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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS

Engenharia de Transporte
Geologia Aplicada à Engenharia

Formação Cárstica

Fonte/Adaptação:
Decifrando a Terra. TEIXEIRA, TOLEDO, FAIRCHILD e TAIOLI
São Paulo: Oficina de Textos, 2000.

Prof. Evandro Carrusca de Oliveira


Geólogo Msc. Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos
Doutor em Geotecnia
Formação Cárstica

Cavernas, cânions e paredões rochosos formam os sistemas


cársticos e são produzidos pela ação geológica da água
subterrânea sobre rochas solúveis.

As cavernas, juntamente com os topos de cadeias de montanhas e


fundos oceânicos, além de constituírem uma atração turística,
oferecem grandes desafios aos exploradores de aventuras.

A exploração de cavernas tem sido de interesse da humanidade


desde tempos pré-históricos.
Foto: Evandro Carrusca
Carste:

Refere-se a uma paisagem marcada por rios subterrâneos com


cavernas (ou grutas) e superfície acidentada.

Os sistemas cársticos são formados pela dissolução de certos tipos


de rochas pela ação da água subterrânea.

Do ponto de vista hidrológico e geomorfológico, sistemas cársticos são


constituídos por três componentes principais:

• Sistemas de cavernas – formas subterrâneas acessíveis à


exploração;

• Aquíferos de condutos – formas condutoras da água subterrânea;

• Relevo cársticos – formas superficiais.


Sistemas de cavernas –
formas subterrâneas
acessíveis à exploração

Gruta Rei do Mato


Sete Lagoas (MG)

Fotos: Evandro Carrusca


Aquíferos de condutos –
formas condutoras da água
subterrânea

Gruta Tamboril
Unai (MG)
Relevo cársticos –
formas superficiais,
com paredões
rochosos e relevos
ruiniformes.

Gruta Rei do Mato


Sete Lagoas (MG)
Fotos: Evandro Carrusca
Fonte: Decifrando a Terra / TEIXEIRA et al. São Paulo:
Oficina de Textos, 2000.
Rochas
carstificáveis:
Dentre as várias rochas solúveis que podem originar o sistema cárstico,
destacam as rochas carbonáticas (calcários, mármores e dolomitos).

• Os calcários, cujo principal mineral é a calcita, dissocia-se nos


íons Ca2+ e CO32 pela ação da água.

• Os dolomitos, cujo principal mineral é a dolomita, dissocia-se


nos íons Mg2+ e CO32 pela ação da água.

Os calcários são mais solúveis que os dolomitos pois a solubilidade da


calcita é maior que a da dolomita.
Rochas carstificáveis:

calcários

Rochas
Carbonáticas

dolomitos mármores
Em regiões áridas ou semi-áridas, as rochas evaporíticas podem
originar sistemas cársticos.

Os quartzitos podem desenvolver sistemas cársticos, mas isto não é


um caso comum.

Este fenômeno ocorre quando o quartzito apresenta baixo teor de


resíduos insolúveis e sofrem longos períodos de exposição à ação da
água subterrânea.

Água dura:

É o termo dado às águas de nascentes cársticas. Este fato deve-se ao


alto teor de Ca e Mg (até 250 mg/L) presente na água, originado da
dissolução ácida do carbonato de cálcio pelo ácido carbônico, gerado pela
reação entre água e gás carbônico.
Dissolução de rochas carbonáticas:

• A água de chuva, em sua passagem pela atmosfera, dissolve e carrega


uma parcela de dióxido de carbono (CO2) nela existente, acentuando
sua acidez (H2O + CO2 H2CO3)

• Ao atingir o solo, penetra pelas camadas superiores, em meio ao


húmus, às raízes e diversos microorganismos, cujo metabolismo implica
a liberação de CO2, enriquecendo-se mais deste dióxido.

• A solução fica, então, saturada de CO2, tornando-se bastante ácida.

• Esta água (solução), em seu trajeto descendente em direção ao nível


freático, atinge a rocha carbonática (calcário) e se infiltra pelas fraturas
ou planos de juntas, dissolvendo o carbonato de cálcio (CaCO3) nela
contido, criando vazios e condutos.
Dissolução e precipitação
de calcita num perfil
cárstico

Fonte: Decifrando a Terra / TEIXEIRA et


al. São Paulo: Oficina de Textos, 2000.
Dissolução de rochas carbonáticas

A ampliação gradual dessas aberturas dá origem a

 galerias,

 salões e

 abismos,

os quais, unidos num estágio mais adiantado, funcionam como

- das águas descendentes e

• sistemas coletores

- da drenagem de superfície (rios,


córregos).

que passam a compor uma complexa drenagem subterrânea.


Condutos

Gruta Rei do Mato


Sete Lagoas (MG)
Foto: Evandro Carrusca

Rio Subterrâneo
Goiás
Componentes principais do sistema cárstico
Fonte: Decifrando a Terra, cap. 7.
Dissolução de rochas carbonáticas
• Esses cursos de água subterrânea por
sua vez, dependendo

 do maior ou menor fraturamento


vão ocasionar um entalhamento
da rocha,
da rocha em diversos planos,
 da alternância de camadas mais formando:
carbonáticas (mais solúveis),
- cânions subterrâneos,
 de camadas mais argilosas (que
- criando novas galerias
oferecem maior resistência à
corrosão), laterais ou inferiores,

- alargando os salões
através do processo de
abatimento de blocos,

- transformando parte dos


condutos originais em
salões de desmoronamento
com acúmulo de
fragmentos de rocha.
• Ao longo da evolução da
galeria ou dos condutos, o rio
subterrâneo chega a
abandonar alguns trechos pelo
rebaixamento do nível de seu
leito, assumindo outro trajeto.

Gruta Rei do Mato


Sete Lagoas (MG)
Fotos: Evandro Carrusca
Dissolução de rochas carbonáticas

• A ampliação dos condutos que compõem as rotas preferenciais


de fluxo da água subterrânea aumenta gradativamente

 a porosidade secundária ou porosidade cárstica da


rocha e

 a permeabilidade secundária da rocha

• Esse aumento da permeabilidade e porosidade secundária da


rocha transforma parte do aquífero fraturado em aquífero de
condutos.

• O processo de formação do aquífero de condutos e cavernas é


chamado de espeleogênese.
Dissolução de rochas carbonáticas
• Os aquíferos de
condutos constituem
uma característica
hidrológica fundamental
dos sistemas cársticos.

• Constituem aquíferos com


grandes volumes de água,
mas extremamente
vulneráveis à
contaminação, devido à
baixa capacidade de
filtração exercida pela
porosidade secundária. Gruta Rei do Mato
Sete Lagoas (MG)
Foto: Evandro Carrusca
Fotos: Evandro Carrusca
Fotos: Evandro Carrusca
Fotos: Evandro Carrusca
Cavernas:

São cavidades naturais com


dimensões que permitem acesso
ao ser humano.

Sete Lagoas (MG)

Fotos: Evandro Carrusca


Espeleotemas:

É a deposição de minerais nos


tetos, paredes e pisos das
cavidades, produzindo um
variado conjunto de formas e
ornamentações, genericamente
denominadas de
espeleotemas.

Os minerais mais comuns


depositados em cavernas
cársticas são a calcita e a
aragonita.

Gruta Rei do Mato


Sete Lagoas (MG)
Fotos: Evandro Carrusca
Cavernas:

Os espeleotemas são classificados segundo sua forma e o regime de


fluxo da água de infiltração, causa principal da sua grande diversidade
morfológica.

Os mais freqüentes são formados por gotejamento da água de infiltração,


como estalactites e estalagmites.

As estalactites são gerados a partir de gotas que surgem em fraturas


nos tetos de cavernas e crescem em direção ao piso.

As estalagmites crescem do piso em direção às origem do gotejamento,


com o acúmulo de carbonato de cálcio precipitado pela gota após atingir o
piso.
Espeleogênese:

É o processo de formação do aqüífero de condutos e cavernas.

A ampliação dos condutos que compõem as rotas preferenciais de fluxo


da água subterrânea aumenta gradativamente a permeabilidade
secundária da rocha, transformando parte do aqüífero fraturado em
aqüífero de condutos, transformando-se numa característica hidrológica
fundamental de sistemas cársticos.
Relevo
Cárstico

Estalactites
Gruta Tamboril
Caverna Água Suja - SP
Unai (MG)
Espeleotemas

Helictites
Estalactites
Caverna Santana - SP

Caverna Santana - SP
Estalactites
Caverna Santana - SP

Helictites

Estalactites
Colunas - formadas pelo encontro de um
estalactite com um estalagmite (raridade
mundial)

Gruta Rei do Mato – Sete Lagoas (MG)

Estalagmite em formação na Gruta Rei do Mato


Sete Lagoas - MG

Fotos: Evandro Carrusca