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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

Faculdade de Psicologia
Curso de Psicologia, Campi Coração Eucarístico.
Disciplina: Psicopatologia II
Profa.: Ilka Franco Ferrari
Aluno: Wanderley Emídio Gomes

Referência Bibliográfica:
DOR, Joël. A estrutura obsessiva. In: Estruturas e clínica psicanalítica. Belo Horizonte:
Taurus Timbre,1991, p.97-110.

Informações sobre o autor:


JOËL DOR (1946-1999), psicanalista, foi membro do Centre de Formation et de
Recherches Psychanalytiques, em Paris. Lecionou na Universidade de Paris-VII, onde
mantinha seminários de clínica psicanalítica. Entre outros livros, escreveu: Bibliographie
des travaux de Jacques Lacan (1983); Introduction à la lecture de Lacan, tomo I: L’
Inconscient structuré comme un language (1985); Strutucture et perversions (1987); L’
Ascientificité de la psychanalyse, tomo I: L’ Alienation de la psychanalyse e tomo II: La
paradoxalité instauratrice (1988). O Pai e Sua Função Em Psicanálise - Jöel Dor;
Introdução à Leitura de Lacan - Jöel Dor; Estrutura e perversões - Jöel Dor; Estruturas
e Clínica Psicanalítica - Jöel Dor

Resumo:
Esta obra discorre de forma bem clara e com um conteúdo bem rico, uma
construção de conceitos psicanalíticos da estrutura obsessiva, foco desse
trabalho, como uma organização psíquica. O autor pondera seu trabalho como
embasamento teórico da psicanálise, considerando os conceitos das obras de
Freud e Lacan. Apresenta a estrutura obsessiva, a partir do processo de
atualização do desejo do sujeito diante da função fálica, no campo psicanalítico
passando pela problemática obsessiva, onde veremos a sua organização
psíquica que teria a particularidade da passagem do “ser” ao “ter”. Também
define os traços da estrutura obsessiva, a partir dos estereótipos estruturais e a
sua demarcação com relação aos sintomas, também apresentando o obsessivo
como característico à perda e a lei do pai. Esclarece de forma bem didática as
características do obsessivo e seus “objetos de amor”, no espaço de
investimentos, onde remete o sujeito diretamente a falta e seus objetivos.

Principais pontos do texto:

A problemática obsessiva.

O autor parte da abordagem da estrutura obsessiva a partir do processo de


atualização do desejo do sujeito diante da função fálica. Mostra a ambiguidade
entre a estrutura obsessiva da estrutura da histeria, visto o campo psicanalítico
se apoiar apenas na base de observações fenomenológicas e não em traços
estruturais.

Coloca em evidencia uma ocorrência onde, ao contrário do histérico, o


obsessivo sente-se amado demais pela mãe e que não constitui elemento
pertinente que permita opor facilmente o obsessivo ao histérico.

Ao colocar em evidência que o obsessivo é um sujeito que se sentiu amado em


demasia por sua mãe, é apontar algo de especifico do ponto de vista da função
fálica, um objeto privilegiado do desejo materno, privilegiado em seu
investimento fálico. Donde está fórmula já evocada “os obsessivos são os
nostálgicos do ser”, que demonstra o apoio na lembrança da relação que o
obsessivo manteve com sua mãe.

Segundo o autor, comenta que “Descobre-se sempre na história dos


obsessivos a menção a uma criança que teria sido a preferida pela mãe, ou
que pelo menos, pôde, num dado momento, sentir-se privilegiada junto a ela”. A
criança é presa nesta crença psíquica: a mãe poderia encontrar nela o que
supostamente espera do pai.

Na aposta fálica na dialética edipiana: a passagem do ser ao ter, onde a mãe


aparece à criança como dependente do pai no sentido de que este ultimo “faz a
lei” do ponto de vista do desejo. Esse deslocamento do atributo fálico, que
efetua a passagem do “ser” a “ter” não pode se realizar senão à medida que
alguma coisa consequente foi significada à criança, onde o desejo da mãe e
estritamente dependente da pessoa do pai. Essa significação dessa
dependência pode mobilizar a criança na dimensão do ter.

A propósito da “localização” do desejo da mãe, a criança poderá instalar,


imaginariamente, num dispositivo de suplência à satisfação do desejo materno.

Assim toda a ambiguidade evocada precedentes reside em torno desta


dependência do desejo da mãe e que pode se reduzir a duas significações que
não se recobrem totalmente: De um lado, a criança percebe que a mãe é
dependente do pai do ponto de vista do seu desejo; por outro lado não parece
receber por inteiro do pai o que suposta esperar, essa lacuna, na satisfação da
mãe, induz a criança para uma suplência possível.

Se a criança é logicamente levada à lei do pai pela referência do discurso


materno que ai inscreve o seu desejo, essa suplência não deixa de constituir
um apelo de oferecimento para uma persistência da identificação fálica, mas o
privilégio nunca passa de suplência à satisfação falha do desejo materno.

Os traços da estrutura obsessiva.

Aborda-se os estereótipos estruturais em ação na neurose obsessiva e a


consequente demarcação com relação à problemática dos sintomas. Também
é possível isolar certos traços estruturais que determinam o seu curso.
O autor enumera alguns traços de defesa sintomáticos da enfermidade da
demanda e ambivalência: as formações obcecantes, o isolamento e a anulação
retroativa, a ritualização, as formações reacionais, o trio: culpa, mortificação,
contrição, e o conjunto de quadro clínico habitualmente designado, desde
Freud, ela expressão “caráter anal”.

A questão indutora de a neurose obsessiva dar-se na marca da falha na


satisfação do desejo da mãe e se apoia na criança que percebe os indícios
significantes. Nessa fôrma relacional, é possível notar que a mãe mantém a
criança em seu gozo libidinal. E esse sentido que a falha da satisfação do
desejo materno se torna predeterminante.

O tema de sedução é então introduzido por Freud de uma maneira


perfeitamente característica. As obsessões aparecem como exprobrações
disfarçado que o sujeito se faria a si próprio, que segundo Freud, tratar-se-ia de
uma agressão sexual tendo sucedido a uma fase de sedução. Esses elementos
não constituem senão sintomas primários de defesa, contra os quais o Eu
reage de forma precisa mobilizando processos secundários de defesa.

Freud pressentira, na vertente da sedução materna, aparece como efeito, como


ocorrência determinante na medida em que podemos exatamente localizar o
ponto de impacto: a falha da satisfação do desejo materno, precocemente
significada à criança. É o significante desta falha que induzirá, junto à criança,
uma vivência psíquica singular, sentida como sedução.

É sempre a mãe que desperta e mantem a criança no registro do seu gozo


libidinal e desse ponto a criança não pode deixar de ser objeto de uma sedução
erótica passiva, por parte da mãe. Mesmo que a criança esteja preza a esse
gozo, em favor de uma falha do desejo da mãe, que lhe é significada, essa
sedução passiva então se redobra e o gozo resultante é vivenciado como
agressão sexual.

Essa atitude de acondicionamento passivo ao gozo estabelece uma das


estereotipias mais notáveis da estrutura obsessiva, através do qual o sujeito
evoca nostalgicamente sua identificação fálica, e que a criança, futuro
obsessivo, vai abordar a passagem decisiva do “ser” ao “ter” e é vivida, por
essa, na dimensão da insatisfação, já que é negada em sua identificação fálica
tendo em vista a intrusão paterna. A criança permanece, com efeito, prisioneira
do desejo insatisfeito da mãe.

Sobre o desejo, esse se desenvolve segundo um ritmo ternário. Esse se


separa da necessidade para entrar, em seguida, na demanda. E assim é
imediatamente tomado pela mãe insatisfeita que encontra ai um objeto de
suplência possível.

No sujeito obsessivo, admite sempre a marca impiedosa da necessidade, e por


outro lado, este e tomado pela doença na expressão de sua demanda. A
passividade masoquista, que lhe bem característica, resulta em grande parte,
da impossibilidade em que ele acha de poder demandar. Esta doença participa
da servidão voluntaria na qual se encerra com tanta facilidade o obsessivo.
Paradoxalmente, esta impossibilidade de demandar o leva a dever tudo aceitar,
tudo suportar.

A queixa repetitiva da qual se beneficia num fundo de sadização e aquilo que


por meio ele poderá, de volta assumir seu próprio gozo sintomaticamente
mortífero. E esse gozo é fortemente atualizado através das manifestações
reacionais que se resumem, no essencial, a laboriosas ruminações contra a
adversidade. Isso se explica ainda mais pelo fato de esta disposição do
obsessivo em se fazer o objeto do gozo do outro ser uma ressurgência de seu
status fálico infantil no qual ele se acha encerrado como criança privilegiada da
mãe.

A culpa, como sintoma reaparece, visto evocar indiretamente este privilégio


quase incestuoso da criança junto à mãe com respeito à castração. E por conta
dessa fixação erótica pela mãe, o obsessivo é continuamente tomado, de
maneira aguda, pelo temor da castração. Trata-se de uma referência à
castração simbólica, cujas manifestações mais especulares vão exprimir em
torno da questão da perda e da relação com a lei do pai.

O obsessivo, a perda e a lei do pai.

O obsessivo não pode perder. O obsessivo apresenta uma disposição favorável


a se constituir como tudo para o outro, deve tudo controlar e tudo dominar para
que outro não lhe escape de maneira nenhuma, para que ele não perca nada.
Se houver perda, e remetido à castração, uma falha em sua imagem narcísica.
Inversamente, ultrapassar a castração é sempre tentar conquistar e manter um
status fálico junto à mãe e, mais geralmente, junto a qualquer mulher. E como a
Lei do Pai permanece no horizonte do desejo obsessivo, a culpa é
irremediável.

Sendo a imago paterna onipresente, ela só pode atrair a rivalidade e a


competição tão prezadas pelos obsessivos. O obsessivo não larga uma
atividade incessante para se substituírem ao pai ou a outro representativo.
Então há a necessidade imperativa de “mata-lo” para ocupar seu lugar junto à
mãe. Esses desejos de morte sempre reaparecem permanentemente na
problemática obsessiva e sempre da mesma maneira. Ter o lugar do outro
investido inconscientemente como um representante potencial da referencia
simbólica paterna.

Ter o lugar do outro traz o obsessivo a todas as lutas de prestigio, a todos os


combates grandiosos e dolorosos. Assim não deixa nunca de reafirmar a
existência salvadora da castração. Tanto o Senhor lhe é insuportável, na
medida em que é suposto deter o que o obsessivo ambiciona, quanto deve
assim mostrar-se e assim permanecer.

Já para o histérico, o desavio para com o Senhor é sempre se esforçar para


assegurar que este lugar cobiçado é ilegítimo, ou seja, que o Pai não será
suplantando.
A prova do Pai/Senhor é constante e é objeto de uma perplexidade. Existe Lei
do Pai à qual é preciso tudo sacrificar ou se sacrificar e por outro lado, essa
mesma Lei deve ser regularmente frustrada e dominada por sua própria conta.

Segundo a famosa expressão de Freud “caráter anal” caracterizando os traços


específicos da personalidade obsessiva onde a perseverança e a obstinação
como dois veículos privilegiados dos investimentos obsessivos.

O obsessivo desconhece regularmente ter feito à experiência da castração que


é sempre, exatamente para ele, retorno à ordem da fronteira que limita a ilusão
de qualquer totalização, de qualquer domínio da globalidade.

Como Freud observava, o obsessivo é um mercenário impenitente engajado


numa luta sem fim para se assegurar do controle onipotente do objeto, e por
esta razão, dispõe de uma panóplia prodigiosa de vantagens secundárias da
neurose.

Outra manifestação ao nível da transgressão, onde o obsessivo está sempre


perplexo neste terreno, em razão de sua ambivalência especifica face à Lei do
Pai. Em contrapartida, a pregnância da Lei e a necessidade de a ela se referir
para escapar à culpa pelos ímpetos libidinais inconscientes, arrasta
inevitavelmente o obsessivo a situação de conflito.

O seu flerte com a transgressão se desenvolve o mais frequentemente, na


encenação fantasmática, onde ele pode lhe dar livro curso, Um dos únicos
registros em que a transgressão real pode se adiantar ao fantasma é o terreno
sexual e os das relações amorosas, onde então ela se realiza, principalmente
ao modo do action out. A transgressão se realiza, com maior frequência, à luz
de seu contrário. Apresenta um grande rigor moral e ostentatória e se faz
defensor das virtudes e do bem fundamentado das normas estabelecidas. Seu
cuidado com a honestidade em qualquer assunto dá plena medida da
comovente ingenuidade que demonstra em certas circunstâncias. Fica claro
que esta posição legalista, através da qual o obsessivo pactua com o grandioso
e o martirológico, só é tomada na medida inversa do desejo inconsciente de
transgredi-la.

O autor registra que se os santos são mais formidáveis especialistas na


questão do gozo, são os obsessivos os mais desvalorizados moralistas e os
devotos mais cegos em relação a esta questão.

Quantos as manifestações de defesas mais características:


 O isolamento, que tem como missão essencial desconectar um
pensamento, uma atitude, um comportamento da sequencia lógica em
que se inscrevem.
 O elemento psíquico, assim isolado de seu contexto, é, ao mesmo
tempo, neutralizado afetivamente, tendo como objetivo dissociar os
afetos de uma representação, ligadas a certos materiais recalcados. É
uma arma de defesa radical e sistemática que devemos o perfil
excessivamente controlado dos obsessivos.
 A ponderação aparente não tem outra consistência senão este controle
permanente exercido sobre um fundo de isolamento.
 Nos processos de tratamento analíticos, resiste galhardamente ao
processo da associação livre, onde o sujeito é chamado a ceder a toda
tentação de controle e de domínio do seu dizer, que poderia frustrar este
mecanismo de isolamento.

Sobre o humor, este não se deve a nada a não ser a densidade do


compromisso do qual se sabem, apesar de tudo, parte integrante: compromisso
entre os registros dos afetos interiorizados e isolados, e a necessidade de
testemunhar algo disso. O humor vem do desdém, constitui uma maneira
cômoda de descarregar os afetos sem nunca deixar este posto de observação
sobre si mesmo. Este fala de si a partir deste posto de observação neutro,
onde ele se diverte com este outro que é ele próprio.

Outra arma eficaz de defesa contra os afetos que trata da anulação retroativa,
que é um processo compulsivo de grande eficácia que consiste em colocar em
cena, ou em ato, um comportamento diretamente oposto àquele em que o
sujeito acaba de afirmar, assim ele recusa pensamentos ou atos, e tenta fazer
como se não tivessem acontecido. A anulação retroativa coloca em evidencia
um dos elementos conflitivos permanentes em que se debate o obsessivo, ou
seja, a oposição arcaica entre o amor e o ódio para com o objeto de
investimento. Trata-se de um mecanismo duplo de investimentos e
desinvestimentos característico da economia do desejo obsessivo: escapar do
desejo e anulá-lo o quanto puder a cada vez que se encontra engajado
autenticamente, numa dialética específica da estrutura que se exprime por
manifestações ainda mais estereotipadas quando concernem aos objetos
amorosos.

O obsessivo e seus objetos de amor

No espaço de investimentos dos objetos de amor, o obsessivo frequentemente


dá o melhor de si mesmo, paradoxalmente tudo e absolutamente nada, onde
“tudo”, no sentido de que ele pode tudo sacrificar e “nada” na medida em que
não aceita perder. É nessa dualidade que se estabiliza qualquer estratégica
desejante do obsessivo, questão essa que gira essencialmente em torno do
gozo do outro, diante do que convém tudo controlar, neutralizar todos os sinais
exteriores, pois o desejo deve estar ”morto”. Essa condição que permite a seu
desejo não encontrar nenhuma inquietação. O imperativo constante que o
anima em sua relação amorosa se deve ao fato de que o outro não deve nada
demandar, pois se o outro demanda, é o que ele deseja.

E também o obsessivo vai disponibilizar, em ato, energias para que ao outro


não falte nada, e não seja, portanto levado a sair de seu lugar. E dessa forma
controla e domina a morte desejante do outro. Se objeto está, portanto
presumivelmente ao abrigo de todo desejo. O embalsamento e a mumificação
do outro não tem preço. É um luxo diante do qual o obsessivo não recua nunca
já que nada é bastante bom para que o outro amado seja honrado em seu
lugar de morto. Não apenas o outro deve aceitar sua morte, mas ainda seria
mal visto o fato de não mostrar contente com tudo que se fez por ele com este
objetivo.

O obsessivo é muito sensível ao reconhecimento das homenagens que presta


ao seu parceiro amoroso. Se este está muito preocupado com a justiça, ora
não existirá maior injustiça que uma mulher que não demonstre
reconhecimento diante desta solicitude mortífera que deve tanto agradá-la. A
estratégia obsessiva consiste em se apropriar de um objeto vivo para
transformá-lo em objeto morto e assim cuidar para desta forma permaneça.

Desta forma o obsessivo para chegar a esse ponto pode:


 Enobrecer o seu objeto de amor enfeando-o, isto é, transformando-o em
objeto cada vez mais indesejável.
 Raciona por uma séria de princípios educativos e mundanos em nome
do bom gosto de da boa aparência.
 Fechar as mulheres em “armaduras” vestimentais tais em que quase
nada se mostre.

Nem todos os obsessivos tomam necessariamente o partido de tornar seu


objeto de amor indesejável, sendo que alguns são bastante sensíveis à
erotização do corpo do outro. O objeto erótico partilha a mesma função que o
carro esporte, sabendo que seu papel ideal é a imobilidade, a fim de que
através dele se possa admirar seu proprietário.

Em todos os casos, o objeto está morto, ele não deixará de fazer a experiência
crucial de um objeto morto que não suporta mais representar este papel. E o
interessante é que, quanto mais se lhes dá a morte, melhor ressuscitam, e
essas, por menores que sejam sempre anunciam grandes cataclismos no
obsessivo, que conhece, então, o amargo gosto da derrota infantil.

Para o obsessivo, nada é tão confortante e amável quanto um morto feminino,


e nada é mais inquietante e odioso que uma mulher viva, que pode gozar. Este
suporta tudo exceto uma coisa, que outro goze sem ele. O outro não pode
gozar sem o seu consentimento, sem sua autorização. Um morto não pode
gozar um morto que goza é um traidor. O obsessivo está pronto a sacrificar
tudo, para que as coisas voltem à ordem da morte do desejo, para que o outro
volte a ser seu objeto. Para um morto que não goza, o obsessivo desenvolve
uma generosidade sem limites e se prontifica para toda homenagem, todos os
esforços, todas as tarefas.

Em ocasiões destas estratégias de “recuperação”, o obsessivo pode, alias


mostrar-se mais histéricos que um autêntico sujeito histérico. Quanto mais se
esforça em ser tudo para o outro, mais o obsessivo significa a si como nada
sendo. Ora o que importa para o outro, é que um lugar seja dado para a falta,
pois sem a falta, o desejo não se sustentaria.

O parceiro feminino não se engana mais com isto, exceto quando encontra,
nessas tarefas de reabilitação, um terreno favorável para a expressão das
vantagens secundárias para a sua neurose pessoal. Aliás, é o que observamos
bastante frequentemente em certas parceiras femininas histéricas. Muitas
vezes uma neurose chama outra, no sentido de uma complementariedade dos
sintomas.

Comentários:
Peço desculpa pelo texto final, enorme, mas tudo que vi, eu não queria deixar
de pontuar O texto é bem interessante e tece conceitos bastante claros sobre
estruturas obsessivas, com uma escrita fácil e compreensiva, apesar de um
pouco repetitiva.

Interessante que durante a leitura e o reestudo, me vi, algumas vezes, sendo


representado pelas considerações do autor, e também percebi que já havia tido
relações com alguns amigos e pessoas, que tiveram comportamentos
semelhantes às essas estruturas obsessivas. Uma experiência fantástica!

Foi um estudo muito produtivo, extenso e valeu todo o esforço.