Você está na página 1de 54
DIREITODIREITO PENALPENAL MILITARMILITAR AulaAula 11 –– ParteParte GeralGeral RogerioRogerio dede VidalVidal
DIREITODIREITO PENALPENAL
MILITARMILITAR
AulaAula 11 –– ParteParte GeralGeral
RogerioRogerio dede VidalVidal CunhaCunha
OficialOficial dede JustiJustiççaa FederalFederal
JustiJustiççaa MilitarMilitar dada UniãoUnião
2a2a AuditoriaAuditoria dada 3a3a CJMCJM
Carta a El - Rei de Portugal - O Militar Senhor, umas casas existem, no
Carta a El - Rei de Portugal
- O Militar
Senhor, umas casas existem, no vosso reino onde
homens vivem em comum, comendo do mesmo
alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã, a um
toque de corneta se levantam para obedecer. De noite, a
outro toque de corneta se deitam, obedecendo. Da
vontade fizeram renuncia como da vida. Seu nome é
Sacrifício. Por ofício desprezam a morte e o sofrimento
físico. Seus pecados mesmo são generosos, facilmente
esplêndidos. A beleza de suas ações é tão grande que
os poetas não se cansam de celebrar.
Quando eles passam juntos, fazendo barulho, os
corações mais cansados sentem estremecer alguma
coisa dentro de
si. A gente conhece-os por militares
Corações mesquinhos lançam-lhes em rosto o pão que
comem; como se os cobres do pré pudessem pagar a
Liberdade e a Vida. Publicistas de vista curta acham-
nos caros de mais, como se alguma coisa houvesse
mais cara que a servidão. Eles, porém, calados,
continuam guardando a Nação do estrangeiro e de si
mesma. Pelo preço de sua sujeição eles compram a
liberdade para todos e defendem da invasão estranha e
do jugo das paixões. Se a força das coisas os impede
agora de fazer em rigor tudo isto, algum dia o fizeram,
algum dia o farão. E, desde hoje, é como se fizessem.
Porque por definição o homem da guerra é nobre. E
quando ele se põe em marcha, à sua esquerda vai a
coragem, e à sua direita a disciplina."
(Trecho da carta escrita por Moniz Barreto, em 1893,
publicada no jornal do Exército de Portugal, nº 306)
PORPOR QUEQUE UMUM DIREITODIREITO PENALPENAL PARAPARA OSOS MILITARESMILITARES ?? "Assim como há uma sociedade civil
PORPOR QUEQUE UMUM DIREITODIREITO PENALPENAL
PARAPARA OSOS MILITARESMILITARES ??
"Assim como há uma sociedade civil fundada sobre a liberdade, há
uma sociedade militar fundada sobre a obediência, e o juiz da
liberdade não pode ser o da obediência. "
"George Clemenceau"
Pode-se usar para explicar a necessidade de normas penais
especiais para os militares a Teoria Tridimensional do
Direito de Miguel Reale:
O Direito é:
FATO
+
VALOR +
NORMA
FATOFATO O fato é que os integrantes das instituições militares são os únicos seres humanos
FATOFATO
O fato é que os integrantes das instituições militares são os únicos seres
humanos de quem a lei exige o sacrifício da própria vida A nenhum
funcionário público, na verdade a nenhum cidadão, exceto aos militares,
lei alguma impõe deveres tão especiais, deveres que podem implicar a
obrigação de morrer e até de matar
VALORVALOR
A vida, portanto, é o bem supremo do indivíduo, o maior valor tutelado pelo direito e,
por isso, os crimes contra a vida são os mais graves na legislação de todos os países
civilizados.
Entretanto, para os integrantes das Forças Armadas, que são obrigados, em
determinados momentos, a morrer e a matar, há um outro valor que se sobrepõe à
própria vida. Este valor é a Pátria. Essa é uma circunstância absolutamente única,
especial, singular, incontornável.
E existência desse valor, não poder dar-se sem a que as Forças Armadas(FFAA) e
Auxiliares(PM BM) organizem-se com base na HIERARQUIA E DISCIPLINA, que são
os valores fundamentais de tais instituições constitucionalmente assegurados(CF art.
142)
NORMANORMA
Da conjugação desses fatos e valores surge a necessidade de normas específicas
para a tutela da Hierarquia e Disciplina pilares das FFAA, seja no campo Penal como
Processual e mesmo Administrativo( Regulamentos Disciplinares)
DODO CRIMECRIME SEGUNDOSEGUNDO ASAS CONCEPCONCEPÇÇÕESÕES FINALISTASFINALISTAS EE PPÓÓSS FINALISTASFINALISTAS ((
DODO CRIMECRIME SEGUNDOSEGUNDO ASAS CONCEPCONCEPÇÇÕESÕES FINALISTASFINALISTAS EE PPÓÓSS FINALISTASFINALISTAS ((
FUNCIONALISTA)FUNCIONALISTA)
Dolosa
Conduta
Culposa
Resultado
Nexo de Causalidade
Tipicidade: a) Formal: Adequação Típica
TIPICIDADE
b) Material: Criação de Riscos não
permitidos( Imputação Objetiva), Ofensa
relevante ao bem jurídico( Princípio da
Insignificância), Conduta Socialmente
reprovada(Adequação Social)
Ilicitude(Antijuricidade)
CRIME
Estado de Necessidade
Legitima Defesa
Estrito Cumprimento de dever legal
Excludente do Comandante
Imputabilidade
CULPABILIDADE
Potencial Consciência da Ilicitude
Exclusão : Obediência
Hierárquica
Exigibilidade de Conduta
Diversa
Coação Moral Irresistível
Estado de Necessidade
CRIMECRIME MILITARMILITAR VISÃOVISÃO GERALGERAL VVááriosrios sãosão osos critcritéériosrios parapara aa
CRIMECRIME MILITARMILITAR
VISÃOVISÃO GERALGERAL
VVááriosrios sãosão osos critcritéériosrios parapara aa definidefiniççãoão dede crimecrime militar:militar:
A)A) RATIONERATIONE PERSONAE:PERSONAE: levaleva emem contaconta aa condicondiççãoão dede militaresmilitares dosdos envolvidosenvolvidos
ee dosdos deveresdeveres queque lhelhe sãosão inerentesinerentes
B)B) RATIONERATIONE LOCI:LOCI: LevaLeva emem consideraconsideraççãoão oo locallocal dada ocorrênciaocorrência dodo delito(delito( ex.ex.
áárearea sobsob administraadministraççãoão militar)militar)
C)C) RATIONERATIONE LEGIS:LEGIS: SãoSão crimescrimes militaresmilitares aquelesaqueles queque aa leilei definedefine assim.assim.
D)D) RATIONERATIONE MATERIAE:MATERIAE: exigeexige queque sese verifiqueverifique aa dupladupla qualidade,qualidade, nnoo atoato ee nono
agente.agente.
E)E) RATIONERATIONE TEMPORIS:TEMPORIS: sãosão militaresmilitares aquelesaqueles praticadpraticadosos emem determideterminadosnados
momentos,momentos, comocomo nono casocaso dede guerraguerra declarada.declarada.
AA ConstituiConstituiççãoão dede 19881988 adotaadota oo critcritéériorio dodo rationeratione legislegis(( Art.Art. 125)125) aoao definirdefinir queque
competecompete aa JustiJustiççaa MilitarMilitar processarprocessar ee julgarjulgar osos crimescrimes militaresmilitares DEDEFINIDOSFINIDOS EMEM
LEI.LEI.
Assim,Assim, sãosão crimescrimes militaresmilitares aquelesaqueles queque aa leilei atribatribuiuuiu taltal caraccaracterteríística.stica. OO queque nãonão
significasignifica queque aa leilei tenhatenha abandonadoabandonado osos demaisdemais critcritéérios,rios, poispois nono art.art. 99ºº eleseles
sãosão utilizadosutilizados comocomo circunstânciacircunstância parapara aa definidefiniççãoão dodo crimecrime militar.militar.
CRIMECRIME MILITARMILITAR PorPor suasua vezvez aa constituiconstituiççãoão refererefere--sese aa umauma
CRIMECRIME MILITARMILITAR
PorPor suasua vezvez aa constituiconstituiççãoão refererefere--sese aa umauma espespééciecie dede crimecrime militarmilitar
osos PROPRIAMENTEPROPRIAMENTE MILITARES,MILITARES, dandodando--lhelhe efeitosefeitos relevantes(relevantes( comocomo
aa dispensadispensa dede ordemordem escritaescrita ee fundamentadafundamentada parapara aa pprisãorisão dede seusseus
autores)autores) dadaíí aa necessidadenecessidade dede sistematizasistematizaççãoão dodo crimecrime militarmilitar em:em:
CRIMESCRIMES PROPRIAMENTEPROPRIAMENTE MILITARESMILITARES
CRIMESCRIMES TIPICAMENTETIPICAMENTE MILITARESMILITARES
CRIMESCRIMES IMPROPRIAMENTE(ACIDENTALMENTE)IMPROPRIAMENTE(ACIDENTALMENTE)
MILITARESMILITARES
CRIME PROPRIAMENTE MILITAR: AA ConstituiConstituiççãoão FederalFederal nono art.art. 55ºº ,, LXI,LXI,
CRIME PROPRIAMENTE MILITAR:
AA ConstituiConstituiççãoão FederalFederal nono art.art. 55ºº ,, LXI,LXI, permitepermite aa prisãoprisão independenteindependente dede
mandadomandado judicial,judicial, nosnos crimescrimes propriamentepropriamente militaresmilitares,, definidosdefinidos eemm lei,lei,
contudo,contudo, atatéé oo momentomomento oo conceitoconceito legallegal nãonão sobreveio,sobreveio, dividindodividindo--sese aa
doutrinadoutrina nono queque vemvem aa serser oo crimecrime propriamentepropriamente militmilitar:ar:
TEORIATEORIA CLCLÁÁSSICA:SSICA:
CLCLÁÁUDIOUDIO AMIM,AMIM, CCÉÉLIOLIO LOBÃOLOBÃO , JORGEJORGE C.C. ASSSISASSSIS :: CrimeCrime queque ssóó podepode serser
cometidocometido porpor militar,militar, porpor consistiremconsistirem emem violaviolaççõesões dede deveresdeveres queque lhelhe sãosão
prpróóprios.prios.
TEORIATEORIA DEDE JORGEJORGE ROMEIROROMEIRO
JORGEJORGE ROMERO,ROMERO, CelsoCelso COIMBRACOIMBRA :: CrimesCrimes emem queque aa aaççãoão penalpenal ssóó podepode serser
promovidapromovida contracontra militarmilitar
NosNos pareceparece maismais adequadaadequada cientificamentecientificamente aa teoriateoria cclláássicassica dodo queque aa dodo prof.prof.
RomeroRomero atatéé mesmomesmo pelopelo fatofato dede queque nãonão podepode podepode buscarbuscar aa definidefiniççõesões dede
direitodireito materialmaterial comcom basebase nana legitimidadelegitimidade subjetivasubjetiva dada aaççãoão penal.penal. ContudoContudo éé aa
queque melhormelhor explicaexplica aa posiposiççãoão dodo crimecrime dede insubmissãoinsubmissão queque ssóó podepode serser
cometidocometido porpor civil.civil.
EXEMPLOS Violência contra superior Art. 157. Praticar violência contra superior: Recusa de obediência Art. 163.
EXEMPLOS
Violência contra superior
Art. 157. Praticar violência
contra superior:
Recusa de obediência
Art. 163. Recusar obedecer a
ordem do superior sobre assunto
ou matéria de serviço, ou
relativamente a dever imposto
em lei, regulamento ou instrução:
Deserção
Art. 187. Ausentar-se
o militar, sem licença, da
unidade em que serve, ou
do lugar em que deve
permanecer, por mais de
oito dias:
Abandono de posto
Art. 195. Abandonar, sem ordem
superior, o posto ou lugar de
serviço que lhe tenha sido
designado, ou o serviço que lhe
cumpria, antes de terminá-lo:
CRIMESCRIMES TIPICAMENTETIPICAMENTE MILITARESMILITARES SãoSão aquelesaqueles queque somentesomente estãoestão
CRIMESCRIMES TIPICAMENTETIPICAMENTE MILITARESMILITARES
SãoSão aquelesaqueles queque somentesomente estãoestão previstosprevistos nono CCóódigodigo
PenalPenal Militar,Militar, semsem queque existaexista equivalenteequivalente nono CCóódigodigo
PenalPenal Comum.Comum. Ex.Ex. DeserDeserçção,ão, Insubmissão,Insubmissão, ViolênciaViolência
contracontra superior,superior, FurtoFurto dede uso,uso, DanoDano CulposoCulposo etcetc,, ouou osos
queque possuempossuem definidefiniççãoão diversadiversa nana leilei penalpenal comumcomum
Art. 268. Causar incêndio em
CÓDIGO PENAL COMUM
lugar sujeito à administração
Art.
250
- Causar incêndio,
militar, expondo a perigo a
vida, a integridade física ou o
patrimônio de outrem:
expondo a perigo a vida, a
integridade física ou o
patrimônio de outrem:
Desaparecimento, consunção ou extravio
Art. 265. Fazer desaparecer, consumir ou
extraviar combustível, armamento, munição,
peças de equipamento de navio ou de aeronave
ou de engenho de guerra motomecanizado:
CÓDIGO PENAL
COMUM
NÃO HÁ TIPO
IGUAL
Crime tipicamente militar não é sinônimo de crime propriamente militar, pois podem haver crimes previstos
Crime tipicamente militar não é sinônimo de crime
propriamente militar, pois podem haver crimes previstos
somente no CPM que podem ser , dependendo das
circunstâncias, praticados por civis.
Veja-se
esse
crime
é
Ex. : o crime de Ingresso clandestino
Art. 302. Penetrar em fortaleza,
quartel, estabelecimento militar,
navio, aeronave, hangar ou em outro
lugar sujeito à administração militar,
por onde seja defeso ou não haja
passagem regular, ou iludindo a
vigilância da sentinela ou de vigia:
previsto no CPM, mas pode
ser praticado por qualquer
pessoa, mesmo que Civil
CRIMES IMPROPRIAMENTE MILITARES SãoSão tambtambéémm chamadoschamados dede ACIDENTALMENTEACIDENTALMENTE
CRIMES IMPROPRIAMENTE MILITARES
SãoSão tambtambéémm chamadoschamados dede ACIDENTALMENTEACIDENTALMENTE
militares,militares, ee sãosão aquelesaqueles queque encontramencontram--sese
previstosprevistos tantotanto nono CPMCPM comocomo nono CPBCPB comcom aa
mesmamesma definidefiniçção.ão. Ex.Ex. HomicHomicíídio,dio, furto,furto,
apropriaapropriaççãoão indindéébita.bita.
CPM - Homicídio simples
Art. 205. Matar alguém:
CPB - Homicídio simples
Art 121. Matar alguém:
O QUE FAZ O CRIME IMPROPRIAMENTE MILITAR CRIME MILITAR ?
O PRECEITO SECUNDÁRIO, OU SEJA O ENQUADRAMENTO DA
CONDUTA EM UMA DAS HIPÓTESES DO ART. 9º, II OU III
Ex. O CIVIL MATAR MILITAR EM SITUAÇÃO DE ATIVIDADE, EM
ÁREA SOB ADMINISTRAÇÃO MILITAR ( CPM ART. 9º , III, “b”)
CRIMECRIME MILTAR:MILTAR: CRITCRITÉÉRIOSRIOS DEDE DEFINIDEFINIÇÇÃOÃO Art. 9º Consideram-se crimes militares, em
CRIMECRIME MILTAR:MILTAR: CRITCRITÉÉRIOSRIOS DEDE DEFINIDEFINIÇÇÃOÃO
Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:
I - os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo
diverso na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o
agente, salvo disposição especial;
Neste
inciso
encontram-se
definidos
os
crimes
propriamente
militares
e os tipicamente militares.
Aqui o que vai definir a existência de crime militar é a sua ausência
de previsão no Direito Penal Comum( Ex. Deserção) , ou a sua
previsão de modo diverso( Ex. Crime de Incêndio- Área sob a
administração militar)
SUJEITOS DO CRIME: QUALQUER PESSOA , ressalvada disposição
em especial, que são justamente os crimes propriamente militares
que, por sua natureza só podem ser cometidos por militares.
Contudo o STF entende que o civil não pode cometer o crime de
dano culposo(HC 67579 ), mesmo que não exista a restrição no tipo.
LOCAL: Qualquer local, mesmo que fora do Território Nacional, eis
que o CPM adota o princípio extraterritoriedade( CPM art. 7º)
II - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com igual definição na
II - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com
igual definição na lei penal comum, quando praticados:
a) por militar em situação de atividade ou assemelhado,
contra militar na mesma situação ou assemelhado;
b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em
lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou
reformado, ou assemelhado, ou civil;
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em
comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do
lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou
reformado, ou civil; (Redação dada pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996)
d) por militar durante o período de manobras ou exercício,
contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;
e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado,
contra o patrimônio sob a administração militar, ou a ordem
administrativa militar;
f) revogada. (Vide Lei nº 9.299, de 8.8.1996)
O Inciso II trata dos crimes impropriamente ( acidentalmente ) militares , já que considera
O Inciso II trata dos crimes impropriamente ( acidentalmente )
militares , já que considera como crime militares aqueles que
possuam a mesma definição.
Neste inciso e no inciso III, como se verá, não basta a mera
tipicidade legal ( ou seja, a previsão no CPM do crime, é necessário
que o preceito primário( crime) seja complementado por uma das
circunstâncias previstas nas alíneas dos Incisos(preceito
secundário).
Além disso só são crimes militares os DEFINIDOS NO CÓDIGO PENAL
MILITAR, não se aplicando as leis esparsas ( Ex. Abuso de
Autoridade, Tortura, Crimes Ambientais), mesmo que cometidos por
MILITAR DA ATIVA CONTRA MILITAR DA ATIVA, ou em ÁREA SOB
ADMINISTRAÇÃO MILITAR - STJ: SÚMULA 172
Nesse dispositivo o SUJEITO ATIVO será
sempre MILITAR DA ATIVA, e o sujeito
passivo dependerá de cada uma das alíneas.
A) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou
A) por militar em situação de atividade ou
assemelhado, contra militar na mesma situação ou
assemelhado;
O conceito de Militar é o do art. 22 do CPM
(qualquer pessoa que, em tempo de
paz ou de guerra, seja incorporada às forcas armadas, para nelas servir em posto,
graduação, ou sujeição à disciplina militar. ) ampliado, pela CF/88 aos Milicianos (
Militares Estaduais)
Para a lei 6.880/81( Estatuto dos Militares – Art. 6º- são equivalentes as
expressões "na ativa", "da ativa", "em serviço ativo", "em serviço na ativa", "em
serviço", "em atividade" ou "em atividade militar".
Aqui adota-se o critério RATIONE PERSONAE , destacando-se que
pouco importa que um ou outro militar esteja de folga, férias, licença,
agregado, o que importa é que não esteja REFORMADO ou na RESERVA.
Também é irrelevante o conhecimento da condição de militar dos sujeitos,
salvo para aplicação do art. 47, I do CPM ( qualidade de superior)
O STJ tem entendimento de que se os militares estão de folga, e o
crime ocorre fora de área sob administração militar não há crime militar.
Mas não é o que predomina na doutrina nem no STM.
Lembrar que também é considerado MILITAR DA ATIVA o Reformado ou da Reserva, empregado na
Lembrar que também é considerado MILITAR DA ATIVA o Reformado
ou da Reserva, empregado na administração militar
Art. 12. O militar da reserva ou reformado, empregado na administração
militar, equipara-se ao militar em situação de atividade, para o efeito da
aplicação da lei penal militar.
Fora essa hipótese , o Militar reformado ou da Reserva é equivalente a Civil,
ressalvada as suas Prerrogativas de Posto ou Graduação
Art. 13. O militar da reserva, ou
reformado, conserva as
responsabilidades e prerrogativas do
posto ou graduação, para o efeito da
aplicação da lei penal militar, quando
pratica ou contra ele é praticado
crime militar.
Por. Ex. Oficial GENERAL da reserva
que comete crime militar( Art. 9º, III),
continua com a prerrogativa de ser
Julgado pelo STM. O Oficial reformado
continua sendo julgado pelo Conselho
Especial, etc.
CRIME COMETIDO POR MILITARES FEDERAIS x MILITARES ESTADUAIS EX. SOLDADO FN AGRIDE TENENTE DA BRIGADA
CRIME COMETIDO POR MILITARES FEDERAIS x MILITARES
ESTADUAIS
EX. SOLDADO FN AGRIDE TENENTE DA BRIGADA
DUAS POSIÇÕES
E Policiais Militares
de Estados Diversos?
STM : COMPETÊNCIA DA
JMU
CRIME MILITAR ( Ambos
são da ativa, mesmo de
estados diferentes)
STF : COMPETÊNCIA DA
Justiça Comum
É a predominante na
doutrina nacional
Mas o Militar réu é julgado
pela Justiça Militar de seu
estado, mesmo que
cometido o crime em
outro
A QUESTÃO DO PM TEMPORÁRIO O Soldado PM Temporário é o jovem que é recrutado
A QUESTÃO DO PM TEMPORÁRIO
O Soldado PM Temporário é o jovem que é recrutado pelas Polícias Militares
dos estados para prestar serviço auxiliar voluntário (SAV) nas unidades
respectivas.
O SAV baseia-se na Lei Federal nº 10.029, de 20 de outubro de 2000, e através
dela os estados podem contratar temporariamente homens e mulheres para
prestarem serviços administrativos.
O PM TEMPORÁRIO É MILITAR DA ATIVA?
Para o TJM-SP o PM-Temp é
militar (APELACAO CRIMINAL
005453/05 ) aplicando o art. 22
do CPM c/c a Legislação
Estadual
Para a doutrina, com razão, não
é, pois não é INTEGRANTE das
Forças Auxiliares, sendo mero
VOLUNTÁRIO, que não possui
qualquer vínculo administrativo
com as Polícias Militares
b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à administração militar,
b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito
à administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou
assemelhado, ou civil;
CRTIÉRIO DE DEFINIÇÃO: RATIOCI LOCI ( ÁREA SOB ADMINISTRAÇÃO
MILITAR)
Sujeito Ativo: MILITAR DA ATIVA
Sujeito Passivo: CIVIL, MILITAR REFORMADO OU DA RESERVA
CIRCUNSTÂNCIA:
Crime
ocorrido
em
ÁREA
SOB
A
ADMINISTRAÇÃO MILITAR
Ex. Soldado PM que, no interior de Viatura , agride
fisicamente Civil , ou Sd FN que no interior de Unidade Militar
agride fisicamente Oficial da Reserva
O que é área sob a administração militar? É aquela que integra o patrimônio das
O que é área sob a administração militar?
É aquela
que integra o patrimônio
das instituições militares ,
ou os que foram confiados às sua administração.
É o local onde as instituições militares desenvolvem as suas
atividades institucionais, como quartéis , navios e aeronaves
militares, campos de treinamento, paióis , viaturas etc.
Os imóveis residenciais(
PNR) destinados aos
Militares enquadram-se no
conceito?
As
unidades
de
moraria(
Apts)
não,
pois a
casa
é
asilo
As áreas comuns:
inviolável do indivíduo
SÃO DUAS SITUAÇÕES:
Corredores, Salões
de Festa, recepção
, enquadram-se
Ressalvado se
ambos forem
militares( Art.
9o, II, “a”)
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão
de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à
administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou civil;
Sujeito Ativo: MILITAR DA ATIVA.
Mas não basta ser militar da ativa, ele deve estar em uma das
situações enumeradas na alínea “c”.
MIILITAR EM SERVIÇO: é o que se encontra exercendo função do cargo
militar, decorrente de qualquer ato normativo ou ordem verbal ou escrita de
superior hierárquico ( ex. conservação, limpeza, manutenção, administração ,
condução de veículos)
OU EM RAZÃO DA FUNÇÃO: Mesmo de folga o militar tem obrigações
relacionadas com a sua atividade, em especial os POLICIAIS MILITARES . Assim,
mesmo que fora de serviço( folga p. ex.) o militar POSSUI O DEVER JURÍDICO
DE AGIR ( CPP art. 301, CPPM art. 243) em caso de flagrância delitiva. Assim , p.
ex. o Militar , de folga, que após impedir um crime ( entrou em situação de
atividade) causa lesão ao preso, comete crime militar.
FORMATURA: Alinhamento e ordenação da tropa. É toda reunião do pessoal em forma, armado ou
FORMATURA: Alinhamento e ordenação da tropa. É toda reunião do
pessoal em forma, armado ou desarmado (RISG, art. 253).
d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra
militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;
Sujeito Ativo: MILITAR DA ATIVA , com a mesma ressalva da alínea anterior
Local: Qualquer local
CIRCUNSTÂNCIAS
PERÍODO DE MANOBRAS:
são
as
movimentações
de
tropa
destinada
ao
treinamento.
PERÍODO DE EXERCÍCIOS: é o
necessário ao adestramento da
tropa , incluindo marchas,
treinamentos com material bélico
etc.
e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio sob a administração
e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o
patrimônio sob a administração militar, ou a ordem administrativa
militar;
Sujeito ativo: MILITAR DA ATIVA
Local: QUALQUER LUGAR
CIRCUNSTÂNCIAS
Patrimônio
sob
a
Ordem
Administrativa
administração militar
Militar
São
os
que
pertencem
às
instituições
militares,
ou
que
estejam
legalmente
sob
a
sua
guarda.
É a regularidade da organização,
existência ou finalidade das
Instituições Militares, bem como as
suas funções institucionais
Ex. no RS parte das viaturas da PM
são locadas, portanto, não são do
Estado, mas estão sob a
administração da PM
CRIME MILITAR - CONT. III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado,
CRIME MILITAR - CONT.
III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra
as instituições militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no
inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos:
a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem
administrativa militar;
b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de
atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou da
Justiça Militar, no exercício de função inerente ao seu cargo;
c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância,
observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras;
d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em
função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e
preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária, quando legalmente
requisitado para aquêle fim, ou em obediência a determinação legal superior.
Crimes militares em tempo de guerra
Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a
vida e cometidos contra civil, serão da competência da justiça comum. (Incluído
pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996)
CRIMES MILITARES COMETIDOS POR CIVIS Ao contrário do que se pode , a princípio, imaginar
CRIMES MILITARES COMETIDOS POR CIVIS
Ao contrário do que se pode , a princípio, imaginar os Civis podem
cometer crimes militares, pois como já visto, o legislador adota o
critério RATIONE LEGIS, e nada impede que a lei atribua a civis o
cometimento de crimes militares
Mas não pode a lei atribuir genericamente à Civis deveres compatíveis
somente com os militares, mas , por outro lado , pode exigir de todo o
cidadão que abstenha-se de condutas prejudiciais às INSTITUIÇÕES
MILITARES, que possuem relevância constitucional.
Assim, somente quando a conduta do civil ofender as instituições
militares é que poderá ser processado pela Justiça Militar.
Por ex. Um civil, em área sob a administração militar furta o veículo de
outro civil. Comete Crime Militar?
Não, pois não há ofensa às INSTITUIÇÕES MILITARES.
EE NANA JUSTIJUSTIÇÇAA MILITARMILITAR ESTADUAL?ESTADUAL? OO art.art. 125125 dada CF/88CF/88 deudeu àà JMEJME
EE NANA JUSTIJUSTIÇÇAA MILITARMILITAR ESTADUAL?ESTADUAL?
OO
art.art.
125125 dada CF/88CF/88 deudeu àà JMEJME competênciacompetência parapara
processarprocessar ee julgarjulgar somentesomente POLICIAISPOLICIAIS MILITARESMILITARES EE
BOMBEIROSBOMBEIROS MILITARES,MILITARES, nãonão admitindoadmitindo oo julgamentojulgamento dede
civis.civis.
Assim,Assim, sese umum civilcivil ,, emem áárearea sobsob administraadministraççãoão militarmilitar
estadualestadual ,, matamata PolicialPolicial Militar,Militar, responderesponde nono JJúúri.ri.
Contudo,Contudo, aa JustiJustiççaa MilitarMilitar FederalFederal temtem competênciacompetência parapara
ProcessarProcessar ee JulgarJulgar civis.civis. Assim,Assim, ee civilcivil ,, emem áárearea sobsob aa
administraadministraççãoão militarmilitar matamata militarmilitar dada ativaativa responderesponde dada
JMU.JMU.
III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra
III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou
por civil, contra as instituições militares, considerando-se como tais
não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos
seguintes casos:
Os civis, militares da reserva e reformados só cometem crimes militares
quando suas condutas atentarem contra as INSTITUIÇÕES MILITARES
Consideram-se instituições
militares as Forças Armadas,
constituídas pela Marinha,
Exército e Aeronáutica,
estruturadas em ministérios e,
também, os altos órgãos
militares de administração,
planejamento e comando.
Assim, se forem contra as
IM, são crimes militares os
previstos só no CPM , ou
com definição diversa, (
CPM art. 9º, I), bem como
os que tenham a mesma
definição do CPB( Art. 9º,
II), presentes as
circunstâncias do inciso III)
STM, Rec. Crim. 60656, MG, Rel:
Min. Cherubim Rosa Filho, D.J.
26/04/93)
a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem administrativa militar; Aplica-se
a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem
administrativa militar;
Aplica-se o mesmo disto em relação ao Inciso II, “e”, invertendo-se somente o
sujeito ativo, que pode ser somente Civil ou Militar reformado ou da reserva.
b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de
atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou
da Justiça Militar, no exercício de função inerente ao seu cargo;
Os conceitos de “lugar sujeito
à administração militar” e
“militar em atividade” já foram
oferecidos.
Art. 27. Quando este Código se
refere a funcionários, compreende,
para efeito da sua aplicação, os
juízes, os representantes do
Ministério Público, os funcionários e
auxiliares da Justiça Militar.
Já o conceito de Servidor da
Justiça Militar é dado pelo Art.
27 do CPM.
Célio Lobão,
contesta
a
constitucionalidade deste dispositivo,
ao argumento que no caso dos
servidores da JM não há ofensa às IM
c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância, observação, exploração, exercício,
c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão,
vigilância, observação, exploração, exercício, acampamento,
acantonamento ou manobras;
Sujeito Ativo: CIVIL, MILITAR REFORMADO OU DA RESERVA
Sujeito Passivo: Militar da ativa em uma das circunstâncias abaixo:
CIRCUNSTÂNCIAS
Local: QUALQUER LUGAR
FORMATURA: Alinhamento e ordenação da tropa. É toda reunião do
pessoal em forma, armado ou desarmado (RISG, art. 253).
PERÍODO DE PRONTIDÃO: é um estado de alerta em que as tropas
estão prontas para operações
VIGILÂNCIA E OBSERVAÇÃO: dizem respeito a um estado de espreita,
de constante observação
EXPLORAÇÃO: é o reconhecimento de um terreno.
ACAMPAMENTO: é o estacionamento temporário de tropas com o
aproveitamento das condições naturais.
ACANTONAMENTO: é o estacionamento temporário de tropas com o
aproveitamento de instalações já existentes.
d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em função de
d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar
em função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de
vigilância, garantia e preservação da ordem pública, administrativa ou
judiciária, quando legalmente requisitado para aquele fim, ou em
obediência a determinação legal superior.
Sujeito Ativo: CIVIL, MILITAR REFORMADO OU DA RESERVA
Sujeito Passivo: Militar da ativa em uma das circunstâncias abaixo:
Local: QUALQUER LUGAR
01- Função militar: é o exercício das obrigações
inerentes ao cargo militar. ( Lei 6.880/80 Art. 23. )
CIRCUNSTÂNCIAS
02- garantia e preservação da ordem pública:
É hipótese prevista pelo art. 142 da CF/88 , na qual as FFAA atuam não na defesa da
Pátria contra agressões externas, mas sim para a garantia da Estabilidade do País
atuando na garantia da Lei e da Ordem. Os requisitos para a atuação das FFAA está
prevista na no art. 15 da Lei Complementar 97/99.
03- obediência a determinação legal de
superior: Nesse caso exige-se que a ordem seja legal ( não para o seu cumprimento
pois mesmo que ilegal o militar deve cumpri-la) mas para a qualificação do crime
militar pelo civil.
CRIMES CONTRA A VIDA COMETIDOS CONTRA CIVIS Segundo o Art. 9º, II ( crimes acidentalmente
CRIMES CONTRA A VIDA COMETIDOS CONTRA CIVIS
Segundo
o
Art.
9º,
II
(
crimes
acidentalmente
militares)
o
homicídio
cometido
por
militar
da
ativa
,
em
serviço, contra civil é crime militar.
Art.
Contudo, em virtude de pressões de
Organismos Internacionais,
desconhecedores da realidade da Justiça
Castrense( cujo maior defeito è a falta de
visibilidade), pressionaram o Governo
Federal que , em 1996 editou a lei
9.299/96, que incluiu um parágrafo único
ao art. 9º do CPM:
Parágrafo único. Os crimes
de que trata este artigo,
quando dolosos contra a vida
e cometidos contra civil,
serão da competência da
justiça comum.
É CONSTITUCIONAL ESSA NORMA? STM STF Segundo o STM essa norma é Inconstitucional, pois se
É CONSTITUCIONAL ESSA NORMA?
STM
STF
Segundo o STM essa norma é
Inconstitucional, pois se o crime
enquadra-se em uma das
circunstâncias do art. 9º do CPM, é,
portanto, CRIME MILITAR, e a
competência para o seu julgamento
é da JM a quem, segundo a CF/88
compete, exclusivamente , julgar os
crime militares definidos em lei.
Já segundo o entendimento do STF,
a lei 9.299/96 ao determinar a
competência do Júri para os crimes
dolosos contra a vida cometidos
contra civis, o exclui do rol de
crimes militares( HC 260404-MG)
IMPLICAÇÕES PRÁTICAS
Civil Mata Militar da Ativa em área
sob a administração militar:
Militar de serviço mata Civil que
invade Unidade Militar:
CRIME MILITAR - JM
CRIME COMUM - TJ
DODO ERROERRO EMEM DIREITODIREITO PENALPENAL MILITARMILITAR CONCEITO DE ERRO: é a falsa percepção da realidade,
DODO ERROERRO EMEM DIREITODIREITO PENALPENAL MILITARMILITAR
CONCEITO DE ERRO: é a
falsa percepção da realidade,
sendo a ignorância a ele
equiparada para fins penais.
ERRO SOBRE OS ELEMENTOS DO TIPO
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo
do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a
punição por crime culposo, se previsto em lei.
No Direito Penal Comum, o legislador
de 1984, inclinando-se à concepção
finalista ( Welzel) do delito, dividiu o
erro em :
ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO
Art. 21 - O desconhecimento
da
lei
é
inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se
inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá
diminuí-la de um sexto a um terço.
DODO ERROERRO EMEM DIREITODIREITO PENALPENAL MILITARMILITAR Erro de direito Já o Legislador do Código Penal
DODO ERROERRO EMEM DIREITODIREITO PENALPENAL MILITARMILITAR
Erro de direito
Já o Legislador do Código
Penal Militar, seguindo a linha
do CP de 1969( que nunca
entrou em vigor) manteve-se
ligado à concepção naturalista
do delito(Causalismo) e adotou
a classificação do erro oriunda
do direito romano, dividindo o
erro em :
Art. 35. A pena pode ser atenuada ou
substituída por outra menos grave
quando o agente, salvo em se
tratando de crime que atente contra
o dever militar, supõe lícito o fato,
por ignorância ou erro de
interpretação da lei, se escusáveis.
Erro de fato
Art. 36. É isento de pena quem,
ao praticar o crime, supõe, por erro
plenamente escusável, a inexistência
de circunstância de fato que o
constitui ou a existência de situação
de fato que tornaria a ação legítima.
ERRO DE DIREITO Art. 35. A pena pode ser atenuada ou substituída por outra menos
ERRO DE DIREITO
Art. 35. A pena pode ser atenuada ou substituída
por outra menos grave quando o agente, salvo em se
tratando de crime que atente contra o dever militar,
supõe lícito o fato, por ignorância ou erro de
interpretação da lei, se escusáveis.
O erro de direito, dentro do conceito analítico de crime, atua na CULPABILIDADE,
eis que retira do agente o CONHECIMENTO DA ILICITUDE DO FATO. Aqui o agente
atua com dolo(vontade livre e consciente) mas acredita, por erro, ou ignorância,
que a sua conduta não é ilícita.
Se
o
erro
for
escusável(invencível)
a
pena
é
atenuada
ou
substituída
menos grave.
por
outra
Exemplo: Militar da Ativa que , em área
sob a administração militar, encontra
determinado bem e acreditando que, por
tê-lo encontrado é seu (“achado não é
roubado”), não o entrega a autoridade
competente no prazo de 15 dias. ( CPM
art. 249, § único)
Observar que no Código Penal Comum, o erro de proibição excluí a
pena, ao passo que o erro de direito somente a atenua. E se for
crime contra dever militar, não produz qualquer efeito.
ERRO DE DIREITO E O DEVER MILITAR O Código Penal Militar não admite o instituto
ERRO DE DIREITO E O DEVER MILITAR
O Código Penal Militar não admite o instituto do ERRO DE DIREITO
aos crimes contra o DEVER MILITAR.
O conceito de crimes contra o dever militar,
segundo ROMEIRO, implica em todos os crimes
propriamente militares, pois são os crimes que
dizem respeito aos deveres da vida militar. E
não só os assim tipificados no CPM ( Art. 183 a
204)
MAS QUAL O FUNDAMENTO PARA TANTO?
A vedação em relação aos crimes que envolverem os deveres
militares , ocorre em virtude do ADESTRAMENTO por que
passam todos os militares no qual lhe são repassados os
conhecimento necessários a poder discernir sobre a ilicitude ou
não de suas condutas, relativas à LEI PENAL MILITAR. Daí
presumir-se que, pelo adestramento, o militar obtém a
potencial consciência da ilicitude relativa a seus deveres.
ERRO DE FATO ERRO DE FATO ESSENCIAL Na primeira parte do dispositivo, o Art. 36.
ERRO DE FATO
ERRO DE FATO ESSENCIAL Na primeira parte do dispositivo, o
Art. 36. É isento de pena
quem, ao praticar o
crime, supõe, por erro
plenamente escusável,
agente erra em relação ao próprio
tipo penal, o erro ou a ignorância
excluem o próprio dolo do agente, ou
seja, a sua vontade final é maculada
pelo erro.
a
inexistência
de
circunstância
de
fato
que o constitui ou a existência
Ex. SD que deixa de entregar à
autoridade competente aparelho
celular que achou acreditando tratar-
se do seu.( CPM art. 259, § único)
de situação de fato que tornaria a ação
legítima.
Erro culposo
1º Se o erro deriva de culpa, a este
título responde o agente, se o fato é
punível como crime culposo.
Erro provocado
2º Se o erro é provocado por
terceiro, responderá este pelo crime, a
título de dolo ou culpa, conforme o caso.
Aqui , assemelha-se com o erro de
tipo do Código Penal comum,
contudo, como o CPM é inspirado no
causalismo, o Dolo, encontra-se na
CULPABILIDADE, e não no tipo, daí
isentar-se de PENA o agente.
ERRO DE FATO ERRO DE FATO ESSENCIAL Na segunda parte do dispositivo Art. 36. É
ERRO DE FATO
ERRO DE FATO ESSENCIAL Na segunda parte do dispositivo
Art. 36. É isento de pena quem, ao
praticar o crime, supõe, por erro
plenamente escusável, a inexistência de
circunstância de fato que o constitui
ou
a
existência
de situação de
fato que tornaria
a ação legítima.
estamos diante das chamadas
DISCRIMINANTES PUTATIVAS, nas
quais o agente, por errada
compreensão da realidade fática
acredita que ao agir estar acobertado
por uma das excludentes da Ilicitude:
São Excludentes da ilicitude :
•LEGITIMA DEFESA
Erro culposo
1º Se o erro deriva de culpa, a este
título responde o agente, se o fato é
punível como crime culposo.
Erro provocado
2º Se o erro é provocado por
terceiro, responderá este pelo crime, a
título de dolo ou culpa, conforme o caso.
•ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER
LEGAL
•ESTADO DE NECESSIDADE
•EXERCÍCIO
REGULAR
DE
UM
DIREITO
•DESCRIMINANTE DO Cmt
ILICITUDEILICITUDE CausasCausas dede Exclusão(CPMExclusão(CPM art.art. 42):42): Art.Art. 42.42. NãoNão hháá
ILICITUDEILICITUDE
CausasCausas dede Exclusão(CPMExclusão(CPM art.art. 42):42):
Art.Art. 42.42. NãoNão hháá crimecrime quandoquando oo agenteagente praticapratica oo fato:fato:
II -- emem estadoestado dede necessidade;necessidade;
IIII -- emem leglegíítimatima defesa;defesa;
IIIIII -- emem estritoestrito cumprimentocumprimento dodo deverdever legal;legal;
IVIV -- emem exercexercííciocio regularregular dede direito.direito.
ParParáágrafografo úúnico.nico. NãoNão hháá igualmenteigualmente crimecrime quandoquando oo comandantecomandante dede
navio,navio, aeronaveaeronave ouou prapraççaa dede guerra,guerra, nana iminênciaiminência dede perigoperigo ouou
gravegrave calamidade,calamidade, compelecompele osos subalternos,subalternos, porpor meiosmeios violentos,violentos, aa
executarexecutar serviserviççosos ee manobrasmanobras urgentes,urgentes, parapara salvarsalvar aa unidadeunidade ouou
vidas,vidas, ouou evitarevitar oo desânimo,desânimo, oo terror,terror, aa desordem,desordem, aa rendirendiçção,ão, aa
revoltarevolta ouou oo saque.saque.
As questões mais relevantes em Direito Penal Militar, em relação às excludentes
da ilicitude são do ESTADO DE NECESSIDADE
COMANDANTE.
e o chamada EXCLUDENTE DO
ESTADO DE NECESSIDADE O direito penal comum, com a reforma de 1984, adotou a teoria
ESTADO DE NECESSIDADE
O direito penal comum, com a reforma de 1984, adotou a teoria unitária para o Estado de
Necessidade, somente o reconhecendo como excludente da ilicitude. Já o direito penal militar
acolheu a TEORIA DIFERECIADORA, eu divide o estado de necessidade em EXCLUDENTE da
Ilicitude e EXCULPANTE que elimina a CULPABILIDADE do Agente.
Art. 43. Considera-se em estado de
necessidade quem pratica o fato para
preservar direito seu ou alheio, de
perigo certo e atual, que não
provocou, nem podia de outro modo
evitar, desde que o mal causado, por
sua natureza e importância, é
consideravelmente inferior ao mal
evitado, e o agente não era
legalmente obrigado a arrostar o
perigo.
Art. 39. Não é igualmente culpado
quem, para proteger direito próprio
ou de pessoa a quem está ligado por
estreitas relações de parentesco ou
afeição, contra perigo certo e atual,
que não provocou, nem podia de
outro modo evitar, sacrifica direito
alheio, ainda quando superior ao
direito protegido, desde que não lhe
era razoavelmente exigível conduta
diversa.
Aqui o bem jurídico defendido é
superior ou igual ao sacrificado,
excluindo a ilicitude da conduta.
Ex. Militar que para socorrer
colega ferido subtrai veículo da
unidade.
Aqui a questão se opera na
culpabilidade( inexigibilidade de
conduta diversa) pois o bem
jurídico sacrificado é inferior ao
bem defendido, mas apesar disso
não se pode exigir do autor outra
conduta.
Vida é maior que patrimônio
Ex. Militar que deserta para
ajudar família financeiramente.
A EXCLUDENTE DO COMANDANTE: O parágrafo único do art. 42 do CPM prevê uma forma
A EXCLUDENTE DO COMANDANTE:
O parágrafo único do art. 42
do CPM prevê uma forma de
exclusão de ilicitude exclusiva
do direito penal militar.
O Comando é a soma de autoridade,
deveres e responsabilidades de que o
militar é investido legalmente quando
conduz homens ou dirige uma
organização militar.
Parágrafo único. Não há
igualmente crime quando o
comandante de navio, aeronave
ou praça de guerra, na iminência
de perigo ou grave calamidade,
compele os subalternos, por
meios violentos, a executar
serviços e manobras urgentes,
para salvar a unidade ou vidas, ou
evitar o desânimo, o terror, a
desordem, a rendição, a revolta
ou o saque.
O Cmt tem o dever de manter a tropa
eficiente( CPM Art. 198), tendo os seus
subordinados a obrigação de obedecer(
CPM art. 163). Daí que o Cmt que, para
garantir a eficiência da tropa em uma
das situações citadas, pode exercer de
seu direito de comando, inclusive por
meios violentos.
Equiparação a comandante
Art. 23. Equipara-se ao comandante, para o
efeito da aplicação da lei penal militar, toda
autoridade com função de direção. ( ex. Ten.
Comandando fração de tropa é , para essa fração
Cmt)
EXCLUSÃOEXCLUSÃO DADA CULPABILIDADECULPABILIDADE Art. 38. Não é culpado quem comete o crime: Coação irresistível
EXCLUSÃOEXCLUSÃO DADA CULPABILIDADECULPABILIDADE
Art. 38. Não é culpado quem comete
o crime:
Coação irresistível
a) sob coação irresistível ou
que lhe suprima a faculdade de agir
segundo a própria vontade;
Obediência hierárquica
b) em estrita obediência a
ordem direta de superior hierárquico,
em matéria de serviços.
1° Responde pelo crime o
autor da coação ou da ordem.
2° Se a ordem do superior tem
por objeto a prática de ato
manifestamente criminoso, ou há
excesso nos atos ou na forma da
execução, é punível também o
inferior.
A coação aqui obrigatoriamente
é MORAL, já que a coação física
exclui o DOLO pois não há
vontade. Aqui exclui-se a
culpabilidade pela inexigibilidade
de conduta diversa.
A grande peculiaridade do DPM é
que nos crimes em que há
violação do dever militar, o
agente não pode invocar coação
irresistível senão quando física
ou material. (Art. 40)
Isso ocorre pois ao Militar existe a
obrigação de agir, bem como de
sacrifício da própria vida em
defesa de seus deveres militares.
ODEBIÊNCIA HIERARQUICA As forças militares se organizam com b) em estrita obediência a ordem direta
ODEBIÊNCIA HIERARQUICA
As forças militares se organizam com
b) em estrita obediência a ordem
direta de superior hierárquico, em
base
na
Hierarquia
e
na
Disciplina,
sendo
a
obediência
à
cadeia
de
matéria de serviços.
comando
essencial
a
sua
2° Se a ordem do
superior tem por objeto a
prática de ato
manifestamente
funcionalidade.
Se no DP comum, a ordem não deve ser
manifestamente ilegal, no DPM essa
criminoso,
ou
há excesso nos
atos
ou
na
forma da execução, é
punível também o inferior.
Em relação a obediência hierárquica
destacam-se dois sistemas: O das
baionetas cegas, no qual não é
dado nunca ao subordinado
questionar suas ordens
e
o
das
ordem não pode ser MANIFESTAMENTE
CRIMINOSA, pois ao militar não é dado
questionar a legalidade dos atos de
seus superiores. Já que possui o dever
de OBEDIÊNCIA. Se acredita na
ilegalidade da ordem que recebeu em
matéria de serviços deve sempre seguir
a cadeia de comando.
Baionetas Inteligentes, que o
admite. O Brasil adota um sistema
misto, pois a princípio não admite
contestetação, salvo se a ordem for
manifestamente criminosa.
Mas se a ordem for MANIFESTAMENTE
CRIMINOSA pode negar-se a cumpri-la,
mas se o fizer, adere a vontade do
Superior e responde com ele pelo crime.
DAS PENAS Código Penal Militar Art. 55. As penas principais são: a) morte; b) reclusão;
DAS PENAS
Código Penal Militar
Art. 55. As penas principais são:
a) morte;
b) reclusão;
As penas no direito penal militar
são bem diferentes das do direito
comum, pois refletem
peculiaridades da vida na caserna.
c) detenção;
d) prisão;
e) impedimento;
f)
suspensão do
exercício do posto, graduação,
cargo ou função;
Além disso, só o DPM admite a
pena de Morte, que será aplicada
somente em caso de GUERRA
DECLARADA.
g) reforma.
Art. 56. A pena de morte é
executada por fuzilamento.
Código Penal Militar Art. 55. As penas principais são: a) morte; b) reclusão; c) detenção;
Código Penal Militar
Art. 55. As penas principais são:
a)
morte;
b)
reclusão;
c)
detenção;
d)
prisão;
Ao contrário do CP comum que prevê a a
existência de 3 Regimes de
cumprimento de pena( Fechado, Semi-
Aberto e Aberto) o CPM só prevê o
regime FECHADO para cumprimento da
pena a que for o militar . Pelo art. 59 as
penas de detenção ou reclusão, de até 2
anos são convertidas em PRISÃO, sendo
cumpridas na forma dos incisos. A pena
superior a 2 anos é cumprida em
PENITENCIÁRIA MILITAR, ou , na sua
falta em presídio civil.
e)
impedimento;
Mas
se
for
cumprida
em
f) suspensão do exercício
do posto, graduação, cargo ou
função;
estabelecimento
civil(
por
militar
ou
civil)
aplica-se
a
Lei
de
Execuções
Penais( Lei 7.210)
g) reforma.
A diferença entre detenção e reclusão só
diz respeito ao máximos e mínimos de
pena, quando não previstos no tipo.
Ex. Art. 181( Arrebatamento de Preso)
Reclusão até 4 anos
Ex. Art. 223(Ameaça) pena detenção até
6 meses
Art. 58. O mínimo da pena de
reclusão é de um ano, e o máximo
de trinta anos; o mínimo da pena
de detenção é de trinta dias, e o
máximo de dez anos.
A pena de impedimento sujeita o condenado a permanecer no recinto da unidade, sem prejuízo
A pena de impedimento sujeita o
condenado a permanecer no recinto
da unidade, sem prejuízo da
instrução militar.
Código Penal Militar
Art. 55. As penas principais são:
a) morte;
b) reclusão;
c) detenção;
d) prisão;
A pena de impedimento é aplicada
nos crime de insubmissão ( CPM Art.
183), e impõe ao condenado a
obrigação de permanência no recinto
da Unidade Militar , recolhendo-se
após a sua instrução diária .
e) impedimento;
f) suspensão do exercício
do posto, graduação, cargo ou
função;
g) reforma.
É pena privativa de liberdade, pois,
ainda que não seja recolhido a
estabelecimento penal militar o
insubmisso tem a sua liberdade de
locomoção reduzida, eis que não
pode ausentar-se do recinto da
unidade.
Código Penal Militar Art. 55. As penas principais são: Trata-se de pena não privativa de
Código Penal Militar
Art. 55. As penas principais são:
Trata-se de pena não privativa de
liberdade em que há a suspensão
temporária do exercício (afastamento)
do Oficial( posto) ou do Praça(
Graduação) de suas funções.
a) morte;
b) reclusão;
c) detenção;
d) prisão;
e) impedimento;
f) suspensão do exercício
do posto, graduação, cargo
ou função;
g) reforma.
Art. 64- A pena de suspensão do exercício do
posto, graduação, cargo ou função consiste na
agregação, no afastamento, no licenciamento
ou na disponibilidade do condenado, pelo
tempo fixado na sentença, sem prejuízo do seu
comparecimento regular à sede do serviço. Não
será contado como tempo de serviço, para
qualquer efeito, o do cumprimento da pena.
Contudo, se a pena de suspensão não
puder ser cumprida em virtude da reforma
ou reserva do sentenciado, ela converte-se
em detenção de 6 meses a 1 ano.( § único)
Reforma é a passagem
compulsória do Militar para a
reserva, segregando-o do
Convívio de seus pares. So é
admitida aos Militares com
Estabilidade Assegurada.
Ex. de Crimes com tal apenamento:
Art. 204( Exercício de Comercio por Oficial)
Art. 324 (Inobservância de lei, regulamento
ou instrução )
PENAS ACESSÓRIAS Com a reforma de 1984 o Código Penal Comum, deixou de prever a
PENAS ACESSÓRIAS
Com a reforma de 1984 o Código Penal Comum, deixou de prever a
Figura das Penas Acessórias, que são aquelas decorrentes da imposição
de uma das penas principais já estudadas.
Tomar cuidado com essa regras pois o Art. 142
da
CF reza:
VI
- o oficial só perderá o posto e a patente
Art. 98. São penas acessórias:
I - a perda de posto e patente;
-
II
a
indignidade
para
o
oficialato;
III - a incompatibilidade com o
oficialato;
se for julgado indigno do oficialato ou com
ele incompatível, por decisão de tribunal
militar de caráter permanente, em tempo de
paz, ou de tribunal especial, em tempo de
guerra;
IV - a exclusão das forcas armadas;
V - a perda da função pública, ainda que
VII - o oficial condenado na justiça
comum ou militar a pena privativa de
liberdade superior a dois anos, por sentença
transitada em julgado, será submetido ao
julgamento previsto no inciso anterior;
eletiva;
VI - a inabilitação para o exercício de função
pública;
VII - a suspensão do pátrio poder, tutela ou
curatela;
VIII - a suspensão dos direitos políticos.
Oficial Incompatível é aquele
inconciliável com o Oficialato.
Indigno é aquele, torpe sórdido,
não merecedor dessa condição
Assim, se o Oficial for condenado a pena
igual ou inferior a 2 anos, é submetido ao
Conselho de Justificação, sendo após a
decisão desse conselho submetida a
Tribunal Militar( STM, TJM ou TJ). Se a
pena for superior a 2 anos o MP
representa diretamente ao tribunal.
Art. 98. São penas acessórias: I - a perda de posto e patente; - II
Art. 98. São penas acessórias:
I - a perda de posto e patente;
-
II
a
indignidade
para
o
oficialato;
III - a incompatibilidade com o
oficialato;
Essa pena acessória é aplicada
aos Praças das FFAA
condenados a penas privativas
de liberdade superiores a 2 anos
( CPM art. 102)
IV - a exclusão das forcas
armadas;
V - a perda da função pública,
ainda que eletiva;
VI - a inabilitação para o
exercício de função pública;
VII - a suspensão do pátrio
poder, tutela ou curatela;
VIII - a suspensão dos direitos
políticos.
Contudo as Praças das Forças
Auxiliares somente podem perder a sua
Graduação por decisão do Tribunal
Militar( Art. 125 da CF/88).
Com a exclusão das FFAA, o militar
passa a cumprir pena em Presídio civil,
ficando sujeito ao regramento da LEP,
inclusive com direito à progressão de
regime.
InaplicabilidadeInaplicabilidade dasdas PenasPenas RestritivasRestritivas dede direitodireito nnoo DPMDPM OO
InaplicabilidadeInaplicabilidade dasdas PenasPenas RestritivasRestritivas dede direitodireito nnoo DPMDPM
OO CCóódigodigo PenalPenal MilitarMilitar nãonão
previupreviu ,, aoao contrcontrááriorio dodo CPB,CPB,
asas penaspenas RESTRITIVASRESTRITIVAS DEDE
DIREITO,DIREITO, sendosendo entendimentoentendimento
pacpacííficofico nono STMSTM dede queque sãosão
incompatincompatííveisveis comcom aa realidaderealidade
castrense.castrense.
EstaEsta CorteCorte temtem entendimentoentendimento firmefirme nono
sentidosentido dede nãonão aceitaraceitar aa aplicaaplicaççãoão dada LeiLei
nnºº 9.714/98,9.714/98, queque dispõedispõe sobresobre penaspenas
restritivasrestritivas dede direitos,direitos, nãonão ssóó emem razãorazão dada
especialidadeespecialidade ee autonomiaautonomia dodo DireitoDireito
PenalPenal Militar,Militar, mas,mas, tambtambéém,m, porpor suasua
incompatibilidadeincompatibilidade comcom asas peculiaridadespeculiaridades
atinentesatinentes àà vidavida militarmilitar ee aoao militar.militar. (( STMSTM
Ap.Ap. 2004.01.0496882004.01.049688--22 ))
Contudo, a maioria da doutrina critica esse entendimento, pelo menos, em
relação aos Civis, pois entende que, nesse caso, a substituição da pena
corporal por outra restritiva de direitos em nada prejudica a Organização e a
Disciplinas Militares.
CONCURSOCONCURSO DEDE CRIMESCRIMES Concurso de crimes Art. 79. Quando o agente, mediante uma só ou
CONCURSOCONCURSO DEDE CRIMESCRIMES
Concurso de crimes
Art. 79. Quando o agente, mediante
uma só ou mais de uma ação ou omissão,
pratica dois ou mais crimes, idênticos ou
não, as penas privativas de liberdade
devem ser unificadas. Se as penas são da
mesma espécie, a pena única é a soma de
todas; se, de espécies diferentes, a pena
única e a mais grave, mas com aumento
correspondente à metade do tempo das
menos graves, ressalvado o disposto no
art. 58.
Concurso Material(CM): O agente
, com várias condutas pratica
vários crimes. Ex. Sd que furta bem
da Unidade e logo após deserta.
Concurso Formal: O agente com
uma só ação pratica mais de um
crime . Ex. Soldado que por
negligência atropela vários colegas.
O CPM dá o mesmo tratamento ao concurso material e formal( de forma
diferente do Direito Penal Comum), adotando o critério da exasperação
das penas quando diferentes( pega-se a maior e aumenta-se até a metade
do tempo da menos grave), e o critério da cumulação quando idênticas(
somam-se todas as penas)
Ex. Réu é condenado à pena de 3 meses de detenção por lesão corporal( CPM art. 209)
e 6 meses pelo crime de calúnia( CPM 214). Qual a sua pena? Como as penas são
idênticas( DETENÇÃO) soma-se: penal final 9 meses.
Ex. Réu é condenado a 6 meses de detenção por lesões corporais, e a 6 anos de
reclusão por homicídio. Qual a sua pena? Sua pena será a do mais grave acrescida da
metade da pena do menos grave(3 meses). Pena final 6 anos e 3 meses.
CRIME CONTINUADO Crime continuado Art. 80. Aplica-se a regra do artigo anterior, quando o agente,
CRIME CONTINUADO
Crime continuado
Art. 80. Aplica-se a regra
do artigo anterior, quando o
agente, mediante mais de uma
ação ou omissão, pratica dois
ou mais crimes da mesma
espécie e, pelas condições de
tempo, lugar, maneira de
execução e outras semelhantes,
devem os subseqüentes ser
considerados como continuação
do primeiro.
Parágrafo único. Não há
crime continuado quando se
trata de fatos ofensivos de bens
jurídicos inerentes à pessoa,
salvo se as ações ou omissões
sucessivas são dirigidas contra
a mesma vítima.
A figura do crime continuado é ficção legal pela
qual o agente, comete vários crimes, contudo,
em virtude de condições de tempo, lugar e
maneira de execução, a lei considera-os como
um crime único. Ex. Soldado que arromba
vários armários de seus colegas e deles
subtrai valores.
Contudo o CPM, em sentido totalmente
contrário ao CP, não considera o crime
continuado determinando a aplicação das
regras do concurso de crimes, ou seja ,
SOMA DE TODAS AS PENAS.
Mas a doutrina e jurisprudência,
entendendo a regra draconiana, mandam
aplicar a regra do art. 71 do CP,
considerando como existente um crime
único, aplicando somente uma das penas
exasperada de 1/6 s 2/3.
STM Ap 2000.01.048459-0 UF: BA No caso de
crime continuado deve ser aplicado
subsidiariamente o art. 71 do Código Penal, o
que possibilitou a redução da pena. Apelo
parcialmente provido. Decisão majoritária.
EXTINEXTINÇÇÃOÃO DADA PUNIBILIDADEPUNIBILIDADE PRESCRIÇÃO Em relação à prescrição no DPM, a situação mais
EXTINEXTINÇÇÃOÃO DADA PUNIBILIDADEPUNIBILIDADE
PRESCRIÇÃO
Em relação à prescrição no DPM, a situação mais digna de nota é a prescrição nos
crimes de DESERÇÃO E INSUBMISSÃO
Art. 131. A prescrição começa a
correr, no crime de insubmissão, do
dia em que o insubmisso atinge a
idade de trinta anos.
Art. 132. No crime de deserção, embora
decorrido o prazo da prescrição, esta só
extingue a punibilidade quando o desertor
atinge a idade de quarenta e cinco anos, e,
se oficial, a de sessenta.
No crime de insubmissão o termo
inicial da prescrição não será a
data de consumação do delito, mas
sim o momento em que o agente
completar 30 anos. Após essa data
o prazo prescricional será o do art.
125 do CPM( 4 anos).
Já na deserção o prazo prescricional
corre normalmente, mas somente
poderá ser declarado quando o
desertor completar 45 anos.
Em ambos os casos as regras só se aplicam aos acusados enquanto não
capturados( trânsfugas) com a captura o prazo passa a ser o do art. 125 do CPM.
Essas regras são necessárias pois ambos os crimes são permanentes, e não
fosse assim seriam imprescritíveis.