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4º Trimestre de 2018 – As parábolas de Jesus: as verdades e princípios divinos para uma vida abundante

PORTAL ESCOLA DOMINICAL


4º Trimestre de 2018 - CPAD
AS PARÁBOLAS DE JESUS: As verdades e princípios divinos para uma vida abundante
Comentários da revista da CPAD: Wagner Tadeu dos Santos Gaby
Comentário: Pr. Josaphat Batista Soares

Colaboração para o Portal Escola Dominical – Pr. Josaphat Batista Soares

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Ibotirama – Bahia


Avenida J.K. Nº 345 Centro Cep. 47.520-000 (77)3698-3367
Comentário – Pastor Josaphat Batista Soares

LIÇÃO 4

PERSEVERANDO NA FÉ

- INTRODUÇÃO
- Quando o cristão estaciona na fé e não se aprofunda no conhecimento das coisas de Deus, corre o risco de
ser levado por ventos de doutrinas (Ef 4.14) e apostatar, vindo a perder-se eternamente por não se
arrepender.
I – TEXTO BÍBLICO
Lucas 18.1-8
1 - E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer,
2 - dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava homem algum.
3 - Havia também naquela mesma cidade uma certa viúva e ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o
meu adversário.
4 - E, por algum tempo, não quis; mas, depois, disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os
homens,
5 - todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte e me importune
muito.
6 - E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.
7 - E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para
com eles?
8 - Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé
na terra?
II – PERSEVERANÇA E FÉ
1 - Perseverar
- "[Do gr. hupomonê; do lat. perseverantia]. Constância, tenacidade. Capacitação que o crente recebe,
através do Espírito Santo, para permanecer fiel até a vinda de Cristo Jesus. No grego, o termo serve para
ilustrar a coragem demonstrada pelo soldado em plena batalha. Perseverança é a virtude varonil que só o
filho de Deus pode ter" (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 13.ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 2004, p. 298).
- O tema da perseverança é um dos assuntos que causa polémica no meio evangélico. De um lado, os que
creem que o crente não perde a sua salvação; do outro, os que creem que é possível sim o crente apostar-se
da fé. Aqui, é importante ressaltar que não se deve confundir "apostasia" com o "pecado ou desvio

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acidental". Neste último caso a pessoa pode, à luz da parábola do Filho Pródigo, fazer o caminho de volta;
naquele, o coração é endurecido pelo engano do pecado, a pessoa se mostra com uma dura cerviz, assim, a
Palavra de Deus mostra que esse caminho não tem volta (Hb 3.13; 10.26,27).
OBS: A perseverança do salvo. A vida cristã não é um “mar de rosas”. Jesus afirmou aos seus discípulos
que teriam aflições, no mundo, mas que tivessem bom ânimo, pois Ele venceu o mundo (cf. Jo 16.33). Jesus
nos garante a vitória, na luta pela permanência como salvos em seu nome. Mas, para chegarmos na
eternidade, com Deus, é necessário que tenhamos perseverança. O cristão enfrenta lutas e desafios
constantes, a começar de parte de seus próprios familiares e conhecidos. O Senhor previu que pais e filhos
não se entenderiam, e que os crentes seriam odiados por causa de seu nome (Mt 10.21,22), mas que
“...aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 10.22b). Diante disso, não há base bíblica para a doutrina
da predestinação absoluta, segundo a qual uns já nascem para serem salvos, e outros, desafortunados, já
nascem miseravelmente predestinados à perdição. Isso não condiz com o caráter de Deus, revelado nas
Escrituras. Para ser salvo, é necessário crer em Jesus, com arrependimento, e permanecer salvo, através da
santificação (cf. Hb 12.14). A santificação se manifesta através da perseverança, em obediência aos ensinos
de Jesus.
III – EXEMPLO DE FÉ E PERSEVERANÇA NA PARÁBOLA DO JUIZ INÍQUO
- A Parábola do Juiz Iníquo (também conhecida como a Parábola da Viúva Inoportuna) é uma das bem
conhecidas parábolas de Jesus, apesar de aparecer em apenas um dos evangelhos canônicos. De acordo com
o Lucas 18:1-8, um juiz que é, ao mesmo tempo sem religião e sem compaixão, finalmente concorda em
fazer justiça a uma viúva pobre porque ela é muito persistente em suas demandas. Esta parábola demonstra a
necessidade de orar e nunca desistir. Encontra-se imediatamente antes da Parábola do Fariseu e do Publicano
(também sobre oração) e é semelhante à Parábola do Amigo Inoportuno.
OBS: A FALTA DA PERSEVERANÇA NA FÉ LEVA O CRENTE A APOSTASIA: (1) O crente por
sua falta de fé, deixa de levar plenamente a sério as verdades, exortações, advertências, promessas e ensinos
da Palavra de Deus (Jo 5.44,47). (2) Quando as realidades do mundo chegam a ser maiores do que as do
reino de Deus, o crente deixa paulatinamente de aproximar-se de Deus através de Cristo (Hb 7.19,25). (3)
Por causa da aparência enganosa do pecado, a pessoa se torna cada vez mais tolerante com ele na sua própria
vida (1 Co 6.9,10). (4) Por causa da dureza do seu coração (Hb 3.8,13) e da sua rejeição dos caminhos de
Deus, não faz caso da repetida voz e repreensão do Espírito Santo (1 Ts 5.19-22). (5) O Espírito Santo se
entristece (Ef 4.30); seu fogo se extingue e seu templo é profanado (1 Co 3.16). Finalmente, Ele afasta-se
daquele que antes era crente (Hb 13.14) (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD, pág. 1903).
IV – LIÇÕES DE PRESEVERANÇA NA FÉ
- (Parábola do Juiz iníquo - Recapitulando)
- A mulher viúva é tomada como exemplo da oração que agrada a Deus. Sua ação incansável e obstinada em
busca da justiça e do direito é o exemplo maior de fé e oração esperada por Deus. Essa parábola na maioria
das vezes é superficialmente interpretada limitando a força da parábola apenas à persistência na oração.
Ignora-se que, para além da persistência na oração, a parábola traz uma mensagem forte de luta incessante,
persistente e impaciente pela justiça. Luta que uma pobre viúva enfrenta diante de um insensível juiz. Ela o
enfrenta com uma atitude obstinada e até agressiva em busca de justiça.
1 - O que nos conta a Parábola?
- A parábola apresenta certa cidade onde havia um juiz que não temia a Deus e nem se importava com as
pessoas. Na mesma cidade, havia também uma viúva que se dirigia continuamente a ele dizendo: "Faze-me
justiça contra meu adversário!" (18,2-3). O juiz está bem descrito: Ele é um juiz que não teme a Deus e nem
se importa com as pessoas. E sobre a viúva? O que é dito? Não é apresentada qualquer informação sobre ela,
não se sabe sequer qual era a causa que aflige o direito dessa mulher. Sabe-se apenas que ela está sendo
prejudicada nos seus direitos por causa de alguém denominado de "adversário" e que por isso procura o juiz
a quem se dirige de forma contínua e persistente travando uma luta obstinada e incansável pela justiça.
OBS: - ARGUMENTO TEOLÓGICO E DEVOCIONAL - "A aplicação é clara e simples. Uma viúva
pode obter justiça de um juiz que não teme a Deus e não tem nenhuma consideração pelos seus semelhantes,
simplesmente pela sua vinda contínua. Quanto mais deveria um cristão ter fé e crer que um Deus justo, bom
e amoroso responderá as suas orações, embora Ele possa demorar- ou seja, embora as vezes pareça que a
resposta demora! Depressa, lhes fará justiça, ou seja, subitamente, inesperadamente, mas não

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necessariamente quando eles pensam que a resposta deve vir" (CHiLDERS, Charles. Comentário Bíblico
Beacon. Vol.6. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.467).
2 - "Faça-me justiça contra meu adversário"
- Essas são as únicas palavras da viúva na parábola. Nestas palavras está inscrita a história dessa viúva e a
história de tantas outras mulheres e grupos oprimidos em busca e em espera pela justiça em sua época.
Desprovido de temor a Deus e interesse pelas pessoas, o juiz não parece se importar pela situação daquela
mulher. A pobre viúva sem dinheiro ou poder tem a seu favor apenas o recurso da intimidação e da
persistência. A ação da viúva é expressa como uma ação contínua e ameaçadora que atinge o juiz onde ele
poderia ser atingido: na preocupação egoísta do seu próprio conforto.
3 - Aborrecer e importunar até que me faça justiça
- Essa foi a estratégia de luta dessa mulher. Ela vinha todos os dias diante do juiz e o importunava e o
aborrecia. O termo grego que aparece em 18,5 é "hypopiadzein" significa uma bofetada em baixo dos olhos
que deixa uma marca roxa característica que denuncia em público a agressão sofrida. O uso do termo na
parábola não quer dizer que isso tenha acontecido, mas que o juiz temia que isso pudesse acontecer o que lhe
causaria muito constrangimento público. Por isso, ele é coagido pela ação ativa e insistente e ameaçadora da
viúva a agir em favor dela. Naquela mulher obstinada, o insensível magistrado encontrou adversário à sua
altura. Ele podia ter sido assaltado por persistência obstinada antes, mas nenhuma que se igualasse aos
apelos infindáveis e insistentes desta mulher. Ele lhe fez justiça, não porque fosse justo ou mesmo
compassivo, mas porque percebeu que não conheceria um momento de paz até que atendesse aquela mulher.
4 - A vida das mulheres viúvas e o sistema injusto
- As viúvas e os órfãos sempre eram no mundo antigo, do ponto de vista estrutural, as primeiras vítimas das
injustiças e alvos de descaso e de tentativas de fraude e exploração. Desde o Antigo Testamento Deus
aparece intervindo em defesa dos grupos que sofrem essa injustiça estrutural. A viúva da parábola de Lucas
18,1-8 chama a nossa atenção pela sua persistência na luta pelos seus direitos. Ela se fundamenta no direito
divino. A atitude dessa mulher é do começo ao fim destacada como referência de quem se deve aprender.
Diante da violência do sistema injusto é preciso resistir com firmeza e intrepidez. Segundo Ivoni Richter, a
situação de vida e o atuar desta viúva não é um caso isolado na antiguidade. Com seu exemplo, a parábola
condensa a experiência de muitas viúvas, as quais, conforme a tradição veterotestamentária, tantas vezes
está exposta à injustiça, à não realização dos seus direitos. A parábola de Jesus assume positivamente a
experiência desta viúva que luta por seus direitos. E os conquista. Com isto, a parábola quer estimular e
animar as pessoas crentes à oração ativa e continua em meio ao sofrimento da vida. Portanto, a parábola
reflete a situação de vida das viúvas que muitas vezes tiveram que levantar-se e impor-se para garantir seus
direitos.
5 - A esperança escatológica e a justiça de Deus
- Os versos 6 a 8 inserem a parábola no contexto da esperança escatológica e aligam com o tema da vinda do
filho do homem de Lucas 17,20-37. Neste sentido, justiça, juízo, graça e perseverança são temas que se
unem na parábola. O estabelecer da justiça de Deus está vinculado à vinda do filho do homem que virá para
fazer justiça aos pobres e oprimidos que se confrontam com situações cotidianas de direitos negados. Mas, a
justiça de Deus é motivada pelo seu amor e sua misericórdia e não pela preocupação consigo mesmo como
no caso do juiz injusto da parábola. É nesse contexto que Lucas insere a parábola da viúva persistente,
advertindo para não desanimarmos na luta ativa para fazer presente a justiça de Deus.
6 - A impaciência e persistência da mulher como modelo de fé e oração
- A parábola encerra com a pergunta problematizante: "Quando o filho do homem vier, encontrará fé na
terra"? O exemplo da viúva persistente fica claramente apresentado como modelo a ser seguido pela
comunidade de discípulos e discípulas. A advertência de Jesus é quanto à espera ativa e persistente pelo
reinado de Deus. A fé aqui referida é sinônimo da postura e ação da viúva em que, na situação de injustiça
na qual parecia haver total ausência de Deus, ela se implica de maneira insistente e incansável. Portanto,
manter a fé significa não desanimar, não desistir e perseverar em busca incessante da realização da ação
salvadora e libertadora de Deus, comprometendo-se com seu projeto de justiça, principalmente para os
grupos mais excluídos e oprimidos para quem Ele, justo juiz, dirige sua misericórdia. O exemplo trazido
nessa parábola nos convida a viver uma fé não fatalista e não conformista, mas uma fé e oração ativa,
combativa e persistente comprometida e implicada com a luta pelos direitos das pessoas mais excluídas. A

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pergunta continua pertinente: Será que quando o filho do homem vier, encontrará fé como a dessa mulher?
Que a herança e exemplo dessa parábola nos ajudem a manter uma fé ativa e operante em meio ao mundo de
estruturas injustas.
OBS: - ARGUMENTO EXEGÉTICO "A Parábola do Juiz e da Viúva enfoca a oração persistente. Claro
que Jesus não está ensinando que Deus é como um juiz injusto. A parábola é dita num estilo 'quanto mais'.
Se um homem iníquo finalmente responde os clamores de uma viúva, quanto mais um Deus justo ouvirá as
orações dos seus filhos. "A parábola fala sobre uma situação da vida real. O juiz não tem reverência a Deus
ou respeito pelos direitos das pessoas. Uma viúva pobre envolvida num processo na mesma cidade pleiteia
com o juiz insensível para decidir em favor dela contra um adversário (v.3). Por um longo tempo ele não faz
nada, ignorando os clamores por justiça. Como outras viúvas naquela sociedade, ela é impotente e entre a
mais vulnerável das pessoas. Ela é dependente dos outros para cuidar dela" (ARRINGTON, F. L. In
ARRINGTON, French L.; STRONDAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2003, p.435).
- CONCLUSÃO
- A parábola do juiz iníquo é um poderoso exemplo de que nós não podemos deixar de orar e perseverarmos
na fé, não importa o que as adversidades digam. A oração nos fortalece no dia mal e nos dá sensibilidade
para ser gratos nos dias bons. O Senhor deseja ouvir a nossa voz em um relacionamento sincero e profundo
com Ele.

- Bibliografia
- A Bíblia Plenitude - E.R.C.
- A Bíblia de Estudos das profecias. E.R.A.
- Dicionário Oline
- Apontamentos Teológico do Autor

- Comentário Pastor Josaphat Batista – Pr. Presidente da Assembleia de Deus em Ibotirama-Bahia. Pós-
graduado em Docência do Ensino Superior - Bacharel em Teologia convalidado pelo MEC, Membro do
CEECRE (Conselho Estadual de Educação e Cultura Religiosa da CEADEB), Diretor da ESTEADI (Escola
Teológica da Assembleia de Deus em Ibotirama) Presidente do Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos
de Ibotirama (CONPLEI), Conferencista, Seminaristas, Escritor e fundador dos Congressos EBD no Campo
de Camaçari-Ba. - Aproveite e estude cursos gratuitos no CTECVIDACRISTA.COM e comentários
anteriores das Lições Bíblicas EBD. Ver outros comentários (anteriores) do trimestre em vigor no Site:
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