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ESTRUTURAS DA

ADMINISTRAÇÃO DAS
FINANÇAS PÚBLICAS
EM PORTUGAL

Elisabeta Simion (21503631) | Joana Graça (21500992) | Marina Muzyka (2301999)


Finanças Públicas | Direito | 16 de Março de 2017
______________________________As Estruturas da Administração das Finanças Públicas em Portugal

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______________________________As Estruturas da Administração das Finanças Públicas em Portugal

ÍNDICE
Pág.

1. Introdução..................................................................................................... 4

2. O Setor Público

2.1. O Setor Público…………….................................................................... 7

2.2. O Setor Público Administrativo……………………………………… 9

2.2.1. Administração Central Direta…....................................................... 13

A) O Ministério Público……............…………………………..... 14

B) Fundos e Serviços Autónomos………….………………….… 19

2.2.2. A Segurança Social.......................................................................... 20

2.2.3. Administração Local e Regional...................................................... 21

A) Administração Local……………………………………..…… 23

B) Administração Regional……………………………………… 25

3. Tribunais Financeiros…………………………........................................... 26

3.1. Tribunal de Contas…………..…………………………………….. 28

3.2. Tribunais Administrativos e Fiscais………........................................ 30

3.3. Tribunal Constitucional....................................................................... 30

4. Conclusão…………………………………………………………………. 32

5. Referências Bibliográficas........................................................................... 34

6. Anexos: 36
5.1. Anexo 1: Slides – Apresentação Power Point.......................................

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1. INTRODUÇÃO

Este trabalho foi solicitado no âmbito da cadeira de Finanças Públicas, pelo


docente Professor Miguel Furtado. Tem como tema principal as Estruturas da
Administração das Finanças Públicas em Portugal.

É objetivo principal deste trabalho responder à seguinte questão: Quais são


estruturas da Administração das Finanças Públicas em Portugal? Posto isto, é de extrema
importância esclarecer todos os conceitos que se relacionem com a temática em questão,
analisando minuciosamente cada estrutura mencionada, de forma a que qualquer duvida
fique clarificada de um modo simples, claro e explicito.

Relativamente à estrutura geral do trabalho, este está dividido segundo uma lógica
genérica, onde apresentaremos as noções gerais de Finanças Públicas, Administração e
Setor Público, convergindo para uma análise especifica apenas do Setor Público
Administrativo (não interessando para o presente trabalho, o Setor Público Empresarial)
das estruturas que constituem o mesmo, passando para a caracterização dos Tribunais
Financeiros em Portugal, conclusão e referencias bibliográficas. Os métodos de estudo
deste trabalho baseiam-se principalmente numa pesquisa bibliográfica intensa, no
entanto, tivemos não só referencias bibliográficas, como também apoio de pesquisa na
web.

Dando inicio ao enquadramento teórico do presente trabalho, salienta-se a


relevância de conceitos como Finanças Públicas e Administração dado que, sem uma
introdução clara acerca destas duas realidades, será impossível qualquer entendimento no
desenvolvimento do trabalho. Começaremos, então, pelo conceito de Finanças Públicas.

Sabe-se que as necessidades humanas podem assumir diferentes formas, quer


quanto à sua natureza, quer quanto ao modo da sua satisfação. Assim, quanto à sua
natureza, ao lado de necessidades individuais, que o homem sentiria mesmo que não
vivesse em sociedade com outros homens (alimentação, por exemplo), há necessidades
coletivas que resultam da organização e das exigências e imposições das coletividades ou
círculos sociais em que o homem está inserido (segurança, justiça, etc.).

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Por seu turno, as necessidades coletivas podem apresentar-se, quanto ao modo da


sua satisfação, de dois modos: como necessidades que são satisfeitas pela ação do próprio
individuo que as sente (necessidades individuais) ou como necessidades cuja satisfação é
assegurada pela atuação de outrem ou pela simples existência de certos bens
(necessidades públicas). As primeiras designam-se por necessidades de satisfação ativa,
onde quem exerce a atividade tendente a satisfazer as necessidades humanas é o próprio
individuo; as segundas denominam-se necessidades de satisfação passiva, sendo que
quem exerce tais atividades é um ente publico (o Estado, uma região autónoma, uma
autarquia local ou qualquer outra pessoa de direito público, por exemplo).

É de fácil compreensão também que a satisfação destas necessidades implica, não


só a realização de despesas, como também a obtenção de receitas: a esta atividade, que se
desenvolve em dois sentidos distintos, mas complementares – realização de despesas,
obtenção de receitas – unificados pelo fim comum visado – satisfação de necessidades
publicas – dá-se o nome de atividade financeira (utilização de determinados meios
económicos por parte de entidades públicas para a satisfação de necessidades coletivas,
através de bens ou da prestação de serviços).

Os meios a que as pessoas coletivas de direito publico recorrem para cobrir as


despesas inerentes à satisfação das necessidades publicas, são, por exemplo: receitas
patrimoniais (v.g. rendas de prédios rústicos ou urbanos); taxas (o Estado presta
determinados serviços públicos, cuja a utilização individual pressupõe o pagamento,
pelos utentes, de uma importância prévia e unilateralmente fixada pela entidade publica);
impostos (receita coativa, não correspondendo a nenhuma prestação individual de
serviços àqueles que o suportam); empréstimos.

Em suma: podemos então dizer que as Finanças Públicas correspondem ao estudo


da aquisição e utilização dos instrumentos ou meios financeiros destinados à satisfação
de necessidades coletivas, enquanto incumbência essencial do Estado. Com vista a
satisfazer as necessidades dos indivíduos, o Estado realiza despesas com a produção de
bens e a prestação de serviços. Já as receitas resultam sobretudo de operações de troca e
da cobrança de taxas e impostos aos contribuintes.

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Importante é também mencionar o conceito de Administração e Administração


Pública. Compreende-se, pois, que “administrar”, neste contexto, significa gerir recursos
escassos (dinheiro, bens ou serviços), tomando determinadas decisões racionais com vista
à satisfação de um conjunto de necessidades. Por sua vez, o conceito “Administração
Pública” é usado para descrever o conjunto de agentes, serviços e órgãos instituídos pelo
Estado com o objetivo de fazer a gestão de certas áreas de uma sociedade, como
Educação, Saúde, Cultura, etc., tendo-se por vista, então, toda uma gama de interesses
coletivos referentes a uma generalidade de pessoas.

Por outro lado, quando falamos de “organização administrativa” ou de “estrutura


administrativa”, falamos das pessoas coletivas públicas que constituem a Administração
Publica, as quais dispõe de órgãos que as representam e através de cujos titulares
exprimem a sua vontade. Essas pessoas coletivas públicas podem ser classificadas por:
pessoas coletivas públicas primárias (Estado, Regiões Autónomas e Autarquias Locais);
ou pessoas coletivas derivadas (Institutos Públicos, Empresas Públicas, Associações
Públicas, etc.). O Estado, pelo prisma administrativo, é uma pessoa coletiva que, sob a
direção do Governo, desempenha a atividade administrativa, possuindo atribuições
administrativas mais amplas do que os entes públicos menores. Se seguirmos uma ordem
decrescente de dependência em relação ao Estado, por intermedio do Governo, têm-se:
Estado, os Institutos Públicos, a Entidades empresariais, as Associações Públicas, as
Autarquias Locais e as Regiões Autónomas.

Ora, quando falamos da atividade administrativa, referimo-nos ao Sector Público


Administrativo, central, desconcentrado ou descentralizado. Estamos perante a “atuação
económica própria do Estado e de outras entidades públicas não lucrativas, que
desempenham uma atividade pública segundo critérios não empresariais”. Trata-se de
prosseguir o interesse público através de uma atividade que obedece a critérios ligados à
satisfação de necessidades da comunidade.

A desconcentração administrativa refere-se a uma repartição de poderes do Órgão


de topo para Órgãos subalternos na estrutura vertical da hierarquia de cada entidade
administrativa. A descentralização corresponde a uma autonomia institucional, financeira
ou patrimonial, e pode assumir várias formas – a descentralização política,
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correspondente a formas de administração autónoma de base territorial; e a


descentralização administrativa, correspondente à existência de pessoas coletivas de
direito público com funções administrativas dispondo de relativa autonomia, ainda que
possam estar sujeitas a formas de tutela administrativa e financeira.

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2. O SETOR PÚBLICO

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2. O SETOR PÚBLICO

Entende-se por sector público todas as entidades controladas pelo poder político: por
outras palavras, podemos definir o setor publico como o conjunto das atividades
económicas de qualquer natureza exercidas pelas entidades publicas (Estado, associações
e instituições publicas, quer assente na representatividade e na descentralização
democrática, quer resultantes da funcionalidade tecnocrática e da desconcentração por
eficiência). Posto isto, têm-se que esta definição genérica de setor público abrange não só
a totalidade das administrações públicas, como a totalidade do sector empresarial de
capitais total ou maioritariamente públicos. Assim, para além dos subsectores das
administrações públicas (central, regional, local e segurança social) inclui-se, entre
outras, o sector público empresarial, que integra as empresas públicas, as empresas
municipais, as sociedades anónimas de capitais exclusiva ou maioritariamente públicos.
É possível verificar, através da análise do Esquema 1 – Estrutura do Setor Público, as
diferentes parcelas supramencionadas, relativamente à estrutura do Setor Público,
notando-se, assim a dualidade de conceitos: Setor Público Administrativo (SPA) e Setor
Público Empresarial (SPE).

De um modo geral, o primeiro relaciona-se com a atividade económica própria do


Estado e outras entidades públicas não lucrativas que desempenham uma atividade
pública segundos critérios não empresariais; por sua vez, o Setor Público Empresarial
relaciona-se com as atividades dominadas exclusivamente por critérios económicos:
produção de bens e serviços com o fim de gerar excedentes (lucro) dos proveitos sobre
os custos. No essencial aquilo que distingue as entidades do sector público administrativo
das do sector empresarial é a lógica de funcionamento. Enquanto as segundas têm
essencialmente uma lógica de mercado, as primeiras já não.

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Esquema 1 – O Setor Público

Fonte: Original

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2.1. O SETOR PÚBLICO ADMINISTRATIVO


A administração financeira tem a ver com a atividade financeira do Estado lato
sensus (ou SPA – Setor Público Administrativo), ou seja, insere-se na atividade
económica realizada por um Serviço ou Instituto público que tem como finalidade afetar
bens no sentido de satisfazer as necessidades coletivas. Neste sentido, é possível dizer
que os órgãos pertencentes ao Setor Público Administrativo que exercem uma atividade
baseada na afetação de bens com o intuído de satisfazer as necessidades de um ciclo social
estão englobados no conceito de atividade financeira, sendo esta ultima necessária, pelo
seu apoio à atividade económica.

A definição de Setor Público Administrativo consiste na atividade económica


própria do estado e outras entidades publicas não lucrativas que desempenham uma
atividade publica segundo critérios não empresariais, como já referido. Este sector, cuja
atuação se desenvolve em critérios não empresariais, ou seja, sem ter por objetivo o lucro,
integra as atividades tradicionais do Estado, tais como a sua gestão administrativa
(ministérios e demais departamentos públicos), o exercício da segurança e defesa, a
administração da justiça pelos tribunais, o lançamento de infraestruturas e todo conjunto
de serviços suscetíveis de satisfazerem as necessidades essenciais da comunidade, como,
por exemplo, a assistência medico-hospitalar e o ensino gratuito.

Mais uma vez, é possível reter, pela observação do Esquema 1, as diversas


estruturas subjacentes ao SPA, a nível nacional, regional e local, mais precisamente, as
seguintes entidades: a Administração Central, Local e Regional, e ainda pela Segurança
Social e pelos Fundos Autónomos. Podemos caracterizá-las de um modo geral e mais
especifico, sendo naturalmente percetível que vamos seguir uma logica geral para
particular, assim sendo, de um modo genérico:

 A Administração Central inclui diversos gabinetes ministeriais e as entidades que


se encontram sob a sua tutela.
 Por sua vez, a Administração Local engloba os órgãos cuja atividade tem por
objetivo prossegui os interesses coletivos próprios da população de uma parte do

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território nacional (ex: municípios e freguesias), respeitando a Administração


Regional aos órgãos das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.
 Relativamente à Segurança Social, saliente-se que a mesma tem sido dotada de
autonomia crescente, dispondo de um regime e fundos próprios, encontrando-se,
porém, integrada na Lei do Orçamento de Estado.
 Têm-se ainda os Fundos Autónomos, relativamente aos quais o mais importante
é o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança social: são serviços cuja a
atividade consiste exclusiva e predominantemente na gestão de meios financeiros
(ex. unidades militares; Fundo de Abastecimento, que serviu para intervir nos
preços de certos bens).

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2.2.1. ADMINISTRAÇÃO CENTRAL DIRETA


A Administração Central do Estado constitui o núcleo principal do Setor Público.
O conjunto constituído pelos serviços integrados, subordinados ao Orçamento Geral do
Estado e abrangidos pela Conta Geral do Estado, são de bem diversas naturezas,
abrangendo os próprios departamentos ministeriais e as suas unidades orgânicas
(Direções-Gerais1 e outras unidades orgânicas da Administração), como outras entidades,
que podem chegar a ter personalidade jurídica, ainda que totalmente subordinadas, na
previsão, na execução e no controlo, ao Orçamento Geral do Estado.

Quando o termo “Estado” é utilizado em documentos como o Orçamento do


Estado ou a Conta Geral do Estado, significa na realidade toda a administração central e
a segurança social. As razões pelas quais os orçamentos e contas destes e apenas estes
subsectores estão integrados num único documento prendem-se com as considerações de
natureza política acima referidas. São entidades cujas funções se repercutem em todos os
cidadãos do território nacional onde quer que residam. Isto tanto é válido para funções de
soberania, como para esquemas de proteção social.

Por este motivo o Orçamento do “Estado”, aprovado em Assembleia da República


(AR), engloba os subsectores da administração central (Estado e Fundos e Serviços
Autónomos da A.C.) e a segurança social (S.S.), o que significa que é a Assembleia da
República o órgão competente para aprovar os recursos e as aplicações de todos estes
subsectores do SPA.

É na Administração Central que se inclui a figura do Ministério das Finanças


(A) e onde se inclui a noção de Fundos e Serviços Autónomos (B), que serão
caracterizados mais especificamente.

1 Direções-Gerais: são órgãos dependentes dos Ministérios que têm, fundamentalmente, um papel executivo das
decisões de âmbito político-administrativo dos respetivos Ministros, cabendo às mesmas executar, através dos serviços
que as integram, todos os atos administrativos determinados pelo Ministro ou pelos Secretários e Subsecretários de
Estado, no âmbito das funções que lhes tenham sido entregues pelos respetivos Ministros.
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2.2.1. ADMINISTRAÇÃO CENTRAL DIRETA – MINISTÉRIO DAS


FINANÇAS (A)
Após a revolução republicana, a 8 de outubro de 1810, o Ministério dos Negócios
da Fazenda (criado em 1788) passou a chamar-se Ministério das Finanças. Ainda,
atualmente, é a este ministério e às repartições a ele subordinadas que cabe a gestão das
finanças públicas no nosso país. Assim, a orientação e a superintendência na
Administração financeira do Estado pertencem hoje, em Portugal, ao Ministério das
Finanças, o qual é auxiliado, no exercício das suas funções, pelos Secretários de Estado
das Finanças, do Tesouro, do Orçamento e dos Assuntos Fiscais. Por outras palavras, o
Ministério das Finanças é o departamento incumbido de centralizar a gestão e apolítica
do Estado, nos domínios das finanças publicas, monetário e creditício.

Podemos destacar as seguintes funções, entre muitas outras: A conceção e


controlo da execução da politica financeira do Estado, designadamente nos domínios das
finanças publicas, monetário, cambial e creditício, para realização dos objetivos grais das
politicas económico-sociais concernentes à estabilização conjuntural e à transformação
estrutural; conceção, execução e controlo das politicas relativas aos instrumentos das
finanças publicas, nos domínios patrimonial, orçamental, do tesouro e do credito, vem
como das politicas gerais de despesas e receitas, com destaca para a politica fiscal
(impostos); gestão direta dos instrumentos financeiros do património, orçamento, tesouro
e credito publico, incluindo a administração das generalidade das receitas do Estado e dos
aspetos financeiros das despesas publicas, etc.

Por sua vez, a estrutura administrativa do Ministério, na parte diretamente


respeitante às finanças públicas, compreende diversos serviços, sendo que destacamos
apenas os mais importantes, através do Esquema 2 – Principais Serviços Centrais do
Ministério das Finanças.

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Esquema 2 – Principais Serviços Centrais do Ministério das Finanças

Fonte: Original

i. SECRETARIA-GERAL: A Secretaria-Geral está incumbida de variados


serviços de coordenação geral ou de apoio que têm como clientes diversos outros
departamentos comuns ao Ministério. A Secretaria-Geral do Ministério das
Finanças (SGMF) é um serviço integrado na administração direta do Estado,
dotado de autonomia administrativa, que tem por missão, por exemplo: apoiar os
gabinetes dos membros do governo, o auditor jurídico e os órgãos de apoio a nível
técnico e administrativo; assegurar a coordenação e gestão de recursos comuns
aos diversos serviços do Ministério das Finanças; processar, financiar e pagar as
despesas resultantes de reconstituição de bens, acidentes em serviço,
indemnizações, tratamento e outras despesas;
ii. AUTORIDADE TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA: A Autoridade Tributária e
Aduaneira (AT) é um organismo do Ministério das Finanças de Portugal, com
início das suas atividades no dia 1 de Janeiro de 2012, e resulta da fusão da DGCI

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- Direção Geral dos Impostos -, a DGITA - Direção Geral de Direção-geral de


Informática e Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros e a DGAIEC - Direção
Geral das Alfândegas e Impostos Especiais sobre o Consumo. A Autoridade
Tributária e Aduaneira tem por missão administrar os impostos, direitos
aduaneiros e demais tributos que lhe sejam atribuídos, bem como exercer o
controlo da fronteira externa da União Europeia e do território aduaneiro nacional,
para fins fiscais, económicos e de proteção da sociedade, de acordo com as
políticas definidas pelo Governo e o Direito da União Europeia. A AT prossegue
múltiplas atribuições, dais quais destacamos: assegurar a liquidação e cobrança
dos impostos sobre o rendimento, sobre o património e sobre o consumo, dos
direitos aduaneiros e demais tributos que lhe incumbe administrar, bem como
arrecadar e cobrar outras receitas do Estado ou pessoas coletivas de direito
público; exercer a ação de inspeção tributária, garantir a aplicação das normas a
que se encontram sujeitas as mercadorias introduzidas no território da União
Europeia e efetuar os controlos relativos à entrada, saída e circulação das
mercadorias no território nacional, prevenindo e combatendo a fraude e evasão
fiscais e aduaneiras e os tráficos ilícitos; promover a correta aplicação da
legislação e das decisões administrativas relacionadas com as suas atribuições e
propor as medidas de carácter normativo, técnico e organizacional que se revelem
adequadas; etc.
iii. SECRETARIA DO ORÇAMENTO: é uma instituição cuja origem remonta há
mais de 150 anos, desempenha uma função essencial no âmbito das Finanças
Públicas, cabendo-lhe superintender na elaboração, gestão e execução do
Orçamento do Estado, na contabilidade pública, no controlo da legalidade,
regularidade e economia da administração financeira do Estado e na elaboração
das contas públicas. A ideia de Orçamento do Estado pretende-se com uma
previsão da receita e despesa de um determinado sujeito durante um período
económico dado. O Orçamento do Estado pode assim ser definido como a
autorização politica para cobrar receitas e efetuar despesas durante um certo
período, em regra anual, a qual condiciona toda a atividade da Administração
durante o ano financeiro.
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iv. SECRETARIA DO TESOURO E FINANÇAS: compete a perceção das


receitas e o pagamento das despesas públicas, a prática de operações de tesouraria
internas e externas, o exercício de operações cambias do Estado, designadamente
superintendendo, gerindo e escriturando os movimentos de fundos públicos no
país ou no estrangeiro, a pratica de operações executivas do crédito público e a
administração da divida flutuante, etc. Para o exercício das funções que têm
natureza especificamente monetária ou creditícia, a DGT pode socorrer-se de
diversas instituições de crédito ligadas ao Estado, e designadamente ao Banco de
Portugal, que conserva a natureza de caixa geral do Tesouro, função que deve
exercer gratuitamente como ónus não empresarial do privilégio de emissão. A
Direção-Geral do Tesouro tem serviços centrais e serviços regionais ou locais. Os
primeiros são repartições ou divisões, como é típico da Administração Pública em
Portugal. Os segundos são as tesourarias da Fazenda Pública que, ao nível do
concelho ou do bairro administrativo ou fiscal, são pagadorias e recebedorias do
Estado.
v. GABINETE DE PLANEAMENTO, AVALIAÇÃO E RELAÇÕES
INTERNACIONAIS: este órgão visa a investigação permanente e sistemática
dos problemas do sector, de coordenação e de planeamento a médio e longo prazo
nos domínios das finanças públicas e da atividade económica geral.
vi. SECRETARIA DOS ASSUNTOS FISCAIS: quando falamos em secretaria dos
assuntos fiscais estamo-nos a referir a um órgão e a um serviço de coordenação e
controlo. Este órgão é fundamental para a Administração Financeira pelo
exercício do controlo genérico da execução, nos planos da legalidade, da
moralidade e da eficácia, a par do apoio técnico ao Ministro. A sua área de atuação
destina- se à inspeção dos serviços Tributários, inspeção e fiscalização financeira
das empresas privadas e à Auditoria. Contudo, também assegura outros serviços
de administração direta. Importa também não esquecer que este serviço é
responsável pela fiscalização superior de todos os serviços de finanças e cofres
públicos.

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vii. REPARTIÇÕES: Repartição pública é o termo genérico para designar um


qualquer departamento ou escritório da administração pública, neste caso, do
Ministério das Finanças.

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2.2.1. ADMINISTRAÇÃO CENTRAL DIRETA – FUNDOS E


SERVIÇOS AUTÓNOMOS (B)
Designam-se fundos e serviços autónomos quando se trata de serviços cuja
atividade consiste exclusiva ou predominantemente na gestão de meios financiais
(monetários ou creditícios).

Os Fundos e Serviços Autónomos (FSA), fazem parte integrante da administração


central. Sendo detentores de autonomia administrativa e financeira, consideram-se como
tendo um grau de autonomia considerável. Para que possamos entender melhor a frase
anterior, achámos que é importante clarificar o que é que se entende por ter autonomia
administrativa e financeira. Muito resumidamente tal pressupõe ter personalidade
jurídica, o que significa que grande parte destes organismos pode ter, e tem, património
próprio assim como a capacidade de o gerir, alienar ou adquirir. Outro especto relevante
refere-se à existência de tesouraria própria e à capacidade de transição de saldos de um
ano orçamental para outro, coisa que é possível e dominante neste tipo de organismos.
Relevante é também a capacidade de, em alguns casos, recorrerem ao crédito, mesmo que
não seja para resolver problemas imediatos de tesouraria. Este mais elevado grau de
autonomia, prende-se com o facto de alguns FSA terem um grau considerável de receitas
próprias advindas de taxas relativas à prestação de serviços (ex. propinas universitárias)
ou gerirem projetos de investimento cofinanciados pelo Orçamento das Comunidades
Europeias (incluídos no plano de investimentos da administração central - PIDDAC). É
neste sentido que os FSA estão associados ao que se designa por descentralização
administrativa, que vai muito para além de uma simples desconcentração de poderes e
competências.

As entidades que podem ser FSA têm que ter as seguintes características:

 Ter 2/3 de receitas próprias;


 Gerir fundos comunitários;
 Ser uma entidade reguladora;
 Ser do S.N.S.;
 Ser uma Universidade ou um Politécnico.

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2.2.2. SEGURANÇA SOCIAL

A Segurança Social assumiu autonomia e peso crescentes, constituindo um


subsector em que as entidades integrantes dispõe de um regime próprio e diferenciado.
Ele é para-orçamental.

O subsector da Segurança Social engloba as unidades institucionais que tem como


função primordial o fornecimento de prestações sociais (pensões de reforma e invalidez,
subsídios de desemprego, rendimento mínimo, entre outras) e que tem como recursos
essencialmente as contribuições sociais obrigatórias. Embora não se incluindo na
administração central por razões que se prendem com uma maior transparência do
sistema, o sistema de Segurança Social está estreitamente associada é administração
central, em particular, ao Estado, pois concretiza, numa perspetiva nacional as politicas
públicas redistributivas associadas com prestações sociais. Embora este subsector esteja
desconcentrado e descentralizado, esta forma de organização não tem a ver com politicas
sociais diferenciadas regionalmente, mas sobretudo com uma melhoria da eficácia
administrativa deste sector.

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2.2.3. ADMINISTRAÇÃO LOCAL E REGIONAL

Vamos passar agora a explicar o que acontece a nível de Administração Local e


Regional. Para além da administração central e segurança social há dois níveis de decisão
política independente, territorialmente mais limitados, designados por Administração
Regional e Administração Local (ARL). No início do trabalho a minha colega Marina
falou acerca de um conceito fundamental para a compreensão da estrutura do SPA: que
foi a descentralização. Então, entende-se por descentralização a transferência de poderes
ou competências do Estado para pessoas coletivas de direito público diferentes, ou seja,
entre distintas entidades públicas cada uma com a sua personalidade jurídica.

Falou-se em descentralização administrativa – quando se trata de descentralização


para entes públicos dotados de autonomia administrativa financeira - FSA; falou-se
também no conceito de descentralização política. Ora, é aqui que este conceito vai fazer
sentido, porque falamos agora na presença de descentralização para unidades territoriais
sucessivamente mais pequenas e autónomas do ponto de vista político e orçamental.
Neste caso, a Administração Regional e Local;

As finanças das Autarquias Locais, em conjunto com as finanças das Regiões


Autónomas integram então o que poderemos chamar de finanças descentralizadas, uma
vez que não se trata de finanças do Estado nem de outras entidades públicas da
Administração Central e não são finanças sujeitas ao Orçamento de Estado. O princípio
da descentralização encontra-se previsto no art. 235º CRP, mas a (descentralização das
Autarquias Locais é, todavia, meramente administrativa (ao contrário do que acontece
com as Regiões Autónomas em que é político administrativa).

Os diferentes tipos de descentralização vão potenciar a existência de diferentes


tipos de autonomia, que, neste caso, se refere à medida da liberdade dos poderes
financeiros das entidades públicas; ou a capacidade financeira de uma pessoa ou órgão
público. A autonomia política significa que se trata efetivamente de dois níveis de
governo, com os respetivos executivos e assembleias representativas. Assim os órgãos
das administrações regionais incluem os governos regionais e as respetivas assembleias
regionais, assim como os órgãos das administrações locais incluem ao nível concelhio os
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executivos (câmaras municipais) e as respetivas assembleias municipais, e ao nível das


freguesias as Juntas de Freguesia.

A autonomia política destes níveis de “administração” significa que estes


subsectores detêm independência orçamental, ou seja, que estes orçamentos são
elaborados, aprovados executados e fiscalizados (internamente) de forma autónoma por
órgãos próprios. Associada à autonomia política e à independência orçamental estão
poderes, que são bastante mais extensos no caso das administrações regionais (com
estatutos político-administrativos próprios) do que no caso dos municípios. As regiões
têm poderes tributários próprios, isto é, possibilidade de criar impostos, poder execução
dos recursos disponibilizados pela União Europeia, levou à criação de inúmeros institutos
públicos (“instituto público é uma pessoa coletiva pública de tipo institucional, criada
para assegurar o desempenho de determinadas funções administrativas de carácter não
empresarial, pertencentes ao Estado ou a outra pessoa coletiva pública”).

Relativamente ao poder da Administração central, podemos dizer que tem


meramente um poder de fiscalização da legalidade (por exemplo, através da Inspeção
Geral das Finanças, Inspeção Geral da Administração do Território ou do Tribunal de
Contas), ou seja, de que as leis estão efetivamente a ser aplicadas e não um poder de
determinar, por exemplo, a composição das receitas ou despesas locais. Da mesma forma
a fiscalização externa, exercida pelo Tribunal de Contas, assenta na análise da
conformidade legal dos atos administrativos dos dirigentes regionais e locais.

2.2.3. ADMINISTRAÇÃO LOCAL E REGIONAL – LOCAL (A)


No sentido amplo, que é usado na generalidade das contabilidades nacionais, a
Administração Local cobre todos os órgãos e áreas da Administração, cujo poder de
decisão e atividade são relativamente diferenciados da Administração Central e se
referem aos interesses próprios da população de uma parte e não da totalidade, do
território nacional.

A atividade financeira local é fundamentalmente exercida por órgãos autónomos,


responsabilizados pela prossecução dos interesses de uma parcela da população
territorialmente definida.
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As instituições administrativas dotadas de órgãos representativos que têm por


objeto a realização dos interesses locais, constituem as autarquias locais. A organização
democrática de um estado implica que haja a existência de autarquias locais que, são uma
forma de o Estado se administrar descentralizadamente ART 337º, CRP, por seu turno,
as autarquias locais são pessoas coletivas qua se administram autonomamente, têm
património e finanças próprios e são dotadas de órgãos que as representam e que zelam
pelos interesses próprios das respetivas populações.

 No continente, as autarquias locais são as freguesias, os municípios e as regiões


administrativas.
 Nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, são autarquias as freguesias e
os municípios.
 Nas grandes áreas metropolitanas, a lei poderá estabelecer, de acordo com as suas
condições específicas, outras formas de organização territorial.

Constituem atribuições da administração local tudo que diz respeito aos respetivos
interesses, que têm por base um património e finanças próprios. Conforme o que visa o
artigo 238 nr 2 da CRP “o regime das finanças locais será estabelecido por lei e visará a
justa repartição dos recursos públicos pelo Estado e pelas autarquias e a necessária
correção de desigualdades entre autarquias do mesmo grau”.

Importa ainda salientar que “As receitas próprias das autarquias locais incubem
obrigatoriamente as provenientes da gestão do seu património e as cobradas pela
utilização dos seus serviços” - art 238º, nrº3, CRP.

2.2.3. ADMINISTRAÇÃO LOCAL E REGIONAL – REGIONAL


(B)

Atualmente, a nossa Lei Fundamental consagra expressamente que Portugal é um


Estado unitário regional (art. 6, CRP), e que a as Regiões Autónomas dos Açores e da
Madeira são dotadas de estatutos político-administrativos e de órgãos de governo próprio.

Administração regional corresponde igualmente a uma Administração autónoma


de base territorial, relativamente às Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

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Também aqui há a prossecução de fins públicos que se referem aos interesses próprios de
uma população e de um território. A atividade financeira regional é exercida por órgãos
autónomos como já foi dito, com responsabilidade numa respetiva delimitação territorial.

Também nas finanças regionais estamos perante o que se designa por


independência financeira, que se traduz, para além do que já foi dito, não só na existência
de receitas próprias (que no caso das regiões autónomas inclui a totalidade das receitas
tributárias geradas aí), mas também na consagração de um regime de aprovação por
órgãos próprios dos instrumentos financeiros.

Em termos financeiros, os Açores e a Madeira: têm autonomia financeira máxima,


poderes alheios à tutela estadual, no domínio do planeamento, património, receitas,
tesouraria, orçamento e crédito; têm o direito constitucional de participar na definição das
politicas fiscal, financeira (art. 225º, nº1, al. r), CRP); exercem poder tribuário próprio
(art. 227º, nº1, al. h) i) p) r), CRP). Ou seja, é neste âmbito que deverá ser entendida a
autonomia financeira concebida pela CRP que confere, pois, significativos poderes
económicos às Regiões Autónomas, com relevo para o de elaborar e aprovar os seus
próprios planos regionais independentes dos planos nacionais, ainda que com eles
articulados. Como vimos, e, se nos cingirmos ao tratamento que a CRP dispensa às
Regiões, vemos que está consagrada a autonomia orçamental, ou seja, a faculdade de as
regiões disporem dos seus próprios orçamentos, aprovados pelos seus órgãos de governo
próprio (CRP no art. 227°, alínea j)).

No entanto, a autonomia financeira das Regiões encontra algumas limitações,


como já havíamos referido. Entre elas está a circunstância das Regiões não disporem de
receitas suficientes para assegurar a cobertura das despesas, o que leva a terem de elaborar
os sue orçamentos com uma certa ligação com o OE em função das transferências que
este lhes irá proporcionar.

No entanto esta autonomia tem limites, mas não põem em causa a sua subsistência.
Tal como preceitua o art, 225° da CRP, a autonomia regional configura um regime
político-administrativo próprio e uma autonomia político-administrativa, que se
consubstancia em poderes legislativos e executivos próprios, embora de serem apenas

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exercidos no território regional. De. igual forma, os limites existentes em matéria


tributária, representam uma significativa limitação o que implica que a disponibilidade
das regiões na determinação das suas receitas não é completa. Além disso, poder-se-á
apontar o facto de ser o Tribunal de Contas (TC), a apreciar a legalidade das despesas e a
dar parecer sobre as contas regionais, o que pode ser visto como um limite significativo
à autonomia financeira

Relativamente às fontes de financiamento das Regiões Autónomas, podem-se destacar as


seguintes:

a) Receitas Fiscais próprias: art 227º, n," 1, alínea j), diz nos que as Regiões
Autónomas dispõem das receitas fiscais nelas cobradas ou geradas, bem como de
uma participação nas receitas tributárias do Estado;
b) Receitas resultantes do poder tributário próprio: no que diz respeito às receitas
fiscais resultantes do poder tributário regional, veio expressamente estabelecer-se,
que esta constitui, em matéria fiscal, a lei quadro a que se referem a Constituição
da República (art. 227°, n," 1, al. i), CRP) e os estatutos político-administrativos
das Regiões Autónomas;
c) Receitas resultantes das transferências orçamentais: no que diz respeito às
transferências do Estado podemos verificar, que estas surgem como manifestação
do princípio da solidariedade nacional (art. 4°, n," 1, LFRA), ao mesmo tempo que
constituem uma obrigação constitucional e estatutária (art. 227°, nº1, al, j), CRP).

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3. OS TRIBUNAIS
FINANCEIROS

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3. TRIBUNAIS FINANCEIROS

Segundo a CRP (art. 202º ss.), os Tribunais são os órgãos de soberania com
competência para administrar a justiça em nome do povo. Deles emanam decisões
vinculativas para todas as entidades públicas e privadas, prevalecendo sobre as de
quaisquer outras autoridades. Incumbe aos Tribunais assegurar a defesa dos direitos e
interesses legalmente protegidos dos cidadãos, reprimir a violação da legalidade
democrática e dirimir os conflitos de interesses públicos e privados. Os tribunais
administram a justiça e são o único órgão de soberania não eleito. Os tribunais dos
regimes democráticos caracterizam-se por serem independentes e autónomos. Os juízes
são independentes e inamovíveis (que não podem ser afastados do seu posto), e as suas
decisões sobrepõem-se às de qualquer outra autoridade.

A organização do Tribunais portugueses tem por base as seguintes categorias de tribunais


(Esquema 3 – A Organização dos Tribunais Portugueses):

Esquema 3 – A Organização dos Tribunais Portugueses

Fonte: https://joelpereira.pt/direito/2011-03-17organizacaojudiciaria.pdf

No que toca à temática principal, destacam-se apenas três tribunais: o Tribunal de


Contas; Os Tribunais Administrativos e Fiscais e o Tribunal Constitucional.

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3.1. O TRIBUNAL DE CONTAS

O mais importante destes tribunais para as Finanças Públicas é o Tribunal de


Contas, ao qual compete dar parecer sobre a Conta Geral do Estado, incluindo a da
segurança social e as regiões autónomas, fiscalizar previamente a legalidade das despesas
publicas e julgar as contas dos organismos, serviços e entidades publicas, de um modo
geral. O Tribunal de Contas, sediado em Lisboa, dispõe de três Secções especializadas na
Sede e de duas Secções Regionais de competência genérica: uma na Região Autónomas
dos Açores; outra na Região Autónoma da Madeira.

O Tribunal de Contas é um órgão fundamental da Administração Pública em


Portugal, que existe e funciona junto do Ministério das Finanças, embora não na
dependência do Ministro das Finanças. Quer dizer: para efeitos de arrumação orgânica e
orçamental, o Tribunal de contas é considerado um organismo ligado ao Ministério das
Finanças; não é porem um organismo dependente, é um verdadeiro tribunal. Porém,
também é importante sublinhar que este não está integrado na estrutura do poder judicial,
é um tribunal autónomo, que existe per si, e que não faz parte de nenhuma hierarquia de
tribunais – nem dos tribunais judiciais, nem dos tribunais administrativos. A razão desta
autonomia relaciona-se com motivos de imparcialidade no decorrer das decisões
proferidas pelo Tribunal de Contas.

Segundo o artigo 216º da CRP, o Tribunal de Contas é o “órgão supremo de fiscalização


de legalidade das despesas publicas e de julgamentos das contas que a lei mandar
submeter-lhe”. São 4 as principais funções do TC:

 Dar parecer sobre a Conta Geral do Estado, incluindo a da segurança social e a


das regiões autónomas;

Esta primeira função é uma função consultiva, de natureza técnica e politica. O TC


dá parecer, anualmente, sobre a conta Geral do Estado. Sabe-se que o Estado vive, do
ponto de vista financeiro, limitado por dois documentos fundamentais que se elaboram
todos os anos: um é o Orçamento (feito antes do ano a que se refere, e contém a previsão
que deverá ser a vida financeira do Estado), o outro a Conta Gral do Estado (elaborada
depois de findo o ano a que respeita, e, documenta o que foi a vida financeira do Estado
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nesse ano já decorrido). Quando o Governo prepara e encerra a Conta Geral do Estado
relativa a um determinado ano, tem de enviá-la primeiro para o Tribunal de Contas, em
vez de a mandar imediatamente para a Assembleia da República (AR) para efeitos de
discussão e aprovação. O Tribunal de Contas tem de analisá-la e estudá-la
minuciosamente, do ponto de vista da legalidade administrativa e da regularidade
financeira, terminando por emitir um parecer acerca dela, de modo a habilitar a AR a
pronunciar-se sobre o mérito global da Conta Geral do Estado.

 Fiscalizar a legalidade das despesas publicas;

A segunda função é de fiscalização preventiva: o Tribunal de Contas pronuncia-se


sobre a legalidade administrativa e financeira da generalidade das despesas públicas que
o Estado pretenda fazer, antes de serem efetuadas. Ou seja, quando o Estado quer praticar
qualquer ato que implique uma despesa, tem de preparar antecipadamente os respetivos
documentos e apresentá-los ao Tribunal de Contas, que acaba por examinar esses mesmos
documentos para averiguar se estão ou não de acordo com as regras aplicáveis ao Direito
Administrativo ou Financeiro, ou ambos (v.g. um ato de nomeação de um funcionário
público implica que o TC primeiro examine se, a nível do Direito Administrativo, não foi
cometida nenhuma ilegalidade, ou seja, se a pessoa em questão tem as condições legais
para ocupar um cargo público e se apresentou os documentos necessários; por outro lado,
o Tribunal de Contas examina o Orçamento para verificar se realmente pode-se ou não
realizar as despesas correspondentes, como o salários ou abonos, por exemplo, sendo que,
se concordar, concede um visto).

 Julgar as contas dos organismos públicos e efetivar a responsabilidade por


infrações financeiras;

Esta terceira função recai no espetro jurisdicional, consistindo no julgamento das


contas apresentadas no final do ano por todos os funcionários que tenham tido à sua
guarda dinheiros públicos, ou seja, vai haver um controle da atividade financeira que já
decorreu, nomeadamente despesas, receitas, recibos, por outras palavras, fiscaliza as
infrações financeiras.

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______________________________As Estruturas da Administração das Finanças Públicas em Portugal

 Assegurar, no âmbito nacional, a fiscalização da aplicação dos recursos


financeiros oriundos das Comunidades Europeias.

A quarta função não se encontra ainda devidamente regulamentada, mas


relaciona-se com o asseguramento, no âmbito nacional, da fiscalização da aplicação de
recursos financeiros provenientes das comunidades europeias (art 216 crp).

Em suma: o Tribunal de Contas é o órgão supremo de fiscalização da legalidade


das despesas públicas e de julgamento das contas que a lei mandar submeter‐ lhe. A
Constituição classifica o Tribunal de Contas como um tribunal especializado, de natureza
financeira, profundamente diferente das demais categorias de tribunais em matéria de
competências, porque não tem apenas funções jurisdicionais, mas igualmente funções de
outra natureza, nomeadamente «dar parecer sobre a Conta Geral do Estado».

3.2. TRIBUNAIS ADMINISTRATIVOS E FISCAIS


À jurisdição administrativa e fiscal compete o julgamento de litígios emergentes
das relações jurídicas administrativas e fiscais (relações entre o Estado e os particulares).
STA tem duas secções especializadas – contencioso administrativo e tributário. À
primeira compete conhecer dos processos em matéria administrativa relativos a ações ou
omissões de várias entidades, incluindo do Presidente da República, Presidente da
Assembleia da República, Conselho de Ministros, Primeiro‐ Ministro, Tribunal
Constitucional e seu presidente, Conselho Superior de Defesa Nacional, Procurador‐
Geral da República, Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais e
Conselho Superior do Ministério Público.

3.3. TRIBUNAL CONSTITUCIONAL


Relativamente ao Tribunal Constitucional, pode-se dizer que este é o tribunal ao
qual compete especificamente administrar a justiça em matérias de natureza jurídico-
constitucional. Como tribunal, o Tribunal Constitucional compartilha as características
próprias de todos os tribunais: é um órgão de soberania (artigo 202º da Constituição); é
independente e autónomo, não está dependente nem funciona junto de qualquer órgão; as
suas decisões impõem-se a qualquer outra autoridade. Mas, diferentemente dos demais
tribunais, o Tribunal Constitucional tem a sua composição e competência definidas
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______________________________As Estruturas da Administração das Finanças Públicas em Portugal

diretamente na Constituição; dispõe de autonomia administrativa e financeira e de


orçamento próprio, inscrito separadamente entre os “encargos gerais do Estado”; e define,
ele próprio, as questões relativas à delimitação da sua competência.

As competências do Tribunal Constitucional são múltiplas e variadas,


encontrando-se fixadas na Constituição (art.223º), na Lei do Tribunal Constitucional (Lei
nº28/82, de 15 de Novembro), na Lei dos Partidos Políticos (Lei Orgânica nº 2/2003, de
22 de Agosto) e na Lei do Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas
Eleitorais (Lei nº 19/2003, de 20 de Junho). Entre as diversas competências do Tribunal
Constitucional, destaca-se a da fiscalização da conformidade de normas jurídicas — e,
em particular, das normas das leis e dos decretos-leis — com a Constituição. Num plano
paralelo ao do controlo da constitucionalidade, situa-se a competência do Tribunal
Constitucional para fiscalizar, por um lado, a conformidade das normas jurídicas
provenientes dos órgãos das regiões autónomas com os respetivos estatutos; e, por outro
lado, a conformidade das normas emitidas pelos órgãos de soberania com os direitos
reconhecidos a cada região autónoma pelo correspondente estatuto. No exercício desta
competência de controlo da legalidade, é o Tribunal chamado a garantir o correto
funcionamento do regime autonómico constitucionalmente estabelecido para os Açores e
para a Madeira, e o respeito pela repartição de poderes efetuada, no quadro dessa
autonomia, entre os órgãos centrais do Estado e os órgãos regionais.

Com vista a garantir a estrita legalidade na aplicação das normas financeiras e a


correta gestão dos dinheiros públicos, prevê a Constituição vigente a existência de
tribunais especiais em matérias financeira (art. 211º, nº1, als. b) e c), 214º e 216º).

Em suma: compete ao Tribunal Constitucional especificamente administrar a


justiça em matérias de natureza jurídico‐ constitucional, ou seja, apreciar a
inconstitucionalidade e a ilegalidade das normas legais ou da interpretação que se faça
sobre elas, sob o prisma do disposto na Constituição da República.

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4. CONCLUSÃO
Neste trabalho, abordámos o tema da Estrutura da Administração das Finanças
Públicas em Portugal, mas para que pudéssemos chegar ao tema em si, tivemos que
realizar breves alusões daquilo que significa o conceito de Finanças Públicas, mas
também do conceito de Administração. Feita a introdução essencial ao tema, começámos
a esmiuçar o presente assunto, recorrendo frequentemente a diversas bibliografias, mas
também webgrafias.

Tal como nos foi pedido, fizemos uma grande incisão sobre aquilo que é o Sector
Público, e quais os seus ramos. Resumidamente, o Sector Público representa as atividades
económicas exercidas por qualquer ente público. A sua estrutura económica- financeira
apresenta uma dualidade concorrente entre o Sector Público Administrativo e o Sector
Público Empresarial. O primeiro sector mencionado, visa a atividade económica própria
do estado e doutras entidades públicas que desempenham uma atividade pública não
empresarial, enquanto o segundo visa as atividades dominadas exclusivamente por
critérios económicos.

Por outro lado, o Sector Público Administrativo é constituído pela Admiração


Nacional, Local e Regional. A Nacional, por seu turno subdivide-se em Administração
Central Direta (que integra, por exemplo, o Ministério das Finanças e os Fundos e
Serviços Autónomos) e a Segurança Social. Por outro lado, a Administração Local, é
composta pelos municípios e Freguesias. Por último, a Administração Regional é
composta rela região Autónoma dos Açores e da Madeira.

O último ponto importante do nosso trabalho, e com o qual o concluímos foi a


apresentação dos diversos, mas também os mais importantes Tribunais financeiros
existentes em Portugal, como tal, demos especial destaque ao Tribunal de Contas, as
Tribunal Administrativo e Fiscal e por último, mas não menos importante, ao Tribunal
Constitucional.

Este trabalho revelou-se extremamente importante, na medida em que permitiu ao


grupo conhecer qual a estrutura que se encontra por trás da Administração das Finanças
Públicas em Portugal bem como as suas funções. Além de ter-nos permitido desenvolver
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competências de investigação, seleção, organização e comunicação da informação. Posto


isto, consideramos que cumprimos com todos os objetivos que tínhamos estabelecido
desde o início, bem como com os objetivos que nos foram requeridos pelo nosso docente.

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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bibliografia

 FERREIRA, Eduardo Paz (2004), Ensinar Finanças Públicas numa Faculdade de

Direito, Almedina, Coimbra.

 RIBEIRO, José Joaquim Teixeira, Lições de Finanças Públicas, 5ª edição, Coimbra

Editora, 1997

 PEREIRA, Paulo Trigo (2008), Economia e Finanças Públicas – Da Teoria à Prática,

Almedina, Coimbra.

 CABRAL, Nazaré da Costa e MARTINS, Guilherme Waldemar d´Oliveira (2014).

Finanças Públicas e Direito.

 Financeiro – Noções Fundamentais, A.A.F.D.L., Lisboa, 2014.

 FRANCO, António L. de Sousa Franco, Finanças Públicas e Direito Financeiro,

Almedina, Coimbra (em várias edições).

 MARTINS, Maria d´Oliveira, Lições de Finanças Públicas e Direito Financeiro,

Almedina, Coimbra (em várias edições).

 PEREIRA, Paulo Trigo et al., Ecomomia e Finanças Públicas, Escolar Editora (em

várias edições).

 FREITAS DO AMARAL, Curso de Direito Administrativo, I, 2.ª ed., Almedina:

Coimbra, 1994; II, com a colaboração de PEDRO MACHETE e LINO TORGAL,

Reimp. da 2.ª ed., 2012.

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Webgrafia

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https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Finanças_públicas

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 https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/27499/5/Sistema%20de%20Controlo

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 http://www.fup.pt/files/biblioteca/pdf/14_pdf_sumarios_desenvolvidos_financas_p

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 http://cm-

almodovar.pt/data/menus/servicos/DAF/Legislacao/lei_73_2013(jan_2015).pdf

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6. ANEXOS

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6.1.ANEXO 1 – SLIDES APRESENTAÇÃO POWER POINT

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