Você está na página 1de 719

Design Em

PortugaL
De 187O a 197O
IlustraÇão, Revistas, Brochuras,
Cartazes, ExposiÇão, Propaganda
de estado, publicidade, Desenho de
Letras, Livros, FILME, Fotografia,
Litogravura, Design de Produto,
Marketing & Branding.

Tipografos.net
PAULo Heitlinger
2018
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal /  /  Temas
/ / Índice Remissivo página 2

Venda do formato e-book:


Como usar este e-book: tire termos e condições
partido da interactividade
Para usar este PDF, opte pelo «reader» original – o Acrobat Este livro digital (e-book em formato PDF) é vendido
em forma de exemplar personalizado, que identifica
Reader da Adobe. Os outros softwares não são tão eficien-
digitalmente o seu proprietário.
tes. Aos leitores menos experientes em usar o Acrobat Rea-
O PDF pode ser impresso pelo proprietário e partes
der, gostaria de lembrar que podem usar a função «Search» escolhidas também poderão ser projectadas em sala
para procurar as ocorrências de qualquer palavra contida no de aula, por exemplo – se for esclarecida qual a
texto. Basta premir Control + F para activar a janelinha de origem deste documento e quem o seu autor.
busca. O proprietário deste exemplar também poderá
Se usar o Acrobat, poderá anotar os seus comentários copiar curtos trechos de texto, para simplificar o
directamente «em cima» deste documento, personalizando processo de citações.
Contudo, o exemplar comprado não poderá ser
este seu exemplar.
transferido a outras pessoas! A «transferência»
O Índice remissivo (nas últimas páginas) e o Índice de
deste exemplar a outra pessoa que não o seu
temas (no ínicio do livro) oferecem ao leitor links interacti- comprador é facilmente detectável e servirá para o
vos. Clicando com o rato sobre os números de página destes autor optar imediatamente pelos procedimentos
links, «salta» imediatamente para a página referenciada. jurídicos que considere necessários, para
Também as referências cruzadas (...veja página xyz...) salvaguardar os seus interesses comerciais e os seus
oferecem esta interactividade. São facilmente identificáveis, direitos de autor.
semelhantes àquelas que se vêem em páginas-web.
Os web-sites assinalados nos textos também permitem All rights reserved. 2012, 2013, 2014, 2015, 2016,
uma activação directa, basta clicar com o mouse, para acti- 2017, 2018. Copyright by Paulo Heitlinger.
var o seu web-browser e abrir a página assinalada, directa-
mente no web-site. (Para que tal aconteça, terá de ter uma
ligação online activada.)
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Temas / Temas / Índice Remissivo página 3

Temas
Temas............................................................................................. 3
Temas Exposição Colonial, Paris, 1931...............................................188
Introdução..................................................................................... 6 Exposição Colonial, Porto, 1934.............................................192
Rafael Bordalo Pinheiro............................................................... 9 Exposição Internacional de Paris, 1937............................... 196
Obra..................................................................................................10 Exposição de Nova Iorque, 1939............................................202
Biografia......................................................................................... 26 Golden Gate Exposition, San Francisco, 1939...................205
Vinho do Porto, nova imagem................................................... 34 Exposição do Mundo Português, 1940.................................206
Raul de Caldevilla........................................................................ 62 O Sr. António Ferro..................................................................... 211
ETP – Estúdio Técnico de Publicidade...................................75 Enquadramento 3..................................................................... 214
O impacto da Litografia.............................................................80 Desenho de Letras, manual.....................................................214
Enquadramento 1........................................................................ 80 José Rocha.................................................................................. 219
Preparação de um cartaz litográfico..................................... 93 José Rocha (1907–1982) e a ETP............................................. 227
Fred Kradolfer............................................................................. 98 Thomáz de Mello (TOM)............................................................ 230
A obra............................................................................................ 100 Bonecos.........................................................................................231
Publicidade em sala de cinema............................................. 109 Thomaz de Mello (1906–90)................................................... 247
Lambrilhas....................................................................................115 Luis Dourdil (1914 - 1989).........................................................249
Exposições fascistas do «Estado Novo»..............................123 Turismo no «Estado Novo»...................................................... 251
Pintura de Cavalete....................................................................127 Evolução do Turismo................................................................ 252
Biografia F. Kradolfer.................................................................134 Emmérico Nunes....................................................................... 258
Enquadramento, 2.................................................................... 146 Emmérico Nunes (1888–1968) ...............................................260
O «Sachplakat», 1920-1950...................................................... 146 Jorge Barradas........................................................................... 265
Bernardo Marques.................................................................... 154 Enquadramento 4..................................................................... 275
Bernardo Marques (1898-1962)...............................................178 A noite lisboeta.......................................................................... 277
Cronologia....................................................................................183 Biografia.......................................................................................280
Exposições do «Estado Novo»................................................. 185 Cerâmicas de Jorge Barradas................................................. 283
Exposição Ibero-Americana, Sevilha, 1929........................ 186
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Temas / Temas / Índice Remissivo página 4

Eduardo Anahory...................................................................... 291 Fundição de Oeiras...................................................................465


E. Anahory (1917–1985)............................................................. 293 Zelly, marca de farinhas...........................................................469
Almada Negreiros..................................................................... 295 Viarco, marca de lápis..............................................................470
Biografia Negreiros...................................................................299 Bonbons Arcádia....................................................................... 473
Maria Keil................................................................................... 305 Vista Alegre................................................................................. 477
Biografia Maria Keil..................................................................306 Móveis Olaio................................................................................ 483
Stuart Carvalhais...................................................................... 309 Metalúrgica da Longra.............................................................489
Stuart Carvalhais (1888 – 1961).............................................. 338 Daciano da Costa (1930-2005) ...............................................492
Arte Nova em Portugal............................................................. 344 Marketing.................................................................................. 497
Art–Déco em Portugal.............................................................. 374 Marketing para conservas de peixe......................................498
O estilo que veio de França..................................................... 376 Campanhas para a Produção Agrícola ..............................509
Arquitectura e Interiores..........................................................381 Revista do Lar..............................................................................515
Café Imperial, Porto.................................................................. 382 «Arte popular portuguesa»..................................................... 517
Charles Siclis e a Vila Serralves............................................. 389 O Museu de Arte popular......................................................... 524
Manuel Marques (1890 – 1956)............................................... 392 Discurso de A. Ferro na inauguração da Exposição de Arte
Porfírio Pardal Monteiro (1897–1957)..................................394 Popular (1936)..................................................................................... 527
Cassiano Branco (1897–1969)................................................ 400 Sebastião Rodrigues................................................................. 530
Jorge Segurado............................................................................405 Anos 40, 50....................................................................................531
Cottinelli Telmo......................................................................... 423 Anos 70......................................................................................... 559
Artes aplicadas Art-Déco........................................................ 427 Capas de livro.............................................................................586
Porcelana Art-Déco...................................................................440 Sebastião Rodrigues (1929 - 1997)......................................... 599
Design de Produto.................................................................... 443 Paul Rand, WPA: comparações..............................................602
Sabonetes Claus Porto.............................................................444 Revistas Ilustradas................................................................... 605
Sabonetes Confiança (desde 1894).......................................450 Ilustração (1926-39).................................................................. 606
Nally, perfumes........................................................................... 453 Revista ABC.................................................................................607
Oliva, a máquina de costura portuguesa............................454 Voga...............................................................................................608
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Temas / Temas / Índice Remissivo página 5

Século Ilustrado ....................................................................... 609


Ilustração Portugueza (1903 – 1977)..................................... 610
Cinéfilo (1928-1939)................................................................... 614
Occidente (1878-1909)...............................................................617
Contemporânea (1915-1926)....................................................620
Ver e Crer (1945–50).................................................................. 623
A revista fascista Sinal.............................................................626
Seara Nova....................................................................................631
Desenho de Letras.................................................................... 635
Tipografia Art-Déco..................................................................636
A fonte Cantoneiros.................................................................. 638
Altas e esguias: a fonte Bertrand...........................................646
Fonte digital Vitália................................................................... 655
Outros exemplos de lettering Art-Déco..............................666
Sena da Silva (1926-2001).........................................................680
Núcleo de Arte e Arquitectura Industrial .......................... 685
Paulo‑Guilherme d'Eça Leal,Yê-Yê........................................686
Robin Fior....................................................................................694
Fotografia.................................................................................. 699
Artur Pastor (1922 – 1999)........................................................700
O Estúdio Horácio de Novais..................................................706
Fotografia «de Estado».............................................................713
Bibliografia / web-sites.............................................................715
Índice Remissivo....................................................................... 716
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Introdução / Temas / Índice Remissivo página 6

Introdução
E
sta documentação pretende contribuir para divul-
gar e compreender a evolução do Design em Portugal,
discutindo as obras fundamentais dos primeiros 100
anos: o período entre 1870 e 1970, com obras da auto-
ria de Rafael Bordalo Pinheiro, do atelier de Raul de Calde-
villa (pág. 62), de José Rocha (pág. 219), de Bernardo
Marques (pág. 6), Stuart Carvalhais (pág. 340), Fred Kra-
dolfer (pág. 134), Jorge Barradas (pág. 265), Maria Keil
(pág. 306) e outros membros do gabinete de publicidade
ETP.
Os artistas gráficos mais modernos aqui apresentados
são Sebastião Rodrigues, Sena da Silva e Paulo-Guilherme. A
compilação termina antes da data crucial que irá mudar radi-
calmente toda a cena cultural em Portugal: 1974. Contudo,
deixa projectado o que vem depois – já que várias biografias
continuam para além do 25 de Abril.

O
estudo aprofundado das obras dos designers escolhi-
dos para integrar este e-book permitirá perceber a sua
importância no panorama nacional e perceber a sua
contextualização no panorama internacional. Espero
não ter caído no erro fatal que consiste em evitar a análise
política e social de uma produção de Design gráfico que teve Cartaz, Design: TOM. Museu de Arte Popular, Lisboa, 1960. 1,06 x 77 cm
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Introdução / Temas / Índice Remissivo página 7

um quinhão muito importante orientado para a modos de vida (e, frequentemente, das limita-
propaganda do Estado fascista português. ções intelectuais) que a cultura material traduz.

D P
e facto, Portugal assume uma posição retendi construir um registo comen-
única no campo do Design de Comunica- tado das soluções projectuais de origem
ção: dezenas de artistas gráficos fizeram portuguesa e dos principais protagonis-
continuamente a apologia do regime fas- tas; construir o esclarecimento das (pou-
cista, prestando-lhe os mais variados serviços. cas) contribuições portuguesas para o Design
Em vez de reforçar a já fraca auto-confiança dos internacional, analisando artefactos e produ-
Portugueses, o Design de Comunicação debili- tos, publicações e comunicações que fossem
tou-a ainda mais, dando continuamente voz e suficientemente paradigmáticos. É importante
expressão à propaganda de Salazar. compreender a singularidade do Design portu-

A
História do Design Português ainda não guês, isolado pelo sistema político do intercâm-
tinha sido feita de modo sistemático e bio internacional, que foi tão característico e
consistente – apesar de já existirem con- estimulante no Design do século xx.
tributos para a sua compreensão, atra- Um Design que se viu separado do Moder-
vés de teses de mestrado e doutoramento e de nismo europeu, sem qualquer interacção (ou
alguns poucos livros e catálogos. É, no entanto, mesmo uma simples recepção) dos polos crista-
possível traçar a evolução da concepção e produ- lizadores desta causa: Werkbund, Oficina Vie-
ção de artefactos em Portugal no fim do século nense, Bauhaus, etc.

P
xix e ao longo do século xx, tentando perceber ara alguns leitores pode não parecer plau-
quais foram os seus protagonistas, a sua rela- sível o espaço ocupado neste livro pela Comed fruta española. Penagos,
Rafael de (1889–1954) – Dibujos,
ção com factores sociais, económicos, políticas e Arquitectura. Dois motivos fazem jus-
grabados y fotografías 1930.
influências vindas do estrangeiro. tificável esta escolha. Primeiro: de 1900
Este esforço não pretende ser a usual celebra- a 1950, muitos arquitectos foram designers – e
ção condescendente, nem a mera cronologia dos quase todos os designers foram também arqui-
objectos e dos seus autores, mas um registo dos tectos. Este facto registou-se em Portugal e em
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Introdução / Temas / Índice Remissivo página 8

muitos outros países. Segundo: registou-se frequente-


mente um estreita colaboração entre arquitectos e os
chamados «decoradores», nomeadamente nos projec-
tos de pavilhões de exposições e nas peças ali expostas.
Omitir os arquitectos, seria contar metade da história...

N
as já mencionadas teses de Mestrado e Doutora-
mento, praticamente nenhuma quis fazer uma
comparação de conteúdos, técnicas e estilos
vigentes em outros países da Europa e nos EUA.
Para esse efeito compilei textos e reuni imagens, que,
aqui agrupadas de modo minimamente coerente, ficam
disponibilizados para o prazer dos aficionados, para o
estudo mais sistemático – e para o ensino, nos liceus e
nas universidades portuguesas, espanholas, brasileiras
e latino-americanas. Muitas imagens estão organizadas
e dispostas de modo a que possam ser usadas em projec-
ções feitas com um «data-show», em apresentações ou
em aulas. Margaret Monck, Man, Quayside with Bird
Cages (Portugal). Década de 1930–1940.
Outra novidade apresentada neste livro é a discus-
Enquanto os artistas gráficos portugueses
são do panorama tipográfico português, na primeira
produziam «bonecos» às dúzias, alguns
metade do século xx. Apresento uma série de desenhos fotógrafos estrangeiros mostravam a outra
de letra típicos do período em questão. cara de Portugal.
Porto, Janeiro de 2016
Colónia, Abril de 2018
Paulo Heitlinger
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
9 9

Rafael
Bordalo
Pinheiro

Ilustração Portuguesa
Revista ilustrada
Capa / 21.2.1914
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
10 10

Obra
Poucos artistas respiráram a plenos pulmões a
liberdade de expressão que reinou em Portugal,
umas duas curtas décadas. Espírito autónomo,
inteligente, e artista consumado: Bordalo
Pinheiro não teve rivais, nem permite
comparações. Foi único.

Almanach de Caricaturas.
Revista ilustrada
1875.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
11 11

Revista ilustrada
O António Maria

O homem dos sete instrumentos


Revista O António Maria
Ilustração litográfica monocromática.
Rafael Bordalo Pinheiro.
Janeiro de 1881.
Fonte: Hemeroteca de Lisboa.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Rafael Bordalo Pinheiro / Temas / Índice Remissivo página 12

N
a década de 1880, o panorama artís-
tico português mostrava mais sinais
de energia, pois, como afirmou Sandra
Leandro, comparando «com a década
anterior é inegável a existência de um maior
dinamismo no domínio das artes».
Novas revistas e jornais foram criados,
adoptando cada vez mais a imagem ilustra-
tiva, primeiro com a litogravura e depois com a
fotografia, para vitalizar as suas páginas.
Em 1878 foi fundado o ultraconservador
magazine Occidente, que durou até 1915. Em
1879, Rafael Bordalo Pinheiro chegou do Bra-
sil e logo criou um novo jornal de caricaturas,
O António Maria, que apesar de uma interrup-
ção de seis anos (1885-1891), durou até 1898.
Em ambos os periódicos seria feita a cró-
nica da Lisboa do final do século, no primeiro Últimos dias de Cascais.
de forma tetógrada e no segundo de um modo Revista O António Maria.
vincadamente satírico. 1879. Ilustração
litográfica
monocromática da
autoria de
Rafael Bordalo
Pinheiro. Fonte:
Hemeroteca de Lisboa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
13 13

Revista O António Maria. 1879.


Ilustração litográfica
monocromática
Rafael Bordalo Pinheiro.
Fonte: Hemeroteca de Lisboa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
14 14

O António Maria. Ilustração litográfica de Rafael Bordalo Pinheiro. 1879.


Fonte: Hemeroteca de Lisboa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
15 15

O António Maria. Ilustrações litográficas de Rafael Bordalo Pinheiro.


1897. Fonte: Hemeroteca de Lisboa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
16 16

Revista ilustrada A Paródia


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
17 17

A Paródia (1900-1907)
Rafael Bordalo Pinheiro
A Política – a grande Porca
Ilustração litográfica de capa.
1900. Hemeroteca de Lisboa.

Este semanário satírico fez escola


no Design editorial de 1900.
Foi o mordaz comentário da actualidade
política e social com o traço
satírico de Rafael Bordalo Pinheiro.
Através da caricatura e da sátira, este artista
denunciou a engrenagem social e política
contribuindo de alguma forma para a queda da
monarquia portuguesa, já putrefacta.

Introduziu texto previamente preparado


à parte, na pedra desenhada pelo litógrafo.
Combinava as técnicas de imprensa
da época: Tipografia de composição manual, litografia
manual e calcografia.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
18 18

A Finança: o Grande Cão. 1900.


R. Bordallo Pinheiro. Ilustração
litográfica de capa da revista
A Paródia, impressa na Typographia e
Lytographia da Companhia Nacional
Editora, Largo do Conde Barão, em
Lisboa, a 24 de Janeiro de 1900.
Hemeroteca de Lisboa.

Nas capas das revistas ilustradas de R.B.


Pinheiro, a imagem (litográfica) era o
conteúdo mais importante;
o discurso escrito ficava para segundo
plano. No semanário
A Paródia, o traço gráfico era a sátira
dos «podres» de uma sociedade
burguesa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
19 19

A Paródia
Ilustração litográfica de
Rafael Bordalo Pinheiro
A Instrucção Pública - a Grande Burra.
1901.
Hemeroteca de Lisboa
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
20 20

A Paródia
Ilustração litográfica
A nova eleição do Porto
1900.
Hemeroteca de Lisboa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
21 21

A Paródia
Ilustração litográfica de
Rafael Bordalo Pinheiro
A Descoberta do Brazil.
1900.
Hemeroteca de Lisboa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
22 22

A Paródia / Ilustração litográfica de A Paródia / Ilustração litográfica de


Rafael Bordalo Pinheiro. O Eclypse do Sol. 1900. Rafael Bordalo Pinheiro
Os Pretos de São Jorge
1900. Hemeroteca de Lisboa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
23 23

A Paródia
Ilustração litográfica de Rafael
Bordalo Pinheiro.
3º ano. 1902. Hemeroteca de
Lisboa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
24 24

Paródia
Ilustração
As duas Dividas
3º ano. 1902.
Hemeroteca de Lisboa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Rafael
/ Rafael
Bordalo
Bordalo
Pinheiro
Pinheiro
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
25 25

Paródia
Ilustração litográfica de
Rafael Bordalo Pinheiro.
Capa / 24.12.1913
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Rafael Bordalo Pinheiro / Temas / Índice Remissivo página 26

Biografia
Raphael Bordallo Pinheiro
(1846 - 1905)
A vasta obra litográfica de RBP espalhou-se por
dezenas de livros e publicações em Portugal,
Espanha, França e Brasil. Foi precursor do cartaz
artístico e um dos pioneiros da Banda Desenhada
em Portugal.

«Retratos muito mais vivos, muito mais parecidos com


o original do que as próprias fotografias das persona-
gens que representam, desenhou-os êle de um só jacto
na pedra litográfica ou no papel autógrafo, entre a meia-
-noite e as cinco horas da madrugada, em pé à banca,
sob a luz crua e mordente do gás, sempre à última hora,
febricitante de pressa, escorrendo suor, com a testa
e o nariz manchado de prêto pelas dedadas de craião,
fumando àvidamente cigarretes, falando sempre, can-
tando, assobiando ou deitando complacentemente a
língua de fora às figuras …». Assim descreveu Rama-
lho Ortigão a maneira de trabalhar de Rafael Bordallo
Pinheiro, n’As Farpas, em Abril de 1882.
Em 1891, Ortigão volta de novo a escrever sobre o
artista: «Genuinamente português por constituição
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Rafael Bordalo Pinheiro / Temas / Índice Remissivo página 27

e por temperamento, de olhos tornou-se um pintor consu-


pretos, nariz grosso, cabelo mado (pág. 33).
crespo, tendendo para a obe- Em 1860 (com 13 anos) ins-
sidade, ele é um sensual, um creve-se no Conservatório de
voluptuoso, um dispersivo, um Lisboa e matricula-se na Aca-
desordenado. Uma das mais demia de Belas Artes (Desenho
belas virtudes que ele não tem, de Arquitectura Civil, desenho
é a que consiste em vencer os antigo e modelo vivo), depois
impulsos da natureza. Desgra- no Curso Superior de Letras e na
çadamente, observa-se com Escola de Arte Dramática.
frequên­cia que os homens rígi- Estreia-se muito jovem no
dos, que mais exemplarmente Teatro Garrett como actor,
triunfam das próprias paixões, embora nunca venha a fazer car-
não triunfam de mais nada.» reira no palco. Em 1863, o pai

R
afael Bordalo Pinheiro, arranja-lhe um lugar na Câmara
brilhante ilustrador, litó- dos Pares, onde descobre a
grafo, caricaturista e cera- sua verdadeira vocação, deri-
mista, foi influenciado vado das intrigas políticas dos
pelo ambiente da casa paterna. bastidores.
O seu pai, Manuel Maria Bor- Começa por tentar ganhar a
dalo Pinheiro, funcionário do vida como pintor com composi-
Estado, foi um pintor romântico ções realistas apresentando tra-
sem grande mérito, mas com balhos em 1868 na exposição da
muito entusiasmo. Já o irmão, Sociedade Promotora de Belas-
Columbano Bordalo Pinheiro, -Artes, onde mostra 8 aguare-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Rafael Bordalo Pinheiro / Temas / Índice Remissivo página 28

las inspiradas em costumes e tipos populares. Em


1871 recebe um prémio na Exposição Internacio-
nal de Madrid. Mas, certo pelo certo, e paralela-
mente às «Belas Artes», vai desenvolvendo a sua
faceta de ilustrador e decorador.

E
m 1870, o sucesso obtido por uma caricatura
alusiva à peça O Dente da Baronesa revela um
talento e vai dirigir a direcção da sua carreira
profissional. Esse ano vê surgir o álbum de
caricaturas O Calcanhar d’Aquiles, a folha humo-
rística A Berlinda, da qual saem sete números,
e O Binóculo, periódico semanal à venda nos tea-
tros, com quatro números publicados. Deu ainda à
estampa o Mapa de Portugal, com vendas superio-
res a 4.000 exemplares, no espaço de um mês.
Entre 1873 e 1875, colabora como ilustrador
nos periódicos Illustración de Madrid, Illustración
Española y Americana, El Mundo Cómico, El Bazar,
em várias revistas francesas e inglesas, além do
prestigiado Illustrated London News, que lhe dirige
convites de trabalho em Londres, que Bordalo não
aceita.

E
m 1875 cria a celebérrima figura do Zé Povi-
nho, publicada n’A Lanterna Mágica. A figura
popular Zé Povinho que criou, veio a tornar-
-se o símbolo do povo português, lado a lado
com o John Bull britânico e o Michel alemão. Cerâmica decorativa. Fábrica das Caldas da Rainha.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Rafael Bordalo Pinheiro / Temas / Índice Remissivo página 29

Surge uma proposta de colaborar n’O Mosquito, jor-


nal brasileiro de humor, e no Verão de 1875 parte para o Rio
de Janeiro, onde vive quatro anos, apesar duma difícil adap-
tação ao meio. No Brasil cria duas revistas de caricaturas: o
Psit!!! (1877) e O Besouro (1878–79). Nascem do seu lápis per-
sonagens da sociedade carioca, tais como o Psit!, o Arola ou o
Fagundes. Do Brasil envia a sua colaboração para Lisboa, vol-
tando a Portugal em 1879 e lança O António Maria.

R
afael Bordalo Pinheiro mostrou modernidade, opti-
mismo e uma excepcional tranquilidade com que mol-
dou a sua agitada vida. Cedo percebeu o fatalismo e o
atraso mental do seu país, a sua sebastiana megaloma-
nia, a sua preguiça e trafulhice – e ficou convencido que estes
defeitos crónicos não tinham cura. Deste modo, não optou
pela acção política e adoptou o cinismo como profissão.
Descria, como a maioria dos intelectuais burgueses do
seu tempo, da falida e podre Monarquia, mas, ao contrário
de muitos, não foi grande entusiasta da República. Sabia que
Portugal seria sempre um peão no palco político internacio-
nal, manipulado pelo John Bull ou pelo Kaiser alemão.

O
Zé Povinho, saloio esperto e matreiro, sem moral, se
pudesse, trepava para as costas dos que o cavalam a
ele. Não gosta de trabalhar e prefere resignar-se do
que a combater. O seu manguito é o seu gesto filosó-
fico perante os desacertos do mundo. Esta descrença foi para
Rafael Bordalo Pinheiro uma filosofia social, ancorada na cari- Cerâmica decorativa. Fábrica das Caldas da Rainha.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Rafael Bordalo Pinheiro / Temas / Índice Remissivo página 30

cata passividade portuguesa. Trabalhando no jornalismo, gostava


das máquinas e das novas tecnologias de edição. Gostava de trabalhar
em conjunto, posicionando-se na cadeia de produção em lugar estra-
tégico, dominando e intervindo em todas as fases. Mas revela a sua
excelência no trabalho solista como litógrafo.

B
ordalo Pinheiro também embarcou na aventura de fazer uma
fábrica para renovar as artes da cerâmica. Em 1885 começa o
fabrico da louça artística na Fábrica de Faianças das Caldas da
Rainha. No projecto propõe uma cerâmica ora popular, ora
patética. A louça que desenha mistura o Naturalismo romântico, ele-
mentos Arte Nova e a sua própria iconografia, transformando carica-
turas desenhadas em figuras tridimensionais..
Bordalo Pinheiro integrou o Grupo do Leão (1881–89), importante
formação livre apoiada por Alberto de Oliveira (1861–1922), que reu-
niu artistas, escritores, intelectuais em torno de Silva Porto (1850–
1893) e incluiu os pintores José Malhoa (1855–1933), António Rama-
lho (1859–1916), João Vaz (1859–1931), Moura Girão (1840–1916),
Henrique Pinto (1853–1912), Ribeiro Cristino (1858–1948), Rodrigues
Vieira (1856–1898), Cipriano Martins e ainda Columbano, que pinta
o célebre retrato de grupo (1885) onde figuram estes protagonistas à
mesa do Leão d’Ouro, acompanhados por Manuel Fidalgo e outro dos
criados daquela cervejaria lisboeta. Zé Povinho, em cerâmica.
Também Raphael caricatura os mesmos na Alegoria ao Grupo do
Leão, óleo a simular azulejo, em que cada artista surge com os atribu-
tos do seu género de pintura.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Rafael Bordalo Pinheiro / Temas / Índice Remissivo página 31

Vaso cerâmico, da Fábrica das Caldas da Rainha.

Figuras de cerâmica. Fábrica das Caldas da Rainha.


Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Rafael Bordalo Pinheiro / Temas / Índice Remissivo página 32
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Rafael Bordalo Pinheiro / Temas / Índice Remissivo página 33

O Grupo do Leão, uma tertúlia de artistas Bordalo Pinheiro.


portugueses, reunia-se na Cervejaria Leão de Em 1885 o Grupo do Leão foi imortalizado
Ouro em Lisboa, entre 1881 e 1889. Contava num óleo sobre tela com o mesmo nome, da
com jovens artistas como Silva Porto, José autoria do pintor Columbano Bordalo
Malhoa e os irmãos Rafael e Columbano Pinheiro [irmão de Rafael].
Vinho do Porto, nova imagem
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 35

E
O cartaz mais famoso e
m 1880, Adriano Ramos Pinto, um artista
mais bem concebido, da
portuense de 21 anos, decidiu fundar uma
autoria de René Vincent,
empresa de Vinho do Porto. Em 1896, o para a empresa Adriano
irmão António, fotógrafo, junta-se ao Ramos Pinto.
negócio e cedo decidem apostar no mercado Dimen: 67.5 x 47.5 cm
brasileiro para o qual, nos anos 20, exportam
já metade da produção. É certamente o espí-
rito artístico destes irmãos que os leva a apos-
tar numa imagem publicitária de traço ousado
e invulgar qualidade, assinada por artistas por-
tugueses e estrangeiros – hoje, um património
com o qual nenhuma outra marca de Porto pode
competir.

Adriano Ramos Pinto (1859-1927)


Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 36

É
um caso único na história do Marke-
ting em Portugal. Por volta de
1900 operou-se uma importante
mudança de paradigmas na comer-
cialização do Vinho do Porto, um dos
produtos mais importantes exportados
deste país. A mudança operou-se por ini-
ciativa do artista Adriano Ramos Pinto,
que substitui o obsoleto imaginário nos
rótulos das garrafas, impondo uma ico-
nografia baseada no prazer e na sensua-
lidade. Em 1880, Adriano Ramos Pinto,
um artista portuense de 21 anos, decidiu
fundar uma empresa de vinho do Porto.
Contratou uma série de artistas gráficos
para remodelar o imaginário presente nos
rótulos.

Na imagem: um rótulo da concorrência


reflecte um conceito publicitário já
ultrapassado.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
37 37

Vinho do Porto apregoado


como "tónico nutritivo".

Adriano Ramos Pinto não


apostou em asneiras deste
tipo, em elementos
tradicionais do Vinho do
Porto, como o
"envelhecimento em casco"
as "medalhas obtidas", etc.
Em vez destas convenções
ultrapassadas, apostou no
prazer e na sensualidade.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 38

Rótulos da
concorrência
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 39

Oh moço !...Oh gentes!...


Que lindeza !...que esfusio !...
que encrenca !...
Tem a goustusura do vatapá da
Baía, do bacába e burity, este
Quinado Ramos Pinto !...
É para a gente ficar tiririca !...

Adriano Ramos Pinto começou a produzir


anúncios específicos para os seus diferentes
públicos-alvo.
À esquerda: Brasil; em cima: Europa.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 40

Diga então qual é o melhor


Vinho do Porto? É o RAMOS PINTO!

Motivo publicitário "inspirado" na obra


publicitária de Alfonse Mucha, Paris
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
41 41

Até os santinhos podem ser levados à tentação... Em vez de usar as convenções


ultrapassadas, Ramos Pinto apostou no prazer e na sensualidade.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
42 42

Adriano Ramos Pinto fundou a sua casa comercial no ano de 1880, com
apenas 21 anos. A sua publicidade foi considerada escandalosa, pelos
critérios moralistas da "boa gente" do Porto.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
43 43

O Vinho do Porto Adriano Ramos Pinto dá alegria aos tristes e audácia


aos tímidos, como dizia dithyrambo grego.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
44 44

Adriano Ramos Pinto


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
45 45

Adriano Ramos Pinto


fundou a sua casa
comercial no ano de 1880,
com apenas 21 anos. A sua
publicidade foi
considerada escandalosa,
pelos critérios moralistas
da "boa gente" do Porto.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
46 46
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
47 47
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
48 48
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
49 49

Da série Vistas do Porto: o (antigo) Palácio de Cristal.


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
50 50
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
51 51

Da série Figuras do Porto: o vendedor


de azeite com o seu jumento.

Da série Figuras do Porto: profissões tradicionais.


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
52 52
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 53
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 54
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Vinho
/ Vinho
do Porto,
do Porto,
nova imagem
nova imagem
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
55 55
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 56

Houve quem apostasse na


imagem "progressista" da
República, para vender
Vinho do Porto.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 57

Houve quem apostasse na


imagem "progressista" da
República, para vender Vinho
do Porto. O político e homem de
Esatdo Bernardino Machado.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 58
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 59

A
driano Ramos Pinto começou a produzir anún-
cios específicos para os seus diferentes públi-
cos-alvo. Por exemplo, para o Brasil. A sua
meta era alcançar o mercado brasileiro, que
consegue rapidamente, e em 1896 dá sociedade ao
seu irmão Antonio Ramos Pinto, proprietário de uma
casa de fotografia no Porto. Pelo que a empresa se
passa a chamar Adriano Ramos Pinto & Irmão, Lda.
com escritórios e sede em Vila Nova de Gaia. A este
fica a tarefa da gestão comercial da firma enquanto
Adriano se ocupa da divulgação e promoção da marca.

H
omem de bom gosto, especialmente aprecia-
dor de mulheres sedutoras, encomendou car-
tazes publicitários capazes de, pelo seu estilo
arrojado com figuras femininas cheias de
beleza, sensualidade e erotismo, chamarem a atenção
e capazes de promover o seu Vinho do Porto. Era um
homem viajado e habituado a "sítios civilizados", que
consegue exportar para o mercado brasileiro o ero-
tismo de «Salon» e de «boulevard» dedicado ao eterno
feminino. Para que tivesse êxito garantido, contratou
alguns dos artistas franceses, italianos e portugueses
mais em voga. Contratou os melhores desenhadores
de cartazes e rótulos de Portugal e estrangeiro, des-
tacando-se entre eles, Matteo Angello Rossotti, Leo-
netto Capiello e Leopoldo Metlicovitz. Os seus car-
tazes reproduziam cenas da mitologia grega, cenas
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 60

exóticas e ainda enalteciam a beleza e a sensualidade da


mulher. O cartaz mais famoso e mais bem concebido,
foi o do famoso artista gráfico frances da época Art-
-Déco René Vincent. Além de ter sido o primeiro a usar
a fórmula "sex sells", Adriano Ramos Pinto criou várias
séries de postais com motivos tradicionais portuenes
(para o mercado europeu) e de motivos típicos brasilei-
ros (para o mercado brasileiro).

A
Inglaterra, que até o fim do século 19 tinha sido
a principal consumidora do Vinho do Porto, foi
progressivamente cedendo terreno a outros
mercados, nomeadamente ao mercado brasi-
leiro, tornando-se este no segundo maior consumidor,
ao mesmo tempo que se tornava também no primeiro
destino para milhares de emigrantes portugueses. Nas
últimas décadas de oitocentos, a exportação de Vinho
do Porto diversifica-se para novos mercados, estando
alguns deles a atravessar crises de produção vitiviní-
cola, o que em muito terá beneficiado Portugal : o apare-
cimento da filoxera em alguns países produtores, como
a França (1885-1894) e a Alemanha (1885-1894), leva a
um aumento significativo das exportações de vinho
para estes países. É igualmente nesta altura que surgem
novos mercados: Alemanha, Bélgica, Holanda, Suécia,
Noruega e Dinamarca, que vão ganhando cada vez mais
importância no comércio do Vinho do Porto.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Vinho do Porto, nova imagem / Temas / Índice Remissivo página 61

N
este período surgem novas firmas de
Vinho do Porto, principalmente portu-
guesas, que competem ao lado das ingle-
sas, então em maior número. E uma des-
sas firmas portuguesas, a que melhor se eviden-
ciou, tanto no campo das técnicas comerciais
como das técnicas publicitárias foi, sem dúvida,
a firma de Adriano Ramos Pinto. Tendo ainda a
particularidade de se ter tornado, em tão curto
espaço de tempo, uma das maiores casas expor-
tadoras daquele produto para o Brasil.

Bibliografia
Felicidade Rosa Moura Ferreira. Adriano Ramos
Pinto, Práticas comerciais inovadoras no Vinho
Do Porto em finais do Século XIX. Mestrado em
História Contemporânea. 2000. Faculdade de
Letras do Porto / Universidade do Porto
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
62 62

Raul de
Caldevilla

Felizmente (Seguros Atlântica)


Desenho de Raul de Caldevilla, ETP, Empresa Técnica
Publicitária Gráfica Caldevilla.
Cartaz impresso em cromolitogravura. 1916.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
63 63

Móveis vergados da Económica.


Desenho de Raul de Caldevilla, ETP,
Empresa Técnica Publicitária Film
Gráfica Caldevilla. Cartaz impresso em
cromo-litogravura. 1917.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
64 64

Covilhã: grandiosas festas da cidade e feira de


S. Thiago de 24 a 29 de Julho 1926. Desenho de
Raul de Caldevilla, ETP, Empresa Técnica
Publicitária Film Gráfica Caldevilla. Cartaz
impresso em cromo-litogravura pela Gráfica
do Bolhão, Porto, 1926.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
65 65

Preciosa (Água das Pedras)


Desenho de Raul de Caldevilla, ETP,
Empresa Técnica Publicitária Film
Gráfica Caldevilla. Cartaz impresso em
cromo-litogravura. 1917.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
66 66

Bi-cacau-Chauve, Licor de cacau. Desenho


de Raul de Caldevilla, ETP, Empresa Técnica
Publicitária Film Gráfica Caldevilla. Cartaz
impresso em cromo-litogravura.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
67 67

O fertilizador HBC puxa pela planta.


Raul de Caldevilla, ETP, Empresa
Técnica Publicitária Film Gráfica
Caldevilla. 1917.
Cartaz impresso em cromolitogravura;
107 x 75 cm
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
68 68

Petit Beurre Invicta.


Raul de Caldevilla, ETP, Empresa Técnica
Publicitária Film Gráfica Caldevilla.
Cartaz impresso em cromolitogravura.
1917.

Para esta marca, Caldevilla realizou um


espectacular filme publicitário, com uma
escalada da Torre dos Clérigos, no Porto.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
69 69

A Pérola do Café. Eespecialidades em café,


chocolates e chá.
Raul de Caldevilla, ETP, Empresa Técnica
Publicitária Film Gráfica Caldevilla. Cartaz
impresso em cromolitogravura.
1918. Dim: 120 x 92cm.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
70 70

Plantas e sementes. Empresa Mário da


Cunha Mota. 1917 ? 1918?
ETP. Porto: Raul de Caldevilla Lda.
Cartaz impresso em cromolitogravura.
Dim: 145 x 91 cm.
Um layout de surpreendente
modernidade, feito no Porto.
Costa Peres, Máquinas, ferramentas, etc.
ETP. Porto: Raul de Caldevilla Lda. Cartaz
impresso em cromolitogravura. 1919.
Dim: ? x ?.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
72 72

Livros escolares.
ETP. 1920. (Porto: Raul de
Caldevilla Lda). Cartaz impresso
em cromolitogravura. Dim: 145 x
91 cm.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
73 73

Raul de Caldevilla Lda. Cartazes impresso em cromolitogravura.


1920 (Lisboa); 1916 (Seguros).
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Raul/ de
Raul
Caldevilla
de Caldevilla
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
74 74

Cerveja de Coimbra
Desenho de Raul de Caldevilla, ETP,
Empresa Técnica Publicitária Film
Gráfica Caldevilla. Cartaz impresso em
cromo-litogravura pela Empresa do
Bolhão. 1931.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Raul de Caldevilla / Temas / Índice Remissivo página 75

ETP – Estúdio
Técnico de
Publicidade
Raul de Caldevilla é considerado o criador Ribamar.
do filme de publicidade português. Desenho de Raul de
Tornou-se depois produtor e realizou Caldevilla, ETP, Empresa
Técnica Publicitária Film
documentários promocionais. Além de
Gráfica Caldevilla. Cartaz
filmes, este multi-talento realizou uma
impresso em cromo-
série importante de anúncios publicitários,
litogravura. 1917.
impressos na técnica litográfica.

A
primeira agência de publicidade fun-
dada em Portugal foi a Empreza Téc-
nica de Publicidade (ETP), que surgiu no
Porto em 1914. O gerente desta agência
foi Raul de Caldevilla (1877–1951), que a fundou
com Selma Sawitch Rocha1. A empresa especia-
lizou-se na produção de cartazes publicitários,

1.) Veja o artigo online «Portugal’s First Advertising Agency: Raul


de Caldevilla and the ETP, 1914–1923. Helena Barbosa, Anna Cal-
vera, and Vasco Branco. MIT Design Issues, Winter 2009, Vol. 25,
No. 1 , Pages 22-35.»
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Raul de Caldevilla / Temas / Índice Remissivo página 76

impressos em Cromolitogravura1. A ETP foi a introdu-


tora em Portugal de cartazes impressos de grande for-
mato para publicidade exterior. Para a realização de «car-
tazes de arte», publicidade produzida em litografia a
cores, que, finalmente também em Portugal ganhavam
um crescente impacto pela sua possibilidade de comuni-
cação em larga escala, Raul de Caldevilla contratou artis-
tas gráficos cujo trabalho respondia às exigências publi-
citárias de produtores como os dos Vinhos Ribamar ou
do tónico farmacêutico Sanogeno.

C
aldevilla era de origem castelhana. Tinha adqui-
rido experiência em Buenos Aires e estudado em
Paris. Em 1904, tinha sido nomeado vice-côn-
sul de Portugal em Cadiz. Exerceu funções de
agente comercial do governo português na Argentina,
em vários outros países latino-americanos e posterior-
mente no Egipto e Médio Oriente.
Homem inteligente e activo, lançou-se na publici-
dade em Buenos Aires, empreendendo várias campa-
nhas em jornais argentinos. Regressou à Europa e espe-
cializou-se nessa área em Paris. Frequenta o curso supe-
rior do Comércio do Instituto Industrial e Comercial do
Porto.

1. Veja o artigo «A Cromolitografia expulsa os tipos de chumbo» nos Cader-


nos de Tipografia, Nr. 6, online em http://www.tipografos.net/cadernos/CT6-
-high.pdf
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Raul de Caldevilla / Temas / Índice Remissivo página 77

Foi o primeiro publicitário em Portugal a de bolachinhas petit beurre, marca «Invicta», no


encará-la de um modo planeado e profissional. alto da torre dos Clérigos. Dois acrobatas espa-
É considerado o criador em Portugal do filme de nhóis escalam a torre, à unha, e põem-se a tomar
publicidade. Tornou-se depois produtor e reali- chá lá no alto. Cá em baixo os mirones gozam o
zou documentários promocionais. Escreveu o espectáculo, em suspense, e de súbito vêem cair
argumento do primeiro filme de temática sobre milhares de papelinhos anunciando as delicio-
o fado, realizado por Maurice Mariaud (O Fado sas bolachas da Fábrica Invicta.

A
- 1923). façanha será repetida em Lisboa, na basí-

F
oi também jornalista e autor dramático. lica da Estrela. Outro evento notável que
Redigiu comédias. Cria o «Folhetim Publi- Raul dá a ver é O 9 de Abril, a celebração
citário» no jornal O Primeiro de Janeiro, da vitória na 1ª Grande Guerra e a visita
que obtém considerável êxito. Faz publici- a Portugal de grandes figuras. Promove a distri-
dade a vários filmes estreados pela Invicta Film, buição de A Rosa do Adro (1919), obra realizada
de cujo dono, Alfredo Nunes de Matos, é grande por Georges Pallu para a Invicta Film, «romance
amigo. Os dépliants de A Rosa do Adro, Os Fidal- português, filme português de cenas portugue-
gos da Casa Mourisca, Amor de Perdição fazem- vidade cinematográfica nortenha. A empresa sas, de actores portugueses», acaba por fazer
-se notar. começa a produzir documentários. Um motivo boa carreira.
Acaba por se envolver no cinema como pro- badalado dá origem a um primeiro filme: Home- A empresa de produção de Raul Cadevilla
fissional e, com apoios bancários, funda no nagem ao Soldado Desconhecido. Faz filmes de é concebida com todo o cuidado. Primeiro ele
Porto uma empresa, a Raul de Caldevilla & Cia. propaganda e reportagens. Tem como programa decide ver o que há lá fora. Desloca-se a França e
Lda., que ficará conhecida por Caldevilla Film mostrar: «1) Os ares, as águas e os lugares, 2) As a Itália. Visita vários dos mais importantes estú-
(1916). São sócios seus Eduardo Kendall, João grandes indústria portuguesas, 3) As maravi- dios de cinema.
Manuel Lopes de Oliveira e António de Oliveira. lhas de Portugal». Sonha com a construção de um «estúdio
É gerente da firma até 1922. Realiza documentários sobre Sintra, a Serra moderno sensato e prático» em terrenos que
A Caldevilla Film, a Invicta Film e a Ibéria da Estrela, Luso, Vidago, as Pedras Salgadas, etc. adquiriu em Lisboa: a Quinta das Conchas, no
Film são as produtoras que marcam, na pas- Chá nas nuvens (1917) é a sua entrada triun- Lumiar, local com uma área de uns trinta mil
sagem dos anos dez para os anos vinte, a acti- fal no filme publicitário. O chá é acompanhado metros quadrados, onde mais tarde seriam ins-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Raul de Caldevilla / Temas / Índice Remissivo página 78

talados, a Pátria Filmes e a Tóbis Portuguesa, Raul de Caldevilla era


na época do filme sonoro. Escolhe Lisboa para dono de um sentido nato
de teatralidade. Este
construir o estúdio, por ser a cidade que reúne
cartaz parece sintetizar
as melhores condições para o seu projecto, onde
todo o argumento de um
vivem técnicos e actores qualificados.

E
spot publicitário na
m França descobre o técnico que lhe con- linguagem visual do
vém para a realização dos projectos, um cinema...
tal metteur-en-scène chamado Maurice O problema é que o
Mariaud, com quem assina, em Janeiro cartaz, demasiado
de 1922, um contrato de trabalho de cinco anos. melodramático, não
consegue focar e
Mariaud, tal como George Pallu, fez carreira na
sintetizar de formar
empresa francesa Gaumont, dirigida na altura
eficaz o produto em
pelo iconoclasta e inovador Louis Feuillade. Tra-
questão. Estas
balhou também com a Pathé, era pessoa compe- dificuldades em
tente e de espírito inovador. encontrar uma linguagem
Os Faroleiros (1922) são um «drama-docu- visual adequada ao
mentário», cujos exteriores são o Farol do Bugio, cartaz publicitário são
a Caparica, o Guincho e o Cabo da Roca. É o pri- frequentes na obra
gráfica de Caldevilla...
meiro filme de Maurice Mariaud que produz. O
projecto tem êxito fora de Portugal. A Pathé, na
época uma importante distribuidora, interessa-
-se e afirma: «É um cartão de visita primorosa-
mente litografado que lançamos no mercado
internacional».
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Raul de Caldevilla / Temas / Índice Remissivo página 79

O
filme acaba por ser visto na França, na Um cartaz
Itália no Luxemburgo e no Egipto. No convencional. Letragem
ao gosto Art-Déco. Junta
mesmo ano Raul produz o segundo filme
Patriótica do Norte. ETP.
de Millaud, As Pupilas do Senhor Rei-
[ca 1917] Porto: Raul de
tor (filme), obra mais descuidada e menos con-
Caldevilla Lda. Cartaz
seguida, também com interiores filmados na impresso em
Quinta das Conchas. São estes os únicos filmes cromolitogravura.
por si produzidos. Questões de dinheiro, sócios Dim: 145 x 91 cm.
que não se entendem, coisas correntes no ofí-
cio, levam ao encerramento da empresa, após a
demissão de Raul da administração, em Março
de (1923).

R
aul de Cadevilla assina o argumento de O
Fado (1923) de Mariaud para outra pro-
dutora, a Pátria Film, «uma história de
tresvario e má sina». É uma adaptação da
peça de Bento Mântua. Inspira-se num poema
de Augusto Gil, A "Canção das Perdidas", e no
quadro homónimo de José Malhoa. Estreia no
cinema Olympia. A projecção é seguida à gui-
tarra pelos professores António Mouzon e
Ernesto Lima. É assim que o fado, a voz da alma
portuguesa, tem estreia no cinema, derrete
corações e se torna tema recorrente para futuras
e variadas fitas.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
80 80

Enquadramento 1
O impacto da
Litografia

Prensa para o processo


litográfico, usada na
indústria da conserva do
peixe, no Algarve.
Museu de Portimão.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
81 81
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
82 82

Máquina para impressão


em folha de Flandres.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
83 83
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
84 84

Prensa para o processo litográfico,


usada na indústria da conserva do
peixe. Museu da Imprensa, Porto.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
85 85

Prensa para o processo


litográfico, usada na
indústria da conserva
do peixe. Museu da
Imprensa, Porto.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
86 86

Prospecto de um litógrafo comercial


norte-amaricano, realizado em cromo-
litogravura. Baltimore, EUA.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
87 87

Album de letras, realizado em cromo-


litogravura. França.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
88 88

Crayons Gilbert. Prospecto de produto,


realizado em cromo-litogravura. França
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
89 89

Cartaz.
Associação de classe dos
Litógrafos no Porto.
1924

Comemoração dos 50 anos da empresa


Litografia Nacional. Porto, 1944.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
90 90

Beira Alta. Impressão da Litografia Nacional, Porto, Portugal.


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
91 91

Impressão da Lithografia de Portugal. Lisboa, Portugal.


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
92 92

Batalha de flores na Costa do Sol.


Publ. Clímaco. 1941.
Lisboa: Lit. de Portugal.
Cartaz realizado em cromo-
litogravura; 120 x 90 cm
Tiragem: 1.000 exemplares.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
93 93

Preparação de um cartaz litográfico

1.ª fase
Maqueta. Desenho realizado a
gouache.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
94 94

1.ª fase
Maqueta
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
95 95

Fase final da ilustração,


antes da aplicação do
lettering.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
96 96

Aplicação do lettering.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
1 / Temas
1 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
97 97

Uma oficina comercial litográfica, EUA.


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
98 98

Fred
Kradolfer

Apesar de vindo da Suíça, um país de


grandes tradições democráticas e anti-
coloniais, Kradolfer nunca teve pejo de
contribuir para a propaganda
colonialista portuguesa.
Exposição Colonial Portuguesa, poster
de Fred Kradolfer para o Pavilhão
português da Exposição Internacional
de Paris, de 1931.
Litogravura, Litografia Nacional, Porto,
Portugal.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
99 99

Apesar de vindo da Suíça, um país de


grandes tradições democráticas e anti-
coloniais, Kradolfer nunca teve pejo de
contribuir para a propaganda colonialista
portuguesa.
Actualidade Colonial, Capa de Fred
Kradolfer
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
100 100

A obra
Publicidade,
anos 20 e 30

Anúncio para a Nestlé


Fred Kradolfer.
Dezembro 1927. Ano da sua chegada a
Portugal.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
101 101

Óleo - Petróleo - Gazolina Shell.


Os trez Reis Magos.
Anúncio da The Lisbon Coal &
Oil Fuel Company Limited - Shell, Lda. Revista Ilustração,
nº79
Fred Kradolfer, Abril 1929.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
102 102

Anúncio da Bertrand Irmãos


Fred Kradolfer. 1928 ?
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
103 103

Spalding.
Fred Kradolfer.
Cartaz. 1930.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
104 104

Oh Chico… não sejas azelhudo!,


A. Sanches de Castro, O Volante.
Capa de Fred Kradolfer, 1933.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
105 105

Um Operário Consciente vale por 2,


Escola Industrial,
Poster de Fred Kradolfer, 193?
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
106 106

Um típico «Sachplakat».
Publicidade para «O bonet Bernina», design
de Fred Kradolfer, 1931
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
107 107

Banhista, referencia à praia.


"Cavalheiro", referencia ao casino.
Espinho, Fred Kradolfer, 1931.
Cartaz executado na Litografia Gaia.
Anuário Comercial de Portugal,
1932.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
108 108

Feira de Amostras, Luís Teixeira,


Empreza Nacional de Publicidade,
design de Fred Kradolfer, 1931
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
109 109

Publicidade em sala de cinema

Maquete para ano de


cena, publicidade para a
Philips Portuguesa,
design de Fred Kradolfer,
193?
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
110 110

Cartaz publicitário no pano de cena


de um cinema em Lisboa, Portugal,
Anúncio realizado pela empresa APA.
Autor: Fred Kradolfer
Execução: Cunha e Silva
Fotografia: Estúdio Mário Novais
(1933-1983).
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
111 111

Meias Pompadour.
Cartaz publicitário no pano de
cena,Lisboa, Portugal
Autor: Fred Kradolfer
Execução: Cunha e Silva
Compare com o anúncio de Maria Keil.

Fotografia sem data. Estúdio Mário


Novais. Kradolfer, o mais relevante desig-
ner de cartazes dos anos 50 em Portugal
tem sido comparado com o célebre francês
A. M. Cassandre.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
112 112

Cartazes de
Fred Kradolfer /
ETP. Lisboa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
113 113

FIP, Feira das Indústrias


Portuguesas.
Cartaz de
Fred Kradolfer,
1949.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
114 114

Oliva. Poster de Fred Kradolfer.


1948. (pág. 454)
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
115 115

Lambrilhas
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
116 116

Fred Kradolfer representou elementos do


folclore português, estilizados, objectos do
quotidiano (bilha, pote, espiga, flores, etc.) e
da vida campestre (porcos, touros, cavalos,
burros, etc.), típicos na altura, introduzindo
uma certa modernidade no posicionamento
das figuras. Em lambrilhas (pequenos
azulejos), expolrando o seu carácter
decorativo, experimentou a combinação de
motivos e elementos ornamentais.
Foi a época dos «bonecos portugueses»;
quase todos os artistas da época optaram
por representar o povo português em forma
de alegres bonecos, em ver de arriscar uma
posição realista e crítica. Essa escolha
temática também predomina do design
gráfico.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
117 117
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
118 118

Capas de livro

Páscoa feliz, José Rodrigues Miguéis, Edições


Alfa, capa de Fred Kradolfer, 1932.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
119 119

Design Fred Kradolfer, 1942


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
120 120
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
121 121

Revista Municipal de Lisboa. Capa de


Fred Kradolfer, 1955 e 1956.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
122 122

Azulejos

Miradouro de São Pedro de Alcântara, Fred Kradolfer, 1962. Painel


de azulejos pintados.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
123 123

Exposições fascistas do «Estado Novo»

Infografia
em 3D
Exposição Internacional de Nova
Iorque, 1939. Pavilhão de
Portugal.
Sala do Descobrimento do
Atlântico. «Epopeia marítima", de
Fred Kradolfer. (maqueta).
Fotógrafo: Estúdio Mário Novais.
Data da fotografia: 1939.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
124 124

Exposição Internacional
de Paris, 1937. Pavilhão
de Portugal. Sala do
Turismo, painel de Fred
Kradolfer e Bernardo
Marques. Foto: Estúdio
Mário Novais, 1937.
Responsáveis pela
participação portuguesa:
Comissário: António
Ferro. Autor do Pavilhão
de Portugal: Arquitecto
Keil do Amaral
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
125 125
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
126 126

Exposição Internacional de Nova Iorque, 1939.


Pavilhão de Portugal. Sala do Descobrimento
do Atlântico. «Epopeia marítima", conjunto de
Fred Kradolfer.
Foto: Estúdio Mário Novais, 1939.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
127 127

Pintura de Cavalete

Painel para um restaurante?


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
128 128

Pintura de cavalete
Fred Kradolfer.

Pintura de cavalete Fred


Kradolfer.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
129 129

Pintura de cavalete
Fred Kradolfer.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
130 130

Pintura de cavalete
Fred Kradolfer.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
131 131

Pintura de cavalete
Fred Kradolfer.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
132 132

Pintura de cavalete
Fred Kradolfer.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Fred/ Kradolfer
Fred Kradolfer
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
133 133

Pintura de cavalete
Fred Kradolfer.

1967
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 134

Biografia F. Kradolfer
Mentor da Publicidade portuguesa do
século xx. Propagandista do estado fascista
português.

F
red Kradolfer (Suiça, 1903 – Lisboa, 1968)
nasceu em Zurique. A sua formação foi
adquirida na Escola de Artes Aplicadas em
Zurique. Ainda em Zurique, e apesar da sua
juventude, é chamado a pintar painéis de gran-
des dimensões para a Catedral de Zurique. Vai
para Berlim, onde faz o curso de Artes Gráficas
na Escola de Belas Artes, e depois para Munique,
onde frequenta o curso de Arquitectura na Aca-
demia de Munique, o qual não completa.
Durante o período que se seguiu, Kradol-
fer levou uma vida errante, passando por diver-
sas cidades européias, tais como Paris, onde tra-
balhou na decoração de montras de estabeleci-
mentos comerciais, e Roterdão e Bruxelas. Quis
ir ao Brasil, mas ficou em Portugal. Alguns dos artistas gráficos do S.P.N.: Tomás de Melo (Tom), Emérico

A
caba por se fi xar em Portugal, no ano de Nunes, Bernardo Marques, José Rocha, Fred Kradolfer, Carlos
1924. Kradolfer terá dado o nome à Costa Botelho. Faltam Estrela Faria, Paulo Ferreira e Eduardo Anahory.
do Sol, aquando da sua chegada a Portu-
gal, ainda sem falar português, quando
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 135

viu a linda paisagem da linha de Cascais, excla- Folheto de


mou: «Voilá! C’est la Cote du Soleil!» publicidade. Instituto
«Cheguei a Portugal em 1 de Agosto de 1924, Pasteur de Lisboa.
Fred Kradolfer
pratiquei até à exaustão a boémia típica desses
anos e fiz amizade com José Rodrigues Miguéis.
Pela mão dele conheci uma geração de portugue-
ses ilustres.» (FK, entrevista).
Em Leiria tinha um familiar, Ernesto Kor-
rodi (1870-1944), arquitecto que durante lon-
gos anos ensinou nessa cidade. Este seu fami-
liar foi convidado pelo governo português para
vir leccionar a disciplina de Desenho, inicial-
mente para a Escola Industrial de Braga, sendo
mais tarde transferido para a Escola Industrial
de Leiria. Foi nesta escola, em Leiria, que lec-
cionou até à sua aposentação, tendo por várias
vezes desempenhado o papel de director do
estabelecimento.
Na sua profissão, como arquitecto, executou
projectos como os Paços do Concelho e o Mer-
cado Municipal em Leiria, o Santuário da Nossa
Senhora da Assunção em Santo Tirso e o Palácio
Rego em Braga. Projectou também várias agen-
cias bancárias em Faro, Covilhã, Leiria, Viseu,
Caldas da Rainha e vários edifícios particulares,
um dos quais um prédio em Lisboa que valeu o
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 136

Concurso de Montras,
Lisboa.
Até as montras das lojas
comerciais foram objecto da
tutela do S.P.N./SNI. Na
foto: Sapataria Lord, Lisboa.
Montra de Natal, integrada
no concurso promovido pelo
Secretariado de Propaganda
Nacional.
Foto: Estúdio Mário Novais.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 137

«Prémio Valmor». Nesta sua panóplia de activi- dolfer torna-se o mentor da publicidade para No ano de 1928 participou na Exposição
dades, a sua paixão recaia sobre o Castelo de Lei- a segunda geração dos artistas erroneamente Industrial Médico-Cirúrgica, pelo Instituto Pas-
ria. Fez estudos sobre este monumento e dirigiu chamados «modernistas» em Portugal. teur, com um stand ao gosto Art-Déco. Durante
as obras de consolidação do mesmo. Os seus primeiros contactos em Portu- trinta anos, com milhares de cartazes, ao ritmo

A
chegada de Fred Kradolfer a Lisboa teve gal foram com José Rodrigues Miguéis, Ber- de quatro por semana, Fred decora as montras
uma imediata influência no panorama nardo Marques (pág. 178) e José Rocha (pág. do Instituto na Rua Nova do Almada, em Lisboa.
das chamadas «artes gráficas» (Design 219). Paulo Ferreira, colega dos projectos de deco-

E
gráfico, editorial, ilustração, etc.,) consi- m 1927, surge Arta, o primeiro atelier de ração nas exposições internacionais, comenta-
derada por todos os seus contemporâneos como Artes Gráficas e Decoração Publicitária, -as assim: «[Fred] foi um autêntico revolucio-
uma autêntica revolução. onde Fred Kradolfer se junta com Ber- nário. Toda a gente seguia aquilo, tudo o que
«A influência de Fred Kradolfer sobre todos nardo Marques, Carlos Botelho, Tom, José fazia. De tal maneira que, quando ele arranjava
os artistas, cá do sítio, desde os seus primeiros Rocha, entre outros. as montras do Instituto Pasteur, era um aconte-
cartazes para a Costa do Sol, pode dizer-se que «Kradolfer, através da sua participação no cimento artístico e mundano, toda aquela gente
foi tremenda, e arrasante. A certa altura, não Atelier Arta e, mais tarde, da agência de publici- ia lá ver como se fosse uma vernissage.»
havia cão nem gato que, a bem ou a mal, às cla- dade de José Rocha em Lisboa, viria a ser o desig- Com Soares, Almada, Stuart, Barradas e Ber-
ras ou disfarçadamente não imitasse a técnica ner profissional de cartazes da arte moderna, nardo, faz várias capas, ilustrações, vinhetas e
do Fred, as cores do Fred, sempre suaves e com- tendo vivido essencialmente das artes gráficas publicidades para revistas como ABC, Civiliza-
binadas vulgarmente ditas, meias-tintas; a esté- até ao momento em que, para garantir a sua sub- ção, Contemporânea, Ilustração, Ilustração Por-
tica do Fred; o espírito gráfico subtil do Fred» sistência, se viu na contingência de recorrer a tuguesa e Magazine Bertrand.

E
(Leal, 1968). outras formas artísticas.» (Lobo, 2001) m 1930 participa no I. Salão de Indepen-
Criativo e multifacetado, impulsionou o Ainda no ano de 1927, Kradolfer foi contra- dentes e na Exposição da Luz e Electri-
desenvolvimento do cartaz, dos anúncios, do tado como decorador e artista gráfico pelo Ins- cidade Aplicada ao Lar, esta última no
vitral, da cerâmica e dos anúncios luminosos. tituto Pasteur, em Lisboa. Foi esta a primeira SNBA, e em 1932, na Exposição Industrial
Inventou a Infografia em 3-D. Fez decoração de empresa a ter no seu edifício montras artistica- Portuguesa.
montras e montou grandes exposições. Kra- mente decoradas e com um sentido moderno.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 138

Os trabalhos para a Exposição da Luz e Elec-


tricidade foram feitos por Fred Kradolfer, ao
serviço da Philips.

Exposição Internacional de Vincennes, 1931

E
m 1933, António Ferro tinha fundado o
Secretariado da Propaganda Nacional
(S.P.N.). O S.P.N. foi criado pelo governo
de Salazar, tendo-lhe sucedido em 1945 o
Secretariado Nacional de Informação (SNI).
Durante os primeiros doze anos do governo
de Salazar, o S.P.N. desenvolveu a propaganda
para a divulgação do ideário nacionalista e fas-
cista, padronizando a cultura e as artes à von-
tade do Estado Novo, secundado pela actua-
ção dos serviços de censura. Foi dirigido por
António Ferro, jornalista, publicista e escritor,
defensor das soluções totalitárias da Europa de
então (sobretudo do Fascismo mussoliniano).
O S.P.N. constituiu uma equipa com Fred Kra-
dolfer e José Rocha (pág. 219), para assegu-
rar a modernização das artes gráficas em Por-
tugal desde 1927, com propostas que saíam do
Atelier Arta, onde trabalhavam Carlos Bote-
lho, Bernardo Marques (pág. 178) e Almada
Negreiros. Pintura de cavalete, Fred Kradolfer.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 139

K
Decoração realizada
radolfer é chamado para chefiar o grupo de
para uma loja do Porto.
designers reunido por António Ferro para Fred Kradolfer.
realizar cartazes, stands de exposições
nacionais e internacionais. Assumindo
a chefia do grupo conhecido como a «equipa de
António Ferro», ou a «equipa do S.P.N.», Kra-
dolfer começa a sua fase de propagandista mili-
tante, pondo-se inteiramente ao serviço do
governo fascista português. Porque é que este
suíço, muito provavelmente educado nas tradi-
ções democráticas helvéticas, optou por traba-
lhar activamente para o ditador Salazar?
Poderia ter decido ir trabalhar para um dos
vários países da Europa que já conhecia... Prova-
velmente só o saberemos quando estiver dispo-
nível mais informação sobre este suíço, «natura-
lizado» fascista português.
Kradolfer, que já no principio da sua carreira
em Portugal tinha feito propagenda ao colonia-
lismo português, parece nunca se ter arrepen-
dido de ajudar a espalhar pelo mundo as men-
tiras do «Estado Novo». Nem sequer conhece-
mos qualquer auto-reflexão sobre o teor ideoló-
gico da obra que fez para o S.P.N. Muito dos seus
colegas contemporaneos ignoram a responsabi-
lidade política de Kradolfer e insistem em ape-
lidá-lo de "decorador"...
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 140

Aguns artistas da «equipa do S.P.N.» perten-


ciam ao ETP (Bernardo Marques (pág. 178),
Carlos Botelho, Emmérico Nunes (pág. 258),
José Rocha, Paulo Ferreira e Thomaz de Mello).
Em Abril de 1933, realiza-se em Lisboa, no
Palácio das Exposições, a Exposição da Criança.
Para esta exposição, Kradolfer, ao serviço da Nes-
tlé, desenvolve um stand.
No ano de 1935, fez a decoração dos pavilhões
das Festas de Lisboa, em 1936 no átrio da Exposi-
ção do Ano X da Revolução Nacional e em 1937 na
orientação da decoração dos interiores da Expo-
sição Histórica da Ocupação no Século XIX.

Estúdio Técnico de Publicidade, 1936

D
oze anos após a chegada de Kradolfer
a Portugal, em 1936, José Rocha (pág.
219) funda o ETP – Estúdio Técnico de
Publicidade, onde Kradolfer trabalhou
com Maria Keil, Bernardo Marques (pág. 178),
Ofélia Marques, Thomaz de Mello, Carlos Bote-
lho, Stuart de Carvalhais (pág. 340), Carlos Marques, cenários para o Théatre des Champs- Exposição Internacional de Paris, 1937

N
Rocha, e Selma Rocha, assim como com o próprio -Élysées para um espectáculo de folclore portu- o ano de 1937, Kradolfer integra com Ber-
José Rocha. Ainda no ano de 1936, Kradolfer faz guês preparado por António Ferro. nardo Marques (pág. 178), José Rocha
as decorações para o Salão de Chá Imperium, que (pág. 219), Carlos Botelho, Thomaz de
tinha o seu interior arquitectado por Raúl Tojal. Mello e Emmérico Nunes (pág. 258) o
Em Paris, no ano de 1937, pinta, com Bernardo grupo responsável pelo Design gráfico e a estra-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 141

Design português ao serviço do Fascismo. No ano de 1937, Fred Kradolfer (em


primeiro plano, um pouco desfocado) integra com Bernardo Marques, José
Rocha, Carlos Botelho, Thomaz de Mello e Emmérico Nunes o grupo de designers
e artistas gráficos responsável pelo Design gráfico e a estratégia de comunicação
visual do Estado Novo na Exposição Internacional de Paris de 1937.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 142

tégia de comunicação visual do Estado Novo na


Exposição Internacional de Paris em 1937, onde
o Pavilhão de Portugal foi condecorado com
o Grand-Prix da Exposição e onde Kradolfer
atinge o apogeu da sua carreira profissional.
Participa em Nova Iorque e São Francisco
em 1939, assim na Exposição do Mundo Portu-
guês de 1940 (pág. 110). Em 1941, depois desta
magna exposição, recebe a Ordem de Santiago
da Espada, junto com todos os outros artistas/
arquitectos que participaram: Francisco Keil
do Amaral, Bernardo Marques, Jorge Segurado
(pág. 405), Leopoldo Almeida, entre outros.

N
o ano (de guerra) de 1942, Kradolfer e
José Rocha utilizavam os tapumes das
obras na cidade de Lisboa para fins publi-
citários, cobrindo-os com cartazes pinta-
dos e painéis em relevo iluminado.
Em Portugal, os anos 40 foram marcados
pela Exposição do Mundo Português, uma acção
de propaganda fascista sem comparação no per-
curso do Estado Novo. Foi, também, uma época
onde a elaboração de cartazes como incentivo ao
Turismo cresceu exponencialmente. Para este
período distinguem-se os cartazes de Fred Kra-

Um «Sachplakat» portugues. Instituto Pasteur de Lisboa. Fred Kradolfer


Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 143

dolfer, José Rocha (pág. 219), Maria Keil e


Roberto Araújo.
Em 1944, FK participou, juntamente com
Bernardo Marques, Carlos Botelho e José Rocha
mas também com José Luís Brandão, na deco-
ração dos stands da Junta Nacional do Vinho,
do Instituto Português de Conservas de Peixe e
da Junta Nacional da Cortiça presentes na Feira
Popular.
Relacionado com estes serviços, executou
um grande número de rótulos e cartazes publi-
citários, onde investiu muita criatividade. Che-
gou a decorar montras, bastante solicitadas e
admiradas, e a pintar decorações sobre móveis..
Em 1952 colaborou na decoração do Cine-
-Teatro Monumental, projectado por Rodrigues
de Lima.

P
articipou, com outros profissionais, no
Pavilhão de Portugal na Exposição Inter-
nacional de Bruxelas, em 1958. No ano de
1962 desenhou uma colecção de selos, os
selos «Europa», que simbolizavam os 19 países
membros da CEPT.
Em Junho de 1968 recebe o prémio do Diá-
rio de Notícias, pela primeira vez entregue a um
artista ligado às Artes Gráficas. «A maior home-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 144

nagem que lhe podemos prestar será o


nosso reconhecimento pela sua contribui-
ção à cultura nacional através duma vida de
trabalho. Essa contribuição não foi esque-
cida e terá este prémio a virtude de evi-
denciar a obra de um artista precursor das
artes gráficas em Portugal» (Silva, 1968).
Numa das suas últimas entrevistas
disse: «Por aqui fiquei e aqui morrerei. Já
não tenho idade para entrar em campeona-
tos. Em tempos, podia correr a maratona;
hoje, limito-me a um meio-fundo. (Sorri.)
Sou um senhor burguês, instalado mas
inquieto, que não pode deixar passar um
domingo sem ler o Paris-Match. ... «Viajo
pouco, desde 1948 que não vou à Suíça;
procuro, agora, novas formas e rejuvenes-
cer as cores velhas. ... Há muitos anos que
não exponho quadros; agora, estou a pen-
sar seriamente em fazê-lo. Não uma expo-
sição retrospectiva, sim actual. Quero dizer
às pessoas que, hoje, sou assim, vejo assim,
penso assim. Inquietação. É isso. A minha
visão de hoje será, realmente, tão pura, tão Exposição do Mundo Português. Roteiro de Fred Kradolfer. Lisboa, 1940.
liberta, como a de outrora? Mas que con-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Fred Kradolfer / Temas / Índice Remissivo página 145

versa! Pensar em voz alta é aflitivo para as pes- Baptista-Bastos, ‘Dá-me Licença? — Fred Kradolfer’, na Comemoração do Centésimo Aniversário do Seu
Jornal de Notícias, Lisboa, 1968. Nascimento, Lisboa, Letra ETP, 2003.
soas que nos escutam. Que conversa esta! –
Carneiro, Duarte. A Personagem de Fred Kradolfer Santos, Rui Afonso, ‘Percursos do Design em Portugal’.
Claro que ainda trabalho em publicidade. Mas
(1903-1968): Percurso e Contributo, Lisboa, FLUL, Museu do Design - Luxo, Pop & Cool de 1937 até
hoje a arte gráfica mecanizou-se. A ilustra- 1999, Hoje, Lisboa, Museu do Design, 1999.
ção, a cor, a letra desenhada, foram postas de Ferreira, José Gomes, 'Fred Kradolfer', Colóquio ‘Fred Kradolfer na Bienal da Tapeçaria de Lausanne’,
parte; agora utiliza-se a letra colada, a fotogra- Revista de Artes e Letras , n.º 26, Lisboa, Dez. 1963, Diário de Notícias, Lisboa, 1962.
fia, os grandes espaços brancos. Vive-se muito pp. 34-37. ‘Atribuído o Prémio Diário de Notícias’, Diário de
depressa e o cartaz deixou de ser imagem fixa Ferreira, José Gomes. 'O Mundo dos Outros', Jornal Notícias, Lisboa, Junho 5, 1968.
para se tornar num flash.» Entrevista de Bap- Diário Popular, Lisboa, Maro de 1969, pp. 34-37.
Henriques, Ana Rita, Fred Kradolfer: Designer,
tista-Bastos, in: As Palavras dos Outros, Círculo
Gráfico Influenciador e Influenciado em Portugal,
de Leitores, Camarate, Fevereiro de 2000, pp.
Lisbon, FAUTL, 2011 (Diss.).
204-207 Leal, Olavo D'Eça, ‘Kradolfer: Revolucionário em
Morreu em 1968, tinha 65 anos. Tempo de Paz’, Jornal Diário Popular, Lisboa, April
9, 1966.
Bibliografia Lobo, Theresa. Cartazes Publicitários: Colecção da
Heitlinger, Paulo. Cadernos de Design e Tipografia. Empreza do Bolhão, Lisboa, INAPA, 2001.
O Grafismo e a Ilustração nos Anos 20. Fundação Lobo, Theresa, Ilustração em Portugal I 1910-1940,
Calouste Gulbenkian, Centro de Arte Moderna, Lisboa, IADE Edições, 2009.
1986. Rocha, Carlos, Homenagem a Fred Kradolfer
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento,
/ Enquadramento,
2 / Temas
2 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
146 146

Enquadramento, 2
O «Sachplakat», 1920-1950
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento, 2 / Temas / Índice Remissivo página 147

O Sachplakat (affiche-objet) é um termo O advento da Publicidade

S
cunhado na Alemanha e na Suíssa para abemos que a Era Industrial trouxe a inten­
designar o novo estilo de cartazes sificação da produção, da distribuição e do
publicitários. Por isso, também é chamado consumo em massa. Nesta escalada, era
Plakatstil (Poster Style). imperativo fazer a promoção dos produ-
tos, para os demarcar da concorrência. Nasce a

O
s artistas gráficos suíços – entre eles Fred «Publicidade» no sentido moderno do tema, nos
Kradolfer (pág. 134), que escolheu tra- fins do século xix, quando se assiste à criação das
balhar em Portugal – foram excelentes na primeiras advertisement agencies nos EUA.
produção do affiche-objet (Sachplakat, Cabalmente, a Publicidade será diferente da
Plakatstil). Este tipo de cartaz publicitário repre- Propaganda pela sua orientação comercial. O car-
senta, na maioria dos casos, um único tema, mui- taz litografado a cores, a exímia execução manual
tas vezes um só objecto (= Sache), desenhado de do lettering e o domínio virtuoso de uma imagem
maneira simplificada, mas sempre bem reconhe- de características sintetizantes serão os pontos
cível. Nesta persuasive simplicity, o texto que característicos da execução do «Sachplakat», que
acompanha a imagem é parco; frequentemente rapidamente põe de lado os motivos florais e as
contem apenas o nome da marca a promover. A meninas lânguidas, tão típicas do Art Nouveau
ideia-base é mostrar uma imagem-símbolo à qual (recorde o famoso Mucha, por exemplo).
se associa um convite-impulso («elegância dis- No entanto, a Publicidade moderna não fica Um óptimo exemplo de «Sachplakat»:
tinta», por exemplo), de maneira a focar a atenção condicionada à simples informação. Com a sua cartaz de publicidade para os bonés da
do consumidor. linguagem visual, mobiliza uma estratégia de marca (suíça?) Bernina. Fred Kradolfer,
É o principio da oferta única, herdado das pri- incitação ao consumo, cuja finalidade é atrair e 1940.
meiras teorias de Publicidade desenvolvidas nos fixar a atenção do consumidor. No momento da
EUA. Esta simplicidade na persuasão de ponten- compra, este já estará familiarizado com o pro-
ciais clientes irá garantir o sucesso do conceito da duto e a mensagem promocional. Pressenti-
affiche-objet, que se iria prolongar de 1920 a 1950. mos a proximidade das técnicas de manipula-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento, 2 / Temas / Índice Remissivo página 148

ção, e vemos que a Psicologia ocupa um papel manipulação) global e abrangente criada em
fundamental. Para alcançar os seus propósi- torno de uma gama de produtos – continua a
tos, a Publicidade deve excitar a imaginação; incluir os factores desenvolvidos para a Publi-
deste modo, os grafismos usados e a escolha do cidade que se desenvolve na década de 1920 nos
suporte são critérios primordiais. EUA e que rapidamente alastra pela Europa.

A
O branding e o marketing moderno – uma o lado dos anúncios publicitários
estratégia de persuasão (para não dizer: de impressos em jornais e revistas, o car-
taz outdoor é o meio de eleição, pois res-
ponde quase a 100% às metas promocio-
nais. Irá rapidamente conquistar os consumi-
dores, ao ponto de absorver o maior quinhão
do investimento do produtor/distribuidor.
Isto aplica-se à Suíça, mas também a Portugal.
Tomemos, por exemplo, os famosos e fre-
quentemente citados cartazes realizados em
1923 por Otto Baumberger (1889 – 1961) para a
marca PKZ. Mostra um sobretudo em lã, com
uma etiqueta da loja e a indicação «qualité».
Outro poster, também feito por Otto Baum-
berger, mostra um chapeu, ao qual está asso-
Sachplakat, à maneira portuguesa.
ciado o nome-marca do produtor e a morada
Cartaz «Bandeira Portuguesa» para a
da loja. A mensagem publicitária é tão simples
empresa Oliva, máquinas de costura
como efectiva: «Sobretudo = PKZ = qualidade».

E
portuguesas. 1948, Fred Kradolfer.
specialmente na Suíça, que é um país tri-
lingue, este tipo de publicidade ainda
beneficia da facilidade de ser facilmente
Otto Baumberger, PKZ, 1923. Litografia. transportado do alemão para o francês e
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento, 2 / Temas / Índice Remissivo página 149

o italiano, criando uma identidade perceptível


para todos os cidadãos suíços.
As grandes oficinas litográficas e tipográ-
ficas – como a J.E. Wolfensberger AG em Zuri-
que, ou a Wassermann em Basileia – haviam-se
afirmado num contexto marcado pelo Art Nou-
veau e renovado, na década de 1910, por influ-
ência dos movimentos de vanguarda. Ao mesmo
tempo, surgiam renovados ateliers de publi-
cidade e artes gráficas, com destaque para o
Max Dalang AG, onde estagiaram, nas décadas
de1910 e 20, alguns dos principais designers suí-
ços da época.

A Neue Sachlichkeit (Novo Verismo)


O «Sachplakat» teria relações com a corrente
estética designada por Nouvelle Objectivité
(Neue Sachlichkeit) – é uma das teses que tem
sido defendida por especialistas do assunto.
Esta corrente estética surgiu na Alemanha
depois da I. Guerra Mundial como reacção con-
tra o Expressionismo, em prol do Realismo, da
Evolução do cartaz publicitário português: da solução patética e
sobriedade e do quotidiano, afastando emo-
anedóctica, produzida pelo atelier de Raul de Caldevilla, no Porto,
ções e paixões. Não teve programa nem mani- à solução de Fred Kradolfer, no estilo do «Sachplakat», com um
festo, mas os seus protagonistas exerceram elemento tridimensional à frente do cartaz...
forte impacto na vida cultural dos países de lín-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento, 2 / Temas / Índice Remissivo página 150

Exemplo de «Sachplakat»: Brun Donald, Bell, Exemplo de «Sachplakat»: Niklaus Stoecklin. Exemplo de «Sachplakat»: Niklaus Stoecklin,
1951. Cartaz publicitário em cromo-litogravura, Pasta dentífrica Binaca, 1941, Cromolitografia, Creme anti-solar Bi-Oro.
128 x 90,5 cm 128 x 90,5 cm
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento, 2 / Temas / Índice Remissivo página 151

gua alemã. Na pintura da Neue Sachlichkeit, No início, a arte publicitária de Emil


tudo deveria ser realista e objectivo – sachlich – Kahn é panfletária, tosca... e reacionária.
mesmo que fosse o chamado Realismo Mágico... Prefere as Fraktur, as góticas alemãs fre-
A composição queria-se simples e despo- quentemente associadas a partidos conser-
jada. Esta linguagem visual terá sido parafra- vadores e nacionalistas. Depois, Emil Kahn
seada pela Publicidade e modelada aos seus vira-se para a Publicidade.

E
propósitos. ste prolífico mestre da affiche (política
e comercial) foi o criador de fontes
Lucian Bernhard, pioneiro tipográficas, arquitecto de interiores

O
utros especialistas defendem, com e docente. Nas décadas de 19oo e 1910
melhores argumentos, que o Sachplakat realiza anúncios que entretanto são ícones:
não tem nada a ver com qualquer movi- Stiller (sapatos), Pelikan (canetas de tinta),
mento ou corrente artística. Antes terá Manoli (cigarros), Kaffee Hag, Bosch (velas
sido uma invenção do genial artista gráfico e de ignição), Faber-Castell (lápis). O seu
tipógrafo alemão Emil Kahn, (dito Lucian ou estilo gráfico usa cores vividas, com tex-
Lucien Bernhard). Este nasceu em 1883 em tos muito simples, curtíssimos. O lettering
Cannstatt/Stuttgart (Alemanha do Sul) no seio usado é sempre muito impactante, o fundo
de uma família judaica e morreu em 1972, com a é plano, monocromático.
respeitável idade de 89 anos, em Nova Iorque. Adopta o pseudónimo Lucian Bernhard.
Emil Kahn estudou na Academia de Artes Em 1911, cria o magazine Plakat, revista
de Munique. Em 1901 partiu para Berlim para que mais tarde se chamará Gebrauchs­
trabalhar para Ernst Gowold – proprietário da grafik. De 1910 a 1920, foi director de
maior agência de publicidade da metrópole, a arte da sociedade Deutsche Werkstätten
empresa impressora de anúncios Hollerbaum & Hollerau.
Schmidt.

Cartazes de Lucian Bernhard


Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento, 2 / Temas / Índice Remissivo página 152

Um produto, uma
Depois de uma visita aos EUA em 1922, decide ficar em
marca – mais
New York. Em 1923, é nomeado professor em «Arte Publi-
nada. Cartazes
citária». No seu estúdio em New York desenvolve algu-
publicitários de
mas das mais conhecidas business advertising and trade- Lucian Bernhard.
marks, para clientes como Cat's Paw, ExLax, e a Amoco.
Desenha também para cima de 35 display typefaces, entre
os quais a fonte Bernhard Gothic. Abre também uma
agência de design de interiores: a Bernhard-Rosen. Final-
mente, depois de 1972, dedica-se exclusivamente à pin-
tura de cavalete.

Bibliografia
Aynsley, J. Graphic Design in Germany: 1890-1945. USA:
University of California. 2000.
Bhaskaran, L. Raimes, J. Renow-Clarke, B. Retro Graphics: A
Visual Sourcebook To 100 Years Of Graphic Design. Chronicle
Books. 2007.
Eskilson, S. Graphic Design: A New History. USA: Yale University
Press. 207
Gerber, A. Graphic Design. The 50 most influential graphic
designers in the world. Britain: A & C Black Publishers Ltd.
2010.
Heller, S. Pop: How Graphic Design Shapes Popular Culture.
Allworth Communications, Inc. 2010.
Pamela, E. et. al. Selling Modernity: Advertising in Twentieth-
Century Germany. Duke University Press. 2007.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento, 2 / Temas / Índice Remissivo página 153

Ladislav Sutnar. Design para «zijeme», 1931. Na Max Bill. Cartaz para a exposição
evolução do Design Gráfico checo, Sutnar (1897 «Negerkunst», em Zurique. 1931. Na evolução
– 1976) traz a sua dinâmica marca vanguardista. do Design gráfico suíco, Bill, que tinha
Este tipo de layouts vanguardistas não estudado na Bauhaus, cunha a sua marca
encontraram reflexo em Portugal, durante a vanguardista com este cataz minimalista,
época do Fascismo. baseado unicamente em Tipografia. Outro tipo
de soluções que não afectou a Publicidade
portuguesa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
154 154

Bernardo
Marques
Especialista em Design editorial de
revistas.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
155 155

Etapa Art-Déco,
Ilustração Portuguesa

Com a entrada de António Ferro para a direção da Ilustração


Portuguesa, em 1921, a colaboração de Bernardo Marques
tornou-se mais assídua. Juntamente com Almada Negreiros,
Stuart e Barradas, teve um papel importante no redesign
desta revista.
As ilustrações estão em sintonia com os novos valores
gráficos dos anos 20, com desenhos estilizados sobre o
quotidiano alfacinha, numa feliz conjugação com os clichés
de um fotógrafo: «O Chiado às 5 horas»,
«Os desafios de foot-ball em Palhavã» e «Campeonato de
tennis em Cascaes», publicados respectivamente
na Ilustração Portuguesa N.º 821 (1921); N.º 818 (1921);
e N.º 817 (15 Out. 1921).
Bernardo Marques também ilustrou vários textos literários,
como o conto «A Cidade Notívaga – Lisboa na intimidade»,
de Lourenço Rodrigues.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
156 156

O Chiado às 5 horas, fotos de Garcez, ilustrações de Bernardo Marques.


Ilustração Portuguesa, No. 821, Novembro 12, 1921
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
157 157

Revista Civilização
Para a Civilização, magazine mensal com direção
de Ferreira de Castro, o contributo de Bernardo
Marques foi a ilustração de muitas capas, de
1928 a 1930. Capas cheias de cores com
contrastes fortes, onde são notórias algumas
influências do Expressionismo alemão, fruto da
sua estadia em Berlim em 1929.
Mas a colaboração de Bernardo Marques
nesta revista não ficou por aqui: ilustrou textos,
fez desenho humorístico e concebeu páginas
publicitárias para a «Toddy»
e para o «Calçado Elite».
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
158 158

Civilização, magazine mensal


Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Bernardo Marques / Temas / Índice Remissivo página 159

Duas capas da revista Civilização. Uma ilustrada por Nobre (esquerda), outra por Bernardo Marques (direita). Janeiro e Fevereiro de 1930.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
160 160

Civilização, magazine mensal


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
161 161

Revista Panorama

Durante toda a década de 1940-50, B.M.


foi director de arte da revista
Panorama, editada pelo Secretariado
Nacional de Informação (SNI),
instrumento de propaganda do estado
fascista.

Panorama «Revista Portuguesa de Arte e Turismo»


(número 1, ano 1, 1941). Ilustração de Bernardo Marques.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
162 162

Panorama, Revista Portuguesa de Arte e


Turismo. Número 33, Ano V, 1948. Órgão
de propaganda do SNI. Capa de Paulo
Ferreira (Pintura Mural no Museu de Arte
Popular, Belém.)
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
163 163

Revista Panorama (número 8, ano 1,


1942). Durante toda a década de
1940-50, B.M. foi director de arte da
revista Panorama, editada pelo
Secretariado Nacional de
Informação (SNI), instrumento de
propaganda do estado fascista.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
164 164

Durante toda a década de 1940-50,


Bernardo Marques foi director de
arte da revista Panorama, editada
pelo Secretariado Nacional de
Informação (SNI), instrumento de
propaganda do estado fascista.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
165 165

Ilustrações de Bernardo Marques para capas


da revista Panorama. 1941 e 1942.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
166 166

Publicidade

Ilustração de Bernardo Marques


para um anúncio às «Bolachas
Nacional»
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Bernardo Marques / Temas / Índice Remissivo página 167

A
Triunfo nasceu em Coimbra, em 1913, por iniciativa
de quatro famílias locais que viriam a criar a maior
empresa de bolachas portuguesa. A primeira fábrica,
localizada na rua dos Oleiros, mesmo junto à esta-
ção de Coimbra, esteve em actividade por várias décadas.
Curiosamente, até à década de 70, as bolachas eram maio-
ritamente vendidas a peso. As fábricas (em Coimbra e Mem
Martins) integravam a produção de bolachas, massas ali-
mentícias, descasque de arroz e rações para animais. Na
década de 70, chegaram a empregar mais de um milhar de
trabalhadores.
A Fábrica Triunfo em Coimbra encerrou em 2001. A
Fábrica Triunfo em Mem Martins (Sintra), continua em
laboração, tendo sida integrada na multinacional Kraft, em
2006, depois de ter sido adquirida anteriormente pela bri-
tãnica United Biscuits. Esta fábrica produz presentemente
bolachas das marcas Belgas, Chipmix e todas as da Triunfo.
A unidade produz para o mercado português, mas também
para países onde existem emigrantes portugueses, como
França ou Luxemburgo, e para as ex-colónias portuguesas,
principalmente Angola. Em 2012, a Triunfo vendeu mais de
400 milhões de bolachas em Portugal.
Ilustração de Bernardo Marques para um anúncio às «Bolachas Maria», da Triunfo.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
168 168

Capas de Livro /
Livros
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Bernardo Marques / Temas / Índice Remissivo página 169

Capa de Livro. A Boca da Esfinge. Capa de Livro. Cavalgada do sonho, Julião Quintinha, Portugal-
Bernardo Marques, 1924. Brasil Editora, Bernardo Marques, 1924
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
170 170
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
171 171
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
172 172

Aquilino Ribeiro
O Malhadinhas
ilustrações de Bernardo Marques
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
173 173

Aquilino Ribeiro
O Malhadinhas
ilustrações de Bernardo Marques
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
174 174

Capa de Bernardo Marques


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
175 175

Propaganda fascista
Exposição Internacional de Paris, 1937.
Pavilhão de Portugal. Sala do Turismo,
maquete de Fred Kradolfer e Bernardo
Marques.

Foto: Estúdio Mário Novais: 1937.


Responsáveis pela participação
portuguesa: Comissário António
Ferro. Autor do Pavilhão: Arquitecto
Keil do Amaral
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
176 176

Pintura de cavalete
À semelhança de outros artistas gráficos,
como, por exemplo, Fred Kradolfer (pág. 146),
Bernardo Marques também ensaiou a pintura
académica. Contudo, incapaz de alcançar um
estilo próprio, B.M. plagiava o estilo de
artistas mais conhecidos.

Lisboa - Telhados e Tejo


Aguarela e guache sobre papel,
assinada.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Bernardo
/ Bernardo
Marques
Marques
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
177 177

Ilustração de
Bernardo Marques
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Bernardo Marques / Temas / Índice Remissivo página 178

Bernardo Marques (1898-1962)


Ilustrador de revistas e livros, fez Design nais e revistas. A partir de 1921, fez ilustração em
editorial e exposições. Activo colaborador ABC a Rir, O Século, A Batalha, Diário de Lisboa
do estado fascista, na sua primeira e, a partir do ano seguinte, na revista Contempo-
especialidade: o Design editorial. rânea. Trabalhou também na revista Kino.
Em 1923, mudou-se com a mulher, Ofélia

A
propósito da qualidade da sua obra, em Marques, para a Calçada dos Caetanos (em Lis-
19 de Março de 1966, no Diário de Lis- boa), para o prédio onde viviam António Ferro
boa, Almada Negreiros referiu-se-lhe e Fernanda de Castro, e ainda a família do poeta
nos seguintes termos: «Revendo a obra José Gomes Ferreira. Aqui viveu até ao início
de Bernardo Marques, eu ia dizendo: é muito dos anos 40.

E
melhor do que eu julgava». Hoje, revendo nova- m 1924, recebeu a primeira grande enco-
mente a obra de Marques, o autor deste livro diz: menda: uma obra para os painéis que
«É muito pior do que a maioria diz.» Da facto, haveriam de decorar o café A Brasileira,
Bernardo Loureiro Marques foi autor de uma no Chiado. A Bernardo Marques coube a
Bernardo Loureiro Marques
obra, que, embora multifacetada, lhe confere parede por cima da porta principal do café, que
apenas um lugar de segundo plano na ilustração decorou com camponeses e camponesas estili-
portuguesa. zados, na mesma linha da pintura que realizara
Nasceu em Silves no seio de uma família de Estreou-se em 1920 na III. Exposição dos para a casa do casal Ferro.
abastados proprietários rurais. Em 1918 inscre- Humoristas Portugueses, com Almada Negrei- A partir de 1925, e até 1929, publicou regular-
veu-se na Faculdade de Letras. Abandonaria os ros, Jorge Barradas, Ernesto do Canto, Emme- mente, aos domingos, uma crónica satírica no
estudos no 3.º ano, decidindo que queria ser pin- rico Nunes, Cristiano Cruz, António Soares e Diário de Notícias, intitulada Os Domingos de
tor. Começou a produzir desenhos humorísticos José Pacheko, entre outros. Iniciou-se como Lisboa.
para as revistas ABC e Ilustração Portuguesa. ilustrador, com desenhos humorísticos, acti-
vidade que prosseguiu até aos anos 30, em jor-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Bernardo Marques / Temas / Índice Remissivo página 179

E
m 1926, integrou o II. Salão de Outono, e
começou a colaborar na Ilustração. Nos
anos seguintes, seria a vez do Sempre Fixe,
da Civilização e da Imagem, entre muitas
outras publicações, a par da realização de carta-
zes para filmes portugueses.

As obras que realiza a partir de 1930 estão pou no II. Salão dos Independentes. Em 1932
sob esta influência, tentando (mas não conse- e 1933, expôs no Salão de Inverno, em Lisboa,
guindo) a crítica social; foram pela primeira vez na Exposição Industrial de Lisboa e na Gale-
mostradas ao público em 1930, no I. Salão dos ria UP (pág. 405).
Independentes. A sua estadia em Berlim (1929) pô-lo em
No mesmo ano, Bernardo Marques partici- contacto com o Expressionismo alemão, na
pou também na II. Exposição de Arte da Caixa sua pior vertente: a do artista Georg Grosz.
do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Fez viagens a Paris, Nova Iorque e São Fran-
Sem título,1922, guache, tinta-da-china e grafite
Lisboa, e realizou os cenários para o filme Ver e cisco, nos anos 30, sempre em companhia do
sobre papel, 25 x 18 cm. Coleção CAM, FCG.
Amar, de Chianca de Garcia. Em 1931, partici- seu amigo António Ferro, o patrão do S.P.N.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Bernardo Marques / Temas / Índice Remissivo página 180

Ao serviço do SPN / SNI des Champs-Élysées para um espectáculo de fol-

N
a década de 30 ocupa-se no Pavilhão Por- clore português preparado por António Ferro,
tuguês da Exposição Internacional de chefe da propaganda do governo fascista. De
Vincennes (Paris, 1931), a do Pavilhão regresso a Lisboa, executou trabalhos decorati-
Português da Feira Internacional de Paris vos para o Cortejo Fluvial das Festas de Lisboa.

D
(1937) e as das Exposições Internacionais de urante toda a década 1940-50, foi director
Nova Iorque e São Francisco (1939), as duas últi- gráfico da revista Panorama, editada pelo
mas junto com Fred Kradolfer, José Rocha (pág. SNI, e da revista Litoral (1944-45). Em
219), Thomaz de Mello (Tom) e Emmérico 1947, assumiu a direcção de arte da Edito-
Nunes (pág. 258), todos do grupo do S.P.N. rial Ática. Foi director gráfico da Colóquio (1959-
Em 1940 integra outra vez a «Equipa do do 1962). Entre as numerosas obras literárias cuja
S.P.N.», sendo responsável por vários pavilhões edição ilustrou ou dirigiu graficamente contam-
da Exposição do Mundo Português (pág. 149). -se as seguintes:
Durante a década de 40, trabalhou como ilus- «Os Que se Divertem», de Luzia (3ª edição);
trador, publicitário, decorador, autor de capas «O Fado, Canção de Vencidos», de Luis Moita;
para inúmeros livros, de cenários e figurinos. «La Dernière des Amazones», de Georges Rae-
Pintou os painéis que decoram o Círculo Eça de ders; «O Malhadinhas», de Aquilino Ribeiro;
Queiroz, em Lisboa. Na década de 50 voltou ao nes, em França. Fez trabalhos de pintura e deco- «Lisboa», de Luiz Teixeira; «Os Maias», de Eça de
desenho como actividade autónoma e de carác- ração no pavilhão português da Exposição Inter- Queiroz, edição do Club Bibliophile de France;
ter pessoal, que centrou essencialmente na pai- nacional de Paris (1937) e nos pavilhões de Nova «O Livro de Cesário Verde»; «Portugal – Oito
sagem urbana e rural. Iorque e São Francisco (1939). Séculos de História ao Serviço da Valorização do
Colaborou também na revista Presença. No Homem e da Aproximação dos Povos (Comissa-
Exposição Internacional Vincennes, 1931 ano de 1934 viajou de novo a Paris, para estudar riado Português da Exposição Universal e Inter-
Sob a direcção de Fred Kradolfer (pág. 149), Artes Gráficas. Realizou algumas exposições nos nacional de Bruxelas de 1958); «Crónica da Fun-
Bernardo Marques, José Rocha (pág. 219) e meses em que aí residiu. dação dos Caminhos de Ferro em Portugal», de
Carlos Botelho realizam o Pavilhão Colonial Por- Em Paris, no ano de 1937, pintou, com Fred Luiz Teixeira; «Aguarelas do Comandante Pinto
tuguês da Exposição Internacional de Vincen- Kradolfer (pág. 150), cenários para o Théatre
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Bernardo Marques / Temas / Índice Remissivo página 181

Programa de espectáculo feito em 1940 pelo


Grupo de Bailados Portugueses Verde Gaio no
Teatro da Trindade. Ilustração de Bernardo
Marques - Museu Nacional do Teatro

Maquete de cenário do bailado «O Homem de Cravo na Boca», carvão,


Basto»; «História da Poesia Portuguesa», de aguarela e guache. Autoria de Bernardo Marques. Companhia
João Gaspar Simões. Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1941.
A partir de 1948, dedicou-se mais ao dese- Foto: Luisa Oliveira - Museu Nacional do Teatro.
nho, concentrando-se nas paisagens urba-
nas. Em 1949, foi director da I. Feira das Indús-
trias, e recebeu a encomenda das decorações
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Bernardo Marques / Temas / Índice Remissivo página 182

do paquete Vera Cruz, a que se seguiria o Santa


Maria, em 1951.
No ano seguinte, expôs quatro desenhos na
Bienal Internacional Bianco e Nero, na Suíça. A
partir daqui, e até à data da sua morte, em 1962,
a sua actividade pictórica foi maior. Participou
na Exposição de Vinte Artistas Contemporâ-
neos, na Galeria de Março, em Lisboa.
Comprou uma casa na região de Sintra, e aí
passou a ter atelier. Em 1954, a convite de Jaime
Cortesão, participou com um grande painel na
exposição comemorativa do IV. Centenário da
Fundação da Cidade de São Paulo, no Brasil.
Em 1957, recebeu prémios na I. Exposição de
Artes Plásticas da Fundação Gulbenkian; parti-
cipa também na segunda, em 1961.
Após o falecimento de Luis de Montalvor fez
a direcção artística e técnica da Editorial Ática.
Para o Círculo Eça de Queiroz fez três painéis
representativos do Passeio Público e interpre- Bibliografia
Bernardo Marques na Colecção da Hemeroteca
tando vários capítulos de «Os Maias» e «Cartas Ruivo, Mariana Bairrão. Bernardo Marques.
de Lisboa: Obra Gráfica - mostra documental
de Fradique Mendes». Editorial Presença. Edições Especiais, N.º 5.
e bibliográfica. Esta mostra reúne parte da
1993. Um contributo para o estudo da obra deste
Desenhou alguns cenários e figurinos para obra gráfica de BM existente na coleção da
artista, enquadrando-a no seu contexto histórico
os Bailados Verde-Gaio, e, com o arquitecto Keil Hemeroteca de Lisboa.
e perspectivando-a nas diferentes fases da sua
do Amaral, decorou o filme português «O Trevo evolução. Este estudo está documentado com +200
de Quatro Folhas». reproduções da produção de Bernardo Marques.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Bernardo Marques / Temas / Índice Remissivo página 183

Cronologia
1899 – nasce em Silves. 1918 – depois de cur- Marques realiza os interiores do pavilhão por- lhões portugueses nas exposições internacio-
sar o liceu, em Faro, começa os estudos na Facul- tuguês na Exposição Colonial Internacional de nais de Nova Iorque e de São Francisco.
dade de Letras de Lisboa. Vincennes. 1940 – na Exposição do Mundo Português,
1920. Na 3. Exposição de Arte promovida 1934 – em Paris, participa numa exposição Bernardo Marques é um dos pintores do Pavi-
pelo Grupo de Humoristas Portugueses, no de pintores portugueses e brasileiros efectuada lhão da Colonização, secção de pavilhões da
salão do Teatro de S. Carlos, apresenta pela pri- no "Théatre de l’Oeuvre" e expõe na Casa de Por- Vida Popular e "Portugal-1940".
meira vez os seus trabalhos: 14 cartões, 9 dos tugal. Em Lisboa, colabora nas Festas da Cidade 1945 – expõe na Galeria Calendas, em Lisboa,
quais com impressões do Algarve. com trabalhos decorativos para o cortejo fluvial com Ofélia Marques, Mily Possoz, Abel Manta,
1921 – abandona a Faculdade de Letras no Tejo. 1935 – a sua participação nas Festas de Dórdio Gomes, Diogo de Macedo e Manuel
e começa na Ilustração Portuguesa e em O Lisboa acentua o «espirito moderno» que carac- Bentes.
Século uma actividade de colaboração artística teriza a Feira do Terreiro do Paço, decorada por 1949 – representado no 1º Salão Nacio-
que prosseguirá, depois, na Contemporânea, Bernardo Marques e Fred Kradolfer. nal de Artes Decorativas (S.N.I.-Maio-Junho)
Revista Portuguesa, Diário de Notícias e outros 1937 – em Paris, pinta, com Fred Kradolfer, com ilustrações e arranjos gráficos em obras de
jornais e revistas. cenários para o Théatre des Champs-Élysées, várias casas editoras da capital. Chefe da equipa
1926 – expõe no 2. Salão de Outono, na Socie- cenários destinados a um espectáculo de fol- de decoradores da 1ª Feira das Industrias Portu-
dade Nacional de Belas Artes, e trabalha na clore organizado por António Ferro. Bernardo guesas, funções que exerceu também nas 2ª e 3ª
decoração da parede do fundo do café "A Brasi- Marques foi um dos produtores do Pavilhão por- Feiras, respectivamente em 1950 e 1951.
leira", no Chiado. tuguês na Exposição Internacional de Paris. 1952 – com quatro desenhos, Bernardo Mar-
1929 – estadia na Alemanha. 1939 – nos EUA, Bernardo Marques faz parte, ques representa Portugal na Bienal Internacio-
1930 – expõe no I. Salão dos Independentes com Kradolfer, Emmérico Nunes (pág. 258), nal "Bianco e Nero" de Lugano.
(Maio), na Sociedade Nacional de Belas Artes. Tom, Botelho e José Rocha (pág. 219), do 1953 – representado na Exposição de Vinte
1931. Com Fred Kradolfer (pág. 122), Car- grupo de artistas que faz a decoração dos pavi- Artistas Contemporâneos em Portugal, na Gale-
los Botelho e José Rocha (pág. 219), Bernardo ria de Março.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Bernardo Marques / Temas / Índice Remissivo página 184

1955 – concedido a Bernardo Marques o pré-


mio de Desenho na Exposição Iconográfica das
Pescas realizada no Instituto Superior Técnico.
1957 – na 1ª Exposição de Artes Plásticas da
Fundação Calouste Gulbenkian são atribuidos a
Bernardo Marques um prémio de Aguarela e um
prémio de Desenho.
1958 – prémio especial de Pintura na Expo-
sição de Artes Plásticas promovida pela Câmara
Municipal de Almada.
1961 – representado na 5ª Exposição de Artes
Plásticas organizada pela Câmara Municipal de
Almada nas salas do Convento dos Capuchos e
na II. Exposição de Artes Plásticas da Fundação
Calouste Gulbenkian.
1962 – no dia 28 de Setembro morre, em Lis-
boa, Bernardo Marques.

Bernardo Marques (1899 – 1962). Paisagem. Aguarela sobre papel, 20 x 25,5 cm


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Exposições
/ Exposições
do «Estado
do «Estado
Novo» Novo»
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
185 185

Exposições do
«Estado Novo»
O Estado Novo, à semelhança de outros regimes políticos
fascistas, promoveu uma série de iniciativas de Propaganda
de Estado, onde se destacam as grandes cerimónias públicas
comemorativas.

Em 1926, é instituída em Portugal a ditadura militar e começa


a censura à imprensa. A propaganda do regime fascista
português articulou-se em várias grandes exposições
nacionais e internacionais.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 186

Exposição Ibero-Americana,
Sevilha, 1929
Foram as obras arquitectónicas que tornaram Cotinelli Telmo
conhecido. No início da carreira, em 1922, concebeu o Pavilhão de
Honra da Exposição do Rio de Janeiro e, em 1929, o Pavilhão
Português da Exposição de Sevilha e a fábrica da Standard
Eléctrica, na Junqueira, em Lisboa (atual OML).

C
ottinelli Telmo (pág. 423) ficou conhecido pela variedade de
talentos que possuía; além de arquitecto, também foi poeta,
músico, pintor, cineasta e jornalista. Colaborou com a Lusitânia-
-Film na produção dos filmes Mal de Espanha e Malmequer, de Lei-
tão de Barros, realizados em 1918. Dirigiu a revista juvenil ABC-zinho
entre 1921 e 1929. De 1938 a 1942 foi director da revista Arquitectos. Em
1941 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.
Em 1929, a Espanha organizou duas grandes Exposições mundiais, a
Exposição Ibero-Americana de Sevilha e a Exposição Internacional de
Barcelona. Foram concebidas como eventos autónomos e complemen-
tares numa ambiciosa Exposición General Española de 1929, e prepara-
das desde o início do século XX para celebrar a permanência dos vínculos
da metrópole com suas ex-colónias na América (Sevilha) e a inserção da
Espanha industrial na Europa moderna (Barcelona).
A primeira acabou eclipsada pela segunda, pelo porte e hierarquia –
da exposição e da capital regional, e muito em função da notoriedade do
Exposição Portuguesa em Sevilha, 1929. Cartaz de Abílio Pacheco de
Carvalho (1894-1987). Empresa do Bolhão. Cromolitogravura.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 187

Pavilhão da Alemanha projectado por nacionais e eficiente antídoto contra


Mies Van der Rohe para Barcelona. a crise. O dividido estado de espírito
A derrota na guerra de 1898 contra espanhol acabou resultando em duas
os Estados Unidos tirou à Espanha as exposições, cada uma atendendo a uma
suas últimas possessões ultramarinas, face do aparente paradoxo: à Andalu-
e com elas os últimos vestígios de seu zia caberia revigorar os laços culturais
império colonial. Atrasada e empobre- e comerciais com as antigas colónias na
cida em relação aos seus rivais europeus América, agora independentes, cele-
desde o século XIX, a Espanha do início brando a identidade um «mundo espa-
do século XX parecia destinada à irrele- nhol»; à Catalunha, principal região
vância no jogo do poder mundial. industrial do país, caberia demons-

A
ressaca da derrocada recente trar a capacidade de sua indústria e seu
manifestava-se em duas rea- avanço técnico, como vanguarda da
ções, quase contraditórias: por Espanha moderna e européia.
um lado de defesa, com um sen- As diferenças entre as duas expo-
timento de retoma da identidade espa- sições não se limitavam ao tema: Bar-
nhola, do mito nacional e das identida- celona era cerca de quatro vezes maior
des regionais; por outro lado, de ataque, que Sevilha à época, tinha a tradição
buscando acelerar o desenvolvimento urbanística do Plano de Ildefons Cerdà
espanhol através do alinhamento à a dirigir o seu crescimento urbano
Europa industrial moderna. desde meados do século XIX, e a recente
Desde o final do século XIX, a orga- experiência do sucesso da Exposição de
nização de uma Exposição Internacio- 1888.
nal servia como vitrine das aspirações
Almada Negreiros (1893-1970). Exposição Portuguesa em Sevilha,
1929; Empresa do Bolhão,impr. ( Porto: Bolhão); 101x70 cm. Cartaz
reproduzido na revista «Ilustração» de 16.3.1928. Mulher da Nazaré
segurando escudo com as quinas.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 188

Exposição Colonial, Paris, 1931


Na Exposição Colonial de Paris, em 1931, o de 1870. Inicialmente, na Alemanha, onde em
pavilhão do arquitecto Raul Lino segue uma 1874 Karl Hagenbeck, vendedor de animais sel-
estilização quinhentista, segundo os seus vagens e futuro promotor dos principais zoos
princípios teóricos. europeus, decide apresentar, aos visitantes, ávi-
dos de sensações, nativos de Samoa e da Lapó-

A
Exposição Colonial Internacional de Vin- nia como populações «genuinamente naturais».

T
cennes, em 1931, com uma área de cen- al sucesso influenciou Geoffroy de Saint-
tenas de hectares, constitui um jardim -Hilaire, director do Jardim de Aclima-
zoológico humano sob o manto da mis- tação, que procurava atracções capazes
são civilizadora, de boa consciência colonial e de de reverter a situação financeira precária
apostolado republicano. em que se encontrava seu estabelecimento. Ele
No final do século XIX, havia poucos euro- decide, em 1877, organizar dois «espectáculos
peus que não tivessem visto uma reconstituição etnológicos», apresentando os Núbios e Esqui-
«autêntica» dos ambientes selvagens, povoa- mós aos parisienses. O sucesso foi fulminante.
dos de homens e de animais exóticos. Os jardins A frequência ao Jardim duplicou e alcançou,
zoológicos, nos quais indivíduos exóticos eram naquele ano, milhões de entradas pagas.
misturados com animais selvagens, eram mos- Os parisienses acorreram para descobrir
trados em recintos delimitados a um público o que a grande imprensa qualificava de «grupo
ávido de distracção. de animais exóticos, acompanhados por indiví-

A
idéia de promover um espectáculo zoo- duos não menos singulares». Entre 1877 e 1912
lógico pondo em cena populações exóti- foram montadas com sucesso no Jardim Zooló- Exposição Colonial Portuguesa, poster de Fred
cas aparece em vários países colonialis- gico de Aclimação, em Paris, cerca de trinta «exi- Kradolfer para o Pavilhão português da Exposição
Internacional de Paris, de 1931.
tas europeus cedo, já ao longo da década bições etnológicas» desse tipo.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 189

V C
ários outros lugares iriam apresentar os om os impérios coloniais consolida-
mesmos espectáculos ou adaptá-los, a dos, o poder das representações do outro
exemplo das Exposições Universais pari- impõe-se num contexto político muito
sienses de 1878 e de 1889, que tinham diferente e num movimento de expansão
como principais atracções uma «aldeia negra» histórica de amplitude inédita. A questão fun-
e 400 figurantes «indígenas»; a de 1900, com damental continua sendo a colonização porque
seus 50 milhões de visitantes, além do famoso ela impõe a necessidade de dominar o outro, de
«diorama vivo» de Madagascar; e, mais tarde, domesticá-lo e, portanto, de representá-lo.
as exposições coloniais de Marselha, em 1906 e A mecânica colonial de inferiorização do
1922, e também as de Paris, em 1907 e 1931. indígena pela imagem foi então accionada e,

S
ão milhões de franceses que vão, de 1877 nessa conquista dos imaginários europeus, os
ao início dos anos 30, ao encontro do zoos humanos constituem a engrenagem mais
outro levado à cena na gaiola. Quer seja viciada da construção dos preconceitos sobre
um povo estranho, vindo dos quatro can- as populações colonizadas. A prova está lá, para
tos do mundo, ou indígenas do império, trata- todos verem: trata-se de selvagens, vivendo e
-se, para a maioria dos metropolitanos, do pri- pensando como selvagens.

P
meiro contacto com a alteridade. São combina- aralelamente, um racismo popular ins-
dos com uma propaganda colonial (pela imagem tala-se na grande imprensa e na opinião
e pelo texto) Manifesta-se, na metrópole, uma pública, coerente com a conquista colo-
paixão pelo exotismo, ao mesmo tempo que se nial. Todos os grande meios de comuni-
constrói – na fronteira de várias ciências – um cação, dos jornais ilustrados mais populares –
discurso sobre as «raças" ditas inferiores. Logi- como Le Petit Parisien ou Le Petit Journal – às
camente, a construção da identidade de toda publicações de carácter «científico» – La Nature
civilização dá-se sempre sobre as representa- ou La Science amusante –, passando por revis-
ções do outro, permitindo – como num espelho tas de viagens e de exploração – como Le Tour du
– elaborar uma auto-representação e se situar Monde e o Journal des Voyages –, apresentam as
no mundo. populações exóticas – e muito particularmente
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 190

as submetidas à conquista colonial – como ves- mens até então inimagináveis nas metrópoles
tígios dos primeiros estágios da humanidade. dos impérios coloniais.

O T
vocabulário de estigmatização da sel- anto a Antropologia física como a emer-
vageria – bestialidade, gosto de sangue, gente Antropometria – na época, uma
fetichismo obscurantista, estupidez atá- gramática dos «caracteres somáticos" dos
vica – é reforçado por uma produção ico- grupos sociais, sistematizados desde 1867
nográfica de uma violência inaudita, propa- pela Sociedade de Antropologia com a criação de
gando a idéia de uma sub-humanidade estag- um laboratório de craniometria, e depois a fre-
nante, humanidade dos confins coloniais, na nologia – legitimam a continuidade dessas exi-
fronteira da humanidade e da animalidade. bições. Incitam os cientistas a manterem acti-

O
s membros da Sociedade de Antropolo- vamente as programações por três razões prag-
gia – criada em 1859, na mesma data que máticas: a disponibilidade de um «material"
o Jardim da Aclimatação de Paris – esti- humano excepcional (variedade, número e reno-
veram por várias vezes nessas exibições vação dos espécimens…); o interesse do grande
de grande público, para realizar as suas pesqui- público por suas pesquisas, e portanto a possi-
sas de Antropologia Física. Esta «ciência», obce- bilidade de promover seus trabalhos na grande
cada pelas diferenças entre os povos e o esta- imprensa; e finalmente, a demonstração mais

O
belecimento de hierarquias, dava à noção de darwinismo social, vulgarizado na vira- comprobatória da procedência dos enunciados
raça um carácter predominante nos esquemas gem do século por Gustave Le Bon e racistas pela presença física dos «selvagens".

N
de explicação da diversidade humana. Através Vacher de Lapouge, encontra a sua tradu- esta percepção linear da evolução socio-
dos zoos humanos, assiste-se ao desenvolvi- ção visual de distinção entre «raças primi- cultural e proximidade ao mundo ani-
mento da construção de uma classificação das tivas» e «raças civilizadas» nessas exibições de mal, as civilizações não européias eram
«raças» humanas e da elaboração de uma escala suposto carácter etnológico. Esses pensadores consideradas «atrasadas», mas passíveis
unilínea, que permite hierarquizá-las de cima a da desigualdade descobrem, por meio dos zoos de serem civilizadas – portanto, colonizáveis.
baixo na escala evolucionista. humanos, um laboratório fabuloso de espéci- Fecha-se o círculo. A coerência dos espectácu-
los torna-se uma evidência científica, ao mesmo
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 191

tempo que uma perfeita demonstração das teo- tropas coloniais –, provocando um fascínio pelo
rias nascentes sobre a hierarquia das raças e corpo do «selvagem».

O
uma perfeita ilustração in situ da «missão civi- s zoológicos humanos constituem, por-
lizadora ultramarina». Cientistas, membros do tanto, um fenómeno cultural fundamen-
lobby colonial e organizadores de espectáculos, tal – pela sua amplitude e também por
todos tiram proveito. nos permitirem compreender como se

A
aplicação dos fundamentos antropoló- estrutura a relação construída com «os outros»
gicos «darwinianos» da ciência política, pela França colonial e também pela Europa. De
celebrizada e popularizada por essas exi- facto, não estaria a maior parte dos arquéti-
bições, vai muito rapidamente influen- pos encenados pelos zoos humanos projetando
ciar as ciências irmãs e o projecto «eugenista» a raiz de um inconsciente coletivo – que assu-
de Georges Vacher de Lapouge, que consistia na mirá, ao longo do século, múltiplas faces –, e que
melhoria das qualidades hereditárias, desta ou se torna indispensável desconstruir, com base
daquela população, por meio de uma seleção sis- numa pesquisa recente que revela que mais de
temática e voluntária. dois terços dos franceses são racistas?

O
s «zoos humanos» encontram-se assim
na confluência do racismo popular e
da objetivação científica da hierarquia
racial, ambos frutos da expansão colo-
nial. O tema da sexualidade é particularmente
desenvolvido. Para os «negros", cresce o mito nio por seres que se encontram no limiar entre a
de uma sexualidade bestial, plural. Nesse mito, animalidade e a humanidade.
que abrange considerações físicas (uma grande A própria vitalidade sexual remete a uma
vitalidade e órgãos genitais considerados super- vitalidade corporal de conjunto – visível, por
desenvolvidos, tanto no homem quanto na exemplo, em inúmeras gravuras dos grandes
mulher), cristaliza-se a ambivalência do fascí- jornais ilustrados da época, que evocam o com-
bate vigoroso de «tribos» quase nuas diante das
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 192

Exposição Colonial, Porto, 1934

O
A Exposição Colonial foi o acontecimento regime de Salazar foi, desde o seu início,
que mais impacto teve na vida da cidade despertado para a questão colonial. Já em
do Porto nos anos 30, atraindo milhares de Março de 1930 surgira em Angola um con-
visitantes. Em 1934 o regime promove no fronto entre funcionários civis e milita-
Porto a primeira das suas grandes res contestando a autoridade do poder central,
exposições – a Exposição Colonial do Porto e sobretudo em torno da Sociedade das Nações,
– destinada a propagandear o Estado Novo gera-se, nesta época, um movimento no sentido
como um regime moderno, activo num de ilegalizar e acabar com os trabalhos forçados
Portugal Imperial. nas colónias.
Coincidindo com Salazar aumentar o seu
poder, ocupando também o Ministério das
Colónias, é aprovado o Acto Colonial (Decreto
n.º 18 570, de 8 de Julho de 1930). Salazar reage
na instituição e na defesa do Império Colonial,
como uma «unidade orgânica e indivisível», con-
sagrando o Acto Colonial na Constituição de
1933, alterando a denominação dos territórios
do Ultramar português, de «províncias ultra-
marinas» para «colónias». (Em 1951 regressará à
primitiva terminologia na revisão da Constitui-
ção que revoga o Acto Colonial).
A Exposição Colonial foi o acontecimento
social que mais impacto teve na vida da cidade
do Porto na década de 1930, atraindo milhares
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 193

de visitantes. Mesmo ainda pouco experiente


em fazer propaganda, o estado fascista logrou
fazer imprimir um desdobrável com fotos, bilin-
gue, para atrair visitantes. No Porto, a exposição
era o «passeio do domingo», pois havia – ó sen-
sação! – africanas de «tetas à mostra» para ver
como são os africanos, supostamente, portu-
gueses como todos os outros.
Decididamente, o regime apostou numa
degradante exibição de exóticas criaturas, à mis-
tura com elefantes e outra bicharada africana.

E
m 1934, o regime de Salazar já tinha benefi-
ciado das experiências feitas na Exposição
Colonial de Paris de 1931, e decide promo-
ver no Porto a primeira das suas grandes
exposições – a Exposição Colonial – destinada a
propagandear o Estado Novo como um regime
moderno, activo num Portugal Imperial.
«Somos sobretudo uma potência atlântica,
presos pela natureza à Espanha, política e eco-
nomicamente debruçados sobre o mar e as coló-
nias, antigas descobertas e conquistas. Nem
sempre a nossa política se fez de Lisboa ou da
parte continental, mas de outros pontos, tal a
ideia de que a colónias não o foram à maneira
corrente mas partes integrantes do mesmo todo
nacional.»
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 194

«Portugal constitui com as suas colónias um


todo, em virtude de um pensamento político
que se fez pelos tempos fora realidade política.
Alheios a todos os conluios, não vendemos, não
cedemos, não arrendamos, não partilhamos as
nossas Colónias com reserva ou sem ela de qual-
quer parcela de soberania nominal para satis-
fação dos nossos brios patrióticos. Não no-lo
permitem as nossas leis constitucionais; e, na
ausência desses textos, não no-lo permitiria a
consciência nacional.» (António Salazar - Dis-
cursos e Notas Políticas)
É neste quadro que se insere a participação
de Portugal na Exposition Coloniale de Paris
em 1931 de que resulta a Exposição Colonial de
1934. Afirma Henrique Galvão, o coordenador
da exposição: «A Primeira Exposição Colonial
Portuguesa é filha de um pensamento de polí-
tica Imperial que, na larga e brilhante represen-
tação portuguesa na Exposição Internacional
de Paris teve a sua realização inicial.»
A Exposição Colonial do Porto em 1934 ser-
virá ainda de ensaio à Exposição do Duplo Cen-
tenário (ou do Mundo Português) de 1940.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 195

Folhetos
publicitários para
a Exposição do
Porto, 1934.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 196

Exposição Internacional de Paris, 1937


A participação portuguesa na última
exposição mundial realizada antes da
II. Guerra Mundial representa um esforço
de equipa dos designers portugueses em
prol do Estado de Salazar. Esta jogada de
Propaganda foi comissariada por António
Ferro, director do SNI.

F
red Kradolfer (pág. 160) integra, com Ber-
nardo Marques, José Rocha (pág. 219),
Carlos Botelho, Thomaz de Mello e Emmé-
rico Nunes (pág. 258) o grupo de traba-
lho responsável pelo Design gráfico e pela estra-
tégia de Comunicação visual do Estado Novo na
Exposição Internacional de Paris em 1937, onde
o Pavilhão de Portugal foi condecorado com
o Grand-Prix da Exposição e onde o designer
suíço Fred Kradolfer atinge o apogeu da sua car-
reira profissional.

E
sta imponente – senão esmagadora – expo-
sição ficou marcada pela disputa entre os
enormes pavilhões da Alemanha de Hitler
(que esteve para desistir da participa- Thomaz de Mello, Fred Kradolfer, Emmérico Nunes, Bernardo Marques, Carlos Botelho e José Rocha.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 197

ção deste país no evento) que apelavam ao anti-


comunismo, e o da União Soviética, que publi-
citava o estalinismo exacerbadamente. Estes
pavilhões ficaram frente a frente na alameda
principal da feira ... O Pavilhão de Portugal ficou
localizado mesmo ao lado do gigantesco pavi-
lhão alemão, obra construída pelo célebre arqui-
tecto Albert Speer, o predilecto de Adolf Hitler.

A
Exposição Universal de Paris foi um ver-
dadeiro mega-evento: teve 44 países par-
ticipantes e cerca de 31 milhões de visi-
tantes. Também foi um verdadeiro cam-
peonato do estilo Art-Déco, funcionando na sua
vertente de «Arquitectuta de estados totalitá-
rios». Talvez pelo próprio tema da exposição –
Artes e Técnicas da Vida Moderna –, a presença
portuguesa foi, pela primeira vez, mais que uma
mera reconstituição histórica (como tinha sido
o caso em participações anteriores).

A
pesar da representação portuguesa
nunca descuidar a glorificação do pas-
sado, sobressai a preocupação em valori-
zar o presente nacional, desde o Patrimó-
Exposição Internacional de Paris, 1937.
nio à Arte Popular, também a técnica e a actu-
Pavilhão de Portugal. Sala do Turismo, painel
alidade foram objectivos – conforme expressos de Fred Kradolfer e Bernardo Marques. Foto:
no anúncio da participação de Portugal na expo- Estúdio Mário Novais, 1937.
sição: «mostrar a contribuição portuguesa para
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 198

a civilização do mundo; a obra e o pensamento


do Estado Novo; as realizações, os métodos e os
ideais colonizadores portugueses no presente
e no passado; as riquezas artísticas mais notá-
veis do país; o interesse turístico e etnográfico e
a importância dos principais produtos da indús-
tria e do solo nacionais.»
Num contexto de pré-guerra, numa clima
da grande agressividade desenvolvida pela Ale-
manha nazi, o convite para Portugal participar
na exposição surge como uma oportunidade de
rever a imagem do país e do seu governo, mos-
trando um «Estado Novo» capaz, construtivo e
actualizado.

U
ltrapassando a mera evocação histórica,
sobretudo por influência de Ferro (pág.
211), que toma a suposta defesa do
«Modernismo», como argumento para a
sua actuação como director do S.P.N. Respon-
dendo aos desejos do Salazar, Ferro propõem-se
compor uma exposição que seja transmissora de
uma imagem de um regime responsável por um
ressurgimento idílico: «…a participação nacio-
nal é composta pela definição de «arte» tradu-
zida como modo de governar um povo e de «téc-
nica» entendida como demonstração da com-
plexidade desse governação…»
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 199

O
pavilhão português, de dois andares, foi, grafias em três dimensões, virtuosamente exe-
segundo imposições do programa, uma cutadas por Fred Kradolfer. É notório que para
estrutura de 1.500 m2. Exteriormente este importante acontecimento do regime fas-
destacam-se as superfícies lisas e depu- cista, não só tenha sido procurado uma imagem
radas que valorizam a função do edifício, com- «moderna», como se tenha optado pelos servi-
posto por dois corpos distintos, de definição ços dum arquitecto ainda em início de carreira:
vertical e horizontal. O corpo que se desenvolve Keil do Amaral.
em altura avança sobre o Rio Sena, marcado por
uma moldura aberta sobre o rio e ornamentado Bibliografia
com o escudo nacional. Às formas de cariz racio- Acciaiuoli, Margarida. Exposições do Estado Novo: 1934-
nalista foram sobrepostas elementos de carác- 1940; Livros Horizonte, Lisboa; 1998.
Almeida, Pedro Vieira de. A Arquitectura do Estado
ter simbólico, citações de tradição nacional,
Novo. Livros Horizonte, Lisboa, 2002.
como o Escudo das Quinas, a Cruz de Cristo, os
Baptista, Marta Raquel Pinto. Arquitectura como
relevos de figuras nacionais ou ainda a arcaria instrumento na construção de uma imagem do Estado
cega que compõe o alçado do volume de marca- Novo. Coimbra, 2008. Tese de Licenciatura em
ção horizontal. Arquitectura. Online em https://estudogeral.sib.
A exposição foi dividida em oito salas: do uc.pt/handle/10316/7389
«Estado», das «Realizações», do «Trabalho», do
«Ultramar», da «Arte Popular», das «Pesqui-
sas Cientificas», das « Riquezas Naturais» e do
«Turismo». Como que a «coroar» todo o recheio
interior, foi posicionada uma grande estátua de Império, Descobrimentos, Ultramar – iconografia
do regime fascista português. Exposição
Oliveira Salazar, em pose de Chefe de Estado.
Internacional de Paris, 1937. Responsáveis pela
Nos objectos expostos há que assinalar a grande
participação portuguesa: Comissário: António
qualidade de execução e a originalidade de pro- Ferro. Autor do Pavilhão de Portugal: Arquitecto
postas de Design de Exposicao, como as info- Keil do Amaral.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 200

Exposição Internacional de Paris, 1937. Pavilhão


de Portugal. Sala do Turismo, Projecto de Fred
Kradolfer e Bernardo Marques. Foto: Estúdio
Mário Novais, 1937.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 201

Exposição Internacional de Paris, 1937.


Pavilhão de Portugal, mesmo ao lado do
gigantesco pavilhão da Alemanha nazi.
Atracados à margem do Rio Sena, duas
embarcações tradicionais portuguesas,
do tipo «barco rebelo». Foto: Estúdio
Mário Novais, 1937.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 202

Exposição de Nova Iorque, 1939


Nova Iorque quis, em 1939, mais que uma
demonstração da evolução técnica dos
países participantes. Devia de ser uma
visão optimista e positiva, olhando para o
futuro. Queria fazer face à crise económica
americana, decorrente do Big Crash do ano
de 1929.

A
presença portuguesa, comissariada
nova­mente pelo propagandista Antó-
nio Ferro (pág. 211), teve um objectivo
diferente em relação à exposição ante-
rior – e em relação aos outros participantes. A
imagem projectada foi a de um Regime «huma-
nizado», preocupado com a população. Foi aqui
amplificada de modo a atingir directamente os
emigrantes portugueses residentes nos EUA.

P
ara realizar o pavilhão, foi seleccionada a
proposta do arquitecto Jorge Segurado
(pág. 405), que hoje nos recorda uma
sede regional da Caixa Geral dos Depósi­
tos. O pavilhão estava composto pela junção
A equipa de colaboradores do S.P.N. na Exposição de New York de 1939,
de dois volumes, um planimétrico e o outro de
posando para a foto com Salazar e António Ferro (pág. 211).
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 203

forma circular. O primeiro destinava-


-se às salas de evocação histórica, com
representações que pretendiam retra-
tar o passado, o presente e o futuro,
e o segundo teria a dupla função de
espaço de recepção e expositivo, ao
acomodar a secção do «Turismo e Arte
Popular» no segundo piso.

E
ntrava-se no pavilhão, situado
no volume circular, por uma
porta de arco em volta perfeito,
encimado pelo escudo nacional
e ladeado por uma monumental mol-
dura decorada com uma figuração em
relevo, inicialmente concebida como
vitrine. Na torre redonda, marcada
por pilares adossados rematados em
ameias, estava inscrita a designação
do país.
O hall de entrada dava acesso ao
segundo volume, organizado segundo
uma sequência cronológica das salas,
desde da sala da «Descoberta do
Atlântico», à secção de «Columbo», à
secção dedicada a «Expansão Portu- Sala do Descobrimento do Atlântico. «Epopeia marítima», de Fred Kradolfer. (maqueta).
guesa no Mundo», seguido da secção
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 204

N
do «Planisfério Luminoso» (monumental pla- a sua concepção é patente um inversão de Jorge Segurado (pág. 405), a enquadrar no
nisfério de cortiça onde estavam assinalados os prioridades, em que apesar de ser procu- «Hall das Nações Estrangeiras». Edifício de 5000
diferentes trajectos realizados pelos portugue- rada a junção de uma visão modernista, m2 de superfícies lisas, definido numa planta
ses) e finalmente na ala dedicada ao «Presente» patente na estrutura, com uma exaltação adaptável («planta funcional e simples»), con-
e ao «Estado Novo». nacionalista, é a segunda que se sobrepõem. cretizando um desejo de monumentalidade em

O
O percurso foi rematado por um pátio ajardi- carácter térreo do pavilhão, a simulação que os únicos elementos decorativos são consti-
nado, para o qual foi projectado uma escadaria de uma construção em pedra, a aplicação tuídos pelo tradicional escudo armilar, designa-
de ligação a um terraço ao ar livre. Esta estrutura de elementos e decorativismos de fun- ção país e ainda um mapa-mundo, esta necessi-
independente, de significado simbólico, cujo ção simbólica e evocativa, supostamente dade advém do facto de se querer impor face aos
distanciamento espacial é tradutor de distancia- nacionais, defi nem uma encenação ligada ao outros pavilhões, pretendendo ser a «afirmação
mento temporal, pretende ser uma representa- passado e condicionada pelos objectivos ideoló- das colónias, império e valores cristãos.»
ção de um possível futuro superior, justificado gicos, onde a importância reside na exaltação da
pelo passado e pelo o presente nacional, identifi história e das raízes.

I
cada pelo o friso escultórico. ncluída na participação portuguesa na expo-
sição de Nova Iorque, para além do pavi-
lhão principal, contava com a edifi cação de
um «Stand de Honra", também da autoria de
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 205

Golden Gate Exposition, San Francisco, 1939

A
segunda participação portuguesa numa
exposição internacional, no ano de 1939,
foi a Golden Gate Exposition, realizado
em San Francisco, EUA. Numa exposi-
ção pouco divulgada em Portugal, a participa-
ção portuguesa foi direccionada para a popu-
lação residente do país de recepção, baseando-
-se numa recriação falsa de uma nação perfeita.
O pavilhão era uma «miniaturização do país,
numa adaptação onde se sublinha apenas o que
era suposto ser a imagem essencial da pátria.»
Projectado por Jorge Segurado (pág. 405),
sobressai o seu carácter tradicional com base
formal nas igrejas românicas do Norte de Por-
tugal, de cariz maciço e horizontal, com entrada
marcada uma arco de volta perfeita, encimada
pelo escudo nacional. A «tendência inovadora»
demonstrada na Exposição Internacional de
Paris foi negada pelo retrocesso a uma postura
de ligação à Tradição e à História. A negação da
«Modernidade», supostamente promovida por
António Ferro (pág. 211), seria confirmada
na Exposição do Mundo Português, em 1940.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 206

Exposição do Mundo Português, 1940


Foi inaugurada a 13 de Julho de 1940, com o tória, do seu passado. O que se pretendia dou-
objectivo de mostrar aos portugueses a trinar com esta pomposa exposição remetia,
grandeza da sua história e reforçar a essencialmente, para a tradição e a história.
ideologia fascista da Pátria e Nação. A vontade de se realizar uma exposição evo-
Foi um dos principais eventos de cando o «Portugal Maior» nasceu cedo. A 20 de
consagração do regime fascista e da pessoa Fevereiro de 1929, Agostinho de Campos publi-
de Salazar. Foi «a maior exposição que se cou no Diário de Notícias, onde produzia uma
tem feito em Portugal». carta «Um português ausente de Portugal», atri-
buída a Alberto de Oliveira, pela primeira vez o

P
or ocasião do oitavo centenário da Funda- pensamento do Estado Novo.
ção (1139) e do terceiro centenário da Res- Esta exposição iria coincidir com as come-
tauração da nacionalidade (1640), Antó- morações do 8. Centenário da Fundação de Por-
nio Ferro (pág. 211), presidente do SNI, tugal, data que tinha a vantagem de também
organizou a Exposição do Mundo Português exi- coincidir com 1640, data da independência res-
bindo, orgulhosamente, Portugal de Salazar a taurada. No entanto, só 9 anos mais tarde é que
uma Europa em guerra. Terá sido a sua maior Emmérico Nunes, Manuel Lapa, Paulo Ferreira, Salazar anuncia numa pormenorizada Nota Ofi-
façanha ideológica. Alberto Cardoso e outros. ciosa da Presidência do Conselho, a celebração

A
Foram chamados a participar Almada Exposição do Mundo Português decorreu das duas datas, de 1940 e de 1640. Na Nota Ofi-
Negreiros, Jorge Barradas, Martins Barata, já no decurso da Grande Guerra. Numa ciosa, o ditador começa por identificar as razões
Fred Kradolfer (pág. 134), Stuart Carva­lhais altura em que a Europa estava sob o que justificam as comemorações centenárias, e
(pág. 340), Bernardo Marques, Carlos Bote- assalto das tropas nazis, o regime de Sala- refere-se às duas datas das comemorações.
lho, Thomáz de Melo, Maria Keil, Sarah Afonso, zar iniciava uma viagem ao interior da sua his-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 207

Exposição do Mundo
Português, Lisboa, 1940.
Inauguração
(23/06/1940). Na foto:
António de Oliveira
Salazar. Num plano
posterior, António Ferro
(pág. 211) (calvo, com
lenço branco no fato).
Em frente a Salazar, o
engenheiro Duarte
Pacheco Pereira. Foto:
Estúdio Horácio Novais,
1940.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 208

A par do projecto da Grande Exposição do


Mundo Português, foi igualmente previsto por
Salazar a realização de outras exposições: a
Exposição de Arte Portuguesa, a Grande Exposi-
ção Etnográfica, a Grande Exposição do Estado
Novo, e ainda pequenas exposições locais como,
uma de Ourivesaria em Coimbra, outra de Arte
do Barroco, no Porto, etc.

A
tarefa de apresentar as comemorações
ficou a cargo de Augusto Coelho, que
em Fevereiro de 1939 faz uma apresen-
tação da primeira ideia do conjunto da
Exposição do Mundo Português, com a publica-
ção da uma planta geral, a primeira apresenta- exposições internacionais. Ocupou uma área de lhões – os maiores de todo o conjunto – perpen-
ção pública do recinto da Exposição, e ainda a 560.000 m2, perto da Torre de Belém, de onde as diculares ao monumento. Pensando em todos
publicação de uma planta da secção etnográfica naus teriam partido para as aventuras maríti- os pormenores, o arquitecto Cottinelli Telmo
e colonial, a integrar no Jardim Colonial, cedido mas séculos antes. (pág. 423) idealizou para a zona central da

D
à exposição pelo Ministro das Colónias. esde cedo os arquitectos quiseram realçar praça uma fonte.
Belém, com a Torre de Belém e os Jeróni- uma sintonia entre os Jerónimos e o Tejo A exposição, com destaque da época dos Des-
mos, foi o lugar eleito pelo Estado Novo – para e a Praça Afonso de Albuquerque e Belém, cobrimentos, era um conjunto de pavilhões
poder fazer equivaler a obra de Salazar aos feitos em sintonia com as referências do pas- evocadores das «glórias do passado»: o Pavi-
manuelinos. No início de 1939, a área a demolir sado histórico. A autora Margarida Acciaiuoli lhão da Fundação; o da Formação e Conquista;
estáva pronta. Em Fevereiro começam os des- afirma: «o centro do recinto, o palco da expo- o da Independência, o dos Descobrimentos, o
pejos, na Primavera de 1939, o bairro começa a sição inteira, dava a primeira nota dessa preo- da Colonização, o dos Portugueses no Mundo
assemelhar-se a um estaleiro. cupação no desenho de uma enorme praça – a e ainda o Pavilhão de Honra e de Lisboa, onde
O arquitecto principal foi Cottinelli Telmo Praça do Império – aberta ao rio e definida pelo também se expunha documentação histórica
(pág. 423), que procurou atingir o nível de Mosteiro dos Jerónimos e por isso longos pavi- relativa ao Império.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 209

O recinto da Exposição estava organizado


por secções, áreas dedicadas aos grandes temas,
tais como a Histórica e a secção da Vida Popular.

A
exposição foi dividida por vários pavi-
lhões: Palácio da Fundação, Palácio da
Independência, Pavilhão dos Descobri-
mentos, Pavilhão da Colonização, Pavi-
lhão da Propaganda da Fé, Pavilhão dos Portu-
gueses no Mundo, Pavilhão do Brasil, Pavilhão
das Artes, Ciências e Letras, Pavilhão e Lisboa,
Pavilhão Central.
A Secção da Vida Popular, dentro da qual
figura uma reconstituição das Aldeias Portugue-
sas e a secção Colonial, foi instalada no Jardim
Colonial, com os seus inúmeros pequenos pavi-
lhões coloniais com reconstituições de aldeias
indígenas. A Secção Histórica, mais complexa,
foi concretizada através da construção de um representava tipos de actividades populares que os santos populares e mostrava-se artefactos de
grande número de edifícios e equipamentos de poderiam ser observados com mais precisão nos pirotécnia usados nos arraiais.

O
referência histórica. pavilhões que se seguiam. quarto Pavilhão, o das Artes e Indus-

D
e acordo com o Roteiro do Centro Regio- No Pavilhão da Ourivesaria, de pequenas trias, tinha vários espaços dedicados a
nal, a visita à Secção da Vida Popu- dimensões, apresentava-se uma temática muito ofícios da arte popular: começava-se por
lar começaria pelo Pavilhão do Prólogo, direccionada à ourivesaria em filigrana. No uma secção com a exposição de bonecos
onde se apresentava uma evocação do Pavilhão da Terra e do Mar exibia-se a arte pas- de barro de diferentes regiões do país; uma sala
povo português em painéis alegóricos e um con- toril, artefactos associados à caça, e uma serie da cestaria; e uma secção dedicada a objectos de
junto de pequenos bonecos através dos quais se de objectos de pescadores. Evocava-se também metal e à carpintaria.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 210

O Pavilhão dos Transportes, da tecelagem e


da olaria, apresentava carros de lavoura, trajos
vários, teares, objectos e louça de barro de várias
proveniências. Finalmente, o sexto pavilhão,
da Doçaria, mostrava doces da tradição local e
caseiros.

A
Arte Popular servia a António Ferro
(pág. 211) para demonstrar o «vigor»
da nação, e remetia os Portugueses
para as suas supostas raízes ancestrais.
Enquanto ideologia identitária, a Arte Popular –
preocupação central de Ferro – teria essa vanta-
gem em relação ao culto da História: a afirmação
da nação no presente e não apenas como enti-
dade do passado.
Segundo a antropóloga Vera Alves, esta
dimensão é sublinhada pela utilização da
«Equipa do S.P.N.» nos pavilhões etnográfi-
cos do certame, em especial na Secção da Vida
Popular. O aproveitamento dos artistas gráfi-
cos foi uma marca da acção deste organismo e,
seguindo as palavras do próprio Ferro nas céle-
bres entrevistas que fizera a Salazar, em 1932,
relevava precisamente da necessidade de afir-
mar o país na sua contemporaneidade.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 211

O Sr. António Ferro


Propagandista fascista, escritor, jornalista Teve colaboração, em verso e em prosa, nas
e político. Ferro, tal como Göbbels (no revistas Alma Nova (Faro, 1914), Exílio (1915)
estado fascista alemão) tinha uma ideia e na segunda série da revista Contemporânea
clara de como condicionar a cultura para a (1922-1924).
transformar num poderoso instrumento ao Em 1921 publicou o «manifesto modernista»
serviço da Ditadura, nomeadamente na Nós. Em livro, publicou conferências, reporta-
construção de uma retórica «cultural» gens, entrevistas, contos, o livro de aforismos
onde os conflitos sociais são harmonizados e paradoxos, Teoria da Indiferença (1920) e o
em torno de «grandes desígnios nacionais». romance fragmentário Leviana (1921).

T
endo começado como simpatizante do

F
erro começou como intelectual burguês Partido Republicano, António Ferro evo-
de tendências pseudo-vanguardistas. luiu para sidonista, republicano conser-
Com apenas 19 anos, foi o editor da revista vador (próximo de Filomeno da Câmara) e
Orpheu, para o que foi escolhido pelo seu simpatizante do fascismo e dos regimes autori-
amigo Mário de Sá Carneiro, precisamente por tários da época, como ficou patente na sua colec-
ser ainda menor. tânea de entrevistas Viagem à Volta das Ditadu-
Foi redactor-principal do diário O Jornal ras (1927).
1919 (órgão do Partido Republicano Conserva- Foi admirador, em especial, de Mussolini,
dor), jornalista de O Século e do Diário de Lis- que entrevistou três vezes em Roma (na última
boa, director durante alguns meses da revista entrevista, Mussolini ofereceu a Ferro dois
Ilustração Portugueza e repórter internacio- retratos com dedicatória, um deles destinado a
nal do Diário de Notícias, para o qual entre- Salazar, que o ditador português colocou emol-
vistou numerosas celebridades nacionais e durado sobre a sua secretária).
estrangeiras.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 212

Também Hitler concedeu uma breve entre- forma persistente, Ferro, ao longo de 16 anos,
vista a Ferro, bem como o ditador militar espa- foi transformando uma estrutura inicial algo
nhol Primo de Rivera. artesanal numa eficiente máquina de propa-
Sob o Estado Novo, António Ferro dirigiu o ganda e controlo das actividades «informativas»
Secretariado da Propaganda Nacional (S.P.N.), (exposições), culturais e turísticas.

N
sob a tutela do presidente do Conselho de Minis- os dez primeiros anos, o S.P.N. privile-
tros, António de Oliveira Salazar. Foi ele próprio giou três áreas: a propaganda do ideá-
quem sugeriu a Salazar em 1932 a criação de um rio do regime, o Turismo como meio de
organismo que fizesse propaganda aos feitos do difusão da imagem de um país feliz con-
regime e foi dele, também, a formulação doutri- sigo próprio, e a cultura popular como instru-
nária, a partir desse ano, da chamada Política do mento integrador das camadas mais baixas da
Espírito, a política de fomento cultural subordi-
nada aos fins políticos do regime.

D
epois de em Dezembro de 1932 ter publi-
cado no Diário de Notícias uma série
de entrevistas com o ditador, reuni-
das em livro em 1933 (Salazar, o Homem
e a Obra), Ferro foi chamado a assumir, como
director Secretariado de Propaganda Nacional
(S.P.N.), criado em 1933, as funções simultâneas
de chefe da propaganda e de responsável pela
política «cultural» do «Estado Novo». O orga-
nismo manteve o nome até final da II. Guerra
Mundial, quando passou a designar-se Secreta-
riado Nacional da Informação (SNI).
SPN e SNI, duas criações de António Ferro,
estavam directamente ligadas a Salazar. De
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Exposições do «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 213

população. Depois de 1944, o SNI, dotado de


novos meios, para além da propaganda, começa
a actuar no controlo e censura da informação
veículada pela comunicação social e com a ins-
pecção das actividades culturais. O Estado Novo
sente-se cada vez mais isolado, e com um ideá-
rio que não consegue gerar tão amplos consen-
sos como os que no período anterior foi capaz de
produzir.

O
Turismo foi perdendo parte da sua função
ideológica, para se transformar na pro-
moção de mais um destino para férias a
preços baratos. As preocupações econó-
micas secundarizam as de natureza ideológica.
A cultura popular acabou por ser enquadrada no
âmbito da etnografia, em regra ao serviço tam-
bém da promoção turística.
O SNI continua a dirigir-se para as cama-
das urbanas e burguesas, nomeadamente as de
maior rendimento e instrução. Só após a saída
de António Ferro, em 1949, se processou uma
nova orientação política e uma reformulação
O director da propaganda fascista: António Joaquim Tavares Ferro (1895–1956) (pág. 211), ao lado
das metas do SNI.
de António Oliveira Salazar, durante uma visita ao Museu de Arte Popular.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
3 / Temas
3 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
214 214

Enquadramento 3
Desenho de Letras, manual

Placa publicitária de
azulejos, com letras e
figuras pintados à mão.
Mercado do Bolhão, Porto,
Portugal.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
3 / Temas
3 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
215 215

«Deutsche Schreibschrift»,
página de um manual alemão
para letreiristas. Década de
1930.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
3 / Temas
3 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
216 216
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
3 / Temas
3 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
217 217

Especialista de lettering norte-


americano, pintando
directamente as letras sobre o
vidro da montra de uma loja.
Não teriam feito diferentes os
especialistas portugueses
deste ofício...
Foto: LOC, EUA
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
3 / Temas
3 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
218 218

Placa de nome de rua em Tomar,


composta de azulejos, com letras
e ornamentos pintados à mão.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ José/ Rocha
José Rocha
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
219 219

José Rocha
A agência ETP, Estúdio Técnico de Publicidade, foi
fundada em 1936 pelo designer português José
Rocha (1907-1982). Aqui se realizaram
importantes trabalhos de publicidade nos anos
da década de 1930 e 1940. Ao mesmo tempo, é de
aqui que vem os designers que realizam os
pavilhões de Portugal nas exposições
internacionais participadas pelo governo fascista
português.

Mazda, 1930
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ José/ Rocha
José Rocha
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
220 220

Visite Estoril-Cascais
Cartaz de publicidade turistica
José Rocha, Data ?
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / José Rocha / Temas / Índice Remissivo página 221

José Rocha, ETP. 1940. Elementos da exposição executada para o


Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal. Exposição sobre
a evolução da luta contra o cancro em Portugal.
Fotografia sem data. Estúdio Mário Novais.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / José Rocha / Temas / Índice Remissivo página 222

José Rocha, ETP. 1940. Elementos da exposição executada para o


Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal. Exposição sobre
a evolução da luta contra o cancro em Portugal. Fotografia sem
data. Estúdio Mário Novais.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / José Rocha / Temas / Índice Remissivo página 223

José Rocha, ETP. 1940. Elementos da exposição executada para o


Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal. Exposição sobre
a evolução da luta contra o cancro em Portugal. Fotografia sem
data. Estúdio Mário Novais.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / José Rocha / Temas / Índice Remissivo página 224

José Rocha, ETP.


1940.
Elementos da
exposição executada
para o Instituto
Português de
Oncologia, Lisboa,
Portugal. Exposição
sobre a evolução da
luta contra o cancro
em Portugal.
Fotografia sem data.
Estúdio Mário
Novais.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / José Rocha / Temas / Índice Remissivo página 225

Stand Vanguard, Lisboa, Portugal. 1948.


Foto: Estúdio Mário Novais, 1948.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / José Rocha / Temas / Índice Remissivo página 226

A garantia de boas fotografias. Kodak.


Painel publicitário, Rua Augusta,
Lisboa. 1942. Autor: José Rocha.
Foto: Mário Novais.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / José Rocha / Temas / Índice Remissivo página 227

José Rocha (1907–


1982) e a ETP

N
asceu em Lisboa. Frequentou a Escola de
Belas Artes de Lisboa, e ainda estudante,
iniciou a sua actividade profissional com
o artista gráfico Bernardo Marques (pág.
194).
Conquistou prémios em vários concursos de
cartazes, como 1º concurso de cartazes Azeite
Espanhol, 2º concurso de cartazes do Automó-
vel Clube, Lâmpadas Mazda, Exposição do Livro
Espanhol, do Jornal Bandarra e de uma campa-
nha de produção de trigo, etc.
Fez ilustrações para capas de revistas Maga-
zine Bertrad, Ilustração e Civilização.
Dirigiu o grafismo das revistas Amigo do
Lar das Companhias Reunidas de Gás e Elec-
tricidade, Imagem, Animatógrafo e Notícias
Ilustrado.
Em 1936, com 29 anos, funda o ETP – Estúdio
Técnico de Publicidade onde trabalham Maria
Keil, Bernardo Marques (pág. 194), Ofélia Mar-
ques, Fred Kradolfer (pág. 134), Thomaz de
Mello, Carlos Botelho, Stuart Carvalhais (pág.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / José Rocha / Temas / Índice Remissivo página 228

340), Carlos Rocha, Manuel Correia, José


Feio, Carlos Rafael e Fernando Azevedo. Logo
de início teve por clientes as marcas mais presti-
giadas e mais bem pagantes do mercado.
A ETP organizou na baixa lisboeta a cons-
trução de tapumes nas obras, utilizando carta-
zes construídos com volume e iluminação. José
Rocha concebeu muitos destes cartazes e a ETP
obteve o exclusivo de publicidade nos cinemas
lisboetas Éden, Tivoli e São Luiz, onde explorava
os panos de cena publicitários e as montras dos
foyers.
De 1937 a 1958, os colaboradores da ETP
foram responsáveis pelos pavilhões de Portugal,
na Exposição Internacional de Paris, na Expo-
sição Internacional de São Francisco e de Nova
Iorque em 1939, (com o arquitecto Jorge Segu-
rado (pág. 405)). Este grupo integrou tam-
bém as equipas da Exposição do Mundo Portu-
guês, em 1940, da História Colonial e da Exposi-
ção Mundial de Bruxelas, em 1958.
1940 a 1980 – José Rocha foi autor de cen-
tenas de embalagens de vinhos especialmente
para as firmas Camillo Alves e José Maria da Meias Pompadour. Maqueta para uma cartaz.
Fonseca, Succ. – com esta empresa colabo- Assinado: José Rocha.

rou continuamente de 1940 a 1980 – Periquita,


Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / José Rocha / Temas / Índice Remissivo página 229

Branco Seco Especial e Romeira, que ainda hoje


mantêm a imagem criada por José Rocha em
1940.
Em 1959, a ETP foi o primeiro concessionário
da publicidade no Metropolitano de Lisboa.
José Rocha foi responsável artístico pelos
Salões de Artes Domésticas na FIL e autor de
inúmeros stands e exposições.
Em 1972, J. Carlos Rocha, com 29 anos de
idade, sobrinho de José Rocha, funda a Letra
– Estúdio Técnico de Comunicação Visual. Com
69 anos funda, em conjunto com outros, a Asso-
ciação Portuguesa de Designers. Em 1982, José
Rocha e J. Carlos Rocha juntam os ateliers ETP e
Letra passando a designar-se Letra – ETP.
Em 1982, morre José Rocha com 75 anos.

O Cancro conduz...
José Rocha, ETP. 1940.
Cartaz executado para o Instituto Português
de Oncologia, Lisboa, Portugal.
Exposição sobre a evolução da luta contra o
cancro em Portugal. Fotografia sem data.
Estúdio Mário Novais.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
230 230

Thomáz de Mello
(TOM)

Boneco concebido por


Thomaz de Mello,
envergando trajes
folclóricos.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
231 231

Bonecos

Thomaz de Mello.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
232 232

Thomaz de Mello.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
233 233
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
234 234

Thomaz de Mello.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
235 235
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
236 236

Bonecos concebidos por


Thomaz de Mello,
envergando trajes
folclóricos.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
237 237

Bonecos concebidos por


Thomaz de Mello,
envergando trajes
folclóricos.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
238 238
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
239 239

Bonecos concebidos por Thomaz


de Mello, envergando trajes
folclóricos.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
240 240

Bonecos concebidos por Thomaz de Mello, envergando trajes


folclóricos. 1937. Exposição Internacional de Paris.

Na Sala de Arte Popular mostrava-se esta colecção de bonecos


com trajes regionais portugueses da responsabilidade de Tom
e Dalila Braga. Note um pormenor interessante: os bonecos na
prateleira de baixo, envidrada, são peças de artesanato
regional português; as figurinas na prateleira superior são as
«versões oficiais» do Boneco Português, aqui na concepção de
Tom.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
241 241

Exposição Internacional de Nova


Iorque, 1939. Pavilhão de
Portugal.
Turismo e Arte Popular, por
Tomás de Mello (maqueta).
Foto: Estúdio Mário Novais:
1939.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
242 242

Parte da colecção de modelos de Thomaz de Mello


(Tom), representando bonecos com trajes regionais
portugueses.
Os modelos desta colecção foram executados, a
partir de 1935, por Tom (concepção da estrutura e
modelação das cabeças) e por Dalila Braga (traje)
sob a orientação de Francisco Laje (o primeiro
director do Museu de Arte Popular).
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
243 243

Monsanto (da Beira)


Cardoso Martha / Adolfo Simões Müller /
Eurico Sales Viana / Thomaz de Mello (Tom) /
Carlos Botelho / Prólogo de António Ferro.
Lisboa, 1947. Edições SNI. 14,3 cm x 14,5 cm
16 págs. + 112 págs. + 24 págs. + 1 desdobrável
+ 26 págs.

Profusamente ilustrado por Tom e por Carlos


Botelho. Cartonagem editorial com guardas
impressas retro e verso impresso a rotogravura em
papel superior a duas cores, mapa impresso em
tricromia.
António Ferro, na qualidade de ministro de Estado,
no seu discurso aquando da entrega do prémio Galo
de Prata, então atribuído à aldeia de Monsanto da
Beira:
«No nosso programa de valorização do folclore
português, principiámos por enviar a Genebra, em
1935, uma grande embaixada das nossas bonecas
regionais, não bonecas estúpidas, a dizer papá,
mamã, mas bonecas de rostos expressivos e
diferentes, paisagens das nossas províncias. Um
grande e vistoso séquito de pequenas coisas – jugos
floridos, rocas vistosas, pequenas obras-primas de
olaria rústica, mantas, tapetes, ex-votos –
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
244 244

acompanhavam essas bonecas e faziam-lhes


moldura. [...]»
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
245 245

Tematizando a «Arte Popular».


Cartaz turístico. 1943.
Thomaz de Mello (Tom).
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Thomáz
/ Thomáz
de Mello
de Mello
(TOM) (TOM)
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
246 246

Tapeçaria da Manufactura de Tapeçarias de Portalegre. Fio de lã


policromado. Exemplar único, assinada, matrícula nº 1564,
datada de 1971. Dimensões 176 x 304 cm

Gouache sobre papel, assinado e


datado, 1972. Dim. 50 x 32 cm
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Thomáz de Mello (TOM) / Temas / Índice Remissivo página 247

Thomaz de Mello (1906–90)


Ilustrador, pintor, designer gráfico, artista ção caricatural dos seguidores de Rafael Bordalo
gráfico. Viveu grande parte da sua vida em Pinheiro, que haveriam de fazer sentir a sua
Portugal – desde os anos 1920 –, com influência até bem tarde no século XX.
grande participação na Publicidade e O primeiro traço de Tom foi mais paródico e
Ilustração portuguesa. Como várias outros geometrizante que o de Almada Negreiros, Ber-
colegas, colaborou com o Estado Novo na nardo Marques e Jorge Barradas, companhei-
realização de importantes exposições de ros de geração, mas de traço mais orgânico e
propaganda. adoçado.
Estes janotas de Tom tratados pelos nomes

J
á entre os artistas gráficos da época Art- próprios das suas reluzentes viaturas: o Kissel,
-Déco se destacou Tom. Nome artístico o Packard, o Willys… são um último fulgor dos
de Thomaz de Mello, nascido carioca em anos 20, da glorificação da máquina, da emanci-
1906, lisboeta a partir de 1926, tornou-se pação feminina e das intermináveis noites dos
referencial na banda desenhada, ilustração e clubs Maxim e Bristol, que em breve se dissolve-
Publicidade dos anos 1920 a 1950. riam nas pardacentas águas do Estado Novo.

F
Enfileirado na chamada segunda geração oi fundador dum estúdio em que desen-
modernista, Tom prossegue a rotura com o volveu sobretudo trabalho publicitário: o
encardido naturalismo das artes plásticas e grá- Estúdio Tom – numa altura em que «uma
ficas portuguesas. As imagens para as cróni- marca era uma marca e não um logotipo,
cas da revista Ilustração têm o traço fino e con- um projecto não era um design e tantas outras
tundente da gramática moderna, mais interes- coisas que antes não eram e que agora são» –
sada no comentário social do que na fulaniza- Thomaz de Mello.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Thomáz de Mello (TOM) / Temas / Índice Remissivo página 248

A
té à década de 1930, foram várias as publi-
cações que incluíram caricaturas assina-
das por Tom, de que se destacam A Voz
(ainda na década anterior) e O Papagaio.
Em 1932, conjuntamente com António Pedro,
fundou a primeira galeria de arte moderna em
Lisboa, a UP.
Na sua longa carreira, apresentou mais de 50
exposições individuais. Também reealizou mais
de 40 tapeçarias.

A
prestação que melhorou o ancorou na
memória de muitas pessoas, foram os
bonecos de madeira, feitos ao torno e
pintados de cores vivas. De facto, se hou-
vesse que dar uma alcunha a Tom, seria a de
Bonecreiro-Mor do Portugal salarazista. As mui-
tas variantes destas figurinas estão documenta-
das nas páginas anteriores.

F
oi também com estes bonecos que partici-
pou no recehio dos pavilhões portugueses
em exposições internacionais, integrando
o grupo do S.P.N., criado em 1933 por Antó-
nio Ferro (pág. 211). Distinguido e premiado
com o Prémio Francisco d’Holanda em 1945, e
com o prémio de Melhor Artista Estrangeiro no
Salão de Lisboa em 1947.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Thomáz de Mello (TOM) / Temas / Índice Remissivo página 249

Luis Dourdil (1914 - 1989)


Pintor, artista gráfico, desenhador de
equipamentos, Luis Dourdil foi toda a sua
vida profissional funcionário do
Laboratório Sanitas.

E
mbora não sendo um pintor profissional,
deixou um rasto de pinturas muralistas,
decorativas de edifícios de referência –
p.e.x., o Cinema Império (pág. 673).

Em 1945, Dourdil realizou um mural de 25m2 no hall


do Laboratório Sanitas (actualmente no Museu da
Farmácia/ANF).
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Thomáz de Mello (TOM) / Temas / Índice Remissivo página 250

L E
uis César Pena Dourdil Dinis, conhecido xímio na têmpera e no óleo, Dourdil era
como Luis Dourdil (Coimbra, 1914 – Lis- refém do seu grande talento, da sua ele-
boa, 1989) foi um pintor, artista gráfico, gância plástica, na forma de manchar,
desenhador e muralista autodidacta. de encadear as matérias, de conferir pre-
Em 1945 realizou mural de 25 m2 no hall do sença a restos das linhas de estrutura e de con-
Laboratório Sanitas (actualmente no Museu da torno - no imenso bom gosto, que enfim... o pin-
Farmácia/ANF). Ainda em 1945 executou pin- tor realizou belas pinturas murais - entre tape-
tura mural no Foyer de Honra do Cinema Impé- çarias e frescos - de toda a arte portuguesa
rio 16 m2 (pág. 673) e em 1955 executou pin- contemporânea...
tura mural de 48 m2 no Cinema Império (actual
Café Império) e Restaurante panorânimo do
Monsanto (50 m2) em 1967.

L
uis iniciou sua carreia de pintor no Figura-
tivismo, e evoluiu para representações que
o combinam com o Abstraccionismo.
Luis Dourdil realizou em 1945 o mural
de 25 m que está exposto na entrada do Museu
2

da Farmácia, tendo contudo, sido realizado no


hall da entrada do Laboratório Sanitas, na Ave-
nida Dom Joao V (onde Dourdil foi designer grá-
fico) e após o encerramento do mesmo, trans-
posto para o Museu.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Turismo
/ Turismo
no «Estado
no «Estado
Novo» Novo»
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
251 251

Turismo
no «Estado
Novo»

Visitai Portugal. Cartaz publicitário com design


gráfico de E. Romero, 1928.
Litografia Portugal, Lisboa.
Cartaz em cromo-litogravura; 113 x 84 cm.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Turismo no «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 252

Evolução do Turismo
António Ferro projectou o Turismo na propaganda de Estado.
Traçou um plano para tornar Portugal conhecido no
estrangeiro. Foi escolhido por Salazar para dirigir o SNI.
Entre outras iniciativas, elaborou um Estatuto do Turismo.
Lançou as Pousadas Regionais. Apadrinhou ranchos
folclóricos, montou festivais e fundou um grupo de ballet
inspirado nas danças populares, o Verde Gaio.

P
ortugal foi das primeiras nações a envere-
dar, desde 1911, pela institucionalização
governamental do turismo, a par da Áus-
tria e da França, pioneiras na matéria. No
mesmo ano, a Sociedade Portuguesa de Propa-
ganda, constituída por monárquicos e republi-
canos, católicos e maçons, traz para Portugal a
realização do seu IV Congresso Internacional de
Turismo, em Lisboa. Das conclusões deste con-
gresso destacou-se a necessidade de criar um
organismo oficial de turismo.
Em 1911, o Governo Provisório da Repú-
blica decretava a constituição, no Ministério
do Fomento, dum Conselho de Turismo, auxi-
liado por uma Repartição de Turismo. Em 1911,
o Conselho de Turismo propõe a promoção do Posto de Turismo de Portugal em Paris.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Turismo no «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 253

Posto de Turismo e Propaganda de


Portugal em Paris nos anos 40. Este
país através do cinema (mudo), o que só se con- posto estava sob a tutela do
cretiza em 1917 devido a razões orçamentais. O Secretariado de Propaganda
filme editado por dois especialistas franceses Nacional (S.P.N.), criado em 1933.
promovia entre outras cidades, a de Viana do
Castelo.
Em Abril de 1917 teve lugar em Lisboa o I.
Congresso Hoteleiro. Quiz aproximar profis-
sionais e amadores do ramo, com o objectivo de
desenvolver esta indústria. Concluiu-se que os
primeiros ensinariam os segundos.

N
asceu em 1918 o primeiro hotel algar- Cartaz de Turismo, emitido em
vio, o Grande Hotel de Faro. Em 1920 língus francesa, pela «Casa de
foram criadas as Comissões de Turismo, Portugal» em Paris.
autorizadas a cobrar uma pequena taxa
sobre todos os forasteiros que frequentas-
sem as estâncias balneares, termais e hotéis de
turismo.
Em 1921 é reconstruído o Hotel de Santa
Luzia, em Viana do Castelo, descrito em 1927,
pela National Geographic Magazine como “um
dos mais belos do mundo», apenas comparável
aos do Rio de Janeiro ou do Funchal.
Em Maio de 1924 é publicado Publituris, o
primeiro jornal português destinado à indústria
do turismo. Raul de Proença inicia a obra O Guia
de Portugal sob a protecção da Biblioteca Nacio-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Turismo no «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 254

nal, obra que acabou por ser rematada mais


tarde em 1970, por Sant’ana Dionísio, já sob a
égide da Fundação Gulbenkian.
Em 1927, o jogo é regulamentado. São criadas
duas zonas de jogo permanente, uma no Esto-
ril e outra na Ilha da Madeira, acrescidas de seis
zonas temporárias (Espinho, Figueira da Foz,
Praia da Rocha, Cúria, Sintra e Viana do Cas-
telo). Vingaram em Espinho, Figueira da Foz,
Praia da Rocha (esta por pouco tempo devido à
Guerra Civil espanhola, 1936/1939) e a conces-
são de Viana do Castelo foi passada para Póvoa
do Varzim.
Em 1931, o V Congresso Internacional da
Crítica, organizado por António Ferro (pág.
211), trouxe a Portugal a “nata» da cultura
europeia e deu origem a artigos favoráveis a Por-
tugal publicados na imprensa estrangeira.

N
os dez primeiros anos, o SNP, criado em
1933, privilegiou três áreas: a propaganda
do ideário do regime, o Turismo como
meio de difusão da imagem de um país
feliz consigo próprio, e a cultura popular como
instrumento integrador e de propaganda.
António Ferro integrou o Turismo na pro-
paganda estatal. Foi apontado por Salazar
para dirigir o Secretariado Nacional da Infor-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Turismo no «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 255

mação (SNI). Entre outras iniciativas, elabo-


rou um Estatuto do Turismo. Lançou as Pousa-
das Regionais. Apadrinhou ranchos folclóricos,
montou festivais e fundou um grupo de ballet
inspirado nas danças populares, o “Verde Gaio».
Organizou o Museu de Arte Popular. Organi-
zou as participações portuguesas em Feiras
Internacionacionais.

E
m 1931 foi criada a Junta Autónoma das
Estradas JAE, que faz construir as prin-
cipais estradas do país. É desenvolvido o
excursionismo automóvel, surgem novos
termos como piquenique, excursão, fim-de-
-semana, passeio anual da colectividade.
Criado em 1903, o Automóvel Clube de Por-
tugal (ACP) desenvolveu o turismo motori-
zado. Lançou a revista para os associados, que
representa a mais antiga publicação portuguesa
deste género; com a empresa Mobil embelezou
a sinalização das estradas de Portugal; publi-
cava o mapa anual do estado das estradas. No
ano seguinte é fundada a Empresa de Viação do
Algarve (EVA), que ainda hoje funciona.
Em 1946, a TAP iniciara o seu segundo voo
regular, ligando Lisboa a Lourenço Marques
(hoje Maputo). A viagem durava 6 dias (!), com 5
paragens para dormidas.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Turismo no «Estado Novo» / Temas / Índice Remissivo página 256

Em 1940 abriu em Lisboa, no quadro das come-


morações do duplo centenário da fundação e restau-
ração de Portugal, a Exposição do Mundo Português.
No decurso da Exposição foi inaugurado o “Flecha de
Prata», o comboio rápido que ligava Lisboa ao Porto,
assim chamado pela introdução do chapeado em aço
inoxidável.
Em 1959 nasce a Feira Internacional de Lisboa (FIL)
com o objectivo de promover múltiplos eventos nacio-
nais e internacionais. E em 1960, o “primeiro hotel dos
tempos modernos» abre em Monte Gordo, o “Vasco da
Gama», fazendo o contraponto à “Pousada do Infante»
que abriu no mesmo ano, em Sagres.
Em 1964 reúne em Lisboa o Congresso Anual dos
Estudos Turísticos, ano em que é atingido o primeiro
milhão de entradas de visitantes no país. O Turismo
pela primeira vez na sua história é incluído num Plano
de Fomento, o Intercalar, vigente entre 1965 e 1967.
Na edição seguinte, no III. Plano de Fomento 1968-
1973, o Turismo passará a ser considerado como “sec-
tor estratégico do crescimento económico». Em 1968,
passados dez anos sobre os resultados de 1958, o
número decuplicava para um resultado de 2,5 milhões
de visitantes.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Turismo
/ Turismo
no «Estado
no «Estado
Novo» Novo»
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
257 257

SNI. June - Lisboa.


Midsummer festivals St.
Anthony of Lisbon, St. John,
St. Peter / SNI. - [Lisboa] :
SNI, imp. 1949.
Lisboa: Lito. de Portugal.
cartaz; 100 x 70 cm
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Emmérico
/ Emmérico
Nunes Nunes
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
258 258

Emmérico Nunes

Revista ABC
1923
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Emmérico Nunes / Temas / Índice Remissivo página 259
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Emmérico Nunes / Temas / Índice Remissivo página 260

Emmérico Nunes
(1888–1968)
Meio alemão pela mãe, de quem herda
igualmente uma ascendência italiana, e meio
português pelo pai, tanto a vida e como a obra de
Emmerico Nunes foram marcadas pela sua
condição de artista entre duas pátrias. Ambos os
ambientes mentais assomam nas duas artes que
praticou com intenso prazer: o desenho
humorístico e a pintura. Com o primeiro, ganhou
a sua vida em Munique (1911–1914) e em Zurique
(1914–1918), depois de 5 anos de formação em
Paris (1906–1911). A segunda, praticá-la-ia
sempre, sem nunca lhe dedicar atenção
exclusiva, ou tão só nos últimos anos da sua vida.
Para além de centenas de desenhos humorísticos
publicados em periódicos alemães, suíços,
holandeses, espanhóis e portugueses, fez pintura
(retrato, auto-retrato, paisagem), cuja qualidade
plástico-estética foi talvez superior ao desenho
humorístico. Como quase todos os outros artistas
gráficos portugueses da sua época, Nunes
colaborou nas exposições do regime de Salazar.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Emmérico Nunes / Temas / Índice Remissivo página 261

E
mmérico Hartwich Nunes nasceu em Lis- Arte e Desenho Humorístico
boa em 1888, filho de Silvestre Jacinto na Imprensa Alemã:
Nunes e Maria Ferdinanda von Moers Har- Catálogo da Exposição.
twich Nunes (Regensburg, Alemanha). Braga: Museu Nogueira
da Silva/Universidade do
Com apenas 10 anos edita um semanário humo-
Minho, 2005, p. 41.
rístico – A Risota, com prosa e desenhos da sua
autoria. Entusiasma-se com a revista Paródia de
Rafael Bordalo Pinheiro (pág. 9) e torna-se
admirador de Leal da Câmara, que é ilustrador
da Marselheza e da Corja. Edita um semanário,
Folhas Volantes.
Depois de acabar o curso comercial no Liceu O pintor e o modelo, 1909. Desenho a Tinta-
Politécnico, frequenta a Escola Comercial Pei- Durante algum tempo, frequenta as aulas de da-china e aguarela sobre papel. Ao longo
xoto, por desejo do pai. Não gosta da experi- Jean-Paul Laurens da Académie Julien e acaba dos 5 anos passados em Paris (1906-1911), E.
ência. O pai acaba por inscrevê-lo na Escola de na École des Beaux-Arts durante quatro anos. Nunes experimentou várias linguagens
formais e técnicas. No desenho, acaba por
Belas-Artes de Lisboa, onde os seus mestres são Ao mesmo tempo frequenta as academias parti-
forjar um estilo próprio que viria a ganhar
Condeixa e Alberto Nunes. culares de Montparnasse. Executa algumas cari-
plena expressão durante a sua estada na
A conselho de Malhoa, vai para Paris. Sil- caturas e pinta paisagens.
Alemanha (1911-1919). O pintor e o modelo
vestre Nunes decide saber sobre a vocação de pertence a uma série de desenhos executados
seu filho e mostra os seus trabalhos a Malhoa. Na Europa, cresce como caricaturista entre 1906 e 1909, onde a linha leve, rápida,

E
Malhoa aconselha-o a mandá-lo para Paris. Em m 1910, viaja a Inglaterra, Holanda e Bél- curta e curva que os caracteriza lembra o
1906, Emmerico Nunes segue para Paris, com gica, na companhia de Eduardo Viana, traço das litografias do então recentemente
uma carta de apresentação de Jorge Colaço diri- Francisco Smith e Manuel Bentes. Parti- falecido Toulouse Lautrec.
gida a Ferdinand Cormon, que fora seu profes- cipa depois numa exposição de caricaturas
sor nas Beaux Arts. na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Emmérico Nunes / Temas / Índice Remissivo página 262

E
m 1911, Emmerico vai para Munique.
Estuda na Kunstakademie e frequenta o
atelier de Heimann. Dirige-se ao editor dos
Meggendorfer Blätter para lhe vender um
álbum para crianças desenhado em Paris. Entra
como colaborador efectivo do jornal, com exclu-
sividade até 1916. (Lothar Meggendorfer, 1847-
1925, nasceu e estudou em Munique. Começou
a trabalhar como ilustrador para os magazines
satíricos Fliegende Blätter e Münchener Bilder-
bogen, acabando por fundar as Meggendorfer
Blätter, um publicação de continuado sucesso.
Ilustrou mais de 100 livros infantis.)
Nunes participa na Exposição Livre, em Lis-
boa, que reúne artistas vindos de Paris: Manuel
Bentes, Eduardo Viana, Alberto Cardoso, Fran-
cisco Smith, Domingos Rebelo e Álvares Cabral.
Mas parte para Zurique em Outubro. A Editora J.F. Schreiber insiste no seu
Mantém colaboração com um jornal alemão regresso a Munique com o pretexto de que Munique. Em 1921, volta à Alemanha. E volta a
durante o tempo da guerra. Em Lisboa faz uma Alemanha tinha voltado à normalidade, mas Portugal, mas continua a trabalhar para os Meg-
exposição sob o título Arte e Humor. Em Zuri- Emmerico Nunes hesita. Vai a Madrid em Março gendorfer Blätter. Praticamente nada recebe
que, trabalha para um atelier de artes gráficas e para participar na exposição dos humoristas pelos seus trabalhos, devido à inflação que
expõe diversas vezes paisagens e caricaturas na espanhóis. Os seus trabalhos a óleo são reprodu- grassa na Alemanha. Acaba por aceitar um lugar
Kunsthaus. Regressa a Portugal em 1918 e, no zidos na La Esfera, assim como outros desenhos como dactilógrafo numa casa comercial.
ano seguinte, expõe com os Humoristas Portu- a preto e branco publicados em Nuevo Mundo. Em Lisboa começam a publicar-se o Diário
gueses em Lisboa. Casa, em 1920, com Clotilde Quando retorna a Lisboa não encontra tra- de Lisboa, o ABC A RIR (Semanário humorís-
Edwards Pidwell. balho, vive apenas das suas produções para tico) e o ABC-ZINHO (jornal infantil dirigido
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Emmérico Nunes / Temas / Índice Remissivo página 263

por Cottineli Telmo (pág. 423). Emmérico Inicia a sua colaboração no semanário infan-
colabora com os três ABC, ainda que continue til suíço Der Spatz. Em 1929, ilustra os livros da
a executar trabalhos publicitários para o atelier coleção "Biblioteca dos Pequeninos", que é edi-
Hauser, em Berna, na Suíça. tada pela Empresa Nacional de Publicidade. A
editora J.F. Schreiber de Munique adquire os
O Nazismo trá-lo de volta a Portugal Fliegende Blatter e Emmerico Nunes começa a

E
m 1924, Emmerico está de novo em Muni- sua colaboração.
que. O movimento nacional-socialista Entre 1930 e 1931, o artista adoece. É despe-
começa a alastrar e o artista decide que dido da Vacuum e sobrevive vendendo retra-
jamais se conseguiria estabelecer na Ale- tos a óleo. Acaba por arranjar emprego na Sec-
manha sob tal regime; regressa definitivamente ção de Publicidade da Companhia Industrial de
a Portugal. No entanto, envia pontualmente Portugal e Colónias. Colabora com o Zuricher
desenhos para a editora J. F. Schreiber de Muni- Ilustrierte Zeitung de Zurique e participa nos
que e colabora ao mesmo tempo com O Domingo salões anuais da Sociedade de Belas Artes.
Ilustrado e o Espectro, que tem uma duração Em 1935 está em Haia, onde colabora no Haa-
efémera. gscher Courant durante dois meses e volta de
Em 1926, é instituída em Portugal a dita- novo a entrar ao serviço da empresa Vacuum. De
dura militar e começa a censura à imprensa. manhã trabalha na Portugal e Colónias, à tarde
Iniciam-se as publicações das revistas Ilustra- na Vacuum e à noite desenha para O Senhor
ção e Magazine Bertrand, com as quais o artista Doutor. Restam-lhe os domingos para pintar. Feira Internacional de Nova Iorque. Já em tem-
começa a colaborar. Aceita um lugar de desenha- pos de guerra, em 1940, participa na Exposição
dor na secção de publicidade da empresa de aspi- Ao serviço de Salazar do Mundo Português (página 207).

E
radores Vacuum e participa no Salão dos Humo- m 1937, Emmerico Nunes integra a equipa Colabora no semanário nacionalista Acção,
ristas (Salão Silva Porto), no Porto e no II. Salão que realiza o pavilhão português na Expo- dirigido por Manuel Múrias, com colabora-
de Outono da Sociedade Nacional de Belas Artes sição Universal de França. Em 1939 cola- ção gráfica nos dois primeiros anos do semaná-
em Lisboa. bora também para o pavilhão nacional na rio, 1941 e 1942. Como temática predominante
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Emmérico Nunes / Temas / Índice Remissivo página 264

temos a Guerra Mundial, e suas implicações na um painel para a Igreja Matriz de Sines e pinta
sociedade portuguesa, ou melhor, lisboeta. vários retratos e paisagens. Em 1968, morre em
Destaque para a publicação de um desenho Sines.
pouco conhecido, de Salazar, ao leme de uma
nau portuguesa, encimado por 3 figuras histó- Bibliografia
ricas caras ao regime: Afonso Henriques, Nuno Emmerico Hartwich Nunes. Retrato Sensível. Arte e
Alvares Pereira e Vasco da Gama, o descobridor Desenho Humorística na Imprensa Alemã: Catálogo
da Exposição. Braga: Museu Nogueira da Silva/
do caminho marítimo para a Índia.
Universidade do Minho, 2005.
Continua a dedicar-se à pintura e ao retrato
e durante uma década ilustra uma série de livros
para adultos e crianças. Em 1951, é professor de
desenho dos filhos do Conde de Paris.
A Agência Geral do Ultramar encarrega-o da
realização do Pavilhão do Ultramar para a Feira
Popular de Lisboa.
No mesmo ano, organiza a exposição de
Arte Sacra Missionária em Lisboa (no claustro
do Mosteiro dos Jerónimos) e Pio XII agracia-o Imagem publicitária da Revista Voga, do
com a comenda da Ordem de S. Silvestre. grupo Aillaud e Bertrand. Emmerico Nunes.
Em 1952, executa trabalhos de restauro nas
Oficinas do Museu Nacional de Arte Antiga.
Expõe na 1.ª Exposição de Artes Plásticas
da Fundação Calouste Gulbenkian (criada em
1956) com o óleo "Brooklyn".
Emmerico Nunes é operado em 1960 e fica
com a saúde muito abalada. Ainda executa
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Jorge
/ Jorge
Barradas
Barradas
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
265 265

Jorge Barradas
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Jorge
/ Jorge
Barradas
Barradas
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
266 266

Anos 20: as
bonecas Art-Déco

Revista ABC, 1923.


Capa de Jorge Barradas.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Jorge
/ Jorge
Barradas
Barradas
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
267 267

Revista Ilustração Portuguesa nº23, Revista ABC, número 315, ano III, 29 de
Capa de Jorge Barradas, 1926. Julho de 1926. Capa de Jorge Barradas.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Jorge
/ Jorge
Barradas
Barradas
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
268 268

Revista ABC, de 17 de Novembro de 1927, Revista ABC, número 362, ano VII, 23 de Junho de 1927.
capa de Jorge Barradas. Capa de Jorge Barradas
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Jorge
/ Jorge
Barradas
Barradas
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
269 269

Revista ABC, número 318, ano VII, 19 Revista ABC, número 318, ano VII, 19
de Agosto de 1926. de Agosto de 1926.
Capa de Jorge Barradas Capa de Jorge Barradas
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Jorge
/ Jorge
Barradas
Barradas
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
270 270

Jorge Barradas, Magazine Jorge Barradas, Anúncio para a


Bertrand, 1927 máquina de escrever Underwood.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Jorge
/ Jorge
Barradas
Barradas
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
271 271

Ilustração Portuguesa
Agosto de 1930
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Jorge
/ Jorge
Barradas
Barradas
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
272 272

Jorge Barradas, Gravuras.


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Jorge
/ Jorge
Barradas
Barradas
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
273 273

Jorge Barradas, Gravura.


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Jorge
/ Jorge
Barradas
Barradas
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
274 274

Exposição Internacional de Paris, 1937


Pavilhão de Portugal. Painel da Beira Litoral,
pintado por Jorge Barradas.

Foto: Estúdio Mário Novais: 1937.


Responsáveis pela participação portuguesa:
Comissário: António Ferro, SNI. Autor do Pavilhão
de Portugal: Arquitecto Keil do Amaral.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
4 / Temas
4 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
275 275

Enquadramento 4

Revista Contemporânea, Jorge


Barradas, Meia-noite, 1922
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
4 / Temas
4 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
276 276

Para comparação com a capa mostrada na página


anterior: capa da autoria de René Vincent, para a
revista La Vie Parisienne.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento 4 / Temas / Índice Remissivo página 277

A noite lisboeta

E
m Lisboa, os cabarets e night clubs O clube Avenida Parque estava mais
eram o habitat natural dos loucos acima, no Palácio Mayer, junto à Avenida
e felizes boémios nos anos 20 e 30, da Liberdade. E havia o Clube dos Patos
após a recessão imediata à Primeira no Largo do Picadeiro. E outros mais,
Guerra Mundial. todos na estreita área entre o Chiado e a
A inflação galopante, o florescente Avenida da Liberdade.
mercado negro e a especulação eram o O mais moderno de todos era o Bris-
substrato duma sociedade cosmopo- tol Club, que ostentava nas suas paredes
lita, nova-rica, ostentatória e frenética. artistas modernos, com a pintura Nu de
A música das jazz-bands, o Charleston, Almada Negreiros logo à entrada. O Bris-
a Revista Portuguesa, o sexo e a cocaína tol era diferente... na publicidade, no
davam a vertigem às noites que só acabá- design gráfico da publicidade, na decora-
vam de dia, atraindo até a cobiça de ban- ção Art-Déco do próprio clube. Jorge Bar-
dos criminosos como a Legião Vermelha. radas e Emmérico Nunes (pág. 258)
Em Lisboa, a noite começava no produziram as famosas capas promocio-
Maxim’s, que estava instalado no impo- nais para a revista ABC, em 1927.
nente Palácio Foz à Praça dos Restau- Almada Negreiros (1893–1970) e Edu-
radores; mais tarde, esse edifício seria o ardo Viana (1881–1967) tinham os seus
quartel-general do Secretariado Nacio- quadros expostos nos salões do club e
nal da Informação, SNI.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento 4 / Temas / Índice Remissivo página 278

muitos outros haviam contribuído para baixos-relevos,


esculturas e peças de artes decorativas.
Juntamente com a Brasileira do Chiado, o Bristol
Club era o porta-estandarte do estilo à moda na década
de 1920.
Jorge Barradas foi o mais estimado dos artistas grá-
ficos dos anos 20. Ilustrador predestinado das elegân-
cias lisboetas, foi ensaiando ao longo da década o estilo
decorativo e citadino Art-Déco. Enquanto pinta vari-
nas, coristas, saloias lavadeiras, mendigos e bêbados,
assina também as feéricas ilustrações para o Bristol
Club.
Papillons roliças, apanhadas em flagrante delírio,
voltam a cabeça para o leitor, afectando poses lângui-
das e falsos pudores. Todos os recursos gráficos (e tam-
bém a ternura) de Jorge Barradas se aprimoram nestes
rostos de patética fragilidade, girls perdidas nas loucas
madrugadas dos night-clubs lisboetas.

ABC 353, 21 Abril 1927. Capa de Jorge


Barradas / Bristol Club.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento 4 / Temas / Índice Remissivo página 279

Moda Art-Déco. Um concurso hípico


realizado em Lisboa, 1928.
Foto: Mário Novais.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento 4 / Temas / Índice Remissivo página 280

Biografia
J. Barradas (1894–1971)
Tinha um traço original, de que são exemplo os desenhos
que publicou na revista ilustrada ABC, nas primeiras
páginas do Diário de Lisboa, no jornal Sempre Fixe ou no
quinzenário humorístico O Riso da Vitória, que dirigiu.
O seu repertório gráfico dessa época: tipos alfacinhas,
como o mendigo, o ardina, o novo-rico, a corista,
a burguesinha, a lavadeira, etc. A outra face de Barradas
é a do artista pró-Estado Novo, protagonista de obras
representativas de «Arte do estado fascista».

O
«Barradinhas», Jorge Nicholson Moore Barradas, nas-
ceu em Lisboa, em 1894, e faleceu em 1971. Frequentou a
Escola de Belas-Artes, a partir de 1911, mas não concluiu
o curso.
Em 1911 conheceu Joaquim Guerreiro, o director da publica-
ção A Sátira, que o leva à Brasileira do Chiado e o introduz no
meio boémio-artístico lisboeta. Na primeira exposição do Grupo
dos Humoristas Portugueses em 1912, Barradas estreia-se com
oito desenhos. Tinha então 17 anos (!) e era o mais novo de todos
os expositores. Participava assim numa tentativa da renovação
gráfica inspirada em publicações internacionais.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento 4 / Temas / Índice Remissivo página 281

O crítico da exposição, Nuno Simões, via no


seu trabalho um futuro artista da elegância e do
romance, com alguma ingenuidade e uma clara
tendência para a observação da vida.
Até 1924 fez ilustração, desenho humorís-
tico e publicidade. Colaborou em vários jornais e
revistas: ABC, Ilustração, Diário de Lisboa, Con-
temporânea, Ilustração Portuguesa, O Século
Cómico, Atlântida, Magazine Bertrand, O
Domingo Ilustrado, Acção, Papagaio Real, Sem-
pre Fixe, entre muitas outras publicações.
Fundou, com Henrique Roldão, o quinzená-
rio O Riso da Vitória, uma publicação humorís-
tica. Foi director artístico do ABC a Rir, dando
depois o lugar a Stuart Carvalhais (pág. 340).

E
m 1915 participou na 1.ª Exposição dos
Humoristas e Modernistas, realizada no
Porto. Em Maio de 1920, a revista Ilustra-
Duas lojas chiques do Chiado. Foto: ph.
ção Portuguesa dá conta duma exposição
individual de Jorge Barradas, no Automóvel

J
Clube de Portugal, no edifício da Liga Naval em orge Barradas expôs ainda em Vigo (1922),
Lisboa. Rocha Vieira, Bernardo Marques (pág. 251), e no ano seguinte, no Brasil. A sua genu-
Ainda neste ano, concorre na 3.ª Exposição Lorenzo Aguirre, Larraga, Rubio, Pedro Aspiri, ína originalidade está patente nas capas
de Grupo de Humoristas Portugueses, no Salão Vazques Diaz, entre outros, portugueses e espa- que fez para a revista ABC, o Magazine
do Teatro São Carlos, com Stuart Carvalhais, nhóis, numa exposição que foi «fartamente» Bertrand ou para a Ilustração, com o corpo
Emmérico Nunes (pág. 258), António Soares, visitada, segundo a mesma Ilustração Portu- feminino, e sobretudo o rosto feminino, em
Banha e Melo, Leal da Câmara, Cristiano Cruz, guesa, de 19 de Julho de 1920. destaque.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento 4 / Temas / Índice Remissivo página 282

Como pintor de cavalete, a partir dos anos 30, tistério da Igreja de S. João de Deus (1952), «A
Barradas destacou-se pelo facilismo decorativo. Pintura e a Escultura» para o então Museu de
Decorou o salão de festas do Pavilhão de Portu- Arte Contemporânea, actual Museu do Chiado
gal na Exposição Ibero-Americana de Sevilha e (1954), «Pássaros e Flores» para o Banco Nacio-
colaborou nas decorações dos pavilhões portu- nal Ultramarino da Rua do Ouro (1969) e os pai-
gueses nas Exposições Colonial e de Artes e Téc- néis para o Palácio da Justiça (1969), todos em
nica de Paris. Lisboa.
Nos anos 40 e 50, fez cerâmica e azuleja- Ainda um conjunto de azulejos e escultu-
ria, recebeu, em 1949, o Prémio Sebastião de ras para a Casa Nogueira da Silva, em Braga
Almeida, do SNI; renovou, com Leitão de Bar- (1960), o revestimento para o Palácio Atlântico,
ros, os cenários de espectáculos populares. sede do Banco Português do Atlântico no Porto
Decorou cafés de Lisboa, como o Portugal (ao (1950), os painéis para o Palácio da Justiça de
Rossio), A Brasileira (no Chiado) e realizou uma Ovar (1965), a fachada da Casa de Portugal em
colecção de litografias sobre assuntos populares. Paris (1956) bem como a intervenção na antiga
Participou na renovação da cerâmica artís- Embaixada de Portugal no Rio de Janeiro (1959).
tica; o seu trabalho nesta área, ao gosto delico- Realizou o frontal de altar cerâmico para a Igreja
doce aburguesado, corresponderá a cerca de de Santo Eugénio em Roma.
metade da sua produção artística.
Trabalhou na Fábrica Viúva Lamego (cera-
mica) e realizou cerâmicas para edifícios públi-
A Brasileira do Chiado, em Lisboa, ponto de encontro
cos e particulares. de intelectuais, artistas e jornalistas lisboetas.
Destacam-se os painéis que representam a
«Escola de Sagres" para o Pavilhão de Portugal
na Exposição Universal de Nova Iorque (1939),
«Apolo e Minerva" para a Livraria Ática no
Chiado (1950), «Baptismo de Jesus" para o bap-
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
4 / Temas
4 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
283 283

Cerâmicas de Jorge Barradas


Fonte monumental inaugurada em
30 de Maio de 1948, localizada na
Alameda Dom Afonso Henriques.
Autores do projecto: Carlos Rebelo
de Andrade e Guilherme Rebelo de
Andrade.
Escultores: Diogo de Macedo,
Maximiniano Alves.
Ceramista: Jorge Barradas.
Fotógrafo: Horácio Novais (1910-
1988).
Data da fotografia: posterior a 1948.
Biblioteca de Arte da Fundação
Calouste Gulbenkian.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
4 / Temas
4 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
284 284

Exposição Internacional de Nova Iorque, 1939.


Pavilhão de Portugal.
Ceramista: Jorge Barradas
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
4 / Temas
4 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
285 285

Palácio Atlântico,
Porto | 1950.
Na praça onde está o Teatro
Rivoli, no Porto.
Azulejos de Jorge Barradas.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
4 / Temas
4 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
286 286

Palácio Atlântico,
Porto | 1950.
Na praça onde hoje está o Teatro Rivoli.
Azulejos de Jorge Barradas.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
4 / Temas
4 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
287 287
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
4 / Temas
4 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
288 288
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Enquadramento
/ Enquadramento
4 / Temas
4 / Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
289 289

Painéis decorativos,
em azulejos cromados,
do pórtico do Palácio
Atlântico, na Praça D.
João I,
da autoria de Jorge
Barradas. Porto | 1950.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Enquadramento 4 / Temas / Índice Remissivo página 290

Painel decorativo,
em azulejos com
relevo, da autoria de
Jorge Barradas. Museu
do Azulejo, Lisboa.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Eduardo
/ Eduardo
Anahory
Anahory
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
291 291

Eduardo
Anahory

Publicidade para a agencia intermediária ABC.


Assinado: ETP/Anahory
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Eduardo
/ Eduardo
Anahory
Anahory
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
292 292

Ilustração infográfica para a Exposição do Mundo Português, em 1940. Cromolitogravura.


Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Eduardo Anahory / Temas / Índice Remissivo página 293

E. Anahory (1917–1985)

M
Como arquitecto, Anahory identificou na ais tarde, Eduardo Anahory viajou para
sua obra as possibilidades materiais e Nova Iorque e o Brasil, onde colaborou
técnicas do seu tempo, recorrendo a com os arquitectos Óscar Niemeyer,
técnicas de construção e dimensionamento Eduardo Reidy e Jorge Moreira, entre
inéditas em Portugal. outros. Em 1958 participou na realização do
Pavilhão de Portugal na Feira de Bruxelas, e com

H
omem de múltiplas paixões e talentos, Sérgio Bernardes na realização do Pavilhão do
aventureiro e vanguardista, foi cenó- Brasil (onde recebeu o 1º prémio).
grafo, artista plástico, escultor, publici- Fundou a Marca – Gabinete de Design e
tário, artista gráfico, decorador, pintor – Propaganda.
e arquitecto sem curso. Anahory nasceu em Lis-
boa, em 1917. Entre 1934 e 38 frequentou o curso Arquitectura pré-fabricada
de Arquitectura em Lisboa e no Porto. Traba- Em 1963 e a partir desta data trabalhou em
lhou para a agencia Estúdio Técnico de Publici- arquitectura dedicando-se principalmente à
dade (ETP), fundada em 1936 pelo designer José construção pré-fabricada e normalizada. Viaja
Rocha (1907-1982). Aqui se realizaram impor- pela Finlândia com uma bolsa de estudo do Ins-
tantes trabalhos de publicidade na década de tituto de Alta Cultura. Realizou, com o arqui-
1930 e 1940. Ao mesmo tempo, foi de aqui que tecto Pedro Cid, o Hotel de Porto Santo.
vieram os designers que realizaram os pavilhões A aderência aos sistemas pré-fabricados,
de Portugal nas exposições internacionais do pelas experiências adquiridas nas diversas par-
governo fascista português. Cartaz de Eduardo Anahory. ticipações em Exposições Universais e Indus-
Revista Panorama, anos 50.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Eduardo Anahory / Temas / Índice Remissivo página 294

triais, e o contacto directo com as concepções de vanguarda


nas áreas da experimentação tecnológica aplicadas ao sistema
de construção em série, assimilados durante as suas estadias
no México e Brasil, levou Anahory a ser pioneiro na investiga-
ção dos sistemas construtivos leves, económicos e rápidos de
executar.
A recorrência a estruturas leves (metálicas) e sobretudo a
elementos prefabricados pouco duráveis (madeira, aglome-
rado negro de cortiça, verga, etc.) faz com que, passados 50
anos da construção das suas obras mais paradigmáticas, o
principal testemunho dos edifícios projectados por Anahory
sejam as publicações em periódicos da época.
Publicou em revistas como a Domus (Milão), The Architec-
tual Review, Architectural Design, Architekten; L'architecture
d'au Jour d'hui e Connaissance des Arts (Paris); DBZ-Deuts-
che Bauzeitschrift e MD-Moebel Interior Design (Estugarda);
Bauen+Wohnen, (Munique); Architekten-Einnfamilienhau-
ser (Zurique); e em Portugal, as revistas: Binário, Arquitectura;
Colóquio; Casa e Decoração; Atrium, demonstrando o inte-
resse e qualidade das suas obras no panorama arquitectónico
internacional.

Bibliografia
José António Brás Borges. Eduardo Anahory: percurso de um designer
de arquitectura. Tese de doutoramento.
José António Brás Borges Eduardo Anahory, percurso de um designer
da arquitectura. Tese para o grau de Mestre em Arquitectura.
(IST/2010)
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Almada
/ Almada
Negreiros
Negreiros
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
295 295

Almada Negreiros
Na sequência das primeiras rupturas ocorridas
com a Exposição dos Humoristas portugueses,
em 1912, diversos escritores e artistas
continuaram a desafiar o academismo estético
e literário, impelindo alguns projectos de
publicações que reflectiam um anseio por
novas estéticas.

A Revista Orpheu, fundada em 1915 por


Fernando Pessoa, Mário de Sá
Carneiro, Almada Negreiros, Luís de
Montalvor entre outros colaboradores,
pretendia ser um projecto de vanguarda no
ambiente literário português.
Por falta de financiamento, o terceiro
número não foi publicado.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Almada
/ Almada
Negreiros
Negreiros
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
296 296

Sudoeste Magazine Nr 1 Revista Presença, 1935.


Cadernos de Almada Negreiros
1935
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Almada
/ Almada
Negreiros
Negreiros
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
297 297

Revista
Contemporânea

Capa da Revista Contemporânea,


número spécimen, 1915. Fonte:
Hemeroteca Municipal de Lisboa
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Almada
/ Almada
Negreiros
Negreiros
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
298 298

Anúncio da Fábrica Suissa.


Revista Contemporânea número 4, de
Outubro de 1922, ilustração de Almada
Capa de Almada Negreiros. Hemeroteca Municipal de
Negreiros. Lisboa
Revista Contemporânea,
Maio 1922. Hemeroteca
Municipal de Lisboa
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Almada Negreiros / Temas / Índice Remissivo página 299

Biografia Negreiros
Como artista, foi genial; nas suas
ideologias, foi monárquico e fascista,
colaborador do regime de Salazar. Um caso
particular. caminho para a sua obra plástica e literária da
maturidade.

J
osé Sobral de Almada Negreiros (Trin- Almada é um caso particular no modo como
dade, 1893 – Lisboa, 1970) foi um artista se posicionou em termos de carreira artística.
multidisciplinar; dedicou-se a quse tudo: Paris foi para ele pouco mais do que um ponto
artes plásticas, desenho, pintura, Design de passagem. Residiu em Madrid durante vários
editorial, literatura, romance, poesia, ensaio, anos e o seu regresso ficou associado à decisão
dramaturgia. É uma figura única no panorama de se centrar definitiva e exclusivamente em
cultural português do século XX. Essencial- Portugal.
mente autodidacta (não frequentou qualquer Ao longo da vida empenhou-se numa diver-
escola de ensino artístico), a sua precocidade sidade meios de expressão – desenho e pintura,
levou-o a dedicar-se desde muito jovem ao dese- ensaio, romance, poesia, dramaturgia… até o
nho de humor. Mas a intervenção de Almada e a sua obra não bailado –, que Fernando de Azevedo classifica de
Almada teve um papel activo na primeira marcaram apenas o primeiro quartel do século "fulgurante dispersão". Sem se fixar num domí-
vanguarda dita «modernista» com importante XX. Ao contrário de companheiros próximos nio único e preciso, o que emerge é sobretudo a
contribuição para a dinâmica do grupo ligado à como Amadeo de Souza-Cardoso e Santa-Rita, imagem do artista total, inclassificável, onde o
revista Orpheu, sendo a sua acção determinante ambos mortos em 1918, a sua acção prolongou- todo supera a soma das partes. Também neste
para que essa publicação não se restringisse à -se ao longo de várias décadas. aspecto Almada se diferencia dos seus pares
área das letras. A contundência das suas intervenções ini- mais notáveis, Amadeo de Souza-Cardoso e Fer-
Aguerrido, polémico, assumiu um papel cen- ciais iria abrandar, cedendo lugar a uma ati- nando Pessoa, cuja concentração num territó-
tral na dinâmica do Futurismo em Portugal: tude mais lírica e construtivista que abriu rio único, exclusivo, foi condição necessária à
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Almada Negreiros / Temas / Índice Remissivo página 300

realização das obras máximas que nos deixaram


como legado.
Almada Negreiros nasceu em São Tomé e
Príncipe, em 1893. Os primeiros anos da sua
infância foram passados em São Tomé. Em 1900
o seu pai é nomeado encarregado do Pavilhão
das Colónias na Exposição Universal de Paris;
Almada e o seu irmão António são internados
no Colégio Jesuíta de Campolide, Lisboa, onde
irão residir até à extinção do colégio, em 1910,
na sequência da implantação da República.

D
epois de uma breve passagem pelo Liceu
de Coimbra, em 1911 Almada matricula-
-se na Escola Internacional, Lisboa, que
frequenta até 1913. Ainda em 1911 publica
os primeiros desenhos e caricaturas; no ano
imediato redige e ilustra o jornal manuscrito A
Paródia (reproduzido a copiógrafo na própria
escola) e expõe no I. Exposição dos Humoristas

E
Portugueses. colabora como ilustrador em jornais; escreve a m 1915 escreve a novela A engomadeira
Expõe individualmente pela primeira vez em sua primeira obra poética; prepara o primeiro (publicada em 1917) e o poema A cena do
1913, na Escola Internacional, apresentando 90 projeto de bailado (O sonho da rosa); dese- Ódio (publicado parcialmente em 1923);
desenhos; estabelece contacto com Fernando nha o primeiro cartaz (Boxe). No ano seguinte colabora no primeiro número da revista
Pessoa na sequência da crítica à exposição que colabora como diretor artístico no semanário Orpheu e publica o Manifesto Anti-Dantas e por
este publica em A Águia. Nesse mesmo ano par- monárquico Papagaio Real. extenso, por ocasião da estreia da peça de tea-
ticipa no II. Salão dos Humoristas Portugueses; tro Soror Mariana Alcoforado de Júlio Dantas,
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Almada Negreiros / Temas / Índice Remissivo página 301

reagindo às críticas negativas desse conhecido


médico e escritor à revista Orpheu.
Em 1916 participa na exposição da Galeria
das Artes de José Pacheko (1885–1934). Nesse
ano publica o manifesto de apoio à I. Exposição
de Amadeo de Souza-Cardoso, em Lisboa.
Nessa época, Almada convive com Santa-
Rita (1889–1918), pintor que proclamava ter
sido encarregue por Marinetti de difundir em
Portugal o Futurismo; essa aliança irá impulsio-
nar o Futurismo português. Em 1917 realiza, no
Teatro da República, a conferência Ultimatum
Futurista às Gerações Portuguesas do Século
XX; nesse ano colabora no único número de Por-
tugal Futurista e publica a novela K4 O Qua-
drado Azul. Faz também um pacto com Ama-
Tapisserie montrant l'arrivée des Romains dans la région du Monte de Santa Tecla. Almada
deo e Santa-Rita em que todos se comprome-
Negreiros. Pousada de Santa Luzia, Viana do Castelo
tem a estudar os Painéis de São Vicente de Fora,
de Nuno Gonçalves, embora só Almada vivesse
para o fazer. que surgem na sequência do fim da Primeira Almada regressa a Portugal em 1920. A sua
Em 1918 a pintura vanguardista é abalada Guerra Mundial. primeira intervenção após o regresso é a confe-
pela morte prematura de Santa-Rita e Amadeo, Em Paris exerce simples atividades de sobre- rência A Invenção do Dia Claro (1921), que marca
deixando Almada isolado. vivência (dançarino de cabaret, empregado de uma alteração de atitude da sua parte. Ainda em

N
o ano seguinte parte para Paris, no armazém); desenha, e escreve o poema em prosa 1920 expõe na III. Exposição dos Humoristas.
momento em que o radicalismo das van- Histoire du Portugal par Coeur (publicada mais Ao longo dos anos subsequentes colabora em
guardas históricas é apaziguado pelos tarde na Revista Contemporânea), onde revela diversos jornais e revistas, do Diário de Lisboa
apelos generalizados de regresso à ordem uma consciência nacional mítica. ao Sempre Fixe, publicando desenhos humorís-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Almada Negreiros / Temas / Índice Remissivo página 302

ticos, textos e ilustrações; realiza capas de livros


e revistas; participa como convidado na Exposi- A aproximação aparece na obra gráfica: logo
ção dos 5 Independentes (SNBA, Lisboa, 1923); em 1933 Almada cria o cartaz político Votai a
em 1925 escreve o romance Nome de Guerra Nova Constituição; realiza um selo com a frase
(publicado em 1938); realiza obras para a Bra- de Salazar Tudo Pela Nação (1935) e é nomeado
sileira do Chiado (1925) e para o Bristol Club Procurador à Câmara Corporativa (1965).

E
(1926), em Lisboa. m 1934 casa-se com Sarah Afonso e em 1935

P
arte para Madrid em 1927, onde parti- nasce o seu primeiro filho. Nesse mesmo
cipa na tertúlia do Café Pombo e vive ano publica os cadernos Sudoeste (3 núme-
num meio intelectual em efervescência. ros), onde são incluídos textos seus e que
Durante os anos que se seguem escreve no terceiro número serve de ponto de encontro
um conjunto de duas peças, El Uno, tragédia de de colaboradores da Orpheu e da Presença.
la Unidad – dedicado à sua futura mulher, Sarah Ainda em 1934 realiza os primeiros estudos
Afonso –, que incluem: Deseja-se Mulher (repre- para os vitrais da Igreja de Nossa Senhora de
sentado pela primeira vez em 1963) e SOS (2º Fátima, dando início à colaboração com o arqui-
acto publicado em 1935). Colabora com capas e tecto Pardal Monteiro. Até ao final da década
desenhos em jornais e revistas; e realiza deco- executa pinturas; publica desenhos, ilustrações,
rações murais (Cidade Universitária, cinema poesias, ensaios e romances; realiza palestras;
San Carlos, etc.), que são o primeiro sinal de um colabora com frescos e vitrais em diversos edi-
extenso trabalho artístico em articulação com a fícios, entre os quais o Pavilhão da Colonização
Arquitectura. da Exposição do Mundo Português e o edifício do
Almada regressa a Lisboa em 1932. Embora Diário de Notícias, Lisboa, projectado por Par-
de convicções monárquicas, verifica-se uma dal Monteiro.
aproximação ao Estado Novo, desde logo atra- Em 1941 o S.P.N. organiza a exposição
vés da sua apologia antecipada do naciona- Almada – Trinta Anos de Desenho, assinalando
lismo – que Eduardo Lourenço apelida de um momento de viragem na percepção pública
"pré-fascizante". da sua obra. A partir desse momento irá partici-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Almada Negreiros / Temas / Índice Remissivo página 303

par em iniciativas do S.P.N., de que até aí se tinha


distanciado: ainda em 1941, e em 1942, participa
respectivamente na 6ª e na 7ª Exposição de Arte
Moderna, vencendo o Prémio Columbano em
1942.
Em 1943 faz cenários para a ópera Inês de
Castro, de Ruy Coelho (Teatro Nacional de São
Carlos, Lisboa); nesse mesmo ano realiza estu-
dos preparatórios para as pinturas murais da
Gare Marítima de Alcântara, que concreti-
zará in loco entre 1945 e 1947, e em 1946 ini-

cia a execução dos murais da Gare Marítima da


Rocha do Conde de Óbidos que termina em 1948
(ambos os projectos de arquitectura de Pardal
Monteiro).

E
m 1946 vence o prémio Domingos Sequeira
na I. Exposição de Arte Moderna de Dese-
nho e Aguarela, S.P.N./SNI.
Em 1952 expõe na Galeria de Março e
participa na Exposição de Arte Moderna (Lis-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Almada Negreiros / Temas / Índice Remissivo página 304

boa). Dois anos mais tarde pinta a primeira ver- agésimo aniversário, sendo
são de retrato de Fernando Pessoa para o restau- publicada a primeira monogra-
rante Irmãos Unidos. fia sobre a sua obra, da autoria
Em 1957 participa na I. Exposição de Artes de José Augusto França.
Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, É condecorado com a
sendo galardoado com um prémio extra con- Ordem de Santiago da Espada
curso. Ainda dentro da colaboração com Pardal em 1967. Em 1968 – 1969 realiza
Monteiro, entre 1957 e 1961 realiza grandes pai- o painel Começar, para o átrio
néis decorativos para as fachadas de vários edi- do edifício sede da Fundação
fícios da Cidade Universitária de Lisboa (Facul- Calouste Gulbenkian, Lisboa.
dade de Direito; Faculdade de Letras; Reitoria). Em Julho de 1969 faz a sua der-
Em 1963 expõe na Sociedade Nacional de radeira intervenção pública,
Belas Artes, em Lisboa, e nesse mesmo ano é participando no programa
alvo de homenagem por ocasião do seu septu- televisivo Zip-Zip.

Almada Negreiros é
um dos artistas que
mais rapidamente
aderem ao
Fascismo. Cartaz
do SNI, 1934.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Maria
/ Maria
Keil /Keil
Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
305 305

Maria Keil
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Maria Keil / Temas / Índice Remissivo página 306

Biografia Maria Keil


Foi multifacetada: fez pintura, sobretudo Cartaz. 2ª Exposição
Nacional de
retratos; publicidade; ilustração; desenho
Floricultura.
de móveis; decoração de interiores; cartões
Tapada da Ajuda / 1941
para tapeçarias (Hotel Estoril Sol, TAP de (Porto: Bolhão), 100 x
Nova Iorque, Copenhaga, Madrid, Casino 69 cm.
Estoril, etc.); murais a fresco; cenários e
figurinos para bailados; selos; azulejos
(Metropolitano de Lisboa, TAP de Paris e
Nova Iorque, União Eléctrica Portuguesa,
Casino de Vilamoura, Aeroporto de Luanda,
etc.).

N
asceu em Silves, Algarve, em 1914, fale-
ceu em Lisboa com 97 anos, em 2012. O
seu pai era um pequeno industrial corti-
ceiro, mas Maria Keil escapou ao provin-
cionalismo; foi pintora, ilustradora, decoradora
de interiores, designer de mobiliário, ceramista,
cenógrafa e figurinista, autora de tapeçarias e de
composições azulejares.

F
requentou o curso de Pintura da Escola de
Belas Artes de Lisboa, onde foi aluna de
Veloso Salgado. Em 1933 casou com o arqui-
tecto Francisco Keil do Amaral. Acompa-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Maria Keil / Temas / Índice Remissivo página 307

nhou Keil do Amaral toda a vida, desde que casaram muito novos e
viajaram juntos, começando por uma permanência em Paris quando
F. Keil ganhou o concurso para o Pavilhão de Portugal da Exposição
Universal de Paris, de 1937.

F
ez pintura, sobretudo retratos; publicidade; tentativas de reno-
vação da talha em madeira para móveis e desenho de móveis;
decoração de interiores; cartões para tapeçarias (Hotel Esto-
ril Sol, TAP de Nova Iorque, Copenhaga, Madrid, Casino Esto-
ril, etc.); pinturas murais a fresco; cenários e figurinos para baila-

Maria Keil pintando um painel no Cinema Monumental, em Lisboa: como


muitos artistas gráficos portugueses activos na primeira metade do
século XX, teve de se dedicar a muitos ofícios para subsistir.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Maria Keil / Temas / Índice Remissivo página 308

dos; selos; azulejos (Metropolitano de Lisboa,


Av. Infante Santo, TAP de Paris e Nova Iorque,
União Eléctrica Portuguesa, Casino de Vila-
moura, Aeroporto de Luanda, etc.).

M
aria Keil, como era habitual para os
artistas gráficos portugueses na pri-
meira metade do século XX, lançou mão
dos sete ofícios para viver. Na época,
todos tiveram de trabalhar noutras áreas. Fez
ilustrações para revistas, nomeadamente Pano-
rama, Seara Nova, Vértice, Ver e crer e Eva. Ilus-
trou numerosas obras, nomeadamente livros
para crianças. Fez desenhos para as colectâ-
neas sobre Bernardim Ribeiro, Castro Alves,
Olavo Bilac e Tomás António Gonzaga, inte-
gradas na colecção As mais belas poe-
sias da língua portuguesa. Escreveu
e ilustrou três livros para crianças e
dois para adultos: O pau-de-fileira, Numa entrevista a artista conta que, como não havia dinheiro para a
Os presentes e As três maçãs; Árvores decoração do Metropolitano (Francisco Keil tinha a seu cargo o
de domingo e Anjos do mal. As suas projecto do edifício da sede), tinha pensado em criar um dado
número de padrões geométricos de azulejos que, em combinatórias
obras têm sido expostas em exposi-
diferentes, iriam possibilitar a concretização de obras distintas para
ções, individuais e colectivas.
todas as estações. Este trabalho, em conjunto com o mural feito
para um dos edifícios da Avenida Infante Santo, também em Lisboa
se tornou emblemático da azulejaria portuguesa moderna.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Stuart Carvalhais / Temas / Índice Remissivo página 309

Stuart
Carvalhais

Olhos Tristes. Capa para partituras


impressas. Il. + lettering de Stuart
Carvalhais. Década de 1920?
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
310 310

Início de carreira
Ilustração Portuguesa
Revista ilustrada
Capa / 21.2.1914
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
311 311

Stuart no início da sua carreira


Ilustração Portuguesa
Revista ilustrada
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
312 312

Stuart no início da sua carreira


Ilustração Portuguesa
Revista ilustrada
Capa / 24.12.1913
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
313 313

Album infantil
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
314 314

Stuart dominava o traço


rápido e nervoso do
caricaturista, mas também a
precisão do risco exigida ao
ilustrador...
1. Estudo para Capa da
Femme fatale
Revista ABC, 1920
Litogravura
2. Desenho
Anos 20?
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
315 315

Revista ABC a Rir


Directores: Stuart Carvalhais (dir. artístico);
Feliciano Santos (dir. literário)
Número: 52, 1921
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
316 316

Desenhos humorísticos,
sátira social
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
317 317
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Stuart Carvalhais / Temas / Índice Remissivo página 318
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
319 319

Banda Desenhada

O Manecas
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
320 320
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
321 321

Música popular

Os maiores sucessos musicaes


1922
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
322 322

Stuart no auge da sua carreira


Suite de Fados
Sheet Music
Editora Sassetti
Anos 20?
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
323 323

Stuart no auge da sua carreira

Sheet Music / Editora Sassetti


Anos 20
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
324 324

Da revista Fado Corrido


Cartaz
Anos 20

Fox-trot 17 e 20
Sheet Music
Anos 20
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
325 325

Fado das Alminhas


Anos 30 ?
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
326 326

Fado do Cigarro
Sheet Music
Anos 30 ?
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
327 327

Corridinho do Algarve
Sheet Music
1921, datado
...um dos melhores cartazes de Stuart
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
328 328

Noite de Santo António


Sheet Music
1921, datado
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
329 329

O avental
Sheet Music
1930
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
330 330

Vira
Sheet Music
1931
Música impressa ...no fono-filme
«A Severa" musica de Frederico de
Freitas ; letra do Dr. Julio Dantas.
Lisboa : Lit. Alves, 1931.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
331 331

Namorados
Sheet Music
?
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
332 332

Cantigas de Amor
Sheet Music
Sasseti
19??
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
333 333

Vamos Bailar, Maria


Sheet Music
19??
Excelente Lettering &
Composição gráfica
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
334 334

Festas de Lisboa
Festas de Lisboa.
Stuart. - Lisboa : s.n., 193-?]
Lith. de Portugal
Cartaz de Stuart
cartaz : color. ; 116x80 cm
Carvalhais. 1934
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
335 335

Stuart Carvalhais
A República
postal,
1930
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
336 336

Figura feminina
técnica mista sobre papel,
asassinada
Dimensões 27 x 22 cm
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Stuart
/ Stuart
Carvalhais
Carvalhais
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
337 337

Capas de livros

Diário dum Emigrante

JOAQUIM PAÇO D’ARCOS


capa de Stuart
Lisboa, 1942
Parceria António Maria Pereira
19 cm x 13 cm
310 págs.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Stuart Carvalhais / Temas / Índice Remissivo página 338

Stuart Carvalhais (1888 – 1961)


«Stuart é um album de tipos estranhos, vergastados
pela dor, pelos sarcasmos da vida e nele as figuras irmam-
-se aos aspectos sombrios de Lisboa, aquela parte de onde
o sol não se debruça todos os dias, onde há sempre trevas.
E como Steinlen, Stuart busca os tipos miseráveis, aqueles en cuja
alma ulula o vento da tragedia; busca as ruas escuras, a luz tíbia, o
claro-escuro.»
Ferreira de Castro, 1926.

«Mal empregado Stuart! Num meio sem carácter, com diminu-


tíssima cultura, sem um estratificado social apreciador da beleza
artística, não podia encontrar, já não digo galardão, mas incentivo
condigno, o seu lápis tão singular, filho de uma genialidade nata.»
.Aquilino Ribeiro, in Stuart e os seus Bonecos

«Stuart é um dos mais fecundos artistas de todo o mundo e, pro-


vavelmente, nenhum poderá orgulhar-se de ter trabalhado para
a imprensa durante tantos anos. Se essa mesma imprensa tivesse
em Portugal, o mínimo de condições de que todo o artista neces-
sita para criar, Stuart seria hoje o primeiro desenhador humorís-
Stuart Carvalhais
tico mundial.»
Auto-retrato
Armando Paulouro, in Stuart e os seus Bonecos Anos 20 ?
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Stuart Carvalhais / Temas / Índice Remissivo página 339

«Stuart tinha demasiado lá dentro», disse


«Viveu com os simples na sua intimidade e o artista alemão Hein Semke, e esta frase leva- didades materiais, seria, no entanto, e por ven-
transmitiu-nos deles o melhor do seu carácter.» -nos ao interior de Stuart. Tinha grandes poten- tura, mais feliz, mais homem na plenitude dos
Alfredo Marques, in Diário Popular, cialidades, frustradas por um espírito sem auto- seus anseios, do seu carácter (…); e mais esplen-
22/9/1969 -confiança, e por um mundo artístico para o qual doroso, sem dúvida, na realização incontrolável
não estava preparado. O meio das artes gráfi- do seu talento, no seu sonho do inconcebível, na
«Stuart ironizou muitas classes e quase todas cas em Portugal, dominado pela concorrência, não existência de norte»

A
as profissões, mas o melhor da sua obra não pela mesquinhez, pelo mal-estar entre os artis- lfacinha da «má-vida», boémio, caricatu-
está nas cenas domésticas dos pequenos bur- tas, era-lhe adverso. Stuart, o mãos-largas, o rista, humorista, ilustrador, pintor, autor
gueses, ou no comentário jocoso que o dia a dia homem que nunca se zangou com amigos, sem- de banda desenhada e cineasta, Carva-
lhe impunha para venda imediata, e impressão pre pronto a ajudar toda a gente, não se sentia lhais é um nome maior das artes gráfi-
na primeira página. Nos trabalhos de sentido bem neste meio artístico. cas e da cultura popular portuguesa. O seu tema

A
mais profundo, ressalta a fidelidade ao meio de sua vida familiar foi outra frustração, já principal, foi, sem qualquer dúvida, a mulher.
que, infelizmente, não sabia libertar-se: bêba- que o seu espírito nada tinha em comum Fosse ela uma artista de variedades, uma prosti-
dos, prostitutas, boémios, maltrapilhos e, aqui com o dos seus pais nem com o da sua tuta, uma mulher do povo, uma mãe viúva, uma
e além, envolvidos na mesma ternura, as crian- mulher. Os amigos eram muitos ao bal- saloia, uma dama de salão ou até a «República».
ças, os gatos e as figuras mais típicas dos nossos cão da taberna, mas raros no seu coração. Stu- Retratou como ninguém o dia a dia da cidade
velhos bairros lisboetas.» art, para além da falta de auto-confiança, não de Lisboa, o sua miséria, vícios e divertimen-
Rolando Moisão, in A Anatomia Artística nos teve o estímulo nem o apoio de que necessitava. tos, colaborando nos principais jornais e revis-
desenhos de Stuart, 1965 Em breve se foi afundando no álcool, de onde foi tas humorísticos da época. (Alguns destes perió-
impossível tirá-lo. Morreu alcoólico. dicos estão disponíveis em linha na Hemeroteca
«Stuart não descia ao povo, como fazem mui- Na edição do dia 3 de Março de 1961, para o Digital, nomeadamente A Sátira, Ilustração Por-
tos artistas: vivia o povo. As ruas que apareciam Diário Popular, Stuart era já uma emanação do tuguesa, A Choldra, Ilustração, Diário de Lisboa,
nos seus bonecos não resultavam de qualquer passado: «Lisboa perdeu o seu último artista- Diário Popular, e O Riso da Vitória.)
ficção; o desenhador percorria-as e nelas via as -boémio, que outro idêntico não nascerá jamais,
varinas, as prostitutas, os bêbados, os gatos...» que o ambiente e o estilo da vida actual são
...Pedro Raphael, in Vida Mundial, 26/3/1971 bem diferentes dessa época em que o homem,
menos ordenado talvez, mais pobre de como-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Stuart Carvalhais / Temas / Índice Remissivo página 340

maioria dos artigos publicados quando faleceu.


Notas para um curriculo De forma mais ou menos explícita, os que o evo-

S
tuart nasceu em Vila Real de Trás-os- cam parecem sentir necessidade de justificar as
-Montes, em 1888, mas por volta de 1901– opções de vida que tomou.
02 veio com a família para Lisboa. Em O semanário Os Ridículos, na edição do dia
1905 inicia-se como aprendiz, no estú- 8, tomou a seu cargo aliviar-lhe a fama de «indis-
dio Jorge Colaço. Aprendeu a pintar azulejo e ciplinado e inconformista»: «Tê-lo-á sido, efecti-
ilustração. vamente, em muitos passos, mas outros houve
Em Lisboa viveu 60 anos, ao longo dos quais em que Stuart correspondeu sempre e da melhor
nunca parou de produzir caricaturas, desenhos, maneira às obrigações dos seus compromissos.
cartazes e de reproduzir a cidade, aquela Lisboa Temos disso bastas provas que ajudaram a forta-
que mais o tocava. Era uma Lisboa que transpi- lecer a admiração que lhe consagrávamos.»

O
rava contradições sociais, onde a alegria é triste Stuart caricaturista perdura sobre o ilus-
e a tristeza escorre alegremente pelas ruas lúgu- trador, o aguarelista e o pintor de Lisboa.
bres e serpenteantes. É a Lisboa das profissões O que não constitui necessariamente
populares, cuja dureza antecipava a velhice. Da uma injustiça. As suas caricaturas são
virilidade precoce dos gaiatos. Dos arraiais e igualmente geniais e em número muito supe-
procissões. rior. Encontram-se disseminadas pela maior
É a Lisboa nocturna, dos cafés submersos parte dos jornais de Lisboa e do Porto, cobrindo
em fumo do tabaco e vapores do álcool. Do Jazz uma longa fasquia de tempo. A primeira, terá
e da moda cosmopolita ao estilo Art-Déco. Dos sido publicada no Século Cómico, em Junho de
espectáculos de palco, dos teatros de revista. Das 1906. Teria então 18 anos e trabalhava na oficina
Artes e dos artistas, dos jornais e dos jornalistas. de azulejos de Jorge Colaço. (A última data de 28
Foi por esta Lisboa que Stuart se deixou cati- de Fevereiro de 1961 e fez a primeira página de
var ao ponto de desbaratar a sua criatividade Os Ridículos, com quem trabalhou desde 1945.)
e negligenciar a sua própria pessoa. Foi uma
figura desconcertante, como trespassa pela
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Stuart Carvalhais / Temas / Índice Remissivo página 341

O filme «Quim e Manecas»

E
m 1916, estreou O Quim e o Manecas – um
filme curto, baseado nas famosas histórias
em quadradinhos de Stuart Carvalhais,
publicadas no semanário humorístico
O Século Cómico. A rodagem decorreu na rua
e jardins da Escola Politécnica, no Bairro Brás
Simões, além do cinema Colossal (Real Coliseu,
na Rua da Palma) onde estreou.
O argumento era de Stuart, em peripécias e
tropelias de ocasião, capazes de provocar a hila-
ridade entre o público jovem. Infelizmente, não
tiveram continuidade estas proezas de Mane-
cas, nem sobreviveram as suas aventuras com
Quim, que em 1930 ainda atraíam gente ao
Chantecler.
Os anos 20 marcam o grande sucesso de Stu-
art. Em 1921, trabalha para o Diário de Lisboa e
para o Batalha. Stuart foi ilustrador do Diário
de Notícias para os romances em folhetins que
publicava, as capas ou páginas referentes aos
números de Carnaval, Páscoa, Santos Populares,
Natal... A sua relação de colaborador do Diário
de Notícias foi igual à sua relação com os outros
jornais, ou com a vida.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Stuart Carvalhais / Temas / Índice Remissivo página 342

Desprendido de contratos, ou fico em cuja investigação associa o


compromissos castradores, cum- desenho aos tipos de letra a usar e
pria os pedidos quando lhe apete- com o qual ganha dois prémios em
cia, fazia os «bonecos» com o mate- concursos internacionais, em Itália
rial que tinha à mão, ou seja tinta, e Espanha.
café, graxa, remédios... com um Foi cenógrafo e figurinista do
pincel de dois pelos, um pau de fós- Teatro Nacional e do Politeama,
foro, um lápis, um carvão ... desenvolve actividade no cinema
Em 1922, desenha para o ABCzi- (em 1916, trabalha na adapta-
nho, reiterando o sucesso das suas ção a filme das Aventuras do Quim
peças nos suplementos infan- e do Manecas), passa pela aven-
tis. Colabora ainda com A Corja, o tura da realização (O Condenado,
Espectro, A Choldra e o Diário de com Mário Huguin) e desdobra-se
Notícias, a revista Ilustração (a cuja como actor, decorador, cenógrafo e
fundação está ligado) e com o sema- gráfico.
nário humorístico Sempre Fixe. Embora antifascista, como cla-
Como artista gráfico, soma rifica nos trabalhos da década de
encomendas: da ementa do Bris- 30, não perseguirá nos anos seguin-
tol Club, aos conjuntos de postais tes a via do Neo-Realismo, onde
ilustrados realizados para a exposi- poderia ter encontrado família
ção de 1925 dos Mercados, ou à con- artística, social e política. Os seus
cepção da publicidade da editora de entraves à pintura, que admira,
música Sassetti. mas não liberta da ilustração, man-
Em meados da década de 20, têm-no circunscrito ao exercício do
contabiliza mais capas de livros e desenho para periódicos.
de pautas de música – trabalho grá-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Stuart Carvalhais / Temas / Índice Remissivo página 343

Stuart trabalhou para: A Sátira; Zé; Má Lín- um filho (1914–15). Um casamento desigual e primeira acção pública foi o I. Salão dos Humo-
gua; A Lanterna; Ilustração Portuguesa; Papa- estranho. ristas Portugueses, em Maio de 1912.

E
gaio Real; Lucta; ABC a Rir; ABCzinho; O Espec- mbora predomine a caricatura política,
tro; Renovação; Os Sportinhos; Diário de Notí- Stuart é, por natureza, um crítico, ou Bibliografia/Filmografia/Catálogos
cias; A Choldra; O Sempre-Fixe; Ilustração; melhor, um demolidor de políticos e de 1916 – O Quim e o Manecas 35 mm – pb – 10/15 m.
Magazine Bertrand; Fradique; Repórter X; políticas. Missão que cumpria com pra- Realização: Ernesto de Albuquerque. Produção:
Empresa Internacional de Cinematografia.
Kino; Diário de Lisboa; Diário Popular; Ver e zer impiedoso. Trabalhou para jornais e revis-
Argumento: Stuart Carvalhais. Fotografia: Ernesto
Crer; O Cara Alegre. tas conotados com diferentes ideologias e par-

E
de Albuquerque. Elenco: Stuart Carvalhais,
ntre 1912 e 1913, viveu em Paris e trabalhou tidos, como se percebe pelo mosaico de títulos Armindo Coelho, Octávio de Matos, José Clímaco.
para a imprensa francesa, nomeadamente: atrás referidos. Pacheco, José – Stuart e o Modernismo em Portugal.
Ruy Blas; Excelsior; Le Journal; Pages A obra de Stuart, tão marcante quanto a per- Lisboa: Colecção Artes/Ilustradores, Veja, s.d.
Folles; Cri de Paris, Le Rire; Le Sourir e o sonalidade do seu criador, insere-se talvez no Sousa, Osvaldo de - Stuart Carvalhais o «desenhador
L’Assiette au Beurre. Foi para Paris como artista (erroneamente) chamado «Modernismo por- de bonecos», in História. N.º 29 (Mar. 1981), p. 27-31.
desconhecido, e regressa passado um ano como tuguês», movimento do início do século XX. ISSN0870-4538.
Stuart. Vida e Obra de Stuart. Lisboa: Serviços
cartoonista famoso. Em poucos meses, Stuart Melhor será dizer que foi protagonista dos gos-
Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, Maio/
conseguirá vencer no difícil meio parisiense, tos expressos pela Art-Déco, que teve vários for-
Junho 1992.
mas, como a estabilidade, o compromisso e as tes aderentes em Portugal – nas Artes Gráficas, Diário Popular. Lisboa: Ano 19, 1961.
responsabilidades o incomodavam, acaba por na Arquitectura, nas Artes Decorativas. Os Ridículos. Lisboa, Ano 56, 1961.
recusar a fama internacional e fugir a um pro- Participou activamente na constituição da
cesso judicial por quebra de contrato de exclusi- Sociedade dos Humoristas Portugueses, cuja
vidade com um dos maiores jornais humorísti-
cos da época, o «Ruy Blas», onde chegou a ser um
dos principais artistas.
Regressou a Lisboa. Mal chegou, e tam-
bém de um modo imprevisto, casou-se e teve
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Arte/ Nova
Arte em
Nova
Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
344 344

Arte Nova
em Portugal

Em Portugal, o Art Nouveau / Jugendstil não se


manifestou com a mesma pujança como o fez em
Viena, Barcelona, Bruxelas e outros centros
catalizadores desta corrente estética. Deste
modo, reuno aqui algumas amostras episódicas,
para ilustrar a variante portuguesa deste estilo
deveras internacional.

Fachada Arte Nova.


Coimbra. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 345

Introdução
A Arte Nova resultou da fusão de diversas
influências: Wiiliam Moris / Arts and Crafts,
do movimento Pré-Rafaelita, do
Historicismo, da influência de William
Blake e Walter Crane, do Japonisme, de
Oscar Wilde e Aubrey Beardsley, da poesia
simbolista de Mallarmé e das pinturas de
Toulouse-Lautrec, Munch, Whistler, Nabis e
Seurat.

U
m série de malentendidos acompanha as
diversas «definições» da Arte Nova. Teria
sido um estilo universal. De facto foi
internacional, mas não foi universal. Na
Inglaterra teve pouca presença, devido ao movi-
mento Arts and Crafts, que polarizou a aten-
ção do público comprador de peças decoratitvas,
móveis e vidros.
Durante meio século buscou-se um novo
estilo. Já em 1849, John Ruskin, expoente do
Arts and Crafts, falava duma insatisfação gene-
ralizada que abrangia muitos artistas. Em 1890,
num clima decadente de fin-de-siécle, todos
procuravam alcançar uma renascença, ou, pelo
menos, uma nova linguagem visual.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 346

Na Inglaterra floresceu, mas na Escócia,


ainda mais – devido às actividade da Escola de
Glasgow. Espalhou-se da França e da Áustria
para o resto da Europa e para os Estados Uni-
dos, graças a revistas ilustradas e catálogos de
exposições.
A Arte Nova nunca representou os novos
desenvolvimentos sociais e os avanços tecno-
lógicos. Teve sempre um cariz utopista e esca-
pista, embora alguns protagonistas se esforças-
sem por levar a arte ao povo.
Este movimento, demonstra, pela diver-
sidade de termos que adquiriu, a sua popula-
ridade, e, ao mesmo tempo a relutância em se
aceitar esta nova concepção estilística.
Na Bélgica adquiriu os nomes de Pling stijl,
Style Nouille, Mouvement belge, Style 1900
e Modern Style; na França usou-se também o
Style Moderne, Style de bouche de Métro; na
Alemanha era o Jugendsstil; na Itália, Stile
Liberty, Stile floreale ou Stile Inglese; em Espa-
nha, o Modernismo e na Áustria, o Sezessions-
till e Wiener Sezession.
O «estilo Arte Nova», eminentemente deco-
rativo e ornamental, aplicou-se a quase tudo e
a quase todas as formas de artefactos – mobili-
ário, joalharia, escultura, vidros, arquitectura,
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 347

lettering, Fotografia, Ilustração, Tipografia. Em


Portugal, aplicou-se ao azulejo.
Um dos malentendidos mais repetidos é afir-
mar que foi «caracterizado pelo predomínio de
linhas fluídas e ondulantes». De facto, regista-
mos duas correntes importantes: a Arte Nova
fluída e sinuosa e a Arte Nova geometrizante,
preferindo linhas direitas.
O Art Nouveau nunca se tornou universal
como alguns o tinham desejado e adquiriu rapi-
damente expressão nacional e regional. Embora
mostrasse nítidas diferenças de país a pais, teve
sempre um sentido elitista de sofisticação, de
procura do exótico e reflectia uma resignação
intelectual própria do fim do século.
No Art Nouveau houve ligações entre as
artes decorativas e a dança, mas não teve muita
expressão na produção literária. A evolução do
estilo Art Nouveau ficou sempre associada com
o aparecimento de periódicos e por exemplo,
The Yellow Book foi criado por um Americano
estabelecido em Londres, Henry Hartland e que
tinha Breadsley como editor artístico, sendo ele
próprio o editor literário.
A maioria dos colaboradores eram sobeja-
mente conhecidos e respeitados e as quatro
Aveiro, Portugal.
primeiras tiragens foram um sucesso embora
Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 348

tivesse, escandalizado a sociedade da época pelo


arrojo dos seus artigos e ilustrações.
A entrada ousada no novo século foi mais
o fim cintilante de uma época do que o nasci-
mento de outra. A popularidade deste título
desapareceu rapidamente. Um após outro,
os artistas abandonaram o estilo, alterando a
forma, a linguagem e utilizando uma linguagem
mais simples e mais prática e menos decorativa.
A Art Nouveau falhou no objectivo europeu
de criar um estilo mais internacional. Ao mesmo
tempo, não ofereceu qualquer solução em como
ligar a estética com a máquina pois as teorias
estéticas da Art Nouveau privilegiavam o toque
artístico individual. Esta estética baseava-se no
“estilo do artista» e assim não podia satisfazer a
exigência de um design próprio da produção em
massa.
O estilo, que ficou fora de moda e comecou
a ser considerado exagerado e ridículo pouco
depois de 1910, tornou-se de novo respeitado
em 1960, na Exposição de Paris, através de
várias exposições que demonstraram a vontade
de “reviver» um estilo tão fugaz.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 349
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 350
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 351

Aveiro
É na cidade de Aveiro e seu distrito que se
encontra o núcleo mais interessante de
exemplares Arte Nova em Portugal.

E
ste facto deve-se, em parte, a Francisco
Silva Rocha, arquitecto aveirense, que
projectou um conjunto de edifícios nas
duas primeiras décadas do século XX. Nas
fachadas que desenhou encontram-se com fre-
quência painéis de azulejos, num diálogo com
os vãos e outros elementos parietais, predomi-
nando as grades de ferro forjado e os elementos
florais lavrados na pedra. Outros nomes ficaram
ligados à Arte Nova no distrito de Aveiro: o suíço
Ernesto Korrodi (que, aliás, colaborou com Silva
Rocha) e Jaime Inácio dos Santos.
Mais do que todo o serpenteado e o curvilí-
neo que é a matriz da Arte Nova, expressa nos
elementos formais dessa Arquitectura e que lhe
conferem dinamismo e riqueza, é no azulejo que
reside a expressividade da região de Aveiro.

Fachada de um edifício em
Aveiro, Portugal. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 352

Aveiro é conhecida por pos-


suir um conjunto de edifícios Arte
Nova invulgar no país, em quanti-
dade e qualidade, à excepção ape-
nas do Porto e Lisboa. Esta caracte-
rística, por vezes enfatizada de um
modo um pouco bairrista, limita-se
quase exclusivamente às fachadas
uma vez que por trás se encontram
banais imóveis habitacionais. Não
obstante esta ausência de corres-
pondência entre o interior e o exte-
rior era um facto normal na época
e as fachadas eram entendidas
como um meio de ostentação, facto
muito comum na Arquitectura por-
tuguesa. A imagem da cidade era a
das fachadas dos seus edifícios.
Aveiro também tem edifícios
Art-Déco, ou melhor, tem facha-
das, uma vez que o que escondem se
manteve essencialmente o mesmo.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 353

Braga, Portugal.
Foto: P.H.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 354

Fachada Arte
Nova. Coimbra.
Foto: Paulo
Heitlinger.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 355

Fachada Arte
Nova. Coimbra.
Foto: Paulo
Heitlinger.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 356

Casa de Novidades Luiz Soares. Painel publicitário


realizado em azulejos ao gosto Arte Nova.
Rua de Santa Catarina, Porto. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 357

Casa de Novidades Luiz Soares. Painel publicitário realizado em azulejos ao gosto Arte Nova.
Rua de Santa Catarina, Porto. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 358

Fachada e Lettering Arte Nova. Depósito Adriano Vieira da Silva. Baixa do Porto. Rua de
António Pedro, Porto | Portugal. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 359

Fachada e Lettering Arte Nova. Depósito Adriano Vieira da Silva. Baixa do Porto. Rua de
António Pedro, Porto | Portugal. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 360

Azulejos decorativos ao gosto Arte Nova. Baixa do Porto.


Porto | Portugal. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 361

Azulejos decorativos ao gosto Arte Nova. Baixa do Porto.


Porto | Portugal. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 362

Azulejos decorativos ao gosto Arte Nova.


Porto | Portugal. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 363

Azulejos decorativos ao gosto Arte Nova. Baixa do Porto.


Porto | Portugal. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 364

Azulejos decorativos ao
gosto Arte Nova. Baixa do
Porto. Porto | Portugal.
Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 365

Azulejos decorativos ao gosto Arte Nova.


Matosinhos | Portugal. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 366

Teatro Club,
Esposende,
Portugal.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 367

Teatro Club,
Esposende,
Portugal.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 368

Animatógrafo do Rossio
Fundada em 1907 pelos irmãos Ernesto
Cardoso Correia e Joaquim Cardoso
Correia, que fundaram a firma Correia &
Correia, esta sala de cinema oferecia uma
lotação de mais de cem lugares.

A
sua fachada é uma das mais citadas do
estilo Arte Nova de Lisboa, sendo de
facto um dos raros exemplos do estilo.
Os relevos exteriores foram executa-
dos em madeira esculpida e os azulejos (data-
dos de 1907 e assinados por M. Queriol), que
se encontram entre as portas e a bilheteira, são
ornamentados com duas figuras femininas,
com cabelos entrelaçados e segurando entre
as mãos dois caules de plantas, rematadas por
lâmpadas.
Embora criado para a exibição cinemato-
Animatógrafo do gráfica, pela sua sala passou também um tea-
Rossio, Lisboa. tro muito especial – uma companhia de Teatro
Infantil. Após algumas épocas teatrais, regressa
novamente à exploração cinematográfica, acti-
vidade que vai manter até à abertura de uma sex
shop, actividade que ainda hoje mantém.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 369

Lisboa: Leitaria A Camponesa


Situada na Rua dos Sapateiros, tem
azulejos Arte Nova na fachada. Rua dos
Sapateiros, 155-157, Lisboa

T
rata-se de uma construção de autoria do
arquitecto Domingos Pinto com reves-
timento em azulejos azuis e brancos, da
autoria de Jorge Pinto. O painel repre-
senta na zona central uma minhota e nas zonas
laterais, insectos e papoilas, temas típicos da
Arte Nova. É um café centenário, que, desde o
início do século XX serve quem passa pela Baixa
lisboeta. É um dos poucos edifícios que mantém
os mesmos traços arquitectónicos, desde 1907
até à data.
O pinto José António Jorge Pinto viveu nos
séculos XIX e XX, tendo sido discípulo de Veloso
Salgado. Em 1897 a sua pintura esteve presente
na 7ª Exposição do Grémio Artístico. Desta-

F
cou-se também como pintor ceramista, tra- oi um dos mais representativos pintores figu- tino, em Arroios, e de Silva Porto (1915), em
balhando de forma descontínua, entre 1897 e rativos da azulejaria Arte Nova, caracteri- Benfica, na leitaria A Camponesa (1913), na
1906, na Fábrica Constância. Posteriormente, zando-se as suas composições por apresen- Baixa, no exterior de um talho (1913), em
trabalhou em sua casa, em Lisboa, colaborando tarem cores fortes e expressão sensual. Entre Campo de Ourique, na Casa dos Patudos,
com a Fábrica de Campolide. outros exemplos, está representado em quiosques em Alpiarça.
dos jardins do Cais do Sodré (1916), do Constan-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 370

Azulejos numa
fachada de
Esposende,
Norte de
Portugal.

Animatógrafo do
Rossio, Lisboa.
Azulejos
estrangeiros.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 371
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 372

Casa de José Malhoa, Lisboa

Avenida 5 de Outubro, 6, em Lisboa. Esta


casa foi construída para habitação e atelier
de trabalho ao pintor José Malhoa.

E
sta vivenda foi agraciada com o Prémio
Valmor em 1905. É uma casa constitu-
ída na sua fachada por três corpos bem
distintos, mas que se integram de uma forma
harmoniosa no seu conjunto.
Podemos destacar na zona central um
grande janelão, correspondente à zona que ser-
via de atelier ao pintor.
À esquerda desse janelão podemos ver um
pequeno alpendre sobre a escada que dá acesso
à porta de entrada. O lado direito da fachada
corresponde à zona da sala de jantar. O vitral
na sala de jantar e sala anexa ao atelier do pin-
tor, é de origem francesa. De destacar também
no exterior do edifício, o portão em ferro for-
jado, estilo Arte Nova.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Arte Nova em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 373
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
374 374

Art–Déco em
Portugal
Em Portugal, o estilo Art-Déco manifestou-se com
semelhante força como o fez nas capitais européias
e americanas. Frequentemente confundido com o
«Modernismo» (que nunca teve expressão relevante em
Portugal) este estilo decorativo domina as décadas de
1920, 30 e 40, dando forma a inúmeras obras de
Arquitectura em Portugal. As mais significativas
estão em Lisboa e no Porto.

Os arquitectos Art-Déco preferiram o betão, mas também


sabiam usar o ferro e vidro. Na imagem: torres do Teatro
Éden, em Lisboa. Arquitecto: Cassiano Branco.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 375

«O estilo Art-Déco, designação que só surge dos deste gosto que, como nos outros países,
nos anos 60, ou Estilo 1925, como também é renovou a totalidade dos mais diversos aspe-
conhecido (em apropriação da designação tos da vida quotidiana – e o próprio Estado
da magna Exposição das Artes Decorativas Novo viu neste Movimento um veículo eficaz
e Industriais Modernas realizada em Paris de propaganda e afirmação de poder.
naquela data), conhece, num contexto actual A efemeridade do 'Futurismo' português
de crise, um renovado interesse mundial. e, com ela, a debilidade da vanguarda entre
Congregando, eclética e decorativamente, nós, a longa duração e isolamento do Estado
as heranças das vanguardas artísticas dos Novo, ditatorial e conservador, a longa vida
começos do século (do Fauvismo, Cubismo, Anos 30, dos horizontes franceses ao resto de muitos dos artistas-protagonistas daquele
Futurismo, Expressionismo e, até, do Abs- da Europa, Estados Unidos, América do Sul, modernismo feliz, fez do Estilo Art-Déco
tracionismo) aliadas a sugestões vindas dos África, China, Austrália e Japão. uma fonte de oposição ao apreciado natura-
Movimentos Decorativos Modernos (como A promessa estética de felicidade nele con- lismo oitocentista e, como tal, o garante gene-
a Secessão Vienense, os grafismos francês e tida, antídoto contra o trauma da I. Guerra ralizado da sobrevivência do próprio Moder-
germânico de 1900 ou os Ballets Russes), o Mundial, foi também paliativo contra a crise nismo, perdurando em Portugal até cerca de
Art-Déco foi o primeiro estilo global e univer- económica dos Anos 30, e o movimento per- 1960 ... ».
sal que o Mundo conheceu, aspirando a cons- durou até à II. Guerra Mundial.
tituir-se como Arte Total (inspiração de vida), Em Portugal, o Art-Déco projectou-se, Rui Afonso Santos, Comissário da Exposi-
tal como na proposta pioneira de Wagner no igualmente, com excelente pujança. Com ção O Modernismo Feliz: Art Déco Em Por-
século XIX, alargando-se a todas as expres- efeito, uma parte muito substancial dos tugal. Pintura; Desenho; Escultura, 1912-
sões artísticas e a todos os aspectos da vida artistas portugueses do 1º e 2º Modernis- 1960, realizada no Museu do Chiado, em
quotidiana e expandindo-se, ao longo dos mos foram praticantes altamente empenha- Lisboa.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 376

O estilo que veio de França

E
O estilo Art-Déco foi o sucessor da Arte ciosos floreados do Art Nouveau para preferir mbora a Art-Déco criasse uma estética
Nova. Mais geo­métrico, apareceu ainda formas geo­métricas, mas sempre com «style» e decorativa bem compatível com as tecno-
durante a Primeira Guerra Mundial, «glamour». logias da produção em série, uma parte
para depois representar nas Artes Plásticas Art-Déco é pois a expressão artística que deste movimento ficou orientado para a
e Deco­ra­tivas o glamour dos «Roaring surge e se desenvolve no primeiro quartel do produção de peças únicas, elaboradas manu-
Twenties». século xx, e que obtem, em certos países, grande almente, usando materiais exóticos e criando
Art-Déco, diminutivo de «art décoratif», sucesso no período entre as duas guerras, tempo peças caríssimas, únicas para clientes com um
foi um termo cunhado a partir da Exposition de grande controvérsia, transformações sociais, gosto muito exclusivo. É a Art-Déco na vertente
des Arts Décoratifs et Industriels Modernes, tecnológicas, económicas e políticas. Em muitos de luxo cosmopolita.
rea­lizada em Paris em 1925. Foi um casos, como por exemplo em Portugal, substitui A outra vertente não usa a linguagem figura-
movimento estético internacional, que o Modernismo – e assim se opera a substituição tiva dependente do trabalho manual dos objec-
penetrou todos os grandes centros duma causa (o Modernismo) por uma estética (a tos de luxo tradicionais, prefere a simplifica-
urbanos: Berlim, Nova Iorque, Paris, Art-Déco). ção e materiais industriais, com a baquelite, ou
Madrid, Lisboa, Porto. Para muitos visitantes da Exposição reali- o vidro industrial. Será esta a «Art-Déco para
zada em Paris em 1925, a impressão mais sur- todos» ou a Art-Déco dos pobres.

I
ncutiu o seu cunho decorativo no mobiliário, preendente era a de um mundo material de luxo, O formulário Déco expande-se nos finais
nas Artes Aplicadas e na Arquitectura (vilas, chic e snob, que, embora ainda mantendo mui- de 1920 e na década de 1930 em países euro-
arranha-céus), mas também no cinema, na tos resíduos da tradição, tinha sido produzido peus e também nos Estados Unidos da Amé-
moda, no desenho técnico e industrial (auto- por habílissimos artesãos, usando outros mate- rica, onde é muito apreciado, chegando mesmo
móveis de luxo, por exemplo) ... e na Publici- riais e novas técnicas. Era uma linguagem visual ao Japão e à China. No entanto, cerca de 1927-
dade, na Tipografia e na Sinalética. nova, requintada, com uma iconografia empres- 1928, a Art-Déco em França entrava já em declí-
Oscilando entre a euforia da decadência e a tada a Antiguidade grega, a peças de arte africa- nio. Assistiu-se ao seu descrédito e à sua margi-
catástrofe dos regimes fascistas emergentes, o nas, sempre ecléctica. nalização, que persistem até à década de 1960,
movimento Art-Déco deixou para trás os gra- altura em que os marchands de arte e os museus
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 377

D
a redescobriram – no contexto da reacção ao Jacques-Émile Ruhlmann epois de ter transformado o negócio do
Modernismo. (1879-1933) pai em casa de decoração, J.-E. Ruhlmann

E
m Portugal temos muita arquitectura Art- juntou-se em 1919 a Pierre Laurent, pas-
-Déco. Cassiano Branco é tido como o mais O lendário francês Ruhlmann, decorador sando a firma a designar-se por Les Éta-
importante dos arquitectos deste estilo, e designer de mobiliário, foi uma das blissements Ruhlmann et Laurent.
portugueses; são obra sua o Éden-Teatro estrelas do estilo Art-Déco, na sua variante Decorador de formação, aproximou-se da
(Lisboa, Restauradores) e o antigo Hotel Vitó- de luxo. Foi também um dos responsáveis Arquitectura, privilegiou o desenho preparató-
ria (hoje sede do PCP, na Avenida da Liberdade). pela «transferência» desta moda para rio e abordou os ornamentos integrando-os em
Também o interior do Café Nicola no Rossio e Portugal, já que teve intervenção directa harmonias gráficas que permitiam uma ideia de
o Cinema Condes nos Restauradores são exem- na Vila de Serralves, no Porto. unidade.
plos deste estilo. Temos também os prédios de Em 1925, na famosa Exposition des Arts
Jorge Segurado (pág. 405) e a obra de Pardal Décoratifs et Industriels, apresenta o pavilhão
Monteiro, de Cotinelli Telmo (pág. 423) e de Hotel d'un Collectionneur, do arquitecto Pierre
Keil do Amaral. Patout. Realizada com a colaboração de 40

O
arquitecto José Cotinelli Telmo (1897- industriais e cerca de 50 artistas (entre os quais
1948) projectou a Estação Fluvial Sul Edgar Brandt, que apresentou o portão da Casa
Este (1928-1929), uma obra que afirma o de Serralves), esta obra tornou-o o mais famoso
valor da estrutura com um amplo espaço decorador francês da época.
amplamente iluminado por todas as faces e com Um ano depois, e no seguimento dum con-
um vão de 17 metros. Telmo é um dos principais vite da Câmara do Comércio de Paris, cria duas
arquitectos do Estado Novo. salas para a sede da instituição, no Hotel Poto-
No Porto, temos a Vila Serralves e o Teatro cki. Alguns historiadores atribuem-lhe também
Rivoli. Temos as construções de Manuel Mar- a autoria da sala de jantar.

R
ques: Farmácia Vitália, Perfumaria Tinoco, uhlmann recebe encomendas de Henri
Armazéns Cunhas. Rothschild, de banqueiros e de impor-
tantes nomes da indústria automóvel e as
suas exposições são encaradas como ver-
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 378

dadeiros acontecimentos. Trabalha para clien-


tes tão diversos como Lord Rothermere, direc-
tor do Daily Mail, um jovem marajá indiano e o
rei de Sião e realiza vários projectos para a Com-
pagnie Génerale Transatlantique.
Pelo seu atelier passam arquitectos como
Baudrier, Le Même, Jean Tschumi e o seu sobri-
nho Alfred Porteneuve que viria a montar o
seu próprio atelier. Para além das suas próprias
peças, Porteneuce editou réplicas de Ruhlmann
com a designação modèle Ruhlmann édité par
Porteneuve, como foi o caso de algum mobiliário
da Casa de Serralves.

A
obra decorativa, arquitectónica e fun-
cional de Emile Ruhlmann foi objecto de
uma primeira exposição retrospectiva
em 1934, um ano depois da sua morte, no
Musée des Arts Décoratifs, em Paris.

P
ara o interior da Casa de Serralves, com-
posto por alguma da mobília da Villa Vel-
leda, contribuíram os mais importan-
tes nomes europeus da área do desenho
do mobiliário. Émile Jacques Ruhlmann pro-
jectou a sala de jantar o hall, o salão, o vestíbulo
e sala de bilhar, René Lalique foi o responsável
pela clarabóia do tecto do hall do primeiro andar
Poltrona de E. Ruhlmann
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 379

enquanto Edgar Brandt criou o portão de ferro


forjado que separa a zona comum da privada.

P
articiparam também Ivan da Silva
Bruhns, Leleu, Jean Perzel e Raymond
Subes, para além de Alfred Porteneuve
que escolheria a cor da casa: rosa velho.
Destacam-se também pormenores como as
casas de banho forradas a mármore, o soalho em
madeiras exóticas e o hall de duplo pé direito.
Grande parte desta mobília só chegou à casa 4
anos após a sua construção e hoje encontra-se
dispersa, depois de vendida em leilões.

F
oram decisivos, para o traçado geral da
moradia, os desenhos e alçados do arqui-
tecto francês Charles Siclis, conservados
no arquivo da Fundação Serralves, nos
quais se reconhece a casa efectivamente cons-
truída. Acresce a intervenção dos arquitectos e
decoradores da casa Ruhlmann, a quem foi con-
fiado o projecto de interiores e que por essa via
terão introduzido adaptações exteriores.

Edgar Brandt - Portas de Elevador, c.1925. Ferro forjado,


vidro, bronze dourado e patinado, 240 x 85 cm (cada).
Repare a semelhança destas peças como as mostradas
alguma páginas adiante, da Vila Serralves.
© Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Carlos Azevedo.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 380

Porta decorativa «Les Danseurs». Edgar


Brandt. Ferro forjado. Vila Serralves,
Porto, Portugal
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
381 381

Arquitectura e Interiores

Café Imperial, Estilo


Art-Déco. Porto.
Avenida dos Aliados.
Hoje: McDonalds.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 382

Café Imperial, Porto

E
m 1936 abriu o Café Imperial – originalmente um
salão de café sumptuoso, hoje transformado num
estabelecimento de fast food da cadeia McDonald’s.
Decorado com baixos-relevos Art-Déco, interio-
res de tubo de metal e vidro, todo o espaço revela um con-
ceito coerente. Possuía uma porta giratória, e dominando a
entrada, figura uma «Águia Imperial», em bronze, da auto-
ria de Henrique Moreira.

N
o interior, existiam, à entrada, inicialmente, dois
balcões. À esquerda, um para a venda de café. À
direita, para a venda de jornais e tabaco. O recinto do
café era formado por um salão amplo, que ainda se
mantém, com um balcão majestoso ao fundo que ocupava
quase toda a largura do recinto.

N
o piso inferior, existia uma enorme sala de bilhar,
posteriormente adaptada a restaurante. No 1º piso
Vitrais de Riccardo Leone.
um salão discreto, uma boîte chic, de onde se via o agora patinados a ouro, em vez de prateado. Ao fundo, por
1935.
Café, e um Bar com pequeno terraço. O tecto do Bar cima do balcão e a todo o comprimento da parede, um belo
era de vidro fosco e cristal. vitral da autoria de Ricardo Leone.
No salão do Café, as paredes estavam decoradas com Nesse vitral Art-Déco está representado o ciclo da explo-
espelhos de cristal e por cima destes um friso de baixos rele- ração do café, no contexto colonial – colheita do grão, trans-
vos em gesso, representando motivos de dança, da autoria porte por navio, descarga e finalmente o café servido à mesa
de Henrique Moreira, que ainda hoje se mantem, embora de um casal chic.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 383

R
iccardo Leone e a sua oficina efectuaram um
conjunto notável de vitrais no Porto: Ouri-
vesaria Marques 1926, na escadaria do Hotel
Infante de Sagres de Rogério de Azevedo, em
Lisboa na fachada da Papelaria Fernandes 1929, no
Hotel Vitória, de Cassiano Branco de 1936.
«As Colónias», segundo um desenho de Jorge
Barradas, no Café Portugal (de Cristino da Silva)
em 1938. Os vitrais de Almada Negreiros (pág.
295) para a Igreja de Nossa Senhora de Fátima
(de Pardal Monteiro) em 1938. Termas do Luso (de
Pardal Monteiro) em 1931. Restauro dos vitrais do
Mosteiro da Batalha.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 384

Café Imperial,
Estilo Art-Déco.
Porto. Avenida dos
Aliados. Hoje:
McDonalds.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
385 385

Vila Serralves, Porto


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
386 386

Vila Serralves, Porto. Charles Siclis, José Marques da Silva,


Emile Jacques Ruhlmann - 1925-1944
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
387 387

Porta decorativa
«Les Danseurs».
Edgar Brandt. Ferro
forjado. Vila
Serralves, Porto,
Portugal
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
388 388

Porta decorativa «Les


Danseurs». Edgar Brandt.
Ferro forjado. Vila Serralves,
Porto, Portugal
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 389

Charles Siclis e a Vila Serralves tas por Marques da Silva, espaços existentes (o
lago) e novas unidades formais do jardim. Ruhl-
No Porto, a vila particular Casa de Serralves zonas de lazer e agrícolas, e edifícios anexos, mann morreu em 1933 e o seu sobrinho Alfred
(hoje sede da Fundação Serralves) é um foi atribuída a José Marques da Silva. Mas tudo Porteneuve ocupou o seu lugar no projecto.
exemplar notável das construções de luxo indica para que a realização tenha muito mais a Marques da Silva, que esboçou as caracterís-
datadas entre as exposições de Paris de assinatura do arquitecto francês Charles Siclis,ticas base do projecto e foi detalhando aspectos
1925 e 1937. Serralves sintetiza uma do que a de Marques da Silva, já que este edífi-decisivos da construção ao longo dos anos, deu
ambição de liderança que acompanhou o cio é o único em estilo Art-Déco em toda a obra uma coerência particular de síntese, expressa na
debate das vanguardas elitistas. arquitectónica do portuense. solidez e qualidade do conjunto.
Carlos Alberto Cabral, fascinado pela cultura Da obra de síntese surgiria um exemplar de

F
oi mandada construir pelo Conde de francesa, tinha uma casa em Biarritz e frequen- arquitectura Art-Déco de grande qualidade.
Vizela, Carlos Alberto Cabral, um empre- tava regularmente Paris e as suas lojas de deco-Após um primeiro projecto, datado de 1925 e
sário têxtil da zona, rico e cosmopolita. Foi ração. Essa conexão parisiense fez com que o apresentado na Exposição Internacional de
edificada entre os anos de 1925 e 1944. trabalho de Marques da Silva tenha, em grande Artes Decorativas e Industriais de Paris, no
Quer em termos arquitectónicos, quer pai- parte, sido apenas um trabalho de conciliação e mesmo ano, o risco definitivo da Casa de Serral-
sagísticos, a propriedade constitui um todo coordenação das várias contribuições francesas. ves surgiria em 1931, seguindo-se-lhe o projecto
notável e esteticamente coerente, um «show Em primeiro lugar apareceu Jacques Émile dos jardins, da autoria de Jacques Gréber, tra-
piece» do estilo Art-Déco único em Portugal e na Ruhlmann, decorador que propôs a reconfigu- zendo já um largo currículo internacional.
Europa. ração de toda a cenografia dos espaços de repre-

É
Os projectos da casa e dos jardins progredi- sentação da casa. Com o crescimento do pro- um edifício de dois pisos e cave, cuja
ram ao sabor de hesitações e alterações suces- jecto apareceu Charles Siclis, que, em contribui- planta se articula com o corpo da capela,
sivas introduzidas pelo arquitecto portuense ções esporádicas, caracterizou o invólucro exte- definindo uma zona de pátio aberto. Na
Marques da Silva, até que as obras ficaram con- rior da casa. O terceiro arquitecto francês a con- fachada principal destaca-se o avançado
cluídas em 1940. tribuir para o conjunto foi Jacques Gréber que, envidraçado que enquadra a entrada.
A encomenda do conjunto – uma casa de luxo em 1932, consolidou o desenho do jardim, inte- Na decoração dos interiores, efemeramente
com capela, um enorme parque, court de ténis, grando uma série de linhas directrizes propos- habitados por Carlos Alberto Cabral e Blanche
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 390

Daubin na década de 40, foram utilizadas obras -Déco fantasioso, e às Villas e Hotéis de luxo, na
de artistas franceses: Edgar Brandt, Jacques- costa basca e na Côte d´Azur, que realizou para
-Émile Ruhlmann, Jules Leleu, Charles Siclis clientes de peso, como a família Rothschild.
(que havia sido já chamado para traçar a casa

É
principal), René Lalique, e outros. de salientar o apoio que recebeu do barão

Q
uanto ao parque, este representa um dos Philippe de Rothschild, em particular na
poucos (e mais relevantes) exemplos de construção de teatros, como o Théâtre
paisagismo francês do século xx. Consti- Saint-Georges (1928), com as suas for-
tuído por 18 hectares de terreno em socal- mas geométricas realçadas, ou o Théâtre Pigalle
cos, inclui um jardim com relvados, árvores (1929), considerado uma das suas obras-primas.
frondosas, canteiros e tanques de água. Destaque-se também os trabalhos em torno dos
cafés Chiquito (1927) e Colisée (1932, imagem ao
Charles Siclis (1889 – 1944) lado), ambos em Paris.

A C
rquitecto e decorador francês, nascido em harles Siclis foi um arquitecto que traba-
Paris e particularmente reconhecido nas lhou em simultâneo com duas aborda-
décadas de 1920 e 1930. Estudou Arqui- gens: ao mesmo tempo que explorava for-
tectura no atelier de Jean-Louis Pascal mas e técnicas modernas, ou radicais para
na École des Beaux-Arts de Paris, onde se viria a época, não deixava de trabalhar a partir de
a formar-se em 1920. Cinco anos depois, partici- um repertório originário dos estilos regionais
pou na famosa Exposition des Arts Décoratifs et franceses.
Industriels Modernes, realizando o pavilhão e o
jardim da Place de Clichy, e um teatro.

C
harles Siclis teve atelier em Biarritz, Nice para onde imigrou devido à Segunda Guerra
e na capital francesa; construiu uma car- Mundial.
reira internacional, realizando obras O seu nome ficou contudo mais associado
em vários países europeus e na América, às tipologias de cinemas, casinos e, principal-
mente teatros, nas qual aplicou um estilo Art
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 391

A
José Marques da Silva actividade docente iniciou-se em 1900,
(Professor de Desenho e Modelação
Antes de eclodir o Art-Déco em Portugal, no Instituto Industrial e Comercial do
praticou-se um estilo historizante, Porto). Em 1906 foi professor de Arqui-
ecléctico, pomposo, vazio. Marques da Sila tectura na Academia Portuense de Belas-Artes,
foi um dos seus principais protagonistas... vindo a ocupar posteriormente o lugar de direc-
tor da então já designada Escola de Belas-Artes

I
niciou a sua formação como arquitecto na do Porto (1913-1914; 1918-1939). Será ainda
Academia Portuense de Belas-Artes. Em 1889 director e professor da Escola de Arte Aplicada
Fachada dos Armazéns Nascimento, no Porto,
ingressou na École Nationale et Spéciale des Soares dos Reis (1914-1930).
projectada por Marques da Silva em 1914.
Beaux-Arts em Paris, onde permaneceu até Marques da Silva faleceu em 1947, no Porto.
obter o grau de Arquitecto em 1896. Em Paris Nas suas múltiplas frentes de actuação, este aca-
desenvolveu trabalhos académicos, desenhos de démico das Academias de Belas-Artes de Lisboa
arquitectura, num atelier livre externo à escola, Com projectos portuenses como a Estação de e Porto, membro do Conselho Superior da Socie-
sob orientação de Victor Laloux. Este atelier era São Bento (1896), o Teatro Nacional de São João dade de Belas-Artes, sócio n.º 1 da Sociedade
frequentado por estudantes de arquitectura, (1910), o Edifício das Quatro Estações (1905), dos Arquitectos do Norte, deixou um legado
onde se destacam Charles Lemaresquier, futuro os Liceus Alexandre Herculano (1914) e Rodri- arquitectónico num estilo historizante, pesado
sucessor de Victor Laloux, Paul Norman, Char- gues de Freitas (1919), os Armazéns Nascimento e esteticamente ultrapassado, carregando nega-
les Butler, o primeiro diplomado americano do (1914) ou o patético Monumento aos Heróis da tivamente a paisagem da cidade.
atelier, em 1897, ou o conterrâneo Miguel Ven- Guerra Peninsular (1909), moldou uma parte da A Fundação, sedeada na Casa-Atelier do
tura Terra. cidade do Porto. arquitecto e no contíguo palacete da família
Marques da Silva regressou a Portugal em A sua ecléctica actuação também se estendeu Lopes Martins, e ocupando ainda um pavilhão
1896 para iniciar uma actividade profissional a Guimarães, onde projectou vários edifícios: a existente no seu extenso jardim, acolhe o acervo
que lhe granjeou reconhecimento. Em 1908 foi pomposa (e feíssima) sede da Sociedade Mar- literário, artístico, arquitectónico e urbanístico
agraciado com a Ordem de S. Tiago de Mérito tins Sarmento, o Mercado Municipal e também dos arquitectos Maria José Marques da Silva
Científico, Literário e Artístico. o horrível Santuário da Penha. Martins e David Moreira da Silva.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 392

Manuel Marques
(1890 – 1956)
Este arquitecto projectou três ícones da
Arquitectura Art-Déco portuense. Fez uma
obra dirigida para a média burguesia
urbana.

N
asceu em 1890 em Vila Nova de Gaia. Com
doze anos de idade matriculou-se na Aca-
demia de Belas Artes do Porto. Na escola
fez amizade com Marques da Silva (pág. Farmácia Vitália (1932), situada na baixa
391). Entre o final dos seus estudos, em 1913, tos (Quartel de Bombeiros em 1921, Albergue portuense, no Palácio das Cardosas, na
Praça da Liberdade, é uma incrustação de
e o ano de 1918, terá repartido o seu tempo entre de Montanha de 1922, Hospital de 1924, Casa de
ferro e vidro, no estilo Art-Déco,
a oficina da família e o atelier do colega Marques Estudantes de Portugal na cidade universitá-
desenhada em 1932 pelos arquitectos
da Silva. ria (1925) e obteve o diploma de Arquitecto do Amoroso Lopes e Manuel Marques.
Após a I Guerra Mundial deu continuidade à Governo francês, em 1930. Um monumento arquitectónico de

D
sua formação em Paris, tendo como companhei- e regresso a Portugal fixou-se no Porto. renome, a Farmácia Vitália foi inaugurada
ros Heitor Cramês, Joaquim Lopes e Manuel Montou um atelier na Rua Miguel Bom- a 23 de Março de 1933 pela Sociedade
Amoroso Lopes, entre outros. barda, e passou a desenvolver a activi- Comercial Farmacêutica.
Frequentou os ateliers de Godefroy e de Pon- dade de projectista em regime liberal.
tesmoli (1921-1924), concluiu diversos projec- Realizou mais de 150 obras, individualmente ou
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 393

em colaboração com outros colegas como Júlio


de Brito, João Peneda e Marques da Silva, Amo-
roso Lopes e Coelho de Freitas. Estas abrange-
ram casas individuais e colectivas, equipamen-
tos, parques públicos, estabelecimentos comer-
ciais, projectos de urbanização e mobiliário, e
encontram-se em Porto, Matosinhos, Vila Nova
de Gaia, Aveiro, Barcelos, Braga, Penafiel, Fama-
licão, Fafe, Vieira do Minho, Viseu e Tabuaço.

E
ntre as suas obras mais conhecidas, no
Porto, contam-se a Barbearia Tinoco,
na Rua Sá da Bandeira (1929), a Farmá-
cia Vitália, na Praça da Liberdade, (1932),
em co-autoria com Amoroso Lopes, a Casa de
Armando Peres, de 1933, e os Armazéns Cunhas
(1933-1936), na Praça Gomes Teixeira, em cola-
boração com Amoroso Lopes e Coelho Freitas.
Em 1927 foi nomeado professor na Escola de
Belas Artes do Porto, e em 1947, por sugestão de
Joaquim Lopes recebeu temporariamente ser-
viço na área de Escultura, após a morte do pro- Armazéns Cunhas (1933-1936), na Praça Gomes Teixeira 14/22,
Porto. Projecto de Manuel Marques, em colaboração com
fessor titular.
Amoroso Lopes e Coelho Freitas. Esta obra resulta da união
Foi também vogal da Comissão de Estética (!)
de 3 edifícios oitocentistas que receberam uma frente única
da Câmara Municipal do Porto. Morreu a 11 de de estética Art-Déco.
Outubro de 1956.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 394

Porfírio Pardal
Monteiro (1897–1957)
Tem uma vastíssima obra em Lisboa um
dos mais importantes criadores da
Arquitectura portuguesa. Marcou o estilo
Art-Déco português com o Cais do Sodré,
o Instituto Superior Técnico e a Igreja de
Fátima. Foi funcionário superior no
aparelho administrativo salazarista.

P
orfírio Pardal Monteiro nasceu em 1897,
em Sintra. Estudou Arquitectura na
Escola de Belas Artes de Lisboa, onde se
formou em 1919. Na Caixa Geral de Depó-
sitos assumiu o cargo de arquitecto-chefe. Em
1920 tornou-se professor assistente no Insti-
tuto Superior Técnico, passando a professor
catedrático em 1942.
A colaboração com o arquitecto Ventura
A estação do Cais do Sodré foi traçada por Pardal Monteiro em 1925, num projecto
Terra define o período inicial da sua obra. A
encomendado pela Sociedade Estoril, à data detentora da exploração da linha férrea
influência da Art-Déco já está bem patente de Lisboa — Cascais, na época em que esta foi electrificada. Construído entre 1925 e
numa das obras deste período, a Estação do 1928, o edifício foi o resultado da modernização desta linha. Almada Negreiros criou
Cais do Sodré (1925–1928). A estação já quase para a estação azulejos geometrizados ao gosto Art-Déco. Foto: ph.
que atinge expressão monumental pelas suas
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 395

A estação do Cais do Sodré foi


traçada por Pardal Monteiro
em 1925, num projecto
encomendado pela Sociedade
Estoril. Foto: ph.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 396

dimensões, embora denuncie ainda uma certa «timidez» Projecto de 1938, de


Pardal Monteiro:
em assumir o betão como elemento estético material –
O edifício da Avenida da
mas que lhe permitiu construir vastos espaços cober-
Liberdade em Lisboa
tos e iluminados através de grandes aberturas. Almada para os escritórios-sede
Negreiros (pág. 295) criou para a estação um mosaico do jornal Diário de
geometrizado de gosto Art-Déco. Notícias relaciona-se
O projecto para o Instituto Superior Técnico repre- com o contexto
sentou uma charneira na sua obra, ligando-o definitiva- «capital» da cidade de
mente ao engenheiro Duarte Pacheco, na altura director Lisboa e com a função
nobre de ser a sede de
do Instituto e futuro ministro das Obras Públicas. Ini-
um jornal de referência
ciou assim uma série de obras públicas, manifestando
nacional. Incorpora
interesse pela monumentalidade, revelados nos projec- componentes Art-Déco.
tos para a Igreja Senhora de Fátima (em Lisboa) e para as
Estações Marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde
de Óbidos, nos quais recebeu a colaboração do pintor
Almada-Negreiros (pág. 295).
O conjunto destes grandes equipamentos marcou
decididamente a imagem moderna de Lisboa pela escala
e pelo impacto urbano. Nos anos 50 nota-se a actualiza-
ção do vocabulário formal, referenciado ao movimento
internacional, numa gramática orientada para a formu-
lação funcional, como é exemplo o Hotel Ritz, em Lisboa.
Pardal Monteiro foi funcionário superior no apare-
lho administrativo e articulador da ideologia salaza-
rista; teve importantes cargos públicos como o Conse-
lho Superior de Obras Públicas, o Conselho Superior de
Belas-Artes, a Junta Nacional da Educação e a Academia
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 397

Nacional de Belas-Artes. Foi ainda presidente INE - Instituto


Nacional de
da Sociedade Nacional dos Arquitectos.
Estatística.
Recebeu vários prémios, entre os quais 5 pré-
Projecto de
mios Valmor, uma menção honrosa Valmor e
Pardal
um Prémio Municipal. Morreu em 1957. Monteiro.
O campus do Instituto Superior Técnico, de
1927–35, uma obra gigantesca e monumental,
já está nitidamente em conformidade com o
regime da ditadura e com a subscrição de Duarte
Pacheco; uma obra livre de decorativismo (que
surge apenas na entrada principal mas de forma
discreta e organizada em painéis) onde se
assume claramente um jogo de volumes povo-
ado de largos janelões.
No seu espólio desta fase figura ainda o edi-
fício do Instituto Nacional de Estatística enqua-
drado nos limites do IST, com uma planta em V
e fachadas racionais e de largos janelões e onde
apenas figura alguma decoração Art-Déco na ção de motivos formais primitivos”, contudo a expressivo dessa bi-dimensionaliade funda-
fachada principal como atesta um painel vitral primeira de cariz “modernista” faz uma aplica- mental”, enquanto que arquitectura «Art Deco
de motivos geometrizantes e de cores vivas. ção dessa linguagem como elemento de “inspi- bastarda», valoriza “os muros, a densidade e os
O autor António Viera de Almeida faz uma ração para a afirmação de uma modernidade”, a jogos de claro-escuro”, definindo-se “também
distinção entre uma «Art Déco erudita», que segunda de carácter “mítico” encontra justifica- enquanto paradigma uma arquitectura que se
associa à obra de Pardal Monteiro e uma «Art ção nos motivos subjectivos e simbólicos. For- associa facilmente a uma concepção de espaço
Deco bastarda», desenvolvida por exemplo por malmente, a arquitectura «Art Deco erudita» relativo, definindo-se como de instauração de
Silva Júnior e Cottinello Telmo. Ambas usam “valoriza sempre o écran”, a superfície orienta- valores espaciais, através de uma exploração de
uma “estilização geométrica” com “inspira- dora, e necessariamente tende a tirar partido massa, e da matéria própria de cada material.”
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 398

A linguagem visual do
período Art-Déco em
Arquitectura,
automóveis e móveis...

Salão de exposição da
empresa Ford Lusitana.
Arquitecto: Pardal
Monteiro (1930-1932).
Fotografia do Estúdio
Mário Novais. Este
edifício-sede da Ford
Lusitana, inaugurado
em 1932, situava-se na
Rua Castilho, em Lisboa.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 399

Restauradores, Lisboa. Hoje, do Éden-Teatro já só resta a fachada.


Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 400

Cassiano Branco
(1897–1969)
Um dos mais inventivos, visionários e
autónomos dos arquitectos desta geração.
Cassiano Branco foi o arquitecto da
«geração de ouro» que fez uma carreira
pautada pela constante luta pelos favores
do Estado fascista.

F
oi autor de obras de referência como o
Éden-Teatro, o Coliseu do Porto, o Grande
Hotel do Luso, o (ridículo) Portugal dos
Pequenitos em Coimbra, o Cinema Impé- Café Cristal, Lisboa
rio e inúmeros edifícios nas "avenidas novas" de conferir uma «dignidade burguesa» aos prédios de
Lisboa. Mas como foi posto de parte em várias rendimento.
encomendas públicas, também fez um outro O Hotel Victória (1933) é uma inventiva obra que
percurso: o dos prédios de rendimento. contrapões ritmadamente a horizontalidade das

A
sua acção pauta-se em edifícios de facha- aberturas e volumes rectos com os volumes circulares
das ritmadas, de articulações volumétri- das varandas. No primeiro andar há uma intenção de
cas e jogos de verticalidade/horizonta- lhe conferir um aspecto mais nobre, com revestimen-
lidade num aproveitamento das poten- tos em mármore e aplicações metálicas que se repe-
cialidades do betão armado. É visível a influên- tem nas varandas.
cia do arquitecto parisiense Robert Mallet-Ste- O Éden-Teatro (1930–37) mostra uma fachada
vens, cuja obra pôde conhecer, mas foi capaz de monumental Art-Déco. O interior tinha largos vãos
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 401

em betão e complexas escadarias. O projecto foi alte-


rado posteriormente.
A partir de 1937, para além da actividade desenvol-
vida em Lisboa, iniciou trabalhos na região de Coim-
bra e em1939 fxou-se temporariamente no Porto,
para desenvolver o projecto do Coliseu do Porto, obra
que abandonou em 1940.
Cassiano fez inúmeros projectos que não saíram
do papel: uns por falta de coragem dos responsáveis
(como um projecto que fez para a praia da Costa da
Caparica) outros por serem autênticas utopias.

Obra Data Arquitecto

Barbearia Tinoco, Rua Sá da 1929 Manuel Marques


Bandeira, Porto
Campus do Instituto Supe- 1927–1935 Porfírio Pardal Monteiro
rior Técnico, Lisboa
Estação Ferroviária do Cais 1923–1930 Porfírio Pardal Monteiro
do Sodré, Lisboa
Eden-Teatro, Restauradores, 1930–1937 Cassiano Branco
Lisboa
Hotel Victória, Lisboa 1933 Cassiano Branco
Garagem Passos Manuel, 1930–1938 Mário Abreu
Porto

Coliseu do Porto, Rua Passos Manuel.


Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 402

Coliseu do Porto, Rua


Passos Manuel.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 403

Uma utopia arquitectónica à Le Corbusier. Projecto para a urbanização da Costa


da Caparica, 1930. Um passeio ao longo da marginal; um canal artificial para
embarcações de recreio; uma alameda onde passam velozes automóveis; amplos
espaços de estacionamento; um estádio desportivo, um casino, dois hotéis;
O Hotel Victória (Lisboa, 1933) contrapõe a horizontalidade das pessoas que vao para a praia atravessando pontes pedonais sobre o canal. Esta
aberturas e volumes rectos com os volumes circulares das visão de Cassiano Branco lembra inequivocamente os planos de Le Corbusier para
varandas. No primeiro andar houve a intenção de lhe conferir Paris. Com a proposta para este local - que só muitos anos mais tarde viria a ser
um aspecto mais nobre, com revestimentos em mármore e alvo da especulação imobiliária - e a organização urbana só a pensar no
aplicações metálicas que se repetem nas varandas. automóvel Cassiano Branco demonstrou uma visão utópica, no seu pior sentido.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 404

O tradicional, disfarçado de moderno: Instituto da Vinha e do Vinho, Grande Hotel do Luso, Luso, Portugal. Cassiano Branco. O projecto do
Lisboa. Cassiano Branco. Aqui o Instituto da Vinha e do Vinho tem um então chamado de Grande Hotel das Termas de Luso é da autoria de
centro de documentação especializado nas temáticas da vinha e do Cassiano Viriato Branco (1897- 1970), oscilando entre a linguagem
vinho, nas vertentes técnica, histórica, económica, geográfica e moderna e o estilo tradicional (do qual é um bom exemplo o Portugal
etnográfica. Preferencialmente frequentada por estudantes, técnicos dos Pequenitos (Coimbra).
especializados, e também por um público em geral interessado por A construção do hotel, a concretização do projecto do auditório,
esta temática, a Mediateca do IVV convida a uma visita. salas de conferência, piscina interior e túnel de acesso às Termas
de Luso, a reclassificação do hotel para 4 estrelas e, no presente,
a execução do projecto de remodelação recentemente concluído.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 405

Jorge Segurado

V
ai ser «Monumento de interesse público»
a Casa da Moeda, conforme proposto pela
Direção-Geral do Património Cultural à
Secretaria de Estado da Cultura. O con-
junto urbano e arquitetónico da Casa da Moeda,
inaugurado em 1941, é uma das obras mais
emblemáticas do período Art-Déco portugues.
Foi concebido por Jorge de Almeida Segurado,
considerado um dos arquitectos fundamentais
do «Estado Novo» em Portugal, juntamente com
Cassiano Branco, Carlos Ramos, Pardal Mon-
teiro e Cristino da Silva (o chamado «grupo dos
cinco»).
Segurado assumiu o papel estruturante,
orientador e principal na concepção geral da
Casa da Moeda, presumindo-se que o arquitecto Galeria UP, Rua Serpa Pinto, Lisboa; Arq. Jorge Segurado, 1933. A Galeria UP foi a primeira galeria
António Varela, que colaborou com Segurado comercial de arte organizada em Lisboa. Constituida em Dezembro de 1932, teve como sócios
no projecto, tenha tido um papel importante na iniciais António Pedro e Castro Fernandes e, mais tarde, Thomaz de Mello (Tom). Foi inaugurada
concepção das elevações, das qualificadas volu- em Março de 1933; esteve activa até 1936. Comerciava pintura, escultura e ocupava-se de artes
gráficas. Publicou a revista UP (2 números, o 1º em 25-12-1933, com capa de Almada Negreiros).
metrias e das soluções de gaveto e de articulação
Em 1933 estabeleceu contratos com artistas que aí deviam realizar exposições individuais e manter
urbana. A obra da Casa da Moeda é considerada
obras em consignação. Entre esses nomes contam-se: Jorge Barradas, Abel Manta, Carlos Botelho,
a mais qualificada e importante da sua época no Mário Eloy, Bernardo Marques, Ofélia Marques, etc. Em Junho de 1935 Maria Helena Vieira da Silva
nosso país. e Arpad Szenes expuseram nessa Galeria.
Procurar texto: CTRL+F Design em Portugal / Art–Déco em Portugal / Temas / Índice Remissivo página 406

Liceu Filipa de Lencastre. Arq. Jorge Segurado, 1933


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
407 407

Garagem Passos Manuel. Rua Passos


Manuel - Porto. Arquitecto: Mário
Abreu, 1930-1938, no estilo Art-Déco.
Observe os típicos elementos
decorativos verticais que emprestam
monumentalidade ao edifício.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
408 408

Garagem Passos Manuel Fachada e


Lettering. Rua Passos Manuel - Porto.
Arquitecto:
Mário Abreu, 1930-1938, no estilo Art-
Déco. Observe os típicos elementos
decorativos verticais que emprestam
monumentalidade ao edifício.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
409 409

Garagem Passos Manuel. Fachada e


Lettering a luz neón. Rua Passos
Manuel - Porto. Arquitecto: Mário
Abreu, 1930-1938, no estilo Art-Déco.
Observe os típicos elementos
decorativos verticais que emprestam
monumentalidade ao edifício.
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
410 410

Rivoli, Porto. Arquitecto Júlio Brito


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
411 411
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
412 412

Matosinhos. Fábrica de Conservas «Rainha do Sado»


Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
413 413
Search:
Procurar
CTRL+F
texto: CTRL+F DesignDesign
em Portugal
em Portugal
/ Art–Déco
/ Art–Déco
em Portugal
em Portugal
/ Temas
/ Temas
/ Índice
/ Índice
remissivo
Remissivo
/ página
página
414 414

Santarém, Teatro Rosa Damasceno


A construção original deste teatro -
actualmente desaparecida - realizou-se
entre 1870 e 1876 segundo traço do
arquitecto José Luís Monteiro. Neste
edifício, é de destacar a procura de