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Filme o Leitor

O filme conta a historia de um advogado que na adolescência se


envolveu com uma mulher mais velha, Hanna. Os dois passam a ter um
caso tórrido, enquanto ela o ensina sobre a arte do amor, ele a introduz
no mundo literário, pois a cada encontro lê trechos de obras que estuda
no colégio, como Hamlet. Entretanto, Hanna desaparece misterioso, sem
avisa-lo e anos mais tarde a encontra num polemico julgamento. Hanna
é acusada com outras mulheres pelos crimes de guerra cometidos
durante o regime nazista. Hanna é condenada a prisão perpetua. Cabe
ressaltar, que Michael poderia ter a livrado de tal pena, uma vez, que
sabia que Hanna era analfabeta funcional e nada fez. Talvez por
arrependimento ele passa a gravar fitas com trechos de livros e envia
para Hanna na prisão. Devido a estas fitas ela aprende a ler e ao sair da
prisão Michael a ajuda, alugando um cômodo para a mesma ficar.

Discussões sobre o filme


O filme traz a tona vários temas polêmicos, por exemplo, se
direito pode ser confundido com moral? Se uma pessoa pode ser
condenada anos depois por algo que praticou e na época era legal?
Talvez, o comportamento de Hanna e as demais mulheres não fora
moral, entretanto, era legal, uma vez que o direito nazista permitia tal
ato. Com isso, concluímos que direito se distingue da moral, uma vez,
que o direito é o conjunto de regras que delimita uma sociedade,
enquanto moral é o conjunto de regras individuais, ou seja, são as
regras pessoais que o indivíduo estabelece como verdadeiras e orientam
a sua conduta.
Outro tema que aparece no filme é a pedofilia, uma vez, que uma
mulher bem mais velha se envolve com um adolescente. No Brasil o
correto não é falar de crime de pedofilia, mas sim de estupro de
vulnerável art. 217 no Código Penal. Pratica tal crime quem tiver
relações sexuais com menor de 14 anos. Então, o fato de Hanna ter
mantido relações com um adolescente de 15 anos pela nossa legislação
não seria crime de estupro de vulnerável.
Anexo:

Número: 70039857222
Tribunal: Tribunal de Justiça do RS Seção: CRIME
Tipo de Processo: Apelação Crime
Órgão Julgador: Oitava Câmara Criminal Decisão: Acórdão
Relator: Fabianne Breton Baisch Comarca de Origem: Comarca de Três
Passos
Ementa: APELAÇÃO CRIME. ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR.
ABSOLVIÇÃO. MEDIDA DE SEGURANÇA. INTERNAÇÃO. Hipótese em que,
atestada a inimputabilidade do réu e tratando-se o crime daqueles apenados
com reclusão, não restava outra solução senão a aplicação de medida de
segurança - art. 97 do CP. Incidente de insanidade mental onde atestado que,
ao tempo dos fatos, o inculpado era absolutamente incapaz de entender o
caráter ilícito dos mesmos, bem como de determinar-se de acordo com esse
entendimento. Descabimento da pretensão de tratamento ambulatorial,
reservado, para os inimputáveis, às hipóteses de crimes apenados com
detenção - art. 97, in fine. Periculosidade presumida pela própria lei, bem como
evidente dos autos, onde consta diagnóstico de pedofilia, transtorno depressivo
de nível psicótico, dependência química e instintos suicidas, atestando, os
médicos, que o agente representa perigo para si mesmo e para os demais.
Nesse contexto, a ausência de personalidade antissocial, conforme constou no
laudo, não tem o alcance pretendido pela defesa, no sentido de evidenciar
ausência de periculosidade. Mantida a medida de segurança de internação.
APELAÇÃO IMPROVIDA. (Apelação Crime Nº 70039857222, Oitava Câmara
Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Fabianne Breton Baisch, Julgado
em 20/04/2011)
Data de Julgamento: 20/04/2011
Publicação: Diário da Justiça do dia 12/05/2011