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Contos do Pistoleiro

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Igor D. faria
Poeira Ao vento

O salão estava parado, não vazio. Tinha uma mesa com


quatro jogadores, provavelmente jogando truco ou
algum jogo de cartas do tipo. Uma leve fumaça saia dos
quatro cigarros dos participantes do jogo. Quem via de
fora facilmente podia bater uma foto que seria
facilmente confundida com um quadro. Todos
analisavam o jogo, um olhava no olho do outro, as
cartas estáticas em suas mãos, parecia um velho duelo.
Que sacasse primeiro ganhava.

Um homem que já passava da idade de um dia ser


chamado de jovem sacou sua primeira carta, um 5 de
ouros. Ao seu lado um homem jovem, com uma barba
mal feita olhou com desgosto para aquela carta e riu.
Rapidamente colocou um 2 de paus, matando assim
sua carta. O parceiro do homem velho era o próximo,
um homem que também não estava na flor da idade.
Ele olhou atentamente para seu amigo, ele fez um sinal
com a sobrancelha, indicando talvez para evitar jogar
tal tipo de carta.

Ele pareceu entender o sinal, todos ali eram velhos


de guerra no quesito carteado. O homem jogou uma
espadilha, uma das cartas mais poderosas. O próximo
que iria jogar parecia que ia jogar uma carta, porem ao
ver a espadilha de seu amigo ele recuo um pouco,
pensando ainda mais qual carta ia mandar.

Os copos em cima da mesa tinha metade da cerveja


a algum tempo, parecia que ninguém ia abusar beber
no meio de uma partida, que pelo jeito estava valendo
alguma grana poderosa.

O dono do bar olhava para aquele jogo sem


interesse algum. Era uma mesa que não gastava
enquanto jogava, pedia uns copos antes da partida
começar, alguns cigarros eram pedidos e depois
somente mais tarde.

Porem aquilo já era melhor que nada, havia outras


pessoas no bar, porem já estavam cansadas, bebendo
pouco ou só amolando mesmo. Fazia muito tempo que
aquele bar ficava cheio, a cidade também não era das
mais populosas. As vezes ser dono de um bar era
tedioso, não tendo nenhuma emoção enquanto
trabalha nem nada. Naqueles tempos eram rara as
mulheres que apareciam lá, um bar era um ambiente
mais para homem, e ainda mais um bar sujo como
aquele.

Ele voltou sua atenção para o jogo de carteado, cada


um tinha uma carta na mão, os olhares fuzilavam uns
aos outros. Parecia que aquela era a ultima rodada, que
ganhasse, iria ganhar todo o jogo. Suor brotava das
testas dos quatro que estavam na mesa. Ninguém
parecia ter confiança das cartas que tinham em mãos,
sempre temendo a carta do inimigo, imaginando o pior.

Os quatro pareciam ser estatuas, só movendo os


olhos, esperando alguém gritar truco ou algo do tipo. O
homem mais velho da a cartada, mostrando ser um as
comum, enquanto seu inimigo que estava a sua direita
olhou para aquele um com desgosto, jogando um rei
acima. O parceiro do homem mais velho pareceu
aliviado, jogando um 5, demonstrando não ter carta
alguma consigo.

O outro homem sobrara com uma carta, fuzilava a


visão de seus adversários.

- Truco – disse ele baixinho, parecendo que não


queria acordar ninguém ao seu lado.

Os dois parceiros velhos olhavam um para outro, por


enquanto o as do seu amigo fazia, mas o as não era
uma carta a lá muito confiável, qualquer carta ali
poderia mata-la sem qualquer problema.

Ele pensou um pouco, ficou refletindo como se


aquilo valesse sua vida.

- Então pode mandar – disse o dono do as.


Ele virou a cara e mandou um cinco, demonstrando
que estava somente blefando.

- Acho que ganhamos uma boa grana – disse o


homem mais velho.

O dono do bar foi para dentro, tinha alguma coisa


para fazer. Todos estavam agora mais relaxados,
prontos para uma próxima partida.

Estavam dois bêbados deitados em cima de uma


mesa com uma garrafa ao lado. Pelo jeito não iriam
levantar tão cedo assim.

Para um dia comum de quarta, ate que aquela noite


não estava ruim na base de lucros.

Um homem empurra a porta, pelo jeito só era um


bêbado comum, não estava querendo nada além de
bebidas. Suas roupas sujas de poeira, uma cara de
quem bebeu todas no ultimo bar e foi para aquele em
busca de mais bebida.

- Boa noite meu jovem -disse o dono do bar – sente


em uma mesa e peça alguma coisa.

Ele pareceu não entender muito bem, ficou olhando


para a cara do dono do bar. Ele já estava acostumado
com esse tipo de cliente, que ficava olhando para ele
com a maior cara de abestado.
- Vocês conhecem um tal de Clint Barton? – disse o
homem que estava na porta.

O tempo naquela espelunca que um dia foi chamado


de bar parou, todos ficaram na mesma posição,
deixando todos os músculos parados, podia escutar ate
um bater de asas de moscas.

O homem olhou para todos, parecia não saber onde


Clint estavam. Clint era um homem muito procurado,
ou era serviço ou alguém encomendando sua morte.

Ele pareceu desanimar depois disso, sabia que


ninguém saberia sobre ele.

- Por que você quer Clint meu amigo? – disse o dono


do bar escorando um cotovelo sob o balcão.

- Não sou eu quem esta a procura, é um amigo meu


que precisa de seus serviço.

- Você sabe que Clint não é um homem que se vende


barato. Ele pode se vender a quase todos, mas se fugir
de alguns de seus princípios já era. Mas não sei se seu
amigo pode paga-lo. De todo modo, ele passou por
aqui já tem alguns dias, pelo jeito Clint é um cara que
ama bar e algo do tipo, sempre em busca de algum tipo
de trabalho.

- Você não sabe para qual cidade ele foi?


Nesse momento todos os quatro que estavam
jogando cartas olharam para ele.

- E você acha que aquele filho da puta vai falar isso


para alguém? Por favor ne, Clint as vezes é fechadão.
Mas de todo modo eu sei que nessa cidade ele não
esta.

O homem pareceu ficar triste, deu as costas para


todos no bar e saiu.

Era como achar uma agulha em um palheiro e algum


lugar no mundo, porem Clint as vezes era mais difícil
que isso.

Em cima de um cavalo, uma jovem moça cavalgava


para mesma cidade de onde o outro homem procurava
Clint. Não iria demorar muito para ela chegar no
destino desejado. Aquelas estradas estavam horríveis
para pior. Seu cavalo já teve dias melhores, agora só
andava com ele para não ter que ir a pé, era muito
provável que ninguém iria dar um tostão sequer
naquele velho animal.

Ela usava um simples vestido branco, que


necessitava de uma lavagem para tirar a sujeira de
poeira que ela encontrava no caminho. Ela também
estava a procura do enigmático Clint Barton, tinha
alguma coisas para acertar com ele. Na cela do cavalo
havia uma pequena sacola de dinheiro que toda vez
que o cavalo dava pequeno galopes podia escutar o
tilintar de algumas moedas. Ela pensou que algumas
serviriam para depois, precisava arrumar um local para
dormir.

Ficou sabendo em um lugar que Clint era um homem


caro, que seu preço era muito bem exigido. Ela
necessitava de todo modo salvar seu filho, porem Mary
achava que aquilo não seria o bastante.

Mais a frente ela viu uma pequena placa que


indicava uma cidade, porem suas escrituras já estavam
apagadas impossibilitando assim de ler alguma coisa. O
sol que estava começando a ficar forte batia em sua
nuca, enegrecendo com a medida do tempo. Ela era
um mulher muito branca, com cabelos já sem cor,
porem era acostumada a andar debaixo do sol, devido
a vários trabalhos nos campos da região.

Ela sentia o ar seco, necessitava a muito tempo de


um banho. Não estava com tanta sede assim, tinha
comprado agua ate mais a trás, uma agua não muito
boa porem uma que saciava a sede.

Seu cavalo não era dos mais resistentes, porem


estava conseguindo aguentar uma boa distancia, então
já dava para o gasto. Quando ela se aproximou mais da
placa, viu a cidade um pouco maior, com algumas casas
de madeiras e alguma pessoas andando pelas ruas. Ela
ficou sabendo que havia cidades que eram o maior
completo deserto, que chegavam a ser comandadas
por um único dono.

Um cachorro que estava repleto de doenças viu


Mary e seu cavalo chegarem, não gostando muito
disso. Partiu a latir para os dois, porem parecia que o
cavalo nem via o pobre animal, andando como se nada
tivesse acontecido. Ela viu que bem próximo a entrada
da cidade havia um pequeno estabulo, que já se
encontrou em melhores condições.

Ela aproximou seu cavalo, que não tinha um nome


por que Mary achava uma coisa dessa uma bobagem.
Ela pode sentir um leve aroma de feno vindo do
interior do lugar, desceu do cavalo e não quis amarra-lo
em lugar nenhum, achou melhor deixar livre. O cavalo
não era muito fã de dar suas fugidas.

Com um chinelo de dedo, ela andou ate a porta e viu


um homem barbudo, que devia ter seus quarenta anos,
a julgar pela condição de sua pele.

- Bom dia – disse Mary não sabendo se já tinha


passado da hora do almoço ou não.

- Boa tarde – disse o homem, cujo a voz era uma


coisa rouca que necessitava de um tratamento na
garganta – o que você quer?
Mary viu que a educação deveria ser uma de suas
ultimas qualidades. Pensou em pedir para ele para
deixar seu cavalo beber um pouco da agua que estava
ali dentro, porem pelo humor do homem, isso tinha
que ser pago.

- Vim de uma cidade distante – disse Mary já


tentando impor uma encenação de suplica – queria
deixar meu cavalo aqui para...

- Leve ele para sombra minha filha, a agua aqui em


baixo esta fresca – disse o homem olhando para o
pobre cavalo – seu cavalo parece que não esta no auge
de sua saúde pelo que posso ver. Infelizmente não
tenho alguns dos remédios para tratar de algumas de
suas feridas, mas vejo o que posso fazer.

Era raro encontrar alguém disposto a ajudar nos dias


de hoje. Após a Maior Guerra eclodir, parecia que as
pessoas estavam interessadas no próprio umbigo,
mandando quase todos se foderem. Ela pegou a corda
e levou o cavalo ate a sombra. Era uma sombra muito
fresca, um clima totalmente diferente do que ela
estava do lado de fora. A quantidade de agua nas
vasilhas deixavam o ambiente ainda mais úmido, Mary
podia deitar facilmente em uma rede ali e dormir por
horas, sem nem lembrar de quem na verdade estava
procurando.
- De qual região você é minha filha? – disse o
homem pegando alguma coisa dentro de uma velha
caixa de madeira.

- Venho do norte, nasci lá, mas morei boa parte


nessas regiões.

- Seu rosto não me é estranho – disse o homem


coçando uma rala barba em sua face – de todo modo,
encontramos diversos rostos por ai, pensamos ser
iguais aos outros. Vejo que você também precisa de um
banho. Porem isso fica meio difícil de te dar, agua esta
pouca aqui em casa...

- Te dou uma moeda pelo banho, e mais uma se


tratar de meu cavalo – disse Mary conhecendo aquele
tipo de conversa.

- Já que você insiste, eu ia tratar de seu cavalo de


graça, mas com uma moeda da para arranjar algum
remédio melhor. Minha casa fica aqui atrás, o banheiro
tem um trinco interno. Não vai dar para olhar na
fechadura, se bem que eu queria. Então pode tomar
banho tranquila, não vou ser um maníaco sexual.

- Tudo bem, e aqui você serve comida também?

- Ai eu acho que é melhor você perguntar em um


restaurante. Minha comida é horrível e pouca, então
nem se você pagar eu faço para você.
Mary entendeu a situação.

- Vou tomar um banho então, e quero descansar um


pouco, pelo ate a noite. para então seguir viagem mais
tarde.

- Você pode dormir um pouco em minha cama, não


vou abusar de você, se bem que eu queria pelo dormir
com você.

Mary analisou o homem, viu que o homem parecia


ser mais novo do que aparentava. Somente sua pele
que era um pouco judiada, as doenças de pele não
eram muito raras depois da explosão de algumas das
bombas das guerras. Pensou se ele melhorasse sua
aparência depois de tomar um banho e fazer a barba.

- Talvez eu possa dormir com você, vou pensar nisso


com calma. Mas gostaria pelo menos que o senhor se
arrumasse.

Aquilo fez o homem se animar um pouco, porem


continuou a tratar de um cavalo que estava com um
forte machucado nas costelas.

- A minha casa é ali – disse ele apontando para uma


direção – pode ir lá tomar um banho, não demoro a ir
para lá. Se você quiser ir comprar alguma coisa de
comer, tem um armazém mais a frente. Pode ate tirar o
dinheiro do banho para ir lá comprar. Aconselho a
comprar os alimentos da prateleira a esquerda, eles
estão mais baratos por que não demoram a vencer.
Então que coma no mesmo dia.

- Obrigado - disse ela indo em direção a seu cavalo


pegando duas moedas – eu sei quantas moedas tem
em minha bolsa, então não adianta tentar pegar. Se
bem que eu acho que você não é disso.

- A coisa que mais acontece atualmente é que


desconfia de alguém, você não esta errada garota, tem
que sempre abrir o olho.

Mary já estava quase saindo quando decidiu se virar


e voltar a falar com o homem.

- Eu ainda não perguntei qual era o seu nome – disse


ela – meu nome é Mary.

- Prazer, meu nome é Matheus Rodrigues.

O armazém não era nem de longe o maior lugar que


já vira, porem para uma pequena cidade estava ate
grande. Não precisava de um wall mart nem nada, para
uma cidade com quase ninguém, aquilo já estava de
ótimo. E o mais importante, os preços estavam ate
bacanas. Um velho, devia ter seus cinquenta anos,
atendia num balcão de madeira. Parecia não se
importar quando Mary chegou. Ele analisou todas as
prateleiras, tendo que voltar a primeira, no qual os
preços estavam mais em conta. A qualidade dos
alimentos não eram das melhores, porem para comer
no mesmo dia já estava ótimo.

Parecia que a revista que estava a frente do homem


era uma coisa interessante, Mary podia ate roubar
alguma coisa que ele nem iria se importar ou nem
mesmo ver.

Ela tinha pegado duas caixas de leite e uns dois


pacotes de bolacha, talvez daria para passar a noite.

Ela viu os preços na prateleira, assustando um pouco


com o preço baixo. Olhou a data de validade do
produto e viu o por que do preço. Deixou uma moeda
no balcão e o senhor da revista só concordou, dizendo
que estava tudo certo.

Com uma velha sacola, Mary saiu do armazém e foi


ate a casa de Matheus. Pensava como seria aquele
homem sem roupas, na verdade todos homens eram
iguais, ao menos que tivessem perdido alguma parte,
mas só de pensar em um peitoral peludo já fazia
estremecer um pouco. Quando viajava muito as vezes
sentia falta de alguém, alguma pessoa para ir para
cama. A cidade era silenciosa demais, ate as poucas
pessoas que passavam por ela nada falavam. Com uma
sacola que parecia que iria se arrebentar com o peso
dos leites e da bolacha, não era as melhores sacolas do
mundo. Abriu a porta, já se sentindo de casa. Colocou
tudo em cima de uma pequena mesa de madeira que
tinha um pé manco, no qual ela ficou com um pouco de
medo de cair.

Matheus chega pouco tempo depois, com uma


corda bem suja na mão. Mary pensa um pouco que ele
podia pega-la e amarra-la, mas não iria fazer isso. Ele
bufafa, parecia estar cansado com alguma coisa, pelo
jeito seu trabalho braçal exigiu muito.

- Você vai tomar banho primeiro? Ou eu vou – disse


ele.

- Vamos tomar esse banho mais tarde, um pouco


antes de dormir. Vou dar mais uma passada na cidade
para perguntar algumas coisas.

- Tudo bem, enquanto isso vou tratar um pouco mais


de seu animal, que já descansa bem melhor. Vejo que
você não era a maior tratadora de animais dessas
regiões.

- Eu nunca soube tratar de um cavalo, nunca fui


veterinária nem nada. ele estava começando a dar
grandes feridas, eu não podia fazer nada, eu nem sabia
fazer nada – disse Mary – mas de todo bom que
encontrei você. Já estou indo.

Ela saiu e deixou Matheus para cuidar de seu animal.


Ela foi em direção a um bar, no qual ele sempre soube
que esse tipo de lugar tinha gente que sabia das coisas.
Já lera em alguns livros que os barman são o tipo de
pessoa que sabe sobre tudo que passou pela cidade.

Quando saiu da casa de Matheus, ela viu a sua


frente uma rua grande e larga, estava procurando por
alto onde ficava o bar. Não queria perguntar isso a
Matheus, provável que ele iria enche-la de perguntas,
ela não queria ficar falando motivos para todos.

Andou um pouco, a poeira abaixo de seus pés subia


alto, sujando ainda mais seu vestido branco. Ela
começou a sentir calor novamente, não igual sentia na
estrada, mas estava mais quente que a sombra fresca
do curral de Matheus.

Andou no que devia não ser nem cinco minutos, e


sua boa visão viu uma placa indicando que tinha um
bar, com um chamativo letreiro indicando “Fish Bar”.

Mary achou o nome um tanto quanto idiota, mas


isso não importava, tendo alguém no bar ela poderia
perguntar onde estava tal homem. Apertou um pouco
mais seu passo para chegar mais depressa no bar.
Escutou de longe que tinha alguém conversando lá
dentro. Abriu a porta e se deparou com um homem
quase saindo pedindo licença. Ela com a maior
educação o deixou passar. Ela tinha visto também
quatro caras jogando algum tipo de carteado. Pareciam
concentrados no jogo. Dois homens estavam deitados e
dormindo em sua mesa, pelo jeito o único homem que
podia fornecer algum tipo de informação era o barman,
no qual ficou levemente surpreso com sua chegada.

Mary colocou o primeiro dentro do bar, um dos


quatro caras da mesa deu um leve assovio e um
pequeno comentário com seu amigo ao lado.
Infelizmente Mary não escutou, mas já imaginava o que
era.

Ela tinha toda sua graça ao andar, porem nos


primeiro passos ela teve uma vontade de espirrar. O ar
dentro daquele lugar parecia parado, parecia que não
rolava nenhum tipo de ventilação. Depois ela sentiu o
forte cheiro de suor, no qual as vezes a excitava, e
posteriormente sentiu o cheiro de cigarro.

Seu vestido parecia colar em seu corpo, quando ela


passou pelos homens da mesa de cartas, todos olharam
para seu traseiro redondo.

- Boa tarde – disse ela para o barman – queria saber


sobre uma coisa.

- Diga garota – disse o barman ficando parado


olhando para seus seios.

- Queria saber onde posso encontrar um homem


especifico, soube que ele passou por essa cidade.
- Preciso de nomes garota – disse o homem dando
um pequeno pigarreio com a fumaça do cigarro da
mesa de cartas.

- Barton...

- Parece que tem cara que é mais procurado que


pílula do dia seguinte depois dos dias dos namorados –
disse um homem que estava jogando cartas.

- Como assim – disse Mary assustada – ele é muito


procurado?

- Um bom herói de aluguel nesses tempos são


difíceis de arranjar, mesmo que ele tenha seus
princípios garota, ele é quase unanimidade nesse
quesito – disse o barman - Mesmo ele tendo um alto
preço para cobrar, parece que quando aceita um
trabalho ele não descansa ate terminar.

- Não sabia de muita coisa dele, mas de todo jeito


você o conhece...

- Não o conheço, as vezes acho que é ate lenda.


Nunca realmente o vi, tudo que sei são boatos que
corre por ai. Mas o que você quer com ele?

- Eu só queria saber onde ele estava, queria


contratar um serviço dele.

- Arrume um lugar para ficar pelo menos por uns


três dias. Fiquei sabendo que se você rezar e torcer um
pouco, pode ser que ele aparece, mas só se você
realmente estiver precisando de ajuda...

- Esse Clint é um santo por acaso? Rezar para


aparecer?

- Eu iria rezar para ele não aparecer – disse o


homem jogando uma carta na mesa.

Mary ficou sem saber o por que do comentário.

- Como vou saber quem é esse Clint Barton?

- Você vai saber quando encontra-lo – disse o


barman.

Mary ficou em duvida, mas sabia que não


conseguiria puxar mais nada dali. Decidiu voltar para
casa.

Quando chegou próximo a porta, ela viu Matheus


com uma enxada na mão e assoviando uma musica no
qual ela pensou ser um rock mais calmo. O mais
estranho as vezes de Matheus era que ele trabalhava
sem camisa, mesmo abaixo daquele sol quente de
rachar. Ela viu primeiro suas costas, vendo que tinha
largos músculos bem trabalhados. Ela sentiu uma
pequena pontada de prazer, ate que se ele tomasse um
banho não iria se jogar fora. Matheus estava suado,
dando enxadadas da terra para plantar alguma coisa
que ela não sabia o que. Seria difícil encontrar Clint,
porem podia descansar na sombra com Matheus um
pouco ate ir para próxima cidade.

Ela entrou para dentro de casa e percebeu como lá


dentro era muito bem arrumado. Uma casa simples,
duas cadeiras para uma solitária mesa. Não havia
muitos pratos, somente dois, no caso de aparecer
alguma visita. Os talheres também só compunham a
pequena coleção de pratos, porem tudo na pequena
cozinha de Matheus era arrumado.

Ela viu um pequeno sofá de dois lugares, ela


imaginou que antes Matheus era casado, ou morava
com alguém. Porem essa pessoa deve ter morrido por
causa da guerra ou doenças que vieram depois. Olhou
também uma pequena televisão de 14 polegadas,
somente para ver os tristes noticiários noturnos.

Sempre quando conhecia uma pessoa ela imaginava


como seria sua vida antes, mesmo olhando para o
semblante de uma pessoa ela não conseguia imaginar
muita coisa, vendo a casa já conseguia adivinhar
melhor. Viu um pequeno aparelho de radio, que pela
poeira em cima dos botões, não devia ser ligado a
algum tempo.

Devido a poeira vindo em seu rosto, ela decidiu ir no


banheiro para lavar o rosto um pouco. Abriu a pequena
e velha porta de madeira, encontrando assim um
pequeno e acomodado banheiro. O vaso e o chuveiro
eram bem próximos, um pequeno espelho acima da pia
bem limpa.

Ela pensou que iria se assustar com sua face no


espelho, porem não achou tão estranho quando viu
uma mulher com o cabelo sem cor e todo
desgrenhado. Um rosto cansado e com olheiras, lábios
secos e uma cara de triste. Antes ela tinha pensado que
era melhor Matheus dar um trato em si mesmo para
dormir com ela, agora ela imaginou o contrario.
Matheus estaria sendo generoso em dormir com ela
naquela aparência. Percebeu também que sua face
estava um pouco esquelética, fazia tempo que não
comia nada de nutritivo.

Resolveu tentar ajudar Matheus em alguma coisa.


Lavou rapidamente seu rosto e foi encontra-lo lá fora,
ainda dando enxadas, porem em outra parte da terra.

- Matheus – disse Mary chamando da janela igual a


alguns filmes – no que eu posso te ajudar aqui? Se
quiser arrumo a casa para ti.

- Não precisa – disse ele de costas – eu já arrumo


todos os dias e mantenho-a limpa. Se quiser pode ir dar
uma olhada em seu cavalo para ver se sua situação esta
das mais agradáveis.
Ela fez um biquinho, queria ajuda-lo. Por ele expor
sua casa e a convidar para dormir ali era uma coisa boa,
queria retribuir isso além de deitar-se com ele.

Foi para seu quarto, vendo um belo guarda roupa


com varias portas, uma cama de casal bastante grande,
imaginando que ele realmente seria casado. Viu que a
cama era muito bem arrumada, no qual ela teve a
certeza que Matheus era um homem muito bem
organizado, mesmo com seu jeito meio sujo.

Sentou na cama e olhou para o guarda roupa, teve


uma súbita curiosidade de abri-lo, ver quais tipos de
roupas Matheus ainda guardava e usava. Não devia ser
roupas muito chiques, ser roupas somente para
trabalho. Não tenho nenhum trinco nem nada que
obstruísse a sua abertura. Sua mão, tremendo com um
pouco de medo que Matheus a pegasse mexendo em
algo, foi para abrir a porta. Parecia que seu rangido era
alto e iria chamar a atenção de Matheus mesmo do
lado de fora.

Quando ela abriu lentamente, ela viu roupas


femininas. Um lindo vestido azul com cores realmente
vivas foi sua primeira visão, logo após ele havia camisas
mais justas, tomara que caia, tops e calças legs e jeans.
Ela imaginou qual seria o corpo da ex-esposa de
Matheus, sendo realmente parecido com o dela. Pegou
um top e colocou na frente de seu torso. Ficou com
receio de Matheus chegar na porta e vê-la usando
aquelas roupas. Antes de pegar ela olhou para trás para
verificar a porta, não encontrando nada a não ser a
pequena varanda sombreada.

Levou o top branco a sua frente, vendo que o


tamanho do dorso era igual, o volume dos seus seio
eram, ou deveriam ser, levemente maiores do que de
sua ex-esposa. Ficou uma pequena parcela de tempo
com ele a sua frente, depois devolvendo ao seu lugar
de origem.

Ela nem percebeu que Matheus ficou no umbral da


porta a observando, porem nada falou.

Em um riacho, a quilômetros de distancia de


Matheus e Mary, estava uma pequena casa. Nessa
humilde moradia, morava um senhor que devia já ter
seus setenta anos, muito bem vividos por sinal. A casa,
como todas outras naquelas regiões, era simples, tendo
somente um quarto cozinha e banheiro. Em seu quarto
tinha duas camas, uma para ele e outra para seu neto.
Seu neto devia ter quinze anos, ele nunca se lembrara
de fato qual era sua idade. Como ambos não
trabalhavam, o sustento de sua alimentação era tirado
dos rios ali próximos.

O garoto estava fora de casa, foi pescar com uma


rede numa lagoa mais distante. Os peixes a muito
tempo eram normais, porem devido próximo aquelas
regiões uma pequena bomba de radiação ter
explodido. Não era fora do comum encontrar peixes
alterados. A partir de um tempo, era raro encontrar
normais.

Não muito tempo atrás, cinco anos talvez, a bomba


havia caído por ali. Eles descobriram meses depois que
a bomba caiu do avião por acidente, sendo somente
nem 0,05 % da bomba original, que seria destinada a
uma vila de contrabando.

Quando estava sozinho e pescando, ele imaginava


como seria seu futuro. Será que seria viver sua vida
inteira cuidando de seu velho avo? Ou seria como a de
seu pai, mandado inutilmente para uma guerra,
morrendo de intoxicação sem nem sequer pisar no
campo.

A primeira levada da rede pescou somente dois


peixes, sendo um que tinha quatro olhos, dois grandes
e dois logo abaixo dos “comuns”, e um que tinha duas
caldas, no qual ele ate gostou que daria mais carne
para comer.

O governo distribuía alguma vacinas para combater


a radiação, porem ele não acreditava que iria adiantar
muita coisa. Sua situação era como a de diversos
meninos por ai, ou comia comida com radiação para
viver, ou morria de fome.
Mesmo com um lago a sua frente, ele não via muita
vida nas florestas próximas. Parecia que as frutas não
iriam crescer. Ele sabia que existia diferentes tipos de
radiação, e pelo jeito a que cairá próximo a sua casa,
era das que alterava o Dna ou algo do tipo.

Ele pensou em abandonar seu vô um dia, queria sair


pelas estradas, tentar a sorte. Sabia que aquilo iria ser
arriscado, mas pelo menos era melhor que nada.
depois de um tempo esperando resolveu recolher a
rede novamente, achando assim somente dois peixes.

Peixes era uma forçada de barra chamar aqueles


dois seres com mistura de sapo e peixe, sendo somente
uma bola de carne disforme que só sabia que tinha
alguma fagulha de vida devido a leve movimentação de
alguma coisa que poderia ser chamado de membro.

O garoto sabia que se assasse aquilo, estaria muito


bom comer. Ouviu em um noticiário uma vez quando
foi para a cidade, que quando esquentasse bem a carne
com óleo poderia retirar assim sua radiação. Ele podia
somente esquentar, mas já imaginou que iria ajudar
mais que as vacinas do governo. Pensou em ficar
pescando mais, porem pensou que não iria tirar muita
coisa dali. Colocou na sua bolsa aquilo que ele um dia
chamara de alimento e seguiu viagem de volta para
casa.
O ambiente local era uma coisa um tanto quanto
bizarro. Mesmo com um lago a sua frente, ele andava
cerca de dez passos em direção contraria e já via um ar
mais seco, parecendo que o lago ali nunca tivesse
existido.

Com uma mochila que carregava os alimentos e uma


mão, e na outra os itens de pesca, o jovem garoto
seguiu rumo sua casa.

Seu velho avô estava sentado junto a janela,


olhando para o mais completo deserto a sua frente.
Ficou parado olhando o nada, pensando que iria
aparecer alguma coisa de importante ou algo do tipo.
Sua vida já tinha perdido a total graça, não queria
expulsar seu neto dali, porem devia ordenar o garoto
caçar um rumo nada vida para não ficar cuidando de
um velho que já estava nas ultimas.

Ele pensou que seu neto ainda era novo, não tinha
muitas malicias da vida. Ficando e cuidado de um velho
não iria adicionar em nada sua vida. Ele tinha alguns
antigos livros sobre medicina perto da cabeceira de sua
cama, eram coisa realmente velha porem com
informações uteis. Pensou em dar um para o garoto
para ele seguir viagem, um sobre plantas venenosas e
nutritivas.
Ele pensou como seria viver sozinho novamente,
porem primeiro teria que conversar com seu neto.
Pouco tempo depois de sua breve reflexão de vida, ele
viu seu neto andando com uma face triste, parecia que
a bolsa tinha não muita coisa, o garoto andava com a
cabeça baixa e não muito animado.

Ele conhecia muito bem o semblante de seu neto,


ultimamente aquela cena era frequente. Sabia que ele
não tinha pescado grande coisa assim.

Recostou em sua cadeira e esperou seu neto


aparecer. Ele empurrou a parte somente com o ombro,
deixando assim sua sacola na mesa com maior
desanimo desse mundo.

- Vejo que hoje a pesca não foi das melhores – disse


seu avô.

- Vendo que estamos pescando no ultimo mês, essa


de hoje ate que não esta ruim assim – disse ele – mas
acho que quatro peixes não dão para muita coisa. Mas
se esquentarmos assim acho que não iremos passar
fome sabe.

- Filho, estava pensando comigo – disse seu avô –


não acho que você queria muito ficar comigo. Antes de
você ficar surpreso ou mesmo falar algo comigo espere
eu falar. Eu já tenho 70 anos, e uma pessoa que
consome, mesmo que for um pouco de radiação, não
vai durar muito tempo nessa minha idade, você sabe
muito bem. Não quero que você viva toda sua vida
cuidando de um cara moribundo como eu. Realmente,
vai passar mais quanto tempo pescando essas merdas
de peixes que vemos por ai.

Seu neto ficou olhando aquilo meio impressionado


com a atitude de seu avô, não sabia que ele era do tipo
explosivo. Pegou uma cadeira e sentou para escutar,
pois sabia que a historia seria um pouco grande.

- Vai ficar ate os 24 anos de sua vida cuidando de


mim? Enquanto você não conhece nenhuma menina
nem nada do tipo. Com 24 anos você vai procurar um
emprego sendo que a única coisa que você sabe vai ser
cuidar de um velho?

A cada frase dita, parecia que uma lagrima brotava


do velho rosto enrugado de seu avô. O menino tentava
ser forte, porem não conseguia segurar muito bem as
lagrimas.

- Mas não quero te abandonar aqui, vou deixar


assim sem mais nem menos? Isso seria um pecado
realmente grande – disse ele.

Ele realmente queria sair dali, mas não daquele


modo, discutindo com seu avô.

- Pecado? Você realmente acredita em uma merda


que alguém chama de religião? Se essa merda existisse
ele teria ouvida a mim e trago sua mãe – disse seu avô.
Seu neto via acima de sua cabeça vários santos e
figuras religiosas. Com certeza ele era um religioso a
algum tempo atrás, porem largou tal habito por algum
motivo que ele jamais saberia.

- Va esquentar esse peixe, depois disso eu quero que


você vá. Peço que aproveite sua vida garoto.

Ele foi para a cozinha calado, sabia que era a hora de


tentar uma vida nova.

A noite não demorava a chegar por aquela bandas.


Matheus estava na sala assistindo televisão, porem ao
fundo o barulho do chuveiro ligado indicando que Mary
era uma pessoa que não era fã de banhos rápidos. Ele
não iria achar ruim com ela por vários motivos. Ela
estava suja e provável que iria dormir com ele.

Ele ainda não tinha ido tomar seu banho, o


combinado era ela primeiro para ai sim ele. Tinha
deixado em cima de sua cama um pequeno pijama no
qual imaginou que iria servir em seu corpo.

Ele parecia sentir o aroma feminino dela invadindo


toda a casa. Se arrependeu um pouco por não ter
produtos de cabelo bons para satisfaze-la, tendo
somente um sabonete e um shampoo, que raramente
usava.
O noticiário da noite era somente uma forma para
disfarçar que ele estava prestando atenção no
chuveiro, ele a ouvia cantar uma musica de alguma
banda que ele não sabia. Sua voz era boa, parecia que
ela estava mais calma naquele momento. Ela tinha
encontrado um local para dormir e tomar um banho.

Depois do que pareceu ser uma eternidade, ela


desligou o chuveiro e se enrolou em uma toalha que
ele havia deixado. Quando abriu a porta, saiu uma
grande onda de vapor, mostrando que ela estava quase
em uma sauna. O caminho do banheiro ate seu quarto
não passava pela sala, sendo assim Matheus não viu
Mary toda de toalha.

Também não era seu desejo naquele momento, iria


tomar um banho e dar um trato na barba. Se limpar
todo por que uma pessoa estava esperando na cama.
Ela pode ver alguma pequenas olhadas de Mary em seu
corpo. Ficou feliz, não sabia a ultima fez que tinha
dormido com alguém, talvez alguns anos.

Entrou para dentro do banheiro e viu um espelho


todo embaçado por causa do vapor deixado por Mary,
tendo que passar o antebraço para limpar e olha a
situação de sua face.

Analisou seu rosto, vendo que não estava uma coisa


muito ruim, mas era algo a ponto de melhorar em
muito. Fazia tempo que não preocupava com esse
quesito, aparência não era importante para quem
trabalha no campo.

Ele ligou o chuveiro e deixou cair uma agua quente


sob seus ombros castigados pelo sol forte do lado de
fora. Passou agua em todo cabelo, e depois pegando o
shampoo para dar um ar ainda melhor para sua futura
aparência. Ele lavou partes que antes não lavava, ele
não era um dos homens mais zelosos do mundo. Seu
sabonete ensaboou seu corpo inteiro, deixando assim
depois a agua jogar a sujeira para o ralo.

Teve uma súbita vontade de olhar seus pés, não era


os mais belos do mundo e realmente chegar na cama
com uma mulher e com um chulé não era das melhores
coisas para se fazer. O banho foi demorado, ele
preocupou em se lavar todo para Mary. Tinha levado
consigo uma bermuda mais leve para dormir.

Quando terminou o banho olhou no espelho para


dar mais uma visualizada em seus dentes e barba.
Rapidamente escovou se barbeou, quase não
reconhecendo a si mesmo na frente do espelho.

Deu uma ultima fungada e decidiu ir para seu


quarto. Quando abriu a porta, mais uma mare de vapor
saiu, indicando que seu banho fora igual o de Mary. Ele
esteva bem mais a vontade, com a barba bem feita e
totalmente limpo, parecia que o ar a sua volta era
melhor.
Ele foi andando lentamente te seu quarto, tendo
cuidado ao olhar para a porta e ver Mary, queria vê-la
ao poucos. Com os pés descalços naquele frio chão de
sua casa, ele foi ate a porta e viu Mary usando um
pijama, lindo e muito em justo ao corpo. Ele tinha
pedido que pegasse o vestido que ela veio e deixasse
para lavar.

Ficou analisando com calma aquele vestuário colado


a seu corpo. Ela parecia estar distraída, olhando sem
muita pretensões uma revista de perfumes que
Matheus havia deixado na mesa.

- Esse pijama ficou muito bem em você – disse ele


tentando esconder o nervosismo atrás de sua voz –
acho que serviu bem.

- Obrigada – disse ela sem jeito – acho que faz muito


tempo que não uso algo do tipo. Ultimamente ando
dormindo muito na rua.

Ele aproximou dela, ela tinha jogado a revista de


lado e deitado de barriga para cima. Num leve
momento, a parte de cima do pijama mostrou-lhe a
barriga, uma linda e branca barriga. Ele deitou na cama
ao seu lado, passou um braço por cima e aproximou
sua face ate sua orelha direita. Mary sentiu o perfume
emanar de Matheus, ele tinha passado um bom
shampoo e se limpado bem, parecia que ele tinha ate
usado uma loção pós-barba. Ela realmente se rendeu
ao homem a sua frente.

E a muito tempo, Mary e Matheus não tiveram uma


noite daquelas.

Da mesma forma que dormiram eles acordaram. Um


aninhado no outro. Como Matheus era dono de seu
próprio negocio, não sentia necessidade urgente de
levantar cedo, seria o único motivo era dar comida para
as vacas e só, no qual isso podia esperar.

Queria ficar o máximo de tempo ao lado de Mary,


sentindo seu aroma e seu cabelos em seu peito.
Acariciava sua cabeça no qual ela expeliu um pequeno
sorriso ainda dormindo. Olhou para seu teto e viu que
precisava de um conserto, mas não seria para aquele
dia. Se arrependeu um pouco por que ela iria embora,
pelo jeito tinha um objetivo a seguir.

- Bom dia – disse ela em meio a gemidas não


querendo muito acordar.

- Durma mais Mary – disse Matheus.

- Esse som lá de fora é chuva? – disse Mary tentando


abrir os olhos, porem o sono e a preguiça de levantar
eram vontades maiores.
- Sim, começou a chover a noite, você começou a
tremer de frio então tive que ir no guarda roupa para
pegar uma coberta para nos. Acho que você nem
percebeu.

Ela sinaliza um não acenando a cabeça de um lado


para outro.

- Esse tempinho realmente é tão bom para ficar


deitado, não queria sair daqui – disse ela querendo
voltar a dormir.

- Você não precisa sair hoje, pode descansar por um


tempo para então voltar a cavalgar, seu cavalo tem que
descansar também.

Ela faz um pequeno som, parecia que pedia para


Matheus para de falar aquilo e voltar a aproveitar seu
corpo ao seu lado.

O menino cozinhava os peixes com um pouco de


tristeza em seu olhar. Léo pensava como seria deixar
seu avô ali, realmente sozinho sem nenhuma
companhia. Fome com certeza era a ultima coisa que
ele iria passar, ele tinha ensinado a Léo a pescar, e
mesmo assim ele não aprendeu muito bem a arte da
pesca.
O cheiro que o primeiro animal ao cair na frigideira
quente fazia não era dos odores para satisfazer uma
fome, mas depois que bem cozinhando era ate bom
comer, também não tinha muitas opções.

Ele olhou sob o ombro e viu seu avô com um livro


branco nas mãos, pelo seu costume sabia que aquele
livro tratava sobre ervas e algo do tipo. Ele folheava as
vezes, vendo sobre algumas plantas da região, porem
sobre mais plantas diversas ele ignorava.

- Vô – disse Léo – vai querer mais bem passado ou


mal passado?

- Mal passado, esses peixes são bons mal passados.

Léo achou estranho como sempre, ele preferia o seu


bem passado, saia o gosto ruim do peixe. Porem seu
avô parecia ignorar tal tipo de coisa a muito tempo. As
vezes ele não sabia se era ele que estava enjoado em
quesito gosto, recusando algumas coisas, ou seu avô
que era realmente um homem que não ligava para isso.

Colocou o de seu avô em um prato e deixou em cima


da mesa, com um copo de agua. Ele voltou sua atenção
a seu alimento, iria deixar mais bem passado para
comer. Não demorou muito a chegar num nível bom,
no qual ele colocou no prato e foi comer com seu avô.

- Eu realmente...
- Nada de falar enquanto nos comemos - disse o
velho – não sei por que você esta apressado. Temos
tempo.

Com um silencio desconfortante, os dois ficaram


comendo os peixes com agua. Seu avô, apesar da
idade, comia com grande velocidade o alimento,
terminando rapidamente. Esperou com paciência seu
filho retirar todos os espinhos do peixe para ai sim
comer, no qual comeu e aproveitou bem o alimento.

- Antes que você fale alguma coisa, já saiba que a


situação esta definida. Não vou deixar você a mercê de
mim, me esperando morrer para ai então seguir uma
vida. Meu neto, você não sabe como realmente foi
minha vida, não foi sofrida, realmente foi ótima.
Quando era novo, e isso faz tempo, não ria, eu viajava e
ficava com as mais belas mulheres. Bebia das melhores
bebidas, aproveitava dos melhores pratos. Perdi meus
pais ainda novo, se eu ficasse na aba de sua asa, eu
nunca teria saído como eu sai.

- Você nunca tinha me contado essa versão – disse


Léo agora curioso.

- Vou te contar tudo, e isso demora uns três dias no


mínimo. Seria um tempo para você se arrumar. Vou
contar para você na época que eu tinha uma banda de
rock, meu filho e que banda. Nosso som não era muito
ruim, o problema era que queríamos mesmo era curtir
a vida.

Seu avô ficou falando disso boa parte do tempo. Léo


não queria ir embora, porem sabia que não iria muito
longe na vida fazendo aquilo.

- O que eu quero te falar é para você aproveitar sua


vida, realmente vive-la, e não ficar empurrando com a
barriga do jeito que esta fazendo. Quero que você
chegue em uma garota e fale que você veio de longe,
dormiu sob arvores e tudo mais.

Léo ficou ouvindo aquilo com animação total.

Ao fundo, bem ao fundo, Matheus e Mary


escutavam as vacas mugindo. Matheus não queria
levantar de forma alguma, do modo que estava deitado
poderia ficar a eternidade. Mary, que estava deitada
em seu peito, olhou bem para sua face.

- Acho que as suas vacas precisam de você – disse


ela em meio a um bocejo.

- Entendo, mas aqui na cama esta tão bom – disse


Matheus tentando inventar alguma desculpa para não
sair da cama.
- De todo modo, não vou embora hoje. Vou ficar no
mínimo três dias aqui, quero descansar para depois
seguir viagem.

Aquilo voltou a despertar a curiosidade de Matheus.

- Por acaso posso saber o que você anda tanto


procurando? Para seguir viagem assim sem rumo para
esse terreno?

Ela pareceu hesitar, ficou calado por um tempo. Sua


orelha estava colada ao peito de Matheus, porem eram
os seus batimentos que aceleraram.

- Você não vai achar estranho que estou a procura


de um homem?

- E por que estaria? Provável que esse cara seja


alguém importante para te tirar de casa e fazer você
procurar por ai.

- Acho que você conhece – disse Mary sem jeito –


ele se chama Clint Barton.

- Como sempre, não duvidei que fosse esse cara,


então era isso que você foi perguntar no bar lá da
frente?

- Sim, estou a procura de Clint.

- Se estivesse me perguntado talvez eu tinha te


respondido. Eu cheguei a conhecer Clint Barton. E
quando digo que conheço, já esta de ótimo tamanho
para Clint Barton. Parece que aquele cara esforça para
ninguém reconhecer, ama ficar nas sombras e algo do
tipo.

Mary rapidamente tirou a cabeça do peito de


Matheus e ficou olhando para sua face. Ele conseguia
ver os olhos de Mary tremendo, realmente quando
Matheus disse que conhecia Clint, Mary quase chegou
a dar um pulo.

- Me conte onde ele esta – disse Mary quase


ordenando pela resposta.

- Calma lá minha filha – disse Matheus abraçando e


dando um beijo em seu rosto – não é assim não.
Quando eu disse que conheço, eu conversei com ele
uma vez, ninguém nunca sabe onde esse cara esta. De
todo modo, tenho que ir cuidar do animais, mas não
perca as esperanças em procurar.

Ele levantou e deixou Mary sozinha na cama e


pensando sobre Clint. Ela não sabia se ele poderia fazer
o trabalho para ela, de resgatar seu filho em uma
cidade caótica. Ela certa vez tentou entrar em tal
cidade, e não foi a melhor experiência de sua vida.

Alguns meses atrás, de uma cidade bem próxima


onde Mary morava, havia uma grande cidade distinta
de qualquer da região. Parecia nova York. Carros
andavam de um lado a outro, luzes que podiam ver de
lugares distantes, barulhos de pessoas correndo de um
lado a outro.

Só existia somente uma entrada para a cidade, que


tinha um peculiar nome de Cidade Diamante. A única
entrada era um pequeno portão, não iria passar sequer
um carro dali. Ou seja, os carro que trafegavam na
cidade eram somente para cidade. Envolto a Cidade
Diamante havia altos muros, que facilmente podia
chegar a 50 metros de altura com longos e bem
preparados arames farpados. Ela sabia que de alguma
forma seu filho estava ali, de alguma forma ele entrara
ali naquela cidade.

Haviam dois guardas parados junto a porta, ambos


carregavam uma arma de grande porte. Mary
aproximou deles já suplicando.

- Meu filho, eu sei que meu filho esta ai – disse ela


para o guarda da direita.

- Nem pensar minha senhora – disse ele dando um


tapa para ela para de ficar ali ao redor – sem o passe
você não vai passar aqui.

Então Mary desatou a chorar, seu filho tinha sumido


a algum tempo, tinha fortes boatos que ele estava na
Cidade Diamante, só não sabia como chegou lá dentro.
Para muitos aquela cidade era a mais prospera de
todas, quem realmente a conhecia, no qual Mary sabia
algumas historias, aquela cidade era pior que gotham
city, cidade do Batman.

Teria que arrumar algum modo de entrar lá, alguma


pessoa devia ter o passe livre por grandes cidades
mundo a fora.

Mary, em meio a prantos, estava sentada em um bar


com um copo de uma bebida forte em sua mesa. Um
homem jovem passou por ela e ficou um pouco
interessado e curioso. Queria saber o por que de sua
situação.

Ele a cutucou, ficou chamando ate ela olhar para ele


e ficar com o rosto todo deformado por causa de
dormir na mesa.

- O que aconteceu – disse o cara.

- Meu filho esta preso na Cidade Diamante, não sei


como vou fazer para entrar naquele lugar e tira-lo de
lá.

O homem pensou um pouco. Para ser um cidadão da


Cidade, teria que no mínimo ser alguém importante ou
alguma espécie de criminoso, ninguém de bom coração
cai naquela Cidade sem querer querendo.

- Como aconteceu isso? – disse o homem.


- Eu estava afastada de meu filho a algum tempo,
fiquei sabendo por bocas confiáveis isso. Soube que ele
deu uma sumida, se envolveu com uma gangue. Eu sei
que é só um povinho ruim que entra nessa cidade.
Porem creio que meu filho não fosse tão ruim, faz
tempo que não o vejo.

- Talvez um homem possa ajuda-la – disse o homem


já meio desanimado.

- E quem seria esse homem? Onde posso encontra-


lo?

- O problema é esse, nunca você o encontra. Seu


nome é Clint Barton.

- Você fala do herói de aluguel?

- Sim - disse o homem – ele é um dos poucos


homens que digamos, tem um passe livre em qualquer
lugar.

- Como assim “digamos”?

- Não sei minha filha, só sei que você deve achar


esse homem, junte um bom dinheiro e reze para acha-
lo de bom humor.

Mary não entendeu muito bem, deixou o homem


seguir sua viagem e ficou pensando sobre o assunto.
Já se aproximava do almoço, Matheus já tinha feito
todos os afazeres da fazenda e arrumado a casa, não
tinha muito o que fazer no restante do dia. Ele e Mary
ficaram vendo televisão, algum canal que não passava
nada de interessante. Alguma coisa relacionada a mato
e algumas doenças.

- Não sei por que você insiste ainda em ver esses


noticiários, nunca tem nada de bom – disse Mary já se
sentindo em casa.

- Nunca tem nada de bom realmente na Tv. Só vejo


para passar realmente o tempo. Se bem que agora tem
outras maneiras de passar o tempo. Mas então, você
não me disse o por que estava atrás de Clint Barton.

- A historia é um pouco longa.

- Acho que o que não nos falta aqui é tempo, se


quiser posso fazer ate um café para acompanhar.

- Então tudo bem. Vou resumir. Eu perdi meu filho,


não sei como ele foi para na Cidade Diamante, só sei
que esta lá. Precisava de alguém para tira-lo de lá, mas
parece que não é qualquer um que entra.

- Isso realmente é, parece que o local é quase uma


fortaleza, tem que ter passe e essas coisas do tipo. Mas
de todo modo, como você soube que seu filho estava
lá?
- Estava andando pela região, perguntando sobre o
paradeiro de meu filho quando escuto alguns pequenos
arruaceiros falando de uma gangue nova, uma gangue
de moleques. Falaram de um menino que tinha 16
anos, que é a idade de meu filho.

- Ate ai tudo bem, não é raro recrutarem meninos


dessa idade para gangue.

- Calma, eles continuaram a falar do menino, que


tinha uma pequena cicatriz no pescoço, que eu me
lembro, só ele tinha. E meio que tive uma sensação
feminina que era ele que estava falando. Levantei da
mesa e fui perguntar o menino que falava disso.

- Você realmente foi conversar com esses meninos?

- Sim, e pelo jeito não me falaram tanta coisa de


interessante, um me deu a informação que queria,
descrevendo ele do jeito que era, agora já os outros só
ficaram olhando para meus peitos como se eu fosse a
ultima mulher do mundo.

- E você sabe qual o nome da gangue que seu filho


participa?

- Algo a ver com teias, não me lembro de exato.


Teias malditas.

- Parece ate nome de banda de garagem – disse


Matheus para um alivio cômico.
Mary não resistiu, e acabou rindo também.

- Então já esta tudo arrumado – disse o velho para


Léo – nessa trouxa que você carrega tem as roupas que
você vai precisar, algum alimento conservado e um
livro de plantas medicinais.

- Você acha que vai ser necessário realmente


carregar uma dessa? Porra avô, esse livro vai chegar
ate pesar.

- É melhor ate pesar do que você morrer por uma


planta qualquer ai. Leve isso, um dia será útil. Mesmo
que você tenha quase decorado todas, chegar em
alguma imagens você vai ficar com duvida. Eu sei que
você é horrível com plantas, então leve garoto.

Léo ficou olhando para o livro branco, analisando


capa e tudo mais, colocou na trouxa com não muito
gosto. Deu uma ultima olhada para seu avô, que já não
brotara mais uma lagrima por causa de sua partida.

- Não quero sentimentalismo, não estou achando


ruim de você sair, só vou realmente achar quando você
envolver em encrenca, por que você ainda não sabe
brigar, talvez no máximo manejar um faca. Esse é o
motivo de você levar uma faca, que não vejo a maior
vantagem do mundo, mas é melhor que mãos nuas.
Uma rápida sensação de saudade já batia na porta
de Léo, ficou olhando para seu quarto, para a pequena
casa que ele vivia. Seu universo resumia ali, quando
novo foi separado de sua mãe, na época o exercito
recrutava todos homens de 5 anos ate 50 para ir a uma
guerra. Era obvio que Léo nunca pegar em uma arma
quando novo, eles eram levados para aprender
estratégias de guerra, porem com alguma colisão do
carro onde estavam, morrendo quase todos, sobrando
só ele e mais duas crianças, ele ficou sozinho no
mundo. Não tinha muito discernimento das coisas.
Encontrou uma velha cabana de um velho moribundo.
Ele nunca chegou a conhecer realmente seu nome,
sempre o chamando de vô.

O velho o acolheu com grande fervor, sempre


cuidando de todas suas crises de doenças e tudo mais.

Agora restava ir embora. Ele sempre imaginara o


velho como sendo seu avô, Léo na verdade nunca
conheceu seu avô de verdade.

- Você sente saudade de sua mãe não é mesmo


garoto?

- Eu me lembro pouco dela, não sei se vou


reconhecer quando realmente a vir. Talvez o
sentimento ou instinto faça eu lembrar.

- Você é o único garoto que tem essa marca de


nascença no peito, mesmo sabendo que sua mãe já vai
te abraçar quando te ver, não tem como te reconhecer
quando ela ver essa marca no peito, é claro se ela for
no mínimo uma mãe que se prese. Como realmente
chama sua mãe garoto?

- Mary – disse Léo – Mary.

- Um belo nome, agora vá seguir viagem.

Ele deixou tudo para trás, seguiu sua viagem rumo a


nova vida.

Nos primeiros dias era um inferno que só vendo, a


fome atacava seu estomago fortemente, ele achava
pouca coisa para alimentar no caminho. Cobras e
escorpiões era comum em seu cardápio.

Os mais custosos eram o dias, a noite era fresca e


calma, escutava algumas corujas e somente isso.

A luz da lua era sempre brilhante, no qual Léo


parava em baixo de uma arvore e ficava foleando o
livro, somente para não se sentir sozinho, ter alguma
coisa com que imaginar. Sem nem pensar ficou
assoviando alguma musica do Led Zepelim, não
lembrara de onde tinha escutado, porem tinha grudado
em sua cabeça.

Lentamente ao seu lado apareceu um roedor, não


muito grande, talvez de um tamanho de um ramister.
Fechou o livro com cuidado sem deixar nada para
marcar na olha que estava e ficou olhando para o
pequeno animal.

- Deve ser custoso para você ser desse tamanho e


mesmo assim desbravar esse mundo caótico nosso. Se
eu fosse qualquer pessoa iria te matar apenas por
alimento, mas vejo que você não vai encher muito meu
estomago, então deixo você viver.

Então de repente, um terceiro olho no animal no


qual não imaginasse que existia, um olho extra por
causa da radiação, brilhou. As veias do animal
começaram a suportar um pressão ainda maior de
fluxo sanguíneo, o sangue fervilhando e a raiva do
animal crescia dentro daquele pequeno corpo.

Ele abriu sua boca, nesse tempo Léo estava com a


atenção em outro lugar, ignorando o animal.

Os grandes dentes que ninguém sabia que cabia na


boca do animal se revelavam, brilhantes e nenhum ser
queria sentir a potencia daquilo em alguma parte do
corpo. O animal era rápido e silencioso, ainda mais se
tratando de atingir a parte de alguma pessoa.

Ele rapidamente tirou uma lasca da coxa de Léo,


coisa não muito grande, mas a dor e pelo jeito a toxina
que havia em seus dentes, eram algo a se preocupar.
Parecia que a intenção do roedor foi atingida, pois
rapidamente o pequeno animal sai de perto de Léo,
com alguma parte da coxa em sua boca.

Léo sentiu a grande pontada de dor, sabendo que


era o pequeno roedor que estava perto. A perna
começou a sangrar, e não foi grande coisa. Porem Léo
começou a entrar em desespero, querendo levantar
mas com medo do ferimento se abrir e tudo mais.

Ele tinha algumas folhas na mochila, usando para


espremer o liquido no machucado, melhorando a dor
um pouco. Pegou uma parte de uma velha camisa e
amarrou por volta do machucado, pelo menos aquilo
iria segurar um pouco.

Sua noite não foi muito diferente das demais,


quando viajou para fora da casa de seu avô, ele
raramente sonhava, então sua noites eram
completamente negras.

Mary havia passado dois dias na casa de Matheus,


sabendo que ali não iria encontrar Clint Barton, já
estava querendo sair.

- E não adianta você insistir, não vou ficar aqui mais


tempo, não vou e não posso. Tenho compromissos a
fazer.
- Eu sabia que você iria, não vou insistir, eu sei que
você tem um filho para procurar. De todo modo,
obrigado por passar aqui, sua companhia foi muita boa
para mim, deu para pelo menos dar um esclarecida em
minha cabeça. O que posso fazer para te ajudar a
procurar seu filho?

- Só quero que você encontre Clint, caso você o


encontre, fale que estive procurando.

- Seu desejo é uma ordem, mas creio que não irei vê-
lo tão cedo.

- Entendo – disse Mary – de todo modo obrigada.

Mary deu um beijo na boca de Matheus e despediu.


Ficou com vontade de ficar mais, aproveitar mais um
pouco, porem não poderia esperar, qualquer dias a
mais podia ser a morte de seu filho.

Com seu cavalo bem tratado, saiu cavalgando rumo


a uma direção que ela imaginaria estar Clint.

De repente, quando saiu da cidade, ela escuta


novamente o som do vento. O silencio entrava em seus
ouvidos, fazia a sentir melhor, ter um pouco de paz
para organizar seus pensamentos. Ela sabia que Clint
era um cara peculiar, de aparência igual a daqueles
caras de faroeste, porem isso não era muito comum de
achar. Sorte para ela.
Parecia que seu cavalo estava realmente bem
melhor do que antes, tratado de suas grandes feridas.

Seu cabelo, agora mais limpo, esvoaçava pelo vento,


esperava encontrar na próxima cidade um tal de Clint
Barton.

Em uma cidade pacata, um homem gordo começa a


discutir com um cara de chapéu de caubói.

- Eu disse que você não pagou o que você bebeu –


disse o gordo – eu não vi prata nenhuma em cima do
meu balcão.

- Paguei eu paguei, mas agora se você não viu nada


em cima do seu balcão, amigo, isso não é problema
meu – disse o homem – pode ate lá olhar de novo.

- Eu não vi você colocando – disse o gordo já


querendo partir para briga com ele.

- Você pegou e guardou em seu bolso, ou algo do


tipo, verifique ai mais uma vez.

O gordo não quis saber de conversa, bufando e


soltando fogos pelas ventas, partiu para cima do
homem. Rapidamente o homem levantou uma parte de
sua camiseta xadrez e revelou ter uma arma na cintura,
no qual fez o gordo recuar no exato momento.
Ele ficou olhando para aquela arma e para cara do
sujeito não reconhecendo quem era.

- Estou de saco cheio disso – disse ele retirando em


alguns de seus bolsos uma moeda e jogando para o
homem gordo – tome isso, pode ficar para você, já que
você diz que eu não te dei nada.

O homem não gostou muito da atitude dele, porem


ganhou dinheiro e voltou para seu bar, onde já devia
estar uma baderna.

Clint acendeu o seu cigarro como de costume e viu


um longo horizonte a sua frente. Não estava andando a
trabalho, já não encontrava alguma coisa que valesse a
pena a um tempo. Não estava pobre, de forma alguma,
queria somente tirar uns tempos de férias.

Aquela cidade, Moutain Brook, que de montanha


não havia nada, era uma cidade pacata, você poderia
andar pelado por ali que ninguém queria saber de onde
era ou de onde vinha.

Uma das coisas que Clint mais presava era ficar em


um canto onde ninguém xeretava suas coisas. Na
pequena pousada que estava ficando, as pessoas lá
eram as melhores do mundo, só queriam saber se você
tinha dinheiro. Podia ser o maior assassino do mundo,
contanto que tinha dinheiro para pagar estava bom.
Estava mais que na hora de ir para pousada, não
podia ficar muito tempo na rua também.. A vida de um
herói de aluguel que tira férias não tem muito o que
contar.

Abrindo a porta da pousada, Clint percebe que todos


estão dormindo e todas as luzes apagadas. Subiu para
seu quarto, que era no segundo andar, e abriu a porta
lentamente. Não teve surpresas em encontrar tudo no
mesmo lugar, sem ninguém mover um átomo sequer.

Sua cama como sempre estava bem arrumada,


colocou a arma dentro da gaveta da escrivaninha.
Retirou suas botas e as colocou de lado. Estava
começando a bocejar, ficou pensando o que ele tinha
feito naquele dia, realmente era necessário mostrar a
arma para o homem do bar?

Deitou na cama e olhou para o velho teto da


pousada, começou a cochilar quando lembrou de seu
caderno de anotações, no qual teve que pegar para
fazer algumas ultimas acertadas naquelas folhas.

Resolveu dormir, talvez nos próximos dias


aparecesse alguma coisa de interessante que lhe
tirasse daquelas férias entediantes.

Clint sonhou.
Léo estava já cansado de sua viagem, precisava
encontrar alguma cidade para descansar ou algo do
tipo. Porem não havia ao menos um tostão furado em
sua bolsa, não saberia o que iria fazer sem dinheiro.

Nesse seu pequeno trecho desde que saiu da casa


de seu avô, não tinha tanta dificuldade de encontrar
comida. Não passaria fome nem sede, o único porem
era que um ser humano precisasse mais do que
somente essas coisas.

Era obvio que arrumar um emprego seria a primeira


coisa a se fazer.

Em uma solitária noite, abaixo de uma velha arvore,


Léo ficou pensando em seu avô.

- Realmente eu sinto saudade de casa, pensei que a


vida fora de casa era boa, mas tá sendo um bocado de
complicada.

Ele ficou falando mais algumas coisas olhando para o


céu negro, as estrelas brilhavam bem acima de sua
cabeça.

- Fico pensando onde você esta mãe, se realmente


me procura, pode saber que te amo.

Depois disso resolveu dormir. Quem sabe no outro


dia iria encontrar a cidade.
Mary viajava a semanas, estava novamente com
saudades da casa de Matheus. Ela ate chegou parar em
outras cidades, descansar em hotéis e tudo mais, mas
sentia falta de Matheus. Era obvio que logo logo aquilo
ia passar, porem no momento não.

Seu cavalo parecia mais animado depois que saiu do


curral de Matheus, não deu nenhum sinal de cansaço a
viagem inteira entre uma cidade ou outra. O clima
ajudou um pouco também.

Ela as vezes cantava algumas musicas, somente para


tirar o tedio da viagem, porem seu repertorio musical
não era dos mais bem elaborados. Ela sabia que a
próxima cidade estaria mais ou menos um dia de
viagem dali, segundo o cara de um bar da cidade que
ela estava. Como fazia em todo lugar, perguntava onde
Clint Barton se metia, onde estava o tão famoso herói
de aluguel, se é que poderia se chamar assim.

- O que você vai querer doçura – disse um homem


que estava no bar ao lado de Mary.

- Só vou querer uma informação – disse ela


secamente.

- Vamos lá minha amiga, só uma bebidinha não vai


fazer mal a ninguém – disse o home querendo
segundas intenções.
Infelizmente Mary tinha se acostumado com isso,
ser mulher em visitar aqueles bares estranhos. Eu já
tinha ouvido falar remotamente em um bar que era
somente para mulheres, porem não tinha tanta
vontade assim de visitar.

- Garçom, traz uma bebida para essa nossa jovem


aqui.

Ela deu vontade de socar um murro na fuça do cara


ao lado, mas sabia que isso ia causar o maior problema.
Talvez quem sabe aceitando a bebida o cara fechasse a
matraca um pouco, ou pelo menos dava a informação
que queria, se é que ele sabia.

- Pode trazer uma cerveja para mim então – disse ela


para ele – somente uma cerveja.

O homem se animou um pouco, gritou para o


garçom trazer uma gelada, um copo grande e bem
cheio. O garçom, que estava de saco cheio daquele
emprego, porem não era muito fácil arranjar um
naquelas bandas.

Deixou frente a Mary um copo que devia ter fácil


meio litro de cerveja, ate no topo. Uma cerveja
amarela, borbulhante e que somente ao olhar para o
copo já dava vontade de beber. Nem era preciso dizer
que a cerveja era muito gelada.
Ela pegou o copo e colocou um pouco goela a baixo,
realmente gelada, dando ainda mais vontade de beber.

Com os lábios sujos de espuma branca Mary olha


para o homem ao seu lado, que olhava para ela
também, com uma vontade de algo mais, somente
esperando ela ficar mais bêbada.

- Me diga uma coisa – disse Mary após tomar uma


boa parcela do copo – você sabe onde anda Clint
Barton?

O homem ficou congelado, não disse nada para ela,


ficou olhando como se ela tivesse se tornado alguma
medusa ou algo do tipo.

- Barton? – disse ele em meio a gaguejos.

- Sim, Clint Barton.

- Eu não sei onde esse homem esta – disse ele


começando a se levantar – meus deus, olha a hora,
tenho um compromisso, vou saindo.

Ele levantou e saiu pela porta, deixando em cima da


mesa duas moedas, pagando assim algumas bebidas
para Mary.

- Recapitulando – disse ela para si mesma –ganhei


alguma cervejas, e por sorte esse homem ate sabia
quem era Clint, porem assustou e saiu pela porta.
Ficou tomando a cerveja que lhe foi dada. O barman
olhou para ela e resolveu puxar conversa.

- Você quer saber quem é Clint Barton? – disse ele


limpando um copo sujo.

- Saber que é não, quero saber onde ele esta – disse


ela.

- Isso não posso te responder, mas eu vi esses


tempos atrás, não muito tempo na verdade, um
homem com um chapéu de caubói, alguns ainda
pensam que estamos no velho oeste, realmente.

Mary o olha com um olho meio torto.

- Você esta querendo me dizer que Clint passou por


essa cidade a algum tempo atrás?

- Não disse que era Clint, disse que era um homem


que tinha um chapéu de caubói, somente isso. Nunca
conheci na verdade Clint, ele só tem nome por essas
bandas, pelo que sei ele é do sul, acho que algumas
pessoas sabem quem ele é por lá.

- Isso não importa – disse Mary – mas de todo modo,


provável que Clint esteja por esses lugares, o famoso
herói de aluguel. Ele caça recompensas também?

- Isso já não sei, Clint parece ter meio que um senso


de justiça, se alguma coisa esta dentro de seu lema, ele
pode ate fazer mais barato. Isso é o que eu ouço. Clint
pode ate começar virar um lenda da região. Imagina
uma historia de terror para crianças, o pistoleiro
fantasma.

Mary tão pouco ligava para lendas e tudo mais. Só


de saber que Clint estava por ali já dava um animo
maior.

Ela já imaginava como seria a face de seu filho, que


lhe foi arrancada quando ainda era novo. Lembra de
sua voz, sua cara de choro ao ser separado do leite
materno. Poucos entendiam o que era o amor de uma
mãe a seu filho.

Mary soltou um pequena lagrima.

Não sabia se aquilo era de tristeza ou de felicidade


por saber que estava um pouco próximo de Clint.

O barman voltou sua atenção para ela novamente.

- Alguma coisa moça, parece que você esta


chorando? Foi algo que eu disse?

- De forma alguma, não se preocupe comigo – disse


Mary – só caiu um cisco no olho.

O barman resolveu deixar para lá, foi fazer seu


trabalho.
Mary bebeu as cervejas pagas pelo homem que
fugiu pela porta. Tinha um local para dormir, uma
singela pousada.

Agradeceu ao barman pelas informações, Mary


agora tinha um semblante de alguém que estava
realmente animada, agora seu objetivo podia estar na
próxima cidade facilmente, pelo que ela sabia, a
próxima cidade chamava Moutain Brook.

Naquela noite ela sonhou com seu filho Léo,


provável que a pouco tempo tinha arranjado algum
lugar para viver, uma velha casa e ter fugido do
acampamento de guerra ou algo do tipo. Ela via seu
filho sorridente, não teve muito trabalho para imaginar
como Léo estaria. Via seu filho correndo feliz para seus
braços, gritava de felicidade. Quando ela o abraçou no
sonho foi a coisa mais gostosa do mundo.

Na cama ela abraçava um travesseiro nesse


momento.

Mary despediu de todos na pousada, agradecendo


pelo bom atendimento e o baixo preço para ficar lá.

- Muito obrigada mesmo – disse ela a dona do local.

- Você é uma das melhores hospedes que passou


por aqui, não fez rebuliço algum e ficou quietinha em
seu canto. Gostaria que você voltasse mais vezes, mas
acho que vai ser meio difícil.

- Creio eu que vou passar nessa cidade na volta –


disse Mary olhando para a pensão que tinha passado
dois das – se eu passar eu durmo um pouco aqui tudo
bem?

Ela demonstrou um grande sorriso.

Mary estava arrumando as malas, quando o filho da


dona apareceu na porta.

- Tenho que admitir que você é bonita, queria pelo


menos deitar com você uma noite.

- Tenho que admitir também quem você é um


garoto ousado, só não te dou um tapa na cara por que
sua mãe foi bondosa comigo e não quero criar
confusão em cima disso.

- Eu não vou insistir para você ficar, creio que você


esta em busca de uma coisa, que talvez eu possa te
ajudar.

Mary sabia com certeza que aquele cara não iria


saber onde e quem era Clint Barton, mas decidiu jogar
seu jogo.

- Então, o que realmente preciso meu amigo?


- Sei que esta a procura de um homem, e eu sei
onde encontra-lo.

- E você só vai me falar onde ele esta depois de eu


abrir as pernas para você, adivinhei?

- Acho que sim, não era muito bem abrir as pernas...

- Eu conheço homem do seu tipo meu amigo, vocês


só querem realmente uma coisa. Tente me enganar
rapaz, não nasci ontem.

O filho da dona da pousada ficou um pouco calado,


porem resolveu sair. Sabia que não iria conseguir nada
com Mary. Se ela já estava saindo daquela pousada,
com certeza já tinha uma pequena noção de onde
estava Clint.

Trancou seu quarto entregou para proprietária, que


lhe retribuiu com mais sorrisos.

- Obrigada de todo modo, vou ter que partir. Ate


mais, e se deus quiser volto para essa cidade.

Todos retribuíram com acenos.

Mary montou em seu cavalo e decidiu seguir


viagem. A próxima cidade não estava tão longe, sentia
que ele estava próximo. Em cima de seu cavalo, Mary
via o horizonte a sua frente, um tempo que estava
começando a esfriar, porem somente a noite. o sol
ainda castigava quem não estava preparado.
Seu cantil estava sempre cheio, tinha saciado antes
de sair para Moutain brook. Porem a medida que suas
cavalgadas aumentava, ela sentia vontade de beber,
molhando assim somente seu lábios para saciar sua
sede.

Seu cavalo parecia ter uma resistência sem igual, ela


ainda não tinha entendido o que Matheus fez ao
animal para ele estar daquele modo.

- Acho que vou dar a você um nome, mesmo que te


achei na estrada, você parece estar sendo de gigante
utilidade para mim – disse ela afagando a nuca do
cavalo – alazão seria clichê, e não tenho muitos nomes
em minha mente agora.

O cavalo pareceu não achar ruim, continuando a


andar como se ela nem tivesse falado nada.

Ela pensou que a cavalgada iria durar um dia, porem


antes do sol se por ela viu um pequeno aglomerado de
casas no qual ela imaginou imediatamente ser Moutain
brook. Ordenou a seu cavalo ainda-sem-nome a andar
mais rápido. Com total obediência ele acelerou seu
passo, chegando rapidamente ao local onde a boa visão
de Mary avistara.

De imediato ela tinha visto duas casinhas de


madeira, não pode detalhar muito por causa da
distancia. Mas ao se aproximar vira que eram casas
mais bem arrumadas, mostrando assim depois uma
cidade pequena, sendo somente um aglomerado de
casas, porem todas bem arrumadas. Na porta da
cidade, se é que aquilo podia ser chamado de porta,
havia uma placa onde estava escrito “Moutain Brook”,
ela olhou para os lados e tentou avistar alguma
montanha próxima, porem não conseguiu ver. Pelo
jeito o nome da cidade não condizia com o significado.

Via que a cidade tinha um pequeno trafego de


pessoas, viu de imediato a pousada, no qual já seria sua
estadia. O cavalo diminui o passo sem segunda ordem.

Havia um local para amarrar cavalos em frente a


pousada, tendo ate um cocho com alimento, que pelo
jeito não eram os melhores, e um punhado de agua.

- Vai ficar ali um tempo viu amigão, não sei vai ser
ruim para você dormir ao relento do modo que esta,
mas acho que você não vai reclamar. A não ser que
você tenha ficado mal acostumado com Matheus.

Ele solta um relincho. Mary o amarrou lá e foi para a


recepção da pousada. Uma humilde senhora, que não
parecia ser do modo que a outra cidade.

- Boa noite – disse Mary – queria reservar uma noite


aqui.

- Tudo bem, só escolher o quarto, você pode pagar


depois.
- Obrigada – disse ela pegando uma chave do
segundo andar – depois acerto com você.

A senhora nada respondeu, voltou sua atenção para


uma revista que estava em cima do balcão. Mary subiu
as escadas segurando uma sacola de suas roupas que
havia ganhado de Matheus. Ela tinha percebido que
aquele local era silencioso, não havia barulho quase
nenhum, no qual a fez pensar que não havia hospede
nenhum. Sabia que tinha ao menos alguns naquele
andar, quando pegou a chave e viu que tinha alguns
espaços sobrando.

Abriu lentamente a porta de seu quarto, viu que a


cama era bem arrumada e que era um quarto ate bom
para passar a noite. antes de adentrar ao quarto, um
homem de chapéu e barba por fazer passa por trás
dela, sem querer esbarra em Mary, nem pedindo
desculpa.

Mary estava com saudades de sua casa, deixou uma


irmã para cuidar enquanto estivesse fora. No caso essa
irmã iria morar lá. Mary já tinha experimentado
diversos tipos de cama, muitas mais confortáveis que a
sua, porem nenhuma se comparava a sua.

Naquele breve momento que sentou na cama,


passou sua mão sobre ela, ficou com saudade de tudo.
Não sabia de exato quanto tempo estava na estrada,
sabia que era mais de um mês. Ela conhecia casos de
pessoas que nunca voltavam a suas casas, procurando
seus filhos sumidos por causa da guerra. Anos sem
voltar ao lar, algumas semanas não eram nadas
comparadas a isso. Ela também sentia que estava
próxima de encontrar Clint, que não demoraria a acha-
lo.

Mary tinha uma boa parcela em seu bolso, decidiria


relaxar naquela noite, ao menos uma cerveja ela teria
direito a tomar. Adquirira uma mania para beber
recentemente, quando ainda era casada com seu
falecido marido, era uma das coisas que ela odiava era
bebida. Porem não soube o por que de começar a
beber.

Ela deixou suas coisas no quarto e foi para o bar pelo


menos para perguntar sobre Clint. Aquele finalzinho de
tarde foi bom para ela, o clima estava do jeito que ela
gostava. O bar estava pouco a frente, com um letreiro
bem chamativo por sinal. Ela deu uma ultima olhada na
roupa que estava usando, não que isso importasse, mas
de todo modo andar mal arrumada não era das
melhores coisas do mundo.

A rua ate que não estava tão cheia de poeira como


ela imaginou, já que todas cidades eram desse nível. As
portas de madeira do bar causavam um leve rangido
quando o vento passa e as fazia mexer. Eram portas
não muito novas, porem elas podiam ser arrumadas e
bem tratadas por alguém que entedia do assunto.

Empurrou a porta, vendo quem estava no seu


interior. Não havia muitas pessoas naquela noite, Mary
nem sabia qual dia da semana era. Um homem estava
de costas para ela, pelo jeito bebia um copo de uísque
ou algum tipo de dose.

Ela se aproximou do homem, pelo jeito ele era do


tipo que tinha informações.

- Boa noite – disse ela se sentando ao seu lado sem


pedir permissão.

- Olá – disse ele secamente.

- Queria pedir uma informação – disse ela olhando


para a face do sujeito, no qual ela ate gostou de sua
barba por fazer.

- Diga então.

- Por acaso você conhece um tal de – Mary lembrou


de repente do cara que saiu correndo no bar quando
ela tinha perguntado isso – Clint Barton.

- E por que quer saber isso – disse ele voltando a dar


um gole em sua bebida.
- Preciso dos serviços dele, creio eu que pode ser o
único a me salvar. Meio que estou desesperada. Hey
garçom, traga um copo de cerveja para mim.

- E você acha que Clint pode salvar? Já ouvi varias


coisas sobre Clint, mas acho que salvar não esta em seu
departamento. Se bem que ele se vende por dinheiro.

- Mas acho que não é um trabalho difícil para ele, só


que preciso dele.

O garçom trouxe a bebida de Mary, um grande e


delicioso copo de cerveja de qualidade não tão boa,
mas era gostosa.

Ela bebeu um pouco antes de iniciar a conversa com


o homem.

- E também ouvi dizer que esse cara cobra um


bocado, não e qualquer um que pague seu preço.

- Isso eu posso pagar meu amigo – disse ela


sinalizando um pouco de orgulho – mas o complicado é
achar esse cara. Ninguém sabe onde esse filho da puta
se esconde. E quando falo o nome dele para algumas
pessoas, ela simplesmente se assustam e vão embora,
alguma ficam tentando fugir do assunto. Igual você
esta fazendo.

- Digamos que só estou de curiosidade, talvez possa


dar informações sobre ele.
- Vai fazer igual um cara, querer minha pernas
abertas por uma informação, se você estivesse em seus
dias melhores quem sabe.

- Não quero você nua mulher, só quero saber para


que você precisa dele.

De repente, sem nenhuma explicação, cai o silencio


sob os dois. Mary toma sua cerveja e o home toma seu
uísque.

- Era para resgatar meu filho – disse Mary


retomando a conversa – e eu não me apresentei, sou
Mary, e qual seu nome?

- Barton, Clint Barton.

- Então me diga qual é exatamente serviço – disse


Clint já do lado de fora do bar.

- Estava te procurando feito louca, mas isso não


importa. Eu quero que você me ajude a resgatar meu
filho em uma cidade, que infelizmente não posso
entrar.

- Ate que estava com saudades da Cidade diamante,


então teremos que ir para lá? Partiremos quando?

- Como você sabe que é essa cidade? – disse Mary


um pouco assustada.
- Digamos que trabalho a algum tempo – disse Clint
colocando o chapéu em sua cabeça – agora quero
saber se você tem um cavalo ou algo do tipo, por que
estou farto de andar a pé.

- Tenho sim, esta ali amarrado, suponho que


viajamos amanha de manha, pode ser?

- Estou cansado desse sol garota – disse ele para


uma mulher que fora garota a algum tempo –
podíamos cavalgar a noite mesmo. Se é que você esta
de acordo. Queria já ir agora.

- Tudo bem – disse Mary achando Clint meio


apressado – só vou ali no hotel arrumar minha coisas e
partiremos agora.

- Se você tiver sorte, provável que a velha da


recepção não te cobre a diária.

Léo estava chegando em uma cidade que pela sua


aparência parecia ser um local que seria bastante
próspero. Parecia que todas as cidades daquela região
tinha lojas bem as entradas do local, porem aquela só
tinha casas, estabelecimentos ficavam no centro da
cidade.

E lá era onde ele devia procurar algum serviço.


Olhou para si mesmo e viu que a situação de sua
roupa não era das melhores do mundo, sujeira em seu
corpo estava quase virando uma segunda pele. Pensou
que primeiro devia ir em uma pousada e implorar para
somente tomar um banho.

Adentrou rumo a uma rua e outra ate chegar em


uma pousada, singela pela sua entrada. Entrou nela e
viu uma jovem moça, bonita atraente e com belos par
de seios no qual a pequena juventude de Léo começou
a florescer ainda mais. Ela usava um decote, depois que
Léo viu isso, não pode ficar olhando para outra coisa a
não ser isso.

Ela não tinha visto Léo entrar.

O garoto caminhou lentamente ate ela, chamou


meio tímido.

- Olá – disse ele com vergonha em se apresentar


para um mulher todo sujo.

- Tudo bem? – disse ela olhando para ele e exibindo


um belo sorriso, no qual animou Léo ainda mais.

- Fico meio sem jeito de pedir mais, eu venho de


outra cidade, e estou meio sujo e preciso de emprego,
será que a senhora podia me arrumar um chuveiro para
pelo menos tomar um banho? – disse ele tentando soar
o mais educado possível.
- Primeiramente não sou senhora, e segundo, tem
um chuveiro virando o corredor ali – disse ela
apontando com polegar ao corredor da esquerda –
pode usar de você quiser. Só não vai ter shampoo nem
nada, só agua esta bom para você?

- Esta demais – disse Léo tentando esconder um


sorriso – nem sei como posso agradecer.

- Tome um banho e vá arrumar um emprego, não é


difícil arrumar por aqui. Não teve muito tempo que o
governo recrutou alguns homens para guerra, pelo
jeito seus soldados tinham sido todos mortos.

Após ela falar aquilo, Léo ficou com uma cara de


triste.

- O que houve garoto?

- Meu pai foi enviado para guerra, ainda tinha cinco


anos. Nunca voltei a vê-lo. Mas isso já tem tempo,
então estou superando isso. Mas só acho que essa
guerra é a maior bobagem do mundo.

- Eu também não entendo disso. Também acho isso


maior bobagem. Mas de todo modo, vá tomar um
banho, e depois conversamos.

Léo foi, ficou com vergonha de inicio, porem seguiu


o corredor ordenado. O tempo que ficou lá dentro era
curto, no qual a atendente virou somente algumas
paginas quando um menino novo em folha apareceu
frente a ela.

- Ate parece outra pessoa - disse ela brincando –


esta realmente um gato, agora só falta você ir lá no
centro arrumar algum emprego.

- Tem alguma indicação ou algo do tipo?

- Bem, evite bares e vidraçarias, fiquei sabendo que


mexer com vidro é bastante perigoso, de resto acho
que todos são bons.

- Como devo agradecer? – disse Léo sem jeito.

- Arrumando um emprego, caso precise passar a


noite em algum lugar, fazemos um desconto para
mensalistas.

- Se realmente arrumar um local para trabalhar com


certeza venho aqui.

Léo rompeu o passo em busca de algo novo em sua


vida.

A noite estava silenciosa, a não ser pelo cavalo. O


céu mostrando todos seus astros. Mary guiava o
cavalo, enquanto Clint ficava atrás, as vezes pegava em
sua cintura, no qual Mary não falou nada sobre isso.
- Ta vendo aquela ali – disse Clint apontando para
uma constelação.

- Qual especificamente – disse Mary.

- Aquela com sete estrelas, próximo a lua, não sei se


você sabe, mas aquela é chamada de ursa maior. Varias
e varias lendas correm por cima dela. Já ouvi historias
de quem as vê em uma lua cheia, ira morrer em sete
dias. Também a casos que é o contrario, que as vê terá
sorte para toda a vida.

- E você acha que teremos sorte ou morte, senhor


Clint Barton?

- Não sou muito de acreditar em sorte ou azar, só


gosto de observar essa em especifico.

- Não sabia que o famoso herói de aluguel era fã de


estrelas.

- Muitas coisas do que eles falam por ai no condiz


com nada do que realmente sou sabe, só sou um cara
isolado.

- Bota isolado nisso, muitos te julgam por um cara


mal, não sei por que.

- Eu também não – disse Clint mentindo, lembrando


assim da famosa chacina da plantação de algodão anos
atrás.
- Esta com fome? Tenho algumas bolachas em minha
mochila, se servir para você me fale.

- Estou satisfeito, obrigado.

Os dois voltaram ao silencio.

De repente um ventania fria se iniciou. Clint


protegeu os olhos, Mary pegou um pano para proteger
o nariz e uma parte dos olhos.

- Você não acha que é melhor pararmos? – supôs


Mary – pelo que eu saiba, quando começa uma
ventania dessas pode esperar pelo pior.

- Você quem manda madame.

Pararam de imediato, seu cavalo rapidamente


deitou. Mary pegou uma lona que estava jogada sob o
cavalo e tampou ela e Clint. O espaço entre eles era
pouco, Clint pensou em tirar um cigarro para fumar,
mas talvez Mary não amava cheiro de nicotina. Então
achou melhor não fumar.

Mary de repente solta um grande espirro, Clint ficou


preocupado por causa de ser uma grave doença. Ficou
sabendo uma vez que uma tal de “ gripe espanhola”
chegou a dizimar milhões.

- Você esta bem? – disse Clint realmente


preocupado.
- Não esquenta a cabeça caubói, isso não é nada
grave. É somente uma gripe comum.

- Se é o que você diz.

Os dois ficaram novamente no silencio. Mary parecia


começar a tremer de frio, a fria lona nada aguentava,
sabia que iria esfriar ainda mais. Ele não era o maior
galante do mundo, não era o maior mulherengo de
todos os tempos. Ficou sem ação naquele momento
com Mary.

- Me abraça, estou com frio caramba – disse Mary.

Clint ficou um pouco assustado, porem não


demonstrou isso para Mary. Abraçou-a com seus
braços fortes, ela relaxou e começou a deitar sob ele.
Mary não era uma mulher difícil de conquistar, seus
sentimentos estavam confusos, ela só queria de todo
modo encontrar seu filho.

Clint era um dos poucos caras que ofereciam ainda


um abraço amigo.

- Vai, me conta uma historia de seus trabalhos de


aluguel. Pelo jeito essa tempestade repentina não vai
parar ate amanha, e também não quero sair mais
também, hoje meu dia foi corrido – disse Mary toda
doce.
- Não posso ficar revelando trabalhos assim para
ninguém Mary, isso é meio que pessoal.

- Poxa, ninguém vai ficar sabendo – disse ela – só


um, algum menos cabeludo, eu sei que você sabe.

Clint pensou um pouco, podia contar um caso que


tinha que atirar em uma pomba só por que ela trazia
um enxame desses animais em uma fazenda, pensando
bem, esse fora um dos trabalhos mais bobos que já
tinha feito.

Ele tinha começado a mexer sem pensar no cabelo


de Mary, pelo jeito Mary queria escutar uma boa
historia.

- Vai, não é possível que sua vida seja tão sem


emoção.

- Tudo bem, tudo começou quando um velho senhor


me contratou...

Clint tinha acabado de ver que levava jeito para


contar historias. Mary escutou boa parte da historia,
porem seu sono e o aconchego de Clint eram ótimos,
rapidamente adormecera.

Clint ficou olhando em direção a ursa maior, depois


resolveu dormir.
Naquela cidade tudo era novo para Léo, pessoas
lugares ruas e tudo mais. Ele, agora bem arrumado,
procurava um local para trabalhar. Parecia que o centro
era uma parte diferente da cidade, todos os
estabelecimentos, no qual não eram poucos, eram bem
pintados com cores vivas. As pessoas eram grande
aglomerados andando de um lado para outro. Uma das
primeiras lojas que Léo viu foi um local onde vendia
produtos domésticos.

- Olá senhor – disse Léo ao atendente que usava


óculos.

- Em que posso ajudar garoto – disse o homem na


maior educação do mundo.

- Bem, fico meio sem jeito de perguntar isso mas,


queria arrumar um emprego e não sei se o senhor esta
precisando ai.

- Infelizmente não preciso menino, mas de todo


modo há varias lojas por aqui, tem aquela lanchonete
ali, eles não pagam a maior fortuna do mundo, mas
também não trabalha mundo – disse o homem
apontando para frente – acho que você é novo na
cidade não é garoto?

- Sim, cheguei a pouco tempo. Agora preciso


arrumar um emprego para viver.
O homem ficou meio sentido com isso, porem não
podia ajudar a todos do mundo. Porem somente de ter
dado uma informação, achou que ajudou um pouco.

Léo se virou na direção que o homem tinha


apontado, era uma lanchonete dizia ele, então não
devia ser a maior dificuldade do mundo achar. Em meio
a multidões, Léo atravessou de um lado a outro,
esbarrando em uma ou outra pessoa.

Como ainda era baixo, todas aquelas pessoas


aglomeradas pareciam gigantes, no qual ele ficou
perdido e desnorteado por um tempo. Estava achando
estranho por que não tinha encontrado nenhum garoto
da sua altura.

Andando mais um pouco, ele conseguiu sair do


grande aglomerado, a multidão estava começando a
ralear mais um pouco. Como todas pessoas que estão
perdidas, Léo ficava com os braços abertos, querendo
espaço maior.

Entre uma braçada e outra, ele encosta em um jarro


de barro em cima de um balcão de uma loja de rua.
Sem mostrar resistência nenhuma quando de encontro
ao chão, o jarro se espatifa em inúmeros pedaços. Um
gordo bigodudo era o dono da barraca, de imediato
não viu Léo. A primeira coisa que veio em sua cabeça
foi correr como se não houvesse amanha, e realmente
era isso que tinha feito.
Esbarrando ainda mais na pequena multidão que ali
estava, empurrando e sendo xingado, no sangue de Léo
parecia que corria pura adrenalina. Sua coxas estavam
a trabalhar, de repente ele sentiu a fisgada na perna
por causa do machucado, causado pelo pequeno
roedor que ele tinha encontrado antes.

Ele não escutou o homem da tenda brigando e


xingando ele, e meio a grande correria, de repente a
multidão acabara. Léo olhou de um lado a outro,
esperando a adrenalina abaixar o nível pelo menos um
pouco. Um clima úmido naquele corredor que estava.

Léo estava em um beco.

Ele olhou as paredes a sua volta, quase todas


pichadas com alguma coisa que ele não estava
reconhecendo. Olhou na direção que veio porem não
voltou para ela, o homem de bigode causava-lhe
arrepio, e voltar para ele certamente iria encontra-lo.

Olhou para cima e viu que os prédios eram altos.


Havia uma caixa branca no qual Léo não imaginara o
que era, parecia soltar alguma fumaça branca. Provável
que era algum tipo de ar condicionado, ele lembrara de
seu avô comentar isso com ele um dia.

Em meio ao barulho da multidão ao fundo, ele


escuta a sua frente passos lentos. Devido ao ritmo do
passos, era mais de uma pessoa. Léo não gostou muito
disso, parecia que os passos estavam ameaçadores.
De trás de uma pequena porta, sai um garoto menor
do que Léo, porem mal encarado. Léo percebeu
rapidamente em sua face algumas cicatrizes e um
tatuagem, só não sabia de que era.

O garoto, com o sorriso malicioso em seu rosto,


estava com uma faca na mão.

Imediatamente Léo teve a vontade de recuar,


andando lentamente de costas.

- Calma amigo, eu não quero nada – disse Léo


gaguejando um pouco – não quero nada demais.

- Sorte a sua não querer nada – disse o menino ainda


com voz de criança – por que você veio para esse beco,
você não é daqui não é?

- Sou de outra cidade – disse Léo surpreso em


dialogar com o garoto.

- Entendo – disse o menino que se aproximava de


Léo.

Passou na cabeça de Léo tentar enfrentar a criança,


mesmo com uma faca, o menino ainda era um menino.
Ele podia tomar uma facada ou outra, porem a força de
Léo iria exercer sobre o garoto.

Quando a coragem subiu para a cabeça, outro


garoto apareceu, um pouco mais velho que o menino,
mas ainda sim mais novo que Léo.
Agora sua chance estava beirando a zero.

- Quem é esse garoto? – disse o menino mais velho,


que tirou de suas costas um pedaço de pau.

- Apareceu aqui na área, não parece ser boa coisa


cara, de todo modo vamos dar uma pequena lição para
ele.

- Calma ai caras, eu não fiz nada para vocês, só sou


um menino que apareceu por aqui, não quero causar
confusão nem nada.

- Você parece ser o mais velho de nos garoto, não


queremos te machucar realmente – disse o menino
abaixando a faca, aliviando Léo – queremos te recrutar.

- Recrutar?

- Vimos em suas roupas que você não tem casa


garoto, você é pobre como nos, e nos fazemos parte de
uma gangue de moleques, que esta cada vez maior. E
essa gangue é em outra cidade.

- Espera, eu não quero fazer parte nenhuma de


gangue, quero somente arrumar um emprego e viver
minha vida comum.

- Ou você vem conosco, ou você vai vera ultima luz


do dia aqui.
Léo pensou sobre, podia correr, mas com certeza
esse tipo de pessoa arma uma emboscada, não tinha
escolha, pelo menos se fosse com eles já teria um local
para ficar.

- Mas o que essa gangue faz? Roubar, matar? – disse


Léo impressionado agora por tentar entrar em acordo
com um moleque.

- Digamos que temos nossos modos de


sobrevivência, estamos de ameaçando para você não
contar a ninguém. Nos vivemos lá, então acho que não
seria uma coisa tão ruim assim.

- Vocês disseram que era em outra cidade que vocês


ficavam, e qual cidade é por acaso?

- Cidade Diamante.

- A quanto tempo estamos para chegar na Cidade


Diamante? – diz Mary a Clint.

- Então, acho que não vamos demorar muito, esse


seu cavalo esta nos ajudando bastante. Vamos pegar
alguns caminho para chegar lá mais rápido.

- Fico em duvida como você consegue um acesso ate


outra cidade, tipo, você deve ser mesmo o cara.
- Quando tem um trabalho típico do meu você tem
alguns privilégios, e pelo jeito eu tenho uma fama que
não quero. Muitos acham varias coisas de mim, mas na
verdade nunca me viram.

- Para mim você parece ser um sujeito simples –


disse Mary.

- E sou, não sou de causar tanta confusão, ao menos


não sou mais – disse Clint lembrando de seus primeiros
dias como pistoleiro.

- E como é essa Cidade Diamante? Pelo que eu vi era


uma cidade grande, bem evoluída e tal.

- É uma cidade de duas caras, somente magnatas


podem entrar e sair. Grande dinheiro circula pelas ruas
como areia voa pelo deserto. Eu já vi caras gastarem
fortunas somente por uma simples noites com varias
mulheres. Mulheres lindas, realmente as mais
desejáveis por preços realmente baixos. Passei por lá
uma época, porem o serviço não era uma coisa que
gostei de fazer, pagaram muito alto, se eu recusasse
ate seria um perigo para minha pessoa.

- E quanto era esse valor que te pagaram? - disse


Mary.

- Passe ilimitado na Cidade Diamante – disse Clint.

Mary não disse nada.


Andaram por mais alguns dias, não optaram por
dormir em hotéis nem nada, usando somente a lona
para dormir ao ar livre.

A Cidade Diamante estava se aproximando, mais uns


dois dias de viagem.

- Só não sei como vou fazer para seu filho voltar em


seus braços, não sou o melhor pai do mundo.

- E não precisa, só preciso de você para entrar na


cidade mesmo, eu mesmo busco meu filho.

- Não vou nem perguntar como você vai reconhecer


seu filho, uma mãe sempre sabe onde o filho esta.

- Clint – disse Mary sem jeito – obrigado.

- Não tem o que agradecer, você só é uma mãe em


busca de seu filho.

Após os dois dias, Clint e Mary viram um aglomerado


de luzes a noite, era certamente uma cidade diferente
de outras.

- Isso parece Las vegas – disse Mary.

- Uma las vegas piorada – disse Clint – vamos rápido,


é só eu dizer que conheço alguma pessoa, passarei
facilmente por lá. Digo também que você é minha
acompanhante.

- Ate que enfim chegamos – disse Mary.

- Com certeza você esta com um frio na barriga,


devo apostar.

-Como não – disse Mary envergonhada.

Cavalgaram mais rápido, chegando assim em frente


a portaria em um instante.

Clint tinha uma ótima visão, vendo rapidamente o


segurança que estava na porta.

- Essa cidade ainda tem um segurança na porta, da


para ver que ainda são precavidos.

- Mesmo nessa hora da noite? O que realmente tem


nessa cidade?

- De tudo um pouco, não sei como vamos achar seu


filho em meio a multidão. Pelo que eu deva imaginar,
ele deve ter se metido om alguma gangue ou algo do
tipo aqui.

- Mas meu coração diz que ele vai voltar – disse


Mary esperançosa.

Quando se aproximaram perto da porta, olharam o


segurança de cima a baixo. Um grande homem moreno
e forte, que facilmente com um tapa colocaria qualquer
homem para dormir.

- Creio que você não vai entrar moça, entrada


proibida para todo mundo.

- Ate mesmo para mim?- disse Clint saindo de trás


de Mary – pensei que tinha um passe ilimitado para
essa cidade.

- Meu deus, Clint, me desculpe, não sabia que você


estava atrás dessa moça. Queira entrar por favor.

- Não sabia que você tinha toda essa moral homem –


disse Mary cochichando para Clint.

- Quando se salva alguma filha de um magnata, você


tem privilégios.

E os dois romperam passos para a nova cidade.

Mary ficou de boca aberta quando viu a imensidão


do local, a quantidade de luz podia deixar alguém
louco, luzes de todas as cores. Pelo jeito naquela
cidade não havia um só local que era sem luz, cores
que Mary jamais imaginara ver algum dia em sua vida.
Algumas musicas, parecia ser pop, lady gaga era uma
das principais das paradas, e era obvio que Mary nunca
havia escutado isso.
- Recomendo não ficar olhando muito para essas
luzes Mary, não demora para você ter algum problema
de vista.

Porem ela mal escutou, parecia não ter ouvidos a


Clint. Sua face era de tamanha fascinação. Parecia um
menino quando entrara em um loja de brinquedos.
Outdoors gigantes com marcas das mais diversas
possíveis.

“Beba Coca-Cola” “ use camisinha Jontex” e por ai


vai. Nas pequenas cidades que ela havia visitado, ela
não tinha visto nenhuma propaganda nem nada do
tipo.

- Mary, não esquece de que você esta procurando.

Ela sabia que tinha um filho para achar, mas de


imediato uma gigante cidade estava a sua frente.

Um palhaço todo colorido passou a sua frente, Mary


não era como muitas pessoas que tinha medo por
palhaços, ela ate gostava um pouco. Pelo jeito ele fazia
propaganda de alguma marca de alguma coisa, no qual
ela não conseguia discernir.

Clint já desistiu de tentar chama-la, esperando


somente passar o choque inicial de ver aquela grande
cidade. Aqueles tipos de cidade já passaram em alguns
filmes, porem Mary não era muito de ver tv.
- Clint, o que é aquilo escrito “cassino”?

- É um local onde não devemos sonhar em ir, lá é


onde gastamos dinheiro, muito dinheiro. Mary, preste
atenção – disse Clint pegando-a pelo braço – eu quero
que você veja seu filho, pelo jeito você perdeu toda a
noção quando viu essa cidade por dentro. Temos que
sair perguntando onde tem uma gangue de moleques.
E eu sei onde exatamente devemos procurar.

- Não precisa ficar bravo cara – disse Mary


parecendo sair de um transe quando ele pegou seu
braço.

- Então vamos andando – disse Clint.

- E a onde vamos para começo de conversa?

- Digamos que conheço um amigo, um velho e bom


amigo.

O bar era como todo o resto da cidade, tudo


sofisticado, parecia que a luz naquela cidade era de
graça, e todas pessoas eram quase obrigadas a usar.
Todos os funcionários estavam bem arrumados, com
ternos e tudo mais. Mary sentiu um pingo de vergonha
por causa da roupa que usava, uma vestimenta
simples.
- Não precisa ficar com vergonha minha filha, eu
conheço o local, são um bando de burgueses, ignora
isso, vou chamar um amigo meu para nos ajudar.

Clint levanta a mão chamando um garçom. Pelo jeito


era um garçom como outros, um bigode bem tratado,
moreno e cabelo bem feito. Mary ate achou ele
levemente atraente, mas não pensou em ir para cama
com tal.

- Amigo – disse Clint ao garçom quando ele acabou


de passar por ele – depois necessito de você aqui em
minha mesa.

O garçom responde com um aceno e depois vai


atender uma outra mesa.

- Você quer alguma coisa para molhar essa goela?


Acho que você babou tanto que perdeu agua no corpo.

- Engraçadinho – dissera Mary zombando de Clint.

Ficaram esperando um pouco, Mary ficava vendo o


movimento entre uma mesa e outra, os garçons
trabalhavam como nunca, bem diferente do que estava
acostumada. Clint pareceu não se surpreender com
nada, pelo jeito já estava acostumado com tudo aquilo.

- Faz muito tempo desde a ultima vez que você veio?


– disse Mary.
- Já tem algum tempo, exatamente eu não sei,
alguns anos acho. Mas igual te disse, essa cidade não
mudou nada.

O garçom se aproximou da mesa de Clint e Mary.

- O que vai querer Clint – disse o garçom.

- Essa minha amiga perdeu o filho, e tem quase


certeza que ele esta no meio de uma gangue aqui, eu
só não sei como vou acha-los. A historia é um pouco
grande, levaria um bom tempo para explicar ela
totalmente, mas em resumo é isso.

- Você deve estar falando daqueles pé rapados que


aparecem de madrugada para pegar comida aqui, não
são difíceis de achar. Ate pouco tempo eram somente
crianças, mas de uns tempos para cá apareceu um
moleque, mais velho de todos eles, só andava sem
camisa. Tinha um trejeito estranho, era fácil
reconhecer. E lembro também que ele tinha uma
marca no peito, alguma marca de nascença.

Mary não pode deixar de ficar surpresa.

- Mais alguma coisa Clint?

- Quando posso encontra-los? Você disse que eles


veem toda madrugada.

- Exato, é só esperar no fundo do deposito, onde


eles arrumam um jeito para entrar. Nunca roubaram
nada, não ultimamente, depois que nos descobrimos.
Mas mesmo assim continuam tentando.

- Obrigado, vou esperar ate a madrugada, enquanto


isso peça para seu chefe uma cortesia, fala que é Clint
quem esta.

- Tudo bem, de todo modo espero ter ajudado.

- Ajudou em demasia caro amigo – disse Clint


tirando o chapéu da cabeça e colocando em cima da
mesa.

O garçom deu alguns passos para ir em outra mesa,


Clint não pode deixar de esboçar um sorriso.

- Clint, esse realmente é meu filho, um garoto com


uma marca de nascença no peito. Só pode ser ele –
disse Mary toda animada.

- Viemos ate aqui guiados por um puro instinto seu,


imaginando que seu filho estivesse por aqui – disse
Clint olhando para uma placa de “não fume” – e
realmente você estava certa, agora já não tenho mais
duvidas em relação a seu filho esta aqui. Então digamos
que temos uma grande sorte.

Mary parecia não se segurar em meio a grande


emoção que veio. Depois de anos, ela realmente ver
seu filho ser separado por causa da guerra, seu marido
morto e tudo mais. Ate que enfim boa parte disso já
tinha passado, uma mãe encontrar um filho era sem
igual, era espetacular, na falta das palavras.

- Vejo que parece que você esta meio sentimental,


irei pedir uma cerveja, acho que você tem que beber
pelo menos um pouco.

- Já que você diz, peça para trazer ao menos uma


cerveja então.

Clint pediu, e então esperaram ate a madrugada


para ver o filho de Mary assaltar o restaurante.

- O plano vai ser o seguinte – disse um pequeno


garoto que não sabia seu nome – Léo é sem duvida o
mais forte entre nos, sua força é bem maior do que
muitos meninos de sua idade. Ele consegue levantar
aquele pesado portão do fundo.

- E como vamos fazer para destrancar ele? Que sem


duvida eles trancam ele por fora.

- Isso é fácil, o catraca sem duvida sabe abrir aqueles


tipos de porta, não dou meio tempo para destrancar
aquilo. E hoje começou o fim de semana, com certeza o
estoque foi reforçado. Infelizmente nesses dias não
invadimos lá por que arrumaram um jeito de bloquear
as janelas, onde muito de nos passávamos, agora com
Léo fica mais fácil abrir o portão.
Léo nada falava, ficava quieto em um canto,
somente observando a situação.

- E pelo jeito temos coisas novas aqui, com certeza


nos chegamos em outro patamar – disse o garoto com
uma caixa – vamos daqui duas horas, alguém discorda?

Ninguém disse nada.

- Léo, depois tenho uma conversa com você – disse o


garoto – do mais, se preparem.

Todos saíram do “quartel”.

- Léo, você é o único de nos que parece ter culhões


para segurar e atirar com isso – disse o garoto
revelando que dentro da caixa havia uma 9 mm.

- Não sei se é o certo – disse Léo recuando um pouco


– não sei se chegaremos a esse ponto de matar.

- Puta que me pariu em Léo, não é possível que


agora você esta com medo, agora vai me dizer que
esqueceu da primeira vez que te vimos, que você quase
morreu, só não foi por bondade nossa. Estamos em
uma selva de pedra amigo, os caras cagam dinheiro, lá
dentro o caras já não tem onde gastar, e nos aqui
chegando a passar fome. Olha quanta coisa tem ali
guardada para comer, quantos de nos fazemos
refeições três vezes ao dia? Me diga isso.

- Mas ao ponto de matar por comida?


- Evolução das espécies meu caro, sobrevive quem
mata o outro.

Léo sabia certamente que Darwin nunca tinha dito


aquilo em alguns de seus livros, mas não estava no
ponto para discordar dele.

- Vamos mata-los caso seja necessário, somente de


ultimo caso. Não quero chegar lá abrindo a porta lá e
descarregando isso, jamais.

- Tudo bem, tudo bem então. Vamos fazer isso. Se


não for desse modo vamos é morrer de fome.

- Isso ai meu garoto – disse o menino indo para


algum lugar para esperar ate o momento do furto.

Clint e Mary haviam bebido um pouco, mas não ao


ponto de que o álcool atrapalhasse a espera de seu
filho.

- O garçom disse que eles assaltam toda noite, ou


pelo menos tentam. Vamos esperar aqui no fundo para
achar ele – disse Clint.

- Não da para saber em que horas estamos devido a


essa quantidade de luzes na cidade, parece que essa
cidade não dorme.
- Realmente é um inferno dormir aqui, parece que
amam escutar musica para chamar atenção – disse
Clint querendo conversar para passar o tempo – Mary,
você disse que seu marido foi para guerra.

- Sim, foi algum tempo, muito tempo para falar a


verdade.

Mary pareceu não querer falar muito do assunto,


para ela estava de ótimo tamanho aguardar seu filho.

O tempo parecia que estava correndo mais


lentamente, os dois ficaram no maior completo
silencio, somente escondidos atrás de uma mureta e
tentando escutar alguns sons de passos.

Parecia que aqueles meninos não tinha ciência de


que Clint e Mary estavam por ali. Chegaram
conversando alto, discutindo como abrir a porta.

- Catraca, fecha essa porra da boca e vai abrir essa


porta – disse Léo ao fundo.

Clint olhou imediatamente para Mary e pode ver a


expressão no rosto dela, lagrimas brotando sem parar,
ela segurando para não abrir o maior choro.

Ele colocou o dedo indicador em frente a boca para


sinalizar silencio.

- Léo, fica de vigia ai enquanto eu tento abrir essa


porra.
Léo obedeceu, ficando olhando de um lado para
outro em busca de alguém que fosse intrometer
naquele momento. Clint já tinha um ouvido bem
treinado em relação a reconhecimento de locais.
Mentalmente contou quatro, Léo o abridor do portão e
mais dois.

Ele ficou pensando que provavelmente alguém deles


teria uma arma, assim como ele, então era melhor
tomar cuidado.

Porem Mary não tinha esse pensamento, levantando


de repente já gritando o nome de Léo.

- Léo – gritou ela com todas as forças que haviam no


pulmão – Léo.

Infelizmente a reação de seu filho não foi a que ela


esperava. Todos os quatro garotos assustaram, Léo de
imediato puxa o gatilho. Parecia alguma cena de um
filme clichê, parecia que Mary conseguia ver
perfeitamente a bala indo de encontro ao seu esterno,
perfurando um pulmão gravemente. Seus amigos
correram por causa do medo de Léo ter atirado.

Clint, rápido como um gato, levantou já com sua


arma não mão, procurando quem era o atirador.

O velho vestido branco de Mary começou a ganhar


uma tonalidade vermelha escura, ela ficara com a boca
aberta e ainda de pé. Léo segurava a arma com as duas
mãos, ainda não acreditando que tinha atirado em uma
pessoa.

Clint não sabia que aquele era Léo, mas não era tão
sangue frio a ponto de atirar em um garoto. Por mais
que ele fosse um assassino, herói de aluguel, ainda
tinha seus princípios.

- Léo – disse Mary já ficando sem ar por causa do


pulmão – sou eu, sua mãe.

Léo marejou os olhos, deixou a arma no chão e


partiu de encontro a mãe.

Clint nada podia fazer, era um trabalho complicado,


tinha levado uma mulher para um local para tomar tiro
de seu filho.

Com Mary já ao chão, todo seu vestido tinha se


tornado vermelho, Léo se aproximou de seu rosto,
deixando lagrimas cair em dela.

- Não sabia que era a senhora, fazia tempo que não


te via, estava assustado, com arma na mão – ele tentou
falar mais alguma coisa, porem nada saia.

- Filho – disse ela com uma voz de rouquidão –


esqueça isso, só de saber que você esta vivo, já me
causa um bem. Eu já não teria muito tempo de vida,
sua mãe não andara muito bem esses tempos. Você
não fez grande coisa em me atirar.
- Depois de anos que encontro minha mãe, eu a
mato? – gritou Léo com os cabelos de Mary
emaranhados em suas mãos.

- Filho, eu te amo – disse Mary começando a


engasgar – mas quero que você se cuide, não quero
que você mecha com coisa errada, com gangues e tudo
mais. Venha dar um abraço em sua mãe menino, eu te
amo tanto.

Léo não disse nada, ficou somente observando a


maior burrada que tinha feito na vida.

- Filho, não aguento mais, alguma hemorragia ou


algo do tipo, só quero que você se cuide. Quero que
você siga Clint – essa foram as ultimas palavras de
Mary.

Léo olhou a frente, e viu um homem de costas com


um chapéu na cabeça. Clint na disse, saiu andando
normalmente.

Léo estava a segui-lo, o problema agora era Clint


aceitar.
Fio De pólvora

Na parede do bar havia um cartaz, era a foto de um


homem de bigode com um chapéu de caubói, nada
demais que diferenciasse de muitas. A foto era
basicamente um retrato falado. Em baixo de sua foto
havia uma recompensa, 10 mil moedas para quem o
capturasse vivo, agora se fosse morto o preço cairia
pela metade.
Aquele bar não era muito frequentado, e também o
cartaz estava em vários lugares da cidade. O xerife
local, Ronald, tinha colocado o valor alto assim pela
cabeça do sujeito.
- Mas vai pagar dez mil pela cabeça desse cara? –
disse um amigo ao ver ele colando o cartaz pela
primeira vez.
- Esse cara é um desgraçado – disse Ronald – estrupa
mulheres, faz chacinas e tudo mais, só não coloquei
isso aqui por que iria assustar.
- E você sabe a ultima vez que ele foi visto?
- Ninguém sabe, por volta dessas cidades ou por
essa região. De todo modo o cara que conseguir
capturar vai estar de parabéns.
- Eu nunca realmente cheguei a ver esse sujeito –
disse seu amigo.
- Se você visse Jack e ele soubesse que você é amigo
de um cara da lei, acho que você não sobraria muito
tempo vivo.
O sol do meio dia ardia as costas de ambos. Donald
iria almoçar um pouco mais tarde, trataria de distribuir
cartazes pelo caminho.
Quando estava terminando de colar o primeiro
cartaz, uma moça que não devia ter passado de seus
trinta anos, poderia julgar que passou recentemente
pelos seus vinte, ficou olhando r Ronald pregar o
cartaz.
- Olá moça – disse ele se virando para cumprimentar
a moça – posso ajudar?
- Esse tal de Jack – disse ela – onde será que eu
posso encontra-lo?
- Nem eu sei garota – disse Ronald coçando sua
proeminente barriga – se eu soubesse eu mesmo
poderia mata-lo. Você é caçadora de recompensas?
- Digamos que de certo modo sim – disse a garota.
- Entendo, tudo que sei sobre esse cara é que ele
andou pelos arredores da cidade.
- Quanto tempo tem isso? – disse a garota ajeitando
um óculos ray-ban que ela possuía.
- Alguma semanas, porem fiquei sabendo que ele fez
um estrupo coletivo, não me informaram a cidade,
então esta ai o fato do valor de sua cabeça, caso queira
saber.
- Entendi – disse ela – de todo mais você pode me
entregar um cartaz?
- Claro, só tome cuidado minha filha – disse o Ronald
– mesmo estando no século vinte um ainda pagamos
pela cabeça de homens, igual no velho oeste.
- Tem gente que precisa ser morta, e tem gente que
vive com a morte dele – disse a garota se virando igual
em uma cena de um filme.
- Ei garota, qual o seu nome?
- Bishop, Kate Bishop.

Depois do almoço, o xerife Ronald estava em sua


sala resolvendo algumas papeladas. Como era sempre
de costume em seu humilde escritório, nas paredes
haviam pregados os cartazes de procurado.
Havia um copo de agua em cima da mesa que as
vezes ele bebericava. Ele olhava com cuidado para os
papeis quando escuta três batidas na porta. Ele
repousa com cuidado os papeis para ordenar que
entrasse.
- A quem devo minha honra – disse Ronald.
- Barton senhor – disse o garoto que recentemente
havia tido idade para fazer regularmente a barba.
- Quais as novas Clint? – disse o xerife.
- Eu que pergunto, então o senhor tem um novo
cara para ser procurado e que valha a pena realmente
sair em busca?
- Se esta falando de Jack então temos, os papeis
chegaram hoje de manha. Fiquei sabendo que houve
uma cena de estrupo no qual ele comandou, não tenho
informações mais sobre esse caso.
- Tudo bem é esse cara que esta em cima de sua
cabeça?
- Sim, 10 mil pratas. Eu acho que entra em seus
requisito Clint Barton.
- Então, baixo o valor não é. Só me passe o cartaz
que saio a procura.
Ronald abriu uma gaveta ao seu lado e retirou o
cartaz de Jack jogou para Clint.
- Só para sua informação Clint, teve uma pessoa que
pegou o cartaz hoje de manha.
- Como assim?
- Uma garota que se chamava Kate Bishop, disse que
vivia disso também, tinha seus vinte e poucos anos a
julgar pela aparência.
Clint dobrou o cartaz e colocou no bolso. Ficou
pensando sobre essa garota uma boa parte do dia para
enfim sair a procura de Jack.

Iria aproveitar mais o resto do dia na pensão onde


estava hospedado. A dona era uma boa moça que tinha
feito um preço bom para Clint pelo simples motivo que
ele viajava muito.
Ele sentou em sua cama e ficou olhando para o
cartaz, tentava lembrar se reconhecia aquele homem
de algum lugar.
Clint ainda era novo, não visitara bares assim com
grande frequência, e pelo jeito seu alvo era um dos
maiores beberrões.
- Clint quer alguma coisa para o jantar? – disse a
dona da pensão atrás da porta para Clint.
- Só vou querer um pouco de macarrão, não demoro
a descer – respondeu ele com a maior educação.
Ele pensou que deveria deixar para resolver aquele
caso amanha, jantaria e iria dormir um pouco.
Na mesa de jantar estavam todos os hospedes, no
qual não eram muitos.
- Olá Clint – disse uma de suas vizinha de quarto –
você parece meio preocupado. O que houve?
- Nada demais – disse ele – só trabalho.
Nenhuma delas sabia que Clint era um caçador de
recompensas, talvez só a dona. Ele não iria contar
aquilo para todas, provavelmente seria julgado ou algo
parecido.
- Este macarrão esta gostoso – disse Jorge, um cara
que tinha passado por ali por um pouco – experimente
Clint.
Clint com cuidado aceitou e colocou um pouco na
mesa.
- Fiquei sabendo que sua fazenda esta prosperando
Jorge – disse a dona da pensão - e como estão indo as
coisas lá?
- Ganhei uns escravos lá, uns seis negros que não
são muito bons de serviço, mas como o ditado diz,
cavalo dado não se olha os dentes.
Jorge era um visitante frequente naquela pensão,
sempre que viajava a negócios, no qual era rotineiro
suas viagens, passava por aquela pensão para fazer
uma pequena visita.
- Clint, levanta esse astral garoto – disse Jorge – se
quiser jogar um carteado depois do jantar me fale.
Clint somente deu um aceno sem jeito. Ainda estava
pensando em Kate Bishop, uma misteriosa garota que
também era caçadora de recompensas.
Terminou o jantar e foi para seu quarto resolver
dormir. Havia um livro de cabeceira, um de Edgar Alan
Poe, porem não quis ler naquele momento.
Não teve nenhum pesadelo.

Ao raiar do dia, Clint acorda bem disposto.


Imaginava em qual cidade esse tal de Jack estaria, mas
para não perder tempo iria em uma cafeteria perto
dali, o garçom sempre sabia onde andavam alguns
sujeitos.
Arrumou seu revolver na cintura e verificou em seus
bolsos se o cartaz estava ali. Abriu a porta para sair
quando a dona da pensão o para.
- Bom dia Clint – disse ela amigavelmente.
- Bom dia Hina – disse Clint para ela.
Hinata era uma velha senhora de descendência
japonesa. Era um amor de pessoa com quem
hospedasse ali.
- Já vai sair de manha assim? – disse Hinata a Clint.
- Digamos que sim, tenho algumas coisas a fazer –
disse Clint rindo.
Ela respondeu com um sorriso.
A cafeteria não era longe dali, umas duas quadras.
Clint verificou o relógio para ver se o horário estava
tudo certo, e já era nove horas da manha. Andou um
pouco com seu chapéu tampando um pouco do sol de
manha. Que visse Clint imaginaria que ele era um
personagem vindo dos filmes de Sergio Leone, ate ele
mesmo imaginava que tocava uma musica ao estilo
Enio Morricone ao fundo.
A frente da pequena cafeteria, que se retirassem a
placa iria parecer somente uma casa comum com uma
pequena varanda, estava o garçom Parker.
- Bom dia – disse Clint a Parker de longe.
- Bom dia Clint – disse Parker – se quiser um café já
vou pegar para o senhor.
- Agradeço – disse Clint já mais próximo.
Clint escolheu uma cadeira da varanda para sentar,
ficou olhando para o clima lá de fora. Com o chapéu
sobre a mesa, Parker havia trazido uma pequena xicara
de café para Clint.
- Como sempre você quer saber o paradeiro de
algum criminoso – disse Parker.
- Você advinha meus movimentos Parker.
- A cidade que esse tal de Jack esta no fica longe
daqui – disse Parker sabendo do cartaz de procurado –
ele chama Rupeste, fica aos 15 quilômetros daqui.
- Rupeste, já visitei essa cidade antes, não é a das
mais bonitas mas tem alguma que preste por lá – disse
Clint deixando uma moeda em cima da mesa para
pagar a informação, o café era por conta da casa.
-Tenho que te contar que ontem mesmo, quando
estávamos servindo o jantar, uma moça veio me
perguntar sobre esse tal de Jack.
Aquela informação fez Clint erguer de sua cadeira no
mesmo momento.
- Como assim – disse Clint preocupado.
- Ela era uma moça nova, melhor dizendo, uma
mulher. Usava uma blusa de botão com um óculos
preso na gola. Cabelos negros e um jeans não muito
justo. Não pude perceber muito a cor dos olhos dela.
- E você sabe como ela chama? – pergunta Clint
preocupado.
- Parker – disse uma voz ao fundo.
- É meu patrão, já volto. Talvez ate pergunte ele o
nome da moça.
Clint resolveu sentar e voltar a beber seu café, era
obvio que tinha mais gente na jogada. E era alguém
que estava determinado para caçar o sujeito.
Kate Bishop, uma nova caçadora de recompensas.
Mesmo aquela cidade sendo pequena, Clint imaginava
encontrar serviço somente para um cara como ele.
Agora com essa tal de Kate, teria que ficar de olhos
bem abertos.
- Então – disse Parker voltando – meu patrão não
sabe o nome dela, ela não disse nada, e também nunca
a vimos por aqui.
- Kate.
- Como?
- Kate Bishop é o nome da garota. Passei lá no xerife
para pegar o cartaz ontem, e Ronald me disse que uma
garota havia pegado o cartaz de Jack, essa tal de Kate
Bishop.
- Nunca conheci esse nome.
- De todo mais obrigado – disse Clint levantando –
quando precisar volto aqui. Agora tenho trabalho a
fazer.
A moeda ainda repousava em cima do balcão
quando Clint resolveu partir.

Uma boa caminhada de 15 quilômetros não iria


matar Clint, estava novo ainda. Porem ao saber que
tinha alguém também atrás da cabeça de Jack, decidiu
correr mais rápido para chegar a seu destino.
E seu destino inicial era o estabulo local.
Um velho homem já com uma vasta barba grisalha
arrumava a cela de algum dos cavalos para Clint.
- Me arrume um – disse Clint chegando atrás dele.
- Bom dia também Clint, para você querer um cavalo
o premio deve ser bem valioso. Fiquei sabendo que
esse tal de Jack é realmente perigoso.
- As noticias correm rápido por essa cidade – disse
Clint alisando alguns de seus cavalos.
- Cidade pequena meu amigo, quando um cara faz
uma chacina ou estrupo por alguma cidade por perto,
vira assunto para mais de uma semana.
Clint caminhava lentamente por entre os cavalos. Ele
já fora cliente de lá, as vezes pegava um cavalo quando
a situação urgia, então era um pouco obvio que havia
um cavalo preferido.
- Nem precisa dizer nada – disse ele a Clint – eu sei
que você esta procurando um cavalo em especifico.
Como fiquei sabendo do cartaz ontem de manha
mesmo, resolvi separar ele para você, sabia que iria
procura-lo. Mas estou achando estranho por que fiquei
sabendo que essa cidade é um pouco perto daqui, pelo
menos que aconteceu a chacina, pensei que você iria
preferir ir a pé.
- Ele esta em outra cidade, e digamos que existe
uma outra pessoa na jogada.
- Talvez seja a forasteira que apareceu por aqui, e
nem me venha com perguntas por que só vi essa
mulher de vista.
- Tudo bem – disse Clint – me arranje um cavalo para
eu partir logo.
E que cavalo. Era com certeza um dos melhores do
estabulo, havia um preço elevado por ele, e Clint
chegava a pagar algumas moedas a mais para sempre
quando houvesse trabalho, ele fosse o primeiro a
pegar. Isso não pesava em seu bolso, era também uma
garantia de trabalho.
- Posso saber para onde o senhor vai? Caso alguém
perguntar?
- Ninguém ira perguntar sobre mim – disse Clint.

A cavalgada foi rápida, não teve nenhum contra


tempo durante seu percurso. Chegou rapidamente na
cidade, encontrando um bar aberto e com algumas
pessoas conversando bem alto. Clint pode distinguir
algumas vozes, dentre delas uma feminina. Amarrou
seu cavalo em um pedaço de pau perto do salão e
resolveu entrar.
Pela sua surpresa havia varias pessoas, algumas
jogando carteado, outras no balcão bebendo cerveja e
uma mulher, que Clint imaginou ser Kate Bishop
pedindo informação, ele pensou que não era qualquer
mulher que frequentava bares.
Aproximou com calma do balcão e resolveu pedir
uma cerveja. Não era acostumado a beber, porem era
o tipo de pessoa que queria enturmar, então segundo
algumas pessoas, a cerveja é a melhor coisa para
enturmar.
- O que vai querer amigo – disse o garçom com cara
de cansado.
- Uma cerveja e uma informação – disse Clint
tentando soar maduro o bastante.
- Pelo jeito agora que você tem idade para beber
não é amigo – disse o garçom zombando da jovem
idade de Clint.
Ele decidiu ignorar, só queria a cerveja e a
informação. E como todo bom garçom que ele iria
conhecer em sua vida, trouxe um gigante copo amarelo
de cerveja, facilmente beiraria um litro do liquido
alcoólico.
- Você sabe que as informações aqui são pagas não
é?
- Sempre sei.
- E qual vai ser a que o senhor vai querer? Disse o
garçom olhando para um lado e para outro.
- Jack, o do cartaz de procurado, esta sendo caçado
por estrupo e diversas coisas. Fiquei sabendo que ele
passou por essa cidade.
- Então, eu sei sobre.
Clint não duvidou disso, depositando mais uma
moeda em cima do balcão. O garçom arrasta a moeda
para si sem ninguém olhar.
- Ele passou seu ultimo dia nessa cidade ontem, pelo
que sei saiu hoje de manha, pegou uma estrada do
norte. Isso é o que me dizem por ai, então se é total
certeza ai não sei. Mas acho que não deve ser mentira.
E você é a segunda pessoa que procura por Jack, antes
veio uma garota...
- Cabelos negros e um óculos preto pendurado na
blusa. Sei quem é. De todo modo obrigado.
Outra pessoa havia chamado o garçom, Clint
terminou de beber sua cerveja e decidiu ir para o norte
como o garçom havia dito. Se pegasse um trote bom
com o cavalo, ate poderia alcançar Kate e Jack.
Saiu do bar deixando vários homens jogando
carteado. Quando quase pôs o primeiro pé para fora,
um homem gordo o segurou pelo punho.
- Te digo que esse tal de Jack é perigoso – disse o
homem esboçando uma reação assustada.
- Como assim?
- Ele me prendeu e estuprou minha esposa na minha
frente, fez todo tipo de sacanagem, só não matou nem
eu nem ela. O cara é perigoso.
- Não é só ele que é perigoso.
A cidade sem nome, aquela não era a única por todo
o globo terrestre que não tiveram ao menos um misero
trabalho de colocar um nome na cidade. Após vários
bombardeios envolvendo vários países, onde Clint
morava não ficara de fora.
Destruindo cidades, os cidadãos eram obrigados a
mudar do local e formar seu povoado.
A frente de Clint deveria ser um povoado, e onde
provavelmente encontraria Kate ou Jack. Não saberia o
que falar com Kate, não podia chegar e falar que Clint
também estava a procura de Jack, ela não iria desistir
por causa de um estranho, talvez só queria conhecer a
moça para conversar e tirar alguma curiosidade.
Por incrível que pareça, na entrada daquele povoado
não tinha um bar, que Clint encontrava facilmente em
toda cidade. Pensou que talvez estaria mais para o
centro da cidade.
Andando calmamente, não viu nenhum cavalo de
inicio, o que talvez seus procurados tivessem viajado a
pé.
Havia um pequeno alvoroço no qual Clint escutou e
foi ver. Era no centro da cidade, uma pequena praça
rodeada por alguns estabelecimentos. Nela havia um
palhaço se apresentando jogando algumas bolas para
cima sinalizando algum truque. Clint observou aquilo
por algum tempo.
Era um cara ate bom no que ele prometia fazer. Ele
havia subido em um monociclo e começado a andar
para frente e para trás equilibrando uma bolinha no
nariz. Ele começou a bater palmas, no qual o publico
imitou o gesto gentilmente.
Era uma bela musica, Clint tinha deixado suas mãos
repousadas em sua cintura, somente observando.
- Você é novo não é? – disse uma mulher ao seu
lado.
- De idade sim, e na cidade também. Mas por que a
pergunta?
- Nunca te vi por essas bandas, mas o que te traz
nessa cidade jovem moço, se é que pode chamar isso
de cidade.
- Estou a procura de um homem, que julgam estar
aqui.
- Aposto que seria Jack, o estuprador.
- Como sabe? Não vai dizer que uma mulher veio
perguntar?
- Não – disse a mulher rindo – é que realmente ele
esta aqui, chegou na cidade agora pouco.
- Entendo, e você sabe onde poderia encontrar?
- Primeiramente, me chamo Simone, e qual seu
nome.
- Barton, Clint Barton.
O palhaço agora jogava cinco objetos para o ar,
pareciam de inicio ser pinos de boliche, porem quando
chegavam no alto, viravam facas pontiagudas num
passe de magica. O show era de malabarismo e magico
ao mesmo tempo.
- Eu sei que ele esta hospedado no hotel, e não pode
entrar lá somente para visitar um quarto, tem que
chamar o cara na porta. E com a permissão dele.
- Isso é fácil, só esperar esse cara sair e já era.
- E você acha que vai ser fácil matar um cara que
vale dez mil pratas Clint?
- Ele é feito de carne como nos – disse Clint falando
o obvio.
- Esse cara deve ter um olho nas costas cara, se eu
fosse você tomaria cuidado, parece que você não é
experiente no ramo. Você tem uma arma em sua
cintura, saiba usar. Vamos para minha casa para
conversarmos melhor, e entenda conversar do jeito
que você quiser.
Simone e Clint decidiram sair da multidão.

- Vamos ficar aqui por enquanto – disse Simone –


não demora a chegar a noite para você ir visitar esse tal
de Jack.
- Tem outra pessoa na jogada também – disse Clint
para Simone – sei que é uma tal de Kate Bishop, que
pelo jeito esta na cidade.
- Essa já não conheço, mas eu acho que você deve
confiar no seu taco.
A casa de Simone não era a maior desse mundo,
porem Clint estava se sentindo confortável o bastante.
Simone era um pouco mais velha que Clint, solteira e
morava sozinha. Tinha achado o viajante atraente, na
certa queria sexo para aquela noite.
- Tome isso – disse ela entregando um copo de vinho
para Clint – ainda vai demorar um pouco ate chegar a
hora.
- Não sou muito de bebidas – disse Clint – mas não
se pode recusar uma bebida assim facilmente.
Ele bebeu aquele copo rapidamente, no qual Simone
havia bebido o dela também. Agora que estavam
levemente bêbados, Simone chamou Clint para cama,
no que ele não recusou. Era uma cama de solteiro de
Simone, era obvio por que morava sozinha e sua casa
não tinha os maiores luxos do mundo.
Como uma mulher mais velha, ela sempre fora mais
frente, mais decida no que queria. E parecia que Clint
não era um dos mais experientes do ramo. Pela sua
atitude ela sabia que Clint não era virgem, só não
transava com tanta frequência.
Ela tirou a camisa dele, sentindo ainda mais vontade
de transar do que nunca. A garrafa de vinho ficara ao
lado da cama, a cada beijo e amasso, ela virava pelo
menos um pouco.
Clint adorou chegar em uma cidade e ser recebido
por uma mulher como aquela, e da maneira como fora
recebido.

A noite chegara, e segundo Simone era a hora que


Jack iria sair da hospedagem, no que provável ou iria
para um bar ou iria cometer algum crime.
Logo após o sexo entre eles, Clint disse que iria
voltar, e Simone com a maior educação indicou onde
era o hotel que Jack estava hospedado.
- Não morra – disse Simone.
- Essa não é minha principal intenção – disse Clint
rindo.
- Quando acabar esse trabalho, volte pra cá, pelo
terá mais uma noite comigo.
Clint não pode deixar de esboçar um sorriso.
Estava tudo arrumado para ir, queria resolver aquilo
em uma noite.

A lua iluminava a frente do hotel onde Jack estará


hospedado. Clint havia escolhido um pequeno beco
para observar o movimento do local.
Essa parte do trabalho era um pouco chata, ficar
olhando para perceber alguma coisa de diferente.
Passou um gato debaixo de suas pernas, ficando
roçando exigindo comida. Clint não espantou o animal
nem nada, deixou ficar lá pedindo.
Aquela cidade estava realmente silenciosa, Clint não
era o maior amante daquele tipo de cidade que não
dorme a noite, nunca iria morar em tal tipo de cidade.
Ele olha para todos os lados e vê uma mulher,
cabelos negros olhando igualmente ele.
Ficou surpreso ao ver aquilo, era obvio que não era
normal uma garota ficar observando outras pessoas a
noite.
Clint decidiu sair de seu beco e caminha calmamente
para direção da garota, que não realizou nenhum
movimento. Ela estava levemente oculta pela sombra
que uma casa fazia sobre ela.
Quando Clint se aproximou ainda mais da mulher,
viu que ela tinha um óculos pendurado na blusa.
- Olá garota – disse Clint ficando ao seu lado.
- Olá – disse ela não querendo muito assunto.
- Não sou o cara mais esperto do mundo mas acho
que estamos atrás do mesmo cara.
- Não sei do que você esta falando – disse ela
tentando desviar do assunto.
- Kate Bishop não é?
- Como assim você sabe meu nome?
Ela se virou para Clint e ficou observando aquele
garoto que a pouco tempo havia atingido a idade para
fazer a barba regularmente.
- Meu nome é Clint Barton, prazer. E estou atrás do
Jack.
- Não sei se vai ser uma boa ideia nos dois caçarmos
esse cara, por que eu acho que ninguém vá ceder sua
parte para outro desconhecido.
- Eu acho que simplesmente podemos fazer uma
parceria, que eu fiquei sabendo que esse cara é um
pouco perigoso para falar a verdade.
Kate olhou para Clint com cuidado. A noite ainda
estaria em total silencio se não fosse pelos dois
conversando.
- Perigoso seria apelido menino – disse Kate – esse
cara estuprou e matou muita gente, com certeza esse
cara deve ter um olho nas costas. E estou surpreso por
não encontrar o bando dele por aqui.
Clint obviamente ficou assustado com a informação.
- Como assim bando?
- Vejo que você ainda é novo no ramo garoto – disse
Kate – não é possível que você não sabia que Jack tinha
um bando? Se você fosse caça-lo sozinho com certeza
agora estaria debaixo da terra. Realmente você é um
caçador de recompensas?
- Normalmente meus alvos são mais solitários, e
também não fui informado nada sobre esse tal de Jack.
- Na verdade ninguém sabe, não te julgo por não
saber isso. Só de você conseguir achar a cidade que ele
esta, isso demonstra que você não é tão bobo assim.
Clint não sabia se recebia aquilo como um elogio.
Decidiram ficar observando. Clint imaginara que
Kate havia chegado bem cedo, então caso houvesse
acontecido de Jack sair, Kate saberia.
Com o fim da conversa de ambos, Clint começou a
inspirar o ar e perceber seu doce aroma, um aroma
feminino. Era diferente do que ele sentira na casa de
Simone, isso era obvio, porem era um aroma realmente
muito bom, não era algo barato.
Ela percebeu que as inspiradas que ele dava estavam
altas.
- Percebi que meu cheiro te agrada – disse ela rindo.
- Serei sincero que é realmente muito bom.
- As vezes uma mulher tem que andar produzida, um
perfume ajuda as vezes.
Clint riu.
Ficaram ali parados olhando para a porta que não
mostrava nenhum sinal que iria ser aberta. Todas as
janelas frontais do hotel estavam com a luz apagada, os
ouvidos de ambos estavam apurados, não escutaram
nenhum som vindo de lá.
Clint viu em um bolso de Kate um cigarro.
- Não sabia que mulheres gostavam de fumar – disse
ele para descontrair.
- As vezes eu só quero relaxar garoto – disse Kate –
acho bom você ficar parando de ficar de papo ai, por
que de repente esse cara vai aparecer ai.
- Vamos ver caso ele aparecer, acho que não precisa
tanta preocupação assim.
Kate nada disse, o silencio voltou a reinar sobre os
dois. Passaram quinze minutos sem que nada
acontecesse, Clint e Kate ficaram de forma estática
uma boa parcela de tempo. Como a noite não era das
mais acolhedoras naquelas regiões, começou a fazer
um frio incomodante.
De repente, sem Kate imaginar tal cena, uma janela
fica amarela indicando que uma pessoa tinha ligado.
Clint levantou naquele momento e olhou para o ser
que andava de um lado para outro. Pela silhueta que a
luz causava, dava para ver que era um homem alto e
com uma singela barriga a sua frente.
Andou de um lado a outro, parecia procurar alguma
coisa. Kate ergueu seu rifle apontando para a janela.
- Calma – disse Clint – não sabemos se é Jack ou não.
- Tenho que pelo menos deixar ela erguida, qualquer
deslize e esse homem pode sumir de vista.
- Acho bom você não mata-lo – disse Clint – o
governo gosta de homens vivos.
- Eu sei como faço meu trabalho garoto – disse Kate
esboçando um pouco de raiva.
- Vamos esperar então, que você mate, mas que não
sejam inocentes.
Kate fez uma cara de desdém e deixou rolar a cena.
O homem abaixou para pegar alguma coisa no chão,
no qual Clint nem Kate viram o que era. Ficou em pé
mais um bocado de tempo e decidiu apagar a luz.
Não sabiam se ele tinha voltado a dormir ou tinha
saído da casa. Pelo jeito como estava iria sair daquela
pensão.
Clint colocou a mão no coldre de sua cintura para
caso houvesse surpresa. A noite estava silenciosa, dava
para escutar a respiração de ambos, no qual Clint
percebeu que a de Kate falhava as vezes devido ao
cigarro.
Eles escutaram passos, o som de borracha indo de
encontro a uma velha madeira que rangia muito alto
para aquela noite.
A porta da frente abriu lentamente, revelando atrás
de si um homem com um bigode e um chapéu de
caubói. A lua iluminava como um palco a entrada do
hotel, facilmente a dupla de caçadores reconheceu
que era Jack.
- Vamos pegar ele em um canto, provável que ele
esta indo para um velho armazém ali na frente – disse
Kate.
- Como sabe disso?
- Lá mora algumas mulheres, três no total, e todas
sozinhas – disse Kate cochichando – e esse é o tipo de
alvo de Jack.
Clint não diz nada, apenas observa o homem andar
lentamente além das ruas vazias.
Ambos andaram iguais ninjas, olhando para todos os
lados e escolhendo os melhores becos. Clint tinha
percebido que Kate era profissional nesse quesito, seus
reflexos eram rápidos, quando Jack pensava que tinha
alguém atrás de si, ela se escondia atrás de uma
pequena mureta.
Se ele tivesse desconfiado de algo, seria da
imprudência de Clint, que ainda era realmente novo no
ramo de esconder do bandido.
Ele para sem nenhum aviso prévio, olha para trás e
fica observando o vazio. Em sua vista havia uma
pequena mureta, onde estavam bem escondidos a
dupla recém-conhecida. Parecia que Clint sentiu o olhar
daquele homem, começou a suar frio com medo que
ele virasse e pegasse os dois.
Jack chegou bem perto de colocar as mãos em suas
duas armas penduradas na cintura, porem desistiu
depois.
- Na próxima vez você faça menos barulho – disse
Kate.
Ele responde com um aceno.
Jack resolve andar novamente, seus passos estavam
mais acelerados, chegando bem perto de onde Kate
tinha dito que ele iria.
Por um pequeno descuido e falta de informação das
mulheres da casa, elas tinha deixado a porta
destrancada. Não sabiam que Jack estava na cidade.
O homem chegou frente a porta e empurrou com o
punho, fazendo um leve rangido. Kate tinha tomado
frente para ir atrás de Jack. Clint não ficou para trás.
A porta não era muito grande, no qual Kate
empurrou para tentar achar Jack. Clint estava logo
atrás dela, porem olharam ao redor e só viram a mais
completa escuridão.
E depois novamente uma escuridão.

Sua cabeça doía, a ultima coisa que lembrara era


que tinha chegado na cidade em busca de um homem,
Jack. Ela estava amarrada em uma cadeira, nas suas
costas havia um homem que de inicio ela não
recordava o nome do sujeito.
Ele estava dormindo, Kate Bishop tentou mexer um
pouco porem sabia que estava muito bem amarrada.
Sua cabeça doía em intervalos regulares.
Ela sentia o cheiro forte de feno invadindo suas
narinas, aquilo não era a coisa que ela queria como um
aroma. Aprumou sua audição para tentar escutar
alguma coisa, e para seu alivio conseguia escutar
algumas mulheres reclamando, pelo menos não estava
sozinha naquele barco.
O local estando escuro dificultava muito sua
percepção de onde estaria. Com a dor diminuindo aos
poucos ela se lembrara que o garoto que estava
desacordado era Clint, e que ambos tinha saído para
pegar esse tal de Jack, que pelo jeito pegaram eles de
surpresa.
Suas mãos estavam muito bem amarradas, fazendo
ate um pequeno machucado em seus pulsos. Por mais
que ela tentasse desamarrar, no qual ela já treinou
muita vezes, o cara que havia amarrado era bom no
que fazia.
O ar no local estava parado, necessitava de um
vento, pelo menos para tirar o cabelo de Kate que
estava todo jogado em seu rosto. Ela escuta um gemido
vindo de trás, pelo jeito era o garoto dando sinais que
iria acordar.
- Olá – decidiu chamar.
Ela havia esperado resposta das mulheres que
gemeram de dor e de Clint.
- Socorro – diz uma agonizante – estou toda
machucada.
Primeiro Kate precisava sair dali para ai sim pensar
em como ajudar alguém.
- Quem esta ai? – disse Kate.
Nenhuma delas responde.
Com seu constante movimento para tentar sair dali,
Kate balançava e percebia que a cadeira era manca de
uma perna. Pensou e tentou de varias maneiras porem
todas apresentavam alguma falha.
- Onde...
- Clint, ate que enfim você acordou.
- Onde estou? – disse ele com uma voz embriagada.
- Também estou querendo saber.
Ele fica calado por um tempo, parecendo que queria
recuperar alguma lembrança, ou mesmo tentar
diminuir a dor de cabeça.
- Você tem um remédio ai garota?
- Quem me dera, preciso de um também. Você
consegue desamarrar ai do seu lado?
- Se você não estivesse me dito nem saberia que
estava amarrado. Espera, de quem são esses gemidos?
As mulheres gemiam mais alto, porem nenhuma
palavra coerente era dita. Kate tinha um pequeno
canivete guardado na boca, mas Jack provavelmente
teve o trabalho de revista-la toda antes de amarrar.
Ela pensou naquele momento, num breve tempo
que estava desacordada Jack facilmente poderia
estupra-la, ela sentia alguma coisa estranha na parte de
baixo. Se fora ou não, não iria lembrar da pior parte
que era um homem que ela nunca vira tirar seu
instrumento para fora para abusar dela.
Aquele curto pensamento fez a estremecer, sentia
ainda mais vontade de matar Jack.
Seus olhos cegaram por um momento após haver
um forte clarão, alguém tinha acendido as luzes do
local. Quando esta na mais completa escuridão e há
uma luz forte, pode chegar ate cegar a pessoa.
Ela fechou os olhos, deixando somente uma fresta
aberta para ir acostumando aos poucos com a
luminosidade.
- Ora ora – disse uma voz que ela não soube de onde
era – ate que enfim todo mundo acordou.
Uma mão forte pouso sobre o ombro de Kate.
- Tire suas mãos de mim seu desgraçado – disse
Kate.
- Se eu fosse você não falaria isso, coloquei a mão
ate lá em baixo, no qual esta precisando de uma faxina
amiga.
- Você não foi louco o bastante para tentar me
estuprar.
- Não tentei, só fiz o ato mesmo – disse Jack rindo na
maior altura.
A raiva cresceu dentro de Kate de uma forma que se
ela estivesse ocultando algum super poder ali, iria
revelar naquele momento.
- Clint – disse Jack – um jovem garoto como você
tentando me pegar. Vocês dois são duas crianças ainda,
são novos nesse ramo. Não sou qualquer bandido que
vale 10 mil moedas, precisariam de muito mais pela
minha cabeça. aquele xerife, esse tal de Ronald, estaria
pagando muito pouco pela minha cabeça.
A visão de Kate estava se acostumando com excesso
de claridade do local, ela conseguia ver um homem
levemente gordo com um grosso bigode acima dos
lábios. Uma camisa preta um pouco suja com um velho
jeans.
Aquele era o velho Jack que estavam atrás.
- Posso fazer varias coisas com vocês cinco – disse
ele rindo – posso tentar fazer um jogo.
- Cinco? – pergunta Kate – Como assim?
- Você, Clint, e essas três mulheres que estão na
casa, no qual foram minhas vitimas. Não quero matar
vocês, serei sincero, não sou muito fã dessas chacinas a
torto e a direita, digamos que estou procurando
somente uma diversão.
- Você é um desgraçado – disse uma das mulheres
que estavam deitadas no chão.
- Que isso, talvez vocês não iriam arrumar uma foda
assim tão cedo garotas. Vejo pelo lado bom, pelo
menos eu tirei a teia de aranha que havia ai embaixo.
Só pensar por esse lado que todos saímos ganhamos.
- Você nos engravidou? Jogou seu esperma dentro
de nos? – pergunta Kate preocupada.
- Se estiver jogado, que não é o caso, existe
remédios nas farmácias garotas. Isso não é coisa do
século passado, não estamos na idade media que vocês
tem que arranjar maneiras de abortar. Olhem só, não
sou o vilão, não sou tão mal assim – disse ele rindo.
- Tire-nos daqui – disse Kate.
- Não vai ser um simples pedido que vai me fazer
soltar. Que tal fazermos um jogo?
- Fale logo então – disse Clint ficando com raiva.
- Menos estresse viu garoto, não vamos perder a
calma com nada aqui. Então vou explicar. Dentro dessa
sala escondi duas facas, que poderia facilmente cortar
essas cordas. Na logica aquelas moçar iriam poder
pegar essas chaves, mas como já disse, estão muito
bem escondidas. Mas não pensem que seria fácil assim,
estou acabando de soltar cobras e aranhas por todo
local, que são os maiores medos das nossas amigas
Sandra Rosa e Madalena ali.
- Desgraçado – disse Kate cerrando os dentes.
- E te contar mais um novidade, o veneno é
realmente perigoso, então uma picada ali facilmente
paralisa o corpo ou mesmo pode matar. Que comecem
os jogos – disse Jack se virando e apertando um botão,
no qual caíram seres no chão.
O grito das três mulheres foram realmente altos,
fizeram a dor de cabeça de Kate latejar ainda mais. Ela
olhou para o chão e viu varias cobras aranhas e
escorpiões andando. Eles estavam mais próximos de
Kate do que das três mulheres, porem aquele tipo de
animal fareja medo, aproximando ainda mais das
mulheres.
- Mantenham a calma – disse Clint – saiam correndo
dai para procurar essa chave.
Clint viu que entre as pernas de uma começou a ficar
mais escuro o tecido, devido ao medo causado pelos
animais, ela tinha se urinado. Por mais que mandassem
parar de ter medo, elas não iriam simplesmente
levantar dali.
Uma cobra levantou sua cabeça, olhava para a
mulher do meio, a que tinha se urinado, e ficou
observando. Abriu sua boca para exibir presas que
demonstravam além de machucar, que facilmente
colocaria um veneno na sua circulação sanguínea.
Clint imaginava um jeito de sair dali, os únicos que
tinha coragem eram os que estavam amarrados.
- Peguem alguma coisa possa fazer fogo – disse Clint
– fogo espanta esses animais.
- Porem eu acho que Jack tirou qualquer coisa que
possa fazer fogo Clint, o cara que estamos atrás é bem
esperto.
A cobra olhava atentamente para mulher,
preparando para dar o bote.
Seu movimento foi rápido.
Porem o medo de alguma forma aumentava o
reflexo dos ser humanos, sendo assim a cobra deu o
bote em uma seca parede de madeira.
A garota, no qual Kate não sabia o nome, estava
muito assustada.
- Pegue uma madeira e acerta a cabeça dela – disse
Clint.
- Estou fazendo isso – disse ela conseguindo vencer
parcialmente seu medo.
Ela deu uma paulada na cabeça do animal, que
devido ao seu frágil crânio, faleceu naquele momento.
Uma cobra morta não era grande coisa, porem o
fato dela ter vencido aquele animal já significava
alguma coisa.
Dar pauladas em animais era fácil, agora aranhas já
não eram vencidas tão facilmente assim. Um pouco de
palha que estava jogada no chão foi algo perfeito para
uma se esconder, pronta para picar alguma garota que
estivesse com medo naquele momento.
As outras duas estavam encolhidas em um canto,
pelo jeito somente a que tinha se urinado que estava
com alguma coragem. Levantou e Kate viu que ela
usava ainda um simples pijama branco, descalça e com
um pouco de medo.
- Mate as cobras primeiro – grita Kate para ela.
- Tudo bem – disse ela.
As cobras pareciam recuar, parecia que estavam
com medo da garota que tinha o objeto na mão. A sua
frente haviam duas, menores do que ela tinha matado
antes. Clint viu que ela ainda sentia levemente um
pouco de medo, porem ela dava passos adiante
querendo vencer tal sentimento.
Sua cabeleira negra tampava um pouco sua face,
porem com sua mão esquerda ela tira uma mecha para
ver melhor suas inimigas.
Similar a um quadrinho de Conan, ela da uma forte
pancada na cabeça do animal que estava a sua
esquerda, caindo sem nenhuma reação. Clint e Kate
começaram a se animar, a garota matando as cobras
demonstrava sinal de coragem.
Quando ela foi atacar o segundo animal, ela
simplesmente caiu de cara no chão sem resposta.
- Ei garota – grita Kate – acorde mulher.
- Levante nesse momento mulher – disse Clint.
Abaixo de seus pés saiu um pequeno animal negro,
uma aranha toda peluda andava sob seu corpo como se
aquela morte fosse somente uma rotina.
Clint e nem Kate sabiam se tinha matado a mulher,
porem ela estava deitada naquele momento, só
sobrando as duas garotas com medo.
Vendo que sua amiga tinha morrido, ela decidiu
levantar. Sabia que se ficasse com medo não iria
adiantar em nada. Esse também foi o pensamento de
sua amiga, que criara coragem.
- Matem as cobras, porem olhem para o chão para
não pisar nas aranhas – fora o aviso de Clint.
- Uma picada desses animais e já era – disse Kate.
Porem não existia somente esses dois animais,
aparecera um terceiro. Um dourado escorpião estava
subindo pelos pés de Kate, porem como a calça jeans
era grossa e ela estava preocupada com a briga, nem
vira o pequeno animal picar sua perna. A ferroada não
causara grande dor, por isso nem percebeu.
- Achei a faca – disse uma das garotas arremessando
a faca após receber a uma picada de aranha, no qual
caiu já quase desacorda.
- Esses bichos tem radiação – disse Kate baixo.
Clint não ouvira isso.
A ultima sobrevivente de pé conseguira exterminar
todos os bichos, com muito custo e suor, porem fora
picada em alguma parte no corpo que cairá
desacordada.
A faca que ela tinha arremessado cairá perto do pé
de Clint.
- Pegue a faca e corte as cordas, rápido – gritara
Kate.
- Não vou alcançar – disse ele – só se eu nos
derrubar para eu pegar.
Kate não responde nada, balança a cadeira de um
lado para outro para ambos caírem de lado. Clint e Kate
bateram a cabeça no chão duro, no qual não melhorou
em nada a dor de cabeça que eles estavam.
- Pega essa porra de faca antes que algum bicho
desses apareça.
Clint estava sem jeito, porem se mexendo de um
lado a outro conseguiu pegar o utensilio. Ele viu que
era uma boca faca, um artigo que era facilmente algo
que poderia colecionar.
- Não estou escutando nada que se pareça em cortar
a corda – gritou Kate.
- Não sou flash minha querida – disse Clint pondo
em obra o que deveria ser feito.
A faca, por mais bela que fosse, não era dos
melhores cortes do mundo. Com muito custo
conseguiu romper uma parte da corda, porem suas
mãos estavam presas ainda. Ele olhava para baixo onde
suas mãos estavam amarrados que mal notou a
aproximação de uma pequena aranha em sua direção.
Kate nada podia avisar por que sua visão estava
direcionada para outro lado. Gritos da mulheres que
estavam caídas traziam som para o local. A boa noticia
era que dava para saber que nenhuma das três estava
morta, somente gemendo de dor.
Para Kate só restava esperar, o lento e demorado
movimento de Clint.
Preocupado com a corda, ele sem querer olha para
frente e vê uma aranha negra se aproximando com
uma frieza. Ele se desespera para cortar a corda para
libertar uma das mãos. A corda que Jack usara era de
um material resistente, no qual Clint odiara a tal ponto
que queria matar aquele cara.
A aranha não parecia ter pressa, caminhava para a
face de Clint. Seus pulsos estavam doloridos para
tentar cortar e achar um brecha para libertar suas
mãos. Quando a aranha ficara a cerca de dez
centímetros de sua face, ele consegue libertar uma
mão e dar um forte murro no animal, no qual quando e
ergue seu punho saiu uma gosma juntamente com
sangue.
- Pra que ficar dando murro no chão meu filho –
disse Kate já brava – liberta primeiro para sairmos, esse
Jack já deve estar bem longe.
- Tinha uma aranha quase a picar meu rosto Kate –
disse Clint – se eu não matasse podia dar adeus para
mim. Eu queria muito te deixar aqui sozinha sem
desamarrar. Porem vou precisar de você ainda, esse tal
de Jack não vai ser fácil ser capturado.
- Eu sei que sou irresistível – disse ela fazendo um
biquinho.
Ele terminou de cortar a corda para poder se
libertar. Cortou a corda de Kate que levantou e deu
alguns tapas em sua roupa para tirar a poeira.
Clint foi em direção a uma das moças e aproximou
perto de sua boca para tentar entender o que estavam
falando.
- Eu achei estranho elas pararem de gritar do nada –
disse Kate olhando para Clint.
- Esta doendo onde?
- No corpo inteiro, parece algum tipo de queimação
– disse ela em meio a gemidos.
- E pelo jeito as outras estão assim também – disse
Kate – de todo jeito vamos chamar um medico lá da
cidade, com calma podem analisar as três. Temos que
correr para alcançar Jack, o problema é que não
estamos com as armas.
- Pelo que eu vi, Jack estava somente com duas
armas, e tenho certeza que não eram as nossas – disse
Clint.
- Percebi algo assim mesmo, o problema é saber
onde você escondeu.
- Como ele não saiu com mais de duas armas, deve
ter escondido aqui mesmo – disse Clint.
- E nem vou apressar para procurar, ele já deve estar
longe daqui – disse Kate caindo ao chão.
Ela caiu sem nenhuma resistência, no qual Clint
correu para ver o que era.
- Doi – disse ela em meio a gemidos.
- O que aconteceu com você – disse Clint.
- Não sei, meu corpo caiu – disse ela expressando
uma face total de dor.
Clint olhou de um lado para outro inutilmente, não
tinha muito que fazer ali, Kate pelo jeito estava em
uma situação pior do que as mulheres.
Tinha que levar Kate para outro lugar, a picada de
escorpião fora mais fatal que a dos outros animais,
porem ele não sabia ainda.
Abaixou para pega-la nos braços, no qual teve um
pouco de custo para ergue-la do chão. Ela gemia de
dor, o que tivesse acontecido com ela só estava
piorando.
- Me leve para o hotel – disse ela.
- Vou levar, e de lá chamo um medico.
- E esqueça a porra da arma, depois pegamos isso.
E então para ela foi total escuridão.

Ela acordava e voltava a dormir, eram relapsos de


memoria as vezes que ela estava acordada. Sentia que
estava empapada de suor, virava a cabeça de um lado a
outro tentando voltar a dormir, que com excesso de
dor conseguia.
Seu cabelo todo jogado e desgrenhado em frente a
seu rosto revelava que ela não estava nas melhores.
Entre seus seios havia formado quase um lago de suor.
Ela sem lembrara vagamente de alguém colocando
algo em sua cabeça, dando algo para beber e comer.
Não sabia quem era, só sabia que era um homem novo.
Sua definição de dias e noites estavam deturpados,
ela só queria adormecer. As vezes chegava a sentir uma
queimação estomacal e nos ossos. Nunca tinha sentido
nada assim antes, para ela isso era o sinal da morte.
Após algum tempo, no qual ela não soube distinguir
horas de dias, ela escutou vagamente algumas vozes.
- Em pouco tempo – disse uma.
- Tomara – disse outra.
Depois disso era outra conversa longa, no qual ela
não compreendeu.

Após cerca de quatro dias, Kate abre os olhos para


ver o teto de madeira acima de sua cabeça. Sua boca
estava seca, a língua parecia uma lixa de tão áspera. Ela
de inicio não mexia o pescoço, doía qualquer musculo
que tentasse mexer.
Sua audição estava um pouco estranha, mas ela
chegou a escutar um cadeira rangido.
- Vou pagar mais três dias adiantado – disse uma voz
que vinha de longe.
- Tudo bem, o que precisar você me chama – disse
uma voz que Kate julgara que era de uma mulher
Ela escutou passos, que ficavam cada vez mais altos.
Um homem passa pela porta, e quando entra no
campo de visão de Kate ela consegue ver que é Clint.
- Vejo que esta bem – disse ele com uma voz serena.
- Onde estou – disse ela tentando se mover.
- Melhor ficar quieta garotona, não queremos
agravar nenhuma situação.
- Parece que todos músculos do meu corpo doem.
- E estava pior antes.
Kate ficou olhando para Clint, tinha parado pare
perceber sua jovem face. Era realmente um garoto
novo, ela era mais velha que ele, porem estava
começando achar mais atraente.
- Como assim? O que aconteceu comigo?
- Só sabemos que você foi picada por um escorpião.
- Quando foi isso?
- Naquela barraca, sabemos que Jack jogou vários
animais.
Kate agarra uma parte do lençol com uma mão e
começa a aperta-lo. As veias saltaram revelando a força
exercida. Dava para ver na face de Kate o sinal de
tristeza, sabia que não poderia sair daquele lugar
naquele momento, e Clint iria ir atrás de Jack para
pega-lo, sem ela.
Involuntariamente escorreu uma lagrima de seu
olho. Ela tentou resistir, porem deixou levar as
lagrimas.
- O que houve – disse Clint se aproximando.
- Não é nada – disse ela virando o rosto para Clint
não ver as lagrimas.
- Kate, você vai ficar de cama só alguns dias, vai
descansar enquanto eu vou pegar Jack.
Kate fica em silencio.
- Não se preocupe, eu vou te dar pelo menos
metade da grana.
- Não é isso idiota – disse ela com raiva.
- Me fale o que é então – disse ele preocupado.
Naquele momento havia passado uma moça vendo a
cenas dos dois. Facilmente podia julgar que eram
namorados.
- Acho que você não entenderia – disse ela.
- Primeiro me conte.
- Por que você acha que eu estou louca atrás de
Jack?
- Provável ser por causa da recompensa penso eu.
- Feche a porta que irei te contar.
Com a maior calma do mundo, Clint fecha com
cuidado a porta atrás de si.
- Ele é conhecido como Jack estuprador, uma larga
referencia e infame piada a Jack estripador. Isso não
importa, só quero te contar que quando eu era mais
nova, isso a uns anos atrás, um tal de Jack era amigo de
meus pais, amigo do peito mesmo. Ele fora convidado a
dormir em minha casa. Minha mãe tinha arrumado um
quarto para ele.
- Já devo imaginar...
- Deixa eu acabar de contar – disse Kate brava –
então, nessa noite, ele andou lentamente ate meu
quarto. Era nova, não sabia o que ele tinha em mente.
Me deu alguma coisa para beber, eu como era boba na
época bebi. Meu corpo tinha ficado em estado imóvel,
pelo jeito era o mesmo efeito de um veneno de
escorpião, ele retirou minha roupa com cuidado,
minhas cordas vocais já não funcionavam para eu
gritar.
Kate parou de contar isso para desabar em meio ao
seu choro. Clint rapidamente abraçou-a e passou a mão
em seus cabelos.
- Não diga mais nada.
- Custe o que custar Clint, eu prometo que vou sair
daqui para procurar esse vagabundo onde quer que ele
esteja.
- Acho que ele esta um pouco longe daqui, de todo
jeito você não tem condição nenhuma de sair dai para
ir procurar ele. Pode descansar ai que eu mesmo
procuro.
- Nem em seus melhores sonhos você vai fazer isso
garotão – disse ela – Espere pelo menos um pouco para
eu recuperar e nos procurarmos as armas...
- Eu as achei jogadas perto de onde estávamos,
nesse quesito você não precisa se preocupar, só quero
que você descanse. Prometo que irei pega-lo vivo e
trago ele para você. Do mais vou deixar você dormindo.
Clint fecha a porta atrás de si, no qual Kate não pode
fazer nada. Ficou olhando para a fria e sem graça
madeira da porta. Ela queria fazer seu momento,
estava louca atrás de Jack para terminar daquele jeito,
esperando passar um veneno de um escorpião.
Ela sentiu sede, no qual quando girou a cabeça viu
um copo de agua que estava pela metade. Bebeu
aquilo com a melhor boca do mundo. Ela estava com
sonolência, então não demorou muito para começar a
adormecer. Ela escutava Clint conversando com
alguém, para depois finalmente apagar.

Uma das partes estranhas de estar doente é quando


dorme e depois acorda, não se tem muita noção de
horário.
Kate abriu seus olhos e viu a escuridão do quarto de
hospital. Não tinha nem a ligeira noção de qual horário
era. O relógio de parede marcava as horas, porem
devido a escuridão da sala era difícil observa-lo. A lua
do lado de fora iluminava a janela, no qual ela
conseguia ter a noção que era a noite.
Tentou mover alguns músculos porem viu que era
demasia dolorido.
- Santa merda – disse ela cerrando os dentes.
Os dedos dos pés já não doíam muito, iria se
acostumar a movimentar. Ela lembrou naquele
momento um filme que ela vira, kill bill, que a
personagem principal ficava num furgão tentando
mexer os dedos para ai sim sair de carro.
Apesar da dor, ela conseguiu tirar suas pernas da
cama e ficar sentada, olhando em volta daquele
horrível quarto de hospital. Viu que suas roupas
estavam jogadas em cima de uma cadeira, ela imaginou
que a pistola também estava escondida.
Quando resolveu colocar os pés no chão, suas
pernas não tinha forças suficiente para ficar de pé,
caindo com o rosto na dura madeira.
- Tomara que isso não deixe hematomas – disse ela
em meio a dor.
Deu uma longa respirada, sentia que o efeito do
veneno e dos sedativos estava passando, não todo,
somente alguma parte. Apoiando na cama para erguer,
Kate Bishop consegue ficar de pé.
Pegou as roupas em cima da cadeira e voltou a
sentar na cama, para então vestir com calma sua calça
jeans com blusa. Foi ate a gaveta para pegar sua arma,
no qual colocou em volta de seu cinto, sentindo um
conforto ainda maior.
Demorou muito mais que o habitual para colocar
todo o traje, porem ela já se sentia bem melhor com
aquela roupa. Iria aproveitar que era a noite para sair
de fininho e procurar Jack.
- Queria saber onde estaria Clint – disse ela para si
mesmo – ele deve com certeza saber a localização de
Jack, não posso ficar por ai perdendo tempo
procurando informação, no qual não devem saber.
Empurrou a porta, no qual não fez rangido algum.
Olhou de um lado para outro e não viu ninguém dos
corredores. O silencio daquele hospital poderia fácil ser
protagonista de um filme de terror.
Kate não teve o maior cuidado do mundo para sair
do hospital, andou normalmente, a julgar que todos
estavam dormindo. Teve sorte que seu quarto era no
primeiro andar, e não teria dificuldades para descer
escadas.
Quando chegou em perto da recepção, viu a
atendente no balcão lendo alguma revista que ela não
conseguia saber. O único desafio naquele momento era
passar por ela, teria que arranjar um jeito de despistar.
Ela mexeu em um dos bolsos e encontrou algum
resto de munição, pegou uma e jogou no lado oposto
do corredor, logo após Kate se escondeu.
A munição tilintando no chão fez um grande
barulho, no qual a moça que ficava na portaria teve sua
atenção roubada.
- O que deve ser agora – disse ela em meio a
resmungos.
Deixou a revista aberta e foi como Kate previra. A
moça nem percebeu que Kate estava colada na parede,
quando ela deu as costas para pistoleira, em um rápido
movimento que ate causou surpresa nela mesma, ela
correu ate a portaria, passando pela porta e chegando
ao lado de fora.
Kate estava ofegante, sentiu uma tonteira e
ajoelhou por causa dos sintomas. Ela escuta passos, um
som de borracha indo de encontro ao solo.
- Era obvio que você ia fugir, não seria tão tolo de
deixar uma arma para você sabendo que você não iria
sair de lá – disse Clint lhe oferecendo a mão para
levantar.
- Obrigada.
- Eu sei que você quer achar esse Jack a todo custo,
entendo muito seus motivos garota.
- Você me chama de garota, porem sou mais velha
que você – disse ela rindo.
- Vamos sair daqui, a moça não pode saber que você
sumiu sem ter dado alta. E alias, você parece uma
garota mesmo, não é tanto mulher assim.
- Idiota – disse Kate – acho que não conseguir correr
para sua casa.
Clint não disse nada, pegando Kate com seus braços
e a erguendo com um pouco de custo.
- Acho que assim essa donzela vai ficar mal
acostumada.
Clint era forte, foi rápido ate um cavalo que ele tinha
para ir embora para casa.
- Suas acomodações ate que não são ruins.
- Tento ficar bem em um quarto de hotel, mas acho
que você sabe como é essa vida de viajante.
- Sei muito bem – disse Kate – queria algo para
comer, aquela comida de hospital é uma droga, só comi
aquilo para não passar fome mesmo.
- Tem alguma coisa aqui na geladeira, acho que uma
fatia de pizza congelada não vai fazer tão mal assim não
é?
- Espere, você disse pizza congelada? Meu deus,
depois de comer aquilo qualquer coisa é lucro amigo,
ainda mais pizza.
Clint riu com o canto da boca e abriu a geladeira.
Não era tanta coisa que tinha ali, era somente para
passar a noite para enfim partir amanha cedo, porem
aquilo iria demorar um pouco, agora que tinha que
esperar Kate recuperar.
Quando ele deixou o prato em frente a ela, viu que
devorou tudo rapidamente.
- Vou ligar para pedir outro – disse Clint.
- E pode mesmo, que esse estava delicioso. E não
vou me comportar igual uma menininha toda educada,
estou com fome. Experimente comer aquela comida lá.
- Você estava comendo aquilo e quase dormindo
Kate – disse Clint pegando a carteira para ir na pizzaria
no outro lado da rua.
- De todo jeito. Vou deitar aqui um pouco e
espreguiçar.
- Não demoro – disse Clint beijando a lateral do
rosto de Kate.
Porem Kate não percebe e vira o rosto, dando um
leve selinho em Clint.
Mesmo sendo dois adultos, um ficou com vergonha
do outro.

Aquela noite era uma das melhores que Clint viveu


em sua vida, Kate por mais que estava doente, era
carinhosa e amorosa. Parecia que a doença tinha
sumido, seus corpos nus juntos eram uma atração.
Clint era novo, e Kate sabia disso. Como uma mulher
mais experiente, Kate comandava toda situação com
calma.
Dava-lhe prazer ver Clint com prazer. Evitaram
gemidos, a porta do hotel abafava também uma boa
parte do som. Clint não percebeu alguma pequenas
gorduras na barriga de Kate, estrias também eram algo
inimaginável naquele momento.
Kate fez Clint deitar ela fazer todo trabalho. Porem
ela ainda estava um pouco fraca, podendo ate fazer
mais.
Quando o ato enfim termina, Kate coloca a cabeça
sob o peitoral de Clint.
- Nunca pensei que terminaríamos assim – disse
Clint.
- Sempre te achei novo demais Clint Barton, quantos
anos você tem?
- Somente um pouco mais novo que você, que não
seria muita coisa.
- Agora deu fome – disse Kate mudando de assunto
de novo – ainda tem aquela pizza que você comprou?
- Na caixa deve ter alguns pedaços, vou ali à mesa
pegar.
- Espere um pouco – disse Kate – não precisa ter
pressa. Quero descansar um pouco.
- Você quem sabe.
E o fim de noite foi de descanso. Fizeram amor mais
uma vez, porem não era igual a primeira.

Amanheceu, Kate estava toda jogada para cima de


Clint. Dormiam tranquilamente ate que um pequeno
pássaro pousou na janela e começou sua cantoria.
- Parece ate um conto de fadas, e assim o casal
acorda ao som de pássaros – disse Clint.
Ela riu um pouco, ajeitando sua cabeça para ficar
mais confortável.
- Não quero falar de trabalho, mas só digo que
temos que fazer. Não precisa ter pressa para levantar,
vamos aos poucos, nosso alvo não vai sair de lá.
- Aqui tem serviço de quarto? – disse Kate.
- Não tem não, mas como esse hotel e perto de
muita coisa, tem uma padaria um pouco a frente,
porem eu deveria ter que ir lá. Mas também aqui serve
café da manha.
- Queria era algo diferente de pão sabe. Alguma
coisa tipo sonho, ou um doce.
- Tudo bem, descanse ai que eu vou lá buscar para
você.
- Não demora – disse Kate beijando-lhe.
Clint colocou as calças meio sem jeito, Kate já tinha
se arrumado para dormir mais um pouco e esperar
Clint trazer o café. Ele olhava para Kate e soltava um
sorriso e pensava com tristeza.
Com certeza aquela menina era de outras bandas,
depois que terminasse aquele serviço iria dizer adeus
para Kate Bishop, um breve amor. Colocou a camisa e
decidiu ir ate a padaria.
Andando lentamente ate o estabelecimento, ele vê
Simone conversando com um cara que estava
arrumando algum cavalo. Era certo que ele iria evita-la,
ela não poderia saber que Clint estava com um caso.
Simone fora mulher de uma noite também, as vezes ela
não iria preocupar com isso.
- Olá garanhão – disse Simone ao ver que Clint
passou por trás dela – nem adianta arrumar desculpas,
conheço vocês homens. Não importo por você estar
dormindo com Kate, nosso caso foi só de uma noite
mesmo. Mas esqueça esses assuntos, e Jack?
- Eu sei que ele esta em outra cidade, e pelo jeito vai
ficar por lá. Lá tem muitas mulheres, ele vai fazer seu
ataque silenciosamente em grande escala, o que levara
algumas noites.
- Fiquei sabendo que Kate estava realmente muito
doente, a picada foi tão grave assim?
- Grave nem tanto, porem ela passou uns bons dias
tendo que ter cuidados médicos. A boa noticia é que
ela esta bem agora.
- Tomara que fique boa logo – disse Simone
despedindo de Clint.
A compra na padaria foi rápida, o padeiro chegou a
fazer a compra de graça porque algumas das mulheres
que Clint “salvara” eram uma de suas primas. Ele
explicou que não fez muita coisa, elas mesmas foram
bravas e mataram os animais. O único trabalho que
teve foi de ser acertado e ter feito Jack inventar aquele
jogo, no qual salvou todos. Chamar a emergência ali
era um trabalho que todos fariam.
De todo modo houve alguns doces por conta da
casa.

- Você demorou – disse Kate quando Clint cruzou a


porta.
- Parei para conversar, o padeiro era primo de uma
das garotas que salvamos, ou seja, ganhamos alguns
doces grátis.
- Você sabe como uma mulher ama doces – disse
Kate já abrindo a sacola e vendo que havia algumas
barras de chocolate.
- Não sabia, mas obrigado pela informação.
Kate ficou devorando os doces e Clint comia
lentamente um pão de sal com presunto.
- Você disse que Jack esta em outra cidade e vai ficar
lá por um tempo, qual cidade é essa?
- Noxville, fica a uns 15 km daqui, pelo que tive
informações, e são fontes confiáveis...
- Esses garçons hoje em dia sabem ate a cor da
calcinha dos outros.
- De todo jeito, ele me disse...
- Espera, você disse Noxville? Essa cidade tem um
alojamento com dezenas de mulheres, fora que a
outras casas que moram só mãe e filha. Moram e um
modo de falar, ficam sozinha boa parte do tempo por
que lá é bem perto da central do exercito.
- Chamamos isso de quartel. Ele vai fazer um estrupo
em massa, a que tudo indica. Porem ele ainda vai
analisar alguns horários que os esposos de cada uma
vão sair para trabalhar.
- Esse cara é meticuloso e desgraçado – disse Kate
com raiva.
- Nisso você tem razão, a recompensa por sua
cabeça vai obviamente aumentar depois disso.
- Que se dane recompensa, só quero esse cara
implorando de joelhos por sua vida.
- Vamos providenciar isso, mas antes acabe de
tomar o café. Acho melhor esperamos mais um dia ate
partirmos, ele não vai fazer nada por agora naquela
cidade.
E o resto do dia foi de descanso para Kate, ela se
sentia uma rainha com Clint cuidando. Ela resolveu
dormir boa parte da tarde, no qual Clint resolveu sair
para andar pela cidade.
A noite não tardou a chegar, Kate fez mais amor com
Clint, e ele ficava triste em saber que um dia iria se
despedir dela.
Com o cavalo arrumado, Clint ajudou Kate a subir
para ele guiar depois.
- Tem certeza que esta melhor?
- Estou forte meu amigo, quero achar esse tal de
Jack como nunca.
- Então já vamos partir então – disse Clint colocando
o cavalo a galopar.
Não iria demorar para chegar na outra cidade.
- Então, sugiro algum assunto – disse Clint evitando
ficar calado.
- Não sou boa com essas coisas – disse Kate – você
quem sabe de assuntos.
- Que tipo de musica você gosta? – disse Clint com o
primeiro assunto que lhe veio a mente.
- Prometa que não vai rir? – disse Kate.
- Qual é, você acha que vou rir por causa de um
gosto musical de uma pessoa? Ate parece.
- Sei não, pelo jeito você é o cara que sempre vai
debochar de tudo. Então, é forro.
- Não brinca – disse Clint soltando a maior
gargalhada – Kate Bishop, uma atiradora lendária
gostar de um pé de serra. Só me falta falar que gosta
de dançar também.
- Espera ai amigo, você disse que não ia rir, e
também eu gosto de dançar também, não vai me dizer
que não gosta de dançar agarradinho com uma
mulher?
- Que homem que não gosta? Eu já dancei forro
algumas vezes nessa vida, quando matarmos Jack
prometo que te chamo para dançar.
- Convite aceito senhor Clint – disse ela abraçando
Clint por trás.
Ficaram em silencio por um tempo, o som abafado
do cavalo colocando as patas no chão era a única coisa
que seus ouvidos captavam. Clint ajeitou seu chapéu
por causa do sol que começava a atrapalhar a visão. Ele
sentiu que Kate estava mexendo em algo.
- Realmente você fica diferente usando isso – disse
Clint.
- Esse óculos comprei em uma feira, já tem algum
tempo. Não são originais, só servem para proteger a
vista mesmo.
- Te deixa com um visual melhor.
- Agradeço – disse ela rindo.
- Queria te perguntar antes mas não tive tempo.
Você é caçadora de recompensas mesmo ou só esta
atrás do Jack?
- Uma coisa levou a outra. Quando me dei conta já
caçava por dinheiro. Comecei caçando capangas de
Jack, o bando dele era volumoso, porem havia uns cara
que valiam o esforço.
- Sei como é – disse Clint.
- Sendo assim dizimei toda sua trupe, ele não deve
reconhecer quem sou, já faz tempo desde o incidente
lá de casa, com certeza ele não sabe que aquela linda
garotinha que ele abusou quando era nova, agora
matou toda sua trupe.
- Acho que também ele não importa muito com seu
bando.
- De todo jeito, esqueça o passado e vamos focar no
futuro – disse Kate - e você não me disse sua historia
garoto.
- Não tem nada demais no meu passado, gosto de
deixar o passado como um livro esquecido. O que tem
para saber será meu futuro. Digamos que andei pelo
mundo desde novo, e só.
- Garoto misterioso sei muito bem como é. Vire o
rosto um pouco pra meu lado.
Clint vira seu pescoço de mal jeito, Kate lhe da um
selinho.
- Não sei por que você quer tanto Jack assim para
sair a procura dele – disse Kate.
- Ele vale uma boa grana, quero ficar folgado por um
tempo, e depois caçar bandidos ruins só para me
manter aquecido.
- Depois da grande guerra, no qual isso há anos,
parece que o governo mesmo manda caçar esses caras,
apareceu grande dinheiro pelas cabeças desses caras.
- Isso já não sei, não sou de estudar livros de
historia, nem sei exatamente sobre essa guerra.
- Ouvi falar uma vez, que tinha um cara que
dominava alguns conceitos de radiação, uma coisa
básica mesmo, e o governo ofereceu cerca de 100 mil
pratas pela cabeça dele. Pelo menos isso era o que ouvi
falar.
- 100 mil? - Disse Clint assustado – 100 mil por um
cara é dinheiro para caralho.
- Isso é o que ouvi falar.
- Depois um dia lerei mais livros, pelo que eu fiquei
sabendo houve duas guerras antes dessas.
- Não quero debater historia agora Clint, já estamos
chegando e Noxville.
A cidade não era a maior que todos já viram, mas de
longe dava para ver que era movimentada. Alguns
prédios modernos eram vistos daquela distancia,
ambos já deram uma pequena passada por lá, e ambos
eram pelo mesmo motivo do que agora, procurar
alguém.
Clint cutucou o cavalo para acelerar passo, Kate
tinha se agarrado ainda mais forte em Clint.
- Você sabe onde que ele esta por lá?
- Isso o garçom não me informou Kate, vamos ter
que ficar esperando ate que ele apareça. Ficar de
butuca, e quando surgir um problema, ai alguém ativa
o Bat Sinal, e Batman e Robin entram em ação.
- É uma manobra arriscada Clint.
- De todo jeito, não podemos ficar perguntando
todo mundo sobre Jack, com certeza alguém vai
desconfiar, e ai perdemos nosso homem.
- Mas a policia vai pegar.
- Se Jack saber disso Kate, se ele souber que seu
nome corre pelas ruas de uma grande cidade
facilmente ele foge. Deve ser por isso que ele não fica
muito tempo em pequenas cidades, boatos correm
soltos. Temos que pega-lo desprevenido.
- Se o senhor Clint Barton falou, quem sou para
desfalar.
Aproximaram da cidade e viram uma grande placa
verde indicando o nome da cidade. era bem
conservada, como tudo na cidade era.
- Acho que você já visitou aqui antes – disse Kate.
- Não sei por que você supôs isso, mas já sim.
Conheço um bom hotel por aqui, lá podemos amarrar
nosso bicho para descansarmos para entrar em ação.
- Mas a coisa que mais vamos fazer e ficar
esperando, não sabemos quando Jack vai entrar em
ação, sabemos o provável de onde, mas não a hora.
Quando Clint e Kate cruzaram entrada e enxergaram
ao longe dois homens fardado lado a lado conversando.
- Os homens do exercito andam muito por essas ruas
– disse Kate.
- Não seria muito bom caçar encrenca com nenhum
deles.
- Vamos para o hotel e pronto.
O hotel que ambos arranjaram era bem próximo ao
centro da cidade, então quase surgisse alguma
emergência já estariam prontos para o ato.
- Pelo jeito ate que não é ruim esse hotel – disse
Kate.
- Vamos subir de uma vez – disse Clint.
Se acomodaram no quarto de casal e cada um
sentou em um lugar.
- Como chama aquele lugar que você disse que as
mulheres se reúnem mesmo?
- A capela, atrás da igreja – disse Kate.
- Mas você acha que Jack iria abusar das mulheres
naquele lugar?
- Não duvido nada de Jack – disse Kate se jogando na
cama – aquele cara do jeito que é nem liga para isso.
Ele só quer saber onde tem mulheres.
- Mas deve ter outro provável lugar para ele atacar –
disse Clint – quem sabe um bar ou algo do tipo.
- Mulheres não vão a um lugar onde só há mulheres,
é raro encontrar esse tipo de clubinho, e quando
encontra e certeza de ter algum segurança. Talvez um
bar só para lesbicas, mas aqui não tem. E também
como eu disse, se tivesse um teria algum segurança.
- Vamos ter que sair a noite e ficar andando por lá,
será que Jack já sabe dessa capela?
- Acho que esse folheto responde sua pergunta Clint
– disse Kate jogando um pequeno folheto que ela viu
em cima da mesa.
O folheto não era muito grande, preto e branco que
continham informações básicas.
- Capela de são judas, venha rezar conosco, quinta
das mulheres – disse Clint – as vezes nossos amados
vão para guerra, e somente deus pode ajuda-los.
- Bingo meu caro Barton – disse Kate – hoje é uma
terça não é?
- Sim – responde Clint.
- Depois de amanha nosso bandido favorito vai
atacar novamente.
- Então teremos mais dois dias para ficar juntos –
disse Clint exibindo um sorriso.
- Tem dinheiro ai? Por que dois dias sem comer
coisas que dão energia e ficar com você não combinam.

Os dois dias que ficaram naquela cidade eram


basicamente dormir juntos e conhecer o local. Kate
passou na catedral para obter informações sobre essa
missa.
- Acontecem geralmente as oito da noite, eu fico
administrando a reza com todas as mulheres. Não é
nada formal demais, é mais uma conversa mesmo com
todas – disse a irmã.
- Que interessante, e essa quinta vai ter
normalmente?
- Como sempre sim senhora...
- Kate Bishop – disse ela sem medo de revelar seu
nome.
- Vejo que você é nova na cidade, nunca a vi dando
as caras por aqui.
- Digamos que cheguei de viagem ontem.
Kate olhou a capela e viu que era um espaço
realmente amplo. Olhou toda em volta e percebeu que
tinha alguns pontos que facilmente alguém poderia
esconder.
- Achei que essas luzes são grandes demais – disse
Kate.
- Essa catedral quando deixada de luzes apagadas
fica um breu quase total a noite, acendemos para dar
uma ampla iluminação.
Era um dos alvos preferidos de Jack.
- Então quinta feira eu vou passar aqui – disse Kate.
- Espero ansiosa.

Quando Kate chega no quarto se depara com Clint


com uma lata na mão.
- Você mesmo disse que não era de beber – disse
Kate.
- Qual é. Pelo menos uma lata de cerveja em uma
quarta feira não irá matar ninguém do coração. Mas
prometo que vai ser essa e mais outra.
- Não me importo que você beba – disse Kate – só
quero lhe informar que encontrei informações sobre a
catedral. É ampla e tem vários pontos onde Jack
poderia se esconder. Como a missa é realizada a noite,
as luzes do local tem que ficar acessas, caso contrario
tudo ficaria no maior breu.
- E então você vai ter que ir lá para fingir que esta
rezando – disse Clint.
- Bingo, e você fica rondando o local para caso de
algum luz apagar você já sabe. E tem também um bar lá
perto, você pode despistar lá se quiser.
- E provável também que ele fechara todas as saídas
dos locais, antes mesmo de apagar a luz.
- Nessa caso pode ate ser, aquelas janelas tem vidro
resistente, acho que arremessando algo poderia
quebra-la.
- Então teremos que aguardar ate quinta.
Kate abriu a pequena geladeira que tinha no quarto
e viu mais duas latinhas. Olhou para ver se tinha mais
algo e acabou encontrando algum doce.
- Vai me dizer que você quer esse chocolate?
- Pode ficar para você – disse Clint – estou enjoando
de chocolates e doces em geral.
- Tome uma grana e vai comprar mais cerveja, quero
que hoje a noite seja boa.
- Comprar cerveja para melhorar a noite?
- Amigo – disse Kate rindo – vai me dizer que nunca
transou bêbado?
- Não – disse ele achando estranho.
- Compre ate Heineken, você vai ver o que
realmente é bom.

Kate e Clint estavam realmente se dando bem,


aquela reação não parecia nada com a primeira vez que
se encontraram. Kate ria de algumas piadas de Clint, e
ele o mesmo. Caso se conhecessem em outra
oportunidade poderiam namorar e ate casar, porem o
assunto era Jack.
A oportunidade era Jack.

- Qual cerveja você comprou?


- Essa tal de Heineken que você disse, ela era mais
cara do que as outras.
- Um pouco mais caras do que as comuns mesmo,
mas você vai ver a qualidade, não é igual essa Bavária
que você fica tomando.
- Eu ate gosto dessa – disse Clint.
- Você começou a beber quando?
- Depois que te conheci, bebi só um pouco para ver.
Clint colocou a cerveja na geladeira, não deixando
nenhuma garrafa em cima da mesa.
- Conhece algum tipo de jogo com cartas?
- Somente truco – disse Clint – e mesmo assim não
era nada bom.
- Esqueci de te perguntar, você comprou o uísque
que pedi?
- Esta aqui também Kate.
Ela verificou o que Clint havia comprado, não era
uma marca ruim, para passar uma noite se
embebedando não seria tão ruim assim. Ela colocou a
garrafa em cima da mesa e olhou atentamente para
ele.
- Tire o chapéu caubói – disse ela rindo.
Ele com cuidado repousou o chapéu sob a mesa.
- O jogo será bem simples, cada hora vai ser uma
pessoa que vai fazer uma afirmação, se acertar essa
afirmação sobre a outra pessoa, essa pessoa tem que
tirar uma peça de roupa.
- E caso errar?
- Toma uma dose de uísque. Acho que você
entendeu bem como funciona.
- Não sou tão burro a esse ponto, quem começa?
- Pode ser eu – disse Kate rindo.
Primeiro ela levanta e pega um copo americano e
coloca em cima da mesa. A garrafa de Red Label estava
aberta.
- Então, antes de me conhecer você era virgem –
disse Kate secamente.
- Não sabia que as perguntas eram ligadas a sexo,
mas não, não era virgem.
Kate com maior prazer bebeu uma dose de uísque,
para ela aquilo era como agua.
- Sua vez capitão – disse ela colocando o copo de
volta a mesa.
- Você tem vontade de fazer ménage!
Ela não disse nada, retirou suas botas revelando
belos pés.
- Não sabia esse lado seu.
- Não é com qualquer um que tope fazer isso, e
também não especifiquei com quantos homens e
mulheres na jogada. Agora será minha vez. Você
perdeu sua virgindade com uma prostituta.
- Acho que nossa querida Kate esta querendo ficar
bêbada rápida – disse Clint empurrando a garrafa para
ela – beba mais uma dose.
Ela não retrucou, bebeu o combinado.
- Já que você disse sobre o ménage, então lá vai a
minha. Você já transou com uma garota!
- Beba uma dose amigo – disse ela rindo.
Ele não gostou muito do gosto, aquilo desceu um
pouco fervendo em sua garganta.
- Não irei protestar afirmações, sua vez Kate.
- Então, você gostaria de ser amarrado em uma
cama e deixar uma mulher fazer tudo com você.
Clint tira suas pesadas botas e joga-as de lado.
- Que homem que ao quer que uma mulher faça
isso. Agora sua vez.
- Tudo bem – disse Clint pensativo – masoquismo é
uma de suas preferencias.
Ela retirou sua blusa, no qual revelou não haver
nenhum sutiã por baixo.
- Uau – disse Clint sentindo que a bebida estava
fazendo efeito.
- Você já fez sexo anal – disse ela já sabendo a
resposta.
- Beba – disse Clint.
Naquela vez ela exagerou na dose. O forte grau já
subia por sua cabeça.
- Você engole – disse Clint.
Kate se levanta e tira a calça e a calcinha junto. Pega
Clint pelo colarinho e joga-o na cama, ela já não estava
mais interessada no jogo.
- Aprenda uma coisa garoto, quando uma mulher
esta muito a fim de você e bebe depois, ela vai querer
muito transar com você.
Clint ficou calado escutando aquilo.
Kate foi tomada por ações.
E como sempre a noite tinha sido quente para
ambos.

Ambos acordam com as cabeças latejando, o álcool


em excesso da noite anterior causara isso. Clint viu a
garrafa de uísque em cima da mesa vazia, não sabia
quem tinha tomado a maior parte.
- Pelo amor de deus pegue um comprimido que esta
perto de minha bolsa – disse Kate sem revelar seu rosto
de cansada – se quiser um para você também pode
pegar. É algo para dor de cabeça, ótimo para ressacas
desse jeito.
- Nunca bebi tanto assim na minha vida – disse Clint
tentando tirar coragem para levantar e pegar o
comprimido.
- Essa é uma oportunidade para eu falar que eu
nunca mais vou beber como ontem – disse Kate
olhando para o relógio – temos que agradecer que
vamos a procura de Jack somente a noite. Graças a
deus ainda é de manha.
- Quer agua também? – disse Clint se abaixando para
pegar o comprimido.
- Toda desse universo.
- Tome – Clint entrega um copo cheio de agua
juntamente com o comprimido.
Ela matou o copo em uma golada só, Clint iria ser o
próximo a fazer aquele experimento. Como não era
uma cara acostumado a bebedeira, aquilo para ele
estava sendo como a morte.
- Você tem que ficar com uma boa aparência para
aparecer no culto, você vai ser uma das iscas, não
queria dizes isso por causa do passado mas...
- Não me magoou, esquece, sei de meu trabalho.
Não sou de rezar, não sei como irei me comportar lá no
meio delas.
- Também não sou nenhum papa, mas acho que só
ficar repetindo o que elas falam e esta de ótimo
tamanho.
- Acho que não preciso preocupar com roupas
também – disse ela.
- Kate, você só vai a uma missa, vai me dizer que
você nunca foi a uma missa?
- É claro que já – disse Kate envergonhada – mas isso
já tem algum tempo.
- Tanto faz, pode ir com uma roupa comum mesmo,
só não use óculos escuros, e também não vá armada
pra lá também. Prefira sentar mais perto de alguma
janela, quando as luzes apagarem eu irei aparecer e
jogo uma arma para você.
- Vou ficar esperando perto da porta, a janela da
direita – disse Kate – e não sou burra a ponto de usar
óculos em uma igreja.
- Se bem que você ficaria linda de óculos – disse
Clint.
- Que seja – disse Kate – vou dormir um pouco para
melhorar essa dor de cabeça.
- Acho que não vou fazer diferente – disse Clint –
Kate, sobre ontem...
- Esquece tá? Estava bêbada, disse aquelas coisas
sem pensar.
Porem Clint ficou pensando um pouco.
Kate adormeceu rápido, diferente de Clint que ficou
acordado pensando sobre coisas aleatórias. Jack não
iria saber do elemento surpresa, e também Jack seria
previsível, era obvio que ele iria atacar a catedral
naquela noite.
Pelo que Clint andou pela cidade percebia que a
noite a ronda pela cidade não era tão forte, já não
havia motivos para rondas noturnas. Tinha acabado a
tempos roubos e assassinatos na cidade de Noxville.
Resolveu dormir, a noite iria ser preciso total energia
e atenção.

- Estou realmente boa? – disse Kate girando de um


lado a outro para ver se a roupa que estava era boa.
- De corpo não vou negar que esta linda, mas a
roupa esta bem sim. Não precisa preocupar tanto, só
não parecer que vai preparar para um assassinato.
- Acho que esta bom então – disse Kate – a dor de
cabeça já melhora um pouco, para ser sincera acho que
melhorou foi quase tudo, somente as vezes que sinto
uma pontada.
- Para mim esta ótimo – disse Clint sentado
arrumando seu revolver.
Kate aproximou e ficou vendo ele tirar o tambor e
colocar novamente. Passava um pano úmido em todos
os locais. Por mais que andasse muito, os locais eram
desérticos, ele sempre mantinha sua arma limpa.
- Vejo que você tem um cuidado gigante com sua
arma.
- Tenho que cuidar – disse ele – se eu não cuidar
quem é que cuida?
- Mas limpar desse modo? Acho que eu não faço
isso.
- Gosto de ficar mexendo nela, é como um
passatempo. Ganhei-a quando era mais novo. Meu pai
me deu para ficar treinando tiros. Hoje em dia parece
que a munição ficou a coisa mais barata do mundo,
então ele comprava alguma para mim para treinar.
- Seu pai te deu de cara uma arma de fogo? Meu
deus que pai é esse?
- Não, ele não me deu de cara essa arma. Foi uma
arma de chumbinho, eu matava algumas galinhas com
ela. Meu pai me dizia que se eu acertasse na cabeça
delas, eu ganhava sobremesa, e tinha que ser na
primeira tentativa.
- Seu pai é meio louco.
Clint não respondeu isso, ficou li limpando a arma.
- Você vai mata-lo quando ele invadir?
- Não, acho que só vou acerta-lo para ele ficar
imobilizado mesmo, você mesmo disse que quer
acertar as contas você mesmo.
- Iria agradecer se você fizesse isso por mim, eu
mesmo quero matar aquele desgraçado.
Clint com cuidado colocava a munição no revolver. O
som de cada uma entrando no tambor era igualmente
um lento tic tac de um relógio. Por mais que Kate
achasse Clint um cara ainda novo, parecia que
inexperiente, mas agora ele envelhecera anos, seu
olhar calculista sob a arma.
O peso daquela arma em suas mãos trazia-lhe
conforto, era algo que poderia confiar, caso alguém
aparecesse na porta, era adeus vida.
- Já imaginou se a arma falha com você? – disse Clint
para o ar – Quando você precisa dela, você sabe que é
mais rápido que seu oponente, seu saque e mais
ligeiro, quando você mira bem entre os olhos, aciona o
gatilho e, pronto. Só escuta um som seco. A arma que
você necessitava não iria disparar, seu inimigo com
uma boa arma terá vantagem sob você, então era
adeus a sua vida.
- Nunca parei para pensar nesse caso.
- interessante.
- Mas ela nunca falhou comigo.
- Nem por isso ela nunca falhara, mas esqueça isso,
não é uma boa hora para falar nisso. Só estava
querendo ser realmente poético mesmo.
- Esta com fome?
- Não muita, já são sete horas não é? Acho que
podemos comer somente um misto ou algo do tipo. Só
para não passar fome mesmo. Eu acho que estou todo
preparado para matar esse tal de Jack.
- Acha Clint?
- Sempre da um nervoso na hora, uma excitação.
Parece que eu fico realmente animado, como se fosse
meu primeiro alvo, meu primeiro inimigo para eu
meter uma bala na cabeça. por isso o acho, sempre
parece a primeira vez.
- Você treme ao segurar a arma?
- Desde a primeira morte, quando o sangue jorrou
em mim, aquele liquido vermelho e quente caindo sob
minha pele, desde esse dia não tenho medo, não sei o
que é tremer para tirar uma vida. As vezes para manter
algumas vidas temos que tirar outras, evoluímos assim,
se tivéssemos dó do próximo não estaríamos aqui. A
morte é algo que faz parte da vida, temos que
acostumar com isso.
- Você esta filosófico demais garoto – disse Kate.
- Sempre quis dizer isso, depois de um tempo e um
caderno com algum lápis você torna-se um filosofo,
meio que de brincadeira.
Kate deixou isso pra lá, foi no banheiro para ver se
estava realmente boa.
- Nem pense em passar maquiagem Kate, você já
esta ótima assim, do jeito que você é, vai sair
exagerando ai.
- Você me conheceu semana passada garoto, ate
parece que sabe como sou. Vou ir desse jeito mesmo.
- Então vamos indo então, quando mais cedo e
melhor analisarmos o local será melhor – disse ele
colocando a arma dentro do coldre e colocando a
camisa para tampar para que ninguém visse aquilo.

Noxville, uma cidade ativa. O comercio era fluente.


Havia uma rua que era conhecida pelos seus preços
baratos. Havias varias barracadas de um lado a outro,
vendendo os mais diversos preços. Todos produtos que
provavelmente não iria usar, descascador de batatas,
canivetes com varias utilidades, todos com utilidades
fúteis.
Era sempre lotado, sempre havia pessoas passando
para lá e para cá carregando sacolas e mais sacolas.
O caminho de Clint e Kate tinham que passar por lá
para chegar na catedral.
- Era mais ou menos aquela arma que meu pai havia
me dado – disse Clint apontando para um soldado do
exercito que pegava uma espingarda de chumbinho.
- Foi comprada aqui também?
- Não sei, mas o modelo era igual.
Quando entraram de vez na multidão, a mão direita
de Clint estava bem próxima do coldre da arma, porem
sua mão esquerda balançava igualmente um pendulo.
Entre um balançar e outro, foi de encontro com a mão
de Kate, no qual ela cedeu para deixar a mão de ambos
se unirem e entrelaçarem. Não esboçaram reação facial
nenhuma, porem internamente um estava com
vergonha do outro a ponto de esconder debaixo da
terra.
A desculpa que cada um deve ter pensado para ar as
mãos era para não sumir em meio aquela vasta
multidão.
Os vários cheiros invadiam suas narinas, dos mais
diversos alimentos. A cozinha daquele lugar era algo de
outro mundo, o odor que uma pessoa sentia era de
diversos tipos.
Esbarrando em varias pessoas, Kate e Clint
conseguem passar pela povoada rua. Mais a frente
viram a igreja, com luzes acessas e alguém já dentro
andando para um lado e para outro.
- Então já vou indo, fique de olho – disse Kate para
Clint.
-Pode deixar.
A igreja ficava descendo um pequeno morro, onde
muitas pessoas que estavam no comercio nem ligavam
muito para pequena catedral. Clint olhou os arredores
para ver se Jack estava por ali, porem só viu a negra
escuridão.
- Com certeza ele já deve estar escondido em algum
canto com tudo armado já – disse Kate.
- Não duvido nada, mas estou achando estranho que
essa igreja tem muitas pessoas perto, mesmo se ele
tentasse, acho que alguém iria escutar.
- Com janelas e portas fechadas, não deve escutar
muita coisa do lado de fora. E também tem o barulho
daqui de fora, quando passarmos por lá no meio, não
dava para escutar nada.
- Você tem razão – disse Clint – é uma manobra
arriscada.
- E com certeza ele vai raptar algumas mulheres,
facilmente umas três. Então quando apagar as luzes
você entra em ação.
- Pode deixar – disse Clint.
Ele escolheu ficar atrás de uma arvore, enquanto
Kate descia o pequeno morro para chegar na catedral.
As portas eram realmente muito grandes, os vidros
coloridos dava um ar ainda mais bonito para o local.
Havia uma pequena fresta onde Kate chegou o olho
perto para ver o que tinha dentro. Poucas mulheres
faziam uma singela roda e recitavam alguma coisa no
qual Kate não havia entendido.
- Entre – disse a irmã – seja bem vinda senhorita
Bishop.
- Toda a licença – disse ela empurrando a porta para
ter uma entrada maior.
- Estamos rezando pelo falecimento de alguns
soldados que participaram de um ataque na Rússia –
disse uma mulher ao seu lado.
- Meus pêsames – disse Kate sem jeito.
- Agradecida, mas não se preocupe, isso já faz dez
anos. Foram bravos guerreiros, voltou somente um,
mas infelizmente ele teve câncer de pulmão, que
provável seja por causa da guerra.
- Minhas singelas homenagens – disse Kate.
- Venha nos dar as mãos, vamos rezar todas. Rezar
para que todos nossos maridos amigos e todos que
conhecemos voltem bem – disse a irmã.
Kate ficou envergonhada por que não sabia muito
bem como era a reza. Mas a medida que a irmã rezava,
ela repetia calmamente suas frases. Em boa parte da
oração todas fecharam os olhos, e de pouco em pouco
chegavam mais mulheres para fazer um circulo ainda
maior.
De repente Kate começou a sentir uma energia
positiva crescendo em seu peito. Não sabia se era
realmente o poder da religião e de toda aquela reza ou
coisa de sua cabeça, só sabia que estava gostando.
Estava pensando em varias coisas e ao mesmo
tempo em nada. Estava em transe completo.
De repente um som ao fundo ecoa por todo salão.
Imediatamente Kate abre seus olhos e vê a mais
completa escuridão.
Olha de um lado para outro não vê nenhuma das
mulheres. Sua visão vai diretamente para as janelas,
porem parecia que uma grossa cortina havia descido
para tampar qualquer indicio de luz exterior, mesmo a
noite. Ela sabia que estava próximo a porta, foi
recuando lentamente ate lá, colocou a mão e viu que
havia uma grossa madeira no lugar.
Pelo jeito Jack pensara em tudo.
Ela dissera para Clint que estaria esperando próximo
a janela ao lado da porta.
Uma flecha quebra o forte vidro e crava em uma
parede. Kate julgou que era uma flecha pelo seu
trajeto, no qual se fosse uma bala iria fazer mais
barulho também.
Em um alto som, a janela acima da cabeça de Kate
quebra e solta vários estilhaços, no qual alguns a
acertaram, porem não fazendo dano algum.
Um pesado corpo cai ao seu lado, ela escuta um som
abafado de botas de borracha esmagando alguns
pedações de vidro.
- Você esta pensando que é quem? Esta entrando
igual o Batman, e que raios é esse arco?
- Encontrei ali de fora, queria fazer uma entrada
triunfal, mas pelo jeito você não gostou.
- Esquece isso – disse Kate.
- Você viu alguma coisa que parecesse com Jack?
- Nada – disse Kate – eu nem mesmo vi as luzes
apagarem.
Clint em resposta liga a lanterna e aponta para o
teto, as mulheres começam a gritar de uma forma que
chega a realmente incomodar.
- Kate, tente acalma-las, acho que vi alguma coisa lá
em cima.
Clint parte para a corrida em direção a uma parede.
Demonstrou ser rápido o bastante e ágil para escalar
facilmente o local para chegar a uma parte da
estrutura. Ele escuta alguns baldes caindo, revelando
que Jack estaria no sótão.
Com a arma no coldre e o arco na mão, ele partiu
para correr atrás de Jack.
Quando chegou no amplo local viu que Jack estava
frente a frente para ele.
- Se não é Clint Barton, o exímio atirador.
- Jack, sem mais discursos – disse Clint pegando sua
arma do coldre.
- Parado ou se não atiro – disse Jack revelando que
abaixo de seu grande manto ele segurava um revolver
bem parecido com o dele.
- Vale a pena arriscar.
Com uma sacada digna de um filme de Sergio Leone,
Clint Barton atira na direção de Jack, que desvia e o
projetil acerta na madeira, arrancando assim algumas
lascas.
- Pensava que você era melhor – disse Jack
zombando de Clint.
Clint economizou nas palavras, atirando na direção
do peito de Jack. Mesmo após o disparo acertando bem
no coração de Jack, ele permanecia de pé.
- Você acha que sou bobo - disse Jack – era obvio
que eu teria um colete por baixo.
Ele atira na perna de Clint, que não esperava tal
reação. Sua coxa atingida queima como fogo do
inferno, o fazendo ajoelhar.
Jack caminha lentamente sabendo que Clint não
teria reação alguma, chutou a mão que ele empunhava
a arma, deixando o revolver a uma distancia segura.
Jack não iria falar frases filosóficas nem nada, deu um
belo soco no queixo de Clint, no qual ele caiu de lado
gemendo de dor.
Ele já não sabia qual doía mais, era obvio que a
perna era maior, porem Jack ficou chutando a cara de
Clint quando ele estava caído.
- Cadê aquela sua amiga putinha, quero pegar ela
também e transar com ela. Lamber aqueles lindos
peitos de vagabunda. Aquela desgraçada matou meus
amigos, agora quer minha cabeça. Você também quer
minha cabeça seu puto.
O arco estava ao alcance de Clint, ele esticou sua
mão para tentar alcançar, porem Jack deu um chute,
fazendo o rolar para baixo.
Jack não era um assassino a lá filmes de ação, tinha
sua reação rápida, dando um tiro no ombro de Clint. O
grito de dor e agonia percorreu toda catedral, ela fazia
uma boa acústica.
- Não queria fazer isso com você garotão – disse ele -
mas não vejo sua amiga em lugar algum, então tem que
ter alguém morto.
Um projetil acertou o joelho de Jack, o fazendo ficar
de joelho. Ele olhava de um lado para outro para tentar
achar quem era o dono daquilo. A flecha cravada em
seu joelho começou a arder, porem o sangramento
estava estancado. Se tirasse, iria poder se movimentar
cm custo, porem iria abrir uma larga fenda.
- Você queria me achar docinho – disse Kate subindo
pelas paredes quase igual Clint.
- Você...
- A própria Kate Bishop, vejo que você machucou
meu amigo, acho que terá o mesmo destino.
Ela aproximava a passos lentos, Jack sacou
rapidamente sua arma, no qual Kate deu um belo chute
em sua mão, fazendo o largar no chão. Ela tirou da
aljava um flecha e jogou o arco no chão.
- Diga boa noite docinho – disse Kate cravando uma
flecha no olho esquerdo de Jack.
Clint já estava adormecendo, perdeu a consciência
devido a forte dor. Jack gritara, porem Kate deu-lhe
uma forte pancada na têmpora esquerda, o fazendo
dormir.
- Digamos que tenho bastante trabalho para tirar
ambos daqui – disse ela.

Jack acordara em uma sala vazia, estava amarrado


em uma cadeira de madeira. Não era lá muito
resistente, porem aguentava seu peso. Seu olho
esquerdo doía, o que sobrara dele na verdade.
Lembrou que Kate havia cravado um flecha nele, no
qual o deixara cego de um olho.
- Putinha barata – disse ele cerrando os dentes.
A escuridão da lugar a uma forte luz. A lâmpada
estava exatamente em cima de sua cabeça, no qual não
projetava sombra alguma. Era uma lâmpada barata, de
luz amarelada, daquelas que consomem mais energia.
- Pelo jeito você acordou - disse uma bela mulher
parada na porta.
- Desgraçada do caralho – disse Jack com a maior
raiva do mundo.
- Olha a boca – disse Kate rindo – melhor melhorar o
linguajar. Na minha casa sempre houve bons modos.
Acho que você lembra daquela pequena garotinha na
casa dos Bishop, cabelos negros que iam ate a bunda,
sorriso banguela, vestido rosa e rindo demais. Aquela
mesma garotinha que você pós suas mãos imundas,
seu pau nojento dentro de mim. Me lembro ate hoje,
tive nojo de homens por anos, por causa de você. Fui
oferecida em casamento, era um homem rico e lindo,
mas por temer o que ele iria me fazer na cama, por
causa do que você me fez aquela noite, eu fiquei com
medo e recusei. A pouco tempo que voltei a cama com
outro homem já com prazer.
- Kate, você não iria entender...
- Entender um cara que quer transar com uma
menina que ainda brinca de bonecas, você esta louco,
você me traumatizou seu desgraçado. Mas agora você
esta aqui na minha frente, amarrado e do jeito que eu
gosto. Eu poderia facilmente chamar caras para
comerem esse seu cu, mas não, acho que isso seria fácil
demais.
Ela sai da sala e volta empurrando uma
churrasqueira. Jack começa a se debater eu
inutilmente.
- Como eu conheço a raça de homens, sei o que eles
mais gostam no corpo.
- Espera ai...
- Naquela época eu não esperei senhor Jack, e não
vai ser hoje que vou esperar. Não sei se você já viu
aquele seriado, Game Of Thrones, tem um tal de Theon
Greyjoy. Acho que poderia fazer a mesma coisa com
você.
Jack não sabia, mas boa coisa não era.
Havia um faca no meio na brasa, sua lamina estava
vermelha de tão quente. Kate andou lentamente ate
ele, abriu o zíper de sua calça e revelou seu pênis todo
flácido e curto.
- Não lembro como era quando você fez sexo
comigo, você me pegou de costas. Mas acho que isso
não importa mais para você.
Ela o deixou se debatendo na cadeira, lentamente
pegou a faca e foi aproximando. Jack sentia o calor
emanando da lamina, e quando ela tocou seu
instrumento, sua gritaria podia ser ouvida em qualquer
lugar.
Como uma faca quente corta manteiga, aquela
lamina cortou o pênis de Jack para fora.
Ele chorava incontrolavelmente, lagrimas e lagrimas
saiam de seus olhos.
- Com o ferro fere, e com o ferro será ferido, se não
me engano o ditado era assim. De todo jeito vou te
matar, a morte será lenta, você vai sofrer. Eu queria
que você sofresse sem esse pênis, ficasse dias
pensando nisso, olhasse mulheres na rua e se
arrependesse de ter feito comigo. Mas você teria que
sair pelas ruas, e eu iria te perder.
Kate estava com o pênis de Jack em suas mãos.
- Parece uma linguiça miúda, realmente homens se
sentem muito confiantes por causa disso aqui,
realmente, quando um cara sabe usar fica ótimo na
cama. Mas é algo tão frágil.
- Sua desgraçada – disse Jack chorando igual um
menino novo.
- O que eu disse sobre bons modos – disse Kate
rindo.
De repente uma forte mão agarra seu pulso.
- O que você esta fazendo – disse Kate.
- Não o maltrate assim, somente os piores revidam
com a mesma moeda – disse Clint todo enfaixado.
- Eu mandei você esperar na cama – disse Kate
brava.
- E como eu vou conseguir dormir com esse cara
gritando igual um louco.
- Esperei anos por esse momento Clint, me deixe
vingar isso. Tive pesadelos por causa desse desgraçado.
Se não fosse ele, eu estaria casada com um ricaço em
morando em paris ou algo do tipo. Mas ele me
traumatizou.
- Eu não sei como você se sente, se dissesse que
saberia seria a maior mentira, mas por favor, pense que
tem um humano no outro lado.
Kate ficou cabisbaixa, tinha parado para pensar no
que frizera.
- Me desculpe – disse Kate.
- Não é para mim que você deve pedir desculpas.
Kate pegou sua arma que estava no coldre e mirou
exatamente na testa de Jack. Sua lagrimas jorravam.
Ela sentia realmente muita pena em matar Jack.
- Me desculpe – disse ela chorando e apertando o
gatilho, tirando assim a vida de Jack sem maiores
sofrimentos.
O melhor lugar naquele momento era o ombro de
Clint. Kate se derramou a chorar naquela hora.

Clint tinha entregado o corpo de Jack e recebido a


recompensa. Kate pegou um parte, o motivo da caçada
era somente a morte de Jack.
- Então o que você vai fazer da vida?
- Vou andar por ai – disse Kate cabisbaixa.
- Vamos andar juntos...
- Não Clint, quero ficar sozinha por um tempo. Eu
gosto muito de você, mas sei lá, quero só botar a
cabeça no lugar. Vou ainda caçar algumas pessoas, não
vai demorar muito para nos encontrarmos.
Ambos estavam do lado de fora da casa. Kate
começou a se afastar de Clint, já estava tomando seu
rumo. Clint correu ate ela e deu-lhe um beijo digno de
um final de um filme. O sol estava se pondo, dando um
belo quadro.
Após o beijo ela olha para baixo e vira as costas
novamente. Clint vê Kate indo embora, sabia que iria
encontra-la, um dia quem sabe.
Um dia Clint voltaria a vê-la, só não sabia quando.
A Fita

A sala só estava iluminada por uma pequena lâmpada


acima da mesa. Dois homens estavam frente a frente,
um era mais velho que outro.
- Finalmente tenho a fita que pode incriminar aquele
filho da puta, depois de tantos anos posso ver ele atrás
da grades – disse o homem mais velho que tinha uma
voz rouca.
- Eu iria achar que era melhor simplesmente mata-
lo, não precisava se dar ao trabalho de ter uma fita,
que pode ate não dar certo.
- Não dar certo se eu não quiser, e também não é
tão simples matar esse cara. Mas de todo modo, quero
vê-lo enfurnado atrás das grades, comer o pão que o
diabo amassou.
- Não sei por que você tem tanto ódio desse cara –
disse o homem com a voz um pouco mais fina – o cara
é somente um herói, e nada mais.
- Um herói de aluguel que matou meu pai – disse o
homem dando um soco da mesa – ele matou meu pai a
sangue frio, sem receber nenhum tostão para isso.
O homem que escutava isso sabia que aquela
historia não era somente isso, que obviamente tinha
mais coisa ali por trás, porem ele não disse nada, sabia
que seria inútil.
- De todo modo, essa fita que tenho, seu conteúdo
pode coloca-lo atrás das grades, mesmo em uma terra
sem lei.
- E você vai publica-la quando?
- Publica-la? Parece que você não entende de
negócios não é meu caro, não vou publicar isso, vou
simplesmente vender.
- Ainda acho uma puta trabalheira para somente
incriminar o cara, em uma terra onde é normal matar,
esse cara deve estar fazendo rituais proibidos para ter
alguma coisa com quem possa incrimina-lo. Eu ainda
acho melhor matar.
- Eu não perguntei o que você acha, só quero que
você leve essa fita para uma pessoa lá na Cidade
Diamante para vende-la.
- Você tem que achar o cara certo – disse o homem
de voz fina - por que fiquei sabendo que ele já salvou
alguma vidas lá dentro, não seria bom vender um
material desse para quem tem ele como um animal de
estimação.
- Já resolvi para quem você vai entregar, ele é dono
de um hotel famoso lá, vou te passar as informações
necessárias depois. Esse cara vai leiloar no submundo
dele, onde que eu saiba, o magnata que foi salvo por
ele não vai estar. Somente entregue a fita a ele, já
passei todas as informações a ele já. Disse que era você
que ia levar isso.
- Como você já sabe, quero pelo menos um pequeno
adiantamento, a viagem daqui ate lá não é a coisa mais
rápida desse mundo, então é obvio que isso vai ter
alguns custos iniciais.
- Sabia que você iria pedir isso, então já deixei
reservado.
De repente o silencio caiu, o ventilador de teto
girava lentamente para somente renovar uma pequena
parcela de ar. Os homens que estavam frente a frente
suavam, pingos brilhantes de suor saiam de suas testas
e escorriam ate chegar aos lábios, os fazendo sentir o
gosto salgado do suor.
- Vou partir daqui a pouco então, alguma objeção
cara? – disse o cara com a voz fina.
- Nenhuma, vou ali pegar tudo o que você precisa.
- Por acaso posso saber o que tem dentro dessa fita
a ponto de incriminar um cara? Estou realmente
curioso agora.
- De jeito nenhum, acho que isso pode atrapalhar a
transação. Melhor você não ver essa fita, por que
quando você entregar, há maneiras de ver que você
mexeu e tudo mais.
- Tudo bem, vou fazer meu trabalho sem xeretar
coisas alheias.
- Finalmente, vamos colocar aquele filho da puta do
Clint atrás da grades – e ele saiu da sala.

Cidade Diamante, era algo onírico demais para


muitos, porem para quem era magnata era um sonho
realizado. O dinheiro que circulava naquelas ruas era
grande, entre prédios e prédios, uma simples
negociação de terça feira era um valor que muitos
jamais conseguiriam acumular, mesmo ganhando na
loteria.
A espaçosas salas de reunião, os jantares servidos e
tudo mais. Quem era um magnata naquela cidade era
algo realmente bom. Nos mais simples café de reuniões
onde trocavam milhões, o lanche era algo caro demais,
não para ele obvio. Uma simples mesa servida, poderia
pagar salario de um funcionário comum por anos.
Howard era dono de uma rede de hotéis, espalhadas
por todos os cantos do pais e do mundo. Para quem é
dono de rede de hotéis, ele não tinha tanta trabalheira,
tinha todos assessores e funcionários que cuidavam
disso para ele. Howard ia somente para marcar
presença e assinar o contrato, de resto ficava o dia
inteiro em casa.
Ele estava em seu escritório, que do mais não tinha
tanta coisa de extravagante assim, uma boa cadeira,
uma larga mesa, que não tinha nada. A partir de que
girasse a cadeira de um lado para outro, podiam ver
quadros e alguma esculturas baratas, somente para
não deixar a ambiente morto.
Tinha recebido uma mensagem de um amigo, leu e
deixou o celular jogado em cima da mesa. Apertou um
pequeno botão em cima de sua mesa, no qual em
poucos segundos aparecia uma empregada pronta para
servi-lo.
- Quero que me sirva um copo de uísque duplo, com
dois cubos de gelo.
O uísque estava dentro da sala, uma geladeira que
continha os cubos estava do outro lado do recinto. Ele
mesmo podia ter preparado o uísque, porem quando
tem empregadas que fazem seu serviço por você, é
melhor aproveitar.
Ela colocou o copo da mesa, do modo que ele pediu.
Ele a dispensou e ficou girando sua cadeira para um
lado e outro, somente pensando o que fazer no dia.
Ainda era cedo, dez horas da manha. Não tinha
nenhuma reunião, e caso tivesse, ele seria chamado em
casa com grande antecedência. Deu um pequeno trago
em seu copo, os gelos batiam um no outro.
Resolveu beber todo de uma vez, deixando o copo
em cima da mesa e decidiu ir para casa.
Sua sala era no ultimo andar de um grande prédio,
no qual ele também era dono. Howard avisou para o
primeiro funcionário que viu, que era um diretor de
algum assunto particular, para que ligasse para seu
chofer pedindo que ele o levasse para casa.
Howard sempre soube dirigir, porem as vezes
preferia ficar somente vendo a cidade enquanto outra
pessoa fazia isso por ele.
Sua casa era algo espetacular, gigantesca,
dificilmente conseguia ver toda ela em uma única
visão, tendo que girar a cabeça de um lado para outro.
Era estranho aquela Cidade Diamante, por fora,
rodeada de altos muros e muito bem protegida, parecia
que era uma cidade não tão grande, não tão gigante.
Mas ele não entendia, depois de adentrar aqueles
muros, que a cidade parecia que crescia, ou algo do
tipo.
Com uma coloração branca de faixada, ela parecia
facilmente a casa do presidente, a famosa Casa Branca.
Era obvio que Howard tentara fazer uma replica, mas
achou melhor não, ele tinha uns gostos para cores
estranhos, mudando um pouco a tonalidade do branco.
O local para estacionar também era outro que era
gigantes, espaço para vários carros, porem raramente
mais de dois estacionavam ali.
Adentrou a sua casa, a sua empregada estava
preparando alguma coisa na cozinha. A doce garota
tinha uma aparência que causava vontade em todos os
homens, Howard a contratara para servir em casa e
servir na cama.
- Você voltou cedo do trabalho hoje – disse ela
soltando um comentário.
- Nada demais – disse ele dando um tapa em sua
bunda.
Ele foi para o quarto e deitou, soltando um grande
bocejo de sono, não tinha o que fazer naquele dia.
Começou a cochilar quando seu celular havia tocado.
Ele não gostara muito quando era incomodado nessas
horas, ninguém gostava.
- Alo – disse ele de mal humor.
- Eu tenho a fita do herói de aluguel que você queria
– disse uma voz rouca no outro lado da linha – enviei
um garoto para ir ai, não deve demorar a chegar.
Uma das coisas que Howard era fascinado era leiloe,
mas ele quem vendia as coisas, por um preço muito
alto.
- Vai ser aquele preço que havíamos combinado
antes, e nem pense em vender por menos, de todo
modo quero minha grana.
- Se vender por menos vou estar perdendo dinheiro
meu amigo, pode deixar comigo, que os negócios eu
mesmo faço.
- O rapaz mostrou um pequeno interesse em ver a
fita...
- Isso não é problema nenhum na verdade, por mim
ele pode ver a fita, mesmo se ele falar isso
abertamente a publico não vão acreditar.
- De todo modo ele não iria falar isso para todos, ele
só tem mesmo a curiosidade de ver. Só isso. Quando
vai ser o leilão?
- Daqui alguns dias, estou acumulando umas
coisinhas interessantes, você sabe aqueles artigos do
Egito? Pelo jeito vai chegar algum amanha, quem sabe
ate eu mesmo fico com um.
- Na verdade eu nem ligo para esses artigos, só
quero saber de você vender essa fita. E de todo modo,
eu garanti de travar para caso alguém querer copiar.
- Tudo bem, quando seu amigo chegar aqui e já vou
organizar o leilão.
Howard desligou o telefone, decidiu ligar a tv para
ver o que estava passando. Ficou pensando como seria
o conteúdo da fita, uma coisa a ponto de incriminar
Clint Barton. Pouco tempo depois Howard adormeceu.

Há alguma quilômetros dali, Clint estava deitado em


uma cama, e uma garota em outra. Essa pequena
garota, que era bem mais baixa que Clint, era sua
cliente. Queria que ele matasse algum tipo de pessoa,
porem o serviço não era muito bem matar, somente
deixar incapacitado, para ela terminar todo o serviço.
- Eu já te disse que vou pagar mais não é mesmo? –
disse Carol.
- Cansou de dizer essa baboseira, estou enjoado de
ouvir isso. Vá dormir menina, amanha temos que viajar.
Clint já tinha voltado a ativa, talvez por um tempo
ou só um trabalho. As vezes queria ter um trabalho
fixo, entrar numa rotina e saber o dia de amanha.
Quando era novo nem imaginava que a vida de herói
de aluguel as vezes era entediante. Não parava de
chover de contratos para ele, mas ele escolhia alguns
somente por um breve estado de humor.
- Queria saber por que você tem tanto ódio dessa
pessoa – disse Clint baixinho – ir pessoalmente matar.
- Isso já é um problema meu, eu tenho minhas coisas
e você tem as suas.
- Tudo bem – disse Clint e virou para o lado para
dormir.

- Você disse que a cidade era perto de onde mesmo?


– disse Clint quando acordou.
- Não é muito longe de Cidade Diamante – disse
Carol ainda bocejando – Não sei como você consegue
acordar tão cedo assim cara, eu estou com sono ainda,
vamos dormir mais um pouco.
- Eu não tenho pressa, só não sei se esse tal de
Castle vai estar lá.
- Vai sim, ele é um cara que nunca sai da cidade, era
um antigo conhecido da minha família.
- Se você diz garota – disse Clint acendendo um
cigarro – vou andar um pouco, talvez ir em um bar
quem sabe.
- Só não fique muito bêbado, eu não sei como tem
bar aberto essa hora do dia.
- Bem vindo ao oeste minha filha.
Clint deu as costas a Carol, no qual ela nem se
importou e foi voltar a dormir.
Clint parecia saber todas as localizações de bares
pela cidade, e em varias cidades. Sua garganta estava
seca, estava com vontade de beber. Parecia que seus
instintos masculinos pediam aquilo.
Do lado de fora dava para ver que tinha alguém lá
dentro.
Empurrou a porta com o punho cerrado e entrou no
local. Como ele imaginara, estavam dois homens
jogando algum tipo de carteado, e outro já não muito
bem em plena manha.
- Clint meu amigo – disse o homem.
- Me manda somente uma cerveja, quero já molhar
a goela.
- Pelo jeito aquela menina esta te deixando nos
nervos.
- Nem é, só estou realmente com sede.
Aquele barman era algum conhecido de Clint, como
vários outros que Clint visitava em suas indas e vindas
de cidades.
Como sempre, ele servira uma cerveja bem gelada
para Clint.
- Por que não tenta um carteado com os rapazes ai?
Somente para passar o tempo.
- Que seja – disse Clint bebendo toda cerveja em um
gole e indo para mesa dos caras.
Quando ele sentou, ambos acharam ruim, porem
quando viram que era Clint Barton, resolveram ficar
calados.
- Deem as cartas e vamos começar a jogar – disse
Clint olhando para os dois.
Com o barman servindo, os três ficaram jogando por
algumas horas, somente sendo interrompidos por uma
garota.
- Clint, vamos já, cansei de dormir e temos que partir
viagem.
- Já esta sendo chamado pela pequena patroazinha -
disse um homem que estava em outra mesa.
Clint lhe lançou um olhar, no qual o homem ficou
com medo e resolveu que ficar quieto era melhor.
- Pensei que iria ficar dormindo mais tempo – disse
Clint acendendo outro cigarro.
- E realmente fiquei, mas você ficou duas horas
jogando aquela merda de carteado.
- Calma lá garotinha, veja como fala comigo,
primeiro você esta parecendo uma irmã mais nova
tentando me dar bronca. Calma lá viu.
- De todo modo, vamos partir já, comprei alguma
coisa para ambos comermos no caminho. Meu cavalo
já esta preparado já.
Clint a ouvir aquilo sabia que precisava de um cavalo
urgente. Clint ficava na frente, pelo fato de Carol ser
mais baixa, não seria a coisa mais prudente do mundo
andar com ela guiando. O clima estava começando a
mudar, era provável que entraram em uma estação
mais fria, Clint nunca entedia muito bem desses
negócios.
- Semana passada, antes de encontrar você, eu
estava começando a escutar umas bandas de rock –
disse Carol para não ficar no mais completo silencio.
- E quais seriam? Pensei que você não gostasse
desse tipo de coisa
- Aerosmith, comecei a escutar para valer. Por mais
que eu goste de pop, seria bom mudar de estilo as
vezes.
Clint fez uma cara indiferente. Teria que arrumar
algum assunto para conversar ate a próxima cidade,
não queria ficar no maior silencio do mundo.
- Qual será a próxima cidade? – disse Carol.
- Se eu não me engano seria alguma grande eu acho,
não me lembro do nome. E quando eu digo grande
seria uma tipo Cidade Diamante.
- Tecnológica como ela?
- Não, não tanto assim. Só sei que lá tinha alguns
bons serviços – disse Clint – lembro de um prostibulo
que tinha lá.
De repente Clint viu que não podia falar isso com
Carol, ainda era muito nova para ouvir esse tipo de
coisa. Porem ela somente deu um breve sorriso de
lado, Clint não viu tal coisa.
O clima estava começando a esfriar mais, obrigando
a ambos pegarem algum agasalho dentro da bolsa.
O assunto rolou bem, rapidamente chegaram na
cidade, já procurando um hotel.
- Aquele parece bom - disse Clint apontando para
um singelo hotel.
- Acho que poderíamos pegar um melhor. Não se
preocupe Clint, eu estou pagando, e não vou descontar
nada em seu pagamento.
- O problema não é isso, é que eu gosto do mais
simples mesmo.
- Que seja, vamos para um melhor. Só você indicar
onde estão aqui nessa cidade.
- Bem, não sou um mapa humano, mas de toda
forma deve ter alguns ali pra frente.
- Você quer passar em algum bar antes ou algo do
tipo? Se bem que conheço você já quer ir para um
boteco.
Carol não conhecia nada de Clint, aquilo foi um
modo de falar. Toda vez que os dois chegavam em uma
nova cidade Clint já procurara um bar.
- Vamos deixar nossas coisas num hotel primeiro,
para ai sim depois eu procurar algum bar. E você é
muito nova para beber não é? Eu iria ate oferecer para
tomar uma...
- Pode levar uma bebida mais forte para o quarto,
vai ser melhor do que você sair bebendo por ai, pelo
menos é minha opinião. Você bebe e dorme lá mesmo.
Clint não achara uma má ideia, ele ate gostava de
beber em bares para ter com quem conversar, seria
algo novo levar a garrafa de bebida para o quarto.
- E provável que esses hotéis daqui não vão proibir
entrada com bebida alcoólica, por que tem uns que
bloqueiam – disse Carol.
- Realmente sim – disse Clint já guiando o cavalo
para achar algum hotel.
Carol ficou fascinada com algumas lojas, olhava para
as vitrines como uma criança olha para uma loja de
brinquedos.
- Se quiser que compremos alguma coisa pode falar
– disse Clint soando como seu pai.
- Quem sabe uma loja melhor, pelo jeito não
chegamos no centro da cidade.
Com o cavalgar do cavalo, Carol via as costas de Clint
e seus largos ombros. Realmente, Clint era um homem
desejável por muitas, ainda mais Carol. Ela agarrava em
sua cintura somente pelo fato de segurar, não tinha um
pingo de perigo em cair, ela se sentia segura.
Clint olhava para o lados como de costume,
procurando um hotel que satisfizesse os requisitos de
Carol.
- Eu disse que tinha que sérum bom hotel, não
aquelas espeluncas que ficamos antes – disse Carol ao
ver que Clint estava focado em um hotel especifico.
- Só quero um lugar para dormir – disse Clint.
- Podemos então ficar naquele ali na frente – disse
Carol apontando para uma fachada repleta de luzes.
- Parece ser meio chamativo demais – disse Clint
rindo – parece que estamos em alguns shows de luzes,
alguma balada.
- E pelo jeito aquele tem ate um bar dentro – disse
Carol rindo.
Clint apertou o passo em seu cavalo.

A recepcionista era uma mulher fatalmente


atraente, com olhos negros e um cabelo de chamar
atenção em qualquer um. E para completar, ela tinha
um belo par de seios.
Clint era acostumado ver aquelas mulheres, que os
patrões contratavam para chamar ainda mais atenção.
- Boa noite – disse a mulher olhando diretamente
para Clint.
- Boa, queremos um quarto...
- Vamos querer o quarto mais caro – disse Carol.
A moça tinha ficado impressionado com a garota,
que ate podia lembrar algum parentesco com Clint.
- Tem certeza? digamos que nosso quarto mais caro,
seja realmente muito caro.
- É claro que quero – disse Carol tentando colocar
uma voz imponente.
A linda moça virou as costas e foi ate uma pequena
estante onde se encontravam as chaves do quarto.
Clint ficou pensando como aquela menina tinha tanto
dinheiro. Era realmente rica, para escolher o melhor
hotel da cidade e escolher o quarto mais caro.
- Essa é a chave da suíte presidencial – disse a moça
entregando uma simples chave – fica no ultimo andar.
- Obrigado – disse Clint.
Quando os dois viraram para ir embora, a moça
tinha-lhes chamado atenção.
- Não querendo falar nem nada – disse ela
apontando para uma placa acima de sua cabeça – mas
aqui recebemos o dinheiro adiantado.
- Sem problema – disse Carol mexendo em sua bolsa
– tome o dinheiro.
A moça recebeu as moedas de Carol e colocou no
caixa, desejando-lhes boa noite.
Os dois começaram a subir as longas escadas para
chegar ate a suíte, que ficava no ultimo andar.
- Acho que se partirmos amanha, vamos chegar ate a
Cidade Diamante no mesmo dia – disse Clint – mas se
sairmos cedo.
- Olha como essas escadas são bonitas Clint – disse
Carol observando como era tudo bem trabalhado.
- Nunca vi alguém ficar percebendo escadas – disse
Clint baixinho, a tal ponto de Carol não escutar.
Os passos ficavam abafados devido ao tapete das
escadas, Clint observou alguns quadros nas paredes
enquanto subiam. Ambos olharam para cima, vendo
que tinha algum bocado para subir.
- Bem, esse suíte tem que ter uma bebida – disse
Clint – não vou animar descer tudo isso para comprar
algo.
- Sempre tem, champanhe e essas coisas. E Clint,
estamos pagando pela suíte presidencial, acho que
você não é acostumado com isso. Se quisermos que
eles tragam um elefante cheio de bolinha para cá, eles
tem que trazer.
- Não sou acostumado com isso, sempre fui um cara
mais simples Carol – disse Clint.
Finalmente chegaram no andar da suíte. A sua frente
havia uma porta branca, totalmente limpa e bem
cuidada. Parecia que do lado de fora já dava para sentir
algum aroma que vinha de dentro do quarto.
- A suas honras – disse Carol para Clint.
Clint colocou a chave e a girou, obviamente não
mostrando resistência alguma. Poderia falar que a
porta rangeu para soar mais poético, porem nem isso
ela fez. Parecia empurrar um pedaço de nada de
tamanha leveza que era tal objeto.
Clint ficou surpreso com o tamanho do quarto e seus
moveis que compunham. Uma cama gigante, onde
daria para dormir ate quatro pessoas, um poltrona
confortável para quem apreciasse um bom livro, lareira
e tudo mais. Uma adega de vinhos no qual Clint
realmente ficou interessado, não que ele fosse o maior
viciado em vinhos do mundo, porem para uma pessoa
que estava querendo somente tomar alguma coisa
aquilo estava de ótimo tamanho.
Ele analisava tudo com a maior calma, olhando de
um lado para outro.
- Não atrase minha janta Clint – disse Carol o
empurrando – temos a noite inteira para ficar vendo
isso.
Carol entrou e foi direto para o banheiro para olhar
em um largo espelho.
- Pelo que vi, você não vai precisar ir lá fora para
comprar bebida, não sei se você gosta de vinho ou
champanhe, se quiser uma coisa mais pesada pode
pegar aquele telefone e ligar para o serviço de quarto.
Clint sabia mais ou menos como funcionava esse
serviço de quarto, porem não falou nada disso para
Carol para ela não imaginar que ele era idiota.
- Quem vai tomar banho primeiro? – disse Carol –
aqui tem uma banheira, que na minha opinião, não
importo de tomar banho com você.
- Calma ai – disse Clint assustado – você ta querendo
tomar banho comigo?
- Clint, você é um homem bonito, de todo modo
acho que não vai fazer nada demais. Só quero
realmente relaxar.
- Não sei se você tem idade suficiente para isso –
disse Clint demonstrando um pouco de vergonha.
Carol nada disse. Começou a se despir ali e foi
ligando a agua da banheira. Rapidamente a banheira
encheu.
Ela entrou toda nua, deixando somente a cabeça
fora da agua. Estava quente, realmente podia ficar
horas e horas ali sem se preocupar com nada. Clint
ficara na duvida de entrar, ficou pensando um pouco,
era fácil se controlar, não iria sentir prazer com uma
menina daquela idade.
Decidiu então tirar a roupa e entrar na banheira.
Quando ele passou pela porta, o olhar de ambos foram
de surpresa. Carol estava toda nua, a refração que a
agua causava distorcia levemente a imagem daqueles
pequenos seios. No meio de suas pernas, estava o lugar
que todos homens desejam, Carol havia tampado essa
visão cruzando levemente as pernas.
Carol viu Clint nu, uma barriga não muito bem
definida, um peitoral bonito e bem trabalhado. Suas
coxas eram grossas e bem firmes. Ela olhou para o
objeto de prazer, que estava começando a ficar ereto.
- Esta com vergonha de entrar em uma banheira
com uma menina? Parece que você é aqueles caras
virgens, que nunca vira uma mulher.
- Virgem é a ultima coisa que sou garota – disse Clint
rindo e entrando na banheira.
A cara era de muita satisfação para Clint, realmente
aquela agua estava deliciosa de ficar.
Carol ficou olhando para Clint, seus pés se tocavam
em baixo da agua.
- Se aproxime homem, não sou essa garotinha que
você pensa – disse ela rindo.
O sangue da cabeça de cima de Clint rapidamente
desceu para de baixo, já não podia muito bem
controlar a razão. Caso fizesse amor com ela não seria
estrupo, seria de total consentimento da menina.
Clint se arrastou ate seu lado, Carol estava animada.
Clint olhou para seus mamilos, sua cabeça já não
raciocinava tão bem.
Carol era um garota decidida, sua mão já estava
alisando a coxa e depois já foi para seu órgão.
Ficaram ali se bulinando por um tempo.

- Senhor Howard – disse a empregada – tem um


homem lhe chamando na porta, disse que era para
entregar um encomenda para leilão.
A empregada já estava cansada de receber essas
encomendas em casa, sabia que chegava
semanalmente diversos artigos.
- Mande-o entrar – disse Howard indiferente.
- Mas senhor, ele não parece carregar nada.
- Somente mande-o entrar.
Ela obedeceu sem falar nada, somente abriu o
portão eletrônico. O homem, que não tinha a melhor
das aparências, entrou dentro da propriedade de
Howard. Pelo seu andar, a empregada sabia que ele
não era uma pessoa de classe, diferente das pessoas
que frequentavam aquela casa.
- Onde esta Howard – disse o homem com uma voz
fina.
- Ali – disse empregada indicando uma porta.
Ele não agradeceu, somente entrou e ficou olhando
para as lindas pernas dela antes de sumir por aquela
porta.
Howard estava sentado em sua poltrona, lendo um
romance e segurando uma taça de vinho.
- Pelo jeito você me trouxe o que eu realmente
queria – disse Howard se virando para olhar o homem
moribundo.
- A fita ta aqui, mas só para te avisar, eu não vi o que
tinha dentro dessa fita viu?
- Sem problema, podemos colocar ela ali agora e ver
o que realmente vai incriminar o famoso herói de
aluguel, Clint Barton.
- Posso mesmo?
- Puxe uma cadeira e se sirva uma taça de vinho,
esse tipo de coisa seria algo para se admirar.
O cara ficou meio sem jeito, somente pegando uma
simples cadeira para ver. Howard levantou e pegou um
copo de vinho para o homem, e encheu o dele. A Tv a
sua frente era uma larga e gigantesca tela plana,
provável que aquele homem nunca tinha visto uma
daquelas.
- Acomode-se, e vamos ver se essa fita vale tanto
quanto seu patrão fala.
Howard colocou a fita em um aparelho. Ligou a
grande televisão e sentou para observar.
De primeira viu Clint, suas costas nuas. Clint estava
se afastando da lente da câmera, de modo que Howard
e aquele homem viu também suas brancas nadegas.
Também viram uma pequena garota, devia ter seus
onze a doze anos a julgar pela singela altura e formação
dos seios. Clint parecia ter um gingado igual todo
malandro, parecia ate fazer uma espécie de dança do
acasalamento.
A menina parecia estar excitada, não dava para ver
muito qual era a reação da face da garota, devido a
distancia da câmera e sua qualidade.
Ignorando as caricias de Clint, ambos perceberam
que eles estavam em uma espécie de suíte
presidencial, com uma larga cama e tudo mais.
- Tem algumas garrafas de vinho vazias – disse o
homem para Howard.
- Bem observado.
E não era somente algumas garrafas, eram varias
delas. Um numero realmente grande jogadas pelo
quarto.
- O velho truque de dar vinho as garotas para
embebedar fácil – disse Howard rindo.
Viram Clint passar as mãos nos cabelos da garota,
deitar por cima dela com todo o carinho que um
homem tem. Todo corpo da garota sumiu, sendo
obstruído pela imagem do pistoleiro de costas. Mãos,
que pareciam ter algum esmalte ou coisa do tipo,
surgiram e começaram a arranhar as costas do homem.
Howard e aquele homem viram tudo com grande
atenção.
Clint começou a movimentar o quadril, agora
realmente estavam fazendo sexo. E não era um sexo
qualquer, o vídeo tinha um áudio baixo, mas dali já
dava para escutar os gemidos da garota revelando ser
algo realmente selvagem.
A paciência de Howard durou pouco, desligou a fita
e guardou-a em seguida.
- Bem, caro Watson, temos um vídeo de uma pura
pedofilia, no qual isso é extremamente proibido nesse
pais com leis estranhas. Realmente, é um material
interessante, seu patrão arrumou um modo para que
essa fita não tivesse meios para realizar uma copia. De
todo modo, há inúmeras pessoas que querem ver Clint
atrás das grades, e com um bom advogado podemos
ate arrumar uma linda sentença de morte. Alias, você
não me disse seu nome.
- David senhor – disse o homem envergonhado e
sem jeito.
- Bom David, não sei se você tem compromisso por
algum tempo, só quero que você me ajude no leilão.
Não é muito bem ajudar na verdade, só ir em um leilão
comigo. Quero vender por um bom preço essa
belezura.
- Para mim tudo bem senhor – disse David – mas eu
tinha que falar...
- Pode deixar que eu telefono para ele e aviso que a
fita vai ser bem vendida.

Era de madrugada, os cabelos de Carol estava


esparramados sob o peito de Clint. Ela estava
sonolenta, um sorriso de prazer estampava em sua
face.
Clint coçava levemente sua cabeça, no qual fazia ela
ainda mais ficar com sono.
- Aqui é realmente bom – disse Clint revelando ter
uma voz um pouco embriagada.
- Você não viu nada – disse Carol soltando um
bocejo – se você quiser ficar mais um dia eu não me
importo. Tenho que avisar que tenho muito dinheiro, e
não gastei nem a metade da grana que eu havia
previsto para essa viagem. Clint, não sabia que você era
assim tão bom, já deve ter treinado com diversas
mulheres antes.
- Para mim essa foi a primeira vez que faço isso com
alguém do seu tamanho. Fiquei com medo de te
machucar ou algo tipo.
- Machucar não machucou, mas que deixou algumas
marcas – disse Carol mexendo em seu cabelo,
revelando que tinha grandes marcas no pescoço.
- Passe um gelo nisso, provável que melhore. Já que
você disse que não gastou a grana que esperava,
espero que podemos então ficar mais um dia.
- Ate que enfim nosso amigo Clint se liberta de seu
espirito de pobre, e finalmente pode usufruir de um
pouco de dinheiro. Quer ir novamente?
Carol não precisou falar duas vezes.

Howard estava naquele momento sozinho em casa,


David tinha saído para andar pela Cidade Diamante. Ele
lembrara quando estava passando pela porta, onde
seguranças pararam imediatamente. Ele somente deu
um aviso que tinha alguma coisa para entregar para
Howard, aquilo foi um passe fácil para entrar na cidade.
David era novo naquela cidade, o jogo de luzes
invadiu sua mente, as musicas eletrônicas de imediato
entraram em seu tímpano e começaram o ritmo que
eletrizante. Parecia um viciado em livro quando chega
em uma livraria, tendo milhares de opções.
Infelizmente antes ele não tinha dinheiro, mas como
Howard parecia ser um patrão generoso, parecia ser
um homem que não ligava com que gastava, deu um
pequena parcela para David gastar naquela cidade.
A noite fora longa e bem proveitosa, teria varias
noites como aquela ate o dia do leilão, e todas
bancadas por Howard.

- E o que vamos fazer o dia inteiro? – pergunta Clint


para a jovem garota.
- Parece que você não sabe o que significa a palavra
folga garotão. Vamos ter o dia inteiro para descansar,
somente ficar parado sem fazer nada. Visitar a cidade
talvez, andar um pouco por ai, na minha opinião, acho
do jeito que esta aqui esta ótimo. Quando aluga uma
suíte presidencial, a ultima coisa que você quer e sair
por ai.
- Bem, então ficaremos aqui.
- Só um aviso garotão – disse Carol um pouco brava
– não beba tanto igual ontem, aquele bafo de álcool
não revelou ser a melhor coisa do mundo sabe.
- Se você diz, então não vou falar contra.
- Vamos ver um filme por agora, e aproveitar o
ambiente fresco daqui de dentro.
- Só vou dar uma ultima limpada em minha arma, e
sempre bom verificar se meu objeto de trabalho que
me acompanhou durante anos esteja bem.
- Você nunca chegou a pensar em trocar, comprar
uma nova ou algo do tipo? Por que você mesmo
acabou de dizer que acompanhou durante anos.
- Vamos dizer que tenho um valor sentimental
bastante relevante, de todo modo, já estou voltando.
Carol ficou olhando aquele homem levantar,
realmente ele era algo desejável para muitas mulheres,
de seus trabalhos, as clientes provável que pagavam
por dois serviços. Ele tinha colocado um cueca box, que
caia muito bem nele segundo Carol. Ficou sentado em
uma simples cadeira de madeira, olhando de todos os
modos em seu revolver. Carol o via cuidar bem do
revolver, um pano levemente úmido para deixar mais
lustroso e tudo mais.
- Vai realmente querer ver o filme ou vai andar pela
cidade? – disse Carol.
- Que se dane essa cidade, já passei por ela antes,
não tem tanta coisa nova assim. Uma suíte presidencial
já é novo para mim. E como funciona esses filmes?
- Tem uma programação na televisão...
- Passa filmes livres assim na Tv? Eu pensava que só
passava aqueles noticiários chatos e reprisava algumas
novelas.
- Isso naquelas merdas de cidades que não tem uma
tv a cabo, aqui a coisa é diferente. Por sorte pode
passar algum filme agora bom. Qual seu tipo de filme
preferido?
- Digamos que não sou o maior fanático de filmes do
mundo, então qualquer filme para mim vai ser uma boa
coisa. Você deve entender mais de filmes, já que
conheço toda essa coisa de tv a cabo.
- Digamos que sim.
- Pensei que A Grande Guerra atrapalhasse essas
coisas sabe, por que um pais com guerra não vai
preocupar muito com filmes.
- Digamos que isso caminha meio diferente, a guerra
é somente para acabar com alguns pobres, levando
alguma coisa para morrer para guerra. Devastaram
alguns locais somente de brincadeira Clint. Você acha
que eles iriam atacar a Cidade Diamante? Provável que
não. Mas de todo modo, não estamos em uma aula de
historia. Esqueça isso.
- Você parece inteligente demais para sua idade
garota – disse Clint.
- Ou você parece que não é estudado demais para
sua – retrucou Carol.
Clint nada disse sobre a citação de Carol, decidiu
deixar a arma em cima da mesa e pedir para o serviço
de quarto trazer alguma coisa.
- É do serviço de quarto? – disse Clint – queria
pedir...
- Espera ai – gritou Carol jogando o controle na cama
– deixa eu pedir, vai que você pede alguma coisa meio
bizarra.
- Tudo bem – disse Clint repousando o telefone na
mesa.
Ele decidiu deitar na cama, ficou olhando para Carol,
que estava de costas dele. Ficava observando aquela
bunda bem definida, ela usava somente uma calcinha
branca e bem detalhada nas laterais. Não era muito
comum Clint sair com mulheres daquele tipo, a maioria
das mulheres que contratava seus serviço e resolviam
fazer amor eram de sua idade.
- O que você pediu? – disse Clint quando viu que ela
tinha deixado o celular no gancho.
- Nada demais, agora ajeita ai para assistirmos o
filme.
- Só por via das duvidas, e qual filme vai passar?
- Acho que você não conhece, chama Pulp Fiction.

- E quando será esse leilão? – disse David.


- Estou querendo que seja ate semana que vem, ou
na outra. Para você esta bom?
- Você pergunta para mim? Nossa, realmente é meio
estranho isso.
- Que seja, aqui, irei te fazer uma pergunta. Seu
chefe disse onde arrumou essa fita? Tipo, a pessoa que
forneceu a ele.
- Não entrou muito em detalhes, somente disse que
uma camareira de um hotel filmou isso. Tipo, tinha
uma câmera escondida e tudo isso. Eu sei que isso é
crime mas, só sei que ele conseguiu. Por que tem
algum problema?
- Nenhum problema por sinal, somente uma reles
curiosidade. Talvez essa pessoa estava interessada em
foder com Clint.
- Parece que esse Clint não é a melhor pessoa do
mundo – disse David para Howard.
- Você nunca chegou a vê-lo realmente?
- Pessoalmente não, se não fosse esse vídeo, jamais
iria imaginar quem era o pistoleiro que tanto falam.
Para mim não passava somente de uma lenda.
- Não nego você disso, muitos realmente imaginam
isso. Ele fez muita coisa ruim no passado David – disse
Howard explicando para David – Agora pelo jeito ele
esta tentando se redimir.
David nada falou.
- Já que vai ser somente semana que vem o leilão,
quer ir para cidade aproveitar bem mais?
- Já que você insiste – disse David pegando um
cartão de Howard.

- Esse almoço é realmente muito bom – disse Clint –


não comia assim já fazia algum tempo.
- Ultimamente sua comida não é a coisa mais
saudável e deliciosa do mundo Clint. Aqueles
macarrões, batatas e outras coisas que comíamos no
caminho, sinceramente, aquilo quase me fez vomitar.
- Você parece ter o paladar mais afiado...
- Apurado – corrigiu Carol.
- Isso, você é rica garota, não é acostumado comer
comida de gente igual eu, que viaja para cima e para
baixo. Você tem dinheiro para gastar com o que quiser.
- E você também, só não sei por que não gasta.
- Realmente eu recebo bem de meus trabalhos, mas
como viajo para cima e para baixo, não tenho muitas
opções de onde gastar, e ai acabei acostumando com
esse tipo de comida.
- Então é melhor já parar com isso e acostumar com
essa, mas de todo modo que seja, acaba de comer ai e
vai tirar um cochilo, sua aparência também não é das
melhores, parece que faz anos que você não dorme.
Pelo jeito sua noite foi mal dormida.
- Digamos que houve uma pequena garotinha que
não deixou eu dormir.
Carol riu.
Clint terminou de comer e decidiu deitar na cama
para tirar um cochilo. Aquilo parecia ser um tiro
perfeito, quando deitou e fechou os olhos, ele
começou a dormir.
- Clint – disse Carol um pouco baixo.
Pelo jeito ele não escutara, já estava em outro
mundo.
Ela decidiu levantar, iria dormir um pouco, mas
aquela não seria a hora. Foi para a janela, ainda usava
um pijama branco, exibia muito bem sua pernas. Sua
calcinha estava a mostra simplesmente por não usar a
parte debaixo da vestimenta. Não ligou se alguém a
visse no parapeito da janela, ninguém ia observar e
ficar de olho em uma garota. Qual era a graça de ficar
olhando para um pequena mulher enquanto haviam
estripes que tiravam toda roupa na sua frente, sem
mesmo cobrar uma misera moeda.
Queria ficar nua, ou somente de calcinha e ficar
observando o movimento da cidade pela janela, que
realmente era uma bela vista. Pensou que aquele hotel
devia ter alguma espécie de regra que proibisse tal ato,
então decidiu ficar do jeito que estava.
Clint virou para seu lado, porem ainda estava
adormecido. Ela viu do meio de suar pernas, o
instrumento de Clint, duro e firme. Ele usava cueca,
mas claramente podia ver que havia alguma coisa que
ela gostava. Carol estava com seus hormônios
fervilhando, não sabia a quanto tempo tinha feito sexo,
tirando a noite passada.
E as vezes mulheres sentem muita falta disso.
Era ate bonito o modo como Clint dormia, Carol
ficara olhando ele por um bom tempo, depois decidiu
tirar um cochilo com ele.

A noite foi quente entre os dois, Carol e Clint fizeram


sexo como se o mundo fosse acabar amanha, talvez ia
para algumas pessoas. Logo após todo o feito, Carol
deitou no peito de Clint e começou a conversar.
- Sei que não é muito bom conversar de trabalho
logo após o sexo – disse ela calmamente – mas tenho
quase certeza que o homem que procuro esta na
Cidade Diamante, ele e viciado em cassinos leiloes e
todo tipo dessa coisa. Ele gosta de gastar dinheiro.
- Então é para Cidade Diamante que vamos.
- Julgo que você deva ter um passe – disse Carol
preocupada.
- Tenho sim, a algum tempo fiz um trabalho por lá.
Mas de todo modo, estou com sono, podíamos
conversar isso amanha? – disse Clint abrindo uma
gigantesca boca para bocejar.
- Eu queria conversar – disse Carol muito baixo,
pensando que Clint não a escutaria.
- Eu sei que você quer conversar, mas depois que eu
transo da sono, natural de minha pessoa – disse Clint
rindo.
- Natural dos homens, mas de todo modo vamos
dormir, temos um dia longo amanha.
E os dois dormiram abraçados.

Partiram da cidade logo de manha, não demoraram


a chegar na Cidade Diamante. O caminho foi rápido e
curto. O assunto entre Clint e Carol não foi dos mais
produtivos do mundo, mas de todo jeito já
conversaram muito, Clint não era o maior fã de criar
laços de amizades com clientes, as vezes alguns
morriam.
- Quanta luz – disse Carol vendo a cidade – não me
lembrava assim de tanta luz.
- Parece que hoje é dia de leilão, fazem algo especial
para hoje. Onde vamos encontrar o tal homem que
você procura, você nem me disse qual era o nome dele.
- Ainda não vou mencionar nomes, de todo modo e
fácil acha-lo, lembrei que ele costuma visitar bares
nessa cidade, é ate amigo do dono da rede de hotéis ,
um tal de Howard.
Clint não mostrou a cara mais amigável do mundo
quando ela disse aquele nome.
Adentraram na cidade, o guarda deixou Clint passar,
sem pestanejar nem nada.
A explosão de luzes naquele lugar chegava a ser
infinita, Carol já havia mirado em um bar para ir.
- Já quer em um bar garota? Parece decidida – disse
Clint rindo.
- Vamos ao barman perguntar se conhecem onde ele
esta.
A clientela do bar não era das mais amigáveis do
mundo, porem era melhor do que muito bar que Clint
visitara. Olharam de um lado para outro, nenhuma
pessoa parecia ter algum laço de amizade com o
procurado, não era do tipo que andavam com ele.
- Vai para o balcão e conversa com o barman ou
dono, vou tomar somente uma dose. Você faça as
perguntas, tudo bem?
- Sem problema – disse ela.
Clint sentou em uma cadeira e já pediu o dono um
copo gigante de cerveja. Ao seu lado havia um homem
troncudo e mal encarado, Clint ficou com um leve
receio por causa dos braços do homem, se desse um
soco, com certeza arrebentaria alguns de seus dentes.
- Hey amigo – disse o homem ao lado de Clint – pelo
jeito você gosta bastante de beber.
Clint segurou para não dar uma má resposta, ser
curto e grosso. No momento tocava uma musica do
The Doors ao fundo, dava um clima ainda melhor para
o lugar.
- Quer uma cerveja? – disse Clint querendo ser
amigável, ainda tinha amor pelos seus dentes.
- Muito obrigado, mas já estou serviço. Acho que já
te vi por essas bandas cara, mas você estava
acompanhado de outra mulher.
- Sim, aquilo era somente uma amiga – disse Clint
mentindo – mas o que você quer?
- Nada demais, só queria puxar um assunto mesmo.
Alias, ta sabendo que vai ter um leilão aqui nessa
cidade? Hoje vai ter um, mas semana que vem vai ter
outro e na outra.
- Então toda semana tem um leilão aqui? E o que
tem de bom nesses leiloes? O que oferecem de
interessante? – disse Clint pedindo o dono do bar mais
uma cerveja.
- Tem de tudo, artigos raros, livros proibidos, e ate
fitas sobre pedofilia.
Clint esfriou naquele momento. Somente o fato de
ter mencionado pedofilia fazia ele lembrar de Carol, de
ter feito sexo com ela a noite toda. Um fato era que
ambos sequer sabiam da existência de uma fita entre
Clint e Carol, mas Clint já começou a ficar preocupado.
- De todo modo, a entrada para esse evento é de
graça, pode ir lá, não sei se você ai conseguir comprar
alguma coisa, mas pode passar por lá.
- Digamos que tenho uma amiga que tem uma
grana. Obrigado cara – disse Clint bebendo mais um
copo.
O homem voltou a conversar sobre outro assunto,
era algo relacionado a cassinos.
- Então você não sabe onde encontra um tal de
Anthony? Anthony Torres, pensei que ele já tivesse
frequentado aqui.
- Frequentar já ate frequentou – disse o barman com
uma cara desanimada – mas não me lembro onde ele
foi depois disso, acho que ele não me falou.
Carol colocou uma moeda em cima da mesa.
-Bem, digamos que isso refresque minha memoria.
Ele frequenta leiloes, parece que em algum leilão ele
vai estar procurando um artigo especifico, acho que
seria uma espécie de livro antigo ou proibido. Ou
mesmo ambos. O livro foi escrito e desenhado por um
tal de Elias.
- Não sabia que ele se interessava por bruxarias.
Tenho que te agradecer – disse Carol colocando outra
moeda na mesa.
- No leilão daqui duas semanas, ele vai. Me disse isso
ontem.
- Foi bom conversar com você – disse Carol exibindo
um sorriso e se despedindo.
Clint havia levantado de sua cadeira e despediu do
homem para ir de encontro a Carol.
- Fiquei sabendo que o cara vai estar no leilão daqui
duas semanas – disse Carol para Clint.
- E eu fiquei sabendo desses leiloes também. Vamos
arrumar um lugar para ficar ate chegar o dia que esse
cara vai nesse leilão. Que dia vai ser?
- Daqui duas semanas, vamos arrumar um lugar mais
ou menos mesmo. Quero somente descansar.
- Você é quem sabe – disse Clint já querendo se
livrar de Carol.
Não era muito comum um trabalho durar assim
tanto tempo, o lado bom que era um trabalho simples
e que pagava bem, e ate Carol transava com ele. A
parte ruim era esperar duas semanas. Podia olhar pelo
lado bom, podia considerar aquilo como uma espécie
de férias também.
- Não sei como você consegue carregar tanta moeda
assim para pagar.
- Eu tiro dinheiro no banco amigo, não carrego tudo
por ai, se não nos não conseguiríamos nem andar.

Aquelas duas semanas passaram rapidamente, Clint


nem percebeu. As vezes dormia com Carol, e as vezes
preferia dormir sozinho. Carol também se sentia assim.
A comida do local não era ruim, pelo menos Carol não
havia reclamado hora nenhuma.
- Esta animada para o leilão? – disse Clint deitado na
cama.
- Quero somente ver esse Anthony lá, nada mais que
isso – disse Carol esboçando um semblante de raiva.
- E como esse homem seria? Algum bigode ou algo
do tipo?
- Tem um bigode escovinha, cabelo curto. Nada que
chame muita atenção. Pelo menos essa era a ultima vez
que o vi, então se mudou ai já não sei. Mas pelo jeito
ele não muda.
- O leilão é amanha a noite, quer fazer alguma coisa
hoje? Talvez amanha já não vamos ficar mais juntos,
vou capturar esse cara para você e adeus Carol – disse
Clint.
Era obvio que Clint estava começando ter leves
sentimentos pela garota, parecia que alguma coisa
estava estranha, mas era muito bom ficar com aquela
menina. Ele não sentira prazer por nenhuma garota
mais nova, somente por Carol. Era obvio que aquilo era
pedofilia.
- Quem sabe, quero dormir bem, e acho que assim
vamos dormir bem mesmo. Para celebrar ou
comemorar antes da hora, quer comprar uma bebida
ou algo do tipo? Leve alguma moedas para comprar
cervejas.
- Senhorita Carol me pedindo para comprar cerveja,
parece que esse garota mudou, não queria ver esse
velho homem bêbado...
- Ainda não quero, só queria que bebesse um pouco,
parece que você perde a noção na cama, e ate vira um
animal.
- Se você quem manda, quem sou eu para discutir –
disse Clint pegando algumas moedas e indo para o bar.

O bar era realmente barra pesada, não para Clint, e


sim para clientes comuns. Ele não decidiu ir lá, cruzou
uma rua ou outra na grande Cidade Diamante e chegou
lá.
Metade dos homens de lá tinham alguma cicatriz na
face, já a outra metade tinha tatuagem nos braços.
Clint não se enquadrou em nenhum desses quesitos, só
queria pegar algumas cervejas e ir embora.
- Ei magrelo – disse um gordão com uma barba de
dar inveja a Gandalf – você não anda com uma menina
muito nova não? Parece que você é aquele tipo que
gosta de crianças, igual aquele cantor lá, aquele negro
que virou branco.
- Aquilo é somente uma amiga – disse Clint
querendo ignorar totalmente aquele homem.
- Não permitimos esse tipo de amizade por aqui no
pedaço amigão – disse o homem começando a se
levantar.
Clint sabia que aquele tipo de cara não bastaria
somente uma conversa, ele queria evitar qualquer tipo
de brinca antes de seu trabalho com Carol acabar, mas
pelo jeito nem sempre seu desejo é realizado. Se
iniciasse a briga com certeza alguns iam ajudar, não era
a certeza absoluta, mas sempre caras daqueles querem
vir atrás.
- Amigo, eu só vim comprar minha cerveja, e vou
embora amanha, vim só pelo leilão. Digamos que quero
comprar uma coisa e ir embora – disse Clint tentando
convencer sobre tal coisa.
- Meu amigo, você não parece do tipo de cara que
vai em leiloes. Gente que nem nos frequenta bares e
só. Nada de leiloes.
- Não sou eu quem estou pagando, é ela.
- E ela é realmente só sua amiga?
- Não posso entrar em detalhes – disse Clint se
arrependendo do que tinha acabado de dizer.
- Ela é uma escrava? Uma putinha sua? Pelo amor de
deus né amigo, se for pegar uma puta, que seja adulta,
criança é crime.
Clint não gostou da maneira que ele disse “puta”.
Mas não iria causar confusão por causa de pouca coisa.
- Ei, para de atazanar o cara – disse outro amigo
dele.
- Tudo bem, desculpe se incomodei, vá embora.
Fingir que não vi isso.
Clint somente agradeceu e pegou suas cervejas.
Quando estava voltando para o quarto onde eles
estavam, ficou pensando um pouco sobre o bar. Podia
rapidamente eliminar todos ali, era um expert em usar
seu revolver, mesmo que usasse pouco. Mas não
queria causar uma matança desnecessária. Já se foi
esse tempo, quando ainda era novo na profissão.
Empurrou a porta do quarto e se deparou com Carol
somente de lingerie, uma que ele nunca tinha visto ela
usar.
- Material novo?
- Digamos que eu guardava. Então, vai querer?
Clint virou uma garrafa goela abaixo e foi com Carol.
Se aquilo era pedofilia ou não, crime ou não, Clint
não ligava.

A noite do leilão chegara, Clint demorou muito para


tomar banho, parecia que a sujeira não queria sair de
forma alguma de seu corpo. Carol ate chegou a
reclamar com ele.
- Clint, você ta pior que mulher para se arrumar
homem, vamos.
- Não quero chegar no leilão parecendo um caipira,
quero ao menos parecer apresentável.
- Você não vai arrumar ninguém lá, só vamos
encontrar um cara para matar.
- E por isso, não quero parecer um atirador ou um
bandido lá né – disse Clint atrás da porta.
- Parece que alguém quer aparecer bonito no local.
Ela ficou sentada vendo televisão, demorou mais uns
cinco minutos ate que saiu do banheiro.
- Ate que enfim, e coloque uma toalha em volta para
tampar isso.
- Calma minha...
- Sai daqui, preciso tomar banho também.
O lugar que Clint estava era uma verdadeira sauna,
deixou um vapor espesso, no qual Carol esperou
dissipar um pouco para entrar.
- Tomar banho quente assim não é muito bom –
disse ela para si mesma.
Clint foi tratar de se arrumar rápido, mas viu que foi
bobagem. Carol era outra que demorava no banho.
Decidiu ligar a Tv, que não passava nada de
interessante, era somente para ter alguma coisa para
entreter. Viu que o noticiário estava um porre, olhou
para o lado e viu uma de suas calcinhas jogadas na
cama, com certeza iria sentir falta de Carol.
Por falar na garota, ela cantava alguma musica de
um grupo de rock que Clint escutou em um bar alguma
vez.
E sua voz era realmente boa.
-Depois de um tempo Carol tinha parado de cantar e
saído do banheiro. Havia uma toalha enrolada no corpo
e na cabeça. Clint imaginava qual roupa ela iria usar
para ir no leilão.
Ela não pareceu ter vergonha de que Clint estivesse
ali, era obvio também, dormira com ela e vira varias
vezes pelada.
Clint desligou a tv e foi para o banheiro, iria dar uma
ultima conferida na barba para ai então sair para o
leilão.
Carol trocou de roupa com muita calma, Clint saiu
do banheiro e olhou para ela.
- Então vamos – disse ela.

A sala de leilão era realmente grande, haviam


diversas cadeiras, e logo a frente um pequeno
palanque com microfone. Clint e Carol não foram os
primeiros nem os últimos a chegar, queriam somente
uma pessoa, então chegar atrasado demais não iriam
perder muita coisa.
O leilão não tinha começado ainda, ambos
preferiram escolhe as cadeiras mais do fundo por
questões de melhor observação, porem não um ao lado
de outro. A medida que chegava compradores, Clint
olhava calmamente com os olhos semicerrados, Carol
olhava para as cadeiras para ver se achava o tal
Anthony.
- Boa noite – disse Howard, se apresentando com
um terno bastante elegante – venho-lhes apresentar
mais um leilão, como ocorre toda semana aqui em
nossa cidade. Essa semana eu irei comandar, como
muitos sabem, já correram boatos por ai de quais itens
temos aqui.
Um pequeno burburinho nas cadeiras da frente.
- Quero que se acomodem e fiquem atentos com
tais produtos, nenhum realmente é meu, todos são de
pessoas querendo desfazer. De todo mais obrigado e
espero que aproveitem o leilão.
Os participantes aplaudiram Howard.
- Me sinto meio deslocado aqui – disse Clint para
Carol que estava a sua frente.
- Não liga, não estou habituada a lugares como esse
também.
David estava sentado em uma cadeira do fundo,
somente para dar alguns lances, estratégia feita com
Howard.
- Primeiro item – disse Howard imponente ao
microfone – um valioso quadro de um pintor na era
renascentista.
Ele disse todas as informações que continham em
um papel, revelando posteriormente o quadro.
Clint não achou grande coisa assim, ainda mais
quando disse o preço. Já começaram a oferecer os
lances. Clint ficou atento para tentar achar um homem
no qual ele nunca tinha visto na vida. Carol tentou
também, porem seu olhar não era tão ligeiro quanto de
Clint.
O oferecimento para o quadro não foi de muitos
clientes, vendendo assim para um senhor de idade que
tinha um bigode bastante singular.
- Agora, Uma espada samurai que foi usada por
Matsuda Hiroshi, um dos mais celebres samurais que já
existiu. Praticamente intacta, ainda mais pelo tempo,
esta aqui neste momento.
O preço foi alto também, crescendo ainda mais com
os interesses de muitas pessoas ali, Clint olhou para um
homem que provável que era Anthony. Consultou Carol
para ter certeza se era tal pessoa, ela não conseguiu
identificar totalmente. Ela tinha dito que a voz dele era
familiar caso ela ouvisse, e aquele homem não deu
nenhum lance, não escutando ate agora o tom de sua
voz.
A medida que o leilão ia seguindo, Clint olhava
atentamente para um homem de bigode que tinha
quase certeza que era Anthony.
- Agora, um inestimável livro de feitiçarias e objetos
ocultos escrito e ilustrado por Elias, o famoso
Desenhista Louco.
Carol viu aquilo e ficou atenta ao lances.
- Esse objeto foi encontrado em uma antiga
escavação no norte da Escandinávia. Não sabemos mais
detalhes, somente sabemos que esta intacto, porem
não vimos eu meticuloso conteúdo.
Howard deu o lance inicial.
Imediatamente o homem que Clint e Carol pensou
ser Anthony deu um lance alto de inicio, sua voz
realmente revelava ser de Anthony.
Clint nem necessitou perguntar Carol alguma coisa,
viu nos olhos dela que estava com raiva e queria matar
aquele homem ali mesmo.
Alguns homens tentaram comprar tal livro, porem
Anthony sempre mostrava ter mais grana e mais
interesse, sendo assim, livro vendido a Anthony.
- Cavalheiro, por favor depois do leilão você pegue
seu premio.
Ele agradeceu e voltou a se sentar.
- Eis agora o meu preferido, oferecido
particularmente por um amigo que não devo
mencionar o nome, vocês tem que saber que ele quer
muita grana. Uma fita, contendo cenas de pedofilia
explicita de Clint Barton com uma criança, coisas que
poderiam colocar ele atrás das grades.
Clint imediatamente gelou, era obvio que era com
Carol, mas como filmaram ela? Como aquilo tinha
chegado nas mãos daqueles caras? Provável que era no
hotel que filmaram. Carol não esboçou nada, nenhuma
expressão. Parecia que já sabia ou não tinha medo do
que estava por vir.
Clint era um homem treinado a não revelar emoções
de surpresa nem nada do tipo, porem essa era surpresa
ate demais, mesmo um homem do bar sugerir de fitas
disso, como ele sequer poderia saber disso? Talvez era
um chute, ele mesmo disse que era comum fitas de
pedofilia rolarem por ai.
Carol olhava para o leilão normalmente.
Vários homens ofereceram para comprar a fita,
fazendo Clint perceber o quão era odiado por muitos.
Anthony se mostrou mais interessado que muitos, e
acabou levando a fita para casa.
Não houve mais nada de interessante ate o fim do
leilão, somente Carol comprando uma faca de uma
civilização antiga, não era muito cara, e pelo jeito ate
gostava.
- Antes de perguntar, comprei isso para irmos para
mesma sala onde esta Anthony com sua fita – disse
Carol para Clint, no qual ele teve que concordar.
Todos os compradores entraram em uma pequena
sala, Carol deixou Clint de fora, era ate melhor evitar
ser visto. Foram assinados cheques e entregas de
matérias. Anthony era um cara calmo, tinha comprado
muita coisa, era um cara milionário, então assinou
diversos cheques e demorou para analisar todas suas
coisas. Carol ficou lá dentro, tentando conversar
alguma coisa com David somente para passar o tempo.
Anthony abusou sair, no qual Carol começou a
conversar com ele. Era obvio que Anthony jamais iria
reconhecer Carol.
- Você deve gostar mesmo de coisas ocultas e essas
bruxarias ne – disse ela se referindo ao livro de Elias –
nem gosto de pensar o que tem ai dentro.
- Digamos que gosto disso mesmo, aprecio toda
forma de arte – disse Anthony olhando para o corpo de
Carol.
Carol sabia que Anthony era um pedofiló, sabia qual
arma usar contra ele. Anthony chegava a comprar
pequenas escravas novas para seu bel prazer, a medida
que as meninas iam crescendo ele as matava, sem do
nem piedade. Abuso sexual era seu maior prazer, se
caso a menina engravidasse, os meios de aborto não
eram os mais legais do mundo.
Carol sabia muito bem disso, sabia que o jogo que
jogaria seria sujo, seria de dar nojo a ela mesma, mas
para atrai-lo teria que entrar na brincadeira.
- Você parece ser um homem bastante rico mesmo –
disse Carol começando a alisar sua coxa ate ir em seu
pênis, tocando com a ponta das unhas por cima da
calça.
Parecia que ele já esperava aquilo, ele estava duro,
um objeto endurecido em meio a suas pernas.
- Vamos ali um pouco, gostei muito de sua voz –
disse Carol exibindo ter uma voz sexy.
Ele não disse nada, somente esboçou alguma reação
facial e decidiu seguir Carol.
Ele estava com a mão em sua pequena bunda,
apertava com grande prazer. Carol sentiu realmente
um nojo, um nojo de si mesma por estar fazendo
aquilo, porem era necessário em certos casos.
Um cômodo escuro e pequeno era o local que Carol
estava levando Anthony. Chegaram lá e Carol deixou
Anthony fazer um pouco de seu trabalho, porem uma
mão pesada cai sob o ombro de Anthony. Carol fecha a
porta neste exato momento e acende a luz.
Ele quase caiu para trás ao ver o famoso e lendário
Clint Barton a sua frente. Tinha um cigarro de palha
pela metade dançando de uma lado a outro da boca. A
arma em sua cintura estava a mostra para revelar que
ela seria usada.
Seu olhar analisava calmamente Anthony, a fita que
estava em seu bolso era também um motivo de seu
ódio.
- Não sei se você sabe – disse Carol – mas a algum
tempo atrás, você estuprou uma garota, a fez ficar
gravida e simplesmente deixou-a na sarjeta para perder
o bebe. Não vou entrar em detalhes que para você não
vai importar mesmo, isso aconteceu com varias
meninas, inclusive eu fui uma – essa parte Carol disse
gritando, dando graças a deus das paredes serem a
prova de uma boa parte do som.
- Espera lá – disse Anthony dando um passo.
Um som alto de tiro ecoou naquela sala. A camisa
branca de Anthony manchou imediatamente de
vermelho. O ombro era o local desejado para dar um
susto nele. O homem colocou sua mão para realmente
acreditar que aquilo estava acontecendo. Clint sabia
que em momentos de raiva, ele poderia desferir um
soco em Carol, não iria mata-la, mas não queria que ela
machucasse.
Revelando ser um exímio atirador, ele deu mais
trabalho a seu revolver, atirando um projetil no joelho
dele, no qual ele caiu imediatamente começando a
gritar. Clint se aproximou para fazer alguma coisa,
porem Carol deu um chute na boca, que provável que
havia quebrado alguns dentes.
- Você tem uma fita que incrimina nosso amigo aqui
– disse Carol sem apontar para Clint – então
analisemos a situação. Você esta com a fita dele, e você
me estuprou quando era nova. Podemos facilmente te
incriminar, eu sendo testemunha do que você fez
comigo, podia amargar uns bons anos na cadeia por
conta disso, mas acho melhor não.
Clint já começou a mexer novamente na arma
quando Carol ordenou que parasse.
- Clint, agora acho que você já fez um bom trabalho,
se você esperar um pouco eu te pago. Mas o
combinado era que eu terminasse, então por favor, me
de essa arma. Eu vou te pagar munição por munição.
Clint não aprovou muito a ideia dela atirar com sua
arma, mas de todo modo entregou para Carol, que pelo
jeito sabia manejar.
Ela não gastou tempo recitando versos de poetas,
citações de filmes ou discursos que um herói diz ao
prender um vilão, ela simplesmente deu um tiro
próximo ao coração, depois foi atirando no joelho e
cotovelos. O homem já não era mais reconhecível, sua
face de dor e implorando suplica era gigantes.
Ela parecia gostar daquilo, com grande cuidado,
mirou bem no meio da testa de Anthony, porem não
atirou. Havia um graveto no chão no qual ela pegou.
Nem Clint imaginaria isso.
Ela com maior cuidado e paciência, penetrou o
graveto no olho do homem, assim deixando cego para
aumentar ainda mais a dor.
Clint estava com a fita no bolso, esperando somente
ver o que Carol ia fazer mais para receber seu
pagamento.
- Adeus – e ela deu um tiro em Anthony, finalizando
sua misera vida ali mesmo.
Os dois saíram daquele local, o corpo dele morto no
chão. O livro que ele havia comprado estava manchado
de sangue, e era obvio que Howard o venderia
novamente.
Para sair daquela casa de leilão foi simples, não
houve muito tumulto pois ainda não descobriram o
assassinato. Decidiram ir embora.
Carol pagou Clint com um valioso cheque, no qual
ate ele mesmo tinha ficado surpreso, guardando assim
no bolso.
- Posso saber por que me contratou? Você parecia
fazer o trabalho sozinha, digo, por que não fiz muita
coisa.
- Se eu estivesse com uma arma o tempo todo,
provável que o sangue subisse a cabeça e matasse ele
em qualquer hora. Você foi frio, mesmo se eu
emboscasse ele, não teria a frieza em dar o primeiro
tiro, e talvez ele pegaria de minha em um momento de
susto antes de eu dar esse tiro.
- Realmente, agora tem logica.
- Também tem o caso de entrar na Cidade Diamante,
do mais era só. Vamos sair dessa cidade, tenho que
estar acompanhada de você para sair.
O caminho de volta foi silenciosa, passaram pelos
portões e do lado de fora ficaram um de frente ao
outro.
- Não vou fazer o maior discurso do mundo, você
sabe o quanto gosto de você – disse Carol lhe dando
um beijo na boca – obrigado.
Clint agradece e segue seu caminho, deixando Carol
para trás.
Talvez um dia voltasse a vê-la, mas de todo jeito já
estava bom. Aquela era a rotina de um andarilho.

Alguns dias depois Clint viu a fita que ele tinha


pegado, visualizou e viu que a pedofilia contida ali era
seu caso com Carol. Aquilo de fato podia incrimina-lo,
resolvendo assim destruir a fita.
Mas o real motivo para destruição da mesma, era
para não guardar nenhuma recordação de uma
pequena menina que ele quase chegou a amar.