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A PSICOPEDAGOGIA NO CONTEXTO ESCOLAR

Helena ANDRADE¹

RESUMO: O presente trabalho pretende verificar como a Abordagem


Centrada na Pessoa poderá contribuir com a Psicopedagogia, procurando conhecer
a história da Psicopedagogia no Brasil e de seus pressupostos. A Psicopedagogia é
uma área científica recente e ainda busca uma teoria para fundamentar sua prática,
que vem sendo aplicada com resultados bastante efetivos. Desenvolvida a partir de
diversas outras áreas do conhecimento, tem sua base principal na Pedagogia e na
Psicologia, e como objetivos compreender a construção do conhecimento com todos
os fatores que a influenciam, facilitando o aprendizado e identificando o que impede
o sujeito de aprender. Porém, este é um conceito novo e só através do estudo da
história da Psicopedagogia pode-se entender como ocorreu a evolução desta área.
Com a mudança de paradigma, a Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), corrente
de pensamento psicológico criado por Carl Rogers traz uma nova forma de se
compreender a aprendizagem que passou a envolver significância e experiência, e
entendimento de que o sujeito aprendiz possui todas as potencialidades para
aprender e é por meio de uma comunicação empática que o psicopedagogo age
como um facilitador para o aprendizado e a mudança do aluno. Conclui-se que a
prática psicopedagógico aplicada com base na teoria da Abordagem Centrada na
Pessoa pode melhorar os resultados das intervenções nos processos de dificuldade
de aprendizagem.

PALAVRAS-CHAVES: Psicopedagogia; Abordagem Centrada na Pessoa;


Aprendizagem Significativa.

1 Introdução:

Um dos principais objetivos do surgimento da Psicopedagogia foi investigar


as questões da aprendizagem ou do não-aprender em algumas crianças. Por um
longo período, atribuem-se exclusivamente à criança a patologia do não-aprender.
Ao entrarmos no estudo da aprendizagem, podemos dizer que, começamos todo
esse processo desde o ventre da progenitora através de estímulos auditivos e
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sensoriais que já são considerados como sendo processo de aprendizagem.


A aprendizagem vai ocorrendo na estimulação do ambiente sobre o indivíduo,
onde, diante de uma situação, se mostra uma mudança de comportamento,
recebendo interferência de vários fatores – intelectual, psicomotor, físico, social e
emocional. Desde o nascimento, o indivíduo faz parte de uma instituição social
organizada – a família - e depois, ao longo da vida, integra outras instituições. Nessa
interação vai se construindo uma teia de saberes, onde todos os membros da
sociedade são parceiros possíveis, contribuindo cada um com seus conhecimentos,
suas práticas, valores e crenças. Nossa rede de conhecimentos vai se formando
dentro de instituições e assim cada vez mais é necessário inserir a Psicopedagogia
para estudar como ocorrem as relações interpessoais nestes ambientes.
Após esta breve incursão, e buscando respostas às interrogações levantadas,
partimos para o percurso metodológico. A coleta de dados para realização deste
trabalho partiu inicialmente de pesquisa bibliográfica com leituras, materiais
impressos e fichamentos a fim de aprofundarmos o entendimento acerca do objeto
de estudo. A pesquisa bibliográfica foi essencial para nos apropriarmos de conceitos
relacionados ao tema, finalizando em uma abordagem qualitativa. Analisar e refletir
sobre as contribuições da psicopedagogia no contexto escolar, compreendendo a
função do psicopedagogo e suas intervenções nas dificuldades de aprendizagem,
refletir sobre os mesmos e as possíveis intervenções psicopedagógicas, analisando
como se processa a aprendizagem através do olhar psicopedagógico.
A escola é considerada por excelência o veículo de difusão do conhecimento
e espaço onde ocorre o desenvolvimento sócio cognitivo dos indivíduos. Como
instituição social tem a incumbência de garantir aos que nela ingressam a
construção saudável de saberes e competências necessárias para o enfrentamento
dos desafios que a atual sociedade lhes apresenta. Entretanto, a escola de hoje se
depara com sérios entraves que a impede de ser lócus principal no processo de
desenvolvimento do sujeito, sobretudo das crianças com dificuldades de
aprendizagem. À ineficiência da escola e dos professores diante dos problemas de
aprendizagem sugere especialmente aos educadores a busca por uma formação
que lhes permita uma compreensão global do sujeito em processo de aprendizagem.
Nesse sentido, a psicopedagogia surge como nova área do conhecimento na
busca de compreender e solucionar os problemas de aprendizagem, tendo em sua
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configuração institucional a função de pensar e refazer o trabalho no cotidiano da


escola.
Nesse contexto, a formação psicopedagógica constitui-se para os professores
como uma oportunidade para entender o sujeito em suas múltiplas dimensões e
refazer suas concepções e atitudes frente ao processo de ensino-aprendizagem,
dando-lhes instrumentalização necessária para atender as demandas da escola
especialmente no que concerne aos alunos com dificuldades de aprendizagem, foco
principal do estudo da psicopedagogia. A intervenção psicopedagógica, exercida por
um profissional habilitado na área da Psicopedagogia institucional fará um trabalho
de prevenção a fim de perceber possíveis falhas no sistema educativo que dificulta a
aprendizagem dos alunos participando do processo de reorientação metodológica da
escola. Ao mesmo tempo em que realiza o trabalho preventivo poderá diagnosticar
perturbações na aprendizagem do aluno numa ação educativa que envolva a escola,
a família e outros profissionais na busca de soluções para o problema de
aprendizagem que o aluno apresenta. A psicopedagogia vem atuando com êxito nas
mais variadas instituições, analisando e assinalando os fatores que favorecem,
intervêm ou prejudicam uma boa aprendizagem em uma instituição. Neste sentido,
o presente trabalho objetivou discutir a importância da atuação psicopedagógica nas
instituições escolares. Para isso, inicialmente realizamos o resgate da história e o
conceito de Psicopedagogia, caracterizando seu objeto de estudo, que é o processo
de aprendizagem do sujeito. Além disso, caracterizamos a prática da
Psicopedagogia Institucional, ressaltamos e apresentamos aspectos específicos
sobre a importância da ação psicopedagógica no contexto escolar, tendo a escola
como uma instituição e destacando sua organização e funcionamento numa
abordagem sistêmica.
Portanto, pretendeu-se enfatizar a importância e a necessidade da instituição
escolar estar aberta ao profissional da psicopedagogia, pois este realiza um trabalho
com vista à prevenção das causas das dificuldades de aprendizagem em todos os
aspectos, pois trabalha o indivíduo no local onde ele aprende, analisando as causas
da não aprendizagem. O profissional da psicopedagogia analisa e assinala os
fatores que podem favorecer interferir e/ou prejudicar uma boa aprendizagem em
uma instituição, seja ela escolar ou não. Portanto a Psicopedagogia contribui
significativamente para o processo de ensino – aprendizagem. Caberá, pois ao
professor a partir dos conhecimentos psicopedagógicos adotarem o olhar e a escuta
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direcionado ao sujeito multidimensional, sujeito da aprendizagem, rompendo com


velhas práticas que não condizem com o nível de formação do qual é portador. Para
tanto, defende-se o processo de formação constante e permanente para a
construção de uma prática e de uma postura essencialmente psicopedagógica.
Para Kiguel, apud Bossa (2000, p.8) “o objeto central de estudo da
Psicopedagogia está se estruturando em torno do processo de aprendizagem
humana: seus padrões evolutivos normais e patológicos, bem como a influência do
meio (família, escola e sociedade) no seu desenvolvimento”.
De acordo com Neves apud Bossa (2000), [...] a Psicopedagogia estuda o ato
de aprender e ensinar, levando sempre em conta as realidades interna e externa da
aprendizagem, tomadas em conjunto. E mais, procurando estudar a construção do
conhecimento em toda a sua complexidade, procurando colocar em pé de igualdade
os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que lhe estão implícitos.
Segundo Scoz, in Bossa (2000), “a Psicopedagogia estuda o processo de
aprendizagem e suas dificuldades, e numa ação profissional deve englobar vários
campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os”.
Do ponto de vista de Weiss (1992), “a Psicopedagogia busca a melhoria das
relações com a aprendizagem, assim como a melhor qualidade na construção da
própria aprendizagem de alunos e educadores”.
Em suma, o objeto de estudo da psicopedagogia é, portanto, um sujeito a ser
estudado por outro sujeito. Esse estudo pode ser através de um trabalho clínico ou
preventivo.

3.1 A Intervenção Psicopedagógica nas Dificuldades de Aprendizagem:

Para Bossa (2002), a ideia do fracasso escolar teve seu surgimento no século
XIX com a obrigatoriedade escolar decorridas das mudanças econômicas e
estruturais da sociedade. Porém, cabe ressaltar que no período que antecede este
século já havia crianças que não aprendiam, mas não eram conhecidas como tal.
Durante muitos anos o fracasso escolar era visto simplesmente como uma
falta de condição do aluno em adquirir conhecimentos, sendo somente de sua
responsabilidade, porém, com o passar do tempo constatou-se que este problema
também era de responsabilidade da sociedade e principalmente da instituição
escolar que não pode contribuir para exclusão social. Com base em todo cenário
educacional do país hoje, fica claro afirmar que devemos repensar nossa prática
educativa e partirmos do pressuposto que o fracasso escolar não é uma
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responsabilidade somente do aluno, mas também da escola, família e de todos que


estão envolvidos no processo de ensinar-aprender. Se aceitarmos o fato de sermos
diferentes, temos que atentar para a necessidade de construirmos práticas
pedagógicas que valorizem e aproveitem toda bagagem de conhecimentos
construída pelo aluno no decorrer de sua caminhada escolar.
Na atualidade, várias pesquisas têm sido realizadas na busca de
compreender o fracasso escolar na alfabetização tendo em vista os problemas que a
leitura e a escrita apresentam à educação (PATTO, 1996; MICOTTI, 1987; SCOZ,
1994). Essas pesquisas indicam a existência de problemas no processo de ensino-
aprendizagem da linguagem na primeira série, isto é, problemas relativos à
alfabetização, pois é na primeira série que normalmente ocorre à alfabetização.
O educando chega à escola com um grande número de experiências, de
aprendizagens que são ignoradas pelo professor, pois mesmo antes de ingressar na
escola a criança já possui inúmeras vivências que deveriam servir como ponto de
partida das atividades do professor. A criança, mesmo não reconhecendo os
símbolos do alfabeto, já "lê" o seu meio, estabelecendo relações entre significante e
significado. A escola deve dar continuidade a esse processo defendendo a livre
expressão da criança, pois com isso o educando enfrentará com mais tranquilidade
a grande aventura do primeiro ano escolar: aprender a ler e escrever.
• O trabalho clínico se dá na relação entre um sujeito com sua história pessoal
e sua modalidade de aprendizagem buscando compreender a mensagem de outro
sujeito, implícita no não aprender. Nesse processo, investigador e objeto-sujeito
interage constantemente.
• No trabalho preventivo, a instituição (espaço físico e psíquico da
aprendizagem) é objeto de estudos uma vez que são avaliados os processos
didáticos metodológicos e a dinâmica institucional que interferem no processo de
aprendizagem.
Ainda, segundo Bossa (2000), na sua função preventiva, cabe ao profissional:
detectar possíveis perturbações no processo de aprendizagem; participar da
dinâmica das relações da comunidade educativa, a fim de favorecer processos de
integração e troca; promover orientações metodológicas de acordo com as
características dos indivíduos e grupos; realizar processos de orientação
educacional, vocacional e ocupacional, tanto na forma individual quanto em grupo.

3.2 O Papel do Psicopedagógico na Instituição Escolar:


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O trabalho psicopedagógico pode e deve ser pensado a partir da instituição


escolar, na qual cumpre uma importante função social: a de socializar os conhe-
cimentos disponíveis, promover o desenvolvimento cognitivo e a construção de
regras de conduta dentro de um projeto social mais amplo. A escola, afinal, é res-
ponsável por grande parte da aprendizagem do ser humano. O papel do
psicopedagogo na docência e na clínica pode ser delineado de uma maneira
relativamente mais objetiva do que seu papel na escola, embora acreditemos que
o psicopedagogo tem muito a contribuir na dinâmica escolar.
A atividade da escola está determinada pelo aspecto interacional. O psico-
pedagogo pode, então, ser visto fazendo parte de uma equipe interdisciplinar que é
campo de discussão da problemática docente, discente e administrativa.

A grande maioria dos trabalhos que discutem a prática da psicopedagogia


na instituição educativa focaliza a análise do processo de aprendizagem,
ou, mais especificamente, a análise dos problemas de aprendizagem.
Esta preocupação central está intimamente relacionada às próprias
origens da Psicopedagogia, enquanto área do conhecimento: seu
aparecimento e sua estruturação responderam, num primeiro momento, à
necessidade de compreender melhor o processo de aprendizagem, para
evitar (perspectiva preventiva) ou tratar (perspectiva terapêutica) problemas
decorrentes de dificuldades nesse proces- so, no âmbito dos fenômenos
individuais. Deve-se destacar, neste sentido, o fato de que tais análises
priorizam, geralmente, a dimensão individual do processo de
aprendizagem, enquanto fenômeno que ocorre no sujeito, ainda que
considerando o papel de variáveis ambientais e relacionais na sua
produção. Esta perspectiva reflete de certa forma, a posição dos estudos de
aprendizagem na história do desenvolvimento do conhecimento psico-
lógico. (CAVICCHIA, 1996, p. 197, grifos do autor)

Tendo bem conceitualizado como se processa a aprendizagem e como evolui o


pensamento, o psicopedagogo é o profissional indicado para assessorar e esclare- cer
a escola a respeito de diversos aspectos do processo de ensino–aprendizagem. A
Psicopedagogia, no âmbito da sua atuação preventiva, preocupa-se espe- cialmente
com a escola. Dedicando-se às áreas relacionadas ao planejamento edu- cacional e
ao assessoramento pedagógico, colabora com os planos educacionais e sanitários
no âmbito das organizações, atuando numa modalidade cujo caráter é clínico, ou
seja, realizando diagnóstico institucional e propostas operacionais pertinentes. O
campo de atuação da modalidade preventiva é muito amplo, mas pouco explorado.
Sobre o trabalho psicopedagógico na escola muito se tem a fa- zer. Grande parte da
aprendizagem ocorre dentro da instituição escolar, na relação com o professor, com
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o conteúdo e com o grupo social escolar enquanto um todo. Devido ao fato de ser
um lugar tão relevante na vida do ser humano, a instituição escolar, paradoxalmente,
pode ser também muito prejudicial.

No nível da instituição, nas escolas em especial, considera-se que um


psicopedagogo deve procurar acompanhar a tendência muito saudável de,
como um dos elementos da equipe, impulsionar o trabalho cooperativo de
professores e demais profissionais da escola, procurando contribuir para
uma maior eficiência e coerência, participando com todos, por exemplo,
do momento da definição do projeto pedagógico e da análise e discussão
de situ- ações e casos especiais. Considera-se questionável a possibilidade
de o psicopedagogo vir a se apresentar como o dono da verdade e portador de
soluções prontas, desconsiderando as possibilidades de trabalho cooperativo com
educadores em geral. (FINI et al., 1996, p. 71)

Em especial na escola, o psicopedagogo poderá contribuir no esclarecimento


de dificuldades de aprendizagem que não têm como causa apenas deficiências do
aluno, mas que são conseqüência de problemas escolares, tais como a organização
de instituição, dos métodos de ensino, da relação professor–aluno, da linguagem do
professor, entre outros.

A instituição educativa, em suas diferentes modalidades – creche, pré-escola,


escola de 1.º, 2.º ou 3.º graus – cumpre um papel central na sociedade: o de
mediadora no processo de inserção da criança e do adolescente na cultura. Para isso,
é necessário que ela se estruture e se instrumentalize de forma a responder às
exigências propostas por este objetivo, tão amplas e complexas. Um dos aspectos
principais dessa estruturação diz respeito à for- mação e qualificação de equipes de
trabalho capazes de desenvolver projetos pedagógicos compatíveis com a natureza e
os objetivos dessa instituição. Nesse processo, o psicopedagogo se depara com
uma das mais difíceis e instigantes de suas funções na instituição educativa: a de
orientar e coordenar a formação e o funcionamento de equipes de trabalho,
considerando o contexto institucional. (CAVICCHIA, 1996, p. 204)

Os profissionais engajados no campo da Psicopedagogia têm atentado para a


necessidade do trabalho a ser realizado na instituição escolar. Pensar a escola, à
luz da Psicopedagogia, significa analisar um processo que inclui questões me-
todológicas, relacionais e socioculturais, englobando o ponto de vista de quem
ensina e de quem aprende, abrangendo, conforme já dissemos, a participação da
família e da sociedade. O nível de intervenção do psicopedagogo na escola vai
variar em função de ser mais contínuo ou menos contínuo. Sendo mais contínuo, ele
poderá atuar preventivamente junto aos professores e técnicos de vários modos tais
como:
 Explicitando sobre habilidades, conceitos e princípios que são pré-requi- sitos
para as aprendizagens e auxiliando para que as situações de ensino sejam
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organizadas de acordo com o desenvolvimento;


 Participando da equipe de currículo e auxiliando a determinar priorida- des
em relação aos objetivos educacionais;
 Atuando, como integrador que é, como elemento de elo entre os pro-
fissionais da escola diretamente envolvidos com o processo de ensino-
aprendizagem.
Reportemo-nos ao que pensa Weiss (1991) a respeito disso. Para esta pes-
quisadora, existem diferentes enfoques em relação ao que se entende por Psicope-
dagogia na escola. Ela, por seu turno, adota a posição de considerá-lo como uma
atividade educacional em que se busca a melhoria da qualidade na construção da
aprendizagem de alunos e educadores. A psicopedagogia busca dar ao professor e
ao aluno um nível de autonomia na busca do conhecimento e, ao mesmo tempo,
possibilita uma postura crítica em relação à estrutura da escola e da sociedade que
ela representa. Nestas palavras, a psicopedagoga Maria Lúcia Lemme Weiss reflete
a preo- cupação e a tendência atual da Psicopedagogia no seu compromisso com a
escola. Nesse trabalho preventivo junto à escola, deve-se levar em consideração,
inicial- mente, quem são os protagonistas dessa história: professor e aluno.

Assim sendo, pensar a escola à luz da Psicopedagogia


implica nos debruçarmos especialmente sobre a formação do
professor. Pode-se dizer, por conseguinte, que uma das tarefas
mais importantes na ação psicopedagógico preventiva é
encontrar novas modali dades para tornar essa formação mais
eficiente. Sabe-se que as profissões são escolhidas atendendo
a profundos desejos inconscientes, e que não se questiona e
nem se leva em conta as motivações dessa escolha ao longo
da formação do professor. Assim, pois, as propostas de
formação docente devem oferecer ao professor condições para
estabelecer uma relação madura e saudável com seus alunos,
pais e autoridades escolares. Investigar, analisar e realizar
novas propostas para uma formação docente que considere
esses aspectos constitui uma tarefa extremamente importante,
da qual se ocupa a Psicopedagogia. (BOSSA, 1994, p. 71)

Nosso ponto de vista é de que os problemas de aprendizagem são, em pri-


meiro lugar, problemas de âmbito escolar e deveriam, inicialmente, merecer aten-
ção da escola. Por utópico que possa aparecer, o psicopedagogo tem também um
campo de atuação terapêutica dentro da escola. Vivemos um momento de conflito
socioeconômico que tem como conseqüência problemas escolares que necessitam
procedimentos remediáveis imediatos. Considerando tais problemas de um ponto de
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vista sistêmico, evidencia-se a relevância de que o indivíduo possa ser trabalha- do


dentro de seu ambiente escolar e só sejam encaminhados para serviços espe- ciais
os casos mais sérios, que necessitam de diagnóstico médico especializado e
exames complementares. Nesta linha de pensamento, o psicopedagogo pode atuar
terapeuticamente na escola de modo a:
 Preparar o professor para a realização de atendimentos pedagógicos indi-
vidualizados;
 Auxiliar na compreensão de problemas na sala de aula, permitindo ao
professor ver alternativas de ação e ver a maneira com que os demais técnicos
podem intervir;
 Participar no diagnóstico dos distúrbios específicos da aprendizagem; atender
pequenos grupos de alunos.

3.3 A Contribuição da Psicopedagogia na Família:

“O que a criança pode fazer hoje com o auxilio dos adultos, poderá fazê-lo amanhã
por si só.” L. S.Vygotsky

As interligações que a família tem com a formação do individuo são inúmeras.


Sua presença é marcante desde as primeiras experiências humanas que todos nós
passamos. Os movimentos, sensações, sentimentos e comportamentos que o ser
humano experiência, está interligado com a família. Nela, a criança beneficia-se da
sua cultura e suas crenças: A maneira de a família criar o filho acaba influenciando o
seu desenvolvimento e norteando que tipo de pessoa será no futuro. Não se pode
pensar em uma criança desvinculada da família, mesmo que esteja em instituições
de abrigo, ela carrega consigo um significado de vida psicossocial vindo da presença
ou ausência familiar. A família, por influência de teorias sócia interacionistas, tem
sido amplamente estudada e valorizada, pois nela estão grandes contribuições para
uma reestruturação educacional. Numa sociedade que busca progresso, a família é
uma instituição em transição. Se quisermos uma sociedade pensante, atuante e
desenvolvida, ela tem que se fazer presente nesse processo.

3.4 O Diagnóstico Psicopedagógico na Instituição Escolar:

Quando falamos em diagnóstico, pensamos logo em análise, porém só


podemos analisar algo se pudermos encontrar o que estamos analisando. Por esta
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razão quando dizemos que estamos fazendo um diagnóstico temos que saber o que
estamos diagnosticando, para que estamos diagnosticando e por que diagnosticar.
Isto nos leva apensar que iremos analisar o problema de aprendizagem durante o
diagnóstico psicopedagógico.

3.5 Psicopedagogia Atuando no Âmbito da Instituição:

Enfocar o estudo da Psicopedagogia no âmbito da instituição requer um


conhecimento anterior que perpassa pelo conceito de Psicopedagogia como
área de estudo, bem como compreender sua abrangência quando se define seu
objeto de estudo como o ser cognoscente, aquele que busca conhecimento e
aprende. Caracterizar a atuação da Psicopeda- gogia na instituição requer a
compreensão das inter-relações das diferen- tes unidades de análise da
Psicopedagogia, indivíduo, grupo, instituição e comunidade. Portanto, se
tomarmos como base o que nos fala Barbosa (2000, p. 103), devemos ter cuidado
somente para não fragmentar a Psicopedagogia a ponto de descaracterizá-la.
A Pscicopedagogia Institucional e a Psicopedagogia Clínica estão in-
seridas em uma mesma disciplina que atua em diferentes âmbitos. Não
podemos caracterizar práticas diferenciadas em cada uma delas, pois es-
taríamos salientando quatro diferentes psicopedagogias.

[...] sempre que estivermos lendo referências sobre a Psicopedagogia


Institucional, leia-se Psicopedagogia atuando no âmbito institucional, e, por
isto, apresentando especificidades, o que não impede de relacionarmos
seus conteúdos aos indivíduos, aos grupos, às comunidades e às
culturas que fazem parte da construção de uma instituição. Para Barbosa
(2001, p. 104),

Levado em conta as considerações propostas sobre a intervenção


psicope- dagógica, sua contribuição movimenta o ato educativo, como um fato
global, isto é, sua ação resgata uma visão globalizante do processo de
aprendizagem. O campo conceitual da Psicopedagogia contribui com novas
estratégias de atuação, que envolve o fenômeno institucional sob uma
abordagem crítica e sistêmica.
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2 Tema:

A Psicopedagogia É uma área do conhecimento que estuda questões ligadas


à afetividade e à cognição e trabalha com elas. Pela escassez de produção
acadêmica de qualidade sobre o tema, é difícil apresentar uma definição mais
completa. Na escola, o profissional pode desempenhar duas funções. Uma é
trabalhar diretamente com o corpo docente, abordando questões da dinâmica da
sala de aula, da relação entre alunos e professores e, entre esses, o coordenador
pedagógico e a família. Outra é atender no contra turno as crianças que estão
apresentando algumas dificuldades em classe.
Quanto ao conceito de Psicopedagogia defini-lo não é uma tarefa simples,
pois diferentes autores trazem suas contribuições, conforme os referenciais teóricos
em que sustentam suas práticas. A conceituação no Novo Dicionário Aurélio da
Língua Portuguesa, explicita o seguinte: “aplicação da Psicologia experimental a
Pedagogia” (FERREIRA, 2000, p.625). Porém, essa definição parece não refletir a
especificidade do conceito de Psicopedagogia. Na busca de autores para definir o
termo Psicopedagogia, o conceito de Rubinstein traz contribuições:
A Psicopedagogia tem por objetivo compreender, estudar e pesquisar a
aprendizagem nos aspectos relacionados com o desenvolvimento e ou
problemas de aprendizagem. A aprendizagem é entendida aqui como
decorrente de uma construção, de um processo, o qual implica em
questionamentos, hipóteses, reformulações, enfim, implica um dinamismo. A
Psicopedagogia tem como meta compreender a complexidade dos múltiplos
fatores envolvidos neste processo (RUBINSTEIN, 1996, p. 127).

Diante disso, a psicopedagogia se torna um campo com conhecimentos


amplos, que tem como objeto de estudo o processo de aprendizagem, seus padrões
evolutivos normais e patológicos, bem como a influência do meio (família, escola,
sociedade). Bem variada, mas sempre é necessário saber o objetivo do trabalho e
focar as questões cognitiva e afetiva. É impossível separar uma da outra. Se a
criança leva a lição de casa do dia para fazer lá, ele pode observar e analisar como
ela lida com o desafio e de que forma se organiza e administra o tempo, por
exemplo. Observando tudo isso, o profissional pode intervir conversar, problematizar
a situação. Também é interessante usar brinquedos e jogos, dentre eles os de
raciocínio, como Senha, Mancala e baralho, para avaliar como o aluno opera frente
a problemas. Nos dias de hoje, é fundamental incluir a informática. Lanço mão de
jogos virtuais, como o The Sims, cujo objetivo é governar uma cidade fictícia. A
relação entre o psicopedagogo e a escola? Ele tem de conhecer a dinâmica da
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instituição e manter um contato estreito com a equipe docente. Para tanto, deve se
reunir com o professor ou o coordenador ou manter com eles conversas por telefone
ou e-mail.
Considerando a escola responsável por grande parte da formação do ser
humano, o trabalho do Psicopedagogo na instituição escolar tem um caráter
preventivo no sentido de procurar criar competências e habilidades para solução dos
problemas. Com esta finalidade e em decorrência do grande número de crianças
com dificuldades de aprendizagem e de outros desafios que englobam a família e a
escola, a intervenção psicopedagógica ganha, atualmente, espaço nas instituições
de ensino. O papel do psicopedagogo escolar é muito importante e pode e deve ser
pensado a partir da instituição, a qual cumpre uma importante função social que é
socializar os conhecimentos disponíveis, promover o desenvolvimento cognitivo, ou
seja, através da aprendizagem, o sujeito é inserido, de forma mais organizada no
mundo cultural e simbólico que incorpora a sociedade. Para tanto, prioridades
devem ser estabelecidas, dentre elas: diagnóstico e busca da identidade da escola,
definições de papéis na dinâmica relacional em busca de funções e identidades,
diante do aprender, análise do conteúdo e reconstrução conceitual, além do papel da
escola no diálogo com a família. Na abordagem preventiva, o psicopedagogo
pesquisa as condições para que se produza a aprendizagem do conteúdo escolar,
identificando os obstáculos e os elementos facilitadores, sendo isso uma atitude de
investigação e intervenção. Trabalhando de forma preventiva, o psicopedagogo
preocupa-se especialmente com a escola, que é pouco explorada e há muito que
fazer, pois grande parte da aprendizagem ocorre dentro da instituição, na relação
com o professor, com o conteúdo e com o grupo social escolar como um todo.

“... trabalhar as questões pertinentes às relações vinculares professor-aluno


e redefinir os procedimentos pedagógicos, integrando o afetivo e o
cognitivo, através da aprendizagem dos conceitos, nas diferentes áreas do
conhecimento”. Na visão de Fagali (FAGALI, 2002, p. 10)

O trabalho psicopedagógico terá como objetivo principal trabalhar os


elementos que envolvem a aprendizagem de maneira que os vínculos estabelecidos
sejam sempre bons. A relação dialética entre sujeito e objeto deverá ser construída
positivamente para que o processo ensino-aprendizagem seja de maneira saudável
e prazerosa. O desenvolvimento de atividades que ampliem a aprendizagem faz-se
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importante, através dos jogos e da tecnologia que está ao alcance de todos. Com
isso, há a busca da integração dos interesses, raciocínio e informações que fazem
com que o aluno atue operativamente nos diferentes níveis de escolaridade. Por
isso, a educação deve ser encarada como um processo de construção do
conhecimento que ocorre como uma complementação, cujos lados constituem de
professor e aluno e o conhecimento construído previamente. O psicopedagogo pode
atuar em diversas áreas, de forma preventiva e terapêutica, para compreender os
processos de desenvolvimento e das aprendizagens humanas, recorrendo a várias
estratégias objetivando se ocupar dos problemas que podem surgir.
Numa linha preventiva, o psicopedagogo pode desempenhar uma prática
docente, envolvendo a preparação de profissionais da educação, ou atuar dentro da
própria escola. Na sua função preventiva, cabe ao psicopedagogo detectar possíveis
perturbações no processo de aprendizagem; participar da dinâmica das relações da
comunidade educativa a fim de favorecer o processo de integração e troca;
promover orientações metodológicas de acordo com as características dos
indivíduos e grupos; realizar processo de orientação educacional, vocacional e
ocupacional, tanto na forma individual quanto em grupo. Numa linha terapêutica, o
psicopedagogo trata das dificuldades de aprendizagem, diagnosticando,
desenvolvendo técnicas remediativas, orientando pais e professores, estabelecendo
contato com outros profissionais das áreas psicológicas, psicomotora.
Fonoaudiológica e educacional, pois tais dificuldades são multifatoriais em sua
origem e, muitas vezes, no seu tratamento. Esse profissional deve ser um mediador
em todo esse processo, indo além da simples junção dos conhecimentos da
psicologia e da pedagogia.
Neste contexto, o psicopedagogo institucional, como um profissional
qualificado, está apto a trabalhar na área da educação, dando assistência aos
professores e a outros profissionais da instituição escolar para melhoria das
condições do processo ensino-aprendizagem, bem como para prevenção dos
problemas de aprendizagem. Por meio de técnicas e métodos próprios, o
psicopedagogo possibilita uma intervenção psicopedagógica visando à solução de
problemas de aprendizagem em espaços institucionais. Juntamente com toda a
equipe escolar, está mobilizado na construção de um espaço adequado às
condições de aprendizagem de forma a evitar comprometimentos. Elege a
metodologia e/ou a forma de intervenção com o objetivo de facilitar e/ou desobstruir
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tal processo. Os desafios que surgem para o psicopedagogo dentro da instituição


escolar relacionam-se de modo significativo. A sua formação pessoal e profissional
implicam a configuração de uma identidade própria e singular que seja capaz de
reunir qualidades, habilidades e competências de atuação na instituição escolar.
A Psicopedagogia é uma área que estuda e lida com o processo de
aprendizagem e com os problemas dele decorrentes. Acreditamos que, se
existissem nas escolas psicopedagogos trabalhando com essas dificuldades, o
número de crianças com problemas seria bem menor. Ao psicopedagogo cabe
avaliar o aluno e identificar os problemas de aprendizagem, buscando conhecê-lo
em seus potenciais construtivos e em suas dificuldades, encaminhando-o, por meio
de um relatório, quando necessário, para outros profissionais - psicólogo,
fonoaudiólogo, neurologista, etc. que realizam diagnóstico especializado e exames
complementares com o intuito de favorecer o desenvolvimento da potencialização
humana no processo de aquisição do saber.
Além do já mencionado, o psicopedagogo está preparado para auxiliar os
educadores realizando atendimentos pedagógicos individualizados, contribuindo
para a compreensão de problemas na sala de aula, permitindo ao professor ver
alternativas de ação e ver como as demais técnicas podem intervir, bem como
participando do diagnóstico dos distúrbios de aprendizagem e do atendimento a um
pequeno grupo de alunos. O conhecimento e o aprendizado não são adquiridos
somente na escola, mas também são construídos pela criança em contato com o
social, dentro da família e no mundo que a cerca. A família é o primeiro vínculo da
criança e é responsável por grande parte da sua educação e da sua aprendizagem.
O que a família pensa, seus anseios, seus objetivos e expectativas com relação ao
desenvolvimento de seu filho também são de grande importância para o
psicopedagogo chegar a um diagnóstico. Considerando o exposto, cabe ao
psicopedagogo intervir junto à família das crianças que apresentam dificuldades na
aprendizagem, por meio, por exemplo, de uma entrevista e de uma anamnese com
essa família para tomar conhecimento de informações sobre a sua vida orgânica,
cognitiva, emocional e social.
Solé (SOLÉ, 2000, p. 29) afirma que essa intervenção tem um maior alcance
quando realizada no ambiente em que o aluno desenvolve suas atividades e por
meio das pessoas que, cotidianamente, se relacionam com ele, uma vez que os
15

processos de aprendizagem se relacionam diretamente com a socialização e


integração dos alunos no contexto sócio - educacional em que estes estão inseridos.
O psicopedagogo tende a prevenir os problemas de aprendizagem, ao invés
de remediá-los por meio da busca de diversos serviços escolares dos quais os
alunos participam e na medida do possível, do ambiente familiar e social em que
eles vivem, auxiliando o aluno a desenvolver o máximo de suas potencialidades.

“o psicopedagogo não é um mero “resolvedor” de problemas, mas um


profissional que dentro de seus limites e de sua especificidade, pode ajudar
a escola a remover obstáculos que se interpõem entre os sujeitos e o
conhecimento e a formar cidadãos por meio da construção de práticas
educativas que favoreçam processos de humanização e reapropriação da
capacidade de pensamento crítico”. TANAMACHI, 2003, p. 43).

Dessa forma, acredita-se que o trabalho da Psicopedagogia quando encontra


consonância e parcerias na escola, pode promover efeitos muito positivos para a
minimização das dificuldades que emergem no contexto escolar, apesar de
representar um constante desafio, pois requer o envolvimento de toda a equipe, e
um desejo permanente de mudanças, para que as transformações, de fato, ocorram.

3 Delimitação do Tema:

O presente estudo vem ressaltar a importância do Psicopedagogo no


ambiente escolar e como as suas intervenções contribuem na avaliação da (não)
aprendizagem do indivíduo inserido nesse espaço. Em uma constante reflexão
pertinente aos aspectos psíquicos, motores, cognitivos e afetivos. O profissional
desta área visa a formação do indivíduo em sua totalidade. Atualmente é perceptível
o alto índice de queixas feitas pelos professores em relação a aprendizagem das
crianças, suas dificuldades e falta de diagnóstico. Nesse sentido é extremamente
relevante um trabalho de estudo e análise que reflita sobre a função e contribuição
deste profissional na instituição escolar, favorecendo o trabalho do professor o qual
também será assistido, bem como a família e a comunidade.
Atualmente no Brasil só poderão exercer a profissão de psicopedagogo os
portadores de certificado de conclusão em curso de especialização em
psicopedagogia em nível de pós-graduação, expedido por instituições devidamente
autorizadas ou credenciadas nos termos da lei vigente - Resolução 12/83, de
16

06/10/83 - que forma os especialistas, no caso os chamados "especialistas em


psicopedagogia" ou “psicopedagogos”.
Partindo desse pressuposto defende-se a importância do Psicopedagogo no
ambiente escolar no desafio de lidar com as dificuldades de aprendizagem dos
alunos e traçar uma proposta de intervenção capaz de contribuir para a superação
destes problemas, promovendo orientações didático-metodológicas no espaço
escolar, junto com os professores, de acordo com as características e necessidades
dos indivíduos e grupos. A finalidade principal do diagnóstico psicopedagógico é
identificar os problemas apresentados no processo de aprendizagem do sujeito que
o impedem de crescer e desenvolver dentro do esperado pelo meio social. A partir
da análise psicopedagógica surge o prognóstico e o conteúdo para a formulação da
hipótese final realizando posteriormente a entrevista de devolução diagnóstica.

“(...) os problemas de aprendizagem não são restringíveis nem a causas


físicas ou psicológicas, nem a análises das conjunturas sociais. É preciso
compreendê-los a partir de um enfoque multidimensal, que amalgame
fatores orgânicos, cognitivos, afetivos, sociais e pedagógicos, percebidos
dentro das articulações sociais. Tanto quanto a análise, as ações sobre os
problemas de aprendizagem devem inserir-se num movimento mais amplo
de luta pela transformação da sociedade”. Scoz (1994, p. 22)

A relação sujeito-terapeuta é também de fundamental importância para


o processo diagnóstico. A qualidade e a validade do diagnóstico dependerão dessa
relação. Tudo na comunicação entre estes dois sujeitos deverá ser analisada
durante o diagnóstico: a fala, os gestos, os silêncios e a linguagem corporal.

4 Hipótese:

Tem-se a hipótese de que as provas operatórias possibilitam a análise da


composição cognitiva do indivíduo, que apresentaria comprometimento em sua
estrutura cognitiva, e as provas seriam instrumentos de avaliação que pode
favorecer o diagnóstico possibilitando ao profissional que dela utiliza informações
que contribuirão no processo de encaminhamento, diagnóstico e conclusão do caso.

5 Problematização:
17

Quando pensamos em problema de aprendizagem imaginamos as várias


faces que podem compor este problema: Qual a ordem deste problema? Familiar?
da escola? Do sujeito? da sociedade? de todos estes fatores associados?
Qual a atuação psicopedagogo e quais os desafios enfrentados dentro da
instituição escolar?
O que é educar? O que é ensinar e aprender? Como se desenvolvem as
atividades? Quais as problemáticas estruturais que intervém no surgimento do
transtorno da aprendizagem? E sua resposta é: “temos em mente que é o sujeito
que aprende, por isso é motivo de pergunta para os psicopedagogos”

6 Objetivos:

Analisar e refletir sobre as contribuições da psicopedagogia no contexto


escolar, compreendendo a função do psicopedagogo e suas intervenções nas
dificuldades de aprendizagem, refletir sobre os mesmos e as possíveis intervenções
psicopedagógicas, analisando como se processa a aprendizagem através do olhar
psicopedagógico.

6.1 Objetivos Gerais:

A Psicopedagogia Institucional é um curso de especialização que objetiva


lidar com os princípios da aprendizagem humana, com técnicas de avaliação
institucional e psicopedagógica, análises dos problemas escolares e com
intervenção institucional e psicopedagógica. Busca compreender a identidade da
instituição; os processos do ensino-aprendizagem na medida em que este influencia
o desempenho escolar do aluno; as dificuldades de aprendizagem e suas interações
nas práticas pedagógicas e no rendimento escolar.

6.2 Objetivos Específicos:

Desenvolver habilidades e competência no especialista em Psicopedagogia


Institucional para ser capaz de:
- conhecer e aprofundar os seus conhecimentos no âmbito da
Psicopedagogia Institucional acerca da prática profissional;
18

- compreender e interpretar o processo do diagnóstico institucional e


psicopedagógico, considerando suas relações com o aluno e com a escola;
- entender e aplicar técnicas de intervenção institucional e psicopedagógica;
- atuar de forma preventiva e investigativa nas dificuldades de aprendizagem
e nos problemas escolares;
- desenvolver um posicionamento profissional, buscando as relações e
implicações dos fundamentos teóricos estudados para a construção de uma visão
crítica frente à realidade do cotidiano escolar.

7 Justificativa:

Compreender que a psicopedagogia revela-se significante a atuação


preventiva do psicopedagogo no contexto escolar, onde muitas informações e vários
aspectos têm que ser observados e analisados. Ter conhecimento de como o aluno
constrói o seu saber, compreender as dimensões das relações com a escola, com os
professores, com o conteúdo e relacioná-los aos aspectos afetivos e cognitivos,
permite um fazer mais fidedigno ao psicopedagogo. Deve-se considerar que o
desenvolvimento do aprendiz se dá de forma harmoniosa e equilibrada nas
diferentes condições orgânica, emocional, cognitiva e social na aprendizagem dos
alunos com NEE.

8 Fundamentação Teórica:

As colocações aqui expostas aludem à existência de questões que na


situação pedagógica interpõe-se entre o ensino, a forma como a criança recebe e/ou
absorve o conhecimento, e os desdobramentos desses processos, que
inexoravelmente, se relacionam com o contexto de vida da criança. Tomando como
ponto de partida as discussões e idéias apresentadas e sem ter a pretensão de
esgotar esse debate, dada sua complexidade, apresentamos nossas considerações,
não como um fechamento definitivo e inalterável, posto que o conhecimento é
dinâmico, mas como contribuições que desencadeiam um chamamento a novas
reflexões acerca do campo de atuação e da importância do Psicopedagogo frente às
dificuldades de aprendizagem escolar.
A partir do entendimento resultante da referenciação teórica adotada, é
possível inferir que os motivos do (não) aprender, não se concentram unicamente na
19

criança ou adolescente ou no educador, existe um conjunto bem mais amplo com


outros elementos que precisam ser percebidos e analisados pelo psicopedagogo no
entrelaçamento de sujeitos e situações. Estes dados apontam a importância de se
olhar para a criança na sua singularidade, de considerar a constituição dramática
daquelas que não aprendem. Enfim, de considerar a criança como pessoa inteira.
Esta dificuldade em enxergar a criança como sujeita na sua integralidade, é um
problema comum aos nossos dias que precisa urgentemente ser superado, visto
que, é a percepção desta particularidade que irá delinear o processo e não um
padrão universal de desenvolvimento. Acreditamos que, nesse contexto, o
psicopedagogo deve evitar os prognósticos que o educador costuma levantar acerca
da criança, sem antes, levar em consideração o seu mundo de vida.
A função do Psicopedagogo é intervir em caráter preventivo e curativo,
destarte, ele precisa incidir suas atenções na dificuldade de aprendizagem,
prevenindo-a e/ou sanando-a. Para isso, um olhar acurado e uma postura crítica
frente à realidade com vistas a melhoria da aprendizagem, é condição sine qua nom
para o seu trabalho. Nesse contexto, consideramos, em consonância com Bossa
(1992), que diante do campo de atuação e da importância do Psicopedagogo,
compete a ele, perceber prováveis perturbações no processo aprendizagem, bem
como participar do processo educativo, viabilizando a integração entre os indivíduos,
gerando orientações metodológicas seguras e fazendo com que os sujeitos da
educação repensem o papel da escola frente a sua docência e às necessidades
individuais de aprendizagem da criança.
Firma-se assim, a importância e o universo de atuação do Psicopedagogo
como o de instituir caminhos que conectem o (não) saber, o (dês) acesso ao
conhecimento, a facilidade e a dificuldade, a agilidade e a lentidão e outros
elementos que tanto se contrastam, quanto se complementam nos processos de
aprendizagem. Como muito bem nos lembra de Barbosa (2002), o campo que se
delineia é vasto, a Psicopedagogia, como uma das áreas responsáveis pela
aprendizagem, tem muito a aprender e muito a contribuir.

9 Metodologia:

Após esta breve incursão, e buscando respostas às interrogações levantadas,


partimos para o percurso metodológico. A coleta de dados para realização deste
20

trabalho partiu inicialmente de pesquisa bibliográfica com leituras, materiais


impressos e fichamentos a fim de aprofundarmos o entendimento acerca do objeto
de estudo. A pesquisa bibliográfica foi essencial para nos apropriarmos de conceitos
relacionados ao tema, finalizando em uma abordagem qualitativa. O presente artigo
está classificado nos critérios de pesquisa bibliográfica para a fundamentação
teórica. Partindo da pesquisa realizada, os dados foram avaliados a partir de leitura
crítica e redação dialógica a partir dos autores apresentados.

10 Técnicas para coletas de dados:

Foi utilizado como instrumento de coleta de dados questionário específico


para o grupo de professores, contendo cinco questões abertas. Propõe-se ainda,
relatar uma experiência psicopedagógica clínica que tem seu início através de uma
queixa levantada inicialmente pela escola, de uma criança com 10 anos que
apresenta dificuldades na leitura e na escrita. Deste primeiro contato, surgiu à
necessidade de diagnóstico com a criança e posteriormente, um atendimento
psicopedagógico.

11 Análise e Interpretação de dados:

O esboço de caso apresentado é resultado de um trabalho de quatro meses


realizado por nós, como pós-graduandos em Psicopedagogia Institucional e Clínica
em nível Lato-Sensu na Instituição de Ensino e Cultura Faculdade Pio Décimo, na
condição de estagiárias e observadoras para conclusão da disciplina “Estágio
Clínico Supervisionado”.

12 Considerações Finais:

Instruir-se sobre a psicopedagogia, conhecer seu surgimento e sua trajetória


histórica, a formação do psicopedagogo e as contribuições na área da educação
sem dúvida é um exercício extremamente gratificante. Através do estudo realizado
foi possível conscientizar-se sobre a importância da atuação da psicopedagogia nas
instituições escolares e sobre a responsabilidade e compromisso ético profissional
21

do psicopedagogo na realização de seu trabalho. A visão psicopedagógico sobre a


individualidade de um sujeito, bem como sobre a atuação do grupo que o cerca, sem
dúvida exige do psicopedagogo muito estudo e atualização profissional,
conhecimento que garanta segurança na sua prática, questionamento e
expectativas, postura de ouvir, falar e propor intervenções. As intervenções
propostas devem estar embebidas de seu saber, de sua criatividade e de sua
seriedade para que as ações sugeridas tenham condições de serem aplicadas de
acordo com as necessidades e possibilidades do contexto educacional que está
sendo estudado e analisado. Ao se trabalhar com questões referentes as
dificuldades de aprendizagem faz-se indispensável uma análise diagnóstica do
desenvolvimento físico, psicológico, cognitivo e emocional dos sujeitos que
apresentam dificuldades e também dos aspectos externos que envolvem tais
sujeitos.
Perante disso, entende-se de fundamental relevância a atuação
psicopedagógica em instituições escolares para que o processo de ensino e
aprendizagem realmente ocorra de forma satisfatória com todos os educadores e
educandos. Cabe, portanto, ao psicopedagogo perceber os fatores que estão
provocando obstáculos no processo de aprender dos sujeitos e interferir-nos
mesmos através de métodos, recursos, técnicas e procedimentos próprios
construídos pelo profissional ao longo de sua formação. É através da atuação séria,
dinâmica e competente do psicopedagogo em parceria com a equipe de
profissionais da escola e família dos sujeitos que as dificuldades de aprendizagem
serão minimizadas e eliminadas do contexto educativo escolar.
Finaliza-se que não se pode falar em solução dos problemas de
aprendizagem encontrados nas escolas sem entender como cada sujeito aprende
suas estruturas cognitivas e os aspectos sociais e emocionais que estão interferindo
na aprendizagem. E para realizar este estudo indica-se o trabalho da
psicopedagogia como fonte de intervenção, uma vez que estudos científicos indicam
que a área psicopedagógica é a mais indicada para tratar as dificuldades de
aprendizagem.

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22

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