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DISCIPLINA

Tratamento de Água, Efluentes e Resíduos Sólidos

Prof. Marcos André Barros


DISCIPLINA

Tratamento de Água, Efluentes e Resíduos Sólidos

Características das águas naturais


 Parâmetros de qualidade da água – parâmetros físicos, químicos e
biológicos;
 Padrões de potabilidade: Portaria de Consolidação 5/2017 – ANEXO XX;
 Padrões de corpo d’água Resolução CONAMA 357/05;
 Padrão de lançamento: Resolução CONAMA 430/11.
Como avaliar a qualidade de uma água?

 Determinar os diversos componentes


presentes?
 Difícil execução e utilização!
 Utilizam-se parâmetros indiretos: físicos,
químicos e biológicos, que indicam o
potencial poluidor.
Como avaliar a qualidade de uma água?
PARÂMETROS DE QUALIDADE DA ÁGUA

Impurezas contidas na água. FONTE: Von Sperling (2005)


Como avaliar a qualidade de uma água?

ÁGUAS DE ABASTECIMENTO

PARÂMETROS DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS


UTILIZAÇÃO GERAL

MANANCIAIS E CORPOS
RECEPTORES
1. Parâmetros físicos
Principais parâmetros utilizados para caracterizar fisicamente
as águas naturais:

 Temperatura;
 Turbidez;
 Cor;
 Sólidos (em suas diversas frações);
 Odor;
 Sabor.
1.1.Temperatura
Medição da intensidade de calor

 Afeta taxas com que ocorrem as reações químicas


e bioquímicas: organismos possuem faixas ótimas
1.1.Temperatura (cont.)
 Temperatura da água varia de modo diferente da do
ar
1.1.Temperatura (cont.)
 Aumento da temperatura diminui a solubilidade de
gases (O2*) e outras substâncias na água;
 Aumento da temperatura aumenta velocidades de
reações químicas e bioquímicas;
 Pode haver mortandade de peixes pelo aumento da
temperatura (ex. rios poluídos em meses quentes);
 Clima quente é mais propício para tratar esgoto;
 Resolução CONAMA 430/2011: Tmáx lançamento: 40oC e ΔT
≤ 3oC (no limite da zona de mistura).
*base para decomposição aeróbia Ex: efluentes industriais  torres de
ΔT – variação da temperatura do corpo receptor resfriamento, TDH em tanques de
equalização..
1.2.Turbidez
 Grau de atenuação da intensidade que um feixe de
luz sofre ao atravessar a água

Ocorre por absorção e espalhamento

 Deve-se a sólidos em suspensão (areia, silte, argila


etc.), detritos orgânicos (algas, bactérias e plâncton);
 Indicação indireta da quantidade de sólidos em
suspensão;
 Análise muito utilizada por oferecer resposta rápida!
Turbidímetros
1.2.Turbidez (cont.)
 Origem:
◦ Natural: partículas de rocha, argila, silte, algas, bactérias etc;
◦ Antropogênica: despejos domésticos e industriais;
substituição de florestas por áreas de plantios etc.
 Não traz risco sanitário direto, mas é esteticamente
desagradável na água potável e sólidos em suspensão podem
servir de abrigo para microrganismos
1.2.Turbidez (cont.)

“Os sólidos em suspensão podem servir de abrigo para


microrganismos”

 Importância das fases iniciais do tratamento para que a


qualidade biológica da água a ser distribuída possa ser
garantida;
 A cloração de esgotos sanitários tem seus efeitos
limitados!
1.2.Turbidez
 Em corpos d’água  pode reduzir a penetração de
luz, prejudicando a fotossíntese

INFLUÊNCIA NAS COMUNIDADES BIOLÓGICAS AQUÁTICAS

 Formação de bancos de lodo pela sedimentação das


partículas  DIGESTÃO ANAERÓBIA

MOVIMENTO ASCENCIONAL DAS


BOLHAS DE GÁS

DEMANDA BENTÔNICA
1.2. Turbidez (cont.)
 Valores “típicos” de turbidez para alguns tipos de
água e esgoto:
Amostra Turbidez “típica”
(NTU)
Água bruta para abastecimento – turbidez baixa 5 a 20
Água bruta para abastecimento – turbidez elevada 50 a > 1000
Água para abastecimento tratada (Padrão de < 2 (filtração lenta)
qualidade) < 1 (outros
tratamentos)

Esgoto sanitário bruto 100 a > 1000


Efluente de reatores anaeróbios 40 a 150
Efluente de reatores de lodo ativado 5 a 40
1.2.Turbidez (cont.)
PORTARIA DE CONSOLIDAÇÃO N° 5/2017 – ANEXO XX
Padrão de Potabilidade
PORTARIA DE CONSOLIDAÇÃO 5/17 – ANEXO XX
1.3. Cor
 Grau de redução da intensidade que a luz sofre ao
atravessar a água, devido a sólidos dissolvidos,
principalmente material em estado coloidal
(orgânico e inorgânico);

Atenuação se deve à absorção de parte da radiação


eletromagnética!

Não representa risco direto à saúde, mas pode levar


consumidores a procurar águas de aspecto mais agradável, NO
ENTANTO, de maior risco!
1.3. Cor
 Dentre os coloides orgânicos:
 Ácidos húmicos e Fúlvicos: substâncias naturais resultantes da
decomposição parcial de compostos orgânicos presentes em
folhas, dentre outros substratos

 Há também compostos inorgânicos capazes de


provocar os efeitos de matéria em estados
coloidal: óxidos de ferro e manganês.

Abundantes em diversos tipos de solo!


1.3. Cor (cont.)
 Origem:
◦ Natural: decomposição de matéria orgânica
(principalmente vegetais – ác. húmicos e fúlvicos),
ferro e manganês etc.
◦ Antropogênica: resíduos industriais (tinturarias,
tecelagem, produção de papel), esgoto doméstico
etc.
 Cor aparente: inclui influência de partículas
suspensas  como o ser humano a vê;
 Cor verdadeira (real): devida , exclusivamente, a
substâncias dissolvidas ou coloidais; a amostra é
centrifugada para remoção de sólidos suspensos.
1.3. Cor
• Embora seja um atributo estético da água, não se
relacionando necessariamente com problemas de
contaminação, é padrão de potabilidade!

• A presença de cor provoca repulsa psicológica


pelo consumidor, pela associação com a descarga
de esgotos

PRC 5/2017 ANEXO XX– MS RESOLUÇÃO CONAMA 357/05


COR APARENTE COR VERDADEIRA

VMP = 15 uH PADRÃO DA CLASSE DO


CORPO D’ÁGUA!
1.3. Cor
RESOLUÇÃO CONAMA 357/05
COR VERDADEIRA

PADRÃO DA CLASSE DO
CORPO D’ÁGUA!

• Limitação importante, pois nas águas naturais associa-se a


problemas de estética, às dificuldades na penetração da luz
e à presença de compostos recalcitrantes (não
biodegradáveis), que em geral são tóxicos aos organismos
aquáticos;
• A não inclusão da cor como padrão de lançamento, permite
que indústrias contem com a diluição do corpo receptor.
1.3. Cor
ECONTRO DOS RIOS NEGRO E SOLIMÕES
1.3. Cor
A cloração de água contendo a matéria
orgânica dissolvida responsável pela cor
pode gerar subprodutos carcinogênicos
(trihalometanos- ex: clorofórmio)

 Remoção: coagulação e floculação

PADRÃO DE POTABILIDADE
VMP = 15 uC
(PRC 5/2017 – ANEXO XX)

LANÇAMENTO DE EFLUENTES PADRÕES DA CLASSE


(RESOLUÇÃO CONAMA 357/2005) CORPO D’ÁGUA
1.4. Sólidos
 Todos os contaminantes da água, exceto os gases
dissolvidos, contribuem para a carga de sólidos;
 Os sólidos podem ser caracterizados pelas suas
características físicas (tamanho e estado) ou suas
características químicas;
 CLASSIFICAÇÃO POR TAMANHO
 Por convenção: partículas capazes de passar por um papel
de filtro de tamanho especificado correspondem aos sólidos
dissolvidos, enquanto que as retidas no filtro são
consideradas sólidos em suspensão

SÓLIDOS COLOIDAIS  FAIXA INTERMEDIÁRIA


1.4. Sólidos

Classificação e distribuição dos sólidos em função do tamanho. Fonte: VON SPERLIN (2005)
1.4. Sólidos
 CLASSIFICAÇÃO PELAS CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS

SÓLIDOS

550 °C
a fração orgânica é volatilizada

SÓLIDOS VOLÁTEIS SÓLIDOS FIXOS

ESTIMATIVA DA MATÉRIA ORGÂNICA ESTIMATIVA DA MATÉRIA INORGÂNICA


NOS SÓLIDOS OU MINERAL
1.4. Sólidos
COMO DETERMINAR CADA FRAÇÃO DE SÓLIDOS?

 Secagem, Calcinação e Filtração  definem as


diversas frações de sólidos presentes na água
(sólidos totais, em suspensão, dissolvidos, fixos e
voláteis);

 Com exceção dos sólidos sedimentáveis (método


volumétrico – cone Imhoff), os métodos
empregados para determinação de sólidos são
gravimétricos (uso de balança analítica ou de
precisão).
1.4. Sólidos
 Sólidos Totais (ST): resíduo após evaporação e
secagem em estufa (103-105 °C);
 Sólidos em Suspensão (SS): porção dos ST que fica
retida em um filtro (>1,2 µm);
 Sólidos Voláteis (SV): porção dos ST, SS ou
dissolvidos que se perde após calcinação (550-600 °C);
 Sólidos Fixos (SF): porção dos ST, SS ou dissolvidos
que resta após calcinação;
 Sólidos Sedimentáveis (Ssed): porção dos SS que
sedimenta (1 h; 1 L)em cone Imhoff.
1.4. Sólidos sedimentáveis
 Volume de sólidos que sedimenta em cone
Imhoff no período de uma hora;
 Unidade: mL/L;
 Análise volumétrica;
 Estima produção
de lodo.
1.4. Sólidos

DISTRIBUIÇÃO DOS SÓLIDOS NO ESGOTO


FIXOS
50 mg/l
EM SUSPENSÃO
350 mg/l
VOLÁTEIS
300 mg/l
TOTAIS
1000 mg/l
FIXOS
400 mg/l
DISSOLVIDOS
650 mg/l
VOLÁTEIS
250 mg/l
1.4. Sólidos
 [SS]  controle de decantadores e outras
unidades de separação de sólidos;
 [SD]  relaciona-se com a condutividade elétrica;

PRC 5/2017, ANEXO XX - VMP: 1000 mg/L

 [Ssed]  Ssed/SS ([ml/L]/[mg/L]) = IVL – Índice


Volumétrico de Lodo;
Resolução CONAMA 430/2011– Ssed até 1 ml/L

 Remoção Dissolvidos (adsorção, precipitação


química e osmose reversa), Coloidais (coagulação,
floculação, sedimentação), Suspensos (sedimentação).
ÁGUAS
DE COR TURBIDEZ
ABASTECIMENTO

ÁGUAS SÓLIDOS SÓLIDOS


RESIDUÁRIAS DISSOLVIDOS SUSPENSOS
1.5. Odor
 A água não produz sensação de odor nos sentidos
humanos;
 Parâmetro importante tanto em águas para
abastecimento como em águas residuárias;
 Ocasionado por material orgânico em decomposição,
microrganismos (e.g., algas), gases (H2S) etc.
 O esgoto “fresco” tem odor menos objetável do que
o esgoto séptico (anaeróbio);
 O odor é frequentemente a primeira preocupação
da população em relação à instalação de ETEs na
vizinhança;
1.5. Odor (cont.)
 Efeitos no ser humano:
◦ Estresse psicológico } baixas concentrações
o Redução do apetite 
o Redução do consumo de água 

o Piora (redução) na respiração  Concentrações
o Náuseas, vômitos, perturbações  ofensivas
mentais 
o Deterioração do orgulho pela 
comunidade 
o Interferência nas relações humanas  Concentrações
o Redução de investimentos e da taxa de  extremas
crescimento na área afetada 

o Redução do status sócio-econômico 
◦ O odor pode ser medido por métodos sensoriais
(olfato humano) ou por equipamentos especializados.
1.6. Sabor
 A água não produz sensação de sabor nos sentidos
humanos;
 Sabor é a interação entre o gosto (salgado, doce, azedo e
amargo) e o odor (sensibilidade olfativa);
 Ocasionado por microrganismos (e.g., algas), gases
dissolvidos (H2S) etc;
 O H2S é o gás sulfídrico: tem cheiro de “ovo podre” e é
detectado pelo olfato humano mesmo em pequenas
concentrações;
 Não representa risco à saúde, mas consumidores podem
questionar sua confiabilidade e buscar água de maior
risco;
 Gosto proveniente de metais, acidez ou alcalinidade pronunciadas,
cloretos (sabor salgado).
Questões rápidas
Questões rápidas
Assinale a alternativa correta:
a) As partículas que produzem cor nas águas influenciam na
passagem da luz, as que provocam turbidez, não.
b) A cor é produzida por sólidos dissolvidos na água,
principalmente em estado coloidal, a turbidez é provocada por
sólidos em suspensão.
c) As partículas que produzem cor nas águas causam absorção
e espalhamento da luz; as partículas que provocam turbidez, só
provocam absorção da luz.
d) As partículas em suspensão, desviam o feixe de luz incidente
apenas segundo um ângulo de 90º, as dissolvidas desviam a luz
em várias direções diferentes.
Questões rápidas

Assinale a alternativa correta:


a) A cor real é provocada apenas por sólidos dissolvidos,
enquanto que a cor aparente é influenciada pela presença de
sólidos em suspensão na água.
b) A cor real é sempre maior que a cor aparente.
c) A cor real é sempre menor que a cor aparente.
d) Cor real e cor aparente são parâmetros independentes, não
se relacionando entre si.

SUBSTÂNCIAS QUE CONFEREM COR A ÁGUA TAMBÉM ALTERAM A


TURBIDEZ, POIS SE NA ÁGUA TIVERMOS MUITAS PARTÍCULAS QUE
ABSORVEM LUZ, ESTA NÃO SERÁ ESPALHADA!
Questões rápidas

Assinale a alternativa correta:


a) O aumento da temperatura diminui a velocidade de
decomposição de matéria orgânica na água
b) O aumento da temperatura aumenta a solubilidade dos
gases dissolvidos na água
c) Em uma água poluída por esgoto sanitário, o aumento da
temperatura provoca diminuição mais rápida da concentração
de oxigênio dissolvido
d) A variação de temperatura não tem relação com a exalação
de gás sulfídrico em águas fortemente poluídas
e) A manutenção de condições aeróbias em um corpo é
independente da temperatura
Questões rápidas
Os parâmetros cor e turbidez possuem maior utilidade
nos controles de:
a) Estações de tratamento de água para abastecimento e
estações de tratamento de
esgotos
b) Poluição de águas naturais e estações de tratamento de água
para abastecimento
c) Poluição de águas naturais e estações de tratamento de
esgotos
d) Estações de tratamento de esgotos e estações de
tratamento de efluentes industriais
e) Poluição de águas subterrâneas e estações de tratamento de
efluentes industriais
Questões rápidas

Das seguintes frações de sólidos, qual constitui padrão de


emissão de efluentes nas águas naturais:
a) Sólidos sedimentáveis
b) Sólidos em suspensão
c) Sólidos voláteis
d) Sólidos totais
e) Sólidos dissolvidos
OBRIGADO!