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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI - UFSJ

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA – PGHIS

O CLERO PARA ALÉM DO SAGRADO: ATUAÇÃO POLÍTICA DOS PADRES


EM MINAS GERAIS, 1834-1837.

Linha de pesquisa: Poder e Relações Sociais.

Plano Preliminar de Pesquisa requisitado pelo


processo de seleção de alunos para ingresso no
programa de Pós-Graduação em História da
Universidade Federal de São João del-Rei.

SÃO JOÃO DEL-REI - MG


OUTUBRO DE 2017
APRESENTAÇÃO DO TEMA/ PROBLEMA DE PESQUISA

O presente plano de pesquisa se propõe a analisar a atuação política dos clérigos


em Minas Gerais, dentre os anos de 1834 a 1837. Mais especificamente, consideraremos
como objeto de estudo os padres que adentraram às arenas políticas, por meio de cargos
ou por meio da edição ou participação em periódicos. Nosso principal objetivo é ver como
a política nacional se propagou pela província e se desenvolveu por meio da figura dos
sacerdotes que tomaram frente dos debates políticos em Minas Gerais. Se possível, ver
como essas relações se davam nas comarcas, cidades, vilas e freguesias da província
mineira.
A atuação dos padres políticos é expressa de forma clara na imprensa periódica
mineira do período regencial. É extremamente comum as discussões sobre o contexto
político nacional, com discursos acalorados e “incendiários”. Parte das vezes, é possível
identificar a figura dos padres como agentes do processo de discussão e de disseminação
das ideias.1 São facilmente reconhecidos como colaborados e redatores de periódicos os
padres José Antônio Marinho2, Antônio José Ribeiro Bhering3, José Bento Leite Ferreira
de Melo e João Dias de Quadros Aranha, todos eles deputados na 3ª legislatura.4 No
entanto, de acordo com pesquisas preliminares feitas no periódico Astro de Minas, de São
João Del Rei, foi possível notar a participação de clérigos que atuavam no poder local,
como vereadores, juízes municipais e de paz, ou simplesmente vigários que se
pronunciavam a respeito da política do período.5
Otávio Tarquínio de Souza já defendia, pelo menos desde a década de 1950, a
importância de se dedicar estudos a classe religiosa nos movimentos políticos brasileiros
e na difusão de ideias e projetos, definindo o século XVIII e a primeira metade do século

1
SOUZA, Françoise Jean Oliveira. Do Altar a Tribuna: os padres políticos na formação do Estado
nacional brasileiro, 1823-1841. Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em História). Universidade Estadual do
Rio de Janeiro, 2010 p. 58
2
Cf. AMARAL, Alex L. Documento inédito: História do jornal Astro de Minas pela pena do padre José
Antônio Marinho. Revista de História e Estudos Culturais. Vol. 4, ano IV, nº4.
3
LUZ, Estevão de Melo Marcondes. Incendiárias Folhas: ação política e periodismo na trajetória do padre
Antonio José Ribeiro Bhering (1829-1849). Franca, 2016. Tese (doutorado em História). Universidade
Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.
4
SOUZA, F. O. Do Altar a Tribuna... op. cit. p. 430-460.
5
Informações encontradas nas edições do “Astro de Minas” entre os anos de 1833 a 1837, disponíveis na
Hemeroteca digital da
Biblioteca Nacional: <http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=709638>

2
XIX como os períodos mais ricos para análise do tema.6 Neste sentido, o recorte temporal
escolhido abrange parte do período regencial, especificamente a 3ª legislatura, 1834 a
1837, cujo governo foi marcado por embates políticos, pelo fortalecimento do poder
legislativo e pelo crescimento da imprensa periódica, que contribuía para a difusão das
ideias. Além disso, é o momento com maior número de clérigos nas cadeiras do
Parlamento; somavam cerca de 24% dos deputados no período proposto.7
O recorte espacial se dá devido a necessidade de se analisar um número ampliado
de fontes, desta forma escolhemos Minas Gerais como o foco do estudo, tendo como
objetivo aprofundarmos um pouco mais no tema. Minas se vê como integrante das
províncias de primeira grandeza e que estabelece importante tráfico de mercadorias e de
ideias com outras províncias, sobretudo com a Corte do Rio de Janeiro.8 É, também,
visivelmente privilegiada quanto ao número de cadeiras no Senado e na Câmara dos
Deputados, além de um número considerável de Ministros; dentre os 19 deputados
mineiros 5 eram clérigos, com um deles sendo eleito senador, o padre José Custódio.9 Tal
privilégio quanto ao número de representantes por Minas vinha, essencialmente, pelo
motivo de ser a província mais populosa do Império, com cerca de 16, 93% da população
geral no início do Segundo Império.10
A historiografia já vem mostrando a participação dos sacerdotes na política
imperial, porém, algumas perguntas ainda ficam no ar, ou pelo menos suas respostas ainda
são deficitárias. As questões que surgem quanto ao objeto que nos dirigimos podem ser
resumidas em três: quais as bases que permitiam aos padres o exercício dos cargos
públicos e a disseminação de suas ideias, inclusive no âmbito local? quais suas vertentes
ideológicas e como elas eram transmitidas? O fato de serem padres influenciava, de forma
positiva ou negativa, quanto ao apoio da elite local e/ou da população?11

6
SOUSA, Octávio Tarquínio de. História dos Fundadores do Império do Brasil: Fatos e Personagens
em Torno de um regime. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1988. p. 147.
7
SOUZA, F. O. Do Altar a Tribuna... op. Cit. p. 18
8
CARVALHO, José Murilo de. A construção da Ordem: a elite política imperial. Teatro de Sombras:
a política imperial. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2013, p.135-137
9
BRASIL. Congresso. Câmara dos Deputados. Centro de Documentação e Informação. O
Clero no Parlamento Brasileiro. Brasília; Rio de Janeiro, Fundação Casa de Rui Barbosa, vol. 3, 1978-
1980, p. 169.
10
CARVALHO, J. M. A construção da ordem... op. cit. p, 133 e 135.
11
Cabe ainda pesquisar meios de percebermos sobre o que pensava a população, talvez o apadrinhamento
seja um sinal de apoio.

3
Com base nas perguntas surgem algumas hipóteses. Levando em conta os estudos
de Françoise Souza e de José Murilo de Carvalho podemos perceber que a educação
obtida pelos padres nos seminários podia auxilia-los quanto a seu ingresso nos debates
políticos, ao mesmo tempo em que sua posição como clérigo, algumas vezes com títulos
de Ordem e/ou propriedade, poderia influenciar na obtenção de apoio de grupos
importantes da sociedade.12 Com base nisso, pensamos que os padres foram privilegiados
tanto por sua condição de intermediário para com o Sagrado, quanto por se destacarem
da maioria da população dentro do campo intelectual, e por vezes econômico, auxiliando-
os a estabelecer vínculos. Trocando em miúdos, sua condição como sacerdote, posição de
destaque dentro das comunidades devido ao caráter religioso que rodeava a sociedade
imperial, poderia permitir que padres usassem da sua posição de poder para conseguir
votos nas eleições e, por vezes, cooptar auxílio político.
Por fim, apesar da afirmativa de que Minas seria a “terra dos padres libertários”13
e da hegemonia liberal-moderada14, os debates ainda tinham colaboradores que não
estavam de acordo com o “partido da Ordem” do momento, e que por vezes se
identificavam como padres; essa dicotomia entre o padre “libertário” e o padre
“conservador”, pode ser vista dentro das páginas dos periódicos mineiros.15Um dos casos
que exemplifica essa dicotomia é a rixa entre os padres Antônio Marinho e Justiniano da
Cunha Pereira, redatores do Astro de Minas e do Parahybuna, respectivamente.16

DISCUSSÃO BIBLIOGRÁFICA

A historiografia vem abordando a questão dos padres políticos de forma bastante


periférica, tendo se voltado às biografias de determinados padres ou a contextos gerais.
Em grande parte, se destacam nesses estudos os clérigos que ocuparam posições de
prestígio dentro do governo ou os padres que fizeram parte das grandes revoltas. Desses
nomes se destacou o de Diogo Antônio Feijó - que chegou ao posto de Regente dentre os
anos de 1834 a 1837-, tendo sua biografia mais célebre escrita por Otávio Tarquínio de

12
Cf. SOUZA, Françoise J. O. Do Altar a Tribuna... op. Cit. p. 90 e 120; CARVALHO, José Murilo. A
construção da ordem... op.cit. p. 182.
13
CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem... op. Cit. p. 193.
14
SILVA, Wlamir. Liberais e povo: a construção da hegemonia liberal moderada na província de Minas
Gerais (1830-1834). São Paulo: Hucitec, 2009, p. 277-221.
15
Cf. Astro de Minas, 1836, ed. 1358
16
Cf. AMARAL, Alex Lombello. Documento inédito... op. Cit.

4
Souza.17 Para Minas, há algumas teses e artigos sobre determinados padres que
exerceram cargos políticos, como José Antônio Ribeiro Bhering, e José Bento Leite
Ferreira de Melo.18 Tais estudos nos auxilia quanto a percepção de como se deu a
trajetória de determinados padres dentro de contextos maiores. Sendo este o caso do
estudo de Estevão Luz, que procurou trabalhar a trajetória política de Ribeiro Bhering e
como este se expressava sobre a política por meio dos periódicos, daí o título do trabalho,
“Incendiárias Folhas”.
Apesar do auxílio do estudo de personalidades específicas, o trabalho que surge
como referência no estudo dos padres políticos é o de Françoise Souza, que tem como
foco mostrar a participação de diversos clérigos na política. Seu estudo busca
compreender as relações entre religião e política no Império e como se deu a participação
dos padres políticos no processo de construção das bases do Estado brasileiro. Foram
cerca de 85 padres analisados em todo o país, a autora se propôs a fazer uma prosopografia
dos deputados e senadores do Império identificados como clérigos.19 Desta forma, nos
concentraremos aos limites da província de Minas Gerais, em relação com os debates
políticos e a figura dos padres, buscando trazer à tona a figura dos sacerdotes, vistos em
grande parte, de forma genérica, como “libertários”.
Como se sabe, o período regencial foi marcado por diversas revoltas e discussões
acerca de projetos políticos distintos, com objetivos diversos. Segundo Marcello Basile
há, com a vacância do trono após a abdicação de D. Pedro em 1831, a divisão entre as
facções políticas que antes havia se unido em torno do objetivo comum de pressionar o
imperador; alcançado o objetivo, “liberais moderados” e “exaltados” se dividem.20
Segundo o autor, os liberais moderados já estavam organizados desde 1826, marcados
por nova geração de políticos vindos, sobretudo, do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São
Paulo, geralmente ligados à propriedade da terra, aos militares e à pequena burguesia;
enquanto isso, os exaltados se organizaram em torno da crise política, por volta de 1829;

17
SOUZA, Octávio Tarquínio de. História dos fundadores do Brasil: Diogo Antônio Feijó. Belo
Horizonte: Itatiaia. São Paulo: EDUSP, 1988.
18
Sobre o Padre Bhering ver LUZ, E. M, 2016; sobre o padre Ferreira de Melo PASCOAL, I. José Bento
Leite Ferreira de Melo: padre e político o Liberalismo moderado no extremo sul de Minas Gerais. Revista
Varia História, Belo Horizonte, vol. 23, nº 37: p.208-222, Jan/Jun 2007.
19
SOUZA, Françoise J. O. Do Altar a Tribuna... op. Cit.
20
BASILE, Marcello. O laboratório da nação: a era regencial (1831-1840). IN: GRINBERG, Keila;
SALLES, Ricardo. O Brasil Imperial: 1831-1889. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009, vol. II
p. 55.

5
ligavam-se, por vezes, às camadas médias urbanas, como profissionais liberais,
funcionários públicos, militares e eclesiásticos, porém, com pouca representatividade
dentro da elite política imperial; a terceira corrente se destaca, principalmente, após a
abdicação de D. Pedro, os “caramurus”, considerados em parte como restauradores;
tendo seus ideais voltados à centralização do poder nos moldes do Primeiro Reinado. 21
Em Minas Gerais, segundo constata Wlamir Silva, os liberais-moderados se
fortaleceram paulatinamente após a repressão por parte de D. Pedro I à Constituinte, o
partido torna-se hegemônico tendo como base uma nova elite política que se apoia
sobretudo na propriedade.22 Ou seja, os membros que formavam essa nova elite estavam
na grande maioria das vezes ligados a propriedade de alguma forma. Apesar disso, o autor
argumenta que tal elite se forma com bastante heterogeneidade, seus membros se
caracterizaram em geral por fazendeiros, comerciantes, padres, professores, magistrados,
etc.23
Para o contexto da sociedade carioca, Marco Morel afirma que as diferentes
vertentes políticas se expressavam e se propagavam por meio da imprensa. O autor
argumenta que a partir do decreto de 2 de março de 1821, em que se suspendia a censura
prévia à imprensa, o número de periódicos aumentou de forma significativa, mesmo que
em determinados períodos tenham ocorrido recuos. É a partir deste momento que há a
transformação do espaço público, com a mudança das formas de comunicação, que até
aquele momento se caracterizavam na forma típica de panfletos, e que agora se dava,
principalmente, por meio de debates na imprensa periódica. Além disso, a leitura
individual e privada faz com que a opinião passe a ser algo abstrato, com o julgamento
de cada cidadão-leitor.24 Para Morel, as ideias dirigidas ao “povo” por meio da imprensa
tem um caráter educador, transmitido por meio da “reflexão dos indivíduos ‘ilustrados’”.
25

Na mesma linha Françoise Souza, ao estudar os padres políticos, demonstra que


grande parte deles havia se inserido em algum espaço de socialização, como clubes,
sociedades e principalmente na redação de periódicos - o padre e deputado José Antônio

21
BASILE, Marcello O. N. de Campos. O laboratório da nação... op. cit. p. 59-61
22
SILVA, Wlamir. Liberais e povo... op. cit. p. 106-119.
23
Idem.
24
MOREL, Marco. As transformações dos espaços públicos: imprensa, atores políticos e sociabilidades
na cidade Imperial (1820-1840). Jundiaí: Paco Editorial, 2016. p. 238-240.
25
Ibidem, p. 243

6
Marinho foi redator/colaborador de pelo menos 5 periódicos, "O Astro de Minas"(1827-
1839), "Jornal da Sociedade Promotora da Instrução Pública" (1832-1833)
"Despertador Mineiro", "Americano" e "Correio Mercantil".26
Desse modo, desde a Independência até 1841, há um destaque de clérigos
atuantes no movimento político, não somente dentro dos cargos, mas também em
movimentos intelectuais e revolucionários por todo o país. O número de padres políticos
entre os anos de 1826 a 1841 foi enorme, marcando grande parte dos representantes no
legislativo. Em 1826, 22,5% dos deputados eram clérigos, 1830 a 1833 eram 22 %; em
1834 a 1837, 24%; e em 1838 a 1841 eram 16%. Porém após este período há um
decréscimo no número destes representantes dentro das Câmaras, sobretudo pelo
afastamento destes em favor da Igreja, relacionando-se ao fortalecimento do
ultramontanismo.27
Além dessa relação dos padres com o poder legislativo, José Murilo de Carvalho
evidencia que a situação do clero em relação ao Estado era ambígua, já que Estado e
Igreja estavam ligados pelo padroado desde o século XVIII, sendo os clérigos
funcionários públicos, pagos pelos cofres do governo geral, com salários conhecidos
como “côngruas”, que variavam de acordo com a paróquia em que se colavam - quanto
maior e mais influente for a paróquia mais recursos ela era capaz de captar.28 Com a
desorganização dos seminários após o padroado e a expulsão dos jesuíta o clero brasileiro
seria reconhecido por seus “costumes pouco acordes com a disciplina eclesiástica”,
adquirindo terras, escravos, exercendo cargos políticos, com filhos bastardos e formando
famílias ilegítimas.29 Mesmo assim (ou talvez por este motivo), as famílias tinham o
costume de direcionar um de seus filhos a condição de clérigo, tanto pela questão religiosa
quanto por ser “um bom negócio”, como afirmava Machado de Assis em seu Dom
Casmurro, já na década de 1870: “[...] a igreja brasileira tem altos destinos. Não
esqueçamos que um bispo presidiu a Constituinte, e que o Padre Feijó governou o

26
SOUZA, Françoise J. O. Do Altar a Tribuna... op. Cit. p. 450.
27
SOUZA, Françoise J. O. Religião e Política no Primeiro Reinadoe Regências: a atuação dos padres-
políticos no contexto de formação doEstado imperial brasileiro. Revista Almanackbraziliense nº08,
novembro de 2008.
28
CARVALHO, José Murilo. A construção da ordem... op. Cit. p.183
29
Idem, Quanto ao estudos dos padres que constituíam falmília,: Cf. NOLASCO, Edriana. “Por
fragilidade humana” – Constituição familiar do clero: em nome dos padres e filhos: São João del-Rei,
(século XIX). Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal de São João del-Rei, 2014.

7
Império...”.30 Um bom exemplo desse direcionamento por parte das famílias é o caso
exemplificado por Marcos Andrade quanto a Francisco Antônio Junqueira em finais do
século XVIII, sendo membro de uma das famílias mais proeminentes do sul de Minas.
Segundo o autor era comum os clérigos serem proprietários de terras e escravos, conforme
explicitava o viajante Saint-Hilaire.31
Os políticos em geral, segundo Alcir Lenharo, tinham relação com a propriedade;
os dois exemplos usados pelo autor foram dos padres José Custódio Dias, proprietário de
fazenda, negociante e político, e José Bento Ferreira de Melo, também proprietário de
terras e escravos. Para o autor, só eram políticos porque tinham suas bases na
propriedade, “o envolvimento com a propriedade e com os negócios estava inserido na
lógica da prática política desses homens”32 No entanto, Wlamir Silva afirma que as
relações com a propriedade não se davam da mesma forma, por vezes a relação com a
propriedade se dava por meio de um padrinho ou protetor, como é o caso do padre José
Antônio Marinho.33 De fato, de acordo com as análises feitas preliminarmente, é bem
comum que clérigos anunciassem nos periódicos a venda de fazendas ou a busca por seus
escravos fugidos, na maioria das vezes oferecendo recompensas.34
Uma das questões mais polêmicas quanto a participação do clero na política é a
de que esses indivíduos se utilizavam do status de clérigo simplesmente para conseguir
subir na pirâmide social. Neste caso, segundo Tarquínio de Souza, eram homens “mais
do século do que da eternidade”; homens que tinham abandonado seus deveres espirituais
em favor de sua carreira política.35 Augustin Wernet aponta ser comum que os padres se
engajassem na política para garantir interesses econômicos ou simplesmente para adquirir
autonomia enquanto vigário na paróquia.36 Os argumentos apresentados pelos autores

30
Cf. ASSIS, Machado. Dom Casmurro. IN: Todos os romances e contos consagrados de Machado de
Assis, vol. 2. Rio de Janeiro Nova Fronteira, 2016, p. 447.
31
ANDRADE, Marcos Ferreira de. Unidade, autonomia regional e construção do Estado nacional brasileiro:
a participação das elites do Sul de Minas Gerais (1831-1842). IN: Gonçalves, A. L.; ARAÚJO, V. L.(orgs)
Estado, Região e sociedade: contribuições sobre história social e política. Belo Horizonte: Argvmentvm,
2008, p.107
32
LENHARO, Alcir. As tropas da moderação: O abastecimento da corte na formação política do Brasil,
1808-1840. Rio de Janeiro: Biblioteca Carioca, 1993, p. 99-100
33
SILVA, Wlamir. Liberais e povo... op. Cit., p. 119.
34
Cf. Astro De Minas, geralmente os anúncios se encontram na última página, podem ser encontrados em
diversas edições.
35
SOUSA, Octávio Tarquínio de. História dos Fundadores do Brasil: Diogo Antônio Feijó. Belo
Horizonte: Itatiaia. São Paulo: EDUSP, 1988. p. 147.
36
WERNET, Augustin. A Igreja paulista no século XIX. São Paulo: Ática, 1987, p. 68

8
contribuiu para a noção de um clero decadente e oportunista, visando seus próprios lucros
e interesses, ascendendo aos cargos em desacordo com o sentimento geral, anticlerical,
da elite política brasileira.37 O ultramontanismo viria justamente contra a secularização
do clero e dos costumes e a favor da romanização da Igreja. Discordando de que os padres
fossem homens sem proximidade real para com a Igreja, além de seus títulos e sua
influência, Françoise Souza defende que em grande parte das vezes, os padres traziam
propostas em defesas dos interesses da Igreja.38
Desse modo, a historiografia parece mostrar que alguns artifícios auxiliaram na
ascensão do padre na política imperial, como a religião herdada do antigo regime, assim
como a relação dos sacerdotes com a propriedade e suas redes de sociabilidade. Mas se
formos pensar na relação entre a religião e a política, seguindo o raciocínio de Françoise
Souza, a palavra do padre vinha “revestida de autoridade”, conferida, neste caso, pela
Igreja e pela religião; daí viria o poder de influenciar pela oratória, ligada sobretudo ao
caráter religioso da sociedade da época.39 Sendo assim, pensamos que o padre, por estar
inserido dentro de uma instituição religiosa, está imbuído de religiosidade e carisma, já
que traz em si o caráter de sacerdote e intermediário entre os homens e Deus e auxiliando
na remissão dos pecados; acaba por se inserir em uma ordem de dominação justamente
por ser padre e por possuir um carisma relacionado ao Sagrado.
Neste sentido, se pensarmos de acordo com a tipologia ideal de dominação
proposta por Weber para a sociedade moderna40, seria possível supor, que na medida em
que um sacerdote se insere no poder público ele também passa a ser constituído de
possibilidade de dominação através da legalidade, não somente por meio da Igreja, mas
também pelo Estado, por ambas instituições. Ou seja, os clérigos que já possuíam as
possibilidades de dominação através da instituição representada pela Igreja, e pelo seu
caráter carismático, também passam a possuir uma possibilidade a mais, que é a
possibilidade de dominação através da legalidade do Estado.

37
CARVALHO, José Murilo. A construção da ordem... op. Cit. p. 55-56.
38
SOUZA, Françoise J. O. Do Altar a Tribuna... op. Cit., p. 411
39
SOUZA, Françoise J. O. Do Altar a tribuna... op. Cit., p. 45.
40
Usamos a expressão “ideal de dominação” pois, segundo Weber, nenhum dos três tipos de dominação
foi encontrado de forma “pura”, já que há a absorção de determinado tipo de dominação pelo cotidiano.
Porém, isso não impede que possa-se inserir estes tipos de dominação, segundo o autor, da forma mais
“pura” possível, ver: WEBER, Max. Economia e Sociedade. Brasília: Universidade de Brasília, 2015. V.
1, p 139-161.

9
METODOLOGIA

De acordo com historiadores que antecederam às críticas dos Annales em 1930,


defendia-se que o documento escrito é o único fio substantivo que pode nos levar, através
de uma crítica documental a compreender o passado. Mais que isso, os positivistas
estabeleceriam uma hierarquia documental, cuja análise teria base na neutralidade,
fidedignidade, credibilidade e objetividade da fonte e também do historiador. Portanto, a
análise de periódicos não era bem vinda, justamente por expressar “paixões, tendências e
interesses", além de se apresentar como uma edição coletiva.41
Marc Bloch, assim como Le Goff, tem por ideia uma noção de fonte histórica
diferenciada e abrangente, as formas de se fazer e história e compreender seus agentes no
tempo se modificaram, apesar da continuidade da crítica documental, mesmo que de
forma diferente. Novos tipos de fontes e documentos passaram a ser utilizados e não
somente os documentos escritos e oficiais, mas também fontes arqueológicas, imagens,
fontes orais, estatísticas, curvas de preços, filmes, etc.42 Entretanto, de acordo com Tania
Luca, somente gerações depois a análise de periódicos passaria a ser mais bem aceita,
mesmo sendo considerada perigosa, por corrermos o risco de procurarmos somente o que
queremos sem analisarmos seus contextos, arrancando uma palavra ou frase do conteúdo
de um texto.43 Devido a este alerta e também pela necessidade de análise, utilizaremos
um número de jornais que possibilite ver um panorama ideológico, político e suas
imbricações no período e espaço analisado
Tendo em vista a dificuldade em se analisar as fontes periódicas, Luca propõe uma
série de procedimentos com o objetivo de facilitar e nortear a análise dos periódicos.
Tendo como base os procedimentos sugeridos pela autora pretendemos: reunir uma série
de fontes documentais, em geral os periódicos mineiros em atividade no decorrer dos anos
de 1834 a 1837, totalizando um número considerável (cerca de 1250 edições); atentar
para as características materiais (periodicidade, impressão, papel, há iconografia e
publicidade?); sondar a forma de organização internado do conteúdo, no caso dos
periódicos analisados é bastante comum a troca de correspondência entre entre eles, e

41
LUCA, Tania Regina de. História dos, nos e por meio dos periódicos. IN: PYNSKI, Carla B.(org.).
Fontes Históricas. 2ªed. São Paulo: Contexto, 2008, 111 e 112.
42
LE GOFF, Jacques. A História Nova. SP: Martins Fontes, 1990, p. 54.
43
LUCA, Tania R. História dos, nos e por meio dos periódicos... op. Cit., p. 117.

10
também com alguns leitores; caracterizar os responsáveis pelas edições; identificar os
colaboradores, o público e as fontes de receita. Após essas observações analisar o material
com base no tema a ser desenvolvido.44
Com relação a análise dos testamentos e inventários pretendemos ver quais as
especificidades de cada agente, como se tiveram relação com a propriedade e/ou com o
meio social de forma mais abrangente (em caso de filhos e mulheres; também em relação
ao exercício de outros ofícios). Desse modo, pensamos que montar um quadro
prosopográfico nos auxiliará na compreensão dos problema de pesquisa.
Enfim, utilizando principalmente da análise de periódicos e, em segundo plano,
da análise dos testamentos/inventários, propomos nos focar na figura dos clérigos que se
envolviam nos embates políticos, trazendo à luz suas concepções e ações à cerca dos
embates nacionais e do cenário mineiro do período.

FONTES

Nos dedicaremos principalmente a análise dos periódicos mineiros do recorte


mencionado, e que em boa parte das vezes têm padres como seus fundadores, redatores
ou que contribuíam com cartas e textos. Os periódicos são: O Universal (1825-1842); O
Astro de Minas (1827-1839); O Recopilador Mineiro (1833-1836); Opinião
Campanhense (1832-1836); O Parahybuna (1836-1837); O Vigilante (1833-1835) e o
Jornal da Sociedade Promotora da Instrução Pública (1832-1834). Os periódicos se
encontram disponíveis no site Hemeroteca Digital, da Biblioteca Nacional.45
Em Minas, O Universal foi o periódico com a maior longevidade do período,
atuando de 1825 à 1842; com viés liberal-moderado, era o periódico que mais circulava
na capital mineira. A princípio teve como principal idealista Bernardo Pereira de
Vasconcelos, mas com sua virada conservadora a folha passou a ser editada por José
Pedro Dias de Carvalho.46 O Universal circulou por 17 anos e teve seu fim declarado por
seu editor, que afirmava sofrer perseguições políticas e cerceamento da liberdade de

44
Ibden, p. 142.
45
Cf. site da Hemeroteca digital, acesso em agosto de 2017: <http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-
digital/>
46
GHERARDI, Fernanda Chaves. A construção das identidades políticas em Minas Gerais (1834-
1844). Dissertação (mestrado em História). Universidade Federal de Juiz de Fora, 2013, p. 23-24.

11
expressão.47 Analisaremos o periódico dentro do recorte proposto pela pesquisa, somando
580 edições. Também em Ouro Preto circulava o Jornal da Sociedade Protetora da
Instrução Pública, com cerca de 12 edições para o recorte proposto; possuía diversos
colaboradores espalhados pela província, um deles o Padre José Antônio Marinho.48
Em São João Del Rei estava presente o segundo maior periódico mineiro do
período: O Astro de Minas, que atuou de 1827 à 1839, tendo como fundador e redator
Baptista Caetano de Almeida, a partir de finais de 1835 passa a ser editado pelo padre
José Antônio Marinho, que viria a ser vereador e professor de filosofia em São João Del
Rei.49 Se direcionou pelo viés liberal moderado; seu redator, após 1835, Antônio
Marinho, era visto pelos regressistas do Parahybuna como “uma versão de Diogo Feijó
de Minas Gerais”, com suas ideias “extravagantes”.50 Para o recorte proposto são cerca
de 530 edições, cabendo dizer que o Astro de Minas já está tendo boa parte de seu
conteúdo analisado, por meio de pesquisa prévia.
Em contraponto ao Astro de Minas se encontra O Parahybuna, de Barbacena, seu
ferrenho opositor. Defendia o regresso, tinha como redator o padre Justiniano da Cunha
Pereira e atacava, politicamente e pessoalmente, a Antônio Marinho.51 Atou entre os anos
de 1836 a 1839, o primeiro ano de sua edição (1836) não está disponível na hemeroteca
digital, sendo necessário a procura em outros arquivos. Para o ano de 1837, contam-se
somente 8 números.

O Recopilador Mineiro, também de viés liberal moderado, foi dirigido pelo padre
José Bento Leite Ferreira de Melo, em Pouso Alegre,52 de 1832 à 1836, com a
participação do também padre, e político, João Dias de Quadros Aranha na edição;53 para
o nosso recorte contam 86 edições. O periódico frequentemente enviava textos ao Astro
de Minas, como um colaborador, assim como também o fazia O Vigilante (editado de
1833 a 1835, órgão ligado a Sociedade Pacificadora, Philantrópica e Defensora da

47
Idem.
48
SOUZA, Françoise J. O. Do Altar a Tribuna... op. Cit. p. 450.
49
AMARAL, Alex L. Documento inédito... Op. Cit. p. 4.
50
Idem.
51
Cf. AMARAL, Alex L. Documento inédito... Op. Cit. p .5 et. seq.
52
PASCOAL, Isaías. O sul de Minas no processo de constituição do estado nacional. Revista de História
e Estudos Culturais, vol. 9, ano IX, nº1, p.10

53
Ibdem, p.14.

12
Liberdade e da Constituição, de Sabará54 (com 43 edições para o recorte proposto); e o
Opinião Campanhense fundado e editado por Bernardo Jacinto da Veiga55, o periódico
se vinculava à Sociedade Defensora da Liberdade e da Independência Nacional, de
Campanha56, no entanto só foi possível encontrar uma edição, para 1836, disponível na
Hemeroteca digital.
Por meio de análises prévias foi possível notar que frequentemente os periódicos
com o mesmo direcionamento ideológico trocavam correspondências entre si, publicando
artigos e respondendo críticas, como é o caso dos periódicos citados acima. O
Parahybuna, pelo menos até o momento, é o único que diverge radicalmente, tendo bases
conservadoras, estabelecendo críticas a todos os outros periódicos citados, especialmente
ao Astro de Minas.
Secundariamente, pensamos que para uma maior compreensão dos agentes que
estudaremos seria necessária, em alguns casos, uma consulta aos testamentos e/ou
inventários, sempre que possível, com o objetivo de auxilio quanto a formação de seus
perfis (se têm propriedades, afilhados, filhos, concubinas, outros ofícios além de serem
sacerdotes). Sabemos que alguns desses documentos estão disponibilizados no IPHAN,
no Arquivo Nacional, e também em alguns bancos de documentais disponíveis online,57
cabendo fazermos a consulta.

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO:
AMARAL, Alex L. Documento inédito: História do jornal Astro de Minas pela pena do
padre José Marinho. Revista de História Estudos Culturais, Vol.4, ano IV, nº4.
ANDRADE, Marcos Ferreira de. Unidade, autonomia regional e construção do Estado
nacional brasileiro: a participação das elites do Sul de Minas Gerais (1831-1842). IN:
Gonçalves, A. L.; ARAÚJO, V. L.(orgs) Estado, Região e sociedade: contribuições
sobre história social e política. Belo Horizonte: Argvmentvm, 2008,

54
MOREIRA, Luciano da Silva. Combates tipográficos. Revista do Arquivo Público Mineiro, ano
XLIV, nº I, jan-jun, 2008, p. 29
55
PASCOAL, Isaías. O sul de Minas no processo de constituição do estado nacional... op. Cit., p. 16.
56
MOREIRA, Luciano da Silva. Combates tipográficos... op. Cit. p. 30
57
Cf. Site do Arquivo Nacional <http://www.arquivonacional.gov.br/br/consulta-ao-acervo/bases-de-
dados>; Laboratório Multimídia de Pesquisa Histórica - LAMPEH, da Universidade Federal de
Viçosa, com arquivos de Mariana. http://www.lampeh.ufv.br/acervosmg/;

13
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Província de Minas Gerais (1822-1840). In: CARVALHO, José Murilo de;
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política e liberdade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.
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tendências políticas. In: CARVALHO, José Murilo de; CAMPOS, Adriana Pereira (orgs).
Perspectivas da cidadania no Brasil Império. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
2011.
BASILE, Marcello. O laboratório da nação: a era regencial (1831-1840). In: GRINBERG,
Keila; SALLES, Ricardo (orgs.). O Brasil Imperial: 1831-1889. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2009, Vol.II.
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Clero no Parlamento Brasileiro. Brasília; Rio de Janeiro, Fundação Casa de Rui
Barbosa, vol. 3, 1978-1980, p. 169.
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de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.
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Juiz de Fora, 2013.
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política do Brasil, 1808-1840. Rio de Janeiro: Biblioteca Carioca, 1993.
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trajetória do padre Antonio José Ribeiro Bhering (1829-1849). Franca, 2016, 483 f. Tese
(doutorado em História). Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.
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civilizacional e práticas políticas no Brasil pós-Independência. (São João del-Rei, 1824-
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2011.

14
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15
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16