SERVIDOR DE PRODUTOS CARTOGRÁFICOS DIGITAIS SePCaD Helton Nogueira Uchôa Ivanildo Barbosa Robson Azevedo Silva Paulo Roberto

Ferreira Márcia Paula Pires da Silva
5ª Divisão de Levantamento
Seção de Pesquisa e Desenvolvimento Rua Major Daemon, 81 Centro Rio de Janeiro – RJ CEP: 20081-190

RESUMO
O processo de produção cartográfica se completa com a disponibilização das informações geradas ao usuário final. Dia após dia, o papel tem dado lugar à mídia digital, flexibilizando e universalizando o uso das tecnologias de informação. A Subseção de Pesquisa e Desenvolvimento (SPD) da 5ª Divisão de Levantamento tem trabalhado nos últimos meses em uma forma segura e eficiente de disponibilização de produtos cartográficos digitais. Dotada de uma infra-estrutura computacional baseada em software livre, a SPD tem trabalhado na solução MapServer/PostGIS, solução esta utilizada por diversas instituições no Brasil e no mundo. Já é possível visualizar os resultados deste trabalho via WEB.

ABSTRACT
Cartographical production process is finished when generated data are available to final user. Day after day, digital media is fulfilling an space reserved to paper, making more flexible and popular the information tecnologies use. The 5th Surveying Military Unit's (5ª DL) Research and Development Department (SPD) has worked along the early months about a safe and efficient solution to make available digital cartographical products. Using open source systems platforms, SPD has worked at MapServer/PostGIS solution, used by many commercial and governmental companies in Brazil and in several countries around the world. Results of this project already can be seen on the Web. 1 INTRODUÇÃO Depois de vários anos produzindo cartografia em papel, o mundo descobriu as vantagens de trabalhar em meio digital. Aparelhos de restituição pesados, espaçosos e cheio de minúcias técnicas de calibração foram substiuídos por computadores, softwares e acessórios que aumentaram a praticidade e a eficiência do processo de restituição. Este é apenas um exemplo. A forma de representação dos dados já processados ganhou possibilidades mais flexíveis e duráveis com a modelagem computacional do terreno, sendo possível visualizar o relevo, guardar informações diversas, muito além dos simples atributos gráficos. A concepção de Sistema de Informações Geográficas ganha forma e importância com novas tecnologias de visualização de linhas independentes da projeção e do datum a ser adotado e com poderosos sistemas gerenciadores de bancos de dados (SGBD). A Internet, por fim, marca a fase da popularização da informação, antes restritas àqueles que poderiam pagar por sistemas específicos para visualização. A 5ª Divisão de Levantamento (5ª DL) acompanhou esta tendência, e deu um passo rumo à excelência na disponibilização de dados via Internet. A primeira idéia foi fornecer aos usuários a possibilidade de visualizar de forma simples a variedade de produtos oferecidos pela 5ª DL (entenda-se como usuários instituições civis e militares, públicas e privadas que dependem direta ou indiretamente das informações geográficas para tomada de decisões) pela

Internet. Seriam utilizados retângulos/quadrados para representar o enquadramento de todas as cartas ao milionésimo e as cartas do mapeamento sistemático nas escalas entre 1:250.000 e 1:25.000. Inicialmente, seriam preenchidos dados referentes à identificação das mesmas, tais como nome, MI, Índice de Nomenclatura e o Órgão Responsável pela sua construção. Posteriormente, o banco de dados seria expandido para agregar mais informações que poderiam ser disponibilizadas aos usuários, sempre respeitando critérios de sigilo. Áreas de interesse para instrução da Força também seriam disponibilizados como Sistemas de Informações Geográficas (SIG) na WEB, dada a possibilidade de interação possibilitada pelo aplicativo. Para os testes, foram empregados um conjunto de dados disponibilizado no site do MapServer como demonstração, uma base utilizada em um SIG que cobria algumas cidades do estado do Espírito Santo e dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o mapeamento existente no território brasileiro. Desta forma, seria possível explorar diversas formas de apresentação do sistema.

SOFTWARE A descrição da infra-estrutura de softwares começa pela escolha do sistema operacional Linux por ser livre, estável e por já existir mão-de-obra capacitada para executar as operações básicas naquele ambiente. Dentre as diversas distribuições existentes, optou-se pela Red Hat. Os primeiros testes foram realizados empregando a versão 7.3, sendo disponibilizadas as versões 8.0 (usada no Pentium 4 citado acima) e 9.0 (usada no servidor WEB) no decorrer do projeto. O sistema para servidor de mapas com código aberto que despertou o interesse da equipe foi o MapServer (http://mapserver.gis.umn.edu), depois que esta observou a galeria de sites que já o haviam utilizado com sucesso para exibição de informações geográficas. É possível optar pelos modos de visualização das feições e de consulta às informações contidas no banco de dados relacionado ao SIG. No primeiro modo, o usuário define as camadas que serão exibidas ou omitidas (o programador pode estipular que uma ou mais camadas permaneçam sempre ativadas), e a área aproximada de interesse e o sistema gera uma figura (formato PNG) bastante comprimida, otimizando o processamento da página para o usuário. No segundo, o sistema consulta o banco de dados pelas informações pré-definidas e abre uma página moldada para exibir os resultados dessa consulta. Mesmo se forem selecionadas várias feições de uma vez, o sistema retorna os dados de todos os registros. Esse aplicativo é executado como uma aplicação CGI a partir do servidor HTTP (doravante chamado servidor). A não ser que seja construída uma aplicação mais avançada com MapScript que acesse a interface do MapServer diretamente. As aplicações CGI para o MapServer (opção adotada até o momento) empregam os seguintes recursos: • • • • • Um servidor HTTP como o Apache (adotado para este trabalho) ou Internet Information Server; O API do MapServer, obtido gratuitamente do site oficial do mesmo; Um arquivo do tipo MAP, que determina como os dados serão manipulados pelo MapServer; Uma página HTML (template) onde ocorrerá a interação entre o usuário e o sistema; Um conjunto de dados para SIG.

2 INFRA-ESTRUTURA COMPUTACIONAL HARDWARE Foram utilizados três computadores nas diferentes fases de testes. A configuração de cada um deles é descrita a seguir: • Pentium II 400MHz, 128MB RAM, disco rígido IDE de 40 GB: foi o primeiro computador utilizado, onde foram testadas as fases de compilação de todas as bibliotecas pertencentes ao sistema (que serão vistas posteriormente). O MapServer era executado em ambiente de Intranet, com as devidas adaptações na configuração do servidor WEB. Esta é uma possibilidade de emprego muito interessante quando os usuários são internos às instituições; Pentium 4 1,6GHz, 128 MB RAM, disco rígido SCSI de 20 GB: depois de serem feitos os primeiros testes com êxito, houve necessidade de um aprofundamento no estudo das potencialidades do sistema. Com isso, foi aberta mais uma frente de trabalho para consolidar o aprendizado dos procedimentos de instalação (inclusive em uma versão diferente da distribuição Linux adotada incialmente). Ainda operando em ambiente Intranet; Pentium III 800MHz, 1536 MB SDRAM, disco rígido de 40 GB: esta é a máquina utilizada como servidor WEB, conectada à rede mundial, com domínio estabelecido (www.5dl.eb.mil.br), contendo as versões mais recentes e estáveis dos sistemas testados em Intranet.

O executável do MapServer é instalado no diretório cgi-bin do servidor HTTP, enquanto os dados e os demais arquivos do MapServer são instalados no diretório de documentos HTTP. O MapServer utiliza, em sua construção, bibliotecas de código aberto com funções específicas dentro do sistema e as mesmas devem ser compiladas e instaladas antes do próprio Mapserver (vale ressaltar que cada uma delas pode ser objeto de estudos mais profundos para otimização das mesmas):

GD (http://www.boutell.com/gd/) – biblioteca utilizada para renderização das imagens PNG. Requer que estejam instaladas as bibliotecas libpng, zlib e jpeg-6b;

• PROJ.4 (http://www.remotesensing.org/proj/) – empregada para realizar as conversões entre sistemas de projeções cartográficas durante o uso do MapServer em tempo real. Cada camada de informação pode ser declarada com sua própria projeção e o resultado pode sair em qualquer datum que estiver relacionado no site da biblioteca. • libtiff – é a biblioteca que permite manipulação de arquivos raster no formato TIFF e aceita o módulo libgeotiff (http://www.remotesensing.org/geotiff/geotiff.html) - para reconhecer imagens georreferenciadas. É útil para exibir arquivos raster como camadas de informação; OGR (http://gdal.velocet.ca/projects/opengis/) – é uma biblioteca de código aberto, escrita em C++ que permite ler (e escrever em alguns casos) uma variedade de arquivos vetoriais, inclusive ESRI shapefiles, S-57, SDTS, PosGIS, Oracle Spatial, e formatos mid/mif e TAB do Mapinfo. É parte integrante da biblioteca GDAL; GDAL – funciona como tradutor de formatos de dados raster geo-espaciais; PostgreSQL (http://www.postgresql.org/) – banco de dados objeto-relacional aberto que permite armazenar e gerenciar dados espaciais, desde que seja instalado o módulo PostGIS. Esta foi a solução adotada por ser gratuita, mas o MapServer aceita conexões com bancos Oracle (e seu módulo Spatial) e ESRI SDE. PostGIS (http://postgis.refractions.net/) – habilita o PostgreSQL a trabalhar com informações geográficas, assim como o módulo Spatial funciona com o Oracle. É bastante específico para trabalhos com SIG.

região próxima aos rios Benevente e Jucu, no estado do Espírito Santo (www.5dl.eb.mil.br/vvelha/). A janela foi programada para se ajustar à resolução de 800X600 pixels, conforme norma estabelecida pelo governo federal. Quanto ao sistema, ele fica a desejar porque a base cartográfica não foi completada e a coleta dos dados que carregariam o sistema não foi executada a contento. Entretanto, pode-se ver o sistema trabalhando na sua forma mais simples, sendo possível ao usuário aumentar ou reduzir a escala de exibição dos dados (zoom), deslocar a área visualizada (pan) e realizar consultas ao banco de dados, retornando informações contidas em campos pré-determinados, mas que poderiam ser trocados, acrescentados ou removidos.

• •

FIGURA 1 – Aparência do protótipo do SIG da Área do Espírito Santo (Vila Velha e adjacências). Um outro protótipo foi criado com o objetivo de disponibilizar o acervo cartográfico da 5ª DL na sua Área de Suprimento Cartográfico (ASC). Todos os conhecimentos adquiridos ao longo do período de pesquisa foi concentrado nesta página. Nela é possível visualizar o enquadramento das cartas na escala de 1:250.000 que pertencem à ASC da 5ª DL, consultar as informações relativas às mesmas e interagir com elas. O resultado pode ser visto na página www.5dl.eb.mil.br/asc5dl/.

O único problema do trabalho com geoprocessamento em ambiente aberto é que ainda não há aplicações estáveis para produção cartográfica. Para esta fase, foram utilizados os softwares Microstation e suas extensões para vetorização e validação da área do Espírito Santo e o software Geomedia Profesional, empregado na preparação dos dados para disponibilização. Tal preparação consistia na separação das camadas de informação, na modelagem e na carga do banco de dados associado ao SIG e exportação dos dados no formato ESRI shapefile, formato recomendado pelos desenvolvedores do sistema.

3 PROTÓTIPOS Foi construída uma página contendo o SIG da FIGURA 2 – Aparência do SIG da ASC da 5ª DL;

5 PRÓXIMOS PASSOS Pretende-se, nos próximos meses, completar o acervo de 1:100.000, 1:50.000 e 1:25.000 de maneira análoga à que foi feita no segundo protótipo mencionado. Para fins de otimização no processo de seleção de área de interesse, já está sendo estudada a forma de trabalhar com HTML dinâmico. Está se buscando o conhecimento mais profundo sobre o PostgreSQL, para as potencialidades do banco de dados poderem ser aproveitadas de maneira mais adequada.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FIGURA 3 – Aparência da janela que mostra os resultados das consultas realizadas; Brasil, RESOLUÇÃO No 7, DE 29 DE JULHO DE 2002, Art. 4º, inciso II, pág. 1/5, http://www.governoeletronico.e.gov.br/arquivos/Resolu cao_N_7_Diretrizes_para_Sitios_Internet.pdf; Damiani, E. B., JavaScript – Guia de Consulta Rápida, Ed. Novatec, São Paulo, Brasil, 2001, 144 páginas; Petersen, R., 2002, Red Hat Linux: The Complete Reference – 2nd Edition, Ed. Mc Graw-Hill, Berkeley, E.U.A., 1117 páginas; PostGIS/PostgreSQL Home Page, PostGIS Manual, 2002, http://postgis.refractions.net/docs/; PostgreSQL Home Page, PostgreSQL Documentation, 2002, http://www.postgresql.org/docs/; University of Minesotta, MapServer Documentation Index, 2002, http://mapserver.gis.umn.edu/doc36;

FIGURA 4 – Aparência da janela de navegação sobre a carta consultada;

4 DIFICULDADES ENCONTRADAS A ambientação com um novo sistema operacional sempre apresenta algumas dificuldades. Porém, a boa qualidade da documentação que acompanha os pacotes permitiu realizar a instalação de forma satisfatória. A customização do MapServer, configuração de bibliotecas e adaptação a versões diferentes de distribuições Linux consumiram quantidades consideráveis de tempo. O processo de geração da interface de interação com o usuário também gastou bastante tempo, mas ainda não foi possível implementar ferramentas para otimizar as páginas criadas. Janelas de zoom seriam de grande valia para o projeto, mas ainda não puderam ser implementadas.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful