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CITOLOGIA

CLÍNICA

MÓDULO I
URINÁLISE

Msc. WILLIAN FELIPE HADIAK

CURITIBA/2018
PREFÁCIO

No ano de 2018, o Centro Universitário Campos de Andrade - UNIANDRADE, reuniu

um grupo de professores especialistas para participar de um projeto voltado para o público

laboratorial. Trata-se de uma apostila voltada para atualizações em Citologia Clínica e

demais líquidos corpóreos, aonde o estudante tem a oportunidade de vivenciar na prática

as mais atualizadas técnicas empregadas.

Ao final deste prefácio, você aluno terá acesso a um documento revisionado

denominado APOSTILA DE CITOLOGIA CLÍNICA – MÓDULO I URINÁLISE, baseado nos

principais manuais e livros existentes, trazendo assim, não só um ponto de vista, mais todo

um consenso no que se desenvolve as técnicas apresentadas. Para abordagem dos temas,

foram utilizadas bibliografias da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC), Clinical

and Laboratory Standards Institute - CLSI (antigo NCCLS) e livros de renome como

Patofisiologia de Sistemas Renal (DOUGLAS, C.R. et. al., 2001) Princípios de Bioquímica

de Leningher (NELSON, D.L.; LEHNINGER, A.L.; COX, M.M, 2011) e Diagnósticos Clínicos

e Tratamentos por Métodos Laboratoriais (HENRY, J.B. et. al., 2008). A expectativa desta

apostila é que se produza resultados ainda melhores na prática diária da atividade

laboratorial, fomentando, continuamente, a melhoria da qualidade dos serviços

laboratoriais.

Diante, desejo boa leitura e boas práticas.

Professor Msc. Willian Felipe Hadiak


ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO............................................................................................................................ 5
2. SISTEMA URINÁRIO ................................................................................................................. 6
3. CONSTITUÍNTES DO SISTEMA URINÁRIO .............................................................................. 6
3.1 Diferenças entre sistemas. masculino x feminino .................................................................. 7
3.2 Rins ....................................................................................................................................... 7
3.3 Ureteres .............................................................................................................................. 11
3.4 Bexiga ................................................................................................................................. 11
3.5 Uretra .................................................................................................................................. 11
4. FISIOLOGIA RENAL ................................................................................................................ 12
5. FILTRAÇÃO GLOMERULAR ................................................................................................... 12
6. CONSTITUIÇÃO DA URINA .................................................................................................... 13
7. AMOSTRAS DE URINA ........................................................................................................... 14
8. FRASCOS PARA COLETA DE AMOSTRAS DE URINA ......................................................... 15
9. ORIENTAÇÕES PARA COLETA DE URINA ........................................................................... 16
10. EXAME FÍSICO OU MACROSCÓPICO DA URINA ............................................................... 19
10.1 Cor .................................................................................................................................... 19
10.2 Odor .................................................................................................................................. 21
10.3 Aspecto ............................................................................................................................. 21
10.4 Volume .............................................................................................................................. 22
11. EXAME QUÍMICO.................................................................................................................. 22
11.1 Densidade ......................................................................................................................... 23
11.2 Ph ...................................................................................................................................... 24
11.3 Proteínas ........................................................................................................................... 24
11.4 Glicose .............................................................................................................................. 25
11.5 Cetonas ............................................................................................................................. 25
11.6 Bilirrubina .......................................................................................................................... 26
11.7 Urobilinogênio ................................................................................................................... 27
11.8 Nitrito ................................................................................................................................. 27
11.9 Hemoglobina ..................................................................................................................... 27
11.10 Esterase Leucocitária ...................................................................................................... 27
11.11 Ácido Ascóbico ................................................................................................................ 28
12. EXAME MICROSCÓPICO ...................................................................................................... 28
13. PREPARAÇÃO DA AMOSTRA E MICROSCOPIA ................................................................ 29
14. TIPOS DE MICROSCOPIA EXISTENTES .............................................................................. 31
15. ELEMENTOS ENCONTRADOS NA URINA ........................................................................... 31
15.1 Células Epiteliais Escamosas (pavimentosas) ................................................................... 32
15.2 Células Epiteliais de Transição .......................................................................................... 32
15.3 Células Epiteliais Renais ................................................................................................... 33
15.4 Leucócitos ......................................................................................................................... 33
15.5 Hemácias .......................................................................................................................... 34
15.6 Cilindros ............................................................................................................................ 35
15.6.1 Cilindros hialinos ......................................................................................................... 36
15.6.2 Cilindros Leucocitários ................................................................................................ 37
15.6.3 Cilindros Eritrocitários ................................................................................................. 37
15.6.4 Cilindros Epiteliais ....................................................................................................... 38
15.6.5 Cilindros Céreos ......................................................................................................... 38
15.6.6 Cilindros Gordurosos .................................................................................................. 39
15.6.7 Cilindros Bacterianos .................................................................................................. 40
15.6.8 Cilindros de Pigmentos ............................................................................................... 40
15.6.9 Cilindros Mistos ........................................................................................................... 41
15.7 Cristais .............................................................................................................................. 41
16.7.1 Principais características dos Cristais ......................................................................... 46
15.7 Leveduras.......................................................................................................................... 47
15.8 Espermatozóides ............................................................................................................... 48
15.9 Bactérias ........................................................................................................................... 49
15.10 Parasitas ......................................................................................................................... 49
15.11 Muco ............................................................................................................................... 50
16. OUTRAS METODOLOGIAS DE CONTAGEM ....................................................................... 50
17. AUTOMAÇÃO URINÁLISE .................................................................................................... 52
18. OUTROS TIPOS DE AMOSTRA DE URINA .......................................................................... 53
18.1 Exames solicitados ............................................................................................................. 54
EXERCÍCIOS................................................................................................................................ 55
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................................. 56
1. INTRODUÇÃO

Antes dos grandes avanços tecnológicos verificados no século XX a urina era o


principal fluído corpóreo utilizado por médicos no o diagnóstico e o prognóstico de
patologias. Entretanto, importância histórica da uroscopia ou uroanálise no diagnóstico tem
sido tratada de forma depreciativa. Apesar de a uroscopia ter sido usada, muitas vezes, na
prática de fraudes a sua utilização adequada teve importante participação no diagnóstico
médico, mesmo antes de ser possível a realização da análise química da urina. A análise
de amostras de urina para fins diagnósticos já era realizada em 1000 AC por sacerdotes
egípcios que utilizavam amostras de urina para realizar um procedimento que pode ser
considerado como o primeiro teste diagnóstico descrito na literatura. O teste tinha como
objetivo não apenas confirmar a gravidez, mas também identificar o sexo do feto e consistia
em derramar urina recém emitida sobre uma mistura de sementes de cereais. Caso as
sementes germinassem o teste era considerado positivo para gravidez, e dependendo do
tipo de sementes que germinava seria possível prever o sexo do feto (Lines, 1977). O
exame de urina, da forma como é realizado atualmente parece ter sido desenvolvido a partir
da “uroscopia”, ou observação de características físicas de amostras de urina conforme de
do livro “Os Prognósticos”, descrito por Hipócrates (460-370 AC).
A uroscopia desenvolvida por Hipócrates se constituía na observação de verificadas
na composição da urina durante o curso de estados febris verificados em crianças e adultos.
Esta análise incluía a observação de diferenças na cor, no odor e no aspecto do sedimento
das amostras de urina. Para Hipócrates a análise de urina era considerada efetiva não
apenas para demonstrar variações no equilíbrio dos quatro humores, mas também na
localização de doenças no corpo com finalidade de realizar um prognóstico (Foster,1961).
Contudo, Hipócrates não descreveu detalhadamente as qualidades de amostras de urina
que indicam a ausência de doenças. Ele apenas descreveu que uma urina “boa” é aquela
em que o “sedimento é branco, uniforme e pequeno, nem espesso ou fino e de cor
apropriada”, conforme consta em “Hipocrates: Teory and Practice of Medicine”(Citadel
Prerss,1964
O exame de urina constitui ferramenta importante no: a) diagnóstico e
acompanhamento de infecções do trato urinário; b) diagnóstico e acompanhamento de
doenças não infecciosas do trato urinário; c) detecção de glicosúria de grupos de pacientes
admitidos em hospitais em condição de emergência; d) controle de pacientes diabéticos e
e) acompanhamento de pacientes com determinadas alterações metabólicas como
vômitos, diarréia, acidose, alcalose, cetose.
2. SISTEMA URINÁRIO

O Aparelho urinário ou sistema urinário é um conjunto de órgãos envolvidos com a


formação, depósito e eliminação da urina. O aparelho é formado por dois rins, dois ureteres,
uma bexiga e uma uretra. Os materiais inúteis ou prejudiciais ao funcionamento
do organismo, não são assimilados, sendo assim eliminados. Os materiais desnecessários
ao funcionamento do corpo humano e por ele expelidos não são iguais. As
células produzem muitos resíduos que são produtos de seus Metabolismos e que devem
ser eliminados (excretados) do organismo, além de substâncias que estão em excesso no
sangue. Tais resíduos são chamados excretas. Juntamente com as substâncias rejeitadas,
o aparelho urinário filtra e elimina também água. A eliminação de água é necessária seja
porque essas substâncias estão dissolvidas no plasma, que é constituído, na sua maior
parte, de água, seja porque também a quantidade de água presente no sangue e nos
tecidos deve ser mantida constante. Os resíduos formados a partir das reações químicas
que ocorrem no interior das células podem ser eliminados através:
• Do sistema urinário através da urina
• Da pele através do suor
• Do sistema respiratório (eliminando o gás carbônico)

3. CONSTITUÍNTES DO SISTEMA URINÁRIO

* RINS (dois ao todo)


* URETER (dois ao todo)
* BEXIGA
* URETRA

Esquema básico do sistema urinário


3.1 Diferenças entre sistemas. masculino x feminino
Em geral, a única diferença do sistema urinário masculino quanto ao feminino se
deve ao tamanho da uretra.

3.2 Rins
Aproximadamente 5000 mL de sangue são bombeados pelo coração a cada minuto.
Destes 1.200 ml, ou seja, aproximadamente 20% deste volume flui, neste mesmo minuto,
através dos nossos rins. Trata-se de um grande fluxo se considerarmos as dimensões
anatómicas destes órgãos. O sangue entra em cada rim através da artéria renal. No interior
de cada rim, cada artéria renal se ramifica em diversas artérias interlobares que se
ramificam em artérias arqueadas que, por sua vez, ramificam-se em numerosas artérias
interlobulares. Cada artéria interlobular, no córtex renal, ramifica-se em numerosas
arteríolas aferentes. Cada arteríola aferente ramifica-se num tufo de pequenos capilares
denominados, em conjunto, glomérulos. Os glomérulos, milhares em cada rim, são
formados, portanto, por pequenos novelos de capilares. Na medida em que o sangue flui
no interior de tais capilares, uma parte filtra-se através da parede dos mesmos e outra
continua na circulação. O volume de sangue filtrado a cada minuto corresponde a,
aproximadamente, 125 ml. Este sangue filtrado acumula-se, então, no interior de uma
cápsula que envolve os capilares glomerulares (cápsula de Bowman). A cápsula de
Bowman é formada por 2 membranas: uma interna, que envolve intimamente os capilares
glomerulares e uma externa, separada da interna.
Entre as membranas interna e externa existe uma cavidade, por onde se acumula o
filtrado glomerular. O filtrado glomerular tem o aspecto aproximado de um plasma:
um líquido claro, sem células. Porém, diferente do plasma, tal filtrado contém uma
quantidade muito reduzida de proteínas (aproximadamente 200 vezes menos proteínas),
pois as mesmas dificilmente atravessam a parede dos capilares glomerulares devido ao
seu tamanho.

Anatomia macroscópica do Rim

O filtrado passa a circular, então, através de um sistema tubular contendo distintos


segmentos: Túbulo Contornado Proximal, Alça de Henle, Túbulo Contornado Distal e Ducto
Colector/coletor.
• Túbulo Contornado Proximal
Ao passar pelo interior deste segmento, cerca de 100% da glicose é reabsorvida
(transporte ativo) através da parede tubular e retornando, portanto, ao sangue que circula
no interior dos capilares peritubulares, externamente aos túbulos.
Ocorre também, neste segmento, reabsorção de 100% dos aminoácidos e das
proteínas que porventura tenham passado através da parede dos capilares glomerulares.
Neste mesmo segmento ainda são reabsorvidos aproximadamente 70% dos íons
Na+ e de Cl-. A reabsorção de NaCl faz com que um considerável volume de água, seja
também reabsorvido.

• Alça de Henle
Esta se divide em dois ramos: um descendente e um ascendente. No ramo
descendente a membrana é bastante permeável à água e ao sal (NaCl). Já o mesmo não
ocorre com relação à membrana do ramo ascendente, que é impermeável à água e, além
disso, apresenta um sistema de transporte ativo que promove um bombeamento constante
de íons sódio do interior para o exterior da alça, carregando consigo íons cloreto.
O filtrado glomerular flui através do ramo ascendente da alça de Henle, uma grande
quantidade de íons sódio é bombeada ativamente do interior para o exterior da alça,
carregando consigo íons cloreto. Este fenômeno provoca um acumulo de sal (NaCl) no
interstício medular renal que, então, se torna hiperconcentrado.
Essa osmolaridade elevada faz com que uma considerável quantidade de água
constantemente flua do interior para o exterior do ramo descendente da alça de Henle (este
segmento é permeável à água e ao NaCl) enquanto que, ao mesmo tempo, NaCl flui em
sentido contrário, no mesmo ramo.
Portanto, o seguinte fluxo de íons e de água se verifica através da parede da alça de
Henle: No ramo descendente da alça de Henle flui, por difusão simples, NaCl do exterior
para o interior da alça, enquanto que a água, por osmose, flui em sentido contrário (do
interior para o exterior da alça).

• Túbulo Contornado Distal


Neste segmento ocorre um bombeamento constante de íons sódio do interior para o
exterior do túbulo. Tal bombeamento se deve a uma bomba de sódio e potássio que, ao
mesmo tempo em que transporta ativamente sódio do interior para o exterior do túbulo, faz
o contrário com íons potássio.
Esta bomba de sódio e potássio é mais eficiente ao sódio do que ao potássio, de
maneira que bombeia muito mais sódio do interior para o exterior do túbulo do que o faz
com relação ao potássio em sentido contrário. O transporte de íons sódio do interior para o
exterior do túbulo atrai íons cloreto (por atração iônica). Sódio com cloreto, formam sal que,
por sua vez, atrai água. Portanto, no túbulo contornado distal do néfron, observamos um
fluxo de sal e água do Lumen tubular para o interstício circunvizinho.
A quantidade de sal + água reabsorvidos no túbulo distal depende bastante do nível
plasmático do hormônio aldosterona, secretado pelas glândulas supra-renais. Quanto maior
for o nível de aldosterona, maior será a reabsorção de NaCl + H2O e maior também será a
excreção de potássio.
O transporte de água, acompanhando o sal, depende também de um outro
hormônio: ADH (hormônio antidiurético), secretado pela neuro-hipófise. Na presença do
ADH a membrana do túbulo distal se torna bastante permeável à água, possibilitando sua
reabsorção. Já na sua ausência, uma quantidade muito pequena de água acompanha o
sal, devido a uma acentuada redução na permeabilidade à mesma neste segmento.

• Ducto Colector ou Coletor


Neste segmento ocorre também reabsorção de NaCl acompanhado de água, como
ocorre no túbulo contornado distal. Da mesma forma como no segmento anterior, a
reabsorção de sal depende muito do nível do hormônio aldosterona e a reabsorção de água
depende do nível do ADH. Responsável por coletar, concentrar e transportar a Urina. O
Ducto colector/coletor não faz parte do Néfron.

Esquema base do funcionamento Rim (Glomérulo e Néfron)


3.3 Ureteres
Os ureteres têm, cada um, 25 a 30 cm de comprimento e três milimetros de diâmetro.
Eles se originam da confluência dos vários cálices renais, reunindo-se na pelve renal. Os
ureteres descem então do abdómen superior (onde estão os rins) até à pelve por detrás
dos órgãos do trato gastrointestinal, retroperitonealmente. A sua passagem junto de outras
estruturas condiciona estruturas onde é mais frequente um cálculo renal (pedra dos rins)
ficar retido gerando obstrução: estas estruturas incluem , a artéria ilíaca, o rebordo ósseo
da Pelve . Os ureteres entram na Bexiga posteriormente de forma obliqua, envolvida pelas
diversas camadas musculares da bexiga, de modo a prevenir o refluxo da urina.

3.4 Bexiga
Bexiga é o órgão humano no qual é armazenada a urina, que é produzida pelos rins.
É uma víscera oca caracterizada por sua distensibilidade. À bexiga segue-se a uretra, o
duto que exterioriza a urina produzida pelo organismo.
A bexiga humana é dividida anatomicamente em: ápice (anterior), corpo, fundo
(posterior) e colo. Sua túnica muscular é composta por músculo liso, possuindo fibras
musculares entrelaçadas em todas as direções, originando o músculo detrusor. A túnica
mucosa da maior parte da bexiga vazia é pregueada, mas estas pregas desaparecem
quando a bexiga está cheia. A área da túnica mucosa que reveste a face interna da base
da bexiga é chamada de trígono da bexiga.
O sistema nervoso autônomo parassimpático é o responsável pela contração da
musculatura da bexiga, resultando na vontade de urinar, esta “vontade” de urinar, dá-se
quando há a liberação de determinados hormônios após a capacidade de armazenamento
superar 300ml ou mais. A capacidade média da bexiga de um adulto pode chegar até 700ml
dependendo da massa corpórea.

3.5 Uretra
Na mulher, a uretra está logo detrás da sínfise púbica e anteriormente à vagina e
tem apenas 4 cm. Passa no diafragma urogenital que contém músculo esquelético sob a
forma do esfíncter uretral externo (voluntário). Existem várias glândulas parauretrais,
análogas femininas da próstata masculina, ativadas na função sexual. Estas glândulas,
também conhecidas por glândulas de Skene, têm uma função de lubrificação e é onde se
produz a enzima PDE5 e a ejaculação feminina. Localiza-se no Ponto G. O orifício uretral
externo localiza-se logo acima da vagina, e de baixo do clitóris, protegida pelos
grandes lábios da vulva.
No homem, a uretra tem três regiões:
1. A porção prostática - uretra prostática-, dentro desta glândula, é imediatamente após
a saída do colo da bexiga (colo vesical). Aqui a uretra recebe os componentes
do esperma dos canais deferentes, dúctulos prostáticos e vesículas seminais. Existe
um utrículo(equivalente masculino do útero feminino), uma pequena invaginação sem
função, nesta porção da uretra.
2. Na porção membranosa, a uretra é rodeada pelo diafragma urogenital, com uma
densa camada de músculo esquelético (ativado conscientemente) que constitui o esfíncter
externo (voluntário) uretral. Lateralmente a essa porção estão as glândulas
bulbouretrais (de Cowper), uma de cada lado.
3. Na porção esponjosa, a mais longa, ela cursa pelo corpo esponjoso do pênis. Nesta
porção existem glândulas produtoras de muco(muitas pequenas glândulas de Littré), que
secretam lubrificante sexual. Também é na uretra esponjosa que se abrem os ductos
dasglândulas bulbouretrais. A uretra na glande dilata-se formando a fossa navicular e
termina no meato da glande do pênis.

4. FISIOLOGIA RENAL

Os rins através dos processos de filtração, reabsorção e secreção exercem funções


de como:

• Remoção de produtos finais do metabolismo como, por exemplo, uréia e creatinina;


• Retenção de proteínas, água e glicose;
• Manutenção do equilíbrio ácido- básico, do equilíbrio hídrico e eletrolítico;
• Síntese de eritropoetina, renina, vitamina D, cininas e prostaglandinas;
• Excreção de substâncias exógenas
• Formação da urina.

5. FILTRAÇÃO GLOMERULAR

O sangue que chega aos rins pela artéria renal que se ramifica em artérias cada vez
menores até que pela arteríola eferente entra nos glomérulos onde é filtrado através da
membrana glomerular. A membrana glomerular, semipermeável, permite a passagem de
todas as substâncias com peso molecular inferior a 70.000 daltons (sendo que substâncias
com tamanho inferior a 180 daltons são filtradas 100%) de modo que o filtrado formado tem
basicamente a mesma constituição do plasma, exceto as proteínas e os lipídeos
plasmáticos. Este filtrado formado, que tem osmolaridade próxima da verificada no plasma,
de 232 a 300mOsm/L, e densidade de aproximadamente 1.008, é o resultado da primeira
etapa de formação da urina.
Em um indivíduo adulto, normal, são formados diariamente 180 litros desse filtrado,
mas, aproximadamente, 99% desse volume é reabsorvido para o sangue pelos túbulos
renais, restando apenas de 1.200 a 1.500 litros de urina por dia, em condições normais de
hidratação, para serem eliminados.

6. CONSTITUIÇÃO DA URINA

A urina é uma mistura bastante complexa onde 96% (ou mais) são representados
por água e 4% (ou menos) por substâncias nela dissolvidas e que são provenientes da dieta
e do metabolismo (valores podem variar conforme autor). Além disso, nós encontramos,
também, na urina estruturas em suspensão que tem como origem o trato urinário. Portanto,
as variações constitucionais da urina refletem as variações da dieta diária, das condições
fisiológicas do indivíduo bem como as condições de trato seu urinário.
Uma das funções dos rins é a manutenção do equilíbrio hídrico do organismo,
refletindo sob a pressão arterial do indivíduo. A manutenção do equilíbrio hídrico ocorre,
principalmente através da ação do hormônio antidiurético. Assim a fração representada pela
água pode apresentar variações dependendo da capacidade de concentração verificada,
sendo os solutos constituídos, principalmente, de sais como cloreto de sódio e de potássio,
entretanto, muitas outras substâncias se encontram dissolvidas na urina. Algumas
estruturas são encontradas em suspensão na urina em pequeno número, em condições
normais. Estas estruturas podem ser encontradas, em suspensão, em quantidades
aumentadas sob diferentes condições patológicas, bem como, podemos encontrar sob
diferentes condições patológicas estruturas anormais.
O exame de urina é solicitado, principalmente, com o objetivo de avaliar as condições
do trato urinário. Assim, para que este exame seja realmente um reflexo das variações das
condições do trato urinário é necessário que as amostras de urina sejam corretamente
colhidas e processadas.
7. AMOSTRAS DE URINA

Na realização do exame de urina vários tipos de amostras poderão ser utilizados,


mas é importante ressaltar que cada uma apresenta características próprias e que os
resultados, a partir delas obtidos podem ser distintos. Contudo, independentemente do tipo
de amostra, para que o resultado do exame de urina possa ser corretamente interpretado,
tanto o horário de coleta da amostra quanto o horário de realização do exame deve ser
anotado e constar do resultado emitido. Para a realização do exame de urina, a amostra
considerada padrão ou mais adequada é a denominada comumente de primeira amostra
da manhã. Esta amostra deve ser colhida imediatamente após acordar, pela manhã, em
jejum (não aplicável a rotina de urina normal) e antes de realizar qualquer atividade. É
recomendado, ainda que esta amostra seja colhida após oito horas de repouso e, pelo
menos quatro horas após a última micção. A primeira amostra da manhã é considerada
como amostra padrão para a realização do exame de urina porque ela é mais concentrada
que as outras amostras e porque nesta amostra se verifica maior crescimento das bactérias
eventualmente presentes na bexiga, assim o resultado da análise realizada reflete melhor
as condições do paciente. Embora esta amostra seja considerada padrão, ela geralmente
não é a utilizada nos laboratórios tendo em vista o tempo e as condições de transporte da
mesma até o laboratório.
A utilização da primeira amostra da manhã para a realização do exame de urina se
tem mostrado mais viável apenas de pacientes hospitalizados. Outra amostra é
denominada como segunda amostra da manhã. Esta amostra pode ser obtida com mais
facilidade no laboratório que a primeira amostra da manhã. Esta amostra deve ser colhida
de duas a quatro horas após a primeira micção do dia. É importante lembrar que sua
composição pode ser influenciada pela ingestão de alimentos e líquidos no desjejum. Com
o objetivo de aumentar a concentração de eventuais bactérias presentes na bexiga pode-
se recomendar a restrição de ingestão de líquido após as 22 horas.
A segunda amostra da manhã é a amostra mais utilizada pelos laboratórios. Outra
amostra bastante utilizada nos laboratórios para realização do exame de urina é a amostra
randômica. Esta amostra é colhida a qualquer momento do dia sendo recomendável que o
intervalo de tempo entre a última micção e a coleta da amostra seja de pelo menos quatro
horas. A composição pode é, certamente, influenciada pelos alimentos e líquidos ingeridos
durante o dia. A utilização da amostra randômica é inevitável em situação de emergência e
urgência, frequentes em ambiente hospitalar. Entretanto, a utilização da amostra randômica
realização do exame de urina deve considerar a elevada possibilidade de resultados falsos
negativos assim como resultados falsos positivos dentre os constituintes avaliados na
realização do exame. Apesar da possibilidade de resultados falsos negativos assim como
alguns resultados falsos positivos de constituintes analisados, a amostra randômica,
considerando a facilidade de sua obtenção é a de eleição mais frequente no caso de
pacientes atendidos através do serviço de emergência e de Unidade de tratamento
intensivo.
No caso de pacientes atendidos através de ambulatório a amostra mais
frequentemente utilizada é a segunda amostra da manhã. Além das amostras de urina
acima descritas, outras formas de colheita podem ser utilizadas, dependendo das
condições e da idade dos pacientes a serem obtidas as amostras de urina, como por
exemplo: inserção de cateter; aspiração suprapúbica e sacos coletores. Em crianças que
ainda não apresentam controle urinário a obtenção de amostra de urina através da inserção
de cateter de cateter estéril, especificamente, para este fim. Esta forma de coleta de
amostra é relativamente invasiva e deve ser obtida por profissional específico.
A coleta a partir de cateter pode ser obtida através de punção estéril de cateter
permanente introduzido no paciente. Neste caso a amostra, jamais deve ser obtida a partir
da bolsa coletora. Em vista desta dificuldade, geralmente, a coleta de amostra de urina de
crianças que ainda não apresentam controle urinário se dá através da utilização de sacos
coletores específicos disponíveis no mercado. Para obtenção da amostra através de sacos
coletores, é necessária a higiene prévia dos órgãos genitais para posterior aplicação do
saco coletor específico. Após aplicar o saco coletor se deve frequentemente, verificar se a
criança urinou. Contudo, apesar de todo cuidado o saco coletor deve ser trocado se após
uma hora a criança não urinou (grande risco de infecção). Esta amostra obtida conforme
recomendada, frequentemente, apresenta elevada contaminação com células epiteliais. No
caso de o saco coletor permanecer por mais de uma hora e a amostra for colhida depois
deste tempo a possibilidade de contaminação maior da amostra é elevada, a ponto de
comprometer a confiabilidade do resultado do exame de urina. Outra possibilidade de
obtenção da amostra de urina é através aspiração suprapúbica após punção realizada por
profissional médico.

8. FRASCOS PARA COLETA DE AMOSTRAS DE URINA

O frasco a ser para coleta de urina deve ser translúcido e estéril. Em geral é fornecido
pelo laboratório, o que muitas vezes obriga o paciente a dirigir-se previamente para buscar
o recipiente e outra vez para entrega da amostra. Para pacientes que não queiram buscar
os frascos pode orientar a compra do mesmo em farmácias. Os frascos em geral possuem
capacidade de armazenamento de 10 a 100ml e são graduados. A boca largar auxilia a
coleta tanto por pacientes homens quanto mulheres. Alguns laboratórios fornecem um
conjunto de frascos para a coleta compostos de um frasco boca larga para a coleta em si e
outro tubo cônico para armazenamento da coleta. Este procedimento foi implantado a fim
de facilitar o processamento e reduzir os acidentes no transporte.
Veja a baixo, exemplos de frascos de coleta.

Frasco de coleta simples Frasco de coleta com tubo cônico.

9. ORIENTAÇÕES PARA COLETA DE URINA

A preparação do paciente e a coleta da amostra de urina constituem de fato a


primeira fase do exame de urina. Estes processos fazem parte da fase pré analítica e
constituem entre 60 e 80% dos erros diagnósticos. O paciente deve ser, primeiramente,
informado de que para a realização do exame solicitado, uma amostra de urina deve ser
coletada. Em seguida o paciente deve ser orientado sobre como se proceder a coleta. Esta
orientação é importante para que o resultado da análise de urina a ser realizada permita a
interpretação confiável que reflita as reais condições do trato urinário. As orientações ao
paciente devem ser fornecidas oralmente e por escrito, sendo estas, sempre,
acompanhadas de material ilustrativo para facilitar a compreensão do mesmo.
A orientação e preparação adequadas dos pacientes, principalmente quando do
sexo feminino, não se constitui, na prática diária, em procedimento dos mais simples. Por
isto, frequentemente no deparamos com amostras de urina inadequadamente coletadas,
que apresentam características de contaminação com fluxo vaginal. No caso do sexo
feminino as pacientes devem ser orientadas a lavarem cuidadosamente as mãos e após
enxaguá-las, afastar os lábios vaginais e lavar os órgãos genitais externos em torno da
uretra com água e secar com lenços de papel ou limpar com lenços de higiene. Após esta
higiene os lábios vaginais devem ser mantidos afastados até a micção e durante a mesma.
A primeira parte jato da micção deve ser desprezada, após deve-se colher,
aproximadamente, 50 ml e desprezar o restante. Os pacientes do sexo masculino devem
ser orientados a lavarem cuidadosamente as mãos e após enxaguá-las, retrair o prepúcio,
se existente, para permitir cuidadosa lavagem da glande peniana, apenas com água ou
então realizar a limpeza desta com lenços de higiene. Após esta higiene, sem permitir que
o prepúcio volte a cobrir a glande peniana, deve ser realizada a coleta desprezando a
primeira parte jato da micção.
Se o laboratório estiver impedido de realizar o exame de urina no período uma hora
após colheita da amostra, esta pode, excepcionalmente, ser mantida sob refrigeração entre
2 a 8°C por até 4 horas, entretanto devem ser observados os cuidados relativos às possíveis
alterações decorrentes deste procedimento que serão abordados no exame químico e no
exame microscópico.
Abaixo, figuras ilustrativas de como proceder para a correta realização da coleta
urinária em homens e mulheres.
10. EXAME FÍSICO OU MACROSCÓPICO DA URINA

Atualmente o exame físico é considerado, a segunda etapa do exame de urina e é


constituído da observação de características físicas como cor, aspecto e volume (hoje para
exames de rotina de urina é considerada sempre o volume de 10ml para o laudo já que
exame de urina em qualquer tipo de amostra que ele seja realizado não mede o volume
visto que a capacidade de concentração da urina não constitui parte deste exame). O
exame físico da urina deve ser preferencialmente realizado na amostra recente, até uma
hora após a coleta, que esteja à temperatura ambiente, pois o tempo, a temperatura e a
proliferação de bactérias podem resultar distorções nos resultados. No caso de o exame de
urina de determinada amostra de urina não poder ser realizado neste período recomenda-
se que a mesma seja mantida sob refrigeração entre 2 a 8°C. A amostra pode ser mantida
sob refrigeração por até 4 horas. Entretanto, nas amostras refrigeradas o exame físico deve
ser realizado, apenas, após a urina ser aquecida até 37°C0, pois a refrigeração pode
resultar a precipitação de grânulos de uratos amorfos ou de grânulos de fosfatos amorfos
em grande quantidade e consequentemente causar alteração no exame físico com relação
a cor e aspecto.

10.1 Cor
As amostras de urina dos pacientes podem apresentar as mais diferentes colorações
que podem ser normais, ou anormais. A urina, em condições normais apresenta cores
amarelas, cuja tonalidade varia de acordo com a concentração dos cromógenos urocromo,
uroeritrina e urobilina na amostra. O urocromo é um pigmento de cor amarela, encontrado
em maior quantidade na urina. A urobilina e a uroeritrina são pigmentos de cor laranja e
vermelha, respectivamente. Esses cromógenos, em condições normais, apresentam
excreção aproximadamente constante no período de 24 horas. Portanto, a variação da cor
normal da urina é decorrente do estado de hidratação que o organismo do indivíduo
apresenta durante o dia e da variação das concentrações dos cromógenos. Assim, se pode
falar que existe uma relação inversa entre a intensidade da cor normal da urina e a
concentração.
Esta relação inversa existe também entre a coloração normal e a densidade e o
volume de 24 horas. A coloração anormal de uma amostra de urina pode ser causada por
patologias, alimentos, medicamentos e produtos metabólicos. A verificação da cor da urina
deve ser realizada após homogeneização da amostra, com a amostra no frasco de coleta,
razão pela qual se recomenda que o frasco para coleta seja de plástico tipo cristal, que é
transparente. Na realização do exame de urina o mais importante não é a exata
identificação do tom da coloração da urina, mas sim a distinção entre as colorações
normais das colorações anormais.
Hoje o parâmetro coloração não é considerado um aspecto clínico, sendo assim,
diversos laboratórios utilizam padronizações diferentes para a nomenclatura da coloração
da urina. Em geral as cores mais coerentes com os possíveis aspectos clínicos ou estados
fisiológicos são representadas por sete tipos, das quais existem variáveis, conforme o
quadro a seguir:

Nomenclatura Colorações Presença de


Possíveis causas
Correta Variáveis anormalidade
• Amarelo palha
• Amarelo normal Não há causas
Amarelo Citrino • Amarelo relacionadas/ Urina Normal
citrinado comum
• Amarelo médio
Não há causas
Amarelo Claro *** relacionadas/ Urina Normal
comum
Amarelo Urina concentrada ou
*** Normal/anormal
Escuro presença de patologias.
• Laranja
Presença de
• Azul
Medicamentosa medicamentos que Anormal
• Verde
alteram a coloração.

• Marrom
Âmbar Presença de patologia. Anormal
• Preto
Presença de patologia ou
hemoglobina decorrente
Hemorrágica *** Anormal
de menstruação
(mulheres)
Ictérica • Marrom Presença de Bilirrubina Anormal
10.2 Odor
A urina pode apresentar algumas variações quanto ao seu odor. O odor
característico, considerado normal da urina é denominado de “sui generis” e pode ser mais
ou menos intenso, dependendo da quantidade de ácidos aromáticos presentes na amostra.
As amostras normais mais concentradas apresentam odor mais intenso. A verificação do
odor da urina é realizada abrindo-se o frasco que contém a amostra de urina, mantendo o
mesmo a uma distância de aproximadamente 40 centímetros do nariz, em seguida deve-
se fazer um leve deslocamento de ar desde o frasco em direção ao nariz. Odores anormais
da urina podem ser fétido, amoniacal e frutado. O odor fétido é, geralmente, decorrente da
degradação celular verificada nos processos infecciosos. O odor amoniacal é devido a
processo de transformação bacteriana da uréia em amônia, decorrente, geralmente, da
retenção urina por mais tempo na bexiga. Amostras de urina de pacientes com diabetes
Melittus ou em jejum prolongado podem apresentar odor frutado que é decorrente da
presença de corpos cetônicos na amostra. Porém, devido as diversas interpretações com
relação aos odores e seu aspecto clínico infundado, NÃO SE UTILIZA COMO
PARÂMETRO NO EXAME DE ROTINA DE URINA E NÃO PODE SER LAUDADO.

10.3 Aspecto
O aspecto da urina avalia o grau de transparência da amostra de urina e reflete a
quantidade de estruturas do sedimento organizado ou não organizado (ex. células,
hemácias, leucócitos, cristais) em suspensão. Em condições normais as amostras de urina
podem ser consideradas límpidas ou ligeiramente turvas. Assim como na verificação da
coloração da urina, a verificação do aspecto deve ser realizada após homogeneização da
amostra, com a amostra no frasco de coleta, razão pela qual se recomenda que o frasco
para coleta seja de plástico tipo cristal, que é transparente. No caso de o exame de urina
não ser realizado em até uma hora, após a colheita da amostra esta poderá ser, refrigerada
por até oito horas. Contudo, a observação do aspecto da amostra deverá ser realizada,
apenas, após a amostra ser aquecida até 37° centígrados. Os aspectos clinicamente
padronizados e aceitos são: Límpido (para urinas com ausência de sedimento dissolvidos
e aparentes macroscopicamente), Ligeiramente/Levemente turvo (para urinas com
presença baixa de sedimentos) ou Turvo (para urinas com grande quantidade de
sedimentos).
10.4 Volume
Em geral, o volume utilizado para elaboração do laudo é de 10 ml, isto se deve a
quantidade de amostra utilizada para o exame. Outros volumes superiores devem ser
desconsiderados, pois para este tipo de exame não é levado em conta a filtração
glomerular. Alguns casos, onde o volume coletado é inferior a 10ml é laudado como forma
de instruir o médico quanto a quantidade fornecida pelo paciente ao laboratório.
11. EXAME QUÍMICO

O exame químico da urina é a terceira etapa do exame de urina sendo, atualmente,


realizado através de tiras reagentes, as quais são tiras plásticas onde se encontram fixadas
diferentes áreas reagentes. As tiras reagentes mais frequentemente utilizadas nos
laboratórios são que disponibilizam dez áreas reagentes as quais permitem a realização da
determinação semi-quantitativa da bilirrubina, corpos cetônicos, densidade, glicose,
hemoglobina, leucócitos, nitrito, pH, proteínas e urobilinogênio. A realização do exame
químico através das tiras reagentes pode oferecer informações sobre a função hepática,
função renal, metabolismo de carboidratos, infecções do trato urinário e até mesmo sobre
o equilíbrio ácido-básico. É importante ressaltar que estas avaliações são de certo modo
apenas superficiais, necessitando exames complementares serem realizados a fim de
permitir avaliação mais precisa e mais sensível. No caso de ela haver sido submetida à
refrigeração, entre 4 a 8° centígrados por até 8 horas, o exame químico deve ser realizado,
apenas, após a urina estar à temperatura ambiente visto que parte dos exames químicos
realizados através das tiras reagentes dependerem de enzimas as quais são termo
dependentes.
Para a realização do exame químico da urina a amostra não deve ser centrifugada,
deve estar à temperatura ambiente além de homogeneizada. Em seguida, deve-se colocá-
la em um tubo cônico para centrifugação e imergir, rapidamente a tira reagente recém
retirada do frasco. Ao retirar a tira, deve-se deslizar a mesma lateralmente na borda do
frasco a fim de eliminar o excesso de urina. Ainda, a fim de evitar a contaminação das áreas
dos reagentes se recomenda que o excesso, seja retirado, encostando a tira reagente,
lateralmente, em papel absorvente.
Em seguida, nos tempos especificados pelo fabricante a leitura visual deve ser
realizada comparando as áreas reagentes da tira com escala correspondente que
acompanha o rótulo do frasco. Para obter leitura mais precisa, por comparação, a tira
reagente deve ser mantida a mais próxima possível da escala de cores. A leitura
automatizada é realizada colocando a tira reagente, após, retirado o excesso de urina, no
equipamento correspondente, seguindo as instruções do fabricante. O frasco de tiras
reagentes deve ser mantido, sempre fechado, abrindo-o apenas, brevemente para a
retirada da tira reagente.

Tiras Reagentes Gabarito contido no rótulo dos kits

Exemplo de como se realizar a tira reagente na urina


11.1 Densidade
A densidade é definida como a massa de determinado volume de uma solução
comparada com a massa de igual volume de água, dependendo, portanto, da concentração
osmolar. Assim, a densidade de uma amostra depende da concentração dos solutos
presentes na amostra e do peso molecular das mesmas. A urina é basicamente, uma
solução aquosa onde se encontram dissolvidos uréia, creatinina, cloreto de sódio, uratos e
outras substâncias que determinam a sua concentração. A determinação da densidade de
uma amostra na realização do exame de urina tem como objetivo avaliar a capacidade renal
de concentração da urina e a condição hidratação do organismo.

11.2 Ph
O pH de uma solução é o resultado da quantificação de seus íons de hidrogênio.
Dentre as funções dos rins é juntamente com os pulmões promover a manutenção do
equilíbrio ácido-básico do organismo. Para manter o pH do sangue em, aproximadamente,
7,4 (7,35 a 7,45), os rins, responsáveis pela excreção dos ácidos fixos produzidos pelo
metabolismo os rins excretam e reabsorvem maiores ou menores quantidades de H+ e
sódio, respectivamente, a nível tubular renal. A excreção de H+ ocorre na forma de íons de
fosfato de hidrogênio (H2PO4-) e amônio (NH4+) e menos em decorrência da excreção de
ácidos orgânicos com ácido cítrico, ácido lático e ácido pirúvico. O pH da urina de indivíduos
saudáveis é, geralmente, ligeiramente ácido variando de 5 (cinco) a 6 (seis), entretanto,
pode variar de 4,0 (quatro) a 8,0 (oito), dependendo de fatores como dieta e horário de
coleta.
O pH da urina pode sofrer interferências, tornando-se mais ácido, em decorrência de
processos patológicos que resultam em acidose metabólica ou acidose respiratória, como,
por exemplo, diabetes mellitus descompensado e pneumonia, respectivamente, bem como
em decorrência da utilização de medicamentos à base de cloreto de amônia e de dieta que
inclui a ingestão de grande quantidade de carne (dieta cetogênica). Processos patológicos
que resultem em alcalose metabólica, alcalose respiratória, ou ainda a acidose tubular
renal, a elevada produção de ácido clorídrico no trato gastrintestinal no período pós
prandial, a dieta vegetariana ou dieta essencialmente baseada na ingestão de leite ou de
medicação a base de antiácidos e a presença de bactérias produtoras de urease em
conseqüência de infecção do trato urinário ou contaminação da amostra, resultam,
freqüentemente, em urinas de pH alcalino.

11.3 Proteínas
As proteínas são em sua maioria substâncias de peso molecular elevado que não
são filtradas através do glomérulo porque a estrutura da membrana glomerular impede sua
passagem. A albumina é a proteína, que entre as principais proteínas séricas, apresenta o
menor peso molecular (69.000 daltons). As proteínas de peso molecular inferior a 60.000
daltons passam pelo glomérulo e são reabsorvidas pelos túbulos renais e não se encontram
presentes, normalmente na urina. Parte da albumina passa pelo glomérulo, sendo, contudo,
a maior parte é reabsorvida pelos túbulos contornados renais proximais. Amostras de urina
de indivíduos saudáveis apresentam eliminação de proteínas através da urina inferior a
10mg/dl ou 150mg/24 horas, exceto se submetidos a exercícios intensos ou frio intenso.
Esta quantidade de proteínas, geralmente, não é detectada através dos métodos
disponíveis através de tiras reagentes.

11.4 Glicose
Em amostras de urina de indivíduos saudáveis se verifica ausência de glicose que
varia de 1 a 15mg/dl não sendo detectável. A presença destes baixos níveis de glicose é
decorrente do limiar renal de reabsorção tubular proximal que se encontra
consideravelmente acima dos níveis séricos normais. Assim, apenas quando os níveis
séricos de glicose excedem à aproximadamente 180mg/dl começa, geralmente, a ser
detectada. A detecção de níveis elevados de glicose na urina é denominada de glicosúria.
A glicosúria é verificada em pacientes com diabetes mellitus nos quais se verifica
hiperglicemia em decorrência da produção insuficiente de insulina pelo pâncreas ou ainda
devido inibição da ação deste hormônio. A glicosúria é, ainda, verificada com frequência
em gestantes em consequência da diminuição do limiar renal de reabsorção proximal. A
diminuição do limiar de reabsorção tubular é, também verificado em pacientes acometidos
de síndrome de Fanconi e de intoxicação de metais pesados. A determinação semi-
quantitativa de glicose na urina é realizada, geralmente, através da utilização de tiras
reativas e se baseia em reação específica catalisada pela glicose oxidase e pela
peroxidase.

11.5 Cetonas
Amostras de urina de indivíduos saudáveis não apresentam, em condições normais,
presença de cetonas na urina. O que denominamos aqui como cetonas pode também ser
denominado de “corpos cetônicos“ e inclui três compostos: ácido acetoacético, o ácido beta-
hidroxibutírico e acetona. Estes compostos constituem produtos intermediários do
catabolismo normal das gorduras, sendo integralmente convertidas em energia, dióxido de
carbono e água, não sendo, portanto encontrados normalmente na urina. Entretanto,
grandes quantidades destes compostos, não podem ser convertidas em energia, assim
quando grandes quantidades de gordura são metabolizadas em consequência de o
organismo se encontrar impossibilitado de utilizar carboidratos como a fonte principal de
energia, estes compostos são encontrados na urina. A presença de cetonas na urina
confere a esta, odor frutado ou cetônico e é denominado de cetonúria. A cetonúria é
verificada em distúrbios que incluem diabetes mellitus, diabetes gestacional, bulimia,
gastroenterite e ingestão insuficiente de carboidratos.

11.6 Bilirrubina
As hemácias perdem elasticidade no final de sua vida útil e não conseguem mais
passar pelos sinusóides do baço, onde são fagocitadas por macrófagos. No interior dos
macrófagos a hemoglobina é catabolizada sendo liberado o ferro do heme e a globina,
formando-se a bilirrubina, que é liberada pelo macrófago e passa a circular no plasma. A
bilirrubina é encontrada normalmente em pequenas quantidades no sangue na forma não
conjugada e conjugada. A bilirrubina conjugada é a bilirrubina que nos hepatócitos sofreu
a adição de duas moléculas de ácido glicurônico formando a bilirrubina diglicuronídeo. Esta
forma de bilirrubina apresenta maior solubilidade em água, é excretada, quase totalmente,
para a luz do duodeno através do ducto biliar, onde o ácido glicurônico é removido pela
ação bacteriana e a bilirrubina convertida em urobilinogênio, e este oxidado pela ação de
bactérias da flora intestinal normal, a estercobilina, que tem coloração marrom, a qual é
conferida às fezes. Em conseqüência de não se encontrar ligada à albumina a bilirrubina
conjugada é filtrada através dos glomérulos, sendo, contudo, excretada através da urina
quando os níveis séricos se encontram elevados. A bilirrubina não conjugada é insolúvel
em água e é transportada no sangue ligada à albumina, não sendo, portanto, filtrada através
dos glomérulos. A presença de bilirrubina na urina é denominada de bilirrubinúria e pode
ser verificada em doenças hepáticas como, por exemplo, obstrução biliar, hepatite,
hepatocarcinoma e cirrose hepática. A bilirrubinúria, em conseqüência de sua precocidade,
é, muitas vezes, a primeira indicação laboratorial da ocorrência de hepatopatia. A
verificação da presença de bilirrubina, conjugada, na urina ocorre apenas quando os níveis
séricos se encontram elevados, o que ocorre quando o indivíduo se encontra acometido de
icterícia de origem obstrutiva ou hepática. Deste modo, considerando que as icterícias
podem ser de origem obstrutiva, hepática e pré-hepática ou hemolítica, a determinação
semi-quantitativa de bilirrubina urinária, apenas, não permite a diferenciação da origem da
icterícia verificada
11.7 Urobilinogênio
A presença de urobilinogênio em amostras de urina é verificada sempre que ocorrer
o aumento da destruição de hemácias ou de seus precursores como, por exemplo, na
anemia hemolítica, nas anemias megaloblásticas.

11.8 Nitrito
A presença de nitrito em amostra de urina é decorrente da ação indireta de bactérias
redutoras de nitrato em nitrito, o que inclui todas as entrerobactérias e a maioria das
bactérias não fermentadoras, e alguns cocos Gram positivos. São redutoras de nitrato a
nitrito e responsáveis pela maioria das infecções do trato urinário, por exemplo: Escherichia
coli, Klebsiella sp, Serratia sp, Proteus sp, Enterobacter sp, Eterococcus sp e Estafilococo
coagulase negativo. O Estafilococo coagulase negativo apresenta conversão variável,
sendo na maioria das vezes positivo. O Staphilococcus saprophiticus, por sua vez não
converte o nitrato a nitrito.

11.9 Hemoglobina
A hemoglobina pode estar presente em amostras de urina na forma livre ou em
hemácias íntegras. A presença de hemoglobina livre pode ser decorrente de hemólise
ocorrida no trato urinário em consequência da elevada alcalinidade ou elevada diluição da
amostra de urina ou, ainda, decorrente de hemólise intravascular verificada em
consequência de, por exemplo, anemia hemolítica, onde o seu nível de hemoglobina no
sangue se encontra acima da capacidade de reprocessamento. A presença de apenas
hemoglobina na urina é denominada de hemoglobinúria, enquanto a presença, apenas de
hemácias é denominada de hematúria. Entretanto é muito difícil se diagnosticar
hemoglobinúria verdadeira sem conhecer a sua origem previamente. Por isto a verificação
de hemoglobinúria sem conhecimento prévio de sua causa é geralmente considerada como
hematúria.

11.10 Esterase Leucocitária


A pesquisa de esterase em amostras de urina permite detectar a presença de
leucócitos, um importante marcador de infecção do trato urinário (ITU). A esterase é uma
enzima liberada pelos leucócitos granulócitos quando estes não se encontram em meio
isotônico, como a urina. A esterase é encontrada nos grânulos azurófilos dos leucócitos
granulócitos que incluem os monócitos, eosinófilos e neutrófilos. Os leucócitos encontrados
na análise microscópica do sedimento urinário durante a realização do exame de urina são
os neutrófilos. A presença predominante de eosinófilos é verificada principalmente em
pacientes com nefrite intersticial de origem medicamentosa. Eosinófilos podem, também
serem encontrados em amostras de urina de pacientes submetidos a transplante renal e
que apresentam rejeição. A pesquisa de esterase de leucócitos apresenta sensibilidade e

11.11 Ácido Ascóbico


A pesquisa de ácido ascórbico em amostras de urina, apesar de importante, não é
possível através da utilização de qualquer das tiras reagentes disponíveis no mercado. A
pesquisa de ácido ascórbico se baseia na reação deste com o azul de indofenol reduzindo-
o a 2,6 dicloro-fenol-indofenol de cor laranja (Quadro 13).
O ácido ascórbico é um importante agente redutor, ingerido com certa frequência,
em elevadas doses diárias por parte de parcela da população. Assim, elevados níveis deste
composto em amostras de urina pode interferir com vários dos testes possibilitados pelas
tiras reagentes, os quais dependem de reações de oxidação com diazônio ou peroxidase
(ex. glicose>50mg/dl, bilirrubina, urobilinogênio>25mg/dl, hemoglobina>5mg/dl, nitrito e
esterase de leucócitos).

Nota: Em geral, os resultados das tiras reagentes são visualizados no laudo em forma
de cruzes “+”, na qual, conforme a intensidade, é proferido uma quantidade das mesmas.
O normal é que se utilize entre uma e três cruzes, porém alguns laboratórios podem
utilizar até quatro ou utilizar os valores aproximados quantificados que constam no
gabarito dos kits.
Exemplos:
Glicose: +
Proteínas: +++
Urobilinogênio: ++
Hemoglobina: Traços (ou equivalente ao “±” do gabarito do kit)

12. EXAME MICROSCÓPICO

O exame microscópico é a quarta e última etapa do exame de urina. A microscopia


do sedimento urinário se constitui, historicamente, no procedimento laboratorial importante
e mais utilizado, do exame de urina, no diagnóstico de doenças do trato urinário. É
chamado de sedimento urinário qualquer material encontrado em suspensão na urina após
homogeneização. O material em suspensão pode ser constituído de células epiteliais,
hemácias, leucócitos, bactérias, cilindros, cristais, grânulos, leveduras, muco e, ainda,
várias outras estruturas. O sedimento urinário é responsável pelas variações no aspecto.
O exame microscópico do sedimento urinário é um procedimento complexo e de
custo elevado considerando o tempo consumido pela sua execução. A realização do exame
microscópico na rotina do laboratório exige profissionais qualificados, bem treinados que
possuam habilidade e experiência em microscopia. Além disso, eles devem conhecer
procedimentos de microscopia como: campo claro, contraste de fase e luz polarizada, bem
como saber como utilizar os microscópios que possibilitam estes tipos de microscopia Para
que o resultado do exame microscópico reflita, verdadeiramente, as condições do trato
urinário, todos os procedimentos que garantam a qualidade como os procedimentos de
orientação e preparação do paciente, coleta, identificação e manipulação da amostra,
análise da amostra, e expressão do resultado. Além disso, é importante que além de
disporem de equipamentos adequados, os profissionais apresentem sólido conhecimento
da morfologia das estruturas normais e anormais que podem ser encontradas no sedimento
urinário, a relação existente entre as estruturas encontradas no exame microscópico com
o exame físico e com o exame químico, bem como, o significado clínico de sua presença
na amostra analisada. É importante também que o profissional tenha acessível, no
laboratório, referências como: livro texto, atlas de urinálise e artigos científicos. Estas
referências constituem importante ferramenta para diminuir dúvidas momentâneas, bem
como no reconhecimento de novos cristais podem ser observados durante o exame
microscópico do sedimento urinário em decorrência da utilização de novos medicamentos
disponibilizados para o tratamento das diferentes patologias.

13. PREPARAÇÃO DA AMOSTRA E MICROSCOPIA

A amostra de urina deve ser concentrada com a finalidade de garantir a observação


microscópica das estruturas menos abundantes presentes na amostra. A concentração da
amostra de urina é realizada através da centrifugação de uma determinada alíquota de uma
amostra de urina homogeneizada. O volume da alíquota pode ser de 15, 12 ou 10 mililitros,
sendo a concentração da amostra de 15:1, 12:1, 10:1 ou 10:05 dependendo do que
determina a normatização de realização do exame de urina em cada país.
No caso do Brasil a NBR 15268 determina que o volume da alíquota é de 10
mililitros e que a concentração da amostra seja de 10:0,2. Conforme determina a NBR
15268, validada em 30/11/2005 na preparação do sedimento urinário para observação entre
lâmina e lamínula e cálculo para expressão dos resultados por mililitro de urina se deve
seguir o procedimento conforme padronizado:

• Homogeneizar a amostra de urina e transferir para um tubo de centrifugação 10


mililitros de urina;
• Centrifugar a 1.500 a 2.000 rotações por minuto ou 400 X g durante 5 minutos;
• Retirar 9,8 mililitros do sobrenadante, cuidadosamente, para que o sedimento não
seja ressuspendido, deixando no tubo 0,2 mL;
• Ressupender o sedimento, através de movimentos suaves e giratórios (Não bater na
bancada ou em outro elemento rígido)
• Transferir 0,2 mL (200 microlitros) do sedimento ressuspendido para uma lâmina de
microscopia;
• Colocar sobre o sedimento que se encontra na lâmina uma lamínula 22 X 22 mm;
• Examinar o sedimento por pelo menos dez campos microscópicos, bem distribuídos
na lamínula;
• Para expressar o resultado por campo, examinar as células epiteliais e os cilindros
do sedimento urinário em aumento de 100X e as hemácias e leucócitos em aumento
de 400X;
• Calcular a média de cada elemento do sedimento contado;
• Expressar o resultado como número de elementos por campo;
• Para expressar o resultado por mililitro examinar as células epiteliais e os cilindros
do sedimento urinário em aumento de 100X e as hemácias e leucócitos em aumento
de 400X;
• Calcular a média de cada elemento do sedimento contado;
• Multiplicar a média por 5.040; (Caso seu laboratório libere as quantidades por
mililitro)
• Expressar o resultado como número de elementos por mililitro;

O fator 5.040 foi obtido a partir dos dados fixos, padronizados para um volume de
urina centrifugada de 10 mililitros, volume final do sedimento de 0,20 mililitros de volume
total do sedimento observado de 0,2 mililitros e:
a. diâmetro do campo microscópico = 0,35 mm;
b. área do campo microscópico = 0,096 mm2;
c. área da lamínula 22 X 22 mm = 484 mm2;
d. 484 : 0,096 = 5.040 campos sob lamínula;
e. colocar 0,2 mililitros do sedimento homogeneizado na lamínula.

Nota: Cada laboratório pode obedecer uma padronização diferente para o exame
microscópico da urina. Estas padronizações diferem em como relatar no laudo as
quantidades de cada elemento, podendo ser em cruzes “+”, quantidade por campo, ou
até mesmo em mililitros, conforme demonstrado acima.

14. TIPOS DE MICROSCOPIA EXISTENTES

O exame microscópico, pode ser realizado a partir de várias tecnologias, entre as


quais estão: Microscopia em Campo Claro (mais utilizado nos laboratórios), Microscopia
em Campo Escuro (contraste de fase) e Microscopia em Luz Polarizada (mais utilizado em
pesquisa científica).

15. ELEMENTOS ENCONTRADOS NA URINA

Vários elementos podem ser encontrados na urina, sendo os quais devendo ser
relatados no laudo. Os elementos encontrados podem ser:
• Células Epiteliais (três tipos)
• Leucócitos
• Hemácias
• Cilindros
• Cristais
• Leveduras
• Espermatozóides
• Bactérias
• Parasitas
• Muco
15.1 Células Epiteliais Escamosas (pavimentosas)
São Células presentes no epitélio da Uretra. São as mais comuns na microscopia e
não tem valor diagnóstico. Auxiliam em algumas situações na averiguação da correta
coleta do material.

15.2 Células Epiteliais de Transição


Essas células encontradas desde a pelve renal até a parte proximal da uretra. As
células de transição podem apresentar forma caudada quando são originárias da pelve
renal ou da base da bexiga denominada de trígono.
15.3 Células Epiteliais Renais
São denominadas de células renais as células epiteliais tubulares renais. Essas
células provenientes dos tubos contorcidos proximais, da alça de Henle, dos tubos
contorcidos distais e dos dutos coletores. O tamanho das células renais observadas no
exame microscópico, geralmente, varia de 12 a 25 µm, dependendo do local de origem. As
células dos túbulos contorcidos proximais são ovais e tem diâmetro que varia de 20 a 60µm
e apresentam um ou as vezes dois núcleos pequeno(s) e denso(s), geralmente não
localizado(s) no centro, o citoplasma dessas células apresenta acentuada granulação,
podendo estas células,até mesmo serem confundidas com fragmentos de cilindros
granulosos.

15.4 Leucócitos
Os leucócitos tem, aproximadamente 12 µm de diâmetro, seu citoplasma apresenta
granulações finas e o núcleo é lobulado. A observação de poucos leucócitos no sedimento
urinário (< 5 por campo) em aumento de 400X, quando a amostra é concentrada 10:1, é
considerado normal. Entretanto, esses valores de referência dependem da
padronização empregada na execução do exame de urina.
A observação de leucocitúria no exame microscópico do sedimento urinário constitui
em indicação de ocorrência de patologia inflamatória do trato urinário ou mesmo do trato
genital. No caso de doença inflamatória do trato urinário a leucocitúria verificada é,
geralmente, acentuadamente menor que nos processos infecciosos. Nos processos
infecciosos do trato urinário alto (pielonefrite) a leucocitúria observada é geralmente mais
intensa que nas infecções do trato urinário baixo (cistite). Essa diferença é decorrente, pelo
menos em parte, pelo fato de os rins serem órgãos, extremamente, mais vascularizados
que a bexiga, pois a migração dos leucócitos para o espaço tubular ou para a bexiga ocorre
por diapedese.

15.5 Hemácias
As hemácias apresentam forma discóide com diâmetro é de aproximadamente 7 µm,
são células anucleadas e não apresentam inclusões citoplasmáticas. A observação de
diferentes ângulos permite a sua visualização sob diferentes formas. Depois da forma
discóide a mais frequentemente observada é a de duplo prato. A ausência de inclusões
citoplasmáticas confere às hemácias aparência lisa quando observadas por microscopia de
campo claro. Na microscopia de campo claro as hemácias podem ser confundidas com
gotículas de gordura, ou óleo, bolhas de ar cristais ovais de oxalato de cálcio
(monohidratado) e leveduras. No exame microscópico do sedimento urinário podemos
encontrar três tipos de hemácias: normais, fantasma e dismórficas. A presença de pequena
quantidade (<3 por campo) de hemácias na urina é. Entretanto os valores utilizados para a
definição de hematúria são controvertidos, até mesmo porque para a realização do exame
de urina não existe uma padronização única ou uma padronização universalmente aceita
conforme descrito anteriormente.

Nota: A pesquisa de hemácias dismórficas (dismorfismo eritrocitário), pode ser solicitado


pelo médico. Neste caso, o formato da hemácia presente na microscopia urinária deve
ser relatado.
15.6 Cilindros
Os cilindros são as únicas estruturas observadas no exame microscópico do
sedimento urinário cuja origem é exclusivamente renal, e sua observação tem, importante,
significado clínico. Eles são formados, principalmente, na luz dos túbulos contorcidos distais
e dos ductos coletores a partir solidificação (coagulação ou precipitação) de proteínas que
aí se encontram durante o período de concentração da urina, ou êxtase ou ainda, quando
o pH da urina esta muito ácido. A base dos cilindros é a proteína de Tamm Horsfall, uma
glicoproteína, que é secretada pelas células do ramo descendente da alça de Henle, mas,
também proteínas plasmáticas podem constituir a matriz protéica. A presença de proteínas
plasmáticas no filtrado presente nos túbulos renais aumenta a possibilidade de formação
de cilindros.
A observação de cilindros no sedimento urinário está associada com a ocorrência
de proteinúria. A formação de cilindros está associada, também, a concentração dos
solutos, além do pH ácido do filtrado, razão pela qual, provavelmente, sua observação não
ocorre em urinas diluídas e/ou urinas alcalinas. Quando o pH da amostra de urina se
torna alcalino se verifica que os cilindros desaparecem. É isso que ocorre quando o exame
de urina é realizado depois do tempo preconizado pela normatização desse exame ou ainda
em consequência de seu armazenamento inadequado. Os cilindros, além das proteínas,
podem conter, ainda células renais, hemácias, leucócitos, grânulos, bactérias, gotículas de
gordura e outras estruturas presentes no filtrado no momento de sua formação e se
constituem em um retrato das condições do néfron. Sua denominação depende da
presença ou não de inclusões bem como do tipo de inclusão(ões) presente(s). Assim eles
podem ser denominados de: hialinos, epiteliais, granulosos, hemáticos ou eritrocitários,
céreos, leucocitários, bacterianos, adiposos e de cristais.
Quanto à forma, os cilindros podem ser denominados de largos. A largura dos
cilindros está relacionada com a localização de sua formação (túbulos ou ductos) ou ainda
em decorrência da distensão de túbulos renais, que ocorre quando se verificar acentuada
êxtase do fluxo urinário. Contudo, o registro da observação de cilindros no resultado do
exame microscópico do sedimento urinário deve ser realizado seguindo a usual
classificação dos cilindros de acordo com a morfologia tal como, por exemplo: hialino,
leucocitário, eritrocitário, eptelial, granuloso, céreo, gorduroso, bateriano e pigemntado.

15.6.1 Cilindros hialinos


Os cilindros hialinos são formados quase exclusivamente de proteínas de Tamm
Horsfall, mas proteínas plasmáticas presentes no filtrado podem ser incorporadas. Seu
aspecto é incolor e semitransparente devido ao baixo índice de refração, o que dificulta
sobremaneira sua observação. Em vista disso, no caso da observação em microscopia de
campo claro.
A presença de cilindros hialinos no sedimento urinário não indica, necessariamente,
a ocorrência de patologia do trato urinário alto, podendo ser encontrado em pequeno
número, em amostras de indivíduos saudáveis, (< 2 por campo em aumento de 100X ou <
1000/mL). Cilindros hialinos podem ser encontrados em decorrência de glomerulonefrites,
pielonefrites, insuficiência cardíaca congestiva, febre, desidratação, exposição ao frio
intenso e exercícios intensos. A presença de cilindros hialinos não está, necessariamente
associada à ocorrência de proteinúria.
15.6.2 Cilindros Leucocitários
Os cilindros leucocitários apresentam a inclusão de leucócitos na matriz protéica em
decorrência da presença desses nos túbulos renais ou dutos coletores no momento de
formação do cilindro. A presença de cilindros leucocitários no sedimento urinário é
associada à ocorrência de infecção do trato urinário alto/pielonefrite. Entretanto, podem,
também, serem observados cilindros leucocitários no sedimento urinário de pacientes com
glomerulonefrite, mas nesses casos a observação desses cilindros é pouco freqüente e
quando verificada, ocorre, simultaneamente, com a observação de cilindros eritrocitários.

15.6.3 Cilindros Eritrocitários


Os cilindros eritrocitários ou hemáticos são um importante indicador de ocorrência
de doença glomerular como verificado na glomerulonefrite aguda, infarto renal, na nefrite
lúpica, por exemplo, mas podem ser encontrados em qualquer patologia em que se verifica
lesão, principalmente, de glomérulo e capilares renais. A verificação da presença de
cilindros eritrocitários no exame microscópico do sedimento urinário se constitui em
indicador de elevada especificidade para o diagnóstico da ocorrência de glomerulonefrite.
Contudo, eventualmente o cilindro eritrocitário pode ser encontrado em amostras de
pacientes sadios, após a participação de esportes de elevado impacto.
15.6.4 Cilindros Epiteliais
As células contidas nos cilindros epiteliais são de origem tubular renal. Esses
cilindros são encontrados em amostra de urina de paciente com: necrose tubular aguda,
nefrite intersticial aguda, eclampsia, síndrome nefrítica e rejeição de transplante,
intoxicação por metais pesados, etilenoglicol.

15.6.5 Cilindros Céreos


Os cilindros céreos, ao contrário dos cilíndros hialinos, apresentam acentuada
refringência, o que facilita em muito sua visualização ao microscópio. A presença de
cilindros céreos no sedimento urinário está relacionada com atrofia e ou dilatação tubular
avançada associada com doenças renais em estágio avançado como ocorre no caso de
inflamação e degeneração tubular, falência renal crônica e rejeição a transplante.

15.6.6 Cilindros Gordurosos


Os cilindros gordurosos ou graxos são cilindros que apresentam inclusões de
gordura ou corpúsculos ovais graxos, que são células tubulares renais que apresentam
gotículas de gordura reabsorvidas como inclusões citoplasmáticas. A presença destes
cilindros no sedimento urinários está relacionada com a ocorrência de distúrbios renais
avançados em que se verifica lipidúria como, por exemplo, a síndrome nefrótico. Entretanto
os cilindros gordurosos podem também estar presentes no sedimento urinário de pacientes
com diabetes mellitus e de pacientes com nefrose tóxica por envenenamento com
polietilenoglicol ou mercúrio.
15.6.7 Cilindros Bacterianos
A observação de cilindros que apresentam como inclusões bactérias presentes no
filtrado constituem importante indicador da ocorrência de processo infeccioso no trato
urinário alto (pielonefrite). Entretanto, na realização do exame microscópico do sedimento
urinário, realizado rotineiramente conforme determinam as diferentes padronizações, esses
cilindros são quase sempre confundidos e contabilizados como cilindros granulosos, tendo
em vista que para sua identificação segura é importante a coloração do sedimento seco
pelo Gram.

15.6.8 Cilindros de Pigmentos


Entre os cilindros que apresentam como inclusões pigmentos podemos relacionar o
cilindro de hemoglobina e o cilindro de mioglobina. A ocorrência destes cilindros é muito
rara. O cilindro de hemoglobina, por exemplo pode ser encontrado no sedimento urinário
aproximadamente dois dias após o paciente apresentar severa hemólise intravascular e
pode ser acompanhado da presença de grânulos de hemossiderina. A observação de
cilindro de mioglobina, por sua vez, ocorre apenas quando se verifica, também,
miglobinúria.
15.6.9 Cilindros Mistos
Os cilindros observados podem apresentar duas ou mais características
morfológicas distintas em decorrência de presença de mais de um tipo de inclusões. Nesse
caso é recomendado que o cilindro seja considerado de acordo com a inclusão
predominante.

15.7 Cristais
A presença de cristais no sedimento urinário é denominada de cristalúria. Os cristais
e outras estruturas amorfas são também, denominadas de sedimento amorfo e sua
observação no exame microscópico do sedimento urinário, geralmente, tem significado
clínico menor que, por exemplo: células renais, hemácias, leucócitos e cilindros. A presença
de cristais no sedimento urinário nem sempre é decorrente de patologias existentes.
Entretanto, o reconhecimento e a identificação dos cristais presentes no sedimento urinário
são importantes, ainda que a sua presença não esteja relacionada a qualquer patologia. e
sua descrição de origem patológica e importante conhecer a sua morfologia.

Nota: Alguns cristais morfologicamente iguais, podem ter nomes diferentes devido ao pH
em que se encontram na urina. Exemplo disso são os cristais de Urato Amorfo (quando
em urina ácida) e Fosfato Amorfo (quando em urina alcalina)

Abaixo alguns cristais mais comumente encontrados:

• Ácido úrico
• Oxalato de Cálcio

• Cristais de Urato Amorfo pH <7,0 ou Fostato Amorfo pH >7,0


• Carbonato de Cálcio

• Biurato de Amônia

• Fosfato Triplo Magnesiano


• Fosfato de Cálcio

• Cistina

• Tirosina
• Bilirrubina

• Leucina

• Colesterol
16.7.1 Principais características dos Cristais

Cristal pH Cor Solubilidade

Ácido úrico Ácido Marrom-amarelado Álcalis

Cor de tijolo ou
Uratos amorfos Ácido Álcalis e calor
marrom-amarelado

Oxalato de cálcio Ácido/neutro Incolor (envelope) HCL diluído

Alcalino Ácido acético


Fosfatos amorfos Branco-incolor
Neutro diluído

Alcalino Ácido acético


Fosfato de cálcio Incolor
Neutro diluído

Incolor (tampa de Ácido acético


Fosfato tripo Alcalino
caixão) diluído

Marrom-amarelado Ácido acético


Biurato de amônio Alcalino
(maçãs espinhosas) com calor

Carbonato de Gás do ácido


Alcalino Incolor (halteres)
cálcio acético

Amônia, HCL
Cistina Ácido Incolor
diluído

Incolor (placas
Colesterol Ácido Clorofórmio
chanfradas)

Álcali quente ou
Leucina Ácido/neutro Amarela
álcool

Tirosina Ácido/neutro Incolor/amarela Álcali ou calor

Ácido acético,
HCL, NaOH,
Bilirrubina Ácido Amarela
éter,
clorofórmio
Sulfonamidas Ácido/neutro Verde Acetona

Corante
Ácido Incolor 10% de NaOH
radiográfico

Em
Ampicilina Ácido/neutro Incolor refrigeração,
forma feixes

15.7 Leveduras
O termo levedura inclui fungos predominantemente unicelulares que reproduzem
assexuadamente por brotamento ou, mais raramente, fissão binária e sexuadamente pela
produção de ascósporos e basidiósporos. Podem se apresentar sob a forma filamentosa
dependendo das condições ambientais, produzindo micélio verdadeiro ou pseudo-micélio.
A identificação tradicional das leveduras é baseada na observação de características
morfológica na urina. Deve ser relatado como “Presença de células leveduriformes”.
15.8 Espermatozóides
A presença de espermatozóides na urina pode ajudar o médico a avaliar situações
de risco patológico ligado ao câncer de próstata. Porém, em grande parte dos casos, a
presença destes deve-se única e exclusivamente ao processo de ejaculação realizado
anteriormente. Devido a isso, é de extrema importância que seja orientado ao paciente não
manter relações sexuais dois dias antes do exame, incluindo masturbação.
A presença do esperma na uretra depende do organismo de cada paciente além de
sua capacidade hídrica de expelir a urina. Obviamente, por se tratar de um gameta
encontrado somente no sexo masculino, exames de urina de pacientes femininos NÃO
DEVEM CONSTAR A PRESENÇA DOS MESMOS NO LAUDO.
Abaixo, segue reportagem retirada do jornal Estadão do caderno Saúde, publicada
em 24 de agosto de 2009.
A Justiça de Minas Gerais condenou um laboratório de análises clínicas a indenizar em R$ 9.300 uma menina de 12 anos, por erro
em exame que indicou a presença de espermatozoides em sua urina.
Segundo o Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, a estudante foi levada pela mãe a um cardiologista, em novembro de 2006, pois
apresentava quadro de excesso de peso. Foram solicitados alguns exames, realizados em uma unidade do laboratório em Contagem,
e no de urina foi constatada a presença de espermatozoides.
De acordo com o TJ, a família entrou em pânico, acreditando que a menina poderia estar grávida. Depois de ser repreendida pelos
pais, mesmo após afirmar nunca ter tido relações sexuais e ter crises de choro, a estudante foi levada a uma ginecologista, onde ficou
provado que a menor não havia tido contato sexual.
Em sua contestação, o laboratório alegou que se comprometeu a fazer um segundo exame e que um empregado levou o novo
resultado, que não atestou a presença dos espermatozoides, até a casa da estudante no mês seguinte, além de informar a
ginecologista do equívoco.
O laboratório havia justificado o primeiro resultado com a possibilidade de a ginecologista não perceber relação sexual pelo fato de a
mulher ter hímen elástico ou complacente. E ainda que era possível a presença de espermatozoide em uma mulher em caso de
ejaculação próxima à região vulvar.
15.9 Bactérias
A presença de bactérias na urina, em grande parte dos casos, esta relacionada a
infecção urinária. Deve ser laudada em forma semi quantitativa, ou seja “Presença de
bacteriúria leve/moderada/intensa”

15.10 Parasitas
Diversos parasitas, incluindo os vermes, podem causar infecções do trato urinário. A
malária, uma doença causada por parasitas protozoários transmitidos por mosquitos, pode
obstruir os pequenos vasos sangüíneos renais ou pode causar uma hemólise (destruição
dos eritrócitos) rápida, causando insuficiência renal aguda. A tricomoníase, a qual também
é causada por um protozoário, é uma doença sexualmente transmitida que pode produzir
um corrimento vaginal abundante, espumoso e com uma coloração amarelo-esverdeada.
Raramente, a bexiga é infectada. Nos homens, a tricomoníase geralmente é assintomática,
apesar de poder causar prostatite (inflamação da próstata).
Abaixo alguns casos de Tricomoníase:
15.11 Muco
A presença de muco é totalmente inespecífica na urinálise. Pode estar relacionado
com a estase, exercícios físicos, descamação do epitélio e também com processos
infecciosos e outras patologias.

16. OUTRAS METODOLOGIAS DE CONTAGEM

Existem no mercado outras metodologias de contagem para os elementos urinários.


Cada laboratório pode definir a metodologia que achar mais adequada, porém não se
esquecendo de atualizar seus valores de referência no laudo conforme a escolhida. Entre
as principais estão:
Lâmina K-CELL

Demonstrativo da câmara de Neubauer

Câmara de Neubauer
Estes procedimentos de contagem fornecem resultados altamente fidedignos na
contagem, porém são menos utilizados devido ao custo elevado com material e mão de
obra. O tempo de leitura do exame também torna-se aumentado, inviabilizando grandes
rotinas.

17. AUTOMAÇÃO URINÁLISE

Alguns laboratórios dispõem de automação para a urinálise, este tipo de


procedimento pode ser total, no caso dos equipamentos que realizam leitura e interpretação
da amostra, ou semi automatizada, como é o caso dos leitores de tiras reagentes. Segue
alguns exemplos:

Automação total da Urinálise


Automação parcial – Leitora de tiras reagentes

Assim como na hematologia, deve-se configurar “Flags” nos equipamentos, para que
os mesmos forneçam alertas ao encontrarem elementos anormais na urina. Nestes casos,
deve-se realizar a leitura manual para confirmação.

18. OUTROS TIPOS DE AMOSTRA DE URINA

Outra forma muito comum dentro dos laboratórios de análises clínicas são as urinas
coletadas em períodos de tempo, tais como, urina 6 horas, urina 12 horas e a mais comum
urina 24 horas. Estes exames consistem em uma fórmula matemática entre a quantidade
de urina produzida no tempo estipulado, o peso, a altura do paciente e o resultado
pesquisado de determinado analito (na urina e em alguns casos no sangue)
Para a coleta de urina por tempo determinado, é importante que o paciente esteja
ciente das regras para a coleta. As orientações devem obrigatoriamente ser fornecidas
verbalmente e por vias impressas. Sendo as seguintes:
Orientar o paciente ao acordar, urinar totalmente, esvaziando toda a bexiga. A partir
deste momento deve-se marcar o horário e todas as urinas produzidas posteriormente
deverão ser armazenada no frasco fornecido pelo laboratório (em geral frascos de 2 litros)
até o limite de horário (6,12 ou 24 horas depois). Frisar bem ao paciente que toda a urina
produzida deve ser estocada no recipiente, sendo assim, em muitos casos, os pacientes
realizam suas tarefas diárias levando consigo o frasco de urina. Ao final do tempo
estabelecido, lacrar o frasco e levá-lo ao laboratório, caso não seja possível o envio
imediato, armazenar em geladeira.

Frasco de urina para coleta de 6,12 ou 24horas

18.1 Exames solicitados


Os exames solicitados para coletas com tempos determinados, e que levam em
questão volume produzido no período, altura e peso são os seguintes:
• Microalbuminúria
• Uréia (valor clínico baixo, devido às alterações ao longo do dia)
• Creatinina
• Ácido Úrico
• Proteínas
• Alguns tipos exames toxicológicos (Ex: Ácido Vanil Mandélico)
EXERCÍCIOS

1) Qual é o cálculo realizado para determinação da creatinina urinária na amostra de


urina 24 horas? Para este cálculo é necessário a determinação da urina sérica?
2) O exame parcial de urina recebe muitos outros nomes com o mesmo significado.
Escreva quais outros nomes você conhece referente ao mesmo exame.
3) Descreva como pode haver a presença de leucócitos na urina sem necessariamente
a presença de uma infecção urinária. Cite um exemplo que pode levar a esta
situação.
4) Em um parágrafo, cite qual o grupo mais suscetível à infecção urinária (gênero e
idade) e o porquê desta susceptibilidade (fatores predisponentes)
5) Descreva as diferenças entre CISTITE e PIELONEFRITE.
6) Cite qual a faixa de velocidade (RPM) e tempo o qual devemos centrifugar a urina
para obtermos o sedimento urinário. Explique o porquê de utilizarmos este
parâmetros e se é possível aumentar as rotações por minuto para diminuir o tempo,
assim agilizando o processo.
7) Sabemos que a infecção urinária na gestação deve ser clinicada com mais cuidado
quanto à prescrição medicamentosa. Cite como deve ser feito a prescrição,
descrevendo o porquê desta decisão e elencando ao menos uma classe de droga a
ser utilizada. (Informações como posologia podem auxiliar no texto, porém não são
obrigatórias)
8) O fungo Candida albicans pode se apresentar como uma DST (Doença Sexualmente
Transmissível) e também como um patógeno oportunista. Sabendo que o mesmo
habita naturalmente grande parte da população, descreva como a antibioticoterapia
prolongada pode fazer com que haja o aparecimento da candidíase em mulheres.
9) Em uma resposta discursiva, descreva como ocorre a formação de cilindros dentro
dos rins. Utilize os obrigatoriamente os seguintes descritores: PROTEÍNAS,
TUBULO CONTORCIDO PROXIMAL, ALÇA DE HENLE, TUBULO CONTORCIDO
DISTAL, DUCTO COLETOR.
10)Em um parágrafo, cite qual o grupo mais suscetível à infecção urinária (gênero e
idade) e o porquê desta susceptibilidade (fatores predisponentes)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRIOLO, Adagmar et al. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia


Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML): realização de exames em urina. 2017.

ANDRIOLO, Adagmar et al. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia


Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML): coleta e preparo da amostra biológica. 2014.

DOUGLAS, Carlos Roberto. Patofisiologia de sistemas renal. São Paulo: Robe, 2001.

HENRY, John Bernard. Diagnósticos clínicos e tratamento por métodos laboratoriais.


In: Diagnósticos clínicos e tratamento por métodos laboratoriais. 2008.

NELSON, David L.; LEHNINGER, Albert L.; COX, Michael M. Lehninger principles of
biochemistry. Macmillan, 2008.
ANEXO
ANOTAÇÕES
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ANOTAÇÕES
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