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Glauber Pedro de Andrade Rocha, nascido em Vitória da Conquista, Bahia, em 1939.

Cineasta e
escritor. Transformando a repressão política em exercício de liberdade, Glauber Rocha foi um
dos poucos artistas que abordaram questões tão complexas de forma tão original. Artista que
deu significado para os fenômenos relacionados à pobreza, buscando reverter “forças destrutivas
máximas” em impulso criador, mítico e onírico, e por isso mesmo, não tinha a pretensão de
explicar a miséria e escravidão de forma puramente política, seu cinema “metafórico”
e “alegórico”, buscava mergulhar no inconsciente coletivo.

Seus dois manifestos, Eztetyka da Fome e Eztetyka do Sonho, servem como base ética e
estética para entender melhor o seu cinema. Glauber Rocha vai da fome ao delírio, do
realismo ao surrealismo, fazendo da violência e do onírico a base de um novo
pensamento.

O primeiro manifesto, Eztetyka da Fome, foi publicado quando o diretor já tinha


filmado “Barravento” e obtido reconhecimento internacional com “Deus e o Diabo na
Terra do Sol”. Nesse manifesto Glauber expõe com urgência o “o paternalismo do
europeu em relação ao Terceiro Mundo” além da “linguagem de lágrimas e mudo
sofrimento” do humanismo, incapaz de expressar a brutalidade da pobreza. Contudo,
não se trata de romantizar a fome e a miséria, diz Glauber Rocha em seu texto que “a
pobreza é a carga alto destrutiva máxima de cada homem”.

A estética da fome e a ética do intolerável atravessam alguns de seus bons filmes como:
Barravento, Deus e o Diabo na Terra do Sol, O Dragão da Maldade Contra o Santo
Guerreiro. Sendo que é o filme Terra em Transe que trará nova forma no pensamento
da fome, explicitando o tema do delírio, do sonho e da irracionalidade.

Em seu próximo manifesto, Eztetyka do Sonho, ele parece dizer que nenhuma
explicação histórica, sociológica, marxista ou capitalista, pode dar conta da
complexidade da experiência da pobreza, algo que para ele é da ordem do
“incognoscível”, “impesado” e “intolerável”. E é a partir desse pensamento que o leva a
uma novo objetivo.

“A Estética da Fome era a medida da minha compreensão racional da pobreza em


1965”, escreve em seu novo manifesto: “Hoje recuso falar em qualquer estética. A
plena vivência não pode se sujeitar a conceitos filosóficos. Arte revolucionária deve ser
uma mágica capaz de enfeitiçar o homem a tal ponto que ele não suporte mais viver
nesta realidade absurda.”

No nosso Acervo Cultural estão disponíveis três obras literárias incríveis desse grande
diretor, além dos seus dois manifestos citados e seus melhores filmes.