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Aluno: João Vitor Menduiña

Professor: Élton

Trabalho acerca do cap 1 do livro Deus e a filosofia de Étienne Gilson.

Assim como Étienne Gilson diz, “é muito arriscado ensinar grego a um grego”. De fato,
a cultura grega é tão rica e a palavra grega falada tem essência múltipla, abrindo para infinitas
possibilidades. Dentre elas, encontra-se o termo “Deus”. Como o definir para os gregos? Foi
esse um grande desafio para o autor, que tentarei expor aqui, com ênfase na diferença da
concepção de Deus entre os pré-socráticos e a mitologia. Os deuses do mito tinham o ato de
ver, agir e intervir diferente dos deuses dos filósofos.

Na Grécia antiga (momento da manifestação dos mitos), a origem de tal termos não
era filosófico, mas já existia na vida e cultura dos viventes. A palavra Deus estendia-se a uma
variedade conceitual. Ele podia ser entendido de maneira personificada como no caso dos
deuses imortais olimpianos (Zeus, Hera, Apolo) que nunca eram criaturas inanimadas, mas que
tinham vida e que eram protagonistas no mundo em que tudo chega aos homens a partir do
exterior, incluindo os seus sentimentos e paixões, as suas virtudes e seus vícios (estes são os
próximos a serem citados); como também vista como: O terror, A derrota, A discórdia, A morte
e o Sono. Podia ser compreendido também como uma realidade física, como o grande deus
oceano, a Terra ou o Céu (coisas que mais tarde na cultura cristã serão vistas como realidades
metafísicas/ontológicas). A priori, não há nada em comum nesta mistura heterogênea de
seres, mas com um olhas mais aguçado percebe ao menos um: todas essas entidades são
energias vivas que possuem vontade própria e agem de forma determinante na vida dos vivos.

A questão principal do passar da história é saber se os pré-socráticos, em seu


movimento de ascensão da filosofia, continuaram a acreditar nos deuses de Homero ou se
tinham começado a eliminar a maior parte deles, por serem fantasias. Entretanto é importante
ressaltar que algo do elemento religioso vai sempre permanecer, pois o homem está sempre
ligado ao fenômeno religioso. A grande dificuldade dos filósofos é a pluralidade de deuses,
pois se deus é “y”, como ter vários deuses diferentes que também são “y”? O resultado de
todos os deuses serem um só seria o panteísmo materialista. Destaca-se também acerca dos
primeiros filósofos gregos (pré-socráticos) que não evoluíram a teologia natural até o fim e
assim resolver esse “problema” sobre os deuses porque não queriam perde-los também (tal
cultura dos deuses permanece muitos anos ainda e cruza por Sócrates e Platão), embora
concepções como “ser livre” já estivesses sendo absorvidas. Em meio a isso, como por serem
de espírito crítico e não poderiam dizer que o oceano era deus, deixavam de perguntar sobre o
que era e tomavam o mundo como uma realidade eterna, e assim, interrogavam acerca da
essência/natureza por trás de todas as coisas (a arché). Para eles era muito difícil conciliar as
interpretações religiosas do munda com a filosófica. O que havia de comum era somente o
sentimento de necessidade das coisas serem e acontecerem da forma que são e acontecem
(racionalização da religião grega primitiva).
A mitologia não é o primeiro passo do caminho para a verdadeira filosofia. De fato,
nem se trata de uma filosofia. A mitologia é um primeiro passo do caminho para a verdadeira
religião; é religiosa em si mesma. A filosofia grega não pode ter emergido da mitologia grega
por qualquer processo de racionalização, porque a filosofia grega constituirá uma tentativa
racional de compreender o mundo como um mundo de coisas, enquanto a mitologia grega
expressava a firme de cisão do homem de não ser deixado sozinho, de não ser a única pessoa
num mundo de coisas surdas e mudas. Por isto dos filósofos gregos estarem desconcertados
ante o modo de identificar os seus princípios com os seus deuses ou os o seus deuses com seus
princípios. Precisavam de ambos. Aí está a nova separação; material e inteligível (que se
relaciona com o religioso). Entre em jogo a questão das ideias, como o imaterial que é divino e
que caracteriza o existir de algo, e não a matéria. A ideia de BEM é o que domina o divino
(embora Platão não afirmara que essa ideia fosse Deus).

Trabalho Facultativo:

“O homem é horizon et confinium” , de São Tomás de Aquino

O indivíduo homem vivem em constante dialética consigo mesmo. Ele é a fronteira


entre duas coisas: horizonte(que é inteligível e divino) e confinamento/prisão, que são duas
espécies de portas dentro do viver; é como ele decidirá ser. O homem é o prisioneiro de si
mesmo e a sua liberdade dependerá em conhecer a verdade. Ele pode ser seu próprio
libertador como seu carrasco, e isto depende dele mesmo e mais ninguém. Em que
acredita? Qual o sentido da vida? Viver bem? E principalmente: o amar... Assim diz
Hannah Arendt : “A suposição de que a identidade de uma pessoa transcende,
em grandeza e importância, tudo o que ela possa fazer ou produzir é um elemento
indispensável da dignidade humana. (...) Só os vulgares consentirão em atribuir a sua
dignidade ao que fizeram; em virtude dessa condescendência serão «escravos e
prisioneiros» das suas próprias faculdades e descobrirão, caso lhes reste algo mais que
mera vaidade estulta, que ser escravo e prisioneiro de si mesmo é tão ou mais amargo
e humilhante que ser escravo de outrem. “

A liberdade que possui ao ser horizonte é o belo que o homem deve ser, é o
divino da possibilidade da condição humana. É claro que o tempo todo estamos em
uma dialética de horizonte e prisão e jamais fugiremos da possibilidade de tal
movimento, pois somos frágeis. Inclusive podemos ser para o nosso outro horizonte e
confinamento também. Podemos ajuda-lo em sua libertação ou por mais uma corrente
em sua alma... O que somos afinal?