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USO DA TÉCN ICA DE BRA/NSTORM/NG PARA TOMADA DE DECISÕES

NA EQUIPE DE E N F ERMAGEM DE SAÚDE PÚBLICA.


THE UÇE OF BRAI NITORM I NG TECHNIQUE FOR DECIÇION MA�I NG IN PUBLlC
HEALTH NURÇING TEAM.

Maria de Magdala Nóbrega 1


Da vid Lopes Neto 1
Sérgio Ribeiro dos Santos 2

R E-S UMO: o estudo enfoca o uso da ferra menta " brainstorming" ou "tem pestade
de idéias" para a tomada de decisões consensuais no serviço de enfermagem.
Desenvolveu-se u m a pesq uisa q u a litativa, com o em prego d a técnica de gru po
foca l envolvendo 06 fu ncionários de u m a u nidade básica de saúde do m u nicípio
de João Pessoa , pertencente à rede estad u a l da Secretaria Esta d u a l de Saúde da
Paraíba . Os resultados evidenciara m a viabilidade da aplicação do método como
estratégia para a melhoria da q u a lidade dos serviços d e enfermagem.

U N IT E RMOS: Enfermagem - Administração participativa - Qualidade nos serviços.

A BSTRACT: lhe study focuses o n the use of bra i nstorming tool for consensual
decision making i n n ursi ng services. A qualitative research has been developed
with 'focus group tech n ique use i nvolving 6 warkers from a basic health u n it in Joao
Pessoa city which belongs to the state network of Para íba State Health Secretary.
lhe results showed the method a pplication plausibility as a strategy to n u rsing
services quality im provement.

K EYWORDS: N ursi ng - Participative a d ministrati o n - Q u a lity in services.

1 Enfermeiros. Alunos do Curso de Mestrado em E nfermagem em Saúde Pública. CCS/UFPB.


2 Enfermeiro/Administrador. Professor Assistente do Departamento de Enfermagem-DEMCA
/CCS/UFPB.

R. Bras. Enferm. , Brasília, v. 50, n. 2, p. 247-256, abr.ljun 1 997 247


NÓBREGA, Maria de Magdala et alii

I NTRODUÇÃO
As profundas m udanças que vêm ocorrendo no m u r:tdo inteiro têm refletido
consideravelm ente nas d iferentes ciências que d i récionam o pensar e o fazer do
homem . Essas transformaçõe s se i nterrelaciona m , particularmente com a
questão do relacionamento h u mano. O processo h tstórico-evolutivo da Ciência
da Adm i nistração revela ganhos incomensuráveis surg idos com a Escola da
Adm i n istração Científica de Taylor e seqüenciada pelas escolas do processo
admin istrativo, da ciência do comportamento e, nas ú ltimas décadas, da
administração estratégica e prospectiva com enfoque na qualidade total 2 .
As perspectivas da qualidade em saúde têm se constitu ído n uma palavra de
ordem relevante no cenário político-institucional como atributo necessário á
produção de serviços com qualidade. Portanto, procurou-se neste estudo
focalizar o uso da ferramenta brainstorming na tomada de decisões em equ ipe,
visando apresentá-Ia como técnica viabilizadora de soluções de problemas na
administração dos serviços de enfermagem de saúde pública.

REFERENCIAL TEÓRICO

A célula mater da administração participativa surg i u com os trabalhos de


Peter Ferdinand Drucker, na década de 50. Em meio às conturbações político­
sócio-econômicas da época, novas tendências gerenciais foram estruturadas e
sendo aplicadas com o fito à geração de uma maior competitividade,
produtividade e qualidade nas empresas 8 .
Consoante o mesmo autor, a administração participativa, apesar de ter como
essência a qualidade dos resultados (produtos e serviços) , tam bém age através
da qualidade do próprio processo administrativo, facilitando o desempenho e
auferindo l ucro nas instituições.
Na enfermagem, a administração participativa é u m processo impulsionador
da qualidade da assistência de enfermagem prestada, como estratégia
estabelecedora de padrões (motivação, liderança, trabalho em equipe) que
garantam a obtenção da qualidade total nos serviços.
Estudos de Ciampone & Kurcgan e descrevem que ainda próximo ao século
XXI a enfermagem desenvolve uma administração centralizadora e autocrática.
Perante os resultados evidenciados, as autoras apresentaram um modelo
gerencial denominado administração participativa em enfermagem , o qual é visto
como uma nova tendência de gerência dos serviços de saúde, de proporções
inovadoras, motivadoras e de trabalho em equ i pe.
Para Chia venato6, o trabalho em equipe é configu ra nte de uma
administração participativa, cujo processo envolve gerente e demais funcionários
n u m clima de envolvimento menta l , emocional, motivacional e de aceitação de
responsabilidade. Afirma ainda que a adm i n istração participativa tem sido
apontada como a alavanca para o progresso das instituições, cüjas bases estão
'
pautadas na de mocracia consensual das ' pessoas envolvidas, prevalecendo, '

248 R. Bt8s:,Enferm., Bfásma; .;; 50, n: 2; p. 247 -256, abr.�un. 1 997


U s o da Téc n i c a de b r a i n s t o r m i n g p a r a t o m a d a de . . .

para os resultados das negociações, as d iferentes expressões de idéias e


sugestões expostas n u m trabalho de d iscussão em g rupo.
Embora existam m ú ltiplas ferramentas científicas de abordagem analítica de
melhoria de processo, há algumas que facilitam a condução de reu niões e
1
ajudam a exploração de idéias e tomada de decisões 0 .
Neste sentido, o paradigma admi n istrativo da Gestão da Qualidade Total
desenha o " mapa da qualidade" para que se possa atingir u m alto g rau de
desempenho. Seg undo Carr, Littman4, qualquer pessoa da organização pode
utilizar as ferramentas para atingir um bom nível de desempenho, descobrir
oportunidades de melhoria, entender .as causas básicas dos problemas e
apresentar informações.
A obtenção de informações advindas de um g ru po institucional, além de
eliminar as barreiras estruturais de uma organização de conduta não laissez­
faire, permite a participação de pessoas no processo decisório na solução de
problemas. A aplicação de técnicas de grupo, tais como brainstorming, votação
m ú ltipla , técnica de g rupo nominal e outras, perm ite que os funcionários
demonstrem suas capacidades criativas sem restrição de suas idéias, o que
geralmente resulta em soluções concretas dos problemas apresentados nas
reu niões.
A sessão brainstorming, por ser uma técnica de g rupo, tem por objetivo
coletar idéias de todos os participantes, se� críticas ou julgamentos. Logo,
destina-se ao recolhimento de idéias e sugestões viabilizadoras de soluções
1
para determinados problemas ou situações de trabalho improdutivo .
Metodologicamente , o processo de brainstorming segue as segu intes fases:
1 8 Fase: Criativa - os participantes da sessão apresentam o maior n úmero de
idéias e sugestões sem se preocuparem em analisá-Ias ou criticá-Ias;
28 Fase: Crítica - os participantes da sessão, individualmente, justificam e
defendem suas idéias com o propósito de convencerem o g rupo; é a
fase de filtração de idéias para a permanência das que foram melhor
fundamentadas e de aceitação do g ru po .
A sessão brainstorming i nicia quando o coordenador (moderador e
harmonizador dos trabalhos) clarifica a sua função e a do secretário (registrador,
organizador e reapresentador das contribuições dos participantes), faz exposição
e debate do assunto e define o objetivo a ser conquistado a partir das
contribuições apresentadas ao final da reu n ião 1 .
Lopes Ne to, San tos9 afirmam que o repasse de novos con hecimentos é
necessário entre os membros que com põem a equipe de enfermagem e que o
enfermeiro , u m agente de mudança no setor da saúde, deve buscar alternativas
flexíveis e h u manísticas para a resol ução de p roblemas que atingem os serviços.

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NÓB R EGA, Maria de Magdala et alii

MATERIAL E MÉTODO

Trata-se de um estudo qualitativo, com o emprego da técn ica brainstorming


para o conhecimento de situações-problemas d i recionados à administração dos
serviços de enfermagem de saúde pública.
A pesqu isa realizou-se em um Centro de Saúde do m u n icípio de J oão
Pessoa , da rede básica da Secretaria Estadual de Saúde da Para íba , no mês de
setembro de 1 995. O u niverso popu lacional foi com posto por 1 7 funcionários do
tu rno vespertino lotados na referida u nidade. A amostra constituiu-se de 0 6
servidores que aceitaram em participar da pesq uisa.
Para a condução da sessão de brainstorming, estabeleceu-se as seg u intes
reg ras: O o participante deve sentir-se livre e à vontade; @ não é permitida a
rejeição de idéias; 4D não deve haver discussões d u rante a fase criativa da
sessão; O não são permitidas críticas ou j ulgamentos pessoais na seg u nda fase;
o as idéias serão expostas em um flip chart para melhor visualização e
participação do g rupo.
Após a sessão em suas distintas etapas (criativa e crítica), os resultados
foram filtrados, permanecendo os que melhor fundamentaram as idéias ao n ível
de consenso da equ ipe.

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESU LTADOS


Dura nte a sessão de brainstorming, o g rupo em estudo expôs i n úmeros
problemas e sugestões de resol utividade para os mesmos. Diante das situações
apresentadas, referencia-se abaixo, antes de ser apresentado o resu ltado da
aplicação da técn ica , a que evidencia o serviço de enfermagem e a mais referida
pelos participantes d u ra nte a sessão com o intuito de respaldá-Ias
cientificamente, principalmente a de competência exclusiva do enfermeiro .

a) Consulta de Enfermagem
A consu lta de el)fermagem é u m instrumento legitimado como atividade
privativa do enfermeiro a partir de 1 98 6 , pela leg islação do exercício profissional
da enfermagem ( Lei n . O 7.497/86) e regu lamentada pelo Decreto n.o 94 .406/86 ,
caracterizando a sua autonomia profissional enquanto trabalhador liberal 3

b) Resíduos dos serviços de saúde ( lixo ambulatorial)


As agências nacionais e internacionais de saúde, referendadas por
pesqu isas operacionais e bibliog ráficas, criaram um modelo de classificação de
todos os resíduos produzidos em serviços de saúde com o objetivo de se atingir
os n íveis adequados de controle e seg urança que vêm sendo precon izados pela
Organ ização M undial de Saúde - OMS 5 . Neste contexto, o poder público,
representado por agências estaduais e m u nicipais de saúde, tem a
responsabilidade de garantir a saúde pública, a qualidade de vida do trabalhador
e a preservação do meio ambiente apresentando ações que solucionem a
destinação final dos resíduos dos serviços de saúde, cabendo ainda aos

250 R . Bras. Enferm. , B rasília, v. 50, n. 2 , p_ 247-256, abr./j u n . 1 997


LI " " d u T é c l f i c a d e' b r a í n s t n r m i n g p a r a t O l ll a d a d e . . .

m u n lcl plos receberem i n ce ntivos técn icos e fin a n ce i ros através das i n stitu ições
de saúde (Vig i lâ n cia San itária ) para a prestação do tratamento especial exig ido
pelo l ixo hospita l a r o u a m b u latoria l .
Tomando-se por base a a p l icação d a técn ica brainstorming e m suas d i stintas
fases , o estudo a p resentou os seg u intes resu ltados:

FASE C RíTICA I FASE CRIATIVA

SETOR DE ODONTOLOGIA

F a lta de m ateri a l perm a n e nte F o i colocado q u e o i n strumental d i s p o n ível n ã o atende à


( i n strumental odontológico) demanda d a u n id a d e , o q u e com p ro m ete o p rofis s i o n a l n o
s e u l a b o r e col oca e m risco a s a ú d e d o c l iente .

RECOMEN DAÇ Õ E S :
C P rover d e m ater i a l perm a n e nte e d e consu m o , d e acord o
c o m a s metas esta belecid a s p e l a Secreta ria de Estado d a
Sa ú d e-S E S p a ra ate n d i m ento d i á r i o .
C R e p o r sem a n a l m ente o m ateri a l de c o n s u m o o bserv a n d o
a s referidas meta s .

E steri l ização i n a d eq u ada .. o m a i o r p ro b l e m a q u a nto à este r i l ização está n a u t i l ização


da estufa , pois o não c u m primento das rot i n a s
esta belecidas p a ra esteri l ização poderá c a u s a r d a n o s tanto
a o m ateri a l q u a nto aos m a n i p u l ad o res e c l ie ntes , h aj a visto
que a tem peratura necessária para uma perfeita
esteri l ização em estufa é 1 700 C d u ra nte 60 m i n utos ,
g e ra l m e nte n ã o é alcançada .

RECO M E N DAÇ Õ ES :
C Prov i d e n c i a r u m a s a l a só p a ra esteri l izaçã o .
C Capacitar pess o a l p a ra traba l h a r excl usivamente com
este r i l ização (tre i n a mento em serv i ç o , educação
conti n u a d a ) .
C E sta belecer n o r m a s e roti n a s .

Vestu á r i o i n adeq u a d o de c l i e ntes A m a i o r i a d o s profi s s i o n a i s se sentem constra n g i d o s a o


n a u n idade atenderem cl ientes c o m ro u p a s i n ad eq u a d a s .

RECOM E N DAÇÕES :
C Exped i r u m a n o r m a p ro i b i n d o o u s o de ro u p a s t i p o short,
berm u d a s , b l u s a s ou vestidos decotad o s e tra n s p a rentes n a
u n idade.
C Desenvolver u m tra b a l h o e d u cativo j u nto à co m u n idade
q u a nto ao modo de se vest i r e m d eterm i n a d o s locais
públicos.
Desv i o d e função Este p ro b l e m a f o i po nto b a stante p o l ê m i c o e debatido n a
reu n i ã o d e v i d o à existê n c i a d e p rofi s s i o n a i s q u a l ificados
p a ra d eterm i n ad a fu n çã o , m a s exerce n d o u m a o utra .

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NÓBR EGA, Maria de Magda/a et aLii

RECO M E N DAÇÕES:
C Leva ntar os recu rsos h u m a n o s existentes n a u n idade p o r
q u a l ificação profi s s i o n a l .
C Remanej a r fu n c i o n á r i o , observa n d o a relação seto r da
u n idade e q u a l ificação p rofi s s i o n a l .
0 8S . : Ressa ltá-se q u e n a a d m i n i stração p a rtici pativa os
fu n c i o n á ri o s j u ntamente com a d i reção estudarão os
métodos mais flex íveis e proporc i o n a d o res de satisfação n o
toca nte à s t o m a d a s de deci sões .

Falta de prog ra m a de capacitação Os relatos evidenciaram a i n existê n c i a de p ro g ra m a s de


de recu rsos h u manos para a desenvo l v i mento de pessoal (capacitação téc n i ca . recicla-
u n idade gem, trei n a m e nto e m serviço e educação conti n ua d a ) .

C I m pl a ntar progra m a s de desenvol v i m e nto de recu rsos


h u m a n os .

Fa lta d e c ro n o g ra m a d e reu n iões S eg u n d o os parti c i p a ntes , as reu n iões são m a rcadas


a d m i n i strativas e soci a i s q u a n d o s u rgem a l g u n s p ro b l e m a s , o q u e compromete a
p a rt i c i pação da m a i o ri a .

RECOMEN DAÇÕES:
C E l a borar u m c ro n o g ra m a de reu n iões a d m i n i strativas e
socia i s , envolvendo a part i c i pação de todos os fu n c i o n á r i o s .
C D�leg a r com petência aos fu n c i o n á ri o s q u a nto à o rg a n i ­
z a ç ã o d o s eventos soci a i s , cabendo-lhes o processo d e
escol h a e formação d a eq u i pe .

F alta de i nteg ração Tendo em v ista a d issoci a b i l idade entre o grupo, em


especial n o q u e s e refere a o s fu n c i o n á ri o s por t u r n o d e
tra ba l h o , foi levantada a n ecessidade de uma maior
i nteg raçã o , a qual poderá i n fl u e n c i a r positivamente no
dese m p e n h o d a s ações .

RECO M E N DAÇÃO:
C Rea l izar reu n iões soci a i s - a n iversa ria ntes d o mês,
confratern ização nata l i n a , festa j u n i na , jogos esportivos,

I
passe i o s , d i n â m icas de g r u p o .

SETOR DE FARMÁCIA

Desorgan ização e desconti n u i ­ N este setor i nexiste s i stematização e conti n u idade dos
d a d e dos serviços serviços. P ressu põe-se q u e este p ro b l e m a esteja rel a c i o n a d o
com a p resença de fu n c i o n á ri o s com d e s v i o de fu nção e pela
não e l a boração de n o rm a s a d m i n i strativas i ntern a s ,
atri b u i d o ra s de fu n ções e respon s a b i l idades aos fu n c i o n á rios
por respectivos setores .

252 R . Bras. Enferm. , B rasília, v. 50, n. 2, p. 247-256, abr.lj u n . 1997


Li s o d a T é c l l i c a d l' b r a i n s t o r m i n g p a r a t o m a d a de . . .

RECOM E N DAÇÕE S :
C R e m � n ej a r pessoa l q u a l ifica d o .
C Tre i n a r rec u rsos h u m a n o s p a ra o setor.
C Exped i r n o r m a s a d m i n i strativas delegando responsabi­
l idades aos fu n c i o n á ri o s d o seto r p o r turnos.
C S o l i cita r j u nto à S E S c o ntrata ção d e fa rmacêutico o u a
presença de um fa rmacêutico s u pervisor. pelo menos
q u i nzen a l me nte n a u n i d a d e .

Escassez de recu rsos h u m a n o s E ste i t e m f o i conte m p l a d o u n a n i m ente p e l o s p a rtic i p a ntes


devido à defasagem de pessoa l na u n idade em n ível
q u a l itativo e q u a ntitativo .

RECO M E N DAÇÕE S :
C De acordo c o m a fi l osofi a , o bjetivos e metas d a S E S , e m
particu l a r referente a o Centro de S a ú d e em estu d o , rea l izar
u m l eva nta m ento q u a nti-q u a l itativo d o s recu rsos h u m a no s
d i sp o n í ve i s .
C C a racterizar a c l i e ntel a de acord o c o m os programas
i m p l a ntad o s , espec i a l idades p rofiss i o n a i s e recu rsos
m ateri a i s d i s p o n íveí s .
C Aplicar c á l c u l o s de pessoa l apropriados para c a d a setor d a
u nidade.

I SETOR DE RECEPÇÃ O

F a lta de recursos materi a i s o problema e s t á rel a c i o n ado com a s u perlotação d o a rq u i vo


perm a n e ntes (arqu ivo) e de de fichas existentes no seto r , o q u e tem d ific u ltado o bom
c o n s u m o (fichas) a n d a mento d o servi ço . A fa lta de fic h a s de ate n d i mento a o
c l i e nte n o l o c a l é o utro problema c i t a d o pelos fu n c i o n á ri o s e
q u e ta m bé m i nterfere no serviço .

RECO M E N DAÇÕES :
C A p l i c a r recu rsos fi n a n ce i ros na i nfo rmatização do serviço.
C Adq u i ri r m ateri a l perm a n ente p a ra a rq u iv o .
C P rover sem a n a l m ente o setor d e recepção com fichas,
delegando res p o n s a b i l idades aos fu n c i o n ários por t u rn o ,
q u a nto à prestação de contas d o m ateri a l rece b i d o . Exemplo :
n ú mero de c l i e ntes novos (fi c h a s novas) + n ú m e ro de fichas
restantes + s a l d o d e fi c h a s d a s e m a n a ante r i o r + total de
fi c h a s rece b i d a s .

Desvio de fun ã o V e r i t e m referente a nterio rmente citado

SETOR DE ENFERMA GEM

F a lta de reto rno d a SES após Os p a rti c i p a ntes q ue i x a ra m-se da fa lta de reto rno dos
s u pervisão serviços - SES, q u a n d o das s u pervisões rea l izadas p a ra a
d etecção de p ro b l e m a s e levantamento de n ecessidades d o
serv i ç o , fic a n d o a s propostas a p e n a s em relatórios.

RECOM E N DAÇÕES:
C S o l icitar aos técn icos da SES que, ao rea l iza rem a
s u perv i sã o , a p resentem s o l u ções aos p ro b l e m a s d etectados
e n ecessidades levantadas , p a ra o perfeito desenvol v i m e nto
do serviço .

R . Bras. Ente rm. , B rasíl i a , v. 50, n . 2 , p . 247-256 , abr.lj u n 1 997 253


NÓBREGA, Mana de Magda/a ef a/li

Dificuldade para realizar consultas Segundo as enfermeiras, vários fatores contri buem para a
de enfermagem não operacionalização das consultas de enfermagem: falta de
capacitação de pessoal para o atendimento específico à
criança e à gestante; número insuficiente de profissionais de
enfemiagem; o desenvolver multitarefas; falta de triagem da
clientela e a falta fluxograma de atendimento.

RECOMENDAÇOES:
� Nomatizar a triagem na unidade desenvolvida por um
enfermeiro e um auxiliar ou técnico de enfermagem ,
observando-se o fluxograma de atendimento e necessidades
!Lerais do cliente.
O I ntroduzir a consulta de enfermagem , a partir de estudos
realizados pelas próprias enfermeiras da unidade, quanto ao
número de cliente/dia por programa implantado.
� Sugerir à SES a contratação e/ou remanejamento de
pessoal de enfermagem para a unidade, visando a
implantação de novos programas de saúde e dos existentes.

Presença de material permanente Foi relatada a presença de corrosão e sujidade em materiais


deteriorado permanentes, o que tom a o local insalubre, principalmente no
que se refere ao desenvolvimento de intervenções de
enfermagem , consultas médicas, atendimentos odontológicos
e de outros profissionais devido a possível concentração de
agentes patogênicos nestes fômites.

RECOMEN DÇOES:
� Observar rotineiramente as superfícies, equipamentos e
material permanente e de consumo que possam
comprometer a saúde dos clientes e dos profissionais.
� Providenciar, quando da detecção de q ualquer produto
impróprio na unidade, a sua remoção ou a reposição e
destinação do objeto danificado.

I nacessibilidade à água potável O problema reside na distribuição de água para beber.


Segu ndo os funcionários, a água servida nas tomeiras não
está dentro dos padrões de potabilidade, pois a mesma é
acondicionada dentro de um tanque sem que haja
manutenção periódica.

RECOMENDAÇÃO:
� Providenciar a manutenção periÓdica do reservatório de
água e adquirir garrafões de água mineral com os suportes
térmicos, colocando-os em lugares de fácil acesso a todos os
funcionários da unidade.
I nadequada coleta de lixo
ambulatorial Os funcionários salientaram que os resíduos da unidade são
coletados como l ixo domiciliar, fator este que coloca em risco
a saúde da comunidade por se tratar de resíduos de saúde
(contaminados).

RECOM E N DAÇÃO:
� Solicitar às agências estaduais e municipais de saúde
(Vigilância Sanitária) que operacionalizem a devida
destinação do lixo proveniente dos serviços de saúde
ambulatóriais, objetivando o cumprimento das normas
contidas na legislação recomendada pela OMS.

254 R. Bras. Enferm. , Brasília, v. 50, n. 2, p. 247-256, abr.�un. 1 997


U � ( J t i a ' U c l< i c a d L' b r a i n s t o r m i n g p a r a t O l/l a d ll d L' . . .

CONCLUSÃO

°desenvolvimento da "ferramenta brainstorring" ou "tem pestade de idéias" ,


neste estudo teve a participação de q uatro setores do centro de saúde, onde
observou-se a sua eficácia e viabilidade, através dos problemas apresentados
na fase criativa pelos participantes, como tam bém das recomendações feitas e
aceitas pelos mesmos, na fase critica , em busca de melhores condições de
trabalho, tanto para os profissionais como para a clientela atendida.
Essa técn ica proporciona a identificação de uma variedade de problemas que
podem ser solucionados j untamente com fu ncionários e direção do referido
estabelecimento , trazendo, assi m , alto g ra u de resolutividade na busca da
melhoria contín ua da qualidade.
Espera-se q ue este trabalho ven h a contribuir no gerenciamento do serviço
de enfermagem , não só no local do estudo mas também para os demais centros
de saúde q ue procuram o cami n h o da administração participativa , fazendo com
que os fu ncionários sejam parceiros e co-responsáveis pela qualidade do serviço
de saúde . .

REFERÊNCIAS BI BLIOGRÁFICAS

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4. CAR R , David K. , LlTT I MAN , l a n D . Excelência nos serviços públicos:


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5 . C ENTRO D E VIG I LÂN C IA SAN ITÁ R IA. S istema Ú nico Descentralizado de


Saúde de São Pau lo. Subsídios para organização de sis temas de
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