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World of Metal
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worldofmetalmag.com

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dungeons.records@gmail.com

Director
Fernando Ferreira

Colaboradores EDITORIAL
Miguel Correia
Sónia Ferreira
Carlos Magalhães Mundo Infindável
Cameraman Metálico
Carlos Lichman
Paulo Barros Desde o início, da génese da World Of Metal, o propósito era mostrar o quão vasto é
este mundo, muito mais para além do que o termo metal supõe. Quer o que está na base,
Luís Figueira
o que está para trás ou até o que supostamente é o futuro. Um projecto (cada vez mais)
Rosa Soares megalómano, por tentar açambarcar tanta coisa (boa) que nos surge todos os meses.
Sandra Santos O que faz sentido, perfeito sentido termos alguém como D.D. Verni na capa. Poderão
Lex Thunder pensar que é apenas um dos principais rostos da alma dos Overkill, sinónimo de thrash
Fátima Inácio metal mas desde os Bronx Casket Co., que Verni demonstrou ter muita mais música do
Paulo Aguiar que apenas o bom e velho thrash dos Overkill, algo que o seu primeiro álbum a solo,
Hélio Cristovão "Barricade", também revisto nesta edição, evidencia. Um mundo de influências que nos
mostra como este mundo está mesmo todo ligado.
Garage World
É esse o nosso principal objectivo. Sem tribos, sem separações, do AOR ao Grindcore,
Miguel Correia do White Metal ao Black Metal, o que interessa é mesmo a qualidade. Algo que
mcinbox@gmail.com podemos encontrar também nesta edição, desde Clif Magness e Amanda Sommerville
aos Coldbound e Beyond Creation e o assinalar (nunca tardio) da partida de Mark
Shelton, dos Manilla Road. Uma edição que nos mostra não só a variedade como a
Publicidade própria riqueza de qualidade.
Tiago Fidalgo - tiagofidalgo.wom@
gmail.com Numa vertente diferente, também destacamos a terceira edição do Oeste Underground
Fest, com três entrevistas em exclusivo (com Undersave, Warhammer e Serrabulho) e
Rosa Soares - worldofmetal.pub@ um guia musical para um evento que é sem dúvida de louvar, com todos os lucros a
gmail.com
irem directamente para os bombeiros voluntários da Malveira, prova de que não só este
Design mundo do metal é vasto como também consciente socialmente - algo que não se limita
apenas a letras escritas com intuito de entoar palavras de ordzem num qualquer festival.
Dina Barbosa
Não queremos dizer que este mundo do metal é um mundo perfeito. Que não existe
Tiago Fidalgo desunião, aqueles que têm por hábito deitar abaixo apenas porque sim. Nós também não
o somos e assumimos essas limitações, mas as mesmas só fazem com que queiramos
lutar ainda mais, como diz o nosso amigo D.D. Verni, montando barricadas para defender
aquilo que acreditamos ser correcto e valoroso. Este mundo do metal não é um acaso do
destino que nasceu na transição da década de sessenta para a de setenta. Este mundo do
metal está aqui para ficar. E nós com ele.

Fernando Ferreira – Outubro 2018

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Indice

6 - Sempre A Partir 62 - Chastain


7 - Teias de Aranha - Cameraman Metalico 64 - tributo mark shelton
8 - valous 66 - guia musical - oeste underground Fest
10 - Axes Of Connection 70 - undersave
12 - Destinia 74 - warhammer
16 - Hellish war 78 - serrabulho
18 - chris caffery 84 - Garage world - Looking For it
22 - legend of valley doom 87 - Metal Business - Carlos Lichman
24 - Eunomia 88 - stories from the attick - Luíis Figueira
26 - The making of - Paulo Barros 90 - Golden years - J.A.
28 - The black mirrors 91 - Raios e trovoões - lex thunder
32 - amanda somerville 94 - artwork insights
36 - H.o.s.t. 96 - Top 20 1968
40 - Lizzies 99 - Reviews
42 - clif magness 119 - ÁAlbum do Mêes
44 - the spirit 120 - Máaquina do Tempo
46 - Coldbound 123 - tape secret
50 - Beyond Creation 124 - WOM Live Report
56 - D.d. verni 142 - agenda
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Foto na Contracapa por Sónia Ferreira
Este espaço pode ser teu em todas as edições da
nossa revista. para mais informações contacta-nos:
Worldofmetal.pub@gmail.com
Tiagofidalgo.wom@gmail.com

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Sempre A Partir

Por Conan, o Barbeiro

Vamos falar de algo extra-musical. Vamos falar de algo como... a terra é plana. Parece parvo, não é? Mais do
que parecer, é. É parvo que neste momento da história humana, e sabendo que a ignorância é um dado adquirido
para muitos, que possamos estar a debater se a terra ou não plana. A debater... alguns a falar e outros a contestar.
Felizmente não é um debate alargado, sinal de que a coisa ainda não espalhou de forma preocupante mas por aquilo
que tenho visto, para lá tem andado. E provavelmente, depois destas linhas estarão a pensar o mesmo que pensei
assim que vou falar disto - "isto é mesmo uma questão?". É, é mesmo uma questão, mas nem é essa a questão, a
principal. A principal é mesmo a ignorância, de duas formas.
De um lado temos a ignorância que renega tudo o que sabemos ciêntifico, alegando, à laia de teoria da conspiração,
de que estamos todos num estúdio gigantesco, plano, e que tudo é orquestrado como parte de uma experiência
ciêntifica. Não existe espaço, não existe lua e não existe sol. Também não existem estrelas. Não existe Pólo Norte,
não existe Pólo Sul, não existe noite e não existe dia (óbvio, não existindo Sol e Lua). Os argumentos apresentandos
são do mais parvo ignorante possível até alguns bastante plausíveis.
Do outro lado temos a ignorância de que defende aquilo que acredita ser verdade, mas sem ter propriamente os
argumentos ciêntificos para contradizer as barbaridades mal ou bem fundamentadas (há de tudo). Por vezes parece
que se está a discutir religião ou até mesmo cores - esta cor é melhor, o meu deus é mais real que o teu e coisas
assim. E a ignorância dos argumentos de defesa do modelo que todos conhecemos e nos é ensinado é tão gritanto
como aquela dos argumentos da terra plana.
É isso que assusta. E não digo isto, mais uma vez, do alto do meu poleiro, a dizer que são todos estúpidos menos
eu. Não, são todos estúpidos e eu também. A nossa cultura geral e ciêntifica é tão básica em alguns assuntos que
perante um assunto que achamos tão simples como dizer se a terra é plana ou não - e atenção, com isto voltamos à
idade média - acabamos a debater crenças sem conseguir dar argumentos. Claro, uns dão argumentos estapafúrdios
e metem lá pelo meio uns termos técnicos que ninguém se não um cientista percebe e os outros partem para o
insulto fácil sem propriamente tentar desmantelar os argumentos falaciosos.
Visto de fora e com alguma distância, é impossível não fazermos o paralelo com as discussões da inquisição e da
igreja contra esses hereges que diziam que a terra era redonda e que isso ia contra os ensinamentos retrógrados da
Santa Igreja. De Deus até. As reacções que tenho visto por parte daqueles que defendem a terra redonda (até me
sinto parvo a dizer esta frase) chegam quase a lembrar esse fundamentalismo, do género "a terra é redonda porque
sim!"
Embora seja natural, acaba por ser bem representativo daquilo que nós somos. De como precisamos verdades
absolutas e construímos o nosso mundo ao redor e sustentadas nelas. E por isso reagimos com fundamentalismo
a quem apresenta ideias contrárias em vez de mostrarmos e provarmos através do conhecimento que eles estão
errados. Somos bem mais limitados do que aquilo que pensamos e basta vir alguém com uma ideia parva e
fundamentá-la (bem e mal, temos de tudo) que nós não sabemos como reagir a não ser através da intolerância.
Ainda temos um longo caminho a percorrer.

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Luís Balcinha
Para já é uma honra ser amigo deste verdadeiro headbanger da velha guarda.
O Balcinha foi um dos divulgadores do nosso som no Alentejo. Nos anos
80 fundou a fanzine fotocopiada Último Massacre e editou vários números
que ainda por aí andam em colecções de heavy-metal. O Balcinha tinha
um defeito, abusava da cerveja e ficou conhecido por dizer que preferia ser
um bébado conhecido, do que um alcoólico anónimo. Era presença assídua
nos concertos em Cascais, até que num concerto de Ratos de Porão em
Almada lhe deram uma facada para lhe roubarem o bilhete... Não morreu
mas apanhou um susto e teve quase 2 anos sem vir à capital ver concertos.
Em Odemira tinha um circulo de amigos headbangers o Peixe, o Boi, o Viet,
o Prado e o Bernardo. A estes todos juntava-me eu e o João Moura e olha que equipa!
O Balcinha era amigo do Manú do Eddie's Bar e conseguiu entrevistar o Steve Harris, não sei como mas
conseguiu, eu estava lá e vi e há fotos disso. Fomos juntos ao Wacken e a história de ter mandado a bandeira
portuguesa à cara da Doro é verdadeira mas foi sem querer, foi aí que ele perdeu essa mitica bandeira. Em
tempos conseguiu abrir um bar em Almada, o Santuário mas durou pouco, depois foi no Barreiro, também com
vida efémera. Chegou a ter uma magazine METAL HEART mas durou pouco tempo, ainda colaborei em alguns
números.
Cheguei a ir com ele a Marrocos ver Moonspell, que
aventura das árabias. Muitas e muitas histórias que
metessem os Iron Maiden ou os UHF. Por isso o Luís deve
ser recordado por todos os headbangers portugueses como
um dos mais importantes que divulgou o nosso som nos
anos 80 e 90... Agora está práticamente retirado, dedicou-
se ao comércio e vive em Vila Nova de Milfontes. Se o
virem mandem-lhe um abraço!
CM Outubro 2018

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eNTREVISTA

De Birmingham, chega-nos o metal melódico, forte e rápido dos Valous. Com oito anos de existência,
os Valous caracterizam-se pela sua energia, tenacidade e paixão pela música, características que,
em palco, os transformam em verdadeiros "monstros", que dão tudo em cada actuação, como se
fosse a última. A atitude de Mat Shutt, vocalista, tira o fôlego a qualquer audiência, e foi com ele que
falámos sobre os Valous. Não ficámos sem fôlego, mas antes com vontade de os ver por cá.
Rosa Soares

Olá Mat! Muito obrigada que tinha recebido uma nos se iríamos encontrar tivamente a mais focada e
por nos dares esta proposta da empresa onde a pessoa certa. Ficámos pesada que já tivemos. Os
entrevista. Vamos trabalha, e que iria começar felizes quando o Lee nos riffs do Ben surpreendem e
começar pelo início em Maio, o que exigiria disse que os seus planos de complementam o incrível
deste ano, quando fomos muitas viagens e não lhe trabalho tinham mudado trabalho de guitarra do
surpreendidos com a vossa deixaria tempo para ensaiar e que ele não teria que sair Rig e, com o som pesado
procura de novo baterista. e fazer os concertos. Nós dos Valous. Nessa altura foi da bateria do Lee, faz com
O Lee Wincott iria deixar só queremos o bem dele e como ganharmos um novo que todo o som seja ainda
a banda, o que, felizmente entendemos os motivos, fogo, e na nossa tournée mais pesado, enquanto
não aconteceu. Mas os às vezes a vida tem que vir de Primavera (em Abril e permanece firme e melódico.
Valous chegaram a colocar em primeiro lugar. Mas, Maio), demos, o que eu diria (N.E. – infelizmente a banda
anúncio no Facebook. sendo a bateria, o elemento ser, os melhores concertos comunicou, posteriormente
Queres falar um pouco mais difícil de preencher, das nossas vidas. a esta entrevista, que Lee sai
disso? De que forma isso sabíamos que tínhamos um da banda devido a problemas
interferiu com o vosso problema. Continuámos a A formação da banda foi de saúde. Anunciaram
início de ano? fazer concertos e ao mesmo sofrendo alterações ao ainda que iriam pausar os
tempo fazíamos audições longo dos anos. Como concertos para procurarem
Para ser honesto, foi uma de bateristas, mas, não consideras a formação um substituto e voltarem em
situação muito inquietante conseguíamos encontrar o actual? força em 2019)
para nós, enquanto banda. O elemento certo para nós, e
Lee disse-nos, em Fevereiro, começámos a questionar- A formação actual é defini-
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O trabalho de composição é algo muito enérgicas, o que é devido, temas. Deixa-nos com um sabor
a que os Valous de se dedicam em grande parte, à tua atitude a pouco. Para quando o próximo
bastante: o vosso primeiro ano irreverente e comunicativa álbum?
de existência foi dedicado à (quase punk) em palco. O que
produção do primeiro album sentes quando estás em cima de Nós estamos prestes a fazer uma
“Rebirth”, em 2013 lançam “The um palco? pausa nos concertos para escrever
Things You Once Knew” com 11 material novo e esperamos retornar
temas originais, em 2014 fazem Como um grande fã de hard-rock
uma pausa para produzir aquele e metal há trinta anos, eu sempre na Primavera do próximo ano com
que é o vosso álbum conceptual quero tentar dar ao público o temas novos que irão compor
“The Devil’s Seven, e mesmo na que eu gosto de ver numa banda. nosso próximo EP ou, se tudo der
estrada, nunca param de escrever Eu gosto de me sentir parte de certo, se as novas músicas fluírem
e compor, tal como o prova o um grande espectáculo de rock, bem, um novo álbum completo.
lançamento, 2017, do EP “The energético, quando estou na
Four Last Things”. Para vocês, multidão e é isso que eu tento dar Oito anos de existência, dois
este processo de composição, aos nossos fãs. Durante o concerto, EP’s, dois LP’s, vários concertos
quase permanente, é essencial? quando estamos no palco, eu estou no Reino Unido e a estreia
completamente focado nas músicas internacional, em Espanha, este
Até hoje, as nossas músicas foram e no espectáculo, e quanto mais ano… Qual o balanço que fazem
criadas pelo nosso principal louca a plateia está, mais energia da vossa carreira?
compositor, o guitarrista Rig. nos dá para enlouquecer no palco.
Ele foi sempre um compositor Para mim, não há melhor sensação
poderoso, já antes dos Valous e, a do que estar vivo no palco e dar Nós sentimo-nos muito sortudos
verdade é que algumas das músicas tudo de mim. por ainda estarmos fortes ao
do nosso primeiro álbum já tinham fim de 8 anos, especialmente
sido escritas por ele, alguns anos quando tantas outras bandas que
antes. Ele escreve sempre que se
sente inspirado, e leva a ideia para o
"Para mim, não há começaram ao mesmo tempo
que nós, se separaram. Os Valous
estúdio quase totalmente formada,
para que os outros elementos
adicionem as suas partes. Com a
melhor sensação do sempre tiveram uma forte ética de
trabalho, adoramos sair para tocar
ao vivo sempre que podemos, e
nossa próxima pausa de estrada,
pretendemos tentar uma nova
abordagem, com o próximo lote de
que estar vivo no palco ainda nos entusiasmamos ao tocar,
tanto num pequeno espaço, como
músicas, com todos a improvisar
ideias a partir do zero, numa sala e dar tudo de mim." em grandes festivais.

Como perspectivam o futuro dos


de ensaio e ver que ideias surgem
daí. Valous?
Este ano, estrearam-se fora do
“Irot” e “My Demise”, do álbum Reino Unido, em Ibiza. Como Esperamos fazer isto por muitos
“The Devil´s Seven”, são dois dos foi actuar em Espanha, para um anos, com esperança de fazer mais
vossos temas mais fortes. Onde é público diferente e para quem gigs na Europa e ganhando uma
que se inspiram para escrever? os Valous são praticamente base de fãs ainda maior, enquanto
desconhecidos? lançamos novo material, que
Para aquelas duas músicas e para esperamos continuar a construir
todo o conjunto 'The Devil's Seven', Foi uma oportunidade fantástica com base no som que fizemos no
o conceito de escrever músicas para nós, tocarmos, finalmente, nosso recente EP.
baseadas nos Sete Pecados Mortais fora do Reino Unido. A multidão
foi uma ideia que o Rig tinha era composta de muitos visitantes Querem deixar uma mensagem
em mente há anos. Só quando do Reino Unido, do Hard Rock aos promotores de eventos
chegámos ao segundo álbum é que Hell Festival, mas na frente havia portugueses? Dizer porque vos
ele, finalmente, foi capaz de escrever
músicas sobre cada pecado e fazê- um grupo de pessoas locais que devem convidar a vir actuar em
las encaixarem-se. Foi, obviamente, “enlouqueceram” durante todo o Portugal?
um conceito muito específico, espectáculo, e que se aproximaram
outras músicas foram baseadas em de nós depois, para comprar Portugal, se gostas de ver um
livros ou tensões políticas da vida Cd's. Ficamos muito satisfeitos grande concerto de rock, com
real. Quem sabe em que as novas em fazer novos fãs no estrangeiro grandes hinos, talvez a tua nova
músicas serão inspiradas... talvez e esperamos voltar à Europa no banda favorita sejam os Valous.
as tensões políticas mundiais próximo ano.
possam desempenhar um papel Ficaríamos honrados se, no futuro,
nos próximos temas. viéssemos do Reino Unido, para
“The Four Last Things”, o vosso mostrar exatamente o que temos e
EP de 2017, tem apenas quatro deixar-vos a querer mais!
Ao vivo, as vossas actuações são
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eNTREVISTA

Os ignorantes têm a opinião formada que o heavy metal caiu em desuso mas esses não estão bem a
par da realidade, pelo menos não como nós, que continuamos a ver o estilo a ser bem representado
no novo sangue que nos chega. A esse respeito, os nossos irmãos brasileiros dos Axes Connection
têm uma palavra a dizer. O seu álbum de estreia, "A Glimpse of Illumination" editado já no ano
passado é um grande álbum de heavy metal, com um conceito positivo que só o torna mais especial.
Sobre ele e sobre o poder da perseverança, falámos com Marcos Machado, guitarrista dos Axes
Connection que explicou que vislumbre de iluminação temos nós no heavy metal.
Fernando Ferreira

Bem vindos ao World positivos. Mesmo os aquilo que não vos mata, “A Glimpse Of Illu-
Of Metal. Os Axes comentários que não faz-vos mais fortes? mination” surge como
Connection e o vosso foram tão positivos um álbum maduro e nem
álbum, “A Glimpse Of tinham algum aspecto Eu diria que o facto soa a álbum de estreia.
Illumination” foram que nos destacou em de existir uma grande Acreditam ainda ter
boas surpresas no algum ponto. Se fosse para dificuldade pela ausên- espaço para continuar
ano passado. Como é citar uma região eu diria cia de meu falecido a evoluir ou o som que
que foram as reacções que São Paulo pelo show irmão Vitor que ajudou encontrámos aqui é já
recolhidas do vosso que fizemos na abertura a compor boa parte do a vossa identidade bem
álbum de estreia? Onde para os Corrosion Of repertório do álbum definida?
tiveram mais impacto, Conformity. acabou por se tornar um
têm noção? desafio a ser vencido. Eu Um álbum mostra uma
Os Axes Connection são devia isso a mim mesmo, parte do que podemos
Não criamos grandes compostos por músicos mas ao Vitor em especial. fazer mas não tudo.
expectativas e por isso experientes e com uma Era uma obrigação Acredito que temos ainda
ficamos muito satisfeitos história algo atribulada. honrar ele concretizando margem para evolução,
com todos os comentários É o típico caso de que esse trabalho. apesar de mostrar uma
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identidade mais Heavy Metal. bem representado mas de Onde conseguiram ir e onde
Temos algumas misturas e uma forma positiva. Havia planeiam ir?
elementos a disposição para uma idea já clara daquilo que
enriquecer o próximo álbum. pretendiam atingir? As dificuldades para fazermos
concertos têm sido imensas
O conceito lírico do álbum devido a crise de nosso país.
é bastante inspirador. Uma "Na capa, no geral, Estamos a procurar mesmo
mensagem de positivismo assim outros concertos. A
e de seguir em frente, em não tivemos críticas abertura para os Corrosion Of
direcção aos nossos sonhos, Conformity foi uma excelente
apesar das dificuldades positivas e aceitamos oportunidade para mostrar
demonstradas. Acredito que nosso som ao vivo e as críticas
por vezes a vida mostra-nos isso pois foi uma foram muito positivas. Onde for
a direcção a seguir, onde as possível queremos tocar.
dificuldades podem tanto escolha totalmente
demonstrar aquilo que é para O que podemos esperar do
seguir ou quando devemos nossa o caminho de ter futuro dos Axes Connection,
desistir. Nem sempre temos superada a barreira, nem sempre
essa clarividência e clareza de uma capa que fugisse fácil, do primeiro álbum? Estão
pensamento para reconhecer já a trabalhar em algo novo?
um e outro momento, mas por do convencional para o
vezes a iluminação apresenta- Estamos a começar a compor
se, tal como diz o título do estilo. " novas músicas com calma.
vosso álbum. Este conceito Esperamos dar continuidade
foi inspirado por tudo o que ao “A Glimpse Of Illumiation”
aconteceu ou foi algo que se Na capa, no geral, não tivemos adicionando novas misturas e
foi conjugando conforme as críticas positivas e aceitamos mantendo o Heavy Metal como
músicas foram surgindo? isso pois foi uma escolha total- identidade principal.
mente nossa o caminho de
O contexto de tudo que ter uma capa que fugisse do Estou curioso... vocês são
aconteceu com nosso irmão e convencional para o estilo. Uma todos músicos experientes com
a vontade de completar essa coisa bem clara que tínhamos carreiras noutros projectos e
etapa se tornaram um objetivo em mente é que a capa tinha que bandas... os Axes Connection são
a ser alcançado. Quase uma representar o sentimento e aura agora a vossa prioridade total?
missão. Apesar das diiculdades, que o álbum representavam para
tudo foi sendo vencido parte nós. Se o restante das pessoas Sim. Hoje, Axes Connection que
a parte. Nunca pensei em gostassem, estaria tudo certo, parecia um sonho inatingível é
desistir mesmo. Sempre achei e se não gostassem também. A uma realidade e prioridade para
que tudo que qcontecia estava ideia sempre foi baseada nas todos elementos da banda.
de certa forma conspirando a capas da Hipgnosis, capas que
nosso favor. Quanto ao título, tem uma cara mais anos setenta Quais são os vossos planos a
ele surgiu no meio do processo mesmo. Temos esses elementos curto-prazo? O que está neste
de composição, mas a clareza misturados em nossa música e momento na forja?
do que tinhamos que alcançar achamos que isso seria o melhor
sempre esteve presente desde caminho. Eu errei diversas No momento estamos ainda a
o início do projeto. No Brasil vezes a tentativa de fazer a capa tentar viabilizar o lançamento
quem faz música no estilo Heavy até que o Márcio(vocal e meu físico do álbum e continuar a
Metal e gêneros próximos faz irmão) assumiu essa tarefa e fazer mais concrtos e em especial
porque corre no sangue mesmo junto ao artista Aldo Marcondes compor desde já músicas para o
porque as dificuldades são conseguiram uma excelente próximo álbum.
imensas. capa.
www.facebook.com/axesconnection
Algo que também tem Tiveram alguma promoção www.twitter.com/axesconnection
impacto é a capa do vosso do álbum na estrada? Seja no www.soundcloud.com/axesconnection
álbum, onde o conceito está Brasil, seja no estrangeiro? www.instagram.com/axesconnection
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eNTREVISTA
eNTREVISTA

“Falar de Destinia é o mesmo que falar de Nozomu Wakai, guitarrista japonês amante das sonoridades
neo-clássicas que além de ter tocado com os Blizard, iniciou há quatro anos o seu próprio caminho.
“Metal Souls” é um dos grandes destaques do power metal desta segunda metade de 2018, contando com
um elenco de extrema qualidade e motivo para irmos falar com Nozomu, o ninja do metal.
Miguel Correia
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Olá Nozomu, muitos parabens Ritchie Blackmore. Depois, de distância entre ti e a música. Sou
por este álbum, uma grande acordo com a história do heavy sempre consciente disso para que
revelação… e por falar nisso, metal, fui muito influenciado possa contar a minha vida através
vamos começar por tentar por Dio, Whitesnake, Michael da música que toco na guitarra,
descobrir quem é Nozomu Waka Schenker, Ozzy Osbourne, ect. até do tom. Tenho algo mais que
e quem são os Destinia? Também ouvi muita variedade quero aconselhar, que é em japonês
dentro do próprio heavy metal, (character kanji) escrevemos a
Olá a todos, eu sou Nozomu Wakai, desde coisas da NWOBHM até ao palavra “música” como “gostar do
um guitarrista de heavy metal e chamado hair metal, AOR e por aí. som”. Penso que se continuar a
também um produtor de música. Sou feito da soma do que é a essência fazer música durante muito tempo,
Venho dos confins do extremo da década de oitenta. E ouvi grunge poderás passar por momentos
oriente, de Zipangu. Comecei o e todo o tipo de música alta mas difíceis mas lembra sempre da
projecto chamado Destinia porque senti que esses não se adequavam palavra “música”.
queria fazer a minha música ideal com o meu estilo musical. Como
de heavy metal. Eu poderia dizer guitarrista, Randy Rhoads, Uli Jon Vamos falar do teu álbum.
que Destinia é parte do que sou. Roth e Michael Schenker foram Confesso que eras um complete
a minha verdadeira inspiração. estranho para mim mas quando
Um virtuoso da guitarra, como vi a equipa de músicos que estava
é que começou o teu gosto pelo Acredito que a guitarra de Michael
Schenker é parte do seu corpo e a contigo foi uma forma de se
instrument? O que é querias destacarem de todos os outros
tocar quando começaste? sua música e fraseados musicais
falam da sua vida. Na realidade que tinha para analizar… Como
Tudo começou quando vi um sou um desenhador gráfico e é que conseguiste juntar esta
video do Ritchie Blackmore a faço algum do seu merchandise equipa.
esmagar uma guitarra em frente official, por isso nunca me deixo de Depois de lançar dois álbuns
à câmara. Antes disso não tinha impressionar sempre que o vejo a com os Destinia no Japão, eu
pensado em tornar-me um músico. tocar. queri lançar um álbum a nível
Estava a praticar desportos de luta mundial. Dessa forma para poder
para poder tornar-me um ninja criar a minha ideia de heavy
mas tive uma lesão grave uma vez
e fiquei bastante frustrado… então
"Para poder criar metal tive que colaborar com os
melhores músicos de sempre. Foi
converge toda a minha paixão para
o hard rock e heavy metal! Desde
a minha ideia de a minha primeira vez para tudo.
No espectáculo de reunião dos
então tenho estado fascinado com
o poder mágico destes dois géneros
heavy metal tive que Rainbow, eu ouvi a voz de Ronnie
Romero, e pensei logo que tinha de
e tenho-os sempre presentes, todos
os dias da minha vida. A principal colaborar com os escrever músicas para ele cantar,
então quando o Ronnie veio para o
razão pela qual toco guitarra é
porque queria dizer algo de mim melhores músicos de Japão com os Lords Of Black para
o festival Loud Park, eu arrisquei e
na história do hard rock e do heavy
metal e eu desejo brilhar como sempre." fiz-lhe uma oferta. Depois quando
estava a escrever as canções a
as estrelas de rock da década de imaginar como é que elas soariam
oitenta que eu mais admiro. com ele a cantar, surgiu-me a ideia
Sei que também escreves música Algum conselho para músicos de um conceito para o álbum que é
para jogos de video… wow, como mais novos que estão a começar “Classic Modern”, e que os músicos
é que isso aconteceu? agora? se encaixariam perfeitamente nele
seriam o Tommy e o Marco. É
Bem, aqui no Japão há uma Depois de ouvir muita música, difícil para eles aceitar uma oferta
enorme procura por guitarristas acredito que é importante destas de um novato como eu mas
de heavy metal para jogos de video encontrares o teu próprio caminho. não queria arrepender-me mais
e anime e na verdade alguma da Claro que praticar é importante, tarde de não ter tentato, então
sua qualidade de som é melhor mas também não preciso dizer arrisquei e fiz-lhes uma oferta. No
que muitas canções de bandas que existem por todo o mundo início queria que eles colaborassem
de heavy metal. Além disso, eu muitas técnicas e ensinamentos apenas numas músicas mas depois
próprio também gosto da música bons. Não penso que aprender de lhes mandar as demos, eles
que é usada em jogos de video e dos livros é mais importante do disseram-me que as músicas eram
nos animes. O momento em que que ganhar experiência de vida e muito boas então quiseram tocar
a história e a acção são ilustradas supercar desafois, que poderão ser em todas! Eu fiquei mesmo muito
com a minha guitarra, é o melhor tanto amor, hobbies ou qualquer honrado! Todavia haviam riscos
de sempre! coisa que seja, e depois poder e não foi fácil para um novato
expresser emoções dessas mesmas como eu trabalhar com membros
Que influências tens como experiências através de uma tão experientes e talentosos e
músico e guitarrista? guitarra e canalize-las para uma criar um álbum porque a minha
canção. Acredito que é importante forma de tocar guitarra e compor
Como já disse, tudo começou com o quanto consegues encurtar a seriam comparadas aos seus
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níveis. Felizmente notaste no meu que também é algo importante, o e estilos do metal da década de
trabalho árduo e parece que os trabalho de produtor. oitenta com melodias fortes. De
meus esforços foram muito bem facto eu apenas me apercebi do
recompensados! E trabalhar com eles todos? power metal e do estilo mais AOR
na voz e coros durante o decorrer
Ronnie Romero é um exemplo Bem, foi difícil manter-nos de da produção. Deve ser porque eu
sem dúvida de uma força de acordo com o estipulado mas gosto desse estilo de vozes. Houve
natureza, a sua voz fica be mem felizmente o processo de gravação momentos em que bandas como
qualquer lado. Foi fácil a questão foi suave e acabou cedo. No entanto, Dio e Whitesnake também tinha
dos horários entre o Ronnie e os devido a outros lançamentos que esse tipo de melodia, certo? Nunca
teus? cada membro tinha, o lançamento
de “Metal Souls” acabou por ser soou totalmente power metal nem
Foi difícil mas no final tudo correu adiado e tivemos mais tempo para AOR, mas as melodias eram tão
bem. Quando escrevi tanto as letras finalizer umas últimas negociações. impressionantes. Então eu peguei
como as melodias, tive sempre Então acabei por masterizar assim nessas melodias das década de
em mente a voz do Ronnie então como misturar tudo à última da oitenta e trouxe-as de volta para
gravar não ocupou muito tempo. hora. a música moderna através dos
Ele cantou de forma espantosa e Destinia.
fez alguns arranjos ligeiros como O tema-título arranca com Quem pensou na capa do álbum?
seria esperado que fizesse. o álbum e estabelece o tom.
“Metal Souls” é um álbum Também estou a trabalhar como
Claro, que em relação as restantes que vive algures entre o power director de arte e desenhador
músicos, a mesma questão… metal europeu e o AOR norte- gráfico, então fui eu próprio que fiz
complicado coordenar as a capa. Para mim a música e design
disponibilidades de todos? americano… é esta a linha
pensada em seguir desde sao a mesma coisa porque eu tento
O Tommy e o Marco estavam sempre ou simplesmente expresser aquilo que tenho dentro
bastante ocupados também, por de mim. É apenas um campo
aconteceu desta forma? diferente. Mas a música preenche
isso considerando que estava a
preparer todo o material deu- Foi feito dessa forma de forma a ambos os meus desejos ao mesmo
lhes tempo suficiente para as suas encaixar no conceito. Com “Classic tempo. Este artwork é um sinal
gravações de forma a que pudesse Modern” tinha como objective o melódico, um símbolo de hard
tocar sem problemas. Acredito som modern com as estruturas rock e heavy metal, mas também
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um sinal e respeito pelo Dio, um Ronnie, Marco e Tommy. Claro eles. Se isso acontecer, já sei quais
rugir a ascender pela chama. Se que estando a escrever músicas os músicos que iriam tocar comigo.
rodas a figura para a esquerda para eles, também é o meu dever Então para todos os metalheads
faz sentido que a parte onde a de avaliar e incorporar as ideias a ler esta entrevista, mal posso
mão está represente o inferno que os membross me dão. Desde esperar para vos conhecer todos
de Turkeministão. A montanha que mantenhas a mente aberta, nos meus concertos!
visível no fundo são os Pirinéus. vai acaba com um resultado mais
Um homem vive em espanha que variado e até mesmo melhor do Qual é o teu próximo passo.
atravessa por um poder mágico que que aquilo que poderias imaginar Primeiro desejo que o meu álbum
ascende do inferno e grita alto para no início. “Metal Souls” possa ser escutado
o mundo para lá das montanhas. por tantas pessoas quantas possíveis
“Oh, que coisa maravilhosa, rock Pensas que será possível ver esta
equipa numa digressão do “Metal e que elas me fiquem a conhecer.
é feito por tantas histórias!” Isto Esse é o grande próximo passo. É
é, aquilo que eu estava a pensar Souls”? Existem planos para isto?
por isso é que quero ouvir todas as
quando fiz “Metal Souls”. As bandasO primeiro concerto no Japão foi opiniões, boas e más. Quanto aos
progressivas estão habituadas a confirmad para o 21 de Janeiro meus planos para o resto deste ano,
seconder histórias no artwork. em 2019, em Tóquio. Penso que vou trabalhar como produtor para
Como é que fazes a música para existem muitas possibilidades para artistas japoneses e depois vou voar
cada um dos teus projectos, já que mais concertos. Mas no que toca a até Las Vegas para trabalhar num
eles diferem tanto musicalmente? uma digressão mundial, penso que projecto novo (que não Destinia)
seja difícil. Estou ainda a falar com com o Paul Shortino. Seria algo
É simples, independentemente o nosso agente mas gostaria de muito fixe podermos fazer muitos
do projecto, mantenho a mesma dar muitos concertos no próximo concertos com os Destinia e andar
abordagem. Como produtor ano… deve ser complicado em digressão por diferentes países!
sou responsável port razer ao de conciliar as agendas de todos, Vamos conhecer o future! Keep it
cimo o melhor das habilidade de estou a pensar contratar músicos Metal!
músicos maravilhosos como o de suporte e fazer a digressão com

15
eNTREVISTA
eNTREVISTA

Aqui neste mundo do metal, nada fica exactamente morto e esquecido. Dito isto, tomámos contacto
com os Hellish War apesar do seu último álbum de originais ter sido lançado há já cinco anos. No
entanto a sua raça heavy metal é tão genuína que não poderíamos deixar de chegar a eles para
ficarmos a conhecê-los um pouco melhor. JR, baixista, foi quem nos recebeu e fez a ponte de
ligação entre Portugal e Brasil. Uma ponte feita de metal.
Fernando Ferreira

Bem vindos a este World na Alemanha. Sempre mais maduro e completo Para quando podemos
Of Metal. Esta é uma estivemos na luta e não é e merecia chegar a mais esperar o vosso próximo
boa oportunidade para nada fácil, ainda mais para ouvidos headbangers. trabalho? Estão a
vos apresentar (ou re- uma banda do Brasil. Mas trabalhar nele neste
apresentar) aos fãs de amamos o que fazemos e Em relação ao álbum momento?
metal portugueses. No isto é o que importa no “Keep It Hellish” foi
entanto, os Hellish War fim do dia. E se tivermos dito no momento Para 2019, com certeza!
não são uma banda pessoas a apoiar-nos, do lançamento que Estamos em fase de
propriamente nova, com então valeu tudo a pena! representava um início composição. Por enquanto
uma carreira com mais de um novo ciclo da temos umas três canções
de duas décadas. Como O vosso último álbum banda. De que forma? definidas e mais algumas
é que tem sido esta já data de 2013, acham ideias. Ainda não temos
que ainda vos representa Este é o primeiro album titulo para estas canções
caminhada dos Hellish com um novo vocalista. e nem para o album. Mas
War pela luta do metal? como banda neste
momento? Estivemos com o Roger estamos trabalhando
Estamos por aí há mais Hammer na formação por duro para isso. O plano é
de vinte anos. Temos Sim, totalmente. Rendeu mais de dez anos. Então gravar no final deste ano
três álbuns de estúdio bem, mas ainda achamos foi o inicio de um novo ou inicio de 2019.
e um ao vivo, gravado que merece mais ciclo, sim.
destaque. É nosso album “Keep It Hellish”, o
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vosso já mencionado último e os actuais?
trabalho, foi editado pela
editora Pure Steel Records, Definitivamente eram outros
que também reeditou os vossos tempos. Hoje os trabalhos de
álbuns anteriores. Esta ligação originais não têm mais tanto
ainda se mantém? espaço. Ainda pegamos o final
das editoras também, o que
Sim. Ainda se mantém. Mas hoje é impensável. Tudo hoje é
nossos contratos são por álbum. digital, online e é preciso lidar
Então assim que o novo album com isto. Entrar no dinamismo
for gravado, veremos se eles desta nova época.
terão interesse em lançá-lo ou,
talvez, analisar a proposta de Mais Informações:
outra editora. www.hellishwar.com.br
No Brasil por outro lado foi www.facebook.com/hellishwar
lançado pela Voice Music,
que também representa/ www.twitter.com/hellishwar
representou o melhor do metal
brasileiro. Ainda continuam w w w . y o u t u b e . c o m /
ligados a essa editora? hellishwarofficial

Não. Foi apenas um contrato de


lançamento especifico para este
álbum.
O vosso último trabalho levou-
vos a passar pela Europa. Como
foi o balanço desse incursão ao
velho continente? O que é mais
importante para vós, o palco
ou o estúdio?
Foi muito positivo. Passamos
por mais de cinco países.
Infelizmente Portugal não estava
na rota. Mas quem sabe numa
próxima. Se nos chamarem
iremos com certeza! Nossa vida
é o palco. Estúdio é um mal
necessário.
Quais são os vossos planos a
curto-prazo? O que está neste
momento na forja?
A curto prazo é finalizar o novo
album. E também estamos pra
gravar um novo clip, ainda do
"Keep It Hellish". Desta vez
será para a canção “Scars”. Já
para o ano que vem, a ideia é
lançar o novo álbum e tour de
divulgação.
Sempre encarei a cena de
heavy/power metal brasileira
muito forte no final da década
de noventa, com bons nomes a
surgir. Sendo que começaram
nessa altura, como fazem a
comparação entre esses tempos
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eNTREVISTA

Chris Caffery começou a tocar guitarra aos onze anos e gravou a sua primeira demo-tape, aos catorze.
Com uma carreira musical invejável, da qual constam nomes como Trans-Siberian Orchestra, é aos
Savatage que o seu nome será sempre associado. Desde 2004 que se dedica a uma carreira a solo,
tendo recentemente, lançado o seu sexto álbum de estúdio - "The Jester's Court". E foi esse o mote
par a entrevista com Chris Caffery, onde se fala do novo trabalho, mas não só
Rosa Soares

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Olá Chris, antes de mais, um Jester's Court. É o meu tempo para a tua carreira a solo revela um
muito obrigada por nos cederes crescer e aceitar responsabilidades, artista que se sabe reinventar,
um pouco do teu tempo. Sabemos controlar o meu reino. Também que tem uma identidade. Como
que andas bastante ocupado com podes olhar para isto politicamente te consegues distanciar do Chris
a promoção do teu novo álbum, se quisesses… actualmente, há dos Savatage e da Trans-Siberian
lançado no dia 27 de Julho. E é muitas personagens no mundo Orchestra?
por aí que vamos começar: ainda com grande poder, e que eu acho
com pouco tempo de vida, já muito divertidos. Não vou discutir Bem, às vezes os elementos estão
lemos boas reviews. Como é que política, vou ficar por aqui! lá. É algo a que é difícil fugir. É
está a ser a reacção dos fãs e do impossível não ser influenciado
público em geral? por pessoas como Jon e Criss
Olá! Muito obrigado pela " É impossível não Oliva ou Paul O'Neill. São mestres
no que fazem. É triste pensar que
entrevista! Até agora, os fãs, e o
público em geral, adoraram este CD. ser influenciado por dois deles são agora, anjos. Mas
a sua influência estará sempre
Adoraram as músicas, a artwork...
tudo. Houve algumas críticas com pessoas como Jon e presente em mim. Mas também
tenho muitas outras influências,
as já habituais as declarações sobre
"Não é Savatage" e "A tua voz não Criss Oliva ou Paul enquanto guitarrista, escritor,
cantor e músico. The Queen, os
é a do Jon". Já estou habituado. De
um modo geral, estou feliz com a O'Neill. São mestres Beatles, Sabbath, Prince, Dio,
Maiden e Priest, Jimmy Hendrix
maioria das reacções. e Stevie Ray ... a lista continua.
“The Jester’s Court” – o título do
no que fazem. É triste Eu não ouço muita música nova,
a não seu que eu esteja a passar
álbum e a sua própria artwork,
remete-nos para uma certa
pensar que dois deles por perto. Por isso, a minha alma
é, musicalmente, antiga. Tudo que
dualidade “brincalhona”, um
jogo, uma brincadeira simbólica
são agora, anjos." eu tento fazer é escrever músicas
divertidas. Aquelas com que eu
entre o bem e o mal, a diversão e me divirta, cantando e criando. Ou
a punição. Com é que tu defines Neste álbum, apesar de cantares, aquelas que expressam as minhas
este trabalho? fazeres coros e tocares vários emoções. Espero que as pessoas se
Eu tive uma carreira muito longa. instrumentos (guitarra, baixo possam conectar a essas emoções
Sou muito feliz por isso. Há mais e teclados), tem convidados quando ouvirem a música. Eu
de trintaanos que sou guitarrista de renome: Angus Clark, gosto de experimentar. Eu gosto de
profissional, cantor, artista. O meu Joel Hoekstra, Jane Mangini, usar muitas harmonias. Eu poderia
trabalho tem sido fazer as pessoas Tony Dickinson (Trans- fazer um disco como se tivesse,
rirem e sorrirem, terem alegria com Siberian Orchestra), Brian apenas 8 lápis de cor, mas eu tenho
a música que eu e minhas bandas Tichy (Whitesnake, Billy Idol), a caixa de 64 e gosto de os usar
criamos. Nesse "sorriso de bobo da Alessandro Del Veccio (Voodoo todos!
corte", às vezes, há muita dor, às Circle) e Lonnie Park. É quase
vezes há muita felicidade. Muitas uma super-banda. Queres falar O segundo tema do álbum é
vezes, não tive controlo sobre o um pouco do porquê destas “1989”, que nos remete para esses
escolhas? anos áureos da música rock. Não
que me deixava feliz ou triste… resisto a perguntar: quais as
Diferentes elementos con-trolaram A maioria são bons amigos. principais diferenças entre fazer
minha vida… Pessoalmente, Trabalhei com o Angus, o Joel, o música hoje e nos anos ’80?
financei-ramente, fisicamente… Tony e o Jane na Trans-Siberian
Aquele não era o meu tabuleiro de Orchestra. “Lost Tonite” é uma Bem, remete-nos para esse tempo
xadrez e eu não conseguia fazer os música que escrevi para o Paul não apenas musicalmente, mas
meus próprios movimentos. Com o O'Neill. Significa muito, para também pessoalmente. Eu tinha
tempo aprendi que não era apenas mim, ter alguns dos meus bons vinte anos de idade! Eu estava nos
o meu tabuleiro de xadrez, mas o amigos nessa música especial. Savatage e estávamos por toda a
meu próprio reino. Tens de assumir O Alessandro, conheci durante MTV. Eu estava em tournée pelo
o controlo da tua própria vida se as gravações de “Spirits of Fire”. mundo, tinha a minha própria
quiseres, realmente, ser feliz. Eu Brian fez meu último disco e eu, casa, carro novo, um barco num
também aprendi que nunca podes simplesmente, adorei a sua forma lago ... a vida era uma loucura
fazer toda a gente feliz - podes te de tocar bateria, e por isso o divertida. Não é que agora não seja,
matar a tentar. Então, agora tenho convidei novamente. Felizmente, mas naquela época eu vivia todos
algumas coisas por minha conta. ele estava disponível quando eu os dias como se fosse o último.
Ser vocalista é algo que me deixa precisei de terminar os temas. Sem consequências. Acordar,
emocionalmente feliz. Cantar faz- limpar o que ficou da noite
me muito feliz. Financeiramente Já ouvi o álbum e deixa-me dizer anterior e recomeçar. Foi uma fase
eu estou bem, o que me deixa que gostei bastante. Sons pesados, que durou cerca de 4 anos, onde
espaço para trabalhar mais na melódicos, riffs excelentes. todos os dias eram como Mardi
minha música e arte. Agora é o Apesar do teu percurso musical, Gras. Actualmente, não há nada de
19
errado em nos divertirmos.
Mas, pessoalmente, acho
que tomei algumas decisões
erradas. Essa música
apenas diz que quero viver
assim, novamente, mas da
forma correcta. Divertir-
me, mas responsavelmente,
e certificando-me de que
minhas decisões não são
guiadas por emoções ou
uma bebida qualquer que
esteja a beber naquele
momento!
Para quando uma reunião
dos Savatage?
Vocês sabem qual a
resposta, assim como eu,
infelizmente. Eu gostaria
de dizer amanhã! Mas não
posso. Espero que num
futuro próximo, possamos
ver a banda em palco
novamente. Eu acho que
existem tantos fãs que
adorariam ver isso! Não
apenas os que nos viram
há vinte anos, mas toda
uma nova geração de fãs de
música e metal.
Gravaste a tua primeira
demo tape aos catorze
anos… ao fim destes anos
todos, o que é que ainda
te motiva para fazeres
música?
Bruce Dickinson, Jon Oliva, Lou ter deixado os Savatage. Saí para
Digo sempre que é o eterno medo Graham, Steve Perry, Alice Cooper ir trabalhar com o meu irmão e
de um trabalho real! Mas, e agora ... para começar ... foi um erro de jovem. Eu podia
a sério, é exatamente o que eu amo ter ficado e feito as duas coisas.
fazer. É tudo que eu sempre fiz. Quais as melhores lembranças de Eu perdi os últimos três anos da
Eu tenho uma empresa de molhos toda a tua carreira? E as piores?
vida de Criss Oliva e aquelas duas
picantes, e tenho a Metalphant que As melhores lembranças são, tournées com ele. Coisas que
estão muito bem, e eu gosto dessas definitivamente, as primeiras nunca mais vou ter de volta. O
coisas. A Metalphant é inspirada tournées com Savatage. Na seu funeral e o de Paul O'Neill são
numa pequena mascote minha, verdade, qualquer tournée com as minhas piores memórias. Eu
chamada Wilbur, e vendo jóias, Savatage! Especialmente as sentirei a falta deles para sempre.
roupas, arte em vidro marinho, a actuações em festivais na Europa e
pessoas de todas as idades. Mas eu na América do Sul. Trans-Siberian Já tens datas para tocares “The
sou músico. É onde meu coração Orchestra a abrir para Garden. Jester’s Court” ao vivo? Irá haver
e a minha alma estão. Por isso Todas as tournées com a Trans- alguma digressão europeia?
não preciso, verdadeiramente, da Siberian Orchestra são divertidas,
motivação. O que eu preciso é de mas é um trabalho muito duro! Estou a discutir possibilidades
mais tempo! Nunca é o suficiente O horário é muito ocupado. Eu e assim que souber, divulgo.
para o que eu preciso de fazer! adorei as tournées “Beethovens Se vocês tiverem amigos que
Enquanto guitarrista e vocalista, Last Night”, da Trans-Siberian organizem festivais, digam-lhes
quais as tuas principais Orchestra, porque nós só tínhamos para me porem na fila!
influências? um espectáculo por dia e éramos,
novamente, a banda principal, que Fiquem tentos a www.chriscaffery.
Já abordei um pouco isso, mas é essencialmente Savatage sem com or www.facebook .com/
enquanto vocalista, Ronnie Dio, os vocalistas. As minhas piores chriscafferymusic, para saberem
Ray Gillen, Freddie Mercury, lembranças... eu nunca deveria todas as novidades!
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eNTREVISTA
eNTREVISTA

(risos). Quando descobri que


Legend of Valley Doom é um projecto norueguês de Power Metal existe uma banda chamada
Sinfónico, criado por Marius Danielsen, um jovem apaixonado “Rhapsody”, que criou o seu
por vikings e espadas. Juntar no mesmo projecto, Chris Caffery, próprio universo de fantasia
Tim Ripper Owens, Mark Boals, Ross the Boss, e muitos mais, é tolkiano, soube que era isto
uma ideia megalómana, mas que Marius Danielsen concretizou. o que eu procurava. Eu tinha
Conversámos com o Marius, para conhecermos melhor este reino ido ao meu primeiro concerto
de Iron Maiden em 2003 e
mágico, de personagens encantadoras que é Valley Doom. comprei uma guitarra pouco
Rosa Soares tempo depois. Em 2005, com
17 anos, escrevi a primeira
música de “Legend of Valley
Mais que um projecto deuses guerreiros, batalhas pelos Vikings, Tartarugas Doom”. Desde então, o meu
musical, “Marius Dani- épicas… Onde é que te Ninja, Star Wars, etc. Quando sonho tem sido expandir esse
elsen’s Legend of Valley inspiras? De onde surgem as vi o filme “Braveheart”, fiquei universo e criar algo único e
Doom” é um processo cri- personagens, os seus nomes, encantado. Mas quando vi incrível
ativo, teatral, com persona- as histórias? “O Senhor dos Anéis”, rendi- Como é que fazes a escolha
gens e uma história que nos me. Adoro tudo o que esteja
Desde criança que me interesso dos músicos? Tenho especial
transporta para a mitologia, relacionado com espadas
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curiosidade em relação às vozes, início, eu próprio tentei criar um jogo, resultar, será mais fácil convidar um
porque sendo todas diferentes, se mas iria demorar muito e retirar-me ou dois vocalistas para os concertos.
harmonizam de uma forma tão tempo precioso para escrever música. Mas nada é certo. Eu adoraria fazê-
bela… Estou em contacto com alguém que o lo, se for possível.
poderá vir a desenvolver. Mas tudo se
Eu tenho uma grande lista dos meus resume a eu conseguir pagar. No que Portugal seria um destino a
músicos favoritos e com quem adoraria diz respeito a este projecto, eu pago pensar, para um concerto?
trabalhar. À medida que as músicas se tudo do meu próprio bolso, pelo que,
desenvolvem, eu escolho quem quero as coisas levam o seu tempo (risos)! Adoraria ir a Portugal. O Artur seria
contactar. Se for uma música de Power uma escolha óbvia, a convidar para
Metal rápido e de tom forte, eu sei que cantar comigo.
preciso daquela voz para atingir os
melhores resultados possíveis. Para
uma música calma, ao estilo Dio-
"Nunca conseguiria ter No próximo álbum, com a entrada
de novos vocalistas, vamos ter
Black Sabbath, eu contactei Diego
Valdez, porque ele tem na voz aquela
TODOS os convidados em novas personagens? O que vai
acontecer com as personagens
rouquidão do Dio. palco. Isso seria muito dos vocalistas que não continuam
no projecto, como por exemplo,
E falar de vozes é, para mim, que sou
portuguesa, falar de Artur Almeida, dispendioso, em viagens Arigo The Wise?
vocalista dos Attick Demons. Como
é que conheceste o Artur e o que e pagamentos a todos os Há algumas pessoas da Parte 1
que regressam. Mas também há
é que te levou a convidá-lo para
o “Marius Danielsen’s Legend of músicos. São quase 100 muitas personagens novas. Como
as pessoas de Valley Doom estão
Valley Doom”?
músicos diferentes nos a fugir para Eunomia, vamos o
meu irmão, que retratará o Rei de
Descobri os Attick Demons através de
pesquisa no YouTube. De repente, ali dois álbuns!" Eunotrian. Também encontraremos
estava aquela voz louca, que soava a um tal Elf King, chamado Elrath,
um misto de Bruce Dickinson e Eric representado por Olaf Hayer, e a sua
Adams. Eu tinha de entrar em contacto Quando oiço as vossas músicas, filha Lariana, que será representada
com ele! Então, contactei toda a gente imagino como seria representar pela minha namorada, Anniken
da banda, na esperança de que alguém toda a história num palco… a Rasmussen. Temos Michael Kiske e
me respondesse. Julgo que foi o Luís quantidade de pessoas envolvidas, Daniel Heiman que aparecem como
Figueira, quem primeiro me respondeu as exigências de logística, seriam anjos, que guiarão o caminho até à
e ajudou a contactar o Artur. Fiquei imensas, uma vez que juntas próxima etapa da viagem. Michele
tão feliz! Naquela altura eu só tinha no músicos de várias nacionalidades Luppi, Blaze Bayley e muitos outros
line-up, o Mark Boals e alguns amigos e continentes e, todos envolvidos também cá estão. Alessio Garavello
daqui. em projectos musicais individuais. voltará como Prince Ferago. Tim
Ao ouvirmos o álbum, ficamos com a Foi por tudo isto que nunca Ripper regressa como o fantasma
ideia de que, por detrás do produto fizeram um concerto? do King Thorgan, e que será uma
final está um longo, dispendioso voz da razão para o cansado Warrior
e muito exigente processo de Nunca conseguiria ter TODOS os King (eu). (risos) Arigo the Wise
produção. É verdade? convidados em palco. Isso seria estará presente, mas desta vez
muito dispendioso, em viagens e representado por Raphael Mendes.
Tão verdade! (Risos) Gasto ¼ do meu pagamentos a todos os músicos. São Ele também tem uma voz incrível,
salário, todos os anos, desde 2013. quase 100 músicos diferentes nos semelhante à do Artur. Arigo tem
Tenho pagamentos a convidados ou dois álbuns! (risos) E os guitarristas um papel importante na Parte 2, e
algo relacionado com este projecto, iriam apenas tocar um solo de o planeado era ter o Artur a fazê-
todos os meses, nos últimos 5 anos. guitarra e sair do palco. O que tenho lo, obviamente. Mas foi impossível,
tentado fazer, é criar uma banda neste momento, com o cronograma e
Li algures que a história épica de de suporte, com alguns vocalistas
“Legend of Valley Doom” seria o meu orçamento a “enlouquecerem”
convidados dos dois álbuns. Por com todos os convidados que tenho.
editada em banda desenhada. Isso duas vezes tive os vocalistas e as
irá acontecer? Em que fase se encontra o “Legend
bandas prontas a avançar, mas
A banda desenhada da Parte 1 já foi nunca consegui concertos pagos, of Valley Doom Part II”? Para
editado há um ano, mais ou menos. apenas consegui a oferta da receita quando o seu lançamento?
Não sobraram muitas cópias, mas irei de bilheteira. Quando sou eu o
imprimir mais. Está disponível na loja responsável por pagar viagens e Está terminado. O álbum foi
online, no site www.mariusdanielsen. tudo o resto de 6 / 7 pessoas, tocar concluído em Fevereiro. A artwork,
com pela receita de bilheteira seria um o livreto, tudo, foi entregue a semana
risco muito grande. Podia acabar passada. Tanto a editora, como
Todo o álbum, a forma como se com apenas 5 pessoas a irem ver eu tivemos umas longas férias de
estrutura, a própria artwork, os concertos e eu ter de pagar Verão, mas estamos de regresso esta
remete-nos para um vídeo-jogo. Já do meu bolso, todos os músicos. semana. Por isso, acho que veremos
pensaram em criar um vídeo-jogo Neste momento estou a tentar algo algumas novidades em breve.
”Legend of Valley Doom”
diferente: verei se consigo encontrar
Actualmente, está um jogo numa pessoas aqui na Noruega, para
fase inicial de desenvolvimento. No começar uma banda “Legend”. Se
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eNTREVISTA
NTREVISTA

Eunomia é o projecto de Peter Danielsen, que dá seguimento a Legend


of Valley Doom, do seu irmão Marius Danielsen. Esta dupla de irmãos
já nos habituou a um Power Metal Sinfónico de vozes fortes, melódicas Como defines Eunomia?
e guitarras poderosas, que dão corpo a personagens tão variadas Uma banda que vai ser tão
quanto fantásticas. O álbum de estreia de Eunomia, foi lançado no dia épica como ninguém jamais
24 de Agosto e a World of Metal falou com Peter Danielsen sobre o seu ousou ser antes.
projecto.
Onde é que te inspiras?
Rosa Soares
Viagens na montanha.
Vai ser possível encontrar o
No dia 24 deste mês, será “Not far from here lies the friend”. É Eunomia a vingança disco à venda, em Portugal?
lançado o álbum dos Eunomia Kingdom of Eunomia, with anunciada em “Outro”, que Em que formatos vai ser
“The Chronicles of Eunomia help from their great leader vai trazer o Dark Lord caído? editado?
Part 1”. O que podemos Eunotrian, there is still a É óbvia a ligação entre as
esperar deste trabalho? chance to bring down The duas histórias/bandas. Uma Possivelmente, é a editora
Dark Lord” e “One day we é o seguimento da outra, (Pride and Joy) que tem o
Podemos esperar o melhor will get our revenge, one mas num “reino” diferente. controle sobre isso. Será
power metal com tudo o que day” são os últimos versos de Queres falar um pouco sobre lançado em formato digital e
nós precisamos na nossa vida! “Fallen Heroes of Our Land” isso? CD.
e “Outro”, os dois últimos Espectáculos ao vivo, têm
Eunomia surge em 2011 e temas de ”Legend of Valley Não é o fim do Dark Lord,
lançou o seu EP “Crystal porque são precisos mais alguma coisa pensada ou
Doom Part I”. “The Last planeada?
Sword”, com 4 temas, em Stand”, o tema de Eunomia artefactos / armas para o
2013. Porquê só agora o lançado nas plataformas derrubar de vez. Eu não
lançamento do álbum de Depois de terminar a escola,
digitais a 2 de Agosto, começa sei se quero “estragar” a vou tentar fazer uma tournée e
estreia? assim “Welcome mortal to história completamente, mas fazer concertos. Talvez a Parte
your worst dream, you are conseguem-se ganhar algumas 2 seja editada, entretanto, e
Porque tenho muitos outros guerras contra ele e ele tem que
projectos a decorrer. Só agora strong it seems, but your tale assim teremos mais músicas
is now at the bitter end, come se retirar. para o nosso setlist.
tivemos para o fazer.
here and face your fate my
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Por Paulo Barros

Bom Som? Ou Produção? - Parte 2


Olá amigos!
Recuando um pouco ao passado e no presente,não poderia deixar de salientar a importância de alguns dos produtores
de top na industria do Heavy-Metal e do rock mundial.
Martin Birch, Max Norman, Rick Rubin, Mutt Lange, Scott Burns, Tommy Newton, Bob Rock, Terry Date, Fredrik
Nordstrom, Brendan O’Brien, Andy Sneap, Flemming Rasmussen, Ross Robinson, Colin Richardson, Sascha
Paeth, Andrew Murdock, Mikko Karmila etc… são alguns dos mágicos que usaram o seu talento para deliciar-
nos com alguns dos melhores discos daquele som que nós gostamos,estes senhores contribuíram de uma forma
estrondosa para alguns produtos que milhões de fãs ouvem todos os dias durante décadas e para todo o sempre…
se não vejamos alguns dos nomes que estes senhores produziram,
Deep Purple, Iron Maiden, Machine Head, Arch Enemy, Opeth, Dimmu Borgir, In Flames, Pantera, AC/DC, Nine
Inch Nails, System of a Down, Rainbow, Metallica, Blind Guardian, Morbid Angel, Nevermore, Slipknot, Limp
Bizkit, Deftones, Sepultura, Korn, Fear Factory, Napalm Death, Cannibal Corpse, Death, Obituary, Trivium, Bullet
for my Valentine, Carcass, The Cult, Bon Jovi, Aerosmith, Nightwish, etc, etc,etc uff… chega. E claro também os
portugueses Anger, Classic Rage, Heavenwood, Moonspell, Tarantula,etc. Se me esqueci de alguém avisem malta.
Claro que poderia nomear algumas centenas de outros produtores que também fizeram um trabalho ao nivel destes
que mencionei como devem imaginar, simplesmente queria mencionar a diversidade de som que temos aqui, e
também produtos de qualidade que fizeram uma excelente carreira na indústria da música. Como já tinha referido
no número anterior, o trabalho do produtor funciona como um treinador numa equipa de futebol, é aquela pessoa
que ouve e percebe a sensibilidade dos artistas e determina a cor do som, os arranjos e até mesmo alterar a
composição de alguns temas do grupo. Na minha opinião continuo a achar que os músicos devem ter sempre
um treinador\produtor pois o risco de não conseguir os serviços mínimos é sempre maior quando optamos por
fazer a autoprodução, por isso senhores das bandas, vejam o vosso budjet e invistam algum na produção do vosso
disco,pois pode compensar em termos de projecção de carreira, fazer um disco é como fazer um filme, todos os
detalhes são importantes, por um prego se perdeu a ferradura… pela ferradura se perdeu uma pata do cavalo…pela
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pata se perdeu um cavalo… por um cavalo se perdeu a guerra… a batalha… o cavaleiro… a espada… a besta… o
machado… bom... já não me lembro do ditado.
Mas cuidado com as comparações…..apostem em fazer coisas arrojadas… .como exemplifiquei no número
anterior, lá por eu gostar de um determinado som não quer dizer que vou conseguir esse tipo de som com o mesmo
produtor, porque cada um de nós é diferente, e bate nos instrumentos com dinâmicas diferentes, por isso também
devemos tentar inovar um pouco, como por exemplo, vou fazer uma banda com umas guitarras do tipo Korn e uma
composição à Bon Jovi. Pode parecer ridículo, mas se for bem feito, porque nunca seriam as guitarras iguais nem
a composição igual, para inovar também temos de arriscar… se calhar poderíamos ter aqui um produto com algo
de novo.
Somente um exemplo, por vezes acontece de não gostarmos de um som de guitarra num determinado disco mas o
produtor acha que a maneira do baixista tocar ou do baterista ou do teclista ou da voz do vocalista, as frequências
que o produtor escolheu para a guitarra são aquelas que nos desagradam mais, mas no som geral da banda aquilo vai
funcionar como um todo e isso também seria uma parte do segredo. Mas,.como dizem os alemães, o trabalho é para
ser feito por profissionais… e por falar em produtores, também temos em Portugal alguns excelentes produtores
que já demonstraram inúmeras vezes o seu profissionalismo. Passo a citar alguns, André Matos, Bruno Silva,
Daniel Cardoso, Gonçalo Pereira, Luís Barros, Rodolfo Cardoso etc.
Também éimportante escolher um bom estúdio pelo menos para a fase de gravação do trabalho, isto porque por
vezes não se consegue fazer tudo num bom programa de computador, isso é uma ilusão. Lembrem-se que temos
que ter uma boa sala de escuta, um dos problemas que eu vejo por vezes em algumas gravações, é a sensação que
o volume da gravação está muito baixo e isso seria um mau sinal, porque alguma coisa correu mal na captação
dos instrumentos ou pior ainda a pessoa que misturou, não distribuiu bem as frequências no Master da gravação e
também na própria mistura. Mas isto não é fácil fazer e por vezes temos uma excelente banda com um bom produto
e quando chega às editoras ou managers, fica automaticamente chumbado… como tal vamos trabalhar malta… no
próximo numero vou falar sobre outros itens que podem ajudar as bandas a ter melhor performance, e assim poder
construir uma possível carreira no futuro.
Paz e rock para toda a gente…
vemo-nos no proximo número da WOM!

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eNTREVISTA
NTREVISTA

Os Black Mirrors foram paixão à primeira audição. Quando largos meses atrás ouvimos o
EP “Funky Queen” ficámos logo rendidos ao seu amor ao rock clássico e ao blues. “Look Into
The Black Mirror” é o álbum de estreia e não desiludiu, conseguindo superar não só o EP
como ainda estabelecer uma identidade própria que talvez estivesse a faltar nesse primeiro
lançamento. Pierre Lateur, o simpático guitarrista da banda belga falou-nos a fundo deste
espelhos negros do rock com a ajuda de Marcella Di Troia, a voz marcante do lado lá do
espelho.
Fernando Ferreira
Fotos - Mehdy Nasser
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Olá e bem vindos ao World E será que ao gravar o álbum de álbum, com grandes linhas
Of Metal. Primeiro álbum cá estreia, sentiram essa pressão vocais, não apenas grandes riffs.
fora, entrevista, trabalho de ou a experiência que já tinham Também conseguimos sentie
promoção e todas as coisas com o EP foi útil para que a presença do blues através de
inerentes a isso. Como tem sido agora fosse algo mais relaxado? todo o disco. Com músicas
esta fase após as gravações? Como é que sentiram o tempo como “Moonstone” ou “Inner
no estúdio? Reality”, deixamos falar as
Muito longa porque já nossas influências mais “trippy”
acabámos de gravar o álbum Tentamos sempre o processo e psicadélicas como Pink Floyd,
quase um ano atrás. Estamos criativo da promoção para nos The Doors, Radiohead e até
realmente ansiosos para sentirmos o mais livres possíveis Massive Attack. Claro que
mostrá-lo ao nosso público. e para evitar sentir alguma podemos dizer que o universo de
Mas tivemos muito ocupados pressão no que diz respeito a Josh Homme (Kyuss, QOSTA,
a preparar o lançamento do escrever canções. Pensamos Them Crooked Vultres, etc.)
álbum. Gravámos vídeos com que isso poderá mesmo poluir é uma das nossas influências
o nosso amigo Sébastien Van a nossa arte, misturar esses dois especialmente nos riffs de
Malleghem, fizemos entrevistas, processos. Por isso mesmo que guitarra e som. E também um
alguns concertos e também quisessemos ter um bom álbum pouco de Jack White também.
estamos já a criar músicas para no final das gravações, não
o segundo álbum. sentimos assim tanta pressão e a A forma como Marcella canta
atmosfera no estúdio foi mesmo dá uma vida extra às canções
Non stop! Depois do excelente excelente. Estivemos por nossa e torna-as bastante viciantes!
EP “Funky Queen” quais eram conta com o nosso engenheiro de A forma como soa é como se
as vossas expectativas para o som Ulysse Wathier. Gostámos fosse uma libertação, quase
álbum de estreia? Já sabiam muito de gravar este álbum. como uma canalização para
bem aquilo que queriam esse propósito. Houve um
atingir? conceito geral específico para
Esperamos que as pessoas que
nos têm seguido desde o início
"Led Zep, Jimi as letras do “Look Into The
Black Mirror”?
gostem do álbum tanto quanto
nós gostámos de o criar e gravar.
Hendrix e Janis Durante as sessões de gravação,
quando chegou a minha vez
Também queremos andar em
digressão o mais possível para Joplin são as de gravar a voz, eu criei um
pequeno santuário com as
partilhar a música com os
nossos fãs e promover o álbum. principais. Estão um vibrações que eu precisava
para me sentir inspirada e
No álbum mostram-nos uma
abordagem mais moderna pouco no ADN da na disposição correcta para
cada tema. Por exemplo, para
“Burning Warrior”, a canção
que afasta a tentação que são
uma banda retro. Alguma vez nossa banda." presta homenagem a todas
as nações nativas americanas
sentiram esse peso, do rótulo
“retro”? que lutram para manter a sua
terra sagrada e cultura. É uma
Uma parte de “Till the Land Wind Se tivesses que apontar alguns lembraça do massacre em
Bloes” e a parte mais bluesy no nomes como influências Wounded Knee, onde muitos
“Burning Warriors” faz com que maiores do “Look Into The deles morreram. Então eu criei
seja certo dizer que o álbum tem Black Mirror”, quais seriam? uma certa vibração na minha
um feeling mais moderno mas O comunicado de imprensa sala de estúdio para sentir-me
não o pensamos assim quando refere que o som mais típico inspirada, o meu pequeno altar
fizemos as músicas, realmente. do Josh Home vem à mente – e foi decorado com imagens deles,
Não queremos mesmo saber em realmente vem nalguns riffs... É como uma homenagem. Mas de
ser uma banda retro ou não, se a música dele uma influência? resto não houve um conceito
tocamos música rock, blues ou Led Zep, Jimi Hendrix e Janis geral para as letras. Eu escrevo
stoner... É mais sobre tocarmos Joplin são as principais. Estão um sobre todo tipo de coisas que me
a música que nos soa bem aos pouco no ADN da nossa banda. tocam profundamente durante
nossos ouvidos e almas. Por Temos estado a ouvir muito o processo de composição. Só
isso, não, não podemos dizer os The Hellacopters antes de quis ser o mais honesta quanto
que tenhamos sentido qualquer gravarmos. Eles influenciaram- possível.
peso acerca do rótulo “retro”. nos muito quando estavamos Vocês vão andar em digressão
a compor as canções para o
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pela Europa em apoio ao álbum. Algumas faixas já têm público ainda esteja lá, é muito
álbum? Onde esperam ir? quatro anos então já tivemos a difícil ter uma promoção maior
hipótese de as tocar ao vivo. Não como ter tempo de antena,
Sim, durante o Outono vamos separamos realmente o processo aparecer na TV... li uns poucos
andar em digressão pela Europa criativo e estarmos activos como dias atrás que na cerimónia dos
durante quase dois meses. A uma banda que toca concertos e Grammy este ano, o promotor
primeira digressão será com os gostamos de as testar ao vivo. do espectáculo nem se deu ao
Vintage Caravan e Wucon em Se sentirmos que o público e trabalho de transmitir a categoria
Outubro e depois vamos andar nós também estamos a gostar, “Melhor Música Rock... Não é o
outravez na estrada com os The mantemos a música. Caso estilo de música principal neste
Nightflight Orchestra de 22 de contrário, metemo-la de parte. momento. Mas nunca sabemos
Novembro até 23 de Dezembro. o dia da amanhã, a história em
Podes encontrar todos os Rock/Metal não tem o mesmo geral parece andar em círculos
detalhes nas nossas redes sociais poder comercialmente que teve e conforme estamos a falar
e no nosso website. alguns anos atrás mas parece sobre história, na década de
que criativamente é melhor cinquenta alguém disse a frase
Quais são as vossas expectativas que nunca. Como é que sente
quanto à recepção dos fãs aos a cena pesada hoje em dia? trágica “Rock está morto” com
novos temas ao vivo? o resultado que vimos durante
Acham que vai ficar tão grande as grandes décadas músicais
Poderá ser algo óbvio mas como era na década de setenta que tivemos da década de
esperamos mesmo que eles ou oitenta? sessenta até à de noventa. Então
gostem destas canções. Mal Sim, claro, é um pouco vamos ver o que vai acontecer,
podemos esperar para partilhar complicado hoje em dia fazer um mas de qualquer forma vamos
a música e energia com o nosso nome no género rock e heavy. continuar a tocar a música que
público. Mas para ser honesto, já Penso que seja porque existem gostamos e ir aos concertos para
as tocámos ao vivo, pelo menos mesmo muitas boas bandas por ver todos estes grandes músicos
a maior parte das músicas do aí hoje em dia e mesmo que o que ainda temos sorte de ter!
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"na cerimónia dos Grammy este ano, o promotor do espectáculo nem se
deu ao trabalho de transmitir a categoria “Melhor Música Rock... Não é
o estilo de música principal neste momento. Mas nunca sabemos o dia da
amanhã"
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eNTREVISTA
eNTREVISTA
eNTREVISTA

Aproveitando o lançamento de “Tectonic” do seu projecto Trillium, tentámos (e conseguimos!)


desvendar aqueles que são os projectos da conhecida cantora Amanda Summerville
dentro e fora da música, para além dos Trillium na simpática conversa que poderão ler já
de seguida.

Miguel Correia

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Olá Amanda, bem-vinda à É o meu bebé e é algo com- que eu co-escrevi com meus
World Of Metal e começo por pletamente pessoal porque amigos ("Nocturna" e "Eternal
te perguntar sobre a estrada, escrevo as músicas e faço todos Spring"). Mas no fim, tenho
a tua jornada na música, as vocalizações (com excepção sempre a palavra final sobre o
recheada de participações do que Jorn Lande fez como que vai para o álbum. Como o
em projetos que foram bem convidado, é claro). A maioria Sander também fez a mistura do
sucedidos... do que eu escrevo é muito álbum... ia dando em doido com
autobiográfico, de alguma forma, isso! (risos)
Wow, olá e obrigado, eu é que e não é apenas a minha voz,
agradeço e sim, sem dúvida um eu também trabalho muito na E para além do Sander há
processo total de aprendizagem apresentação visual do álbum então mais participações?
constante, eu adoro esse lado de num todo. Eu gosto de ter um
colaborar com outros músicos, pacote completo e tudo tem um Meu marido, co-escreveu a
porque se aprende sempre algo significado para mim... maioria das músicas comigo,
novo, até sobre nós e claro de produzindo, tocou guitarra e
trabalhar ao lado de grandes baixo e msiturou o álbum; Andre
músicos. Borgman na bateria, que não é
E como a tua carreira começou "A maioria apenas um baterista fabuloso,
mas um músico fantástico em

do que eu
para o mundo da música? geral e um amigo de longa data
Acima de tudo de onde veio e ex-colega de banda do Sander
o gosto por esta área mais nos After Forever; Erik van
pesada, por assim dizer?
Olha, a minha carreira começou
escrevo é muito Ittersum nas teclas, que também
deu muito de si com os seus

autobiográfico, de
maravilhosos talentos nos álbuns
há muito tempo, quando eu era da HDK; Stefan Heileman
muito jovem. A música sempre trabalhou no lado visual das
foi importante na minha família
e eu simplesmente fui educada
com ela por todo o lado. Eu já
alguma forma" coisas, a fazer todas as fotos e
ilustrações; Yves Huts escreveu
"Eternal Spring" comigo e,
tocava covers em vários locais, finalmente, meus amigos de
desde muito cedo, talvez com sempre, Mark Burnash no baixo,
dez anos já o fazia e mais Primeiro surgiu "Alloy", um Paul Owsinski na guitarra e
tarde, por volta dos dezassete grande disco e agora "Tectonic", Ashley
já compunha as minhas músicas, outro grande disco...
como vês... Quando falas em Peacock que
música mais pesada, eu tenho Muito, muito obrigado! Nós escreveu"Nocturna". As pessoas
que falar que a colaboração começamos a escrever material que vocês escolhem devem ter
mais influente foi trabalhar nos novo logo depois de “Alloy”. a mesma visão musical? É um
HDK com o Sander Gommans, Como tudo estava a levar ponto obrigatório ou nem por
que se tornou meu marido muito algum tempo para simplesmente isso?
mais tarde! Ele foi realmente a acontecer, houve algumas
chave, o único que me levou músicas acabaram indo para Eles aceitaram acima de tudo
para escrever e executar metal e outros álbuns: o último Kiske porque lhes foi dada a imagem
até levou à criação dos Trillium. Somerville, por exemplo! Tanta completa para o que ia acontecer
coisa foi acontecendo, como o com todas as músicas. Eles
Trillium, esse foi então o meu casamento com o Sander o foram maravilhosos em aceitar
primeiro passo, mas daí para começo de uma família, aí senti o que queríamos e é exatamente
a em diante o que aconteceu? que iria precisar de mais tempo por isso que queríamos que eles
para terminar “Tectonic”. Esse fizessem parte desta criação.
Em 2010, depois que lançarmos tempo extra valeu mesmo a pena
o HDK "System Overload", eu porque fomos capazes de fazer Por que surge "Tectonic" como
estava a escrever mais músicas, tudo sozinhos da maneira que o título do álbum?
algo que estava a sair mais queríamos com as pessoas que Sou fã de coisas que têm diversos
sombrio e pesado e ao falar com escolhemos a dedo para tocar significados
o Sander sobre o rumo que as autobiográficos
os instrumentos adicionais. Sou e figurativos e este caso não
musicas estavam a levar, porque aqui a única a tomar as decisões é exceção. Claro que o mais
não tinha certeza se essas músicas sobre as coisas, embora o Sander óbvio é o termo geológico, que
poderiam até fazer parte de um certamente tenha muito crédito se relaciona com as diferentes
álbum solo e muito naturalmente e eu respeite e valorize muito camadas que todos temos debaixo
levou ao que é hoje o projeto as suas opiniões. Várias músicas de nossa superfície. Para mim,
Trillium. eram demos instrumentais que ele essas camadas foram mudando
O que diferencia Trillium dos me apresentou, outras começaram ao longo dos anos, certamente
teus outros projetos? como demos de piano-voz. Havia causando grandes mudanças
também duas músicas no álbum na minha vida. Nós sabemos
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de forma mais comum
da ligação à terminologia
geológica, mas a sua origem
é grega: "tekton" significa
"construtor". Em alemão,
"Tektonik" também tem o
seu lugar na poesia e na
arte, referindo-se à criação,
clarificação e combinação
de elementos construtivos,
mas também na arquitetura,
referindo-se à soma de
várias partes que se juntam
para formar uma nova
estrutura ou obra de arte.
Esse é o núcleo do que é
“Tectonic”. É, sobre como
todos os vários elementos
e mudanças se juntaram
para formar minha vida e,
portanto, também a minha
música, como ela é agora.
Não querendo ser mal
interpretado, mas todos nós
sabemos desde sempre que
este género musical é algo
tipicamente mas-culino,
mas, a verdade é que de há
uns anos a esta parte temos
assistido ao surgimento de
mulheres como vocalistas e
até bateristas, guitarristas,
testemunhado que o lado
feminino além da beleza
traz qualidade à música...
(Risos) As barreiras estão
finalmente a cair... sim, é
verdade. Mas ainda há um
longo caminho a percorrer.
Há certamente muitas coisas
ainda muito estereotipadas que
temos que superar enquanto
mulher, ho-nestamente, qual-
quer tipo de carreira e
particularmente na indústria
da música, especificamente
no género metal.
Psicologia versus música.
A música ganhou?
(Risos) Absolutamente, sem
dúvida...
Wow, sim, verdade, as crianças conscientização e promover a
Por falar nesta área , eu, para são nossos maiores tesouros pesquisa já é uma vitória.
além deste meu lado musical, porque são o futuro. Qualquer
também trabalho com algumas coisa que eu possa fazer para Como queres ser recordada ou
crianças autistas, eu partilho ajudar talvez seja muito, muito lembrada pelos teus fãs?
isto contigo, porque eu sei que pequena tendo em conta as reais Olha, como alguém muito
estiveste envolvida num projeto necessidades, mas estou muito genuína. Tudo o resto pouco
de angariação de fundos para feliz em poder contribuir. O importa...
crianças autistas por um longo autismo afeta tantas famílias
tempo... hoje e, de qualquer forma,
podermos ajudar a aumentar a
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"Há certamente muitas coisas ainda muito estereotipadas
que temos que superar enquanto mulher, honestamente,
qualquer tipo de carreira e particularmente na indústria
da música, especificamente no género metal."

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eNTREVISTA

Os H.O.S.T. são uma banda portuense, nascida em 2016. Apesar e ser uma banda recente, os seus
membros são músicos experientes, conhecidos do público e vindos de outros projectos, tais como
Dove, Cycles, Head:Stoned, Dum, Unfolded Vision ou Feartstomb. De forma a sabermos um pouco
mais sobre os H.O.S.T., falámos com Augusto Peixoto, baterista bem conhecido no panorama do
metal nacional e com uma pequena participação de Gerrit Dries, vocalista da banda.
Rosa Soares

Olá Augusto, antes de vocês se conhecem de juntos ou não, porque há trabalho?


mais, muito obrigada projectos anteriores uma experiência de vida a
pela tua disponibilidade. em comum. Os HOST acontecer a cada momento. Chegamos a um momento
Vamos começar pelo são a evolução natural Essencialmente, sentimo- das nossas vidas em que a
início, que para mim é o desses projectos, ou são nos uma banda nova, com vida pessoal/profissional
nome da banda. O que uma banda com uma sonoridades conhecidas tem uma forte influência
significa H.O.S.T.? identidade nova, distinta e algumas novidades, no decorrer da banda. Não
e nova sonoridade? motivado, também, pe- conseguimos estar juntos
Eu é que agradeço e é um lo facto de termos um todo o tempo necessário
enorme prazer. Relati- Sim, conhecemo-nos há vocalista diferente, com e que pretendemos,
vamente à questão do signi- muitos anos, inclusive outro background, devido portanto, isso reflecte-se
ficado do nome H.O.S.T., o tocamos todos juntos, com ao facto de ser holandês. na composição. Já temos
mesmo quer dizer, “Hope excepção do Gerrit, durante Costumamos dizer que alguns temas novos, dos
Our Souls Transcends”. muitos anos nos CYCLES. somos uma banda nova quais dois já tocamos ao
Eu, a Vera e o Carlos com músicos experientes. vivo há algum tempo e,
Os H.O.S.T. são uma chegamos a tocar juntos actualmente, estamos
banda recente, mas nos Headstone que depois O EP “Bastard Of The indecisos se editaremos um
nenhum de vós é estreante tornaram-se os conhecidos Fallen Thrones” já novo E.P. ou um álbum. Vai
nestas andanças. Para Head:Stoned.A evolução tem quase dois anos. depender muito do que a tal
além do Gerrit, todos é sempre natural, tocando Para quando um novo influência da vida pessoal/
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profissional terá nos timings para que não tragam algo que possa a mesma coisa, algo novo que
compor as restantes músicas. beneficiar a banda, não, obrigado. possa ir ouvindo é de bandas que
Mas, o primeiro semestre de 2019 já sigo há alguns anos, bandas
é certo para presenciar um novo Concertos, festivais, como é que novas, propriamente ditas, pouco
capítulo na vida dos H.O.S.T.. estão de agenda? ou nada conheço...
Falando ainda do EP, “Bastard Of Não estamos. Deixámos de marcar Enquanto criador de artwork
The Fallen Thrones” foi editado concertos para não limitar ainda e músico, tenho de fazer esta
num formato muito apelativo: mais os timings de composição. questão: como vês o mundo
caixa de metal com excelente E, dar concertos hoje em dia, digital, onde se pode aceder a
artwork (da tua autoria), na sua maioria é uma perda de toda a música sem a comprar no
composta por CD, encarte tempo. Não respeitam as bandas, seu formato físico?
com as letras, magnificamente a ausência de público é marcante,
ilustrado, duas palhetas e um portanto, tocar ao vivo para Não sou contra, a partir do
autocolante – uma verdadeira uma sala vazia, não traz nada de momento que serve para
peça de colecção. O que vos fez positivo.Bem pelo contrário, são promover ou ajudar a promover
optar por este tipo de edição e uma perda de tempo em viagens, as bandas. Acredito que quem
não por uma edição comum? desgaste, consumição, tempo esse gosta realmente de música ou
que é preferível passar em família. de algo que ouça online, vai
Sendo eu designer sinto-me, comprar em formato físico. Eu,
primeiramente, obrigado a ser pelo menos é assim que o faço.
criativo e a desenvolver algo que "Trinta anos nestas Mas, compreendo os cépticos no
seja inovador ou diferenciador. que toca a este assunto… eu, por
Uma banda tem que ter algo andanças, de forma uma questão de consciência, não
mais numa edição que seja
simplesmente o aspecto musical. interrupta, já são posso ser contra.
Tenho uma questão para
Temos que saber cativar o ouvinte
com a música, claro, mas, criar
demasiado, depois há o Gerrit: Como é que um
um forte impacto visual com o
artwork, também. Sempre foi
um decrescimento de holandês acaba a morar no
Porto e vocalista de uma banda
assim que pensei e, acredito ser
uma fórmula vencedora. Quem
vontade e querer em portuguesa?
Gerrit - Bem, sempre fui músico
compra merece o melhor e, o andar para a frente…" e ligado à música metal. Embora
melhor, não poderá ser somente as nunca antes me tinha dedicado
músicas que ouve. Além do mais a ser propriamente um vocalista
as probabilidades de vender uma Dada a tua experiência pessoal
no mundo da música, como metal, sempre foi algo que tinha
embalagem única, comparando o meu interesse. Mudei-me para
com os formatos tradicionais, é vês o actual panorama musical
português e europeu? Portugal em 2007 por causa de
substancialmente maior. uma linda jovem portuguesa,
Lançaram o EP em nome Actualmente, pouco ou nada com quem vivo agora em família
próprio, sem o apoio de uma sei… não tenho muito tempo para e acompanho os meus filhos a
editora. Foi opção ou algum tipo a banda, quanto mais para seguir crescer. Claro que trouxe para cá
de constrangimentos editorias o que se passa à volta. Trinta também o meu amor pela música,
impuseram/condicionaram, de anos nestas andanças, de forma e depois de alguns anos, através
algum modo, essa escolha? interrupta, já são demasiado, do meu trabalho, conheci a nossa
depois há um decrescimento de baixista Vera que me levou a
Preferimos ter um controlo total vontade e querer em andar para conhecer outros músicos da cena
do que fazemos, definitivamente. a frente… a idade leva-nos a isso de metal na cidade do Porto.
Pergunto-me para que serve e tenho que ter consciência que o Entre estes músicos também
uma “editora” nos dias de fim da luta está próximo. Já não estava o baterista Augusto, que
hoje, aliás, para que servem as sinto a motivação e, isso leva-me tocava junto com a Vera nos
editoras, particularmente, a nível a não procurar saber muito como Head:Stoned. Quando esta
underground, desde sempre? está o panorama. Vou conhecendo banda acabou, foi o Augusto que
Da experiência que tenho com muito vagamente uma ou outra me convidou para uma banda
editoras nunca foi algo benéfico, banda, pelos contactos que nova. Também com a Vera, mas
em alguns casos, só piorou a me fazem para a idealização com dois guitarristas diferentes,
possibilidade de se conseguir algo do artwork, ou nos poucos Carlos e Filipe. Esta banda então
mais disperso e que trouxesse concertos que ainda vou dando… foram os H.O.S.T.
benefícios para a banda. Editoras nada mais. Internacionalmente,
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eNTREVISTA

As Lizzies são a mais recente sensação do hard rock da nossa vizinha Espanha, país que
é sempre inspiração pela forma como o seu amor proporciona as condições ideais para
ser um viveiro de novas bandas. Não exactamente uma nova banda, mas este segundo
álbum, "On Thin Ice", poderá ser a apresentação perfeita para quem não apanhou o
álbum de estreia. Para ajudar também a facilitar as apresentações, fomos fazer a nossa
parte e falar com a Patricia, guitarrista do quase exclusivamente quarteto feminino.
Fernando Ferreira

Bem vinda ao nosso melhor em menos tempo. pressa no estúdio e foi Penso que tem mais poder,
World Of Metal. Depois Houve alguma dessa bastante stressante mas no soa mais fresco e como foi
de um grande álbum de pressão para este álbum? final correu tudo bem. a Elena que escreveu todas
estreia, estão de volta as letras, é tudo muito
Mais ou menos, sim. O que é que os fãs poderão
com “On Thin Ice”, o mais pessoal.
Trabalhámos arduamente esperar para este álbum,
Segundo que é lançado
nas novas canções e comparando com aquilo A experiência do álbum
agora em Outubro.
fomos resgatar velhos que “Good Luck”, o vosso de estreia fez com que
Normalmente o segundo
riffs e ideais do passado álbum de estreia, é? estas gravações fossem
álbum é um grande
que se tornaram em um pouco mais fáceis?
desafio porque, tal como “Good Luck” estava mais
novas músicas como
se costuma dizer, para situado no final da década Foram duas experiências
“World Eyes On Me” ou
o primeiro a banda tem de setenta ou de inícios da bastante diferentes.
“Playing With Death”. De
todo o tempo do mundo, de oitenta e o “On Thin Ice” Quando gravámos “Good
qualquer forma, tivemos
enquanto para o segundo mergulha completamente Luck” estavamos sempre
que finalizar uma série
existe pressão para fazer na década de oitenta. no estúdio e isso criou
de músicas completes à
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uma atmosfera diferente. Com esperança de ultrapassar aquilo música commercial, de dança
o “On Thin Ice”, fomos para o que atingimos com “Good Luck” ou hip hop.
estúdio apenas para tocar e isso e andar em digressão o máximo
Penso que aqui em Espanha
ajudou-nos a desligar um pouco possível.
passa-se o mesmo. Tens que
do processo.
Por falar nisso, quanto a tocar trabalhar mesmo muito para
O vosso som chama pelos bons ao vivo… eu não sei como é que chegares aos tops sendo
e velhos anos oitenta. Sentes foi com o “Good Luck” mas uma pequena banda, existe
que essa foi a melhor altura pensas que com “On Thin Ice muito marketing e trabalho
para a música em geral e o hard poderão andar em digressão promocional mas vale a pena!
rock em particular? pela Europa? E já agora,
Leva-nos ao início. Qual foi
estando aqui mesmo ao lado,
Os anos oitenta foram excelentes, a principal motivação para
esperamos que consigam vir a
foram os melhors momentos do começarem a banda e porquê o
Portugal também!
hard rock e heavy metal sem nome Lizzies – provavelmente
qualquer dúvida, e também Sim! Vamos começar pre- relacionado pelo facto de
excelente para a música pop! Mas cisamente uma digressão pela terem uma formação quase
hoje em dia podes ouvir bandas Europa agora em Outubro, totalmente feminina.
incríveis também, qualquer que com a banda sueca Hypnos!
Tudo começou anos atrás, era um
seja o estilo música que gostes. Infelizmente ainda não temos
Verão quente quando a Marina
datas para Portugal mas como
Ficaram surpreendidos pelo (baixista) e eu começámos a tocar
disse, queremos dar mais
sucesso de “Good Luck” nos em vez de sairmos e derretermos
concertos portanto vamos ter
tops espanhóis? Esse facto teve nas ruas. Quando aprendemos a
esperança que vos possamos ver
algum peso na escrita do novo tocar algumas canções, tocámos
em breve!
álbum? na escola e gostámos da sensação
de estarmos em cima do palco,
Claro, ficamos muito
surpreendidos e orgulhosos!.
Somos miúdos de Espanha, um
"Nem nos então decidimos continuar
nesta Aventura. Escolhemos o

nossos sonhos
nome “Lizzies” porque somos
país que pensa que a música é uma
obcecados com o filme “The
coisa menor, onde ser músico
Warriors” e de facto, a única
é visto como uma anedota do
que própriamente um trabalho mais selvagens gangue feminine eram as Lizzies
que davam porrada a toda a
sério, então é realmente muito
difícil chegar aos topos ainda acreditariamos gente!
para mais sendo iniciantes! Não
escrevemos músicas a pensar que isto pudesse Esperavas ter chegado a este
lugar em que estão agora?
nisto, apenas, compomos o que
gostamos. acontecer." Estabeleceram previamente
alguns objectivos a atingir?
Para muitos fãs de hard Nem nos nossos sonhos mais
rock, “On Thin Ice” será selvagens acreditariamos que
O facto de terem chegado à
provavelmente o primeiro isto pudesse acontecer. Eu penso
posição 16 nos tops espanhóis
contacto que vão ter com a que a nossa aspiração mais alta
será representative de que
vossa banda e som. Quais são era apenas tocar mais uma vez.
a Espanha está agora mais
as vossas expectativas, onde é (risos) E acredita em mim, nós
aberta ao hard rock do que no
que pensas que este álbum vos vimos isso como algo realmente
passado? Pergunto isto porque
vai levar? difícil. Não tínhamos realmente
aqui em Portugal havia uma
grandes objectivos, as coisas
Estamos tão satisfeitos com o altura em que o rock e o metal
apenas foram acontecendo.
resultado de “On Thin Ice”, eu eram mainstream mas hoje em
penso que soa cada vez mais dia é bastante underground,
poderoso e finalizado. Temos e tudo o que tens dos media é
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eNTREVISTA

Compositor, cantor, produtor e multi-instrumentista. Falamos do norte americano Clif Magness,


cujo o novo trabalho, “Lucky Dog” nos chegou à mão para review via Frontiers, despertando
logo a nossa intenção de chegar a este momento com Clif e falamos de alguém que já venceu
um Grammy Award, na categoria de Melhor Arranjo Instrumental com o tema "The Places You
Find Love" do álbum de Quincy Jones, “Back On The Block”, que já foi nomeado para um Oscar,
para um Globo de Ouro e... que apesar de tudo se tornou conhecido por co-escrever e produzir
a canadiana Avril Lavigne no ano de 2002.
Miguel Correia

Clif, antes de mais o nosso iam perguntando quando é é super talentoso, tocou tudo nos faz sentir cada
muito obrigado por esta que isto acontecia, tudo se guitarra elétrica em várias momento dessas mesmas
entrevista e é para nós uma proporcionou, cheguei aqui faixas também. Josh Freese músicas...
honra ver o teu nome nas sentindo que era o momento tocou bateria em uma faixa.
nossas páginas, poder trocar certo para o fazer... Preston Howard tocou o tubo Quando era mais jovem, fui
umas palavras contigo é Uilleann em uma faixa e o crescendo rodeado de sons
inspirador, mas vamos Uma das tuas facetas fabuloso Tommy Denander como os Beatles, Simon e
diretos ao brilhante "Lucky é a de seres um multi- tocou o solo de guitarra em Garfunkel, Joni Mitchell,
Dog", o teu novo disco, instrumentista. Aqui neste "Shout". Mozart e Beethoven. Sempre
naturalmente, perguntando disco percebo que quase fui muito atento a este lado
como surgiram todas estas todos os instrumentos são Como chega a inspiração das harmonias, das melodias
ideias? trabalhados por ti, certo? para a composição, pois em e até das letras de cada
cada música que se ouve, há música que ouvia, algo que
Ah, Muito obrigado! Olha, Pois, pois, eu toquei quase, muitos momentos que nos sempre me chegou à minha
naturalmente também a ideia quase todos os instrumentos. fazem voltar atrás e querer alma, desde muito cedo, e
foi surgindo, principalmente A programação da bateria ouvir novamente, grandes tudo isso me influenciou de
por muita insistência dos também foi obra minha, melodias, impressionantes, forma muito natural até aos
fans, sempre leais, que através programando cada uma fortes, por vezes dias de hoje, ainda influencia
das redes sociais e não só, me das batidas e gravei tudo. melancólicas, tudo resulta, e de que forma!
O meu filho Evan, que já
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Agora vou falar de alguém que a tudo um compositor para outros que é puro, muito puro AOR!
sei té muito especial, Robin Beck, músicos, falo de Steve Perry e Avril
ela surge neste disco num dueto Lavigne, por exemplo e não posso O Grammy que ganhaste como
contigo... deixar de lado "The Places You compositor/produtor, remonta ao
Find Love" que escreveste para início dos anos 80. Foi aí que as
Pois, pois, eu sou um fã de Robin Quincy Jones e que te deu o tão portas se abriram finalmente para
Beck, desde sempre, há muitos anos, ansiado Grammy. É mesmo muito Clif Magness?
e surgiu a ideia de ela fazer este dueto, e certamente há por aqui episódios/
falamos, pedi-lhe que escrevesse e Huum, não, não, mais uma vez,
histórias para contar. tudo volta a Quincy Jones. Em 1983,
gravasse e o resultado é a fantástica
faixa "Love Needs A Heart". Estou (Risos) Claro que sim. Por exemplo, Quincy contratou-me para a sua
muito, muito orgulhoso desta trabalhar com o Quincy Jones em editora. Eu chamei a atenção dele
colaboração, como deves imaginar, estúdio, como qualquer um pode através de uma demo de 4 músicas.
uma colaboração com o toque de imaginar, foi sensacional e muito Ao mesmo tempo, Quincy assinou
compositor e artista. educativo. Sempre que eu estava por com Jack Wagner um contrato de
perto dele, a ouvir as suas histórias gravação para a Qwest. Três das
The Beatles, percebi pela tua de vida, vendo-o a interagir com minhas músicas dessa demo foram
biografia que és um fan deles e já músicos e artistas, pensava sempre: gravadas para o álbum de estreia de
fizeste essa referência aqui como "É por isso que faço o que faço. Esse Jack. Glen Ballard e eu, juntamente
uma das tuas grandes influências, exemplo desse homem é o que me com David Pack, escrevemos "All I
mas a minha pergunta é até que inspira". Need" para o álbum que se tornou
ponto um músico do teu nível, com o hit # 1. Não ganhou um Grammy.
tanta experiência se deixa, vá lá, Uma música que escrevi com Glen
influenciar por todos os elementos Ballard, chamada "The Places You
musicais no momento de compor?
"Eu acho que é Find Love", ganhou um Grammy
pelo álbum "Back On The Block", de

muito importante
Olha, a resposta é simples, sim, como Quincy, em 1990.
eu já mencionei antes, eu era e ainda
sou fã dos Beatles. Tudo à volta das Bem no meio de tudo isso, o teu
composições deles, performances,
toda a experimentação musical,
sim, porque eles também o fizeram
agora, mais do talento ainda te levou à composição
de uma banda sonora de um filme
que te deu várias indicações para
apesar do sucesso, as harmonias.
Tudo sobre a música deles é uma que nunca, tornar os Globo de Ouro e um Oscar...
bem... o que te falta fazer mais?
inspiração, vai ser sempre e acaba
por estar presente porque, sou eu,
está tudo em mim!
o mundo num Fui muito abençoado, sem dúvida,
acima de tudo por ter ganho o que já

Falando de “Lucky Dog” e ao


ouvir vamo-nos deparando com
lugar melhor." ganhei. Eu sinto-me extremamente
feliz pela minha carreira na música.
Os meus pais eram músicos, então
diferentes momentos, se por um tenho que agradecer pelo DNA.
lado há algo muito com uma Com um currículo tão vasto Para responder à tua pergunta,
atmosfera forte, arrepiante, por como o teu, qual o momento que eu adoraria que "Lucky Dog",
outro vamos ouvindo o sentimento tu escolhias para te apresentar principalmente, nesta fase, tocasse
rockeiro muito presente... a alguém que não conheça o teu os ouvintes emocionalmente.
trabalho? De forma que os ajudasse nos
Huummm, sim, sim, sem dúvida, momentos difíceis e também para
como te disse cresci num meio Olha, acima de tudo, eu sempre celebrar os bons momentos. Eu acho
musical muito forte, por tudo o que pensei em mim como um músico que é muito importante agora, mais
ouvia e neste disco, a experiência viajante. Eu tenho a sorte de ter do que nunca, tornar o mundo num
foi projetada para levar o ouvinte gravado música muito variada, lugar melhor.
numa autêntica jornada, uma do rock ao country, do clássico ao
jornada auditiva, dentro e entre as folk, do R&B à disco. Eu já cantei És a pessoa de quem todos querem
músicas, havia picos e vales, rios jingles! Escrevi centenas de músicas, ouvir conselhos...
e montanhas, sombras e luz. Eu a maioria, muito más, (risos)
queria que a minha música ecoasse Olha, nunca desistam dos vossos
algumas das quais foram lançadas sonhos. Eu sei que parece um cliché,
com todos esses sentimentos para e chegaram ao número um. Mas no
quem a fosse ouvir. Ter hard rock, mas foi o que eu fiz. Eu tive grandes
caso de "Lucky Dog", gostaria que as sonhos como pessoa, desde muito
grandes batidas, vozes agressivas e, pessoas que não estão familiarizadas
logo em seguida, aliviar o acelerador jovem, criar a minha própria música,
comigo soubessem que este álbum é tocar e o resto foi chegando. O meu
e desaparecer para uma balada o resultado de uma vida de trabalho
deliciosa, para algo mais calmo com sonho tornou-se realidade. A minha
árduo, experiência, paixão e prazer. vida tornou-se naquilo que eu
harmonias fortes e progressões de A música aqui é o culminar de uma
acordes reconfortantes. queria, porque continuei a trabalhar,
carreira maravilhosa na música e, como nunca para isso. Foco. Paixão.
Tens sido também, paralelamente finalmente, gostaria que soubessem
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eNTREVISTA

Os The Spirit surgiram como um estrondo recentemente. A banda lançou o seu álbum de estreia
um ano atrás pela Eternal Echoes, a própria editora da banda, e chamaram a atenção da toda
poderosa Nuclear Blast que reeditaram “Sounds From The Vortex” expondo o seu black metal
melódico a um público mais vasto. A nossa curiosade foi despertada e aqui está o resultado da
mesma, desfeita por M.T., frontman dos The Spirit.
Fernando Ferreira

Olá e bem vindos à World Of álbum em 2017. que gostaram bastante da nota que fosse
Metal. Tenho que começar nossa música. Eles entraram nele.
por perguntar como é que Como é que isso aconteceu, em contacto connosco e
é ver o vosso álbum a ser como é que se deu esse sim, ficámos definitivamente O vosso som é uma grande
reeditado pela Nuclear Blast contacto? surpreendidos por termos mistura entre o death e o
Records depois de menos sido abordados. black metal, lembrando-
Depois de termos gravado o nos às vezes dos grandes
de um ano ter lançado pela álbum entrámos em contacto
vossa própria editora? “Sounds From The Vortex Dissection, embora nos
com muitas editoras mas vai chegar a um público tragam a vossa própria
Estamos claro muito nem uma estava interessada. mais vasto que vai encará- identidade. É algo que
orgulhosos de que uma Então dizemos “que se foda, lo como um novo álbum. tiveram um cuidado extra,
editora como a Nuclear Blast isso não nos vai parar”. Como é que o encaram agora criarar a vossa própria
tenha reeditado o nosso Fundámos a nossa própria passado todo este tempo identidade?
álbum. Nunca nos veio à editor e lançámos o álbum desde o seu lançamento.
mente que uma editor tão em 2017 pela nossa própria Vêem-no ou sentem-nos de Copiar outra banda é a coisa
grande poderesse ter interesse conta. Um par de meses após forma diferente? mais estúpida que podes
em nós. É a razão pela qual o lançamento de “Sounds fazer. Claro que os The Spirit
nunca lhes enviámos uma From The Vortex” pela nossa Não, ainda estamos bastante são influênci-ados por outras
proposta quando lançámos o Eternal Echoes, a Nuclear Blast satisfeitos com as canções no bandas e mú-sicos que an-
ouviu falar de nós e parece álbum e eu não mudaria uma dam por aí, mas o truque é
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usar estes aspectos e misturá-los com o som dos The Spirit por todo o Em relação ao segundo álbum,
o seu próprio estilo, não interessa mundo. alguma coisa nova em mente para
qual é. o próximo álbum ou ainda é tempo
Ter apenas um álbum deve fazer de focar no “Sounds From The
Quem é que consideras ser a vossa com que seja mais fácil escolher Vortex”?
ou as vossas maiores influências? canções para tocar ao vivo –
provavelmente não terão tempo Já começámos no início de 2018
Em termos de música existem muita para tocar o álbum todo. Têm uma com a composição para o próximo
coisa que nos influencia. Rock, setlist fixa ou gostam de ir mudando álbum e agora já estamos a meio do
música clássica, heavy metal e muitos de concerto para concerto, para processo. Mas ainda vai levar mais
outros. E claro, black e death metal, manter a coisa interessante para tempo até termos algo.
especialmente da Escandinávia. Mas vós próprios.
a maior influência de todas é a vida Sendo uma banda consi-
em si. Definitivamente mudamos as setlist deravelmente recente, como é que
todas as vezes que toamos. Quando vês a actual cena de metal extremo?
Uma digressão com os Kataklysm e não conseguimos tocar uma Sentes que é melhor agora que foi
Hypocrisy e alguns festivais, parece música um dia porque não temos nos gloriosos anos noventa?
que foi uma forma excelente de tempo suficiente, vamos tocá-la no
começar a vossa estadia na Nuclear próximo dia e deixamos de parte Eu não sei se é melhor ou não, mas é
Blast Records. Desde que o álbum uma diferente. bastante diferente. O metal extremo
foi lançado no ano passado, eu da década de noventa tem mais alma
suponho que já tenham dado Além da digressão com os que o metal extremo que temos
alguns concertos de apoio ao álbum Kataklysm e Hypocrisy, vão ter hoje em dia. É a forma como as
mas fizeram alguma digressão mais planos para 2019? Têm já bandas escreve música e trabalham
propriamente dita para “Sounds alguma ideia onde poderão ir? no estúdio – a maior parte das
From The Vortex” produções que ouço das bandas
Sim, temos alguns planos básicos hoje em dia, não gosto delas de todo.
Não, até agora apenas tocámos um para 2019, mas ainda é muito cedo Há muito Pro-Tools, demasiado
punhado de concertos, eles foram para falar sobre isso. Por agora computador, demasiado “triggers”,
todos muito bons, mas para o futuro estamos a colocar todo o nosso foco defini-tivamente sinto falta da alma
vamos definitivamente aumentar a sobre a próxima digressão. na maior parte das bandas hoje em
nossa presença nos palcos e espalhar dia.
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eNTREVISTA
eNTREVISTA

“The Gale” foi um álbum que nos surpreendeu pela sua qualidade, estando inserido num género
(ou sub género) que não é propriamente fácil de se destacar – death/doom melódico. Falar
de Coldbound é o mesmo que falar de Pauli Souka – esta chegou a ser inclusivamente a sua
designação quando ainda era uma one-man band. Apesar de agora contar com uma formação
digna de uma banda, continua a ser o músico grego radicado actualmente na Suécia (apesar
desta banda ser finlandesa) que é o homem do leme e a alma dos Coldbound. Foi com ele que
falámos..
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Olá Pauli e bem vindo ao World primeira vez também, tive alguém que precisava de mudra e ajustar.
Of Metal. Excelente ter-te aqui, que não eu a fazer o artwork do Foi essa a principal razão para
principalmente agora que álbum (a Paulina Mendepona ter levado tanto tempo. Para que
lançaste, na minha opinião, o teu também o fez). conste, esta é uma situação que já
melhor trabalho de sempre. É o está resolvida e no nosso próximo
que sentes também? O vosso som no passado era mais álbum, com sorte, não se vai voltar
próximo do black metal do que a repetir.
Olá e muito obrigado pela é hoje em dia. Era algo que já
oportunidade de dar alguma tinhas pensado em fazer antes, Não é só no estilo que podemos
exposição ao meu próprio projecto. esta mudança, ou a composição ver e ouvir as mudanças no som
Signigica muito para mim. E fluiu desta forma? dos Coldbound como também a
respondendo à tua pergunta, sim, produção é superior a qualquer
eu penso que até agora é o trabalho Para ser honesto, graças aos recursos coisa que tenhas feito. Já vimos
dos Coldbound mais complete limitados e ao conhecimento que gravaste no teu estúdio
e também mais pessoal. É com limitado no que diz respeito à caseiro… achas que é a melhor
grande orgulho que posso dizer gravação, mistura e masterização, forma de trabalhar?
que depois de quase seis anos, apenas me era permitido compor
este é o som que mais se adequa um som cru e dissonante, perto É, definitivamente, na minha
a Coldbound e o som que tenho do black metal. Quando comecei opinião, a melhor forma de
lutado para obter todos estes anos. Coldbound eu tinha uma visão trabalhar e a maneira menos
totalmente diferente em relação à stressante de o fazer. Como já
Começaste como um projecto abordagem da música por parte da disse, esta é a minha opinião.

" no geral, este processo do álbum foi como mencionei, trabalho colectivo,
mais que qualquer um dos trabalhos anteriores. Pela primeira vez também,
tive alguém que não eu a fazer o artwork do álbum"

a solo – acho que lhe podemos banda. O som que imaginava era Algumas pessoas adora gravar
chamar isso – mas expandiste algo semelhante ao que podemos e misturar num estúdio contras
a tua formação em 2014. Para pessoas que possam emprestar
ouvir agora em “The Gale”. Mesmo
“The Gale”, podemos dizer que os seus ouvidos. Claro que é mais
assim ainda não está bem lá e tenho
tivemos um esforço de equipa ou rápido e eficaz e mais simples
esperança de com o próximo álbum
a música veio toda da tua cabeça? poder ficar ainda mais próximo gravar ou misturar com a ajuda
Ou coração? de outras pessoas, mas falar outra
com o som ideal que quero atingir.
vez em preferências pessoais, é
No “The Gale, o trabalho que Para este álbum, levaste mais algo que não conseguiria fazer tão
foi aplicado foi um produto de tempo a lançá-lo do que qualquer facilmente já que eu prefiro ter a
algo mais colectivo. Eu apenas outro. Foi por causa da mudança minha própria isolação enquanto
compus as canções e gravei todos do som que estamos a falar? componho a minha música, então
os instrumentos excepto numas poderá haver espaço para erros sem
poucas que deixei o Andras Sim, correcto. Foi também por qualquer risco. Claro que gusto de
Miklosvari dos Earthgrave para causa do novo som mas também graver com outras pessoas e é um
arranjar de acordo com a sua por algumas dificuldades técnicas processo completamente diferente
própria criativadade na parte no meu próprio estúdio, que tinha para mimmas no que diz respeito
dos teclados mais analógicos uma quantidade de memória RAM a graver, por agora, prefiro estar na
(Moog). Aparte disso, escrevi as limitada para podermos trabalhar minha solidão e tranquilidade no
letras de todas as canções mas na mistura. Assim, por acaso, só “espaço”.
deixei Paulina Medepona usar a poderia fazer a mistura numas
sua criatividade e imaginação na canções sem poder ouvir nos meus Apesar de não ser muito claro,
canção “The Eminent Light”. Mas monitors. Foi literalmente trabalhar sente-se que “The Gale” é uma
no geral, este processo do álbum no escuro. Estava a misturar, espécie de álbum conceptual. È
foi como mencionei, trabalho ajustar e mudar detalhes sem verdade? Tem aquele sentiment
colectivo, mais que qualquer um poder ouvir na hora as alterações. de melancholia apesar de poder
dos trabalhos anteriores. Pela Estava a exportar as canções dessa lançar uma luz de esperança no
forma e estava a anotar as coisas
47
ouvinte… a graver “The Gale” na Primavera extrema?
em 2017 e consegui acabá-lo na
Exactamente. O conceito do álbum Primavera de 2018. A Primavera é A Moonlight Productions são
não é óbvio de todo até que ouças um mÊs mesmo criativo na minha também o meu “bebé”. A ideia da
todo. Essa foi a razão pela qual opinião. Moonlight Productions começou
queria consegui-lo sem rotulá-lo algures em 2015 enquanto lancei
como um álbum com um conceito Como já falámos, os Coldbound “Rites Of The Moonlight”, antes
ou identificá-lo com um artwork são a tua visão, apesar de teres mais de haver sequer Moonlight
realmente óbvio. O artwork que colaboradores agora que antes. Productions, eu tinha necessidade
decidimos em demonstrá-lo com Podemos dizer que os Coldbound de ter control absolute no meu
a Paulina é uma espécie de jogo são uma banda verdadeira ou é próprio trabalho e nas minhas
mental que o quem o vê pode ainda o teu projecto? Vão tocar próprias bandas. Até agora posso
decidir por si próprio/a se é algo alguns concertos para promover dizer que sim, toma muito tempo
calmo, raivoso, pacífico, alegre, “The Gale”? e esforço promover a tua própria
o que lhe quiseres chamar. Nos música mas a satisfação no vim é
nossos olhos é como um contraste Tive claro ofertas para tocar impagável no mínimo. É fantástico
emocional que vai através de uma concertos, no Reino Unido, controlar as tuas próprias vendas,
montanha russa. No fim, a única Alemanha, Finlândia e Suiça mas o teu próprio merchandise, e por
mensagem que quero passar do devido à natureza da banda, tive outras palavras, possuir poder
álbum é que “viver é um acto que rejeitá-las. Recentemente sobre todos os direitos de autor do
de coragem”. Qualquer pessoa é tive que começar o processo para teu próprio trabalho e produção.
livre para processsar o significado formar uma banda para tocar Neste momento, como Coldbound,
desta fase. É algo geral que poderá ao vivo e fazer um concerto não estou interssado em lançar
aplicar-se para algo muito pessoal exclusive nos finais de 2019, num através de uma editor, mesmo que
para todos nós. festival num recinto fechado em me procurassem para tal. Talvez no

"ainda por estes dias recebi contratos de bandas amigas para ver, ambos
de editoras Underground e eram os piores contratos que alguma vez li! So
much for the underground spirit…. "
Eu costumo dizer que há algo na Helsínquia, na Finlândia. Para future, com uma proposta mesmo
água na Finlândia, porque temos este propósito recrutámos alguns muito boa me for oferecida mas de
todas estas excelentes bandas a rapazes mesmo talentosos. Pasi momento, Moonlight Productions
lançar álbuns excelentes. Retiras Spillc, bem conhecido pela sua está a cumprir na perfeição as
muita inspiração da cena da longa carreira como o principal minhas expectativas.
Finlândia? compositor da banda finlandesa de
metal gótico Charon, vai estar nas Voltando um pouco atrás… se
Hum… eu culparia a natureza guitarras. Ainda vamos ter nomes “viver é um acto de coragem”,
neste caso. Apesar de eu estar a mais fantásticos à lista e vão ser suicídio é admitir derrota?
viver na Suécia neste momento, conhecidos em breve quando nos
não existe uma diferença assim sentirmos confiantes em relação Eu já atravessei esta situação e sei
tão grande com a Finlândia – ok, a isso. Este concerto(se é que vai bem como é estar à beira do abismo
adiciona umas montanhas e tira acontecer) vai ser filmado, não absolute de tudo. Quando um
uns lagos. Mas eu penso que todas como um lançamento DVD, mas ligeiro movimento poderá tirar-te
as disposições estão presentes e como material promocional. O a vida e a dor, mas também afogar
andam à volta da Natureza. Em tempo irá dizer, talvez será algo em tristeza aqueles que gostam
grande parte eu diria que a altura que soe bem o suficiente para se de ti ou com quem te preocupas.
mais depressive do ano é depois de tornar um bootleg oficial. (Risos) Eu falhei em fazê-lo. O suicídio
Fevereiro, a meio de Março – início é também um acto de coragem,
de Abril quando apenas chove e há “The Gale” está a ser distribuido requer tê-la para fazer mas
muito vento, mas a relva é ainda pela Moonlight Productions. É a também como todos sabemos, é
queimada devido ao Inverno tua própria editora, certo? Parece mais fácil acabar com tudo de uma
intense. Ainda parece negro e que concentras bastante esforços vez do que de facto construer algo.
triste. A não ser que não haja neve no marketing do álbum. Pensas Como os nossos salários mensais,
no Natal, é mesmo depressive e que há algo que não possas evitar trabalhamos muito para que
negro. Por exemplo, eu comecei hoje em dia, mesmo na música tenhamos aquele dinheiro mas de
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repente vemos algo que custa muito ouvir-nos uns aos outros mesmo contactos para alguém que precise
e depois acabamos por comprar. que não conheçamos as pessoas de falar, ele ou ela poderá sempre
Em apenas três segundos gastamos com quem estamos a falar, isto falar comoigo e isto poderá tornar
o dinheiro fruto do trabalho de poderá realmente fazer a diferença, as coisas um pouco melhores. Por
dois meses ou mais. Péssimo porque a questão neste momento agora eu posso ser apenas um
exemplo, eu sei, mas no final, criar é que NÃO estamos a ouvir os estranho, mas mais tarde poderei
– sobreviver é definitivamente um outros. Todos nós carregamos dois ser um amigo ou alguém que
acto de coragem. No painel do diferentes fardos e todos nós temos poderá realmente ouvir e estar
digipack do “The Gale”, eu escrevi algo a dizer, mas quando não temos presente. Só quero dizer obrigado
dois dois longos textos (verificar na ninguém com quem falar, então a por esta oportunidade, significa
imagem abaixo) acerca da minha conclusão da solidão poderá ser o mesmo muito para mim. Obrigado
forma de ver esta realidade. Sim, suicidio, o que neste caso poder ser pela vossa revista e equipaassim
estamos a viver tempos de ganacia, algo como um beco sem saída ou como obrigado pelos fantásticos
sim, estamos a viver tempos em simplesmente redenção. A luz ao amigos portugueses que me
que vivemos à pressa em com fundo do túnel. O que não passa de apoiaram em todo este caminho.
falta de empatia com os soutros e uma ilusão construídas em falsas Viver é um acto de coragem, nunca
deveriamos mesmo fazer algo a expectativas e medos. No final estamos sozinhos.
esse respeito. Vamos começar por desse mesmo painel coloco os meus

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Os Beyond Creation são uma daquelas bandas que admiramos abertamente. A
sua abordagem num género que se viu em risco de certa forma cair num beco
sem saída é sem dúvida uma lufada de ar fresco e o seu terceiro álbum era sem
dúvida bastante aguardado. No entanto nunca esperaríamos que “Algorythm”
fosse esta bomba de death metal progressivo e técnico que efectivamente
é. Mal pudemos conter o entusiasmo por falar com Simon Girard, o principal
estratega e revelar mais o que se passa por de trás do mundo dos algoritmos,
50
além de dar um cheirinho sobre o concerto da banda no Porto.
Por: Fernando Ferreira
Fotos - Simon Gerard

51
”Claro que definitivamente podes notar que se trata de Beyond Creation
desde as primeiras notas mas o álbum contém muitas mais texturas,
dinâmicas e uma maior variedade em termos de estilos musicais.”

Olá e bem vindo à World Of Metal. sensação correcta de cada secção e realmente, colocar cores e textura diferentes,
Enorme prazer falar convosco já achei isso curioso porque isso levou- etc.. Para mim compor as orquestrações
que representam tudo aquilo que me a pensar como a tua zona de também foi um novo passo mesmo que eu
adoramos no death metal técnico. E conforto deve ter mudado desde que tenha compost a secção de “à Travers Le
é fantástico ver-vos regressar com um lançaste o primeiro álbum. Falando Temps Et L’Oubli” e antes disso, “The Aura”.
grande álbum como “Algorythm”. Eu mais concretamente da composição Eu sempre quis compor orquestrações. Eu
ei que é sempre um cliché perguntar de “Algorythm”, qual o foco para tinha a capacidade e tuda em mente mas
e responder isto mas este sente-se este conjunto de temas? E desde por alguma razão ou outra, nunca tive as
mesmo como o vosso melhor álbum que levou quatro anos para que ele ferramentas certas para o poder fazer de
de sempre. Calculo que concordes… fosse lançado, é uma indicação de um forma correcta, num disco professional.
cuidado extra para este álbum? Então finalmente decidi ter as ferramentas
Sim, claro que concordo. Quer dizer, todos os correctas, o tempo e encontrar os músicos
álbuns têm as suas sensações e ambiências O álbum todo realmente dá aos ouvintes certos para gravar as minhas composições e
próprias únicas mas “Algorythm” define uma perspectiva diferente, penso eu. Claro estou realmente satisfeito com os resultados.
onde estamos neste exacto momento como que definitivamente podes notar que se
músicos e no meu caso como compositor. Eu trata de Beyond Creation desde as primeiras É o primeiro álbum com o Hugo
gusto das sensações e dos novos elementos notas mas o álbum contém muitas mais Doyon-Karout no baixo. Quão grande
e sabe bem colocar algo musical mais texturas, dinâmicas e uma maior variedade foi o seu impacto no novo material?
“teatral”. Fios de histórias que te poem em termos de estilos musicais. Da parte
numa certa atmosfera como se estivesses a da banda, eu queria dar a cada músico O Hugo é mesmo um músico talentoso e
ver um filme. um lugar onde pudessemos todos sair da um gajo muito porreiro com o qual se pode
nossa zona de conforto a uma abrangência trabalhar. Ele tem o seu próprio estilo e
Tu disseste por altura da música “The maior. Experimentámos ao longo do álbum cores que realmente encaixam nos Beyond
Inversion” ter saído, que para essa todo mas eu compus “Binomial Structures” Creation e por isso ele fez um trabalho
faixa todos tiveram que sair da zona especialmente para isto. Tocar solos e excepcional neste novo álbum. Trabalhar
de conforto deles para apanhar a ambiências que nunca experimentámos com ele foi também algo muito eficiente,

52
” Sempre gostei de bandas de metal que incorporasse orquestra nas
suas canções por exemplo, Septicflesh e Dimmu Borgir. ”

eu mandei-lhe que eu tinha gravado perde. Concordas com esta visão de


em casa e ele começou a trabalhar nos que isto foi algo que quisete evitar? Desta vez, como já falaste, colocaste
arranjos. Depois disso, nós começámos a alguns elementos orquestrais e
rever todas as suas linhas de baixo e ideias Compor algo um pouco mais refinado sinfónicos nalgumas canções. Quão
mais em detalhe para que pudesse explicar surge-me de forma natural assim que eu cedo no processo de composição
especificamente as secções, as sensações e comecei a trabalhar no novo álbum. Tive tiveste a visão de colocar estes
necessidades para cada música. A sua forma mais prazer a compor a narrative e as elementos? Agora que sentes que foi
de tocar é bastante técnica mas é também atmosferas que trazem mais espaço para uma experiência bem sucedida, é algo
algo mesmo musical, melódico e que serve respirar e permitem trazer ao público a uma que achas que vais explorar mais no
a música. Definitivamente adiciona algumas certa vibração. Uma música que é expressa future?
cores às canções. Estou orgulhoso dele e do de uma forma semelhante como um filme.
trabalho que fez! A primeira razão pela qual nós escutamos Sempre gostei de bandas de metal que
e fazemos música é porque os sentimentos incorporasse orquestra nas suas canções
Tenho que repetir outra vez como este que a mesma nos dá e para mim, isto é o mais por exemplo, Septicflesh e Dimmu Borgir.
álbum é excelente. Não só mantém importante. Técnica é uma ferramenta… Realmente dá-nos outras perspectiva e
a vossa identidade como também nada mais. É bom experimentar, trabalhar dimensão para as canções. Eu comecei a
mostra que estão a dar um passo e puxar pelos teus próprios limites como apresender música clássica quando tinha
à frente, na direcção correcta, na um músico e/ou compositor mas eu sinto seis anos por isso sempre fez parte do meu
minha opinião. Este género de death que puxei o meu conhecimento no que diz ambiente. Dito isto, praticamente decidi e
metal, técnico ou progressive, de vez respeito à composição de música. Como comecei a incorporar orquestra no Verão de
em quando mostra-nos as bandas a abordar progressões de acordes, atmosferas, 2017. Realmente diverti-me bastante a criar
cederem à tentação de fazer temas texturas e fraseados musicais. Coloca mais as orquestrações por isso estou a introduzir-
mais complexos, mais rápidos mais variedade musical é algo excelente que me lentamente na produção de música para
pesados e algures no caminho sente- cresce bastante no metal de hoje em dia filmes. Isto também poderá trazer novas
se que a musicalidade e a sensação mas precisa ser feito da forma correcta possibilidades para os futuros álbuns dos
de estarmos a ouvir uma canção se porque pode-se tornar algo caótico. Beyond Creation.

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A ideia que tinha para “Algorythm” no fi de tudo, tu entederes que existe um
Mais um aspecto excepcional da representa na sua maioria os temas líricos único e específico algoritmo que poderás
vossa música são as vossas letras, gerais do álbum porque os algoritmos são encontrar em todos e qualquer álbum
com o conceito a fazer-nos pensar um usados naturalmente em tudo. Quando dos Beyond Creation. A maior parte dos
pouco mais do que se poderia esperar olhas para a matemática mas também para temas líricos são acerca da forma como
na música extrema. É a mensagem tão o lado físico da coisa, natureza, animais interagimos uns com os outros, os impactos
importante quanto a música em si? e humanos todos nascem de algoritmos que as nossas palavras e decisões através
naturais e complexos. Se olharmos também do tema, ambiente e alguns dos principais
Obrigado! Fico contente por isso. Sim, para os padrões do quotidiano, a maior problemas que estamos a enfrentar através
absolutamente, por muito que a música parte dos humanos e animais encontram da nossa era actual. Eu gosto de criar letras
seja importante para mim para reflectir os equilíbrio em criar as suas próprias rotinas de uma forma filosófica porque a beleza da
meus sentimentos e personalidade, as letras o que é relatado de forma a escolher arte é aquilo que recebes na mensagem e
precisam de representar a minha visão de o algoritmo correcto. As coisas que podes interpretá-la da forma como melhor
vida e por isso falam de assuntos que me compramos e usamos também são criadas encaixa no teu mundo, na tua própria vida e
me são importantes. por usarmos quantidades especificas experiências. Existe também esta forma de
de materiais que tiveram de passar pelo escrever em que ele fala dos problemas mas
Terá “Algorythm” um conceito lírico processo dos algoritmos. Finalmente, como também tem tendência a puxar pelo lado
global ou foi apenas a escolha do as nossas músicas andam à volta de música, optimista porque existem sempre soluções
nome da faixa que melhor representa decidi mudra o “I” pelo “y” para o título para os nossos problemas. Problemas nunca
o vosso actual momento? do álbum devido à composição musical duram para sempre, apenas precisas de
ser um processo de evolução constant e agir e acietar a mudança da situação que
54
”por muito que a música seja importante para mim para reflectir os meus
sentimentos e personalidade, as letras precisam de representar a minha
visão de vida e por isso falam de assuntos que me me são importantes.”

tu ou nós estamos. O Kevin escreveu dois Quando eu encontrei esta obra feita por positivas.
textos para este álbum que são acerca da Tierno Beuregard, pensei imediatamente
aastrologia, o efeito que teve nas nossas que era uma boa capa. Todos ficámos Já sabemos que têm confirmados um
civilizações e a segunda é mais sobre mesmo impressionados e excitados quando concerto em Portugal, no Porto. O que
uma história fictional que nos fala sobre a vimos porque não poderia ser uma melhor poderão os fãs portugueses esperar
organismos alterados geneticamente e as representação do novo álbum. deste concerto? Quantas canções de
consequências de criar tecnologias que “Algorythm” poderão os vossos fãs
possam ultrapassar os humanos. Quais são as vossas expectativas para ver no concerto do Porto?
a recepção destas canções pelos fãs?
A vossas capas também são belas Decidimos para esta primeira digressão
peças de arte para vislumbrar, embora Estamos mesmo confiantes com este do “Algorythm” tocar o álbum novo por
desta vez pareça ser algo um pouco novo álbum! Eu penso mesmo que é mais inteiro e claro alguns dos pontos mais
mais enigmático. Como é que isso se melódico e fácil de digerir como um todo. Ao importantes dos outros dois anteriores. Isto
liga à canção e ao álbum em si? mesmo tempo, contém muitos detalhes e será algo fantástico e único, que só vais ter
elementos que o vão fazer mais interessante uma hipótese para ver na tua vida. Tocar
Quisemos que o visual fosse um pouco mesmo depois de muitas audições. A arte todo o novo material com um espectáculo
diferente dauqilo que já tinhamos feito é subjective então vamos esperar para ver e conceito visual completamente novos.
antes. Algo mais refinado, misterioso e mas penso que os nosso fãs vão adorá- Vamos definitivamente ter todos um
que representasse algum tipo de futuro lo e vamos chegar certamente a novas excelente momento e estamos ansiosos por
e que se encaixasse na ambiência geral pessoas com este álbum. Já recebemos vos ver a todos!
da música e dos temas líricos do álbum. muitos comentários excelentes e vibrações
55
Falar de D.D. Verni, é simples, é fácil, quem não o conhece? um musico old school, que
se deu a conhecer ao mundo do metal através dos Overkill, e que agora se prepara
para lançar, por um lado, para nós fãs, inesperado, mas de certa forma também
ansiado, álbum solo. Tal acontecimento tem lugar na Mighty Music e DD não deixa
os seus créditos por mãos alheias, metal, punk, rock clássico, de Queen a Green
Day, D.D. vai deixar o seu legado com este fabuloso trabalho. Por lá vamos poder
ouvi Jeff Loomis (Arch Enemy), Angus Clark (Trans-siberian Orchestra), Jeff Waters
(Annihilator), Bruce Franklin (Trouble), Mike Romeo (Symphony X), Mike Orlando
56
(Adrenalin Mob), Steve Leonard (Almost Queen) e Andre "Virus" Karkos (Dope), que
também contribuiu com as linhas de guitarra rítmica. A completar o grupo está o
ex-baterista dos Overkill, Ron Lipnicki. O disco foi misturado e masterizado por
Chris "Zuess" Harris (Rob Zumbi, Queensrÿche, Hatebreed).
A World Of Metal agradece a todo o staff da Mighty Music por nos facilitar esta
entrevista e da qual damos natural destaque e honras de capa e a novidade que o
ano de 2019 vai trazer um novo disco dos Overkill.
Por: Miguel Correia / Fotos por Glenn Buttler
57
”No meu último disco dos Bronx Casket Co eu fiz todas as linhas de
guitarra e baixo e voz e foi divertido, mas eu sabia que não queria fazer
tudo sozinho outra vez.”

D.D., antes de mais obrigado pela digna de um músico como tu. Foi fácil um solo, ou no caso do Virus ele fez todas as
entrevista e tenho que te dizer juntar todas estes músicos à volta do guitarras rítmicas do disco e fez um trabalho
que ao ouvir “Fire Up” fiquei super teu trabalho? arrasador!
entusiasmado com o que poderia
estar em “Barricade” e que mais tarde No meu último disco dos Bronx Casket Co E é claro que temos que passar por
vim a confirmar estar perante um eu fiz todas as linhas de guitarra e baixo e aqui, como surgiu a ideia de um álbum
excelente trabalho ao fazer a audição voz e foi divertido, mas eu sabia que não solo?
completa, mas, como tu descreves queria fazer tudo sozinho outra vez. Então,
este disco? desta vez eu andava a pensar com quem Eu não tinha bem a certeza se ia ser um
poderia contar, foi quando a minha esposa álbum solo, eu estava apenas a trabalhar
Obrigado, mesmo muito obrigado. Bem, o sugeriu que ligasse para todas essas pessoas em músicas e a juntar as peças, pensei
disco é muito diversificado, então existem que estão creditadas, mesmo que eu não que poderia ser outro álbum dos Bronx
algumas músicas que são mais agressivas as conhecesse, então eu apenas estendi a Casket Co, realmente não sabia que isto
como por exemplo “Fire Up”, mas, a verdade mão a tentar perceber se elas podiam ou ia acontecer. A determinada altura percebi
é que para mim é difícil de o descrever...é até queriam entrar nisso, e olha foi assim, que definitivamente elas não eram a cara
mesmo muito diversificado musicalmente. tudo deu certo. E um por um todos eles dos Bronx Casket, então, deu nisto, um disco
A lista de colaborações é extensa e estavam animados e dispostos a mandar solo. Eu até pensei em apenas fazer outra
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banda, mas, senti que fazer isto como um dia inteiro, e no fim do dia, entras no teu sempre a escrever, tento diferentes coisas
projeto solo fosse mais apropriado. carro, aumentas o som o máximo possível que nem sempre se encaixam em uma
e tens aquela sensação... sempre divertida! categoria especifica, então eu sinto a
"Fire Up" é um aviso para a necessidade de lidar e criar outras coisas,
navegação? Vamos manter os limites, Este projecto é uma maneira de dar até para serem lançadas.
nada para baixar os nossos braços? asas à tua criatividade musical fora
dos Overkill e dos The Bronx Casket Certamente nenhum desses caminhos,
Não, na verdade não, “Fire Up” foi apenas Co? Overkill e The Bronx Casket Co vai
um abraçar do lado agressivo da uma sofrer com o teu álbum solo, mas
personalidade. Algumas pessoas são Sim, Provavelmente. Eu amo fazer músicas como vai ser a divulgação...há alguma
realmente suaves, o que é bom, mas todos e trabalhar num estúdio, estou sempre a coisa pensada?
nós temos um lado agressivo e é bom nos fazer isso, a trabalhar em alguma coisa. O disco vai ser lançado em outubro. Estamos
abrirmos e deixar isso acontecer… para Neste momento, tem sido um sonho meu, a falar sobre a possibilidade de fazer alguns
simplesmente “Fire Up”, é algo como ir há muito, muito tempo, fazer um álbum shows e quem nos poderia acompanhar
em frente… Essa é uma das grandes coisas tipo big band / swing, então actualmente enquanto banda, o que poderia ser divertido.
sobre a música Rock e Metal, é exactamente estou a trabalhar nisso. Eu também escrevi Estamos a trabalhar para fazer um vídeo,
isso que fazes, podes ser um contabilista o e trabalhei em para um musical, eu estou então há muitas coisas a e para acontecer!
59
”Olha, em primeira mão, estamos a preparar riffs para o novo disco dos
Overkill. ”

já tem algum tempo de vida... acima de faz, se sentes tudo isso, então continua…
O setlist consistirá inteiramente de tudo eu adoro como algumas bandas se não… então devemos experimentar algo
músicas dos teus trabalhos solo ou combinam músicas pesadas com linhas de novo, nunca é tarde!
incluirá músicas dos Overkill? vocais realmente pesadas. No passado, era
geralmente um ou outro caso onde isso Não sendo o foco principal desta
Não sei ao certo, não sei mesmo... só quero acontecia! entrevista, mas tenho que perguntar,
que seja divertido, poderão surgir algumas e os Overkill, em que fase estão da
músicas dos Bronx Casket Co, talvez Quando se trata de falar de gigantes carreira, o que está a ser feito?
algumas covers, mas nada dos Overkill. da cena metal, estás lá em cima lado
a lado com todos eles. Após tantos Olha, em primeira mão, estamos a preparar
2018 está repleta de lançamentos anos de estrada, estúdio, de trabalho, riffs para o novo disco dos Overkill. Depois,
excelentes e, naturalmente, os nomes sentes que o ciclo está a chegar ao temos alguns festivais em julho e nossa
com os quais cresci não desapontaram. fim? primeira viagem à Índia, lá está, acima
O que achas dessa nova geração de de tudo sentir o prazer a diversão e isso
bandas? Huum, quer dizer, eu acho que vamos certamente irá ser divertido. Vamos ver se lá
sentindo que estamos mais perto do fim para fevereiro / março de 2019 teremos um
Sem dúvida, é engraçado que as novas do que do começo, mas enquanto nos novo disco...
bandas que eu ando a ouvir eu já as formos divertindo, esse deve ser o seu ponto
descobri para aí há uns 10 anos atrás! (risos) de referência. Se fores um atleta, ou um Uma palavra para os fãs?
Por exemplo, eu comecei a ouvir os Five advogado, ou o que quer que seja… a idade Como sempre .... FIRE UP MOTHERFUCKER!
Finger Death Punch, para mim continuam nunca poderá ser um obstáculo, ou quantos
como uma banda nova, mas na realidade, anos, etc… Diversão, paixão pelo que se
60
61
eNTREVISTA

Confesso que esta possibilidade surgiu na hora certa e digo isto porque a World Of Metal
preparava-se para nesta edição fazer uma homenagem simbólica a Mark Shelton e quando
nos foi proposto falar com David T. Chastain sobre umas demos nem pensamos duas vezes...
Agradecemos assim ao David e ao pessoal da Pure Steel, pela celeridade com que tudo se
resolveu.
Miguel Correia

David, trocar algumas não conhecer o artista. seu último concerto e era para essas sessões.
palavras com um ídolo Mark deixou um legado habitual falarmos. Quando Queres contar como
de sempre, é algo que impressionante e a sua vida me contaram o que tinha tudo aconteceu? Como
mexe connosco, mas neste tem de ser celebrada. Ele era acontecido eu não acreditei, foi trabalhar com Mark
momento a importância algo especial... fiquei sem palavras, fui Shelton?
sai reforçada tendo em logo confirmar tudo,
atenção os motivos que Sabes, enquanto fã, sempre liguei para o pessoal da Eu não me lembro
nos fazem estar aqui, uma que vejo partir um idolo, banda... A vida é algo fugaz. exactamente porque e como
vez que temos preparado fico sempre apreensivo, Qualquer um de nós pode começou, mas imagino que
um pequeno tributo para o como dizes fica o legado, morrer nos próximos cinco foi algo assim: eu escrevo
Mark Shelton, outro ídolo, mas a verdade é que somos minutos. Ninguém sabe, muita música, passo para
que infelizmente, para sempre confrontados com simplesmente ninguém outros vocalistas para ver
o mundo da música nos uma realidade, de que sabe… É fácil dizer "viva como eles podem trabalhar
deixou muito cedo... um dia, tudo acaba, pelo cada dia como se fosse o seu com elas. Certamente na
menos fisicamente. O que último", mas é realmente altura enviei ao Mark a
Pois, infelizmente, e nós sentes quando te chegam verdade. Pode ser o seu primeira faixa "The Edge
também pretendemos de esse tipo de noticias? último. of Sanity" e quando ele
uma forma ou de outra a devolveu, fiquei muito
dar a conhecer o trabalho Neste caso, fiquei Eu sei que a Leviathan impressionado com o
do Mark para pessoas que extremamente chocado. Eu Records assinou com os trabalho dele. Então, no
não privaram com ele e tinha falado com o Mark Manilla Road em 1988... ano seguinte, enviei o
para outro que podem até um dia ou dois antes de foi quando tudo começou restante do material para
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Partilhaste muito com o
Mark, como o descreves?
Um dos melhores artistas
de todos os tempos do
metal mundial. Um grande
compositor, letrista,
guitarrista e vocalista.
Algumas pessoas não
gostavam da sua voz,
da forma de ele cantar,
mas, também algumas
pessoas não gostam da voz
de Geddy Lee... Para se
destacar, tens de ter algo
único, neste caso, uma voz
única, mesmo que algumas
pessoas não "entendam".
No entanto, acho que a
coisa que mais admirei em
Mark foi sua letra, a sua
forma muito inteligente de
escrever. Ele foi para além
do padrão era quase como
uma lição de história. Ele
pode não ser tão conhecido
ele. Eu sempre gostei muito dessas gravado isso num grande estúdio
como alguém como o Ozzy, mas
faixas, mas nós dois sempre e no início deste ano eu andava
ele certamente era mais talentoso
estivemos muito ocupados com a pensar falar com o Stian
do que muitas das chamadas Super
nossa(s) outra(s) banda(s). Nós Kristoffersen para colocar ali umas
Estrelas do Metal!
temos montanhas de material que linhas de bateria sobre a música.
gravamos que nunca foi lançado, Infelizmente não conseguimos Para além deste material há mais
então, decidimos guardar tudo encontrar as fitas onde cada coisas reservadas?
num portfolio musical. A minha instrumento e vocais foram
banda Zanister gravou "The Edge gravados. Eu acredito que isso foi Na verdade, por volta do ano de
of Sanity" no nosso primeiro gravado num banal gravador de 2000, uma das minhas gravadoras,
álbum e eu me lembro de como 4 pistas! Eu remasterizei as faixas a Diginet Music, tinha uma série
essa música realmente soou, foi para traze-las aos níveis atuais para o Guitar Master. Mark gravou
óptima. Trabalhar com Mark? de áudio, mas havia muito que um álbum do Guitar Masters
Bem, eu sempre tive profundo poderia ser feito. Enquanto as e foi lançado naquela altura.
respeito pelo trabalho dele, as suas pessoas estiverem cientes de que Conversamos várias vezes sobre a
letras, as melodias e sua voz única. essas são apenas demos... Ao ouvir hipótese de lançar uma reedição,
"The Edge of Sanity" pela primeira mas, nunca foi concretizado,
Essas gravações mostram como vez, eu sabia que é uma música nem cheguei a saber a verdadeira
é possível harmonizar diferentes incrível e muito especial. Essa é intenção dele sobre isso... Nenhum
estilos, Chastain e Manilla Road, definitivamente uma das minhas de nós fazia ideia de que isto
diferentes elementos que criam dez melhores faixas que já gravei iria terminar assim, existem
algo único. Combinar diferentes em todas e quaisquer bandas. Então provavelmente algumas cópias do
estilos musicais até é fácil, afinal quando ouvi "Fields of Sorrow" fui original circulando por aí, mas
existe um ponto em comum...o novamente derrubado com o que eu gostaria de poder remasterizá-
amor pela música! Mark tinha gravado. Sem palavras, lo novamente. No momento, não
Sim, concordo. É uma mistura de por fim "Orpheus Descending" pretendo relançá-lo, a menos que
coisas que o tornam realmente levou algum tempo para escrever alguém próximo a ele me diga que
e gravar. ele definitivamente queria fazer
único. Eu gostaria que tivéssemos isso.
63
Tributo Mark Shelton
O impacto do desaparecimento de Mark Shelton vai-se fazer sentir por muitos anos, mesmo não tendo
atingido o sucesso comercial que muitos dos seus pares. A sua simplicidade e o seu amor ao heavy metal
ficarão sempre na nossa memória, tal como, claro, a sua música. Pedimos a opinião a duas pessoas da
nossa cena que tiveram a felicidade de privar com ele e optámos, excepcionalmente colocar ambas em
português em inglês de forma a que essas palavras cheguem mais longe, como a música e a memória de
Mark merecem. Ficamos então com João Tann (dos Ironsword) e Bruno Miguel Jorge (dos Rock 'N' Raw
Estúdios e Metal Keeper Fest)

PT: ENG:

Os Manilla Road sempre tiveram um papel muito Manilla Road have always played a very important
importante na minha vida desde que os ouvi pela role in my life since I first heard them in the late 1980s.
primeira vez em finais dos anos 80. Sempre vi o I have always seen Mark Shelton as an idol, a legend,
Mark Shelton como um ídolo, uma lenda, um génio a musical genius. I can not share a memory because
musical. Não consigo partilhar uma memória pois they are countless. We had a friendship of more than
são inúmeras. Tínhamos uma amizade de mais de 15 years and I will never forget the moments we spent
15 anos e jamais irei esquecer os momentos que together. The day I first met Mark Shelton in Athens
passámos juntos. O dia que conheci pessoalmente o and saw them live for the first time along with the
Mark Shelton em Atenas e os vi ao vivo pela primeira birth of my daughter were the happiest days of my
vez, juntamente com o nascimento da minha filha, life. As a fan, I became a friend and I came to respect
foram os dias mais felizes da minha vida. De fã passei him even more because he was an incredible human
a amigo e passei a respeitá-lo ainda mais pois era being. He had a great sense of humor. We used to play
um ser humano incrível. Tinha um grande sentido de often because he said that maybe I was his adopted
humor. Brincávamos muitas vezes pelo facto de ele son.
dizer que se calhar eu era o filho adoptivo dele.
Manilla Road were the band with which we
Os Manilla Road foram a banda com que nós IRONSWORD, most times shared the stage. It was
IRONSWORD, mais vezes partilhámos o palco. Foi an honor to have Mark Shelton as a special guest
uma honra, ter o Mark Shelton como convidado singing some songs from our 3rd album, "Overlords
especial, a cantar comigo algumas músicas do nosso of Chaos". I lost a brother, a true friend. I can only
3º álbum “Overlords of Chaos”. Perdi um irmão, um thank you for everything!
verdadeiro amigo. Só lhe posso agradecer por tudo!
João Tann (Ironsword)
João Tann (Ironsword)
64
PT: ENG:

No passado dia 27 de Julho perdemos o pai do Heavy Last July 27 we lost the father of the Epic Heavy
Metal Épico, Mark "The Shark" Shelton. Para além Metal, Mark "The Shark" Shelton. Apart from the
do talento musical que se perdeu, perdemos um dos musical talent that was lost, we lost one of the best
melhores seres humanos que eu tive o prazer de human beings I've ever had the pleasure of meeting.
conhecer.
There are countless stories told by the four corners of
São inúmeras as histórias contadas pelos quatro the world about his simple and humble personality,
cantos do mundo sobre a sua personalidade simples his true friendship and pleasure in knowing and
e humilde, da sua verdadeira amizade e prazer que discovering people and their lives. He was really
tinha em conhecer e descobrir as pessoas e as suas worried about that. We could see that in the thousands
vidas. Ele preocupava-se mesmo com isso. Pudemos messages of regret, with photos taken with Mark.
ver isso nas milhares mensagens de pesar, com fotos He never refused a picture, an autograph, a good
tiradas junto do Mark. Ele nunca recusava uma foto, conversation and a good time. For the band "there
um autografo, uma boa conversa e convivio. Para were no fans, but a huge family," as Brian Patrick
a banda "não existiam fãs, mas sim uma enorme confessed to me one day after Mark's death.
família", como me confessou o Brian Patrick um dia
após a morte do Mark. My friendship with the Manilla Road starts with
João Tann, who shows me the band in a deeper
A minha amizade com os Manilla Road começa com way. Then appear the concerts that they did here
o João Tann, que me mostra a banda de forma mais and the friendship continued with the innumerable
profunda. Aparecem os concertos que fizeram por cá conversations that we have been maintaining. It was
e a amizade continuou com as inúmeras conversas easy to send a video of a few rehearsals, birthday
que fomos mantendo. Era fácil enviarem um vídeo congratulations, or simple conversation to ask how
de uns minuto de ensaio, felicitações de aniversário, things were. They are all incredibly kindly, from
ou simples conversa a perguntar como estavam as former bassist Joshua, to Phil (crazy about European
coisas. Todos eles são incríveis muito afáveis, Já football and Portuguese Black Metal), the amusing
desde o antigo baixista Joshua, ao Phil (louco por Neudi and the commander Brian with the vices still
futebol europeu e Black Metal português), o divertido of the times of roadie of the band. In all notes Mark
Neudi, o comandante Brian com os vicios ainda dos Shelton's influence on his humble behavior as a band.
tempos de roadie da banda. Em todos nota-se a
influencia do Mark Shelton no seu comportamento I showed them Sintra, stayed for a few nights in a
humilde como banda. family house that I have in that area ... They saw the
Atlantic from Cabo da Roca ... I remember well the
Mostrei-lhes Sintra, pernoitaram algumas noites deep conversations I had with Mark, we talked about
numa casa de família que tenho naquela zona... Viram family, about music , the world, lifestyles ... he was
o Atlântico a partir do Cabo da Roca... Lembro-me simply a simple and affable person, always polite,
bem das profundas conversas que tive com o Mark, entertaining and finally he was the father of the Epic
falamos de família, de música, do mundo, de estilos Heavy Metal with a legion of fans spread all over the
de vida... era simplesmente uma pessoa simples world ... Until forever, my friend.
e afável, sempre educado, divertido e por fim era
também o pai do Heavy Metal Épico com uma legião Bruno Miguel Jorge (Rock 'N' Raw estúdios)
de fãs espalhada pelo mundo inteiro... Até sempre
amigo.

Bruno Miguel Jorge (Rock 'N' Raw estúdios)


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Guia Musical

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67
O Oeste Undergrand Fest é uma
iniciativa, e não nos cansamos FEar The Lord-17h:15 Karbonsoul-18h:45
de o dizer, que deveria ser
apoiada e até copiada até à
exaustão. O nosso som sagrado
poderá ainda ser um género
marginal, poderá falar de
temáticas violentas e de coisas
desagradáveis, umas fantasia,
outras verdadeiras ainda mais
feias que a fantasia, mas não
há um espírito de união tão
forte como aquele que existe no
seio da comunidade metaleira,
principalmente quando com-
parado com outros géneros
musicais. Esta é uma iniciativa
com a qual temos todo o orgulho
de apoiar e de sermos media
partners. Quantas mais pessoas O hardcore marca a presença Inicialmente seriam os Rencor
embarcarem e apoiarem nesta novamente no Oeste, desta a ocupar este espaço mas com
viagem, mais satisfeitos ficamos vez com os Fear The Lord, uma a sua desistência, o espaço
porque há poucas instituições banda nova que já tivemos vazio não poderia ser ocupado
em Portugal que mereçam tanto oportunidade de ver ao vivo e de forma mais valorosa. Os
como os bombeiros. que demonstra ter um grande Karbonsoul são um dos grandes
potencial. O novo sangue a valores nacionais do death metal
chegar ao Oeste Underground. e sempre uma boa escolha para
Para que saibam o que vos qualquer cartaz.
esperam, deixamos aqui o nosso
já mítico guia musical que vos vai
guiar por todas as bandas que Undersave-18h:00
vão passar pela terceira edição
do Oeste Underground Fest. Warhammer-19h:30

Oppidum Mortuum-16h:30

Os Undersave são uma da-


quelas bandas que não nos
cansamos de ver e apoiar. Já
andam na luta há muito tempo Outra proposta internacional de
e embora tenham poucos peso são os gregos Warhammer
lançamentos, com o segundo que nos trazem o seu thrash
álbum lançado recentemente metal vigoroso que já tinham
O Oeste Underground sempre ("Sadistic Ite-rations... Tales of evidenciado em dois álbuns de
apostou nas bandas nacionais, Mental Re-arrangement"), são originais, sendo que o último,
sendo uma óptima montra de ssempre garantia de death metal "At The Threshold Of Eternity",
exposição para novos talentos de excelente qualidade. Nas lançado o ano passado,
como é o caso dos Oppidum página seguintes poderão ver acrescenta outras influências
Mortuum que nos chegam de a entrevista que lhes fizemos, da música extrema e adiciona
Óbidos. Apesar de terem apenas neste especial dedicado ao muito mais interesse. Mais à
uma demo editada em 2016, o Oeste Underground. frente nesta edição poderão ler
seu doom/death metal promete também a entrevista que lhes
ter garra mais que suficiente para fizemos.
garantir o interesse de todos os
que gostam desta mistura de
música extrema.
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Hourswill-20h:15 Prayers Of Sanity-21h:45 Repulsive Vision-23h:35

É inegável que os Hourswill são Se formos falar de thrash metal, Uma das últimas bandas da
uma das grandes propostas de teremos obrigatoriamente de noite foi também a primeira a
heavy metal progressivo que falar dos Prayers Of Sanity. Do ser confirmada. Falamos dos
temos e o segundo álbum da Algarve chega-nos uma das britânicos Repulsive Vision que
banda comprova isso mesmo melhores propostas lusitanos do lançaram no ano passado o seu
embora todos já o soubessemos. género, um power-trio imbatível álbum de estreia "Look Past The
Longe de ser uma banda que e com capacidade para trazer Gore And See The Art". Espera-
deixa os seus méritos em disco, toneladas de energia. Será se death metal old school e em
em palco são uma força a ter possível alguém ficar quieto. doses generosas.
em conta com capacidade para
prender o público graças a uma
enorme presença de palco.
Analepsy-22h40 Serrabulho-00h:30
Gaerea-21h:00

Há a ideia errada de que um Outro peso pesado entre as A noite acabará em beleza
cartaz constituído maioritaria- bandas novas da música com a já esperada festa que é
mente por bandas portuguesas extrema: Analepsy. Aclamados uma actuação por parte dos
é menor mas essa ideia tacanha um pouco por todo o lado, a sua Serrabulho. Grindcore sempre
e retrógrada já há muito perdeu música é tão desafiante quanto com boa disposição, humor
o sentido - se é que alguma vez brutal e os seus concertos são nonsense e claro, muito, mas
teve - principalmente quando é demonstrações de bom gosto e muito, grindcore que açambarca
tão evidente que bandas como de exuberância técnica dentro uma série de outros estilos e
os Gaerea que poderão dar em do brutal death metal. Antecipa- referências a estilos musicais. O
qualquer momento bater-se se uma actuação memorável, final apoteótico que um festiva
lado a lado com qualquer outra como é, aliás, hábito por parte como o Oeste Underground
proposta internacional. Espera- da banda. merece.
se negritude e intensidades
épicas.
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Para mim, falar de undersave é recuar até aos tempos do novo sangue na música
extrema. Os tempos em que os Moonspell já eram uma referência e toda uma série
de novas bandas e novos valores despertavam na música extrema nacional que
tornaram o nosso underground do início do milénio tão interessante quanto
qualquer outro de qualquer outra parte do mundo. Os Undersave fazem parte
dessas memórias e a riqueza desses tempos também pertence a si. Ainda activos
e com um novo álbum cá fora que vão poder mostrar no Oeste Underground.
Falámos com nuno Braz, vocalista/guitarrista e membro fundador dos
Undersave.

Fernando Ferreira
71
eNTREVISTA

Olá pessoal e bem-vindos ao que encontraram ao longo que nos satisfaça. Sim, deixaram a impressão deles
World Of Metal. Já fazia falta deste tempo para chegar actualmente a formação está na composição, afinal quatro
uma boa dose de death metal ao segundo álbum? Como sólida e com alguns objectivos cabeças doentes funcionam
bruto e desafiante como é que chegaram aos novos delineados para o futuro! pior do que apenas uma não
o que os Undersave já nos membros e a formação é?
habituaram. Sabe a quê este actual está bem sólida? Este é um trabalho bem
“Sadistic Iterations... Tales intrincado e denso, mesmo Os trabalhos de produção
of Mental Rearrangement”, Exacto, todos os nossos ex- para um álbum de death foram repartidos, pelo
a vitória? membros estão mortos!! É metal. E nota-se como uma menos pela informação
claro que todas as mudanças evolução daquilo que vocês que temos, por três locais
Boas! Nunca é bem vitória, de formação acabaram já tinham demonstrado nos diferentes. Podem-nos falar
mas sim passámos por por atrasar o processo de lançamentos anteriores. Foi mais do processo em si e do
inúmeros obstáculos até o composição e implicaram um trabalho espontâneo ou vosso feedback em relação
álbum estar cá fora, se não for tempo de adaptação dos foi mais pensado, cerebral? ao mesmo, se é uma fórmula
assim também não é normal. novos membros à banda E o impacto nele dos novos a repetir?
Quando lançarmos um e vice-versa. No entanto, membros em termos de
álbum com sabor a vitória a introdução deles acabou composição? Sim, a bateria foi gravada
vamos arrumar as botas e por ser bastante fácil, pois no Brugo Sound Studio e
acabou tudo! já existia uma relação Os nossos trabalhos são tudo o resto foi gravado na
próxima com a banda e sempre bastante pensados e nossa sala de ensaio. Esta foi
Estes seis anos que separaram todos tinham experiência de “cerebrais”, afinal tivemos 6 a fórmula que encontrámos
os vossos dois álbuns foram outros projectos. A principal anos para fazer exactamente para ter a optimização tempo
marcados por algumas dificuldade para chegar ao aquilo que queríamos! Trata- de estúdio/qualidade nas
mudanças de formação – segundo álbum foi mesmo se da evolução normal da captações do álbum. Todo
apenas o Nuno é o elemento a composição, demoramos banda, com isto não digo que o processo ficou novamente
sobrevivente. Foram essas sempre bastante tempo até seja melhor ou pior do que a cargo do Paulo Vieira que
as principais dificuldades conseguirmos fazer algo antes. Os novos membros após as captações misturou
72
próximo ano vamos
tentar tocar fora de
Portugal/Espanha
onde já tocámos
bastantes vezes…
São uma das
atracções da ter-
ceira edição do Oeste
Underground.
O que é que
podemos esperar
do alinhamento?
Foco no “Sadistic
Iterations... Tales
of Mental Rear-
rangement” ou um
pouco de tudo o que
já fizeram?
No Oeste vamos
apresentar algumas
músicas do novo
álbum e tocar
e masterizou no seu estúdio! Sim, que querem transmitir, além da algumas músicas
vamos repetir esta fórmula, gravar música? Pergunto isto porque para antigas! Temos algumas músicas
no nosso próprio estúdio diminui algumas bandas de death metal, longas pelo que vai ser difícil tocar
bastante a pressão do processo! acabam por se focar e dar mais tudo aquilo que queremos!
importância ao lado musical...
“Sadistic Iterations... Tales of O death metal em Portugal, está
Mental Rearrangement” é lançado No nosso caso temos uma bem e recomenda-se?
pela Chaos Records, uma editora mensagem para transmitir, mesmo
mexicana. Como é que chegaram que muitas vezes veja pouco clara. O Em termos de bandas sim em termos
até eles? Foi a vossa primeira principal objectivo é pôr as pessoas de público nem por isso. Portugal
escolha? imaginar e a identificarem-se com os sempre teve boas bandas em todos
letras, tentarem transpor o que estão os subgéneros do metal, no entanto
Não, mas das editoras que se a ler para a sua própria realidade. É as bandas não conseguem chegar
mostraram disponíveis para verdade que muitas bandas, de metal lá fora. Nunca percebi bem este
lançar o álbum a Chaos Records no geral, têm conceitos líricos fracos fenómeno,
foi aquela que nos pareceu mais mas que mesmo assim conseguem
indicada. Eles têm bandas com que Uma pergunta provocante... hoje
fazer boa música. Para mim,
nos identificamos p.e. Question, em dia, dá-se mais valor à imagem
enquanto membro de uma banda
Decomposed, Eskhanton, Pyre, do que à música? Até mesmo
é necessário tentar ao máximo
Cenotaph, Denial… O facto de ser na música extrema, achas que é
conjugar a música com boas letras e
uma editora mexicana vai ajudar sintomático hoje em dia?
conceito!
a divulgar bastante a banda por
Acho que quase sempre foi assim,
um país/continente onde somos Este segundo álbum vai levar-
mas hoje em dia existe bastante
praticamente desconhecidos e onde vos mais vezes ao palco? Que
facilidade em “promover” a imagem
existe um culto bastante forte em divulgação esperam fazer em
devido às inúmeras redes sociais…
torno da música extrema. termos de concertos para a
muitas das bandas acabam por se
promoção dele?
Os vossos conceitos líricos são tudo tornar em marcas e descontextualizar
menos óbvios e acabam por ser tão Já temos algumas datas realizadas a própria música. Os anzois estão
elaborados como as músicas em si. e muitas outras confirmadas, lançados, força!
Qual é a importância, para vós, das basicamente até ao final do ano vamos
vossas letras? Há uma mensagem ter datas em Portugal e Espanha, no
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74
Os Warhammer são uma das propostas internacionais do Oeste underground
que recomendamos. Donos de um som thrash metal que tanto bebe na nova
escola como na velha e lhe junta muitas mais outras influências, o entusiasmo
e a energia são vísiveis nos seus dois trabalhos como acreditamos que será no
palco da Malveira no próximo dia 3 de Novembro. Fomos falar com Hercules
Giotis, guitarrista e vocalista do power trio conhecido como warhammer

Fernando Ferreira

75
eNTREVISTA

Olá e bem vindo ao World Of Podemos sentir essa matureidade para tentar algo foi lançado pela editora
Metal! “At The Threshold Of evolução da estreia para diferente e se queres a minha norte-americana Sliptrick
Eternity” ainda está fresco este, principalmente no que opinião tivemos e temos o Records? Como é que se
na nossa memória. Como é falaste, na variedade. Foi conhecimento para escrever deu o contacto com eles?
que o vez agora que já anda algo que tiveram intenção música melhor. Por isso, a Tiveram outras ofertas? E
por aí há já uns tempos? de seguir desde o início ou resposta à tua pergunta é SIM, qual a avaliação do trabalho
apenas fluiu dessa forma? quisemos esta diversividade e deles até agora?
Muito obrigado por esta esta mudança.
entrevista, é uma honra por Como já mencionei antes, Quando acabámos as
nós. O nosso segundo álbum o nosso primeiro álbum era Quais foram as reacções que gravações do álbum que
foi lançado a 2 de Novembro de thrash metal e quando tiveste até agora com o novo aconteceram nos estúdios
de 2017 pela Sliptrick Records estávamosem estúdio, álbum? Made In Hell em Atenas,
e podemos dizer que passado sabiamos o que queriamos estávamos à procura de uma
um ano que estamos ainda fazer. Podemos dizer que A maior parte das pessoas editora que fosse lançar o
muito satisfeitos com ele o segundo álbum foi uma gostam do segundo álbum nosso álbum. Mandámos
porque é um álbum diferente experiência pela diversividade porque o conseguem ouvir muitas biografias e quase
do primeiro, “Mass Burial”, como disseste. Quisemos mais facilmente que o após um mês recebemos
e teve muito mais sucesso. tocar algo diferente. Aparte primeiro. Por outro lado, uma resposta por parte da
Muias pessoas acham este da grande diferença de os nossos amigos mais Sliptrick que diziam que
álbum mais interessante idades, quer dizer, quando próximos preferem “Mass tinham achado a nossa
devido à mistura dos vários gravámos o nosso primeiro Burial” porque é mais música interessante e que
géneros de metal. Podemos álbum “Mass Burial”, eramos extremo e é puro thrash metal gostariam de colaborar
ouvir vários tipos, do heavy, quase crianças com 16 e mas de qualquer forma os connosco. Depois falámos
thrash ao black e death 17 anos de idade e quando comentários são todos bons e dos detalhes e finalmente
melódico e essa variedade é gravámos “At The Threshold positivos. demos mãos. Em relação à
na nossa opinião a chave para Of Eternity” quatro anos Como já disseste, “At The segunda questão, não tivemos
o sucesso. mais tarde já tinhamos a Thresold Of Eternity” mais ofertas porque somos
76
desconhecidos. (risos). muito importantes e
Agora acerca da avaliação, neste ponto quero dar os
até agora não posso dizer parabéns ao meu irmão
nada claro acerca das Miguel Bastos pela decisão
vendas porque só vamos de organizar algo assim.
receber informação delas Em relação à segunda
no final do ano. A única parte da tua questão,
coisa que posso dizer é que acredito firmemente que a
as vendas vão muito bem música metal ou a música
nos países Bálticos e na em geral pode conseguir
Europa Central. Não tenho muitas coisas. Não te
informação até agora da esqueças que apesar de
Ásia e dos Estados Unidos. ainda não sabemos quanto tempo de nós, metalheads, sermos
Em relação a digressões, foram palvo vamos ter. Vamos dar o nosso uma comunidade pequena e se
capazes de promover o novo álbum melhor para todos os nossos irmãos juntarmos energias em voluntariado
portugueses. por exemplo, podemos atingir
fora do país? muitos objectivos. Neste momento o
Para promover o nosso segundo Eu penso que esta é a vossa festival Oeste é dedicado a ajudar e
álbum, organizámos a nossa primeira vez em Portugal, quais apoiar os bombeiros, talvez daqui a
segunda digressão que teve lugar em são as vossas expectativas daquilo uns anos alguém vá precisar do apoio
2016. Tocámos na Bulgária, Sérvia, que vão encontrar? da nossa comunicade metaleira. Por
Croácia, República Checa, Polónia, Sim, será a nossa primeira vez em isso a resposta é sim, metal tem o
Holanda, Bélgica e, claro, Grécia. Portugal e não vou esconder que poder para desempenhar um papel
A digressão foi uma experiência estou muito excitado e muito feliz maior quando é necessário.
maravilhosa mas encontrámos por isso. Ficaríamos muito felizes se Como é que é a cena grega de metal
muitas dficuldades. Fizemos a volta tivessemos sala cheia de metalheads. hoje em dia? Como é que a crise a
pela Europa de comboio devido ao Precisamos deles para que possamos afectou?
nosso baixo orçamento e também demolir o palco juntos.
tivemos um concerto cancelado em A verdade é que não temos qualquer
França e dois em Espanha porque Os fãs portugueses e gregos relação com a cena de metal grega.
tivemos problemas com os bilhetes são muito semelhantes, (risos) Não queremos saber. SE
do comboio... No geral podemos muito apaixoanos pelo metal. queres a minha opinião, as bandas
dizer que foi a viagem da nossa vida, Infelizmente tivemos outras de metal gregas são muito talentosas
conhecemos grandes pessoas, só semelhanças, como a crise mas o problema é que a maior parte
fizemos amigos e divertimo-nos à económica, corrupção, fogos... das bandas não tem a mentalidade
grande. O que é que pensas na iniciativa correcta – e isto é a minha opinião
como o Oeste Underground que pessoal. Temos grandes bandas
Vocês são um dos grandes tem como objectivo apoiar os como Rotting Christ, Septic Flesh
destaques da trceira edição do bombeiros? É uma forma de nos e Suicidal Angels, estou certo que
Oeste Underground, podes dizer envolvermos mais na mudança os conheces, mas acredita em mim,
aos nossos leitores, fãs de thrash do estado das coisas, apoiar quem sem serem eles, existem muitas
metal que possam naõ vos conhecer precisa de mais apoio? Terá o metal bandas gregas de metal boas. Não
daquilo que podem esperar do esse poder apesar da imagem que penso que a crise tenha afectado a
vosso concerto? as pessoas de fora têm dele? cena metal. O problema é mesmo a
Estamos a planear um grande Talvez a maioria de vós tenha ouvido mentalidade grega, como dissse, e o
concerto para os nossos irmãos falar do Verão na Grécia. Muias grande problema foi termos nascidos
em Portugal. Não temos surpresas pessoas perderam as suas vidas lá. (risos) Quer dizer muitas bandas
mas prometemos um concerto devido aos fogos e infelizmente este têm sonhos e o dinheiro para fazer as
inesquecível onde vamos incluir tipo de coisa aproxima ambos os coisas mas não têm muitas hipóteses
canções do nosso primeiro e claro países, Grécia e Portugal, sei que para fazer aqui o quer que seja. Tens
do nosso segundo álbum. Vamos também tiveram o mesmo tipo de que fazer as coisas no estrangeiro se
tentar tocar tudo o que temos, o problemas como nós. Iniciativas quiseres atingir os teus objectivos
primeiro e segundo álbum, mas como o Oeste Underground são para a tua banda.
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78
Serrabulho é muito mais do que uma receita tradicional da gastronomia
portuguesa. É muito mais do que toneladas de material de ouro para uma série
de comédia. É até muito mais do que apenas party grindcore. É tudo isso junto e
muito mais. Celebração em forma de metal extremo que ninguém esperaria que
acontecesse. Eles vão fechar o Oeste Underground Fest e por isso uma banda
incontornável para este especial. Guilhermino Martins (baixo e voz) e Paulo
Ventura (guitarra e voz) tiveram a amabilidade de nos receberem numa altura
que trabalham no seu terceiro álbum de originais.

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Olá pessoal e bem vindos ao experiências/acontecimentos (risos) banda, mas também em termos
nosso World Of Metal. Estão que ocorrem nessas altura e isso do processo criativo e interação
neste momento a gravar o ajudou muito quando finalmente entre os membros. Nesse sentido,
vosso terceiro álbum. Quão entrámos em estúdio. trabalhámos bem na composição e
adiantado está o processo? na forma como o álbum do princípio
Há aquele mito (por vezes ao fim se conjuga. Chegarmos ao
Guilhermino: Olá Fernando! O novo com sentido, outras nem por fim de 5 anos com esta formação e
disco está todo gravado e, neste isso) em que o terceiro álbum com três álbuns, um 7’’ e mais de
momento, estou a misturá-lo nos é “aquele” que define o resto 150 concertos deixa-nos contentes,
Blind & Lost Studios. Até ao final da carreira de uma banda. É mas super entusiasmados com o
de Setembro deve estar pronto e algo que teve algum impacto futuro!
seguir para a editora. Se o processo na composição e agora neste
de composição foi lento, uma vez preciso momento em que estão O humor é uma das vossas
que tivemos sucessivos apelos para a finalizá-lo? principais armas de arremesso,
concertos (não pareciam terminar, seja na vossa música
na verdade, o que é bom), já a Guilhermino: Eu acho que este álbum propriamente dita, como nas
gravação foi bastante rápida. Para vai ser o mais “Serrabulho” dos três. actuações, portanto, e estou
tal contribuiu também o facto de Depois de tantos concertos, de tantas agora a extrapolar, acabam
já termos uma pré-produção que viagens de carro e avião, de tantas por ter trabalho a dobrar
fomos aprimorando, à medida que histórias, estórias, acontecimentos, porque não só têm que se
íamos criando as novas canções. peripécias, momentos hilariantes; preocupar em ter música forte

"O título do novo disco é Porntugal (Portuguese Vagitarian Gastronomy)


e todo o álbum é dedicado aos velhos costumes (gastronómicos e não
só) do nosso país, particularmente da nossa região – Trás-os-Montes e
Alto Douro”

Paulo: Viva Fernando e World of depois de percebermos o que como também de encontrar
Metal! Bem…praticamente o Gui melhor resulta ao vivo, acredito as melhores piadas, gags,
já disse tudo (risos). Basicamente que o nosso sentido composicional trocadilhos e por aí fora. E que
gostávamos que o álbum tivesse nunca esteve tão apurado. Esse foi também resistam ao teste do
saído mais cedo, nos primeiros o verdadeiro impacto, não qualquer tempo e uso, devido à velha
meses deste ano, mas se por um tipo de pressão externa, até porque,questão do efeito desgastador
lado tivemos bastantes concertos felizmente, nesta banda, as coisas que uma piada tem após ser
ao longo dos último 2 anos e estão blindadas ao ponto de não contada demasiadas vezes. É
meio e o final de 2017 também deixarmos que (quase) nada interfiraalgo que vos consome algum
foi brutal, impedindo-nos de estar com o nosso modus operandi. tempo na hora de compôr, essa
juntos, em estúdio, a trabalhar nas preocupação ou ela nem sequer
novas músicas e ideias, por outro Paulo: Acho que falo por todos se coloca?
lado, durante esse mesmo período, da banda: em nenhum momento
o álbum foi tomando forma, cada sentimos que o terceiro álbum podia Guilhermino: Aí é que está. A
vez que estávamos juntos, em ser o “amaldiçoado”. Vimo-lo mais temática, as piadas, o lado irónico
estrada, em concertos e através de como a nossa consolidação enquanto e humorístico de Serrabulho nunca
80
é pensado! Tudo o que vês em não só. por isso queremos partilhar com o
concerto, todas as piadas incluídas público! E envolve-lo na experiência
nos temas, são fruto de experiências Guilhermino: Em termos criativos é muito importante, por forma a que
vivenciadas. A inspiração vem do não há, de facto, limites. O Star as pessoas possam experienciar as
que presenciamos e não de um Whores (segundo álbum) tem um sensações que vivemos, em palco.
brainstorming colectivo, na procura tema ("Peidinho Ron Ron") com Além do que o Gui diz, também
de algo que funcione. Isso não seria crianças a cantar -, já começámos não alimentamos o chamado “diz
nada genuíno! um concerto no Teatro de Vila Real que disse”, definitivamente não faz
com uma versão acústica da "Quero parte de nós e isso também se deve
Paulo: Nesse aspecto todos nós Cagar e Não Posso", rebaptizada às nossas raízes.
somos pessoas divertidas e bem- de "Quero Obrar e Não Posso"
dispostas. Acho que, quem já privou (está no Youtube), na tournée do Hoje em dia ainda faz sentido
connosco, sabe o que quero dizer primeiro disco – "Ass Troubles" a separação de tribos que se
(risos). Facilmente conseguimos ter – mudámos de farda de palco em verificava mais décadas atrás?
ideias ou retira-las daquilo que nos TODOS os concertos, uma vez em Para vós, como banda, é-vos
rodeia, de uma forma natural. Liègue (Bélgica), o público arrastou indiferente tocarem com uma
um sofá desde o backstage até ao banda de heavy metal como
Em relação ao álbum, já tem palco (também está no Youtube), com uma de black metal?
título que possam revelar? já terminámos um concerto no
País Basco a tocar na rua (temos Guilhermino: Nós temos tocado
Guilhermino: O título do novo sistema wireless e apenas o Ivan com bandas de espectros
disco é Porntugal (Portuguese ficou dentro do Clube a tocar, por diametralmente opostos e nunca
Vagitarian Gastronomy) e todo razões óbvias), com o público a tivemos qualquer problema. Aliás,
o álbum é dedicado aos velhos moshar freneticamente cá fora e do ponto de vista pessoal, os

"Em termos criativos não há, de facto, limites.”

costumes (gastronómicos e não os transeuntes espantados com ambientes onde mais gosto de tocar,
o que ali se passava. E isto sem
só) do nosso país, particularmente são os “aparentemente” avessos a
da nossa região – Trás-os-Montespensar muito, porque a quantidade música extrema. É engraçado ver
de momentos imprevisíveis em
e Alto Douro -, que tem tanto para como o público – que por vezes, não
ser explorado/contado/celebrado/cada um dos nossos concertos é é o “nosso” - se transfigura.
sentido. assustadoramente – no bom sentido Quando a divisões estilísticas, não
– grande. Em termos musicais não podíamos estar mais distantes
A forma como encaro os há limites, definitivamente. dessas discussões.
Serrabulho é como algo sem
limites, algo reforçado pelas Paulo: Serrabulho é o que viste no Paulo: Separação haverá sempre,
actuações que tive o prazer Vagos! Somos assim, perante uma mas jamais faremos parte dela.
de ver vossas, principalmente audiência grande ou pequena, Nos últimos anos isso tem mudado,
a última, no Vagos Metal Fest. quer no meio onde estamos mais mesmo antes de sermos Serrabulho
É efectivamente assim? Existe inseridos ou onde possamos ser começámos a aperceber-nos de
alguma barreira, alguma mais “estranhos”. A essência de que o rumo estava a mudar e ainda
linha traçada no chão em Serrabulho começa na pré-produção bem! Já tocámos com bandas
que dizem entre vós “daqui das músicas novas e estende-se para diferentes e, dessa forma, chegámos
não passamos”? Em termos o estúdio, mas não faria sentido a outro público, que podia não
musicais (estilisticamente) mas para nós que ela ficasse por aí, estar num evento digamos “de
81
"Separação haverá sempre, mas jamais faremos parte dela.”

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uma só tribo” (risos). A título de interessa-nos o que podemos São um dos grandes destaques
exemplo, já actuámos no Festival conseguir fazer e retirar desse do cartaz da terceira edição
Sardinha de Ferro (2013), com uma determinado local ao actuar! Eu por Oeste Underground. Podem
vertente mais virada para o Black mim falo (risos), quando estou em adiantar-nos sobre aquilo que
Metal, no Milhões de Festa (2014), palco sinto-me sempre à vontade, podemos esperar do vosso
bem conhecido por ser eclético com boa energia, com alegria concerto? Vamos poder ouvir
e abordando primordialmente contagiante e em interação com temas novos?
o universo indie/alternativo, no os restantes elementos, que acaba
Vinho, Folar e Rock’n’ Roll (2018) por provocar a mesma reacção no Guilhermino: Será a nossa segunda
uma espécie de mini-Woodstook público, mesmo quando este não é participação no Oeste Underground
transmontano, de ambiente familiar o “nosso” (risos). e temos as melhores recordações da
e sem rede no telemóvel, onde o primeira edição do festival. Fomos
rock experimental reina, ou, por fim, Para este álbum, vão fazer excepcionalmente bem tratados
no Soundville, um festival recente, alguma digressão alargada em e lembro-me perfeitamente dos
mais artístico e pedagógico, virado nome próprio? Existem planos Bombeiros locais terem ficado loucos
para a sustentabilidade ecológica. nesse sentido? com o nosso concerto. Estamos com
óptimas expectativas para este ano e
Falando ainda de concertos, o Guilhermino: O objectivo é dar bem já vamos tocar alguns temas novos,
contexto onde vos vemos mais mais do que os 101º concertos que como a "Dingleberry Ice Cream" ou
é de festivais. Acaba por ser demos até agora. Nós dedicamos a "Pito Sem Penas".
onde se sentem mais à vontade, muito tempo aos discos e queremos
reforçando o ambiente de que fiquem com o som definido e Paulo: Da nossa parte, o público

"Se é verdade que tocámos em muitos festivais, também actuámos em


vários Clubes, Associações, Bares por essa Europa fora. ”

festa? apurado mas, no fundo, os álbuns já sabe com o que contar! E nós
são uma desculpa para voltarmos também contamos sempre com ele,
Guilhermino: Tendo a discordar. à “estrada” (de onde, na realidade, faz parte “disto”, até pelo apoio que
O concerto de Vagos foi o 100ª não chegámos a sair, daí o Star recebemos desde o primeiro minuto.
da digressão do Star Whores, que Whores já datar de 2015). Como sempre, o Oeste tem uma
passou por 14 países, ao longo magia diferente, por estar associado
de mais de 2 anos. Se é verdade Paulo: Sim, 2019 por si só já vai à causa dos Bombeiros, à vontade
que tocámos em muitos festivais, ser uma digressão (risos)! Estamos e o esforço que estes Homens têm
também actuámos em vários Clubes, neste momento com algumas datas todos os dias! Mas, nessa noite,
Associações, Bares por essa Europa fechadas em alguns festivais e outros vamos dar o nosso melhor para
fora. Na verdade, o ambiente de espaços, alguns convites de bandas que eles possam ter umas horas
festa é conseguido em qualquer para tours e estamos a trabalhar descontraídas e se possam divertir,
local, seja o pequeníssimo (mas para que uma maior promoção e não só com as bandas, mas também
honroso) TreBARuna, em Lamego, divulgação do "Porntugal" possa com o público. Contamos com vocês
ou o In Flammen Open Air, em ocorrer, não só cá mas lá fora todos, sintam-se à vontade para
Torgau (Alemanha). também. A seu tempo as novidades fazer parte da nossa/vossa grande
vão ser anunciadas. festa!….e preparem-se para os
Paulo: Quando somos contactados, novos temas (risos)!
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Garage World
Os Looking For It, são a banda deste mês aqui do Garage. Predominantemente de som punk, com influências
de nomes como os Blink-182, Sum 41, Good Charlotte, Allister, The Offspring e New Found Glory, começaram
a dar os primeiros passos em 2009 formada por André Gouveia (bateria), Diogo Melo (guitarra) e Miguel
Antunes (guitarra).

Fomos conhecê-los e saber um pouco do que são as suas ambições.

Bem antes de mais bem-vindos à rúbrica Garage Foi então que ao fim de uns meses começou a saga da
World, e naturalmente devemos começar por onde procura de elementos para preencher essas vagas. A
todos os que por aqui passam começam. Quem são ideia do projeto sempre foi assumida e focada no Pop
os Looking For It? Como começou todo o projeto Punk daqueles anos dourados e cantado em inglês.
da vossa banda? O cantar em português foi logo à partida posto de
parte pois em Portugal o género naquela altura
Os Looking For It são compostos por 5 elementos. tinha poucos ouvintes ao contrário de outros países,
André Gouveia na bateria, Fábio Fiúza na guitarra, e sentíamos que o inglês adequava-se melhor a este
José Trindade na voz, Miguel Barrera na guitarra e estilo de música.
Miguel Brites no baixo. Somos uma banda de Pop
Punk com grandes influências da sonoridade que E como surgiu o nome Looking For It?
existia neste género musical no final dos anos 90,
inícios de 2000. Bandas como Blink-182, Sum 41, Como qualquer banda que começa, é sempre uma
Green Day ou New Found Glory fazem parte do som utopia arranjar um nome. Algo que soe bem e que
que nos caracteriza. O projeto começou em 2009, tenha algum significado para os membros. Quando
com o André Gouveia (bateria) após terminar o seu o André criou o projeto com o Miguel Antunes e o
percurso no anterior projeto em que fazia parte na Diogo, já tinha dois nomes para o projeto, ambos
cena do Hardcore, e a convidar dois amigos, Miguel com significado. Looking For It acabou por ser o
Antunes (guitarra) e Diogo Melo (baixo e voz) para escolhido por ter múltiplos significados. Looking For
formar um projeto de Pop Punk. No inicio a ideia It, à procura de, ou seja, à procura da felicidade, de
era ser um “power trio”, mas após alguns ensaios tornar os sonhos realidade, do som “perfeito”. E
sentiu-se a necessidade de ter mais uma guitarra e tal como o nome indica, não tem um fim temporal
alguém que pudesse focar-se exclusivamente na voz. definido, o que significa que estaremos sempre à
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procura desses objetivos, dessa satisfação querendo na altura o Zé (vocalista), que não é propriamente
mais e mais e mais. introvertido, nem falava nas horas antes do concerto.
Foi até hoje o nosso único concerto num Festival, e
Percebo pela vossa Bio que houve para aí umas consideramos que foi uma experiência única pela
mudanças de line up. O que levou a isso? oportunidade de tocar num palco daquela dimensão.
Mesmo que tenha sido um concerto longe da
As várias mudanças de line up aconteceram perfeição em termos técnicos, divertimo-nos imenso.
por diversas razões. Tivemos diversos membros Tivemos também a oportunidade de conhecer os The
até chegarmos à formação atual. Bastantes até. Ramblers, uma excelente banda de blues portuguesa.
Uns saíram por acharem que o projeto não era Este foi mais um aspeto positivo da nossa estreia em
o que tinham em mente, uns saíram por falta de palcos. No entanto, o melhor para nós foi mesmo o
compromisso e outros por não terem aquilo que o feedback que recebemos após o concerto, e que nos
projeto precisava. De 2009 a 2015 foram vários anos deu força e motivação para continuarmos até hoje.
até o projeto assentar, demasiados anos, mas como
se diz “mais vale tarde que nunca”, pode-se dizer O primeiro EP da banda, “It’s All About It!”...
que fizemos jus ao nome da banda ao não desistir e tudo à vossa volta é mesmo como o título deste EP
abandonar o projeto (risos). refere, assim tudo simples?

Reportando ao ano de 2015, como sentiram a (Risos) Não. Nem sei se podemos dizer “antes
estreia no Glória ao Rock? fosse”, porque assim isto não teria piada, se tudo
fosse perfeito. O nome do EP está relacionado
A nossa estreia foi um momento que todos recordamos sobretudo com os tempos mais simples, mas da nossa
com imenso carinho, apesar do nervosismo que infância / adolescência. Os 5 membros têm algo
na altura sentimos. Nesta fase, éramos apenas 3 em comum, que é o facto de já ouvirmos este estilo
membros a tempo inteiro (André, José e Miguel desde essa altura. “It’s All About It!” invoca festa,
Barrera), pelo que contámos com a ajuda de um diversão, juventude, emoções à flor da pele. É essa a
guitarrista adicional - o Cris (Cristopher Hunstock). mensagem que queremos passar no EP, mesmo que
Recordo-me perfeitamente que fizemos o percurso de tenhamos crescido e as nossas vidas tenham mudado.
carro de Lisboa até à Glória do Ribatejo a tremer, e As responsabilidades surgem, mas a escolha de nos
85
mantermos jovens é sempre nossa. Em suma, olhando à vossa volta como vocês
veem a cena musical nacional? Acham que há
Como aconteceu a gravação do EP? oportunidades e espaço para todos?

A gravação do EP foi dividida em várias fases. Temos de reconhecer que a cena musical underground,
Algumas partes começaram ainda a ser gravadas em e em específico os estilos Pop Punk e Punk Rock
2015, antes da entrada dos membros Miguel Brites em Portugal estão muito mais parados do que há
e Fábio Fiúza. A parte da gravação “física”, das uma década atrás, por exemplo. É interessante ver,
guitarras, baterias, baixo (com o apoio do Tiago no entanto, que bandas importantes como os Tara
Candeias) e voz foi feita no Rockpit Studios, onde Perdida, Fitacola, e até mesmo os Fonzie estão
também ensaiamos desde 2012. Na música Down to a regressar em força, o que pode representar uma
Memories, contámos igualmente com a presença do grande oportunidade para nós e outras bandas.
vocalista Poli (Devil In Me, Sam Alone). Seguiu-se Queríamos destacar alguns nomes também, por nos
a edição, feita pelo André Gouveia (baterista) com terem ajudado no nosso caminho e pelo potencial
o apoio do Nuno Caldas (Rockpit Studios, Desire) e que têm de carregar a “cena” nos tempos correntes:
posteriormente o processo de mistura e masterização, Artigo 21, Viralata, Lazy Generation, To All My
a cargo do Marco Cipriano. Tivemos ainda o apoio Friends, Rivertied e Suspeitos do Costume são
do Samuel Lucas no artwork deste trabalho. Embora presentes e futuras referências. O espaço também se
tenha sido um processo exigente, ficámos muito ganha e num meio mais pequeno como o Punk temos
satisfeitos com o resultado final. de nos ajudar mutuamente para o conseguir.

Como vocês organizam o vosso processo de Qual o momento mais marcante até ao momento?
composição?
Gostávamos de realçar não um, mas dois momentos:
O processo de composição geralmente conta com O lançamento do EP e o concerto de Apresentação,
intervenientes diferentes. Todos acrescentámos um ambos em Abril deste ano. Não esperávamos,
pouco do nosso cunho pessoal às músicas, seja em sobretudo neste último, ter um acolhimento e uma
letras, ideias para partes instrumentais, ou mesmo afluência tão grande. Por tudo o que o processo
na estruturação das músicas. No entanto, as músicas representou para nós, e por ser um sonho comum aos
tipicamente começam por ser feitas com base numa 5 desde muito jovens, foi realmente gratificante poder
ideia (de riff, de bateria, ou de letra) e desenvolvidas ouvir o “fruto” de tanto trabalho e apresentá-lo ao
por todos a partir desse “spark” inicial. Deixamos público. O futuro passa por…Gravar um álbum em
as nossas influências, sobretudo de bandas Pop Punk 2019, sendo que já existe material a ser trabalhado
mais tradicionais (Blink 182, Sum 41, Green Day), com esse intuito. E claro, por dar mais concertos
mas também de atos menos conhecidos (Amber e obter maior visibilidade em Portugal, para abrir
Pacific, Allister) trabalhar para atingirmos um as portas a outros países e quiçá a grandes palcos
resultado que nos satisfaça. mundiais!

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Por Carlos Lichman

Lembras-te do motivo de começar a tocar um instrumento? O que te inspirou a montar uma banda? Tudo começa
neste mundo da música com um sonho e não existe melhor escola para a formação de músicos profissionais do
que o tempo e a experiência que ganhamos na estrada. Todos pensaram em ser rock stars e infelizmente isso é
para poucos. Contudo, nada te impede de viver de música. Exactamente, ter dinheiro com o mundo da música
sem precisar ter outro emprego. Mas temos outras perguntas ao decidirmos viver de música. Sabe como
viver de música? Estás disposto a fazer coisas que não te agradam muito? Bem, a segunda resposta somente
tu que estás a ler este artigo vais poder responder, pois para a primeira eu tenho uma serie de caminhos para
poder viver de forma honesta e próspera no mundo da música. Separei 11 caminhos muito bons para viveres
de música. Lembre: viver de música envolve principalmente em ter uma visão e postura profissional. Estes
11 caminhos naturalmente só podem ser aplicados em determinados níveis de evolução da sua carreira. Um
músico iniciante não poderá aplicar muitos no começo de sua caminhada no mundo da música, mas acredito
que serve de um guia.
11 caminhos para fazer dinheiro no mundo da música:
1 - Apresentações: Tocar em pubs, casas noturnas, casamentos, eventos empresariais, festas de aniversário, etc.
2 - Licenciar a tua música: Isso permite que ganhes dinheiro de forma contínua (através de royalties) ao fazer
o trabalho apenas uma vez. Tendo a tua música em programas de TV, rádio, cinema e anúncios.
3 - Aulas de música: Dar aulas pode-se tornar algo extremamente lucrativo. Podendo fazer 6 ou mais dígitos
por ano. Naturalmente, como base neste ponto deves ter conhecimento musical e paciência com os estudantes.
4 - Venda de produtos: Mesmo com a queda de vendas de CDs, DVDs ainda existem pessoas que compram
material de bandas que costumam dar concertos. Naturalmente, a venda de produtos on-line é uma realidade
que a banda/artista deve investir seu tempo como a venda de MP3s e a criação de e-books com a transcrição
das músicas de cada trabalho.
5 - Venda de merchandise: Bandas de rock/metal sempre investiram muito no visual, na sua identificação
visual que de streetwear passou a artigo de coleccionador. Tshirts, bonés, canecas, copos, tudo o que é possível
colocar o logo da banda. Neste ponto acredito que a imaginação da banda/artista seja valiosa.
6 - Criação de grupo de afiliados: Como clube de fãs. Incentiva as pessoas a seguir seu trabalho e em troca
oferece vantagens como: descontos em concertos, "meet and greet" gratuito, produtos que não são vendidos
em concerto mas são dados para os afiliados.
7 - Venda de backstage pass: Muitos fãs da banda pagaram um valor a mais para ter uma vista diferenciada do
concerto. Uma vista de cima do palco e não no meio da plateia.
8 - Venda de bilhetes para afterparty: Isso é um diferencial que poucas bandas investem ou tem condições de
fazer. Após o concerto, fazer uma festa, um momento de aproximar os fãs da banda criando um vinculo a mais
do que apenas ir assistir um concerto e voltar para casa.
9 - Bilhetes VIP: Este tipo de bilhete é diferente do backstage pass e do meet and greet. Neste caso, as pessoas
compra um bilhete que lhes dá o direito de entrar antes e poder ficar mais próximos do palco ou até mesmo
não ficar na fila para entrar no local do concerto. O bilhete VIP dá direito a entrada directa.
10 - Patrocínios: Neste caso criar laços com empresas de instrumentos musicais com as quais te identificas e
desta forma ganhar uma percentagem sobre a venda deste produtos quando algum fã comprar.
11 - Afiliação de marketing: No próprio site da banda/artista criar uma ligaões para produtos de empresas
afiliadas. Vendes produtos diferenciados mesmo que não uses estes produtos e assim ganhas uma
percentagem.
Com este artigo, espero ter ajudado. Mostrar que é possível viver de música mesmo sem ser um rock star!
Até o próximo artigo!
87
Por Luís Figueira

Thank You
Este mês escolhi falar sobre a Thank You, que é o bónus track da edição japonesa do Let´s Raise Hell.
O título por si só, é uma homenagem a uma das melhores bandas de sempre e que me tem marcado muito ao
longo da minha vida, que são os Led Zeppelin.

É claro que o título não foi escolhido ao acaso. Muitas vezes dou comigo a pensar que estamos numa fase em
que muitos dos nossos ídolos estão infelizmente a desaparecer, que os músicos das bandas que eu e muitos
de vocês gostam, estão nos sessenta/setenta anos e que por vários motivos que não interessa agora (dava para
discutir durante vários dias) não temos muitos músicos de referência. Dou por mim a pensar onde é que andará
o próximo David Coverdale, o próximo Lemmy ou até mesmo o próximo Ozzy.

Não existem (na minha humilde opinião) músicos que tenham a atitude que os “velhinhos” tinham. É claro que
vão aparecendo alguns pequenos génios e estou-me a lembrar agora assim de repente de dois guitarristas de
gerações mais recentes (se bem que um mais recente do que o outro) que é o Doug Aldrich (dos Dead Daisies)
e o Richie Faulkner (dos Judas Priest) que ainda vão levando o estandarte do Rock N´Roll bem alto.

E foi com a intenção de agradecer especialmente ao


Dio, ao Lemmy, ao David Bowie e ao Prince que
escrevi esta letra. Goste-se ou não de alguns destes
músicos, devemos muito ao que eles fizeram pela
música em geral. E foi no dia em que o Prince morreu
que decidi escrever esta letra, a agradecer aos que já
partiram, tudo o que nos ensinaram e que nos deram
enquanto influências na nossa música.

Recordo para sempre a humildade e simpatia com


que fui recebido pelo Ronnie James Dio em 2004
quando ele tocou no Astoria em Londres. Nesse dia
aprendi mesmo muito com um Senhor com pouco
mais de um metro e sessenta de altura, mas com um
coração do tamanho do mundo… e confesso que a
partir desse dia lembro-me sempre de como é que
fui recebido e o quanto os fãs significam para uma
banda, seja grande ou pequena.
88
Apresenta
emigrantes, imigrantes

à venda na loja da world of metal ou


através do e-mail emigmetal@gmail.com

89
por J.A. (Decayed)

Nada mais lógico que esta estrada até ao Vagos Metal Fest que iniciámos meses atrás terminasse com as
palavras da organização, mais concretamente, com Ivo Salgado da Amazing Events. Antes de passar às
palavras do Ivo, tenho apenas que referir que foi um enorme prazer que desbravámos ao longo destes meses
este caminho, através das palavras de quem viveu, vive e faz questão de continuar a viver o espírito de
Vagos, algo que é superior a nomes e a guerras, algo que encontrou uma segunda encarnação que não tem
parado de crescer e que continuará sem dúvida. O sucesso até pode ser medido em números, pessoas, lucros,
perdas, mas o espírito de Vagos, esse... não tem palavras. Sente-se. Todos os anos, em Agosto.

O Espirito de Vagos
por Ivo Salgado (Amazing Events)
As minhas primeiras memórias do Nunca irei esquecer o primeiro concerto
Underground português são de 1986 e do longe de casa, do outro lado do rio... Cova
anúncio que os Black Cross fizeram para da Piedade... Thanatos da Holanda com os
a RTP. O som que se ouvia lá no fundo da Massacre e Thormenthor a abrir... aquele
mensagem, parecia interessante. Demorei ambiente era algo que nunca tinha visto.
2 anos até conseguir a demo deles. Aquilo,
na altura, soava muito bem. Era o inicio do Em relação a ter uma banda, era muito
meu percurso no mundo do Metal e aquela complicado. Os instrumentos eram caros e
agressividade toda, era mesmo o que eu raros. Pessoas que gostassem do som e que
procurava. quisessem tocar eram difíceis de encontrar.
Não haviam tantos concertos o que fazia com
Depois foram os Massacre, The Coven, que a adesão fosse maior. Para gravar algo,
Thormenthor, Brain Dead, que sempre era difícil arranjar um estúdio que entendesse
foram a minha banda favorita da cena o som. Isso foi só em 1991 e em Almada. Os
nacional. Em 1988 comecei a entrar no que do Norte também tinham um estúdio. Hoje
se fazia por cá e descobri muita banda que em dia... pode-se gravar um álbum em casa.
gostava e que ainda hoje gosto. Foi também
a altura em que comecei a entrar em contacto As coisas eram muito diferentes naquela
com as fanzines, que eram muito úteis para altura, o ambiente era muito mais violento,
descobrir bandas novas. Comecei a frequentar mas ao mesmo tempo, os públicos eram
os primeiros concertos que se organizavam na melhores, participavam mais no concerto.
minha zona. Aí, foi entrar em contacto com Agora temos melhores condições. Perdem-se
mais gente que gostava do mesmo e cada vez umas coisas, ganham-se outras.
a adquirir mais som através do tape-trading.
90
Nada mais lógico que esta estrada até ao Vagos Metal Fest que iniciámos meses atrás terminasse com as
palavras da organização, mais concretamente, com Ivo Salgado da Amazing Events. Antes de passar às
palavras do Ivo, tenho apenas que referir que foi um enorme prazer que desbravámos ao longo destes meses
este caminho, através das palavras de quem viveu, vive e faz questão de continuar a viver o espírito de
Vagos, algo que é superior a nomes e a guerras, algo que encontrou uma segunda encarnação que não tem
parado de crescer e que continuará sem dúvida. O sucesso até pode ser medido em números, pessoas, lucros,
perdas, mas o espírito de Vagos, esse... não tem palavras. Sente-se. Todos os anos, em Agosto.

Por Lex Thunder (Midnight Priest/Toxikull)


Como apreciador e ouvinte de “música pesada” sempre existirá. Nada contra, afinal a música é uma
noto num determinado vício por partes das massas industria, e é assim o seu ciclo de vendas.
que se dizem de rockeiras/metalicas em fazer tocar A questão cancerígena do nosso tão amado género
playlists dos mesmos grupos de sempre. Há uma musical prende-se ao facto que no Metal, o produto
certa preguiça e um certo comodismo auditivo que que os tubarões da industria vendem, cheira a pó, a
impede a cultura do Heavy Metal de renascer e mofo, e contém um pouco de bolor, pois é o mesmo
florescer, e consequentemente criar novas bandas produto de há 50/40/30 anos atrás, não permitindo
de estádio. assim qualquer renovação da arte. É simplesmente
Hoje em dia os média resumem este género musical absurdo APENAS “os clássicos” continuarem
ás bandas que o criaram e não às que o praticam. a encher recintos e pavilhões, enquanto existem
Quando se fala em Rock/Metal (na generalidade) milhares de bandas atuais a conseguir reinventar
fala-se em Metallica, Guns n Roses, Ac/Dc, Kiss, a roda, algumas delas melhores que muitos
Rollings Stones, entre outros, ou seja, os eternos “clássicos”.
clássicos. Quem pode combater então os poderosos influencers
A verdade é que sim, essas bandas tinham (e têm) da industria metálica e romper as mesmas
qualidade, influenciaram totalmente a industria tendências de sempre? A resposta é simples. NÓS
musical, moldaram, ideais e atitudes na sociedade e podemos combater a industria capitalista musical,
tornaram-se assim “os clássicos intemporais” numa NÓS podemos escrever as páginas do livro que
determinada página da história, com todo o mérito. tanto gostamos de ler, NÓS podemos abir os novos
Hoje em dia essa mesma página continua a ser horizontes e participando no próprio presente.
lida exageradamente, enquanto a história vai sendo A solução passa então por usar o passado apenas
escrita noutras páginas mais adiante. Portanto sim, como exemplo e influencia para a criação da própria
o problema e a solução residem no “leitor”, que arte e personagem DO ARTISTA, e não para um
tanto lhe custa virar a página. consumo desenfreado e descontrolado das massas.
Os grandes produtores e influenciadores musicais, Enquanto as novas gerações de ouvintes
definem o que se irá ouvir e estar “na moda” nos continuarem a consumir o passado nas suas playlists
próximos tempos, e o costume assim se processa diárias, nada do que se faça no presente será maior
e propaga pelas rádios, televisões, redes sociais e do que ja foi feito. Corremos o risco de qualquer dia
todos os meios de comunicação. De seguida os os hologramas terem mais publico, que uma banda
ouvintes aceitam cegamente o “produto” que lhes viva.
é dado acreditando de que é do melhor que existe e
91
92
93
Holy Fuck Batman! They're Back! E por "they" para ver se há alguma cabeça a rolar ou
entendam-se as capas horríveis, aquelas algum pedaço de intestino grosso espalhado.
que, por incrível que se pareça ainda são Verdade seja dita e justiça seja feita, existem
lançadas hoje em dia, embora existam muitos grandes álbuns com capas horríveis e cuja
clássicos. Peço desculpa, "clássicos". Mas música ainda sobrevive nos dias de hoje.
temos que dar a mão à palmatória, muitas Bem, começamos por uma capa clássica.
destas capas são tão más que fica uma Não que os Obtained Enslavement se tenham
curiosidade mórbida para ouvir a música tornado uma referência da música extrema ou
para ver se é igualmente má. Como aquela este álbum, "The Shepherd And The Hounds
curiosidade parva de quando há um acidente Of Hell" se tenha tornado um clássico, mas
na auto-estrada, olha-se sempre para o lado era representativo da música extrema do virar
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do milénio. Tinhamos bandas que procuravam pegar na imagem do
oculto e do vampirismo com belas moçoilas desnudas que bandas
como Cradle of Filth introduziram na imagem das suas capas.
Acrescente-se a referência ao chifrudo... literalmente, dentes de
vampiro e é uma cajadada para falhar dois coelhos de uma vez só.
Mas melhor que isso é o pato metal (que sinceramente não sabemos
o que é pior, se a capa se o nome da banda. Ou o título do álbum -
"Auto Ducko Destructo Mondo). E nós que pensávamos que o filme
do "Howard The Duck" era mau...

Depois temos os M.A.D. e o seu "Taboo of The Western World" que


lança uma questão inquietante... porque é que as estátuas da ilha da
Páscoa andam a flutuar pelo espaço? Será que foi de lá que vieram?
Perguntas que ficam sem resposta. Talvez por serem parvas demais.
Lembram-se daquele penteado típico dos chungas da década de
oitenta, em que a única parte comprida do seu cabelo era atrás?
Agora transportem isso para o universo do Exterminador Implacável.
Em mau, como um pesadelo. O resultado é o álbum "First Visit" dos
Rogue Male. A música extrema também as suas obras primas, como
o álbum "Evil Genius" dos Abruptum, que é obra de alguém que
definitivamente não é um génio das artes gráficas. E os Digger, a fase
manhosa dos Grave Digger que acabou com a banda na sua primeira
encarnação traz-nos também eles um pato armado em culturista. O
que é que era a fixação deste pessoal com os patos? Será que foi
alguma febre da década de oitenta que nos passou ao lado? Será
que tem a ver com o Pato Donald?

Acabamos com o melhor. Tudo é mau nesta capa, onde até o logo
da banda soa manhoso, depois o título "Metal Tit"... e a sua ligação
à capa, onde vemos uma mama blindada, com rodas (ou bolas, não
dá para perceber muito bem) a passear pela terra, num desenho
que parece ter feito no guardanapo de um restaurante enquanto se
esperava pelo almoço. Lindo.

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Top 20 1968
VAN MORRISON THE BEATLES
“Astral Weeks” "The Beatles"
Warner Bros. Apple
Ignorado na época Um dos grandes álbuns da carreira
e des-valorizado
pelo próprio dos The Beatles, um trabalho de culto
Van Morrison, e representativo da sua diversividade
"As-tral Weeks",
como muitos musical, algo que fez com que a crítica
destes álbuns na altura ficasse dividida. Esse facto
apresentados não impediu que fosse um enorme êxito
nestas listas de
tops, acabou por de vendas e que passados anos fosse
ganhar um estatuto de culto que lhe trouxe considerado um dos melhores álbuns
a devida justiça com o passar dos anos.
Misturar folk, jazz e ainda uma forma muito de sempre. Foi aqui também que eram
diferente de criar letras faz com que este seja evidentes os sinais de cisão no meio da banda, já que Yoko Ono
um álbum a conhecer.
estava sempre por perto, uma presença que o resto dos membros
(e equipa de produção) sentiram como intrusiva.

THE ZOMBIES THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE


"Odessey And Oracle" "Electric Ladyland"
CBS Records Reprise Records
Olhando para O último álbum da The Jimi Hendrix
a capa, parece
que estamos Experience foi o seu mais bem sucedido e
perante um é visto também como o melhor de todos.
filme de terror.
Na altura em Não só pela qualidade como também pela
que foi lançado, diversividade, indo do psicadélico ao blues
não causou que fazia parte do código genético do
tanto impacto,
ou melhor, foi músico. Ambicioso em todos os níveis,
completamente desprezado, e como temos até na duração, esta é uma das obras
referido aqui, pertence ao lote de trabalhos
que foi sendo considerado, com o passar dos definitivamente obrigatórias conhecer. O
anos, como um dos grandes álbuns de toda trio viria a separar-se mais tarde no ano seguinte.
a década. Incrível, não é? Mas totalmente
justificado.

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PINK FLOYD VELVET UNDERGROUND
"Saucerful Of Secrets" "White Light / White Heat"
EMI Columbia Records Verve Records
O segundo O segun-
álbum dos do e último
Floyd é o álbum dos
único que Velvet Under-
conta com a ground pas-
participação sou quase
tanto de Syd desper-
Barrett co- cebido da
mo de David atenção
Gilmour e da crítica
como tal, é da época,
um álbum principal-
de transição do rock psicadélico em direcção mente devido à sua sonoridade e, sobretudo,
a algo mais progressivo. "Set The Controls aos temas líricos demasiado avançados
To The Heart Of The Sun" é um hino e o tema e transgressivos para a época e para o
BIG BROTHER AND THE HOLDING COMPANY
título uma viagem a fazer. conformismo pop. Com os anos, acabou por
se tornar uma peça de culto, não chegando "Cheap Thrills"
a suplantar, no entanto, o primeiro.
Columbia Records

O s Big Brother And The Holding


Company provavelmente serão
um nome desconhecido e este álbum,
provavelmente a mesma coisa. Se
calhar teremos que referir um simples
THE DOORS THE BYRDS
nome. Janis Joplin. Este álbum foi o
“Waiting For The Sun” “The Notorious Byrd Brothers” último da vocalista com a banda e é
Elektra Records Columbia Records
provavelmente a melhor prestação
Te r c e i r o Os The Byrds da cantora, além deste álbum ser um
álbum dos atingem o seu bom resumo do melhor que os anos
The Doors pico criativo,
e o único onde reunem sessenta tinham para oferecer.
a atingir o de forma
número 1 perfeita o
das tabelas country, o
de vendas. folk, o rock
Temas coo psicadélico
"Hello I e até juntam
Love You", ao tacho
"Spanish a música
Caravan", "Five To One" e a minha preferida "My electrónica
Wild Love". Nesta altura, Morrison já estava em e jazz. Tudo resulta naquele que é considerado
espiral destrutiva, mas musicalmente (e muito como o melhor ábum da banda. Nós tendemos a
graças aos seus restantes companheiros) concordar, uma pérola algo subvalorizada.
os The Doors estavam melhores que nunca.

OS MUTANTES CREAM
“Os Mutantes” “Wheels Of Fire”
Polydor Reaction Records
Falar dos Álbum duplo
Mutantes e num formato
deste álbum que se viu
SILVER APPLES
de estreia é de vez em “Silver Apples”
o mesmo quando na Kapp Records
que falar de década de
todo o hard sessenta: Álbum de estreia de uma das bandas
rock e metal um disco mais avançadas no seu tempo.
que surgiu com temas
no Brasil de estúdio
Os Silver Apples foram um dos
nas décadas e outro primeiros grupos a incorporar a
seguintes. com temas música electrónica numa linguagem
Rock psica- registado ao
délico com influências óbvias daquilo que se vivo. Não só foi o primeiro álbum duplo a atingir
rock - aqui maioritariamente rock
fazia tanto nos E.U.A. como na Inglaterra assim o estatuto de platina como também tem um dos psicadélico. Um tesouro que
como pedaços importantes da própria cultura clássicos indiscutíveis do rock pesado - "White receomendamos conhecer para os
musical brasileira, sem falar no experimentalismo Room". O álbum ao vivo conta apenas com quatro
em termos de técnicas de estúdio. Uma obra temas, quatro longos temas que são uma boa
amantes da música mais experimental.
incontornável. representação do poder do trio em cima de um palco.

97
DR. JOHN THE KINKS
“Gris-Gris” “The Kinks Are The Village Green Preservation Society”

Atco Recirds Pye / Reprise Records


Praticamen- Os The Kinks
te ignorada em 1968
esta estreia eram muito
dos Dr. diferentes
John, não daquilo que
tendo gran- conhecía-
de impacto mos de anos
em termos anterioress.
de vendas, Com uma
"Gris-Gris" sonorida-
acabou por de mais
capturar a atenção dos amantes da música refinida, este trabalho apesar de ter sido
(principalmente da música psicadélica) aclamado pela crítica, foi um flop comercial.
JEFF BECK ao longo dos tempos, conseguindo ser No entanto, o culto que conseguiu reunir ao
reconhecido como uma obra de valor dentro longo dos anos foi crescendo e é visto como
“Truth” do rock psicadélico pelos amates do género. a obra prima da banda.
EMI Columbia Records
Jeff Beck, depois de ter deixado os Yardbirds
em 1966, lançou uns singles que fizeram
algum sucesso mas foi com este primeiro
álbum que conseguiu mesmo deixar uma
marca e essa marca foi mesmo no nosso
som sagrado, sendo considerado o primeiro
álbum que puxa do rock para o hard rock
JOHNNY CASH THE ROLLING STONES
e evidencia o caminho que o heavy metal “At Folsom Prison” “Beggars Banquet”
tomaria nos anos seguintes. Ah, e o vocalista Columbia Records Decca Records
era Rod Stewart e o baixista era Ronnie
Wood (que iria para os Rolling Stones).
Ainda temos uma faixa com a participação
A carreira
de Cash
andava
D epois
d a
maluquice
de Jimmy Page, John Paul Jones dos Led
Zeppelin e Keith Moon dos The Who. na mó psicadélica
de baixo, de "Their
desgaste Satanic
causado Majesties
pelos seu Request",
problemas a banda
com as britânica
drogas. Já volta ao
seu som
recomposto e esclare-cido, o cantor/músico verdadeiro, às suas raízes rock/blues. E
resolve realizar um desejo que tinha desde que regresso. "Sympathy For the Devil",
que gravou a música "Folsom Prison Blues", "Street Fighting Man" e "Jigsaw Puzzle" são
gravar na prisão em questão. E foi graças apenas alguns dos exemplos flagrantes
a esses dois espectáculos e este disco que da sua riqueza. Este álbum também ficou
resultou daí que a sua carreira ganhou um marcado como sendo o último a ser
novo impulso. lançado com Brian Jones vivo, ele que já
estava a ficar algo de lado em termos de
influência no seio do grupo.

SIMON & GARFUNKEL FLEETWOOD MAC


“Bookends” “Fleetwood Mac”
IRON BUTTERFLY Columbia Records Blue Horizon Records
“Ín-A-Gadda-Da-Vida” Apesar de O álbum
Decca Records antes deste de estreia
álbum duplo

E ste álbum é atípico na discografia e auto-in-


já tivesse titulado dos
dos The Rolling Stones. Por um conquistado Fleetwood
lado vê-se que é bastante inspirado uma reputa-
ção e Mac trouxe
pelo "Sgt. Pepper's" dos The Beatles, sucesso inespera-
quer pela experimentação sonora, damente
quer pela própria capa - e por isso grande
sucesso à
acaba por ser um pouco desprezado banda que
na discografia da banda, tal como o consideráveis dentro dos meandros do folk, deixou todos rendidos ao seu blues rock,
foi um pouco pela própria banda. No foi com este álbum conceptual que retrata o ora apoiado em temas originais ora apoiado
percuso da vida de uma pessoa que consegue em covers. Um clássico que ainda hoje tem
entanto é um daqueles trabalhos que saltar fora do nicho que pertenciam para
envelheceu muito bem e que serve um reconhecimento mais alargado. Muito um impacto posivito.
como marco histórico, já que depois graças a grandes canções como a marcante
"Mrs. Robinson".
disto, os Stones voltariam à terra, para
o seu bom velho som.

98
Reviews do mes

3.2 AETERNUS AIRRACE


“The Rules Have Changed” “Heathen” “Untold Stories”
Frontiers Music Dark Essence Records Frontiers Music
Robert Berry é conhe- Os Aeternus são uma da- Desconhecia totalmente
cido como um músico quelas entidades que ape- esta banda, o que tenho
sar de nunca terem sido de pedir desculpa porque
virtuoso. Desde que propriamente "grandes" a sua existência não é de
formou a banda 3 com (em termos de exposição agora e de facto nem sei
Keith Emerson e Car e popularidade) gozaram de como nunca tive qualquer
Palmer em 1987, Berry um estatuto muito especial contacto com “eles”. A
manteve-se ocupado principalmente na transição internet é sem duvida uma
do black metal para o death mais valia e assim consegui
com vários projetos, metal, ali entre o "Beyond perceber que por exemplo
incluindo alguns álbuns The Wandering Moon" e o "Shadows Of Old". Depois Jason Bonham começou a sua caminhada com os
solo e tributo a bandas como Rush, Pink Floyd, disso, e principalmente após "A Darker Monument", Airrace e que por volta de 1985 a banda colocou um
Genesis e Jethro Tull. Este é o último projeto a banda parece que andou um pouco perdida com ponto final seguindo cada um dos seus elementos
musical em que Emerson esteve envolvido lançamentos que foram dispersos no tempo e sem a por diferentes caminhos! Sinto alguma vergonha
força de outrora. Pois bem, cinco anos após o anterior com isso, mas ok, não sou perfeito e rotulo esse
antes da sua morte, mas, aqui Berry que trabalho, "Heathen" vê a banda a ir buscar essa força está no som que eles produzem, um registo brilhante
toca todos os instrumentos presentes, tem ao passado, juntando-lhe ainda um sentido melódico de AOR. Onze temas capazes de prender de forma
um desempenho fabuloso colocando este que surpreende pela sua eficácia. Não vamos ser muito simples qualquer um do primeiro ao ultimo
assim este disco num patamar muito elevado, ingénuos e deixar-nos ir por este primeiro impacto segundo do disco... Se são fãs do género, oiçam e
tornando-o num disco prog rock muito e dizer que é o melhor trabalho deles, que vai buscar não se vão arrepender... "Untold Stories" apresenta
algum do poder perdido ao passado enquanto mostra músicas óptimas numa ampla variedade de estilos,
credível e de cheio de grandes composições. novos caminhos para o futuro. Só o tempo poderá sem perder a continuidade, um verdadeiro achado.
Sente-se algo como um tributo a Emerson dizer verdadeiramente. No entanto, aquilo que temos Tenho a satisfação de informar que os Airrace estão
e não podia ter sido melhor! aqui é sem dúvida entusiasmante e soa muito, mas bem vivos e no seu melhor.
muito bem.

[10/10] Miguel Correia [7.5/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia

ALTER BRIDGE ANTI-FLAG


“Live At The Royal Albert Hall Featuring The Parallax Orchestra”
“American Reckoning”
Napalm Records Spinefarm Records
Quem diria, eu que não música ganha realmente uma nova dimensão Apesar das fortes críticas
achava nada de especial e é integrada perfeitamente com os arranjos nos seus dois últimos
álbuns ao regime político
aos Alter Bridge (por orquestrais - algo que é mais difícil do que à norte-americano, os Anti-
puro preconceito, pen- partida se poderia supor (cof, cof Metallica, Flag não deixaram de ser
sando que não eram cof cof). Apesar deste ser o segundo álbum uma banda de punk/pop,
algo que poderá causar
mais que uns restos ao vivo editado desde o último álbum de alguma frustração a todos
mal enjorcados dos originais, compreende-se o factor especial aqueles que gostariam de
Creed) passo agora a do mesmo, e como tal recomendamos a ouvir outra coisa. Essa
vida a fazer reviews de álbuns, compilações aquisição da versão com o DVD porque em componente já aceitámos, faz parte do seu ADN e
como tal tínhamos alguma curiosidade em ouvir este
e álbuns ao vivo da banda norte-americana. termos visuais este trabalho é um mimo, trabalho que reune versões desses mesmos dois
E a gostar! Apesar do rótulo fácil de metal sendo que no DVD a música é intercalada álbuns "American Spring" e "American Fall". A banda
alternativo, a verdade é que os Alter Bridge por pequenas entrevistas à banda. tem consciência que a escolha não será consensual
entre os fãs mas seja pela mensagem ,seja pelo
são uma excelente evolução daquilo que é impacto que teve nos próprios músicos quando as
o hard'n'heavy clássico para o moderno. E escreveram, estas são escolhas óbvias para eles.
não é uma banda que apenas tenha a magia O resultado não foge ao que foi apresentado antes
do estúdio e que ao vivo se limita a carregar mas tenho que confessar que é uma roupagem
que soa muito bem. Bom álbum.
no play do piloto automático e a tocar meio-
mortos vivos. Prova dessa vitalidade é este
concerto com a orquestra Parallax, onde a

[9/10] Fernando Ferreira [7.5/10] Fernando Ferreira 99


ARTIZAN ATTIVITA POWER TRIO AUTHOR & PUNISHER
“Demon Rider” “Confusão” “Beastland”
Pure Steel Records Edição de Autor Relapse Records
Repetindo a parceria Segundo álbum dos A Relapse Records sem-
com o produtor Jim brasileiros Attività pre esteve, quanto a nós,
Morris, os norte- Power Trio, que nos na vanguarda da música
americanos Artizan (de trazem uma série de extrema. Nas suas mais
Jacksonville) trazem- variadas facetas. Para
nos uma nova amostra influências diferentes comprovar isso mesmo
do seu power metal para o seu rock canta- temos o sexto álbum
made in Florida. Neste do em português. Con- do projecto Author &
quarto registo, os fesso que não foi à Punisher a cargo de Tris-
quatro cavaleiros Tom primeira que pegou tan Shone, que conjuga
Braden, Ty Tammeus, Shamus McConney, Bill efeito. Talvez seja pelo seu som bastante de forma única o som e a componente visual.
Staley convidaram Joey Vera (Fates Warning) característico, talvez seja pela forma como O defeito dos álbuns - seja em que formato for
para tomar as rédeas do baixo nestes cincos Fábio Pimentel entoa a sua voz - que por - é que ainda não a parte visual acoplada pelo
novos temas. O novo trabalho traz até nos que teremos que nos limitar à música que nos
temas como “”Soldiers of Light” onde está vezes parece uma caricatura - mas há por mostra aquele espírito muito próprio e abrasivo
espelhada a veia mais melódica de todos os aqui algo que impediu a paixão à primeira mas que também não constitui novidade para
temas com um riff de guitarra bem orelhudo. vista. Ou audição. Ainda assim, não há como qualquer fã dos Author & Punisher ou de outros
Um disco sólido animado com solos de guitarra negar como o rock vêm-lhes da alma e que projectos incontornáveis como Ministry (menos
interessantes porém, sem rasgo, onde nem temas como "Serra da Ventania" e "Cerveja" orgânicos) e Nine Inch Nails. Trata-se ainda assim
o momento excepcional de um breakdown de têm um efeito positivo. Vale a pena insistir. de um álbum forte dentro do metal mais industrial
guitarra acústica em ”When Darkness Falls” se e experimental.
revela suficiente para fazer dele algo mais que
uma experiência.

[5/10] Carlos Magalhães [7/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira

AXE STEELER AXMINISTER AXXIS


“On The Run” “The Crucible Of Sin” “Monster Hero”
Pure Steel Records Edição de Autor Phonotraxx Publishing
Formados em 2015 O comunicado de imprensa São uma das bandas
os colombianos Axe refere influências como mais conhecidas do
Steeler apresentam- Metallica, Megadeth,
Iron Maiden, Slayer rock pesado alemão e
nos o seu primeiro com mais de 25 anos
registo longa duração. e Manowar e ainda vai
Depois do EP “Back to mais longe indicando que de carreira eles lançam
Stage” de 2016 e da
os AxMinister são uma “Monster Hero”. Trata-
versão mais rápida dos se de um disco muito
tour Sul Americana, Type O'Negative, uma
que inclui a presença declaração, em si, caricata. empolgante com tudo
no Evil Confrontation Passando por todos estes nomes e imagens criadas, o que a banda já nos
Festival no Cilhe, a banda que se pretende aquilo que se tem realmente é algo bastante diferente. habituou desde sempre e que naturalmente
afirmar nos caminhos clássicos do Heavy Não é que a base heavy metal poderosa não esteja tem um desfilar de temas muito fortes, com
Metal traz até nós “On the Run”. Para quem os aqui, mas não temos nada que remotamente nos enormes riffs que fluem com os bons e
amantes do género não serão certamente uma lembre qualquer um dos nomes indicados atrás e
velhos tópicos do rock numa demonstração
desilusão, pois as influencias do metal europeu isso nem sequer é relevante. Minimamente "original"
e claro de NWOBHM estão bem patentes nos - pelo menos apresenta uma identidade própria - e de grande forma. Sem falhas é algo que
oito temas que compõe o álbum. Voz bem poderoso na forma como trata o seu heavy metal, o aconselho e volto a aconselhar!
presente, bons riffs de guitarra e a velocidade suficiente para nos deixar cativados.
que se espera fazem de “On the Run” um disco a
ter em conta, acrescentando valor a um país que
tem muito mais do que apenas um historial de
comércio e produção de substancia ilícitas. Nota
final para os temas “On the Run” e o brilhante
instrumental “Beyond the Stars”.
[8.5/10] Carlos Magalhães [7.4/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia

BESRA BEYOND DETH BIG BLISS


“Anhedonia” “The Age Of Darkness” “At Middle Distance”
Temple Of Torturous Records edição de Autor Exit Stencil Recordings
Quando nos apresentaram Fantástico som. Total- Os Big Bliss têm uma
os Besra e "Anhedonia" mente inesperado para máquina do tempo
disseram-nos que este uma banda que nos
trabalho é fenomenal. Por como a nossa, mas
muito que seja suspeito
chega dos Estados usam-na de forma
este tipo de recomendação Unidos, já que mistura
em igual medida, death diferente. Nós usamos
por parte de alguém que
trabalha com a banda em metal, thrash metal, para ir visitar obras
promover este álbum, a doses generosas de do passado que nos
verdade é que é mesmo melodia e até um certo marcaram ou passaram
um trabalho fenomenal. Quatro temas bastante espirito progressivo que é muito bem vindo. ao lado, enquanto eles optam por ir buscar
longos - o mais curto tem oito minutos e meio - Não é que os E.U.A. não tenham capacidade
que nos trazem um feeling atmosférico e hipnótico inspiração. Este é um álbum que vive e
para apresentar trabalhos desta qualidade,
único são a principal arma de arremesso que acerta
apenas não contávamos com algo tão... respira daquela sonoridade meio pós-punk,
em cheio. Para quem gosta desse tipo de coisa, meio new wave da década de oitenta. O tipo
claro. Com isto dito, quem gosta de coisas mais metal, tão tradicional. A banda tem uma
directas, o peso aqui contido poderá ser atractivo forma de tratar o seu som que para além de de produção, as músicas em si, parece que
mas talvez lhes falte a paciência para o climax tocar na tecla do retro (que toca levemente, nos faz remontar aos momentos aúreos dos
cuidadosamente criado ao longo de composições indo buscar os melhores momentos do som The Mission, Sisters Of Mercy ou The Cult
longas. No entanto, para nós, é perfeito. Peso tradicional do metal, seja em que vertente
gigantesco a fazer contraste com atmosfera e na sua fase mais rock gótico. No entanto,
for) ou noutra qualquer corrente ou gimmick, consegue triunfar pela forma como estabelece
melodias hipnóticas ao melhor estilo dos Neurosis consegue com que o foco seja mesmo
meets "Set The Controls To Heart Of The Sun" dos
nas (excelentes) músicas que apresenta. os seus próprios passos, sem soar a rip off.
Pink Floyd? Não queremos mais nada. Intrigante, no mínimo.
Excelente surpresa e excelente álbum.
100 [9.1/10] Fernando Ferreira [8.6/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira
BEYOND THE BLACK BLACK TUSK BLACKMOLD
“Heart Of The Hurricane” “TCBT” “Atavism”
Napalm Records Season Of Mist Helldprod Records
O metal sinfónico de É inevitável que quando E é assim. Cinco temas,
contornos gótico (ou uma banda acaba ou sempre a rasgar, onze
perde um membro que minutos. Som javardo,
vice-versa) poderá exista um interesse redo-
estar sobrepovoado brado sobre a mesma. bem underground por
Principalmente porque parte de uma das
hoje em dia mas é melhores propostas da
é aquela sensação de
bom ver que tanto mortalidade, de que as cena norte-americana
temos muitas bandas coisas nunca mais vão e ainda assim bem
como continuamos a ser as mesmas. Bem, apetecível para quem
ter bastante qualidade. "Lost In Forever", o por esse motivo, e por terem decidido a continuar tem o black metal e punk mais cru na mesma
após a morte do seu baixista Athon, as atenções linha de conta. Falamos no underground
segundo álbum dos Beyond The Black já sobre este "TCBT" concentram-se naturalmente e
nos tinha deixado algumas boas indicações aquilo que podemos dizer é que quer a sucessão porque este é um daqueles lançamentos
em Chris Adams, o novo baixista, quer as novas que apela mesmo a quem anda por lá.
em 2016 mas agora, com este "Heart Of The Lançamento reduzido a oitenta unidades,
músicas não denotam uma banda fragilizada. Pelo
Hurricane", as coisas parecem ter escalado contrário, os Black Tusk estão mais zangados e em cassete, com um encanto próprio como
um pouco. Em todos os sentidos. Embora viscerais que nunca e isso nota-se bem em temas aqueles primórdios que tão romanticamente
a banda alemã se mostre um pouco mais como "Orange Red Dead". Brutos e javardos como falamos de vez em quando à boa cheia. Agora
sempre, não há nada a temer, os Black Tusk ainda é altura de provar a devoção. Comprar, s.f.f..
acessível, felizmente a qualidade também são os Black Tusk.
acompanha esse movimento, o que permite
que um tema como "Million Lightyears" soe
tão descaradamente pop e ainda seja um
daquelas que não conseguimos ignorar.
Claro que a influência Within Temptation não [8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira
é desprezada (era bom que os holandeses
ainda fizessem músicas como a "Song For BLASPHEMY BRANT BJORK
The Godless) e temos aqui um extremo e “Victory (Son Of The Damned)” “Mankind Woman”
inteligente bom gosto no que diz respeito Nuclear War Now! Productions Heavy Psych Sounds Records
ao que se faz no género. No entanto talvez Os canadianos Blasphemy Brant Bjork é um
fosse melhor que este álbum tivesse algumas parece (não temos a senhor. Já o sabíamos
faixas a menos (talvez umas três) de forma certeza) que já andam
nesta vida há já bastante mas depois de o vermos
a ficar mais forte e consistente. Ainda assim
tempo, tendo passado por ao vivo pela primeira
e pegando no mito que o terceiro álbum uma série de designações vez, oficializamos esta
determina a carreira de uma banda, somos até chegarem a esta e
lançado trabalhos que certeza. O que temos
capazes de ter aqui uns sérios candidatos
ficaram associados ao aqui é mais rock
ao trono do metal gótico/sinfónico. culto da música extrema daquele bom. Podem
canadiana nos primórdios da década de noventa. dizer que é do deserto mas isso acaba por
A banda esteve em silêncio(embora nunca tenha
cessado funções oficialmente) uma boa quantidade ser secundário. Grande feeling e groove e
de anos até voltar em força poucos anos atrás mais um conjunto de temas que se infiltram
com uma álbuns ao vivo e compilações. 2018 sem qualquer dificuldade nas nossas rotinas.
tem sido um ano particularmente activo já que
até ao momento já lançaram quatro demos. Esta Literalmente - as primeiras vezes que ouvimos
foi a primeira. O som é podre, com um feeling este álbum foi de rajada e sem sequer nos
"live" (foi registado numa sala de ensaios) e apercebermos desse factor. Uma classe
representativo do seu death/black metal javardo.
Para aficionados apenas! inagualável e inconfundível.

[8.3/10] Fernando Ferreira [6/10] Fernando Ferreira [8.7/10] Fernando Ferreira

BRUTALLIAN BURN INCORPORATED CARPE NOCTEM


“Reason For Violence” “Supernova” “Vitrun”
Edição de Autor Edição de Autor Code666 Records
Assalto duplo dos Trabalho de estreia da Há a tendência genera-
Brutallian este mês. jovem banda brasileira lizada e até um pouco
Mais à frente poderão ignorante de pensar
conferir o nosso primei-
Burn Incorporated - e que tudo o que vem da
ro contacto com a mais jovem ainda por Islândia é algo próximo
banda brasileira, com contar com Vincenzo do divino e portanto perto
o seu álbum de estreia da perfeição. E aqui temos
Nuciteli na bateria, que que dizer, aproveitando
repescado na nossa tem apenas catorze anos que estamos a falar dos
Máquina do Tempo. Carpe Noctem, islandeses,
Tendo tomado conhecimento com o seu trabalho anos que recentemente
acumula funções também nos Navighator. Trata- que se não é perfeição, anda lá perto. São seis
de forma cronológica, depois do impacto super temas que, na nossa opinião, não são fáceis de
positivo com a estreia, ficámos imediatamente se de um hard rock esforçado e honesto, com isolar e separar. Apesar de serem épicos, este é
entusiasmados e expectantes em relação ao garra e dinâmia o suficiente para tentar alcançar um trabalho que deve ser ouvido de rompante
segundo trabalho que surge três anos depois. vôos mais altos, com algumas influências de e até ao fim. O rótulo black metal é fácil de ser
Expectativas que foram totalmente cumpridas. esperado nele mas há por aqui muito mais do que
Poderoso e bem potente, mantém a costela progressivo. Bom começo, veremos o que a simples estética do black ou do death metal,
tradicional - aproximando-se muito da vertente vem mais lá para a frente. com algum recurso à dissonância que só faz
clássica de power metal norte-americana onde com que tenhamos uma atmosfera bem creepy
o power significa mesmo POWER - e com e claustrofóbica criada, uma atmosfera que se
uma capacidade incrível de despejar malhões torna bem viciante.
atrás de malhões. É oficial, estamos rendidos
aos Brutallian!

[9/10] Fernando Ferreira [7.5/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira 101
CATAYA CIRCLES COLD NIGHT FOR ALLIGATORS
“Firn” “The Last One” “Fervor”
Moment Of Collapse Records Season Of Mist Long Branch Records
Já dissemos que Da Austrália chegam- Os dinamarqueses Cold
somos fanáticos por nos os Circles que Night For Alligators
música instrumental conseguem ser são um dos bons
certo? E que apesar uma luz no meio exemplos de como
das limitações que toda de algum desalento
a cena pós-qualquer- que poderá haver o progressivo é um
coisa possa ter, que em relação à música dos géneros que mais
continuamos a gostar moderna. A banda se adapta a qualquer
dessa estética. Como junta sensibilidades estilo e género musical.
tal, não deverá constituir nenhuma surpresa progressivas com um peso próprio de coisas Neste caso temos o metalcore. As ambiências
o facto de termos ficados completamente mais modernas, mais djenty e o resultado é que a banda já é conhecida de apresentar
fascinados com este segundo álbum dos fantástico. Um álbum fresco que se apresenta continuam bem presentes e conjuga-a com
Cataya. E sim, toca em todos os botões do sempre com novas coisas a mostrar em
pós-rock, usando o seu jogo de construção cada uma das audições que lhes dedicamos. uma dose de peso. Por vezes sentimos o
lenta de climaxes emocionais. E depois? estes Mais do que querer parecer modernos, os peso do déjà vú, não negamos, mas ainda
quatro longos temas são a prova viva de que Circles soam essenciais em cada uma das assim é um álbum que vai crescendo sem
quando se foca em temas e não em fórmulas, músicas que nos trazem, principalmente grandes dificuldades conforme lhes formos
quando a música tem alma, a mesma vai ter pela voz de Ben Rechter, melódica e cheia dedicando atenção, apreciando cada vez
sempre qualidade. É inevitável. de profundidade. A Austrália cada vez com mais a sua dualidade - sem ela, também
argumentos mais fortes.
seria banal.

[8.6/10] Fernando Ferreira [8.4/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira

COLONEL PETROV'S GOOD JUDGEMENT


CONAN COSMIC AUTUMN
“Among Servants” “Existential Void Guardian” “Cosmic Autumn”
Moral Machine Napalm Records Northern Silence Productions
Não, não se trata de uma Continuamos a dizer, Conan Álbum de estreia
banda que tem como é um nome dos diabos para de Cosmic Autumn,
figura central o mítico uma banda de metal. Depois uma one-man band
L.G. Petrov, vocalista dos de ficarmos particularmente alemã que apesar do
Entombed A.D.. Depois de bem impressionados com
o último álbum da banda, rótulo de black metal
uma estreia em grande
parte instrumental de "Revengeance", a banda atmosférico, acaba
2016, a banda apresenta- britânica surge mais pesada por ir tocar a outras
se mais directa mas que nunca, mas mais que partes. De uma forma
também mais desafiante. peso, o que temos aqui a muito subtil e com
assinalar é o aumento da dinâmica e sobretudo na grande mestria, acrescente-se. Inserida na
E não sei porquê pensamos bastante nos Voivod forma como a voz é empregue e tenho que confessar
pelos riffs intricandos e a apelar à dissonância. série Northern Silence Underground Series
que esse foi o ponto mais difícil de assimilar. Não é
Bastante complexo e denso, este trabalho coloca que a música fique a perder com isso - provavelmente que tem como objectivo apoiar novas bandas,
uma nova perspectiva sobre o título experimental não fica embora ainda seja cedo para dizer - mas é este é um excelente álbum de estreia mesmo
e coloca-nos um grande desafio em cima. Apesar uma mudança não tão drástica quanto isso mas que nos coloque algumas dificuldades em
das múltiplas audições, ainda não sabemos e esse que nos faz ficar a pensar "algo está diferente". A separar de alguns obras já estabelecidas.
desafio foi superado. Vicia mas ao mesmo tempo diferença não tem que ser propriamente má e não o Acaba por ser um ponto menor perante a
leva-nos ao limite pela sua musicalidade anti- é neste caso, nem pelo facto de notarmos a banda qualidade extrema da música. Por muito que
musical ou pela forma como consegue criar em mais focada e dinâmica - onde até temos um tema tenhamos propostas destas e semelhantes
melodias habituavelmente irritáveis aos nossos quase crust/punk/grindcore ("Paincantation") que nos por aí, é sempre bom encontrar coisas com
ouvidos irresistíveis. Não faz grande sentido, pois surpreende. Ainda assim é suficiente desafiante para
que fiquemos na dúvida. Talvez só tempo desfaça esta qualidade.
não? Os paradoxos são assim mesmo e este é um
daqueles que não queremos evitar. essas mesmas dúvidas mas seja como for, qualidade
é garantida. Agora o grau da mesma é que ainda é
complicado discernir.
[8/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira

CRIPPLED BLACK PHOENIX D.D. VERNI DARK BUDDHA RISING


“Great Escape” “Barricade” “The Black Trilogy”
Season Of Mist Mighty Music Svart Records
Regresso dos Crippled Tomem lá... que malha Compilação que jun-
Black Phoenix que têm de disco! “Fire Up” abre ta três álbuns dos
apresentado uma cres- este caminho a solo de Dark Buddha Rising,
cente capacidade perfeita
para fazer álbuns de rock D.D. Verni, conhecido "Ritual IX" de 2008,
progressivo cativantes, baixista dos Overkill. "Entheomorphosis"
sempre com uma forte “Barricade” segue uma de 2009 e "Abyssolute
aura doom. "Great Escape" linha muito punk, muito Transfinite" de 2011,
continua esse caminho da fora daquilo que os que foram todos
forma que esperávamos, thrashers americanos disponibilizados ori-
embora alguma da sua efectividade esteja um nos tem habituado, mas também porque carga ginalmente pela editora da própria banda,
pouco mais... dissimulada. Mais oculta que se de água o disco haveria de ter uma sonoridade edições muito limitadas em apenas vinil,
vai revelando após tirarmos de cima camadas e
camadas de audições. E claro, nos tempos que colada à banda? Por isso, este disco é uma total trazendo ainda o bónus de disponibilizar
vivemos, não é fácil para muitos absorver quase brutalidade musical onde D.D. revela tudo o que também o seu primeiro álbum, "I" de 2007.
setenta e quatro minutos de música que nem lhe vai na alma numa diversidade musical fantástica Pois bem, agora com a sua presença na
sempre se desenrola a uma velocidade desejável. e divertida na sua audição. D.D. é um elemento Svart Records assim como a na Neurot
Se este álbum fosse um filme seria belo. Um belo histórico da cena metal mundial e tudo o que cria Recordings, é o momento de disponibilizar
filme de... Manoel de Oliveira, que no final ficamos é para vencer! Mais do que recomendo... esses clássicos a uma audiência mais vasta.
impressionados, tocados mas depois temos que Stoner/doom metal psicadélico que nos
ganhar alguma coragem para voltar a revê-lo. acompanha por mais de quatro horas e
Bem, talvez esteja a ser injusto porque neste
caso temos mais vontade de o voltar ouvir. Mas meias e que nos provocou uma autêntica
mesmo assim, algo longe das expectativas. viagem ao mundo da lua, com vantagem
de nem precisarmos de fato de astronauta.
102 [7.5/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia [9/10] Fernando Ferreira
DARKNESS DEAD HAND DEATH CHAOS
“First Class Violence” “Reborn Of Dead Light” “Bring Them To Die”
Massacre Records Divine Mother Recordings Edição de autor
Quando vemos uma Santa podridão! É o que A quantidade de bandas
editora a dizer-nos que apetece dizer depois de brasileiras que estão a
apostar na sua própria
uma banda que nunca dedicar alguma atenção música é impressionante.
ouvimos é clássica aos norte-americanos Mesmo com o país sendo
desconfiamos. Eu sei, Dead Hand, cujo som do tamanho gigantesco
que é, não deixa de ser
eu sei, arrogância de tem a sujidade do assinalável e até trazer
quem ouve demasiada sludge, o groove de esperança em relação da
música todos os dias um stoner bem doom música pesada feita por
e pensa que ouve tudo o que existe, existiu ou de um doom podre. Seja como for, é pessoal que fala português - mesmo que cante em
inglês como é o caso. Bem, "Bring Them To Die"
e irá existir. Bem, mas parece que os bom, bem bom. Um peso épico ao qual é um poderoso álbum de estreia onde o death/
Darkness realmente tiveram algum impacto não somos capazes de ignorar. Qualquer thrash metal impera invicto. Com uma voz gutural
no underground e lançaram um excelente pessoa com bom gosto não o poderá fazer. profunda - reminiscente de Johan Hegg dos Amon
Amarth, reminiscência que se espalha um pouco
álbum de estreia (em 1987), tendo descambado A banda não é propriamente nova mas este às guitarras e às suas melodias - e uma produção
um pouco a partir daí. Como muitas outras, segundo álbum poderá aparecer perante bem forte, esta estreia assegura que os Death
não sobreviveu aos anos noventa e voltou muitos como tal. Para consumir (e voltar Chaos têm tudo para se tornar um dos grandes
cinto anos atrás, depois de quase dez anos a consumir que o material é reutilizável) e nomes do país. Excelentes indicações deixadas
por temas como "Death Chaos" e "Bring Them
com a designação Eure Erben. Este "First para acompanhar de perto. To Die" que vão além do óbvio e apresentam um
Class Violence" é o segundo álbum desde virtuosismo assinalável.
o regresso e mostra que não é mais um
caso de bandas que tentam viver à custa
do passado apresentando algo medíocre [8.5/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira
no presente. Sim, o seu som é thrash metal
clássico e não apresenta grandes inovações DEATHWARDS DEMISE
mas também quem é que as quer?! Temos “Towards Death” “De La Manipulacion A La Ignorancia”
dez temas (contando com a intro "Prelude Invictus Productions Brutal Records
In E") que nos trazem thrash metal dinâmica Não existe muita in- Ora aqui está algo que não
e a cheirar às grandes propostas da década formação acerca dos se vê todos dias. Não por
de oitenta. Podemos ter chegado apenas Deathwards até por- parte de uma banda de
agora, mas agora já não os vamos largar. que são uma banda death metal pelo menos.
formada recentemente Temos o terceiro álbum
dos venezuelanos Demise
- 2017. A estreia des- - de excelente qualidade,
tes chilenos traz-nos diga-se já depressa - que
“Towards Death”, tem a particularidade de
uma Demo do género estar representado em
old school death metal, maduro e bem dois discos. O primeiro, cantado em castelhano
instrumentado, mas com uma voz thrash (venezuelano?) e o segundo, com as mesmas
algo imatura que dificulta a absorção da músicas em versão instrumental e títulos em
música. Por outro lado presentam-se com uma inglês. E resulta muito bem. Não podemos dizer
que seja muito diferente além da ausência da
imagem a roçar o black metal, (à excepção voz mas resulta muito bem ainda assim. Uma
das pinturas faciais) assim como o seu ideia que poderá não ser muito popular mas que
artwork. O resultado final não é impressionante para nós resulta sempre muito bem - não tenho
mas também não é de descartar visto ter dito ultimamente o quanto gostamos de música
aspectos de merecido valor. Aguardemos instrumental, pois não? Grande álbum, em qualquer
pelo próximo trabalho. uma das vertentes, instrumental ou não.

[8.7/10] Fernando Ferreira [6/10] Sandra Santos [8.5/10] Fernando Ferreira

DESEKRYPTOR / DRAGHKAR DJEVELKULT DUNGEON WOLF


“Split Tape/7"EP” “Når Avgrunnen Åpnes” “Slavery or Steel”
Blood Harvest Saturnal Records Pure Steel Records
Split que junta os Black metal norueguês Após um primeiro trabalho
norte-americanos para quem tinha como Stormlurker em
Desekryptor e os seus saudades deste tipo 2015, este power trio
de coisa. Melhor ainda, norte americano reune-
compatriotas Draghkar. se novamente em 2017,
Temos death metal para quem tinha uma agora como Dungeon
certa antecipação pelo Wolf e trazem até nós
cavernoso e javardo segundo álbum dos este Slavery or Steel.
em ambas as propostas Djevelkult, já que o Bom, se à primeira vista
onde mais do que riffs primeiro foi lançado (graficamente falando)
algo simples, convivem com um ambiente quatro anos atrás. Trata-se de black metal estamos perante um disco de um possível
mais cru ou mais atmosférico. No caso dos com alguma ambiência - fruto das melodias esquizofrénico, à segunda vista (audição)
agrestes criadas pela guitarra - e com bastante constatamos esse facto. Deryck Heignum, guitarrista
primeiros, os Desekryptor, têm uma ambiência e vocalista, leva à letra a personificação de um
mais próxima do black metal enquanto os poder que mesmo não sendo propriamente carrasco dos tempos medievais levando-nos
distinto daquilo que representa a vertente numa viagem alucinada. Se os seus dotes de
segundos acabam por ser um assalto mais norueguesa, não deixa de ter um impacto guitarrista são acima da média, como se nota
primitivo ao death metal. É um split para bastante forte. Riffs em tremolo picking no riff de entrada e solo do tema que dá nome
coleccionadores ávidos do underground - bem caçados, assim como um equilíbrio ao disco, os vocais, e este passeio pelos cantos
ambas as bandas não têm muitos lançamentos bastante sóbrio no uso da melodia, sendo mais escuros deste alter ego medieval, poem em
em certos momentos bastante catchy, este causa até mesmo a boa produção que o disco
ou historial para justificar um seguimento tem. Não gostasse eu de guitarras e não tivesse
mais aproximado. é um álbum que poderá soar old school também eu devaneios às quartas de manhã que
mas que vem ao encontro do esperado. isto teria corrido muito pior.
Exactamente como se quer.
[6/10] Fernando Ferreira [8.3/10] Fernando Ferreira [6.5/10] Carlos Magalhães 103
DYNAZTY EARTH SHIP EMPRESS
“Firesign” “Resonant Sun” “Be The Wolf”
AFM Records Pelagic Records Scarlet Records
Confesso que estava É fácil estabelecer-nos a Hoje sinto-me um sor-
algo curioso com este nossa mente em campos tudo, as reviews são
disco, pois andava a previamente construídos todas de grande nível
ser tão propalado que quando mencionamos sto- e ouvir tudo isto para
ner rock, ou doom metal. poder falar um pouco
depois de ter ouvido o Pois bem, se calhar para
single de estreia ainda sobra cada um dos
os Earth Ship é melhor discos é que me deixa
fiquei mais atento a esquecer um pouco esses
esta release. E este é rótulos. Não é que eles
aborrecido, mas pronto,
tudo tem um limite e
o tempo e o lugar para não façam sentido - os
assim seja! Empress, “Be The Wolf”, uma
falar finalmente de “Firesign”, sexto álbum de Earth Ship navegam nitidamente pelos mares
entre os dois portos mencionados - apenas são banda, um álbum… muito hard rock daquele
estúdio dos Dynazty, banda sueca! Lá está se que nos faz bater o pé, a perna, tudo ao mesmo
“Breathe With Me” o single escolhido deixou redutores ao total que é "Resonant Sun". Por vezes
um pouco mais extremos, por vezes um pouco tempo. Com o selo da Scarlet, a banda tem no
água na boca, agora sim posso dizer que todo mais psicadélicos, ou até mesmo mais hitpnóticos, seu 3º disco uma inspiração de fortes vibes de
o álbum é um trabalho portentoso. Há por aqui este é um álbum riquissimo e que recomendamos heavy metal clássico, mas sem colagens, com
muito de hard’n’heavy com incursões power para todos os que não só gostam de stoner e uma identidade muito própria o que é de louvar
metal sinfónicas, algo que já foi sendo testado doom mas principalmente para quem tem gosto como já referi em reviews anteriores. Aprecio
em outros momentos de composição e com em deixar-se ir por canções que vão para além esta capacidade de inspiração das bandas em
muito sucesso e aliás falando de sucesso é de rótulos e entram no campo da imortalidade. criar sem colar e a fórmula é composta de riffs
tudo o que eles merecem ter, porque nesta Entusiasmante é dizer pouco. pesadotes, velozes por vezes e melódicos q.b. A
arte são uns mestres e acreditem ganharam ementa tem um pouco de tudo dentro do estilo
definitivamente por aqui um fã! e é servida com muita qualidade. Recomendo!

[10/10] Miguel Correia [8.5/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia

ENOB ENUFF Z’NUFF ESPIONAGE


“La Fosse Aux Débiles” “Diamond Boy” “Digital Dystopia”
Atypeek Music Frontiers Music Edição de Autor
Isto é estranho. Mesmo Lembro-me da primeira Heavy, speed e po-
para os nossos padrões, vez que ouvi um disco wer metal numa só
que já ouvimos muita dos Enuff, até nem gostei combinação que nos
coisa estranha. Mas is- na primeira audição,
to é um estranho bom arrumei e pensei, não chega pelas mãos
- normalmente dizemos quero mais isto. Tempos dos australianos
que é estranho para aquilo depois dei-lhe uma nova Espionage. Banda
que não gostamos como oportunidade e o disco formada em 2014
forma simpática de nos foi o “Enuff Z’Nuff” de lança agora o seu
referirmos. O rótulo noise 89 e as coisas aí soaram primeiro duração
rock até se adequa no entanto, trata-se de algo mais diferentes e a banda passou a constar da minha Digital Dystopia. Bons riffs de guitarra por
do que simplesmente isso. Caótico, barulhento audição, não constante, mas sempre que queria todo o disco, solos muito bem conseguidos,
(óbvio) e até, de alguma forma, trippy", este álbum algo para abrir horizontes, lá ia então o cd para o
dos Enob não é para consumir todos os dias, nem leitor. Apesar de tantos acontecimentos na carreira uma voz potente e uma secção rítmica bem
sequer será algo que nos pareça que peguemos da banda, eis que surge aqui este diamante que coesa e com poder fazem deste Digital
num futuro próximo mas também sabemos que sinto estar bem lapidado. Produzido pelo patriarca, Dystopia um disco que vale a pena ouvir,
assim que nos surgir à frente ficamos em estado baixista e atual vocalista, Chip Z’nuff, “Diamond onde nada falta para ser uma boa dose de
catatónico. Sem reacção. Não é algo que todos Boy” tem muita força e pujança, e exala o irresistível New Wave of British Heavy Metal. Menção
consigam provocar, teremos que dar a mão à groovy appeal e o charme melódico do grupo. A Honrosa para o tema “Lost in Space” pelo
palmatória. colecção de 11 faixas está cheia de destaques em solo de guitarra. Os Espionage estarão pela
abundância. Fico feliz por isso. Europa em Julho do próximo ano marcando
presença no festival Headbangers Open Air
na Alemanha.
[7.4/10] Fernando Ferreira [9/10] Miguel Correia [7.5/10] Carlos Magalhães

ETHERNITY EUNOMIA EUPHOREON


“The Human Race Extinction” “The Chronicles Of Eunomia Part 1” “Ends Of The Earth”
AFM Records Pride & Joy Music Edição de Autor
Directo... grandioso Faz algum tempo que Gostamos quando bandas
álbum de metal me- eu não ouvia uma intro ou projectos nascem da
teimosia e paixão dos seus
lódico, sinfónico e pro- tão épica como a deste integrantes (principalmente
gressivo! O segundo álbum, por momentos quando se trata de apenas
disco dos Ethernity é fez lembrar aquele uma ou duas pessoas, como
a afirmação da banda momento em que é o caso aqui), algo com o
e na minha humilde ouvi Orson Welles qual nos revemos imenso.
Tudo começou com Matt
opinião eleva o patamar em “Defender”, mas Summerville em 2009,
da banda e deixa claro, e neste caso “The quando o neo-zelandês lançou uma demo a solo
antever um empenho brutal para o superar Beginning” é o passo para algo musicalmente e captou o interesse de Eugen Dodenhoeft (dos Far
ou até igualar. Não estou com isto a dizer diferente. Este disco dos Eunomia tem bons Beyond) o suficiente para se juntar ao projecto, o que
que a banda não o conseguirá fazer, nada momentos musicais, coros, harmonias, resultou o álbum auto-intitulado em 2011. Já lá vão
sete anos e está na altura de apresentar música nova
disso, mas é algo muito exigente. O disco alguns teclados que ampliam sonoramente que nos traz uma boa perspectiva do seu death metal
flui de forma fantástica, muito sólido num os momentos em que surgem e que nos melódico. Próximos das vertentes mais finlandesas do
som metal muito sofisticado, moderno e enchem o ego num power metal completo de género, o resultado aqui está muito bem conseguido
diversificado. Não enganam, os Ethernity riffs bem conseguidos. Há aqui um conjunto ainda que algo genérico, fazendo-nos lembrar uma
têm aqui um disco muito competente. de temas com todas as condições para se série de outros projectos semelhantes. Ainda assim,
nada que nos afugente porque a qualidade é realmente
tornarem hinos da cena, assim eles tenham muito boa. Soubemos entretanto que Dodenhoeft saiu
hipótese de chegar aos 4 cantos. Os Eunomia do projecto e Summerville está novamente sozinho,
não descobriram a pólvora, mas demonstram colocando em causa a continuação do projecto. É
qualidade suficiente para passarem a ser pena porque existe aqui espaço para progressão e
vistos com outros olhos. Bem vindos. talento para fazer coisas ainda melhores.

104 [10/10] Miguel Correia [10/10] Miguel Correia [7.7/10] Fernando Ferreira
EXLIBRIS FALCUN FALLEN LEGION
“Innertia” “Kingdom Come” “Downfall”
Edição de Autor Eat Metal Records Edição de Autor
Bem esta fase de Se vos dissessem que As sonoridades mais
reviews está repleta em Calcutá na India, há complexas do me-
de precocidades, claro
que muitos de vocês uma banda de heavy talcore/deathcore
não podem perceber se metal que tem power e conseguem cativar-
eu não deixa a dica de speed suficientes para nos por, pelo menos,
tentarem perceber que
trabalho fiz nestes dois fazer corar de vergonha tentarem fugir ao ób-
últimos idas, para isso, muita coisa que por cá vio. Os Fallen Legion
basta procurar as reviews anda, que me diriam conseguem fazer isso
que estão assinadas por mim...agora tem lugar vocês? Pois é, os Falcun são indianos e com alguma facilidade, no entanto, tivemos
na audição os polacos EXLIBRIS é uma banda
de Power Metal melódico, formada em 2003, mantém á distancia qualquer comparação com algumas dificuldades em interiorizar estes
em Varsóvia. "Innertia" é o seu quarto álbum de mitos de bollywood. Típico som dos idos 80’s seis temas. Caótico e espásmico mas ao
estúdio e começa com uma abertura, que nos com vozes e temas que fazem lembrar Iron mesmo tempo conservando (ou tentando
convida para uma jornada mística pelo espaço e
pelo tempo seguida por "Harmony of Spheres", Maiden, banda que rapidamente se percebe conservar) alguma melodia que acaba por
que nos leva exatamente ao que a introdução motiva o que os Falcun criam. Não sendo ir cativando aqui e ali. Ainda assim, o tema
prometeu. Tem uma mistura perfeita de heavy uma masterpiece cumpre serviços mínimos. onde tudo isto funciona perfeitamente é na
metal clássico e estilos modernos do mesmo
género, com uma notável injeção de elementos "New Skin" que fecha o EP e que conta com
de power metal. Daqui em diante a jornada é de a voz e teclados de Lindsay Schoolcraft dos
elevado grau e deixa água na boca para o futuro Cradle Of Filth.
da banda... Quero mais...muito mais!

[10/10] Miguel Correia [6.5/10] Carlos Magalhões [6/10] Fernando Ferreira

FORGED IN BLOOD FORLORN CITADEL FOSCOR


“Forged In Blood” “Songs Of Mourning” “Les Irreals Versions”
Punishment 18 Records Northern Silence Productions Season Of Mist

Estreia dos italianos Há duas formas de ver Não, não se trata de


Forged In Blood que nos este trabalho. Como um remake do álbum
chegam com um heavy uma compilação ou anterior dos catalães
com a edição da segunda Foscor que no ano
metal bem musculado, demo desta one-man band
um pouco a roçar o com origens Gronelândia passado lançaram
thrash, e que deixa (sim existem bandas na "Les Irreals Visions".
uma boa impressão. Gronelândia) e actual base Então porquê o no-
Boa voz (sóbria apesar na Austrália. Passar de me? Bem, faz todo o
de genérica nalguns uma ponta do mundo para sentido. Trata-se da
momentos), em bons temas, que conseguem a outra não mudou muito o seu som, conforme banda pegar naquilo que é hoje e ir revisitar
cativar aqueles que são fãs da sonoridade conseguimos acompanhar essa evolução neste momentos do passado mais recente (até
trabalho. São seis temas (três para cada demo) ao álbum de 2014 "Those Horrors Wither")
tradicional do som sagrado e um som que nos trazem nos primeiros três uma vertente
poderoso, que não deixa de soar um pouco puramente ambiental - uma espécie de mistura entre e apresentar esses mesmos momentos de
artificial para o estilo que a banda toca. Ainda um Mortiis mais contido em duração e expansivo uma forma completamente diferente. De
assim é uma boa estreia, que revela bons em interesse - e no segundos três juntam-lhes uma certa maneira é um álbum de versões
compositores e bons executantes. Não é guitarras e percussão mas mantém o mesmo tipo que apresentam músicas que são (ou pelo
preciso complicar o que é bom simples e de ambiente. Interessante, bastante interessante menos soam) completamente originais. Não
essa receita é o que faz com que este seja mas ainda pouco para que fiquemos com uma só uma ideia fantástica como um fantástico
um trabalho bem agradável de ouvir. impressão geral definitiva. Ah e por interessante, álbum, com uma sensibilidade única.
referimo-nos principalmente ao ponto actual da
banda, a fazer os bons dias dos Summoning.

[7.4/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira [9.2/10] Fernando Ferreira

FROM ASHES REBORN FVZZ POPVLI GOAT DISCIPLE


“Existence Exiled” “Magna Fvzz” “Wolfcult Domination”
Edição de Autor Heavy Psych Sounds Records Blood Harvest

Curto álbum de es- No momento em que A mania de criar novos


treia dos alemães escrevo estas palavras, estilos de metal sempre
From Ashes Reborn. A estamos ainda em me fez confusão e
sonoridade destas oito Setembro, está um nunca percebi se partiu
músicas (na realidade por parte de editoras
seis mas contemos calor abrasador e estou que tentaram de alguma
com a intros e outro a ouvir mais uma vez forma diversificar e
instrumentais que os Fvzz Popvli com este diferenciar as suas
abrem e fecham o disco "Magna Fvzz" que nos ofertas ou se foi por
respectivamente) aproxima-se da sonoridade traz um rock psicadélico cru mas de certa parte de algum jornalista aborrecido. Seja
do death metal melódico a lembrar levemente forma clássico, pela maneira que se aproxima como for, quando ouço falar em War Metal,
Amon Amarth nos seus primeiros trabalhos. sei logo que estamos a tratar de death metal
Ou então como se os Amon Amarth tivessem das raízes da década de sessenta. E terá de potencialmente javardoso e definitivamente
lançado os seus álbuns no início da década ser visto dessa forma, através dessa lente. blasfemo. É o que temos aqui, mas não
de noventa e não no final. Apesar de, como Um trabalho que junta o groove viajante ao podemos dizer que o tempo (menos de
já referi no início, ser curto, existe muita classicismo orgânico do feeling psicadélico. meia hora) que temos aqui é aborrecido.
matéria para que fiquemos atentos ao que Não sendo para todos, é para aqueles que Não acrescenta nada ao que conhecemos, é
a banda fará no futuro, apesar de sentirmos gostam de viajar. verdade, mas há uma riqueza em termos de
que é necessário afastar o factor genérico. riffs e de brutalidade que acabam por fazer
toda a diferença. Os discípulos da cabra
convenceram-nos e no final até sabe a pouco.

[8.4/10] Fernando Ferreira [6.5/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira 105
GODDESS OF FATE GRAVE DIGGER Grzegorz
“Spiral Orchard Part 1” “The Living Dead” “33”
Edição de Autor Napalm Records Helltag
Embora já não seja de Por vezes falamos de Grzegorz Olszowka é
todo estranho termos forma menos eloquente um produtor que muitas
hoje em dia bandas a das bandas que tentaram vezes foi premiado pe-
chegar-nos da Indonésia, na década de oitenta lo seu trabalho com
não deixa de ser curioso
que nos chegue uma alcançar o sucesso a outros artistas. Agora
proposta de death me- todo o custo e que deram ele decide lançar-se a
tal que tanto deve ao com os burros na água solo e o resultado é
progressivo como ao de forma épica. Os Grave bem curioso. De uma
death metal melódico - na realidade, para ser Digger (tal como os Merciful Fate e os Twisted forma positiva. Não só é composto por uma
sincero, talvez deva mais ao primeiro género. Sister) tentaram e falharam, acabando e voltando sonoridade assente em sintetizadores (muitas
E apesar de algumas limitações sonoras e depois anos mais tarde no underground e vezes a lembrar Ulver na sua fase electrónica ou
de ideias que talvez precisassem de alguma
maturação, o resultado final é bem positivo. sendo uma das forças poderosas da nova até Depeche Mode) como em certas ocasiões
Longe de ser óbvio, este é um álbum que nos cena power metal que surgiu - embora do descamba em ataques violentos que de forma
indica que os Goddess Of Fate têm potencial caso deles, o power era mesmo power e não estranha, resulta muito bem. O video "I've Lost
para surpreender ainda mais no futuro. propriamente melodias alegres. Desde então My Friends To Cocain" que tem andado a fazer
já passaram mais de duas décadas (o tempo furor é um bom exemplo do seu poder já que
voa), com o grande sucesso a ser atingido com essa é uma das músicas mais poderosas. Essa
os álbuns conceptuais e com essa fórmula a e a versão lúgubre do êxito de Kim Wilde, "Kids
desgastar-se um pouco mas com os níveis In America". Excelente surpresa.
de qualidade a nunca baixarem muito abaixo
do desejável, apesar de associarmos cada
[7.8/10] Fernando Ferreira época ao estilo de guitarristas que estiveram [8.6/10] Fernando Ferreira
presentes. Inesperadamente a banda regressa
com "The Living Dead" pouco mais de um ano
GRINDING REACTION do "Healed By Metal" que não foi o álbum que
HANGARVAIN
“O Caos Será A Tua Herança” se esperava, pelo que estava desconfiado “Roots And Returns”
Massacre
Edição deRecords
Autor Pure Steel Records quanto à sua qualidade. É bom que sempre que Massacre
Volcano Records
Records Pure Steel Records
Os Grinding Reaction estou de pé atrás, os resultados provem que Um som blues, cheio de
são uma das bandas não havia razões para receio. Principalmente estilo, cheio de groove
mais destacadas da ce- por haver uma exuberância nas guitarras que
e melodias. “Roots And
na hardcore brasileira. nos leva a pensar que esta é uma banda que
Returns” é assim, um
O seu som é forte e merece mesmo ter dois guitarristas - algo que
poderoso onde as se notará mais ao vivo. Mas isso sou só eu - disco elegante, blues
influências hardcore nota positiva para a referência a várias melodias e rock anos 70 com
juntam-se a um espírito de temas conhecido como "Hey Joe" (na "Insane vocais bem enérgicos
metal mais cru. O resultado é entusiasmante Pain") popularizada por Jimi Hendrix e na "Over e musculados. Para
e nestas dezasseis faixas temos muitos The Hills And Far Away" (na "Shadow Of The que não pensem que escrevi pouco, com
motivos para olharmos para eles de forma Warrior") de Gary Moore. Em relação a "The muita pena minha esta cena era só um Ep...
mais atenta. Tenho que referir que o facto de
cantarem em português é um bónus. Para Living Dead" a banda prova que não precisa quero mais!
quem acha que o português (com ou sem de ter um álbum conceptual para trazer boa
sotaque) não é língua que resulte na música música e este é um excelente exemplo. Grandes
pesada, talvez isto os faça mudar de ideias. temas, que se complementam neste álbum e
um resultado final bem melhor do que o já
mencionado álbum anterior. O coveiro continua
a ter o toque de classe de sempre.

[7.7/10] Fernando Ferreira [8.6/10] Fernando Ferreira [9/10] Miguel Correia

HANGMAN'S CHAIR HATESPHERE HELION PRIME


“Banlieue Triste” “Reduced To Flesh” “Terror Of The Cybernetic Space Monster”
Spinefarm Records Scarlet Records AFM Records
Adoramos as bandas que A Scarlet Records traz- Por falar em precon-
nos surpreendem. Como nos o décimo álbum ceitos, um que temos
os Hangman's Chair. Se é de pensar que nos
dissermos que tocam dos dinamarqueses
Ha-teSphere. Um som E.U.A. não existe uma
uma espécie de stoner/
doom metal, se calhar cultura de ter propostas
muito duro, muito old- de power metal de
pensam "qual é a surpresa
disso?" Pois, por vezes school daqueles que qualidade. Já vimos
os rótulos são redutores no fim de uma audição essa teoria ser deitada
a esse ponto mas para nos deixa de pescoço abaixo vezes sem conta
este caso específico, pedimos que os deixem de à banda... Puro speed metal com infusões mas está aqui um argumento de peso: o
lado para melhor absorver toda a atmosfera (mas segundo álbum dos Helion Prime. "Terror Of
se não conseguirem, ponderem se calhar algo thrash muito colado aquilo a que a banda já
The Cybernetic Space Monster" até pode soar
mais próximo do pós-metal) e todo este poder nos habituou...em algumas passagens existem mais europeu do que propriamente norte-
melancólico que abunda por aqui, lembrando- momentos mais atmosféricos de onde brotam
nos um pouco aquele feeling muito próprio do americano, mas a forma como conjuga peso,
mítico "October Rust". Mais ou menos imediato, riffs death metal muito enérgicos e pesados. melodia e um excelente trabalho de guitarra
este é um álbum que tanto arrisca como joga pelo É um trabalho muito bem pensado e sem é incapaz de deixar alguém indiferente. E não
seguro, que consegue mostrar diversas faces mas momentos negativos a apontar, trazendo a deixa de apresentar uma riqueza musical que
mesmo assim, consegue triunfar quase sempre. banda novamente para a cena em grande impressiona - basta atentar na épica faixa
A ouvir e conhecer, há aqui sumo para muitas título com quase vinte minutos que fecha
boas horas de audição. estilo. Sem duvidas um grande disco...arrasa!
o álbum. Fantástico!

106 [8.6/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia [8.8/10] Miguel Correia
HELLIXXIR HER DESPAIR I, ASSASSIN
“A Dull Light Around” “Mournography” “I, Assassin”
Music-Records Edição de Autor Edição de Autor
O início bucólico de Já por diversas vezes Outra curiosidade
"Blood Writings", a falei do impacto que musical, quando
primeira faixa deste tem a sobrexposição e percebi que estava
"A Dull Light Around" sobrexploração de certos perante outro
depressa dá lugar a géneros. O metal gótico trabalho do lendário
um gutural bruto e é um excelente exemplo guitarrista austríaco
poderoso e a guitarradas disso, tendo sido um filão Klaus Schubert, fiquei
pesadonas, quer nos ansioso para ver o que
a explorar cerca de vinte
riffs quer nos solos ali estava. Ele juntou
rasgantes. À primeira vista/audição, não é anos atrás e que depois uma linha de convidados impressionantes
algo de propriamente novo. Aliás, até vai na acabou por esmorecer. Os Her Despair são um neste lançamento, “Commander Of Pain”.
direcção contrária. Trata-se de um certo espírito dos que tais que remetem exactamente para esse Nomes como Don Airey, Jennifer Batten,
old school quer na música extrema quer até no momento no tempo (e para outros anteriores, já Ewald Sunny Pfleger, Gery Moder e muitos
metal mais tradicional, duas frentes que acabam que nos lembram também os The Sisters Of Mercy outros surgem ao longo deste disco
por jogar em conjugação. A banda francesa já por momentos) no entanto, numa altura em que executando músicas especificamente escritas
tem quase vinte anos de carreira mas a sua não sofremos dessa sobrexposição, é para nós para cada um dos vocalistas escolhidos. Jeff
carreira tem sido bastante discreta, pelo que fácil discernir da sua qualidade e este EP está com Scott Soto, Marc Storace, Mike Vescera, Walt
este compilação poderá ajudar a contrariar uma qualidade por tema bem acima da média. Stuefer, Dan McCafferty, Carl Sentence e
isso. Temos faixas ao vivo e alguns temas Produção bem poderosa em cinco temas catchy Doogie White são os mestres de cerimónia
extra, onde é revelada a nova formação que como tudo, até mesmo o mais épico e compassado e se por um lado há momentos bem
se encontra a trabalhar de momento no seu conseguidos, por outro ficam algumas faixas
"In The Arms Of A Sadist" que encerra o disco.
terceiro álbum de originais. Boas indicações, que deveriam ter sido repensadas, uma vez
esperemos pelo álbum. Recomendadíssimo. alguns deles, não tirando mérito a nenhum,
não encaixam na ideia musical criada.
[6.7/10] Fernando Ferreira [8.8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira
ICE NINE KILLS IGNIS INNER AXIS
“The Silver Scream” “Sic Transit Gloria Mundi” “We Live By The Steel”
Fearless Records Edição de Autor Fastball Music

Excelente premissa. É O black metal já deu Seguindo a tradição


este tipo de inteligência excelentes resultados da cena heavy metal
quando junto com o alemã, os Inner Axis,
que poderá fazer toda doom metal e este é um chegam-nos com “We
a diferença entre o excelente exemplo. O trio Live By The Steel”,
sucesso ou o passar ao russo Ignis consegue segundo álbum,
lado. Os Ice Nine Kills aliar aos tremolos lançado corria o ano
não são uma banda pickings habituais do de 2017, que nos faz
black metal com uma sonhar, cheio de hinos
que toquem o som melancolia muito própria do doom, tendo
que por defeito gostamos - havendo sempre heavy que podem deixar antever-lhes um
como base a repetição - que no caso do tema futuro brilhante. Vibrante, contagiante, muito
excepções, claro. No entanto, ao analisarmos título é usada até à exaustão. Apesar de épico, catchy nos seus refrões, basta ouvir logo
este trabalho e tentando calar as vozes que a sensação de que alguns dos pormenores “Blades Of Death” e ficamos ali com aquilo
dizem que estamos perante mais uma proposta rítmicos poderiam ser mais variados para que
o marasmo não se instalasse, mesmo a custo a passear na nossa mente de um lado para
de metalcore ou pós-hardcore, reparmos que de se perder um pouco do factor hipnótico. outro, mas as coisas não ficam por aqui
a ideia para este álbum é fantástica ainda que É um bom álbum, o segundo, curiosamente e acreditem que este disco é uma prova
não seja original. Temos um álbum temático com o mesmo nome do primeiro, que nos faz muito forte de que o hevay metal alemão
(em alternativa a ser conceptual) onde cada querer ouvir mais num futuro próximo sobre tem força, coragem e determinação! Tentem
eles. Atrairá todos os que gostam de black ouvir, deem-lhes uma oportunidade e não
tema representa um filme de terror. Temos metal depressivo. se vão arrepender!
assim "The American Nightmare" ("Pesadelo
em Elm Street", com direito a melodias
do tema original), "Thank God It's Friday" [8/10] Fernando Ferreira [9/10] Miguel Correia
("Sexta Feira 13"), "Stabbing In The Dark"
("Halloween"), "Savages" ("Massacre no Texas"),
"The Jig Is Up" ("Saw"), "A Grave Mistake"
IRREVERSIBLE MECHANISM ISKALD
("O Corvo"), "Rocking The Boat" ("Tubarão"), “Immersion” “Innhøstinga”
"Enjoy Your Slay" ("The Shining"), "Freak Blood Music Indie Recordings
Flag" ("Chucky"), "The World In My Hands" Bomba! É a conclusão Por muito que tente
(este é o único que não temos sequer uma óbvia depois de se desmistificar as so-
ideia de qual a inspiração), "Merry Axe-Mas" ouvir o segundo noridades negras que
("Silent Night, Deadly Night"), "Love Bites" álbum dos Irrever- chegam na Noruega
("Wolf",parece-nos) e "IT Is The End" ("It"). sible Mechanism. O - e nós somos os
Bem, musicalmente, sim, a coisa anda pelo nome poderá ser um primeiros a tentar
esquisito e revelador fazê-lo - existem
metalcore e pós-hardcore, mas está tão bem da complexidade da bandas e lançamentos
feito, as letras encaixam tão bem no conceito sua música, mas esta que vão directos ao
que arriscamos a dizer que este é um dos bate cá com uma força que até aceitamos ponto dessa mesma mística que nos deixam
melhores álbuns do género de 2018. Sim, um nome como "Pega Na Lancheira E Vai ter argumentos. Os Iskald são uma delas
é assim tão bom. Deu-nos até vontade de Levar O Almoço Ao Pai". Estes bielorussos definitivamente, conseguindo não só capturar
ir conferir o álbum anterior, inspirado sobre sabem exactamente os botões a tocar para aquela ambiência negra como dotando-a de
nos cativarem - juntar destreza técnica á um sentido melódico por demais cativante.
clássicos da literatura de horror. Ok, ok, a capacidade de brutalizar os seus instrumentos O duo esteve afastado durante quatro anos,
ideia não é original mas resulta tão bem... e ainda assim juntarem secções de exuberância mas este regresso até faz esquecer esse
ganharam mais um fã! progressiva capaz de levantar os pés do longo silêncio. Grandes malhas, grande
chão dos mais sensíveis a este tipo de som e uma ambiência fantástica. Seja da
coisa. Parece tão fácil como é realmente. Noruega, seja de onde for.
Um álbum impressionante, uma obra de
arte, simplesmente inesgotável.

[9/10] Fernando Ferreira [9.3/10] Fernando Ferreira [8.9/10] Fernando Ferreira 107
JACK13'S PANZERCROW KEN MODE KENÒS
“Nightmare Returns” “Loved” “Pest”
82 Records Season Of Mist My Kingdom Music
Não é muito comum Para quem não reparou, Somos um bocado
passarem por estas Kill Everyone Now Mode hipócritas. Muitas vezes
páginas trabalhos de é um nome mais que nos juntamos ao coro
horror punk mas ainda apropriado para a música que diz "os rótulos, esses
bem que quando passam caótica e barulhenta que malandros, usados pelos
é da qualidade deste a banda anda a fazer poderes vingentes das
"Nightmare Returns" há quase vinte anos. editoras e dos mass
que poderia até ser mais Lembram-se da barulheira
horror hardcore do que que os Nirvana faziam media (esses jornalistas,
propriamente punk pela no "In Utero" e de como escravos dos sistema)
forma como nos trazem melodias contagiantes essa barulheira tinha influências de outras bandas e que só servem para enganar e/ou para
e feitas para serem cantadas em conjunto com da cena alternativa que andava na luta há quase atrair o povo incauto. No entanto, assim que
uma multidão ávida por hinos. Para quem não uma década? Há muito disso aqui, desse caos, olhámos para o termo "Death Metal Progressivo",
sabe, Jack13 é o frontman dos Scarecrow e os dessa raiva, dessa irreverência, só por dizer que pensámos imediatamente "oba, oba, coisa boa".
Panzercrow são o seu projecto a solo, onde além aqui mais do que rock alternativo e noise, temos E efectivamente é uma coisa boa, embora o
do já mencionado feeling hardcore temos também metal, hardcore e noise misturados todos no rótulo nos tenha despistado um pouco, já que a
um pouco de ambiência movida a sintetizadores mesmo tacho. Não é um álbum fácil de ouvir (nem exuberância técnica da banda italiana é evidente.
que acaba por trazer a variedade necessária para mesmo na hipnótica e alucinante "The Illusion Of Se calhar o rótulo mais apropriado é mesmo
termos uma boa dinâmica. Interessante. Dignity" com aquele que parece ser um saxofone death metal técnico, mas o progressivo não fica
a acrescentar ainda mais loucura à coisa) mas longe da verdade. Apesar de deitarem álbuns
também não é fácil deixar de o ouvir. Voltamos cá para fora de forma irregular, a qualidade faz
a ele sem saber muito bem como ou porquê. com que aguardemos com expectativa como é
Por falar nisso, vamos lá para ais uma voltinha? com este "Pest". Recomendadíssimo.

[6.8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira

KING COMPANY KMFDM KORPIKLAANI


“Queen Of Hearts” “Live In The USSA” “Kulkija”
Frontiers Music Live In The USSA Nuclear Blast Records
Um novo nome que Confesso que os KMFDM Os Korpiklaani são
surgiu, também des- nunca foram uma sempre bandas
conhecia a existência banda que me tivesse
impressionado. De uma divisórias. Os fãs
desta banda e foi muito forma arrogante. Eu mal podem esperar
agradável este primeiro explico. Numa altura
contacto e logo com por música deles por
em que estava a abrir
“Queens Of Hearts”. Os os horizontes e sendo um saberem exactamente
finlandeses praticam bocado averso a música o que vão ter enquanto
um rock clássico e electrónica, quando entrei os jornalistas (na sua
aqui está um trabalho de muita qualidade por esse mundo, a porta de entrada foram os Ministry maioria) não sentem grande entusiasmo
e naturalmente a Frontiers não os deixou e nunca me dei ao trabalho de descobrir o que raio
os KMFDM. Por preguiça ou simplesmente por por saberem exactamente o que vão ter.
escapar do seu catálogo de bandas. “Queen preconceito. Como não há nada que dure muito Isto se não forem apreciadores de folk
Of Hearts” apresenta um conjunto de faixas, tempo, encarei com curiosidade esta missão de
onze ao todo, cheio de perfeitos riffs numa metal festivo. E este é o ponto transversal
analisar este trabalho ao vivo da seminal banda de
sonoridade cheia, poderosa, equilibrada e rock/metal industrial. E em boa hora o fiz porque a todos os álbuns da sua discografia. Esta é
grooves muito enérgicos e vocais fortes! este trabalho converteu-me oficialmente. Temas uma banda que é incapaz de ter momentos
São uma banda que vou passar a seguir e mais fortes, onde as guitarras surgem de forma assumidamente maus - embora a inspiração
perceber se o futuro confirma todas estas orgânica com alguns a apostar mais no groove, possa estar mais ou menos presente - e que
qualidades de composição, até porque, também depois disto fiquei oficialmente apresentado,
(mais de) vinte anos mais tarde do que o suposto, desde o início que assumiu que ia fazer algo
sou fan do género e pronto tenho algo mais
com que me entreter.
mas nunca é tarde para as coisas boas. Excelente e que vai sempre manter-se nessa matriz,
álbum ao vivo. ou seja, folk metal cantado em finlandês
[9/10] Miguel Correia [9/10] Fernando ferreira e é isso que temos aqui mais uma vez. E
podemos dizer que a banda está nos bons
momentos de inspiração embora tenhamos
que admitir que se calhar entusiasmaram-se
KRAKOW LA MORTE VIENE DALL SPAZIO
com essa mesma inspiração. Temos temas
“Minus” “Sky Over Giza” verdadeiramente épicos e diversificados
Karisma Records Bloodrock Records (como "Kallon Malja" de quase dez minutos)
Este "Minus" tem tudo O nome diz tudo não? A e uma duração total de mais de setenta
para ser considerado morte vem do espaço, minutos. Essa dinâmica é o que salva este
daqui a uns anos o melhor em italiano, aponta- trabalho de se torna aborrecido e mesmo
trabalho dos Krakow. nos para algo perto
Daqui uns anos porque assim não impede que se sinta um certo
provavelmente demorará do space rock mas o cansaço antes do mesmo chegar ao final.
a que se faça a digestão sentido aponta para Surpreendentemente exigente, portanto.
do mesmo. Praticamente algo cinematográfico
inclassificável, "Minus" e tendo em conta
não só é diverso no o impacto do som
espírito como a sua música, apesar de ter um viajante italiano como banda sonora de
inegável fio condutor, é para lá de dispersa. Este filmes de terror... confuso, não é? Bem se
ponto poderá ser visto como uma fraqueza mas calhar é mais fácil dizer que este álbum
é na verdade uma das suas maiores forças. O
risco de nos perdermos em temas como "From além do esperado space rock com uma
Fire From Stone" é real mas o encanto que os forte influência dos filmes de terror/ficção
mesmos emanam também. É complicado tentar ciêntifica italianos e, sobretudo, das suas
dissecar aquilo que nos desafia, principalmente bandas sonoras. O resultado é hipnótico.
quando ainda estamos a meio do processo - O nosso lado metálico nunca vai deixar de
principalmente quando sabemos que o processo querer distorção a rodos por todos os cantos
vai demorar algum (muito) tempo a ser finalizado. e esquinas, mas não há como meter defeitos
No entanto é uma viagem que recomendamos, nisto já que a viagem é longa e duradoura.
definitivamente.
Ah, e boa, claro. Do you wanna get a ride?
108 [8.5/10] Fernando Ferreira [8.6/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira
KRISIUN LACHRYMOSE LAST PHARAOH
“Scourge Of The Enthroned” “The Unseen” “The Mantle of Spiders”
Century Media Records Edição de Autor Pure Steel Records

Os Krisiun tornaram-se O metal gótico continua "The Mantle of Spiders"


uma daquelas bandas a atrair boas bandas é o disco de estreia
que ou se amava ou e bons lançamentos. dos norte americanos
(Hudson Valley –
se odiava. Criadores Como todas as modas, NY) Last Pharaoh
praticamente da o que realmente fica formados em 2014.
corrente do death após o filão esgotar Uma produção muito
metal mais brutal são mesmo as pedras bem conseguida
que assaltou o under- preciosas e podemos onde predomina a
ground no final da década de oitenta, uma considerar que a banda se inclui nesse lote. sonoridade do metal americano, com uma
espécie de Morbid Angel on speed, a banda Peso e extremo bom gosto nas melodias que composição de se lhe tirar o chapéu e que nos
leva por caminhos anteriormente pisado por
encontrou na primeira década do milénio fazem um equilíbrio. Para quem sente que bandas como Queensryche, Judas Priest ou
encontrou alguma diferença em relação à este é um género já esgotado, recomendamos Malmsteen. Apenas a apontar a necessidade
sua música. A sua música entrou por um urgentemente o EP "Unseen". É uma autêntica de um melhor desempenho vocal.
beco sem saída que fez com que a falta de lufada de ar fresco. Da voz de Elena Hel
dinâmica que já é esperada no seu som aos riffs fortes, não existem motivos para
se tornasse efectivamente um problema - dúvidas. Mais que recomendado.
algo que "Bloodshed" e "AssassiNation" de
certa forma confirmaram - para aqueles que
precisavam de algo mais. Nunca desarmando
da brutalidade, da velocidade e da técnica a
banda nunca arrepiou caminho mas aquela [8.8/10] Fernando Ferreira [9/10] Carlos Magalhães
que encontramos aqui em "Scourge Of The
Enthrone" é uma das mais inspiradas de
LEDDERPLAIN LIFESICK
sempre. Não, não temos nada de novo em “...The Ancient Tales Of Abaddon” “Swept In Black”
relação à fórmula da banda, apenas uma Edição de Autor Isolation Records
maior efectividade. Death metal bruto mas Do Peso da Régua chegam Já é sabida a veneração
que não tem medo de tirar o pé do acelerador os Ledderplain com o seu
da Southern Lord
ou até de imprimir groove à sua música, EP de estreia. A banda
apesar de jovem tem Records ao hardcore
tendo malhões como "Slay The Prophet" mais agreste, uma
uma sonoridade bem
como resultado. Se ouvir um disco de Krisiun tradicional, algo de louvar veneração que por
sempre se revelou uma tarefa exigente, essa ainda para mais quando vezes confunde os
exigência não se sente com este trabalho, surge com esta qualidade. aficcionados com
com grandes dinâmicas e temas que jogam Hard'n'heavy com grande propostas que não
muito bem entre si. Bomba! energia e capaz de provocar empolgamento para são propriamente dignas dessa atenção.
quem gosta de coisas old school. Nunca é demais
Curiosamente os Lifesick que se estrearam
dizer que faz falta bandas que conseguem criar
originais que mesmo com os seus lugares comuns pela influente editora, lançam agora este seu
não deixam de causar boas sensações. Espaço segundo álbum através da Isolation Records
para crescer e para fazer excelentes coisas como que não desilude para todos aqueles que
este EP. Bom começo. ficaram impressionados com a estreia. Bruto,
agreste, sujo, zangado, tudo adjectivos que
servem para que se tenha uma noção do que
temos aqui. Mais do que qualquer moda, esta
é música que qualquer fã de som cheio de
gravilha não ficará indiferente.
[9/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [8.4/10] Fernando Ferreira

LORDS OF THE TRIDENT Mortis e Master “Herc” Hercule Schlazeuger MADDER MORTEM
se juntam para ensaiar os seus amplificadores
“Shadows from the Past” “Marrow”
estão tao altos que até os Manowar já lá
Junko Johnson Records Dark Essence Records
foram bater à porta a pedir para baixarem
Quando recebi este os volumes. Caríssimos, o resto da viagem, Os Madder Mortem,
disco confesso que da última vez que nos
façam-na vocês, prometo que vai valer a visitaram, tanto em Lisboa
fiquei logo a pensar, pena! Este sétimo registo destes americanos como no Porto, deram
olha mais uns novos é composto por uma alucinante viagem por concertos de arrepiar
profetas que se propõe mesmo. Já tínhamos pre-
onze excecionais temas do mais puro metal sente a sua qualidade no
a espalhar o evangelho que tenho ouvido. Brilhante a todos os entanto, a forma como
segundo NWOBHM. O níveis, Shadows From the Past é um disco transportaram as suas
segundo pensamento indispensável em qualquer colecção. ALL músicas para cima do
foi, bonito só cá estão os temas e as letras, palco fez com que olhássemos para eles de uma
HAIL THE LORDS!! forma completamente diferente. Com essa passagem
nada de info da label sobre quem são e de ainda bem fresca na memória, "Marrow" tem um
onde vem… e lá fui eu cuscar quem são os impacto mais vívido do que teria normalmente.
Lords of the Trident, já completamente cheio Embora a categoria de metal progressivo continue
a ser aquela que mais se adequa, temos que admitir
de pré-conceitos desta ciência não exacta que há por aqui algo mais. Não diria desconhecido
que é a “review do disco”. Como sou um mas algo não tão claro e é esse algo que nos
gajo que prefere fontes a agua engarrafada conquista e transporta para outro lugar. Grande
segui directamente para o site da banda e lá parte desse algo é sem dúvida a emotividade da voz
de Agnete M. Kirkevaag, fantástica como sempre.
entrei neste mundo de lordes povoado por Diverso e dinâmico mas também exigente, este é
fantasmas do passado. Reza a lenda que um álbum que tem tudo para passar despercebido
quando os Lordes Fang VonWrathenstein, e conquistar-nos anos mais tarde. Porquê esperar
se podemos começar já?
Baron Taurean Helleshaar, Asian Metal, Pontifex
[10/10] Carlos Magalhães [8.6/10] Fernando Ferreira 109
MAGNÉTICA MANIAXE MANIMAL
“Homo Sapiens Brasiliensis” “Canticles Of Corruption” “Purgatorio”
Edição de Autor Hellfire Records AFM Records
O título do álbum é Thraaaaaaaaaaaaaaash! Os suecos Manimal,
brilhante. Por vezes Já tinha saudades do arrasam com
vemos com cada per- nosso grito de guerra, “Purgatorio”, o terceiro
principalmente quando ele do seu catálogo e acre-
sonagem ao nosso
surge quando há mesmos ditem, trata-se de um
redor que parece que sentimento para isso. E
é um ramo aparte (ou excelente disco, cheio de
com os australianos e fortes elementos power
perdido) da evolução Maniaxe sentimento
humana, pelo que o metal. O foco da banda
para soltar estes gritos
produziu uma quantidade de musicas que
impacto do título faz todo o sentido. Este de guerra não faltam mesmo. Um álbum de estreia
é sempre algo que revela duas coisas - limitações certamente irão ficar nos nossos ouvidos por
primeiro álbum da banda é fantástico. Sem muito e muito tempo, seguindo e respeitando
grandes expectativas e contemplações, temos e o talento em bruto. Em menor ou maior medida
é por estes dois impactos que um álbum faz a aquela que é a orientação musical. É um daqueles
malhas de rock musculado e poderoso e que disco que ouvimos e voltamos a faze-lo só pelo
diferença ou não. "Canticles Of Corruption" não
nos trazem um groove irresistível cantado demonstra limitações técnicas nem de composição gosto de “saborear” novamente cada segundo de
em português, que recomendamos que - a banda toca thrash metal bruto e duro, old audição. Espero que o reconhecimento da banda
se conheça. A banda entretanto, depois school - e o talento em bruto está mesmo aqui seja feito, porque a avaliar pelos lançamentos
do lançamento deste álbum, passou por todo. Claro que queremos ouvir mais, e que há os Manimal estão no caminho certo, pois a
mudanças no alinhamento e encontram-se muito por onde evoluir. Mas começar assim... é evolução musical é bem visível. É um disco
a trabalhar já no segundo álbum. Ficamos começar com uns bons metros de avanço! para desfrutar muitas vezes! Fantástico!
a aguardar.

[8/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia

MANTAR MATA MATTERHORN


“The Modern Art Of Setting Ablaze” “Atam” “Crass Cleansing”
Nuclear Blast Records Atypeek Music / Only Fucking Noise Iron Bonehead Productions
Os Mantar têm subido a Quatro faixas, ou melhor, Estreia muito inte-
pulso e muito por mérito quatro movimentos como ressante dos suiços
próprio. "Ode To The Fla- refere o comunicado Matterhorn que nos
me" foi um álbum para de imprensa, que nos trazem um death
muitos revelação (embora
tenha sido o segundo da trazem uma exuberância metal podre tal como
sua carreira) fruto também instrumental que só mandam as regras da
da sua exposição mais se equipara ao seu década de oitenta -
prolongada pela Nuclear experimentalismo, onde por falar em suiços,
Blast. Para quem pensava o noise e a ambiência há por aqui um óbvio
que a banda ia amansar - há sempre essa concepção electrónica estão de igual para igual. Apesar espírito Celtic Frost, principalmente através
das coisas - podem desenganar-se que este da voz de Morbid que tem muito de Tom G.
da divisão em quatro faixas, não deixa de ser
terceiro álbum (normalmente o tal) é uma bomba Warrior. E a banda não parece minimamente
de black metal cru (afinal estamos a falar de um complicado a divisão ou pelo menos o destacar de
duo e de "apenas" guitarra, bateria e voz) com um dos temas. Todos funcionam como um todo que preocupada com essas semelhanças. Também
groove e muito próximo da exposição ao punk e deverá ser apreciado de seguida. Sabemos que por vivemos num tempo em que o saudosismo
crust que outros duos já nos habituaram, como muito que tenhamos ficado impressionados com consegue passar por cima disso facilmente.
os Darkthrone. Não há no entanto por aqui cópias, este trabalho que dificilmente vamos pegar nele Para quem não gosta bem destas coisas de
porque os Mantar soam a si mesmo. Um álbum muitas vezes ou até quem gosta de sonoridades homenagens, ou é sensível a este tipo de
fantástico e surpreendente para aqueles que saudosismo, se calhar é melhor passar ao
nunca deram nada por eles. E agora, o que dão? mais tradicionais que vá ficar positivamente
impressionado. No entanto os mais aventureiros lado. Para os outros, sem dúvida que vão
poderão conferir que não vão ficar desiludidos. ficar nas sete quintas. Há razões para isso.

[9.2/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando ferreira [8/10] Fernando Ferreira

MAYA METAL ALLEGIANCE mais uma série de nomes mas mais que
isso, temas mais abertos e dinâmicos no
“Egophilia” “Volume II - Power Drunk Majesty”
seu conjunto. Não deixa de ser a impressão
Edição de Autor Nuclear Blast Records
que estamos perante uma manta de retalhos,
Novo álbum dos brasi- Rapaziada, lembram- agora ainda mais por termos mais heavy metal
leiros Maya é uma se daquela sensação pelo meio, mas tomara todas as mantas de
surpresa muito agradável. quando surgiu o
A banda não só apresenta
retalhos pudessem contar com nomes como
primeiro filme dos Blitz Ellsworth, Max Cavalera, Johan Hegg
um álbum conceptual
sobre o ego, tal como "Mercenários", em que ou um surpreendente Trevor Strnad dos
o próprio título indica, Sylvester Stallone sur- The Black Dahlia Murder ou a Floor Jansen
como nos traz o melhor gia junto a uma série pela forma como conseguem tornar temas
conjunto de música que de lendas do cinema de ainda mais viciantes - isto já sem falar da
alguma vez fez. Melhor e diverso. Temos rock acção da década de oitenta e noventa? Do participação de Joe Satriani e Andreas Kisser.
pesado, por vezes a beirar mesmo o hard rock, género "isto é mesmo possível?" Foi mais Inevitável para quem gosta de thrash e heavy
funk com arranjos a apontar noutras direcções ou menos a sensação que tivemos com a
mais díspares. E tudo isto aliado a grandes temas
metal. Inevitável e obrigatório!
materialização em disco do projecto Metal
que nos prendem ao longo de mais de setenta
minutos, onde também temos intros e interlúdios Allegiance, que juntava David Ellefson, Mike
a intercalar os temas. Apesar disto poderá cortar Portnoy e Alex Skolnick instigados por Mark
um pouco o ritmo da coisa, este é um álbum à Menghi, o nome menos marcante do quarteto
antiga (apesar de soar bastante moderno) em mas o grande visionário da coisa. Depois de
que, tal como um filme, é para ser apreciado do terem usado uma série de vocalistas de topo
início ao fim. E soa fantástico assim. no primeiro álbum, este segundo apresenta

110 [8.5/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira


MIA VITA VIOLENTA MIDNIGHT FORCE MOLOCH
“Grey Seas” “Dunsinane” “The Other Side”
Atypeek Music Iron Shield Records Via Nocturna

EP muito interessante Pela mão da Iron O outro lado, neste


por parte deste Shield e directamente caso, é composto por
quarteto parisiense, das terras de sua Ma- viagens ao passado.
que deambula entre Mas não é uma viagem
jestade, "Dunsinane" qualquer, vasta e
o pós-rock, o pós-metal
e, principalmente, o conta-nos uma historia genérica. É uma viagem
pós-hardcore, com de reis, dragões e que já estamos algo
um instrumental figuras míticas que habituados a fazer nos
algo hipnótico e, pomete nos levar numa últimos anos. Uma
até, invulgar, onde a linguagem do noise viagem pelos tempos idos do rei Macbeth, o viagem até ao imaginário dos filmes de
rock não lhe é estranha. Uma mistura que mais famoso daqueles lados, reza a história. terror da década de oitenta e às suas bandas-
poderá provocar algum déjà vú, mas que sonoras (principalmente do mestre John
não nos deixa uma noção desagradável. Decididamente uma viagem por bosques Carpenter, uma das influências assumidas
Pelo contrário. Muitos detalhes nos arranjos escoceses que pouco ou nada acrescenta. de Moloch, o músico por trás do projecto).
- nomeadamente na bateria - que fazem com Construções muito pobres e uma necessidade Este é um EP que se ouve muito bem mesmo
que nos percamos ou queiramos perder aos de soar vintage demasiado forçada fazem e ao qual voltaremos certamente no futuro,
poucos por estas excelentes paisagens que deste disco de estreia um tiro ao lado. há momentos aqui de futuro brilhantismo
nos são apresentadas. Por momentos parece como a épica (em feeling) "The End" que
que é instrumental, e mesmo quando surge cria automaticamente imagens na nossa
a voz, não deixamos de ter essa sensação. cabeça. Fantástico.
E isso é fantástico.

[8.7/10] Fernando Ferreira [4/10] Carlos Magalhães [9/10] Fernando Ferreira


MORBID MESSIAH MORTE INCANDESCENTE MOTÖR MILITIA
“Demoniac Paroxysm” “...Somos O Fogo Do Teu Inferno” “World In Flames”
Memento Mori War Art Productions Edição de Autor
O México não é aquela Poderá parecer estranho Os Motör Militia têm
super-potência de música aos que são estranhos honra de serem consi-
extrema que sobressaia ao underground ver derados uma das
perante outros países uma banda que já tem primeiras bandas de
da América Latina, mas quatro álbuns lançados, thrash metal do Golfo
sem dúvida que o seu decidir lançar uma demo. Árabe e Médio Oriente
underground está cheio Provavelmente não sabem a gravar e lançar um
de coisas boas como é o que existe um certo disco, além de ser a
caso dos Morbid Messiah encanto especial numa primeira em vinte anos
que nos trazem death metal primitivo e bem demo, seja lançada em cassete ou em vinil. A War (e a segunda na generalidade) do seu próprio
agreste. Sem grande preciosismos, este é um Arts Productions disponibiliza assim estes quatro país a fazê-lo. A banda é originária do Bahrein,
ataque unidimensional que todos os aficionados temas que apresentam o black metal compassado um destino que se compreende que não seja
de death metal vão sentir uma certa atracção. e bem cru do duo português e que continua a ter propriamente amigável ao género, com a
Não nos deixa, no entanto, de deixar a impressão hoje em dia aquele encanto muito próprio tal como repressão que existe por parte da monarquia
que é um lançamento puro underground e que desde a primeira vez que os ouvimos, quinze anos (sunita) sobre os xiitas. Ainda assim os Motör
não tem capacidade para ir mais além disso. Não atrás. A diferença é que a coisa agora está bem Militia conseguiram lançar três álbuns de
creio também que isso seja um problema muito mais refinida e é bem viciante. Provem. originais, sendo que este apropriadamente
grande para eles. intitulado "World In Flames" é o terceiro. Thrash
metal furioso e curiosamente tradicional na parte
instrumental com solos em profusão. Políticas
e religiões aparte, este é um grande som!
[6.9/10] Fernando Ferreira [8.2/10] Fernando Ferreira [8.6/10] Fernando Ferreira

MUTILATED BY ZOMBIES NABERUS NECRO


“Scripts Of Anguish” “Hollow” “No Mercy For Motherfuckers”
Redefining Darkness Records Eclipse Records Edição de Autor
Diz a Redefining Dark- Regresso dos nossos Necro é essencial-
ness Records que os velhos conhecidos mente uma one-man
Mutilated By Zombies australianos, Naberus. band, de Piotr Sobaszek
saem um pouco fora Os Naberus são uma (ex-Necrophobic e
daquelas excepções
do seu foco de death que fazem com que Soul Collector) com
metal habitual mas que passemos por cima a ajuda do vocalista
a sua qualidade é óbvia dos lugares comuns Bartek Płaszewski.
que os fez ignorar esse que empregam na sua Tendo começado
pequeno detalhe. Tendo em conta o som música. Isso será talvez pelo facto por haver apenas em 2017, o projecto tem estado
bruto e até de certa forma tradicional que também muito de death metal melódico na bastante activo, com uma demo lançada no
sua música. Este trabalho, não sabendo
nos chega, não é difícil perceber o porquê. se devo contar como segundo ou terceiro ano passado e esta a ser já a segunda, tendo
Apesar do modernismo presente na produção, álbum já que o anterior lançamento "The Lost também já lançado um álbum de estreia
onde todos os instrumentos são muitíssimo Reveries" foi uma espécie de complomento no ano passado. O seu thrash é assente (e
bem tratados, o pedigree da banda não deixa ao álbum de 2013. De qualquer forma, bem assente) no groove, não tendo grandes
de ser old school e com capacidade para este álbum surge com grande garra e com adornos instrumentais mas ainda assim
sobreviver no teste do tempo. Aficionados grandes melodias que conseguem cativar não deixa de conseguir obter interessantes
do death metal, está aqui uma banda a sem grandes problemas. Melodias como resultados. Curiosos para ouvir mais.
a de "Shadows" ou tema título. Um bom
acompanhar. regresso, recomendado para quem gosta
de coisas mais tradicionais.

[8.4/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira [6.8/10] Fernando Ferreira 111
NEEK NICK OLIVERI ONKEL TOM
“Words I Shouldn't Have” “N.O. Hits At All Vol. 5” “Bier Ernst”
Mateo Sound Heavy Psych Sounds Records Steamhammer/SPV
O trip hop é um bicho Ainda há pouco tem- Às vezes a vida dá voltas
estranho. Principalmente po falámos de Nick engraçadas. Quando tu
tens uma banda, que
para quem tem aço a Oliveri a propósito do por acaso até é uma
correr nas veias. No en- quarto volume e aqui das mais influentes de
tanto, volta e meia, o aço é está o quinto. Verdade todo um género, e depois
consegues ter sucesso (o
receptivo a receber estes seja dita, não ficamos sucesso que nunca tiveste
desvios. Este poderá muito impressionados com essa tua banda) com
ser potencialmente um anteriormente, quer um projecto paralelo feito
desses caso, no entanto muito dependerá pela pluridade de estilos que torna a coisa para a brincadeira, é coisa para te poder irritar.
Bem, neste caso a banda é Sodom e o projecto que
da disposição. Depois de um dia de trabalho algo dispersa quer pela qualidade das músicas depois ganhou cada vez mais importância é Onkel
e para desligar o cérebro, estas batidas e em si. Com um feeling punk de rock garagem Tom, ao qual confesso que nunca achei grande
ambiências electrónicas aliadas a uma voz numas, noutras mais acústica, mas sempre piada, principalmente por cantarem exclusivamente
em alemão. Provavelmente a minha reacção
com alguns efeitos poderá ser precisamente com aquela raça que lhe é característica. é semelhante a um alemão a ouvir os nossos
aquilo que precisamos para relaxar até ao Consta que este é o volume final - coisa para Comme Restus: as piadas passam todas ao
país dos sonhos. No entanto, como contra- vinte minutos - o que nos daria a sensação lado. No entanto, musicalmente a coisa soa bem,
indicações, recomendamos cautela porque o que se calhar o melhor era mesmo juntar bem melhor daquilo que me lembrava. Não vou
exagerar e dizer que este é um álbum que me
resultado poderá ser precisamente o inverso. todos os volumes de forma a ter algo mais vai ficar na memória ou que é um dos trabalhos
sólido. De outra forma soa um pouco coxo. do ano mas é bem melhor do que o esperado.
Merece louvor por isso.

[7/10] Fernando Ferreira [6.7/10] Fernando Ferreira [7.5/10] Fernando Ferreira

OUR MIRAGE OWL COMPANY PELAGOS


“Lifeline” “Iris” “Revolve”
Arising Empire Eclipse Records Svart Records
Consta que estes E que tal esquecermos Desconfiávamos que
alemães têm estado todas as confusões os Pelagos eram
a fazer bastante do mundo? Que tal nórdicos, não tinhamos
sucesso com a sua esquecermos todas as bem a certeza, mas
confusões que temos toda esta atmosfera e
sonoridade que tem na vida? Que tal até virtuosismo (sem ser
tanto de metalcore esquecermos todas as propriamente explícito,
como de post-hardcore tendências musicais, não pelo menos da
ou hardcore melódico. rótulos e modas que por maneira que estão a
Depois de ouvir esta estreia, não é difícil aí andam? É esta a pergunta que "Iris" coloca. pensar) só poderia vir das neves. E assim
perceber isso. Grandes melodias, contagiantes Rock ou metal alternativo, ou simplesmente rock é, os Pelagos são finlandeses. Uma banda
ou metal, não interessa porque estas músicas composta por ex-membros dos Circle (aquela
e fáceis de levar para casa, dentro da cabeça. banda finlandesa amalucada que todos amam)
instalam-se sem grande dificuldade e não temos
Claro que nos intervalos das músicas, quando que trazem um som mais apoiado nos
qualquer problema em obedecer. Em muitos
o silência impera, vamos pensando que se aspectos é um regresso ao passado, noutros é sintetizadores e no factor hipnótico dos pós-
calhar já ouvimos coisas como estas muitas um piscar de olho ao som moderno. Não interessa qualquer-coisa do que propriamente algo
vezes no passado. Até no presente. Ainda realmente quando ficamos a cantarolar todas próximo do metal. Ainda assim, isto não é
assim, não há como negar a capacidade as músicas sem grande dificuldade. Refrães um defeito, é feitio que depressa ficamos
de escrever bons temas e de arranjar bons peganhentos, boas guitarradas e um suspiro em fã. Um álbum fantástico e hipnótico que não
forma de "a vida é boa". temos como não ficar fascinados.
ganchos. Duvidamos que a coisa perdure
no tempo mas isso já são outros tantos.
[7/10] Fernando Ferreira [8.4/10] Fernando ferreira [8/10] Fernando Ferreira

PIAH MATER PRAERY PRAISE THE PLAGUE


“The Wandering Daughter” “Praery Majesty” “Antagonist”
Code666 Records Praery Records Black Omega
Opeth! Se calhar é mau EP de estreia dos Nada como termos uma
iniciar uma crítica desta estreia que nos deixa logo
Praery que tocam punk desorientados. O primeiro
forma a um trabalho de
uma banda que não é rock clássico. Clássico "susto" foi pensar que se
Opeth. Mas temos que não de uma forma Sex tratava de uma banda que já
ser honestos, foi a pri- tinha vinte EPs, trinta splits
Pistols mas clássico e quatro álbuns lançados.
meira coisa que nos
ocorreu conforme fomos numa maneira que nos O segundo foi... bem, não
faz lembrar algo mais houve segundo susto a
mergulhando neste não ser aquela coisa parva
segundo álbum. Poderá pós-punk, new wave humana de nunca estar satisfeito e de sempre querer
ser encarado de duas formas. Negativamente porque ou que nos aponta para algo mais folk. Esta mais, algo que se manifesta sobretudo nos jornalistas,
afinal é o trabalho de outra banda e não deverá ser principalmente quando o disco chega ao final. Neste
o objectivo dos Piah Mater soar como terceiros. deve ser a descrição mais parva que poderia caso, voltamos à velha questão do tempo e formato.
Positivo porque é Opeth! E estamos a falar de Opeth arranjar mas é o que temos. Mesmo a soar a Será que ter um álbum com apenas seis músicas
antigo, daquele que muitos já têm saudade, com algo nostálgico e retro, o resultado não deixa em menos de meia hora é mesmo um álbum? Bem,
guturais à bruta. Embora sempre tenhamos em vamos dizer que sim para não engonhar muito. Este
atenção o quesito fa originalidade, para nós é mais de ser bom e interessante para voltarmos álbum é do carvalhão. Quando ouvimos um termo
importante o impacto que a música tem em nós e de vez e quando. Curiosos para ver onde é como blackened doom metal, pensamos sempre "ou é
seria preguiçoso da nossa parte concluir que não black ou é doom", e são raras as vezes em que somos
que a coisa vai dar. contrariados. Neste caso somo mas felizmente não de
existe aqui uma personalidade própria por parte
dos Piah Mater, mesmo que este seja apenas o uma forma previsível. "Antaognist" é criminosamente
seu segundo trabalho. Grandes malhas (em todos curto e isso talvez até afecte a nossa avaliação (sim,
eu sei, temos sempre o poder de botar a rodar outra
os sentidos) e uma qualidade fantástica na forma vez) mas deixa excelentes indicações para o futuro.
como exploram o seu death metal progressivo.
112 [8.6/10] Fernando Ferreira [6.6/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira
R.I.V. REBELHOT RIBSPREADER
“Prog-Core” “Uncomfortableness” “The Van Murders - Part 2”
Edição de Autor Metalapolis Xtreem Music

Álbum de regresso Excelenete boa onda Rogga Johansson strikes


dos brasileiros R.I.V. back! Já tínhamos sauda-
que este quarteto des de ouvir bom e velho
(Rhythms In Violence) italiano nos trouxe. Que death metal sueco mes-
que, segundo consta, nos traz a cada audição. mo que no caso dos
tiveram duas décadas Ribspreader seja metade
parados. O som deste Rock clássico (daquele
sueco, metade norte-
trabalho não denota que nos remonta para a americano, embora o
essa paragem embora década de setenta, que ADN que se sobrepõe
possamos sentir que até podemos dizer que é mesmo o sueco. Já
há por aqui aquele ar meio,se me perdoam acusámos antes o amigo Rogga de ter tantos
é retro mas que soa sem dúvida fresco) que projectos semelhantes entre si e de ser difícil
o paradoxo, retro-futurista que algumas se torna viral logo à faixa de abertura "How Is distinguir uns dos outros. Não vamos dizer que
entidades no final da década de noventa os Ribspreader são imunes a isso - que não são -
tinham, como os Misery Loves Company, onde Elvis" ou mesmo na "Wheeler Dealer". Groove
fantástico onde o blues e o rock têm igual mas o que também não podemos dizer é que este
juntavam a força do metal mais encorpado e é um mau lançamento - que não é. Temos death
com um feeling mais industrial. É tipo isso importância. Será complicado um trabalho metal de grande qualidade, sem grandes cuidados
mas sem o feeling industrial. É um álbum destes ter sucesso fora do seu nicho e isso mas ainda assim demonstrativo de exccelente
poderoso, com boa energia que só peca por é verdadeiramente uma pena porque musica técnica por parte do trio (principalmente Taylor
alguma falta de dinâmica. Interessante, todavia. Nordberg na guitarra solo). Consegue cativar sem
desta deveria passar na rádio non stop. grandes expectativas e dificuldades, algo que
muitos andam por aí a tentar fazer sem sucesso.

[6.5/10] Fernando Ferreira [4/10] Carlos Magalhães [8/10] Fernando Ferreira


RICHTHAMMER SATAN SECT PIG
“Ascheland” “Cruel Magic” “Crooked Backs”
Studio Hundert Records Metal Blade Records Nuclear War Now! Productions
Sem ser propriamente Há coisa que não mudam Os samples iniciais (e
um dos nomes mais e ainda bem. Os Satan todos aqueles que servem
fortes do underground são um caso exemplar de de interlúdio a cada tema)
austríaco, vemos muito lealdade sonora aos seus deste "Crooked Backs"
neste segundo trabalho fãs que dura há mais de poderão assustar pela
de originais que permita 35 anos! Com algumas forma como assentam na
filosofia da pureza genética
aos Richthammer chegar paragens e até incertezas e aperfeiçoamento do ser
a uma posição de maior pelo caminho a reunião da humano tal como é feito
destaque no futuro. A banda foi das melhores com os animais - uma
banda vai buscar muito do espírito clássico do coisas que poderia ter acontecido e “Cruel Magic” ideia bastante querida em facções mais ultra-
death metal e junta-lhe um agradável espírito a par de outros lançamentos só vem dar força ao radicais da política. Uma questão que levantam
de metal tradicional - presente sobretudo na caminho da banda britânica. São um exemplo outras não tão agradáveis de debater, algo que até
faz sentido porque a música dos Sect Pig é tudo
guitarra solo que é frenética em debitar inspirados para outros nomes. Lutam pelo que acreditam e menos agradável. Até mesmo para quem gosta
solos. Bem desenvoltos tecnicamente e com uma a forma determinada que se sente ao ouvir cada de música extrema, a produção é podre - sim, os
capacidade agradável para tratar bem o estilo, disco é algo transcendente.“Cruel Magic” é Satan, Sect Pig têm o que parece ser um porco a grunhir
os Richthammer cativam por fazerem o que se é heavy e é uma superação musical única! - há uma sensação de descoordenação constante
propõem - tocar death metal - e por irem um entre as melodias de fundo e a secção rítmica e o
pouco mais além. Boa surpresa. desconforto prolonga-se ao longo de toda a sua
direcção. Não ficámos fãs, sinceramente, já que
embora esta seja uma forma válida de deitar cá
para fora a música extrema, na nossa opinião,
não é a mais eficaz.
[8.2/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia [4/10] Fernando Ferreira

SEND REQUEST SET AND SETTING SOLILOQUIUM


“Perspectives” “Tabula Rassa” “Contemplations”
Sharptone Records Pelagic Records Transcending Records
Punkeka. Poderá ser É já lendário (talvez não Os Soliloqium fazem
um termo depreciativo mas é bom também aquele doom/death
- inicialmente usámos exagerar, o nosso metal tal como
com esse intuito - mas a ego também precisa gostamos. Pesadão,
de alimento) o nosso
verdade é que é a melhor gosto pela música lento, opressivo
representação que instrumental, pelo emocionalmente ainda
temos para identificar que um novo álbum que com bastante
aquelas bandas que por parte dos Set melodia que se mantém
juntam os riffs e melodias do punk com uma And Setting é logo motivo para ficarmos mesmo quando o ritmo é um pouco mais
estética mais comercial. O tipo punk norte- interessados. Normalmente com algumas uptempo. Uma série de paradoxos que
entidades passamos por cima dos lugares
americano que fez furor no final da década comuns, porque damos mais importância à resultam na perfeição e que, fazendo um
de noventa nos filmes para adolescentes e forma como a música nos toca. Neste caso pouco de futurologia, vai fazer com que
que ajudou a popularizar um género que há nem é necessário isso, porque eles tratam de este trabalho eleve a banda umas posições
partida não era bem amigável do ouvido. torná-la bem interessante e dinâmica. Temos mais acima na sua cotação. Extremamente
Temos boas melodias, temos grandes riffs e aquela vertente mais ambiental e próxima conseguido, principalmente na forma como
palavras de ordem (algumas até com algum do pós rock, como o peso mais visceral conjugam a melodia de um tema singelo
conteúdo de crítica social) e um álbum bem que chega a aproximar do metal. E resulta, como "22" com a o peso bruto de outro
resulta de forma perfeira. Excelente álbum!
agradável, isto se não tivermos preconceitos como "Unfulfilling Prophecy".
contra este tipo de coisa.

[8/10] Fernando Ferreira [8.8/10] Fernando Ferreira [8.8/10] Fernando Ferreira113


SON OF HAWK SOULFLY STONED JESUS
“Son Of Hawk” “N.O. Hits At All Vol. 5” “Pilgrims”
Edição de Autor Heavy Psych Sounds Records Napalm Records
Grande groove que Grande, enorme, sem Os Stoned Jesus
palavras sei lá... nem sei assumem-se como um
os Son Of Hawk nos o que dizer deste excelente dos nomes de destaque da
trazem com este álbum trabalho dos Soulfly. Ya, cena stoner vinda de leste.
auto-intitulado de es- pode até estar agora alguém Os Ucranianos prestes
a ler isto e a pensar, este a atingir uma década de
treia. Temos um rock gajo exagera... na boa, eu carreira nunca tinham
descomprometido, elevei a minha alma com
estado tanto tempo sem
sem qualquer preten- este “Ritual” e na verdade os
verdadeiros fãs da banda e lançar nada original. Com
são de estar na moda, do trabalho de Max Cavalera não vão ficar defraudados. o álbum anterior a datar de
mas o resultado é tão bom que não nos Falando do disco a intro conta com a presença da 2016, havia alguma expectativa para este "Pilgrims",
tribo Navajo em algo mesmo arrepiante de se ouvir, expectativa que poderá não ser correspondida.
admiramos que isto se torne moda. Riffs de se sentir, é um estilo que anda de mãos dadas Não que é que a qualidade tenha diminuído,
cativantes onde o groove é uma constante com Max desde o tempo dos Sepultura, a utilização apenas mudou de forma. Menos directos, mais
mas mesmo assim escapa de forma fantástica de ritmos tribais que nos deixam logo a abanar e que cerebrais e apostados em criar grooves, os Stoned
logo dispara para uma alucinante viagem rítmica cheia Jesus descaiem para aquela sua parte do som
aos lugares comuns daquilo que entendemos de Groove, pesada, suja por vezes e com refrões bem que está mais próxima do rock alternativo (ou
hoje em dia como groove ou das imagens catchy... Não costumo fazer referências a faixas, só grunge, como preferirem) muito em voga no
que o termo provoca. Rock visceral, sujo, muito esporadicamente o faço, mas aqui surgem final da década de oitenta e início da de noventa.
dois temas algo foram do contexto do disco, mas Continua a ser pesado, barulhento mas também
rouco mas ao mesmo tempo com um olho não daquilo que são os Soulfly...”Feedback” algo “a la perde algum peso e poderá perder alguns ouvintes
atento às melodias infalíveis. Uma grande Motörhead” e que na realidade é dedicada a Lemmy enquanto estes esperam serem agarrados pelos
e a ultima faixa “Soulfly XI” algo mais descontraído e
surpresa. sim, aqui podemos respirar um pouco do caos mental ouvidos. Acabam por soar mais aborrecidos do
que esperávamos e certamente do que aquilo que
que “Ritual” nos faz sentir! Obrigado Max Cavalera... a própria banda desejaria...
[8.5/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia [6/10] Fernando Ferreira

STRATOVARIUS SUBTYPE ZERO SUPERSUCKERS


“Enigma: Intermission II” “The Astral Awakening” “Suck It”
earMusic Seeing Red Records Steamhammer/SPV
Parece que toda uma vida Thraaaaaaaaaaash! Aaah, Não conhecem? Bem
passou desde que o primeiro já tinha saudades destes os Supersuckers já
"Intermission" foi lançado. gritos de guerra. Poderão
Não tanto uma vida mas têm trinta anos de
aqueles que se queixam rock'n'roll, andando
na realidade dezassete em como thrash pode
anos. Os Stratovarius que ter a tentação de andar pelos campos do rock
se apresentam aqui são sempre a bater na mesma mesmo numa altura
uma banda bem diferente. em que este andou
"Intermission" foi lançado tecla, mas thrash que é
na ressaca de "Inifinite" e thrash tem que soar a pelas ruas da amargura
foi uma forma de entreter os fãs enquanto "Elements" thrash senão já não é (ou seja quando em
não chegava, esse que acabou por ser o trabalho que thrash, é outra coisa qualquer. Principalmente termos comerciais foi substituido por outros
viria a condenar a banda. Revolução de membros, saídas estes norte-americanos que apesar de andarem géneros mais... "modernos). Agora, com
e entradas e dezassete anos depois os Stratovarius um pouco na fronteira do crossover e o death "Suck It" chegam ao seu décimo segundo
encontram-se longe da popularidade que tinham na metal, mas num género mais americanizado
altura mas podemos dizer seguramente que nunca se (óbvio) em vez de algo próximo dos melhores álbum e não só nos trazem aquele cheirinho
mostraram tão sólidos e focados. O resultado dessa momentos dos The Haunted, que é sempre uma a southern rock, com a voz bem rouca de
conclusão é a amostra que temos aqui de novos temas, referência neste campo. O resultado é viciante Eddie Spaghetti - não conseguiríamos ouvir
faixas raras e novas versões. Timo Kotipelto continua a e faz lembrar muitos dos momentos clássicos um tema como "Breaking My Balls" se fosse
ter aquela voz marcante e Jens Johansson continua a ser do thrash metal norte-americano, de Slayer a cantado por outra pessoa qualquer - a dar
senhor dos ambientes atmosféricos e para quem chegou Testament, sem ser propriamente uma cópia
agora, temos uma secção rítmica bem sólida e onde o o mote desta banda que mesmo não sendo
de qualquer um destes ou de outro qualquer. a mais famosa do mundo, sem dúvida que
guitarrista Matias Kupiainen tanto se insere nos riffs Um álbum de estreia muito bom que nos deixa
como se destaca nos leads. Para quem andou afastado
esperança para o futuro do género.
faz música memorável. E continua a fazê-la.
da banda durante todos estes anos, podemos dizer com
toda a certeza, é seguro voltar. Está melhor que nunca!
[8/10] Fernando Ferreira [8.9/10] Fernando ferreira [8/10] Fernando Ferreira

TANTARA TASTE THE CROTALS


“Sum Of Forces” “Moral Decay” “Horde”
Indie Recordings AOR Heaven Tenacity Music
Thraaaaaaaaaash! Yeah, Mais uma sonoridade AOR Se o sludge pode
que sonzorro! Não só os e melodic rock, mais um chatear por ser algo
Tantara são norugueses momento alto de audição
e se a principio ainda limitado em termos de
como também nos torci ligeiramente o nariz,
trazem um thrash dinâmica, quando se
depressa me entreguei
metal bem viciante. a “Moral Decay” dos junta a outras sono-
Este segundo álbum suecos Taste, terra de boas ridades ou quando
demorou seis anos a aventuras sonoras. Vamos consegue transmitir
parir mas valeu bem a aqui e ali, numa força de
pena, já que combina na perfeição aquilo que expressão, percebendo que o auge da década de 80 várias emoções para
para nós são os valores da velha escola como neste género musical está a voltar lentamente com além daquelas esperadas com um trabalho
novos nomes, com fantásticos trabalhos, basta manter
também lhe injecta um pouco da brutalidade os sonhos vivos e eles surgem e falo assim porque sludge, então é porque temos algo mesmo
contemporânea. Ligeiramente mais técnico e é um dos géneros rockeiros, por assim dizer, que especial. Com um novo vocalista que de
complexo, é um factor que não afasta os que mais aprecio, gosto de uma boa melodia, de uma boa certa forma ajuda nesta diversividade -
gostam do seu thrash metal mais directo. Claro textura musical, onde as vozes e tudo o mais soam
que poderia ter mais uma faixa ou outra (tem magistralmente e claro sentir nos devidos espaços a apesar de ter uma abordagem vocal não
apenas seis temas), mas não deixa de ser um técnica musical de cada um dos integrantes de uma muito dispersa, acaba por transmitir várias
álbum com o espírito à antiga. E eficácia. Que banda, com solos e secções rítmicas fortes! Quase emoções. E emoção e a transmissão da
vício! Até mesmo o épico instrumental "White que descrevi este disco, mas felizmente que os
Taste retomaram o caminho de volta e em boa hora mesma é mesmo o ponto forte deste trabalho
Noise", com mais de dez minutos, é um mimo o fizeram. Há por aqui muita musica que vai deleitar que nos leva para paragens inesperadas e
para ouvir vezes sem conta. os fans não só da banda com deste género musical!
bem dinâmicas.

114 [9.3/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia [8.3/10] Fernando Ferreira
THE DEVILS THE GHOST AND THE MACHINE THE RADIO SUN
“We Are The Devils” “Red Rain Tires” “Beautiful Strange”
Sangue Frio Records Noise Appeal Records Pride & Joy Music

Fantástica estreia, esta E agora algo completa- Os australianos The


dos brasileiros The mente diferente? O co- Radio Sun, pelo que
Devils. Hard'n'heavy municado de imprensa percebi, tem lançado
bem pesado e tradi- diz-nos que os The um álbum por ano!!!
cional que nos con- Ghost And The Machine Sim, isso mesmo. Não
quista logo à primeira. tocam post-blues. Não é caso único, é certo,
E quando dizemos sei exactamente o que mas arranjar para
isto não é dizer que é suposto soar uma inspiração para isso,
o trabalho não tem banda ou música post- convém, não é fácil.
qualquer falha e é perfeito. Nada disso. blues mas o que sei é que isto soa muito Aqui, “Beautiful Strange” é composto por
Existem muitos pontos a melhorar mas bem. Melancólico e melódico, sem dúvida doze faixas cheias de harmonias de rock
sendo um trabalho de estreia - que têm o que é um daqueles trabalhos que sabe muito melódicas, grandes solos, que na
dom de mostrar a banda na sua essência, bem ouvir quando se sente que não se tem minha opinião, não sendo de deixar de boca
para o bem e para o mal - temos um vontade nem para levantar um braço. Boa aberta, conseguem prender-nos facilmente
resultado excelente. As coisas que temos onda, e boa música, onde a melodia é o durante toda a audição afastando a tentação
a apontar são mínimas, referentes ao som, fio condutor para um relaxamento sonoro de saltar para a faixa seguinte. Não conheço
minhoquices. O importante está cá, o amor graças ao seu groove meio country que mais deles, gostei e aconselho, mas sinto
à música pesada. Se fosse só por isso, esta chega no momento certo, quando sentimos que falta aqui alguma energia global, talvez
seria já uma das maiores bandas do Brasil. que estamos à beira do abismo. Este tipo de pela produção, não sei... Claro que deixo o
De salientar a homenagem a Cliff Burton na coisa permite-nos cair para trás e não para forte conselho de fãs do género agarrem
"Skullring / To Cliff". a frente, para o abismo. este disco, para outros mais exigentes,
talvez não chegue lá!
[8.3/10] Fernando Ferreira [8.4/10] Fernando Ferreira [7/10] Miguel Correia
THE SKULL THE UNITY TNT
“The Endless Road Turns” “Rise” “XIII”
Tee Pee Records Steamhammer/SPV Frontiers Music
Os The Skull poderão ser Wow, mais um grande TNT, um dos grandes
um nome desconhecido lançamento neste ano de
para muitos mas quem for nomes do Glam Metal
2018. Todos já conhecem
fã e acompanhar a cena este projeto The Unity e da década de 80 e
doom metal, certamente velhos tempos, onde
reconhecerá este como naturalmente o primeiro
nova banda de Eric disco foi um sucesso e tudo brilhava, onde
Wagner e Ron Holzner com toda a certeza este todos os géneros de
depois de terem saído dos também o irá ser. E algo metal eram ouro para
Trouble, contando ainda deste género só pode os nossos ouvidos,
com membros de bandas como Sacred Dawn, acontecer quando os integrantes são profissionais
Cathedral e Witch Mountain, dos quais falamos naturalmente todos nós fomos desenvolvendo
de craveira, com toda a experiencia e acima de
também nesta edição. É o regresso de Eric Wagner os nossos gostos eu, fiquei por uma onda
a um som mais doom, depois das experiências tudo tem bem definido o caminho a seguir. “Rise”
é uma pérola, mais uma, cheia de melodias muito genérica, gostava e gosto de tudo
mais psicadélicas dos Trouble e é muito bom ouvir
a voz neste contexto mais clássico principalmente bem estruturadas, catchy, e onde tudo combina o que tenha qualidade e nesta fase em
quando nos traz música tão boa. Boa? Excelente, na perfeição. O disco tem grandes momentos que analiso de forma sumária discos que
doom metal que tem tudo para ser vício absoluto. musicais e num todo forma aquilo que eu gosto me chegam para tal, sinto acima de tudo
Poderemos encarar que estes são uns Trouble de ouvir. Não há mais argumentos “The Rise” é respeito pelo trabalho e mesmo que não
requentados (o próprio nome surge a partir do
segundo álbum da banda norte-americana) mas, o álbum gravado pelos verdadeiros mestres do me identifique não é caso para desancar...
blasfémias aparte, os Trouble nunca nos soaram hard rock e metal melódico. Nem sei que avaliação bem podem pensar e o que nós temos a ver
assim tão urgentes. lhe vou...atribuir!
com isso? Ya, verdade, nada, mas acima
de tudo que sirva para trazer aqui uma
[9.1/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia opinião sobre esta banda que me marcou
nessa época, não só a mim, mas, também,
a alguns dos amigos da minha geração...
TRAUTONIST ULTHA Falar de “XIII” dos TNT obriga a dizer tudo
“Ember” “The Inextricable Wandering” o que disse, porque comecei por dizer que
Wolves And Vibrancy Records Century Media Records foi uma banda que marcou, mas agora
Muito ódio o pós-black Por muito que sejamos fiquei algo desapontado com este disco. Os
metal levantou. E de fãs e tenhamos um noruegueses que recentemente celebraram
uma cera forma até carinho especial pelo o 30º aniversário de “Tell No Tales”, o tal
percebemos, afinal o black underground, quando
metal na sua essência uma editora como que me fez ficar wow estão longe da linha
é algo feio, hermético, a Century Media que os catapultou para a fama. Novamente
obscuro e o que o pós- pega numa banda, as sem Tony Harnell, este trabalho traz novos
black metal lhe trouxe atenções voltam-se nomes à banda, caso de Baol Bardot Bulsara,
foi muita luz e abertura. automaticamente. E
Não estamos a julgar até é o que vai acontecer voz e do baixista Ove Husemoen e mesmo
porque encaramos as coisas de forma bastante provavelmente com os Ultha que já muitas boas fora grande parte das composições tem o
separada. O pós-black metal apenas pega em indicações têm deixado no underground nos últimos seu cunho! Já vai longa a review e pouco
alguma da sua estética sonora e usa-a noutros três anos. Também é sintomático os comentários
contextos, que resultam em música igualmente (ou até pensamentos) de que quando uma banda falei do disco, mas pronto, lá vai, há aqui
válida, independentemente da opinião generalizada dá este tipo de passo que se vendeu de alguma alguns momentos algo interessantes, bons
ou restrita das pessoas. Seja como for, este segundo forma. O que temos a dizer a isto é que não só solos, algumas malhas muito porreiras, mas
álbum dos Trautonist era ansiado pela qualidade o som dos Ultha surge complexo dentro da sua
evidenciada na sua estreia dois anos atrás. E componente hermética e atmosférica como está achei globalmente pouco forte sonoramente,
não desiludem com este segundo trabalho. Com melhor que nunca em termos de qualidade. algo suave até...
ambientes criados fantásticos e dignos de encetar Podemos destacar um tema como "We Only Speak
viagens intermináveis na maionese, "Ember" é um In Darkness" como algo diferente e até melódico,
álbum que consegue crescer muito para além das mas a atmosfera e ambiente está lá todo. Não só
limitações dos lugares comuns que possui. Um eles estão numa das maiores editoras de metal do
vício que espera manifestar-se. mundo, como lançam um dos melhores álbuns
de black metal de 2018. Só isso.

[8.7/10] Fernando Ferreira [9.5/10] Fernando Ferreira [7/10] Miguel Correia 115
UNREQVITED V/A V/A
“Mosaic I - L'Amour Et L'Ardeur” “Dance ForYour Life - Rare Finnish Disco & Funk 1976-1986”
“Satan In Love”
Northern Silence Productions Svart Records Svart Records
Não existem grandes Apesar da Finlândia ter E agora, algo comple-
informações destes estado sempre asso- tamente diferente. Esta
compilação é um tributo
Unrequvited, além ciada ao rock, havia à música pop movida a
de que têm um nome uma cena disco no sintetizadores vinda da
que faz com que nos underground bastante Finlândia. Consta que
na década de oitenta a
engasguemos a cada forte, desde a década maior parte das músicas
vez que o tentamos de setenta até à década que passavam nas dis-
pronunciar. Apesar de oitenta. E a exemplo cotecas finlandesas eram
de não ser música instrumental quase que da outra compilação irmã, que também estrangeiras já que o equipamento necessário para
fazer esse tipo de música era demasiado caro e
poderia funcionar como tal, já que a voz tratámos nesta edição, o que temos aqui afastava um pouco os músicos, ainda assim havia
acaba por ser usada como apenas mais um é uma série de raridades que poderão não uma interessante cena underground que tentava
instrumento que ajuda a estabelecer o mood interessar (provavelmente) ao nosso leitor emular os sons que surgiam dos êxitos vindos de
fora com o material mais humilde que continham.
melódico e melancólico. Existe a tentação comum mas que aqueles que quando se Vale pela curiosidade e pela factor histórico.
de dizermos que toca black metal mas é apanham sozinhos em casa, instalam a Musicalmente acreditamos que só mesmo os
tão uplifting (apesar da melancolia a roçar bola de espelhos e metem-se a dançar em que têm guilty pleasures com a pop da década
a depressão) que faz com que tenhamos de frente ao espelho, esta compilação é mais de oitenta e setenta que poderão encontrar valor,
que efectivamente existe.
olhar para isto com outros olhos. Ouvidos. que apropriada. Quanto a todos os outros,
Seja o que for, é bom e ainda que não entre provavelmente não será o que vos interessa.
à primeira, intriga-nos o suficiente para nos
manter presos.
[8.6/10] Fernando Ferreira [6/10] Fernando Ferreira [6/10] Fernando Ferreira

VALYRIA VESSEL OF LIGHT VINTAGE CARAVAN


“Into The Dying Of Time” “Woodshed” “Gateways”
Edição de Autor Argonauta Records Nuclear Blast Records
Os Valyria foram/são Mais uma banda a es- Desde o início que os
uma boa surpresa. Em- trear-se no panorama Vintage Caravan nos
bora não tragam nada foram apresentados que
doom metal ou stoner ficámos logo fãs. Não
de muito novo mas é a (ou ambos), desta fei- temos resposta para as
forma como o fazem. críticas que dizem que é
Uma mistura bastante ta é o duo Vessel Of
apenas mais uma banda
interessante de death Light composto por Na- retro - bem talvez não
metal melódico com than Opposition (dos concordemos que sejam
power metal - algo Ancient VVisdom, na apenas "mais uma" - até
que de certa forma os Children Of Bodom bateria e voz) e por Dan Lorenzo (dos Hades, porque acima de tudo o que gostamos é de música,
já fazem à bastante tempo mas em termos esteja ou não na moda. De música que sabemos
na guitarra e baixo) que após terem deixado que gostamos agora como vamos gostar daqui a
instrumentais a coisa até está mais próxima muitas boas indicações o ano passado com vinte anos, quer esteja ou não moda. O seu hard
de outros finlandeses como Wintersun ou rock clássico é viciante, muito bem construído que
Omnium Gatherum. São apenas sete temas o EP auto-intitulado, estreiam-se nos álbuns
nos traz grandes malhas mais do que apenas um
contando com uma intro e outro instrumentais com este "Woodshed" que demonstra extremo conjunto de itens que poderão dar (ou não, nem
(e que, correndo o risco de dizer sempre a bom gosto no que ao género diz respeito. sempre é certo) resultado em termos de sucesso.
mesma coisa, É POUCO!) em pouco mais Muito groove, uma voz hipnótica e grandes Todos esses elementos estão aqui presentes mas
de meia hora mas que garante diversão ao temas/riffs são a proposta principal que nos se malhões como "On The Run" e "Reset" não
longo da sua duração. Para acompanhar. fossem realmente grandes temas, não valiam de
trazem e que nós não temos como recusar. nada. Conclusão, continuamos a ficar com boa
Nem nós nem ninguém. impressão dos Vintage Caravan. Melhor, essa
impressão ainda ficou melhor com "Gateways".
[8.2/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando ferreira [9/10] Fernando Ferreira

VITTORIA ETERNA VOIVOD VREID


“L'inizio Della Speranza” “The Wake” “Lifehunger”
Edição de autor Century Media Records Season Of Mist
Este é um daqueles tra- Os Voivod estão de Os Vreid são um bom
balhos ingratos de ouvir. volta e entregam- exemplo para várias coi-
Ingrato porque sabe a sas. Para como é possível
pouco. Gostaríamos de nos de bandeja “The encaixar a sonoridade
ouvir mais, muito mais. Wake”, um disco muito black metal numa vertente
Tratam-se de apenas prog metal, cheio de que vai para além dos
cinco temas, todos na assuntos tradicionais,
sua maioria de duração garra punk e onde assim como é possível
bastante curta - o maior naturalmente fluem os ter uma sonoridade mais
tem pouco mais de três elementos thrash, com melódica sem cair nas
minutos e meio. São temas instrumentais onde os um conjunto de musicas longas, muito sólidas correntes óbvias das modas no momento em
teclados são os grandes protagonistas, exceptuando que editam trabalhos, e a mais importante, em
pelos momentos em que temos uma guitarra na sua composição, criando o ambiente que a como conseguem manter um nível qualitativo
a solar como na "Il Castello Della Principessa banda já nos habituou em álbuns anteriores e assustador. "Lifehunger" não é excepção, com
Lyraelle" ou na curtíssima "Gloria Inerpretata". aqui recordo por exemplo Phobos” de 1997. grandes malhas, grandes (e impressionantes)
É inegável a beleza dos temas mas precisamos grooves e uma versatilidade que não é bem
mais. Mais músicas, mais uma sonoridade "real" Este álbum é o resultado de dois anos de comum para este género musical mas que resulta
- vinte anos atrás este tipo de som escapava, hoje duro investimento, dando continuação do muito bem, principalmente quando anda junto
em dia... nem por isso - e simplesmente mais do Ep “Post Society” de 2016. Há muito para com pormenores técnicos excelentes. Rico com
que apesar das boas indicações não conseguimos poucos, este é o nosso mais recente vício e um
ter uma ideia clara sobre o projecto. Ficamos a
ouvir e digerir e para quem é fã dos Voivod dos grandes destaques de 2018.
aguardar por isso mesmo. certamente vai apreciar facilmente todas as
8 faixas. Recomendo, mesmo!

116 [6/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia [9.2/10] Fernando Ferreira
VULCAIN WARLEGGION WILD
“Vinyle” “Warleggion” “Sin Piedad”
Season Of Mist Edição de Autor Fighter Records

Apesar de terem a fama, Não sabemos bem o Nuestros hermanos Wild


os Trust e os Killers não são uma revelação!!! Sem
que significa War- dúvida, logo na primeira
foram a únicas grandes leggion, com "dois faixa fiquei agarrado para
banda de heavy metal gg" - provavelmente toda a audição. Mais um
francesa digna de nota. fantástico produto vindo da-
Os Vulcain remotam ao é uma questão de es- qui do lado e neste momento
início de da década de tética, que não resulta dou por mim a pensar: sou
um metalhead old school,
oitenta e lançaram um muito bem na nossa cresci com um punhado de
dos grandes álbuns opinião - mas essa é bandas que até hoje me acompanham, vou percebendo
da cena, "Rock'n'Roll Secours" em 1984. A uma questão que à primeira vista parece as suas influências em muito do que se faz hoje e vão
banda terminou funções quase vinte anos todas elas deixar um legado no dia que em que as
importante mas que à primeira audição suas carreiras terminarem, mas, tem surgido por aqui
depois mas apenas ficaram ausentes por
nove anos, sendo este o seu segundo álbum perde toda a importância. Temos um EP com tanta banda nova cheia de qualidade e ambição que
uma raça heavy metal bem acentuada, onde me deixa tranquilo quanto ao futuro da cena musical.
desde o regresso. E regressam em forma, Ok, vou deixar os pensamentos filosóficos para trás
com um heavy metal raçudo, clássico mas a sonoridade mais moderna surge aliada e falar dos Wild e dizer que definitivamente não os
ainda assim longe de cheirar a mofo. Claro ao estilo tradicional, que também revela percam de vista, pois merecem toda a atenção dos
q ue alguns poderão encontrar alguma fãs de todo o mundo! Grande voz, grandes malhas,
muita qualidade instrumental por parte dos grandes solos, um disco intenso, cheio de energia e
resistência de termos letras cantadas em executantes. A voz soa de forma clássica e que no fim ainda pensei vou ouvir novamente, mas
francês mas é heavy metal, tem riffs, tem algo esforçada mas não compromete. Uma resisti uma vez que o trabalho obrigava passar ao
uma voz rouca, tem guitarradas e solos. Não momento seguinte, mas amigos, heavy metal forever
é preciso mais nada, certo? boa estreia e uma boa promessa para o heavy vão à descoberta dos Wild, sem pecado!
metal tradicional brasileiro.

[8/10] Fernando Ferreira [7.5/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia


WINDHAND WITCH MOUNTAIN WITCHFYRE
“Eternal Return” “Witch Mountain” “Grimorium Verum”
Relapse Records Svart Records Fighter Records
Os Windhand são uma Que brutalidade de álbum. Álbum de estreia destes
daquelas bandas que têm Somos suspeitos em
um dom único. O único de relação ao doom metal Witchfyre que após
emocionar, embalar e sem (quando bem feito) e quase quatro anos,
perder numa a sensação mesmo sendo uma moda inicialmente previsto
de peso. A grande dúvida hoje em dia termos uma
(dúvidazinha, vá) era se vocalista neste tipo de para 2016 vê finalmente
conseguiam manter o registo, a verdade é que a luz do dia. Numa
nível de excelência a que a coisa resulta muito bem. mistura de Iron Maiden,
estávamos habituados. E Mudar de vocalista a meio Judas Priest, Mercyful
conseguem, não são necessárias muitas audições do jogo poderá ser complicado mas com a jovem
para isso. O único problema que encontramos Kayla Dixon temos a certeza que ninguém seria mais Fate e King Diamond, a banda espanhola tenta
mesmo é o facto da voz hipnótica de Dorthia apropriada. Um registo que vai do mais doce ao arduamente para que Grimorium Verum não
Cottrell causarnos uma dormência que deverá ser abrasivo, sem esquecer o feeling fantasmagórico seja apenas mais um entre tantos outros. Uma
equivalente a uma dose de narcóticos na cachola. que fica bem neste tipo de som, o resultado é
A voz aliada aos riffs que usam a ferramenta da fantástico. Claro que as músicas, o mais importante, tentativa que se percebe gorada desde muito
repetição para nos hipnotizar, a coisa poderá ter ajudam nesse sentido. Um grande álbum que cedo na audição deste disco. Vocalizações
um efeito sonífero talvez indesejado. Ainda assim, para nós só tem um pequeno defeito: é curto! Sei muito pobres e por vezes aparentemente fora
um grande álbum, porque a partir do momento em que nos queixamos muito deste tipo de coisa e de tom que juntamente com uma sonoridade
que nos prende, ficamos lá, irremediavelmente. que normalmente até dizemos que certos álbuns
deveriam cortar a gordura - algo que se calhar amorfa rapidamente nos deixa entediados.
até foi feito aqui - mas o vício pede que ouçamos
mais. Quermos MAIS! Ninguém nos pode julgar
mal por isso, pois não?
[8.3/10] Fernando Ferreira [8.7/10] Fernando Ferreira [4/10] Carlos Magalhães

WOLFHEART em serviço. No entanto, ainda nos consegue WRESTLING


surpreender como que pouco mais de um
“Constellation Of The Black Light” “Ride on Freaks”
ano depois, tenha outro álbum cá fora e com
Napalm Records Inverse Records
um poder capaz de rivalizar qualquer um
Os finlandeses Wolf- dos anterior - o que já é dizer muito! Temos Finlândia, sol da meia-
heart têm sido uma temas épicos na base death metal melódico noite, vodka e os Wres-
boa surpresa desde o mas também muito de heavy/power metal tling. Confesso que um
início da sua carreira, tradicional, de uma forma mais subtil. Sendo dos três não resultou
que acredite-se ou não, o quarto álbum se calhar já podemos começar comigo. Com um
foi apenas há cinco a concluir que esta malta em geral e Tuomas speed metal a roçar
anos. O seu primeiro Saukkonen em particular simplesmente não o punk, este "Ride
álbum bateu-nos com conseguem fazer má música. on Freaks" soou-me
uma força impressionante - e não só a nós, demasiado pobre quer em composição quer
já que embora tenha sido lançado de forma em sonoridade. É certo que conseguimos
independente, acabou por ser repescado perceber as influencias de Iron Maiden
e remasterizado pela Spinefarm Records nestes cinco rapazes mas, isso não chega.
em 2015. O segundo trabalho apresentou
o projecto one-man band já transformado
em banda, precisamente pelas mãos da
Spinefarm Records, que também editou o
excelente "Tyhjyys". Com tanta excelência
junta, não é de espantar que a banda surja
este ano pela mão da Napalm records que
também nunca anda propriamente a dormir
[9/10] Fernando Ferreira [5/10] Carlos Magalhães 117
WRETCH XAEL ZERO DOWN
“Reborn” “The Last Arbiter” “Larger than Death”
Pure Steel Records Test Your Metal Records Minotauro Records
Penso ser uma reedição Este é um trabalho que soa Ano de 2002, cinco ve-
e honestamente seja estranho. Soa sintético, teranos da cena metal
frio, desumano. Se calhar
como for não foi um era esse o objectivo mas / punk rock de Seattle
disco que me deixasse inicialmente é algo que decidem agregar forças
tipo "wow grande custou a entrar. Passando e criar assim os Zero
por cima desse facto, a
álbum"... é mais um, estreia da banda norte- Down. "Larger than
simplesmente isso, americana Xael é bastante Deat"h é o segundo
estruturado num som poderosa. O death metal longa duração e conta
heavy clássico, mas sem grandes “novidades” sinfónico é fácil de criar lugares comuns apetecíveis com a produção de Martin Feveyear (Queens
de mergulhar mas é precisamente o que descrevi
musicais dentro dele. Se a época de 80, em acima que lhe dá um toque exótico (não tanto para Of The Stone Age, etc). Com um som coeso,
grande parte deixou o rasto influências em não fugir a algumas semelhanças com bandas poderoso e sem espaço para duvidas temos
tudo o que é metal que hoje se faz, sempre como Dimmu Borgir e Septicflesh, mas quase) um disco bem forte com bons pergaminhos
e que faz com que queiramos voltar sempre para
que me deparo com uma banda que identifica mais, para ver que raio de coisa nos passou por naquilo que se pretende que seja um disco
com o som fico curioso de a ouvir, de forma a cima. Poderoso e melódico de uma maneira de heavy metal. Forte, musculado e com
perceber até que ponto trazem algo diferente pouco atractiva que se torna bastante atractiva bom som.
daquilo que são as influências. Apesar de (perceberam?), esta estreia dá indicação de que
está aqui uma excelente promessa para o futuro,
aqui sentir bons momentos musicais, no que já confirma bastante no presente.
global os Wretch não impressionam, pelo
menos aqui.

[6/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [8/10] Carlos Magalhães

Este espaço pode ser teu em todas as edições


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118
album do mêes
20 D.D. Verni 14 Carpe Noctem 08 Satan
“Barricade” “Vitrun" “Cruel Magic”
Mighty Music Code666 Records Metal Blade Records
The Skull
19 Axxis 13 Soulfly 07
“Monster Hero” “Ritual” “The Endless Road Turns”
Phonotraxx Publishing Nuclear Blast Records Tee Pee Records

18 Vintage Caravan 12 Krisiun 06 Mantar


“Gateways” “Scourge Of The Enthroned” “The Modern Art Of Setting Ablaze”
Nuclear Blast Records Century Media Records Nuclear Blast Records

17 Lords of the Trident 11 Voivod 05 Vreid


“Shadows from the Past” “The Wake” “Lifehunger”
Junko Johnson Records Century Media Records Season Of Mist

16 The Unity 10 Wolfheart 04 Irreversible Mechanism


“Rise” "Constellation Of The Black “Immersion”
Light”
Steamhammer/SPV Napalm Records Blood Music

15 Ethernity 09 Metal Allegiance


“Volume II - Power Drunk
“The Human Race Extinction” Majesty"
AFM Records Nuclear Blast Records

03 Tantara 02 Besra 01 Ultha


“Sum Of Forces” “Anhedonia” “The Inextricable Wandering“
Indie Recordings Temple Of Torturous Records Century Media Records 119
,
Maquina do tempo

AGORAPHOBIC NOSEBLEED / APARTMENT 213


ALCATRAZZ AMORPHIS
“Domestic Powerviolence” “Live inJapan 1984 - Complete Edition" “Elegy”
Relapse Records earMusic Relapse Records
Embora gostemos da Lembram-se dos Confesso que quando
dinâmica dos splits, existe ouvi este álbum tive um
sempre o risco de haver Alcatrazz? Uma banda pouco de choque. Afinal,
um desequilíbrio por por onde passaram apesar da produção crua de
vezes. Neste caso, com pelo menos dois dos "Tales From The Thousand
os grandes Agoraphobic Lakes" continuavamos
melhores guitarristas a falar da banda que me
Nosebleed, a tarefa
não seria fácil para os de sempre, Yngwie J. tinha desperto para a música
Apartment 213, como Malmsteen e Steve Vai. extrema. "Elegy", se formos
se comprovou pelas a ver bem as coisas, é uma
O vídeo "Metallic Live continuação dos elementos evidenciados no segundo
reacções gerais que este "Domestic Powerviolence"
suscitou, mas a verdade é que apesar de admitirmos '84" é um clássico indiscutível (estamos a álbum. Primeiro a mudança de formação obviamente
que tratia mudanças e, segundo, estas mudanças em
que os Agoraphobic Noseblee realmente dominam falar de uma altura em que não haviam os específico foram o maior passo em direcção ao que a
o lançamento com a sua metade. Os Apartment vídeos a pontapé que temos hoje em dia, banda é hoje em dia. Principalmente pela entrada de Pasi
213 são um pouco mais previsíveis e não tão nem Youtubes para o pessoal passar os Koshinen para as vozes limpas, algo que iria ganhar cada
entusiasmantes mas mesmo assim trazem boa vez mais importância em detrimento do vozeirão de Tomi
dose de caos sonoro e porrada sónica, que é dias de trabalho no escritório entretidos. Koivosaari que passa para um papel mais secundário.
basicamente o que se pede. A propósito da sua A banda tinha lançado um grande álbum Essa transição é feita de forma brilhante, muito graças
metade a banda pegou em temas já lançados de hard rock onde o grande destaque era a temas que são mais acessíveis, é certo, e sem dúvida
e gravou novas letras especialmente para este mais melódicos mas que também se mostram com uma
lançamento. Não teve grande impacto no resultado mesmo o trabalho de Malmsteen mas que musicalidade mais rica e diversa, permitindo a banda ir
final mas... já é qualquer coisita. também é marcado por grandes temas. O mais fundo no lado mais progressivo e folk, de acordo
com a tradição escandinava da década de setenta.
áudio desse grande concerto foi lançado Grandes temas e um trabalho que no geral envelheceu
parcialmente em 1992 no "Live Sentence", muito bem, mesmo com mais de vinte anos em cima.
[6/10] Fernando Ferreira mas consta que esse lançamento além [9.4/10] Fernando Ferreira
de editado e tirado muitos temas de fora,
também tem overdubs com fartura. Pois o
ARTIZAN que temos aqui é precisamente esse mesmo BLASPHEMY
concerto, remasterizado e expandido em “Live Ritual: Friday The 13Th”
“Curse Of Artizan”
todo o seu esplendor. Além dos temas do Nuclear War Now! Productions
Pure Steel Records
álbum de estreia, temos as músicas que
Huum, vamos ver por Graham Bonnet trouxe da sua fase com os Reedição do álbum
onde começar. Estamos ao vivo lançado pelos
perante uma reedição, Rainbow e com o Michael Schenker Group,
além de também termos o embrião do que canadianos Blasphemy
neste caso, do primeiro
álbum da banda norte em 2001, lançamento
iria marcar a carreira de Malmsteen. Para
americana. “Curse Of esse que marcou a
quem é fã de hard'n'heavy não há muito
Artizan” é na minha mo- quebra do longo jejum
desta opinião um disco mais a dizer certo? de lançamentos desde
difícil de avaliar, tendo em o seu segundo álbum,
conta o seguinte: por um
lado estamos perante um conjunto de musicas bem "Gods Of War" de 1993. Som javardo e podre,
demonstrativas da qualidade técnica de cada um como se espera mas ainda assim com qualidade
dos elementos da banda, musicas bem pensadas, o suficiente para passar no nosso filtro. Tal
boas melodias, grandes solos, com alguns riffs como falámos em relação à demo da banda
tirados da cartola como que num passo de magia!
Por outro para uma banda de power metal, como (cuja review pudeream ler atrás) "Victory (Son
se intitulam este disco precisava de mais power, Of The Damned)", é um som que tem efeito mais
de mais intensidade global. Reforço que estou a eficaz para quem é aficionado. Está disponível
falar especificamente deste disco, como se nada em conjunto com a referida demo, num pacote
mais houvesse na carreira da banda, por isso estas bastante atracito... para aficionados.
minhas palavras. Há bons momentos, mas a cena
é mais heavy do que power!

120 [8/10] Miguel Correia [9/10] Fernando Ferreira [6.5/10] Fernando Ferreira
BRUTALLIAN CARNIFEX CATCHLIGHT
“Blow On The Eye” “Pathological Rites” “Amaryllis”
Edição de Autor Xtreem Music Edição de Autor

Que grande som! Para Não, não são esses Carnifex. Ainda bem que existem
Só para separar as águas.
quem espera que os Este são finlandeses e já as reedições. Ao ritmo
preconceitos e que ao foram com a porca há muito que temos actualmente,
ouvir uma banda de tempo. No entanto, como seria impossível
recordar é viver, temos aqui
uma região ou país é este "Pathological Rites que apanharmos tudo o
ouvir todas, então vai reúne tudo o que a banda já que merece apanhado
lançou e ainda um extra. Este - verdade seja dita,
ficar muito admirado tipo de coisas nem sempre
por ouvir os Brutallian. é interessante e vale mais pela utilidade histórica que por vezes também
Ao contrário do que o nome indica, o que deve ser preservada, algo que seria legítimo para esta apanhamos coisas que não merecem ser
compilação mas a verdade é que a música aqui contida
temos aqui nesta estreia discográfica de 2015 sustenta-se a ela própria. temos a demo "Decadence" apanhadas - e álbuns como esta estreia dos
é um poderoso álbum de heavy/thrash/power de 1991, o split-demo com os Festerday do mesmo franceses Catchlight de 2016 poderiam muito
metal de acordo com a lei tradicional, com ano e a terceira demo de 1993, tudo com um som bem passar-nos ao lado. Temos um rock
primitivo da altura mas que em nada prejudica o poder
grandes riffs, um competente trabalho da das músicas - tirando a bateria estupidamente alta na progressivo que tanto poderá ser chamado
guitarra solo e uma voz soberba. É daqueles mistura da terceira demo. Pelo contrário, o death metal de alternativo como de pós-qualquer coisa.
algo técnico (a lembrar um pouco os primórdios dos Não interessa realmente o quê, nem as óbvias
sons que nos remetem imediatamente até aos Sentenced, não tão épicos) tem um poder considerável
momentos em que estavamos a descobrir o e e esta é uma compilação que recomendamos para influências de Tool nalguns momentos, o
metal tradicional anos atrás. Uma associação todos os coleccionadores interessados em death metal. que interessa é mesmo a forma como este
O extra é um tema, "Fresh Flesh", que não chegou a
perfeita e que faz todo o sentido perante o ser lançado, registado num ensaio, com um som trabalho, agora remastereizado e com nova
que se pode ouvir. previsivelmente mau mas ainda assim interessante. arte a acompanhar a música, bate e mexe
Resumindo, é para comprar! com as nossas emoções. Grande álbum!
[8.8/10] Fernando Ferreira
[8.5/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira

FEIOS SUJOS E MALVADOS HAUNTING JESTER BEAST


“Tortura” “Sealed Shut” “The Lost Tapes Of Poetical Freakscream”
Edição de Autor Boris Records F.O.A.D. Records
Álbum de estreia dos Reedição do único Reedição do álbum de
brasileiros Feijos Sujos lançamento dos norte- estreia dos italianos Jester
e Malvados - algo rela- Beast. Foi o primeiro e
cionado com o mítico filme americanos Haunting último da banda que
italiano "Feios, Porcos e até ao momento. acabou poucos anos
Maus"? - que em boa hora Único sem previsão depois apenas para voltar
nos chega. Ao contrário do por três anos em 2010,
preconceito que se possa que existam mais já cessando novamente
ter, a banda brasileira não que a banda fechou todas as actividades. Esta
vem com o típico som portas, por assim dizer. reedição é algo diferente
thrash/death, meio hardcore, embora todos esses E porquê o interesse na reedição de uma das que costumamos conhecer. Trata-se de uma
elementos estejam todos presentes. Letras que masterização de uma das primeiras misturas do
tocam com o dedo na ferida, cantadas em português, demo de 2014 por parte de uma banda álbum. Não conhecendo o material original e
com um instrumental poderoso e com deliciosos que existiu apenas por cerca de três anos? não sabendo se o que temos aqui soa melhor
pormenores técnicos ao nível das guitarras, este Bem, basta ouvir estas quatro malhas (não ou pior (embora seja referido , temos que referir
é um álbum que facilmente nos entra no cérebro que este som está ao nível de uma demo, não
sendo uma mistura fantástica daquilo que seria contando com a intro) que despacham a deixando de ter qualidade suficiente para atrair
uma união dos Ratos de Porão na fase "Another coisa em menos de quinze minutos. Death os coleccionadores e historiadores. Para todos os
Crime In Massacreland" e os Sepultura na fase metal com grande qualidade e que nos faz outros, provavelmente não vão encontrar grandes
"Chaos A.D.". No entanto não temos uma cópia pensar porque raio a banda acabou. Uma motivos para euforias, apesar das composições
do que já feito e uma identidade fresca original intrincadas e complexas ao nível de uns Voivod.
que queremos acompanhar no futuro. pérola daquelas que vale a pena recuperar. Além do álbum, temos também a demo lançada
em 1988 "Destroy After Use".

[8.9/10] Fernando Ferreira [8.8/10] Fernando Ferreira [6/10] Fernando ferreira

MEADOWS END MONDAY RIDERS MORDGIER


“Sojourn” “The King Of Highway” “In Deathcold Mist”
Black Lion Records Edição de Autor Antitheus Productions
É engraçado como as coisas Álbum de estreia da Mordgier é um projecto,
são. Duas décadas atrás um duo britânico que
foi um fartote de bandas banda brasileira Mon-
de death metal melódico day Riders. Lançado esteve activo durante
com contornos sinfónicos apenas dois anos, entre
originalmente em 2015, 2002 e 2004 e editaram
(uma fórmula algo diferente
daquilo que se entende hoje o som da banda de esta demo em 2003. Ora
em dia por death metal Goiânia tem um para quem se lembra do
sinfónico e/ou melódico)
verdadeiro espírito underground da altura,
que teve como resultado enquanto o black metal
óbvio a renovação da coisa. Agora em 2018m rock que fica patente melódico apresenta sinais mais que óbvios
perante um álbum como "Sojourn", ficamos todos neste conjunto de temas aos quais não se
empolgados. E não é por ser saudosismo, é mesmo por de cansaço, o underground voltava-se para
ser bom! Curiosamente os Meadows End remontam consegue deixar de, no mínimo bater no pé. as propostas mais primitivas, grim e trve.
precisamente a essa altura, tendo lançado uma série A simplicidade é a sua maior arma que surte "In Death Cold Mist" encaixa precisamente
de demos nos primeiros anos da sua existência, o efeito desejado embora alguns dos temas, nesse género e esta demo, agora reeditada,
passando depois aos EPs e só se estrearam depois de forma digital, e o ano passado em CD (só
nos álbuns em 2010, sendo que este é já o terceiro, com uma produção mais forte, pudesse ter tinha sido editado em cassete) não deixa de ter
editado originalmente em 2016 e agora recuperado um impacto superior. Ainda assim, uma um certo encanto apesar das suas (múltiplas)
(e bem!) pela Black Lion Records. Melódico, de uma limitações, com covers de Bathory e Beherit
forma que as melodias ficam facilmente na memória. boa (re)descoberta para quem tem rock a
Talvez o álbum se revele algo longo, prejudicando correr nas veias. incluídas. O projecto foi reactivado em 2016 e
a sua dinâmica mas esse é mesmo um pequeno estamos curiosos para ver como é que a coisa
pormenore. Grande álbum e boa recuperação. amadureceu neste pousio.

[8.3/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira [6.1/10] Fernando Ferreira 121
MYSTIC CIRCLE OPPROBRIUM ROYAL HUNT
“Kriegsgötter II” “Supernatural Death” “Land Of Broken Hearts”
Last Episode Brutal Records NorthPoint Productions
Nunca achei os Mystic Ainda ficamos confuso Não é difícil perceber o
Circle nada de especial. com estas reedições encanto dos Royal Hunt.
Surgiram numa altura em todas do campo dos Nem porque razão o Japão
que o black metal movido Opprobrium / Incubus. sempre foi o seu mercado
a teclados com aspirações Ora temos a designação mais frutuoso. A banda
melódicas e sinfónicas dos Opprobrium na capa pega na melodia típica do
eram mais procurados de discos lançados como hard rock FM e junta-lhe
que sardinhas nas festas Incubus - relembramos um toque neoclássico,
dos santos. O grande
destaque vai claramente que a banda teve que em grande parte devido
para a música que abre este MCD (na altura em que mudar de designação ao talento enorme de
ainda haviam MCDs e não apenas EPs), a cover de por causa dos outros Incubus... os manhosos - André Andersen, eterno mastermind da banda
Bathory do clássico épico "One Rode To Asa Bay". ora temos o logo antigo dos Incubus novamente dinamarquesa, sem esquecer o art rock ou rock
As duas músicas originais são algo genéricas e as reeditados com a indicação de que se trata progressivo que dão a tonalidade final à sua paleta
duas covers seguintes (um medley dos Acheron e os Opprobium. Sabemos que se trata tudo do de cores. Esta reedição do seu primeiro álbum
a "Circle Of The Tyrants" dos Celtic Frost) também mesmo pessoal mas por vezes nem sabemos talvez não tenha capacidade de atrair novos fãs,
não acrescentam muito. Não deixa de ser curiosa a o que devemos chamar às coisas. Tirando isto mas aqueles que já o são definitivamente não
mensagem da banda, a endereçar o álbum para os do caminho, o que fica é um álbum clássico do vão dizer que não a ouvir este álbum clássico
seus apoiantes desde a década de noventa e também death metal norte-americano, numa altura em remasterizado ainda por cima numa pacote de
a salientar que metal é metal e que continuam com que o mesmo era apenas um pouco mais que luxo com booklet expandido tendo fotos raras, a
esperança que exista mais respeito. Obviamente há aqui thrash metal vitaminado. Remasterizado, com história do álbum escrita pelo próprio Andersen,
alguma bagagem e é uma mensagem endereçada para dois temas bónus, é material que não deixa de assim como quatro faixas bonus, sendo que uma
alguém que desconhecemos. A banda viria a acabar ser um clássico intemporal, independentemente delas é inédita tendo sida restaurada (regravada).
sem ter o impacto das bandas que homenageiam. do nome ou logo que aparece na capa. Obrigatório para os fãs e para os que querem ficar
a conhecer como é fazer rock/metal progressivo
de classe superior.
[6/10] Fernando Ferreira
[9/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira
SHELOB'S LAIR SKEPTICISM THE OUTSIDER
“Nightfall In Heaven” “Stormcrowfleet” “The Outsider”
Northern Silence Productions Svart Records Edição de Autor
Reedição da demo, O que dizer de uma das The Outsider' é não só o
única, dos Shelob's grandes estreias de sempre título do albúm de estreia
do funeral doom? Estas como a designação do autor
Lair, de 2001, ou viagens na Máquina do deste projecto. Trata-se de
seja, daquela altura Tempo são das melhores uma one-man band oriunda
no tempo em que coisinhas de sempre, que do México que depois
começava a ser uma nos permitem visitar deste já lançou o albúm
tendência parva ter- períodos da história ou 'Orchestral Renditions from
ignorados ou celebrados. the Unknown' em 2017 e
mos bandas a ir buscar "Stormcrowfleet" pertence o EP 'Ancient Beast of the
inspiração para se à segunda categoria ainda que seja uma obra que Apocalypse' em 2018. Auto descreve-se como um
baptizarem ao "Senhor dos Anéis" de J.R.R. carece da aclamação globalizada que achamos que compositor e executante de música perturbada para
Tolkien. Não é que não fosse uma tendência merece, mas isso já são exigências da nossa parte. pessoas perturbadas.... Na verdade confesso que
parva antes, mas era mais refinado. Bem, em Bem, como já é sabido, para quem não conhece fiquei um pouco! Traz-nos um death metal sinfónico
o álbum ou a banda, o funeral doom não é coisa único, progressivo, avantgarde, experimental, apesar
termos sonoros, é black metal cru, ainda que imediata mas este trabalho poderá ser um daqueles de influências notórias (Therion, Septicflesh, Carach
com bastante melodia nas guitarras. A banda que desafia essa condição já que o seu som, ainda que Angren,...) com vozes convidadas em algumas músicas.
não lançou mais nada para além desta demo incorporando toda a lentidão e peso do género, traz- Instrumentos e arranjos orquestrais de qualidade
e não é também algo que estivesse a fazer nos um brilho, para além da melancolia depressiva. É assim como a produção. No entanto a variedade
muita falta, sinceramente, no entanto, não um daqueles álbuns que nos encanta sem sabermos é tanta que chega realmente a ser perturbadora no
bem porquê mas que vamos descobrindo ao longo sentido de não se conseguir perceber o que se está
deixa de ter uma qualidade que surpreende do tempo. Grandioso e majestoso mas ao mesmo a ouvir de música para música. Iremos ouvir os
por se ter mantido intacta ao longo destes tempo atento aos detalhes e aos sentimentos que trabalhos seguintes na esperança de tenha seguido
quase vinte anos. desperta. É simplesmente... um Daqueles. o velho ditado de que 'menos é mais'!

[6.6/10] Fernando Ferreira [9.5/10] Fernando Ferreira [6/10] Sandra Santos

WEAPON UK WRETCH XUTOS E PONTAPÉS


“Rising From the Ashes” “Reborn” “Ao Vivo”
Pure Steel Records Pure Steel Records Polygram
Celebrando o contrato com Esta reedição, do Mítico. Provavelmente
a Pure Steel Records e o primeiro álbum dos o mais histórico álbum
lançamento em vinil chega Wretch, não foi um ao vivo lançado por uma
até nós a reedição de Rising banda rock portuguesa.
From the Ashes que apenas disco que me deixasse
havia sido lançado em rendido... o impacto Isto inserido no contexto
ediçao de autor em 2014. foi "é mais um, em que os álbuns ao
Os Weapon UK são um dos simplesmente isso", vivo ainda eram algo
exemplos da influência da estruturado num som de interessante e não
NWOBHM nas bandas que apenas uma cópia do
lhes seguiram - como os Metallica que abriam os heavy clássico, mas que aparecia nos discos. Os Xutos, depois do
seus primeiros concertos com a "Hit The Lights" cujos sem grandes “novidades” musicais dentro mega-sucesso com "Circo de Feras" estavam
primeiros dois acordes são copiados do início da “Set dele. Se a época de 80, em grande parte lançados e "88" foi apenas confirmação daquilo
the Stage a Light” dos Weapon UK. Inspirações aparte, deixou o rasto influências em tudo o que que já se sabia, a banda portuguesa era sem
com este disco constatamos que isto do NWOBHM é é metal que hoje se faz, sempre que me
muito mais do que um simples momento no tempo. dúvida a maior força do rock nacional. Após
É mesmo um estilo musical. Com uma produção deparo com uma banda que identifica com três concertos míticos no já esquecido pavilhão
musculada os Weapon, que ainda mantém Danny o som fico curioso de a ouvir, de forma a do Belenenses, o resultado foi um triplo vinil
Hynes e Jeff Summers nas suas fileiras mostram- perceber até que ponto trazem algo diferente que ficaria para sempre na história da banda.
nos que ainda conseguem entregar uma boa dose daquilo que são as influências. Apesar de Talvez por estar lançado há pouco tempo ficou
do afamado "Brittish Steel". Nota final para a bonus aqui sentir bons momentos musicais, no a faltar aquele que se tornaria uma das músicas
track “Killer Instinct” que conta com a participação mais queridas desse disco, "Para Ti Maria". Um
dos outros dois elementos originais da banda, Baz global os Wretch não impressionaram, pelo
Downes e Bruce Bisland. menos aqui. retrato perfeito de uma das melhores fases
dos Xutos. Um retrato para a posteridade
indispensável. Histórico mesmo..

122 [8/10] Carlos Magalhães [6/10] Miguel Correia [9.5/10] Fernando Ferreira
et
cr
Se
pe
Ta
Vamos dar início a esta rúbrica que visa explorar o maravilhoso
mundo das cassetes. Sei o que vão dizer, é coisa do passado.
Poderia argumentar que a cassete é o novo vinil, ou então que
a cassete é o vinil dos pobres. Seja como for, a cassete sempre
esteve presente, antes da indústria se ter concentrado no formato
do CD e depois. até mesmo depois de ter aparecido o mp3 e
de ter substituído nos hábitos da música móvel o Walkman
e o Discman. No entanto a cassete continuou um formato
apetecível pelo underground. Mais uma vez a música extrema
a continuar mostrar o futuro. Não é de prever que a cassete vá Temos o código de download do álbum no bandcamp, temos
ter o mesmo impacto comercial que o vinil tem actualmente um artwork fantástico e ainda duas edições à escolha, em
mas sem dúvida que temos assistido a um aumento de edições, branco ou em castanho, que foi a que escolhi. O som é de
algumas exclusivamem neste formato. Esta rubrica visa então de grande qualidade, como já tinhamos concluído na nossa
explorar todos os meses novos e e velhos lançamentos que review e esta versão em cassete é uma grande alternativa para
glorificam a toda-poderosa, ainda que humilde cassete. Vamos quem quer entrar pelo mundo das cassetes. (8.8 /10)
passear pela minha colecção pessoal e por algumas novidades
que nos forem chegando. No campo das novidades
(pelo menos para nós) temos
Este mês vamos focar-nos nos lançamentos mais recentes da os Axia, que nos trazem o
Larvae Records, uma pack fantástico que por vinte euros seu álbum de estreia com um
traz-nos quatro lançamentos de quatro bandas nacionais. Dois
death/grindcore bem cativante
deles já aqui revistos mas que vamos falar sobre as edições
e viciante. Composto por
em cassete.
músicos experientes do
género extremo (membros de
Holocausto Canibal, Colosso, Under Fetid Corpses e The
Ominous Circle, entre outros) este álbum é sem dúvida um
dos grandes trabalhos de 2018. (9/10)

Começamos com muito aguardado regresso dos Theriomorphic,


com o EP "Of Fire And Light". Tal como Jó nos tinha
confidenciado em entrevista, o lançamento físico iria dar-se
em cassete (por enquanto) e está disponível em quatro versões,
vermelha, laranja, amarelo e preto. Precisamente a versão Para finalizar, mais uma banda nacional, mais um grande EP.
em preto que escolhi. Death metal à la Theriomorphic, com Os Aura trazem-nos o seu black metal lento e compassado,
intros, interlúdios e outros que tornam este "pacote" bem mais e com uma aura bastante densa que facilmente nos captura.
atractivo, em termos sonoros. Em termos físicos, a edição é de Depois do split com os Xéion em 2016, este EP confirma-
extrema qualidade, onde se junta também o código para fazer nos mesmo que temos aqui algo de muito especial e que
o download da página do bandcamp da Larvae Records - uma
merece ser continuado. A edição em cassete é igualmente
decisão bem inteligente. (8/10) excelente, onde além do código para o download temos o
artwork fantástico. (9/10).
Depois temos o segundo álbum dos Undersave que também
já passou pelas nossas páginas e cuja banda entrevistamos Resta apenas salientar o óbvio, todos estes lançamentos são
nesta mesma edição. Um grande álbum de death metal, até no de edições limitadas e como tal, como qualquer item de
título ("Sadistic Iterations - Tales Of Mental Rearrangement) coleccionador, os primeiros a chegar. são os primeiros a ser
e que com esta edição em cassete ganha ou um outro nível. servidos.

123
WOM Live Report
XX Flames Of Humanart - Humanart,
Balmog, Anifernyen
Metalpoint, Porto -01.09.18
Texto Paulo Aguiar | Fotos Fátima Inácio | Agradecimentos: Dark Age Productions e Humanart

Os Humanart para assinalar o seu vigésimo aniversário, Daniel Lucas, os riffs venenosos e precisão técnica dos
realizou no passado dia 1 de Setembro no Metalpoint a XX restantes compensou a ausência de movimento. Um
Flames Of Humanart e convidou para a festa os espanhóis regresso fulgurante e repleto de fúria dos Anifernyen.
Balmog e os conterrâneos Anifernyen, quinteto que após
um longo hiato teve a honra de abrir, já a hora tardia da
noite.

Balmog
Anifernyen O calor na sala era elevado... mas aos primeiros sons
produzidos pelos três cavaleiros do apocalipse vindos da
Com renovada formação, a banda de Santo Tirso Galiza... a audiência rapidamente regressou. Falso alarme...
apostou mostrar neste evento o novo material a incluir apenas um pequeno teste, mas deu para perceber que o
no trabalho que editarão em breve. Os originais "Tyrant" espírito do Black Metal consegue tomar as mais variadas
e "Foreshadowing" revelaram-se uma excelente entrada formas... um ambiente negro apenas iluminado por velas
e uma boa demonstração do novo fôlego na composição revelou os Balmog. Sem piedade, "Eating The Descendant",
e dimensão musical a trilhar, agora por: Daniel Lucas, deu o mote para a primeira fase do alinhamento, centrado
Luís Ferreira, Diogo Malheiro, Hugo Almeida e Ricardo no último álbum "Vacvvm" de 2018. Formados em 2003,
Vieira. "Wormwiod", "Graveborn" e "Voleur D'Ames" inúmeras passagens pelo nosso país e uma maturidade
antecederam, o hino "Scarlet Winter", o único tema do Ep adquirida nas variadas presenças em palcos de diferentes
de 2008 intitulado "The Pledge Of Chaos". "Christendoom" países, este reconhecido trio da cena Black Metal
e "Neverlight" completaram uma perfeita sintonia entre underground continuou violentamente com: "Hodegetria",
melodia e violência. Destaque para o carisma do vocalista "Vigil Of The Blends", "Come To The Pulpit" e "Gignesthai"
124
- estas duas últimas das minhas preferidas. Por esta altura Revelations" de "Hymn Obscura" foram as excepções. "The
o clima criado pelo calor, pouca luz, os fumos ocasionais Beginning" e "Serpent With Black Wings" como abertura
e a voz demoníaca de Balc -cuja face mal se via no meio revelaram um som equilibrado, intrincado e poderoso
do cabelo - transportou-nos para um pequeno verdadeiro das guitarras de JJ e Fareal completada na perfeição pelo
Inferno, onde o baixista Morg completamente possuído misterioso missionário Leyak no baixo e Njiord na bateria.
não parou um instante. Absolutamente intenso! A segunda
fase desta devastação incluiu três temas de "Svmma Fide"
de 2015: "Der Fluche", "Hoshek" e "Ascetic Penitence" aos
quais todos acabaram rendidos a tamanha dose de puro
Black Metal. Fiquei curioso e com enorme vontade de ver
a banda em outras condições. Espectacular!

Humanart
As linhas vocais agressivas e por vezes selvagens atingia-nos
como punhais as entranhas sem contemplação. Ao quarto
tema surgiu a surpresa, o novo, "Underground Slut" original
do álbum que se encontra na forja, com o título "(Further)
Humanart Into The Depths", com edição prevista para Janeiro de 2019.
Um aperitivo que me deixou impressionado e ansioso por
Determinados a tornar especial a noite do seu vigésimo mais... Os hinos "The Darkest Light", "Lines Of Knowledge",
aniversário, os Humanart de JJ e nova formação, e "1143" não podiam faltar e foram o ponto alto da noite,
ofereceram durante uma hora a razão da sua consistência tal como os solos arrebatadores de JJ, a alma do grupo. Um
e admiração conquistada pela dignidade criativa mantida set perfeito de Death/Black Metal de uma banda de grande
ao longo da sua já rica história iniciada em 1998. impacto e merecido destaque no Metal Lusitano. Parabéns!
Apoiada maioritariamente no álbum "Lightbringer" de ...venha o novo trabalho e novos desafios.
2014, "Imortal Dream" de "Fóssil", "Loss..." e "Years Of
125
Rock In Amadora
Parque Zambujal, Alfragide - 08.09.18
Texto por Fernando Ferreira | Fotos por Sónia Ferreira | Agradecimentos: Rock In Amadora

O Rock In Amadora já tem uma boa tradição de tunidade (e honra) de acompanhar, tendo sido uma das
proporcionar uma festa anual e esta sétima edição não foi nossas primeiras convidadas para a rubrica da nossa
excepção, com quatro excelentes nomes da nossa música, revista, Garage World, e sendo já esta a terceira ocasião
cada um com o seu estilo muito distinto. O intuito do que temos de vê-los actuar: os Dogma. E começa a ser um
festival é desde o início de homenagear a rica tradição lugar comum, vê-los a actuar e sentir que estão cada vez
musical do concelho da Amadora e em conjunto com mais coesos e fortes em cima de um palco. Temas como
a Associação Amadora Passado Presente e a Junta de "Criação" e "A Rosa"(nossos favoritos) batem cada vez
Freguesia de Alfragide materializam não só esse objectivo com um impacto avassalador, embora tenhamos notado
como também têm os pés assentes no presente e no futuro que o público talvez estivesse um pouco mais apático -
e é graças a iniciativas destas que isso acontece. reconhecemos também que o seu som não é propriamente
imediato embora a sua beleza seja inquestionável.
Infelizmente não conseguimos chegar a tempo da actuação
dos Contrasenso que tão boa impressão já nos tinham
deixado no Casaínhos no início do mês, mas deu para
notar o grande impacto e animação que provocaram no
público que se encontrava lá. A eles as nossas desculpas,
que merecem a nossa (ou de quem quer que seja) devida
atenção, um dos grandes nomes do punk/rock nacional.

Dogma
Não só fomos levados ao mundo de metáforas dos Dogma
(presente no álbum de estreia "Reditum", um dos nossos
álbuns do ano de 2017), ilustrado de forma perfeita pela
dupla de vocalistas Isabel e Gonçalo,  como também fomos
presenteados pela também a excelente versão de "A Vaca
de Fogo", original dos Madredeus, que foi "Dogmatizada"
Dogma da melhor forma. A finalizar ficou a já inevitável "Anjo
Caído" que ficou também marcada como sendo a última
A banda que se seguiu foi uma que temos tido a opor- música tocada pela banda com Rui Nunes na bateria. Uma
126
despedida mais que apropriada. na Amadora (de onde a banda é originária, excepção feita
a Leonel Silva que vem da Margem Sul) ou em qualquer
outra parte do mundo.

A noite já estava a chegar ao final, ficando reservado


para último os Corvos, que comemoravam os vinte anos
de carreira - eles que começaram numa sala de ensaios a
poucos quilómetros do Parque Zambujal, onde o concerto
se estava a realizar. Apesar de ser música instrumental, algo
que acreditamos que não tenha um impacto tão grande em
certas ocasiões, a verdade é que a beleza de temas como
"Quando Eu Morrer" e "Satan de Caxemira" é inegável.

Hourswill
Tínhamos uma enorme curiosidade para vermos
finalmente os Hourswill. Não só foram responsáveis por
um dos melhores álbuns de metal progressivo de 2017,
"Harm Full Embrace", como também são um dos nomes
nacionais dos quais temos tido muito bom feedback em
relação aos seus concertos. Bem, pudemos comprovar
pessoalmente que esses relatos não são exagerados. Sendo
o primeiro trabalho com Leonel Silva - que esteve sempre
muito comunicativo e divertido nas vezes em que se dirigiu
ao público - o mesmo surge perfeitamente integrado Corvos
na banda, não levando sequer a pensar que não seria o
vocalista original. Tiago Flores foi o mestre de cerimónias que conduziu o
público até ao mundo muito próprio dos Corvos, mundo
esse que incluiu também os Nirvana (com a "Smells Like
Teen Spirit"), U2 (com a "Sunday Bloody Sunday" - que Tiago
confessou que havia por parte da banda planos para fazer
um álbum inteiramente dedicado à banda irlandesa  mas
que por motivos de dificuldades burocráticas, o álbum teve
que ficar na gaveta) e, claro, Xutos & Pontapés, banda que
foi o primeiro foco dos Corvos ("À Minha Maneira" e já em
regime de encore "Homem do Leme/Tudo Para Ti Maria"
e "Contentores") e que encerrou com chave de ouro uma
actuação forte.

Hourswill
A banda tocou o já referido último álbum de originais quase
na íntegra com Leonel a explicar o sentido de cada um dos
temas sempre com grande sentido de humor, algo que não
só fez com que entrássemos ainda mais no seu mundo com
que a música fosse sentida ainda com mais intensidade -
música essa que é representativa do melhor que se pode
fazer com a mistura do heavy metal com o progressivo. Seja

Rock In Amadora

Para a despedida elementos de todas as bandas e da


organização subiram ao palco para cantar aquele que é
o hino (improvisado ou não, não sabemos) do Rock In
Amadora, deixando a promessa que o mesmo estaria de
volta para o ano que vem. Nós fazemos a mesma promessa,
já que esta é uma festa da qual nos orgulhamos de fazer
parte e de estar presentes como parceiros. Na Amadora, a
música (seja de que estilo for) é cultura que é importante
espalhar e conservar. Não sendo caso único no nosso país,
seria algo bom de verificar noutras localidades, ou até por
entidades de responsabilidades nacionais.
Corvos
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Dawnrider, The Black Wizards
Ass. Artística Satori, Faro - 08.09.18
Texto e Fotos Roberto Raposo | Agradecimentos: Ass. Artística Satori

Depois de um longo período de interregno devido a um assalto que


custou à associação todo o seu equipamento de som, Dawnrider e
The Black Wizards marcam o regresso das sonoridades mais pesadas
à Satori. A Satori marcou profundamente a história do Metal algarvio
nos inícios dos anos dois mil com a antiga sala que era situada em
Querença, que devido a interesses políticos, económicos e imobiliários
viu-se ficar sem a sua sede. Mais tarde e já muito ferida nas suas
fundações, a Satori conseguiu erguer-se das cinzas e voltar ao activo ,
sendo que depois de uma passagem por Cortelha, conseguiram uma
nova sede às portas de Salir e onde esperam ficar por muitos e muitos
anos.

Como disse no início do texto, este concerto marca a tentativa de voltar


um pouco ás suas raízes, pelo que funcionou como um teste ao público,
uma vez que Salir fica um pouco distante da costa algarvia, no interior
serrano. Não sei quantos headbangers estiveram presentes, mas estava
uma sala bem aconchegada. Os The Black Wizards entraram em palco
para abrir as hostes e de imediato meteram o público num continuo
headbanging com o seu stoner rock com muitas influências de metal The Black Wizards
128
e que veio dar uma nova alma e alento à sonoridade da banda.
Segundo muitos dos presentes, esta é considerada a melhor formação
que já tiveram até hoje e a voz do Filipe encaixa muito melhor na
sonoridade da banda. Tiveram uma longa actuação, que passou
por toda a sua discografia e que terminou já por volta das três da
madrugada, mas que mesmo assim o público ficou a pedir ainda mais.

Dawnrider
e com contornos até um pouco bluesy. Esta jovem banda que já conta
com dois trabalhos longa duração, mostrou bem porque é que são
considerados uma das grandes promessas deste género musical, no
final da actuação ficou a saber a pouco.

De seguida e já se entrava pela madrugada dentro apoderam-se do Dawnrider


palco os doomsters Dawnrider, que logo puseram o público num
lento mas frenético headbanging. Esta é uma banda que já dispensa No geral foi uma excelente noite e já me deixa algumas saudades.
qualquer apresentação, pois já contam com muitos anos de carreira Todo o staff da Satori esteve de parabéns, mas destaco o trabalho do
e de estrada, estando no activo desde 2004. Apesar das várias Alexandre Abreu que no meio do stress e nervos, se desmultiplicava
mudanças de line-up ao logo de todos estes anos, apresentam-se hoje nas mais variadas tarefas para que todos pudéssemos ter uma noite
em formato quinteto, sendo que um dos mais recentes elementos é fantástica. Espero que este seja apenas o primeiro de muitos concertos
vocalista/baixista Filipe Relêgo também conhecido como o Viking na Satori. Grande abraço e apoiem o underground nacional.
129
Silveira Rock Fest
CDR "Os Silveirenses", Famões - 15.09.2018
Texto por Fernando Ferreira | Fotos por Sónia Ferreira | Agradecimentos: Silveira Rock Fest

Foi com muito agrado que quando chegámos ao recinto do Silveira O calor infernal que se fazia sentir dentro da pequena sala condizia
Rock Fest nos deparámos logo com uma boa mole humana. O ambiente com a energia que foi deitada cá para fora. Apesar disso, o público
familiar e de convívio era o que esperávamos encontrar, algo que nos faz parecia estar algo tímido inicialmente mas foi incapaz de resistir ao
sentir logo imediatamente em casa - apesar de sermos parceiros oficiais, bailarico thrash provocado por temas como "All Against" e "Feed The
a nossa posição coloca-nos sempre do lado de lá, dos fãs ou não fosse Machine" - tema título ao novo EP com saída apontada para 29 de
este um projecto de fãs para fãs. Não só um espaço onde existem bons Setembro. Ainda pudemos também ouvir "Strip You To The Bone",
concertos mas principalmente onde se encontram (e reencontram) (o single de avanço do já mencionado EP). A propósito destes dois
amigos de longa data. E quando falamos em longos concertos, não temas, podemos dizer que ao vivo são sem dúvida um destaque, e que
estamos a exagerar. Tivemos cinco deles, verdadeiramente épicos. também nos deixam excelentes indicações para o futuro criativo da
Vamos dissecar cada uma delas e tentar transmitir o espírito vivido banda. Uma verdadeira festa thrash com uma banda que aos poucos
embora saibamos que em alguns casos... o melhor é mesmo estar lá. deixa de ser uma promessa e começa a ser confirmação. De certeza
que conquistou mais alguns fãs.

All Against
A animação musical começou com os All Against cujo início da Inner Blast
actuação atrasou substancialmente, tendo o soundcheck demorado
algum tempo. Apesar da demora, o pessoal estava entretido na A segunda banda a subir ao palco do Silveira era substancialmente
conversa, pelo que não havia muita impaciência pelo início. E se diferente. Já tivemos bastantes oportunidades de ver os Inner Blast
houve alguém que ficou mais aborrecido, o poder que a banda ao vivo mas esta foi a primeira vez que o fizemos com a banda em
lisboeta espalhou pelo palco do Silveira Rock Fest assim que formato quarteto, já sem a teclista Mónica, que já não faz parte da
começaram a tocar. definitivamente compensou. A banda tem formação. Com alguma curiosidade fomos surpreendidos de forma
efectuado um trabalho sólido de evolução e em cima do palco é uma agradável à rendição da banda a temas como "Darkest Hour" e "Wings
máquina trituradora temível. "Rise And Fall" e "Silver Bullet" trataram Of Freedom" que apesar de soarem mais crus por um lado, soam mais
logo de fazer as apresentações para quem não sabia ao que vinha. urgentes e pesadões, com a guitarra a ter o papel principal tanto nas
130
melodias como na agressividade, um pouco à semelhança do papel da e subiam para o palco, ficando a "dançar" por alguns momentos. Isso
voz de Liliana, que esteve especialmente sólida na sua abordagem às aliado a malhões como "Grand Union", "Jaws" e "Semigod" é uma
músicas. Não sabemos se esta formação será para manter mas se for, mistura explosiva que só poderá dar bons resultados. E efectivamente
o impacto da sua música ao vivo definitivamente não se perde. Uma deu. Como tem sido hábito, "Juggernaut" foi o grande destaque
grande actuação apoiada sobretudo no último álbum, "Prophecy" e com "Semigod", "Stagefires", "Nails" e "Stagefires" que proporcionou
que superou as nossas expectativas, conseguindo agradar a todos, um crowdsurf a Tiago, como despedida. Um concerto para ficar na
mesmo com um calor digno dos infernos, como Liliana a certa altura história do Silveira.
referiu. Ficamos (ainda mais) curiosos em relação ao futuro dos Inner
Blast.

The Temple

Prayers Of Sanity O calor já tinha atenuado mas ainda faltavam os The Temple para
finalizar o cartaz, eles que são uma das bandas históricas do nosso
Se o calor até agora não tinha dado tréguas, e sabendo que eram os underground, apesar de contarem ainda com três álbuns, com
Prayers of Sanity os senhores que se seguiam, só fez antecipar mais algumas diferenças assinaláveis entre si. Curiosamente, em cima do
uma nova frente de ar escaldante para bafejar o Silveira. Preciosos palco, essas diferenças passam quase despercebidas, muito graças à
os momentos cá fora, onde estava bem mais fresco e agradável e que enorme experiência e classe da banda. No entanto, apesar dessa classe
serviram de preparação para o festim thrash metal que lá dentro teria e experiência, o concerto não fluiu da melhor forma devido a duas
lugar. A banda algarvia encontrou inicialmente alguns percalços quebras de luz (e havendo alguns problemas no som da guitarra de
técnicos, com um falso arranque no primeiro tema, "Dead Alive" onde Tiago Menaia posteriormente) - algo que a banda tentou contornar
a guitarra de Tião falhou. Nada que impedisse a festa tivesse lugar. E e conseguiu na nossa opinião, mantendo a energia e os níveis de
que festa! Circle pits com fartura, praticamente obrigados ao som de entusiasmo bem elevados.
grandes malhas da banda algarvia focando sobretudo o último álbum
"Face Of The Unknown", embora também tivessem apresentado
alguns destaques dos anteriores "Confrontations" (com o tema-título,
que provocou um reboliço a condizer com a temperatura, ou seja,
infernal, e com a "The End Of All") e "Religion Blindness" (também
com o tema-título, que segundo Tião, a ser como tudo começou, e a
Evil May Die"). A média de intensidade dos concertos estava bem alta
e a raça dos Prayers Of Sanity ajudou muito a esse resultado assim
como as fortes reacções positivas que provocaram.

The Temple
Claro que malhões como "Fightbull" (que teve direito a wall of death)
e "War Dance" a isso ajudam - este último é sempre arrepiante, pela
forma como a percussão toma o centro das atenções e todos os
membros (excepção feita ao baixista Pedro Marques) rodeiam-se à
volta da bateria, apesar de, neste caso, o espaço ser bem apertado para
tal. Um espírito fantástico, de festa a que foram acrescidos o grande
Dollar Llama clássico da música rock nacional, "Budapeste" dos Mão Morta, com
uma roupagem bem mais pesada e moderna. A banda esteve toda no
Três bandas, três grandes concertos. Com os Dollar Llama a serem os seu melhor mas uma palavra tem de ser dada ao animal de palco que
próximos no alinhamento, não haviam muitas dúvidas em relação ao é João Luís, sempre muito comunicativo com o público e expressivo
que iríamos ter. Já os vimos em palcos maiores, já os vimos em palcos a cantar, aquilo que mostra que vale a pena sairmos de casa, para
mais pequenos, e o resultado foi sempre um actuação cheia de poder vermos bandas que vibram e que nos fazem vibrar com a sua música
e bastante suor, por parte da banda e do público. O que se teve no que é tudo menos algo descartável. Os The Temple despediram-se
Silveira Rockfest não foi excepção. Com um som cheio de músculo, com "Millionaire", e fecharam em grande mais um Silveira Rock Fest
não seria expectável a forma como o público reagiria ao stoner/ que poderá ser pequeno de dimensões mas é gigante de alma. Onde a
southern rock/metal da banda: constantes circle pits e até stage-divings música e a festa falam sempre mais alto, o suficiente para ficar gravado
a partir do palco - poderá não parecer algo digno de nota, mas tendo na nossa memória por uns bons anos. Nota ainda para o trabalho
em conta que o palco estava apenas a um degrau de altura da plateia, incansável dos Rock'N'Raw Estúdios que trataram do som e tentaram
não deixou de ser algo interessante de verificar. Tiago Simões esteve colmatar e superar todas as dificuldades que foram existindo. O
o dínamo habitual, indo muitas vezes cantar para o meio da plateia, sucesso do Silveira também a eles é devido.
sempre a incentivar o público - alguns nem precisavam de incentivo
131
Casaínhos Fest 2018
Campo de Futebol S.C. Casaínhos, Loures - 01.09.2018
Texto por Fernando Ferreira | Fotos por Sónia Ferreira | Agradecimentos: Casaínhos Fest

Embora só tenhamos conhecido oficialmente o Casaínhos Fest na se cansaram de agradecer pela oportunidade de estarem presentes no
anterior edição, ficámos imediatamente apaixonados pelo espírito de Casaínhos assim como pela organização dar oportunidade às bandas
união entre as várias sonoridades da música pesada, onde todas têm pequenas de se mostrarem. Somos da mesma opinião.
lugar e onde todas têm o mesmo nível de reacção entusiástica - algo
que nos revemos bastante já que esse é o objectivo primordial da World
Of Metal. Quando chegámos ao recinto encontrámos os Ramp e fazer
soundcheck - algo que estranhámos já que a banda seria a que estava
encarregada de fechar a noite. Terminaram apesar de haver algumas
arestas a limar, mas por restrições de tempo decidiram terminar para
permitir que a primeira banda iniciasse a preparação da sua actuação.
O calor que se fazia sentir era abrasador e não dava vontade nenhuma
de estar ao sol - e nesta altura e em todas as próximas actuações
enquanto o sol estava forte, o público de Casaínhos dividia-se em
dois: os corajosos que se chegavam à frente para curtir a música mais
perto do palco e os outros que não se arriscavam a estar debaixo do
sol abrasador. Confesso que estava neste último grupo, até porque as
condições oferecidas são excelentes para podermos desempenhar o
nosso trabalho.

Contrasenso
O punk rock é um género que sempre encontrou espaço no cartaz
do Casaínhos e ainda bem que assim é já que o que se faz cá em
Portugal bate-se de igual para igual em relação a qualquer outra
banda de qualquer outro país. Um bom exemplos disso mesmo são
os Contrasenso, que apesar de não se desviarem muito (ou nada)
dos lugares comuns do punk rock, o seu som não cansa e nunca
deixa de ter um grande impacto para quem gosta de peso e melodia,
tudo cantado em português - pelo menos na maior parte das vezes.
Com um som bem poderoso - sem os problemas de feedback que
os Takeback! tiveram um pouco anteriormente - temas como "Sem
Desculpas" e "Passo A Passo" caíram mesmo bem e fizeram com que
muitos desafiassem o sol para ir sentir a banda mais de perto. Apetecia
mesmo, tal como depois ir refrescar com uma imperial gelada.
Takeback! Aos poucos o recinto ia enchendo naquela que seria, na nossa opinião
e apesar de não termos acesso a números oficiais, a edição mais
Os Takeback! seriam a primeira banda no alinhamento, que iriam concorrida de sempre em termos de público. O cartaz tinha qualidade
subir ao palco perante o sol abrasador que se fazia sentir - ainda para mais que suficiente para isso mesmo. E por falar em qualidade,
mais quando ele está a bater de frente. Eles foram os vencedores da pudemos apreciar de seguida à estreia dos Infraktor no Casaínhos
terceira edição do concurso de bandas que se realizou pela terceira vez que tornou o ambiente ainda mais escaldante com o seu thrash metal
no Old Rock & Blues em São João da Madeira e estavam nitidamente vitaminado, que deixou tão boa impressão com "Exhaust" o seu
a aproveitar cada momento desta oportunidade. Donos de uma álbum de estreia lançado no início deste ano pela Rastilho Records.
sonoridade que se move pelo hardcore, é fácil notar que a banda ainda O mesmo aconteceu no palco do Casaínhos, não ajudando em nada
precisa de amadurecer mais e de se libertar do elemento genérico que ao calor que se fazia sentido - no entanto isso não serviu de desculpa
transpareceu na sua actuação. Apesar deste facto, energia foi o que não para que as primeiras movimentações a sério entre o público não
faltou durante a cerca de meia hora em que estiveram no palco. Não acontecessem. "Son Of A Butcher", "Ferocious Intent" e o tema-título
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Infraktor Backflip
do já mencionado álbum de estreia foram alguns dos destaques de ouvirmos os seus lançamentos editados pela Hell Xis Records.
assim como a comemoração no final do concerto em frente ao palco Esperemos que não tenhamos que recolher apenas a ela porque esta
do aniversário do vocalista Hugo Silva. Haverá lá forma melhor de energia fazem-nos muita falta.
comemorar um aniversário senão num ambiente fantástico destes?

Viralata
Artigo 21
Por falar em animais de palco, os Viralata foram os que se seguiram,
Voltando ao punk rock, vieram os Artigo 21, que demonstraram eles que incorporam na perfeição aquele espírito presentes algures
novamente como este som quando bem tratado é difícil de bater. E entre o punk e rock da virada da década de oitenta para a década de
de som bem tratado percebem bem a banda lisboeta, que deu um noventa. A banda ao vivo dispensa apresentações e já é garantia de
espectáculo explosivo. Cantando sempre em português, os Artigo diversão pela forma como os teus temas, autênticos hinos, conseguem
21 poderão ser um valor relativamente recente do punk nacional, cativar todo o público sem grandes dificuldades. Não só isso mas é
mas são um valor acrescentado, sem dúvida. "Contradição", "Utopia" também impressionante como esses mesmos hinos ficam na memória
(dedicada a Diogo, vocalista dos Steal Your Crown que se encontra a muito tempo após ter acabado a sua actuação, exemplo vívido com os
atravessar uma fase complicada e termos de saúde) e "Máscara" não já incontornáveis "E Vai Um Copo", "F.A.M.E.L." que tanta animação
deram margens para descansos para a animação e diversão em frente causam sempre que são tocados, sem esquecer outros como "Zé
ao palco, neste regresso ao festival três anos depois.. Também não Ninguém", "Lúcio Fernando" ou "Ivone", tema que já não tocavam  há
faltaram os agradecimentos ao Tiago Fresco e a toda a organização já algum tempo. Uma banda que faz sempre a diferença pela positiva
pelo ambiente construído e pela forma se tem conseguido manter este seja em que cartaz for.
espírito de festa união, sem esquecer, claro, o apoio à cena nacional.
Ainda partilharam o palco com Joel da Infected Records, a actual
editora da banda, para o tema "Mudança" em jeitos de agradecimento
na contínua aposta na banda que confessou estar fora de cena dos
últimos tempos para preparar o lançamento do próximo álbum,
chegando a tocar inclusivamente alguns temas novos, bem recebidos
pelo público.

Tal como no ano passado, este ano também tivemos a oportunidade


de testemunhar uma actuação com sabor a despedida. Depois dos
Devil In Me em 2017, em 2018 era a vez dos Backflip anunciar que
esta seria a última actuação da banda antes de uma pausa que a própria
banda não tem a certeza se será apenas temporária ou definitiva. Seja
como for, não deixa de ser uma perda para o underground nacional,
já que como tivemos oportunidade de comprovar e relatar, seja em
cima dos palcos ou em disco, os Backflip são um retrato perfeito de
como o hardcore consegue superar todo e qualquer lugar comum e
contagiar qualquer um que goste de melodia, peso e letras que vão Rasgo
além do superficial. Das vezes que tivemos oportunidade de ouvir a
banda tocar, a energia explosiva foi sempre um ponto em comum mas Também a cantar português temos os Rasgo que desde que abriram
desta vez havia mais qualquer coisa no ar. Sem dúvida uma grande para os Slayer e lançaram o seu álbum de estreia não têm parado
perda caso a pausa seja definitiva. Se assim for, resta-nos a consolação com grandes concertos atrás de concertos. Menos um mês após
133
terem fechado o Vagos Metal Fest, estiveram no Casaínhos Fest para "The Bringer Of Rain". Ao segundo tema, esses mesmos problemas já
espalhar o seu thrash crossover vitaminado ao qual muitos poucos estavam ultrapassados e toda a potência, cada vez mais afinada, dos
conseguem ficar indiferentes e neste contexto não foi diferente. O Hills Have Eyes pôde ser apreciada em todo o seu esplendor. Passando
início todavia iniciou-se com algum atraso devido a problemas com o por todos os três álbuns lançados (de "Unneurotic" de Black Book"
som, algo que infelizmente iria marcar todas as restantes actuações. Se passando por "Hold Your Breath" de "Strangers"), a música tem tanta
o atraso inicial verificado com os Takeback! foi mitigado ao longo das garra e energia exigida à própria banda como depois também permite
seguintes actuações, a partir daqui os problemas foram-se verificando que a mesma seja devolvida pelo público. Foi com "Strangers" que mais
em crescendo. Com quinze minutos de atraso, o som inicial dos uma vez tivemos uma grande actuação para uma banda que continua
Rasgo estava irregular mas foi algo que se foi corrigindo no decorrer a ser um caso de estudo na difícil arte de como dar um concerto.
da actuação. A entrega da banda, essa, nunca desilude, debitando
malhões como "Ergue A Foice", "Homens Ao Mar", "Faca Romba"
sem dó nem piedade e sem nunca esquecer de puxar e picar o público
(lá dizia Paulo Gonçalves no intervalo dos temas "Isto é Casaínhos ou
é Cansadinhos?!"). Não faltou também a versão de Mão Morta, "Cão
da Morte".

Heavenwood
Não interessa quanto tempo passe entre álbuns, actuações, as
circunstâncias e/ou os palcos em que os encontramos, Heavenwood
é sempre um destaque. Pessoalmente foi uma das bandas que me
acompanhou quando estava a descobrir a música extrema aquando
do lançamento do seu álbum de estreia, o mítico "Diva", e como tal
é sempre aguardada com enorme expectativa. Apesar de terem sido
Hills Have Eyes prejudicados por questões técnicas (também tiveram um soundcheck
demorado, incrementando ainda mais o atraso que se fazia sentir), as
Os Hills Have Eyes foram os próximos e também tal como Rasgo, expectativas não foram defraudadas. A banda do Porto que contou
tiveram um soundcheck bastante demorado, começando a ser mais com Miguel Inglês dos Equaleft como vocalista (devido à ausência
notório de qua havia um problema técnico cada vez mais difícil de do país de Ernesto Guerra), iniciou em grande com "The Arcadia
suplantar, algo visível sobretudo no primeiro tema da banda de Setúbal, Order" que, por mais vezes que a oiçamos não deixamos de ficar
134
impressionados com o seu poder cinematográfico. Devido a alguns
problemas com o baixo de André Matos, só quase no final da canção
é que o som do mesmo pode ser apreciado. Também a voz de Ricardo
Dias também praticamente não se conseguiu ouvir na "The Empress",
um dos grandes momentos do mais recente trabalho da banda, "The
Tarot Of The Bohemians". Apesar das dificuldades técnicas que
poderiam esmorecer outros, os Heavenwood não fraquejaram na
sua entrega, terminando o concerto com um saudoso mas sempre
recebido, "Frithiof's Saga" do já mencionado "Diva".

Ramp
seu respeito. Um final que não foi o melhor, no ano em que a banda
completa trinta anos de existência no metal.

Para a posteridade, o balanço, apesar de tudo é positivo. No geral


bom som, excelentes bandas e excelente espírito de festa e união
que são as marcas já registadas por Casaínhos. Imprevistos técnicos
são passíveis de acontecer em qualquer evento e a probabilidade do
Bizarra Locomotiva evento ter terminado muitas horas mais cedo era bastante elevada,
quando a mesa de mistura queimou, pelo que apesar de tudo, acabou
Por esta altura o atraso já era considerável mas o que sucedeu de por correr melhor do que a uma certa altura se temeu. Talvez o tempo
seguida definitivamente não ajudou. Os Bizarra Locomotiva subiram pudesse sido gerido de melhor forma quando atraso se estava a
ao palco com mais de uma hora de atraso porque a mesa de mistura verificar e a organização pudesse ter pedido às últimas bandas para
queimou - situação que Tiago Fresco, da organização do Casaínhos, tocarem menos um tema ou outro de forma a que a última actuação
explicou ao público antes da banda entrar em cena - que levou que a não fosse tão curta mas isso já entramos no reino das suposições
mesma tivesse que ser substituída e que se tivesse que encarar todo que não nos cabe a nós fazer. Em relação ao ano passado, notamos
o processo moroso de preparação do som novamente. Apesar do um crescimento, notório, pelo que para o ano provavelmente terão
sucedido, a actuação dos Bizarra Locomotiva não sofreu com isso de haver mais alguns ajustes de forma a acompanhar o crescimento
(tirando apenas o pormenor do atraso, obviamente). "A Procissão (principalmente no que diz respeito à oferta de bebidas e comida que
dos Édipos"  iniciou de forma solene um concerto praticamente sem revelou ser manifestamente insuficiente para todos. Da nossa parte,
falhas, onde o público estava convertido à maquinaria industrial é um enorme prazer e satisfação vermos que um evento destes tem
da banda portuguesa. "Ego Descentralizado", "Anjo Exilado" e este tipo de problemas. É o sinal de que o crescimento foi para além
"Escaravelho" (esta última com a já habitual invasão de palco por das expectativas e que os esforços são recompensados. Nada melhor
elementos do público) foram destaques de uma banda que tem o dom do que fazermos algo por paixão, investirmos (muitas vezes o que se
de nos colocar a cantar em uníssono com ela mesmo sem utilizar a tem e o que não se tem) e vermos que esse esforço é devolvido pela
comunicação. Ou melhor, utiliza, a forma de comunicação mais comparência de público e o ambiente fantástico como o que esteve e
poderosa de todas (quando bem empregue): a música. se viveu em Casaínhos.

A noite já tinha dado lugar à madrugada há muito tempo e o limite


previsto para a finalização do festival já tinha terminado há quase
uma hora atrás. Ainda assim os Ramp entraram cheios de garra
respondendo com amor a todos aqueles que ficaram presentes (e
foram muitos) para os ver tocar. Apesar de ser uma banda que já
vimos muitas vezes, tal como Heavenwood e Bizarra Locomotiva,
é sempre um prazer voltar, sendo que esta foi a primeira vez que os
vimos em palco com Apache Neto no baixo (dos Diabolical Mental
State) e com Pedro Mendes na guitarra (dos W.A.K.O.) - adições
que nos pareceram bastante sólidas pela forma como a banda soa
em palco. Infelizmente e apesar do poder de temas como "How",
"Follow You" e "Hallelujah", não deixou de ter um sabor algo amargo
principalmente pela banda não poder tocar até ao final - a hora
prevista para o término do festival já há muito tinha sido ultrapassada
e as autoridades tiveram de traçar um limite. Rui Duarte foi a voz da
inconformidade (segundo ele estavam no recinto desde o meio dia,
sendo frustrante depois não poder tocar o alinhamento completo) Ramp
mas não deixou nunca de salientar que o público merecia todo o
135
Son Of Cain
Bafo de Baco Bar, Loulé - 22.09.18
Texto e Fotos por Roberto Raposo | Agradecimentos: Bafo de Baco e Son Of Cain

Este foi o primeiro concerto de apresentação do novo trabalho


de Son Of Cain, uma banda que já dispensa apresentações
apesar da sua ainda curta carreira.  O novo e  recentemente
editado disco tem o titulo de  "Closer to the Edge" e o local
escolhido para o primeiro concerto de apresentação,  foi
a já mítica sala do Bafo de Baco em Loulé no Algarve.

Durante mais de uma hora de concerto em que o novo álbum


foi tocado na íntegra, os mestres Hugo Conim e Alexandre Mota
presentearam-nos com uma performance cheia de energia,
gerando grandes salvas de palmas por parte do público presente
a cada tema apresentado. Apesar de duo, estes dois monstros
conseguem encher  palco com a sua presença, pelo que aconselho
a todos os que tiverem oportunidade, que não percam os
concertos de Son Of Cain. O próximo concerto de apresentação
deste disco é já no próximo dia 28 no Sabotage Club em Lisboa.

Entretanto podem já comprar o álbum aqui - https://sonofcain69.


bandcamp.com/album/closer-to-the-edge
Son Of Cain
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Primordial, Decayed, Aura
RCA Club, Lisboa, 22.09.2018
Texto e Fotos por Hélio Cristovão | Agradecimentos: Notredame Productions

Vamos directos ao assunto. O que se passou no RCA esta datas, em Lisboa e no dia anterior no Hard Club, Porto. Na
noite foi uma grande lição de metal. "We are not one of noite de Lisboa, contámos com talento português para abrir
those bands who you pay 25€ and leave after 56 minutes", as portas do Inferno, com a presença e devastação dos Aura
diria Alan Averill ‘Nemtheanga’ lá pelo meio do concerto, e Decayed. Comecemos.
anunciando mais umas cenas ‘old school’ e metal à séria. Já
lá chegamos. Os Aura têm andado envolvidos em certo secretismo, que
antecedeu o lançamento do seu trabalho de estreia: o muito recente
São 9h da noite, e é daqueles dias em que a fila já chega à EP "Hamartia", editado pela Larvae Records, Julho de 2018.
esquina da rua, mesmo antes de abrirem as portas do RCA. Agora chegou o momento. O primeiro concerto de apresentação
É noite de festa grande! O mote deste concerto é a Warm Up foi em Vigo, depois Porto, agora Lisboa. Em 2 meses voltam
Session para o festival Under The Doom, trazido pelas mãos ao Porto, Metalpoint para abrir o Concerto "The Apostoles
da Notredame Productions, que acontecerá em Dezembro e of Eternal Fire", organizado pelos Ominous Circle. E já têm
já é muito badalado por todos, tal é o cartaz e a expetativa. um punhado de concertos agendados numa tour nos EUA.
Desta feita, celebram-se agora dois concertos, encabeçados Way to go!
pelos Primordial, que cá vieram em exclusivo para estas duas
Por tudo isto, e depois de ouvir e repetir o EP, estava muito
curioso para os ver ao vivo. Situação: casa meio cheia, muita
fila ainda à porta, os Aura começavam a tocar. Apresentaram
o EP. Campos melódicos rasgados por visceral gritaria vinda
de uma masmorra dos confins do abismo, o som é muito
cru mas muito audível, e se atuação foi curta em tempo,
foi grande em intensidade. A voz a esmagar que aparece
com a batida após as partes ambientais assinalam o poder,
o desespero a brutalidade deste black metal. Foi uma boa
introdução, que só peca por ter a condição de banda de
abertura e uma casa ainda a meio que se estava a compor.
Acho que muitos fãs de metal clássico facilmente se identificam
com a música dos Aura. Podem verificar o “Hamartia” na
página de bandcamp da banda Aura e editora Larvae Records.

São vinte cinco minutos de intervalo que agora separam


Aura o público da descida ao inferno, ao som da negritude e
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blasfêmia desta banda, uma embaixada de black metal metal clássico, servido como um banquete. Ali pelo meio,
nacional. Chegavam os Decayed, para nos rezar a missa ainda revisitados os discos “Chaos Underground” de 2010,
negra, e trazem as músicas a estrear do novo álbum “Of Fire ‘Hexagram…’ de 2007, com os temas ‘Martelo do Inferno’
And Evil”, lançado em Junho de 2018. e ‘Spikes Leather and Bullets’. Por esta hora, o ambiente
estava excelente.

A encerrar o festim, ‘Fuck Your God’ (Resurrectionem


Mortuorum, de 1996). Isso, toda a aceleração e agressividade
naqueles 3 minutos para um final a partir. Este álbum marca
uma época, confessa J.A., em que eles estavam um bocado
f*didos com a cena do metal na generalidade. Foi forte,
foi consistente, tiveram a casa lotada e muito compacta
nesta atuação muito digna a durar perto dos 40 minutos.
“Obrigado, boa noite e até à próxima”. Poderiam tocar o
dobro, repertório não faltaria e ninguém se importava. Venha
então essa próxima. Até lá, o caminho que é preciso para a
discografia da banda passa por aqui.

São 23h10, tudo pronto a começar. Está uma casa cheia


daquelas compactas, o ambiente está escuro, as luzes apagadas
por uns quantos minutos… chegam ao palco os músicos e
Decayed estreiam com o novo álbum no tema de abertura ’Nail Their
Tongues’, todo aquele ambiente é luz vermelha e a batida e
Do que os Decayed trouxeram para esta noite, destaca-se riffs épicos da introdução. E o momento em que entra para
obviamente o novo álbum, em que tocaram os temas ‘FireStorm’, cantar o frontman A.A. Nemtheanga, e os aplausos.
'The Skull Of Akator', 'Alvorecer De Almas Perdidas', e o
anterior de 2016 “The Burning Of Heaven” (Helldprod / O que aconteceu com o concerto de Primordial foi
Chaosphere Recordings), com as malhas ‘Son of Satan’ e o uma grande lição de metal. Uma cena old school
puro rasganço do imperdoável ‘Cravado na Cruz’. Vulturius com grande ambiente, muito peso. Grande festa.
e J.A. dividem vozes, na bateria a pulsação é brutal, black Estiveram a tocar 2 horas e mais uns dez minutos. Encore?
138
Primordial Municupal Waste
Intervalos? Não! Foi massivo. Apenas breves pausas para Tower’, ‘No Grave Deep Enough’ e ‘As Rome Burns’ com os
apresentar as canções, falar com o público, pedir vinho, as temas novos. O big Irish metal dude foi incansável e de voz
coisas normais. "Are you with me?" E estávamos! Estávamos arranhada não evidenciava sinais de abrandamento, pois
todos. corria todos os cantos ao palco, e estava muito envolvido
com o público!
Com Primordial cada música é uma história, a encenação, o
teatro está presente para aumentar a canção. Só me chegavam Perto do meio, a viagem ao tema "Journey's End", que é
dois adjetivos à cabeça: Brutalidade e perfeição. São 30 anos de anunciado com uma boa apresentação, ao falar da celebração
carreira, a música é tocada e cantada com mestria. E Nemtheanga dos 20 anos deste álbum, e o concerto em Lisboa há 19 anos
sabe como agarrar a audiência. E sempre a puxar, até que ao fim quando tocaram esta mesma música. Com alguns momentos
de poucas músicas, o mosh, os refrães, estava tudo imparável! mais calmos, até um ambiente doom, mas não era a prestação
a fraquejar ou a perder intensidade, porque a duas músicas do
Em resumo, grande destaque para o novo álbum ‘Exile fim, a encerrar com final épico devolvem "Wield Lightning
Amongst the Ruins’ lançado em Março via Metal Blade to Split the Sun" e “Empire Falls”, e este final ficou fortíssimo.
Records, que tocaram quase na íntegra, incluíndo “To Hell
or the Hangman" com direito a introdução e diálogo com o “My friends it is a beautiful pleasure to play for you in your
público, e uma corda com um nó à mistura, "Stolen Years”, beautiful country”. Acabaram à 1h30 da noite, e penso para
e ‘Upon Our Spiritual Deathbed’, para nomear alguns. A mim que não poderia haver uma alma naquela casa que não
setlist arrancou com muito peso e drama, constituído uma se tivesse sentido numa jornada épica e de coração cheio
‘primeira hora’ da atuação muito intensa, intercalando ‘Babel's numa noite de alto espírito e boa música.
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Batushka, Gaerea
RCA Club, Lisboa, 24.09.2018
Texto Fernando Ferreira e Fotos por Sónia Ferreira | Agradecimentos: Amazing Events

Finalmente Batushka! Desde daquela madrugada de 2017, em cima do palco.


no Vagos Metal Fest, que muitos fizeram o voto de os ver
novamente - os que estiveram presentes no festival mas Com uma componente teatral impressionante (onde obviamente
também os que não estiveram - depois de largos meses de teremos que destacar o suporte de micro enxertado numa
antecipação, um RCA completamente cheio numa noite árvore), que se fundiu na perfeição com os elementos cénicos
sufocante recebeu a banda polaca de forma entusiasta, dos Batushka já presentes no palco, este não foi um concerto
mas também solene. Isto depois de terem sido muito bem normal de black metal. Nem tão pouco de metal. Foi uma
aquecidos. experiência sónica que serve para olhar para o abismo que
cada um de nós possui dentro de si e que anda praticamente
uma vida inteira a fugir do mesmo. Os Gaerea mostraram
que não há fuga, não há esperança, apenas o abismo. Ainda
que esse abismo possa ser belo como efectivamente é. Não
poderia haver proposta mais adequada para os senhores
que seguiriam.

Já era sabido que os Batushka não são uma banda normal.


Aliás, só a premissa de termos uma banda que assenta o
seu conceito cénico e até lírico nos ritos religiosos, mais
concretamente da liturgia católica ortodoxa é algo único.
Deveria ser, por isso mesmo, algo fácil de descrever. Nada mais
errado. Todos os gimmicks (muito famosos hoje em dia para
fazer a diferença numa era em que se pensa e muitas vezes
se sente que já se viu e ouviu tudo) têm um único intuito:
aprofundar a atmosfera de forma a criar um mundo aparte,
algo que é atingido com um sucesso avassalador. De uma
Gaerea forma que ainda estamos para ver superar. Esta era a nossa
opinião após o já mencionado concerto no Vagos Metal Fest
Aquecidos da melhor forma, acrescento, por uma das grandes na sua edição de 2017 que ficou ainda mais reforçada após
bandas nacionais a surgir nos últimos anos: Gaerea. Apesar o concerto no RCA Club.
de terem apenas dois anos, nesses dois anos lançaram um EP
e um álbum de valor inestimável, ao nível de qualquer outra Começou como o álbum "Litourgiya" (o único da sua
proposta de topo. O ambiente era soturno, tal como seria carreira até ao momento presente) começa, com os sinos a
apropriado para a autêntica aula de escuridão claustrofóbica soar e com os elementos da banda a entrarem em palco, ao
que seria dada. A banda não comunicaria com o público. som das palmas que se faziam ouvir a acompanhar. Foi uma
Para quê? A música já dizia tudo, deixando todos os presentes constante ao longo deste concerto que, tal como aconteceu
rendidos graças à vida (sim, também há vida na morte) que com os Gaerea, não houve qualquer comunicação com
temas como "Absent" e "Extention To Nothingness" ganham o público a não ser por gestos e vénias que foram feitas,
140
Batushka Batushka
recebidas e/ou antecedidas por salva de palmas. A preparar bateria possante e num baixo omnipresente que para além
o ambiente, o primeiro guitarrista acende as velas e coloca- da função que têm vulgarmente num contexto de uma
se na sua posição, com os restantes membros a subir ao banda de metal, aqui servem como paredes e telhado para
palco inclusive o baterista que estava do lado direito, atrás esta igreja que nos elevou aos céus - ou às profundezas dos
de um biombo, praticamente arredado da vista mas não da infernos. A dualidade foi uma constante ao longo da sua
audição - o que se compreende já o que se pretendia era um actuação. Nevoeiro denso que se espalhou por toda a sala
ambiente solene com movimentos muito lentos, algo que os como se fosse uma entidade viva que acompanhava a banda,
blastbeats poderiam distrair. esta foi uma noite memorável que chegou ao final, para
muitos, quase de repente. Mesmo com a banda tendo saído
Todo o ritualismo, toda a componente de imagem só serviram do palco, ainda havia quem esperava esperançoso por um
para tornar mais reais as melodias ora melancólicas ora encore, mesmo quando a música do RCA, de um contexto
solenes que nos transportavam para um lugar inesperado. completamente diferente, já se fazia ouvir. Acabou e não
Um lugar de comunhão que se materializou oficialmente deixamos de admitir um certo vazio que ficou preenchido
quando Варфоломей entrou em palco, sacerdote, padre apenas pela esperança de que, tal como houve uma segunda
(Batushka em cirílico), com o turíbulo a espalhar o incenso vinda, exista uma terceira. A romaria para a liturgia estará
para afastar os maus espíritos e iniciar a vigília noturna. certamente presente. Deus lo vult.
E durante cerca de uma hora foi um desfilar de melodias
ora sem distorção, ora em tremolo picking apoiadas na
141
Agenda
Outubro Porto Cine Incrível - Alma Danada

01 - 40 Anos do Punk - Kilimanjaro, Stone Dead - Theatro 12- The Soft Moon - RCA Club, Lisboa 31 - 25 anos Darkside- Sacred Sin - RCA Club, Lisboa
Circo, Braga 12- The Zanibar Aliens - Titanic Sur Mer, Lisboa 31- Mata Ratos, Mordaça, Fonte - Academia Recreativa
02 e 03 - V Festival Portalegre - Altarados, In Vein, 12- Emma Ruth Rundle, Jaye Jayle  - Musicbox, Lisboa Linda-A-Velha
Thirdsphere, [In Mute], Modulator, Forja, Impera, 12 e 13 - Bairrada Metal Fest - Grog, Desire, Simbiose,
Primal Attack, Fallcie, Symbiotic Project  - CAE Bizarra Locomotiva, GodVlad, Terror Empire, Diesel
Portalegre, Portalegre Humm! - Club De Ancas, Aveiro Novembro
03 - Acid Mothers Temple - Musicbox, Lisboa 13 - Raging Planet Showcase 2018 - Desalmado, Besta, 02 - The Vintage Caravan, Wucan, Black Mirrors -
Surra - Musicbox, Lisboa Hard Club, Porto
04 - Porto Deathfest 4 - Necrot, Grindead, Biolence,
Aischrolatry - Metalpoint, Porto 13 - Pé de Ladrão Fest - Trinta & Um, Simbiose, Dokuga, 02 - The Voynich Code, Fallcie - Drac, Figueira da Foz
04 - Megamoshiberian tour Porto Thrash Attack - S.D.I., Bad!, Vürmo, Systemik Violence, Without Face, 02 e 03 -   V Festival Portalegre Core - Altarados,  In
Reaktion - Woodstock 69 Rock Bar, Porto M.E.D.O. - A062, Caldas da Rainha Vein,  Thirdsphere,  [IN MUTE], Modulator,  Forja,
13 - The Soft Moon - Hard Club, Porto Impera,  Primal Attack,  Fallcie,  Symbiotic Project -
04 - Miasthenia - Rrusstyk Bar, Olhão
Cae Portalegre, Portalegre
05 - Cracked Bones - Cine-Incrível Alma Danada, Almada 13 - Neuropsy, Happy Farm, The Blood Of Tyrants  -
Metalpoint, Porto 03 - Oeste Underground Fest - Serrabulho, Repulsive
05 - Serrabulho, F'rrugem - A9, Santarém Vision, Analepsy, Prayers Of Sanity, GAEREA,
05 - Apresentação oficial "O Baile Dos Teus Medos" - 13- Pé de Ladrão Fest - Trinta & Um, Simbiose, Dokuga, Hourswill, Warhammer, Karbonsoul, Undersave, Fear
Amarte  - Theatro Club, Lisboa Bad!, Vürmo, Systemik Violence, Without Face, The Lord, Oppidum Mortuum - Pavilhão do Multiusos da
M.E.D.O. - A062, Caldas da Rainha Malveira, Malveira
04, 05 e 06 - Faro Alternativo - Cloudleaf, M.E.D.O., Thrash
Wall, BadWeather, G.I.G.G.Y., Trinta e Um, HochiminH, 13- Soul Rising Fest - Nine O Nine, Inner Blast, Scarmind, 03 - Alvalade Arise - Bizarra Locomotiva, Destroyers
Anarchicks, Reality Slap, Steal Your Crown, Pull The Blame Zeus, Witness My Fall, The Temple, Revenge Of Of All, Midnight Priest, F.P.M., Mordaça, Systemik
Trigger, Urubu, The Parkinsons, Blowfuse, Besta, The Fallen - Salão de Festas da Incrível Almadense, Almada Violence, Pull The Trigger, Toxikull, All Against - Cae
Prayers Of Sanity, Revolution Within, Desalmado, 13- Apresentação EP "Lost In Emptiness - Eyze, Desert Portalegre, Portalegre
Contra Corrente  - Associação Recreativa e Cultural de Mammooth, Two Pirates And A Dead Ship - Texas Bar, 03 - Riverside - Lisboa Ao Vivo, Lisboa
Músicos, Faro Leiria
03 - Sound Bay Fest - The Vintage Caravan, Wucan,
05 e 06 - Festival Bardoada e Ajcoi - The Parkinsons, 19 - Shutter Down - Hard Rock Café, Porto Black Mirrors, Her Name Was Fire, Parfar, The Crazy
Iberia, Dapunk Sportif, Revolution Within, Besta, 19- Apresentação do álbum "Crimes Against Humanity" e Left Experience - RCA Club, Lisboa
Tales For The Unspoken, The Year, Nowhere To Be "Return To Primordial Stillness" - Irae, Black Howling - RCA 04 - Tremonti, The Raven Age, Disconnected - Lisboa
Found, Since Today, Decreto 77, Desalmado, Bizarra Club, Lisboa Ao Vivo, Lisboa
Locomotiva, Simbiose, Reality Slap, Serrabulho,
20 - 11th Dimension, Regius, Needle - Metalpoint, Porto 10 - Mythic Sunship, Destroyers Of All, Akroasis - Fora
Grankapo, Kandia, Hochiminh, Pântano, Challenge,
Cigarette Vagina, Diabolical Mental State - Pinhal Novo 20 - Annihilation, Grog, Burn Damage - Cave Avenida, de Rebanho, Viseu
Viana Do Castelo 10 - Sirenia, Triosphere - RCA Club, Lisboa
06 - Not Dead Yet Fest - Necrot,  Grog,  Derrame,
Autopsya, Bowelism - Stairway Club, Cascais 20- Vehement Pre Release Show - New Mecanica, Legacy 10 - Beyond Creation, Gorod, Entheos, Brought By
Of Cynthia - Gasoline Associação Cultural e Desportiva, Pain - Hard Club, Portugal
06 - Process Of Guilt, Löbo - Side B Rocks, Alenquer
Barreiro
06 - Miasthenia, Sadistic Overkill - Metalpoint, Porto 16 - Mosher Fest - Chapter 7 - Bizarra Locomotiva,
21 - Annihilation, Grog, Burn Damage - Metalpoint, Porto Teethgrinder, Grog, Midnight Priest, Prayers Of
06 - Música na Aldeia 2018 - Quinteto Explosivo, Dollar
23 - Damien Jurado, Sean Riley - Musicbox, Lisboa Sanity, Web, Gaerea, Toxikull, Redepmtus, Cruelist -
Llama, Impera, Mournkind - Casa do Povo de São Miguel
24 - Julie Doiron - Sabotage Club, Lisboa Massas Club, Coimbra
do Rio Torto, Abrantes
24 - Mão Morta, Author & Punisher - Musicbox, Lisboa 10 - The Coathangers - Sabotage Club, Lisboa
06 - Sublime Torture Fest XI - Dr. Gore, Dead Meat,
Grog, Raw Decimating Brutality, Nasty Surgeons, 26 - Iceage, Terebentina - Hard Club, Porto 23 - Wire - Hard Club, Porto
Undersave, Black Alley Lobotomy, Lvnae Lvmen e 26 - Sworn Enemy, Terror Empire, Challenge - RCA 24 - Wire - RCA Club, Lisboa
The Halfzeimers - Quelha do Barrocal, Castelo Branco Club, Lisboa 24, 24 e 25 - Lisbon Tattoo Rock Fest - Bizarra Locomotiva,
06 - After Party / Heavy Metal Portugal - O Documentário - 27 - Cartaxo Metal Fest III - Cruz de Ferro, Dead Meat, Hills Have Eyes, Sheer Terror, Patrulha do Purgatório,
Equaleft, Blame Zeus  - Kraken, Rock Pirate Pub, Santo Undersave, Destroyers of All, Thrashwall - Centro V8Wankers, Son Of Cain, Anarchicks - Altice Arena -
Tirso Cultural do Cartaxo, Cartaxo Sala Tejo, Lisboa
06 - Anarchicks, Cranky Geeks - Marginália Bar, Portimão 27 - Road Fest - Blame Zeus, Revenge Of The Fallen - 30 - Invicta Requiem Mass IV - Obskuritatem, Mons
06 - Rock dos Romanos - Henriette B, Lulas Belhas, Moto Clube Alverca, Alverca Veneris, Vetala, Holocausto Em Chamas, Voëmmr,
Shady Gringos, Tales For The Unspoken, The Dukes Master's Voice, Void Prayer, Nidernes, Tormentu -
27 - Attick Demons, H.O.S.T. - Metalpoint, Porto
Of Speed, The Temple, Secret Chord - Condeixa-a-velha, Metalpoint, Porto
Coimbra 27 - Yob, Wiegedood - Hard Club, Porto
10 - Lisbon Tattoo Rock Fest Warm up Shows - Marky 27 - Dogma - Hail Rock Club, Queluz
Ramone's Blitzkrieg, Decreto 77 - RCA Club, Lisboa 29 - Bob Wayne - Stairway Club, Cascais Dezembro
11 - Lisbon Tatoot Rock Fest Warm Up Shows - Marky 31 - Halloweenie Night - Serrabulho, Wicked, Voyance, 07 e 08 - Under The Doom - Arcturus, Sólstafir,
Ramone's Blitzkrieg, Decreto 77 - Hard Club, Porto Akroasis - Hard Bar, Oliveira do Bairro Draconian, Shining, While Heaven Wept, Antimatter,
The Wounded, Sinistro, Desire, Collapse Of Light,
11- Emma Ruth Rundle, Jaye Jayle  - Passos Manuel, 31 - 16 Anos Quiet Riot Bar - Attick Demons, Pântano -
Wyatt E., Ocanwake - Lisboa Ao Vivo, Lisboa

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