardando a
deterioração da forma externa por grande período de tempo, relatos confiáveis indicam que os restos logo se tornam desagradáveis ao
olhar e com aparência totalmente não natural, em conseqüência do embalsamamento.

3 – O sentimento deveria se apegar à pessoa como ela foi em vida, como aparentava ser durante os anos de boa saúde, não ao cadáver.
O próprio falecido sem dúvida desejaria que seus entes queridos o recordassem como era durante o auge de sua vida.Existe atualmente
uma grande confusão em todo o processo de embalsamamento. Não há conhecimento público geral sobre os métodos, e certamente
muito pouco se conhece sobre "restauração" ou cosmetologia, um termo usado pela indústria funerária para enfeitar, apoiar e vestir o
cadáver a ser colocado para visitação. Há pouca dúvida que se a família estivesse informada sobre os procedimentos, ficaria
horrorizada demais para requisitá-los. Uma descrição detalhada está disponível no livro de Jessica Mitford, "The American Way of
Death".

A orientação religiosa ideal no que diz respeito ao embalsamamento é que uma pessoa falecida deve ser colocada para repousar de
maneira natural. Não deveria haver mutilação do corpo, nenhuma adulteração dos restos, e não mexer com o corpo a menos que seja
para purificação religiosa. A manipulação dos órgãos internos, às vezes necessária para o embalsamamento, é estritamente proibido
por ser uma profanação da imagem de D'us. O falecido não tem qualquer benefício com este procedimento. Tão importante é esse
princípio, que a Lei Judaica proíbe embalsamar uma pessoa, mesmo quando esta o desejava especificamente.

Não é um sinal de respeito deixar com aparência de vivo alguém a quem D'us tirou a vida. O motivo para embalsamar pode ser o
desejo de fazer do funeral um último presente ou um memorial duradouro, mas os enlutados devem entender que este presente e este
memorial são apenas ilusórios. A arte do embalsamador é a arte da completa negação. Ele procura criar uma ilusão, e na medida em
que for bem-sucedido, apenas impede o enlutado de recuperar-se da sua dor. Ao contrário, é uma extrema desonra perturbar a paz na
qual a pessoa deveria ter a chance de repousar eternamente.

É na verdade paradoxal que o homem ocidental, alimentado pelo conceito cristão do pecado do corpo, que é considerado a prisão da
alma, procure, na morte, adorná-lo e torná-lo bonito. Certamente, a ênfase no corpo no serviço de funeral serve para enfraquecer a
primazia espiritual e a tradicional ênfase religiosa na alma.

Existem, no entanto, diversas exceções à proibição geral de embalsamamento. São elas:

1 – Quando uma longa demora no serviço funerário se torna obrigatória.


2 – Quando o enterro vai ser realizado em outro país.
3 – Quando a autoridade governamental a exige.

Nesses casos, todos exigidos por causa de regulamentos de saúde, deve-se consultar a autoridade rabínica para determinar a permissão
e o método a ser usado.

É um costume judaico enviar flores para o enlutado ou depositar flores no tumulo de um ente falecido?

Nos dias de antigamente, informa o Talmud, flores e especiarias fragrantes eram usadas no funeral para disfarçar o odor do corpo em
decomposição. Atualmente, isso não é mais essencial e não devem ser usados em funerais judaicos. Em nossos dias, são usados
principalmente em funerais cristãos, e considerados como sendo um costume ritual não-judaico, que deve ser desencorajado.

É muito melhor homenagear o falecido fazendo uma contribuição a uma sinagoga ou hospital, ou a uma associação de pesquisa
médica sobre a doença que afligiu o falecido. Este método de tributo é mais duradouro e significativo. No entanto, se flores forem
enviadas à capela, e a pessoa que enviou não pode ser desencorajada, então recomenda-se o seguinte procedimento:

1 – Se a pessoa que enviou não se importar, as flores devem ficar para a casa funerária. Se isso não for feito, elas devem ser colocadas
sobre o túmulo, mas não exibidas durante o serviço.

2 – Se a pessoa que enviou é sensível a ponto de ficar ofendida, e se essas recomendações provocarem ofensa ou raiva, é preferível
aceitar as flores graciosamente e colocá-las como pretendido, mas não de maneira ostensiva.

Por que não se observa a Shivá no Shabat e nos feriados principais?

De acordo com a lei judaica, nenhum indivíduo pode chorar uma perda pessoal nos dias nacionais de festividade. A santidade e a
alegria do Shabat e dos feriados sobrepõem-se à tristeza do luto.
Embora o Shabat seja contado como um dos sete dias, interrompe-se temporariamente a observância da Shivá, e os enlutados
costumam sair de casa nesse dia para assistir aos serviços religiosos na sinagoga. Quando termina o Shabat, reinicia-se a Shivá.

Se um dos principais feriados judaicos (ou seja, os feriado bíblicos) cai durante a Shivá, o restante da Shivá é anulada. O mesmo
acontece quando ocorre um feriado entre o término da Shivá e o trigésimo dia de luto: anula-se o restante do Shloshim (veja pergunta
seguinte)..

Por que os mais próximos jogam os primeiros punhados de terra sobre o caixão?

Nas palavras da Torá: "Porque és pó, e ao pó retornarás" (Bereshit 3:19). Participando do ato do sepultamento, demonstramos que
aceitamos a vontade de D’us. Simbolicamente, devolvemos a Ele o que Ele nos deu.

A lavagem do cadáver antes do enterro não seria uma profanação do corpo?

Muito pelo contrário: é um tributo que prestamos ao morto. A origem desta tradição milenar se encontra no Livro de Eclesiastes:
"Assim como veio, assim retornará."

Da mesma forma como um recém-nascido é imediatamente lavado ao ingressar neste mundo fisicamente limpo e espiritualmente puro,
assim também aquele que parte é simbolicamente purificado através do ritual da tahará ("purificação").

Luto ou elevação?
Pergunta:
Se é uma libertação para a alma, porque a Torá prescreve períodos de luto?

Resposta:
Não há uma contradição aqui. A Torá reconhece os sentimentos naturais de tristeza sentidos pela perda de um ente próximo e querido,
cuja morte deixa um vazio na família. A presença física e o contato com o ente querido serão sentidos profundamente. Portanto, a
Torá prescreve determinados períodos de luto para dar expressão a esses sentimentos, e para tornar mais fácil recuperar o próprio
equilíbrio e ajustamento.

No entanto, entregar-se a estes sentimentos além dos limites estabelecidos pela Torá – além de ser um desserviço a si mesmo e aos
outros, bem como à Neshamá – significaria que a pessoa está mais preocupada com os próprios sentimentos que com os sentimentos
da Neshamá que ascendeu a novas alturas espirituais de felicidade eterna. Assim, paradoxalmente, o prolongamento excessivo dos
sentimentos de tristeza, devido ao grande amor pelo ente querido que partiu, na verdade causa sofrimento ao ente querido, pois a
Neshamá continua a interessar-se pelos parentes que ficaram para trás, vê o que está acontecendo (melhor ainda que antes) e se alegra
com eles quando estão felizes, etc.

Embora a alma seja eterna e esteja agora num estado não restringido pelas limitações do corpo, está plenamente cônscia daquilo que
acontece na família. Quando vê que é causa de tristeza e luto além dos limites do razoável estabelecidos pela Torá, obviamente fica
aborrecida e isso não contribui para a paz e felicidade da alma.

Mesmo durante a estada da alma nesta vida, o vínculo real entre a pessoa e os membros da família não são físicos, mas espirituais. O
que faz a pessoa não é a sua carne, mas seu caráter e qualidades espirituais. Este vínculo permanece e todos aqueles que amaram a
pessoa deveriam tentar levar mais gratificação e elevação espiritual à Neshamá por meio de maior apego à Torá em geral, e
particularmente no âmbito relacionado com a partida da alma. Ou seja, observar aquilo que é prescrito para o período de Shivá mas
não estendê-lo, e da mesma forma, com o período de Shloshim (trinta dias) mas não além disso, e então servir a D’us por meio do
cumprimento de Suas mitsvot como o serviço deveria ser – com júbilo e alegria no coração.

A alma que se foi não pode mais cumprir mitsvot, pois isso é algo que somente pode ser feito em conjunto pela alma e pelo corpo
neste mundo material. Mas isso, também, pode ser parcialmente superado quando aqueles que ficaram cumprem mitsvot e boas ações
em homenagem, e em benefício, da Neshamá que se foi.

O Shiva é um período de luto pela alma de um ente querido que retornou ao Mundo da Verdade. Uma alma judaica é descrita na Torá
como “a lamparina de D’us”, pois seu propósito nesta terra é divulgar a luz da Divindade. Sua partida desta terra é um motivo para o
luto da maneira prescrita na Torá. Porém, juntamente com isso, não se deve esquecer que a alma é eterna. Também não deve ser
esquecido que até um evento triste vem de D’us, portanto não pode haver dúvida de que há nele um bom propósito.

Porém o objetivo essencial de Shiva é que “os vivos devem refletir em seu coração” (Cohêlet 7:2). Isso significa que aqueles que
ficaram para trás devem examinar seu coração e reavaliar-se. Devem tentar aperfeiçoar-se em áreas da vida diária que são reais e
eternas – i.e., Torá e mitsvot. Na verdade, como a alma que ascendeu ao Céu deixou uma lacuna de boas ações descontinuadas aqui na
terra, os parentes e amigos devem fazer uma compensação por meio de esforços adicionais de sua parte.

Por que o corpo é sepultado envolto apenas numa simples mortalha branca?

No antigo Templo Sagrado de Jerusalém, o Sumo Sacerdote usava uma simples vestimenta de linho branco no dia mais sagrado do
ano, Yom Kipur. Lá ele confessava a D’us, e pedia o perdão divino pelos seus pecados e os pecados do seu povo.

Analogamente, quando a pessoa morre, ela vai ao encontro do Criador envolta numa simples roupa branca, símbolo de humildade e
pureza. Mais ainda, enterrando ricos e pobres em vestes iguais, simples e sem quaisquer ornamentos, ressaltamos um dos grandes
valores judaicos e universais: a igualdade social.

Em que consiste a tradição de ficar sete dias em casa após uma morte na família (Shivá)?

A palavra "Shivá" significa "sete", e se refere ao período de sete dias de luto contados a partir do dia do enterro. A tradição tem
origem na Torá, quando José "chorou sete dias" pelo seu pai, Yaacov (Bereshit 50:10). Durante uma semana, os enlutados ficam em
casa, abstendo-se de quaisquer atividades profissionais ou de lazer. Parentes e amigos fazem visitas de condolências a casa dos
enlutados, e três vezes por dia (de manhã, à tarde e à noite) realizam-se serviços religiosos.

A Shivá tem como finalidade dar a família apoio psicológico e espiritual para se fortalecer e poder enfrentar a perda de um ente
querido. O enlutado não está só; ele faz parte da "comunidade dos enlutados de Sion". É esta consciência de grupo que lhe dá
conforto, já que recebe o apoio e o consolo dos familiares e amigos durante estes dias para retornar a sua vida normal.

O valor de um dia
Pergunta:
Por que há o costume judaico de desejar “Vida longa” aos enlutados? Após perder um ente querido, por que você desejaria ter uma
vida longa sem aquela pessoa? A bênção para vida longa não pode ser às vezes uma maldição?

Resposta:
Por Aron Moss

No original hebraico, a bênção é “Que você tenha longos dias.” Alguns de nós são abençoados com vidas longas, outros não. Porém
todos podemos ter dias longos. Um dia longo é um dia repleto de significado, um dia passado praticando o bem, espalhando felicidade
e cumprindo um objetivo. Um dia de doação e amor, de estudo e ensinamento, construindo espíritos e elevando almas – este é um
longo dia. Alguns conseguem numa vida breve aquilo que outros jamais conseguem fazer. A diferença não é como você passou sua
vida, mas como você passou o seu dia. Não escolhemos quantos dias vivemos, mas podemos escolher como viver nossos dias.A
duração de nossos dias não é medida em horas no relógio, mas nas batidas do coração, não em minutos mas em mitsvot. Quando
sofremos a perda de um ente querido nos tornamos mais cônscios de como apenas mais um dia pode ser precioso. Um dia
desperdiçado é uma eternidade perdida. E um dia bem aproveitado pode ter um impacto eterno. Sim, sempre há o amanhã, mas hoje
existe apenas o hoje. Temos muitas vidas, mas esta nós vivemos apenas uma vez. Não espere pelo amanhã. O tempo é curto,
transforme o dia de hoje num longo dia.
Qual é a origem do Cadish?

A vida apos a morte é uma espécie de “sala de espera” de até um ano antes que o nosso destino final (entrada no Mundo Vindouro ou
no esquecimento… não há uma noção de punição eterna) seja determinado.

Durante este tempo, é um costume judaico fazer boas ações em nome do falecido, em mérito a sua alma. Desta forma o Cadish, um
aprece de louvor a D’us é recitada em nome daquele que se foi, para ajudar na elevação de sua alma. O Cadish costuma ser recitado
durante 11 meses para demonstrar que nossos entes falecidos não permanecerão ali por 12 meses. Passado os 11 meses da recitação do
cadish, a alma da pessoa falecida sairá da “sala de Espera” para o destino que a aguarda; uma outra etapa.

Por que se costuma servir ovos depois de um funeral?

A forma arredondada do ovo simboliza a natureza cíclica e contínua da vida, e reflete nossa crença na imortalidade da alma. Embora
não retenha mais seu formato original, o ovo foi num estágio anterior a fonte de uma nova vida. Assim também, apesar de não
podermos mais desfrutar da presença física do ente querido que partiu, estamos conscientes de que as sementes que ele plantou aqui na
Terra ainda gerarão belos frutos, e que seu espírito viverá eternamente. Outra explicação: assim como o ovo não consegue se manter
equilibrado numa mesma posição, e vira continuamente, esperamos que a nossa sorte também possa virar, e que a tristeza de hoje
possa se transformar em dias de alegria. Comemos ovos e lentilhas, outro alimento redondo, para nos lembrar que a morte é uma parte
natural da vida e algo que precisamos aceitar.

Por que as pessoas que acompanham o caixão fazem algumas paradas antes de chegar ao túmulo?

Estas paradas visam afastar os maus espíritos que acompanham o corpo que querem impedi-lo de seguir para o descanso final. Por este
motivo, em dias festivos, quando o tsiduc hadin não é recitado, não são feitas estas paradas pois estes espíritos não tem domínio nestes
dias. Atualmente, costuma-se fazer 7 paradas durante o cortejo no cemitério, próximo à chegada ao túmulo, nas últimas 30 amot
(aprox. 15 m), uma parada a cada 4 amot (aprox. 2m). Antes de cada uma destas paradas costuma-se recitar o Salmo 91, também 7
vezes, até antes do versículo “Ki malachav...”. Em cada uma das paradas, acrescenta-se uma palavra deste versículo, encerrando-o na
sétima vez. Após a sétima parada, faz-se uma espera um pouco mais longa, para trazer capará ao falecido, e então se recita 3 vezes o
versículo (Tehilim LXXVII): “Vehu Rachum yechaper avon velo Yashchit vehirbá lehashiv apó veló yair col chamató” (E Ele é
Misericordioso, vai perdoar o pecado, e revoga Sua ira demasiadamente, e não despertara todo Seu ódio). Em seguida, leva-se o
caixão direto ao túmulo Nos dias em que o tsiduc hadin não é recitado (veja adiante próximo cap.), não se faz esta paradas. Existem
costumes que só se faz estas paradas para falecidos homens, e não para mulheres. Outros costumam fazer para ambos. Deve-se seguir
o costume local.

Morte – Por que a tememos

Pergunta:
Minha tia não tem muito tempo de vida, e ela está falando abertamente sobre seu medo da morte. Sou como um filho para ela porque
nunca teve filhos, e estou indo visitá-la, quem sabe pela última vez. Poderia dar-me algum tipo de orientação? Como afastar os
temores de uma pessoa que está para deixar este mundo?

Resposta:
Por Aaron Moss
Você sabe o que é o mais assustador sobre morrer? Não é o sofrimento da morte, nem os possíveis tormentos da vida que vem depois,
não é o desconhecido que está além do túmulo.Nosso maior medo é de sermos esquecidos.

É assustador pensar que podemos deixar este mundo desapercebidos. Isso significaria que nossa vida inteira, tudo aquilo que
conquistamos, nosso sonho e ambição, sucesso e fracasso, tudo se resumiu a nada. O mundo continuará sem nós. Isso não
conseguimos enfrentar.

Este medo pode ser intensificado em alguém que não foi abençoado com filhos. Pelo menos deixar um filho no mundo significa que
você fez alguma impressão duradoura, que colocou em movimento um eterno processo de renascimento, há um senso de continuidade.
Porém se a pessoa não deixa filhos, então até este senso de continuidade parece perdido.

Porém não está perdido. Um provérbio judaico diz: “Os filhos que deixamos para trás são nossas boas ações.” O impacto positivo que
causamos naqueles à nossa volta é eterno. Toda boa ação que fazemos, por mais insignificante que possa parecer, deixa uma marca
permanente no mundo. E a bondade acumulada no decorrer de uma vida inteira de moral é uma força de energia positiva que deixa
uma impressão duradoura que jamais pode se perder.

Quando encontrar sua tia, faça com que ela saiba que será lembrada. Talvez ela nunca tenha pintado uma obra prima, talvez não tenha
um aeroporto que recebeu seu nome. Porém ela conseguiu algo muito mais permanente que tudo isso; as vidas que ela tocou, o
impacto que teve sobre você e sua família, a sabedoria que ela transmitiu e a bondade e calor que trouxe ao mundo, estas
permanecerão muito tempo depois de a alma ter ido para locais mais elevados.
Diga-lhe que algumas das coisas que ela lhe ensinou você prezará para sempre, e agradeça pelo amor que ela lhe demonstrou.
Assegure que você recitará o cadish e as preces memoriais por ela depois da sua morte. E diga as palavras dos nossos Sábios: “Se você
ensinar Torá ao filho de outra pessoa, é como se os tivesse dado à luz.”

Nós temos pais físicos que trouxeram nosso corpo ao mundo, e temos muitos pais espirituais que nutriram nossa alma. Sua tia foi uma
mãe nesse sentido, e por isso ela será para sempre lembrada.

Por que o corpo é enterrado tão depressa depois da morte?

Está escrito em Bereshit que D’us disse a Avraham: “Pois és pó e ao pó retornarás” (Bereshit 3:19).

Por que retardar aquilo que é considerado apropriado e inevitável? Estamos meramente mostrando nossa devoção aos nossos valores
espirituais quando nos apressamos a cumprir aquilo que acreditamos ser a vontade de D’us. Portanto, a lei judaica ordena que o corpo
seja sepultado o mais breve possível, de preferência no mesmo dia. Uma exceção é feita no Shabat e no Yom Kipur, durante os quais
não se pode realizar o enterro.

Adiar o sepultamento é visto como um desrespeito para com o falecido e só deverá ocorrer na necessidade de aguardar a chegada dos
filhos. Segundo as fontes místicas judaicas, a alma só descansa depois que o corpo é enterrado, iniciando um processo lento e paralelo:
a decomposição do corpo e o desligamento da alma deste mundo e sua elevação nos mundos espirituais; motivo pelo qual a cremação
é proibida pelo judaísmo, pois é brusca e elimina esta etapa tão fundamental para a paz da alma do falecido - seu desligamento deve
ser suave e tranquilo nesta passagem.

Outro motivo para enterrarmos os mortos tão depressa é porque há um princípio no Judaísmo chamado “Kavod HaMet” – honra, ou
respeito, aos mortos. Como cada um de nós é criado à imagem de D’us e entendemos nossa centelha de vida, nossa alma, como sendo
um empréstimo Divino. Quando alguém morre, não é considerado apropriado esperar pelos processos naturais de decomposição
começarem a degradar o corpo. Portanto, é considerado um ato final de respeito a uma pessoa, e a D’us, enterrar o corpo tão
rapidamente quanto possível.
Abaixo segue trecho do livro “Os Últimos Momentos, Por Rabino Shamai Ende que responde esta questão:

A proibição do Pernoite

1. A Torá nos proibiu deixar o corpo passar uma noite sem ser enterrado [Consta na Torá sobre uma pessoa que teve pena de morte
pelo tribunal e foi posteriormente pendurada conforme nos ordena a lei (Devarim XXI, 23): “Não deixe seu corpo pernoitar sobre a
árvore, pois tem a obrigação de enterrá-lo naquele dia...". – Daqui nossos sábios aprenderam a proibição de deixar um corpo pernoitar
desnecessariamente, como também a obrigação de enterrá-lo no mesmo dia do falecimento, sendo que até mesmo alguém que cometeu
uma falta tão grave que foi suscetível à pena capital, merece este respeito. Além do mais, dizem nossos sábios que a alma sofre
enquanto o corpo não foi enterrado, sendo que enquanto isto não ocorre ela não tem seu descanso final. Este deve ser enterrado
Obrigatoriamente antes do pôr-do-sol. Porém, se deixam de enterrá-lo por sua honra, ou para providenciar-lhe o caixão e as mortalhas,
isto é permitido. O que quer dizer em sua honra? Por ex. para esperar os filhos que estão chegando de viagem, ou para transportá-lo
para a Terra Santa. No entanto, deve sempre se aconselhar com um rabino antes de postergar um enterro, e nunca decidir sozinho, pois
muitas vezes um motivo não é suficiente pela halachá para atrasar o enterro.

2. Os responsáveis para agilizar o enterro são os parentes próximos. Caso este não tenha parentes, a responsabilidade recai sobre a
Chevra Kadisha nomeada pela comunidade, ou pelo tribunal Rabínico (Beit din) local, caso não há uma Chevra Kadisha.

3. Mesmo que o corpo já se encontra no cemitério, dentro de um caixão, e mesmo que o enterro já ocorreu, porém por qualquer motivo
este foi desenterrado, enquanto não voltar a enterrá-lo, transgride-se as proibições acima.

Por que é costume rasgar a roupa dos enlutados?

Este ritual, keriá, é um sinal tradicional de luto desde os tempos bíblicos. A Torá relata que Yaacov, ao receber a falsa notícia de que
seu filho Yosef tinha sido devorado por uma fera, reagiu "rasgando as vestes" (Bereshit 37:34). Também David rasgou suas vestes ao
saber da morte do Rei Saul e seu filho Jonathan.

Esse ritual tem uma finalidade psicológica: uma forma de descarregar a dor e a angústia diante da perda de um ente querido. Ao rasgar
a roupa, o enlutado profere a benção "Baruch Dayan HaEmet", "Bendito seja o verdadeiro Juiz", demonstrando assim que apesar da
tragédia, sua crença em D’us e na justiça divina continua inabalável.

Por que não é permitido usar sapatos de couro durante a shivá e como a pessoa enlutada deverá proceder?

Resposta
Por Maurice Lamm
O desconforto físico é um meio de acentuar o estado de luto. Neste contexto, os enlutados abstêm-se de usar sapatos de couro, roupas
novas, cosméticos, enfim tudo que traz conforto e prazer. O conforto de usar sapatos de couro é negado aos enlutados durante o
período de shivá, como em Yom Kipur, quando sapatos de couro não podem ser usados, meias ou sapatilhas durante o luto
simbolizam a mortificação pessoal e desprezo da vaidade e do conforto, para melhor se concentrar no significado profundo da vida.
Assim, o Profeta Yechezkel é instruído a remover os sapatos enquanto está de luto. Este ato simboliza para o judeu a aceitação formal
do luto.

1 – Pode-se usar sapatos feitos de outro material que não o couro, e não é necessário andar somente de meias. Sapatos de tecido,
junco, pelo ou madeira são permitidos, desde que não sejam cobertos com couro e as solas sejam feitas de outro material. Borracha ou
plástico sintético podem ser usados, mesmo se o cadarço for feito de couro, pois este não é usado para cobrir o pé. Embora sapatos de
courvin ou outra imitação de couro com solas de borracha sejam teoricamente permitidos segundo a Lei Judaica, a aparência é
semelhante à do couro e, por isso, poderia levar pessoas a pensarem erroneamente que o enlutado não está honrando o falecido como
deveria. Estes sapatos devem portanto, ser evitados se possível.

2 – Uma mulher grávida, ou pouco após o parto, um doente ou alguém sujeito a adoecer por causa do frio, alguém que sofre de
doenças nos pés, doenças de pele, ou alguém que tem pés cronicamente fracos que exigem o apoio de couro estruturado, podem usar
sapatos de couro. Mesmo nesses casos é preferível, se possível, não usar sapatos na presença daqueles que vêm visitar durante a shivá.

3 – Quem tiver permissão de sair da casa durante a shivá para assuntos oficiais do governo, ou para fazer alguma outra aparição
pública importante, pode usar sapatos de couro enquanto está fora, mas deve retirá-los quando voltar para casa. Quem não tem minyan
em casa, e deseja viajar a serviço, pode usar sapatos de couro enquanto está em trânsito, se não houver outros sapatos socialmente
aceitáveis, mas deve removê-los na sinagoga e quando voltar para casa. Em todos esses casos, um pouco de terra deve ser colocada
dentro dos sapatos de couro para manter o enlutado sempre consciente de que está de luto.

Por que não há caixões ornamentados e flores nos enterros judaicos?

Nós judeus frisamos a igualdade de todos os seres humanos em sua morada final. Na morte, "rico e pobre se encontram, pois ambos
foram criados por D’us" (Provérbios 22:2).
Somente as pessoas abastadas poderiam ser enterradas com pompa. Por esta razão, fazemos questão de realizar o enterro sem
ostentação, sem enfeites, sem flores, ressaltando o respeito ao falecido através da simplicidade.

Nossos sábios tinham receio da tendência humana de cultuar os mortos, enfeitando-os e preparando-os após a morte. É interessante
notar que o local do sepultamento de Moisés é desconhecido para evitar que cometamos o pecado da idolatria. Nós, como judeus, não
cultuamos os mortos. Pelo contrário: diante da morte, reafirmamos a vida. E dedicamos respeito e homenagem em memória ao ente
falecido através de nossas ações.

Por que os enlutados sentam-se no chão durante a Shivá?

O costume provém do relato bíblico sobre o Rei David. Ao receber a notícia da morte de seu filho, David "rasgou suas vestes e
prostrou-se por terra" (II Samuel 13:31). Sentando-se no chão ou em bancos, almofadas baixas, os enlutados expressam seu pesar e
seu desejo de ficar perto da terra na qual o ente querido está sepultado.

O que significa fazer shemirá para um morto?

A partir do momento do falecimento, até o enterro, é proibido deixar o corpo desacompanhado.Onde for possível, deve sempre haver
alguém com o corpo até o funeral. Isso é conhecido como shemira (guarda de honra). Portanto, uma pessoa é designada para servir
como shomer (vigia) em honra ao falecido. Ele não pode estudar Torá, mas deve recitar Tehilim (Salmos). Não pode comer enquanto
está de guarda. (Kitzur Shulchan Aruch 195:11).

Mesmo que o enterro leve alguns dias (não deve ser protelado, mas aqui refere-se a exceções), e mesmo que não exista suspeita de que
algo mal possa vir a ocorrer com o corpo, este deve estar sempre acompanhado e não deixado a sós nem por um minuto,[Consta no
Maavar Yabok (1, 24) que o motivo disto é que ao encontrar um corpo desacompanhado, os espíritos de impureza se apoderam dele e
o impurificam, já que estes foram criados sem corpo, e desejam se apossar de um, principalmente quando este tiver a santidade
judaica] tanto durante o dia como durante a noite.

Este shomer deve constantemente recitar Salmos e outras preces próximo do falecido, sendo proibido conversar perto do morto
assuntos que não dizem respeito ao enterro e suas preparações. Como também, é proibido cumprimentar alguém, ou responder a um
cumprimento perante o morto e comer ou fumar no local. Este shomer está isento de recitar o Shemá e de rezar e de qualquer outra
obrigação da Torá (como colocar Tefilin por ex.) enquanto está ocupado com a guarda do corpo (logicamente que é proibido
transgredir qualquer proibição). Porém se duas pessoas estão fazendo a shemirá, devem se intercalar sendo que enquanto um fica
cuidando o outro sai para recitar o Shemá, rezar e colocar o Tefilin. Quando o período de guarda é longo, ou quando se passa uma
noite, aconselha-se a designar dois shomrim para que enquanto um cuida o outro possa descansar e dar uma saída se for necessário,
evitando que o falecido fique desacompanhado sequer um minuto. Mesmo se o corpo pernoita numa câmara fria, deve-se ter um
shomer próximo.
Sofrimento
Pergunta:
No ano passado, minha filha de 9 anos foi diagnosticada com leucemia, Ora, eu sei que toda mãe diz isso, mas minha filha realmente é
tão perfeita como um ser humano poderia ser. É meiga, gentil, carinhosa e compassiva. Ela sempre desejou trabalhar na NASA
quando crescesse, para poder salvar o meio ambiente, a humanidade e o mundo. Porém após um ano de quimioterapia e radiação, ela
sofreu alguns efeitos colaterais bastante perigosos e raros. Ela não deixou que as drogas aleijassem seu espírito, mas cada órgão de seu
corpo ficou enfraquecido. Minha filha perdeu grande parte de sua inocência e fé na bondade do mundo. Agora ela não é mais tão
capaz de ajudar os outros. Portanto, aqui está minha pergunta: Por que D’us atingiu uma criança tão perfeita? Ele não desejaria que ela
salvasse o mundo? Por que ela deve sofrer, e nunca ser capaz de realizar seu sonho de ajudar a humanidade?

Resposta:
Por Aron Moss

Meu coração vai até você nesta que deve ser a hora mais dolorosa e sofrida. Não há palavras que possam aliviar sua dor, nem
explicações que possam satisfazer um coração que sofre pela vida que poderia ter sido a de sua filha. Faço coro aos seus protestos pelo
sofrimento imerecido de sua filha, juntamente com o sofrimento de todos os inocentes. Não acredito que D’us deseja que defendamos
o sofrimento de inocentes. Ele deve ter Seus motivos, mas isso é assunto d’Ele. Nosso assunto é nos opormos, protestarmos, para
aliviar o sofrimento de pessoas inocentes da melhor forma possível. D’us é responsável por permitir que exista o sofrimento. Porém
devemos reconhecer que D’us é a fonte da vida em si, e a vida também é imerecida. Ninguém conquistou o direito de viver, e ninguém
ganhou vida por si mesmo. D’us é responsável pelo sofrimento, mas também é responsável pela vida. Então, assim como podemos
perguntar: “O que esta menina fez para merecer tanto sofrimento?”– podemos também perguntar “O que fizemos para merecer uma
alma tão linda como a dessa menina?” O próprio fato de que uma alma tão brilhante tenha descido a este mundo é um presente. Pois
qualquer que seja o motivo, esta alma teve de passar pela mais escura das jornadas, e mesmo assim sua alma é a mais brilhante. Assim
como sofremos ao ver o seu sofrimento, devemos também agradecer pela sua bondade. D’us também a causou. Toda vida tem de ser
vista como um todo, um pacote. O bem e o mal, o doloroso e o belo, estas coisas não podem ser separadas. São todas intrínsecas à
identidade da alma, e à sua jornada nesta vida. Você não pode ter os talentos sem os desafios, e não pode ter a beleza sem o
sofrimento. As esplêndidas qualidades de sua filha e seu terrível sofrimento – esta é a alma dela. Por que é assim? Por que não pode
ser diferente? Somente D’us sabe. E a verdade é que não queremos saber a resposta para isso. Não queremos uma explicação para o
sofrimento, queremos apenas que termine. Enquanto isso, tudo que podemos fazer é sermos gratos pela vida. E agradecermos o
presente que recebemos, a alma de sua filha, que traz e continuará a trazer bondade e luz a este mundo. Na NASA eles lhe dirão como
nosso planeta terra é pequeno e insignificante no esquema do universo. Porém há algumas coisas que eles jamais descobrirão em
qualquer outro lugar do universo: o amor incondicional de uma mãe pelo filho, o espírito indomável do ser humano face à
adversidade, e o simples mas infinito poder que os seres humanos têm para dar, cuidar e amar, e de fazer o bem para o próximo. A
NASA pode fazer muitas conquistas para o nosso planeta. Porém uma menina que enfrenta a adversidade com dignidade, e compensa
o sofrimento com bondade, luta contra o desespero com esperança, pode conquistar muito mais. Desejo a você, à sua filha e todos os
seus entes queridos muita força e coragem para enfrentar os desafios que estão pela frente, e rezo pelo seu pronto restabelecimento.

Suicídio
O dom da vida é uma dádiva Divina, não cabendo, pois, aos seres humanos a decisão de interrompê-la ou encurtá-la. O suicídio é
condenado pelo judaísmo e comparado ao ato de renegar a fé. Por isso, os atos de luto e sepultamento são feitos neste caso com muitas
restrições. De toda forma, cada caso é um caso, e deve-se convocar rabinos para que analisem o caso minuciosamente, a fim de
encontrarem circunstâncias atenuantes e para verificar se é realmente um caso de suicídio voluntário, antes de serem aplicadas as
restrições estipuladas pela Lei, cmo a que determina seu sepultamento a uma distância de aproximadamente 5 metros dos demais
túmulos e a não observância de luto.

Por que se colocam velas acesas ao lado do corpo?

"O espírito do homem é a vela de D’us" (Provérbios 20:27). A luz das boas ações praticadas pelo falecido ao longo da vida o
acompanhará ao repouso eterno. De acordo com o pensamento místico judaico, a chama simboliza a alma do ente que partiu, pois ela
se dirige sempre para o alto. Mantendo uma vela acesa durante a primeira semana de luto, e também no dia do aniversário do
falecimento, estamos ajudando a ascensão da alma aos céus.